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Numero do processo: 10735.720074/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes despesas médicas e a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
Numero da decisão: 2202-003.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de deduções de despesas médicas no valor de R$ 22.622,16.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes despesas médicas e a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
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PLANO DE SAÚDE. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes despesas médicas e a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de deduções de despesas médicas no valor de R$ 22.622,16. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 00 74 /2 01 4- 39 Fl. 174DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 92/97), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas e pagos a: 1) Anderson Diego dos Santos Oliveira, em valores que somam R$ 13.440,00; Eliane da Luna Passeri Apostoli, no valor de R$ 3.800,00 e Alessandra Cunha Barbato, no valor de R$ 3.200,00, por não conterem o número do registro profissional e nem o endereço dos emitentes; 2) Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado do RJ, no valor de R$ 10.949,56, por falta de comprovação. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial (pois do total glosado de R$ 31.389,56, questionou R$ 28.209,56, sem especificar o que não estaria impugnando) e juntados documentos (fls. 02/78). A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 108/109, sob os seguintes argumentos: 1) nos recibos apresentados na impugnação permanece ausente o endereço dos emitentes, requisito obrigatório que inviabiliza a dedução da despesa; 2) a declaração do IPALERJ, relativa ao pagamento de plano de saúde, informa serem beneficiários do plano o próprio contribuinte, sua esposa e seu filho. A esposa apresentou declaração em separado e não é dependente do contribuinte. O filho, maior de 21 anos de idade, não comprova ser universitário. Na informação emitida pelo IPALERJ não há discriminação dos valores de cada beneficiário, não sendo possível apropriar a dedução relativa ao próprio contribuinte. Cientificado dessa decisão por via postal em 20/10/2014 (A.R. de fls. 115), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 18/11/2014 (fls. 117/168), insurgindose contra a manutenção das glosas da dedução dos recibos médicos e trazendo declarações dos profissionais, onde firmam seus endereços. Com relação ao plano de saúde, informa que no atendimento da malha fiscal já havia comprovado que o filho Leonardo Couto Proença Ribeiro era estudante universitário mas para sanar qualquer dúvida, anexa ao recurso declarações da Sociedade de Ensino Estácio de Sá atestando que estava efetivamente matriculado e cursando Direito no ano de 2011, juntando também os recibos de pagamentos à universidade. Afirma que o plano de saúde do IPALERJ assegura assistência médica e hospitalar a todo o grupo familiar, mediante contribuição mensal de 3,5% descontada em contra cheque. Que o valor cobre todo o grupo familiar, independente de quantos o compõem. Que seu grupo familiar é composto por ele, declarante, sua esposa Augusta, seu filho Leonardo e sua filha Larissa. Que Augusta não é sua dependente, mas beneficiária da assistência médica e hospitalar, por integrar o grupo familiar. Assevera que as contribuições ao plano de saúde foram instituídas pela Lei 320/1980 e requer seja considerado dedutível todo o valor pago no ano de 2011. Anexa Certidões de casamento e de nascimento dos filhos; Termo de Atendimento à Intimação Fiscal (malha fiscal); comprovantes de pagamento à Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá do filho Leonardo; Histórico Oficial de Graduação da filha Larissa Couto Proença Ribeiro, emitido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10735.720074/201439 Acórdão n.º 2202003.863 S2C2T2 Fl. 175 3 declarações dos profissionais Alessandra Cunha Barbato (fonoaudióloga), Eliana da Luna Passeri Apotólico (psicóloga) e Anderson Diego dos S. Oliveira (fisioterapeuta) informando seus endereços; declaração de matrícula de Leonardo na Universidade Estácio de Sá; a mesma declaração já apresentada na impugnação, do IPALERJ, onde consta que Jorge Proença Ribeiro contribuiu em 2011, para o custeio do grupo familiar constituído por ele e sua esposa com a importância anual de R$ 8.767,40 e para o custeio do filho Leonardo, até setembro/2011, com o valor de R$ 2.182,16. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de documentos relativos a despesas médicas pagas pelo declarante, pela falta de informação do endereço dos profissionais nos recibos firmados por Alessandra Cunha Barbato, Eliane de Luna Passeri Apostólico e Anderson Diego dos S. Oliveira e pela falta de comprovação dos valores pagos por beneficiário ao plano de saúde, uma vez que o demonstrativo apresentado engloba os pagamentos do contribuinte e de sua esposa (não dependente) e do filho. Em seu recurso o interessado juntou aos autos as declarações dos profissionais informando seus endereços. Reconheço que o Decreto 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Pelo conjunto probatório apresentado, resta sanada a falta apontada nos recibos dos profissionais Alessandra Cunha Barbato (R$ 3.200,00), Eliane de Luna Passeri Apostólico (R$ 3.800,00) e Anderson Diego dos S. Oliveira (R$ 13.440,00), devendo ser restabelecida a dedução das despesas pagas que somam R$ 20.440,00. Quanto ao plano de saúde o recorrente alega que a contribuição paga, instituída pela Lei nº 320/80/RJ, tem alíquota fixa e engloba todo o grupo familiar, sem distinção do número de participantes. Não é o atesta a declaração por ele trazida que discrimina um valor referente ao seu filho Leonardo e outro valor que seria a soma das importâncias do próprio declarante e de sua esposa. A DIRPF do contribuinte está às fls. 82/88 destes autos, onde se vê que os dois filhos, Leonardo e Larissa, estudantes universitários à época com 24 e 21 anos Fl. 176DF CARF MF 4 respectivamente, foram declarados como seus dependentes e não houve qualquer glosa por parte da fiscalização com relação a dedução dos dependentes nem às despesas com sua instrução. A Autoridade julgadora da DRJ equivocase ao motivar a improcedência da impugnação na falta de comprovação de que o filho do declarante seria estudante universitário. Os documentos dos autos não deixam dúvidas de que o filho Leonardo era estudante universitário e mantinha sua condição de dependente do declarante para fins de IRPF do declarante. Da mesma forma a filha Larissa. Em seu recurso o sr. Jorge Proença afirma que Larissa pertence ao grupo familiar beneficiado pelo plano de saúde do IPALERJ porém, verificase que na declaração do IPALERJ, às fls. 150, Larissa não consta como sua dependente/beneficiária. De qualquer sorte, a discussão nestes autos gira em torno da possibilidade de aceitação do valor total pago pelo declarante ao plano de saúde do IPALERJ pois tal plano teria como beneficiários o próprio declarante, seus dois filhos (dependentes) e sua esposa (não dependente). A resposta é não. Sobre a matéria, a orientação do "perguntas e Respostas" que disciplina sobre o preenchimento da DIRPF a partir do exercício de 2009: 358 — O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? O contribuinte, titular de plano de saúde, não pode deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Pelos documento acostados aos autos, dos valores pagos ao IPALERJ para custeio do plano de assistência médica e hospitalar, está identificada apenas a parcela relativa ao dependente Leonardo Couto Proença Ribeiro, de R$ 2.182,16, devendo ser restabelecida a dedução neste valor. Como o interessado não comprova de forma individualizada o valor correspondente à sua própria contribuição, deve ser mantida a glosa da diferença (R$ 8.767,40). Deste modo, com base nas provas apresentadas, há que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, no valor de R$ 22.622,16. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas, no valor de R$ 22.622,16. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10735.720074/201439 Acórdão n.º 2202003.863 S2C2T2 Fl. 176 5 Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907891/2012-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.800
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.798, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 91 /2 01 2- 33 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907891/201233 Acórdão n.º 9303004.800 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907891/201233 Acórdão n.º 9303004.800 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10875.907891/201233 Acórdão n.º 9303004.800 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.720881/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/12/2007, 02/06/2008, 16/07/2008, 29/07/2008
FALTA DE TIPIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O importador prestou informação inexata, de natureza administrativo- tributária, ao órgão de controle aduaneiro dos despachos em curso, necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, sendo exigível a multa prevista no art. 69, caput e parágrafo 1º, da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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INOCORRÊNCIA. O importador prestou informação inexata, de natureza administrativo tributária, ao órgão de controle aduaneiro dos despachos em curso, necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, sendo exigível a multa prevista no art. 69, caput e parágrafo 1º, da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 08 81 /2 01 2- 51 Fl. 185DF CARF MF 2 Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1659.203, proferido pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, no qual foi julgada improcedente a impugnação apresentada. Versa o presente processo administrativo sobre exigência de penalidade por prestação de informação administrativotributária inexata, prevista no art. 69 da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do Acórdão recorrido (fls.119 a 123), em parte: A fiscalização diz que a INDUSTRIA CARBONIFERA RIO DESERTO LTDA, CNPJ 83.286.500/000169, registrou as Declarações de Importação nºs 07/17188633, 08/08140552, 08/10766331 e 08/11522150 a fim de nacionalizar mercadorias estrangeiras, deixando, porém, de recolher parte do PIS/IMPORTAÇÃO e da COFINS/IMPORTAÇÃO alegando estar amparada pelo Mandado de Segurança nº 2007.72.00.0083307/SC, tendo sido impetrado em 10/07/2007 contra o Inspetor da Receita Federal em Imbituba/SC e Delegado da Receita Federal em Florianópolis/SC com vistas a obter provimento jurisdicional para eximirse do recolhimento do PIS Importação e da COFINSImportação incidentes sobre os acréscimos ao valor aduaneiro trazidos pela Lei nº 10.685/2004. Relata também que ao submeter as mercadorias ao despacho aduaneiro de importação, a autuada deixou de recolher as contribuições incidentes sobre os acréscimos trazidos pela Lei nº 10.685/2004, informando apenas no campo de “Dados Complementares” estar amparada pelo Mandado de Segurança nº 2007.72.00.0083307/SC, que, conforme visto, foi impetrado, em 10/07/2007, contra o Inspetor da Receita Federal em Imbituba/SC e contra o Delegado da Receita Federal em Florianópolis/SC, mas não em relação a Itajaí, restando citar o art. 472 da Lei nº 5.869/1973 – Código de Processo Civil, no tocante às decisões judiciais somente alcançarem as partes integrantes do processo, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. A interessada apresentou impugnações relativas à penalidade exigida, alegando, em síntese, que: desde 2009 possui decisão que lhe assegura apurar e recolher o PIS e a COFINS importação sem a inclusão de impostos ou de contribuições na base de cálculo, em específico mandado de segurança contra os Senhores Inspetor Chefe da Alfândega da Receita Federal do Porto de Itajaí/SC e Delegado da Receita Federal do Brasil em Itajaí/SC. tendo em vista que o lançamento ocorreu em 2012, a autuação é irregular e grave desobediência a expressas decisões e determinação do Poder Judiciário Federal, inclusive diretamente oficiadas ao Sr. Delegado da Receita Federal em Itajaí/SC e à Fazenda Nacional. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201251 Acórdão n.º 3301003.460 S3C3T1 Fl. 186 3 recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional carece de qualquer efeito suspensivo das decisões judiciais plenamente tutelatórias de seu direito. a infração regulamentar é totalmente improcedente por possuir decisão judicial e também por não se encontrar tipificada nos dispositivos constantes no art. 84 da MP 215835/2001. requer o cancelamento do auto de infração. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/12/2007, 02/06/2008, 16/07/2008, 29/07/2008 Informação administrativotributária inexata. É exigível a penalidade prevista pelo art. 69 da Lei. Nº 10.833/2003, combinado com o art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, para o importador que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 128 a 145), reiterando as razões já colocadas na peça impugnatória. Questiona, ainda, que se a suposta obrigação principal fora afastada pelo STF por inconstitucionalidade, eventual obrigação acessória, decorrente e dependente da primeira pode ser mantida. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida e o cancelamento da autuação. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 187DF CARF MF 4 A recorrente afirma, em seu recurso voluntário, que "quando destes registros de importação, contava [...] com decisão judicial antecipatória", que lhe assegurava o direito pleiteado, contra o Inspetor em Imbituba/SC e Delegado em Florianópolis/SC, "sendo a importação aqui em questão promovida pelo Porto de Itajaí/SC" (na verdade, não uma importação, mas quatro delas). De fato, no curso do Mandado de Segurança (MS) nº 2007.72.00.008330 7/SC, impetrado contra as autoridades jurisdicionantes do Porto de Imbituba/SC e da Delegacia de Florianópolis/SC, fora exarada decisão, em 2007, deferindo ordem liminar para determinar que "a incidência do PIS e da COFINSimportação se dê sobre a base de cálculo constituída unicamente do valor aduaneiro, com a exclusão do ICMS" (fl. 35), o que registrou nos "Dados complementares" das DIs autuadas. Somente em 2009, portanto, em momento bem posterior ao do registro das declarações de importação (DIs) autuadas, o que ocorrera nos anos de 2007 e 2008, e no curso de outro mandado de segurança, diverso, obviamente daquele informado nos "Dados complementares" das ditas DIs, a recorrente obteve decisão contra autoridade autoridade tributária aduaneira com jurisdição sobre o Porto de Itajaí. Postos estes fatos, concentremonos na questão da tipificação ou não do ilícito. Na peça autuatória, consta que: Neste contexto, INDUSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA., CNPJ 83.286.500/000169, registrou as Declarações de Importação nºs 07/17188633, 08/08140552, 08/10766331 e 08/11522150 a fim de nacionalizar mercadorias estrangeiras, deixando, porém, de recolher parte do PIS/IMPORTAÇÃO e da COFINS/IMPORTAÇÃO, informando apenas no campo de “Dados Complementares” (e não no campo apropriado para tal, qual seja, campo “Processo” na ficha “Básicas” do SISCOMEX) estar amparada pelo Mandado de Segurança nº 2007.72.00.0083307/SC. [...] Além disso, em função da existência das (sic) ação judicial acima identificada, a autuada deixou de informar (no campo apropriado) os valores devidos a título do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, os quais deveriam integrar a base de cálculo dos valores do PIS/Importação e da COFINS/Importação a pagar, deixando indicada a alíquota 0,00% a título de tal tributo no campo especialmente criado para tal informação (dentro das respectivas adições). Do exposto, emergem dois fatos fundamentais para o presente voto: a) o importador informou a existência do MS de 2007 apenas no campo "Dados Complementares" das DIs autuadas, campo de texto, no qual o importador registra meras informações adicionais e esclarecimentos sobre a declaração ou sobre o despacho aduaneiro, sem qualquer efeito sobre o direcionamento automático do despacho aduaneiro então iniciado; quando deveria fazêlo no campo “Processo”, ficha “Básicas”; e b) o importador deixou indicado no campo destinado à alíquota de ICMS, que integra a base de cálculoda PIS e da COFINS Importação, o valor 0,00%; quando o valor aplicável ao caso seria de 17%, segundo planilhas de cálculo à fls 39 à 44 (a aplicação de tal alíquota não foi questionada pela recorrente). Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201251 Acórdão n.º 3301003.460 S3C3T1 Fl. 187 5 A IN SRF nº 680/2006, que disciplina o despacho aduaneiro de importação, determina, em seu art. 4º e Anexo Único, as informações a serem prestadas pelo importador, quando da formulação da Declaração de Importação no Siscomex, entre elas: 8 Processo Tipo e identificação do processo formalizado na esfera administrativa ou judicial que trate de pendência, consulta ou autorização relacionada à importação objeto do despacho. Valor da alíquota do ICMS. 49 Pis/Cofins 49.1 Alíquota do ICMS Valor da alíquota do ICMS. O parágrafo 1º do art. 69 da Lei nº 10.833/2003, expressamente referido na autuação, amplia o tipo legal da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, "ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado". Ora, o que se constata no presente caso é justamente que o importador prestou de forma inexata informação de natureza administrativo tributária necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Vejamos. A informação sobre a decisão judicial foi prestada de forma inexata, porque constou apenas do campo "Dados Complementares" e não do campo campo “Processo”, ficha “Básicas”, do SISCOMEX, aquele no qual deveria ser obrigatoriamente declarado o processo judicial, em obediência aos ditames da nº 680/2006. A informação sobre a alíquota de ICMS foi prestada de forma inexata, deixando o importador o campo "zerado", quando lá deveria constar a real alíquota do imposto. Ambas são informações de natureza administrativo tributária, porquanto dizem respeito às citadas contribuições e por afetar o controle aduaneiro em curso. A informação sobre a decisão judicial prestada no campo “Processo”, ficha “Básicas”, além de obrigatória, conforme disposto na referida Instrução Normativa, era necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado; posto que se fosse preeenchido o tal campo "Processo", o direcionamento do despacho aduaneiro seria outro, com a parametrização para canal de conferência, verificação dos efeitos da ordem judicial e eventual lavratura de auto de infração a prevenir decadência. Assim também, quando "zerou" o campo de valor de alíquota de ICMS, terminou por evitar a detecção automática de recolhimento de tributos a menor e a emissão de alerta à Fl. 189DF CARF MF 6 autoridade aduaneira,. Tudo em prejuízo do controle aduaneiro. Reproduzo abaixo trecho da autuação que esclarece o prejuízo sofrido pelo controle aduaneiro: O preenchimento de alíquota 0,00% a título de ICMS nas adições das Declarações de Importação, caracteriza a prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, capaz de influenciar no controle aduaneiro apropriado, na medida em que impede a detecção automática do sistema SISCOMEX de ocorrência de recolhimento de tributo em valor inferior ao que a RFB entende ser devido, propiciando, como conseqüência, a fuga ao controle aduaneiro adequado à situação acima retratada. Além disso, o preenchimento inadequado do campo “Processo” na ficha “Básicas”, caracteriza a prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, capaz de influenciar no controle aduaneiro apropriado, na medida em que propicia a fuga ao adequado direcionamento da Declaração de Importação a um canal de conferência aduaneira adequado, com parâmetro de verificação apropriado. Ressaltese que o preenchimento do campo “Processo” da ficha “Básicas” com número de processo vinculado, administrativo ou judicial, faz com que o sistema SISCOMEX entenda, de forma automática, que as informações constantes na respectiva Declaração de Importação devem ser complementadas e analisadas em conjunto com o processo citado, sendo inadequada sua análise sumária e automática. Assim, considerando o notório aumento no volume do comércio internacional, tendo como conseqüência a crescente demanda dos serviços aduaneiros, é de praxe que a fiscalização, no intuito de propiciar a necessária agilidade ao procedimento de importação e com base no § 1º do art. 24 da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, apóiese na análise feita de forma automática pelo sistema SISCOMEX, restringindo a análise documental, nos diversos canais de conferência aduaneira, somente aos campos da Declaração de Importação apontados pelo sistema como motivadores para sua seleção. Em outras palavras, ao deixar de preencher de forma adequada os campos apropriados para o número da ação judicial e da alíquota do ICMS, o contribuinte iludiu o sistema, fazendo com que o mesmo deixasse de emitir o alerta à fiscalização sobre a necessidade de verificação, no curso do despacho de importação, da regularidade dos valores recolhidos a título de PIS/Importação e COFINS/Importação; da abrangência, termos, condições e aplicabilidade da ação judicial ao caso concreto, bem como, do adequado encaminhamento ao setor competente para providências de lançamento para prevenção da decadência dos tributos que deixaram de ser recolhidos. A falta dos referidos alertas fez com que, mesmo nos despachos direcionados ao canal de conferência aduaneira amarelo, a fiscalização se ativesse à análise de outros aspectos das Declarações de Importação, os quais foram apontados pelo sistema SISCOMEX como motivadores para o direcionamento das DIs aos citado canal. Assim posto, resta clara a tipicidade da infração praticada. A recorrente alega ainda que os incisos do parágrafo 2º do art. 69 , da Lei nº 10.833/2003, são taxativos e exaustivos a discriminarem "quais as precisas informações que assim justificariam e autorizariam a aplicação da penalidade [...]" (grifos do original), afirmando que, entre as mesmas, não consta, a suposta omissão de valores de tributos na base de cálculo do PIS/ COFINS importação. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201251 Acórdão n.º 3301003.460 S3C3T1 Fl. 188 7 Tal rol de informações é assim referido pela diccção do citado parágrafo 2º: "As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo ...". A referida IN SRF nº 680/2006, ato normativo do Fisco Federal, determina a prestação de informação sobre o processo judicial, e que seja prestada no campo apropriado, e a real alíquota de ICMS, enquadrandose pois entre as informações referidas, aplicandose o parágrafo 1 o do dito dispositivo, o qual determina a penalidade imposta. Argumenta ainda a recorrente que os efeitos de tal decisão de 2009, esta que está conforme com decisão vinculante do STF, operamse desde o início, desde que confirmadas no trânsito em julgado. Entende que seus efeitos afetam, inclusive retroativamente, a base de cálculo das contribuições em foco, ensejando a exoneração de créditos tributários eventualmente lançados. Esse, no entanto, não é o tema da autuação em pauta, qual seja, a multa pela prestação de informação administrativotributária inexata, prevista na legislação, fato que ocorreu, prejudicando sobremaneira o controle aduaneiro a ser exercido à época do registro das DIs em pauta. Não sofre, portanto,a autuação da multa, efeitos de decisão sobre questão diversa: a base de cálculo das contribuições. Na mesma toada, a alegação da recorrente de que recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional carece de efeito suspensivo em nada acrescenta à discussão, por lá não ser discutida a penalidade objeto dos presentes autos. Indaga a recorrente que se a suposta obrigação principal fora afastada pelo STF por inconstitucionalidade, como pode eventual obrigação acessória, decorrente e dependente da primeira ser mantida. O obrigação de prestar informação exata acerca da existência de ordem judicial a amparar a redução da base de cálculo das contribuições, bem como de informar a alíquota correta de ICMS, não decorrre da obrigação tributária de recolher os contribuições nos termos da lei vigente. Tratase de obrigação autônoma que tem seu nascimento determinado pela inobservância da obrigação de prestar informação exata. Em outros termos, subsumindo se o fato à norma, surge a obrigação na forma da penalidade aplicada pela fiscalização. Ainda que, por hipótese, houvesse uma relação de decorrência (que não é o caso), o STJ já teria firmado entendimento de que a obrigação acessória prevista no CTN, constitui dever instrumental e independe da obrigação principal, subsistindo ainda que o tributo seja declarado inconstitucional: O STJ possui o entendimento de que 'a obrigação acessória prevista no artigo 113, § 2º c∕c 115, do CTN, constitui dever instrumental, independente da obrigação principal, e subsiste, ainda que o tributo seja declarado inconstitucional, principalmente para os fins de fiscalização da Administração Tributária' (AgRg no Ag 1.138.833∕RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 6.10.2009)" (STJ, 2ª Turma, AgRg no AREsp 783.791∕SP, de 15/02/2015, rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 15∕12∕2015, DJe 5∕2∕2016.). Fl. 191DF CARF MF 8 Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901197/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 11 97 /2 01 3- 93 Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10875.901197/201393 Acórdão n.º 1301002.448 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10875.901197/201393 Acórdão n.º 1301002.448 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10875.901197/201393 Acórdão n.º 1301002.448 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10875.901197/201393 Acórdão n.º 1301002.448 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10875.901197/201393 Acórdão n.º 1301002.448 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902218/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 22 18 /2 00 8- 71 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13896.902218/200871 Acórdão n.º 1402002.554 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13896.902218/200871 Acórdão n.º 1402002.554 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13896.902218/200871 Acórdão n.º 1402002.554 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13896.902218/200871 Acórdão n.º 1402002.554 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13896.902218/200871 Acórdão n.º 1402002.554 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 350DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.723668/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008
COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. RETORNO DE DILIGÊNCIA .
O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina que os processos administrativos que retornam de diligência devem ser distribuídos ao relator que a determinou, independentemente de sorteio.
Numero da decisão: 1201-001.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o Recurso Voluntário, devendo o processo ser encaminhado ao Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por força do que preceitua o Regimento Interno do CARF.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luiz Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: Relator
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RETORNO DE DILIGÊNCIA . O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina que os processos administrativos que retornam de diligência devem ser distribuídos ao relator que a determinou, independentemente de sorteio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o Recurso Voluntário, devendo o processo ser encaminhado ao Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por força do que preceitua o Regimento Interno do CARF. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luiz Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 36 68 /2 01 0- 35 Fl. 4958DF CARF MF 2 Relatório Os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados na Resolução nº 1302 000.270, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, de sorte que pedimos vênia para reproduzilos: ACEF ASSOCIAÇÃO CULTURAL E EDUCACIONAL DE FORTALEZA E OS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS ARROLADOS, já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 0822.927, de 29 de fevereiro de 2012, da 3ªª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A exigência foi lavrada após a expedição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 032, de 10 de março de 2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza que declarou suspensa a imunidade tributária da Associação Cultural e Educacional de Fortaleza (ACEF), relativamente aos anoscalendário 2006 e 2007, face à inobservância do disposto nos incisos I e II do art. 14 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Em decorrência da suspensão da imunidade, foram lavrados Autos de Infração (e termo de sujeição passiva solidária) com aplicação da multa qualificada de 150%, relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 12.834.391,91; Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 631.948,12; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 4.671.226,99 e Contribuição para Financiamento da Seguridade social (COFINS) no valor de R$ 2.904.358,77, alcançando o Crédito Tributário – consolidado até o dia 31.5.2011 – a importância de R$ 21.041.925,79 (vinte e um milhões, quarenta e um mil, novecentos e vinte e cinco reais e setenta e nove centavos). Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, de fls. 462 a 468, contra José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315). Cientificados do Auto Declaratório e dos autos de infração, os interessados impugnaram tempestivamente o ato declaratório e o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: I ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Os fatos que deram margem à “Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade" (fls. 2/7), conforme relatado pelos autores do procedimento, foram apurados a partir de fiscalização iniciada Fl. 4959DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.275 3 junto à empresa Comércio de Produtos Educacionais e Participação S/A (COPEP). Foi constatado que, por intermédio dessa empresa (COPEP), a Associação Cultural e Educacional de Fortaleza (ACEF), que se apresenta como uma das mantenedoras do Colégio Christus, teria desviado recursos da ordem de R$ 10.008.200,00 (ano=calendário de 2006) e R$ 2.150.400,00 (anocalendário 2007), originários das receitas auferidas sob o manto da imunidade tributária, para empresas mercantis vinculadas aos proprietários do referido Colégio, burlando, dessa forma, os requisitos inseridos nos incisos I e II do art. 14 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 1966, para o gozo da referida imunidade tributária. Analisando as alegações e provas apresentadas pela ACEF, às fls. 360/364, contra a proposta de suspender a imunidade em questão, a autoridade fazendária produziu a Informação Fiscal, de fls. 375/380, que serviu de base para a expedição do Despacho Decisório (fls. 382) e do Ato Declaratório Executivo nº 032, de 10 de março de 2011 (fls. 383), suspendendo a imunidade da interessada, com relação aos anoscalendário 2006 e 2007. IMPUGNAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO Cientificada do Ato Declaratório e do Despacho Decisório em 16.3.2011, a a entidade apresentou, em 5.4.2011, às fls. 386 a 394, impugnação dirigida a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), alegando que: a ação fiscal é nula porque, no seu entender, o fisco teria utilizado indevidamente o parágrafo único do art. 116 do CTN (norma até hoje não regulamentada) com a finalidade de desconsiderar o investimento realizado pela ACEF (ato jurídico perfeito de compra de partes beneficiárias) para enquadrálo como uma "distribuição de lucro", o que na verdade não é; tentando fugir ao limite imposto pela lei, o Delegado da Receita Federal chega a afirmar que "por sua vez, as operações de aquisição de partes beneficiárias não foram desconsideradas pela fiscalização, mas sim demonstradas que tal operação serviu para comprovar que a empresa COPEP foi utilizada apenas como instrumento para a dissimulação dos aportes de capital oriundo das receitas do Colégio Christus, auferidas sob o manto da imunidade e, posteriormente desviadas..” (item 18, p. 358); embora diga que as operações de aquisição de partes beneficiárias não foram desconsideradas pela fiscalização, logo em seguida o Delegado da Receita diz que essas mesmas operações teriam sido utilizadas apenas como instrumento para a dissimulação dos aportes de capital... A contradição é evidente. Na verdade, as operações de