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Numero do processo: 19515.001196/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VICIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-005.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe provimento declarando a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para darlhe provimento declarando a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 96 /2 00 9- 24 Fl. 92DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 08/04/2009 para constituição da contribuição previdenciária devida pelos segurados. Segue transcrição de trecho da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE DOS SEGURADOS. AJUDA DE CUSTO. GRATIFICAÇÃO SOB A FORMA DE INDENIZAÇÃO. INDENIZAÇÃO E DEVOLUÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA SEMANAL. Incide contribuição previdenciária sobre a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais em forma de utilidades. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Relatório Fiscal e os Anexos do . Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o. contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, e Guias da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 19515.001196/200924 Acórdão n.º 2301005.021 S2C3T1 Fl. 92 3 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instancia determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... O Relatório Fiscal, de f1s.07 a 13, informa que constituem fat ger d res do presente lançamento rubricas de folha de pagamento pagas sem incidência contri ão previdenciária, no período de 01/2004 a 12/2004, identificados nos autos pelos Levantamento código SEG. ... Os valores pagos a título das rubricas de folha de pagamento a seguir relacionadas, não foram incluídos na base de cálculo mensal para apuração do valor devido da contribuição previdenciária respectiva: Ajuda de Custo Levantamento código AJU; Devolução do IR semanal Levantamento código DIR; Indenização Especial Levantamento código IND; Indenização Lei n° 7.238 levantamento código LEI. Não conformada com a autuação a recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese que: PRELIMINARES DE DIREITO Apresentamse uma preliminar de direito e um protesto: a) houve cerceamento de defesa na medida em que se constata a ausência de um Discriminativo do Débito escrito em que apresenta os beneficiados pelos pagamentos e os valores mensais de cada um deles, o que configura um constrangimento ao direito constitucional de ampla defesa (CF, art. 5 0, LV). b) protesta pela juntada de documentos, provas, perícias e pareceres favoráveis ao procedimento da defendente e também, quando for o caso, pela apresentação das GPS relativas a contribuições recolhidas como devidas pelo contribuinte. Fl. 94DF CARF MF 4 DO DIREITO De acordo com o Relatório Fiscal é questionada a incidência de contribuições em relação a quatro rubricas: a) Ajuda de custo; b) Indenização da Lei n° 7.238/84; c) Indenização Especial. e d) Devolução IR semanal. AJUDA DE CUSTO A ajuda de custo está prevista no artigo 470 da CLT, bem como no artigo 28, 9° da Lei 8.212/91. Não possui qualquer caráter remuneratório, não se refere aos serviços prestados e apresenta a característica fundamental do art. 201, §11, da Constituição Federal: é ganho eventual. É descabida a exigência constante do AIOP, a norma previdenciária é claríssima ao dispensar a contribuição e isso se deve às seguintes razões: i) não acresce o patrimônio; ii) é ocasional; e iii) não enseja o caráter substitutivo da prestação previdenciária. INDENIZAÇÃO DA LEI 7.238/84 Nos termos da Lei n° 6.708/79 o empregado dispensado sem justa causa, no período de trinta dias a que antecede a data da correção salarial, tem o direito da indenização adicional equivalente a um salário mensal, seja ele optante ou não do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS. Dessa forma é descabida a exigência fiscal. INDENIZAÇÃO ESPECIAL Da leitura do art. 28, §9º letra e, fica bastante evidente que o legislador não deseja a incidência de contribuições sobre valores indenizatórios. O valor constante do Relatório Fiscal e do AIOP é nitidamente uma gratificação esporádica paga quando do afastamento da empresa por parte do empregado, enquadrado como estímulo ao afastamento ou aposentadoria, logo sem qualquer caráter salarial. Não se constitui em salário porque não há contrapartida por parte do trabalhador e não é remuneração porque é eventualíssimo. DEVOLUÇÃO IR SEMANAL Não tem a referida parcela qualquer natureza salarial, consistindo na devolução do Imposto de Renda indevidamente retido dos empregados não residentes no Brasil que optou pela tributação exclusiva em seu País de residência atual — Itália. Como na época o IR era apurado por semana, houve a retenção na fonte de pagamento no Brasil, que posteriormente foi devolvida aos empregados. É o Relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 19515.001196/200924 Acórdão n.º 2301005.021 S2C3T1 Fl. 93 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares Procedimentos formais Quanto a preliminar de nulidade do lançamento quanto a ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento, entendo que no presente caso a motivação apresentada no lançamento é suficiente para o pleno conhecimento por parte da recorrente desses beneficiários, bastando para tanto examinar suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. Não há prejuízo à defesa quando o lançamento alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Ainda assim, está consignado no relatório fiscal que o recorrente recebeu em meio magnético uma planilha nominal. Mérito Com exceção da restituição do IRPF dos segurados não residentes, as parcelas objeto do lançamento são previstas na Lei nº 8.212/91 como isentas ou fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 96DF CARF MF 6 ... e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; ... 5. recebidas a título de incentivo à demissão; ... 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). ... g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Embora previstas no artigo 28, §9º da Lei nº 8.212/91 como parcelas sobre as quais não há incidência da contribuição previdenciária, a fiscalização, sem apresentar como fundamento quaisquer dos requisitos que deixaram de ser cumpridos pela recorrente, considerou, a contrário senso, como parcelas sujeitas à incidência. A decisão recorrida manteve o lançamento sob fundamento de inversão do ônus da prova em desfavor do contribuinte: Alega a Impugnante que não integra o salário de contribuição a ajuda de custo recebida pelo empregado na forma do art. 470 da Consolidação das Leis do Trabalho, entendendo, assim, ser descabida a exigência a este título nos presentes autos, vez que tal pagamento não acresce o patrimônio do trabalho, é ocasional e não enseja o caráter substitutivo da prestação previdenciária. No entanto, a Impugnante alega, mas não junta aos autos um documento que comprove que os pagamentos por ela efetuados ocorreram na forma da Lei. Por sua vez, a fiscalização afirma que da análise dos arquivos de folhas de pagamento e da contabilidade da empresa para o período de 2004, constatou que TODOS os pagamentos efetuados pela empresa a título, não só de ajuda de custo, como das demais rubricas constantes do Auto de Infração (Indenização da Lei n° 7.238/84; Indenização Especial e Devolução IR semanal) constituem salário de contribuição da previdência social, sendo que os valores devidos estão sendo aqui cobrados. Efetuando pagamentos a título de ajuda de custo em desconformidade com a lei, a Impugnante enfrentou as disposições do art. 28, § 9º letra "g", da Lei 8.212/91, acima transcrito, e a inversão do ônus de comprovar a natureza indenizatória dos valores pagos sob esta rubrica, sem lograr êxito por ter apenas aventado hipóteses. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 19515.001196/200924 Acórdão n.º 2301005.021 S2C3T1 Fl. 94 7 Entendo que o lançamento contém vício insanável por atingir o núcleo central do crédito tributário, o fato gerador da obrigação. Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 98DF CARF MF 8 Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do Fl. 99DF CARF MF Processo nº 19515.001196/200924 Acórdão n.º 2301005.021 S2C3T1 Fl. 95 9 tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Fl. 100DF CARF MF 10 Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722116/2009-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 16 /2 00 9- 02 Fl. 166DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista glosas de áreas ambientais e arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 20/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801003.090 (fls. 130 a 143), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal, bem como da existência das áreas com documentação complementar. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 9202005.431 CSRFT2 Fl. 167 3 "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar." O processo foi encaminhado à PGFN em 10/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 121) e, em 23/07/2013 foi interposto o Recurso Especial de fls. 122 a 129 (Despacho de Encaminhamento de fls. 145). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210200.609 e 210201.664. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 07/03/2014 (fls. 147 a 149). Cientificada por meio de Edital, a Contribuinte quedouse silente (fls. 151 a 154). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Esclareçase, por oportuno, que foram indicados como paradigmas os Acórdãos nºs 210200.609 e 210201.664, sendo que o primeiro deles já foi examinado por este Colegiado e não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, no despacho de admissibilidade foi também examinado o segundo paradigma, considerado apto a demonstrar o dissídio interpretativo, sem qualquer óbice por parte desta Conselheira ou do Contribuinte, de sorte que passase a examinar o mérito do apelo. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sem que fosse anexada ao processo a respectiva tela extraída do sistema. A informação acerca do critério utilizado foi fornecida apenas em sede de decisão de Primeira Instância, que assim registrou: " Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$2,50 por hectare encontrase, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN médio, por hectare, de R$54,13/ha, apurado no universo das Fl. 168DF CARF MF 4 DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Moju/PA. Esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Moju/PA, correspondendo, portanto, à média dos valores (VTN) informados pelos próprios contribuintes nas suas DITR/2005." Esclareçase que o VTN arbitrado no valor de R$ 54,13 foi o efetivamente apurado mediante a divisão do VTN total arbitrado pela área total do imóvel (R$ 433.040,00 / 8.000,00 hectares fls. 09). Entretanto, no demonstrativo de fls. 07, elaborado pelo próprio autuante, constou o VTN arbitrado de R$ 61,47. Registrese que a tela do SIPT, confirmando o VTN médio das DITR de R$ 54,13 foi juntado aos autos somente após a impugnação, às fls. 55. Assim, constatase que o arbitramento do VTN foi levado a cabo com base no valor médio das DITR do município de localização do imóvel, sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, nesta parte, restabelecendose o VTN declarado pelo Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10280.722116/200902 Acórdão n.º 9202005.431 CSRFT2 Fl. 168 5 b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903397/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 33 97 /2 00 8- 63 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.903397/200863 Acórdão n.º 1402002.569 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13896.903397/200863 Acórdão n.º 1402002.569 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13896.903397/200863 Acórdão n.º 1402002.569 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13896.903397/200863 Acórdão n.º 1402002.569 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13896.903397/200863 Acórdão n.º 1402002.569 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.928031/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2002
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.732
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/08/2002 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 31 /2 00 9- 01 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 15374.928031/200901 Acórdão n.º 3201002.732 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.514. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 15374.928031/200901 Acórdão n.º 3201002.732 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 64DF CARF MF Processo nº 15374.928031/200901 Acórdão n.º 3201002.732 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.004616/2006-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 30/12/2005
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. DESCRIÇÃO GENÉRICA. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO. ARBITRAMENTO.
Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio, apurado em procedimento de conferência final de manifesto, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, será aplicada, para fins de o cálculo do Imposto de Importação a alíquota genérica de 50% (cinquenta por cento), a ser aplicada sobre base de cálculo arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico.
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. ENTRADA PRESUMIDA. FATO GERADOR. DATA DO LANÇAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA.
Por presunção legal considera-se importada a mercadoria estrangeira constante de manifesto de carga, cujo extravio seja apurado pela autoridade aduaneira, e o fato gerador do II ocorrido na data do lançamento do correspondente crédito tributário.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/12/2005
Ementa:
IPI. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. FATO GERADOR. DESEMBARAÇO PRESUMIDO. DATA DO LANÇAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA.
Por depender e estar vinculado a apuração do II, a data da ocorrência do desembaraço aduaneiro presumido, fixado como o momento da ocorrência do fato gerador do IPI incidente sobre mercadoria importada, cujo extravio seja apurado em procedimento de conferência final de manifesto, reputa-se ocorrido na data do lançamento do II.
IPI. MERCADORIA IMPORTADA. EXTRAVIO. INCIDÊNCIA DO IPI. ART. 80, C/C ART. 67, DA LEI N° 10.833/2003. NORMA DE CARÁTER MATERIAL. VIGÊNCIA E EFICÁCIA A PARTIR DE 31/10/2003. RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A hipótese de incidência (desembaraço presumido), a base de cálculo (arbitrada) e a alíquota de 50% (cinquenta por cento) fixados para cobrança do IPI no art. 80, c/c art. 67, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, teve vigência a partir de 31/10/2003, data da publicação da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na referida Lei e que veiculou originariamente os referidos comandos legais, respectivamente, nos arts. 64 e 51.
No presente caso, as mercadorias extraviadas ingressaram, presumidamente, em 2000, por conseguinte, por força do princípio da irretroatividade tributária, inserto no art. 150, II, "a", da CF/88, a referida norma não poderia alcançar as mercadorias estrangeiras presumidamente entradas no território nacional antes de 31/10/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/12/2005
Ementa:
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. SISCOMEX MANTRA. ARMAZENAMENTO. REGISTROS DE DESCARGA.
desde a implantação do Sistema Mantra, tanto o manifesto de carga, de responsabilidade do transportador, quanto o armazenamento, à cargo do Depositário, são realizados eletronicamente, incumbindo-se a cada interveniente os respectivos registros no sistema.
Esses registros eletrônicos gera um banco de dados com informações sistematizadas, permitindo a realização da Conferência Final de Manifesto, mediante o confronto do Manifesto de Carga com os registros de descarga, estes últimos, formalizados pelo armazenamento da carga, no MANTRA.
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. SISCOMEX MANTRA. ARMAZENAMENTO. TRANSPORTADOR. DEPOSITÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE.
Com o registro do armazenamento o depositário procede à conferência da carga recebida [do transportador] para armazenamento e informa, no sistema, quantidade, peso e eventual avaria da carga. Nesse momento ocorre a transferência da responsabilidade do transportador para o depositário.
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. EXTRAVIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSPORTADOR.
Em se tratando de extravio apurado em ato de Conferência Final de Manifesto, o sujeito passivo da obrigação tributário principal é o transportador, por expressa disposição legal, Decreto 4.543/02, art. 592.
O Conhecimento de Carga, regularmente manifestado, faz prova do recebimento da carga pelo transportador e a obrigação legal de sua entrega no lugar de destino. Se a mercadoria manifestada faltou na descarga, do transportador é a responsabilidade tributária pelo extravio verificado.
Ainda que o transportador exima-se quanto a eventuais divergências relativas à natureza e características intrínsecas das mercadorias ou produtos transportados, por desconhecê-las, não poderá eximir-se quanto às divergências relativas às características extrínsecas das cargas transportadas, i.é., volumes e pesos.
EXTRAVIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA. INEXISTENTE
Embora o art. 30, § 2º do Decreto 4.543/02 tenha atribuído responsabilidades ao Agente de Carga, essa responsabilidade está correlacionada à consolidação e desconsolidação da carga e as conseqüências dali decorrentes. A responsabilidade pelo efetivo transporte da carga, desde o recebimento para transporte (pelo transportador) até a efetiva entrega no destino, não pode ser transferida a terceiro, tampouco ao Agente de Carga.
