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Numero do processo: 11020.002070/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE INTERPOSIÇÃO.
Apresentação de Recurso Especial para a Câmara Superior em face de acórdão proferido por turma da DRJ. A peça recursal é inexistente, pois seria adequada para atacar decisão de turma ordinária de Câmara do CARF. A discussão no recurso especial é mais restrita, pois não se discute matéria de fato, apenas divergências de interpretação de norma tributária. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3301-005.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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PRESSUPOSTOS DE INTERPOSIÇÃO. Apresentação de Recurso Especial para a Câmara Superior em face de acórdão proferido por turma da DRJ. A peça recursal é inexistente, pois seria adequada para atacar decisão de turma ordinária de Câmara do CARF. A discussão no recurso especial é mais restrita, pois não se discute matéria de fato, apenas divergências de interpretação de norma tributária. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 70 /2 00 8- 46 Fl. 358DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito acumulado de COFINS em razão de receitas de exportação, pleiteada no PER/DCOMP 16479.60013.271107.1.1.097492 (fls 0710), com fundamento no artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 que permitem o pedido de ressarcimento do saldo de crédito das contribuições ao fim do trimestre neste caso. O pedido foi indeferido em razão de glosas de crédito realizadas no auto de infração no processo nº 11020.003343/200951, da qual o presente processo é totalmente vinculado, por isso, será chamado de "processo principal". Referido auto de infração foi copiado aos autos (fls. 1434), mas todo o acervo probatório para as glosas e para a lavratura do auto ficaram no processo nº 11020.003343/200951. O referido auto de infração foi lavrado para constituição do crédito tributário de PIS e COFINS não cumulativos sobre receitas no mercado interno (declaradas pela contribuinte como de exportação) e glosas de crédito que culminou na redução de saldo credor das contribuições. Conforme se destaca do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 3550), o período fiscalizado compreende os meses de janeiro/2005 até 12/2006. A fiscalização entendeu que as receitas no período de apuração não podem ser consideradas como de exportação, pois foram remetidas para empresas comerciais exportadoras e, ainda, a contribuinte incluiu como receitas de exportações os produtos adquiridos de terceiros com o fim específico de exportação. Assim, o auto de infração concentrase em dois aspectos: I) Glosas de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre: a) combustíveis e lubrificantes, tanto para veículos, como para limpeza e lubrificação dos equipamentos ligados ao setor produtivo; b) partes e peças e despesas diversas, como material de construção, EPI, material de escritório e de consumo (postit, papel higiênico), além de aluguel e custos com serviço de armazém de comercial exportadora; c) serviços não utilizados no processo produtivo (serviços de roça, limpeza de floresta, extração de toras, carpintaria, manutenção de benfeitorias etc.). Há serviços que devem ser ativados, como os de construção civil para manutenção de casas e há serviços em que a nota fiscal foi emitida com irregularidade, sem indicação do CNPJ do emissor (Manoel Antônio Pereira & CIA LTDA); d) fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e frete de bens do imobilizado (fornalhas, estufa e máquinas em março, maio e junho de 2006); e) aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero (formicidas e defensivos agrícolas nos termos do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. II) Receitas que não foram consideradas receitas de exportação a) vendas de produtos à comercial exportadora com fim específico de exportação, dando o tratamento de venda no mercado interno diante da insuficiência de provas Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11020.002070/200846 Acórdão n.º 3301005.169 S3C3T1 Fl. 359 3 de uma efetiva exportação e porque as mercadorias, em muitos casos, foram enviadas para armazéns privados e não para recintos alfandegados; b) inclusão de receitas de exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação nos cálculos do rateio proporcional. Com a autuação a fiscalização juntou diversos documentos elaborados por ela (demonstrativos) ou pela própria contribuinte em respostas às diversas intimações realizadas durante o procedimento de fiscalização, tais como contratos, memórias de cálculo, notas fiscais e demonstrativos contábeis (fls. 383.674 do processo principal). Por se tratar de PER/DCOMP, cabe ressaltar que o presente processo discute apenas o crédito glosado no processo onde se discute o auto de infração. Com isso, o resultado sobre a manutenção ou a reversão das glosas devem ser aplicadas para este processo. Notificada do auto de infração em 10/11/2009, a contribuinte apresentou tempestivamente uma impugnação para a COFINS (fls. 5875), defendendo, em breve síntese, um conceito mais alargado de insumos, devendose considerar despesa passível de crédito todos os gastos necessários para a obtenção da receita, sendo ilegal a instrução normativa SRF 404/2004: a) combustível e lubrificante: afirmou que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo produtivo. Embora admita a aquisição de combustível para uso em atividade alheia à produção, afirma que o volume para este fim alheio é ínfimo. Grande parte do consumo do combustível e lubrificante está relacionado com o processo produtivo. Todas as máquinas cortantes, tais como serrasfitas, motoserras, destopadeiras e plaina, requer a utilização de combustível e lubrificantes tanto para o funcionamento, quanto para limpeza e lubrificação. b) partes e peças: todos os itens relacionados pela fiscalização são onerados ao longo da cadeia produtiva pela COFINS, do que se conclui a possibilidade de crédito. As partes e peças são rolamentos, retentores, arroelas, parafusos, correntes, porcas, correias, arame farpado, pregos, e são itens obrigatórios e essenciais para o desenvolvimento de sua atividade produtiva. c) quanto aos serviços, argumenta que são atividades preparatórias para a produção e que, sem estes serviços, há inviabilidade de início do processo produtivo. Argumenta que as notas fiscais já juntadas com a autuação e juntadas novamente com a impugnação demonstram que os serviços são roçadas de campo, roçada para o plantio de pinus elliots, extração de toras, abertura de mata e roçadas para abrir caminho na floresta, arrasto e empilhamento de toras. Estes serviços são etapas de seu processo produtivo, merecendo ser admitido o crédito, pois insumos de sua produção. Quanto aos documentos que não constam CNPJ do prestador (Manoel Antônio Pereira), ou mesmo número de autorização do fisco para confecção do bloco de notas, afirma que esse formalismo não pode prejudicar o adquirente de boafé, ora Recorrente, pois foi apresentado o contrato que subsidia a operação, bem como os pagamentos e lançamentos contábeis respectivos. A Recorrente é parte estranha na confecção e emissão da nota fiscal, faltandolhe poder de polícia para verificar a regularidade de tais documento. Fl. 360DF CARF MF 4 d) fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e fretes de bens do imobilizado: estes fretes ocorrem como etapa precedente à exportação. É necessário enviar os produtos acabados para suas filiais localizadas nas proximidades dos portos de Itajaí, Paranaguá, Rio Grande e São Francisco. Assim, os fretes de transferência ocorriam unicamente por questão de logística, etapa essencial à atividade da impugnante. Defende que estes créditos são possíveis porque são insumos de sua atividade industrial. Transcreve algumas soluções de consulta da RFB autorizando o crédito. e) insumos adquiridos e sujeitos à alíquota zero: mesmo sujeitos à alíquota zero são insumos de sua produção. A não cumulatividade da COFINS é mais ampla e calculada sobre a base e não sobre o tributo que incidiu na etapa anterior. Em 27/09/2011, a 2ª Turma da DRJ/CGE proferiu o acórdão número 04 26.081 (fls. 134146), julgando improcedente a impugnação para manter a totalidade do auto de infração. Cabe esclarecer que a decisão trata não apenas dos créditos, mas também das receitas de exportação, objeto do processo principal. Afirma que as exportações não foram suficientemente comprovadas, pois, os documentos trazidos pela contribuinte na impugnação não estabelecem um vínculo seguro entre as exportações consignadas nestes documentos e as mercadorias remetidas pela impugnante. Sobre este ponto, sublinhou: Ocorre que as operações foram realizadas com empresas que não revestiam a condição de comercial exportadora. Além disso, as mercadorias adquiridas por Prime Timber Indústria e Comércio de Madeiras S/A e Prime Lumber Indústria e Comércio de Madeiras Ltda. não foram remetidas a recinto alfandegado, mas a armazéns gerais, que são locais destinados à recepção, movimentação e guarda de mercadorias de terceiros, sobre os quais não há, em princípio, nenhum controle alfandegário. No que concerne às vendas para Lprado Indústria de Madeiras Ltda. e Lprado Comércio Exterior Ltda., observouse que nas respectivas notas fiscais foram consignados códigos de operação que não se refletiam remessas para exportação. A nota característica tanto da primeira, quanto da segunda situação são a obscuridade e a incerteza das circunstâncias que envolvem as operações. Quanto às aquisições de produtos de terceiros para fim específico de exportação, o v. acórdão consignou que a própria contribuinte admitiu a existência destas operações em demonstrativo de fls. 217219 (do processo princpal) apresentados como resposta às intimação realizada durante a fiscalização, segregando as receitas próprias das receitas de vendas de produtos adquiridos de terceiro. Quanto às glosas de crédito, o entendimento da r. decisão restou assim consignado, em síntese? a) Combustíveis e lubrificantes: falta de demonstração da quantidade efetivamente empregada no processo produtivo e de quanto foi utilizado em outras atividades de natureza administrativa, como veículo da diretoria e ônibus para transporte de empregados. A Recorrente foi intimada para fazer esta comprovação e separação, mas não apresentou resposta esclarecedora, afirmando que não possuía estes controles. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11020.002070/200846 Acórdão n.º 3301005.169 S3C3T1 Fl. 360 5 b) Partes e peças: não se enquadram no conceito de insumos, devendo ser contabilizadas como ativo imobilizado. Afirma que o art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003 permite descontar créditos calculados sobre os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou prestação de serviços. O conceito de insumos para fins tributários é aquele dado pela Instrução Normativa SRF nº 404/2004, isto é, devem ser consumidos no processo produtivo, sofrendo desgaste, alterações, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Com este raciocínio, estas partes e peças, por serem utilizadas na manutenção do ativo utilizados na produção, se incorporam ao bem e aumentam sua vida útil. Não sendo consumidos no processo produtivo, não podem ser classificados como insumos, mas sim como ativo imobilizado, sujeitandose à depreciação ao longo do seu período de vida útil. c) serviços não utilizados no processo produtivo: só pode ser calculado crédito sobre os serviços aplicados no processo produtivo. Nota fiscal que descreve de modo vago os serviços prestados não permite verificar se o serviço integra ou não o processo produtivo do tomador. Ainda, para gerar crédito, os serviços devem ser sujeitos à incidência das contribuições. Os documentos fiscais que representam as prestações de serviços são irregulares (sem número de autorização para impressão ou sem CNPJ do prestador) ou prestados por pessoas físicas, apenas formalmente constituídas como pessoa jurídica. Citando o doutrina de direito civil, afirma que toda atividade empresarial requer coordenação de fatores de produção, entre os quais a mãodeobra. Assim, se alguém dizendo ser empresário individual presta serviço com pessoalidade, sem emprego de trabalho alheio, esse serviço é de pessoa física e não de empresa. Diante desta ausência de um dos fatores de produção que necessariamente integram a organização empresarial impede que se reconheça ali a existência de empresa. d) frete de produtos entre estabelecimentos do mesmo titular: impossibilidade de creditamento sobre as despesas de frete entre estabelecimentos do mesmo titular, tendo em vista que o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003 apenas permite o crédito nos fretes contratados em operações de venda. as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo titular, não produzindo a mudança de titularidade dos bens, não permite o crédito. e) insumos sujeitos à alíquota zero: impossibilidade do crédito em aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero nos termos do art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/2003. Inconformada da decisão, a contribuinte apresentou Recurso Especial (fls. 151161). Na admissibilidade, este detalhe não foi tratado e o processo foi enviado ao E.CARF como recurso voluntário (fls. 172173). Traz decisões paradigmas para reforçar seus argumentos da impugnação em relação ao conceito de insumos, acrescentando alguns julgados do E. CARF que aplicou o conceito de despesa necessária do art. 299 do RIR para aplicação do conceito de insumos de PIS e COFINS, acrescentando que foi provada a utilização de combustíveis e lubrificantes no processo produtivo e a utilização em outros setores, por ser mínima, não pode afastar o crédito, já que a destinação foi comprovada pelos registro contábeis; as partes e peças utilizadas para utilização em seu processo produtivo também deve ser reconhecido o crédito, já que a própria atividade da Recorrente exige tais itens para a manutenção de seu processo produtivo (arroelas, porcas, rolamentos, parafusos etc.); sobre as prestações de serviço, também afirma a essencialidade destes serviços para atividade produtiva, pois antes de serrar a madeira é preciso extrair, arrastar e empilhar as toras e, antes disso, é Fl. 362DF CARF MF 6 necessário serviços de roçada para abrir caminho na floresta; traz decisão de despesa com armazéns e fretes entre estabelecimentos admitindo tais despesas como insumos. A mesma diligência aplicada ao processo principal, foi resolvida também nos presentes autos. Na mesma data, em 24 de abril de 2013, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste E. CARF, proferiu Resolução nº 3101000.275 para converter o feito em diligência, requerendo a análise pela autoridade de origem dos seguintes aspectos: a) relacione as aquisições que entende não aparadas por documento válido, indicando: fornecedor, descrição do serviço ou bem, data do recibo/nota; valor e página do documento no processo, indicando se foram contabilizadas como ativo permanente ou custo de produção; b) relacione as aquisições registradas na contabilidade como ativo permanente e as contabilizadas no custo de produção, com as informações de: fornecedor, descrição do serviço ou bem, data do recibo/nota; valor e página do documento no processo, excluindo as indicado na alínea “a” acima; c) concluídas as planilhas previstas nos itens “a” e “b” acima, intimar o contribuinte para que, querendo, apresente, no prazo de 60 dias, laudo técnico de descrição e avaliação do processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica no CREA, no qual deverá descrever o processo produtivo e indicar em que fase da produção os insumos adquiridos são utilizados, a função de cada produto ou serviços dentro do processo. Para início da diligência fiscal, a autoridade administrativa intimou a Recorrente para cumprir o item "c" acima (fls. 179178), porém, não foi atendida. Ainda, em fls. 184185 intimou a Recorrente para apresentar algumas notas fiscais faltantes para comprovar a venda para fins específicos de exportação, situação totalmente alheia aos autos, pois referente ao processo principal, mas atendida pela Recorrente. Em 06 de fevereiro de 2016 (três anos depois), a autoridade de origem apresentou seu relatório de diligência fiscal com as planilhas contendo as informações solicitadas pelo r. despacho de diligência nas alíneas "a", "b", bem como sobre as receitas de exportação ventiladas no processo principal (fls. 224266), explicando as informações que buscou evidenciar em cada coluna da planilha. A Recorrente apresentou sua resposta à diligência, informando que não apresentou o laudo elaborado por engenheiro conforme alínea "c" porque a empresa não se encontra mais em funcionamento há aproximadamente 05 anos. Quanto à planilha de exportações afirmou que a autoridade não atendeu à diligência neste item pois ocultou a informação de que todas as notas fiscais ali discriminadas foram emitidas com o CFOP 5501 ou 6501 (remessa de produção do estabelecimento com o fim específico de exportação). Com isso, requer o complemento desta informação para atendimento da diligência. A autoridade fiscal apresentou o complemento da diligência fiscal em fls. 286344, repetindo todas as informações apresentadas, apenas adicionando na planilha referente à alínea "d" (receitas de exportação) as colunas com as informações dos CFOPs 5501 ou 6501 conforme argumentado pela Recorrente. É o relatório, passase ao mérito. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11020.002070/200846 Acórdão n.º 3301005.169 S3C3T1 Fl. 361 7 Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Salientese que o presente recurso é um Recurso Especial. O fundamento utilizado pela recorrente foi o art. 64, II, 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sua interposição seguiu os requisitos de interposição desta peça recursal, dirigindo seu recurso à Primeira Turma Ordinária do CARF, sendo que a decisão guerreada é um acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ de Campo Grande. Ainda, a Recorrente pretendeu demonstrar que preenche os requisitos do Recurso Especial previstos do art. 67 do RICARF, argumentando a existência de divergência de interpretação das turmas de Câmara do E. CARF acerca do conceito de insumos das contribuições, cumprindo, ainda, os requisitos de demonstrar os paradigmas, com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Assim, percebese que Recorrente não apresentou recurso contra a decisão da DRJ, mas sim contra uma inexistente decisão de turma do CARF e não discutiu questões de fato e de direito, nem as provas carreadas aos autos, pois tratou seu recurso como recurso especial. Pela análise do recurso, não é possível aplicar a fungibilidade para admitilo como recurso voluntário, tendo em vista que toda a argumentação foi montada para um outros recurso, bem diverso do voluntário. Nesta medida, há que se reconhecer que não houve a interposição de recurso voluntário, com o que, não é possível conhecer do recurso especial. Isto posto, nego conhecimento ao recurso. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721044/2017-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2013
DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO
Cabe revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria.
DAS ÁREAS AMBIENTAIS
Lastreado em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural.
