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Numero do processo: 35464.004483/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2005
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação os fatos geradores relativos aos administradores não cotistas e para que a multa seja recalculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Ausência momentânea: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2005 NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação os fatos geradores relativos aos administradores não cotistas e para que a multa seja recalculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Ausência momentânea: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 44 83 /2 00 5- 61 Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 2302003.492 S2C3T2 Fl. 3 2 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória nº 35.787.3980, lavrado em 15/12/2005, em face C & C CASA E CONSTRUÇÃO LTDA., no valor de R$ 910.084,20 (novecentos e dez mil e oitenta e quatro reais e vinte centavos), em virtude da apresentação pela empresa de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – Fundamento Legal AI 68 , no período de 01/01/2002 a 31/08/2005. Segundo o Relatório Fiscal, não foram informados em GFPIs: os serviços prestados por cooperativas e por contribuintes individuais (contribuição recolhida, porém não informada); as diferenças de contribuições relativas aos administradores não cotistas da sociedade por cotas de responsabilidade Ltda., diferença de 1% na alíquota RAT filial 0030; e prêmios pagos a segurados empregados não integrantes do salário de contribuição (créditos apurados na NFLD 35.787.3998). Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls.25/1351), e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), diante da alegação da Recorrente de ter corrigido sua falta, converteu o julgamento em diligência, para que a fiscalização se manifestasse conclusivamente a respeito de quais itens foram corrigidos, para se fosse o caso, a relevar parcialmente a multa aplicada. Em resposta, conforme despacho de fls. 1357, a fiscalização informa que a empresa corrigiu a falta em relação aos contribuintes individuais e cooperativas de trabalho. Desta feita, procedeuse ao julgamento mantendose o lançamento, através de Acórdão de fls. 1362 e seguintes, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2005 Documento: AI n.° 35.787.3980, de 15/12/2005 Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 2302003.492 S2C3T2 Fl. 4 3 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração legislação previdencidria. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA RELEVAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DA MULTA EM ALGUMAS COMPETÊNCIAS. A multa aplicada será relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Para fins de relevação ou atenuação da multa, cada competência em que houve entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, corresponde a uma ocorrência. A entrega, pelo autuado, de GFIP informando parte dos fatos geradores, relacionados no Relatório Fiscal, omitidos na competência implica a atenuação ou relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdencidrias relativas aos fatos geradores informados, exceto a diferença entre o valor total relativo ã. contribuição não declarada e o,limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. COM RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA Lançamento Procedente A decisão foi submetida a recurso de ofício, dado o montante reduzido do Crédito Tributário. Tal recurso não foi conhecido, posto que na pendência de seu julgamento adveio a Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 que passou a exigir para a interposição do recurso de oficio a exoneração do sujeito passivo de valor total superior a R$ 1.000.000,00, e o montante tratado no presente caso era inferior àquele. O contribuinte, por sua vez, interpôs Recurso Voluntário tempestivo (fls 1378/1386), alegando, em síntese que: a) Deve ser aplicada a penalidade mais benéfica vez que a penalidade pela suposta infração cometida pela Recorrente foi revogada pela Lei n.° 11.941/2009 que estipulou outra em montante muito inferior e, tendo o ato não sido definitivamente julgado, imperiosa a aplicação da norma mais benéfica ao presente caso, b) Em se tratando das diferenças de contribuição relativas a administradores não cotistas da sociedade por cotas de responsabilidade limitada, verifica se que a Recorrente sagrouse vencedora nos autos da NFLD n.° 35.787.3998, no tocante as competências de janeiro de 2003 e posteriores, razão pela qual não há que se falar na manutenção da multa pelo não preenchimento da GFIP posto que obrigação acessória não pode Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 2302003.492 S2C3T2 Fl. 5 4 subsistir sem a principal, motivo pelo qual, uma vez cancelada a obrigação principal, no que tange as competências de janeiro de 2003 e seguintes, a obrigação acessória também deve ser cancelada. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do preenchimento da GFIP no que concerne às contribuições relativas a administradores não cotistas da sociedade por cotas de responsabilidade limitada Aduz a contribuinte que sagrouse vencedora nos autos do Processo Administrativo n.° 35464.000044/200741, Debcad 35.787.3998, no tocante as competências de janeiro de 2003 e posteriores, referente às diferenças de contribuição relativas a administradores não cotistas da sociedade por cotas de responsabilidade limitada, razão pela qual não há que se falar na manutenção da multa pelo não preenchimento da GFIP. Em consulta ao sítio eletrônico do CARF, verificouse que a informação acima é procedente, logo não há como subsistir a obrigação acessória sem a principal. Portanto, nesse sentido devem ser excluídas do presente lançamento os valores relativos a contribuição dos administradores não cotistas que deixaram de ser informadas em GFIP. Da aplicação de penalidade benéfica Segundo a recorrente, deve ser aplicada a penalidade mais benéfica vez que a penalidade pela suposta infração cometida pela Recorrente foi revogada pela Lei n.° 11.941/2009 que estipulou outra em montante muito inferior e, tendo o ato não sido definitivamente julgado, imperiosa a aplicação da norma mais benéfica ao presente caso. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 2302003.492 S2C3T2 Fl. 6 5 No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 2302003.492 S2C3T2 Fl. 7 6 seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 2302003.492 S2C3T2 Fl. 8 7 Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e LHE DOU PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento a contribuição dos administradores não cotistas que deixaram de ser informadas em GFIP, bem como para que seja aplicada ao lançamento a multa do art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2014.06 de novembro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003829/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há cerceamento de defesa se o contribuinte apenas alega movimentações financeiras de outras empresas sem apresentar um mínimo de indícios com documentos de fácil produção.
LUCRO ARBITRADO. RECEITAS OMITIDAS. MULTA QUALIFICADA.
O contribuinte que deixa de fornecer informações de movimentação financeira da empresa sem qualquer justificativa legal para a omissão em DIPJ está sujeito ao lucro arbitrado com imposição da multa qualificada.
Numero da decisão: 1202-001.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que constam do presente acórdão. ]
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
GERALDO VALENTIM NETO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa se o contribuinte apenas alega movimentações financeiras de outras empresas sem apresentar um mínimo de indícios com documentos de fácil produção. LUCRO ARBITRADO. RECEITAS OMITIDAS. MULTA QUALIFICADA. O contribuinte que deixa de fornecer informações de movimentação financeira da empresa sem qualquer justificativa legal para a omissão em DIPJ está sujeito ao lucro arbitrado com imposição da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que constam do presente acórdão. ] (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) GERALDO VALENTIM NETO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 29 /2 00 7- 77 Fl. 4979DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003829/200777 Acórdão n.º 1202001.243 S1C2T2 Fl. 4.980 2 Relatório FRIBAI – FRIGORIFERO VALE DO AMAMBAI LTDA. recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) relativos aos anoscalendários de 2002 e 2003. 1. Procedimento de Fiscalização e Auto de Infração A Recorrente foi submetida a procedimento fiscal iniciado em 14/02/2007, quando foi intimada a apresentar, entre outros, os livros contábeis e fiscais, arquivos magnéticos e os extratos bancários. A Recorrente pediu prorrogação do prazo em 02/03/2007 e, conforme relatado no voto do Ilmo. Relator da 6ª Turma do DRJ/SPOI, o representante da empresa não mais se manifestou, exceto para juntar uma cópia de Boletim de Ocorrência que narrava a ocorrência de um incêndio das dependências da empresa, mesmo após a lavratura de novo termo em 11/04/2007 solicitando mais uma vez toda a documentação. Em 03/05/2007, tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada, e passados quase três meses após a primeira intimação, foi lavrado o Termo de Embaraço à Fiscalização. A autoridade fiscal expediu então, diversas intimações às Instituições Bancárias para que elas fornecessem informações acerca das contas em nome da empresa. Com base nos extratos obtidos, a fiscalização intimou o contribuinte mais 8 vezes para que comprovasse os diversos créditos verificados em conta corrente (Termos de Intimação Fiscal nº 4 a 12). A Recorrente solicitou mais 30 dias para comprovar os valores constantes dos Termos de Intimação. A solicitação foi deferida. A autoridade intimou ainda mais uma vez a Recorrente em 29/10/2007 para que comprovasse os lançamentos em conta corrente constantes dos Termos de Intimação supramencionados. Em 12/12/2007, finalmente, houve o arbitramento do lucro da pessoa jurídica dos anoscalendários de 2002 e 2003, com base nos montantes constantes nos extratos bancários, sendo desconsideradas as transferências entre as contas de mesma titularidade, empréstimos, estornos de débitos, devoluções de TED, DOC e cheques, além de resgates de aplicações financeiras. Com base em planilha elaborada pela fiscalização contendo os valores depositados nas contas correntes (fls. 749/1096) foram então lavrados os autos de infração Fl. 4980DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003829/200777 Acórdão n.º 1202001.243 S1C2T2 Fl. 4.981 3 exigindo a diferença relativa ao IRPJ sobre o lucro arbitrado, além dos reflexos de CSLL, PIS e COFINS, multas de 75% para os valores informados em DIPJ e 150% nos casos em que omitidas (além da qualificação em razão do não atendimento aos Termos de Intimações), totalizando o valor de R$ 169.709.003,69 de Crédito Tributário exigido. 2. Do Recurso Voluntário interposto O Acórdão nº 1617.735, prolatado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento – São Paulo I, decidiu, por unanimidade, pela manutenção do lançamento (fls. 1420/1432), com ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 LUCRO ARBITRADO. O contribuinte optante pela tributação com base no lucro real que deixar de apresentar os livros contábeis exigidos pela legislação fiscal terá o seu lucro arbitrado, para fins de apuração do imposto de renda. RECEITAS OMITIDAS. A falta de comprovação da origem de valores creditados em conta corrente cria a presunção legal de que decorrem de receitas omitidas. COFINS, PIS e CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, tendo em vista que se originaram dos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente” A Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 3665/3677) alegando, em síntese, que: - haveria, preliminarmente, cerceamento de defesa por parte da DRJ/SPOI, pela não realização da Perícia Contábil requerida na Impugnação, em razão da destruição em incêndio dos arquivos magnético e quase a totalidade dos documentos relativos à contabilidade de todas as empresas componentes do grupo, uma vez que atendidos os requisitos do art. 16 do Decreto 70.235/72; - ocorrência de fato caracterizador da força maior, o que justificaria a não entrega dos documentos fiscais solicitados, em razão de incêndio, relatado e comprovado pelo “Boletim de Ocorrência e demais documentos pertinentes anexados na impugnação”, para que se admita o arbitramento do lucro sem, contudo, Fl. 4981DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003829/200777 Acórdão n.º 1202001.243 S1C2T2 Fl. 4.982 4 sanção pelo ato involuntário, qual seja, a imposição de multa e agravamento pelo embaraço à fiscalização; - houve equívoco no arbitramento do lucro com base na movimentação bancária da Recorrente, uma vez que a referida movimentação refletia movimento financeiro de outras empresas do grupo, não devendo, tais valores, compor a receita. Pede que o Recurso Voluntário seja julgado procedente para preliminarmente anular a decisão em primeira instância e determinar pela realização de perícia contábil e, caso não seja esse o entendimento, seja afastada a multa aplicada pela falta de apresentação dos documentos solicitados, nos termos do artigo 3º, da Portaria CORAT nº 36 de 25.10.2001, da Receita Federal do Brasil, bem como o afastamento do arbitramento do lucro com base na movimentação bancária da Recorrente, uma vez que não condizentes com o lucro obtido. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos do Decreto nº 70.235/72. PRELIMINAR Cerceamento do direito de defesa Reclama a Recorrente, em preliminar, que teria havido cerceamento do direito de defesa e consequente nulidade do Acórdão nº 1617.735. Porém, pelo que restou demonstrado nos autos, foi que houveram sucessivas intimações para entrega de documentos e prestação de informações, sem que tenham sido atendidas. A única informação prestada nos autos foi da ocorrência do incêndio que teria destruído a totalidade dos documentos fiscais da Recorrente e de todas as outras empresas do grupo, que teriam utilizado as contas correntes da autuada, em razão das melhores condições de crédito. Não se vislumbra no processo o alegado cerceamento em nenhuma fase processual já que durante a auditoria a autuada teve a oportunidade de apresentar todos os argumentos e documentos de defesa possíveis de produção para ao menos demonstrar qualquer indício ou justificativa necessários e não o fez. Fl. 4982DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003829/200777 Acórdão n.º 1202001.243 S1C2T2 Fl. 4.983 5 Foi oportunizado que a contribuinte demonstrasse a origem dos recursos creditados em contas correntes e apresentassem outros documentos que pudessem influenciar no lançamento tributário. Além disso, a Recorrente pede a produção de diligência para obtenção de prova consistente em perícia contábil, sem que aponte quais documentos seriam avaliados e esclarecedores para afastar a autuação a que combate. E, se de fato existe algo a ser verificado, a Recorrente haveria de ter apresentado ao menos amostras, indícios, para que se justificasse o pedido de perícia contábil, afinal a própria Recorrente às fls. 3671/3672 alega que a quase totalidade dos documentos relativos à contabilidade de todas as empresas do grupo foram destruídos, sem que tenha juntado um documento ou qualquer indício do que alega. Motivo pelo qual, nego a preliminar de nulidade do v. Acórdão por cerceamento de defesa. MÉRITO Aduz a Recorrente que por motivo de força maior é que deixou de apresentar os documentos requisitados pela autoridade fiscal. Contudo, não explica o motivo de ter deixado de responder às inúmeras intimações realizadas, sendo que em relação a todo o alegado em defesa administrativa e recurso voluntário, jamais fora demonstrado com quaisquer indícios ou documentos que poderiam ter sido trazidos aos autos. Como muito bem colocado no voto o I. Relator do acórdão a que se recorre às fls 3648/3649: “O contribuinte apenas alega que operações de outras pessoas jurídicas tiveram reflexo nas contas bancárias mantidas pelo interessado junto a instituições financeiras. A simples alegação não tem o condão de afastar a exigência tributária. O impugnante teria que ter acostado aos autos prova documental do alegado. Estas provas são de fácil produção e independem do incêndio ocorrido em suas instalações. Exemplificativamente, podemos citar comprovantes de depósitos bancários, DOC, TED, empréstimos bancários, extratos bancários, entre outros...” Portanto, ainda que o incêndio ocorrido justifique a perda de documentos fiscais, a absoluta ausência de qualquer indício que justifique o quanto alegado demonstra verdadeiro intuído de omitir a origem das receitas verificadas pela autoridade fiscal. Dessa forma, não há outra alternativa, senão reconhecer o dolo quanto à omissão de receita. Ainda, no mérito, aduz a Recorrente que houve equívoco no arbitramento do lucro com base na movimentação bancária, uma vez que tais movimentações se justificariam pelo movimento financeiro de outras empresas do grupo. Fl. 4983DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003829/200777 Acórdão n.º 1202001.243 S1C2T2 Fl. 4.984 6 Alegações essas que prescindem de algum tipo de comprovação. Ainda que não fosse possível pelos documentos fiscais, perdidos no incêndio, que fosse com as alegadas movimentações bancárias obtidas com simples extratos das contas de todas as empresas. Caberia à Recorrente juntar documentos, estabelecer uma correlação entre eles e os depósitos bancários, com demonstrativos e planilhas. Alega que tais movimentações estariam devidamente registradas nos livros da Recorrente e das empresas do grupo, sendo que justifica a não apresentação em decorrência do incêndio, em total desrespeito à lógica de suas próprias alegações, quer fazer parecer que existem provas a serem averiguadas por perito contábil sem têlas apresentado nas inúmeras oportunidades concedidas. Depósitos bancários para os quais o titular tenha sido intimado, de forma individualizada, para comprovar a origem – e não o faz – são considerados omissão de receita, com base no art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Consoante entendimento deste Conselho Administrativo em caso similar, abaixo destacado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em instituição financeira, em relação aos quais o titular, intimado, não comprove, a origem dos recursos utilizados. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação da escrita contábil exigida pela Lei, obrigada ao lançamento pelo lucro arbitrado. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Atendidos os requisitos do art. 59 do Decreto n. 70235/72, e proporcionadas plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade. PEDIDO DE PERÍCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal não existe previsão de oitiva de testemunhas. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A ocultação de volumosa movimentação de recursos, quadro social composto por interpostas pessoas somado a apresentação de declarações zeradas e de inatividade, caracteriza a conduta dolosa e evidencia o intuito de não pagar tributos. (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4984DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003829/200777 Acórdão n.º 1202001.243 S1C2T2 Fl. 4.985 7 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Acórdão nº 1302001.639 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 04 de fevereiro de 2015 – Processo nº 10950.726536/201215 – Relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva (grifouse) Como dito e bem observado pela fiscalização e pela 6ª Turma da DRJ/SPOI, tais condutas omissivas são dolosas e visam impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, o que evidencia o intuito fraudulento de não pagar tributo (art. 71 da Lei nº 4.502/64), sendo cabível, portanto, a aplicação da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento). Em face do exposto, rejeitase a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negase provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente os lançamentos efetuados. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 4985DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 28/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910071/2012-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 07 1/ 20 12 -7 9 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910071/201279 Resolução nº 3801000.873 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910071/201279 Resolução nº 3801000.873 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910071/201279 Resolução nº 3801000.873 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910071/201279 Resolução nº 3801000.873 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910071/201279 Resolução nº 3801000.873 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001337/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Erro material no dispositivo no acórdão do voto condutor
Acolhimento dos embargos de declaração sem efeitos infringentes para Rerratificar o voto negando provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 1401-001.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para sanar a contradição rerratificando o Acórdão embargado para negar-lhe provimento, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias que foi substituída pelo Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Erro material no dispositivo no acórdão do voto condutor Acolhimento dos embargos de declaração sem efeitos infringentes para Rerratificar o voto negando provimento ao recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para sanar a contradição rerratificando o Acórdão embargado para negar-lhe provimento, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias que foi substituída pelo Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para sanar a contradição rerratificando o Acórdão embargado para negarlhe provimento, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias que foi substituída pelo Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 13 37 /2 01 0- 14 Fl. 5804DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001337/201014 Acórdão n.º 1401001.298 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração contra acórdão que julgou improcedente o Recurso Voluntário do contribuinte. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo parte do relatório anterior: Iniciada a fiscalização da contribuinte, expediuse intimação para a apresentação de livros fiscais e contábeis, de extratos bancários, cópias dos documentos de créditos e débitos efetuados em suas contas bancárias, arquivos magnéticocontábeis na forma dos art. 265 a 267 do RIR, de 1999, nos formatos da IN SRF n° 86, de 2001 e ADE n° 15, de 2001, e comprovação da origem dos recursos movimentados nas contas bancárias. Foram apresentados os livros Registro de Entradas, de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Diário, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, Razão e planilha de movimentação financeira da pessoa física de Arcino Berto Filho, referente às contas n° 72544 (Banco Banespa), 21080 (banco Nossa Caixa) e 199974 (Bradesco). Analisando os livros apresentados verificouse que a contribuinte contabilizou os créditos efetuados nas contas correntes bancárias de Arcino Berto Filho (fls. 662 a 676) a débito da conta "CAIXA" (código 111010001) e a crédito da conta "EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS POR ARCiNO/ANDRÉA" (código 223010007), caracterizando supostos suprimentos de caixa da contribuinte efetuados pelos sócios. Sendo intimada, a contribuinte não comprovou a origem dos depósitos efetuado nas contas correntes dos sócios e apresentou nova escrituração contábil (anexada ao processo), com os mesmos vícios dos registros anteriores. Ficou comprovado que a contribuinte não contabilizou devidamente a movimentação financeira das contas bancárias, revelando simulações dos registros contábeis que representam 51,82% do total da citada movimentação. Em razão dos evidentes indícios de fraude, vícios e deficiências que tornaram a escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e determinar o lucro real, foi arbitrado o lucro da contribuinte nos moldes do art. 530, II, do RIR, de 1999. Foram lavrados os autos de infração, com exigência da multa de 150% sobre os tributos calculados com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. Foi lavrado,também, o Termo de Sujeição Passiva Solidária [...] Outrossim, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em síntese que não houve fraude, mas sim uma série de omissões da Receita Federal na análise das operações realizadas. Em face destes argumentos, a 4º Câmara/ 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, proferiu acórdão, assim emendado: Fl. 5805DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001337/201014 Acórdão n.º 1401001.298 S1C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta d depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. MULTA QUALIFICADA. PRECLUSÃO Impossibilidade de suscitar matéria não impugnada em sede de recurso voluntária. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Fl. 5806DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001337/201014 Acórdão n.º 1401001.298 S1C4T1 Fl. 5 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ocorre que quando da baixa do processo para cumprimento do acórdão, a DRF teve dificuldade para cumprir o julgado, alegando em síntese que o acórdão recorrido incorreu em contradição eis que há divergência entre a ementa no seu parágrafo 19 onde consta: “..dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator...” e o último parágrafo do voto que diz: “...afasto a preliminar e nego provimento ao recurso voluntário.” É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Primeiramente, os embargos são tempestivos, motivo pelo qual deles conheço nos termos da lei. A DRF sustenta haver contradição no acórdão embargado, argumentando que há divergência entre a ementa no seu parágrafo 19 onde consta: “..dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator...” e o último parágrafo do voto que diz: “...afasto a preliminar e nego provimento ao recurso voluntário.” Após a análise dos autos, entendo que merece amparo o pleito da DRF, ora Embargante. Da análise dos autos resta clara a existência de erro material na ementa do acórdão, devendo constar “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.” e não “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.” Deste modo, verificase que existe contradição na ementa do acórdão embargado, uma vez que o voto possui erro material, de modo que cabe correção da Ementa, como pretende a DRF, ora embargante. Portanto, conheço dos Embargos de Declaração opostos pela DRF, e acolho os mesmos para corrigir o acórdão em sua ementa, para substituir o dispositivo “dar provimento” para “negar provimento”. Fl. 5807DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001337/201014 Acórdão n.º 1401001.298 S1C4T1 Fl. 6 5 É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 5808DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 04/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 11516.001870/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. RECEITA DE VENDA DE CARVÃO MINERAL. INCIDÊNCIA DESDE NOVEMBRO DE 1999
As receitas auferidas por sociedades cooperativas advindas da venda de carvão mineral a terceiros sujeitam-se à incidência do PIS e da Cofins, para os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1999.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SOBRAS LÍQUIDAS DESTINADAS AO FUNDO DE RESERVA E AO FUNDO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ASSISTENCIAL E SOCIAL.
