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Numero do processo: 10880.721278/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
IRPF. DESAPROPRIAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42).
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF 28.460
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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DESAPROPRIAÇÃO. NÃOINCIDÊNCIA Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42). Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF 28.460 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 12 78 /2 01 2- 51 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Contra o contribuinte, MARIO CELSO LOPES, foi lavrado o auto de infração de fls. 165/168, acompanhado dos demonstrativos às fls. 169/170 e do denominado Termo de Constatação Fiscal – 24/02/2012 às fls. 172/184, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano calendário de 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 2.401.287,88. Como descrito no referido Auto de Infração, a exigência decorreu de omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel rural, conforme Termo de Constatação Fiscal – 24/02/2012, parte integrante do auto de infração (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal à fl. 167), com aplicação de multa no percentual de 75%. No referido Termo de Constatação Fiscal – 24/02/2012, às fls. 172/184, o autuante relata suas constatações, como segue: Conforme INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPROMISSO IRRETRATÁVEL DE VENDA E COMPRA DE IMÓVEL RURAL, datado de 13/06/2005 (cópia fornecida pelo contribuinte), o contribuinte e seu cônjuge, Juçara Eliane Storti Correa Lopes, CPF 023.511.05826, adquiriram dos espólios de Wanda Coelho de Moraes e José Benedito Viana de Moraes, representados pelo inventariante José Luís Viana de Moraes, CPF 051.533.73827, um imóvel rural denominado Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com área de 8.246 hectares, pelo preço de R$ 11.000.000,00, que deveria ser pago em três parcelas nas datas e valores seguintes: R$ 3.300.000,00, na data da assinatura do instrumento particular (13/06/2005) e R$ 7.700.000,00 em 29/07/2006, corrigidos pelo IGPM. O imóvel adquirido consta da matrícula 49.088 do CRI de Três Lagoas MS, que foi encerrada em 01/10/2010 (folha 7 da matrícula 49.088), vez que o contribuinte, depois de adquirir o imóvel, requereu o desmembramento da respectiva área, resultando nas seguintes áreas e matrículas: Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Gl, com área de 224,5975 hectares, matrícula 56.573; Fazenda Nossa Senhora do Perpétuo Socorro G2, com área de 4.508,0498 hectares, matrícula 56.574; Parque Natural Municipal do Pombo, com área de 3.300,0011 hectares, matrícula 56.575. Somandose essas áreas chegase a área total do imóvel de 8.032,6484, um pouco menor do que a área citada no Instrumento Particular citado no parágrafo anterior. Em 08/09/2009, antes mesmo da transferência definitiva da propriedade ao contribuinte, o que só veio a ocorrer em 16/10/2009 (folha 06 da matrícula 49.088), foi lavrada pelo Tabelionato Traci Batista dos Santos de Três Lagoas MS, Escritura Pública de Desapropriação Amigável, em que consta que a Prefeitura de Três Lagoas MS desapropriou a área de 3.300,0011 hectares, denominada Parque Natural Municipal do Pombo, correspondente à matrícula 56.775 do CRI de Três Lagoas MS, resultante do desmembramento da matrícula 49.088. Por meio da referida Escritura Pública de Desapropriação Amigável, o imóvel adquirido em 13/06/2005, por meio de Fl. 379DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 3 3 instrumento particular, com área de 8.246 hectares pelo preço de R$ 11.000.000,00, conforme consta do Instrumento Particular, ou 8.032,6484 hectares, pelo preço de R$ 10.768.111,82, conforme matrícula 49.088 do CRI de Três Lagoas MS, foi parcialmente alienado à Prefeitura de Três Lagoas, isto é, foram alienados 3.300,011 hectares, correspondentes a 41,08% da área que consta no Registro de Imóveis. A partir da DITRDIAC/ DIAT 2008, apresentada pelo inventariante José Luís Viana de Moraes, também consta a área de 8.032,6484. A desapropriação é uma forma de alienação e os ganhos de capital dela decorrentes estão sujeitos à tributação, conforme determina o § 4º do artigo 117 do RIR/99: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). (destacamos com grifo e negrito) Cientificado do lançamento por via postal em 29/02/2012 (AR à fl. 185), o contribuinte apresentou, em 15/03/2012, a impugnação de fls. 189/235, por intermédio de procurador (documento à fl. 237), acompanhada dos documentos de fls. 239/282, aduzindo as razões sintetizadas a seguir: I – Dos fatos: traz resumo da autuação. II – Do direito 1 – Preliminarmente 1.1. Da nulidade do processo administrativo decorrente da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário do impugnante A infração foi apurada exclusivamente em decorrência da quebra do sigilo bancário do impugnante, pois os três pagamentos efetuados pela Prefeitura Municipal de Três Lagoas/MS, embora nominativos a José Luis Viana de Moraes, foram depositados na conta corrente do impugnante. O Termo de Constatação Fiscal datado de 24/02/2012, anexo ao Auto de Infração, comprova que os valores acima discriminados foram extraídos exclusivamente da análise das movimentações financeiras do impugnante. O agente fiscal iniciou suas justificativas com as expressões: "Consta no extrato de conta corrente mantida pelo contribuinte no Banco..." ou "consoante demonstrativo de depósitos e créditos bancários... verificamos que nos extratos do banco...". Não restam dúvidas de que o montante considerado tributável foi inteiramente apurado em Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 decorrência de um ato ilegal, imoral e arbitrário praticado pelo Fiscal denominado "quebra do sigilo bancário". Demonstraremos que o ato praticado pelo Auditor Fiscal é absolutamente ilegal e vicia todo o procedimento administrativo tributário a partir de sua ocorrência, de modo que todos os demais atos praticados em consequência da quebra do sigilo são nulos de pleno direito e, portanto, inaproveitáveis. De acordo com as informações prestadas pelo Fiscal e da cópia do extrato bancário apresentado, comprovase que ele requisitou a diversas instituições financeiras, ilegalmente e sem fundamento jurídico algum que justificasse a medida, todas as movimentações da conta corrente e da conta poupança de titularidade do impugnante no período compreendido entre 01/01/2006 a 31/12/2009. Frisase que a quebra do sigilo bancário ocorreu logo no início da fiscalização e que não havia, nem tampouco houve, ao menos um motivo para justificar a perpetração de medida tão agressiva por parte do Fisco, devassando a privacidade do impugnante, em absoluto desprezo ao direito fundamental da privacidade, previsto no artigo 5º, inciso X, de nossa Carta Política (que transcreve). Necessário lembrar que o Poder Público deve respeitar os direitos individuais de todos os contribuintes, principalmente suas intimidades, privacidades, propriedades, livres iniciativas etc., que devem permanecer invioláveis mesmo diante dos poderes de fiscalização, possibilitando a quebra, somente em casos excepcionais, mediante intervenção do Poder Judiciário. Por isso, foram considerados inconstitucionais os dispositivos da Lei Complementar 105/2001 (art. 5º e 6º) que praticamente tornaram esse sigilo inexistente, porquanto deixavam nas mãos da administração, parte interessada, e não do Poder Judiciário, o juízo acerca da presença das circunstâncias que justificassem a quebra do sigilo bancário, o que levava o Fisco a praticar arbitrariedades e ilegalidades, impedindo qualquer direito de defesa, como visto nestes autos. A inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/2001, em especial dos dispositivos que autorizavam o Fisco a requisitar informações financeiras do contribuinte fiscalizado, já foi, inclusive, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808 PR, onde se decidiu que, por força do inciso XII do art. 5º da Constituição Federal, apenas o Judiciário, órgão imparcial, é que detém o poder de autorizar a quebra do sigilo bancário, e mesmo assim, somente nos casos de investigação criminal ou instrução processual penal, o que não é o caso dos autos (transcreve o inciso XII do art. 5º da Constituição Federal de 1988). Também o Superior Tribunal de Justiça, ao enfrentar a questão pertinente à indispensabilidade da prévia autorização judicial para efeito da quebra de sigilo bancário, acertadamente decidiu que apenas o Poder Judiciário pode eximir as instituições financeiras do dever de segredo em relação às movimentações financeiras do correntista/contribuinte (cita jurisprudência). No mesmo sentido os Tribunais Pátrios vêm acolhendo esse entendimento (segue citação de jurisprudência). Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 4 5 Diante das decisões acima transcritas, temse que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 389.808PR, com efeito de REPERCUSSÃO GERAL, prevista no artigo 543C, do Código de Processo Civil, apenas consolidou o entendimento já pacificado pela jurisprudência pátria. Há de se destacar, por fim, que a decisão proferida pela Suprema Corte reorienta aqueles poucos julgadores que, até então, sustentavam entendimento em sentido contrário, possuindo, no campo fático, os mesmos efeitos das decisões tomadas em processos submetidos ao Supremo Tribunal Federal sob regime de repercussão geral, como se vê de recentíssima decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de que transcreve excerto. Por essas razões, tanto o STF como o STJ decidiram não ser possível a quebra do sigilo no curso do processo administrativo sem a manifestação de autoridade judicial, e muito menos por simples solicitação de autoridade administrativa ou do Ministério Público. Sendo uma providência excepcional, exige não apenas cautela e prudência por parte do magistrado, como também indícios instrutórios mínimos de autoria e materialidade delitiva. Deve ser acompanhada de uma fundamentação razoável, de um motivo racional, de uma suspeita objetiva e fundada. Deve haver, ainda, uma relação de pertinência entre a prova pretendida, com as informações bancárias, e o objeto das investigações em curso. Isto é, deve ser demonstrado que a providência requerida é indispensável ao êxito das investigações. Cita doutrina e jurisprudência. A circunstância de a administração estatal acharse investida de poderes excepcionais que lhe permitem exercer a fiscalização em sede tributária não a exonera do dever de observar, para efeito do correto desempenho de tais prerrogativas, os limites impostos pela Constituição e pelas leis da República. Ante todo o exposto, fica demonstrada a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, de modo que o montante, supostamente tributável, apurado em razão da ilegalidade apontada, deve ser desprezado para fins de tributação, já que o ato ilegal é nulo de pleno direito e, como tal, não pode produzir qualquer efeito ao impugnante, devendo o auto de infração ser declarado nulo ante as legalidades apontadas. 1.2. Do reconhecimento da inconstitucionalidade no processo administrativo fiscal Em decorrência do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o processo administrativo foi equiparado ao processo judicial, assegurandose a ambos o devido processo legal, com obediência ao contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 No princípio da ampla defesa inserese a garantia de enfrentamento de discussão relativa à inconstitucionalidade das leis. Se a autoridade administrativa tem convicção de que a norma é inconstitucional, é sua obrigação, como servidora da lei, fazer prevalecer a norma constitucional e não a lei inconstitucional. O enfrentamento da constitucionalidade da lei não significa a proclamação pela Autoridade Julgadora Tributária se a lei é ou não constitucional, mas em reconhecer e acatar a manifestação do Supremo Tribunal Federal, já pronunciada, acerca do assunto. Nesse sentido, vale destacar a redação do art. 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF , que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como visto alhures, a decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n. 389.808PR tem sido admitida e acolhida por todos os Tribunais inferiores, ante o fato de competir ao Excelso Pretório a interpretação definitiva da Carta Magna. Nesse sentido, os efeitos dessa decisão conferem à causa a mesma natureza dos feitos submetidos ao regime de Repercussão Geral, razão pela qual é perfeitamente possível a aplicação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a fim de admitir o reconhecimento da inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário. Em sendo assim, requer seja declarada a nulidade, por vício de legalidade do processo administrativo em epígrafe. 2. Do Mérito 2.1. Da tributação decorrente da análise das movimentações financeiras do impugnante Repisa que é de se concluir pela ilicitude do procedimento do agente fiscal, ao obter as provas que culminaram no auto de infração, vez que não houve comprovação da existência de ordem judicial a amparar a quebra do sigilo bancário do impugnante. III Da ilegalidade da exação do ganho de capital com base na IN/SFR 84/01 Utilizando se de meios discricionários que desrespeitaram a ordem constitucional brasileira, o agente fiscal desconsiderou, arbitrariamente, os valores da terra nua de aquisição (2005) e alienação (2008) das declarações dos DIAT's do imóvel rural desapropriado, apresentados pelo antigo proprietário da área. Transcreve o art. 10 da IN nº 84/2001. Assim, e acordo com o dispositivo acima invocado, somente na ausência da DIAT, na qual deverá constar o valor da terra nua VTN, os custos de aquisição e alienação do imóvel rural devem Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 5 7 ser equiparados aos valores constantes dos respectivos instrumentos negociais, em nítido descompasso com a legislação de regência. A priori, vale ressaltar que a Administração Pública está incontestavelmente sujeita ao princípio da legalidade (CF, art. 37, caput), de modo que sua atuação normativa é totalmente vinculada aos limites da lei (CF, art. 84, ÍV), afora as exceções constitucionalmente previstas (CF, art. 84, VI). A Instrução Normativa é ato de competência ministerial que atende a uma necessidade sistemática exigida pela estrutura político administrativa adotada pela Constituição, restringindo seus efeitos à coordenação dos instrumentos do Poder Executivo com vistas a dar exequibilidade às leis, decretos e regulamentos, nos termos do disposto no art. 87 da CF/88. Desse modo, não há como a instrução normativa ser figura autônoma, criando, modificando ou extinguindo direitos e obrigações, sob pena de invadir seara alheia e malferir a ordem constitucional no que atine às competências e atribuições de cada Poder, não havendo como a Secretaria da Receita Federal baixar instrução normativa inovando no ordenamento jurídico, ou seja, implicando criação, modificação ou extinção de direitos ou deveres não estabelecidos em lei prévia. Assim, a Lei 9.393/96, ao adotar hipótese de lançamento por homologação e instituir o novo procedimento para o cálculo e recolhimento do ITR, válido a partir do exercício de 1997, estabeleceu que o VTN refletirá o preço de mercado das terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), instaurando processo de autoavaliação da terra nua. A Lei 9.393/96 estipulou que os custos de aquisição e de alienação de imóvel rural, estimados para fins de apuração de ganho de capital, deverão se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte, no DIAT apresentado nos respectivos anos, porque representativo do preço das terras Somente no caso de não terem sido entregues tais documentos informativos, o que não ocorreu no caso in voga, a lei especifica os critérios que deverão ser levados em conta pela Receita Federal para apurar o imposto, entre eles o sistema de preço de terras, de cuja viabilização encarrega o próprio Fisco (neste caso, o Sistema de Preços de Terras foi instituído por meio da Portaria SRF n.° 447/2002). Ocorre que o valor da escritura pública considerado como custo de aquisição, conforme previsto na lei anterior e acatado pelo agente fiscal, somente persiste quanto aos imóveis adquiridos antes de 1997, caso em que não é albergada a hipótese dos autos. Desse modo, havendo idêntico valor da terra nua declarada nas DIAT’s de aquisição e alienação, não há que se falar em ganho de capital. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Além disso, a própria Instrução Normativa SRF 84/2001 demonstra lisura na operação de aquisição e alienação em relação aos valores da terra nua VTN declarados, da parte do imóvel desapropriado, não havendo o que se falar em ganho de capital. No que tange à alegação de que as DIAT’s entregues nos anos de 2008 e 2009 foram realizadas pelo antigo proprietário do imóvel rural, em nada altera a realidade fática documental dos autos, pois os valores declarados em ambos exercícios foram idênticos. Sopesadas as circunstâncias do caso, verificamos mais um exagero, considerar absolutamente imprestáveis as informações da DIAT dos exercícios de 2008 e 2009, como faz crer o agente fiscal. A um, porque ausente qualquer inexatidão ou fraude nos valores efetivamente declarados pelo antigo proprietário. A dois, porque se a própria Receita reconhece que a entrega do DIAT do ano de 2008 (considerado ano da venda do imóvel põr força do art. 24 da IN SRF 84/01) “sem precisar fazêlo”, tal como agiu o antigo proprietário, ficam reforçados os argumentos de que houve mero equívoco referente a uma obrigação acessória, e não uma conduta dirigida à obtenção de alguma vantagem. A três, porque, em se tratando de declaração relativa a um imposto real, a questão sobre quem prestou ou deveria ter prestado as informações pertinentes não assume maior relevância, máxime quando inexistente qualquer indício de má fé. Assim, para efeitos de apuração do valor da terra nua, não se pode dar por inexistentes as informações veiculadas na DIAT 2005 (data de aquisição) e na DIAT 2008 (data da alienação). Cita jurisprudência. Desta forma, o valor da escritura pública de desapropriação amigável, considerada como custo de aquisição pelo Agente Fiscalizador, deveria persistir exclusivamente se o imóvel rural fosse adquirido antes do ano de 1.997, o que não é a hipótese dos autos, devendo a presente sanção ser afastada integralmente, por falta absoluta de amparo legal. IV Da aplicação e efetividade da Súmula 42 do CARF O Agente Fiscal simplesmente ignorou o teor da Súmula 42, in verbis: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Ao contrário do que afirma o Agente Fiscal, essa súmula tem aplicação direta em todos os órgãos do Poder Judiciário e a Administração Pública, com efeito vinculante a todas as decisões, e obrigatoriamente deverão ser respeitados por todas as autoridades e fiscais do Brasil, sob pena de responsabilidade funcional. Com o intuito de pôr uma pá de cal neste tema, o Ministério da Fazenda publicou a Portaria 383, de 12 de julho de 2010, que não deixa margem a dúvidas sobre o efeito vinculante das súmulas do CARF. Portanto, inteiramente aplicável ao caso vertente a Súmula 42 do CARF. Cita jurisprudência administrativa. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 6 9 Significa dizer que os valores recebidos em razão de desapropriações são indenizações que têm por objetivo não somente ressarcir o expropriado pela perda do bem, mas também indenizálo pelos lucros cessantes e pelo atraso da fazenda publica em ressarcilo (cita doutrina). É por este motivo que a exigência do imposto de renda, na espécie, não pode ser analisada sob o enfoque das isenções. O que se deve ter em mente é a hipótese de não incidência do imposto, visto que as indenizações apenas recompõem o patrimônio, em nada o acrescem. Cumpre trazer à baila os dispositivos constitucionais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXIV. a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da divida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. §5º. São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins. Entrementes, o simples fato de a Constituição Federal somente fazer referência à isenção no artigo 184, § 5°, da CF/88, não tem o condão de afastar o mesmo efeito no caso da aplicabilidade do artigo 5°, inciso XXIV, para a hipótese vertente, porque os dois dispositivos constitucionais se referem à desapropriação, conferindo às verbas pagas em virtude deste ato estatal natureza indenizatória, de reposição das perdas sofridas pelo contribuinte, um em razão de reforma agrária e outro em favor da necessidade ou utilidade pública. Nos dois casos, a vontade do Estado prevalece em detrimento da do contribuinte, pois na desapropriação, por qualquer das normas constitucionais suso mencionadas, o contribuinte não expressa sua vontade, não estabelece valor ao seu imóvel, ou seja, não parte deste o interesse na alienação do seu bem, ficando sujeito à vontade do Estado. Não se trata, pois, de simples ato de alienação de bem imóvel, onde as partes transigem, negociam, com o fito de se chegar a um denominador comum, mas, sim, de uma retirada forçada de propriedade, em defesa de bem maior comum à sociedade, razão pela qual o contribuinte é indenizado por tal conduta. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Aliás, referida matéria fora objeto, inclusive, da Súmula n° 39 do extinto Tribunal Federal de Recursos, nos seguintes termos: Não está sujeita ao Imposto de Renda a indenização recebida por pessoa jurídica/física, em decorrência de desapropriação amigável ou judiciária. Da mesma forma o artigo 161 da Constituição Federal de 1988, ao autorizar a desapropriação de propriedade territorial rural, estabelece a obrigatoriedade de "justa indenização". Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado (cita jurisprudência). Diante de todo o exposto, o Impugnante protesta pela devida acuidade na apreciação desses fundamentos jurídicos a fim de afastar integralmente o ganho de capital auferido ilegalmente pelo Agente Fiscal, declarandose nulo o auto de infração em razão da quebra de sigilo do Impugnante, ou mesmo, improcedente por falta absoluta de amparo legal da exação que ensejou a presente autuação. Do pedido: Ex positis, demonstradas as ilegalidades e arbitrariedades perpetradas contra o impugnante em todo o procedimento de fiscalização, melhor sorte não há senão o acolhimento das preliminares supra arguidas, declarando se o Auto de Infração nulo pelas ilegalidades apontadas, ou mesmo, julgando integralmente improcedente o lançamento tributário auferido pelo Agente Fiscal, como medida de lídima e escorreita justiça! A DRJ ao apreciar as razões do recorrente julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2008 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se cogitar em nulidade. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 7 11 fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. Comprovado, pela documentação acostada aos autos, que o contribuinte auferiu ganho de capital na alienação de imóvel rural que não ofereceu à tributação, cabe manter a exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Objetivamente o Auto de Infração, a exigência decorreu de omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel rural, conforme Termo de Constatação Fiscal – 24/02/2012, parte integrante do auto de infração (valor tributável, data de ocorrência do fato gerador e enquadramento legal à fl. 167), com aplicação de multa no percentual de 75%. De acordo com os autos, Em 08/09/2009, antes mesmo da transferência definitiva da propriedade ao contribuinte, o que só veio a ocorrer em 16/10/2009 (folha 06 da matrícula 49.088), foi lavrada pelo Tabelionato Traci Batista dos Santos de Três Lagoas MS, Escritura Pública de Desapropriação Amigável, em que consta que a Prefeitura de Três Lagoas MS desapropriou a área de 3.300,0011 hectares, denominada Parque Natural Municipal do Pombo, correspondente à matrícula 56.775 do CRI de Três Lagoas MS, resultante do desmembramento da matrícula 49.088. Para o deslinde da questão colocada em controvérsia nestes autos, é preciso saber se seria possível à União exercer sua competência impositiva, exigindo o imposto de renda sobre a diferença apurada entre o custo de aquisição do imóvel do recorrente e o valor por ele recebido a título de indenização pela desapropriação do referido bem. Na lição do jurista CARLOS AUTRAN MASSENA “A desapropriação, instituto de direito público, é uma das garantias constitucionais do direito de propriedade.” (cfr. Desapropriação, Editora Rio, 1976, pág. 11). Como já dá para perceber, a desapropriação é instituto que deve ser enxergado pela ótica constitucional, desprezandose qualquer outra norma, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis. É a própria Constituição Federal, portanto, que assegura aos expropriados a justa e prévia indenização em função da desapropriação de bem imóvel por necessidade pública ou interesse social. Significa dizer que os valores recebidos em razão de desapropriações são indenizações que têm por objetivo não somente ressarcir o expropriado pela perda do bem, mas também indenizálo pelos lucros cessantes e pelo atraso da fazenda Pública em ressarcilo. Como bem destaca HELY LOPES MEIRELLES, “A indenização justa é a que cobre não só o valor real e atual dos bens expropriados, à data do pagamento, como, também, os danos emergentes e os lucros cessantes do proprietário, decorrentes do desalojamento do seu patrimônio. Se o bem produzia renda, essa renda há de ser computada no preço, porque não será justa a indenização que deixe qualquer desfalque na economia do expropriado. Tudo que compunha seu patrimônio e integrava sua receita há de ser reposto em pecúnia no momento da indenização; se o não for, admite pedido posterior, por ação direta, para complementarse a justa indenização. A justa indenização inclui, portanto, o valor do bem, suas rendas, danos emergentes e lucros cessantes, além de juros compensatórios e moratórios, despesas judiciais, honorários de advogado e correção monetária” grifos do original (cfr., Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros, 25ª edição, 2000, pág. 565). Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10880.721278/201251 Acórdão n.º 2202002.628 S2C2T2 Fl. 8 13 Como se vê, a doutrina é suficiente clara ao entender que justa indenização é expressão que só admite ampla interpretação, sob pena de desvirtuar os desígnios do legislador constituinte. Para a indenização ser justa, é preciso que nela também estejam compreendidos todos os valores que efetivamente repõem a perda suportada pelo beneficiário dos rendimentos. É exatamente por este motivo que a exigência do imposto de renda, na espécie, não pode ser analisada sob o enfoque das isenções. O que se deve ter em mente é a hipótese de não incidência do imposto, visto que as indenizações apenas recompõem o patrimônio, em nada o acrescem. Deve ser observado que, se fosse possível a exigência do imposto sobre os rendimentos decorrentes de desapropriações, inegavelmente ocorreria uma redução indevida no valor indenizado, igualmente desvirtuando o princípio constitucional da justa indenização. Essa matéria já possui entendimento sumulado no CARF: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação (Súmula CARF Nº 42). Assim, entendo não ser cabível a exigência do imposto de renda sobre a os rendimentos em decorrência de desapropriações, seja pela sua natureza eminentemente indenizatória, seja porque o tributo iria desfalcar o preço, desvirtuando o princípio constitucional da justa indenização em dinheiro. Compreendo a indignação expressa no Termo de Verificação Fiscal, pela autoridade autuante, e que gozou da empatia da autoridade de primeira instância. Reconheço que é de causar estranheza que um imóvel recentemente adquirido e sobre o qual não se quitou completamente o pagamento, possa ter parte deste desapropriado, por um valor significativamente superior, num período imediatamente posterior. Inobstante o ganho extraordinário evidente do recorrente, o fato concreto é que a luz da jurisprudência administrativa e judicial, o eventual ganho de capital em desapropriações não são fatos geradores tributáveis. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11131.721131/2012-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO ANTERIOR. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO. MOTIVAÇÃO EXPLÍCITA E JUSTIFICADA.