Numero da decisão: 2201-004.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2013 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO Cabe revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS Lastreado em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 10 44 /2 01 7- 26 Fl. 317DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 297/308, a qual julgou procedente a impugnação decorrente do lançamento de Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2013, acrescido de multa lançada e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Santa Rita", cadastrado na RFB sob o nº 0.642.2926, com área declarada de 12.692,8ha, localizado no Município de João Pinheiro /MG. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 13.231.998,15 (treza milhões, duzentos e trinta e um mil, novecentos e noventa e oito reais e quinze centavos), já incluídos os juros e a multa. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/2013 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 06113/00018/2016 de fls. 08/12, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado dentro de prazo legal junto ao IBAMA, nos termos do art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382/2002; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, detalhando a localização e a dimensão do imóvel e das áreas de preservação permanente declaradas, previstas nos termos dos artigos 4º e 5º da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, por coordenadas geográficas, com ao menos um ponto de amarração georreferenciado do perímetro do imóvel; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 6º da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012; 4º Certidão do registro de imóveis, com a averbação da área de reserva legal; 5º Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhado de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. 6º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13609.721044/201726 Acórdão n.º 2201004.745 S2C2T1 Fl. 318 3 comprovem as áreas de florestas nativas declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos do inciso II, “e”, do § 1º, art. 10 da Lei nº 9.393/1996, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georreferenciadas ao sistema geodésico brasileiro. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 13, acompanhada dos documentos de fls. 14/30, requerendo a prorrogação do prazo por mais 10 dias, até o dia 14.07.2016. O contribuinte apresentou as correspondências, às fls. 34 e 38, acompanhadas dos documentos de fls. 39/41, requerendo a prorrogação do prazo, por mais 10 dias, ou seja, até 25.07.2016. Por meio de correspondência, às fls. 56, recebida pela fiscalização em 27.07.2016, o contribuinte requereu a prorrogação de prazo por mais 15 dias, até 09.08.2016, e juntando aos autos os documentos de fls. 58/59. Na data solicitada anteriormente, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 64 e 74, acompanhadas dos documentos de fls. 66/78 e 80/95, requerendo a concessão de prazo até o dia 24.08.2016. O contribuinte apresentou a correspondência, às fls. 50, em 24.08.2016, às fls. 52, requerendo a prorrogação do prazo, por mais 20 dias, ou seja, até 13.09.2016. Em 13.09.2016, às fls. 46, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 44, requerendo a prorrogação de prazo para a entrega dos Laudos solicitados. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes na DITR/2013, a fiscalização resolveu glosar as áreas de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, com consequente redução do Grau de Utilização (GU) de 97,6% para 26,5% e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada de 0,45% para 20,00%, e disto resultando imposto suplementar de R$6.014.544,62, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 03/05 e 07. Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 07.08.2017 (fls. 96), apresentou, em 06.09.2017 (fl. 98), impugnação de fls. 101/133, alegando em síntese: Fl. 319DF CARF MF 4 menciona que, independentemente da área de atuação, o Grupo Votorantim sempre pautou suas atividades e desenvolvimento com atenção e cuidado com o meio ambiente e o uso sustentável, sendo pioneiro no estabelecimento de rígidos princípios e valores corporativos e em inúmeros projetos de preservação ambiental; destaca que o Grupo Votorantim detém a maior reserva de mata atlântica do país, com 31 mil hectares protegidos, tendo criado importante e pioneiro projeto denominado Legado das Águas, que proporciona o uso sustentável da floresta e dos recursos ecossistêmicos, proporcionando conhecimento por meio de pesquisas científicas e promovendo o desenvolvimento das comunidades locais; informa que o imóvel é composto pelas matrículas 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de João Pinheiro (doc. 03); registra que, não obstante constar no complemento da descrição dos fatos informação sobre um arbitramento do VTN, o demonstrativo de apuração do imposto devido não tem nenhuma referência a tal arbitramento, de modo que entende que essa menção foi efetuada equivocadamente; afirma que faz jus à isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico e de florestas nativas declaradas, motivo pelo qual é necessário o acolhimento da impugnação para julgar improcedente o lançamento; ressalta que, desde já, que não instruiu a defesa com todos os documentos técnicos que comprovam as áreas declaradas na DITR/2013, o que será feito oportunamente e antes da Decisão ser proferida pela DRJ, visto que o prazo de 30 dias se mostrou exíguo para a conclusão das análises e estudos técnicos necessários à comprovação das referidas áreas; cita a legislação referente ao ITR (Lei nº 9.393/1996, Decreto nº 4.382/2002 e IN/SRF nº 256/2002) e transcreve o art. 10 da Lei nº 9.393/1996, para resumir que o ITR é apurado por meio da aplicação da alíquota sobre a área tributável do imóvel rural, que é resultado da subtração da área total do imóvel rural por determinadas áreas não tributáveis, como, por exemplo, a área de preservação permanente, cuja definição está estabelecida no artigo 4º da Lei nº 12.651/2012; observa que a legislação tributária permite a exclusão de determinadas áreas no cômputo da área tributável do imóvel para fins de apuração do ITR com o objetivo de incentivar e permitir a criação e manutenção de áreas ambientais, em respeito à política do meio ambiente e de uso sustentável dos recursos naturais, temas extremamente importantes e atuais e, desse modo, a cobrança do ITR sobre essas áreas que são preservadas é contrária à política em favor do meio ambiente; considera que mesmo que o contribuinte venha a falhar na difícil missão de observar todas as regras acessórias para comprovação das áreas ambientais, não se pode ignorar a verdade material dos fatos, de modo a equivocadamente se Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13609.721044/201726 Acórdão n.º 2201004.745 S2C2T1 Fl. 319 5 prestigiar a forma sobre o conteúdo, sob pena de negar a efetiva vigência da norma fiscal; registra que, mesmo que não tenha atendido ao pedido da fiscalização da melhor forma possível, notase que outros documentos apresentados e que ainda serão trazidos aos autos, comprovam a existência das áreas ambientais declaradas, motivo pelo qual não deve prosperar o lançamento lavrado com base em sua completa desconsideração; ressalta ser importante fixar a premissa de que a apreciação dos elementos que comprovam as áreas isentas do ITR não pode ser pautada pela formalidade legal, mas pelo conteúdo e racional de todos os elementos de prova já apresentados e que ainda o serão antes da Decisão da DRJ, haja vista o primado do princípio da verdade material; o princípio da verdade material, que dentre suas vertentes, leva ao entendimento de que a forma não pode se sobrepor ao conteúdo, inclusive admitindo que os processos administrativos de exigência e apuração do crédito tributário sejam convertidos em diligência, para real investigação dos fatos, tem como finalidade última resguardar a legalidade da Administração Tributária; considera que o entendimento da Doutrina, das DRJ e do CARF privilegiam o conteúdo em detrimento a forma, em linha com o princípio da verdade material, transcrevendo excertos doutrinários e de Decisões Administrativas, para embasar sua tese e, assim, requer que a análise do feito seja baseada na busca da verdade material, sobrepondo o conteúdo em detrimento de formalidades previstas na legislação; contesta a desconsideração das áreas declaradas de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico e de florestas nativas, não obstante a apresentação do ADA/2013 (doc. 04), o qual foi tempestivamente registrado no IBAMA; destaca que o trabalho da fiscalização limitouse a uma mera intimação para fornecer inúmeros documentos em prazo exíguo, não realizando nenhuma diligência, vistoria ou outra forma de análise, para apuração da veracidade das informações declaradas; diz que, por lapsos, infelizmente, não conseguiu atender a contento as solicitações da fiscalização, o que, por si só, não pode representar elemento suficiente para embasar o lançamento, ainda mais na astronômica quantia cobrada; enfatiza que o ADA, que indica exatamente as áreas ambientais declaradas, configura elemento de presunção da veracidade da informação, pois, em caso de questionamento da fiscalização, cabe a ela reunir os elementos ou, ao menos, os indícios que levaram à desconsideração dos dados declarados, sob pena de tornar inútil o próprio ADA; Fl. 321DF CARF MF 6 considera que não compete à RFB desconsiderar as informações do ADA, sob pena de usurpar a competência do IBAMA, em conformidade com o disposto no art. 9° da IN/IBAMA n° 05/2009, transcrevendoo, pois, compete apenas a ele averiguar a regularidade das informações do ADA, ressaltando que o IBAMA jamais questionou a regularidade das informações do ADA no que concerne as áreas ambientais declaradas; apresenta mapas geográficos do imóvel (doc. 05), que mostram as áreas de preservação permanente contidas na propriedade e tais mapas, no mínimo, demonstram o descuido e a falta de zelo que culminou na lavratura da Notificação de Lançamento, uma vez que o lançamento não reconheceu nenhuma área de preservação permanente, o que evidencia a ausência de adoção de medidas para a real apuração dos fatos no caso concreto e, por conseguinte, a sua completa improcedência; protesta pela posterior juntada de outros documentos, em especial o Laudo Técnico, que comprovará as áreas ambientais, com o objetivo de afastar qualquer dúvida sobre a exatidão das informações declaradas, não obstante já tenha apresentado o ADA e o mapa geográfico do imóvel, que já apontam para a improcedência da autuação; considera que, em relação à reserva legal, apresentou as Certidões das matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, que compõem o imóvel (doc. 03), onde se verifica a sua averbação, conforme exigências do RITR/02 e da IN/SRF 256/02 e, além disso,os mapas geográficos do imóvel (doc. 05), também, demonstram a existência da área de reserva legal; destaca que o CARF reiteradamente decidiu que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel dispensa, inclusive, a apresentação do ADA, sendo medida suficiente para assegurar a não tributação da área, observando que a averbação foi realizada em 23.01.1989, data muito anterior ao fato gerador do ITR/2013; menciona que, com o objetivo de afastar qualquer dúvida ou questionamento sobre a exatidão das informações da DITR, protesta pela posterior juntada aos autos do Laudo Técnico que comprovará a área declarada como de reserva legal; registra que, no caso da área de interesse ecológico, o art. 10, § 1º, II, “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96 estabelece que ela deverá ser declarada por ato do órgão público competente e, desse modo, protesta pela posterior juntada desse documento, pois não foi possível apresentálo no exíguo prazo legal para a impugnação e, assim, com a apresentação do ato do Poder Público competente e do ADA, resta inquestionavelmente comprovada a área declarada como de interesse ecológico, não havendo razões para manutenção do lançamento; observa que a fiscalização deveria ter adotado outras medidas para apurar a exatidão das informações da DITR e no ADA/2013, como a vistoria in loco, novas intimações e etc. e, assim não procedendo, o lançamento carece dos fundamentos Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13609.721044/201726 Acórdão n.º 2201004.745 S2C2T1 Fl. 320 7 mínimos para ter sua validade confirmada, sendo imprescindível reconhecer sua improcedência; destaca que a apresentação “intempestiva” do Laudo não pode servir de fundamento para manutenção do improcedente lançamento, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da verdade material, inclusive como reconhece a jurisprudência do CARF; pelo exposto, requer o provimento da impugnação, para julgar integralmente improcedente o lançamento; alternativamente, requer seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de apurar as áreas do imóvel isentas do ITR, com o consequente recálculo do imposto, considerando a área tributária e o correto GU e alíquota; protesta pela posterior juntada aos autos dos documentos comprobatórios das áreas ambientais, nomeadamente o Laudo Técnico, que comprovará a existência das áreas declaradas como não tributáveis, sem prejuízo de outros elementos materiais para o deslinde da questão, de modo a demonstrar irrefutavelmente a improcedência do lançamento, tendo em vista a impossibilidade de apresentálo no curto prazo para a apresentação da impugnação. Em 21.11.2017, às fls. 193, o contribuinte apresenta impugnação complementar, às fls. 195/216, para juntar o Laudo Técnico das Áreas Ambientais, às fls. 217/296, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: informa que o Laudo Técnico foi elaborado considerando os documentos e informações relativas ao exercício de 2013, de modo a atestar a realidade fática do imóvel, independentemente das informações declaradas ou consideradas pela Notificação de Lançamento; salienta que o Laudo Técnico é o instrumento hábil e competente para comprovar a existência das áreas ambientais do imóvel, juntamente com todos os documentos comprobatórios a ele acostados, evidenciando a necessidade de cancelamento da Notificação de Lançamento; destaca que o Laudo Técnico concluiu que a área ambiental efetivamente existente na Fazenda Santa Rita foi declarada a menor na DITR/2013, resultando, ao contrário do que afirma a Notificação de Lançamento, no pagamento a maior do ITR; ressalta que o Laudo Técnico não pôde ser apresentado no momento do oferecimento da impugnação, pois estava em processo de elaboração, com a devida análise dos documentos e informações referentes ao imóvel, o que não pôde ser concluído no exíguo prazo de 30 dias para Fl. 323DF CARF MF 8 protocolo da defesa e, assim, a apresentação do Laudo Técnico nessa oportunidade encontra amparo no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/1972; observa que, ainda que se entenda que a apresentação do Laudo Técnico não está amparada pelo referido dispositivo, o que se admite para fins argumentativos, a orientação reiterada do CARF, inclusive da CSRF, no sentido de aceitar provas apresentadas até mesmo no momento do acesso recursal em respeito à primazia da verdade material; enfatiza que a cobrança do ITR pretendida sobre áreas ambientais que são preservadas pelos contribuintes vai na contramão de todo o ideal e política em favor do meio ambiente e diz que, ainda que o contribuinte venha a falhar na difícil missão de observar todas as regras acessórias para comprovação das áreas ambientais, não se pode ignorar a verdade material dos fatos atestada pelo Laudo Técnico, de modo a, equivocadamente, prestigiar a forma sobre o conteúdo, sob pena de negar a efetiva vigência da norma fiscal; ressalta a inafastável premissa de que a apreciação dos elementos que comprovam as áreas isentas do ITR não pode ser pautada pela formalidade legal, mas pelo conteúdo e racional de todos os elementos de prova apresentados, haja vista o primado do princípio da verdade material; esclarece que declarou área de preservação permanente de 3.508,0 ha, que foi desconsiderada, resultando no acréscimo da área tributável, na majoração da alíquota aplicável e, por fim, na apuração de suposto saldo complementar do ITR; informa que no ADA/2013, registrado tempestivamente junto ao IBAMA, declarou a mesma área de preservação permanente; observa que, como mencionado na impugnação, não compete a RFB desconsiderar as informações constantes no ADA, sob pena de usurpar a competência atribuída ao IBAMA, transcrevendo o art. 9° da IN/IBAMA n° 05/2009, para embasar sua tese; entende que, compete apenas ao IBAMA averiguar a regularidade das informações constantes no ADA, ressaltando que o IBAMA jamais questionou a regularidade das informações objeto do ADA no que concerne às áreas de (i) preservação permanente, (ii) reserva legal, (iii) interesse ecológico e (iv) floresta nativa; menciona que nos Processos Administrativos nº 13609.720504/201707 e 13609.720505/201743, formalizados Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13609.721044/201726 Acórdão n.º 2201004.745 S2C2T1 Fl. 321 9 contra ela, anos de 2013 e 2014, pela desconsideração das áreas ambientais da Fazenda Santa Cecília, a DRJ reconheceu as áreas declaradas como de preservação permanente, vez que (i) constante no ADA tempestivamente apresentado ao IBAMA e (ii) comprovado pelo Mapa acostado aos autos, transcrevendo excerto do Acórdão nº 03076.566 do Processo nº 13609.720504/201707; considera que, em que pesem as informações declaradas, as quais são passíveis de reconhecimento pela DRJ, como evidenciado em caso análogo, o Laudo Técnico apurou que a APP representa, na realidade, 3.557,4 ha, esclarecendo que a informação do Laudo tem base no Georreferenciamento realizado no imóvel, o qual apurou com maior exatidão a área total do imóvel, suas áreas internas e seus respectivos limites; ressaltar que essa pequena diferença positiva apurada pelo Laudo Técnico a título de área de preservação permanente é constituída de vegetação nativa típica do Bioma Cerrado, enquadrandose também no conceito de áreas cobertas por florestas nativas, para fins de exclusão do cálculo do ITR e, assim, o nãocômputo da área 3.557,4 ha de preservação permanente na apuração do ITR é medida que se impõe; registra que declarou uma área de reserva de legal de 3.104,8 ha, tendo a Fiscalização desconsiderado tal informação, alegando a falta de comprovação, contudo, apresentou o ADA no qual consta a mesma área declarada na DITR e, também, apresentou as certidões das matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395 do imóvel e nelas é possível verificar a averbação dessas áreas, conforme as exigências do RITR/02 e da IN/SRF nº 256/02; diz que a Lei n° 6.015/73, que dispõe sobre os Registros Públicos, estabelece a presunção de que todos os atos são de conhecimento geral ou, ao menos, estão disponíveis para acesso, pois o art. 17 dispõe que “qualquer pessoa pode requerer certidão do registro sem informar ao oficial ou ao funcionário o motivo ou interesse do pedido.”; registra que o Laudo Técnico apurou que toda a área declarada como reserva legal está devidamente averbada nas matrículas do imóvel, conforme atestam os registros AV.2 da matrícula 11.560, AV.2 da matrícula 11.561, AV.4 da matrícula 11.562 e AV.2 da matrícula 13.395, todas anteriores ao exercício de 2013 e, desse modo, o imóvel deve ter reconhecida como reserva legal a área declarada de 3.104,8 ha, que está averbada; destaca que o CARF reiteradamente decidiu que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel rural dispensa, inclusive, a apresentação do ADA, sendo medida suficiente para assegurar a não tributação da área; observa que as averbações levadas em consideração pelo Laudo Técnico foram efetivadas antes de 2013, pelo que estavam plenamente regulares para a DITR/2013 e, desse modo, toda a Fl. 325DF CARF MF 10 área de 3.104,8 ha declarada na DITR/2013 está averbada e, portanto, deve ser reconhecida para fins de exclusão do ITR; esclarece que declarou na DITR a área de interesse ecológico de 336,5ha, que também foi desconsiderada sob a mesma alegação de falta de comprovação da respectiva área, informando que essa área encontrase em consonância com o ADA/2013, entregue tempestivamente ao IBAMA e entregue após ser intimada do procedimento fiscal, contudo, em que pesem as informações declaradas na DITR/2013, o Laudo Técnico concluiu que essa área de 336,5 ha foi equivocadamente classificada como de interesse ecológico; diz que o Laudo Técnico verificou que, na realidade, tal área referese a uma área de compensação, contudo, o processo de lavratura do Termo de Responsabilidade não foi finalizado e, por consequência, a averbação na matrícula não foi levada a efeito, de modo que essa área não pode ser considerada como reserva legal ou de interesse ecológico; destaca que o Laudo Técnico apurou que essa área é coberta por florestas nativas primária e secundária de vegetação típica do Bioma Cerrado, em consonância com o artigo 10, § 1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/1996, concluindo, portanto, que a área de 336,5 ha deve ser considerada como coberta por floresta nativa, sendo isenta do ITR/2013; comenta que a Fiscalização desconsiderou a área de florestas nativas declarada de 1.988,8 ha, utilizandose do mesmo argumento de falta de apresentação de documentos comprobatórios, contudo, já havia apresentado o ADA/2013, entregue tempestivamente ao IBAMA, no qual consta a mesma informação da DITR; menciona que nos Processos Administrativos nº 13609.720504/201707 e 13609.720505/201743, formalizados contra ela, para cobrança de ITR dos anos de 2013 e 2014, pela desconsideração das áreas ambientais da Fazenda Santa Cecília, a DRJ reconheceu as áreas declaradas como cobertas por floretas nativas, vez que (i) constante no ADA tempestivamente apresentado ao IBAMA e (ii) comprovado pelo Mapa acostado aos autos, transcrevendo excerto do Acórdão nº 03076.566 do Processo nº 13609.720504/201707; considera que o Laudo Técnico concluiu pelo acréscimo da área coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha para 2.356,2 ha, pela reclassificação de áreas antes declaradas como de reserva legal (averbada após o exercício de 2013) e de interesse ecológico; registra que o Laudo Técnico demonstrou e comprovou que as áreas acrescidas são cobertas por florestas nativas primária e secundária com vegetação típica do Bioma Cerrado, em consonância com o artigo 10, § 1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/1996 e, por isso, tais áreas não são utilizadas para suas atividades industriais e comerciais, devendo ser reconhecido o cumprimento dos requisitos para seu reconhecimento como áreas cobertas por florestas nativas e, portanto, não sujeitas ao ITR; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13609.721044/201726 Acórdão n.