Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10494.000579/2007-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO EM CASO DE DESCAMINHO.
Provado que o contribuinte importou mercadorias do estrangeiro de forma ilícita e assim a internalizou clandestinamente no território nacional (descaminho), ocorre o fato gerador dos tributos incidentes na importação. O fato gerador é a entrada no território nacional. Provada esta, por todos meios lícitos, ocorre o fato gerador.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Julgamento iniciado na reunião de 10/2018.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO EM CASO DE DESCAMINHO. Provado que o contribuinte importou mercadorias do estrangeiro de forma ilícita e assim a internalizou clandestinamente no território nacional (descaminho), ocorre o fato gerador dos tributos incidentes na importação. O fato gerador é a entrada no território nacional. Provada esta, por todos meios lícitos, ocorre o fato gerador. Recurso Especial do Procurador provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10494.000579/2007-34
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5935211
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.716
nome_arquivo_s : Decisao_10494000579200734.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10494000579200734_5935211.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Julgamento iniciado na reunião de 10/2018. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7539295
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051151401746432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10494.000579/200734 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.716 – 3ª Turma Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria II, PIS/COFINSimportação Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUNSHINE INFORMÁTICA LTDA. E OUTRO ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO EM CASO DE DESCAMINHO. Provado que o contribuinte importou mercadorias do estrangeiro de forma ilícita e assim a internalizou clandestinamente no território nacional (descaminho), ocorre o fato gerador dos tributos incidentes na importação. O fato gerador é a entrada no território nacional. Provada esta, por todos meios lícitos, ocorre o fato gerador. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Julgamento iniciado na reunião de 10/2018. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 05 79 /2 00 7- 34 Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 10494.000579/200734 Acórdão n.º 9303007.716 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência do Procurador (fls. 1633/1639), admitido pelo despacho de fls. 1642/1643, que se insurge contra o Acórdão 3101000.261 (fls. 1620/1629), de 19/10/2010, que negou provimento aos recursos de ofício e voluntário, e cuja ementa foi vazada com a seguinte dicção: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 IMPORTAÇÃO CLANDESTINA. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. FALSIDADE. Incontroversa a ocorrência da Importação por meio clandestino. Prova robusta no sentido de que os produtos importados eram regularizados por meio de notas fiscais frias. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Não configurada a ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, em razão da ausência do Registro das Declarações de Importação (DI), dada a entrada clandestina das mercadorias no território nacional. FALTA DE REGISTRO DI. APLICABILIDADE DA MULTA DO ARTIGO 83, I LEI N° 4.502/64. INDEVIDA MAJORAÇÃO DE 20% SOBRE A MULTA. Aplicável a multa do artigo 83, I da Lei n° 4.502/64 em razão da entrega a consumo das mercadorias importadas clandestinamente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONFIGURADA. SÓCIO DE FATO. Comprovada a condição de sócio de fato da autuada, alem de restar demonstrada sua atuação como preposto desta, configurando sua responsabilidade solidária, em vista, ainda, do atendimento aos requisitos previstos pelo artigo 135 do CTN. Recursos de Oficio e Voluntário Negado. A Fazenda Nacional insurgese contra o entendimento do recorrido que negou provimento ao recurso de ofício, vez que a DRJ Florianópolis (fls. 1577/1587), por voto de qualidade, excluiu da exação os impostos, e seus consectários, incidentes sobre a importação, ao fundamento que a entrada clandestina no país de mercadorias estrangeiras não caracteriza a ocorrência do fato gerador dos respectivos tributos pois não há registros de despachos aduaneiros. Acosta como aresto divergente o de nº 30326982, o qual entendeu que a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional de forma clandestina (descaminho) dá azo a cobrança dos tributos incidentes na importação, que deve ser embasada nos registros contábeis dos contribuintes envolvidos. Vejase a ementa do paragonado: Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10494.000579/200734 Acórdão n.º 9303007.716 CSRFT3 Fl. 4 3 Descaminho; exigência dos tributos (LI. e I.P.I. vinculado) sobre importação irregular, além das multas do Artigo 526, inciso II do R.A.e do Artigo 365, inciso I do R.I.P.I.: Os registros contábeis empresa fazem prova quanto a movimentação de mercadorias. Entende a Fazenda que, nos termos do art. 19 do CTN, do caput do art. 1º do DL 37/66, e do art. 3º, I, da Lei 10.865/2004, "o fato gerador dos tributos decorrentes da importação se materializam com a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional". Assim, considerando que o ingresso das mercadorias é fato incontroverso nos autos, conclui que "uma vez verificada a entrada de produtos estrangeiros no território nacional, caracterizado está o fato gerador do imposto de importação, do PISimportação e COFINS importação". Ademais, consigna que "mantido o entendimento adotado pela decisão de primeira instância (ratificado pelo recorrido), estarseá diante de uma situação em que o Estado trata o indivíduo de maneira inversamente proporcional a sua conduta dolosa, fraudulenta". Pede provimento ao especial de divergência "a fim de que sejam restabelecidos os tributos decorrentes da importação realizada pelos contribuintes". Em contrarrazões (fls. 1660/1667), o contribuinte pugna pela manutenção do acórdão recorrido. Os recursos especiais do sujeito passivo e do responsável solidário não foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que processado. A questão trazida ao conhecimento desta Turma é quanto a decisão da DRJ Florianópolis que, por voto de qualidade (objeto do recurso de ofício negado pelo aresto vergastado), excluiu da exigência fiscal o valor referente aos tributos II e PIS/COFINS na importação por considerar indevida a cobrança de tributos cujo fato gerador seja a importação quando as mercadorias não tenham sido submetidas a despacho de importação. Traço um breve resumo dos fatos. Conforme informa o "Relatório de Fiscalização" (fls. 25 e segs) a autuada comercializou mercadorias estrangeiras sem documentação comprobatória de sua regular importação. O procedimento fiscalizatório iniciou com a apreensão de documentos, arquivos magnéticos e mercadorias por parte da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal na operação denominada "Operação Plata". Constatouse que a autuada, em conjunto com a empresa Comercial RTK Ltda, promovia a negociação de equipamentos de informática com representantes no exterior, em especial em Miami/EUA, e, posteriormente, os introduzia irregularmente no território nacional, comercializandoos no mercado interno. Para amparar a Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10494.000579/200734 Acórdão n.º 9303007.716 CSRFT3 Fl. 5 4 entrada das mercadorias no estoque utilizavase de notas fiscais de empresas nacionais, de modo a acobertar as importações clandestinas. A análise das notas fiscais de compra apreendidas, que demandou intimações e diligências às empresas constantes como emissoras dos documentos fiscais, comprovou que as mesmas eram falsas ou inidôneas, sendo que, na maioria dos casos, as empresas se encontravam inativas de fato, haja vista não entregarem declarações obrigatórias à Receita Federal, ou inaptas perante o CNPJ, bem como muitas delas na condição de "não habilitadas" no Sintegra/SP. Nos casos em que as empresas estavam ativas, as autorizações para emissão das notas fiscais eram falsas ou não amparavam as mesmas, sendo os documentos, por conseguinte, comprovadamente falsos. Inclusive foram encontrados formulários de notas fiscais dessas empresas, não preenchidos, em poder da autuada. A fiscalização verificou que a interessada registrou uma única Declaração de Importação no período, sendo que as mercadorias foram apreendidas e alvo de aplicação de pena de perdimento. Os documentos apreendidos na autuada comprovam que mais de sete milhões de reais em mercadorias estrangeiras foram por ela "importadas" irregularmente e comercializadas no mercado interno, com o uso de notas fiscais falsas ou inidôneas no período entre o fim do ano de 2004 e outubro de 2005. Diversas mensagens eletrônicas registradas nos computadores analisados deixam claro o envolvimento direto nas importações irregulares e comercialização das mercadorias dos sócios Sérgio Fernando Meneghel Colla (proprietário da autuada) e Régis Thumé Karam (sócio de fato e proprietário da empresa Comercial RTK Ltda). Face a tais fatos, a fiscalização lavrou autos de infração para exigência de imposto de importação, PIS/PASEPimportação, COFINSimportação, acrescidos de multa de oficio "agravada", em função da fraude comprovada. Para fins de cálculo do imposto e contribuições o preço das mercadorias foi arbitrado com base no disposto no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, utilizandose os documentos apreendidos, notadamente Invoices, Purchase Orders e Sales Orders, cotações internacionais e mensagens eletrônicas, sendo que os valores das notas fiscais eram contabilizados como sendo o custo de aquisição das mercadorias. As mercadorias foram classificadas e agrupadas em função do mês da nota fiscal de entrada, utilizandose a alíquota vigente no final de cada mês. Foi lavrado, ainda, auto de infração para exigência da multa prevista no artigo 83, I, da Lei n° 4.502/1964, em virtude da constatação do cometimento da infração de entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no território nacional. A base cálculo da multa considerou os valores das notas fiscais de entrada acrescidos de um percentual de 20% a titulo de margem. A DRJ, por unanimidade de votos, manteve essa multa, mas expungiu o percentual acrescido à base imponível. Sem embargo, os documentos apreendidos em poder da autuada (faturas comerciais, notas de compra, notas de venda e, em especial, as mensagens eletrônicas trocadas entre os autuados e os interlocutores estrangeiros) não deixam margem a dúvida sobre seu envolvimento direto nas importações das mercadorias e sua responsabilidade pela introdução clandestina das mesmas no país. Portanto, fato inconteste quanto à origem estrangeira das mercadorias e sua introdução clandestina no território nacional, no que não dissente o recorrido e mesmo o voto vencedor da decisão de piso. A meu juízo, fartamente provado que a autuada adquiria os Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10494.000579/200734 Acórdão n.º 9303007.716 CSRFT3 Fl. 6 5 produtos estrangeiros diretamente de fornecedores no exterior, de acordo com registro de conversações eletrônicas obtidos de seus computadores apreendidos pela Polícia Federal, parcialmente transcritas no relato fiscal (fls. 52/66), e com base em fornecedores laranjas (inexistentes de fato) ou notas fiscais "frias" simulava sua compra de empresa nacional. Contudo, tanto a decisão de piso quanto o recorrido, em que pese igualmente identificarem a fraude e a entrada irregular das mercadorias provindas diretamente do exterior, entenderam, em suma, que não havendo o despacho das mercadorias não ocorreria o fato gerador dos tributos incidentes na importação. O recorrido apegouse ao que dispõe o art. 23 do DL 37/66: Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Com efeito, esta é a quaestio a ser solvida, qual seja, se ocorre fato gerador de tributos incidentes na importação quando mercadoria comprovadamente adquirida do exterior, e que adentrou em território nacional clandestinamente, não é submetida a despacho de importação, hipótese de descaminho. Ou, em outras palavras, se no caso de importação fraudulenta que não se submeteu ao controle aduaneiro não ocorre fato gerador pelo simples fato de não ter sido submetida a despacho de importação? Sem adentrar ainda na questão jurídica, pareceme uma ilogicidade querer que uma mercadoria importada de forma fraudulenta, o que é inegável pela farta prova coligida aos autos tanto pela Polícia Federal quanto pela Receita Federal, seja submetida a despacho de importação quando o intento da fraude é, justamente, evadirse dos tributos incidentes na importação. Qual o fato gerador dos tributos exonerados? Nos termos do artigo 19 do Código Tributário Nacional, do caput do artigo 1º do Decretolei nº 37/1996, e do artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004, o fato gerador dos tributos decorrentes da importação se materializa com a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional. Nesse sentido, transcrevese o teor dos referidos dispositivos legais: CTN Art. 19. O imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no território nacional. Decretolei n 37/1996 Art.1 O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. Lei nº 10.865/2004 Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10494.000579/200734 Acórdão n.º 9303007.716 CSRFT3 Fl. 7 6 Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. ... Art. 3º O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou (...) Estreme de dúvida a meu juízo que provada a entrada em território nacional de mercadoria estrangeira, no caso em análise de forma fraudulenta, ocorre o fato gerador dos tributos lançados, como se depreende dos termos das normas suso transcritas. Tratandose de descaminho, não se aplica o art. 23 do DL 37/66, que a meu juízo só incide quando a mercadoria é importada regularmente, submetendose ao controle aduaneiro, pois o pressuposto da norma é "quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador...". A contrário senso, se a mercadoria foi introduzida clandestinamente, ou seja, esgueirandose de forma criminosa (descaminho é tipo penal!) do controle aduaneiro, justamente para não pagar os impostos incidentes na importação, não incide o referido art. 23 do DL 37/66, supedâneo do recorrido. Sem embargo, uma vez comprovada a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional, mesmo que de forma clandestina, correta é a constituição dos tributos decorrentes da importação. Outra opção a autoridade fiscal não poderia ter adotado, por força dos dispositivos legais acima citados e do poderdever do AuditorFiscal de promover o lançamento (art. 142 do CTN), formalizando a exação do II, PISImp. e COFINSImp. E a metodologia utilizada pela fiscalização, em proficiente1 procedimento fiscal, foi correta. Arbitrou a base de cálculo com arrimo no art 88 da MP 2.15835/2001, pois de fraude tratase o caso, tomando como valor aduaneiro aquele constante nas notas fiscais de entrada, critério absolutamente razoável. Tratandose de descaminho, como no caso vertente, portanto com animus dolandi de evadirse ao controle aduaneiro, o art. 116 do CTN define o aspecto temporal do fato gerador: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Mais uma vez sem reparos ao lançamento, pois a fiscalização embora considerando como valor aduaneiro aquele constante nas notas fiscais de entrada, agrupouas mês a mês, tomando como data da ocorrência do fato gerador o último dia do mês. DISPOSITIVO 1 Ou como disse a então impugnante: "Carece, assim, reconhcer o tratamento profissional e escorreito proporcionado aos então fiscalizados, obra de agentes público ciosos de suas obrigações, mas com estrito respeito e considerações aos contribuintes arrolados". (fl. 1518). Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10494.000579/200734 Acórdão n.º 9303007.716 CSRFT3 Fl. 8 7 Forte em todo o exposto, conheço e dou provimento ao recurso especial de divergência da Fazenda Nacional para restaurar a cobrança do Imposto de Importação, PIS importação e COFINSimportação, bem como de seus consectários legais. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10494.000579/200734 Acórdão n.º 9303007.716 CSRFT3 Fl. 9 8 Fl. 1757DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006883/2008-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. PAGAMENTO DOS DÉBITOS DEPOIS DO PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO.
