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Numero do processo: 10980.012069/2005-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 21/04/2000 a 30/11/2000
JUROS E MULTA DE MORA. PRAZO DECADENCIAL. CABIMENTO.
É cabível no lançamento dos juros e multa moratória o prazo decadencial aplicável aos tributos lançados por homologação, quando da existência de pagamento antecipado.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de auto de infração não definitivamente julgado, sobrevindo nova disposição de lei que deixa de definir o fato como infração, aplica-se a retroatividade benigna expressa no inciso II, a do artigo 106 do CTN.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-002.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/04/2000 a 30/11/2000 JUROS E MULTA DE MORA. PRAZO DECADENCIAL. CABIMENTO. É cabível no lançamento dos juros e multa moratória o prazo decadencial aplicável aos tributos lançados por homologação, quando da existência de pagamento antecipado. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração não definitivamente julgado, sobrevindo nova disposição de lei que deixa de definir o fato como infração, aplicase a retroatividade benigna expressa no inciso II, “a” do artigo 106 do CTN. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 20 69 /2 00 5- 66 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face da decisão da DRJ em Ribeirão Preto que julgou a impugnação procedente para cancelar integralmente o crédito impugnado, tendo em vista a aplicação da retroatividade benigna. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de lançamento da multa isolada pelo fato de a contribuinte haver recolhido o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em atraso sem incidência da multa de mora, bem assim de diferença de multa de mora pelo recolhimento em atraso do tributo com insuficiência de multa moratória, referentes a vários decêndios entre abril e novembro de 2000, conforme previsto nos arts. 43 e 44, I, e § 1°, II, da Lei n° 9.430, de 1996.(grifei). Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando que o lançamento está com a exigibilidade suspensa por conta de decisão em mandado de segurança, conforme cópias anexas das sentenças. Quanto ao mérito, alegou que, a teor do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), a responsabilidade de pagamento da multa é excluída pela denuncia espontânea, sendo assim o lançamento da multa de mora deve ser cancelado. Quanto à multa isolada, argumenta que, como os débitos foram declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), só caberia a cobrança da multa de mora, pois não houve infração. A DRJ em Ribeirão Preto julgou procedente a impugnação apresentada, conforme a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 21/04/2000 a 30/11/2000 DECADÊNCIA. JUROS. MULTA. MORA. O prazo decadencial para lançamento da multa e dos juros de mora acompanha o do tributo que lhe deu causa. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento. Tendo em vista o valor do crédito tributário exonerado, a DRJ em Ribeirão Preto recorreu de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.012069/200566 Acórdão n.º 3302002.960 S3C3T2 Fl. 82 3 Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Da caracterização de renúncia à instância administrativa Destaquese que o montante do crédito tributário lançado é de R$ 4.962.353,26, dos quais R$ 280.558,06 correspondem à multa de mora não recolhida quando do pagamento em atraso do tributo, e R$ 4.681.795,20 correspondem ao lançamento da multa de ofício isolada em virtude do pagamento extemporâneo do tributo sem a respectiva multa moratória. Quanto à multa moratória, anteriormente a autuação, o autuado impetrou Mandado de Segurança com pedido de medida liminar (Autos nº 2004.70.00.0278952 – 8ª Vara Federal de Curitiba), em 06/08/2004, obtendo sentença favorável fl.58 no sentido de afastar a multa moratória, visto que os recolhimentos estavam abrigados pelo instituto da denúncia espontânea. A matéria, em princípio não seria apreciada em primeira instância, uma vez que submetida ao Judiciário, no entanto a DRJ constatou a decadência do lançamento referente ao valor lançado a título de multa moratória, exonerando referido valor em face da decadência. Observase pela petição em 06/08/2004, fl. 48 que toda a matéria fática e jurídica objeto da autuação referente à multa moratória, foi descrita in totum na petição, cujo pedido está assim compreendido: Excertos da Impugnação de fls.02/10: Cabe inicialmente ressaltar, que a Impugnante impetrou Mandado de Segurança com pedido de medida liminar (Autos no Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 2004.70.00.0278952 8a Vara Federal de Curitiba), visando à inaplicabilidade de multa moratória sobre tributos recolhidos em atraso, porém denunciados espontaneamente perante a Receita Federal do Brasil. A liminar requerida foi inicialmente indeferida, e, mediante reconsideração do juizo a quo, concedida em 10.08.2004. Por conta do indeferimento inicial, a ora Impugnante interpôs Agravo de Instrumento perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (AI no 2004.04.01.0363123), no qual foi proferida decisão concedendo, também, medida liminar garantindo 6. Impugnante a não aplicação de multa sobre os débitos por ela declarados espontaneamente. O Mandado de Segurança referido foi julgado totalmente procedente, confirmando, portanto, o direito da empresa de efetuar os pagamentos informados em DCTF, pagos extemporaneamente, mas por iniciativa da empresa, sem o inicio de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando, portanto, a denúncia espontânea esculpida nos arts. 151, IV e 138 do CTN. Corrobora o entendimento acima, nesse caso, não apenas o objeto delimitado na petição inicial como acima transcrito, que pela identidade de pedido com a lide administrativa já seria suficiente para inferirse pela concomitância de pedidos nas diferentes instâncias julgadoras, mas também o pronunciamento judicial adiante demonstrado: Excertos da Sentença na 8ª Vara Federal de Curitiba de fl.64: Portanto, são indevidos os valores exigidos a titulo de multa moratória, incidente sobre as quantias que foram objeto de pagamento espontâneo pela impetrante. Dispunha à época da impugnação o Ato Declaratório COSIT nº 03/96: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; (gn). b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (...); c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito (...)” O ato acima transcrito tinha respaldo legal nos seguintes dispositivos: art. 62, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972; art. 1º, § 2º, do Decretolei nº 1.737/79 e art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 20 de setembro de 1980. Do prazo decadencial Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.012069/200566 Acórdão n.º 3302002.960 S3C3T2 Fl. 83 5 Embora caracterizada a renúncia à instância administrativa quanto ao mérito, identificou a decisão de piso o decurso do prazo decadencial para o lançamento. É de se destacar que as regras relativas à contagem do prazo decadencial do direito de efetuar o lançamento encontramse disciplinadas nos artigos 150, § 4ºe 173 do CTN. Referidos dispositivos estabelecem o mesmo prazo de cinco anos, porém o termo inicial da contagem varia de acordo com as circunstâncias neles previstas. Assim, enquanto o art. 173 fixa o prazo a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, § 4º, determina o marco inicial para a contagem na data ocorrência do fato gerador. É digno de realce que o E. Superior Tribunal de Justiça – STJ, através do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4º , do CTN, somente é aplicável nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, entendimento já adotado no âmbito deste E. Conselho, conforme Acórdão nº 9202002.133, de 10/05/2012 da CSRF, 2ª Turma, a seguir ementado na parte de interesse ao exame: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:1996 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART.173,I,DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art.543C do Código de Processo Civil,o que faz com a ordem do art.150,§4º ,do CTN,só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação,prevalecendo os ditames do art.173, nas demais situações.(grifei). Pela escorreita abordagem do tema destacase a seguir excertos da decisão de piso: Assim, conforme conclusão do citado parecer, para a contagem do prazo decadencial, havendo antecipação do pagamento, aplicase o art. 150, § 4º; não havendo, aplicase o art. 170, I, ambos do Código Tributário Nacional( CTN). No caso concreto houve pagamento antecipado, tanto que o lançamento é decorrente de falta de pagamento da multa moratória referente ao débito pago em atraso. Multa e juros de mora apresentam caráter acessório ao do tributo ou contribuição que lhe dão causa. Assim, no presente caso, o prazo decadencial para a sua exigência de oficio é idêntico ao previsto para o lançamento do IPI. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 Destarte, tendo havido pagamento — ainda que parcial —, o prazo decadencial deve ser contado de acordo com o art. 150, § 4° do CTN: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (ressaltei). (grifos do original). Assim, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 27/12/2005 (fl. 68), foram atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos antes de 27/12/2000. Como a multa moratória lançada referese ao débito relativo ao terceiro decêndio de outubro de 2000, que termina em 31/10/2000, o lançamento da multa foi atingido pela decadência. Ante as considerações acima, não há reparos na decisão de piso ante o reconhecimento de ofício do decurso do prazo decadencial, que por se conformar às hipóteses de matéria de ordem pública, não se submetem às normas processuais que delimitam a lide em função da matéria contestada. Notese que embora as matérias de ordem pública possam estar incursas em um conceito indeterminado, no âmbito do Direito Tributário onde prepondera a observância da estrita legalidade e a indisponibilidade do interesse público, a Administração Tributária tem o poderdever de cobrar o que é devido, o que não se inclui, nesse caso um débito apurado e lançado quando ultrapassado o prazo decadencial. Cabe ainda observar que carecendo as decisões administrativas do requisito de definitividade, será a decisão judicial transitada em julgado a prevalecer, mesmo na hipótese de a decisão administrativa ter sido mais favorável ao contribuinte. Impõese, assim, a força da coisa julgada e da jurisdição única. Da Multa de Ofício Lançada – Retroatividade Benigna Conforme relatado a exigência que ora se examina, constituída pelo lançamento da multa de ofício isolada, em virtude do recolhimento do tributo a destempo sem o acréscimo da multa moratória, conforme prevê o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, decorre de aplicação da multa prevista nos artigos 43, 44, inciso I e § 1º, inciso II, e artigo 61, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Prescreve o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, vidente à época dos fatos: Art.44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.012069/200566 Acórdão n.º 3302002.960 S3C3T2 Fl. 84 7 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (...). Ocorre que o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, inaugurou a ordem jurídica conferindo nova redação ao citado artigo, como a seguir se reproduz: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ” Da análise do novel dispositivo verificase que a redação do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conferida pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007, retira a hipótese de incidência da multa de ofício isolada no caso de pagamento ou recolhimento de tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Inferese que, a partir da vigência da referida lei deixou de existir no ordenamento jurídico brasileiro norma que estabeleça a sanção da espécie dos autos, ou seja lançamento da multa de ofício, quando do pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Ressalvese, no entanto, que permanece hígido no ordenamento jurídico, a disposição do artigo 61, §§ 1º, bem como do artigo 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que tratam da incidência de multa de mora e juros de mora para com relação aos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Nesse mister a matéria em tela comporta a seguinte interpretação. Estabelece a Constituição Federal de 1988, a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica. É portanto princípio assente no seio constitucional a não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). Levandose em conta em sede interpretativa os princípios jurídicos fundamentais da Constituição, observase que o ditame constitucional acima gizado indica a diretriz interpretativa em matéria penal, entendendose aqui o vocábulo penal em seu sentido lato abrangendo inclusive as penalidades no âmbito do direito tributário penal, podendose inferir sobre a aplicabilidade da lei mais benéfica em matéria penal. Com efeito, sendo princípio basilar de hermenêutica de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição, em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional no inciso II do art. 106, nas alíneas “a “, “b”, e “c”, três hipóteses em que a lei nova elide os efeitos da incidência da norma anterior: a) a lei nova já não mais define determinado ato, como infração; b) a lei nova deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência legal de ação ou omissão (desde que não tenha ocorrido fraude, nem falta de pagamento de tributo exigido); c) a pena menos severa substitui a mais grave da legislação anterior. Notese que o próprio CTN, em seu artigo 101, ao estabelecer que se aplicam às leis tributárias, as mesmas disposições sobre vigência, no espaço e tempo, aplicáveis às normas jurídicas em geral, tem o escopo de manter perfeita consonância com os diversos institutos e princípios basilares jurídicos, dentre os quais os aplicáveis à vigência das normas. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.012069/200566 Acórdão n.º 3302002.960 S3C3T2 Fl. 85 9 Desse modo, a matéria objeto da presente lide, com a superveniência da alteração do citado dispositivo legal diz respeito à aplicação do disposto no art. 106 do CTN que estabelece, em caráter excepcional, a eficácia retroativa da lei tributária, ou seja a retroatividade benigna, nos termos a seguir transcritos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa de ofício aplicada, para elidir os efeitos da penalidade prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, eliminada do novo texto, artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que regula a matéria, por ser no caso em tela a solução juridicamente aplicável. Cabe destacar que a presente matéria está sumulada neste E. Conselho, como a seguir transcrita: Súmula CARF nº 31: Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal. Assim, restando consignada a aplicação da retroatividade benigna à espécie dos autos, não merece reparos a decisão recorrida. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
score : 1.0
Numero do processo: 18470.732547/2013-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITO JUDICIAL. ERRO DO CONTRIBUINTE NA DECLARAÇÃO. IRRF GLOSADO.