aquisição de partes beneficiárias foram sim desconsideradas pela fiscalização e pelo Delegado da Receita. Isso, todavia, não poderia e não pode ocorrer sem o procedimento a ser estabelecido em lei ordinária; Fl. 4960DF CARF MF 4 da forma que foi realizada, portanto, toda a ação fiscal é nula de pleno direito por ofensa frontal ao disposto na parte final do parágrafo único, do art.116 do CTN; além disso, nada justifica a desconsideração da compra das partes beneficiárias em causa, que foi feita às claras, com propósito negocial e com regular registro na contabilidade da ACEF, da COPEP e das empresas nas quais a COPEP investiu; não houve a alegada dissimulação, muito menos desvio de recursos da defendente; é incontroverso nos autos que todos os fatos estão regularmente documentados e indicados na contabilidade da ACEF, da COPEP e das empresas nas quais a COPEP investiu; o ato declaratório, baseado no fato de a empresa emitente das partes beneficiárias ter apurado lucro modesto, enquanto a ACEF obteve superávit elevado, revela uma contradição; não é razoável que a imunidade tenha sido suspensa em razão de a ACEF ter apurado no curto prazo um pequeno lucro no investimento que fez em partes beneficiárias e, por outro lado, ter auferido um bom superávit na prestação dos serviços de ensino; o investimento que a ACEF fez ao adquirir partes beneficiárias não tem pela sua própria natureza valor certo de remuneração e no caso é de longo prazo, com o seu maior retorno ainda por vir. Tem por objetivo a constituição de fundo de reserva necessário ao importante investimento que pretende fazer na expansão de suas atividades. Por sua vez, o superávit alcançado pela ACEF na prestação do serviço de ensino não é proibido por lei, e vem sendo no todo aplicado no desenvolvimento de suas atividades; a autoridade fazendária dá à expressão sem fins lucrativos o significado de funcionar apurando prejuízos, mas essa expressão está regulada no art. 14, do CTN, cujos requisitos foram atendidos pela ACEF; a única razão apontada para a suspensão da sua imunidade – repitase –foi a (indevida) desconsideração da operação de aquisição de partes beneficiárias, que está regularmente documentada e registrada; merece destaque a regra contida no Regulamento do Imposto de Renda, segundo a qual a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º; RIR, art. 923); diante da prova documental da regularidade da operação questionada, o fisco apresentou apenas a alegativa vazia de que o estabelecimento da COPEP encontrase fechado. Isso, data venia, não é verdade. A COPEP tem operado normalmente através do trabalho direto e pessoal de seus sócios, com os quais os dirigentes da ACEF nunca tiveram dificuldade para manter os contatos necessários para a formalização da operação em Fl. 4961DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.276 5 comento. A questão meramente circunstancial de no dia e hora em que a fiscalização se dirigiu ao referido estabelecimento eventualmente não o ter encontrado aberto não significa de forma alguma que o mesmo está sempre fechado e inoperante. Isso é evidente. A simples descrição verbal dessa alegada diligência não tem o condão de afastar a prova documental apresentada pela ACEF; os argumentos postos pela ACEF na sua defesa preliminar não foram devidamente considerados pelo Delegado da Receita Federal em Fortaleza, razão pela qual pede vênia para renová los; protesta pelo direito de provar suas afirmações por todos os meios lícitos de prova, inclusive e principalmente quando se tratar de contraprova, notadamente com a juntada posterior de documentos, realização de perícias, requisição de informações, ouvida de testemunhas a serem oportunamente arroladas, tudo desde logo requerido; em razão do exposto, pede que seja acolhida a impugnação e revogado o Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 032, de 10 de março de 2011, com a consequente improcedência de toda a ação fiscal dele decorrente e arquivamento dos processos administrativos respectivos. Na peça de impugnação dos Autos de Infração relativos à constituição dos créditos tributários envolvidos, a defesa repete os argumentos contra a suspensão da imunidade, acrescentando que (fls. 752): 4.10 Não houve a alegada dissimulação, muito menos desvio de recursos do Defendente. Quanto a esse ponto, importa destacar que as mencionadas partes beneficiárias serão integralmente quitadas, e, aliás, já o foram em grande parte pela Companhia emissora, com os recursos obtidos nos investimentos realizados (Doc. 05). Com isso, fica absolutamente fora de dúvida a legitimidade da operação. Tal circunstância, a propósito, poderá ser devidamente esclarecida por meio de perícia contábil, desde logo requerida. No item 9.1 da peça de impugnação mencionada (fls. 763) a entidade formula o quesito da perícia requerida nestes termos: A ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas por COPEP? Caso afirmativa a resposta ao quesito anterior, em que data isso se deu? Quais foram os montantes? Em seguida indica para atuar como assistente técnico a Sra. Raimunda Doralice Menezes de Lima, CPF 366.158.46349, estabelecida na rua Júlio Cesar, 1830, Bloco 15, apto 101, CEP 60.425350, damas, casada, contadora, CRC Ce014435/04. II – AUTOS DE INFRAÇÃO Em decorrência da expedição do Ato Declaratório de suspensão da imunidade, foram lavrados Autos de Infração, com aplicação Fl. 4962DF CARF MF 6 da multa qualificada de 150%, relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 12.834.391,91; Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 631.948,12; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 4.671.226,99 e Contribuição para Financiamento da Seguridade social (COFINS) no valor de R$ 2.904.358,77, alcançando o Crédito Tributário – consolidado até o dia 21.6.2011 – a importância de R$ 21.041.925,79 (vinte e um milhões, quarenta e um mil, novecentos e vinte e cinco reais e setenta e nove centavos). IMPUGNAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Tomando ciência dos Autos de Infração no dia 22 de junho de 2011, a ACEF apresentou impugnação em 21 de julho de 2011, às fls. 750/764, reiterando os termos da defesa apresentada contra o ato declaratório de suspensão da imunidade e acrescentando que as partes beneficiárias objeto da discussão sobre o desvio de recursos da Entidade já foram quitadas em grande parte pela Companhia emissora, com os recursos obtidos nos investimentos realizados (doc 05), circunstância que poderá ser esclarecida por meio de perícia contábil, desde logo requerida (item 4.10 – fls. 752). Sujeição Passiva Solidária Apresenta os seguintes argumentos quanto à imputação de sujeição passiva solidária: os auditores fiscais tentam atribuir a terceiros, inteiramente estranhos aos quadros da ACEF, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos cobrados em razão da suspensão de sua imunidade; como tal atribuição de responsabilidade não tem fundamento na lei, os agentes do fisco amparamse em versão fantasiosa dos fatos, dizem que a ACEF não teria uma sede social e que as senhoras NEIDE QUEIROZ FARACHE e ZÉLIA SOUZA PINTO não seriam as reais dirigentes da ACEF; isso não é verdade, a ACEF está regularmente estabelecida, primeiro no endereço indicado como sede, a partir do qual alugou os prédios necessários para o exercício de suas atividades educacionais (Doc. 06), que estão indicados pelo próprio agente fiscal no início do termo antes referido; a ACEF é sim dirigida por NEIDE QUEIROZ FARACHE e ZÉLIA SOUZA PINTO, como provam os documentos indicativos de sua relação com bancos, órgãos públicos e, principalmente, com seus clientes, alunos do Colégio Christus, nas quais sempre se faz representar por seus reais e únicos dirigentes (docs. 07 a 10); a condição de a ACEF ser uma das entidades mantenedoras daquele Colégio também não pode ser apontada como uma situação irregular. A Lei nº 9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, prevê que as instituições privadas de ensino poderão ser instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado (art.20); Fl. 4963DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.277 7 o fato de a ACEF ter mantido o Professor José Lima de Carvalho Rocha como diretor do Colégio Christus, por sua vez, é perfeitamente natural, uma vez que ele já funcionava como diretor do Colégio há bastante tempo e desempenha seu papel com brilho e eficiência; a administração da ACEF como entidade mantenedora não se confunde com a direção do Colégio. São duas coisas distintas e separadas. Tanto é assim que o mesmo Colégio Christus tem algumas entidades mantenedoras, todas distintas umas das outras e com administração individualizada para cada uma delas. A direção do Colégio, contudo, é a mesma, de natureza pedagógica; nada justifica, portanto, a desconsideração da personalidade jurídica da ACEF e de seus dirigentes, como tenta fazer o agente fiscal autuante; a procederem todas as inverdades imaginadas pela fiscalização, a ACEF seria "mera representação jurídica" do Colégio Christus. Dizem os fiscais (erradamente) que a ACEF não teria sede, não teria representantes verdadeiros, não teria existência própria, nada. Seria apenas uma "casca" do próprio Colégio Christus, tendo sido esse, aliás, o motivo usado para estender a sujeição passiva solidariamente ao Sr. José Lima de Carvalho Rocha; se procedentes os argumentos, por coerência, seria impositivo que os fiscais tivessem lavrado o auto de infração contra o próprio Colégio do qual a ACEF seria a "mera representação jurídica", considerando suas as receitas e as despesas da ACEF, para a obtenção de um resultado global, como se houvesse uma única mantenedora, decorrente da consideração conjunta de todas as demais; é contraditório considerar que a ACEF existe, para a finalidade de indicála como principal sujeito passivo (contribuinte) do presente auto de infração, partindo de sua escrita contábil para apurar o lucro tributável, mas, de outro lado, considerar que ela não existe, para indicar como responsáveis solidários, nos termos do art. 135 do CTN, pessoas que não fazem parte de seu quadro societário, mas seriam integrantes de outras pessoas jurídicas das quais ele seria a "representação"; desse modo, vêse que o auto de infração, no mérito, ou é improcedente por exigir dívida inexistente, de entidade imune; ou é improcedente, por evidente erro na eleição do sujeito passivo (contribuinte). Multa Qualificada Quanto à multa de ofício lançada no percentual de 150%, entende que não está comprovada a alegativa dos fiscais para embasar a qualificação da penalidade, no sentido de que os fatos arrolados na notificação fiscal de suspensão da imunidade Fl. 4964DF CARF MF 8 denotariam "conduta de cunho doloso visando subverter o fundamento constitucional do instituto da imunidade tributária, mediante a prática de atos simulados e abuso de forma", aduzindo que: não houve fraude ou simulação, todos os atos e negócios praticados retratam a realidade econômica e estão regularmente formalizados e escriturados na contabilidade da ACEF e das empresas com as quais firmou os contratos; não está demonstrada no auto de infração qual teria sido a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (art. 71 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964); também não está demonstrada qual teria sido a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento (art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964); no caso presente, tudo foi feito às claras e sem ocultação de qualquer espécie, até porque todos os atos jurídicos em causa são válidos e legítimos. Não haveria e não há razão para ocultá los ou dissimulálos; os agentes autuantes não tiveram a menor dificuldade para realizar o lançamento aqui combatido, utilizandose dos elementos que colheram nos livros da escrita contábil e fiscal da ACEF, que, segundo esses mesmos auditores fiscais, "reúnem as condições para a apuração do lucro líquido de todo o período sob fiscalização."; neste caso não houve e não há o evidente intuito de fraude que é exigido por lei como condição para a qualificação da multa, que, por isso mesmo, é ilegal. Decadência A Suplicante entende que, como não houve intuito de fraude, a decadência do direito de o fisco lançar o tributo deve atender ao prazo fixado no §4º, do art. 150, do CTN, ou seja, cinco anos contados do respectivo fato gerador. Desse modo, alega que, no caso, o lançamento (auto de infração) ocorrido em 21 de junho de 2011, não poderia alcançar, com o IRPJ e a CSLL, o lucro auferido no primeiro trimestre de 2006, assim como não pode alcançar, com o PIS/COFINS, o faturamento relativo aos meses de janeiro a maio de 2006. Pedido Após toda a exposição, a Autuada pede: Fl. 4965DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.278 9 1 a realização de perícia contábil, destinada a esclarecer, sobretudo, a regularidade da operação relativa às partes beneficiárias, indicando assistente técnico e formulando os seguintes quesitos: a) A ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas por COPEP? b) Caso afirmativa a resposta ao quesito anterior, em que data isso se deu? Quais foram os montantes? 2 caso algum outro fato seja considerado carente de comprovação e relevante para o deslinde deste feito, a oportunidade para exercer o direito de provar suas afirmações por todos os meios lícitos de prova, inclusive e principalmente quando se tratar de contraprova, notadamente com a juntada posterior de documentos, realização de perícias, requisição de informações, ouvida de testemunhas a serem oportunamente arroladas, tudo desde logo requerido. 3 a intimação de sua representante legal, a Sra. NEIDE QUEIROZ FARACHE, CPF nº 141.367.91372, para sustentar oralmente suas razões de defesa na sessão de julgamento dos presentes autos na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Concluindo, requer o acolhimento da impugnação, julgandose no todo IMPROCEDENTE a ação fiscal decorrente do auto de infração, que exige o pagamento do IRPJ relativo aos anos de 2006 e 2007, assim como os demais lançamentos reflexos de CSLL, COFINS e PIS, e o arquivamento dos autos. Pede, sucessivamente, a desqualificação da multa com a respectiva redução para 75% e o reconhecimento da decadência relativa ao primeiro trimestre de 2006. III – TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foi atribuída, em relação ao crédito tributário resultante da fiscalização, a coresponsabilidade aos Srs. José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315), por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 462/468). IMPUGNAÇÃO DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Irresignados, os coresponsáveis elencados no Termos de Sujeição Passiva compareceram aos autos apresentando as respectivas impugnações. José Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 27.6.2011 (fls. 746), impugnação apresentada em 21.7.2011, às fls. 1450/1454, resumida nos seguintes termos: Fl. 4966DF CARF MF 10 o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista substancial, a atribuição de responsabilidade é inválida (como é inválido todo o auto de infração), tendo em vista que a fiscalização: aplicou ao presente caso, por via transversa, o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN, que até o presente momento não foi regulamentado; desconsiderou atos válidos e eficazes por entender que “não teriam propósito negocial” ou que teriam sido praticados “com abuso de forma”. Para fazêlo, porém, deveria, se fosse o caso, instaurar procedimento próprio, no qual tais aspectos pudessem ser discutidos de forma prévia ao lançamento de qualquer tributo, nos termos em que se pretendeu fazer com as disposições da MP 66/2002, a qual, todavia, quando convertida na Lei nº 10.637/2002, teve extirpados os artigos que cuidavam do assunto; atribuiu ao defendente a condição de verdadeiro dirigente da entidade autuada (ACEF), com base em suposições, sem oferecer qualquer elemento de prova; imaginou que o impugnante teria "influência" sobre os dirigentes da ACEF, mas não juntou um documento que o demonstre, ônus que é seu, a teor do que dispõe o art. 9º do Decreto 70.235/72; a ACEF é, de fato e de direito, administrada pelas senhoras Neide Queiroz Farache e Zélia de Sousa Pinto, as quais não têm com o impugnante o vínculo de dependência que o fiscal sugere; o defendente não é responsável pela firma Copy Vip Comércio Representação e Serviços Ltda., como erroneamente se afirma no "relatório"; não há nenhuma ilegalidade no fato de existirem entidades mantenedoras diferentes