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Numero do processo: 18471.000635/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial sobre a mesma matéria objeto de processo administrativo implica renúncia ao julgamento administrativo e constituição definitiva do crédito tributário em discussão.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
A observância do valor de alçada para a propositura de recurso de ofício é requisito recursal, indisponível, sendo obrigatória a sua observância.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO.
O momento para a averiguação do atingimento do limite de alçada para fins de recurso de ofício é o de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
COMPENSAÇÃO DE IRRF NO VALOR LANÇADO. POSSIBILIDADE DE PREJUÍZO IRREVERSÍVEL.
Estando o crédito tributário em discussão judicial, a compensação do IRRF confirmado reduzindo valor total do lançamento poderia significar perda irreparável ao contribuinte no caso de obter decisão judicial favorável à sua tese. Havendo pedido de compensação cujo único fundamento para negar o direito creditório foi a falta de liquidez e certeza em função deste lançamento, há que se resolver a questão do crédito naquele processo.
Numero da decisão: 1302-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de ofício, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou apresentação de declaração de voto; e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face de renúncia à esfera administrativa, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimentos dos conselheiros).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial sobre a mesma matéria objeto de processo administrativo implica renúncia ao julgamento administrativo e constituição definitiva do crédito tributário em discussão. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. A observância do valor de alçada para a propositura de recurso de ofício é requisito recursal, indisponível, sendo obrigatória a sua observância. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO. O momento para a averiguação do atingimento do limite de alçada para fins de recurso de ofício é o de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE IRRF NO VALOR LANÇADO. POSSIBILIDADE DE PREJUÍZO IRREVERSÍVEL. Estando o crédito tributário em discussão judicial, a compensação do IRRF confirmado reduzindo valor total do lançamento poderia significar perda irreparável ao contribuinte no caso de obter decisão judicial favorável à sua tese. Havendo pedido de compensação cujo único fundamento para negar o direito creditório foi a falta de liquidez e certeza em função deste lançamento, há que se resolver a questão do crédito naquele processo.
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RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial sobre a mesma matéria objeto de processo administrativo implica renúncia ao julgamento administrativo e constituição definitiva do crédito tributário em discussão. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. A observância do valor de alçada para a propositura de recurso de ofício é requisito recursal, indisponível, sendo obrigatória a sua observância. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO. O momento para a averiguação do atingimento do limite de alçada para fins de recurso de ofício é o de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE IRRF NO VALOR LANÇADO. POSSIBILIDADE DE PREJUÍZO IRREVERSÍVEL. Estando o crédito tributário em discussão judicial, a compensação do IRRF confirmado reduzindo valor total do lançamento poderia significar perda irreparável ao contribuinte no caso de obter decisão judicial favorável à sua tese. Havendo pedido de compensação cujo único fundamento para negar o direito creditório foi a falta de liquidez e certeza em função deste lançamento, há que se resolver a questão do crédito naquele processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 35 /2 00 6- 20 Fl. 1252DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso de ofício, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que solicitou apresentação de declaração de voto; e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face de renúncia à esfera administrativa, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para impedimentos dos conselheiros). Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1302000.429, de 9 de junho de 2016, desta Turma Ordinária, por bem retratar o processo: LOJAS AMERICANAS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por voto de qualidade, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 14/07/2006, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 41.473.089,41, sem acréscimo de multa de ofício. A contribuinte compensou prejuízos fiscais nos anoscalendário 2003 e 2004 em montantes superiores ao limite legal de 30%. Os autos foram instruídos com as DIPJ dos anoscalendário fiscalizados (fls. 08/162) e com referências a diligência anterior, consignadas no Termo de Início de Fiscalização (fl. 163). Na intimação do auto de infração consta que o crédito tributário estaria com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo nº 96.00240329 da 30ª Vara Federal (art. 151, inciso II e IV do CTN), e na sequência do auto de infração e de seus demonstrativos de apuração (fls. 164/168) consta cópia de sentença proferida em Ação Ordinária nº 96.00240329, bem como decisão de embargos que estendeu a decisão judicial a prejuízos fiscais apurados após 31/12/95 (fls. 169/180). Em impugnação, a contribuinte requereu a apensação deste processo ao de nº 18471.000626/200639, dado que as alterações na base de cálculo do IRPJ lá promovidas repercutiriam na presente exigência, bem como apontou erro na determinação do excesso de compensação no anocalendário 2004. A autoridade julgadora de 1ª instância questionou a reprodução dos ajustes decorrentes do lançamento no Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.253 3 Inflacionário SAPLI, e, informando a Fiscalização a desnecessidade de tais registros ante a suspensão da exigibilidade do lançamento, proferiuse decisão declarando a desnecessidade de juntada dos processos, até porque a mesma Turma de Julgamento apreciou o processo administrativo nº 18471.000626/200639 e não alterou o lucro apurado nos anoscalendário de 2003 e 2004. Contudo, o crédito tributário principal lançado foi reduzido de R$ 30.816.360,15 para R$ 28.913.280,17, retificandose o excesso de compensação alegado para o anocalendário 2004, mas admitindose os efeitos de declaração retificadora apresentada pela contribuinte em 05/01/2007, na qual foi aumentada a base de cálculo do IRPJ antes da compensação. A decisão de 1ª instância está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 ERRO DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É de se corrigir o valor do crédito tributário, ante a constatação de apresentação de declaração retificadora alterando a base de cálculo da contribuição. O crédito tributário exonerado, apesar de desacompanhado de multa de ofício, superou ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 375/2001, razão pela qual o Presidente da 2ª Turma da DRJ/RJI submeteu a decisão a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/06/2007 (fl. 326/328), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 16/07/2007 (fls. 310/319), no qual reiterou que quaisquer modificações nos lucros reais apurados pela RECORRENTE nos anoscalendário de 2003 e 2004 em virtude de decisão final proferida no processo administrativo n° 18471.000626/200639 terão reflexo na base tributável do AUTO e, portanto, no valor do crédito tributário nele exigido, razão pela qual o processo decorrente do AUTO deve ser apensado ao processo n° 18471.000626/200639, para posterior julgamento conjunto, ante a manifesta conexão que existe entre eles. A recorrente descreve a tributação de lucros auferidos no exterior veiculada no processo administrativo nº 18471.000626/200639, que teriam sido objeto de autuação no anocalendário 2002, mas adicionados pela contribuinte à base tributável de 2003, assim repercutindo no valor exigido nestes autos. Acrescenta não ter sido admitida naquela exigência a compensação de prejuízos, ainda que limitada a 30%, sob o entendimento de que a contribuinte já teria esgotado os saldos disponíveis ao utilizálos acima do limite legal nos períodos aqui autuados. O presente processo foi distribuído para relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner, que reconheceu a possibilidade de repercussão, na presente exigência, da decisão do processo administrativo nº 18471.000626/200639, e firmou que: Diante disso, a dependência do resultado do julgamento nos autos principais compromete o efetivo o julgamento deste processo neste momento, em face do risco de causar prejuízo Fl. 1254DF CARF MF 4 irreversível ao direito de ampla defesa, visto que, para que a decisão seja passível de recurso especial, o interessado deverá comprovar a adoção de tese divergente por outra turma e o prequestionamento da matéria. Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. Ademais, não estando os processos apensados, ainda que fosse admitido, a subida do recurso especial eventualmente interposto nestes autos para a Câmara Superior de Recursos Fiscais em nada contribuiria para a realização da função precípua daquela Corte, qual seja, a uniformização da jurisprudência do CARF, e apenas aumentaria o estoque de recursos a serem por ela apreciados, representando um desperdício de recursos humanos e financeiros. Acolhendo estes argumentos, a extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, na Resolução nº 1202000.175, decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 18471.000626/200639, junte cópia daquela decisão e, em seguida, devolva os autos àquela relatora, para prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. Às fls. 1008/1027 consta cópia do Acórdão nº 1202000.959, proferido nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, que assim decidiu o litígio ali presente: Acordam os membros do colegiado, Em relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, em acatar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal para anular a exigência do IRPJ referente ao anocalendário 2001. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que rejeitava a preliminar de nulidade. O conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou o voto pelas conclusões. Com base nessa decisão, em relação ao processo apensado, nº 10768.002416/200214, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar à unidade de origem que verifique a suficiência do saldo negativo de IRPJ para fins de homologação ou não da compensação pretendida, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Quanto ao recurso de ofício, pelo voto de qualidade, em face da concomitância com a esfera judicial, em dar parcial provimento para restabelecer o crédito tributário referente à variação cambial do investimento na empresa Klanil, do anocalendário de 2002, no montante de R$ 163.290.144,73. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. O acórdão está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2003, 2004, 2005 Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.254 5 CONCOMITÂNCIA COM ESFERA JUDICIAL. PARCIAL. Detectada uma discussão judicial sobre matéria objeto de autuação, deve ser restabelecida a parte do lançamento respectiva, observandose a Súmula CARF nº 1. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. MODIFICAÇÃO SUBSTANCIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A previsão legal de lançamento complementar não alcança a hipótese de alteração do próprio fato gerador em seus aspectos temporal e fático. Houve embargos ao Acórdão nº 1202000.959, decididos por meio do Acórdão nº 1202001.078, no qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara conclui por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para suprir as omissões apontadas sem, contudo, alterar o quanto decidido no Acórdão 1202000.959. Por unanimidade de votos, em suprir, ex officio, omissão constante do referido acórdão para estender à CSLL apurada reflexamente o quanto decidido em relação ao IRPJ. Às fls. 807/825 consta despacho que relata todas as ocorrências do processo administrativo nº 18471.000626/200639 e firma a seguinte situação após a manifestação do CARF: a) Quanto aos valores oferecidos à tributação previamente à autuação sofrida, não há reparos à decisão da DRJ que cancelou os lançamentos sobre IRPJ e CSLL dos anos base 2002 a 2004, e parcialmente sobre a CSLL no ano base 2001 (fl. 1201), ou seja, todas as autuações ocorridas nos períodos descritos foram canceladas pela DRJ e tal decisão foi mantida pelo Carf (fl. 1201); (b) No que se refere à variação cambial referente à equivalência patrimonial, o Carf entendeu que a Fazenda estava correta ao afirmar que o contribuinte já tinha recorrido previamente à esfera judicial com o objetivo de se desobrigar de tributar o resultado positivo da equivalência patrimonial, incluindo a variação cambial do investimento (fl. 1203), o que impediria aquele Conselho de se manifestar a respeito da autuação de IRPJ e CSLL relativas ao valor de R$ 163.290.144,73 (fl. 1203), sendo tal manifestação fundamentada na tentativa de afastar a aplicação do §1º do art. 7º da IN SRF nº 213, de 2002, ou seja, foi restabelecida a atuação sobre a variação cambial, previamente inadmitida pela DRJ; (c) em relação à alteração realizada no auto de infração complementar, com o mero deslocamento da autuação sobre os lucros auferidos pela investida Cheyney do ano base 2002 para o ano base 2001, o Carf entendeu que, ao positivar as hipóteses de cabimento de lançamento complementar, o art. 41 do Decreto nº 7.574 de 2011 apenas fez esclarecer aos operadores do direito como deve ser aplicado o §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, tendo nítido caráter interpretativo, e a situação Fl. 1256DF CARF MF 6 adotada pela Fiscalização no presente caso (em relação à investida Cheyney) não se enquadra em nenhuma delas. Pretendeuse meramente substituir um lançamento pelo outro, dentro do mesmo processo, sob fundamentos diversos (fl. 1207). Portanto, em face da nova fundamentação legal apontada no auto de infração complementar, verifica se que houve alteração do próprio fato gerador do IRPJ considerado, quer em relação à data de sua ocorrência, de 31/12/2002 para 31/12/2001, quer em relação ao seu fundamento fático, qual seja, a disponibilização de lucros, sem que tivesse havido a introdução de qualquer elemento novo. Portanto, a decisão do Carf se deu no sentido de que o lançamento de IRPJ referente ao ano base de 2001 deveria ser anulado (fl. 1207). Na sequência, abordando a ação judicial que repercutia sobre o crédito tributário restabelecido no exame do recurso de ofício interposto nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, e firmando a existência de decisão judicial transitada em julgado contrária à tributação da variação cambial integrada ao resultado da equivalência patrimonial, mas admitindo a incidência sobre o resultado da controlada ali computado, a autoridade fiscal registra que: No caso em tela, portanto, o valor de R$ 163.290.144,73 (variação cambial da equivalência patrimonial da investida Klanil em 2002) não pode ser somado à base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL para efeito de lançamento via auto de infração. E o resultado da equivalência patrimonial da investida Klanil em 2002 já havia sido oferecido à tributação previamente ao auto de infração controlado pelo p.p., conforme manifestação da DRJ, itens 36 e 37, fl. 973, sob a justificativa de que o interessado ofereceu à tributação R$ 39.282.422,32, correspondente a sua participação no lucro auferido por Klanil em 2002 (Resumo dos Lucros no exterior, fl. 244), valor superior aos cálculos da equivalência patrimonial. Além disso, verificouse que o Lalur de dezembro de 2003 (fl. 349) confirma a adição do valor de R$ 56.552.858,00, bem como a DIPJ 2004 retificadora, que demonstra o aumento da linha 23 do Ficha 09A, no exato valor de R$ 56.552.858,00 (fl. 1354). Frente a tais circunstâncias, considerando não restar débito passível de cobrança nos lançamentos formalizados nos autos do processo administrativo nº 18471.000626/200639, determinouse a extinção por medida judicial, com data de 03/09/2013, dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fls . 