As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Não pode o fisco, no caso, afastar a classificação adotada em procedimento anterior sem motivação explícita e justificada.
CONTROLE ADUANEIRO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. NÃO ATENDIMENTO DE NORMA ESPECÍFICA.
O Anexo Único do ADE Coana no 22/2005 dispõe sobre a descrição de fios e tecidos classificados nos capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Ausentes as informações constantes do Anexo Único do ADE, caracterizada estaria a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias (recolhimento a menor ou a maior de tributo).
DECLARAÇÃO. FALSIDADE. INCORREÇÃO. DIFERENÇAS.
Toda declaração falsa é incorreta, mas nem toda declaração incorreta é falsa. A incorreção é simplesmente derivada de falta de conhecimento, ou ainda de erro/omissão. A falsidade, por sua vez, pressupõe o dolo, e o conhecimento da informação correta que deveria ser prestada. Daí ser primordial na diferenciação entre a falsidade e a incorreção a configuração do fato de o interveniente (no caso, o importador) saber qual a informação correta e ainda assim prestar informação de teor diverso.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma detalhada na tabela incluída no final do voto. Sustentou pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, RG no 2.198.236-IFP/RJ.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO ANTERIOR. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO. MOTIVAÇÃO EXPLÍCITA E JUSTIFICADA. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Não pode o fisco, no caso, afastar a classificação adotada em procedimento anterior sem motivação explícita e justificada. CONTROLE ADUANEIRO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. NÃO ATENDIMENTO DE NORMA ESPECÍFICA. O Anexo Único do ADE Coana no 22/2005 dispõe sobre a descrição de fios e tecidos classificados nos capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Ausentes as informações constantes do Anexo Único do ADE, caracterizada estaria a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias (recolhimento a menor ou a maior de tributo). DECLARAÇÃO. FALSIDADE. INCORREÇÃO. DIFERENÇAS. Toda declaração falsa é incorreta, mas nem toda declaração incorreta é falsa. A incorreção é simplesmente derivada de falta de conhecimento, ou ainda de erro/omissão. A falsidade, por sua vez, pressupõe o dolo, e o conhecimento da informação correta que deveria ser prestada. Daí ser primordial na diferenciação entre a falsidade e a incorreção a configuração do fato de o interveniente (no caso, o importador) saber qual a informação correta e ainda assim prestar informação de teor diverso. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma detalhada na tabela incluída no final do voto. Sustentou pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, RG no 2.198.236-IFP/RJ. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 8.472 1 8.471 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.721131/201205 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.127 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria AIADUANA Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TECIDOS E CONFECÇÕES SÃO FRANCISCO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO ANTERIOR. PRESUNÇÃO. AFASTAMENTO. MOTIVAÇÃO EXPLÍCITA E JUSTIFICADA. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Não pode o fisco, no caso, afastar a classificação adotada em procedimento anterior sem motivação explícita e justificada. CONTROLE ADUANEIRO. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA MERCADORIA. NÃO ATENDIMENTO DE NORMA ESPECÍFICA. O Anexo Único do ADE Coana no 22/2005 dispõe sobre a descrição de fios e tecidos classificados nos capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Ausentes as informações constantes do Anexo Único do ADE, caracterizada estaria a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias (recolhimento a menor ou a maior de tributo). DECLARAÇÃO. FALSIDADE. INCORREÇÃO. DIFERENÇAS. Toda declaração falsa é incorreta, mas nem toda declaração incorreta é falsa. A incorreção é simplesmente derivada de falta de conhecimento, ou ainda de erro/omissão. A falsidade, por sua vez, pressupõe o dolo, e o conhecimento da informação correta que deveria ser prestada. Daí ser primordial na diferenciação entre a falsidade e a incorreção a configuração do fato de o interveniente (no caso, o importador) saber qual a informação correta e ainda assim prestar informação de teor diverso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 11 31 /2 01 2- 05 Fl. 8472DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, na forma detalhada na tabela incluída no final do voto. Sustentou pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, RG no 2.198.236IFP/RJ. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 25/10/2012 (fls. 8159 a 8252, com ciência pessoal em 08/11/2012 fl.81601), para exigência de Imposto de Importação (em função de apuração de valor aduaneiro superior ao declarado nas DI de fls. 8161 a 8164) acrescido de multa de 150% e juros de mora, de multa por falta de licença de importação e de multa por classificação fiscal incorreta (em função de descrição incompleta e classificação incorreta na NCM 5211.32.00, de licenciamento dispensado, quando o correto seria na NCM 5211.42.90, sujeita a licenciamento nãoautomático, em relação às DI no 09/16302550/001 e no 10/01010185/001), de multa por omissão ou informação inexata ou incompleta (nas DI de fls. 8166 a 8171), e de multa substitutiva de perdimento (pela utilização de faturas comerciais falsas em importações). São ainda exigidas a contribuição para o PIS/PASEPimportação e a COFINSimportação decorrentes, em auto de infração lavrado e cientificado na mesma data (fls. 8211/8212 e 8231/8232), também com multa de 150% e juros de mora. O total da primeira autuação é de R$ 23.114.480,56, sendo R$ 22.807.354,44 referentes à multa substitutiva de perdimento. Nas outras duas autuações, os totais são, respectivamente de R$ 13.267,81 e R$ 61.117,00. No Relatório Final de Procedimento Fiscal de fls. 8085 a 8158, narrase basicamente que: (a) a fiscalização se fundamenta em documentos e informações obtidas da empresa fiscalizada, em sistemas informatizados da RFB e em pesquisas na web; (b) o foco da 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 8473DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.473 3 fiscalização era nas importações efetuadas nas NCM 5210.19.10, 5211.32.00, 5512.19.00, 5513.2390, 6005.34.00, 6006.31.00, 6006.32.00, e 6006.34.00, registradas de 31/07/2007 a 31/12/2010; (c) após intimações, restaram sem apresentação os documentos referentes à negociação das mercadorias, e catálogos/informações técnicas sobre os produtos importados, livros de apuração de IPI e Registro de Apuração e controle de estoque; (d) a empresa tem capital social integralizado de R$ 150.000,00 (sendo os sócios Orlando Tadeu Bastos Fonseca/99% e Izabella Fonseca/1%); (e) a empresa registrou, entre 2007 e 2010, 340 importações (e nenhuma exportação), sendo 212 nas classificações acima relacionadas, totalizando US$ 16.528.237,06, sendo 62% das operações selecionadas para o trabalho fiscal; (f) apesar de registrar receita bruta de aproximadamente 102 milhões de reais (correspondendo as importações a aproximadamente 40% das receitas declaradas), a empresa não informou a entrada de mercadorias do mercado externo nas DIRPJ dos anoscalendários de 2007 a 2009; (g) a descrição incompleta ficou caracterizada nas DI no 09/04675402/001 e no 09/0467544 55/001 (nas quais não consta o tipo de beneficiamento do tecido: cru, branqueado, tinto, estampado, de fios de diversas cores ou outros, sendo que tal descrição é indispensável para a classificação fiscal nas diversas subposições da posição 5211 da NCM, e exigida expressamente no Anexo único do ADE Coana no 02/2005) e nas DI no 09/16302550/001 e no 10/01010185/001 (para as quais, além da questão referente à incompletude nas informações, o erro de classificação ensejou necessidade de licença de importação); (h) a falsidade das faturas comerciais instrutivas “evidenciouse em razão da divergência entre informações delas constantes em relação a outros documentos” (escrituração fiscal digitalEFD, faturas proforma, contratos de câmbio e swifts, entre outros), e pela apresentação à fiscalização de duas vias de fatura (invoice) de mesma numeração; (i) intimada a se manifestar sobre as divergências, a empresa não as justifica nem apresenta documentação que comprove as transações; (j) a inidoneidade das faturas estendese aos conhecimentos de transporte apresentados para instrução das DI; (k) o subfaturamento se comprovou por pagamentos informados pela empresa em valores superiores aos constantes nas faturas; (l) em relação ao exportador panamenho “SHELMOR TEXTILES” (intermediário constante nas importações de tecidos fabricados pela “ZHEJANG HENGXIN TEXTILES”), as 103 importações (quase todas originárias e provenientes da China) foram instruídas com faturas comerciais falsas (nas quais o mesmo signatário, por exemplo, assina de forma diferente); (m) o detalhamento das falsidades encontradas, de forma individualizada/agrupada, por faturas consta às fls. 8096 a 8121), mas pode ser sintetizado da seguinte forma: as faturas recorrentemente eram de valores e com descrições diferentes dos fornecidos para fins de licenciamento, e das faturas “proforma”, e não conferiam com os pagamentos efetuados, além de existirem diferentes assinaturas por um mesmo signatário; (n) nas importações efetuadas de outros fornecedores estrangeiros,os preços praticados eram inferiores aos das outras importadoras do mesmo fornecedor, e as faturas de diferentes empresas apresentam mesma forma de composição numérica, também existindo assinaturas diferentes para um mesmo signatário, conforme detalhamentos individualizados/agrupados de fls. 8122 a 8151; (o) sendo aplicável o perdimento, na impossibilidade de apreensão das mercadorias (verificada a partir de resposta da empresa sobre a destinação dada às mercadorias) aplicase multa substitutiva no valor aduaneiro das mercadorias; (p) no cálculo dos tributos e penalidades, foi considerado o valor aduaneiro declarado ou apurado nos termos dos arts. 75 e 77 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (demonstrativos de fls. 7956 a 7967163 DI; e 7968 a 7980135 DI com falsidade na fatura); e (q) foi efetuada representação fiscal para fins penais pelo cometimento, em tese, dos crimes previstos nos arts. 298 e/ou 299 do Código Penal e no inciso I do art. 1o da Lei no 8.1371990. A empresa apresenta impugnação à autuação em 10/12/2012 (fls. 8259 a 8309), alegando, em síntese, que: (a) não há prova de subfaturamento nos autos, nem provas Fl. 8474DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 de remessas ilegais ou em valores superiores aos contratados com o exportador estrangeiro; (b) a grande maioria das variações apontadas se refere a descontos comerciais negociados com o exportador, em função das substanciais variações cambiais no período; (c) no demonstrativo de valor apurado, há indicação de “subfaturamentos em valores irrisórios” (v.g. subfaturamento de R$ 748,26 em uma importação com valor aduaneiro de R$ 145.007,60, e de R$ 1,35 em uma DI com valor aduaneiro de R$ 1.846,07, num total subfaturado de 0,4% (R$ 2.482,40 em R$ 550.961,67) em 16 DI apontadas, sendo “inimaginável que a impugnante tivesse o dolo para praticar a fraude, em valor tão ínfimo, como relatado pela fiscalização”; (d) o fato de haver divergências entre a fatura comercial e a fatura proforma não comprova a existência de subfaturamento (v.g. as diferenças em relação à DI no 08/00925186, que se deveram a fechamento do negócio em quantidade menor que a prevista na “proforma”); (e) a autoridade fiscal adotou procedimentos diferentes para casos idênticos, na análise dos documentos apresentados, às vezes considerando e às vezes desconsiderando anotações manuscritas em faturas (v.g. análise das DI no 08/18032485 e DI no 08/00925186); (f) há equívoco no demonstrativo de valor aduaneiro apurado em relação à DI no 09/13444825 (que, em verdade, está tratando da DI no 09/13974972; (g) a autoridade aduaneira desconhece a realidade das transações comerciais de tecidos, onde é usual o pagamento antecipado, assim como divergências em relação às importações efetivadas, sendo em um mesmo contrato de câmbio normalmente vinculadas mais de uma importação (na prática, o que se vê é um conta corrente entre importador e exportador, havendo um acerto de contas em negociações futuras, o que não é ilegal nem fere as normas do BACEN); (h) a simples diferença entre os valores constantes no contrato de câmbio e na fatura não devem ser base exclusiva para a alegação de subfaturamento; (i) a autuação com base em meros indícios/presunções fere a verdade material; (j) é inimaginável que um importador, agindo com dolo, venha apresentar à fiscalização todos os elementos de sua prática ilícita; (k) em relação às DI no 09/1630255 0/001 e no 10/01010185/001 (para as quais, além da questão referente à incompletude nas informações, o erro de classificação ensejou necessidade de licença de importação), entre outras, a classificação fiscal não foi incorreta, não podendo ser usada a descrição na EFD (nome comercial do produto) para descaracterizar o declarado na DI (e, ainda que houvesse o erro de classificação, ele não deve ser penalizado, conforme jurisprudência do CARF); (l) em relação às “descrições incompletas”, se a fiscalização tivesse dúvidas em relação aos tecidos, deveria ter solicitado laudo técnico, não podendo em função de anotações manuscritas entender como caracterizada a falsidade nas faturas; (m) a fiscalização baseia suas conclusões sobre termos técnicos, como TACTEL, exclusivamente em sítios da internet (em oposição, v.g., a parecer técnico de engenheiro em outras importação da empresa), e eventual incompletude ou incorreção não traria vantagem tributária alguma, no caso; (n) a falsidade apontada em 161 faturas comerciais são das mais variadas espécies, sendo que para a grande maioria, a “falsidade” decorre de divergências entre a fatura comercial e a fatura proforma (que é mera proposta de negócio, que pode inclusive não acontecer), ou de subfaturamento (que não foi comprovado, e, mesmo que fosse, ensejaria penalidade diversa, conforme entendimento do STJ); (o) “para que se caracterize a falsidade, pressupõese a existência do elemento dolo”; (p) ao comparar os preços com os praticados por outros importadores, a fiscalização deixou de considerar as quantidades e os períodos de embarque, e, mesmo assim, caracterizou subfaturamento (e falsidade) pelo fato de os preços estarem, v.g., 4,84%, ou 0,34% abaixo dos demais praticados, o que viola a legalidade, a proporcionalidade e a razoabilidade; (q) em relação às diferentes assinaturas de um mesmo exportador, não há nos autos nenhuma prova grafotécnica, não tendo o fiscal condições técnicas de concluir sobre o tema, e a empresa já solicitou ao exportador que indique quem assinou cada fatura, o que seria encaminhado pela empresa ao julgador, futuramente; (r) ainda que houvesse falsidade ideológica, seria inaplicável a pena de perdimento, por contrariar o princípio da vedação ao confisco; e (s) não há fundamentação nos autos para o agravamento da multa (levada ao patamar de 150%), e o intuito de fraude deve ser comprovado, não podendo ser imputado por presunção. Fl. 8475DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.474 5 A decisão de primeira instância é proferida em 23/05/2013 (fls. 8339 a 8391), no sentido de que: (a) a qualificação da multa (150%) deve ser mantida, por restar comprovada a fraude (art. 72 da Lei no 4.502/1964), tendo a empresa exercido seu direito de defesa sobre a matéria; (b) houve pagamentos efetuados em valores superiores aos declarados nas faturas comerciais, caracterizando o subfaturamento, não podendo ser aceita a alegação de descontos ou problemas cambiais, visto que desamparada de documentos comprobatórios idôneos; (c) houve, assim, subfaturamento em todas as DI apontadas no subitem 4.2.1.1. do Relatório Fiscal, exceto a DI no 09/00830403, na qual houve somente “inidoneidade da fatura”, igualmente punível com o perdimento; (d) na DI no 09/13444825 não houve subfaturamento, somente falsidade, devendo em relação a ela ser exonerada a exigência de tributos; (e) a fiscalização provou o alegado, não havendo sido o auto lavrado por indícios ou presunções, nem violada a verdade material, visto que as negociações entre importador e exportador devem ser consignadas documentalmente; (f) houve incorreção na classificação adotada nas DI no 09/16302550/001 e no 10/01010185/001 (tendo a empresa sido anteriormente sido autuada pelo mesmo motivo); (g) em relação à incompletude nas informações, agiu com acerto a fiscalização, e a empresa, mesmo intimada, não apresentou qualquer informação adicional, e as informações retiradas da internet pelo fisco (em relação a TACTEL) são corroboradas por órgão oficial da ABIT; (h) não é preciso ser “expert” para constatar com segurança que as assinaturas (v.g. as das faturas 61 e 74) são diferentes; e (i) a multa substitutiva do perdimento tem previsão legal, não podendo ser afastada pelo julgador administrativo sob fundamento de inconstitucionalidade. Cientificada da decisão de piso em 20/06/2013 (AR à fl. 8411), a recorrente apresenta em 19/07/2013 (fls. 8412 a 8468) Recurso Voluntário, no qual basicamente reitera as argumentações externadas em sede de impugnação, acrescentando que houve descumprimento das regras de valoração aduaneira estabelecidas pelo AVA/GATT, e que o julgador de piso praticamente desconsiderou as razões expressas na impugnação, e limitouse a repetir as alegações constantes do Auto de Infração. Junta ainda carta do fornecedor “SHELMOR TEXTILES” (com tradução juramentada) na qual este confirma que todas as assinaturas apostas nas faturas são realmente suas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. São temas controversos no presente processo: (a) a incorreção em classificação fiscal, ensejadora de ausência de LI para a classificação correta (em 2 Declarações de ImportaçãoDI); (b) a incompletude/inexatidão de informações prestadas em declarações de importação; e (c) a existência de falsidade em faturas comerciais, ensejadora da pena de perdimento, substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (com falsidade que não afeta o valor aduaneiro, e, em alguns casos, com subfaturamento ou ajuste do valor aduaneiro). A exigência de tributos nos presentes autos não é autônoma, mas decorrente Fl. 8476DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 de importações com subfaturamento ou ajuste do valor aduaneiro. O resumo das infrações imputadas nas 162 DI objeto da autuação se encontra às fls. 7947 a 79552. 1. Da classificação fiscal (e seu impacto no licenciamento) As duas DI objeto da autuação por erro de classificação são as DI no 09/16302550 (adição 001) e no 10/01010185 (adição 001). Na autuação (itens 002 e 003 fls. 8164/8165), afirmase que as mercadorias em tais DI foram descritas de forma incompleta e classificadas incorretamente no código NCM 5211.32.00, em desconformidade com as regras do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), quando o correto seria o código 5211.42.90 (que exige tratamento administrativo de licenciamento nãoautomático), conforme RGI/SH no 1 e no 4 e RGC no 1. E que a classificação incorreta deu ensejo à importação de mercadoria sem o devido licenciamento por parte da SECEX, sendo cabíveis, assim, as multas por erro de classificação (art. 84, I da Medida Provisória no 2.15835/2001) e por ausência de licença de importação (art. 169, I “b” do DecretoLei no 37/1966). No Relatório Final de Procedimento Fiscal (fls. 8088 a 8091), a fiscalização aponta casos anteriores de incorreção na classificação, retificados no curso do despacho aduaneiro, com pagamento de multas (DI no 09/15021093/001; no 09/17631140/001; no 09/14855462/001002; no 08/13469257/001002 e no 08/14107650). Em relação às duas DI objeto da autuação, ambas tratam de mercadoria descrita como “tecidos plano misto, composto por 81% algodão, 18% poliéster e 1% elastano em ponto de sarja com relação de textura de 03 fios, título: urdume 606 dtex e trama: 258dtex” (NCM 5211.32.00). A descrição é incompleta, por não discriminar o beneficiamento dos tecidos. A fiscalização narra ainda que nos registros de entrada da escrituração fiscal digital (EFD), tais tecidos importados são identificados como “INDIGO LYCRA 198A BLUE”. Com base em tal identificação, e em pesquisa em sítio web (www.casapinto.com.br), a fiscalização conclui que o tecido corresponde ao denominado tecido “denim”, utilizado para vestuários popularmente designados por “jeans”. E, a partir da conclusão, aplica as RGI/SH no 1 e no 4. “RGI/SH no 1: Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (...) RGI/SH no 4: As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes.” (grifo nosso) Não há controvérsia em relação à RGI/SH no 1, visto que a classificação declarada pela empresa também é na posição 5211. E, sabendose a posição, partese para a RGI/SH no 6: 2 A tabela de fls. 7947 a 7955 contém 301 linhas porque traz as infrações agrupadas por adição, e não por DI. Fl. 8477DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.475 7 “RGI/SH no 6: A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.” (grifo nosso) O texto da subposição declarada pela empresa (5211.32) dispõe: “tecidos de algodão contendo menos de 85%, em peso, de algodão, combinados, principal ou unicamente, com fibras sintéticas ou artificiais, com peso superior a 200g/m2. Tintos. Em ponto sarjado, incluído o diagonal, cuja relação de textura não seja superior a 4”. E texto da subposição que a fiscalização considera correta dispõe, de forma diversa (5211.42): “tecidos denominados denim”. Parece, assim, que a fiscalização tomou como correta a informação da nota de entrada (EFD), chegando à conclusão de que “ÍNDIGO BLUE” é semelhante a “denim”, e que por semelhança (RGI/SH no 4), a mercadoria seria classificada na subposição 5211.42. E seguiu aplicando a RGC no 1, do MERCOSUL: “RGC no 1: A As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível”. (grifo nosso) Com base nesse comando (e no Ato Declaratório Executivo Coana no 22/2005, que trata das informações necessárias para descrição completa de têxteis) chegou o fisco à classificação entendida como correta: 5211.42.90. Vêse que o raciocínio empreendido pelo fisco encontra obstáculos exatamente no ponto em que toma como correta a informação da EFD, ao invés da registrada na DI, sem motivação específica (afinal de contas, qualquer uma das duas poderia ser a incorreta). Nas palavras do fisco (fl. 8091): “Em razão da fidedignidade de que deve ser revestida a EFD que registra a movimentação das mercadorias (codificação atribuída pela empresa) estoque e vendas, configurase a efetividade da descrição das mercadorias constante da EFD” Crêse, contudo, que a principal motivação para que a fiscalização duvidasse da correção da descrição da mercadoria na DI (acreditando na EFD) é a externada ao final do tópico referente a classificação fiscal (item 4.1.2 do Relatório Fiscal, p. 8092/8093): “Ressaltamos que, conforme especificado no item 4, alínea “b”, no curso do despacho aduaneiro da DI no 09/17631140 (fls. 4.849/50) foi constatado que a mercadoria originalmente descrita identicamente a essas duas DI, também classificada pelo importador no código tarifário da NCM 5211.32.00, na verdade era tecido plano denim com fios de trama sem tingimento (crus) e fios de urdume tintos em índigo blue (c.i. 73000), classificados no código tarifário da NCM 5211.42.10”. (grifos no original) Fl. 8478DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 A motivação se mostra razoável, principalmente diante do comando do art. 68 da Lei no 10.833/2003: “Art. 68. As mercadorias descritas de forma semelhante em diferentes declarações aduaneiras do mesmo contribuinte, salvo prova em contrário, são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput, a identificação das mercadorias poderá ser realizada no curso do despacho aduaneiro ou em outro momento, com base em informações coligidas em documentos, obtidos inclusive junto a clientes ou a fornecedores, ou no processo produtivo em que tenham sido ou venham a ser utilizadas. (grifo nosso) Poderia então o fisco presumir que a mercadoria era idêntica à da DI no 09/17631140, classificandoa na NCM 5211.42.10, passando a ser ônus do importador apresentar prova em contrário. Mas não o fez, entendendo ser correta uma terceira classificação, sem motivação explícita e justificada: 5211.42.90. Entendese, assim, não haver fundamento técnico para a classificação adotada pelo fisco na autuação em relação às DI no 09/16302550 (adição 001) e no 10/01010185 (adição 001), pelo que deve ser afastado o lançamento das multas por erro de classificação e, por decorrência, das multas relativas a ausência de licenciamento, decorrentes da reclassificação. É de se destacar, por fim, em relação a classificação fiscal, que embora se esteja afastando aqui o lançamento para as citadas DI, estáse longe de concordar com as afirmações da recorrente de que “o fisco só pode dar nova classificação de mercadoria importada se houver laudo técnico que embase a reclassificação pretendida” (fl. 8440), e que “a correta descrição da mercadoria na DI não enseja penalidade” (fl. 8441). A primeira afirmativa é absolutamente improcedente, não sendo a existência de laudo técnico uma condição necessária para reclassificação (prova disso é o próprio comando do citado art. 68 da Lei no 10.833/2003). E a segunda reflete entendimento em relação a legislação já revogada, como se depreende da jurisprudência trazida no recurso voluntário. 