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Numero do processo: 11020.721531/2008-83
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Direito Creditório. Saldo Negativo de IRPJ Composto por Antecipações a Titulo de IRRF. Empresa em Fase Pré-Operacional.
Em fase pré-operacional, deve-se confrontar, contabilmente, as despesas e receitas pré-operacionais. Se o resultado apurado for negativo, ou seja, se as despesas pré-operacionais forem superiores às receitas auferidas, não haverá apuração de lucro tributável pelo IRPJ e, nessas condições, o imposto de renda retido na fonte deverá compor a apuração final, e, caso seja apurado saldo negativo de IRPJ, este será passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1801-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Direito Creditório. Saldo Negativo de IRPJ Composto por Antecipações a Titulo de IRRF. Empresa em Fase Pré-Operacional. Em fase pré-operacional, deve-se confrontar, contabilmente, as despesas e receitas pré-operacionais. Se o resultado apurado for negativo, ou seja, se as despesas pré-operacionais forem superiores às receitas auferidas, não haverá apuração de lucro tributável pelo IRPJ e, nessas condições, o imposto de renda retido na fonte deverá compor a apuração final, e, caso seja apurado saldo negativo de IRPJ, este será passível de restituição ou compensação.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ANTECIPAÇÕES A TITULO DE IRRF. EMPRESA EM FASE PRÉOPERACIONAL. Em fase préoperacional, devese confrontar, contabilmente, as despesas e receitas préoperacionais. Se o resultado apurado for negativo, ou seja, se as despesas préoperacionais forem superiores às receitas auferidas, não haverá apuração de lucro tributável pelo IRPJ e, nessas condições, o imposto de renda retido na fonte deverá compor a apuração final, e, caso seja apurado saldo negativo de IRPJ, este será passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 15 31 /2 00 8- 83 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Por economia processual reproduzo relatório adotado na Resolução n º 1801 000.127: Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 1236.619, de 11/04/2011, da 8a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI (fls. 173/178) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório n º 28/2009, da DRF em Caxias do Sul/RS (fls. 118/122), que não homologou as compensações declaradas nos PERDCOMP constantes dos autos. HISTÓRICO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI. Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMPs abaixo relacionadas, cujo crédito pleiteado referese a saldo negativo de IRPJ do 4o. trimestre de 2004, no valor de R$ 323.633,79 PER/DCOMP 19412.14216.160305.1.3.020798 23491.70225.230305.1.3.021227 22805.75971.300305.1.7.026713 35687.90402.060405.1.3.020075 29045.21152.130405.1.3.028088 34623.18820.200405.1.3.022431 06509.49573.270405.1.7.022745 29529.80786.040505.1.3.020138 03582.77273.110505.1.3.028577 06887.03324.180505.1.3.020706 21606.45636.250505.1.3.027899 41130.69675.010605.1.3.020543 12001.94104.080605.1.3.026000 33735.07707.150605.1.3.022740 36962.77072.220605.1.3.025248 07406.47706.290605.1.3.023539 05843.08089.060705.1.3.020240 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721531/200883 Acórdão n.º 1801001.794 S1TE01 Fl. 3 3 24543.06518.030407.1.7.022683 22740.56488.030407.1.7.026014 01974.95687.030407.1.7.027404 Em análise da DIPJ verificouse que o saldo negativo era composto de imposto de renda retido na fonte, contudo, as receitas que lhe deram origem não foram oferecidas à tributação. A interessada foi intimada (fls. 95/96) a demonstrar e comprovar a tributação das receitas, por meio de demonstrativo embasado com escrita contábil. Em resposta (97/98) a contribuinte informou que:"estava em fase préoperacional, com isso suas receitas não transitavam pelo resultado'" e não apresentou a escrita contábil. A DRF Caxias do Sul (RS) proferiu o despacho decisório n° 28/2009 (118/122) não homologando as compensações alegando que: "As receitas e despesas financeiras compõem o resultado do período em que incorridas, enquanto as despesas préoperacionais são ativadas para posterior amortização, nos termos do art. 179, V, da Lei 6.404/76, vigente a época dos fatos, combinado com o art. 325, II, "a ", do RIR/99. Assim, podemos dizer que as receitas e despesas financeiras deveriam ser levadas ao resultado do exercício de forma que sejam tributadas, conforme ocorre com as pessoas jurídicas em geral, já os gastos préoperacionais são lançados no ativo diferido para posterior amortização." Diante do exposto, recalculou o imposto de renda devido considerando as receitas financeiras e apurou imposto a pagar e não saldo negativo. A interessada foi cientificada em 11/03/2009 (fl. 140) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 143/144) em 17/03/2009, alegando que: •os pressupostos quanto ao registro das despesas e receitas financeiras estabelecidos pela IN 54/1988 permanecem válidos. "A ativação das despesas parte da presunção de que no período pré operacional não há receita. Essa presunção, contudo, não é absoluta, e havendo receita, ela deve ser utilizada para diminuir a despesa correspondente. Em se tratando de empresa em fase préoperacional, esse confronto será feito no ativo, e na eventualidade de se apurar um saldo credor (receitas maiores que despesas), haveria apuração do imposto." "a DIPJ enviada apresenta as despesas e receitas financeiras e as despesas préoperacionais registradas corretamente no ativo e o IRPJ decorrente da retenção na fonte sobre aplicações financeiras, por vir a ser objeto de utilização para compensar débitos futuros, foram registrados na ficha correspondente" o procedimento adotado pela Companhia está embasado na Solução de Consulta n° 289/2007 da DISIT/SRRF 09 e na solução de consulta n° 73. A Turma Julgadora de 1a. instância consignou que a interessada estaria correta quanto à possibilidade de diminuição do saldo líquido das receitas e despesas financeiras do total das despesas préoperacionais registradas, mas não teria comprovado, nem Fl. 546DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 por ocasião da intimação, nem no momento da impugnação, o registro das despesas pré operacionais que alega possuir, o que impossibilitaria a análise da diferença entre o valor das despesas préoperacionais e o saldo das receitas e despesas financeiras, informações que não poderiam ser extraídas da DIPJ. Como conseqüência o pleito foi indeferido, o direito creditório não reconhecido e as compensações pleiteadas, não homologadas. Notificada da decisão, em 17/06/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. 185, postou, a interessada, em 08/07/2011, como demonstra o incluso envelope, recurso voluntário. Aduz que, conforme permitido pela notificação, estaria a apresentar a escrita contábil comprobatória da contabilização das receitas e despesas financeiras, através de seu livro razão dos períodos 2004 e 2005, quando se encontrava em fase préoperacional. Nesse sentido, em relação a 2004, o balanço publicado demonstraria receitas financeiras no valor de R$ 10.288.477,38 e despesas financeiras no valor de R$ 89.780.504,94, conforme páginas 35 e 36 do respectivo Livro Razão. Na ficha 45A da DIPJ – linha 45 – Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – teria sido preenchido o valor de R$ 214.400.503,40, e, nesse total, estariam incluídos os valores de despesas e receitas financeiras mencionados. Tratandose de concessionária de geração de energia elétrica, os gastos pré operacionais devem ser classificados no grupo de contas do Ativo Imobilizado em Curso, conforme manual de contabilidade que deve ser obrigatoriamente seguido pelas empresas desse setor e, independentemente da classificação contábil, estaria comprovado que a despesa financeira foi maior que a receita financeira, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Aduz que, apesar de ainda não ter seu empreendimento em operação, a empresa poderia auferir receitas – como no caso de aplicações financeiras dos recursos levantados para a construção, mas ainda não gastos no empreendimento – de modo que tais receitas devem ser confrontadas com as despesas a elas relativas no período, o que estaria comprovado pela documentação apresentada. Salienta que no ano de 2005 a empresa entrou em operação no mês de novembro e, de janeiro a outubro, teriam sido registradas no Ativo Imobilizado em Curso as receitas financeiras no valor de R$ 19.370.558,12 e despesas financeiras no valor de R$ 146.935.198,57, conforme demonstrado no Livro Razão, páginas 41 e 42. Na DIPJ – Ficha 45, linha 45A Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – foi preenchido o valor de R$ 127.564.640,45, resultado negativo financeiro, que não constituiria base para a tributação. Pelo exposto e documentação apresentada, entende comprovar que suas despesas financeiras foram maiores que suas receitas financeiras e, dessa forma, seria indevida a cobrança de impostos, pois não teria apresentado lucro no período préoperacional. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. Em sessão realizada em 12/06/2012, esta 1a. TE / 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF, converteu o julgamento na realização de diligências para que fossem analisados os elementos de prova apresentados pela defesa, a fim de que ficasse demonstrada a existência, composição e suficiência do direito creditório invocado. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721531/200883 Acórdão n.º 1801001.794 S1TE01 Fl. 4 5 Realizada a diligência com a anexação, ao processo, dos documentos inclusos às fls. 232/515, o agente fiscal encarregado dos trabalhos produziu o relatório de fls. 516/519, contendo respostas aos quesitos formulados na Resolução n º 1801000.127. A recorrente foi cientificada do resultado da diligência fiscal, em 07/06/2013, como demonstra a cópia do AR à fl. 520 e, em resposta encaminhada a repartição em 28/06/2013, manifestouse (fl. 521) no sentido de estar ciente da suficiência do direito creditório e reiterando o pedido de homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato a recorrente pleiteia, neste processo, a homologação de compensações de débitos vinculados a direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do 4o. trimestre de 2004, no valor de R$ 323.633,79, composto, basicamente, de imposto de renda retido na fonte. Seu pedido foi indeferido pelo órgão de origem porque na respectiva DIPJ apresentada, as receitas que teriam dado origem à retenção não teriam sido oferecidas à tributação. A recorrente defendeuse afirmando que estava em fase préoperacional e, com isso, suas receitas não transitavam pelo resultado. Mas, na decisão recorrida, a Turma Julgadora de 1a. instância motivou a não homologação das compensações pleiteadas nos presentes autos na ausência de comprovação, por parte da requerente, do quanto alegado, em especial na existência de despesas préoperacionais registradas em sua escrituração contábil e fiscal. No recurso voluntário apresentado a defesa tratou de apresentar elementos de sua escrituração a fim de comprovar a existência das referidas despesas préoperacionais, o que motivou a solicitação de diligência fiscal por parte desta Turma de Julgamento do CARF. Contudo, antes de adentrarmos à análise dos fatos, julgo pertinente contextualizar o tema. Caracterizamse como despesas préoperacionais ou préindustriais as despesas necessárias, consideradas indispensáveis à implantação e organização ou a Fl. 548DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 ampliação da empresa, pagas ou incorridas pela pessoa jurídica anteriormente ao início de suas operações sociais ou posteriormente para expansão da empresa. As despesas préoperacionais ou préindustriais em nada se assemelham as despesas operacionais, uma vez que não se destinam a exploração do objeto social nem à manutenção das atividades. Desse modo, conceituamse como despesas incorridas aquelas relativas a bens empregados ou serviços consumidos nas operações da empresa, de competência do período de apuração, pagas ou não. Portanto, para a apropriação das despesas deverá ser observado o período de apuração em que os bens foram empregados ou os serviços consumidos, segundo o regime de competência. As despesas aqui tratadas poderão surgir em dois momentos distintos, quais sejam: anteriormente ao início das operações sociais ou posteriormente para expansão da empresa. (*) Fundamentação legal: Parecer Normativo CST nº 72/75; artigo 299 do Decreto nº 3.000/99). São consideradas despesas préoperacionais ou préindustriais todas as despesas necessárias à implantação e a organização ou a ampliação da empresa, até mesmo as despesas administrativas. (*) Fundamentação legal:art. 325, II RIR/99. Os recursos aplicados na realização de despesas préoperacionais que contribuiriam para a formação do resultado de mais de um exercício social deveriam ser registrados no ativo diferido, sujeitandose a amortização a partir do início da operação normal ou da sua utilização. (*) Fundamentação legal: Lei 6.404, de 1976; Art. 179, V. 1 Como bem ressaltou a Turma Julgadora de 1a. instância, a COSIT pôs fim as divergências sobre o tema, por meio da Solução de Divergência n° 32, de 21 de julho de 2008 e n° 45 de 21 de novembro de2008, concluindo que: "Em vista do exposto, concluise que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positivo, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. " Assim, a ativação das despesas parte da suposição de que no período pré operacional não há receita. Mas, havendo receita, ela deve ser utilizada para diminuir a despesa correspondente. Em se tratando de empresa em fase préoperacional, esse confronto será feito no ativo, e na eventualidade de se apurar um saldo credor (receitas maiores que despesas), haverá apuração do imposto. Caso as despesas préoperacionais sejam superiores às receitas auferidas, a empresa não terá lucro tributável pelo IRPJ. 1 Disponível em www.fiscosof.com.br Fl. 549DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721531/200883 Acórdão n.º 1801001.794 S1TE01 Fl. 5 7 Dessa forma, tem razão a recorrente quanto à possibilidade de diminuição do saldo líquido das receitas e despesas financeiras do total das despesas pré operacionais registradas. Nesse sentido afirmou que a DIPJ enviada apresentaria as despesas e receitas financeiras e as despesas préoperacionais registradas no ativo e que o IRPJ decorrente da retenção na fonte sobre aplicações financeiras, por vir a ser objeto de utilização para compensar débitos futuros, teriam sido registrados na ficha correspondente. Com o objetivo de comprovar suas alegações e demonstrar a existência do registro das despesas préoperacionais alegadas, a defesa apresentou, junto ao recurso voluntário, elementos da escrita contábil e fiscal a fim de que fossem identificados os valores das receitas e despesas financeiras e das despesas préoperacionais. Passemos, pois, ao exames dos fatos. Com base na documentação apresentada no Recurso Voluntário esta Turma de Julgamento do CARF converteu o julgamento na realização de diligência, para que fossem respondidos os quesitos constantes da Resolução n º 1801000.127: Em atendimento à Resolução, o agente fiscal encarregado dos trabalhos produziu o relatório pertinente e, em relação aos quesitos formulados, respondeu: 1. Em relação ao anocalendário 2004 Quesito: 1.1) demonstração do registro de receitas financeiras no valor de R$ 10.288.477,38 e de despesas financeiras no valor de R$ 89.780.504,94, e a inclusão desses valores no total informado na ficha 45A da DIPJ – linha 45 – Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – de R$ 214.400.503,40. 