1387 e 1388, bem como a extinção por julgamento administrativo da impugnação dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fls. 1365 a 1372. Com estas informações acerca da decisão final do processo administrativo nº 18471.000626/200639 os autos deste processo retornaram a este Conselho em observância à Resolução nº 1202000.175. Com a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara os autos aguardavam sorteio na 1ª Seção de Julgamento mas foram distribuídos a esta Conselheira em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 10768.001910/200423, conforme fls. 1101/1103. Registrese, ainda, que em 11/02/2012 a recorrente apresentou a petição de fls. 341/343 na qual requereu à primeira Conselheira Relatora que avocasse o processo administrativo nº 16682.720363/201134 para julgamento conjunto, vez que a compensação ali em debate não fora homologada sob o argumento de que o IRRF indicado como integrante do saldo negativo compensado deveria reduzir a exigência formalizada nestes autos, assim retirando a certeza e liquidez do crédito afirmado pela contribuinte. A I. Relatora, então, proferiu voto no sentido de converter o julgamento deste processo em diligência, para que, em função da parte do julgado recorrido que reconhece e Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.255 7 altera o lançamento em função de declaração retificadora apresentada pela Empresa, para que a unidade de origem, à luz da escrita comercial e fiscal da contribuinte, verificasse se o lucro real antes da compensação de prejuízos em 2004 representa, de fato, o valor apresentado na retificadora. Pugnou, também, pela juntada para julgamento conjunto do processo nº 16682.720363/201134. A autoridade administrativa responsável pela diligência apresentou seu relatório, consignando que as Lojas Americanas retificaram a declaração retificadora que tinham apresentado em 5 de janeiro de 2007. Isto ocorreu em 24 de setembro de 2007. Com esta retificação, os valores retornaram àqueles considerados quando do lançamento. O Auditor Fiscal responsável afirma, ainda, que, embora os valores exonerados alcancem R$1.903.078,98, não deve ser aplicada a Súmula CARF nº 103, uma vez que o julgamento do recurso de ofício já foi iniciado, tendo sido convertido o julgamento em diligência. O julgamento, portanto, está suspenso e será retomado quando do retorno dos presentes autos ao CARF. A Empresa defende, em sua manifestação quanto ao resultado da diligência, que seja aplicada a Súmula CARF nº 103, reconhecendo a impossibilidade de julgamento do recurso de ofício e que seja julgado o recurso voluntário. Ante a complexidade deste relatório, deixo claro que no recurso voluntário apresentado em 16/07/2007 em face do acórdão da DRJ/RJ1 (fls. 671/680) a Empresa alega a conexão entre o presente processo e o de nº 18471.000626/200639 que trata de lançamento de lucros no exterior requerendo que: a) qualquer modificação nos lucros reais dos anoscalendário de 2003 e 2004 sejam refletidas na apuração do crédito tributário do AUTO; b) que o presente processo seja apensado ao processo administrativo nº 18471.000626/200639, de forma a que ambos os processos sejam julgados em conjunto, qnte a conexão que existe entre eles. Em 17 de fevereiro de 2012 a Empresa peticionou para que o processo relativo à declaração de compensação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 fosse distribuído por dependência e julgado juntamente com o presente processo. Requer, ao final: (i) que o processo no qual se discute a validade das compensações efetuadas pela PETICIONÁRIA (processo administrativo n ° 16682.720363/201134) seja avocado e, por consequência, distribuído por dependência ao presente processo para julgamento conjunto (o pedido de distribuição por dependência também foi efetuado no recurso voluntário apresentado contra o acórdão que não homologou as DCOMPs); e (ii) na eventualidade de a decisão final a ser proferida no processo administrativo em que se discute a validade das DCOMPs ser no sentido da sua não homologação, seja Fl. 1258DF CARF MF 8 observada a decisão proferida naquele processo no sentido de que o valor do IRRF que deu origem ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 seja utilizado para reduzir o valor do IRPJ exigido pelo auto de infração objeto do presente processo, excluindose, igualmente, os acréscimos legais incidentes.(grifei) É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Observo, inicialmente, que a numeração das folhas do presente processo inicia, estranhamente, pelo nº 353. Isso denota a falta de algum volume, pois não teria sentido erro de tamanha magnitude. Todavia, estão presentes todos os documentos necessários ao julgamento da lide. Alerto, contudo, que toda a numeração de folhas apontada neste voto dizem respeito a esta equivocada numeração. RECURSO DE OFÍCIO O acórdão recorrido desonera o contribuinte em função de declaração retificadora apresentada pela Recorrente em 5 de janeiro de 2007, na qual o lucro real de 2004 é aumentado para R$61.901.473,84, ao invés dos R$46.527.074,07 da declaração original (fl. 441). Originalmente, o auto de infração constituiu os seguintes créditos tributários (fls. 521/522) sem multa de ofício, uma vez que está suspensa a exigibilidade, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996: anocalendário de 2003...........................IRPJ de R$21.948.122,20 anocalendário de 2004...........................IRPJ de R$8.868.237,95 Total.....................................................................R$30.816.360,15 A Recorrente alegou na impugnação erro no cálculo do imposto do ano calendário de 2004, pois a autoridade administrativa considerou como base de cálculo o montante de R$35.568.951,84, ao invés de R$32.328.951,84. Isso fica evidente, pois 70% de R$46.527.074,07 é R$32.328.951,84. Todavia a Turma julgadora desconsiderou este erro, pois assumiu a retificadora apresentada pelo contribuinte, que aumentou o lucro real e, consequentemente, a parcela de 30% compensável. Assim, o valor tributável passou dos anteriores R$32.328.951,84, para R$27.956.631,92. Os cálculo estão apresentados no voto (fl. 666). Com o julgamento de primeiro instância, o valor do lançamento passou a ser: anocalendário de 2003...........................IRPJ de R$21.948.122,20 anocalendário de 2004...........................IRPJ de R$6.965.157,97 Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.256 9 Total.....................................................................R$28.913.280,17 Houve uma desoneração, portanto, de R$1.903.079,98. Sabemos, pelo resultado da diligência (fls. 1189/1192) que a Empresa retificou, novamente, a DIPJ, aproximadamente oito meses após a primeira retificadora, restabelecendo os valores originais e considerados por ocasião dos lançamentos. Apesar da repulsa causada por tal acontecimento, entendo que o valor de alçada estabelecido para o recurso necessário é condição para sua propositura, não estando à disponibilidade do julgador para, ao seu alvedrio, conhecêlo, ainda que o valor esteja abaixo do preestabelecido. Por outro lado, a Súmula CARF nº 103 é bem clara: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF nº 63, publicada em 10 de fevereiro de 2017, estabelece o valor de alçada de R$2.500.000,00 e revoga a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Embora a Resolução datada de 9 de junho de 2016, anteriormente à alteração do valor de alçada, determine diligência exatamente no sentido de instruir o processo para julgamento do recurso de ofício, entendo que a expressão "a data de sua apreciação", constante da súmula, trata da sessão em que o recurso é julgado, independentemente de procedimentos anteriores. Por esses motivos, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com o de nº 18471.000626/200639, que cuidou de lançamento relativo a lucros recebidos do exterior. Sobre o citado processo, a DEMAC/RJ apresentou informação (fls. 1071/1087) na qual conclui: VIII – CONCLUSÃO 58. Em face do exposto neste instrução, consideramos que não resta nenhum débito passível de cobrança nos lançamentos formalizados nestes autos, seja por decisão da instância administrativa (planilhas de fls. 1365 a 1372), seja por decisão judicial transitada em julgado (planilha de fls. 1387 e 1388) e, por isso, propomos o envio imediato do p.p. à Equipe de Cobrança desta Divisão para extinção por medida judicial, com data de 03/09/2013, dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fl s . 1387 e 1388 , e para extinção por julgamento administrativo da impugnação dos débitos de IRPJ e de CSLL da planilha de fls. 1365 a1372.(grifos do original) Desta forma, perde sentido a solicitação do recurso, uma vez que o processo 18471.000626/200639 foi extinto e não afetou os resultados relativos aos lançamentos em julgamento. Fl. 1260DF CARF MF 10 Os créditos tributários em litígio dizem respeito, exclusivamente, à compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal de 30% do lucro líquido ajustado nos anoscalendário de 2003 e 2004. Sobre a matéria, as Lojas Americanas S/A, juntamente com outros interessados, entrou com Ação Ordinária cuja sentença e outras peças são juntadas às folhas 524/535. Segundo pesquisa no sítio do TRF2 o processo ainda não transitou em julgado Fica claro que a opção da Empresa foi levar a matéria para discussão judicial, o que determina a renúncia às instâncias administrativas nos termos da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Antes, contudo, cabe observar que a Recorrente apresentou petição solicitando o julgamento conjunto deste processo com o de nº 16662.720363/201134, e que isto foi objeto da Resolução nº 1302000.429, de 9 de junho de 2016. O processo encontrase a este apensado e trata de declaração de compensação relativa a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, crédito no valor de R$17.484.481,89 totalmente decorrente de imposto retido na fonte, tendo em conta que, com a compensação sem a trava de 30% o lucro real declarado foi "zero" e, portanto, todo o IRRF foi considerado saldo negativo. No Parecer Conclusivo nº 137/2011, que fundamenta o Despacho Decisório que não reconhece o direito creditório naquele processo, a autoridade administrativa destaca: não é confirmado o IRRF de R$449,97, relativo a aplicações de renda fixa no Banco Citibank S/A, por não constar em DIRF; foi constatada a existência de auto de infração relativo ao anocalendário, o que torna incerto e ilíquido o direito creditório do contribuinte. Assim, o Parecer não reconhece o direito creditório total, embora tenha confirmado o IRRF, e não homologa as compensações pleiteadas, no que é espelhado no Despacho Decisório. A Empresa juntou à sua manifestação de inconformidade no processo apensado (16662.720363/201134, fl. 185) o comprovante de rendimento fornecido pelo Citibank no qual fica confirmada a retenção dos valores de R$444,44 e R$5,53, totalizando R$449,97. É fato incontroverso que o único motivo para que não seja reconhecido o direito creditório no processo 16662.720363/201134 é o auto de infração em julgamento neste processo, que afasta a certeza e liquidez do referido crédito. É fato incontroverso, também, que o IRRF é direito do Recorrente, não usufruído apenas em função do não trânsito em julgado do presente feito. A decisão concernente à concomitância implica renúncia à instância administrativa, pelo que o crédito tributário deste processo será definitivamente constituído e Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.257 11 aguardará a decisão judicial definitiva para então seguir ou para arquivo, no caso de vitória do contribuinte, ou execução fiscal, no caso de derrota de sua tese. A Contribuinte solicita em petição extemporânea (fl. 978) que, caso não seja concedida o direito creditório pleiteado no processo a este apensado, seja efetivada a compensação dos valores retidos na fonte para reduzir o valor do lançamento deste processo. Contudo, havendo pedido de compensação do valor retido a título de saldo negativo, na eventualidade de obter sucesso no pleito judicial, a compensação neste processo dos valores retidos na fonte representariam um prejuízo irreparável à contribuinte, devendo prevalecer a solução da questão no processo 16662.720363/201134. Nestes termos, voto no sentido de: (i) não conhecer do Recurso de Ofício; (ii) não conhecer do Recurso Voluntário; (iii) considerar definitivamente constituído o crédito tributário, reconhecendo a concomitância de ação judicial impetrada pela Recorrente, implicando renúncia à discussão administrativa do lançamento. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Em que pese o voto do i. conselheiro relator, como de praxe muito bem fundamentado, divergi do seu entendimento quanto ao não conhecimento do recurso de ofício pela aplicação do limite estabelecidos na Portaria MF. Nº 63/2017, em face do disposto na Súmula CARF nº 1031. No presente caso, o exame de mérito do recurso de ofício restou postergado em face da determinação de realização de diligência por este colegiado, nos termos da Resolução nº 1302000.429. Com a devida vênia do r. entendimento do relator, entendo que o disposto na Súmula CARF nº 103, deve ser aplicado, observandose as disposições regimentais atinentes aos julgamento. 1 Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 1262DF CARF MF 12 Assim dispõem os dispositivos do Anexo II do Regimento Interno do CARF que dispõe sobre o julgamento dos recursos, verbis: Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, [...]: I [...] § 1º Encerrado o debate o presidente tomará, sucessivamente, os votos dos demais conselheiros, na ordem dos que tiveram vista dos autos e dos demais, a partir do 1º (primeiro) conselheiro sentado a sua esquerda, e votará por último, proclamando, em seguida, o resultado do julgamento, independentemente de ter tido vista dos autos. § 2º Ressalvadas as hipóteses expressamente autorizadas pelo Presidente da Turma, não cabem novos debates após o início da votação. § 3º O conselheiro poderá solicitar ao presidente a alteração de seu voto, desde que o faça antes da proclamação do resultado do julgamento, relativo ao conhecimento, à preliminar ou ao mérito. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 4º Os votos proferidos pelos conselheiros, inclusive quanto ao conhecimento e às preliminares, serão consignados na ata da sessão, independentemente de ter sido concluído o julgamento do recurso. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 5º Na hipótese do § 4º, caso o conselheiro que já tenha proferido o voto esteja ausente na sessão subsequente, o substituto não poderá manifestarse sobre a matéria já votada pelo conselheiro substituído. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 9º Aplicarseão as disposições previstas neste artigo, no que couber, para a conversão do julgamento em diligência. [...] Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. § 1º Rejeitada a preliminar, será votado o mérito. § 2º Salvo na hipótese de o conselheiro não ter assistido à leitura do relatório feita na mesma sessão de julgamento, não será admitida abstenção. § 3º No caso de continuação de julgamento interrompido em sessão anterior, havendo mudança de composição da turma, será lido novamente o relatório, facultado às partes fazer sustentação oral, ainda que já a tenham feito, e tomados todos os votos, observandose o disposto nos §§ 3º a 5º do art. 58. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 18471.000635/200620 Acórdão n.º 1302002.851 S1C3T2 Fl. 1.258 13 Portanto, somente se adentra ao mérito do recurso se ultrapassadas as questões relativas ao seu conhecimento ou a eventuais preliminares suscitadas. O juízo de conhecimento do recurso de ofício se dá na primeira oportunidade em que o mesmo é levado à apreciação do colegiado. Assim, se por ocasião do julgamento o colegiado conhece do recurso e propõe a sua conversão em diligência, nesta data considerase aferida a condição de apreciação do recurso, de acordo com os limites então estabelecidos, salvo se houver erro na apreciação de tais pressupostos. A decisão de realização de diligência consiste em etapa posterior à apreciação das condições de admissibilidade do recurso, pois só então o colegiado adentra no juízo de mérito. É o que se colhe da doutrina processualista de Wambier e Talamini2, verbis: O juízo de admissibilidade dos recurso consiste na verificação, pelo juízo competente, para sua realização, da presença dos requisitos de admissibilidade da espécie recursal de que se tenha servido a parte para impugnar a decisão que lhe foi desfavorável. Tratase de fenômeno assemelhado ao que ocorre com a ação. Nesta o juiz só procederá ao exame de mérito (isto é, do pedido formulado pela parte, na petição inicial), se superado com sucesso o juízo de admissibilidade, isto é, se verificar que estão presentes as condições da ação e os pressupostos processuais e se estão presentes os pressupostos processuais negativos. No caso do juízo de admissibilidade dos recursos, tratase de verificar se estão presentes os pressupostos cuja ausência desautoriza o conhecimento do recurso, determinando, consequentemente, em razão de seu não conhecimento (juízo de admissibilidade negaivo), que o tribunal nem mesmo chegue a analisar o mérito desse recurso. O tribunal verificará se o recurso é cabível, se está presente a legitimidade para recorrer, se há interesse em recorrer, se o recurso é tempestivo etc. Admitido ou conhecido o recurso, o tribunal proferirá o juízo de mérito, dando ou não provimento ao recurso interposto pela parte. Observese que, no caso do recurso de ofício, o não conhecimento pelo CARF somente pode ocorrer se não atingido o limite mínimo de exoneração do crédito tributário indicado no ato ministerial. Portanto, uma vez atendidos os pressupostos para o conhecimento do recurso de ofício, na sessão de julgamento que decidiu pela conversão do julgamento em diligência, conhecido está, não havendo que ser aferida novamente as condições para sua admissibilidade 2 WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de processo civil, volume I: teoria geral do processo e processo de conhecimento/Luiz Rodrigues Wambier, Eduardo Talamini 12 ed, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, p. 644. Fl. 1264DF CARF MF 14 ou conhecimento quando do exame do mérito do recurso, no retorno das diligência anteriormente determinadas. Assim, alterações posteriores dos limites para o conhecimento do recurso de ofício, fixados em ato do Ministro da Fazenda, não se aplicam aos recursos regulamente admitidos e que foram objeto de conversão em diligência. Ante ao exposto, voto no sentido de que, uma vez já conhecido, deve o colegiado examinar o mérito do recurso de ofício, tendo em consideração às diligências realizadas em cumprimento a determinação do próprio colegiado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1265DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.006969/2005-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
CERCEAMENTO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO PUBLICADO SEM PRÉVIA DISCUSSÃO A RESPEITO DO FATO MOTIVADOR DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO ADE.
