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Numero do processo: 13007.000165/2003-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo
administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC).
DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO.
CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO
NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO
INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da MP nº 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de dívida.
A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada
com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC.
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei nº 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.121
Decisão: ACORDAM os membros da lª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula n2 1, do r CC). DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de dívida. A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela • certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Co • a derroga . • parcial deste dispositivo, pelo Processo n°13007.000165/2003-14 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.121 Fl. 932 art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2 3, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da l' câmara / 1' turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em n- •rovimento ao recurso. Designado o Cons lheiro Antonio Zomer para redigir o voto v cedor. . 4IP•sio MARCOS CÂNDIDO • ,:idente 1/ e lirk /AuAfir • ir 10 01, ER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Carlos Atulim e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da DRJ em Porto Alegre/RS, que manteve o indeferimento(1 irt homologar a Declaração de 2 2 Processo e 13007.000165/2003-14 52-CITI Acórdão n.°2101-00.121 Fl. 933 Compensação apresentada em 14 de maio de 2003, para quitação de débito de CIDE informado em DCTF, relativo ao período de apuração de 01 a 30 de abril de 2003, vencimento em 15/05/2003, com credito de IPI decorrente de aquisição de matéria-prima isenta, não tributadas e tributadas com alíquota zero de IPI, utilizadas no processo produtivo, relativo ao período de apuração de 01/11/1999 a 30/11/1999, amparada em decisão judicial obtida por meio de Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS. A compensação efetuada pela recorrente não foi homologada pela DRF em Porto Alegre — RS, por tratar-se de créditos vinculados decorrentes de decisão judicial que não transitou em julgado, vedação do art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN). O fundamento para não homologação da compensação pela Autoridade Administrativa, é de que só teria sido reconhecido judicialmente o direito de creditamento do IPI para compensação com débitos do próprio IPLainda, assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo sido autorizada a compensação dos créditos de IPI com outros tributos sem obediência das normas que regem a matéria. A Recorrente na fase inicial pugnou pela atribuição de efeito suspensivo a manifestação de inconformidade pela aplicação da norma contida no art. 151 do CTN, sustentando que a norma processual aplicável é aquela vigente quando da apresentação impugnação, nos molde do parágrafo 11, do art. 74, da Lei 9.430, 1996, alterada pela Lei numero 10.833/03. Sustenta também que não se aplica ao caso o disposto no art. 170-A do CTN, pois essa norma só é aplicada nos casos das ações judiciais promovidas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, assim sendo, não alcança o provimento obtido no bojo do Mandado de Segurança impetrado. Também não se aplica a norma do art. 170-A do CTN, uma vez que não há no comando da sentença autorização nesse sentido. Defende que a sentença proferida no mandado de segurança assegurou o direito de compensar os créditos anteriores limitado aos últimos cinco anos à interposição da ação, decisão que foi modificada pelo Tribunal Regional Federal da 48 Região que estendeu para os últimos 10 (dez) anos, e não importou em exclusão de todo o período subseqüente. Demonstra irresignação em relação aplicação da multa isolada, multa de • mora e juros de mora, salientando que o direito ao aproveitamento dos créditos decorrem de decisão judicial, não reformada e tampouco modificada por Instância superior, assim como, a multa isolada, que havendo sentença concessiva da segurança a constituição do ci édito dar-se- ia com a exigibilidade suspensa, por essa razão é inaplicável as penalidades pecuniárias. Na fase recursal manteve seu posicionamento jurídico e fático sustentado em sua manifestação de inconformidade, em síntese e fundamentalmente alega que: interpretação equivocada da decisão judicial obtida em relação à compensação, que a decisão judicial obtida transitou em julgado, inaplicabilidade do art. 170 do CTN, multa de mora, juros mora e da multa isolada, por derradeiro requer a reforma total do acórdão, na medida que se mostra conflitante com decisão judicial que autorizou o creditamento IPI em questão, consequentemente, homologação das compensações efetuadas. É o relatório. 3 Processo n° 13007.000165/2003-14 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.121 Fl. 934 Voto Vencido Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de crédito de IPI decorrente de aquisições insumos isentos, aliquota zero e não tributados apresentada pela empresa sucedida pela empresa Braskem S/A, efetivado com amparo em provimento judicial obtido em ação mandamental, conforme se vê dos autos. Antes de adentrar no mérito, cabe examinar de oficio se a DECOMP apresentada até 31 de outubro de 2003 pode ser considerada instrumento hábil a constituir o crédito tributário, assim como, se a DCIT, pelo simples ato de sua apresentação constituiria confissão de divida. É certo que, os débitos declarados por meio da DECOMP, assim como da DCTF, ambas constitui instrumento hábil e confissão de divida, suficiente para exigir os créditos tributários reconhecidos nestes documentos. No caso vertente, a primeira vista, os valores lançados na DCOMP configuraria confissão dívida, dispensando a intervenção do ato administrativo do fisco em apurar a irregularidade, quantificar o quanttun devido e o sujeito passivo da obrigação. Entretanto, não se pode perder de vista que o sistema constitucional e o ordenamento jurídico vigente entre nós é de maior complexidade ; bem mais engenhoso do que a própria formulação da legislação aplicável ao caso específico. Portanto, impõe-se a necessidade de verificar a eficácia da legislação aplicável ao tempo da apresentação da referida declaração de compensação e se conferia a DECOMP legitimidade para ser considerada confissão de dívida. Neste caso entendo, salvo melhor juízo, de que não se trata de matéria incidental, mas sim como o ceme da questão vinculada diretamente à exigência da dívida. •Como se sabe, tanto os juízes togados, quantos os demais julgadores, entre estes encontram os administrativos, não podem aplicar a lei ao caso concreto sem antes observar se a norma respeita os princípios e regras hauridos da Constituição, caso contrário estaria a por em risco toda estrutura jurídica construída a duras penas neste país. A Medida Provisória número 135, publicada em 31/10/2003, promoveu inovação na legislação vigente, com a introdução do parágrafo 6° ao art. 74 da Lei 9.430/96, a partir de quando a declaração de compensação passou a ser considerada confissão dívida. Neste contexto, é apropriado trazer à baila a orientação editada pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação — COSIT, por meio de Solução de Consulta Interna número 3, que assim disciplina a aplicação da novel norma introduzida no sistema jurídico: .0) 4 Processo n° 13007.000165/2003-14 S2-CIT1 At:6SM n.• 2101-00.121 Fl. 935 116. A Declaração de Compensação (Dcomp) foi instituída pelo art. 49 da MP No 66, de 19 de agosto de 2002, convertida na Lei No 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 7. Cotejando o texto da MP No 66, de 2002, com o da MP no 135, de 2003, verifica-se que a Dcomp, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confusão de dívida. Tal status só lhe foi conferido com a edição da MP número 135, de 2003, cujo art. 17, ao adicionar novo parágrafo 6° ao art. 74 da Lei número 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atribuiu à declaração de compensação natureza de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 8. Essa é a interpretação mais consentânea com o Direito, segundo a qual as leis, em princípio, produzem efeitos para o futuro. 9. Portanto, somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP no 135, de 2003, constituem-se confusão divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados." É de conhecimento geral, que a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, marco norteador do Direito Civil Brasileiro, regula por meio do art. 1°', que a lei começa a vigorar oficialmente após sua publicação. Assim, a publicação revela o modo pelo qual se dá conhecimento a todos da lei editada e marca a sua entrada no mundo jurídico. Neste passo se revela oportuno lembrar a lição de GOFFREDO TELLE JÚNIOR, para ele a norma positiva é, em suas palavras: "Uma norma social passa a ser considerada norma de garantia e, portanto, norma atributiva ou norma jurídica, no momento em que o governo do grupo a declare como tal. As normas de garantias ou normas jurídicas são vias essenciais ou úteis para a consecução dos objetivos que o grupo tem em mira. Ora, o governo compete, antes de mais nada, no desempenho de sua missão precípua, indicar essas vias, ou seja, declarar para o conhecimento de todos as normas jurídicas e, depois, assegurar pela força, o seu cumprimento." (Filosofia do Direito, São Paulo, Max Limond, V.2, p.468). Assim, publicidade é o atributo daquilo que, por qualquer motivo, deve ser divulgado, a partir do qual passa gerar seus efeitos, de modo que, mesmo aqueles que não tenha interesse direto no fato tomem conhecimento a respeito, pela notoriedade e divulgação que dela se faz. Os princípios constitucionais e o ordenamento jurídico, não permite aplicação de uma legislação a fatos pretéritos, essa é a regra geral, pois se assim não fosse estaria em risco a segurança jurídica. Neste caso está sob exame a aplicação da lei tributária a fatos anterior ao seu evento. Portanto, impõe saber se aplica a lei atual ou por tratar-se de situação jurídica definitiva estava ao abrigo da lei anterior. Se concluirmos que a • -se a e 'butkia vigente e não Processo n°13007.000165/2003-14 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.121 Fl. 936 aquela que vigia ao tempo da apresentação da declaração de compensação, estamos diante do princípio da irretroatividade. Os princípios devem ser observados de modo intenso, tanto no campo tributário, assim como é em relação as questões penais por acarretar violação aos direitos fundamentais do indivíduo, é o caso da privação da liberdade. A aplicação de lei a fato anterior ao seu evento se revela retroativa e fere princípio basilar, assim sendo, não pode ser ignorado pelo julgador, independentemente de manifestação dos interessados, devendo ser conhecido de oficio. Em relação a irretroatividade no campo tributário, o legislador infraconstitucional tratou do assunto por meio do artigo 105 da Código Tributário Nacional, vedando a sua aplicação, não cabe aqui discussão em relação aos fatos pendentes, pois o direito brasileiro não contempla-os, só considera fato gerador ocorrido ou não ocorrido. Assim sendo, a aplicação da legislação tributária tem de observar o principio da irretroatividade estampado no art. 150, III, "a" da Carta da República de 1988. Os casos excepcionais de aplicação desse instituto são àqueles mencionados no artigo 106 do CTN, que não implicam propriamente em retroaçã'o, entre esses encontram as leis meramente interpretativa, que dizem respeito à aplicação de lei mais benigna ao contribuinte, que deixa de considerar certos atos como infração eiou comine pena mais branda. Portanto, em obediência ao principio constitucional da irretroatividade das leis, bem como ao ordenamento jurídico infraconstitucional vigente, que vedam aplicação retroativa das leis, impõe-se reconhecer no caso destes autos que os débitos declarados por meio de Dcomp antes de 31 de outubro de 2003 não configura confissão divida, assim sendo, deixa de ser neste caso documento hábil a permitir que a Fazenda exija a obrigação sem antes constituir o crédito tributário por meio de lançamento. Deste modo a Declaração de Compensação — Decomp - apresentada até 31 de outubro de 2003, não configura confissão de dívida, por essa razão, impõe a Autoridade Fiscal diligenciar no sentido de apurar a irregularidade e constituir o crédito por meio de lançamento e, se for o caso inscrever em dívida ativa. Assim sendo, por tratar-se de matéria prejudicial ao mérito, conheço de oficio e declaro inexistente o débito incluído em DCOMP efetivado pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário, por essa razão deixou de ser instrumento hábil para exigir o pagamento do devedor por meio de carta de cobrança. Em relação a DCTF é sabido que trata-se de documento que representa cumprimento de obrigação acessória, apresentada comunicando a existência do crédito tributário, importa em lançamento fiscal. Também é certo que o simples fato da entrega da DCTF, afasta a decadência relativamente à dívida, em razão da confissão, a partir daí possível efetuar a inscrição em dívida ativa com suporte exclusivo na referida declaração. Entretanto, há peculiaridade que deve ser observada, no caso deste feito, a DCTF apresentada foi confeccionada com o objetivo de declarar o crédito tributário e ao mesmo tempo compensar por meio de crédito fiscal apurado na contabilidade, cujo saldo resultante deste encontro de contas é igual a zero. rõ 6 Processo e 13007.00016512003-14 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 937 Assim, em que pese a DCTF ter por objeto a constituição do crédito tributário, depende de operação aritmética para tomar certo e liquido o quantum devido, pois este mesmo documento depende da inserção de dados necessários cujo resultado aritmético revela se a existência de crédito a favor da Fazenda ou não. Se a declaração é por excelência ato voluntário do contribuinte, e este simultaneamente aponta um débito e um crédito, resultando em saldo zero, forçoso convir de que tal procedimento administrativo, cujo objetivo é determinar o fato gerador, a matéria tributável, o quantum do tributo e a sua legitimidade passiva, implica dizer que não há crédito a favor da Fazenda. A inexistência de saldo a favor da Fazenda é uma peculiaridade capaz de afastar o entendimento de que o simples fato da entrega da DCTF configura confissão de divida e o próprio lançamento, suficiente para desprezar a intervenção da Administração no sentido de constituir o crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça - STJ examinando situação idêntica a desse caderno, reconheceu que há peculiaridade capaz de afastar o entendimento em relação ao crédito tributário declarado por meio de DCTF, é o que se extrai do voto aqui transcrito: "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E FINCOSIAL. CRÉDITO DECLARADO EM DCTF OBJETO DE COMPENSAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. (.) I- A jurisprudência desta colenda Corte afirma que, uma vez reconhecido o crédito tributário, por meio de DCTF, tal ato equivale ao próprio lançamento, tornando-se imediatamente exigível o débito não pago [.. J. 2 — Todavia, verifico que há peculiaridade a afastar tal entendimento, in casu, consubstanciado no fato de que o crédito declarado em DCTF foi objeto de compensação pelo contribuinte, devidamente informada ao Fisco, conforme atestado pelo acórdão de fis, de maneira que cabe, em conseqüência à Fazenda verificar a regularidade da conduta, por meio do devido procedimento administrativo-fiscal. Assim, somente em concluindo pela ilegitimidade da compensação, após f.o referido procedimento, é que será possível a constituição do crédito tributário respectivo. Precedentes: AgRg no REsp n° 327.626/RS, Rd Min. FRANCIULLI NET7'0, DJ de 19/12/05; AgRg no REsp n° 64I.448/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, 13.1 de 01/02/05 e REsp n° 328.727/PR, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 30/08/04. (AgRg no RESP 801. 069/R5. MM. Francisco Falcão, Ia Turma, DJU 26.06.2006) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COMPENSAÇÃO. DCTF. INSCRIÇÃO EM DIVIDA ATIVA IMPOSSIBILIDADE. 1 — Comunicado pelo contribuinte, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) que o valor do débito foi quitado por meio de utilização de mecanismo compensatório, 7 Processo n° 13007.00016512003-14 S2-CIT1 Acórdão ro.