Tendo o contribuinte preenchido equivocadamente a declaração de ajuste anual de imposto de renda, colocando valor referente ao décimo terceiro salário como se a fonte pagadora o tivesse retido, porém estaria ele depositado judicialmente, correta a glosa realizada e o lançamento do imposto suplementar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITO JUDICIAL. ERRO DO CONTRIBUINTE NA DECLARAÇÃO. IRRF GLOSADO. Tendo o contribuinte preenchido equivocadamente a declaração de ajuste anual de imposto de renda, colocando valor referente ao décimo terceiro salário como se a fonte pagadora o tivesse retido, porém estaria ele depositado judicialmente, correta a glosa realizada e o lançamento do imposto suplementar. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITO JUDICIAL. ERRO DO CONTRIBUINTE NA DECLARAÇÃO. IRRF GLOSADO. Tendo o contribuinte preenchido equivocadamente a declaração de ajuste anual de imposto de renda, colocando valor referente ao décimo terceiro salário como se a fonte pagadora o tivesse retido, porém estaria ele depositado judicialmente, correta a glosa realizada e o lançamento do imposto suplementar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 25 47 /2 01 3- 20 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 18470.732547/201320, em face do acórdão nº 06049.200, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), na sessão de julgamento de 30 de setembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, à fl. 06, lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário 2011, que exige R$ 707,27 de IRPF (cód 0211), R$ 141,45 de multa de mora e encargos legais que, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 08/10, constatou deduções indevidas de: · compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 707,27. Regularmente cientificado do lançamento em 28/11/2013 (fls. 11 e 51), o interessado ingressou, em 20/12/2013, com a impugnação de fls. 02/03, instruída com os anexos de fls. 04, 12/46. Após narrar os fatos relativos ao lançamento, relata que os valores recebidos constam do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. Informa ainda que “na DIRPF foi lançado o valor bruto do décimo terceiro salário, que foi objeto de depósito judicial, conforme informe de rendimentos. Assim sendo, como imposto retido na fonte foi lançado o valor retido do décimo terceiro depositado judicialmente (R$ 693,68) e R$ 13,59 do imposto retido incidente sobre a aposentadoria.” Requer o acolhimento da defesa, o cancelamento da notificação e prioridade no julgamento, com base no Estatuto do Idoso. A 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba entendeu pela parcial procedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 18470.732547/201320 Acórdão n.º 2202003.107 S2C2T2 Fl. 80 3 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, separadamente dos demais rendimentos, mediante a aplicação da tabela progressiva mensal vigente no mês de seu recebimento, não se sujeitando ao ajuste anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a parcial procedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fls. 64/89, onde recorre quanto ao foi vencido, reiterando os argumentos já lançados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O lançamento decorre de compensação considerada indevida de Imposto de Renda declarado como retido na fonte, no valor de R$ 707,27. O contribuinte, em sua impugnação, apresentou cópia de decisões judiciais (em sua maioria ilegíveis, conforme bem destacou o acórdão recorrido) no intuito de demonstrar que ocorreu a retenção em fonte de rendimentos tributáveis oriundos de depósito judicial (fls. 18/43). A DRJ deu parcial procedência a impugnação no seguinte sentido: "De outra parte, o valor de R$ 13,59 informado pelo contribuinte também a título de Imposto de Renda Retido na Fonte encontrase confirmados em DIRF apresentada pela fonte pagadora, devendose considerar comprovada a retenção do referido tributo quanto a este montante, cuja compensação cabe, portanto, ser restabelecida.". O contribuinte alega que preencheu equivocadamente a declaração de ajuste anual de imposto de renda, colocando este valor como se a fonte o tivesse retido, porém estaria ele depositado judicialmente. Portanto, o que resta em litígio é a inclusão pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do valor de R$ 693,68 relativo ao décimo terceiro salário Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 que foi incluído como sendo Imposto de Renda retido na fonte, o que está em dissonância com a orientação legal. No presente caso, o contribuinte confessa que não colocou o valor de R$ 693,68 como sendo com exigibilidade suspensa, tendo declarado ele como retido fosse. Ora, se ele não foi retido, está correta a glosa de IRRF realizada, devendo ser revisada a declaração de imposto de renda do contribuinte, o que no presente caso, gerou um imposto suplementar devido. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004114/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 431 1 430 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004114/201037 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.102 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente PERALTA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 14 /2 01 0- 37 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 273/274), que bem resume o quanto consta dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP (DEBCAD 37.261.4272) lavrado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, onde foram lançados valores referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, constantes na Folha de Pagamento e devidamente contabilizadas, no período de 01/2007 a 12/2007, quais sejam: a cota patronal, prevista no art. 22, I, da Lei 8.212/91 e a contribuição para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – GILRAT, prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91. 1.1. Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 43/45), referidas remunerações foram pagas a título de “adiantamento quinzenal –código 0016”, não foram incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias e tampouco foram declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, razão pela qual a autoridade fiscal lavrou, de ofício, o presente AIOP. 1.2. Foi aplicado, na ação fiscal, o princípio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional –CTN, na apuração da multa exigível sobre as contribuições não recolhidas tempestivamente, mediante cotejo, competência por competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (não declaração em GFIP da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009. Dessa comparação, detalhada na planilha de fls. 48, resultou a aplicação da multa prevista na legislação atualmente vigente em todas as competências (multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida), que se configurou mais benéfica ao contribuinte; 1.3. Como os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento (remunerações pagas a segurados empregados) não foram informadas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, situação que configura, em tese, o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no art. 337A, inciso I, do Código Penal, com a redação Fl. 432DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19515.004114/201037 Acórdão n.º 2401004.102 S2C4T1 Fl. 432 3 dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000, foi elaborada pela autoridade fiscal REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. 1.4. Importa o crédito no valor de R$ 353.620,75 (trezentos e cinqüenta e três mil seiscentos e vinte reais e setenta e cinco centavos), consolidado em 29/11/2010. DA IMPUGNAÇÃO 2. Devidamente intimada e não se conformando com o lançamento a Autuada apresentou sua impugnação, por meio do instrumento de fls. 156/159, onde alega em síntese: 2.1. que a autoridade fiscal ao efetuar o lançamento equivocou se, tendo em vista que tanto nos arquivos digitais como nos arquivos físicos está demonstrado que a empresa, por força de Convenção Coletiva de Trabalho, efetivou adiantamento quinzenal correspondente a 40% (quarenta por cento) do salário normal de cada empregado, no dia 20 de cada mês, que foi descontado do total de proventos, razão pela qual sobre tais adiantamentos não há incidência de contribuições previdenciárias; 2.2. que a título de exemplo, cita a situação concreta de vários empregados, onde demonstra com a juntada das Folhas de Pagamento analíticas, que os adiantamentos salariais foram descontados do valor total da remuneração recebida em cada mês, o que evidencia que é ilógica a pretensão de se criar contribuição previdenciária tendo como base a simples antecipação de salário. Do Pedido 3. Diante do exposto, a Impugnante requereu: I) que sejam acolhidas as razões expostas e julgado insubsistente o lançamento fiscal por tratarse de indevida pretensão de impor contribuição previdenciária sobre a simples antecipação de salário; II) a realização de perícia técnica contábil para a comprovação do alegado na impugnação. A 14ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 272/277). A recorrente foi intimada da decisão em 01/01/2013 (fls. 281), apresentando Recurso Voluntário em 31/01/2013 (fls. 288/297), no qual alega: * Não é verdade que o “adiantamento quinzenal – código 0016” não teria sido incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Diferentemente do que decidido no acórdão a quo, o total de proventos não corresponde à soma, entre outras, das rubricas “0002 – Dias de Salário Normal” e “0016 – Adiantamento quinzenal”. Em verdade, a rubrica “0002 – Dias de Salário Normal” consiste na totalidade da remuneração Fl. 433DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 dos empregados, sendo que o adiantamento corresponde a 40% deste valor. O equivoco decorre do fato de a autoridade fiscal ter constatado que, na coluna da esquerda da Folha de Pagamento Analítica, o adiantamento era lançado dentre os créditos, adicionalmente à rubrica “002 – Dias de Salário Normal”, totalizando um valor acima do correto. Reconhece que não há indicação do correspondente débito na coluna da direita, a fim de anular o efeito da soma do adiantamento, mas roga que se observe que a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão preservadas de acordo com o salário de contribuição dos empregados, ou seja, toda a remuneração do empregado, inclusive qualquer remuneração recebida ao longo da competência. Ao final, requer a reforma do acórdão a quo e, conseqüentemente, a insubsistência do Auto de Infração. Distribuídos os autos à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o colegiado entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal esclarecesse se as suas afirmações contidas no Relatório Fiscal baseavamse exclusivamente nos dados contidos na folha de pagamento e, sendo o caso, que expressasse as razões do afastamento dos demais documentos a que teve acesso (fichas de Registro de Empregados, RAIS, rescisões e registros contábeis), a fim de se averiguar a veracidade da alegação da recorrente de que a remuneração dos segurados não se referiria à soma do “0002 – Dias de Salário Normal” com o “adiantamento quinzenal – código 0016” (dentre outras verbas), mas apenas ao valor indicado na rubrica “0002 – Dias de Salário Normal”, que já congregaria os adiantamentos efetuados aos segurados empregados por força de instrumento coletivo. No Relatório de diligência fiscal de fls. 423 e seguintes, a autoridade fiscal afirma que, durante a fiscalização, "foram analisados os documentos apresentados pelo contribuinte, entre outros, Livro Diário, RAIS, GFIP e principalemente os RESUMOS DA FOLHA DE PAGAMENTO", sendo lançadas as diferenças a maior que constavam nos citados resumos ao serem cotejados tais valores com os demais documentos. Aduz que, "em todos os documentos apresentados CTPS, GFIP, RAIS e FOLHA DE PAGAMENTO os valores da remuneração são iguais, bem como conferem com os valores do Líquido a Pagar apresentados no Demonstrativo de Crédito em Contacorrente Banco Bradesco, tanto referente ao Adiantamento de Salários quanto referente à Folha de Pagamento no final do mês, que são os valores lançados na contabilidade da empresa, conforme Livro Diário". E que, "de acordo com os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, e o que pudemos verificar nos documentos apresentados" (...) "são corretas as alegações do contribuinte e estão de acordo com os documentos apresentados" É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19515.004114/201037 Acórdão n.º 2401004.102 S2C4T1 Fl. 433 5 Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A celeuma do recurso em comento cingese ao fato de a rubrica “0002 – Dias de Salário Normal”, lançada na folha de pagamento, congregar ou não os adiantamentos efetuados aos segurados empregados por força de instrumento coletivo, que eram lançados na aludida folha a título de “0016 – Adiantamento quinzenal”. De início, a autoridade fiscal considerou que houve recolhimento a menor das contribuições, razão pela qual lançou os valores correspondentes e emitiu Representação Fiscal para Fins Penais. No entanto, ao analisar o Recurso Voluntário, este mesmo Relator, compondo outro colegiado, entendeu que, da análise do Relatório Fiscal, não se depreendia com clareza o procedimento adotado pela autoridade fiscal: se apenas cotejou a totalização de rendimentos na folha de pagamento com a base de cálculo das contribuições previdenciárias adotada na própria folha, apurando uma diferença a menor; ou se, tendo acesso a outros documentos como fichas de Registro de Empregados, RAIS, rescisões e registros contábeis, havia confrontado estes elementos com os dados da folha de pagamento. Acrescentese que não havia nos autos notícia de qualquer solicitação de esclarecimentos à recorrente. A recorrente, por sua vez, já na impugnação, sustentou que a remuneração não se refere à soma do “0002 – Dias de Salário Normal” com o “adiantamento quinzenal – código 0016” (dentre outras verbas). Para provar o alegado, trouxe: Convenções Coletivas de Trabalho que demonstram a obrigação de efetuar o adiantamento correspondente a 40% do salário normal de cada um dos empregados (“adiantamento quinzenal – código 0016”); e Fichas de Registro de Empregados de quatro funcionários que indicam como salário o valor constante da rubrica “0002 – Dias de Salário Normal”. A própria folha da pagamento utilizava o valor pretendido pela recorrente para o cálculo do FGTS e da contribuição sindical. Baixados os autos em diligência, a autoridade fiscal, no Relatório de fls. 423 e seguintes, afirma que, durante a fiscalização, "foram analisados os documentos apresentados pelo contribuinte, entre outros, Livro Diário, RAIS, GFIP e principalemente os RESUMOS DA FOLHA DE PAGAMENTO", sendo lançadas as diferenças a maior que constavam nos citados resumos ao serem cotejados tais valores com os demais documentos. Aduz que, "em todos os documentos apresentados CTPS, GFIP, RAIS e FOLHA DE PAGAMENTO os valores da remuneração são iguais, bem como conferem com os valores do Líquido a Pagar apresentados no Demonstrativo de Crédito em Contacorrente Banco Bradesco, tanto referente ao Fl. 435DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Adiantamento de Salários quanto referente à Folha de Pagamento no final do mês, que são os valores lançados na contabilidade da empresa, conforme Livro Diário". E que, "de acordo com os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, e o que pudemos verificar nos documentos apresentados" (...) "são corretas as alegações do contribuinte e estão de acordo com os documentos apresentados" Assim, o crédito tributário lançado não pode prosperar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.003324/2001-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa:
CUSTOS E DESPESAS. COMPROVAÇÃO.
Na circunstância em que as glosas de despesas e custos alcançam, por suposição, a totalidade dos saldos registrados nas contas contábeis correspondentes, a solução da controvérsia passa, necessariamente, pela realização de diligências fiscais, haja vista a mais absoluta inviabilidade de a comprovação ser feita, exclusivamente, por meio de documentos colacionados ao processo na fase de contestação dos feitos fiscais.
Numero da decisão: 1301-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: CUSTOS E DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Na circunstância em que as glosas de despesas e custos alcançam, por suposição, a totalidade dos saldos registrados nas contas contábeis correspondentes, a solução da controvérsia passa, necessariamente, pela realização de diligências fiscais, haja vista a mais absoluta inviabilidade de a comprovação ser feita, exclusivamente, por meio de documentos colacionados ao processo na fase de contestação dos feitos fiscais.
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COMPROVAÇÃO. Na circunstância em que as glosas de despesas e custos alcançam, por suposição, a totalidade dos saldos registrados nas contas contábeis correspondentes, a solução da controvérsia passa, necessariamente, pela realização de diligências fiscais, haja vista a mais absoluta inviabilidade de a comprovação ser feita, exclusivamente, por meio de documentos colacionados ao processo na fase de contestação dos feitos fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 33 24 /2 00 1- 18 Fl. 13434DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.435 2 Relatório UNIVERSAL MUSIC LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a Decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, Distrito Federal, que manteve, em parte, os lançamentos tributários, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Programa de Integração Social – PIS), relativas ao anocalendário de 1998, formalizadas em razão das seguintes imputações: 1. glosa de despesas financeiras (juros sobre empréstimos) por falta de comprovação; 2. omissão de receita em função de manutenção no passivo de despesa não comprovada; 3. glosa de despesas, por falta de comprovação (comissões sobre vendas); 4. glosa de despesas, por falta de comprovação (Royalties e Copyright); e 5. glosa de despesas, por falta de comprovação (uso de marcas e royalties adicionais). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnações aos feitos fiscais (fls. 170/177; 300/307; 323/330 e 346/353), por meio das quais ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS que o pagamento dos juros teria sido realizado quando da quitação integral do empréstimo em janeiro de 1999 (valor mutuado de R$ 4.000.000,00 acrescido de juros de 3% a.m., perfazendo um total de R$ 4.414.182,78), conforme documentos às fls. 179/189. OMISSÃO DE RECEITAS que o montante lançado se referiria a despesas realizadas pelo então DiretorPresidente Paulo Rosa Júnior, sem que tivessem sido apresentadas as respectivas notas fiscais para reembolso; que, na medida em que não tinham sido apresentadas as notas fiscais de reembolso até a data em que o interessado deixou de prestar serviços à sociedade, o valor correspondente foi oferecido à tributação em abril de 2001, conforme livro contábil à fl. 178; DESPESAS NÃO COMPROVADAS – COMISSÕES SOBRE VENDAS Fl. 13435DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.436 3 que apresentava mapa resumo cobrindo todos os meses do ano, indicando as contas em que estavam indicadas as comissões dos representantes comerciais (referente a interveniência na venda de fonogramas); que, diante da multiplicidade de documentos, apresentava, a título exemplificativo, os comprovantes de pagamentos referentes ao mês de fevereiro, cujo montante coincide com o lançado no auto de infração (solicitou a realização de perícia para verificação da documentação dos demais meses, formulando os quesitos para tanto). DESPESAS NÃO COMPROVADAS – ROYALTIES E COPYRIGHT que juntava planilha discriminando os pagamentos e indicando o total de beneficiários estabelecidos no exterior e as parcelas relativas aos pagamentos domésticos e de licenciados no exterior, detalhado por número da conta e o selo a que estavam vinculados; que o pagamento estaria instruído com documentos que discriminavam o nome do artista, o título da obra, o preço unitário, o volume de vendas, o cálculo de royalties e outros dados; que não juntava a totalidade da documentação em razão do volume (requereu a realização de perícia e formulou os quesitos para tanto). DESPESAS NÃO COMPROVADAS – USO DE MARCAS E ROYALTIES ADICIONAIS Requereu a realização de prova pericial, formulando os quesitos para tanto. Diante da documentação apresentada, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, por meio de despacho (fls. 372/374) para que fossem adotadas as seguintes providências: omissão de Receita (passivo fictício): fosse verificado, nos termos do Parecer Normativo Nº 02/96, a ocorrência de postergação de pagamento do imposto; comissões sobre vendas: fosse verificado junto ao sujeito passivo a efetividade dos pagamentos realizados a título de intermediação de venda, respondendo aos quesitos por ele formulados (solicitouse a elaboração de relatório conclusivo e que fosse anexado aos autos a documentação julgada necessária); despesas de Royalties e Copyright: fosse verificada a efetividade das despesas e fossem respondidos os quesitos formulados pelo sujeito passivo (solicitouse a elaboração de relatório conclusivo e que fosse anexado aos autos a documentação julgada necessária); uso de marcas e royalties adicionais: fosse verificada a efetividade das despesas e fossem respondidos os quesitos formulados pelo sujeito passivo (solicitouse a elaboração de relatório conclusivo e que fosse anexado aos autos a documentação julgada necessária). Fl. 13436DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.437 4 Em razão do procedimento requerido, foram anexados aos autos os documentos de fls. 380/4058, tendo sido elaborada a informação fiscal de fls. 4060/4073, da qual podem ser extraídas as seguintes informações: OMISSÃO DE RECEITAS que a verificação solicitada não procederia tendo em vista que o passivo fictício é presunção de omissão de receita. DESPESAS NÃO COMPROVADAS – COMISSÕES SOBRE VENDAS que o contribuinte apresentou planilhas elaboradas por ele, anexando recibos de prestação de serviços; cópias de cheques emitidos por ele tendo como beneficiários os referidos prestadores de serviços; borderôs de sua emissão dirigidos ao Banco Real S/A, que, totalizados, equivaleriam aos valores debitados em sua conta corrente no. 98075409, agência 0075 do Banco Real S/A; e cópias dos extratos bancários; que tais documentos estão às fls. 390/2513, juntamente com dez contratos de representação comercial e relação das empresas emitentes das Notas Fiscais de serviços; que pesquisas das referidas empresas efetuadas no sistema CNPJ da Receita Federal do Brasil – RFB evidenciam que grande parte dessas estão em situação fiscal irregular junto à RFB; que todas as cópias de notas apresentadas não indicam a operação que deu causa, ou seja, a descrição dos serviços, sem nenhum relatório das vendas efetuadas ou qualquer outra comprovação efetiva da prestação dos serviços; que as planilhas apresentadas pelo contribuinte totalizaram R$ 827.766,46, sendo que o montante autuado importou R$ 828.555,98, conforme escriturado nas contas de resultado; DESPESAS NÃO COMPROVADAS – ROYALTIES E COPYRIGHT Royalties DOMÉSTICOS que o sujeito passivo apresentou relações de pagamentos efetuados a título de direitos artísticos para cada mês (de maio a dez/98, com exceção do mês de outubro); borderôs (sem indicação da recepção pelas instituições); “comprovantes” de pagamentos de direitos artísticos (formulário elaborado pelo contribuinte); cópias de extratos bancários para os pagamentos nºs. 01 e 34 da relação de maio/98, nº. 68 da relação de julho/98 e nº. 158 da relação de dezembro/98; e cópias de cheques emitidos para os beneficiários referentes aos pagamentos nºs. 196 a 200 da relação de março/99, referente ao 4o trimestre de 98, e nºs. 202/203 da relação de abril/99, referente ao 4o trimestre de 98; que não foi apresentada documentação referente a contratos celebrados entre as partes interessadas a título de pagamento de direitos artísticos, bem como sobre a forma de obtenção dos valores a serem ressarcidos aos beneficiários; que os documentos totalizaram R$ 1.559.204,43 dos R$ 1.888.594,90 escriturados pelo contribuinte, e estão às fls. 2514/2931 dos autos. Fl. 13437DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.438 5 Royalties INTERNACIONAIS que foram apresentados: relatórios contábeis em língua inglesa (descumprindo o disposto no art. 214 do RIR/94); correspondências com resumo dos valores remetidos através de instituição financeira a título de royalties e cópias de contratos de câmbio (que representam R$ 2.848.513,91, sendo que foram deduzidos na DIPJ R$ 2.951.123,19); contrato celebrado entre MCA Records Inc. e MCA Music Entertainment Ltda em 1996, acompanhado da tradução para o vernáculo; que os referidos royalties são pagos pela autuada a empresas ligadas, não ressarcindo diretamente os detentores dos direitos autorais/artísticos, descumprindo o art. 292 do RIR/94; que as despesas não são necessárias à manutenção da posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento, descumprindo o art. 291 do RIR/94; que os documentos estão às fls. 2932/3335. Copyrights DOMÉSTICOS que foram apresentados: a) relação de pagamentos efetuados a título de direitos autorais em maio/98 elaborada pela parte borderôs de remessa aos bancos (sem indicação da recepção pelas instituições) e comprovantes nºs. 1 a 42 sem quitação dos beneficiários; b) relação de pagamentos efetuados em junho/98 elaborada pela parte comprovantes nºs. 43/49 sem quitação dos beneficiários, juntamente com cópias dos extratos bancários com os débitos correspondentes, exceção ao comprovante nº. 43; c) relação de pagamentos efetuados em julho/98 elaborada pela parte – comprovantes nºs. 50/95 sem a quitação dos beneficiários, sendo os nºs. 93/95 acompanhados de cópias dos extratos bancários, os nºs. 50/54, 57, 59, 61/66, 68/71, 74, 76/77 e 81/92 acompanhados de borderôs (sem a indicação de recebimento dos bancos); d) relação de pagamentos efetuados em setembro de 1998 elaborada pela parte – comprovantes nºs. 96/111 sem quitação dos beneficiários, sendo os nºs. 103/111 acompanhados de cópias de extratos bancários e os nºs. 96/102 acompanhados de borderôs (sem a indicação do recebimento); e) relação de pagamentos efetuados em outubro de 1998 elaborada pela parte – comprovantes/recibos nºs. 112/162 sem a quitação dos beneficiários, sendo os nºs. 139, 143, 146 e161 acompanhados de cópias de extratos bancários, os nºs. 112/119, 120/126, 128/129, 131/151, 153, 155/160 e 162 acompanhados de borderôs (sem indicação do recebimento); f) relação de pagamentos efetuados em novembro de 1998 elaborada pela parte – comprovante nº. 163/173 sem quitação dos beneficiários, sendo os nºs. 171/173 acompanhados de cópias de extratos bancários e os nºs. 163/170 acompanhados de borderôs (sem indicação do recebimento); g) relação de pagamentos efetuados em dez/98 elaborada pela parte – comprovantes nºs. 174/176 sem quitação dos beneficiários acompanhados de cópias dos extratos bancários; h) relação de pagamentos efetuados em jan/99, referente ao 4 o. trimestre de 1998, elaborada pela parte – comprovantes nos. 177/216, sendo os nos. 177/179 com quitação por parte dos beneficiários e acompanhados de cópias dos respectivos cheques, os nos. 180, 185 e 216 sem quitação dos beneficiários e acompanhados de cópias dos cheques e os demais sem quitação dos beneficiários e acompanhados de borderôs (sem indicação de recebimento); i) relação de pagamentos efetuados em fev/99, relativos ao 4o. trimestre de 1998, elaborada pela parte – comprovante nº. 217 sem quitação do beneficiário, acompanhado de cópia de borderô, sem indicação do recebimento; j) relação de pagamentos efetuados em março/99, relativos ao 4o. trimestre de 1998, elaborada pela parte – comprovantes Fl. 13438DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.439 6 nos. 218/220 sem a quitação dos beneficiários, acompanhados de cópias de borderô, sem a indicação de recebimento. que os documentos estão às fls. 3336/3696; Copyrights INTERNACIONAIS que o contribuinte apresentou demonstrativo dos copyrights a pagar em 1998 no valor total de R$ 1.088.806,40, juntamente com cópias de cheques, cópias de recibo sem quitação dos beneficiários e cópias de borderôs; que comparandose os cheques e os borderôs com os extratos bancários apresentados, verificase que eles são equivalentes (no caso de cheques) ou estão incluídos (no caso de borderôs) nos valores debitados; que os pagamentos contabilizados foram efetivados a pessoas jurídicas estabelecidas no território nacional, não sendo apresentados os respectivos contratos respaldando a cessão de direitos ou quaisquer outros documentos que comprovassem a representação legal dos direitos de copyright internacional dos beneficiários dos pagamentos; que os documentos estão às fls. 3698/3984. DESPESAS NÃO COMPROVADAS – USO DE MARCAS E ROYALTIES ADICIONAIS que o sujeito passivo apresentou apenas o contrato anteriormente mencionado no item referente aos royalties internacionais, não anexando o contrato anexo de uso de marcas com o devido registro no Banco Central do Brasil. Cientificada das conclusões apresentadas em razão da diligência efetuada, a contribuinte aditou as seguintes razões: Omissão de receitas (passivo fictício): não se manifestou; Comissões sobre vendas: juntou outros dez contratos firmados com os representantes comerciais (fls. 50/100). Argumentou que as afirmações da Fiscalização quanto a irregularidades das empresas prestadoras de serviços não indicavam se elas tinham relação com os pagamentos realizados por ela e se as pesquisas se referiam a períodos em que aquelas empresas ainda a representavam. Afirmou que as respostas aos quesitos elaborados não foram conclusivas e que, pela simples análise dos contratos anexados e dos livros, poderseia concluir que os valores pagos correspondiam a um percentual sobre as vendas a que os representantes comerciais das diferentes praças faziam jus quando realizavam vendas (conforme planilha à fl. 02 do Anexo 2); Despesas com Royalties e Copyrights – Royalties domésticos: Maio/98 – que todos os pagamentos tinham extratos bancários, pois, pegando os borderôs que representam os comprovantes nos. 2/10, 12/13, 15/16, 18/24, 26/27, 32 e 35, estes totalizavam R$ 180.468,68, que constava como saída no extrato bancário em 29/05/98 (fl. 55 do Anexo 2); que os comprovantes nos. 36 e 37 se referem a amortização no valor de R$ 171.285,02 de montantes anteriormente pagos a título de adiantamento sobre vendas futuras Fl. 13439DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.440 7 (fls. 56/84 do Anexo 2); que os demais comprovantes de nºs. 38/54 encontramse na mesma disposição dos demais recibos, conforme explicados antes; que, relativamente ao comentário da Fiscalização de que os comprovantes não tinham quitação dos beneficiários, tal ocorria pois foram quitados por pagamentos/depósitos eletrônicos via transferência de contacorrente (Docs eletrônicos) ou através de cheques nominais acompanhado de extratos bancários; Junho/98 – que os comprovantes se referiam a amortização de adiantamentos anteriormente concedidos a artistas (Claudinho e Bochecha, Ed Motta e outros juntou cópias dos cheques e dos extratos bancários fls. 85/99 do Anexo 2); Julho/98 – que o comprovante de pagamento nº. 68 se referia a amortização de adiantamentos anteriormente concedidos ao beneficiário W. One Editora Musical Ltda – artista Wando (anexou os cheques e os extratos bancários fls. 100/105 do Anexo 2); que não constava quitação no comprovante pois houve compensação e o devido débito no extrato bancário. Agosto/98 – para diversos comprovantes (68/72, 74/75, 78/84, 86/87, 92, 97/98, 100/102, 104, 109) anexou borderôs, que deveriam ser agrupados para a consulta às cópias dos extratos bancários anexados; que os comprovantes de pagamentos nºs. 103, 105/108 se referiam a amortização de adiantamentos anteriormente concedidos (anexou os cheques e os extratos bancários e borderôs). Para os comprovantes 77, 85 e 99 anexou cheques e extratos bancários que comprovariam os pagamentos (docs. às fls. 106/145 do Anexo 2 e 02/34 do Anexo 3); Setembro/98 – para os comprovantes 100/113 anexou borderôs, que deveriam ser agrupados para a consulta às cópias dos extratos bancários anexados; Novembro/98 – para diversos comprovantes (114, 116/117, 120, 122/132, 134/138, 140/142, 145, 152/154 e 156) anexou borderôs, que deveriam ser agrupados para a consulta às cópias dos extratos bancários anexados. Os comprovantes de pagamentos nºs. 115, 118, 155, 157 se referiam a amortização de adiantamentos anteriormente concedidos (anexou os cheques e os extratos bancários e borderôs). Para os comprovantes 121 e 133 anexou cheques e extratos bancários que comprovariam os pagamentos. Os demais comprovantes encontrarseiam na mesma situação dos demonstrados acima (docs. às fls. 35/113 do Anexo 3 e 02/28 do Anexo 4); Dezembro/98 – para o comprovante nº. 158 apresentou cópia do cheque nominal e do extrato bancário (docs. às fls. 29/32 do Anexo 4); Fevereiro/99 – para diversos comprovantes (159/162, 166, 168, 169, 171/173, 175/180, 182/183, 197, 190/195) anexou borderôs, que deveriam ser agrupados para a consulta às cópias dos extratos bancários anexados. Os comprovantes de pagamentos nºs. 186 se referiam a amortização de adiantamento anteriormente concedido através de borderô, sendo que a venda ocorreu em fevereiro. Os demais comprovantes nos. 163/165, 167, 170, 174, 181, 184, 185, 188 e 189 estariam na mesma situação dos demonstrados acima (docs. às fls. 33/92 do Anexo 4); Março/99 – o comprovante nº 200 emitido para CJS Produções Artísticas se refere a direitos artísticos devidos aos artistas Claudinho, da dupla Claudinho e Bochecha, cujo pagamento foi por borderô. Para os comprovantes 196 e 199 anexou cópias dos cheques e do Fl. 13440DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.441 8 extrato bancário. Os comprovantes 197 e 198 foram cancelados conforme consta da relação (docs. às fls. 93/114 do Anexo 4); Abril/99 – o comprovante nº. 201 foi cancelado conforme consta da relação. Os comprovantes 202 e 203 foram apresentados juntamente com cópia do cheque e quitação do beneficiário. Despesas com Royalties e Copyrights – Royalties domésticos: que os direitos dos artistas internacionais são remetidos ao exterior para a empresa produtora fonográfica que originalmente realizou a gravação e detém a titularidade desta; que, sem o pagamento dos direitos autorais aos artistas, haveria “pirataria”; que o contrato firmado com a Universal Music Records (antiga MCA Records Inc) garante que possa exercer seu objeto social que é a produção, comercialização, venda e distribuição de discos fonográficos e demais produtos de comunicação do setor musical; que juntou o contrato de cessão de direitos e licença de uso, quatro relatórios de apuração e cálculo dos royalties e os contratos de câmbio referentes às remessas ao exterior; Despesas com Royalties e Copyrights – Copyrights domésticos que valeriam as mesmas explicações dadas aos royalties domésticos; que tomou como exemplo a relação de pagamento de nov/98, onde os comprovantes estão amparados por borderôs que foram debitados em contacorrente juntamente com outros borderôs (fls. 182/215 do Anexo 6); Despesas com Royalties e Copyrights – Copyrights internacionais: que os copyrights são direitos devidos aos compositores de músicas estrangeiras, incluídos nos discos de artistas estrangeiros e comercializados no Brasil; que um compositor, ao compor uma obra, procura um editor musical e firma um contrato de edição; que a editora passa a deter o direito patrimonial da referida composição e toda vez que a mesma é gravada por algum intérprete, essa editora ou seu subeditor em diferentes países do mundo, concede uma autorização para gravação da obra e sua inclusão em um CD; que seria impossível anexar todas as autorizações concedidas no período de um ano, pois cada disco possui doze a quatorze obras e cada uma possui dois ou três autores, que nem sempre editam suas respectivas partes na mesma editora; que, para comprovar tal fato, anexou, como exemplo, vários tipos de autorização emitidas pela Editora Mercury Produções e Edições Musicais Ltda (fls. 02/20 do Anexo 7), autorizando a Universal Music a incluir várias composições em vários discos, Fl. 13441DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.442 9 conforme listados no anexo da autorização, e estabelecendo a remuneração das mesmas (nos termos do convênio celebrado pelos associados da ABEM e da ABPD (fls. 21/52 do Anexo 7); que anexou, também, o relatório que a Universal Music gerou para pagamento à Mercury Edições Musicais Ltda, com base nas autorizações recebidas daquela editora (fls. 53/68 do Anexo 7), com o respectivo recibo de pagamento (fl. 69 do Anexo 7), do cheque e do extrato bancário (fls. 70/71 do Anexo 7); Despesas com marcas e royalties adicionais: que equivocase a Fiscalização, pois o contrato de licenciamento de marca faz parte do corpo da tradução apresentada, a partir da página 47 desta; que tal contrato está devidamente legalizado junto ao Consulado Brasileiro em Los Angeles e está depositado no Banco Central do Brasil. A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, analisando os feitos fiscais, a diligência efetuada e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº 15.417 , de 27 de outubro de 2005, fls. 4.085/4.107, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado foi assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Não se trata de passivo fictício, sendo aplicável ao caso a glosa de despesa inexistente no caso do contribuinte não ter apurado lucro real em montante igual ou superior ao seu valor em 2001 (não há tal informação nos autos), ou o lançamento dos juros de mora e da multa de ofício isolada (pelo pagamento em atraso do imposto, sem o acréscimo da multa de mora). Lançamento indevido. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS Comprovação integral. Os juros incidentes sobre empréstimos decorrentes de contratos de mútuo devem ser apropriados pelo regime de competência. Glosa indevida GLOSA DE DESPESAS COM COMISSÕES DE VENDAS. Comprovação apenas parcial das despesas. Excluídos os valores para os quais foram apresentados as notas fiscais, os contratos de prestação de serviços, as cópias de cheques e da movimentação bancária. GLOSA DE DESPESAS COM ROYALTIES, COPYRIGHTS E MARCAS. O sujeito passivo não logrou comprovar as despesas realizadas, sendo necessária a apresentação conjunta dos contratos de cessão de direitos e/ou autorizações de gravação, dos comprovantes de pagamento (recibo, notas fiscais, faturas) devidamente quitados pelo beneficiário e dos cheques, DOC ou outros comprovantes emitidos pela instituição financeira. CSLL Tratase de lançamento reflexo, seguindo a sorte do lançamento principal de IRPJ. Procedente em parte. Fl. 13442DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.443 10 PIS /COFINS Tratase de lançamento reflexo, decorrente da infração de omissão de receita com base em passivo fictício. Exonerada a infração no lançamento principal, resta considerar tais lançamentos improcedentes. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 4.112/4.127, por meio do qual sustentou (em apertada síntese): GLOSA DE COMISSÕES DE VENDAS que juntava para cada um dos interessados os comprovantes relativos aos pagamentos realizados, que discriminavam a natureza da operação que justificou o crédito (a contribuinte relacionou, no corpo da peça recursal, a documentação que disse juntar); que, em todos os contratos indicados, os representantes tinham poderes para intermediar a venda de fonogramas, em determinada área, recebendo uma remuneração previamente ajustada para esta tarefa; que a despesa era operacional, na medida em que se destinava a viabilizar a atividade comercial desenvolvida por ela; que a decisão recorrida, às fls. 4.097, após elaborar no item 23 uma relação discriminando qual a documentação foi julgada satisfatória, teria incorrido em equívoco, pois o cálculo não corresponderia ao mapa resumo do item, onde estaria discriminada a documentação tida como insatisfatória; que, nos cinco casos para os quais se mencionou inexistir a documentação satisfatória (segundo a decisão recorrida), existiriam: contratos válidos; documentação integral do pagamento; comprovante da quitação, cópia dos cheques respectivos e ordem de pagamento; que apenas em dois casos (SILMAR REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO LTDA e SAHA REPRESENTAÇÕES E EVENTOS LTDA) teria sido juntado o borderô de pagamento, pois foi feito por ordem bancária (aditou que o sistema de remeter ao banco uma ordem para que procedesse, por meio de DOC, o crédito em diversas contas, seria prática usual e rotineira, e que por meio dela evitarseia o trabalho administrativo de emissão de um cheque individualizado para cada caso); que o comprovante que o cheque foi descontado seria o extrato de conta que estaria junto em anexo. GLOSA DE DESPESAS COM ROYALTIES DOMÉSTICOS que o fato da relação de pagamentos ter sido elaborada pelo sujeito passivo, ao contrário do que afirmara a decisão recorrida, teria presunção de validade; que os lançamentos contábeis só poderiam ser alterados pela Fiscalização se houvesse prova efetiva de que não retratavam fatos econômicos concretamente ocorridos; Fl. 13443DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.444 11 que os pagamentos de royalties são feitos às empresas cessionárias dos direitos patrimoniais do autor com relação aos fonogramas produzidos e comercializados por ela; que a relação que se estabelece é entre ela e o detentor desses direitos patrimoniais, que os recebeu por cessão; que ela não é parte na relação que existe entre o autor da música e a sociedade que comercializa esses direitos em razão da cessão; que, em razão disso, para a dedutibilidade ela deve comprovar, unicamente, que: a) a editora ou produtora é cessionária dos direitos patrimoniais do autor; e b) efetuou a ela o pagamento pela comercialização do fonograma conforme estabelecido no contrato; que a prova de que a editora ou produtora pagou ao autor o que lhe corresponde pela cessão dos direitos é matéria estranha à presente demanda e se constitui numa relação na qual ela não é parte; que juntava, como ANEXO 7, a discriminação de todos os pagamentos devidos a título de royalties (internacionais e domésticos), durante todo o ano de 1998, totalizando R$ 4.839.718,00 (esclareceu que os royalties domésticos estão referidos em duas contas postas em destaque no citado demonstrativo, nos seguintes