Tendo sido o recorrente adequadamente cientificado da exclusão via ADE, e tendo gozado das oportunidades para apresentação de argumentação contraditória, não houve qualquer cerceamento para a defesa.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. SÓCIO OU TITULAR COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.
Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples. Os resultados de equivalência patrimonial não integram o conceito legal de receita bruta para fins de verificação da superação ou não do limite legal para permanência no Simples.
Numero da decisão: 1002-000.302
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Angelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO PUBLICADO SEM PRÉVIA DISCUSSÃO A RESPEITO DO FATO MOTIVADOR DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO ADE. Tendo sido o recorrente adequadamente cientificado da exclusão via ADE, e tendo gozado das oportunidades para apresentação de argumentação contraditória, não houve qualquer cerceamento para a defesa. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. SÓCIO OU TITULAR COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples. Os resultados de equivalência patrimonial não integram o conceito legal de receita bruta para fins de verificação da superação ou não do limite legal para permanência no Simples.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Angelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO PUBLICADO SEM PRÉVIA DISCUSSÃO A RESPEITO DO FATO MOTIVADOR DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO ADE. Tendo sido o recorrente adequadamente cientificado da exclusão via ADE, e tendo gozado das oportunidades para apresentação de argumentação contraditória, não houve qualquer cerceamento para a defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. SÓCIO OU TITULAR COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA GLOBAL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples. Os resultados de equivalência patrimonial não integram o conceito legal de receita bruta para fins de verificação da superação ou não do limite legal para permanência no Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 69 69 /2 00 5- 59 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 167 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Angelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) mediante o Acórdão n.º 0214.851, de 19/07/2007 (efls. 91 a 95). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. A empresa acima foi excluída de oficio do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) n°505.185, de 2 de agosto de 2004 (fl. 10), como segue: (...) Art. 1° Fica o contribuinte [...] excluído do Simples a partir do dia 01/01/2003 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. [...] data da opção pelo Simples: 01/01/2000 Situação excludente (evento 311): — Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2002 ultrapassou o limite legal. CPF 038.022.67664 CNPJ 04.197.401/000134 —Data da ocorrência: 31/12/2002 Inconformada, a interessada apresentou Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), que foi denegada, sendolhe dada ciência desta negativa em 26 de abril de 2005 (fl. 85). Em 25 de maio de 2005, apresentou a solicitação de fls. 1 a 9, assim resumida: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 168 3 • entende ilegal e arbitrária a exclusão operada pelo ADE n° 505.185, de 2004, afirmando não lhe terem sido assegurados os direitos ao contraditório e à ampla defesa; • sua SRS haveria sido denegada apenas por haver ela alegado razões de direito; • entende que o mencionado ADE, datado de 2 de agosto de 2004, feriria o princípio da irretroatividade; • admite que sua sócia CAROLINA PALMARES LAGES, CPF 038.022.67664, é sócia da empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 04.197.401/000134, mas discorda da exclusão por classificar esta sociedade empresarial como holding, tipo de empresa cujos resultados, apurados pelo método da equivalência patrimonial, não seriam tributáveis, pois já haveriam sido tributados nas empresas de que participe; • acrescenta que empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. não teria auferido nenhuma receita advinda da prestação de serviços; • argumenta que os resultados de equivalência patrimonial não integra a receita bruta para fins de aplicação da legislação do Simples. Menciona doutrina e jurisprudência. A decisão da DRJ/BHE concluiu pelo indeferimento da solicitação manifestada na impugnação de efls. 2 a 10. Em oposição à decisão da DRJ/BHE, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual alega, em síntese: a) Preliminarmente, cerceamento de defesa, porque não teria havido oportunidade de justificar a situação fática antes da emissão do Ato Declaratório Executivo (ADE) que trata da sua exclusão do SIMPLES, de modo que a ofensa ao art. 37, caput, da CRFB/88 o torna nulo. b) No mérito, o ADE somente observou o texto legal e teria desprezado a prova material dos fatos, pois a circunstância de a sócia CAROLINA PALHARES LAGES participar com mais de 10 % do capital da empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA não condiz com a realidade fática e material. É o que importa relatar. Voto Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 169 4 Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Preliminar. Nulidade do ADE. Porque o recorrente aponta lesão ao art. 37, caput, da CRFB/88, cabe a sua transcrição, abaixo: (...) Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) A especificação de quais princípios listados no art. 37 teriam sido ofendidos pelo ADE só ocorreu dois parágrafos depois, no texto do recurso voluntário, onde o recorrente acusa o mencionado ADE de arbitrário, imoral e ilegal. E o amparo para essa afirmação seria o cerceamento de defesa causado pelo fato de o contribuinte não ter sido chamado a justificar e esclarecer a sua situação fática em momento anterior ao da publicação do ADE, o que caracteriza a nulidade deste. Ante esse aspecto levantado no recurso voluntário, é importante verificar que a Lei n.º 9.317/96 impõe ao contribuinte o dever de comunicação da ocorrência de situação excludente, sendo a detecção pela administração tributária resultado de atividade/apuração suplementar, em caso de descumprimento da comunicação pelo contribuinte optante pelo SIMPLES. Essa a inteligência da redação, à época do fato motivador da exclusão, dos arts. 9.º, IX, 13, II, "a", e § 3.º, "b", 14, I, e 15, II, e § 3.º, textos reproduzidos a seguir: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 170 5 a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) § 3° No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: (...) b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (...) § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A boa leitura da regulação dada pelas normas acima indica que a exclusão de ofício do contribuinte que não atende os requisitos legais para a permanência no regime de tributação simplificada é dever da administração tributária, e esta, dada a sua atividade vinculada à lei, cumpre esse dever através da elaboração e publicação do respectivo Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES. A partir daí o contribuinte excluído tem a seu dispor os mecanismos e prazos legais para interposição de toda a sorte de recursos admitidos na processo administrativo fiscal — não há previsão legal que estabeleça contraditório antes da publicação do ADE de exclusão. E esse direito foi exercitado, como se pode perceber nas efls. 2 a 10 dos autos, em que consta a impugnação dirigida à DRJ/BHE a respeito do ADE DRJ/BHE n.º 505.185/2004. Mais, houve inclusive a utilização de Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), uma ferramenta extra de análise prévia e sumária para permitir eventual reforma sem a necessidade de julgamento em 1.ª instância, que resultou em análise desfavorável às pretensões do contribuinte, efls. 12 e 13. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 171 6 Então, tendo sido o recorrente adequadamente cientificado da exclusão via ADE, e tendo gozado das oportunidades para apresentação de defesa, não houve qualquer arbitrariedade ou desrespeito aos princípios constitucionais da moralidade e da legalidade. Ao contrário, o que se denota no transcurso do processo é o regular desempenho do poderdever da administração tributária e o respeito ao princípio da legalidade, já que as normas previstas em lei foram seguidas pela autoridade administrativa. Descabe então falar em nulidade do ADE. Mérito. Ganhos de equivalência patrimonial. Assinala o recorrente que o ADE estaria correto se não tivesse desprezado a prova material dos fatos. Que o contexto geral, contexto legal em cotejo com os contratos sociais das empresas e as declarações de renda entregues à SRF, implica constatar que não há motivo para a exclusão. O argumento que se liga à prova a que se refere o recorrente no parágrafo anterior consiste no caráter exclusivo do conceito de receita bruta que prescreve o art. 2.º da Lei n.º 9.317/96, para efeito do somatório relativo à receita bruta global de que trata o inciso IX do art. 9.º da mesma lei, e na natureza do ganho patrimonial da pessoa jurídica da qual participa o recorrente com mais de 10 % do capital, decorrente de aumento no patrimônio de empresa investida, apurado via equivalência patrimonial, que no seu entender não poderia ser considerado como receita, inclusive porque é um valor sequer lançado como lucro tributável. Ou seja, assevera o recorrente que a empresa da qual participa não auferiu receita bruta, e que o único fato que compôs o resultado no período foi o aumento patrimonial em empresas investidas, que materializou resultado positivo de R$ 1.730.133,93, indicado na DIPJ 2003 da empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, efl. 41. Em primeiro plano, vale um exame detalhado do resultado declarado pela empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, diante da informação na DIPJ 2003 de que a atividade econômica correspondia ao CNAE Fiscal 74.144/00 (Gestão de Participações Societárias (Holdings). O recorrente enfatiza a importância da classificação dos resultados positivos da empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, se enquadradas no conceito de receita bruta ou não, e, ainda, mais especificamente, se enquadradas no conceito de receita bruta que a Lei n.º 9.317/96 especifica em seu art. 2.º, § 2.º. Entende o recorrente que na investigação da ocorrência do impedimento tratado no art. 9.º, IX, da Lei n.º 9.317/96 a definição de receita bruta global deveria observar a ideia de receita bruta referida no § 2.º do art. 2.º da Lei n.º 9.317/96, sobrepondoa aos eventuais critérios próprios do regime a que se sujeite a empresa na qual o sócio ou titular participe com mais de 10 % de seu capital. É bom que se registre a enorme proximidade das concepções de receita bruta encontradas nos artigos 2.º, § 2.º da Lei n.º 9.317/96, 187, I, da Lei n.º 6.404/76, e 12 do DL n.º 1.598/77. Acrescento a este grupo os artigos 31 da Lei n.º 8.981/95 e 2.º da Lei n.º 12.973/2014, este último alterando a legislação tributária e mantendo o teor da conceituação de Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 172 7 receita bruta, privilegiando nitidamente a atividade e o objeto principal da pessoa jurídica como caracterizadores da qualificação da receita como bruta ou não. Não foi em outra direção a decisão do STF acerca do Recurso Extraordinário n.º 357.9509/RS, que considerou inconstitucional a ampliação dada ao conceito de receita bruta pelo § 1.º do art. 3.º da Lei n.º 9.718/98. Embora o campo dos exames da extensão do termo faturamento naquele julgamento se referisse às contribuições PIS e COFINS, o entendimento do voto do relator, Ministro Marco Aurélio Melo, trechos transcritos abaixo, harmonizase com a definição contábil e os conteúdos dos dispositivos já citados. (...) Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o pedido formulado na inicial, referente à base de cálculo da contribuição, ou seja, para que se entenda, como receita bruta ou faturamento, o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. (...) (grifei). Eis o que constava do § 1.º do art. 3.º da Lei n.º 9.718/98: (...) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (...) Em síntese, o julgamento no STF decidiu que a Emenda Constitucional n.º 20 não consolidou o entendimento de que receita ou faturamento englobaria toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica. Entretanto, considerando as razões acima, entendo que para o caso dos autos não há propósito em analisar se o que a Lei n.º 9.317/96 chama de receita bruta deve prevalecer quando da aferição da receita bruta obtida por empresa na qual titular ou sócio (de empresa de pequeno porte EPP) participe com mais de 10 % de seu capital. Os conceitos são convergentes. Não faz sentido a pesquisa. O que se mostra em concreto e relevante para a formação de juízo a respeito da receita bruta global cujo limite de R$ 2.400.000,00 teria sido ultrapassado é que em sua DIPJ (efl. 19) a empresa investida pela recorrente informa que sua atividade econômica é Gestão de Participações Societárias (Holdings), cujo CNAE Fiscal é 74.144/00. A qualificação indicada na DIPJ 2003, à efl. 37, Corretora Autônoma de Seguros, não se confirma diante da ausência de receita da atividade preenchida na DIPJ. Aliás, o que entendo é que normalmente as operações que resultam em variações cambiais ativas, Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 173 8 receitas financeiras e ganhos em participações societárias são as operações típicas da gestão de outras empresas que configura efetivamente a gestão de participações societárias. As receitas das holdings normalmente decorrem de operações de compra e venda de participações societárias, aluguéis de bens móveis e imóveis, juros de operações financeiras com empresas do grupo, comissões, intermediação de financiamentos, serviços prestados às empresas do grupo, especialmente administrativos, financeiros, contábeis, de informática, de administração de pessoal, e de vendas e publicidade. Sendo assim, o que se denota nos autos, mormente a partir da declaração (DIPJ) entregue pela própria empresa investida do recorrente, é que o que foi indicado na DIPJ em linha de resultado positivo em participações societárias não representa ganho alheio ao objeto operacional/econômico da pessoa jurídica. Estes resultados, positivos ou negativos, são próprias da atividade de uma holding. Como se explicaria não ter sido apresentada declaração de inatividade pela empresa investida se, realmente, o que ocorreu no anobase 2002 foi a absoluta ausência de receitas correspondentes a operações com seguros? E como justificar o expressivo resultado (e único) que a empresa investida do recorrente informou na DIPJ 2003 como alheias a sua atividadefim, resultado positivo em participações societárias? As respostas para essas questões apontam para a possibilidade de inclusão do resultado declarado pela empresa FRANCISCO GUERRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA na definição de receita bruta, seja a definição do art. 2.º, § 2.º da Lei n.º 9.317/96, seja a dos textos dos artigos 187, I, da Lei n.º 6.404/76, 12 do DL n.º 1.598/77. Porque as alienações de participações societárias de caráter não permanente, as variações cambiais, ganhos em renda variável e as receitas financeiras ajustamse hermeticamente às atividades de gestão de participações societárias, e a receita declarada a estes títulos, em verdade, é o produto dos serviços prestados em operações de conta própria pelas empresas Holding, evidenciando a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto Lei n.º 1.598/77, em seu texto vigente à época dos fatos: (...) Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. (...) Contudo, não é esse o contexto que se verifica nos autos. E aqui inicio a análise em segundo plano, a respeito das alegações do recurso voluntário quanto à natureza dos ganhos por equivalência patrimonial. Não comungo com uma das alegações da defesa de que tal ganho não pode ser receita bruta "tanto que o valor não é lançado no lucro tributável da controladora". Há rubricas contábeis que registram receitas que não integram o lucro para efeito de IRPJ mas que não perdem o caráter de receitas para os demais fins. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 174 9 Entretanto, há de se concordar com a falta de caracterização nos autos da natureza de receita bruta relativamente aos resultados positivos em participações societárias. Explico a seguir. É que, em nada me oponho à conclusão de que a variação patrimonial positiva correspondente ao aumento de valor da empresa investida, avaliado por equivalência patrimonial, não traz nada de familiar com o conceito de receita bruta (da atividade). O eventual ganho em um exercício pode ser revertido pela perda noutro, e nada disso decorre do esforço profissional, comercial, fabril, econômico ou financeiro do investidor (controlador ou coligado). Mas isso não extingue a necessidade de maiores averiguações. É bem verdade que o legislador não tencionou dar o mesmo tratamento que dispensa ao micro e pequeno empresário, ao grande e médio empresário, e um dos indicativos desse tratamento diferenciado e favorecido para as pequenas e médias empresas, que obedece a comando constitucional de isonomia material, é o estabelecimento de impedimentos elencados no art. 9;º da Lei n. º 9.317/96, dentre eles o inciso IX, motivo do contraditório aqui discutido. Por isso a possibilidade, também, da análise quanto à ocorrência indireta da vedação do inciso IX. Se a empresa holding predominante ou exclusivamente aufere resultados expressivos — capazes de extrapolar o limite do art. 9.º, inciso IX — decorrentes de participações societárias avaliadas pela equivalência patrimonial, a investigação das empresas investidas da holding tornase importante para a verificação de eventual lesão à isonomia material referida acima. Admitese assim a hipótese de apuração indireta da receita bruta global mencionada no dispositivo legal da Lei n.º 9.317/96. Afinal, seria muito prático e simples criar uma holding com participação em empresas com diversas operações comerciais, geradoras de receitas brutas que somadas ultrapassariam o limite legal para os sócios de microempresas ou EPPs que detêm mais de 10 % da holding, com o propósito único ou dominante de, indevidamente, tornar ineficaz o comando legal em relação a sua situação particular. É dizer, criada uma holding como mera intermediadora, seria possível ignorar que as receitas obtidas pelas investidas da holding, dentro de uma construção societária "familiar" (como não é incomum encontrar) ou não, não fazem parte dos resultados da empresa optante pelo SIMPLES que participa na holding com mais de 10 %. Esse desequilíbrio certamente não se inclui entre os objetivos do legislador. Seria criar uma máscara para a participação efetiva com mais de 10 % do capital de outra empresa cuja receita bruta somada à do participante extrapole o limite legal para permanência no SIMPLES. Contudo, ainda que não se revele despropositado qualquer exame quanto às atividades das empresas que geraram o resultado positivo declarado pela holding, que pudesse caracterizar ainda que indiretamente a superação do limite legal do inciso IX do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96, é preciso registrar que não há nos autos nenhum elemento de prova fruto de uma investigação fiscal nessa linha. Portanto, devem prevalecer os elementos probatórios contidos nos autos, dentre eles a DIPJ da holding, que dá notícia dos resultados positivos em participações societárias avaliados por equivalência patrimonial. E o que se pode concluir a partir dessas provas é que, de fato, não há como tratar como receita bruta da atividade o ganho refletido por esses resultados positivos. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10680.006969/200559 Acórdão n.º 1002000.302 S1C0T2 Fl. 175 10 Conclusão. Por tudo comentado acima, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade, e DAR PROVIMENTO ao recurso, no mérito, cancelando a exclusão do SIMPLES declarada no ADE DRJ/BHE n.º 505.185/2004, uma vez que o resultado que foi somado à receita bruta do recorrente e que provocou a superação do limite a que se refere o inciso IX do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96 não se integra ao conceito tributário e contábil de receita bruta. É como Voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13506.000535/2008-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PRELIMINAR. NÃO CONHECIMENTO. ANÁLISE DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Para que se identifique a existência de divergência jurisprudencial, com o fim de demonstração dos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, necessário se faz a menção de um paradigma que se preste a consubstanciar aplicação distinta da norma aplicada ao recorrido.