2. Das incorreções nas informações prestadas na declaração de importação Outra imputação da autuação é a de que houve incompletude ou incorreção na descrição declarada das mercadorias, em relação às DI relacionadas às fls. 8166 a 8171, nas quais estão também incluídas as duas DI descritas no item 1 deste voto, referente a classificação fiscal: no 09/16302550 e no 10/01010185. A multa aplicada para tal conduta é a prevista no art. 69 da Lei no 10.833/2003: “Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que Fl. 8479DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.476 9 omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: (...) III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque.” (grifo nosso) E a multa referida no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835/2001 dispõe: “Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis.” (grifo nosso) No Relatório Final de Procedimento Fiscal são detalhadas as incompletudes/incorreções. Em relação às DI no 09/04675402, no 09/04675445, no 09/16302550 e no 10/01010185, referidas no item 4.1 do Relatório (fls. 8092/8093), a conduta imputada é a de incompletude, em função do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo (ADE) Coana no 22, de 23/09/2005, que dispõe sobre a descrição de fios e tecidos classificados nos capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Tal ADE estabelece, em seus arts. 1o e 2o: “Art. 1o A descrição completa de fios e tecidos, importados ou exportados, classificados nos Capítulos 50 a 60 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), compreende a informação das características relacionadas no Anexo Único a este Ato Declaratório. Parágrafo único. A descrição da mercadoria aplicase ao item, dentro de cada adição da declaração de importação ou de exportação. Fl. 8480DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 Art. 2o Considerase incompleta a descrição da mercadoria que não atender ao disposto no art. 1o, caracterizando a infração prevista no § 1o combinado com o inciso III do § 2o, ambos do art. 69 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica no caso de falsa declaração de conteúdo.” Assim, ausentes as informações constantes do Anexo Único do ADE, caracterizada estaria a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias (recolhimento a menor ou a maior de tributo). Não se está aqui a discutir matéria tributária, mas controles aduaneiros (que vão muito além do aspecto tributário). Vejase que a multa é por “omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado”. Assim, já de início é de se afastar a argumentação da recorrente de que não teve vantagem tributária alguma, ou ocasionou dano ao Erário com as incompletudes. A recorrente, ao invés de questionar o teor do ADE, ou informar que de fato cumpriu suas disposições, alega que “a grande maioria das ditas incompletude ou incorreção (sic) está relacionada por identificação, pela fiscalização, de anotações manuscritas nas Notas Fiscais de Entradas”(fl. 8442), passando a discutir a terminologia “TACTEL”, entre outras, e novamente afirmando que “para a desclassificação de tais descrições seria necessária a apresentação de um laudo técnico” (fl. 8443). A peça recursal não refuta a contento a imputação em relação às quatro DI citadas no item 4.1 do Relatório (DI no 09/04675402, no 09/04675445, no 09/16302550 e no 10/01010185), que tratam de incompletude em face do ADE, devendo em relação a elas ser mantido o lançamento da multa por prestação incompleta de informações. E o afastamento do erro de classificação, efetuado no item 1 deste voto, em relação às DI no 09/16302550 e no 10/01010185, não prejudica a manutenção da multa por prestação incompleta de informações, infração de teor diverso, e perfeitamente tipificada, no caso. Falta, no entanto, analisar as DI/adições restantes. E nelas brota a confusão efetuada pelo fisco entre a incorreção/inexatidão e a falsidade. Afirma a fiscalização já no início do item 4.2 do Relatório que “a divergência entre a descrição do tecido importado contida na EFD e na invoice instrutiva da DI configura além da descrição incorreta, a falsidade ideológica da invoice instrutiva” (fl. 8093). Sobre a falsidade se tratará no item seguinte deste voto (3), mas desde já se deve esclarecer que diante de falsidade na descrição da mercadoria, não há que se apenar a conduta de inexatidão/incompletude (como sugere o próprio parágrafo único do art. 2o do citado ADE). Assim, nas DI em que se aplicam as duas penalidades, só deve ser mantida a multa por prestação incompleta/inexata de informações se afastada a falsidade na descrição. Toda declaração falsa é incorreta, mas nem toda declaração incorreta é falsa. A incorreção é simplesmente derivada de falta de conhecimento, ou ainda de erro/omissão. A falsidade, por sua vez, pressupõe o dolo, e o conhecimento da informação correta que deveria ser prestada. Daí ser primordial na diferenciação entre a falsidade e a incorreção a configuração do fato de o interveniente (no caso, o importador) saber qual a informação correta e ainda assim prestar informação de teor diverso. Fl. 8481DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.477 11 Pelo quadro de fls. 7947 a 7955 (“Demonstrativo de Infrações”), percebese, em relação às DI/adições restantes, nas quais se constatou “incompletude ou inexatidão da descrição detalhada da mercadoria”, que na maioria dos casos se detectou ainda “falsidade da invoice instrutiva”, ou ainda “falsidade da invoice instrutiva e subfaturamento do valor declarado das mercadorias”. Assim, as demais DI/adições serão analisadas dentro dos itens seguintes, quer seja a conduta evidenciada afeta a falsidade ou a incorreção. 3. Da falsidades (e incorreções) apontadas pelo fisco Cabem considerações, logo de início, sobre alguns excertos da autuação que revelam uma compreensão equivocada do que seja revelador de “falsidade”. Ao iniciar o tópico “Da falsidade das faturas comerciais instrutivas” do relatório fiscal (fl. 8093), afirmase que: “A falsidade das commercial invoices / faturas comerciais evidenciouse em razão da divergência entre informações delas constantes em relação a outros documentos, Escrituração Fiscal Digital – EFD, faturas proformas, contratos de câmbio / swifts e outros elementos explicitados no caso concreto” E seguese apontando jurisprudência deste CARF sobre falsidade ideológica, que sequer trata de divergência entre EFD e fatura, ou da relação entre as divergências e a falsidade. A confusão persiste quando se entende como indicador de falsidade a divergência com a fatura proforma (que sequer representa documento instrutivo, ou representativo da integridade/definitividade da transação). Totalmente infundada, assim, a conclusão do fisco retirada de trecho de frase de resposta da empresa autuada (fl. 8094), no sentido de que: “...as proformas invoices comprovariam as negociações feitas. Divergências entre essas e as invoices revelam a inidoneidade desses documentos (sic)”. Por óbvio, nem a declaração da empresa nem excerto de explicação do sítio dos correios (trazido na autuação) tornam a fatura proforma um documento comprobatório de transações, e oponível à fatura para reconhecêla falsa. Tais considerações revelam a dificuldade da fiscalização em discernir a “falsidade” da “incompletude ou inexatidão”. Erra ainda o fisco ao afirmar (fl. 8093) que: A falsidade ideológica de invoice instrutiva de DI evidenciase também pela apresentação a esta fiscalização de duas vias da invoice de mesma numeração da invoice instrutiva da DI e da divergência entre a descrição do tecido importado e outras informações constantes de proforma invoice e invoice instrutivas de DI. Fl. 8482DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 Havendo duas faturas comerciais de diferentes teores para uma mesma importação, estáse diante de falsidade material. E a divergência entre a fatura e outras informações não a torna necessariamente falsa (ou verdadeiras tais “outras informações”). Se, por um lado, peca o fisco ao tecer considerações gerais sobre a falsidade, é de se salientar que no tratamento específico há condutas graves imputadas na autuação, a exemplo da já citada existência de duas faturas para uma mesma operação. 4. Da análise individualizada/ agrupada das Declarações de Importação SHELMOR TEXTILES Passase assim a analisar as demais declarações de importação (DI) que foram especificamente objeto da autuação, iniciando pelas importações efetuadas do fornecedor estrangeiro SHELMOR TEXTILES (item 4.2.1 do Relatório Fiscal fls. 8095 a 8121). O fisco, em relação às DI citadas no item 4.2.1.1 do Relatório Fiscal (DI no 08/13469230, no 08/13469249, no 08/15670871; no 08/15743658; no 08/16514156; no 08/16520873; no 08/16528815; no 08/16603361; no 08/16703978; no 08/17013789; no 08/17428679; no 08/17428687; no 08/17687534; no 08/18027287; no 08/18028461; no 08/18032485; no 08/20144414 e no 09/00830403 fls. 8096 a 8103), detecta haver divergência entre os valores constantes nas faturas comerciais e aqueles remetidos ao exterior. A empresa justifica as diferenças por meio de planilha que teria créditos decorrentes de pagamentos realizados a maior em tais importações, e utilizados para pagamento das mercadorias importadas por meio da DI no 09/00830403, em decorrência da crise cambial de 2008. A planilha não é aceita pelo fisco, por estarem seus dados em contradição com as informações prestadas à SECEX, para efeitos de licenciamento, e à RFB nas declarações de importação (sendo os pagamentos a maior efetuados depois da emissão das faturas e do embarque das mercadorias, quando o valor final das mercadorias já era conhecido). A DRJ mantém a autuação em relação a tais declarações, expressando que “não é plausível que, em uma negociação internacional, somente uma parte, em controle próprio, faça o acompanhamento dos descontos”, o que é refutado pela recorrente ao argumento de que “tanto não o é (plausível) que todas as negociações e descontos realizados nas operações foram previamente acordados entre a ora peticionante e seus fornecedores”. E a prova de que foram acordados seria o fato de que na DI no 09/00830403 (valor de US$ 92.120,00) foram efetuados apenas dois pagamentos, nos valores de US$ 9.285,08 e US$ 50.355,50). A seguir são detalhadas 17 destas 18 declarações de importação. Não foi encontrado no Relatório Fiscal o detalhamento específico da imputação em relação à DI no 08/16520873 (que, segundo a autuação e a planilha de fls. 7947 a 7955 seria “falsidade da invoice instrutiva”). Afastase, assim, de plano, a penalidade aplicada em tal DI, por ausência de especificação da motivação do lançamento. (A) DI no 08/13469230, no 08/13469249, no 08/15670871 e DI no 09/00830403 Para as três primeiras DI (no 08/13469230/adições 001 e 002; no 08/13469249/adições 001 e 002; e no 08/15670871/adições 001 e 002) a conduta imputada é Fl. 8483DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.478 13 de “falsidade na invoice instrutiva” e “subfaturamento do valor declarado da mercadoria”. Como afirmamos de início, consideramos insuficiente para caracterização da falsidade a divergência entre a fatura e a proforma. Para as três DI em análise a fiscalização informa ainda (fl. 8097/8098) que havia divergência entre os dados informados para obtenção de licença de importação e aqueles prestados ao fisco, o que constituiria tentativa de importação de mercadoria com burla aos controle administrativos, mas que após a obtenção de licenças de importação substitutivas as importações foram, ao final, autorizadas exatamente para as mercadorias descritas nas faturas comerciais. Não houve, assim, fuga ao controle administrativo (tendo existido, no máximo, a obtenção de licença de importação após o embarque, objeto de multa específica, que parece ter sido aplicada antes do desembaraço da mercadoria, pelo que depreende do segundo item do quinto parágrafo da fl. 8091). Resta, de irregularidade, somente a remessa em valor diferente do constante na fatura, que a empresa justifica como desconto em função da crise cambial. Contudo, a justificativa não encontra amparo documental, e, mesmo que encontrasse, tal “ajuste” de valor não poderia simplesmente ser efetuado em controle paralelo, mas sim no corpo das próprias declarações de importação, na forma prevista no Acordo de Valoração Aduaneira do GATT (AVAGATT). Para tais DI, da mesma forma pela qual se conclui inevitavelmente que errou o importador (existindo ou não de fato o referido desconto), não se consegue, com os elementos trazidos pelo fisco, chegar à conclusão de que as faturas eram “falsas”, tendo o importador ali inserido os dados com convicção de que não refletiam a operação efetivamente concretizada, de modo a ensejar a aplicação da pena de perdimento com base no inciso VI do art. 105 do DecretoLei no 37/1966. Não se configura, assim, nem falsidade nem subfaturamento. Com os elementos colacionados, chegase, no máximo, à conclusão de que as informações eram incorretas/inexatas, cabendo a exigência das diferenças de tributos em relação aos valores corretos (além de encargos/multas cabíveis), a serem obtidos também de acordo com as regras pactuadas pelo Brasil no âmbito do GATT (visto que não se evidencia, no caso, fraude, sonegação ou conluio, elementos que permitiriam a aplicação do disposto no caput do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835). Ao final do Relatório Fiscal (fl. 8156), informase que “no cálculo dos tributos e penalidades foi considerado o valor aduaneiro declarado ou apurado apresentado nos Demonstrativos de Valor Aduaneiro Declarado e Apurado (fls. 7956/85), nos termos do disposto nos artigos 75 e 77 do Regulamento Aduaneiro/2009)”. Utilizouse, então, a fiscalização, das disposições do GATT, a princípio. Em relação às três declarações de importação que aqui se analisa, extraemse do referido demonstrativo (fl. 7982) os seguintes montantes em relação ao valor da mercadoria na condição de venda (VMCV) declarado e apurado (constituindo a diferença entre eles os montantes efetivamente remetidos e vinculados às importações “Pag. a maior”), e, por consequência, após as deduções e acréscimos (que não são objeto de contencioso) o valor aduaneiro (VAbase de cálculo do imposto de importação) declarado e apurado: DI Adição VMCV declarado (US$) Pag. a maior (US$) VMCV apurado (US$) VA declarado (R$) VA apurado (R$) 001 53.835,00 1.801,49 55.636,49 94.280,27 97.201,43 08/13469230 002 13.590,00 453,51 14.043,51 23.735,58 24.470,35 001 14.213,00 469,43 14683,06 24.824,78 25.586,24 Fl. 8484DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 08/13469249 002 53.234,08 1.762,86 54996,94 93.227,90 96.085,54 001 51.985,00 3.638,08 55.623,08 108.119,08 115.109,32 08/15670871 002 13.140,00 916,92 14.056,92 27.250,28 29.011,45 Assim, percebe que o fisco não foge às disposições do Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, porque, utilizandose do primeiro método de valoração aduaneira, objetiva chegar ao valor de transação, ou seja, o efetivamente pago/a pagar pela mercadoria (não havendo nenhuma documentação que ampare valores divergentes de remessa cambial). Os documentos referentes às três declarações de importação encontramse, respectivamente, às fls. 2249/2266, 2267/2286 e 2287/2314. A DI no 08/13469230, registrada em 29/08/2008, e desembaraçada em canal verde em 01/09/2008, foi instruída com a fatura comercial no 130 (fl. 2255, datada de 01/03/2008, indicando pagamento antecipado de US$ 10.914,71, e à vista de US$ 56.510,29), e teve remessas ao exterior no valor de US$ 58.765,29 à vista (fl. 2263, contrato em 02/07/2008) e US$ 10.914,71 antecipado (fls. 2265, contrato em 04/03/2008). Assim, foi indicada remessa a mais de US$ 2.255,00 (que, rateada entre as duas adições, resultou nos US$ 1.801,49 e nos US$ 453,51 constantes da tabela retromencionada). O mesmo fenômeno ocorre na DI no 08/13469249 (canal verde / fatura no 129fl. 2273 / remessa a maior de US$ 2.232,29fls. 2280/2282) e na DI no 08/15670871 (canal vermelho, com valor de frete retificado / fatura no 211fl. 2297/ remessa a maior de US$ 4.555,00). Os valores adotados pela fiscalização como base para o lançamento, assim, correspondem exatamente àqueles que a recorrente em sua planilha (rejeitada pelo fisco e pela DRJ) de fl. 2259, alega ter pago a maior e acabou “usando” na liquidação da fatura no 181, referente à DI no 09/00830403. Por isso o fisco não acusa a existência de subfaturamento em tal DI, mas somente “falsidade na invoice instrutiva” (se adotasse a mesma sistemática, o fisco concluiria que em tal declaração houve, ao revés, “superfaturamento”). Mas, como exposto anteriormente, não se visualiza, nas declarações citadas, falsidade na fatura comercial, seja material ou ideológica. Há, sim, um entendimento da fiscalização de que diante da ausência de justificativa documentada para a divergência entre o valor remetido ao exterior e o declarado na fatura, o preço efetivamente pago/a pagar seria o total remetido, o que a seu ver constituiria “subfaturamento”, cabendo a exigência de multa e das diferenças em relação aos tributos. Como já expresso, acordamos com a exigência das diferenças de tributos decorrentes da falta de recolhimento em função do preço efetivo apurado, cabendo somente o afastamento da multa por “subfaturamento”, visto não ter sido comprovada a existência de “falsidade nas faturas comerciais”. Ao verificar, então, como foram exigidas as diferenças de tributos na autuação (item 001: “falta de recolhimento” fls. a 8161 a 8164), percebese que o “valor tributável” apontado para o imposto de importação em relação às três DI citadas (fl. 8162) é o constante na tabela a seguir, à qual agregamos uma coluna, que demonstra que tais valores correspondem exatamente à diferença entre o valor aduaneiroVA declarado e o VA apurado (cf. tabela neste voto anteriormente reproduzida): DI Adição Valor tributável II Diferença entre VA declarado e VA tributado 001 2.921,16 2.921,16 08/13469230 002 734,77 734,77 Fl. 8485DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.479 15 001 761,46 761,46 08/13469249 002 2.857,64 2.857,64 001 6.990,24 6.990,24 08/15670871 002 1.761,17 1.761,17 Aplicandose a alíquota do imposto de importação prevista para as mercadorias descritas nas três DI (26%) sobre as diferenças, chegase aos montantes expressos na autuação (R$ 759,50; R$ 191,04; R$ 197,97; R$ 742,98; R$ 1.817,46; e R$ 457,90), seguindose a ordem das linhas da tabela. Assim, cabível a manutenção dos lançamentos a título de imposto de importação, estendendose ainda o raciocínio às contribuições (decorrentes) objeto do lançamento. E igualmente procedentes os valores exigidos a título de juros de mora, sendo a matéria inclusive já sumulada no âmbito do CARF (Súmula no 4). Contudo, o percentual aplicável para a multa deve ser de 75%, tendo em vista não estarem comprovadas as circunstâncias que permitem sua majoração ao patamar de 150% em relação às citadas DI. Afastase, assim, em relação às DI (no 08/13469230/adições 001 e 002; no 08/13469249/adições 001 e 002; e no 08/15670871/adições 001 e 002), a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças exigidas) e a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”). Afastase ainda a imputação de falsidade em relação à DI no 09/00830403, também por carência probatória, visto que os valores pagos (agora a maior) ali estariam vinculados ao mesmo entendimento do fisco de que basta a divergência na remessa para caracterizar a “falsidade”. (B) DI no 08/15743658 Na DI no 08/15743658 (adições 001 e 002) a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. A “falsidade” apontada é a divergência entre a descrição da mercadoria importada na fatura comercial “tecidos em malha 100% poliéster” (no 133, fl. 2320) e a descrição constante da nota fiscal de entrada apresentada ao fisco “helanca” feita a mão (fl. 2333), sendo que o tecido helanca é composto por fios de poliamida. Segundo o fisco, resta comprovada a falsidade também “pela discriminação de tecido diverso ao importado”. Novamente os dados iniciais das licenças de importação eram incompatíveis, mas acabaram, por fim, retificados e amoldados, ainda que posteriormente ao embarque (o que ocasionou a exigência de multa antes do desembaraço). Sobre este tema, sobre as divergências com a proforma, e sobre o fato de o valor remetido divergir do indicado na fatura, remetemos ao tópico anterior “(A)” deste item 4, mantendo o entendimento ali externado. Sobre a “falsidade” pelo fato de a descrição na DI ser diferente da constante na nota de entrada, esclarecese que: (1) a fatura descreve as mercadorias como “tecido em malha circular de trama contendo em peso 100% de fibra sintética de poliéster tinto, título: Fl. 8486DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 210 DETEX; peso: 130g/m2, largura 178 cm, NCM 6006.3200” e “tecido em malha circular de trama contendo em peso 100% de fibra sintética de poliéster branqueado, título: 210 DETEX; peso: 130g/m2, largura 178 cm, NCM 6006.3100”; (2) a declaração de importação correspondente foi registrada em 06/10/2008, e recebeu o canal vermelho de conferência aduaneira (portanto, com verificação efetiva das mercadorias por servidor da RFB), tendo sido desembaraçada em 09/10/2008; (3) verificandose a citada nota de entrada (fl. 2333), não encontrei nenhuma menção a “helanca”, mas sim uma descrição acordante com a da fatura comercial, o que me leva a crer que nesse aspecto houve equívoco por parte da autoridade autuante. Há duas anotações manuscritas na nota fiscal (reproduzidas abaixo), mas em nenhuma delas consigo sequer imaginar que esteja escrita a palavra “helanca”: O que parece desejar o fisco é rechaçar tanto o texto impresso na declaração de importação (que, repitase, foi objeto de verificação, inclusive tendo servidor aduaneiro competente examinando fisicamente a mercadoria) quanto o descrito na fatura comercial e na nota fiscal de entrada, considerando correto uma anotação manuscrita aposta nesta última, no qual estaria descrito que o tecido é, em verdade. “helanca”. Tal argumentação está distante de ensejar convicção por parte do julgador. Afastase, assim, em relação à DI no 08/15743658 (adições 001 e 002) a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”), e a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças exigidas, que, da mesma forma expressa no tópico anterior, devem ser mantidas em relação ao imposto de importação e às contribuições). E, afora a questão referente à suposta anotação manuscrita, não indica a fiscalização objetivamente qual a conduta de descrição incompleta/inexata, pelo que se afasta também a multa de 1% por inexatidão/incompletude em relação a tal DI. (C) DI no 08/16514156, no 08/16528815, no 08/16603361, no 08/1670397 8, no 08/17687534, no 08/18027287 e no 08/18032485 Nas DI no 08/16514156 (adição 001), no 08/16528815 (adição 001), no 08/16603361 (adições 001 e 002), no 08/16703978 (adições 001 e 002), no 08/17687534 (adições 001 e 002), no 08/18027287 (adição 001) e no 08/18032485 (adição 001) a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva” e “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” (conforme itens 4.2.1.1.c, 4.2.1.1.d, 4.2.1.1.f, 4.2.1.1.h, 4.2.1.1.i/primeira DI, e 4.2.1.1.j do Relatório Fiscal). A situação, seja no que se refere à licença de importação, às diferenças em relação à proforma, ou à remessa cambial a maior, é semelhante à analisada no tópico “(A)” do item 4 deste voto, cabendo aplicarse raciocínio idêntico ao ali desenvolvido. Destarte, afastase em relação às referidas DI a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial Fl. 8487DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.480 17 e subfaturamento”) e a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças a serem exigidas a título de imposto de importação e contribuições). (D) DI no 08/17013789; no 08/17428679, no 08/17428687 e no 08/18028461 Para as DI no 08/17013789 (adições 001 e 002), no 08/17428679 (adição 001), no 08/17428687 (adição 001) e no 08/18028461 (adição 001) a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria” (esta última somente em relação à primeira DI, cf. itens 4.2.1.1.g e 4.2.1.1.i/segunda DI, do Relatório Fiscal). A situação, no que se refere à remessa a maior, é semelhante à analisada no tópico “(A)” do item 4 deste voto, cabendo aplicarse raciocínio idêntico ao ali desenvolvido. E, no que se refere à inexatidão/incompletude em relação à primeira DI, é semelhante à descrita no tópico “(B)” do mesmo item 4, só mudando a palavra manuscrita na nota de entrada, que agora é “tactel” (estando longe o rabisco no corpo da nota, reproduzido abaixo, de comprovar que seria outra a mercadoria desembaraçada em canal vermelho, e descrita de forma igual em todos os documentos, inclusive a própria nota de entrada fl. 2073). Contudo, a situação é diferente no que se refere a licenciamento. Não consta para estas DI que a licença de importação (LI) que amparou em definitivo as mercadorias tenha sido emitida em total conformidade com a fatura comercial. Pelo contrário, há menção ao fato de que descreviam “os mesmos tecidos e as mesmas quantidades da fatura, mas “com valores unitários e totais superiores ao das respectivas fatura e proforma”. Em relação à proforma, já tratamos aqui de sua irrelevância para configuração de falsidade. Mas a LI é o documento autorizador da importação. E, não espelhando os dados da LI as mercadorias efetivamente importadas, a conclusão é de que a importação foi efetuada ao desamparo de autorização do órgão competente. Cabível seria, assim, que a fiscalização não desembaraçasse as mercadorias enquanto não fosse obtida LI totalmente acordante com a importação efetiva (em que pese, no caso, terem sido todas as DI desembaraçadas, as duas primeiras em canal vermelho de conferência aduaneira, cf. fls. 2057 e 2095, não tendo este relator localizado nos autos informação sobre o canal de conferência atribuído às demais). Após o desembaraço, e verificada incorreção na análise inicial, poderia haver a revisão das declarações de importação, mas a penalidade aplicável certamente não seria atrelada a subfaturamento nem a falsidade na fatura comercial, como proposto nos autos. Assim, tendo em conta que não pode inovar o julgador na aplicação de penalidade (o que no caso não se daria somente pelo reenquadramento da conduta, mas pela identificação de conduta diversa do subfaturamento e da falsidade na fatura: a importação ao Fl. 8488DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 18 desamparo de autorização), somente se segue aqui a mesma linha adotada nos tópicos “(A)” e “(B)” do item 4 deste voto, afastandose a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”) e a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças a serem exigidas a título de imposto de importação e contribuições). No