• 2101-00.121 Fl. 938 não há porque se falar em confissão de dívida suficiente a inscrição em divida ativa. (RESP 4I9.476/RS, Min. João Otávio Noronha, 2a Turma, DJU 02.08.2006)" Portanto, não se discute que a DCTF possui efeito de lançamento, mas é imperioso, para tanto, que esteja presente todos elementos imprescindíveis, não é o caso nestes autos, pois aqui constata-se a ausência do quantum devido do tributo, pois o valor do débito foi quitado por meio da compensação , portanto, não se pode falar em lançamento perfeito e acabado. A inexistência de saldo residual que configuraria o débito, não abre espaço para o entendimento de que neste caso, o crédito tributário seria o total do débito informado. Também, inexiste justificativa de que deva prevalecer o débito em decorrência do contribuinte não ter logrado êxito em relação ao pedido de compensação. O entendimento oposto, ao meu ver, colocaria-nos diante de crédito inconsistente carregado de ilegitimidade substancial ou formal, que certamente pereceria quando submetido ao crivo do Poder Judiciário. Por tratar-se da eficácia ao ato de lançamento, impõe mencionar os ensinamentos da professora LÚCIA VALLE FIGUEIREDO, que assim ensina: "... é imperioso concluir-se, ao lado de Misabel Derzi, Alberto Xavier, Luciano Amaro, que não se pode inscrever a divida com apenas a declaração do contribuinte, que pode ser de longo tempo, ter-se desatualizado... Ora se esse ato dá eficácia ao ato de lancamento, apresenta-se como ato de controle de legalidade E os atos de controle de legalidade nada podem acrescentar ao ato anterior ( por isso a necessidade imperiosa de haver ato anterior), mas apenas lhe atribuir eficácia. (..) Por tais razões, entendo que haveria cerceamento de defesa na hipótese de ser ter inscrito o crédito sem a realizacão do ato anterior como necessário e natural antecedente. É dizer, haveria violacão do devido processo legal." (Lúcia Valle Figueiredo, A Inscrição da Dívida como Ato de Controle do Lançamento, em Revista Dialética de Direito Tributário n. 36, 1998, p. 83 —). O saldo apresentado na DCTF, sendo igual a zero não configura confissão de dívida. Assim, reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor em decorrência de que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de dívida, o que impõe a constituição do crédito tributário por meio de lançamento. Ultrapassado essas questões, passo examinar o mérito: As pretensões submetidas à apreciação do Judiciário se referem ao direito de repetir os pagamentos decorrentes da falta de cômputo dos valores de aquisição dos insumos isentos, não-tributados, ou tributados com alíquota zero do IPI, nos últimos 10 (dez) anos e das aquisições futuras. C a Processo n° 13007.000165/2003-14 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 939 O pleito foi concedido parcialmente no que tange ao direito de repetir em relação aos últimos dez anos, restringindo aos cinco últimos anos, o que foi modificado pelo julgamento do Tribunal Federal Regional, provendo o recurso para assegurar o direito a contribuinte de aproveitar os dez últimos anos. Não há dúvida de que decisão judicial assegurou o direito aos créditos de IPI nas aquisições de produtos isentos, não tributados e alíquotas zero, tanto em relação aos últimos 10 (dez) anos, bem como os créditos futuros. A matéria submetida à apreciação na esfera administrativa tange ao direito de créditos de IPI decorrentes de finuras aquisições e a restrição de compensação autorizada por decisão judicial antes do transito em julgado contido no art. 170-A do CTN. Assim sendo, não vislumbro a existência de concomitância entre a esfera administrativa e judicial.Portanto, não é o caso da aplicação da Súmula número 1, de 26.09.2007, deste Conselho de Contribuintes. A controvérsia surge em relação à interpretação da parte final da sentença quanto ao aproveitamento dos créditos de IPI referentes as aquisições finuras. O entendimento da Autoridade Administrativa funda-se no fato de não constar da decisão um comando expresso reconhecendo o direito de aproveitamentos dos créditos futuros. Com toda vênia, entendo ser desnecessário constar no comando sentenciai à totalidade dos pedidos formulados. Como se sabe, o Juiz julga procedente (parte ou totalidade) ou improcedente os pedidos, não se julga a ação, bastando, para tanto, que o Julgador mencione àqueles que são negados e os acolhidos parcialmente. O pleito foi acolhido in totum, apenas limitando o aproveitamento do crédito aos cinco últimos anos à interposição do mandado de segurança, esse é o meu entendimento. No que tange a vedação de compensação de créditos autorizados por medida judicial antes do trânsito em julgado, por vedação do artigo 170-A do CTN, não se aplica ao caso deste caderno processual administrativo, pois trata de provimento judicial concedido antes da vigência do referido diploma legal. Como se sabe, as sentenças judiciais monocráticas, não transitadas em julgadas, são passiveis de ser modificadas ou anuladas mediante recursos específicos, entretanto, não podem ser cassadas por força de lei editada posteriormente, se assim não fosse, estaria em risco o princípio da segurança jurídica. Não vislumbro como óbice no caso vertente a restrição do art. 170-A do CTN, portanto, afasto aplicação deste dispositivo, assim como reconheço que a sentença assegurou o direito do crédito IPI das aquisições futuras, beneficio este estendido aos dez anos anteriores à interposição do Mandado de Segurança. A Sumula n. 212 do STJ, assegura o direito de compensação desde que o deferimento tenha ocorrido por meio de sentença, e não por meio de medida liminar, o que restou vedado pela a aludida súmula é compensação fundada em liminar. Além do que, no caso deste caderno processual, o crédito objeto de compensação é de 1999, portanto, anterior ao evento do art. 170-A, introduzido no 9 Processo e 13007.000165/2003-14 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 940 ordenamento jurídico pela Lei Complementar número 118/2002. Sendo certo que a compensação tributária, nos termos da jurisprudência do STJ, rege-se pela lei vigente ao tempo do nascimento do crédito aproveitado e não por aquela vigente quando do efetivo encontro de contas. Nesse passo é conferir a lição de LEO ICRAKOWIAIC: "Com efeito, muito embora a jurisprudência de nossos Tribunais tenha oscilado quanto à determinação de qual a legislação aplicável em se tratando de compensação, se aquela em vigor quando do pagamento indevido ou aquela em vigor no momento da compensação, pacificou-se afinal adotando aquela primeira linha de raciocínio, com se verifica do recente acórdão unânime da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, verbis" I. As limitações das Leis números 9.037/95 e 9.129/95 só incidem a partir da data de sua vigência. 2. Os recolhimentos indevidos efetuados até a data da publicação das leis em referência não sofrem limitações. 3. Embargos de divergência rejeitados "(Embargos de Divergência em Resp. n. 164.739-SP, ReL Min. Eliana Calmon, i a Seção, DJ, I, 12.02.01). Deste modo, pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça que a compensação de tributos pagos indevidamente se rege pela legislação em vigor à época de cada pagamento, dúvida não há de que o mesmo entendimento deve ser aplicado também à vedação trazida pelo art. 170.A do CI'N" (A Compensação e a Correta Aplicação do art. 170-A do CTN, Revista Dialética de Direito Tributário., voL 68,pág. 82). Assim sendo, por se tratar de sentença prolatada antes do evento do art. 170- A do CTN, conserva a sua eficácia plena. No caso dos autos a recorrente tem assegurado o direito de compensar os créditos de IPI de aquisições anteriores à impetração do mandado de segurança, bem como os futuros incidentes sobre as aquisições de produtos não tributados, aliquota zero e isento. A legislação vigente permite a compensação de crédito de IPI com outros débitos tributários, entretanto, neste caso restou limitado pela sentença, que fixou parâmetro para que o contribuinte pudesse se beneficiar do crédito oriundo das aquisições de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de IPI, que deve ser utilizado para compensar com débitos oriundos da venda dos produtos industrializados, como se vê da parte final do decisão: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de 1P1 como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuracão do referido tributo...". No caso vertente a compensação de crédito tributário deu-se com débito de tributo distinto, portanto, além dos limites traçado no comando sentencial. 10 • Processo n°13007.000165/2003-14 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 941 Por essa razão sou inclinado a negar provimento ao apelo da recorrente em relação ao aproveitamento de crédito de IPI para compensar débitos tributários de natureza distinta daquela que restou autorizada. Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fedem!, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Sabe-se que a multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento ocorreu por culpa ou por força maior. Havendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição do enunciado das Súmulas n2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstüucionalidade de legislação tributária." "Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." De modo que, a Recorrente não obtendo êxito na demanda judicial, está sujeita a aplicação da norma contida no art. 61 da Lei n. 9.430/96. Multa Isolada no caso de Compensação Não Homologada. 6 .„ Processo n° 13007.000165/2003-14 52-OU Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 942 Em relação aplicação da multa isolada, em que pese ter sido objeto do recurso, não é o caso dos autos, por tratar-se de indeferimento de compensação de crédito. A penalidade é aplicada quando o sujeito passivo efetua compensação ao arrepio da legislação e essas deixam de ser homologadas pela Autoridade Administrativa, por expressa disposição legal. No caso destes autos não há pena aplicada com arrimo no art. 18 da Lei 10.833, de 2003. De modo que, as sustentações de que não há base legal para imposição de multa em decorrência modificação no referido dispositivo legal por meio da Medida Provisória numero 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, são desnecessárias pelo fato de inexistir aplicação de penalidade. Mesmo assim, consoante se vê da leitura do dispositivo mencionado, com a nova redação, o Legislador Ordinário restringiu à sua aplicação a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei número 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, aplicação da norma contida no art. 18 da Lei 10.833/2003, alcança aqueles que praticarem conduta típica passível punição de acordo com o Direito Penal. Configura conduta típica a pratica de fraude, conluio e sonegação com intuito de causar dano a Fazenda Pública. Entretanto, no caso vertente, trata de direito declarado judicialmente aos créditos oriundos de materiais que não incidiram IPI na etapa anterior, que a Recorrente compensou com débito fiscais, créditos tributários administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos moldes do art. 74 da Lei número 9.430/96. Em relação a constituição do crédito tributário, é direito da União Federal, mesmo tratando de tributo com exigibilidade suspensa com intuito de prevenir a decadência. Como se sabe a discussão judicial não inibe, por si só, a atividade fiscal, portanto, o mero ajuizamento de ação para a discussão de uma obrigação tributária não constitui em óbice para o sujeito ativo do tributo de fiscalizar o cumprimento da lei, verificando a ocorrência do fato gerador. No entanto, para que reste inibida a atividade fiscal em relação exigência tributária, faz-se necessário que o contribuinte esteja protegido por decisão judicial, essa por seu turno suspende a exigibilidade. Assim sendo, não há que se falar em mora. Tanto é verdade que há previsão legal contida no art. 63 da Lei n. 9.430/96, dispõe que o contribuinte incorrerá em mora 30 dias após eventual decisão que modifique a decisão que albergou a suspensão da exigibilidade. Extrai-se do dispositivo mencionado: "Art. 63 — Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio". 12 Processo n°13007.000165/2003-14 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 943 Constata-se no caso presente que todo o procedimento de compensação tem amparo em medida judicial, o que por si só afasta a presunção de conduta ilícita ou dolosa da recorrente. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para afastar a qualidade de confissão de dívida e de instrumento hábil para exigir o pagamento de débito informado DCOMP apresentada pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário e exigir o pagamento por eio de carta de cobrança. Também reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de s iso devedor, uma vez que o débito declarado foi objeto de com, . 7., - tá despida *a condição - .11 ssao • - ' 'vida, impondo a constituição do r edito tributário p. meio d• lançamento, • eix de homologar. smpensação em razão de ter sido realizada com dé;* o de ontribuição e irai), stos de natureza dis: ta. É COMO v otu . Sala das Se ões, em 07 demais de 2009. DOMINGO DE SÁ FILHO Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto da parte em que o relator originário foi vencido, ou seja, da preliminar de nulidade da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, por falta de lançamento. A ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante do mandado de segurança OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante - a OPP PETROQUIMICA S/A. Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de dívida, porque apresentada antes da vigência da MP 135/2003, depois convertida na Lei if 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de divida, apta a permitir a Li e 13 : Processo n° 13007.000165/2003-14 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 944 ... cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 62 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao ? preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é . obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. j• 14 • Processo n° 13007.000165/2003-14 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 945 Entende a recorrente que a confissão de divida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tomaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, del3/06/1984, verbis: "Art. 50 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita FederaL § I° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2 0 do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confumado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. 1° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias 15 Processo n° 13007.000165/2003-14 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 946 após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (capta do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O capta do art. 1 2 da N SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF, COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1.É pacifico na jurisprudência desta Cone que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em divida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 16 Processo n° 13007.000165/2003-14 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.121 Fl. 947 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento especifico (DCTF, CM, GFIP e congêneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento • específico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido." Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4' Região, ofendera ao art. 50, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tomando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da divida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: 17 Processo n° 13007.00016512003-14 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.121 Fl. 948 • "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. 1. A compensação tributária, declarada em DCIF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutó ria de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. H, do Código Tributário Nacional e 74, § 2°, da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de dívida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art.18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática 18 Processo e 13007.000165/2003-14 S2-CITI Acórdão n." 2101-00.121 Fl. 949 das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos 1 e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. 11.1" O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n 2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: "§ 9 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003)• § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto re 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei re 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)" 19 • a Processo n° 13007.000165/2003-14 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.121 Fl. 950, imp De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 90 a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ,55* 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou . outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vicio de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tomar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. -- g,Conclusão r) Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da cobrança dos débitos indevidamente compensados, posto que confessados em DCTF. Sala 'as Sess7- s, em 07 de maio de 2009. OPI 4/ cipteer4e liPe e R 20 Page 1 _0098900.PDF Page 1 _0099000.PDF Page 1 _0099100.PDF Page 1 _0099200.PDF Page 1 _0099300.PDF Page 1 _0099400.PDF Page 1 _0099500.PDF Page 1 _0099600.PDF Page 1 _0099700.PDF Page 1 _0099800.PDF Page 1 _0099900.PDF Page 1 _0100000.PDF Page 1 _0100100.PDF Page 1 _0100200.PDF Page 1 _0100300.PDF Page 1 _0100400.PDF Page 1 _0100500.PDF Page 1 _0100600.PDF Page 1 _0100700.PDF Page 1
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Numero do processo: 11634.720093/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas legais, havendo expressa vedação inserta no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, e art. 62 do RICARF (Portaria MF 343/15). Súmula CARF nº 2.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. PROVA DA HIGIDEZ DA OPERAÇÃO MERCANTIL. NECESSIDADE.
Uma vez constatada e provada pelas autoridades fiscais a irregularidade das pessoas jurídicas fornecedoras, perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, na condição baixada, inativa, omissa ou inexistente de fato e a prestação de falsa declaração, cumpre ao adquirente a demonstração da legitimidade da operação, mediante apresentação de prova inequívoca do recebimento das mercadorias e o correspondente pagamento, consoante art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E AGROPECUÁRIAS. APURAÇÃO.
Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. PROVA DA HIGIDEZ DA OPERAÇÃO MERCATIL. NECESSIDADE.
Uma vez constatada e provada pelas autoridades fiscais a irregularidade das pessoas jurídicas fornecedoras, perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, na condição baixada, inativa, omissa ou inexistente de fato e a prestação de falsa declaração, cumpre ao adquirente a demonstração da legitimidade da operação, mediante apresentação de prova inequívoca do recebimento das mercadorias e o correspondente pagamento, consoante art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E AGROPECUÁRIAS. APURAÇÃO.
Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa Selic encontra amparo na legislação ordinária, incidindo desde o primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, mesmo que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, consoante Súmula CARF nº 5.