valores: R$ 1.548.462,27 e R$ 340.131,93); que no documento ANEXO 8 estão referidos para cada um dos selos os discriminativos dos pagamentos de royalties indicando o artista, o tipo de fonograma e a base de cálculo; que a comprovação de que o pagamento foi realizado, nos totais referidos no mapa do ANEXO 7, foi feita por meio de perícia; que, como se vê às fls. 4.062, item 3.1, na diligência foram comprovados os seguintes pagamentos: ANO MÊS PAGAMENTO 1998 MAIO 312.421,00 1998 JUNHO 104.681,00 1998 JULHO 95.372,00 1998 AGOSTO 45.448,00 1998 SETEMBRO 1.514,00 1998 OUTUBRO 1998 NOVEMBRO 255.769,00 1998 DEZEMBRO 50.000,00 1999 FEVEREIRO 235.645,00 Fl. 13444DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.445 12 1999 MARÇO 248.882,00 1999 ABRIL 209.467,00 que deveria ser observado que os pagamentos relativos a fevereiro, março e abril de 1999 estão relacionados às operações realizadas no quarto trimestre de 1998, como se vê dos laudos de fls. 4.064; que, em suma, todos os pagamentos que foram lançados como dedutíveis: a) estão comprovados, como atestado por laudo pericial; b) tem amparo nos contratos vigentes; c) foram realizados aos produtores e editores que lhe autorizaram produzir e comercializar os fonogramas; d) correspondem a pagamentos feitos conforme dados constantes das planilhas como ANEXOS 7 e seguintes; que a realização do crédito representa a materialização do pagamento e, necessariamente, a obrigação de quitação, sem necessidade de um recibo formal, e, no caso de adiantamento, a dedução se dá quando amortizados, razão pela qual o seu valor é maior do que a despesa; que a comprovação das vendas realizadas é um pressuposto ao direito ao pagamento e para atestálas existe um relatório, que foi juntado em resumo como ANEXO 7 e seguintes; que foram juntados, ainda, todos os contratos de direitos artísticos, tal como exigido nos itens 29 a 31 da decisão (ANEXO 10). GLOSA DE ROYALTIES INTERNACIONAIS que no laudo de fls. 4.065 afirmase que foram apresentados os contratos amparando a cessão de direitos autorais entre as sociedades estrangeiras credoras e ela, bem como cópia das contratações de câmbio, realizadas por meio do BRADESCO S/A, e do pagamento do imposto na fonte sobre elas incidentes; que os contratos foram oferecidos em sua redação original em inglês (fls. 4.065) e, posteriormente, traduzidos, juntandose ao processo cópia da tradução, como se vê às fls. 4.066; que já demonstrou que não é parte na relação jurídica entre a sociedade credora do royalty e os diversos artistas por ela representados, em contratos que, no caso, pela sua natureza, tem amplitude internacional; que, no que diz respeito a inexistência de relatório de venda que justifique o pagamento, a informação é improcedente, pois, em caráter resumido, eles estão referidos no ANEXO 8 e seguintes e, em sentido analítico, estes documentos fazem parte de cada pedido de autorização para a remessa, sendo obrigatoriamente exibidos ao Banco Central do Brasil, como condição para autorização indispensável à remessa, e ao próprio banco operador; que essas deduções atestam a estrita vinculação de cada pagamento ao período de competência em que a venda foi realizada, justificando, assim, a dedução no sentido material. Fl. 13445DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.446 13 COPYRIGHTS DOMÉSTICOS que o efetivo pagamento ao artista ou intérprete não é condição de dedutibilidade para ela, porque os efeitos patrimoniais dos direitos autorais e conexos foram cedidos por seus titulares às empresas que os receberam, não havendo dúvidas de que estas receberam o valor devido; que, como se vê do laudo às fls. 4.067, foram os seguintes os pagamentos realizados a este título: MÊS PAGAMENTO MAIO 301.586,00 JUNHO 123.109,00 JULHO 90.454,00 SETEMBRO 14.296,00 OUTUBRO 139.416,00 NOVEMBRO 479.013,00 DEZEMBRO 23.835,00 JANEIRO/99 150.211,00 FEVEREIRO 884,00 MARÇO 20.938,00 que os pagamentos relativos a janeiro e março de 1999 estão relacionados às operações realizadas no quarto trimestre de 1998, conforme fls. 4.069 do laudo. GLOSA DE COPYRIGHTS INTERNACIONAIS que todos os itens exigidos pela decisão recorrida para a dedutibilidade dos gastos foram atendidos, exceção feita aos contratos entre os intérpretes e as empresas cessionárias e a comprovação do efetivo pagamento da remuneração ali pactuada (afirma que se trata de uma relação de terceiros, na qual ela não é parte integrante, nem responsável pelo cumprimento de qualquer obrigação); que o cabe demonstrar é que os comprovantes firmados por ela com os cessionários dos direitos dos intérpretes foram quitados de forma adequada e integral. GLOSA DO PAGAMENTO DE MARCAS E ROYALTIES ADICIONAIS que o pagamento não foi questionado e foi atestado pelo laudo às fls. 4.070, não havendo, por conseguinte, dúvida quanto a dedutibilidade; que se dedica a produção e comercialização de fonogramas e, por conseguinte, o principal insumo para a realização de tal atividade é o pagamento de direitos Fl. 13446DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.447 14 autorais e conexos, devidos ao autor da obra, ou aos intérpretes e terceiros que viabilizaram o projeto; que tais pagamentos são registrados nas rubricas de royalties e copyrights, nacionais e internacionais; que a decisão recorrida contesta a dedutibilidade integral desses gastos, ou seja, parte do princípio de que os fonogramas seriam comercializáveis, sem que fosse incorrido qualquer gasto a título de direito autoral e conexo, o que é materialmente impossível; que mesmo para as empresas que a escrita é considerável imprestável, e que tem o seu lucro arbitrado, o resultado é apurado apenas na percentagem de 8% da receita total; que, a vingar a decisão recorrida, nenhum custo será admitido, o que significa tributarse a receita e não o resultado, como determina o art. 43 do Código Tributário Nacional. Examinando os argumentos expendidos na peça recursal, a Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, entendendo que a decisão prolatada em primeira instância não permitiu identificar, com exatidão, a parcela remanescente de matéria tributável submetida a recurso, decidiu decretar a sua nulidade (acórdão nº 10517.381, sessão de 04 de fevereiro de 2009, fls. 4.153/4.169). Diante de tal fato, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Brasília exarou a decisão nº 0332.760, de 24 de agosto de 2009, cuja ementa em tudo se assemelha a anteriormente prolatada, mas que, por outro lado, indica com clareza a matéria tributável exonerada e a que foi mantida (fls. 4.175/4.199). Cientificada da decisão de primeira instância (aviso de recebimento às fls. 4.221), a contribuinte apresentou o documento de fls. 4.223, no qual assinalou: Processo 15374.003.324/0118 UNIVERSAL MUSIC LTDA., nos autos do processo administrativo supra, vem, respeitosamente, apresentar em aditamento ao v. recurso de fls. e como parte integrante dele juntar em anexo cópia dos documentos ali referidos que comprovam as alegações constantes do apelo. Não obstante, às fls. 5.157/5.184, consta o recurso voluntário propriamente dito, denotando ter havido anexação de documentos sem obediência à ordem cronológica, vez que o documento de fls. 4.223 foi protocolizado em 16 de dezembro de 2010, enquanto o recurso em referência foi recepcionado 09 de dezembro de 2010. Na peça recursal, a contribuinte sustentou: COMISSÕES SOBRE VENDAS que juntou em anexo à impugnação mapa resumo cobrindo todos os meses do ano e indicando as contas em que está indicada a comissão por representante (anexo 4); Fl. 13447DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.448 15 que o valor correspondente ao total pago no mês de fevereiro/98 foi de R$ 80.121,35 e o discriminativo analítico correspondente a este total se constitui no anexo 5 da impugnação; que, ali, estão assinalados todos os pagamentos realizados dia a dia com a indicação do beneficiário, sendo o saldo equivalente ao que está lançado no auto de infração, como não comprovado; que a falta de indicação do mês em que foi firmado o contrato se trata de vício formal, sanado pela emissão mensal de notas fiscais pelas empresas que firmaram contrato de Representação Comercial para venda dos produtos da empresa, fato que por si só já comprova o início da efetiva prestação do respectivo serviço; que junta os correspondentes extratos bancários, objeto da solicitação da decisão recorrida, para a devida comprovação da saída do numerário da conta corrente da empresa. (doc. 3). PAGAMENTOS DE ROYALTIES E COPYRIGHTS que, diante da impossibilidade de juntar à impugnação a totalidade dos comprovantes relativos ao exercício desta atividade, apresentou discriminativos dos pagamentos de royalties que indicam o total dos beneficiários estabelecidos no exterior e as parcelas relativas aos pagamentos domésticos e de licenciados no exterior, discriminandose o numero da conta e o saldo a que estão vinculados; que o total pago por comercialização no exterior foi de R$ 2.951.123,19, sendo o valor nacional de R$1.888.594,00; que o pagamento está instruído com uma documentação referida como anexo à impugnação, onde estão discriminados o nome do artista, o título da obra, o preço unitário, o volume de vendas, o cálculo de royalties e os demais dados que são indispensáveis para se apurar o montante, devido; que idêntico tratamento ocorre com relação ao copyright, sendo que a discriminação permite apurar o valor devido; que, atendendo à condição mencionada na decisão de primeira instância, junta os seguintes contratos de cessão de direitos patrimoniais de intérpretes: João Gabriel (29/11/1996); Virna Lisi (31/05/1996); Marcio & Goro (07/05/1997); Gamação (04/06/1997); Tantra (31/05/1996); Elza Soares (06/12/1996); Dorival Caymmi (18/12/1996); Papo 10 (03/05/1996); Xamego da Menina (01/10/1997); Dora Vergueiro (22/03/1996); Lobão (21/08/1997); Baba Cósmica (20/11/1997); Melocoton (17/11/1998); que, relativamente à apresentação de comprovantes de pagamentos quitados pelos beneficiários, informa que tal pagamento se efetiva com a comprovação do débito na conta corrente da empresa, conforme se verifica pelos extratos bancários anexados, não havendo necessidade de emissão de notas fiscais e/ou recibos por parte dos beneficiários; que, na maioria dos casos, tais pagamentos foram realizados através de borderôs bancários e o correspondente extrato demonstra o efetivo desembolso da conta corrente, como exemplificado (doc. 05): Fl. 13448DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.449 16 DESPESAS DE USO DE MARCA E ROYALTIES ADICIONAIS que a matéria fundamentalmente é a mesma dos itens anteriores; que as despesas de uso de marcas estão vinculadas à aplicação destes registros em fonogramas por ela comercializados. COPYRIGHTS DOMÉSTICOS E INTERNACIONAIS que, no que se refere a copyrights domésticos, juntou: a) relação dos pagamentos efetuados com os respectivos comprovantes; b) cópia dos extratos bancários e dos cheques quando foi o caso, além da autorização dada à instituição financeira para realizar o pagamento; que, relativamente à alegação de fls. 4193 no sentido de que a relação foi feita pelo próprio sujeito passivo, não podendo, assim, ser levada em conta, protestou por uma prova pericial que atestasse a validade formal do gasto, e, não tendo sido a mesma realizada, só lhe restava apresentar documentação elaborada por ela própria ratificando os dados da contabilidade, mas sempre amparados pelos documentos e informações que a decisão reconhece que comprovadamente foram apresentados. que, no que se refere a copyrights internacional, juntou: a) a relação dos pagamentos realizados com os recibos respectivos; b) cópia dos borderôs e da autorização dada à instituição financeira para o pagamento, acompanhada do extrato bancário com o débito equivalente e a cópia dos cheques; e c) cópia de autorização concedida pela Editora Mercury Produções e Edições Musicais Ltda. para gravação de composições sobre as quais tem direitos patrimoniais e os demonstrativos relativos aos valores devidos. que, apesar dos dados estarem confirmados pela decisão (fls. 4.194), a dedutibilidade foi glosada sob o fundamento de que, embora a cópia dos cheques, do extrato bancário e da autorização de pagamento tenham sido juntas ao processo, não teria sido comprovada a quitação; que o próprio débito na conta bancária é uma prova inequívoca de que o pagamento foi realizado, e se dúvida houvesse, caberia à Fazenda justificadamente comprovar o contrário; que os mesmos princípios se aplicam a glosas das despesas com royalties e marcas adicionais; que as remessas realizadas ao exterior em favor da Universal Studios Inc Music International, e referente a direitos autorais, realizada por contrato de câmbio (DOC.09), e com lastro no contrato firmado em 1996, já constitui o devido comprovante de pagamento; que não é requisito legal para comprovação desta despesa que o beneficiário assine documento confirmando a remessa realizada pelo sistema SISBACEN. Adiante, a contribuinte prossegue reproduzindo fragmentos do voto condutor da decisão de primeira instância e apresentando contestação para cada um dos itens objeto de apreciação no referido julgado. Fl. 13449DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.450 17 Em contexto genérico, argumenta ainda: que, diante da multiplicidade de documentos que devem ser compulsados, protestou pela realização de uma perícia; que o indeferimento do pedido de perícia formulado por meio da impugnação interposta importou em cerceamento de defesa e violou as disposições do art. 148 do CTN, visto que assegura ao contribuinte, no caso de contestação pela Fazenda da validade formal de seus registros contábeis, a possibilidade de recorrer a uma avaliação contraditória; que não se pode dizer que o fato de ter sido convertido o julgamento em diligência teria superado esta questão, vez que os quesitos formulados abrangem outros questionamentos que não são objeto de análise; que, mantendose o entendimento da decisão recorrida, a dedutibilidade do gasto estaria condicionada ao cumprimento cumulativo da existência das seguintes condições: a) existência prévia de contrato válido; e b) prova de que os cheques tiveram autenticação bancária indicando saque ou compensação, juntandose também a cópia da conta corrente, não valendo para isso a cópia dos borderôs, apesar de neles estar indicado o valor e o número do cheque emitido; que tal exigência não tem amparo legal e importa em inverter o ônus da prova; que, desde que haja indicação do beneficiário do pagamento, do valor e da data em que foi realizado e da forma a que obedeceu a liquidação do crédito, milita em seu favor a presunção de validade dos pagamentos realizados; que a existência ou não de contrato prévio é irrelevante pois está comprovado o valor, o beneficiário e o motivo da quitação. Em uma segunda apreciação nesta instância administrativa, esta primeira Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1301000.061, de 12 de junho de 2013, fls. 5.207/5.233, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição do contribuinte adotasse as seguintes providências: i) esclarecesse o motivo pelo qual o lançamento tributário não tinha alcançado o período de janeiro de 1998; ii) franqueando ao contribuinte o acesso a totalidade das peças processuais (inclusive os ANEXOS), o intimasse a indicar, de forma compatibilizada com a discriminação feita no Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, a documentação que julgasse suficiente à comprovação dos dispêndios que foram objeto de glosa; iii) caso não tivesse sido trazida aos autos a totalidade da documentação comprobatória dos dispêndios, diligenciasse no domicílio da contribuinte a fim de comprovar, por amostragem, que a documentação faltante era da mesma natureza da que foi juntada ao processo; Fl. 13450DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.451 18 iv) a partir da indicação de que trata o item “ii” acima, assinalasse, individualizadamente e se fosse o caso, o motivo (ou motivos) pelo qual a despesa estava sendo considerada não comprovada; v) indicasse, se fosse o caso, compatibilizando os valores com os registrados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, os pagamentos de royalties que tiveram como beneficiários sócios da fiscalizada; vi) sintetizasse as informações requisitadas em relatório; e vii) cientificasse a contribuinte acerca do resultado da análise empreendida, concedendolhe prazo para pronunciamento. Em atendimento, foi trazido aos autos o documento de fls. 6.787 (13.3131), em que a autoridade fiscal, discriminando a matéria tributável remanescente que se encontra em litígio, presta os seguintes esclarecimentos, in verbis: Da análise dos docs. acostados inicialmente pelo contribuinte como também dos apresentados por ocasião da Diligência, concluise ser constante a natureza da documentação, composta pela apresentação de vouchers, notasfiscais e respectiva contabilização do pagamento dos dispêndios argüidos. Falta de lançamento tributário em janeiro/98 – Conforme resposta ao Termo de Intimação, apensada em 10/01/2013, a documentação comprobatória foi aceita pela autoridade autuante; daí a ausência de lançamento de ofício. Compatibilização entre o Termo de Verificação e Constatação e Fiscal com a documentação de suporte – Considerandose a matéria remanescente sujeita ao julgamento atual com o ora apresentado, entendo como sanada a matéria em questão. Consoante relatado em parágrafo anterior, não houve alteração da natureza dos documentos apresentados na fase anterior se comparados com os prestados agora, relevando a amostragem sob análise. Em síntese, podese concluir que, desses valores remanescentes para fins de julgamento do CARF, podese agrupar em 02 (dois) grupos: o 1º onde houve valores que, realmente, NÃO FORAM APRESENTADOS quaisquer comprovantes e que contou com o reconhecimento do próprio contribuinte, exemplificado pelo valor de R$ 719.297,49, deduzido a título de Uso de Marcas e Royalties adicionais. O 2º grupo cujas comprovações foram respaldadas por planilhas, vouchers, notas fiscais/recibos e registros contábeis dos pagamentos, nada diferente do figurino característico do contribuinte. Cientificada do resultado da diligência fiscal efetuada, conforme Termo de Encerramento de fls. 6.788 (13.314), a contribuinte apresentou o documento de fls. 6.863 (13.389), em que assinalou: Vimos pela presente, em atendimento ao Relatório de Diligência Fiscal constante do Termo de Encerramento de Diligência no Mandado de Procedimento Fiscal nº 2012.01914, parte integrante do Processo Administrativo nº 15374.003324/200118, esclarecer o seguinte: 1 Numeração do arquivo digital. Fl. 13451DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.452 19 Quanto ao 1º grupo (assim definido no relatório pela fiscalização) no valor de R$ 719.297,49, referente a Despesas de Uso de Marcas e Royalties Adicionais, esclarecemos que o valor corresponde a provisão de 1% das vendas líquidas, conforme estipulado na Cláusula 4 do Contrato Para Licenciamento de Marca Registrada (Em anexo). Assim sendo, estamos anexando ao presente, planilha demonstrando o valor que consta a pagar na conta contábil nº “2.1.5.1.006 – Direitos Estimados Internacionais”. Quanto ao 2º grupo os direitos entre a provisão de Royalties e Copyright e o efetivo pagamento referemse aos “direitos em suspenso”, isto é, aguardando a devida identificação do (s) beneficiário (s) ou encerramento de eventuais discussões sobre a titularidade dos direitos, referente a obras em litígio para posterior pagamento. Em sessão realizada em 05 de novembro de 2013, esta 1ª Turma Ordinária, entendendo que a informação fiscal trazida ao processo, além de não ser conclusiva, não respondeu satisfatoriamente as indagações formuladas, resolveu, mais uma vez, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, por amostragem, promovesse a compatibilização entre os custos e despesas glosados (comissões de vendas, royalties, copyrights, uso de marcas e royalties adicionais) apontados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal e a documentação que, segundo a contribuinte, comprovava a efetividade do dispêndio, emitindo, ao final, parecer conclusivo assinalando, relativamente aos documentos apreciados e de forma individualizada, os motivos justificadores da manutenção da glosa ou, se fosse o caso, da sua desconsideração (Resolução nº 1301000.165, fls. 6.866/6.890). Em atendimento, foi aportado ao processo o documento de fls. 13.428/13.4292. Embora cientificada do seu inteiro teor (fls. 13.430), não identifico nos autos pronunciamento da contribuinte acerca do documento acima mencionado. É o Relatório. 