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Numero do processo: 13116.901575/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.924
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 75 /2 01 2- 38 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.556, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901575/201238 Acórdão n.º 3201002.924 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720456/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 45 6/ 20 10 -2 7 Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 16327.720456/201027 Resolução nº 1402000.439 S1C4T2 Fl. 1.713 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o presente processo das declarações de compensação abaixo relacionadas, por intermédio das quais a contribuinte pretende compensar débitos com a utilização de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica, do anocalendário de 2005, no montante de R$61.302.618,37, conforme apurado pela empresa na linha 14, da ficha 12B, da DIPJ/2006, às fls.55. [..]Apreciando os pleitos formulados, a DEINF/SP, por sua Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT, proferiu em 15/10/2010 o despacho decisório de fls.391/398, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado no valor de R$37.756.569,95 e homologando parcialmente as compensações, uma vez que foi constatado não existir direito creditório suficiente para compensar os débitos, nos termos informados pela contribuinte. A DIORT/DEINF/SP consolidou as informações da DIPJ/2006 prestadas pela contribuinte, no que concerne à apuração das estimativas mensais do IRPJ, bem como do ajuste anual, e produziu a tabela de fls.125, “DIPJ AC 2005 ORIGINAL – RESUMO IRPJ”, além do que sintetizou os resultados da análise do saldo negativo de IRPJ, passível de compensação, consoante a tabela de fls.387, “DIPJ AC 2005 RETIFICADA – RESUMO IRPJ”, tendo verificado que: [...] para a devida análise e manifestação acerca do procedimento compensatório em comento, foi lavrado por esta DIORT/DEINF/SPO o necessário "Termo de Intimação " (folhas 226/227). [...] das informações prestadas pelo interessado na DIPJ/2006 original, bem como das DCTF por ele entregues, sobressai, como indicado no já mencionado demonstrativo "DIPJ AC 2005 ORIGINAL RESUMO IRPJ", que o Saldo Negativo, repitase, no montante nela apurado de R$61.302.618,37, teria decorrido dos valores apurados a título de estimativas mensais, parte dos quais liquidados por meio de DARF e/ou compensação com créditos de períodos anteriores, e de IRRF (folha 116 e 117 a 126); 4. Ainda das respectivas DCTF's, verificase que parte dos débitos estimados do IRPJ dos períodos Jan/05 (R$1.001.552,21) e Out/05 (R$1.028.863,42) teriam sido liquidados por meio de "DCOMP" com alegados créditos decorrentes de pagamento indevido de períodos anteriores, os quais estão sendo tratados nos PAF n° 16327.918377/200911 e n° 16327.902653/201062, ora aguardando julgamento de "Manifestação de Inconformidade" (folhas 127 a 129); 5. No mesmo sentido, quanto às parcelas dos débitos estimados dos períodos Jan/05 (R$21.317.486,53), Fev/05 (R$4.049.698,31), Mar/05 (R$5.022.620,59), Abr/05 (R$25.752.226,27), Mai/05 (R$816.721,92) e Out/05 (R$9.304.281,19), compulsando os sistemas da RFB, constatase a sua extinção por meio de DARF (folhas 59 a 61); 6. De outra sorte, com relação aos valores de IRF informados pelo interessado nas Fichas 11 e 12B da DIPJ, no montante de R$43.966.912,49, e computados na formação do Saldo Negativo em apreço, a parcela de R$24.015.255,92 corresponderia a retenções decorrentes de receitas de serviços e de rendimentos de Juros do Capital Próprio e R$19.951.656,57, a lucros disponibilizados no exterior por controlada ou coligada; 7. Da parcela de R$24.015.255,92, R$1.735.602,27 corresponderia, como informado pelo interessado na DIPJ/2006, a IRF (cód 6188) decorrente de receitas de serviços prestados a órgãos públicos, e aproveitado na compensação do IRPJ estimado apurado no mês de Out/05 (R$1.604.628,24) e no ajuste (R$ 130.974,03); 8. Porém, compulsando as DIRF entregues pelas fontes pagadoras, assim como os Informes de Rendimentos apresentados pelo interessado por força de "Termo de Intimação", verificase que o montante Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 16327.720456/201027 Resolução nº 1402000.439 S1C4T2 Fl. 1.714 3 do mencionado IRF passível de aproveitamento na declaração seria, como indicado no demonstrativo em anexo e resumido no quadro abaixo, de R$ 503.878,23 (folhas 195 a 225, 232 a 255 e 376): [.....]9. Ademais, ainda do demonstrativo a que alude o item precedente e dos elementos trazidos aos autos, extraíse que o alegado IRF de R$707.558,95, informado na DIPJ como referente à fonte CNPJ n° 99.999.999/000191, teria decorrido de dividendos pagos ao interessado pelo INTERBANCO S/A, sua controlada no exterior, com sede no Paraguai (folhas 230 e 307); 10. Contudo, como se observa do demonstrativo apresentado pelo interessado, não logrou ele demonstrar o oferecimento de tais rendimentos, ou da parcela dos lucros auferidos no exterior e a ele correspondente, à tributação no Brasil, nem, tampouco, o efetivo recolhimento, por parte da fonte pagadora, no exterior, do pretendido imposto; 11. Portanto, efetuadas as retificações a que aludem os itens 8 a 10, concluíse que, do montante do IRF de R$24.015.255,92 originalmente aproveitado na DIPJ/2006, somente a parcela de R$20.420.870,08 seria dotada de certeza e liquidez, e, conseqüentemente, passível de ser computada na apuração do Saldo Negativo do IRPJ em questão; 13. Em relação ao IRF de R$1.267.810,04, e decorrente de Juros do Capital Próprio pago a acionistas isentos, como alegado pelo interessado em resposta ao "Termo de Intimação", caberia à autoridade administrativa levar em conta o fato de o mesmo ter sido utilizado, como pagamento indevido ou a maior, para compensar, por meio da "DCOMP " n° 0415986342.310707.1.3.042227, débito da CSLL do período de apuração Jun/07, razão pela qual não poderia ser considerado no cômputo do Saldo Negativo do IRPJ em comento (folhas 278 a 292 e 371 a 375); 14. No que diz respeito ao IRF de R$19.951.656,57, e concernente a lucros disponibilizados no exterior por controlada/coligada, as informações prestadas pelo interessado em resposta ao "Termo de Intimação" não permitem assegurar a certeza do pretendido crédito, bem como, à luz do que estabelece a legislação aplicável, o direito ao seu aproveitamento na DIPJ; 15. Embora o montante dos lucros disponibilizados no exterior, de R$352.269.068,87, como discriminado nas Fichas 34 e 35 da DIPJ/2006, tenha sido efetivamente oferecido à tributação no Brasil, como indicado na Linha 04 da Ficha 09B da declaração, nada se pode concluir acerca da origem e do efetivo recolhimento do suposto IRF de R$19.951.656,57, assim como da sua correspondência a tais lucros (folhas 100 a 115); 16. Nesse aspecto, da Ficha 34 da DIPJ/2006, observase ter o interessado informado a existência, em nome das controladas INTERBANCO S/A, sediada no Paraguai, e UNIPART PARTICIPAÇÕES INTERNACIONAIS LTD, esta com sede nas Ilhas Cayman, de IRF nos montantes de R$5.892.715,69 e R$7.387.640,37, respectivamente, valores esses, podese inferir, computados por ele no montante de R$19.951.656,57; 17. No mesmo sentido, da Ficha 35 da DIPJ/2006, evidenciase ter o interessado apontado, relativamente aos lucros auferidos pelas controladas INTERBANCO e UNIPART, ter incidido, nos termos da legislação dos respectivos países sede, Imposto de Renda nos montantes de R$7.427.055,91 e R$4.604.156,90; 18. Antes de prosseguir, porém, para melhor compreender o que prescreve a legislação tributária acerca do aproveitamento, por parte da controladora no Brasil, do Imposto de Renda decorrentes de lucros, rendimentos ou ganhos de Processo 16327.720456/201027 Acórdão n.º 1638.091 DRJ/SP1 Fls. 5 5 capital auferidos no exterior, vale transcrever o que disciplina o art. 26 da Lei nº 9.249/95 e o art. 9º da Medida Provisória nº 2.15835/01, verbis: "Art. 26 A pessoa jurídica poderá compensar o Imposto Renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do Imposto sobre a Renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. (Lei n° 9.249/95) Art. 9º O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei n° 9.430, de 1996, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Parágrafo único. Aplicase à compensação do imposto a que se refere este artigo o disposto no art. 26 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995." (MP n° 2.158 35/01); Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 16327.720456/201027 Resolução nº 1402000.439 S1C4T2 Fl. 1.715 4 19. Da simples leitura dos dispositivos acima, é fácil concluir, ao menos em relação às controladas/coligadas com sede em países com tributação favorecida, como no caso da UNIPART, nas Ilhas Cayman, que o interessado poderia aproveitar, dentro dos limites estabelecidos na mencionada legislação, o IRF sobre os rendimentos por ele pagos a tal beneficiária, desde que ditos rendimentos tivessem integrado o lucro real da controladora/coligada no Brasil; 20. Quanto aos rendimentos pagos à controlada INTERBANCO, repitase, com sede no Paraguai, país esse não incluído entre aqueles de tributação favorecida e com o qual não foi firmado acordo internacional para evitar dupla tributação, é possível deduzir, à luz do que dispõe o art. 9º da MP nº 2.158 35/01, não haver previsão legal para o aproveitamento, por parte da controladora no Brasil, do correspondente IRF; 21. Todavia, ainda que se quisesse aqui, com base no que dispõe o art. 108 do CTN, por analogia, aplicar ao imposto retido na fonte em nome do INTERBANCO o mesmo tratamento disciplinado pelo art. 9º da MP nº 2.158 35/01, caberia ao interessado, ao menos, demonstrar a origem do apontado IRF, bem como o seu não aproveitamento na compensação de eventual imposto de renda devido, nos termos da legislação do Paraguai, pela referida controlada no anocalendário 2005; 22. No entanto, a partir dos documentos acostados aos autos pelo interessado, particularmente dos DARF (cód 0481) apresentados, não restou comprovada nem a origem nem o montante do IRF sobre os rendimentos pagos ao INTERBANCO e/ou à UNIPART, não restando à autoridade administrativa outra medida que não a da total desconsideração da suposta prova documental e a glosa de tal crédito no cômputo do IRPJ do anocalendário 2005 (folhas 350 a 370); 23. Ainda dos DARF (cód 0481) trazidos aos autos pelo interessado, pode se supor que parte dos valores recolhidos corresponde a imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos à Banca Nazionale Del Lavoro SPA, e decorrente de empréstimo provavelmente tomado por meio da colocação de títulos no exterior, operação essa enquadrada no que dispõe o art. 691 do RIR/99, razão pela qual, por não se tratar de empresa controlada/coligada, não haveria como se falar, para efeito de aproveitamento do correspondente IRF, na aplicação do que dispõe o art . 26 da Lei n° 9.249/95; 24. No tocante aos valores do Imposto de Renda a que alude o item 15, salta evidente, dentro do que prescreve o art. 26 da Lei nº 9.249/95, o direito do interessado ao seu aproveitamento no Brasil, visto que, como já apontado no item 13 desta fundamentação, os lucros auferidos pelas controladas INTERBANCO e UNIPART foram oferecidos à tributação na DIPJ/2006; 25. Porém, não tendo o interessado apresentado os necessários documentos que pudessem comprovar o efetivo recolhimento dos indigitados valores nos países onde se encontram sediadas as respectivas controladas, não haveria como a autoridade administrativa considerálos como certos e líquidos, e computálos na apuração do IRPJ devido no ajuste do anocalendário 2005 (folhas 308 a 349); 26 . Por conseguinte, em face do quanto alinhado nessa fundamentação, deveria a autoridade administrativa, à luz do que disciplina o art. 147, §2º, do CTN, retificar de ofício a DIPJ/2006 reconhecendo, ao final, conforme apontado no demonstrativo "DIPJ AC 2005 RETIFICADA RESUMO IRPJ", como Saldo Negativo do IRPJ, este dotado de certeza e liquidez, o montante de R$37.756.569,95 (folha 377); 27 . Por fim, em conseqüência da insuficiência do crédito ora reconhecido, restaria à autoridade administrativa homologar integralmente a compensação informada na “DCOMP” nº 27200.49898.220307.1.7.022350 e, parcialmente, a informada na “DCOMP” nº 28129.24393.140706.1.3.028689, não homologando as compensações tratadas nas “DCOMP's” nº 07650.90627.310706.1.3.020020, nº 33375.73376.150806.1.3.024049, nº 31120.38848.150906.1.3.02 8011 e nº 03901.27743.131006.1.3.028033, prosseguindo, conseqüentemente, na cobrança dos débitos remanescentes (folhas 373 a 375) . Cientificada em 01/11/2010 da solução dada às declarações de compensação apresentadas, conforme AR de fls.438, a contribuinte, por seu representante legal, interpôs, em 02/12/2010, a manifestação de inconformidade de fls.527/533, alegando em síntese que: 1. Não comprovação de retenção sofrida referente à prestação de serviços prestados para órgãos públicos (conforme decisão, do valor de R$1.735.602,27, teria sido comprovado o valor de R$503.878,38): Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 16327.720456/201027 Resolução nº 1402000.439 S1C4T2 Fl. 1.716 5 A justificativa dada pela Receita Federal para não confirmar a parcela de crédito referente ao IRRF retido por órgãos públicos foi a suposta diferença existente entre a DIRF das fontes pagadoras (Secretaria da Receita Federal e Previdência Social) e os valores informados na ficha 50 da DIPJ. 1.2. No entanto, a manifestante já havia apresentado os informes de rendimentos das respectivas fontes, demonstrando os valores recolhidos, no momento da intimação. 1.3. É de se observar que, conforme legislação vigente, o documento hábil para a comprovação das retenções sofridas na fonte de Imposto de Renda é o respectivo informe de rendimento. Por essa razão, não há como a Receita Federal deixar de reconhecer Processo 16327.720456/201027 Acórdão n.º 1638.091 DRJ/SP1 Fls. 7 7 esses valores como antecipação passível de inclusão no saldo devedor. A manifestante anexa os informes de rendimentos mencionados (doc. 3 – fls.550/553). 2. Inclusão no cômputo da estimativa de valores pagos indevidamente que teriam sido aproveitados como crédito na compensação de CSLL: 2.1. Entendeu a autoridade julgadora que teria havido a inclusão no cômputo da estimativa de valores pagos indevidamente aproveitados como crédito na compensação de CSLL. Tais valores decorreram de retenção indevida de IRRF sobre JCP (isento, conforme Lei nº 9.532/1997, arts. 28, §10, "b", 33 e 81). 2.2. Ocorre que, ao contrário do que entendeu o julgador, o referido pagamento indevido de IR não foi informado na DIPJ para composição do saldo negativo. 2.3. Assim, equivocouse a autoridade ao considerar que esse valor teria sido utilizado na composição do montante de IRRF (R$24.015.255,92). Ademais, todas as retenções foram comprovadas, não havendo que se glosar essa parcela. 2.4. A manifestante anexa o demonstrativo dos valores referentes ao Imposto de Renda sobre JCP, para comprovar que a parcela glosada pela autoridade fiscal não compôs o saldo negativo (doc. 04 – fls.555). 3. Não comprovação do oferecimento de rendimentos recebidos de controlada no exterior (Interbanco S.A.) a título de dividendos à tributação no Brasil, bem como do efetivo recolhimento da fonte retentora: 3.1. Como reconhecido, a manifestante recebeu dividendos de sua controlada no Paraguai, a empresa INTERBANCO. O imposto pago no Paraguai foi utilizado para compor o saldo negativo de IRPJ da manifestante, com base no artigo 26 da Lei nº 9.249/95 que expressamente prevê a possibilidade de “a pessoa jurídica compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganho de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital”. 3.2. O fisco glosou essa parcela pois entendeu que não houve comprovação do oferecimento de rendimentos recebidos de controlada no exterior (Interbanco S.A.) a título de dividendos à tributação no Brasil, bem como do efetivo recolhimento da fonte retentora. 3.3. No entanto, da análise das fichas da DIPJ 2006, é possível verificar que todo o lucro auferido no exterior foi oferecido à tributação do IRPJ (doc. 5 – fls.556/562). 3.4. Para comprovar o efetivo recolhimento no exterior, além das guias de recolhimento, a manifestante junta a Lei vigente no Paraguai que considera tributável o referido rendimento (docs. 06 – fls.563/568 e 07 – fls.569/574). Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 16327.720456/201027 Resolução nº 1402000.439 S1C4T2 Fl. 1.717 6 4. Ausência de correspondência da parcela de R$19.951.656,57 com os lucros oferecidos à tributação no Brasil (discriminados na DIPJ R$352.269.068,87): 4.1. A manifestante informou na ficha 12 da DIPJ o valor de R$19.951.656,57 a título de “Imposto pago no Ext. s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Capital”, o qual contempla os seguintes valores: [....]4.2. Os impostos incidentes sobre rendimentos no exterior foram recolhidos no Brasil com o código 481 (doc . 08 – fls.575/595). No que tange ao valor retido (indicado como Luxemburgo) tratase de remessa para empresa com sede em Luxemburgo diretamente ligada à empresa controlada da manifestante nas Ilhas Cayman. 4.3. Por se tratar de países com tributação favorecida, o imposto recolhido no Brasil não foi compensado no exterior, dessa forma, não há como proceder a alegação fiscal de que não teria havido comprovação dessa ausência de compensação, já que em países onde não se tributa o lucro, não há possibilidade de compensação. 4.4. Por sua vez, os impostos pagos sobre as participações no exterior referemse ao imposto pago pelas empresas INTERBANCO e UNIPART localizadas no Paraguai e Ilhas Cayman respectivamente. 4.5. Sobre o IR pago pela empresa INTERBANCO, verificase que parte deste imposto referese à distribuição de dividendos (conforme explicitado acima) e parte ao lucro auferido em 2005 (doc. 09 – fls.596/597), conforme demonstra o quadro abaixo: [...]4.6. Em relação ao imposto no exterior da empresa UNIPART, ligada direta, verificase que este se refere ao IR incidente sobre o lucro da empresa UBB Securities, localizada nos EUA, controlada por aquela. Por essa razão, por se tratar de imposto pago no exterior (EUA) e tributado no lucro real no Brasil, este também pode ser aproveitado na composição do saldo negativo. 5. Pelo exposto, demonstrada a existência do crédito tributário pleiteado, a manifestante requer sejam homologadas as compensações. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP prolatou o Acórdão 1638.091 por meio do qual considerou a manifestação de inconformidade totalmente improcedente e não reconheceu o direito creditório. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário a esta Corte, ratificando parcialmente as razões expedidas na peça impugnatória no que se refere ao IRF sobre rendimentos auferidos junto a Órgãos Públicos (R$ 1.231.724,04) e compensação de imposto pago no exterior (R$ 19.951.656,57). Apresentou novos documentos relacionados principalmente à comprovação do imposto sobre rendimentos no exterior. Em primeira apreciação este colegiado prolatou a Resolução 1402000.362 pela qual o julgamento foi convertido em diligência a fim de que fossem verificadas as alegações referentes ao IRF no montante de R$ 19.951.656,57 correspondente a rendimentos auferidos no exterior. Cumprida a solicitação, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 16327.720456/201027 Resolução nº 1402000.439 S1C4T2 Fl. 1.718 7 Voto O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Trata o presente de pedido de compensação no qual o crédito pleiteado é representado pelo saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2005 correspondente a 61.302.618,37. Em Despacho Decisório foi reconhecido parte desse valor no montante de R$ 37.756.569,95. No recurso voluntário, foi apresentada defesa no que se refere ao IRF sobre rendimentos auferidos junto a Órgãos Públicos (R$ 1.231.724,04) e compensação de imposto pago no exterior (R$ 19.951.656,57), no total de R$ 21.183.380,61. Quanto ao IRF sobre rendimentos recebidos de Órgãos Públicos, a lide envolve, em primeiro lugar, o valor de R$ 21.396,19 sobre valores recebidos da Secretaria da Receita Federal. Segundo a defesa, o valor em questão corresponde à diferença entre o pleiteado (R$ 157.678,04) e o deferido (R$ 136.281,85) e poderia, segundo a recorrente ser explicada pelo fato de não terem sido consideradas na apuração fiscal a retenção sobre os rendimentos de outubro e novembro de 2004, reconhecidos contabilmente no anocalendário de 2005. No que tange ao IRF no valor de R$ 1.210.327,85; alega a interessada que referese a valores recebidos da União através de Notas do Tesouro Nacional – NTN pela assunção de dívidas do INSS, conforme Portaria nº 409/2005 da Secretaria do Tesouro Nacional. O valor foi informado na Ficha 50 da DIPJ, foi apresentada cópia da Portaria, uma ficha contábil com indicativo dos valores referentes à operação e DARF de pagamento do valor correspondente. Nesse caso, o fato a ser analisado é a ausência do informe de rendimentos. Sob esse prisma importa ressaltar que foi o próprio sujeito passivo que reconheceu o informe de rendimentos como documento hábil para comprovação das retenções sofridas: [...]