Como regra geral, as sociedades cooperativas podem excluir da base de cálculo da COFINS a parcela das sobras líquidas destinada à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Assistencial e Social.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. VALORES REPASSADOS AOS ASSOCIADOS.
É permitida a exclusão dos valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
Recurso voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3202-001.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso em relação (a.1) aos valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa, que podem ser identificados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP's apresentadas; e (a.2) à parcela relativa às sobras que foram destinadas à constituição dos fundos a que se refere o art. 1º da Lei n° 10.676/2002, para todo o período objeto da autuação fiscal (anos 2000 a 2004); (b) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, em relação às demais matérias suscitadas. Em relação à matéria tratada sob o tópico "Da venda do carvão mineral para empresa geradora de energia elétrica", os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque votaram pelas conclusões.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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INCIDÊNCIA Recorrente COOPERATIVA DE EXTRAÇÃO DE CARVÃO MINERAL DOS TRABALHADORES DE CRICIÚMA (COOPERMINAS) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. RECEITA DE VENDA DE CARVÃO MINERAL. INCIDÊNCIA DESDE NOVEMBRO DE 1999 As receitas auferidas por sociedades cooperativas advindas da venda de carvão mineral a terceiros sujeitamse à incidência do PIS e da Cofins, para os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1999. SOCIEDADES COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SOBRAS LÍQUIDAS DESTINADAS AO FUNDO DE RESERVA E AO FUNDO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ASSISTENCIAL E SOCIAL. Como regra geral, as sociedades cooperativas podem excluir da base de cálculo da COFINS a parcela das sobras líquidas destinada à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Assistencial e Social. SOCIEDADES COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. VALORES REPASSADOS AOS ASSOCIADOS. É permitida a exclusão dos valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Recurso voluntário parcialmente provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 70 /2 00 5- 25 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 567 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso em relação (a.1) aos valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa, que podem ser identificados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP's apresentadas; e (a.2) à parcela relativa às sobras que foram destinadas à constituição dos fundos a que se refere o art. 1º da Lei n° 10.676/2002, para todo o período objeto da autuação fiscal (anos 2000 a 2004); (b) por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, em relação às demais matérias suscitadas. Em relação à matéria tratada sob o tópico "Da venda do carvão mineral para empresa geradora de energia elétrica", os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração lavrado em 18/07/2005 (com ciência em 19/07/2005), para a cobrança da Cofins, juros de mora e multa de ofício sobre as receitas auferidas com a venda de carvão mineral, para os períodos de apuração 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, no montante de R$ 4.563.425,19. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Cuida o presente processo da lavratura de auto de infração (fls. 188 a 194) incluindo respectivos termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados (fls. 177 a 187, 196 a 205) , contra o sujeito passivo em epígrafe, cuja ciência se deu em 19/7/2005 (fl.188), sendo constituído crédito tributário relativamente à contribuição para financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativamente ao código Receita 2960 (COFINS LANÇAMENTO DE OFICIO), no valor de R$1.998.054,16, juros de mora (calculados até 30/6/2005) no valor de R$1.066.830,59, multa de ofício no valor de R$1.498.540,44 (fl. 188), cujos fatos geradores se referem a 31/3 a 31/12/2000, 31/1 a 31/12/2001, 31/1 a 30/12/2002, 31/1 a 31/12/2003, 31/1 a 31/12/2004; sendo que a descrição dos fatos e enquadramento legal constam discriminados, respectivamente, às fls. 188 a 191, 193 e 194. 2. Consta às fls. 4 e 5 que, em 3/3/2005, teve início a respectiva ação fiscal. E é relatado às fls. 197 a 205 que, em 18/7/2005, foi lavrado Termo de Encerramento e Fl. 576DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 568 3 Verificação Fiscal, parte integrante do referido auto de infração, cuja ciência se deu em 19/7/2005 (fl. 205). 3. Irresignado com o lançamento de que teve ciência em 19/7/2005 (fl. 188), o contribuinte apresentou, em 18/8/2005 (fl. 208), impugnação que consta às fls. 208 a 246, acompanhada dos documentos às fls. 247 a 406, 409 a 492, por meio da qual, em síntese, assim se manifesta, ipsis verbis: 3.1. Historia a impugnante às fls. 209 a 211 acerca da criação da Cooperativa de Extração de Carvão Mineral dos Trabalhadores de Criciúma (Cooperminas), com o propósito de esclarecer sua natureza jurídica. E assim consta o que segue: O auto de infração parte de uma premissa falsa, qual seja, a de que a sociedade fiscalizada é uma cooperativa de trabalho. A IMPUGNANTE não é cooperativa de trabalho para sujeitarse ao pagamento de COF1NS sobre o "total das receitas de prestação de serviços somadas as receitas financeiras". A Cooperminas é uma cooperativa de mineração ou de produção mineral. Dai serem inaplicáveis a si os argumentos de folhas 189 e 190 relativos às cooperativas de trabalho, especialmente a proibição de exclusão prevista no artigo 15, I da MP 2.15835, de 2001 e IN SRF 145/99, constante da resposta à pergunta 376 do Pergunta e Respostas Pessoa Jurídica 2004, da Receita Federal. A partir de uma falsa premissa o ilustre Auditor Fiscal chegou a conclusões equivocadas, admitindo apenas as exclusões previstas no artigo 2°. da Lei 9.718/98. Agiu com parcial acertamento ao admitir que através da Lei 10.312/2001 a alíquota das "empresas que têm a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, tiveram reduzida a zero por cento as alíquotas do PIS e COFINS, a partir de março de 2002." O auto de infração conclui singelamente que "como a empresa não recolheu as contribuições referentes aos períodos que antecederam a redução da alíquota, estamos exigindo através do lançamento de oficio, a contribuição devida e não paga.(folhas 1901). A Cooperminas foi criada por mineiros egressos da antiga CBCA Cia. Brasileira da Carbonifera de Araranguá, massa falida desde o ano de 1987. A massa falida da Cbca Cia. Brasileira Carbonífera de Araranguá, rescindiu os contratos de todos os seus empregados em 31/12/1997. A partir de então, os mineiros deixaram de ter patrão e organizaramse em uma cooperativa, denominada Cooperminas Cooperativa de Extração de carvão mineral dos trabalhadores de Criciúma Ltda. Deixou de haver subordinação. Apenas os trabalhadores, organizados em Cooperativa é que permaneceram com o comando total da atividade mineraria onde todos os trabalhadores continuam laborando. Ao contrário de diversas cooperativas fraudulentas que foram criadas por donos de empresas para pagarem menos impostos, a Cooperminas nasceu da organização dos próprios trabalhadores. Esteve assessorada no ato de sua organização pela Anteag Associação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Autogestão e teve o reconhecimento dos Ministro da Previdência e Assistência Social, Sr. Waldec Ornellas e Roberto Brant, como sendo cooperativa legítima. Os Ministros da Previdência, cada um ao seu tempo, receberam pessoalmente a Direção da Cooperminas e teceram elogios pela forma cooperativa de organização e bem fizeram lembrar das diferenças que existem entre uma cooperativa legalmente constituída e aquelas que vem proliferando com fins fraudatórios em todo o território nacional. A Cooperminas foi constituída em 1988, entretanto, jamais havia tido existência prática, até o ano de 1997, quando o Juízo da Falência (Massa Falida da CBCA) Fl. 577DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 569 4 pretendia arrendar a empresa para terceiros. Então, organizandose os trabalhadores fizeram valer o cooperativismo, e assumiram o controle da Massa Falida da Cbca, encerrando esta suas atividades. A Cooperminas tem sido exemplo para cooperativas que nascem em todo o Brasil. Sua experiência tem sido exposta para trabalhadores em diversos encontros nacionais. A COOPERMINAS não presta serviços para terceiros. São mineiros organizados em COOPERATIVA que trabalham na extração do carvão mineral. Foram os trabalhadores que fizeram o estatuto da COOPERMINAS. Os próprios trabalhadores formaram uma comissão e elaboram um "anteprojeto de reforma estatutária", após ampla discussão com algumas alterações, houve aprovação da Assembléia Geral dos trabalhadores. Mais tarde, os cooperados elaboraram e aprovaram o Regimento Interno da Cooperminas. Os cadernos com o texto foram distribuídos para todos os cooperados. Nas várias assembléias todos puderam manifestarse. Cada passo da Cooperminas, bem como o contrato realizado com a Massa Falida da CBCA que transferiu a exploração da reserva de carvão para a Cooperminas, foi acompanhado e aprovado pelo Juízo da Primeira Vara Cível da Comarca de CriciúmaSC. No dia 19/09/1997 foi realizada Assembléia Geral no auditório do Sindicato dos Mineiros de Criciúma, ocasião em que todos os então empregados da MFCBCA puderam manifestarse. 3.2. Consta, ainda, à fl. 211 que: Recentemente, a Cooperminas obteve a concessão de uma reserva de carvão mineral de 1.191,91 hectares, através da Portaria n. 57, de 8 de março de 2005, do Ministério de Minas e Energia, o que lhe propiciará uma sobrevida de mais 30 (trinta) anos, com a garantia de cerca de 700) setecentos postos de trabalho de seus associados. Ainda analisando preliminarmente os autos da ação fiscal, constatase que de fato a empresa não informou os créditos relativos aos PIS Nãocumulativo de dezembro de 2002 e janeiro de 2003, como intimada a fazer (folhas 08 e 198). Esclareceu, no entanto, conforme documento de folha 10, que não estaria sujeita a referida tributação e por isso seria incongruente apresentar créditos. O Auditor Fiscal concluiu que a IMPUGNANTE deverá recolher a contribuição sobre os fatos geradores anteriores a redução da alíquota a zero por cento, em relação ao faturamento decorrente da venda de carvão destinado à geração de energia elétrica. Após e antes da redução, deverá recolher a COFINS sobre a venda de carvão mineral a empresas não geradoras de energia elétrica. 3.3. Consta às fls. 212 a 222 o discorrimento sobre a ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICONORMATIVA DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS. 3.4. Consta às fls. 222 a 237 que a impugnante traz à baila comentários acerca do REGIME JURÍDICO DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS no Pais. 3.5. Consta às fls. 237 a 239 o seguinte arrazoado: [...] é possível concluir [...] sobre a INEXISTÊNCIA DE PRESSUPOSTO MATERIAL PARA A INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS em relação às cooperativas. Efetivamente. "quaisquer dos atos praticados pela cooperativa, em verdade, não representam uma receita ou um faturamento dela e sim, dos próprios cooperados." [...] Fl. 578DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 570 5 a cooperativa não têm receita bruta, base de cálculo da COFINS, na forma da Lei 9.718/98, faltando, portanto, pressuposto para a incidência da contribuição. É certo que para controle contábil, são utilizados termos próprios de outras formas de sociedades; até mesmo por imposição legal. Mas não decorre daí a CONOTAÇÃO JURÍDICA de "receita", "despesa", "faturamento" ou "resultado operacional" [...]. [...] As cooperativas, caso da IMUGNANTE, não têm receitas próprias. Os "ingressos financeiros" decorrentes de sua atuação quando presta serviços aos cooperados, na forma da Lei 5.764/71, são destinados aos cooperados, após quitação das despesas operacionais. Assim sendo, por inexistir pressuposto básico, ou seja, receita bruta é inviável exigir da IMPUGNANTE tributo que a tome como base de cálculo, como realizado pelo Auditor Fiscal em seu lançamento de oficio. 3.6. Consta, ainda, às fls. 239 que: O artigo 6°. da Lei Complementar 70 de 30 de dezembro de 1991, que instituiu a COFINS, estabelece a isenção desta contribuição em relação ás sociedades cooperativas [...]. [...] Consta do auto de infração que as cooperativas passaram a contribuir para a COFINS com base na receita bruta, "com o advento da Lei 9.718/98 e da MP 1.858 6/99 e posteriores" (folha 189). [...] 3.6.1. Consta que a impugnante pretendeu enriquecer sua argumentação, valendo se às fls. 239 a 241 de decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 2 Região. E, conforme sua alegação, o [...] Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, vem considerando que a revogação da isenção conferida pela Lei Complementar 70/91 somente poderia ocorrer por outra Lei Complementar e que a sua operação por Medida Provisória fere o princípio da hierarquia das leis. Digase desde já que qualquer outro raciocínio, que leva a interpretação de que a Lei Complementar 70/91 tem status de lei ordinária não encontra lugar em nosso ordenamento [...] [fl. 239]. 3.6.2. À continuação de sua argumentação, consta às fls. 241 e 243 que: Evidentemente, por afrontar o princípio da hierarquia das leis, a revogação da isenção da COFINS e PIS às cooperativas, conferida por força da norma do artigo 146, III da Constituição Federal, que atribuiu à legislação complementar o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, não vigora. Permanece a isenção conferida pela Lei Complementar 70/91, ou seja, ainda que se conclua que as cooperativas produzam o fato gerador da COFINS, detenham receita ou faturamento, o fim da isenção não ocorreu porque operado por Medida Provisória. O artigo 246 da Constituição estabelece que é vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre I° de janeiro de 1995 até a promulgação desta emenda, inclusive. (NR) (Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional n" 32. de 11.09.2001. DOU 12.09.2001). Flávio Zanetti de Oliveira, em excelente estudo, explica que "é certo que o fundamento de validade para a cobrança da COFINS é, desde 12/98, a Emenda Constitucional 20, de 14.12.98, que alterou a redação, dentre outros dispositivos, do art. 195 da Constituição da República". Fl. 579DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 571 6 A alteração do artigo 195 da CF ampliou o rol de sujeitos passivos e modificou a base de cálculo da COFINS ("receita ou faturamento", art. 195, 1, b), criando nova fonte de custeio. A utilização de medida provisória para regulamentar dispositivo constitucional, como ocorre em relação a MP 18586/99 em relação ao artigo 195 da Constituição Federal fere frontalmente o artigo 246 da CF, sendo inconstitucional. De qualquer sorte, apenas em atenção ao princípio da eventualidade, pois a IMPUGNANTE não está sujeita ao pagamento da COFINS, nas sociedades cooperativas, por força do artigo 15 da MP 2.158/2001 e reedições posteriores, Ato Declaratório SRF 70/99 e Ato Declaratório Interpretativo 2/2003 e artigo 1° da Lei 10.676/2003, excluise da base de cálculo: • Os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; • As sobras apuradas na demonstração do resultado do exercício, antes da destinação para a constituição do fundo de reserva e do fundo de assistência técnica, educacional e social, previstos no artigo 28 da Lei 5.764/1971. O Auditor Fiscal utilizou como base de cálculo o faturamento bruto mensal, não deduzindo da base de cálculo os valores repassados aos cooperados. As Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP 's, anexas, demonstram o valor repassados aos cooperados, mês a mês, desde março de 2000 até dezembro de 2004. As guias identificam o valor total mensal repassado aos cooperados, devendo ser deduzidos mensalmente da base de cálculo que considerou o faturamento bruto. Quanto às sobras apuradas na demonstração do resultado do exercício, antes da destinação para a constituição do fundo de reserva e do fundo de assistência técnica, educacional e social, previstos no artigo 28 da lei 5.764/1971, observase, conforme balanços anexos que houve sobra nos exercícios de 2000 a 2003, conforme abaixo: • 2000: R$ 1.702.993,29; • 2001: R$ 1.665.569,18; • 2002: R$ 647.698,02; • 2003: R$ 391.354,64. Referidas sobras, por força dos dispositivos legais citados, deverão, necessariamente, ser excluídas da base de cálculo da COFINS. 3.7. Consta às fls. 243 a 245 que: A partir de março de 2002, com o advento da Lei 10.312/2001 que dispõe sobre a incidência das Contribuições para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social nas operações de venda de gás natural e de carvão mineral, a venda de carvão mineral destinado a geração de energia elétrica passou a ser isenta da COFINS e PIS [...]. Às folhas 199 o Auditor Fiscal concluiu que "fica claro também, que a isenção concedida, deve atender a duas prerrogativas: a) Quanto ao objeto — Venda de carvão mineral; e b) Quanto a destinação — Geração de energia elétrica. Constam das folhas 13 a 15 e 72 a 155, faturamentos realizados mediante venda de carvão ou derivados, a empresas que não são produtoras de energia elétrica. Por este motivo, entendeu o Auditor por tributar essas receitas. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 572 7 A IMPUGNANTE está juntando quadro de faturamento de todas as empresas carboníferas que compõem o Consórcio Catarinense de Carvão Energético, fornecedor de carvão à Tractbel Energia S/A. Consta dos quadros de faturamento de março de 2002 até dezembro de 2004 que as empresas relacionadas às folhas 13 a 15 são fornecedoras de carvão mineral à TractbeL A lei 10.312/2001 estabelece que ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. I° incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Não estabelece que o carvão deva ser vendido diretamente à geradora de energia elétrica. Aqui cabe invocar a regra do artigo 111 do Código Tributário Nacional já referido pelo, Auditor Fiscal, no sentido de que interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. A lei 10.312 não exige em momento algum que a venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica seja feita diretamente à geradora, reiterese. Apenas reduz a zero a alíquota "sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica." Ainda que as vendas realizadas não se restrinjam ao carvão CE 4500, utilizado pela Tractbel Energia S/A para a geração elétrica, os tinos de carvão e carvão CE 5200 são utilizados pelas empresas carboniferas na blendagem (mistura) para obtenção do padrão técnico exigido pela Tractbel O documento contábil "Venda de Mercadorias por Produto", anexo, relaciona com exatidão, especificadamente, as vendas de carvão com todas as suas subespécies. O carvão utilizado para geração de energia é o tipo CE 4500. Os demais produtos, como já dito, são vendidos a outras empresas para utilização em blendagem. Na lista de venda de mercadorias por produtos constam as vendas de CE 4500 realizado a outras empresas, que não a Tractbel. Na pior das hipóteses, admitindo se em atenção ao principio da eventualidade, entendendo Vossa Excelência por não isentar totalmente as vendas realizadas as empresas relacionadas no processo às tolhas 13 a 15, pelo menos, por força da Lei 10312, as vendas de CE 4500 a estas empresas deverá ser considerada isenta. A IMPUGNANTE poderá demonstrar através de perícia a quantia exata de carvão que vendeu a essas empresas destinado à geração de energia elétrica, caso entenda Vossa Excelência por ter esta demonstração desde já. Na linha dos argumentos já expendidos é de observarse ainda a capacidade contributiva da IMPUGNANTE e o seu direito à isonomia, especialmente nos benefícios conferidos a outras cooperativas, como as agrícolas. A IMPUGNANTE informa que não submeteu ainda a matéria objeto da presente impugnação à apreciação judicial. 3.8. Consta à fl. 245 e 246 o seguinte: [...] [a impugnante requer], em atenção ao princípio da eventualidade, a produção de prova pericial com vistas a demonstrar a venda de carvão destinado a geração de energia elétrica realizado a empresas que não são geradoras diretas de energia, na forma do artigo 16, IV do Decreto 70.235/72, indicando [...] [um] perito [...] [bem como formulando os quesitos da perícia à fl. 245]. REQUER a produção da prova documental anexa, declarando, sob responsabilidade do subscritor, que os quadros de faturamento de carvão CE 4500 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 573 8 perante a Tractbel são cópias autênticas, na forma da Lei 10.352/2001 e artigo 544, ,1°. da lei 5869/73. 3.9. Por fim, à fl. 245 a impugnante [...] requer seja acolhida a presente IMPUGNAÇÃO, para fins de desconstituir e anular o auto de infração e isentar a IMPUGNANTE de qualquer pagamento a título de COFINS. 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia, nos termos do despacho exarado à fl. 494. 5. É o relatório. A 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1622.502, em 19 de agosto de 2009 (efolhas 498/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SOCIEDADES COOPERATIVAS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. INCIDÊNCIA DESDE NOVEMBRO DE 1999. Para os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1999, é devida pelas sociedades cooperativas a COFINS, devendo ser calculada com base no seu faturamento mensal, que corresponde à sua receita bruta mensal, com as exclusões autorizadas pela legislação, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para suas receitas (ex vi AD SRF n.° 88/99; IN SRF n.° 145/99; art. 20 e 3° da Lei n.° 9.718/98; inciso VI do art. 10 da Lei n.° 10.833/2003). SOCIEDADES COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SOBRAS LÍQUIDAS DESTINADAS AO FUNDO DE RESERVA E AO FUNDO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ASSISTENCIAL E SOCIAL. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. FALCULDADE. Como regra geral, as sociedades cooperativas podem excluir da base de cálculo da COFINS a parcela das sobras líquidas destinada à constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Assistencial e Social. Tal exclusão é, no entanto, condicionada à comprovação da ocorrência das sobras e de sua destinação aos referidos fundos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Falece competência à autoridade administrativa julgadora para apreciar inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico pátrio. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DA COFINS. ART. 1° E 2° DA LEI N° 10.312/2001. A efetiva aplicação da redução de alíquota da COFINS prevista nos art. 1° e 2° da Lei n° 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos, pois tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Lançamento Procedente Fl. 582DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 574 9 A interessada foi cientificada do acordão em 14/10/2009 (efl. 527) e interpôs Recurso Voluntário em 22/10/2009 (efls. 528/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da incidência das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de carvão mineral a terceiros A matéria em litígio referese à definição da correta base de cálculo do PIS e da Cofins, mais especificamente, no que se refere à incidência das contribuições sobre receita bruta decorrente da venda de carvão mineral. Ab initio destaquemos a legislação que trata da tributação das cooperativas. A Lei n° 5.764/1971 assim dispõe sobre o ato cooperativo: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.16840/ 2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 575 10 O artigo 6° da Lei Complementar 70/1991, por sua vez, dispunha sobe a isenção das contribuições às sociedades cooperativas, nos seguintes termos: Art. 6° São isentas da contribuição: I – as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades. Entretanto, o art. 23 da Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, e suas reedições (atualmente, art. 93 da MP n° 2.15835, de 2001), revogou expressamente, a partir de 30 de junho de 1999, a isenção da Cofins quanto aos atos cooperativos próprios das finalidades das cooperativas, prevista no artigo 6°, inciso I, da Lei Complementar n° 70/1991. Confiramse o dispositivo: Art. 23. Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: a) os incisos I e III do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; Não há vício de ilegalidade nessa revogação, a meu ver, uma vez que a matéria tratada – isenção não é reservada exclusivamente à lei complementar (ex vi art. 146/CF) podendo ser alterada por meio de lei ordinária ou norma equivalente – como é o caso da medida provisória. Por outro lado, a incidência do PIS e da Cofins é regulada, regra geral, pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim redigidos: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Pois bem. A Recorrente sustenta que os serviços prestados em discussão não se sujeitam à incidência das contribuições, por trataremse de “atos cooperativos”, na medida em que não representariam uma operação mercantil, consequentemente, não haveria que se falar em receita bruta ou faturamento, sabidamente a base de cálculo do PIS e da Cofins. Não concordo com a tese esposada pela Recorrente. A uma porque, como é cediço, a isenção da Cofins sobre os “atos cooperativos próprios” de suas finalidades, outrora prevista no art. 6º, inciso I, da Lei Complementar nº 70, de 1991, foi revogada pelo art. 23, inciso II, da Medida Provisória nº 18586, de 1999, que, após seguidas reedições e renumerações, atingiu sua versão final quando da edição da Medida Provisória nº 2.15835, que manteve a revogação. Não há dúvida que só se isenta o que se insere no campo da incidência do tributo. Logo, a isenção prevista no artigo 6° da Lei Complementar 70/1991 aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, a que faziam jus as sociedades cooperativas, foi Fl. 584DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 576 11 expressamente revogada, a partir de 30 de junho de 1999, pelo art. 23 da Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, e suas reedições (atualmente, art. 93 da MP n° 2.15835, de 2001). Portanto, mesmo que se considerasse que as receitas provenientes das vendas de carvão mineral, aqui em discussão, se tratassem de receitas decorrentes de “atos cooperados”, no período em que foram auferidas já não podiam gozar da isenção prevista na LC nº 70/1991, em face da revogação trazida no bojo da MP nº 1.8586, de 1999 e suas reedições. A duas, pelo fato de que as receitas objeto de discussão nestes autos, a meu ver, não são provenientes de “ato cooperado”. Isto porque o art. 79 da Lei n° 5.764/1971,ao dispor sobre o ato cooperativo, explicitou o que vêm a ser esses atos: “os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. A receita auferida pela Recorrente decorre da venda de carvão mineral a terceiros. Não se trata, portanto, de atos praticados entre a cooperativa e seus associados, mas atos (venda de bens) efetuados entre a Cooperativa a terceiros. Desse modo, a incidência das contribuições não pode ser afastada, como pretende a Recorrente, relativamente a todos os atos das sociedades cooperativas, quaisquer que sejam, sem legislação específica que lhes dê respaldo, ou de maneira a ampliar os limites prescritos pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971. Apenas se excepcionam, nesse contexto, os atos cooperativos próprios, que não correspondem, em sua prática, ao conceito de faturamento, e sobre os quais não existe incidência destas contribuições. Os atos cooperados, descritos no art. 79, devem ser compreendidos como os realizados entre cooperativa e cooperados e entre cooperativas, dentro do seu objetivo social, e sem inserção de qualquer terceiro. No caso em litígio, a Cooperativa vende o carvão mineral extraído pelos seus cooperados a terceiros, fora, portanto, do qualificado na Lei nº 56764/71 como “atos cooperativos”, segundo os quais somente os são “os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados para a consecução dos objetivos sociais”. Por conseguinte, os atos com terceiros ficam sujeitos a incidência das contribuições, como revelam os artigos 86, 87 e 111 da Lei do Cooperativismo. Não se pode aceitar, desta forma, qualquer raciocínio simplista que procure ampliar o que se entende por “ato cooperativo próprio” para se abranger atos nos quais a cooperativa trata com outrem como mandatária dos cooperados e que implique em afastar as entradas de receitas em cooperativas sob o argumento de que representam rendimentos dos cooperados, e não da cooperativa, já que isto, além de tudo, representaria negar a figura da cooperativa como ente com individualidade jurídica própria. Por fim, para corroborar o entendimento aqui esposado, trago a colação trechos do elucidativo voto proferido pelo então Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão nº 3102001.432, sessão de 24/04/2012), com o qual concordo e adoto também como razões de decidir: Por outro lado, igualmente relevante é o tratamento diferenciado outorgado ao ato cooperativo pelo art. 15 da mesma medida provisória 1.858 de 1999, atualmente reproduzido no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835: Fl. 585DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 577 12 ‘Art.15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos’. Ora, se o Ordenamento não previsse a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, ainda que parcialmente repassadas a seus associados, não haveria razão para que se previsse quais são as hipóteses em que esses repasses podem ser deduzidos e, por via indireta, quais seriam as hipóteses em que não se permite tal dedução. Só se pode falar em dedução se a base de cálculo estiver sujeita a incidência. Ademais, para que não hajam dúvidas, é imperioso que se analise a mensagem de veto nº 1.243, mais especificamente no que se refere aos artigos 9ª e 33 do projeto de lei de conversão da Medida Provisória nº 66, de 2002, na Lei nº 10.637, de 2002, por meio dos quais o Congresso Nacional pretendeu restabelecer tratamento diferenciado em termos análogos aos pleiteados pelo Recorrente. Confirase: "Art. 9º As sociedades cooperativas pagam a contribuição para o PIS/Pasep à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha de pagamento mensal, relativamente às operações praticadas com associados, e à alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o faturamento do mês, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, conforme dispõe o § 1o do art. 2o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998." "Art. 33. São isentas da Cofins as sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, de acordo com o disposto no art. 6o, inciso I, da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991." (...) Razões do veto "Os arts. 9º e 33 restabelecem normas de incidência, respectivamente, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis às sociedades cooperativas, vigentes até meados de 1999, as quais foram alteradas por darem ensejo a graves distorções concorrenciais, principalmente por alcançar todas as atividades tidas como cooperativas, inclusive consumo e crédito. Ressaltese que as alterações objetivaram construir um modelo de tributação onde apenas às cooperativas de produção passou a ser dado justo privilégio. Assim, tais dispositivos, que retroagiriam aos fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1999 (art. 67), produziriam uma perda de arrecadação, em 2003, da ordem de R$ 1,2 bilhão, sendo que, destes, R$ 445 milhões se referem a arrecadação corrente, que se reproduziria nos anos subseqüentes. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 578 13 Com efeito, a iniciativa do legislador buscava exatamente conferir ao ato cooperado o tratamento diferenciado almejado pelo recorrente e o Presidente da República, como é possível perceber, usou seu poder de veto para delimitar as cooperativas que sujeitariam a tratamento diferenciado e quais, em nome do equilíbrio da concorrência, não receberiam tal tratamento. Finalmente, penso que o comando do § 2º, do art. 174 da Constituição Federal de 19884 não teria o efeito almejado pelo Recorrente, na medida em que tal dispositivo só pode ser aplicado em conjunto com o art. 146, III, “c” da mesma Constituição5. De fato, como é possível perceber, o tratamento diferenciado almejado, genericamente previsto na Constituição, depende de lei para sua implementação. Cabe aqui destacar a manifestação do Supremo Tribunal Federal nos autos do Mandado de Injunção nº 701DF: "MANDADO DE INJUNÇÃO OBJETO. O mandado de injunção pressupõe a inexistência de normas regulamentadoras de direito assegurado na Carta da República. Isso não ocorre relativamente às sociedades cooperativas e ao adequado tratamento tributário previsto na alínea 'c' do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal." No intuito de dar mais clareza aos fundamentos que orientaram o aresto, registro as anotações consignadas no Informativo Semanal do Pretório Excelso nº 363. O Tribunal não conheceu de mandado de injunção impetrado pela Unimed Paulistana Cooperativa de Trabalho Médico em que se alegava omissão legislativa caracterizada pela não edição de lei complementar estabelecendo "adequado tratamento tributário dos atos cooperativos", nos termos do art. 146, III, c, da CF, e se requeria a concessão da ordem para afastar a "exigibilidade da retenção das contribuições alcançadas pela Lei nº 10.833/83 COFINS, PIS e CSLL" (CF: "Art. 146. Cabe à lei complementar:... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:... c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas."). Entendeuse, com base na jurisprudência do STF, inadequado o manejo do writ injuncional, em face da inexistência de situação configuradora de lacuna técnica que inviabilizasse o exercício de direitos e liberdades constitucionais (CF, art. 5º, LXXI), tendo em vista haver, no cenário jurídico, diversas leis ordinárias disciplinando sobre tributação das cooperativas (Lei 10.684/2003, art. 17; Lei 10.833/2003, art. 10, VI; Lei 10.865/2004, arts. 39 e 48; MP 9.718/98, art. 3º, §9º e art. 15). Ressaltouse que, apesar dessas normas não terem a envergadura complementar a que alude o art. 146, III, c, da CF, a discussão em torno da constitucionalidade das mesmas haveria de ser formulada em ação direta de inconstitucionalidade, sob pena de se conferir ao mandado de injunção contornos próprios de processo objetivo’. MI 701/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 29.9.2004. (MI701) A transcrição do excerto demonstra que o Pretório Excelso partiu do pressuposto de que há, no ordenamento jurídico, dispositivos legais que disciplinam o tratamento diferenciado ao ato cooperativo. Assim, a ausência de previsão legal que contemple o tratamento almejado não configura omissão, mas de silêncio eloquente do legislador. Em outras palavras, o tratamento diferenciado previsto na Constituição é aquele que o legislador previu. Se não o fez, há que se aplicar o tratamento geral, dispensado a qualquer outra pessoa jurídica. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 579 14 Em conclusão, deve ser mantida a cobrança das contribuições em relação às receitas auferidas em decorrência da venda de carvão mineral a terceiros. Das exclusões da base de cálculo da COFINS dispostas na MP n° 2.15835/2001 Relativamente às exclusões da base de cálculo, o art. 15 da MP n.