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quando se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa.
a citação, no Auto de Infração, da matriz legal em que se substancia a autuação é suficiente para ofuscar eventual indicação equivocada de Decreto Regulamentador, desde que os fatos estejam suficientemente aclarados, garantindo-se ao contribuinte o conhecimento da infração que lhe é imputada, em sua plenitude.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.446
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir do Auto de Infração a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) lançado, mantendo-se intactas as exigências quanto ao Imposto de Importação (II) e a multa do art. 106, inciso II, alínea d, do Decreto Lei 37/66.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 30/12/2005 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. DESCRIÇÃO GENÉRICA. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO. ARBITRAMENTO. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio, apurado em procedimento de conferência final de manifesto, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, será aplicada, para fins de o cálculo do Imposto de Importação a alíquota genérica de 50% (cinquenta por cento), a ser aplicada sobre base de cálculo arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. ENTRADA PRESUMIDA. FATO GERADOR. DATA DO LANÇAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. Por presunção legal considera-se importada a mercadoria estrangeira constante de manifesto de carga, cujo extravio seja apurado pela autoridade aduaneira, e o fato gerador do II ocorrido na data do lançamento do correspondente crédito tributário. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 30/12/2005 Ementa: IPI. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. FATO GERADOR. DESEMBARAÇO PRESUMIDO. DATA DO LANÇAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. Por depender e estar vinculado a apuração do II, a data da ocorrência do desembaraço aduaneiro presumido, fixado como o momento da ocorrência do fato gerador do IPI incidente sobre mercadoria importada, cujo extravio seja apurado em procedimento de conferência final de manifesto, reputa-se ocorrido na data do lançamento do II. IPI. MERCADORIA IMPORTADA. EXTRAVIO. INCIDÊNCIA DO IPI. ART. 80, C/C ART. 67, DA LEI N° 10.833/2003. NORMA DE CARÁTER MATERIAL. VIGÊNCIA E EFICÁCIA A PARTIR DE 31/10/2003. RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A hipótese de incidência (desembaraço presumido), a base de cálculo (arbitrada) e a alíquota de 50% (cinquenta por cento) fixados para cobrança do IPI no art. 80, c/c art. 67, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, teve vigência a partir de 31/10/2003, data da publicação da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na referida Lei e que veiculou originariamente os referidos comandos legais, respectivamente, nos arts. 64 e 51. No presente caso, as mercadorias extraviadas ingressaram, presumidamente, em 2000, por conseguinte, por força do princípio da irretroatividade tributária, inserto no art. 150, II, "a", da CF/88, a referida norma não poderia alcançar as mercadorias estrangeiras presumidamente entradas no território nacional antes de 31/10/2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/12/2005 Ementa: CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. SISCOMEX MANTRA. ARMAZENAMENTO. REGISTROS DE DESCARGA. desde a implantação do Sistema Mantra, tanto o manifesto de carga, de responsabilidade do transportador, quanto o armazenamento, à cargo do Depositário, são realizados eletronicamente, incumbindo-se a cada interveniente os respectivos registros no sistema. Esses registros eletrônicos gera um banco de dados com informações sistematizadas, permitindo a realização da Conferência Final de Manifesto, mediante o confronto do Manifesto de Carga com os registros de descarga, estes últimos, formalizados pelo armazenamento da carga, no MANTRA. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. SISCOMEX MANTRA. ARMAZENAMENTO. TRANSPORTADOR. DEPOSITÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. Com o registro do armazenamento o depositário procede à conferência da carga recebida [do transportador] para armazenamento e informa, no sistema, quantidade, peso e eventual avaria da carga. Nesse momento ocorre a transferência da responsabilidade do transportador para o depositário. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. EXTRAVIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSPORTADOR. Em se tratando de extravio apurado em ato de Conferência Final de Manifesto, o sujeito passivo da obrigação tributário principal é o transportador, por expressa disposição legal, Decreto 4.543/02, art. 592. O Conhecimento de Carga, regularmente manifestado, faz prova do recebimento da carga pelo transportador e a obrigação legal de sua entrega no lugar de destino. Se a mercadoria manifestada faltou na descarga, do transportador é a responsabilidade tributária pelo extravio verificado. Ainda que o transportador exima-se quanto a eventuais divergências relativas à natureza e características intrínsecas das mercadorias ou produtos transportados, por desconhecê-las, não poderá eximir-se quanto às divergências relativas às características extrínsecas das cargas transportadas, i.é., volumes e pesos. EXTRAVIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA. INEXISTENTE Embora o art. 30, § 2º do Decreto 4.543/02 tenha atribuído responsabilidades ao Agente de Carga, essa responsabilidade está correlacionada à consolidação e desconsolidação da carga e as conseqüências dali decorrentes. A responsabilidade pelo efetivo transporte da carga, desde o recebimento para transporte (pelo transportador) até a efetiva entrega no destino, não pode ser transferida a terceiro, tampouco ao Agente de Carga. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quando se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. a citação, no Auto de Infração, da matriz legal em que se substancia a autuação é suficiente para ofuscar eventual indicação equivocada de Decreto Regulamentador, desde que os fatos estejam suficientemente aclarados, garantindo-se ao contribuinte o conhecimento da infração que lhe é imputada, em sua plenitude. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 30/12/2005 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. DESCRIÇÃO GENÉRICA. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO. ARBITRAMENTO. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio, apurado em procedimento de conferência final de manifesto, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, será aplicada, para fins de o cálculo do Imposto de Importação a alíquota genérica de 50% (cinquenta por cento), a ser aplicada sobre base de cálculo arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. ENTRADA PRESUMIDA. FATO GERADOR. DATA DO LANÇAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. Por presunção legal considerase importada a mercadoria estrangeira constante de manifesto de carga, cujo extravio seja apurado pela autoridade aduaneira, e o fato gerador do II ocorrido na data do lançamento do correspondente crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/12/2005 Ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 46 16 /2 00 6- 24 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 611 2 IPI. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. FATO GERADOR. DESEMBARAÇO PRESUMIDO. DATA DO LANÇAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. Por depender e estar vinculado a apuração do II, a data da ocorrência do desembaraço aduaneiro presumido, fixado como o momento da ocorrência do fato gerador do IPI incidente sobre mercadoria importada, cujo extravio seja apurado em procedimento de conferência final de manifesto, reputase ocorrido na data do lançamento do II. IPI. MERCADORIA IMPORTADA. EXTRAVIO. INCIDÊNCIA DO IPI. ART. 80, C/C ART. 67, DA LEI N° 10.833/2003. NORMA DE CARÁTER MATERIAL. VIGÊNCIA E EFICÁCIA A PARTIR DE 31/10/2003. RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A hipótese de incidência (desembaraço presumido), a base de cálculo (arbitrada) e a alíquota de 50% (cinquenta por cento) fixados para cobrança do IPI no art. 80, c/c art. 67, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, teve vigência a partir de 31/10/2003, data da publicação da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na referida Lei e que veiculou originariamente os referidos comandos legais, respectivamente, nos arts. 64 e 51. No presente caso, as mercadorias extraviadas ingressaram, presumidamente, em 2000, por conseguinte, por força do princípio da irretroatividade tributária, inserto no art. 150, II, "a", da CF/88, a referida norma não poderia alcançar as mercadorias estrangeiras presumidamente entradas no território nacional antes de 31/10/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/12/2005 Ementa: CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. SISCOMEX MANTRA. ARMAZENAMENTO. REGISTROS DE DESCARGA. desde a implantação do Sistema Mantra, tanto o manifesto de carga, de responsabilidade do transportador, quanto o armazenamento, à cargo do Depositário, são realizados eletronicamente, incumbindose a cada interveniente os respectivos registros no sistema. Esses registros eletrônicos gera um banco de dados com informações sistematizadas, permitindo a realização da Conferência Final de Manifesto, mediante o confronto do Manifesto de Carga com os registros de descarga, estes últimos, formalizados pelo armazenamento da carga, no MANTRA. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. SISCOMEX MANTRA. ARMAZENAMENTO. TRANSPORTADOR. DEPOSITÁRIO. TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. Com o registro do armazenamento o depositário procede à conferência da carga recebida [do transportador] para armazenamento e informa, no sistema, quantidade, peso e eventual avaria da carga. Nesse momento ocorre a transferência da responsabilidade do transportador para o depositário. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 612 3 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. EXTRAVIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSPORTADOR. Em se tratando de extravio apurado em ato de Conferência Final de Manifesto, o sujeito passivo da obrigação tributário principal é o transportador, por expressa disposição legal, Decreto 4.543/02, art. 592. O Conhecimento de Carga, regularmente manifestado, faz prova do recebimento da carga pelo transportador e a obrigação legal de sua entrega no lugar de destino. Se a mercadoria manifestada faltou na descarga, do transportador é a responsabilidade tributária pelo extravio verificado. Ainda que o transportador eximase quanto a eventuais divergências relativas à natureza e características intrínsecas das mercadorias ou produtos transportados, por desconhecêlas, não poderá eximirse quanto às divergências relativas às características extrínsecas das cargas transportadas, i.é., volumes e pesos. EXTRAVIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA. INEXISTENTE Embora o art. 30, § 2º do Decreto 4.543/02 tenha atribuído responsabilidades ao Agente de Carga, essa responsabilidade está correlacionada à consolidação e desconsolidação da carga e as conseqüências dali decorrentes. A responsabilidade pelo efetivo transporte da carga, desde o recebimento para transporte (pelo transportador) até a efetiva entrega no destino, não pode ser transferida a terceiro, tampouco ao Agente de Carga. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quando se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. a citação, no Auto de Infração, da matriz legal em que se substancia a autuação é suficiente para ofuscar eventual indicação equivocada de Decreto Regulamentador, desde que os fatos estejam suficientemente aclarados, garantindose ao contribuinte o conhecimento da infração que lhe é imputada, em sua plenitude. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir do Auto de Infração a cobrança do Imposto Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 613 4 sobre Produtos Industrializados (IPI) lançado, mantendose intactas as exigências quanto ao Imposto de Importação (II) e a multa do art. 106, inciso II, alínea “d”, do Decreto Lei 37/66. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 614 5 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para cobrança de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/PASEPImportação, COFINSImportação, e multa do art. 521, inciso II, alínea "d", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030/85. A autoridade lançadora, na Descrição dos Fatos, relata que em ato de conferência final de manifesto, efetuada nos termos do Decreto n° 4.543/2002, em seus artigos 51 e 589 (DecretoLei n° 37/66, art. 39, § 1o) constatou o não armazenamento das seguintes cargas no armazém de importação da alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos: 1) 02 (dois) volumes, peso 876,000 Kg, sob o Termo de Entrada n° 000020133, de 10/04/2000, com o documento de carga MAWB 403 6232 9223 HAWB 20005503, no vôo N856FT; 2) 03 (três) volumes, peso 1162,000 Kg, sob o Termo de Entrada n° 000039438, de 12/07/2000, com o documento de carga MAWB 4036233 8824 HAWB 01116214, no vôo N850FT; 3) 01 (um) volume, peso 2,200 Kg, sob o Termo de Entrada n° 00005697 9, de 25/09/2000, com o documento de carga MAWB 403 6235 7315 HAWB 07385412, no vôo N854FT. Destacou a fiscalização que os documentos de carga supracitados foram devidamente informados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento MANTRA (instituído pela IN SRF n° 102/94). A fiscalização, considerando o disposto no art. 4o, caput e incisos, art. 6o, caput e incisos e art. 8o da IN SRF n° 102/94, que dispõe: "as informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veículo transportador" entende que o transportador poderia ter solicitado a exclusão do documento de carga supracitado, dentro do prazo previsto, caso esse documento tivesse sido informado errônea ou indevidamente, e não o fazendo, a carga foi, para todos os efeitos legais, considerada manifestada junto àquela unidade da SRF. Consoante o art. 72, § 1o do Decreto 4.543/2002 (DecretoLei n° 37/66, art. 1o, § 2o, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.472/88, art 1o), é considerada como entrada no território aduaneiro a mercadoria constante de manifesto, cuja falta for apurada pela autoridade aduaneira, devendose considerar, por presunção legal, ocorrido o fato gerador imposto de importação. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 615 6 Constatada a falta dos volumes manifestados, pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, a fiscalização formalizou as seguintes exigências: (i) Imposto de importação (II) referente às mercadorias faltantes, nos termos do art. 60, parágrafo único do DecretoLei n° 37/66, art. 105, inciso II (DecretoLei n° 37/66, art. 32, inciso I, com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.472/1988, art. 1o) c/c os artigos 72 e 73, inciso II, alínea "c", todos do Decreto 4.543/2002, (ii) Multa prevista no artigo 628, inciso III, alínea "d", com inteligência dos artigos 602 (Decretolei n 37/66, art. 94), a 604, inciso IV, todos Decreto 4.543/2002. (iii) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incidiria sobre as mercadorias faltante quando de seu desembaraço aduaneiro, nos termos do art. 2o, § 3o da Lei 4.502/64, com redação dada apelo art. 80 da Lei 10.832/03, c/c art. 60, parágrafo único do DecretoLei n° 37/66. (iv) Contribuições socais PIS/PASEP e COFINS que incidiriam sobre as mercadorias faltantes na data do registro da declaração de importação, nos termos do art. 3, § 1o da Lei 10.865/04, art. 4o, inciso II da mesma Lei, art. 60, parágrafo único do Decretolei n° 37/66 c/c o art. 6o, inciso II da Lei 10.865/04. Foram juntados ao processo, como elementos de prova, extratos obtidos do sistema MANTRA relativos aos documentos de carga; cópias dos documentos anexos aos Termos de Entrada; copia de intimações e respectivas respostas. Especificamente em relação ao documente de carga MAWB 403 6232 9223 HAWB 20005503 (fls. 45 e 50), destacou ainda a fiscalização: Na impossibilidade de identificação e valoração das mercadorias importadas e cujos extravios foram apurados, para fins de determinação dos tributos arbitrouse a base de cálculo do imposto de importação em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas, a título definitivo e pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no respectivo período de apuração, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescidas de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico, nos termos do artigo 67, caput e § I o da Lei n° 10.833/2003. Ciente dos Autos de Infração, em 30/12/2005, fls. 01 a autuada apresentou a impugnação de fls. 139 a 167, onde alegou, em síntese: · para a constituição do credito tributário, através de Auto de Infração, deverão estar presentes todos os requisitos legais. Importante colacionar o que estabelece o artigo 142 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional; · outro dispositivo legal pertinente à constituição do crédito tributário em vestibular e a Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu artigo 2o, parágrafo único, incisos I, V e VIII; Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 616 7 · o Auto de Infração é nulo nos termos do Decreto 70.235/72, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal, quando trata das nulidade, em seu artigo 59, inciso II e parágrafos I o e 2o; · cumpre ressaltar a ausência da perfeita indicação da legislação incidente pela Autoridade autuante, citando de maneira genérica o artigo 173 da Lei n° 5.172/66; os artigos 42 e 592. ambos do Decreto 4.543/02 e; a Instrução Normativa 102/94, demonstrando assim a fragilidade da convicção de ato de infração na confecção do presente Auto de Infração, como também o desrespeito à forma que preceitua o artigo 10, inciso IV do Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal; · no campo "Enquadramento Legal", fls. 05. contido no Auto de Infração em epígrafe, se utilizado revogado Regulamento Aduaneiro, Decreto 91.030/85, conforme pode ser verificado no citado campo. Também utiliza a legislação do PIS/COFINS para embasar a cobrança do IPI, conforme se verifica nas fls. 07 do Auto de Infração, estes fatos prejudicam o correto enquadramento legal, desrespeitando a regra do artigo 144 do Código Tributário Nacional; · com o enquadramento legal incorreto, não há que se falar em exigibilidade de imposto. Tal nulidade fica requerida; · quanto ao I.P.I. podese verificar que a Autoridade mais uma vez falhou na emissão do Auto de Infração, fls. 07. No campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, utilizouse a Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, que dispõe sobre a contribuição para os programas de integração social e de formação do patrimônio do servidor publico a contribuição para o financiamento da seguridade social incidentes sobre a importação de bens serviços e dá outras providências, não tendo nexo causal com o IPI ali apurado; · a Autoridade também indicou o art. 3o da legislação do PIS/COFINS Importação (Lei 10.865/04) de maneira genérica, não sendo possível a identificação da hipótese normativa do fato gerador do imposto. Da mesma forma impossibilitou de verificar qual hipótese do art. 60 do DecretoLei 37/66 incide sobre caso ora em debate; · há de se notar também a imprecisão da Autoridade quando menciona, nas folhas 07 e 08. o art. 67, caput e § 1 o da Lei 10.833/03, pois esse dispositivo justifica a utilização do método de cálculo, ali expressado, para definir a base de cálculo do Imposto de Importação e não do IPI. Por mais este motivo também requer a Nulidade · quanto ao PIS/PASEP, fls. 10, no campo" "Descrição dos Fatos e enquadramento Legal", fls. 17, a Autoridade aduaneira indicou o art 3o da legislação do PIS/COFINS Importação (Lei 10.865/04) de maneira genérica, não sendo possível a identificação da hipótese normativa do fato gerador de imposto. Da mesma forma impossibilitou de verificar Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 617 8 qual hipótese do art. 60 do DecretoLei 37/66 se enquadra no caso em vestibular; · por derradeiro há de se notar também a imprecisão da Autoridade quando menciona, nas folhas 10 e 11, o art. 67, caput e Io da Lei n° 10.833/03, pois esse dispositivo justifica a utilização do método de cálculo para definir a base de calculo do Imposto de Importação e não do PIS/PASEP. Requer a Nulidade; · não houve, no Auto de Infração lavrado, o confronto dos documentos referentes ao Manifesto de Carga (art. 40 do Regulamento Aduaneiro), com os de registros de descarga, conforme preceitua o artigo acima citado, o qual estabelece o procedimento que deve ser seguido na Conferência Final de Manifesto; não foram apresentados todos documentos que comprovam o ilícito aduaneiro, quais sejam, o Manifesto Internacional de Carga do "Máster" e dos "houses", bem como cópias dos conhecimentos Genéricos e seus "filhotes relacionados aos mesmos; · no tocante ao pólo passivo da obrigação imposta no Auto de Infração, há de se questionar a presença apenas da ora autuada a(transportador de fato). Não há a presença de nenhum Agente de Carga (transportador de direito), que deveria ter sido colocado no pólo passivo do respectivo Auto de Infração; · a Autoridade Aduaneira, considera o disposto nos artigos 4o, caput e incisos, 6o e 8o, da IN 102/94, como fundamento legal para atribuir ao transportador a responsabilidade pelas informações prestadas no tocante aos conhecimentos de transporte (fls. 15), porém a Autoridade Administrativa cometeu equivoco ao atribuir a responsabilidade à Companhia Aérea e que o ora sujeito passivo já a alertou em resposta de Intimação COFIM n° 018/2005; · no caso em tela, o que ocorre é que as mercadorias são consolidadas por agentes de carga e, portanto, estes é que devem figurar no pólo passivo do Auto de Infração e serem responsabilizados pelo extravio ou avaria ou qualquer outro tipo de ilícito aduaneiro (art. 8o, art 30, § T da INF n° 102/94); · o Auto de Infração lavrado apenas em nome da POLAR AIR CARGO, desrespeitou os ditames legais e princípios que norteiam a Administração Pública, sendo certa a necessidade de insubsistência do presente Auto de Infração, já que não estavam presentes no pólo passivo os transportadores de direito (agentes de Carga); · questiona os procedimentos realtivos ao MPF, õ procedimento fiscal não observou a Portaria SRF n° 6087/05. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 618 9 · no demonstrativo de cálculo de fls. 69 a 81 a Autoridade Aduaneira mais uma vez se equivocou, no cálculo do disposto no art. 67 e seu parágrafo único; · o art. 67 e seu parágrafo único da Lei 10.833/03, acima transcrito dispõe que o mesmo deverá ser usado no caso da impossibilidade de identificação da mercadoria importada e descrição genérica nos documentos comerciais de transporte, porém, é possível identificar a mercadoria envolvida no MAWB 403 6232 9223 e HAWB 20005503, através de uma análise mais atenta do Manifesto de Carga Internacional da Consolidada de fls. 48, onde nos informa que são hard disk drives; · quanto à forma de cálculo do PIS/PASEP e COFINS, a mesma também se torna nula, uma vez que não ficou demonstrada a obtenção da base de cálculo, nem mesmo com as tabelas de fls. 25 de 26, como também a utilização equivocada da a descrição para apuração nos termos do artigo 67, caput parágrafo 1, da Lei n° 10.833/3, o qual se aplica tão somente Para apuração do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, nos casos em que determina. A IN SRF 572, de 22 de novembro de 2005, que dispõe sobre como deve ser efetuado o cálculo das contribuições tratadas; · no tocante ao termo de entrada 000020133, as mercadorias são consolidadas do Máster 403 6232 9223 e do House 20005503 e que o Master é consignado a empresa FRITZ BRASIL e o House esta consignado à empresa HEWLETT PACKARD LTDA, ambas sendo intimadas pela Autoridade Aduaneira, conforme se observa nas fls. 48, 52 e 65. Dessas intimações depreendese que tanto a consignatária do MAWB, fls. 51, como também a consignatária do HAWB, fls. 66, informam que a carga não foi importada, ou seja, nos dizeres de ambos as mercadorias ali constantes não foram transportadas; · se o próprio usuário do serviço de transporte internacional informa que não ocorreu a importação, por que a Autoridade autuante ignora a informação e lavra o Auto de Infração; Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ/SPII exarou o Acórdão 14.953, de 12 de abril de 2006, que, por unanimidade de votos, Declarou PROCEDENTE EM PARTE o Lançamento, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 10/04/2000, 12/07/2000, 25/09/2000 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA Para todos os efeitos legais, a carga será considerada manifestada junto à unidade local da SRF quando ocorrer, no MANTRA (Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento) o registro de chegada de veículo procedente do exterior, relativamente à carga previamente informada (art 6º, inciso I, da IN 102/94). Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 619 10 RESPONSABILIDAE TRIBUTÁRIA O manifesto será submetido a conferência final para apuração de responsabilidade por eventuais diferenças quanto a falta ou acréscimo de mercadoria. A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria será de quem lhe tenha dado causa. PIS/COFINS o art 150, III, "a", da Constituição Federal proíbe a cobrança de tributo em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da lei que os houver instituído ou aumentado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOBSERVÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CABIMENTO. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O contraditório e a ampla defesa devem se assegurados no curso do processo administrativo fiscal, que se instaura com a lavratura do auto de infração. Não há que se falar em contraditório e ampla defesa na fase de mera investigação de atos ilícitos que antecede a lavratura do correspondente auto de infração. Lançamento Procedente em Parte. Irresignado o contribuinte apresentou, em 28/06/2006, Recurso Voluntário, fls. 203 e ss, reprisando, na essência, os argumentos apresentados na impugnação, apontando, a seu ver, imprecisões nas fundamentações do Acórdão recorrido. Em manifestação inaugural, o Terceiro Conselho de Contribuintes, Terceira Turma, em assentada de 06 de novembro de 2007, Prolatou a Resolução nº 301 1.906, fls. 279/282, convertendose o julgamento em diligência à repartição de origem, nos seguintes termos: "Vistos e examinados os autos, verifico a necessidade do aprofundamento das investigações no que respeita aos meios de prova. Mesmo em face da existência de indícios da prática de atos tipificados como infração à legislação de regência, há a necessidade de juntar elementos de prova suficientes à comprovação das infrações. A fundamentação legal deve vir acompanhada daqueles elementos necessários à formação da convicção do julgador e inequívoca confirmação da autoria e responsabilidade pela prática delituosa, razões pela qual o julgamento deve ser convertido em diligência, visando a que sejam prestados os seguintes esclarecimentos pela autoridade autuante ou quem de direito, mediante intimação: 1. Os elementos de prova que caracterizaram o extravio, demonstrando mediante confronto dos termos de entrada, conhecimentos master e house, com os registros de descarga; 2. A documentação da carga e dos volumes extraviados, relacionados aos BL Master e respectivos House, inclusive packing list se houver; Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 620 11 3. Eventual ocorrência, junto à autoridade policial brasileira, da falta ou extravio realizada pelo importador, transportador, agente desconsolidador ou prepostos; 4. Verificar se a carga estava acobertada por seguro e se o prêmio foi pago; 5. Intimar o transportador ou agentes de carga a apresentar provas de que a carga não embarcou, conforme declaração prestada, e informar quais providências adotadas no país de exportação visando à reparação do extravio ou falta junto ao exportador e autoridades do país de origem, inclusive existência de investigação policial ou ação judicial; 6. Intimar as pessoas relacionadas no item 5 a informar por que não apresentaram justificativas antes do início da ação fiscal, dado o lapso temporal; 7. Os responsáveis pela informação no MANTRA, as razões de terem prestado as informações haja vista a informação de extravio no exterior, bem como a quem representavam; 8. Se houve intervenção do depositário em algum momento. Se não houve, o motivo; 9. Se a carga foi pesada por ocasião da descarga ou armazenagem. Por ocasião da armazenagem, se houve comunicação do depositário quanto ao extravio; 10. Se houve avaria; 11. Se houve extravio de volumes ou somente de mercadorias; 12. Outros elementos a critério da autoridade autuante. Informese ainda, que em face das provas já coligidas, o não atendimento à intimação poderá fazer prova contra a recorrente. Oportunizar à recorrente a juntada de provas que julgar pertinentes." O resultado da diligência encontrase no Relatório Fiscal de fls. 394/402. A recorrente manifestouse, relativamente ao Relatório Fiscal, fls. 411/427. Nessa oportunidade suscitou nulidade do presente processo administrativo, haja vista que os créditos tributários já se encontram extintos, por prescrição intercorrente, nos termos do § 1º, do artigo 1º, da Lei n° 9.873, de 1999. Foime distribuído, por sorteio, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 621 12 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Antes de adentrarmos na matéria litigada fazse relevante ressaltar que originariamente o Acórdão nº 14.953, de 12 de abril de 2006, ora recorrido, Expedido pela DRJ São Paulo II, fora processado nos autos do processo 10831.012529/200560, restando decidido, por aquele colegiado, pela procedência em parte do lançamento para afastar as exigências relativas ao PIS e à Cofins, mantendo se as demais exigências constantes da autuação. Por conseqüência emergiramse os Recursos de Ofício e Voluntário. Na seqüência, houve segregação dos Recursos de forma que o Recurso de Ofício teve sua tramitação mantida nos autos do processo original, 10831.012529/200560, já decidido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes por meio do Acórdão nº 30134.186, fls 201 e ss, daquele processo. O Recurso Voluntário, por sua vez, foi apartado nos autos do presente processo (10831.004616/200624), ora submetido à apreciação do Colegiado. Feitas essas considerações iniciais, passamos aos fatos aqui litigados. São exigências que integram o presente litígio: Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Multa do Art. 106, inciso II, "d" do DecretoLei 37/66. Tratamse de Extravios de três cargas, chegadas em períodos distintos, quais sejam: 1) 10/04/2000, documento de carga MAWB 403 6232 9223 HAWB 20005503; 2) 12/07/2000, documento de carga MAWB 4036233 8824 HAWB 01116214; 3) 25/09/2000, documento de carga MAWB 403 6235 7315 HAWB 07385412. Para fins de análise do presente voto, quando necessário, será utilizado como referência a carga do item 1, documento de carga MAWB 403 6232 9223 HAWB 20005503, posto que, além de representar mais de 90% do valor do crédito lançado, é a que preenche a totalidade dos itens questionados, portanto analisandoa, analisarseá o Recurso Voluntário em sua plenitude. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 622 13 1 Preliminares: 1.1 DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Na oportunidade em que manifestouse relativamente ao resultado da Diligência o recorrente suscitou nulidade do presente processo administrativo, haja vista que os créditos tributários já se encontram extintos, por prescrição intercorrente, nos termos do § 1o, do artigo 1o, da Lei n° 9.873, de 1999. De pronto, registrese que a matéria encontrase sumulada no âmbito do Carf no sentido da inaplicabilidade de prescrição intercorrente em processo administrativo fiscal. Portando, em obediência ao art. 721 do Regimento Interno do Carf (Ricarf), aplico, sumariamente, as disposições da Súmula Carf nº 11: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 1.2 DAS NULIDADES SUSCITADAS 1.2.1 Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Argumenta a recorrente que a autuação foi processada em desconformidade com os ditames normativos que regem o MPF. Nesse pormenor, não merece reparos os fundamentos embasadores do Acórdão recorrido. Encontrase consolidado entendimento no âmbito do Carf de que o MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Ademais, a recorrente não apontou onde ou quando teria ocorrido cerceamento de seu direito de defesa, portanto, não se vislumbra nenhum prejuízo para o contribuinte. 1.2.2 Da legalidade objetiva e indicação da legislação A recorrente alega que a forma utilizada pala autoridade aduaneira confronta as disposições do art. 142, Parágrafo único do CTN2, art. 9º e 10º do Decreto 70.235/723 e art. 2º, parágrafo único, incisos I, V e VIII, da Lei 9.784/994. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 623 14 Alega ainda nulidade da autuação nos termos do Decreto 70.235/72, art. 595, inciso II e parágrafos 1º e 2º, pois, segundo entende, houve ofensa ao direito de defesa. Não padece de nulidade o Lançamento aqui traçado, pois lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quando se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito. Tampouco entendo que tenha havido cerceamento de defesa. O contribuinte demonstra pleno conhecimento da matéria tributável e das razões do lançamento fiscal, sendolhe propiciado contradizêlo em duas instâncias administrativas, acrescido de nova manifestação em face de Diligência determinada pelo Carf. Ademais, no Auto de Infração e nos documentos que o instruem encontramse expressas as razões da autuação, os fundamentos e os enquadramentos legais, bem assim os respectivos elementos de provas que alicerçaram o trabalho fiscal. Argumenta ainda a recorrente que houve ausência da perfeita indicação da legislação pela Autoridade autuante ao citar artigos de maneira genérica ou misturar citações do Decreto 91.030/85 e Decreto 4.543/02 (este revoga o anterior) gerando uma imprecisão quanto à legislação a ser aplicada ao caso. 3 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 4 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; 5 Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 624 15 Conforme se depreende dos autos, o enquadramento legal utilizado pela fiscalização foi a matriz legal, Decreto Lei nº 37/66, art. 106, inciso II, alínea "d". Art.106 Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: [...] II de 50% (cinqüenta por cento): [...] d) pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira; No caso concreto é de se ressaltar que os fatos referentes à entrada presumida das mercadorias ocorreram em 2000, quando vigia o Decreto de 91.030/85, não obstante, em se tratando de extravio, a norma desloca o fato gerador (temporal) para a data em que a autoridade, tomando conhecimento, formaliza o lançamento do tributo devido, no presente caso, em 2005, já na vigência do Decreto 4.543/02. Fazse mister ressaltar ainda que o Regulamento Aduaneiro advindo do Decreto 4.543/02 que substituiu o Regulamento Aduaneiro anterior, então aprovado pelo Decreto 91.030/85, em nada inovou (e não poderia fazêlo) quanto à regulamentação da multa prevista na matriz legal, Decreto Lei nº 37/66, art. 106, inciso II, alínea "d", havendo apenas adequação quanto à numeração atribuída aos artigos. Regulamento Aduaneiro Decreto 91.030/85 Art. 521. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decretolei no 37/66, art. 106, I, II, IV e V): [...] II de cinqüenta por cento (50%): [...] d) pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive o apurado em ato de vistoria aduaneira; Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/02 Art. 628. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decretolei no 37, de 1966, art. 106): [...] III de cinqüenta por cento: [...] d) pelo extravio de mercadoria, inclusive o apurado em ato de vistoria aduaneira; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 625 16 [Destaquei] Portanto, por qualquer dos Decreto que se tome como referência, estaremos diante de um Regulamento Aduaneiro, lato sensu, cujo objetivo é regulamentar dispositivos legais, no caso o artigo 106 do DecretoLei 37/66. Assim, Ainda que o Auditor Fiscal aponte em sua autuação Decreto Executivo revogado, por si só, não se caracteriza cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, mormente quando a matriz legal esteja corretamente indicada e vigente à época dos fatos, especialmente no caso ora apreciado em que o novo Decreto manteve intacto o dispositivo revogado, indicado pela fiscalização. Em que pesem as especificidades atinentes ao caso concreto, por oportuno transcrevo excerto do voto lançado no Acórdão nº 310200.535, da lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento que, cuidando de matéria similar, muito bem se posicionou: "É cediço que do ponto de vista formal (enquanto ato normativo) o decreto regulamentar não inova a ordem jurídica, pois é ato secundário limitado pelo conteúdo da lei. No âmbito tributário, nos termos do art. 212 do CTN, ele tem por finalidade consolidar, em texto único, todos preceitos legais veiculados por lei complementar, lei ordinária, decreto lei, medida provisória etc, ou seja, pelos atos normativos de caráter primário ou inaugural do direito positivo. Por ostentarem tais características, o Decreto n° 4.543, de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro, e o Decreto n° 4.544, de 2002, que institui Regulamento do IPI, no que tange aos aspectos essenciais (aspectos material, espacial e temporal do fato gerador e aspectos pessoal e quantitativo da obrigação tributária) da regra geral e abstrata de incidência dos referidos impostos, nada acrescentaram de novo no direito tributário posto. Com efeito, apenas consolidaram num mesmo ato normativo os preceitos legais de caráter primário e esparsos previstos nos diversos diplomas legais que estabelecem os mencionados aspectos da referida norma." Voltando ao nosso caso, tanto o Decreto 91.030/85, quanto o 4.543/02 cuidaram de "Regulamento Aduaneiro", e, relativamente á matéria tratada nos autos (extravio), ambos os Decretos se reportam à mesma matriz legal. permanecendo intactas as obrigações por eles reguladas. Frisese, a citação, no Auto de Infração, da matriz legal em que se substancia a autuação é suficiente para ofuscar eventual indicação equivocada de Decreto Regulamentador, desde que os fatos estejam suficientemente aclarados, garantindose ao contribuinte o conhecimento da infração que lhe é imputada, em sua plenitude, conforme é o presente caso. 1.2.3 Da Sujeição Passiva O recorrente questiona o fato de não constar no pólo passivo nenhum agente de Carga. Alega que, sendo o Agente de Carga equiparado ao transportador aéreo internacional, no âmbito da responsabilidade tributária, e sendo ele (o Agente de Carga) o responsável pela informação de carga consolidada, deveria Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 626 17 constar como sujeito passivo na autuação, na forma do artigo 30, caput e parágrafo 2º do Decreto 4.543/02. Da Prestação de Informações pelo Transportador Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. [...] § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. [...] Não assiste razão a recorrente. Vejamos. Em se tratando de extravio de mercadoria, detectada em ato de conferência final de manifesto, não vejo como afastar a responsabilidade do transportador sob a alegação de que tal falta decorreria de falha imputável ao agente de carga. O Decreto nº 4.543, de 2002 Regulamento Aduaneiro não deixa margem para outra interpretação. Confirase o que diz o art. 592, fruto do Decreto Lei 37/66, art. 41: Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver: [...] Parágrafo único. Constatado, na conferência final do manifesto de carga, extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador: I no extravio, o imposto de importação e a multa referida na alínea “d” do inciso III do art. 628; e [...] [Destaquei] O dispositivo acima transcrito é cristalino. O comando é translúcido: o transportador é o responsável por extravio de carga manifestada. Embora o art. 30, § 2º do Decreto 4.543/02 tenha atribuído responsabilidades ao Agente de Carga, essa responsabilidade está correlacionada à consolidação e desconsolidação da carga e as conseqüências dali decorrentes. A responsabilidade pelo efetivo transporte da carga, desde o recebimento para transporte (pelo transportador) até a efetiva entrega no destino, não pode ser transferida a terceiro, tampouco ao Agente de Carga. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 627 18 As etapas e responsabilidades de um e de outro não se confundem, enquanto o Agente de Carga é responsável, na origem, pelos atos relacionados ao preparo documental visando liberação da carga para embarque e, noutra ponta, pelo preparo documental para disponibilizar a carga para o início do despacho aduaneiro, incluindose a consolidação e desconsolidação da carga, ao transportador incumbe o efetivo transporte. O Conhecimento de Carga, regularmente manifestado, faz prova do recebimento da carga pelo transportador e a obrigação legal de sua entrega no lugar de destino. Se a mercadoria manifestada faltou na descarga, do transportador é a responsabilidade tributária pelo extravio verificado. Ainda que o transportador eximase quanto a eventuais divergências relativas à natureza e características intrínsecas das mercadorias ou produtos transportados6, por desconhecêlas, não poderá eximirse quanto às divergências relativas às características extrínsecas das cargas transportadas, i.é., volumes e pesos. Portanto, em se tratando de extravio apurado em ato de Conferência Final de Manifesto, o sujeito passivo da obrigação tributário principal é o transportador, por expressa disposição legal, Decreto 4.543/02, art. 592. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR as Nulidades suscitadas. 2 Conferência Final de Manifesto Extravio Arbitramento de Base de Cálculo 2.1 DA CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO A Recorrente alega inocorrência da conferência final de manifesto nos ditames do art. 589 do Regulamento Aduaneiro (RA). Assevera que, no Auto de Infração lavrado, não houve a comprovação documental referente ao confronto do Manifesto de Carga com os de registros de descarga. Sustenta que a fiscalização concluiu pelo extravio das mercadorias mediante o confronto do Conhecimento Aéreo de Carga com os registros de armazenamento das mercadorias nos depósitos da Infraero, procedimento este que jamais esteve previsto em qualquer legislação vigente à época dos fatos. Eis o disposto no art. 589 do RA Art. 589. A conferência final do manifesto de carga destinase a constatar extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga (Decretolei no 37, de 1966, art. 39, § 1o). 6 Os detentores dessas informação, r.g., são os embarcadores, exportadores e importadores Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 628 19 Em outras palavras, a recorrente pretende que se descaracterize o Ato da Conferência Final de Manifesto por inexistir nos autos um documento onde constem as informações acerca da descarga, i.é., os registros de descarga, posto que tais registros são requisitos necessários para que, confrontados com o manifesto de carga, procedase à Conferência Final de Manifesto. Embora a recorrente sustenta que a fiscalização não apresentou o documento que represente os "registros de descarga", obrigatórios para o confronto com o manifesto, não indica como seriam esses registros, tampouco qual o documento que os representariam. Adianto que tal documento não existe. De fato, tempos atrás existia um documento para controle de descarga, de uso obrigatório, denominado Folha de Controle de Carga FCC de que tratou, à época, o item 1 da Instrução Normativa SRF nº 637, de 22 de junho de 1984, utilizada para controle manual de carga aérea, perdurandose até 1994, quando foi substituída por um controle eletrônico, implementado por meio do Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento MANTRA, integrado ao Siscomex. Portando, FCC ficou no passado, desde o advento do Siscomex Mantra o controle de carga aérea procedente do exterior é processado eletronicamente. A IN SRF 102/94, ao implementar o sistema Mantra, cuidou da desobrigatoriedade do uso da FCC, nos seguintess termos: Art. 1º O controle de cargas aéreas procedentes do exterior e de cargas em trânsito pelo território aduaneiro será processado através do Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento MANTRA e terá por base os procedimentos estabelecidos por este Ato. [...] § 2° A manifestação de carga referida no art. 6º, bem como o registro de armazenamento efetivado pelo depositário e o correspondente visto dessa armazenagem realizado pela fiscalização aduaneira, cumulativamente, desobrigam a utilização da Folha de Controle de Carga FCC de que trata o item 1 da Instrução Normativa SRF nº 63, de 22 de junho de 1984. [Destaquei] Nesse contexto, desde a implantação do Sistema Mantra, tanto o manifesto de carga, de responsabilidade do transportador, quanto o armazenamento, à cargo do Depositário, passando pela desconsolidação da carga, de responsabilidade do Agente de Carga, são realizados eletronicamente, incumbindose a cada interveniente os respectivos registros no sistema. 7 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, considerando a conveniência da uniformização e simplificação do documentário necessário ao controle da carga aérea procedente do exterior, resolve: 1 Aprovar o modelo anexo de Folha de Controle de Carga (FCC4), que deverá ser utilizado, obrigatoriamente, em todos os aeroportos internacionais do País, para o controle da carga aérea procedente do exterior. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 629 20 Esses registros eletrônicos constituem um banco digital de dados com informações sistematizadas, permitindo o controle aduaneiro, dentre outros, do manifesto e do armazenamento da carga, este último representando os registros de descarga, conforme veremos adiante. A implantação, disciplinamento e os procedimentos operacionais do sistema Mantra encontramse consolidados essencialmente na IN SRF 102/94 e no manual de importação8, donde extraímos os seguintes conceitos9, no que interessa ao caso ora analisado: Manifestação da carga: é o procedimento pelo qual o transportador, antes da chegada do veículo em aeroporto internacional, informa no sistema as cargas procedentes diretamente do exterior ou em trânsito aduaneiro, com a finalidade de: (i) identificar o veículo transportador e sua previsão de chegada; (ii) identificar10 e quantificar as cargas no sistema; e (iii) constituir o manifesto informatizado (rol de conhecimentos do veículo destinados ao aeroporto), sobre o qual se controlará a descarga, permanência e saída da carga. Registro da chegada efetiva: é o procedimento pelo qual o transportador registrará, no sistema, a chegada efetiva do veículo aéreo ou rodoviário. Informada a chegada do veículo, o sistema automaticamente gera o número do termo de entrada (TE), que passa a identificar o manifesto informatizado. Carga de armazenamento11: aquela que permanecerá no recinto alfandegado sob custódia do depositário. Carga pátio: aquela que permanecerá em local próprio, sob controle aduaneiro e sem armazenamento, no aguardo do desembaraço para movimentação imediata. Armazenamento: é procedimento pelo qual o depositário informa no sistema os dados da carga que esteja sob sua custódia. O armazenamento compreende as seguintes etapas: 8 Disponível por meio da Internet em: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachodeimportacao/topicos 1/procedimentospreliminares/presencadecarga/modalaereo 9 Não se pretende atribuir natureza jurídica à conteúdo de manual de procedimento. Os manuais de procedimentos tem como função principal transmutar o texto normativo, de formatação rígida, em conteúdo didático e orientativo, detalhandose as rotinas e os procedimentos a serem observados pelos intervenientes, no caso específico o transportador, visando a correta aplicação dos dispositivos normativos. Portanto o manual de importação, tópico modal aéreo, ora referenciado, consolida os conceitos e definições, dispersos e difusos, constantes no conjunto normativo que trata da matéria, especialmente no Decreto Lei 37/66, Regulamento Aduaneiro e IN SRF 102/94. 