É de se observar que, conforme legislação vigente1, o documento hábil para a comprovação das retenções sofridas na fonte de Imposto de Renda é o respectivo informe de rendimento. Por essa razão, não há como a Receita Federal deixar de reconhecer esses valores como antecipação passível de inclusão no saldo devedor. Anexa, o Impugnante, novamente os informes de rendimentos mencionados [....Tal documento, ainda que isoladamente, é elemento suficiente para demonstrar a retenção. Na ausência, cabe à interessada subsidiar as alegações com documentação alternativa de força probante suficiente para suprir a falta. Mas não é só isso. É necessário também que seja demonstrado o oferecimento da receita à tributação, conforme Súmula CARF nº 80: Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 16327.720456/201027 Resolução nº 1402000.439 S1C4T2 Fl. 1.719 8 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Quanto a recolhimento, tanto a retenção quanto o pagamento do IRF, além da emissão do informe de rendimentos, caberiam à fonte pagadora o que não ocorreu no caso. Entretanto, parece que a recorrente supriu a omissão quanto ao recolhimento trazendo um DARF compatível com o valor informado na Portaria 409/2005 que estabeleceu o valor das NTNs que lhe cabiam (R$ 55.173.845,76 x 7,05% = R$ 3.889.756,13). Por outro lado, ainda que o valor do rendimento correspondente (R$ 55.173.845,76) tenha sido informado na Ficha 50 da DIPJ, a interessada não trouxe aos autos a comprovação do oferecimento desse montante à tributação. Daí porque sou obrigado a votar novamente pela conversão do julgamento em diligência a fim de que a recorrente seja intimada a demonstrar o cômputo no resultado do ano calendário de 2005, da receita correspondente ao valor das NTNs recebidas. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1719DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.007025/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/09/2008
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.449
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/09/2008 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 70 25 /2 00 9- 61 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.007025/200961 Acórdão n.º 3402004.449 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.256da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/09/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.007025/200961 Acórdão n.º 3402004.449 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 03/09/2008 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.007025/200961 Acórdão n.º 3402004.449 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.007025/200961 Acórdão n.º 3402004.449 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.007025/200961 Acórdão n.º 3402004.449 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.007025/200961 Acórdão n.º 3402004.449 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.007025/200961 Acórdão n.º 3402004.449 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.007025/200961 Acórdão n.º 3402004.449 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.722544/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.291
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .7 22 54 4/ 20 14 -4 1 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 12466.722544/201441 Resolução nº 3301000.291 S3C3T1 Fl. 494 2 Relatório O presente auto de infração trata de procedimento de fiscalização que concluiu pela prática de interposição fraudulenta na importação. Conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, fls. 4 e seguintes, a fiscalização aponta que a importadora PORTES BR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA não logrou comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior. Especificamente neste auto de infração foi analisada a declaração de importação DI n° 11/10374323 de 06/06/2011, fl. 422. Foram efetuadas intimações e diligências fiscais tanto na empresa PORTES BR como em sua associada HMG LTDA, CNPJ n° 05.007.004/000115. Com base nesse conjunto probatório, a fiscalização aplicou às autuadas a pena de perdimento pela presunção da interposição fraudulenta na importação prevista no art. 23, V, §2° do Decretolei nº 1.455/76, bem como pela utilização de documento falso nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro – Decreto n° 6.759/09. As empresas HMG LTDA e a encomendante MARCA CERTA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foram autuadas como responsáveis solidárias através dos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA de fls. 82 e 83, respectivamente. A autuação totalizou o valor de R$ 37.837,29. Considerando que as mercadorias já foram consumidas, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas nos termos do §3º do mesmo art. 23 do Decretolei nº 1.455/76. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins de Inaptidão do CNPJ da empresa PORTES BR através do processo administrativo n° 12466.722442/201473, apenso a este processo. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais contra as empresas autuadas e seus sócios através do processo administrativo n° 12466.722563/201478, apenso a este processo. Intimadas do Auto de Infração, as empresas PORTES BR e HMG LTDA não apresentaram impugnação, sendo lavrados os respectivos Termos de Revelia nas fls. 431 e 432 deste processo. Intimada do Auto de Infração em 10/03/2015, (fl. 428), a autuada MARCA CERTA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA apresentou impugnação e documentos em 08/04/2015, juntados às fls. 433 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 494DF CARF MF Processo nº 12466.722544/201441 Resolução nº 3301000.291 S3C3T1 Fl. 495 3 1. Alega que a condição de encomendante deve decorrer de disposição contratual, nos termos do art. 2°, § 1°, II da IN SRF n° 634/06. Alega que em nenhum momento pactuou com a importadora a condição de encomendante. Alega que a fiscalização não anexou qualquer documento comprovando a relação de encomendante. Alega assim não ocorrer a responsabilidade solidária do art. 32, § único, “d” do Decretolei n° 37/66. 2. Cita os artigos 121 e 124 do CTN. Alega que agiu de boafé e que adquiriu o produto no território nacional sem ter participado direta ou indiretamente da nacionalização. Cita jurisprudência sobre terceiro de boafé. 3. Requer, por fim, que seja julgada improcedente a autuação. A DRJ/São Paulo/SP considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/01/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior com a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V, §2º). IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO FALSO. PERDIMENTO. Aplicase a pena de perdimento quando constatada a utilização de documento falso na operação de importação, nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 6.759/09. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A responsável solidária MARCA CERTA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA repetiu os argumentos da impugnação em que alega que em nenhum momento firmou qualquer contrato de encomenda com a importadora PORTES BR, não podendo ser elevada a essa condição. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 12466.722544/201441 Resolução nº 3301000.291 S3C3T1 Fl. 496 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. A responsável solidária MARCA CERTA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA apresentou recurso voluntário tempestivo e dele conheço. No processo em análise não há controvérsia acerca da existência ou não de interposição fraudulenta de terceiros na importação. Em nenhum momento houve impugnação ou recurso voluntário da importadora PORTES BR LTDA ou da empresa HMG LTDA, considerada pela fiscalização como a grande financiadora das operações da empresa PORTES BR LTDA. Já a responsável solidária MARCA CERTA alega que em nenhum momento firmou qualquer contrato de encomenda com a importadora PORTES BR, não podendo ser elevada à condição de responsável solidária. Entretanto, é fato que a habilitação para importação por encomenda depende necessariamente da anuência da empresa encomendante, nos termos da IN SRF n° 634 de 2006. Assim dispõem os artigos 2° e 3° do referido diploma legal: “Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda.” Constatase na declaração de importação de fl. 422, que a empresa MARCA CERTA consta como encomendante. O sistema SISCOMEX não permite que tal condição Fl. 496DF CARF MF Processo nº 12466.722544/201441 Resolução nº 3301000.291 S3C3T1 Fl. 497 5 ocorra sem a prévia habilitação da empresa encomendante e sua vinculação na condição de encomendante, ao CNPJ da empresa importadora, no caso a PORTES BR. Como bem dito no acórdão recorrido, no momento da habilitação da importadora, a encomendante recebe, diretamente ou através de seu mandatário, a senha de acesso ao Sistema SISCOMEX, podendo constatar a qualquer momento a condição de registro de sua importação. Não consta que, em algum momento, a empresa MARCA CERTA tenha questionado a condição de encomendante na declaração de importação. Entretanto, analisando todas as provas e fatos do processo, há dúvida se o ambiente em que atuou a empresa, aqui solidária, MARCA CERTA é o mesmo em que ocorria a interposição fraudulenta perpetrada por PORTES BR e HMG. É possível que a responsável solidária não tenha participação e nem o interesse comum exigido por lei para que se caracterize a responsabilidade solidária. Portanto, voto pela conversão do julgamento do processo em diligência para que a unidade de origem responda aos seguintes quesitos, com a anexação da documentação cabível: a) Há um contrato de encomenda das mercadorias em tela celebrado entre MARCA CERTA e PORTES BR? Em caso positivo, que o contrato seja anexado ao processo; b) Anexar ao processo o requerimento da encomendante onde esta indica o nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e o prazo ou operações para os quais o importador foi contratado, tudo isso, para fins de caracterização da vinculação necessária entre MARCA CERTA e PORTES na operação em análise, de acordo com o Parágrafo 2º , do art. 2ª da IN 634/06. Que a recorrente seja cientificada dessa decisão e do relatório final resultante da diligência e possa, apresentar sua manifestação. Ao final, seja o processo encaminhado para julgamento no CARF. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 497DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720532/2008-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício:2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA IMÓVEL. NECESSIDADE.
A aplicação da isenção de ITR está condicionada à prévia averbação da área de reserva legal (ARL) na matrícula do imóvel, perante o registro público, em virtude do caráter constitutivo da medida.
Numero da decisão: 9202-005.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício:2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA IMÓVEL. NECESSIDADE. A aplicação da isenção de ITR está condicionada à prévia averbação da área de reserva legal (ARL) na matrícula do imóvel, perante o registro público, em virtude do caráter constitutivo da medida.
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ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA IMÓVEL. NECESSIDADE. A aplicação da isenção de ITR está condicionada à prévia averbação da área de reserva legal (ARL) na matrícula do imóvel, perante o registro público, em virtude do caráter constitutivo da medida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 05 32 /2 00 8- 81 Fl. 168DF CARF MF 2 Fábio Piovesan Bozza Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 16 de outubro de 2012, a Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão nº, cuja ementa assim dispõe, na parte recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. [...] Recurso provido em parte. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial de divergência, dentro da quinzena legal, alegando divergência com os acórdãos paradigmas nºs 30130.475 e 30236.585, que foram assim ementados, na matéria recorrida: Acórdão 30130.475: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10140.720532/200881 Acórdão n.º 9202005.349 CSRFT2 Fl. 169 3 AREA DE RESERVA LEGAL. A área do imóvel definida como de reserva legal só poderá ser considerada isenta se a averbação tiver ocorrido na data da ocorrência do fato gerador do ITR/97, e não com data posterior. Negado provimento por unanimidade. Acórdão 30236.585: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusivo da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem na inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao registro de imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de "posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela área, nos termos supra indicados, sujeitandose, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. [...] Negado provimento ao recurso pelo voto de qualidade. Cientificado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Compulsando os autos, verificase que a averbação da área de reserva legal ocorreu após o fato gerador, porém foi acatada pela turma julgadora por ter sido feita antes do início da ação fiscal. Esse entendimento vai de encontro aos paradigmas indicados, que exigem a averbação em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo. Portanto, resta patente a divergência jurisprudencial quanto à tempestividade da averbação para as áreas de reserva legal. Em relação às áreas de preservação permanente e reserva legal (itens II e III do relato), devese evidenciar que esta Turma de Fl. 170DF CARF MF 4 Julgamento (e a 2ª Turma da CSRF) entende que não há necessidade de apresentação de ADA tempestivo para exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (onde se encontra também a área de reserva legal) da incidência do ITR, pois se o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81 é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de benefício no âmbito do ITR, para os exercícios posteriores a 2001, tal Lei não fixou prazo para apresentação do ADA, parecendo descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo (precedentes: Acórdãos nºs 210200.528; 210200.530; 210200.640; 210201.704; 2102002.090; 9202001.907; 9202002.105; CSRF/0306.162). Já a averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. Já a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final até quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10140.720532/200881 Acórdão n.º 9202005.349 CSRFT2 Fl. 170 5 do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir dos isentivos tributários. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Redator Peço vênia para divergir da ilustre conselheira relatora e apresentar meu entendimento sobre os requisitos para desoneração da incidência de ITR sobre as Áreas de Reserva Legal (ARL). A proteção do meio ambiente natural continua sendo obrigação do proprietário mediante a manutenção de espaços protegidos de propriedade privada, divididos entre Área de Preservação Permanente (APP) e Área de Reserva Legal (ARL). Como condição para a supressão de florestas e outras formas de vegetação nativa existentes no interior da propriedade rural privada, a legislação exigiu do proprietário que reservasse determinada área, destinandoa à constituição da ARL, com o intuito de conservar e reabilitar processos ecológicos, conservar a biodiversidade e servir de abrigo e proteção à fauna e flora nativas. Tratase, assim, de verdadeira limitação administrativa (geral, gratuita e com finalidade pública), legalmente fixada e que dá cumprimento à função socioambiental da propriedade. A localização da ARL deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis, conforme estatuía o antigo Código Florestal, Lei nº 4.771/65, vigente à época do fato gerador: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) Fl. 172DF CARF MF 6 § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Diante do disposto no art. 10 da Lei nº 9.393/96 e do art. 16, §8º da Lei nº 4.771/65 (antigo Código Florestal), muito se discutiu sobre a obrigatoriedade ou não da averbação da ARL na matrícula do imóvel, para fins de desoneração do ITR. Alguns afirmavam que a averbação seria ato constitutivo da ARL e, portanto, imprescindível. Outros, defendiam que a averbação seria mero ato declaratório, passível de ser substituído por outros meios, como laudos técnicos. Considero que a averbação da ARL na matrícula do imóvel não pode ser encarada apenas como matéria de prova acerca da configuração da ARL. Tratase, a meu ver, de ato constitutivo, que vincula o proprietário e sucessores às obrigações legalmente estatuídas, “sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código”. Esse também é o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, conforme é possível observar das seguintes ementas de julgados: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. CÁLCULO DA PRODUTIVIDADE DO IMÓVEL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. ARESTO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. EXAME DE NOVO DIPLOMA NORMATIVO NÃO CONSIDERADO NO ÂMBITO DA DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. Na espécie, o julgado apontado como paradigma examinou a necessidade de averbação da área de reserva legal para os fins de isenção do ITR, enquanto que o aresto recorrido dirimiu controvérsia referente ao cálculo da produtividade do imóvel no bojo da desapropriação. Como se observa, os acórdãos confrontados dirimiram controvérsias jurídicas distintas, não estando caracterizada a divergência. 3. Ainda que superado esse óbice, temse que a jurisprudência do STJ pacificouse no mesmo sentido do acórdão recorrido, isto é, reconhecendo a necessidade de a área de reserva legal ser devidamente averbada no Registro de Imóveis, a fim de que seja excluída do cálculo da produtividade da propriedade imobiliária. Incidência da Súmula 168/STJ. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10140.720532/200881 Acórdão n.º 9202005.349 CSRFT2 Fl. 171 7 STJ, 1ª Seção, AgRg nos EREsp 1.376.203/GO, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 22/10/2014 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO IMOBILIÁRIO. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp nº 1.027.051, SC, reafirmou o entendimento de que, para gozar da isenção fiscal prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei nº 9.393, de 1996, relativa ao imposto territorial rural, é imprescindível a averbação da área de reserva legal no respectivo registro imobiliário. STJ, 1ª Seção, EREsp 1.310.871/PR, Rel. Ari Pargendler, julgado em 23/10/2013 Em vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721549/2013-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.DESNECESSIDADE.
Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE.
