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Numero do processo: 16561.720029/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/03/2007, 23/04/2007, 24/05/2007, 25/06/2007, 25/07/2007, 28/08/2007, 26/09/2007, 30/10/2007, 28/11/2007, 29/11/2007, 20/12/2007, 21/12/2007
PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS. Incide PIS/Pasep Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação de serviços prestados, sendo irrelevante que esta atividade esteja vinculada a contrato de transferência de tecnologia.
PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Se a contribuinte, mesmo intimada e reintimada, não esclarece quais são as parcelas dos valores pagos a residentes ou domiciliados no exterior referentes à transferência de tecnologia e quais são as referentes à contraprestação de serviços prestados, correto o arbitramento da base de cálculo com fundamento na proporção dos objetos do contrato.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/03/2007, 23/04/2007, 24/05/2007, 25/06/2007, 25/07/2007, 28/08/2007, 26/09/2007, 30/10/2007, 28/11/2007, 29/11/2007, 20/12/2007, 21/12/2007
COFINS IMPORTAÇÃO. CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS. Incide Cofins Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação de serviços prestados, sendo irrelevante que esta atividade esteja vinculada a contrato de transferência de tecnologia.
COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Se a contribuinte, mesmo intimada e reintimada, não esclarece quais são as parcelas dos valores pagos a residentes ou domiciliados no exterior referentes à transferência de tecnologia e quais são as referentes à contraprestação de serviços prestados, correto o arbitramento da base de cálculo com fundamento na proporção dos objetos do contrato.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 3401-005.079
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para acolher a base de cálculo no patamar de 2/9 do valor do contrato, na forma determinada pela fiscalização, e prevista no art. 7o, II, da Lei no 10.865/2004; e (ii) por maioria de votos, para reconhecer (ii1) que incidem as contribuições sobre rubricas constantes no contrato em análise (serviços de assistência técnica e não técnica / assessoria), vencidos os conselheiros André Henrique Lemos e Cássio Schappo; e (ii2) o cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS. Incide PIS/Pasep Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação de serviços prestados, sendo irrelevante que esta atividade esteja vinculada a contrato de transferência de tecnologia. PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Se a contribuinte, mesmo intimada e reintimada, não esclarece quais são as parcelas dos valores pagos a residentes ou domiciliados no exterior referentes à transferência de tecnologia e quais são as referentes à contraprestação de serviços prestados, correto o arbitramento da base de cálculo com fundamento na proporção dos objetos do contrato. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/03/2007, 23/04/2007, 24/05/2007, 25/06/2007, 25/07/2007, 28/08/2007, 26/09/2007, 30/10/2007, 28/11/2007, 29/11/2007, 20/12/2007, 21/12/2007 COFINS IMPORTAÇÃO. CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS. Incide Cofins Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 29 /2 01 2- 38 Fl. 514DF CARF MF 2 como contraprestação de serviços prestados, sendo irrelevante que esta atividade esteja vinculada a contrato de transferência de tecnologia. COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Se a contribuinte, mesmo intimada e reintimada, não esclarece quais são as parcelas dos valores pagos a residentes ou domiciliados no exterior referentes à transferência de tecnologia e quais são as referentes à contraprestação de serviços prestados, correto o arbitramento da base de cálculo com fundamento na proporção dos objetos do contrato. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso; (i) por unanimidade de votos, para acolher a base de cálculo no patamar de 2/9 do valor do contrato, na forma determinada pela fiscalização, e prevista no art. 7o, II, da Lei no 10.865/2004; e (ii) por maioria de votos, para reconhecer (ii1) que incidem as contribuições sobre rubricas constantes no contrato em análise (serviços de assistência técnica e não técnica / assessoria), vencidos os conselheiros André Henrique Lemos e Cássio Schappo; e (ii2) o cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo parcialmente, com ênfase no que interessa a demanda, o relatório que consta no acórdão DRJ recorrido: Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 515 3 Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep Importação (fls. 321/327 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), no montante total de R$ 1.701.824,19, e da Cofins Importação (fls. 328/334), no montante total de R$ 7.838.705,07, incidentes sobre a importação de serviços nas seguintes datas: 23/03/2007, 23/04/2007, 24/05/2007, 25/06/2007, 25/07/2007, 28/08/2007, 26/09/2007, 30/10/2007, 28/11/2007, 29/11/2007, 20/12/2007, 21/12/2007. Os auditores fiscais, no Termo de Constatação Fiscal (fls. 337/346), após narrarem o início da fiscalização e as intimações que foram feitas durante o procedimento fiscal à contribuinte, solicitando documentos e esclarecimentos, fundamentaram a lavratura dos autos de infração nos seguintes termos: Em 15/02/2012 foi entregue o Termo de Intimação n° 08, que solicitou, relativamente ao contrato NESTEC: contratos de câmbio, DARFs, faturas e quanto ao item 32, especificamente na definição de knowhow lá presente, definição de parcela de pagamento referente à assistência técnica e não técnica, já que o termo knowhow abrange alguns serviços também, conforme explicaremos a seguir. Em resposta apresentou diversos esclarecimentos, dos quais transcrevemos alguns e pediu prorrogação de prazo, a qual foi concedida para dia 07/03/2012: “...o único objeto do Contrato relacionado à obrigação de pagamento é o fornecimento de tecnologia não patenteada, na forma, principalmente, de documentos e orientação recebidas pelas diversas áreas da peticionaria dos centros de pesquisa e desenvolvimento das cedentes, localizados no exterior. As figuras de treinamento e prestação de serviços contidas no contrato são essencialmente acessórias em relação ao fornecimento de tecnologia. ...resta claro que toda e qualquer eventual assistência ou treinamento prestado pelas cedentes ocorre a título gratuito, até porque, repisese, jamais houve qualquer autorização do INPI para remessa de valores a título de prestação de serviços (SAT), o que estaria condicionado, conforme exigência do próprio Instituto, à decomposição dos valores devidos a esse título de acordo com os valores homem hora ou homemdia dos técnicos”. Considerando que não foi atendida plenamente a Intimação n° 08 , a autuada foi reintimada a apresentar a parcela de pagamento referente à assistência técnica e não técnica, existente no contrato na definição de Knowhow, requeridos para o fornecimento e/ou implementação do knowhow, com documentação comprovando tal índice. Em reposta apresentou dados relativos ao reembolso de despesas dos serviços prestados por técnicos estrangeiros, e que não foi utilizado nesta autuação. Não apresentou o que havia sido solicitado no Termo de Intimação n° 10, ou seja, a divisão percentual entre a parte técnica e serviços existente no contrato. Fl. 516DF CARF MF 4 DO CONTRATO OBJETO DA AUTUAÇÃO: NESTEC Trata se de contrato em que a Nestlé Brasil Ltda. figura como licenciada e as empresas NESTEC S.A., Nestlé S.A. e SPN como licenciantes (a NESTLÉ SA de direitos de propriedade intelectual do Grupo Nestlé, a SPN das marcas registradas e patentes e a NESTEC figurando com a missão de desenvolver um acervo considerável de knowhow, (definido mais adiante) através das atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos, com uma rede mundial de laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento, fábricaspiloto, estações de teste além de atividades relacionadas com aspectos de manufatura, processo, controle, embalagem, marketing, distribuição e venda de produtos) e que tem como objeto: a concessão de licença exclusiva dos direitos de utilização de marcas e patentes; assegurar o acesso exclusivo ao knowhow. DA REMUNERAÇÃO De acordo com a cláusula 32, a título de REMUNERAÇÃO, o contrato prevê cobrança de taxa de licença somente no que tange à licença/fornecimento de know how, à NESTEC, de 4% (quatro por cento) das vendas líquidas de todos os produtos vendidos. NÃO É DEVIDA remuneração pela utilização de Marcas e/ou Patentes. A cláusula item 34, (a), prevê que a Nestlé Brasil pagará ou reembolsará, além da taxa de licença acima citada, as despesas de viagem e estadia para representantes da licenciante que venham ao Brasil para fins do disposto na cláusula 28 do contrato, ou seja, despesas relativas ao pessoal técnico necessário para o fornecimento do knowhow. Esclarece, ainda, que tais despesas “estão incluídas no percentual de 4% devido à Licenciante, conforme cláusula 32 do contrato”. Entendese, portanto, que sem prejuízo do disposto na cláusula 32, o VALOR DEVIDO TOTAL da remuneração é limitado à taxa de 4% das vendas líquidas. DO REGISTRO NO INPI O contrato em questão foi levado a registro no INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob o tipo Contrato de Fornecimento de Tecnologia, que, segundo o sítio www.inpi.gov.br, está definido como : “Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparados por direitos de propriedade industrial, destinados à produção de bens industriais e serviços. Esses contratos deverão conter uma indicação perfeita do produto, bem como o setor industrial em que será aplicada a tecnologia. O objeto da contratação deverá ser detalhado com clareza. Os contratos de Fornecimento de Tecnologia deverão conter uma identificação perfeita dos produtos e/ou processos, bem como o setor industrial em que será aplicada a tecnologia. DO TERMO KNOWHOW DO CONTRATO A cláusula 1 Das Definições, externou a abrangência do termo KNOWHOW perante o presente contrato, de forma abrangente, que transcrevemos abaixo, na íntegra: “O termo “ knowhow” significará todas as informações e dados técnicos ou não técnicos, não considerados de domínio público, capazes ou não de serem patenteados, desde que passíveis de aplicação para a fabricação de produtos alimentares destinados ao consumo humano ou por animais domésticos, assim como os processos técnicos e não técnicos a eles relacionados, incluindo todos os processos secretos da LICENCIANTE, segredos de fábrica, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 516 5 fórmulas e outros segredos industriais relativos à experiência industrial, comercial ou científica, incluindose ainda os processos e assistência técnica e não técnica requeridos para o fornecimento e/ou implementação do Knowhow, que a LICENCIANTE, em seu devido tempo, poderá prestar, fornecer ou viabilizar para a LICENCIADA na medida do necessário para a sua própria fabricação ou no caso de industrialização por encomenda, incluindose assessoria no que se refere a processos, controle, embalagem, armazenagem, fornecimento, importação, exportação, marketing, promoção, distribuição e/ou comercialização do Produtos, os quais foram desenvolvidos pela/para ou foram disponibilizados para a LICENCIANTE.” KNOWHOW PERANTE A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Em relação aos contratos de tecnologia, a legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”), ao dispor sobre a dedutibilidade das importâncias pagas a título de royalties e remuneração por transferência de tecnologia, no art. 355, § 3º do Regulamento do Imposto de Renda, instituído pelo Decreto n° 3.000/99, faz distinção ao categorizar os contratos em (i) exploração ou cessão de patentes; (ii) uso ou cessão de marcas , e (iii) transferência de tecnologia , incluindose entre estes últimos os de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes , projetos ou serviços técnicos especializados . Já o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), órgão responsável pela execução de normas que regulam a propriedade industrial, elenca os contratos que impliquem em transferência de tecnologia da seguinte forma: (i) os contratos de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marca); (ii) os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e ainda (iii) os contratos de franquia. A legislação do IRPJ não traz especificações ou distinções entre os contratos de transferência ou fornecimento de tecnologia e os contratos de assistência técnica, enquadrando ambos no conceito geral de transferência de tecnologia . Terminologias à parte, passaremos agora a tratar dos conceitos embutidos no contrato Nestlé, importantes para a análise dos aspectos tributários em questão. Este contrato visa a transferência a outra pessoa, durante prazo determinado, de conhecimentos, técnicas, processos de fabricação não patenteados, ou seja, “ knowhow”. O CONCEITO DE KNOW HOW apresentado no contrato, transcrito acima, traz itens adicionais relativos à prestação de serviço, quando cita: “processos e assistência técnica e não técnica requeridos para o fornecimento e/ou implementação do knowhow, que a LICENCIANTE, em seu devido tempo, poderá prestar, fornecer ou viabilizar para a LICENCIADA na medida do necessário para a sua própria fabricação ou no caso de industrialização por encomenda, incluindose assessoria no que se refere a processos, controle, embalagem, armazenagem, fornecimento, importação, exportação, marketing, promoção, distribuição Fl. 518DF CARF MF 6 e/ou comercialização do Produtos.” Estes itens amoldamse perfeitamente na hipótese de incidência de PIS e COFIS Importação de Serviços. Portanto, relativamente aos tributos envolvidos na operação, não importa a classificação, o tipo do contrato, mas somente as operações nele envolvidas. Se no contrato há previsão de transferência de tecnologia, hipótese em que não incide PIS e COFINS, e também há previsão de importação de serviços, hipótese em que há incidência de PIS e COFINS, haverá a necessidade de separar os valores de cada um, para a correta alocação da base de cálculo. DOS SERVIÇOS PRESENTES NO CONCEITO DE KNOW HOW DO CONTRATO Entendemos ser improcedente a afirmação da autuada de que : "...o único objeto do Contrato relacionado à obrigação de pagamento é o fornecimento de tecnologia não patenteada, na forma, principalmente, de documentos e orientação recebidas pelas diversas áreas da peticionaria dos centros de pesquisa e desenvolvimento das cedentes, localizados no exterior. As figuras de treinamento e prestação de serviços contidas no contrato são essencialmente acessórias em relação ao fornecimento de tecnologia. ...resta claro que toda e qualquer eventual assistência ou treinamento prestado pelas cedentes ocorre a titulo gratuito, até porque, repisese, jamais houve qualquer autorização do INPI para remessa de valores a título de prestação de serviços (SAT), o que estaria condicionado, conforme exigência do próprio Instituto, à decomposição dos valores devidos a esse título de acordo com os valores homemhora ou homemdia dos técnicos. ...o único objeto do contrato relacionado à obrigação de pagamento é o fornecimento de tecnologia não patenteada, na forma, principalmente, de documentos e orientações recebidas pelas diversas áreas técnicas da peticionária dos centros de pesquisa e desenvolvimento das cedentes, localizados no exterior ... as figuras de treinamento e prestação de serviços contidas no contrato são essencialmente acessórias em relação ao fornecimento de tecnologia'' O contrato previu o pagamento de 4% das vendas líquidas para a transferência de knowhow da NESTEC para a Nestlé Brasil Ltda., e incluiu no conceito de knowhow a ser transferido, além das informações e dados técnicos, além dos processos técnicos, além dos segredos de fábrica, além das fórmulas e dos segredos industriais, serviços de assistência técnica e não técnica e assessoria conforme transcrevemos novamente abaixo, o texto extraído do contrato, grifado: (...) Assim, diferente da explicação da autuada, qualquer eventual assistência ou treinamento prestado pelas cedentes, se referentes a knowhow, NÃO ocorre a título gratuito, o valor de tal assistência já está incluso nos 4% remetidos como pagamento do contrato. Também não procede a informação da autuada de que o único objeto do contrato relacionado à obrigação de pagamento é o fornecimento de tecnologia não patenteada, na forma, principalmente, de documentos e orientações recebidas pelas diversas áreas técnicas da peticionaria dos centros de pesquisa e desenvolvimento das cedentes, localizados no exterior, visto que o conceito de knowhow exaustivamente citado é muito mais abrangente, e inclui diversos itens de serviços como objeto do contrato. Resumindo, entendemos que o contrato abrange todo o Fl. 519DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 517 7 conhecimento técnico, os segredos, as fórmulas, os processos industriais, enfim, a tecnologia, além da assistência e assessoria de pessoal capacitado para transferir os conhecimentos que somente a NESTEC detém. DO PIS IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS e COFINS IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS : A Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, instituiu a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços – PIS/PASEP – Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com seu artigo 3º delimitando o fator gerador : “Art. 3° O fato gerador será: (...)II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.(Grifamos) Os contribuintes das contribuições são definidos no artigo 5º da Lei 20.865/2004: “Art. 5° São contribuintes: (...) II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; (...)” (Grifamos) A base de cálculo da contribuição é definida pela mesma lei no seu artigo 7, inciso II : “Artigo 7° (...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3° desta Lei."; (Grifamos) (...) DA BASE DE CÁLCULO A base de cálculo, de acordo com o artigo 7°II , é o valor antes da retenção do imposto de renda. Isto é, visto que o remetente assumiu o ônus de imposto devido, a base de cálculo é o valor estrangeiro remetido, reajustado conforme artigo 725 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR1999) . O contrato inclui também serviços dentro de seu escopo principal, como demonstrado no texto a seguir extraído do conceito de knowhow do contrato: “...os processos e assistência técnica e não técnica requeridos para o fornecimento e/ou implementação do knowhow, que a LICENCIANTE, em seu devido tempo, poderá prestar, fornecer ou viabilizar para a LICENCIADA na medida do necessário para a sua própria fabricação ou no caso de industrialização por encomenda, incluindose assessoria no que se refere a processos, controle, embalagem, armazenagem, fornecimento, importação, exportação, marketing, promoção, distribuição e/ou comercialização do Produtos...”, porém não prevê, dentro dos 4% a serem remetidos como pagamento, a separação dos valores remetidos a título de conhecimentos e técnicas dos valores remetidos a título de serviços; não discrimina separadamente os valores remetidos correspondentes a cada parcela nem nas faturas. A fiscalizada foi intimada e reintimada a apresentar a individualização retratada acima, porém não o fez. Mesmo havendo a possibilidade, consideramos ser exagero aplicar neste caso a decisão da Solução de Divergência COSIT n° 11/2011, de autuar o valor total do contrato quando o mesmo não é claro Fl. 520DF CARF MF 8 para individualizar os valores de royalties pagos relativos a serviços técnicos e relativos a assistência técnica, e optamos por considerar matéria tributável somente a parcela referente aos serviços, já que neste caso a parcela de serviços é inferior à parcela de assistência técnica, como demonstraremos a seguir. (...) DO RATEIO Diante da necessidade da separação da devida base de cálculo na parte relativa aos serviços prestados, partiu se para metodologia de rateio a seguir : O termo KNOWHOW definido no contrato NESTECNESTLE compreende os seguintes itens para FABRICAÇÃO de produtos alimentares, incluindose neles todos os processos secretos, segredos de fábrica, fórmulas, outros segredos industriais relativos a experiência industrial, comercial ou científica: 1 Informações Técnicas ; 2 Informações não Técnicas ; 3 Dados técnicos ; 4 Dados não técnicos ; 5 Processos técnicos ; 6 Processos não técnicos Incluindose, ainda, para o FORNECIMENTO E/OU IMPLEMENTAÇÃO do knowhow: 7 Processos; 8 Assistência Técnica ; 9 Assistência não técnica. Destes 9 itens, consideramos somente 2 como serviços: assistência técnica e Assistência não técnica, os quais incluem assessoria no que se refere a processos, controle, embalagem, armazenagem, fornecimento, importação, exportação, marketing, promoção, distribuição e/ou comercialização dos produtos . Assim, dos valores remetidos ao exterior como pagamentos referentes a este contrato, consideraremos 2/9 (dois nove avos) como valores referentes a serviços (...). Cientificada dos autos de infração em 21/03/2012, a contribuinte apresentou impugnação em 20/04/2012 (fls. 402/437), na qual alega, em síntese, que: • diferentemente do que concluíram os auditores fiscais, não incidem o PIS/Pasep e a Cofins instituídos pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, sobre os supostos serviços de assistência técnica e assistência não técnica, já que tais atividades integram o contrato de knowhow, sobre o qual indiscutivelmente não incidem as referidas contribuições, consistindo em meras atividadesmeio não remuneradas, não autônomas em relação ao contrato, e, como tais, impassíveis de tributação por essas contribuições; • o objeto do contrato de knowhow é a transferência, por tempo determinado, de um bem imaterial, sendo certo que no caso concreto os próprios autuantes reconhecem expressamente que o contrato celebrado pela impugnante tem tal natureza e tais características. Logo, esse contrato não representa uma obrigação de fazer, não podendo, pois, ser caracterizado como serviço, razão pela qual não está no campo de incidência do PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação, como, aliás, foi reconhecido pela própria Administração Tributária por meio da Solução de Consulta nº 64, de 10/02/2010, da Disit da 8ª Região Fiscal; • tanto a assistência técnica quanto a assistência não técnica em questão integram substancialmente o contrato de knowhow, não podendo ser artificialmente segregados como se serviços Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 518 9 autônomos fossem, apenas para permitir a incidência das contribuições instituídas pela Lei nº 10.865, de 2004. Essas atividades consistem em meras atividades meio para o cumprimento do objeto do contrato de knowhow, não cabendo, pois, a incidência das contribuições, como tem decidido o Superior Tribunal de Justiça em situações análogas ao tratar da incidência de ISS; • diferentemente da conclusão dos auditores fiscais, é justamente o fato de que o valor de tal assistência já está incluso nos 4% remetidos como pagamento do contrato que reforça o caráter acessório dessas atividades; • a inexistência de pagamento relativo às atividades de assistência técnica e assistência não técnica foi afirmada pelo próprio INPI, que expressamente confirmou: (...) o entendimento de que a averbação por este instituto não autorizou qualquer remessa a título de prestação de serviços de assistência técnica (SAT) e que os valores autorizados referemse ao pagamento pela tecnologia fornecida ( knowhow), conforme previsto na Cláusula 32 do acordo (cf. documento anexado aos autos); • o lançamento de ofício é nulo porque o arbitramento efetuado pelos autuantes não seguiu qualquer critério lógico, sendo que eles ainda, sem dar qualquer justificativa razoável, se recusaram a receber informações fornecidas pela contribuinte pertinentes aos custos das atividades de assistência técnica e assistência não técnica; • os auditores fiscais adotaram a premissa de que o valor correspondente à assistência técnica e à assistência não técnica seria igual ao valor dos demais itens do contrato de knowhow. Não é crível que o imenso valor dos outros itens do contrato possa ser igualado ao diminuto valor de atividades que correspondem a meras assessorias técnicas e não técnicas, cuja utilidade para a autuada decorre única e exclusivamente da transferência temporária dos processos, segredos e fórmulas. Ou seja, não é concebível que à assistência não técnica acessória ao contrato de knowhow seja atribuído o mesmo peso em termos de valores do que é atribuído aos processos técnicos envolvidos na fabricação de todos os produtos da Nestlé; • considerandose que as assessorias se dão mediante a ocorrência de treinamentos dos funcionários da impugnante no Brasil ou no exterior, há de se frisar que mesmo tendo sido apresentado aos auditores fiscais a relação dos participantes dos treinamentos, bem como os lançamentos contábeis referentes aos pagamentos de cada contrato de câmbio, onde se demonstra que todos os valores envolvidos nos treinamentos constantes nas “invoices”, estão devidamente contabilizados”, tais documentos foram devolvidos porque supostamente não eram necessários para o trabalho fiscal; • considerandose que o custo da contribuinte com as assessorias deveria ter sido levado em conta para o arbitramento dos valores a elas correspondentes, e que, de acordo com o art. 148 Fl. 522DF CARF MF 10 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o arbitramento só é possível quando forem omissos ou não mereçam fé as declarações ou esclarecimentos prestados, não é correta a atitude dos auditores fiscais de negar o recebimento e a avaliação dos elementos apresentados, hipótese em que deveria, pelo menos, ter – depois de recebidos e avaliados tais documentos – sido justificado por que eles não deveriam ser considerados na apuração das contribuições; • mesmo que fosse válido o lançamento de ofício, não poderia ser cobrado todo o valor constituído, pois: o a regra do art. 725 do RIR/99 não pode ser aplicada ao caso concreto por absoluta falta de base legal; o a CofinsImportação e o PIS/Pasep Importação deveriam quando muito incidir sobre o valor pago ou remetido a título de remuneração decorrente dos serviços técnicos prestados pela Nestlé Globe Inc, sem reajustamento da base de cálculo; o é inconstitucional a inclusão do ISS e do valor das próprias contribuições na base de cálculo do PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação; • a Lei nº 10.865, de 2004, constitui norma legal autônoma, de modo que não se aplica ao PIS/Pasep Importação e à Cofins Importação o disposto no art. 725 do RIR/99 e nos dispositivos de lei que lhe servem de fundamento. Por outro lado, essa lei nada dispôs acerca do reajustamento da base de cálculo das contribuições por ela instituídas, ou seja, não prescreveu a inclusão do valor do IR Fonte mesmo na situação em que a fonte pagadora assuma seu ônus; • muito embora o art. 7º, inciso II, da Lei nº 10.865, de 2004, defina a base de cálculo do PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação como sendo o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3º desta Lei, tratase de questão absolutamente diversa, inerente à base de cálculo dessas contribuições, que nada tem a ver com a assunção ou não do ônus do IRPJ pela fonte pagadora; • mesmo naqueles casos em que a fonte assume o ônus do IRF, já em três ocasiões a Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 6ª Região Fiscal confirmou o acerto da interpretação da legislação tributária no sentido de não reajustar a base de cálculo; • enquanto o contribuinte do PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação é a fonte pagadora no país, o contribuinte do IRF, por outro lado, é o beneficiário no exterior, de modo que a base de cálculo das contribuições em causa deve corresponder ao valor efetivamente pago, creditado, entregue, empregado ou remetido a residente e domiciliado no exterior, sem considerar o IRF; • a regra constante do art. 7º, inciso II, da Lei nº 10.865, de 2004, não pode servir de base para a inclusão do ISS e das próprias contribuições na base de cálculo do PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação dada sua flagrante Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 519 11 inconstitucionalidade na parte em que permite a incidência das contribuições sobre valores diversos do montante efetivamente pago pelos serviços. Com efeito, o art. 1º da Lei nº 10.865, de 2004, expressamente menciona como fundamento constitucional das contribuições em tela o art. 149, § 2º, inciso II, da Constituição Federal, que fixou como base de cálculo das contribuições sociais o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação o valor aduaneiro. O art. 77 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 2002), por sua vez, não prevê entre os custos que integram o valor aduaneiro nenhum valor a título de tributos. Já o art. 1º do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Acordo de Valoração Aduaneira) define valor aduaneiro como sendo o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8º, não existindo, também aqui, previsão para a inclusão de nenhum tributo no valor aduaneiro. Nesse contexto, não poderiam as contribuições instituídas pela Lei nº 10.865, de 2004, incidir sobre base de cálculo diversa do valor efetivamente pago pelo serviço originado no exterior; • embora a impugnante não desconheça que não é dado ao julgador administrativo federal afastar a aplicação de norma tributária sob a alegação de sua inconstitucionalidade, tal regra não se aplica, nos termos do art. 26A, § 6º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, às normas declaradas inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Assim, é relevante o fato de que a legitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação de valores outros que não o preço efetivamente pago terá seu julgamento em breve concluído pelo STF no RE nº 559.937/RS, processo no qual a relatora Ministra Elle Gracie já proferiu voto confirmando a inconstitucionalidade da base de cálculo; • não poderão ser exigidos juros de mora sobre o valor lançado a título de multa de ofício, por falta de previsão legal, entendimento esse que já vem sendo reconhecido pela jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim, a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício (não isolada) não pode prevalecer sob pena de violação não só ao próprio art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mas também aos arts. 5º, inciso II, e 150, inciso I, da Constituição Federal e ao art. 97 do CTN. A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade de votos, pela DRJ São Paulo, acórdão nº 1640204, de 5/07/2012. Em 26/10/2012 o acórdão de impugnação e o termo de intimação nº 2316/2012 foram disponibilizados na caixa postal eletrônica do contribuinte, com prazo final em 10/11/2012 (o dia 26/10/2012 foi uma sextafeira então se inicia a contagem do prazo, de 15 dias, na segundafeira subsequente, sendo o prazo final o dia 12/11/2012). Em 27/11/2012 Fl. 524DF CARF MF 12 foi constatada a abertura dos documentos eletrônicos pelo contribuinte. Em 10/12/2012 o contribuinte protocolou recurso voluntário onde traz basicamente os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e tempestividade, por isso dele tomo conhecimento. Resumidamente a autuação foi efetuada sobre as remessas ao exterior no ano de 2007 relativos ao contrato entre Nestle Brasil (licenciada) e Nestec SA, Nestle SA e SPN (licenciantes). No contrato firmado pelas empresas consta que o objeto é o fornecimento de tecnologia não patenteada, na forma, principalmente de documentos e orientação. E que a remuneração, cláusula 32 do contrato, será efetuada com o pagamento da taxa de licença de 4% sobre as vendas líquidas de todos os produtos vendidos. Essa remuneração é relativa à licença e fornecimento de knowhow, a cargo da empresa Nestec. Segundo a cláusula 32 do contrato estão incluídos no percentual de 4% as despesas relativas a viagem e estadia de pessoal técnico responsável pelo fornecimento do knowhow. A Lei nº 10.865/2004, relativa ao PIS/Pasep e Cofins Importação, traz definições importantes para o deslinde do processo: Art. 3º O fato gerador será: ... II – o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. Art. 5º. São contribuintes: ... II – a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; Art. 7º ... II – o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3º desta Lei. Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 520 13 I – 1,65% para o PISPasep importação; II – 7,6% para a Cofinsimportação. Os valores foram remetidos mensalmente ao exterior, conforme cláusula contratual que estipula o valor de 4% sobre as vendas líquidas. É preciso agora perquirir se os valores são relativos à prestação de serviços, conforme o fato gerador estipulado pela Lei. No contrato, base para a justificativa do envio dos recursos ao exterior, consta que a cobrança da taxa de licença referese ao fornecimento de knowhow, e que está incluída nesta taxa as despesas com viagem e estadia dos técnicos estrangeiros. E foi apurado que sob o termo knowhow está incluído serviços de assistência técnica, não técnica e assessoria. O contrato foi registrado no INPI como contrato de fornecimento de tecnologia, que segundo o órgão são “contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparados por diretos de propriedade industrial, destinados à produção de bens industriais e serviços”. A Cláusula 1 do contrato, intitulada Definições, define knowhow, de forma bem abrangente, como: “O termo “knowhow” significará todas as informações e dados técnicos ou não técnicos, não considerados de domínio público, capazes ou não de serem patenteados, desde que passíveis de aplicação para a fabricação de produtos alimentares destinados ao consumo humano ou por animais domésticos, assim como os processos técnicos e não técnicos a eles relacionados, incluindo todos os processos secretos da LICENCIANTE, segredos de fábrica, fórmulas e outros segredos industriais relativos à experiência industrial, comercial ou científica, incluindose ainda os processos e assistência técnica e não técnica requeridos para o fornecimento e/ou implementação do Knowhow, que a LICENCIANTE, em seu devido tempo, poderá prestar, fornecer ou viabilizar para a LICENCIADA na medida do necessário para a sua própria fabricação ou no caso de industrialização por encomenda, incluindose assessoria no que se refere a processos, controle, embalagem, armazenagem, fornecimento, importação, exportação, marketing, promoção, distribuição e/ou comercialização do Produtos, os quais foram desenvolvidos pela/para ou foram disponibilizados para a LICENCIANTE.” (grifos nossos) Precisamos verificar qual a definição para contratos de fornecimento de tecnologia que interessa a tributação. Por isso nos socorremos da legislação tributária no geral para buscar os conceitos que nos faltam aqui. O regulamento do IRPJ, no art. 355 §3º, Decreto nº 3000/99, esclarece que transferência de tecnologia é considerada a assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados. Ora, resta claro que o contrato entre as empresas Nestle Brasil e Nestec enquadrase na hipótese de incidência do PIS e Cofins – importação de serviços. A fiscalização entendeu, a partir dos conceitos levantados, que o contrato prevê a transferência e o fornecimento de tecnologia, sendo que na transferência de tecnologia não ocorre a incidência do PIS e Cofins importação. Mas também engloba o contrato os Fl. 526DF CARF MF 14 serviços de assistência técnica e não técnica e assessoria, que estariam sujeitos à incidência das contribuições. Comprovado que o contrato abrange um escopo bem amplo a título de know how para justificar o envio dos 4% sobre as vendas líquidas ao exterior, deveremos separar na base de cálculo, os valores que devem servir para a incidência das contribuições, pois demonstrado está que existem outros valores que sofreram a incidência da taxa do contrato e que não estariam sujeitos às contribuições. Apesar de a recorrente ter sido intimada por várias vezes para apresentar os valores discriminados, não logrou apresentálos, o que levou a fiscalização a recorrer ao arbitramento da base de cálculo. A solução de divergência Cosit nº 11/2011 estabelece que deve ser autuado o valor total do contrato quando o mesmo não for claro para individualizar os valores pagos. Apesar dessa determinação normativa, a fiscalização optou por considerar somente matéria tributável a parcela referente aos serviços por ela identificada, que segundo suas constatações seria inferior à parcela de assistência técnica: Diante da necessidade da separação da devida base de cálculo na parte relativa aos serviços prestados, partiuse para metodologia de rateio a seguir : O termo KNOWHOW definido no contrato NESTECNESTLE compreende os seguintes itens para FABRICAÇÃO de produtos alimentares, incluindose neles todos os processos secretos, segredos de fábrica, fórmulas, outros segredos industriais relativos a experiência industrial, comercial ou científica: 1 Informações Técnicas ; 2 Informações não Técnicas ; 3 Dados técnicos ; 4 Dados não técnicos ; 5 Processos técnicos ; 6 Processos não técnicos Incluindose, ainda, para o FORNECIMENTO E/OU IMPLEMENTAÇÃO do Knowhow: 7 Processos; 8 Assistência Técnica ; 9 Assistência não técnica. Destes 9 itens, consideramos somente 2 como serviços: assistência técnica e Assistência não técnica, os quais incluem assessoria no que se refere a processos, controle, embalagem, armazenagem, fornecimento, importação, exportação, marketing, promoção, distribuição e/ou comercialização dos produtos . Assim, dos valores remetidos ao exterior como pagamentos referentes a este contrato, consideraremos 2/9 (dois nove avos) como valores referentes a serviços (...). Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 521 15 A recorrente alega em sua defesa que o objeto do contrato é transferência por tempo determinado de um bem imaterial, e como esse contrato não representa uma obrigação de fazer não estaria no campo de incidência das contribuições, entretanto conforme foi demonstrado acima o escopo do objeto do contrato é muito mais amplo, englobando serviços de assistência técnica, não técnica e assessoria. E também contesta a tributação desses serviços já que para a recorrente seria atividademeio e não remunerada. Ao contrário do afirmado pela recorrente, consta no próprio contrato que essas atividades estão englobadas pela taxa de licença de 4%, sendo, portanto, remuneradas. E a Lei nº 10865/2004 não faz distinção entre atividades principal ou acessória, mas apenas estabelece que o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores esta no campo de incidência das contribuições. A DRJ enfrentou todas as questões levantadas pela recorrente em sede de impugnação, não foram acrescentadas novas razões no recurso voluntário, e conforme §3º do art. 57 do RICARF, confirmo e acompanho a decisão recorrida por entender que o acórdão recorrido logrou contestar todas as alegações de forma efetiva. Sobre a jurisprudência do STJ, demonstrou que não havia relação com o caso em análise e também informou que a empresa não contestou a existência dos serviços. Sobre os conceitos adotados pelo INPI, demonstrou que os conceitos utilizados pelo instituto não influem na ocorrência do fato gerador constatado. Quanto a base de cálculo adotada esclareceu que só foi efetuado o arbitramento após tentativas infrutíferas de obter a informação do contribuinte, e que utilizou critérios lógicos e favoráveis ao contribuinte. No que tange à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça citada pela impugnante, ela não tem implicação no caso presente porque não se refere ao PIS/Pasep Importação e à Cofins Importação, mas ao Imposto Sobre Serviços. Naquela jurisprudência a questão não é se incide ou não imposto, mas sim qual imposto incide, ou seja, mesmo que o ISS nos casos ali tratados não fosse devido, o sujeito passivo ainda permaneceria devedor do ICMS sobre o total da operação. Nesse ponto, vale dizer ainda que, apesar de a impugnante utilizar o termo “supostos” para se referir aos serviços de assistência técnica e não técnica (fl. 404), ela não faz nenhuma contestação específica contra a existência de tais serviços. Pelo contrário, pelo resto de sua impugnação fica sempre implícito que tais serviços ocorreram. E de fato é esse mesmo o caso, uma vez que a contribuinte até apresentou dados relativos ao reembolso de despesas dos serviços prestados por técnicos estrangeiros, cuja não utilização pelos auditores fiscais foi inclusive alvo de contestação na impugnação, a qual será mais adiante apreciada. Em relação ao documento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial juntado pela contribuinte à fl. 441, basta dizer que o fato de esse instituto não ter autorizado nenhuma remessa a título de prestação de serviços de assistência técnica não implica que essa remessa não tenha sido feita. Como já exposto, a ocorrência dos serviços de assistência técnica e não técnica e de assessoria não foi em nenhum momento questionada e, por sua Fl. 528DF CARF MF 16 vez, o pagamento previsto na cláusula 32 inclui, com certeza, a remuneração dos serviços prestados, uma vez que esses estão subentendidos no termo knowhow, como este está definido no próprio contrato (fls. 153/154). No que diz respeito à base de cálculo, não tem procedência a alegação de que o lançamento de ofício seria nulo porque o arbitramento efetuado pelos autuantes não teria seguido nenhum critério lógico. Isso porque o critério utilizado é claramente lógico: o objeto do contrato se divide em nove itens, sendo dois deles referentes a serviços de assistência técnica e não técnica e de assessoria; dividiuse, então, o total pago por nove e multiplicouse por dois para apurar o valor proporcional aos serviços. Ademais, a contribuinte foi intimada (fls. 200/201) e reintimada (fl. 209/210) a definir a parcela de pagamento que fosse referente aos serviços de assistência técnica e não técnica requeridos para o fornecimento e/ou a implementação do know how, com documentação que comprovasse tal índice, e em nenhuma dessas ocasiões fez o que lhe foi solicitado. Com efeito, à primeira intimação, ela respondeu (fls. 202/204) apenas com argumentos que repetiu posteriormente em sua impugnação, quais sejam que o único objeto do contrato com a Nestec seria o fornecimento de tecnologia, que as figuras de treinamento e prestação de serviços seriam essencialmente acessórias, que o próprio INPI averbou o contrato exclusivamente na categoria de FT (Fornecimento de Tecnologia). Esses argumentos, como já visto, não têm procedência. Assim, restou não atendida a solicitação de demonstrar a parcela do pagamento de quatro por cento que seria correspondente a essa prestação. Em resposta à segunda intimação, como informam os auditores fiscais no Termo de Constatação Fiscal, a contribuinte apresentou dados relativos ao reembolso de despesas dos serviços prestados por técnicos estrangeiros, e que não foi utilizado nesta autuação. A esse ponto se refere a alegação da impugnante de que os auditores fiscais teriam se recusado a receber informações fornecidas por ela pertinentes aos custos das atividades de assistência técnica e assistência não técnica. Alega também que mesmo tendo apresentado aos autuantes a relação dos participantes dos treinamentos, bem como os lançamentos contábeis referentes aos pagamentos de cada contrato de câmbio, onde se demonstra que todos os valores envolvidos nos treinamentos constantes nas “invoices”, estão devidamente contabilizados”, tais documentos foram devolvidos porque supostamente não eram necessários para o trabalho fiscal. A respeito dessas alegações devese ressaltar que a impugnante, ao contrário do que preconiza o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não trouxe nenhuma prova de sua alegação de que os auditores fiscais teriam se recusado a receber informações pertinentes aos custos das atividades de assistência técnica e não técnica. Talvez a alegação da autuada seja mesmo no sentido de desconsideração de informações apresentadas, o que se coaduna com o relato dos autuantes e com o que ela própria alega em referência aos treinamentos. Feito esse destaque, digase que, tivesse realmente a contribuinte apresentado esses documentos, como alega ter feito, não haveria Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 522 17 razão para os autuantes têlos desconsiderados. Entretanto, o que os auditores fiscais relataram no Termo de Constatação Fiscal é que a autuada apresentou dados relativos ao reembolso de despesas dos serviços prestados por técnicos estrangeiros. Logo, não se tratava dos custos das atividades de assistência técnica e não técnica, nem tampouco da demonstração de todos os valores envolvidos nos treinamentos efetuados. Novamente aqui deve se destacar que a impugnante não faz prova do que alega, nem tampouco junta aos autos esses documentos que teriam sido recusados/ desconsiderados. E especificamente quanto ao motivo de os autuantes terem desconsiderado tal reembolso de despesas, ele é logicamente decorrente do fato de que a cláusula 34 do contrato (fl. 164) determina que a contribuinte deve pagar ou reembolsar as despesas de viagem e estada (inclusive passagens aéreas de ida e volta), relacionadas às atividades previstas no contrato, para os representantes da Nestec, mas que tais despesas estão incluídas no percentual de quatro por cento. Ora, se tais reembolsos estão incluídos nos quatro por cento pagos pela autuada à Nestec, não se faz necessária a sua comprovação, pois, quando fosse demonstrada a parcela desse percentual correspondente aos serviços de assistência técnica e não técnica e de assessoria, eles já estariam aí incluídos. Em suma, apesar de intimada e reintimada a definir a parcela de pagamento que fosse referente aos serviços de assistência técnica e não técnica requeridos para o fornecimento e/ou a implementação do knowhow, com documentação que comprovasse tal índice, em nenhuma dessas ocasiões a contribuinte fez o que lhe foi solicitado, razão pela qual não restou outra alternativa aos auditores fiscais se não arbitrarem o valor da base de cálculo a partir de um critério, que, digase, foi mais favorável à autuada do que aquele que preconizava o entendimento da RFB exposto por meio da Solução de Divergência Cosit n° 11/2011: [...] Dessa forma, revelamse sem fundamento as alegações da contribuinte contra o procedimento adotado pelos auditores fiscais. Vale ressaltar mais uma vez que o que os levou a adotarem tal procedimento foi simplesmente a recusa da autuada em atender ao que lhe foi solicitado, ou seja, definir a parcela de pagamento que fosse referente aos serviços de assistência técnica e não técnica requeridos para o fornecimento e/ou a implementação do knowhow, com documentação que comprovasse tal índice. Com relação à aplicação ao caso concreto da regra do art. 725 do RIR/99, igualmente revelamse sem fundamento as alegações da contribuinte. Isso porque tal aplicação não foi feita arbitrariamente pelos auditores fiscais, mas simplesmente em estrito cumprimento ao determinado pelo art. 7, inciso II, da Lei nº 10.865, de 2004: [...] Para cumprir o determinado nesse dispositivo, o primeiro passo dos autuantes foi apurar qual o valor pago antes da retenção do imposto de renda na fonte, cuja alíquota, segundo o art. 2ºA da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, era quinze por cento: [...] Fl. 530DF CARF MF 18 De acordo com a cláusula 33 do contrato com a Nestec (fl. 163), o ônus do imposto de renda na fonte devido era da autuada: 33. Tributos Todo e qualquer tributo devido ou pagável no Território em relação à remuneração estipulada na Cláusula 32 deste instrumento, correrá por conta da LICENCIANTE. Logo, o valor remetido ao exterior era líquido, ou seja, já descontado do imposto de renda. Por isso, para apurar o valor bruto, isto é, antes da retenção do imposto de renda, devese sim fazer o reajustamento nos termos do art. 725 do RIR/99: [...] Não procede a alegação da impugnante de que não existiria base legal para o procedimento dos auditores fiscais ou mesmo que a Lei nº 10.865, de 2004, seria norma legal autônoma, não podendo ser aplicado o art. 725 do RIR /99 no caso em tela. E não tem sentido porque é exatamente essa lei que, em seu art. 7º, inciso II, remete ao RIR/99 para que se apure o valor bruto antes da retenção do imposto de renda, ao determinar que a base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação será o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições (destaque acrescido). Nada socorre à autuada se referir a decisões da Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 6ª Região Fiscal que não se reportam às contribuições aqui exigidas. Com efeito, as decisões citadas por ela na impugnação dizem respeito especificamente à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, não tendo nenhuma implicação na exigência do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Assim, tendo o procedimento fiscal de reajustar o valor remetido ao exterior sido decorrência do estrito cumprimento da legislação, revelamse, como dito, improcedentes as alegações da impugnante. No tocante a parte do acórdão recorrido que trata da inclusão das próprias contribuições na base de cálculo, acompanho o pronunciamento da DRJ: No tocante à alegação de inconstitucionalidade da regra constante do art. 7º, inciso II, da Lei nº 10.865, de 2004, de inclusão do ISS e das próprias contribuições na base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, não pode esta Turma de Julgamento apreciála. A própria impugnante ressalta que não desconhece que em sede de processo administrativo, são vedadas as discussões em torno da suposta inconstitucionalidade da legislação, como determina o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 26A, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: Art.26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal dispositivo decorre de que a declaração de inconstitucionalidade de lei é matéria afeta aos órgãos competentes do Poder Judiciário, tanto por meio do controle difuso como pelo concentrado, ressaltandose que, neste último caso, a competência é exclusiva da Suprema Corte, conforme expresso no art. 102, inciso I, alínea a, da Constituição Federal. No âmbito do procedimento administrativo tributário, Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16561.720029/201238 Acórdão n.º 3401005.079 S3C4T1 Fl. 523 19 cabe exclusivamente verificar se o ato praticado pelo agente está, ou não, conforme a legislação, sem emitir juízo da legalidade ou da constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ressaltese que tal entendimento é pacífico na jurisprudência administrativa, como comprova a Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda sobre essa questão, observese que, tendo em vista não existir decisão transitada em julgado no RE nº 559.937/RS, citado pela impugnante, não se aplica aqui o disposto no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009. Quanto a aplicação dos juros de mora sobre o valor da multa de ofício, acompanho o julgado pelo acórdão da DRJ por ser esse entendimento que adoto em todos os julgamentos que tratam do tema: Por fim, no que concerne à alegação referente a juros de mora sobre o valor lançado de multa de ofício, é certo que o crédito tributário aqui constituído corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício. Por essa razão, quando do pagamento, os juros de mora deverão, sim, incidirem também sobre o crédito tributário constituído a título de multa de ofício. Vejase que, ao contrário do que crê a impugnante, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também vem sendo nesse mesmo sentido como se vê pela seguinte ementa do Acórdão nº 9202001.991, da 2ª Turma/CSRF/Carf, sessão realizada em 06/02/2012: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201. 806. Recurso especial negado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 532DF CARF MF 20 Fl. 533DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720014/2011-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2008
RECURSO NÃO CONHECIDO
Não provada a similute fática entre o aresto recorrido e os paradigmas, não se conhece do recurso especial.
Numero da decisão: 9303-007.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 00 14 /2 01 1- 80 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10882.720014/201180 Acórdão n.º 9303007.027 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial do contribuinte (fls. 369/385), admitido pelo Despacho em Agravo (fls. 475/486), contra o Acórdão nº 3302003.053 (fls. 339/354), de 28/01/2016, que negou provimento ao recurso voluntário, e restou assim ementado: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ETIQUETAS DE POLIPROPILENO. PROTETOR DE PAPEL/LINER. Classificamse no código 3919.90.00, as etiquetas de polipropileno, ainda que aderidas a papel protetor do adesivo, que se descarta ao utilizálas, por aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 e 6. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PASTAS DE PAPEL OU CARTÃO COM LOGOMARCA. Classificamse no código 4820.90.00, as pastas de papelão, ainda que identificadas com logomarca, uma vez que a aposição de logomarca possui caráter acessório em relação à utilização original do produto, destinado ao acondicionamento de papéis diversos. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENVELOPES COM LOGOMARCA. Classificamse no código 4817.10.00, os envelopes, ainda que identificados com logomarca, uma vez que a aposição de logomarca possui caráter acessório em relação à utilização original do produto, destinado à correspondência. Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator DO CONHECIMENTO DO RECURSO DO CONTRIBUINTE 1 Classificação fiscal de pastas e envelopes. O contribuinte em seu especial maneja como recurso paradigmático o de nº 3401002.604, alegando "que possuem situações idênticas" com desfecho processual distinto. Aduz que "enquanto no v. acórdão recorrido entendeuse que a personalização de envelopes e pastas não seriam aptas a enquadrar os produtos no Capítulo 49 da TIPI, o v. Acórdão paradigma julgou em sentido oposto, entendendose que a aposição de logotipo e/ou marca não teria mero caráter acessório ao produto". Vejase a ementa do paradigma e voto na parte que importa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10882.720014/201180 Acórdão n.º 9303007.027 CSRFT3 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2007 IPI. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. BEM TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. Deve ser retificada a reclassificação fiscal incorreta imposta pela autoridade fiscal, bem como cancelado o lançado de ofício, quando a classificação fiscal correta leva à tributação com alíquota zero. AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITO. FALTA DE PROVA DE ERRO NA NOTA FISCAL.Quando se trata de auto de infração, é ônus do fisco comprovar o erro ensejador de lançamento na operação do contribuinte. Voto: Da leitura das fls. 1.913 a 1.916, concluise que a Contribuinte é uma indústria gráfica e que os produtos dos quais se diverge quanto à classificação são os seguintes: bloquetos bancários, carnês de pagamento, malas diretas, envelopes de auto atendimento bancário, bilhetes de loteria, extratos de contas de consumo e outros produtos personalizados. A Contribuinte defende a classificação no código 4911.99.00, mas a autoridade fiscal entende que o correto seria a classificação na NCM 4820.90.00. ... Quanto à classificação 49.11, a NESH diz o seguinte: Esta posição compreende todos os artigos impressos (incluídas as fotografias tiradas diretamente), do presente Capítulo (ver as Considerações Gerais), que não se encontrem incluídos nas posições precedentes deste mesmo Capítulo. ... Portanto, é correta a classificação dos bens produzidos pela Contribuinte na posição NCM 4911.99.00, conforme defendido decidido pela DRJ. Conforme consta na tabela NCM, os bens classificados no código 4911.99.00 são tributados à alíquota zero, de modo que não existe IPI a ser lançado de ofício. (grifos do recurso). No item "III.2.1 As razões de reforma do V. Acórdão", o sujeito passivo cita ainda o acórdão 3302001.815 (sessão do dia 26/09/2012), cujo excerto de interesse do voto condutor segue transcrito: Pareceme correto afirmar a partir disso que somente se incluirão no Capitulo 48 os papeis com impressos que tenham caráter acessório a sua utilização original, ou seja, se o impresso que existir no papel der destinação relevante a ele, classificase na posição do capitulo 49. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10882.720014/201180 Acórdão n.º 9303007.027 CSRFT3 Fl. 5 4 No caso das notas fiscais, as ilustrações não têm caráter acessório ao papel, uma vez que são elas que determinam a destinação original da mercadoria que esta sendo produzida.(grifos do recurso) Trago ainda à colação fragmento do voto condutor do acórdão recorrido, também citado pela recorrente, para auxiliar na presente análise: Portanto, a inserção de logomarca de clientes em envelopes e pastas de papel não lhes retira a utilização principal de correspondência ou de pasta para guardar documentos, mas apenas confere uma função acessória de personalização. Não há nos autos indicação de que esta personalização possua a função principal de publicidade ou outro função específica, mas apenas de identificar o encomendante do produto. Não assiste razão à recorrente. Consabido que o recurso especial regimentalmente previsto destinase a uniformização da jurisprudência do CARF quanto à interpretação da legislação tributária, que somente é possível no confronto de situações fáticas/jurídicas idênticas ou muito similares. Tratandose de situações distintas, não há como vislumbrar qualquer divergência. No caso em apreço, os produtos constantes do recorrido não guardam identidade com o dos paradigmas, o que inviabiliza qualquer juízo de eventual dissenso jurisprudencial em relação a correta classificação fiscal. Inicialmente há de se registrar que inexiste nos paradigmas qualquer menção sobre a classificação de pastas de papel, o que de per si já afasta a viabilidade de se falar em divergência quanto a este item. O segundo paradigma citado, na parte transcrita, cuida da classificação de notas fiscais, não guardando qualquer semelhança com os itens da decisão ora guerreada. No que diz respeito a envelopes, o simples cotejo dos fragmentos transcritos permite claramente identificar que não se tratam de mercadorias similares e/ou que cumpram a mesma função. Muito pelo contrário. O paradigma trata de envelopes de autoatendimento bancário, que se prestam unicamente a realização de atividades bancárias (depósitos, pagamentos...), não servindo, por óbvio, para o envio de correspondências. De outra sorte, o recorrido cuida de envelopes de correspondência, contendo a logomarca do cliente. Ou seja, neste caso, a utilização principal do envelope é o uso em correspondências, não sendo esta afastada pela impressão nele presente. A utilização do bem, no caso em análise, implica diretamente na sua classificação. Tratandose de mercadorias distintas, com finalidades próprias, não há como vislumbrar a necessária similitude, hábil a suscitar eventual dissenso jurisprudencial. 2 Classificação fiscal etiquetas. A matéria foi prequestionada, posto que expressamente enfrentada no voto condutor do acórdão recorrido. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10882.720014/201180 Acórdão n.º 9303007.027 CSRFT3 Fl. 6 5 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 30132.075. Vejamos sua ementa e voto, transcritos na parte de interesse ao presente exame, trazidos pela recorrente: CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LANÇAMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional e deve ser efetivado quando a lei assim o determine. Preliminar de nulidade rejeitada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO. Para os efeitos legais, a classificação é determinada, inicialmente, pelos textos das posições e das Notas de Seção e de capítulo. Em caso de dúvida, a posição específica deve prevalecer sobre a mais genérica. Recurso a que se dá provimento para admitir a classificação adotada pela recorrente como correta. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Fragmento do voto: Sendo assim, pela aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, em especial a Regra Geral 1 e a Regra Geral 3, a, que determina que a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições ( por aplicação da Regra 2,b ou por qualquer outra razão), entendo que a classificação adotada pela recorrente foi a correta e que o Fisco foi levado a cometer equívoco pelo laudo emitido pelo LABANA, que não detectou a presença de bromo na substância analisada.(grifos do recurso) Novamente, os produtos presentes no recorrido e paradigma não guardam qualquer identidade, o que impede a verificação de eventual dissenso jurisprudencial, consoante esclarecimentos brindados acima. O paradigma cuida de "resina epóxida", submetida a laudos para verificar sua correta composição e permitir assim a adequada classificação, enquanto que o recorrido analisa a classificação de etiquetas. Portanto, ausente a similitude fática, é de não se conhecer do especial. CONCLUSÃO Ante o exposto, não conheço do recurso especial de divergência do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10882.720014/201180 Acórdão n.º 9303007.027 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10882.720014/201180 Acórdão n.º 9303007.027 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.722972/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2010
DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. ESCRITA CONTÁBIL APRESENTADA PELA CONTRIBUINTE.
Correto o lançamento relativo à diferença de base de cálculo apurada entre a declarada e a constatada, segundo o regime de apuração baseado na escrituração contábil apresentada pela contribuinte, mesmo que alegado ter havido equívocos nesta, se não demonstrado com documentação hábil e idôneo o erro cometido.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Após a edição da Lei nº 9.430/96, depósitos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas quando a contribuinte afirma que o crédito é decorrente de operação cujo registro consta na escrita contábil, mas que, devidamente intimado, não logra comprovar a regularidade desse lançamento contábil e a concretização do negócio que o teria motivado.