2 Numração do arquivo digital. Fl. 13452DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.453 20 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas ao anocalendário de 1998, formalizadas em razão das seguintes imputações, conforme Termo de Verificação e de Constatação Fiscal (fls. 85/113): I – Glosa de despesas financeiras por falta de apresentação de documentação comprobatória (conta 43210200 – Juros sobre Empréstimos – SEAGRAM DO BRASIL) Outubro de 1998..............................95.600,00 Novembro de 1998...........................97.884,84 Dezembro de 1998..........................151.537,20 TOTAL...........................................345.022,04 II – Omissão de receitas, caracterizada pela não apresentação de documentação comprobatória da exigibilidade mantida no Passivo Circulante (conta 21710001 – Conta Corrente – Diretor Presidente – Paulo Rosa Junior): R$ 145.452,31 III – Glosa de Custos/Despesas (COMISSÕES SOBRE VENDAS): R$ 828.555,98; IV – Glosa de Custos/Despesas (Royalties): R$ 4.839.718,09 V – Glosa de Custos/Despesas (Copyright): R$ 3.133.260,53 VI – Glosa de Custos/Despesas (Uso de Marcas e Royalties Adicionais): R$ 719.297,49. As infrações relacionadas aos itens I e II acima foram integralmente canceladas pela autoridade julgadora de primeira instância. Cabe observar que, diante do cancelamento da infração descrita no item II (OMISSÃO DE RECEITA), os lançamentos reflexos de PIS e COFINS tornaramse, também, insubsistentes. A infração relacionada ao item III foi parcialmente cancelada, enquanto que as correspondentes aos itens IV, V e VI foram integralmente mantidas. Diante das exonerações promovidas em primeira instância, que, releva destacar, não ultrapassaram o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008, para fins de recurso de ofício, a matéria tributável remanescente é a seguinte: Fl. 13453DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.454 21 Glosa de Custos (COMISSÕES SOBRE VENDAS): R$ 572.310,55 Glosa de Custos/Despesas (Royalties): R$ 4.839.718,09 Glosa de Custos/Despesas (Copyright): R$ 3.133.260,53 Glosa de Despesas (Uso de Marcas e Royalties Adicionais): R$ 719.297,49 Destaco que as glosas efetuadas pela Fiscalização foram consubstanciadas na falta de apresentação de documentos de suporte, limitandose o Termo de Verificação e de Constatação Fiscal a indicar as contas auditadas e os valores objeto de autuação. Tenho por relevante a explicitação de algumas ocorrências retratadas nos autos, de modo que se possa contextualizar o procedimento fiscal ora submetido a exame. Pelo que se depreende dos elementos reunidos ao processo, a ação fiscal na ora Recorrente foi iniciada em 27 de abril de 2001, por meio da lavratura do Termo de Intimação de fls. 04. Em 11 de junho de 2001, a contribuinte foi intimada a apresentar a documentação comprobatória dos dispêndios, conforme Termo de fls. 73/75. Diante de uma suposta ausência de atendimento, a autoridade fiscal lavrou, em 20 de junho e 23 de julho de 2001, novos Termos de Intimação, reiterando a apresentação dos documentos e solicitando outros (fls. 76/78 e 80/81). Em 15 de agosto de 2001, a autoridade fiscal emitiu o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 85/113 e lavrou os autos de infração de fls. 114/153. Considerados tão somente os elementos aportados aos autos, a contribuinte não teria apresentado, no curso da ação fiscal, nenhum documento relacionado aos custos e despesas glosados, o que me leva a concluir que a autuação alcançou a totalidade dos saldos das contas auditadas. Apesar de a autoridade fiscal fazer referência, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, à anexação de cópia (de páginas) do Livro Razão às fls. 111/212, não localizei a citada documentação, de modo que não foi possível confirmar que, de fato, a glosa alcançou a totalidade dos saldos da contas investigadas. O referido Termo de Verificação e Constatação Fiscal é extremamente econômico no que diz respeito à descrição da infração, vez que não faz qualquer referência à conduta da contribuinte no curso da ação fiscal, isto é, se houve ou não apresentação de documentos, se foram apresentadas justificativas para uma eventual ausência de apresentação de documentos, etc. Noto, também, que, considerada a natureza das contas auditadas, a ação fiscal foi desenvolvida em um espaço de tempo inapropriado, pois, analisar custos e despesas relacionados a comissões, royalties e copyright de uma empresa que tem por objeto a Fl. 13454DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.455 22 reprodução de discos e fitas em pouco mais de dois meses3, com o devido respeito, não me parece adequado. Ressalto que, considerada a numeração dos arquivos digitais que integram os presentes autos, de um total de treze mil quatrocentos e trinta e três folhas que compõem o processo, apenas cento e sessenta e sete representam o procedimento fiscal, que foi iniciado em 27 de abril de 2001 por meio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 03 e encerrouse em 15 de agosto do mesmo ano, conforme Termo de Encerramento de fls. 166. Instaurada a fase litigiosa em virtude da interposição de peças impugnatórias, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília houve por bem converter o julgamento em diligência, eis que vislumbrou indícios que apontavam para a comprovação das despesas realizadas (fls. 372/374). Encaminhado o processo à então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, ele foi distribuído para o agente fiscal autuante, que emitiu Termos de Intimação (fls. 382/387) requisitando a apresentação de documentação comprobatória relativa ao período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 1998. Em resposta, a contribuinte apresentou parte da documentação solicitada (fls. 388). Passo seguinte, o agente fiscal responsável pela diligência lavrou novo Termo de Intimação requisitando a complementação de informações (fls. 389), apontando como período de referência, mais uma vez, 1º de janeiro a 31 de dezembro de 1998. Às fls. 390/2.472 do processo, constam os seguintes documentos: planilha relativa a pagamento de comissões; cópia de cheques; cópia de extratos bancários; cópia de notas fiscais; cópia de borderôs; e cópia de contratos. Foram juntados, ainda, os documentos de fls. 2.509/4.057, que, pelo que se pode supor, representaram complementação da resposta à intimação de fls. 389. Às fls. 4.060/4.073, consta INFORMAÇÃO FISCAL elaborada pelo agente fiscal responsável pelos procedimentos fiscais em que, por motivos diversos (falta de comprovação da efetiva prestação do serviço; ausência de registro de recepção pelas instituições financeiras dos borderôs apresentados; comprovantes de pagamento sem quitação dos beneficiários; falta de apresentação de contratos; etc), os dispêndios foram considerados não comprovados. Cientificada do resultado da diligência (fls. 4.076), a contribuinte prestou as seguintes informações, in verbis: UNIVERSAL MUSIC LTDA., nos autos do processo, supra, vem, respeitosamente, em atenção a V. intimação de folhas, aditar a impugnação pelas considerações referidas em anexo, que comentam os dados da perícia processada no curso da lide, e que são por si só explicativas e ficam fazendo desta, parte integrante como anexo A. Os documentos junto a presente, demonstram que a diligência não procedeu como devia a um exame completo da matéria de fato, o que 3 Tempo transcorrido entre a data da primeira intimação para que a contribuinte apresentasse a documentação relativa aos dispêndios (11/06/2001) e a data da lavratura dos autos de infração (15/08/2001). Fl. 13455DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.456 23 obriga a apresentação da longa documentação que se junta a presente e comprova a correção dos lançamentos realizados pela suplicante. Tratandose de uma impugnação aos dados constantes da perícia, refutados de modo integral, requer a suplicante seja o processo encaminhado ao ilustre autor da diligência para que aprecie o material fornecido, e possa se pronunciar sobre a matéria conclusivamente. Com relação ao laudo cabe uma palavra final. É inverídica a afirmativa de que houve recusa no fornecimento da documentação original, o que teria justificado a glosa. Como se vê do documento anexo B a suplicante foi intimada para o fornecimento de toda a documentação ali mencionada em cinco dias, e reintimada para completála a 20.06.01 (doc. C ). A resposta integral foi apresentada a 02.07.01 (doc.D). Assim, entre a primeira intimação e o atendimento da reintimação, ocorreu um prazo menor do que 30 dias, o que em nenhuma hipótese pode configurar recusa voluntária a prestação das informações. Assim, está certa a suplicante de que se houver um exame diligente e ponderado dos dados constantes da documentação anexa, o lançamento será cancelado. (GRIFEI) Pelo que foi possível depreender, a documentação que a contribuinte informou que anexou ao processo está representada pelos ANEXOS 1 a 9 dos autos. Apesar de a contribuinte ter requerido que referida documentação fosse encaminhada ao autor da diligência, não restou identificada providência nesse sentido. Como descrito no Relatório, às fls. 4223 consta documento por meio do qual a contribuinte apresentou aditamento ao recurso, momento em que juntou ao processo os documentos de fls. 4.237/5.154. Referida documentação foi juntada ao processo sem observância da ordem cronológica, vez que protocolizada em 16 de dezembro de 2010, enquanto o recurso voluntário de fls. 5.157/5.184 é de 09 de dezembro de 2010. Conforme destacado na Resolução nº 1301000.061, de 12 de junho de 2012, as planilhas e os documentos apresentados pela contribuinte não guardam compatibilidade com as discriminações feitas no Termo de Verificação e de Constatação Fiscal. Enquanto o Termo de Verificação aponta a glosa levando em conta (pelo que se pode supor) os saldos mensais das contas auditadas, a documentação trazida pela contribuinte foi organizada, também pelo que se pode supor, com base em ordem cronológica dos pagamentos efetuados. A análise empreendida pelo agente fiscal responsável pela diligência, por sua vez, revelou certo grau de generalidade, vez que também não trouxe qualquer relação entre os documentos apreciados e os valores apontados no Termo de Verificação. Respeitando as conclusões esposadas na INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 4.060/4.073 e no voto condutor da decisão prolatada em primeira instância, declinei entendimento no sentido de que, considerada a forma como a documentação apresentada pela fiscalizada foi juntada ao processo, não seria possível uma apreciação segura acerca da imputação feita pela Fiscalização, isto é, de que os registros feitos a título de despesas com Fl. 13456DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.457 24 comissões sobre vendas (parte), royalties, copyrights e uso de marcas, careciam de documentação comprobatória de suporte. Assim, não obstante a multiplicidade de exames e a vasta documentação reunida, apresentei proposição no sentido de que o julgamento fosse convertido em diligência para que unidade administrativa de jurisdição do contribuinte apresentasse informações complementares. Foi diante desse contexto que esta Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência, pois, para que as controvérsias instaladas nos autos pudessem ser adequadamente dirimidas, entendeu o Colegiado que seria necessário trazer aos autos esclarecimentos e dados relacionados aos seguintes aspectos: ausência de lançamento em relação às despesas e custos apropriados no mês de janeiro de 1998; compatibilização entre as despesas e os custos apontados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal e a documentação comprobatória aportada ao processo; comprovação complementar por amostragem, caso a documentação trazida ao processo não alcançasse a totalidade dos dispêndios glosados; indicação, individualizada, dos motivos justificadores das glosas; e indicação, com base nos valores consignados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, dos pagamentos de royalties que tiveram como beneficiários sócios da fiscalizada. Para viabilizar o atendimento dos pedidos formalizados, o agente fiscal indicado para realizar a diligência lavrou, em 11 de dezembro de 2012, o Termo de fls. 6.539, por meio do qual requisitou à contribuinte os seguintes esclarecimentos e informações: que ela manifestasse seu entendimento quanto ao fato de o lançamento não alcançar o mês de janeiro de 1998; que ela promovesse a compatibilização entre os valores consignados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal e a documentação que julgava suficiente à comprovação dos dispêndios, justificando, de forma individualizada, os casos de não comprovação; que informasse se tinha anexado aos autos a totalidade da documentação comprobatória dos dispêndios, elencando as rubricas e valores que não tinham suporte documental; e que fosse identificado os pagamentos de royalties que tiveram como beneficiário sócios dela. Em atendimento à intimação, a contribuinte, em 10 de janeiro de 2013, apresentou o documento de fls. 6.541/6.546, em que, em apertada síntese: prestou esclarecimentos acerca da sistemática adotada para registro dos pagamentos relativos às comissões de vendas, royalties, copyrights e marcas; informou que havia discriminado, em anexo, as receitas auferidas na comercialização de fonogramas; os valores devidos lançados em conta de provisão para copyrights e royalties nacionais e estrangeiros; e comprovantes da remessa do pagamento dos valores devidos a domiciliados e residentes no exterior; esclareceu que, em virtude da grande quantidade de documentos, juntava, em anexo, alguns exemplos que confirmariam seus argumentos; especificamente em relação aos questionamentos feitos por meio do Termo de Intimação, informou: a) que no curso do procedimento fiscal apresentou à Fiscalização a documentação comprobatória dos dispêndios relativos ao mês de janeiro de 1998, motivo pelo qual nenhuma glosa foi realizada quanto a esse período; b) que, para fins de comprovação dos dispêndios objeto de glosa, demonstrava que os valores provisionados mês a mês para pagamentos de royalties e copyrights foram despesas efetivamente pagas aos titulares no Brasil Fl. 13457DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.458 25 e no exterior, com alguns ajustes entre os valores provisionados e os pagamentos realizados quando do recebimento do preço, e que todos os documentos foram juntados ao processo (esclareceu que, a título de exemplo, juntava documentação que tratava especificamente dos pagamentos feitos a título de royalties); c) que colocavase à disposição da Fiscalização para adicionar qualquer informação pertinente e atender, ainda que por amostragem, às exigências de comprovação dos pagamentos realizados tanto a título de royalties quanto de copyright; e d) que as questões relacionadas ao motivo (ou motivos) em razão do qual (ou dos quais) a despesa foi considerada não comprovada e aos pagamentos de royalties que tiveram como beneficiários seus sócios, foram destinadas à Fiscalização, razão pela qual ela não podia atendêlas. Em 25 de fevereiro de 2013, considerando atendida tão somente a questão relacionada ao fato de não ter havido glosa de custos ou despesas incorridas no mês de janeiro de 1998, o agente fiscal responsável pela diligência lavrou o TERMO FISCAL de fls. 6.752/6.753, no qual assinalou: [...] Da análise dos quesitos apresentados pelo órgão julgador, que desaguaram na presente Diligência, e também concluso no próprio despacho decisório: “a forma como a documentação apresentada pela fiscalizada foi juntada ao processo não permite uma apreciação segura acerca da imputação feita pela Fiscalização”, entendo, S.M.J., que os documentos ora apresentados também não atendem o solicitado, considerando que não houve a plena conexão entre as rubricas elencadas no TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL, mantendo a insegurança do julgador, conforme destacado no Despacho Decisório com os documentos apensados anteriormente. Entendo que a deficiência não foi sanada. Isto posto e por tudo acima descrito, fica o contribuinte intimado a, no prazo de 10 (DEZ) dias a contar do recebimento deste, pronunciarse sobre o postulado no presente Termo. Em atendimento, a contribuinte apresentou, em 10 de abril de 2013, o documento de fls. 6.754/6.768, informando: que, relativamente à compatibilização entre os valores indicados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal e a documentação comprobatória que julgava satisfatória, apresentava planilhas, sanando, assim, a pendência; que, relativamente à juntada da totalidade da documentação, procurou por ocasião da apresentação inicial da documentação, por amostragens exemplificativas, demonstrar a parte operacional quanto ao tratamento das despesas glosadas e que toda documentação estava à disposição da Fiscalização; que os pagamentos de royalties não foram efetuados aos seus sócios. Às fls. 6.769/6.784, no que parece ser uma continuação do atendimento ao TERMO FISCAL de fls. 6.752/6.753, a contribuinte, afirmando que relativamente aos gastos com comissão de vendas a “constatação fica ratificada pela não constituição do crédito em janeiro de 1998”, informou que estava anexando planilhas de comprovação dos dispêndios com royalties e copyrights e prestou esclarecimentos acerca dos gastos com uso de marcas e royalties adicionais. Fl. 13458DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.459 26 Com base nos Termos lavrados e nas respostas apresentadas pela contribuinte, o responsável pela diligência produziu o Relatório de fls. 6.787, cujos fragmentos reproduzo mais uma vez. [...] Da análise dos docs. acostados inicialmente pelo contribuinte como também dos apresentados por ocasião da Diligência, concluise ser constante a natureza da documentação, composta pela apresentação de vouchers, notasfiscais e respectiva contabilização do pagamento dos dispêndios argüidos. Falta de lançamento tributário em janeiro/98 – Conforme resposta ao Termo de Intimação, apensada em 10/01/2013, a documentação comprobatória foi aceita pela autoridade autuante; daí a ausência de lançamento de ofício. Compatibilização entre o Termo de Verificação e Constatação e Fiscal com a documentação de suporte – Considerandose a matéria remanescente sujeita ao julgamento atual com o ora apresentado, entendo como sanada a matéria em questão. Consoante relatado em parágrafo anterior, não houve alteração da natureza dos documentos apresentados na fase anterior se comparados com os prestados agora, relevando a amostragem sob análise. Em síntese, podese concluir que, desses valores remanescentes para fins de julgamento do CARF, podese agrupar em 02 (dois) grupos: o 1º onde houve valores que, realmente, NÃO FORAM APRESENTADOS quaisquer comprovantes e que contou com o reconhecimento do próprio contribuinte, exemplificado pelo valor de R$ 719.297,49, deduzido a título de Uso de Marcas e Royalties adicionais. O 2º grupo cujas comprovações foram respaldadas por planilhas, vouchers, notas fiscais/recibos e registros contábeis dos pagamentos, nada diferente do figurino característico do contribuinte. Apreciando os elementos reunidos ao processo a partir da realização da diligência requerida por esta Turma Julgadora, observei que: a) não obstante a contribuinte ter colocado à disposição da Fiscalização a documentação mantida em seu acervo, não existia indicativo de que a autoridade responsável pelo procedimento tivesse efetuado verificações no domicílio da autuada; b) nenhum pronunciamento foi feito por parte da autoridade responsável pelo procedimento acerca da amplitude da documentação comprobatória trazida ao processo pela fiscalizada; c) não existia indicação individualizada do motivo pelo qual a glosa deveria ser mantida (ou mesmo desconsiderada); d) nenhum pronunciamento foi feito por parte da autoridade responsável pelo procedimento acerca da informação da diligenciada de que não houve pagamento de royalties a sócios; e e) as planilhas aportadas ao processo pela contribuinte não fizeram a vinculação entre a glosa apontada no Termo de Verificação Fiscal e a documentação comprobatória supostamente apresentada e não dizem respeito à totalidade das rubricas auditadas. Diante de tal situação, concluí que a diligência fiscal em referência, além de não ter respondido satisfatoriamente as indagações formalizadas por este Colegiado, foi finalizada por pronunciamento inconcluso, de modo que não restava outra providência que não a conversão, mais uma vez, do julgamento em diligência, para que a unidade de origem, por amostragem, promovesse a compatibilização entre os custos e despesas glosados (comissões de vendas, royalties, copyrights, uso de marcas e royalties adicionais) apontados no Termo de Fl. 13459DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.003324/200118 Acórdão n.º 1301001.889 S1C3T1 Fl. 13.460 27 Verificação e Constatação Fiscal e a documentação que, segundo a contribuinte, comprovava a efetividade do dispêndio, emitindo, ao final, parecer conclusivo. Assim, considerado o contexto da ação fiscal empreendida, das sucessivas diligências fiscais e do volume de documentos carreados ao processo, acolho as conclusões esposadas no Relatório de Diligência de fls. 13.428/13.429 para dirimir a controvérsia posta nos autos Nesse sentido, considero comprovado: i) o remanescente de custos relativos a COMISSÕES SOBRE VENDAS no montante de R$ 572.310,55; ii) do total de R$ 4.839.718,09, relativo a ROYALTIES, o valor de R$ 4.699.567,01; e iii) do total de R$ 3.133.260,53, correspondente a COPYRIGHT, o valor de R$ 2.938.863,69. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar a glosa no montante de R$ 8.210.741,25, sendo R$ 572.310,55 relativos a COMISSÕES SOBRE VENDAS, R$ 4.699.567,01 relativos a ROYALTIES e R$ 2.938.863,69 relativos a COPYRIGHT. Sala das Sessões, em 20 de dezembro de 2016 "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Fl. 13460DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10768.720099/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2005
SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS.