para diferentes unidades de um Colégio, não sendo procedente a afirmação de que a existência de outras mantenedoras revelaria a "falta de propósito negocial" desta; quanto ao fato de o defendente ter se "autonomeado" diretor do Colégio, independentemente de indicação formal da ACEF, cabe observar que isso não aconteceu da forma como sugere a fiscalização. Na verdade, o defendente já era diretor do Colégio desde muito tempo antes. O que houve foi que, com a alteração em uma das mantenedoras, não se alterou essa sua condição; é arbitrária a decisão de alocar o defendente como responsável tributário por débitos da mantenedora, apenas por ser ele um dos diretores pedagógicos do Colégio mantido, o qual possui outros diretores pedagógicos, que assim como o defendente Fl. 4967DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.279 11 assinam certificados, decidem a respeito da proposta pedagógica do Colégio etc.; na visão do fiscal, o fato de não ter localizado a sede da ACEF, somado à inexistência de imóveis em nome da entidade, seria a "prova", de que se estaria a praticar alguma irregularidade; ora, a ACEF, na condição de mantenedora da escola, tem sua sede no próprio Colégio, imóvel alugado pela entidade, fato de fácil constatação; a fiscalização insiste no fato de que o impugnante seria diretor do Colégio Christus, inclusive das unidades mantidas pela ACEF, mas é preciso esclarecer que a palavra "diretor", nesse contexto, nada tem a ver com a gerência, a administração ou a representação de uma pessoa jurídica, ligada às atividades econômicofinanceiras desta; a mantenedora encarregase do aspecto econômicofinanceiro destinado a manter em funcionamento o estabelecimento de ensino. Este, por sua vez, tem um diretor, que trata não de sua manutenção sob o prisma econômico (esse é o papel da mantenedora), mas sob o aspecto educacional e pedagógico. Assim, "diretor", no contexto de um Colégio, diz respeito ao desempenho de atividades pedagógicas, ligadas à atividade docente. É como o coordenador de uma faculdade, que também a "dirige", em certo sentido, mas que nada tem a ver com as receitas e as despesas da entidade mantenedora dessa faculdade; compreendida a distinção entre o diretor (pedagógico) de um Colégio e o dirigente (representante jurídico) da pessoa jurídica que mantém esse Colégio, não há qualquer amparo legal para se pretender imputar ao defendente a condição de responsável tributário pelos débitos ora em lançamento; o art. 135, III, do CTN, foi indevidamente invocado para reforçar a fundamentação do fisco, pois esse dispositivo cuida da responsabilidade de terceiros, diretores de pessoas jurídicas, por débitos devidos por esses contribuintes, não se aplicando ao rol de empresas (das quais o defendente é membro), que receberam recursos provenientes das partes beneficiárias alienadas, pois não é de débitos dessas pessoas jurídicas, indicadas na parte final do relatório, que se cogita aqui; já o art. 124, I, do CTN, cuida da apenas da FORMA como alguém, já passível de responsabilização nos termos dos art. 128 a 135 do CTN, poderá responder, se solidária ou subsidiariamente. Assim, também não tem relevo aqui, até porque o defendente não tem interesse jurídico comum nas situações que configuram o fato gerador dos tributos objeto de lançamento; por outro lado, não há irregularidade na operação realizada entre as pessoas jurídicas indicadas na parte final do relatório e a Companhia que alienou partes beneficiárias adquiridas pela entidade autuada; Fl. 4968DF CARF MF 12 como reconhece o próprio fiscal, os recursos investidos pela entidade mantenedora continuam em seu patrimônio, devidamente contabilizados, não havendo sequer razão para a suspensão de sua imunidade; a prevalecer o entendimento da fiscalização, uma entidade imune não poderia sequer aplicar eventual superávit em fundo de investimento, que tivesse ações em sua carteira, pois isso implicaria a destinação de parte de seu patrimônio às companhias emissoras das tais ações. Na verdade, não é isso o que se dá, eis que a entidade imune está apenas realizando investimentos, adquirindo títulos (ou, no caso, partes beneficiárias) que continuam em seu patrimônio; isso deixa claro, também, o despropósito de aplicar, ao defendente, e a todos os demais alocados no polo passivo da autuação de que se cuida, a multa de 150%; não houve qualquer intuito de fraude; nenhum fato foi ocultado; nenhum documento foi adulterado ou falsificado; tudo o que aconteceu foi contabilizado da forma mais clara possível, sem ocultações; a fiscalização até poderia discordar do procedimento adotado pela entidade autuada, mas em momento algum pode dizer que esse procedimento lhe foi ocultado; não cabe, portanto, a aplicação da multa agravada, que, também ela, é indevida; protesta provar o alegado por todos os meios admitidos, a oitiva de testemunhas, a juntada posterior de documentos, a realização de perícias, tudo requerido; requer a sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento em que se apreciará a impugnação; Pede que seu nome seja excluído do polo passivo do crédito tributário impugnado. Estevão Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 25.6.2011 (fls. 744), impugnação apresentada em 20.7.2011, às fls. 1443/1447, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista material, a atribuição de responsabilidade também é descabida, pois o fato apontado – o impugnante ser sócio de três pessoas jurídicas que teriam celebrado contrato de sociedade em conta de participação (SCP) com a empresa COPEP, que sequer foi autuada – não pode configurar a norma invocada pelo fiscal não há qualquer irregularidade em celebrar um contrato de sociedade em conta de participação com outra pessoa jurídica; o fato de os recursos empregados pela "COPEP" na aludida "SCP" serem oriundos de um investimento feito pela entidade autuada não torna a COPEP, nem as empresas que celebraram Fl. 4969DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.280 13 os contratos, responsáveis por possíveis débitos dessa entidade autuada; com menos razão se pode almejar a extensão dessa responsabilidade ao impugnante, sócio das empresas que se agregaram à pessoa jurídica que recebeu investimento da entidade autuada; o art. 135, III, do CTN, cuida da responsabilidade de diretores, gerentes e administradores por possíveis débitos das pessoas jurídicas por eles dirigidas, geridas ou administradas, decorrentes de fatos geradores praticados pessoalmente em tal mister, o que não é o caso dos autos. De fato, não se tem, aqui, dívida tributária de Comercial LCR e Representações Ltda., de LCR Viagens e Turismo Ltda ou de Auto Vale Veículos Ltda., sociedades que a fiscalização afirmou serem integradas pelo impugnante; tampouco se afirmou que o impugnante teria praticado qualquer irregularidade no âmbito da gestão dessas empresas, que pudesse ter gerado créditos tributários dos quais elas seriam as contribuintes e ele, na condição de gerente, coresponsável. Tudo o que se conjecturou no relatório fiscal teria supostamente se passado no âmbito da administração da entidade autuada, e não das empresas geridas pelo impugnante, sendo isso suficiente para afastar, por completo, a descabida pretensão fiscal; quanto ao art. 124, I, do CTN, sua relação com o presente caso é de impertinência ainda maior, pois sequer se pode falar em interesse do impugnante na situação que configura o fato gerador, que é um suposto lucro, ou faturamento, da entidade ACEF; “ Interesse” para os fins do citado artigo, é evidentemente o interesse jurídico, como se dá entre coproprietários de um imóvel, em relação ao IPTU, ou entre marido e mulher casados em comunhão de bens, em relação ao IRPF. Não se pode dar à expressão o elastério pretendido pela fiscalização, sob pena de se terminar responsabilizando o empregado pela COFINS, pelo PIS e pelo ICMS devidos pela empresa, pois ele teria "interesse" nas vendas e no faturamento dela, sem o qual o seu salário não seria pago... não se pode absolutamente falar em "interesse comum", no caso, pois o impugnante não é integrante da entidade autuada, e nem o fiscal chegou a sequer conjecturar, no seu "relatório", de qualquer ato que pudesse ser imputado ao impugnante relativamente à tal ACEF; sem mencionar o nome do impugnante no relatório, o fiscal, depois de fazer ilações sobre o que teria sido feito por outras pessoas, arremata dizendo que "pelos mesmos motivos" o impugnante também seria responsável. Isso é absurdo, pois os "mesmos motivos", além de improcedentes, sequer seriam a ele aplicáveis, pela simples razão de que os tais "motivos" aludem ao comportamento de outras pessoas; Fl. 4970DF CARF MF 14 em relação especificamente ao impugnante ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA, o fiscal não indicou, sequer no plano da conjectura, qual teria sido o ato praticado pessoalmente, que o tornaria responsável pelo crédito tributário ora constituído; protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, tais como a ouvida de testemunhas, a juntada de documentos, a realização de perícias, tudo desde logo requerido; pede que seja intimado para fazer sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento, em que se apreciará a impugnação; Finalmente, requer o acolhimento integral da defesa, para excluilo do pólo passivo do crédito tributário lançado. David Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 25.6.2011 (fls. 745), impugnação apresentada em 20.7.2011, às fls. 1457/1460, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista substancial, a atribuição de responsabilidade também não encontra amparo no direito tributário brasileiro, pois por meio dela se pretende responsabilizar o impugnante por débitos exigidos da ACEF, entidade que teria investido recursos em outra empresa [COPEP], a qual depois associouse a outras, sendo a única relação de sua pessoa com tudo isso o fato de fazer parte do quadro societário destas últimas; as pessoas jurídicas integradas pelo impugnante não participaram da prestação dos serviços educacionais, que originaram o faturamento e o lucro, objeto do auto de infração lavrado contra a ACEF; assim, é inviável responsabilizálas pelos tributos exigidos; mais inviável ainda é responsabilizar o defendente, apenas por ser membro de tais empresas; o art. 135 do CTN, foi invocado equivocadamente pela fiscalização, pois tal dispositivo trata da responsabilidade de diretores de pessoas jurídicas, por débitos devidos por elas, decorrentes de irregularidade no exercício desse cargo; no caso, o débito não foi lançado contra nenhuma das empresas arroladas na última folha do relatório fiscal; sequer foi mencionada qualquer participação do defendente nas decisões ou nos atos praticados pela entidade autuada, a ACEF; o fato de o defendente ser membro de pessoas jurídicas que se associaram a outra que, por sua vez, teria recebido Fl. 4971DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.281 15 investimentos da entidade autuada não violou qualquer disposição legal; esses atos são válidos, pois só poderiam ser desconsiderados seguindose o procedimento aludido pelo parágrafo único do art. 116 do CTN, a ser previsto em lei ordinária; por outro lado, não há, nos art. 128 a 135 do CTN, autorização para responsabilizar pessoas que estejam na situação do defendente; o art. 124, I, do CTN, também não ampara a pretensão fiscal, porque por meio dele não se pode responsabilizar pessoas que, à luz dos arts. 128 a 135, não possam ser consideradas previamente responsáveis; do contrário, interpretação isolada, do art. 124, II, do CTN, daria ao legislador autorização para responsabilizar qualquer pessoa, em qualquer situação, por qualquer débito, o que aniquilaria todo o sistema tributário brasileiro; protesta provar o alegado por todos os meios admitidos, a oitiva de testemunhas, a juntada posterior de documentos, a realização de perícias, tudo requerido; requer a sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento em que se apreciará a impugnação; Pede que seu nome seja excluído do polo passivo do crédito tributário impugnado. Eduardo Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 19.7.2011 (fls. 747), impugnação apresentada em 03.08.2011, às fls. 1462/1466, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; a responsabilidade de terceiro, prevista no art. 134 do CTN, não contempla a situação do impugnante, que é sócio das empresas Metalúrgica LCR Ltda. e LCR Confecções LOAN LTDA, as quais celebraram contratos de sociedade por conta de participação com a COPEP, enquanto esta, por sua vez, havia alienado partes beneficiárias à entidade ACEF, que sofreu o auto de infração discutido no processo; o art. 135 do CTN, invocado pela fiscalização, também não se aplica ao caso, pois tal dispositivo trata da responsabilidade de dirigentes de pessoas jurídicas, pelos débitos, devidos por elas, decorrentes de irregularidades praticadas no exercício desse cargo; na presente situação, o débito não foi lançado contra as empresas dirigidas pelo impugnante; Fl. 4972DF CARF MF 16 a questão gira em torno da gerência da entidade autuada, sobre a qual o defendente não tem participação; o art. 124, I, do CTN, também não ampara a pretensão fiscal, porque solidária é a forma como alguém, que já pode ser considerado responsável (nos termos dos arts. 128 a 135 do CTN), poderá ser chamado a solver o débito; a responsabilidade pode ser subsidiária ou solidária (nos casos do art. 124); além disso, o art. 124, I, do CTN, aplicase quando existe interesse jurídico comum na situação que configura o fato gerador, a exemplo dos coproprietários de um imóvel rural, no caso do ITR; neste caso, não há interesse do impugnante nos fatos geradores envolvidos; com o uso de outras palavras, os fiscais, invocando o art. 149 do CTN, como mero artifício para burlar a regra clara do parágrafo único do art. 116, do CTN, procederam a uma desconsideração de negócios e atos jurídicos existentes, válidos e eficazes, o que o art. 116, parágrafo único do CTN, permite, desde que observados os procedimentos a serem previsto em lei ordinária, o que até hoje não foi feito; pede para fazer uso de todos os meios de prova em direito admitidos, a exemplo da ouvida de testemunhas, da juntada posterior de documentos e da realização de perícias, tudo desde logo requerido; Finalmente, requer exclusão do pólo passivo do crédito tributário lançado. A 3ª Turma da DRJ em FortalezaCE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0822.927, de 22 de fevereiro de 2012 (fls. 1475/1534), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Constitui infração aos requisitos para o gozo da imunidade, ferindo os incisos I e II do art. 14 do CTN, a aplicação irregular do superávit de instituição de educação, por meio da aquisição simulada de partes beneficiárias de empresa mercantil, para posterior partilha, mediante a formação de sociedades em conta de participação, entre empresas pertencentes aos familiares dos proprietários do colégio, em que foram geradas as receitas da atividade educacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. Fl. 4973DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.282 17 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006, 2007 DILAÇÃO PROBATÓRIA. OITIVA DE TESTEMUNHA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo as exceções previstas na legislação, quando devidamente comprovadas nos autos. Não há previsão legal para que se realize oitiva de testemunhas no julgamento administrativo fiscal, mormente quando os elementos contidos nos autos são suficientes para solucionar o litígio. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia/diligência que não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Indeferese o pedido de perícia/diligência quando estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à solução da lide. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode ser realizada por todos os meios admitidos em direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (arts. 131 e 332 do CPC e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de indícios que, isoladamente, nada atestam, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizase o ato simulado pela aplicação do superávit da entidade imune na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, destinandose os recursos em seguida para sociedades em conta de participação, quando se constata que o negócio efetivamente realizado, ou seja, a vontade não declarada, consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com o aporte de capital. Fl. 4974DF CARF MF 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. LUCRO REAL. É cabível a exigência do imposto de renda apurado de ofício sobre o lucro real, quando a instituição de educação que teve a imunidade suspensa mantém escrituração regular, permitindo a extração das informações para a composição da base de cálculo do imposto. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CNT). Todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. Aplica se a multa qualificada de 150% quando resta comprovado nos autos a conduta dolosa, praticada para evitar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurando a sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. LANÇAMENTO DECORRENTES. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e COFINS), quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientes da decisão de primeira instância em 30/04/2012, conforme Avisos de Recebimento à fl. 1553/1557, a contribuinte autuada e os responsáveis tributários arrolados apresentaram recurso voluntário em 23/05/2012. DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO POR ACEF No recurso interposto (fls. 1559/1696), a autuada alega preliminarmente a ocorrência de cerceamento de direito de defesa tendo em vista que a decisão recorrida indeferiu o seu pedido de realização de perícia, com o qual pretendia demonstrar a inexistência da infração apontada na autuação. No mérito, a autuada, ora recorrente, repete em linhas gerais os argumentos deduzidos em sua impugnação, dos quais destaca: Fl. 4975DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.283 19 a) Que a imunidade foi suspensa e a autuação lavrada, porque o Delegado da Receita federal desconsiderou um investimento feito pela recorrente para considerálo como distribuição de lucros, o que não condiz com a verdade; b) Que o ato jurídico perfeito de compra das partes beneficiárias pela recorrente não poderia ser simplesmente desconsiderado; c) Que a desconsideração de negócios jurídicos prevista no art. 116 do CTN depende da regulamentação dos procedimentos por lei ordinária; d) Que a decisão e 1a. instância tangenciou essa questão afirmando não ter havido desconsideração de atos lícitos, nos termos do art. 116 do CTN, mas sim a caracterização de simulação prevista no art. 149 do CTN, mas não foi o que de fato ocorreu; e) Que todos os atos praticados pela recorrente foram lícitos e declarados ao Fisco, não havendo nenhuma simulação; f) Que da forma como foi realizada, portanto, toda a ação fiscal é nula de pleno direito, por ofensa ao disposto na parte final do parágrafo único do art. 116 do CTN; g) Que nada justifica a desconsideração de compra das partes beneficiárias que foi feita às claras e com o devido registro contábil, nos termos da lei que regula esse tipo de operação e com propósito negocial. h) Que não houve desvio de recursos da recorrente, pois todas as partes beneficiárias serão quitadas e que, aliás, grande parte já teria sido quitada pela Companhia emissora com recursos obtidos nos investimentos, o que poderia ser confirmado pela perícia solicitada e que foi indeferida; i) Que o investimento feito é de longo prazo e que, pela sua própria natureza, não tem valor certo de remuneração, e que o seu maior retorno ainda está por vir; j) Que a existência de superávit não viola a lei e que a sua aplicação tem por objetivo a constituição de fundo de reserva para a futura expansão das atividades k) Que a regularidade de sua escrituração faz prova a seu favor, conforme preceitua o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda; l) Que a perícia contábil arbitrariamente indeferida poderia demonstrar que nenhum patrimônio foi distribuído e que não houver violação ao art. 14 do CTN; m) Que a decisão de 1º grau estaria equivocada ao afirmar que a realização e investimentos que desembocaram em empresas privadas seria irregular, pois implicaria em aplicação em atividade não ligadas às finalidades essenciais; n) Que o patrimônio da recorrente mantevese íntegro, composto das partes beneficiárias e dos direitos dela decorrentes; Fl. 4976DF CARF MF 20 o) Que é irrelevante a forma com que a COPEP utilizouse dos recursos investidos, desde que os recursos destinemse a preservação do patrimônio da recorrente e em momento subseqüente seja investido nas suas atividades essenciais; p) Que só se tais partes beneficiárias não fossem honradas, “dependendo de como isso viesse a acontecer, se poderia cogitar de distribuição do patrimônio, o que porém não é o caso dos autos”; q) Que o que importa é saber o que acontece com os rendimentos obtidos com o investimento realizado, “sendo certo que em momento algum a fiscalização afirmou que as partes beneficiárias não teriam sido honradas pela COPEP ou que os rendimentos advindos do investimento feito pela ACEF seriam ou teriam sido aplicados de forma indevida”; r) Que quanto à decadência dever ser aplicado o disposto no art. 150, § 4º do CTN, pois não teria havido dolo, fraude ou simulação; A recorrente reitera os argumentos quanto à imputação de sujeição passiva solidária a terceiros, concluindo que se preponderar a ótica da fiscalização poderia caracterizarse erro na eleição do sujeito passivo. Insurgese, ainda, contra a qualificação da multa, sustentando inexistir a comprovação de dolo, fraude ou simulação no caso sob exame. Ao final requer a realização da perícia contábil, conforme pedido na impugnação, e ao final seja provido o recurso voluntário, com a extinção do crédito tributário e o arquivamento deste processo administrativo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO PELOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Eduardo Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que embora os julgadores de 1ª instância tenham reconhecido a total inaplicabilidade do art. 135 do CTN, uma vez que não é sócio ou administrador da autuada, quer de fato ou de direito, equivocadamente mantiveram a sua responsabilização, com amparo no art. 124, inc. I do CTN; b) Que é sócio de empresas que celebraram contratos de sociedade em conta de participação com a empresa COPEP que, por sua vez, havia alienado partes beneficiárias à autuada; c) Que não há qualquer irregularidade nos mencionados negócios realizados, sendo despropositado que tudo seja desconsiderado para exigir do recorrente, que nem sócio é da autuada, o tributo por ela devido; Fl. 4977DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.284 21 d) Que tampouco pode ser exigida a multa agravada de 150%, pois não pode ser responsabilizado por negócios que deram causa a autuação, apenas porque é sócio das empresas que receberam investimentos da COPEP, ainda mais que os mesmos foram feitos às claras, sem qualquer adulteração ou fraude; e) Que a responsabilização solidária prevista no art. 124, inc. I do CTN “é a forma como alguém, que já pode ser considerado responsável (nos termos dos arts. 128 a 135 do CTN), poderá ser chamado a solver o débito”, não podendo esse dispositivo ser aplicado de forma apartada dos demais; f) Que, além disso, o art. 124, inc. I se refere à responsabilidade de pessoas que tenham interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação tributária e que, no caso, não é sócio, gerente, preposto, administrador, empregado, nem tem qualquer relação com a entidade autuada, sendo absurdo responder pelos seus débitos; g) Que não há interesse algum do recorrente nos fatos geradores ocorridos, nem jurídico, nem de fato, pois embora seja sócio de empresas com entidade que recebeu investimentos da autuada, isso não faz dela interessada nos resultados da entidade autuada, e menos ainda o recorrente que é apenas sócio da Metalúrgica LCR e não a entidade autuada, nem da COPEP; h) Alega ainda, subsidiariamente, a nulidade formal da responsabilização solidária, na medida em que somente ao final do procedimento de fiscalização foi notificado do lançamento e de sua responsabilização. Ao final pede provimento ao seu recurso voluntário e a sua retirada do pólo passivo da atuação, da qual não pode ser indicado como responsável solidário. José Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que é inadmissível o entendimento da turma julgadora de 1ª instância segundo o qual ao recorrente seria responsável tributário pelos créditos lançados, nos termos do art. 124, inc. I do CTN, por ter interesse comum na situação que constituiu o fato gerador; b) Que o interesse a que se refere o dispositivo é interesse jurídico e não mero interesse de fato que poderia existir se os fatos alegados pelo Fisco fossem verdadeiros; c) Que a autoridade julgadora de primeira instância considerou existente o interesse do recorrente em razão de sua participação em uma suposta sociedade de fato, que jamais existiu a não ser no raciocínio dos agentes do Fisco; Fl. 4978DF CARF MF 22 d) Que é frágil o argumento da autoridade julgadora ao imputar a responsabilidade prevista no art. 135 ao recorrente, pois a responsabilidade diz respeito a obrigação tributária decorrente de atos praticados por aquele a quem a mesma é atribuída; e) Que no caso que se cuida as obrigações tributárias decorrem de atividades inteiramente lícitas desenvolvidas pela pessoa jurídica autuada; f) Que a atribuição de responsabilidade deuse sem que o recorrente ao menos tivesse conhecimento oficial das diligências da fiscalização e que não teve a oportunidade de contestar a existência de qualquer fato que a fiscalização adotou como pressuposto para a autuação e responsabilização; g) Que não tem interesse jurídico na situação que constituiria o fato gerador da obrigação; que não é, nem nunca foi dirigente da pessoa jurídica autuada; que não há base probatória para a afirmação de que o recorrente é o representante de fato da pessoa jurídica; que há apenas o registro dele como diretor pedagógico da escola mantida pela entidade autuada; h) Que é incabível a aplicação da multa qualificada no caso dos chamados planejamentos tributários, que visam a impedir o nascimento da obrigação tributária ou reduzir o valor do tributo devido porque os atos ou negócios jurídicos são lícitos e não envolvem a ocultação de fatos, como no caso que se cuida; i) Que a desconsideração de negócios jurídicos pelo Fisco, nos termos do art. 116, parágrafo único do CTN, carece de regulamentação por lei ordinária, conforme doutrina indicada; e j) Que sofreu flagrante cerceamento do direito de defesa, pois só teve ciência da ação fiscal quando intimado da lavratura do termo de sujeição passiva solidária e que em sua impugnação pediu a produção de provas testemunhais, realização de perícia, juntada de novos documentos e direito de assistir ao julgamento, mas tudo lhe foi negado. Ao final requer que seja julgada improcedente a ação fiscal ou seja excluída a responsabilidade solidária atribuída e, sucessivamente, que se exclua a multa qualificada ou, ainda, seja anulado o julgamento de primeira instância, para novo julgamento, com direito do recorrente a produzir as provas requeridas. Estevão Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que há nulidade formal do procedimento de responsabilização, pois não teve conhecimento nem oportunidade de participar do procedimento fiscalizatório; b) Que a autoridade julgadora de 1ª instância reconheceu que o art. 135 do CTN não se aplica ao recorrente, que não é sócio, Fl. 4979DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.285 23 nem administrador da pessoa jurídica autuada, mas manteve a imputação com base no art. 124, inc. I do CTN; c) Que tal imputação não se sustenta, pois o fato de ser sócio de pessoas jurídicas que celebraram contrato de sociedade em conta de participação com a COPEP, da qual a autuada adquiriu partes beneficiárias é insuficiente para manter a responsabilização; d) Que não há que se falar em interesse comum entre o recorrente e a autuada apenas porque o recorrente é sócio de uma sociedade que recebeu investimentos de uma companhia que, por sua vez, teve partes beneficiárias adquiridas pela ACEF; e e) Que o interesse comum previsto na lei deve ser jurídico, o que não existe no presente caso. Ao final requer o acolhimento do recurso e a sua exclusão do pólo passivo tributário. David Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que deve ser reconhecida a nulidade formal do lançamento, pelo menos no que toca ao recorrente, na condição de co responsável, na medida em que não foi cientificado em momento algum do procedimento de fiscalização com relação às apurações efetuadas que culminaram na autuação; b) Que se equivoca o acórdão recorrido na parte que considera que a aplicação isolada do art. 124, inc. I do CTN autorizaria a responsabilização solidária do recorrente pelos supostos débitos da ACEF, pois o interesse comum a que alude o dispositivo seria interesse jurídico comum e não interesse de fato; c) Que o art. 124, I do CTN não cuida de atribuição de responsabilidade, mas sim regula a forma de como alguém que já pode ser considerado responsável por outros motivos, será responsabilizado; d) Que no caso concreto, o recorrente é sócio de pessoas jurídicas que celebraram contratos de sociedade em conta de participação com uma Companhia, que por sua vez teria alienado partes beneficiárias à ACEF, não sendo possível, por liame tão indireto, ser responsabilizados pelos débitos da autuada; e e) Que a situação descrita nos autos não faz, de modo algum, do recorrente titular de interesse comum com a ACEF em relação às suas receitas, sendo inaplicável ao caso o art. 124, I do CTN. Fl. 4980DF CARF MF 24 Ao final requer o acolhimento integral de suas razões de defesa e a conseqüente extinção do crédito tributário atacado ou, pelo menos, a sua exclusão do pólo passivo correspondente. O processo foi originalmente distribuído ao Ilustre Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, junto à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, tendo este, por unanimidade de votos, sido baixado em diligência por força da Resolução nº 1302000.270. Cumprida a diligência requerida, e, após a ciência dos interessados do Relatório de Diligência Fiscal produzido pelo Serviço de Fiscalização da DRF/FORTALEZA/CE, sem qualquer manifestação dos sujeitos passivos, os autos foram remetidos a este relator para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, contudo não posso conhecêlo, por incompetência, por força do quantum disposto no parágrafo 5º, do artigo 49 do Anexo II do RICARF. Este processo foi originalmente distribuído ao Ilustre Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, junto à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, como relatado anteriormente, tendo aquela Turma Julgadora exarado a Resolução nº 1302 000.270, de 10 de outubro de 2013, por força da qual solicitouse a baixa do processo em diligência. Tendo sido efetuada a diligência solicitada pela unidade de origem, foram os autos remetidos novamente a este Colegiado para que pudessem ser adequadamente apreciados. Contudo, o processo fora equivocadamente distribuído por sorteio para minha relatoria. Digo equivocadamente, porque, por força do disposto no parágrafo 5º, do artigo 49 do Anexo II do RICARF, os processos que retornarem de diligência serão distribuídos ao mesmo relator independentemente de sorteio. Segue o artigo do RICARF, in verbis: Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. (........) §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. Fl. 4981DF CARF MF Processo nº 10380.723668/201035 Acórdão n.º 1201001.537 S1C2T1 Fl. 13.286 25 Assim, tendo sido este processo sido originalmente distribuído ao Ilustre Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, ao retornar da diligência proposta, deveria o mesmo ter sido a ele redistribuído, independente de qualquer sorteio. Por todo acima exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, devendo o processo ser encaminhado ao Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por força do que preceitua o Regimento Interno do CARF. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Relator Fl. 4982DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720584/2012-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PRESCRICIONAL.
O Prazo legal para pleitear administrativamente a restituição/compensação de tributo pago a maior, em caso de decisão judicial favorável à contribuinte, é de cinco anos e conta-se, a partir do trânsito em julgado, por força do art. 168, inc. II do CTN. O pedido de habilitação do crédito, efetuado na forma das instruções normativas da RFB, não tem o condão de alterar esse prazo.
