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Numero do processo: 10665.720404/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2001 a 31/01/2004
Não há que se conhecer do recurso voluntário diante de manifesta falta de interesse em recorrer demonstrada pela contribuinte, em razão da apresentação de pedido de desistência total do recurso interposto.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3202-001.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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FALTA DE RECOLHIMENTO. Recorrente MINASBEB COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2001 a 31/01/2004 Não há que se conhecer do recurso voluntário diante de manifesta falta de interesse em recorrer demonstrada pela contribuinte, em razão da apresentação de pedido de desistência total do recurso interposto. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Lavrouse contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de fls. 03/14 relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 04 04 /2 00 6- 57 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 valor de R$ 48.291,59 incluindo multa de ofício e juros de mora, correspondente aos períodos de 01/2001 a 01/2004 (fls. 05/06). A autuação ocorreu em virtude de insuficiência no recolhimento da contribuição, no regime cumulativo, até o ano de 2002, e no regime nãocumulativo, a partir de 2003, originada de divergências verificadas do cotejo entre os valores escriturados nos livros contábeis e os valores declarados em DCTF da contribuição, nos períodos acima identificados, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/27, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 44/45. Como enquadramento legal, citaramse os artigos 1° e 3°, da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970; artigos 2°, inciso 1, 3°, 8°, inciso 1, e 9°, Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; arts. 1°, 3º e 4°da Lei n° 10.637, de 2002. Irresignado, tendo sido "cientificado em 22/12/2006 (fl. 04), o autuado apresentou, em 24/01/2007, acompanha das dos documentos de fls. 188/216, as suas razões de discordância (fls. 180/187), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, argúi preliminarmente a ocorrência de cerceamento do direito de defesa pelo fato de o processo não contemplar todos os anexos e documentos aos quais a suposta infração estaria relacionada, além de haver exigência em duplicidade, porquanto as supostas diferenças já teriam sido objeto de lançamento de oficio em processo deste distinto. Prosseguindo em seu arrazoado, argúi a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, para os fatos geradores correspondentes a 2001, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. No mérito, aduz que a fiscalização glosou indevidamente a exclusão da base de cálculo da contribuição referente ao valor relativo ao ICMS cobrado na condição de substituto tributário, tendo este sido incluído na vala comum correspondente às diferenças de base de cálculo. Destaca que algumas diferenças encontradas entre as receitas de venda contabilizadas e as informadas como base de cálculo, verificadas em processo deste distinto, ocorreram não só para menos, como também para mais, conforme se pode constatar naquele processo, sendo que as diferenças a maior sequer foram mencionadas pela fiscalização no presente processo. Por fim, em face dos argumentos expostos, propugna pelo cancelamento da exigência.” A DRJBelo Horizonte/MG julgou o lançamento procedente em parte, por entender que, quando da ciência do Auto de Infração, em 22/12/2006, já teria decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário referente ao período de apuração de 31/01/2001 a 30/11/2001. O julgado proferido por aquele órgão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2001 a 31/01/2004 São suscetíveis de nulidade apenas os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.720404/200657 Acórdão n.º 3202001.227 S3C2T2 Fl. 397 3 Extingue o crédito tributário a homologação do lançamento, nos termos do art. 156, VII do CTN. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 355/366), alegando, em síntese: a) Preliminarmente, alega a existência de cerceamento do seu direito de defesa. Afirma que a forma como foram descritos os fatos na peça de autuação, fazendo remissões aos seus anexos, não lhe permitiu compreender a real natureza da infração apontada. Aduz que não há como identificar a razão da constituição do crédito tributário relativo ao PIS, uma vez que a descrição dos fatos constante do Auto de Infração aponta unicamente a falta de recolhimento da contribuição. Entende que, haveria nulidade do lançamento tributário, em razão da ausência da correta descrição do fato apontado como contrário à legislação tributária. b) No mérito, afirma: que se algumas diferenças foram encontradas entre as receitas de vendas contabilizadas e as informadas como base de cálculo nas declarações do imposto de renda, essas diferenças ocorreram não só a menor, mas também a maior. Afirma que a decisão recorrida, quanto a tais alegações, entendeu tratarse de matéria estranha à lide, que deveria ser discutida no competente processo administrativa, mas tal entendimento se mostra incorreto, vez que essas inconsistências, decorrentes de erros nos critérios de contabilização, influenciaram diretamente nas diferenças do PIS apuradas e discutidas nestes autos; como exemplo das tais inconsistências decorrentes de erros de contabilização, aponta o fato de que, no ano calendário de 2002, à exceção do mês de agosto, contabilizou devolução de vendas tanto em relação ao estabelecimento matriz quanto à filial, tendo restado zerado o valor a título de devolução de vendas da matriz. Afirma que, pelo histórico da conta de devoluções, não há qualquer possibilidade de, no mês de agosto de 2002, não ter ocorrido qualquer devolução de venda na matriz. Alega, que essa inconsistência poderia ter sido facilmente verificada com a análise dos balancetes mensais de verificação, em confronto com a declaração de imposto de renda que, relativamente ao mês de agosto de 2002, informou o valor de R$231.378,93 a título de devolução;e que, conforme demonstrado pelas declarações de imposto de renda, a contribuinte ainda excluía, da base de cálculo da contribuição, os valores pagos a título de ICMS que lhe era cobrado na condição de substituto tributário. Afirma que a glosa de tais valores, efetuada pela Fiscalização, é indevida, pois o procedimento encontra guarida no artigo 3°, §2°, I, da Lei n°9.718/98. Ao final, requereu o cancelamento da exigência tributária. Em 29/11/2011, a contribuinte protocolizou pedido de desistência total do recurso voluntário interposto, para fins para efeito do que dispõe o artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/2009 e artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011 (efls. 388/389). Em sessão realizada em 21/08/2012, por meio da Resolução nº. 3201 000.337, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF determinou o sobrestamento dos autos, em cumprimento do comando normativo posto no §1º do art. 62A Fl. 398DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, àquela época vigente, em razão de tratarem os autos de discussão referente à inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Em face da desistência total do recurso voluntário interposto, apresentado pela contribuinte às efls. 388/389, temse que, dessa forma, não mais há qualquer lide a ser dirimida, razão pela qual NÃO CONHEÇO do recurso voluntário interposto, devendo os autos retornar à unidade de origem. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 399DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000308/2004-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que negava provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Maria de Lourdes Ramires apresentará Declaração de Voto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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Erro na DComp Recorrente CLINICA RADIOLOGICA VINTE E QUATRO HORAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que negava provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Maria de Lourdes Ramires apresentará Declaração de Voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Tratase de recurso voluntário em face de decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) entendeu que “o processo de consulta não se presta ao reconhecimento de direito creditório, razão pela qual não pode ser informado como origem do crédito em declarações de compensação”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 06 .0 00 30 8/ 20 04 -9 1 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.000308/200491 Resolução nº 1801000.335 S1TE01 Fl. 3 2 Com isso, mantevese despacho de homologação tácita das Dcomps transmitidas até 11/05/2006 e de não homologação das demais compensações porque o processo que seria a fonte do crédito era, em verdade, um processo de consulta a legislação tributária. Inconformado com tal entendimento, o contribuinte, em sede de recurso voluntário, aduz: a) que nove das primeiras per/dcomps apresentadas indicaram como origem do crédito compensado o processo de consulta – exatamente o óbice alegado pela Administração tributária para não homologar os demais; b) que à época dos fatos, a legislação que regulava as compensações através de Per/Dcomps não trazia as orientações necessárias aos contribuintes de como deveriam proceder para o preenchimento, razão pelo qual foi indicado o número do processo de consulta no campo reservado à indicação de processo administrativo; c) O “sistema de preenchimento das Per/Dcomps, na vigência das IN 210/2002 e 323/2003 não trazia crítica como existe atualmente, por exemplo, seria impossível hoje utilizar o número de um processo de consulta para lançamento de crédito”; Requer, ao final a homologação das compensações realizadas ou, alternativamente, no caso de suas demonstrações não serem suficientes, que seja deferida a realização da perícia contábil, nos termos do Art. 16, IV do Decreto 70.235/1972. É o relatório. VOTO. Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Não havendo preliminares, avanço à análise do “mérito recursal”. Tenho que deve prosperar a irresignação do contribuinte, na medida em que o exercício do direito de efetivar a declaração de compensação, matéria sob reserva legal, não está condicionado a que haja prévia apuração do valor a ser compensado em processo administrativo ou judicial. A apuração, consoante disposto no texto legal, pode ser efetivada pelo próprio sujeito passivo, independentemente de qualquer outra formalidade. Retiro tais conclusões dos seguintes dispositivos: CTN, Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 74 da Lei 9.430/1996. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.000308/200491 Resolução nº 1801000.335 S1TE01 Fl. 4 3 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Assim, o direito creditório não está sujeito a prévio reconhecimento, nem administrativo, tampouco judicial; basta restar evidenciado o pagamento indevido ou a maior dos tributos enquadráveis no Art. 74 da Lei 9.430/1996. No presente caso, a configuração do pagamento a maior se fez presente em razão de mudança de entendimento da Administração Tributária, em especial na solução de consulta 13706.000308/200491. Nela, o posicionamento fazendário passou a ser de que as atividades desempenhadas pela ora recorrente – prestação de serviços de radiologia e ultra sonografia – estariam sujeitas ao percentual de 8% para fins de determinação do lucro presumido, excluindo a apuração com base no percentual de 32%, como vinha então sendo realizado. Cumpre ressaltar que na resposta de tal consulta, a Administração Tributária manifestouse da seguinte forma quanto a existência de direito de compensação, dada a notória diferença indevida de recolhimento verificada: Logo, o contribuinte dispõe do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, que, no caso, ocorreu na data do seu pagamento, para efetuar a compensação do imposto recolhido a maior. (fl.20 do eprocesso) Diante de tal quadro, o contribuinte, consoante se infere de sua manifestação de inconformidade e recurso voluntário, “retificou todas as DCTF's, apresentou a DIPJ com a tributação a 8%, e preencheu as Per/Dcomps, solicitando que seu crédito fosse compensado com seus impostos vincendos” (fl.1.113 do eprocesso). Tenho, portanto, a diferença de valores (caracterizados nas DCTFs e DIPJs retificadas), bem como a fundamentação jurídica (indicação nas Dcomps do processo administrativo de consulta), como elementos suficientes para concluir que a conduta do contribuinte observou os parâmetros legais do Art. 74 da Lei 9.430/1996, pois através dela, fica evidenciado o quantum do indébito tributário em favor do contribuinte, servindo tal procedimento, ainda que indiretamente, como uma forma de apuração. O processo administrativo não pode ser fonte de imposição de restrições não contidas em lei ou ainda desnecessárias ao atendimento do interesse público: Lei nº 9.784/1999: Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: Iatuação conforme a lei e o Direito; [...]VI adequação entre meios e fins,vedada a imposição de obrigações, restrições e Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.000308/200491 Resolução nº 1801000.335 S1TE01 Fl. 5 4 sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;(...) Neste caso específico, caberia ao fisco federal, portanto, proceder à análise da liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (ainda que sob a forma de retificação de DCTF) e não deixar de analisálo sob o singelo argumento de que não poderia ter sido informado o processo de consulta como origem do crédito das declarações de compensação. Considerando a garantia da ampla defesa e da não supressão de instância, entendese que a análise da liquidez e certeza dos créditos apontados pelo sujeito passivo, inclusive com a realização da produção da prova pericial requerida, há de ser analisada e providenciada pela primeira instância de julgamento. Esse entendimento decorre do fato de a matéria fática atinente ao crédito invocado pelo contribuinte sequer ter sido apreciada. Por todo o exposto, com espeque no 58, §9º do RICARF, converto o feito em diligência, determinando a remessa dos autos à Divisão de Orientação e Análise Tributária – Diort/EQPEJ, vinculada à Delegacia da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro II – DRF/RJO II, para que esta analise a liquidez e certeza do crédito do contribuinte mediante a comparação entre as DCTFs e DIPJs originais e retificadas, concluindo, à luz do sistema de pagamentos, sobre a existência do direito creditório apontado pelo contribuinte nas Dcomps constantes dos presentes autos. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Maria de Lourdes Ramirez Em que pese muito bem fundamentado, divirjo do voto do Ilustre Conselheiro Relator. Com efeito, tem razão o Ilmo. Relator quando afirma que a apresentação da declaração de compensação não está condicionada a que haja prévia apuração, em processo administrativo ou judicial, do valor a ser compensado. Contudo, a Lei condiciona a compensação à prévia apuração do indébito. É exatamente o que determina o art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Observo que, no caso em apreço, o interessado unicamente fez a prova de possuir o direito à compensação de valores supostamente pagos a maior, em razão da mudança Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13706.000308/200491 Resolução nº 1801000.335 S1TE01 Fl. 6 5 de interpretação da legislação, o que lhe foi assegurado pela consulta formulada em processo administrativo. Contudo, o contribuinte não demonstrou a apuração do seu crédito para com a Fazenda Nacional. Não demonstrou os valores pagos ou em que períodos teriam sido efetuados os pagamentos a maior ou a que fatos geradores se referem os pagamentos indevidos. Não apresentou os DARFs dos referidos recolhimentos, tampouco apresentou as receitas sobre as quais foram calculados os montantes devidos e aqueles indevidamente pagos. Não comprovou, com documentos de sua escrituração contábil e fiscal, as receitas auferidas e os valores a que estava obrigado a recolher à alíquota mais favorável, bem como deixou de apontar as diferenças recolhidas com base na alíquota mais elevada, de forma a demonstrar a certeza e liquidez do indébito. Enfim, não apurou, nos termos da Lei 9.430, de 1996, o crédito que alega possuir. Noto que não há previsão legal que autorize a compensação de créditos apurados “de forma indireta”. Para que fosse possível a discussão teleológica de tal permissão necessário seria, primeiramente, que se definisse o conteúdo semântico e jurídico da expressão “apuração indireta de crédito” do sujeito passivo. Salientese que o art. 170 do CTN somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, autorizando, ainda, que a Lei estipule condições para o exercício desse direito. Além, repitase, de não estarem presentes os atributos de certeza e liquidez nos valores pleiteados, a Lei n º 9.430, de 1996, usando da atribuição conferida pelo art. 170 do CTN, estipulou a condição de que somente créditos apurados pelo sujeito passivo, leiase, devidamente calculados e demonstrados, podem ser utilizados em compensação, condição que também não foi observada pelo sujeito passivo no presente caso. Por tal razão discordo do entendimento majoritário desta Turma de Julgamento de que, ao final, cabe à própria Fazenda Nacional o encargo de apurar para o sujeito passivo interessado o crédito passível de compensação. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900559/2008-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 05 59 /2 00 8- 29 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 93 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 94 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Florianópolis/SC, abaixo transcrito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/Dcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a 4110 contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, o abaixo exposto. Afirma ter efetuado recolhimento indevido de PIS no valor de R$ 609,49, compensando este valor com outros tributos, todavia na DCTF foi mantida indevidamente a informação deste débito. Procedeu em 14/05/2008 a retificação da DCTF, comprovando a inexistência do débito. Requer a homologação da compensação. É o relatório. Analisando o litígio, a DRJ de Florianópolis/SC considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada A alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente a apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. No recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, este repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e alega, em síntese, que (i) retificou a sua DCTF, para constituir o crédito tributário utilizado na compensação em análise; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 95 4 (ii) e que pela análise da sua DIPJ podese constatar que o débito informado na DCTF, antes da retificação promovida, está equivocado. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 96 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte utilizou crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS, para quitar débitos próprios de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Após o não reconhecimento da compensação pela fiscalização, o Recorrente verificou que havia um erro em sua DCTF e, por isso, não foi reconhecido o seu crédito de pagamento indevido ou a maior. Desta forma, promoveu a retificação da DCTF e, acostando aos autos a sua DIPJ, pretendeu demonstrar que, de fato, possui créditos suficientes para quitar os débitos indicados em seu pedido de compensação. Primeiramente, cumpre analisar a possibilidade de o contribuinte retificar suas declarações, posteriormente ao envio do pedido de compensação. É que, no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentado pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Florianópolis (SC) alega que a “retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores..” Ou seja, a princípio, segundo entendimento da Delegacia de Julgamento, não poderiam serem retificadas as declarações do contribuinte. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 97 6 incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 98 7 o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 99 8 predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerada, in casu, a DCTF retificada pelo Recorrente e sua DIPJ, com a qual, a princípio, o Recorrente demonstrou os seus débitos e, em especial, o erro cometido no preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Joaçaba (SC), é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são passíveis de liquidar os débitos indicados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto e o fato de não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos indicados pelo Recorrente no pedido de compensação analisado, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/JoaçabaSC para: 1. Considerando a retificação da DCTF promovida pelo Recorrente, bem como os débitos demonstrados em sua DIPJ, apurar se os valores dos créditos indicados pelo contribuinte no pedido de compensação são suficientes para liquidar os débitos; 2. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 100 9 Voto Vencedor Apesar do excelente voto da ilustre Relatora, ouso da mesma discordar. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No processo administrativo fiscal, do mesmo modo que no processo civil, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, e que essas provas se revestissem de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente não apresentou as provas necessárias, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.900559/200829 Acórdão n.º 3801002.959 S3TE01 Fl. 101 10 No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Redator designado. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por SIDNEY EDU ARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13819.910053/2011-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 12/04/2001
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurao Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 12/04/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurao Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 53 /2 01 1- 29 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910053/201129 Acórdão n.º 3801003.419 S3TE01 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910053/201129 Acórdão n.º 3801003.419 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910053/201129 Acórdão n.º 3801003.419 S3TE01 Fl. 112 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910053/201129 Acórdão n.º 3801003.419 S3TE01 Fl. 113 5 vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910053/201129 Acórdão n.º 3801003.419 S3TE01 Fl. 114 6 crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910053/201129 Acórdão n.º 3801003.419 S3TE01 Fl. 115 7 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.013040/2004-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
PRECLUSÃO.