Numero da decisão: 1402-003.272
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. ESCRITA CONTÁBIL APRESENTADA PELA CONTRIBUINTE. Correto o lançamento relativo à diferença de base de cálculo apurada entre a declarada e a constatada, segundo o regime de apuração baseado na escrituração contábil apresentada pela contribuinte, mesmo que alegado ter havido equívocos nesta, se não demonstrado com documentação hábil e idôneo o erro cometido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Após a edição da Lei nº 9.430/96, depósitos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas quando a contribuinte afirma que o crédito é decorrente de operação cujo registro consta na escrita contábil, mas que, devidamente intimado, não logra comprovar a regularidade desse lançamento contábil e a concretização do negócio que o teria motivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 29 72 /2 01 4- 21 Fl. 1090DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte acima mencionado, ora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Nacional, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2010, acrescidas de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 1.760.803,17, entre principal, multa e juros corrigidos até dezembro/2014. Em essência, decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, em que montante foi cotejado com os valores de receita contabilizada/declarada, redundando em diferenças não ofertadas à tributação, que ensejaram as autuações fiscais. O processo de exclusão do Simples foi realizado em outro processo (15563.720387/201420), com efeitos a partir do anoseguinte ao fiscalizado (2011), e após decisão do primeiro grau administrativo, não houve mais manifestação do contribuinte, sendo arquivado como decidido em definitivo. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: A contribuinte acima qualificada teve contra si lavrado o Auto de Infração do Simples Nacional (AI e demonstrativos às fls. 838 a 943), relativo ao anocalendário 2010, em decorrência de: a) omissão de receitas relativas a depósitos bancários de origem não comprovada; b) diferença de base de cálculo; c) insuficiência de recolhimento – diferença de alíquota. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10735.722972/201421 Acórdão n.º 1402003.272 S1C4T2 Fl. 1.091 3 O lançamento resultou no montante de R$ 1.760.803,17 incluídos todos os tributos (IRPJ, CSLL, Cofins, PIS/Pasep CPP e ICMS), multa proporcional de ofício (75%) e juros de mora calculados até dezembro de 2014 (fls. 942). Os valores individuais estão discriminados nos demonstrativos. A ciência da contribuinte, relativamente aos autos de infração, ocorreu em 22 de dezembro de 2014, conforme Aviso de Recebimento de fls. 947. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Em 16 de janeiro de 2015 foi protocolada a impugnação de fls. 963 a 981, na qual aduziu, em apertada síntese, após historiar as autuações, o seguinte: a) relativamente à diferença de base de cálculo, o auto de infração está baseado em escrituração contábil inconsistente, apresentada de forma precipitada; b) os lançamentos na conta nº 5.1.1.01.001 – Serviço de Transporte de Carga, que serviram para a apuração dos valores a tributar, referemse a “recebimento de serviços prestados”, fato de fácil constatação pela simples leitura dos históricos dos lançamentos; c) por esse motivo, a apuração deuse pelo regime de Caixa e não, como de fato procedeu a contribuinte, pelo de competência conforme opção declarada em DASN e na escrituração original; d) a apuração nessas bases, independentemente da escrituração equivocada da contribuinte, macula o lançamento, tornandoo improcedente; e) “ além de a escrituração ter sido elaborada de forma equivocada com base no regime de caixa, não apresentar balanço patrimonial, bem como outras diversas inconsistências, como já mencionado, a Impugnante gostaria de chamar a atenção, especificamente, para os valores que foram creditados na conta n° 5.1.1.01.001 SERVIÇO DE TRANSPORTE DE CARGA, que serviram de base para a apuração dos valores a tributar”; f) “Com objetivo de preparar a presente impugnação a Impugnante providenciou a busca pelos documentos comprobatórios dos lançamentos contábeis em questão. Entretanto, apesar do esforço não logrou êxito em localizálos e realmente não consegue fazer a menor ideia de onde, como e com base em quais documentais o responsável pela reescrituração contábil se baseou para promover tais lançamentos”; g) “Mesmo reconhecendo ter sido responsável pela escrituração a Impugnante insiste que o ilustre auditor deveria ter se aprofundado nas investigações em busca não só da verdade material como da prova efetiva para a constituição do lançamento”; h) “Se analisarmos com isenção e justiça o caso vertente observaremos que, na verdade, jamais ficou provado que os valores indevidamente contabilizados na conta n° 5.1.1.01.001 SERVIÇO DE TRANSPORTE DE CARGA estão corretos e se referem a receitas da Impugnante. Como visto, a sustentação do presente Fl. 1092DF CARF MF 4 lançamento baseiase, exclusivamente, nos valores equivocadamente reescriturados. Além disso, como se a obtenção questionável da nova escrituração não bastasse, a impugnante não faz a menor ideia de a que se referem tais valores”; i) quanto aos depósitos de origem não comprovada, não houve intimação para que fossem comprovados os valores creditados na conta bancária, mas da regularidade da contabilização da conta de receita (5.2.1.01.001 Alienação de Veículos); j) “Nesta vertente, é relevante ressaltar que uma coisa é comprovar regularidade de escrituração, outra bem distinta é comprovar a origem de valores depositados, ou seja, de onde são oriundos os recursos utilizados nas operações”; k) em face da falta de intimação para a comprovação dos créditos bancários, resta evidenciado o cerceamento do direito de defesa, assim como a ilegalidade do procedimento; l) foram ignoradas por completo as condições para a aplicação da presunção legal; m) “Releva lembrar que as intimações estavam sempre direcionadas à regularidade da escrituração, a comprovação de recebimentos e nunca à comprovação da origem dos depósitos”; n) “Uma coisa é a utilização da presunção legal tendo em vista a não comprovação da origem de depósitos bancários à margem da contabilidade. Outra completamente diferente é a aplicação da presunção legal pelo simples fato de não se satisfazer com os esclarecimentos e documentos apresentados pelo contribuinte. Há de se convir que tratase de uma aberração sem precedentes”; o) a quase totalidade dos créditos bancários considerados como de origem não comprovada referemse a valores recebidos decorrentes de venda de ativo imobilizado, conforme planilha e documentação anexada; p) relativamente à insuficiência de recolhimentos, esta não existe uma vez ter sido apurada ante aos valores decorrentes das inconsistentes infrações anteriores, conforme demonstrado. Por fim, requereu a declaração de improcedência dos lançamentos e protestou por todos os meios de provas admitidos. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu por dar negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 PRODUÇÃO DE PROVAS. Por expressa determinação legal, as provas devem ser juntadas à impugnação. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. ESCRITA CONTÁBIL APRESENTADA PELA CONTRIBUINTE. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10735.722972/201421 Acórdão n.º 1402003.272 S1C4T2 Fl. 1.092 5 Correto o lançamento relativo à diferença de base de cálculo apurada entre a declarada e a constatada, segundo o regime de apuração baseado na escrituração contábil apresentada pela contribuinte, mesmo que alegado ter havido equívocos nesta, se não demonstrado com documentação hábil e idôneo o erro cometido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Após a edição da Lei nº 9.430/96, depósitos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas quando a contribuinte afirma que o crédito é decorrente de operação cujo registro consta na escrita contábil, mas que, devidamente intimado, não logra comprovar a regularidade desse lançamento contábil e a concretização do negócio que o teria motivado. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Uma vez que a insuficiência de recolhimentos foi apurada ante aos valores decorrentes das demais infrações, mantidas estas, deve ser mantida também a relativa à tal insuficiência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: o protesto de produção de provas por todos os meios admitidos não procede, pois deveria ter sido apresentada na impugnação. Eventual juntada posterior só é possível mediante justificativa da impossibilidade anterior; quanto ao regime de contabilização de receitas, do qual adota a de competência, e a da fiscalização foi baseada em escrituração contábil inconsistente, improcede. A contabilidade faz prova contra o contribuinte, e eventual desconsideração deve ser comprovada, contudo, a recorrente confessa não ter localizado os documentos comprobatórios dos lançamentos contábeis. E se a escrituração contábil apresentada só permite a apuração segundo o regime de caixa, assim deve proceder; não há alegada falta de intimação fiscal para comprovar houve e a resposta foi no sentido de que são relativos à venda de ativo imobilizado, de forma genérica. Não comprovou as alegadas vendas de ativo imobilizado, e não há condições de vinculálos aos valores depositados nas contas bancárias. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 27/03/2017, a recorrente apresentou recurso voluntário em 20/04/2017. Fl. 1094DF CARF MF 6 Na sua peça recursal, reitera todas as razões expostas na sua impugnação, e aduzindo praticamente os mesmos elementos e argumentos para tentar rebater o v. acórdão recorrido, quais sejam, em apertada síntese: requer nulidade da decisão de primeira instância, pois não fora apreciada a questão suscitada de não ter sido intimada para comprovação da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias; que a diferença de base de cálculo foi por conta da escrituração considerada, e que uma nova não foi apresentada, pois entende que os esclarecimentos prestados já bastariam para invalidála. Os valores contabilizados a crédito na conta contábil 5.1.1.01.001 serviço de transporte de carga se referem a recebimentos de serviços prestados, que é pelo regime de caixa, mas sua receita declarada é pelo regime de competência; os depósitos de origem não comprovada suscita que não foi intimada a comprovar a origem dos depósitos; a aplicação da presunção foi indevida , pois há valores de alienações de veículos nas suas contas bancárias; impossibilidade de juros Selic incidirem sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Nacional, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2010, acrescidos de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. Em essência, decorreram do cotejo entre os valores apresentados nos livros diário e razão com a sua receita declarada, apurandose diferenças não ofertadas à tributação. Da análise do livro diário, verificouse valores com venda de ativo permanente (alienação de veículos) escriturados com a contrapartida em depósitos de determinados valores na contacorrente, que não foram ofertados à tributação, que a recorrente não logrou comprovar que não seriam receitas, resultando em autuação como omissão de receitas da sua atividade. O lançamento total resultou no montante de R$ 1.760.803,17 (principal+multa simples+juros). O processo de exclusão do Simples é distinto do presente, com efeitos a partir do anocalendário de 2011, e já foi arquivado. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10735.722972/201421 Acórdão n.º 1402003.272 S1C4T2 Fl. 1.093 7 Na sua impugnação informa que a sua escrituração contábil está inconsistente, apresentada durante o procedimento fiscal de forma precipitada, e sua DASN foi informada pelo regime de competência, enquanto a contabilidade está pelo regime de caixa. A fiscalização deveria ter se aprofundado para buscar a verdade material do que continha em sua contabilidade. Não houve intimação que fosse comprovados os valores creditados em conta bancária. Na decisão a quo, há a manifestação que não foram apresentadas provas na impugnações das alegações. A contabilidade faz prova contra o contribuinte, e eventual desconsideração deve ser comprovada, o que não ocorreu, inclusive com a confissão da recorrente que não localizou os documentos. E se a escrituração contábil só permite a apuração segundo o regime de caixa, assim deve ser procedido. E segunda a autoridade julgadora a quo houve sim a intimação fiscal para comprovar os depósitos bancários a resposta que foi no sentido de são relativos à venda de ativo imobilizado, de forma genérica, que também não comprovou. Na sua peça recursal, reitera as razões expostas na sua impugnação, repisando os mesmos argumentos da sua peça impugnatória. Agregou apenas o argumento da impossibilidade de juros Selic incidirem sobre a multa de ofício. Do contexto envolvido na autuação fiscal Antes de adentrar no mérito das questões suscitadas na peça recursal, e para já elucidar questões alegadas, entendo que cabe uma análise dos eventos ocorridos durante o procedimento fiscal e qual a motivação do auto de infração. Primeiramente, durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal autuante identificou os seguintes valores de base tributável, para todo o anocalendário de 2010: receita declarada em DASN R$ 147.000,00 receitas contabilizadas pela recorrente R$ 3.600.209,67 Diferença apurada, conforme termo de verificação fiscal, de R$ 3.453.209,67. Houve também a autuação fiscal, após análises, de valores de receitas escrituradas erroneamente com de venda de ativo permanente que seriam receitas da atividade, conforme informado pelo contribuinte. Da mesma forma, foram verificados depósitos em conta corrente do contribuinte contabilizados como venda de imobilizado. O contribuinte foi intimado para comprovar a regularidade de contabilização e nas respostas apresentadas, comprovou apenas parcialmente as operações. Neste item, houve a autuação fiscal anual da base tributável de R$ 1.529.458,66. Desta sorte, houve 3 (três) infrações imputadas à recorrente: 1) omissão de receitas/depósitos ou investimentos em instituição financeira, com origem não comprovada, identificados na escrituração e nos extratos bancários apresentados pela recorrente durante o procedimento fiscal. Na palavras do autuante: a Fl. 1096DF CARF MF 8 infração em questão se refere aos valores depositados em conta corrente no Banco Bradesco e informados como receitas de venda de ativo permanente que não foram comprovadas. 2) diferença de base de cálculo confronto ente os valores escriturados na contabilidade e os declarados em DASN, em que apontou diferenças nas base de cálculo dos tributos devidos. 3) insuficiência de recolhimento diferença de alíquota com a adição dos valores dos itens 1 e 2 acima, a receita total da recorrente muda, e por conseguinte a alíquota aplicável, o que gera uma diferença a pagar do valor declarado espontaneamente. Agora, partese a analisar os pontos suscitados no recurso voluntário. Das questões suscitadas na peça recursal requer nulidade do v. acórdão por não ter apreciado a questão se não ter sido intimada para comprovação da origem dos depósitos bancários Alega a recorrente que a decisão a quo nula, pois entende que não houve justificativas para todas as alegações apresentadas e não acatadas na sua peça impugnatória. Não explicita qual alegação apresentada que não houve manifestação na decisão a quo. Fica subentendido que tem a ver com, no seu entender, o uso indevido da presunção prevista no artigo 42 da Lei 9.430/96¸ representado por não ter sido intimada para comprovar a origem dos seus depósitos bancários. Contudo, vislumbrase na decisão a quo manifestação da autoridade julgadora de primeira instância administrativa sobre o tema, em tópico próprio: Depósitos de origem não comprovada, que faz menção expressa a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, e a situação encontrável nos autos que fundamentam o lançamento fiscal. Aparentemente, pelo teor da própria peça recursal e o que se vislumbra na peça impugnatória e o v. acórdão recorrido, a questão suscitada pela recorrente diz mais por discordância com o decidido do que falta de manifestação da decisão. A recorrente retornará ao tema na questão meritória, a ali analisarei novamente. Destarte, REJEITO A NULIDADE suscitada. No mérito quanto a alegação que a diferença seria por conta da escrituração ter sido considerada no regime de caixa, quanto declarou no regime de competência Alega a recorrente que a diferença de base de cálculo que lhe foi imputada a autuação fiscal o foi com base no regime de caixa, enquanto era optante pelo regime de competência, conforme constava na sua DASN entregue. E o fato de ter contabilizado as suas receitas na conta contábil 5.1.1.01.001 Serviço de transporte de carga pelo regime de caixa, Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10735.722972/201421 Acórdão n.º 1402003.272 S1C4T2 Fl. 1.094 9 não significaria que deveria ter sido autuada por este regime. Aduz ainda na sua peça excertos da sua própria peça impugnatória para reforçar seu ponto de vista. O cerne da discussão envolve como foi efetuado o procedimento fiscal e com base em que informações se valeu a autoridade fiscal. Neste tópico, nos concentraremos nas diferenças entre o declarado em DASN com o contabilizado pela recorrente nos seus livros diário e razão. Tais circunstâncias ajudarão a esclarecer, além da matéria e infrações imputadas, a questão do regime de contabilização adotado pela recorrente e sobre a qual lhe foi imputada os autos de infração. Nestes termos, analisase: 1) no termo de início da ação fiscal, cientificado em 27/03/2013, a recorrente foi instada a apresentar o livro caixa e/ou livros diário e razão, bem como disponibilizar toda a documentação comprobatória dos registros contábeis (fls. 23 a 25); 2) apresentou o livro razão de 2010 (fls. 28 a 50) e livro diário de 2010 (fls. 53 a 66). Notase que as receitas nestes livros estão de acordo com os valores declarados na DASN entregue, e estão contabilizadas na conta contábil 4.11.02.001 Serviços Prestados, cujo histórico dos lançamentos contábeis, um por mês, é vlr. ref. fat. serviço prestado n/mês. A contrapartida de tais lançamentos contábeis é a conta contábil 1.12.05.002 clientes. Curiosamente, olhando em retrospectiva este livro razão, esta conta contábil, de resultado, já começa o ano com um saldo anterior de R$ 3.828.862,74, quando deveria estar zerada. Ao final do ano, há o encerramento do exercício, zerandoa, lançando a débito o valor de R$ 3.975.862,74. Notese que nestes livros, diário e razão, nada se fala em regime de reconhecimento de receitas, pois já que a recorrente não apresentou eventual livro caixa, presumemse todos os lançamentos efetuados pelo regime de competência; 3) intimação fiscal cientificada em 23/09/2014, em que a recorrente é intimada a apresentar os livros diário e razão novamente, pois os livros diário e razão anteriormente apresentados não teriam nenhuma assinatura dos representantes legais e/ou dos responsáveis contábeis, e que haveria vários lançamentos consolidados por semestre (fls. 280/281); 4) a recorrente apresenta novos livros diário e razão (fls. 426 a 724). Agora a conta contábil que registrou suas receitas é a 5.1.1.01.001 Serviço de transporte de cargas, cujo histórico para os lançamentos contábeis é de recebido conf fatura de prestação de serviços n/data, havendo vários lançamentos ao longo do mês. A contrapartida dos lançamentos são de débitos na conta contábil bancos. Desta feita vieram assinados por contador. O montante dos valores lançados a crédito nesta conta contábil de receitas ao longo do ano de 2010 é de R$ 3.600.209,67. Na sua resposta em que entrega os livros, data de 25/11/2014 (fl. 386) simplesmente diz que está entregando o livro razão e o livro diário de 2010. Ou seja, com base nestes livros contábeis apresentados diário e razão a autoridade fiscal autuante considerou as receitas escrituradas da recorrente. Como já dito anteriormente, com a entrega dos livros diário e razão, presumese adotando o regime de competência aos lançamentos contábeis ali constantes, obedecendo a ordem cronológica das operações, nos termos dos arts. 258 e 259 do RIR/99. Fl. 1098DF CARF MF 10 Não há em nenhum momento condições de se presumir que a recorrente estaria adotando o regime de caixa nos seus livros, como alega. Ademais, alega isso apenas em fase de discussão administrativa para tentar descaracterizar a autuação fiscal que lhe foi imputada, conforme livros apresentadas pela mesma durante o procedimento fiscal. O que se visualiza aqui é que durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal estava analisando outros documentos pertinentes às suas operações, como notas fiscais de entrada e saída e os extratos bancários, e já estava ficando demonstrado que o que a recorrente apresenta de receitas na sua DASN (montante anual de R$ 147.000,00) estava se demonstrando bem aquém destes elementos. Por exemplo, há um levantamento de aquisições de caminhões, reboques e outros bens feitos pela recorrente na ordem de R$ 4.500.000,00 ao longo de 2010, conforme levantamento das notas fiscais em que a recorrente era a destinatária (fl. 78), ao qual a mesma alegou que foram através de Finame (Agência Especial de Financiamento Industrial, subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES). Apresenta então um livro diário e razão mais factível com os elementos paralelos já levantados no transcorrer do procedimento fiscal, e se vê nitidamente que todos os valores lançados nos extratos bancários estão contabilizados, algo que não aconteceu nos diário e razão anteriormente apresentados. Com base nisso, e agora mais próximo, senão a própria realidade, refaz ou apresenta os reais livros diário e razão, que espelham suas operações de forma mais verosímil. Com base nestes elementos, a autoridade fiscal recompõe a receita operacional da recorrente, apurando com base na contabilidade em R$ 3.600.209,67, autuando a diferença não declarada em DASN de R$ 3.453.209,67. Agora, em fase impugnatória e recursal, vem a recorrente dizer que a contabilidade entregue não era real (algo alegado primordialmente na peça impugnatória), e que as receitas ali constantes estão pelo regime de caixa, e autuação fiscal deveria têla ajustado pelo regime de competência, para ter feito o lançamento correto. E para tanto, deveria ter a fiscalização efetuado maiores investigações sobre a contabilidade que a própria entregou! Nada mais aduz ou comprova nas suas peças impugnatória e recursal, apenas faz estas alegações, e ainda, como diz no seu recurso voluntário, se insurge, veementemente quanto ao autuado e decidido a quo. Veemente são os elementos postos nos autos que comprovam e justificam a autuação fiscal. Estas alegações tentando caracterizar a improcedência do crédito tributário lançado é navegar exclusivamente em benefício próprio, independente do quanto seja paradoxal em momentos distintos o seu posicionamento e suas alegações. Como dito em latim, nemo auditur propriam turpitudinem allegans, ou seja, questão já principiológica, ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10735.722972/201421 Acórdão n.º 1402003.272 S1C4T2 Fl. 1.095 11 quanto a alegação de que a presunção aplicada foi indevida Alega a recorrente na sua peça recursal que não foi intimada para comprovação da origem dos créditos bancários pelos quais lhe foi imputada parte do valores autuados no presente processo. Tal intimação está prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Entendeu a decisão a quo que houve sim intimação para comprovar os valores, e apesar de um pouco distinta, teria os mesmos efeitos preconizados na legislação supramencionada. Cabe esclarece, primeiramente, de qual infração estamos falando. Como se já dito no voto anterior, uma parte, a mais significativa, da base tributável decorre da diferença entre o foi contabilizado pela recorrente e o que foi declarado em DASN (montante de R$ 3.453.209,67), e o foi sobre esta infração. A outra infração, no montante da base tributável de R$ 1.529.458,66, envolve a investigação dos livros diário e razão entregues, em que a autoridade fiscal identificou significativos lançamentos a crédito na conta contábil 5.2.1.01.001 alienação de veículos ao longo do anocalendário fiscalizado (2010), cujo o total creditado ao longo o ano foi de R$ 2.244.998,02. O histórico dos lançamentos era no geral de recebemos conf contrato de venda n/data. Há também alguns lançamentos com o seguinte histórico: recebido con fatura de prestação de serviços n/data, e alguns poucos com o histórico de recebemos conf contrato de venda de imobilizado n/data. Tais lançamentos estão todos com contrapartida a débito na conta 1.1.1.02.001 Banco Bradesco e/ou 1.1.1.02.002 Banco Safra. Cabe relembrar que nesta contabilidade em análise, a que foi entregue em substituição à originalmente apresentada, há uma total contabilização dos valores que se encontram nos extratos bancários da recorrente. Ou seja, há uma análise aqui tanto de um depósito bancário quanto um valor contabilizado. Os valores sendo analisados nos extratos bancários constam como transf entre agência, entre contas e depósito em dinheiro. De posse destes livros e das análises acima, a autoridade fiscal resolveu investigar tais lançamentos contábeis desta conta. Para tanto, intimou a recorrente (fls. 725/726) a apresentar todos os documentos comprobatórios relativos aos registros nesta conta contábil (5.2.1.01.001 alienação de veículos), de forma individual a cada lançamento e correlacionar com o bem alienado e a data da operação e quem o comprou. Já nesta intimação fiscal, a autoridade fiscal já apôs que a falta de comprovação destes valores contabilizados nesta conta contábil (cuja contrapartida são débitos nas contas contábeis dos bancos ou seja, crédito em contacorrente) seriam considerados receitas da atividade da recorrente. Explicando a situação: a recorrente apresenta nos livros diário e razão, em que agora contabiliza todas os valores a crédito e débito dos seus extratos bancários. Parte destes valores creditados foram lançados como contrapartida das suas receitas na conta contábil 5.1.1.01.001 Serviço de transporte de cargas (montante de R$ R$ 3.600.209,67, que vem a ser a receita contabilizada pela recorrente). Contudo, parte dos créditos ocorridos nos extratos Fl. 1100DF CARF MF 12 bancários (R$ 2.244.998,02) foram lançados contabilmente na conta 5.2.1.01.001 alienação de veículos. O valor significativo instigou a autoridade fiscal a investigálo. Cientificada a intimação fiscal imediatamente retromencionada em 02/12/2014, a recorrente apresenta resposta de próprio punho (fl. 728) em que informa que houve valores lançados erradamente como receitas com vendas de ativos, citando como exemplo, as operações com Nutriacid Nutrição e Com. Ltda. Apresenta nova planilha dos valores contabilizados nesta conta contábil de venda de ativos, e anexa alguns contratos (fls. 729 a 813). Analisando esta documentação, a autoridade fiscal gerou as planilhas de fls. 814 a 825, em que se posiciona a respeito de cada valor lançado na conta contábil 5.2.1.01.001 alienação de veículos. Ali considera vários valores como receita, conforme confissão da própria recorrente na sua resposta anterior, outros considerado comprovados como alienação de veículos e outros restaram não comprovados como tal. No caso, há valores considerados a crédito numa conta de resultado, que não foi apropriado como receita, e sim como alienação de ativo, cuja contrapartida é um lançamento a débito na conta do ativo (bancos), que corresponderia a um crédito bancário em exato valor. Há nitidamente, inclusive por alguns valores confessados pela própria recorrente quando intimada, receitas ali apropriadas, que deveriam estar na conta contábil 5.1.1.01.001 Serviço de transporte de cargas. Desta sorte, a autoridade fiscal considerou que dos R$ 2.244.998,02 lançados a crédito na conta contábil 5.2.1.01.001 alienação de veículos , R$ 1.529.458,66 eram valores que estavam ali lançados erroneamente, e deveriam ser considerados como omissão de receitas, já que a recorrente não logrou comprovar outra situação para estes valores. Assim, no caso concreto, há um lançamento de omissão de receitas, ao qual a autoridade fiscal dá o título no seu termo de verificação fiscal da infração de VIII.1 Omissão de receitas depósitos ou investimentos em instituição financeira com origem não comprovada. Ao justificar tal tópico no seu termo de verificação fiscal, assim aduz a autoridade fiscal autuante: A infração em questão se refere aos valores depositados em conta corrente no Banco Bradesco e informados como receitas de venda de ativo permanente que não foram comprovadas. Os valores apurados constam da planilha apresentada no presente termo no item "VI das omissões de receita apuradas". Neste tópico VI, assim apõe: VI das omissões de receita apuradas Como já esclarecido no presente termo, foram verificadas receitas escrituradas erroneamente com de venda de ativo permanente que seriam receitas da atividade, conforme informado pelo próprio contribuinte. Da mesma forma, foram verificados depósitos em conta corrente do contribuinte, contabilizados como venda de imobilizado. O contribuinte foi intimado para comprovar a regularidade de Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10735.722972/201421 Acórdão n.º 1402003.272 S1C4T2 Fl. 1.096 13 contabilização e nas respostas apresentadas, comprovou apenas parcialmente as operações. Diante do exposto acima, esses valores estão sendo tratados como omissão de receitas da atividade (...) Assim, houve sim a intimação para comprovar os valores lançados na contábil 5.2.1.01.001 alienação de veículos que são exatamente os mesmos valores, por contrapartida, dos valores creditados nos extratos bancários. Da mesma forma que instancia a quo, entendo que cumpridos os requisitos do art. 42 da Lei nº 9.430/19961, tendo ocorrido a intimação fiscal regular para comprovar os valores, às quais, na sua maior parte, a recorrente não logrou comprovar. Toda a documentação apresentada pela recorrente durante o procedimento fiscal foi apreciada, conforme planilha comentada acima, e lhe foi entregue quando da autuação fiscal. Nas suas peças impugnatória e recursal nada mais logrou comprovar, e buscar descaracterizar tal autuação fiscal por entender descumpridos os ritos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o que já exposto acima, não foi o caso. Fato é que houve sim valores omitidos creditados em contacorrente, cuja contrapartida contábil estava como alienação de ativos, e a recorrente só comprovou parcialmente tais valores. Toda a documentação foi apreciada durante o procedimento fiscal e também analisado com detalhes na decisão ora recorrida. Não vislumbro nenhum reparo ao decidido, indo ao encontro do autuado e decidido. Destarte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. quanto a alegação da impossibilidade de juros Selic sobre a multa de ofício O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 1102DF CARF MF 14 § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Conclusão: Voto por conhecer, REJEITAR a nulidade suscitada, e NEGAR PROVIMENTO integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001022/2009-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 13/04/2004, 29/10/2004, 05/11/2004
AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE.
A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível.