Numero da decisão: 9202-006.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13506.000535/200805 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.862 – 2ª Turma Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ELIZEU BATISTA DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PRELIMINAR. NÃO CONHECIMENTO. ANÁLISE DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para que se identifique a existência de divergência jurisprudencial, com o fim de demonstração dos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, necessário se faz a menção de um paradigma que se preste a consubstanciar aplicação distinta da norma aplicada ao recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 6. 00 05 35 /2 00 8- 05 Fl. 418DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2801.003.890 proferido pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 3 de dezembro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 372: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 13 deste processo digital, que da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, bem como das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 200.000,00, auferidos pelo contribuinte. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 2 e seguintes. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 334 e seguintes. Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, por meio do Acórdão n.º 2801.003.890, foi dado provimento ao recurso, fls. 372 e seguintes. Após ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 379 a 390, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13506.000535/200805 Acórdão n.º 9202006.862 CSRFT2 Fl. 3 3 Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 392 a 398, sendo dado seguimento parcial ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Por meio de contrarrazões, fls. 180 a 182, o Contribuinte não se insurgiu relativamente ao conhecimento do recurso, de forma específica, mas somente quanto ao mérito, sustentando, em síntese, a nulidade do lançamento, devendo ser negado provimento ao Recurso da Fazenda. É o relatório Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do Conhecimento. Embora não suscitado pela Recorrente, suscito o não conhecimento do recurso, de ofício. Compulsandose os autos, extraise que a decisão recorrida teve como fundamento o RE n.º 614.406, julgado sobre a sistemática dos repetitivos, em razão da vinculação do Colegiado à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Já a os acórdãos paradigmas n.º 2201.002.566 e 2201.002.588 tiveram como fundamento o REsp 1.118.429/SP e o REsp 1.227.133/RS, julgados pela sistemática dos repetitivos. Ocorre que, ao aplicar a norma vinculante decorrente do RE n.º 614.406, a decisão a quo entendeu que a inconstitucionalidade declarada ocasionara o cancelamento do auto de infração. Fl. 420DF CARF MF 4 Contudo, o paradigma não divergiu acerca da aplicação da norma extraída do referido Recurso Extraordinário, de modo que não há como identificar a divergência argüida, pois as conclusões constantes do acórdão paradigma poderiam ser similares, caso houvesse a aplicação da decisão do Supremo. Desse modo, entendo que o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional não deve ser conhecido. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.005205/2008-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS.
Dada a vinculação da autoridade tributária à lei e não tendo sido apresentada prova capaz de demonstrar que não havia nenhum débito junto à Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2009.
Numero da decisão: 1002-000.309
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS. Dada a vinculação da autoridade tributária à lei e não tendo sido apresentada prova capaz de demonstrar que não havia nenhum débito junto à Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 61 1 60 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.005205/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.309 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 5 de julho de 2018 Matéria SIMPLES Exclusão. Recorrente ADALBERTO RIBEIRO DA MOTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS. Dada a vinculação da autoridade tributária à lei e não tendo sido apresentada prova capaz de demonstrar que não havia nenhum débito junto à Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 52 05 /2 00 8- 16 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10670.005205/200816 Acórdão n.º 1002000.309 S1C0T2 Fl. 62 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA) mediante o Acórdão n.º 0930.021, de 17/06/2010 (efls. 132 a 134). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de exclusão do regime do Simples Nacional, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/MCR N° 258221, de 22 de agosto de 2008 (fl. 42), a partir de 01/01/2009, em virtude de o interessado possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com a exigibilidade não suspensa, conforme Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Contra tal ato, o contribuinte apresentou, em 17/10/2008, Manifestação de Inconformidade (fl. 01), na qual alega que as inscrições em dívida ativa n° 6040505386765, 6040505387222 e 6040505388970 já foram pagas, conforme parcelamentos efetuados em 2003 e 2006 e DARFs anexos. [...] A 1.ª Turma da DRJ/JFA decidiu pelo indeferimento do pedido do impugnante. Inconformado com a decisão de primeira instância, o recorrente reapresenta alguns documentos que haviam sido juntados na oportunidade de sua contestação de fl. 2, e traz novos documentos no intuito de fazer prova de que os débitos que motivaram sua exclusão do Simples Nacional haviam sido quitados. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O recorrente alega que não havia débitos ao tempo da sua exclusão, pois a) a inscrição em dívida ativa da União de número 6040505386765 correspondia a um valor principal de R$ 142,95, que foi pago em 31/08/2005, conforme DARF Simples anexado aos autos; b) a inscrição n.º 6040505387222 foi parcelada em seis vezes pela PGFN e paga conforme DARFs recolhidos em 2006 e 2007, anexados aos autos; c) a inscrição n.º Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10670.005205/200816 Acórdão n.º 1002000.309 S1C0T2 Fl. 63 3 604050388970 teria sido paga conforme DARFs anexados aos autos, com valor principal de R$ 1.352, e de acordo com DARF de cobrança da PGFN também anexo; e d) os DARFs Simples, recolhidos com o código 6106, foram objeto de pedido de retificação (REDARF) para que fosse alterado o código de receita para 8822. Em relação à apresentação de novos elementos de prova após a impugnação, vale a leitura do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/96: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Logo, embora os documentos adicionais trazidos aos autos com o recurso voluntário sejam de interesse para o deslinde da controvérsia, deve se reconhecida de ofício sua preclusão. Contudo, como será visto adiante, foram analisados alguns, uma vez que não trouxeram prejuízo para a outra parte, que é a Fazenda Nacional, e acabaram por confirmar a existência de débitos que autorizavam a exclusão do regime de tributação Simples Nacional. Uma observação quanto a ideia de pedido de diligência que figurou no cenário de possibilidades para o qual se inclinou este relator no princípio dos exames destes autos: o fato de restar configurado ainda débito ao tempo da exclusão do Simples Nacional, diante do exame dos elementos trazidos como prova pelo próprio recorrente, acabou por tornar desnecessária qualquer confirmação acerca dos pagamentos via DARF e dos REDARFs providenciados, processados ou não. Pontualmente se verificou que nos DARFs nos valores principais eram R$ 136,38 e R$ 119,22 constam os códigos de receita 6106, sem que haja nos autos REDARFs correspondentes à migração do referido código para o 8822, como ocorreu com os outros pagamentos cujos DARFs constam do processo. Isso relativamente à inscrição n.º 6040503889 70. Já quanto à inscrição de n.º 604050386765, se repete a mesma ausência probante do REDARF correspondente à citada alteração no que diz respeito ao pagamento no valor principal de R$ 142,95. Essa circunstância parece sem relevo, porém, é ao contribuinte a quem cabe decidir a aplicação/alocação de seus pagamentos, e no caso dos autos, no que se refere aos pagamentos para os quais não há REDARF correlato, não pode o julgador decidir em seu lugar sobre a finalidade dos pagamentos registrados em DARF sob o código 6106, em face até de ausência de previsão legal para tanto. E quanto à possibilidade de haverem sido processados efetivamente os REDARFs ligados aos DARFs cujos valores principais são R$ 136,38 e R$ 119,22, mesmo não Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10670.005205/200816 Acórdão n.º 1002000.309 S1C0T2 Fl. 64 4 tendo sido encontrados cópias de tais REDARFs nos autos, a consulta aos documentos de efls. 96, 98, 100, 114, 152, 228 e 232 aponta em contrário, dando conta de que no sistema de controle da RFB isso não ocorreu. Mais ainda, consultando o processo que acompanhava a dívida inscrita sob os números 604050388970 e 604050386765, processo n.º 10670.202874/200583, encontrase despacho que reconhece a prescrição dos débitos correspondentes, cuja informação de interesse para o presente julgamento é a notícia de que até 2016 tais débitos ainda constavam como não quitados. Assim demonstra o teor do despacho, abaixo: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10670.005205/200816 Acórdão n.º 1002000.309 S1C0T2 Fl. 65 5 Outra particularidade importante é que o recorrente faz alusão a pagamento efetuado através dos DARFs emitidos com vencimento para 16/09/2010, cujos valores principais são R$ 142,95 e R$ 1.352,96 (dois dos componentes deste montante são os valores principais R$ 136,38 e R$ 119,22, citados acima), nos quais não há autenticação mecânica. Não se pode admitir que o recorrente está a afirmar ter havido duplicidade em seus pagamentos, uma vez que na forma dos parágrafos anteriores se pode concluir que o que ele alega é que os pagamentos foram feitos por outros DARFs — e a falta de autenticação mecânica aponta pra isso. Logo, abandonada a ideia inicial de solicitar diligência fiscal, por se revelar desnecessária, resta concluir que o recorrente não fez prova de que não havia débitos capazes de justificar a sua exclusão do Simples Nacional na forma do ADE DRF/MCR n.º 258.221/2008. Independentemente da magnitude dos valores envolvidos, a atividade do agente público vinculase à lei, em respeito ao princípio da constitucional da legalidade. Em face dessa obrigação, realmente, a única ação cabível à administração tributária era providenciar a exclusão do Simples Nacional, diante da constatação de materialização de hipótese legal de vedação à opção — Art. 17, inciso V, da Lei Complementar n.º 123/2006, reproduzido abaixo: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10670.005205/200816 Acórdão n.º 1002000.309 S1C0T2 Fl. 66 6 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Constatada a ocorrência da existência de débito com a Fazenda Pública Federal, obrigase o Fisco a declarar a exclusão do optante, na forma dos dispositivos abaixo, das Resoluções CGSN n.º 15/2007 e 4/2007: Resolução CGSN n.º 15/2007: (...) Art. 3º A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: (...) d. incorrer na hipótese de vedação prevista no inciso XVI do art. 12 da Resolução CGSN nº 4, de 2007. (...) IV nas hipóteses das alíneas 'c' e 'd', do inciso II do caput, até o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência das situações de vedação. (...) Art. 5º A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) Resolução CGSN n.º 4/2007: (...) Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: (...) XVI que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10670.005205/200816 Acórdão n.º 1002000.309 S1C0T2 Fl. 67 7 Há de se registrar, inclusive, que vigorava a obrigação legal de o contribuinte informar ao Fisco sobre ter incorrido em situação excludente, na forma do § 1.º do art. 3.º da Resolução CGSN n.º 15/2007. A exclusão de ofício visa suprir a ausência dessa comunicação. Cabe observar, por fim, que a vedação indicada no ADE DRF/MCR n.º 258221/2008 (efl. 84) não representava circunstância impeditiva para novo pedido de inclusão para o ano calendário 2010 ou seguintes, desde que quitados o débitos. Por tudo analisado, nego provimento ao recurso voluntário, posicionandome pela manutenção integral da decisão de 1.ª instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904823/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904823/201211 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 1301003.205 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PER. REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 48 23 /2 01 2- 11 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10280.904823/201211 Acórdão n.º 1301003.205 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10280.904823/201211 Acórdão n.º 1301003.205 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.570 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10280.904823/201211 Acórdão n.º 1301003.205 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10280.904823/201211 Acórdão n.º 1301003.205 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10280.904823/201211 Acórdão n.º 1301003.205 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10280.904823/201211 Acórdão n.º 1301003.205 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.001528/2003-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PAF — INCENTIVO FISCAL — RECONHECIMENTO
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal, nos termos do artigo 60 da Lei 9.069/1995.
PAF — INCENTIVO FISCAL — DIPJ RETIFICADORA — EFEITOS
A partir da IN 166/99, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1°, § 2°, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa
integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN/SRF 094, de 24 de dezembro de1997.
IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE
RENDIMENTOS
Não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais (FINAM) o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração primitiva tenha sido apresentada no exercício respectivo.
Numero da decisão: 1301-000.622
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : PAF — INCENTIVO FISCAL — RECONHECIMENTO A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal, nos termos do artigo 60 da Lei 9.069/1995. PAF — INCENTIVO FISCAL — DIPJ RETIFICADORA — EFEITOS A partir da IN 166/99, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1°, § 2°, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN/SRF 094, de 24 de dezembro de1997. IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais (FINAM) o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração primitiva tenha sido apresentada no exercício respectivo.