Na segunda instância não se pode proceder à análise de matéria sobre a qual já se operou a imperatividade e a imutabilidade do ato administrativo perfeito e a preclusão em processo administrativo diverso.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de Cofins e de PIS sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados às exigências principais de IRPJ e de CSLL. Nesse sentido, créditos tributários de Cofins e de Pis constituídos pelo lançamento de ofício estão corretos.
Numero da decisão: 1803-002.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 PRECLUSÃO. Na segunda instância não se pode proceder à análise de matéria sobre a qual já se operou a imperatividade e a imutabilidade do ato administrativo perfeito e a preclusão em processo administrativo diverso. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de Cofins e de PIS sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados às exigências principais de IRPJ e de CSLL. Nesse sentido, créditos tributários de Cofins e de Pis constituídos pelo lançamento de ofício estão corretos.
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Na segunda instância não se pode proceder à análise de matéria sobre a qual já se operou a imperatividade e a imutabilidade do ato administrativo perfeito e a preclusão em processo administrativo diverso. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de Cofins e de PIS sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados às exigências principais de IRPJ e de CSLL. Nesse sentido, créditos tributários de Cofins e de Pis constituídos pelo lançamento de ofício estão corretos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 30 40 /2 00 4- 86 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 631 2 Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 2443 com a exigência do crédito tributário no valor de R$122.397,00 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional relativamente aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, tendo em vista a falta de recolhimento apurada pelo cotejo entre os valores escriturados e declarados. Consta na Descrição do Fatos: Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados uma vez que o Contribuinte esta excluído do SIMPLES, submetendose portanto a regra geral de tributação, Lucro Real. A não apresentação dos Livros, DCTF’s e controles a que esta obrigada na forma de apuração do lucro a encaminha para apuração pelo arbitramento do mesmo. É constatado que os valores apresentados não conferem com os pagamentos registrados nos arquivos desta DRFRecife. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 77 do Decreto Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 1º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. II Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 300319 com a exigência do crédito tributário no valor de R$26.518,46 a título de a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional, juros de mora e multa de ofício proporcional relativamente aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, tendo em vista a falta de recolhimento apurada pelo cotejo entre os valores escriturados e declarados. Consta na Descrição dos Fatos: Durante o procedimento de verificações, obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados uma vez que o Contribuinte esta excluído do SIMPLES, submetendose portanto a regra geral de tributação, Lucro Real. A não apresentação dos Livros, DCTF’s e controles a que esta obrigada na forma de apuração do lucro a encaminha para apuração pelo arbitramento do mesmo constatado que os valores apresentados não conferem com os pagamentos registrados nos arquivos desta DRFRecife. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 77 do Decreto Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 2º, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142, de 15 de julho de 1982 e art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 26 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Os lançamentos são decorrentes das exigências de IRPJ e de CSLL formalizadas nos processo nºs 19647.013039/200451 e 19647.013038/200415, Fl. 631DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 632 3 respectivamente, que se encontram com os regulares julgamentos dos litígio instaurados e findos na esfera administrativa, bem como em fase de cobrança executiva1. Cientificada, a Recorrente apresenta as impugnações, fls. 148158 e 425433, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um relato sobre a ação fiscal e sobre o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) alega que: Observase que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 4.1.01.00200400771 0, do Sr. Delegado da Receita Federal do Recife, de 03/09/2004, originou a Intimação da empresa, para apresentação de documentação relativa ao PERÍODO DE APURAÇÃO de 01/01/2000 a 31/12/2003. No entanto, o lançamento abrange o ano de 2004, sobre o qual, aliás, mais um óbice se apresenta, pois que a empresa, nessa época, não registra qualquer atividade econômica ou contábil, sendo que os valores lançados, sobre alguns meses de 2004, referemse, segundo relata o AFRF, a pagamentos feitos pela empresa DUPÉ S/A. Suscita que o lançamento não poderia ter sido formalizado e em relação à exclusão do Simples e seus efeitos diz que: A Impugnante teve conhecimento de que, por representação do INSS, originouse, junto à SRF, o Processo de No. 10480.01.305/200199, do qual resultou o Ato Declaratório nº. 70, declarando a empresa excluída do regime simplificado de pagamento de impostos e contribuições federais Acerca de tal AD, a Impugnante apresentou SRS, em 04/08/2003, de cuja andamento não teve mais noticias. Ressaltese que o AD foi publicado no Diário Oficial da União na data de 06/08/2003, e, portanto, a Solicitação de Revisão de Exclusão do SIMPLES foi apresentada em tempo hábil [...]. De qualquer modo, este contribuinte buscará a defesa de seu direito, junto ao Poder Judiciário, se for necessário, em decorrência do que trará, futuramente, as informações necessárias ao presente processo administrativo, eis que a exclusão, se, por acaso, tenha se dado formalmente e sob o amparo de norma procedimental/processual válida, indubitavelmente fere direito do contribuinte, eis que a representação do INSS findase em constatação totalmente falsa, qual seja a de que a Impugnante realizaria operações relativas à cessão de mão de obra, incidindo no que prevê o inc. XII do art. 9°, da Lei No. 9.317/96, alterado pelo artigo 6º da Lei nº 9.779/99. Como se demonstrará a seguir, tal premissa é falsa, totalmente inconsistente, desconhecendose a origem desse equívoco. A Impugnante, conforme o seu Registro de firma individual, teve, como objeto ou atividade econômica, desde a sua criação, a "INDUSTRIA DE CALÇADOS, INDÚSTRIA DE MAQUETES PARA CALÇADOS, PESQUISA DE MODA e MODELAGEM PARA CALÇADOS. Essa atividade econômica foi exercida, pragmaticamente, sobretudo na INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA, com estreito vínculo empresarial a 1 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=19647013039200451&DDMovimentoQ=08102010&SQO rdemQ=0> . Acesso em 20 mai.2014. Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/E gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=19647013038200415&DDMovimentoQ=08102010&SQO rdemQ=0>. Acesso em 20 mai.2014. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 633 4 uma grande indústria calçadista, denominada DUPÉ S/A, como, aliás, atestam documentos (notas fiscais, cujas cópias vão anexas), que indicam a tramitação burocrática do relacionamento comercial entre empresas, principalmente a remessa de insumos para industrialização e o retomo dos mesmos, com a cobrança do valor dos serviços de industrialização. [...] Demonstrase, em Quadro que vai anexo, rol de pessoas que foram empregados da impugnante, em períodos nos quais operava, na plenitude, no endereço registrado junto aos órgãos públicos. Esses empregados prestavam serviços no estabelecimento industrial da Maria Conceição Fick ME, e jamais em estabelecimento de terceiros, o que caracterizaria a cessão de mão de obra. As notas fiscais emitidas pela empresa, (de cuja amostragem se juntam cópias), atestam que os insumos eram adquiridos ou enviados pelos encomendantes da industrialização, e que as mercadorias produzidas (beneficiadas) eram devolvidas, o que reflete a operacionalidade de empresa independente, de cunho industrial, nunca uma mera contratante e cedente de mãodeobra para terceiros. [...] Ora, nesse contexto, não se pode vislumbrar de que maneira poderia a empresa ser classificada como "cedente de mão de obra", simplesmente, para merecer a denúncia, advinda da fiscalização do Instituto Nacional de Previdência Social, que desembocaria na exclusão do SIMPLES. Portanto, do exame metodológico acima exposto, concluise que, ainda hoje, vigora o texto introduzido pela Lei nº 9.732/98, no que diz respeito aos efeitos da exclusão, versando sobre as situações previstas nos incisos III a XVIII do artigo 15 da Lei nº. 9.317/96, que conferem com o que alicerça o artigo 196 do RIR99, ou seja, de que a exclusão, por ato "ex officio", no caso da constatação da situação que acarretou a exclusão da Impugnante, do SIMPLES, somente poderia gerar seus efeitos a partir de setembro de 2003, último mês de atividade efetiva da firma individual Maria Conceição Fick, ora Impugnante. Resulta, dessa constatação fálica, que o lançamento aqui contestado é ilegal, do ponto de vista da consideração quanto aos possíveis efeitos da exclusão, porquanto, até agosto de 2003, pelo menos, a Impugnante estava, legalmente, inscrita no regime do .SIMPLES, e pagava, corretamente, os tributos, nesse regime simplificado, com o DARF’s sob o código 6106. Pertinente ao direito de compensação dos tributos pagos por outro regime de tributação, argui que: No lançamento ora contestado, ademais, não faz o autuante, em nenhum momento, qualquer referência a possíveis pagamentos, de tributos, pela autuada, de modo que, nas planilhas em que foi demonstrada a apuração dos valores a cobrar, e que foram lançados através do Auto de Infração, nada consta como dedução do valor constituído de oficio. [...] Essa busca de harmonia entre os contribuintes e a Fazenda Pública, no cotejo de interesses mútuos, nessa seara de encontro de créditos x débitos tributários, estendese, indubitavelmente, ao caso de Auditorias Fiscais, em que ocorre lançamento "ex officio", isto quando os próprios Auditores Fiscais constatam a situação de existência de créditos e débitos oponíveis, do sujeito passivo x sujeito ativo da relação tributária, como ocorre no caso da lide que se inaugura com a presente Impugnação. [...] Fl. 633DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 634 5 A Impugnante, de outra parte, reservase o direito de, em oportunidade próxima, apresentar, como complemento desta impugnação, comprovantes de pagamento (DARF) de alguns meses [...], tendo em vista a não localização, no momento, destes comprovantes, providência que correspondera, simplesmente, a referendar a afirmação de que os valores em comento foram quitados. Como se demonstra, em PLANILHA que vai como complemento à presente peça de impugnação, ao longo dos períodos de apuração a que o lançamento se reporta, vinha a Impugnante calculando e pagando, por DARF próprio do sistema SIMPLES, com o código 6106, recolhendo os valores que apurava, a partir da incidência concernente ao faturamento mensal, em valores que se revelam bem próximos daqueles que apesar do arbitramento, foram calculados pelo autuante. Há casos, muitos inclusive, de pagamentos mensais que superam o valor cobrado neste lançamento de oficio. Ora, isto está a clamar pela justiça, que somente se realiza se, uma vez apurado crédito da Fazenda Pública, deve ser cotejado, no mesmo momento, com o crédito do contribuinte, de modo a que o lançamento, a exigência tributária, se for consolidada, deve ser conformada à COMPENSAÇÃO, somente se lançando possível saldo, pois que o simples fato de haver pagamentos sob código diverso, por ordem de outro regime, não toma inválidos, ou menos valorizados, os pagamentos feitos pela Impugnante, os quais vinha fazendo com a inteligência de que cumpria sua obrigação legal. No que se refere à abrangência do lançamento, menciona que há inconsistência e ilegalidade formal, e ainda: A Impugnante, efetivamente, encerrou suas atividades, tomandose inativa, em setembro de 2003. Nesse mês é que foram emitidos os últimos documentos fiscais, recebidas, industrializadas e remetidas mercadorias. Nesse mês, outrossim, foram rescindidos os contatos de :trabalho de todos os empregados remanescentes, como revelam os apontamentos em suas fichas funcionais e em acordo com os Termos de Rescisão assinados, e conforme se intui da Relação que vai anexa, de empregados, com as respectivas datas de admissão e demissão, sendo que a última data referência é a de 30/09/2003. Estranhável, registrese, é que o lançamento se reporte a alguns períodos de apuração (meses) de 2004, quando a Impugnante já estava com suas atividades paralisadas, e quando se registraram alguns pagamentos de saldos, relativos a faturamento do ano anterior, pela DURE S/A. Inclusive, para comprovação do que é alegado, juntamse cópias de Fichas de Empregados, com relação de datas de admissão e demissão (encerramento de contrato), revelandose que a data de 30/09/2003 consigna as últimas demissões. Há que se gizar, por oportuno e procedente, que o Termo de Solicitação de documentos, com que se iniciou o procedimento fiscal, referese aos anos de 01/2000 a 12/2003. Então, não havendo renovação desse Termo, nem qualquer outra determinação, nem intimação do contribuinte, afigurase o desbordo da auditoria fiscal, tanto em relação ao anobase de 1999 como o no que se refere ao ano de 2004, enquanto que, no caso deste último, falece ao lançamento o extrato fático, que é a existência de Receita, quando a pessoa jurídica se encontrava totalmente paralisada em suas atividades, sem estabelecimento industrial, sem empregados e, o que é mais significativo, sem que houvesse emitidos qualquer documento fiscal. 35) Obviamente que, se o AFRF que realizou a auditoria houver apurado a ocorrência de faturamento, por qualquer modo ou prova, em face à fiscalizada, Fl. 634DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 635 6 deveria ter indicado a origem, e ter referido tratarse (como se pode interpretar) de receita omitida_ Em não havendo qualquer menção a tal constatação, evidentemente se caracteriza, aqui, neste aspecto, o CERCEAMENTO DE DEFESA. Para que tal matéria possa ser apreciada, enfim, pelos julgadores da lide, haverseia que suprir tal condicionante, especificando a fiscalização o alicerce do lançamento, para que a Impugnante, com a reabertura de prazo, pudesse manifestar a sua conformidade ou inconformidade com a exigência. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante tudo quanto ficou exposto e sob os argumentos supra traçados, pede a Impugnante que a Seja julgado totalmente improcedente o lançamento, tendo em vista que este contribuinte fazia e faz jus a permanecer na condição de empresa vinculada ao SIMPLES, em face à sua atividade de indústria, não se caracterizando a hipótese preconizada no Ato Declaratório que a excluiu do sistema, ou, igualmente, porque o Ato Declaratório de exclusão somente poderia produzir efeitos a partir do mês seguinte à intimação do contribuinte, coincidindo, esse momento, com o encerramento das atividades da empresa Impugnante, não havendo motivação para a cobrança do tributo (COE1NS), com a incidência da alíquota de 3% (três por cento) das pessoas jurídicas não enquadradas nessa legislação (Lei 9.317/96); b Seja, alternativamente, julgado parcialmente procedente a presente impugnação, tendo em vista o direito à COMPENSAÇÃO dos valores pagos sob o regime do SIMPLES, e à comprovação dos recolhimentos feitos, sob o código 6106, em conformidade com as alíquotas incidentes sobre a receita apurada em cada mês, no período fiscalizado; c Seja declarado parcialmente procedente a impugnação, tendo em vista, de um lado, a abrangência do lançamento, que se estendeu a períodos não previstos na abertura da auditoria fiscal (1999 e 2004), e, sobretudo, porquanto não há registro de apuração de receita tributável durante o ano de 2004, pois que a Impugnante encerrou suas atividades em setembro de 2003, somente tendo recebido alguns valores, em 2004,~do que faturara em 2003, inclusive sobre a venda de ativo imobilizado. Consta Termo de Juntada por Anexação aos presentes autos, o processo nº 19647.013037/200462 originalmente formalizado com o Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), fls. 277 e 486. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 1120.340, de 21.09.2007, fls. 579593: “Lançamento Procedente em Parte”, uma vez que na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, foram deduzidos recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 636 7 Período de apuração: 31/10/1999 a 30/09/2004 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. Não serão objeto de análise as razões apresentadas pela Impugnante quanto à sua exclusão do SIMPLES e respectivos efeitos, visto que o Ato Declaratório Executivo de exclusão, não sendo objeto de impugnação tempestiva, tomouse definitivo na esfera administrativa. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. Excluemse do lançamento de oficio da contribuição para o PIS os valores a ela correspondentes recolhidos a titulo de Simples . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/1999 a 30/09/2004 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. Não serão objeto de análise as razões apresentadas pela Impugnante quando sua exclusão do SIMPLES e respectivos efeitos, visto que o Ato Declaratório Executivo de exclusão, não sendo objeto de impugnação tempestiva, tomouse definitivo na esfera administrativa. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LANÇAMENTO. AUTORIZAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do lançamento relativamente ao 4' trimestre de 1999, quando, apesar de não ter sido feita intimação especifica ao citado período, restar comprovado que a fiscalização estava autorizada n proceder ao lançamento dos últimos cinco anos, estando incluído neste período o ano calendário de 1999. APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Na apuração das receitas brutas mensais serão computados as receitas e os pagamentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda. Isto quer dizer que, o regime adotado para apuração do lucro é o regime de competência, no qual as receitas devem ser reconhecidas nos períodos em une elas foram efetivadas, independentemente de recebimento do dinheiro. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 637 8 Excluemse do lançamento de oficio da contribuição para a COFINS os valores a ela correspondentes recolhidos a titulo de SIMPLES. Notificada em 30.11.2007, fl. 601, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.12.2007, fls. 602610, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado regularmente e suscita que: O relatório elaborado pela DRJREC, pela relatora Ângelo. Barbosa Carneiro Leão, após análise do Auto de Infração, em especial os Termos do Relatório Fiscal, e as manifestações de contrariedade da empresa, materializadas na impugnação, reconheceu parcial razão à Impugnante, de acordo com o subitem "4" acima. Entretanto, no que concerne à questão fundamental que origina o lançamento, ou seja, quanto aos efeitos do Ato de exclusão do sistema do SIMPLES, a 4ª. Turma da Delegacia de Julgamento do Recife recusouse a adentrar ao mérito, por concluir que, em não tendo se estabelecido a lide administrativa concernente ao Ato Declaratório, por ausência do competente Recurso do contribuinte, não haveria a matéria que ser introduzida na discussão relativa ao lançamento decorrente, consubstanciado no atual processo. Nesse aspecto, pois, está imbricada a inconformidade substancial da Recorrente, justificandose o Recurso Voluntário, eis que, em se tratando de lançamento "ex officio", todos os aspectos que o envolvem, de qualquer natureza, quanto á sua origem e conteúdo, devem ser tratados e esmiuçados, na verificação da legalidade e constitucionalidade da exigência tributária. No processo de nº. 10480.01.305/200199, do qual resultou o Ato Declaratório nº.. 70, declarando a empresa excluída do regime simplificado de pagamento de impostos e contribuições federais. Acerca de tal AD, a impugnante apresentou SRS, em 04/08/2003, de cuja andamento não teve mais noticias. Ressaltese que o AD foi publicado no Diário Oficial da União na data de 06/08/2003, e, portanto, a Solicitação de Revisão de Exclusão do SIMPLES foi apresentada em tempo hábil. Está relatado no processo, contudo, que houve indeferimento da SRS apresentada pela empresa, relativamente ao Ato Declaratório em questão, e mais, que em face à não localização deste contribuinte, no local registrado como sede da empresa, houve intimação por Edital, com o que restaria regular a intimação. De qualquer modo, no rastro de tal compreensão, afigurase de duvidosa interpretação a conclusão de que, em não tendo sido instaurado o contencioso no processo de exclusão (Proc. 10480.01.305/200199), não pode o contribuinte estabelecer contencioso administrativo em relação a efeito especifico do ato de exclusão, como seja, neste contexto, o lançamento de tributos decorrente da mudança de sistemática de cálculo e contribuição. Deveras, estáse, neste processo, a discutir a procedência ou improcedência de lançamento de oficio, a qual, ainda que considerada decorrência direta da exclusão do SIMPLES, é representativa de conteúdo, abrangência e configuração totalmente diversa daquele ato primitivo. [...] Então, no momento em que se consubstancia lançamento de tributo, "ex officio", como ato administrativo vinculado, na exata manifestação do que prevê o Fl. 637DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 638 9 artigo 142, "caput" e Parágrafo Único, estáse inaugurando algo totalmente novo, e a inconformidade do contribuinte, perante esse ato de formalização de crédito tributário remete a outro procedimento, em cuja lide haverão que se feitas todas as indagações, assim como dadas todas as respostas aos questionamentos que digam respeito à licitude, à legalidade e à procedência desse lançamento. [...] No caso em trato, sendo certo que o lançamento decorre de fato anterior, ou seja, da exclusão da empresa do SIMPLES ; e considerando, também, que o mesmo lançamento poderá ser considerado insubsistente, se julgada indevida a exclusão, o próprio raciocínio lógico indica que a legalidade da exclusão deva ser analisada. Se assim não for, restará afastado o direito de legitima defesa do contribuinte, ora recorrente. Nesse contexto, a legalidade da exclusão, pelo Ato Declaratório nº. 70, de 05/08/2003, merece, sim, análise aprofundado, para averiguar se o decorrente lançamento, aqui contestado, tem procedência. Se a exclusão for julgada ilegal, mi por terra o lançamento. A análise do ato de exclusão, no processo administrativo nº10480.013051/200199, pode ser apreciada no voto condutor da decisão ora recorrida, (fls. 29112), de onde se colhe as informações de que o INSS constatou ser a empresa MAR/A CONCEIÇÃO FICK uma organização cuja atividade se caracterizava como CESSÃO (LOCAÇÃO)DE MÃO DE OBRA. Referese, então, que ...." o INSS anexou cópias de notas fiscais, fls. 04 a 07, para comprovar o fato.."(sic). Pasmem, senhores, pois as provas do INSS, para propor a exclusão do simples, se resume a 04 documentos (fls. 04/07), reduzindo um histórico de vários anos, de urna pessoa jurídica, a esses mesmos documentos (matas fiscais). Colhese, dessa informação ( que deve ser correta, pois consta dos autos do processo), que a autoridade que analisou a defesa, por SAS, desprezou totalmente as inúmeras outras informações, em dados consistentes, que demonstram tratarse de pessoa jurídica dedicada a atividade industrial (=industrialização por encomenda), com estabelecimento industrial próprio, onde o seu quadro de pessoa exercia as atividades próprias da empresa, sendo esta contribuinte de ICMS. Todo o histórico da empresa, até mesmo levando em conta a auditoria da fiscalização da SRF, somente poderia levar á conclusa ode que o faturamento deste contribuinte derivava de " INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA". Pois bem, iodas estas provas e indícios foram jogados no lixo, para concluir, a partir de04 documentos selecionados pela fiscalização do INSS, que a pessoa jurídica caracterizavase como mera cedente de mão de obra. [...] Vale dizer que, em se tratando de ato administrativo viciado, anulável, e se esse fato, esse evento jurídico, a exclusão, e sua conformidade com a lei, não for analisada a fundo, podese concluir pela inutilidade do processo administrativo de discussão do crédito tributário, derivado de lançamento de oficio, porquanto a sua origem, no entender da recorrente, é viciada, tendo sido corroborado um Ato (o de exclusão) a partir de falsas informações. [...] Todavia, ainda que não se analise, corno deveria ser feito, a validade da exclusão do SIMPLES, ao menos, e isto com certeza, deve ser apreciada a questão dos efeitos da exclusão, pois que, neste caso, se trata de aspecto fundamental, porquanto a exclusão (contestada) ocorreu já em agosto de 2003, praticamente coincidindo com a cessação das atividades da empresa, e levandose em conta que, na auditoria fiscal que resultou no(s) lançamento(s) contestado(s), fezse com que os efeitos da exclusão retroagissem a 1999. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 639 10 O espectro dos efeitos do Ato Declaratório de Exclusão do sistema do SIMPLES não é discussão afeta ao processo de exclusão, em si mesmo. Vale dizer, no caso do processo já antes referido, inaugurado pelo Ato Declaratório no. 70, se é verdade que este contribuinte perdera a oportunidade de discutir , naquele processo (10480.0130511200199), a legalidade da exclusão, evidentemente que, inaugurandose processo, por lançamento tributário, como efeito da exclusão, tem o mesmo contribuinte a oportunidade de discutir esse efeito. Até porque, a própria lei de regência estipula os efeitos da exclusão. Constam, a respeito, no artigo 196 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000, de 1999), com respaldo da Lei nº. 9.317/96, art. 15, exatamente as hipóteses diversas de exclusão, com seus efeitos, de regra prospectivos. [...] Ora, enquanto se constata que estes são os desígnios da lei, o auditor fiscal autuante, assim como a autoridade julgadora de primeira instância, entenderam que os efeitos poderiam retroagir ao início da atividade da empresa, contrariando, frontalmente, a disposição legal. Nesse caso, portanto, como acima já arrazoado, devem, sim, os julgadores, neste processo, apreciar esta matéria, que diz respeito ao lançamento em si próprio, e não ao Ato Declaratório de exclusão, eis que, como já afirmado supra, se a discussão sobre o Ato Declaratório houvesse sido instaurada, em processo de impugnação, ali não se discutiriam os efeitos futuros, como, por exemplo, o lançamento aqui contestado. [...] Resulta, dessa constatação Tática, que o lançamento aqui contestado é ilegal, do ponto de vista da consideração quanto aos possíveis efeitos da exclusão, porquanto, ate agosto de 2003, pelo menos, a Impugnante estava, legalmente, inscrita no regime do SIMPLES, e pagava, corretamente, os tributos, nesse regime, simplificado, com os DARF’s sob o código 6106. É isto que deve ser levado em conta, na reapreciação das razões que confortam a inconformidade da recorrente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Após tudo quanto ficou acima referido, e em face às referências legais e juridicamente bem inseridas na demanda, somente resta à recorrente pedir que: Seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, seja pelo fato de ser ilegal e equivocado o Ato Declaratório que excluiu esta pessoa jurídica do sistema do SIMPLES, ou seja em decorrência da ilegalidade quanto aos efeitos do ato de exclusão, que somente poderiam gerar recalculo dos tributos, por arbitramento ou em decorrência da mudança de regime, a partir de setembro de 2003, quando a recorrente estava encenando suas atividades. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 3ª TURMA ORDINÁRIAL/4ª CÂMARA/3ª SJ nº 340300.073, de 26.08.2010, fls. 612614. Houve a emissão do Relatório de Diligência Fiscal, fls. 622623. De acordo com o Despacho de Declinação de Competência, fls. 626627, no seguinte sentido: Fl. 639DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 640 11 Em diligência a fiscalização obteve junto a representante da Interessada a informação de que não mais possuía os documentos fiscais e declarou também não possuir outros documentos do período em questão que servissem para o deslinde da questão. Concluise que esta Turma não tem competência conforme disciplina o Regimento interno do CARF para conhecer essa matéria em razão de decorrer de ato vinculado ao sistema SIMPLES. Diante do exposto, proponho declinar da competência de julgamento e remessa dos autos a Autoridade Administrativa competente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 641 12 Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente indica argumentos contra o ato de exclusão do Simples e seus efeitos, formalizado no processo nº 10480.013051/200199. Houve a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) mediante o Ato Declaratório Executivo Recife/PE nº 70, de 31.07.2003, com os efeitos previsto no art. 24 da Instrução Normativa SRF nº 250, de 26 de novembro de 2002, por realização de operações relativas a locação de mão de obra (inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996) fls. 2223. Vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual3. Tendo em vista a busca da verdade material, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 3ª TURMA ORDINÁRIA/4ª CÂMARA/3ª SJ nº 340300.073, de 26.08.2010, fls. 612614, no seguinte sentido: A questão neste caderno cinge á exigência de contribuições anteriores ao ato que excluiu a contribuinte do sistema do SIMPLES. Como se sabe a incidência das contribuições objeto do auto de infração passam ser exigida no mês subseqüente ao ato considerado ofensivo conforme dispõe a legislação. Em sendo assim, opino no sentido de transformar o julgamento em diligência, considerando que o Ato Declaratório Executivos de 31 de julho de 2003, que declara excluído do SIMPLES a empresa interessada por vedação à opção pela sistemática escolhida por realizar operações relativas à locação de mãodeobra, previsto no inciso XII do artigo 9° da Lei número 9.317/1996, alterado pelo artigo 6o da Lei número 9.779/99 e no seu inciso XI do artigo 20 da INSRF 250/2002, para saber 3 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 642 13 exatamente o momento em que a interessada adotou ou passou exercer atividade incompatível com o sistema do Simples. Juntar outras informações que julga necessárias ao deslinde da questão, bem como, seja dado ciência a Recorrente da junta de novos documentos. Em conformidade com o Relatório de Diligência Fiscal, fls. 622623, tem que: 3 – CONCLUSÕES Tendo em vista a falta da apresentação dos talonários de notas fiscais, não temos condição de trazer aos autos informações adicionais àquelas já constantes do processo a respeito das atividades exercida pela empresa nos períodos em questão, tampouco o momento exato que tais fatos ocorreram. Conforme documentos já constantes do processo às folhas 213 a 244, constatase que nas notas fiscais emitidas constam os CFOP(s) 513/594 (prestação de serviço de industrialização por encomenda) e que foi escrito pela emitente nas mesmas a frase “mão de obra ref. a confecção de xxxx pares de sandálias referente a nota xxxx de xxx/xxx/xxxx de remessa para industrialização”. Diante do exposto, de acordo com as informações prestadas pela contribuinte, anexadas ao presente processo, esperamos ter cumprido as determinações da diligência solicitada. Deixamos de dar ciência à diligenciada, tendo em vista a não inclusão de qualquer outro documento ou informação que não seja do conhecimento da mesma. Nesse sentido, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com seus argumentos de defesa sobre a matéria. Os elementos probatórios produzidos pela autoridade fiscal por meios lícitos constantes nos autos são suficientes e robustos o bastante para a solução do litígio. O procedimento de exclusão do Simples está formalizado no processo nº 10480.013051/200199, que se encontra findo na esfera administrativa por arquivamento, sem que fosse instaurado o litígio4. Por essa razão, não tem cabimento nessa segunda instância proceder à análise da matéria sobre a qual já se operou a imperatividade e a imutabilidade do ato administrativo perfeito e a preclusão em processo administrativo diverso. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda dos créditos tributários de Cofins e de Pis constituídos pelo lançamento de ofício. Os lançamentos são decorrentes das exigências de IRPJ e de CSLL formalizadas nos processo nºs 19647.013039/200451 e 19647.013038/200415, 4 Disponível em: http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=10480013051200199&DDMovimentoQ=14062013&SQO rdemQ=0>. Acesso em: 20 mai.2014. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 643 14 respectivamente, que se encontram com os regulares julgamentos dos litígio instaurados e findos na esfera administrativa, bem como em fase de cobrança executiva 5: Tem cabimento transcrever o Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA ORDINÁRIA/1ª CÂMARA/1ª SJ nº 110100.231, de 11.12.2009, a respeito da exigência de IRPJ, proferido no processo nº 19647.013039/200451, constante no sítio institucional do CARF6: Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relato, tratase de exigência fiscal constituída por meio de arbitramento dos lucros em face de a contribuinte ter sido excluída da forma de tributação simplificada (SIMPLES) em decorrência da constatação de omissão de receitas em todos os anoscalendário que foram objeto da ação fiscal (1999 a 2004), tendo a receita bruta efetivamente auferida superado o limite previsto para a permanência no regime simplificado. Em 15/09/2004 a autoridade autuante lavrou o Termo de Constatação de fls. 04, onde cita que a empresa fiscalizada não foi encontrada no endereço constante do cadastro da SRF. Posteriormente, em 17/09/2004, foi lavrado o termo de intimação de fls. 07, recebido pelo procurador da recorrente, tendo sido solicitada a apresentação de toda a documentação contábil e fiscal, bem como o recibo da Declaração Anual Simplificada, se optante pelo SIMPLES, que efetivamente é o caso da Recorrente. Não se põe em dúvida que os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro real, devem possuir escrituração contábil completa e atualizada, com obediência à legislação vigente e aos princípios e convenções geralmente aceitos pela contabilidade. Dessa forma, quando intimados pelos agentes do fisco, devem exibir os documentos e os livros comerciais e fiscais que lhe forem solicitados, em boa ordem, devidamente escriturados e em dia Se não o fizerem, ou não estiverem em condições de o fazer, tornase impossível verificar qual o verdadeiro lucro real, e a solução passa a ser o arbitramento do lucro. Constatase que o arbitramento foi levado a efeito pela não apresentação dos documentos solicitados, e não em razão de falhas ou irregularidades como informa a recorrente. Tendo em vista que a fiscalização não pode nem deve ficar à disposição dos contribuintes aguardando uma definição acerca de providências que são de seu próprio interesse, e diante de um quadro que impossibilitou a verificação do lucro real, não restou outra alternativa, que não fosse a de impor à fiscalizada, outra 5 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=19647013039200451&DDMovimentoQ=08102010&SQO rdemQ=0> . Acesso em 20 mai.2014. Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/E gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=19647013038200415&DDMovimentoQ=08102010&SQO rdemQ=0>. Acesso em 20 mai.2014. 6 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf> . Acesso em 20 mai.2014. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 644 15 modalidade de tributação, arbitrandose o lucro, procedimento validado pelo art. 399, inciso 1, do RIR/80, verbis: "Art. 399 — A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando (Decretolei no 1.648/78, art. 7"): 1— o contribuinte sujeito à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras de que trata o artigo 172; (...) Ressaltese que o enquadramento legal acima descrito fulcrou o procedimento, porquanto a hipótese de recusa restou caracterizada, posto que implícita considerandose a falta de atendimento às reiteradas intimações, o desinteresse do contribuinte em empreender busca em torno dos elementos solicitados, permitindo que o lançamento de oficio fosse celebrado. Correto o procedimento fiscal, pautado na legislação, não havendo, pois, que se cogitar em qualquer irregularidade. CONCLUSÃO Pelas razões expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Tem cabimento transcrever o Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA ORDINÁRIA/1ª CÂMARA/1ª SJ nº 110100.252, de 29.01.2010, a respeito da exigência de CSLL, proferido no processo nº 19647.013038/200415 constante no sítio institucional do CARF7: Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relato, tratase de exigência fiscal constituída por meio de arbitramento dos lucros em razão de que a contribuinte foi excluída da forma de tributação simplificada (SIMPLES), em decorrência da constatação de omissão de receitas em todos os anoscalendário que foram objeto da ação fiscal (1999 a 2004), cuja receita bruta efetivamente auferida superou o limite previsto para a permanência no regime simplificado. Em data de 15109/2004, a autoridade autuante lavrou o Termo de Constatação de fls. 04, onde cita que a empresa fiscalizada não foi encontrada no endereço constante do cadastro da SRF. Posteriormente, em 17/09/2004, foi lavrado o termo de intimação de fls. 07, recebido pelo procurador da recorrente, onde foi solicitada a apresentação de toda a documentação contábil e fiscal, bem como o recibo da Declaração Anual Simplificada, se optante pelo SIMPLES, que efetivamente é o caso da recorrente. 7 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf> . Acesso em 20 mai.2014. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 645 16 Inconformada a recorrente traz à lide questionamentos quanto a existência de irregularidades (tanto no auto de infração quanto na decisão), de ordem formal e material, o que acarretaria a nulidade do feito. Ao apreciar a defesa inicial, a turma julgadora de primeiro grau acolheu apenas em parte os argumentos de defesa, tendo excluído da exigência os valores recebidos no anocalendário de 2004, por entender que a tributação pelo lucro real deveria tomar como base de cálculo o regime de competência e também o lançamento relativo ao anocalendário de 1999, em razão da falta de intimação para a apresentação dos documentos para o referido ano, conforme os excertos extraídos do voto condutor, abaixo reproduzidos: Relativamente ao lançamento relativo aos trimestres de 2004, verificamos que o fiscal autuante tomou como receita conhecida os pagamentos efetuados pela empresa DUPÉ S/A, de acordo com os demonstrativos de fls. 126/132. Analisando os citados demonstrativos verificamos que todos os pagamentos têm indicação de se originarem de títulos com vencimentos em outubro de 2003. O fiscal autuante não anexou qualquer cópia dos citados títulos, nem das notas fiscais que os originaram, considerando como receita os valores nas respectivas datas de seu recebimento. O art. 215 do RIR/99 assim dispõe sobre o dever de escriturar. "Art.251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real dever manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei n°1.598, de 1977, art.7º)” O §1° do art. 185 da Lei das Sociedades por Ações, a principal lei comercial, determina que na apuração do lucro do exercício social serão computados as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda. Isto quer dizer que, o regime adotado para apuração do lucro é o regime de competência, no qual as receitas devem ser reconhecidas nos períodos em que elas foram efetivadas, independentemente de recebimento do dinheiro. No caso em lide, o fiscal autuante arbitrou o lucro nos trimestres de 2004 considerando como receitas conhecidas os valores nas datas de cada recebimento, não fazendo qualquer menção à origem dos mesmos, os quais, de acordo com os demonstrativos, se referem a títulos emitidos em 2003. Diante do acima exposto, voto no sentido de excluir de tributação os valores lançados nos trimestres de 2004, por não restarem comprovadas que os valores recebidos no período de 2004 se referem a receitas do mesmo período. Relativamente ao arbitramento do lucro no 4° trimestre de 1999, observamos que, nas intimações efetuadas pela fiscalização, durante todo o procedimento, cópias anexas às fls. 07/08; 12/14, não consta a solicitação da escrita contábil e fiscal para o ano calendário de 1999. O arbitramento do lucro foi respaldado no art. 530, Ido RIR/99, que assim dispõe: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, art. 47, e lei n° 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 645DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 646 17 I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal;" Tendo em vista que á fiscalização, durante o procedimento de oficio, não solicitou a apresentação da escrita contábil e fiscal relativamente ao ano calendário de 1999, não há como respaldar o entendimento de que a empresa não possuía escrita fiscal e contábil necessária para apuração do lucro real para o citado ano calendário. Diante do acima exposto, voto no sentido de excluir o lançamento do IRRI com base no lucro arbitrado, relativamente ao ano calendário de 1999. Não se põe em dúvida que os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro real, devem possuir escrituração contábil completa e atualizada, com obediência à legislação vigente e aos princípios e convenções geralmente aceitos pela contabilidade. os livros comerciais e fiscais que lhe forem solicitados, em boa ordem, devidamente escriturados e em dia. Se não o fizerem, ou não estiverem em condições de o fazer, tomase impossível verificar qual o verdadeiro* lucro real, e a solução passa a ser o arbitramento do lucro. Constatase que o arbitramento foi levado a efeito pela não apresentação dos documentos solicitados, e não em razão de falhas ou irregularidades como informa a recorrente. Tendo em vista que a fiscalização não pode nem deve ficar à disposição dos contribuintes aguardando uma definição acerca de providências que são de seu próprio interesse, e diante de um quadro que impossibilitou a verificação do lucro real, não restou outra alternativa, que não fosse a de impor à fiscalizada, outra modalidade de tributação, arbitrandose o lucro, procedimento validado pelo art. 399, inciso 1, do RIR/80, verbis: "Art. 399 — A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando (Decretolei n° 1.648178, art. 7º): 1 o contribuinte sujeito à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as. demonstrações financeiras de que trata o artigo 172; (...) Ressaltese que o enquadramento legal acima descrito fulcrou o procedimento, porquanto a hipótese de recusa restou caracterizada, posto que implícita considerandose a falta de atendimento às reiteradas intimações, o desinteresse do contribuinte em empreender busca em torno dos elementos solicitados, permitindo que o lançamento de oficio fosse celebrado. Correto o procedimento fiscal, pautado na legislação, não havendo, pois, que se cogitar em qualquer irregularidade. CONCLUSÃO . Pelas razões expostas, voto, no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 647 18 Os lançamentos de Cofins e de PIS sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados às exigências principais de IRPJ e de CSLL. Nesse sentido, créditos tributários de Cofins e de Pis constituídos pelo lançamento de ofício estão corretos. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.013040/200486 Acórdão n.º 1803002.220 S1TE03 Fl. 648 19 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 12466.000863/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2006
Embargos de Declaração. Erro Material. Contradição
Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado.