º 2201004.745 S2C2T1 Fl. 322 11 destaca que a apresentação “intempestiva” do Laudo não pode fundamentar a manutenção do improcedente lançamento, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da verdade material, inclusive como reconhece a jurisprudência do CARF; conclui que, comprovada a existência de área coberta por florestas nativas de 2.356,2 ha, é necessário o seu reconhecimento com o cancelamento do lançamento; pelo exposto, requer a recepção e análise do Laudo Técnico das Áreas Ambientais de 2013, acostado aos autos, que conduz ao provimento da impugnação e, por consequência, ao julgamento de improcedência do lançamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente a impugnação, cancelandose o crédito tributário, conforme ementa abaixo (fls. 296): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2013 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser realizada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Do Recurso de Ofício A Fazenda recorreu de ofício. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 327DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O presente recurso de ofício não merece prosperar, tendo em vista que a decisão recorrida está pautada nas fartas provas trazidas aos autos e que foram decisivas para fosse dado provimento à impugnação do contribuinte. Diante do caráter didático da decisão, passo a transcrever trechos que demonstram as razões pelas quais a pretensão fazendária não merece prosperar. Não obstante a autuação referirse à glosa das áreas declaradas de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, o requerente, aventando a ocorrência de erro de fato nos dados informados na correspondente DITR/2013, pretende que sejam acatadas as áreas ambientais informadas no Laudo Técnico – Áreas Ambientais 2013, às fls. 217/294, elaborado por Engenheiro Agrônomo, com ART registrada no CREA, às fls. 295/296, que informa que a área declarada como sendo de interesse ecológico seria uma área coberta por florestas nativas. Apesar da hipótese de erro de fato somente ter sido arguida pelo contribuinte na fase de impugnação, portanto, após a materialização do procedimento de ofício, cabe a mesma ser analisada, observandose aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Porém, na hipótese levantada, o lançamento regularmente impugnado somente poderá ser alterado, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, em caso de evidente erro de fato, devidamente comprovado por meio de provas documentais hábeis e idôneas. Pois bem, no caso do pedido de acatamento de áreas não tributáveis, cabe observar que, com base na legislação de regência das matérias, exigese o cumprimento de uma obrigação para fins de acatar a exclusão de qualquer uma delas da incidência do ITR, que consiste na informação dessas áreas no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente no IBAMA, que é uma exigência, de caráter genérico, para a exclusão de qualquer área nãotributável e, também, que a eventual área de reserva legal esteja averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel, no cartório competente, que é uma exigência específica para essa área. Quanto à exigência relativa ao ADA, de caráter genérico, pois se aplica a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente, coberta por florestas nativas ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico e Reserva Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13609.721044/201726 Acórdão n.º 2201004.745 S2C2T1 Fl. 323 13 Legal), ela está prevista na IN/SRF nº 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e subsequentes) e no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei nº 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Para o exercício de 2013, o prazo expirou em 30.09.2013, data final para a entrega da DITR/2013, de acordo com a IN/RFB nº 1.380/2013 c/c a IN/IBAMA nº 05/2009. No presente caso, o requerente acostou aos autos o ADA – Exercício 2013, às fls. 172, protocolado no IBAMA, em 27.09.2013, contemplando as áreas ambientais declaradas, de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, conforme declarado na DITR/2013, sendo essa providência tempestiva para o exercício em questão. No que se refere à área de reserva legal, faziase necessário comprovar nos autos, também, a sua averbação, em tempo hábil, à margem da matrícula do imóvel. A exigência específica de que a área de reserva legal esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, encontravase prevista no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/1965 (até o exercício 2012) e, para exercícios posteriores, como é o caso do exercício 2013, nos artigos 18, 29 e 30 da Lei nº 12.651/2013; art. 11, § 1º, da IN/SRF nº 256/2002 e art. 12, § 1º do Decreto nº 4.382/2002 – RITR. Ressaltese que a averbação deve ser realizada até 01.01.2013 (data do fato gerador do ITR/2013, art. 1º da Lei nº 9.393/1996). Para comprovar o cumprimento dessa exigência, o interessado instruiu a sua defesa com as Certidões das Matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, que compõem o imóvel, às fls. 157/170, do Cartório de Registro de Imóveis. Constatase nos autos, que uma área de reserva legal de 1.430,0 ha, às fls. 157/158, foi averbada em 25.10.1993, junto à matrícula nº 11.560; que uma área de reserva legal de 1.223,0 ha, às fls. 160, foi averbada em 23.01.1989, junto à matrícula nº 11.561; que uma área de reserva legal de 415,6 ha, às fls. 166/167, foi averbada em 04.10.2007, junto à matrícula nº 11.562 e que uma área de reserva legal de 36,2 ha, às fls. 169/170, foi averbada em 04.10.2007, junto à matrícula nº 13.395, sendo tais providências tempestivas para o exercício em questão, para uma área total de reserva legal de 3.104,8 ha (1.430,0 ha + 1.223,0 ha + 415,6 ha + 36,2 ha), sendo tais providências tempestivas para o exercício 2013. Considerando que há áreas ambientais informadas no ADA/2013, áreas de reserva legal averbadas tempestivamente à margem da matrícula do imóvel e áreas constantes no citado Laudo, para as áreas ambientais no ano de 2013, Fl. 329DF CARF MF 14 especificamente às fls. 244, cabe apresentar quadro comparativo com essas informações, para a análise da hipótese de erro de fato na DITR suscitada pelo impugnante, como se segue: Da análise dos dados sintetizados no quadro anterior e da documentação constante nos autos e considerando que o Laudo Técnico, elaborado por profissional legalmente habilitado, foi apresentado com a finalidade de corrigir o erro de fato suscitado e que, além disso, há exigências legais para a exclusão de áreas ambientais da área tributável do ITR e em obediência ao disposto no art. 145, I, do CTN, concluise por acatar: uma área de preservação permanente de 3.508,0 ha, constante no ADA e contida no Laudo; uma área de reserva legal de 3.104,8 ha – averbada à margem da matrícula do imóvel e informada no ADA e Laudo e uma área coberta por florestas nativas de 3.325,3 ha (1.988,8 ha + 336,5 ha) – caracterizada no Laudo e informada no ADA como coberta por florestas nativas (1.988,8 ha) e de interesse ecológico (336,5 ha), totalizando uma área ambiental no imóvel de 8.938,1 ha, conforme consta na DITR/2013 e no ADA/2013. Salientese que, por ter sido comprovada a ocorrência de erro de fato na DITR/2013, em relação à área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico de 336,5 ha e caracterizada no Laudo Técnico como sendo área coberta por florestas nativas, não se fez necessária o cumprimento da exigência específica para reconhecimento de uma área de interesse ecológico, que consiste na apresentação de Ato específico do órgão ambiental competente, atestando qual a área do imóvel, devidamente caracterizada e dimensionada, é considerada de interesse ambiental para proteção do referido ecossistema, nos termos do art. 10, § 1º, II, “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96. Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 06113/00018/2017 de fls. 02/07, relativa ao exercício de 2013, para restabelecer as áreas declaradas de preservação permanente de 3.508,0 ha e de reserva legal de 3.104,8 ha e acatar uma área coberta por florestas nativas de 2.325,3 ha, resultante do somatório das Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13609.721044/201726 Acórdão n.º 2201004.745 S2C2T1 Fl. 324 15 áreas declaradas anteriormente de interesse ecológico e coberta por florestas nativas, comprovadas com documentação hábil, no exercício de 2013, desconsiderandose a exigência. Sendo assim, correta a decisão recorrida, devendo ser cancelado o crédito tributário objeto do presente PAF. Conclusão Diante do exposto, conheço do presente recurso de ofício e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903415/2015-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 15 /2 01 5- 35 Fl. 209DF CARF MF 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 no valor de R$3.900,79 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13888.903415/201535 Acórdão n.º 1302003.239 S1C3T2 Fl. 210 3 O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Fl. 211DF CARF MF 4 Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/2015 48, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/2015 60, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/2015 51, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/2015 52, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Declaração de Voto Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13888.903415/201535 Acórdão n.º 1302003.239 S1C3T2 Fl. 211 5 Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 213DF CARF MF 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903415/201535 Acórdão n.º 1302003.239 S1C3T2 Fl. 212 7 efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: Fl. 215DF CARF MF 8 "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903415/201535 Acórdão n.º 1302003.239 S1C3T2 Fl. 213 9 confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem Fl. 217DF CARF MF 10 apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903415/201535 Acórdão n.º 1302003.239 S1C3T2 Fl. 214 11 Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos Fl. 219DF CARF MF 12 documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.101489/2008-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória.
Numero da decisão: 1002-000.432
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitandose à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 89 /2 00 8- 63 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11065.101489/200863 Acórdão n.º 1002000.432 S1C0T2 Fl. 82 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1021.513, de 22/10/2009 (efls. 44 a 52). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza razoavelmente o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de lançamento realizado, conforme Auto de Infração de N° de Rastreamento 803435710 (fl.09), decorrente de falta de entrega da DCTF referente ao 2° trimestre do anocalendário de 2003, tendo sido exigido, a título de multa, o recolhimento do crédito tributário total no montante de R$ 500,00. O contribuinte tomou conhecimento da cobrança em 14/11/2008, conforme fls. 12, e apresentou em 16/12/2008, impugnação ao lançamento, fls. 01/02, alegando que: 1 A empresa era participante do Simples em 2003, cumprindo com todas suas obrigações, que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo desobrigado de entregar a DCTF; 2 Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração, consultou a RFB, descobrindo que em seus sistemas constava a informação de exclusão do Simples desde o ano de 2002; 3 Não foi notificado da exclusão do Simples, sendo este procedimento administrativo nulo por violar o contraditório e a ampla defesa; e 4 Entregou a Declaração Anual Simplificada — PJSI 2004 em 31/05/2004 e os recolhimentos por esta sistemática continuaram nos anos seguintes, sem observação alguma por parte da RFB. Questiona o fato da RFB aceitar sua declaração sem qualquer manifestação. Ao final, requer seja acolhida a sua impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. [...] A DRJ/POA considerou improcedente o pedido contido na impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera o pedido e os fundamentos expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11065.101489/200863 Acórdão n.º 1002000.432 S1C0T2 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. São duas as razões nas quais se ampara a argumentação trazida no recurso voluntário visando à reforma da decisão de 1.ª instância administrativa: 1) Não fora o recorrente excluído do Simples Federal com efeitos a partir de 2000, uma vez que não teria sido notificado na forma do Decreto n.º 70.235/72, e isso o manteria desobrigado da apresentação de DCTF; e 2) Entregou Declaração Anual Simplificada (PJSI) para os anos calendário 2002, 2003 e 2004, e que relativamente a este procedimento não houve oposição ou manifestação de contrariedade pela Receita Federal. Abaixo seguem alguns trechos do recurso voluntário que melhor esclarecem as razões ponderadas, verbis: [...] [...] o objeto da impugnação foi a ilegalidade do procedimento administrativo de exclusão do Simples e, por conseguinte, a inexigibilidade da multa por falta de entrega da DCTF, contudo, depreendese dos autos que o Acórdão ora recorrido não enfrentou o mérito da impugnação da contribuinte, merecendo reforma. Certo é que a contribuinte, no discutido período e nos exercícios de 2000 a 2004, era participante do Simples e cumpriu com todas suas obrigações, tendo entregado todas as Declarações Anuais Simplificadas que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração impugnado, a contribuinte consultou a RFB e descobriu que havia sido excluída do Simples desde 2002. O referido procedimento de exclusão foi ilegal, uma vez que a contribuinte não foi notificada para exercer seu direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. A contribuinte, por não ter sido cientificada da exclusão, entregou a Declaração Anual Simplificada nos anos calendários 2002, 2003 e 2004, conforme demonstram as cópias em anexo, e os recolhimentos foram feitos por esta sistemática, sem qualquer oposição ou manifestação de contrariedade por parte da Receita Federal. [...] Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11065.101489/200863 Acórdão n.º 1002000.432 S1C0T2 Fl. 84 4 Entende a contribuinte que o ponto de discordância gira em tomo do procedimento administrativo que originou a ADE 315619. E que a contribuinte não foi notificada da exclusão. [...] Por derradeiro, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos não oportunizou a notificação da contribuinte, deve ser considerado nulo por afronta à Lei n° 9.784/99 e por violar o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72; b) Em virtude de o procedimento de exclusão do simples ter violado as regras da Lei n° 9.784/99 e do Decreto 70.235/72, deve ser afastado o dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; [...] III DO PEDIDO A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total da Respeitável Decisão de Primeira Instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso para: A) Declarar a nulidade do procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos; B) Declarar a inexigibilidade do dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; C) Excluir a multa por falta de sua entrega da DCTF. (grifei). De início cabem três considerações importantes. A primeira diz respeito à afirmação em recurso voluntário de que a decisão recorrida não enfrentou o mérito da impugnação. No entanto não é bem o que se observa no texto do acórdão recorrido, pois que ali consta que a discussão acerca da ilegalidade da exclusão do Simples deveria ter sido implementada em processo apartado, o que, não tendo sido providenciado pelo impugnante, levou aquela Turma Julgadora a considerar válido o Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão. A segunda referese à pretensão do recorrente no sentido de que o fato de os sistemas integrados que acolhem os envios das declarações eletronicamente terem admitido as entregas das Declarações Anuais Simplificadas, sem oposição, referendariam e validariam a correspondente forma de apuração e recolhimento dos tributos, afastando a obrigatoriedade de entrega de DCTFs. Da mesma forma não se pode considerar sólida tal alegação, pois não há previsão legal que dispense a fiscalização a cargo da Receita Federal quanto à regularidade da opção pelo regime de apuração, ou que dispense os demais requisitos exigidos para adesão ao Simples, ou que impeça a investigação fiscal que busque comprovar a situação fática real. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11065.101489/200863 Acórdão n.º 1002000.432 S1C0T2 Fl. 85 5 A terceira afigurase porque o recorrente assinala que entregou Declaração Anual Simplificada relativamente aos anos calendário 2002, 2003 e 2004, porém, ocorre que: Para o ano calendário 2002 o contribuinte recorrente apresentou declaração com o formulário eletrônico do tipo lucro presumido, que cancelou a declaração anterior que havia sido entregue sob a modalidade simplificada; Para o ano calendário 2003 o contribuinte optou pelo modelo de Declaração Anual Simplificada, porém não há nos autos prova da alteração cadastral correspondente, que é exigência legal para adesão ao Simples; Para os anos calendário 2004 e 2005 não houve entrega de declaração. O quadro abaixo, reproduzido da consulta de sistema contida na efl. 41 dos autos, confirma essas considerações: Ora, diante do contexto descrito, a argumentação recursal mostrase contraditória. Ao tempo em que o recurso pugna pelo reconhecimento de que teria o contribuinte permanecido no Simples nos períodos em relação aos quais a RFB está cobrando multas por atraso na entrega de DCTFs — 4.º trimestre de 2002 ao 2.º trimestre de 2005 —, o que se evidencia é que o próprio contribuinte, como demonstra o quadro acima, optou pelo lucro presumido no ano calendário 2002, e, que, embora tenha apresentado Declaração Anual Simplificada para o ano calendário 2003, seguinte, não consta do processo a necessária alteração cadastral, que se tornou requisito obrigatório após a sua opção pelo presumido no ano anterior (2002), como dispõe a Lei n.º 9.317/96, em seu art. 8.º, § 1.º: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11065.101489/200863 Acórdão n.º 1002000.432 S1C0T2 Fl. 86 6 § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. E, ainda a propósito da melhor análise, consta dos autos que sequer houve declaração entregue correspondente aos anos calendário 2004 e 2005. Concluindo, revelado que a partir do anobase 2002, inclusive, o recorrente não se encontrava mais sob a sistemática do Simples para apuração e pagamento dos tributos, mediante ato unilateral da entrega de declaração via formulário eletrônico modelo lucro presumido, e não tendo demonstrado retorno ao Simples conforme procedimento legalmente exigido, cabe ratificar a decisão da DRJ/POA, uma vez que não ficou provado que o contribuinte teria se mantido no Simples no período de interesse deste processo. Ao contrário, e em reforço à posição da decisão de piso, observase que por sua própria opção passou o recorrente a se submeter ao lucro presumido a partir do anobase 2002. São as circunstâncias de fato descritas nos autos. Assim constatado, verificase a obrigatoriedade de entrega das DCTFs no período 2002 a 2005. Reafirmase então a decisão recorrida, acrescentandose as razões acima, ligadas à adesão voluntária do recorrente à metodologia de apuração pelo lucro presumido a partir de 2002, de maneira que tornase dispensável verificar se houve ou não cientificação do recorrente acerca da exclusão do Simples formalizada pelo ADE n.º 315619. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega da DCTF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.722963/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO - GLOSA -
Toda empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestam serviços.
Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis.
JUROS E MULTAS - INCIDÊNCIA -
São devidos os acréscimos legais (juros moratórios, multas de mora e de ofício, estas não cumulativamente na mesma competência) no lançamento de crédito tributário, seja o relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, seja aos Terceiros, seja em procedimento de glosa de compensação.