O optante do Simples Nacional sujeita-se ao indeferimento do pedido, caso no regularize as . pendências fiscais impeditivas ao seu ingresso na sistemática até o término do prazo de opção.
Numero da decisão: 1001-000.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. PAGAMENTO DOS DÉBITOS DEPOIS DO PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. O optante do Simples Nacional sujeita-se ao indeferimento do pedido, caso no regularize as . pendências fiscais impeditivas ao seu ingresso na sistemática até o término do prazo de opção.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.006883/2008-53
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5922591
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.863
nome_arquivo_s : Decisao_10380006883200853.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10380006883200853_5922591.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7492133
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051151405940736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1290; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.006883/200853 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.863 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 03 de outubro de 2018 Matéria Exclusão do Simples Recorrente TROPICAL ART BRASIL EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. PAGAMENTO DOS DÉBITOS DEPOIS DO PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. O optante do Simples Nacional sujeitase ao indeferimento do pedido, caso no regularize as . pendências fiscais impeditivas ao seu ingresso na sistemática até o término do prazo de opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 68 83 /2 00 8- 53 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10380.006883/200853 Acórdão n.º 1001000.863 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 98 a 116) interposto contra o Acórdão nº 0820.172, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 88 a 89), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. PAGAMENTO DOS DÉBITOS DEPOIS DO PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO. O optante do Simples Nacional sujeitase ao indeferimento do pedido, caso no regularize as . pendências fiscais impeditivas ao seu ingresso na sistemática até o término do prazo de opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que manteve Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional relativa ao segundo semestre de 2008 (11 28), lavrado cm virtude de o contribuinte possuir débitos inscritos na Divida Ativa e débitos oriundos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RI:13) e Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), com fundamento no art. 17, V, da Lei Complementar n° 123, de 2006. 2. Ao examinar a manifestação apresentada pelo contribuinte (11 I ), a DRF/FOR proferiu despacho decisório As fls 22/23, assinalando que o interessado ainda possuía débitos oriundos da extinta SRP (art. 12, XVI. da Resolução CGSN IV 18, de 2007), indeferindo, dessa forma, o pedido. Para tanto, juntou relatório dc irregularidades Os 18/21. 3. Cientificado do decisório cm 17.01.2009 (11 25), o contribuinte apresentou manifestação em 26.01.2009 (Os 26/27), requerendo o ingresso no Simples Nacional, na medida em que comprova a inexistência da pendência fiscal apontada, mediante juntada de certidão negativa previdenciária emitida em 07.03.2008." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que procurou regularizar todos os seus débitos dentro do prazo devido para a opção ao Simples, emitiu CND válida naquele período, e que o débito pendente de regularização que motivou a nova negativa de opção só teria sido acusado pelo sistema posteriormente. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10380.006883/200853 Acórdão n.º 1001000.863 S1C0T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, devese estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Nestes trilhos, é mister exclusivo do Contribuinte zelar pelo adimplemento de todos os tributos por eles devidos no curso de suas operações. No caso concreto, a Recorrente alega que ao buscar a regularização de todos os seus débitos necessária a regular opção no Simples, supostamente, o sistema não haveria acusado todos os débitos existentes, o que teria induzidoa a promover apenas o seu adimplemento parcial. Outrossim, alega que a CND apresentada atestaria sua plena regularização pelo período de sua validade, o que, neste caso, seria suficiente para comprovar seu direito à opção intentada. Pois bem, sem dúvida assiste razão ao contribuinte quando comenta o caráter probatório da CND, no entanto, assim como acontece com todas as provas em direito, cabe o seu controle de validade e sua valoração de acordo com os demais elementos e evidências carreadas. A CND emitida tem o condão de gerar a presunção de regularidade fiscal do Contribuinte, contudo, não se trata de presunção absoluta, mas sim relativa. Ou seja, cabe sua desconsideração caso seja comprovado a existência de irregularidades fiscais Neste ponto, cabe salientar que tanto uma pendência posterior à emissão da CND tem o condão de invalidála, assim como a comprovação de pendências prévias não consideradas também o tem. Digase, mero erro na expedição da CND jamais pode justificar a realidade material dos fatos, qual seja, a existência de débito tributário. Em que pese a Recorrente busque justificar o seu direito pelo suposto equívoco dos sistemas fazendários ao não acusar no tempo devida a totalidade de seus débitos previdenciários em aberto, e até mesmo de permitir a expedição de CND, esta concorda em seu Recurso que estas pendências efetivamente existiram e só foram quitadas em momento posterior ao prazo para regularização. Ora, conforme já dito, o controle e cumprimento tempestivo das obrigações tributárias são de responsabilidade de cada Contribuinte. Ainda que a administração fazendária busque sempre o desenvolvimento de seus sistemas e métodos de trabalho afim de simplificar Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10380.006883/200853 Acórdão n.º 1001000.863 S1C0T1 Fl. 5 4 os procedimentos, não pode esta ser responsabilizada pelo atraso na regularização das obrigações da Recorrente. Desta feita, uma vez que restou inconteste que os débitos elencados às fls. 36 a 42 ainda restavam em aberto na data de Dezembro/2008, não há que se falar em regularidade fiscal da Recorrente no momento da opção pelo Simples. Destarte, como a própria Recorrente reconhece que os débitos elecandos às fls. 36 a 42 só foram regularizados em dezembro de 2008, quando o prazo para regularização já estaria esgotado, não há que se falar em direito à opção. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721004/2007-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. BASE DE CÁLCULO. VALOR DOS DÉBITOS DECLARADOS. ERRO DE FATO. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DOS DÉBITOS. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS AUTUAÇÃO. PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO ANTERIORMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO DA PRECLUSÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. ERRO DE FATO COMPROVADO. BASE DE CÁLCULO REDUZIDA.
Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, deve-se conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a manifestação de inconformidade ou impugnação.
Comprovado, após diligência realizada pela unidade local, que as retificações realizadas pelo contribuinte, mesmo após a ciência da autuação, estão lastreadas pela sua escrituração contábil e fiscal, tendo pleno suporte probatório, deve ser reconhecido o erro de fato no preenchimento da declaração para reduzir a base de cálculo da multa de ofício e readequar o valor exigido no auto de infração que imputou a aplicação de penalidade pela entrega extemporânea da DCTF, considerando procedente em parte o lançamento.