10 indicar, inclusive o tratamento da carga: pátio(trânsito) ou armazenamento 11 Esse é o tratamente de carga indicado para a carga extraviada de que cuida o presente processo. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 630 21 Registro: o depositário procede à conferência da carga recebida para armazenamento e informa, no sistema, quantidade, peso e eventual avaria da carga. Nesse momento ocorre a transferência da responsabilidade do transportador para o depositário. Encerramento do armazenamento: é a declaração do depositário de que toda a operação de armazenamento foi concluída, ou seja, que nada mais tem a informar com relação ao recebimento daquela carga. Avalizado: encerrado o armazenamento, o sistema procede ao batimento automático dos dados do armazenamento com os dados de informação da carga prestados pelo transportador, de forma a identificar os casos de falta, excesso ou avaria. As cargas sem divergências serão avalizadas automaticamente; aquelas com divergências deverão ser avalizadas12 pelo transportador, que poderá fazêlo sem ressalva, se concordar com a informação ou com ressalva, se delas discordar. Visado: A RFB toma ciência da divergência detectada, que pode ser objeto de procedimento específico, tal como vistoria aduaneira ou conferência final de manifesto. Conforme se depreende, os registros eletrônicos são efetivados pelos intervenientes, no tempo e na medida de suas responsabilidades. Os registros eletrônicos representam (devem representar) a sistematização de dados referentes aos procedimentos operacionais, refletindo, nas telas dos monitores, a realidade virtual das operações de transporte, movimentação, entrega e armazenamento da carga. Reputo relevante atentarmos para a definição do procedimento de Registro do armazenamento, nessa oportunidade o depositário procede à conferência da carga recebida [do transportador] para armazenamento e informa, no sistema, quantidade, peso e eventual avaria da carga. Nesse momento ocorre a transferência da responsabilidade do transportador para o depositário. Por obvio, inexistindo a entrega da carga ao depositário, pelo transportador, igualmente inexistirá transferência de responsabilidade. Na prática, os registros dos dados e informações sobre a carga são executados no sistema Mantra, conquanto, paralelamente, estarão sendo materializados os correspondentes fatos no mundo físico: descarga (retirada da carga da aeronave), movimentação, entrega física ao depositário etc, podendo coexistirem controles privados específicos, tanto por parte do transportador, visando resguardarse de eventuais transtornos, quanto por parte do Depositário13. No caso em comento, a Fiscalização instruiu o Auto de Infração com (i) extratos do sistema Mantra, demonstrando os dados registrados referente à carga manifestada eletronicamente, às etapas operacionais realizadas, à situação da carga no tempo, bem assim as divergências apontadas entre os dados manifestados em 12 No presente processo vide exemplo de registro de divergência avalizada pelo transportador à fl. 46. 13 A Infraero dispõe de um sistema próprio para controle paralelo de todas as cargas descarregadas, denominado Teca Plus, inclusive para a carga que não tenha previsão para ser armazenada naquele recinto, p.ex., carga patio. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 631 22 confronto com a carga entregue (descarregada), caracterizandose a falta total das mercadorias manifestadas; (ii) cópia do Manifesto de Carga; (iii) cópias dos Conhecimentos Master e House. Diferentemente do que alega a recorrente, resta evidente que a fiscalização carreou aos autos os elementos de provas suficientes para caracterizarse a Conferência Final de Manifesto, na medida que procedeu o confronto entre os dados do Manifesto de Carga Eletrônico14 e os registros de descarga, também eletrônicos. Portanto, vêse configurado o Ato de Conferência Final de Manifesto, regularmente apurado e formalizado pelo Auditor Fiscal. 2.2 DO EXTRAVIO Em Ato de Conferência Final de Manifesto, mediante o confronto entre os dados do Manifesto de Carga e os dados da descarga, a fiscalização apurou a falta de: 1) 02 (dois) volumes, peso 876,000 Kg, sob o Termo de Entrada n° 000020133, de 10/04/2000, com o documento de carga MAWB 403 6232 9223 HAWB 20005503, no vôo N856FT; 2) 03 (três) volumes, peso 1162,000 Kg, sob o Termo de Entrada n° 000039438, de 12/07/2000, com o documento de carga MAWB 4036233 8824 HAWB 01116214, no vôo N850FT; 3) 01 (um) volume, peso 2,200 Kg, sob o Termo de Entrada n° 000056979, de 25/09/2000, com o documento de carga MAWB 403 6235 7315 HAWB 07385412, no vôo N854FT. A recorrente alega que as cargas em discussão foram extraviadas na origem, o que impossibilita, lógica e juridicamente, seja imputada à Recorrente qualquer responsabilidade pelo suposto extravio que jamais existiu: "Restando comprovada a ocorrência do extravio de mercadorias na origem, ou seja, antes mesmo destas embarcarem nas aeronaves da Recorrente e antes de adentrarem ao país, não há que se falar em qualquer cobrança de tributos aduaneiros Neste mesmo sentido, o artigo 60, inciso II, do DecretoLei n° 37/1966, dispõe que para efeitos fiscais, considerase extravio "toda e qualquer falta de mercadoria, ressalvados os casos de erro inequívoco ou comprovado de expedição". Equivocase a recorrente. 14 No caso concreto os dados do manifesto eletrônico coinscide com os dados constantes do Manifesto Internacional de Carga, em papel, entregue à fiscalização à época dos fatos. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 632 23 Não consta nos autos qualquer elemento de prova indicando que a carga não embarcou. Aliás, em face da diligência determinada pelo Resolução nº 301 1.906 da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuitnes, a recorrente e o Agente de Carga foram intimadas a "apresentar provas de que a carga não embarcou, conforme declaração prestada, e informar quais providências adotadas no país de exportação visando à reparação do extravio ou falta Junto ao exportador e autoridades do pais de origem, inclusive existência de investigação policial ou ação judicial" Em resposta a recorrente alegou que "tais informações devem ser prestadas com a devida precisão pelos Agentes de Carga o pelos Importadores". Por sua vez o Agente de Carga, informou que "uma vez não tendo sido entregue o volume ao importador, o ressarcimento é feito na origem, e todos os trâmites ocorrem entre os contratantes, não havendo qualquer envolvimento do agente no país de destino, motivo pelo qual não temos como informar/afirmar se houve ou não investigação policial ou qualquer ação judicial em relação ao ocorrido". Portanto, diferentemente que quer crer a recorrente, na fala do Agente de Carga não consta afirmação de que a carga não embarcou. O que se pode abstrair é que a carga não foi entregue ao agente de carga do destino e, conseqüentemente, tampouco ao importador. Ademais, não foi apresentado nenhum elemento de prova relativamente ao local e momento em que o extravio tenha ocorrido, tampouco o transportador desincumbiuse de demonstrar que não recebeu a carga para transportar, pelo contrário, o Manifesto de Carga, emitido pelo transportador e entregue à autoridade aduaneira brasileira, indica que as cargas embarcaram no exterior. Todavia no processamento da descarga, para armazenamento (processo que contempla desde a retirada da carga da aeronave até sua entrega à depósito aduaneiro), o depositário constatou a falta das cargas referenciadas nos autos. Essa falta foi registrada como armazenamento "zerado" por se tratar de falta total, i.é., "documento sem carga". Registro que foi avalizado pelo transportador. Ainda, em pretenso intuito de excluir sua responsabilidade, a recorrente expõe que "as informações imputadas no SISCOMEX MANTRA foram extraídas da documentação emitida pelo Agente de Carga, pois as mesmas são cargas consolidadas. Toda e qualquer imprecisão ocorreu em virtude dos Agentes de carga envolvidos induzirem a erro a ora intimada". De fato, em se tratando de carga consolidada, os dados são originariamente conhecidos pelo Agente de Carga e repassados ao transportador apenas aqueles necessários à concepção do contrato de transporte. Entretanto, no que concerne aos pesos e volumes da carga, obrigatória e necessariamente serão conhecidos pelo transportador, não apenas por constarem de documentos recebidos do Agente de Carga mas sobretudo da constatação física, material. Afinal os pesos e volumes formam o corpo externo da carga que será transportada. Erros, para mais ou para menos, devem ser considerados Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 633 24 dentre os fatos rotineiros, originários de equívocos ou falhas de controles que, em variações razoáveis, não interferem no controle aduaneiro. Porém, no caso concreto temos que o transportador manifestou para a autoridade aduaneira brasileira que possuía a bordo as cargas de que cuida o presente processo, nos pesos de 876,00, 1.162,00 e 2,2 kg, contudo as cargas não foram entregues a depósito aduaneiro. Não é razoável que o responsável pelo carregamento de uma aeronave não perceba a falta à bordo de cargas com pesos significativos, p.ex., 876,00 ou 1.162,00 kg, ou, ainda menos razoável, não se dê conta de ausência dos respectivos volumes, dois e três, respectivamente,ou seja não se dê conta da falta da carga. Noutra esteira, alega a recorrente que os intervenientes Fritz Brasil, consignatário do MAWB 403 6232 9223, e Hewlett Packard Ltda, consignatário do HAWB 20005503, intimadas informaram que a carga não foi importada; portanto, conclui a recorrente, não foram transportadas. A premissa utilizada não permite a conclusão posta. O fato de, na visão dos consignatários, as mercadorias não terem sido importadas [as cargas não lhes foram entregues, no destino], não permite concluir que as mesmas não foram entregues para transporte, tampouco que não tenham sido transportada. Conforme já afirmado em tópico antecedente, o que se extrai das informações registradas no SiscomexMantra caminha em sentido oposto. Constam informações, inseridas pelo transportador, de que as cargas foram embarcadas com destino ao aeroporto em Campinas, entretanto não se identifica nos autos nenhum elemento que demonstre a efetiva descarga, assim entendido a entrega da carga ao depositário, presumindose o extravio, nos estritos ditames normatizados. Ademais, a recorrente não carreou aos autos elementos probantes que lhe possa excluir a responsabilidade pelo extravio da carga, seja comprovando que a carga não lhe foi entregue no destino, seja por eventual ocorrência de caso fortuito ou força maior ou por erro inequívoco ou comprovado de expedição. Os fatos suso narrados consolidam uma evidência fática: a carga foi entregue ao transportador, na origem. E uma verdade quase absoluta15: a carga não foi entregue no recinto alfandegado de destino, Infraero. E uma conclusão: extraviouse, por presunção legal. A dúvida remanescente é quanto ao tempo e espaço em que se configurou o extravio. Entretanto essa informação tornase irrelevante para o presente caso, em face da caracterização do extravio, constatado em Ato de Conferência Final de Manifesto, conforme previsto na norma aduaneira, Regulamento Aduaneiro, artigos 51 e 589. Art. 51. O manifesto será submetido à conferência final para apuração da responsabilidade por eventuais diferenças quanto a extravio ou a acréscimo de mercadoria (Decretolei no 37, de 1966, art. 39, § 1o). 15 Considerandose que tudo é relativo, inclusive o absoluto, a verdade, por mais verdadeira que seja, não será uma verdade absoluta. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 634 25 Art. 589. A conferência final do manifesto de carga destinase a constatar extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga (Decretolei no 37, de 1966, art. 39, § 1o). Portanto, reputo caracterizado o extravio, conforme apurado pela fiscalização. 2.3 DO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Relativamente ao Conhecimento 403 6232 9223 20005503 a recorrente refuta a metodologia utilizada pela fiscalização para apurar a base de cálculo. Segundo alega, a mercadoria em questão, Hard disc Drives, é mundialmente conhecida, sendo possível identificar um valor de referência. A seu ver, a fiscalização deveria valerse do valor de mercadoria de idêntica descrição, importada em época próxima à importação da carga autuada, 2000. Para esse fim, anexa documentos de uma operação ocorrida em 1999. A discussão está na metodologia aplicada pela fiscalização para o arbitramento previsto no artigo 67 da Lei 10.833/2003, para fins de determinação dos tributos incidentes. Eis o texto do dito artigo: Art. 67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produto Industrializados. § 1o Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. [Destaquei] São duas questões trazidas pelo recorrente: (i) que a descrição constante do conhecimento de carga, hard disc drives, não é genérica, portanto a fiscalização deveria ter utilizado o valor de importação tendo a mercadoria como parâmetro e (ii) a metodologia de aplicação do arbitramento previsto no § 1º do art. 67, acima transcrito. Vejamos segregadamente esses itens: 2.3.1 Da Descriçao Genérica É regra, inexiste óbice legal, constar no conhecimento de transporte apenas descrição genérica da mercadoria. Na espécie aqui tratada não foi diferente. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 635 26 Diverso do que pretende demonstrar a recorrente, a descrição da mercadoria na forma descrita "hard disc drives" é genérica, pois não traz em seu bojo informações sobre sua natureza e características específicas de modo que permitam a perfeita identificação, tampouco estabelecer seu valor comercial. Transcrevo excerto que fundamentou o voto condutor do Acórdão recorrido, por bem elucidativo. Sobre o questionamento do uso por parte da fiscalização do Art° 67 e seu parágrafo único da Lei 10.833/03, não procede a alegação de que é possível identificar a mercadoria envolvida no MAWB 40362329223 e HAWB 20005503, uma vez que aquele HAWB as fls.50 informa tratarse de hard disc drives, sem entretanto, informar o valor da mercadoria e tipo de mercadoria. Também a resposta às intimações, fls 49, afirma, que não possui cópias dos documentos referentes à importação pois a mesma não se concretizou . Não se mostra crível a utilização, como referência para apuração de base de cálculo, de valor de uma importação isolada, conforme deseja o recorrente, com vistas à descaracterização do arbitramento fiscal, até porque a descrição encontrase genérica, como já explicitado, não permitindo afirmar que se trata de mercadoria idêntica. Tampouco se vislumbra respaldo legal para o arbitramento na forma desejado pela recorrente, respaldado em uma única operação, mormente quando há norma estabelecendo rito procedimental específico. 