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Numero do processo: 13605.000259/2004-25
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2004
OPÇÃO. IMPEDIMENTO LEGAL.
Vedada a opção pelo Simples pela pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
EFEITOS DA EXCLUSÃO.
A exclusão do Simples surte efeito a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, na hipótese de que trata o incisos IX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996.
Numero da decisão: 1801-000.432
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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IMPEDIMENTO LEGAL. Vedada a opção pelo Simples pela pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples surte efeito a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, na hipótese de que trata o incisos IX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/CFN/MG nº 508.711, de 02 de agosto de 2004, fl. 06, com efeitos a partir de 01/01/2003, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 20/09/2000 Situação excludente: (evento 311): Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário de 2002 ultrapassou o limite legal. CPF 469.725.365-34 CNPJ 19.669.118/0001-35 Data da ocorrência: 31/12/2002 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, IX; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória nº 2.158-34 , de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003: art. 20, IX; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. A Recorrente manifestou-se contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, fl. 29, com pedido de revisão do ato em rito sumário argumentado, em síntese, que o sócio Renato Martins Magalhães, CPF 469.725.365-34, participa com somente 10% (dez por cento) do capital da pessoa jurídica Posto Dom Silvério Ltda, CNPJ 19.669.118/0001-35. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 30, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o referido sócio participa com mais de 10% do capital outra pessoa jurídica e a receita bruta global no ano-calendário de 2002 ultrapassou o limite legal, em conformidade com os dados contidos nos registros internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Cientificada em 18/10/2004, fl. 38-verso, ela apresentou a manifestação de inconformidade em 17/11/2004, fls. 40, com as alegações abaixo resumidas. Reitera que o sócio Renato Martins Magalhães, CPF 469.725.365-34, participa com somente 10% (dez por cento) do capital da pessoa jurídica Posto Dom Silvério Ltda, CNPJ 19.669.118/0001-35. Discorda do efeito retroativo da exclusão. Conclui Requer a V. S.a, que se mantida a decisão de exclusão, seja - deferida manutenção da signatária na condição de empresa de pequeno porte, com a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13605.000259/2004-25 Acórdão n.º 1801-00.432 S1-TE01 Fl. 63 3 tributação do SIMPLES até a data da comunicação do Ato Declaratório, por ser medida mais estrita justiça, São termos em que. Pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03-21.254, de 28/06/2007, fls. 48/49: “Solicitação Indeferida”. Consta que IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 Ementa: Opção pelo Simples — Condição Vedada - Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade, fl. 60. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Com estes argumentos espera a recorrente possa esse Egrégio Conselho de Contribuintes, conhecendo do presente recurso, dar-lhe provimento para o fim de manter a opção pelo SIMPLES até a data de sua efetiva exclusão, em 25.08.2004, data de recebimento do Ato Declaratório, com o que estarão cumprindo o honroso mister de distribuir justiça tributária.. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, fixa: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; Analisando as condições excludentes legais e cumulativas restou esclarecido que: - o sócio Renato Martins Magalhães, CPF 469.725.365-34, participa com mais de 10% (dez por cento) do capital da pessoa jurídica Posto Dom Silvério Ltda, CNPJ 19.669.118/0001-35, em conformidade com o quadro demonstrativo constante no Despacho Decisório, fl. 30, em face do qual a Recorrente não apresenta prova em contrário: Sócio: Renato Martins Magalhães - CPF 469.725.365-34 Nome da Empresa CNPJ Participação (%) Receita Bruta/2002 (R$) Ferraduras HR Ltda 04.075.905/0001-81 10,00%(*) 199.297,27 Posto Dom Silvério Ltda 19.669.118/0001-35 80,00% 1.244.547,97 Total 1.443.945,24 *Apesar do contrato social da empresa Ferraduras HR Ltda mostrar uma participação de apenas 10% do sócio Renato Martins Magalhães em seu capital, no sistema CNPJ consta uma participação de 50%. - a receita bruta global de ambas as pessoas jurídicas ultrapassou no ano- calendário de 2002 o limite legal de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), conforme com as informações prestadas pela autoridade administrativa, contra as quais a Recorrente não apresenta qualquer alegação, fls. 35/36. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou as provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa. A descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento concomitante das condições legais de excludentes no ano- calendário de 2003. Assim, a exclusão do Simples deve ser mantida. Sobre o efeito retroativo do procedimento fiscal, a Lei nº 9.317, de 1996, determina: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-á: I - por opção; II - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13605.000259/2004-25 Acórdão n.º 1801-00.432 S1-TE01 Fl. 64 5 § 1° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. [...] Art. 14. A exclusão dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A Instrução Normativa SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003, que vigorava à época, previa: Art. 24. [...] Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar- se-á a partir: [...] II - de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Válido é o procedimento de exclusão fundamentado na Medida Provisória nº 2.158-34, convalidada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. As medidas provisórias editadas anteriormente a 12/09/2001 continuam em vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até deliberação definitiva do Congresso Nacional, ou seja, permanecem em vigor independentemente de conversão em lei, conforme determinou o art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001. No caso de a pessoa jurídica que faz a opção pelo Simples até 27 de julho de 2001, constatada a hipótese do inciso IX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão se dão a partir de 01 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. No presente caso a Recorrente incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a proceder à exclusão mediante comunicação à RFB. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício pelo DRF/CFN/MG, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990). Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, de 01/01/2003, a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 Em face do exposto voto, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. Conselheira Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10980.726113/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
GANHO DE CAPITAL. TRANSFERÊNCIA DE BENS E DIREITOS PARA INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES EM VALOR MAIOR DO QUE O CONSTANTE DA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
As pessoas físicas que transferirem a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos por valor superior àqueles registrados na Declaração de Ajuste Anual, estão sujeitas à incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor atribuído à integralização e o valor constante declaração para os respectivos bens e direitos.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL COM INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS REALIZADO APÓS A ALIENAÇÃO DAS AÇÕES.