que se refere à primeira DI (no 08/17013789), rechaçase ainda a multa de 1% por inexatidão/incompletude, não objetivada nos autos. (E) DI no 08/20144414 Para a DI no 08/20144414 (adição 001), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva” e “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” (item 4.2.1.1.k do Relatório Fiscal). A situação, no que se refere às diferenças em relação à proforma, ou à remessa cambial a maior, é semelhante à analisada no tópico “(A)” do item 4 deste voto, cabendo aplicarse raciocínio idêntico ao ali desenvolvido. Cabe destacar que em relação a esta DI sequer se toca no tema do licenciamento na importação. Destarte, afastase em relação à DI a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”), e a qualificação da multa de ofício (devendo ser aplicado o percentual de 75% sobre as diferenças exigidas em relação ao imposto de importação e às contribuições). (F) DI no 07/09462080 Na DI no 07/09462080 (adição 001), já relacionada no item 4.2.1.2 do Relatório Fiscal, a conduta imputada é exclusivamente de “falsidade da invoice instrutiva”. A fiscalização afirma (fl. 8103) que: “A inidoneidade da fatura instrutiva dessa DI evidenciase não somente pela diferença da assinatura do mesmo signatário nela aposta em relação as outras invoices em nome do mesmo fornecedor e ao ‘packing list’, mas também em razão de divergências com a proforma invoice de mesma numeração e de inconsistências entre os termos de pagamentos nela estipulado (sic) e os pagamentos realizados e da própria invoice ter sido emitida em 18/03/2007, depois do embarque das mercadorias em 17/03/2007”. (grifo nosso) Reiterese a irrelevância das divergências com a proforma para caracterização de falsidade, acrescentandose que o fato de os pagamentos terem sido efetuados de forma diversa da estipulada (em que pese não haver alteração de valor, sequer cogitando o fisco subfaturamento, no caso) e as datas (seja da fatura ou da LI obtida) serem posteriores ao embarque também não conduzem à “falsidade”, se ausente a evidenciação do dolo. Novamente o fisco revelase inconformado com a emissão de LI posteriormente ao embarque e à emissão da fatura comercial e, apesar de já ter exigido a multa por LI a destempo antes do desembaraço, ainda busca utilizar tal fato como indício de “falsidade” na fatura comercial. De tudo o que alega o fisco, somente parece relevante o fato de que haja diferentes assinaturas para um mesmo signatário. Mas a fiscalização não diz objetivamente Fl. 8489DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.481 19 quais os documentos que deveríamos comparar para perceber que há divergências nas assinaturas. A única pista sobre o assunto constante no item 4.2.1.2 do Relatório Fiscal é a remissão aos documentos de fls. 518 a 534, instrutivos da DI. E neles há apenas dois assinados pelo Gerente Geral da SHELMORE TEXTILES S.A., Sr. Mordy Ashkenazi, às fls. 529 e 530, sendo aparentemente idênticas as assinaturas. É certo que, em nome da verdade material, pudemos verificar que o Sr. Mordy Ashkenazi realmente assina as faturas de forma bem “diversificada”, como se percebe, exemplificativamente, analisandose as faturas no 61 (fl. 529), no 74 (fl. 542) e no 64 (fl. 576), para ficar apenas nos documentos geograficamente próximos aos citados no item 4.2.1.2 do Relatório Fiscal: Fatura n. 61 (fl. 529) Fatura n. 74 (fl. 542) Fatura n. 64 (fl. 576) A recorrente afirma que “não há nos autos nenhuma prova grafotécnica que dê suporte à afirmação de que as assinaturas do representante do fornecedor sejam falsas” e que junta carta de seu fornecedor SHELMORE TEXTILES S.A., com tradução juramentada, na qual este alega que todas as assinaturas apostas nas faturas são realmente suas (fls. 8337/8338). Por certo que o julgador não é perito grafotécnico, mas a magnitude das diferenças aqui destacadas faria com que qualquer caixa de banco (que também não é perito grafotécnico, mas profissional qualificado a outras atividades), por cautela, não descontasse um cheque do Sr. Askenazi. E a afirmação do fornecedor de que simplesmente todas as dezenas de faturas comercias indicadas são suas (sem que se possa saber se as apresentadas ao fisco correspondem às emitidas no exterior) não assegura a idoneidade dos documentos. Mas, por outro lado, o fisco não traz, afora a assinatura, nenhum elemento significativo que aponte para a falsidade especificamente em relação à fatura no 61 (fl. 529). Fica assim a dúvida: qual(is) das faturas acima seria(m) verdadeira(s) e qual (is) seria(m) falsa(s)? Não se pode simplesmente partir do pressuposto de que todas são falsas. Assim, formase convicção de que paira suspeita de inidoneidade sobre as faturas assinadas pelo Sr. Askenazi (que tem “diversificadas” formas de assinálas), mas esse elemento, por si, não torna as faturas por ele assinadas todas falsas. E, na DI em análise, não visualizo elementos adicionais que permitam formar convicção pela falsidade da fatura no 61. A fiscalização contentase com os documentos apresentados (e, inclusive, com os valores declarados), sem aprofundar a investigação (v.g. Fl. 8490DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 20 com diligências, apreensões de documentos e obtenção de dados junto a terceiros) mas deseja aplicar a pena de perdimento (substituindoa por multa no valor aduaneiro da mercadoria) por concluir serem falsas as faturas, falsidade que não resta devidamente comprovada (em que pese estarmos convictos de que a fiscalização estava no caminho certo, apenas tendo parado na metade dele). Assim, voto pelo afastamento da multa substitutiva do perdimento, por não restar comprovada a “falsidade na fatura comercial”. (G) DI no 07/10370550 Na DI no 07/10370550 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.3 do Relatório Fiscal (fls. 8103/8104), a conduta imputada é igualmente a “falsidade da invoice instrutiva”. Contudo, agora o fisco, além da questão referente às assinaturas “diversificadas”, apresenta elementos irrefutáveis da falsidade na fatura comercial. A fatura apresentada como instrutiva da DI (DI registrada em 06/08/2007, e que foi desembaraçada em canal vermelho, no dia 17/08/2007), diverge dos valores declarados na própria DI. As quantidades são exatamente as mesmas, mas a fatura que deve ter instruído a DI, para estar de acordo com os dados da declaração, indicou como valores unitários US$ 3,28 (adição 001) e US$ 3,38 (adição 002), enquanto que a fatura comercial apresentada no procedimento de fiscalização (no 74, fl. 542) traz como valores unitários US$ 2,32 (para ambas as adições). Há, no caso, configuração de duplo faturamento para a mesma mercadoria, o que, por óbvio, não se perpetra sem dolo, e constitui “falsidade”, ensejando a aplicação da pena de perdimento (inciso VI do art. 105 do DecretoLei no 37/1966). Sendo impossível a apreensão para fins de aplicação da pena de perdimento, por não ser a mercadoria localizada, ou por ter sido consumida ou revendida, cabível a substituição do perdimento por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na forma do § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976. Assim, em relação à DI em comento, resta integralmente mantida a multa lançada em substituição à pena de perdimento. (H) DI no 07/12521679 e no 07/12539268 Nas DI no 07/12521679 (adições 001 e 002) e no 12539268 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.4 do Relatório Fiscal (fl. 8104), também se imputa a conduta de “falsidade da invoice instrutiva”. Mas os indícios apresentados se resumem a divergências em relação às faturas proforma e a dados sobre prazo de pagamento. Agregase a informação de que a vinculação da remessa cambial abarcou também faturas de fornecedor diverso (CHINA PROSPER), instrutivas da DI no 07/10372005, o que seria impossível. E, por fim, atribuise a falsidade na fatura no 64 a pequena divergência encontrada no frete. Novamente é preciso recordar que se está a imputar conduta de “falsidade”, e não de simples incorreção. Assim, a imputação requer elementos probatórios de envergadura Fl. 8491DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.482 21 proporcional, não sendo suficientes os dados narrados pelo fisco para que se comprove a falsidade ensejadora do perdimento. A DI no 07/12521679 foi registrada em 17/09/2007 (e desembaraçada em 21/09/2007, no canal amarelo de conferência, cf. fl. 566), e antes do desembaraço houve retificação do peso (de 24.820,00 kg para 25.000,00 kg), entendendo agora o fisco que houve “falsidade” na fatura (no 64 fl. 576) porque não foi alterado, em consequência, o valor do frete, o que não encontra guarida em qualquer disposição normativa. Ademais, sequer questiona o valor aduaneiro (que seria afetado pela eventual majoração do frete, nos moldes em que deseja o fisco). No que se refere à remessa cambial, não passa o fisco das menções aos manuscritos no final das folhas (v.g. 587 e 589), não aprofundando a investigação para lograr comprovar dolo, nem a efetiva falsidade das informações inseridas na fatura comercial. Assim, voto pelo afastamento da multa substitutiva do perdimento, por não restar comprovada a “falsidade na fatura comercial” em relação às citadas DI. (I) DI no 07/13992330 e no 07/14167350 Na DI no 07/13992330 (adições 001 e 002) e no 07/14167350 (adição 001), tratadas nos itens 4.2.1.5 e 4.2.1.6 do Relatório Fiscal (fl. 8105), também se imputa a conduta de “falsidade da invoice instrutiva”, justificada pela diferença entre fatura e nota fiscal de entrada (nesta constando com descrição única a mercadoria que figurava em duas distintas adições da primeira DI), pelas diferenças entre fatura e proforma e divergências no que se refere a serem os pagamentos à vista ou antecipado (sem alteração de valor) em ambas as DI. Novamente, ausente qualquer conduta que possa efetivamente caracterizar “falsidade” da fatura comercial instrutiva das DI, pelo que se afasta a exigência da multa substitutiva do perdimento. (J) DI no 08/00922470, no 08/02352922, no 08/00922489 e no 08/03135674 Para as DI no 08/00922470 (adição 001) e no 08/02352922 (adição 001), tratadas no item 4.2.1.7 do Relatório Fiscal (fls. 8105/8106), a conduta imputada é “falsidade da invoice instrutiva” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. A inexatidão/incompletude se deve à falta de informação do beneficiamento do tecido, informação indispensável na descrição declarada (cf. item IV do Anexo Único do ADE Coana no 22/2005). E, como referido ao início deste voto, no item 2, que trata de “incorreções nas informações prestadas na declaração de importação”, a recorrente, ao invés de questionar o teor do ADE, ou informar que de fato cumpriu suas disposições, alega que “a grande maioria das ditas incompletude ou incorreção (sic) está relacionada por identificação, pela fiscalização, de Fl. 8492DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 22 anotações manuscritas nas Notas Fiscais de Entradas”, afirmando que “para a desclassificação de tais descrições seria necessária a apresentação de um laudo técnico”. Havendo previsão normativa específica para o detalhamento, e sendo este inexistente na declaração de importação, caracterizada está a situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo absolutamente irrelevante haver ou não consequências tributárias, como já explicitado neste voto. Assim, deve ser mantida a multa de 1% por inexatidão/incompletude. No que se refere à existência de “falsidade”, fica patente a confusão entre falsidade e incorreção, pelo autuante, no seguinte excerto (fl. 8106): “Essas descrições declaradas idênticas as (sic) das faturas instrutivas são incompletas em razão de não informarem o beneficiamento do tecido, corroborando a inidoneidade das invoices” (...) A inidoneidade das faturas é também evidenciada pela divergência com as respectivas proformas e pela realização de pagamentos em condições diferentes das estipulada (sic) nas invoice 70” (grifo nosso) Conforme se reitera ao longo deste voto, não há que se confundir a incorreção ou a omissão na fatura com sua “falsidade”. Parece o autuante imaginar que qualquer dado da fatura que esteja incorreto é de fato “falso”, sem necessidade de que se comprove o dolo, e tal raciocínio se repete invariavelmente na autuação. Em relação à DI no 08/00922489 (adição 001), tratada no item 4.2.1.8 do Relatório Fiscal (fl. 8106), a conduta imputada é também “falsidade da invoice instrutiva” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Mas a inexatidão/incompletude se deve à falta de informação da titulação do tecido, informação indispensável na descrição declarada (cf. item V do Anexo Único do ADE Coana no 22/2005). E, novamente, não se encontra oposição específica à inexatidão/incompletude, por parte da recorrente, nem prova de falsidade por parte da “fiscalização”. Na DI no 08/03135674 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.14 do Relatório Fiscal (fl. 8109), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, por divergência com proforma e com remessas (temas já exaustivamente tratados neste voto), e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria” (também pela não informação de titulação do tecido), igualmente sendo ausente a oposição específica à inexatidão/incompletude, por parte da recorrente, e a prova de falsidade por parte da “fiscalização”. Ausente então, em relação às citadas DI, qualquer conduta que possa efetivamente caracterizar “falsidade” da fatura comercial instrutiva, afastase a exigência da multa substitutiva do perdimento, restando aplicável, no caso, somente a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (K) DI no 08/00925186 Para a DI no 08/00925186 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.9 do Relatório Fiscal (fl. 8106), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, Fl. 8493DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.483 23 “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, sob alegações muito semelhantes às externas no tópico “(A)” do item 4 deste voto. Por mais que agora a expressão “tactel” pareça realmente ter sido aposta de forma manuscrita na nota de entrada (cf. figura abaixo), há que se destacar que fazer prevalecer tal manuscrito sobre o que consta na própria nota, na fatura, e na DI (também submetida a canal vermelho de conferência aduaneira, com efetiva verificação da mercadoria por autoridade aduaneira competente), sem elementos que comprovem o alegado, não tem qualquer fundamento jurídico. Afastase, assim, em relação a tal DI a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”). Contudo, neste item há oposição específica da empresa no Recurso Voluntário (fls. 8429 a 8431). Enquanto o fisco afirma que houve pagamento em valor superior (US$ 85.535,87) ao da fatura (US$ 75.735,85), a empresa anexa (ainda em sua impugnação fls. 8312 a 8319) consulta ao SISCOMEX (que indica contratação de câmbio de US$ 75.735,85, resultado da soma de 17.149,48+34.115,03+8.186,37+16.284,97). Os valores são perfeitamente compatíveis com as anotações do contrato de câmbio (v.g. fl. 2440), que o fisco nos itens iniciais aceitou e agora rechaça. Não há, assim, sequer fundamento para a exigência da diferença de tributos, quanto mais para alegarse subfaturamento. Deve assim ser afastada a exigência do imposto de importação e das contribuições, assim como dos decorrentes juros de mora e multa de ofício. E, afora a questão referente à suposta anotação manuscrita, não indica a fiscalização objetivamente qual a conduta de descrição incompleta/inexata, pelo que se afasta também a multa de 1% por inexatidão/incompletude em relação a tal DI. (L) DI no 08/01159657, no 08/01160116, no 08/01612564, no 08/0240642 9, no 08/03135666, no 08/05348861, no 08/05461536, no 08/09019188, no 08/09699022, no 08/009888348, no 08/10742653, no 08/10742661, no 08/11396961, no 08/11843810, no 08/11844050, no 08/11844484, no 08/12110956, no 08/12265887, no 08/14115998, no 08/14617900, no 08/14624728, no 08/15670880, no 08/15670898, no 08/17683423 e no 08/20141970 Para as DI (no 08/01159657/adições 001 e 002; no 08/01160116/adições 001 e 002; no 08/01612564/adições 001 e 002; no 08/02406429/adições 001 e 002; no 08/05348861/adições 001 e 002; no 08/05461536/adições 001 e 002; no 08/0901918 Fl. 8494DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 24 8/adições 001 e 002; no 08/09699022/adições 001 e 002; no 08/009888348/adições 001 e 002; no 08/10742653/adições 001 e 002; no 08/10742661/adições 001 e 002; no 08/1139696 1/adições 001 e 002; no 08/11843810/adições 001 e 002; no 08/11844050/adições 001 e 002; no 08/11844484/adições 001 e 002; no 08/12110956/adições 001 a 004; no 08/1226588 7/adições 001 a 003; no 08/14115998/adição 001; no 08/14617900/adição 001; no 08/14624728/adição 001; no 08/15670880/adição 001; no 08/15670898/adição 001; no 08/17683423/ adições 001 e 002; e no 08/20141970/adição 001), tratadas no item 4.2.1.10 do Relatório Fiscal (fl. 8107), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, sob diversas alegações: pagamento antecipado, diferença nas assinaturas, divergências entre fatura e proforma, e outras inconsistências (relacionadas a título exemplificativo para algumas DI). Tendo em vista o já exposto em relação às divergências com proforma tópico “(A)” deste item 4 , às diferenças de assinatura tópico “(F)” deste item 4 , e carecendo as demais inconsistências apontadas de base jurídica para configuração de “falsidade” às faturas comerciais, percebese novamente que a fiscalização contentase com os resultados parciais de um trabalho inacabado, e confunde o que ela própria denomina de “divergências” e “inconsistências” com “falsidade”. Pelo teor da autuação e do demonstrativo de fls. 7947 a 7955 percebese que em relação à DI no 08/09019188 paira ainda a imputação de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Tal incompletude/inexatidão, segundo o Relatório Fiscal, estaria novamente atrelada ao fato de existir anotação manuscrita, indicando “tactel”, em nota de entrada. Sobre o tema, remetemos ao tópico “(K)” deste item 4. É de se destacar, por fim (ao menos deste tópico), que no mesmo item 4.2.1.10 do Relatório Fiscal há menção a DI que sequer consta da autuação (DI no 08/1226585 2), e, por isso, não será objeto de análise no presente julgamento. Assim, afastase, em relação às DI relacionadas, a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), cabendo ainda cancelar, em relação à DI no 08/09019188, a aplicação da multa de 1% por inexatidão/incompletude. (M) DI no 08/01638237 e no 08/01638253 Para as DI no 08/01638237 (adições 001 e 002) e no 08/016382533 (adição 001), tratadas no item 4.2.1.11 do Relatório Fiscal (fls. 8107/8108), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, sob as já citadas alegações de divergência com proforma tópico “(A)”, mas sem alteração de valor. Na primeira DI há ainda a imputação de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, sob alegações muito semelhantes às externas no tópico “(K)” do item 4 deste voto (ao invés de “tactel”, a expressão manuscrita agora é “linhão”). Afastase, então, em relação às DI relacionadas, a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), cabendo ainda cancelar, em relação à DI no 08/01638237, a aplicação da multa de 1% por inexatidão/incompletude. 3 No Relatório Fiscal esta DI está indicada com dígito errado (7, ao invés de 3). Fl. 8495DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.484 25 (N) DI no 08/01722769 e no 08/0172854 Na DI no 08/01722769 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.12 do Relatório Fiscal (fls. 8108/8109), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”. A razão é o pagamento em condições diversas das pactuadas (com atraso), e sem imposição de mora. Há ainda ausência de vinculação do contrato de câmbio à respectiva fatura comercial. Conclui o fisco que “a ausência de informação não significa que efetivamente não tenha sido destinado parte desse valor para pagamento da fatura”, “pois caso a empresa tivesse informado, esse valor ultrapassaria o valor total da invoice”, comprovando subfaturamento. Assim, e na impossibilidade de identificar o valor que talvez tivesse sido pago a maior, o fisco aplica a pena de perdimento (substituída por multa) constatando a ocorrência de “falsidade”. Na DI no 08/0172854 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.13 do Relatório Fiscal (fl. 8109), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva” por razões muito parecidas, atreladas a divergência entre forma de pagamento indicada na DI e remessas. Em ambos os casos há novamente confusão entre “incorreção”/ “divergência” e “falsidade”. O fisco não comprova de que forma a inexistência de mora no pagamento, ou na divergência de remessa, implicou “falsidade” na fatura comercial, cabendo o afastamento da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) nas DI citadas. (O) DI no 08/03206040, no 08/03212741, no 08/03286010, no 08/0328602 8, no 08/03968595, no 08/17428660 e no 08/20263316 Na DI no 08/03206040 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.15 do Relatório Fiscal (fls. 8109/8110), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, “subfaturamento do valor declarado da mercadoria” e de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Em relação à “incompletude/inexatidão”, a informação faltante novamente é a titulação do tecido, o que nos remete ao tópico “(J)” deste item 4, sendo nesse aspecto procedente o lançamento. No que se refere à “falsidade” e ao “subfaturamento”, ambos se devem a diferença entre o valor da fatura (US$ 79.790,00) e os pagamentos efetuados (US$ 82.085,85), não reconhecendo o fisco as anotações no contrato de câmbio, que vinculariam parte do pagamento a outra DI. Em seu Recurso Voluntário (fls. 8434 a 8439) a empresa afirma que a alocação parcial do câmbio se deve a prática de mercado, em virtude do elevado número de transações com os mesmos fornecedores, argumento que é até plausível, mas não convence se desamparado de elementos probatórios (como é o caso). Na DI no 08/3212741 (adições 001 e 002), também tratada no item 4.2.1.15 do Relatório Fiscal, a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, por divergência entre o valor da fatura e os pagamentos efetuados (sem alteração de valor). Como já afirmado repetidas vezes neste voto, tal alegação, por si, é insuficiente para caracterização de “falsidade”. Na DI no 08/3286010 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.16 do Relatório Fiscal (fl. 8110), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, porque a DI foi retificada durante a conferência, em virtude de laudo técnico, não tendo sido alterada a fatura. Se procedente a afirmação do fisco, toda retificação de DI em virtude de laudo técnico ensejaria “falsidade” da fatura comercial. Aparece novamente aqui a confusão Fl. 8496DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 26 entre “incorreção” e “falsidade”. E, vejase, a incorreção na descrição foi sanada antes do desembaraço (mediante pagamento de multa). Na DI no 08/17428660 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.37 do Relatório Fiscal (fl. 8119), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, porque a DI foi retificada durante a conferência, em virtude de constatação de divergência na quantidade, não tendo sido alterada a fatura. Novamente há que se concluir que se procedente a afirmação do fisco, toda retificação de DI ensejaria “falsidade” da fatura comercial. De novo presente a confusão entre “incorreção” e “falsidade”. E, vejase, a incorreção na quantidade foi sanada antes do desembaraço (mediante pagamento de multa). E a conjectura de que teria havido pagamento por meios ilegais ou evasão de divisas também passa ao largo de qualquer elemento probatório. Na DI no 08/20263316 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.39 do Relatório Fiscal (fl. 8120), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, e também é devida a retificação na DI, alternadose descrição e classificação, e de LI, corrigindose o país de procedência. Mais uma vez patente a confusão entre “incorreção” e “falsidade”. E, novamente, a incorreção foi sanada antes do desembaraço (mediante pagamento de multa). Na DI no 08/03286028 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.17 do Relatório Fiscal (fls. 8110/8111), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva” (por divergências entre fatura e remessa cambial), e “incompletude/inexatidão” (sendo a informação faltante novamente a titulação do tecido). Nenhum assunto novo, assim. Na DI no 08/03968595 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.18 do Relatório Fiscal (fl. 8111), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, em virtude de inconsistência interna da fatura (o valor indicado na fatura comercial é inferior à soma das parcelas à vista e a prazo nela própria indicados), sendo as remessas efetuadas divergentes de ambos os valores. Persiste, assim, a confusão entre “incorreção” e “falsidade”. Ausente então, em relação às citadas DI, qualquer conduta que possa efetivamente caracterizar “falsidade” da fatura comercial instrutiva, ou ainda subfaturamento, cabendo o afastamento da multa substitutiva do perdimento. Resta mantido, contudo, em relação à DI no 08/03206040 o lançamento de crédito tributário em relação ao imposto de importação e às contribuições, com juros de mora e multa de ofício de 75% (em virtude de não estarem presentes circunstâncias qualificadoras) e a multa de 1% por inexatidão/incompletude, e na DI no 08/03286028 somente a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (P) DI no 08/11396945 Na DI no 08/11396945 (adições 001 a 004), tratada no item 4.2.1.17 do Relatório Fiscal (fls. 8110/8111), a conduta imputada é diferenciada por adição. Para todas as adições (001 a 004) afirma o autuante que a “falsidade”/inidoneidade decorre de inconsistência interna da fatura (o valor total US$ 81.061,66 diverge da soma dos valores indicados como pagamento antecipado e à vista no próprio documento US$ 81.115,01) e de divergência com a proforma. A remessa cambial foi no valor de US$ 81.115,01. Em relação às adições 003 e 004, há ainda imputação de “incompletude/inexatidão”, faltando a titulação do tecido. Fl. 8497DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.485 27 O curioso é que no Demonstrativo de Infrações (fls. 7947 