Numero da decisão: 3401-005.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada) e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas legais, havendo expressa vedação inserta no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, e art. 62 do RICARF (Portaria MF 343/15). Súmula CARF nº 2. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. PROVA DA HIGIDEZ DA OPERAÇÃO MERCANTIL. NECESSIDADE. Uma vez constatada e provada pelas autoridades fiscais a irregularidade das pessoas jurídicas fornecedoras, perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, na condição baixada, inativa, omissa ou inexistente de fato e a prestação de falsa declaração, cumpre ao adquirente a demonstração da legitimidade da operação, mediante apresentação de prova inequívoca do recebimento das mercadorias e o correspondente pagamento, consoante art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E AGROPECUÁRIAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. PROVA DA HIGIDEZ DA OPERAÇÃO MERCATIL. NECESSIDADE. Uma vez constatada e provada pelas autoridades fiscais a irregularidade das pessoas jurídicas fornecedoras, perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, na condição baixada, inativa, omissa ou inexistente de fato e a prestação de falsa declaração, cumpre ao adquirente a demonstração da legitimidade da operação, mediante apresentação de prova inequívoca do recebimento das mercadorias e o correspondente pagamento, consoante art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E AGROPECUÁRIAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa Selic encontra amparo na legislação ordinária, incidindo desde o primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, mesmo que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, consoante Súmula CARF nº 5.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada) e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas legais, havendo expressa vedação inserta no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/09, e art. 62 do RICARF (Portaria MF 343/15). Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. PROVA DA HIGIDEZ DA OPERAÇÃO MERCANTIL. NECESSIDADE. Uma vez constatada e provada pelas autoridades fiscais a irregularidade das pessoas jurídicas fornecedoras, perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, na condição baixada, inativa, omissa ou inexistente de fato e a prestação de falsa declaração, cumpre ao adquirente a demonstração da legitimidade da operação, mediante apresentação de prova inequívoca do recebimento das mercadorias e o correspondente pagamento, consoante art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E AGROPECUÁRIAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 00 93 /2 01 4- 66 Fl. 8337DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.101 2 animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. PROVA DA HIGIDEZ DA OPERAÇÃO MERCATIL. NECESSIDADE. Uma vez constatada e provada pelas autoridades fiscais a irregularidade das pessoas jurídicas fornecedoras, perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, na condição baixada, inativa, omissa ou inexistente de fato e a prestação de falsa declaração, cumpre ao adquirente a demonstração da legitimidade da operação, mediante apresentação de prova inequívoca do recebimento das mercadorias e o correspondente pagamento, consoante art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E AGROPECUÁRIAS. APURAÇÃO. Nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, o contribuinte tem direito a crédito presumido das contribuições não cumulativas, apurado sobre o valor dos bens empregados como insumo, nos casos que cita, utilizados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana e animal, adquiridos de pessoas físicas, cooperativa de produção agrícola e pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, não sendo devido o crédito integral nessas situações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa Selic encontra amparo na legislação ordinária, incidindo desde o primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, mesmo que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, consoante Súmula CARF nº 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Relatora (assinado digitalmente) Fl. 8338DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.102 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada) e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Cuidase de auto de infração para exigência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, anoscalendários 2009, 2010 e 2011, decorrente de glosas de aquisições de pessoas jurídicas irregulares (inexistentes, inaptas, baixadas ou outras irregularidades) e indevida apropriação de crédito integral por aquisições de pessoas físicas, cooperativas, agropecuárias e vendas com suspensão das contribuições. Consta do relatório fiscal que as inconsistências relatadas deram lugar ao recálculo do crédito aproveitado a título de crédito presumido, consoante art. 8º da Lei nº 10.925/04. Em impugnação o contribuinte informou a existência de execução fiscal referente ao PIS/Pasep e Cofins dos períodos dezembro/2009 a maio/2010; sustentou que o lançamento estaria embasado em presunções, eis que fundada a glosa integral de créditos na realização de diligências por amostragem; que a irregularidade das operações comerciais foi apenas indiciária; que prova a realização das aquisições pelas notas fiscais e pela emissão de cheques nominais (borderôs – 2ª via) aos fornecedores respectivos, com prova de sua liquidação (extratos); que a escrituração regular do contribuinte faz prova em seu favor; que não lhe é possível a prova negativa, ao pretender que demonstre que as mercadorias não foram efetivamente entregues pelos mencionados fornecedores; que o contribuinte não pode responder financeiramente/tributariamente por irregularidades de seus fornecedores; que é adquirente de boafé, como se comprova pelo recebimento das mercadorias e correspondente pagamento; que a remessa por conta e ordem de terceiro, como ocorrido nas operações com a empresa BRASIL MEAT LTDA., é admitida pelo direito; que o não atendimento às intimações, por parte de fornecedores, não implica a comprovação da tese que seriam empresas de fachada; que o contribuinte e a empresa BRASIL MEAT LTDA. não estão constituídas no mesmo endereço; que todos os seus fornecedores possuem personalidade jurídica e contabilidade próprias; que não pode ser responsabilizada por infração que não deu causa, haja vista a prova da regularidade das operações; que a autuação viola os princípios basilares da relação tributária; que a fiscalização adota um comportamento contraditório, mantendo a glosa das aquisições e, por outro lado, promove a autuação dos fornecedores considerados “de fachada”; que o estabelecimento de distinção entre insumos adquiridos de pessoas jurídicas e aquisições de pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias viola o princípio da isonomia; que houve indevido recálculo de crédito (integral para presumido) de aquisições de “carne mecanicamente separada”, aquisições de bens para revenda e fretes; que houve equívoco na afirmação da fiscalização que havia cômputo de saldos credores oriundos do mês de dezembro/2008, ao passo que no DACON não foram informados ditos saldos; e, por fim, que a fluência dos juros de mora e da multa esbarra na ausência de exigibilidade, certeza e liquidez do crédito tributário, pelo desenrolar do processo contencioso, não havendo que se falar em inadimplência do contribuinte enquanto não encerrada a discussão administrativa, além de se mostrar a multa de ofício exacerbada. Fl. 8339DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.103 4 A DRJ Belém/PA manteve integralmente em lançamento, em decisão assim ementada: “NULIDADE. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situase na competência da autoridade administrativa A sustentação probante pode estar calcada não só em fatos, mas também em presunções, já que na busca pela verdade material o fisco pode valerse, para comprovar suas alegações, de todos os meios de prova admitidos em Direito, até mesmo as presuntivas. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional MATÉRIA SEM IMPUGNAÇÃO. INCONTROVERSA. Considerase incontroversa, portanto sem litígio, a matéria do lançamento que o contribuinte deixar de impugnar, seja por concordar ou deixar de se manifestar expressamente. GLOSA DOS CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. Só podem ser apurados créditos de insumos na modalidade não cumulativa da contribuição, quando houver compra de pessoa jurídica nacional e utilização em processo produtivo. Quando comprovado que o negócio jurídico não foi realizado com a pessoa jurídica que aproveita os créditos, ou que a compra e industrialização existe apenas formalmente, de forma dissociada da realidade fática, deve ser feita a glosa integral dos créditos aproveitados indevidamente como insumos. CRÉDITO PRESUMIDO Os créditos presumidos da Lei 10.925/2004 são determinados mediante alíquotas (não o valor cheio) nos créditos de PIS calculado sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física, recebidos de cooperado pessoa física, de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou de cooperativa de produção agropecuária. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA . Incabível a discussão dos princípios constitucionais que tratam da vedação ao confisco e da capacidade contributiva, por força de exigência tributária, os quais deverão ser observados pelo Fl. 8340DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.104 5 legislador no momento da criação da lei. Portanto, não cogitam estes princípios de proibição aos atos de ofício praticados pela autoridade administrativa em cumprimento às disposições legais inseridas no nosso ordenamento jurídico, mesmo porque a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. NÃO TRANSGRESSÃO. Descabidas as alegações que teria havido transgressão aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade quando a auditoria fiscal transcorreu nos estritos termos das normas tributárias, e o lançamento foi devidamente efetivado na forma da legislação vigente. JUROS.TAXA SELIC. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A incidência de juros calculados com base na taxa Selic está prevista em lei em vigor, que os órgãos administrativos não podem se furtar a aplicar” O recurso voluntário, como preliminar, contestou a ausência de impugnação quanto ao registro dos saldos credores de dezembro/2008 e, com certa variação, reprisou a argumentação na impugnação. Na sessão de 28/04/2016, através da Resolução nº 3401000.929, o julgamento foi convertido em diligência para que houvesse segregação dos créditos por aquisições de bens para revenda e fretes; informação se havia glosa de créditos não provenientes de pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias; informação acerca da situação cadastral das empresas indicadas como irregulares; e manifestação sobre a natureza dos saldos apurados no mês de dezembro/2008. Encerrado o procedimento fiscal, foi dada ciência ao contribuinte do respectivo relatório, que não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O preenchimento dos requisitos de admissibilidade, do recurso voluntário, já foi oportunamente aferido. Inicialmente, cabe o esclarecimento de um equívoco do recorrente, quanto à discussão sobre a natureza dos saldos, se credores ou devedores, apurados no mês de dezembro/2008 e que, em princípio, poderiam influenciar o lançamento nos períodos de apuração subseqüentes. A decisão recorrida, ao asseverar que não houve controvérsia a respeito do tema, nada obstante seus termos, não o fez sob manto da ausência de contestação expressa, mas Fl. 8341DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.105 6 sim pela existência de convergência entre as colocações da fiscalização e do contribuinte sobre a matéria, como se extrai do seguinte trecho do voto condutor: “No Termo de Encerramento da Ação Fiscal, afirma a Auditora Fiscal que foram desconsiderados os saldos iniciais (acumulados) de créditos de períodos anteriores, em janeiro de 2009 nos valores de RS 1.135.695,56 de PIS e R$ 4.647.114,97 de COFINS, informados em memórias de cálculo pelo contribuinte. O sujeito passivo afirma que, os valores não eram créditos acumulados e, sim débitos, ou seja, valor acumulado de toda a contribuição devida pela empresa a título de PIS e COFINS, por isso, não constavam na DACON de dezembro de 2008.” Ora, a auditoria não afirmou que o contribuinte havia indicado saldos credores, supostamente existentes em dezembro/2008, no DACON, mas sim, nas memórias de cálculo apresentadas em cumprimento a intimação expedida. Já o contribuinte reconhece que os saldos apurados não eram credores, mas sim devedores, o que foi, inclusive, confirmado em recurso voluntário e também na diligência realizada. Ou seja, há convergência de dados no sentido que o contribuinte não possuía saldos credores a transportar, em dezembro/2008, de maneira que, sob esse aspecto, a questão é incontroversa. Essa situação não gerou qualquer alteração na apuração das contribuições lançadas, isso porque os supostos créditos relacionados nas memórias de cálculo foram desconsiderados pela autoridade fiscal. Em face do exposto, não acolho o pleito de remessa do processo à instância administrativa a quo para nova decisão, pois não houve negativa de prestação jurisdicional, como demonstrado, houve enfrentamento da questão no colegiado de piso. Quanto à alegação de nulidade do lançamento, por realização de amostragem, o voto proferido pelo antigo Relator Eloy Eros da Silva Nogueira, quando da conversão em diligência, já apreciou o questionamento, motivo pelo qual transcrevo os argumentos então externados e adoto como fundamento: “Senhores Conselheiros, antes de prosseguirmos, tenho como necessário lidarmos com a preliminar suscitada pela recorrente por meio da qual reúne razões por que deveria, em sua visão, ser decretada a nulidade da autuação. Peço desculpas por não reproduzir aqui, da sua bem alentada e desenvolvida peça recursal, as citações e referências de doutrinadores e decisões judiciais e administrativas invocados pela recorrente para apoiar sua argumentação, mas apenas apresento a seguir um breve resumo dessas alegações. A contribuinte alega que: a autuação se baseia em presunções e indícios, que lhe faltam provas, que foram desconsiderados os documentos apresentados Fl. 8342DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.106 7 pela contribuinte, que a 'autuação ocorreu por "diligências em algumas empresas (amostragem)", significando que o procedimento ocorreu por mero arbitramento realizado com base no 'quadro demonstrativo', desconsiderando todas e quaisquer operações com crédito integral (100%).' Que competia à autoridade fiscal ter solicitado maiores esclarecimentos do contribuinte (art. 9º do Decreto n. 70.265/1972 [sic]). a planilha elaborada pela autoridade fiscal foi constituída por amostragem e apresenta um creditamento presumido genérico do PIS e da COFINS das principais operações da contribuinte, mas em total desconsideração integral das receitas derivadas de operações de fretes. a autoridade fiscal se pautou exclusivamente pela amostragem e incorreu em excesso, desproporcionalidade e irrazoabilidade com as glosas de todas as operações de compra e venda de insumos (matérias primas). a existência de algumas notas fiscais emitidas por produtores pessoas físicas, não descaracteriza toda a operação de compra e venda de insumos, conforme justificativa para a glosa; poderia apenas desconsiderar o crédito proveniente destas notas fiscais, eis que inexistente outros argumentos/ provas para desconsideração das demais operações de compra e venda. As autoridades esperam que a contribuinte desconstitua as suposições e presunções mediante apresentação de provas robustas. há violação do princípio da reserva legal, do da ampla defesa e do contraditório. Senhores Conselheiros, nas próximas linhas, vou procurar apresentar, com objetiva brevidade, minha análise desta questão e a razão por que entendo que essa nulidade não deve ser acolhida por este Colegiado. Ao retornar às condições e procedimentos adotados para se chegar ao lançamento em discussão, verifico que a autoridade fiscal usou de amostragem. Ela fez constar em seu relatório: Com o objetivo de verificar a veracidade da origem dos créditos de PIS/Cofins não cumulativos, aproveitados integralmente pela empresa nos anos calendário de 2009 e 2010, foram realizadas diligências em algumas empresas (amostragem) fornecedoras de matériaprima (suínos) para a empresa Frigorífico Rainha da Paz. Ressaltese que, ainda na fase de verificação dos fornecedores de insumos que geraram tais créditos, foram constatadas a existência de empresas com irregularidades cadastrais junto à RFB, irregularidades no cumprimento de suas obrigações tributárias e aparentemente sem capacidade econômico/financeira para operar. ... Fl. 8343DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.107 8 No curso da fiscalização, também com o objetivo de verificar o correto aproveitamento dos créditos integrais de PIS/Cofins não cumulativos, a empresa foi intimada a apresentar, notas fiscais e respectivos comprovantes de pagamentos e recebimentos das mercadorias adquiridas de algumas empresas (amostragem). (destaques no original) Com o escopo de verificar o PIS e a COFINS em regime não cumulativo devidos nos períodos de apuração de 2009, 2010 e 2011, a autoridade fiscal, após ter tido acesso aos documentos, declarações e registros concernentes à situação da contribuinte e às suas operações, identificou dois grande grupos de origens de creditamento: 1) aquisição de matéria prima (suínos); 2) aquisição de insumo junto a pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias. Com relação ao primeiro, ela selecionou uma parte das empresas fornecedoras para verificar a origem dos créditos aproveitados. A autoridade fiscal não verificou todos os fornecedores de suínos da contribuinte. O critério de composição desta amostra está claramente posta pela autoridade fiscal: ela selecionou, dentre os fornecedores de suínos que constam da escrituração da contribuinte, alguns deles, quais sejam: aqueles que, segundo os dados da Receita Federal, não pareciam possuir capacidade econômica/ financeira para operar, ou constavam como irregulares em seu cadastro ou como irregulares com as obrigações tributárias. Foram as seguintes as fornecedoras de suínos selecionadas: (1) LOIVA MARIA STEIN ME CNPJ: omissis, (2) NELI FENNER BERWANGER ME CNPJ: omissis, (3) ATÍLIO BERWANGER ME CNPJ: omissis, (4) ERNA FENNER ME CNPJ: omissis, (5) MJG LIRA SUÍNOS ME CNPJ: omissis, (6) AGC COMÉRCIO DE SUÍNOS LTDA ME CNPJ: omissis, (7) BRASIL ME AT LTDA – ME CNPJ: omissis, (8) VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA – ME CNPJ: omissis, (9) DISTRIBUIDORA E TRANSPORTADORA DE CARNES SUITAV LTDA CNPJ: omissis. Para essas fornecedoras selecionadas para compor a amostragem, a autoridade fiscal iniciou um procedimento de verificação mais detida e in locum. Essas empresas selecionadas e constituintes da amostra foram intimadas e se procurou um contato direto com o estabelecimento, seus administradores e proprietário. Após esses procedimentos, a autoridade fiscal reuniu um corpo de constatações que a levaram à conclusão de que os créditos derivados das operações da contribuinte com esses fornecedores deveriam ser glosados. A autoridade do lançamento verificou que todas essas empresas não haviam sido contribuintes dos tributos em tela nos anos sob fiscalização, e que a sua quase totalidade havia se declarado inativa, não foi localizada, e não demonstraram ter funcionado ou estar funcionando em suas atividades operacionais. Fl. 8344DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.108 9 Ao analisar as planilhas da autoridade fiscal, encontro essa mesma delimitação: nem todos os fornecedores de suínos da contribuinte tiveram suas operações glosadas, mas apenas as empresas listadas acima tiveram as operações de fornecimento de suínos glosadas. A amostragem foi adotada apenas para selecionar alguns dos fornecedores de suinos da contribuinte. Após a fiscalização dessas fornecedoras, a autoridade fiscal glosou a totalidade das operações de fornecimento de suínos provenientes dessas empresas. Portanto, não é verdade que o fato imputado (tributo não pago concernente à glosa do crédito proveniente da aquisição de suínos dessas empresas) no lançamento tenha sido determinado por amostragem. O fato imputado abrange todas as operações de fornecimento de suínos de todas essas empresas selecionadas. Passando ao segundo grande grupo de origem dos creditamentos tratado pela autoridade fiscal, qual seja, provenientes das aquisições junto a pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias, noto que a autoridade fiscal não usou de amostragem, mas considerou que a totalidade dessas aquisições não poderia dar direito ao crédito integral, como registrado na escrituração e declarações da contribuinte, mas, poderia, sim, dar direito ao crédito na proporção determinada pelo artigo 8 da lei 10.825. As planilhas feitas pela autoridade fiscal demonstram que ela glosou