Cancela-se a glosa do ressarcimento quando comprovado que o contribuinte agiu seguindo orientação dada em solução de consulta eficaz, relativa ao próprio contribuinte.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3402-002.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Carina Elaine de Oliveira, OAB/SP 197.618.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2005 SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. Cancela-se a glosa do ressarcimento quando comprovado que o contribuinte agiu seguindo orientação dada em solução de consulta eficaz, relativa ao próprio contribuinte. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Carina Elaine de Oliveira, OAB/SP 197.618. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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EFEITOS. Cancelase a glosa do ressarcimento quando comprovado que o contribuinte agiu seguindo orientação dada em solução de consulta eficaz, relativa ao próprio contribuinte. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Carina Elaine de Oliveira, OAB/SP 197.618. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 00 99 /2 00 7- 26 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita do IPI, formulado com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A autoridade administrativa efetuou diligência para verificação da legitimidade dos créditos. Glosou os créditos aplicados na fabricação de lubrificantes, porque esses produtos não são alcançados pela imunidade constitucional e são classificados na TIPI como NT. A escrita fiscal foi reconstituída e, após a glosa, os saldos passaram a ser devedores tendo sido lançados de ofício no auto de infração albergado no processo nº 12897.000354/200932. Por meio do despacho decisório, a autoridade administrativa negou o direito creditório, sob o fundamento de que a lei só garante o direito de crédito a produtos imunes, quando a imunidade decorra de exportações. Entende a autoridade administrativa que a imunidade dos derivados de petróleo não dá direito à manutenção do crédito. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) o crédito do IPI utilizado na DCOMP objeto deste processo, relativo ao 2° trimestre de 2005, foi objeto de lançamento de oficio formalizado por intermédio do processo nº 12897.000354/200932. Concluiu que o crédito tributário exigido neste e naquele processo é o mesmo, o que enseja o cancelamento da cobrança consubstanciando ainda lançamento em duplicidade; b) que “a Requerente comercializa óleo lubrificante derivado do petróleo cuja operação de saída é desonerada do IPI em decorrência da Imunidade Constitucional, e, óleo lubrificante não derivado do petróleo em que a operação de saída é normalmente tributada pelo aludido imposto”; c) que a redação do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e do art. 4° da IN SRF nº 33/99 permitiram a utilização dos créditos do IPI decorrentes das aquisições de insumos aplicados na fabricação dos produtos imunes, isentos, ou tributados à alíquota zero; d) que, apesar da clareza da redação dos dispositivos mencionados, a empresa formalizou, em 15/10/2003, processo de Consulta à Legislação Tributária perante a 7ª Região Fiscal (processo nº 13707.002630/200364 cópia às fls. 233 a 238), consulta essa que foi decidida favoravelmente à interessada em 10/12/2003, sendolhe afirmado o direito ao crédito do IPI, a partir de 01/01/1999, nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes (fls. 226 a 232); e) que a notação NT conferida na TIPI aos óleos lubrificantes das posições 2710.1931 e 2710.1932 decorre da imunidade conferida pelo art. 155, § 3°, da CF/88; f) que o ADI SRF nº 05/2006 é inconstitucional e ilegal, mas, ainda que legal fosse, não poderia ser aplicado retroativamente, em razão de a Impugnante encontrarse protegida por solução de consulta decidida a seu favor. A DRJ Juiz de Fora julgou procedente a impugnação que o contribuinte apresentou contra o auto de infração albergado no processo nº 12897.000354/200932, pois Fl. 541DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10768.720099/200726 Acórdão n.º 3402002.717 S3C4T2 Fl. 5 3 entendeu que a Solução de Consulta específica garantiu à empresa o direito ao crédito de IPI sobre os produtos imunes. Entretanto, a ilustre relatora do processo em primeira instância, a então julgadora Mônica Monteiro Garcia de los Rios, hoje integrante do CARF, entendeu que naquele momento não poderia repercutir o teor daquela decisão no presente processo de ressarcimento, pelos seguintes motivos: a) o art. 19 da IN nº SRF 210/2002 impede o ressarcimento na pendência de processo judicial ou administrativo cujo resultado possa alterar o valor a ser ressarcido; b) a decisão do auto de infração albergado no processo nº 12897.000354/200932, embora prejudicial a este pedido de ressarcimento, não pode ser aplicada de imediato a este processo, pois está sujeita a recurso de ofício ao CARF. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 16/12/2010, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/11/2011, no qual reprisou as alegações de primeira instância e contestou pontos específicos do voto da relatora. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É evidente que o contribuinte está amparado por solução de consulta por ele formulada, a qual lhe garantiu o direito aos créditos de IPI e ao ressarcimento solicitado nestes autos. Eis a conclusão da Solução de Consulta 7ªRF/DISIT/ 394/2003: (...) 12. Isto posto, soluciono a presente consulta de forma favorável à consulente para esclarecer que as indústrias de produtos imunes, pelas entradas de insumos ocorridas a partir de 1° de janeiro de 1999, passaram a ter direito ao creditamento do IPI. O saldo de créditos excedentes pode, em cada trimestre, ser utilizado para compensação de dívidas próprias relativas a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A compensação é efetuada pelo próprio contribuinte em sua escrita e formalizada mediante declaração, seja por meio eletrônico nas hipóteses do art. 2°, V, da IN 230/2003; seja por formulário nas demais." Fl. 542DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A leitura do excerto acima não deixa nenhuma dúvida: a Administração Tributária respondeu ao contribuinte que ele tinha o direito de se creditar do IPI em relação a insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, sem nenhuma ressalva. Nesse passo, não restou outra solução à DRJ Juiz de Fora a não ser cancelar o auto de infração lavrado contra o contribuinte, o que foi feito por meio do Acórdão nº 09 26.988 de 09 de novembro de 2009. Tendo em vista que o referido julgado estava sujeito ao recurso de ofício, a "Sra. Relatora" não tinha mesmo como repercutir tal decisão no presente processo de ressarcimento, pois o CARF poderia muito bem prover o recurso de ofício. Além disso, o art. 19 da IN nº SRF 210/2002, também impedia o ressarcimento no caso concreto. Entretanto, o recurso de ofício no processo nº 12897.000354/200932 foi negado por meio do Acórdão nº 330301.429, que recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração:15/07/2004 a 30/09/2005 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Correta a exoneração de crédito tributário decorrente de glosa de créditos escriturais de IPI cuja escrituração e aproveitamento foram efetuados com amparo em solução de consulta efetuada pelo próprio contribuinte. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. É inequívoco que a sorte deste processo de ressarcimento está umbilicalmente vinculada ao resultado do lançamento de ofício albergado no processo 12897.00354/200932. Portanto, se o lançamento de ofício foi julgado improcedente pelas instâncias administrativas de julgamento, a apuração original do contribuinte deve ser considerada correta, fato do qual decorre a improcedência da glosa do ressarcimento efetuada neste processo. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 543DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10768.720099/200726 Acórdão n.º 3402002.717 S3C4T2 Fl. 6 5 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/12/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.019261/99-39
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 92 61 /9 9- 39 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que negou provimento ao recurso especial por ela interposto. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 30/06/1999, relativo ao período de apuração de 01/09/1989 a 31/01/1992. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10880.019261/9939 Acórdão n.º 9900000.943 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/11/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 10660.000175/2007-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 26/01/2002
MULTA POR INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO E DERIVADOS. POSSE DE CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INCIDÊNCIA.
Aplica-se a pena de perdimento, cumulada com a imposição de multa específica, àqueles que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministério da Fazenda, dentre outras condutas, detiverem a posse de cigarros de procedência estrangeira.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Votou pela conclusão o Conselheiro Paulo Celani.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 26/01/2002 MULTA POR INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO E DERIVADOS. POSSE DE CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INCIDÊNCIA. Aplica-se a pena de perdimento, cumulada com a imposição de multa específica, àqueles que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministério da Fazenda, dentre outras condutas, detiverem a posse de cigarros de procedência estrangeira. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Votou pela conclusão o Conselheiro Paulo Celani. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
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POSSE DE CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INCIDÊNCIA. Aplicase a pena de perdimento, cumulada com a imposição de multa específica, àqueles que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministério da Fazenda, dentre outras condutas, detiverem a posse de cigarros de procedência estrangeira. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Votou pela conclusão o Conselheiro Paulo Celani. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 01 75 /2 00 7- 81 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn. Relatório Tendo sido designado como redator ad hoc nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, e dada a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Cuida o presente processo de exigência da multa no importe de R$ 16.225,94, aplicada pela fiscalização aduaneira com supedâneo no art. 3°, §1°, do Decretolei n º 399, de 1968 (redação anterior às alterações implementadas pela lei nº 10.833/2003), combinado com o parágrafo único do art. 519 do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto 91.030, de 05/03/1985) pela prática de infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira, objeto do Auto de Infração fls. 01/10. 2. Na descrição dos fatos constantes do Auto de Infração, a fiscalização afirma que, em 26/01/2002, foram apreendidos, pela Polícia Rodoviária Federal 4ª Superintendência/Minas Gerais, várias mercadorias de origem estrangeira, dentre as quais, 25.500 maços de cigarros estrangeiros, encontradas em um ônibus de turismo da empresa Angel Tur Agência de Viagens e Turismo Ltda., conforme Boletim de Ocorrência n° 108, de 26/01/2002 (fls. 26/30). Segundo a fiscalização, tais mercadorias apreendidas foram encaminhadas ao Departamento de Polícia Federal e posteriormente à Receita Federal, para fins de aplicação da pena de perdimento. Ainda de acordo com a fiscalização, baseandose em inquéritos apurados e declarações prestadas pelos motoristas e outros ocupantes do veículo, algumas pessoas evadiramse pela janela, dentre elas, o contribuinte ora impugnante e que o mesmo seria o adquirente dos cigarros apreendidos. 3. A fiscalização encaminhou informação acerca dos fatos ao Ministério Público Federal para os fins pertinentes, em cumprimento à legislação vigente. 4. Cientificado do lançamento em 31/01/2007, conforme Aviso de Recebimento de fl. 32, o autuado, através de advogado devidamente habilitado, insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 35/37, em 14/02/2007, por meio da qual expõe, em síntese, as seguintes razões de defesa: 4.1 Desconhece o teor dos citados depoimentos colhidos em sede policial, e ainda, no que respeita às citadas inscrições em caixas de cigarros, constatase que o Relatório de ação Fiscal não explicitou com clareza sobre o seu teor, a fim de que o impugnante pudesse, nesta oportunidade, exercer amplamente seu direito de defesa, posto que desconhece qualquer inscrição que possa, de algum modo, ser alusiva à sua pessoa, sendo assim insuficientes para comprovar as imputações; 4.2 Contesta, ainda, a afirmação de que o impugnante teriase evadido pela janela do ônibus, por ocasião da abordagem policial, vez que não estava presente no veículo; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10660.000175/200781 Acórdão n.º 3802001.757 S3TE02 Fl. 136 3 4.3 Não adquiriu, não transportou, não possuiu, tampouco pôs em circulação, nem mesmo depositou ou consumiu referidos produtos, reiterandose que não tem qualquer relação com tais mercadorias, pelo fato de não estar presente no veículo e, tampouco, é responsável pelas mercadorias apreendidas; 4.4 O auto de infração há de ser declarado nulo, sobretudo, considerando que o artigo 519 do Regulamento Aduaneiro exige a configuração do estado de flagrante para a imposição de pena e que o contribuinte em momento algum foi flagrado em situação, nem mesmo presumida, que se possa concluir que seja ele o autor da infração; 4.5 O processo de perdimento, referente às mercadorias constantes do boletim 108/2002, em que consta o impugnante como sujeito passivo, foi declarado nulo, ante a insuficiência de provas; 4.6 Por último, requer seja recebida e conhecida a impugnação, para que sejam admitidos os argumentos nela declinados e, consequentemente, declarada a nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de defesa ou mesmo julgandoo improcedente por ausência de provas quanto à legitimidade passiva do impugnante. 5. Por meio do despacho de fl. 61, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG). Todavia, em 05/03/2007, em razão da alteração de competência para julgamento, promovida pela Portaria RFB n° 179/2007, foi exarado o despacho de fl. 62, encaminhado o processo para a DRJ em Fortaleza. 6. Em 14 de janeiro de 2009, foi prolatada Resolução da 7 ª Turma da DRJ/FOR (fls. 64/65), convertendo o julgamento em diligência para que a unidade lançadora efetuasse a juntada ao processo de extratos de eventuais ações penais formalizadas junto ao Poder Judiciário contra o autuado, relacionadas ao IPL n° 022/2002. 7. Em atendimento à diligência solicitada pela unidade julgadora, a autoridade lançadora informou, em síntese, o seguinte: 7.1 Foram anexadas telas de pesquisas na internet junto ao Tribunal Regional Federal 1ª Região de ações judiciais nºs 2002.38.00.0076035 (fls. 71 e 72) e 2002.38.00.0369719 (fls. 73 a 75) por contrabando e descaminho, ajuizadas em desfavor de José Carlos Nascimento Silva, em 18/03/2002 e 26/09/2002, respectivamente; 7.2 A ação judicial 2002.38.00.0076034, protocolizada na Secção Judiciária de Minas Gerais, em Belo Horizonte, 4ª Vara Federal, oferecida pelo Ministério Público Federal, se refere ao IPL 22/2002, sendo recebida em 16/09/2002, onde sofreu conversão em ação penal sob o n ° 2002.38.0369719. 7.3 Em virtude da ação penal acima mencionada, houve condenação do contribuinte. Tal raciocínio defluise do fato de que foi concedida a suspensão do processo, ao amparo do art. 89 da Lei n° 9.099/95; 8. Após o entendimento que a diligência foi devidamente cumprida, a unidade lançadora encaminhou o processo para a DRF/Juiz de Fora, para que esta unidade promovesse a ciência do contribuinte. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 9. Embora devidamente cientificado em 10/06/2009, conforme AR de fl. 89, o contribuinte não se manifestou sobre a diligência efetuada pela unidade lançadora. A primeira instância, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. Cientificado da referida decisão em 29/04/2011 (efls. 106), o sujeito passivo apresentou o recurso voluntário de efls. 108/111, onde reitera que a mercadoria apreendida não seria de sua propriedade, razão pela qual reclama pela nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Ressalvado o meu entendimento pessoal – no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso – reproduzo, abaixo, o voto objeto da decisão de primeira instância, já que inexiste qualquer memória sobre o julgamento do feito por este Conselho. DAS PRELIMINARES A impugnação foi apresentada tempestivamente, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecida. Preliminarmente, cabe a manifestação quanto ao cerceamento de defesa suscitado pelo impugnante. Não merece guarida tal argumento, eis que o relatório de ação fiscal (fls. 06/08), no item 2.0, retrata muito bem a situação fática que se baseou para constituição do lançamento, qual seja, o fato de o impugnante ser o adquirente dos cigarros estrangeiros, firmando este entendimento com base em declarações prestadas pelos motoristas e outros ocupantes do veículo, nos inquéritos policiais instaurados, bem como em inscrições constantes das caixas onde estavam os cigarros. Além do mais, foi citada a capitulação legal da infração e percebese facilmente que a conduta se amolda perfeitamente à tipificação da infração aduaneira citada. Portanto, considero que não houve cerceamento de defesa, visto que o impugnante teve plenamente ciência dos fatos, objeto da infração, que lhe foram imputados. Quanto ao argumento de defesa de que o auto de infração há de ser declarado nulo porque há exigência de configuração do estado de flagrante para a imposição da infração, nos termos do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 91.030, de 05/02/1985), entendo, também, como insubsistente. O simples fato de ser o adquirente da mercadoria já é suficiente para que a infração ocorra. Tal raciocino se extrai a partir da exegese do art. 519 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos. Não há que se falar, portanto, em estado flagrante para a ocorrência da tipificação, in verbis: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10660.000175/200781 Acórdão n.º 3802001.757 S3TE02 Fl. 137 5 Art. 519 A pena de perdimento da mercadoria será ainda aplicada aos que, em infração, às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministro da Fazenda para o desembaraço aduaneiro, circulação, posse e consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem tais produtos (Decreto Lei n° 399/68, artigos 2° e 3°e seu § 1°). Parágrafo único Sem prejuízo da comunicação à autoridade policial competente, para efeitos da sanção prevista no artigo 334 do Código Penal, será aplicada, além da pena de que trata este artigo, a multa de 5% (cinco por cento) do Maior Valor de Referência (MVR) vigente no País, por maço de cigarros ou por unidade de produtos compreendidos na tabela inserta no artigo 109 (DecretoLei n° 399/68, artigos 1° e 3", § 1º). No tocante à ilegitimidade passiva, considerando que o deslinde deste questionamento se confunde com o próprio mérito, vez que foi o principal argumento de defesa, a manifestação será feita por ocasião da apreciação meritória. É interessante frisar, ainda, que o julgamento do presente processo não está vinculado ao julgamento do processo administrativo que tratou do perdimento da mercadoria (10660.002614/200286). São processos com ritos processuais e objetos distintos. Assim, o simples fato de que no processo administrativo em que o objeto era a aplicação da pena de perdimento houve convicção no sentido de que não se pode comprovar a participação do impugnante no pólo passivo da relação processual, não obriga o julgamento deste processo administrativo no mesmo sentido. Primeiro, porque a competência para julgamento é de outra autoridade; segundo, porque é possível o aparecimento de circunstâncias e fatos novos, como foi o caso. Portanto, não prospera o argumento do impugnante de que o presente auto de infração deve ser anulado porque no processo de perdimento das mercadorias relacionado com esta infração não foi possível comprovar sua legitimidade passiva. DO MÉRITO Adentrando no mérito da questão, cabe reproduzir o art. 3°, § 1º, do Decretolei n° 399, de 30 de dezembro de 1968, capitulação legal utilizada pela fiscalização para fundamentação da infração. Tal dispositivo assim preceitua: Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem qualquer dos produtos nele mencionados, (destaquei). § lº Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perda da respectiva mercadoria, a multa de 5% (cinco por cento) do maior salário mínimo vigente no País, por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (destaquei). De acordo com a documentação acostada aos autos, tais como: boletim de ocorrência, depoimentos, termos de declarações, concluise que os elementos essenciais à configuração da infração estão presentes, quais sejam: os cigarros eram de procedência estrangeira e foram apreendidos Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI 6 dentro do território aduaneiro sem que tenha sido comprovada sua regular entrada no País. Não há dúvida, portanto, acerca da caracterização da infração descrita na disposição legal acima reproduzida. O impugnante, inclusive, no mérito, não contesta a ocorrência da infração, limitandose a afirmar que não pode figurar no pólo passivo desta relação, eis que, segundo seus argumentos, não adquiriu, não transportou, não possuiu, nem pôs em circulação os cigarros que deram origem à infração. Notese que vários são os núcleos verbais elencados no dispositivo legal. Dentre os quais, destacamos os verbos possuir e adquirir. A fiscalização entendeu, a princípio, que o impugnante era o possuidor e adquirente dos cigarros contrabandeados e efetuou a autuação com base nesta convicção. A fiscalização baseouse em depoimentos e termos de declaração das pessoas que estavam presentes no ônibus para imputar à responsabilidade ao impugnante. Em resposta à diligência, a unidade preparadora juntou extratos de ações que tramitaram na Justiça Federal relacionadas com a materialidade da presente lide. À análise da documentação juntada em diligência, defluise que houve ação penal, processos 2002.38.00.0076035 (inquérito policial) e 2002.38.00.0369719 (ação penal), em que foi recebida denúncia contra o impugnante, tendo como objeto o Inquérito policial 22/2002, que apurou a prática de crime de descaminho. Na referida ação, consta que o impugnante aceitou a proposta de suspensão condicional do processo levada a cabo pelo Ministério Público Federal, nos termos do art. 89, da Lei 9.099/95, a qual foi homologada pela Justiça Federal, tendo sido, inclusive, extinta a punibilidade em 21/09/2005, face ao cumprimento dos requisitos legais para a concessão do benefício, Ora, fica notório que o impugnante era o real adquirente dos cigarros descaminhados apreendidos, eis que aceitou proposta de suspensão condicional da pena proposta pelo Ministério Público Federal; caso contrário, não haveria aceitado tal investida do Ministério Público Federal, portanto, deve constar como sujeito passivo da relação tributária. É de ressaltar, ainda, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, conforme dispõe o Código Tributário Nacional em seu art. 136. Esse comando foi incorporado também no art. 94, § 1º, do Decretolei n° 37/1966 (art. 499 do Decreto n° 91.030/85), vigente à época dos fatos: "Art. 499 Constitui infração toda ação, ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei n° 37/86, artigo 94). Parágrafo único Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (DecretoLei n° 37/fi6, artigo 94, § 2°).. " Inferese, da leitura das disposições legais acima reproduzidas, que impera no Direito Tributário e no Direito Aduaneiro o princípio da responsabilidade objetiva, segundo o qual não é necessária a presença do elemento volitivo para caracterizar a infração tributária ou aduaneira. Tratase, então, de responsabilidade objetiva, espécie em que, uma vez ocorrido o resultado previsto na norma como infração, não é preciso Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10660.000175/200781 Acórdão n.