1.2) a correção do registro dos gastos préoperacionais em conta do Ativo Imobilizado em Curso, conforme manual de contabilidade das empresas do setor de geração de energia elétrica; Resposta (itens 4.1 e 4.2 da Informação Fiscal): 4.1 Na declaração original e nas retificadoras referente ao anocalendário 2004, a linha 45 da ficha 45 A não foi preenchida apenas (a coluna ano da declaração) na do anocalendário 2005, para a coluna “último balanço do ano imediatamente anterior” com o valor de R$ 214.400.503,40. Esse valor resulta do desmembramento do total do imobilizado no valor de R$ 1.087.479.888,37 em R$ 873.079.384,97 (imobilizado) e R$ 214.400.503,40 (despesas préoperacionais). Assim, a resposta ao quesito 1.1 é de que pelos arquivos digitais apresentados as receitas e despesas financeiras do anocalendário 2004 foram contabilizadas no imobilizado em curso. 4.2 De acordo com a planilha comparativa de fls. 510/513, percebese que, no balancete de 31/12/2004, apenas a conta provisão para contingências cíveis não constava do imobilizado em curso. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Conclusão: O valor de R$ 214.400.503,40 referese ao total de despesas pré operacionais do anocalendário 2004 e foram contabilizadas no ativo imobilizado. Quesito: 1.3) demonstração de que a despesa financeira foi maior que a receita financeira, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Resposta (item 4.3 da Informação Fiscal): 4.3 Quanto ao item 1.3, as despesas financeiras apresentam valor superior às receitas financeiras, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Conclusão; A despesa financeira, no anocalendário 2004, foi maior que a receita financeira, não sendo produzido resultado passível de gerar base para tributação. Quesito: 1.4) se foram auferidas receitas de aplicações financeiras de recursos adquiridos no período em que o empreendimento ainda não estava em operação, e não empregados no empreendimento por conta dessa inoperância, devendo ser intimada a empresa a esclarecer quanto ao critério de sua contabilização. Resposta (item 4.4 da Informação Fiscal): 4.4 Com relação ao item 1.4, da análise dos arquivos digitais entregues, depreendese que os recursos obtidos por meio de empréstimos foram, em parte, objeto de aplicações financeiras no período préoperacional. As receitas de aplicações financeiras foram ativadas no Imobilizado em curso nesse período. Conclusão: Houve apropriação de receitas financeiras decorrentes do período pré operacionais, contabilizadas no ativo imobilizado do respectivo período. Quesito: 1.5) o resultado líquido do confronto das receitas mencionadas no item acima com as despesas a elas relativas. Resposta (item 4.5 da Informação Fiscal): 4.5 O resultado líquido do confronto das receitas e despesas financeiras, requerido no item 1.5, de acordo com os arquivos digitais, é: Final do Trimestre 31/03/2004 30/06/2004 30/09/2004 31/12/2004 Receitas Financeiras R$ 8.103.363,10 C R$ 7.946.958,90 C R$ 8.498.233,94 C R$ 10.288.477,38 C Fl. 551DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721531/200883 Acórdão n.º 1801001.794 S1TE01 Fl. 6 9 Despesas Financeiras R$ 55.071.034,22 D R$ 78.563.612,04 D R$ 78.860.087,50 D R$ 89.780.504,94 D Resultado Líquido R$ 46.967.671,12 D R$ 70.616.653,14 D R$ 70.361.853,56 D R$ 79.492.027,56 D Conclusão: As Despesas Financeiras superaram as Receitas Financeiras, em todos os trimestres do anocalendário 2004. Em relação ao anocalendário 2005: Quesito: 2.1) o registro, no Ativo Imobilizado em Curso, das receitas financeiras no valor de R$ 19.370.558,12 e despesas financeiras no valor de R$ 146.935.198,57, e sua correlação com o valor consignado na DIPJ – Ficha 45, linha 45A Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – como resultado negativo financeiro de R$ 127.564.640,45. Resposta (item 4.6 da Informação Fiscal): 4.6 De acordo com o balancete de 31/10/2005, doc. de fls. 515, a soma algébrica dos valores salientados no referido balancete, que se reportam a despesas e receitas financeiras, monta R$ 127.564.640,45, valor equivalente ao resultado financeiro negativo. Conclusão: No anocalendário 2005, até o momento em que a empresa entrou em operação, foi apurado resultado financeiro negativo, no valor de R$ 127.564.640,45. Finalmente, quanto a existência, composição e suficiência do direito creditório invocado pela recorrente, relativo a saldo negativo de IRPJ do 1o. trimestre de 2004, composto por antecipação a título de IRRF, o agente fiscal assim se manifestou: 5. Com a relação à suficiência do direito creditório invocado pela recorrente, relativo a saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2004, no valor de R$ 323.633,79, a consulta da DIRF constante do volume I comporta o valor de IRRF informado. 6 Assim, proponho que seja dada ciência à contribuinte desta Informação, entregandolhe cópia desta, da planilha comparativa de fls. 510/513 e do balancete de 31/10/2005 de fls. 515. Como, também, cientifiquese a contribuinte que fica, nos termos da legislação pertinente, concedido o prazo de trinta dias a partir da data da ciência, para a interessada apresentar suas considerações sobre o referido relatório, se assim desejar. Conclusão: No caso em apreço, comprovouse que no 4o. trimestre de 2004, as despesas préoperacionais foram superiores às receitas auferidas, e, assim sendo, não houve apuração de lucro tributável pelo IRPJ. Nessas condições, o imposto de renda Fl. 552DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 retido na fonte compôs a apuração final, resultando em saldo negativo de IRPJ, passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório reivindicado relativo a saldo negativo de IRPJ do 4o. trimestre de 2004, no valor de R$ 323.633,79, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 553DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10882.900875/2008-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2002
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2002 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 75 /2 00 8- 44 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900875/200844 Acórdão n.º 9303002.477 CSRFT3 Fl. 160 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em direito creditório oriundo de suposto pagamento efetuado a maior. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900875/200844 Acórdão n.º 9303002.477 CSRFT3 Fl. 161 3 IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o DecretoLei nº 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar nº 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900875/200844 Acórdão n.º 9303002.477 CSRFT3 Fl. 162 4 determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do nº288/67. Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial foi admitido pelo presidente da câmara recorrida, em relação às duas questões trazidas no recurso, quais sejam: i) a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, o sujeito passivo não fez prova de que as mercadorias foram remetidas à Zona Franca de Manaus, e a ele caberia esse ônus. Ainda, de acordo com a PGFN, as remessas para a ZFM não estavam isentas das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900875/200844 Acórdão n.º 9303002.477 CSRFT3 Fl. 163 5 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900875/200844 Acórdão n.º 9303002.477 CSRFT3 Fl. 164 6 Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900875/200844 Acórdão n.º 9303002.477 CSRFT3 Fl. 165 7 impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910820/2010-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 08 20 /2 01 0- 33 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910820/201033 Acórdão n.º 3801002.803 S3TE01 Fl. 38 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511550 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 34993.97372.300307.1.3.042470 (doc. de fls. 1316). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$2.834,17, representado por Darf recolhido em 15/06/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 31/05/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 13/08/2004; que o mesmo foi recolhido em 15/06/2004 no valor de R$ 3677,40; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 843,23, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910820/201033 Acórdão n.º 3801002.803 S3TE01 Fl. 39 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910820/201033 Acórdão n.º 3801002.803 S3TE01 Fl. 40 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 31/05/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910820/201033 Acórdão n.º 3801002.803 S3TE01 Fl. 41 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904232/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 142 1 141 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.904232/200851 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.426 – 2ª Turma Especial Data 5 de dezembro de 2013 Assunto IRPJ Recorrente ANDALUZ FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 23 2/ 20 08 -5 1 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 143 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, em virtude da decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto SP, a qual julgou improcedente o pedido do contribuinte, mantendo a não homologação da declaração de compensação no. 00711.27823.250804.1.3.040063. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 91 a 95 (PER/DCOMP n 00711.27823.250804.1.3.040063), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL (cód. receita 6012) relativo ao período de apuração do 4º trimestre de 1999. Pelo Despacho Decisório de fls. 03 o contribuinte foi cientificado, em 29/08/2008 (fls. 96), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 1.265,00). Irresignado, o contribuinte apresentou em 29/09/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 e 02, alegando, em apertada síntese, o seguinte: 4.1 Que conforme apurado na DIPJ de 2000, anocalendário 1999, a empresa apresentou um recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, uma vez que os recolhimentos por estimativa ultrapassaram o débito real do período, conforme a seguinte tabela: Que os valores acima foram utilizados para compensar os débitos informados na DCOMP com os devidos acréscimos legais. Que o crédito foi devidamente corrigido até a data da apresentação da DCOMP. Que o saldo remanescente do crédito foi devidamente compensado com outros débitos. Por fim solicita que seja cancelado o despacho decisório, uma vez que o débito foi devidamente pago conforme a utilização de parte do crédito gerado no ano de 1999. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 144 3 Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo– SP1, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 1634.2918, sessão de 18 de outubro de 2011, cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em apertada síntese que a decisão da DRJ é nula por falta de fundamentação; que houve a decadência/prescrição das cobranças dos períodos compensados com o crédito pleiteado; e, quanto ao mérito, que demonstrou a existência de crédito de saldo negativo de CSLL, relativo ao AnoCalendário de 1999 e, portanto, possui direito à compensação desse crédito com outros tributos federais administrados pela SRFB; requerendo, ao final, acolhimento da defesa para reforma do julgado. É o relatório, passo a decidir. Voto Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 14.02.2012, conforme aviso de recebimento fls. 104 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 14.03.2012, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares Nulidade da Decisão da DRJ Alega o contribuinte que a decisão da DRJ é nula, porque é vazia e totalmente desprovida de fundamentação jurídica, pois, limitase a declarar como incorreto o procedimento adotado, aduzindo que não estaria comprovado direito creditório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 145 4 Tal afirmação não merece prosperar. Nesta perspectiva, verificase que a decisão recorrida claramente delimitou o ponto sobre o qual analisaria o pedido da recorrente, qual seja, se o crédito era líquido e certo para fins de suportar a compensação efetuada. Senão vejamos o trecho da decisão recorrida sobre esse ponto: Segundo informações constantes na Manifestação de inconformidade apresentada, percebese que o pretenso direito creditório seria, na realidade, de saldo negativo de CSLL apurado em 1999 e não de pagamento a maior conforme declarado. Seguindo com sua fundamentação, a decisão recorrida trouxe os motivos pelos quais não reconhecera o crédito tributário pleiteado, ante a não comprovação do pagamento a maior do que o devido ou saldo negativo por documentos contábeis e fiscais: 8. Primeiramente, independentemente de qualquer outra análise, não haveria como se reconhecer o direito creditório aqui pleiteado, vez que o pagamento efetuado em janeiro de 2000 foi totalmente utilizado para a quitação do débito de CSLL no valor de R$1.293,72, declarado na DCTF do 4º trimestre de 1999 (ND:00001.002.000/60247688) e o contribuinte não demonstrou que o pagamento efetuado realmente tivesse sido feito a maior, trazendo documentação que pudesse de fato demonstrar que a apuração de CSLL do referido período fosse inferior ao declarado. Em que pese não haver CSLL a pagar no 4º trimestre de 1999, conforme DIPJ anexada (fls.79), tal demonstrativo não serve como prova do alegado, visto que seria preciso demonstrar que o ali apurado reflete a realidade dos fatos, estando devidamente escriturado na contabilidade do manifestante, bem como amparado por documentação hábil que pudesse comprovar a exatidão de tais registros. Somente estes elementos já seriam suficientes para o não reconhecimento do crédito aqui requerido. 9. Além dos apontamentos acima, ainda cumpre frisar que o pedido se refere a um pagamento indevido ou a maior, enquanto que nas alegações parece se referir a um suposto saldo negativo, no entanto, observando a DIPJ anexada, notase que não se poderia configurar a hipótese aventada uma vez que não houve recolhimento de estimativas, conforme alegado, visto que o regime adotado pelo manifestante foi o do lucro real trimestral, apurando base de cálculo negativa em dois dos 4 trimestres de 1999 e contribuição a pagar em outros dois. Dada a falta de clareza quanto ao direito creditório requerido forçoso se faz reconhecer a correção do despacho combatido pelas razões acima mencionadas. Desta forma, constatase que a decisão recorrida está plenamente fundamentada. Com efeito, rejeito a preliminar argüida. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 146 5 Decadência e Prescrição Alega o contribuinte, como preliminar, que houve prescrição do direito de cobrança da Fazenda, em relação aos débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo, porque os débitos são de 2001 e a cobrança foi efetuada apenas em 2012. Entendo que a referida alegação também não merece prosperar. Cabe alertar, primeiramente, que os débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ora debatido, estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional, e, portanto, não podem ser cobrados. A existência do processo administrativo de cobrança no. 16327.904753/2008 17, constante à fl. 102, relacionando tais débitos, serve apenas de controle da Secretaria da Receita Federal, para adotar as medidas cabíveis após o desfecho do presente processo e não implica qualquer restrição aos direitos do contribuinte. No caso concreto, ora em análise, em agosto de 2008, a Contribuinte tomou ciência do despacho decisório não homologando as compensações realizadas, sob o argumento de que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O referido despacho decisório fora objeto de impugnação administrativa, a qual recebera decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São PauloSP1, que manteve o indeferimento da compensação efetuada, conforme Acórdão n° 1634.2898, na sessão de 18 de outubro de 2011. E, diante dessa decisão contrária, a Recorrente apresentou recurso voluntário que ora está sendo analisado pelo CARF. Portanto, percebese que o presente processo está seguindo seu curso normal e, em momento algum, a Recorrente foi cobrada pelos débitos compensados, não havendo que se cogitar sobre a ocorrência de prescrição do direito da Secretaria da Receita Federal, em efetuar tal cobrança, sendo totalmente descabida tal alegação pela Recorrente. Ademais, como se não bastasse, está sendo analisada a não homologação de declaração de compensação, referentes a crédito de 1999, mas, submetidas em agosto de 2004. Desta feita, o prazo para homologação dos tributos iniciase a partir da data de transmissão das declarações e; somente a partir desta data, iniciase o prazo decadencial de cinco (5) anos para o Fisco homologar expressamente as compensações realizadas (art. 74, §§2º e 5º da Lei 9.430/96). Caso esse prazo decorra sem qualquer manifestação por parte do Fisco, ocorre a chamada homologação tácita. Ocorre que, em agosto de 2008, o Fisco emitiu despacho decisório não homologando as compensações realizadas, determinando o pagamento dos valores devidos. Ou seja, percebese que não há que se cogitar prescrição ou decadência, vez que houve análise dos pedidos de compensação do Recorrente dentro do prazo por Lei estipulado. Desta forma, rejeito a preliminar. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 147 6 Do Mérito Conforme exposto, a Recorrente pugna pela revisão do decisum a quo, por esse ter mantido a decisão que indeferiu a homologação do PER/DCOMP número 00711.27823.250804.1.3.040063, referente a crédito decorrente saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 1999, utilizado para quitar os débitos de IRPJ. Na verdade, apesar da Recorrente em seu recurso voluntário reforçar a tese de que está usando o suposto pagamento indevido, referente ao 4º trimestre de 1999, pelos argumentos e provas trazidos aos autos, em especial, a manifestação de inconformidade, concluise que o presente processo tratase do reconhecimento de um crédito de R$2.192,00, a título de saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 1999, cuja origem decorre de pagamento de estimativas mensais, no valor de R$3.368,99, que ultrapassou o imposto realmente devido, no montante de R$1.176,99. Verifico que o despacho Decisório, ao mencionar que o crédito pleiteado já havia sido utilizado para outros pagamentos, o fez, porque o contribuinte informou em sua PER/DCOMP, tratarse de pagamento “indevido ou a maior” de estimativa e não “saldo negativo do período”, que é o caso. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP, o recolhimento de estimativa como origem do crédito e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. No que diz respeito, particularmente à essa questão, vale transcrever o seguinte julgado: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. A imperfeição na forma de pedir utilizada pelo interessado, referindo se ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da existência de crédito de imposto, nem motivar o indeferimento do pedido, sobretudo porque o primeiro afeta diretamente o segundo. A mera falta de informação do saldo negativo pleiteado na DIPJ também não constitui motivo para negar o direito creditório. (Delegacia de Julgamento no RJ, Acórdão 1211125, sessão de 11/08/2006) Esse entendimento está calcado também no Princípio da Verdade Material, instituto que norteia o Processo Administrativo e que deve ser observado criteriosamente, conforme preconizam os julgados deste Conselho in verbis: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 148 7 "IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Por força do principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, insubsiste a parcela da exigência fundada em erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, devidamente comprovado em diligência fiscal determinada para aquele fim. Recurso provido." (Acórdão 10514307, 5' Camara, 1° Conselho, sessão 20/02/2004) — g.n. "IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado. (Acórdão 10807418, 8 Camara, 1° Conselho, sessão 11/06/2003) — g.n. "IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — COMPENSAÇÃO — ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do principio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 10808805, 8' Camara, 1° Conselho, sessão 27/04/2006) — g.n. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo 10283.900148/200917. (grifos meus) Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 149 8 Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 150 9 8. Primeiramente, independentemente de qualquer outra análise, não haveria como se reconhecer o direito creditório aqui pleiteado, vez que o pagamento efetuado em janeiro de 2000 foi totalmente utilizado para a quitação do débito de CSLL no valor de R$1.293,72, declarado na DCTF do 4º trimestre de 1999 (ND:00001.002.000/60247688) e o contribuinte não demonstrou que o pagamento efetuado realmente tivesse sido feito a maior, trazendo documentação que pudesse de fato demonstrar que a apuração de CSLL do referido período fosse inferior ao declarado. Em que pese não haver CSLL a pagar no 4º trimestre de 1999, conforme DIPJ anexada (fls.79), tal demonstrativo não serve como prova do alegado, visto que seria preciso demonstrar que o ali apurado reflete a realidade dos fatos, estando devidamente escriturado na contabilidade do manifestante, bem como amparado por documentação hábil que pudesse comprovar a exatidão de tais registros. Somente estes elementos já seriam suficientes para o não reconhecimento do crédito aqui requerido. 9. Além dos apontamentos acima, ainda cumpre frisar que o pedido se refere a um pagamento indevido ou a maior, enquanto que nas alegações parece se referir a um suposto saldo negativo, no entanto, observando a DIPJ anexada, notase que não se poderia configurar a hipótese aventada uma vez que não houve recolhimento de estimativas, conforme alegado, visto que o regime adotado pelo manifestante foi o do lucro real trimestral, apurando base de cálculo negativa em dois dos 4 trimestres de 1999 e contribuição a pagar em outros dois. Dada a falta de clareza quanto ao direito creditório requerido forçoso se faz reconhecer a correção do despacho combatido pelas razões acima mencionadas. Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. A Contribuinte com base na DIPJ anexada aos autos, alegou que efetuou recolhimentos a título de estimativas de CSLL que ultrapassaram o valor real devido no período, conforme quadro abaixo: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904232/200851 Resolução nº 1802000.426 S1TE02 Fl. 151 10 Nessa linha, então, apesar da DIPJ levar à conclusão que o regime adotado pela Contribuinte foi o do lucro real trimestral e que apurou prejuízo fiscal em 02 (dois) dos 04 (quatro) trimestres de 1999, com imposto a pagar em outros dois, tal fato não foi amplamente esclarecido durante o trâmite processual para dar a certeza ao julgador em sua decisão. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Ademais, o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora e a condução do exame do PER/DCOMP não permitiu que a documentação contábil e fiscal fosse confirmada. Desta forma, entendo que a solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo, em Marília, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que entenda necessários verifique e informe: 1) O regime de apuração adotado pela Contribuinte; 2) O valor do saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 1999, se aplicável; 3) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 1999, já fora compensado com outros débitos federais e; 4) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 1999, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 00711.27823.250804.1.3.040063 Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de afastar as preliminares e converter o julgamento em diligência, para que a DRFSP, em Marília atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930853/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 53 /2 01 1- 11 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043. 342, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930853/201111, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde 4 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, 6 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10882.900916/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2002
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
Joel Miyazaki - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2002 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Joel Miyazaki - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 11 1 10 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.900916/200801 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.529 – 3ª Turma Sessão de 09 de outubro de 2013 Matéria PIS Cofins Compensação Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nanci Gama votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Joel Miyazaki Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 16 /2 00 8- 01 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900916/200801 Acórdão n.º 9303002.529 CSRFT3 Fl. 12 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900916/200801 Acórdão n.º 9303002.529 CSRFT3 Fl. 13 3 à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o decreto lei 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar n 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” O colegiado recorrido, decidindo o feito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, cujo acórdão foi assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº288/67. O contribuinte apresentou recurso especial em que, basicamente, repete as alegações expendidas no recurso voluntário. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900916/200801 Acórdão n.º 9303002.529 CSRFT3 Fl. 14 4 Foi dado seguimento a esse recurso especial pelo presidente da câmara recorrida Intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. O processo foi distribuído a este conselheiro em despacho de 21 de agosto de 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte insurgese contra a não homologação de seu pedido de compensação alegando supostos créditos por pagamentos indevidos de PIS e COFINS que, alega a recorrente, não incidiriam sobre vendas por ela feitas a contribuintes situados na Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio, por se equipararem a exportações, para fins fiscais. Consultando os autos, verificase que a contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, junta planilhas em que constam apenas meras listagens de notas fiscais, sendo certo que tais planilhas sequer são mencionadas na referida peça recursal. Quanto ao recurso voluntário e ao especial, depreendese da leitura dessas peças que o contribuinte confunde as atividades administrativas de fiscalização e (eventual) lançamento com o procedimento de restituição/compensação. Abaixo transcrevo excertos das peças recursais a título ilustrativo: 6. Como se repara, o v. acórdão inova completamente do lançamento inicial, visto que o r. despacho decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade à Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Fica evidente que tal prática cerceou o direito de defesa da Recorrente. 7. É fato que para a comprovação do seu direito creditório (que sequer tinha sido investigado em primeira t instância, tendo sido rejeitado de plano, sem análise prévia de nenhum documento fiscal ou contábil),... (sublinhados nossos) Conforme vimos acima, a contribuinte menciona “lançamento” e “investigação”. Ora, a atividade administrativa de fiscalização é que busca investigar condutas. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900916/200801 Acórdão n.º 9303002.529 CSRFT3 Fl. 15 5 Nesse procedimento, de iniciativa do Fisco, diversos passos são necessários para garantir o amplo direito de defesa à contribuinte, sendo que ao final, pode (ou não) o processo resultar em lançamento de crédito tributário. No procedimento de restituição/compensação, de iniciativa da contribuinte, o ônus da prova cabe a esta, por dever legal, conforme disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Ressaltese que a apresentação da PER/DCOMP extingue o crédito tributário, sob a condição resolutória de (eventual) posterior homologação pelo Fisco, que se dará mediante comprovação pela contribuinte do direito creditório alegado. Eventual porque a grande maioria das PER/DCOMP são “homologadas” eletronicamente pelos sistemas informatizados desde que as informações necessárias constem dos bancos de dados da Receita Federal, dispensando a apresentação de provas pela contribuinte. Assim, uma vez que a PER/DCOMP é de iniciativa da contribuinte, tem o poder de extinguir crédito tributário e que a grande maioria deles é “eletronicamente homologada”, é perfeitamente razoável que o procedimento de glosa de compensação seja um procedimento simplificado, devendo o contribuinte trazer a prova da liquidez e certeza de seus créditos assim que notificado da glosa desses. Nesta Terceira Seção de Julgamento, diversas turmas de julgamento, por unanimidade (ressaltese), tem reafirmado este entendimento conforme acórdãos abaixo transcritos para maior clareza: Acórdão nº 3301001.932– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Recurso Improvido. Acórdão nº 3102001.898 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900916/200801 Acórdão n.º 9303002.529 CSRFT3 Fl. 16 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Tal entendimento é pacífico também na 1a. Seção de Julgamento, conforme os acórdãos abaixo reproduzidos em que, por unanimidade (ressaltese), decidiuse que cabe ao demandante do crédito o ônus da prova de sua liquidez e certeza: Acórdão nº 1802001.818 – 2ª Turma Especial ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor, no processo de compensação tributária, a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO CONTRA O FISCO. ATRIBUTOS. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação tributária autorizada por lei. A justificativa apresentada pela Contribuinte para o surgimento do alegado crédito é desprovida de fundamento. Na declaração retificadora, a Contribuinte passou a apurar o próprio imposto (e não o saldo a pagar) com valores muito menores do que os declarados inicialmente, e isto não pode ser justificado por retenções anteriormente não computadas. Excluída essa justificativa, a Contribuinte não trouxe nenhuma outra, e nem qualquer elemento de prova da escrituração contábil que pudesse evidenciar outro tipo de erro material nos valores inicialmente declarados e pagos, para dar guarida ao alegado direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Acórdão nº 1801001.626 – 1ª Turma Especial Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.900916/200801 Acórdão n.º 9303002.529 CSRFT3 Fl. 17 7 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções efetuados pelas fontes pagadoras DIRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Conselheiro Joel Miyazaki Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003433/2002-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO
DE PAGAMENTOS.