° 1.858 9/99, o qual prevaleceu até a publicação da MP n° 2.15835/2001, assim dispõe, in verbis: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 22 e 32 da Lei n 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Parágrafo 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Parágrafo 2º Relativamente às operações referidas nos incisos Ia V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. A Recorrente aduz que a autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração utilizou como base de cálculo o faturamento bruto mensal, não deduzindo da base de cálculo os valores repassados aos cooperados, o que no seu entender foi um equívoco. Para sustentar sua tese, apresenta Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP's, onde constam os valores repassados aos cooperados, mês a mês, desde março de 2000 até dezembro de 2004, de modo que nessas guias podem ser identificados os valores totais mensais repassados aos cooperados, devendo ser deduzidos mensalmente da base de cálculo que considerou o faturamento bruto. Nessa matéria, a meu ver, assiste razão a Recorrente. O inciso I, do art. 15 da MP n° 2.15835, de 2001, acima transcrito, permite a exclusão dos “os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa”. A Cooperativa, por intermédio de seus associados, extrai o carvão mineral, que posteriormente é comercializado a terceiros. Uma parte da receita auferida Fl. 588DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 580 15 pela comercialização do produto (o carvão mineral) é repassada aos cooperados pela Cooperativa. Portanto, deve ser excluída da base de cálculo essa parcela repassada aos associados. Valores esses que podem ser identificados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP's apresentadas pela Recorrente. Das alegadas exclusões da base de cálculo da COFINS dispostas na MP nº 66/2002 e Lei n° 10.676/2003 Ainda em relação a exclusões da base de cálculo, a Recorrente alega ter direito à exclusão das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, previstas no art.36 da MP 66/2002 e art. 1º da Lei nº 10.676/2003.. Quanto à alegação da exclusão vinculada a "Sobras Líquidas" de que trata o Recurso, destacase o que dispõe o art. 36 da MP n° 66/2002 sobre essa matéria, in verbis: Art. 36. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n2 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 22 O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Posteriormente, o art. 10 da MP n° 101/2002, convertida na Lei n° 10.676/2003, confere a essas exclusões as seguintes alterações, in verbis: Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1° As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2° Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados à formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Em face dos dispositivos acima transcritos, é de concluirse que havia previsão legal para a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins a parcela relativa às sobras que foi destinada à constituição dos fundos a que se refere o art. 1º da Lei n° 10.676/2002, para todo o período objeto da autuação fiscal (anos 2000 a 2004). Fl. 589DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 581 16 Portanto, a Recorrente tem o direito à exclusão, o qual deverá ser considerado pela autoridade fiscal no momento da execução deste julgado, frente aos documentos juntados quando da apresentação de sua impugnação (balanços patrimoniais encerrados em 31/12/2000 (fl. 328), 31/12/2001 (fl. 331), 31/12/2002 (fl. 334), 31/12/2003 (fl. 337) e 31/12/2004 (fl. 340)) e outros que julgar necessários para comprovar os valores das “sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional Social”. Da venda do carvão mineral para empresa geradora de energia elétrica A Recorrente argumenta que a Lei nº 10.312/2001 estabelece que fiquem reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 10 incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, não restringindo que o carvão deva ser vendido diretamente à geradora de energia elétrica. A fiscalização, por sua vez, faz interpretação mais restritiva, de modo que apenas as vendas efetuadas a geradora de energia dariam direito à redução. No caso específico do Estado de Santa Catarina, a única geradora de energia elétrica é a empresa “Tractebel Energia S/A”. Confiramos o dispositivo legal supra mencionado: Art. 1º Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público — PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Art. 2º Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1 incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Posteriormente, com a publicação do Decreto n° 4.524/2002, regulamentando a COFINS devida pelas pessoas jurídicas em geral, foi disciplinada essa matéria nos seguintes termos: Art. 58. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cotins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória n2 2.15835, de 2001, art. 42, Lei n 2 9.718, de 1998, art. 62, parágrafo único, com a redação dada pela Lei n2 9.990, de 2000, Lei n2 10.147, de 2000, art. 2'2; Lei n2 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei n2 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei n2 10.485, de 2002, arts. 22, 32 e 52, Medida Provisória n2 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda; Nesta matéria, a razão está com o Fisco. A Lei nº 10.312/2001 especificou claramente que a redução para zero seria apenas para o carvão mineral destinado à geração de Fl. 590DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 582 17 energia elétrica, não abarcando, portanto, outras vendas de carvão, mesmo que após processos de transformação eventualmente tivessem como destino final a geração de energia. Tal entendimento foi reforçado pelo inciso IX do art. 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao dispor que a alíquota seria zero apenas para a venda do carvão destinado à usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, e não qualquer venda de carvalho. Portanto, somente as vendas de carvão destinadas à empresa “Tractebel Energia S/A” estão sujeitas à redução de alíquota para zero. Da aplicação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva Quanto ao argumento da Recorrente de que houve ofensa aos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessas matérias. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Do pedido de produção de prova pericial Por fim, a Recorrente requer a realização de perícia a fim de comprovar os fatos alegados. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia revestese das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. A meu ver, descabe o pedido de realização de prova pericial, uma vez que não há necessidade de conhecimentos específicos e os autos já possuem todos os elementos necessários para a tomada de decisão. Portanto, considerase a perícia prescindível para o deslinde da matéria em discussão, posto que os elementos probatórios acostados aos autos são suficientes para o julgador firmar seu convencimento. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da receita auferida na venda de carvão mineral os seguintes itens: Fl. 591DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001870/200525 Acórdão n.º 3202001.638 S3C2T2 Fl. 583 18 (i) os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa, que podem ser identificados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP's apresentadas pela Recorrente. (ii) a parcela relativa às sobras que foram destinadas à constituição dos fundos a que se refere o art. 1º da Lei n° 10.676/2002, para todo o período objeto da autuação fiscal (anos 2000 a 2004). É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 592DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10283.909627/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 27 /2 00 9- 07 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909627/200907 Acórdão n.º 3202001.514 S3C2T2 Fl. 376 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.904351/2012-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA.
As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram-se na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.
Numero da decisão: 1801-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson de Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA. As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadram-se na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%.
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SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO A SER APLICADA. As alíquotas do art. 15 da Lei nº 9.249/95 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Quanto aos serviços hospitalares, especificamente, apenas as simples consultas médicas é que não devem ser tributadas com a base de cálculo calculada à alíquota de 8%, pois demandam tão somente um esforço intelectual, sendo razoável presumir que tais serviços possuem uma margem de lucro próxima de 32%. Todos os outros serviços médicos enquadramse na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95, pois, para serem prestados, demandam um custo maior e, portanto, é razoável que se presuma terem uma margem de lucro menor, mais aproximada a 8% que a 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 43 51 /2 01 2- 15 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson de Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Clínica Traumatológica Moinhos de Vento Sociedade Simples LTDAEPP contra o acórdão de nº 0357.451, prolatado pela 4ª Turma da DRJ de Brasília/DF, que manteve integralmente o despacho decisório objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a não homologação da PER/DCOMP de nº 12987.05356.211209.1.3.040050 (fls. 2427), transmitida pela Recorrente e por meio da qual se pretendia compensar crédito de IRPJ com débitos de COFINS. A Receita Federal, através do despacho decisório de fl.22, deixou de homologar a compensação alegando que o valor recolhido através do DARF (R$11.785,08) havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2008, declarado na DCTF da Recorrente (fl. 36). Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 0207), a Recorrente requereu a reforma do despacho decisório alegando que o valor declarado como débito de IRPJ referente ao primeiro trimestre de 2008 (fl. 36) teria sido calculado equivocadamente com a base de cálculo presumida de 32%, quando deveria ter sido calculado com a base de 8%, já que a Recorrente presta serviços hospitalares e, por isso, se enquadraria na hipótese excepcional do art. 15, III, a, da Lei nº 9.249/95. Ao conhecer das razões da Recorrente, a 4º Turma da DRJ de Brasília/DF, através do acórdão ora recorrido (fls. 6067), manteve o despacho decisório alegando em síntese que: (i) “para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração Tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal”; e que (ii) ainda que a Recorrente tivesse cumprido todas as exigências e requisitos, “a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo.” Sustentou ainda a DRJ que a jurisprudência judicial acostada pelo Recorrente em sua manifestação de inconformidade não teria o condão de vincular aquele órgão administrativo e que, por isso, ela deveria se manter vinculada aos atos normativos editados pela Receita Federal do Brasil. Irresignado com essa decisão, o Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls. 7178), que apenas reitera os termos da sua manifestação de inconformidade. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 1801002.237 S1TE01 Fl. 83 3 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Antes de analisar especificamente o caso dos autos, é importante fazer uma breve consideração acerca do art. 15 da Lei nº 9.249/95, cuja redação vale ser transcrita: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. Da leitura do artigo percebese claramente que a intenção da norma é fixar uma regra geral de aferição da base de cálculo no lucro presumido: aplicação de 8% sobre a receita bruta. Em seus incisos, o art. 15 estabelece algumas exceções a essa regra. Caso a atividade dos contribuintes se enquadre nos incisos, a regra geral é afastada e a base de cálculo do lucro presumido deve ser aferida de acordo com as alíquotas excepcionais (previstas nos incisos). E aqui é importante fixar uma premissa de extrema importância: as alíquotas do art. 15 (seja aquela prevista no caput ou aquelas outras previstas em seus incisos) visam, através de uma presunção, fixar aproximadamente o lucro do contribuinte. O legislador está presumindo que o lucro de determinadas atividades gira em torno das alíquotas por ele fixadas. Ou seja, para a venda a varejo de gasolina, o legislador presume que o lucro da atividade gira em torno de 1,6% (inciso I acima transcrito); para a atividade de transporte (exceto a de transporte de carga), presumese que o lucro gira em torno de 16% (inciso II acima transcrito); para os serviços em geral, presumese que o lucro gira em torno de 32% (inciso III acima transcrito). É exatamente por isso que essa sistemática de cálculo é denominada lucro presumido (com a devida vênia por estar, aqui, dizendo o óbvio). No entanto, essa presunção feita pelo Legislador não é aleatória. O Congresso Nacional não fixou essas alíquotas por puro arbítrio. A fixação é precedida de rigoroso estudo que indica as margens de lucros ordinárias de determinadas atividades. Se a fixação desses percentuais não obedecesse a um critério científico, o Legislativo estaria afrontando a isonomia entre os contribuintes, pois, por exemplo, qual seria o motivo de o transporte de carga possuir um lucro presumido inferior (8%) às demais espécies de transporte (16%) – conforme inciso II acima transcrito? Não há outra resposta senão esta, que é óbvia: porque o serviço de transporte de cargas demanda um custo maior para ser prestado (carretas mais sofisticadas; normalmente percorrem trajetos maiores; motoristas mais qualificados e etc). No caso dos serviços (que possuem o maior lucro presumido – de 32% – e onde o Fisco pretende enquadrar a Recorrente), notase que eles possuem uma presunção de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 1801002.237 S1TE01 Fl. 84 5 terem uma maior margem de lucro, exatamente porque não possuem um custo tão elevado, pois demandam, na maioria das vezes, “insumos” de natureza intelectual. Vejase que as alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do inciso III (que fixa a alíquota de 32%) elencam exclusivamente serviços que giram em torno da capacidade intelectual de seu prestador: (b) intermediação de negócios; (c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; (d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). O custo dessas atividades é relativamente baixo, e é exatamente por isso que o Legislador presumiu que a margem de lucro obtida é bastante superior às demais atividades (32%). Pois bem, voltando para o caso específico destes autos, o que aqui se discute é se a atividade desenvolvida pela Recorrente se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, previsto na alínea ‘a’ do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249/95. É que tais serviços, como se nota, têm seu lucro presumido através da regra geral de 8% da receita bruta, pois o Legislador presumiu que os serviços hospitalares possuem um custo superior àqueles serviços simplesmente intelectuais, pois necessitam, para serem desempenhados, de ativos de valor expressivo. O STJ já se debruçou sobre a matéria e, decidindo a questão na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, consignou que somente meras consultas médicas é que não deveriam ter seu lucro presumido em 8% da receita bruta que gerar: DIREITO PROCESUAL CIVL ETRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 53 e 468 DO CP. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/5. IRPJ ECSL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINÇÃO DA EXPRESÃO "SERVIÇOS HOSPITALRES". INTERPETAÇÃO OBJETIVA. DESNECSIDADE DE ESTRUTRA DISPONIBLIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECNTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CP. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/5, par fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSL. Discutese a possiblidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global do paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, §1º, inciso I, da Lei 9.249/05, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 6 depósitos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisito não previsto em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/05, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente promoção da saúde", de sorte que, "em rega, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/05 não se refere a toda recita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do§ 2ºdo artigo 15da Lei 9.249/5. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl... 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Percebese que o STJ estabeleceu um critério seguro para a aplicação do conceito de “serviços hospitalares”: será serviço hospitalar todo aquele que se referir à assistência à saúde e que não se resumir a simples consultas médicas. Muito embora a fundamentação adotada pelo STJ tenha sido diversa da que aqui está sendo exposta, a sua conclusão se enquadra perfeitamente no critério aqui utilizado, pois é fácil notar que as consultas médicas são serviços eminentemente intelectuais, que não exigem um custo considerável para serem prestados. Exigem tão somente um consultório e o conhecimento médico. Portanto, para as simples consultas é razoável que se presuma que elas gerem um lucro maior (32%). Pois bem, no caso da Recorrente, percebese do seu contrato social que ela é uma sociedade empresária que “tem por objetivo a clínica de traumatologia, serviços médicos e de raio ‘X’, sendo que as cirurgias serão realizadas em hospitais” (fl. 11). Notase, portanto, que o objeto social da Recorrente está intimamente ligado à assistência à saúde. Parece também que o objeto social da Recorrente não se resume a simples consultas médicas, mas também a exames traumatológicos e exames de imagem (raio X) – vale destacar que esta última atividade está, inclusive, expressamente prevista na alínea ‘a’ do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249/95 como “imagenologia”. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 11080.904351/201215 Acórdão n.º 1801002.237 S1TE01 Fl. 85 7 É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 25/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 18186.007768/2007-23
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROVENTOS DE APOSENTADORIA DE MAIORES DE 65 ANOS. ISENÇÃO.