Por outro lado, devem ser corrigos os erros materiais, decorrentes de lapso manifesto.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3102-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para retificar erro material e sanear a contradição do acórdão 3102-001.239, que passa a ter a seguinte redação:
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer a fração do lançamento fundada nas declarações de importação nº 04/0523545-8 e 04/0804956-6 e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, que dava parcial provimento aos recursos voluntário e de ofício para reduzir a multa a 10% do valor aduaneiro, além dos conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho, que negavam provimento ao recurso de ofício, davam provimento integral ao recurso voluntário e, em segunda manifestação, suscitavam a aplicação da multa de 10% do valor aduaneiro.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro..
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2006 Embargos de Declaração. Erro Material. Contradição Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado. Por outro lado, devem ser corrigos os erros materiais, decorrentes de lapso manifesto. Embargos Acolhidos
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Erro Material. Contradição Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. Por outro lado, devem ser corrigos os erros materiais, decorrentes de lapso manifesto. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para retificar erro material e sanear a contradição do acórdão 3102 001.239, que passa a ter a seguinte redação: “Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer a fração do lançamento fundada nas declarações de importação nº 04/05235458 e 04/08049566 e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, que dava parcial provimento aos recursos voluntário e de ofício para reduzir a multa a 10% do valor aduaneiro, além dos conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho, que negavam provimento ao recurso de ofício, davam provimento integral ao recurso voluntário e, em segunda manifestação, suscitavam a aplicação da multa de 10% do valor aduaneiro.“ (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 08 63 /2 00 9- 35 Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 3102001.702 S3C1T2 Fl. 3.333 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.. Relatório Tratase de proposta de saneamento apresentada pela i. autoridade preparadora, que, por meio do despacho de fl. 3.373, aponta discrepância entre o Acórdão 3102001.239 e o seu votocondutor, além de erro material tanto no voto condutor quanto no acórdão. A primeira falha diria respeito ao restabelecimento da exigência fiscal relativamente à declaração de importação nº 04/09082001, afastada pelo acórdão de primeira instância: de acordo com a parte dispositiva, essa fração deveria ser restabelecida e, de acordo com o voto condutor, afastada. O erro material, por sua vez, residiria na alusão à declaração de importação nº 04/02535458, que não faria parte da relação de operações que foi alvo da exigência fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Os erros materiais são evidentes e igualmente evidente é a contradição. Caracterizada, portanto, hipótese que autoriza o saneamento do erro e o acolhimento dos embargos. Vejase o que dizem os arts. 65 e 66 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma Artigo 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente.. Com relação à primeira inconsistência, resta claro que a Declaração de Importação 04/09082001 foi indevidamente incluída entre as quais a exigência deveria ser restabelecida, em razão de evidente erro de transcrição. A fim de demonstrar o equívoco, transcrevo trecho do voto condutor que trata dessa fração do recurso de ofício: Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 3102001.702 S3C1T2 Fl. 3.334 3 Assim, considero que a únicas operações que devem ser excluídas da exigência, por insuficiência de provas, são as que tiveram como documento base as declarações de importação nº DI n.º 04/04602180 (fls. 967 a 975) e 04/09082001 (fls. 1976/1978), por tratarem de operação com empresas exportadoras não vinculadas ao grupo Nokia (FOXCONN BEIJING TRADING CO. LTD e PHILIPS AUSTRIA GMBH) e não ter sido apresentado outro elemento contundente que demonstrasse a ocultação da pessoa jurídica Nokia do Brasil. Não acompanho o raciocínio do acórdão de primeira instância, portanto, no que se refere à exclusão das DI n.ºs 04/02535458 (fls. 1038/1041) e 04/0804956 (fls. 1763/1765), uma vez que ambas estampam, na qualidade de exportador, pessoas jurídicas do “Grupo” Nokia. A meu ver, em face dos demais indícios, a ausência de juntada da fatura comercial, por si só, não é suficiente para afastar a convicção acerca da efetividade da infração. Com efeito, diante do quadro indiciário, não há como, na esteira do que pleiteou a recorrente, pretender isolar as operações e avaliálas caso a caso, máxime em razão da natureza dos indícios apresentados. Não é outra a conclusão do mesmo voto Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a exigência fundada nas declarações de importação nºs 04/02535458 (fls.1038/1041) e 04/08049566 (fls. 1763/1765), e nego provimento ao recurso voluntário. Igualmente evidente é o erro material na digitação do número da declaração de importação juntada por cópia às fls. 1038 a 1041. Ao invés do nº “04/02535458” a declaração ali colacionada possui o nº 04/05235458. Ante ao exposto, dou provimento aos embargos para sanear a contradição entre o voto condutor e o acórdão, além do erro material de digitação, corrigindo o número da declaração acima mencionada. Deverá constar do acórdão, portanto o seguinte dispositivo: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer a fração do lançamento fundada nas declarações de importação nº 04/05235458 e 04/08049566 e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, que dava parcial provimento aos recursos voluntário e de ofício para reduzir a multa a 10% do valor aduaneiro, além dos conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho, que negavam provimento ao recurso de ofício, davam provimento integral ao recurso voluntário e, em segunda manifestação, suscitavam a aplicação da multa de 10% do valor aduaneiro. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2013 Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 3102001.702 S3C1T2 Fl. 3.335 4 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13888.002381/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO
A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra t da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.122
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Fatos Geradores Recorrente KOELLE LTDA. EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra “t” da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;ou quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 81 /2 00 8- 31 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002381/200831 Acórdão n.º 2302003.122 S2C3T2 Fl. 342 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 11/06/2008, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 12/06/2008, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2004 a 12/2007, todos os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, mais especialmente aqueles relativos a bolsas de estudo fornecidas aos seus dependentes. Após impugnação, Acórdão de fls. 279/285, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o legislador ordinário excluiu da saláriode contribuição os valores relativos a planos educacionais; b) que atendeu aos requisitos legais para que averba não integre o saláriodecontribuição; c) que a concessão de bolsas não remunera o trabalhador; d) que a bolsa é concedida aos filhos dos empregados, sendo um benefício assistencial e não ganho do empregado; e) que as bolsas não são habituais, tem caráter transitório, não há contraprestação do trabalho, possuindo natureza eminentemente social; f) que a jurisprudência entende que tal pagamento não integra o saláriodecontribuição; g) que como o auxíliocreche que tem natureza indenizatória, a bolsa de estudos não Serpa recebida pelo trabalhador na sua aposentadoria; h) que a concessão da bolsa de estudos não gera prejuízo ao funcionário, apenas lhe traz benefícios, não podendo ser prejudicada por cumprir as normas estipuladas em convenção coletiva; i) que é indevida a aplicação da multa de oficio por omissão em GFIP, eis que a mesma foi informada Fl. 343DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 corretamente com os valores que configuram fato gerador da contribuição previdenciária, o que não é o caso do valor referente is bolsas de estudos, visto não constituírem parcela integrante do saláriode contribuição. Requer o provimento do recurso para declarar a insubsistência e improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002381/200831 Acórdão n.º 2302003.122 S2C3T2 Fl. 343 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. O Auto de Infração referese ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados que prestaram serviço à recorrente no período de 01/2004 a 12/2007, frente à concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados aos segurados que lhe prestaram serviço, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A questão de mérito reside no fato do benefício fornecido, bolsas de estudo,integrar ou não a remuneração dos segurados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade Fl. 345DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002381/200831 Acórdão n.º 2302003.122 S2C3T2 Fl. 344 7 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições Fl. 348DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002381/200831 Acórdão n.º 2302003.122 S2C3T2 Fl. 345 9 previdenciárias a parcela referente à concessão de ensino a dependentes dos segurados empregados e contribuintes individuais, teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de ensino aos filhos de funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o ensino de seus dependentes. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de bolsa de estudo possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Quanto ao fato da concessão das bolsas de estudo encontrar respaldo nas Convenções Coletivas de Trabalho firmadas entre a recorrente e seus empregados, isto não tem o condão de eximir a verba da incidência da contribuição previdenciária, instituída por lei. O Código Tributário Nacional é taxativo no seu artigo 123, ao dizer que as convenções e acordo havidos entre os particulares não podem ser opostos à Fazenda Pública Fl. 349DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Várias ementas em decisões dos Tribunais pátrios referemse ao aludido artigo: “Ementa: .... I. Descabe figurar no pólo ativo da demanda aquele que não tem relação com o Fisco, já que não podem ser a ele impostos ajustes particulares relativos à responsabilidade pelo pagamento de tributos (art. 123 do CTN) ....” (STJ. REsp 374694/ SC. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 03/04/03. DJ de 12/05/03, p. 264.) “Ementa: .... III. As convenções particulares não são oponíveis, como matéria de defesa, na discussão de relação jurídico tributária (CTN, art. 123). ....” (TRF1ª Região. AC 93.01.330237/MG. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 16/12/ 97. DJ de 20/03/98, p. 165.) “Ementa: .... II. As convenções particulares, relativas às responsabilidades pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias respectivas. ....” (TRF 1ª Região. AC 95.01.246922/MG. Rel.: Des. Federal Mário César Ribeiro. 4ª Turma.Decisão: 1º/04/97. DJ de 24/04/97, p. 26.743.) “Ementa: .... II. As convenções particulares não poderão ser levantadas pelo contribuinte inadimplente para se furtar à responsabilidade quanto a pagamentos de tributos contra a Fazenda Pública. ....” (TRF5ª Região. AC 2001.05.00.016707 7/CE.Rel.: Des. Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima. 2ª Turma. Decisão: 26/03/02. DJ de 21/03/03, p. 917.) Portanto, ao conceder bolsas de estudo a dependentes de segurados empregados e ao dependente de contribuinte individual, a recorrente sujeitase à incidência contributiva previdenciária sobre a verba fornecida, que não está ao abrigo da excludente do saláriodecontribuição exposta na letra”t”, do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 e que deveria ter sido informada nas GFIP’s do período de 01/2004 a 12/2007. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002381/200831 Acórdão n.º 2302003.122 S2C3T2 Fl. 346 11 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa , então, deve ser aplicada na forma do art.32 A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009: Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002381/200831 Acórdão n.º 2302003.122 S2C3T2 Fl. 347 13 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13971.720025/2008-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 647 1 646 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720025/200853 Recurso nº 13.971.720025200853 Voluntário Acórdão nº 3403003.064 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria COFINS PEDIDO ELETRONICO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 25 /2 00 8- 53 Fl. 647DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA transmitiu, em 09/08/2007, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 41442.79006.090807.1.1.086665, de créditos da apuração não cumulativa de COFINSexportação, no valor de R$ 67.174,17, referente ao segundo trimestre de 2007. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório Saort/DRF/BLU nº 211/2008, fls. 473 a 488, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 57.574,42. A glosa no valor de R$ 9.599,75 deveuse às seguintes irregularidades constatadas na tomada de créditos: a) aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos: a.1) aquisição sem emissão de nota fiscal: a autoridade fiscal glosou o valor de R$ 313.540,39, referente a despesa ocorrida no mês junho, que a contribuinte, em resposta a intimação fiscal, justificou como sendo decorrente de “exaustão de reflorestamento de Pinus”, conforme contratos firmados com as vendedoras, em razão de tal aquisição não encontrar respaldo na escrita fiscal da requerente, haja vista ter ocorrido sem a emissão de nota fiscal pelo fornecedor e, por conseguinte, sem incidência de tributação; a.2) devoluções de compra para industrialização: foram glosados os valores referentes às devoluções de bens que seriam utilizados como insumos no processo produtivo; b) aquisição de serviços utilizados como insumo: b.1) quantia informada a maior: a autoridade fiscal excluiu da base de cálculo dos créditos apurados no DACON os valores referentes a despesas e taxas de importação de vidro, conforme esclarecimento prestado pela contribuinte em resposta a intimação fiscal; b.2) aquisição de serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessa, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha três (Serviços Utilizados com Insumo), informou utilizar o CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Glosouse a totalidade dos valores referentes as notas com esse CFOP “Considerando que a requerente não especificou entre as notas fiscais com CFOP 1.949 que estão no LRE ~ quais estariam compondo os valores solicitados, já que todos os registros estão com campos de créditos de PIS/PASEP e COFINS zerados; considerando que esse CFOP, por referirse a “outras entradas não previstas' nos demais CFOP, a princípio, não corresponde a serviço utilizado como insumo”, c) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes a despesa com locação de caminhões e carrocerias reboque, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., em razão de caminhão ser “espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”, a teor da NCM Nomenclatura Comum do Mercosul. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 501 a 507, controverteramse as seguintes glosas: Fl. 648DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3403003.064 S3C4T3 Fl. 648 3 a) Da aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos realizada sem emissão de nota fiscal, alegando que, em resposta a intimação fiscal informou referirse “exaustão de reflorestamento de Pinus”. Defende o direito ao crédito pleiteado alegando que em verdade, tal valor tratase de “amortização, eis que a aquisição da floresta se deu por contratos com prazo indeterminado, restando evidente o direito ao crédito à recorrente, nos termos do art. 3 , §1 , III da Lei 10.637/2002”, que, a teor do inciso II do mesmo artigo, o valor referente a floresta adquirida gera direito de crédito pois “foi utilizada como insumo no processo produtivo”, e ainda, que mesmo que se tratasse de exaustão, a Solução de Consulta n 254 de 19/O7/2007, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, prevê a possibilidade de crédito de formação de floresta. Conclui que a glosa é insubsistente “eis que comprou o insumo, conforme fazem prova os contratos e notas fiscais em anexo”. Acrescenta, ainda, que mesmo não sendo o caso de emissão de nota, face ao contrato de aquisição, estas foram emitidas, as quais seguem em anexo. b) Das glosas das aquisições de serviços não especificados, argumentando que os valores das entradas com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3 , II, da Lei 10.637/02.' Quanto a ausência de escrituração fiscal, esclarece que os prestadores dos serviços não possuem inscrição estadual, mas somente municipal, razão pela qual “tais notas não podem ser lançadas nos livros fiscais, sendo lançadas, apenas nos livros contábeis. Assim, por mais que não estejam laçadas no Livro de Registro de Entrada, tais notas foram devidamente contabilizadas.”. Reclama que a Autoridade Administrativa, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. Ao final pugna que, caso o órgão Julgador entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, seja determinado o retorno dos autos à DRF em Blumenau para “análise do crédito”. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedenteO Acórdão nº 07020.421, de 2 de julho de 2010, fls. 580 a 589, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO! PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO., COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 INSUMO. DIREITO DE CREDITO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado a atividade empresarial, somente gerando créditos em um determinado período de apuração os custos de aquisição de insumos utilizados neste mesmo período. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 593 a 604, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre o sistema de distribuição do ônus da prova no processo administrativo, articulandoo com o princípio da verdade material, para concluir que não se pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No mérito, quanto à glosa de serviços não especificados, registrados sob o CFOP 1949 e 2949, pugna pela adoção do conceito econômico de insumo e se admita a tomada de crédito sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e serviços de fumigação, haja vista que tais produtos são considerados como insumo, sendo, igualmente, integrado ou consumido no processo de produção de mercadorias industrializadas destinadas ao exterior. Destaca que seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. Da mesma forma, considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente eis que indispensáveis à obtenção do resultado final a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção das máquinas e veículos. Conclui, retomando a argumentação já exposta na MI para defender o direito ao crédito referente à amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/2009 40 e 13971.720926/200764, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Fl. 650DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3403003.064 S3C4T3 Fl. 649 5 Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 593 a 604 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07020.421, de 2 de julho de 2010. Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito do ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do direito à tomada de crédito sobre os fretes pagos no transporte de insumos, sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e sobre as despesas de amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas. Tenho notícia de que ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358124.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000463/200357, 13975.000464/200300, 13975.000496/200305, 13975.000018/2004 78, 13975.000217/200567, 13975.000215/200578, 13975.000213/2005 89, 13975.000212/200534, 13975.000210/2005 45, 13975.000199/200513, 13971.720021/200875, 13971.720022/200810, 13971.720023/200864, 13971.720024/2008 17, 13971.720025/200853, 13971.720026/200806, 13971.910941/201189, 13971.910944/201112, 13971.910945/2011 67, 13971.910950/201170, 13971.910958/2011 36, 13971.910959/201181, 13975.000218/200510, 13975.000216/2005 12, 13975.000214/200523, 13975.000224/200569, 13975.000209/200511, 13971.001997/2006 83, 13971.001996/2006 39, 13971.720016/200862, 13971.720017/200815, 13971.720018/200851, 13971.720019/200804, 13971.720020/2008 21, 13971.910942/2011 23, 13971.910943/201178, 13971.910946/201110, 13971.910949/201145, 13971.910960/2011 13, 13971.910955/201101, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção das primeira matéria, as demais foram submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte Em que pese a dissertação da recorrente, comungo integralmente com as considerações sobre a distribuição do ônus probatório tecidas pela relatora da decisão recorrida, AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e Fl. 652DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3403003.064 S3C4T3 Fl. 650 7 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO Fl. 653DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, por negar provimento. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 654DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13811.001881/98-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
1. A manutenção e utilização dos créditos do IPI, relativos aos insumos empregados na industrialização dos bens de informática isentos do referido Imposto, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.191, de 1991, combinado com o art. 4° da Lei n° 8.248, de 1991, depende do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos na Lei n° 8.248/91 e no Decreto nº 792, de 1993.