Recurso Voluntário provido.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 1002-000.460
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. BASE DE CÁLCULO. VALOR DOS DÉBITOS DECLARADOS. ERRO DE FATO. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DOS DÉBITOS. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS AUTUAÇÃO. PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO ANTERIORMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO DA PRECLUSÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. ERRO DE FATO COMPROVADO. BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, deve-se conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a manifestação de inconformidade ou impugnação. Comprovado, após diligência realizada pela unidade local, que as retificações realizadas pelo contribuinte, mesmo após a ciência da autuação, estão lastreadas pela sua escrituração contábil e fiscal, tendo pleno suporte probatório, deve ser reconhecido o erro de fato no preenchimento da declaração para reduzir a base de cálculo da multa de ofício e readequar o valor exigido no auto de infração que imputou a aplicação de penalidade pela entrega extemporânea da DCTF, considerando procedente em parte o lançamento. Recurso Voluntário provido. Crédito Tributário Mantido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.721004/2007-80
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5923945
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.460
nome_arquivo_s : Decisao_10580721004200780.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 10580721004200780_5923945.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7499978
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051151408037888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 183 1 182 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721004/200780 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.460 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria PENALIDADE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DCTF. Recorrente CENTRO EDUCACIONAL VILLA LOBOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. BASE DE CÁLCULO. VALOR DOS DÉBITOS DECLARADOS. ERRO DE FATO. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DOS DÉBITOS. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS AUTUAÇÃO. PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO ANTERIORMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO DA PRECLUSÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. ERRO DE FATO COMPROVADO. BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, devese conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a manifestação de inconformidade ou impugnação. Comprovado, após diligência realizada pela unidade local, que as retificações realizadas pelo contribuinte, mesmo após a ciência da autuação, estão lastreadas pela sua escrituração contábil e fiscal, tendo pleno suporte probatório, deve ser reconhecido o erro de fato no preenchimento da declaração para reduzir a base de cálculo da multa de ofício e readequar o valor exigido no auto de infração que imputou a aplicação de penalidade pela entrega extemporânea da DCTF, considerando procedente em parte o lançamento. Recurso Voluntário provido. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 04 /2 00 7- 80 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 184 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 32/33) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 25/26), proferida em sessão de 09 de fevereiro de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 1222.764, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF referente ao primeiro semestre de 2006, constante do Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM), no valor de R$ 18.104,39 (dezoito mil e cento e quatro reais e trinta e nove centavos), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AnoCalendário: 2006 ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. MULTA. Procede a multa quando o contribuinte entrega a declaração em atraso e não comprova que houve erro no respectivo cálculo. Lançamento Procedente Após estes breves apontamentos, observese o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, na forma que se extrai do relatório constante no Acórdão vergastado do juízo a quo: Trata o processo de auto de infração eletrônico realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (DRF/Salvador), no qual se exige o recolhimento da multa por atraso na entrega da DCTF referente ao primeiro semestre de 2006, no valor de R$ 18.104,39. O enquadramento legal consta no auto de infração. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 185 3 Inconformada, a interessa apresentou impugnação em 25/10/2007, após ter sido cientificada em 25/09/2007, conforme AR SUCOP, fls. 18/19, alegando que declarou equivocadamente o valor dos tributos pagos, retificando a DCTF para que o total de tributos seja de R$ 502.095,92, devendo a multa ser calculada sobre esta base de cálculo. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o valor integral da multa originalmente imposta e, por conseguinte, a procedência do lançamento da penalidade em todos os seus termos, eis, em síntese, razões de decidir do meritum causae: A interessada não acostou aos autos nenhum documento que comprove que ocorreu erro de fato, conforme exigido pelo parágrafo 1.º do artigo 147, do CTN. Portanto, não comprovou que a base de cálculo da multa está errada. Registrese que a retificação ocorreu após a autuação. Do recurso voluntário No recurso voluntário (efls. 32/33) o contribuinte reitera os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade, devolvendo a matéria anteriormente defendida para apreciação deste Colegiado. Em reforço argumentativo acrescenta que promoveu nova retificação da DCTF do 1.º semestre de 2006, alterando a base de cálculo do valor da multa para R$ 469.898,66 (quatrocentos e sessenta e nove mil e oitocentos e noventa e oito reais e sessenta e seis centavos). Pela oportunidade, apresenta os seguintes documentos (efls. 34/70): a) DARF’s recolhidos no período (1º sem. 2006), totalizando R$ 469.898,66 (quatrocentos e sessenta e nove mil e oitocentos e noventa e oito reais e sessenta e seis centavos); b) DCTF retificada de n.º 37.02.51.69.6817 do 1.º semestre de 2006; c) DIPJ do ano de 2003. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo distribuído para 1.ª Turma Ordinária da 1.ª Câmara que, na sessão de 07 de novembro de 2013, editou a Resolução n.º 1101000.114, em votação majoritária, cujo relatório ficou assim redigido (efls. 75/79): Tratase de Auto de Infração eletrônico em que se exige multa no valor de R$ 18.104,39, decorrente de atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativa ao 1.º semestre de 2006. Cientificada da exigência fiscal, a interessada apresentou declaração retificadora, reduzindo o valor do tributo devido. Em seguida, apresentou impugnação, argumentando, em síntese, que o Auto de Infração não poderia prosperar porque baseado em premissa equivocada, qual seja, a base de cálculo não corresponde à realidade, uma vez que a contribuinte apresentara declaração retificadora. Após a apresentação da Impugnação, porém antes do julgamento de 1.ª instância, a contribuinte apresentou nova Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 186 4 declaração retificadora, em que reduz mais uma vez o valor do tributo devido. Sobreveio a decisão de 1.ª instância que manteve o crédito tributário, sob o argumento de que a contribuinte não apresentou a prova da ocorrência do erro fato, como exige o art. 147, § 1.º, do CTN. Tempestivamente a Recorrente apresentou recurso voluntário, no qual aduz pede que a multa seja calculada em função do valor declarado na segunda DCTF retificadora. Lavrase um Termo de Transferência de Débitos, a fim de cobrar da Contribuinte o valor da multa pelo atraso na entrega da DCTF correspondente à base de cálculo que não foi contraditada no Recurso Voluntário. [efls. 71/73] O voto vencedor propondo a diligência tem por fundamento as seguintes razões e determinação de providências, verbo ad verbum: A recorrente questiona a penalidade que lhe foi aplicada em razão da apresentação, em atraso, da DCTF referente ao 1.º semestre de 2006. Diz que o valor exigido teve por referência os débitos ali informados no montante de R$ 1.810.439,17, mas alega que houve erro no preenchimento e que os débitos representariam, em verdade, R$ 502.095,92, consoante expresso em DCTF retificadora já apresentada. O Auto de Infração à fl. 04 evidencia que a contribuinte apresentou apenas em 17/10/2006 a DCTF que deveria ter sido apresentada até 06/10/2006. Na medida em que informara em DCTF débitos no valor de R$ 1.810.439,17, a multa correspondeu a 2% deste valor que, reduzida em 50% em razão da entrega espontânea, representou R$ 18.104,39. O lançamento foi lavrado em 12/09/2007 e cientificado à interessada em 25/09/2007 (fl. 18/19). Às fls. 16/17 constam os recibos de entrega das DCTF original e retificadora, esta última apresentada em 09/10/2007. Além de um pequeno aumento no débito correspondente a contribuições retidas (CSRF), que passou de R$ 1.060,41 para R$ 1.289,76, a diferença entre as declarações centrase, basicamente, na alteração do total de débitos de IRRF, que foi reduzido de R$ 1.391.147,62 para R$ 82.675,01. A autoridade julgadora de 1.ª instância manteve a exigência porque a interessada não acostou aos autos nenhum documento que comprove que ocorreu erro de fato, conforme exigido pelo parágrafo 1.º, do artigo 147 do CTN. Portanto, não comprovou que a base de cálculo da multa está errada. Acrescentou que a retificação ocorreu após a autuação. Em recurso voluntário, a contribuinte afirmou que a base de cálculo correta para aplicação da penalidade seria R$ 469.898,66, em razão de auditoria interna promovida após primeira retificação da DCTF. Afirmou juntar os DARF correspondentes a estes débitos, a segunda DCTF retificadora apresentada em 20/06/2008, e a DIPJ correspondente. Todavia, esta última não consta dos autos. Na segunda retificação da DCTF, o débito de contribuições retidas volta a ser de R$ 1.060,41, os débitos de IRRF são ainda Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 187 5 mais reduzidos a R$ 59.153,63, e os débitos de IRPJ e CSLL agora também são minorados (fl. 70). A autoridade preparadora apartou destes autos o crédito tributário não questionado, equivalente à penalidade calculada sobre os débitos reconhecidos de R$ 469.898,66, transferindoo para cobrança nos autos do processo administrativo nº 10580.721004/200780 (fls. 71/73). O I. Relator entende que a contribuinte não fez prova do erro de fato cometido no preenchimento da DCTF. Todavia, acredito que o caso revela a dificuldade em se fazer prova da inocorrência de um fato, dado que a interessada deveria demonstrar que não existiria a quase totalidade dos débitos de IRRF que ensejaram o total declarado de R$ 1.391.147,62, significativamente superior à parcela posteriormente confessada de R$ 82.675,01, e subsequentemente reduzida a R$ 59.153,63. De outro lado, observo a partir dos DARF juntados ao recurso voluntário, que a contribuinte indica débitos de imposto de renda retido sobre rendimentos de trabalho assalariado (código 0561) inferiores a R$ 10.000,00 mensais, bem como débitos de outras retenções sobre rendimentos pagos a pessoas físicas sem vínculo empregatício (código 0588) inferiores a R$ 50,00 mensais, e pagos a pessoas jurídicas (código 1708) inferiores a R$ 100,00 mensais. Para além disso, somente há notícia de retenções em face de rendimentos de renda fixa pagos a pessoas físicas (código 8053) que oscilam entre R$ 1.000,00 e R$ 5.000,00 em alguns meses. Logo, considerando o semestre abrangido pela DCTF, é razoável supor que a declaração de débitos de IRRF no valor total de R$ 1.391.147,62 poderia decorrer de erro de preenchimento. Por fim, anoto que os débitos mensais de COFINS recolhidos no 1.º semestre de 2006 oscilaram entre R$ 12.000,00 e R$ 15.000,00, de modo que inferindose daí o faturamento mensal de cerca de R$ 500.000,00, os débitos de IRRF informados na primeira DCTF apresentada consumiriam quase três meses deste faturamento. Entendo, assim, que a recorrente trouxe aos autos início de prova suficiente para suscitar dúvida acerca da dimensão da infração aqui penalizada. Por tais razões, voto por CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente verifique, junto à escrituração da contribuinte, se as informações prestadas na última DCTF retificadora apresentada para o 1.º semestre/2006 correspondem, de fato, aos créditos tributários que, devidos pela pessoa jurídica, deveriam ter sido por ela declarados. Ao final dos trabalhos, a autoridade fiscal deverá produzir relatório circunstanciado acerca de suas verificações, dele cientificando a recorrente com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para que ela se manifeste acerca das constatações fiscais antes da devolução dos autos a este Colegiado. Os autos foram então devolvidos à DRFSalvador, que intimou o contribuinte para apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias corridos: Fotocópia do Contrato Social e suas alterações; Livro Diário; Livro Razão; Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR; Livro de Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 188 6 Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ou equivalente; Planilhas de apuração da base de cálculo e respectivos tributos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, e a Contribuição Social Retida na Fonte – CSRF, referente ao 1.º semestre de 2006, em papel e em meio magnético (formato Excel); esclarecimentos acerca da redução dos valores informados em DCTF relativos ao 1.º semestre de 2006; esclarecimentos e elementos adicionais que entender necessários; dentre outros documentos (efls. 83/85). Com a resposta do contribuinte apresentando a documentação de suporte requisitada (efls. 92/164), a DRFSalvador produziu Relatório de Diligência Fiscal (efls. 168/178), datado de 19/09/2017, que, de forma conclusiva, atestou o seguinte: “Concluise que as informações quanto aos créditos tributários prestadas na última DCTF retificadora apresentada para o 1.º semestre/2006 estão suportadas na escrituração fiscal e contábil do contribuinte”. Com o resultado da diligência determinada na Resolução n.º 1101000.114, os autos retornaram ao CARF, para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário interposto pelo recorrente, no entanto, sendo a Resolução n.