o creditamento integral de todas as operações de aquisição de insumos junto a esses tipos de fornecedores, aceitando que o creditamento fosse proporcional a 60%. Ao meu ver, contrariando as alegações da recorrente, nessa parte do procedimento fiscal também não se encontra o uso de amostragem na determinação dos fatos imputados. Donde concluo que não se deveria acolher as alegações da contribuinte de que a validade das autuações estaria fatalmente comprometida pelo uso de amostragem. Concordo com os julgadores de 1º piso que não podem ser aceitas as alegações de cerceamento do direito de defesa ou prejuízo ao contraditório. Ao lermos a impugnação e o recurso voluntário, é evidente que a contribuinte tem pleno conhecimento e domínio dos fatos imputados, das razões e motivações do lançamento, e consegue contrapor com desenvoltura, propriedade e assertividades argumentos para atacar as autuações. Por isso, entendo que essas alegações não devem prosperar. Também não procede a afirmação da contribuinte de que o lançamento não considerou os documentos e informações prestadas pela contribuinte, e que ele é resultado de arbitramento. A autoridade fiscal se baseou nos documentos entregues pela contribuinte para identificar e analisar as origens dos creditamentos, selecionar algumas das empresas de Fl. 8345DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.109 10 fornecimento de suíno, para calcular o valor devido e o valor pago desses tributos, etc. A consulta às planilhas e às declarações prestadas à Receita Federal confirma que o lançamento não se pautou por arbitramento, mas foi derivado diretamente dos valores informados pela contribuinte na documentação entregue. Por isso, defendo que essas alegações não podem ser acolhidas, pois elas não correspondem á realidade dos fatos. A recorrente acusa a autuação de estar se apoiando em indícios e presunções. Com relação às glosas dos creditamentos referente às aquisições de suínos, a autoridade fiscal colacionou constatações de que os fornecedores selecionados: (a) não haviam contribuído com esses tributos nos anos fiscalizados; (b) haviam declarado sua inatividade, ou não foram localizados, ou não apresentaram condições para demonstrar que efetivamente realizaram as operações. Data vênia da recorrente, esses elementos não foram presumidos. Eles são fatos constatados pela autoridade fiscal nas diligências que realizou. Dentre esses fornecedores, os que foram localizados não lograram responder aos questionamentos fiscais. Não há presunção. O benefício do creditamento obtido a partir do relacionamento da contribuinte com essas empresas não é uma presunção ou um indício, mas um fato, comprovado pela documentação entregue pela contribuinte. No conjunto, no entendimento da autoridade do lançamento, a contribuinte manteve uma conduta de aproveitamento de créditos provenientes de aquisições de suínos em que seriam fornecedores empresas inativas, não localizadas, não contribuintes desses tributos. Com relação à glosa do creditamento integral das aquisições junto a pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias, a autoridade se apoiou no que consta nos documentos entregues pela contribuinte. Não há questionamentos sobre a validade dessas operações. A questão é de direito, se a contribuinte pode ou não se aproveitar integralmente dos créditos. Não há presunções ou indícios. Os fatos são incontroversos. Em minha visão, para justificar a validade dos autos de infração e do processo administrativo, esses elementos assim reunidos não são presunções ou indícios desprovidos de lastros em constatações ou nos documentos apresentados pela própria contribuinte. Por isso, considero que não podem ser aceitas as alegações da contribuinte a esse respeito para propor nulidade da autuação. Todo o procedimento fiscal seguiu os quesitos das leis que disciplinam o lançamento tributário. As argumentações da recorrente de que houve afronta à lei ou à reserva legal não se confirmam na análise do que consta dos autos.” (sublinhado) Finda essa etapa devese analisar a alegação de regularidade na aquisição de suínos vivos (insumos) de pessoas jurídicas irregulares perante a RFB, especialmente no Fl. 8346DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.110 11 Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ (baixadas, inativas, omissas, inexistentes de fato, etc.). O recorrente aduz que o lançamento está baseado em ilações, suposições, indícios, enfim que seria presumida a ocorrência de simulação nas operações mercantis com as ditas empresas, nominalmente citadas, e que, não consubstanciando a presunção prova, não haveria como se manter o lançamento, citando doutrina e jurisprudência. O exame da situação fática foi efetuado na decisão recorrida: “Os documentos apreendidos, fls. 65/175, na empresa BRASIL MEAT LTDA – ME cnpj (...), reforçam ainda mais a certeza sobre o artifício utilizado. À fl. 107 dos autos, por exemplo, consta a Nota Fiscal nº 929, venda de 30 suínos, emitida pela empresa BRASIL MEAT LTDA – ME tendo como destinatário o impugnante. À fl. 108, Nota Fiscal de Produtor Décio Bruxel nº 18276, venda de 30 suínos, tendo como destinatário o impugnante e como adquirente a empresa BRASIL MEAT LTDA – ME. À fl. 109, observase o Resumo de Compras de Suínos do Frigorífico Rainha da Paz Ltda, onde consta o produtor Décio Bruxel. À fl. 116, mais uma vez, Nota Fiscal nº 998, venda 16 suínos, emitida pela empresa BRASIL MEAT LTDA – ME. À fl. 117, Nota Fiscal de Produtor Antonio Narciso Ribeiro Barbosa nº 420, venda 16 suínos, tendo como destinatário o impugnante e por conta e ordem da empresa BRASIL MEAT LTDA – ME. E à fl. 118, Resumo de Compras de Suínos do Frigorífico Rainha da Paz Ltda, onde consta o produtor Antonio Barbosa A situação acima descrita repetese, em diversas notas e romaneios, anexados aos autos e atentese que o local de entrega da mercadoria era diretamente do produtor rural para o estabelecimento do impugnante. Tal conjunto de provas deixa claro que a fiscalizada adquiria suínos das pessoas físicas sendo que se utilizava de uma empresa de fachada para emissão de notas fiscais com objetivo de dar à operação aparência de aquisição de pessoa jurídica para poder beneficiarse do crédito integral do PIS e da COFINS. Ainda, da empresa BRASIL MEAT LTDA – ME, constituída em 05/03/2009, destacase que foram entregues as DIPJ retificadoras Anos Calendário 2010 e 2011, em 05/06/2013, data de inicio desta Ação Fiscal. Registrese que as Declarações originais estavam ‘zeradas’ e que nas Declarações Retificadoras foram declaradas receitas de revenda de mercadorias no Mercado Interno e afirma a fiscalização: Cabe registrar que, da análise dos Demonstrativos de Apuração de Pis e Cofins da empresa Brasil Meat, do período de julho/2009 a dezembro/2010, apresentados em atendimento à intimação, os valores relativos às compras de mercadorias para revenda e os valores de receitas de vendas eram praticamente os mesmos. Na apuração de PIS/COFINS efetuada pela empresa Fl. 8347DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.111 12 Brasil Meat, os valores dos créditos e os valores dos débitos das referidas contribuições, também eram muito próximos. Consequentemente, a empresa Brasil Meat não efetuou pagamentos de PIS/COFINS no período. Com relação empresa LOIVA MARIA STEIN ME cnpj (...), verificase nos sistemas da SRF que sempre apresentou DIPJ INATIVA e constata a fiscalização: “não efetuou nenhum pagamento relativo a tributos e contribuições federais no período” Destaca ainda a autoridade fiscal que a intimação não foi atendida, e que o Sr. Jerônimo N. Stein, que se apresentou como esposo da sócia Sra. Loiva e tomou ciência da intimação, citou que a empresa LOIVA MARIA STEIN ME encontravase desativada. Em seguida, consta no relato da diligência à empresa MJG LIRA SUÍNOS ME cnpj (...) que a empresa não atendeu a intimação de apresentação de documentos e conclui: Cabe registrar que, a empresa MJG, nos anoscalendário de 2010 e 2011, apresentou Declaração como INATIVA. Consequentemente, não efetuou nenhum pagamento relativo a tributos e contribuições federais no período Observase nos sistemas da SRF que a empresa MJG LIRA SUÍNOS ME, constituída em 03/06/1982, com a atividade econômicofiscal CNAE 5611203 Lanchonetes, casas de chá, sucos, alterou para a CNAE 4623101 Comercio Atacadista de Animais Vivos, em 11/03/2009. Acrescentese que até esta data, estava com a situação cadastral ‘omissa contumaz’ e foi regularizada para a situação ‘Ativa’. Acerca das empresas NELI FENNER BERWANGER cnpj (...), constituída em 03/08/2005 e ATÍLIO BERWANGER – ME (...), constituída em 06/10/2010, ambas no mesmo endereço, relata a fiscalização, que não foi encontrado ninguém no local. Em consulta aos sistemas da SRF observase que a empresa NELI FENNER BERWANGER está omissa de DIPJ AC 2011 e 2009 e com relação ao ano calendário 2010, apesar de constar valores a pagar na DIPJ, não constam pagamentos efetuados durante todo o período de apuração fiscalizado. A empresa ATÍLIO BERWANGER – ME, constituída em 2010, entregou as DIPJs AC 2010 e 2011 sem valores apurados. Do resultado da diligência junto à empresa ERNA FENNERME cnpj (...), assevera a fiscalização, após a informação de ter comparecido no domicilio tributário: ...no local só havia uma funcionária fazendo limpeza em uma casa que não soube nos informar nada. A vizinha, residente na chácara 226, informounos de que a Sra. Erna não residia ali e que a granja estava desativada. Fl. 8348DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.112 13 Cabe registrar que, a empresa Erna, nos anoscalendário de 2009 e 2010, não apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. Consequentemente, não efetuou nenhum pagamento relativo a tributos e contribuições federais no período. Segue o relato da fiscalização, com a constatação que a empresa AGC COMÉRCIO DE SUÍNOS LTDA ME cnpj (...), constituída em 13/05/2009, não foi localizada. E o contador, informou “que não é mais responsável pela contabilidade da empresa e não sabia onde estava estabelecida”. Posteriormente, traz a autoridade fiscal, o resultado da diligência na empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA – ME cnpj (...). Ao comparecer no domicilio tributário, não havia ninguém para atender. E diante disto, aduz: nos dirigimos até a empresa ao lado, Serralheria Castelo, Rua Grafita n° 547, onde fomos recebidos pelo Sr. Airton Soncini RG (...) CPF: (...), que nos informou de que estava naquele endereço há 8 anos e, em certo período havia funcionado o escritório do Frigorífico Rainha da Paz no n° 555. Informou também que quase sempre há um funcionário no local. Em continuação à diligência na empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA – ME compareceram no endereço cadastral da sócia Sra. Leonildes Silva Alduan dos Santos, que foi cientificada da intimação para apresentação de documentos, porém não soube identificar o nome da outra sócia da empresa. Assevera ainda a Sra. Leonildes: teria entrado na sociedade a pedido de sua irmã Ana Paula Alduan (exfuncionária do Frigorífico Rainha da Paz); que havia trabalhado um período no Frigorífico Rainha da Paz; que não entrou com dinheiro na sociedade e; que recebe mensalmente salário da empresa Veneza Persegue, a autoridade fiscal, depoimento da outra sócia da empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA – ME, Sra. Maria Aparecida Pereira CPF: (...) em seu endereço cadastral. Entretanto, obtém informações de que não havia ninguém na casa. E acrescenta “que naquela casa residiam apenas a Sra. Maria Cláudia Barreto CPF: (...), seu marido Sr. João Bernardo de Almeida CPF: (...) (exfuncionário do Frigorífico Rainha da Paz) e duas filhas”. Ainda em busca de informações da empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA – ME, dirigiuse novamente, a autoridade fiscal, no endereço cadastral da Sra. Leonildes Silva Alduan dos Santos, porém não foi atendido. Assim sendo, buscou informações com vizinhos, que “nos informou de que a Sra. Leonildes trabalhava como diarista em lbiporãPR na casa do dono do Frigorífico Rainha da Paz”. E prossegue o relato da diligência: Fl. 8349DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.113 14 Diante disso, por volta das 11:30 hs, fomos até ao endereço cadastral do Sr. José Geraldo Belanson CPF: (...), sócio da empresa BRASIL MEAT LTDA ME, na Rua Narciso Benatti, n° 399 Jd Boa Vista lbiporãPR. No local fomos atendidos pelo interfone por uma senhora que disse chamar Maria e ser esposa do Sr. José Geraldo e, não quis nos atender pessoalmente. Entretanto, disse que a Sra. Leonildes trabalha naquela residência, porém não estava no momento, pois estava viajando. De acordo com nossos sistemas, a esposa do Sr. José Geraldo se chama Maria Conceição Belanson CPF: 060.825.07916. Intimada a prestar esclarecimentos, Sra. Leonildes Silva Alduan dos Santos compareceu na sede da DRF/ Londrina e segue transcrito o seu depoimento: Questionada sobre qual a sua ligação com a empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME , disse que é dona da empresa; Questionada sobre qual era o seu cargo na empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME, disse que é dona da empresa e compra e vende suínos; Questionada sobre quando adquiriu a empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME, disse que abriu a empresa no ano de 2009; Questionada sobre a origem e o valor dos recursos para integralização de capital na empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME, disse que não se lembra; Questionada sobre qual era o endereço da empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME , disse que sempre foi na Rua Grafitta, 55 Londrina PR; Questionada se conhece os Srs. OSMAR JOSÉ BELANCON E VALDECIR BELANCON, sócios da empresa FRIGORÍFICO RAINHA DA PAZ LTDA,disse que conhece há 08 anos, tendo em vista que sua irmã, Sra. Ana Paula, era namorada do Sr. Osmar Belancon. Sendo que a sra. Ana Paula trabalhava na época no Frigorífico Rainha Da Paz; Questionada se conhece os Srs. JOSÉ GERALDO BELANSON E GERALDO BELANSON, sócios da empresa BRASIL ME AT LTDAME, disse que que conhece há 08 anos; Questionada se conhece a Sra. Maria Aparecida Pereira, sócia da empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME , disse que a conhece desde o ano de 2009 e, é sua sócia. Disse que a conhecia de vista e decidiram Disse ainda, que não tinha conhecimento do ramo de comércio de suínos. Sua irmã Ana Paula que conhecia o ramo de comércio de suínos. Foi a Sra. Ana Paula também que a apresentou para o Sr. Vagner, funcionário da empresa Veneza; Questionada de quem são adquiridos os suínos, disse que não se lembra e, quem faz as aquisições seria o funcionário chamado Vagner. Questionada para quem são vendidos os suínos, disse que o único cliente é o Frigorífico Rainha da Paz; Questionada sobre quantos funcionários possui a empresa disse que só tem um funcionário, o Vagner. Disse ainda que, esse funcionário toma conta de toda a empresa. Questionada sobre o Sr. João Bernardo, disse que quando o contador Sr. Marcelo não está, quem fica em seu lugar é o Sr. João Bernardo; Questionada sobre o motivo da empresa estar fechada nas duas vezes que fomos até lá, disse que no momento a empresa não está em funcionamento; Questionada se Fl. 8350DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.114 15 já trabalhou como diarista na casa do Sr. José Geraldo Belanson, disse que não. E nada mais lhe foi perguntado. A Sra. Maria Aparecida Pereira, também intimada, prestou o seguinte depoimento: Questionada sobre qual a sua ligação com a empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME , disse que é sócia da empresa e nesse momento não se lembrou do ramo de atividade da mesma; Questionada sobre qual era o seu cargo na empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME, disse que não exerce nenhum cargo na empresa; Questionada sobre quando adquiriu a empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME, disse que adquiriu a empresa no ano de 2009; Questionada sobre qual era o endereço da empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME , disse que Rua Grafita, 555, disse não saber se teve outro endereço; Questionada se conhece a Sra. Leonildes Silva Alduan dos Santos, sócia da empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME , disse que esteve apenas uma vez com ela e, faz tempo que não a vê; Questionada se conhece os Srs. OSMAR JOSÉ BELANCON E VALDECIR BELANCON, sócios da empresa FRIGORÍFICO RAINHA DA PAZ LTDA, disse que não; Questionada se conhece os Srs. JOSÉ GERALDO BELANSON E GERALDO BELANSON, sócios da empresa BRASIL MEAT LTDAME, disse que não; Questionada sobre o Sr. João Bernardo de Almeida, disse que é seu genro e, ele trabalhou no Frigorífico Rainha da Paz junto com a Sra. Ana Paula, irmã da sócia Leonildes. Disse ainda que mora com o Sr. João Bernardo e que foi a Sra. Ana Paula que pediu para entrar na sociedade; que integralizou R$ 9.000,00 de capital social e que conversou apenas uma vez com a Sra. Ana Paula; que nunca participou efetivamente da empresa Veneza; disse que não sabe onde trabalha seu genro e; que nunca recebeu nenhum valor da empresa e, que se encontra há três anos em Lins/SP, cuidando de seu pai; Questionada sobre de quem são adquiridos os suínos, disse que não sabe; Questionada sobre para quem são vendidos os suínos, disse que não sabe; Questionada sobre quantos funcionários possui a empresa disse que não sabe e, disse que quem cuida da empresa é um funcionário chamado Vagner, o qual não conhece e nunca o viu; Questionada sobre o funcionamento da empresa, disse que a mesma não está em atividade. E nada mais lhe foi perguntado. E conclui o relato da diligencia: Além de todo o exposto, cumpre esclarecer que: o atual endereço da empresa Brasil Meat, Av. Tiradentes, n° 501 Londrina/PR, é o endereço anterior da empresa Frigorífico Rainha da Paz; o atual endereço da empresa Veneza, Rua Grafita, n° 555 Londrina/PR, é o endereço anterior da empresa Brasil Meat e; o Sr. Marcelo Ramos da Silva CRC/PR 046432/O3 é contador das três empresas (grifo no original) Com relação as DIPJs da empresa VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME, cumpre observar que apresentou Fl. 8351DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.115 16 INATIVA até o Ano Calendário 2009 e Lucro Real para os Anos Calendário 2010 e 2011, porém com a Receita Bruta igual a zero. Destacase ainda que, foi constituída com o nome empresarial SABÃO VENEZA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, com a atividade econômicofiscal CNAE 2471600 Fabricação de sabões, sabonetes e procedeu a alteração para o nome empresarial atual e para atividade econômicofiscal CNAE 4634601 Comércio atacadista de carnes bovinas, em 01/02/2010. Por fim, encerrada as diligências com a empresa DISTRIBUIDORA E TRANSPORTADORA DE CARNES SUITAV LTDA cnpj (...), constituída em 30/12/2005, constata a fiscalização: ...a empresa está estabelecida em uma salinha, com uma mesa, computador e um armário, onde fica apenas uma auxiliar administrativo que nos atendeu. A funcionária, Sra. Daniele Sanguine CPF: (...), disse que trabalha há dois meses na empresa. Disse ainda, que ali são emitidas notas fiscais de saída da empresa Suitav, com base em notas fiscais de produtor e, são remetidas para os clientes por email. As mercadorias (suínos) não passam pela empresa. As notas fiscais de saída da empresa Suitav são levadas por um motoboy até postos de gasolina, onde são entregues aos motoristas/transportadores, para ‘guiarem’ as mercadorias até seu destino Nos sistemas da SRF, apesar da empresa DISTRIBUIDORA E TRANSPORTADORA DE CARNES SUITAV LTDA, ter apresentado DIPJ Lucro Presumido AC 2010 e Lucro Real AC 2009 e 2011, em todas, a Receita Bruta está igual a zero. Constituída com nome empresarial D N A REPRESENTACOES COMERCIAIS LTDA e CNAE 5119500 Representantes comerciais, alterou em 06/09/2007, para o nome empresarial atual e atividade econômico fiscal CNAE 4634601 Comércio atacadista de carnes bovinas e em 02/12/2009 para o CNAE 4930202 Transporte rodoviário de carga.” O quadro fático apresentado, constatado por diligências realizadas ainda durante o procedimento fiscal, é revelador de uma clara teia de empresas de fachada cujo único objetivo era a interposição em operações de aquisições de suínos para geração de créditos fictícios, bastando a embasar essa assertiva a existência de empresas localizadas no mesmo endereço; sociedades cujos sócios não se conhecem e tampouco têm conhecimento de suas atividades; empresas que modificam por completo o seu objeto social, passando de fabricantes de sabonetes, lanchonetes ou representação comercial, para o comércio de carnes; empresas não localizadas no endereço informado à RFB; ausência de recolhimento de tributos; contribuintes que não entregam declarações à RFB ou, quando o fazem, informam ausência de operação; e, pessoas jurídicas cujas inscrições estão baixadas, inativas ou omissas contumazes. Há declaração prestada onde se esclarece que as mercadorias (DIST. TRANSP. CARNES SUITAV LTDA.) sequer passavam por esses “fornecedores”, que se limitavam a emitir notas fiscais, inidôneas, para guiar as mercadorias (suínos), que saiam diretamente dos produtores para as