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PAF — INCENTIVO FISCAL — DIPJ RETIFICADORA — EFEITOS A partir da IN 166/99, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1°, § 2°, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN/SRF 094, de 24 de dezembro de1997. IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais (FINAM) o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração primitiva tenha sido apresentada no exercício respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 157DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13807.001528/200313 Acórdão n.º 1301000.622 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Por bem relatar os fatos adoto o relatório da decisão recorrida. 0 presente processo versa acerca de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), protocolado em 26/02/2003, atinente Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) do Exercício 2000 — AnoCalendário 1999, formulado pela pessoa jurídica em epígrafe, cujo processamento da declaração implicou no cancelamento dos valores de imposto de renda aplicados no FINOR, outrora manifestada na declaração em referência (Ficha 16 — Aplicações em Incentivos Fiscais). A análise preliminar do direito pleiteado foi realizada pela autoridade administrativa competente, segundo a qual restou constatada a apresentação de declaração retificadora em 26/11/2001, portanto, fora do exercício de competência, integrando mudanças significativas em relação à base de calculo e valor da opção do incentivo fiscal (fls. 73/75). Nesse sentido, em conformidade com o ADN CST no 26, de 18/11/1985 e com a Nota SRF/COSAR no 31, de 15/08/2001, configurou que somente podem ser acatadas aplicações para incentivos fiscais provenientes de declarações retificadoras, entregues após 31/12 do respectivo exercício, obedecidas as seguintes condições: 1) Declaração original entregue dentro do exercício; 2) Inocorrência de retificação que altere o valor ou fundo de investimento da opção exercida na última declaração entregue dentro do exercício de competência. Sendo assim, ante a caracterização da hipótese de vedação do incentivo fiscal, a DIORT/DERAT/SP proferiu despacho decisório indeferindo o aludido pedido de revisão (fl. 79). Regularmente notificado dos termos da referida decisão administrativa em 19/11/2008 (verso da fl. 79), por via postal, mediante Intimação n° 6.314/2008, de 13/11/2008 (fl. 80), o requerente apresentou manifestação de inconformidade em 18/12/2008 (fls. 81/86), acompanhada da documentação de fls. 87/113, segundo a qual requer o recebimento e provimento integral das contestações, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos, explana que até o ano de 1999, a pessoa tributada com base no Lucro Real poderia destinar parcela do imposto devido para aplicação em projetos relacionados ao desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e do Estado do Espirito Santo; 2) Assegura que a empresa optou pela destinação de seu lucro referente ao anocalendário de 1999, mediante opção exercida no ano de 2000, com a entrega da declaração DIPJ daquele período. Todavia, percebendo que havia equivoco no preenchimento dos dados originários, exerceu seu direito de retificar as informações conforme determina o art. 1°, § 1° da Instrução Normativa n° 166, de 1999, cuja apresentação independe de autorização prévia da autoridade administrativa; Fl. 159DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 3) Sendo assim, alega que não seria possível conceber a presença da admissibilidade de autorização para retificação de todas as informações contidas na declaração originária, com exceção da questão vertente à destinação de parcela do lucro para aplicação em incentivos fiscais; 4) Ainda reclama que a autoridade fiscal, ao fundamentar o despacho decisório, desconsiderou os preceitos fixados pela Instrução Normativa n° 166, de 1999, baseandose nos dispositivos estabelecidos no Ato Declaratório Normativo n° 26, de 1985, o qual, embora esteja em vigor por conta de falta de norma expressa que revogue seus efeitos, não mais se aplica a realidade, ou seja, tornouse inaplicável em face das mudanças ocorridas na legislação; 5) Certifica que o ADN n° 26/85 possui dispositivos que se contrapõem aos preceitos, com todos os efeitos de uma declaração original; 6) Questiona que, analisando os dispositivos supracitados, verificase que resta impossível a aplicação de ambos os normativos legais, isto porque, se o contribuinte pode retificar as declarações de rendimentos entregues perante o órgão, a fim de que possa cientificar o agente arrecadador de sua real situação fiscal, não poderia o PERC ser objeto de indeferimento sob a argumentação de que a DIPJ Retificadora fora apresentada intempestivamente; 7) Reivindica que a única hipótese de aplicabilidade do ato declaratório se dá nas situações em que o requerente não fez a opção na declaração original. Completa que, nessa situação, implicaria caracterizar uma alteração da intenção do requerente, o que não ocorreu em relação ao presente caso, que se constata apenas um equivoco no preenchimento da DIPJ; 8) Sustenta suas arguições mediante citação de ementa de decisão proferida pelo Primeiro Conselho de Contribuintes; 9) Finalmente, conclui pelo total descabimento do indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) e requer a reforma da decisão denegatória proferida no presente processo. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão 1622.425 da DRJ/SPOI, em 12/08/2009, (fls. 115), indeferindo a solicitação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INCENTIVO FISCAL. RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS 0 ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA. EFEITOS NA OPÇÃO. A pessoa jurídica que apresentar DIPJ Retificadora, após o encerramento do exercício de competência, perde o direito à opção exercida para fins de aplicação em incentivos fiscais, nas circunstâncias em que as modificações introduzidas na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda configurem a ocorrência de alteração da base imponivel do beneficio manifesto na declaração original. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13807.001528/200313 Acórdão n.º 1301000.622 S1C3T1 Fl. 3 5 As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose ás matérias e às partes envolvidas no litígio. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Nesta fase reitera as argumentações trazidas na manifestação de inconformidade. Como visto do relatório, tratase de indeferimento de Pedido de Revisão de Ordem e Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, tendo em vista que a recorrente apresentou retificação da Declaração de Rendimentos do exercício de 2000, fora do exercício de competência e com alteração do valor do investimento, motivo pelo qual a turma de julgamento de primeiro grau entendeu que a interessada não faria jus à opção em incentivos fiscais com fundamento no Ato Declaratório CST n° 26/1985 e Parecer Cosit 31, de 2002. O mencionado ADN 26, de 1985, tem a seguinte dicção, em que se destaca seu item 1: Ato Declaratório Normativo do COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 26 de 18.11.1985 (DOU 2011 1985) O Coordenador do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto nos artigos 19, 11 a 14 do Decretolei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, nos artigos 19 e 39 do Decretolei n° 1.752, de 31 de dezembro de 1979 e no artigo 15 do Decretolei n°. 2.065, de 26 de outubro de 1983, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados o seguinte: 1. Não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais especificados nos artigos 503 a 510 do RIR/80, a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. Registrese, que a legislação regente da matéria, artigo 60 da Lei 9.069/1995, vincula a concessão e/ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. Na presente lide, com relação à causa objeto da rejeição do pedido entendo que assiste razão à recorrente vez que constatase que a opção pelos investimentos incentivados foi realizada dentro do período de competência, através da declaração original, consoante jurisprudência deste Conselho: "Além disso, tenho a acrescentar que a declaração original foi apresentada dentro do exercício. Repetindo o que consta no acórdão n° 10195794 — sessão de 18.10.06 — Relator Conselheiro Paulo Roberto Cortez — a aplicação do ato declaratório acima recai sobre os casos em que a recorrente, Fl. 162DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13807.001528/200313 Acórdão n.º 1301000.622 S1C3T1 Fl. 4 7 não tendo feito a opção na declaração original tempestiva, haja apresentado a retificadora fora do exercício para pretender o incentivo. Outra possibilidade extremamente óbvia, assim me parece, seria aquela em que a declaração original não teria sido apresentada dentro do exercício correspondente à base de cálculo apurada.” E, na verdade, apenas nas normas interpretativas consta a proibição do gozo do incentivo quando há retificadora fora do prazo. Por isto entendo que tem razão a Recorrente quando invoca o artigo 1° da IN 166/99, que autorizou retificar todas as informações contidas na declaração originária. Os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1o., § 2°, "teria a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN/SRF 94, de 24 de dezembro de1997". Transcrevo a seguir, trechos do voto da Ilustre relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, que adoto: “Os princípios pertencem ao sistema de valores e são ajustáveis entre si. Quem define o princípio aplicável é o caso. Ao revés das normas que são extremamente "egoístas" e não aceitam contrariedades, os princípios se harmonizam quando devidamente ponderados diante do interesse que protege. O seu ajuste não compromete a segurança jurídica ou legalidade e representam as "tramas" do tecido jurídico garantidor do estado de direito. Entendo que, neste casos, os princípios servirão para balizar a conclusão, na linha de vários julgados nesta Câmara, conforme ementa a seguir transcrita: "PAF REGRAS DE INTERPRETAÇÃO – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VERDADE MATERIAL/FORMALISMO MODERADO – COMPROVAÇÃO Em caso de antinomia normativa no processo exegético de solução de conflitos entre as normas, cabe à autoridade administrativa guiarse pelos princípios elementares que regem o processo administrativo (legalidade objetiva, oficialidade, informalidade e verdade material) respeitados os direitos e garantias individuais emanados da CF: art.5°, XXXIV "a", LV. (Ac. 10808.086 de 12/11/2004, recurso 138.092)." Nos autos, há simetria quanto à matéria de fato. Os mesmos elementos de prova são usados pelo revisor para lançar, pela autoridade de 1 0 grau para manter o lançamento e pelo sujeito passivo para justificar o acerto em seu procedimento. O impasse decorre da suposta impossibilidade legal em se aceitar a retificadora para fruição do beneficio. A penalidade pela retificação seria única, perda do direito segundo o princípio da atividade vinculada do administrador tributário. Aqui, uma lei em sentido formal absorvendo e se sobrepondo a outra lei material.” E como a recorrente atendeu às determinações da lei, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 163DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Fl. 164DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 14479.000283/2007-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual contradição apontada seja sanada. Acolhidos os embargos com efeitos infringentes para negar provimento ao Recurso do Contribuinte, sendo suprimido do acórdão qualquer menção à multa. Ou seja, fica mantida a decisão do acórdão a quo.
Numero da decisão: 9202-006.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202- 005.381, de 26/04/2017, alterar a conclusão do voto e a decisão, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso, limitando-se o acórdão a tratar da decadência.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ACOLHIMENTO. Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual contradição apontada seja sanada. Acolhidos os embargos com efeitos infringentes para negar provimento ao Recurso do Contribuinte, sendo suprimido do acórdão qualquer menção à multa. Ou seja, fica mantida a decisão do acórdão a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 005.381, de 26/04/2017, alterar a conclusão do voto e a decisão, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso, limitandose o acórdão a tratar da decadência. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 02 83 /2 00 7- 62 Fl. 644DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração de efls. 625/628 opostos pelo Contribuinte em face do acórdão nº 9202005.381, proferido na sessão do dia 26 de abril de 2017, cuja decisão restou assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/10/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para, mantendose o cômputo do prazo decadencial do lançamento da multa, nos moldes do art. 173, I, do CTN, reduzila ao valor contido no art. 32A, I, da Lei n° 8.212, de 1991, apenas nos períodos em que a correspondente obrigação principal estiver alcançada pela decadência. O Contribuinte alega em seus Embargos de Declaração que apesar da intenção da 2 ª Turma da CSRF em dar parcial provimento ao seu Recurso Especial, o teor do acórdão embargado não está de acordo com o relatório do processo, pois o direito que se diz ofertado ao contribuinte já estava garantido no acórdão que deu parcial procedência ao recurso voluntário, conforme transcrito abaixo: Ocorre que, em sessão realizada em 26/04/2017, ao analisar referido Recurso Especial, Vossa Senhoria decidiu, juntamente com os demais conselheiros, dar parcial provimento ao recurso, para autorizar o cálculo da multa prevista na legislação superveniente, qual seja o artigo 32A, para o período objeto da decadência, a ser contada nos termos do artigo 173 do CTN. Em que pese a intenção de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, verificase que o teor da v.acórdão não está de acordo com o relatório do processo, pois o direito que se diz ofertado ao contribuinte já estava garantido no v.acórdão que deu parcial procedência ao recurso voluntário. (...) Além disso, a leitura desatenta do referido dispositivo induzirá o leitor a erro, na medida em que o dispositivo causa a impressão de ter diminuído o alcance do v.acórdão proferido nos autos do Recurso Voluntário, situação que constituiria reformatio in pejus, o que é vedado no processo administrativo fiscal. Conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos efls. 640/642, os Embargos de Declaração foram acolhidos, para sanar a contradição. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 14479.000283/200762 Acórdão n.