º 3802001.757 S3TE02 Fl. 138 7 considerar a vontade do agente, qualquer que seja a sua intenção, fica caracterizado o ilícito. Nesta linha de pensamento, verificase, no presente processo, a observância dos princípios da estrita legalidade e tipicidade fechada, haja vista a previsão da infração em lei, anterior à prática do fato ilícito, o qual se enquadra no tipo descrito pela norma legal, que aponta o sujeito passivo e o quantum da penalidade pecuniária. Concluise, então, que se trata do cometimento de ilícito, caracterizado pela aquisição de cigarros em situação fiscal irregular. Portanto, com base nos fundamentos acima expostos, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO à impugnação, para manter o crédito tributário objeto da presente lide. Este, portanto, foi o entendimento dado pela primeira instância, que, como dito, é aqui reproduzido uma vez que não há memória concernente ao julgamento do feito pelo CARF. Releva destacar o fato de na ação penal interposta contra a reclamante ter ocorrido a suspensão condicional da pena nos termos do artigo 89 da Lei nº 9.099, de 26/09/1995, abaixo reproduzido: Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). § 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições: I reparação do dano, salvo impossibilidade de fazêlo; II proibição de freqüentar determinados lugares; III proibição de ausentarse da comarca onde reside, sem autorização do Juiz; IV comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. § 2º O juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado. § 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano. § 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta. § 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI 8 § 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo. § 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá em seus ulteriores termos. (grifos nossos) Comprovada a ação praticada pelo sujeito passivo não resta dúvida de que o recurso, realmente, há que ser negado. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 16707.001291/2003-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174, DE 2001
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente (Súmula CARF Vinculante nº 35).
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno do processo ao Colegiado de origem, para julgamento das demais questões apresentadas no Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 11/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno do processo ao Colegiado de origem, para julgamento das demais questões apresentadas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174, DE 2001 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente (Súmula CARF Vinculante nº 35). Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno do processo ao Colegiado de origem, para julgamento das demais questões apresentadas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 12 91 /2 00 3- 97 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de autuação com base em depósitos bancários sem identificação de origem, fundamentada no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Em sessão plenária de 02/06/2009, foi julgado o Recurso Voluntário nº 156.039, prolatandose o Acórdão nº 340100.107 (fls. 534 a 543), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTARIA. LANÇAMENTO COM ORIGEM NA LEI Nº 10.174 DE 2001. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PRINCIPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. A vedação prevista no art. 11, § 3º, da Lei 9.311 de 1996, referiase expressamente à constituição do crédito tributário. A revogação desse dispositivo pela Lei nº 10.174, de 2001, deve ser entendida como nova possibilidade de lançamento. Em se tratando de nova forma de determinação de imposto de renda, hão de ser observados o princípio da irretroatividade e anterioridade da lei tributária. Os fatos geradores ocorridos antes de 9 de janeiro de 2001, praticados então sob a égide da Lei nº 9.311/96, estavam consumados, perfeitos e acabados, quando foi editada a Lei nº 10.174/2001, motivo pelo qual não é possível admitir sobre esses fatos geradores a aplicação retroativa da referida Lei, sob pena de ofensa ao Princípio da Segurança Jurídica. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174/2001 e DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Giovanni Christian Nunes Campos, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Valéria Pestana Marques.” Cientificada do acórdão em 29/11/2010 (fls. 544), a Fazenda Nacional interpôs, em 30/11/2010 (RM – Relação de Movimentação de fls. 546), o Recurso Especial de fls. 547 a 550, com fundamento no art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir o acolhimento da preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2200 00.353, de 02/06/2011 (fls. 563 a 566). Fl. 571DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 16707.001291/200397 Acórdão n.º 9202003.741 CSRFT2 Fl. 571 3 No apelo, a Fazenda Nacional pede, em síntese, a aplicação da Súmula CARF nº 35, e o retorno dos autos ao Colegiado de origem para julgamento do mérito. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 01/08/2011 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 561), o Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 08/08/2011 (envelope de fls. 562), as Contrarrazões de fls. 563 a 566, reiterando os argumentos do acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Recurso Voluntário provido, tendo em vista o acolhimento da preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. A matéria encontrase sumulada desde 08/12/2009, conforme a seguir: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Ademais, à citada súmula foi conferido o caráter vinculante, conforme a Portaria MF nº 383, de 2010. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, determinando o retorno do processo ao Colegiado de origem, para julgamento das demais questões apresentadas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 572DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008804/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Márcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Márcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Márcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Croscrato dos Santos, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eduardo Tadeu Farah e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 04 /2 00 3- 99 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.008804/200399 Acórdão n.º 2201002.737 S2C2T1 Fl. 576 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/SPOII(Fls. 520), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 10/12, acompanhado da planilha de fi. 09, dos demonstrativos de fls. 13 e 14/15 e do Termo de Constatação de fls. 04/08, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas fisicas anocalendário de 1998, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 94.078,24, sendo: Imposto R$ 36.726,36 Juros de mora (calculados até 31/10/2003) R$ 29.807,11 Multa Proporcional R$ 27.544,77 Conforme descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração, às fls. 11/12, a exigência decorreu de omissão de rendimentos de atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação que faz parte integrante do auto de infração. No referido Termo de Constatação, às fls. 04/08, consta em resumo o seguinte: Intimado a apresentar documentação de origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos bancários, o contribuinte apresentou diversos documentos, porém restaram sem comprovação os valores indicados na denominada Planilha 6 (fl. 09), tendo sido excluídos, durante a fiscalização, os depósitos/créditos referentes a resgates de investimentos, os estornos de cheques e CPMFs e os valores inferiores a R$100,00 (item 7 deste Termo de Constatação, à fl. 05), bem como os provenientes de cheques de outros bancos emitidos pelo próprio contribuinte (item 15, à fl. 06); No decorrer da fiscalização, o contribuinte apresentou documentos comprovando que exerce exploração de atividade rural em condomínio com mais sete pessoas, relacionadas à fl. 04 (item 2), que também começaram a ser fiscalizadas (item 21, à fl. 06). Intimado, o contribuinte apresentou Livro Caixa da atividade rural, porém este não foi considerado válido pela fiscalização, pelas seguintes razões (item 17, à fl. 06): Foi escriturado com valores pertencentes a todo o condomínio e não individualmente para cada condômino, em desacordo com o art. 25 da IN SRF n° 17/96; Fl. 576DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.008804/200399 Acórdão n.º 2201002.737 S2C2T1 Fl. 577 3 Apresenta saldos inicial e final em valores altamente improváveis pelo seu elevado valor e que não constam das declarações de bens dos condôminos; Apresenta os valores de entradas agrupados por nota fiscal e não com os diversos adiantamentos de cooperativas, conforme discriminados nos documentos apresentados; Não foram escrituradas contas bancárias informadas pelo contribuinte como pertencentes ao condomínio; Como o Livro Caixa apresentado não foi considerado válido pela fiscalização e os demais condôminos não apresentaram Livro Caixa, embora intimados a fazêlo, os rendimentos da atividade rural ficaram sujeitos ao arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta declarada do ano calendário, originando rendimento omitido no valor de R$ 7.700,06, conforme item 25 do Tenno de Constatação, à fl. 07; O contribuinte foi intimado por 10 vezes a comprovar a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas contas bancárias, tendose passado mais de 14 meses desde a primeira intimação até a data do Termo de Constatação, porém mesmo após suas respostas (e dos demais condôminos, que, intimados, responderam da mesma forma que aquele), restaram depósitos/créditos bancários sem comprovação de origem, resumidos na Planilha 6 (fl. 09), no total de R$ 1.006.802,72. Ficou configurada, desta forma, a omissão de rendimentos no anocalendário 1998 caracterizada pelos depósitos/créditos bancários cuja origem dos recursos o contribuinte não logrou comprovar, apesar de regularmente intimado, confonne o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Considerando que os recursos das contas bancárias pertencem efetivamente às oito pessoas físicas, conforme informado pelos próprios contribuintes, dividiuse o rendimento omitido igualmente (confonne o disposto no art. 58 da MP n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002, que acrescentou o § 6° ao artigo 42 da Lei n° 9.430/96), cabendo assim a cada condômino fiscalizado o rendimento omitido de R$ 125.850,34, os quais estão sendo lançados de oficio em autos de infração distintos. Os valores tributáveis, as datas de ocorrência dos fatos geradores e os enquadramentos legais constam da fl. 11. O demonstrativo e o enquadramento legal da multa de oficio, aplicada no percentual de 75%, e dos juros de mora encontram se à fl. 14. Cientificado em 18/11/2003, por via postal (AR à fl. 439 v. pesquisa às fls. 478/479), o contribuinte apresentou, em 18/12/2003, a impugnação de fls. 440/474, por intermédio de procuradores (procuração à fl. 163), tecendo as seguintes alegações, em síntese: 1. A impugnação é tempestiva; Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.008804/200399 Acórdão n.º 2201002.737 S2C2T1 Fl. 578 4 2. Preliminares: 2.1. Decadência para os débitos cujos fatos geradores ocorreram antes de 17/11/1998: Com a edição da Lei n° 7.713/88 e legislação superveniente, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, na medida em que os rendimentos e os ganhos de capital forem percebidos, ocorrendo o fato gerador da obrigação tributária por ocasião da percepção mensal dos rendimentos. O IRPF é tributo sujeito a lançamento por homologação na forma prescrita no art. 150 do CTN, constituindo a Declaração de Ajuste Anual das Pessoas Físicas em simples instrumento de acerto de contas que não se presta nem pode ser utilizada como base para o lançamento, até porque o contribuinte efetivamente antecipa o pagamento, sem prévio exame pela autoridade administrativa, aguardando ulterior homologação por esta. Portanto, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador da obrigação tributária, “exvi” do disposto no § 4° do art. 150 do CTN. No caso em tela, tendo o impugnante recebido notificação do lançamento em 17/11/2003, está caracterizada a decadência do direito de lançar referente aos supostos rendimentos tributários cujos fatos geradores ocorreram antes de 17/11/1998, devendo tais lançamentos ser excluídos. Para corroborar seu entendimento, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes. 2.2. Nulidade do lançamento fiscal: De acordo com o Fisco, os valores de movimentação financeira do anocalendário de 1998 que o contribuinte foi chamado a esclarecer foram obtidos com base em informações prestadas pelas instituições financeiras à SRF, segundo o art. 11 da Lei n° 9.311/96, que em seu § 3° proibia a utilização de dados fornecidos em razão da CPMF para constituição de qualquer crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; a Lei n° 9.311/96 vigorou até janeiro de 2001, quando foi alterada pela Lei n° 10.174/2001, a qual possibilitou ao fisco a utilização dos dados de CPMF para instaurar procedimento administrativo fiscal e constituir crédito tributário relativo a outros tributos. A utilização de dispositivo legal de 2001 para fiscalizar fatos ocorridos em 1998 chocase com os princípios da legalidade e da não retroatividade das leis tributárias, provocando uma quebra na segurança jurídica, além de ferir o direito adquirido do impugnante trazido pela legislação vigente à época, como demonstrado minuciosamente a seguir: 2.2.1. Da ofensa ao direito adquirido: Transcreve o art. ll da Lei n° 9.311/96, grifando o § 3° deste, e sua alteração promovida pelo art. 1° da Lei n° 10.174/2001, para afirmar que somente com a nova redação do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311/96, com vigência em 10/01/2001, passou a ser permitido à Receita Federal fiscalizar e lançar outros tributos com base nas informações da CPMF, antes era expressamente proibido. A lei não pode ser aplicada retroativamente ao ano Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.008804/200399 Acórdão n.º 2201002.737 S2C2T1 Fl. 579 5 calendário de 1998, caso contrário o impugnante é lesado em seu direito assegurado pela legislação em vigor à época. Traz conceito de direito adquirido, diz ser este garantia constitucional prevista no inciso XXXVI do art. 5° da Constituição Federal de 1988 e cita doutrina sobre o conceito, bem como jurisprudência judicial a respeito. 2.2.2. Da impossibilidade da retroatividade das leis e da legalidade: ' A lei tributária deve ser anterior à ocorrência do fato imponível e nunca o fato imponível anterior à lei tributária, é o que confere estabilidade e segurança às relações jurídicas entre Fisco e contribuinte. A irretroatividade da lei tributária está também insculpida no art. 5°, XXXVI, da CF. Possibilitando a retroatividade, estaria também desrespeitando o princípio da legalidade, o que fere a garantia de segurança às pessoas. Transcreve o art. 106 do CTN, que expressa as situações em que se permite a aplicação retroativa da lei tributária, nas quais o caso em tela não se enquadraria. Cita doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre o tema. Conclui que o lançamento é nulo porque o procedimento fiscal que lhe deu origem é inconstitucional e ilegal, já que se choca com nossa Carta Magna ao desrespeitar o direito adquirido e a irretroatividade das leis tributárias. 3. Mérito: 3.1. Dos depósitos bancários: Os depósitos bancários, por si, não autorizam o lançamento, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizar disponibilidade de renda e proventos, não podendo por conseqüência caracterizar sinais exteriores de riqueza. A autoridade fiscal não demonstrou a utilização dos valores de depósito como renda auferida, como gastos incompatíveis com o rendimento declarado e como crescimento patrimonial injustificado; a legislação determina que o dever de prova é do fisco, devendo ser trazidas aos autos provas precisas, sob pena de submeter o contribuinte a graves injustiças. A movimentação financeira não traz nem uma presunção relativa, porque não se deposita somente renda. Cita doutrina e jurisprudências do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário. 3.2. Da inexistência de omissão: Os rendimentos declarados pelo impugnante e seus parceiros condôminos são plenamente compatíveis com os depósitos bancários levantados. Se forem somadas as receitas de todos os condôminos e os empréstimos rurais comprovados, o valor será próximo ao dos depósitos bancários realizados no ano: foi aceito pela fiscalização que cada condômino teve um rendimento bruto da atividade rural no importe de R$ 177.171,32, devidamente declarado, que somado para todos os condôminos e seus cônjuges resulta em rendimento bruto de R$ 1.417.370,56, sendo Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.008804/200399 Acórdão n.º 2201002.737 S2C2T1 Fl. 580 6 o total de depósitos, segundo o próprio Termo de Constatação, de R$ 1.518.969,73; há ainda os empréstimos rurais, não podendo ficar esquecido também que em toda movimentação financeira existem cheques devolvidos e novamente depositados. 3.3. Do arbitramento: A legislação estabelece que o resultado tributável da atividade rural é a diferença entre a receita bruta menos custeio/investimentos; no entanto, admite outra forma de tributação, qual seja, o arbitramento, considerando como rendimento tributável a aplicação do coeficiente de 20% sobre a receita bruta total, que no caso em questão é mais benéfica ao contribuinte. 4. Do pedido: ao final, pede o cancelamento do auto de infração. O contribuinte não anexa documentos à sua impugnação. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/SPOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. A partir do anocalendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, do ajuste anual estabelecido pela Lei n° 8.134/90, razão pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de oficio, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. ' Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, nos termos do artigo 144, § 1°, do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. V Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.008804/200399 Acórdão n.º 2201002.737 S2C2T1 Fl. 581 7 A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Feitas duas tentativas de entrega(fls. 539), foi publicado EDITAL N° 32/2008/ARFIPMI/MG , em 18/11/2008 e fixado em 19/11/2008 (Fls.540). Como indicado no referido edital o prazo para o pagamento, ou a entrada com recurso seria de 30 (trinta) dias contados do 16° (décimo sexto) dia da data da afixação do edital, ou seja, 30 dias contados à partir de 05/12/2008, o que seria a data de 04/01/2009, que seria um domingo, logo a data máxima seria o dia seguinte 05/01/2009; no entanto somente em 28/01/2009 o Recorrente postou via AR (Fls.566/567) o Recurso Voluntário (fls. 541 a 564), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao endereço do contribuinte, via correio, quando ocorreram duas tentativas de entrega sendo a primeira em 07/11/2008 e a outra em 10/11/2008, ambas sem sucesso, conforme atesta documento constante das fls. 539 dos autos. Em razão disso foi afixado edital em 19/11/2008 o qual concedia prazo de 30 (trinta) dias contados do 16° (décimo sexto) dia da data de sua afixação para que o contribuinte apresentasse seu recurso voluntário(fls. 540 dos autos). A peça recursal somente foi protocolizada em 28/01/2009, conforme atesta documento de fls. 527, portanto, fora do prazo fatal que seria em 05/01/2009, segundafeira. Nos termos do artigo 33 do Decreto n 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência da decisão da DRJ; in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.008804/200399 Acórdão n.º 2201002.737 S2C2T1 Fl. 582 8 Caberia ao recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 582DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 01/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10680.723571/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea b do inciso II do §6º do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
DOCUMENTOS DO CONTRIBUINTE. MEIOS DE PROVA.