º 1101000.114, datada de 07 de novembro de 2013, os autos foram redistribuídos para esta Turma Extraordinária, doravante competente para estes autos. Especialmente o "Despacho de Encaminhamento" (efls. 182), em 25/01/2018, consigna que, após o retorno de diligência de Câmara e turma extintas, encaminhouse os autos para novo sorteio. Após sorteio eletrônico, este relator recebeu a distribuição dos autos em 09/08/2018 para relatoria e decisão, tendo solicitado a inclusão em pauta no dia 02/09/2018, sendo publicada a pauta em 13/09/2018. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 189 7 de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 28.207,64. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM) decorrente de atraso na entrega da DCTF do 1.º semestre de 2006, que só foi entregue em 17/10/2006, quando o prazo final de entrega vencia em 06/10/2006, ou seja, o contribuinte entregou a DCTF em questão com 11 (onze) dias de atraso. O AIIM possui as seguintes características descritivas: 4 – DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – Multa por atraso na entrega da declaração – Código 1845 Valor em Reais Montante informado na DCTF 1.810.439,17 Percentual Aplicável – 2% x Quantidade de meses/fração de atraso (limitado a 20%) Valor da multa por atraso da entrega da declaração: 2% X 1 X 1.810.439,17 = R$ 36.208,78 X 50% 18.104,39 Valor da multa a pagar 18.104,39 5 – DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTO LEGAL Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mêscalendário ou fração, respeitando o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00, no caso de inatividade, a de R$ 500,00, nos demais casos. A multa cabível foi reduzida em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima. Fundamentação legal: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 190 8 Art. 113, § 3.º, e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/1966 (CTN); art. 11 do DecretoLei n.º 1.968, de 23/11/1982, com redação dada pelo art. 10 do DecretoLei n.º 2.085, de 28/10/1983; art. 30 da Lei n.º 9.249, de 26/12/1995; art. 1.º da Instrução Normativa SRF n.º 18, de 24/02/2000; art. 7.º da Lei n.º 10.248, de 24/04/2002. A tese do recorrente lastreiase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da citada declaração, ou seja, controverte apenas quanto ao valor exigido da multa, face a um erro na base de cálculo, mas não a exigência em si. O litígio é relacionado a mensuração da exigência. Por oportunidade da manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou apenas e tão somente a DCTF retificadora, que só foi transmitida após a autuação da unidade local. No recurso voluntário o sujeito passivo apresentou indícios de prova de sua escrita contábil e em razão disso os autos foram baixados em diligência. Pautandose no formalismo moderado que deve viger no âmbito do processo administrativo fiscal, ainda que, no momento adequado, a saber, na impugnação ao AIIM, o contribuinte não tenha apresentado toda sua escrituração fiscal, de forma a atestar o equívoco no preenchimento da DCTF (erro de fato), o só fato de ter controvertido quanto a base de cálculo da multa, sob a premissa de erro de preenchimento, permitiu à instância revisora flexibilizar a preclusão para, respaldado pelo princípio da busca da verdade material, determinar diligência para verificar se de fato houve a impropriedade apontada pelo contribuinte, admitindose, excepcionalmente, a juntada posterior de documentação probatória capaz de ilidir a higidez do AIIM. Aliás, neste diapasão, válido destacar que a prova juntada com o recurso voluntário deve ser analisada por estar em sintonia com a matéria controvertida desde o primeiro momento em que o contribuinte se pronunciou nos autos instaurando o litígio, sendo meramente complementar para esclarecer ponto específico de dúvida. De mais a mais, importante destacar a premissa em que se lastreou as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 191 9 impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Nesse sentido, os documentos apresentados no recurso voluntário e as conclusões da diligência realizada são suficientes para convencer este relator e são conhecidas e apreciadas neste voto. Em especial, a diligência determinou a realização de verdadeira auditoria contábil na escrituração fiscal e contábil da contribuinte, relativamente ao período compreendido na DCTF que deu azo à controvérsia ora discutida, de forma a buscar a verdade real, procurandose atestar se o fato jurídico declarado pelo recorrente em suas retificações estava suficientemente comprovado através dos meios de prova admitidos pela legislação em vigor (Livro Diário, Livro Razão, LALUR etc.). Com o posicionamento conclusivo da DRFSalvador, a controvérsia deste recurso resta saneada, na medida em que a unidade de origem apurou que o somatório de débitos indicados na última DCTF retificadora, entregue pelo contribuinte, na data de 20/06/2008, encontrase devidamente lastreado em sua documentação contábil, possuindo pleno suporte material. Assim, não me resta alternativa senão reconhecer que o recorrente logrou êxito em demonstrar a imposição de multa excessiva, haja vista que a alíquota da sanção foi aplicada sobre base de cálculo equivocada, decorrente de erro de fato, consistente no preenchimento equívoco da DCTF do 1.º semestre de 2006. Retificada a discrepância numérica apontada pelo recorrente em sua declaração, passando a indicar a base de cálculo adequada, o montante da multa de ofício é reduzido para o quantum de R$ 4.698,99 (quatro mil e seiscentos e noventa e oito reais e noventa e nove centavos), montante este que, inclusive, já foi objeto de Processo de Exigência de Crédito (Processo n.º 10580.732021/201218), nos termos do § 1.º do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, em razão do desmembramento operado pelo Despacho SECAT/DRF/SDR n.º 3.223/2012. Dessa forma, entendo pela reforma do acórdão recorrido, para dar total provimento ao recurso voluntário interposto, para fins de reconhecer o erro material no preenchimento da DCTF do 1.º semestre de 2006, reduzindo a base de cálculo da multa pelo atraso da entrega da declaração para R$ 469.898,66 (quatrocentos e sessenta e nove mil e oitocentos e noventa e oito reais e sessenta e seis centavos), fazendo com que o montante da multa a ser exigida do contribuinte se limite a quantia de R$ 4.698,99 (quatro mil e seiscentos e noventa e oito reais e noventa e nove centavos). Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento para o fim de reconhecer o erro material no preenchimento da DCTF do 1.º semestre de 2006, a qual foi posteriormente retificada, admitindo a redução da base de cálculo da multa pelo atraso da entrega da declaração para R$ 469.898,66 (quatrocentos e sessenta e nove mil e oitocentos e noventa e oito reais e sessenta e seis centavos), fazendo com que o montante da multa a ser exigida do contribuinte seja de R$ 4.698,99 (quatro mil e seiscentos e noventa e oito reais e noventa e nove centavos). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.721004/200780 Acórdão n.º 1002000.460 S1C0T2 Fl. 192 10 É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003336/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/09/2009
SAT. READEQUAÇÃO DO AUTOENQUADRAMENTO REALIZADA PELO CONTRIBUINTE. IRREGULARIDADE.
A simples mudança da natureza jurídica do contribuinte é insuficiente para determinar a alteração da alíquota SAT. Demonstrado que ficou que a finalidade e as atividades desempenhadas sobre a duas naturezas jurídicas eram semelhantes.
Numero da decisão: 2803-003.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, caso mais benéfica ao contribuinte, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato que votaram pela exclusão do SAT.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator ad hoc do voto vencido e do voto vencedor na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/09/2009 SAT. READEQUAÇÃO DO AUTOENQUADRAMENTO REALIZADA PELO CONTRIBUINTE. IRREGULARIDADE. A simples mudança da natureza jurídica do contribuinte é insuficiente para determinar a alteração da alíquota SAT. Demonstrado que ficou que a finalidade e as atividades desempenhadas sobre a duas naturezas jurídicas eram semelhantes.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10510.003336/2009-74
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5519551
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-003.753
nome_arquivo_s : Decisao_10510003336200974.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GUSTAVO VETTORATO
nome_arquivo_pdf_s : 10510003336200974_5519551.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, caso mais benéfica ao contribuinte, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato que votaram pela exclusão do SAT. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc do voto vencido e do voto vencedor na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
id : 6123040
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048118838165504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.003336/200974 Recurso nº 10.510.003336200974 Voluntário Acórdão nº 2803003.753 – 3ª Turma Especial Sessão de 9 de outubro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE HABITACAO E OBRAS PUBLICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/09/2009 SAT. READEQUAÇÃO DO AUTOENQUADRAMENTO REALIZADA PELO CONTRIBUINTE. IRREGULARIDADE. A simples mudança da natureza jurídica do contribuinte é insuficiente para determinar a alteração da alíquota SAT. Demonstrado que ficou que a finalidade e as atividades desempenhadas sobre a duas naturezas jurídicas eram semelhantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, caso mais benéfica ao contribuinte, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato que votaram pela exclusão do SAT. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 33 36 /2 00 9- 74 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Marcelo Oliveira Redator ad hoc do voto vencido e do voto vencedor na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.003336/200974 Acórdão n.º 2803003.753 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.355 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 339 e seguintes do processo digital), que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, §§ 3o e 5o, da Lei n. 8.2121991, por ter deixado de informar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias no período de 01/02/2007 a 31/01/2008, ao deixar de informar corretamente todos fatos geradores de contribuições previdenciária e correta alíquota de SAT/RAT em GFIP. Contudo, em acórdão a DRJ reduziu a multa por aplicação da sanção limitando à 75% como prevista no art. 35A, da Lei n. 8.212/1991 com a redação da Lei 11941/2009. A ciência do auto de infração inaugural foi em 18.12.2009 (fls. 334). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: dupla incidência da penalidade sobre os mesmos fatos geradores(infrações), indevida cumulação de multa de mora com multa de descumprimento de obrigação acessória, inconstitucionalidade das contribuições sobre valores pagos às cooperativas de trabalho. O julgamento foi convertido em diligência para juntada dos autos do lançamento Debcad n.37.189.3178, de forma a oportunizar a alegação de bis in idem, o que foi atendido pela autoridade preparadora. Os autos retornaram para apreciação. É o relatório. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira Redator do voto vencido ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto vencido ter deixado o CARF antes de sua formalização fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, assim como do redator do voto vencedor, com as quais não necessariamente concordo. I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Primeiramente, observase que a argumentação recursal sobre inconstitucionalidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre serviços contratados de cooperativas em nada se refere ao objeto do lançamento, assim deixase de apreciálo. III –À preliminar de bis in idem, efetivamente a mesma ocorreu, o presente lançamento aplicou multa por desobediência ao art. 32, IV, da Lei n. 8212/1991, sobre os mesmos fatos geradores, que o lançado pelos mesmo motivos no DEBCAD 37.189.3160, anexado em diligência. Enquanto no presente processo, mesmo sendo um lançamento referente à sanção por descumprimento de obrigação acessória, o fiscal lavrou a multa de ofício aplicada à descumprimento de obrigação principal, art. 35A, da Lei n. 8.212/2014. A interpretação do fiscal desconsiderou que multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício Fl. 534DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.003336/200974 Acórdão n.º 2803003.753 S2TE03 Fl. 4 5 por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retrotatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), e a natureza da obrigação descumprida, a fiscalização deveria ter aplicado a comparação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Da forma colocada nos presentes autos, efetivamente houve duplo lançamento, devendo, no mínimo um ser cancelado. No caso, deve o presente lançamento ser cancelado, também porque demonstra a inadequação da motivação jurídica do lançamento, pois o auto de infração pretende constituir crédito oriundo de descumprimento de obrigação acessória aplicandose sanção agravada de descumprimento de obrigação principal, também supra demonstrado. Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/172). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação Fl. 535DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. ratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO TOTAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. IV Em tempo, em caso de não compreensão do posto acima pela Turma Especial, passase diretamente à reclassificação das atividades da empresa para fins de SAT, a partir de 06.2007, em que a alíquota foi alterada de 2% para 3%, conforme Anexo V Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas) do RPS, alterado pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, segundo a fiscalização, exclusivamente em razão do CNAE. Como prevê a própria legislação, o enquadramento e reenquadramento da atividade econômica da empresa para fins SAT tem como base a atividade laboral exercida pela preponderância dos seus empregados, não simplesmente um contrato de prestação de serviços. Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho – SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, o voto do Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, desta mesma Turma Especial, no julgamento do Recurso Voluntário n. 257.987, do processo n. 11020.000119/200826, é o norte da presente decisão: Segundo o magistério da professora Cláudia Salles Vilela Vianna (in Previdência Social – Custeio e Benefícios. – São Paulo : LTr. 2005. páginas 218 / 220), a partir da competência julho/2007, a atividade preponderante da empresa, para fins de enquadramento na alíquota de grau de risco destinada a arrecadar recursos para custear o financiamento dos benefícios concedidos em razão de maior incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, é aquela Fl. 536DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.003336/200974 Acórdão n.