a 7955) tratase de ajuste de valor aduaneiro para as adições 001 e 002, e de subfaturamento para as adições 003 e 004, como se a existência de “incompletude/inexatidão” nas adições 003 e 004 fizesse com que o ajuste de valor se tornassese subfaturamento. Contudo, na autuação referente aos tributos, todas as diferenças são exigidas com multa qualificada (150%). Não se vê falsidade em nenhuma das adições da DI, nem subfaturamento, embora haja efetivamente diferença de tributos a recolher. A inconsistência, não tendo sido justificada, e compatível o maior valor com a remessa, justifica a exigência das diferenças de tributos, mas não com multa de ofício de 150%, visto não restar configurada circunstância qualificadora. Assim, deve ser afastada a aplicação da multa substitutiva do perdimento, e mantida, para as adições 001 a 004, a exigência do imposto de importação e das contribuições, com juros de mora e multa de ofício de 75%, sendo ainda procedente o lançamento, para as adições 003 e 004, da multa de 1% por inexatidão/incompletude. (Q) DI no 08/04087320, no 08/05343339, no 08/05386410, no 08/1346922 2, no 08/14091703, no 08/06249697, no 08/06264319 e no 08/06310930 Na DI no 08/04087320 (adições 001 a 005), tratada no item 4.2.1.19 do Relatório Fiscal (fls. 8111/8112), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, por ter sido apresentada ao fisco uma fatura sem assinatura, e com valores inferiores aos pagamentos nela estipulados, e com identificação de tecido diverso do registrado nas notas fiscais de entrada. Novamente ausente qualquer prova de “falsidade”. Em relação à fatura sem assinatura, poderia ter sido adotada uma das providências descritas no art. 70 da Lei no 10.833/2003 (não constando nos autos qualquer iniciativa nesse sentido). Para as DI no 08/05343339 (adições 001 e 002), no 08/05386410 (adições 001 e 002), no 08/13469222 (adições 001 e 002) e no 08/14091703 (adições 001 e 002), também tratadas no item 4.2.1.19 do Relatório Fiscal, além da “falsidade na invoice instrutiva” (com a alegação de que estava escrito “helanca” à mão nas notas de entrada, argumento já fartamente analisado neste voto v.g. no tópico “K” deste item 4), imputase “incompletude/inexatidão” (por diferir a descrição de tais textos manuscritos). Na DI no 08/06249697 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.21 do Relatório Fiscal (fl. 8112), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, por divergência com a proforma, tema já fartamente abordado neste voto. Nas DI no 08/06264319 (adições 001 e 002) e no 08/06310930 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.22 do Relatório Fiscal (fls. 8112/8113), a conduta imputada também é de “falsidade na invoice instrutiva”, por divergência com a proforma, e na forma de pagamento indicada, ambos os temas reiteradamente disciplinados neste voto. Ausente, assim, tanto a falsidade imputada quando a descrição incompleta/inexata, sendo totalmente improcedente o lançamento neste tópico. (R) DI no 08/05461528, no 08/19255399, no 08/19261348, no 08/0988832 1 e no 08/11309562 Fl. 8498DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 28 Para as DI no 08/05461528 (adição 001), no 08/19255399 (adição 001) e no 08/19261348 (adição 001), tratadas no item 4.2.1.20 do Relatório Fiscal (fl. 8113), imputase “falsidade na invoice instrutiva” e “incompletude/inexatidão”, ambas pela falta do tipo de beneficiamento do tecido. Na DI no 08/09888321 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.29 do Relatório Fiscal (fls. 8116/8117), e na DI no 08/11309562 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.32 do Relatório Fiscal (fl. 8117), imputase “falsidade na invoice instrutiva” e “incompletude/inexatidão”, ambas pela falta da informação da titulação do tecido. Já manifestamos que a informação sobre o beneficiamento e a informação da titulação dos tecidos são indispensáveis no tópico “(J)” deste item 4, pelo que entendemos cabível o lançamento da multa de 1% por inexatidão/incompletude. Contudo, entender, como deseja o autuante, que a omissão de tal informação “reforça a inidoneidade das faturas”, entendendoas “falsas”, é salto lógico incompatível com a exegese dos comandos normativos correspondentes. Assim, para as cinco DI, afastase a aplicação da multa substitutiva do perdimento, e mantémse a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (S) DI no 08/06310949, no 08/11309546, no 08/11309554, no 08/0640952 0, no 08/09019196, no 08/09019200, no 08/09351638, no 08/09443672, no 08/09888330, no 08/09443699, no 08/10266525, no 08/10266517, no 08/11396970, no 08/16703960 e no 08/18028925 Para as DI no 08/06310949 (adições 001 e 002), no 08/11309546 (adições 001 e 002) e no 08/11309554 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.23 do Relatório Fiscal (fls. 8113/8114), imputase “falsidade na invoice instrutiva” por argumentos exaustivamente tratados neste voto (divergência com a proforma e na forma de pagamento indicada/remessas, e dados manuscritos nas notas de entrada). Na DI no 08/06310949 imputa se ainda “incompletude/inexatidão”, sem indicação precisa da motivação, afora as anotações manuscritas na nota de entrada. Na DI no 08/06409520 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.24 do Relatório Fiscal (fl. 8114), nas DI no 08/09443699 (adições 001 e 002) e no 08/10266525 (adições 001 e 002), na DI no 08/11396970 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.33 do Relatório Fiscal (fls. 8117/8118), e na DI no 08/16703960 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.36 do Relatório Fiscal (fls. 8118/8119), a conduta imputada é de “falsidade na invoice instrutiva”, também por divergência com a proforma e na forma de pagamento indicada/remessas. Para as DI no 08/09019196 (adições 001 e 002) e no 08/09019200 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.25 do Relatório Fiscal (fls. 8114/8115), imputase “falsidade na invoice instrutiva” basicamente por divergências com a proforma e dados manuscritos nas notas de entrada, que acabam ainda ensejando a imputação de “incompletude/inexatidão”, nos moldes da DI no 08/06310949. Na DI no 08/09351638 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.26 do Relatório Fiscal (fl. 8115), nas DI no 08/09443672 (adições 001 a 004) e no 08/09888330 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.1.27 do Relatório Fiscal (fls. 8115/8116), na DI no 08/10266517 (adições 001 a 004), tratada no item 4.2.1.30 do Relatório Fiscal (fl. 8117), e na Fl. 8499DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.486 29 DI no 08/18028925 (adição 001), tratada no item 4.2.1.38 do Relatório Fiscal (fls. 8119/8120), imputase “falsidade na invoice instrutiva” basicamente por divergências com a proforma. Por fim, na DI no 08/12112185 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.35 do Relatório Fiscal (fl. 8118), imputase “falsidade na invoice instrutiva” basicamente por divergências que já foram objeto de retificação em relação a licenciamento, cabendo remissão ao tópico “(D)” deste item 4. Assim, ausente a fundamentação para a aplicação das penalidades propostas, pelo que se revela totalmente improcedente a autuação em relação às citadas DI. (T) DI no 08/10472290 Na DI no 08/10472290 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.31 do Relatório Fiscal (fl. 8117), a conduta imputada é “falsidade”/inidoneidade decorrente de inconsistência interna da fatura (o valor total US$ 92.286,10 diverge da soma dos valores indicados como pagamento antecipado e à vista no próprio documento US$ 92.850,85) e de divergência com a proforma. A remessa cambial foi no valor de US$ 92.850,85. Da mesma forma tratada no tópico “(P)” deste item 4, o ajuste de valor aduaneiro é efetuado com a aplicação de multa qualificada, imputandose falsidade à fatura. Contudo, como lá registrado, não se vê falsidade, embora haja efetivamente diferença de tributos a recolher. A inconsistência, não tendo sido justificada, e compatível o maior valor com a remessa, justifica a exigência das diferenças de tributos, mas não com multa de ofício de 150%, visto não restar configurada circunstância qualificadora. Assim, deve ser afastada a aplicação da multa substitutiva do perdimento, e mantida a exigência do imposto de importação e das contribuições, com juros de mora e multa de ofício de 75%. (U) DI no 08/11396996 Na DI no 08/11396996 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.1.34 do Relatório Fiscal (fl. 8118), a conduta imputada é “falsidade”/inidoneidade decorrente de inconsistência interna da fatura, mas agora indicandose na fatura US$ 72.820,00, maior do que o efetivamente pago (US$ 72.776,87), aliada a divergência com a proforma. Não se vê nenhuma falsidade no exposto, da mesma forma que não se viu tópico “(P)” deste item 4 quando a divergência ensejava recolhimento de diferença de tributo. Assim, deve ser afastada a aplicação da multa substitutiva do perdimento. (V) DI no 09/00831701 Fl. 8500DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 30 Na DI no 09/00831701 (adições 001 a 009), tratada no item 4.2.1.40 do Relatório Fiscal (fls. 8120/8121), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “subfaturamento”. Novamente se está a tratar de DI que já foi objeto de retificação no curso do despacho, antes do desembaraço, em razão de descrição incorreta e desconformidade da classificação, em virtude de laudo técnico, tendo sido também o valor FOB retificado para maior. E assumese tal incorreção, que já foi objeto de tratamento específico, como corroboradora de “falsidade”, o que seria endossado pela divergência com a proforma, e em relação às remessas cambiais. Nenhum tema novo, assim. E, havendo superioridade dos valores remetidos em relação aos indicados na fatura, afirma o autuante ter sido “comprovada cabalmente a falsidade dessa fatura instrutiva e o subfaturamento do valor declarado das mercadorias”. Como já tratado aqui em diversos tópicos deste item 4 (v.g. tópico “A”), não se amolda a conduta descrita ao subfaturamento, embora as diferenças decorrentes da remessa não justificada possam ensejar a exigência de tributos, sem a qualificação da multa. Assim, cabível a manutenção dos lançamentos a título de imposto de importação e contribuições, acrescidos de juros de mora e da multa de ofício de 75%, tendo em vista não estarem comprovadas as circunstâncias que permitem sua majoração ao patamar de 150% em relação à DI. Contudo, deve ser afastada a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial e subfaturamento”). 5. Da análise individualizada/ agrupada das Declarações de Importação demais fornecedores Utilizando a mesma subdivisão adotada no Relatório Fiscal, para facilitar o acompanhamento, passase a analisar as DI decorrentes de importação de outros fornecedores (ACELINK LIMITED, CHINA PROSPER ENTERPRISES LIMITED, RIZHAO HUAWEI SPINING AND WEAVING CO. LTD, e TEXTRA PTE item 4.2.2 do Relatório Fiscal fls. 8121 a 8151). E, a fiscalização, antes de ingressar no tratamento das DI em espécie, narra (fls. 8121/8122) que a diferença de preços praticados pela importadora em relação a tecidos idênticos (do mesmo fabricante) importados por outra empresa “corrobora a falsidade das invoices instrutivas das importações” (nos exemplos, citamse importações da empresa a preços unitários de US$ 3,59, comparado com o de outras US$ 3,77/3,78, e preços unitários de US$ 3,76, comparado com o de outras US$ 3,77/3,78). Em relação a outras mercadorias, informa o fisco que não foi possível comparar preços, porque a fiscalizada era importadora exclusiva. Já pelo início da argumentação, parece desconhecer o autuante as regras que disciplinam a valoração aduaneira. Diferenças de preço (ainda mais na magnitude detectada) não são necessariamente elementos caracterizadores, por si só, de “falsidade”. São, no máximo, indícios de subvaloração ou subfaturamento. Havendo subvaloração (emprego inadequado das disposições do Acordo de Valoração Aduaneira do GATT, do qual o Brasil é signatário), devem ser empregadas as regras e os seis métodos sequenciais ali definidos. Não fica à escolha da fiscalização com quais mercadorias será comparada a importação, nem fica a cargo da fiscalização a determinação do Fl. 8501DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.487 31 que seja uma mercadoria idêntica. Na hipótese de afastamento do primeiro método (valor da transação), a definição de mercadoria idêntica se extrai do segundo método de valoração aduaneira. E ainda, inexistindo importação de mercadoria idêntica, não é impossível comparar, mas devese partir para os métodos subsequentes (sempre mediante afastamento, um a um, dos métodos antecedentes), como o de mercadoria similar (terceiro método), e assim por diante. Havendo subfaturamento, e não sendo possível objetivar o preço efetivamente praticado, a disciplina não é a prevista internacionalmente no Acordo de Valoração Aduaneira, mas a estabelecida nacionalmente no caput do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001: “Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c)mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. (grifo nosso) Como se vê, a determinação da base de cálculo do imposto de importação não é discricionária, mas seguindo critérios normativamente estabelecidos. E, ao que tudo indica, a autuação sequer parte para tais métodos, porque não logra afastar objetivamente o valor de transação (primeiro método). No máximo, ajustao às remessas efetuadas. Ainda na parte introdutória do item 4.2.2 do Relatório Fiscal, a fiscalização informa que também para os outros fornecedores há ocorrência de faturas com assinaturas diferentes de um mesmo signatário, acrescentando casos de faturas de fornecedores diferentes com mesma regra de formação numérica ou identidade gráfica, e faturas de um mesmo fornecedor com distintos padrões visuais. Como são frequentes as repetições de argumento (pois a autuação foi organizada por fornecedor e por DI, e não por assunto), serão recorrentes as menções a assuntos já analisados no item 4 deste voto. Fl. 8502DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 32 (A) DI no 07/09226666, no 07/09223425, no 07/09590410, no 07/0945826 0, no 07/10001058, no 07/09461555, no 07/12535807, no 07/09593028, no 07/10008834, no 07/12532107 e no 08/05538628 Nas DI no 07/09226666 (adição 001)4, no 07/09223425 (adição 001) e no 07/09590410 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.1 do Relatório Fiscal (fl. 8122), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, por divergências com a proforma, e pagamento em condições diversas das previstas na fatura, além de anotações manuscritas na nota de entrada (agora com a expressão “poliviscose”). Tais anotações manuscritas ensejaram ainda, para a DI no 07/09590410, a atribuição de “incompletude/inexatidão”. Nas DI no 07/09458260 (adição 001), e no 07/10001058 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.2 do Relatório Fiscal (fl. 8123), nas DI no 07/09461555 (adição 001), e no 07/12535807 (adições 001 e 002), tratadas no item 4.2.2.3 do Relatório Fiscal (fls. 8123/8124), na DI no 07/09593028 (adição 001), tratada no item 4.2.2.75 do Relatório Fiscal (fl. 8126), na DI no 07/10008834 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.6 do Relatório Fiscal (fls. 8126/8127), na DI no 07/12532107 (adição 001), tratada no item 4.2.2.8 do Relatório Fiscal (fl. 8129), e na DI no 08/05538628 (adição 001), tratada no item 4.2.2.9 do Relatório Fiscal (fls. 8129/8130), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, por divergências com a proforma, e pagamento em condições diversas das previstas na fatura. Nenhum argumento novo, portanto, mas as mesmas motivações já rechaçadas por diversas vezes nos tópicos do item anterior (4) deste voto. Vejase novamente que o fisco revela preocupação com o fato de o valor das proformas ser substancialmente diferente do constante nas faturas. Mas tal situação foi corrigida no curso do despacho, antes do desembaraço, sob controle da própria fiscalização aduaneira, tendo sido ainda obtido licenciamento substitutivo junto ao órgão competente (tendo sido recolhidas multas em função de tais condutas, à época). Assim, afastase para as citadas DI a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), e em relação à DI no 07/09590410, também a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (B) DI no 07/09590401 Na DI no 07/09590401 (adição 001), tratada no item 4.2.2.4 do Relatório Fiscal (fl. 8124), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, por ter sido apresentada ao fisco uma fatura sem assinatura (fl. 159), e com valores, pesos e classificação diferentes dos constantes da DI, e outra assinada (fl. 158), que está em conformidade com a DI. Acusa ainda a fiscalização que a fatura sem assinatura é silente quanto às condições de pagamento. A situação é bem diferente da destacada no tópico “(G)” do item 4 deste voto (duplo faturamento), no qual a fatura entregue divergia da apresentada para desembaraço. Aqui, a fatura apresentada para desembaraço está em conformidade com a DI, não podendo desejar o fisco que prevaleça o documento não assinado sobre aquele apresentado no despacho. Ademais, na linha do expresso no tópico “(Q)” do item 4 deste voto, fatura sem assinatura equivale a ausência de fatura. 4 No Relatório Fiscal esta DI está indicada com um dígito a menos (07/0922666, ao invés de 07/09222666). 5 No Relatório Fiscal há dois itens 4.2.2.7, um na fl. 8126 e outro nas fls. 8127 a 8129. Estáse aqui a tratar do primeiro. Fl. 8503DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.488 33 Não comprovada a “falsidade” apontada, deve ser afastada a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”). (C) DI no 07/09591807 Na DI no 07/09591807 (adição 001), tratada no item 4.2.2.5 do Relatório Fiscal (fl. 8125), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, havendo ainda “ajuste no valor aduaneiro”. Novamente há apresentação de duas faturas comerciais à fiscalização, uma assinada (fl. 190) e outra não (fl. 189), com valores, pesos e classificações diferentes. Já se disse aqui que deve ser afastado de plano o documento não assinado, que não é admissível como fatura comercial. A fatura assinada indica um frete de US$ 4.306,00, em desconformidade com o frete indicado no conhecimento de carga (US$ 4.708,00 fl. 191). O valor constante da fatura, já incluído o frete declarado de US$ 4.306,00, é de US$ 77.772,92, e deve ser ajustado, em função do valor correto de frete, para US$ 78.174,92. A importação, pelo que detectou o fisco, ainda não havia sido paga integralmente. Não se vê, assim, qualquer prova de “falsidade” na fatura, devendo ser afastada a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”). O que se comprova é que o valor do frete inserido na fatura diverge daquele informado no conhecimento de carga (que se assume como correto). Não havendo justificativa plausível para a divergência, cabível a inclusão da diferença na base de cálculo do imposto de importação (como determina o Acordo de Valoração Aduaneira) e nas contribuições decorrentes. Assim, mantémse a exigência de imposto de importação e contribuições, acrescidos de juros de mora, apenas reduzindose o percentual da multa de ofício para 75% (em virtude da ausência de comprovação da ocorrência de circunstância qualificadora). (D) DI no 07/10372005 Na DI no 07/10372005 (adições 001 a 007), tratada no item 4.2.2.76 do Relatório Fiscal (fls. 8127 a 8129), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”. Narra a fiscalização que houve retificação da DI antes do desembaraço, alterandose a descrição do tecido nas sete adições, e, assim, “as invoices instrutivas identificam mercadorias diversas às efetivamente transacionadas, o que já revela a inidoneidade desses documentos”. Além disso, há divergências com proforma, e registrase 6 No Relatório Fiscal há dois itens 4.2.2.7, um na fl. 8126 e outro nas fls. 8127 a 8129. Estáse aqui a tratar do segundo. Fl. 8504DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 34 que não foi comprovado pagamento em relação a aproximadamente 45% do valor declarado na importação. Novamente insurgese a autuação em relação a dados da DI e das LI correspondentes que realmente estavam incorretos, mas foram retificados antes do desembaraço (após o pagamento de multas referentes às incorreções). Entende o fisco simplesmente que aquelas incorreções, objeto das retificações, ensejariam a “falsidade” da fatura comercial, com o que não se pode concordar. Como já exposto no tópico “(O)” do item 4 deste voto, patente a confusão entre “incorreção” e “falsidade”. Na linha do que parece entender o fisco, praticamente toda retificação de DI ensejaria “falsidade” da fatura comercial. Ausente qualquer prova de “falsidade” na fatura, deve ser afastada a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”). (E) DI no 09/07297840, no 09/09440810, no 09/10243730, no 09/1080316 6 e no 09/12134199 Nas DI no 09/07297840 (adição 001), no 09/09440810 (adição 001), no 09/10243730 (adição 001), no 09/10803166 (adição 001) e no 09/12134199 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.10 do Relatório Fiscal (fls. 8130 a 8132), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, sendo ainda para a DI no 09/07297840 identificada a ocorrência de “subfaturamento”. Narra a fiscalização que DI diversa (no 10/00375791, instruída com fatura em nome da TEXTRA, descrevendo “tecido de malha urdidura, contendo 96% de fibras sintéticas de poliéster e 4% de elastano, estampado, título: 166 detex, peso: 208,08g/m2, largura: 150cm, com fios de borracha”, classificado na NCM 6005.34.00, foi retificada no curso do despacho aduaneiro, antes do desembaraço, tendo em vista a constatação de incorreção na descrição e na classificação (exigindose multa e diferenças de tributos), para: “tecido de malha trama, estampado, contendo 96% de poliéster e 4% de elastano (sem fios de borracha), peso: 208,08g/m2, título: 166 detex, largura: 150cm”, classificado na NCM 6006.34.00. A empresa registrou outras cinco DI com mercadorias classificadas na NCM 6005.34.00, e descrição idêntica, relacionadas na tabela de fl. 8131 (exatamente as cinco tratadas neste tópico). Nas notas de entrada, não é mencionada a existência de fios de borracha, e, para a mercadoria importada por meio da DI no 09/12134199, é mencionada composição diversa (100% poliéster). Intimada a justificar as divergências, a empresa apenas informou que adotava nas notas de entrada o nome de fantasia do tecido. Diante da justificativa infundada (visto que não se está, nas notas de entrada, a usar efetivamente nome de fantasia), e do fato de as notas de entrada tratarem efetivamente de tecidos diversos (v.g. malha circular ao invés de urdidura), o fisco reiterou solicitação para esclarecimentos, não atendida. Conclui, assim, a fiscalização, que as mercadorias descritas nas DI não correspondem efetivamente às importadas (e descritas nas notas de entrada, assim como nos registros de saída). A fatura comercial, em nome da TEXTRA, instrutiva da DI no 09/07297840, tem ainda valores (US$ 55.569,43) divergentes em relação às remessas cambiais (US$ Fl. 8505DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.489 35 70.989,32 e US$ 15.200,00), embora haja vinculação manual em rodapé de apenas US$ 40.369,43 em relação à primeira remessa. Tal divergência, segundo o fisco, comprovaria ainda “subfaturamento”. Em seu Recurso Voluntário (fls. 8434 a 8439) a empresa afirma que a alocação parcial do câmbio se deve a prática de mercado, em virtude do elevado número de transações com os mesmos fornecedores, argumento que é até plausível, mas não convence se desamparado de elementos probatórios (como é o caso). Em relação às quatro DI restantes, haveria apenas “falsidade”, em função de divergências com a proforma, e pagamento em condições diversas das previstas na fatura. Aqui a fiscalização deu um passo a mais: verificou incompatibilidade documental na descrição (não afastada pela empresa) entre as mercadorias importadas e aquelas que passaram a integrar o estoque da empresa. E a utilização da DI diversa (no 10/00375791) está em consonância com o art. 68 da Lei no 10.833/2003, citado no item 1 deste voto. Mas após tal passo novamente parou o fisco. Veja que a presunção legal permitiria a reclassificação das mercadorias descritas de forma idêntica (da NCM 6005.34.00 para a 6006.34.00), e a exigência das diferenças, considerando a descrição corrigida. Mas o fisco lança somente as diferenças decorrentes da divergência na remessa cambial, em relação à DI no 09/07297840. Assim, bastou ao fisco apurar a divergência, imputando a conduta de “falsidade” em relação às faturas, afirmando haver “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Não há nenhuma prova de falsidade. Contudo, o fato de as mercadorias estarem descritas de forma semelhante nas DI, aliados aos dados das notas de entrada, nos permite concluir ter havido divergência na descrição das mercadorias no corpo da DI. Assim, para as cinco DI, afastase a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) e mantémse a multa de 1% por inexatidão/incompletude. No que se refere ao apontado “subfaturamento” na DI no 09/07297840, entendese que há ausência de comprovação da justificativa por parte da recorrente, e ausência de comprovação de dolo por parte do fisco. Assim, afastase a imputação de “subfaturamento” e mantémse a exigência das diferenças em relação ao imposto de importação e às contribuições, acrescidas de juros de mora e da multa de ofício de 75% (em função da ausência de demonstração de circunstâncias qualificadoras). (F) DI no 09/09633651, no 09/10673270 e no 10/01941065 Nas DI no 09/09633651 (adições 001 e 002), no 09/10673270 (adições 001 e 002) e no 10/01941065 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.11 do Relatório Fiscal (fls. 8132/8133), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Fl. 8506DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 36 Além da informação de divergências com a proforma e em relação às remessas, a fiscalização novamente detecta incompatibilidade entre as descrições das faturas e as descrições das mesmas mercadorias importadas nas notas de entrada da empresa. Contudo, nas DI agora em análise, ao contrário do narrado no tópico “(E)”, não opera nenhuma presunção, havendo dúvida se o dado correto