São tributáveis os rendimentos recebidos por Contribuinte maior de 65 anos que excederem à parcela isenta relativa à aposentadoria e pensão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-004.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. São tributáveis os rendimentos recebidos por Contribuinte maior de 65 anos que excederem à parcela isenta relativa à aposentadoria e pensão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 77 68 /2 00 7- 23 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 18186.007768/200723 Acórdão n.º 2801004.050 S2TE01 Fl. 59 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SPOII (Fls. 39), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 06/08, que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2004, no montante de R$1.501,26, sendo R$ 714,92, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, R$536,19, de multa de ofício, e R$ 250,15, de juros de mora, calculados até 28/09/2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08) o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Enquadramento Legal: arts. I o a 3 o e §§ 8o e 9o da Lei n° 7.713/88; arts. I o a 3o, da Lei n° 8.134/90; arts. 5o , 6o e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. I o e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53, do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Cientificada da autuação em 17/12/2007 (fls. 03)', a contribuinte apresentou, em 28/12/2007, a impugnação de fls. 01/02, alegando, em resumo, o que segue: 1. conforme orientação do plantão fiscal; será considerado como rendimento isento e não tributável o valor de R$ 10.837,75, proveniente da Prefeitura do Município de São Paulo; 2. "sendo o valor da isenção máxima igual a R$ 12.696,00, solicito considerar a diferença de R$ 1.858,25, resultante de R$ 12.696,00 — R$ 10.837,55, como rendimento tributável. " 3. sendo assim, o valor tributável recebido do Comando do Exército será de R$ 20.005,00 R$ 1.858,25 = R$18.146,75 e não a soma dos valores de R$ 18.146,75 + R$ 12.696,00, como lançado na notificação; 4. à vista do exposto, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/SPOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: PROVENTOS DE APOSENTADORIA DE MAIORES DE 65 ANOS. ISENÇÃO. São tributáveis os rendimentos recebidos por Contribuinte maior de 65 anos que excederem à parcela isenta relativa à aposentadoria e pensão. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 18186.007768/200723 Acórdão n.º 2801004.050 S2TE01 Fl. 60 3 Cientificada em 28/09/2010 (Fls. 45), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/10/2010 (fls. 48 e 49), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação e acrescentando: “São assim consideradas todas as formas de remuneração por trabalho ou serviços prestados, com ou sem vínculo empregatício, tais como: a parcela dos rendimentos de pensão e dos proventos de aposentadoria, transferência para a reserva remunerada ou reforma, excedente ao limite mensal de isenção (R$ 1.058,00), paga pela previdência oficial ou privada ou por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, a partir do mês em que o contribuinte completou 65 anos de idade;". As informações acima estão em conformidade com o Art.52 , apresentado na pág 3 (Processo n° 18186.007768/200723 / Acórdão n° 1733.389). Cálculos apresentados abaixo estão em conformidade com o Art.52 acima FONTES PAGADORAS REND. ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS PARCELA ISENTA (MAIOR 65 ANOS) IMPOSTO RETIDO PREFEITURA R$ 10.837,75 R$ COMANDO EXERCITO * RS 20.005,00 R$ 13.754.00 R$ 1.096,28 ISENÇÃO MENSAL = R$ 1.058.00 X 12= R$. 12.696.00 COMANDO EXERCITO ISENÇÃO MENSAL= R$ ^.309,00 PREFEITURA = R$ 10.837,75 » ^ TOTAL RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS= R$ 7.309,00 TR$ 10.837,75 = R$ 18.146,75 DOCUMENTOS ANEXADOS: Identidade de : Tânia Dos Santos Felicio (filha) Atestado de Óbito de : Alice Dos Santos Felicio (mãe) Intimação :2027 Comprovantes Rendimento : Prefeitura / Comando do Exército IIIA Em 17 de outubro de 2012, (Fls. 55 a 57) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência,. para que a autoridade preparadora solicitasse da Sra. Tânia dos Santos Felício documentação que comprove ser esta a representante legal do espólio da Sra. Alice dos Santos Felício. Respondida a diligencia, o processo voltou à pauta de julgamento. VALORES APRESENTADOS NA RETIFICADÜRA DE 27/00/200/ PREFEITURA , R$ 10.837,75 COMANDO EXERCITO '■■ R$ 7.309,00 TOTAL RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS R$ 18.146,75 REND. ISENTOS E NÃO TRIB (> 65 ANOS ) R$ 12 696,00 Informado na Pag 2 Item 4 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 18186.007768/200723 Acórdão n.º 2801004.050 S2TE01 Fl. 61 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o versa o presente litígio de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 12.696,00. A recorrente reitera os argumentos de sua impugnação na qual assevera que à época dos fatos a contribuinte era aposentada e que conforme orientação do plantão fiscal deveria ser considerado como rendimento isento e não tributável o valor de R$ 10.837,75, proveniente da Prefeitura do Município de São Paulo alegando que por ser o valor da isenção máxima igual a R$ 12.696,00, fosse considerada a diferença de R$ 1.858,25, resultante de R$ 12.696,00 — R$ 10.837,55, como rendimento tributável. Seguindo, alegou que o valor tributável recebido do Comando do Exército seria de R$ 20.005,00 R$ 1.858,25 = R$18.146,75 e não a soma dos valores de R$ 18.146,75 + R$ 12.696,00, como lançado na notificação. Requereu, por fim, o cancelamento do débito fiscal reclamado, fazendo ainda jus à restituição. À este respeito, adoto integralmente o entendimento esposado pela DRJ, in verbis: Relativamente à isenção de proventos de aposentadoria de contribuintes maiores de 65 anos, há que se observar as disposições do art. 39, XXXIV, do RIR/1999, in verbis: "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei 7.713, de 1988, art. 6o, XV, e Lei 9.250, de 1995, art. 28). " Por sua vez, o art. 2o da Lei n° 10.451, de 10/05/2002, que deu nova redação ao artigo 4o , da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, estabelece: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 18186.007768/200723 Acórdão n.º 2801004.050 S2TE01 Fl. 62 5 "Art. 2o Os arts. 4° 8o e 10 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 4°(...) (...) VI a quantia de R$ 1.058,00 (um mil e cinqüenta e oito reais), correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade. " Dispõe a Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001, em seu art. 52, relativamente à parcela isenta de aposentadoria ou pensão: "Art. 52. No caso de recebimento de uma ou mais aposentadorias ou pensões pagas pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, o contribuinte com 65 anos de idade ou mais, a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos, observados os limites mensais. Parágrafo único. O limite anual representa a soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar 65 anos de idade até o término do anocalendário. " Consoante os dispositivos legais acima transcritos, o contribuinte que recebeu aposentadoria ou pensão em 2004 teve direito a uma isenção mensal no valor de R$ 1.058,00 por mês, a partir do mês em que tivesse completado sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto. Os rendimentos que ultrapassarem esse valor são tributáveis. Concluise ainda que a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos de aposentadoria e/ou pensão pagos pela previdência oficial ou privada. Passandose ao caso concreto, verificase, pelo exame do documento de identidade (fls. 09), que a contribuinte contava, no anocalendário de 2004, com mais de 65 anos de idade, fazendo jus à isenção sobre parte dos proventos de aposentadoria, reserva, reforma ou pensão, até o limite de R$ 12.696,00. Na declaração de ajuste anual do IRPF/2005, a impugnante informou ter auferido rendimentos tributáveis da Prefeitura do Município de São Paulo e do Ministério da Defesa Exército Brasileiro, nos respectivos valores de R$ 10.837,75 e R$ 7.309,00. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 18186.007768/200723 Acórdão n.º 2801004.050 S2TE01 Fl. 63 6 Analisandose o comprovante de rendimento fornecido pela Prefeitura do Município de São Paulo (fls. 05), constatase que a interessada percebeu proventos de aposentadoria, que totalizaram a importância de R$ 11.360,61, sendo R$ 522,86, a título de rendimentos tributáveis, e R$ 10.837,75, de rendimentos isentos, no campo correspondente à "Parcela Isenta dos Proventos de Aposentadoria, Reforma e Pensão (65 anos ou mais)". O exame do comprovante de rendimentos de fls. 29, trazido aos autos em atendimento à intimação (fls. 27/28), revela que a contribuinte recebeu ainda rendimentos de pensão do Ministério da Defesa Exército Brasileiro, dos quais também foi deduzida a parcela isenta, resultando no valor tributável de R$ 20.005,00. Pelo exposto, considerando que a contribuinte declarou a título de rendimento tributável, relativamente à supracitada fonte pagadora, a importância de R$ 7.309,00 e não os R$20.005,00, como seria o correto, resta evidente que a diferença, correspondente a R$12.696,00, deve compor o rendimento bruto para efeito de tributação, não havendo, portanto, qualquer reparo a fazer no lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 12585.000033/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO
O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que fundamentam o direito pleiteado.
Numero da decisão: 3402-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do art. 8°, § 3°, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% da alíquota básica prevista no art. 2° da Lei de Regência da não cumulatividade da Contribuição Social. Fez sustentação oral a Dr.ª Marina Vieira de Figueiredo OAB/SP nº 257056. Os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça e João Carlos Cassuli Júnior votaram pelas conclusões do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz Da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE. As diligências destinamse à elucidação de questões dúbias e não à produção de provas que, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotada no processo administrativo fiscal, tocaria à parte produzir, no momento processual adequado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que fundamentam o direito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 33 /2 01 0- 95 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do art. 8°, § 3°, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% da alíquota básica prevista no art. 2° da Lei de Regência da não cumulatividade da Contribuição Social. Fez sustentação oral a Dr.ª Marina Vieira de Figueiredo – OAB/SP nº 257056. Os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça e João Carlos Cassuli Júnior votaram pelas conclusões do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz Da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 42.947.422,90, referente ao 4 trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensação do referido crédito com débitos próprios. De acordo com o Termo de Verificação de Infração Fiscal das fls. 138 a 171, a partir da recomposição da base dos créditos a que teria direito o contribuinte com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo próprio sujeito passivo e também nos Dacon, e tendo em vista a ausência de esclarecimentos e de demonstrativos complementares, por parte do contribuinte, contendo a memória de cálculo utilizada nos pedidos, a Fiscalização não apurou crédito ressarcível, tendo inclusive procedido a lançamento de ofício da Contribuição devida no trimestre, objeto do processo administrativo nº 15868.720194/201282, tendo em vista que o crédito nãocumulativo apurado foi menor do que o débito devido. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 194 a 226, o interessado argüiu a nulidade do procedimento por irregularidades na emissão do MPF e por cerceamento do direito de defesa, haja vista que a DRFAraçatuba dista aproximadamente 600 quilômetros da recorrente. Dizse parte ilegítima para responder pelos débitos eventualmente compensados de forma indevida, vez que, em razão da infração de lei e dos estatutos da sociedade incorporada, a responsabilidade pelos débitos compensados é direta e exclusiva dos administradores à época dos fatos. Entende que a Fiscalização não exerceu satisfatoriamente seu mister, por ter deixado de intimar os administradores a fornecer os documentos cuja falta acabou por prejudicar seu pleito. Pede que os agentes fiscais sejam punidos por essa omissão. Requer que se realizem diligências junto aos administradores da sucedida para busca da documentação faltante. Insiste na responsabilidade exclusiva e direta dos administradores pelos débitos da sucedida não compensados. No mérito, entende que a glosa dos créditos não deve prosperar, vez que a Fiscalização não conseguiu afastar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela Bertin S/A. Defende que, para a análise mais apurada sobre o mérito, é necessária a realização Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000033/201095 Acórdão n.º 3402002.581 S3C4T2 Fl. 498 3 de diligência pela unidade fiscal situada em São Paulo, seja em razão da incompetência da DRFAraçatuba, seja em razão da imparcialidade de seus AuditoresFiscais. Eximese da responsabilidade pelas multas e juros moratórios, pois, nos moldes do art. 132 do CTN, a sociedade incorporadora somente responde pelos "tributos" devidos pela incorporada, e, ainda que se considere responsável, somente o seria se a multa tivesse sido lavrada em data anterior à incorporação. Reclamou da inexistência de qualquer justificativa par as demais glosas procedidas. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05040.810, de 10 de junho de 2013, fls. 376 a 405, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que haja eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa durante o curso do procedimento fiscal, no qual cumpre ao sujeito passivo apenas colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Somente após decisão, e regular contestação, é que se forma uma relação jurídica de natureza processual, da qual a contribuinte se torna parte, aplicandose, então, as garantias do devido processo legal. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 4 A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar créditos presumidos relativos às aquisições feitas de pessoas físicas, considerados os percentuais de redução da alíquota básica de acordo com a classificação dos insumos adquiridos e não dos produtos produzidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 409 a 441, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as mesmas teses de defesa apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Finaliza, requerendo que seja conhecido e provido o recurso, para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, ou, ainda, para reconhecer a nulidade ou total improcedência da autuação, conforme exposto ao longo do presente recurso. Pede que o patrono da causa seja intimado pessoalmente de todos os atos processuais. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 409 a 441 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 05040.810, de 10 de junho de 2013. Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000033/201095 Acórdão n.º 3402002.581 S3C4T2 Fl. 499 5 DAS PRELIMINARES Da nulidade em razão da incompetência do Auditor Fiscal A recorrente argúi a nulidade do procedimento fiscal ante a incompetência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB lotado na Delegacia da Receita Federal de Araçatuba. Aventa também a inexistência de autorização para emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em jurisdição diversa da originária. Destaco, liminarmente, que ato que apreciou o pleito de que se trata Despacho Decisório das fls. 181 a 187 – foi proferido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP, órgão regimentalmente incumbido para tanto. Não há falar em nulidade de procedimento fiscal em razão de sua execução por AFRFB lotado em outra delegacia fiscal, por ausência de efetivo prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa por parte do contribuinte. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 27: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Por outro lado, quanto a eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, a jurisprudência dominante neste Conselho é no sentido de que não dão causa à decretação da nulidade do feito, haja vista que o MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais e não um limitador da competência do agente público. Ilustro com o Acórdão nº 920201.608, de 10/05/2011: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE FORMAL AFASTADA. AUSÊNCIA DO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Por fim, acrescento que a ação fiscal em tela, executada por auditores fiscais lotados na DRF/Araçatuba, estava autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002011034024, emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, unidade da RFB a que se subordinam, tanto a Derat/São Paulo, quanto a DRF/Araçatuba. Rejeito a preliminar. Do cerceamento do direito de defesa em razão da localização da unidade da RFB que executou o procedimento fiscal Conforme relatado, a recorrente aventa a ocorrência de cerceamento de defesa em razão da localização da unidade da Receita Federal em que estava lotado o AFRFB que executou o procedimento fiscal. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 6 A recorrente não demonstrou e eu não vislumbrei qualquer prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa decorrente do fato de a SRFAraçatuba ser distante da sede da recorrente. Todas as formalidades legais essenciais previstas em lei e regulamento foram cumpridas, inclusive a lavratura de atos, identificação da autoridade competente, prazos, motivação No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 138 a 171) está detalhado todo o procedimento fiscal realizado, com a descrição dos fatos e apurações feitas pela fiscalização, bem como ao contribuinte foram entregues os demonstrativos de apuração dos créditos e dos saldos remanescentes das contribuições sociais. Notase, ademais, que, no curso da auditoria fiscal, em diversas oportunidades, a interessada foi intimada a apresentar esclarecimentos e a alegada distância jamais foi invocada para fundamentar pedidos de prorrogação de prazo. A distância tampouco impediu que a recorrente tivesse vista dos documentos constantes dos autos, nem representou qualquer empecilho à produção de provas. Enfim, incide aqui também o princípio do pas de nulité sans grief. Rejeito a preliminar de nulidade em razão de cerceamento do direito de defesa. Da ilegitimidade da Recorrente para responder pelos débitos compensados A recorrente alega a ausência de responsabilidade para responder pelos débitos compensados em razão da responsabilidade pessoal e exclusiva dos dirigentes da sucedida, para fatos ocorridos até a data da incorporação. A argumentação está incorretamente formulado. Não há sentido algum em eximirse de responsabilidade por débito compensado, vale dizer, extinto. O que a recorrente pretende, imagino eu, é excluir sua responsabilidade por débitos não compensados, em decorrência do indeferimento do pleito de ressarcimento. Formulada dessa maneira a matéria, ressaltase a sua impertinência. É que o objeto da lide é o indeferimento do pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição Social e a não homologação das compensações vinculadas. Não se cuida da apreciação do lançamento de ofício de penalidades, nem mesmo da cobrança dos débitos indevidamente compensados – não há, nos autos, qualquer iniciativa de cobrança por parte da Administração dos débitos declarados nas DComps mas apenas do indeferimento do pedido e da não homologação das compensações. Cabe a esta Turma Recursal apenas a apreciação desse objeto, ou seja, ao julgamento do recurso voluntário contra o indeferimento do pedido de ressarcimento e contra a não homologação das compensações efetivadas pela interessada. Qualquer manifestação acerca de questão estranha à lide seria completamente inútil. Assim sendo, não conheço do recurso quanto à alegada ilegitimidade da recorrente para responder pelos débitos compensados. Do pedido de diligência O pedido de diligência não merece acolhimento. A jurisprudência deste Conselho é no sentido de que a providência tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento, visando a contribuir para a formação de convicção do julgador, e não se prestam para a produção de provas que toca à parte produzir, no momento processual adequado. Ilustro: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000033/201095 Acórdão n.