º 9202006.948 CSRFT2 Fl. 645 3 É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos efls. 640/642 os Embargos de Declaração do Contribuinte foi acolhido para sanar a contradição alegada, conforme trecho transcrito abaixo: Com relação a alegação de contradição, verificase que assiste razão ao embargante. Na decisão do colegiado de 1ª instância, proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, constatase que foi considerado procedente em parte o lançamento, tendo em vista a aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. Vejamos : "Tendo em vista que a ciência do Auto de Infração se deu em 21/08/2007, e as competências da autuação vão de 03/2001 a 10/2006 , pela contagem de prazo com base no mencionado inciso I, do art. 173 do CTN e de acordo com esta sistemática, para os fatos geradores ocorridos durante todo o ano de 2001, o marco inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do ano de 2002, encerrandose em 31/12/2006. Conseqüentemente, as infrações correspondentes às competências de 01/2002 a 10/2006 não foram alcançadas pela decadência, estando o crédito tributário correspondente devidamente constituído. Por outro lado, concluise que as competências de 03/2001 a 12/2001 devem ser excluídas do lançamento, tendo em vista a decadência ocorrida. Nesta infração, objeto da autuação, cada competência corresponde a uma ocorrência para a infração da obrigação de informar fatos geradores em GFIP, na forma do disposto nos §§ 1° e 2° do art. 648 da IN SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, sendo assim a multa passa de R$ 2.740.195,65( dois milhões setecentos e quarenta mil cento e noventa e cinco reais e sessenta e cinco centavos) para R$ 2.348.608,50(dois milhões seiscentos e oito reais e cinqüenta centavos) vez que as competências de 03/2001 a 12/2001 estão decadentes." (destaques nosso) Portanto, tendo em vista a existência de competências decadentes, conseqüentemente extinto o lançamento nesses períodos, já reconhecidas nos Autos, observase que o Acórdão ora embargado foi contraditório nessa questão : Fl. 646DF CARF MF 4 "Portanto, cabe a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN ao cálculo dos períodos alcançados pela decadência do lançamento da multa, porém, para os períodos em que a correspondente obrigação principal estiver alcançada pela decadência, essa multa deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991." Consta na decisão, a possibilidade de aplicação de multa em períodos, cujos créditos lançados foram extintos por decisão da 1ª instância administrativa. Conforme voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos o objeto do litígio é em relação aos períodos de apuração objeto de lançamento que poderiam estar fulminados pelo efeito decadencial, ao se considerar a aplicação do art. 150 §4º do CTN ou, alternativamente, o art. 173, I do CTN. Em seu voto, o Conselheiro Luis Eduardo de Oliveira Santos destaca: Entendo que, em se tratando de obrigação acessória descumprida, geradora de posterior lançamento pela autoridade fazendária, impossível se poder falar em antecipação de pagamento legalmente previsto, decorrendo daí, independentemente de se admitir ser a forma legal de lançamento a de ofício (consoante entendido pela Fazenda Nacional) ou por homologação (conforme entende a contribuinte), a necessidade de aplicação do art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, considerada na última hipótese a vinculação ao estabelecida no REsp nº 973.733 SC. Apesar de não ter sido alegado expressamente no RE da contribuinte a questão da aplicação de lex mitior ao caso, verificase que esse ponto tem efeito no deslinde da matéria em litígio, qual seja, a exigibilidade da multa por falta de declaração em GFIP de valores que não ensejam a exigência das correspondentes contribuições previdenciárias (no caso, por sua decadência). Para os períodos em que, porventura, a obrigação principal estiver alcançada pela decadência, não havendo contribuição previdenciária exigível em algum período, não há se falar em somatório de multas e sua limitação a 75% nesses mesmos períodos, mas tão somente à multa por falta de informação em GFIP de valores que não ensejam a exigência de contribuições. (GRIFAMOS) Verificase que o Ilmo. Conselheiro Luis Eduardo de Oliveira Santos destaca em seu voto que se tratando de obrigação acessória descumprida, geradora de posterior lançamento pela autoridade fazendária, impossível se poder falar em antecipação de pagamento legalmente previsto, decorrendo daí, independentemente de se admitir ser a forma legal de lançamento a de ofício (consoante entendido pela Fazenda Nacional) ou por homologação (conforme entende a contribuinte), a necessidade de aplicação do art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, considerada na última hipótese a vinculação ao estabelecida no REsp nº 973.733 SC. Assim, resta claro que para fins de contagem do prazo decadencial, em se tratando de obrigação acessória, deve ser aplicado o disposto no art. 173, I do CTN. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 14479.000283/200762 Acórdão n.º 9202006.948 CSRFT2 Fl. 646 5 Em relação a aplicação da multa o Conselheiro faz a seguinte observação: Para os períodos em que, porventura, a obrigação principal estiver alcançada pela decadência, não havendo contribuição previdenciária exigível em algum período, não há se falar em somatório de multas e sua limitação a 75% nesses mesmos períodos, mas tão somente à multa por falta de informação em GFIP de valores que não ensejam a exigência de contribuições. Assim, com fundamento no voto do Ilmo. Conselheiro, voto no sentido de conhecer e acolher os Embargos de Declaração apostos pelo Contribuinte para reratificar o 9202005.381, alterar a conclusão do voto e a negar provimento ao recurso do contribuinte, limitandose o recurso a tratar da decadência. Para fins de contagem do prazo decadencial em se tratando de obrigação acessória: aplicação do art. 173, I do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 648DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720760/2013-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1001-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, e em declarar de ofício a nulidade da decisão de 1ª instância, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, quanto à nulidade, uma vez que entendeu que a motivação para a anulação é a inovação dos fundamentos da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, e em declarar de ofício a nulidade da decisão de 1ª instância, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, quanto à nulidade, uma vez que entendeu que a motivação para a anulação é a inovação dos fundamentos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, e em declarar de ofício a nulidade da decisão de 1ª instância, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, quanto à nulidade, uma vez que entendeu que a motivação para a anulação é a inovação dos fundamentos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 07 60 /2 01 3- 12 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13603.720760/201312 Acórdão n.º 1001000.624 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 33 a 41) interposto contra o Acórdão nº 0433.619, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 22 a 23), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos com a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "A contribuinte acima qualificada teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido tendo em vista a existência de débito(s) com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não está suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, e conforme o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 14/02/2013 (fls. 04). Ciente desta decisão, apresentou manifestação de inconformidade em 15/03/2013 (fls. 0203) alegando, em síntese, que o débito motivador do indeferimento da opção pelo Simples Nacional foi parcelado no dia 31/01/2013, com o pagamento da primeira parcela no mesmo dia, conforme documentação em anexo. Por fim, pede sua inclusão no Simples Nacional. Juntou cópias de documentos de fls. 05 e seguintes." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, tão somente sob o argumento de que não apresentou CND, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário reafirmando que havia regularmente inscrito Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13603.720760/201312 Acórdão n.º 1001000.624 S1C0T1 Fl. 4 3 todos os seus débitos em parcelamento até o termo final do prazo para regularização, estando portanto todos os seus débitos com a exigibilidade suspensa. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, por ocasião da Manifestação de Inconformidade a Contribuinte alegou que os débitos indicados no Termo de Indeferimento do Simples (fl. 4) já se encontravam regularmente parcelados, conforme requerimento e guias de recolhimento juntadas (fls. 15 a 17). Quanto a decisão ora atacada, a DRJ de origem, ao julgar a Manifestação apresentada decidiu, em um voto cuja fundamentação preencheu apenas um único parágrafo, que consignou apenas que a ora Recorrente não trouxe Certidão Negativa de Débitos, o que comprovaria sua regularidade fiscal. Para ilustrar, transcrevo a integralidade do voto: "A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que os débitos ensejadores de sua exclusão do Simples haviam sido regularizados. Mas não trouxe a Certidão Conjunta Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa de débitos relativos a tributos federais e à dívida ativa da União, o que comprovaria sua regularidade fiscal. A tentativa de obtêla por meio da internet no sítio da Receita Federal não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que as informações disponíveis são insuficientes para sua emissão, remetendo para consulta à sua situação fiscal, indicativa da existência de pendências. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional, por seus próprios fundamentos. É o meu voto." Conforme se extrai da breve decisão, a DRJ de origem não chegou sequer a analisar a documentação trazida pela Recorrente, ou se manifestar quanto a regularidade do parcelamento citado. Se limitou a narrar que a Recorrente apresentou documentos e alegações sem emitir qualquer juízo de valor a respeito, focando tão somente na ausência de Certidão Negativa de Débitos. Ao que parece, a DRJ em comento entendeu que a única forma de se comprovar a improcedência do Termo de Indeferimento do Simples, ou, de outra forma, a inexistência de débitos capazes de obstar a opção seria por meio único e exclusivo da apresentação de CND. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13603.720760/201312 Acórdão n.º 1001000.624 S1C0T1 Fl. 5 4 E neste esteio, uma vez que não apresentada a Certidão, parece ter considerado prejudicada a análise do restante da matéria alegada, incluindo demais documentos de prova. O que justificaria o fato de não ter tecido uma linha sequer sobre a regularidade do parcelamento aderido pela Recorrente. Com o devido respeito à atividade da d. DRJ, discordo de tal entendimento. Primeiramente, a Lei Complementar 123/06 ao tratar das vedações ao ingresso no Simples, em seu art. 17, inciso V, estabelece que a empresa que pretende participar do regime de tributação não pode ter débitos fiscais sem exigibilidade suspensa, como segue: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Nos mesmos termos, regular a Resolução CGSN nº 94/11: Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput) [...] XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V) [...] Conforme se extraí, ambos os diplomas estabelecem tão somente que a vedação é causada por "possuir débito" para com o INSS ou Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, sem que a exigibilidade esteja suspensa. Notese que em momento algum qualquer um dos diplomas prescreve o dever de apresentar Certidão Negativa de Débitos. Em verdade, a normativa atinente ao regime do Simples trata a questão da regularidade fiscal de forma ampla, se reportando diretamente à existência ou não de débito fiscal sem exigibilidade suspensa. Para fins de Simples, pouco importa se a CND não pode ser expedida por alguma razão específica que não verdadeira existência de débitos exigíveis. Apenas a guisa de exemplo, notese que em alguns casos de parcelamento a emissão de CND pode requerer comparecimento pessoal do interessado em uma unidade de atendimento da respectiva DRF e/ou a conferência mecânica de alguma informação, o que poderia impossibilitar a emissão Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13603.720760/201312 Acórdão n.º 1001000.624 S1C0T1 Fl. 6 5 imediata e/ou por meio da internet, contudo, não significaria que o contribuinte necessariamente estaria com débitos não resolvidos. Outrossim, conforme cediço, o processo administrativo fiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Tais conclusões se extraem da interpretação sistemática dos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Confirmando nossas conclusões, temos a lição do ilustre professor James Marins, conforme se faz oportuno transcrever: Princípio da ampla instrução probatória: Do âmago do principio da ampla defesa emerge o direito à produção de provas, ou, mais propriamente, o direito à utilização de todos os meios de provas pertinentes à lide submetida a julgamento administrativo. (...) Esta garantia, consectário insuprimível do conteúdo jurídico do direito à ampla defesa, é conferida expressamente aos litigantes em processo administrativo através do art. 5º, LV, da CF/1988. Não podem, por isso mesmo, a legislação processual administrativa ou o órgão julgador obstaculizar o exercício do direito à prova, sob pena de incidência de cerceamento de defesa(...). Somente a prova ilícita poderá ser legalmente descartada como objeto de apreciação no Processo Administrativo(...). (...) Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13603.720760/201312 Acórdão n.º 1001000.624 S1C0T1 Fl. 7 6 Princípio do duplo grau de jurisdição:A ideia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, lV, da CF/1988. (...) Não pode, União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, instituir, no âmbito de sua competência, a denominada "instância única" para julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 9 ed. São Paulo: RT, 2016, pgs. 198 200.)(Grifouse) Nesta linha, temse duas conclusões importantes para o presente julgado. Primeiramente, o direito à ampla defesa que impende a necessidade de se autorizar ao jurisdicionado o uso amplo de todos os meios de provas lícitas. Conforme as lições supra, não cabe ao julgador administrativo restringir as formas de provas possíveis de serem utilizadas pelo contribuinte, sobretudo quando a própria legislação não o fez. A segunda conclusão reportase ao direito ao julgamento em duas instância do contribuinte. O Administrado não pode ter suas razões julgadas por apenas uma instância processual, sob pena de nulidade do julgamento. Tal circunstância se encontra expressa no Inciso II do Art. 59 do Decreto 70.235, como segue: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.(Grifouse) Diante destas considerações, parece claro que no caso em tela, de forma alguma poderia a autoridade julgadora de primeira instância, ou até mesmo a autoridade fiscal, restringir as formas em que a Recorrente poderia comprovar os seu direito, como o fez. Por tanto, afasto o entendimento adotado pela decisão de piso de que apenas a apresentação da CND seria prova hábil a demonstrar a inexistência de débitos para fins de opção do Simples. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13603.720760/201312 Acórdão n.º 1001000.624 S1C0T1 Fl. 8 7 Ocorre que a DRJ de origem, ao entender que a não apresentação de CND seria suficiente para negar provimento à Manifestação de Inconformidade, deixou efetivamente de analisar os argumentos e documentos apresentados pela Contribuinte por considerálos prejudicados. Uma vez que tal entendimento foi afastado, restou um "vácuo" jurisdicional, há matérias alegadas e provas apresentadas pela Contribuinte que carecem de apreciação pela primeira instância administrativa. Conforme já demonstrado, tal circunstância fere o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição e da ampla defesa, tornado o respectivo acórdão de piso nulo. Tal entendimento já se encontra sedimentado na jurisprudência deste Conselho: OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. (Processo: 10410.721329/201281. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. 4 de outubro de 2017) OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada (argumento autônomo) capaz de, em tese, culminar no cancelamento, mesmo que parcial, do auto de infração. (Processo: 15983.720040/201517. 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. 24 de maio de 2017.) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância e razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, d o Decreto n.° 70.235/72. (Processo n.º 10880.038405/8901. 17/09/2002). Diante de todos os argumentos e fatos aqui expostos, temse claramente que o acórdão de primeira instância deve ser anulado em razão da omissão do tribunal a quo quanto a análise das razões e provas trazidas pela Contribuinte. Como consequencia, os autos devem ser baixados para que a DRJ de origem realize novo julgamento, desta vez superando a questão da ausência de apresentação de CND e Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13603.720760/201312 Acórdão n.º 1001000.624 S1C0T1 Fl. 9 8 analisando todos os argumentos e prova trazidas aos autos, afim de se resguardar o direito constitucional à ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição. Em face a todo o exposto, VOTO por RECONHECER A NULIDADE do Acórdão nº 0433.619 da 2ª Turma da DRJ de Campo Grande/MS, devendo o processo ser baixado para novo julgamento, nos termos acima. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000387/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 24/11/2005 a 20/12/2005
PROCEDIMENTO DE VERIFICAÇÃO DA ORIGEM. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios no procedimento de fiscalização, dentre os quais se encaixa o excesso de prazo para a finalização do procedimento de verificação da origem (artigo 15 da IN SRF n. 149/2002), não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa.
CERTIFICADO DE ORIGEM. VALIDADE. PROVA.
Muito embora as autoridades fiscais tenham competência para instalar processo de investigação de origem, diante de suspeitas com relação a autenticidade e veracidade do documento no âmbito do ALADI, o certificado de origem válido não pode ser desconsiderado quando há nos autos provas contundentes sobre o pleno preenchimento dos seus requisitos legais (Anexo 13 do Decreto n. 2.075/96).