A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2202-004.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), que restou vencida, juntamente com o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 PEDIDO DE DILIGÊNCIA.DESNECESSIDADE. Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), que restou vencida, juntamente com o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2109; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 356 1 355 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721549/201371 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.069 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de julho de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente HERCÍLIO MANOEL MARCELINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 PEDIDO DE DILIGÊNCIA.DESNECESSIDADE. Os pedidos de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), que restou vencida, juntamente com o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. No mérito, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 15 49 /2 01 3- 71 Fl. 356DF CARF MF 2 unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, resumidamente, o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/ RJ (fls. 282/301): Trata o presente de Auto de Infração de fls. 214 a 235, através do qual foi efetuado o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código de receita 2904, no valor de R$ 79.994,82 , acrescido da Multa de Oficio de 75% e dos Juros de Mora, relativos ao anoscalendário 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, exercícios 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013. Conforme relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 216 a 222, o lançamento é decorrente da constatação de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos da Pessoa Jurídica Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina ALESC, CNPJ n.º 83.599.191/000187. Em consulta aos sistemas de controle desta Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificouse que o Sr. Hercílio Manoel Marcelino não apresentou Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF) para os exercícios 2009 a 2013, anoscalendário 2008 a 2012 (fls. 02). Abaixo seguem listados os Rendimentos Tributáveis Omitidos pelo contribuinte, listados por Ano Calendário: Anocalendário 2008: R$ 65.879,64 Anocalendário 2009: R$ 79.798,79 Anocalendário 2010: R$ 87.633,66 Anocalendário 2011: R$ 95.865,48 Anocalendário 2012: R$ 109.423,45 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11516.721549/201371 Acórdão n.º 2202004.069 S2C2T2 Fl. 357 3 Relata a Autoridade Fiscal que o Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina IPREV, no ano de 2011, instaurou processo administrativo com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na concessão de aposentadorias por invalidez de servidores da ALESC, noticiando tal fato à Receita Federal, e, em atenção à solicitação desta, enviou cópia dos referidos processos, sendo que em relação ao contribuinte Hercílio Manoel Marcelino (fls.06/151 e 152/202), encaminhou cópia do laudo elaborado pela Perícia Médica realizada no ano de 2011 (fls. 156 e 163), do Relatório Conclusivo da Comissão do Processo Administrativo instaurado (fls. 132 a 140) e da Decisão da Presidência do IPREV (fls. 141 a 145). Menciona que a determinação legal para a realização de avaliações médicas periódicas dos servidores do Estado de Santa Catarina aposentados por invalidez permanente está contida no parágrafo 2.º do art. 60 da Lei Complementar Estadual SC n.º 412, de 26 de junho de 2008, e que quando verificada a insubsistência dos motivos geradores da incapacidade laboral, o benefício de aposentadoria por invalidez deverá ser cancelado e o segurado revertido ao serviço publico ou posto em disponibilidade. Relata que a Comissão do Processo Administrativo descreve que Hercílio Manoel Marcelino foi aposentado por invalidez no ano de 1981 por ser portador de patologia cardiológica (CID 402 e 208, revisão de 1965), razão pela qual foi considerado definitivamente incapacitado para o trabalho. Convocado para reavaliação médica regulamentar no ano de 2011, a Junta Médica concluiu que o avaliado apresentava unicamente as limitações funcionais inerentes a sua idade (fls. 156 e 163). Seguem abaixo, trechos da Descrição dos Fatos feitos pela Autoridade Lançadora: No item 2 do relatório pericial de fls. 163, foi solicitado à Gerência de Perícia Médica da Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina que indicasse todos os documentos e informações que foram considerados pelo perito médico, à época da concessão do benefício (ano de 1981), para sugerir a aposentadoria por invalidez permanente do Sr. Hercílio Manoel Marcelino. Em resposta, a Gerência de Perícia Médica informa que no prontuário médico pericial do servidor se encontra anexado apenas o Termo de Inspeção de Saúde, emitido na data de 27/01/81 (fls. 154). No item 3 do relatório pericial de fls. 163, a Gerência de Perícia Médica atesta que, após revisão do prontuário médico pericial do servidor, não foram encontrados subsídios técnicos que permitissem concluir que na data da concessão do benefício previdenciário houvesse a incapacidade total e definitiva para o trabalho indicada no prontuário, haja vista a ausência de documentação médica. No item 4 do relatório pericial de fls. 163, encontrase assinalado que o contribuinte apresentou um atestado médico datado de 11/08/11 (fls. 25), indicando que é portador de doenças código CID E11, I10 e I71. Em consulta à tabela de Classificação Internacional de Doenças Fl. 358DF CARF MF 4 CID 10 (fls.203 a 205), vemos que o código CID E11 corresponde à “diabetes mellitus nãoinsulinodependente”, o código CID I10 à “hipertensão arterial essencial primária” e o código CID I71 à “aneurisma e dissecção da aorta”. No item 5 do relatório pericial de fls. 163, a Gerência de Perícia Médica informa que, levandose em conta esse diagnóstico constante no atestado mencionado no item 4, o avaliado é portador de limitações funcionais inerentes à idade. No histórico médico pericial do servidor (fls. 156), a Gerência de Perícia Médica informa que não foi anexada nenhuma documentação médica relativa à patologia cardíaca e que o contribuinte comprovou apenas o acompanhamento médico por patologias inerentes a sua faixa etária. Seguindo na análise do Relatório da Comissão Processante (fls. 132 a 140), vemos que o contribuinte apresentou novos documentos (fls. 79 a 91), os quais foram considerados suficientes à comprovação da doença que originou sua aposentação (patologia cardiológica) pela Comissão Processante. Observese que tais documentos não foram submetidos à apreciação da Gerência de Perícia Médica do IPREV para reavaliação. A Comissão Processante finaliza seu Relatório Conclusivo, recomendando o arquivamento do processo face à ocorrência da doença incapacitante (patologia cardiológica) que gerou a aposentadoria por invalidez do contribuinte. A Decisão da Presidência do IPREV (fls. 141 a 145) acolheu o parecer da Comissão Processante e definiuse pela manutenção do benefício previdenciário e arquivamento do processo. Em sua Decisão, a Presidência do IPREV observa a ocorrência de vários afastamentos para tratamento de saúde anteriores ao ato aposentatório. Faz menção também aos exames recentes apresentados pelo contribuinte, os quais confirmariam que o contribuinte segue em acompanhamento/ tratamento de patologia cardíaca. Diz ao final que essa patologia cardíaca atual tem relação com patologia cardíaca que deu azo à aposentadoria, havendo, portanto, um liame entre a fundamentação da aposentadoria e o atual quadro clínico do Sr. Hercílio Manoel Marcelino. Em primeiro lugar, tornase imperioso frisar que nem todas as patologias cardíacas são consideradas “cardiopatia grave”. Exemplo disso é a “hipertensão arterial essencial primária” que vem a ser, sim, uma patologia cardíaca, mas que, por si só, não se configura em “cardiopatia grave”. Isto posto, analisando o rol de moléstias graves do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 acima, vemos que as doenças que afligiram ou afligem o contribuinte não se encontram contempladas pela isenção do Imposto de Renda. Em uma análise minuciosa a todos os documentos acostados aos processos encaminhados pelo IPREV, não localizamos nenhum laudo e nem mesmo uma declaração médica atestando que as patologias cardíacas que acometem o Sr. Hercílio Manoel Marcelino se configurariam em “CARDIOPATIA GRAVE” ou em qualquer outra moléstia daquelas especificadas no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88. Destacamos que a Gerência de Perícia Médica do IPREV em sua avaliação de fls. 156 e 163 assevera que o quadro clínico atual do Sr. Hercílio Manoel Marcelino que compreende a “diabetes Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11516.721549/201371 Acórdão n.º 2202004.069 S2C2T2 Fl. 358 5 mellitus nãoinsulinodependente” e também as patologias cardíacas “hipertensão arterial essencial primária” e “aneurisma e dissecção da aorta” foi considerado compatível com limitações funcionais inerentes à idade do contribuinte, e não “cardiopatia grave”. Aqui, devemos lembrar que a incapacidade laborativa (no caso em tela, em específico, a “cardiopatia grave”) somente pode ser atestada através de laudo técnico pericial. Neste sentido, o que existe nos autos é o laudo revisional da Junta Médica Oficial do IPREV de fls. 156 e 163, atestando equívoco praticado na avaliação médica realizada à época da concessão da aposentadoria do contribuinte por patologia cardiológica, com a conclusão de que o avaliado apresenta unicamente patologias inerentes a sua faixa etária atual. Portanto, não resta dúvida de que os rendimentos de aposentadoria percebidos pelo contribuinte devem sofrer a tributação do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF. Por intermédio do Ofício nº 068/13 (fls. 206), solicitamos à fonte pagadora Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, CNPJ 83.599.191/000187, cópia dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte relativos a todos os funcionários aposentados por invalidez, cujas cópias dos processos administrativos haviam sido disponibilizadas a esta Secretaria da Receita Federal do Brasil. Com relação aos rendimentos recebidos pelo contribuinte Hercílio Manoel Marcelino nos anoscalendário 2008 a 2012, a Assembléia Legislativa apresentou os comprovantes de fls. 209 a 213. Nesses comprovantes de fls. 209 a 213, vemos que, em função da forma como foi concedida a aposentadoria do contribuinte, os rendimentos foram enquadrados pela ALESC como proventos de aposentadoria por moléstia grave. Como dissemos, somente quando decorrente das moléstias especificadas no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (que não é o caso), é que esse tipo de rendimento é considerado isento do Imposto de Renda. Conforme se verifica nos autos encaminhados pelo IPREV, o Sr. Hercílio Manoel Marcelino não é portador de moléstia que lhe confira isenção do Imposto de Renda sobre seus rendimentos de aposentadoria. Em consulta aos sistemas de controle desta Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificamos que o Sr. Hercílio Manoel Marcelino não apresentou Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF) para os exercícios 2009 a 2013, anoscalendário 2008 a 2012 (fls. 02). Conforme estabelecido no art. 39, inciso XXXIV, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), os contribuintes com 65 anos completos têm direito a uma parcela a mais de isenção do Imposto de Renda sobre seus rendimentos de aposentadoria, sem prejuízo da faixa de isenção de valor idêntico existente na tabela de incidência mensal do imposto. Fl. 360DF CARF MF 6 Desta forma, tendo em vista que o contribuinte não faz jus à isenção estabelecida no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, mas completou 65 anos de idade já em 1993, efetuamos o lançamento dos totais dos rendimentos de aposentadoria constantes nos comprovantes de fls. 209 a 213, deduzidos das parcelas anuais de isenção mencionadas acima, como omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (Rendimentos de Aposentadoria Tributáveis), sujeitos ao ajuste anual na Declaração do Imposto de Renda. O contribuinte foi cientificado da autuação em 25/06/2013, via correio,conforme aviso de recebimento (JL494928866BR) de fls. 245. Da Impugnação Inconformado com o lançamento, o contribuinte, por meio de seu advogado, devidamente constituído, contesta o lançamento por meio da impugnação de fls. 247 a 276, protocolada em 24/07/2013, alegando em síntese o que segue. Dos Fatos O impugnante alega que foi aposentado por invalidez permanente pela ALESC em 1981, e que como todo ato de aposentadoria por invalidez, o processo teve inicio com um atestado médico dando conta da moléstia que o acometia, passando pela confirmação da Junta Médica da própria ALESC e pela aprovação do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCESC), que confirmou a invalidez permanente, conferindolhe o status de aposentado. Questiona a competência do Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina – IPREV para investigar as aposentadorias por invalidez concedidas no âmbito da ALESC. Que: “não obstante a flagrante incompetência do IPREV para proceder tal investigação, bem como a ocorrência de uma série de irregularidades no trâmite do referido procedimento, fato é que o Requerente, como não poderia deixar de ser, acabou por ser inocentado de qualquer acusação, permanecendo hígida sua aposentadoria por invalidez.” Entende que o procedimento adotado pela Receita Federal quanto ao lançamento fiscal é totalmente ilegal por entender, “de maneira absurdamente contraditória, que a perícia realizada pelo IPREV tem o condão de desconstituir a isenção tributária a que faz jus o requerente.” Do Direito – Da Higidez da Aposentadoria Entende que como permanece sendo beneficiário da aposentadoria por invalidez, perdura a isenção em relação ao IRPF nos exatos termos do art. 6.º da Lei n.º 7.713/88. Em razão disso, não surgiu a obrigação tributária referente aos rendimentos recebidos a titulo de aposentadoria. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11516.721549/201371 Acórdão n.º 2202004.069 S2C2T2 Fl. 359 7 Que a isenção segue em sua plenitude, por conseguinte, não há amparo fáticolegal para a constituição do crédito tributário, ilegalmente constituído, segundo seu entendimento. Entende que mesmo se considerasse hígida a perícia realizada pelo IPREV,tal fato, por si só, não poderia ensejar o cancelamento da isenção do imposto de renda. Considera que, ante a discussão administrativa e judicial acerca do fato que ensejou o lançamento fiscal, não poderia o tributo ser lançado, conforme disposição do art.62 do Decreto nº 70.235/72 e, portanto, ilegal a lavratura fiscal. Cita jurisprudência judicial e doutrinária, e tece comentários sobre a isenção tributária. Da Perícia Médica O impugnante alega ter ocorrido irregularidades na realização da última perícia médica pela junta médica da GEPEM, quando teria sido constatada a suposta condição do impugnante. Afirma que foi examinado por apenas uma pessoa, quando deveria ter sido submetido a uma junta médica composta por três membros, conforme determina o parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM); que foi examinado por uma pessoa sem qualquer identificação ou crachá; que não houve qualquer exame físico; que sequer houve a medição da pressão arterial. Questiona a composição da junta médica; a lotação dos médicos que assinam o laudo pericial; a carga horária de trabalho dos mesmos, suscitando a inviabilidade da realização das perícias, mesmo com horas extras de trabalho; a validade da perícia realizada por apenas um médico, mas assinada por quatro, considerandoa viciada e nula. Atribui a ALESC a responsabilidade exclusiva pela guarda dos documentos apresentados à época da aposentadoria, afirmando ter fornecido todos os documentos que possuía. Alega ainda que não sabia que a perícia serviria de base também para o lançamento de tributos, tanto que não foram previstos nenhum quesito pertinente ao tema, e que somente por isso é que a perícia médica não classificou a gravidade da doença no rol das ensejadoras de isenção tributária. Reitera que não foi classificada a doença conforme a legislação pertinente ao IRPF justamente porque a investigação não versava sobre este tema. Afirma que nunca poderia o IPREV conceder ou cassar isenção tributária em debate, posto se tratar de competência da Receita Federal. Por fim, afirma que há suficiente comprovação documental da presença de moléstia incapacitante, que enseja a isenção em debate, devendo o presente lançamento ser anulado. Fl. 362DF CARF MF 8 Da Inexistência do Devido Processo Legal pa apuração da cessação do Benefício Fiscal Alega que não houve a instauração de processo administrativo específico visando desconstituir a isenção tributária, e que a Receita Federal procedeu ao imediato lançamento sem a prévia oitiva do contribuinte, o que afronta os art. 5.º, II e 37, caput, da Constituição Federal. Que não lhe está sendo oportunizado o direito a ampla defesa e ao contraditório. Noticia que o TJSC já firmou entendimento de que para a cassação do benefício fiscal, é indispensável a observância ao contraditório e ampla defesa, não podendo o Fisco simplesmente compelir a contribuinte ao pagamento do tributo. Transcreve jurisprudência do STJ. Da Prescrição/Decadência que atinge o Ato Administrativo de Concessão do Benefício Fiscal Entende que um ato administrativo não pode anular outro ato administrativo perfeito existente há mais de 30 anos; que a reversão da concessão do benefício fiscal se contrapõe a ato pretérito perfeito, além do que, transcorridos mais de cinco anos, fica a Administração impedida de anular ou mesmo revogar ato pretérito próprio em face da prescrição. Cita decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Reitera que está aposentado desde 1981 por invalidez permanente, e que sem qualquer decisão arrazoada precedida de processo administrativo regular, contraditório e ampla defesa, foi abruptamente comunicada que seu benefício fiscal havia sido cancelado. Da Presunção de Legalidade dos Atos Administrativos Neste ponto, afirma que a ALESC agiu ilegalmente quando ao instaurar processo administrativo visando cancelar ato administrativo pretérito, esqueceu de levar em conta outro ato já praticado, cuja presunção de legalidade é medida que se impõe, e que a Receita Federal repetiu tal ilegalidade ao se utilizar desse cancelamento para cessar o beneficio fiscal da isenção do imposto de renda. Entende que até que haja prova em contrário, apurada com obediência aos princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa, e devido processo legal, continua em vigor a prerrogativa de legitimidade e veracidade do ato de concessão da aposentadoria por invalidez do impugnante (que reconhece, conseqüentemente , a presença de moléstia ensejadora de isenção tributária), ocorrida em 1981. Que não pode ser ignorado o fato de que à época, o impugnante foi submetido a uma Junta Médica da própria Administração Pública que corroborou a enfermidade apontada no atestado médico apresentado. Que houve uma sucessão de atos administrativos, cuja presunção de legitimidade e veracidade transfere o ônus da prova de invalidade do ato administrativo para que a invoca. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11516.721549/201371 Acórdão n.º 2202004.069 S2C2T2 Fl. 360 9 Entende que a produção de provas compete à Administração (ALESC) Da Desnecessidade de Comprovação dos Sintomas da Doença para a continuidade do Benefício Fiscal Diz que mesmo permanecendo na condição de aposentado por invalidez pela respectiva doença que o levou à aposentadoria, julga necessário chamar atenção para o fato de que não serve mera indicação da nova “Perícia Médica” sobre ausência dos sintomas da doença na atualidade para afastar o benefício fiscal deferido anteriormente. Entende que mesmo que a nova perícia realizada conclua pela ausência do sintomas da doença, não seria suficiente para que o Fisco revogue o beneficio fiscal. Sobre o assunto, transcreve julgados do STJ. Discorda do entendimento que, para fins fiscais, o aposentado/contribuinte deveria se submeter a perícias medicas periódicas, nos termos do art. 60 da Lei Complementar Estadual SC n.º 412/08, porque tal dispositivo legal não se reporta aos casos de isenção de imposto de renda pessoa física, mas sim ao regime previdenciário dos servidores estaduais de Santa Catarina, lembrando que a competência para legislar sobre o Imposto de Renda das Pessoa Físicas – IRPF é privativo da União. Ainda, a Lei 7.713/88, que rege o IRPF, em momento algum prevê a necessidade da contribuinte demonstrar, periodicamente, que a doença motivadora da aposentadoria persiste. Que pelo principio da legalidade, em não havendo previsão legal que determine a comprovação periódica da moléstia e seus sintomas para a concessão do benefício fiscal, não há como revogar/cassar/cessar a isenção já há muito concedida, sob pena de infração ao art. 150, I, e art. 153 III, da CF. Que por ser portado de moléstia grave, entende que o Auto de Infração deve ser imediatamente cancelado, sob pena de ingresso nas vias judiciais. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, negou provimento ao recurso em decisão cuja a ementa é seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias Fl. 364DF CARF MF 10 enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. Em face da mencionada decisão (AR fls. 307), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 313 a 333, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINARES 1.1) DECADÊNCIA De acordo com o Recorrente, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150. do CTN. Assim, no caso específico da omissão de receitas, apuradas com fundamento no artigo 42, combinado com o disposto no art. 150. §4º do CTN, a contagem inicial do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento do crédito deverá ser contado a partir do mês que se considerar recebidos os rendimentos omitidos. Incorretas também as alegações do Recorrente quanto à decadência doa valores relativos ao anocalendário de 1998, ma vez que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 24/12/2003 (fls. 760). É entendimento pacífico no âmbito do CARF que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11516.721549/201371 Acórdão n.º 2202004.069 S2C2T2 Fl. 361 11 de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário"(Súmula CARF nº 38) . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 1998. 1.2) DA INEXISTÊNCIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL NA APURAÇÃO DA CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL Alega que não houve a instauração de processo administrativo específico o Recorrente que visando desconstituir a isenção tributária, e que a Receita Federal procedeu ao imediato lançamento sem a prévia oitiva do contribuinte, o que afronta os art. 5.º, II e 37, caput, da Constituição Federal. Que não lhe está sendo oportunizado o direito a ampla defesa e ao contraditório. Incorretas as alegações do Recorrente. Em primeiro lugar, é importante esclarecer que não há se que falar em contraditório no procedimento de fiscalização. Isso porque ele é, essencialmente, inquisitorial, não havendo, portanto que se falar em contraditório e ampla defesa. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” A característica inquisitorial do lançamento é reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa pela ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7∕STJ. Fl. 366DF CARF MF 12 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7∕STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.445.477 – S, Relator: Ministro Herman Benjamin, DJ 24/06/2014) Sendo assim, não há que se falar em oitiva da Recorrente antes do lançamento. Além disso, como bem ressalta a decisão recorrida: Como se vê, o art. 179 do CTN estabelece que a isenção, quando não concedida em caráter geral, deve ser reconhecida em cada caso. A contrário senso, as isenções de caráter genérico, como a em comento, independem de reconhecimento expresso e prévio da autoridade administrativa. No caso de isenção dos rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portadores de moléstia grave, cabe ao beneficiário dos rendimentos fazer prova do preenchimento das condições legais perante a fonte pagadora, o que não exclui a prerrogativa do fisco de verificar o cumprimento das condições e requisitos estabelecidos em lei para o gozo da isenção. Sobre o assunto, a COSIT publicou a Solução de Consulta Interna n.º 45, de 13 de dezembro de 2004, assim ementada: A isenção concedida aos rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave tem natureza genérica, decorrendo o direito do atendimento, pelos contribuintes, das condições e requisitos exigidos pela lei isentiva, não se aplicando, para gozo da isenção em questão, a exigência de despacho administrativo individualizado previsto no art. 179 do CTN, o que não exclui a prerrogativa do Fisco de verificar o cumprimento dos mencionados requisitos estabelecidos em lei para gozo da isenção. (grifos acrescentados) Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11516.721549/201371 Acórdão n.º 2202004.069 S2C2T2 Fl. 362 13 Portanto, não tendo havido a emissão de despacho administrativo individualizado de concessão de isenção em nome do contribuinte Hercílio Manoel Marcelino, também não pode haver procedimento administrativo especifico para desconstituir tal isenção. Em face do exposto, rejeito a preliminar 2) MÉRITO O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 2.1) DA DILIGÊNCIA Como demonstrado no relatório, tratase de tributação imposto de renda pessoa física decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em virtude de ausência de comprovação de moléstia grave que daria direito à isenção. O referido lançamento decorreu do Ofício nº 122/2013 encaminhado pelo Instituto de Previdência do Estado de Santa Cataria (IPREV) à Receita Federal, por meio do qual foram remetidas cópias dos processos administrativos instaurados para apurar possíveis irregularidades na concessão de aposentadoria por invalidez de servidores da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC). O processo de revisão de aposentadoria foi indeferido pela comissão do IPEV por concluir que (fls. 144): Assim, o conjunto de provas carreadas aos autos demonstra que o segurado preencheu os requisitos da legislação à época, ou seja, permaneceu longo período em licença de saúde antes de ser concedida a aposentadoria. A comprovação da patologia atual que tem relação com a que deu azo à aposentadoria, aliada as várias licenças de saúde concedidas pela ALESC antes da aposentação do servidor, leva se a acreditar na regularidade do ato de aposentadoria. Razão pela qual, acolho como razões de decidir a manifestação apresentada pela Comissão Processante em fls. 125/133 que conduz ao arquivamento do presente processo, por ter sido comprovado nos autos a permanência das condições que deu causa à aposentadoria por invalidez. No próprio relatório fiscal do presente lançamento a autoridade fiscal reconhece que a decisão acima mencionada. Todavia, conclui pela realização do lançamento por entender que as doenças mencionadas no laudo médico realizado em 2011 não se caracterizam como moléstia grave, nestes termos (fls. 216/219): Nesse sentido, gostaríamos de deixar absolutamente claro que não temos discordância e tampouco estamos estabelecendo contraposição às análises e conclusões a que bem chegaram a comissão processante e a presidência do IPREV no que diz respeito à manutenção do benefício previdenciário do Fl. 368DF CARF MF 14 contribuinte. A questão que se encontra em pauta no presente processo administrativotributário é o fato de que as moléstias que acometem ou acometeram o Sr. Hercílio Manoel Marcelino não se encontram no rol das doenças graves, cujos rendimentos de aposentadoria de seus portadores são isentos do Imposto de Renda (art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004), como veremos. (...) Em uma análise minuciosa a todos os documentos acostados aos processos encaminhados pelo IPREV, não localizamos nenhum laudo e nem mesmo uma declaração médica atestando que as patologias cardíacas que acometem o Sr. Hercílio Manoel Marcelino se configurariam em “CARDIOPATIA GRAVE” ou em qualquer outra moléstia daquelas especificadas no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88. Destacamos que a Gerência de Perícia Médica do IPREV em sua avaliação de fls. 156 e 163 assevera que o quadro clínico atual do Sr. Hercílio Manoel Marcelino que compreende a “diabetes mellitus nãoinsulino dependente” e também as patologias cardíacas “hipertensão arterial essencial primária” e “aneurisma e dissecção da aorta” foi considerado compatível com limitações funcionais inerentes à idade do contribuinte, e não “cardiopatia grave”. Aqui, devemos lembrar que a incapacidade laborativa (no caso em tela, em específico, a “cardiopatia grave”) somente pode ser atestada através de laudo técnico pericial. Neste sentido, o que existe nos autos é o laudo revisional da Junta Médica Oficial do IPREV de fls. 156 e 163, atestando equívoco praticado na avaliação médica realizada à época da concessão da aposentadoria do contribuinte por patologia cardiológica, com a conclusão de que o avaliado apresenta unicamente patologias inerentes a sua faixa etária atual. Portanto, não resta dúvida de que os rendimentos de aposentadoria percebidos pelo contribuinte devem sofrer a tributação do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF. (grifos no original) De acordo com o laudo de fls. 163, datado de 11/08/11, o contribuinte apresenta as patologias constantes dos códigos E11 (diabetes mellitus não insulodependente) I10 (hipertensão arterial primária) e I71 (aneurisma e dissecção da aorta). O referido laudo aponta ainda que o contribuinte é "portador de limitações funcionais inerentes à idade". Aparentemente, o segundo laudo (embora não tenha sido suficiente para alterar a decisão da comissão processante quanto a aposentadoria do contribuinte) concluiu pela inexistência da moléstia grave que suportaria a isenção do imposto de renda. Todavia, entendo que falta competência técnica a autoridade fiscal, bem como as autoridades julgadoras para definirem a presença ou não da moléstia grave, especialmente, em relação à moléstia denominada "cardiopatia grave" que pode abranger uma série de doenças. Sendo assim, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, motivo pelo converto o julgamento em diligência para que: a) intime a gerência de perícia médica da diretoria de saúde do servidor do Estado de Santa Catarina para que esclareça se as patologias relativas aos códigos E11 (diabetes mellitus não insulodependente) I10 (hipertensão arterial primária) e I71 (aneurisma e Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11516.721549/201371 Acórdão n.º 2202004.069 S2C2T2 Fl. 363 15 dissecção da aorta) mencionadas no laudo de fls 163 podem ser qualificadas como moléstias graves para efeito da isenção do Imposto de Renda Pessoa Física prevista no artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88. 2.2) DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PARA OS PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. Restando vencida no pedido de diligência, quanto ao mérito, entendo que o recurso não merece ser provido. Isso porque, a isenção do imposto de renda dos rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portadores de moléstia grave, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 pressupõe a comprovação dos seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos recebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Dispondo sobre a matéria, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determina que, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, a doença seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. De acordo com os dispositivos legais acima transcritos, para o gozo da isenção é necessária a presença, cumulativa, das seguintes condições: · os rendimentos sejam relativos a aposentadoria, pensão ou reforma (outros rendimentos não são isentos), incluindo a complementação recebida de entidade privada e a pensão alimentícia; e Fl. 370DF CARF MF 16 · seja portador de uma das seguintes doenças: AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida); Alienação mental; Cardiopatia grave; Cegueira; Contaminação por radiação; Doença de Paget em estados avançados (Osteíte deformante); Doença de Parkinson; Esclerose múltipla; Espondiloartrose anquilosante; Fibrose cística (Mucoviscidose); Hanseníase; Nefropatia grave; Hepatopatia grave (observação: nos casos de hepatopatia grave somente serão isentos os rendimentos auferidos a partir de 01/01/2005); Neoplasia maligna; A falta de qualquer um desses requisitos impede que o contribuinte usufrua da isenção concedida em caráter geral, cujas condições para usufruíla foram estabelecidos em lei. Como bem ressalta da decisão decorrida, é importante destacar que, no presente julgamento, não está em discussão a regularidade do benefício previdenciário concedido ao contribuinte. Isso porque o Relatório Conclusivo da Comissão Processante de fls. 132/140 referente ao processo 4898/2011/IPREV do impugnante, bem como a Decisão da Presidência do IPREV (fls. 141/145) que acolheu o parecer da comissão processante e definiu se pela manutenção do benefício previdenciário do contribuinte e arquivamento do processo. Todavia, o que está em discussão nos presentes autos, é a repercussão tributária da não comprovação da moléstia grave que teria dado causa à aposentadoria por invalidez do contribuinte. Conforme demonstrado o laudo médico constante dos autos afirma que as moléstias que acometem o Recorrente são patologias inerentes a sua faixa etária atual. Dessa forma, não existe nos autos o laudo médico atestando a cardiopatia grave necessária ao gozo da isenção. Ressaltese também que o Recorrente não juntou aos autos laudo médico oficial que pudessem infirmar a conclusão do laudo anterior. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, tendo sido vencida na proposição de diligência, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Inobstante o bem fundamentado voto da Relatora, peço vênia para divergir quanto à necessidade de diligência. A ilustre Relatora entendeu que seria necessária uma diligência para que a gerência de perícia médica da diretoria de saúde do servidor do Estado de Santa Catarina esclarecesse se as patologias mencionadas no laudo de fl. 163 podem ser qualificadas como moléstias graves para efeito da isenção do Imposto de Renda Pessoa Física prevista no artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88. No entanto, no meu entendimento, não cabe a realização de diligência no caso em comento. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11516.721549/201371 Acórdão n.º 2202004.069 S2C2T2 Fl. 364 17 É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Não se pode deixar de considerar que a responsabilidade pela apresentação das provas compete ao Contribuinte, não cabendo a determinação de diligencias e perícias para a busca de provas. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. No presente caso, caberia ao Recorrente apresentar um laudo médico oficial demonstrando a existência de moléstia grave enquadrada no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, com a data de início da doença, porém o laudo que consta dos autos foi conclusivo em relação às doenças das quais o autuado é portador, não sendo ele portador de moléstia grave que lhe dê direito a isenção do imposto de renda. Dessa forma, rejeito a preliminar de diligência suscitada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722321/2015-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS COM ADVOGADO.
Poderá ser deduzido, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos tributáveis.
Numero da decisão: 2201-003.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo o valor de R$ 30.992,18, relativo a honorários advocatícios pagos sobre os rendimentos tributáveis recebidos no curso do processo judicial. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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DESPESAS COM ADVOGADO. Poderá ser deduzido, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo o valor de R$ 30.992,18, relativo a honorários advocatícios pagos sobre os rendimentos tributáveis recebidos no curso do processo judicial. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 25/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 23 21 /2 01 5- 27 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata da Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física do exercício de 2010, fl. 17 a 22, pela qual a Autoridade Fiscal reduziu a restituição pleiteada na Declaração de Rendimento de R$ 21.844,16 para R$ 1.611,18. Regularmente intimado, o contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos pela fiscalização, cuja análise resultou na constatação das seguintes infrações à legislação tributária: a) omissão de rendimentos tributáveis oferecidos ao Ajuste Anual no valor de R$ 49.859,50 relativo a processo judicial em face da ROSSI RESIDENCIAL S/A. b) dedução indevida de previdência oficial. A despeito de se tratar de RRA, entendeu o Agente Fiscal que, por ter sido pago por entidade de previdência complementar, a tributação exclusiva facultada aos RRAs não seria aplicável ao caso, em particular pela expressa vedação contida no § 3º do art. 2º da IN RFB 1.127/11. Embora não tenha sido juntado aos autos documento que comprove a ciência do lançamento, houve apresentação de impugnação, fl 04/05, considerada tempestiva pela unidade responsável pela administração do tributo, fl. 26. Em suas peça impugnatória, o contribuinte manifesta concordância com a glosa da contribuição à previdência oficial e insurgese exclusivamente em relação à omissão de rendimentos identificada, apresentando recibo de honorários pagos a advogados, fl. 07, com o fim específico de ver tal pagamento excluído do montante tributável do rendimento percebido por força d ação judicial. No julgamento de 1ª Instância, fl. 29/32, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgou improcedente a impugnação pelas razões abaixo resumidas: que o contribuinte não trouxe aos autos nenhuma peça da ação judicial referida pelo recibo de honorários apresentado; que não há nenhum elemento nos autos que permita concluir que os advogados racionados no recibo teriam atuado no feito; que a declaração de ajuste não relacionou o pagamento em questão. Ciente do Acórdão da DRJ em 09 de maio de 2016, fl. 34, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 37 a 39, reiterando o pleito apresentado na impugnação e juntando cópias de documentos que entendeu pertinentes. É o relatório necessário. Voto Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11080.722321/201527 Acórdão n.º 2201003.929 S2C2T1 Fl. 65 3 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Conforme já descrito no Relatório supra, o pleito recursal se restringe ao aproveitamento do pagamento de honorários advocatícios como dedução ao rendimento tributável oriundo da ação judicial 01065.200701004002. O documento apresentado pelo contribuinte em fl. 07 busca comprovar que o valor pago aos advogados Fábio Dornelles da Rosa, Manoel Jair dos Santos e Andréia Dornelles da Rosa montam a quantia de R$ 34.332,76. Embora a autoridade recorrida tenha concluído que não constam dos autos nenhuma peça da ação judicial referida no recibo apresentado, há sim tais elementos juntados ao Dossiê de Malha nº 10100.002328/071289, vinculado ao presente processo eletrônico, os quais foram úteis para a autoridade lançadora promover os cálculos contidos na complementação da descrição dos fatos contida em fl. 19. Em tais cálculos, dentre outras conclusões, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil segregou os valores recebidos pelo recorrente em rendimentos isentos (9,73%) e rendimentos tributáveis (90,27%). Embora os documentos contidos no Dossiê de Malha não façam alusão à efetiva atuação dos subscritores do recibo apresentado na lide judicial em tela, o laudo de liquidação de fl. 40 a 46 e a consulta ao sítio do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região na Internet, inserida às fl. 47 a 52, demonstram, inequivocamente, tal atuação. Assim dispõe o art. 640 do Decreto 3000, de 26 de março de 1990(RIR/99): Art. 640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 3º). Parágrafo único. Poderá ser deduzido, para fins de determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Desta forma, considerando que o valor total pago lastreou o apoio jurídico tanto para receber os rendimentos isentos quanto para receber os rendimento tributáveis, o pleito recursal é parcialmente procedente, sendo devida a exclusão da base de cálculo, a título de pagamento de honorários advocatícios, do valor de R$ 30.992,18, equivalente ao percentual dos valores recebidos no processo judicial que correspondam a rendimentos tributáveis (90,27%) aplicado sobre o total pago de honorários. Conclusão: Fl. 66DF CARF MF 4 Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe parcial provimento para determinar a exclusão da base de cálculo do tributo do valor de R$ 30.992,18, a título de honorários pagos sobre os rendimentos tributáveis recebidos no curso do processo judicial. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.011570/2007-36
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 DCTF. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n o. 49).