º 3402002.581 S3C4T2 Fl. 500 7 “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) DO MÉRITO Da presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados O argumento de mérito fundamental é o de que a Fiscalização não logrou desqualificar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela sucedida Bertin S/A Penso o contrário. Nem durante o procedimento fiscal, bem no momento processual da reclamação, em que se concentra a produção de provas, o interessado jamais dignouse a apresentar planilha ou qualquer outro documento equivalente, contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da Contribuição. Também não apresentou os arquivos digitais complementares das Contribuições Sociais. A propósito, a Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, que instituiu o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, assim prescreveu: Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2° e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2°, 3°, 5°, 5°A, 7° e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2°, 3°, 4°, 6°, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003 [...] A pessoa jurídica titular de direito creditório deve produzir a prova completa da pretensão deduzida no pleito administrativo, pois a ela incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do direito reclamado. Ainda, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, editada sob expressa autorização da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art, 74, § 14, admitiu que a autoridade da RFB competente para decidir sobre o ressarcimento condicione o Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 8 reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos (art. 65). O Termo de Verificação de Infração Fiscal não deixa dúvida, a interessada não conseguiu demonstrar a exatidão dos valores requeridos, tocando à Fiscalização, por meio do exame da contabilidade e dos elementos coligidos no procedimento fiscal, apurar os valores dos créditos. O procedimento fiscal concluiu pela ausência de certeza e liquidez dos créditos pleiteados, em contrário do que afirma a recorrente. Não tendo feito prova de seu direito aos valores pleiteados, ônus que lhe incumbiu o sistema de distribuição da carga probatória adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, devese prestigiar o levantamento fiscal. Do crédito presumido da agroindústria A recorrente controverte o percentual de presunção a ser empregado no cálculo do crédito presumido deferido às agroindústrias alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana. A recorrente, em defesa ao crédito, afirma que a Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, no artigo 8°, ao definir os percentuais (60% ou 30% da alíquota da Contribuição), não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração das contribuições sociais foi previsto nas próprias Lei nº 10.627, de 30 de dezembro de 2002, e Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nos §§10 e 5° de seus respectivos artigos 3°s. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela Cofins incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência das Contribuições acumuladas no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis de Regência o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei nº 10.925, de 2004, que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota das Contribuições incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1°). Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000033/201095 Acórdão n.º 3402002.581 S3C4T2 Fl. 501 9 Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela Cofins e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de Cofins no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei nº 10.925, de 2004, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal por meio do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP nº. 183, cuja conversão originou a Lei nº 10.925, de 2004: “4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subseqüentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.” Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei nº 10.925, de 2004, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da Cofins na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado.Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza. O argumento definitivo em favor do quanto se afirmou veio com a promulgação da Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, cujo artigo 33 acresceu enunciado interpretativo ao artigo 8°, da Lei nº 10.925, de 2004, com o seguinte teor: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 10 “Para efeito de interpretação do inciso I, do §3°, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos”. Assim, reconheçase à recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3° da Lei de Regência. Da responsabilidade pelas multas e juros A recorrente requer que se exclua sua responsabilidade sobre multas e juros aplicáveis aos débitos compensados, porquanto a responsabilidade estabelecida no art. 132 do CTN não abrangeria multas decorrentes de infração. O pedido é incompreensível, pois todos os débitos declarados nas DComps findaram não compensados. Incidentalmente, se visava à exclusão da responsabilidade sobre os encargos incidentes na cobrança desses débitos, o pleito não merece conhecimento. Tratase de matéria estranha à lide, que, como já foi dito, diz respeito apenas à resistência oficial ao pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição e à não homologação das compensações vinculadas. Não há, nos autos qualquer início de procedimento de cobrança. Incidentalmente, ainda que houvesse, a jurisprudência deste Conselho entende que reclamações contra procedimentos de cobrança não são cursáveis sob o rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Confirase a esse respeito o Acórdão nº 310100.127, de 18/06/2009: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1991 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Cobrança de valores formalmente confessados e declarados à Receita Federal em procedimento de compensação de créditos tributários é matéria estranha à competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A busca de tutela jurisdicional caracteriza renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto. Recurso voluntário negado. Da falta de justificativa para as demais glosas Quanto à suposta ausência de justificativa para as glosas procedidas pela Fiscalização, o Termo de Verificação de Infração Fiscal relata que o sujeito passivo, apesar de intimado e reintimado, não apresentou planilha ou qualquer outro documento equivalente, contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não apresentou os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. Diante de tal situação, explica que restou à Fiscalização a alternativa de apurar os créditos da Contribuição com base nos arquivos digitais Fl. 506DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000033/201095 Acórdão n.º 3402002.581 S3C4T2 Fl. 502 11 dos registros fiscais que foram apresentados pelo próprio sujeito passivo. Os valores decorrentes do procedimento estão evidenciados nas planilhas que acompanham o mencionado Termo. Como se vê, não houve ajustes procedidos ex officio. Eventual redução do valor deferido em relação ao consignado nos Dacon decorreu exclusivamente das discrepâncias existentes entre esse Demonstrativo e os dados constantes dos arquivos digitais. Qualquer incorreção na apuração da Fiscalização deveria ser objeto de contestação específica, amparada em documentação. Ainda assim, na Manifestação de Inconformidade e mesmo no recurso, o contribuinte limitouse a combater as glosas genericamente, sem apresentar questionamentos específicos, nem documento comprobatório de que os valores tomados pela fiscalização ou critério por ela utilizado estariam incorretos. Conforme já se defendeu neste voto, toca ao interessado a prova do direito invocado. Da ilegitimidade da Recorrente para responder pelos débitos compensados A recorrente alega a ausência de responsabilidade para responder pelos débitos compensados em razão da responsabilidade pessoal e exclusiva dos dirigentes da sucedida, para fatos ocorridos até a data da incorporação. A argumentação está incorretamente formulado. Não há sentido algum em eximirse de responsabilidade por débito compensado, vale dizer, extinto. O que a recorrente pretende, imagino eu, é excluir sua responsabilidade por débitos não compensados, em decorrência do indeferimento do pleito de ressarcimento. Formulada dessa maneira a matéria, ressaltase a sua impertinência. É que o objeto da lide é o indeferimento do pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição Social e a não homologação das compensações vinculadas. Não se cuida da apreciação do lançamento de ofício de penalidades, nem mesmo da cobrança dos débitos indevidamente compensados – não há, nos autos, qualquer iniciativa de cobrança por parte da Administração dos débitos declarados nas DComps mas apenas do indeferimento do pedido e da não homologação das compensações. Cabe a esta Turma Recursal apenas a apreciação desse objeto, ou seja, ao julgamento do recurso voluntário contra o indeferimento do pedido de ressarcimento e contra a não homologação das compensações efetivadas pela interessada. Qualquer manifestação acerca de questão estranha à lide seria completamente inútil. Assim sendo, não conheço do recurso quanto à alegada ilegitimidade da recorrente para responder pelos débitos compensados. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, § 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2ª da Lei de Regência da não cumulatividade da Contribuição Social. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 12 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19311.720511/2013-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS.
A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como da documentação correspondente, implica o arbitramento de lucros.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
Numero da decisão: 1402-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas, indeferir o pedido de perícia e de oitiva de testemunha, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício a 75%; (ii) determinar a extinção da sujeição passiva solidária de Hugo Roberto Carl e Vivaldi Camargo Barbeiro. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como da documentação correspondente, implica o arbitramento de lucros. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Recurso Voluntário Provido em Parte. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
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(contribuinte), DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ (coobrigado), HUGO ROBERTO CARL (coobrigado) e VIVALDI CAMARGO BARBEIRO (coobrigada) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório. PROVA TESTEMUNHAL. Inexiste previsão legal para oitiva de testemunhas no julgamento administrativo em primeira instância. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de perícia. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 05 11 /2 01 3- 99 Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.069 2 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PRECEDENTE DO STJ NO RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC. A ausência de pagamento antecipado, ou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543C do CPC o que implica, em razão do disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, vinculação dos membros deste Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente a comprovação de dolo necessária à ocorrência de sonegação ou fraude, não subsiste a cominação da penalidade de 150%. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como da documentação correspondente, implica o arbitramento de lucros. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.070 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas, indeferir o pedido de perícia e de oitiva de testemunha, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício a 75%; (ii) determinar a extinção da sujeição passiva solidária de Hugo Roberto Carl e Vivaldi Camargo Barbeiro. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.071 4 Relatório DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ (coobrigado), HUGO ROBERTO CARL (coobrigado) e VIVALDI CAMARGO BARBEIRO (coobrigada) recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1446.001 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls.732 e seguintes, que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e respectivos consectários legais, como também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep – PIS, relativos a fatos geradores ocorridos no anocalendário (AC) 2008, em razão da constatação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Foi arbitrado o lucro com base no art. 530, III, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), uma vez que, sendo intimada a apresentar os livros contábeis e documentos de sua escrituração, a contribuinte deixou de fazêlo. Foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: TRIBUTO VALOR DO TRIBUTO R$ VALOR DOS JUROS DE MORA R$ VALOR DA MULTA R$ VALOR TOTAL R$ IRPJ 1.541.232,10 688.634,23 2.311.848,17 4.541.714,50 PIS 423.917,04 193.782,84 635.875,61 1.253.575,49 CSLL 704.354,43 314.750,80 1.056.531,65 2.075.636,88 COFINS 1.956.540,13 894.382,29 2.934.810,22 5.785.732,64 O enquadramento legal para o lançamento dos tributos deuse como a seguir demonstrado: • IRPJ: Art. 3º da Lei nº 9.249/95; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Art. 537 do RIR/99. • CSLL: Art.2º da Lei nº 7.689/88 com alterações do art. 2º da Lei nº 8.034/90; Arts. 2º e 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95; Art. 29, I, da Lei nº 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02; Art. 22 da Lei nº 10.684/03. • PIS: Arts. 1º da Lei Complementar (LC) n° 7/70; Art. 24, § 2º, da Lei n° 9.249/95; Arts. 2°, inciso I, 8º, I, e 9º da Lei nº 9.715/98; Arts. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.072 5 2º e 3º (com alterações do art. 2º da Medida Provisória MP nº 2.15835/01 e pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05) da Lei nº 9.718/98. • COFINS: Art. 1º da LC nº 70/91; Arts. 2º, 3º (com alterações do art. 2º da MP nº 2.15835/01 e pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05) e 8º da Lei nº 9.718/98; Art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95. Consta no Termo de Verificação Fiscal e Imputação de Sujeição Passiva (fls. 777 a 787) que a contribuinte adotou a sistemática do lucro real no anocalendário de 2008, com apuração trimestral, tendo transmitido a DIPJ e duas declarações DCTF com os valores zerados, sem informação. Por outro lado, sistemas da Receita Federal acusaram movimentação financeira da ordem de 78 milhões de reais no referido ano, com base em informações prestadas pelas instituições financeiras. Como a empresa não foi localizada no seu endereço cadastral, o Termo de Início de Fiscalização foi enviado para seus dois sócios: CARINA ROBERTA ARAÚJO e MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA, via postal, com Aviso de Recebimento. Não havendo qualquer manifestação por parte dos sócios, foi empreendida diligência fiscal, em 02/04/2012, ao seu endereço cadastral, na cidade de Itatiba, sendo constatado que neste endereço encontravase um galpão industrial onde eram exercidas as atividades da empresa "DA ROSA RAMALHO INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA. ME" (CNPJ 00.613.172/000130), conforme informações prestadas pelo funcionário EDSON PRIMO CRIVELLARI (RG 17.367.027 e CPF 068.708.17855). Nos fundos do interior do galpão foi vista no chão uma placa com o nome da empresa FORMILIGAS, que anteriormente lá se estabelecera. Uma vez que não houve manifestação por parte dos sócios em relação ao atendimento da intimação fiscal e sendo o exame dos extratos bancários indispensável para a continuidade da fiscalização, foi solicitada em 13/03/2012 a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos termos da Lei Complementar n° 105, de 2001, direcionadas para os bancos: Real, Luso Brasileiro, Itaú, Bradesco e Santander. Pela não localização da empresa e tendo em vista o silêncio de seus sócios foi elaborada, em 03/04/2012, Representação Fiscal para tornar a situação da inscrição da fiscalizada Inapta perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), processo 19311.720185/201239, culminando com o Ato Declaratório Executivo n° 70, de 11/12/2012 (DOU 13/12/2012). No início de abril de 2012, chegou à fiscalização, documento datado de 21/03/2012, encaminhado por MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA, residente na cidade de Santana, no estado do Amapá, no qual afirma "não ter posse dos documentos solicitados da FORMILIGAS, em virtude de não ter qualquer envolvimento com esta empresa". Apresentou ainda o documento "PEDIDO DE EXCLUSÃO DE SOCIEDADE EM Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.073 6 VIRTUDE DE VÍCIO", endereçado ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Macapá solicitando a exclusão de seu CPF da sociedade das empresas LITOFERME LITORAL FERROLIGAS E METAIS LTDA, COMERCIAL IMPORTADORA EXPORTADORA FORMILIGAS LTDA e DELLA VIDA INDUSTRIA E COMERCIO DE APARELHOS ORTOPÉDICOS LTDAEPP, por não ter qualquer participação societária nelas. Diante desse fato, foi feito pedido de cópia dos documentos arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) relativos às alterações contratuais promovidas pela contribuinte. Ao se confrontarem as assinaturas do documento apresentado por MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA com os documentos obtidos da Jucesp, ficou nítida a falta de semelhança entre elas. Posteriormente, foi encaminhado email por MARCELO TADEU CARNEIRO GONÇALVES com arquivo digital anexado contendo procuração outorgada pela contribuinte dando poderes de representação para o remetente. Em tal instrumento de procuração, a contribuinte fezse representada por MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA (CPF 221.531.36253, e RG 14.256.7839), com firma reconhecida pela escrevente do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais 9o Subdistrito da Vila Mariana, em São Paulo. Ao confrontar a procuração apresentada com o documento apresentado por MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA, restou nítida mais uma vez a disparidade entre as assinaturas. Diante do fato de haver no quadro societário da contribuinte sócio alegando não ter qualquer envolvimento com a empresa, foi afixado nas dependências da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí o Edital n° 38, de 09/04/2012, para formalizar a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Em função da disparidade entre as assinaturas, foi enviado ofício para o Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Vila Mariana, São Paulo, para obtenção de cópia do documento de identidade apresentado por MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SlLVA para abertura de firma no cartório, bem como a respectiva ficha de assinatura. Em resposta datada de 20/03/2013, a escrevente Naima Oliveira Santos informou que não consta em seus arquivos nenhum registro em nome de MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA e, “quanto ao reconhecimento de firma da procuração, na data de 21 de fevereiro de 2013, (1) a escrevente estava de férias, (2) o selo é falso, pois ainda não chegamos a essa numeração de FIRMA, e (3) a etiqueta é diferente do padrão". Registrou o autuante que foi procedida Consulta de Vínculos Empregatícios do Trabalhador no sistema CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), da Previdência Social. Em tal relatório, consta o registro de que MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA é empregado da empresa ANGLO FERROUS AMAPÁ MINERAÇÃO LTDA (CNPJ 06.030.747/000250 e 06.030.747/000330) desde 12/02/2007, em Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.074 7 dois de seus estabelecimentos: um na cidade de Pedra Branca do Amapari e o outro na cidade de Santana, ambas no estado do Amapá. Quanto aos depósitos bancários foi expedida intimação para a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, comprobatória da origem dos créditos nas contas bancárias, sendo sua ciência por meio do Edital n° 67, de 03/07/2012. Esgotado o prazo para atendimento da intimação fiscal sem qualquer manifestação por parte da contribuinte, solicitouse o comparecimento de várias pessoas que figuram nas alterações contratuais e que pudessem prestar esclarecimentos a respeito das operações da empresa. O Termo de Solicitação de Comparecimento foi enviado para CARINA ROBERTA ARAÚJO, HUGO ROBERTO MONTEIRO DE BARROS CARL, ANTONIO LIMA DOS SANTOS, DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ, SILVANA SILVA, e VIVALDI CAMARGO RIBEIRO. DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ enviou a esta fiscalização documento em papel timbrado do Hospital Sírio Libanês e firmado por seu médico, atestando que se encontrava desde o dia 29/08/2012 internado, sem previsão de alta hospitalar. Já HUGO ROBERTO MONTEIRO DE BARROS CARL apresentou instrumento de