Numero da decisão: 3402-005.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 24/11/2005 a 20/12/2005 PROCEDIMENTO DE VERIFICAÇÃO DA ORIGEM. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios no procedimento de fiscalização, dentre os quais se encaixa o excesso de prazo para a finalização do procedimento de verificação da origem (artigo 15 da IN SRF n. 149/2002), não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. CERTIFICADO DE ORIGEM. VALIDADE. PROVA. Muito embora as autoridades fiscais tenham competência para instalar processo de investigação de origem, diante de suspeitas com relação a autenticidade e veracidade do documento no âmbito do ALADI, o certificado de origem válido não pode ser desconsiderado quando há nos autos provas contundentes sobre o pleno preenchimento dos seus requisitos legais (Anexo 13 do Decreto n. 2.075/96).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 24/11/2005 a 20/12/2005 PROCEDIMENTO DE VERIFICAÇÃO DA ORIGEM. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios no procedimento de fiscalização, dentre os quais se encaixa o excesso de prazo para a finalização do procedimento de verificação da origem (artigo 15 da IN SRF n. 149/2002), não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. CERTIFICADO DE ORIGEM. VALIDADE. PROVA. Muito embora as autoridades fiscais tenham competência para instalar processo de investigação de origem, diante de suspeitas com relação a autenticidade e veracidade do documento no âmbito do ALADI, o certificado de origem válido não pode ser desconsiderado quando há nos autos provas contundentes sobre o pleno preenchimento dos seus requisitos legais (Anexo 13 do Decreto n. 2.075/96). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 03 87 /2 00 8- 11 Fl. 250DF CARF MF 2 Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de São Paulo/SP, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de processo de crédito tributário lançado através de auto de infração (fls. 01 a 33) lavrado contra a empresa GB INGREDIENTES PARA PANIFICAÇÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 61.066.809/000100, doravante denominada impugnante, no valor de R$ 221.949,64 ( Duzentos e vinte e um mil, novecentos e quarenta e nove reais e sessenta e quatro). O crédito lançado referese a diferença de impostos e contribuições que incidem sobre a operação de importação mais multas e juros moratórios, decorrentes da desqualificação dos certificados de origem. Desqualificados os certificados, a impugnante deixou de ter direito a redução tarifária de 90% previsto no acordo tarifário no âmbito do Acordo de Complementação Econômica no 35, celebrado entre os governos dos Estados Partes do Mercosul e o Governo da República do Chile, internalizado pelo Decreto n° 2.075, de novembro de 1996. Decorrente da desqualificação foram lançados os seguintes créditos no auto de infração aqui impugnado: O Auto de Infração Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11075.000387/200811 Acórdão n.º 3402005.468 S3C4T2 Fl. 251 3 O auto de infração em foco referese às importações realizadas através das declarações de importação 05/127690479, 05/12986651, 05/13549042, 05/1354909 3, 05/13645963 e 05/13892600 registradas no período de 24/11/2005 a 20/12/2005. Com referência às declarações citadas consta no auto de infração, que a impugnante quando do registro da declaração de importação, solicitou redução do imposto de importação com base no Acordo de Colaboração Econômica no 35, supra mencionado. Consta no auto de infração que durante o despacho aduaneiro a fiscalização constatou inconsistências nos certificados de origem, conforme transcrição que segue: "Ocorre que no curso do despacho aduaneiro, a fiscalização constatou que os Certificados de Origem números 00169099, 00170267, 00168795, 00170063 e 00170556, emitidos pela Sociedad de Fomento Fabril SFF, apresentavam no campo 15, correspondente à declaração do; Produtor final ou exportador, assinaturas idênticas para diferentes empresas chilenas. Diante das dúvidas fundamentadas quanto à autenticidade da assinatura do exportador no campo 15 dos Certificados de Origem foi enviada representação (processo 11075.003377/2205 86) à Diana da 10 a RF, com proposta de envio à Coana para fins de abertura de processo de investigação de origem dos Certificados de Origem emitidos pela Sociedade de Fomento Fabril SFF com as assinaturas duvidosas, tal procedimento obedece ao disposto no Anexo 13 (Regime de Origem) do Acordo de Complementação Econômica n ° 35, internalizado pelo Decreto n ° 2.075, de novembro de 1996." Foi então aberto o processo de investigação de origem previsto no Acordo de Complementação Econômica no 35, artigos 17 e 18 do Decreto 2075/1966. Estando sobre processo de investigação, as declarações de importação 05/12769049, 05/12986651, 05/13549042, 05/13549093, 05/13645963 e 05/13892600, foram desembaraçadas mediante apresentação de garantia. A resposta da Coana ao pedido de investigação veio através da informação Coana/Cotac/Dinom n o 2007/00431, proferida pela Divisão de Nomenclatura, Classificação Fiscal e Origem de Mercadorias (Dinom) da Coordenação de Assuntos Tarifários e Comerciais (Cotac) da Coordenação Geral da Administração Aduaneira (Coana) que concluiu que os certificados de origem apresentados para as declarações citadas, não eram válidos para fins de comprovação de origem, uma vez que não foi possível identificar as pessoas responsáveis Fl. 252DF CARF MF 4 pelas assinaturas do campo 15, pois estas não estavam habilitadas para este fim. Com base na referida informação da Coana/ Cotac/Dinom 2007/00431 (fls. 34 a 36), a fiscalização lavrou então, o auto de infração em foco. Do Auto de infração a impugnante tomou ciência em 03/03/2008 e apresentou impugnação tempestiva em 31/03/2008. A Impugnação A impugnante inicia sua defesa alegando a nulidade do processo de Investigação de origem. Sobre o tema alega que: o prazo que o fisco tinha para conclusão do processo de investigação foi extrapolado. No caso a IN SRF 149/02 no seu artigo 15 prevê um prazo de 90 dias, contudo o fisco levou quase dois anos; Alega a impugnante que no relatório da Coana, que consta da informação da Coana/ Cotac/Dinom 2007/00431, que desqualificou os certificados de origem, houve afronta aos princípios da motivação e da legalidade uma vez que: em nenhum momento descumpriu os requisitos do artigo 13 – Anexo 13 do ACE 35, sendo que os certificados de origem desqualificados foram reconhecidos como válidos pela Sociedad de Fomento Fabril SFF, assim como as assinaturas neles apostas; não é possível fazer convergência do fato em análise, desqualificação do certificado de origem, com o que prevê a regra do Código Civil citado na informação Coana/ Cotac/Dinom 2007/0043. Sobre o tema transcreve o trecho que segue do auto de infração "12. Registrese, ainda, que no caso de autenticidade de assinatura aposta em documento, o Código de Processo Civil — CPC art. 389, I , estabelece que o Onus da prova quando se tratar de assinatura incumbe a parte que produziu o documento, a qual no presente caso, não encaminhou os documentos necessários para" Conclui que desta forma o Relatório/Informação da Coana não seguiu o disposto no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, e mais ainda com o artigo 2° da Lei 9.784/99, que destaca a necessidade de obediência por parte do fisco dos princípios que regem a administração publica. Outra alegação da impugnante, é a falta do devido processo legal. Segundo a impugnante o processo de investigação da origem deveria ser feito com base no rito do Decreto 70.235/1972, sendo uma falha a realização deste através da IN SRF 149/2002 onde não é dado o direito ao contraditório. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11075.000387/200811 Acórdão n.º 3402005.468 S3C4T2 Fl. 252 5 Cita que apresenta junto com sua impugnação uma declaração da Federação das Indústrias do Chile, doc 05, que é documento hábil para comprovar a validade dos certificados de origem. E afirma que se a repartição estrangeira confirma que a mercadoria declarada no Certificado de Origem, é do pais signatário do Bloco, não há o que ser ponderado. A impugnante alega ainda que a emissão do Certificado de Origem é de competência da Entidade habilitada, não do exportador chileno, tampouco do importador brasileiro, e que a empresa importadora não tem nenhuma ingerência sobre a emissão do documento em questão. Por último alega a ilegalidade na exigência da multa de ofício. Cita para fundamentar esta alegação o artigo 1o do ADI 13 de 10 de setembro de 2002. O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de São Paulo/SP (fls 213 a 223), cuja ementa segue colacionada abaixo: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 24/11/2005 a 20/12/2005 PROCEDIMENTO DE INVESTIGAÇÃO DE ORIGEM O artigo 17 da IN SRF 149/2002 que regulamenta as disposições constantes nos artigos 18 e 19 do ACE 35 – Decreto 2075/1996, prevê a possibilidade de solicitação de informações pelo estado parte importador para a unidade certificadora do estado parte exportador, sendo que o não atendimento à solicitação, nos termos o artigo 20 Inciso II da referida Instrução possibilita a desqualificação do certificado de origem. O procedimento previsto IN 149/2002 é de caráter investigativo, realizado de forma unilateral, sendo o mesmo realizado para a produção de provas, que irão atestar se a mercadoria produzida num pais membro do Acordo de Colaboração Econômica preenche os requisitos de certificação de origem, não estando portanto sujeito às normas do Decreto 70235/1972, próprias do processo administrativo fiscal. NULIDADE DE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS Nos termos do artigo 53 da Lei 9784/1999 somente os processos administrativos eivados de ilegalidade podem ser sujeitos a nulidade, podendo os outros por motivos de descumprimento de formalidades serem convalidados nos termos da artigo 55 da referida Lei. MULTA DE OFÍCIO Nos termos do ADI 13 de 10 de setembro de 2002 não cabe multa de ofício, a solicitação, feita no despacho de importação de preferência percentual negociada em acordo internacional, como a que se trata do ACE 35 celebrado entre o Chile e o Mercosul. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 254DF CARF MF 6 Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 232 a 243, repisando os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme as informações de fls 245 e 246, a Contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ em 17/04/2015, tendo apresentado o recurso voluntário em 30/04/2015 (fls 231). Assim, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Primeiramente, saliento que os valores exonerados pela DRJ (R$ 82.522,94. (oitenta e dois mil, quinhentos e vinte e dois reais e noventa e quatro centavos), relativos à multa de ofício, estão abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, não havendo, portanto, recurso de ofício a ser julgado. Visto isso, passamos às alegações da defesa. 1) Nulidade por descumprimento de prazo da investigação Aponta a Recorrente que o prazo que a Fiscalização detinha para conclusão do processo de investigação de origem foi extrapolado, haja vista que o artigo 15 da Instrução Normativa SRF 149/02 prevê um prazo de 90 dias, e, no caso, a Fiscalização levou quase dois anos para a finalização do procedimento. Com efeito, a referida IN em seu artigo 15, parágrafo único coloca que: Art. 15. Findo o prazo estabelecido no parágrafo único do artigo anterior, sem que tenha havido resposta ao pedido de informações, ou quando as informações prestadas forem consideradas insuficientes pela Coana, será emitido Ato Declaratório Executivo (ADE) contendo: I descrição e classificação fiscal da mercadoria objeto de processo aduaneiro de investigação de origem; II nome e nacionalidade da empresa estrangeira exportadora; III produtor ou fabricante; IV entidade certificante; e V prazo previsto para a conclusão da investigação. Parágrafo único. O prazo para a conclusão da investigação será de até noventa dias e poderá ser prorrogado por igual período. E efetivamente, no presente caso, o prazo foi extrapolado. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11075.000387/200811 Acórdão n.º 3402005.468 S3C4T2 Fl. 253 7 Entretanto, não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de nulidade do auto de infração sob o argumento de que o prazo não foi cumprido. A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que eventuais omissões ou incorreções afligindo os documentos instrutórios da fiscalização não têm o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário, disciplinado pelo artigo 142 do CTN. Somente na hipótese de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que eventualmente esses vícios poderão acarretar na nulidade do ato. Nesse sentido, destaco as ementas dos Acórdãos n. 2301004.766, de 12/07/2016, 9303003.876, de 19/05/2016 e 9101002.132, de 26/02/2015, respectivamente: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEFICIÊNCIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) possibilita ao contribuinte certificarse da autenticidade do termo de início de fiscalização, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Também gera efeitos jurídicos, para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea (art. 138, CTN). Todavia, eventuais omissões ou vícios em sua emissão não acarreta a automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. (....) PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. MPF – NULIDADE. Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. Muito embora os julgados digam respeito ao MPF, a ratio decidendi que os guia é exatamente a mesma que deve ser aqui utilizada, para o procedimento de investigação de origem, de acordo com o que ditam as regras do processo administrativo fiscal, em especial o artigo 59 do Decreto 70.235/72, cujo conteúdo determina que são nulos os atos e termos Fl. 256DF CARF MF 8 lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, considerando que não há qualquer comprovação de prejuízo à defesa da Recorrente em decorrência de eventuais vícios no procedimento de verificação da origem, haja vista que ela trouxe aos autos robusta justificação sobre todos os pontos que pertencem ao caso concreto, não há que se falar em afronta ao artigo 59 do Decreto 70.235/72, de modo que rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. 2) Mérito Antes de adentrar nos argumentos expostos pela Recorrente em sua defesa, cumpre serem apresentados alguns conceitos preliminares. Em 26/03/1991, foi assinado o Tratado de Assunção, instituindo o Mercosul – Mercado Comum do Sul, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ademais, os Estados Partes do Mercosul e do Chile, com base no Tratado de Montevidéu de 1980, assinaram em 25 de junho de 1996, em San Luís, na Argentina, o Acordo de Complementação Econômica n. 35 (ACE 35), entre o Mercosul e o Chile, internalizado pelo direito pátrio por meio do Decreto n. 2.075/1996. Tendo em vista que o Acordo tem entre seus objetivos o estabelecimento de uma área de livre comércio entre as Partes; criação um espaço econômico ampliado, que facilite a circulação de bens e serviços e a plena utilização dos fatores produtivos; promoção, complementação e cooperação econômica, energética, científica e tecnológica, foi estabelecida tributação diferenciada para algumas operações internacionais entre as Partes contratantes. Para a utilização do regime de alíquotas diferenciadas, assim como ocorre no âmbito do Mercosul, há que se comprovar a origem das mercadorias. Dessa forma, legislação definiu que o documento comprobatório da origem da mercadoria é o Certificado de Origem, emitido pelas repartições oficiais ou organismos ou entidades por elas credenciadas, cumprindo os requisitos previamente indicados. Vejamos: Decreto n. 2.075/1996. Artigo 13. As Partes aplicarão o regime de origem contido no Anexo 13 do presente Acordo às importações realizadas ao amparo do Programa de Liberalização Comercial. ANEXO 13 REGIME DE ORIGEM Artigo 1 O presente Anexo estabelece as normas de origem aplicáveis ao intercâmbio de mercadorias entre as Partes Contratantes, para os efeitos de: 1. Qualificação e determinação da mercadoria originária; 2. Emissão dos certificados de origem; e 3. Processos de Verificação, Controle e Sanções. Âmbito de aplicação Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11075.000387/200811 Acórdão n.º 3402005.468 S3C4T2 Fl. 254 9 Artigo 2 (...) Para se beneficiar do Programa de Liberalização, as mercadorias deverão demonstrar o cumprimento dos requisitos de origem, de conformidade com o disposto no presente Anexo. Artigo 10 Em todos os casos sujeitos à aplicação das normas de origem estabelecidas no Artigo 3, o Certificado de Origem é o documento indispensável para a comprovação da origem das mercadorias. Esse certificado deverá indicar inequivocamente que a mercadoria à qual se refere é originária da Parte Signatária em questão, nos termos e disposições do presente Anexo. Artigo 13 O certificado de origem deverá cumprir, pelo menos, os seguintes requisitos: a) ser emitidos por entidades habilitadas; b) identificação da Parte Signatária exportadora e importadora; c) identificação do exportador e importador; d) identificar as mercadorias às que se refere (código NALADI/SH, glosa tarifária, denominação, quantidade e medida, valor FOB); e e) declaração Juramentada a que se refere o Artigo 11. Ocorre que, expedido o certificado de origem, não está ainda plenamente convalidado o direito aos benefícios do Acordo entre os países. De fato, como se depreende dos artigos 17 a 20 do Anexo 13 do Decreto n. 2.075/96, abaixo transcritos, caso haja dúvidas sobre a veracidade e autenticidade do certificado de origem, poderão ser iniciados processos de verificação e controle dos mesmos. Processos de Verificação e Controle Artigo 17 Não obstante a apresentação do certificado de origem nas condições estabelecidas por este Anexo e nas que vier a estabelecer a Comissão Administradora do Acordo, as autoridades aduaneiras poderão, no caso de dúvidas fundamentadas em relação à autenticidade ou veracidade do certificado, requerer da repartição oficial da Parte Signatária exportadora responsável pela verificação e controle dos certificados de origem, informações adicionais com a finalidade de elucidar a questão ou iniciar as investigações pertinentes, quando procedente, informando à repartição oficial de controle da Parte Signatária importadora. Artigo 18 Iniciada uma investigação pela autoridade aduaneira, esta poderá ordenar a suspensão do tratamento tarifário preferencial ou adotar as medidas que considere necessárias Fl. 258DF CARF MF 10 para garantir o interesse fiscal, mas em nenhum caso deterá os trâmites de importação das mercadorias. Resolvido o caso, manterseá inalterada a resolução, serão reintegrados os direitos percebidos em excesso e as garantias serão liberadas ou efetivadas, segundo corresponda. Artigo 19 A autoridade aduaneira deverá notificar o início da investigação ao importador e à autoridade encarregada da verificação e controle na Parte Signatária exportadora, à qual solicitará a informação necessária para essa investigação. Artigo 20 A repartição oficial responsável pela verificação e controle dos Certificados de Origem deverá fornecer as informações solicitadas pela aplicação do disposto no Artigo 17, em um prazo não superior a 30 dias úteis, contados a partir da data do recebimento do respectivo pedido. As informações terão caráter confidencial e serão utilizadas, exclusivamente, para esclarecer essas questões. Nos casos nos quais a informação solicitada não for fornecida ou for insatisfatória, a autoridade aduaneira da Parte Signatária importadora dessas mercadorias poderá dispor, de forma preventiva, a suspensão do tratamento preferencial de novas operações referentes à mesma mercadoria do mesmo operador. No Brasil coube à Secretaria da Receita Federal a tarefa de realizar o controle da origem, no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização posterior, nos termos da IN SRF 149/2002. 