Numero da decisão: 1801-000.712
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DCTF. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF no. 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.011570/200736 Acórdão n.º 180100.712 S1TE01 Fl. 58 2 Relatório Tratase de auto de infração (fl. 04) que exige multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativa ao 2o. trimestre do anocalendário 2003. Segundo o que consta do Auto de Infração, a DCTF relativa ao 2o. trimestre do anocalendário de 2003, cujo prazo de entrega exauriuse em 15/08/2003, foi apresentada em 22/04/2005, ensejando a incidência da multa de 2% sobre o montante dos tributos e contribuições informados na Declaração, por mêscalendário ou fração de atraso, limitada ao percentual de 20%, conforme estatuído no artigo 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. Tendo havido atraso de 21 meses no adimplemento da obrigação acessória foi imposta à interessada a multa máxima de 20% sobre o valor dos tributos e – contribuições informados na Declaração, resultando na exigência do valor de R$ 25.295,82. A interessada apresentou impugnação tempestiva argüindo que a entrega em atraso, porém espontânea da DCTF, juntamente com o pagamento pontual dos tributos nela informados, caracteriza a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Apreciando o litígio a DRJ em Fortaleza/CE julgou a exigência procedente ao argumento de que o descumprimento, ou o cumprimento tardio, da obrigação acessória de entrega de DCTF sujeitase às penalidades previstas na legislação de regência e que a denuncia espontânea não se aplicaria às obrigações acessórias. Notificada da decisão, em 01/07/2010 (AR fl. 39) e irresignada, apresentou a interessada, em 23/07/2010, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Como bem ressaltou a autoridade julgadora “a quo”, o fato de a contribuinte ter apresentado sua a DCTF relativa ao 2o. trimestre do anocalendário 2003 de forma espontânea, mas fora do prazo limite determinado pela legislação de regência, não a desobrigada da penalidade. É que a multa incide, justamente, pela demora, pelo atraso na apresentação da DCTF, de entrega obrigatória pelas pessoas jurídicas. Desnecessário, assim, transcrever, novamente, toda a legislação de regência do tema, já colacionada aos autos pela Fl. 64DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.011570/200736 Acórdão n.º 180100.712 S1TE01 Fl. 59 3 decisão da autoridade julgadora de primeira instância, para demonstrar que é a Lei que determina a entrega da DCTF no prazo por ela estabelecido e a aplicação de multa, no caso de inobservância desse prazo. Tratandose de descumprimento, ou de cumprimento extemporâneo, de obrigação acessória, não se aplica, in casu, o benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. Este Órgão Colegiado já pacificou entendimento nesse sentido, tendo sido, inclusive, editada a Súmula no. 49, abaixo reproduzida, que vincula obrigatoriamente todos os demais julgados das Turmas de Julgamento desta Corte Administrativa: Súmula CARF no. 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo quanto exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 65DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000169/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
Numero da decisão: 2402-005.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 69 /2 00 8- 57 Fl. 1685DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – (RJ) (DRJ/RJ1) (1655/1671), relativo a impugnação apresentada pelo sujeito passivo (199/276) em face do Auto de Infração de fls. 2 e seguintes. Por bem retratar os fundamentos trazidos no auto de infração e as considerações veiculadas na impugnação, reproduzse trechos correspondentes do relatório do Acórdão nº 1236.761, da 13ª Turma da DRJ/RJ1, ora recorrido: Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização (DEBCAD n° 37.205.9210), pertinente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados consoante o art. 30, inciso I, alínea "a" da lei 8.212/91. O valor do presente lançamento é de R$ 1.803.979,19, consolidado em 22 de dezembro de 2008. 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 86/99, as contribuições devidas incidem sobre os valores relativos a Bolsas de Estudos concedidas a seus funcionários. 3. O Auditor Fiscal autuante desconsidera a isenção alegada pela empresa em relação às contribuições patronais, eis que, no seu entender, a mesma não satisfaz os requisitos do Decreto 2.536/98 para ser considerada entidade beneficente de fins filantrópicos, conforme demonstrado em Relatório Fiscal. Além da exposição acerca do escopo da ação fiscal realizada, o autuante especifica (itens 25 a 27 do relatório) que a constituição do crédito fiscal constante do presente documento referese às contribuições originalmente a cargo dos segurados empregados que incidem sobre suas remunerações percebidas na empresa, no caso em tela, sobre as parcelas referentes aos valores das bolsas de estudos concedidas. 4. O AuditorFiscal exibe a coresponsabilidade da empresa ESTÁCIO PARTICIPAÇÕES S/A, como integrante de um grupo econômico de fato, adjacente à empresa supracitada, bem como arrola a coresponsabilidade dos sóciosgerentes da empresa no período do lançamento. DA IMPUGNAÇÃO 5. Dentro do prazo regulamentar, a Autuada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 197/274, anexando os documentos de fls. 277/295, que comprovam a capacidade postulatória do advogado que assina a impugnação, e alinhando os argumentos a seguir sintetizados em breves tópicos: 5.1. Nulidade da autuação por falta de observância do devido processo legal. 5.2. Os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social referentes ao período autuado continuam em pleno vigor. 5.3. O cancelamento somente opera efeitos para o futuro. 5.4. Os fundamentos adotados carecem de embasamento objetivo, pelo menos quanto aqueles relacionados com a questão da gratuidade. 5.5. A autuação ocorreu antes do decurso de prazo para apresentação dos documentos referentes aos valores lançados nas contas "Aluguéis" e Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 12898.000169/200857 Acórdão n.º 2402005.951 S2C4T2 Fl. 3 3 "Condomínios", cujos beneficiários são o presidente e um empregado da pessoa jurídica. 5.6.Questiona a decadência dos valores lançados nas competências 01 a 11/2003, em face da edição da Súmula Vinculante n. 08/2008. 5.7. As três razões que determinariam a perda da isenção (inobservância do requisito da gratuidade, transformação do patrimônio da sociedade e a suposta remuneração a sócio) não merecem sorte. 5.8. Quanto à presunção de que os valores pagos ao sócio da impugnante Sr. João Uchoa Cavalcanti Netto corresponderiam à remuneração paga ao mesmo, junta contratos de locação e respectivos aluguéis, demonstrando que a impugnante é locatária dos imóveis; 5.9. Há direito adquirido à isenção em relação à impugnante. A hipótese é de imunidade. 5.10. Os efeitos da adesão ao PROUNI foram ignorados pelo autuante. 5.11. Não existe óbice legal à aquisição de imóveis por parte das entidades beneficentes, bem como à sua alienação. No caso em tela, os imóveis adquiridos o foram para a consecução dos objetivos institucionais, e as vendas posteriores observaram critérios operacionais; 5.12. Ainda em relação à qualidade de entidade beneficente com direito à isenção no período da autuação, traça uma linha do tempo, afirmando que tinha direito adquirido desde a concessão original, em 1970, assegurado pela Lei 3.577/59. Afirma que a hipótese é de imunidade. 5.13. A concessão de bolsa de estudo não constitui remuneração sujeita à contribuição previdenciária, pois a verba se refere a investimento na qualificação dos empregados, não sendo retributivo do trabalho. Referese ao artigo 458 da CLT e ao artigo 28, § 9º , "t" da Lei 8.212/91 e acosta jurisprudência. 5.14. Investe contra o arrolamento de bens efetuado pela fiscalização, que inquina de inconstitucional, è contra a corresponsabilidade dos sócios, que considera descabida eis que a Fiscalização não comprovou a hipótese da aplicação do artigo 30, IX da Lei 8.212/91 à Estácio Participações; alega ainda ser tal dispositivo inconstitucional; 5.15. Afirma faltar a fundamentação legal da qualificação dos corresponsáveis, ofendendo a lei 9.784/99, e requer a nulidade em função da ausência de fundamentação. Afirma que a responsabilidade dos sócios por débitos de pessoas jurídicas foi revogada com o artigo 13 da Lei 8.620/93, sendo que as hipóteses de responsabilização de pessoas físicas atribuída pelo CTN é extremamente restrita; 5.16. Requer a nulidade do auto de infração por ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa, ou, alternativamente, que sejam excluídas as pessoas físicas e jurídicas indicadas como corresponsáveis tributários, dando provimento à impugnação, em relação ao mérito, e cancelando o lançamento; 5.17. Acosta documentos que afirma comprovarem suas alegações às fls.297/1.185. Fl. 1687DF CARF MF 4 6. Às fls. 1.207/1.208 a 13a. Turma da DRJ/RJ 01 encaminha os autos à Fiscalização, solicitando esclarecer se foram excluídos do lançamento os segurados que eventualmente já auferissem remuneração acima do teto máximo do salário de contribuição, bem como verificando se este limite foi observado no lançamento. Solicita ainda excluir os valores pagos a título de bolsas de estudos aos estagiários, haja vista que não foi feita nos autos a descaracterização dos mesmos, e o artigo 28, §9°, "i" dispõe que a bolsa de estudos paga ao estagiário nos termos da legislação não integra o salário de contribuição. 7. Em resposta de fls. 1.209, afirma a autoridade fiscal responsável pelo lançamento que o valor foi obtido através da média mensal referente ao valor da bolsa recebida por cada funcionário, assim, todos os valores individuais ficam no percentual aplicado de 8%. Afirma, em relação aos estagiários, que "o ônus da prova em contrário, com o fito de provar que os valores pagos aos estagiários arrolados no presente auto de infração, estão de acordo com o que dispõe o artigo 9º , I, 'H', cabe a Autuada, a quem cabe promover a apresentação nos autos da documentação pertinente a cada estagiário. Acrescenta que a Autuada não apresentou a documentação necessária e indispensável ao enquadramento nos termos da Lei 6.494/77, e por este motivo os valores não estão fora do campo de incidência da contribuição previdenciária. Em conclusão, considera as contribuições lançadas perfeitamente adequadas aos dispositivos legais arrolados no lançamento. 8. Às fls. 1.213 foi juntada a comprovação da intimação da Autuada. Da segunda Impugnação 9. Às fls. 1.214/1.293 a autuada apresenta nova impugnação, aduzindo, em síntese, os seguintes itens: 9.1. Defende a nulidade e improcedência da autuação por ausência de fundamentação legal, uma vez que, apesar das determinações expressas contidas na Resolução, a autoridade lançadora apenas informou, em seu "relatório fiscal aditivo", que o ônus da prova seria da Autuada, além de não ter cumprido a Resolução no que diz respeito à exclusão dos valores recolhidos de segurados que já contribuiem pelo teto máximo do salário de contribuição. Assim, o Relatório Fiscal Aditivo não cumpriu sua função quanto à descrição do fato e à determinação da exigência, já que não indicou com precisão as bases de cálculo das remunerações específicas de cada segurado, supostamente devidas pela Impugnante, tendo apenas apurado uma média mensal anual. Ocorre, assim, cerceamento do direito de defesa. 9.2. Alega que as competências compreendidas entre 01/2003 e 08/2004 foram alcançadas pela decadência, eis que a autoridade lançadora elaborou o "Relatório Fiscal Complementar", do qual a Defendente teve ciência 05/10/2009, constituindose em um novo lançamento. Assim, a contagem do prazo decadencial deve ser contada a partir desta data do novo lançamento, nos termos do artigo 150, § 4 o e 173 do CTN. 9.3. No mérito, argumenta, em relação à contribuição dos segurados ora lançada pode ter sido calculada em montante muito superior ao que determina a legislação pertinente, ao não serem observadas as faixas do salário de contribuição. O demonstrativo de débito não permite verificar se a fiscalização obedeceu a estes limites máximos, não tendo a autoridade fiscal também especificado com exatidão quais segurados que receberam a remuneração. Assim sendo, é nulo o lançamento, havendo também Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 12898.000169/200857 Acórdão n.º 2402005.951 S2C4T2 Fl. 4 5 cerceamento de defesa por não poder a Impugnante verificar a procedência dos valores que lhe foram impostos. 9.4. Acrescenta que, ao contrário do que informa a autoridade lançadora, o ônus de provar que os valores pagos aos estagiários não estãod e acordo com a legislação é do Fisco, sendo este um dos motivos que ensejaram a elaboração do Relatório Aditivo sugerido pela Resolução da DRJ. Afirma que é o Fisco, e não o contribuinte, que tem o encargo de provar o ilícito tributário. 9.5. Contesta a responsabilização dos sócios João Clemente Baena Soares e João Uchoa Cavalcanti Netto, por não terem sido observados os requisitos do artigo 135, II do Código Tributário Nacional, bem como a coresponsabilização da Estácio Participações S.A., pois esta não possui interesse comum na situação que constitui o fato gerador das contribuições previdenciárias em análise. Não há que se falar em tal interesse comum, haja vista que a citada empresa nem mesmo existia à época dos fatos geradores. 9.6. Reafirma todos os demais pontos da peça defensiva inicial, reproduzindoos. Da ciência e manifestação da Estácio Participações S/A 10. Tendo em vista que o autuante produziu considerações indicando a empresa Estácio Participações S/A como solidária, decorrente da formação de grupo econômico, os autos foram remetidos à Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (fls. 1.320) para cientificar a nova empresa da Resolução de n° 107, bem como do resultado da diligência, renovandose à interessada o prazo de defesa. 10.1. Após cientificada (fls. 1.323) a empresa Estácio Participações S/A apresentou a peça impugnatória de fls. 1.406/1.489, aduzindo o que segue, em breve síntese: 10.2. Propõe sua ilegitimidade passiva eis que não existia a Estácio de Sá Participações S/A quando da ocorrência dos fatos geradores. Não é sucessora da entidade que portava o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 10.3. Admite que quotas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá LTDA SESES foram usadas para integralizar o aumento de capital da Estácio de Sá Participações S/A, com o que a primeira passou a ser controlada pela segunda. Contudo, defende que esta situação não é o bastante para que possa ser considerada corresponsável. O CTN possui previsão específica sobre a responsabilidade tributária dos sucessores, no 10.4. Aponta os atos societários atualmente válidos e os vigentes à época dos fatos geradores, que demonstram que os sócios João Clemente Baena Soares e João Uchoa Cavalcanti Netto não exerceram seus cargos concomitantemente nas duas pessoas jurídicas e que a Estácio de Sá Participações S/A somente passou a ser sócia da autuada em 2007. 10.5. Insurgese contra a coresponsabilidade dos sócios, que considera descabida eis que o CTN limita a corresponsabilização de pessoas físicas a hipóteses que no seu entender não guardam semelhança com as dos autos. 10.6. Repete os argumentos expendidos pela primeira impugnante. Fl. 1689DF CARF MF 6 A DRJ/RJ1 considerou o lançamento procedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 LANÇAMENTO DE DÉBITO. MOTIVAÇÃO JURÍDICA NULIDADE. VÍCIO FORMAL E nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação e ferindo o direito à ampla defesa do contribuinte. Caracterizase o vício formal quando o preposto do Fisco adota comportamento previsto em lei, sem seguir todos os seus requisitos e sem explicitar o motivo jurídico para tal. BOLSAS DE ESTUDOS. LANÇAMENTO GLOBALIZADO. INEXISTÊNCIA DE PROVA CONCRETA E INEQUÍVOCA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE PRODUZIR PROVAS. NULIDADE. Não há demonstração dos efetivos fatos geradores incluídos no lançamento, estando incluídas no lançamento hipóteses de exclusão da incidência de contribuição previdenciária. É dever da Administração promover a correta capitulação do fato gerador, bem como carrear aos autos provas do fato jurídico tributável, conferindo certeza e liquidez ao crédito. A ausência de discriminação clara e precisa do fato gerador, e a insuficiência de provas da ocorrência do mesmo inquinam o lançamento de nulidade. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO ATENDIMENTO AOS REQUISITOS FÁTICOS E LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Não é válido o lançamento feito com técnica da aferição indireta sem haver fundamentação fática ou legal para a mesma. Só é admissível a inversão do ônus da prova no caso de se configurarem as hipóteses autorizadoras da realização da aferição nos moldes do artigo 33, § 3o da Lei 8.212/91 e 148 do CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 12898.000169/200857 Acórdão n.º 2402005.951 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Por ocasião da decisão de primeira instância administrativa, o ato que regulamentava o dispositivo legal acima referido era a Portaria MF nº 3/2008. Ocorre que, atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, cujo art. 1º dispõe: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Analisandose o Auto de Infração (fl. 2), constatase que o valor do tributo somado ao encargo de multa equivale a R$ 1.242.034,60. Confirase: Fl. 1691DF CARF MF 8 Vejase que o valor exonerado pela decisão da DRJ/RJ1 é inferior àquele estabelecido na Portaria MF nº 63/2017, o qual deve ser observado por ocasião do julgamento por este Conselho. Conclusão Assim, tendo em vista que o valor exonerado é inferior ao previsto na portaria ministerial, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1692DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721004/2015-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
REAJUSTE CONTRATUAL. IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO .
O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrando-se, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Tal contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGP-M. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizando-a. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGP-M.
REAJUSTE EM PERCENTUAL NÃO SUPERIOR ÀQUELE CORRESPONDENTE AO ACRÉSCIMO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO OU À VARIAÇÃO DE ÍNDICE QUE REFLITA A VARIAÇÃO PONDERADA DOS CUSTOS DOS INSUMOS UTILIZADOS. REGRA DO § 3º DO ART. 3º DA IN SRF Nº 658/2006 TEM ALCANCE E AMPLITUDE DETERMINADO PELO ART. 109 DA LEI Nº 11.196/05.
Não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
NOTA TÉCNICA DA ANEEL. NÃO TEM VALOR NORMATIVO OU VINCULANTE NA ESFERA TRIBUTÁRIA.
Manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
REAJUSTE CONTRATUAL. IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO .
O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrando-se, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Tal contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGP-M. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizando-a. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGP-M.
REAJUSTE EM PERCENTUAL NÃO SUPERIOR ÀQUELE CORRESPONDENTE AO ACRÉSCIMO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO OU À VARIAÇÃO DE ÍNDICE QUE REFLITA A VARIAÇÃO PONDERADA DOS CUSTOS DOS INSUMOS UTILIZADOS. REGRA DO § 3º DO ART. 3º DA IN SRF Nº 658/2006 TEM ALCANCE E AMPLITUDE DETERMINADO PELO ART. 109 DA LEI Nº 11.196/05.
Não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
NOTA TÉCNICA DA ANEEL. NÃO TEM VALOR NORMATIVO OU VINCULANTE NA ESFERA TRIBUTÁRIA.
Manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DA PROVA PRODUZIDA PELA RECORRENTE NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Ainda que o reajuste pelo IGP-M seja não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos da IN SRF nº 658/06; deve o reajuste também ser função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, em obediência ao art. 109 da Lei nº 11.196/05; o que não ocorreu. Disso decorre a desnecessidade de considerar tal laudo em sede de julgamento; o não prejuízo, portanto, do direito ao devido processo legal, do contraditório e ampla defesa, nem da busca da verdade material; o descabimento da anulação do auto com base em sua desconsideração e a desnecessidade de qualquer diligência que busque prova da relação entre o reajuste e o acréscimo dos custos de produção.
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. DEVIDOS.