º 2803003.753 S2TE03 Fl. 5 7 que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Para a realização do autoenquadramento, deverá o empregador, portanto, obedecer às seguintes disposições, notadamente em relação a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas, como é o caso da Recorrente: Inicialmente, deverá se enquadrar por estabelecimento, em cada uma das atividades econômicas existentes, prevalecendo como preponderante aquela que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Em seguida, comparará os enquadramentos dos estabelecimentos para definir o enquadramento da empresa, cuja atividade preponderante será, então, aquela que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, apurada dentre todos os seus estabelecimentos. A título de exemplo, imaginemos uma empresa com mais de um estabelecimento, como matriz e filiais, que têm o mesmo CNPJ raiz. Chamaremos de Estabelecimentos 01, 02, e 03. O Estabelecimento 01 tem a atividade “A” com 10 (dez) empregados, a atividade “B” com 15 (quinze) empregados e a atividade “C” com 20 (vinte) empregados. A atividade preponderante do Estabelecimento 01 é a “C”, com 20 (vinte) empregados. Continuando o mesmo exemplo imaginemos que o Estabelecimento 02 tem a atividade “D” com 25 (vinte e cinco) empregados, a atividade “E” com 05 (cinco) empregados e a atividade “F” com 15 (quinze) empregados. Assim, a atividade preponderante no Estabelecimento 02 é a “D”, com 25 (vinte e cinco) empregados. Finalmente, o Estabelecimento 03 tem a atividade “G” com 10 (dez) empregados, a atividade “H” com 20 (vinte) empregados e a atividade “I” com 15 (quinze) empregados. A atividade preponderante no Estabelecimento 03 é a “H”, com 20 (vinte) empregados. A conclusão a que se chega do exemplo acima é que a ATIVIDADE PREPONDERANTE NA EMPRESA É A “D”, COM 25 EMPREGADOS. Assim sendo, percebese que a fórmula acima é que deve ser utilizada para se determinar a atividade preponderante relativamente ao correto enquadramento no grau de risco, metodologia que foi totalmente ignorada pela fiscalização, conforme comprova o subitem 3.3.2 do Relatório Fiscal (fls. 689). Ao realizar o enquadramento de ofício somente porque, em tese, preponderariam as atividades referentes às CNAE`s sob os códigos 85111, 85120, 85138 e 85146, efetivamente, não nos Fl. 537DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 parece ser a maneira mais correta de aferição para sustentar o lançamento. O fisco para realizar o enquadramento de ofício deveria ter verificado, in loco, no caso a empresa como um todo, incluindo aí o hospital, as diversas atividades existentes nos estabelecimentos da recorrente, e não arbitrar utilizando a CNAE como elemento suficiente para se cumprir seu mister. No que diz respeito à Classificação Nacional de Atividades Econômica CNAE, segundo a apresentação constante do site da RFB (www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNAEFiscal/txtcna e.htm), a CNAEFiscal é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do país. Tratase de um detalhamento da CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, aplicada a todos os agentes econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços, podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou públicas, estabelecimentos agrícolas, organismos públicos e privados, instituições sem fins lucrativos e agentes autônomos (pessoa física). A CNAE Fiscal resulta de um trabalho conjunto das três esferas de governo, elaborada sob a coordenação da Receita Federal do Brasil e orientação técnica do IBGE, com representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE Fiscal, que atua em caráter permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. A tabela de códigos e denominações da CNAE Fiscal foi oficializada mediante publicação no DOU Resolução IBGE/CONCLA 01 de 25/06/98 e atualizações posteriores. Sua estrutura hierárquica mantém a mesma estrutura da CNAE (5 dígitos), adicionando um nível hierárquico a partir de detalhamento de classes da CNAE, com 07 dígitos, específico para atender necessidades da organização dos Cadastros de Pessoas Jurídicas no âmbito da Administração Tributária. Na Receita Federal do Brasil, a CNAE Fiscal é o código a ser informado na Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ) que alimentará o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica/CNPJ. A responsabilidade em relação à gestão e manutenção da CNAE está a cargo do IBGE, a partir das deliberações da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. Das definições e responsabilidades acima mencionadas, restou evidenciado que as possibilidades aventadas pela fiscalização e também pela i. Relatora são totalmente incompatíveis com a realidade fática das empresas de um modo geral. No que concerne à responsabilidade mensal pelo enquadramento no grau de risco, observada a atividade Fl. 538DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.003336/200974 Acórdão n.º 2803003.753 S2TE03 Fl. 6 9 econômica preponderante, a legislação previdenciária determinou que tal função está a cargo do próprio sujeito passivo, cabendo ao fisco rever o autoenquadramento em qualquer tempo. Ora, querer atribuir ao sujeito passivo o ônus tributário pretendido somente porque ele tem a responsabilidade de realizar o enquadramento mensal no grau de risco e utilizar a CNAE Fiscal como balizador de tal obrigação é, sem dúvida, querer ignorar completamente o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal. O enquadramento na CNAE é realizado uma única vez quando a empresa faz seu cadastramento no CNPJ do Ministério da Fazenda. Depois disto, haverá modificações somente na hipótese de alteração da sua natureza jurídica. Destarte, não resta nenhuma dúvida em relação à impossibilidade de a empresa, mensalmente, alterar suas informações cadastrais na CNAE, como é de sua responsabilidade, ao contrário, a realização de seu enquadramento no grau de risco, observandose, como já mencionado, a sua atividade econômica preponderante. Para deixar bem clara a impossibilidade de respaldar a pretensão do fisco, tomamos como exemplo uma empresa da indústria da construção civil, cujo grau de risco é o máximo (3%). Nesse caso, é correto afirmar que tal empresa poderá em algum momento de sua existência estar sem qualquer obra em curso. No entanto, os empregados da área administrativa e diretiva são mantidos e estão aguardando a contratação de novos empreendimentos. De acordo com o entendimento do fisco, no exemplo acima, tendo em vista a CNAE da empresa de construção civil, o enquadramento teria que ser aquele de grau máximo, ou seja, de 3% (três por cento). Todavia, seguindo as determinações da legislação previdenciária, caso a empresa tenha realizado o enquadramento mensal em grau de risco distinto do máximo, não há que se falar em revisão do autoenquadramento embasado apenas na CNAE. Destarte, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso apresentado pelo contribuinte, excluindo do lançamento o acréscimo de alíquota em razão do reenquadramento efetuado pela Autoridade Fiscal relativamente ao SAT/RAT. Em adição de tais argumentos, da mesma forma que está ratificado pelo PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 (ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011), observando a necessidade de uma fiscalização em loco exigida ao caso, verificase uma afronta ao que dispõe os artigos 142 e 147 do CTN, bem como dos artigos 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, que exigem a demonstração pela fiscalização dos fatos precisos que motivaram o desenquadramento da situação anterior do SAT, bem como afeta diretamente a constituição da Fl. 539DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 norma de incidência tributária na formação de sua alíquota (elemento quantitativo), sob pena de haver, no mínimo, uma nulidade por vício material do crédito lançado. Assim, deve ser cancelada, por nulidade material, a parcela do crédito lançado com base na diferença de alíquota de SAT/RAT, dos períodos de 06/2007 e seguintes. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. VI Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, no sentido reformar a decisão recorrida e cancelar o lançamento em razão de nulidade por vício material. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc do voto vencido na data da formalização. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10510.003336/200974 Acórdão n.º 2803003.753 S2TE03 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator ad hoc do voto vencedor na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto vencedor ter deixado a Câmara antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Na assentada de julgamento do presente caso divergi do I. Relator, no que tange a reclassificação da alíquota SAT do contribuinte por entender que não houve reclassificação por conta do fisco. A situação dos autos em análise não é a comum que se verifica na maioria dos casos, quando se deve perquerir e demonstrar em que atividade estão a maioria dos trabalhadores do contribuinte para se fixar o que vem a ser atividade preponderante, não é esse, o caso que aqui se verifica e expõe. A entidade fiscalizada era uma sociedade de economia mista e nesta qualidade se auto enquadrava na alíquota SAT de 3%, em dado momento de sua história tornouse uma autarquia por determinação legal e passou a recolher alíquota SAT de 1%, porém retornou a sua condição anterior de sociedade de economia mista quando voltou para a alíquota SAT de 3%, ou seja, como bem demonstrou o agente lançador em seu REFISC a recorrente reduziu sua alíquota de contribuição ao SAT apenas em razão da alteração de sua designação jurídica sem que houvesse realmente uma alteração de sua finalidade ou das atividades a serem desenvolvidos que eram idênticas ou similares a da empresa sucedida. Está é a razão pela qual entendo ser desnecessário a demonstração da atividade preponderante pelo fisco, pois as atividades desenvolvidas são semelhantes mudando apenas a alíquota em razão da natureza jurídica da entidade sem demonstração de alteração dos demais elementos. Aliás, foi isso que disse e considerou o agente lançador, veja a transcrição. Assim sendo, entendo que está justificado e demonstrada a regularidade do lançamento. Todavia, reconheço que a aplicação da multa como estabelecido no auto de infração fere o espírito da nova lei, pois a pena que era estipulada no artigo 32, parágrafo 5º, com a limitação do parágrafo 4º, tudo da Lei 8.212/91 na redação anterior, passou a ter outro patamar, conforme nova sistemática introduzida pelo artigo 32, A, I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Assim sendo, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 deve a multa ser recalculada na forma estabelecida em lei, como acima declinado e sem levar em consideração o cálculo da PT Conjunta PGFN/RFB 14/2009. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, no sentido reformar a decisão recorrida e determinar a aplicação da multa do artigo 32AI, da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc do voto vencedor na data da formalização. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720620/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
IRPJ. CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS.
A compensação de prejuízos está limitada a 30%, assim como a compensação da base de cálculo negativa da CSLL, ainda que no encerramento das atividades da empresa, pois inexiste base legal para a utilização integral dos prejuízos fiscais acumulados.
Numero da decisão: 1201-001.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e João Figueiredo, que lhe davam provimento por considerarem inaplicável o limite de 30% na compensação de resultados fiscais negativos no momento da extinção da pessoa jurídica.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 IRPJ. CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. A compensação de prejuízos está limitada a 30%, assim como a compensação da base de cálculo negativa da CSLL, ainda que no encerramento das atividades da empresa, pois inexiste base legal para a utilização integral dos prejuízos fiscais acumulados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13896.720620/2011-34
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567346
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.298
nome_arquivo_s : Decisao_13896720620201134.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Roberto Caparroz de Almeida
nome_arquivo_pdf_s : 13896720620201134_5567346.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e João Figueiredo, que lhe davam provimento por considerarem inaplicável o limite de 30% na compensação de resultados fiscais negativos no momento da extinção da pessoa jurídica. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6275834