Numero da decisão: 2301-005.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil ( Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO GLOSA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 29 63 /2 01 2- 41 Fl. 298DF CARF MF 2 Toda empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestam serviços. Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. JUROS E MULTAS INCIDÊNCIA São devidos os acréscimos legais (juros moratórios, multas de mora e de ofício, estas não cumulativamente na mesma competência) no lançamento de crédito tributário, seja o relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, seja aos Terceiros, seja em procedimento de glosa de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil ( Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado consubstanciado nos AI's DEBCAD'S nºs ; 37.289.7703, referente à exigência de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), relativa à contribuição do salário educação, e as destinadas ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. e 37.289.7711, contempla glosa de compensação indevida, diferença de acréscimos legais incidentes sobre o pagamento de contribuição em atraso, e a exigência da contribuição previdenciária patronal destinada à Previdência Social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais. A ciência do contribuinte ocorreu em 09/11/2012. De acordo com o Relatório Fiscal, durante a análise da documentação apresentada à fiscalização foram verificados as seguintes ocorrências: a) remuneração dos segurados empregados apurada na contabilidade, não incluída em folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, correspondente a pagamentos Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10320.722963/201241 Acórdão n.º 2301005.742 S2C3T1 Fl. 299 3 feitos a título de comissões e parcelas in natura (condomínios e aluguéis), conforme discriminado no Anexo IV. b) remuneração dos sócios, correspondente a parcelas in natura pagas a título de plano de saúde, cartão de crédito, anuidade de Conselho Profissional (CREA), conta de energia, IPTU da residência, viagens de fim de ano, compra de dólares para viagens ao exterior, e, ainda, salário do caseiro do sítio do sócio, conforme registros contábeis realizados em diversas contas da contabilidade, relacionados no Anexo III. c) valores pagos ou creditados a contribuintes individuais por serviços de manutenção de veículos, honorários contábeis e advocatícios e fornecimento de refeições, identificados pelas rubricas: "Suprimentos de Caixa Pessoa Física, Honorários Contábeis e Jurídicos, Manutenção de Veículos, Folha de Serviços Prestados", conforme discriminado no Anexo IV. d) glosa de compensação indevida, tendo sido constatada a inexistência de crédito do contribuinte como resultado da diferença entre o valor por ele devido na competência aferido pela soma das contribuições declaradas em GFIP e das contribuições constituídas nos presentes lançamentos e o valor dos créditos do contribuinte, decorrentes da retenção de 11% sobre as notas fiscais emitidas pela prestação de serviços com cessão de mão deobra. Após a apresentação da impugnação, a DRJ de Ribeirão preto julgou procedente em parte o lançamento excluindo as competências alcançadas pela decadência quinquenal nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE SALDO. GLOSA. CABIMENTO. É cabível o lançamento de glosa de compensação quando, apesar de informando da Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, o saldo compensado é insuficiente a esta pretensão. PREVIDENCIÁRIO. FATO GERADOR. REEMBOLSO DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O reconhecimento de que os pagamentos de utilidades feito pelo contribuinte aos seus segurados configuram reembolso de despesa depende de demonstração inequívoca neste sentido, sob pena de se manterem como utilidades passíveis de tributação. PREVIDENCIÁRIO. FATO GERADOR. PRO LABORE INDIRETO. FORMALIDADE. OPERAÇÃO DE EMPRÉSTIMO. DISTINÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CONSEQÜÊNCIAS. Configura fato gerador de contribuições previdenciárias o pagamento de pro labore indireto, mediante pagamento, Fl. 300DF CARF MF 4 pela pessoa jurídica empresária, de utilidades pessoais a sócios, ainda que camuflada sob a forma de operação de empréstimo, em manifesta confusão patrimonial. A distinção entre pessoa jurídica e pessoa física (sócios) deve ser observada nas relações entres estes para efeito de não se legitimar a confusão patrimonial capaz de promover o afastamento da hipótese de incidência tributária. O pagamento de moradia a segurados empregados configura utilidade passível de tributação previdenciária, independentemente de não constar tal pagamento de contrato escrito de trabalho. LANÇAMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. São devidos os acréscimos legais (juros moratórios, multas de mora e de ofício, estas não cumulativamente na mesma competência) no lançamento de crédito tributário, seja o relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, seja aos Terceiros, seja em procedimento de glosa de compensação. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal STF, por meio da Súmula Vinculante n.º8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e de terceiros, mencionadas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional Lei nº 5.172/66. DECADÊNCIA. CÔMPUTO DO PRAZO. DISCIPLINA. No que tange à decadência, o cômputo do prazo para sua verificação é determinado a partir da verificação da existência ou não de recolhimentos ordinariamente feitos pelo contribuinte. A existência de recolhimentos ordinariamente feitos pelo contribuinte, enseja a contagem do prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN. A inexistência de recolhimentos ordinariamente feitos pelo contribuinte, bem assim, penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias, ensejam a contagem do prazo decadencial na forma do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional CTN. PROCESSUAL. ÔNUS PROBATÓRIO. PERÍCIA. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10320.722963/201241 Acórdão n.º 2301005.742 S2C3T1 Fl. 300 5 No âmbito processual, o contribuinte tem o ônus probatório de demonstrar os fatos que alega, de forma a contrapor as conclusões levadas a efeito pela fiscalização, com base nos fatos e elementos por ela apurados. A realização de perícia depende, além do seu cabimento, do preenchimento dos requisitos legais, sob pena de indeferimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com referida decisão a empresa apresentou recurso à este conselho alegando em síntese: Alega que o procedimento fiscal que gerou a presente autuação decorreu de um pedido de restituição/compensação, objeto do processo 10320.002120/201062, a que o contribuinte tinha direito em virtude de diversos valores retidos na fonte por serviços prestado tendo a fiscalização, equivocadamente glosado seus créditos e entendido haver valores pagos aos segurados e não declarados em GFIP nem recolhidos; Entende ter ocorrido o cerceamento do direito de defesa do contribuinte uma vez que a primeira instância negou o pedido de diligência formulado na defesa, sendo este direito garantido no Decreto 70235/72. Também pugna pela nulidade por entender que a autuação não apontou a disposição legal infringida contrariando o disposto no art. 10, inciso IV do decreto supra mencionado. No mérito reitera todos os argumentos da impugnação requerendo que estes sejam considerados na análise do recurso. Por estarem bem detalhados os argumentos da defesa relatados na decisão de primeira instância, peço vênia para aqui transcrevêlos: Das Razões da Impugnação 3) A contabilidade da impugnante não deixou de lançar os pagamentos em questão sobre os quais se baseiam o Auto de Infração impugnado; é que as rubricas às quais se acham relacionadas estão noutro campo, ou seja, despesas correntes e não remuneração, pois os pagamentos não se conceituam como remunerações paga a terceiros (prestadores de serviços) ou aos sócios, isto porque o conceito de honorários advocatícios, por exemplo, pode derivar de acordo com o caso, caso seja proveniente de demanda administrativa ou judicial, nesta última, efetivamente comprovada, enseja despesa. Isto acontece tanto nos casos de cobrança por meio judicial ou administrativo, quando no caixa da empresa é gerado o prejuízo pela falta da receita respectiva advinda de faturas impagas ou ainda quando é acionado judicialmente a empresa devedora para obtenção do crédito. 4) Assim sendo, neste caso há o inadimplemento, gerando prejuízo já computado e a perseguição do crédito respectivo tido com prejuízo é reflexo e está previsto na precificação do produto ou serviço, e sendo assim qualquer ato da empresa que enseja a Fl. 302DF CARF MF 6 busca do devido reflete na diminuição do lucro daquela operação e nela deve ser computada. 5) Quanto à hipótese de reembolso dos sócios relativamente a empréstimos é concebido de todos no âmbito empresarial que inúmeras vezes o sócio em determinadas situações emergenciais aporta capital na empresa, por exemplo, quando abastece o carro da empresa com seu cartão de crédito, ou paga com o cartão de crédito compras para a cozinha da empresa, como alegado no Auto de Infração, e sendo restituído de tal valor emprestado não há de ser o reembolso conceituado com remuneração passível de exação tributária, tornandoo fato gerador da contribuição previdenciária. O reembolso de sobreditas verbas rubricadas como empréstimos segue a conveniência do financeiro da empresa, de modo que só será possível conceituar como remuneração aos sócios se as mesmas fossem computadas a mais na rubrica pro labore, eis que deste deduzidas, tornandose equivocadas as alegações lançadas no FLD eis que conceitua como remuneração de pro labore despesas que foram notadamente inscritas no livro caixa, e cujos comprovantes vieram ao lume do conhecimento da fiscalização no momento em que solicitadas. 6) Os fatos lançados como alicerce para os fundamentos legais da autuação via subsunção deste às hipótese consideradas não foram devidamente comprovados, isto porque não foram feitas diligências no sentido de verificar se as despesas ditas "pessoais" dos sócios pagas pela empresa não foram objeto de dedução nos respectivos comprovantes de pro labore, ou seja, se o que efetivamente recebido foi o valor ali declarado nele computados as despesas respectivas elencadas no FLD. Este fato, por si só, já anula o Al ora impugnado é que como dito logo abaixo o atuar administrativo não deve deixar margem a lacunas. 7) De igual modo, se a empresa aluga um imóvel que é um escritório regional e serve também para moradia de diversos funcionários, onde este aluguel é temporário e sazonal, pago por diária (oscilação dos valores), ou seja, dependendo da quantidade de dias, e só porque consta na rubrica o nome de um dos funcionários, é possível de se entender que se trata de remuneração indireta. Observase que o fato gerador em questão é extreme frágil a ensejar a obrigação tributária eis que para tanto necessário seria que o respectivo contrato de trabalho, daquele funcionário específico, declinasse que o mesmo tem direito a moradia paga pela empresa, e isto sim, refletiria remuneração indireta passível de tributação. 8) Quanto ao procedimento cobrança de multa moratória pelo recolhimento a destempo das contribuições devidas aos Terceiros (FNDE Salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), concernente às competências circunstanciadas nos autos, é nítido que não há razão de ser para sua aplicação, pois ao contribuinte é dada faculdade de no tempo correto, havendo crédito, fazer a compensação do débito, ao aguardo da homologação, assim sendo a multa de ofício decorre do fato de que no tempo certo do recolhimento do tributo não ter havido o pagamento; se o saldo da compensação resultou negativo para o Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10320.722963/201241 Acórdão n.º 2301005.742 S2C3T1 Fl. 301 7 contribuinte e este o recolheu no legal e oportuno momento, e a posteriori, a homologação não se deu naquele valor, é visível que a conduta não é passível de pena, pois ao contribuinte naquele pretérito momento competia pagar o que reputado devido, e sendo assim é evidente que a multa de ofício não deve ser lançada porque o tributo no quantum debeatur foi pago, e mais absurdo soa a pretensão desta penalidade erroneamente aplicada se opor sobre todo o valor do crédito tributário, e não só ao restante do montante. Cita doutrina. 9) Assim sendo o disposto no artigo 44 da Lei n9 9.430/96, inciso I (multa penal) bem assim o disposto no artigo 89, § 9º, c/c artigo 35 da Lei nº 8.212/91 (multa moratória) e os juros consoante artigo 35 da lei nº 9.430/96 não se aperfeiçoam ao caso em trato, e neste diapasão, por reflexo da anulação do Al ora impugnado são indevidos. 10) Concluindo, as informações prestadas pelo contribuinte nas GFIPs apresentadas não são incoerentes tal qual pretende o FDL capaz de fazer incidir o contribuinte na hipótese de exação pretendida, gerando a este via lançamento do Al a obrigação tributária fora valorado e efetivamente pago, mais ainda, do que compensado, cuja glosa resvala na desconsideração do crédito existente e maximiza via multa incorretamente aplicada o débito total do contribuinte, que doravante, ante a situação em trato, se mantida, de credor transmudará à situação de devedor. 11) O caráter sancionatório da multa indica a pena de uma ação contrária à lei, o que não é o caso, à obrigação subsidiária acessória imposta por via de coibir qualquer ato que objetive a diminuição da obrigação principal. 12) Requer, dentre outras providências, “seja feita diligência por outra autoridade fiscal, a fim de se constatar a veracidade do alegado alhures, desta vez oportunizando ao contribuinte a prova de seu direito, o que lhe foi negado naquela, e se acaso solicitado, via competente diligência ora requerida, indicaria outro desfecho na atuação do ilmo. Auditor Fiscal.” Os autos vieram a este conselho que, em uma primeira análise, decidiu por convertêlo em diligência através da Resolução 2301000.568 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária a qual entendeu que eram necessários os seguintes esclarecimentos: (...) A Recorrente também afirma que existem divergências entre os valores dos seus créditos supostamente demonstrados no Processo nº 10320.002120/201062, e os que foram identificados no presente lançamento, afirmando que a contribuição de 11% retida de suas notas fiscais de serviços superaria o saldo credor considerado no lançamento. De acordo com a planilha de fls. 63/75, os créditos do contribuinte considerados no lançamento, referemse às retenções de 11% sobre as notas fiscais de serviços prestados por cessão de mão de obra, sendo que os valores foram extraídos Fl. 304DF CARF MF 8 das informações prestadas pela Recorrente em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Apesar de a referida planilha demonstrar de forma detalhada os créditos e débitos do contribuinte, permitindolhe contraditar os valores individualmente, por cautela, entendo que, antes do julgamento, cabe manifestação da autoridade lançadora quanto ao teor do Processo nº 10320.002120/201062, mediante esclarecimento dos seguintes pontos: a) informar a natureza do pedido do processo nº 10320.002120/201062, ou seja, se tratase de pedido de restituição ou, ainda que impropriamente, de compensação, ou se possui outra natureza. b) informar se o período e os valores do pedido de restituição/compensação coincidem com os créditos do contribuinte considerados no cálculo da glosa da compensação indevida do auto de infração, elaborando, se for o caso, planilha demonstrando os valores e eventuais diferenças. c) se for o caso, manifestarse motivadamente quanto ao cabimento de retificação do lançamento em razão da existência de créditos do contribuinte não considerados no cálculo da glosa da compensação indevida. Em atendimento a diligência a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luis/MA apresentou resposta às fls. 285 nos seguintes termos: Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10320.722963/201241 Acórdão n.º 2301005.742 S2C3T1 Fl. 302 9 Dada ciência acerca do resultado da diligência o contribuinte manifestouse no sentido de que a Diligência não foi respondida a contento pois, o Auditor Fiscal não considerou os créditos do contribuinte, bem como, não juntou aos presentes autos o Processo de Restituição. Os autos retornaram à este conselho e, em face de a então relatora não mais pertencer aos quadros deste colegiado, foram a mim distribuídos para análise e decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. PRELIMINARES NULIDADE DA AUTUAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA E REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Em sede de preliminar, requer a autuada a decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apontar a disposição legal infringida, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Fl. 306DF CARF MF 10 Sem razão ao recorrente. Ao que se depreende às fls 51 a 53 dos autos consta o Relatório FLS Fundamentos Legais do Débito onde constam todos os dispositivos legai que fundamentaram o lançamento de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. Consoante se positiva dos anexos acima mencionados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Dessa forma, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento levado a efeito pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual omissão que o julgador atacado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, mormente quando esta não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Pugna, ainda, a recorrente pela decretação da nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que a autoridade julgadora negou a conversão do julgamento em diligência para produção de provas indispensáveis ao deslinde da controvérsia. Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação também não merece acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante. Observese, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte, que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão, tendo em vista que cabe exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante do processo serve justamente para formar a convicção do julgador, podendo interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Aliás, é o que determina o artigo 29 do Decreto 70.235/1972, como segue: “ Seção VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim, o pleito da recorrente não tem o condão de macular a decisão recorrida, porquanto o julgador monocrático procedeu da melhor forma, exarando decisão fundamentada, debatendo acerca das razões pertinentes lançadas pela contribuinte, formando livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10320.722963/201241 Acórdão n.º 2301005.742 S2C3T1 Fl. 303 11 Quanto ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova, igualmente, decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter parcialmente o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo desnecessária a diligência solicitada ou ainda uma eventual produção de prova pericial. Com efeito, a produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Ademais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, quanto a este tema, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. DO MÉRITO DA CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTOS COMO SENDO REMUNERAÇÃO Fl. 308DF CARF MF 12 O contribuinte se insurge contra o lançamento alegando que os pagamentos efetuados aos segurados empregados, contribuintes individuais e aos sócios da empresa não se caracterizam remuneração. Entendo não haver razão ao recorrente. Do que se depreende do Relatório Fiscal e dos documentos que o acompanham, tais valores se referiam a comissões, pagamentos de condomínios e aluguéis dos empregados, bem como despesas pessoais dos Sócios, tais como IPVA's, Energia Elétrica, despesas de cartões e "empréstimos. Já com relação aos Contribuintes individuais verificouse junto à contabilidade da empresa a prestação de serviços com pagamento de honorários contábeis e jurídicos, manutenção de veículos e outros, ou seja, todas as despesas lançadas com caráter nitidamente remuneratório. As planilhas colacionadas na decisão de primeira instância muito bem demonstram a situação fática encontrada pela fiscalização. Ora, para se caracterizar um reembolso aos segurados empregados, é necessário se fazer uma corelação entre o gasto tido pelo obreiro com o próprio serviço prestado, o que no caso não ocorreu. O mesmo podese dizer sobre o pagamento de cartões de créditos dos Sócios sem a justa comprovação de que estes gastos se referem a despesas da empresa. Aliás, tal procedimento sequer deve ser adotado sob pena de haver uma confusão patrimonial inadmissível nas sociedades empresariais Ltdas. Já os chamados empréstimos, embora aceito no ordenamento jurídico, deve observar procedimentos legais e contábeis, com contratos, cláusulas, formas de pagamento, registros e etc. No que se refere à rubrica "Moradia", estas despesas somente não tem caráter remuneratório se pagas em caráter excepcional. O art. 28 da Lei 8.212/91 determina que todos os rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês e para retribuir o trabalho são considerados salário de contribuição. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; DA GLOSA A empresa entende que possui crédito a ser compensado na competência objeto da presente autuação. Contudo, do que se verifica do Relatório Fiscal, seus anexos e ainda conforme salientou a decisão de primeira instância, houve sim o aproveitamento das compensações efetuadas corretamente pela recorrente até a competência 07/2007. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10320.722963/201241 Acórdão n.º 2301005.742 S2C3T1 Fl. 304 13 Nas demais competências demonstrou o Auditor Fiscal que, não existia saldo credor e os recolhimentos não foram suficientes à quitação do débito, não obstante a recorrente tenha declarado como compensado, desta forma correta a glosa efetuada pela fiscalização. Como se demonstrará mais adiante ao tratarmos da diligência solicitada por este conselho, o período compreendido pelo presente lançamento não é contínuo, ou seja, não abrange todas as competências. Na competência 03/2010, que foi objeto do pedido de restituição no processo 10320.002120/201062, não houve glosa. Logo, entendo como correta a glosa efetuada razão pela qual não dou razão ao contribuinte. DA DILIGÊNCIA Como dito anteriormente, os presentes autos foram baixados em diligência por este colegiado para que a fiscalização respondesse a três questões entendidas como relevantes pelos membros que compuseram a turma naquela oportunidade. Tais questões foram devidamente respondidas as fls. 285. Ao contrário do que se manifestou a recorrente em resposta a diligência, não houve pedido de juntada ou ainda conexão do processo 10320.002120/201062 que trata do pedido de restituição realizado pela empresa. Ao meu ver, nem haveria porque fazêlo. Tratamse de processos autônomos e independentes. Conforme informou o Ilustre Auditor na Diligência Fiscal, aquele pedido referese exclusivamente à competência 03/2010 e esta não foi glosada e não está neste lançamento. Aliás, ainda nem está neste conselho. Aguarda julgamento em primeira instância e, caso seja favorável ao contribuinte, certamente será objeto de um encontro de contas quando da execução referente a esta autuação. DAS MULTAS Uma entendido como correto o presente lançamento, não há como afastar a aplicação das multas por parte da fiscalização. Ora, não recolhidas as contribuições dentro dos prazos em que deveriam ter ocorrido, incidem sobre estas as multas que, foram aplicadas obedecendo todas as normas legais vigentes à época, inclusive a multa de ofício com a aplicação mais benéfica conforme previsão da Lei 11.941/2009. Vejamos a legislação sobre este tópico. Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 310DF CARF MF 14 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... omissis ... § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10320.722963/201241 Acórdão n.º 2301005.742 S2C3T1 Fl. 305 15 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Considerando, pois, todos os argumento acima expostos, Voto no sentido de: Conhecer do Recurso, Rejeitar as preliminares, indeferir o pedido de perícia e no Mérito, Negarlhe Provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 312DF CARF MF 16 Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000600/2006-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2005
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. NO TRANSPORTE DE MATÉRIAS-PRIMAS EM OPERAÇÕES DE VENDA DE MERCADORIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE FRETES PARA TERCEIROS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MATÉRIAS-PRIMAS DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS referente a despesas incorridas com combustíveis/lubrificantes utilizados no transporte de matérias-primas de produtos acabados e prestação de serviços de fretes para terceiros utilizados no transporte de matérias-primas de produtos acabados.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte.
Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS.
A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR- Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância.
Numero da decisão: 9303-007.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS EM OPERAÇÕES DE VENDA DE MERCADORIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE FRETES PARA TERCEIROS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS referente a despesas incorridas com combustíveis/lubrificantes utilizados no transporte de matériasprimas de produtos acabados e prestação de serviços de fretes para terceiros utilizados no transporte de matériasprimas de produtos acabados. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 06 00 /2 00 6- 62 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.109 2 para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.110 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência tempestivo interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, contra Acórdão nº 380101.428, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005 PERÍCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da perícia solicitada, rejeitase o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de recuperação de despesas integram a base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa, inexistindo amparo legal para suas exclusões. PROCESSO PRODUTIVO. AQUISIÇÕES. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo dos bens vendidos pela pessoa jurídica geram créditos de Cofins não cumulativa, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. FRETES. MATÉRIASPRIMA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. As aquisições de óleo diesel e lubrificantes utilizados no transporte de matérias primas e dos produtos vendidos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros geram créditos de Cofins não cumulativa, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional, aduz divergência jurisprudencial referente a abrangência do conceito de insumos para aproveitamento de créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigma o acórdão nº 20312.448. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.111 4 Em seguida o Presidente da 3ª Seção de Julgamento, deu seguimento Recurso, conforme depreendese o despacho de admissibilidade, ás fls.1087/1089. A Contribuinte, apresentou contrarrazões, ás fls.1096/1103, requer seja negado provimento ao recurso e mantida a decisão recorrida. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, tratase de pedido de ressarcimento de créditos do PIS e COFINS nãocumulativos indeferido, em parte, pela fiscalização, ao fundamento de que os bens e serviços indicados não se enquadram no conceito de insumo contido no art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, segundo a orientação do Parecer Normativo CST n° 65/1979 e das IN SRF n°: 247/2002 e 404/2004. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese, que os produtos em questão não dão origem aos créditos, vez que não são aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Por sua vez, a turma a quo deu provimento ao recurso voluntário para admitir "(...) o direito da Contribuinte apurar créditos de Cofins não cumulativa sobre os custos incorridos nas aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no seu processo produtivo, no transporte de matériasprimas, na operação de venda de seus produtos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros, (...)". Decido. A matéria devolvida para esta E. Câmara Superior, cingese a divergência com relação ao conceito de insumo para fins de ressarcimento das contribuições não cumulativas do PIS e da COFINS, especialmente sobre aquisições de combustíveis e Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.112 5 lubrificantes utilizados no processo produtivo, no transporte de matériasprimas, na operação de venda de seus produtos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros. Com efeito, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a 1 Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.113 6 fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.114 7 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve: “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.115 8 fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa". Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Destarte, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Centrandose a divergência dos autos, verifico que a Contribuinte tem como objeto social, a industrialização e exportação de couros, a utilização de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo, no transporte de matériasprimas, na operação de venda de seus produtos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros, são essenciais atividade empresária. Analisando a quaestio, como dito em linhas acima, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, de modo que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância , considerando se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Vejamos fragmentos do Voto: "São "insumos", para efeitos do art. 3º., II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º., II, da Lei 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Observase, como bem delineado no voto proferido pelo eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, que a conceituação de insumo prevista nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 está atrelada ao critério da essencialidade para a atividade econômica da empresa, de modo que devem ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo , de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto; é fora de dúvida que não ocorre a ninguém Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.116 9 afirmar que os produtos de limpeza são insumos diretos dos pães, das bolachas e dos biscoitos, mas não se poderá negar que as despesas com aqueles produtos de higienização do ambiente de trabalho oneram a produção das padarias. A essencialidade das coisas, como se sabe, opõese à sua acidentalidade e a sua compreensão (da essencialidade) é algo filosófica e metafísica; a maquiagem das mulheres, por exemplo, não é essencial à maioria dos homens, mas algumas mulheres realmente não a podem dispensar – e não a dispensam – ou seja, lhes é realmente essencial e isso não poderia ser negado; em outros contextos, dizse até que certa pessoa é essencial à existência de outra – não há você sem mim e eu não existo sem você, como disse o poeta VINÍCIUS DE MORAES (19131980) – mas isso, como todos sabemos, é claramente um exagero carioca e não serve para elucidar uma questão jurídica de PIS/COFINS e muito menos o problema que envolve a essencialidade das cosias e dos insumos: é apenas uma metáfora do amor demais. A adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final". Nos termos do art. 62, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. In verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014". Deste modo, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.117 10 ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha o equilíbrio impositivo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 16366.000600/200662 Acórdão n.º 9303007.674 CSRFT3 Fl. 1.118 11 Destarte, o conteúdo contido no artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS, referente a despesas incorridas com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo, no transporte de matériasprimas, na operação de venda de seus produtos, bem como na prestação de serviços de fretes para terceiros. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1118DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.902549/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/05/2007
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/05/2007 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 25 49 /2 01 2- 78 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.902549/201278 Acórdão n.º 3302005.986 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.743, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.902549/201278 Acórdão n.º 3302005.986 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.902549/201278 Acórdão n.º 3302005.986 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.902549/201278 Acórdão n.º 3302005.986 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.902549/201278 Acórdão n.º 3302005.986 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.902549/201278 Acórdão n.º 3302005.986 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720287/2016-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO.
Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Espera-se que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas.
PROGRAMAS. SINCOEX (MARANHÃO). FDI (CEARÁ). PARÁ (LEI 6.489/02). CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS PARA INSTALAÇÃO DE UNIDADES FABRIS. INCENTIVOS FISCAIS. ASPECTOS. NORMA EM TESE. AÇÕES DO SUBVENCIONADO.
Tendo em vista que os dois aspectos para apreciação dos valores subvencionados, (1) a norma em tese, que regulamenta a concessão do benefício, dispondo sobre mecanismos de controle e acompanhamento do projeto para verificar se está se consumando a implantação ou expansão do empreendimento econômico, e (2) as ações do ente subvencionado promovendo incrementos no ativo em montante proporcional ao valor do benefício, foram atendidos, os valores transferidos pelo Poder Público devem ser considerados subvenção para investimento.
Numero da decisão: 1301-003.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Esperase que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. PROGRAMAS. SINCOEX (MARANHÃO). FDI (CEARÁ). PARÁ (LEI 6.489/02). CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS PARA INSTALAÇÃO DE UNIDADES FABRIS. INCENTIVOS FISCAIS. ASPECTOS. NORMA EM TESE. AÇÕES DO SUBVENCIONADO. Tendo em vista que os dois aspectos para apreciação dos valores subvencionados, (1) a norma em tese, que regulamenta a concessão do benefício, dispondo sobre mecanismos de controle e acompanhamento do projeto para verificar se está se consumando a implantação ou expansão do empreendimento econômico, e (2) as ações do ente subvencionado promovendo incrementos no ativo em montante proporcional ao valor do benefício, foram atendidos, os valores transferidos pelo Poder Público devem ser considerados subvenção para investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 87 /2 01 6- 65 Fl. 3715DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.716 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.717 3 Relatório HNK BR BEBIDAS LTDA, atual denominação de BRASIL KIRIN BEBIDAS LTDA, recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1156.942 da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento no Recife que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 500 a 540, para exigência de créditos tributários, referentes aos anos calendário de 2012 a 2014, adiante especificados: CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS TRIBUTO FLS Imposto/ Contrib. Juros de Mora Multa Proporcional Multa Exigida Isoladamente TOTAL Imposto de Renda Pessoa Jurídica 500 58.211.280,59 18.499.632,47 43.658.460,44 40.581.777,38 160.951.150,88 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 522 20.981.981,01 6.669.073,61 15.736.485,74 16.062.267,55 59.449.807,91 TOTAL _ 220.400.958,79 Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infração à legislação do IRPJ, resultando nas infrações EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS e MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 475/498), a autoridade autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: As verificações tiveram início em 30/12/2015, com a ciência pessoal de Termo de Início de Procedimento Fiscal. Na ação fiscal foram utilizados os arquivos digitais obtidos junto ao SPED, quais foram: Sped Fiscal e NFE. Dos Procedimentos de Auditoria Verificouse, nas DIPJ dos exercícios 2013 e 2014, na ficha 09 A linha 63, que o fiscalizado excluiu do lucro líquido, para apuração do lucro real, os valores respectivos de 144.345.096,21 e 254.515.743,91. Foi o contribuinte, então, intimado, com relação à exclusão de R$ 254.515.743,91, apresentando a seguinte resposta: "Atua na produção e distribuição de bebidas, especialmente cervejas, refrigerantes, sucos e envase de água. Possui filiais localizadas nos Estados do Fl. 3717DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.718 4 Maranhão, Ceará e Pará, as quais possuem incentivos fiscais de ICMS concedidos por referidos Estados na modalidade de subvenção para investimento". Em relação a itens específicos, respondeu o seguinte: 1 Comprovar que este valor tenha sido Destinado para Investimentos previstos de Implantação ou Expansão do Empreendimento Econômico Projetado. Resposta : "De acordo com o que consta nos Termos de Acordo firmados com cada um dos Estados concessores dos incentivos fiscais, a requerente assumiu a obrigação de investir em cada uma das Unidades Fabris que viessem a ser instaladas, o que efetivamente foi levado a efeito. Estado Base Legal ata de assinatura do Termo de Acordo Investimento Maranhão Lei 6.429/1995, Decreto 16731/1999, Protocolo Intenções 2001 e Resolução Sincoex 02/03. Lei 6.489/2002 e Julho/2001 90.000.000,00 Pará Decreto 2.676/2006, Termo de Acordo 2004 Lei 10.367/1979, Decretos 27.206/2003 e 27.749/2005, Setembro/2004 161.372.230,00 Ceará Protocolo de Intenções 69/2006, Termo de Acordo 53/2006, Resolução 232/2006. Novembro/2006 133.776.288,00 A Autoridade Fiscal reproduziu trechos de interesse de atos concedentes dos incentivos fiscais (fls. 478/487). "2 Comprovar a Efetiva e Específica Aplicação da Subvenção nos Investimentos de Implantação ou Expansão do Empreendimento Econômico Projetado ". Apresentou tabela onde demonstrou os investimentos realizados em cada uma das filiais, cujos dados podem ser comprovados com a abertura de cada uma das contas contábeis relativas aos investimentos que fazem parte dos Relatórios "Abertura Imobilizados Benevides, Caxias e Horizonte" (DOC. 01) , bem como por meio de cópia do Livro Razão (DOC. 02). Da Incorporação da Empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do NorteNordeste S/A Como se pode verificar nos atos concessivos dos benefícios fiscais do ICMS anteriormente reproduzidos, o titular dos referidos benefícios foi a Empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do NorteNordeste S/A, inscrita no CNPJ sob o n° 04.430.717/000124. Em 01/06/2010, foi a Primo Schincariol incorporada pela fiscalizada. Conforme Laudo de Avaliação para fins de incorporação, a Reserva de Lucros totalizava R$ 166.822.972,17 assim composta: 262001RESER VA LEGAL 10.877.713,39 Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.719 5 262004 RESER VA DE INCENTIVOS FISCAIS (IFRS) 155.945.258,78 Dados extraídos da DIPJ de incorporação da Primo Schincariol. Da Legislação Aplicável De início é de se ressaltar, que o tratamento tributario das subvenções recebidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, está determinado nos artigos 392 e 443 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. As disposições dos incisos do art. 443 do RIR/1999 supra transcrito foram derrogadas por força das modificações na Lei n° 6.404/1976. Com efeito, a alínea "d" do § Io do art. 182 dessa lei, que determinava a classificação das contas que registrassem as doações e as subvenções para investimento como reservas de capital, foi expressamente revogada pelo art. 10 da Lei n° 11.638/2007. Em razão disso, a Lei n° 11.941/2009, que, dentre outras providências, institui o "Regime Transitório de Tributação RTT de apuração do lucro real", fixou, em seu art. 18, outras diretivas de contabilização "às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977". O RTT, ajeor dos §§ 2o e 3o do art. 15 da lei em questão, tornouse obrigatório a partir do anocalendário de 2010. Destarte, as subvenções correntes para custeio ou operação devem ser classificadas nos resultados operacionais da empresa beneficiada, enquanto as subvenções para investimento não serão computadas na determinação do lucro real, segundo se pode concluir da leitura dos artigos do RIR/99 acima transcritos. Entretanto, as subvenções para investimento não serão computadas na determinação do lucro real, desde que satisfeitas as condições exigidas no art. 443 do RIR/99. Com o objetivo de analisar o tratamento fiscal das subvenções, face as disposições da Lei n° 4.506/64, art. 44, IV e do Decretolei n° 1.598/77, art. 38, § 2o, foi editado o Parecer Normativo CST n° 112/78. As subvenções, para se caracterizarem como de investimento, devem apresentar características bem marcantes. A primeira, é que haja a clara manifestação do subvencionador de que os recursos relativos à subvenção sejam aplicados em investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado; a segunda característica é que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, segundo a manifestada intenção do subvencionador, nos mencionados investimentos; a terceira característica é que haja perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Fl. 3719DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.720 6 No caso presente, houve manifesta intenção do ente público que os recursos fossem aplicados na implantação da unidade fabril. No entanto, não se observou a perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Os benefícios foram concedidos em 2001 para a unidade situada em CaxiasMA, pelo prazo de 12 anos e as operações tiveram início em 2002; em 2004 para a unidade situada em BenevidesPA, pelo prazo de 15 anos e as operações tiveram início em 2005 e em 2006 para a unidade situada em HorizonteCE, pelo prazo de 15 anos e as operações tiveram início em 2008. Ou seja, a fiscalizada irá usufruir de crédito presumido de ICMS durante período de mais de doze anos após a entrada em funcionamento da implantação de suas unidades fabris. Ou seja, o subsídio é recebido muito tempo após o investimento, o que evidencia assincronia entre a percepção do subsídio e a aquisição de bens ou direitos necessários à implantação da unidade fabril, a contrariar a exigência de efetiva e específica aplicação da subvenção em bens ou direitos específicos vinculados à implantação ou expansão do empreendimento econômico incentivado. A ausência da estrita vinculação entre a subvenção recebida e o investimento no empreendimento pode ser evidenciada, também, pelo aspecto quantitativo. O montante correspondente de crédito presumido de ICMS durante 12 e 15 anos poderá resultar em valor total maior do que as despesas incorridas na implantação do empreendimento econômico, até por que não se pode determinar a priori o montante de ICMS devido em períodos futuros. Assinalese, também, que na planilha indicadora dos Projetos Econômicos Financeiros (DOC. 03A, B, C da resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 03/11/2016) constam rubricas como "capital de giro" e "treinamento de Pessoal", evidenciando que os recursos não são aplicados exclusivamente em bens ou direitos necessários à implantação da unidade fabril. Na resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal de 03/11/2016, o fiscalizado cita o Acórdão n° 9101002.335 proferido nos autos do PA n° 13502.001207/200777 na sessão de julgamento do dia 04.05.2016 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, onde a autoridade fiscal faz uma ressalva quanto à necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, é que serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção. Mesmo que se admitisse a alegação do contribuinte, o que aqui se faz apenas à título de argumentação, algumas questões devem ser observadas para a caracterização dos benefícios como subvenção para investimentos ou custeio. 