O art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta", tendo tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Código.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizando-a. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGP-M. REAJUSTE EM PERCENTUAL NÃO SUPERIOR ÀQUELE CORRESPONDENTE AO ACRÉSCIMO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO OU À VARIAÇÃO DE ÍNDICE QUE REFLITA A VARIAÇÃO PONDERADA DOS CUSTOS DOS INSUMOS UTILIZADOS. REGRA DO § 3º DO ART. 3º DA IN SRF Nº 658/2006 TEM ALCANCE E AMPLITUDE DETERMINADO PELO ART. 109 DA LEI Nº 11.196/05. Não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. NOTA TÉCNICA DA ANEEL. NÃO TEM VALOR NORMATIVO OU VINCULANTE NA ESFERA TRIBUTÁRIA. Manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 REAJUSTE CONTRATUAL. IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO . O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrando-se, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Tal contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGP-M. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizando-a. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGP-M. REAJUSTE EM PERCENTUAL NÃO SUPERIOR ÀQUELE CORRESPONDENTE AO ACRÉSCIMO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO OU À VARIAÇÃO DE ÍNDICE QUE REFLITA A VARIAÇÃO PONDERADA DOS CUSTOS DOS INSUMOS UTILIZADOS. REGRA DO § 3º DO ART. 3º DA IN SRF Nº 658/2006 TEM ALCANCE E AMPLITUDE DETERMINADO PELO ART. 109 DA LEI Nº 11.196/05. Não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. NOTA TÉCNICA DA ANEEL. NÃO TEM VALOR NORMATIVO OU VINCULANTE NA ESFERA TRIBUTÁRIA. Manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DA PROVA PRODUZIDA PELA RECORRENTE NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Ainda que o reajuste pelo IGP-M seja não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos da IN SRF nº 658/06; deve o reajuste também ser função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, em obediência ao art. 109 da Lei nº 11.196/05; o que não ocorreu. Disso decorre a desnecessidade de considerar tal laudo em sede de julgamento; o não prejuízo, portanto, do direito ao devido processo legal, do contraditório e ampla defesa, nem da busca da verdade material; o descabimento da anulação do auto com base em sua desconsideração e a desnecessidade de qualquer diligência que busque prova da relação entre o reajuste e o acréscimo dos custos de produção. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. DEVIDOS. O art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta", tendo tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Código. Recurso Voluntário Negado
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IGPM. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO . O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrandose, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Tal contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGPM. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM. REAJUSTE EM PERCENTUAL NÃO SUPERIOR ÀQUELE CORRESPONDENTE AO ACRÉSCIMO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO OU À VARIAÇÃO DE ÍNDICE QUE REFLITA A VARIAÇÃO PONDERADA DOS CUSTOS DOS INSUMOS UTILIZADOS. REGRA DO § 3º DO ART. 3º DA IN SRF Nº 658/2006 TEM ALCANCE E AMPLITUDE DETERMINADO PELO ART. 109 DA LEI Nº 11.196/05. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 10 04 /2 01 5- 24 Fl. 741DF CARF MF 2 Não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. NOTA TÉCNICA DA ANEEL. NÃO TEM VALOR NORMATIVO OU VINCULANTE NA ESFERA TRIBUTÁRIA. Manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 REAJUSTE CONTRATUAL. IGPM. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO . O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrandose, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Tal contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGPM. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM. REAJUSTE EM PERCENTUAL NÃO SUPERIOR ÀQUELE CORRESPONDENTE AO ACRÉSCIMO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO OU À VARIAÇÃO DE ÍNDICE QUE REFLITA A VARIAÇÃO PONDERADA DOS CUSTOS DOS INSUMOS UTILIZADOS. REGRA DO § 3º DO ART. 3º DA IN SRF Nº 658/2006 TEM ALCANCE E AMPLITUDE DETERMINADO PELO ART. 109 DA LEI Nº 11.196/05. Não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 742 3 NOTA TÉCNICA DA ANEEL. NÃO TEM VALOR NORMATIVO OU VINCULANTE NA ESFERA TRIBUTÁRIA. Manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DA PROVA PRODUZIDA PELA RECORRENTE NOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Ainda que o reajuste pelo IGPM seja não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos da IN SRF nº 658/06; deve o reajuste também ser função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, em obediência ao art. 109 da Lei nº 11.196/05; o que não ocorreu. Disso decorre a desnecessidade de considerar tal laudo em sede de julgamento; o não prejuízo, portanto, do direito ao devido processo legal, do contraditório e ampla defesa, nem da busca da verdade material; o descabimento da anulação do auto com base em sua desconsideração e a desnecessidade de qualquer diligência que busque prova da relação entre o reajuste e o acréscimo dos custos de produção. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. DEVIDOS. O art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta", tendo tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Código. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Fl. 743DF CARF MF 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0958.491, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O presente processo administrativo traz lançamento de créditos tributários de COFINS e PIS/PASEP, recolhidos de forma insuficiente, juntamente com multa de ofício e juros de mora, em razão do regime de apuração. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: a contribuinte tributou no regime cumulativo receitas oriundas de contrato de geração e fornecimento de energia firmado com a empresa ELETROPAULO METROPOLITANA ELETRICIDADE DE SÃO PAULO S.A, assinado em 07 de dezembro de 2000; segundo o referido contrato houve reajuste do preço da energia com base na variação do IGPM a partir de julho de 2010, portanto, o fornecimento do bem não se deu a preço prédeterminado, o qual é requisito necessário para a permanência no regime cumulativo, conforme art. 10, inciso XI, c/c o art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003; tanto o artigo 109 da Lei nº 11.196/2005 quanto o inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 em nenhum momento dispõem que o reajuste dos contratos pelo IGPM não descaracterizaria o preço prédeterminado; pelo contrário, a lei se preocupou em esclarecer que o reajuste de preços com base no custo de produção ou custos dos insumos não descaracterizaria o preço prédeterminado destes contratos; em face do exposto, o sujeito passivo apurou equivocadamente no regime cumulativo parte de suas Receitas de Vendas de Bens e Serviços (contrato assinado com a empresa Eletropaulo em 07/12/2000), razão pela qual foram apuradas as bases de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS no regime não cumulativo, que abrange a totalidade das receitas, e lançadas as diferenças de contribuições não recolhidas e/ou pagas. Cientificada do lançamento em 17/04/2015 (sextafeira), a contribuinte apresentou impugnação em 18/05/2015, na qual, em resumo, assim se manifestou: a Impugnante firmou, em 7.12.2000, um Contrato de Compra e Venda de Energia Elétrica ("Contrato" doc. n° 6) com a Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S.A. ("Eletropaulo"); a legislação é clara ao estabelecer que os contratos com prazo superior a um ano, de fornecimento de bens, a preço predeterminado, estão sujeitos ao recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo. O Contrato em discussão é um contrato de fornecimento de bens (energia elétrica), válido até 2015 e o preço a ser pago está previsto nas cláusulas 1 'q' e 14 que determinam o valor a ser pago mensalmente; Fl. 744DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 743 5 o preço da energia a ser paga é predeterminado: R$ 68,73 por megawatthora. Afirmar que o preço é predeterminado não significa dizer que o preço é fixo. Nesse sentido, até por se tratar de um contrato de longo prazo, nos termos da cláusula 15ª do contrato, o preço predeterminado está sujeito ao reajuste anual com base na variação do IGPM; a ANEEL, o órgão responsável pela definição do índice de reajuste aplicável ao setor, já se manifestou na Nota Técnica n° 224/2006SFF/ ANEEL no sentido de que o IGPM é índice que reflete as variações de custos do setor e que, portanto, esse reajuste anual com base nesse índice oficial não descaracteriza o caráter de preço predeterminado; a Impugnante vem acompanhando a atualização de seu contrato ano a ano e o mesmo, em momento algum, como será demonstrado, foi reajustado por valor superior ao reajuste dos seus custos, nos exatos termos propostos pela própria legislação editada pela Receita Federal do Brasil ("RFB"), Instrução Normativa n° 658/2006; a Impugnante já obteve decisão favorável perante o CARF em relação ao mesmo Contrato discutido na presente Impugnação. A única diferença entre os dois casos é o anocalendário em discussão; tanto o artigo 109 da Lei n° 11.196/05 como o artigo 3o, § 3o da IN n° 658/06 estabelecem que os reajustes de preço não superiores ao acréscimo dos custos de produção não descaracterizam o preço determinado; a Fiscalização deveria ter produzido prova suficiente para comprovar que os reajustes aplicados pela Impugnante no seu contrato teriam sido superiores ao aumento do seu custo de produção, o que, frisese, não aconteceu; os reajustes muito embora tenham se fundamentado no IGPM, foram sempre inferiores à variação dos custos e que não houve qualquer renegociação dos contratos, conforme laudo da PwC, aspecto que sequer foi analisado pela Fiscalização; diante do descumprimento do artigo 9o do Decreto n° 70.235/72 em face da ausência de prova do ilícito tributário, consubstanciado no efetivo descumprimento dos requisitos legais para apuração do PIS e da COFINS com base no regime cumulativo (artigo 109 da Lei n° 11.196/05 e artigo 3o da IN n° 658/06), o AIIM em questão deve ser julgado nulo; qualquer reajuste de preços em percentual não superior ao acréscimo dos custos de produção não descaracteriza o preço predeterminado. É isso que dispõe expressamente o artigo 3º , § 3º, da IN n° 658/06; o artigo 109 da Lei n° 11.196/05 determina que o reajuste de preços em função de "índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados" não será considerado para fins de descaracterização do preço predeterminado, entendimento esse corroborado pelo CARF; a Impugnante não se opõe à conversão do julgamento em diligência, para que se faça a confirmação de que os preços não foram reajustados em patamares superiores à variação de custos, conforme demonstrado pelo laudo produzido pela PwC juntado aos autos (vide doc. n°7); a ANEEL, no exercício de suas competências legalmente instituídas, proferiu a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL por meio da qual esclareceu, para que não restassem dúvidas, que "qualquer reajuste de preço previsto contratualmente, que tenha por objetivo assegurar o reajuste necessário para minimizar os efeitos do desgaste inflacionário ocorrido durante o ano, sem que haja alteração (revisão) do preço e das condições pactuadas quando da assinatura do contrato, mediante índices estipulados contratualmente, qualquer que seja ele, não descaracteriza o preço predeterminado"; os reajustes em questão tem por base o IGPM, que conforme também explicitado pela ANEEL nessa mesma Nota Técnica, é o índice que se amolda Fl. 745DF CARF MF 6 ao comando legal do artigo 27 da Lei n° 9.069/95 e, consequentemente ao art. 109 da Lei n° 11.196/05 e ao art. 3o da IN n° 658/06; sendo o IGPM um mero índice de correção monetária o fato de haver previsão contratual de reajuste pelo IGPM não implica em revisão dos preços acordados; a aplicação de juros de mora sobre a multa lançada não tem base legal; protesta por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela juntada de novos documentos e a conversão do julgamento em diligência. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. PIS/PASEP E COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, permanecem sujeitas à incidência cumulativa da Cofins e do PIS/Pasep, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. O IGPM descaracteriza o preço predeterminado, pois, sendo um índice que apura a variação dos preços de uma forma geral, não se amolda ao disposto no § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE O PRINCIPAL E MULTA DE OFICIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, nos casos de lançamento de ofício os juros de mora incidem tanto sobre o tributo quanto sobre o valor dessa penalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs recurso voluntário. Preliminarmente, aduz a nulidade do acórdão de primeiro grau, basicamente, por ter este, na sua concepção, desconsiderado injustificadamente laudo produzido por empresa de auditoria independente. No mérito, defende a inexistência de descaracterização do preço predeterminado previsto contratualmente, alegando que qualquer reajuste de preços em percentual não superior ao acréscimo dos custos de produção não descaracteriza o preço predeterminado e que o IGPM é índice de correção monetária e não de revisão de preços. Traz Nota Técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Por fim, insurgese contra a incidência de juros sobre a multa aplicada. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 744 7 Pede então: a) o reconhecimento da nulidade da autuação, com o retorno dos autos à primeira instância de julgamento, para nova apreciação; e, alternativamente b) a conversão do julgamento em diligência para apuração dos fatos que os julgadores entenderem necessários. Informa a contribuinte que fora autuada, em 12/01/2012, sob o mesmo fundamento e relativamente ao mesmo contrato, para a cobrança de PIS/Pasep e Cofins, relativo aos períodos de 2007 a 2010 (processo administrativo nº 19515.720041/201296), tendo este a Conselho proferido "Acórdão que determinou que as receitas decorrentes do contrato firmado entre a Recorrente e a Eletropaulo devem ser mantidas no regime cumulativo de apuração do PIS e da COFINS" (grifos do original). Tal acórdão foi proferido pela 2º Turma Ordinário da 4º Câmara desta Terceira Seção e o processo aguarda julgamento de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ao recurso voluntário apresentado a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (FGFN) apresentou suas contrarazões, escorandose no Parecer PGFN/CAT/ n° 1610, de 1º de agosto de 2007. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 747DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. 1. Preliminar 1.1. Nulidade por desconsideração da prova produzida pela recorrente nos autos A recorrente pugna pela nulidade do acórdão de primeiro grau, no seu entender: (i) por desconsiderar injustificadamente um laudo contendo fatos e condições que são necessários para o adequado esclarecimento dos fatos que fundamentam o auto de infração (fundamentação insuficiente) e que serviu para suprir uma séria falha da fiscalização; e (ii) por prejudicar o direito de ampla defesa da Recorrente e a busca da verdade material, em flagrante violação ao disposto no artigo 50, incisos LIV e LV, da Constituição Federal de 1988. Afirma a recorrente que "tanto o artigo 109 da Lei nº 11.196/05 como o artigo 3º, § 3º da IN nº 658/06 estabelecem que os reajustes de preço não superiores ao acréscimo dos custos de produção não descaracterizam o preço determinado" (grifos do original). E que, por esse motivo, a fiscalização deveria ter produzido prova suficiente para comprovar que os reajustes in concreto foram superiores ao aumento do seu custo de produção. Relata que, para suprir falha da fiscalização, a própria recorrente contratou a produção de laudo pela empresa de auditoria independente PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos Ltda., o qual concluiu, em síntese, que: (i) os reajustes efetuados foram sempre feitos de acordo com as cláusulas contratuais e aprovados por resoluções homologatórias da ANEEL; e (ii) com relação ao Contrato celebrado com a Eletropaulo, o reajuste aplicado sempre foi inferior ao acréscimo dos custos de produção. Ora, o art. 109 da Lei nº 11.196/05 estabelece que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, [...], não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Isoladamente, portanto, nada fala sobre o que aduz a recorrente. O artigo 3º, § 3º, da IN no 658/06, este combinado com o citado art. 109 da lei, este sim, trata da questão: o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Ainda que o reajuste pelo IGPM seja não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos da IN SRF nº 658/06; deve o reajuste também ser função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, em obediência ao art. 109 da Lei nº 11.196/05. Demonstrado que tal função ou reflexo não ocorreu; o que foi concluído por este relator na discussão do mérito; decorre a desnecessidade de considerar tal laudo em sede Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 745 9 de julgamento; o não prejuízo, portanto, do direito ao devido processo legal, do contraditório e ampla defesa, nem da busca da verdade material; o descabimento da anulação do auto com base em sua desconsideração e a desnecessidade de qualquer diligência que busque prova da relação entre o reajuste e o acréscimo dos custos de produção, a qual indefiro. Pelas suas características e dependência da análise de mérito entendo que tal questão foi erroneamente colocada como preliminar. 2. Mérito Segundo a autuação, a recorrente tributou no regime cumulativo receitas advindas de contrato de geração e fornecimento de energia firmado com a ELETROPAULO, assinado em 07 de dezembro de 2000; tendo havido reajuste do preço da energia com base na variação do IGPM a partir de julho de 2010; de forma que o fornecimento do bem não se deu a preço predeterminado, requisito necessário para a permanência no regime cumulativo, conforme art. 10, inciso XI, c/c o art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003. Assim, tendo o sujeito passivo apurado equivocadamente no regime cumulativo parte de suas receitas, a fiscalização apurou as bases de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo, dando origem ao auto de infração, no qual foram lançadas as diferenças de contribuições não recolhidas e/ou pagas. A recorrente delimita bem a discussão em pauta: a autuação e o acórdão de primeiro grau, no seu dizer, entendem que "o preço previsto no Contrato não poderia ser considerado preço predeterminado porque está sujeito à cláusula de reajuste de preços". E defende que, ao contrário, que, "nos termos da legislação em vigor, o reajuste de preços ocorrido não descaracterizou o preço determinado previsto no Contrato": a) "seja porque ele não foi superior ao aumento dos custos produtivos", e b) "seja porque ele observou as exigências feitas pelo órgão regulador (ANEEL)". 