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048118914711552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.720620/201134 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.298 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2016 Matéria Auto de Infração Recorrente JOSE MARCOS DE SOUZA FREIRE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no lançamento por ilegitimidade passiva se a exigência foi formalizada em face do sócio administrador da pessoa jurídica quando, após a liquidação voluntária desta, foram apurados tributos devidos por inobservância de dispositivo legal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 IRPJ. CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. A compensação de prejuízos está limitada a 30%, assim como a compensação da base de cálculo negativa da CSLL, ainda que no encerramento das atividades da empresa, pois inexiste base legal para a utilização integral dos prejuízos fiscais acumulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e João Figueiredo, que lhe davam provimento por considerarem inaplicável o limite de 30% na compensação de resultados fiscais negativos no momento da extinção da pessoa jurídica. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 06 20 /2 01 1- 34 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de processo anteriormente destinado à 2a Turma desta Câmara que, por meio da Resolução n. 1202000.193 sobrestou, em 11 de junho de 2013, o julgamento do feito, relativo à questão da trava de 30% para as compensações de prejuízo do IRPJ e das bases negativas da CSLL. Posteriormente, com a revogação dos dispositivos que autorizavam o sobrestamento no âmbito deste Conselho, a Secretaria, mediante despacho, promoveu novo sorteio para a apreciação do mérito. Como a matéria fática e jurídica já foi apresentada na supracitada Resolução, peço vênia para reproduzila, conforme segue: Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação contra autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrados em face da pessoa física José Marcos de Souza Freire, na condição de responsável tributário, em razão da constatação de compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa acima do limite legal de 30%, no anocalendário de 2006, na pessoa jurídica M & D Comércio de Alimentos Ltda., da qual era sócio administrador. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls.69/74), a pessoa jurídica foi intimada e reintimada do início da ação fiscal de revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais, relativa ao anocalendário 2006 (DIPJ 2007), mas não se manifestou. Com base nos elementos dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, detectouse divergência na compensação dos prejuízos fiscais e na compensação da base de cálculo da CSLL. A autoridade fiscal apontou falta de previsão legal para a compensação integral dos prejuízos fiscais, sem observância do limite máximo de 30% do Lucro Líquido depois de ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas e autorizadas Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 4 3 pela legislação, nos termos do art. 510 do RIR/99, assim como em relação à compensação integral da base de cálculo negativa da CSLL, conforme previsto no art. 58 da Lei nº 8.981/95, ratificado pelo art.16 da Lei nº 9.065/95. Sobre a identificação do Sujeito Passivo, a autoridade fiscal relatou que: (i) em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificouse que a situação cadastral da empresa é de “Baixada” em 15/01/2007, tendo por motivo “Extinção por encerramento de Liquidação Voluntária”; (ii) a M&D apresentou em 10 de Maio de 2007 Declaração de Informações EconômicoFiscais, retificada por declaração apresentada em 23 de Maio de 2007, informando a sua extinção; (iii) consulta à ficha cadastral simplificada da empresa, disponibilizada na internet pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, corrobora a informação de que a empresa foi dissolvida. Fazendo referência ao inciso V, e seu parágrafo único, III, do art. 207 do RIR/99 e arts. 124 e 135 do CTN, o autuante considerou o Sr. José Marcos de Souza Freire, CPF 007.731.75806, então sócioadministrador da M&D, como responsável tributário. Inicialmente, foi aberto outro procedimento fiscal e solicitada a prestação de esclarecimentos sobre a infração verificada, o que não foi atendido. Em seguida, o responsável tributário foi cientificado dos Autos de Infração, por via postal, em 28/04/2011, tendo apresentado impugnação com as razões de defesa a seguir sintetizadas: a) argúi, em preliminar, sua ilegitimidade sob alegação de que: não teve quaisquer relações de direito material com a Fazenda Nacional. Assevera ter sido sócio da referida empresa e ostentar, a partir de sua extinção, a qualidade de liquidante, como atesta a anexa cópia do distrato social; não se confunde sujeito passivo da obrigação tributária com representante da pessoa jurídica, sócio ou não. conforme arts. 51 e 1102 do Código Civil, embora extinta a pessoa jurídica, não é possível a terminação imediata das relações jurídicas de que participa, daí porque se segue a fase de liquidação, a fim de apurar os créditos, pagar os débitos e destinar o patrimônio remanescente, cabendo ao liquidante representar a companhia e praticar todos os atos necessários à liquidação, a teor do art. 211 da Lei 6.404/76; em que pesem argumentos contrários, não se pode confundir relação de direito material com representatividade; a relação de direito material se deu entre a sociedade ... e o Fisco, jamais com o sócio administrador, que tem poder de representatividade, razão porque o auto deveria ter sido endereçado a pessoa jurídica e não ao sócio; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 5 4 a fundamentação encontrada pela Sr. Auditor, para lavrar o auto em nome do sócio, não se amolda à espécie, pois a sociedade foi regularmente liquidada, e foi apresentada declaração de rendimentos de encerramento, cuja baixa se deu por esse órgão à vista dos documentos apresentados; o auto de infração só poderia ter sido lavrado em nome da sociedade, representada pelo liquidante, e, jamais em seu nome, como é óbvio inferirse, estando a ação fiscal endereçada contra a pessoa errada, decorrendo, daí, sua nulidade. No mérito, defende a possibilidade de compensar a integralidade dos prejuízos verificados em exercício anteriores na circunstância de dissolução da sociedade. Reportase a laudo técnico produzido no âmbito judicial atestando a obtenção de prejuízo desde 2000 na atividade de franquia da marca McDonalds. Menciona que a restrição à compensação integral, estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 8.981/95, continua a partir de janeiro de 1996 por força do artigo 15 da lei nº 9.065/95, mas defende que, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuinte, confirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a limitação na compensação não se aplica quando se trata de declaração de encerramento. Cita decisões dos colegiados para amparar sua tese. Acrescenta ser absurdo conceber o pagamento de imposto sobre prejuízos, cuja imposição viola expressamente o quanto disposto no artigo 43 do CTN, além de caracterizar grave violação ao direito de propriedade, tal como expresso no artigo 5º, inciso XXII, da Constituição Federal, além, por óbvio, de causar grave insegurança jurídica aos contribuintes. Expõe, ainda, que, constatada a extinção da sociedade por quaisquer das hipóteses previstas em lei, não há que se falar em restrição da compensação de prejuízo, porque isto equivale à imposição de pagamento sobre prejuízo, a caracterizar verdadeiro confisco. Finaliza requerendo a anulação do Auto de Infração e protestando provar o alegado pela prova documental acostada a esta e, por eventual perícia, se necessária, eis que o laudo colacionado, elaborado sob o crivo do contraditório, é mais do que suficiente para corroborar as alegações feitas. A decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 6 5 Não se cogita de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, se a exigência foi formalizada em face do sócio administrador da pessoa jurídica porque, após a liquidação voluntária desta, foram apurados tributos devidos por inobservância de dispositivo legal. PROVA PERICIAL. Indeferese o pedido de perícia inadequadamente formulado e desnecessário para o fim pretendido. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ. CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da CSLL. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 13/07/2012 (cfe. AR, fl. 311), apresentou recurso voluntário ao CARF, em 13/08/2012 (fls.313/323), em que sustenta, preliminarmente, a nulidade do lançamento, em razão da ilegitimidade do sócio para figurar como devedor tributário com fulcro no art. 135 do CTN, visto que “a empresa foi baixada no dia 15 de janeiro de 2007, como reconhecido no auto de infração (fls. 4 e 6)”. Cita arts. 207 e 211 da Lei nº 6.404/76 e art. 51 do Código Civil. Pede, como consequência, o reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário. No mérito, aduz que a decisão recorrida está em contradição com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes à época dos fatos, que considerava que “a limitação na compensação não se aplica quando se trata de declaração de encerramento (AC Nº 101/95.725/2006 no DOU de 22.11.06)”. Aponta que a dissolução da sociedade ocorreu no ano de 2006, sendo realizado balanço de encerramento nos moldes da legislação e jurisprudência da época. Cita conceito doutrinário de renda, o art. 189 da Lei nº 6.404/76 e o art. 110 do CTN e pede a improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Tendo em vista os argumentos trazidos pela defesa, faremos a análise tópica dos pontos levantados na peça recursal. 1. Das Preliminares Em preliminar, alega a Recorrente a nulidade do lançamento efetuado em face do sócio administrador, por ilegitimidade passiva. A autoridade fiscal fundamentou os lançamentos de sujeição passiva a partir de diversos dispositivos legais, notadamente os artigos 207, inciso V e parágrafo único, III, do Regulamento do Imposto de Renda e 124 e 135 do Código Tributário Nacional. De acordo com os fatos narrados, é incontroverso que houve a baixa e consequente extinção da pessoa jurídica M&D Comércio de Alimentos Ltda., em 15 de janeiro de 2007, mediante entrega da respectiva declaração de encerramento, de sorte que não se aplica ao caso o disposto no artigo 207 do RIR, nem tampouco o artigo 124 do CTN, que trata de solidariedade, posto que não houve lançamento contra a pessoa jurídica. O fundamento aplicável, na hipótese dos autos, é o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, que estabelece: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifamos) Sabese que a imputação de responsabilidade ao sócio administrador da empresa não é indiscriminada, apenas em razão de eventual falta de pagamento, mas condicionada a um agir específico, nos moldes do que já se decidiu, entre outros, no RESP 1.153.873/2009: A simples falta de pagamento, pela empresa, de débito nascido de ato lícito do seu administrador, não torna o seu administrador por ele responsável. Assim, a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do mesmo Código, somente se configura se tiver ele dado, em razão da prática de atos com Fl. 348DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 8 7 excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos causa ao nascimento da obrigação tributária inadimplida”. (grifamos) No caso dos autos podemos concluir que a conduta do sócio administrador da empresa em extinção, ao entregar a Declaração de Informações EconômicoFiscais relativa ao anocalendário de 2006, pela qual buscou aproveitar integralmente o prejuízo acumulado de exercícios anteriores, sem previsão normativa, preenche o conceito de infração à lei veiculado pelo entendimento do STJ, posto que os artigos 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 expressamente fixam o limite de 30% para as compensações. Entendo, portanto, que houve infração tributária imputável ao sujeito passivo, na qualidade de responsável, razão pela qual afasto a preliminar de nulidade suscitada. No mesmo sentido, também não pode prosperar a alegação, trazida apenas no recurso voluntário, de que teria ocorrido decadência em prejuízo do Fisco. Isso porque os fatos se reportam a janeiro (baixa da empresa) e maio de 2007, quando da entrega da declaração e efetiva compensação integral dos prejuízos e bases negativas, sendo certo que o lançamento ora discutido teve a ciência do sujeito passivo em 28 de abril de 2011. Descabe, portanto, o argumento de decadência. 2. Do Mérito Quanto ao mérito, o cerne da questão se subsume à possibilidade de compensação integral do prejuízo acumulado de IRPJ e das bases negativas da CSLL. A matéria, como visto, é regida pelos artigos 15 e 16 da Lei n. 9.065/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 9 8 De se notar que inexiste, na legislação de regência, qualquer exceção ou permissivo para a compensação integral de prejuízos, ainda que no momento de extinção das empresas. Esta Turma já firmou entendimento no sentido de que o limite de 30% deve ser observado sem exceções, por ausência de disposição legal em contrário. A despeito dos argumentos trazidos pela Recorrente, o limite para a compensação dos prejuízos e das bases negativas tem posição firmada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, que decidiu, em 25 de março de 2009, pela sua constitucionalidade, por meio de acórdão paradigmático proferido no Recurso Extraordinário n. 344.994/PR. Naquele julgamento, o STF firmou o entendimento de que o direito à dedução de prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores seria instrumento de política tributária, mediante benefício fiscal em favor do contribuinte, de tal sorte que poderia ser manipulado pelo Poder Legislativo: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. A matéria, entretanto, será objeto de nova manifestação pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, dada a repercussão geral reconhecida no RE n. 591.340/SP. Ressaltese que o motivo da apreciação pelo STF recai sobre a possível violação de princípios constitucionais, notadamente os da capacidade contributiva, o da vedação ao efeito confiscatório em seara tributária e, por fim, o da isonomia. Na esteira da decisão do Supremo Tribunal Federal, este Conselho tem decidido pela legalidade da trava dos 30%, inclusive nas hipóteses de incorporação ou encerramento de empresas. Como exemplo, podemos citar a decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão nº 9101004018 (sessão de outubro de 2009), na qual se negou provimento ao Recurso Especial apresentado pelo contribuinte contra o acórdão nº 10515908 e se firmou o entendimento de que o limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores também é aplicável no encerramento das atividades da empresa, conforme ementa a seguir: IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 10 9 O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Igual raciocínio é adotado em praticamente todas as Turmas deste Conselho, razão pela qual, na esteira da posição que já abracei em julgamentos anteriores, mantenho o entendimento de que a trava dos 30% deva também ser aplicada nos casos de extinção societária, como ocorre no presente processo. Isso porque a limitação prevista em lei é de natureza cronológica, pois se refere ao resultado de cada anocalendário apurado pelos contribuintes. Certamente quis o legislador evitar que as empresas, ao compensarem integralmente os prejuízos de exercícios anteriores, simplesmente deixassem de recolher aos cofres públicos qualquer valor, o que traria graves impactos ao orçamento. Com efeito, apurar lucro tributável no exercício, mas deixar de pagar um centavo sequer ao Estado configura, em meu sentir, ofensa ao princípio da igualdade, pois tal benefício não é facultado aos demais contribuintes, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao lucro presumido, por exemplo. Embora a sistemática do lucro real permita o reconhecimento e o aproveitamento de resultados negativos, o legislador decidiu, por razões de política fiscal e econômica, limitar as compensações, no intuito de garantir um mínimo de recursos oriundos das grandes empresas. Ora, se a decisão de incorporar ou extinguir empresas é nitidamente privada, como corolário do princípio da autonomia da vontade, cabe a cada empresário considerar, em seu planejamento, o momento adequado de promover tais medidas, respeitando as regras e os efeitos tributários da sua deliberação. A decisão pela extinção automaticamente fulminou o critério temporal da norma, pois para a empresa encerrada não haverá novo exercício. Como não existirão resultados futuros também não haverá espaço para compensação. Conquanto se possa argumentar que, justamente em razão disso seria o momento da extinção aquele adequado para o aproveitamento integral dos prejuízos acumulados, entendo em sentido contrário, até porque inexiste comando autorizador para tal medida. Nesse sentido, pelos fundamentos apresentados e pela ausência de previsão legal para a espécie, entendo que não assiste razão à Recorrente, até porque, como regra geral, a matéria encontrase sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13896.720620/201134 Acórdão n.º 1201001.298 S1C2T1 Fl. 11 10 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907078/2011-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/02/2001