1. Nos atos constitutivos dos benefícios fica claro que o objetivo do ente federado é a implantação das unidades fabris; Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.721 7 2. Os Projetos Econômicos Financeiros (DOC. 03A, B, C), anexados ao processo digital, discriminam o montante dos investimentos vinculados aos benefícios fiscais, quais sejam: a) Projeto Econômico Financeiro relativo ao incentivo concedido pelo Estado do Maranhão R$ 91.160.271,00; b) Projeto Econômico Financeiro relativo ao incentivo concedido pelo Estado do Pará R$ 161.720.200,00; c) Projeto Econômico Financeiro relativo ao incentivo concedido pelo Estado do Ceará R$ 133.776.288,00. Total R$ 385.148.518,00 3. A Empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do NorteNordeste S/A, inscrita no CNPJ sob o n° 04.430.717/000124, na apuração do lucro real, excluiu do lucro líquido, a título de subvenção para investimento, os valores abaixo discriminados: DIPJ2009 R$ 95.677.067,67 DIPJ2010 R$ 107.071.245,55 DIPJ de Incorporação R$48.141.025,43 TotalR$ 250.889.338,65 4. A Brasil Kirim na apuração do lucro real, excluiu do lucro líquido, a título de subvenção para investimento, os valores abaixo discriminados: DIPJ 2011R$ 7.842.415,88 DIPJ 2012 R$ 127.868.688,51 Total R$ 215.711.104,39 Concluise que, mesmo admitindo que tenha havido sincronia entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, o valor do crédito presumido do ICMS que poderia ser considerado subvenção para investimento estaria limitado a R$ 385.148.518,00. Das Infrações Apuradas 1) Exclusão Indevida do Lucro Real Assim, a falta de comprovação de sincronia entre a redução do ICMS obtido pelos incentivos e sua destinação específica em investimentos, tendo em vista, inclusive, que os valores excluídos das bases de cálculo superam em muito os valores pactuados, fazem com que tais valores sejam considerados "subvenções para custeio", devendo, portanto, integrar a receita bruta operacional da contribuinte para efeito de determinação do lucro real. Desta forma, lavrarseá Auto de Infração cujas exclusões estão abaixo listadas: 5. Fl. 3721DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.722 8 2012 2013 2014 JANEIRO 11.374.240,70 13.895.014,92 13478.930,03 FEVEREIRO 13.281,525,22 15.012.385,44 11.128.744,13 MARÇO 10.474,162,08 12.524.042,82 91.165.842,70 ABRIL 9.838,155,33 11.779.494,49 10.390.798,34 MAIO 10.374,127,56 11.801,169,86 10.947.242,52 JUNHO 8.957,185,48 12.921.134,81 10.892.416,81 JULHO 10.610.709,25 13.321.290.43 12.778.808.61 AGOSTO 12.700.656,78 12.668.244,54 47.088.465,50 SETEMBRO 13.269.699.71 14.200.755,39 11.791.076,50 OUTUBRO 14.139.742,93 14.842.512,72 10.115.343,34 NOVEMBRO 13.542.355,11 14.490.319,85 10.616.890.93 DEZEMBRO 15.782.536,06 107.059.378,64 10.248.035,94 TOTAL 144.345.096,21 254.515.743,91 250.642.595,35 No que se refere à CSLL, se aplicam a essa contribuição as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ. Portanto, o mesmo entendimento expressado para o IRPJ vale para a determinação da base de cálculo da CSLL. 2) Tributação Reflexa de Pis e Cofins Apurando o fiscalizado o IRPJ pelo lucro real, temse que está sujeito à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins pelo regime não cumulativo. A base de cálculo dessas contribuições corresponde ao faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Valores recebidos a título de subvenção encontramse, assim, dentro do alcance da base de cálculo das contribuições em tela. Poderseia argumentar que o art. 21, parágrafo único, inciso I, da já referida Lei n° 11.941/2009 (que trata do Regime Transitório de Tributação RTT), permite que se exclua da base de cálculo da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins "o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público". Ocorre que esse dispositivo restringe o seu comando às subvenções de que trata o art. 18 da mesma lei, que, como se viu, se refere às subvenções para investimento, cumprindo lembrar que o enquadramento do caso concreto na norma desonerativa deve se dar através de interpretação literal, vedada hermenêutica ampliativa (art. 111, inciso II, do CTN, Lei n° 5.172/66). A Autoridade Fiscal transcreveu parcialmente a ementa da Solução de Divergência Cosit n° 13, de 28 de abril de 2011. Desta forma, lavrarseá Auto de Infração cujas bases de cálculo são as mesmas do Imposto de Renda. Da não recomposição do Lucro da Exploração Conforme o disposto no art. 66 da Instrução Normativa SRF n° 267, de 23 de dezembro de 2002, é vedada a recomposição do lucro da exploração no caso de lançamento de ofício. Transcreveu os artigos 66 e 109 da referida Instrução Normativa. Da multa isolada sobre a insuficiência das estimativas Fl. 3722DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.723 9 As exclusões efetuadas implicam em dizer que a fiscalizada deixou de recolher aos cofres públicos as antecipações obrigatórias do IRPJ e da CSLL. Destacamos que a empresa optou pelo regime tributário de apuração do IRPJ anual, ou seja, com pagamentos mensais por estimativa. Estas antecipações mensais são obrigatórias mesmo que ao final do período seja apurado prejuízo fiscal e inexistência de base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL. A diferença entre o tributo apurado (IRPJ/CSLL) no final dos anoscalendários de 2012, 2013 e 2014 e os declarados pelo contribuinte está sendo exigida em Auto de Infração. Idêntico tratamento é dado à insuficiência no recolhimento das estimativas mensais apuradas por esta fiscalização, com a cobrança de multa isolada incidente sobre a mesma, conforme determina o artigo 43, § único c/c artigo 44, inciso II, alínea "b", todos da Lei n° 9.430/96, alterada pela Lei n° 11.488/2007. Desta forma, elaborouse um demonstrativo, anexo ao presente Termo de Constatação, denominado de "Multa Isolada sobre a Insuficiência de Estimativas AC 2012, 2013 e 2014", no qual apresentouse as bases de cálculo da referida multa sobre a insuficiência das estimativas do IRPJ e da CSLL. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente notificada, BRASIL KIRIN BEBIDAS LTDA apresentou impugnação (fls. 553/569): 1. Da nulidade por cerceamento de defesa Há, no presente caso, violação ao devido processo legal administrativo. De fato, o auto de infração impôs à impugnante multa isolada pela suposta insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL ao longo dos anos de 2012 a 2014. Apesar de mencionar a existência de um demonstrativo, a autoridade, diferentemente do que afirma, não o anexa aos autos, privando a impugnante de informação essencial para a defesa. Fica caracterizada, de forma incontestável, a violação ao devido processo legal e ao direito de defesa, o que torna nulo o presente processo administrativo. Em atenção à eventualidade, a requerente impugna integralmente os valores constituídos a título de multa isolada no auto de infração. 2. Da não ocorrência da infração: os incentivos caracterizamse como subvenção para investimento De acordo com a autoridade fiscal, os incentivos concedidos à impugnante pelos Estados do Pará, do Maranhão e do Ceará devem ser classificados como subvenções para custeio. Fl. 3723DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.724 10 Isso porque, ainda segundo a autoridade fiscal, não houve sincronia entre a realização dos investimentos condição para o incentivo e o recebimento da subvenção, condição necessária para que se caracterize a subvenção para investimento. Tal entendimento se alinha à teoria do "dinheiro carimbado", sufragada no Parecer Normativo COSIT n° 112/78, invocado pela autoridade fiscal. De acordo com aquele parecer normativo, para que uma subvenção possa se caracterizar como destinada a investimento, é necessário que os mesmos recursos recebidos a título de incentivo sejam destinados à instalação do empreendimento econômico. Esse entendimento é equivocado e, na prática, acaba por eliminar a figura da subvenção para investimento do ordenamento jurídico. De fato, os incentivos concedidos pelos Estados como forma de atração de investimentos estão todos vinculados ao ICMS e exigem, primeiro, a realização dos investimentos para, somente depois, beneficiar o investidor. A subvenção para investimento não é tributada desde que aplicada no empreendimento, o que é assegurado pelo registro dos valores recebidos em conta de reserva de lucros, no Patrimônio Líquido. No sentido de afastar a sincronia entre subvenção e investimento e, consequentemente, a teoria do "dinheiro carimbado", transcreveu lição de Humberto Ávila. Esse entendimento prevalece na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A configuração da subvenção para investimento depende, portanto, de que sua concessão tenha como causa, como condição, a efetivação de um empreendimento pelo contribuinte e a ele se vincule. Esse é o aspecto que já sobressaía na redação do §2° do artigo 38 do decretolei n° 1.598/77 e que se destacada na redação do artigo 30 da lei n° 12.973/14. Esse vínculo entre a subvenção concedida e a exigência de realização de investimentos pelo contribuinte está presente na relação entre a impugnante e os Estados do Pará, do Maranhão e do Ceará. O "Acordo" firmado entre o Estado do Pará e o então Grupo Schincariol, em setembro de 2004, deixa muitíssimo evidente que aquela unidade da federação concedeu incentivos ao contribuinte sob a condição da instalação de uma unidade industrial local, caracterizando esses incentivos como subvenção para investimento. Da mesma forma, o Estado do Maranhão concedeu incentivos à impugnante sob a condição de instalação de uma unidade industrial naquele Estado, por meio da Resolução Condex/Sincoex n° 002/2003. O Programa SINCOEX, então mantido pelo Estado do Maranhão, tinha sua regulamentação no decreto estadual n° 16.731/99, que deixava claro, em seu artigo 2°, a vinculação entre incentivos concedidos dentro daquele programa e a Fl. 3724DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.725 11 realização de investimentos pelo contribuinte. O incentivo foi concedido à impugnante sob condição da instalação e manutenção de uma unidade industrial, o que caracteriza a subvenção para investimento. Também o Estado do Ceará concedeu incentivos à empresa sob condição de instalação de uma unidade produtiva local, como se vê do "Protocolo de Intenções" juntado às fls. 256/263 dos autos. O incentivo foi instituído pela lei estadual n° 10.367/79. O artigo 2° dessa lei prevê que a concessão dos incentivos está vinculada à atração de investimentos. Os incentivos concedidos pelo Estado do Ceará por meio do FDI se caracterizam como subvenção para investimento, como o reconheceu, em 04/05/2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão n° 9101002.329. Assim, cai por terra a premissa estabelecida pela acusação, o que leva à improcedência do auto de infração. Cabe observar, por fim, que, no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal sugere que ao menos a diferença entre o valor das subvenções excluídas da base tributável e o montante dos investimentos previstos nos projetos apresentados aos Estados do Pará, do Maranhão e do Ceará deveria ser tratada como subvenção para custeio. Mas o fato é que, apesar daquela "sugestão", a autoridade fiscal não realiza um mínimo de investigação que desse fundamento à sua "tese subsidiária". Assim é que se apega aos valores de investimento estimados e concebidos como investimentos mínimos, quando uma acusação nesse sentido exigiria a definição do que deveria ser computado como investimento. Além disso, a autoridade fiscal trabalha com os valores excluídos a título de subvenção para investimento também nos anos de 2008 a 2011, sem investigar a que se referiram tais exclusões. Finalmente, se a acusação se referisse àquela diferença mencionada acima, isso deveria se refletir necessariamente na quantificação do crédito tributário, o que não ocorreu. Portanto, o discurso da autoridade fiscal quanto a esse ponto não modifica a acusação fiscal, posto que formulado, nas suas palavras, "apenas a título de argumentação". Demonstrado que os valores recebidos pela impugnante caracterizamse como subvenções para investimento, deve ser desconstituído o crédito tributário. 3. Do vício na determinação do crédito tributário pela não recomposição do lucro da exploração A autoridade fiscal, ao formalizar o auto de infração, desconsiderou o fato de que a impugnante, por meio dos estabelecimentos industriais instalados nos Estados do Pará, do Maranhão e do Ceará, era beneficiária, nos anosbase de 2012 a 2014, de redução de IRPJ no âmbito da ADENE/SUDENE e da ADA. Fl. 3725DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.726 12 Como a impugnante tratou os incentivos recebidos como subvenções para investimento, os respectivos valores não afetaram a aplicação daquela redução de 75% do IRPJ. A autoridade fiscal, porém, reclassificou os incentivos, de subvenção para investimento para subvenção para custeio. A prevalecer essa reclassificação, o montante das subvenções para custeio deveria compor o lucro da exploração no período, servindo de base para a aplicação da redução de 75% de que tratam os laudos constitutivos mencionados. Ao desconsiderar os critérios adotados pela impugnante para classificar os benefícios recebidos, a autoridade fiscal deveria observar integralmente o regime jurídico a ela aplicável. Significa dizer que deveria ter recomposto o lucro da exploração. Assim, ainda que subsista a acusação, há erro na quantificação do crédito tributário, o que deve levar à desconstituição do lançamento. Da ilicitude da exigência de multa isolada A autoridade fiscal, ao lavrar o auto de infração, aplicou a multa punitiva de 75% sobre o tributo omitido, apurado em 31 de dezembro de cada ano. Ao mesmo tempo, a autoridade fiscal impôs à impugnante multa isolada sobre os valores que ela teria deixado de recolher mensalmente a título de antecipação (estimativas mensais) no período de 2012 a 2014. Tratase de imposição de dupla penalidade sobre o mesmo fato: suposta falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL. A cumulação de multa punitiva e de multa isolada implica em ilicitude. A aplicação da penalidade por falta de recolhimento das estimativas só tem lugar enquanto não verificado o encerramento do período de apuração do IRPJ e da CSLL, em 31 de dezembro de cada ano. Daí que o próprio CARF tenha editado a súmula n° 105 afirmando a impossibilidade da cumulação de multa punitiva e multa isolada. Assim, ainda que subsista a acusação principal, deve ser reduzido o crédito tributário para se excluir de seu montante a multa isolada imposta à impugnante. Do pedido Isto posto, requer seja dado provimento a esta impugnação para que seja desconstituído o crédito tributário. Analisando a impugnação apresentada o colegiado a quo julgoua improcedente. Fl. 3726DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.727 13 O contribuinte foi intimado da decisão em 28 de julho de 2017 (fls. 658659), uma sextafeira, apresentando recurso voluntário de fls. 53.44853.512 tempestivamente em 28 de agosto de 2017 (fl. 660) segundafeira , requerendo a declaração de nulidade da decisão de primeira instância por não ter realizado julgamento em conjunto com as exigências de PIS e de Cofins, e, no mérito, reafirmando, em resumo, os termos de sua impugnação. Em 11 de dezembro de 2017 a Recorrente anexou aos autos o expediente de fls. 36.60536.606 informando sobre a Publicação da Lei Complementar nº 160/2017 que inseriu os §§ 4º e 5º no art. 30 da Lei nº 12.973/14 que implicaria o reconhecimento da natureza de subvenção para investimento em relação aos incentivos fiscais tratados nos presentes autos. É o relatório. Fl. 3727DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.728 14 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Em relação ao recurso voluntário, além de tempestivo, foram preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 PRELIMINARES DE NULIDADE 2.1 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Aduz a Recorrente que o julgamento de primeira instância seria nulo por não ter realizado julgamento em conjunto com as exigências de PIS e de Cofins. Razão não lhe assiste. Segundo o § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, os “autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova”. Vejase que se trata de uma possibilidade a lavratura de autos de infração, baseados nos mesmos elementos de prova, em um mesmo processo. E, no caso concreto, não o foram, até mesmo porque a questão mais controvertida sobre o tema em debate envolve a interpretação de os valores percebidos pela Recorrente se caracterizariam como subvenções para investimento ou subvenções para custeio, discussão ligada diretamente às exigências de IRPJ e de CSLL, até mesmo porque a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais têm entendimento firmado que, independentemente das classificações das subvenções que têm origem em incentivos ou benefícios fiscais de ICMS, não caracterizam receitas para fins de incidência de PIS e de Cofins (por exemplo no Acórdão 9303004.560), razão pela qual, em autos de infração em que essas contribuições têm sido lançadas em separado das exigências de IRPJ e de CSLL, este colegiado já firmou entendimento de que a competência para sua apreciação seria da 3ª Seção de Julgamentos (Resolução 1301000.620). Portanto, não há que se falar em nulidade da decisão da DRJ. Desse modo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. 2.2 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Aduz a Recorrente que, em relação à exigência de multas isolada por falta de recolhimento de estimativas, os autos de infração seriam nulos em razão de a autoridade fiscal não ter acostado aos autos o demonstrativo denominado “Multa Isolada sobre a Insuficiência de Estimativas AC 2012, 2013 e 2014” no qual, segundo consta no próprio Termo de Fl. 3728DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.729 15 Verificação Fiscal (fl. 498), seriam apresentados bases de cálculo das estimativas exigidas de ofício. A decisão recorrida, ao analisar a impugnação sobre o tema, aduziu que o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, somente trata de nulidade em se tratando de atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou despacho e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Argumentouse ainda que à fl. 497 dos autos haveria a discrminação dos valores de estimativa exigidos. Em primeiro lugar, discordo da decisão recorrida ao limitar, no processo administrativo fiscal, os casos de nulidade aos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. A esse respeito, assim leciona Marcos Vinícius Neder1: Evidentemente, há de se contestar aqueles que defendem a ideia de que as hipóteses de nulidade em processo fiscal são, apenas, as discriminadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF. [...] A existência de qualquer ato precedente produzido em ofensa ao contraditório e à ampla defesa macula o ato decisório posterior, que deverá ser tornado ineficaz por declaração de nulidade pelo julgador. Sob esse mesmo prisma, assim decidiu a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A ausência, nos autos, de descrição minuciosa dos fatos e, ainda, de demonstrativos hábeis a esclarecer o critério adotado para apurar o montante de "recursos" e 'aplicações' , consignados nos demonstrativos de acréscimo patrimonial à descoberto, além de cercear a garantia constitucional de ampla defesa, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acórdão 10611.750, DOU de 05/04/2001) [grifos nossos] Convém ainda ressaltar que, no bojo da Lei nº 9.784/1999, que trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, consta menação expressa à necessidade de observância a diversos princípios, entre eles os da ampla defesa e do contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. [...] Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. 1 NEDER, Marcos Vinícius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo e suas Espécies (de acordo com a Lei n. 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF). 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 570571. Fl. 3729DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.730 16 No caso concreto, a hipótese é muito semelhante à analisada no precedente citado alhures (Acórdão 10611.750), pois, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, a tabela que consta à fl. 497 referese aos valores de estimativa exigidos, e não às bases de cálculo do lançamento dessas penalidades.Vejase que os valores de tal tabela citada pela decisão da DRJ são os mesmos constantes no auto de infração (fls. 503504), não havendo que se falar em demonstração da base de cálculo lançada. Conforme se sabe, a exigência de multa isolada exigiria, em primeiro lugar, a demonstração da base de cálculo mensal das estimativas, quer por meio de pagamentos baseados na receita bruta e acréscimos mensais, quer com base em balanços ou balancetes de suspensão com os devidos ajustes em razão das infrações detectadas. Com base nos valores de estimativas devidos, calculamse, pois as multas isoladas por falta dos recolhimentos antecipados (50%). Desse modo, não havendo nos autos o demonstrativo das bases de cálculo das multas por falta de recolhimento de estimativas citado pela autoridade fiscal à fl. 497, há de se reconhecer a nulidade da infração em questão por notório cerceamento do direito de defesa da Recorrente, pois não há demonstração de como a autoridade fiscal chegou à base de cálculo do lançamento dessas penalidades. Contudo, tendo em vista que encaminharei meu voto no sentido de prover o recurso voluntário integralmente, deixo de declarar a nulidade dessa infração, nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. 