instalações do recorrente, havendo a troca das aludidas Fl. 8352DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.116 17 notas fiscais (de produtor por aquelas pretensamente emitidas pelos fornecedores), com uso de motoboys, em postos de gasolina. A participação do contribuinte, ora recorrente, nessa estrutura criada se consubstancia na presença de exfuncionários na composição das pessoas jurídicas irregulares e o funcionamento dessas empresas em endereços onde já estiveram instalados estabelecimentos do recorrente. Esse conjunto probatório permite inferir que tais operações foram simuladas, objetivando dissimular aquela efetivamente ocorrida – aquisição de suínos de pessoas físicas, pelo recorrente –, com a utilização do estratagema da interposição fraudulenta no intuito de garantir o crédito integral por estas aquisições, como se efetuadas através de pessoas jurídicas. Logo, não se está diante de um “lançamento presuntivo” como sugere o recorrente, tendo a fiscalização colacionado um acervo documental que suporta a exigência fiscal, a partir da premissa que está comprovada a irregularidade fiscal dos “fornecedores”, cumprindo então ao autuado coligir a contraprova da acusação fiscal. Em seu favor, o recorrente sustenta que as operações não são simuladas e refletem exatamente o negócio jurídico, como atestam as notas fiscais, os registros contábeis e a prova dos pagamentos realizados às pessoas jurídicas. As notas fiscais foram emitidas por pessoas jurídicas baixadas, inativas ou irregulares, de modo que a priori não produzem efeitos fiscais legítimos, salvo se comprovado o pagamento correspondente, por analogia ao disposto no art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. No caso vertente, os pagamentos foram demonstrados pela apresentação de cópias de cheques que, estranhamente, não coincidem com o valor da operação constante do documento fiscal, mas são fracionados em valores individuais limitados a R$ 4.900,00 (quatro mil e novecentos reais). Tendo em conta essa peculiar, digamos, forma de pagamento, diante das flagrantes inconsistências dos fornecedores glosados, mormente a sonegação fiscal, entendo que seja necessária a prova cabal do pagamento realizado, através da apresentação de cópias dos cheques no valor exato da transação, depósito bancário equivalente, quitação de duplicata ou, na inusitada operação fracionada, que as cópias de cheques trouxessem a expressa vinculação com as notas fiscais respectivas, o que não ocorreu. Não é possível estabelecer conexão ordenada entre vários cheques de pequeno e idêntico valor, ainda que nominais aos supostos fornecedores, e as notas fiscais por eles emitidas, impossibilitando determinar qual cheque está atrelado a qual pagamento, razão porque, a meu sentir, não há prova satisfatória da regularidade das operações glosadas. Outrossim, a prova da liquidação do cheque, mediante entrega de extratos bancários, não é prova de pagamento, mas apenas demonstra que houve a compensação do título de crédito. As pessoas jurídicas AGC COM. SUÍNOS LTDA.ME e DISTRIB. TRANSP. CARNES SUITAV LTDA., em que pese a situação cadastral “ativa” perante o CNPJ, por ocasião das operações, apresentaram irregularidades que impedem o tratamento Fl. 8353DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.117 18 dispensado às aquisições de pessoas jurídicas, para a finalidade de aproveitamento de créditos ordinários de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, porquanto a primeira não foi localizada no endereço informado à RFB e o contador, constante dos cadastros, informar que não é mais o responsável pela sua contabilidade e não saber sua atual localização, enquanto a segunda, mesmo localizada, tinha como atividade, segundo declarou funcionário, emitir notas fiscais de venda em substituição às notas de produtor e trocálas em postos de gasolina, com os transportadores, para “guiar” os produtos até o destino final, ou seja, simples “noteiras”. Para esses fornecedores, o raciocínio aplicado às empresas baixadas/inativas é idêntico, devendo o recorrente apresentar a prova inconteste da higidez das operações mercantis, o que não se verificou, sequer a título exemplificativo, como início de prova, concluindose que os pagamentos também ocorreram, se ocorreram, mediante cheques nominais fracionados, o que, como asseverado alhures, não é suficiente à comprovação do pagamento. Especificamente sobre as operações com a empresa BRASIL MEAT LTDA., a fiscalização constatou que, para cada nota fiscal de venda emitida, na mesma data, havia uma nota fiscal de produtor, para as mesmas mercadorias, sendo que o controle do recorrente, realizado por fichas denominadas “Resumo de Compras de Suínos” era feito em nome do produtor rural, e não do suposto fornecedor, como atestam os documentos de efls. 73, 75, 113, 118, 122, 128, 131 e 135. As mercadorias (suínos) eram remetidas diretamente do produtor rural para os estabelecimentos do recorrente, sob o título “remessa por conta e ordem de terceiros”. A pessoa jurídica BRASIL MEAT LTDA. foi constituído em 05/03/2009 e, inicialmente, apresentou declarações sem informação de movimentação, isto é, declarações “zeradas”, e, coincidentemente, no dia de início da ação fiscal no contribuinte autuado, 05/06/2013, promoveu a retificação das declarações indicando valores de aquisições para revenda e receitas de vendas praticamente iguais, não tendo efetuado qualquer pagamento no período. O recorrente, por seu turno, não faz qualquer comprovação de pagamento à empresa BRASIL MEAT LTDA., donde se supõe que o faz com cheques fracionados. Mesmo que o recorrente defenda que esta operação de aquisição por conta e ordem seja regular, pelas suas características, principalmente incongruências (controle por produtor, ao invés de fornecedor, e ausência de prova de pagamento) e coincidências (retificação da DIPJ, pelo fornecedor, na data de início da ação fiscal no recorrente), levame a presumir justamente o contrário: que se trata de uma operação simulada sem qualquer propósito negocial, a não ser a geração de créditos fictos. Concernente à alegada boafé objetiva do recorrente, que não estava obrigado a averiguar e acompanhar a regularidade fiscal de seus fornecedores, não a vislumbro no contexto descortinado pela fiscalização, considerando que as pessoas jurídicas fornecedoras tinham como sócios exfuncionários seus ou algum outro tipo de vínculo; ou estiveram estabelecidas em endereços que antes foram por ele ocupados; ou, ainda, pelo fato de emitir cheques, para pagamento dessas aquisições, de valor inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), propiciando a burla aos controles sobre movimentação financeira, tendo em conta os limites estabelecidos pela RFB para inclusão na Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), prevista na IN RFB 811/2008. Fl. 8354DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.118 19 Nesse diapasão, já adentrando, o tópico “03.1. Da boafé do contribuinte”, que menciona a existência de recurso repetitivo que decidiu pelo reconhecimento da impossibilidade do adquirente de boafé ser responsabilizado e/ou prejudicado pela declaração de inidoneidade das notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica irregular, entendo que o precedente não se presta a estribar o acolhimento recursal, pois lá consignado que há necessidade de evidenciar a regularidade da operação mercantil, o que se consubstancia na prova do recebimento da mercadoria e do correspondente pagamento, como preceitua o já mencionado art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, o que, todavia, inocorreu no caso dos autos, pois, apesar de inquestionável o recebimento da mercadoria, ainda que não se saiba precisar qual a sua origem, produtor rural ou pessoa jurídica vendedora, a comprovação do pagamento é claudicante, em razão da ausência de vinculação entre os cheques fracionados e as notas fiscais respectivas, motivo pelo qual não percebo boafé do recorrente perante o contexto fático. Quanto ao alegado “comportamento contraditório” das autoridades fiscais, ao constituir crédito tributário em relação às operações das “empresas de fachada”, não vejo como isso possa vir em socorro do reclamante para modificar a perspectiva do lançamento e referendar a apropriação de créditos, pela integralidade, em seu favor, tendo em conta o não acatamento da prova do pagamento pelas mercadorias adquiridas através dessas empresas, assim, não houve compra de suínos por intermédio de pessoas jurídicas, mas sim de pessoas físicas, de maneira que pouco importa a constituição e exigência de créditos tributários relacionados aos supostos negócios daquelas. Assim, apresentase correta a glosa de créditos relativos a estas aquisições, tomados pela integralidade, e seu cômputo como créditos presumidos, com sujeição ao regime jurídico próprio. Respeitante aos créditos provenientes de aquisições de pessoas físicas, cooperativas, agropecuárias e aquisições com suspensão das contribuições, propriamente ditas, o recorrente sustenta que há nítida violação ao princípio da igualdade, estabelecendo distinção entre as aquisições em apreço e as aquisições de pessoas jurídicas, fazendo referência aos arts. 5º e 150 da CF/88. Acerca do tema, esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem jurisprudência firme no sentido que não detém atribuição para se pronunciar sobre constitucionalidade da legislação tributária, inclusive com edição de súmula (Súmula CARF nº 2), mesmo porque há expressa vedação à possibilidade de, em sede administrativa, afastar a aplicação de norma vigente ao argumento de inconstitucionalidade, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, reproduzido no art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015). Sobre a procedência do ajuste, cito excerto da decisão de primeiro grau, que bem abordou a matéria: “Quanto à glosa dos créditos das aquisições, do qual o impugnante estava aproveitando o crédito integral, de pessoas físicas; de cooperativas; de agropecuárias; e de aquisições efetuadas com suspensão, conforme notas fiscais às fls. 653/667 das empresas GLOBOSUÍNOS AGROPECUÁRIA S/A cnpj (...) e COOPERATIVA AGROINDÚSTRIA ÁGUAS FRIAS cnpj (...), alega o impugnante que a legislação é clara quanto à possibilidade de creditamento com relação às mercadorias Fl. 8355DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.119 20 adquiridas para revenda, bem como quanto aos insumos utilizados na produção de bens para venda. Cumpre observar de início, que foram glosados créditos de aquisições de insumos e não adquiridos para revenda, conforme as Notas Fiscais anexadas as fls. 653/667. Posteriormente, ante o arguido, notese que o artigo 8º da Lei 10.925/2004, já anteriormente transcrito, passou a tratar do crédito calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003. Tal dispositivo passou a permitir que as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos que indica, deduzam, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado pela aplicação de uma alíquota diferenciada ao montante das aquisições dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária. Desta feita, claro está que para este tipo de insumo, não se aplica o crédito regular calculado, nos termos do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, mas o crédito presumido calculado, nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004.” No tocante às glosas de carne mecanicamente separada, aquisições para revenda e fretes, debatidos no voluntário, a fiscalização esclareceu, em resposta à diligência determinada, que essas rubricas não foram objeto de glosa, que se restringiu à aquisição de matériaprima, in casu, porco vivo: Como não houve manifestação em contrário por parte do recorrente, tomase a questão como estranha aos autos, ante a inocorrência das glosas reclamadas. Por derradeiro, a cobrança da multa de ofício e a incidência dos juros de mora estão devidamente previstas em leis, a saber, arts. 44 e 61, § 3º da Lei nº 9.430/96, não sendo cabível, na seara administrativa, a altercação sobre caráter confiscatório ou inobservância da capacidade contributiva do contribuinte, por vedação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, como já aduzido. Relativamente à impossibilidade de fluência dos juros de mora enquanto em curso contencioso administrativo, por estar com a exigibilidade suspensa e, por decorrência, encontrarse o crédito inexigível, incerto e ilíquido, também já fixado em Súmula CARF nº 5: Fl. 8356DF CARF MF Processo nº 11634.720093/201466 Acórdão n.º 3401005.923 S3C4T1 Fl. 4.120 21 “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Essa conclusão decorre da redação do art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96, que, sem qualquer ressalva, dispõe ser devido juro de mora sobre o débito não pago nas datas estabelecidas na legislação, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso apresentado. Mara Cristina Sifuentes (assinado digitalmente) Fl. 8357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900433/2009-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2000
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-008.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2000 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 33 /2 00 9- 89 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10882.900433/200989 Acórdão n.º 9303008.121 CSRFT3 Fl. 158 2 Tratase de recurso especial apresentado tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 340201.242, de 03/06/2011, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa, transcrita na parte que interessa ao litígio: "NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67." Intimado desse acórdão, o contribuinte apresentou recurso especial, suscitando divergência quanto: 1) à necessidade de a Administração Pública realizar diligência para aferir a certeza e liquidez do crédito financeiro; e, 2) à isenção/imunidade das receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, alegando, em síntese, quanto ao item 1, que a DRJ deveria ter baixado os autos em diligência à unidade de origem para que a Fiscalização o intimasse a apresentar toda a documentação necessária à apuração do crédito financeiro reclamado/compensado por ele; e, quanto ao item 2, alegou que as vendas para empresas localizadas naquela Zona Franca, se equiparam a exportações de mercadorias para o exterior. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 133e/134e, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção admitiu o recurso especial do contribuinte. Intimada do acórdão da Câmara Baixa, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou sua contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão da Câmara Baixa, alegando, em síntese, que as vendas para empresas localizadas na ZFM não se equiparam a exportações de mercadorias para o exterior e, portanto, não gozam de imunidade; alegou também, que inexiste norma legal que isente tais receitas. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10882.900433/200989 Acórdão n.º 9303008.121 CSRFT3 Fl. 159 3 O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. O contribuinte suscitou divergência quanto à: 1) necessidade de a Administração Pública realizar diligência para aferir a certeza e liquidez do crédito financeiro pleiteado/compensado; e, 2) isenção/imunidade das receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Para a divergência do item 1, apresentou 4 (quatro) paradigmas. Contudo em face do disposto no § 7º do art. 67 do RICARF, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, acórdãos nº 203087.376 e nº 10417.249, que possuem as ementas seguintes: Acórdão nº 203087.376: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE. INFORMAÇÕES CONTIDAS EM REGISTROS NA PRÓPRIA ADMINISTRAÇÃO. DEVER DE OFÍCIO DE TRAZÊLAS AOS AUTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Compete à administração, em atenção aos princípios da verdade material e da oficialidade, instruir, de oficio, o processo administrativo com os elementos de fato contidos em registros e sistemas mantidos pela própria administração. Aplicação à espécie dos artigos 29, 36 e 37 da Lei n° 9.784/99." Acórdão nº 10417.249: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros ou equívocos não têm o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária." Do exame dessas ementas, verificase que não servem para comprovar a suscitada divergência. No acórdão recorrido, o Colegiado decidiu que não cabe à Administração suprir por meio de diligência a má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Já nos paradigmas, as matérias decididas foram: no primeiro, que é dever de ofício da Administração trazer para os autos os elementos de fato (provas) contidos nos registros dos sistemas da Secretaria da Receita Federal; no presente, a documentação que demonstraria a certeza e liquidez dos indébitos reclamados/compensados não constava e não consta dos registros dessa Secretaria; no segundo, que todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível; ora, no presente caso não foi identificado erro e sim a ausência de documentos. Para a divergência do item 2, apresentou um paradigma, acórdão nº 3301 00.311, cópia às fls. 122e/130e, cuja ementa assim dispõe: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10882.900433/200989 Acórdão n.º 9303008.121 CSRFT3 Fl. 160 4 Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 PIS e COFINS. ISENÇÃO RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. Esse paradigma, ao contrário do entendimento do contribuinte, faz prova contra a sua tese. Na ementa e também no voto vencedor consta expressamente que a isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias para a ZFM somente passou a vigorar, a partir de 22/12/2000, de fato, a partir do período de 31/12/2000. No presente caso, o fato gerador, objeto da Dcomp em discussão, se refere à a competência de 31/03/2000, data bem anterior à vigência da isenção. Portanto, os paradigmas apresentados não servem para comprovar as suscitadas divergências, sendo que, em relação à matéria de mérito, o paradigma apresentado faz prova contra a tese defendida pelo contribuinte. A falta de similitude entre as matérias decididas no acórdão recorrido e as dos acórdãos paradigmas implica o não conhecimento do recurso especial do contribuinte, conforme dispõe o art. 67 do RICARF. Em face do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10882.900433/200989 Acórdão n.º 9303008.121 CSRFT3 Fl. 161 5 Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002629/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 26 29 /2 00 8- 86 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10380.002629/200886 Acórdão n.º 2402007.008 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10380.002629/200886 Acórdão n.º 2402007.008 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10380.002629/200886 Acórdão n.º 2402007.008 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.900232/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.548, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 23 2/ 20 06 -9 4 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13851.900232/200694 Resolução nº 1201000.548 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 2º trimestre de 2000. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13851.900232/200694 Resolução nº 1201000.548 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13851.900232/200694 Resolução nº 1201000.548 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13851.900232/200694 Resolução nº 1201000.548 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13851.900232/200694 Resolução nº 1201000.548 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900232/200694 Resolução nº 1201000.548 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900232/200694 Resolução nº 1201000.548 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Período de Apuração 30/06/2000, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.924762/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1999
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.158
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.924762/200854 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.158 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente ELASTIM COMERCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 47 62 /2 00 8- 54 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.924762/200854 Acórdão n.º 3402006.158 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1629.934, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.924762/200854 Acórdão n.º 3402006.158 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.924762/200854 Acórdão n.º 3402006.158 S3C4T2 Fl. 0 4 Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.924762/200854 Acórdão n.º 3402006.158 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720192/2011-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PROVA DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ESPELHOS DE NOTAS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Os "espelhos" de notas fiscais não têm valor probatório no processo administrativo fiscal, pois não são considerados como documento fiscal, podendo conter dados diferentes daqueles constantes nas notas fiscais.