2.3.2 Da metodologia do Cálculo Questiona a recorrente que a fiscalização equivocouse na aplicação da fórmula prevista do § 1º § 1º do art. 67 da Lei 10.833/03. Eis a fala no Recurso Voluntário: "O que se pode observar é que no demonstrativo de cálculo de fls. 69 a 81 a Autoridade Aduaneira mais uma vez se equivocou, pois conforme o disposto no art. 67 e seu parágrafo único, o valor aduaneiro para a determinação da base de cálculo do Imposto de Importação é o valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas, a título definitivo e pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no respectivo período de apuração, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 02 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico, que neste caso foi atribuída em US$ 5,572,018.18, sendo constituída da seguinte forma US$ 169.62 (Preço Médio/Kg) + 3,095.56 (Desvio Padrão) X 876,000 Kg (Peso da Mercadoria) + US$ 7,700.04 (Frete Internacional)." Porém, tal método utilizado pela Autoridade Aduaneira é divergente com o dispositivo legal, pois o valor correto para a base de cálculo é US$ 10,965.22 , sendo constituída por US$ 169,62 (Preço Médio/Kg) + US$ 3.095,56 (Desvio Padrão) + 7.700,04 (Frete Internacional). Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 636 27 Para melhor visualização, transporto para a planilha abaixo as informações trazidas pela recorrente, segregandose os dados conforme metodologia utilizada pela fiscalização e aquela pretendida pela recorrente: Preço médio Desvio padrão Desvio ajustado Preço ajustado peso/Kg Valor mercadoria Frete Base de Cálculo Auditor Fiscal 169,62 3095.56 6191,12 6.360,74 876,00 5.572.018,18 7.700,04 5.579.708,28 Sujeito Passivo 169,62 3095.56 3095.56 3.265,18 1 3.265,18 7.700,04 10.965,22 Como se verifica é grande a diferença entre a base de cálculo apurada pela fiscalização e pela recorrente. Contudo não ha divergência em relação aos valores "base" considerados para a apuração, i.é., o preço médio, o desvio padrão e o frete. A divergência encontrase na aplicação da fórmula advinda da interpretação do § 1º do art. 67, resultando divergência em relação aos valores do desvio padrão ajustado e peso considerado, refletindo no preço ajustado, valor da mercadoria e por conseqüência, na base de cálculo. A fiscalização multiplicou por dois o desvio padrão antes de inseri lo na fórmula e ainda considerou o peso total da carga extraviada, conquanto a recorrente entende que o desvio padrão deve ser aplicado em seu valor original e considerar uma unidade de peso para uso na fórmula. Eis o texto do dito § 1º: § 1o Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. [Destaquei] Ora, o próprio texto é cristalino, literalmente determina que o valor médio deve ser acrescido de duas vezes o desvio padrão. Por obviedade também se depreende que o peso a ser utilizado para apurar a base de cálculo é o peso da carga extraviada. Não vislumbro lógica nem razoabilidade na metodologia sugerida pelo recorrente onde se pretende considerar o valor do desvio padrão apurado, sem ser duplicado, bem assim utilizar apenas uma unidade de Kilograma, independente do peso real da carga extraviada. Assim, Não há reparos quanto ao arbitramento da base de cálculo, apurado pela fiscalização. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 637 28 3 Dos Tributos Lançados Conforme dito, são exigências que integram o litígio: Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Multa do Art. 106, inciso II, "d" do Decreto_Lei 37/66. Constatada a falta dos volumes manifestados, pelo confronto do manifesto de carga com os registros de descarga, a fiscalização formalizou a exigência16 de: I. Imposto de importação (II) referente às mercadorias faltantes, nos termos do art. 60, parágrafo único do DecretoLei n° 37/66, art. 105, inciso II (DecretoLei n° 37/66, art. 32, inciso I, com a redação dada pelo Decreto Lei n° 2.472/1988, art. 1o) c/c os artigos 72 e 73, inciso II, alínea "c", todos do Decreto 4.543/2002, II. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incidiria sobre as mercadorias faltante quando de seu desembaraço aduaneiro, nos termos do art. 2o, § 3o da Lei 4.502/64, com redação dada apelo art. 80 da Lei 10.832/03, c/c art. 60, parágrafo único do DecretoLei n° 37/66. III. Multa de 50% do Imposto de Importação, prevista no art. 106, inciso II, alínea “d”, do mesmo Decreto Lei 37/66 3.1 DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (II) E DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) 17 Alega a recorrente que o art. 67 da Lei nº 10.833, de 2003 foram aplicados retroativamente, para atingir fatos geradores ocorridos em 2000. Isso porque no caso do II e do IPI a fiscalização utilizou as disposições previstas no artigo 67 da Lei nº 10.833/03, para determinar a base de cálculo do lançamento ora impugnado. De fato, a norma veiculada pelo artigo 67 da Lei nº 10.833/03 instituiu nova alíquota e base de cálculo para fins de apuração do II e, por decorrência, do IPI, nas hipóteses de impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio e diante de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, como se deu no caso em tela. Portanto, pelo referido comando legal no que pertine aos efeitos da aplicação da nova alíquota e base de cálculo instituídas, há que se observar a regra do art. 144, caput do CTN, não se aplicando, no presente caso, a exceção prevista no § 1º do mesmo artigo. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 16 não se inclui no presente processo a exigencia de Pis e Cofins, fruto de Recurso de Ofício, cuidados noutro processo, conforme explicitado no início do presente voto 17 Nesse tópico, utilizo, parcial e subsidiariamente, com as adequações de minha livre iniciativa, os fundamentos lançados no voto do Acórdão 310200535, da 2ª Turma Ordinária, 1ª Câmara da Terceira Seção do Carf, da lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, apreciandose idêntica matéria. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 638 29 § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Em se tratando de norma de caráter material, instituidora de novo aspecto quantitativo para a norma geral e abstrata de incidência dos referidos impostos, por força do princípio da irretroatividade, inserto no art. 150, III, "a", da CF/88, ela não pode retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos anteriores a sua vigência, que se deu em 31/10/2003, data da publicação da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na precitada Lei n° 10.833, de 2003, que, por meio dos arts. 51 e 64 introduziu, originariamente, no direito positivo brasileiro o novel enunciado normativo. Cabe esclarecer ainda que, em relação ao IPI, o art. 80 da referida MP n° 135, de 2003, acrescentou o § 3º ao art. 2º da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, instituindo o desembaraço presumido de mercadoria importada extraviada como fato gerador do IPI, com os seguintes dizeres: "Art. 2° Constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; § 3º Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação", (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29/12/2003) Antes do advento do art. 80 da Lei n° 10.833, de 2003, na hipótese de mercadoria importada extraviada, a previsão de fato gerador ficto (entrada presumida), só existia para fins de cobrança do Imposto de Importação. Refirome ao disposto no § 2° do art 1º do Decretolei nº 37, de 1966, remunerado pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, a seguir transcrito: "Art. 1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei n" 2.472, de 01/09/1988) (...) §2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira ". (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei n" 2.472, de 01/09/1988) Diante do novo contexto normativo, temse, portanto, dois momentos distintos, no que tange à incidência do comando estabelecido no art. 67 da Lei n° 10.833, de 2003, que estabeleceu novas base cálculo e alíquotas para fins de apuração do II e do IPI, nos casos de mercadoria extraviada: (i) data de ocorrência do fato gerador do II e (ii) data de ocorrência do fato gerador do IPI. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 639 30 3.1.1 Mercadoria extraviada: data de ocorrência do fato gerador do Imposto de Importação (II) No que tange ao II, há regramento próprio que define o aspecto temporal do fato gerador, especificamente, a data de sua ocorrência. Neste sentido, dispõe o art. 23 do Decretolei n°37, de 1966, a seguir reproduzido: Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Parágrafo único. A mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira efetuar o correspondente lançamento de ofício no caso de: I – falta, na hipótese a que se refere o § 2º 18 do art. 1º; [...] No caso concreto, operouse o fato gerador presumido, eis que a mercadoria, efetivamente acobertada pelos documentos de transporte, somente teve sua falta percebida quando da conferência final de manifesto, subsumindose, assim, à hipótese de incidência prevista no § 2º do art. 1º do DecretoLei nº 37, de 1966, i.é. extravio. Portanto, a situação definida em lei como necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador efetivamente existiu. E nesse momento, nasceu a obrigação tributária referente aos impostos que àquela época vigiam em lei. Diante do exposto, no presente procedimento fiscal, para fins de exigência do II, o fato gerador ocorreu em 30 de dezembro de 2005, data em que se operou o lançamento do imposto, quando já estava vigente e eficaz o critério de apuração da base de cálculo do II, estabelecido no art. 67 da Lei n° 10.833, de 2003. Logo, não procede a alegação da recorrente de que, no concernente ao imposto de importação, houve retroatividade na aplicação do mencionado preceito legal. Assim, Correto é o lançamento formalizado no presente processo fiscal, relativo ao Imposto de Importação. 3.1.2 Mercadoria extraviada: data de ocorrência do fato gerador do IPI Diversamente do que se falou em relação ao II, o mesmo não pode ser dito em relação ao IPI, haja vista que inexiste preceito legal fixando a data em que se considera ocorrido o desembaraço aduaneiro ficto ou presumido, nos termos do § 3º 18 §2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira ". (Parágrafo único renumerado para § 2º pelo DecretoLei n" 2.472, de 01/09/1988) Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 640 31 ao art. 2º da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, acrescido pelo art. 80 da Lei n° 10.833, de 2003. Entretanto, a partir de uma análise sistemática da legislação que rege a matéria, entendo que a data do desembaraço aduaneiro presumido do IPI vinculado a importação é a data de apuração do extravio da mercadoria importada, conforme estabelecida para o II, haja vista que a apuração de base de cálculo IPI vinculado prescinde da apuração prévia da base de cálculo e do valor do II, que a integra. Não obstante, tal regramento não pode ser aplicado no presente caso, pois a norma que instituiu a cobrança do IPI sobre o desembaraço aduaneiro presumido somente entrou vigor em 31/10/2003, data da publicação da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na precitada Lei n° 10.833, de 2003. Dessa forma, inexiste o fato gerador do IPI no caso em tela, pois as referidas mercadorias extraviadas ingressaram presumidamente no território aduaneiro no ano de 2000, quando ainda não existia no ordenamento jurídico brasileiro a norma jurídica que introduziu, em caráter originário, a previsão de incidência do IPI sobre o denominado "desembaraço aduaneiro presumido". Por conseguinte, em consonância com o princípio da irretroatívidade da lei tributária, previsto no art. 150, III, "a", da CF/88, na presente autuação, concluo pela impossibilidade de aplicação retroativa da norma veiculada no preceito legal inserto no art. 80 da Lei n° 10.833, de 2003, que acrescentou o § 3º ao art. 2º da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, às mercadorias estrangeiras entradas no Território Nacional antes de sua vigência, o que ocorreu em 31/10/2003, conforme exposto precedentemente. 3.2 DA MULTA DO ART. 106, INCISO II, ALÍNEA “D”, DO DECRETO LEI 37/66 Por último, à cobrança do imposto de importação foi corretamente acrescida a multa de 50%, expressamente prevista no art. 106, inciso II, alínea “d”, do mesmo Decreto Lei 37/66, que dispõe: Art. 106 Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: I ... II de 50% (cinqüenta por cento): [...] d) pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira; [...] Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10831.004616/200624 Acórdão n.º 3301003.446 S3C3T1 Fl. 641 32 Dispositivo Em face de todo o exposto, voto no sentido de conhecer o presente recurso para Dar Provimento Parcial, para excluir do Auto de Infração a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) lançado, mantendose intactas as exigências quanto ao Imposto de Importação (II) e a multa do art. 106, inciso II, alínea “d”, do Decreto Lei 37/66. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 641DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001196/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
Tendo havido declaração a menor de valores devidos, pagamento da diferença, juntamente com juros de mora, e posteriormente declaração da diferença, antes de qualquer procedimento de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração; decisão do STJ sob a sistemática do art. 543-B do CPC anterior combinado com o art. 62-A do RICARF determinada a aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, à multa moratória.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário apresentado, para exonerar integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. Tendo havido declaração a menor de valores devidos, pagamento da diferença, juntamente com juros de mora, e posteriormente declaração da diferença, antes de qualquer procedimento de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração; decisão do STJ sob a sistemática do art. 543B do CPC anterior combinado com o art. 62A do RICARF determinada a aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, à multa moratória. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao recurso voluntário apresentado, para exonerar integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 11 96 /2 00 7- 78 Fl. 79DF CARF MF 2 EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1625.231, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, no qual foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. O presente processo administrativo traz lançamento de multa de mora em função da constatação de multa paga a menor referente à COFINS (fl. 42 e seguintes). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido (fls. 63 a 66): Em auditoria fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi constatado "Multa paga a menor" da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 04/2003 a 06/2003 declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 39 e 40 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário de multa perfazendo o total de R$ 216.068,26 (duzentos e dezesseis mil e sessenta e oito reais e vinte e seis centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2 L 9430/96; Art 9 e par UN L 10426/02. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 07/04/2007 (AR â. fl. 52) a contribuinte protocolizou, em 03/05/2007 a impugnação de fls. 01 a 09 acompanhada dos documentos de fls. 1047, na qual alega: 2.1. 0 artigo 138 do CTN garante ao contribuinte que se arrepender espontaneamente pelo descumprimento de obrigação tributária, a exclusão da multa moratória desde que haja o pagamento integral do tributo antes de qualquer procedimento fiscalizatório ou administrativo. Reproduz o referido artigo que trata da denúncia espontânea. 2.2. No caso em testilha, por se tratar a COFINS tributo sujeito a lançamento por homologação, a Impugnante não procedeu ao autolançamento desse tributo, por meio da DCTF. Quando efetuou o pagamento do complemento da COFINS devida em julho se 2003 (vide guia DARF s anexas), não havia constituição do crédito tributário, via autolançamento, que ocorreu somente em agosto de 2003 mediante envio da DCTF, conforme comprova o recebido de entrega anexo. 2.3. Assim, não se trata o presente caso de atraso de pagamento, ou seja, situação em que o contribuinte, via autolançamento, declara/constitui por Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11831.001196/200778 Acórdão n.