Os débitos informados em DCTF e para os quais a contribuinte não lograr
ter efetuado o pagamento podem ser exigidos através de auto de infração.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA EXTEMPORÂNEA. SÚMULA CARF 33
A declaração retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, não produz qualquer efeito sobre o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
TÂNIA MARA PASCHOALIN
Presidente.na data da formalização da decisão
(Ordem de Serviço n( 01, de 08 de março de 2013)
Assinado digitalmente
LUIZ CLÁUDIO FARINA VENTRILHO - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997 DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS. Os débitos informados em DCTF e para os quais a contribuinte não lograr ter efetuado o pagamento podem ser exigidos através de auto de infração. DECLARAÇÃO RETIFICADORA EXTEMPORÂNEA. SÚMULA CARF 33 A declaração retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, não produz qualquer efeito sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente TÂNIA MARA PASCHOALIN Presidente.na data da formalização da decisão (Ordem de Serviço n( 01, de 08 de março de 2013) Assinado digitalmente LUIZ CLÁUDIO FARINA VENTRILHO - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS. Os débitos informados em DCTF e para os quais a contribuinte não lograr ter efetuado o pagamento podem ser exigidos através de auto de infração. DECLARAÇÃO RETIFICADORA EXTEMPORÂNEA. SÚMULA CARF 33 A declaração retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, não produz qualquer efeito sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente TÂNIA MARA PASCHOALIN – Presidente.na data da formalização da decisão (Ordem de Serviço n° 01, de 08 de março de 2013) Assinado digitalmente LUIZ CLÁUDIO FARINA VENTRILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 34 33 /2 00 2- 61 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 1/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por LUIZ CLAUDIO FARINA VEN TRILHO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigir IRRF no valor total de R$ 1.566,04. Seriam três débitos informados em DCTF, sem que tenham sido localizados os pagamentos correspondentes (fls. 07). Foram exigidos o tributo, multa de oficio e juros de mora. A impugnante contesta a exigência dizendo que efetuou os pagamentos e junta os DARF (fls. 01/02 e 12/13). 0 processo foi convertido em diligência (fls. 43), resultando dela a informação de fls. 43/44, em resumo, de que os DARF juntados são referentes a débitos de outros períodos e a eles foram alocados. A contribuinte teve ciência do resultado da diligência, foi aberto prazo para manifestação, mas ela não retornou ao processo (fls. 45/46). Passo adiante, a 5a Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS. Os débitos informados em DCTF e para os quais a contribuinte não lograr ter efetuado o pagamento podem ser exigidos através de auto de infração. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A EXIGÊNCIA DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE DE NORMA MAIS BENIGNA. Cancelase a multa vinculada A exigência de tributo declarado em DCTF, uma vez que seu fundamento legal foi derrogado por legislação superveniente ao lançamento. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 1/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por LUIZ CLAUDIO FARINA VEN TRILHO Processo nº 11080.003433/200261 Acórdão n.º 2801002.764 S2TE01 Fl. 143 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado em 31/08/2010 (Fl.54), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/09/2010 (fl.56 e documentos anexos), reiterando sua argumentação apresentada na impugnação e juntando Declarações Retificadores atinentes ao período do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em primeiro plano, cumpre destacar que no momento da apresentação da impugnação a linha de defesa era a de que os valores cobrados pela Fiscalização já haveriam sido recolhidos pela então impugnante o que faria cair por terra referidos lançamentos. Em resposta a DRJ informa que os valores recolhidos e informados pela impugnante foram reconhecidos e alocados pela RFB para quitação de outros lançamentos, de modo que persistiam válidos e exigíveis os lançamentos combatidos pela impugnante, o que foi corroborado pelo retorno da diligência determinada pela Autoridade Lançadora. Em sede de recurso, a agora recorrente inova e traz aos autos nova linha de argumentação, qual seja, a de que os valores lançados são indevidos, haja vista as Declarações Retificadoras apresentadas por si, posteriormente ao início do procedimento fiscal. O cerne da questão, cingese em analisar a questão da pertinência das Declarações Retificadoras apresentadas pelo recorrente em sede de recurso a este Conselho. É que conforme se observa nos autos, o contribuinte somente em sede de recurso voluntário e, portanto, após o início do procedimento fiscal, apresentou as Retificadoras, que por esta razão (apresentação pós procedimento fiscal e de forma extemporânea) não geram nenhum efeito quanto ao lançamento efetuado. Neste sentido, Súmula CARF 33 que assim pontifica: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio. Deste modo, correto está o entendimento da DRJ e hígido está o lançamento. Ante tudo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 1/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por LUIZ CLAUDIO FARINA VEN TRILHO 4 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 1/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por LUIZ CLAUDIO FARINA VEN TRILHO
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Numero do processo: 10680.018089/2005-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
CRÉDITOS DE ICMS. UTILIZAÇÃO POR CESSÃO E TRANSFERÊNCIA.
Deve ser adicionado ao resultado, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL, o montante do crédito do ICMS utilizado por cessão ou transferência.
MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO EM CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO OU APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. INSUBSISTÊNCIA.
A multa isolada esta relacionada ao não recolhimento do carnê-leão ou das estimativas devidas durante o ano-calendário. Encerrado o ano-calendário sem que os rendimentos ou lucros sejam oferecidos à tributação não cabe a exigência de multa isolada, mas sim a imposição de multa de ofício que pode ser de 75% ou 150%. Porém, encerrado o ano-calendário e tendo o contribuinte oferecido os rendimentos ou lucros à tributação não cabe a exigência de multa isolada. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnê-leão ou as estimativas, o disposto no artigo 138 do CTN.
Imaginemos a situação em que o sujeito passivo, pessoa física ou jurídica, tenha obtido rendimentos sem oferecê-los à tributação. Passado quatro anos e onze meses ele resolve oferecer ditos rendimentos à tributação acompanhado do pagamento dos tributos e juros. Em havendo o pagamento espontâneo do imposto devido e juros não se pode imputar ao contribuinte multa pelo não recolhimento do carnê-leão ou das estimativas.
Agora, adotemos esta mesma situação, só que em vez de esperar quatro anos e onze meses para oferecer os rendimentos à tributação o sujeito passivo oferece logo após o período de apuração, quando da entrega da declaração. Se no primeiro caso não se lhe aplica a multa isolada, aqui onde a infração é de menor gravidade, ao menos no que diz respeito ao tempo decorrido para oferecer os rendimentos à tributação, também não há o que se falar em multa isolada, sob pena de adorar-se situação que resulta em conflito explicito com o disposto no artigo 138, do CTN.
Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.
Numero da decisão: 9101-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) Recurso da Fazenda: por maioria dos votos, recurso negado, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Henrique Pinheiro Torres; designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (suplente convocado). 2) Recurso do Contribuinte: por maioria dos votos, recurso negado, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator .
(assinado digitalmente)
MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (suplente convocado), Moisés Giacomelli Nunes da Silva (suplente convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 CRÉDITOS DE ICMS. UTILIZAÇÃO POR CESSÃO E TRANSFERÊNCIA. Deve ser adicionado ao resultado, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL, o montante do crédito do ICMS utilizado por cessão ou transferência. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO EM CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO OU APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. INSUBSISTÊNCIA. A multa isolada esta relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos ou lucros sejam oferecidos à tributação não cabe a exigência de multa isolada, mas sim a imposição de multa de ofício que pode ser de 75% ou 150%. Porém, encerrado o anocalendário e tendo o contribuinte oferecido os rendimentos ou lucros à tributação não cabe a exigência de multa isolada. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnêleão ou as estimativas, o disposto no artigo 138 do CTN. Imaginemos a situação em que o sujeito passivo, pessoa física ou jurídica, tenha obtido rendimentos sem oferecêlos à tributação. Passado quatro anos e onze meses ele resolve oferecer ditos rendimentos à tributação acompanhado do pagamento dos tributos e juros. Em havendo o pagamento espontâneo do imposto devido e juros não se pode imputar ao contribuinte multa pelo não recolhimento do carnêleão ou das estimativas. Agora, adotemos esta mesma situação, só que em vez de esperar quatro anos e onze meses para oferecer os rendimentos à tributação o sujeito passivo oferece logo após o período de apuração, quando da entrega da declaração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 80 89 /2 00 5- 25 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 3 2 Se no primeiro caso não se lhe aplica a multa isolada, aqui onde a infração é de menor gravidade, ao menos no que diz respeito ao tempo decorrido para oferecer os rendimentos à tributação, também não há o que se falar em multa isolada, sob pena de adorarse situação que resulta em conflito explicito com o disposto no artigo 138, do CTN. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Recurso da Fazenda: por maioria dos votos, recurso negado, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator) e Henrique Pinheiro Torres; designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (suplente convocado). 2) Recurso do Contribuinte: por maioria dos votos, recurso negado, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Relator . (assinado digitalmente) MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima (suplente convocado), Moisés Giacomelli Nunes da Silva (suplente convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Fl. 765DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: O processo versa sobre dois Autos de Infração, ambos lavrados em 20/12/2005, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 22/12/2005, formalizando lançamento de oficio de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 05/15) e Multa Isolada (fls. 16824), ambos relacionados a apuração incorreta da CSLL, sem pagamentos mensais por estimativa, tampouco recolhimentos anuais, referentes aos anoscalendários de 2000 a 2003. Há, ainda, glosa de despesas/custos nos mesmos períodos, além da constituição, em apartado, de multa isolada pela falta de recolhimento das antecipações. No auto em que se pretende cobrar o tributo está lançada multa de 75%. O valor total lançado foi de R$ 282.112.026,35 (duzentos e oitenta e dois milhões, cento e doze mil, vinte e seis reais e trinta e cinco centavos). Deste total foi apurado crédito tributário de CSLL, no valor de R$ 94.559.123,25 (noventa e quatro milhões, quinhentos e cinqüenta e nove mil, cento e vinte e três reais e vinte e cinco centavos), acrescido de juros de mora (até 30/11/2005) no valor de R$ 40.744.518,71 (quarenta milhões, setecentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e dezoito reais e setenta e um centavos) e de multa no valor de R$ 70.919.342,43 (setenta milhões, novecentos e dezenove mil, trezentos e quarenta e dois reais e quarenta e três centavos), correspondente ao percentual de 75%. O auto de infração de multa isolada foi lavrado no valor de R$ 75.889.04+,96 (), aplicando o percentual de 75% de multa isolada incidente sobre base de cálculo estimada (balanços suspensão ou redução), para os meses de fevereiro/00 a abril/01, junho/01, outubro/01 a maio/02, agosto/02, outubro/02 a novembro/03. Além destas multas, foi aplicada multa isolada de 150%, sobre base estimada (balanços de suspensão ou redução) para os meses de setembro/00 a dezembro/00, fevereiro/01 a abril/01, junho/01, outubro/01 a março/02. De acordo com o Termo de Verificação de Infração TVI (fls. 25/34), emitido em 19/12/2005 pela DRF Belo Horizonte, a fiscalização apresenta as seguintes informações que embasam os lançamentos realizados: a presente ação fiscal tinha por objeto apurar reflexos decorrentes das irregularidades na base de cálculo do IRPJ da Fl. 766DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 5 4 Recorrente, verificadas em decorrência de ação fiscal anterior realizada pela Delegacia da Receita Federal em Vitória ES, na qual restou comprovado desvio de recursos em operações de transferências de créditos da Recorrente para a empresa Espírito Santo Centrais Elétrica S/A ESCELSA (na ordem de R$ 4.378.000,00); em decorrência da fiscalização do IRPJ foi lavrado auto de infração para cobrança de IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada (e respectiva multa qualificada, uma vez constatada a escrituração fraudulenta). O processo já foi julgado pelo Conselho de Contribuintes (Acórdão 106 14763), que manteve o lançamento; na presente fiscalização foram constatadas irregularidades na apuração e pagamento da CSLL, tendo em vista que os créditos desta contribuição não vinham sendo constituídos ou recolhidos pela empresa, segundo a qual o tributo não seria devido em razão de decisão judicial transitada em julgado que lhe garantira o direito de não recolher a CSLL, exigida pela Lei n° 7.689/88 (Ação Ordinária n° 90.00036704); todavia, a inexigibilidade garantida pela referida decisão restringese à Lei n° 7.689/88, mas a CSLL é devida com base na Lei n°8.212/91; diante da exigibilidade da contribuição, portanto, constituiuse crédito tributário, considerando, ainda, os créditos de CSLL já constituída no processo administrativo n° 10680.01521/200161, bem como as medidas judiciais em que o contribuinte questiona as diferenças de índices utilizados para depreciação, amortização e baixas dos bens de ativo permanente (MS 