2. Nos autos, ficou comprovado o descumprimento de tais exigências, o que impossibilita o ressarcimento do crédito do IPI decorrente da utilização do mencionado benefício fiscal.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUTO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. VIGÊNCIA TEMPORÁRIA. PEDIDOS PENDENTES DE ANÁLISE. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, protocolados até 9/4/2000, pendentes de apreciação em 1/10/2002, data de início do regime de compensação declarada, instituído pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66 de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 20002, por não atender os requisitos e condições do novo regime de compensação, não se converteram em declaração de compensação, em decorrência, não estão sujeitos à extinção, sob condição resolutória da sua ulterior homologação, e tampouco ao prazo quinquenal fixado para que fosse realizada a homologação expressa.
2. As normas aplicáveis aos referidos pedidos de compensação são aquelas atinentes ao regime de compensação a requerimento, instituído pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na sua redação original, complementado pelo disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fática Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A manutenção e utilização dos créditos do IPI, relativos aos insumos empregados na industrialização dos bens de informática isentos do referido Imposto, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.191, de 1991, combinado com o art. 4° da Lei n° 8.248, de 1991, depende do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos na Lei n° 8.248/91 e no Decreto nº 792, de 1993. 2. Nos autos, ficou comprovado o descumprimento de tais exigências, o que impossibilita o ressarcimento do crédito do IPI decorrente da utilização do mencionado benefício fiscal. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUTO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. VIGÊNCIA TEMPORÁRIA. PEDIDOS PENDENTES DE ANÁLISE. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, protocolados até 9/4/2000, pendentes de apreciação em 1/10/2002, data de início do regime de compensação declarada, instituído pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66 de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 20002, por não atender os requisitos e condições do novo regime de compensação, não se converteram em declaração de compensação, em decorrência, não estão sujeitos à extinção, sob condição resolutória da sua ulterior homologação, e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 18 81 /9 8- 70 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 tampouco ao prazo quinquenal fixado para que fosse realizada a homologação expressa. 2. As normas aplicáveis aos referidos pedidos de compensação são aquelas atinentes ao regime de compensação a requerimento, instituído pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na sua redação original, complementado pelo disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fática Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de Pedidos de Ressarcimento de IPI (fls. 2/3, 37/38 e 73/74), dos 1°, 2° e 3° dos decêndios do mês de setembro de 1998, no valor de R$ 137.003,73, parcialmente utilizado na compensação de débito de terceiros, no valor de R$ 134.723,94, objeto do Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros de fl. 181. Para fim de apuração da certeza e liquidez do crédito pleiteado, foi realizada diligência no estabelecimento da interessada, em que, de acordo com a Informação Fiscal de fls. 164/165, foi apurado que a interessada tinha direito ao crédito no valor de R$ 134.723,94 e, em consequência, a glosa do valor do valor de R$ 2.279,79 do total do crédito pleiteado. Por meio no Parecer e Despacho Decisório de fls. 232/240, os referidos Pedidos foram integralmente indeferidos, em síntese, sob o argumento de que: a) não foram trazidos aos autos os elementos comprobatórios do cumprimento dos requisitos e condições para fruição do benefício fiscal, previsto no art. 4º da Lei 8248/91 e no art. 1º, parágrafo único, do Decreto 792/93, que prevêem isenção do IPI, bem como manutenção e utilização dos créditos deste Imposto, relativos a insumos empregados no processo de fabricação de bens de informática e de automação de produção; b) foram detectadas incongruências entre os valores dos créditos registrados no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) e os valores do IPI pagos constantes dos sistemas de arrecadação da RFB, relativos aos insumos adquiridos no Fl. 333DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 3102002.219 S3C1T2 Fl. 101 3 exterior; c) a Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPIN), por meio dos documentos de fls. 192/210, comunicou que a Interessada não havia cumprido os requisitos e as condições legais fixados para fruição do referido benefício fiscal; e d) a interessada havia cometido uma série de irregularidades, especialmente, em relação aos investimentos na entidade de Polovale, que fora alvo de denúncias perante a SEPIN/MCT e ao Ministério Publico Federal. Regularmente cientificada, a interessada apresentou, em 24/1/2006, a Manifestação de Inconformidade de fls. 228/244, aduzindo as razões de defesa que foram assim resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, ipsis litteris: 1. Os débitos relativos às compensações não homologadas deverão permanecer com a exigibilidade suspensa, até a apreciação final dessa manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96; 2. É nulo o despacho decisório que indeferiu o pedido porque, anteriormente, a fiscalização compareceu nas dependências da requerente, com competência funcional, reconhecendo o montante de R$ 137.003,73 como passível de ressarcimento, homologando o direito ao crédito; 3. De acordo com o art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, as compensações requeridas foram tacitamente homologadas em virtude do transcurso do qüinqüênio legal; 4. Defende seu direito ao beneficio fiscal, atacando os motivos pelos quais o Ministério da Ciência e Tecnologia considerou que a empresa não cumpriu as exigências legais para fazer jus ao incentivo; 5. Afirma que não é razoável indeferir o pedido de ressarcimento sob o argumento de que não foram apresentados os elementos necessários à análise do cabimento dos benefícios, porque não compete à Receita Federal analisar o cumprimento dos requisitos necessários à utilização do incentivo, mas sim ao MCT. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 306/311), em que, por unanimidade de votos, a solicitação foi indeferia, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. O ressarcimento de créditos do IPI relativos às aquisições de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 automação está condicionado ao cumprimento das exigências existentes na Lei n° 8.248/91 e no Decreto n° 792/93. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. NÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros não se convertem em “Declarações de Compensação”, e por conseqüência, não ocorre a homologação tácita das compensações requeridas. Em 18/5/2009, a interessada foi cientificada dessa decisão (fls. 314/315). Inconformada, em 21/5/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 316/325, reafirmando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória. Em aditamento, em síntese, alegou que: a) o débito, relativo à compensação não homologada, deveria permanecer com a exigibilidade suspensa, até a apreciação final do recurso, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96, c/c art. 151, III, do CTN; b) o pedido de compensação fora formalizada antes de 10 de abril de 2.000, quando ainda não havia vedação para compensação com crédito de terceiro, portanto, inaplicável ao caso em tela a hipótese de não conversão de pedido de compensação em declaração de compensação; c) a ocorrência da homologação tácita da compensação pleiteada nos presentes autos, tendo em vista que transcorrera in albis o quinquênio legal fixado para a realização da homologação expressa, sem que houvesse manifestação da autoridade fiscal; d) a ocorrência da prescrição do direito de cobrança do débito compensado, nos termos do art. 174 do CTN, pois, entre a data do protocolo do citado pedido de compensação (termo inicial do prazo prescricional) e a ciência do seu indeferimento, passaram se mais de 5 (cinco) anos, sem que ocorressem quaisquer fatos interruptivos do citado prazo prescricional; e e) cumprira todos os requisitos necessários ao aproveitamento do crédito de IPI pleiteado, logo, não poderia ser penalizada pela possível falta de inidoneidade da Entidade beneficiária da contribuição de 5% (cinco por cento) do faturamento, pois agira de boafé. Ademais, eventuais praticas fraudulentas que envolvessem a dita Entidade ainda permaneciam sub judice. No final, requereu o recebimento e total provimento do presente recurso, reformandose a decisão administrativa de primeiro grau, para os fins de: (i) reconhecer a homologação tácita do presente pedido de compensação; (ii) reconhecer a prescrição incidente sobre o crédito tributário compensado; e (iii) deferir o ressarcimento do crédito do IPI pleiteado e, por consequência, homologar a compensação declarada. Em 25/6/2009, os autos foram enviados a este Conselho, porém, em 24/4/2013, retornaram à unidade preparadora, para verificação de pedido de desitência do recurso, conforme explicitado no Despacho de fl. 297. Não confirmada a existência do citado pedido, em 2/5/2013, os autos retornaram a este Conselho, para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 3102002.219 S3C1T2 Fl. 102 5 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Nos Pedidos de Ressarcimento colacionados aos autos (fls. 2/3, 37/38 e 73/74), protocolados em 20/10/1998, foi pleiteado o reconhecimento do direito ao ressarcimento dos créditos do IPI apurados nos 1°, 2° e 3° decêndios do mês de setembro de 1998. A origem do crédito fora a aquisição dos insumos utilizados na fabricação de bens de informática, beneficiado com o incentivo fiscal instituído, originariamente, pelo art. 1º da Lei nº 8.191, de 1991, e, posteriormente, prorrogado até 29/10/1999, nos termos e condições fixados no art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991. Em seguida, por meio do Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros de fl. 172, protocolado em 10/02/2000, a interessada pleiteou a compensação de parte do valor do crédito informado nos referidos Pedidos de Ressarcimento, com débito do IPI da pessoa jurídica AGCO do Brasil Comércio e Indústria Ltda., portadora da inscrição no CNPJ sob nº 59.876.003/000136. É oportuno esclarecer que os pleitos em destaque foram formalizados em conformidade com o disposto nos arts. 8º e 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, que se encontrava vigente na data da apresentação dos referidos pedidos de ressarcimento e compensação. Feito esse breve relato, passase a análise das questões preliminares e de mérito objeto da controvérsia. I – Das Questões Preliminares No recurso, foram apresentadas duas questões preliminares, prejudiciais de mérito, a saber: a) a homologação tácita da compensação pleiteada; e b) a prescrição do direito de cobrança do débito compensado. Da homologação tácita da compensação pleiteada. A recorrente alegou que ocorrera a homologação tácita da compensação pleiteada, porque havia transcorrido o quinquênio legal fixado para a realização da homologação expressa, sem que houvesse a manifestação da autoridade fiscal acerca do pedido. Os argumentos utilizados pela recorrente, foram os seguintes: a) o pedido de compensação fora convertido em declaração de compensação, nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96, uma vez que formalizado antes de 10 de abril de 2.000, quando ainda não era vedada a compensação com créditos de terceiros; b) a impossibilidade de conversão dos pedidos de compensação aplicarseia apenas nos casos em que a compensação era vedada, o que não ocorrera no caso em tela; e c) a aplicação dos ditames da Lei nº 10.637, de 2002, que tratam da vedação da compensação dos créditos terceiros, aos pedidos de compensação apresentados Fl. 336DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 antes de 10 de abril de 2000, implicaria patente violação ao princípio da irretroatividade e, por conseqüência, ao principio da segurança jurídica. Por outro lado, alegaram os integrantes da Turma de Julgamento a quo que somente os pedidos de compensação de créditos com débitos do próprio contribuinte foram convertidos em declaração de compensação, situação em que não enquadrava pedido de compensação com débitos de terceiros, pois a compensação de créditos próprios com débitos de terceiros era expressamente vedada pela nova legislação que instituiu o novo regime de compensação. Comparando os dois posicionamentos, extraise que o cerne da controvérsia consiste em saber se os pedidos de compensação com créditos de terceiro, que se encontravam pendentes de análise em 01/10/2002, quando entrou em vigor a sistemática de compensação por declaração, introduzida pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, converteramse automaticamente ou não em declaração de compensação, submetendose, por conseguinte, ao novo disciplinamento legal, especificamente, em relação ao efeito extintivo do débito compensado e ao prazo de 5 (cinco) anos para a homologação expressa, previstos nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, acrescidos, respectivamente, pelas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. É oportuno enfatizar que, a meu ver, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, a compensação do crédito de terceiro não tinha (e continua não tendo) amparo legal. Nesse sentido, atualmente há determinação legal expressa (art. 74, § 12, II, “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 11.051, de 2004) atribuindo o efeito de compensação não declarada a utilização de crédito de terceiro e tipificando tal conduta como infração sancionada com a multa fixada no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com as alterações posteriores. A despeito da falta de previsão legal, o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, afrontando o princípio da estrita legalidade, da supremacia do interesse público e da hierarquia das normas, autorizou a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, com a seguinte dicção: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (...). (grifos não originais). Analisando o teor do referido comando normativo, verificase que, a despeito de denominar a quitação do débito de outro contribuinte de “compensação”, na verdade, de compensação não se trata, pois, sabidamente, a forma de extinção dos débitos de terceiro, estabelecida no citado comando normativo, caracterizase como uma novação do tipo subjetiva ativa, prevista no inciso III do art. 3601 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), que consiste na substituição do credor originário por um novo credor, libertandose o devedor em face do antigo credor. Essa forma de extinção de obrigação, 1 "Art. 360. Dáse a novação: I quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior; II quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor; III quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este". Fl. 337DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 3102002.219 S3C1T2 Fl. 103 7 embora prevista no direito privado, não tem previsão no âmbito do direito tributário, pois não integra o rol taxativo do art. 156 do CTN. O instituto da compensação tem característica própria que o diferencia da novação. Aquela pressupõe a existência de obrigações recíprocas. Dito de outra forma, a existência de duas pessoas, simultaneamente, credoras e devedoras uma da outra. Neste sentido, dispõe o art. 368 do Código Civil, a seguir transcrito: “Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem”. Ainda que desprovido de suporte legal, o referido art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, vigeu até 10/4/2000, data em que foi expressamente revogado pelo art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 041 de 07 de abril de 2000. Em consonância com as disposições legais vigentes, este ato normativo também proibiu a compensação de débitos de um sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros (art. 1º). Assim, outra impropriedade cometeu o legislador administrativo. Inexiste compensação com créditos de terceiros. É condição necessária para que haja compensação que os créditos e os débitos sejam recíprocos, ou seja, pertencentes aos mesmos credores e devedores, conforme anteriormente exposto. De fato, o que o preceito legal vedou, indiretamente, foi a cessão de créditos tributários perante a Fazenda Nacional. Não se pode olvidar que a acessão de crédito é um negócio jurídico em que o credor transfere a um terceiro seu direito. Nesse negócio jurídico, o crédito é transferido intacto, tal como contraído, havendo apenas a modificação do sujeito ativo. De qualquer modo, não se pode desconhecer que o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 2002, estabeleceu um regramento de transição para os pedidos de compensação pendentes de apreciação até 1/10/2002, nos termos do § 4º acrescido ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: “Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo”. Cabe esclarecer que, além dos pedidos de compensação de crédito com débitos próprios, em 1/10/2002, ainda existiam, em fase de análise, pedidos de compensação de crédito com débitos terceiros formalizados até 9/4/2000, aos quais foram assegurados, pela própria Administração Tributária, o direito de compensação até então vigente, conforme se observa na redação do parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 041 de 20002, a seguir transcrito: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória no 2.0045, de 11 de 2 É oportuno esclarecer que a referida regra de transição encontrase reproduzida nas demais Instruções Normativas que passaram a dispor sobre compensação tributária, referente aos tributos administrados pela RFB. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. (grifos não originais) Diante das duas regras de transição anteriormente apresentadas, a questão que se coloca é a seguinte: os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, pendentes de análise em 9/4/2000, estão sujeitos a qual regramento? Ao que vigeu até 30/9/2002 ou ao vigente a partir de 1/10/2002, que introduziu o novel regime de compensação por declaração? Induvidosamente, tais pedidos ficaram submetidos à disciplina legal sobre compensação vigente em 9/4/2000 e que vigeu até 30/9/2002, pelos seguintes motivos: a) o novo regime de compensação aplicase apenas à “compensação de débitos próprios”, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002; b) a declaração de compensação, prevista na nova sistemática, deve ser entregue pelo próprio sujeito passivo detentor do crédito e do débito a serem compensados, nos termos do § 1º do art. da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 10.637, de 2002; e c) há previsão expressa no § 13 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 11.051, de 2004, no sentido de que a compensação de crédito de terceiros não se submete ao novel regime jurídico de compensação por declaração. Dessa forma, os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, formulados até 9/4/2000, pendentes de apreciação na data de início do regime de compensação declarada, por não atender a tais condições, obviamente, não se converteram em declaração de compensação. Pela mesma razão, os débitos compensados por meio dos citados pedidos não estão sujeitos ao regime de extinção sob condução resolutória da sua ulterior homologação, nem tampouco ao prazo de 5 (cinco) determinado para efetivação da homologação expressa, previstos no art. 74, §§ 2ºe 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, por se trata de um direito subjetivo de natureza material, o regime jurídico da compensação realizada pelo contribuinte é aquele previsto na norma legal vigente na data do exercício desse direito (a data da compensação), logo, havendo mudança de regime jurídico, os novos preceitos legais somente se aplica aos fatos e situações futuras (a partir da vigência). Tratase de aplicação da regra geral de direito intertemporal, prevista no art. 101 do CTN, combinado com o disposto no art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil. Nesse sentido, a doutrina de Hugo de Brito Machado3, conforme excerto a seguir reproduzido: (...). Em princípio, o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Essa é a regra geral do chamado direito intertemporal. A lei incide sobre o fato que, concretizando sua hipótese de incidência, acontece durante o tempo em que é vigente. Surgindo uma lei nova para regular fatos do mesmo tipo, ainda assim, aqueles fatos acontecidos durante a vigência da lei anterior foram por ela qualificados 3 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 28 ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 127. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 3102002.219 S3C1T2 Fl. 104 9 juridicamente e a eles, portanto, aplicase a lei antiga. (grifos do original) Não se pode olvidar que a norma jurídica, apenas em caráter excepcional, retroage para qualificar juridicamente os fatos ocorridos antes do início de sua vigência. No âmbito tributário, as hipóteses de retroatividade da norma são aquelas taxativamente enumeradas no art. 106 do CTN, em que não se incluem as situações ou fatos extintivos do crédito tributário por meio da compensação. Em relação ao procedimento de compensação, evidentemente, não pode ser diferente, uma vez que o regime de compensação a que tem direito sujeito passivo é aquele previsto na lei vigente na data da realização da compensação tributária, o que, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, corresponde a data da entrega do pedido ou da declaração de compensação. A recorrente alegou que a aplicação da vedação da compensação dos créditos terceiros, determinada na Lei nº 10.637, de 2002, aos pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, protocolados antes de 10 de abril de 2000, implicaria patente violação aos princípios da irretroatividade e da segurança jurídica. Essa alegação não procede, pois, na presente preliminar, não se discute a aplicação retroativa da norma que proíbe a compensação de créditos terceiros, até porque o referido diploma legal, não trouxe nenhum preceito legal nesse sentido. Na verdade, o ponto fulcral da presente controvérsia é saber se o novo regramento legal, que instituiu o regime de compensação por declaração, aplicase retroativamente aos pedidos de compensação de credito com débitos de terceiros, pendentes de análise em 1/10/2002. Em outras palavras, se sobre tais pedidos incidem os preceitos legais que tratam do efeito extintivo do débito declarado e da contagem do prazo para efetivação da homologação expressa. Em conformidade com o anteriormente explicitado, a resposta não seria outra: as normas a que estão sujeitos tais pedidos são aquelas vigentes antes do novel regime de compensação, ou seja, aquelas atinentes ao regime de compensação, instituído pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original, complementado pelo disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Em suma, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, por falta de amparo legal, o novo regime de compensação declarada não se aplica aos pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, apresentados na vigência do art. 15 da Instrução Normativa nº 21, de 1997, e pendentes de análise em 1/10/2002, data que entrou em vigor a nova sistemática de compensação. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de homologação tácita alegada pela recorrente. Da prescrição do direito de cobrança do débito compensado. Em preliminar, a recorrente alegou prescrição do direito de cobrança do débito compensado, pois entre a data do protocolo do citado pedido de compensação (termo Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 inicial do prazo prescricional) e a ciência do seu indeferimento, passaramse mais de 5 (cinco) anos, sem que ocorressem quaisquer fatos interruptivos do citado prazo prescricional. Não assiste razão à recorrente. O débito do IPI objeto do pedido de compensação em apreço não pertence a recorrente, mas a pessoa jurídica AGCO do Brasil Comércio e Indústria Ltda. Ademais, não há notícia de que tenha havido cobrança do referido débito no âmbito deste processo. Em decorrência, não se toma conhecimento da preliminar em comento, por se tratar de matéria estranha aos autos. II – Das Questões de Mérito No mérito, asseverou o i. relator do voto condutor do acórdão recorrido que o motivo da manutenção do indeferimento dos presentes pedidos de ressarcimento fora descumprimento, por parte da recorrente, dos requisitos e condições para utilização do benefício fiscal instituído pelo art. 1º da Lei nº 8.191, de 1991, combinado com o art. 4º da Lei nº 8.248, de 199, conforme atestado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, resultando na perda do direito ao crédito do IPI pago na aquisição dos insumos utilizados na fabricação dos bens de informática produzidos pela recorrente. Por outro lado, a recorrente alegou que cumprira todos os requisitos necessários ao aproveitamento do valor do crédito do IPI pleiteado, com o argumento de que não estava obrigada a verificar o destino dos recursos investidos na Fundação Polovale (entidade conveniada), nem tampouco a comprovar a idoneidade dessa Entidade. Ademais, agira como terceiro de boafé, não podendo ser penalizada pela possível falta de inidoneidade da Entidade favorecida com os recursos financeiros repassados. Comparando os argumentos apresentados, inferese que, nesta questão, o cerne da controvérsia circunscrevese a questão atinente à comprovação dos requisitos e condições fixados no art. 11 da Lei n° 8.248, de 1991, e nos arts. 4º, 7º e 8º do Decreto n° 792, de 1993, para fins de gozo do referenciado benefício fiscal. É oportuno esclarecer, inicialmente, que os valores dos créditos do IPI pleiteado nos citados Pedidos de Ressarcimento, referese a manutenção e utilização de crédito do IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na fabricação dos bens de informática e automação fabricados no País, com o benefício fiscal, instituído no art. 1º da Lei nº 8.191, de 1991, combinado com disposto no art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991, vigentes na data dos fatos, a seguir transcritos: Lei nº 8.248, de 1991: Art. 1° Fica instituída isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aos equipamentos , máquinas, aparelhos e instrumentos novos, inclusive aos de automação industrial e de processamento de dados, importados ou de fabricação nacional, bem como respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas, até 31 de março de 1993. [...] § 2° São asseguradas a manutenção e a utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 3102002.219 S3C1T2 Fl. 105 11 embalagem, empregados na industrialização dos bens de que trata este artigo. [...] Art. 4º Para as empresas que cumprirem as exigências para o gozo de benefícios, definidos nesta lei, e, somente para os bens de informática e automação fabricados no País, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto, serão estendidos pelo prazo de sete anos, a partir de 29 de outubro de 1992, os benefícios de que trata a Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991. Parágrafo único. A relação dos bens de que trata este artigo será definida pelo Poder Executivo, por proposta do Conin, tendo como critério, além do valor agregado local, indicadores de capacitação tecnológica, preço, qualidade e competitividade internacional. [...] (grifos não originais). Para gozo do mencionado benefício fiscal, o art. 11 da Lei nº 8.248, de 1991, vigente na data dos fatos, estabeleceu as seguintes condições, in verbis: Art. 11. Para fazer jus aos benefícios previstos nesta lei, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática deverão aplicar, anualmente, no mínimo 5% (cinco por cento) do seu faturamento bruto no mercado interno decorrente da comercialização de bens e serviços de informática (deduzidos os tributos correspondentes a tais comercializações), em atividades de pesquisas e desenvolvimento a serem realizadas no País, conforme projeto elaborado pelas próprias empresas. Parágrafo único. No mínimo 2% (dois por cento) do faturamento bruto mencionado no caput deste artigo deverão ser aplicados em convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas. O disposto no referido art. 11 foi regulamentado pelo o art. 9º do Decreto nº 792, 1993, que fixou os documentos, os prazos e as condições, para fins de comprovação das obrigações perante o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), nos termos a seguir a expostos, ipsis litteris: Art. 9° A empresa beneficiária deverá, até a data fixada para a entrega da declaração anual, encaminhar ao MCT os relatórios demonstrativos do cumprimento, no ano anterior, das obrigações estabelecidas nos arts. 7° e 8°4. 4 Os referidos artigos complementam as condições, para fins de gozo do benefício fiscal em apreço, estabelecidas no art. 11 da Lei nº 8.248, de 1991, nos termos a seguir transcritos: "Art. 7° Para fazer jus aos benefícios previstos nos arts. 1° a 3°, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática e automação deverão aplicar, em cada anocalendário, cinco por cento, no mínimo, do seu faturamento bruto decorrente da comercialização, no mercado interno, de bens e serviços de informática e automação, deduzidos os tributos incidentes, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em informática e automação a serem realizadas no País, conforme elaborado pelas próprias empresas. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 § 1° As aplicações de que tratam o caput do art. 7° e seu § 1° deverão corresponder ao faturamento ocorrido a partir do início do mês da primeira fruição do benefício até o encerramento do correspondente anocalendário, adotandose esse mesmo período para o balanço comercial de que trata o art. 8°, § 1°. § 2° Os relatórios demonstrativos serão apreciados pelo MCT e Minifaz que publicarão o resultado da sua análise no Diário Oficial da União. § 3° Além dos relatórios especificados no caput deste artigo a empresa beneficiária deverá enviar ao MCT, no mesmo prazo: a) relatórios demonstrativos do faturamento decorrente da comercialização, no ano anterior, de bens contemplados com o incentivo do art. 1° e do atendimento às condições estabelecidas no art. 6°, § 1°; b) relatórios de execução físicofinanceira das atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas no ano anterior e demonstrativo do atendimento às condições estabelecidas no art. 12, se beneficiária do incentivo referido no art. 2°; c) relatórios demonstrativos dos recursos captados no ano anterior e do atendimento às condições a que se refere o art. 4°, III, se habilitada à captação dos recursos de que trata o art. 3°. § 4° Os relatórios referidos neste artigo deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT, de acordo com a orientação do Conin. (grifos não originais) No art. 10 do referido Decreto, foram fixadas as sanções decorrentes do descumprimento das exigências estabelecidas no retrotranscrito art. 9º, com os seguintes dizeres: Art. 10. A empresa que deixar de atender aos requisitos referidos no art. 4° ou descumprir as exigências estabelecidas nos arts. 7° 1° No mínimo dois por cento do faturamento bruto mencionado no caput deste artigo deverão ser aplicados, em cada anocalendário, em convênios, com centros ou institutos de pesquisa ou entidades brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas, definidos no art. 13. 2° Na eventualidade de a aplicação prevista no caput deste artigo não atingir o mínimo nele fixado e sem prejuízo do disposto no § 1°, o valor residual, corrigido monetariamente e acrescido de doze por cento, deverá ser obrigatoriamente aplicado no anocalendário seguinte, respeitada a aplicação normal correspondente a esse mesmo período. Art. 8° Para fazer jus aos benefícios previstos nos arts. 1° e 2°, as empresas que não preencham os requisitos do art. 1° da Lei n° 8.248/91 deverão realizar programas de efetiva capacitação do seu corpo técnico nas tecnologias de produto e de processo de produção, bem como programas progressivos de exportação de bens e serviços de informática e automação, sem prejuízo do disposto no art. 7°. 1° Para cumprimento do programa de exportação referido no caput deste artigo, a empresa deverá, em cada ano calendário, apresentar balanço comercial positivo, assim entendido como a diferença entre o valor da exportação e da importação de bens e serviços de informática e automação, incluindo suas partes e peças, ou auferir receita de exportação igual, no mínimo, ao valor do incentivo de que trata o art. 1°. 2° Caso a empresa não cumpra o programa de exportação, na forma prevista no parágrafo anterior, o valor residual, corrigido monetariamente e acrescido de doze por cento, será deduzido do resultado do balanço comercial ou da receita de exportação correspondente ao anocalendário subseqüente, sem prejuízo do que dispõe o § 1° deste artigo". Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13811.001881/9870 Acórdão n.º 3102002.219 S3C1T2 Fl. 106 13 a 9° perderá o direito à fruição dos benefícios, sem prejuízo do ressarcimento previsto no art. 9° da Lei n° 8.248/91. Há nos autos o OFICIO/DERAT/DIORT/SPO/N° 1580/2003 (fl. 191), em que a unidade da RFB de origem requereu ao CoordenadorGeral de Política de Informática da Secretaria de Política de Informática (Sepin) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) informações acerca do cumprimento do referido benefício fiscal. Em resposta, por meio do Ofício de fl. 192, o Coordenador da Sepin/MCT encaminhou os documentos de fls. 193/210, dentre os quais merece atenção o PARECER TÉCNICO MCT/SEPIN/CGSA/196/2002, de 25 de outubro de 2002 (fls. 194/199), em que consignado o resultado da análise do Relatório demonstrativo do cumprimento das obrigações decorrentes da fruição dos benefícios previstos na Lei nº 8 248/91, relativo ano de 1998. No subitem 4.2.1 (fl. 195), foi informada a glosa integral das aplicações em convênio, inclusive programas prioritários e transferência de tecnologia, realizados no ano de 1998, em decorrência da apuração de várias irregularidades na Fundação Polovale, entidade conveniada, supostamente beneficiária com os repasses dos recursos financeiros aportados pela interessada, no âmbito do mencionado benefício fiscal. Consta ainda do subitem 4.3.1 do citado Parecer (fl. 197), uma extensa relação de irregularidades apuradas na referida Fundação, com base nas quais afirmaram os pareceristas que a dita Fundação não se enquadrava como entidade de pesquisa, conforme definida no art. 14 do citado Decreto. No final, apresentaram a seguinte conclusão, in verbis: 7. CONCLUSÃO Face ao exposto anteriormente, concluise que: a) Em razão da glosa das aplicações em P&D, a empresa deixou de cumprir o disposto no art. 7º, § 2º, do Decreto 792/93, portanto fica sujeita às sanções previstas no art. 10 do mesmo decreto; b) o saldo residual devedor da aplicação em P&D, correspondente ao anobase de 1998, totalizou 3.118.036,30 UFIR; desse montante, o valor de 2.374.790,60 UFIR referese ao mínimo de aplicações em convênios com instituições de ensino e pesquisa que atendem ao art. 13 do Decreto 792/93. Em relação às irregularidades apontadas no citado Parecer, limitouse a recorrente, conforme anteriormente exposto, a alegar que não estava obrigada a verificar o destino dos recursos investidos na Fundação Polovale e tampouco a comprovar a idoneidade dessa Entidade. Além disso, agira como terceiro de boafé, não podendo ser penalizada pela possível falta de inidoneidade da Entidade favorecida com a contribuição de 5% (cinco por cento) do seu faturamento. Não assiste razão a recorrente. De acordo com o disposto no caput do art. 179 do CTN, a efetivação da isenção de caráter pessoal, sujeita a condição (caso em tela), depende do beneficiário cumprir os requisitos previstos em lei. No caso, a recorrente não cumpriu as condições exigidas para gozo do benefício fiscal em tela. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 Embora não estivesse obrigada a comprovar a idoneidade da Entidade supostamente beneficiária dos recursos financeiros, não se pode olvidar que a interessada tinha o dever de celebrar convênio e repassar os recursos apenas para as entidades de pesquisa que preenchessem os requisitos do art. 14 do Decreto nº 792, de 1993. Em decorrência, ao não ter agido com devida diligência na escolha da entidade conveniada, deve responder por sua negligência. Também o fato de ter agido como terceiro de boafé, não a exime do dever de responder pela infração tributária atinente ao descumprimento do benefício fiscal em tela. É cediço que a responsabilidade por infrações da legislação tributária tem natureza objetiva, respondendo por ela o infrator, independentemente da intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do CTN. O princípio da boafé tem aplicação restrita aos negócios jurídicos privados, especialmente, aos contratos regidos pelo direito privado, conforme estabelece o art. 422 do Código Civil. Por essas razões, fica demonstrado que a recorrente descumpriu os requisitos e condições estabelecidos para o gozo do referido benefício fiscal, portanto, acertada a decisão que manteve o indeferimento do direito ao ressarcimento do crédito pleiteado. III – Da Conclusão Por todo o exposto, votase por não conhecer da preliminar de prescrição do direito de cobrança do débito compensado e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação pleiteado e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 15504.726595/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/06/2008
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
DIÁRIAS. PAGAMENTOS SUPERIORES AO LIMITE LEGAL DE 50% DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA. Os pagamentos de diárias sofrem a incidência de contribuições quando o seu valor é superior a 50% da remuneração do segurado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 01/06/2008 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. DIÁRIAS. PAGAMENTOS SUPERIORES AO LIMITE LEGAL DE 50% DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA. Os pagamentos de diárias sofrem a incidência de contribuições quando o seu valor é superior a 50% da remuneração do segurado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. DIÁRIAS. PAGAMENTOS SUPERIORES AO LIMITE LEGAL DE 50% DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA. Os pagamentos de diárias sofrem a incidência de contribuições quando o seu valor é superior a 50% da remuneração do segurado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 65 95 /2 01 1- 94 Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.726595/201194 Acórdão n.º 2401003.579 S2C4T1 Fl. 2.483 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por FERROVIA CENTRO ATLÂNTICA LTDA., irresignada com o acórdão de fls. 2440/2448, por meio do qual fora mantido em parte o crédito tributário do Auto de Infração n. 37.340.1280, lavrado para a cobrança de contribuições destinadas à Seguridade Social a cargo da empresa, incidentes sobre o valor pago a segurados empregados e a seu serviço. Consta do relatório que serviram de base para o lançamento tanto as GFIPS quanto os arquivos digitais correspondentes às folhas de pagamentos apresentadas pela recorrente para autuála sob as seguintes rubricas: (i) Diferença do mês anterior – Diárias operacionais; (ii) Diferença do mês anterior – Diárias operacionais 40%; (iii) Proventos do mês – Diárias operacionais 60%; e (iv) Proventos do mês – Diárias operacionais 80%, pagas em valores superiores a 50% do salário. A aplicação da multa esta se deu nos termos do art 106,II, c do CTN, tendo sido aplicado ao caso o art. 35A em todas as competências. O período apurado compreende a competência 01/2007 a 06/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 23/12/2011 (fls.3). Às fls. 2402 fora determinada a realização de diligência fiscal para manifestação acerca dos argumentos constantes na impugnação apresentada. Sobreveio resposta às fls. 2405/2428 sugerindo a retificação do débito quanto à forma de cálculo dos valores lançados e trazendo a justificativa fática necessária ao lançamento, a qual fora devidamente cientificada à ora recorrente, tendo sido os autos enviados, em consequência, para julgamento em primeira instância, oportunidade na qual a DRJ acatou as retificações propostas. Em seu Recurso Voluntário, sustenta preliminarmente que a nulidade do lançamento, sob o argumento de que não fora observado o disposto no art. 142 do CTN, já que não houve a devida adequação do fato à norma e por ter a autoridade administrativa deixado de considerar que os pagamentos efetuados deveriam ser considerados como verbas não remuneratórias. No mérito defende que não ocorreu o fato gerador da obrigação exigida, pois segundo o art 195, I da CF somente se constitui base de cálculo para o saláriodecontribuição o valor recebido pelo empregado a titulo de retribuição pelo trabalho, o que não pode ocorrer com as verbas pagas a titulo de diárias, que são meros ressarcimentos por dispêndios de seus funcionários na execução de suas funções na empresa. Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Alega que o fiscal autuante e o próprio acórdão de primeira instância deixaram de considerar que pela existência de recibos dos pagamentos efetuados as verbas não podem ser objeto de tributação. Arguí, conforme jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, que o pagamento de diárias, mesmo que em patamar superior a 50% do salário do obreiro não podem ser consideradas como salário, uma vez comprovada a prestação de contas e sua correlação com os gastos incorridos. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, novamente vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.726595/201194 Acórdão n.º 2401003.579 S2C4T1 Fl. 2.484 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Inicialmente sustenta a nulidade do lançamento por ofensa ao disposto no art. 142. Sobre o assunto, ao analisar detidamente os autos, entendo que nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de contribuições previdenciárias não adimplidas, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal e relatório fiscal complementar, ao revés do que sustenta a recorrente, verificase que estes, sobretudo o último, veio devidamente acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores tidos por não recolhidos das contribuições sociais devidas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento. Rejeito a preliminar. Passo ao mérito. Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 MÉRITO Neste ínterim, a alegação de fundo da recorrente é de que os valores de diária pagas, mesmo que ultrapassado o limite de 50% do valor da remuneração dos empregados, não pode ser considerado como parcela destinada a retribuir o trabalho, sendo totalmente alheia ao conceito de remuneração. Com relação ao presente caso há de se considerar que a motivação única adotada para o lançamento não foi a falta de comprovação de que os valores pagos de fato se tratavam ou não de pagamento de diárias, mas simplesmente a de que em face de uma comparação entre os valores de salário e os valores de diárias creditadas a cada um dos empregados da recorrente, verificouse que em alguns casos, fora desrespeitado o limite de 50%, previsto no art. 28, §8o, da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim, em momento algum o fiscal justificou ter efetuado o lançamento entendendo por desnaturar o título sob o qual os pagamentos foram realizados pela ausência de comprovação de reembolso, sempre os considerando, efetivamente como diárias, conforme se verifica, sobretudo, do relatório fiscal complementar. Logo, tenho que as alegações do contribuinte sobre a existência de recibos comprovando que os valores são todos relativos ao pagamento de diárias resta prejudicada, a uma por não constar dos autos qualquer recibo de reembolso das diárias pagas, a duas, apenas porque foi a simples questão de ter pago os valores em desconformidade com o que prevê a alínea “a”do parágrafo 8o da Lei 8.212/91 o motivo ensejador da lavratura. Assim, mesmo diante dos precedentes judiciais trazidos aos autos e que foram proferidos pelo Eg. TST, não vejo como acatálos neste momento, tendo em vista que a sua aplicação vai de encontro a dispositivo legal válido e aplicável ao caso das contribuições previdenciárias, o qual deve ser interpretado, nesta oportunidade, na forma preconizada pelo art. 111 do CTN, a seguir: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Logo, entendo que a melhor conclusão no presente momento, ainda é a de privilegiar os julgados sobre o assunto emanados por este Eg. Conselho, à exemplo do acórdão n. 2401003.067, de relatoria do Em. Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, cujo entendimento acolhido por unanimidade, está a seguir transcrito: Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.726595/201194 Acórdão n.º 2401003.579 S2C4T1 Fl. 2.485 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 28/02/2004 [...] DIÁRIAS. APURAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. PAGAMENTOSSUPERIORES A 50% DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA. Os pagamentos de diárias sofrem a incidência de contribuições quando o seu valor é superior a 50% da remuneração do segurado, devendo, para apuração deste limite, adotarse o regime de competência. [...] Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito em NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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