º 3301003.463 S3C3T1 Fl. 80 3 meio da DCTF o tributo devido e posteriormente efetua o seu pagamento. Reproduz jurisprudência. 2.4. Por fim, requer que seja julgada procedente a presente Impugnação. O citado acórdão decidiu pela improcedencia da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 70 a 77), "não se conformando com a r. decisão de primeiro grau que afastou os efeitos do do artigo 138 do CTN, no caso de multa de mora", " por entender que tal multa não tem natureza punitiva" . Ao final, pede provimento do recurso, reforma do acórdão de primeiro grau e afastamento da multa moratória. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O núcleo da questão recorrida está bem delimitado: a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea à multa moratória. O acórdão da DRJ afirma que "A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea" e que surge a mora, nos termos do Código Civil, com o inadimplemento da obrigação no prazo fixado para o seu vencimento. Fl. 81DF CARF MF 4 Na esteira desta interpretação, traz entendimento da Administração acerca da matéria, expresso no Parecer Normativo CST n° 61, de 26/10/1979, com trecho reproduzido abaixo, além de julgados administrativos de 2005, no mesmo sentido: 4.1 As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. 4.2 Punitiva é aquela que se fundamenta no interesse público de punir o inadimplente. É a multa proposta por ocasião do lançamento. É aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir. 4.3 A multa de natureza compensatória destinase, diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. É penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios. A recorrente traz doutrina e decisões judiciais que entendem pela não distinção entre multas fiscais e moratórias, sendo ambas albergadas pelo art. 138 do CTN. Em junho de 2010, na mesma direção dos julgados mencionados pelo contribuinte, sobreveio decisão do STJ, tomada sob a sistemática do recurso repetitivo, no Resp nº 1.149.022, relatado pelo Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). [...] Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11831.001196/200778 Acórdão n.º 3301003.463 S3C3T1 Fl. 81 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. [...] 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (grifos do original). O que deste julgado, de observância obrigatória por este Conselho, em função do art. 62A do regimento interno da Casa (RICARF), aplicase ao caso concreto em exame é que: a) As multas moratórias está incluídas entre as punitivas, excluídas no caso de denúncia espontânea (do item 7 do decisum); e b) No caso de lançamento por homologação, quando o contribuinte declara parcialmente o débito tributário, mas realiza o pagamento integral, e depois declara a diferença, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, configurase a denúncia espontânea (do item 1). Com base neste julgado do STJ, em fevereiro de 2014, a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, decidiu sobre recurso especial de divergência, com a seguinte ementa: IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ). Fl. 83DF CARF MF 6 A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Provido. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3a Turma, Ac. 9303002.853, de 18/02/2014, rel. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas)1. No seu corpo, o voto vencedor assim informa que, quanto à possibilidade do instituto da denúncia espontânea albergar a multa moratória, a jurisprudência administrativa e judicial já se posicionou favoravelmente. Neste julgado, o colegiado decide por reconhecer a denúncia espontânea quanto aos pagamentos efetuados em relação a débitos não declarados em DCTF, a contrario sensu da súmula 360/STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Com base neste mesmo julgado do STJ, mais recentemente, em dezembro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, deu provimento ao recurso especial de divergência, com a seguinte ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. A denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Ac. 9303004.431, de 07/12/2016, rel. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas). Aqui, o acórdão paradigma mantido "reconhece a aplicação do instituto da denúncia espontânea, com o afastamento da multa moratória, nas situações em que os débitos vencidos tenham sido recolhidos com o acréscimo de juros moratórios, desde que não tenha havido sua declaração por meio de DCTF". Passando aos fatos do caso concreto sob análise, a contribuinte descreve, em seu recurso que: 9. No caso em testilha, a Recorrente ao apurar espontaneamente a falha cometida, efetuou o pagamento integral da COFINS devida, porém sem a multa de mora. Após esse pagamento, declarou o débito em DCTF, sendo certo, portanto, que o pagamento do tributo ocorreu antes da sua declaração em DCTF e anterior a qualquer procedimento administrativo. Para confirmar o relato do recorrente, este relator foi aos autos e verificou, de documentos que instruem a impugnação, a existência de: a) DCTF, apresentada em 15/08/2003, declarando débitos de COFINS para o trimestre de abril a junho de 2003 (fls 30 a 36). 1 O Conselheiro Pôssas relatou o voto vencedor, vencido o Conselheiro relator original Júlio César Alves Ramos, que votou pela pela "conversão deste julgamento em diligência para que a unidade preparadora ateste nos autos se os débitos que foram recolhidos a destempo". Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11831.001196/200778 Acórdão n.º 3301003.463 S3C3T1 Fl. 82 7 b) DARFs apontando o recolhimento dos valores de COFINS declarados na dita DCTF, autenticados pelo banco em 15/07/2003, 31/07/2003, 15/05/2003, 31/07/2003, 31/07/2003 e 15/07/2003 (fls 37 a 39). O cotejamento das informações dos DARFS com os das DCTFS segue resumido na planilha abaixo: DCTF DARF Per. de apuração Valor declarado Data da autenticação bancária Observação abr/03 R$ 1.140.531,56 15/05/2003 R$ 570.265,76 30/04/2003 Acrescidos de R$16.309,60, a título de "JUROS E/OU ENCARGIS DL 1.025/69). Total R$ 1.710.797,32 mai/03 R$ 1.066.657,47 Não apresentado. R$ 533.328,72 Não apresentado. Total R$ 1.599.986,19 jun/03 R$ 797.569,31 15/07/2003Apresentou 2 vezes. R$ 398.784,65 31/07/2003Apresentou 2 vezes. Total R$ 1.196.353,96 Observase, assim, a falta de DARFs relativos à competência de maio de 2003, ao passo que os de junho foram apresentados em duplicidade. Buscouse mais informações no auto de infração, este que delimita a multa em questão, como concernente a valores relativos aos meses de abril e maio e supre a informações sobre o pagamento referente a este último mês, conforme recortes abaixo das fls 44 e 45: Fl. 85DF CARF MF 8 Dessas fontes, o que se confirma é que os valores em questão foram pagos em 31/07/2003, anteriormente, portanto, à apresentação da DCTF respectiva, em 15/08/2003, com recolhimento de juros, não havendo registro de procedimento fiscalizatório até tais datas. Afastase, portanto, a multa moratória, aplicandose o instituto da denúncia espontânea, com base na citada decisão do STJ, sob a sistemática do recurso repetitivo, de observância obrigatória por este Conselho. Não se adentra, no presente voto, na questão da origem do principal e do exato cálculo das multas, apenas se buscam elementos para decidir pelo exclusão ou não da multa moratória (coluna "VL. MULTA", nas planilhas acima), ante o instituto da denúncia espontânea, tendo em vista o escopo da análise, já delimitada pelo acórdão impugnado e recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902195/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.617
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 95 /2 01 2- 76 Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10820.902195/201276 Acórdão n.º 3401003.617 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10820.902195/201276 Acórdão n.º 3401003.617 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10820.902195/201276 Acórdão n.º 3401003.617 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10820.902195/201276 Acórdão n.º 3401003.617 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1083DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.720022/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.895
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBOVEL COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 22 /2 01 0- 08 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10909.720022/201008 Acórdão n.º 3302003.895 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.439. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10909.720022/201008 Acórdão n.º 3302003.895 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10909.720022/201008 Acórdão n.º 3302003.895 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10909.720022/201008 Acórdão n.º 3302003.895 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10909.720022/201008 Acórdão n.º 3302003.895 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.721660/2011-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO.
Tendo sido constatada a existência de contradição no acórdão embargado, acolhe-se o recurso para promover as alterações necessárias de modo a sanar o vício.
Numero da decisão: 2201-003.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos pela Fazenda Nacional para, sanando a contradição apontada, alterar a conclusão do Acórdão 2201-002.662 que passa a ter a seguinte redação: " voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso para considerar as efetivas datas de aquisição dos imóveis (assim entendidas as constantes do Relatório Fiscal, itens 'a' e 'b', constantes de folhas 124 e 125) e respectiva aplicação dos fatores de redução previstos na legislação, para o cálculo correto do ganho de capital objeto da autuação."
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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CONTRADIÇÃO. Tendo sido constatada a existência de contradição no acórdão embargado, acolhese o recurso para promover as alterações necessárias de modo a sanar o vício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos pela Fazenda Nacional para, sanando a contradição apontada, alterar a conclusão do Acórdão 2201002.662 que passa a ter a seguinte redação: " voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso para considerar as efetivas datas de aquisição dos imóveis (assim entendidas as constantes do Relatório Fiscal, itens 'a' e 'b', constantes de folhas 124 e 125) e respectiva aplicação dos fatores de redução previstos na legislação, para o cálculo correto do ganho de capital objeto da autuação." (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 16 60 /2 01 1- 77 Fl. 185DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 174), contra o Acórdão de Recurso Voluntário de nº 2201002.662, fls. 169, prolatado em 10 de fevereiro de 2015 pela 1ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara, em razão da observância de obscuridade entre a decisão prolatada e a motivação dessa. Tais embargos foram admitidos por despacho da Sra Presidente desta 2ª Câmara, constante de folhas 180 e prolatado em 17 de agosto de 2015, que restou assim motivado: "A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, fls. 174/177, contra o Acórdão n° 2201002.662, de 10/02/2015. Os autos foram enviados à Fazenda Nacional em 17/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fl. 173). Assim, de acordo com o disposto no art. 7º da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia opor Embargos de Declaração até 22/04/2015, o que foi feito em 04/04/2015 (fls. 174/177), portanto, tempestivamente, com a devolução dos autos ao CARF, conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 178. Alega a Fazenda Nacional que o acórdão embargado possui omissão/contradição, a saber: "O Colegiado acolheu integralmente o voto do Conselheiro Relator no sentido de "... dar provimento parcial ao recurso para considerar a efetivas datas de aquisição dos imóveis (3/8/1968) e respectiva aplicação dos fatores de redução previstos na legislação, para o cálculo correto do ganho de capital objeto da autuação". Entretanto, não se verifica autos qualquer prova de que os imóveis: matrículas nº 37.660 e nº 37.661 foram adquiridos pelo Contribuinte em 03/08/1968. Assevera ainda a Embargante que o donatário adquiriu a propriedade de forma derivada a partir da doação em 09/11/1995. Concluiu a Fazenda Nacional que, como o objeto do lançamento é a apuração do imposto de renda sobre a alienação da propriedade e não o usufruto, "... a data de aquisição corresponde a época de instituição da doação para fins de apuração do imposto de renda sobre a alienação do imóvel". Pois bem, compulsandose os autos, verificase que assiste razão à Embargante. Como bem pontuou a Fazenda Nacional, não há nos autos prova de que os imóveis relativos às matrículas nº 37.660 e nº 37.661 tenham sido adquiridos em 03/08/1968. De fato, a própria autoridade fiscal, após análise das matrículas dos imóveis, consignou no Termo de Fiscalização Fiscal, fl. 125, que "Assim sendo, não há como validar a informação contida na DAA do exercício 2009 de que a data de aquisição do bem é 08/03/1968". Diante do exposto, restou demonstrado o vício apontado, razão pela qual acolho os Embargos Declaratórios, opostos pela Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11020.721660/201177 Acórdão n.º 2201003.629 S2C2T1 Fl. 186 3 Fazenda Nacional, e determino o retorno dos autos à pauta de julgamento, para que o Colegiado se pronuncie sobre a questão." Os autos foram distribuídos, por meio de sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira Por concordar com o despacho de admissibilidade emanado pela Presidente desta 2ª Câmara, passo a examinar os embargos interpostos. Antes porém, mister uma consideração. Observo que no recurso da Fazenda Nacional ainda há outro ponto questionado. Transcrevo (fls. 176): "Outrossim, o r. acórdão sustenta que a data de instituição da doação com usufruto – 09/11/1995 – não coincide com a data de aquisição do bem. Contudo, há que se diferenciar a incidência do imposto de renda sobre ganhos de capital do proprietário – donatário – e do usufrutuário – doador. O donatário adquiriu a propriedade de forma derivada a partir da doação – em 09/11/1995. De outra sorte, o doador adquiriu a propriedade em datas diversas – conforme consta na certidão vintenária. Sobre a apuração de ganhos de capital sobre a alienação da propriedade e do usufruto diz o r. acórdão nº 104 16.957, processo nº 11040.001178/9760, verbis: (...) No caso dos autos, temos que o objeto do lançamento é a apuração do imposto de renda sobre a alienação da propriedade e não o usufruto. Assim, o doador, com fulcro no CTN, art. 124, inciso I, foi indicado como sujeito passivo solidário. A respeito diz o relatório fiscal, verbis: Fl. 187DF CARF MF 4 (...)" Verifico que tal ponto não foi mencionado no despacho de admissibilidade, e não observo a omissão apontada, posto que a decisão vergastada efetivamente afasta a questão do usufruto como considerado pela Fiscalização (fls 171): A instituição do usufruto e a doação em vida da propriedade do imóvel aos filhos com posterior alienação do bem, não representou em ganho de capital no valor da alienação, mas sim, em acréscimo descontado o valor de aquisição do imóvel. A doação em vida da nua propriedade, com posterior renúncia do usufruto e alienação a terceiros, não significa que a data da doação é a data de aquisição. A doação da nua propriedade significa a transferência de parcela dos direitos decorrentes da propriedade, temporariamente dela destacados. Portanto, é de se reconhecer o equívoco da fiscalização em não considerar o custo de aquisição originário do imóvel para fins de apuração da base de cálculo do ganho de capital, apenas pelo fato de não ter sido atribuído valor ao usufruto, por ocasião da doação da nuapropriedade aos seus filhos." Não há omissão. O Apelante busca rediscutir a questão, alterando a decisão proferida pelo Colegiado. Não são os embargos o meio processual adequado para tanto.Não observo no Auto de Infração nenhuma imputação de solidariedade na sujeição passiva. Do exposto, não conheço dos embargos nessa parte, admitindoos, como consta do despacho, somente na questão da data de aquisição dos imóveis. Passemos, então, ao exame da questão. Como asseverado pela embargante, o voto condutor da decisão do Colegiado, que reproduzo novamente pelo amor à clareza, explicita que (fls. 171): "A fiscalização entendeu que a doação da nuapropriedade do imóvel realizada pelo recorrente aos seus filhos, em 9/11/95, com reserva de usufruto, representaria a data de aquisição cujo custo seria igual a zero, por se tratar de doação à título gratuito. O valor do ganho de capital, portanto, seria o valor da alienação do direito de usufruto, dos dois imóveis à terceiros (Tubo Center Participações Societárias Ltda.), sem qualquer fator de redução, ocorrida em 20/10/2008. A DRFBJ reconheceu a aplicação do fator de redução, de modo a reduzir o valor do crédito tributário originalmente lançado, com fulcro no artigo 40 da Lei n. 11.196/2005, levando em consideração como data de aquisição, a data da doação da nua propriedade e da instituição do usufruto. A propriedade de bem imóvel implica no direito uso, gozo, disposição e reivindicação, nos termos da lei civil (art. 1.228 do CC), ao passo que o usufruto dele se distingue, dado o poder de fruir as utilidades e frutos de uma coisa enquanto temporariamente destacado da propriedade (artigo 1.225, IV e 1.390 a 1.411, do Código Civil). Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11020.721660/201177 Acórdão n.º 2201003.629 S2C2T1 Fl. 187 5 A instituição do usufruto e a doação em vida da propriedade do imóvel aos filhos com posterior alienação do bem, não representou em ganho de capital no valor da alienação, mas sim, em acréscimo descontado o valor de aquisição do imóvel. A doação em vida da nuapropriedade, com posterior renúncia do usufruto e alienação a terceiros, não significa que a data da doação é a data de aquisição. A doação da nuapropriedade significa a transferência de parcela dos direitos decorrentes da propriedade, temporariamente dela destacados. Portanto, é de se reconhecer o equívoco da fiscalização em não considerar o custo de aquisição originário do imóvel para fins de apuração da base de cálculo do ganho de capital, apenas pelo fato de não ter sido atribuído valor ao usufruto, por ocasião da doação da nuapropriedade aos seus filhos. Nesse sentido, processo n. 11040.001178/9760, rel. Nelson Malmann: (...) Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso para considerar a efetivas datas de aquisição dos imóveis (3/8/1968) e respectiva aplicação dos fatores de redução previstos na legislação, para o cálculo correto do ganho de capital objeto da autuação." (destaques não constam do voto) Do trecho reproduzido, em especial da parte negritada, podemos concluir que a decisão prolatada afastou o critério utilizado pela Fiscalização para definir a data de aquisição das propriedades pelo sujeito passivo, determinando que se observasse tal data sem a utilização de tal critério. Porém como bem aponta a Embargante, a data que o Conselheiro Relator adotou em seu voto não tem comprovação nos autos, sendo inclusive, especificamente desconsiderada pela Autoridade Fiscal em face de sua contradição quando da verificação dos documentos competentes para a comprovação da propriedade, as escrituras registradas em cartório de registro de imóveis. Sobre a data de aquisição do imóvel, a decisão de primeiro graus, Acórdão 1037.188, não se pronunciou. Na imputação fiscal, encontramos (fls 125): "Os imóveis alienados são compostos por duas matrículas do registro de imóveis, segunda Zona da comarca de Caxias do Sul, sendo: a)Matrícula 37.660 (folhas 61 a 72) relativa ao lote 27 da quadra 1959. Do imóvel coube ao contribuinte a fração ideal de 1.192,33 m2. Essa área é composta de 511,00 m2 recebida por: transferência "causamortis" (herança) pelo falecimento de seu pai, Sr. Américo Tessari, em 27/06/72, conforme se depreende do descrito no Histórico Vintenário dos Títulos de Fl. 189DF CARF MF 6 Domínio referentes aos imóveis matriculados Transcrição 38.277 (fl. 56 a 60); doação recebida de sua mãe, Sra. Izaltina Hoffmann Tessari, em 31/12/81, correspondente a 383,25 m2, através de escritura pública lavrada no Terceiro Tabelionato de Notas de Caxias do Sul, Livro 29 folhas 153 a 155, constante da matrícula 23.950 do Cartório de Registro de Imóveis da 2a Zona da Comarca de Caxias do Sul (fls. 70); ‐ compra de 298,08 m2 de seu irmão Liseu em 03/03/84 de acordo com a escritura pública lavrada no Terceiro Tabelionato de Notas de Caxias do Sul, Livro 119A, folhas 129 e 130 relativo à matrícula 28.748 do Cartório de Registro de Imóveis da 2a Zona da Comarca de Caxias do Sul (fls.69). Assim sendo, não há como validar a informação contida na DAA do exercício 2009 de que a data de aquisição do bem é 08/03/1968. (...) b)Matrícula 37.661 (Doe. 03D) relativa ao lote 28 da quadra 1959 com área de 8.050,32 m2. Essa área é composta de: doação recebida de sua mãe, Sra. Izaltina Hoffmann Tessari, em 23/10/81. correspondente a área de 3.054,56 m2, através de escritura pública lavrada no Terceiro Tabelionato de Notas de Caxias do Sul, Livro 29 TD, folhas 23 a 25, constante da matrícula 16.397 do Cartório de Registro de Imóveis da 2a Zona da Comarca de Caxias do Sul (fls. 83); compra da área de 4.995,76 m2 de seu irmão Liseu em 03/02/84 de acordo com a escritura pública lavrada no Terceiro Tabelionato de Notas de Caxias do Sul, Livro 119A, folhas 129 e 130 relativo à matrícula 28.612 do Cartório de Registro de Imóveis da 2a Zona da Comarca de Caxias do Sul (fls. 85). Assim sendo, não há como validar a informação contida na DAA do exercício 2009 de que a data de aquisição do bem é 08/03/1968." Perquirindo tanto a impugnação ao lançamento quanto o recurso voluntário interposto, não observo nenhuma contestação às datas extraídas dos documentos mencionados no Relatório Fiscal, acima reproduzido. Entendo, portanto, a questão incontroversa. Nesse sentido, ao analisarmos o sentido do voto condutor da decisão atacada, e cotejarmos tal motivação com os fatos comprovados constantes do Relatório Fiscal, entendo que a contradição apontada pela embargante deve ser corrigida com a indicação das datas de aquisição das propriedades alienadas com sendo as constantes do trecho acima reproduzido do relatório, ou seja: . a)Imóvel de Matrícula 37.660 (folhas 61 a 72) relativa ao lote 27 da quadra 1959. Do imóvel coube ao contribuinte a fração ideal de 1.192,33 m2. Essa área é composta de 511,00 m2 recebida por: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11020.721660/201177 Acórdão n.º 2201003.629 S2C2T1 Fl. 188 7 transferência "causamortis" (herança) pelo falecimento de seu pai, Sr. Américo Tessari, em 27/06/72, conforme se depreende do descrito no Histórico Vintenário dos Títulos de Domínio referentes aos imóveis matriculados Transcrição 38.277 (fl. 56 a 60); doação recebida de sua mãe, Sra. Izaltina Hoffmann Tessari, em 31/12/81, correspondente a 383,25 m2, através de escritura pública lavrada no Terceiro Tabelionato de Notas de Caxias do Sul, Livro 29 folhas 153 a 155, constante da matrícula 23.950 do Cartório de Registro de Imóveis da 2a Zona da Comarca de Caxias do Sul (fls. 70); ‐ compra de 298,08 m2 de seu irmão Liseu em 03/03/84 de acordo com a escritura pública lavrada no Terceiro Tabelionato de Notas de Caxias do Sul, Livro 119A, folhas 129 e 130 relativo à matrícula 28.748 do Cartório de Registro de Imóveis da 2a Zona da Comarca de Caxias do Sul (fls.69). b) Imóvel de Matrícula 37.661 (Doe. 03D) relativa ao lote 28 da quadra 1959 com área de 8.050,32 m2. Essa área é composta de: doação recebida de sua mãe, Sra. Izaltina Hoffmann Tessari, em 23/10/81. correspondente a área de 3.054,56 m2, através de escritura pública lavrada no Terceiro Tabelionato de Notas de Caxias do Sul, Livro 29 TD, folhas 23 a 25, constante da matrícula 16.397 do Cartório de Registro de Imóveis da 2a Zona da Comarca de Caxias do Sul (fls. 83); compra da área de 4.995,76 m2 de seu irmão Liseu em 03/02/84 de acordo com a escritura pública lavrada no Terceiro Tabelionato de Notas de Caxias do Sul, Livro 119A, folhas 129 e 130 relativo à matrícula 28.612 do Cartório de Registro de Imóveis da 2a Zona da Comarca de Caxias do Sul (fls. 85). CONCLUSÃO Do exposto, voto por conhecer e acolher os embargos propostos pela Fazenda Nacional para, sanando a contradição apontada alterar a conclusão do Acórdão 2201002.662 que passa a ter a seguinte redação: " voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso para considerar a efetivas datas de aquisição dos imóveis (assim entendidas as constantes do Relatório Fiscal, ítens 'a' e 'b', constantes de folhas 124 e 125) e respectiva aplicação dos fatores de redução previstos na legislação, para o cálculo correto do ganho de capital objeto da autuação." (assinado digitalmente) Relator Carlos Henrique de Oliveira Fl. 191DF CARF MF 8 Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.014860/2001-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/05/1997
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende recorrer, não se pode admitir, por falta de prequestionamento, recurso que a pretenda discutir.
Numero da decisão: 9303-004.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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REQUISITOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NOSSA SENHORA DE FÁTIMA PARTICIPAÇÕES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/05/1997 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende recorrer, não se pode admitir, por falta de prequestionamento, recurso que a pretenda discutir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 48 60 /2 00 1- 86 Fl. 206DF CARF MF 2 Relatório A Fazenda Nacional recorre de decisão assim ementada: DCTF. REVISÃO INTERNA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACUSAÇÃO FISCAL DESTITUÍDA DE SUPORTE FÁTICO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O lançamento cuja motivação é a inexistência de comprovação de processo judicial informado na DCTF como suporte da compensação procedida, deve ser cancelado quando o sujeito comprovar a existência do processo judicial. NULIDADE DE LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE CORRETA E VERDADEIRA DESCRIÇÃO DOS FATOS. LIMITAÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NATUREZA DE VÍCIO MATERIAL. A decretação da nulidade do Auto de Infração por inexistência de motivação, baseada na falta de uma correta e verdadeira "descrição dos fatos” (inc. III, do art. 10, do Decreto nº 70.235/72), tidos pelo ato administrativo de lançamento como infracionais, limitando o exercício do direito de defesa do contribuinte, revestese da natureza jurídica de vício material Embora o relator da decisão recorrida tenha afirmado " tratarse de Auto de Infração lavrado, na data de 12/11/2001, em face de o contribuinte ter declarado em DCTF compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial, porém, não comprovando a existência de processo judicial", não é isso o que se lê nas DCTF juntadas nos autos. A ela não foram opostos embargos. Com efeito, registram as DCTF (fls. 15 a 19 dos autos) que os débitos dos meses objeto do lançamento estariam com exigibilidade suspensa por força de decisão no processo judicial nº 94347260. Em sua impugnação, ela provara a existência do processo e que nele fora mesmo proferida decisão ainda provisória autorizando a compensação de indébitos do Finsocial com débitos da COFINS. Por isso, estaria correta a informação aposta na declaração entregue. Isso não foi contestado pela DRF nem pela DRJ Ainda assim, a DRJ consderou válido o lançamento "para prevenir a decadência" dele retirando a multa de ofício, e nada aduzindo sobre qual seria a "declaração inexata" prestada. O recurso especial da Fazenda Nacional está lastreado em acórdão (nº 20312.427 de que consta: “A nobre relatora não vê configurada a concomitância por considerar que, nesta seara administrativa, em face do enquadramento legal e da situação fática descrita no auto de infração, discutese tão somente a existência ou não do processo judicial, no qual a recorrente seja parte e lhe garanta (ou não) o direito de proceder a compensação vinculada em DCTF, cuja origem é o indébito do PIS pago indevidamente. Para ela, a exigência tributária, no que fundada na inexistência do processo Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13807.014860/200186 Acórdão n.º 9303004.910 CSRFT3 Fl. 3 3 judicial informado como origem dos créditos vinculados aos débitos declarados nas DCTF, deve ser cancelada porque demonstrado o contrário: existe sim, a ação judicial referida Entendo diferente porque o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido. Embora admitindo que a descrição constante do auto de infração é lacônica e podia ser aperfeiçoada, ressalto que não houve qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, que desde o primeiro momento demonstrou compreender por inteiro a autuação. Tanto assim que na impugnação o contribuinte já informa que os créditos têm origem em pagamentos a maior do próprio PIS, e que o seu direito foi reconhecido judicialmente nos autos do processo nº 96.0017913. Em suma, o paradigma afirma que, havendo mesmo débitos a serem exigidos, ainda que essa exigibilidade se confirme apenas após a impugnação apresentada, e decorra de motivo diverso, é válido o lançamento. É também mencionado o acórdão 20403.201, no qual se disse: A constituição de crédito tributário devido e não recolhido via notificação eletrônica está devidamente prevista em lei e atendida todas as formalidades previstas na norma jurídica relativas à notificação eletrônica, ela é plenamente valida para constituir o crédito tributário. A procedência ou não da acusação fiscal não é motivo de nulidade do lançamento, ainda mais quando garantido à contribuinte o pleno exercício de sua defesa através do devido processo legal. Os valores declarados em DCTF como compensados devem ser objeto de lançamento de ofício com os acréscimos legais previstos em lei caso a compensação não seja confirmada e não tenha sido objeto de processo próprio. Em tempestivas contrarrazões, traz a recorrida até mesmo a prova do trânsito em julgado da decisão que permitira a compensação, para demonstrar que nada há a ser exigido. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como procurei demonstrar, entendo que o recurso sequer poderia ter sido admitido. É que ele se baseia, como todos os "proc jud não comprovad", na ocorrência de alguma inexatidão na DCTF entregue de que decorra a exigibilidade de algum valor que nela tenha constado como suspenso ou extinto. E nisso também se baseava o ilustre ex Fl. 208DF CARF MF 4 conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para fundamentar o voto paradigma: após a impugnação, embora comprovado o processo judicial, ainda subsiste débito a ser exigido. Isso fica claro na passagem já transcrita no relatório (e que o fora pela própria Fazenda Nacional em seu recurso). Flagrantemente díspares, pois, as situações do recorrido e do paradigma: no recorrido nada havia, à época do lançamento, a ser exigido, ou ao menos nada foi demonstrado até o julgamento pela DRJ. E, aceitandose o que está posto em contrarrazões, nada há mesmo hoje. O paradigma trazido pela Fazenda prestase, a meu ver, àqueles casospadrão, em que, por causa diversa, persista algum valor a ser exigido do declarante, o que não se poderia fazer pela própria declaração entregue. Nesses termos, aqui, somente se poderia discutir a necessidade de lançamento de ofício para "prevenir a decadência" de débito declarado em DCTF regularmente (isto é, declarado com exigibilidade suspensa e apontando o processo judicial correto), matéria sobre a qual não há uma só linha nem na decisão recorrida, nem no paradigma, nem mesmo no recurso apresentado. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso apresentado. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