94.00.131852/MG Depreciação Adicional Diferença IPC/BTN 1989; AO 96.00.257647/MG Depreciação Adicional Diferença IGPM/IPCAE 1994; MS 1999.38.00.0154914/MG Depreciação Adicional Correção Monetária). os créditos suspensos em razão do andamento das ações em questão são objeto de constituição; a partir do lucro líquido apurado na fiscalização do IRPJ, feito os devidos ajustes (dedução das exclusões constantes do LALUR do Lucro da Exportação Incentivada e da Atualização Monetária SELIC/IRPJ a Recuperar que não afetam a base de cálculo da CSLL e Depreciação Adicional Diferença IGPM/IPCAE 1994 objeto da medida judicial cujo pedido foi julgado improcedente), foi apurada a base de cálculo da CSLL; foi, também, adicionado o valor de R$ 2.940.000,00, referente à baixa de provisão de doações de repasse de ICMS (anteriormente adicionados pelo contribuinte no LALUR), pois não foram comprovadas tais despesas; foram apuradas, ainda, as estimativas mensais devidas pelo contribuinte, mediante adição ao lucro líquido contabilizado dos efeitos das infrações apuradas no Auto de Infração do IRPJ e Fl. 767DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 6 5 reflexos, mais as adições e exclusões a que tem direito (conforme mencionado nos itens anteriores); em relação às infrações, foi efetuado o cálculo da estimativa mensal devida e aplicado o percentual de 75%. foi imputada multa qualificada em relação às seguintes operações: (i) pagamento contabilizado para Informil Consultoria Mineira Ltda. (R$ 777.777,77): O evidente intuito de fraude teria se comprovado, pois não foi comprovada a efetiva prestação de serviços. O CNPJ constante da NF que suportaria tal despesa pertence a outra empresa, que não presta serviços advocatícios (rubrica na qual foi contabilizada a despesa), tampouco prestou serviços à Recorrente e a nota fiscal de número 000057 foi emitida pela empresa em 16/01/1979, no valor de R$ 1.440,00. Ademais, o cheque foi nominal à Gilberto de Souza Leite e Advogados Associados S/C, que não reconheceu sua grafia ou carimbo na assinatura aposta no verso do cheque emitido pela Recorrente. Finalmente, não há empresa cadastrada perante a SRF com a razão social Informil Consultoria Mineira Ltda. (ii) pagamento contabilizado à Construtora Estrada e Engenharia Ltda.. A fraude se evidenciaria em razão da não comprovação da prestação de serviço e da ausência de descrição, pela própria Recorrente, do serviço supostamente prestado. Ademais, a empresa jamais funcionou no endereço indicado na nota fiscal apresentada, tampouco foi possível constatar a existência de fato da empresa. Finalmente, todos os cheques emitidos para suposto pagamento à Construtora foram endossados e depositados em contas bancárias de terceiros Auto Posto Contorno Ltda, por exemplo, empresa também beneficiária de cheques emitidos pela ESCELSA à Recorrente, em decorrência da transferência de créditos de ICMS. (iii) pagamentos contabilizados em nome da Fundação Freitas Júnior: A fraude pode ser constatada porque a suposta autorização para emissão de notas fiscais data de momento anterior à abertura da pessoa jurídica (CNPJ), bem como as notas fiscais datam de momento anterior à abertura da Fundação. A data de emissão da nota fiscal n° 0078 é anterior à da emissão da nota fiscal n° 0077. Nas notas fiscais emitidas constam dois números distintos de CNPJ, sendo que nas notas fiscais n° 0073 e 0078 consta o CNPJ da empresa Tradex Comércio Importadora e Exportadora Ltda. O endereço consignado nas notas fiscais é diferente do endereço da Fundação Freitas Júnior, constante do Sistema CNPJ, sendo que em ambos os endereços não foi localizada a referida fundação, pelo que se conclui que a mesma nunca teve existência de fato. Além disso, o proprietário da gráfica que teria Fl. 768DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 7 6 impresso as notas fiscais em questão afirma que não as imprimiu e que as mesmas são falsificadas. Finalmente, quanto à autorização para impressão de documento fiscal, a Fazenda Estadual afirma que a mesma foi conferida para outra sociedade Gentil Materiais de Construção Ltda. e a responsável pela impressão seria outra gráfica. (iv) despesa não comprovada de R$ 2.160.000,00: Não foi apresentada documentação relativa a tal despesa pela Recorrente, restando comprovado no processo relacionado ao IRRF que os beneficiários dos cheques emitidos pela ESCELSA como parte de pagamento de créditos de ICMS transferidos são pessoas envolvidas em esquemas de desvio de recursos A Madereira Ind. E Com. Ltda. e Carlos Guilherme Lima (acusado pelo Ministério Público de ser o braço financeiro do crime organizado no Estado do Espírito Santo). (v) pagamento em nome do CIAC Raymundo Andrade: A doação não foi comprovada, pois o real beneficiário do cheque foi o Auto Posto Contorno, em nome do qual foi depositada a quantia de R$ 240.000,00. O recibo apresentado pela Recorrente, portanto, em nome do CIAC teria se prestado somente para tentar encobrir a verdade dos fatos. Juntamente com o TVI a fiscalização apresentou uma planilha de apuração de bases de cálculo de multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas mensais, para os anoscalendários de 2000 a 2003. Vale notar que nas folhas 35/36 (ano de 2000), 39/40 (ano de 2001), 43/44 (ano de 2002) e 47/48 (ano de 2003) a última linha das planilhas apresentadas referese à base de cálculo da multa isolada de 75%. A última linha das planilhas apresentadas às folhas 37/38 (ano de 2000), 41/42 (ano de 2001) e 45/46 (ano de 2002), referemse à base de cálculo das multas de 75% e 150%, cujos valores são os mesmos utilizados para aplicação da multa de oficio de 75%. Nos autos foram juntados, ainda, o Termo de Verificação de Infração n° 01 (fls. 49/81) que discorre mais detalhadamente sobre a fiscalização relacionada ao IRPJ, computo da base de cálculo, entre outros. Foram anexados, ainda, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal de 05/11/2003, relativo à fiscalização de imposto de renda que culminou com a lavratura do Auto de Infração de IRRF (fls. 82/152) que não é objeto do presente, bem como o relatório de Representação Fiscal (fls.154/168), ambos elaborados pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, requerendo o encaminhamento da documentação à Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG, que teria competência para promover os procedimentos fiscais que entendesse necessários. Regularmente cientificada do auto de infração em 22/12/05 a Recorrente apresentou sua impugnação (fls. 329/353). Sirvome do relatório da DRJ para esclarecer quais fundamentos foram Fl. 769DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 8 7 apresentados pela Recorrente, à época, como suficientes para cancelamento da cobrança em questão: "Principia por dizer que a "multiplicidade de dados e informações" chegaria "a ponto de inviabilizar o adequado manejo da impugnação, resvalando pelo cerceamento ao direito de defesa". Mesmo assim, "manifestase em oposição ao lançamento por meio de tópicos, sob os quais, em apertada síntese, agrupa os aspectos questionados na presente ação fiscal". Sob o título "DESPESAS NÃO COMPROVADAS", aduz: A i. fiscalização considerou indedutíveis as despesas efetuadas com pagamentos realizados em favor de Informil Consultoria Mineira Ltda ou Gilberto de Souza Leite Advogados Associados, Fundação Freitas Júnior, Construtora Estrada e Engenharia Ltda, ao fundamento de que houve evidente intuito de fraude da impugnante, tendo em vista a escrituração de notas fiscais inidôneas. (...) No caso em questão, não se controverte acerca da inidoneidade ou imprestabilidade das notas fiscais contabilizadas como despesas operacionais, tendo em vista a evidência dos fatos trazidos a lume pelo excelente trabalho realizado pelos auditores fiscais. A inidoneidade das notas fiscais, à luz das informações trazidas a lume no trabalho fiscal, afigurase inconteste. A seguir, argumenta que "a mera imprestabilidade dos documentos registrados na contabilidade, não constitui por si só elemento configurador do dolo essencial na fraude", afirmando: A fraude fiscal não se caracteriza sem a contrapartida do elemento relativo à obtenção de vantagem econômica indevida em desfavor do fisco. É indispensável que na esteira da utilização de um documento inidôneo, haja um proveito econômico efetivo do contribuinte, a justificar a intenção da conduta de infração da legislação tributária. É preciso que se demonstre de forma cabal e inequívoca, o nexo de causalidade entre a conduta do contribuinte, motivada pela intenção ou dolo de infringir, deliberadamente, a legislação tributária, de molde a obter para si, vantagem econômica em detrimento do fisco. Afirma que este nexo de causalidade não se encontra comprovado e que o uso destes documentos não lhe teria acarretado vantagem econômica alguma, mas sim 'Prejuízo". Assegura não haver agido de "modo deliberado ou intencional ao efetuar o registro de tais notas fiscais corno despesa operacional", somente vindo a ter "ciência de tal fato no decorrer da própria ação fiscal". Argumenta que "os valores lançados com base nos Fl. 770DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 9 8 documentos declarados inidôneos representaram um dispêndio efetivo e concreto" para ela. Diz que esta ocorrência constituiria episódio isolado em toda sua existência, apresentandose como vítima de "conduta desleal e irregular de preposto ", que, excedendo dos 74 poderes que lhe foram conferidos em mandato, abusando da boafé e confiança que lhe foi outorgada [..] ", teria apresentado "[..] as notas fiscais para registro, como se idôneas fossem, induzindo a erro a contabilidade, que efetuou o pagamento das despesas". Assevera a efetividade do dispêndio, repetindo ter sido a única vitima desta ação e dizendo que ninguém pode praticar fraude contra si mesmo. Diz, citando jurisprudência administrativa, tratarse de "simples erro contábil", "erro escusável", "lançamento equivocado do item Despesas Operacionais" ou "mera irregularidade contábil". Invocando os artigos 135 e 136 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), afirma que a responsabilidade pelos atos é pessoal, tentando lançála sobre os ombros do mencionado preposto, o qual nomeia. Sob o titulo "DOAÇÕES", argumenta: O lançamento fiscal resultou, também, (..) da considerada indedutibilidade de doações efetuadas sem comprovante no valor de RS2.160.000,00 (dois milhões, cento e sessenta mil reais), bem como doações efetuadas a FUNRES Fundo de Recuperação do Estado do Espírito Santo, ao Projeto Luz no Campo, além de doações efetuadas a entidades ligadas a pesquisa, recuperação e preservação do meio ambiente, indicadas por autoridades daquele Estado, tais como a Fundação Augusto Ruschi, Fundação Freitas Júnior e CIAC Rayinundo Andrade. A este respeito, tece as seguintes considerações: A exigência do crédito tributário relacionado a estes fatos, conseqüente da glosa por indedutibilidade nas despesas operacionais dos valores transferidos a terceiros, resulta, aparentemente, de duplo fundamento, conforme se colhe da análise do trabalho fiscal. O primeiro, outra vez, relacionase, lamentavelmente, à imputação da prática de atos fraudulentos, desta vez, relacionados às operações de cessão de crédito acumulado de ICMS da impugnante no Estado do Espírito Santo. Consoante entendimento fiscal, a impugnante teria, de modo deliberado e intencional, utilizado de notas fiscais inidôneas em sua contabilidade para ocultar os reais beneficiários das doações, pessoas ligadas à vida política e ao governo daquele Estado que, conforme se apurou no procedimento fiscal, valeramse de tais entidades e instituições como um meio e forma de recebimento de comissões devidas na operação. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 10 9 O segundo tem pertinência com o critério contábil utilizado pela impugnante no registro dos valores que deram entrada e saída em sua contabilidade. Repete o argumento de não haver agido com dolo nem auferido nenhuma vantagem das irregularidades a ela atribuídas. Confirma haver cedido créditos acumulados de ICMS, utilizados pela empresa ESPÍRITO SANTO CENTRAIS ELÉTRICAS S.A ESCELSA, no montante de RS39.300.000,00 (trinta e nove milhões, trezentos mil reais) para quitação do tributo devido pela referida companhia junto àquela unidade federativa, dizendo que tal negócio seria "perfeitamente lícito e válido, fundado na legislação de regência da espécie". Prosseguindo, afirma que as entidades e instituições donatárias foram indicadas pelo próprio Estado do Espírito Santo e que, por conseqüência, ela mereceria a presunção de regularidade, boafé e licitude na aplicação dos recursos. Argumenta: Não tem a impugnante qualquer responsabilidade pela inidoneidade das notas fiscais. Não foi a impugnante que indicou as entidades e instituições beneficiárias. Não foi a impugnante que produziu e emitiu as notas fiscais. (...) A sua responsabilidade não vai além do cumprimento da condição acordada com o Estado. Se houve fraude em desvio dos valores, tal se deu à margem de qualquer intenção ou conduta deliberada da impugnante, por ato alheio à sua vontade e fora de qualquer limite de seu controle. (...) Não havia, em tal contexto, razão plausível a embasar uma desconfiança da impugnante em relação à idoneidade das instituições e documentos por" elas produzidos. Aliás, ao contrário, cabe ressaltar que a Fundação Augusto Ruschi, inclusive, desfruta de notoriedade e publicidade em função do seu trabalho de pesquisa e preservação do Beijaflor, pássaro de rara beleza sob ameaça em nossa fauna. Relembra haver sofrido lançamento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), consubstanciado no processo n° 11543.004208/2003 38, de lavra da DRF em Vitória, afirmando que a presente autuação constituiria [...] excesso de exação, configurada a duplicidade de incidências, em autêntico "bis in idem", a macular a certeza e consistência do trabalho fiscal, derruindo a segurança jurídica e tomando írrito o presente procedimento fiscal. Alega que teria ocorrido conflito de tratamento fiscal em relação aos mesmos fatos. O fisco capixaba utiliza preceito antielisivo para desqualificar o negócio jurídico original em pagamento de comissão a terceiros, com tributação exclusiva na fonte, ao passo Fl. 772DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 11 10 que o fisco mineiro glosa as despesas por entender tratarse de doação irregular. O conflito de tratamento dispensado à espécie traz a eiva da inconsistência na ação fiscal. Não há como prevalecer tratamentos distintos para o mesmo e único evento. Considera "correto e razoável" [.] o critério de contabilização dos valores transferidos pela impugnante ao Estado e a terceiros por ele indicados, [..] à luz das circunstâncias do negócio jurídico celebrado. Afirma que