3 MÉRITO 3.1 SUBVENÇÃO – IRPJ E CSLL As subvenções, espécies do gênero benefícios fiscais, podem ser classificadas em subvenções para custeio ou subvenções para investimentos. A subvenção para custeio foi inicialmente prevista na Lei nº 4.320, de 17/03/1964, a qual estatuiu normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, estabelecendo diretrizes gerais para a contabilidade pública. Sob a ótica do ente federativo, são consideradas as subvenções sociais e econômicas como despesas correntes, da espécie transferências correntes, destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. È importante ressaltar que tal norma não previa qualquer determinação quanto à destinação que o ente subvencionado daria às receitas recebidas. Para as subvenções correntes, o legislador entendeu por tratálas como rendimentos tributáveis, conforme art. 44, da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, atualmente base legal do art. 392 do RIR/99, verbis: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Fl. 3730DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.731 17 Com a edição da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A), passouse a dar um tratamento específico para subvenções que tivessem uma destinação própria, particular, qual seja, que fossem concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007); d) as doações e as subvenções para investimento (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 2 (grifei). No mesmo sentido, a legislação tributária acompanhou tal entendimento, determinando a não tributação das subvenções para investimento, nos termos do art. 38, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977, assim vazado: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o Contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital 2 Apesar de o dispositivo em debate ter sido revogado pela Lei nº 11.638, de 2007, as subvenções para investimento, para fins de apuração do lucro real, continuaram fora do alcance da tributação do IRPJ e da CSLL, já que, apesar de ter o ingresso contabilizado em conta de resultado pelo regime de competência, integrando o lucro líquido do exercício, devem ser excluídas no LALUR. Fl. 3731DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.732 18 social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) [grifos nossos] Após a edição de tais normas societárias e tributárias, restou evidente a diferenciação ao tratamento aplicável às subvenções para custeio e para investimento: enquanto esta configura transferência de capital, não sendo tratada como receita (e sim como reserva de capital no patrimônio líquido) e não sujeita à tributação, aquela foi tratada como transferência de renda, e considerada receita tributável. Por outro lado, para que uma transferência de recursos estatais seja tida como subvenção para investimento, diversas condições necessitam ser satisfeitas. Sobre o tema, a Receita Federal há muito editou o Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, cujos excertos de interesse transcrevo a seguir: 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 [...] No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 (...), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. (grifei) De acordo com a interpretação dada por tal parecer, para que um incentivo fiscal seja considerado subvenção de investimento alguns pressupostos precisam ser cumpridos, e de forma cumulativa, a saber: (i) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não em suas despesas correntes, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (ii) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (iii) não basta o "animus", mas também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (iv) mero registro contábil em conta própria de Fl. 3732DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.733 19 reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Em relação aos itens (i) e (ii), adoto as observações tecidas no Acórdão 9101 002.394 da 1ª Turma da Câmara Superior, de relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura: sobre a aplicação dos recursos: “de fato não há que se considerar que tais recursos sejam empregados para auxiliar nas despesas do ente subvencionado. Devem ser aplicados em bens ou direitos visando a consecução da finalidade da subvenção para investimentos, qual seja, implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Tal aplicação poderá estar refletida em diferentes ativos da empresa, como, por exemplo, estoques, ativo permanente, em proporções que dependerão do ramo de atividade do subvencionado, mas que deverão estar devidamente refletidas na contabilidade”; a respeito do sincronismo na aplicação dos recursos: “[...] a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção3.” Em relação aos demais pontos abordados em tal Parecer Normativo, corroboro o entendimento firmado pelo Conselheiro André Mendes de Moura: os demais itens do Parecer Normativo tão somente [...] consagram o disposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Dispõese com clareza que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, além de terem de estar contabilizadas em conta reserva de capital e feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas4”. Quando se fala em estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta a mera intenção do subvencionador. Se os recursos devem ser aplicados para estimular implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta uma mera disposição legislativa, editada pelo ente subvencionador, para que reste caracterizada a subvenção 3 Vide acórdão nº 9101001.094, da CSRF, de 29/06/2011, do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior: "Além disso, em regra, nenhum empreendimento vai ser implantado com receita oriunda da subvenção para investimento. Isso porque durante a implantação, a empresa encontrase em fase préoperacional, logo, ordinariamente, não aufere receitas e, consequentemente, não tem ICMS a pagar nem muito menos redução de ICMS em virtude de subvenção para investimento. Assim, na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício. Razão pela qual seria impossível, no caso em tela, constar do termo de compromisso firmado a obrigação de a indústria ser implantada, ainda que parcialmente, com os valores oriundos do benefício fiscal. Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. (...)" 4 Vide nota anterior. Fl. 3733DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.734 20 para investimento. Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. Resta completamente desvirtuado o instituto quando a lei estadual, por exemplo, ao mesmo tempo que estabelece condições para a transferência do recurso, deixa em campo cinzento quais seriam os mecanismos claros de controle para verificar se as condições estabelecidas para a fruição do benefício, no caso, implantação ou expansão de investimentos, estarão sendo cumpridas. Esclareço que aqui não se fala em comprovação imediata da aplicação das transferências. O que se quer dizer é que o papel do ente subvencionador não está restrito apenas a editar diploma legal concedendo a transferência mediante condições que ficarão apenas "no papel", submetidos unicamente à vontade do ente subvencionado. O diploma legal também deve dispor sobre mecanismos claros de controle e acompanhamento dos recursos transferidos. Não se fala em "carimbar o dinheiro", e que precisamente o recurso ingressado por meio de transferência seja aplicado na implantação/expansão do investimento. Não se fala em simultaneidade. Nada disso. O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Devese se identificar, mediante elaboração de um plano de contas os ativos que foram objeto de implementação ou expansão. Sim, a contabilidade se presta para refletir, com clareza e transparência, as mutações econômicas da empresa, ainda mais se tratando de um benefício fiscal dessa natureza. Dever de escrituração é obrigação do Contribuinte. Estabelecidas as premissas, passo para a análise do caso concreto. Tratase de analisar a natureza das subvenções concedidas pelo governo do Maranhão, Pará e Ceará para instalação de unidades fabris naqueles Estados. No que diz respeito à intenção dos entes público de que os recursos fossem aplicados na implantação das unidades fabris, a própria autoridade fiscal autuante aquiesceu a observância das legislações estaduais a esse prérequisito para que os incentivos em questão sejam considerados subvenções para investimento no que diz respeito à determinação das bases de cálculos de tributos federais. Contudo, salientou a autoridade fiscal autuante que o contribuinte se beneficiaria de tais benefícios muitos anos depois da construção e início de funcionamento dessas unidades, o que implicaria a inexistência de perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Além disso, os benefícios auferidos seriam em montante superior aos aplicados nas instalações efetivamente construídas naqueles três Estados. Fl. 3734DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.735 21 Pois bem, entendo não assistir razão à Fiscalização. Conforme já esclarecido nas premissas conceituais deste voto, “a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção”. Desse modo, não há que se falar em perfeita sincronia entre os investimentos realizados e os benefícios fiscais auferidos no caso de implantação de unidades fabris, pois, tratandose de benefícios que reduzem o valor do ICMS a recolher, há, por óbvio, que primeiro a fábrica ser construída, instalada e efetivamente iniciar sua operação para que os benefícios possam ser auferidos. Com a devida vênia, tal conclusão decorre de mera lógica, não havendo que se fazer grandes exercícios mentais para se concluir que o raciocínio levado a efeito pela autoridade fiscal inviabilizaria, no que diz respeito à sua classificação como subvenção para investimento, todo e qualquer benefício fiscal congêneres aos ora analisados. No que diz respeito ao controle da aplicação dos recursos por parte do ente subvencionador, as normas dos três Estados preveem com exatidão mecanismos de controle. A Recorrente apresentou, inclusive, os protocolos de intenções firmados, demonstrando as especificações dos empreendimentos a serem implantados e uma projeção dos investimentos a serem realizados. Anexou também comprovantes de monitoramente dos projetos incentivados, a saber: fl. 703: Resolução CONDEX/SINCOEX da Gerência de Estado de Desenvolvimento Econômico do Estado Maranhão habilitando a Recorrente ao incentivo fiscal em questão fixando prazo máximo de 12 anos e meio até atingir o valor estimado de R$ 198.974.100,00, limitado ao valor de sua implantação efetivamente comprovada; consta ainda à fl. 698 o Decreto Estadual nº 16.731/99, em seu artigo 17, determinava que o descumprimento das obrigações assumidas pela empresa ensejaria à perda do direito à subvenção e a obrigação de indenização àquele Estado5; fl. 711: Lei nº 6.489/2002 – Pará, prevendo sem seus artigos 15 e 17 punição à empresa em caso de descumprimento dos compromissos assumidos: suspensão e cassação do incentivo em caso de falta de regularização em prazo determinado (art. 15) e obrigação de ressarcir o Tesouro do Estado do Pará em valor correspondente aos benefícios 5 Art. 17 A empresa incentivada pelo SINCOEX terá o benefício cancelado no caso de falência, extinção e nas seguintes circunstâncias: [...] IV quando a empresa deixar de cumprir com as metas informadas na sua Carta Consulta de Habilitação apresentada ao CONDEX, na forma do art. 8º, Parágrafo Único, letra a). § 1º O cancelamento de que trata este artigo darseá por resolução do CONDEX. § 2º A empresa beneficiária do SINCOEX que tiver o financiamento cancelado obrigarseá, de acordo com disposições contratuais, a ressarcir ao SINCOEX, no prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da data de publicação da resolução do CONDEX, todo o valor já financiado, acrescido dos encargos financeiros de mercados, sem prejuízo do pagamento de quaisquer outras despesas previstas no contrato. § 3º' A empresa que tiver o financiamento cancelado não fará jus a novas operações do SINCOEX, diretamente, ou através de empresas coligadas, controladas, controladoras ou de outras em que qualquer dos seus sócios tenha participação majoritária. Fl. 3735DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.736 22 indevidamente recebidos (art. 17). Consta ainda às fls. 717721 o acordo firmado entre a Recorrente e o Estado do Pará obrigando a Recorrente a implantar localmente “uma unidade industrial integrada de fabricação de cervejas, refrigerantes, sucos, concentrados, conexos, insumos, material secundário e de embalagem, e de envasamento de água mineral, com capacidade de processamento de 2 milhões de hectolitros de produtos, sendo 1,5 milhão de cerveja e 0,5 milhão dentre outros produtos, como refrigerantes, sucos e água mineral”. Aquele acordo previu que “o empreendimento proposto corresponderá a investimentos da ordem de R$ 161.372.230,00 e à geração de 230 empregos diretos e 900 indiretos”; fls. 744 e 745: documentos emitidos pela Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará S.A. (Ofícios)6. Conforme se observa, além de atrelar o direito às subvenções ao cumprimento de investimentos significativos para instalação das unidades fabris em cada um dos Estados concedentes, havia não só mecanismos de controle como também penalidades específicas em caso de descumprimento dos acordos. No que diz respeito à argumentação da autoridade fiscal, corroborada pela decisão de primeira instância, de que o montante investido nos três Estados (R$ 385.148.518,00) foi inferior ao valor dos benefícios fiscais (pouco mais de R$ 466 milhões de acordo com dados extraídos das DIPJs 2009 a 2012), mais uma vez merecem prosperar as razões de irresignação da Recorrente. Na realidade, não houve qualquer averiguação, por parte do Fisco, para analisar as exclusões realizadas a título de doações e subvenções para investimento, realizando se análises globais, sem especificar o ocorrido em cada um dos benefícios usufruídos nos três Estados. A Recorrente cita como exemplo o Estado do Ceará, em que o investimento inicial estimado foi de R$ 133.776.288,00 e a subvenção recebida até o anocalendário de 2014 foi de R$ 98.515.901,27 (fls. 747749 – fichas do Razão Analítico). Em relação à alegação da decisão recorrida de que os documentos de fls. 226 228 teriam indicação de investimentos também em capital de giro e treinamento de pessoal, correta a afirmação da Recorrente de que tal demonstrativo referiase tão somente a demonstração de parte do investimento realizado até o final do ano de 2013, uma vez que os demonstrativos de fls. 7502629 demonstram que o total de investimentos realizados superou R$ 825.768.619,53, ou seja, valor equivalente a mais do que o dobro do subsídio percebido no período. Portanto: 6 O artigo 8º do Decreto Estadual nº 27.040/03, que regulamentava o Fundo de Desenvolvimento Industrial do Estado do Ceará – FDI, estabeleceu mecanismos de fiscalização das empresas incentivadas. Vejase: Art. 8º [...] § 5º As empresas beneficiárias do FDI, ficam obrigadas a preencher o formulário de pesquisa anual a ser aplicado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará IPECE, relativamente a dados como mão de obra, taxa de investimento, mercados, inovações tecnológicas e realização de infraestrutura. Já o art. 61 desse Decreto dispôs sobre a obrigação de devolução da subvenção na hipótese de encerramento das atividades do empreendimento incentivado: Art. 61. A paralisação das atividades de empresas beneficiárias ou o encerramento de suas atividades no Estado do Ceará implicará na rescisão automática do contrato, devendo o Banco do Estado do Ceará S.A. BEC ou outro agente financeiro oficial indicado por ato do Poder Executivo promover as medidas legais cabíveis para a restituição do crédito concedido, com os devidos acréscimos legais. Fl. 3736DF CARF MF Processo nº 15563.720287/201665 Acórdão n.º 1301003.361 S1C3T1 Fl. 3.737 23 superada a questão da “perfeita sincronia” entre incentivos fiscais que somente podem ser percebidos após o início de operação das novas unidades fabris – e os investimentos efetivamente realizados pela Recorrente que foram acordados entre a ela e os Estados Membros; na comprovação da existência de efetivos controles estatais sobre os valores investidos, inclusive com previsões legais de sanção e devoluções de eventuais incentivos recebidos indevidamente; na ausência de aprofundamento do procedimento fiscal no exame individual do montante de investimento realizado nos Estados do Maranhão, Ceará e Pará, com conclusão baseada em valores globais e em bases equivocadas; e, tendo em vista os documentos acostados aos autos que demonstram que os valores investidos foram absolutamente superiores aos benefícios fiscais auferidos no mesmo período; independentemente da análise dos efeitos das alterações realizadas na Lei nº 12.973/2014, trazidos pela Lei Complementar nº 160, resta evidente que os valores recebidos pela Recorrente subsumemse ao conceito de subvenções para investimento, e, considerandose que a autoridade fiscal não apontou qualquer equívoco do ponto de vista do registro contábil desses valores ou eventual distribuição dos lucros daí advindos, a exigência não se sustenta, devendo ser integralmente cancelada. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 3737DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002448/2004-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, desde que devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, desde que devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 24 48 /2 00 4- 89 Fl. 105DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 13/20) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2001 (efls. 52/55), onde se apurou: Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 4.320,00 por falta de comprovação. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/12), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 79/81): 1 Pagamento do imposto de renda. É indevida a cobrança do imposto já declarado e pago em seis quotas de R$ 397,97, totalizando R$ 2.387,82, conforme DARFs em anexo. 2 Retenção do imposto responsabilidade tributária por substituição. A impugnante celebrou, desde 1996, contrato de locação com as Casas Berger, onde foi pactuado o valor mensal do aluguel em R$ 2.700,00, conforme se verifica dos recibos de pagamento em anexo, recibos estes nos quais consta a retenção do imposto de renda na fonte realizada pela locatária. Os rendimentos decorrentes de aluguéis de bens imóveis a pessoas jurídicas estão sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte, que se dará por ocasião de cada pagamento. Da legislação tributária (arts. 45 e 121 do CTN; arts. 620, §§ 1° e 2°, e 631, do RIR/1999; e Parecer Normativo n° 01/1995), da lição do tributarista Hugo de Brito Machado e das jurisprudências judicial e administrativa, conforme citado em sua peça de defesa, emerge a obrigação legal da fonte pagadora, no caso a Casas Berger, reter na fonte o imposto de renda sobre o pagamento dos aluguéis. Uma vez não o fazendo, será a responsável pelo ônus do imposto, haja vista ser o responsável tributário. 3 Impossibilidade de aplicação da multa de ofício. Em se entendo que os valores percebidos na reclamatória trabalhista supra mencionada são tributáveis pelo imposto de renda, é obrigação legal da fonte pagadora a retenção do referido imposto, haja vista ser a responsável por substituição, nos moldes do artigo 121 do Código Tributário Nacional, conforme exaustiva fundamentação supra citada.” Não sendo sequer o impugnante responsável pelo recolhimento do tributo, como pode ser penalizado por não fazêlo? Qual dispositivo de lei foi violado, considerando inexistir norma determinando ser o responsável pelo recolhimento, e sim justamente o contrário?” Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11543.002448/200489 Acórdão n.