Numero da decisão: 3001-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/04/2004, 29/10/2004, 05/11/2004 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 22 /2 00 9- 13 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 151 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 111 a 126) interposto contra o Acórdão 16046.103, da 11ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP DRJ/SP1 que, na sessão de julgamento realizada em 26.04.2013 (efls. 98 a 105), julgou improcedente a impugnação e, por consequência, manteve o crédito tributário lançado de ofício. Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Relatório O Auto de Infração Tratase de processo de crédito tributário lançado através de auto de infração, lavrado contra a empresa RELIANCE AGENCIAMENTO E SERVIÇOS PORTUÁRIOS LTDA., CNPJ 03.574.813/00012003, doravante denominada impugnante, no valor de R$ 15;000,00 (quinze mil reais). O crédito lançado referese a multa por embaraço à fiscalização e deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, prevista no art. 107, inciso IV, alíneas “c” e “e” do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Conforme relato que consta do auto de infração, em levantamento realizado pelo Setor de Exportação da Alfândega do Porto de Santos, se apurou que a informação dos dados de 38 embarques/03 navios, no Sistema Integrado de Comercio Exterior (Siscomex), referentes ao período de abril a dezembro de 2004, foram prestadas com prazo superior a 07 (sete) dias. Os 38 embarques, os 03 navios e as datas de embarque e dos registros das informações no Siscomex encontramse Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 152 3 relacionados na planilha que acompanha o auto de infração (fls. 15 e 16). A impugnante tomou ciência do auto de infração em 06/03/2009 (fl. 20), e apresentou impugnação tempestiva em 18/03/2009. A Impugnação A impugnante apresenta em sua defesa as seguintes alegações: Falta de provas Alega inépcia da autuação, devido ao fato da autoridade não ter juntado ao processo nenhum documento que comprove a infração apontada, o que segundo ela é contrário ao disposto no artigo 9º do Decreto 70.235/1972; Sobre o tema, alega ainda que a ausência dos documentos que comprovem a infração pretere o direito de defesa do contribuinte e torna insubsistente a autuação nos termos do Inciso LV da Constituição Federal; Ilegitimidade Passiva A impugnante diz que não é parte legítima para atuar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que, na qualidade de mero agente marítimo não responde pelas obrigações tributárias do seu representado. Justifica esse seu entendimento com base no disposto no artigo 37 da IN SRF 28/1994 e na decisão do STF expressa no Recurso Extraordinário 87.138SP de 22 de maio de 1979, transcrita a fl. 25 deste processo. Alega ainda que mesmo que se considere que o agente marítimo é solidário ao transportador, no caso em questão não cabe esta solidariedade, pois esta decorre de lei, e esta é extremamente clara ao imputar a aplicação da penalidade somente a empresa de transporte internacional, e nos termos do artigo 32, parágrafo único, Inciso II, do Decreto Lei nº 37/66, visto acima, o agente de carga é solidário somente no caso do pagamento do imposto de importação, e no caso não se discute o imposto e sim uma obrigação tributária acessória a um dispositivo legal. Fundamentação Incorreta do Auto de Infração A impugnante segue suas argumentações, alegando que a sua conduta não caracteriza a infração descrita na alínea “c” do Inciso IV artigo 107 do Decreto Lei nº 37/66, e que no auto não consta qual seria o embaraço ou dificuldade causada à fiscalização em razão do suposto atraso na entrega das DDE´s. Denúncia Espontânea Alega também a impugnante, que nos termos do artigo 138 do CTN, promoveu a denúncia espontânea, isso porque segundo ela “como reconhecido pela fiscalização, as DDE mencionadas no auto de infração, foram inseridas no SISCOMEX, ANTES da lavratura do auto de infração ora impugnado”. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 153 4 Infração Continuada Que por se tratar de uma infração continuada que se estendeu durante longo período do ano de 2004, o procedimento de informar com atraso os dados de embarque no siscomex deve ser penalizada tão somente mediante a aplicação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), e não por diversas multas isoladas oriundas do mesmo fato. Boa Fé Boa fé da impugnante, uma vez que nos autos é fácil constatar que o atraso nas informações se deu por fatos alheios à sua vontade, geralmente atraso de informações de transportadores e exportadores. Da ementa da decisão de primeira instância Com a apresentação da manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 11ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/04/2004, 29/10/2004 e 05/11/2004 Aplicase a multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, se o registro no Siscomex dos dados pertinentes ao despacho de exportação ocorrer além do prazo de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, em face da nova redação do art. 37 da IN SRF nº 28/94, dada pela IN SRF nº 510/2005. LEGITIMIDADE PASSIVA. O representante, no País, do transportador estrangeiro é responsável solidário pelo imposto sobre a importação. Derrogação da Súmula 192 de 19/11/1985 do extinto Tribunal Federal de Recursos. DecretoLei nº 37/66, art. 32, com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Inconformado com a decisão da 11ª Turma da DRJ/SP1, o contribuinte interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, trouxe à discussão os temas/pontos abaixo. II EXCLUSÃO DA PUNIBILIDADE FATO NOVO Denúncia Espontânea Retroatividade Benigna Lei 12.350/2010 alterou o parágrafo 2º, do art. 102, do DecretoLei 37/66 Alega que na espécie o procedimento fiscal só foi iniciado após a inserção das DDE/SDe no "Siscomex", circunstância que caracteriza, a seu ver, a denúncia espontânea que impôs a presente exigência fiscal. Nesse passo, com a vigência da Medida provisória 497 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 154 5 de 27.07.2010, transformada na Lei 12.350 de 2010, que alterou a redação do parágrafo 2º, do artigo 102, do Decretolei 37 de 1966, referida norma reconheceu que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente o caso sob apreço. Devendo, portanto, tal regramento, retroagir para alcançálo, de acordo co o disposto na alínea "a", do inciso II do artigo 106, do Código tributário Nacional, por tratarse de exclusão de punibilidade. Restando, por fim, prejudicado o presente Auto de Infração. III INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO AGENTE MARÍTIMO Aduz que a não responsabilização do agente marítimo, inclusive, é matéria já sumulada pelos tribunais, consoante proclamado pela Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Logo, sendo agente marítimo, "é considerada mera representante do armador, e, como mandatária que é, não responde pelas falhas imputáveis a seus representados, entendimento este também aplicável no âmbito fiscal". IV AUSÊNCIA DE TIPICIDADE LEGAL Assevera que a norma é extremamente clara e que o legislador excluiu o agente marítimo do rol daqueles imputáveis pela presente penalidade, pois, quando quis fazê lo, o fez expressamente, como observase do teor do artigo 32 Decretolei 37 de 1966, em relação à solidariedade ao pagamento do Imposto de Importação, situação distinta do presente processo, por tratarse de uma obrigação tributária acessória, não podendose ampliar o alcance da norma para albergar hipóteses que a lei não previu. Logo, "não há embasamento legal para sua autuação, tendo em vista que o dispositivo legal que serviu de base para a aplicação da multa em discussão só pode ser aplicado ao (i) transportador internacional, a (ii) prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta e/ou ao (iii) agente de carga". V INFRAÇÕES IDÊNTICAS APLICAÇÃO DA TEORIA DA INFRAÇÃO CONTINUADA Defende que, ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, a presente autuação decorre de infrações da mesma natureza, praticadas no período de abril a dezembro de 2004, devendo, por conseguinte, ser consideradas como infração continuada, para aplicação da penalidade cabível, correspondente, na verdade, a um só infração, praticada de forma continuada, devendo, portanto, ser penalizada tãosomente mediante a aplicação de uma única multa, limitada ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), posto que até na esfera do direito penal, a sequência de ações idênticas é considerado um único delito, cometido de forma continuada, conforme expressamente prevê o artigo 71 do Código penal. Aliás, é também neste sentido o entendimento da RFB, consubstanciado na Solução de Consulta SRFB Interna 8 de 14.02.2008, que trata das regras para aplicação do artigo 37 da IN/SRF 28 de 27.04.1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação. Colaciona jurisprudências. Portanto, pede que seja reformada a decisão recorrida, julgandose improcedente o presente lançamento fiscal. Do encaminhamento Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 155 6 Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 01.07.2013 (efl. 147), que posteriormente foi distribuído para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, e na forma regimental, sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado na Alfândega do Porto de Santos em 03.06.2013, conforme depreendese da chancela gravada na "Folha de Rosto" da respectiva peça recursal, após ciência no dia 10.05.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efls. 109/110), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do litígio O litígio cingese aos seguintes pontos: a1) ilegitimidade passiva do recorrente e, complementarmente, a2) impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal; b) excludente de responsabilidade, por denúncia espontânea da infração, em especial, em razão da alteração legal promovida pela Lei 12.350 de 2010; e c) adoção da tese infração continuada, por se tratar de infrações da mesma natureza. Da preliminar de ilegitimidade do agente marítimo Para o recorrente, o agente marítimo não é considerado responsável tributário, uma vez que não pode ser equiparado ao transportador para efeito da responsabilização tributária, porque esta atribuição não se aplica à natureza de sua atividade de mandatária. Para tanto, cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que possui o seguinte verbete: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966, bem como outras jurisprudências. Em vista disso, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário para cancelamento do auto de infração. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 156 7 De plano, conforme se demonstrará a seguir, não lhe assiste razão neste tópico preliminar. Dispõe o artigo 32 do Decretolei 37 de 18.11.1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (grifei) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei 2.472 de 1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória 2.15835 de 24.08.2001. Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 157 8 II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifei) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) A respeito da legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro, citese a decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção do STJ, DJE de 14/12/2010, em sede de recurso repetitivo, que assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472 de 1988 (que alterou o artigo 32, do Decretolei 37 de 1966), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do Decretolei 2.472 de 1988 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Em decorrência do exposto, o Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Consignase, por fim, que para os dois primeiros argumentos tecidos pelo recorrente em seu voluntário, este E. Tribunal em inúmeros precedentes idênticos ao caso concreto já teve a oportunidade de se manifestar, mantendo as autuações, dentre outros, citese os acórdãos 3401003.883, 3401003.882, 3401003.881, 3401002.443, 3401002.442, 3401 002.441, 3401002.440, 3102001.988, 3401002.357, 3401002.379, 3302002.733, 3802 003.962, 3403003.252, 3802001.127 e 3302002.732. Por economia, cito apenas a primeira parte da ementa do acórdão 3301 002.972, cujo julgado ocorreu em 17.06.2016, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 158 9 agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. (...) Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado. É também nesse sentido o Acórdão 9303003.276, da 3ª Turma da Câmara Superior, cujo julgado ocorreu já em 05.02.2015, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Afastase, portanto, esta contestação preliminar. Da impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal Esclareçase, que embora o tema agora abordado ser concorrente ao tratado no tópico anterior ilegitimidade passiva do agente marítimo, em homenagem ao pleno direito de defesa, procedese a breves considerações sobre referida temática. O enquadramento legal da infração praticada pelo recorrente é a alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, que assim dispõe, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pelo recorrente, não sendo, portanto, objeto de contenda. Apenas em reforço, sabese que o agente marítimo, na qualidade de representante do transportador estrangeiro, no país, por força do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, responde pela infração consistente na prestação de informações sobre embarques de exportação, no SISCOMEX, fora do prazo, sendo legitimado sujeito passivo a figurar na presente exação fiscal. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 159 10 Conforme também já abordado no tópico anterior, a conduta do recorrente está enquadrada de forma correta, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração, logo, não acode o direito ao recorrente, haja vista que prevista a obrigação de informar em prazo definido os embarques de exportação no sistema próprio e não observada a temporalidade da informação plenamente cabível a infração prescrita na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, consoante o qual é aplicável a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), àquele que deixa de prestar informação sobre carga ou sobre as operações que execute, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga. Neste contexto, portanto, não há falar em inaplicabilidade da penalidade em comento, sob a equivocada alegação de falta de tipicidade legal, por suposta inimputabilidade dos agentes marítimos. Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, melhor sorte também não assiste ao recorrente, porque, como veremos, a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar o por quê de a penalidade ora objetada não comportar o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 160 11 a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 161 12 Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 162 13 multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, é de relevo destacar que a presente situação envolve operações de exportação cujos dados foram obtidos junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 163 14 O Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, conforme artigo 2º do Decreto 660 de 25.09.1992. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como um dos órgãos gestores do Siscomex é responsável pelas áreas aduaneira e tributária, assim, a fiscalização no âmbito de sua competência objete os dados junto ao referido sistema. Para contextualizar a situação fática, observese que toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada, está sujeita a despacho de exportação, com as exceções estabelecidas na legislação específica. (RA/2002, artigo 520) e (RA/2009, artigo 581). Em geral, o despacho de exportação será processado por meio de Declaração de Despacho de Exportação (DDE), registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), tendo a si vinculados um ou mais Registros de Exportação (RE). Assim, constatase da planilha elaborada pela autoridade lançadora, como fundamento a exação em discussão, que os dados obtidos pela fiscalização junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO foram prestados pelo próprio recorrente, já que é também, como interveniente, usuário do sistema e responsável pelos dados do embarque das mercadorias, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, contemplam as informações necessárias para a individualização dos dados referentes aos 14 (quatorze) embarques dos 4 (quatro) navios, no Sistema Integrado de Comercio Exterior (Siscomex), ocorridos entre o período de abril a dezembro de 2004. Portanto, sabedores que tais processamentos de embarques são determinantes para propiciar o desembaraço aduaneiro das respectivas mercadorias e, por consequência, procede à conclusão dos despachos de exportação (DDE's), não há como prevalecer a hipótese do recorrente para adotarse a tese da denúncia espontânea da infração prevista no artigo 138 do CTN. Isto por que, como já salientado, em se tratando de penalidade aduaneira, a denúncia espontânea possui tratamento específico. Com efeito, reproduzse os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 164 15 Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o recorrente prestou extemporaneamente as informações exigidas e, por óbvio, antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias/cargas descritas nos respectivos despachos de exportação; isto porque tal procedimento desembaraço aduaneiro somente é passível de perfectibilizarse depois de prestadas as informações que estavam sob a responsabilidade do agente marítimo ora autuado. Da hipótese da tese da infração continuada Da adoção da decisão recorrida Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf vigente: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 165 16 § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Verificado que o recorrente não apresentou novas razões de defesa perante este Colegiado, com amparo no permissivo regimental acima reproduzido, valhome das razões de decidir contidas no acórdão recorrido, para dar início às contraargumentações aos questionamentos reapresentados, neste tópico, na peça recursal, cujo voto condutor reproduzo abaixo: Voto (...) Infração Continuada A alegação de que a infração praticada pela impugnante foi continuada, decorre de analogia ao que dispõe no artigo 71 do Código Penal. O crime continuado embora consista em mais de uma ação ou omissão, se mostra resultante de uma só intenção, e tendente à violação de um mesmo direito. Mas, para que se diga continuado, fazse mister que a outra ação ou omissão, pelas condições de tempo, lugar e maneira de execução, impliquem na prática de mais de um crime da mesma espécie. Além disso, há na esfera criminal, doutrina e jurisprudência distinguem a figura do chamado “crime continuado” da mera reiteração delitiva, hipótese em que os crimes subseqüentes não resultam do aproveitamento das condições objetivas da prática dos delitos anteriores, a teor da exegese veiculada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal no HC 71.019/SP (Rel. Min. Paulo Brossard j. em 18.10.94 DJ de 19.12.94, p. 35182), verbis: ‘Habeas Corpus’. Pedido de unificação de penas relativas a doze condenações por delito de roubo. Indeferimento pelo Tribunal. Reexame pela via do "habeas corpus", HC 68.864 e HC 69.224. Caráter excepcional da unificação. Mera reiteração de pratica criminosa. Configuração que não prescinde do concurso, necessário e essencial, de outros elementos e fatores, de ordem objetiva, referidos pela lei. Crimes subseqüentes que não resultavam do aproveitamento das condições objetivas da pratica dos delitos anteriores. Inexistência das condições objetivas: tempo, lugar e maneira de execução. Atos isolados, independentes, sem seqüência ou continuidade. Variação Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 166 17 constante de comparsas. Ausência de homogeneidade ou uniformidade nas ações criminosas e nos desígnios do paciente. Continuidade não caracterizada, HC 68.124. Reiteração criminosa por quem faz do crime de roubo meio de vida. Descabe o beneficio da continuidade delitiva, em se tratando de pratica habitual e reiterada do crime: HC 68.626, HC 69.899, HC 69.059". (grifo nosso) Ora, no caso em análise, a impugnante não está sendo penalizada devido a quantidade de dados de embarque que deixou de informar relativamente ao carregamento de um determinado navio, tendo sido aplicada, por cada embarque/embarcação utilizada, cujos dados foram informados intempestivamente, apenas uma única multa de cinco mil reais, não havendo, portanto, sequer falar, em tese, de continuidade na prática da infração administrativa, mas sim de reiteração da conduta infracional. Observe que mesmo quando se fala em reiteração da conduta infracional, podemos estar incorrendo em um equívoco, pois a impugnante, como agente marítima, no caso está sendo autuada por ser mandatária de empresas estrangeiras de transporte marítimo. Desta forma o fato de haver no auto de infração embarcações de mais de um transportador, impossibilita a aplicação do conceito de infração continuada. (...) Do prosseguimento da fundamentação Continuando a enfrentar as razões de recorrer do autuado, quanto a aplicação da "teoria da infração continuada", devese, de plano, asseverar que o direito tributário adota o critério objetivo previsto no artigo 136 do Código Tributário Nacional CTN e, portanto, a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. Logo, a gradação da penalidade, levando em conta a existência de infração continuada, presente no artigo 71 do Código Penal, não tem aplicabilidade na seara tributária. Demais disso, inexiste dispositivo semelhante no referido código CTN prevendo a possibilidade de unificação de multa em razão da continuidade da ilicitude cometida pelo contribuinte. Observase que nem mesmo a aplicação do Código Penal seria possível haja vista que as condutas de deixar de prestar informações, no prazo regulamentar, sobre os dados de embarques de mercadorias destinadas ao exterior são independentes e autônomas, tanto que o fato de o infrator deixar de cumprir a referida obrigação acessória no prazo legalmente estipulado para uma determinada embarcação não tem qualquer influência nos dados de embarque de outro, in casu, navio. Observese inclusive que, no caso sob exame, sequer o período da apuração é contínuo, uma vez que as lavraturas sob discussão referemse tão somente as operações realizadas relativamente aos dados de trinta e oito embarques e três navios, cujos fatos geradores reportamse aos dias 13 de abril, 29 de outubro e 5 de novembro de 2004. Assim, não resta dúvida de que a multa deve ser aplicada de forma individualizada, por navio, conforme assentado no auto de infração, em absoluta submissão ao Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11128.001022/200913 Acórdão n.º 3001000.417 S3C0T1 Fl. 167 18 previsto na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, que impõe a incidência de multa pecuniária no valor de cinco mil reais para quem, estando legalmente obrigado, "deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Da conclusão Dessa forma, evidenciada a legitimidade passiva do recorrente, demonstrada a infração praticada e a correta aplicação da penalidade ora objurgada, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, para rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004112/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 12 /2 00 9- 12 Fl. 644DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200912 Acórdão n.º 9202006.810 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200912 Acórdão n.º 9202006.810 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 646DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200912 Acórdão n.º 9202006.810 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 647DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200912 Acórdão n.º 9202006.810 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 648DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200912 Acórdão n.º 9202006.810 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 649DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200912 Acórdão n.º 9202006.810 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 650DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200912 Acórdão n.º 9202006.810 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 651DF CARF MF Processo nº 19515.004112/200912 Acórdão n.º 9202006.810 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 652DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001259/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 05/01/2004 a 27/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR.
PAGAMENTOS DE ROYALTIES. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). A empresa signatária de contrato de cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, caracterizava-se na condição de sujeito passivo da CIDE, no que concerne às remessas efetuadas ao exterior, sob a forma de remuneração ou royalties.[
SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N° 27, DE 30/05/08.
A solução de divergência não se aplica ao caso, pois a exigência do presente auto de infração se refere a fatos geradores compreendidos nos anos de 2004 e 2005, quando ainda não havia qualquer proibição à cobrança da CIDE sobre as remessas para pagamento de licença de uso de software.
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). CÁLCULO POR DENTRO (GROSS-UP). VALOR DO IMPOSTO. INCORPORAÇÃO AO VALOR DA OPERAÇÃO.
O valor do Imposto de Renda (IRRF) incidente sobre o valor pago na espécie de operação onerada pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE e retido pela fonte pagadora integra a base de cálculo da Contribuição.
A metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido.
DA EXIGÊNCIA DA MULTA E DOS JUROS.
Decorre de aplicação direta de Lei - artigos 44 e 62 da Lei 9.430/96 - e a lei é de conhecimento de todos (artigo 3o da LICC).
Numero da decisão: 3302-005.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos de declaração para sanar as omissões e, no mérito, rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para afastar o reajustamento da base de cálculo da CIDE (gross-up).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 05/01/2004 a 27/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. PAGAMENTOS DE ROYALTIES. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). A empresa signatária de contrato de cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, caracterizava-se na condição de sujeito passivo da CIDE, no que concerne às remessas efetuadas ao exterior, sob a forma de remuneração ou royalties.[ SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N° 27, DE 30/05/08. A solução de divergência não se aplica ao caso, pois a exigência do presente auto de infração se refere a fatos geradores compreendidos nos anos de 2004 e 2005, quando ainda não havia qualquer proibição à cobrança da CIDE sobre as remessas para pagamento de licença de uso de software. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). CÁLCULO POR DENTRO (GROSS-UP). VALOR DO IMPOSTO. INCORPORAÇÃO AO VALOR DA OPERAÇÃO. O valor do Imposto de Renda (IRRF) incidente sobre o valor pago na espécie de operação onerada pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE e retido pela fonte pagadora integra a base de cálculo da Contribuição. A metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido. DA EXIGÊNCIA DA MULTA E DOS JUROS. Decorre de aplicação direta de Lei - artigos 44 e 62 da Lei 9.430/96 - e a lei é de conhecimento de todos (artigo 3o da LICC).
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REMESSAS AO EXTERIOR. Embargante COMPUSOFTWARE INFORMATICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 05/01/2004 a 27/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. PAGAMENTOS DE ROYALTIES. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). A empresa signatária de contrato de cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, caracterizavase na condição de sujeito passivo da CIDE, no que concerne às remessas efetuadas ao exterior, sob a forma de remuneração ou royalties.[ SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA N° 27, DE 30/05/08. A solução de divergência não se aplica ao caso, pois a exigência do presente auto de infração se refere a fatos geradores compreendidos nos anos de 2004 e 2005, quando ainda não havia qualquer proibição à cobrança da CIDE sobre as remessas para pagamento de licença de uso de software. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). CÁLCULO POR DENTRO (GROSSUP). VALOR DO IMPOSTO. INCORPORAÇÃO AO VALOR DA OPERAÇÃO. O valor do Imposto de Renda (IRRF) incidente sobre o valor pago na espécie de operação onerada pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE e retido pela fonte pagadora integra a base de cálculo da Contribuição. A metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 12 59 /2 00 9- 90 Fl. 1123DF CARF MF 2 DA EXIGÊNCIA DA MULTA E DOS JUROS. Decorre de aplicação direta de Lei artigos 44 e 62 da Lei 9.430/96 e a lei é de conhecimento de todos (artigo 3o da LICC). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos de declaração para sanar as omissões e, no mérito, rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para afastar o reajustamento da base de cálculo da CIDE (grossup). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de processo referente à Auto de Infração, lavrado em 08/09/2009. decorrente da exigência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, acrescida de multa de ofício e juros de mora, no valor de R$ 15.699.304,91. No exercício de suas atividades a empresa COMPUSOFTWARE INFORMATICA LTDA firmou contrato de comercialização, sem exclusividade, com a Microsoft Lincensing GP, com estabelecimento em Neil Road 6100, Suíte 210, Reno, NV 89511, USA, vinculada à Microsoft Corporation. O referido contrato concedeu direito à empresa COMPUSOFTWARE INFORMATICA LTDA para comercializar e fornecer programas de computador da referida empresa norte americana. Por conta desse contrato a fiscalização entendeu ser devido a Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico CIDE sobre remessas ao exterior no período entre os anos de 2004 a 2006, o que resultou na lavratura do presente Auto de Infração. Cientificado do Auto de Infração, pessoalmente (folhas 1.815), em 10/09/2009, o autuado apresentou impugnação, em 09/10/2009, de fls. 826 à 843, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10882.001259/200990 Acórdão n.º 3302005.578 S3C3T2 Fl. 1.123 3 Em 22 de janeiro de 2010, através do Acórdão n° 0528.011, a 5a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP, por unanimidade de votos decidiu JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada e MANTER PARCIALMENTE as exigências fiscais relativas à Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico CIDE. Entendeu a Turma que: ü a incidência foi calcada na previsão contida no caput do art. 2° da Lei n° 10.168, que claramente imputa à pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, o dever de recolher a contribuição calculada sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente daquela obrigação; ü a empresa autuada apenas comercializa as licenças de uso de programas de computador citados. Isto, porém, não a desqualifica como detentora, ao menos neste primeiro momento, da licença de uso de conhecimentos tecnológicos, que adquire para comercialização em território nacional; ü não se trata, pois, de mera intermediação de compra e venda entre o usuário final e o licenciador. Há uma contratação entre a autuada e o licenciador que autoriza a primeira a comercializar os programas de computador, o que pressupõe a compra das licenças correspondente. Foram exoneradas às exigências à partir de 01/2006, à vista do disposto nos artigos 20 e 21 da Lei n° 11.452, de 2007, onde é determinado que as remessas para o exterior relativas a contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) passaram a estar sujeitas à incidência da Cide apenas quando ocorrer a transferência da correspondente tecnologia. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 25/02/2010, via Aviso de Recebimento. Em 29/03/2010, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional pleiteiou a improcedência do Recurso Voluntário. Em 24 de setembro de 2013, através do Acórdão n° 3102002.007, a 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 3a Seção, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício, e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Entendeu a Turma que à luz das disposições legais aplicáveis à matéria, tomese por base o texto original da Lei n° 10.168/00 ou o texto introduzido pela Lei n° 10.332/01, o fato é não vejo nenhuma possibilidade de se considerar que a transferência de Fl. 1125DF CARF MF 4 tecnologia tenha sido em algum momento condição para incidência da Contribuição sobre os valores pagos em operações da espécie. Como se lê, o caput do artigo 2°, desde o início, trouxe menção inclusiva (bem como) às pessoas jurídicas (aquela) signatárias de contratos que implicassem transferência de tecnologia, de tal forma a introduzilas na relação dos contribuintes alcançados pela Contribuição. Disso sobressai, insofismável, a interpretação de que já estavam compreendidas no contexto geral as outras transações, quais sejam, as de pessoas que não fossem signatárias de contratos que implicassem transferência de tecnologia. Por seu turno, a Lei n° 10.332/01, ao acrescentar a hipótese de incidência sobre valores atrelados a contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e os pagamentos a título de royalties, o fez sem em nenhum momento vincular tais operações à transferência de tecnologia, em harmonia com as disposições legais precedentes. Quando, nas disposições normativas originais, o campo de incidência era restrito, existiam três hipóteses. A primeira delas fazia menção a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos; a segunda, aos signatária de contratos que implicassem transferência de tecnologia e a terceira referia apenas pessoa jurídica detentora de licença de uso. Então, qual haveria de ser a distinção existente entre as duas primeiras e a terceira? Pareceme que se numa das situações foi prevista a aquisição de conhecimentos tecnológicos e noutra a transferência de tecnologia, a situação descrita como licença de uso por certo não requer a ocorrência nem de um nem de outro evento. A tudo isso devese acrescentar o comando legal insculpido no parágrafo 1°A4 da Lei 11.452/07. Em 05 de outubro de 2015, a empresa COMPUSOFTWARE INFORMATICA LTDA ingressou com recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ao Acórdão 3102002.007, de folhas 1.066 a 1070, objetivando sanar as seguintes omissões: 1 Omissão Em seu recurso a ora Embargante se socorreu da Solução de Divergência n° 27, de 30/05/08, sendo que, após transcrever sua Ementa na pág. 14, apontou o seu caráter normativo, ou seja, norma complementar da lei, nos termos do § 11 do art. 48 da Lei 9.430/96 e dos incisos I e II do art. 100 do CTN. Contudo, pedindo escusas, o v. acórdão embargado não tratou da referida Solução de Divergência e seu caráter de norma complementar à lei, o que obriga a sua observância pelos auditores fiscais. Insta observar que tal omissão, especialmente, deve ser sanada para fins de interposição do recurso de divergência. 2 Omissão Sob o título '3.6 Da base de cálculo da CIDE lançada equivocadamente no Auto de Infração', a ora Embargante invocou no seu recurso a majoração indevida da base de cálculo da CIDE. Com efeito, assim escreveu a ora Embargante: Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10882.001259/200990 Acórdão n.º 3302005.578 S3C3T2 Fl. 1.124 5 Ou seja, a base de cálculo da contribuição é, na hipótese, o valor de cada remessa à MICROSOFT, portanto, o que deveria ter feito o i. auditor seria apurar a CIDE utilizando apenas os VALORES dos contratos de câmbio no período autuado. Contudo, o i. auditor baseou sua apuração nos valores recolhidos à título de IRRF, fazendo, em seguida, uma regra de 3 para chegar ao valor da CIDE, o que evidentemente causa distorções nos valores encontrados, motivo pelo qual deve ser cancelada a exigência fiscal na forma em que calculada." Em outras palavras, a fiscalização alargou a base de cálculo da CIDE ilegalmente. Com o devido respeito, sobre este aspecto a decisão embargada calouse, devendo, pois, tal omissão ser agora sanada por estes embargos de declaração. 3 Omissão Da mesma forma, sob o título '3.5 Da impossibilidade da exigência da MULTA e dos JUROS. Da ausência da Tipicidade da Norma Penal', a Embargante arguiu em recurso voluntário a impossibilidade da exigência da multa do art. 44 da Lei 9.430/96 por ausência de adequação desta norma penal ao fato dado como irregular pelo auditor fiscal. Sob esta questão o v. acórdão ora embargado foi, concessa venia, omisso, o que demanda a sua correção. 4 Omissão Em seu recurso voluntário a ora Embargante invocou a então recente jurisprudência dos tribunais federais, transcrevendo a decisão prolatada no julgamento do recurso de apelação n°. 2005.61.00.0282454, pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região. DA CONCLUSÃO Considerando que, data venia, há efetivamente omissões no v. acórdão 3102 002.007, que justificam e impõem a apresentação dos presentes Embargos de Declaração, nos quais pede e espera o Embargante sejam recebidos e acolhidos por V.Ex5, com efeitos infringentes, para emendar a decisão embargada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 20 de abril de 2016, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos, proferido pela 1a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para a manifestação sobre: Fl. 1127DF CARF MF 6 1) o caráter de norma complementar da Solução de Divergência 27, de 30/05/08; 2) a majoração da base de cálculo da CIDE; e 3) a impossibilidade da exigência da multa de ofício. Portanto, entendese que o recurso é admissível por atender a forma do artigo 65 do RICARF. 2. DA TEMPESTIVIDADE O Acórdão n° 3102002.007, a 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF data de 24 de setembro de 2013. A empresa COMPUSOFTWARE INFORMATICA LTDA ingressou com recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em 05 de outubro de 2015. As folhas 1.066 do processo digital, quando do ingresso do recurso, a embargante declara que tomou ciência pessoal da decisão embargada no dia 29 de setembro de 2015, conforme Termo de Ciência, Vista e Cópia de Processo Digital anexado aos autos (doc. 01). De fato, às folhas 1.073 do processo digital, consta documento referente à Termo de Ciência,Vista e Entrega de Cópia de Processo Digital, com a ciência pessoal do Embargante, na data mencionada. Assim, o prazo de 5 dias para apresentação desses embargos se iniciou no dia seguinte, 30/09/2015, e findaria 04/10/2015, domingo. Nos termos do parágrafo único, do artigo 52, do Decreto 70.235/72 e parágrafo único, do art. 99, do Decreto 7.574/2011, passou a ter seu termo em 05/10/2015. O recurso é tempestivo. 3. DAS OMISSÕES Em 05 de outubro de 2015, a empresa COMPUSOFTWARE INFORMATICA LTDA ingressou com recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ao Acórdão 3102002.007, de folhas 1.066 a 1070, objetivando sanar as seguintes omissões: 1a. Omissão Em seu recurso a ora Embargante se socorreu da Solução de Divergência n° 27, de 30/05/08, sendo que, após transcrever sua Ementa na pág. 14, apontou o seu caráter normativo, ou seja, norma complementar da lei, nos termos do § 11 do art. 48 da Lei 9.430/96 e dos incisos I e II do artigo 100 do Código Tributário Nacional. 2a. Omissão Sob o título '3.6 Da base de cálculo da CIDE lançada equivocadamente no Auto de Infração', a ora Embargante invocou no seu recurso a majoração indevida da base de cálculo da CIDE. Com efeito, assim escreveu a ora Embargante: Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10882.001259/200990 Acórdão n.º 3302005.578 S3C3T2 Fl. 1.125 7 Ou seja, a base de cálculo da contribuição é, na hipótese, o valor de cada remessa à MICROSOFT, portanto, o que deveria ter feito o i. auditor seria apurar a CIDE utilizando apenas os VALORES dos contratos de câmbio no período autuado. Observando a lei n° 10.168/2000, a qual estabelece a regra matriz de incidência da CIDE Remessas ao exterior, identificase nos § 3° e 4° do art. 2° o critério quantitativo, definindo especificamente no §3° o critério quantitativo como sendo “os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração”. Vêse que a norma acima é clara ao estabelecer o valor líquido, pois define que a CIDE apenas incidirá sobre o montante efetivamente remetido ao exterior, razão pela qual não há como incluir base de cálculo, o imposto de renda retido na fonte, procedendo de tal forma há uma violação ao princípio da tipicidade. Por essas razões, ao identificar que a base de cálculo da CIDE Remessas foi majorada, com a inclusão do imposto de renda retido na fonte, darse provimento, para afastar computo do IRRF na base de cálculo da CIDEremessas. 3a. Omissão Da mesma forma, sob o título '3.5 Da impossibilidade da exigência da MULTA e dos JUROS. Da ausência da Tipicidade da Norma Penal', a Embargante arguiu em recurso voluntário a impossibilidade da exigência da multa do art. 44 da Lei 9.430/96 por ausência de adequação desta norma penal ao fato dado como irregular pelo auditor fiscal. Sob esta questão o v. acórdão ora embargado foi, concessa venia, omisso, o que demanda a sua correção. 4. DO INDEFERIMENTO a) Solução de Divergência n° 27, de 30/05/08. A Solução de Divergência n° 27, de 30/05/08 foi editada já sob a vigência da Lei n° 11452/07, que determina expressamente que as remessas ao exterior para o pagamento de royalties devidos em razão de contratos de licença de uso de programas de computador não estão sujeitos à CIDE, salvo se houver transferência de tecnologia. A solução de divergência não se aplica ao caso, pois a exigência do presente auto de infração se refere a fatos geradores compreendidos nos anos de 2004 e 2005, quando ainda não havia qualquer proibição à cobrança da CIDE sobre as remessas para pagamento de licença de uso de software. Logo, a Solução de Divergência n° 27, de 30/05/08 não se aplica a casos retroativos. b) Da base de cálculo da CIDE. Fl. 1129DF CARF MF 8 Para o deslinde da questão, tomase por esteio a decisão proferida no VOTO VENCEDOR do Acórdão 3102002.141, de 25 de fevereiro de 2014, de autoria do ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Observase que os contratos firmados visam o uso de software e a prestação de serviços de implantação de sistema da plataforma. Vêse, inicialmente, que no caso dos autos não há aquisição de conhecimentos tecnológicos nem a transferência de tecnologia, e sim apenas autorização para utilização do software, resta saber se é hipótese de uso de conhecimentos tecnológicos. Ora, percebese que a Recorrente é mera usuária do software cedido, sendo comercializada apenas a licença para uso do programa, ou seja, os conhecimentos tecnológicos expressos no código fonte não são disponibilizados. A própria legislação pátria protege os direitos autorais dos softwares, definindo ainda, nos termos da Lei 9.610/98, que sua exploração será por contrato de licença e que quando houver transferência de tecnologia será realizado o registro no INPI para proteção contrata terceiros. Vêse, portanto que apesar de restar caracterizada a licença de uso do programa pela licenciada, a essa em nenhum momento foram repassados os conhecimentos tecnológicos. Por fim, para evitar maiores questionamentos, vale destacar que o § 1a A do art. 2 da lei n° 10.168 incluído pela lei n° 11.452, é um norma interpretativa, e assim nos termos do art. 106, inciso I do CTN de ser aplicado retroativamente, assim resta evidenciado que a CIDE é devida quando caracterizada a transferência de tecnologia o que não é o caso dos autos. Para adequada interpretação do comando normativo em análise, necessário reler o texto legal vigente à época da ocorrência dos fatos geradores objeto do presente litígio. Seguese a Lei 10.168/00. Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) Depreendese do texto legal, que o art. 2° da Lei n° 10.168/00, em sua redação original, constituiu três hipóteses de incidência da Contribuição. Onerou os Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10882.001259/200990 Acórdão n.º 3302005.578 S3C3T2 Fl. 1.126 9 valorespagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações de pessoa jurídica quando ela (i) detivesse licença de uso de conhecimentos tecnológicos, (ii) adquirisse conhecimentos tecnológicos ou (iii) fosse signatária de contratos que implicassem transferência de tecnologia. Mais tarde, mas ainda antes da ocorrência dos fatos que deram azo ao lançamento neste controvertido, a Lei n° 10.332/01 introduziu alterações no § 2° do precitado artigo 2° da Lei, criando hipótese de incidência também para (iv) as pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e (v) valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos como royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. À luz das disposições legais aplicáveis à matéria, tomese por base o texto original da Lei n° 10.168/00 ou o texto introduzido pela Lei n° 10.332/01, o fato é não vejo nenhuma possibilidade de se considerar que a transferência de tecnologia tenha sido em algum momento condição para incidência da Contribuição sobre os valores pagos em operações da espécie. Como se lê, o caput do artigo 2°, desde o início, incluiu expressamente (bem como) as pessoas jurídicas (aquela) signatárias de contratos que implicassem transferência de tecnologia à relação dos contribuintes alcançadas pela Contribuição. Disso sobressai, insofismável, a interpretação de que já estavam compreendidas no contexto geral as outras transações, as de pessoas que não fossem signatárias de contratos que implicassem transferência de tecnologia. Por seu turno, a Lei n° 10.332/01, ao incluir na hipótese de incidência valores atrelados a contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e os pagamentos a título de royalties, o fez sem em nenhum momento vincular tais operações à transferência de tecnologia, em harmonia com as disposições legais precedentes. Com efeito, percebo até mesmo um conflito lógico na interpretação sugerida. Quando (nas disposições normativas originais) o campo de incidência ainda era bastante reduzido, existiam três hipóteses. A primeira delas fazia menção a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos; a segunda, aos signatária de contratos que implicassem transferência de tecnologia e a terceira referia apenas pessoa jurídica detentora de licença de uso. Então, qual haveria de ser a distinção existente entre as duas primeiras e a terceira? Pareceme que, se numa das situações foi prevista a aquisição de conhecimentos tecnológicos e noutra a transferência de tecnologia, a situação descrita como licença de uso por certo não requer a ocorrência nem de uma nem de outra No caso específico do parágrafo 1°A introduzido pela Lei 11.452/07, a Lei, além de não ter feito qualquer menção expressa a sua sugerida natureza interpretativa, ainda definiu taxativamente a data a partir da qual essa regra haveria de entrar em vigor. Observese. Art. 20. O art. 2o da Lei n o 10.168, de 29 de dezembro de 2000 , alterado pela Lei n° 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1°A: "Art. 2° Fl. 1131DF CARF MF 10 § 1° A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1° de janeiro de 2006. Vale a pena reproduzir o estudo desenvolvido por Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi, no Livro Imposto de Renda das Empresas, Interpretação e Prática. BASE DE CÁLCULO DA CIDE NA ASSUNÇÃO DO IRRF Dúvidas têm surgido na remessa de rendimentos, ao exterior, sujeitos ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE quando a fonte pagadora assumiu o ônus do imposto de renda na fonte. Para resolver a dúvida é necessário examinar a natureza da despesa representada pelo imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora de rendimentos. O § 3° do art. 344 do RIR/99 dispõe que a dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do Imposto. A redação é infeliz porque quando a fonte pagadora do rendimento não assumir o ônus do imposto de renda não há que falar da dedutibilidade ou indedutibilidade do tributo. A origem daquele parágrafo está no Parecer Normativo CST n° 2/80 cuja ementa diz: Integra o montante do custo ou despesa, e como tal é dedutível, o imposto de renda devido na fonte quando a pessoa jurídica assuma o ônus do imposto e o rendimento pago ou creditado a terceiro seja dedutível como custo ou despesa. Quando a fonte pagadora de rendimentos assumir o ônus do imposto de renda, a legislação considera o tributo como parte integrante do rendimento pago ou creditado. Se pagou royalty e assumiu o imposto, este é considerado parte integrante de royalty. Se pagou remuneração de serviços técnicos e assumiu o imposto, este é parte integrante daquela remuneração. Como o imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos passa a ter a mesma natureza do rendimento pago, a dedutibilidade ou indedutibilidade do imposto de renda assumido depende da natureza da despesa. Com isso, se pagou royalty dedutível, o imposto de renda assumido também é dedutível a título de royalty. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10882.001259/200990 Acórdão n.º 3302005.578 S3C3T2 Fl. 1.127 11 Se a legislação do imposto de renda considera o imposto assumido pela fonte pagadora de rendimento como despesa de mesma natureza da despesa paga, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico CIDE é o rendimento líquido pago acrescido do imposto de renda assumido pela fonte pagadora, independente da dedutibilidade da despesa. O § 3° do art. 2° da lei n° 10.168/00, com nova redação dada pelo art. 6° da Lei n° 10.332, de 191201, dispõe que a contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remtidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2° deste artigo. Nas expressões valores pagos ou creditados está compreendido o valor do imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos. Isso porque o art. 123 do CTN dispõe que salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Isso significa que o sujeito passivo do imposto de renda na fonte é sempre o beneficiário do rendimento, salvo disposição de lei em contrário. Nos pagamentos sujeitos à CIDE a alíquota do imposto de renda é sempre de 15%, salvo no caso de beneficiário residente no Japão e o rendimento enquadrar na alíquota de 12,5%. Assim, no pagamento de R$ 500.000,00 de royalty pela licença de exploração de patente, com imposto de renda assumido pela fonte pagadora, a base de cálculo da CIDE será de: 500.000,00 (100 15) = R$ 588.235,29 A alíquota de CIDE de 10% incidirá sobre o rendimento reajustado de R$ 588.235,29. É interessante notar que o ônus tributário modificou de acordo com as cláusulas contratuais existentes entre o beneficiário do rendimento e a fonte pagadora. Se o ônus do imposto de renda na fonte era do beneficiário do rendimento na forma da lei, este passou a ter menor ônus porque a alíquota do imposto foi reduzida de 25% para 15%. O ônus da fonte pagadora aumentou com a instituição da CIDE à alíquota de 10%. Se o ônus do imposto de renda era por conta da fonte pagadora, não houve alteração para o beneficiário do rendimento, mas houve pequena redução da carga tributária para a fonte pagadora. Isso porque, na remessa de R$ 75.000,00 o imposto de renda na fonte à alíquota de 25% era calculado sobre o rendimento reajustado de R$ 100.000,00 que resultava no imposto de R$ 25.000,00. Fl. 1133DF CARF MF 12 Com a redução da alíquota do imposto de renda para 15% o rendimento reajustado passa para R$ 88.235,29. Neste caso, o imposto de renda à alíquota de 15% resulta em R$ 13.235,29 enquanto a CIDE à alíquota de 10% resulta em R$ 8.823,52 cuja soma resulta em R$ 22.058,81 em vez de R$ 25.000,00 quando não tinha CIDE. Como se percebe, o valor do Imposto de Renda retido na fonte, para efeitos fiscais, integra o ônus suportado por quem paga. Com efeito, esse critério está de acordo com a lógica por detrás do sistemática de cálculo desse tributo, como a seguir demonstro. No cálculo do IRRF, o critério adotado, conhecido como grossup, parte da premissa de que o valor do tributo devido está dentro do valor contratado. É que, se o que se calcula é o imposto de renda que incide sobre o total da renda, o cálculo deve ser feito de tal sorte que, após deduzido o valor do Imposto, a renda permaneça sendo aquela avençada. Se no contrato está previsto o preço de R$ 100,00, para que seja possível reter os 15% do valor do IRRF devido preservando o valor original, é preciso considerar que esses R$ 100,00 são apenas 85% do valor, sob pena de verse modificado o preço transacionado, se não vejamos. Se simplesmente se aplica a alíquota de 15% sobre o valor de R$ 100,00, considerando que o valor total do Imposto integra a renda, a transação passa a ser de R$ 115,00. Só que, daí, se o valor do negócio é de R$ 115,00, aplicandoselhe a alíquota de 15%, chegase a um Imposto de R$ 17,15, o que reduz irremediavelmente o valor líquido da operação. Esta é a razão porque nas operações em que se paga o tributo que é de terceiro, necessariamente será preciso fazer o conhecido cálculo por dentro, da seguinte forma. Valor contratado = Base de cálculo do IRRF 0,85 (100% 15% ou 1 0,15) No exemplo anterior, temse: R$ 100,00 = R$ 117,65 0,85 Esse valor multiplicado pela alíquota do Imposto de Renda (15%) resulta em R$ 17,65, que, subtraídos do valor "grosapado" (R$ 117,65), retorna o valor de R$ 100,00, não modificando em nada o valor líquido. Essa é uma lógica que só pode estar por trás dos tributos que oneram terceiro e que devam ser retidos por quem paga o valor avençado. Por outro lado, como se viu, quando esse tipo de operação acontece, o método precisa necessariamente ser aplicado. Com base nessas considerações, chegase à conclusão que, nas poucas situações em que o cálculo do tributo deve ser feito "por dentro", esse tributo necessariamente passa a compor o valor da operação. Por óbvio, quando esse fenômeno se processa, a revisão do valor considerado tem repercussão contábil ampla e definitiva. Para todos os efeitos, tanto na apropriação contábil do gasto (como leciona Hiromi Higuchi), quanto na definição da base imponível de outros tributos, que é o que aqui se discute, o valor considerado será o majorado, pois a expressão de valor contábil da operação foi, para todos efeitos, acrescido do valor do imposto retido. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10882.001259/200990 Acórdão n.º 3302005.578 S3C3T2 Fl. 1.128 13 c) Da impossibilidade da exigência da MULTA e dos JUROS. Decorre de aplicação direta de Lei artigos 44 e 62 da Lei 9.430/96 e a lei é de conhecimento de todos (artigo 3o da LICC). No mais, há a aplicação da Súmula 04 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base nas razões acima expostas, em acolher os embargos de declaração para sanar as omissões e, no mérito, rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes Jorge Lima Abud. Fl. 1135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720011/2012-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
A falta de atendimento, no prazo fixado, das intimações para prestar esclarecimentos e/ ou para apresentar os arquivos solicitados pela autoridade fiscal, sujeita o contribuinte à multa de ofício agravada, no percentual de 112,0 % do crédito tributário lançado e exigido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2007
CIDE. DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. QUINQUÊNIO.