seria o da fatura ou o da nota de entrada, o que nos remete a discussão já travada no item 1 deste voto, quando transcrevemos o que nos parecia ser uma convicção do fisco (fl. 8091) de que a nota de entrada gozaria de maior credibilidade que o declarado na própria DI (e, na maioria dos casos, conferido por servidor aduaneiro): “Em razão da fidedignidade de que deve ser revestida a EFD que registra a movimentação das mercadorias (codificação atribuída pela empresa) estoque e vendas, configurase a efetividade da descrição das mercadorias constante da EFD” Não entendemos restar comprovado, no caso, nem “falsidade”, nem sequer “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, pelo que deve ser afastada a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) e também a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (G) DI no 09/11100193, no 09/15794432, no 09/17311323 e no 10/04367874 Nas DI no 09/11100193 (adições 001 e 002), no 09/15794432 (adições 001 e 002), no 09/17311323 (adição 001) e no 10/04367874 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.12 do Relatório Fiscal (fls. 8133 a 8135), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. As mercadorias descritas nas DI são “tecidos de fibras sintéticas descontínuas, contendo 100% poliéster, em ponto de tela, título: 90 detex, largura: 152 cm, peso: 102 g/m2, tintos e branqueados”, e “... título: 90 detex, largura: 152 cm, peso: 102 g/m2, tintos”, classificadas, respectivamente, nas NCM 5512.19.00 e 5512.11.00. O fisco informa ainda que a primeira DI foi desembaraçada no canal vermelho de conferência, mas sem a emissão de laudo técnico. Nas DI no 09/11100193, no 09/17311323 e no 10/04367874, a EFD (fls. 6143 e 6146) revela que os tecidos eram “tactel peletizado 1.7”. Novamente a empresa informou, quando intimada, que em virtude de erro os tecidos foram cadastrados pelo nome de fantasia. Na DI no 09/11100193, a EFD (fl. 6145) discrimina “cetim charmousse”, o que não contraria a classificação declarada, mas a cópia da nota fiscal apresentada (não se indica a página) continha a expressão “tactel” manuscrita. Destaca ainda o fisco que a empresa não apresentou a descrição completa dos tecidos para os códigos da EFD, e que a inidoneidade das invoices evidenciase ainda em razão de divergência com a proforma e nas condições de pagamento. Novamente a fiscalização se contenta com as informações que colheu, deixando de verificar o que efetivamente ocorreu no caso, e partindo do pressuposto de que prevalecem informações da EFD e outras manuscritas em notas de entrada sobre as detalhadas na fatura comercial instrutiva e na declaração de importação, inclusive no caso em que Fl. 8507DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.490 37 selecionada a DI para canal vermelho com verificação dos tecidos por servidor competente. Há que se ter elementos mais conclusivos para o que deseja imputar o fisco. E a inexatidão imputada se refere a dados da EFD, em relação a importações para as quais o detalhamento foi efetuado nas DI e na fatura comercial. Ausente, assim, a falsidade e a inexatidão/incompletude, pelo que deve ser, para as DI indicadas neste tópico, cancelado o lançamento. (H) DI no 09/12645894, no 09/13444825, no 09/13974972, no 09/1425673 9, no 09/16057903, no 09/16699565, no 09/13232445, no 09/15023010, no 09/14254159, no 09/17301999 e no 10/02459143 Nas DI no 09/12645894 (adição 001), no 09/13444825 (adições 001 e 002), no 09/13974972 (adição 001), no 09/14256739 (adições 001 e 002), no 09/16057903 (adição 001)e no 09/16699565 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.13 do Relatório Fiscal (fls. 8135 a 8137), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Para a no 09/13444825 houve ainda a imputação de “subfaturamento” e a exigência de imposto de importação e contribuições (afastada pela DRJ, pelo fato de ter havido equívoco na autuação). Narra o fisco que em todas as DI houve omissão da informação sobre o beneficiamento do tecido. Sobre o assunto, remetemos ao tópico “(J)” do item 4 deste voto, no qual já informamos que a omissão de tal informação nas DI é caracterizadora da situação descrita no inciso III do § 2o do art. 69 da Lei no 10.833/2003, sendo aplicável a multa de 1% por inexatidão/incompletude. No que se refere à imputação de “falsidade”, é novamente calcada em divergências com proforma, condições de pagamento e informações da EFD. Mantendo o entendimento reiteradamente externado neste voto, ausente resta a comprovação de “falsidade”. Nas DI no 09/13232445 (adição 001), no 09/15023010 (adição 001), no 09/14254159 (adição 001) e no 09/17301999 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.14 do Relatório Fiscal (fls. 8137 a 8140), e na DI no 10/02459143 (adição 001), tratada no item 4.2.2.19 do Relatório Fiscal (fl. 8144), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Novamente a “falsidade” por divergências com proforma, condições de pagamento e informações da EFD, e a “incompletude/incorreção” por ausência de informação sobre beneficiamento. Assim, para as DI referidas neste tópico, afastase a imputação de “falsidade”, e a correspondente multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento), mantendose a aplicação da multa de 1% por inexatidão/incompletude. (I) DI no 09/14453470 Fl. 8508DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 38 Na DI no 09/14453470 (adição 001), tratada no item 4.2.2.15 do Relatório Fiscal (fl. 8140), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. No entanto, no detalhamento da DI parece que a conduta imputada (sem o correspondente lançamento) é de que haveria erro de classificação fiscal (e não “inexatidão/incompletude na descrição da mercadoria”. Sustentase a “inidoneidade” da fatura pela divergência de peso entre invoice e proforma e pelas informações de EFD, novamente carecendo de substância probatória a imputação do fisco. Afastase, então, para a referida DI, a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), e também a multa de 1% por inexatidão/incompletude. (J) DI no 10/01938935 e no 10/10552386 Nas DI no 10/01938935 (adição 001) e no 10/10552386 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.16 do Relatório Fiscal (fls. 8140/8141), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. Além das comumente citadas divergências com proforma e com informações de EFD (que devem, segundo o autuante, prevalecer sobre as descritas na DI e na fatura), agora o fisco detecta divergência relevante por si só, semelhante à já mencionada no tópico “(C)” deste item 5: a da fatura com o outro principal documento instrutivo da DI, o conhecimento de carga, na DI no 10/01938935. A fatura instrutiva de tal DI (fl. 3105) indicava peso bruto de 23.941,60 kg, e o conhecimento de carga (fl. 3109) 25.090 kg, sendo que ambos tratavam de 1190 rolos de tecido. Examinando a divergência, não nos parece (assim como provavelmente não pareceu ao AFRFB que desembaraçou a DI em canal vermelho, com exame documental e verificação das mercadorias cf. fl. 3101) que se trate de “falsidade”, mas de efetiva divergência. A divergência entre fatura e conhecimento teria maior dimensão se fosse ao revés (conhecimento de carga indicando peso menor que a fatura), pois aí haveria discussão inclusive sobre a propriedade da mercadoria excedente. Não há, então, comprovação de “falsidade”, assim como não há detalhamento específico da “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria” em relação às mercadorias importadas, o que motiva o afastamento tanto da multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) quanto da multa de 1% por inexatidão/incompletude. (K) DI no 10/02457035, no 10/02911070, no 10/02459135, no 10/0689715 3, no 10/02927635, no 10/02931438, no 10/02933848, no 10/08534970, no 10/06419634, no 10/12626220, no 10/08376541, no 10/09188781, no 10/10556330, no 10/14884294, no 10/15923668, no 10/18884868 e no 10/18885686 Nas DI no 10/02457035 (adição 001) e no 10/02911070 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.17 do Relatório Fiscal (fls. 8141/8142), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as Fl. 8509DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.491 39 razões não são substancialmente diferentes das já repetidamente tratadas neste voto (divergência com EFD e com proforma, e nas condições de pagamento). Nas DI no 10/02459135 (adição 001) e no 10/06897153 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.18 do Relatório Fiscal (fls. 8142 a 8144), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as razões também não destoam das recorrentemente citadas neste voto (divergência com EFD e com proforma, e nas condições de pagamento). Agregase somente uma: a existência de concessão de desconto pelo fornecedor em data posterior ao desembaraço. Nas DI no 10/02927635 (adição 001), no 10/02931438 (adição 001), no 10/02933848 (adição 001) e no 10/08534970 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.20 do Relatório Fiscal (fls. 8144/8145), nas DI no 10/06419634 (adição 001) e no 10/12626220 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.21 do Relatório Fiscal (fls. 8145/8146), na DI no 10/08376541 (adição 001), tratada no item 4.2.2.23 do Relatório Fiscal (fl. 8147), na DI no 10/09188781 (adição 001), tratada no item 4.2.2.24 do Relatório Fiscal (fls. 8147/8148), e na DI no 10/10556330 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.25 do Relatório Fiscal (fls. 8148/8149), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as razões se repetem (divergência com EFD e com proforma, e nas condições de pagamento). Nas DI no 10/14884294 (adição 001) e no 10/15923668 (adição 001), tratadas no item 4.2.2.26 do Relatório Fiscal (fl. 8149), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as razões são basicamente as aqui externadas (divergência com proforma, nota de entrada e nas condições de pagamento). Na DI no 10/18884868 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.27 do Relatório Fiscal (fl. 8150), e na DI no 10/18885686 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.28 do Relatório Fiscal (fls. 8150/8151), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”. E as razões não fogem muito ao aqui já discutido (divergência com proforma, com EFD e nas condições de pagamento, e “inconsistência” interna da fatura por não indicar o prazo para pagamento). Na DI no 10/21357202 (adições 001 e 002), tratada no item 4.2.2.29 do Relatório Fiscal (fl. 8151), a conduta imputada também é “falsidade na fatura comercial” e “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, por divergência com proforma, nota de entrada e condições de pagamento, e “inconsistência” interna da fatura, que indica pagamento integral à vista, mas na parte inferior discrimina pagamento antecipado). Nenhuma dessas alegações conduz à “falsidade”, não havendo em nenhum caso, detalhamento específico de “incompletude/inexatidão da descrição da mercadoria”, mesmo nas remissões à EFD. Devem ser afastadas, assim, a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”) e a multa de 1% por inexatidão/incompletude, nas DI referidas neste tópico. (L) DI no 10/07152305 Fl. 8510DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 40 Na DI no 10/07152305 (adição 001), tratada no item 4.2.2.22 do Relatório Fiscal (fls. 8146/8147), a conduta imputada é “falsidade na fatura comercial”, fundamentada em divergência com proforma e nas condições de pagamento, e na existência de retificação efetuada na DI antes do desembaraço, alterando a descrição da mercadoria, o que tornaria “falsa” a fatura). Novamente presente a confusão entre “falsidade” e “incorreção”, e ausente a comprovação da existência de conduta apenada com a multa proporcional ao valor aduaneiro (substitutiva do perdimento por “falsidade na fatura comercial”), que deve ser, então, afastada. (M) DI no 10/07152305 Por fim, não foi possível localizar, nem no Relatório Fiscal, nem na decisão de piso, detalhamento da conduta praticada em relação à DI no 08/16703986 (adição 001), pelo que se considera improcedente a autuação em relação a tal declaração, por ausência de motivação. 6. Da alegação de confisco Alega a recorrente (fls. 8456 a 8462) ser a multa aplicada em substituição ao perdimento confiscatória. Contudo, tal multa tem expressa previsão legal: § 3o do art. 23 do Decreto Lei no 1.455/1976, e não pode ser afastada sob fundamento de inconstitucionalidade por este tribunal administrativo, como esclarece a Súmula CARF no 2: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Procedente, assim, a aplicação de tal multa, na hipótese tratada no tópico “(G)” do item 4 deste voto, a única na qual restou mantida a imputação de falsidade. Cabe ainda destacar que a questão referente à qualificação da multa foi debatida ao longo do voto, em cada tópico específico. 7. Considerações a título de síntese Como resultado da análise individualizada das declarações de importação que foram objeto da autuação, percebese que há generalizada confusão, por parte do autuante, em relação à distinção entre “incorreção” e “falsidade”, e que se dá excessiva força a documento (fatura proforma) que sequer tem disciplina na legislação, e não vincula de forma alguma a negociação. Há ainda valorização de informações manuscritas (às vezes ilegíveis) em detrimento do que espelha o teor de todos os documentos instrutivos da operação (em diversos casos após a fiscalização aduaneira ter examinado fisicamente a mercadoria, chegando à conclusão de que não havia incorreção). Por outro lado, é patente a falta de organização da autuada, que dificultou sobremaneira a vinculação das informações (v.g. cambiais), e alterava rotineiramente as informações prestadas no curso do despacho aduaneiro, antes do desembaraço (isso fica Fl. 8511DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.492 41 patente pelo enorme número de LI substitutivas e pela quantidade significativa de penalidades que a ela forma aplicadas no curso do despacho aduaneiro, antes do desembaraço, nas DI que agora são revisadas). Mas daí a concluir que a “desorganização” seria dolosa/deliberada, tendo um fim, há uma distância que não foi percorrida pelo fisco. A fiscalização atribuiu invariavelmente a falsidade em DI para as quais houve divergência de remessa cambial, ainda que irrisória (para mais ou para menos), ou mesmo nos casos em que a divergência sequer tangenciou o valor, mas se resumiu à forma de pagamento. Assim, acabou por propor a aplicação da pena de perdimento (substituída por multa no valor da mercadoria) por “falsidade” em hipóteses nas quais somente conseguiu provar “divergências”. A impressão que se tem, ao final da leitura, é de que na maioria dos casos havia indícios suficientes (por exemplo, as faturas com assinaturas diferentes) para que a fiscalização aduaneira aprofundasse as investigações do ocorrido, comparando os documentos apresentados com outros eventualmente obtidos com despachantes/intervenientes/adquirentes, reunindo arsenal probatório que efetivamente indicasse “falsidade”. Na forma em que foram apresentados os fatos na autuação (e no Relatório Fiscal), e com os documentos aqui acostados, verificamse poucas “falsidades” e muitas “incorreções” (daí a manutenção daquelas objetivamente configuradas), e não se duvida que tais “incorreções” possam ter sido deliberadamente inseridas, mas incumbiria ao autuante a prova de suas alegações de “falsidade”, ônus do qual este não se desincumbe a contento nos autos. Por derradeiro, para facilitar a liquidação do presente acórdão pela unidade local, apresentase tabela7 que sintetiza o resultado do julgamento, por declaração de importação: DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 07/0922266‐6 1 FII FII ‐ 5.A 07/0922342‐5 1 FII FII ‐ 5.A 07/0945826‐0 1 FII FII ‐ 5.A 07/0946155‐5 1 FII FII ‐ 5.A 07/0946208‐0 1 FII FII ‐ 4.F 07/0959040‐1 1 FII FII ‐ 5.B 07/0959041‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.A 07/0959180‐7 1 FII/AVA/CT FII CT (J/M‐75%) 5.C 07/0959302‐8 1 FII FII ‐ 5.A DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 07/1000105‐8 1 FII FII ‐ 5.A 07/1000883‐4 1 e 2 FII FII ‐ 5.A 07/1037055‐0 1 e 2 FII ‐ FII 4.G 07/1037200‐5 1 a 7 FII FII ‐ 5.D 07/1252167‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.H 07/1253210‐7 1 FII FII ‐ 5.A 7 Os dados referentes a cada DI/adição foram retirados da autuação e do Demonstrativo de Infrações de fls. 7947 a 7955 (lançado), e do próprio voto (constando coluna referente às rubricas afastadas, mantidas e o local do voto onde se encontram informações sobre cada uma delas). Fl. 8512DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 42 07/1253580‐7 1 e 2 FII FII ‐ 5.A 07/1253926‐8 1 e 2 FII FII ‐ 4.H 07/1399233‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.I 07/1416735‐0 1 FII FII ‐ 4.I 08/0092247‐0 1 FII/DIM FII DIM 4.J 08/0092248‐9 1 FII/DIM FII DIM 4.J 08/0092518‐6 1 e 2 FII/DIM/SF/CT FII/DIM/SF/CT ‐ 4.K 08/0115965‐7 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0116011‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0161256‐4 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0163823‐7 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.M 08/0163825‐3 1 FII FII ‐ 4.M 08/0172276‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.N 08/0175285‐4 1 e 2 FII FII ‐ 4.N 08/0235292‐2 1 FII/DIM FII DIM 4.J 08/0240642‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0313566‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0313567‐4 1 FII/DIM FII DIM 4.J 08/0320604‐0 1 e 2 FII/DIM/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%)/DIM 4.O 08/0321274‐1 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 08/0328601‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 08/0328602‐8 1 e 2 FII/DIM FII DIM 4.O 08/0396859‐5 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 08/0408732‐0 1 a 5 FII FII ‐ 4.Q 08/0534333‐9 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.Q 08/0534886‐1 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0538641‐0 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.Q 08/0546152‐8 1 FII/DIM FII DIM 4.R 08/0546153‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0553862‐8 1 FII FII ‐ 5.A 08/0624969‐7 1 e 2 FII FII ‐ 4.Q 08/0626431‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.Q 08/0631093‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.Q 08/0631094‐9 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.S 08/0640952‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0901918‐8 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.L 08/0901919‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0901920‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0935163‐8 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.S DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 08/0944367‐2 1 a 4 FII FII ‐ 4.S 08/0944369‐9 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0969902‐2 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/0988832‐1 1 e 2 FII/DIM FII DIM 4.R 08/0988833‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/0988834‐8 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1026651‐7 1 a 4 FII FII ‐ 4.S Fl. 8513DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.493 43 08/1026652‐5 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1047229‐0 1 e 2 FII/AVA/CT FII CT (J/M‐75%) 4.T 08/1074265‐3 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1074266‐1 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1130954‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1130955‐4 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1130956‐2 1 e 2 FII/DIM FII DIM 4.R 08/1139694‐5 1 a 4 FII/AVA/CT (adições 1 e 2), e FII/DIM/SF/CT (adições 3 e 4) FII (adições 1 e 2), e FII/SF (adições 3 e 4) CT (J/M‐75%) para as adições 1 e 2, e DIM/CT (J/M‐75%) para as adições 3 e 4 4.P 08/1139696‐1 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1139697‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1139699‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.U 08/1184381‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1184405‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1184448‐4 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1211095‐6 1 a 4 FII FII ‐ 4.L 08/1211218‐5 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1226588‐7 1 a 3 FII FII ‐ 4.L 08/1346922‐2 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.Q 08/1346923‐0 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.A 08/1346924‐9 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.A 08/1409170‐3 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 4.Q 08/1411599‐8 1 FII FII ‐ 4.L 08/1461790‐0 1 FII FII ‐ 4.L 08/1462472‐8 1 FII FII ‐ 4.L 08/1567087‐1 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.A 08/1567088‐0 1 FII FII ‐ 4.L 08/1567089‐8 1 FII FII ‐ 4.L 08/1574365‐8 1 e 2 FII/DIM/SF/CT FII/DIM/SF CT (J/M‐75%) 4.B 08/1651415‐6 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1652087‐3 1 FII FII ‐ 4 08/1652881‐5 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1660336‐1 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 08/1670396‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.S 08/1670397‐8 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1670398‐6 1 FII FII ‐ 5.M 08/1701378‐9 1 e 2 FII/DIM/SF/CT FII/DIM/SF CT (J/M‐75%) 4.D 08/1742866‐0 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 08/1742867‐9 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.D 08/1742868‐7 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.D Fl. 8514DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 44 08/1768342‐3 1 e 2 FII FII ‐ 4.L 08/1768753‐4 1 e 2 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1802728‐7 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1802846‐1 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.D 08/1802892‐5 1 FII FII ‐ 4.S 08/1803248‐5 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.C 08/1925539‐9 1 FII/DIM FII DIM 4.R 08/1926134‐8 1 FII/DIM FII DIM 4.R 08/2014197‐0 1 FII FII ‐ 4.L 08/2014441‐4 1 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.E 08/2026331‐6 1 e 2 FII FII ‐ 4.O 09/0083040‐3 1 FII FII ‐ 4.A 09/0083170‐1 1 a 9 FII/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%) 4.V 09/0467540‐2 1 DIM ‐ DIM 2 09/0467544‐5 1 DIM ‐ DIM 2 09/0729784‐0 1 FII/DIM/SF/CT FII/SF CT (J/M‐75%)/DIM 5.E 09/0944081‐0 1 FII/DIM FII DIM 5.E 09/0963365‐1 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.F 09/1024373‐0 1 FII/DIM FII DIM 5.E 09/1067327‐0 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.F 09/1080316‐6 1 FII/DIM FII DIM 5.E 09/1110019‐3 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.G 09/1213419‐9 1 FII/DIM FII DIM 5.E 09/1264589‐4 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1323244‐5 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1344482‐5 1 FII/DIM/SF/CT SF/CT (afastados pela DRJ) e FII DIM 5.H 09/1397497‐2 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1425415‐9 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1425673‐9 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1445347‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.I 09/1502301‐0 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1579443‐2 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.G 09/1605790‐3 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1630255‐0 1 CF/LI/DIM CF/LI DIM 1 e 2 09/1669956‐5 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1730199‐9 1 FII/DIM FII DIM 5.H 09/1731132‐3 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.G DI Adições Lançado Afastado Mantido Item do voto 10/0101018‐5 1 CF/LI/DIM CF/LI DIM 1 e 2 10/0193893‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.J 10/0194106‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.F 10/0245703‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0245913‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0245914‐3 1 FII/DIM FII DIM 5.H 10/0291107‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K Fl. 8515DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11131.721131/201205 Acórdão n.º 3403003.127 S3C4T3 Fl. 8.494 45 10/0292763‐5 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0293143‐8 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0293384‐8 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0436787‐4 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.G 10/0641963‐4 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0689715‐3 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0715230‐5 1 FII FII ‐ 5.L 10/0837654‐1 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0853497‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/0918878‐1 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1055238‐6 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.J 10/1055633‐0 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1262622‐0 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1488429‐4 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1592366‐8 1 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1888486‐8 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/1888568‐6 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K 10/2135720‐2 1 e 2 FII/DIM FII/DIM ‐ 5.K Legenda: AVA: o lançamento se deve a ajuste do “valor aduaneiro” CF: o lançamento se deve a “desconformidade da classificação fiscal” CT: houve lançamento de crédito tributário (imposto de importação e contribuições) para a DI/adição, com acréscimo de juros de mora e multa qualificada (150%) CT (J/M75%): foi mantido o lançamento no que se refere ao imposto de importação e às contribuições, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício de 75% (não qualificada) DIM: o lançamento se deve a “descrição incompleta das mercadorias” ou a “incompletude ou inexatidão da descrição declarada da mercadoria” FII: o lançamento se deve a “falsidade na invoice instrutiva” LI: o lançamento se deve a “importação ao desamparo de LI” SF: o lançamento se deve a “subfaturamento do valor declarado das mercadorias” Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, na forma detalhada na tabela incluída ao final do voto. Rosaldo Trevisan Fl. 8516DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 46 Fl. 8517DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10166.900886/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INADMISSIBILIDADE.