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/02/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10930.907078/2011-71
anomes_publicacao_s : 201510
conteudo_id_s : 5537454
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.155
nome_arquivo_s : Decisao_10930907078201171.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10930907078201171_5537454.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 6163573
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048119235575808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 89 1 88 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907078/201171 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.155 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria PIS/Pasep PER/RESTITUIÇÃO Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/02/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 78 /2 01 1- 71 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 88), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.478, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 12223.86212.300605.1.2.042486, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472193). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 184,77, referente ao pagamento efetuado em 15/02/2001, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 13.015,68. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 31/01/2001, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3802004.155 S3TE02 Fl. 90 3 Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso.. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2001 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 88), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3802004.155 S3TE02 Fl. 91 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3802004.155 S3TE02 Fl. 92 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720933/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por determinar o encaminhamento do processo à 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, em cumprimento ao contido na Resolução 1101-000.068, para julgamento em conjunto com o processo 15374.720068/2009-84.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16682.720933/2011-96
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5554309
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-000.251
nome_arquivo_s : Decisao_16682720933201196.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 16682720933201196_5554309.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por determinar o encaminhamento do processo à 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, em cumprimento ao contido na Resolução 1101-000.068, para julgamento em conjunto com o processo 15374.720068/2009-84. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 6233439
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048119250255872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1626; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2.015 1 2.014 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720933/201196 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.251 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 4 de junho de 2014 Assunto IRPJ Compensação de saldo negativo Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S A EMBRATEL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por determinar o encaminhamento do processo à 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, em cumprimento ao contido na Resolução 1101000.068, para julgamento em conjunto com o processo 15374.720068/200984. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 93 3/ 20 11 -9 6 Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1102000.251 S1C1T2 Fl. 2.016 2 Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos próprios com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2001, no valor original de R$ 49.151.036,30, por meio da apresentação de diversos PER/DCOMPs transmitidos em 1º/11/2006 e em 31/1/2007 (fls. 3 a 45). O despacho decisório de fls. 88 a 92, lavrado em 24/10/2011, não reconheceu qualquer parcela desse montante, por considerar que o crédito já fora analisado no processo nº 10768.011910/200270, onde se fixou seu montante em R$ 41.113.086,04, e posteriormente integralmente utilizado nesse mesmo processo e no de nº 15374.720.068/200984. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 95 a 111), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 506 a 508): 6 Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.95/111), o interessado diz que: a) conforme se infere da análise da DIPJ, as estimativas mensais de IRPJ dos meses de janeiro e de fevereiro de 2001, que compõem o saldo negativo do ano de 2001, foram quitadas “em virtude dos pagamentos realizados via DARF e das retenções na fonte decorrentes de serviços prestados a órgão público”; b) com o crédito referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 – R$ 49.151.036,30 –, apresentou pedido de restituição de parte do saldo negativo, no valor histórico de R$ 41.113.135,12, que foi reconhecido pela 3ª Turma de Julgamento do Rio de Janeiro, no processo 10768.011910/200270; c) considerando que, do total do saldo negativo do anocalendário de 2001, havia pleiteado apenas R$ 41.113.135,12, restando saldo de R$ 8.037.950,26, utilizou, desse saldo, R$ 5.228.950,26 para “realizar as compensações objeto do presente processo”; d) a autoridade fiscal jamais poderia entender que inexiste o saldo creditório, “uma vez que o crédito pleiteado no pedido de restituição analisado no processo 10768.011910/200270 limitouse a R$ 41.113.135,12, dos R$ 49.151.036,30 a que faz jus”; e) “a premissa utilizada pela D.Autoridade Fiscal para o indeferimento do direito creditório e a não homologação das compensações ora em questão mostrase equivocada, devendo, portanto, ser reconhecido o crédido remanescente relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 e homologadas as compensações, uma vez que referido crédito não foi anteriormente analisado e indeferido, conforme afirmado no despacho decisório”. 7 O interessado afirma que os rendimentos integraram a base da tributação do IRPJ. Alega que, se os valores das retenções informadas em Dcomp “não conferem com os valores indicados pelos órgãos públicos em suas Dirfs, fato é que tão e somente tais Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1102000.251 S1C1T2 Fl. 2.017 3 órgãos públicos têm responsabilidade sobre as informações por eles prestadas ao Fisco, e, portanto, apenas eles poderão esclarecer a razão das inconsistências”. 8 O interessado requer “a conversão do julgamento da presente Manifestação de Inconformidade em Diligência, nos termos do inciso IV do art.16 e do art.18, ambos do Decreto nº 70.235/72, a fim de que sejam intimados cada um dos órgãos públicos para os quais a Requerente prestou serviços, os quais tinham a obrigação legal de proceder à retenção do IRPJ na fonte”. 9 O interessado diz que a referida diligência é imprescindível para confrontar as informações prestadas pelos órgãos públicos, mas, “em que pese a necessidade da realização de diligência, a Requerente vem apresentar os comprovantes de retenções na fonte no valor de R$ (doc.09)” (sic). Acrescenta que “continuará na busca dos demais comprovantes a fim de demonstrar que todos os valores indicados em suas Dcomps foram efetivamente objeto de retenção pelos órgãos públicos para os quais prestou serviços”. 10 O interessado solicita “a realização de diligência consubstanciada na intimação dos órgãos públicos para os quais prestou serviços no ano de 2001 e 2002, os quais tinham obrigação legal de reter o Imposto de Renda Retido na Fonte e informar tais retenções em suas DIRFs, a fim de que informem: a) os valores pagos à Requerente no ano de 2001, em contraprestação aos serviços prestados; b) os valores retidos na fonte a título de IRPJ no ano de 2001 em virtude dos pagamentos efetuados relacionados ao item (i)”. 11 O interessado requer, ainda, perícia contábil, para a qual nomeia assistente técnico, a fim de que sejam esclarecidas as seguintes questões: 1. Queira o Sr. Perito esclarecer se nos faturamentos direcionados a órgãos da administração indireta foram realizadas as retenções pelos órgãos da administração, dos valores determinados em Lei; 2. Sendo positiva a resposta anterior, informar as datas e os valores que foram objeto das citadas retenções; 3. Queira o Sr. Perito esclarecer se os valores apontados no quesito (ii) correspondem aos valores que foram objeto das declarações de compensação apresentadas pela Requerente. 12 O interessado protesta, ainda, pela “posterior juntada dos comprovantes de retenção de IRPJ na fonte”. Pede, ao final, a homologação das compensações efetuadas e a imediata suspensão da exigibilidade dos créditos até o final do julgamento. 13 Com a MI, vieram os documentos de fls.112/479. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.489/502. Relatados. Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1102000.251 S1C1T2 Fl. 2.018 4 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 503 a 512): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO MANUAL. SALDO NEGATIVO IRPJ. ANOCALENDÁRIO 2001. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Mantémse o despacho decisório se o direito creditório, além de julgado em primeira instância administrativa, foi integralmente utilizado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) o direito pleiteado já foi objeto de julgamento em primeira instância administrativa; b) se o crédito alegado é do tipo “saldo negativo de IRPJ e de CSLL”, o julgamento de primeira instância administrativa também se referirá ao total do direito apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais/ DIPJ em 31 de dezembro (e não à parte do direito alegado que, porventura, estiver sendo utilizada ou requerida); c) assim, no processo nº 10768.011910/200270, analisouse o total do saldo negativo de IRPJ do ano de 2001 informado em DIPJ, no valor de R$ 49.151.036,30, mas se reconheceu apenas R$ 41.113.086,04, excluindose retenções efetuadas por órgãos públicos que não foram comprovadas; d) desse modo, seria nos autos do processo nº 10768.011910/200270 que deveria se discutir o montante do saldo negativo de 2001, mas nele o contribuinte não apresentou recurso, tornandose a decisão definitiva na esfera administrativa; e) como o contribuinte não questiona a utilização de todo o crédito reconhecido, e não é possível se discutir o montante do saldo negativo já consolidado em decisão administrativa transitada em julgado, não há direito creditório a ser reconhecido. Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1102000.251 S1C1T2 Fl. 2.019 5 RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 29/6/2012 (fl. 522), o contribuinte apresentou, em 31/7/2012 (fl 524), o recurso voluntário de fls. 529 a 544, acompanhado dos documentos de fls. 547 a 2.007, onde afirma que: a) no processo nº 10768.011910/200270, solicitou a restituição de parte do saldo negativo de R$ 49.151.036,30, no valor de R$ 41.113.135,12, que devidamente atualizado até a data do pedido de restituição montava R$ 44.965.435,88; b) como consequência, restava um saldo remanescente no montante de R$ 8.037.950,26, e utilizou parte desse crédito, no valor histórico de R$5.228.938,80, para realizar as compensações objeto do presente processo; c) qualquer verificação do crédito ACIMA DO PLEITEADO pelo contribuinte em seu pedido de restituição formalizado nos autos do processo administrativo n° 10768.011910/200270 representa análise extra petita, ou seja, ALÉM DOS LIMITES DO PEDIDO, e não pode ser considerada nem tampouco imputada ao contribuinte; d) existe a possibilidade da utilização do imposto de renda retido na fonte para composição do saldo negativo e posterior compensação com tributos vincendos; e) junta aos autos comprovantes de retenção na fonte efetuada por órgãos públicos que só agora localizou, por estarem em arquivo externo de difícil acesso. Ao final, repete os pedidos de diligência e perícia feitos na manifestação de inconformidade e pugna pela homologação integral das compensações. Este processo foi a mim distribuído numerado digitalmente até a fl. 2.014. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Em petição apresentada antes da sessão de julgamento, o recorrente informou que, em 13 de maio de 2013, a 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 1ª Seção de Julgamento, nos autos do processo nº 15374.720068/200984, havia decidido por determinar a distribuição deste processo àquela Turma. Nesse sentido, pediu a redistribuição dos autos à 1ª Turma Ordinária. É o relatório. Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.720933/201196 Resolução nº 1102000.251 S1C1T2 Fl. 2.020 6 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator Em atendimento ao pleito do recorrente, a Turma Julgadora decidiu por declinar da competência para julgamento da lide à 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, em cumprimento ao contido na Resolução nº 1101000.068, para julgamento em conjunto com o processo nº 15374.720068/200984. Isso porque, nos citados autos, aquela Turma Julgadora havia determinado a distribuição deste processo ao conselheiro relator, pois, naquela época (maio de 2013), os autos aguardavam distribuição. Contudo, inadvertidamente, o processo foi a mim distribuído em sorteio realizado em novembro de 2013. Nesse contexto, a Turma Julgadora concluiu ser da 1a Turma Ordinária a competência para apreciação da lide. Diante do exposto, voto por encaminhar o processo à 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, em cumprimento ao contido na Resolução nº 1101 000.068, para julgamento em conjunto com o processo 15374.720068/200984. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001213/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
SIMPLES. LANÇAMENTO.