2.1. Contrato a preço predeterminado A decisão da Delegacia de Julgamento ora recorrida ressalta que tais receitas, como determina o art. 10 da Lei n° 10.833/2003, permanecem sujeitas à incidência cumulativa da Cofins e do PIS/Pasep, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Decide que o IGPM descaracteriza o preço predeterminado, por ser índice que apura a variação dos preços de uma forma geral, não refletindo a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Argumenta a contribuinte, sobre o tema em pauta, pela inexistência de descaracterização do preço predeterminado previsto contratualmente, sob duas linhas: a) qualquer reajuste de preços em percentual não superior ao acréscimo dos custos de produção não descaracteriza o preço predeterminado e b) IGPM é índice de correção monetária e não de revisão de preços. O "CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE ENERGIA", firmado entra a vendedora "COMPANHIA DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA TIETÊ ELÉTRICA" e a compradora "ELETROPAULO METROPOLITANA ELETRICIDADE DE SÃO PAULO SA", (fls 125 a 159), de fato prevê o reajuste do preço da energia, receita, portanto da recorrente, pela variação do IGPM: Fl. 749DF CARF MF 10 (m) "IGPM": é o Índice Geral de Preços de Mercado, calculado pelo Departamento de Economia da Fundação Getúlio Vargas, ou, no caso da sua extinção, qualquer outro índice que reflita adequadamente a desvalorização da moeda nacional, conforme acordado pelas PARTES; [...] Parágrafo 1° O reajuste do PREÇO DA ENERGIA, ao fim de cada PERÍODO DE REAJUSTE, se dará pela aplicação da variação do IGPM (FGV) durante o PERÍODO DE REAJUSTE. Os valores a serem reajustados mediante a aplicação do IGPM (FGV) serão, antes da aplicação deste índice, acrescidos e/ou reduzidos em decorrência de aumento e/ou redução dos ENCARGOS. A recorrente, em resposta à intimação da fiscalização, confirma tal informação: d) O índice de reajuste do preço do MWh no contrato com a empresa Eletropaulo é o IGPM (índice de preços) que no período de julho de 2010 a julho de 2011 representou um reajuste de 8,64% no valor do MWh, reajustando o valor unitário do MWh de R$ 159,85 para R$ 173,67. Consta do site oficial da Fundação Getúlio Vargas, definição do IGP, como um índice geral de preços, englobando diferentes atividades econômicas: O IGP foi concebido no final dos anos de 1940 para ser uma medida abrangente do movimento de preços. Entendiase por abrangente um índice que englobasse não apenas diferentes atividades como também etapas distintas do processo produtivo. A Lei n° 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003), ao estabelecer o regime nãocumulativo para a Cofins, nas hipóteses lá previstas, com efeitos sobre o regime nãocumulativo da PIS/Pasep, capitula exceções, fazendo permanecer no regime cumulativo ambas as contribuições, no caso de contratos de fornecimento de bens, a preço predeterminado, firmados antes de 31/10/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...] c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; Em 2005, a Lei n° 11.196 estabeleceu forma de reajuste de preços que não descaracterizaria o contrato a preço predeterminado, para fins da manutenção no regime cumulativo: quando aquele se desse em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados: Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 746 11 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. E o faz, referindose à Lei n° 9.069/95, no dispositivo que excetua da aplicação do Índice de Preços ao Consumidor utilizado à época, o IPCr, justamente os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. [...] § 1º O disposto neste artigo não se aplica: [...] II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; Observese, que o IPCr foi extinto, nos termos do art. 8º, caput, tendo seu § 1º determinado sua substituição por "índice previsto contratualmente para este fim", no caso em pauta, o IGPM. Assim, a referência do art. 109 da Lei n° 11.196/2005 ao art. 27, § 1º, II, da Lei n° 9.069/95, é clara no sentido de distanciar o IGPM; enquanto substituto do IPCr; dos reajustes de preço que não descaracterizam o contrato a preço predeterminado; posto que não se aplica "aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados". Em obediência ao princípio da legalidade, o caso in concreto assim se enquadra à luz dos dispositivos legais expostos. a) O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrandose, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. b) Tal contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGPM. Por óbvio, em sendo índice geral de preços; medida abrangente do movimento de preços, abrangente, no sentido de que, engloba diferentes atividades e também diferentes etapas do processo produtivo, no dizer da Fundação Getúlio Vargas; não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia pela recorrente à ELETROPAULO, nem do setor elétrico como um todo. Fl. 751DF CARF MF 12 Não se enquadra, portanto, o reajuste pelo IGPM, na não descaracterização de preço predeterminado, para fins da manutenção no regime cumulativo, prevista no art. 109 da Lei n° 11.196/2005. E assim tem recentemente decidido a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. [...] (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.467, de 24/02/2016, rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama). REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.372, de 11/12/2015, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Em 2006, a então Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 658/2006, cujo art. 3º regulamenta o preço predeterminado para fins de apuração da PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 747 13 dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Assim, estatui o art. 3º que preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Assim, qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, como argumenta a recorrente, seja de revisão de preços, inclusive a cláusula contratual sob análise, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços se dá em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM; regra legal complementada pelo § 3º da IN, reproduzido acima, devendo este, claro, correspondência à lei, como será exposto em seção seguinte do presente voto. Assim, não tem efeito sobre o discutido a argumentação da recorrente de que o IGPM é índice de correção monetária e não de revisão de preços. Aduz também a contribuinte que preço predeterminado é aquele preço previsto contratualmente e não se equipara a preço fixo, amparado no que dispõem a Instrução Normativa n° 21, de 13 de março de 1979, que disciplina a aplicação do art. 10 do Decretolei n° 1.598/1977, para fins de IRPJ. Tal norma absolutamente não se aplica ao caso em pauta, pois é anterior e menos específica que a IN 658, ou melhor, se aplica a outra espécie tributária o IRPJ. O característica de índice geral de preços, por si só, já retiraria o IGPM da exceção que não descaracterizaria o preço predeterminado. Não é demais reforçar tal conclusão com os argumentos expostos no voto condutor do acórdão 9303003.372 da Câmara Superior, cuja ementa foi reproduzida acima: O Fisco, com arrimo na Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, e no Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, entendeu que o tipo de contratado de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, celebrado pela ora recorrida, não se enquadraria como contrato de preço predeterminado, pois as cláusulas de reajuste de preços, com base no IGPM, não refletiriam apenas a variação de custo de produção ou de insumos, condição necessária para a manutenção da incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas relativas a esse contrato. [...] Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, o IPC M e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens Fl. 753DF CARF MF 14 intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. [...] De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. (grifos do original). Aduz a recorrente que o art. 109 da Lei no 11.196/05 não definiu que índice deve ser adotado como parâmetro e nem mesmo excluiu a possibilidade de utilização de um índice geral, desde que o mesmo reflita a indicada variação. De fato, tal dispositivo não determina qual o índice não descaracterizaria o contrato a preço predeterminado, apenas algumas de suas características, e nesse ponto, excluiu a utilização de índice geral, que por sua natureza não reflete os insumos da operação sob contrato. Na mesma linha, o acórdão de primeiro grau entende, conforme citado no Termo de Verificação Fiscal, que "o simples reajuste do preço com base em índice que mede a variação da inflação, por si só, desvirtuaria a definição de preço predeterminado, independentemente de o reajuste se encontrar aquém da variação dos custos do interessado". E cita passagem daquele: 32. No que tange à definição de preço predeterminado, a inovação diante da IN SRF nº 468, de 2004, é o conteúdo do § 3º,1 que admite a manutenção do caráter de preço predeterminado, na hipótese de o reajuste de preços não se dar em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice, previsto em contrato, que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos, incorporando de forma isonômica a exceção criada pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Entretanto, se o reajuste não leva em conta termos de custos de produção ou insumos, então não se pode se valer do instrumento da comparação para averiguação de eventual inferioridade de percentual, pois da expressão “nos termos do inciso II do § 1º da art. 27 da Lei nº 9.069 de 1 Em verdade tal disposição consta da IN SRF nº 658/2006, que revogou a de nº 468 de 2004. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 748 15 1995”, concluise que o reajuste estabelecido em contrato deve conter imprescindivelmente termos de custos de produção ou insumos.. (Grifos do original e nota de rodapé do relator). Importante observar que o contrato em pauta estabelece que o reajuste do preço da energia se dá pela variação do IGMP; mas que, antes, os valores a serem reajustados seriam acrescido e/ou reduzidos em decorrência de aumento e/ou redução de encargos, de ENCARGOS, assim considerados todos os tributos, impostos, taxas ou contribuições incidentes sobre o faturamento da energia: Parágrafo 1° O reajuste do PREÇO DA ENERGIA, ao fim de cada PERÍODO DE REAJUSTE, se dará pela aplicação da variação do IGPM (FGV) durante o PERÍODO DE REAJUSTE. Os valores a serem reajustados mediante a aplicação do IGPM (_FGV) serão, antes da aplicação deste índice, acrescidos e/ou reduzidos em decorrência de aumento e/ou redução dos ENCARGOS. (f) "ENCARGOS": todos os tributos, impostos, taxas ou contribuições incidentes sobre o FATURAMENTO DA ENERGIA; Assim, mesmo com as modificações no regime de apuração das contribuições, determinadas pela legislação citada, nestes termos, não resta afetado o equilíbriofinanceiro do contrato. O Parecer PGFN/CAT n° 1.463/2007, traz uma oportuna análisehistórica do tema: 3. Na redação original da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, não havia esta disposição. Isto quer dizer que uma vez em vigor a nãocumulatividade, obrigatória para determinadas pessoas jurídicas, rapidamente foi detectado que a mudança criou um desequilíbrio nos contratos em que os preços foram acertados pela sistemática anterior. Assim sendo, no Projeto de Lei de Conversão foi apresentada emenda que criou a regra de transição que pode ser lida no texto vigente da lei. 4. Por este regime provisório, os contratos deveriam obedecer a quatro requisitos para que as suas receitas permanecem na cumulatividade: anterior a 31 de outubro de 2003, por prazo superior a um ano, construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, e a preço predeterminado. Eram, portanto, exceção à regra da nãocumulatividade. Alguma ocorrência que prejudicasse o atendimento aos requisitos, obriga a tributação dos valores recebidos seguindo a nãocumulatividade. 5. A idéia central deste dispositivo é a nãosurpresa do contribuinte que calculou seu preço antes da vigência da M.P. nº 135, de 2003, utilizando para tanto a alíquota menor. Ademais, somente com o passar de certo tempo é que as empresas acumulariam os créditos a serem compensados com o valor devido pelos tributos e se efetivaria a nãocumulatividade. Passada a surpresa da alteração legislativa, e iniciado o processo de aquisição de créditos, o certo seria que todos os contratos passassem para a nãocumulatividade. 6. Entretanto, algumas empresas ao fazer o cálculo dos tributos devidos perceberam que teriam que pagar um valor maior no sistema da não cumulatividade do que no da cumulatividade. Dessa forma, começaram a buscar meios de prorrogar indefinidamente os seus contratos para que sobre aquelas receitas incidissem alíquotas menores. Como os três primeiros Fl. 755DF CARF MF 16 requisitos legais são bastante objetivos, passaram a tecer ilações sobre o mais impreciso dos conceitos: o de preço predeterminado. 7. Os contribuintes passaram a reajustar seus contratos, aplicando índices de inflação diretamente aos seus preços. Acreditavam que estava mantido o caráter de preço predeterminado e, em conseqüência, poderiam manter aquelas receitas na sistemática da cumulatividade. Dessa forma, por hipótese, um contrato com prazo de vinte anos poderia passar todo este período na cumulatividade, alterando periodicamente o seu preço com aplicação de qualquer índice de inflação. (Grifos do relator). Por todo o exposto, nesse ponto, nego provimento ao recurso voluntário. 2.2. Reajuste em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados Aduz a contribuinte que restou "devidamente comprovado, que o reajuste de preços efetuado pela recorrente no seu contrato de compra e venda de energia elétrica não foi superior ao incremento de custos na produção ocorrido no mesmo período" e que "nos termos da legislação, qualquer reajuste de preços em percentual não superior ao acréscimo dos custos de produção não descaracteriza o preço predeterminado", e faz referência ao § 3º do art. 3º da IN SRF nº 468/20042. Como prova do alegado, apresenta laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos Ltda, o qual, segundo a recorrente, teria concluído que o reajuste aplicado sempre foi inferior ao acréscimo dos custos de produção. O citado dispositivo assim dispõem: Art. 3º [...] § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Tal dispositivo de Instrução Normativa da então Secretaria da Receita Federal é ato administrativo que regulamenta lei, emanado do poder regulamentar do Executivo, previsto no art. 84, IV da Constituição Federal. E assim sendo não podem criar direitos ou obrigações, posto que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, nos termos do art. 5°, II, da Carta Magna. Seu alcance e amplitude é determinado pela lei que regulamenta. Assim, deve tal disposição regulamentar almodarse aos dispositivos legais a que se refere, no caso, o art. 10 da Lei n° 10.833/2003, o qual determina que permanecem sujeitas ao regime cumulativo as receitas relativas a contratos de fornecimento de bens a preço predeterminado e, mais especificamente, o art. 109 da Lei n° 11.196/2005, que estabelece que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. 2 Em verdade tal disposição consta da IN SRF nº 658/2006, que revogou a de nº 468 de 2004. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 749 17 Dessa forma, não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, em obediência ao art. 109 da Lei nº 11.196/05; o que não ocorre com o IGPM. Portanto, nessa matéria, nego provimento ao recurso voluntário. 2.3. Nota Técnica da ANEEL Discorre a recorrente que a ANEEL é competente e responsável por controlar preços e tarifas de energia elétrica, homologando seus valores iniciais, reajustes e revisões. A recorrente também registra que o laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers, concluiu, em síntese, que: "(i) os reajustes efetuados foram sempre feitos de acordo com as cláusulas contratuais e aprovados por resoluções homologatórias da ANEEL". Traz em sua defesa Nota Técnica no 224/2006SFF/ANEEL, a ela se assim referindo: por meio da qual esclareceu, para que não restassem dúvidas, que "qualquer reajuste de preço previsto contratualmente, que tenha por objetivo assegurar o reajuste necessário para minimizar os efeitos do desgaste inflacionário ocorrido durante o ano, sem que haja alteração (revisão) do preço e das condições pactuadas quando da assinatura do contrato, mediante índices estipulados contratualmente, qualquer que seja ele, não descaracteriza o preço predeterminado. Desta nota destaca manifestação da ANEEL de que o IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo artigo 27 da Lei n° 9.069/95: Nesse ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem como nos contratos de Concessão do Servico Público de Transmissão é o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo artigo 27 da Lei n° 9.069/95. (...) E daí conclui a recorrente que "conseqüentemente, ao art. 109 da Lei n° 11.196/05 e ao art. 30 da IN n° 658/06". Pois bem, a ANEEL é agência reguladora instituída pela Lei n° 9.427/2006, tendo por finalidade "regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal" (art. 2o da Lei). Não lhe foi atribuída qualquer competência normativa na esfera tributária. Suas notas técnicas também não podem ser incluídas no rol "legislação tributária" do art. 96 do CTN, na qual se encontram as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante. Da mesma falta de tal efeito padece o "Parecer Econômico elaborado pelo exSecretário Executivo e Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy", também apontado pela recorrente. Fl. 757DF CARF MF 18 A ANEEL também não tem competência para determinar o enquadramento ou não do IGPM no conceito esculpido no art. 27 da Lei n° 9.069/95, matéria eminentemente financeira, que no caput trata da correção de expressão monetária de obrigação pecuniária pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, de mesma natureza do IGPM, um índice geral de preços, sem efeito, tal enquadramento, sobre a incidência do art. 109 da Lei n° 11.196/05 e do art. 30 da IN SRF n° 658/06, como pretende a recorrente. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. 2.4. Juros sobre multa de ofício Por fim, a recorrente questiona a incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, por ser esta baseada, supostamente, na autuação, apenas no Parecer MF no 28/2008, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), e não em lei. Mas, o art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta ", tendo tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Código, havendo, portanto, base legal para a incidência da multa de ofício. Nesse sentido, cito julgado recente da 2º Turma do CSRF e decisão do STJ: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 2º Turma, Ac. 9202005.239, de 22/02/2016, rel. Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." [REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009. De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.] Destarte, dado o contexto vinculado do presente julgado e a eficácia dos dispositivos legais supracitados, deve também ser mantida a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do seu vencimento. (STJ, AgRg no RE, 4/12/2012). Sobre o tema, portanto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 750 19 Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 759DF CARF MF 20 Declaração de Voto Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto do Relator, acima indicados, ouso discordar das conclusões constantes do mesmo, consoante fundamentos a seguir explanados. O cerne da presente contenda é identificar se as receitas relativas a contratos firmados anteriormente à 31 de outubro de 2003, que tinham o IGPM como índice de reajuste, estão sujeitas ao regime cumulativo ou nãocumulativo. Em outras palavras, cingese na interpretação da aplicação do art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03, em decorrência do superveniente art. 109 da Lei nº 11.196/05, sendo necessário decidir se o reajuste dos contratos apresentados pelo contribuinte (IGPM) levaram à descaracterização dos mesmos como "preço predeterminado". Como é cediço, o regime nãocumulativo da COFINS foi instituído pela Lei nº 10.833/2003, a qual trouxe exceções em seu art. 10, inclusive as descritas no seu inciso XI, as quais mantiveramse sob o manto do regime cumulativo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...). XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Tais exceções, inclusive, foram estendidas ao PIS, por meio do inciso V do art. 15, também da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; Ou seja, com base na legislação acima transcrita, sujeitarseiam ao regime da cumulatividade as receitas relativas a contratos de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, firmados anteriormente a 31 de outubro de Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 751 21 2003. Ou seja, para se enquadrar nesta exceção, é imprescindível que o contrato, além de ter sido firmado anteriormente a 31 de outubro de 2013, possua preço predeterminado. Para a solução da presente lide, então, imprescindível que se identifique o que deve ser considerado como preço predeterminado. Sobre o assunto, a IN/SRF nº 468/2004, já revogada, assim dispunha: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. § 3º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1º. Ato contínuo, foi publicada a Lei nº 11.196/2005, que admitiu expressamente exceções à descaracterização do preço predeterminado, ao assim dispor: Art. 109. Para fins do disposto nas Erro! A referência de hyperlink não é válida.Erro! A referência de hyperlink não é válida.Erro! A referência de hyperlink não é válida. o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do Erro! A referência de hyperlink não é válida.Erro! A referência de hyperlink não é válida.Erro! A referência de hyperlink não é válida.Erro! A referência de hyperlink não é válida.Erro! A referência de hyperlink não é válida., não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Ou seja, o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, não será considerado para fins de descaracterização do preço predeterminado. Ainda sobre o assunto, foi editada a IN nº 658/2006, que revogou a IN/SRF nº 468/2004, ao assim dispor: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 761DF CARF MF 22 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições. A Lei nº 9.069/1995, mencionada acima, por seu turno, assim dispõe: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o Erro! A referência de hyperlink não é válida. II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; No caso ora analisado, o que se encontra em discussão é se a adoção do IGPM retiraria do preço descrito em seu contrato o caráter de predeterminado, nos moldes do que dispõe o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 e as demais normas acima indicadas. Segundo entendeu o Relator, não estaria o IGPM enquadrado no disposto no parágrafo 3º do art. 3º da IN nº 658/2006 (art. 27, parágrafo 1º, inciso II da Lei nº 9.069/95), uma vez que não refletiria a "variação ponderada dos custos dos insumos utilizados" na produção do serviço prestado pela autuada. Discordo, contudo, da conclusão ali indicada. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 752 23 Consoante narrado acima, o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 trazia como requisito para a permanência no regime cumulativo apenas que o contrato tivesse preço predeterminado, não trazendo nenhuma restrição relativa aos reajustes. O limitador em questão veio inicialmente através da IN/SRF nº 468/2004. Ocorre que não poderia a referida IN trazer restrição não disposta em lei, visto que assim procedendo findou por aumentar a alíquota tributária aplicada ao contribuinte, em total desrespeito ao princípio da Legalidade. Até porque, importante mencionar que quando da edição da Lei nº 10.833/2003 encontravase em vigor a IN 21/79, que assim dispunha acerca do preço predeterminado: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. Logo, inferese que, ao adotar o termo "preço predeterminado", pretendia a Lei nº 10.833/2003 seguir a previsão legal disposta na IN 21/79 supra transcrita, vigente à época. Eventual alteração dessa interpretação, portanto, somente poderia ser realizada por norma de mesma hierarquia ou superior. Destaquese, outrossim, que não se está aqui afastando a aplicação da IN/SRF nº 468/2004 por inconstitucionalidade, o que seria vedado pela súmula nº 02 deste Conselho. Estáse, em verdade, reconhecendo a sua total inaplicabilidade face ao disposto na Lei nº 10.833/2003, norma de hierarquia superior, cuja observância é obrigatório por este Conselho. Este, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre o assunto, consoante decisões consubstanciadas nas ementas dos RESP nº 1089998RJ e RESP nº 1169088, respectivamente: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o Fl. 763DF CARF MF 24 caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) *** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 753 25 prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. De outro norte, em razão dos problemas ocasionados pela IN nº 468/2004, que trazia restrições de forma ilegal e sem qualquer ressalva, foi editada a Lei nº 11.196/2005 e a IN/SRF nº 658/2006, as quais trouxeram exceções à restrição atinente aos reajustes. Até porque, não fazia sentido a descaracterização do contrato como tendo preço predeterminado nos casos em que havia mero reajuste por índice de atualização monetária. Isso porque, a aplicação de um índice de correção não retira o caráter de preço predeterminado do contrato, mas apenas o confirma, visto que mantém o valor atualizado de acordo com a realidade do momento, contrapondose aos efeitos da inflação. Como se não bastasse, a interpretação que faço de ditas normas tampouco se coaduna com a conclusão obtida pelo Relator, consoante será demonstrado a seguir. Nos termos do parágrafo 3º do art. 3º da IN/SRF nº 658/2006: "O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado". O inciso II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, por sua vez, dispõe que o reajuste também poderá ser realizado, além da variação acumulada do IPCr disposta no caput, em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O fundamento do Relator para negar o pedido de compensação do contribuinte foi de que o IGPM não poderia ser aceito por representar um índice que apura a variação dos preços de uma forma geral, não se constituindo em índice específico de nenhuma categoria ou produto. É importante mencionar, contudo, que a norma não limita a não descaracterização do preço predeterminado à adoção de um índice específico, bastando que o índice adotado nos contratos não seja superior às referências descritas no art. 27 da Lei nº 9.069/1995. Fl. 765DF CARF MF 26 Ademais, vale destacar que o II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995 admite, como alternativa ao IPCr (o dispositivo legal fala em poderá), os critérios de custo de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Nesse contexto, entendo que, ao mencionar o referido dispositivo legal, pretendia o legislador admitir, da mesma forma, não apenas o IPCr (disposto no caput do art. 27), como também o disposto em seu inciso II, parágrafo 1º. De outro norte, é pertinente mencionar que o IPCr, índice expressamente previsto no caput do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, e que também era geral, foi extinto, tendo sido substituído por outros índices, como o IGPM. Entendo, então, que o índice de atualização adotado em contrato, para que seja admitido para fins do disposto no inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 (preço predeterminado), não deverá corresponder necessariamente a um índice específico de alguma categoria ou produto. Até porque, na prática, seria inviável a existência de índices diversos para cada categoria ou produto, o que geraria uma infinidade de índices. O que se precisa perquirir, na verdade, é se o índice adotado pelo contribuinte no caso concreto representa percentual condizente com a sua atividade, para que seja admitido como mero reajuste em contraponto à inflação, mantendo, assim, a característica de preço predeterminado do contrato, não correspondendo a índice superior aos balizamentos constantes do art. 27 da Lei nº 9.096/1995 (IPCr, extinto e substituído por outros índices, e demais índices adotados em função do custo da produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados). E, no caso concreto em análise, concluo que o IGPM atende tais requisitos. Até porque, como bem ressaltou o contribuinte em seu recurso, a ANEEL, em resposta à Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica APINE, informou que o IGPM é o índice de reajuste aceito pelo Poder Concedente em todos os contratos de concessão de distribuição assinados com a União Federal, por refletir mais adequadamente as variações de preços do setor elétrico. Tanto que a ANEEL indica em seu site que o reajuste para atualização monetária dos contratos deste setor deve considerar o IGPM. Nessa ótica, entendo que o IGPM, como bem esclareceu a ANEEL, reflete a variação de preços do setor elétrico, enquadrandose, portanto, nos requisitos dispostos tanto na Lei nº 11.196/2005 quanto na IN/SRF nº 658/2006, visto que é um dos índices gerais que veio substituir o extinto IPCr. Até porque, exigir um índice específico para cada produto representaria, na verdade, uma tentativa de negar aplicabilidade à própria exceção atinente aos reajustes, visto que é muito improvável que haja um índice de atualização aplicável a determinado produto específico. O que a norma buscou evitar é que fossem adotados índices que representassem aumentos superiores aos observados em determinada atividade, o que poderia representar uma verdadeira revisão do seu valor, ou seja, um ganho superior à mera recomposição do valor monetário da moeda. Não é, contudo, o que se vê na hipótese dos autos, em que fora adotado pelo contribuinte o índice oficial admitido pela União Federal, conforme orientação da ANEEL, justamente em razão da sua correlação com as variações de preços atinentes especificamente ao setor elétrico. Ou seja, a adoção do IGPM buscou apenas o manter o equilíbrio contratual, não representando uma revisão do preço inicialmente pactuado. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 754 27 Tanto é assim que a própria ANEEL emitiu a Nota Técnica nº 224/2006, que teve como objeto a avaliação da incidência das Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS sobre as receitas decorrentes de contratos assinados em data anterior a 31/10/2003, nos termos do art. 10, inciso XI, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003, c/c art. 109 da Lei nº 11.196/2005, através da qual pronunciouse expressamente no sentido de que a incidência do PIS e da COFINS, nos contratos licitados antes de 31/10/2003, permanecem no regime cumulativo por se caracterizarem como de preço predeterminado. Em razão da sua relevância, trazse a seguir passagem da referida Nota Técnica: (...). Diante da nova conceituação de preço predeterminado, trazida pela IN SRF nº 486/2004 exclusivamente para fins de PIS/PASEP e COFINS, temse que a existência de cláusula de reajuste no contrato seria causa de indeterminação do preço a partir do momento em que aplicado o reajuste, passando então a receita decorrente a ser submetida ao regime novo da não cumulatividade. É, portanto, evidente o conflito entre a regulamentação existente (IN SRF nº 21/79 e IN SRF nº 486/2004). Percebese que a Secretaria da Receita Federal, mediante ato de natureza jurídica meramente complementar, nos termos do art. 100, I, do CTN, estabeleceu restrições e limitação que não se encontram previstas na Lei nº 10.833/2003. Dessa forma, hialina a violação ao princípio da legalidade, segundo o qual a atividade administrativa está condicionada à observância da lei, pois na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, não devendo sua atividade violar a lei, regulamento ou outro ato normativo. (...). Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 0.069/95. Dessa forma, com o novo comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, a ocorrência de mero reajuste de preços, efetuados especificamente nas condições descritas na Lei nº 9.069, art. 27, parágrafo 1º, II, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei nº 9.718/98. (...). Portanto, com a edição da Lei nº 11.196/2005, qualquer reajuste de preço previsto contratualmente, que tenha por objetivo assegurar o reajuste necessário para minimizar os efeitos do desgaste inflacionário ocorrido durante o ano, sem que haja alteração (revisão) do preço e das condições pactuadas quando da assinatura do contrato, mediante índices estipulados contratualmente, qualquer que seja ele, não descaracteriza o preço predeterminado, permanecendo a receita decorrente de tais contratos no regime da tributação cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS. (...). Por todo o exposto, concluímos que: a) as receitas decorrentes dos Contratos Iniciais e Bilaterais, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, enquadramse nas disposições do art. Fl. 767DF CARF MF 28 10, inciso XI, letra "b", da Lei nº 10.833/2003, uma vez que são contratos assinados por prazo superior a 1 (um) ano, com preço predeterminado, cujo reajuste anual, calculado com base em índices oficiais (IGPM), não descaracteriza o caráter de preço predeterminado, devendo, por conseguinte, tais receitas permanecerem sujeitas às normas da legislação do PIS/PASEP e da COFINS, vigentes anteriormente à edição da Lei nº 10.833/2003, ou seja, no regime cumulativo, previsto na Lei nº 9.718/1998. (...). Reforça o entendimento acima exposto o fato de que o contribuinte, no caso em análise, não poderia firmar contrato em valor predeterminado sem que fizesse constar cláusula de reajuste, nem poderia escolher outro índice que não o IGPM, ainda que correspondesse à variação relativa ao seu produto específico. Por força da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações), a cláusula de reajuste do preço deverá constar necessariamente tanto do ato convocatório do processo de licitação quanto do instrumento contratual. E, no caso de contrato no setor de energia elétrica, o índice a ser adotado deveria ser o IGPM, conforme orientação da ANEEL. Até porque, é importante salientar que não poderia a Recorrente se distanciar de orientação da ANEEL sobre o tema, visto ser este o órgão regulador da sua atividade, inclusive quando considera que a determinação da tributação a ser adotada impacta diretamente o preço da tarifa adotada pela Recorrente, tema este que se sujeita ao controle direto da ANEEL. Nesse contexto, não vislumbro que seja plausível exigir do contribuinte que não apenas discorde, mas descumpra entendimento expressamente exposto em parecer formalmente emitido pela ANEEL, que é a agência reguladora de suas atividades. Nesse contexto, entendo que as receitas do Recorrente decorrentes dos contratos firmados antes de 30/10/2003, ainda que o preço seja reajustável pelo IGPM, deveriam ter sido tributadas pelo regime da cumulatividade. É válido destacar, inclusive, que a 3ª Seção de Julgamento do CARF já se manifestou neste mesmo sentido, consoante se extrai da ementa a seguir transcrita (Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão nº 3302001.659 publicado em 22/11/2012): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 755 29 O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Fl. 769DF CARF MF 30 Recurso Voluntário Provido. Por oportuno, é válido trazer à tona trecho do voto vencedor proferido pela Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Conforme se depreende do voto do ilustre Conselheiro Relator2, em seu entender, o IGPM não pode ser aplicado porque não está previsto na legislação citada pela Lei nº 9.069/95, que é a legislação mencionada na Lei nº 11.196/05. Explico. O nobre julgador aceitou a interpretação do conceito de “pré determinado” nos termos da Instrução Normativa nº 658/06 (que é o dispositivo utilizado para a desconsideração do procedimento da Recorrente) por força do disposto no artigo 109 da Lei nº 11.196/05, a saber: (...). E este dispositivo legal citou, expressamente, o artigo 27 da Lei nº 9.069/95, verbis: (...). Assim, no entender do Relator, somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção ou no IPCr, por expressa limitação legal. Ouso discordar do nobre colega. Para tanto acato a argumentação trazida aos autos por meio do Parecer da ANEEL (fls. 235/236 – Vol. II), que esclarece que o índice IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM. Neste sentido, o citado artigo 27 da Lei nº 9.069/95 (lei instituidora do Plano Real) foi substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real), vejamos: “Lei nº 10.192/01 Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” (destaquei) Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 756 31 Ainda conforme este texto legal, o artigo 2º permite a correção monetária por índices de preços gerais OU que reflitam a variação de custos de produção: “Lei nº 10.192/01 Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” Com base nestas alterações legais, divirjo da interpretação apresentada pelo d. Conselheiro Relator por entender que o comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o condão restritivo pretendido pela fiscalização, de excluir a aplicação do IGPM como índice de correção monetária. Ao revés, concluo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, conseqüentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Além da questão específica referente à legislação, mesmo que não houvesse tal possibilidade, registro que entendo que a correção monetária por si só não representa nova grandeza econômica3, mas apenas a manutenção do poder de moeda4. Neste diapasão, sequer haveria a necessidade de expressa previsão legal, posto que sua incidência claramente não tem o poder de descaracterizar os preços prédeterminados dos contratos, pretendendo apenas garantir o equilíbrio financeiro da relação jurídica estabelecida. Neste raciocínio, ainda que o IPCr não estivesse extinto, pareceme claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “prédeterminado” – por isso precisaria de uma Instrução Normativa, apenas determina um comando legislativo, esclarecendo que em determinadas hipóteses não poderia haver interpretação do conceito por parte da fiscalização. É pertinente destacar, inclusive, que esta decisão restou mantida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que sob outro fundamento, a qual, à unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (Acórdão nº 9303003.467 de 24/02/2016). A seguir, transcrevo passagens do voto proferido pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora do referido processo, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: (...) Sendo assim, em melhor análise da IN SRF 468/04, ainda que tenha sido editada à época sem previsão legal de “reajuste de preços”, entendo que o que se está propondo com essa norma é desbordar confusão no ordenamento jurídico – vez que a natureza do evento de reajuste de preço é diferente do evento de revisão de preço. Fl. 771DF CARF MF 32 Eis que o reajuste contratual tem a finalidade de se “corrigir monetariamente” o preço já contratado/negociado para se manter o equilíbrio econômico financeiro do contrato – equalizando o preço já estipulado com o poder da moeda. Ou seja, o reajuste não tem o condão de alterar o preço já contratado/negociado, mas sim, de apenas, em virtude de perdas inflacionárias, adequálo à realidade econômica. Enquanto que a revisão do preço, com a definição pela continuidade de determinado serviço e em vista de circunstâncias extraordinárias, p.e. motivos concorrenciais, tem a finalidade de se estipular uma nova equação econômica para se firmar um novo preço junto ao contratado. O que, de fato, alteraria o preço do serviço. É de se trazer também que o reajuste usualmente ocorre anualmente e no final do exercício, pois deve considerar os impactos inflacionários do ano corrente, diferentemente da revisão de preço, que poderá ocorrer pelas circunstâncias extraordinárias que influenciam as partes e o mercado (p.e., oferta e demanda). Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. O que passo, a desconsiderar aquela Instrução Normativa IN SRF 468/04 para o caso em apreço, em respeito à natureza dos eventos jurídicos – reajuste e revisão de preços – já que traz que o mero “reajuste” implicaria a alteração do preço antes firmado, confluindo da mudança da sistemática das contribuições. (...). Com a cláusula 11, temse claro que o reajuste ora aventado não teve como pretensão a alteração do preço prédeterminado do contrato, mas apenas a atualização desse preço já estipulado com a utilização do Índice Geral de Preços de Mercado – IGPM – oficial. A correção monetária de per si por sua natureza mantém o preço predefinido equalizandoo somente com o poder da moeda – o que, a meu sentir, nem precisaria de previsão legal para se fazer tal reajuste – necessário à manutenção de vários negócios jurídicos. Sendo assim, a cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Cabe lembrar que a Lei 8.666/93 – que dispõe sobre as licitações e contratos firmados pela Administração Pública, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação (Grifos meus): "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 757 33 regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" Com efeito, notase que o reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato – por decorrência de um novo preço. Tanto é assim, que não tem o condão de provocar alteração contratual, conforme demonstrado no art. 65, § 8º do art. 65 da Lei de Licitações (Grifos meus): "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." Em vista do exposto, o mero reajuste de preço, em respeito ao poder da moeda, não altera o contrato já firmado, tampouco há que se falar em mudança do preço acordado. Ou seja, a mera atualização do preço, por decorrência da desvalorização da moeda, não poderia descaracterizar o contrato com preço predeterminado. (...) Seria tão danoso tal entendimento de que não se poderia utilizar o IGPM como índice para a atualização do preço no contrato ora firmado que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel traz em seu site que o reajuste para a atualização monetária dos contratos deve considerar o IGPM. Fl. 773DF CARF MF 34 Cabe elucidar que a Aneel foi instituída pela Lei 9.427/96, tendo por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. E, dentre as suas atribuições, consta a gestão dos contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como atuar para se zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica. Dessa feita, compete a ANEEL zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando as práticas de mercado, além de gerir os contratos de concessão de energia elétrica – o que, para tanto, poderá regular o índice a ser utilizado para se atualizar tais contratos. E foi o que efetivamente fez a ANEEL no presente caso, ao expor a possibilidade de se utilizar o IGPM como índice de atualização monetária do preço. Ou seja, conforme fundamentos acima expostos, entendo que a adoção do IGPM não retira a qualidade de preço predeterminado do contrato. De todo modo, ainda que assim não se entenda, destaquese que no caso concreto acima analisado o contribuinte trouxe aos autos laudo que atesta que o IGPM adotado em seus contratos não excedeu os seus custos de produção. E, como é cediço, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendido, em tais casos, pela manutenção na sistemática cumulativa. É o que se infere do Acórdão nº 9303003.467 de 24/02/2016, que espelha o entendimento da maioria dos julgadores apresentado naquela oportunidade: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. Não obstante, haja vista que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como predeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, é de se considerar, para fins de manutenção à sistemática cumulativa, parecer emitido por empresa especializada, desde que contemple elementos e extensivas referências Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201524 Acórdão n.º 3301003.643 S3C3T1 Fl. 758 35 ao critério adotado para a referida demonstração. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. Não obstante, haja vista que a legislação vigente traz ainda que não se configuraria a descaracterização do contrato como predeterminado quando o percentual de reajustes dos preços de seu contrato de fornecimento não ultrapassar o aumento de seus custos de produção, é de se considerar, para fins de manutenção à sistemática cumulativa, parecer emitido por empresa especializada, desde que contemple elementos e extensivas referências ao critério adotado para a referida demonstração. Recurso Especial do Procurador Negado Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de reconhecer o direito do contribuinte à tributação pelo regime da cumulatividade quanto aos contratos firmados anteriormente à 30/10/2003, ainda que possuam cláusula de reajuste pelo IGPM. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 775DF CARF MF 36 Fl. 776DF CARF MF
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