a doação teria sido uma despesa necessária e decorrente do mencionado "negócio jurídico", acrescentando: [..] A doação não foi espontânea. Na terminologia do direito privado, não se pode afirmar tenha sido uma doação livre ou incondicionada. Na verdade, ressai à evidência da simples análise do Termo de Acordo celebrado com o Estado do Espírito Santo, que a transferência de recursos nele prevista se deu como condição modal, incidental e essencial ao negócio jurídico firmado. Entende que, no pior dos cenários, ainda quedaria dúvida razoável quanto ao "correto tratamento fiscal do evento". Sob o título CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS, aduz: A exigência fiscal, data maxima venia, no respeitante a este tópico, revelase manifestamente descabida, beirando as raias do absurdo e do excesso na exação. Basta notar que o levantamento fiscal utilizou do critério de dois pesos e duas medidas, pois capitulou os valores recebidos a título das transferências e cessão dos créditos como receita tributável, mas não reconheceu o efeito tributário equivalente ao deságio na operação como despesa dedutivel. (...) Alhures, comenta: Aliás, o presente trabalho fiscal mostrase incoerente e contraditório com orientação do próprio fisco, que em Solução de Consulta, vem reconhecendo a receita proveniente do deságio como ganho tributável, mas do cessionário ou adquirente do crédito, jamais do cedente. Considera que o referido crédito de ICMS significaria [...] uma contingência no passivo da impugnante, acarretando a sua cessão e transferência para terceiros, o efeito fiscal da anulação e baixa deste passivo, donde o absoluto descabimento Fl. 773DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 12 11 da sua tributação. O efeito fiscal seria nulo do ponto de vista da conciliação contábil. Ocorre, entretanto, que as operações de cessão e transferência destes créditos, chamados vulgarmente de "moeda podre" em vista da notória inadimplência do fisco, somente se viabilizam por meio da concessão de deságio, que representa, naturalmente, prejuízo para o cedente. Daí que o efeito fiscal para o cedente dos direitos creditórios não chega sequer ao limite da anulação de contingências, mas configura sim, no sentido contrário, um efeito fiscal negativo. Diz que a conta de créditos acumulados de ICMS constituiria uma "compensação aos esforços de exportação", concedida pela Lei Complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996, dita "Lei Kandir". Afirma que, nos termos do artigo 43 do CTN o fato gerador do imposto de renda não seria simplesmente a renda, mas a aquisição de sua disponibilidade econômica e jurídica; acrescenta que inexistiria disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou acréscimo patrimonial no caso vertente. Prosseguindo, assim se expressa, no tópico ADICIONAL DO IR LUCRO DE EXPORTAÇÃO: (...) Aqui, lamentavelmente, mais uma vez o que se verifica é uma conduta próxima do excesso de exação. Venia permissa, não se compreende, por mais que se esforce, a razão do lançamento no respeitante a este tópico do trabalho fiscal. (...) com a força da sua pena, os ilustres auditores fiscais encarregados do procedimento, revogaram o incentivo fiscal aplicado ao regime das exportações. O problema é que ao assim fazer, os ilustres auditores usurparam, ao mesmo tempo, a competência do Legislativo e do Judiciário, fazendo às vezes de parlamentar e magistrado. Diz que a Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, não poderia revogar a Lei n° 7.988, de 28 de dezembro de 1989, em face do que reza o art. 150, § 60, da Constituição da República. Aduz também que (...) vem recolhendo o imposto (IRPJ) com base em decisão judicial exarada no processo nr. AC 95.01.286584/MG, com trânsito devidamente passado em julgado, que lhe garantiu o direito de ser tributado sob a aliquota de 18 % do regime exclusivo e específico da tributação incentivada das exportações. Afirma que calcular o IRPJ devido com o "emprego de aliquota não incentivada e adicional agregado a regime nãoincentivado" seria "absolutamente inconsistente". Na mesma linha argumentativa, entende indevida a glosa da compensação de prejuízo, asseverando que Fl. 774DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 13 12 (...) A alegação fiscal no sentido de que não há previsão legal para separação do cálculo do lucro das atividades incentivadas do lucro das demais atividades da empresa, data máxima vênia, não se sustenta em base lógica ou razoável, posto que a segregação é conseqüência da própria criação do regime incentivado. Tanto é assim que o próprio formulário de declaração dispõe de campo para apuração segregada de lucro em relação a atividades gerais e atividades incentivadas, o que permitiu à impugnante a respectiva utilização. A mera inexistência de menção formal ou expressa da espécie legal do regime de incentivo constituise de falha do formulário que não pode ser erigida em causa obstativa ao exercício de legítimo direito. Ao contrário do que sustenta a peça fiscal, a compensação de prejuízos por atividade é a metodologia correta, afigurandose inadequada à contaminação de regimes de apuração diversos. (...) Quanto ao limite de 30%, a impugnante ataca o que considera: ilegalidade e inconstitucionalidade da restrição, cabendo ressaltar que a impugnante discute a questão em juízo, certo que a compensação integral efetuada já produziu todos os seus efeitos no tempo, tratando se de fato consumado cuja anulação não traz utilidade alguma para o próprio fisco. A restrição agride os princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, donde a inconstitucionalidade da exigência, bem como da CSLL e multa, cobrados por reflexo e decorrência. Sob o título "CMB PLANOS ECONÔMICOS", escreve: (...) o levantamento fiscal terminou, também, na apuração da CSLL, por constituir crédito tributário referente à glosa das exclusões de encargos de depreciação, amortização e baixas de bens, em virtude da correção monetária do balanço, além da correção monetária integral relativa às diferenças dos índices econômicos dos planos de governo, que gerou distorções nas bases tributáveis. A questão se acha ainda em discussão no Judiciário, conforme assinalado no próprio trabalho fiscal, que ressalvou a necessidade da glosa e do lançamento, sob pretexto de evitar a decadência do direito de constituição do crédito que decorresse de eventual desfecho favorável ao interesse do fisco em decisão final nas ações judiciais mencionadas. (...) Conforme consignado no próprio levantamento fiscal, à exceção do processo em que se discute o direito de utilizar a correção monetária pelo IGPM na apuração do tributo, AO 96.00.25764 7/MG, os demais processos, nos quais se discute a variação de Fl. 775DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 14 13 índices econômicos, MS 94.00.131852/MG, que trata da dedução integral do IPC/BTBf, além da diferença de NCz$ 6,92 para NCz$ 10,51 da 07N e, MS 1999.38.00.0154914/MG, no qual se litiga acerca da aplicação da correção monetária sobre as demonstrações financeiras e balanço, encontramse com a exigibilidade do crédito sob efeito de suspensão. Ora, se a exigibilidade do crédito, consoante diz o próprio fisco, se acha sob efeito suspensivo, nos termos do artigo 151, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional, o que se tem é que é totalmente descabido falarse em decadência. O prazo decadencial fica igualmente suspenso pelo mesmo período de tempo em que perdurar (sic) os efeitos da suspensão de exigibilidade do crédito de que trata o citado artigo 151 do Código Tributário Nacional. (...) Logo, impende a necessidade de extinção deste processo administrativo em face de matéria que já é objeto de questionamento judicial, mormente em vista da evidente desnecessidade do lançamento, eis que a justificativa do risco de decadência não é plausível do ponto de vista legal e jurídico. (...) Quanto ao mérito da exigência, por conexão com a matéria posta nas ações judiciais e economia processual, a impugnante reporta e reitera os mesmos fundamentos jurídicos defendidos, ressaltando que a restrição ao direito da correção monetária plena, em qualquer circunstância, tanto na redução e manipulação dos índices econômicos, como no impedimento à correção das demonstrações financeiras, implica em flagrante violação aos princípios da legalidade, da capacidade contributiva, da vedação ao confisco, ofendendo o artigo 150 da Constituição Federal. (...) No tópico "ESTIMATIVA MENSAL DIFERENÇAS", a interessada verbera o feito com as seguintes palavras: (...) A i. fiscalização projetou os reflexos "das receitas relativas às infrações apuradas", bem como a repercussão da exclusão do lucro de exportação incentivada sob alíquota de 18%, no reákulo dos valores recolhidos pela impugnante por estimativa mensal. Ora, a exigência referente a este tópico foi constituída e lançada por decorrência dos fundamentos anteriores, o que significa dizer que não procede do mesmo modo, posto que se a imputação das infrações mencionadas desprocede, não há qualquer diferença a este título a repercutir nos valores devidos. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 15 14 Na mesma linha de cogitação, se a impugnante faz jus à tributação com base no lucro de exportação incentivada sob a alíquota de 18 %, nenhuma diferença, também, a este título, pode repercutir nos valores recolhidos por estimativa a título de IRPJ, com os reflexos na CSLL e acessórios constituídos neste procedimento. (...) Ademais, não fosse assim, de outra maneira, o que se tem é a patente duplicidade de exigência, configurando excesso de exação, pois o tributo e as multas exigidos pelos fatos imputados já foram recalculados nos eventos originários (infrações e lucro de exportação incentivada), donde o absurdo de exigir, novamente, as exações sob o tópico "insuficiência da estimativa mensal". (...) Continuando, argumenta, no tópico "MULTA DUPLICIDADE": Em relação à imposição das multas o que se constata é simplesmente uma profusão cumulativa em cascata, repicando a aplicação da penalidade inúmeras vezes pelos mesmos fatos e bases de incidência, ao pretexto e artificio da capitulação distinta, sob itens e tópicos variados, dos efeitos resultantes. (...) A exigência das multas chega às raias do absurdo na hipótese dos créditos lançados sob condição de suspensão da exigibilidade. De outro lado, como já asseverado, o trabalho fiscal, de forma incompreensível, vem marcado pela profusão em cachoeira da aplicação cumulativa em cascata das penalidades sobre a mesma base de fatos. Não fosse por isso, a aplicação de multa qualificada de 150 % contraria o princípio tributário da vedação ao confisco, conforme vem decidindo, reiteradamente, o Judiciário por meio de diversos julgamentos nas Cortes Federais. (...) O certo é que a i. fiscalização, pelos mesmos fatos considerados no presente auto de infração, já sancionou a impugnante com a imposição de multa no auto de infração s/n, relacionado ao mesmo PTA de nr. 10680.018092/200549, no montante de R$70.919.342,43. (...) a impugnante obteve decisão do próprio Conselho de Contribuintes da União, no julgamento do Recurso 127.517, PTA n. 10680.008712/0010, acórdão de nr. 10194.171, relatado pelo Cons. Valmir Sandri, decisão que, de oficio, reconheceu a impossibilidade de cumulação de multas em face do princípio da não propagação das multas (...) Fl. 777DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 16 15 Com respeito aos juros de mora, a interessada diz oferecer os (...) mesmos fundamentos relativos à multa, certo que o trabalho fiscal apresenta graves inconsistências na imposição cumulativa de juros, sucessivas vezes, sobre a mesma base de fatos considerados, em repercussão continuada e repetida. Acresce que a utilização da Selic é obviamente indevida, eis que o Colendo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp 193.453/SC, relatado pelo eminente Ministro Domingos Franciulli, decretou a ilegalidade da referida taxa como indexador das dívidas tributárias. Ainda argumenta: COISA JULGADA Acresce que, consoante se infere do próprio levantamento fiscal, a impugnante é detentora de coisa julgada em relação a CSLL, achando se desobrigada de recolher a contribuição. Vênia permissa, não assiste razão ao fisco nesta questão, sendo inaplicável à situação da impugnante o entendimento constante das decisões colacionadas na peça fiscal. Não se trata aqui de invocar a tese das relações jurídicas continuativas e da mudança da situação jurídica, como pretende o fisco, pois a Lei 8212 não trouxe inovação alguma na situação regulada pela Lei 7689, reproduzindo, literalmente, o diploma legal antecedente e declarado inconstitucional, em autêntica burla a segurança jurídica e à coisa julgada. (...) EXONERAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES Não bastassem tais considerações, temse que a exigência da CSLL sobre o lucro resultante das receitas de exportação, não tem base de validade jurídica, posto que esbarra na imunidade prevista na EC 33/01, que introduziu o inciso 1, parág. 2°., no artigo 149, da Constituição federal, exonerando as contribuições sociais. (...) Não bastasse a constituição do crédito relativo a CSLL, juros e multa neste auto de infração, abrangendo período compreendido de 2000 a 2003, temse que em auto de infração correlato, que leva em linha de conta o mesmo período de 2000 a 2003, constituiuse, igualmente, a CSLL e juros, no PTA 10680.018088/200581, tomandose por base parte dos efeitos e eventos considerados no presente auto de infração. Além disso, o mesmo ocorre em relação à CSLL apurada em auto de infração englobado no PTA 10680.018092/200549, que também considerou os efeitos dos eventos aqui em parte Fl. 778DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 17 16 considerados, constituindose o crédito tributário de forma cumulativa e indevida. E, se isso não bastasse, caberia ressaltar que nestes autos de infração, inclusive, o aqui impugnado, levase em conta a apuração da CSLL relativa ao exercício de 2000, que foi objeto de lançamento do PT A 10680.015021/200161, já transformado na Execução Fiscal nr. 2005 .38.00.0165803 . Protesta pela produção de prova documental, testemunhal e pericial e pela realização de diligências complementares, inclusive audiência para oitiva de testemunhas. Para tanto, nomeia seu peritoassistente, relacionando quesitos." Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 457/491), que julgou procedente em parte o lançamento, apenas para determinar (i) a redução do valor da multa exigida isoladamente (auto de fls. 16/24), em razão da retroatividade benigna da lei tributária, especialmente em razão da redação conferida ao art. 44, inciso II da Lei n° 9430/96, pela MP 303/06, que determinou a aplicação do percentual de 50% sobre pagamentos mensais não realizados e (ii) considerar definitivo o lançamento em relação à exclusão da atualização monetária da SELIC/IRPJ a recuperar e a depreciação adicional referente à diferença IGPM/IPCA E/1994, pois tais matérias estão sob o crivo do judiciário e, portanto, não cabe à instância administrativa manifestarse. • Regularmente intimada (em 18/10/06 fls. 500) a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 501/535), reiterando os fundamentos apresentados em sua impugnação. Foi efetuado arrolamento de bens. Houve, ainda, interposição de Recurso de Oficio. É o Relatório. O acórdão foi assim ementado: Assunto: IRPJ e CSLL Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: CSL COISA JULGADA CESSAÇÃO DE EFEITOS Com o advento da Lei 8.212/91, reafirmando a instituição da Contribuição Social sobre o Lucro, cessaram os efeitos da coisa julgada acerca da Lei 7.689/88, confirmada como constitucional à exceção do seu artigo 8°, pelo egrégio Supremo Tribunal Federal. Precedente do Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 281.209/GO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. Em razão da responsabilidade objetiva do contribuinte pelo tributo devido, ex vi do artigo 136 do CTN, na hipótese de pagamentos ou doações realizados com suporte em documentação inidônea, incabível a dedutibilidade da despesa, devendo o contribuinte suportar os efeitos fiscais decorrentes da glosa. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 18 17 DEDUTIBILIDADE. São vedadas as deduções decorrentes de quaisquer doações ou contribuições, excetuadas aquelas que se façam dentro dos parâmetros legais. Também é vedada a dedução de custos cuja documentação suporte não seja adequada. CONTABILIZAÇÃO DE RECEITAS. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. A receita decorrente da transferência de créditos de ICMS, considerados um ativo da empresa, deve ser contabilizada pelo contribuinte, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO É vedada a apreciação, por órgão administrativo, de vício de inconstitucionalidade, cujo julgamento importe em negar vigência à norma constitucionalmente editada, consoante determina o artigo 22 A do Regimento Interno deste Conselho. PAF PEDIDO DE PERÍCIA Está no âmbito do poder discricionário do julgador administrativo o atendimento ao pedido de perícia. Sua negativa não constitui cerceamento do direito de defesa, quando os autos trazem elementos suficientes para firmar convicção. MULTA ISOLADA CUMULADA COM LANÇAMENTO DO TRIBUTO INAPLICABILIDADE A multa isolada, prevista no art. 44, § 1°, da Lei 9430/96, somente deve ser aplicada, isoladamente, quando a pessoa jurídica, sujeita ao recolhimento por estimativa (art. 2o da Lei 9430/96), deixar de fazêlo no ano calendário. Na hipótese em que há lançamento de oficio, cabe apenas a multa de oficio prevista nos incisos I ou II do art. 44 (caput). Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada com a decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a exigência da multa isolada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 584/592), o qual foi admitido (fls. 594) pelo presidente da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Devidamente cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou embargos declaratórios os quais foram rejeitados (fl. 644) por meio de despacho monocrático do presidente da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. A contribuinte contrarazoou o recurso da Fazenda Nacional (fls. 635 e seguintes) e interpôs recurso especial (fls. 648/659), o qual foi parcialmente admitido pela presidente da 2ª Câmara da 1ª Sejul (fls. 684/688), para levar a CSRF a apreciar a questão da Cessão de Créditos de ICMS. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 19 18 O recurso não foi submetido a agravo ou reexame, em obediência ao disposto no artigo 15, § 2°, incisos, V e VI, do RICSRF, vigente à época. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 691/695). É o Relatório. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 20 19 Voto Vencido Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese: 1) recurso da PGFN no que diz respeito à multa isolada na estimativa; 2) recurso do contribuinte que diz respeito à apreciar a questão da Cessão de Créditos de ICMS, para feito de tributação pela CSLL e IRPJ.. Ambos os recursos satisfazem os critérios de admissibilidade e deles conheço. Passo a julgálos. Recurso da Procuradoria Sopesados os argumentos da decisão recorrida e aqueles expostos pelas partes, passo a expor meu entendimento sobre a matéria. Observese que a infração decorreu de omissão de recolhimento de IRPJ e CSLL nas estimativas. Disto resultou insuficiência de recolhimentos do IRPJ Estimativa Mensal, e foram calculados sobre balanços/balancetes de suspensão redução, ficando sujeito à incidência de multa isolada, conforme auto de infração. A questão é se a multa referente ao não recolhimento da(s) parcela(s) da estimativa, devidas mensalmente se acumulam com a multa pelo não pagamento do tributo devido apurado na declaração anual. Entendo possível a aplicação da multa proporcional sobre o ajuste anual e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas que ensejaram, em referência ao mesmo exercício fiscal. Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, sujeitamse às multas previstas na legislação que se aplica à espécie. Na redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] Fl. 782DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 21 20 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Referida norma recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 22 21 ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos (anterior e alteração) estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário, o que nem é o caso, pois há tributo devido ao final do ano Considerase, assim, impróprio falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis, repitase que a assunção desta obrigação foi uma opção do contribuinte e que o desobrigou dos efetivos pagamentos trimestrais – e a outra hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação principal referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. São, portanto, fatos distintos que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do princípio da consunção, que em matéria de Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis, especialmente em virtude do que dispõe o art. 136 do Código tributário Nacional. Aliás, interpretarse de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas, ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre, que embora a apuração anual seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto, se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal, mas tão somente moral. Do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas. Voto Vencedor – REP Recurso do Contribuinte O contribuinte afirma que (fls. 655) no seu recurso especial que: O direito creditório em questão significa na verdade uma contingência no passivo da recorrente, acarretando a sua cessão e transferência para terceiros, o efeito fiscal da anulação e baixa deste passivo, donde o absoluto descabimento da sua tributação. Na verdade, imposto a recuperar é conta do ativo, e não se trata de mera mutação patrimonial, como quer fazer crer a recorrente, sem influência nas contas de resultado. O que ocorre no caso os créditos (vejase que o acúmulo de créditos do ICMS decorre de operações mercantis) é que se altera o valor de uma conta lançando a contrapartida em estoque, só que de forma a se alterar o custo das mercadorias bens adquiridos, e essa diferença (a redução do custo), deve ser adicionada ao resultado. Tratase de recuperação de custos, nos termos do art. 44, inciso III, da Lei .4502/64 (base legal do art. 392, inciso II do RIR/1999), que se transcreve abaixo: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 23 22 ... III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; Tratase, claramente de recuperação de custos, quando o contribuinte se utilizada de parcela das despesas que teve com a formação do estoque (mas que são recuperáveis) para reduzir o custo de aquisição de novo estoque. Vejase que se esses créditos fossem utilizados para deduzir o ICMS a pagar em outras operações, o lucro da empresa iria aumentar (quanto menor a despesa com tributos, maior o resultado). Ora, se esses créditos são utilizados de outra forma, o ICMS devido será maior, o que diminuirá o lucro – para se manter o equilíbrio, a implicação é que deve ser adicionado ao resultado. Ou seja, mesmo do ponto de vista meramente econômico, os créditos de ICMS devem fazer parte da base de cálculo do IRPJe e CSLL quando utilizados . Corrobora também esse entendimento o pensamento da Conselheira Karem Jureidini Dais, no voto do Acórdão recorrido, quando sustenta que: No que tange ao lançamento realizado com base na inclusão de valores relacionados à cessão de créditos de ICMS, que não haviam sido contabilizados como receita pela Recorrente, não há de se acatar o argumento de que o deságio representaria prejuízo para o cedente, pois, independente do valor, o lançamento se fundamenta na necessidade de reconhecimento da receita (qualquer que seja, no valor que seja), pois auferida em razão da • cessão de um ativo. Vejase que há decisões do STJ que, ainda que indiretamente, terminam por prestigiar este entendimento, e.g., REsp 859322/PR (Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Julg. 14/09/2010) e AgRg no REsp 1266868/PR (Rel. min. Herman Benjamin, Julg. 04/04/2013). Por outro lado, não se aplica ao caso o RE 606107/RS (Rel. Min. Ellen Gracie, Julg.: 01/07/2010), com repercussão geral, que trata de créditos do ICMS, porque esta decisão diz respeito ao reconhecimento de utilização de tais créditos do ICMS, para efeito de incidência do PIS/COFINS, que segue uma lógica diferente do IRPJ. Assim, entendo que o valor líquido do crédito acumulado do ICMS utilizado nas operações de cessão e transferência deve ser adicionado ao resultado para efeito de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Isto posto, considerando os argumentos acima, nego provimento ao recurso do Contribuinte. Conclusão Em conclusão, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 785DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 24 23 Voto Vencedor Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Redator Designado. O presente voto vencedor diz respeito exclusivamente ao Recurso Especial da Fazenda Nacional em que o ilustre relator votou vencido. Conforme destacado no relatório, na parte em que o relator resultou vencido, tratase de recurso especial da Fazenda Nacional contra a decisão que deu parcial provimento a recurso voluntário para excluir a exigência da multa isolada, aplicada em concomitância com a multa de ofício e após o encerramento do anocalendário Por necessitar de recursos para executar suas funções, a Administração não pode aguardar o encerramento do período de apuração para receber os tributos cujos fatos geradores irão ocorrer no final do exercício. Neste contexto, antes da ocorrência do fato gerador, criouse obrigações impondo ao sujeito passivo o dever de antecipar recolhimentos no decorrer do anocalendário. Os valores recolhidos a título de carnêleão, no caso de pessoa física e os recolhimentos a título de estimativas, no caso de pessoas jurídicas, são deduzidos do imposto apurado no final do exercício1. Se deduzidos do valor do imposto devido não há como negar que têm natureza de tributo e correspondem, junto com o IRRF2, em pagamento antecipado. Quando se estabelece obrigação do sujeito passivo de recolher carnêleão ou estimativas não se está imputando a ele qualquer omissão relacionada a fato gerador. Nestas circunstâncias o fato gerador ainda não ocorreu e, encerrado o período de apuração, pode haver situações em que sequer se verificará a existência da situação descrita em lei que resulte na obrigação de pagar tributo. Ocorrida a hipótese prevista na segunda parte do parágrafo anterior, para a pessoa física restituise os valores e em relação à pessoa jurídica conferese a esta o direito de usar tais recursos para compensar com tributos devidos em períodos subseqüentes ou requerer a restituição, conforme previsto no artigo 6º. § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 19963. 1 No caso do IRPJ ver artigo 2º, § 4º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996 e no caso da CSLL ver artigo 57, § 4°, da Lei nº 8.981, de 1995 e artigos 28 e 30 da Lei nº 9.430, de 1996. 2 Art. 2º, § 4º, III, da Lei nº 9.430, de 1996. 3 Lei nº. 9.430, de 1996. .... Pagamento por Estimativa Art. 6º. O imposto devido, apurado na forma do artigo 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º. O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 25 24 Se, por hipótese, no mês de março do anocalendário correspondente ao período de apuração contribuinte pessoa física ou jurídica deixar de recolher, respectivamente, carnêleão ou estimativa a que estiver obrigado, no mês seguinte a autoridade fiscal pode exigir o valor não recolhido com multa de 50%. Contudo, encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnêleão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Não sendo apurado tributo devido não há o que se falar em multa isolada. Quando se fala em multa isolada esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos ou lucros sejam oferecidos à tributação exigese o imposto com multa de 75%4. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnêleão ou as estimativas, o disposto no artigo 138 do CTN.5 Imaginemos a situação em que o sujeito passivo, pessoa física ou jurídica, tenha obtido rendimentos sem oferecêlos à tributação. Passado quatro anos e onze meses ele resolve oferecer ditos rendimentos à tributação acompanhado do pagamento dos tributos e juros. Em havendo o pagamento espontâneo do imposto devido e juros não se pode imputar ao contribuinte multa pelo não recolhimento do carnêleão ou das estimativas. Agora, adotemos esta mesma situação, só que em vez de esperar quatro anos e onze meses para oferecer os rendimentos à tributação o sujeito passivo oferece logo após o período de apuração, quando da entrega da declaração. Se no primeiro caso não se lhe aplica a multa isolada, aqui onde a infração é de menor gravidade, ao menos no que diz respeito ao tempo decorrido para oferecer os rendimentos à tributação, também não há o que se falar em multa isolada, sob pena de adorarse situação que resulta em conflito explicito com o disposto no artigo 138, do CTN. Dos fundamentos expostos resulta a seguinte indagação: Em que situações é devida multa isolada sem exigência da multa de ofício? Inicialmente, observemos que a multa de ofício é exigida sempre que houver omissão de rendimentos e não estivermos diante de denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e juros, conforme previsto no artigo 138, do CTN. A multa isolada, por sua vez, é devida até o momento previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça os rendimentos à § 3º. O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. 