A contagem do quinquênio do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), para os casos em que houve antecipação de pagamento, deve ser feita a partir do último dia útil do mês em que ocorreu o fato gerador.
Numero da decisão: 9303-006.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A falta de atendimento, no prazo fixado, das intimações para prestar esclarecimentos e/ ou para apresentar os arquivos solicitados pela autoridade fiscal, sujeita o contribuinte à multa de ofício agravada, no percentual de 112,0 % do crédito tributário lançado e exigido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2007 CIDE. DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. QUINQUÊNIO. A contagem do quinquênio do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), para os casos em que houve antecipação de pagamento, deve ser feita a partir do último dia útil do mês em que ocorreu o fato gerador.
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AGRAVAMENTO. A falta de atendimento, no prazo fixado, das intimações para prestar esclarecimentos e/ ou para apresentar os arquivos solicitados pela autoridade fiscal, sujeita o contribuinte à multa de ofício agravada, no percentual de 112,0 % do crédito tributário lançado e exigido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007 CIDE. DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. QUINQUÊNIO. A contagem do quinquênio do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), para os casos em que houve antecipação de pagamento, deve ser feita a partir do último dia útil do mês em que ocorreu o fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 11 /2 01 2- 36 Fl. 10725DF CARF MF Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 9303006.930 CSRFT3 Fl. 10.726 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos tempestivamente pelo Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3402003.108, de 22 de junho de 2016, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e não conheceu do recurso voluntário, na parte em que há concomitância com os processos judiciais; na parte conhecida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o agravamento da multa de ofício, nos termos das ementas transcritas abaixo, na parte que interessa ao litígio em discussão: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 (...) DECADÊNCIA. Os fatos geradores da CIDE são mensais por expressa determinação legal, Sendo assim, o prazo de decadência de cinco anos, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, deve ser contado mês a mês. (...) MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, para apresentar arquivos ou sistemas, ou para apresentar documentação técnica, nos termos estabelecidos em lei, a multa deve ser agravada em 50%. (...) Recursos de ofício e voluntário negados" Embora na ementa "MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO" conste a manutenção do agravamento da multa e o resultado tenha sido registrado "Recursos de ofício e voluntário negados", de fato, o agravamento da penalidade foi rejeitado pelo Colegiado da Câmara Baixa, conforme se verifica da redação do acórdão (fls. 10.504) e comprova o voto vencedor (fls. 10.519/10.521). Fl. 10726DF CARF MF Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 9303006.930 CSRFT3 Fl. 10.727 3 Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, requerendo a sua reforma, afim de restabelecer o agravamento da multa de ofício, alegando em síntese, que, intimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentos e arquivos imprescindíveis à realização do procedimento fiscal, o contribuinte não atendeu às intimações, nos prazos marcados e/ ou as atendeu de forma parcial e insatisfatória, conforme demonstrado nos autos, citando e transcrevendo como exemplo: "não foram informadas todas as remessas feitas ao exterior; ausência de indicação de vários contratos de câmbio ou indicação com numeração divergente; apresentação de poucos contratos comerciais e, a maioria, em inglês, sob argumentação de que não seria “política da empresa” traduzir tais documentos; e ainda recolhimentos efetuados de Cide não informados". A realização e conclusão do procedimento fiscal somente foi possível com o socorro das instituições financeiras com as quais o contribuinte realizou as operações de câmbio para remeter os valores para o exterior, e com a ajuda do Banco Central. O agravamento tem como fundamento o art. 44, inciso I, § 2º, da Lei nº 9.430/1996; assim, deve ser mantido. Por meio do despacho Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 10.544/10.548, o recurso da Fazenda Nacional foi admitido pelo Presidente Substituto da 3ª Seção deste CARF. Intimado do acórdão, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte apresentou recurso especial, requerendo a reforma do acórdão e o consequente cancelamento integral do lançamento em discussão, alegando, em síntese, que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado e exigido para os fatos geradores ocorridos até 31/01/2007, defendendo a contagem do prazo quinquenal decadencial, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, sob a alegação de que houve antecipação de pagamento por conta da parcela lançada e exigida para o mês de janeiro/2007; suscitou também a ocorrência de bis in idem, em virtude de prevalência de contribuição mais expressiva, o FUNTELL que, de fato, é uma CIDE, assim como o FUST, sendo ambas mais específicas, criadas com o mesmo objetivo de incrementar e desenvolver o setor de telecomunicações. Por meio do despacho Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 10.670/10.675, o Presidente da Quarta Câmara admitiu parcialmente o recurso do contribuinte, dando seguimento apenas com relação à suscitada decadência. Inconformado com a admissibilidade parcial, o contribuinte interpôs Agravo que foi analisado e rejeitado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do despacho às fls. 10.694/10.699. Além do recurso especial, o contribuinte apresentou, juntamente com este, suas contrarrazões, requerendo, em preliminar, a inadmissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional, alegando que os paradigmas apresentados não têm similitude fática com a decisão recorrida; e, no mérito, defendeu a manutenção da exclusão do agravamento da multa de ofício, alegando, em síntese, que a documentação solicitada pela Fiscalização envolvia milhares de documentos, tais como contratos de câmbio e comerciais, documentos de arrecadação de inúmeras remessas realizadas ao longo de todo o ano calendário de 2007; além disto o agravamento da multa depende de demonstração de que as intimações não foram atendidas. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, defendendo a inocorrência Fl. 10727DF CARF MF Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 9303006.930 CSRFT3 Fl. 10.728 4 da decadência do seu direito de constituir a parte do crédito tributário correspondente à competência de janeiro de 2007, defendendo a contagem do quinquênio a partir de 31/01/2007, com aplicação do disposto no § 4º do art. 150 do CTN. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os recursos apresentados atendem aos requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; assim devem ser conhecidos. A Fazenda Nacional suscitou a divergência jurisprudencial, quanto ao agravamento da multa de ofício. Consoante o enquadramento legal indicado no auto de infração, a multa de ofício agravada teve como fundamento a Lei nº 9.430/1996, que assim determina: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...)." No presente caso, conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal às fls. 9.797/9.808, parte integrante do auto de infração, o procedimento fiscal foi bastante prejudicado pela falta de informações e/ ou informações inconsistentes do contribuinte, bem como pela não apresentação da documentação solicitada pela Fiscalização, tais como contratos de câmbio e contratos comerciais. Apesar de intimado e reintimado, o contribuinte atendeu às intimações depois das datas marcadas, de forma parcial e, em alguns casos, não as atendeu. Especificamente, em relação aos contratos comerciais, alegou que não é política da empresa efetuar suas traduções para a língua portuguesa. Segundo o Termo de Constatação Fiscal, o contribuinte dificultou ao máximo que pode a realização do procedimento administrativo fiscal, apresentando informações Fl. 10728DF CARF MF Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 9303006.930 CSRFT3 Fl. 10.729 5 incompletas e/ ou deixando de apresentálas e, quando as atendeu, foram apresentadas depois das datas marcadas. Diante desse procedimento, a Fiscalização se viu obrigada a solicitar ao Banco Central do Brasil e a algumas instituições financeiras, com as quais o contribuinte operou, no ano calendário de 2007, informações sobre as remessas de valores para o exterior efetuadas por ele. Com o atendimento do Banco Central e dessas instituições, conseguiu levantar mais alguns contratos de câmbio que não haviam sido informados/apresentados pelo contribuinte, concluindo então o procedimento fiscal. Ressaltese ainda que, segundo consta daquele termo, essa posição de não atender de forma satisfatória e no prazo marcado as intimações, inclusive, apresentando planilhas incorretas, omitindo documentos e/ ou postergando suas apresentações, constitui prática corriqueira do contribuinte. Nos processos administrativos nº 18474.000778/200631, nº 16643.000083/201091 e nº 16643.000085/201081, todos antecedentes a este, em discussão, quando intimado, não atendeu às intimações, nos prazos dados e/ ou as atendeu parcialmente, deixando de apresentar documentos importantes para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias. Assim, correto a manutenção do agravamento da multa de oficio defendido pela Fazenda Nacional. Quanto ao recurso especial do contribuinte, a matéria restringese à decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos até janeiro de 2007. A Lei nº 10.168/2000 que instituiu a CIDE, assim dispõe: "Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. (...). § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001 (destaque não original) (...). § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (destaque não original) (...)." Ora, segundo o disposto nos §§ 3º e 5º transcritos acima, o fato gerador da contribuição é mensal, ocorrendo, portanto, no último dia útil do respectivo mês em que as operações foram realizadas. Fl. 10729DF CARF MF Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 9303006.930 CSRFT3 Fl. 10.730 6 A decadência do direito de se constituir créditos tributários está regulada no Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...). Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Já no julgamento do REsp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça (STJ) assim decidiu, quanto à decadência: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. Consoante os dispositivos citados e transcritos acima, para os casos em que há antecipação de pagamento por conta da parcela da contribuição devida, a contagem do prazo quinquenal decadencial deve ser efetuada, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da data do respectivo fato gerador; já para os casos em que o contribuinte não efetua quaisquer antecipações, a contagem deve ser efetuada, nos termos do art. 173, inciso I, desse mesmo Código, ou seja, seja a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No pressente caso, houve antecipação de pagamento para a contribuição devida sobre as remessas efetuadas em janeiro de 2007. Fl. 10730DF CARF MF Processo nº 16561.720011/201236 Acórdão n.º 9303006.930 CSRFT3 Fl. 10.731 7 Conforme demonstrado nos autos e reconhecido pelo próprio contribuinte, em sua impugnação às fls. 9718, a intimação do lançamento se deu em 31/01/2012. Assim, contandose o prazo de 5 (cinco) anos de que a Fazenda Nacional dispunha para constituir o crédito tributário correspondente ao mês de janeiro de 2007, a data limite expiraria em 31/01/2012, data em que foi intimado do seu lançamento. Ao contrário do seu entendimento, o acórdão recorrido não levou em conta o vencimento da contribuição e sim o mês do fato gerador, janeiro de 2007. O vencimento da contribuição deste mês ocorreu em 15/02/2007. Dessa forma, demonstrado e provado que o contribuinte foi intimado do lançamento dentro do quinquênio decadencial, ou seja, antes de decorridos os cincos de que a Fazenda Nacional dispunha para a constituição do crédito tributário correspondente ao mês de janeiro de 2007, não há que se falar em prescrição. À luz do exposto, voto por DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 10731DF CARF MF
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Numero do processo: 13710.002341/96-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991
REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Crédito expressamente reconhecido e homologado, sobre o qual não se apresentou recurso à DRJ, não é suscetível de revisão por esta, a não ser que se enquadre em uma das hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA 91 DO CARF.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Se a contribuinte submeteu ao Judiciário o reconhecimento de seus créditos e não logrou êxito, não é cabível, por preclusão consumativa, que ela venha novamente apresentar no âmbito administrativo seu pretenso direito relativo aos mesmos créditos, ainda que sob fundamentos diversos.
Numero da decisão: 3301-004.751
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reformar a decisão da DRJ, por vício material decorrente de determinação de mudança de critério jurídico de lançamento por homologação consolidado, anulando o Parecer Conclusivo no 198/2008 e os atos dele decorrentes, sendo restabelecidos, consequentemente, os efeitos do Parecer Conclusivo no 60/2005.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 REVISÃO DO LANÇAMENTO. Crédito expressamente reconhecido e homologado, sobre o qual não se apresentou recurso à DRJ, não é suscetível de revisão por esta, a não ser que se enquadre em uma das hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA 91 DO CARF. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Se a contribuinte submeteu ao Judiciário o reconhecimento de seus créditos e não logrou êxito, não é cabível, por preclusão consumativa, que ela venha novamente apresentar no âmbito administrativo seu pretenso direito relativo aos mesmos créditos, ainda que sob fundamentos diversos.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reformar a decisão da DRJ, por vício material decorrente de determinação de mudança de critério jurídico de lançamento por homologação consolidado, anulando o Parecer Conclusivo no 198/2008 e os atos dele decorrentes, sendo restabelecidos, consequentemente, os efeitos do Parecer Conclusivo no 60/2005. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 REVISÃO DO LANÇAMENTO. Crédito expressamente reconhecido e homologado, sobre o qual não se apresentou recurso à DRJ, não é suscetível de revisão por esta, a não ser que se enquadre em uma das hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RELATIVO A TRIBUTO COM LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA 91 DO CARF. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Se a contribuinte submeteu ao Judiciário o reconhecimento de seus créditos e não logrou êxito, não é cabível, por preclusão consumativa, que ela venha novamente apresentar no âmbito administrativo seu pretenso direito relativo aos mesmos créditos, ainda que sob fundamentos diversos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reformar a decisão da DRJ, por vício material decorrente de determinação de mudança de critério jurídico de lançamento por homologação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 23 41 /9 6- 06 Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.059 2 consolidado, anulando o Parecer Conclusivo no 198/2008 e os atos dele decorrentes, sendo restabelecidos, consequentemente, os efeitos do Parecer Conclusivo no 60/2005. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira. Relatório O presente versa sobre Pedido de Compensação de créditos decorrentes de recolhimentos que teriam sido efetuados a maior, referentes à COFINS, nos períodos de apuração de abril/1992 a dezembro/1995, e de créditos, que também teriam sido recolhidos a maior, referentes ao PIS, nos períodos de janeiro/1991 a dezembro/1995. Tais créditos, atualizados monetariamente pela contribuinte, importariam em R$ 14.714.313,85. Para compreensão integral do caso, mister consignar informações sobre seu andamento processual. O pleito do contribuinte, segundo seu requerimento inicial, pautouse na informação de que, por ser distribuidor de livros, jornais e periódicos, o seu faturamento deveria ser o produto das comissões efetivamente recebidas de cada editor e que, equivocadamente, vinha considerando corno receita, o produto total arrecadado para os editores, fazendo incidir, portanto, sobre esse valor as contribuições para a COFINS e para o PIS. Esclarece que tal procedimento deu origem a recolhimentos superiores ao realmente devido, e que, de acordo com a Decisão n° 68/1996, relativa a consulta formalizada no processo administrativo n° 13710.001338/9577, foi possível corrigir o seu erro e reaver o indébito recolhido a maior. O contribuinte anexou ao processo cópia não assinada da Decisão n° 68/96, às fls. 22/24 (mas da qual consta, conforme fl. 24, que o Chefe da Divisão de Tributação assinou o original). Anexou mapa demonstrativo das diferenças recolhidas a maior de COFINS, bem como cópias de recolhimentos judiciais e de DARF'S da referida contribuição (fls. 25 a 44). Anexou também o mapa demonstrativo das diferenças recolhidas a maior do PIS, bem como os respectivos DARF de recolhimento. Constam cópias de documentos elaborados pelo Departamento de Contabilidade da Recorrente e enviados ao Departamento de Pessoal, nos quais estão indicados Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.060 3 o faturamento da Fernando Chinaglia nos períodos de janeiro/1991 a dezembro/1995, discriminado por filial matriz. Os valores constantes nestes documentos estão indicados nas planilhas de fls. 25, 26 ,45 e 46 como sendo o faturamento indevidamente utilizado na base de cálculo da COFINS e do PIS. Inicialmente a Divisão de Tributação da DRFRio de Janeiro solicitou os originais dos DARF's apresentados pela Recorrente, bem como, esclarecimentos sobre ao que se referiam os depósitos judiciais cujas cópias das guias encontramse nos autos. Solicitou, ainda, que a ARF/Tijuca confirmasse os respectivos pagamentos. Em atendimento, a Recorrente informou que foram propostas duas ações judiciais relativamente à COFINS. A primeira tratavase de Medida Cautelar Inominada com pedido de liminar, Processo no 9200229913 da 20a Vara Federal do RJ, na qual foi concedida liminar para garantir a realização de depósitos, que foram efetuados a partir de maio/1991 até dezembro/1995, conforme demonstrativo e guias de recolhimento que anexados. Informou, a Recorrente, que o pedido foi julgado improcedente e revogada a liminar, conforme sentença anexada. A sentença teria sido publicada em 14/04/94, transitando em julgado, vez que não houve interposição de recurso. Tendo sido o processo arquivado, os depósitos foram considerados como renda da Unido. O segundo provimento judicial tratavase de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária, Processo n° 9201357540; distribuída em 01/06/92, por dependência ao Juizo da 20a Vara Federal do RJ, tendo sido julgada . O presente processo retornou à Divisão de Tributação da Delegacia do RJ, quando então foi encaminhado à PFNRJ, a fim de que fosse informado o andamento da ação de n° 9201357540. Em 04.02.1997, determinase retorno do processo à DISITSECIJUCESO. O extrato do andamento processual foi juntado ao autos, do qual consta a baixa e o arquivamento dos autos. Foram juntadas cópias dos auto judiciais anteriormente mencionados. Encontramse cópias de petições formuladas pela PFN, nos autos do processo judicial n° 92.00229913, no sentido de que fosse efetuada a conversão dos depósito em renda da União. Consta petição da Procuradoria da Fazenda Nacional ao Juízo da 20a Vara Federal, a fim de que fosse desconsiderado o pedido formulado quanto à conversão em renda, tendo em vista que tais providencias já haviam sido atendidas. Consta despacho datado de 09.04.1997, encaminhando o processo para a DRF/CESU/SECIJU, face o domicilio Fiscal da empresa. Foi, então, o processo encaminhado DIFIS/DISAR para que fossem verificados os depósito judiciais e a conversão em renda. Consta Termo de Intimação, datado de 19.05.1997, sem, entretanto, constar ciência da Recorrente, no qual, é solicitado, entre outros documentos, qual a decisão judicial proferida nos autos do processo n° 92/0029913, a respeito do solicitado pelo representante Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.061 4 legal da empresa, em 20.10.1992, quanto ao recolhimento de diferenças da COFINS pagas a maior nos meses de 05/1992, 06/1992 e 07/1992. Consta Termo de Intimação, no qual são solicitados os Demonstrativos de Apuração dos Exercícios após as modificações sofridas na base de cálculo das recitas auferidas, bem como os Balanços Patrimoniais decorrentes dos Demonstrativos de Resultados para os anosbase de 1991 a 1995. Solicitou, também, as declarações de rendimentos IRPJ Retificadoras para os exercícios não decadentes, ou seja, exercício 1993, anobase 1992, em diante. Informa, ainda, a Fiscal, que somente desta forma poderá verificar as novas bases de calculo encontradas para a contabilização das Comissões Auferidas, nos termos da Consulta n° 68/96. Consta, também, determinação no sentido de que '"... a empresa deverá expurgar de seus Custos, Despesas Operacionais e NãoOperacionais, todos os dispêndios não envolvidos diretamente com as Comissões efetivamente auferidas, apurandose novas bases de cálculo do IRPJ e Contribuição Social" Cópias das declarações retificadoras dos anos Calendário de 1991 a 1995 foram anexadas aos autos. No Relatório Fiscal, datado de 01.12.1997, a Fiscalização informa, dentre outras considerações, que a Recorrente cometeu equívoco na utilização da UFIR para conversão da base de cálculo, e ratifica a exigência de ação Fiscal na empresa, tendo em vista a decadência a ocorrer para o ano de 1992. Abaixo, transcrevemse algumas observações registradas pela Fiscalização no referido relatório: O confronto das declarações de rendimentos apresentadas inicialmente com as retificadas nos alerta para alguns fatos curiosos: 1°) Em todos os anoscalendário os Balanços Patrimoniais permaneceram os mesmos, ou seja, houve enxugamento:das Receitas, mas não houve modificações do ATIVO e PASSIVO. Observase em Fornecedores Passivo (que trata dos Editores) e em Valores Mobiliários Ativo, montantes 10 (dez) vezes superiores as comissões recebidas (faturarnento). Concluise que não houve expurgo dos valores pertinentes aos Editores. (...) 3°) Em Clientes (incluiuse os revendedores de periódicos/revistas) (...) 7°) As bases de cálculos do PIS são superiores às da COFINS em 100%. Investigar se a empresa incluiu receitas financeiras nas bases de cálculo (se trabalha com a receita operacional). Exigir esclarecimentos. 8) Exigir esclarecimentos quanto ao fa o de que as Receitas Liquidas mensais divergem dos valores declarados no Anexo 4 Bases d Cálculo do PIS/COFINS. 9°) Com relação ao anocalendário de 1992 , dado o tempo exíguo, sugiro que sejam revistos: 9.1 o Faturamento mensal bases de cálculo do PIS e COFINS. (...) 10°) Para os demais exercícios: Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.062 5 10.1 Balanços. 10.2 Faturamentos. 10.3 Saldos devedores correção monetária (às vezes muito baixo, às vezes muito alto). 10.4 Custos. 10.5 Outras Despesas Operacionais. Quanto ao presente processo e as compensações requeridas, este Grupo Fiscal aguarda confirmação dos faturamentos, exclusões das frises de cálculo do PIS e da COFINS, para prosseguir na apuração do montante que d everá permanecer à disposição da empresa. O presente processo foi então encaminhado ao grupo Fiscal 086 para verificação das irregularidades apontadas. A Recorrente foi então intimada a informar com quais tributos administrados pela SRF desejava compensar os valores que lhe seriam creditados (original do termo de Intimação às fls. 509). Foi intimada também a apresentar os contratos de compra por consignação dos três maiores fornecedores editores e os contratos de venda por consignação com os três maiores clientes. Foi exigida ainda a comprovação dos valores das bases de cálculo do PIS e FINSOCIAL constantes nas declarações de IRPJ retificadoras referentes aos anos base de 1992 a 1995. Foram anexados os contratos solicitados. Consta a resposta da Recorrente A intimação acima citada, na qual informa, entre outros esclarecimentos, pretender compensar os créditos de COFINS e PIS, com débitos das mesmas e, quando couber, de acordo com a IN 21197, compensar com IRPJ e CSLL. Na oportunidade apresentou, também, mapas Demonstrativos das Receitas apuradas nos períodos de 1992 a 1995, os quais foram juntados aos autos às fls. 542 a 545. A Recorrente apresentou novas planilhas de cálculo das importâncias a serem restituídas de PIS e COFINS. A Fiscalização, às fls. 608, esclarece que de acordo com a IN SRF 211/97, a Recorrente poderia compensar os seus créditos com tributos e contribuições da mesma espécie, independentemente de requerimento, e relativamente a outros tributos e contribuições administrados pela RFB, a compensação deveria ser efetivada mediante a apresentação de requerimento à RFB. Informa ainda a Fiscalização que para comprovar o procedimento alegado pela Recorrente, relativamente ao fato de que o seu faturamento somente seria as comissões recebidas dos editores para análise os contratos com os fornecedores e clientes, bem como algumas notas fiscais. Interessante reproduzir trecho que a Fiscalização informa que, além da Decisão no 98/96, analisou os contratos da Recorrente e concluir que esta trabalha por consignação (Relatório de Fiscalização, f. 608): Em atendimento ao despacho de fls. 504 do presente processo, compareci ao domícilio tributário do contribuinte ... (...) Conforme consta no processo a origem desta compensação foi uma consulta feita à SRF onde a empresa alega que sua operação principal é toda por consignação e que, portanto, o seu faturamento somente seria as comissões recebidas dos editores. Para comprovar tal procedimento foi que solicitei os contratos com Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.063 6 fornecedores e clientes . Neste caso, analisando estes contratos e também algumas 'notas fiscais ,conclui que a empresa realmente trabalha por consignação. (grifos nossos) Por tal motivo, esclarece a Fiscalização que procedeu ao levantamento das corretas bases de cálculo e alíquotas aplicadas para o PIS e a COFINS, no período de 01.01.92 a 31.12.95. Portanto solicitou a apresentação de demonstrativo das receitas totais contabilizadas e transcritas nas declarações de IRPJ no período. Determinou, também, a apresentação de mapas demonstrando as bases de cálculo, alíquotas e os valores dos tributos corretamente devidos no período. Concluiu o Fiscal que: Estes mapas informam exatamente os valores dos tributos pagos com a base de cálculo anterior, os valores devidos após a resposta da consulta e as diferenças a compensar em UFIR. Após conferidas por este AFTN podemos afirmar que as quantidades de UFIR pleiteadas para compensação estão corretas e são de 12.336.259,18 (Doze milhões, trezentos e trinta e seis mil, duzentas e cinqüenta e nove e dezoito centésimos) para a Cofins e 2.208.353,08 (Dois milhões duzentos e oito mil, trezentos e cinqüenta e três e seis centésimos) para o Pis. O relatório Fiscal constante das folhas 502 e 503 deste processo alerta para o erro de cálculo na transformação de ufir bem como ratifica a exigência de ação Fiscal na empresa para o período de 010192 a 311295. No que se refere ao erro na transformação de ufir os mapas juntados agora ao processo fazem esta correção. Quanto a ação Fiscal na empresa propomos que seja feita somente para os anos calendário de 1.993 a 1.995, tendo em vista o tempo previsto para decadência do anobase de 1.992." Consta que o processo foi encaminhado para a DISAR/EQREST em face do pedido de compensação por via administrativa. No despacho de encaminhamento, há um alerta para o fato de que a Fiscalização já teria revisto as bases de cálculo do PIS e da COFINS e que haveria, ainda, erro no valor a ser compensado (apuração) para o ano base de 1991 (fl. 546). Por fim, foi registrado o questionamento se teria ocorrido soma de BTNF com UFIR. Do despacho proferido pela Divisão de Tributação, consta, em resumo, que: A Recorrente quer compensar créditos no valor de R$ 14.714.313,85 com débitos constantes dos processos n° 13710.002471/9875, 13710.001875/9950, 13710.001876/9912 e 13710.001877/9985. Foram cometidos equívocos quando da conversão dos valores a serem restituidos, totalizando valores de UFIR e Reais a compensar incorretos. O valor referente ao PIS seria significativamente maior e o relativo à COFINS, menor. Ao final solicita que seja informada se existe discordância entre os valores informados como recolhidos indevidamente a titulo de COFINS e os valores constantes das cópias dos DARF e Guias de Depósito, relativos ao período de abril/92 a junho/94, ou se os valores constantes das planilhas estão corretos. Retorna, então o processo para a DIFIS para possível reconsideração quanto ao valor a que faz jus a interessada. Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.064 7 Em despacho datado de 16.05.2001, a Fiscalização informa haver anexado novas planilhas demonstrativas, corrigindose o erro cometido anteriormente na conversão de valores em UFIR. Acrescenta que as bases de cálculo não foram alteradas pois encontravamse exatamente corno na contabilidade do contribuinte. O presente processo retoma à DISIT/DRF/RJ, que o reencaminha, face à solicitação, ao CACTijuca. Consta termo de retirada de cópias das planilhas de fls. 555 a 558, pelo procurador da interessada. Em 13.06.2003, a DIORT informa que se encontram apensos ao presente processo os de n° 13710.000174/9514, 13710.002471/9875, 15374.000014/9811, 13710.001875/9950, 13710.001876/9912, 13710.001877/9985 e 15374.002150/0097, cujos débitos pretende a interessada compensar. Esclarece, ainda, em resumo, que para prosseguimento da análise da compensação pleiteada da COFINS é necessário que sejam verificados os efetivos valores dos depósitos judiciais convertidos em renda da União, ocorridos no período de abril/1992 a novembro/1993, enviando, pois o presente processo à DICAT. A DICAT esclarece, em resumo, que os depósitos judiciais representavam exatamente a COFINS devida por todas as integrantes da empresa no Brasil, sendo a conversão suficiente para guitar os débitos das mesmas, não restando, portanto, saldo de depósitos a favor da empresa. Retoma, então, em 01.12.2003, o processo para a DIORT/RJ/EQPEJ. Em 05.03.2003, o presente processo, mais uma vez, retoma ao CAC/TIJUCA para atualização no PROFISC dos processos n° 13710.000174/9514, 13710.002471/9875, 13710.001875/9950, 13710.001876/9912 e 13710.001877/9985 (débitos de terceiros), conforme despacho de fls. 646. Feitas as atualizações solicitadas, o processo retorna à DIORT/RJ/EQPEJ). Mais uma vez, em 22.07.2004, o processo retoma ao CAC/TIJUCA a fim de que fosse verificado se os débitos controlados pelos processos apensos encontravamse parcelados, tendo em vista que a interessada aderiu ao PAES, conforme despacho de fls. 654. Constam cópias de Pedidos de Compensação. Nestas, verificase que: · Da cópia do pedido de compensação de fls. 655, consta que a protocolização ocorreu em 09.04.2002, e referese a débitos relativos ao período de apuração de dezembro/2001. · Da cópia do pedido de compensação de fls. 656, consta que a protocolização ocorreu em 17.04.2002, e referese a débitos relativos ao período de apuração de dezembro/2001. · Da cópia do pedido de compensação de fls. 657, consta que a protocolização ocorreu em 16.05.2002, e referese a débitos relativos ao período de apuração de janeiro/2002, fevereiro/2002 e março/2002. · Da cópia do pedido de compensação de fls. 658, consta que a protocolização ocorreu em 01.10.2002, e referese a débitOs relativos ao período de apuração de abril/2002, maio/2002 e junho/2002. Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.065 8 A Recorrente requer correção dos valores requeridos no Pedido de Compensação, protocolado em 01.10.2002, de R$ 78.355,16 para R$ 50.582,11 e de R$ 80.036,90 para R$ 79.784,94, permanecend6 os demais valores ali consignados. Para tal, anexa novo pedido de compensação Constam recibos de entrega de DCTF, onde se verifica que a Recorrente informa haver compensado a CSLL nos valores de R$ 50.582,11 e R$ 79.784,94 para os períodos de apuração maio e junho de 2002. O processo retorna, em 22.09.2004, à DIORT/DERAT/RJ/EQPARC. Consta informação da DERAT/RJOEQRES a respeito da situação de débitos no SIEF, de processos, que até então não constavam como apensados ao presente. São eles os de n° 13710.001175/200410 (foi desapensado As fls. 619), 13710.001204/200354, 13710.001205/200307, 13710.000121/200348, 13710.000122/260392. Em 03.03.2005, o processo é encaminhado A EQPEJ, para análise com urgência, tendo em vista a ocorrência de prazo para homologação tácita. No Parecer Conclusivo n° 60/2005, a DERAT/RJO/DIORT/EQPEJ, informa em resumo que: A compensação requerida no valor total de R$ 14.714.313,85 ocorreria relativamente aos processos n° 13710.000174/9514, 15374.000014/9811, 13710.002471/98 75, 137120.001875/9950, 15374.002150/0097, 13710.001338/200294, 13710.000122/2003 92, 13710.000121/200348, 13710.001204/200354, 13710.001205/200307, 13710.000561/2004 86, 13710.000603/200489, 13710.000858/200441, 13710.000986/2004 95, 13710.001697/200411, 13710.001911/200421, 13710.001902/200431, 13710.001909/2004 52, 13710.001908/200416, .13710.001907/200463, 13710.001912/200476, 13710.001910/200487, 13710.001906/200419, 13710.002380/2004 94, 13710.002583/200481, 13710.002791/200480, 13710.003154/200421, 13710.003313/200497, 13710.003562/200482, 13710.000614/00540 e 13710.000824/2005 38. Tendo sido convertidos em renda os depósitos judiciais, relativos à COFINS no período de. abril/1992 a novembro/1993, somente analisou os recolhimentos efetuados a partir do período de apuração de dezembro/1993 a dezembro/1995. Segundo a planilha de fls. 559 a 561 (páginas do processo original), os recolhimentos foram efetuados entre os dias 21/05/1992 e 10/01/1996, relativamente à COFINS, e entre os dias 04/04/1991 e 15/01/1996, relativamente ao PIS. Como o processo foi protocolizado em 29/10/1996, não analisou os pagamentos efetuados no período de 04/04/1991 a 15/10/1991, para exame de mérito do pedido de compensação, pelo fato de encontrarse extinto o direito de pleitear a restituição no período citado. Analisou a restituição quanto aos pagamentos períodos de 13/11/1991 a 15/01/1996 e, relativamente a 10/01/1996. Às fls. 619 a 626 (páginas do processo original), encontramse extratos das DIPJ retificadoras dos anos calendários de 1991 a 1995. Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.066 9 De acordo com o art. 64 da IN SRF n° 460/2004, o pedido de compensação de fls. 01 a 06 foi convertido em Declaração de Compensação. Da análise das planilhas de fls. 559 a 561 (páginas do processo original), anexadas pela DEFIC, e das DIRPJ, anos calendário de 1991 a 1995, entregues pela Recorrente, elaborou novas planilhas, anexadas Às fls. 661 a 663 (páginas do processo original), demonstrando as bases de cálculo, bem como os valores de COFINS e PIS, anos bases de 1991 a 1995. A partir de outubro/1995 utilizou a aliquota de 0,65% para o PIS, em observância ao disposto na MP n° 1212/1995, convertida na Lei n° 9715/98. Da fl. 635 (página do processo original), consta consulta ao sistema SIEF PERDCOMP, onde demonstrase que a interessada apresentou Declarações de Compensação, anexas às fls. 636 a 659 (páginas do processo original), nas quais foram informados débitos a serem compensados com o crédito pleiteado no presente processo. Em 12.04.2005; a DERAT/RJO/DIORT propõe o reconhecimento do direito creditório no valor de 13.024.448,06 UFIR, que atualizado de acordo com o art. 52 da IN SRF 460/2004, corresponde a R$ 10.793.360,11. Destes 8.562.497,58 UFIR (R$ 7.095.741,74) referentes a CORNS e 4.461.950,48 UFIR (R$ 3.697.618,36) referentes ao PIS. Propôs, ainda, que fossem homologadas as compensações efetuadas: . nos processos 13710.000174/9514, 15374.000014/9811, 13710.002471/98 75, 13710.001875/9950, 15374.002150/0097, 13710.001338/200294, 13710.000122/200392, 13710.000121/200348, 13710.001204/200354, 13710.001205/200307, 13710.000561/200486, 13710.000603/200489, 13710.000858/200441, 13710.000986/200495, 13710.001697/200411, 13710.001911/200421, 13710.001902/200431, 13710.001909/200452, 13710.001908/200416, 13710.001907/200463, 13710.001912/200476, 13710.001910/200487, 13710.001906/200419, 13710.002380/200494, 13710.002583/200481, 13710.002791/200480, 13710..003154/200421, 13710.003313/200497, 13710.003562/200482, 13710.000614/200540 e 13710.000824/200538, apensados ao presente, bem como através das DCOMP, de fls. 636 a 659 (renumeradas para 705 a 728), até o limite do crédito reconhecido. Consta a decisão exarada pela DERAT, em 11.05.2005, reconhecendo parcialmente o direito creditório da Recorrente, com base no Parecer Conclusivo n° 60/2005. Consta demonstrativo indicativo por processo, onde deveria ocorrer a homologação integral, parcial e a não homologação. A partir deste demonstrativo, elaborado pela DERAT/RJO/DIORT/EQRES, foi elaborado o despacho, onde consta decisão, datada de 04.07.2005, nos seguintes termos: HOMOLOGO INTEGRALMENTE as¡ Declarações de Compensação de fls. 01 do proc. 13710.002471/9875; fls. 32/35 do proc. 13710.001875/9950; fls.143 do proc. 4 . 15374.002150/009741s.599 do proc. 13710,000174/951; fIs. 593/596, 640/643, 644/647 e 648/651 do proc. 18710.002341/9606; fls. 01 do proc. 13710.001204/200354; fls. 01 do proc. 1710.001205/200307; fls. 01 do proc. 1 3710.000121/200348; fls. 01 do proc. 13710.000122/200392; fls. 01 do proc. 13710.000561/200486; fls. 01 do proc. 13710.000603/200489; fls. 01 do proc. 13710.000858/200441; fls. 01 do proc. 1 3710.000986/200495; fls. 01. do proc. Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.067 10 13710.001697/200411; fls. 01 do proc. 1 3710001911/200121; fls. 01 do proc. 13710.001902/200431; fls..01 do proc. 1371 0.001909/200552; fls. 01 do proc. 13710.001908/200416; fls. 01 do proc. 13710.001907/200463; fls. 01 do proc. 13710.001912/200476; fls. 01 do proc. 13710.001910/200487, NÃO HOMOLOGO as Declarações de Compensação de fls. 01 do proc. 13710.002380/200484; fls. 01 do proc. 137 10.002583/200481; fls. 01 do proc. 13710.002791/200480; fls. 01 do prod. 13710.003154/200421; fls. 01 do proc. 13710.003313/200497; fls. 01 do proc. 13710.003562/200482; fls. 01 do proc. 13710.000614/200540; fls. 01 do proc. 137 10.000824/200538, HOMOLOGO PARCIALMENTE a de fls. 01 do proc. 13710.001906/200419 ,que apresenta, nesta data, um saldo devedor de R$ 448.222,21( quatrocentos e quarenta re oito mil duzentos e vinte e dois reais e vinte e um centavos) (grifos nossos). Homologando parcialmente a declaração de compensação constante nas fls. 01 do processo n° 13710.001906/200419, restando neste um saldo devedor de R$ 448.222,21. Ao final, a referida decisão determina o encaminhamento do processo ao CAC/TIJUCA para: "a) ciência à interessada do Despacho Decisório de fls. 661/668, dos cálculos efetuados pela EQRES de fls. 669/787 e do presente Despacho; e b) cobrança dos saldos devedores remanescentes discriminados nos quadros 2e 3 às fls. 822 concernente) às citadas Declarações de Compensação, obedecidas as determinações da IN SRF no 460/2004, destacandose, em especial, as contidas em seus artigos 29, 30 e 48, sem se descuidar dos prazos decadenciais e prescriCionais insertos no CTN (Lei n° 5172/66)." Consta petição da Recorrente, com recibo da DERAT/CAC/Centro datado de 20/04/2005, na qual alega que, baseada na Solução de Consulta no 68/96, formalizou processos de compensação, cujo crédito é oriundo do presente. Relaciona, na petição, processos que estão sendo analisados separadamente e de forma desvinculada do processo principal, a saber o de n° 13710.002341/9606, podendo acarretar prejuízos tanto para a requerente quanto para a SRF. Requer ao filial a apensação dos processos, por ela listados à fl. 903, para análise conjunta, com o fim de ver a homologação da compensação pleiteada. O presente processo foi encaminhado ao GAB/DIORT/DERAT/RJ, para juntada dos processos identificados As fls. 866 a 873 (renumerada para 946 a 953), relacionados na petição de fls. 830 a 832, (renumerada para 902 a 904), e para que fosse proferido despacho de não homologação por insuficiência de crédito. Consta ciência em 21.02.2006, do inteiro teor do Parecer Conclusivo n° 60/2005 de fls. 364 a 667 (páginas do processo original), dos Despachos Decisórios de fl. 668 (renumerada para 737) e fls. 821 a 823 (páginas do processo original) e dos cálculos de fls. 669/787 (páginas do processo original), e recebimento de cartas cobrança relativas aos débitos remanescentes após as compensações descritas às fls. 821 a 823 (páginas do processo original) Consta encaminhamento da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, ao Chefe da Equipe de Auditoria de Procedimentos da Corat, tendo ern vista que o presente processo se encontrava naquela Divisão. Às fls. 953, a CORAT/DIAUP retorna a peça contestatória, informando que o presente processo encontravase na DERAT. Ao final, a referida manifestação de inconformidade é encaminhada para a EQPEJ/DIORT/DERAT/RJO. Na manifestação de inconformidade, a Recorrente alegou em síntese: § A tempestividade de sua manifestação. Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.068 11 § Ser empresa cujo objeto social consubstanciase na atividade de distribuição de livros, jornais e periódicos pelo Pais, sendo responsável por toda a operação de logística das mercadorias existente entre os editores e os varejistas. § Ser consignatária, operando suas atividades de acordo com os interesses dos editores, que estabelecem a tiragem de cada edição, o tempo que cada publicação deve permanecer nas bancas e, o principal, fixam o valor final da revenda dos bens. § Receber um percentual sobre o preço tIe capa das revistas, livros e periódicos vendidos pelos jornaleiros, nada recebendo sobre as revistas, livros e outros periódicos encalhados (não vendidos pelos jornaleiros), que são devolvidos ao editor. § Que até 1996, contabilizava como receita o produto total arrecadado pela venda da mercadoria (e não apenas por sua real participação nos preços, ou seja, a comissão pela venda em consignação), fazendo incidir sobre esses valores as contribuições sociais relativas ao PIS e a COFINS, como se detivesse, ao final da operação, toda essa receita em seu nome, quando, na verdade, apenas lhe cabia a comissão relativa às vendas. § Ter formulado em 31.07.1995, perante a SRF, o processo de consulta n° 13710.001338/9577, o qual resultou na Decisão n° 68/96, exarada no sentido de considerar como receita bruta da sociedade apenas as comissões recebidas de cada editor, em vez do produto total da venda das mercadorias de terceiros. § Que, diante do posicionamento da RFB, e levando em consideração a quantia de crédito decorrente do recolhimento a maior das contribuições ao longo dos anos, deu inicio, com base na legislação vigente, A compensação desses valores. § Após 25 anos da vigência do art..170 do CTN, foi editada a Lei n° 8383/91, para que fosse possível a compensação de tributos da mesma espécie, de acordo com o preceituado em seu art. 66, com a redação dada pela Lei n° 9069/95.1 § A IN SRF n° 21/97, ern seu art. 14 restringiu a possibilidade de compensação, ao exigir que os tributos tivessem a mesma destinação constitucional, bem como determinou que o procedimento de compensação se desse independentemente de requerimento, significando que o direito de compensar é exercido pelo contribuinte independentemente de qualquer autorização das autoridades fiscais. § A Lei n° 9430/96 trouxe os procedimentos a serem adotados nos seus arts. 73 e 74. Com isto foi permitida a compensação de tributos de naturezas diferentes, desde que tutelados pela RFB. Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.069 12 § A compensação de créditos de mesma natureza e espécie continuou a ser procedida sem grandes formalizações, já os tributos de naturezas diferenciadas seriam objeto de Pedido de Compensação. § Esse panorama prevaleceu até setembro/2002, quando então entrou em vigor a IN SRF n° 210/2002, que passou a exigir para compensação dos tributos a apresentação de "Declaração de Compensação". § O procedimento adotado até setembro de 2002 pelos contribuintes restou modificado passando a depender de apresentação da declaração de compensação para que o instituto da extinção do crédito Tributário pela via da coMpensação fosse levado a efeito. § A IN SRF n° 210/2002 foi revogada pela IN SRF n° 460/2004, que não trouxe nenhuma alteração relevante. § A Impugnante, considerando os termos da Consulta n°68/95, peticionou em 29.10.1996, cautelarmente, no sentido de solicitar ao Fisco a homologação de seu credito de PIS/COFINS para compensação de débitos vincendos, gerando o processo n° 13710.002341/9606. § Ter sido instaurado nesses autos, o longo e demorado procedimento Fiscal de apuração e homologação do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, que perdurou por quase dez anos, quando então, em 21.02.2006, o contribuinte tomou ciência da decisão ora impugnada, que determinou o quantum passível de compensação em R$ 14.714.313,85, o qual está equivocado. § A partir de 1997, a Sociedade efetuou, via DCTF, diversas compensações com as mesmas contribuições vincendas (PIS/COFINS com PIS/COFINS), tomando por base valores apurados pela própria Impugnante, os quais foram posteriormente confirmados pela Fiscalização (fls. 559 a 561), com vistas a liquidar seu crédito Fiscal perante a Fazenda. § Até setembro/2002, as compensações de crédito de PIS/COFINS com débitos de PIS/COF1NS foram exteriorizadas pela impugnante à SRF, via DCTF, onde informava o número do presente processo. Quanto às compensações de tributos de naturezas diferenciadas foram apresentados Pedidos de Compensação específicos, que ganharam novos números. § Esses procedimentos perduraram até outubro de 2002, quando por força da alteração da legislação, se viu obrigada a apresentar à RFB declarações de compensação para cada nova compensação que fizesse. § Assim passou a protocolizar, perante a RFB, seus pedidos de compensação, em vez de apenas proceder pelo confronto de valores em sua DCTF, conforme lhe exigia a legislação passada. § Em julho de 2004, a impugnante apresentou declarações de compensação, nos moldes da IN SRF n° 210/02, para o período Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.070 13 compreendido entre janeiro de 1999 a setembro, de cuja compensação já havia sido feita via DCTF. Estas declarações contemplavam, inclusive, os valores de PIS/COFINS compensados com débitos de mesmas espécies e já informados nas DCTF dos meses respectivos. § Adotou este procedimento apenas para adaptar suas condutas anteriores à legislação vigente. Entretanto, o protocolo desses pedidos de compensação acabou por representar para a Receita, inadvertidamente, a substituição automática das compensações anteriormente procedidas, por essas novas, como se efetuadas as destempo e, portanto, passíveis de multa e juros, trazendo sérias conseqüências ao montante do crédito compensável. § Existem 33 processos de compensação em tramite na RFB, todos referentes ao crédito ora discutido, cada qual decorrente de uma declaração de compensação protocolizada pelo contribuinte, entre as competências de outubro/1996 (primeira compensação em maio/1997) e março/2005 (período de apuração de fevereiro/2005), quando então, a ora impugnante, base nos cálculos atualizados sobre a planilha elaborada pelo Fisco (fls 559 a 561), julgou encerrado seu direito creditório. § O quantum do crédito determinado pela SRF é consideravelmente menor do que aquele apurado pelo contribuinte. § Dos 33 processos de compensação, 8 não foram homologados, alem de 1 cuja homologação foi apenas parcial. No mais, 21 compensações foram integralmente homologadas, perfazendo um total de 30 processos. § Restam três processos, a saber os de n° 13701.002644/200419, 13710.001175/200410 e 13710.000531/200551, cuja compensação pretendida também se refere ao crédito ora discutido, muito embora seus autos não tenham sido apensados ao presente processo. Segundo a Fazenda, todos os três encontramse em fase processual diversa do restante dos processos, haja vista que já tiveram suas homologações indeferidas, bem como já possuem protocolizadas manifestações de inconformidade próprias. § Quanto aos depósitos judiciais efetuados no bojo das ações n° 92.002.29912 (Medida Cautelar Inominada) e n° 92.013.57540 (Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica) é de se observar que estes foram convertidos em renda da Unido e correspondem a pagamento da COFINS realizado em bases muito superiores As realmente devidas, pois a Impugnante, à época, considerou corno base imponível o montante integral dos ingressos relacionados As vendas das mercadorias, inclusive da parte repassada aos Editores, quando o correto seria considerar como base de cálculo somente o produto das comissões de vendas efetuadas em nome das editoras. § O despacho decisório ao aduzir não haver saldos devedores ou credores ao fim da lide judicial, está a tratar da comparabilidade entre a base de cálculo usada pela Impugnante no período de abril/1992 a Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.071 14 novembro/1993 para fins de determinação da COFINS devida (valores dos ingressos totais) em comparação com os depósitos judiciais da exação feitos na ocasião. § Não compararam se os depósitos judiciais estavam formalizados pelo valor das comissões, mesmo porque as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e as DCTF daqueles anos foram originariamente preenchidas como sendo o valor do faturamento o total dos ingressos, sendo retificadas posteriormente para o valor das comissões sobre as vendas de revistas, livros e periódicos. § A planilha elaborada pela própria RFB, abarcou normalmente as competências em que as contribuições foram pagas em juizo. Isto porque a imica diferença entre os recolhimentos é que uns foram realizados ordinariamente e outros ocorreram em Juizo, com posterior conversão em renda da Unido. § Não procede a alegação transcrita no Despacho Decisório n° 60/2005, haja vista que a conversão do depósito judicial em renda corresponde ao pagamento (art. 156, I, CTN), sendo, portanto, modalidade extintiva do crédito Tributário, passível de compensação se. efetuado a maior. § Elaborou planilha demonstrativa do equivoco ocorrido durante o período de apuração de abril/1992 a novembro/1993, resultando em saldo a ser compensado no valor de 3.720.682,41 UFIR. § O Parecer Conclusivo n° 60/2005 desconsiderou que a compensação desse montante já havia sido homologada tacitamente, pois os valores discutidos no .bojo daquele feito judicial, assim como todos os outros pagamentos a maior que foram objeto de compensação até a data de fevereiro/2001, já se encontram, em fevereiro/2006, tacitamente homologados pela Administração Tributária, a teor do art. 150 §4°, do CTN. § Os diversos procedimentos de compensação efetuados pelo contribuinte, resultaram no pagamento antecipado da diferença das contribuições PIS e COFINS devidas a cada período. Portanto, passados cinco anos da conduta praticada pelo contribuinte, ora Impugnante, não há nada que o Fisco possa fazer, além de assentir com o procedimento adotado á época. § O próprio Chefe de Divisão da DERAT, em despacho de fls. 611 (renumerada para 673), reconhece a necessidade da análise urgente do direito creditório da ora Impugnante, tendo em vista a homologação tácita que acontece mês a mês. § Ainda que o lançamento não estivesse homologado tacitamente (e está), o débito em questão decorre de compensação corretamente procedida pelo contribuinte, porque havia saldo de COFINS a maior a compensar, já que os depósitos judiciais convertidos em renda foram realizados em montantes superiores aos realmente, devidos, com fulcro na legislação de regência e em prestigio à Solução de Consulta n° 68/96. Ambos os Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.072 15 fatos, mesmo isoladamente, já seriam suficientes para garantir o direito creditório .'em comento. § Quanto aos créditos de PIS nas compétências compreendidas entre 04191 , e 10/91, cuja compensação foi afastada no referido Despacho Decisório, ocorreu homologação tácita em maio/2002, pois a compensação desses créditos foi procedida em maio/1997. § Foi o primeiro crédito compensado pela Impugnante, já que a primeira compensação atinge o crédito Fiscal mais antigo referente ao mesmo tributo, não sendo cabível imaginar que os períodos mais pretéritos não estariam tacitamente homologados, já decorridos nove anos do procedimento adotado pelo contribuinte. § A decisão ora impugnada somente poderia questionar os procedimentos adotados pelo contribuinte após a competência de fevereiro/2001, ou seja, nos cinco anos anteriores à revisão fiscal. Caso contrario, admitir seia a penalização do contribuinte pela inércia do Fisco, que usando de sua própria torpeza, apenas em 2006 decidiu rever os procedimentos referentes a 1997 (cuja competência originária é 1991), ou seja, anos e anos depois de iniciado o procedimento de compensação. § Considerando o disposto no art. 150, § 4o do CTN, bem assim os Princípios da Segurança Jurídica e da Moralidade Pública, não procede a extemporânea alegação de decadência do direito de compensar. Ao contrário, a perda do prazo para discutir sobre aquelas competências do Fisco, que se demorou nove anos para emitir parecer sobre os fatos. § As competências compreendidas entre 04/91 e 10/91 não estavam decadentes ao ser pleiteada a repetição do indébito, haja vista que a teor do inc. I do art. 168, a extinção do crédito Tributário nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no presente caso, ocorre na data da homologação expressa ou tácita do pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte, ex vi do art. 156, inc. VII. § Somente em 2005, com a edição a LC n° 118/05, o CTN foi alterado para sacramentar que o pagamento de tributos regidos pela modalidade de homologação, somente poderiam ser objeto de restituição (e compensaçao) até cinco anos da data do pagamento, que deveria ser considerado como dies a quo do prazo prescricional para repetição do indébito. § O art. 40 dessa Lei Complementar pretendeu conferir caráter interpretativo à nova legislação, que, nos moldes do art. 106, do CTN, tentou sem sucesso, estender seus efeitos a eventos pretéritos, como se aquela fosse a interpretação vislumbrada pelo legislador da norma anterior, incorrendo em violação ao Principio da Anterioridade, já que o art. 3° da LC 118/05 implica alteração de entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ, inclusive já tendo sido, em hipótese análoga, objeto de decisão no STF. Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.073 16 § Tratase, portanto, de lei modificativa com efeitos ex nunc. A aplicabilidade desta Lei Complementar é apenas para os fatos geradores ocorridos a partir de 09 de junho de 2005. § As compensações, em referência, estão sujeitas à sistemática dos dez anos, vigente época dos fatos. § O Fisco esperou nove anos para aplicar uma lei nova a fatos passados, porque teria a informação de que a lei estaria para ser votada no Congresso Nacional e, então, de forma torpe, protelou sua decisão até a edição da lei. E injusto, ilegal , arbitrário, imoral e inconstitucional. § Há que se desconsiderar o disposto no Ato Declaratório no 096/99 , haja vista sua afronta às normas hierarquicamente superiores, em especial ao CTN, não cabendo ao Julgador a alegação de estar vinculado ás normas espúrias, eis que afrontam o ordenamento vigente. § Em 1997 poderia a Impugnante compensar débitos registrados até 1987, haja vista que seus lançamentos foram homologados tacitamente. § Portanto, que seja pela decadência do Fisco em rever os procedimentos adotados em 1997, seja pela aplicabilidade da interpretação pacifica naquela época sobre a contagem do prazo decadencial do contribuinte para fins de repetição/compensação do indébito, não é legitima a pretensão Fiscal disposta no Parecer Conclusivo n° 60/2005, no sentido de considerar decadentes as competências compreendidas entre os meses de abril e outubro de 1991. § Ainda que não homologado tacitamente o procedimento de compensação desses valores, bem como fosse aceitável a aplicação dos ditames da LC n° 118/05, mesmo assim não haveria óbice para o aproveitamento dos créditos, visto que protocolou processo de consulta em 31.07.1995, o qual resultou na Decisão n°68/96. Esta data está inserida no interregno calculado pelo Fisco para que o contribuinte saísse da inércia, sendo, portanto, tempestiva a sua ação, que possuía até abril/96 para questionar o lançamento. § O Fisco é quem demorou até 1996 para responder a consulta e só com esta é que poderia o contribuinte levantar créditos de PIS/COFINS que entendia possuir. A decisão exarada no processo de consulta deu sustentação jurídica para, sem solução de continuidade, pleitear os créditos por pagamentos a maior, não podendo os recolhimentos de PIS feitos em 1991 serem alijados do bojo de créditos, porque a atitude cessou a decadência. § Ser desnecessária a ratificação, efetuada pelo mesmo, quando da apresentação dos pedidos de compensação para competências anteriores a outubro/2002, ocorrendo excesso de forma. § Em julho de 2004, apresentou pedidos de compensação para as competências compreendidas entre janeiro de 1999 e setembro de 2002, Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.074 17 quando não havia necessidade de apresentação formal do pedido de compensação. Os valores informados de compensação são absolutamente idênticos Aqueles apurados nas DCTF apresentadas originariamente. § O sistema da Receita Federal considerou as declarações corno retificadoras (quando eram meramente ratificadoras), fazendo incidir sobre as informações multa correspondente a R$ 1.007.079,13 e juros no valor de R$ 2.819.541,49, pelo suposto pagamento extemporâneo. Solicita a retificação do crédito realmente aproveitado pela ora Impugnante, com base nas compensações tempestivamente apresentadas, desconsiderando as supostas retificadoras. § A despeito do disposto na IN SRF n° 210/02, por um descuido seu, somente tomou ciência de que deveria apresentar DCOMP para compensações de tributos de mesma natureza, em meados de 2003. Nesse momento retificou as compensações de PIS/COFINS com débitos nascidos a partir de outubro de 2002, também de PIS/COFINS, apresentando declarações de compensação retroativas até essa data. Neste caso houve sim uma retificação, pois a partir de outubro de 2002 só estava considerando como instrumento demarcador da compensação as DCTF, para os casos de débitos de PIS/COMS. § Na apuração dos créditos a Decisão n° 60/2005 cominou multa e juros, para as declarações de compensação apresentadas A RFB, após 28.05.03, com base no art. 51 da IN SRF n° 460/04, tendo em vista que as retificações foram consideradas como pagamento em atraso, quando na realidade as DCTF apresentadas no período em tela, demonstram todas as compensações procedidas de boafé pelo contribuinte. § É caso de denúncia espontânea, a teor do art. 138 do CTN, referente A mera obrigação acessória não podendo ensejar o pagamento de multa e juros, sequer houve prejuízo aos cofres da União. § Elaborou quadro demonstrativo dos valores envolvidos, apurando multa equivalente a R$ 268.513,24 e juros no montante de R$ 51.998,18, devendo também a Decisão n°60/2005 ser reformada a fim de que os saldos de créditos de PIS e COFINS e as respectivas homologações das compensações sejam concretizadas. § Ter havido erro no cômputo do débito referente ao Auto de Infração constante do processo n° 13710.000174/9514.0s DARF's emitidos para pagamento têm os mesmos valores constantes do Pedido de Compensação efetuado em 28.05.2002 (dentro do prazo para pagamento do débito, ou seja, 31.05.2002). Por algum motivo, na contabilização dos créditos utilizados pelo contribuinte, a SRF lançou esses valores majorados, conforme se extrai da fl. 711 (renumerada para 712) do presente processo. § O erro no lançamento comporta valores a maior de R$ 76.435,17 e R$ 19.108,83, respectivamente de IRPJ e CSL, cujos valores originários Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.075 18 eram de R$ 608.714,63 e R$ 152.178,61, respectivamente. Solicita que estes saldos voltem a compor a planilha de créditos fiscais a favor da Impugnante, bem como sirvam de quitação de débitos fiscais que regularmente foram objeto de pedido de compensação. § Ter informado em duplicidade os débitos de PIS e COFINS nos períodos de apuração de 10/2003, 11/2003 e 12/2003. Protocolizou três pedidos de compensação (PERDCOMP), para os períodos mencionados de valores R$ 268.646,10, R$ 245.943,58 e R$ 374.135,97, correspondentes ao somatório de PIS e COFINS. Para todos essesNaloro•foi indic o o n° do presente processo para fins de baixa do crédito. § Em 27.02.2004, a Impugnante protocolizou, em papel, novo pedido de compensação indicando os mesmos valores a serem compensados, importando na formalização do processo n° 13710.000561/200456. § Tal equivoco do contribuinte não pode representar que os débitos sejam compensados duas vezes, como de fato ocorreu, sendo necessária retificação, a fim de que seja estornado o débito inexistente equivalente a R$ 888.725,65. § O Parecer Conclusivo n° 60/2005 tomou por base as segundas DIPJ retificadoras relativamente aos anoscalendário de 1993 a 1995, apresentadas em 02.10.1997 e 15.10.1997, respectivamente, quando, na realidade deveria ter utilizado os valores de base de calculo constantes nas terceiras declarações retificadoras apresentadas em 12.01.1998 e 14.01.1998, respectivamente. § Tal fato resultou na utilização incorreta de valores de base de cálculo das contribuições em referência, conforme demonstrado nas planilhas, efetuadas pela mesma, constante de fls. 935 a 937. § Ao final requer seja julgada a procedência da presente Manifestação de Inconformidade, a fim de que seja cancelado o crédito Tributário decorrente do Parecer Conclusivo n° 60/2005, com a conseqüente homologação dos procedimentos adotados pela interessada, determinando o seu arquivamento e impondo o seu retomo à origem para que o departamento competente refaça os cálculo pertinentes as compensações em voga. Protesta, ainda, por todos os meios de prova admitidos, mormente pela produção de prova documental a fim de que seja apurada a veracidade dos fatos ora narrados, inclusive com a conversão de diligência Fiscal, se assim for julgado necessária e suficiente para demonstrar a verdade dos fatos e do direito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II, por meio do Acórdão no 1313.968 4a Turma da DRJ/RJOII, decidiu conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1995 Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.076 19 HOMOLOGAÇÃO TACITA A homologação tácita prevista no art. 74 da Lei n° 9430/96, somente se aplica aos Pedidos de Compensação, de créditos com débitos próprios do contribuinte, efetivamente convertidos em Declaração de Compensação e não analisados no prazo de cinco anos contados a partir da data do seu protocolo. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito do contribuinte pleitear a restituição/compensação de contribuição paga em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. As argüições de inconstitucionalidade, que visam afastar a aplicação de norma legal inserta no ordenamento jurídico, não são oponíveis na esfera administrativa, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1995 SOLUÇÃO DE CONSULTA. INEFICÁCIA Solução de consulta ineficaz não tem o Condão de funcionar como suporte para o reconhecimento de direito creditório e consequente homologação de compensação PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e pericias que considerar prescindíveis ou impraticáveis para a solução da lide. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1995 Homologação de Compensação. Requisitos. A fim de se homologar compensação efetuada pelo contribuinte, necessário se faz o reconhecimento do seu direito creditório que por sua vez tem como pressuposto o pagamento indevido do tributo, cuja ocorrência deverá estar devidamente comprovada nos autos. Base de Cálculo. Operações em Consignação. Para que seja considerada a base de cálculo alegada pelo contribuinte, fazse necessário estar configurada, através de provas hábeis, a ocorrência de operação em consignação que implique faturamento composto exclusivamente por comissões recebidas. Base de Cálculo. PIS e COFINS A norma de incidência tributária do PIS e da COFINS, tem como um de seus critérios quantitativos o faturamento, assim entendido o valor total da venda efetuada pelo contribuinte. Solicitação indeferida. Em decorrência da Decisão da DRJ, a DIORT/EQPEG da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária RJ, emitiu o Parecer Conclusivo no 198/2008, tornando sem efeito o Parecer Conclusivo no. 60/2005 e revendo seus atos em relação aos pedidos de compensação da recorrente. Em face da decisão da DRJ e do novo parecer conclusivo, a Recorrente requereu que lhe fosse informado, com a necessária urgência, qual o recurso cabível. Defendeu que não seria razoável exigirlhe interposição de dois recursos diferentes diante de decisões de mesmo teor. Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.077 20 A DIORT/EQPEJ da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária informou que eram facultados os dois recursos à contribuinte: recurso voluntário ao CARF e manifestação de inconformidade contra o despacho decisório. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, do qual consta o seguinte resumo conclusivo das suas razões; a) Preliminarmente: 1. O Acórdão ora recorrido transbordou sua competência ao julgar matéria incontroversa, a qual sequer foi submetida a sua apreciação. Seu papel, em suma, era o de apenas apreciar as divergências apontadas entre o Parecer Conclusivo no 60/05 e a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, já que sobre todo o resto há consenso entre as partes; 2. Operouse a homologação tácita sobre a maior parte das compensações, a saber, sobre todas que foram efetuadas até o dia 12.03.2002. Esse marco temporal decorre unicamente da anulação do Parecer Conclusivo n° 60/05, pelo superveniente Parecer Conclusivo n° 198/06, cuja ciência foi tomada em 12.03.2007. Ressaltese, por oportuno, que as compensações efetuadas com competências anteriores a outubro/2002, devem ser consideradas consumadas no momento efetivo do pagamento antecipado (competência da compensação), não importando, nesses casos, as datas de entrega das DCOMP, eis que inexigíveis à época; b) No mérito: 3. A atividade desenvolvida pela ora Recorrente é de distribuição de mercadorias por consignação, com operação exclusivamente em conta de terceiros e com receita baseada no recebimento de comissões. Esse entendimento, devidamente retratado na realidade da Empresa, foi chancelado inúmeras vezes por diversos diferentes agentes fiscais representantes da SRF, além de ter sido objeto de Processo de Consulta com manifestação favorável ao contribuinte. Também assentiu com tal metodologia, o Parecer Conclusivo n° 60/05, indevidamente reformado pelo Acórdão em debate; 4. A Consulta Formal n° 68/95 realizada pela ora Recorrente (devidamente arquivada em 1996) é inquestionavelmente válida, eis que atendidos todos os seus pressupostos formais. Ainda que eivada de vicio formal, seu conteúdo técnico revela a melhor aplicação do direito e esta assertiva restou patente no texto da Solução de Consulta n° 168/98, cujo teor é exatamente igual àquele conferido na Consulta n° 68/95, ofertada A ora Recorrente, de modo que a receita bruta de sua atividade é a comissão pela distribuição de revistas na modalidade de consignação. Absurdo admitirse questionamentos quanto A validade depois de transcorridos onze anos de seu arquivamento, depois de dada ciência a Recorrente.Reparese que a Oposta nulidade levantada pelo Acórdão (ausência do recurso de oficio) decorreu de omissão da própria Administração Fiscal, a qual foi posteriormente convalidada (e revisada) com A dupla ordem de arquivamento (do Agente Fiscal José Luiz dos Santos e de seus Superior Aylton Luiz Freire Dias — fls. 16, daquele processo). É clara, portanto, a ofensa à Moralidade e A Segurança Jurídica. 5. Confirmada a validade da decisão exarada na Consulta Formal, deve ser respeitada a irretroatividade de cobrança para as competências transcorridas sob sua guarda, de modo que não se pode admitir a não homologação determinada no Acórdão combatido, tendo em vista a permanência inalterada do posicionamento adotado na Consulta nesse período; c) Caso não houvesse extrapolação de competência julgadora: Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.078 21 6. Descabe a vedação ao crédito decorrente do recolhimento a maior de COFINS efetuado entre as competências de abril/1992 e novembro/1993, no bojo das ações judiciais no 92.002.29913 e n°92.013.5754O, pelo simples fato dos valores terem sido integralmente convertidos em renda da União. Vale ressaltar que, à época do referido trâmite judicial, a ora lmpugnante recolhia COFINS com base nos ingressos totais, em montante muito superior Aquele que deveria servir de base imponivel da contribuição social — fato este que só veio a ser confirmado em meados de 1996, .com a ciência da Decisão exarada no Processo de Consulta n°.13710.0001.338/9577. Portanto, compensar os valores judicialmente depositados (e posteriormente convertidos em renda da União) corresponde a compensar os demais recolhimentos ordinários, haja vista que em todas as competências (inclusive aquelas congruentes ao processo judicial em referência) a COFINS foi recolhida a maior pela ora Impugnante. 7. Não há que sé falar em decadência do direito do contribuinte de repetir, em 1997, indébito de 1991 com base nos ditames da Lei Complementar n° 118/05, por absoluta inaplicabilidade da norma no tempo (vedação à irretroatividade). À época, vigia a tese dos cinco mais cinco, a qual foi devidamente respeitada. Ademais, quando do julgamento das referidas compensações (originalmente realizado em 2006), aquelas datadas dé 1997 já estavam há muito homologadas tacitamente, em razão da inércia do Fisco. Em seguida, a contribuinte apresentou o seu pedido, nos seguintes termos: Por todo o exposto, protesta a ora Recorrente pela anulação do Acórdão n° 13 13.968, exarado pela 4a Turma da DRJ/RJ011, em razão do acolhimento in totum das razões hora aduzidas. Reflexivamente, requer que este I. Conselho reconheça também a nulidade do Parecer Conclusivo n° 198/06, tendo em vista a correlação existente entre as decisões. Incidentalmente, requer sejam julgados integralmente procedentes os procedimentos de compensação adotados .pela FERNANDO CHINAGLIA DISTRIBUIDORA S/A., determinando.á Delegacia de origem que efetue os cálculos de acordo com o Direito reconhecido neste Recurso. Por fim, a ora Recorrente reitera os cálculos e argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade dátada de 23 de março de 2006, por ali constarem todos os elementos que conduzem ao mais absoluto reflexo da realidade. O presente processo foi então encaminhado a este CARF. Por meio da Resolução nº 3301000.297 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, houve conversão do julgamento em diligência para que fosse solicitado o processo 13710.002341/9606, a fim de se efetuar julgamento conjunto, na forma do art. 6º, Inciso III, § 1º, do Ricarf. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.079 22 De início, cabe consignar que está sendo realizado em conjunto o julgamento deste processo e do o processo 13710.002341/9606, em razão de conexão, conforme pleiteado pela Recorrente. A Recorrente, frente a dúvidas concernentes à abrangência da tributação pela contribuição para o PIS e pela COFINS sobre as receitas de sua atividade, formulou consulta à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esta recebeu a consulta, considerandoa, portanto, eficaz. Houve resposta da Divisão de Tributação da 7a Região Fiscal favorável ao contribuinte por meio da Decisão no 68/96. Indicouse, na parte final desta Decisão, que haveria "remessa do processo à COSIT, após o decurso do prazo previsto para interposição de recurso voluntário". A decisão favorável ao contribuinte lhe foi cientificada, e o processo não foi encaminhado à Cosit, mas foi arquivado. Cumpre observar que não é de se esperar que a contribuinte, depois de ser devidamente cientificada de decisão favorável a seu interesse, tivesse o dever de fiscalizar a autoridade administrativa para verificar se esta seguiu posteriormente o rito legal. Ao contrário, segundo princípio basilar do Direito Administrativo, os atos administrativos gozam de presunção legitimidade. A recorrente, de posse da solução de consulta, Decisão no 68/96, apresentoua à fiscalização, que apesar de constar expressamente da Decisão que esta deveria ser remetida à Cosit também pressupôs que a Decisão era legítima e a aceitou. Outrossim, foi elaborado extenso Relatório neste voto com o intuito de evidenciar que a fiscalização teve, além da Decisão no 68/96, amplo acesso aos documentos, comprovantes de recolhimento de tributos, contratos com fornecedores e clientes e a todos documentos necessários a embasar suas conclusões. Isso fica evidente o Relatório de Fiscalização (fl. 608), já reproduzido no Relatório deste voto, mas que cumpre novamente colacionar: Em atendimento ao despacho de fls. 504 do presente processo, compareci ao domícilio tributário do contribuinte ... (...) Conforme consta no processo a origem desta compensação foi uma consulta feita à SRF onde a empresa alega que sua operação principal é toda por consignação e que, portanto, o seu faturamento somente seria as comissões recebidas dos editores. Para comprovar tal procedimento foi que solicitei os contratos com fornecedores e clientes . Neste caso, analisando estes contratos e também algumas 'notas fiscais ,conclui que a empresa realmente trabalha por consignação. (grifos nossos) Dessarte, a Fiscalização, durante largo período de tempo e de forma minuciosa, realizou diligências, levantou informações, documentos, solicitou esclarecimentos e correções que foram devidamente realizados pela recorrente. Além disso, reiterese, em nenhum momento se questionou a solução de consulta, ao contrário, corroborouse o seu entendimento. No final, a decisão da RFB se consignou no Parecer Conclusivo no 60/2005 (fls. 733/737), que reconheceu parcialmente o direito creditório da recorrente e homologou as compensações pertinentes. Anotese que não foram reconhecidas, e portanto não foram homologadas, as compensações relativas a valores considerados decaídos e também aos relacionados à conversão em pagamento de depósito judicial. Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.080 23 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 956/1015), insurgindose somente em relação às compensações não homologadas. Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro II, por meio do Acórdão no 1313.968 (fls. 1129/1166), de 29 de setembro de 2006, analisou toda a matéria, entendendo que a consulta originalmente apresentada pela contribuinte e respondida pelo Fisco era ineficaz e improcedente no mérito e que, consequentemente, a Recorrente não fazia jus às compensações pleiteadas, inclusive aquelas homologadas pelo Parecer Conclusivo no 60/2005. Consta do Acórdão mencionado que "É de se alertar à Delegacia de Jurisdição do contribuinte, tendo em vista todo o exposto neste voto, que, a Juízo do Titular daquela Unidade, considere a adequação de se adotar providencias necessárias no sentido de rever os atos administrativos de reconhecimento de direito creditório e a conseqüente homologação das compensações indevidamente efetuadas pelo contribuinte, ressalvando aquelas para as quais tenha ocorrido a homologação tácita nos termos da legislação que rege a matéria" Em 04.01.2007, ainda sem a decisão definitiva da matéria no âmbito administrativo, a DIORT/EQPEJ da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária RJ emitiu o Parecer Conclusivo no 198/2008, tornando sem efeito o Parecer Conclusivo no 60/2005, e portanto, não reconhecendo o direito creditório que havia anteriormente reconhecido e não homologando as compensações que havia anteriormente homologado. Neste momento cumpre revisitar o artigo 149 do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.081 24 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Ademais, à homologação, no caso de lançamento por homologação, devem ser aplicados os mesmos parâmetros consignados no artigo colacionado. Ou seja, crédito expressamente reconhecido e homologado, sobre o qual não se apresentou recurso à DRJ, não é suscetível de revisão por esta, a não ser que se enquadre em uma das hipóteses do art. 149 do CTN. Caso contrário, estarseia mudando de critério jurídico para alterar lançamento/homologação expressamente reconhecido e consolidado, o que nosso sistema jurídico, com fulcro em princípios como a da segurança jurídica e do devido processo legal, não permite. Sendo assim, afasto a decisão da DRJ, por vício material decorrente de determinação de mudança de critério jurídico de lançamento por homologação consolidado, anulo o Parecer Conclusivo no 198/2008 e os atos dele decorrentes, sendo restabelecidos, consequentemente, os efeitos do Parecer Conclusivo no 60/2005 em tudo que não conflitar com este Acordão do CARF. No que tange à decadência do direito do contribuinte de repetir/compensar, em 1997, indébito do ano de 1991, deve ser aplicado, a favor do contribuinte, o entendimento já consolidado na Súmula 91 do CARF: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Quanto à possibilidade de reconhecer crédito da Recorrente concernente a recolhimento a maior da COFINS, no bojo das ações judiciais em que os valores depositados foram integralmente convertidos em renda da União, mister anotar que, tendo em conta que neste caso a contribuinte submeteu ao Judiciário o reconhecimento de seus créditos e não logrou êxito, não é cabível, por preclusão consumativa, que ela venha novamente apresentar no âmbito administrativo seu pretenso direito relativo aos mesmos créditos, ainda que sob fundamentos diversos. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reformar a decisão da DRJ, por vício material decorrente de determinação de mudançade critério jurídico de lançamento por homologação consolidado, anulando o Parecer Conclusivo no 198/2008 e os atos dele decorrentes, sendo restabelecidos, consequentemente, os efeitos do Parecer Conclusivo no 60/2005. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 13710.002341/9606 Acórdão n.º 3301004.751 S3C3T1 Fl. 2.082 25 Fl. 1682DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912261/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.789
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 61 /2 01 2- 83 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912261/201283 Acórdão n.º 3201003.789 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.634, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912261/201283 Acórdão n.º 3201003.789 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912261/201283 Acórdão n.º 3201003.789 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912261/201283 Acórdão n.º 3201003.789 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721486/2011-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que sejam anexados os novos documentos apresentados pelo patrono do contribuinte em sede de sustentação oral, com abertura de prazo para ciência e manifestação da PGFN.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-10T20:47:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-10T20:46:54Z; Last-Modified: 2018-07-10T20:47:19Z; dcterms:modified: 2018-07-10T20:47:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4b477e56-de24-4d54-9d0c-9087742a6043; Last-Save-Date: 2018-07-10T20:47:19Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-10T20:47:19Z; meta:save-date: 2018-07-10T20:47:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-10T20:47:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-10T20:46:54Z; created: 2018-07-10T20:46:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2018-07-10T20:46:54Z; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-10T20:46:54Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3.192 1 3.191 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13116.721486/201129 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Resolução nº 9101000.057 – 1ª Turma Data 5 de junho de 2018 Assunto SUBVENÇÃO Recorrentes LABORATÓRIO TEUTO BRASILEIRO S/A FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para que sejam anexados os novos documentos apresentados pelo patrono do contribuinte em sede de sustentação oral, com abertura de prazo para ciência e manifestação da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). RELATÓRIO Tratase de Recurso Especial de Divergência interpostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 1401001.041, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2008, 2009, 2010 VÍCIO MATERIAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. ANOCALENDÁRIO DE 2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .7 21 48 6/ 20 11 -2 9 Fl. 3193DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.193 2 Mudança de interpretação da autoridade fiscal, que em autuação pretérita considerou o suporte fático analisado como subvenção para investimento resultando na ausência de lançamentos de IRPJ e CSLL, e em procedimento fiscal posterior, relativo ao mesmo anocalendário e contribuinte, considerou o mesmo suporte fático como subvenção para custeio ou operação, caracteriza a modificação de critério jurídico e esbarra nos limites impostos para a alterabilidade do lançamento previstos no art. 146 do CTN, ensejando nulidade dos lançamentos em decorrência de vício material. INCENTIVOS FISCAIS. NATUREZAS DIVERSAS. O gênero incentivos fiscais pode admitir como espécies, dentre outras, subvenções correntes para custeio ou operação, subvenções para investimento, reduções de custo de bens decorrentes de isenções de impostos ou de dispensa de encargos, como juros e atualização monetária, ou, ainda, a disponibilização por parte do ente público de recursos mediante atendimento de condições pela beneficiária, por meio de financiamentos, liquidação antecipada de débitos com abatimento ou mesmo perdão de dívida. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. NATUREZA DOS RECURSOS. INOCORRÊNCIA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Ausência de sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, e da ocorrência da "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, nos termos do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, descaracteriza a natureza de subvenção para investimento dos recursos oriundos do abatimento do valor principal de dívida decorrentes da liquidação antecipada do contrato de financiamento com o ente público. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. PERDÃO. REMISSÃO DE DÍVIDA. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS. I São formas de geração de receita, dentre outras, a venda de mercadorias e prestação de serviços da entidade, e a extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como o perdão de dívida ou da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor. II Situação na qual o ente público, na condição de credor, ao levar em consideração circunstâncias novas decorrentes de mudança profunda no cenário macroeconômico, que esvaziaram o objeto do negócio jurídico original, qual seja, o de promover condições propícias para investimentos na modernização e ampliação do empreendimento industrial, e além disso, poderiam levar o devedor a uma situação de inadimplência, renegocia a dívida no sentido de conceder um substancial abatimento do valor original mediante pagamento antecipado de empréstimo, caracteriza um perdão. III Valor decorrente de redução de dívida mediante remissão tem natureza de outras receitas operacionais. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Fl. 3194DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.194 3 Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. DECADÊNCIA MULTA ISOLADA O prazo decadencial para o lançamento da multa isolada pelo não recolhimento, ou recolhimento a menor, do IRPJ ou CSLL por estimativa é contado a partir do mês da ocorrência dos fatos geradores. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo." No voto vencedor do aresto recorrido, quando se apreciou a aplicação concomitante entre a multa de ofício proporcional e a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais, assentouse o seguinte: a) encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, pois prevalece, desde então, a exigência do tributo efetivamente devido, apurado com base no lucro real anual; b) a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal é etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. Ou seja, a primeira conduta é meio de execução da segunda. Logo, a aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada implica penalizar duas vezes o mesmo contribuinte com penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao cumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (não conhecidos pela Turma embargada), indicando a existência de vício de obscuridade que supostamente atingira o acórdão recorrido. Despacho de encaminhamento à PGFN no dia 01/07/2016, à efl. 2.795. Recurso Especial interposto no dia 08/08/2016, à efl. 2.819. Nessa oportunidade, asseverouse que o acórdão recorrido diverge dos acórdãos nº 1202000.964 e 1302001.080, no tocante à interpretação do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Afirmouse, ainda, o que segue, quanto ao mérito: Fl. 3195DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.195 4 a) o não recolhimento do IRPJ e da CSLL, por estimativa, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, é infração diversa da omissão de receitas apurada ao final do anocalendário. Assim, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas; b) após o término do anocalendário, deve ser aplicada a multa isolada sobre os valores devidos e não recolhidos pela pessoa jurídica, ressaltandose que não existe limitação no sentido de que a multa isolada somente pode ser aplicada antes da apuração definitiva do imposto. Ao final, requereuse o provimento do presente apelo, clamandose pela reforma do acórdão recorrido com vistas à manutenção da multa isolada. O sujeito passivo foi intimado a apresentar contrarrazões em 16/09/2016, à efl. 2.841. Contrarrazões do sujeito passivo apresentadas em 27/09/2016, conforme efl. 2.854. Nessa oportunidade, salientouse que a Fazenda Nacional não distinguira especificamente o ponto do acórdão nº 1302001.080 que estivesse em conflito com o aresto recorrido, o que deve conduzir o julgador ao não conhecimento do apelo à instância especial. No mérito, enfatizouse que a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício proporcional implica dupla penalidade para a mesma infração, a teor da jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça e do próprio CARF. Além disso, destacouse que o princípio da consunção repele a incidência da multa isolada, no caso em julgamento, e que, após o término do anocalendário, só há espaço para a multa de ofício proporcional. Por derradeiro, pleiteouse o desprovimento do Recurso Especial fazendário. Quanto ao Recurso Especial do sujeito passivo, é indispensável consignar, antes de tudo, a descrição fática e as conclusões da Fiscalização, narradas no relatório da DRJ, assim sintetizadas no acórdão recorrido: "Em ação fiscal, constatouse que o contribuinte havia feito adesão ao FOMENTAR – Fundo de Participação e Fomento à Industrialização, programa de incentivo no qual o Governo do Estado de Goiás concedeu aos participantes um empréstimo de até 70% do montante equivalente ao ICMS devido, visando fomentar atividades industriais. Foi criado pela Lei Estadual nº9.489, de 31/07/1984, e regulamentado pelo Decreto nº 3.822 de 10/07/1992. Por sua vez, a Lei Estadual nº 13.436, de 30/12/1998, veio dispor sobre a liquidação antecipada dos contratos de financiamento do FOMENTAR, ocasião no qual a fiscalizada beneficiouse de um abatimento no montante de R$67.691.841,56 (sessenta e sete milhões, seiscentos e noventa e um mil, oitocentos e quarenta e um reais e cinquenta e seis centavos), equivalente a 88% do saldo devedor original, como se pode observar no quadro a seguir: [...]Verificou a Fiscalização que tal montante foi considerado pela contribuinte como subvenção para investimento, tendo sido contabilizado no patrimônio líquido como reserva de capital, razão pela qual não foi computado na apuração do lucro real. Analisando a legislação estadual que dispõe sobre o FOMENTAR,constatou a autoridade tributária que a subvenção do qual se beneficiou a contribuinte não era aquela prevista no art. 443 do RIR/99, qual seja, a subvenção para investimento. Na realidade, tratavase daquela disposta no art. 392 do RIR/99, referente às subvenções Fl. 3196DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.196 5 correntes para custeio ou operação, que devem ser computadas na apuração do lucro operacional. Tomando como base o Parecer Normativo nº 112, de 1978, da Coordenação Geral de Tributação (Cosit), e da Decisão COSIT n° 04/99, proferida em razão de consulta formulada pela Confederação Nacional de Indústrias, concluiu a Fiscalização que: 25.1. A subvenção para investimento, concedida por pessoa jurídica de direito público, tem que ser direcionada à implantação ou expansão de um empreendimento econômico de propriedade do beneficiário, como dispõe o artigo 443 do Regulamento do Imposto de Renda (item 22, acima); 25.2. A subvenção deve ser liberada mediante a comprovação das aquisições dos itens do projeto (de implantação ou expansão) aprovado pelo subvencionador. Há necessidade de algum sincronismo entre a concessão da verba e a execução do projeto. Se a "lei específica" de concessão do benefício não previr tal sincronismo, então não haverá como garantir que a subvenção será utilizada, efetivamente, para implantar ou expandir o empreendimento econômico que tanto interessa ao Estado. (...) 32.5. Vale ressaltar que existem, claramente, dois momentos distintos. No primeiro, a empresa adere ao financiamento do FOMENTAR, com condições bastante favoráveis, apresentando, para isso, um projeto de incremento de suas atividades industriais. Algum tempo depois, lhe é dada a possibilidade de liquidar este financiamento, antecipadamente e com desconto. Neste segundo momento, não podemos concordar que o desconto concedido seja considerado subvenção para investimento, sem que se exija um novo projeto que, ao menos, expanda o empreendimento beneficiado. A reutilização do projeto antigo, já empregado para a obtenção do financiamento, é incompatível com o que está disposto no artigo 443 do Decreto n° 3.000/99, descaracterizando a subvenção para investimento. Nesse sentido, no que concerne ao IRPJ e a CSLL, constatou a Fiscalização que o benefício em análise não seria uma subvenção para investimento, mas, pelo contrário, uma subvenção para custeio ou operação, receita operacional regularmente tributável. Para o anocalendário de 2006, os valores dos descontos obtidos com a liquidação antecipada foram lançados pela contribuinte a crédito da conta de Patrimônio Líquido 242101 – INCENTIVO DO ESTADO DE GOIÁS, do grupo RESERVAS DE CAPITAL e subgrupo SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. Assim, a autoridade fiscal identificou a infração CONTABILIZAÇÃO IMPRÓPRIA DE SUBVENÇÕES, para acrescer, de ofício, os mencionados valores ao LALUR. Por sua vez, para os anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, os valores dos descontos obtidos com a liquidação antecipada foram lançados pela fiscalizada em conta de receita 354121 – DESÁGIO FOMENTAR, referente a Outras Receitas Operacionais. Em seguida, a contribuinte efetuou a exclusão das referidas receitas no LALUR. Diante de tal situação, a autoridade tributária tipificou a infração EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS, razão pela qual adicionou de ofício os mencionados valores de receita no LALUR. Fl. 3197DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.197 6 Sendo a fiscalizada optante do lucro real anual, os acréscimos no LALUR também tiveram como consequência o lançamento de ofício de multa isolada por estimativa referentes aos meses de junho/2006, junho/2008 e dezembro de 2010. Quanto ao PIS e a Cofins, concluiu a Fiscalização que o benefício no importe de R$67.691.841,56 caracterizaria um perdão de dívida, já que o Estado estaria abrindo mão de receber a quase totalidade do montante devido, sendo reconhecida como “outras receitas operacionais”. Assim, não teria ocorrido um simples desconto, o que caracterizaria uma receita financeira o qual, digase de passagem, não é tributável pelo PIS e Cofins. Concluiu a autoridade tributária que, formalmente, o abatimento pela liquidação antecipada do financiamento poderia até ser admitido como um desconto. Contudo, de fato, o Estado de Goiás estaria perdoando uma dívida, já que a essência da transação deve prevalecer sobre seus aspectos formais, conforme previsão no art. 1º, § 2º da Resolução nº 750, de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade. Nesse embalo, tendo sido caracterizado um “perdão de dívida”, tratarseia de receita considerada como operacional, e não financeira, entendimento das Soluções de Consulta nº 305, de 2007, da SRRF/Disit da 9ª Região Fiscal e nº 17, de 2010, da SRRF/Disit da 1ª Região Fiscal. Nesse contexto, os descontos obtidos com a liquidação antecipada dos contratos de financiamento, referentes aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, foram acrescidos às bases de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa maneira, o aproveitamento dos créditos não cumulativos informados em DACON pela contribuinte foi revisto, de maneira a serem utilizados prioritariamente em períodos de apuração mais antigos, o que resultou em PIS e Cofins a recolher para fatos geradores ocorridos no decorrer do anocalendário de 2010. Em suma, foram efetuados lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos anos calendário de 2006, 2008, 2009 e 2010, multa isolada por estimativa referentes aos meses de junho/2006, junho/2008 e dezembro de 2010, além de PIS e Cofins para os P.A. dos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2010." No julgamento do Recurso Voluntário, averbouse, no voto condutor do acórdão recorrido, que os descontos oriundos da liquidação antecipada do empréstimo, ainda que estivesse submetida a um encargo, não cumprem os requisitos necessários para serem considerados subvenções para investimento, pois não restou demonstrada a efetiva aplicação dos recursos decorrentes do abatimento para atender às condições estabelecidas em lei. O sujeito passivo foi cientificado do acórdão recorrido no dia 16/09/2016, conforme efl. 2.841, por meio de intimação à efs. 2.835, que nada menciona sobre o direito a interpor Recurso Especial. A despeito de tal omissão, o apelo a esta instância foi interposto no dia 26/09/2016, à efl. 3.152. Nessa oportunidade, salientouse que o acórdão recorrido diverge dos acórdãos nº 1402002.207 e 10809.767, quanto à topologia contábil dos valores recebidos a título de incentivo concedido pelo poder público estadual. No mérito, discorreuse sobre o Programa Fomentar, instituído pela Lei estadual nº 9.489/1984, depois alterada pela Lei nº 11.180/1990, que tornara mais clara a intenção do ente subvencionador e do apoio aos beneficiários do Programa. Aduziuse, contudo, que a Fiscalização autuara a pessoa jurídica ora recorrente, escorandose, para tanto, no Parecer Normativo nº 112/1978, sem sequer investigar se a autuada estava controlando, ou não, os recursos financeiros obtidos com base no citado programa, negandose vigência à lei de regência, bem como a jurisprudência do CARF. Também se externou que a Lei nº 11.638/2007, ao modificar a Lei nº 6.404/1976, passou a exigir o registro das subvenções em conta de resultado para, em seguida, Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.198 7 serem transferidas à conta de Reserva de Incentivos Fiscais, do Patrimônio Líquido. Explicou se que, pelas novas regras, ao mesmo tempo em que são contabilizadas como receita operacional, as subvenções por investimento podem ser excluídas do cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, assim assegurandose as isenções respectivas. Ressaltouse, nessa ordem de ideias, que a legislação correlata traçara com clareza que os requisitos para a não incidência: (i) a intenção do subvencionador em estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; (ii) a aplicação dos recursos em prol do estabelecimento subvencionado, com a implantação ou expansão do empreendimento. Aditouse, ainda, que tais requisitos estão inseridos na legislação do Programa Fomentar, isto é, Leis nº 9.489/1984, 11.180/1990 e 13.436/1998. acrescentandose que, não obstante tal arcabouço legal, o Fisco agira como se fosse legislador positivo, considerando os recursos recebidos a esse título como subvenção para custeio, nos termos do relatório fiscal, para o qual a glosa do benefício se deu ao entendimento de que os descontos então obtidos merecem equiparação a perdão de dívidas.