1 Ressalto desde já que o procedimento ali descrito foi integralmente cumprido pelas autoridades fiscais no presente caso conforme consta do relato acima , não havendo espaço para as alegações de ilegalidade, falta de motivação, ou prejuízo ao devidos processo legal e ao contraditório aventadas pela Recorrente. Sobre esse ponto, faço ainda coro com a decisão recorrida, no seguinte sentido: Sobre o tema, inicialmente cabe a observação que a IN SRF 149/2002 apenas regulamenta o procedimento de investigação previsto nos artigos 18 e 19 do ACE 35 (Decreto 2075/1966), não se trata de um processo de imposição de penalidades administrativas ou tributárias. O procedimento previsto na referida IN é de caráter investigativo, realizado de forma unilateral, sendo o mesmo realizado para a produção de provas, que irão atestar se a mercadoria produzida num pais membro do Acordo de Colaboração Econômica preenche os requisitos de certificação de origem, que no caso do Acordo entre o Mercosul e o Chile encontramse no anexo 13 do ACE 35. Este procedimento é feito sobre o exportador e o órgão emissor/certificador , para os quais são solicitadas informações e documentos, não havendo nesta fase nenhuma investigação 1 A autorização para tal controle tem como fundamento os artigos 17 a 20 do Anexo 13 do ACE 35. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11075.000387/200811 Acórdão n.º 3402005.468 S3C4T2 Fl. 255 11 sobre o importador ou sobre a operação de importação propriamente dita. Desta forma não há de se falar de cerceamento de defesa relativa ao procedimento de investigação de origem. Cabe observar que somente após o relatório de conclusão sobre o procedimento de investigação de origem, durante o despacho aduaneiro ou durante a revisão aduaneira, é que são analisadas as questões referentes a pagamentos de impostos das empresas que importaram mercadorias pleiteando redução tarifária com a utilização de certificados de origem, que após o procedimento de investigação foram desqualificados. Nesta fase, posterior ao procedimento de investigação de origem é que são lançados os créditos em auto de infração, e cobrados os impostos não pagos devidos ao pedido de redução tarifária do importador. Neste procedimento, que se faz com a abertura de um processo administrativo fiscal, nos termos do Decreto 70235/1972 é instaurado o direito ao contraditório, onde a empresa autuada irá se manifestar. Pois bem. No presente processo, durante o despacho aduaneiro a fiscalização constatou inconsistências nos certificados de origem, conforme transcrição que segue: "Ocorre que no curso do despacho aduaneiro, a fiscalização constatou que os Certificados de Origem números 00169099, 00170267, 00168795, 00170063 e 00170556, emitidos pela Sociedad de Fomento Fabril SFF, apresentavam no campo 15, correspondente à declaração do Produtor final ou exportador, assinaturas idênticas para diferentes empresas chilenas. Foram requeridos esclarecimentos, não fornecidos, de modo que o certificado de origem foi desqualificado pelo fato das pessoas que assinaram o atestado não estarem habilitadas para tal, conforme consta do item 10, do Relatório de Verificação de Origem, fls. 33 a 35, transcrito na seqüência: 10. Observase que não é possível identificar, inequivocamente, as pessoas que assinaram o campo 15 dos Certificados de Origem e, mesmo que fosse possível fazer essa identificação, confirmase que as pessoas não estavam legalmente habilitadas nas datas de emissão dos mesmos (negritado por nós). 11. Outrossim, observase que os documentos que constam das fls. 87 a 90 são autorizações conferidas por instrumento particular sem reconhecimento de firma do outorgante, e da comprovação de sua capacidade para a prática do referido ato. Outro agravante é o fato da assinatura aposta na Cédula Nacional de Identidade as fls. 91 não conferir com as assinaturas que constam dos Certificados de Origem, supostamente assinados pelo identificado. Por tais razões, o certificado de origem foi desqualificado, conforme permite o artigo 10 da IN 149/2002, culminando na lavratura do auto de infração para a cobrança da diferença de tributos: Fl. 260DF CARF MF 12 Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: I contiver rasuras, correções, emendas ou campos não preenchidos, com exceção daqueles reservados às observações e à identificação do consignatário; II tiver sido emitido anteriormente à data da respectiva fatura comercial ou após sessenta dias da sua emissão; ou III tiver sido firmado por entidade ou funcionário não autorizado. Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. A Recorrente defendese, afirmando que consta na própria informação da Coana/Ditec/Dinon n. 431 (fls 34 a 36) que: (...) 6. Esta CoordenaçãoGeral encaminhou consulta à autoridade competente do Chile, por meio do Fax Coana/CotadDinom n2 2006/00214, fls.132/133, o qual foi respondido nos termos do Fax 112 597, fls.147 a 151. 7. A autoridade competente do Chile, com base em informações fornecidas pelas empresas exportadoras, entende que os Certificados de Origem questionados são autênticos e dão cumprimento aos requisitos de origem pactuados no Anexo 13 ao ACE 35, e conclui que foram assinados por pessoas legalmente habilitadas. Ademais, acostou aos autos os documentos de fls 205 e 206 (doc. 6 da impugnação), também expedidos pela autoridade certificadora, que mais uma vez afirmam que os certificados de origem atinentes às DIs em questão são plenamente válidos, inclusive no que tange às assinaturas colocadas em cheque pela Fiscalização. Segue abaixo colacionado o seu conteúdo: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11075.000387/200811 Acórdão n.º 3402005.468 S3C4T2 Fl. 256 13 Fl. 262DF CARF MF 14 Ou seja, diante das inconsistências verificadas, foi chamada à se manifestar a autoridade certificadora no Chile, prestando informações complementares, as quais ratificam a validade do certificado de origem, em todos os seus elementos, exatamente nos termos que pede toda a legislação de regência, exaustivamente tratada acima. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11075.000387/200811 Acórdão n.º 3402005.468 S3C4T2 Fl. 257 15 Ressaltese que em nenhum momento foi alegada qualquer desconfiança com relação à mercadoria em si, ao seu país de origem (Chile), nem qualquer outros problemas com relação ao produtor final ou exportador que não fosse as assinaturas. Tais fatos, somados à peremptória confirmação pela autoridade certificadora de que "os funcionários que assinavam em nome da sociedade estão plenamente habilitados na Secretaria Geral do ALADI, por parte da Direção Geral de Relações Econômicas Internacional do Ministério das Relações Exteriores", reconhecidos em cartório e pela Câmara de Comércio de Santiago, deixam claro que a desconfiança da Fiscalização brasileira deve ser afastada no presente caso. Nesse sentido, saliento que a DRJ não levou em consideração os documentos de fls 205 e 206 porque são datados de 2008, sendo que as importações são de 2005, e porque não seriam suficientes para suprir a falta de prova ocorrida no momento da investigação de origem. Ora, é claro que qualquer manifestação feita para instruir o processo administrativo fiscal seria posterior aos fatos, uma vez ser humanamente impossível retroagir no tempo. Também é claro que o processo administrativo fiscal, nos termos do Decreto 70.235/72, é justamente nova oportunidade de apresentação de provas pelo sujeito passivo. Assim, o que importa é que tais documentos atestam que os eventos ocorridos em 2005 são perfeitos, vale dizer, a certificação de origem que ampara as DIs são aptas a preencherem os requisitos legais de validade do Anexo 13 do Decreto n. 2.075/96. O Direito, este sim pode retroagir, à medida que os atos jurídicos emitidos podem dizer respeito a eventos passados, como ocorre em qualquer ato administrativo de lançamento, sentença proferida pelo Poder Judiciário ou prova constituída relatando eventos pretéritos. Finalmente, a jurisprudência desse Conselho sempre foi firme no entendimento de que é preciso robusta prova de falsidade para que seja desconsiderado o certificado de origem válido, com a respectiva imposição das diferenças tributárias pela operação de importação, conforme o Acórdão CSRF/0304.659, assim ementado: Ementa(s) CERTIFICADO DE ORIGEM. VALIDADE Certificado de Origem válido, não pode ser considerado nulo se não houver prova convincente de sua falsidade. Aplicase a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 1º, do 6º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18). Havendo o contribuinte efetivamente obtido a necessária certificação de que a operação de importação foi realizada entre países signatários do ACE Nº 18, não é exigível o recolhimento dos tributos incidentes na importação. Recurso especial negado Destaco o seguinte trecho do voto do Conselheiro Relator: Não existem dúvidas que o Certificado de Origem foi efetivamente emitido, com todos os elementos essenciais, sendo, portanto, um completo absurdo afirmar a nulidade do mesmo, posto que nos autos não há prova capaz de comprovar a invalidade do Certificado de Origem, nem mesmo causa prejuízo ao fisco a confusão de datas referidas nos autos. Fl. 264DF CARF MF 16 Dessarte, muito embora as autoridades fiscais tenham competência para instalar processo de investigação de origem, diante de suspeitas com relação a autenticidade e veracidade do certificado no âmbito do ALADI, o certificado de origem válido não pode ser desconsiderado uma vez que há nos autos provas contundentes sobre o pleno preenchimento dos requisitos legais (Anexo 13 do Decreto n. 2.075/96). Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.911765/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 17 65 /2 00 9- 51 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.911765/200951 Acórdão n.º 1301003.052 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao deixar de homologar a compensação tributária informada na DCOMP objeto dos autos. Primeiro, o Despacho Decisório da unidade local da RFB denegou o direito creditório pleiteado pela contribuinte com fundamento no art. 10 da IN SRF 600, de 2005. Vale dizer, o direito creditório utilizado no PER/DCOMP não foi reconhecido, por se tratar de mera antecipação de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, caso em que o recolhimento a maior ou indevido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devidos no final do anocalendário ou para compor respectivo saldo negativo. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, nas suas razões: que tem direito à restituição e compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal, à luz da legislação de regência; que o pagamento a maior ou indevido do IRPJ ou CSLL decorreu de erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores da: a) Conta Consumo de Combustível — CCC; e, b) Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE têm como objetivo subsidiar a energia elétrica gerada nas usinas termoelétricas, de forma que a tarifa da energia elétrica fosse equalizada com a dos consumidores servidos por geração hidráulica, sobretudo nos instantes de baixa "hidraulicidade" dos sistemas interligados (em que a energia produzida pelas hidroelétricas estavam com capacidade baixa); que a inclusão de valores dessas Contas pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL no cálculo da conta dos consumidores situados nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste , mediante incremento nas tarifas das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás que administra esses recursos , não configura receita da impugnante; que muito embora a cobrança da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE possam, em tese, caracterizar como receitas das empresas distribuidoras de energia, de forma peculiar, para impugnante, que é Geradora de Energia Elétrica interligada ao sistema, tais rubricas não são receitas. Isto porque a geradora está impossibilitada de auferir qualquer recurso dessas fontes como "receita" própria ou como "faturamento", conforme as prescrições da ANEEL. Ou seja, por meio da Nota Técnica n° 116, de 24 de março de 2006, e Despacho n° 657/2006, a ANEEL Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.911765/200951 Acórdão n.º 1301003.052 S1C3T1 Fl. 4 3 orientou as alterações introduzidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para equacionar a distorção decorrente da inadequada contabilização dos valores da CCC/CDE como "Receitas de Subvenção" pelas concessionárias geradoras como a impugnante; que a ANEEL esclareceu que os valores, outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção CCC/CDE", deveriam ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois jamais integraram a receita de concessionárias geradoras, como a impugnante; que os valores da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não representam propriedade e, conseqüentemente, incremento patrimonial da impugnante, já que somente são repassados para que se propicie o pleno funcionamento do Sistema Elétrico Nacional, tendo, inclusive, a sua aplicação passível de auditoria pelo Tribunal de Contas da União. Por último, a DRJ, assim como ocorrera no Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, também denegou o direito creditório pelo mesmo fundamento declinado no referido Despacho Decisório, ou seja, que o valor pago indevidamente ou a maior de IRPJ ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou o pagamento a maior ou indevido do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e da contribuição social sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal, por erro de fato; que efetuou imediata compensação tributária, utilizando como crédito os valores pagos indevidamente do imposto e contribuição federais através de declaração de compensação, via sistema PER/DCOMP; que, tanto o Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, quanto o Acórdão recorrido, com mesmo fundamento, denegaram o crédito pleiteado, conforme já mencionado anteriormente; que o pagamento indevido é feito à margem da lei e, portanto, não se subsume a qualquer regime de repetição que não aquele previsto no art. 165, do CTN, ou seja, o direito a repetição surge de forma imediata; que o pagamento por regime de estimativa é previsto em lei, na forma dos §§ 2° e 3°, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e, deste modo, qualquer pagamento a maior do que o fixado no dispositivo legal é considerado indevido, e não adiantamento; que o disposto no art. 10 da Instrução Normativa n.° 600, de 2005, na parte atinente ao pagamento a maior, tão somente objetiva protelar o pagamento dos juros devidos a partir da ocorrência do pagamento indevido, e, assim prevendo, colide com o disposto no §4°, do art. 39, da Lei nº 9.250/95, de modo a tornálo inaplicável, pois cediça a regra de que o Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.911765/200951 Acórdão n.º 1301003.052 S1C3T1 Fl. 5 4 conteúdo e o alcance dos decretos restringese aos das leis em função das quais sejam expedidos (CTN, art. 99), ou seja, para fiel cumprimento da lei (CF, art. 84, IV); que citou precedente do CARF pelo afastamento, inaplicabilidade, do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, que vedava a compensação de pagamento à maior das estimativas mensais do IRPJ ou da CSL, antes de findo o período de apuração; que o direito a repetição do pagamento indevido ou a maior de tributo surge no momento de sua efetivação à margem da lei, e evidente, pois, a possibilidade de compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.049, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.911762/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.049): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário ou de compensálo com outro débito vencido ou vincendo. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.911765/200951 Acórdão n.º 1301003.052 S1C3T1 Fl. 6 5 Nacional, ou seja, encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de contas com débito próprio vencido ou vincendo objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a recorrente alegou nos autos: que efetuara pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL por erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores relativos a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que valores cobrados dos clientes consumidores a título dessas rubricas não seriam receitas, mais sim mera "Recuperação de Custos", conta retificadora dos custos; que, nesse sentido, invocou esclarecimento da ANEEL, conforme atos normativos citados no relatório, que os valores outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção para Custeio CCC/CDE", devem ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois valores repassados a título dessas rubricas não seriam receitas. Ocorre que a questão do erro de fato alegado, se existente ou não, na apuração da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, por conta dos registros contábeis dos valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE remete a outra questão não resolvida nos autos, ou seja: os valores auferidos a título das referidas rubricas são tributáveis ou não? Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.911765/200951 Acórdão n.º 1301003.052 S1C3T1 Fl. 7 6 A contribuinte alega, invocando a ANEEL, que seriam meros repasses a título de "Recuperação de Custos" para registro em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos. Esses pontos controvertidos, portanto, não foram enfrentados, no mérito, pela decisões anteriores nestes autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação do da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a comprovação do erro de fato é condição sine qua non para configuração do pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Caso contrário, tratase mero antecipação de pagamento do IRPJ e da CSLL na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No caso, não há como prosseguir na análise de mérito nesta instância de julgamento para evitar prejuízo à defesa, ou seja evitar supressão de instância de julgamento, pois as questões do alegado erro de fato e da natureza das receitas, valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não foram enfrentadas, no mérito, pelas decisões anteriores nestes autos. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Florianópolis para que proceda análise Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.911765/200951 Acórdão n.º 1301003.052 S1C3T1 Fl. 8 7 de mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
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