Reconhecida a opção do sujeito passivo pela apuração dos tributos e contribuições federais segundo as regras do Simples, há que se afastar o lançamento efetuado de acordo com as regras de tributação a que estão sujeitas as demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1201-001.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SIMPLES. LANÇAMENTO. Reconhecida a opção do sujeito passivo pela apuração dos tributos e contribuições federais segundo as regras do Simples, há que se afastar o lançamento efetuado de acordo com as regras de tributação a que estão sujeitas as demais pessoas jurídicas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.001213/2005-85
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556464
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.208
nome_arquivo_s : Decisao_13888001213200585.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCELO CUBA NETTO
nome_arquivo_pdf_s : 13888001213200585_5556464.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6243425
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048119438999552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.001213/200585 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.208 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria IRPJ E CONTRIBUIÇÕES FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente GAVA SERVICOS TECNICOS S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SIMPLES. LANÇAMENTO. Reconhecida a opção do sujeito passivo pela apuração dos tributos e contribuições federais segundo as regras do Simples, há que se afastar o lançamento efetuado de acordo com as regras de tributação a que estão sujeitas as demais pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1426.480, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 12 13 /2 00 5- 85 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.001213/200585 Acórdão n.º 1201001.208 S1C2T1 Fl. 3 2 A contribuinte teve indeferido o seu pedido de inclusão retroativa no Simples federal, conforme despacho decisório contido nos autos do processo nº 13888.000316/200366. Em razão do indeferimento do pleito acima referido a autoridade de jurisdição do sujeito passivo lavrou autos de infração para exigência do IRPJ (lucro presumido), da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL relativamente aos fatos geradores ocorridos ao longo dos anos de 2000 a 2004 (fl. 154 e ss.). A contribuinte propôs impugnação aos lançamentos sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 311 e ss.): a) é nula a exigência uma vez que ainda não há decisão administrativa definitiva acerca de seu pedido de inclusão retroativa no Simples federal; b) houve intenção inequívoca em aderir ao sistema simplificado; c) que eventual exigência de tributos somente poderá incidir sobre os fatos geradores ocorridos após 01/01/2002, e que é incabível a incidência de multa de mora uma vez que a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário; d) a exigibilidade dos tributos lançados deverá permanecer suspensa pelo menos até o transito em julgado do processo em que se discute o pedido de inclusão retroativa. A DRJ de origem julgou improcedente a impugnação em decisão assim ementada (fl. 486 e ss.): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade em face do indeferimento de pedido de inclusão retroativa no SIMPLES não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO. A manifestação de inconformidade em face do indeferimento de pedido de inclusão retroativa no SIMPLES não suspende o crédito tributário, sendo devida a multa de oficio, aplicada em auto de infração, que é multa administrativa, de natureza punitiva. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.001213/200585 Acórdão n.º 1201001.208 S1C2T1 Fl. 4 3 Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância reproduzindo, em síntese, os argumentos já expostos na impugnação ao lançamento, acrescidos de pedido para que seja reconhecida a retroatividade benigna ao art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123/2006 (fl. 500 e ss.). Em razão da prejudicialidade da matéria contida no mencionado processo nº 13888.000316/200366, o feito foi sobrestado até o julgamento definitivo daquele processo (fl. 573). Havendo a 1ª Turma da CSRF determinado o retorno do processo nº 13888.000316/200366 à Câmara de origem para julgamento das demais questões de mérito contidas no recurso voluntário, e tendo em vista a conexão com o presente processo, os autos foram distribuídos a este Conselheiro, para relatoria de ambos (fls. 576/577). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. Havendo esta Turma, na presente Sessão de Julgamento, decidido pela procedência do recurso voluntário interposto pela contribuinte nos autos do processo nº 13888.000316/200366, reconhecendo assim sua opção pelo Simples a partir do ano de 2000, incorreta a lavratura de auto de infração para exigência de IRPJ (lucro presumido), PIS, Cofins e CSLL, já que tais tributos foram sistematicamente pagos pela recorrente em conformidade com o sistema simplificado. Tendo em vista o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10711.005549/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/03/2000, 25/05/2000
ISOPAR C. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios da posição 2710.10.1, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99.
ISOPAR L. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios da posição 2710.10.1, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DA MERCADORIA. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
São descabidas as multas de ofício e de controle administrativo das importações nos casos de erro de classificação em que as mercadorias estiverem corretamente descritas, com todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário, em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Conhecer dos Embargos como Inominados para corrigir os erros redacionais detectados mediante a prolação de Acórdão dando nova redação ao Acórdão no 3101-01.637, de 24/04/2014,
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 09/03/2000, 25/05/2000 ISOPAR C. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios da posição 2710.10.1, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99. ISOPAR L. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios da posição 2710.10.1, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DA MERCADORIA. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. São descabidas as multas de ofício e de controle administrativo das importações nos casos de erro de classificação em que as mercadorias estiverem corretamente descritas, com todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário, em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10711.005549/2004-60
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567001
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.765
nome_arquivo_s : Decisao_10711005549200460.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10711005549200460_5567001.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Conhecer dos Embargos como Inominados para corrigir os erros redacionais detectados mediante a prolação de Acórdão dando nova redação ao Acórdão no 3101-01.637, de 24/04/2014, (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6274360
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048119441096704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2559; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 4 1 3 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.005549/200460 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.765 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria Classificação de Mercadorias Recorrente Exxon Química Ltda (atual Exxonmobil Química Ltda) Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/03/2000, 25/05/2000 ISOPAR C. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios” da posição “2710.10.1”, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99. ISOPAR L. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios” da posição “2710.10.1”, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DA MERCADORIA. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. São descabidas as multas de ofício e de controle administrativo das importações nos casos de erro de classificação em que as mercadorias estiverem corretamente descritas, com todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário, em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 55 49 /2 00 4- 60 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301002.765 S3C3T1 Fl. 5 2 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, Conhecer dos Embargos como Inominados para corrigir os erros redacionais detectados mediante a prolação de Acórdão dando nova redação ao Acórdão no 310101.637, de 24/04/2014, (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuidase de Embargos contra o Acórdão no 310101.637, de 24/04/2014, da 1ª Turma Ordinária, da Primeira Câmara, por suposta contradição entre a decisão proferida pelo colegiado e a redação do Acórdão. A autuação deuse para exigir diferença de tributo em face de erro na classificação de mercadoria importada, bem assim de multa ao controle administrativo e de Ofício. No Acórdão recorrido o colegiado decidiu que a mercadoria estava erroneamente classificada, mantendo a exigência da diferença dos tributos. No entanto, quanto às multas, entendeu serem descabidas, decidindose favorável ao contribuinte. O Embargo, admitido por despacho de fls. 268/270, aponta que, embora o Recurso Voluntário tenha sido parcialmente provido, o respectivo Acórdão foi redigido com a informação de que o colegiado negou provimento ao recurso, integralmente, contradizendose. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301002.765 S3C3T1 Fl. 6 3 Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua síntese. Voto Conselheiro José Henrique Mauri O Embargo fora admitido por despacho do presidente da Turma, fls. 268/270, portanto. Dele tomo conhecimento. De fato, assiste razão o recorrente. A decisão tomada pelo colegiado foi distorcida quando da elaboração do Acórdão, em face de inequívoco erro redacional. O voto condutor da decisão do colegiado fundamentouse no entendimento de que "devem ser afastadas as multas de ofício e de controle administrativo das importações", o que redundaria na decisão de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Contrariamente constou, no encerramento e no dispositivo da ementa, a decisão em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, vejamos: Redação da ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/03/2000, 25/05/2000 [...]. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. [Destaquei] Redação do dispositivo: No caso concreto, as mercadorias estão corretamente descritas nas DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, constantes todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente, motivo pelo qual entendo que devem ser afastadas as multas de ofício e de controle administrativo das Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3301002.765 S3C3T1 Fl. 7 4 importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Destaquei] O art. 66 do Ricarf, aprovado pela Portaria 343/2015, dispõe que em caso inexatidões materiais, os embargos serão recebidos como inominados, sendo corrigido mediante a prolação de um novo Acórdão. Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Ante o exposto, voto por acolher os embargos como Inominados, corrigindose os erros detectados na redação do Acórdão no 310101.637, de 24/04/2014, retificandose a Ementa e a Disposição para constar que o colegiando decidiu DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recsurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726918/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
DEIXAR DE PRESTAR AS INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO.
A infração por deixar de prestar as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização é materializada com a conduta omissiva do sujeito passivo ao término do prazo legalmente previsto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Murici, OAB/MG 87.168.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DEIXAR DE PRESTAR AS INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A infração por deixar de prestar as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização é materializada com a conduta omissiva do sujeito passivo ao término do prazo legalmente previsto. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10680.726918/2011-95
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5571616
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.416
nome_arquivo_s : Decisao_10680726918201195.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10680726918201195_5571616.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Murici, OAB/MG 87.168. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6297081
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048119668637696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 547 1 546 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.726918/201195 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.416 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO (CFL 35) Recorrente GERDAU AÇOMINAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DEIXAR DE PRESTAR AS INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A infração por deixar de prestar as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização é materializada com a conduta omissiva do sujeito passivo ao término do prazo legalmente previsto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Murici, OAB/MG 87.168. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 69 18 /2 01 1- 95 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0238.808 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), fl. 511517, que julgou improcedente a impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad nº 51.016.4692. De acordo com o relatório fiscal de fls. 612, o AIOA referese à exigência de penalidade por infração ao artigo 32, inciso III, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da MP 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, em razão de a empresa ter deixado de apresentar as fichas de controle e entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), solicitadas através de Termo de Intimação Fiscal (TIF) n° 7, datado de 28/11/2011, com prazo até 05/12/2011. Foi aplicada a multa base prevista no art. 283, II, "b" do Regulamento da Previdência Social (RPS) aprovado pelo Decreto 3.048/99, majorada em quatro vezes, em decorrência de duas reincidências genéricas (infrações diferentes). A autuada apresentou impugnação contendo os seguintes pontos controvertidos: a) em 16/12/2011, em razão do volume de documentos, disponibilizou, à fiscalização, no endereço de sua sede, a documentação solicitada, além de fornecer, a título de amostragem, 1.200 fichas de EPI, conforme comprova o ofício juntado aos autos; b) é irrazoável o prazo de cinco dias úteis concedido pela fiscalização, dado o volume da documentação solicitada, o porte da empresa, a quantidade de empregados, e, sobretudo, o fato de que, no período de 2007 não havia amparo legal para se exigir que a empresa documentasse a entrega dos EPIs; c) boafé da empresa, que solicitou, à fiscalização, a prorrogação do prazo para apresentação dos documentos, três dias antes do seu vencimento. Por fim, requereu o cancelamento do crédito tributário. Foi proferida decisão de primeira instância, a qual julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado, com base no fundamento de que a infração possui natureza formal e se materializa com a conduta omissiva do sujeito passivo na data assinalada pela autoridade lançadora como prazo final para apresentação dos esclarecimentos, o que ocorreu em 05/12/2011. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 23/12/2011, fls. 3, e teve ciência da decisão de primeira instância em 07/11/2012, fl. 519520. Em 06/12/2012, a interessada interpôs recurso voluntário, fls. 521530, reiterando as razões da impugnação, acrescentando que prestou os esclarecimentos necessários dentro de prazo razoável, considerando que possui mais de 5.000 empregados, uma área de mais de 2.500 hectares, sendo que, para disponibilizar as fichas de EPI, foi necessário percorrer todos os setores da empresa, uma vez que elas eram arquivadas em cada setor da empresa. Pede o cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.726918/201195 Acórdão n.º 2301004.416 S2C3T1 Fl. 548 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Intimação para Prestar Esclarecimentos O inciso III do art. 32 da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 11.941/2009, prevê a obrigação de a empresa colaborar com a fiscalização, prestando todas as informações necessárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fica materializada a infração com a conduta omissiva do sujeito passivo ao término do prazo legalmente previsto. É o art. 19 da Lei 3.470, de 28/11/1958, com a redação dada pelo art. 71 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2011, que regulamenta os prazos das intimações fiscais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Assim, o legislador considerou razoável o prazo de vinte dias para atendimento da intimação, reduzindoo para cinco dias úteis quando as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo ou em declarações apresentadas à administração tributária. Conforme Termo de Intimação Fiscal nº 7, fls. 200201, em 28/11/2011 a Recorrente foi intimada a apresentar, à fiscalização, as fichas de controle e entrega de Equipamento de Proteção Individual (EPI), do período de 01/2007 a 12/2007, no prazo de cinco dias úteis. A ficha de controle e entrega de EPI é o documento que comprova que o trabalhador recebeu os dispositivos de segurança considerados essenciais em sua jornada de trabalho, dela devendo constar, o nome e a função do trabalhador, a data de retirada e devolução do EPI, o Certificado de Aprovação (CA), o tipo de equipamento de proteção individual retirado e o motivo para entrega e recebimento. Esses dados integram medidas de segurança e higiene do trabalho, todavia, não ficam registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo e não há previsão legal para que sejam incluídos em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Neste caso, não cabe conceder ao sujeito passivo o prazo de cinco dias úteis para atendimento da intimação, devendo prevalecer o prazo de vinte dias previsto no caput do art. 19 da Lei 3.470, de 28/11/1958, com a redação da MP nº 2.15835, de 24/08/2011. Como a intimação ocorreu em 28 de novembro de 2011, caberia à Recorrente atendêla no prazo de vinte dias, com término em 19 de dezembro de 2011. Consta dos autos que as fichas de EPI foram entregues à fiscalização em 16 de dezembro de 2011, conforme ofício de fls. 39, e anexo, contendo a relação das fichas de EPI elaborada nominalmente por trabalhador, fls. 4246. Portanto, as informações solicitadas pela fiscalização foram prestadas dentro do prazo previsto na legislação aplicável, de modo que não ficou configurada a entrega a destempo, elemento essencial da materialidade da infração ao art. 32, III, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 11.941/2009. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