Numero da decisão: 9303-007.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PROVA DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ESPELHOS DE NOTAS FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. Os "espelhos" de notas fiscais não têm valor probatório no processo administrativo fiscal, pois não são considerados como documento fiscal, podendo conter dados diferentes daqueles constantes nas notas fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 92 /2 01 1- 43 Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 16682.720192/201143 Acórdão n.º 9303007.854 CSRFT3 Fl. 1.411 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS (efls. 1.350 a 1.368) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3201002.057 (efls. 1.269 a 1.275) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 23 de fevereiro de 2016, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. Comprovado em diligência a improcedência parcial das alegações do recurso, devese negar os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado (grifouse) O presente processo originase de Declaração de Compensação (Dcomp) de crédito originário de pagamento efetuado a maior relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS do período de apuração de novembro de 2001. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 16682.720192/201143 Acórdão n.º 9303007.854 CSRFT3 Fl. 1.412 3 Na análise do pedido, a DEMAC/RJO, com base no Parecer Conclusivo n.º 21/2011 (efls. 72 a 74), exarou despacho decisório (efl. 75) no sentido de não reconhecer o crédito pleiteado e, por conseguinte, não homologar o pedido de compensação declarada, eis que ausente a comprovação de erro existente em sua DCTF original e os eventuais esclarecimentos que justifiquem a redução do débito em questão. Após cientificada em 29/03/2011, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 82 a 196), acompanhada de documentos comprobatórios, a qual foi julgada improcedente pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), consoante Acórdão 1247.308 (efls. 390 a 406), de 13 de junho de 2012. Interposto recurso voluntário com a finalidade de reversão do julgado (efls. 415 a 428), sobreveio Resolução nº 3201000.476 do Colegiado a quo (efls. 490 a 494), de 23 de julho de 2014, para conversão em diligência à unidade preparadora para identificação das matérias submetidas ao Poder Judiciário e o alcance das decisões e impacto na exigência tributária do presente processo, mediante a intimação da Contribuinte para apresentar cópias de todas as decisões e Certidões Narratórias das ações judiciais que foram relacionadas à efl. 191, com a manifestação de inconformidade. Nessa esteira, a DEMAC/RJO procedeu à intimação da Petrobrás para atendimento à diligência solicitada pelo CARF (efl. 498), por meio dos termos de Intimação nº 151/2015 e 1009/2015 (efl. 1053). A empresa, após pedidos de prorrogação de prazo frente à dificuldade de obtenção dos documentos judiciais, concluiu a apresentação da documentação (efls. 503 a 1.051; e 1.060 a 1.262), conforme despacho de diligência (efls. 1.265 a 1.266), não tendo sido identificados documentos apenas para dois processos judiciais. Retornados os autos ao CARF, em sede de julgamento do recurso voluntário houve a negativa de provimento, consoante Acórdão nº 3201002.057 057 (efls. 1.269 a 1.275) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 23 de fevereiro de 2016, ora recorrido, pois, em que pese a documentação apresentada, a Contribuinte não apresentou prova clara e inconteste do indébito tributário. Não resignada, a PETROBRÁS interpôs recurso especial (efls. 1.350 a 1.368), alegando divergência jurisprudencial quanto à não consideração dos espelhos das Notas Fiscais como meio de prova do direito pretendido. Sustentou que o Colegiado a quo não considerou como prova válida os espelhos das Notas Fiscais acostados aos autos para sustentar o direito creditório quanto às vendas de gasolina de aviação e de propeno, divergindo de entendimento deste Conselho manifestado no Acórdão n.º 1404000.997. Para embasar a pretensão de reforma do julgado, a Contribuinte sustenta, em síntese, que: (a) à Contribuinte é facultado provar suas alegações através de todos os meios de prova admitidos em direito, desde que moralmente legítimos, somente podendo ser recusadas as provas nas hipóteses do art. 3º, inciso III e §2º do art. 38, ambos da Lei n.º 9.784/99, ou seja, quando forem ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias; (b) não há no mundo jurídico impedimento para que as informações constantes dos espelhos das notas fiscais reproduções sistêmicas das notas Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 16682.720192/201143 Acórdão n.º 9303007.854 CSRFT3 Fl. 1.413 4 fiscais originais sejam confrontadas com aquelas constantes dos livros contábeis de registro de saída, contexto em que, confirmadas o registro contábil das receitas, as informações dela provenientes passariam a ostentar relevo probatório que não pode ser desconsiderado pelo CARF; (c) traz, ainda, planilhas contendo as informações extraídas dos espelhos das notas fiscais juntados aos autos, bem como indicando o valor do indébito tributário a que faz jus; (d) por fim, requer o provimento do recurso especial, com a consideração dos espelhos das notas fiscais como meio de prova e a homologação dos pedidos de compensação. O apelo especial da Contribuinte foi admitido nos termos do despacho s/nº, de 31/03/2017 (efls. 1.397 a 1.401), por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 1.403 a 1.408) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09), tendo em vista que houve alegação de não conhecimento em sede de contrarrazões pela Fazenda Nacional. Nas contrarrazões, sustenta a Fazenda Nacional que não deve ter prosseguimento o recurso especial da contribuinte pois, em síntese: (a) busca o revolvimento de matéria probatória, ao pretender verem aceitos como prova do indébito tributário os "espelhos" de notas fiscais, já que os mesmos não possuem uma forma determinada, sendo necessário avaliar Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 16682.720192/201143 Acórdão n.º 9303007.854 CSRFT3 Fl. 1.414 5 individualmente se aquele padrão adotado pelo particular pode ser considerado como meio de prova; e (b) o paradigma apresentado não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial, porque traz situação fática subjacente diversa, em que a Fiscalização precisou buscar outros meios de prova para efetuar o lançamento já que a escrituração contábil não se mostrava suficiente, não podendo ser comparado ao caso em exame em que a Contribuinte pretende a compensação de créditos tributários, sendo seu o ônus de provar a existência dos pagamentos a maior. Além disso, no acórdão paradigma aceitouse como meio de prova os espelhos acompanhados de quadro com o resumo dos dados das notas fiscais, documento esse que não foi apresentado no presente feito. Embora bem delineados, não prosperam os argumentos trazidos pela Fazenda Nacional pelo não conhecimento do recurso especial da Contribuinte. Isso porque a discussão a ser travada no mérito referese à possibilidade de os "espelhos" de notas fiscais serem considerados como documentos aptos a comprovar a existência de débito e/ou indébito tributário. Nesse caso, entendese que as alegadas diferenças fáticas não são suficientes para descaracterizar o prosseguimento e conhecimento do recurso especial, pois a discussão será em torno da validade daquele meio de prova, independente de se tratar da Fiscalização ou da Contribuinte. Nesses termos, concordase com o exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Seção do CARF, in verbis: [...] No caso destes autos, tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) de crédito originário de alegado pagamento efetuado a maior relativo a Cofins. A contribuinte tenta demonstrar a existência do crédito suscitado por meio dos tais “espelhos” das Notas Fiscais que, por serem “espelhos”, vem impressos com a observação de que não possuem valor fiscal, embora cada um deles indique o número da Nota Fiscal a que corresponde. Já no caso do acórdão paradigma, o que se tem é omissão de receita, em que a escrituração da contribuinte não se presta para comprovação da receita efetivamente auferida. Pareceme que se trata de dois lados de uma mesma moeda: no caso destes autos, o Fisco considera que os tais “espelhos” das Notas Fiscais não tem valor jurídico, pois neles vem impresso a expressão “Não vale como documento fiscal”. Já no caso do paradigma, os tais “espelhos” são considerados válidos pelo Fisco, mesmo restando neles consignada a mesma expressão de que não tem validade como documento fiscal. No caso do paradigma, a decisão manifestase firmemente no sentido de considerar tais documentos válidos para fins de recomposição da receita que foi omitida, mas no caso destes autos, a decisão manifestase no sentido de que somente a Nota Fiscal é capaz de comprovar o pagamento a maior que teria sido Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 16682.720192/201143 Acórdão n.º 9303007.854 CSRFT3 Fl. 1.415 6 efetuado e, com isso, o crédito pretendido. Desse modo, manifestase claro o antagonismo entre as decisões. [...] Portanto, deve ter prosseguimento o recurso especial. Mérito No mérito, gravita a controvérsia em torno da possibilidade de serem considerados válidos para comprovação do direito creditório pretendido os "espelhos das notas fiscais", com relação à venda de gasolina de avião e de propeno. O Colegiado a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário por entender que a ausência nas notas fiscais impede o reconhecimento do direito creditório pretendido pela Recorrente, não sendo suficientes os espelhos de notas fiscais. O Ilustre Relator do acórdão recorrido fundamentou a decisão nos seguintes termos, os quais passam a integrar o presente julgado como razões de decidir, in verbis: [...] A Recorrente quando da apresentação do seu recurso voluntário afirmou que os documentos trazidos aos autos comprovavam o seu direito creditório. A decisão recorrida considerou que os espelhos de notas fiscais apresentados pela Recorrente não eram suficientes para a comprovação do direito creditório. Consultando os autos, é possível identificar que a Recorrente teve várias chances de apresentar as notas fiscais referentes ao seu direito creditório. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 16682.720192/201143 Acórdão n.º 9303007.854 CSRFT3 Fl. 1.416 7 Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” Portanto, a ausência das Notas Fiscais impede a verificação do direito creditório da Recorrente. Quanto as ações judiciais em que a Recorrente afirma existir direito creditório, também nesta matéria não pode prosperar o recurso. A consulta as ações judiciais demonstra que tratase de matéria referente a terceiros que patrocinaram ações judiciais questionando a exigência da COFINS exigida por substituição tributária. A Recorrente não consta das ações e não foi possível identificar nos documentos judiciais apresentados qualquer decisão que pudesse amparar o direito creditório alegado. A alegação da existência de pagamentos indevidos não está demonstrado nos autos, não existindo nas ações judiciais, nenhuma decisão que ampare o pleito da Recorrente. Ao meu sentir, recolhimentos realizados indevidamente precisam estar claramente identificados com a indicação dos documentos que comprovam o recolhimento indevido a apuração pormenorizada dos valores e todos as outras informações que trariam uma garantia da existência do indébito. A simples indicação da existência de ações judiciais em nome de terceiros, sem qualquer indicação das informações e detalhes necessários a comprovação do pagamento indevido, não é suficiente para conceder a recorrente o direito creditório pleiteado. A comprovação do suposto pagamento indevido além de todas as informações já citadas, ainda seria necessário a prova da vinculação do recolhimento com as ações judiciais e com as empresas em comento, o que ao meu sentir não ficou demonstrado nos autos, tampouco nas alegações da Recorrente. Assim, também para está matéria não pode prosperar o recurso. [...] Portanto, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, adotamse como razões de decidir aquelas constantes no acórdão recorrido e se nega provimento ao recurso especial. Dispositivo Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1416DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000334/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.354
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 34 /2 01 0- 62 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 16349.000334/201062 Acórdão n.º 3402006.354 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.635, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 16349.000334/201062 Acórdão n.º 3402006.354 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16349.000334/201062 Acórdão n.º 3402006.354 S3C4T2 Fl. 0 4 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 16349.000334/201062 Acórdão n.º 3402006.354 S3C4T2 Fl. 0 5 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720879/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008
RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada.
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
DILIGÊNCIA FISCAL. DIVERGÊNCIA NA EXIGÊNCIA FISCAL.
Comprovado em diligência fiscal a necessidade de ajustes no lançamento, deve-se manter a exigência fiscal com os ajustes apurados na diligência.
Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3301-005.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir o lançamento nos termos apurados na diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. DILIGÊNCIA FISCAL. DIVERGÊNCIA NA EXIGÊNCIA FISCAL. Comprovado em diligência fiscal a necessidade de ajustes no lançamento, deve-se manter a exigência fiscal com os ajustes apurados na diligência. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir o lançamento nos termos apurados na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. DILIGÊNCIA FISCAL. DIVERGÊNCIA NA EXIGÊNCIA FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 79 /2 01 3- 61 Fl. 4013DF CARF MF 2 Comprovado em diligência fiscal a necessidade de ajustes no lançamento, devese manter a exigência fiscal com os ajustes apurados na diligência. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir o lançamento nos termos apurados na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de auto de infração para exigência de ofício da Contribuição para o PIS/PASEP, no total de R$ 5.376.943,98, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1954/1964: “(...) 3 DOS VALORES DO PIS/PASEP E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS OMISSOS DE DECLARAÇÃO EM DCTF: Intimamos o sujeito passivo, através dos Termos de Intimação Fiscal de 12/08/2011, 20/01/2012, 11/05/2012 e 15/02/2013, para apresentação dos Memoriais de Cálculo da composição analítica das Bases de Cálculo paia efeito de apuração do PIS e da COFINS NãoCumulativos no período em análise. Tais Memoriais deveriam conter os valores especificados de acordo com as Fichas 06A (para créditos) e 07A (para débitos) do DACON. (...) 3.1 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO: Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 3 3 As Memórias de Cálculo, com o detalhamento dos valores informados nas Fichas 07A do DACON, juntamente com os elementos de suporte foram apresentados em 25/02/2013. Os arquivos denominados: "Oxisa_Jan2008, (...) Oxi_Dez2008", foram devidamente identificados em conjunto com os outros arquivos apresentados pelo programa SVA, versão 3.10 com o seguinte "Hash Code", Código de Identificação Geral: 711D86ec692a036855e2c03cf87a1c8b". Tais arquivos detalharam as Receitas totais do período, contendo as Receitas sujeitas a Contribuição do PIS/COFINS e também os valores das exportações realizadas no período. Note se que o item 4 da Intimação de 15/02/2013 ressaltou que os Memoriais deveriam detalhar o conteúdo das linhas 01, 02, 04, 07 e 09 das Fichas 07A e 17A do DACON. DA SUSPENSÃO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 09 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas efetuadas com suspensão, especificando o CNPJ das empresas compradoras e os ADE Atos Declaratórios de habilitação, se fosse o caso. Não foram apresentados quaisquer documentos, alegou não possuir controles que pudessem diferenciar as vendas com suspensão e as vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Assim, os valores contidos na linha 09 conteriam os 02 tipos de vendas. A empresa foi reintimada a apresentar os mesmos documentos em 15/02/2013. DA ALÍQUOTA ZERO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 04 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Apresentou em 23/08/2012, o arquivo denominado "Cópias de Notas 2008 Trib Cofins Zero". Ocorre que as Notas Fiscais relacionadas não possuíam valores compatíveis com os declarados nas Fichas 07A/ 17A Linha 04 do DACON e não foram apresentados os CFOP das operações. Além disso, testes por amostragem demonstraram que as NF deveriam ter sido tributadas. Questionado, informou que a linha 04 das Fichas 07/17A conteriam apenas as receitas financeiras e os valores das vendas com alíquota zero estariam informadas na linha 09, conjuntamente com as vendas com suspensão. Em 04/10/2012 a Oxiteno nos apresentou nova Planilha contendo a relação das Vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero conjuntamente. Esta planilha também apresentou diversas inconsistências, conforme descrito a seguir: A Planilha apresentou um total de Receitas de Vendas com Suspensão e Alíquota zero num montante de R$ 250.628.718,80. Ocorre que o DACON contém um total de R$ 65.774.755,18 na linha 09 das Fichas 07A e 17A; A Planilha apresentou diversas NF com números idênticos e valores distintos ou descrições distintas. A Planilha foi desconsiderada e, em 15/02/2013, reintimamos a empresa a apresentar estes mesmos dados, ressaltando, nos itens Fl. 4015DF CARF MF 4 2 e 3 da intimação, a necessidade da inclusão do CFOP, NCM e o CNPJ dos compradores para que pudéssemos identificar e validar os valores informados. Em 25/02/2013, o sujeito passivo apresentou o arquivo denominado "344_AGRO_ANUALIZADO_1". Tratase de uma planilha que incluiu parte das vendas informadas nos arquivos "Oxisa_Jan2008 a Oxisa_Dez2008". A Planilha não incluiu: O NCM e o CNPJ dos compradores. Também não apresentou a descrição da mercadoria vendida, ou seja, não foi possível identificar as mercadorias vendidas e quais seriam as suas classificações quanto à alíquota aplicável. A Planilha apresentou um total de Vendas de R$ 79.765.120,93 e R$ 72.338.231,51 (Valor total das Vendas sem IPI). Tal Receita não é compatível com os dados informados no DACON. Concluímos que a empresa não possui controles das vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero, ou não os apresentou. (...) Assim, as Bases de cálculo de PIS/COFINS consideradas contêm as Vendas com Suspensão e alíquota zero, uma vez que, por falta de condições técnicas, não foi possível separálas e validálas. 3.2 BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS INFORMADOS: (...) (...) considerando a inconsistência entre os valores declarados pelo próprio sujeito passivo, optamos pela utilização dos valores declarados na Contabilidade apresentada, conforme o Anexo I do presente. 