º 2002000.610 S2C0T2 Fl. 106 3 “Tais indagações são suficientes para abstrair do presente Auto de Infração a multa de oficio.” Consta ainda do relatório do acórdão recorrido que, em atendimento ao que foi solicitado pela DRJ, a contribuinte foi intimada a apresentar cópia autenticada do contrato de locação firmado com a pessoa jurídica locada, mas não se manifestou dentro do prazo concedido. Posteriormente a autoridade fiscal manifestouse nos seguintes termos: Trata o presente processo de Impugnação de Auto de Infração IRPF, encaminhado pela DRJ/JFA/1ª Turma, através do Despacho 32/2008, de fls. 56, solicitando Diligência junto à fonte pagadora, CASAS BERGER, CNPJ 27.552.587/000602, para que comprove a existência de contrato de locação com a contribuinte acima identificada, no anocalendário 2000, bem como pagamento de aluguéis, com retenção na fonte. Foi emitido Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 17/10/2008, e encaminhado, via postal, às Casas BERGER, no endereço constante no CNPJ. A correspondência foi devolvida ao remetente em 28/10/2008, tendo sido informado pela EBCT que a empresa “mudouse". Tendo em vista a informação acima encaminhei a Intimação ao estabelecimento matriz, no endereço constante do CNPJ 27.552.587/000106 e concomitantemente procedi a Intimação da empresa, na pessoa do sócio responsável, Sr. Geraldo Berger, no endereço constante da base CPF, conforme AR (...), ambos datados de 10/11/2008. O prazo estabelecido foi vencido sem o devido atendimento. Em pesquisa nos sistemas da RFB foi localizado o contador das Casas BERGER, na época, o Sr. Laudelino Bono, e através de contato telefônico com seu empregado, obtivemos o endereço do escritório de contabilidade, para o qual foi enviado o Termo de Intimação Fiscal, que foi recebido em 20/01/2009, conforme AR, porém não houve atendimento até a presente data. Isto posto e considerando: Que o domicílio fiscal da fonte pagadora não foi alterado até a presente data; Que no CNPJ da fonte pagadora consta declaração de INATIVA, no exercício de 2004; Que não consta entrega de declaração da fonte pagadora após o exercício de 2004; Que foram esgotados todos os meios, disponibilizados nos sistemas da RFB, para contato com a fonte pagadora; Que não houve, até a presente data, atendimento aos Termos de Intimação Fiscal emitidos; Fl. 107DF CARF MF 4 Proponho o encaminhamento do presente processo à DRJ/JFA/1ª Turma, para conhecimento dos fatos acima e demais procedimentos. O lançamento foi julgado procedente em parte pela 4ª Turma da DRJ/JFA (e fls. 78/85), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. MORA. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. Sobre o imposto suplementar decorrente da glosa do valor do imposto retido ou pago, deve ser aplicada a multa de mora prevista no art. 61, caput, da Lei n° 9.430, de 1996. MULTA. PERCENTUAL A SER APLICADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade, cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Cientificada do acórdão de primeira instância em 13/04/2009 (efls. 90), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 12/05/2009 (efls. 92/100) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que o imposto a pagar de R$ 2.387,82 apurado em sua DIRPF do ano calendário 2000 foi quitado através de 6 parcelas de R$ 397,97, conforme DARF anexados, sendo absolutamente desarrazoada a pretensão arrecadatória. Discorre sobre a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e pelo recolhimento do imposto de renda e apresenta legislação, doutrina e jurisprudência sobre o tema. Alega que celebrou, desde 1996, contrato de locação com as Casas Berger, onde foi pactuado o valor mensal do aluguel em R$ 2.700,00, conforme se verifica dos recibos de pagamento em anexo, os quais indicam a retenção do imposto de renda na fonte realizada pelo locatário. Voto Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11543.002448/200489 Acórdão n.º 2002000.610 S2C0T2 Fl. 107 5 Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame do Auto de Infração verificase que a autoridade fiscal considerou indevida a dedução de IRRF de R$ 4.320,00 declarada pela contribuinte por falta de comprovação. Em sua defesa a interessada ratifica o valor informado e apresenta recibos de aluguéis a fim de suprir a pendência apontada no lançamento (efls. 42/45). O julgamento de primeira instância manteve a infração apurada com base nas seguintes razões de decidir, as quais acompanho: Quanto à retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de aluguéis e, não, oriundos de reclamatória trabalhista, não consta no presente processo nenhuma documentação comprobatória de que tal fato tenha ocorrido. Os recibos de fls. 30/31 não socorrem a peticionária, pois, foram passados, SMJ, por ela mesma, nãoobstante não constar deles a necessária assinatura e identificação da recebedora. Não são, dessa forma, documentos hábeis para o fim pretendido pela impugnante. Mesmo sendo a prova da retenção do imposto na fonte, na espécie, uma obrigação da contribuinte, esta DRJ houve por bem baixar o processo em diligência na tentativa de solucionar o litígio, 0 que resultou improfícuo, conforme já relatado. De toda sorte, a prova cabe ã impugnante, repisese, a qual, não possui, SMJ, sequer o contrato de locação com a pessoa jurídica a que já se fez referência. Essa é a conclusão que se extrai dos presentes autos. A autuada argumenta, de outro lado, que o imposto de renda incidente sobre os rendimentos em questão é de responsabilidade da fonte pagadora. De fato está patente, na legislação tributária em vigor, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre os rendimentos em questão. Nesse ponto tem razão a impugnante. Contudo, no presente caso, é necessário averiguar se efetivamente ocorreu a retenção do tributo. A Fiscalização, após consultar os sistemas de controle de dados da Receita Federal, conforme tela de fl. 61, constatou a ausência de informações prestadas em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, do anocalendário de 2000, tendo a contribuinte como beneficiária do imposto de renda na fonte, no valor de R$ 4.320,00, lançado na DIRPF/200] auditada. Intimada a apresentar os comprovantes fornecidos pela fonte pagadora, a contribuinte não atendeu à autoridade fiscal, segundo se infere do Demonstrativo das Infrações de fl. 18, c/c a tela de fl. 62. Fl. 109DF CARF MF 6 Extraise do art. 87 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, que a compensação de IRRF somente é permitida se os rendimentos correspondentes forem incluídos na base de cálculo do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual e se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Assiste razão à recorrente quanto à alegação de que a responsabilidade pela retenção do imposto pertence à fonte pagadora. Não obstante, para fazer jus à dedução, cabe ao contribuinte demonstrar que o imposto declarado foi efetivamente retido e que este está incluído nos rendimentos correspondentes oferecidos à tributação no Ajuste Anual, o que não ocorreu no presente caso. Cumpre ressaltar que, mesmo após a intimação realizada pela DRJ e a ciência do acórdão proferido pela mesma, a interessada não apresentou qualquer outro documento complementar a fim de demonstrar a efetiva retenção do imposto pela fonte pagadora, não cabendo, por conseguinte, o restabelecimento da dedução correspondente Por fim, devese esclarecer à recorrente que o recolhimento efetuado por ocasião da apresentação de sua Declaração de Ajuste Anual poderá ser utilizado na fase de cobrança para abater o crédito tributário apurado no lançamento, salvo se alocado para quitação de outros débitos porventura existentes. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11339.720231/2016-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 23/12/2013
DECLARAÇÃO FINAL DE ESPÓLIO. PRAZO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA.
O prazo para pagamento do imposto apurado na transferência de bens a valor de mercado era de trinta dias contados da data da lavratura da escritura pública da partilha.
Tendo sido o recolhimento efetuado fora do prazo, a multa de mora é devida.
Numero da decisão: 2002-000.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 23/12/2013 DECLARAÇÃO FINAL DE ESPÓLIO. PRAZO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. O prazo para pagamento do imposto apurado na transferência de bens a valor de mercado era de trinta dias contados da data da lavratura da escritura pública da partilha. Tendo sido o recolhimento efetuado fora do prazo, a multa de mora é devida.
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GANHO DE CAPITAL. TRANSFERÊNCIA POR SUCESSÃO. MULTA DE MORA Recorrente ROSELI GONÇALVES BARISCH Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 23/12/2013 DECLARAÇÃO FINAL DE ESPÓLIO. PRAZO DE PAGAMENTO. MULTA DE MORA. O prazo para pagamento do imposto apurado na transferência de bens a valor de mercado era de trinta dias contados da data da lavratura da escritura pública da partilha. Tendo sido o recolhimento efetuado fora do prazo, a multa de mora é devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 9. 72 02 31 /2 01 6- 11 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11339.720231/201611 Acórdão n.º 2002000.476 S2C0T2 Fl. 66 2 Relatório Tratase de recurso do representante legal do espólio da contribuinte em face do Acórdão nº 0134.772 da DRJ/BEL (fls.44/50), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte contra o Despacho Decisório DRF/CTA/SEORT/EQPEF nº 50, de 2017, que indeferiu seu pedido de restituição (fls.34/35). A recorrente buscou a restituição do valor de R$11.833,58, pago a título de juros e multa de mora no recolhimento de imposto de renda sobre ganho de capital na transferência de bens aos herdeiros. O despacho decisório indeferiu o pleito, apontando que os acréscimos seriam devidos uma vez que o vencimento do tributo ocorreu em janeiro de 2014 e foi pago apenas em abril de 2014. Cientificado dessa decisão em 1/2/2017, o representante legal do espólio apresentou, em 2/3/2017, a manifestação de inconformidade de fls.39/41, argumentando que: a Lei n° 9.532, de 10/10/1997, determinaria que o término do prazo para pagamento do IRPF acompanha aquele estipulado para a entrega da declaração final de espólio, conforme redação dada pelo art. 10 da Lei n° 9.779/99. O pagamento teria se dado dentro desse prazo e, portanto, ele faria jus à restituição dos juros e multa de mora pagos. a Instrução Normativa RFB n° 897, de 2008, iria contra um artigo expresso da lei que ela deveria regulamentar e portanto seria ilegal e não pode seria considerada para justificar uma cobrança indevida de multa por atraso, já que segundo a lei não houve atraso no pagamento do imposto. No acórdão já mencionado, a 2ª Turma da DRJ/BEL julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, sem reconhecimento do direito creditório. Cientificado da decisão em 11/10/2017 (fl.52), o recorrente formalizou seu recurso em 9/11/2017 (fl.55), alegando, em síntese (fls.56/60): estaria desistindo da restituição dos juros moratórios, mas requerendo a restituição da multa de mora recolhida. o recolhimento efetuado em 10/4/2014 teria se dado dentro do prazo legal, considerando as disposições da Lei nº 9.532, de 1997 e ainda que a escritura foi lavrada em 23/12/2013. as IN SRF os 81 e 84, ambas de 2001, estipulariam o prazo para pagamento do IR incidente sobre o ganho de capital até a data fixada para entrega da declaração final do espólio. A IN SRF nº 81 teria sido alterada pela IN SRF nº 897, de 2008, mas a IN nº 84, de 2001, não teria sido objeto de alteração. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11339.720231/201611 Acórdão n.º 2002000.476 S2C0T2 Fl. 67 3 apenas com a edição da IN RFB nº 1.620, de 2016, o prazo para recolhimento do imposto teria sido uniformizado pelas normas. a alteração trazida pela IN RFB nº 1.620, de 2016, na IN RFB nº 81, de 2001, teria caráter interpretativo e, a teor do artigo 106, inciso I, do CTN, aplicariase a fato ou ato pretérito à sua vigência, excluindose a aplicação de penalidade. a decisão recorrida apontaria que o prazo para pagamento do imposto coincide com o da entrega da declaração final de espólio, para, em seguida, que, no caso concreto, as datas, para pagamento e para entrega da declaração, seriam diferentes. o valor da multa recolhida não estaria alocado nos sistemas da RFB, como consigna o extrato de fl. 59 desses autos, o que, no seu entendimento, demonstraria o direito a ter o valor da multa, de R$10.490,77, restituído. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre o pedido de restituição da multa de mora paga pelo espólio por ocasião do recolhimento do IR incidente sobre ganho de capital apurado na transferência de bens aos herdeiros, em 10/4/2014. O representante legal do espólio alega que teria até 30/4/2014, prazo para entrega da Declaração Final de Espólio, para efetuar o recolhimento, fazendo jus a ter restituída o valor da multa de mora recolhida por equívoco. A decisão recorrida aponta que a partilha finalizou em 23/12/2013, sendo o prazo final para recolhimento do IR em questão janeiro de 2014. Tendo sido efetuado em abril de 2014, a decisão conclui que os juros e a multa de mora seriam devidos, indeferindo o pleito de restituição. Inicialmente, cabe esclarecer que o fato de a tela do sistema da RFB, à fl. 59, apontar que a parcela relativa à multa de mora estaria disponível não seria indicativo do seu alegado direito creditório. Tratase de questão atinente ao sistema de controle do crédito tributário pela RFB, não sendo determinante para o deslinde da lide que aqui se analisa. Nesse sentido, cabe examinar a legislação de regência da matéria. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11339.720231/201611 Acórdão n.º 2002000.476 S2C0T2 Fl. 68 4 Pertinente trazer os dispositivos vigentes à época e já reproduzidos na decisão recorrida: Lei nº 9.532, de 1997 Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. § 2o O imposto a que se referem os §§ 1o e 5o deverá ser pago: (Redação dada pela Lei nº 9.779, de 1999) I pelo inventariante, até a data prevista para entrega da declaração final de espólio, nas transmissões mortis causa, observado o disposto no art. 7o, § 4o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995; (Incluído pela Lei nº 9.779, de 1999) Lei nº 9.430, de 1995 art. 7º ... ... § 4º Homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, deverá ser apresentada pelo inventariante, dentro de trinta dias contados da data em que transitar em julgado a sentença respectiva, declaração dos rendimentos correspondentes ao período de 1º de janeiro até a data da homologação ou adjudicação. Assim, segundo os dispositivos legais reproduzidos, resta evidenciado que o pagamento do imposto em questão deve se dar em 30 dias contados da data em que transitar em julgado a sentença da partilha. As disposições sobre declarações de espólio encontramse disciplinadas pela RFB na IN SRF nº 81, de 2001, que, à época dos fatos narrados, previa: Art. 6º A Declaração Final de Espólio deve ser apresentada até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subseqüente ao: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) I da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados, que tenha transitado em julgado até o Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11339.720231/201611 Acórdão n.º 2002000.476 S2C0T2 Fl. 69 5 último dia do mês de fevereiro do anocalendário subseqüente ao da decisão judicial; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) II 60 (sessenta) dias contados da data do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados, nas demais hipóteses. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) II 60 (sessenta) dias contados da data do trânsito em julgado, quando este ocorrer a partir de 1º de março do anocalendário subseqüente ao da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 805, de 28 de dezembro de 2007) II da lavratura da escritura pública de inventário e partilha; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) III do trânsito em julgado, quando este ocorrer a partir de 1º de março do anocalendário subseqüente ao da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) § 1º A Declaração Final de Espólio deve ser transmitida pela Internet ou apresentada, em mídia removível, nas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1150, de 29 de abril de 2011) § 2º O contribuinte deverá utilizar o Programa Gerador da Declaração Final de Espólio do anocalendário correspondente ao que for proferida a decisão judicial ou a lavratura da escritura pública, que estará disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet no endereço . (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) ... Art. 10. A transferência dos bens e direitos aos herdeiros ou legatários pode ser efetuada pelo valor constante na última declaração de bens e direitos apresentada pelo de cujus ou pelo valor de mercado. .... § 2º Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na última declaração do de cujus ou do custo de aquisição, referido no § 1º, a diferença constitui ganho de capital tributável, sujeito à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento. § 3° A opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11339.720231/201611 Acórdão n.º 2002000.476 S2C0T2 Fl. 70 6 § 4º Na hipótese do § 2º, o inventariante deve apurar o ganho de capital por meio do Programa Demonstrativo de Ganhos de Capital do anocalendário correspondente ao que for proferida a decisão judicial ou lavratura da escritura pública e importar os respectivos dados para a Declaração Final de Espólio. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) § 5º O imposto devido sobre ganho de capital de que trata este artigo deve ser pago pelo inventariante até 30 (trinta) dias do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação ou lavratura da escritura pública. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) (destaques acrescidos) Portanto, no período em tela, no uso da sua atribuição de disciplinar a matéria, a RFB adotou um novo prazo para cumprimento da obrigação acessória da entrega da declaração final de espólio, presumo que por questões operacionais, já que se adotou o prazo de entrega previsto para todos os contribuintes, buscando unificar os procedimentos de entrega de declarações do IRPF. Entretanto, quanto ao prazo para cumprimento da obrigação principal, foi mantida a determinação de pagamento do imposto em até 30 dias do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, como se verifica dos dispositivos já transcritos. Claramente não são normas interpretativas como se defende no recurso interposto. São normas atinentes a obrigatoriedade e prazos para entrega da declaração de espólio e para pagamento do imposto devido, entre outras disposições. São pontos que vão sendo modificados pelo Fisco ao longo do tempo e que cabe a cada contribuinte observar aqueles que estão vigentes por ocasião da ocorrência do fato gerador. Vejase que a IN SRF nº 84, de 2001, dispõe de forma geral sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas física e, no tocante a situação destes autos, aponta que o pagamento deveria se dar até a data prevista para a entrega da declaração final de espólio (artigo 30, §3º, inciso III). Entretanto, como já apontado acima, nas disposições específicas sobre o tema, na já mencionada na IN SRF nº 81, de 2001, consta expressa a alteração do prazo para cumprimento da obrigação acessória, mas não da obrigação principal, de recolhimento do IR devido. A RFB, à época, orientava no Manual de Perguntas e Respostas IRPF 2013, disponível no sítio da instituição: 106 — Qual é o tratamento tributário aplicável à transferência de bens e direitos a herdeiros ou legatários? Estão sujeitas à apuração do ganho de capital as operações que importem transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortis, a herdeiros e legatários, quando a transferência dos referidos bens e direitos for efetuada por valor de mercado, desde que este seja superior ao valor, observada a Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11339.720231/201611 Acórdão n.º 2002000.476 S2C0T2 Fl. 71 7 legislação pertinente, constante da última declaração do de cujus. Nesse caso, a opção é informada na Declaração Final de Espólio, sendo este o contribuinte do imposto. O imposto deverá ser pago pelo inventariante até 30 (trinta) dias do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação ou lavratura da escritura pública. Ver Lei nº 9532, de 1997, art. 23 No caso de transferência pelo valor constante na última declaração de bens do de cujus, não há ganho de capital a ser apurado. (Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23, § 2º, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999; Instrução Normativa SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001, art. 10; Instrução Normativa SRF nº 84 de 11 de outubro de 2001, arts. 3º, inciso II, 20) (destaques acrescidos) Tal orientação se manteve no Manual de Perguntas e Respostas IRPF 2014 (item 106) e no de 2015 (item 107), só vindo a ser alterada no manual do IRPF 2016 (item 105), em decorrência da alteração das disposições aplicáveis ao caso. Dessa feita, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 71DF CARF MF
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