` Referiuse, por oportuno, ao fato de que, para o Parecer Normativo nº 112/1978, os recursos fornecidos pelo subvencionador deveriam ser destinados exclusivamente à aquisição de bens do ativo permanente, de forma "carimbada", embora tal exigência não esteja presente no artigo 443 do Regulamento do Imposto de Renda, o que, aliás, é reconhecido pela Nota Explicativa CVM nº 59/1986. Ademais, expôsse que o sentido da norma que concede isenção é impedir que a política de estímulo ao desenvolvimento regional seja anulada por meio da tributação que favoreça à União, sorvendo do particular boa parte do recurso concedido pelo ente subvencionador, sob pena de caracterizar burla, por via oblíqua, à imunidade recíproca e à invasão da competência, por parte da União, por interferência em políticas fiscais dos entes federados. Em seguida, mencionouse que a Fiscalização não comprovara a ausência de aquisição de ativos, mormente porque os recursos, permanecendo registrados em conta de reserva de incentivos fiscais, não foram distribuídos a sócios. Assim, sustentouse a improcedência dos lançamentos, recordandose que o artigo 21 da Lei nº 11.941/2009 explicita a não incidência da tributação da CSLL, PIS/PASEP e Cofins sobre as subvenções. Ao final, requereuse a reforma do acórdão recorrido, postulandose a declaração de nulidade do crédito tributário constituído. Despacho de encaminhamento à PGFN para contrarrazões, exarado no dia 09/01/2017, à efl. 3.166. Contrarrazões da PGFN apresentadas no dia 23/01/2017. Nessa oportunidade, alegouse que somente as subvenções para investimento poderiam ser registradas diretamente em conta do patrimônio líquido, consoante o disposto no artigo 443 do RIR/99. Nessa linha, assinalouse que a concessão de subvenção para investimentos é vinculada, necessariamente, à implementação da política de desenvolvimento industrial subjacente, característica fundamental para diferenciála das demais formas de transferência de verbas do Estado ao particular. Nesse escopo, anotouse que é preciso ter em vista (1) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento, representada pela estrita vinculação e sincronia dos recursos com as aplicações em bens e direitos, ajustadas por meio de instrumento hábil que imponha a necessária obrigatoriedade; (2) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (3) o beneficiário da subvenção deve ser à pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. De acordo com essa perspectiva, destacouse que os valores correspondentes ao benefício fiscal estadual em tela (desconto de 86,39% a 89% sobre a quitação de dívidas do Programa FOMENTAR), não tendo vinculação com a aplicação Fl. 3199DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.199 8 específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Por derradeiro, requereuse o desprovimento do Recurso Especial do sujeito passivo, rogandose a manutenção do acórdão, nos termos supradeclinados. Em petição do sujeito passivo datada de 29/11/2017, às efls. 3.188/3.191, sublinhouse que a Lei Complementar nº 160/2017 estabelecera que os benefícios fiscais concedidos pelos Estados e Distrito Federal gozam de isenção fiscal, devendose observar apenas se as importâncias respectivas estão registradas em reserva de lucros, as quais só podem ser utilizadas para aumento de capital social e absorção de prejuízos. É o relatório. VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Em primeiro lugar, o Recurso Especial do sujeito passivo. Com efeito, é incontestável que o apelo é tempestivo, porém impõese averiguar a demonstração do dissídio jurisprudencial,. De início, colhese a razão de decidir do acórdão ofertado como paradigma nº 1402002.207, verbis: O primeiro detalhe que passa a distanciar o caso concreto do entendimento da RFB é que o programa de incentivos, historicamente, desenvolveuse em duas etapas: a primeira, mediante financiamento de 70% do valor do ICMS devido em suas operações, em até vinte anos, com condições vantajosas de juros e correção monetária; a segunda, mediante descontos de até 89% na quitação antecipada, em operações de oferta pública feitas por meio de leilões, dos impostos anteriormente financiados. É justamente nesta segunda etapa que se foca a discussão sobre a natureza da subvenção, se para investimento ou custeio, porque foi sobre os valores dos descontos obtidos com operações de quitação antecipada que se basearam as autuações efetuadas pela fiscalização. [...]Portanto, a lei estadual impôs a obrigatoriedade de a empresa aplicar o montante equivalente aos descontos obtidos com a quitação antecipada do financiamento na ampliação e/ou modernização de seu parque industrial incentivado (na 1a etapa) dentro de vinte anos a contar da data da realização dos leilões respectivos (2a etapa). (grifei) Além disso, a mesma lei tratou de enquadrar o incentivo (da 2a etapa) no conceito de subvenção para investimento e determinar a incorporação da contrapartida do montante beneficiado ao capital social ou sua contabilização como reserva de lucro, bem como vedar sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. [...]Nada obstante, no presente caso, a fiscalização agiu de forma diferente. Ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. (grifei) Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.200 9 Neste sentido, analisou os termos do contrato e aditivos celebrados no âmbito da primeira etapa do programa de incentivos (o financiamento de 70% do valor do ICMS devido) para concluir que o citado contrato e aditivos declaram explicitamente a destinação do benefício como reforço do capital de giro do contribuinte e não à realização de investimento, ainda que o reforço tenha sido necessário em função de investimento realizado em projetos em decorrência da implantação de unidade industrial. Nesse ponto, é bom lembrar que a discussão neste processo é focada na segunda etapa do programa porque foi sobre os valores dos descontos obtidos com operações de quitação antecipada que se basearam as autuações efetuadas pela fiscalização. Então, de nada adianta argumentar que os recursos da primeira etapa poderiam ser utilizados como reforço do capital de giro. O que importa é saber como foram utilizados os recursos da segunda etapa, ou seja, os valores equivalentes aos descontos obtidos nas operações de oferta pública feitas por meio de leilões. Sobre isso, não há qualquer menção, nem nos termos de intimação, nem na descrição dos fatos que acompanharam os autos de infração. Nunca é por demais lembrar que a lei estadual impôs a obrigatoriedade de a empresa aplicar o montante equivalente aos descontos obtidos com a quitação antecipada do financiamento (1a etapa) na ampliação e/ou modernização de seu parque industrial incentivado (na 1a etapa) dentro de vinte anos a contar da data da realização dos leilões respectivos (2a etapa). Neste sentido, analisou os termos do contrato e aditivos celebrados no âmbito da primeira etapa do programa de incentivos (o financiamento de 70% do valor do ICMS devido) para concluir que o citado contrato e aditivos declaram explicitamente a destinação do benefício como reforço do capital de giro do contribuinte e não à realização de investimento, ainda que o reforço tenha sido necessário em função de investimento realizado em projetos em decorrência da implantação de unidade industrial. Nesse ponto, é bom lembrar que a discussão neste processo é focada na segunda etapa do programa porque foi sobre os valores dos descontos obtidos com operações de quitação antecipada que se basearam as autuações efetuadas pela fiscalização. Então, de nada adianta argumentar que os recursos da primeira etapa poderiam ser utilizados como reforço do capital de giro. O que importa é saber como foram utilizados os recursos da segunda etapa, ou seja, os valores equivalentes aos descontos obtidos nas operações de oferta pública feitas por meio de leilões. Sobre isso, não há qualquer menção, nem nos termos de intimação, nem na descrição dos fatos que acompanharam os autos de infração. Nunca é por demais lembrar que a lei estadual impôs a obrigatoriedade de a empresa aplicar o montante equivalente aos descontos obtidos com a quitação antecipada do financiamento (1a etapa) na ampliação e/ou modernização de seu parque industrial incentivado (na 1a etapa) dentro de vinte anos a contar da data da realização dos leilões respectivos (2a etapa). Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. É certo que com um prazo de vinte anos para a consecução do objetivo final do programa, a empresa dispõe de um bom tempo para iniciar os investimentos necessários. Neste sentido, é sensata a observação da autoridade fiscal sobre a necessidade de existir algum tipo de prestação de contas. Mas, se a legislação estadual não a criou, isso não significa que a empresa, para fins de usufruir o benefício instituído na lei federal, não possa fazêlo. (grifei) Fl. 3201DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.201 10 Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o "dinheiro não precisa ser carimbado". Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio. Aqui então surge a principal peculiaridade do caso concreto. Este controle, ou os valores investidos, não foram sequer analisados pela DRJ. [...]Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado e nem configurou como o objeto da acusação fiscal." À vista do exposto, verificase que o acórdão ofertado como paradigma não acolheu a pretensão fiscal por entender que a Fiscalização não aprofundou a investigação o suficiente, deixando de provar que o fiscalizado não cumprira os termos da legislação estadual concessiva do benefício fiscal, embora reconhecesse a necessidade de controle. Não se disse que a legislação, por si só, é incompatível com as subvenções para investimento. Por sua vez, no voto condutor do acórdão recorrido assentouse que os descontos oriundos da liquidação antecipada do empréstimo, ainda que estivesse submetida a um encargo, não cumprem os requisitos necessários para serem considerados subvenções para investimento. Nesse cenário, é inegável que há dissídio interpretativo, porquanto no acórdão paradigma firmouse que cabia à Fiscalização fazer prova da falta de controle sobre a aplicação dos recursos obtidos com o incentivo fiscal. Em face da inexistência de tal prova, revelouse indevida a reclassificação empreendida, conforme o rigor do voto condutor, condenando a visão de quem passou a enxergar a subvenção em consonância com o perfil daquelas que são próprias ao custeio da atividade da pessoa jurídica subvencionada. Assim, compreendeuse que a legislação do benefício fiscal em foco é conciliável com a natureza das subvenções para investimento, ao passo que o acórdão recorrido proclamou que o próprio desenho da legislação concernente ao mesmo favor fiscal não era condizente com essa espécie de subvenção. Já no acórdão 10809.767 restou apregoado que o valor da redução da conta passiva de ICMS a recolher e o crédito presumido de ICMS não podem ser tidos como subvenção para custeio. De qualquer sorte, registrouse que a Fiscalização deveria provar que os recursos provenientes da vantagem fiscal não foram empregados nos empreendimentos a que se visavam. Diante disso, devese conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo. No mérito. Já explicado, a Fiscalização constatou que o sujeito passivo aderira ao FOMENTAR – Fundo de Participação e Fomento à Industrialização, programa de incentivo pelo qual o Governo do Estado de Goiás concede às pessoas jurídicas interessadas um empréstimo de até 70% do montante equivalente ao ICMS devido, visando ao fomento das atividades industriais. Tal programa foi criado pela Lei Estadual nº 9.489/1984, e regulamentado pelo Decreto nº 3.822/1992. Num segundo momento, editouse a Lei Estadual nº 13.436/1998, que veio dispor sobre a liquidação antecipada dos contratos de financiamento do FOMENTAR. Com base nessa Lei, a fiscalizada beneficiouse de um abatimento no montante de R$ 67.691.841,56 Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.202 11 (sessenta e sete milhões, seiscentos e noventa e um mil, oitocentos e quarenta e um reais e cinquenta e seis centavos), equivalente a 88% do saldo devedor original, como se pode ver no quadro abaixo: Segundo a Fiscalização, esse montante, para o sujeito passivo, fazia jus à classificação entre as subvenções para investimento, sujeitandose ao registro no patrimônio líquido como reserva de capital, razão pela qual não foi computado na apuração do lucro real. No entanto, a Fiscalização Ao analisar a legislação estadual referente ao FOMENTAR, concluiu a autoridade fiscal que a subvenção do qual se beneficiou o sujeito passivo não era aquela prevista no artigo 443 do RIR/99, qual seja, a subvenção para investimento. Na realidade, tratavase daquela disposta no artigo 38, § 2º, do Decretolei nº 1.598/1977 (com a redação dada pelo Decretolei nº 1.730/1979), matriz legal do artigo 392 do RIR/99, que cuida das subvenções correntes para custeio ou operação, as quais devem ser computadas na apuração do lucro operacional. Tal é redação do § 2º do artigo 38 do Decretolei nº 1.598/1977, com a redação dada pelo Decretolei nº 1.730/1979: "Art. 38 .................... ................. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas." No entanto, os fatos apurados ocorreram nos anoscalendário de 2006, 2008, 2009 e 2010. Nesse interregno, surgiram as Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, que introduziram nova disciplina legal aplicável às subvenções para investimento. No que se refere à Lei nº 11.638/2007, vale lembrar, inicialmente, a revogação da alínea “d” do §1º do art. 182 da Lei nº 6.404/1976, que determinava a contabilização das doações e subvenções para investimentos em conta de reserva de capital. Com a alteração legislativa, esses recursos passaram a transitar pelo resultado. Isso não significa, porém, que deveriam sofrer a incidência Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.203 12 do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, em conformidade com o § 7º do artigo 177 da Lei nº 6.404/1976, incluído pela Lei nº 11.638/2007, verbis: "Art. 1o Os arts. 176 a 179, 181 a 184, 187, 188, 197, 199, 226 e 248 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] “Art. 177........................................................... ....................................................................... § 2º As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar, para todos os fins desta Lei, demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil; ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários, na escrituração mercantil, desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo, devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários. [...]§ 7o Os lançamentos de ajuste efetuados exclusivamente para harmonização de normas contábeis, nos termos do § 2o deste artigo, e as demonstrações e apurações com eles elaboradas não poderão ser base de incidência de impostos e contribuições nem ter quaisquer outros efeitos tributários.” (NR) É digno de nota que a Lei nº 11.638/2007, ao tempo em que revogou o dispositivo que determinava a contabilização da subvenção para investimentos em conta de reserva de capital, instituiu, dentre as reservas de lucros, a Reserva de Incentivos Fiscais, a evidenciar que essas subvenções não podem ser objeto de distribuição a acionistas. Nesse aspecto, releva ter em conta que, antes mesmo da Lei nº 11.6382007, já se exigia que as subvenções para investimentos não fossem distribuídas a participantes no capital da sociedade. Nesse ponto, não há diferença entre a nova disciplina introduzida pela Lei 11.638/2007 e o regramento do citado artigo 38, § 2º, do Decretolei nº 1.598/1977. Reparese o artigo 195A da Lei nº 6.404/1976, introduzido pela Lei nº 11.637/2008: "Art. 2o A Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 195A: “Reserva de Incentivos Fiscais Art. 195A. A assembléia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei).” Após modificações geradas pela Lei nº 11.638/2007, sobreveio a Lei nº 11.941/2009, que instituiu o Regime Tributário de Transição RTT, que trata dos ajustes tributários decorrentes de novos métodos e critérios contábeis criados pela Lei nº 11.638/2007, e pelos artigos 37 e 28 da própria Lei nº 11.941/2009. A esse respeito, anotese o texto dos artigos 15 e 18 da citada Lei nº 11.941/2009 (vigentes anteriormente às alterações provocadas pela Lei nº 12.973/2014), os quais aludem às inovações instituídas pelo RTT: Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.204 13 "Art. 15. Fica instituído o Regime Tributário de Transição – RTT de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei no 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei. § 1º O RTT vigerá até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. § 2º Nos anoscalendário de 2008 e 2009, o RTT será optativo, observado o seguinte: I – a opção aplicarseá ao biênio 20082009, vedada a aplicação do regime em um único anocalendário; II – a opção a que se refere o inciso I deste parágrafo deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2009; III – no caso de apuração pelo lucro real trimestral dos trimestres já transcorridos do anocalendário de 2008, a eventual diferença entre o valor do imposto devido com base na opção pelo RTT e o valor antes apurado deverá ser compensada ou recolhida até o último dia útil do primeiro mês subsequente ao de publicação desta Lei, conforme o caso; IV – na hipótese de início de atividades no anocalendário de 2009, a opção deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2010. § 3º Observado o prazo estabelecido no § 1º deste artigo, o RTT será obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do imposto sobre a renda com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS." "Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3o deste artigo. Fl. 3205DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.205 14 § 1º As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2º O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1o do art. 15 desta Lei. § 3º Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes." Portanto, conforme a regra do artigo 15 da Lei nº 11.941/2009, a observância ao RTT era facultativa, para os anoscalendário de 2008 e 2009, e obrigatória, para o ano calendário de 2010. Contudo, a categorização de uma transferência como subvenção para investimento deve curvarse a certos requisitos, adequadamente expostos no Parecer Normativo CST nº 112, de 1978: "2.11. Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de Subvenções para Investimento é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU 16.01.1978). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a Subvenção para Investimento seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as Subvenções para Custeio ou Operação e as Subvenções para Investimento, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específica. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU 16.10.1973), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que Subvenção para Investimento é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas mas sim na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12. Observase que a Subvenção para Investimento apresenta características bem marcantes exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o animus de subvencionar para investimento. Impõese também a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como Subvenção para Investimento." Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.206 15 Como se pode ver, o PN CST nº 112/ 1978 remete o intérprete a dois níveis de verificação, para fins certificação da classificação da transferência de recursos oriunda do Poder Público no rol das subvenções para investimentos: o primeiro, no plano legislativo, e o segundo, no plano dos fatos, como ilustra o Conselheiro André Mendes de Moura, no julgamento de Recurso Especial no qual se prolatou o acórdão nº 9101002.335 – 1ª Turma, sessão de 04/05/2016, o qual reproduzo, no essencial: "Observase que, segundo interpretação do parecer, a subvenção para investimento estaria caracterizada quando, cumulativamente, (1) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não sem sua despesas, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (2) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (3) não basta o "animus", mas também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (4) mero registro contábil em conta própria de reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Entendo que apenas o item (2), a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção. Por sua vez, quanto aos demais itens (1, 3 e 4), entendo que consagram o disposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Dispõese com clareza que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, além de terem de estar contabilizadas em conta reserva de capital e feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Quando se fala em estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta a mera intenção do subvencionador. Se os recursos deve (sic) ser aplicados para estimular implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta uma mera disposição legislativa, editada pelo ente subvencionador, para que reste caracterizada a subvenção para investimento. Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. Resta completamente desvirtuado o instituto quando a lei estadual, por exemplo, ao mesmo tempo que estabelece condições para a transferência do recurso, deixa em campo cinzento quais seriam os mecanismos claros de controle para verificar se as condições estabelecidas para a fruição do benefício, no caso, implantação ou expansão de investimentos, estarão sendo cumpridas. Esclareço que aqui não se fala em comprovação imediata da aplicação das transferências. O que se quer dizer é que o papel do ente subvencionador não está restrito apenas a editar diploma legal concedendo a transferência mediante condições que ficarão apenas "no papel", submetidos unicamente à vontade do ente Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.207 16 subvencionado. O diploma legal também deve dispor sobre mecanismos claros de controle e acompanhamento dos recursos transferidos. Não se fala em "carimbar o dinheiro", e que precisamente o recurso ingressado por meio de transferência seja aplicado na implantação/expansão do investimento. Não se fala em simultaneidade. Nada disso. O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo fixo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Deve se se identificar, mediante elaboração de um plano de contas os ativos que foram objeto de implementação ou expansão. Sim, a contabilidade se presta para refletir, com clareza e transparência, as mutações econômicas da empresa, ainda mais se tratando de um benefício fiscal dessa natureza. Dever de escrituração é obrigação do Contribuinte. Se o ente subvencionador, por motivos próprios, decidir não se preocupar em verificar se as condições estabelecidas para a transferência dos recursos foram atendidas, tratase de assunto com repercussão na sua jurisdição. O que não se pode admitir é que uma omissão de um ente federativo (o Estado subvencionador) tenha repercussão nas regras de tributação estabelecidas no âmbito de competência de outro ente federativo (a União). Só porque o Estado "legitima" a transferência de recursos dessa natureza, tal atitude não impede a Fazenda Nacional de verificar se as condições para enquadramento de subvenção para investimento estão sendo cumpridas. Não há a "afronta" ao pacto federativo mencionada pela Contribuinte. Pelo contrário. Tal situação seria caracterizada, precisamente, se as condições impostas pelo Estado se prestassem a impedir a União de exercer o poder de executar as leis federais. Estabelecidas as premissas, passo para a análise do caso concreto. [...]Notase que o diploma normativo estadual estabelece várias hipóteses para o usufruto do benefício. Contudo, para o caso em debate, cabe analisar se as condições estabelecidas de fato vinculam a transferência dos recursos decorrentes da redução do ICMS a projetos cujas diretrizes sejam concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, conforme o disposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Como já dito, não há que se falar em apenas na intenção do ente subvencionador, mas também se verificar se há efetiva preocupação em estabelecer metas claras para averiguar se, de fato, está se consumando a implantação ou expansão do empreendimento econômico por meio de mecanismos de controle e acompanhamento do projeto. Tais elementos devem ser sujeitos a apreciação em duas dimensões: primeiro, em tese, mediante análise dos dispositivos da norma, e segundo, de ordem fática, mediante verificação se a empresa tem cumprido as condições dispostas na norma." Ocorre que, recentemente, aprovouse a Lei Complementar nº 160/2017, que inseriu os §§ 4º e 5º ao artigo 30 da Lei nº 12.973/2014. Eis o antedito artigo 30 em sua integralidade: Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.208 17 "Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." A partir da inserção dos §§ 4º e 5º ao artigo 30 da Lei nº 12.973/2014, tornouse vedada qualquer exigência, para fins de reconhecimento da subvenção de investimento alusivas a benefícios fiscais relativos ao ICMS, distinta daquelas que constam no caput: (i) intenção do Estado de estimular a implantação ou a expansão de empreendimentos econômicos; (ii) registro em reserva de lucros. E mais: essa vedação se estende aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Consoante o artigo 10 da Lei Complementar nº 160/2017, a nova disciplina asselada pelos §§ 4º e 5º do artigo 30 da Lei nº 12.973/2014 também deve ser aplicada aos benefícios fiscais referentes a ICMS concedidos em desacordo com o artigo 155, inciso XII, alínea "g", da vigente Constituição da República, decorrentes de legislação estadual anterior, Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.209 18 desde que atendidas as exigências de registro e depósito fixadas nos termos do artigo 3º da mesma Lei Complementar nº 160/2017, verbis: "Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar." Para a melhor compreensão deste voto, seguem as regras do artigo 3º da Lei Complementar nº 160/2017: "Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1o O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2o A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.210 19 IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3o Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4o A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5o O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6o As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7o As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2o deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8o As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2o, enquanto vigentes." Em 2017, editouse o Convênio ICMS nº 190/2017, que dispõe, nos termos autorizados na Lei Complementar nº 160/2017, sobre a remissão de créditos tributários, constituídos ou não, decorrentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, bem como sobre as correspondentes reinstituições. Conforme § 1º da cláusula primeira deste Convênio, as referências a benefícios fiscais consideramse relativas a isenções, incentivos e benefícios fiscais ou financeirofiscais, relativos ao ICMS. À luz da cláusula segunda do Convênio ICMS nº 190/2017, a publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação do ato normativo instituidor do benefício fiscal editado até 8 de agosto de 2017 deve ocorrer até as seguintes datas: (i) 29 de março de 2018, se vigente em 8 de agosto de 2017; (ii) 30 de setembro de 2018, se não vigente em 8 de agosto de 2017. Já a cláusula quarta do Convênio ICMS nº 190/2017 estabelece que o registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente ao ato concessivo de benefício fiscal editado até 8 de agosto de 2017 devem Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 13116.721486/201129 Resolução nº 9101000.057 CSRFT1 Fl. 3.211 20 ocorrer até 29 de junho de 2018, se vigente na data do registro e do depósito, ou até 28 de dezembro de 2018, se não vigente na data do registro e do depósito. Após a publicação do ato normativo no Diário Oficial do Estado, a teor inciso I da cláusula segunda, e o registro no CONFAZ, como prevê o inciso II da mesma cláusula, a publicação deverá estar disponível no Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, em consonância com o disposto na cláusula quinta. Vale ponderar que não há notícias sobre o registro e o depósito do ato instituidor do beneficio em lume. Em circunstancias semelhantes, esse Colegiado decidiu por sobrestar o processo até 29/12/2018, dia seguinte ao fim do prazo mais longo dentre os que estão acima mencionados, determinandose a baixa dos autos à unidade de origem, que deve intimar desde já o sujeito passivo a comprovar, quando tiver conhecimento, o cumprimento dos requisitos firmados nas cláusulas segunda, terceira e quarta do Convênio ICMS nº 190/2017. No entanto, o contribuinte, em sustentação oral, manifestouse no sentido de ter em mãos documentação comprobatória do registro e depósito do ato que instituiu o beneficio fiscal aqui discutido. Em face do exposto e com o objetivo de se assegurar uma decisão justa e a participação equânime das partes, na defesa das respectivas pretensões, proponho a conversão do julgamento em diligência, determinando a remessa dos autos à Dipro/Cojul para que sejam anexados os novos documentos apresentados pelo patrono do contribuinte em sede de sustentação oral, com abertura de prazo para ciência e manifestação da PGFN. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 3212DF CARF MF
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