procuração para MARCELO TADEU CARNEIRO GONÇALVES, que compareceu a esta DRF/Jundiaí, e obteve uma cópia do Termo de Início de Procedimento Fiscal. Compareceu CARINA ROBERTA ARAÚJO, em 14/09/2012, para prestar esclarecimentos, abaixo reproduzidos: "A declarante, acompanhada de seu pai, JOSE CARLOS DL ARAUJO (CPF 468.816.46887), afirmou que em setembro de 2010 foi convidada pelo Sr. DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ a integrar o quadro societário da empresa COMERCIAL IMPORTADORA EXPORTADORA FORMILIGAS LTDA; que neste convite, ficou acertado que permaneceria como sócia por um período de dois meses, e que após este prazo, seria admitida na empresa como empregada na função de auxiliar administrativa, sem estabelecer ainda sua remuneração; que ingressou formalmente no início de outubro de 2010 conforme 14a Alteração Contratual datada de 04/10/2010 e registrada na Jucesp em 08/10/2010; que nesta época a empresa estava estabelecida na cidade de Cajamar e que estaria de mudança para a cidade de Itatiba, porém a mudança de domicílio não foi autorizada pela Sefaz (Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo) devido a uma série de guias não recolhidas e dívidas fiscais estaduais; por este motivo não se efetivaria sua contratação como empregada; que então, no mês de fevereiro de 2011, numa conversa com o Sr. DANIEL, solicitou que a retirasse do quadro societário; que foi formalizada sua saída através da 18° Alteração Contratual, de 01/07/2011, registrada na Jucesp em 29/07/2011; que não praticou qualquer ato de gestão em nome da FORMILIGAS; que os únicos documentos que assinou Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.075 8 foram as duas alterações contratuais. Foram entregues cópias das alterações contratuais.” Dada a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais e de qualquer outra documentação para a verificação da devida tributação, procedeuse ao arbitramento dos lucros, nos termos do art. 530, inciso III, do RIR/99 e foi exigida a multa qualificada de 150%. Com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional (CTN), foram lavrados Termos de Sujeição Passiva em nome de: 1) DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ (CPF 117.649.96887); 2) ANTONIO LIMA DOS SANTOS (CPF 392.238.41372); 3) HUGO ROBERTO MONTEIRO DE BARROS CARL (CPF 004.083.44849); 4) PEDRO RODRIGUES DE OLIVEIRA (CPF 269.930.11832); 5) VIVALDI CAMARGO BARBEIRO (CPF 054.806.778 37); 6) SANDRA DE LOURDES GONZALEZ BARBEIRO (CPF 036.245.91851); 7) MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA (CPF 221.531.36253); 8) CARINA ROBERTA ARAÚJO (CPF 293.143.86856). Em relação ao Banco Luso Brasileiro, figuram como acionistas ANTONIO LIMA DOS SANTOS e DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ. Como fontes de referência, figuram os nomes de VIVALDI CAMARGO BARBEIRO (contador da FISCALIZADA), e HUGO ROBERTO MONTEIRO DE BARROS CARL. Em sua ficha cadastral, ANTONIO LIMA DOS SANTOS se apresenta como gerente financeiro da FORMILIGAS. No cartão de autógrafos, DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ e ANTONIO LIMA DOS SANTOS têm amplos poderes para representar a empresa isoladamente. Dos documentos apresentados pelo Banco Itaú, as pessoas autorizadas a movimentar a conta bancária são HUGO ROBERTO MONTEIRO DE BARROS CARL, VIVALDI CAMARGO BARBEIRO e SANDRA DE LOURDES GONZALEZ BARBEIRO. Dos documentos apresentados pelo Banco Bradesco, no cartão de assinaturas consta o nome de MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA, com assinatura divergente da apresentada por ele nesta ação fiscal. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.076 9 Além disso, seu endereço é informado à Rua Coaracy Nunes, n° 369, na cidade de MacapáAP. O documento de identidade que aparece no cadastro do banco é o RG de n° 248474, emitido em 03/08/1993, expedido pela SSP/AP. Na resposta de MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA, este se identifica como sendo amapaense, e portador do CPF e do RG de mesmos números que os cadastrados no banco Bradesco. E dos documentos do Banco Santander, figuram os nomes de DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ e PEDRO RODRIGUES DE OLIVEIRA como sendo representantes e/ou procuradores. No cartão de assinaturas, como procurador, figura VIVALDI CAMARGO BARBEIRO, através de instrumento de procuração outorgada pelo administrador DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALEZ. Sendo notificados da autuação Sandra de Lourdes Gonzalez Babeiro, Carina Roberta Araújo, Daniel Costa Pedro Dario Gonzalez, Hugo Roberto Monteiro de Barros Carl e Vivaldi Camargo Barbeiro apresentaram impugnações, nas quais alegam: ● Sandra de Lourdes Gonzalez Barbeiro alega que desconhece a razão pela qual foi incluída no auto de infração. Contudo, ao que se pode perceber, a sociedade Comercial Importadora Exportadora Formiligas Ltda. responde por débito tributário do período de 2008. Dessa forma, vem informar que não figurava como sócia da empresa nesse período nem em 2011, quando se considerou a dissolução irregular da sociedade. Conforme pode ser lido na Ficha Cadastral Completa expedida pela JUCESP, foi incluída na sociedade Comercial Importadora Exportadora Formiligas Ltda em marco de 1998 (03/1998) e retirouse em fevereiro de 2002 (02/2002). Portanto, mostrase equivocada a sua inclusão como responsável dos débitos tributários da Comercial Importadora Exportadora Formiligas Ltda. porque não se enquadra na figura do responsável (CTN, art. 121, inc. II), isso é, "sem condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei". Nos termos do art. 135, do Código Tributário Nacional, não praticou qualquer ato com excesso de poderes ou contrario a lei, contrato social ou estatuto, e também não tinha qualquer poder de gerência. Ressaltase que se retirou da sociedade 6 anos antes da suposta ocorrência do fato gerador e 9 anos antes da suposta dissolução irregular da sociedade, motivo pelo qual não há que se falar em sua responsabilidade. Nem mesmo o fato de ter sido autorizada a movimentar a conta bancaria do Banco Itaú é o suficiente para justificar a sua inclusão nesse auto de infração. Isso porque, como se afirmou e comprovou, foi sócia Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.077 10 da sociedade devedora e naquele período hoje não mais tinha a autorização para movimentar a conta do Banco Itaú. Diante do exposto, nos termos do art. 121, inc. II, c/c com o art. 135, caput e inc. III pede a sua exclusão dos termos do presente auto de infração e imposição de multa. ● Carina Roberta Araújo alega que deve ser excluída do auto de infração porque nunca exerceu qualquer função de gerência na devedora originária, Formiligas. É robusta a prova documental que confirma esta assertiva. Não praticou qualquer ato de gestão em nome da FORMILIGAS. Os únicos documentos que assinou foram as duas alterações contratuais. É pessoa simples, vive pacatamente na cidade de Itatiba e foi convidada pelo sr. Daniel Costa para trabalhar na sociedade Formiligas como auxiliar administrativo. Contudo, ao aceitar o emprego oferecido foi surpreendida com uma estranha condição imposta pelo sr. Daniel: foi obrigada a assinar documento denominado "Alteração de Contrato Social" afirmando que esta seria sócia da sociedade Formiligas. Diante dessa estranha imposição tendo em vista que possuía aptidão apenas para exercer a função de auxiliar administrativo indagou ao sr. Daniel sobre essa medida, o qual foi explicado que esta trabalharia apenas por dois meses como suposta sócia e, ao final, seria regularmente registrada como funcionária da sociedade. Passados poucos meses da sua inclusão na sociedade e não concretizada a promessa do emprego fixo, a sra. Carina pediu a sua exclusão da sociedade, o qual foi prontamente acatada pelo sr. Daniel. Daí assinou alteração de contrato social, documento também apresentado à fiscalização. Como se vê, no exercício da sua função a sra. CARINA não tinha e nem poderia ter qualquer poder de gerência para decidir pagar ou não pagar tributos. Nem sequer era responsável por essa área, trabalhando no catálogo de documentos, na redação de cartas e atendendo ao telefone. Não era de sua responsabilidade o recolhimento e o pagamento de tributos. O CTN (art.121) descreve o sujeito passivo da obrigação tributária como aquele que guarde alguma relação com a situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária ou aquele que venha a ser chamado por lei a responder por ela: Não guarda qualquer relação com a situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária ora cobrada, nem, tampouco, tinha competência funcional ou administrativa para praticar algum ato com excesso de poderes ou infração da lei. Afinal, era mera Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.078 11 encarregada de custos da sociedade, executando tarefas em serviços de contabilidade. De fato, a sra. Carina, em meados de 2010 foi coagida a assinar documento que não tinha conhecimento, sob pena de não ser finalizado o processo de sua contratação. Aliás, para a realização das suas atividades, continuou a ser subordinada diretamente ao sr. Daniel este sim, amealhando lucros com a sua atividade. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial, apresentando a sua CTPS, momento em que poderá ser demonstrado o histórico da sua função de auxiliar administrativo. ● Daniel Costa Pedro Dario Gonzalez alega que o procedimento fiscal, como restará configurado, baseouse em provas obtidas por meios ilícitos, seja pela quebra inconstitucional do sigilo bancário, seja da segurança jurídica, seja pela falta de motivação para emissão do ato administrativo que solicitou a quebra do sigilo bancário. A total improcedência do lançamento em relação ao IRPJ e a CSLL por ter havido erro no lançamento quanto ao período de apuração, maculando toda a apuração do resultado no respectivo período. Assim como a improcedência do lançamento em relação ao PIS, COFINS e IPI dos meses de janeiro/2008 a maio/2008. Alega ser inconstitucional o art. 6o da Lei Complementar (LC) 105/2001 que permitiu o acesso do fisco às contas de depósito e aplicações financeiras dos contribuintes por haver violação ao art. 5º, incisos X e XII da Constituição Federal. No entanto, deixa de aprofundar tal debate na fase administrativa, uma vez que as instâncias administrativas têm se recusado a proceder ao exame de constitucionalidade da LC 105/2001 por entenderem estar tal exame na competência do Poder Judiciário. Recentemente, em 5/12/2010. o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário 389.908PR e concluiu pela inconstitucionalidade da LC nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001. Embora não seja uma decisão em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) existe para Recurso Extraordinário com matéria similar (RE 601.314) o reconhecimento da repercussão geral prevista no art. 543A do Código de Processo Civil (CPC). Resulta dizer que o resultado daquele irá ser repetido em todos os recursos similares. Ou seja, a inconstitucionalidade do art 6o da LC 105/2001 reconhecida pelo STF irá se propagar por todas as decisões emitidas pelo Poder Judiciário. E não só pelo Poder Judiciário. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) teve seu regimento alterado em 21/12/2010 pela Portaria MF 586/2010 e, entre as modificações, encontramos o art. 62A que determina que o Carf irá reproduzir as decisões do STF oriundas de recursos Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.079 12 para os quais houve o reconhecimento da repercussão geral. Logo. a inconstitucionalidade do art. 6° da LC 105/2001 irá repercutir também na esfera administrativa. Reconhecida tal inconstitucionalidade, o acesso do fisco aos dados bancários obtidos pela via administrativa será tido como ilegal, tornando ilícitas todas as provas daí decorrentes. Sem tais provas, o presente lançamento perderá totalmente sua motivação tática, o que resultará em sua total improcedência. O reconhecimento administrativo da improcedência evitará que a Fazenda Nacional seja condenada, em eventual ação judicial, a ônus sucumbencial e custas judiciais de expressivo valor monetário. Além disso, a legislação exige que, havendo procedimento fiscal instaurado, a autoridade fiscalizadora faça relatório circunstanciado do caso, justificando a indispensabilidade dos exames das contas de depósito e aplicações financeiras em um dos casos do art. 3º do Decreto 3.724/2001. Tal procedimento foi totalmente ignorado no presente caso. Não está nos autos o necessário relatório circunstanciado da autoridade fiscal. Sua presença nos autos é indispensável para que o contribuinte possa exercer seu direito à defesa. Sem o relatório circunstanciado como poderá o impugnante demonstrar que o exame de suas contas era totalmente dispensável e que não existiam as razões da autoridade fiscal para emitir a RMF? A inexistência do relatório circunstanciado nos autos equivale à sua inexistência. A emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF é ato administrativo que, como todo ato administrativo, necessita adequada motivação. No texto da própria RMF não há referência a qualquer inciso do art. 3º do Decreto 3.724/2001 fls. 67/70. Sendo a omissão da RMF ato administrativo emitido sem a motivação exigida pelo Decreto 3.724/2001, é ato nulo que deve ter sua nulidade declarada pela autoridade julgadora de primeira instância, o que requer o impugnante. Conseqüentemente, tornamse ilícitas todas as provas obtidas em virtude de tal requisição, o que fulmina todo o procedimento fiscal a partir desse ponto, resultando na total improcedência do lançamento. Ocorreu a decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 03/06/2013. A decadência em tributos cujo lançamento se dá por homologação, como o IRPJ, a CSLL, a Cofins e o PIS ocorre em cinco anos contados a partir do fato gerador, conforme farta e uníssona jurisprudência do Conselho de Contribuintes confirmada pela posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em resumo, considerando que a impugnante apresentou a DIPJ com fatos geradores trimestrais e que tomou ciência da presente autuação em 03/06/2013, estão decaídos os fatos geradores referentes aos Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.080 13 trimestres anteriores a 03/06/2008. o que atinge o primeiro trimestre de 2008 e os meses de janeiro/2008 a maio/2008 em relação ao PIS. Cofins e IPI. Ilegalidade da Taxa Selic como juros de mora. Não há previsão legal do que seja a taxa Selic. A lei apenas manda aplicála, sem indicar nenhum percentual, delegando indevidamente seu cálculo a ato governamental, que segue as naturais oscilações do mercado financeiro mas sempre com a preliminar interferência do Banco Central. O art. 161, § 1o do CTN, com força de lei complementar, determina que os juros serão de 1%, se a lei não dispuser em contrário. A lei ordinária não criou a Taxa Selic, mas apenas estabeleceu seu uso. A criação da Taxa Selic foi obra do poder regulamentar do Banco Central, não tendo sido expressão da atividade do Poder Legislativo. Por todo o exposto, requer a limitação dos juros de mora ao percentual de 0,5% ao mês. A autoridade fiscal fixou a multa de ofício em 150%, percentual que caracteriza confisco do patrimônio do impugnante conforme os tribunais pátrios já vêm decidindo. Para a multa de ofício os tribunais têm determinado que o percentual de 20% cumpre sua função para o sistema tributário. Diante disso, o impugnante requer a improcedência da multa de ofício aplicada e, subsidiariamente, a aplicação do percentual de 20% no caso dos autos. ● Hugo Roberto Monteiro de Barros Carl alega que deverá ser declarada a decadência parcial do crédito tributário porque prestadas as informações à autoridade fiscal no prazo determinado, esta dispunha do prazo de cinco anos para examinálas e homologálas ou não. Não o fazendo no prazo determinado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito (CTN, art. 150, § 4°). Aplicarseia a regra disposta no art. 173, inc. 1. apenas e tão somente se o contribuinte do tributo não procedesse ao cumprimento de qualquer "'autolançamento", o que não é a hipótese dos autos. Como é incontroverso e foi afirmado pela autoridade fiscal, a sociedade Comercial Importadora Exportadora Formiligas Ltda. cumpriu com o seu dever e apresentou as respectivas declarações (DIPJ e DCTF) dos tributos ora cobrados. Diante do exposto, é de rigor seja declarada a ocorrência da decadência em relação aos supostos ilícitos tributários cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de maio de 2008 porque o prazo decadencial de cinco anos transcorreu sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado e, portanto, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário daquele período. Alega que não poderá ser chamado para responder ao presente auto de infração porque não cometeu nenhum ato ilícito e a responsabilidade tributária prevista nos arts. 134 e 135 do Código Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.081 14 Tributário Nacional é subjetiva porque depende de prova do ato ilícito e do dano. Foi incluído como responsável pelo crédito tributário da sociedade fiscalizada apenas e tão somente porque um dia, em um passado muito distante, figurou como sócio da presente sociedade. E o simples fato de se associar não configura prática de ato ilícito. Daí porque, diante da ausência de imputação de ato ilícito ao sr. HUGO ROBERTO, indevida a sua inclusão como responsável tributário pelos débitos da sociedade Comercial Importadora Exportadora Formiligas Ltda. Por outro lado, não há que se falar em ato ilícito pela ausência de preenchimento detalhado das declarações DCTF e DIPJ. Afinal, foram cumpridas as exigências legais de preenchimento e apresentação das respectivas declarações e, portanto, não há que se imputar culpa há qualquer um dos agentes, principalmente ao sr. HUGO ROBERTO. Por fim, nem se diga que pelo simples fato de a sociedade ser supostamente devedora de tributos é o suficiente para imputar responsabilidade ao sr. HUGO ROBERTO. Por fim, o sr. HUGO ROBERTO não poderá responder pelos débitos da sociedade FORMILIGAS também porque não figurava como sócio na época da sua dissolução irregular. Em outras palavras, o sr. Hugo Roberto, enquanto sócio desta sociedade, mantinha endereço atualizado na cidade de Cajamar. E este endereço foi mantido por mais de um ano, após a sua saída da sociedade, em 27 de novembro de 2009. Apenas em outubro de 2010, na alteração societária registrada sob o n. 339.096/100. os sócios da sociedade Formiligas quais sejam, os srs. MARCO AURÉLIO DE CAMPOS SILVA, DANIEL COSTA PEDRO DARIO GONZALES E CARINA R0BERTA ARAUJO, consolidaram alteração da sede da sociedade para a Rua Basílio Consolini, nº 155, Jardim de Lucca, Itatiba, São Paulo. E como ficou muito bem demonstrado, o sr. HUGO ROBERTO nunca chegou a ser sócio da sociedade FORMILIGAS naquele endereço, exercendo as suas atividades apenas em Cajamar, São Paulo. Portanto, não pode ser imputada nenhuma responsabilidade sr. HUGO ROBERTO pela suposta dissolução irregular da sociedade, razão pela qual pede a sua exclusão do auto de infração ora respondido. A multa de ofício de 150% é confiscatória. Para a multa de ofício os tribunais têm determinado que o percentual de 20% cumpre sua função para o sistema tributário. Diante disso, o impugnante requer a improcedência da multa de ofício aplicada e, subsidiariamente, a aplicação do percentual de 20% no caso dos autos. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.082 15 No mérito, pede sejam observados os limites impostos para o arbitramento do lucro da sociedade e, por conseqüência, a retificação dos cálculos apresentados e dos montantes supostamente devidos. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente mediante juntada de documentos, perícia, oitiva de testemunhas, depoimento pessoal dos representantes legais da Formiligas e dos seus contadores. ● Vivaldi Camargo Barbeiro alega que O CTN (art.121) descreve o sujeito passivo da obrigação tributária como aquele que guarde alguma relação com a situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária ou aquele que venha a ser chamado por lei a responder por ela: Não guarda qualquer relação com a situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária ora cobrada, nem, tampouco, tinha competência funcional ou administrativa para praticar algum ato com excesso de poderes ou infração da lei. Afinal, era mera encarregada de custos da sociedade, executando tarefas em serviços de contabilidade. Não poderá ser chamado para responder ao presente auto de infração porque não cometeu nenhum ato ilícito. Como foi afirmado pela autoridade fiscal, o Sr. Vivaldi Camargo Barbeiro era prestador de serviço da sociedade FORMILIGAS. Ou seja, com relação a ela não tinha nenhum vínculo societário. Essa afirmação é cabalmente provada pela Ficha Cadastral Completa da sociedade expedida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo. Estabelecida essa premissa ausência de vinculo societário o Sr. Vivaldi não pode ser responsabilizado pela dissolução irregular da sociedade. Por outro lado, figurando como prestador de serviços para a sociedade, também não pode ser imputado a ele qualquer ato de administração. Os poderes do Sr. Vivaldi eram extremamente limitados. A sociedade, por meio do seu administrador, firmou instrumento de procuração ao Sr. Vivaldi para que este, utilizandose do seu knowhow prestasse os serviços de assessoria da maneira mais eficiente possível. E como é óbvio, devido à ausência de vinculo societário, a prestação dos serviços era remunerada por um preço. Ou seja, o Sr. Vivaldi não recebia dividendo, recebia salário da sociedade e não participava dos seus Lucros e Resultados. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.083 16 Em se tratando de responsabilidade subjetiva por ato ilícito, conforme dispõe os arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional, indispensável à imputação de algum tipo de ato ao suposto responsável tributário. Ao deixar de fazêlo, a autoridade fiscal não criou provas, indícios ou nem sequer algum vinculo de causalidade entre a conduta do Sr. Vivaldi e os tributos devidos. Diante dessa situação fática e jurídica, outra não é a solução, senão a conclusão de que o Sr. Vivaldi não poderá responder por obrigação tributária de outrem, devendo o seu nome ser excluído do presente auto de infração, nos termos dos arts. 121, inc. I, e 135, caput e inc. III, do Código Tributário Nacional. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente mediante juntada de documentos, perícia, oitiva de testemunhas, depoimento pessoal dos representantes legais da Formiligas. Ressaltase o teor do despacho de fls. 884, resumindo as questões atinentes às impugnações apresentadas e as revelias declaradas, do qual destaco a tabela e o parágrafo a seguir reproduzidos: Em análise das impugnações apresentada, a 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora as julgou improcedentes, excluindo, contudo a responsabilidade tributária atribuída à Sandra de Lourdes Gonzalez Babeiro e à Carina Roberta Araújo. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.084 17 O despacho de fls. 10651066 descreve em detalhes as questões atinentes à ciência do contribuinte e coobrigados, bem como aos questionamentos enfrentados em cada peça recursal, cujo quadro elaborado em tal expediente reproduzo a seguir: Ressalto, contudo, que o coobrigado Daniel Castro Pedro Dario Gonzalez, em seu recurso voluntário, ainda que de forma concisa, ataca a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída, embora, de fato, em sua impugnação não tenha atacado tal ponto (fls. 826842). Em síntese, os recorrentes repisam seus argumentos apresentados em impugnação, exceto quanto ao argumento da ausência de relatório circunstanciado que embasou a emissão das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira. É o relatório. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.085 18 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1. ADMISSIBILIDADE Os recursos são tempestivos. Com exceção do apresentado pelo contribuinte, os demais preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. No que atine ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, entendo que não deva ser conhecido, pois, como a pessoa jurídica não apresentou impugnação, não faz jus também ao recurso voluntário. De todo modo, não há maiores prejuízos ao interessado, uma vez que tendo os corresponsáveis impugnado e apresentado recursos voluntários em relação ao mérito da lide, mantevese a suspensão de exigibilidade do crédito tributário em litígio também em relação ao contribuinte. 2. RESUMO DA LIDE Tratase de lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em razão de omissão de rendimentos apontada pela autoridade fiscal com base em depósitos bancários sem comprovação de origem (art. 42 da Lei nº 9.430/96). O lucro do período foi arbitrado em razão de o contribuinte não apresentar os livros contábeis e documentação pertinente aos períodos de apuração em exame. Houve imputação de corresponsabilidade a sócios com poder de gerência, bem como à sua gerente administrativa à época dos fatos geradores (senhora Vivaldi Camargo Barbeiro). Passase à análise dos itens objeto de litígio. 3. DA SUPOSTA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO Os Recorrentes trazem à baila inúmeras questões atinentes a princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis. Ocorre que em relação a tais matérias, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.086 19 fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Assim sendo, não conheço do recurso em relação a tais pontos. 4. DA PRETENSA NULIDADE DO LANÇAMENTO Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.087 20 § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte e aos coobrigados, tanto que, já em sede de impugnação, os coobrigados defenderamse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de suas defesas. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado no Termo de Verificação Fiscal, no qual se apontou com minúcias os fatos constatados, qualificandoos e subsumindoos com perfeição aos dispositivos legais apontados no próprio relatório em questão. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, deve ser afastada esta arguição de nulidade. 5. DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA Aduzem os Recorrentes que deveria ser reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 03/06/2008. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.088 21 Entendo não lhe assistir razão. Em relação à contagem do prazo decadencial, assim dispõe o art. 150, § 4º do CTN, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, mas também a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observar na ementa do REsp 973733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.089 22 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, independentemente da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, item que será analisado em tópico específico deste voto quando da análise da qualificação da penalidade, é incontroversa a inexistência de recolhimento antecipado, o que implica que o início da contagem do prazo decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do CTN, conforme já salientado alhures. Não basta a confissão de dívida, como argumentou um dos Recorrentes em sua peça recursal, para que a contagem do prazo decadencial se dê a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Na ausência de pagamento antecipado, o início da contagem do prazo decadencial é postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. Portanto, em relação aos fatos geradores ocorridos até junho de 2008, o lançamento poderia ter sido realizado ainda no ano de 2008, e o início da contagem do prazo se deu em 01/01/2009, encerrandose em 31/12/2013. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.090 23 Ora, considerando que a do lançamento ocorreu 06/06/2013, não há que se falar em decadência. Rejeito, portanto, tal arguição. 6. DO ARBITRAMENTO DE LUCROS Em relação ao arbitramento, não se sustentam as razões apresentadas pela defesa. Isso porque o contribuinte, intimado a apresentar seus livros contábeis e fiscais, deixou de fazêlo. A decisão recorrida bem aborda a questão, por isso, transcrevo seus fundamentos como razões de decidir: Verificase nos autos que o arbitramento do lucro teve como fundamento o art. 530, III, do RIR, de 1999. No presente caso, a contribuinte, relativamente ao ano calendário de 2008, foi intimada a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur e os extratos bancários, e nada apresentou. Assim, não restou à fiscalização outra alternativa senão arbitrar o lucro da empresa e aplicar o disposto nos arts. 532 e 537 do citado regulamento, in verbis: Dispõe o RIR/1999, nos arts. 532 e 537: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (...) Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24).(sublinhei) Portanto, correto está o procedimento fiscal de arbitrar o lucro com base na receita bruta conhecida, para apurar a base de cálculo do imposto. Assim sendo, correto o arbitramento de lucros levado a efeito pela autoridade fiscal. 7. DA OMISSÃO DE RECEITAS Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.091 24 O contribuinte é acusado de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.092 25 condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. O contribuinte foi intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente, deixando de atender a contento a solicitação da autoridade fiscal. Ou seja, não houve a comprovação da origem dos depósitos questionados pelo Fisco, limitandose os Recorrentes a discorrerem sobre a impossibilidade de apresentação de documentação que comprovaria a origem dos depósitos, bem como que nem todos os depósitos corresponderiam a receitas. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.093 26 Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.094 27 IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A respeito da Súmula 182 expedida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.095 28 Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apurada em depósitos bancários de origem não comprovada. 8. LANÇAMENTOS REFLEXOS Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. De igual forma, o arbitramento de lucros levado a efeito em relação ao IRPJ impõe a mesma sistemática de apuração à CSLL. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, considerando as conclusões do IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter a simetria em tais exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser mantidos em sua totalidade. 9. DA MULTA DE OFÍCIO Sobre o tema, assim concluiu a decisão recorrida: A contribuinte contestou a multa aplicada no lançamento, alegando que é confiscatória e solicitando a sua redução. Verificase que a multa aplicada está prevista na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, e § 1º, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Referida multa tem natureza punitiva e é aplicada nos lançamentos de ofício, não ficando o seu percentual ao arbítrio da autoridade lançadora. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.096 29 Portanto, não cabe a sua redução para 20%, devendose esclarecer que somente se aplica tal percentual nos recolhimentos espontâneos, o que aqui não ocorreu. Quanto à alegação de que é confiscatória, como visto anteriormente, não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade na sua gênese. Em relação aos argumentos atinentes ao confisco, já se discorreu a respeito de suas peculiaridades no âmbito do processo administrativo fiscal. Para qualificação da penalidade, fazse necessário perquirir o dolo, um algo a mais em relação a uma mera omissão de receita. Nessa linha de raciocínio, inclusive, foi editada a Súmula CARF nº 14, assim vazada: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Entendeu a decisão recorrida restarem evidenciados os elementos necessários à manutenção da qualificação da penalidade. Divirjo de tal entendimento. A meu ver, os elementos apontados pela autoridade fiscal não permitem concluir ter o contribuinte tenha agido com dolo, de modo a caracterizar sonegação, fraude ou conluio a que aludem os artigos 71, 72 e 72 da Lei nº 4.502/1964. Isso porque a autuação baseiase única e exclusivamente em presunção legal de omissão de receitas, sendo que as contas bancárias em que se apoia o lançamento estavam em nome da própria empresa. Salientase que as demais peculiaridades descritas no termo de verificação em nada alteram as características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins de dosimetria da penalidade a ser cominada. Assim sendo, entendo que não há que se falar em qualificação da multa. Desse modo, voto por reduzir a penalidade ao percentual de 75%. 10. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A respeito do tema, frisase que o litígio limitase aos coobrigados Hugo Roberto Carl e Vivaldi Camargo Barbeiro. Isso porque alguns coobrigados sequer apresentaram impugnação (Antônio Lima dos Santos, Pedro Domingues de Oliveira e Marco Aurélio de Campos Silva), e o coobrigado Daniel Costa Pedro Dario Gonzalez, embora tenha apresentado impugnação, não contestou em sua peça recursal a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída, precluindo, portanto, seu direito de fazêlo em sede de recurso voluntário. Nesse sentido, em relação a tal ponto, deixo de conhecer suas razões apostas em sua peça recursal. Pois bem. Passo a análise do tema. A decisão recorrida manteve a imputação de responsabilidade atribuída a alguns dos coobrigados, nos seguintes termos: Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.097 30 Hugo Roberto Monteiro de Barros Carl, relacionado como responsável tributário, ingressou na sociedade em 30/08/2007 e se retirou em 2009, tendo exercido a função de gerente nesse período. Sendo sócio com poderes de gestão à época dos fatos (2008), verificase que realizou conjuntamente com o outro sóciogerente a situação configuradora do fato gerador e agiu com excesso de poderes e infração à lei ao omitir rendimentos, com a supressão dos tributos, e não fornecer documentos obrigatórios ao fisco. Ficou evidenciada no processo a ocorrência de fraude, portanto a ocorrência do dolo e a infração à lei. Assim, correta a imputação de sujeição passiva solidária ao Sr. Hugo, não somente com base no CTN, art. 124, I, mas também no art. 135, III, do referido código. Quanto a Vivaldi Camargo Barbeiro, consta no processo a procuração de fls. 131/132 outorgada pela autuada em 03/09/2004, com prazo indeterminado, na qual lhe foram concedidos amplos e especiais poderes para representar a contribuinte perante as repartições públicas federais, estaduais e minicipais, instituições bancárias, podendo abrir e movimentar contas em nome da outorgante, assinar contratos de financiamento em geral, assinar cheques, sustálos, dar quitação em duplicatas, determinar protestos ou cancelálos, descontar títulos, assinar contratos de leasing e tudo o que for necessário ao cargo de gerente administrativo da firma. Verificase que referida pessoa física não atuava como um simples prestador de serviços de contabilidade. Possuía amplos poderes para administrar a contribuinte e tinha sim, ao contrário do que afirma, competência funcional e administrativa para praticar atos com excesso de poderes ou infração da lei. Vivaldi, como administrador da autuada, realizou conjuntamente outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador dos tributos lançados. Infringiu a lei ao omitir rendimentos, com a supressão dos tributos, e não fornecer documentos obrigatórios ao fisco. Portanto, considero correta a imputação de responsabilidade a Vivaldi Camargo Barbeiro. Com a devida vênia, creio que tal imputação de responsabilidade não deve prevalecer. Com as ressalvas que farei ao final, adoto o entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto em seus inúmeros votos a respeito do tema: Nesse ponto, é fundamental para o deslinde o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.098 31 obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem.1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 2 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No caso de grupos econômicos definidos pela participação societária, como no presente caso, tal circunstância , por si só, não define juridicamente o interesse comum. O interesse jurídico se caracteriza quando a situação realizada por uma pessoa é capaz de gerar os mesmos direitos e obrigações para a outra. E este tipo de interesse não existe entre sociedades que mantêm a sua independência e distinção, ainda que vinculadas a um objetivo econômico comum. Para que duas sociedades tivessem interesse 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 2 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.099 32 jurídico comum capaz de imputar a solidariedade, seria necessário que ambas tivessem realizado conjuntamente o fato gerador tributário, como, por exemplo, que ambas fossem proprietárias do mesmo imóvel, ou que tivessem prestado um serviço em conjunto ou que tivessem alienado um produto ao mercado consumidor em parceria. 3 Sob esse prisma, a autoridade fiscal não apontou qualquer circunstância que estabelecesse um liame da coobrigada com a ocorrência do fato gerador, derivado de ações ou omissões praticadas exclusivamente pela autuada. Alinhandose a tal posicionamento, saliento, contudo, que caso a multa qualificada fosse mantida, entendo que restaria satisfeita a condição para imputação de responsabilidade aos coobrigados com poder de gerência com base no art. 135, III, do CTN. Contudo, tendo votado pela desqualificação da penalidade, ante a ausência de prova de interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN, não vislumbro como incluir os coobrigados no polo passivo da obrigação tributária. De igual forma, caso a imputação de responsabilidade com base no art. 135, III, do CTN se ancorasse na hipótese de dissolução irregular da sociedade, entendo que seria possível manter a responsabilidade dos administradores em questão. Sob o mesmo prisma, pareceme que haveria possibilidade de imputação de responsabilidade, por sucessão (com fulcro no art. 132, parágrafo único, do CTN), em relação à pessoa jurídica Da Rosa Ramalho Indústria e Comercio de Móveis Ltda ME (CNPJ 00.613.172/000130). Contudo, não tendo sido esses os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal, ou, no segundo caso, a pessoa jurídica sequer integrou a lide, não há como aperfeiçoar o procedimento administrativo quando de seu julgamento, o que não impedirá, contudo, que a Fazenda Nacional adote as providências necessárias a implementação de tal procedimentos em sede de execução fiscal. Do exposto, voto por determinar a extinção da sujeição passiva solidária de Hugo Roberto Carl e Vivaldi Camargo Barbeiro. 11. DA TAXA SELIC No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, a matéria encontrase absolutamente pacificada no âmbito do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. 3 idem Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.100 33 12. DO REQUERIMENTO DE PERÍCIA E DA PROVA TESTEMUNHAL Os interessados requereram em sua impugnação, e também em sede de recurso voluntário, a realização de perícia a fim de demonstrar que grande parte dos recursos movimentados em suas contas correntes diz respeito a valores estranhos ao seu faturamento. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido de perícia. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, sem trazer à baila elementos suficientes que pudessem comprovar suas alegações. Além disso, deixouse de identificar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, o que por si só, já seria suficiente para o indeferimento do pleito. Dessa forma, além da ausência do preenchimento dos requistos legais para seu deferimento, resta demonstrada a desnecessidade da perícia, uma vez que, conforme dispõe Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.101 34 o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia. No que tange ao pedido de provas testemunhas, outra sorte não merece o recurso. Por bem retratar o tema, adoto os fundamentos da decisão recorrida: Com relação à produção de prova testemunhal solicitada pela interessada, deve ser indeferida, porque o Decreto n° 70.235, de 1972 disciplina que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar (art. 15 e §§ 4°, 5° e 6° do art. 16), além de diligências e perícias na forma do art. 16, IV e §§. Não existe previsão legal para apresentação de provas testemunhais no julgamento administrativo em primeira instância. Digno de menção o ensinamento do insigne Francisco de Assis Praxedes, verbis: “No procedimento tributário administrativo, só se verifica o procedimento escrito, isto é, todos os atos processuais se exprimem por escrito. E de um modo apenas se movem os atos processuais. Dizer que o procedimento é apenas escrito é o mesmo que dizer que inexiste o procedimento oral no processo tributário administrativo federal, no âmbito do Ministério da Fazenda. Sendo o procedimento escrito, a conclusão é de que os meios de prova permitidos são a documental e a pericial, para a demonstração dos fatos deduzidos na petição de impugnação” (O Processo Tributário Administrativo no Âmbito Federal, Revista Resenha Tributária nº 21/82 – Comentários 1.3, p. 429)”. Indefiro, portanto, o pedido para oitiva de testemunhas. 13. CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas, indeferir o pedido de perícia e de oitiva de testemunha, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício a 75%; (ii) determinar a extinção da sujeição passiva solidária de Hugo Roberto Carl e Vivaldi Camargo Barbeiro. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720511/201399 Acórdão n.º 1402001.886 S1C4T2 Fl. 1.102 35 Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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