Numero da decisão: 9303-004.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PRESCRICIONAL. O Prazo legal para pleitear administrativamente a restituição/compensação de tributo pago a maior, em caso de decisão judicial favorável à contribuinte, é de cinco anos e contase, a partir do trânsito em julgado, por força do art. 168, inc. II do CTN. O pedido de habilitação do crédito, efetuado na forma das instruções normativas da RFB, não tem o condão de alterar esse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 84 /2 01 2- 93 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.843, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3º Seção de Julgamento que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/1999 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar com profundidade os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECISÃO DE AUTORIDADE DE 1ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.VINCULAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Inexiste incorreção em decisão adotada pela autoridade julgadora de primeira instância que fundamente seu voto em normas legais e regulamentares, haja vista estar à elas vinculadas por expressa determinação legal. O pedido de restituição regese pela legislação vigente à época de sua formulação. PRAZO PEDIDO RESTITUIÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. O Prazo legal para pleitear administrativamente a restituição/compensação de tributo pago a maior, em caso de decisão judicial favorável à contribuinte, é de cinco anos e contase, o prazo, a partir do trânsito em julgado. Recurso Voluntário Negado. ” Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 5 4 Insatisfeito, o sujeito passivo apresentou embargos de declaração no dia 28.4.2015, reiterando os termos dos Embargos opostos no dia 14.4.2015, alegando que o acórdão fora omisso quanto à aplicação da IN 600/05. Após análise do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, constatouse que inexistia a alegada omissão. Irresignado, então, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acordão 3302002.843, trazendo, entre outros, que: · O pedido de restituição do crédito foi feito dentro do prazo de 5 anos considerando inclusive a data do protocolo do pedido de habilitação; · A norma impõe a obrigação de habilitação do crédito no prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da decisão judicial, silencionandose totalmente sobre eventual prazo no qual o contribuinte deveria transmitir a compensação ou requerer a restituição integral depois de habilitado o crédito; · O pedido de restituição foi formalizado dentro do prazo de 5 anos contados da habilitação do crédito pela administração. Em Despacho às fls. 447/449, o recurso especial interposto pelo sujeito passivo foi admitido, após análise do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em exercício á época. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, insurgindo, em síntese, que o sujeito passivo apresentou o pedido de restituição fora do prazo determinado pela legislação – art. 168 do CTN. No entanto, em seu recurso, alega que, tendo apresentado o pedido de habilitação do crédito dentro do prazo estabelecido pela IN SRF 600/2005, exerceu seu direito no prazo legal. É o relatório. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que tempestivo e comprovadas as divergências entre os arestos – acórdão recorrido e os indicados como paradigma. Contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o prazo para se pleitear a restituição de crédito tributário declarado em decisão transitada em julgado. Para tanto, importante recordar os acontecimentos: · O crédito objeto do pedido de restituição decorre de decisão judicial transitada em julgado favorável ao sujeito passivo no Mandado de Segurança nº 99.00029372 da 1ª Vara Federal do Espírito Santo, no qual restou reconhecido o direito de se proceder ao recolhimento do PIS e da Cofins somente sobre o seu “faturamento” – valor da receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de prestação de serviços de qualquer natureza; · A decisão transitou em julgado em 17.2.2006; · Em 17.11.06, foi feito pedido de habilitação – mesma data em que o sujeito passivo obteve da Justiça Federal a certidão de inteiro teor do processo, conforme art. 51, § 1º, inciso II, da IN 600/05 – atualmente revogada pela IN 900/08 que, por sua vez, foi revogada pela IN 1300/2012; · O pedido de habilitação do crédito foi deferido pela autoridade fazendária em 18.12.06 através do Despacho Decisório DRF/VIT/GAJ 469 e, a partir de janeiro/2007, o sujeito passivo realizou quatro compensações; · Posteriormente, o sujeito passivo, em 8.11.2011, protocolizou pedido de restituição do valor remanescente do crédito habilitado; não Fl. 466DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 7 6 obstante, foi indeferido com o fundamento de que, nos termos do art. 168, inciso II, do CTN, o direito de se pleitear a restituição extingue se em cinco anos, constado do transito em julgado da decisão judicial. A priori, importante trazer que à época da decisão transitada em julgado – 17.2.2006, do pedido de habilitação do crédito reconhecido judicialmente – 17.11.2006 e da habilitação do crédito – 18.12.2006, estava vigente a IN 600/05, que contemplava em seu art. 51 (Grifos meus): “Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; IV houver o consentimento do sujeito passivo para a compensação de ofício de débito ainda não encaminhado à PGFN, ressalvado o disposto no inciso VI; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 8 7 § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento.” Tal IN dispunha que o sujeito passivo deveria formalizar o pedido de habilitação do crédito no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão. O que, por conseguinte, o fez. Ademais, não traz ainda a IN que o deferimento do pedido de habilitação não implica em alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial, tal como fez a IN 900/08 – que, por sua vez, revogou a IN 600/05. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 9 8 Importante trazer que a Instrução Normativa da RFB, em respeito às atribuições conferidas à autoridade fazendária, disciplina vários dispositivos legais, entre outros, os arts. 161, 163, 165 a 170A da Lei 5.172/66, conforme segue: “IN 600/05 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto no art. 18 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, nos arts. 49, 151, inciso III, 156, incisos I, II e VII, 161, 163 e 165 a 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, nos arts. 1º a 45 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, [...]” Sendo assim, para a observância do art. 168 do CTN, é de se considerar as IN´s disciplinadas pela RFB, eis que trazem os procedimentos a serem adotados pelo sujeito passivo para se fruir dos créditos tributários reconhecidos judicialmente. À época da decisão judicial transitada em julgado e do pedido de habilitação e deferimento do pedido de habilitação – fatos que culminam a pretensão do sujeito passivo de reaver os créditos ora reconhecidos, estava vigente a IN 600/05 – devendo ser observados os procedimentos prelecionados naquele normativo. Normativo que não faz menção em nenhum momento de que o deferimento do pedido de restituição não implica em alteração do prazo prescricional do título judicial. Apenas dispõe, quanto aos procedimentos, de que o sujeito passivo deve apresentar pedido de habilitação dentro do prazo de 5 anos da data do transito em julgado. O que fez sem discussão, vez que apresentou o pedido de habilitação em 17.11.06 e a decisão transitou em julgado em 17.2.2016. Vêse ainda não ser possível obrigar o sujeito passivo a observar os dizeres da IN 900/08, pois os dispositivos ora em discussão tratam de procedimentos a serem observados no momento do pedido de habilitação. O que, ocorrendo tal evento anteriormente a IN 900/08, inegavelmente devese aplicar a IN 600/05 no caso em comento, independentemente de o pedido de restituição ter ocorrido em 8.11.2011. O sujeito passivo, em respeito à IN 600/05, teve o seu crédito habilitado pela autoridade fazendária, eis que apresentado no “tempo” correto (antes de passados 5 anos do Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 10 9 transito em julgado) o que, por consequência, prosseguiu com o pedido de restituição, conforme dispunha o “caput” do art. 51 daquela IN. O que resta concluir que, nos termos da IN 600/05, o prazo prescricional de cinco anos era apenas para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, o que se perfazia com a apresentação do pedido de habilitação do crédito. Vêse que somente com a IN 900/08, publicada em 31.12.08, que revogou a IN 600/05, houve previsão de que o deferimento do pedido de habilitação não implica em alteração do prazo prescricional do título judicial: “Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; II certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; III na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; IV cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; V cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e Fl. 470DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 11 10 VII procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3º No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.” Proveitoso apenas mencionar que a IN 1300/12 revogou a IN 900/08 em 21.11.2012. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 12 11 Sendo assim, em respeito aos dizeres da normas procedimentais trazidas pela própria autoridade fazendária e resguardando a segurança jurídica que tantos sujeitos passivos merecem ao fazer a leitura dos atos normativos emitidos por aquela autoridade, é de se dar provimento ao sujeito passivo ao entender que o prazo prescricional de 5 anos, no presente caso, se perfazia somente com a apresentação do pedido de habilitação do crédito, conforme reza a IN 600/05 – vigente à época do pedido de habilitação. Diante do exposto, conheço do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. Relembrando os fatos, o contribuinte apresentou pedido de restituição protocolizado em 08/11/2011, efl. 06, de crédito tributário no valor de R$ 225.026.487,85, consubstanciando em seu pedido a seguinte motivação: "crédito reconhecido por decisão transitada em julgado e habilitado no processo administrativo nº 11543.002350/200693". No despacho da Demac/RJ, efls. 27/28, que fundamentou a negativa de crédito ao contribuinte consta as seguintes informações: (...) Ainda que se ignorasse o que determinam o art. 168, II do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 , e o art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932 vêse que não há crédito a restituir, posto que o crédito já foi utilizado nas compensações pleiteadas no processo 15374.002235/200821, restando ainda débitos em aberto, conforme demostrado no Parecer Demac/RJO/Diort nº 155/2011 e no respectivo Despacho Decisório (cópia às fls. 08 a 29). (...) Com base nesse despacho, acima citado, foi proferido o Despacho Decisório da Demac/RJ, efl. 29, com a seguinte ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Não havendo crédito a favor do contribuinte não há o que restituir. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDO. Vê se portanto que o indeferimento do pedido de restituição não está fundamentado somente no transcurso do prazo prescricional para apresentação do pedido de restituição previsto no art. 168, inc. II do CTN. Também fez parte da motivação a inexistência Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 14 13 de crédito a ser restituído, cujo mérito ainda está pendente de julgamento no processo 15374.002235/200821. Porém, é inequívoco que a matéria devolvida para julgamento desse colegiado, no âmbito do presente recurso especial, referese somente à ocorrência ou não do transcurso do prazo prescricional previsto no art. 168, II do CTN. As decisões recorridas sustentam que o prazo legal para pleitear a restituição/compensação de tributo pago a maior, em caso de decisão judicial favorável à contribuinte, é de cinco anos e contase, a partir do seu trânsito em julgado. O contribuinte e a relatora entendem, em apertada síntese, que o prazo prescricional de 5 anos, no presente caso, se perfazia somente com a apresentação do pedido de habilitação do crédito, conforme reza a IN SRF nº 600/05 – vigente à época do pedido de habilitação. Nesse raciocínio, como o contribuinte apresentou o pedido de habilitação do crédito judicial dentro do prazo de 5 anos, não haveria mais que se falar em transcurso do prazo prescricional. A sustentar este argumento está o fato que na IN SRF nº 600/05, vigente à época do pedido de habilitação do crédito, não constava expressamente que o pedido de habilitação não tinha o condão de alterar o prazo prescricional previsto no art. 168, II, do CTN, situação que somente veio a constar na IN RFB nº 900/08, que veio a revogar a IN SRF nº 600/05. Vejam a diferença de redação entre as duas instruções normativas: IN SRF nº 600/05: “Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 15 14 IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. IN SRF nº 900/08: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.” Entendo que as decisões recorridas aplicaram o melhor entendimento sobre a matéria. O acréscimo na redação constante da IN RFB nº 900/08, vigente na data do pedido de compensação é somente esclarecedor do conteúdo impositivo disposto no art. 168, II, do CTN. A sua ausência na redação da IN SRF nº 600/05 não tem o condão de alterar o dispositivo da Lei Complementar nº 5.172/66 (CTN). É uma questão de hierarquia de normas, sendo evidente que uma Instrução Normativa da Receita Federal não tem a menor possibilidade de alterar conteúdo e alcance de uma Lei Complementar. Veja o que dispõe o art. 168, II do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 16 15 Frisese também o fato de que o pedido de habilitação de crédito apresentado pelo contribuinte foi efetuado na vigência da IN SRF nº 600/05, porém o pedido de compensação que ora tratamos foi efetuado em 08/11/2011, quando a IN RFB nº 900/08 já vigia desde 1º/01/2009, a qual orientava de maneira cristalina que o pedido de habilitação de crédito não significava qualquer alteração do prazo prescricional previsto no art. 168, II do CTN. A decisão judicial do contribuinte transitou em julgado em 17/02/2006 e a habilitação do crédito foi concluída em 18/12/2006, portanto o prazo prescricional para repetição do indébito deuse em 17/02/2011. Assim, a partir da habilitação do crédito o contribuinte teve um pouco mais de 4 anos para efetuar o pedido de restituição/compensação e da edição da IN RFB nº 900/08, em 31/12/2008, um pouco mais de 2 anos para adaptar ao seu conteúdo, já que permanecia em equívoco quanto à sua leitura da IN SRF nº 600/05. Também não há como prosperar o argumento de que os procedimentos previstos para a habilitação do crédito teriam diminuído o direito do contribuinte, reduzindo o prazo prescricional até que ela fosse concluída por parte da RFB. Esta interferência é insignificante, já que todas as Instruções Normativas determinavam o prazo de 30 dias para a sua conclusão, a partir da perfeita apresentação dos documentos da ação judicial, por parte do contribuinte. Tanto é verdade que no presente processo o pedido de habilitação foi efetuado em 17/11/2006 e foi concluído em 18/12/2006. Acrescentese que o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, autoriza a Receita Federal a disciplinar os procedimentos para restituição e compensação, sendo certo que as Instruções Normativas, acima citadas, que determinaram a necessidade de habilitação prévia do crédito decorrente de ações judiciais, não extrapolaram os limites legais ao estipular o prazo razoável de 30 dias para conclusão da habilitação. Na verdade a análise que é feita no procedimento de habilitação prévia não é da procedência do crédito e sua quantificação, mas da existência e validade do provimento judicial no sentido de evitar a apresentação de Declarações de Compensação a bel prazer dos interessados. Não é demais lembrar que a apresentação de DCOMP, por si só, já extingue os créditos tributários de responsabilidade dos contribuintes, por força do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação Fl. 476DF CARF MF Processo nº 16682.720584/201293 Acórdão n.º 9303004.646 CSRFT3 Fl. 17 16 dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Assim, o procedimento prévio de habilitação do crédito traduzse em uma segurança necessária, para que a Receita Federal e a sociedade brasileira não sejam lesados por eventuais ações lesivas ao interesse público. Evidente que esta situação não é o caso dos autos, mas a falta do procedimento certamente tornaria frágil o controle das compensações declaradas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 477DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.000758/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAR GIFP COM OMISSÕES OU ERROS.
Incide em descumprimento de obrigação acessória a conduta da empresa de apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas.