Não deve ser admitido o Recurso Voluntário que não impugnou qualquer dos fundamentos apresentados pela decisão de primeira instância para indeferir o pedido do contribuinte.
Recurso Voluntário não Admitido.
Numero da decisão: 3102-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COMPENSAÇÃO. Recorrente CENTRAIS DE ABASTECIMENTO DO DISTRITO FEDERAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INADMISSIBILIDADE. Não deve ser admitido o Recurso Voluntário que não impugnou qualquer dos fundamentos apresentados pela decisão de primeira instância para indeferir o pedido do contribuinte. Recurso Voluntário não Admitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender, dentre outras razões, que uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 08 86 /2 00 8- 10 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratam os autos de declaração de compensação transmitida em 02/09/2004, pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, de débitos no valor de R$ 4.228,78, relativos à Contribuição para o PIS/Pasep PIS, com créditos relativos a pagamento indevido ou a maior também de PIS, referente ao período de apuração de 15/07/2004. Em despacho decisório (fl. 05) emitido em 24/04/2008, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 33251.34809.020904.1.3.040003, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF informado, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Cientificada da decisão em 05/05/2008 (fl. 05 – verso), a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 23/05/2008 (fls. 01 a 03), alegando, em síntese, que efetuou, em 20/05/2008, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativa ao 2º trimestre de 2004, em especial do valor do PIS devido do período de apuração de abril de 2004 (Fls. 23). Informa também que efetuou a retificação do Per/Dcomp nº 29637.90627.170604.1.3.046311, alterando o DARF referente ao direito creditório, como tendo origem em pagamento indevido ou a maior de PIS referente ao período de apuração de março de 2004 (fls. 32 a 37). Indica que, da retificação do Per/Dcomp nº 29637.90627.170604.1.3.046311, verificase saldo de R$ 1.871.63 e que da retificação da DCTF, crédito de 2.557,15, existindo, portanto, crédito suficiente para a compensação de R$ 4.228,78. Por fim, requer revista a decisão administrativa que não homologou a compensação realizada.. A DRJ em Brasília julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. ERRO FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10166.900886/200810 Acórdão n.º 3102002.203 S3C1T2 Fl. 13 3 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho limitandose a afirmar o seguinte: O débito no valor de R$ 4.228,78, referente ao PIS/PASEP do período de apuração 30.06.2004 e vencimento em 15.07.2004 foi inscrito na PGFN em 17.03.2011 sob o n 10 7 11 00002549, sendo extinto com pagamento realizado em 29.04.2011 no valor de R$ 28.566,78, este é composto pelos valores originais de R$ 8.464,68, R$ 4.228,78, mais a multa e juros. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a autoridade recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base nos seguintes argumentos: CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. ERRO FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. O contribuinte, por outro lado apresentou Recurso Voluntário (fl. 55) contra a referida decisão, limitandose a alegar o seguinte: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 O débito no valor de R$ 4.228,78, referente ao PIS/PASEP do período de apuração 30.06.2004 e vencimento em 15.07.2004 foi inscrito na PGFN em 17.03.2011 sob o n 10 7 11 00002549, sendo extinto com pagamento realizado em 29.04.2011 no valor de R$ 28.566,78, este é composto pelos valores originais de R$ 8.464,68, R$ 4.228,78, mais a multa e juros. Da simples leitura da íntegra do Recurso Voluntário, verificase que o Recorrente não impugnou qualquer dos fundamentos da decisão de primeira instância para indeferir do seu pedido, resumindose a alegar que o débito objeto do pedido de compensação teria sido pago, sem, contudo, apresentar sequer um argumento para sustentar o crédito, que é justamente o objeto do presente litígio. Afinal, não paira qualquer dúvida sobre o débito, que fora devidamente confessado em DCTF. Ocorre que para a válida interposição de recurso voluntário é necessário que o contribuinte refute, de maneira específica, os fundamentos da decisão recorrida. Em outras palavras, é imposto ao recorrente o ônus de evidenciar os motivos de fato e de direito suficientes à reforma da decisão ataca, trazendo argumentos capazes de infirmar todos ou alguns os fundamentos da decisão que se pretende modificar, sob pena de vêla mantida. Motivar ou fundamentar um recurso é criticar a decisão recorrida, indicando os erros que ela contém, e não trazer alegações de forma genérica ou alheias à lide, fundadas no mero inconformismo, como ocorrido no caso em análise, acarretando por conseguinte, ofensa direta ao princípio da dialeticidade, prevista no art. 514, II do CPC, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. Sobre o conteúdo e alcance do princípio da dialeticidade, Cassio Scarpinella Bueno, assim defendeu: O "princípio da dialeticidade" (...) atrelase com a necessidade de o Agravante demonstrar as razões de seu inconformismo, revelando por que a decisão lhe traz algum gravame e por que a decisão deve ser anulada ou reformada. Examinado o princípio desta perspectiva, é irrecusável a conclusão de que ele está intimamente ligado à própria regularidade formal do recurso e ao entendimento, derivado do sistema processual civil (...), de que não é suficiente a interposição do recurso mas que o Agravante apresente, desde logo, as suas razões. Aplicação correta do princípio aqui examinado encontrase na Súmula 182 do STJ, segundo a qual: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". (...) Embora os enunciados (e os precedentes) dessas Súmulas digam respeito a específicas modalidades recursais, é correto e desejável sua ampliação para albergar quaisquer recursos. Importa, a este respeito, destacar que o recurso deve evidenciar que a decisão precisa ser anulada ou reformada, e não que o Agravante tem razão. É inepto o recurso que se limita a reiterar as razões anteriormente expostas e que, com o proferimento da decisão, foram rejeitadas. A tônica do recurso é remover o obstáculo criado pela decisão e não reavivar razões já repelidas. O recurso tem de combater a decisão jurisdicional naquilo que ela o prejudica, naquilo que ela lhe nega pedido ou posição de vantagem processual, demonstrando o seu desacerto, do ponto Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10166.900886/200810 Acórdão n.º 3102002.203 S3C1T2 Fl. 14 5 de vista procedimental (error in procedendo) ou do ponto de vista do próprio julgamento (error in judicando). Não atende ao princípio aqui examinado o recurso que se limita a afirmar a sua posição jurídica como a mais correta. .1 Como se vê, o recurso deve ser apresentado com os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão prolatada, não sendo reconhecida a súplica sem a devida fundamentação. Neste sentido, é o entendimento pacífico da Suprema Corte: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DO CONTEÚDO DA DECISÃO ATACADA. INEFICÁCIA COMO MEIO DE MODIFICAÇÃO DO PRONUNCIAMENTO JUDICIAL. OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ENUNCIADOS SUMULARES 284/STF E 182/STJ. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C DO CPC. SOBRESTAMENTO DOS PROCESSOS EM CURSO NO STJ. DESNECESSIDADE. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. À parte incumbe manifestar a sua irresignação com dialética suficiente para evidenciar eventual desacerto do pronunciamento atacado, sob pena de, não o fazendo, ter o seu recurso fadado ao insucesso. Aplicação do princípio da dialeticidade e do enunciado sumular 284/STF. 2. "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada" (Súmula 182/STJ). 3. "O artigo 543C do Código de Processo Civil não previu a necessidade de sobrestamento nesta Corte Superior do julgamento de recursos que tratem de matéria afeta como representativa de controvérsia, mas somente da suspensão dos recursos nos quais a discussão esteja estabelecida nos tribunais de segunda instância" (AgRg no REsp 1.327.009/RS, Quarta Turma, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 19/11/12). 4. Agravo regimental não conhecido. Como é possível perceber, no caso em análise é incontestável a ofensa ao princípio da dialeticidade, uma vez que o Recorrente nada mencionou a respeito dos supostos fundamentos para afastar a decisão recorrida, limitandose apenas a afirmar a insubsistência e improcedência da comunicação do acórdão, e requerendo que fosse acolhido o recurso para cancelar o débito fiscal, quando na verdade o que se discutia era a existência ou não de crédito. Neste contexto, não há dúvidas que o recurso voluntário não deve ser admitido, por lhe faltar um dos pressupostos essenciais que é justamente a insurgência quanto aos fundamentos da decisão recorrida. Pelo exposto, voto por NÃO ADMITIR o presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] 1 BUENO. Cassio Scarpinella. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil. Vol. 5. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2008. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Andréa Medrado Darzé Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13056.000066/2004-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003
RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO.
Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte.
Numero da decisão: 1202-001.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nereida de Miranda Finamore Horta e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO. Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO. Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 00 66 /2 00 4- 38 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 342 2 Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nereida de Miranda Finamore Horta e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Relatório Tratase o presente processo de duas Manifestações de Inconformidade (fls. 215/227 e fls. 254/259) apresentadas em decorrência de três despachos decisórios proferidos na discussão de um mesmo direito creditório, decorrente de saldo negativo de Imposto de Renda – Pessoa Jurídica – IRPJ, períodobase 4º Trimestre de 2003, no montante de R$ 1.164.211,10 (fl. 24), informadoe pleiteado através da PER/DCOMP nº 05079.98435.090207.1.7.020667 (fls. 62/66). Em 30/01/2004, a Recorrente, antiga PROPÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., protocolou a PER/DCOMP,conforme fl. 02, vinculada a esse processo. A própria Recorrente apresentou uma petição em 08/01/2007 (fls. 17/18), solicitando a alteração do débitode IRPJ de R$ 166.920,60 para R$ 0,01, por não existirem débitos no 4º trimestre de 2003, justificando tal alteração para não anular o processo e, em consequência, manter o crédito de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2003 e todas as demais compensações transmitidas posteriormente. Sendo assim, a Delegacia da Receita Federal, tendo em vista a não existência do débito de IRPJ, excluiu do sistema e arquivou o processo. Em fevereiro de 2007 e maio de 2008, a Recorrente transmitiu outras Declarações de Compensação (fls. 60 a 114) para compensar débitos diversos utilizando o crédito Saldo Negativo de IRPJ apurado no 4º trimestre de 2003 no valor de R$ 1.164.211,10. Para análise dos pedidos, foi solicitado o desarquivamento do aludido processo. Após o desarquivamento do processo, a autoridade competente solicitou a revisão do processo administrativo. Em decorrência da revisão, foi proferido Despacho Decisório (fls. 187/191),queconcluiu que o saldo negativo informado era incorreto, sendo o correspondia, de fato, a R$ 127.361,61, e RECONHECEU PARCIALMENTE “O DIREITO CREDITÓRIO em favor da interessada no valor de R$ 127.361,61 (cento e vinte c sete mil trezentos e sessenta e um reais e sessenta e um centavos) referente ao Saldo Negativo de IRPJ apurado no 4º trimestre de 2003. Por conseguinte, homologo a compensação dos débitos informados nas Declarações de Compensação DComp até o limite do crédito ora reconhecido e não homologo a compensação dos débitos que ultrapassarem o limite” e determinou o arquivamento dos autos. Em 13/06/2011 foi proferido um novoDespacho (fls. 203), que analisou as declarações de compensação apresentadas pela Recorrente. Foram listados números de Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 343 3 PER/DCOMP, com compensações homologadas, homologadas parcialmente, não homologadas e não admitidas. Inconformada, a Recorrente apresentou duas Manifestações de Inconformidade que, conformerelatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), resumem bem as alegações apresentadas. Vejamos: “Primeira Manifestação de Inconformidade A recorrente diz que é fato incontroverso que sofreu retenções de imposto na fonte e que tais valores foram recolhidos aos cofres públicos. Afirma que a própria Receita Federal já havia fiscalizado o crédito da manifestante, acatandoo e permitindo sua compensação. Em tendo o fisco validado o saldonegativo, não poderia rever de ofício a decisão, pois o caso não se enquadra nas situaçõesautorizadas pelo art. 149 do CTN. Não existiria, então, base legal para a revisão da habilitaçãodo crédito já realizada pela Receita Federal. Outro argumento é de que a revisão da homologação do crédito teriaocorrido mais de cinco anos da entrega do documento original que constituiu o saldo negativode IRPJ. O documento que constituiu o saldo negativo do IRPJ, teria sido entregue em30/01/2004 e ciência da segunda revisão de ofício teria ocorrido em 12/04/2011. Entende a recorrente que se não for reconhecida a integralidade do saldonegativo, deve ser reconhecida a existência de um pagamento a maior. Alternativamente pede que não se exijam multa, juros e atualizaçãomonetária em face das compensações não homologadas, com base no § único do art. 100 doCTN. A empresa teria agido conforme a decisão administrativa proferida pela administração e,havendo mudança de entendimento, não pode a contribuinte ser penalizada.” “Segunda Manifestação de Inconformidade A contribuinte voltou ao processo para se pronunciar sobre o segundo despacho decisório (fls. 215/227). Diz, em síntese, que desconhece as razões pelas quais dois PER/DCOMP foram considerados como não admitidos. Pede a nulidade da decisão, pois inexistente fundamentação. Os PER/Dcomp em tal situação teriam o número inicial de 23080 e 34242.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/RS) julgouimprocedente as Manifestações de Inconformidade apresentadas pela Recorrente nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA.RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 344 4 Somente o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto são dedutíveis do IRPJ devido. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pleiteia, aí incluída a demonstração de que tributou a integralidade das receitas que originaram retenções na fonte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 286/302), utilizando, em síntese, os mesmos argumentos das Manifestações de Inconformidade. Assim, em sede preliminar: (i)Arguiu a nulidade do despacho decisório pela falta de fundamentação, acarretando assim cerceamento de defesa; (ii) Alegou a ocorrência da decadência, uma vez que a segunda revisão de ofício da homologação ocorreu mais de cinco anos da entrega da declaração; (iii) Sustentou a homologação do crédito, uma vez que a própria Receita Federal do Brasil já havia fiscalizado o crédito da Recorrente, acatandoo e permitindo sua compensação; (iv) Arguiua impossibilidade da revisão de ofício, por não respeitar o artigo 149 do Código Tributário Nacional CTN. No mérito alegou: (i) A subsunção do fato à norma, por não haver norma que determine a possibilidade de análise da homologação, que não o artigo 149 do CTN; (ii) Que os valores que compuseram o saldo negativo de IRPJ para o ano de 2003, compostos de IRRF, foram efetivamente recolhidos; (iii) Que tendo ocorrido a retenção na fonte do Imposto de Renda no ano de 2003 e esta retenção sendo devidamente lançada nos registros contábeis em face do principio da competência, não poderia haver impedimento para sua utilização; (iv) De forma subsidiária o reconhecimento do erro de fato devido ao pagamento a maior; (v) Por fim, alegou que deve ser afastada a multa, os juros e a atualização monetária aplicada. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 345 5 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise das preliminares de nulidade arguidas pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente a Recorrente alega a falta de fundamentação do despacho decisório, ocorrendo assim cerceamento do direito de defesa. Tal alegação não merece prosperar. Conforme verificado nos autos, o Despacho Decisório (fls. 174/178) expôs de forma clara todos os motivos que levaram à não homologação do pedido de compensação, ilustrando inclusive com tabelas que demonstraram o valor total do Saldo Negativo de IRPJ, no valor de R$ 127.361,61, conforme fl. 177. Sendo assim, por estar amplamente motivado, em nada afeta o direito de defesa suscitado pela Recorrente. A Recorrente alega ainda a ocorrência da decadência, no sentido de que da data do protocolo do pedido de compensação até o momento da segunda revisão de ofício da homologação teria se passado um prazo superior a cinco anos, o que não ocorreu. O Pedido de Compensação foi protocolado em 30/01/2004, conforme fl. 02.Ocorre que a própria Recorrente apresentou uma petição em 08/01/2007 (fls. 17/18), solicitando a alteração do débitode IRPJ de R$ 166.920,60 para R$ 0,01, por não existirem débitos no 4º trimestre de 2003, justificando tal alteração para não anular o processo e, em consequência, manter o crédito de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2003 e todas as demais compensações transmitidas posteriormente. Sendo assim, por não existir débito, e devido a um erro de fato da Recorrente, a autoridade administrativa resolveu por bem excluir o débito apresentado no PER/DCOMP e arquivar o processo, fato este ocorrido em 24/01/2007. Posteriormente, em 22/12/2010, com base no disposto dos artigos 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) e do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, realizou o reexame do processo, tendo em vista os novos pedidos da Recorrente, verificando, assim, débito perante a Receita Federal, motivo pelo qual proferiu o Despacho Decisório de fls. 174/178, em 12/04/2011. A Recorrente alega que o despacho proferido em 24/01/2007 homologou o crédito, o que não ocorreu. Apenas em 12/04/2011 a Delegacia da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório homologando parcialmente o crédito. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 346 6 Sendo assim, não há que se falar em decadência, uma vez que o arquivamento ocorreu por próprio pedido da Recorrente, e só foi realizado o reexame tendo em vista os novos pedidos de compensação. Cumpre mencionar o trecho do despacho proferido em 24/01/2007: “Considerando que: a) a DCTF retificadora (fl. 56) não apresenta IRPJ; b) o contribuinte solicitou restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL (fl.02) e informou débito para o mesmo período em declaração de compensação (fl. 01). Isso configura erro de fato uma vez que as duas situação não são compatíveis; c) não há débito de IRPJ por isso não podemos alterar o valor para R$ 0,01 Opino pela exclusão do débito de IRPJ do sistema PROFISC e posterior arquivamento deste processo uma vez que se trata de DECOMP e o valor da mesma será zerado.” Ainda em sede de preliminar, a Recorrente alega que a Receita Federal homologou o crédito no primeiro despacho, em 24/01/2007. Conforme bem explanado no Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS): “No caso concreto não houve sequer a análise ou homologação da compensação, eis que a empresa optou por informar um débito inexistente, de um centavo de IRPJ. Em não existindo tal débito, a “declaração de compensação” não tinha objeto, pois pretendia compensar o nada. E, por isso, o processo foi arquivado. Ora, caso fosse interesse da empresa ver analisado e restituído todo o seu crédito, não deveria ter apresentado declaração de compensação (sem nada compensar), mas pedido de restituição, também previsto na IN já referida: Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição”. A premissa sustentada pela recorrente é portanto, inválida. O processo foi arquivado em janeiro de 2007 porque não havia débito a compensar e, assim, sem análise do direito creditório.” Como última preliminar, a Recorrente suscitou a impossibilidade da revisão de ofício, por não haver previsão legal para tal procedimento. Tal alegação também não merece prosperar. O reexame do processo administrativo encontra respaldo legal nos artigos 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n 0 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 347 7 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e do art.23 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, as hipóteses de nulidade do processo administrativo fiscal estão presentes no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que não indicam essa alternativa: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Sendo assim, rejeito as matérias em sede preliminar. II – MÉRITO No mérito, a Recorrente alega a subsunção do fato à norma, sendo que reexame foi realizado de acordo com a Lei. Tal questionamento já foi comprovado acima, em relação às preliminares. O reexame do processo administrativo baseouse nos artigos 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e do art.23 do Decreto n° 70.235/72. Em relação à alegação de que a Recorrente sofreu retenção a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, cumpre novamente expor o voto do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/RS), com o qual compartilho: “Outro argumento da defesa: o de que teria havido pagamento a maior de IRRF. A retenção e o recolhimento foram efetuados por terceiras empresas, as fontes pagadoras. Essas fontes pagadoras por terem efetuado pagamentos à requerente, tinham obrigação legal de efetuar a retenção na fonte. Não houve, assim, pagamento indevido, nem pagamento a maior, já que calcularam e recolheram o tributo no montante previsto na legislação.” (não destacado no original) Na realidade, a Recorrente baseiase na premissa de que o fisco já havia reconhecido o direito creditório no despacho realizado em 2007,o que não ocorreu. Não Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 348 8 contesta ter reconhecido receitas a menor, nem traz qualquer outro argumento que possa modificar a situação. Por fim, a Recorrente alega que deve ser afastada a multa, os juros e a atualização monetária aplicada. Sustenta que não deve ser penalizada pelo motivo de mudança do entendimento da Receita Federal do Brasil. Mas uma vez, resta claro que a defesa da Recorrente baseouse no fundamento de que o despacho proferido em 24/01/2007 conheceu o direito creditório. Conforme já demonstrado, o despacho não reconheceu tal direito. Vale mais uma vez mencionar o voto do Acórdão da DRJ/RS, com o qual compartilho por elucidar a questão: “Não é verdade, não houve anterior reconhecimento de direito creditório e nem poderia ter havido, por falta de previsão legal. Em 2004 a empresa entregou uma “Declaração de Compensação” (fl. 2)com a qual procurava – inicialmente – compensar um débito de IRPJ de R$ 166.920,60. Aapresentação de “declaração de compensação” estava prevista, à época, na Instrução NormativaRFB nº 210 de 30/09/2002: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo atributo ou contribuiçãoadministrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálona compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aquaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivomediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2º compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condiçãoresolutória da ulterior homologação do procedimento. O objeto da declaração de compensação é, como o nome diz, acompensação de um débito com utilização de um crédito. O fisco, analisando o procedimento efetuado, poderá homologar, ou não, a compensação efetuada. O direito creditório pode sermuito superior ao valor compensado. A análise de DCOMP pelo fisco, no tocante ao crédito,fica limitada a verificar se a contribuinte possui crédito suficiente para efetuar aquelacompensação. No caso concreto, em determinado momento a contribuinte procurou compensardébito de um centavo, contra crédito de mais de um milhão de reais. Fosse o débito real,efetivo, a análise do fisco cingirseiaa verificar se a contribuinte possuía direito creditóriosuficiente para compensar um centavo. Se houvesse tal crédito, a compensação estariahomologada. O restante do direito creditório não estaria reconhecido, pois o objeto do pedido éa homologação daquela compensação.”(não destacado no original) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13056.000066/200438 Acórdão n.º 1202001.140 S1C2T2 Fl. 349 9 Portanto, tendo em vista todo o acima exposto voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidadee negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10183.002858/2006-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) INTEMPESTIVO, MAS APRESENTADO ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. Tratando-se de Área de Preservação Permanente - APP decretada por meio de legislação estadual e declarada em DITR, cujo Ato Declaratório Ambiental - ADA foi apresentado, ainda que intempestivamente, mas anteriormente ao início da fiscalização, tal deve ser excluída da base tributável do ITR.
ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem a exigência do ADA.