3.2.1 DOS VALORES APRESENTADOS NOS MEMORIAIS DE CÁLCULO: Em 02/02/2012, foram apresentados os Memoriais de Cálculo dos créditos das linhas 02 e 07 das Fichas 06/16A (...). Apesar de intimado, os arquivos não continham as descrições das mercadorias. Analisando os arquivos apresentados, verificamos que na composição destes créditos foram utilizadas despesas com CFOP Código Fiscal de Operações e Prestações que não geram créditos de PIS/COFINS. Segue alguns dos principais CFOP, cujas NF foram desconsideradas pela presente auditoria: (...) Considerando que o sujeito passivo não apresentou os Memoriais dos meses 09 a 12/2008, utilizamos nestes meses o último valor de glosa aplicável (do mês 08/2008). (...) Apesar da utilização dos créditos ser uma faculdade do sujeito passivo, a presente Auditoria utilizou todos os créditos disponíveis no período. (...) 3.4 VALORES TOTAIS DEVIDOS: A presente Auditoria reajustou os DACONs transmitidos pelo sujeito passivo, conforme o Anexo I e apurou os seguintes valores devidos de PIS/COFINS: (...) 4.2 OMISSÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA NO DACON: 4.1 DACON 02/2008: O sujeito passivo transmitiu o DACON de 02/2008 com todos os valores das Contribuições e Créditos "zerados". Intimado, Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 4 5 retificou o DACON em 13/06/2012, porém informou incorretamente o Saldo Inicial da Ficha 24 Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação. (...) Desta forma, o sujeito passivo apresentou DACON com as seguintes incorreções: (...) Fundamentação Legal da Multa: Artigo 19 da Lei 11.051, de 29/12/2004, que sumarizamos a seguir: Constatado que a Pessoa Jurídica apresentou o DACON com incorreções ou omissões quanto às informações prestadas, aplicamos a multa de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A multa mínima aplicável é de R$ 500,00. Para o caso concreto, aplicamos as multas mínimas, conforme a tabela acima. Este Termo passa a fazer parte integrante e indissociável dos Autos de Infração, juntamente com seus anexos e demonstrativos.” Cientificado em 26/04/2013, o interessado apresentou, em 28/05/2013, a impugnação de fls. 1.985/2.012, na qual alega: “DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Deveras. O auto de infração ora combatido foi lavrado sem a devida descrição dos fatos e instrução dos elementos de evidência (...). O "Termo de Verificação Fiscal" aponta que os supostos débitos decorreriam da glosa de créditos das contribuições (...) ao argumento genérico e apriorístico de que ‘na composição destes créditos foram utilizadas despesas com CFOP Código Fiscal de Operações e Prestações, que não geram créditos de PIS/COFINS’. (...) Como se vê, deparandose com códigos que comportam operações mais abrangentes, a auditoria inferiu ipso facto que as compras não gerariam direito a créditos, deixando, pois, de indicar, topicamente, quais notas fiscais foram desconsideradas e o motivo pelo qual os inúmeros produtos adquiridos pela impugnante foram desqualificados como insumos, ensejando a glosa dos créditos de PIS/COFINS no período. (...) Ou seja, a fiscalização não se deteve na análise dos bens e produtos cujos créditos foram glosados ou na sua qualificação como insumos, à vista de sua utilização no ciclo produtivo da empresa. Efetuou a glosa das notas fiscais de entrada, ceifando, de roldão, indiscriminadamente, grande parte das aquisições no período, por presumir, com base única e exclusivamente nos CFOP (refere decisão administrativa), que não se tratariam de insumos. Ora, se o CFOP fosse determinante para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS, por certo, as leis que instituíram o regime nãocumulativo (10.637/02 e 10.833/03) teriam eleito referido código como parâmetro para disciplinar os créditos! A glosa, promovida sem critério jurídico, por simples presunção, baseiase, ademais, na suposta insuficiência/divergência de informações que teriam sido prestadas pela impugnante em planilhas, memórias de cálculo, enfim, simples demonstrativos Fl. 4017DF CARF MF 6 que não constituem documentos fiscais ou contábeis e, bem por isso, jamais poderiam substituílos e muito menos poderiam dispensar o exame, pelo auditor, dos registros e repositórios oficiais. (...) Como se vê, a Fiscalização pautouse, unicamente, em planilhas extraoficiais de compilação de dados, a despeito de a impugnante ter colocado à sua disposição toda documentação contábil/fiscal apta à comprovação dos créditos de PIS/COFINS apurados no período. (...) Em suma, para o controle do cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte, importam apenas as informações hauridas dos livros, registros e lançamentos contábeis e fiscais. Conforme já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ‘não assiste ao Fisco a prerrogativa de substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável’. (...) Considerando, pois, que o crédito de PIS/COFINS apurado pela impugnante no ano de 2008 encontrase devidamente escriturado, com base em Notas Fiscais de Entrada registradas em sua contabilidade, a Fiscalização não poderia ter efetuado o lançamento por amostragem, com base na descrição imprecisa do CFOP, sem apontar quais operações foram desconsideradas e o motivo pelo qual não gerariam direito a creditamento, constituindo, assim, o crédito tributário por presunção. Com esse procedimento, a Fiscalização infringiu, a um só tempo, o disposto nos arts. 9º e 10, inc. III, do Decreto 70.235/72 (...): (...) Essa conduta ensejou grave preterição do direito de defesa da impugnante, na medida em que não é possível identificar, sequer, as notas fiscais de entrada que foram glosadas e os motivos pelos quais foram desconsideradas pela Fiscalização. Para os meses de setembro a dezembro de 2008 o prejuízo à defesa é ainda mais flagrante, porque a auditoria limitouse a reproduzir o mesmo valor glosado para o mês de 08/2008, sem qualquer esclarecimento acerca dos critérios adotados para aferição dos montantes. (...) Nesse sentido, já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (...): (...) Em suma, diante da ausência de descrição clara e precisa dos fatos e instrução deficiente dos elementos de evidência que ensejaram a constituição do crédito tributário de PIS, de rigor o reconhecimento da nulidade do auto de infração ora combatido. (...) DA DECADÊNCIA Com efeito, o prazo para o Fisco constituir crédito tributário relativo ao PIS é de cinco anos contados dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, §4°, do CTN e da Súmula 08 do STF, como apontam os seguintes julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...) Nesse sentido, a supor que fosse procedente, o débito de PIS relativo a março/2008, bem como as multas por supostos erros de preenchimento dos DACON's relativas aos períodos de jan/08 Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 5 7 a mar/08, encontramse fulminados pela decadência. É que, quando lavrado o auto de infração, em 26/04/2013, já havia decorrido mais de cinco anos desde os correspondentes fatos geradores. Ademais, a teor do Termo de Verificação Fiscal, o apontado débito foi constituído em decorrência da glosa de créditos das contribuições, relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2008. Embora essas glosas (de jan/08 e fev/08) não tenham gerado saldo de PIS a pagar nos respectivos períodos, reduziram o saldo acumulado de créditos, acarretando cobrança indevida de PIS relativa a períodos subsequentes. Todavia, como adverte o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ‘a glosa de créditos indevidos deverá ser procedida dentro contados dos cinco anos da data do creditamento, decaindo o direito da Fazenda Pública após tal lapso temporal’. (...) DA GLOSA DE CRÉDITOS ATINENTES AO PERÍODO DE SET/08 A DEZ/08 (...) Ou seja, por conta da suposta falta de informação (sic!), sem se deter na receita de cada um dos períodos e nos correspondentes custos/despesas, para os meses de set/08 a dez/08 a auditoria "replicou a glosa" (sic!) dos créditos de PIS, relativa a ago/08, a saber: R$9.452.552,63 na linha 02 da Ficha 16A (bens utilizados como insumos) e R$29.835,79 na linha 07 da Ficha 16A (armazenagem e frete). Sem prejuízo da nulidade do presente auto de infração por força desse procedimento da fiscalização (cf. itens 02/12 supra), supondose ad argumentandum que a glosa fosse cabível, de acordo com os próprios critérios (equivocados) da auditoria, diversos seriam os valores que a ensejariam, em cada um dos períodos. Com efeito, a teor planilha anexa (doc. 06), no mês de set/08, o total de custos/despesas, relacionado aos CFOP's "glosados" indiscriminadamente pela auditoria, seria de R$2.747.287,25 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração). Já no período de out/08, esse total de custos/despesas corresponderia a R$2.675.626,47 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração (doc. 07). Por fim, em dez/08, o total de tais custos/despesas somaria R$4.412.112,04 (e não R$9.482.388,42 como constou no auto de infração (doc. 08). Ora, é inadmissível que, para efeitos de lançamento, a auditoria pautese em cifras correspondentes a determinado mês, estendendoas a seu alvitre para glosar créditos de outros períodos. Constatado o procedimento írrito da auditoria, bem como os corretos custos/despesas de cada período (docs. 06/08), de rigor a revisão das glosas. (...) DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS E DO DIREITO AOS CRÉDITOS Fl. 4019DF CARF MF 8 (...) Ao invés de desconsiderar apenas as notas fiscais de entrada de produtos que, a seu ver, não se enquadrariam no conceito de "insumo", a auditoria glosou todas as NF's de entrada concernentes aos CFOP's n°s 1407, 1551, 1555, 1556, 1557, 1901, 1902, 1906, 1907, 1910, 1915, 1916, 1921, 1922, 1949, 2911, 2407, 1556, 2949, 3351, 3356 e 3949, indistintamente, sem se deter na Qualificação do produto. Com isso, impediu o creditamento de PIS sobre diversos insumos que se enquadram perfeitamente no conceito adotado pela própria Administração tributária (cf. IN/SRF 247/02) o que soa verdadeiramente teratológico. Diante da imensa quantidade de notas glosadas (mais de 30.000), referentes aos mais diversos insumos, e sem embargo da impossibilidade material de impugnar o auto à vista de suas graves deficiências acima apontadas, ad cautelam a impugnante procurará demonstrar a improcedência da glosa, sem prejuízo da necessária realização de perícia técnica para análise de todo o processo produtivo da impugnante e do emprego de cada um dos itens glosados. As planilhas apresentadas à auditoria no curso do procedimento de fiscalização (que pautaram a glosa) revelam que foram glosados créditos relativos à compra de insumos tais o álcool etílico anidro, a água clarificada, o fenol, dentre outros de suma relevância para a fabricação dos produtos da impugnante. (...) O álcool etílico anidro (também denominado etanol anidro) é utilizado como matéria prima no processo produtivo da impugnante. Na planta de Mauá/SP, o álcool etílico anidro é empregado na produção de éteres (monoéter, diéter e triéter), mediante reação química com óxido de etileno, conforme ilustra o diagrama abaixo: (...) A água clarificada é utilizada como insumo para produção de água desmineralizada (via processo de desmineralização), que, por sua vez, é empregada na geração de vapor. O calor gerado pelo vapor é utilizado para fornecimento de energia em algumas etapas da produção das unidades de óxido de etileno (...). (...) O vapor de que trata a espécie em nada difere da energia elétrica versada no precedente é produto intermediário que, embora não se integrando no produto final, é consumido no processo de industrialização; provê o aquecimento necessário para desatar as reações químicas com que se obtêm o óxido, os éteres, os glicóis e etoxilados. Ou seja, tal como a energia elétrica, a energia térmica (vapor) constitui produto intermediário consumido no processo produtivo, nada justificando a sua desconsideração como insumo. (...) O fenol também é utilizado como matéria prima no processo produtivo da impugnante (planta de Mauá/SP) na produção de nonilfenol e dinonilfenol que advêm da reação química entre o fenol e noneno, conforme diagrama abaixo: (...) Além da glosa dos insumos acima abordados, que constitui a parcela mais relevante dos créditos, o auto de infração impediu o creditamento sobre cerca de 4.000 outros itens, tais como Fl. 4020DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 6 9 DIETILENOGLICOL, ULTROL L 20, ACETATO DE SECBUTILA, ACIDO NÍTRICO, ÁLCOOL ISOTRIDECILICO, BITILGLICOL, DICROMATO DE POTÁSSIO ANIDRO PA, DIETILENOGLICOL, GÁS, HIDROXIETIL CELULOSE QP300, JUNTAS, ANÉIS, LÂMINAS, dentre outros. Mesmo sem se deter, item por item, no seu enquadramento como insumos, a simples análise das descrições constantes das planilhas que pautaram a lavratura do presente auto de infração evidencia que se trata de produtos não incluídos no ativo imobilizado que sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicoquímicas, em função da ação que exercem sobre o produto em fabricação e que, por isso, também ensejam o aproveitamento do crédito. Notese que parte desses produtos referese também a peças e partes de máquinas e equipamentos responsáveis pela produção, tema sobre o qual já se deteve a Administração tributária, que concluiu pela possibilidade do creditamento: (...) DO CONCEITO DE INSUMO Mesmo que se entenda que os insumos e as peças e partes de reposição não se enquadrariam no conceito estrito de insumo, tal como previsto na IN/SRF 247/02, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim impõese o aproveitamento dos créditos, eis que, diversamente da norma infra legal, a Lei 10.833/03 permite o creditamento de insumos de forma ampla. (...) Vale dizer, mesmo que se admitissem como legítimas as disposições do art. 3º , inc. I e II da Lei 10.833/03 e o texto da Lei 10.637/02, inconcebível seria a pretensão do Fisco de restringir o creditamento por invocação do art. 66 da IN/SRF 247/2002, ou das IN/SRF 358/2003 e IN/SRF 404/04. É que, ao restringirem ainda mais a interpretação e aplicação do regime não cumulativo de PIS e COFINS, tais atos infra legais desbordaram manifestamente dos termos das Leis 10.833/03 e 10.637/02. (...) O conceito de insumo veiculado pelas IN/SRF 247/2002, IN/SRF 358/2003 e IN/SRF 404/04 é, pois, inoperante por estreitar a noção de "bens e serviços ... utilizados ...na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". (...) DAS VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO E SUSPENSÃO (...) Ou seja, a auditoria reconhece que autuou valores indevidos, concernentes às receitas não tributadas (isentas, sujeitas à alíquota zero e atinentes à vendas realizadas com suspensão), porque lhe teriam faltado "condições técnicas". Mirabile dictu! Essas receitas isentas e não tributadas (alíquota zero e suspensão), decorrem grosso modo de aplicações financeiras (...) , vendas sujeitas à suspensão do PIS e da COFINS (...) , exportações (...), venda de produtos destinados à utilização como matéria prima na produção de produtos classificados no Capítulo 31 ou indicados na posição 38.08 da TIPI (...), dentre outras. Fl. 4021DF CARF MF 10 Por óbvio, não deveriam compor a base imponível eleita pela auditoria. À vista da insatisfação da auditoria com as planilhas elaboradas pela impugnante e considerando o elevado número de notas fiscais, informes de rendimento, atos declaratórios, declarações dos clientes e lançamentos contábeis (mais de 30.000 documentos), afigurase imprescindível a realização de perícia, a ser conduzida por profissional com conhecimentos técnicos específicos nas áreas contábil e fiscal, para corroborar a parcela de receita autuada que, por se referir a operações não tributadas, devem ser excluídas do lançamento. Nem se diga que essa prova poderia ser feita apenas por meio de documentos apresentados juntamente com a impugnação, a teor do art. 16, parágrafo 4º do Dec. 70.235/72. (...) DAS PERÍCIAS (...) é imprescindível a análise técnica do processo produtivo da impugnante e de volumosas peças de suporte das receitas não tributadas (...)indicandose como assistentes da impugnante: (i) para perícia técnica acerca do processo produtivo (...); e (ii) para perícia contábil (...)”." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ao analisar a impugnação, decidiu por cancelar parte da exigência referente aos períodos de setembro de 2008 a dezembro de 2008, por entender que não foi evidenciado nos autos, os motivos e o montante para parte das glosas referentes aos créditos. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993 e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS PROCESSUAL DA PROVA. Fazse incabível a realização de perícia ou diligência quando reputadas desnecessárias. A realização de diligência não se presta a suprir eventual inércia probatória do impugnante. PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. Nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a contagem do prazo decadencial das contribuições sociais regese pelo Fl. 4022DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 7 11 disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que não há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, I, do Estatuto Tributário. PENALIDADE PECUNIÁRIA. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente de penalidade pecuniária é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos sobre valores que comprovadamente correspondam a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. O PIS incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Somente se faz autorizada a exclusão de receitas da respectiva base de cálculo submetida à alíquota positiva quando resulte demonstrado que foram satisfeitas as disposições normativas estabelecidas para a espécie. PIS NÃOCUMULATIVO. GLOSA PRESUMIDA DE CRÉDITOS. INADMISSIBILIDADE. O auto de infração deve estar instruído com as provas do fato jurídico tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/1972. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar e demonstrar as razões de fato e de direito da infração apurada, fazendose inadmissível a glosa presumida de créditos decorrentes da não cumulatividade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ao concluir o julgamento a DRJ, considerando que o valor exonerado superou o limite de alçada, fez constar no acórdão, a necessidade de submeter a decisão ao CARF, em sede de recurso de ofício, determinando o retorno dos autos a Unidade de origem para ciência do interessado. A Recorrente foi cientificada da decisão por meio de ciência eletrônica realizada por meio da Caixa Postal, do Módulo eCAC do site da Receita Federal. Constando no Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 2180) que o documento referente a ciência foi disponibilizado na Caixa Postal na data de 15/04/2014, sendo considerada a data da ciência por decurso de prazo no dia 30/04/2014. Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 2180 a 2204) protocolado em 15/05/2014, alegando em síntese: Fl. 4023DF CARF MF 12 i) a tempestividade do recurso; ii) cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia técnica, tendo em vista que o acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação sob o argumento de ausência de prova; iii) a nulidade do auto de infração, em razão da Fiscalização em ter utilizado como critério de glosa de créditos, unicamente a análise dos CFOP dos bens adquiridos, sem ter analisado dos bens e produtos e sua efetiva qualificação como insumo e sua utilização no ciclo produtivo da empresa; iv) a decadência dos débitos do PIS relativos a março/2008, das glosas de janeiro a fevereiro de 2008 e das multas por supostos erros de preenchimento dos DACON´s, relativa aos períodos de janeiro de 2008 a março de 2008; v) Quanto ao mérito, alega que a Fiscalização utilizou critério genéricos para proceder as glosas das aquisições quanto ao crédito do PIS, segue afirmando que os itens glosados no lançamento são efetivamente utilizados no processo produtivo estando aptas a compro os créditos referente ao cálculo do PIS; vi) por fim, pede a exclusão na base de cálculo, das vendas com suspensão e alíquota zero, esclarecendo que o Termo de Verificação Fiscal, apesar de reconhecer que estas receitas não sofrem a incidência do PIS, decidiu por incluir tais valores na base de cálculo em razão da falta de condições técnicas de identificar e validar tais operações. A posição adotada pela Fiscalização, demonstra a existência de vendas com suspensão e alíquota zero e o seu não reconhecimento, demonstra a necessidade de revisão do acórdão recorrido para a exclusão das operações de vendas com suspensão e alíquota zero, que poderão ser aferidas em perícia técnica a ser realizada. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intimasse a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos; b) A Unidade Preparadora deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no relatório fiscal (fls. 4375 a 4376). A Fiscalização procedeu a intimação da Recorrente para apresentação da sua documentação fiscal e realizou a auditoria identificando divergências no lançamento, que foram assim detalhados no relatório de diligência. 2 – DAS INTIMAÇÕES MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL – RFB Folha de Continuação 2 de 3 do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal Nome / Nome empresarial CPF / CNPJ RPF/MPF OXITENO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO 62.545.686/000153 19515.720879/201361 Fl. 4024DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 8 13 A empresa foi regularmente intimada a apresentar explicações acerca do seu processo produtivo e documentos que pudessem identificar de forma clara os bens e serviços que foram considerados insumos ou créditos na apuração do PIS devido. 3 DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS A Empresa apresentou diversos documentos que foram anexados ao presente processo. Ressaltese, a empresa não classificava corretamente os CFOP – Códigos Fiscais de Operações e Prestações dos bens e serviços adquiridos no período. Utilizou CFOPs que não tinham quaisquer correlações com os produtos adquiridos e suas destinações. Além disso, a época da fiscalização, não foram apresentadas as identificações ou as descrições dessas aquisições. Passados mais de 1.100 dias da autuação, lavratura do Auto em 04/2013, a empresa, novamente intimada não apresentou sequer 10% dos documentos intimados. Tomemos como exemplo o mês de 08/2008: Total de itens glosados = 527 lançamentos Total de Notas Fiscais apresentadas = 32 (6,07% do total) De qualquer forma, todos os documentos apresentados foram analisados e considerados na nova planilha de apuração apresentada. 4 DAS ANÁLISES DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 4.1 – DO PROCESSO PRODUTIVO Foram apresentadas os detalhamentos solicitados. 4.2 – DOS DOCUMENTOS FISCAIS: Foram apresentados arquivos contendo cópias das Notas Fiscais de aquisição dos insumos adquiridos no período. Verificamos que, de fato, as Notas Fiscais referiamse a aquisição de produtos químicos que são compatíveis com a destinação pretendida. Com base nesse cotejamento, elaboramos nova planilha de produtos considerados insumos no processo produtivo da empresa, denominada “Oxiteno – Insumos 01 a 082008”. E, por exclusão, os créditos não justificados e que possuem CFOP incompatíveis com os créditos admitidos, foram mantidos, conforme novas Planilhas mensais de Glosas, denominadas “Oxiteno – Glosas”. A Recorrente foi cientificada do Relatório fiscal de diligência e apresentou manifestação alegando a existência de equívocos no somatórios das Notas Fiscais constantes da Planilha mensais de glosas, elaborados pela Fiscalização e pede que sejam consideradas os créditos referentes as receitas com alíquota zero e suspensão do PIS. Ao analisar o retorno da diligência a turma, por maioria de votos, resolveu converter novamente o julgamento em diligência nos seguintes termos: Diante dessa constatação, reputo imprescindível que tais cálculos sejam reavaliados pela Fiscalização de modo a revisar Fl. 4025DF CARF MF 14 os valores somatórios constantes das planilhas de fls. 3.764/3.749. Considerando que a revisão dos somatórios poderá acarretar a própria perda de objeto da presente demanda (suficiência de crédito / inexistência de débito) que a Fiscalização ainda esclareça se, após a verificação dos somatórios, se remanescem débitos em aberto em desfavor do contribuinte, apontando seu valor. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte se manifeste, devendo, então, retornar os autos para julgamento. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente é necessário verificar o conhecimento do recurso de ofício, que esta previsto no art. 34, inciso I, do Decreto n" 70.235/72. Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. O valor a ser fixado para o recurso de oficio está previsto no art 1º da Portaria MF n° 63/2017. Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Apesar da Portaria MF 63/2017, ter sido editada em 10 de fevereiro de 2017. Por tratarse de matéria processual, entendo ser a regra aplicável a todos os casos ainda pendentes de .julgamento. Fl. 4026DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 9 15 No caso em tela, o valor exonerado pela autoridade a quo, atingiu a soma de R$ R$ 1.095.215,88, inferior ao limite previsto na Portaria MF 63/2017, destarte, não se conhece do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário por mostrarse tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece, por isto, ser conhecido. Preliminarmente a Recorrente alega a nulidade do lançamento. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram à lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificadas da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância, irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, interpôs recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Afastada as questões preliminares, passemos ao mérito. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras da IN 404/04, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo da empresa, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo de insumo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços Fl. 4027DF CARF MF 16 estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, a turma resolveu converter o julgamento em diligência oportunizando a Recorrente a apresentar a descrição do seu processo produtivo e indicar os insumos que deseja auferir créditos das contribuições. A Recorrente apresentou 32 (trinta e duas) notas fiscais referentes a insumos, que após análise, foram integralmente acatadas pela Autoridade Fiscal, sendo elaborado a Planilha "Oxiteno – Insumos 01 a 082008", com a relação das Notas Fiscais a serem consideradas no cálculo da contribuição. Com o retorno da primeira diligência a turma determinou nova diligência para verificar a alegação de divergência no somatório das Notas Fiscais constantes da Planilha " Oxiteno – Insumos 01 a 082008". O retorno da diligência confirmou a alegação da Recorrente sendo elaborada informação fiscal (fls 3973 a 3975) refazendo os cálculos e concluindo pela manutenção da exigência nos termos da planilha abaixo. Intimada do resultado da diligência a Recorrente confirma os cálculos elaborados pela Fiscalização e reafirma a alegação da improcedência do trabalho fiscal no que se refere a base de cálculo as receitas referentes às vendas com alíquota zero e suspensão do tributo. Fl. 4028DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 10 17 Quanto ao pedido para que sejam excluídas da base de cálculo as receitas referentes às vendas com alíquota zero e suspensão do tributo. O Relatório Fiscal esclarece que a glosa não ocorreu em razão de questões de direito, mas, pela ausência da comprovação documental dos valores constantes na DACON, conforme pode ser verificado nos trechos abaixo, extraídos do relatório fiscal. DA SUSPENSÃO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 09 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas efetuadas com suspensão, especificando o CNPJ das empresas compradoras e os ADE Atos Declaratórios de habilitação, se fosse o caso. Não foram apresentados quaisquer documentos, alegou não possuir controles que pudessem diferenciar as vendas com suspensão e as vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Assim, os valores contidos na linha 09 conteriam os 02 tipos de vendas. A empresa foi reintimada a apresentar os mesmos documentos em 15/02/2013. DA ALÍQUOTA ZERO: Considerando que os DACON apresentados possuíam valores declarados na linha 04 das Fichas 07/17A, em 11/05/2012, intimamos a empresa a apresentar a relação das vendas sujeitas à aplicação da alíquota zero. Apresentou, em 23/08/2012, o arquivo denominado "Cópias de Notas 2008 Trib Cofins Zero". Ocorre que as Notas Fiscais relacionadas não possuíam valores compatíveis com os declarados nas Fichas 07AI MA Linha 04 do DACON e não foram apresentados os CFOP das operações. Além disso, testes por amostragem demonstraram que as NF deveriam ter sido tributadas. Questionado, informou que a linha 04 das Fichas 07/17A conteriam apenas as receitas financeiras e os valores das vendas com alíquota zero estariam informadas na linha 09, conjuntamente com as vendas com suspensão. Em 04/10/2012 a Oxiteno nos apresentou nova Planilha contendo a relação das Vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero conjuntamente. Esta planilha também apresentou diversas inconsistências, conforme descrito a seguir: A Planilha apresentou um total de Receitas de Vendas com Suspensão e Alíquota zero num montante de R$ 250.628.718,80. Ocorre que o DACON contém um total de R$ 65.774.755,18 na linha 09 das Fichas 07A e 17A; A Planilha apresentou diversas NF com números idênticos e valores distintos ou descrições distintas. A Planilha foi desconsiderada e, em 15/02/2013, reintimamos a empresa a apresentar estes mesmos dados, ressaltando, nos itens 2 e 3 da intimação, a necessidade da inclusão do CFOP, NCM e Fl. 4029DF CARF MF 18 o CNPJ dos compradores para que pudéssemos identificar e validar os valores informados. Em 25/02/2013, o sujeito passivo apresentou o arquivo denominado "344_AGRO_ANUALIZADO_1". Tratase de uma planilha que incluiu parte das vendas informadas nos arquivos "Oxisa_Jan2008 a Oxisa_Dez2008". A Planilha não incluiu: O NCM e o CNPJ dos compradores. Também não apresentou a descrição da mercadoria vendida, ou seja, não foi possível identificar as mercadorias vendidas e quais seriam as suas classificações quanto à alíquota aplicável. A Planilha apresentou um total de Vendas de R$ 79.765.120,93 e R$ 72.338.231,51 (Valor total das Vendas sem IPI). Tal Receita não é compatível com os dados informados no DACON. Concluímos que a empresa não possui controles das vendas efetuadas com suspensão e alíquota zero, ou não os apresentou.(grifo nosso) Portanto, a Fiscalização manteve na base de cálculo as receitas informadas como com suspensão e alíquota zero por falta de comprovação documental. A diligência determinada pelo CARF oportunizou à Recorrente apresentar as comprovações documentais o que não ocorreu, pois, todas as Notas Fiscais foram consideradas pela Fiscalização e não foi apresentado documentação comprobatória referente as alegadas receitas com suspensão e alíquotas zero. Cabe ressaltar, que a comprovação do crédito é da Recorrente e não da Fiscalização. Na diligência realizada pela turma do CARF, a autoridade fiscal acatou todas as 32 (trinta e duas) Notas Fiscais apresentadas, portanto para as demais discussões do processo não pode prosperar o recurso em razão da ausência de apresentação da prova documental. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o lançamento nos termos apurados na informação fiscal de fls. 3973 a 3975. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 4030DF CARF MF Processo nº 19515.720879/201361 Acórdão n.º 3301005.692 S3C3T1 Fl. 11 19 Fl. 4031DF CARF MF
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Numero do processo: 13004.000086/2009-29
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DIPJ - . PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica - DIPJ - após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1003-000.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DIPJ - . PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica - DIPJ - após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-27T23:50:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-27T23:50:42Z; Last-Modified: 2019-03-27T23:50:42Z; dcterms:modified: 2019-03-27T23:50:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-03-27T23:50:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-27T23:50:42Z; meta:save-date: 2019-03-27T23:50:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-27T23:50:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-27T23:50:42Z; created: 2019-03-27T23:50:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-03-27T23:50:42Z; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-27T23:50:42Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13004.000086/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.553 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 14 de março de 2019 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente METALURGICA PADRE REUS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ . PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 4. 00 00 86 /2 00 9- 29 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13004.000086/200929 Acórdão n.º 1003000.553 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 09 42.580 da 2ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e manteve a multa por atraso na entrega da DIPJ. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em razão de lançamento no qual era exigido crédito tributário devido a aplicação de multa por atraso na entrega da DIPJ, relativa ao ano calendário de 2005, no valor de R$ 8.477,71. O Relatório do acórdão proferido pela DRJ sintetizou as alegações de defesa da Recorrente, conforme abaixo descrito : A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que não foi entregue dentro do prazo, em função de mensagem de erro do sistema da RFB emitida no dia 30/06/2006. A DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa abaixo: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DECLARAÇÕES E DEMONSTRATIVOS. MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração ou demonstrativo, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente.. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário defendendo que: (i) o contador da empresa tentou por diversas vezes efetuar a entrega da referida obrigação acessória no dia 30 de junho de 2006, contudo nenhuma das tentativas teriam logrado êxito;, em razão de mensagem de erro, junta cópia da tela; (ii) não entregou a declaração tempestivamente por falha no sistema e a multa é, por conseguinte, injusta. Declara que o arquivo digital que comprova a falha está disponível para perícia técnica; (iii) a alegação do Relator do r. acórdão de que, mesmo que aceitando as provas, a Recorrente deveria ter enviado a declaração no primeiro dia útil seguinte, com base no Decreto nº 70.235/1972, não merece prosperar, visto que não existe norma que estabeleça algum prazo para entrega de obrigações acessórias após o prazo normal. Por fim, requereu o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13004.000086/200929 Acórdão n.º 1003000.553 S1C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente defende que tentou efetuar o envio da DIPJ dentro do prazo legal em 30/06/2006, porém em razão de instabilidade (ou problema) no sistema da Receita Federal, a transmissão não foi concluída. Segundo Auto de Infração acostado às fls. 05 (volume I), a Recorrente deixou de entregar a declaração do exercício 2006, anocalendário 2005, cujo prazo deveria ser até o dia 30/06/2006, mas só foi entregue, quase dois anos depois, aos 15/04/2008. Para defender a tese de instabilidade do sistema da Receita Federal, a Recorrente acostou aos autos tela de transmissão de declarações via internet (fls. 07 do volume I e no recurso voluntário fls. 23 a 33), na qual costa a seguinte informação: CNP3 Nome Empresarial 93.967.792/000159 METALURG1CA PADRE REUS LTDA E R R 0! Nenhum dos servidores respondeu ao pedido de conexão. A declaração NÃO foi transmitida. Você deve reiniciar o processo de transmissão. Por esse documento, não há como se concluir ter sido a tentativa de envio efetuada no dia 30/06/2006, conforme alega a Recorrente. Esse documento não apresenta data, outrossim tampouco tal documento é suficiente para comprovar ter a Recorrente tentado enviar a declaração por diversas vezes sem sucesso, conforme declarou no recurso. Outrossim, a entrega da declaração aos 15/04/2008, quase dois anos depois do vencimento da obrigação acessória, é fato que não favorece à defesa da Recorrente, visto que, ainda que o legislador não estipule prazo para apresentação de declaração intempestiva, ele determina meios de forçar a entrega da declaração o quanto antes, cominando multa que é majorada a cada mês, conforme determinação abaixo: Inciso I do art. 7º da Lei nº 10.426/2002estabelece o seguinte: Art. 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Juridica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Juridica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de ' Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as . apresentar com incorreções ou omissões, será Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13004.000086/200929 Acórdão n.º 1003000.553 S1C0T3 Fl. 5 4 intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11.051, de 29.12.2004, DOU 30. 12. 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 °; Ora, se o argumento de defesa da Recorrente era a tentativa de envio da DIPJ no prazo correto, não faz o menor sentido ter a mesma esperado 22 meses para enviar a dita declaração, sabendo que cada mês de atraso aumentaria o valor da multa aplicada. As provas e circunstâncias trazidas aos autos não comprovam a estabilidade ou qualquer eventual problema no sistema da Receita Federal em 30/06/2006, nem nos 22 meses que se sucederam até a efetiva transmissão da DIPJ. A legislação de regência estipula que o atraso no envio da DIPJ gera uma multa de 2% ao mêscalendário, limitada a 20%, segundo auto de infração acostado, a multa foi aplicada corretamente. Outrossim, havendo atraso de cumprimento de obrigação acessória a aplicação da multa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 CTN). Destacase ainda, oportunamente, que, para o período apontado pela Recorrente, não há qualquer ato administrativo da Receita Federa reconhecendo instabilidade ou falha em seu sistema que tenha impedido a mesma de entregar tempestivamente a sua DIPJ. Por fim, a Recorrente sugeriu realização de perícia técnica no arquivo digital que comprovaria a tentativa de envio. O exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou a análise de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento, contudo como destinatário final da citada prova, não a vejo como imprescindível e viável para a elucidação dos fatos ou como instrumento de convicção para a solução da lide (art. 18, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Em razão disso, desnecessária a prova pericial. O descumprimento do prazo de entrega da DIPJ é objetiva, a Recorrente atrasou a entrega em 22 (vinte e dois) meses sem justificativa. O suposto problema no sistema da Receita Federal não pe suficiente para descaracterizar o atraso. Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 38DF CARF MF
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