Numero da decisão: 2201-003.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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APRESENTAR GIFP COM OMISSÕES OU ERROS. Incide em descumprimento de obrigação acessória a conduta da empresa de apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 58 /2 00 9- 11 Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.084 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão da DRJ de Belo Horizonte, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória por ter a empresa apresentado a declaração a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009 (GFIP), com informações incorretas ou omissas. A interessada apresentou impugnação, julgada pela DRJ procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. Inconformada com a decisão da qual foi cientificada em 13/07/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls.2345/2392), tempestivamente, em 11/08/2011, onde alega, em síntese, que: Impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre marketing de incentivo. Retenção do pró labore dirigentes não são contribuintes obrigatórios e o fisco não pode exigir a retenção e recolhimento por parte da empresa sem verificar se os próprios contribuintes (pessoas físicas) já efetuaram os recolhimentos. Anexa cópias das GPS’s recolhidas . Abono previsto em convenção coletiva. Ocorreu simples equívoco ma utilização de código para a folha de pagamento da recorrente, o que está registrado como abono é reembolso (“não há como se comprovar, mediante documentos ou quaisquer outros meios probatórios que o equívoco ocorreu. Tal fato pode ser facilmente constatado quando a recorrente respondeu à intimação entregando as folhas de pagamento, como dito acima”). Impossibilidade de tributação de verbas pagas a título de educação e formação profissional Reembolso Contrato Newton Paiva. O curso foi oferecido a todos, mas apenas alguns se interessaram, fato que ocorre normalmente em qualquer empresa. O fato de a bolsa ser parcial (30%) contribuiu para esse fato. Tributação de cooperativas inconstitucionalidade.. Retenção cessão de mão de obra/empreitada: Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.085 3 Inexistência da obrigação de reter contrato de administração de obra (SGO Construções LTDA). Todos funcionários que trabalharam diretamente na obra são empregados da própria recorrente, submetidos ao controle da SGO. SGO recolheu a totalidade das contribuições por ela devidas. Caso persista o lançamento configuraria caso de duplicidade de tributação. Exigências indevidas de retenção locação de equipamentos e instalação de antena coletiva. Retenções não computadas pela fiscalização. Cumulação de penalidades. Princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva Penalidades. Princípio da proporcionalidade/razoabilidade Penalidades. Impossibilidade da aplicação da multas agravada. SELIC. O julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 2403 000.090 4a Câmara / 3a Turma Ordinária (fls. 2402/2411), que foi exarada nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado, que o sujeito passivo desistiu parcialmente da defesa apresentada e incluiu em parcelamento as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007. Disso resultou totalmente incontroversos os levantamentos , que, por essa razão, não serão apreciados neste julgamento: PR1 — PRÊMIO A SEGURADOS C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS Outro ponto que cabe destaque é que o lançamento é específico da contribuição a cargo da empresa, isto é, não contém contribuição de pessoas físicas. Após o julgamento de primeira instância ficam mantidos os seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIV. 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 —08/2006 Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.086 4 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 12/2004 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004 a 01/2006 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 12/2004 a 06/2005 S2 RETENÇÃO NAO EFET NF SGO 12/2004 a 01/2006 Em razão do recurso apresentado, entendo necessário alguns esclarecimentos por parte da fiscalização. Para tanto, utilizo abaixo, como referência a itemização utilizada no Recurso Voluntário. IV.6.1 Dos pagamentos efetuados para a SGO CONSTRUÇÕES LTDA Várias notas fiscais contém discriminado “Taxa de Administração”. Informar qual a relação entre essa “Taxa de Administração” e o serviço de administração da obra. IV.6.2 Da exigência indevida de retenção sobre atividades não sujeitas a essa sistemática. Identificar se existe algum lançamento referente a: locação de caçamba locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados. IV.6.3 Das notas fiscais cuja retenção não foi computada pela fiscalização Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. IV.6.4 Impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de serviços não sujeitos à retenção. Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. A Recorrente solicitou a vinculação deste processo às demais autuações sofridas na mesma ação fiscal (processos 10976.000752/200943, 10976.000754/200932, Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.087 5 10976.000755/200987, 10976.000757/2009 76,10976.000770/200925 e 10976.000758/200911). Observo que por economia processual, restringirei a diligência a este processo, utilizando as manifestações também nos demais. Da diligência deve ser dada ciência à recorrente oportunizando manifestação. A Informação Fiscal em cumprimento à diligência determinada pelo CARF dormita às fls. 2450/2472, cujas passagens mais relevantes correspondem aos excertos abaixo: Preliminarmente, elaborouse o demonstrativo abaixo discriminado, com todas a funções dos funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme cópia, por amostragem de Folhas de Pagamento e Rescisões, apresentadas pelo sujeito passivo em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 016/2009, datado de 01/01/2013, e, que constam das folhas de 1323 a 1602, dos presentes autos, a saber: Ainda, de acordo com o descrito nos itens 3.1.6.4.2, 3.1.6.4.3 e 3.1.6.4.3.1, do Relatório Fiscal, restou demonstrado que as obras de construção do Centro de Distribuição CD, foram executados sob a forma de contratação de EMPREITADA PARCIAL, haja visto, que as diversas empresas sub contratadas, discriminadas no item 3.1.6.4.2, faturaram seus serviços diretamente para o proprietário CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, em consonância com o disposto no inciso IV § 2° do art. 413, da IN SRP 03/2005, acima descrito. O Contrato de Prestação de Serviços, descrito parcialmente no item 3.1.6.4.1 do Relatório Fiscal, na Cláusula Quinta, Parágrafo Segundo, outorga a CONTRATADA SGO CONSTRUÇÕES LTDA, mandato para poder subcontratar com terceiros (subempreiteiros), a construção por administração ou empreitada de serviços, tendo inclusive a própria SGO CONSTRUÇÕES LTDA prestado serviços de mão de obra, faturando por esses serviços, além da taxa de administração prevista contratualmente, o que por si descaracteriza a modalidade única de “administração”, a teor da definição preconizada no inciso XXX, art. 413, da IN SRP 03/2005, transcrito, acima descrito. Tendo em vista a descaracterização da forma contratação das obras de construção do Centro de Distribuição consoante elementos probatórios elencados no Relatório Fiscal, de empreitada TOTAL para empreitada PARCIAL, o Contrato de Prestação de Serviços – SGO CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 16.548.646/000148, passou a ter tratamento de empreitada parcial, igualmente aos demais prestadores de serviços, e, sujeito, portanto, a retenção sobre os valores brutos das Notas Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.088 6 Fiscais/Faturas ou recibos, emitidas diretamente contra a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA. 4.2. Inferese que a presente indagação acerca da relação entre a “taxa de administração” e serviço de administração da obra, levase a crer que ambos conceitos são similares, porém, no contexto que se apresenta, caracterizamse serem meramente parte integrante da descrição de serviços medidos a serem consignados em campo próprio da Nota Fiscal/Fatura, a uma porque a SGO CONSTRUÇÕES LTDA, não se limitou tão somente à administração da obra de construção, a teor do conceito de “contrato por administração” descrito no inciso XXX do art. 413 da IN retro mencionado, e a duas por ter faturado remuneração de mão de obra a título de reembolso de mão de obra e encargos sociais diretamente para a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, corroborando dessa forma a descaracterização de contrato, exclusive, por administração, para contrato por empreitada PARCIAL. 4.2.1. Portanto, a mera descrição de serviços medidos em Nota Fiscal/Fatura, a qualquer título, pertinente a contrato de empreitada PARCIAL, não tem o condão de elidir as obrigações legais previdenciárias quanto à exigência de destaque da retenção dentre outras, nem tampouco validar o contrato de prestação de serviços, exclusivamente, como sendo por administração, pelas razões acima minudenciadas. IV.6.2 DA EXIGÊNCIA INDEVIDA DE RETENÇÃO SOBRE ATIVIDADES NÃO SUJEITAS A ESSA SISTEMÁTICA Locação de caçamba. Locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra. Prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamentos é inerente à execução dos serviços contratados. 5. Preliminarmente, não foram identificados nos lançamentos, a atividade de locação de caçamba, sendo as Notas Fiscais/Faturas ora sob exame, tratarem, exclusivamente, de locação de equipamentos/maquinas, a saber: retroescavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa. 5.1. Na execução de serviços de terraplenagem, ou seja, a movimentação de terra corte/aterro para a implantação de empreendimento/edificação, os equipamentos/maquinas: retro escavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa, são inerentes à execução dos serviços contratados e a execução dos trabalhos prescinde de mão de obra cedida/empregada, realizada por profissionais especializados(operadores/motoristas habilitados) dadas as especificidades e peculiariadades de cada equipamento. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.089 7 Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. 5.4. Com relação a competência 12/2004, verificase que houve um lapso de digitação relativa a NF 000183, de 13/12/2004, constante do Anexo: RA A RM RETENÇÃO NÃO EFETUADA S/NOTAS FISCAIS FATURAS de fls. 525 , sendo lançado o valor incorreto de 48.372,00 ao invés do valor correto de R$ 1.518,50. 5.4.1. Sendo assim, os valores lançados no Anexo RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo: 5.4.2. Em relação à totalidade das Notas Fiscais remanescentes relativas às competências 12/2004 a 06/2005, foram expedidos os Ofícios n°s. 234/2013/Saort/DRFCON e 235/2013/Saort/DRF CON,( anexados ao processo) para as empresas R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME CNPJ: 02.150.945/000115 e LOCAÇÃO DE MAQUINAS JM LTDA ME CNPJ: 19.695.683/000177, respectivamente, e, remetidos aos endereços dos sujeitos passivos constantes dos sistemas informatizados da RFB, com a seguinte solicitação de documentação e/ou esclarecimentos, a saber: • Ofício n° 234/2013/Saort/DRFCON R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME: • Ofício n° 235/2013/Saort/DRFCOM LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME: “a) Copia do Contrato de Prestação de Serviços, exclusivamente, do período de emissão das Notas Fiscais acima discriminadas, com a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, e, em caso negativo, esclarecer o motivo; Informar, se os serviços prestados e discriminados, foram executados com o emprego equipamentos/máquinas e pessoal (operadores) da LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME;ou, se trata de aluguel, exclusivamente, de equipamentos/máquinas. Outros esclarecimentos que entender necessários e pertinentes ao assunto. 4. Anexo: cópias da(s) Nota(s) Fiscal(ais) n°(s): 000533, 000535, 000539, 000542, 000544, 000545, 000547, 000549, 000552 a 00560, 000562 a 000569, 000601 a 000603 e 000607.” Citado Ofício n° 234/2013/Saort/DRF/CON, endereçado à R & R LOCAÇAO DE EQUIPAMENTOS LTDA, foi devolvido pelos Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.090 8 Correios em 04/06/2013, mediante AR n° RA 70500918 1 BR, com motivo classificado como “ Mudouse”. Conforme explicitado no item 3.1.6.5.1.2 do Relatório Fiscal, inexistindo, portando, a formalização contratual de serviços celebrados com terceiros, reconhecida pela própria CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviço, consoante legislação previdenciária pertinente de regência. Restou, mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 234/2013/Saort/DRFCON, e, constantes do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos, por ter a Impugnante afirmar que não possuía contratos com os empreiteiros em resposta ao TIF 014/2009, de fls. 376 a 380, na qual aduz às fls. 381: “2) No que se refere ao item 1b, a relação com as empresas ora listadas ocorria de forma, fornecedor consumidor, onde fazia se a aquisição e/ou a locação do bem mediante a emissão da nota fiscal, e, seguida efetuavase o pagamento. Em resumo, não foi elaborado nenhum tipo de regulamento/contrato para usufruto ou aquisição de quaisquer serviço ou compra entre a Cema e as referidas empresas.” 5.4.3. Em resposta ao Ofício n° 235/2013/Saort/DRF/CON, o sujeito passivo apresentou correspondência (anexada ao processo) com as alegações seguintes, transcritas, parcialmente: Contagem, Minas Gerais, representado neste ato pelo seu sócio administrador, Aguimar Braga, portador da Carteira de identidade número MG.3.958.170 e CPF.771.235.57620, vem através desta e após ter enviado por email no dia 05 de junho de 2013, a mesma declaração, seguindo a solicitação do auditor por telefone, para formalização da resposta, declarar que: As Notas de números, 533, 535, 539, 542, 544, 545, 547, 549, 552, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 560, 562, 563, 564, 565, 566, 567, 568, 569, 601, 602, 603, 607 emitidas ao cliente CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, entre os períodos de 01/12/2004 até 26/06/2005, tem seus valores totais representando exclusivamente o valor da Locação de Equipamentos. Declaro ainda não existe contrato formal desta prestação de serviços.” 5.4.3.1 Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Locação de Maquinas JM Ltda, o equipamento Retro escavadeira, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas Obras com o emprego de mãode Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.091 9 obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária 5.4.3.2. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Locação de Maquinas JM Ltda, notadamente a ausência de contrato formal daquela prestação de serviços, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Retro escavadeira, fica mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 235/2013/Saort/DRF CON, e, constantes do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. IV.6.3 DAS NOTAS FISCAIS CUJA RETENÇÃO NAO FOI COMPUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão 6. Transcrevese, a seguir a tabela de notas fiscais relacionadas pela Impugnante, tida como Das Notas Fiscais Cuja Retenção Não Foi Computada pela Fiscalização: Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, relativo às Notas Fiscais n°s. 002856, 002864 e 002887, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. Sendo assim, os valores lançados no Anexo: RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo(...) 6.2. No tocante, a Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00, resulta que a Impugnante apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Nota Fiscal n° 000079 às fls. 1151, cuja originalidade foi atestada pela autoridade notificante conforme carimbo aposto para fins de instrução do processo e na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal n° 000079 às fls. 2069, com a “inclusão manual e EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (11%) 504,90 e ISSQN Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.092 10 (2%) 91,80” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 504,90. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. 6.2.21. Na tela CCORGFIP (anexada ao processo), a empresa FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141,declarou na competência janeiro/2005, o montante de retenção da Lei n° 9.718, o valor de R$ 3.161,11; Na tela DATAPREV/ CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Tomador de Serviço GFIP(anexada ao processo), consta o seguinte detalhamento do montante de R$3.161,11, declarado à título de retenção na competência janeiro/2005, a saber: Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao oferecer ao Fisco, em seu Recurso Voluntário ao CRPS, documentação “rasurada”, com o intuito de elidir de suas obrigações legais a seu tempo. Fica, portanto, mantido na integralidade os valores lançados à título de retenção relativo à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00. 6.3 No tocante, a Nota Fiscal n ° 000041 emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME CNPJ: 02.969.081/000168, em 01/03/05 valor R$ 846,00, resulta que a Impugnante, apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a referida Nota Fiscal n° 000041 às fls. 1164, na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal às fls. 2071, com a “inclusão manual EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (93,06) e ISSQN (16,92)” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 213,51. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.093 11 Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao Fisco documentação rasurada. (...) Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, o equipamento Guindaste, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, notadamente, não ter como afirmar se a locação do Guindaste teve ou não o concurso de mão de obra, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Guindaste, fica mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 0004580, constante do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Com relação a NF 000269, de 28/06/05, foi emitido OFÍCIO N° 239/2013/Saort/DRF/CON, datado de 22/05/2013(anexado ao processo), para a empresa ADVANCED SERVIÇOS LTDA ME, intimando o sujeito passivo os seguintes elementos discriminados abaixo(...) De conformidade com a descrição dos serviços discriminados na NF 000269 acima mencionados, restou comprovado que os serviços de instalação de pararaios e aterramento não estão contemplados como serviços não sujeitos à retenção, ficando mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 000269, constante do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos. Com relação à NF 000847, de 22/11/05, de fls. 1229, a empresa ENGEFUROS Engenharia e Furos em Concreto Ltda CNPJ: 04.658.491/000113, reconhece a incidência da retenção e discrimina no campo próprio da Nota Fiscal, da seguinte forma: Locação de perfuratriz diamantada dd 160 p/execução furos em concreto 97,50 MãodeObra 52,50 Retenção INSS 11% 5,78 Reconhece, ainda, nas Notas Fiscais de sua emissão, de n°s. 000730, 000737, 000751 e 000827, de fls. 1225 a 1228, respectivamente, a incidência da retenção, mantendo a mesma discriminação dos serviços, acima descrita. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.094 12 A constatação da incidência da retenção está em consonância com o disposto no art. 170, da IN SRP 03/2005 (e IN/INSS/DC n° 100/2003), que não contempla a execução de furos em concreto como não sujeitos a retenção. A citada Nota Fiscal 000847, consta do Anexo: MA A MP RETENÇÃO A MENOR EFETUADA S/NFS/FATURAS, de fls. 539, pelo fato de não ter sido apresentado o Contrato de Prestação de Serviços, restando a incidência sobre o valor bruto da citada Nota Fiscal, sobejando saldo de retenção a menor, objeto do Auto de Infração. Diante do exposto, fica mantido o lançamento do crédito relativo à Nota Fiscal n° 000847, constante do Anexo: MA A MP, integrante dos presentes Autos. Atendida a solicitação de fls. 2410, com os esclarecimentos e considerações do Auditor notificante, bem como a concessão de prazo de 30(trinta dias), para manifestação da Impugnante, a partir da ciência do presente Termo. Cientificada do teor da Informação Fiscal supra, a recorrente apresentou manifestação às fls. 2480/2490, alegando, em síntese, que: Com registro dos trabalhadores da obra em seu nome, fica ainda mais inquestionável a validade do contrato e das notas fiscais que não divergem quanto ao ponto de se tratar de obra realizada mediante a administração da SGO CONSTRUÇÕES LTDA. A SGO simplesmente intermediou a terceirização de alguns serviços, sendo reembolsada pela CEMA dos respectivos valores, o que, sem sombra de dúvidas, não transforma administração em empreitada parcial, como equivocadamente pretende a d. Fiscalização. Por fim, cumpre lembrar que a SGO recolheu devidamente todas as contribuições que lhe competia, conforme comprovado nos autos, sem descontar qualquer montante a título de retenção. Dito de outro modo, todas as contribuições foram recolhidas direta e integralmente pela SGO, sendo que caso a Recorrente também fosse condenada a recolher supostas parcelas que não foram retidas, não há dúvidas de que se trataria de dupla incidência sobre exatamente os mesmos fatos geradores, fato que juridicamente não se pode admitir. O Auto de Infração exige a incidência de contribuições previdenciárias sobre locação de máquinas e equipamentos (retroescavadeira, motoniveladora etc.), ou seja, sobre atividades em que não ocorre o fato gerador das referida exações. Todavia, a d. Fiscalização, ao invés de responder objetivamente a questão, insiste em sua tese de desconsideração dos contratos e notas fiscais relativas a obra realizada pela Recorrente e o que é pior, por mera suposição (sem qualquer suporte fáticoprobatório). As autoridades autuantes consertaram alguns erros constantes do trabalho fiscal, reduzindo valores lançados a maior com relação à algumas notas fiscais, mas quanto ao Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.095 13 cerne da discussão jurídica mantiveram seu posicionamento a respeito da tributação sobre aluguel de máquinas e equipamentos. Nesse sentido, duas foram as empresas locadoras que concentraram as notas fiscais autuadas: (i) R & R Locação de Equipamentos Ltda. ME e (ii) Locação de Máquinas JM Ltda. Pois bem, a fim de tentar comprovar sua suposição de que, na verdade, não houve mera locação de equipamentos, mas locação com cessão de mão de obra, o Fisco emitiu intimação para cada uma dessas empresas a fim de que elas esclarecessem se a locação teria sido feita com ou sem o fornecimento de pessoal (operadores). Conforme se verifica dos autos, a JM expressamente afirmou que os valores recebidos da Recorrente decorrem exclusivamente da locação de equipamentos. Em relação às notas fiscais cuja retenção não foi considerada pela Fiscalização restaram atingidas pela decadência o crédito tributário até a competência 11/2004. Sobraram, então, as notas fiscais de nºs 000079 e 000041. Com relação a tais documentos fiscais, em suma, o Fisco acusa o Recorrente de ter incluído informações posteriores sobre a retenção das contribuições previdenciárias, rasurando os documentos depois de sua apresentação ao processo. Afirma, ainda, que as GPSs apresentadas não possuíram autenticação bancária, bem como que não teriam sido identificados os pagamentos informados pelo Contribuinte. Quanto a esse ponto, o que a Recorrente tem a dizer é que realmente as informações sobre a retenção foram incluídas à mão, mas de forma alguma tal procedimento foi realizado posteriormente para elidir suas obrigações fiscais “a seu tempo”. O que pode ter ocorrido é que as primeiras cópias juntadas aos autos foram retiradas das notas originais, portanto sem as informações sobre a retenção. O importante é que efetivamente houve retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às notas fiscais em comento, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de autuação nesse tocante. As cópias das GPSs em anexo comprovam efetivamente o recolhimento das referidas contribuições e, inclusive, comprovam que tais contribuições foram recolhidas tempestivamente, o que afasta qualquer tese de que o Contribuinte teria agido com máfé. Por fim, reitera a Recorrente todas as suas alegações constantes do Recurso Voluntário, notadamente no que tange a improcedência do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.096 14 Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações iniciais do pedido de parcelamento A desistência à impugnação ou recurso na esfera administrativa foi efetuada de forma apenas parcial, eis que apenas parte dos valores lançados foi incluída em parcelamento. Dessa forma, não há definitividade dessa autuação na esfera administrativa. Assim sendo, o recurso voluntário deverá ser julgado normalmente. Da delimitação do litígio A decisão de piso afastou as competências 08/2004, 09/2004, 10/2004, 06/2007, 07/2007, 09/2007, 10/2007 e 11/2007, por entender que não caberia a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com a multa fundamentada no referido artigo 32A, pois, em tais competências houve lançamento de ofício contra o sujeito passivo crédito previdenciário referente a contribuições não declaradas em GFIP. O contencioso administrativo, portanto, se limitará a apreciar a regularidade da multa aplicada em relação às competências 13/2006 e 13/2007. Da decadência Em relação à decadência, cumpre ressaltar que em se tratando de multa por descumprimento de obrigação acessória, o lançamento deve ocorrer no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a infração poderia ter sido conhecida nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.175, de 25 de outubro de 1.966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A ciência do presente lançamento se deu em 01/2010. Como as competências em discussão se restringem a 13/2005 e 13/2006, não há que se falar em decadência. Da alegação de imputação de dupla penalidade A recorrente repetiu os argumentos esposadas por ocasião da interposição do recurso voluntário objetivando desconstituir os autos de infração lavrados por descumprimento da obrigação principal. Tais argumentos já foram refutados por ocasião do julgamento dos citados recursos. Não obstante o provimento parcial, não há consequência para os processos em que se discute a multa por descumprimento da obrigação acessória. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.097 15 No presente caso, é incontroversa a conduta de apresentação de GFIP com informações omissas ou incompletas, tanto assim que foram apresentadas posteriormente as GFIP retificadoras. Em relação à possibilidade da aplicação da penalidade por descumprimento da obrigações acessórias de forma autônoma à obrigação principal, vale tecer as seguintes considerações. A obrigação tributária possui duas espécies, principal e acessória, sendo a primeira sempre de dar e a segunda podendo ser fazer, não fazer, tolerar algo no interesse público da fiscalização dos tributos, tendo o ente tributante, direito de constituir crédito em desfavor do particular . O art. 113 do Código Tributário Nacional define que “a obrigação tributária é principal ou acessória”, sendo que a principal, conforme seu § 1°, “surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente” e a acessória, conforme § 2°, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, cabendo ainda uma conversão da acessória em principal, sempre que aquelas versarem sobre penas pecuniárias, no tocante ao § 3°, do art. 113 do mesmo diploma legal. Eis o disciplinamento legal: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. No que concerne ao fato gerador da obrigação principal, temos como uma situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ocorrendo a situação, surge a obrigação recolher aos cofres públicos o tributo devido. De outro lado, o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que impõe a prática de ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Estabelece o CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10976.000758/200911 Acórdão n.º 2201003.620 S2C2T1 Fl. 1.098 16 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Pelas definições acima, não há dúvida de que a obrigação principal e a obrigação acessória são autônomas e podem coexistir de forma independente. Para essa seara do direito tributário, não vale a máxima de que o acessório segue o principal, como sustenta o arrazoado recursal. É definida como acessória, qualquer de obrigação imposta pela legislação tributária que não seja recolher tributos.Tais obrigações formais, ditas de acessórias, não dependem da efetiva existência de uma obrigação principal. Da retroatividade da lei mais favorável ao contribuinte Em cumprimento ao disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional CTN, a Fiscalização aplicou a vertente multa de acordo com disposto no art. 32A da Lei n.8.212/91. A legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador era a do art. 32 inciso IV da Lei 8.212/91. No entanto, ao efetuar a comparação das multas nas duas sistemáticas (legislação anterior e atual), concluiuse que a legislação atual era a mais benéfica à recorrente. Destarte, não merece retoque o valor da multa aplicada. Conclusões Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 1099DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.901124/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador:29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.653
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador:29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 24 /2 00 9- 04 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901124/200904 Acórdão n.º 3201002.653 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.418. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901124/200904 Acórdão n.º 3201002.653 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901124/200904 Acórdão n.º 3201002.653 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006764/2002-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9303-000.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do recurso especial, com retorno dos autos à Relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Relatório
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do recurso especial, com retorno dos autos à Relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARAMURU ALIMENTOS S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do recurso especial, com retorno dos autos à Relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 06 76 4/ 20 02 -7 6 Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10120.006764/200276 Resolução nº 9303000.103 CSRFT3 Fl. 511 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 422 a 438) com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3401001.944 (fls. 412 a 420) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 25/09/2012, no sentido de “[...] não conhecer do recurso quanto às aquisições de pessoa física e cooperativas, por ter sido a matéria submetida ao Poder Judiciário; [...] dar provimento parcial para excluir os valores das receitas referentes aos produtos NT tanto da receita de exportação quanto da receita operacional bruta, para efeito de formação do percentual a ser aplicado para composição da base de cálculo do Crédito Presumido do IPI, [...] aplicar a Selic desde o protocolo do pedido, sobre o valor inicialmente indeferido e agora reconhecido, decorrente da exclusão dos valores das receitas referentes aos produtos NT tanto da receita de exportação quanto da receita operacional bruta”. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1, DE 2009. No termos da Súmula CARF nº 1, de 2009, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. OPOSIÇÃO DO FISCO AO APROVEITAMENTO. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, é devida a incidência da Selic no ressarcimento do IPI quando há oposição ilegítima do Fisco. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10120.006764/200276 Resolução nº 9303000.103 CSRFT3 Fl. 512 3 Recurso não conhecido em parte, face à opção pela via judicial, e provido em parte no restante. Para retratar o desenrolar dos fatos ocorridos nos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] Trata se de Recurso Voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ que indeferiu Manifestação de Inconformidade em pedido de ressarcimento do Crédito Presumido requerido com base na Lei nº 9.363/96. Ao ressarcimento foram cumuladas Declarações de Compensação (ver fls. 40/41). Na origem o pleito foi deferido parcialmente pela Delegacia da RFB em GoiâniaGO. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte contesta as glosas relativas a aquisições de insumos a pessoas físicas ou cooperativas (1), a receita de exportação de produtos NT (2) e a não concessão da taxa Selic sobre a parte deferida (3). A DRJ, em levando em conta que em 23/11/2007 a empresa ingressou com Mandado de Segurança nº 2007.35.00.0240031 defendendo o direito ao Crédito Presumido sobre as aquisições de insumos a pessoas físicas ou cooperativas, aplicou o art. 20 da IN SRF nº 600/2005 para considerar que o pleito deve ser indeferido. Considerou, também, que a parte do Crédito Presumido já reconhecido na origem não mais pode ser alterada, porque a ação judicial teve início em data posterior à homologação (parcial) da compensação. No mais, teceu, a título elucidativo, considerações segundo as quais as exportações de produtos NT não dão direito ao benefício em questão e a Selic não deve ser aplicada em ressarcimento. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte alega que o art. 20 da IN SRF nº 600/2005 não se aplica ao caso em análise eis que, no momento do protocolo do Pedido, não havia qualquer discussão judicial. Destacando o parágrafo único do citado artigo, argúi que a norma por ele veiculada aplicase ao momento do envio do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação. Também observa que o Mandado de Segurança questiona exclusivamente a glosa relativa a aquisições de pessoas físicas ou cooperativas, enquanto a Manifestação de Inconformidade é mais ampla, por contemplar, também, as exportações de produtos NT e a Selic. Menciona, em prol de sua argumentação, o Acórdão nº 20215385, Recurso nº 122.775, tratando do art. 8º, § 6º, da IN SRF nº 21/97 (segundo a Recorrente este dispositivo equivale ao art. 20 da IN SRF nº 600/2005). Em seguida a Recorrente repisa alegações contidas na Manifestação de Inconformidade, defendendo a inclusão, no cálculo do incentivo, dos insumos adquiridos a pessoas físicas ou cooperativas e das exportações NT, além da taxa Selic a ser aplicada a titulo de “atualização” da parcela do Crédito Presumido deferido. Conclui requerendo lhe seja reconhecido o direito creditório pleiteado ou, caso este Colegiado entenda que a Manifestação de Inconformidade não foi integralmente apreciada, vez que a DRJ tratou das glosas a “título elucidativo”, seja determinado o Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10120.006764/200276 Resolução nº 9303000.103 CSRFT3 Fl. 513 4 retorno à primeira instância para apreciação de todos argumentos de mérito, evitando assim supressão de instância. Em cumprimento à sentença proferida no Mandado de Segurança, que reconheceu o direito sobre as aquisições a pessoas físicas ou cooperativas, os cálculos foram refeitos na origem, para inclusão da glosa respectiva. Ao refazer os cálculos a DRF de Goiânia observou que a parcela acrescida em razão da ação mandamental (decorrente de aquisições a produtores rurais) somente poderá reconhecida administrativamente, de modo a ser utilizado em ressarcimento ou compensações, após o trânsito em julgado (Informação Fiscal Seort/DRF/GOI nº 005, de 04/02/2010, item 22.6 e 25). Em seguida encaminhou este processo ao CARF, para julgamento das matérias referentes à taxa Selic e à receita de exportação de produtos NT, temas que não abrangidos pelo Mandado de Segurança (ver Informação Fiscal referida, itens 27 e 28, “d”). É o relatório. [...] (grifouse) O resultado do julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte, nos termos do Acórdão nº 3401001.944 (fls. 412 a 420), ora recorrido, foi no sentido de: (a) Não conhecer do recurso voluntário quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, tendo em vista o ajuizamento de ação judicial submetendo a matéria ao exame do Poder Judiciário; (b) Na parte conhecida, dar provimento parcial para excluir os valores das receitas decorrentes da exportação dos produtos não tributados pelo IPI (NT) da receita operacional bruta e da receita de exportação, para fins de determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, bem como para determinar a aplicação da taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido, sobre o valor inicialmente indeferido e reconhecido por ocasião do julgamento do recurso voluntário, decorrente da exclusão dos valores das receitas referentes aos produtos NT tanto da receita de exportação quanto da receita operacional bruta. Em face da referida decisão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (fls. 422 a 436), alegando divergência jurisprudencial quanto à exclusão das receitas decorrentes da exportação dos produtos NT da receita operacional bruta e da receita de exportação, para cálculo do crédito presumido de IPI, trazendo como paradigma o acórdão nº 20179.254 e 20402.250. Nas razões recursais, aduziu a Fazenda Nacional que: (a) O acórdão recorrido, ao decidir pela exclusão dos produtos NT da receita operacional bruta e da receita de exportação, contrariou a jurisprudência deste Conselho e a norma inserta no art. 2º da Lei nº 9.363/96, indo de encontro à sistemática criada pelo legislador para o cálculo do crédito presumido do IPI; Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10120.006764/200276 Resolução nº 9303000.103 CSRFT3 Fl. 514 5 (b) A norma tem por objetivo traduzir a real quantidade de insumos adquiridos para industrialização de produtos a serem exportados, como forma de beneficiar o setor econômico. O entendimento exarado pela decisão recorrida desvirtua a proporcionalidade do cálculo referido, pois se excluídos os valores dos produtos NT do cálculo da “receita operacional bruta”, denominador da fração referida no art. 2º da Lei nº 9.363/96, prejudicada estará a rubrica e, assim, o cálculo do crédito presumido de IPI; (c) A fração “receita de exportação/receita operacional bruta” busca determinar a representatividade das exportações dos produtos produzidos e exportados pelo Contribuinte dentro do volume de operações da empresa, cujo resultado, multiplicado ao valor total dos insumos adquiridos pelo produtorexportador, indicará a proporção dos insumos aplicados aos produtos exportados pelo contribuinte, que com a aplicação do percentual de 5,37% levará ao valor real do crédito de IPI; (d) Por fim, requer seja provido o recurso para determinar a inclusão dos valores relativos à exportação de produtos NT no cálculo da receita operacional bruta, mantendo hígida a fração estabelecida pela Lei. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional, por meio do despacho s/nº, de 22 de julho de 2015 (fls. 482 a 488), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos produtos exportados NT. Devidamente intimado, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões (fls. 499 a 507), requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por consequência, a manutenção do acórdão recorrido. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora A FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (fls. 422 a 436), alegando divergência jurisprudencial quanto à exclusão das receitas decorrentes da exportação dos produtos NT da receita operacional bruta e da receita de exportação, para cálculo do crédito presumido de IPI, trazendo como paradigma o acórdão nº 20179.254 e 20402.250. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10120.006764/200276 Resolução nº 9303000.103 CSRFT3 Fl. 515 6 Trouxe, ainda, como argumentação do recurso especial que não podem ser excluídas da receita bruta operacional aquelas provenientes de serviços, na medida em somente com a edição da IN SRF nº 313/03 houve previsão normativa específica a respeito do tema. Nesse sentido, deve prevalecer o disposto nos acórdãos paradigma, firmados no art. 2º e parágrafo primeiro do art. 3º da Lei n° 9.363/97, art. 279 do RIR/99 e art. 8º da IN SRF nº 23/97. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional, por meio do despacho s/nº, de 22 de julho de 2015 (fls. 482 a 488), por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos produtos exportados NT. No entanto, no juízo de admissibilidade, não houve manifestação quanto à matéria relativa à exclusão, da receita bruta operacional, daquelas provenientes de serviços, conforme alegado pela Fazenda Nacional, razão pela qual devem os autos retornar à Câmara a quo para complementação do exame dos pressupostos de admissibilidade do recurso especial. Tendo em vista a via estreita do recurso especial, sendo cabível aos julgadores da Câmara Superior de Recursos Fiscais examinar tão somente a matéria que foi admitida, impõese o retorno dos autos para complementação do exame de admissibilidade, de modo a afastar eventual violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Diante do exposto, resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência à Câmara a quo para complementação da análise de admissibilidade do recurso especial, retornando posteriormente à Relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 515DF CARF MF
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