A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
Hipótese em que o Recorrido não apresentou o ADA tempestivamente, tampouco averbou a área na matrícula do imóvel, não comprovando, portanto, a área de reserva legal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter a glosa da área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior Relator
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Redator-Designado
EDITADO EM: 13/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) INTEMPESTIVO, MAS APRESENTADO ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. Tratandose de Área de Preservação Permanente APP decretada por meio de legislação estadual e declarada em DITR, cujo Ato Declaratório Ambiental ADA foi apresentado, ainda que intempestivamente, mas anteriormente ao início da fiscalização, tal deve ser excluída da base tributável do ITR. ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem a exigência do ADA. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. Hipótese em que o Recorrido não apresentou o ADA tempestivamente, tampouco averbou a área na matrícula do imóvel, não comprovando, portanto, a área de reserva legal. Recurso especial provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 28 58 /2 00 6- 65 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter a glosa da área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – RedatorDesignado EDITADO EM: 13/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração/Anexos, fls. 01/08, através do qual se exige, do interessado, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2002, no valor original de R$ 1.170.685,54, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, incidente sobre o imóvel rural denominado " Fazenda Guaporé", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 1.091.4560, localizado no município de Vila Bela da Santíssima Trindade/MT. Constou na descrição dos fatos e enquadramento legal fl. 06/07, que foi apurado falta de recolhimento do ITR do exercício de 2002 após alteração da declaração do contribuinte, por não terem sido comprovadas as informações ali consignadas; que, o interessado foi intimado a apresentar Ato Declaratório Ambiental, Certidão ou Matricula atualizada no Registro Imobiliário e Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, com o objetivo de comprovar as áreas de preservação permanente e utilização Fl. 811DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 18 3 limitada/reserva legal, consideradas para efeito de cálculo do ITR; que, em resposta intimação a contribuinte apresentou simples cópia de matricula, Laudo Técnico e Mapa. Em sua impugnação o contribuinte requereu: a) a retificação de oficio da declaração (do ano de 2002, com relação as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Florestal Legal do imóvel em questão, considerando como de 100% (cem por cento) o Grau de Utilização da Terra (GUT), conforme Laudo técnico, nos termos do que dispõe o artigo 148 do Código Tributário Nacional, b) REALIZAR, caso essa Delegacia não se dê por satisfeita quanto aos documentos já apresentados e mais por aqueles que acompanham a impugnação, VISTORIA no imóvel rural, a fim de constatar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, bem como o Grau de Utilização da Terra constantes do Laudo Técnico, o que, restaria observada a norma constante do artigo 14 da Lei n° 9.393/96; c) DEFERIR a produção de prova pericial, nos termos do que permite artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, para a apuração das areas de reserva legal (utilização limitada), preservação permanente, valor da terra nua, bem como a aferição do Grau de Utilização Terra — GUT, sendo estes os quesitos a serem respondidos, indicando tanto o Engenheiro Agrônomo Jacob Kaiser, inscrito no UREA n° 2.469/DMT, com Caixa Postal n° 3545, CEP: 78070970, CuiabáMT, Fone: (65) 3391 1376.; d) JULGAR PROCEDENTE a Impugnação, tomando sem efeito o Auto de Infração, em razão de sua ilegalidade/inconstitucionalidade, julgando inexigível o crédito tributário lançado através da referida autuação, seja quanto ao imposto em si, seja no que tange a multa e os juros de mora, que como meros acessórios devem seguir a mesma sorte do principal no qual se fundamentam. A DRJ ao analisar a questão, alegou que o contribuinte não apresentou ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA e que o laudo não discrimina, caso a caso, cada Area de preservação. Em sede de Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, deu provimento, em parte, ao recurso interposto pelo contribuinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2002 DESAPROPRIAÇÃO. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Comprovado que em 20/12/2001 o INCRA foi imitido na posse de parte do imóvel, é descabida a cobrança do ITR a ela relativo, no exercício de 2002. VTN. Demonstrado que, a área do imóvel é a constante do laudo relativo ao exercício de 2002 e sendo este mesmo laudo convincente, contendo inclusive a demonstração de todos os dados utilizados na amostra, deve ser acatado o VTN nele avaliado. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. Falta amparo legal para a exigência de ADA tempestivamente protocolizado, mesmo após o advento do artigo 10 da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, que acrescentou o artigo 17 O e parágrafo 1 0 A Lei n° 6.938, de 1981, estabelecendo que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 4 MULTA DE MORA. Não tendo sido objeto da autuação e nem existindo qualquer menção A multa de mora nos autos, não há como tomar conhecimento do recurso a ela relativo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Ante a decisão proferida pelo colegiado a quo, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial para trazer a discussão à apreciação desta Turma da CSRF. O Recurso Especial é de divergência, com no fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, contra o Acórdão n° 320100.157, da l a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 507 a 521), julgado na sessão plenária de 21 de maio de 2009, que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte para reduzir a área total do imóvel, reverter as glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal, e fixar o Valor da Terra Nua —VTN de acordo com o laudo apresentado, totalizando R$660.284,90. Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 525 a 529), que foram rejeitados (fl. 547). Cientificado dessa decisão em 4 de agosto de 2010 (fl. 547v), o recorrente apresentou o presente recurso tempestivamente no mesmo dia (fls. 549 a 563), apontando divergências com o Acórdão n° 30134.354, da l a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 26 de maio de 2008, e com o Acórdão n° 30239.244, da 2a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 29 de janeiro de 2008, para discutir a obrigatoriedade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA para a dedução das áreas de preservação permanente de reserva legal da base de calculo do:ITR, conforme ementas abaixo transcritas Acórdão n° 30134.354 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR EXERCÍCIO: 2002 ITR EXERCÍCIO 2002. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo essa expressamente obrigação (art. 170 da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1 ° da Lei n° 10.165/2000). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Acórdão n° 30239.244 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO/RESERVA LEGAL Para que as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por Fl. 813DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 19 5 documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também, necessária, a sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção prolatou Despacho n. 21000445/2010 — lª Câmara [fls. 575 e ss] que deu seguimento ao Recurso Especial interposto: Verifico, então, que os paradigmas decidiram que é obrigatória a apresentação tempestiva de ADA para que se possa deduzir as áreas de preservação permanente de reserva legal no cálculo do ITR, enquanto o acórdão recorrido afastou essa obrigação, sendo que todas as decisões se referem a exercícios posteriores ao de 2000. Assim, patente está a divergência jurisprudencial. Intimado a se manifestar, o Contribuinte apresentou contrarrazões que reiteram os argumentos dispostos no decisum recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Sendo tempestivo o recurso e demonstrada a divergência quanto à obrigatoriedade da apresentação tempestiva de ADA para que se possa deduzir as áreas de preservação permanente de reserva legal no cálculo do ITR, enquanto o acórdão recorrido afastou essa obrigação, sendo que todas as decisões se referem a exercícios posteriores ao de 2000, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Em sua peça recursal, a Fazenda Nacional fundamenta que a exigência do Ato Declaratório Ambiental ADA é obrigatória para o ITR desde 2001 com base na redação prevista no artigo 17O, da lei n° 6.938/1981, em conformidade com a norma que estabeleceu o beneficio tributário (art. 10, § 1°, II, da Lei n° 9.393/96). Segundo entendimento da autoridade fiscal, o direito do contribuinte está diretamente relacionado com a necessidade da apresentação da declaração ao órgão competente (IBAMA). Entende que a norma não exige que a comprovação das informações seja prévia, mas que esta deve ser feita para que sejam demonstradas provas das situações utilizadas para justificar a dispensa do pagamento do tributo, e que os laudos acostados aos autos não seriam meios de provas suficientemente complexos para suprir a ausência do ADA. Como visto, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural. No caso em questão, justamente em decorrência de dúvidas por parte da fiscalização acerca da Fl. 814DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 6 veracidade das informações prestadas, foi o contribuinte intimado a apresentar documentos que as corroborassem, tendo sido entregue, naquele momento, cópia das matrículas dos imóveis, nas quais constam averbação de áreas de utilização. Ainda, o contribuinte na impugnação e no recurso voluntário aduz que apresentou laudo onde constam área de preservação permanente de 9.873,9286 ha e área de reserva legal de 872,3345 ha. Conforme se verifica da autuação lavrada, a fiscalização fundamenta a glosa das APP e ARL no fato de não ter o contribuinte comprovado a apresentação de ADA, conforme exigiria o § 1º do art. 17º O da Lei 6.938/8. Entretanto, entendo que tal disposição deve ser interpretada em harmonia e de forma sistemática com o caput do referido art. 17O. Neste ponto, ao determinar que: “os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA ... taxa de Vistoria”, entendo que o aludido dispositivo está, no seu caput, admitindo que há casos em que tal redução independe de “Ato Declaratório Ambiental – ADA”. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem penas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. A meu ver, o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Portanto, resta claro que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da Fl. 815DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 20 7 verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Dito isto, não me parece razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Ademais, o decisum recorrido faz menção expressa que áreas relativas a ARL e APP foram devidamente comprovadas, inclusive, por meio de ADA tido por intempestivo [fls. 51920]: [...]No que concerne às Áreas isentas, a glosa foi de todos os 9.532,4 hectares declarados como área de preservação permanente. A fiscalização alegou que o contribuinte não apresentou ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA e que o laudo não discrimina, caso a caso, cada Área de preservação. Quanto A Área de utilização limitada, o interessado apresentou cópia de matricula onde consta que 50% da area do imóvel estava averbada a titulo de reserva legal. Porém, também para esta área, não há ADA tempestivamente protocolizado. 0 contribuinte havia apresentado ADA, recebido via Internet pelo IBAMA em 31/03/2006, em que constam Área de preservação permanente de 10.400,0 hectares e Área de reserva legal de 609,25 ha. Fez juntar também laudo onde é feita menção á uma "reserva florestal de 10.634,0178 ha, sendo 725,4474 ha de vegetação nativa e 9.908,5704 ha de preservação permanente". Explica a diferença entre os dois documentos aduzindo que antes de o laudo ficar pronto deu entrada no ADA e que a retificação não pode ser realizada em decorrência de problemas sérios no site do IBAMA. [...]Quanto aos fatos, todos os números acima expostos, que constam tanto da averbação, quanto do laudo e do próprio ADA, intempestivamente apresentado, confirmam que a propriedade tinha pelo menos os 9352,4 hectares de área isenta declarados. [Grifo nosso] Por tais razões, visto que devidamente comprovada a existência de ARL e APP nos termos declarados pelo contribuinte, CONHEÇO do Especial interposto, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Voto Vencedor Fl. 816DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 8 Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Designado Ouso divergir do Conselheiro Relator quanto à área de reserva legal. A Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, que devem ser excluídas da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Sendo recorrente a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 21 9 Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), assim dispunha o anterior Código Florestal, Lei n.º 4.771/65 (revogado pela Lei n.º 12.651/2012), o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 818DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 10 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as Fl. 819DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 22 11 “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarecia o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social (previsão mantida nos artigos 7º e 8º do novo Código Florestal, Lei 12.651/2012). Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos eram assim estabelecidos pelo antigo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001: “Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: Ioitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; IItrinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; IIIvinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IVvinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. §1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. §2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. §3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, Fl. 820DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 12 cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. §4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: Io plano de bacia hidrográfica; IIo plano diretor municipal; IIIo zoneamento ecológicoeconômico; IVoutras categorias de zoneamento ambiental; e Va proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. §5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico EconômicoZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: Ireduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e IIampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. §6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: Ioitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; IIcinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e IIIvinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. §7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos Fl. 821DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 23 13 casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. §9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. §10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. §11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art.44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: Irecompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; IIconduzir a regeneração natural da reserva legal; e IIIcompensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. §1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. §2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. §3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade Fl. 822DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 14 for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. §4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. §5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. Em relação à reserva legal, entendo que a averbação à margem da matrícula do imóvel, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da antiga Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e previsão do §1º do artigo 14 do novo Código Florestal, Lei 12.651/2012. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispunha o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65 e do que dispõe atualmente o §4º do art. 18 da Lei 12.651/12, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, foi prorrogada para junho de 2012, de acordo com o que estatui o Decreto n.º 7.719/2012, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos Fl. 823DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 24 15 proprietários, a fim de que pudessem cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 16 Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio “Manual de Perguntas e Respostas” editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), estabelece a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, Fl. 825DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.002858/200665 Acórdão n.º 9202003.008 CSRFT2 Fl. 25 17 nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. Em relação à reserva legal, esta está sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso especial do procurador, para manter a glosa da área de reserva legal. (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 826DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 13884.904297/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 42 97 /2 00 9- 74 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração dezembro de 2003, no valor original de R$ 2.883,83, com débitos de PIS/PASEP que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.904297/200974 Acórdão n.º 3803005.718 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.904297/200974 Acórdão n.º 3803005.718 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.904297/200974 Acórdão n.º 3803005.718 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001583/2005-28
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. A multa de
oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte e seus motivos simulatórios.
DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo
decadencial para a constituição do crédito tributário, nos casos de comprovada fraude do contribuinte, é apurado em conformidade com o art. 173, I, do CTN.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CONHECIMENTO. Declarada a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, e editada a respectiva súmula vinculante n° 8 - DOU de 20 de junho de 2008, não deve ser conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional que
tem por fundamento a contrariedade ao art. 45 da Lei n° 8.212/91, já que devem os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastar a aplicação da aludida lei declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9101-000.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a incidência da multa qualificada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo de andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffman.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
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IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte e seus motivos simulatórios. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, nos casos de comprovada fraude do contribuinte, é apurado em conformidade com o art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CONHECIMENTO. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, e editada a respectiva súmula vinculante n° 8 - DOU de 20 de junho de 2008, não deve ser conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional que tem por fundamento a contrariedade ao art. 45 da Lei n° 8.212/91, já que devem os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastar a aplicação da aludida lei declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a incidência da multa qualificada, ' os termos .o relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Li: I nardo de • ,drade Couto, Karen Jureidini Dias i Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffman. Ágil CARLOS ALBERTO n‘ AS B • • TO - Presidente. —e" 1%----%...-_:-.:i.------sr- _-...c------a• ALEXANDRE ANDRAD LIMA D - FONTE FILHO - Relator. EDITADO EM: O 9 ABR 2010 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Karem Jureidini Dias, Viviane Vida! Wagner, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias, Susy Gomes Hoffman, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Em face do Acórdão n° 105-16.639, proferido pela Egrégia Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 839/846, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 7 e, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente à época) e nas razões seguintes. Em 26 10.2005, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de 1RPJ, PIS, COFINS e CSLL, por meio do qual foi constituído crédito tributário no valor de R$ 45.050.714,72, já. inclusos juros e multa de oficio de 225%. O lançamento tem origem na omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, nos anos- calendário 1999 e 2000. Segundo Relatório Fiscal de fls. 517/532, no ano-calendário 1999, a contribuinte declarou receita bruta no valor de R$ 461.028,50, enquanto que a sua movimentação bancária foi de R$ 11.706.336,81. No ano 2000, declarou receita bruta de R$ 527.457,57, tendo movimentado a quantia R$ 18.137.066,77. A conduta da contribuinte caracteriza sonegação, nos termos da Lei n°4.729/65. Foi aplicada penalidade agravada, sob o fundamento de que a contribuinte, de forma reiterada, deixou de atender às intimações da Fiscalização, sem qualquer justificativa plausível. A Quinta Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso de oficio, para manter a redução da penalidade de oficio para 75% e, em decorrência, reconhecer a decadência do crédito tributário relativo ao ano 1999, com base no art. 150 do CTN. Em suas razões, afirmou não haver sido comprovada a existência de conduta dolosa pelo sujeito passivo Em relação à penalidade agravada, afirmou que a falta de apresentação de livros ou documentos não é justificativa para o agravamento da penalidade, e sim do arbitramento do lucro. A Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou Recurso Especial, às fls. 839/846. Em relação à multa qualificoda, afirmou que a decisão recorrida foi contrária à jurisprudência do Conselho de Contribuinte, indicando, como paradigma, os acórdãos 106- 13742 e 106-15542. Acrescentou não haver dúvida de que a contribuinte, ao omitir suas receitas ao Fisco e apresentar documentação inidõnea no curso da ação fiscal, procurou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo. 2 Processo n° 18471.001583/2005-28 CSRILT1 Acórdão n.° 9101-00.533 FL 2 Quanto à decadência, restabelecida a penalidade qualificada, deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173 do erN Em relação à CSLL, PIS e COFINS„ contudo, deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91. A contribuinte, embora intimada da interposição do recurso especial peia Fazenda Nacional, conforme A.R. de fls. 853v, não apresentou contra-razões. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A matéria sob exame refere-se à aplicação da penalidade de oficio qualificada, no percentual de 150% e seus reflexos sobre a contagem do prazo decadencial, segundo o art. 173 do CTN. A recorrente, defende, ainda, a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91 à CSLL, PIS e COFINS. Multa Qualificada Para que seja aplicada a penalidade qualificada, é necessário que se caracterize o evidente intuito de fraude como determina o art. 44 da Lei 9430/96. A Lei n° 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: An. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; H — das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No período fiscalizado, a contribuinte era optante pelo lucro real anual. No ano-calendário 1999, a contribuinte declarou receita bruta, em sua DIPS (fls. 07) no valor de R$ 461.028,50, enquanto que a sua movimentação bancária foi de R$ 11.706.336,81. No ano 2000, declarou receita bruta de R$ 527.457,57 (fls. 45), tendo movimentado a quantia R$ 18.137.066,77. A prática reiterada da contribuinte, por 2 anos consecutivos, em reduzir, consideravelmente o montante das receitas auferidas, a valores próximos a 4% da receita bruta efetivamente auferida, cuja discrepância é expressiva, afastam, entendo, a possibilidade de mero erro da contribuinte, caracterizando a sua intenção fraudulenta, devendo ser restabelecida a aplicação da multa qualificada. 4 , • Processo n° 18471.00158312005-28 CSRP-T1 Acórdão n.° 9101-00.533 Fl. 3 Ademais, destaque-se, conforme fls. 519 do Relatório Fiscal, que a contribuinte não mantinha escrituração contábil e fiscal e, quando intimada a apresentar, afirmou que ainda estariam sendo feitos por seu contador, sem contudo apresentá-los posteriormente. Esta situação é suficiente para afastar a possibilidade de erro e revelar a fraude realizada pelo contribuinte, na medida em que resta evidente a divergência entre a verdade real e aquela que declarou. Assim, a multa de oficio qualificada deve ser mantida quando comprovada a fraude realizada pelo contribuinte, ante a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte, e seus motivos simulatórios. Decadência Com relação ao prazo decadencial,- tem-se que o lançamento em questão decorre de arbitramento de receitas, com fundamento no art. 530 do RIR/99, nos seguintes termos: Art. 530. O imposto, devida trimestralmente no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. P): Neste ponto, mister esclarecer que há erro na construção do lançamento, quanto ao aspecto temporal da exigência, na medida em que o lançamento apurou o tributo anualmente e não trimestrahnente, como deveria fazê-lo em face do arbitramento. Contudo, sendo a matéria apreciada por esta Câmara Superior, em sede de Recurso Especial, entendo não mais ser possível reconhecer a nulidade do lançamento por erro em sua construção, já que esta não foi matéria discutida na decisão recorrida nem no respectivo recurso. Cabe a este relator, nesta fase processual, tão somente indicar o fato e recomendar a retificação do lançamento, com base no art. 149 do CTN, a autoridade lançadora. Em face da requalificação da multa de oficio, o prazo decadencial deve ser apurado segundo o art. 173 do CTN, tendo início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tendo sido o lançamento apurado em base anual, em relação ao ano-calendário 1999, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial seria 01.012001, esgotando-se, por conseguinte, em 31.12.2005. Assim, à época do lançamento, datado de 26.10.2005, não havia decaído, segundo o procedimento adotado pela autoridade lançadora (de apurar os tributos em bases anuais) o direito da Fazenda Nacional em proceder ao lançamento de oficio do crédito tributário de IRPJ e de CSLL do ano-calendário 1999. Em relação ao PIS e à COFINS, em face do período de apuração mensal a que estão sujeitas, deve ser reconhecida á decadência do crédito tributário relativo ao período de janeiro a novembro de 1999, nos termos do art. 173 do CTN. Em relação à contrariedade ao art. 45 da Lei n° 8.212/91, os ministros do STF decidiram, por unanimidade, declarar a ineonstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, editando a Súmula vinculante n° 8, nos seguintes termos: Súmula Yinculante n°8 ‘9- 5 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Sobre os recursos pendentes de julgamento e efeitos da aludida súmula, o Decreto n° 2.346/99 determina o seguinte: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador- Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11- não sejam efetivadas inscriçães de débitos em- divida ativa da União; - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam fonnuladas desistências de ações de execução fiscal Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Faundkria, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, (grifos nossos) Em decorrência, a análise sobre a aplicação do prazo previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91 recurso restou prejudicada, por perda de objeto, em face do que dispõe o parágrafo único do Decreto tf 2.346/99. Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ao dispor sobre o Recurso Especial, determina, em seu art. 67, § 2°, que não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. A Súmula do STF, sendo vinculante, igualmente desautoriza o conhecimento do Recurso Especial nesta parte. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial, para (i) restabelecer a penalidade de oficio aplicada ao . percentual de 150%; e (ii) afastar a decadência do crédito tributário de ffel. e CSLL relativamente ao ano 1999, bem como do PIS e COFINS relativo ao mês de dezembro de 1999, mantendo-se a decisão recorrida nos demais termos. Al.exandre Andrade Lima da Fonte Filho - Relatar e
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Numero do processo: 11070.900239/2008-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.
DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 02 39 /2 00 8- 30 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 13/08/2004 que buscou compensar créditos de PIS/Pasep alegadamente pago indevidamente ou a maior, de período de apuração julho de 2003, com débitos de COFINS, de competência de julho de 2004, no valor total de R$ 2.853,54 Através de Despacho Decisório eletrônico, recebido em 24/04/2008, a DRF em Santo Ângelo/RS não homologou o pedido do contribuinte indicando que, a partir das informações do DARF indicado foram localizados pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que transcreveremos, em sua integralidade, abaixo: Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou sua decisão na falta de provas para se comprovar o direito. Discorre acerca da falta de espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue: Inconformada o contribuinte protocolou Recurso Voluntario sucinto que transcreverei a seguir na sua íntegra: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900239/200830 Acórdão n.º 3803004.163 S3TE03 Fl. 42 3 Anexa “planilha de calculo contábil de PIS”, extratos de balancete de verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF e da DACON posteriores ao Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Grifamos” O contribuinte retificou a DCTF e DACON do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900239/200830 Acórdão n.º 3803004.163 S3TE03 Fl. 43 5 Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade. A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 6 Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não trazendo documentos fiscais de compras das mercadorias de pessoas físicas nem mesmo a escrita fiscal que registrou tais entradas. Conclusão A retificação da DCTF e da DACON após o conhecimento do despacho decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar seu direito creditório em manifestação de inconformidade, não o fez. Somente em recurso voluntario anexa escrituração contábil, porém nesse momento processual as provas só são admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso da contribuinte. Mesmo que fossem admitidas as provas anexadas em sede de Recurso Voluntario, estas se mostram insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do direito perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910079/2011-77
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2002
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 79 /2 01 1- 77 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910079/201177 Acórdão n.º 3801003.443 S3TE01 Fl. 111 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910079/201177 Acórdão n.º 3801003.443 S3TE01 Fl. 112 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910079/201177 Acórdão n.º 3801003.443 S3TE01 Fl. 113 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910079/201177 Acórdão n.º 3801003.443 S3TE01 Fl. 114 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910079/201177 Acórdão n.º 3801003.443 S3TE01 Fl. 115 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910079/201177 Acórdão n.º 3801003.443 S3TE01 Fl. 116 7 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923592/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/03/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância a quo para fins de apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/03/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância a quo para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 92 /2 00 9- 43 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinandose o retorno dos autos à instância “a quo” para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 25): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/03/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 26): Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842574041), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 27358.33012.300506.1.3.046098, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 58,54, pois o pagamento informado de R$ 8.503,52, sob o código 8109, efetuado em 15/03/2002, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 02/2002. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.923592/200943 Acórdão n.º 3802002.939 S3TE02 Fl. 48 3 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A Recorrente, nas razões de fls. 32 e ss., sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 22/10/2011 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 10/11/2011 (fls. 32). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência do regime nãocumulativo, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre as demais receitas, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, por meio de seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.923592/200943 Acórdão n.º 3802002.939 S3TE02 Fl. 49 5 Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão de outras receitas na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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