4 Se o carnêleão e as estimativas têm como razão de ser o aporte de recursos, no decorrer do anocalendário, para que a Administração possa cumprir com suas obrigações, transcorrido o período de apuração não há mais o que se falar em exigência de carnêleão e nem de estimativas, mas sim do efetivo imposto devido. 5 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 26 25 tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. Igualmente, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo que em todos os casos de omissão há atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, terseia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Neste sentido basta observar o princípio da consunção, cujo exemplo citado por nós, em outras ocasiões, é o disposto na Súmula 17 do STJ6. Ainda em relação à multa isolada, na interpretação do artigo 44, II, alíneas “a” e “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não se pode desprezar a exposição de motivos que ao tratar da necessidade de alteração da Lei apresentou a seguinte justificativa: "8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19967, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora.” Pelo que se depreende da exposição de motivos, ao usar as expressões “multa de ofício, lançada isoladamente”, se está a falar de uma única multa, pois se assim não fosse não teria usado as expressões “lançada isoladamente”, mas sim, “lançada em concomitância com a multa de ofício. Na linha do presente voto, a título de exemplo, aponto os seguintes precedentes: 6 Súmula nº 17. Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 27 26 Ementa: ... CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício. ...(Acórdão 9101001.657. Rel. Susy Gomes Hoffmann. Julgado em 15/05/2013. Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão 9101001.261. Rel.Valmir Sandri. J. 22/11/2011). Ementa: MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9.430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa. Recurso negado. (Acórdão CSRF 01 05078. Rel. José Clóvis Alves). Ementa: CSLL. MULTA ISOLADA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada pela ausência de base imponível, sobremodo quando apurado prejuízo fiscal e base negativa do tributo. (Ac. 910100.520. Rel. Designado. Valmir Sandri. J. 26/10/1010. Ementa: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Fl. 789DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.018089/200525 Acórdão n.º 9101001.838 CSRFT1 Fl. 28 27 Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 DOU de 20 de junho de 2008), cancelase o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS MENSAIS POR ESTIMATIVA. Com a apuração da contribuição devida ao final do exercício, desaparece a base imponível da penalidade isolada (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde à contribuição efetivamente apurada, cabendo tão somente a cobrança da multa de oficio (se for o caso) que é devida caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex Officio. (Acórdão 9101.00130. Rel. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Jul. 11/05/2009. ISSO POSTO, no que diz respeito à multa isolada, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 790DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10580.004014/99-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996
COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. NECESSIDADE DE DESISTÊNCIA.
Em se tratando de título judicial em fase de execução, a compensação somente poderá ser realizada na hipótese de o contribuinte comprovar a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título. Caso contrário, configurar-se-á apropriação indevida contra a Fazenda Nacional, na medida em que haverá coincidência dos créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa.
Numero da decisão: 3803-004.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Hélcio Lafetá Reis votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. NECESSIDADE DE DESISTÊNCIA. Em se tratando de título judicial em fase de execução, a compensação somente poderá ser realizada na hipótese de o contribuinte comprovar a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título. Caso contrário, configurarseá apropriação indevida contra a Fazenda Nacional, na medida em que haverá coincidência dos créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Hélcio Lafetá Reis votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 40 14 /9 9- 86 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário manejado com a finalidade de reformar o Acórdão nº 1521.110 – 4º Turma da DRJ de Salvador, que indeferiu o pedido de homologação da compensação de débitos, com crédito no valor de R$ 408.931,58, conforme pedido de compensação anexo à fl. 09. Primeiramente é preciso dizer que o presente processo está numerado de 2 (duas) forma diversas, pois na parte superior das páginas constam números escritos a mão e supostamente a caneta, e ainda números digitados. Assim, com o propósito de evitar dificuldades na localização das folhas indicadas no relatório e no voto, decidi adotar a numeração digitada, visto que me pareceu ser a numeração correta. Alerto que a partir da fl. 24, passa a constar carimbo da DRF – SDR/SEORT, que adota a numeração que vinha sendo feita a caneta, por isso que no decorrer do voto e relatório, passo a fazer remissão as páginas numeradas a partir das 2 (duas) formas. Cumpre informar que o referido crédito é proveniente da Ação Ordinária n.º 1997.33.5810 – 1ª Vara Federal de Salvador, anexa às fls. 132/151, ou fls. 107/126, segundo a numeração realizada pela DRF, por intermédio da qual o contribuinte discute o direito ao PIS recolhido com base nos DecretosLei n° 2.445/98 e 2.449/98. À fl. 23 consta informação fiscal, emitida pela repartição de origem, dando conta de que o contribuinte, além do pedido de compensação anexo à fl. 09, protocolizou mais 7 (sete) outros pedidos e por conta disso todos foram anexados ao presente processo. O Despacho Decisório n.º 574/99, exarado pela DRF de Salvador, está anexo às fls. 279/282 e depois novamente juntada às fls. 310/313. Esta decisão denegou o pedido de homologação das compensações, sob o argumento de que no presente PAF está sendo discutido crédito que já é objeto de análise no PAF n.º 10580.000290/0017. Ademais, no PAF n.º 10580.000290/0017 foi emitido o Despacho Decisório n.º 573/2008, por meio do qual foi indeferido o pedido de compensação em razão de que foi interpretada a identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, ainda mais porque o Recorrente optou em prosseguir com a execução da sentença anexa às fls. 152/127, ou então fls. 127/133 na numeração realizada pela DRF. A Manifestação de Inconformidade está anexa às fls. 284/260, ou fls. 256/260, na numeração realizada pela DRF. Nesta peça de defesa administrativa, o contribuinte requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários compensados, sob o fundamento de que, em 17.12.2008, a sentença exarada pela juíza da 1ª Vara da Justiça Federal de Salvador, anexa às fls. 288/290, concedeu segurança exclusivamente para garantir a suspensão da exigibilidade dos créditos compensados administrativamente no presente processo. Já às fls. 339/342, ou fls. 310/312 na numeração realizada pela DRF, está anexo Acórdão n.º 1521.110 – 4º Turma da DRJ/SDR, que teve a ementa lavrada da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1988 a 30/03/1996 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10580.004014/9986 Acórdão n.º 3803004.190 S3TE03 Fl. 389 3 Uma vez não reconhecido o direito creditório, não se homologam as compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido O motivo principal pelo qual o pedido de compensação não foi homologado encontra fundamento no art. 170 – A do CTN, o qual dispõe que não é permitida a compensação de tributos sem que antes ocorra o trânsito em julgado da sentença judicial que houver reconhecido o direito creditório. Assim, segundo os julgadores de primeiro grau em se tratando de discussão judicial havia necessidade de o Recorrente ter comprovado a desistência da execução, nos termos do art. 17 da IN º 21/99, consolidada pela IN n.º 73/99. Além do que, a DRJ concluiu que de fato a Recorrente ingressou com pedido de compensação no PAF n.º 10580.000290/0017, que por sua vez é coincidente com o pedido que agora está sendo analisando no presente processo. Destacou ainda que há concomitância entre os pedidos de crédito pleiteado em juízo e neste processo. Às fls. 344/349, ou fls. 313/318 na numeração realizada pela DRF, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, por meio do qual repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, mas acrescentou como argumento de defesa que caso desista da execução da sentença, que reconheceu o seu direito aos créditos de PIS, certamente que tal ato lhe traria danos irreparáveis. O contribuinte destacou ainda que não procede o argumento de que pretende apropriarse de créditos em duplicidade, na medida em que após o trânsito em julgado do processo judicial será procedido levantamento de valores. Assim, a RFB será citada para pronunciarse a respeito das importâncias já compensadas, por meio dos processos administrativos, logo ao Recorrente caberá somente a diferença. Citou também o art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal para reclamar da violação ao princípio da irretroatividade da lei, com o objetivo de afastar a aplicação da Lei Complementar n.º 104/2001, que incluiu o art. 170 A ao CTN, já que os pedidos de compensação e a sentença são anteriores à vigência deste artigo. Requer o reconhecimento dos efeitos da segurança concedida no Mandado de Segurança, que determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários compensados. Por fim, requer a reforma da decisão atacada e a homologação das compensações apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conforme se extrai do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, este manifestou interesse em não desistir da execução da sentença prolatada na Ação Ordinária n.º 1997.33.5810 – 1ª Vara Federal de Salvador, anexa às fls. 132/151, alegando o seu receio de prejuízo. Agindo assim, compreendo que renunciou a opção de exercer o seu direito creditório na esfera administrativa, principalmente porque a Instrução Normativa n.º 21/1997 veda a compensação administrativa de créditos reconhecidos judicialmente na hipótese em que o contribuinte não prova ter desistido da execução. Na realidade interpreto que a lógica em impedir que o contribuinte execute a coisa julgada em seu favor junto ao Poder Judiciário, e concomitantemente também pleiteie a compensação administrativa destes créditos, certamente é evitar que ocorra a apropriação indevida de créditos contra a Fazenda Nacional. No caso em exame, a sentença de primeiro grau foi proferida em 19.02.1998, conforme se retira à fl.133 dos autos e a Apelação Cível n.º 99.01025698 BA – TRF 1ª Região, às fls. 348/354, foi favorável ao contribuinte, logo se o contribuinte deixou de trazer aos autos prova da desistência da execução, penso que não há como reconhecer o direito creditório perante a esfera administrativa. Quanto a alegação de violação ao princípio da irretroatividade da Lei Complementar n.º 104/2001, sob o argumento de que os pedidos de compensação e a sentença são anteriores à vigência desta lei, cumpre comentar que tal observação tornase irrelevante diante da verificação de que não consta nos autos prova da desistência da execução da sentença. Assim, presumese que o contribuinte obteve a repetição do indébito pretendida junto a execução protocolizada em 2000 no processo n.º 2000.33.00.0262980 da 1ª Vara da Fazenda Federal, segundo se constata da às fls. 270. Por fim, ainda agrava a situação do contribuinte o fato da repartição de origem ter apurado que o crédito pleiteado para compensação no presente processo, já é objeto de igual pedido no PAF n.º 10580.000290/0017. Além do que, no momento em que ocorreram as compensações o crédito não possuía a condição de líquido, certo e vencido, uma vez que o trânsito em julgado ocorreu somente posteriormente as compensações. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. .Sala das sessões, 21 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10580.004014/9986 Acórdão n.º 3803004.190 S3TE03 Fl. 390 5 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.727088/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 15/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 88 /2 00 9- 27 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. EDITADO EM: 15/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 134.866,54, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727088/200927 Acórdão n.º 2201001.788 S2C2T1 Fl. 3 3 atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 07/10/2010 (efl. 88), Mariana Varjao Alves Evangelista interpôs, em 13/10/2010, o Recurso Voluntário de efls. 89/120, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi julgado em 15/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 124). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Preliminares Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727088/200927 Acórdão n.º 2201001.788 S2C2T1 Fl. 4 5 competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede a alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste determina expressamente a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos recebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere dos autos, efls. 02/12, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Mérito No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, nesse sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Nesse caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (inciso II do art. 111 do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a verba como rendimentos isentos e não tributáveis e, ao apresentar sua Declaração de Ajuste, o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, esse erro não foi provocado pelo contribuinte. Desse modo, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.727088/200927 Acórdão n.º 2201001.788 S2C2T1 Fl. 5 7 – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Nessas condições penso que não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc (Despacho de efl. 124) Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.727088/200927 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.788. Brasília/DF, 15 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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