Os lançamentos efetuados pelo Contribuinte, sob sua responsabilidade e domínio, em sua contabilidade, folhas de pagamento, Documentos Declaratórios, Contratos e demais documentos representativos de fatos geradores tributários, provam contra o seu Autor, e constituem-se elementos de prova hábeis do processo.
MULTA DE MORA. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF.
A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídas do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao vale-transporte pagos em pecúnia aos segurados empregados, em atenção à Súmula nº 60/2011 da AGU, sendo mantidas todas as demais. Vencido o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato que divergiu em relação à preclusão.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Declarou-se impedida a Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini em razão de haver participado do julgamento da Impugnação ao presente lançamento, em grau de Primeira Instância Administrativa.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. DOCUMENTOS DO CONTRIBUINTE. MEIOS DE PROVA. Os lançamentos efetuados pelo Contribuinte, sob sua responsabilidade e domínio, em sua contabilidade, folhas de pagamento, Documentos Declaratórios, Contratos e demais documentos representativos de fatos geradores tributários, provam contra o seu Autor, e constituemse elementos de prova hábeis do processo. MULTA DE MORA. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 71 /2 01 0- 48 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídas do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pagos em pecúnia aos segurados empregados, em atenção à Súmula nº 60/2011 da AGU, sendo mantidas todas as demais. Vencido o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato que divergiu em relação à preclusão. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 202 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Declarouse impedida a Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini em razão de haver participado do julgamento da Impugnação ao presente lançamento, em grau de Primeira Instância Administrativa. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 27/09/2010. Data da Ciência do AIOP: 04/10/2010. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.278.8254, consistentes em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 58/78. Consta no relatório fiscal que os fatos geradores para os quais foram lançadas contribuições são: pagamentos de alugueis de veículos de empregados (código de levantamento AE); despesas de viagem sem comprovação (levantamento DV1); pagamentos a empregados não constantes das folhas de pagamento (levantamento EF1) e fornecimento de valetransporte a empregados em desacordo com legislação própria (levantamento VT1). Tais fatos geradores encontramse discriminados, por segurado, nos anexos I a VIII, a fls. 80/92. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo ofereceu impugnação a fls. 110/129. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0252.811 – 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 148/159, julgando procedente o lançamento em debate, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/03/2014, conforme Intimação DRF/BHE/MG nº 0026/2014 , a fl. 163, e Aviso de Recebimento a fl. 167. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, em 11/04/2014, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 170/192, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Nulidade por cerceamento de defesa em razão de as imputações lançadas nos Autos de Infração não compreenderem informações válidas que permitam ao contribuinte identificar os reais fatos envolvidos e pelos quais responde; · Que o contribuinte não teve acesso aos fundamentos legais que justificariam a cobrança e o lançamento dos débitos, o que deixa clara a não possibilidade de se defender plenamente sobre os fatos autuados; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 203 5 · Impossibilidade de a presunção fundamentar lançamento tributário; · Que os valores pagos a título de vale transporte não incorporam o salário; · Que “a utilização de percentual sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para arbitrar o "quantum" do tributo supostamente devido deve respeitar os ditames da razoabilidade, ante a falta de elementos concretos para fixar a base real da folha de salários”; · Que a multa aplicada possui caráter confiscatório; · Ilegalidade e arbitrariedade da Representação Fiscal para Fins Penais; · Requer a produção de prova pericial; · Requer que as publicações e intimações sejam feitas em nome do Patrono da Recorrente; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/03/2014. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 11/04/2014, há que se reconhecer a tempestividade do Apelo interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Pugna o Recorrente pela nulidade da autuação, por cerceamento de defesa, em razão de as imputações lançadas nos Autos de Infração não compreenderem informações válidas que permitam ao contribuinte identificar os reais fatos envolvidos e pelos quais responde. O Recorrente alega que não teve acesso aos fundamentos legais que justificariam a cobrança e o lançamento dos débitos, o que deixa clara a não possibilidade de se defender plenamente sobre os fatos autuados. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram contestadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute, não se instaurando em relação a elas qualquer litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III, estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 204 7 de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada originariamente em grau de Recurso Voluntário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 205 9 contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude de preclusão legal. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA ALEGADA PRESUNÇÃO O Recorrente alega a impossibilidade de a presunção fundamentar lançamento tributário. Aduz que “o referido lançamento foi baseado em meras presunções”. Merece ser enaltecido, de plano, que os lançamentos efetuados pelo Contribuinte, sob sua responsabilidade e domínio, em sua contabilidade e folhas de pagamento, Documentos Declaratórios, além de outros documentos representativos de fatos geradores tributários, provam contra o seu Autor, e constituemse elementos de prova hábeis do processo, nos termos da Lei. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Art. 379. Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam também a favor do seu autor no litígio entre comerciantes. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. No caso dos autos, ao contrário da leitura empreendida pelo Recorrente, avulta que a presente autuação não foi baseada em “presunções”, mas amparada na análise dos registros contábeis, folhas de pagamento, contratos, e outros documentos de caixa que o contribuinte apresentou à Fiscalização. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 É lícito, todavia, ao Contribuinte demonstrar, por todos os meios permitidos em Direito, que as informações lançadas nos documentos acima não correspondem à verdade dos fatos, ônus probatório esse que o Recorrente não logrou se desincumbir. De fato, nas oportunidades em que teve de se pronunciar, formalmente, nos autos, a empresa limitouse a verter alegações repousadas no vazio, apoiandose, única e exclusivamente, em alegações filosóficas e principiológicas acerca da legalidade e da tipicidade cerrada da tributação, gravitando, literalmente, em torno do nada, não chegando, sequer, a indicar quais os supostos levantamentos que, em seu entender, teriam sido apurados por “presunção”, não ousando ultrapassar os frágeis lindes da fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, mantendose à distância do núcleo sensível do qual se irradiaram os fundamentos de fato e de direito que forneceram esteio ao lançamento em debate, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. 2.2. DA NULIDADE DO ARBITRAMENTO O Recorrente alega ausência de razoabilidade do arbitramento do “quantum” utilizado pela Fiscalização. Argumenta que “a utilização de percentual sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para arbitrar o "quantum" do tributo supostamente devido deve respeitar os ditames da razoabilidade, ante a falta de elementos concretos para fixar a base real da folha de salários”. Aduz, ao fim, que: “Desta forma, a ação fiscal, como procedido, atropelou princípios básicos do contraditório, além de utilizar percentuais incompatíveis com a legislação de regência, caracterizando arbitrariedade que deve ser repudiada pelos ilustres Julgadores, mediante declaração de nulidade procedimental "ab initio", o que se requer”. Ocorre que, no vertente lançamento, inexiste qualquer levantamento que tenha sido apurado mediante a utilização de percentual sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para arbitrar o "quantum" do tributo supostamente devido. Aliás, no presente processo, inexiste qualquer levantamento cuja matéria tributável tenha por base de cálculo os valores das notas fiscais ou fatura de prestação de serviços. Por tais razões, rejeitamos as preliminares de nulidade suscitada pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 206 11 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO VALE TRANSPORTE O Recorrente alega que os valores pagos a título de vale transporte não incorporam o salário. Nos exatos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91, como regra geral, incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, salvo as exceções taxativamente previstas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Nessa esteira, a alínea ‘f’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estabelece hipótese de isenção de Contribuições Previdenciárias à parcela recebida a título de Vale Transporte, quando fornecido na forma da legislação própria. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 A regulamentação do fornecimento do valetransporte houvese por confiada à lei nº 7.418/85, cujo art. 4º estatui, expressamente, que a concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Lei nº 7.418/85 Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619/87) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Da mera e perfunctória leitura do caput do art. 4º da Lei nº 7.418/85 já se percebe que o beneficio ora em debate tem que ser concedido na forma de VALES, a serem adquiridos pelo empregador e fornecidos, nessa forma, aos empregados, de acordo com as necessidades inerentes aos s deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Em justa conformidade com o art. 5º do Decreto nº 95.247/87, que regulamenta a Lei nº 7.418/85, o valetransporte não pode ser pago em dinheiro aos empregados, caso contrário não teríamos um vale. As únicas hipóteses em que o pagamento em dinheiro é permitido vêm previstas no parágrafo único do referido dispositivo legal. O escopo de tal proibição foi, no exercício do válido poder regulamentar do Executivo, impedir que o valetransporte fosse utilizado para fins diversos do transporte do trabalhador da residência para a empresa e viceversa, desvirtuando seu caráter social. Assim, apenas o valetransporte pago nos termos da Lei nº 7.418/1985 está isento da contribuição previdenciária, como se observa no disposto no art. 28, §9º, ‘f’ da Lei nº 8.212/1991. Nessa perspectiva, ante a ausência de previsão na legislação do vale transporte e na legislação previdenciária, o pagamento habitual e em pecúnia de verbas a título de vale transporte não estaria albergado pela norma isentiva, sendo irrelevante que tal acréscimo remuneratório tenha advindo de acordo com convenção coletiva de trabalho, tendo em vista que tais atos não podem dispor em sentido contrário à lei. Efetivamente, o Superior Tribunal de Justiça comungava o entendimento de que o pagamento habitual e em dinheiro do valetransporte não estaria abraçado pela regra da não incidência de contribuições previdenciárias, compondo assim o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins, uma vez que se configuraria inobservância da legislação de regência, bem como no sentido de que o artigo 5º do Decreto nº 95.247/87 não desbordaria dos limites da Lei nº 7.418/85, porque apenas teria instituído um modo de conceder o benefício que evitaria o desvio de sua finalidade. Ocorre, todavia, que, recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 478.410/SP, da relatoria do Min. Eros Grau, publicado em 14/5/2010, decidiu pela inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 207 13 pago em dinheiro a título de valetransporte, inaugurando precedente que restou assim ementado: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação, não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Diante de tal cenário, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o benefício do vale transporte, concedido em pecúnia ou em ticket, fezse necessária a revisão da jurisprudência da Corte Superior de Justiça, que passou a se manifestar na forma assentada nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2010, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido." (REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fático probatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido. (REsp 1.194.788/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 14/09/2010) Na mesma esteira, a Advocacia Geral da União – AGU fez publicar à pag. 32 do Diário Oficial da União de 09/12/2011 a súmula nº 60, de 08/12/2011, que desonerou a rubrica em foco da incidência da contribuição previdenciária, mesmo quando paga em pecúnia, ostentando o seguinte enunciado: “Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba”. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 208 15 Nesse contexto, não deve persistir, portanto, o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregado, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Nesse contexto, portanto, não deve persistir o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregados. 3.2. DA MULTA DE MORA O Recorrente alega que a multa de mora aplicada possui caráter confiscatório. Não !!! Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 16 Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Citese, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o efeito confiscatório aos tributos, não a seus acessórios legais, os quais possuem natureza jurídica totalmente distinta. Tributo configurase como a própria obrigação principal devida pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei. A multa de ofício, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. Justificase a vedação constitucional à instituição de tributos com efeito de confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente. Caso o tributo fosse criado com alíquota por demais elevada, a própria ocorrência inevitável do fato gerador resultaria na extinção da matéria tributável correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade. O mesmo não ocorre com as multas de natureza moratória, as quais não possuem natureza jurídica de tributo, mas, meramente, de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, na forma e nos prazos estabelecidos na legislação tributária. Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa moratória é evitável. Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 209 17 a inflição de penalidade pecuniária, visando a brindar a máxima efetividade às normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo. Nesse viés, ao ignorar as normas tributárias cogentes, e ao não recolher os tributos devidos em suas épocas próprias, apostando quiçá em suposta ineficiência da Fiscalização, o Infrator volitiva e conscientemente se coloca em situação de risco calculado perante o Fisco, sabedor de que a constatação de tal irregularidade irá desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 18 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa tendo o Recorrente como parte, seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo perante o Autuado, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 210 19 Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Aditese que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 20 Perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, devese ainda salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos exatos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.3. DA RFFP Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 211 21 O Recorrente alega ilegalidade e arbitrariedade da Representação Fiscal para Fins Penais. Vixe !!! O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 22 ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 212 23 IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 24 pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 3.4. DA PERÍCIA O Recorrente requer a produção de prova pericial. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 213 25 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide desenvolvese o presente Processo Administrativo Fiscal, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 26 No caso presente, o Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, apenas formulou pedido singelo de perícia sem observar os requisitos essenciais fixados no inciso IV do art. 9º da Portaria MPS nº 520/2004. Além de não demonstrar a sua necessidade, o Recorrente não atendeu aos requisitos legais para a realização da perícia requerida, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do seu perito, sendo imperiosa, portanto, a incidência do preceito inscrito no §1º do supra transcrito dispositivo legal, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de perícia. 3.5. DA INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. O Recorrente requer que as publicações e intimações sejam feitas em nome do Patrono da Recorrente; A lei processual determina que as intimações sejam feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, ou por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou ainda por meio eletrônico, com prova de recebimento, a teor dos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) §1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10680.723571/201048 Acórdão n.º 2401004.059 S2‐C4T1 Fl. 214 27 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) §4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do §8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 28 As disposições inscritas no transcrito art. 23 do Dec. nº 70.235/72 são imperativas, não tendo facultado alternativas. Registrese que a conveniência e comodidade do Patrono do Autuado não possui poderio suficiente para subjugar a vontade da lei. O contrário sim. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pagos em pecúnia aos segurados empregados, em atenção à Súmula nº 60/2011 da AGU, sendo mantidas todas as demais. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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