O aumento de capital social com incorporação de reserva de lucros realizado após a efetivação da alienação das ações não pode ser considerado no custo de aquisição das ações vendidas, pelo evidente fato de o acréscimo do capital social ter ocorrido após a operação que ensejou o ganho de capital.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
Numero da decisão: 2401-005.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arraes Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. TRANSFERÊNCIA DE BENS E DIREITOS PARA INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES EM VALOR MAIOR DO QUE O CONSTANTE DA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. As pessoas físicas que transferirem a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos por valor superior àqueles registrados na Declaração de Ajuste Anual, estão sujeitas à incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor atribuído à integralização e o valor constante declaração para os respectivos bens e direitos. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL COM INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS REALIZADO APÓS A ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. O aumento de capital social com incorporação de reserva de lucros realizado após a efetivação da alienação das ações não pode ser considerado no custo de aquisição das ações vendidas, pelo evidente fato de o acréscimo do capital social ter ocorrido após a operação que ensejou o ganho de capital. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arraes Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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GANHO DE CAPITAL. Recorrente ALEXANDRE MALUCELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. TRANSFERÊNCIA DE BENS E DIREITOS PARA INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES EM VALOR MAIOR DO QUE O CONSTANTE DA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. As pessoas físicas que transferirem a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos por valor superior àqueles registrados na Declaração de Ajuste Anual, estão sujeitas à incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor atribuído à integralização e o valor constante declaração para os respectivos bens e direitos. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL COM INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS REALIZADO APÓS A ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. O aumento de capital social com incorporação de reserva de lucros realizado após a efetivação da alienação das ações não pode ser considerado no custo de aquisição das ações vendidas, pelo evidente fato de o acréscimo do capital social ter ocorrido após a operação que ensejou o ganho de capital. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 61 13 /2 01 1- 67 Fl. 150DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arraes Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10980.726113/201167 Acórdão n.º 2401005.025 S2C4T1 Fl. 151 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 83/87, que exige do contribuinte R$ 233.298,60 de imposto, acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios, em razão da apuração de “GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS” com omissão de ganho de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores, conforme termo de verificação fiscal de fls. 88/94, fato gerador ocorrido em 02/07. A operação, conforme relatado no acórdão recorrido (fls. 114/115), ocorreu da seguinte forma: Relata o auditor que, conforme a ata da 1ª Assembleia Geral Extraordinária da J. Malucelli Holding S/A, de 02/02/2007, o sócio Alexandre Malucelli integralizou sua participação no capital social da citada empresa mediante a entrega de 5.646.438 ações ordinárias do Paraná Banco pelo valor de R$ 7.813.221,00, sendo emitidas na oportunidade 7.813.221 ações ordinárias nominativas. Na sequência, cita o anexo da 1ª Assembléia Geral Extraordinária da J. Malucelli Holding S/A, consistente no Laudo de Avaliação realizado pela S. Fracaro Assessoria Contábil, a pedido da J. Malucelli Holding S/A, com a finalidade de proceder à avaliação do valor contábil de 67.757.524 ações ordinárias do Paraná Banco S.A., representativas de 67,75% do seu Capital Social, no qual ficou externada a conclusão dos peritos, atribuindoas o valor máximo de R$ 93.759.030,00, para fins de aumento de capital na J. Malucelli Holding S/A. Ressalta que a entrega das ações para a J. Malucelli Holding S/A, em 02/02/07, conforme ata da 1ª Assembleia Geral Extraordinária, ocorreu antes mesmo do aumento de capital realizado pelo Paraná Banco mediante a utilização da reserva de lucros, cuja deliberação ocorreu na 64ª Assembleia Geral extraordinária do Paraná Banco, realizada em 28/02/07. Comenta o auditor também que a avaliação feita pela Fracaro Assessoria Contábil (38,37%) representou uma valorização das ações do Paraná Banco em patamar acima do efetivo aumento do capital social do Paraná Banco, que ficou em 32%. Contudo, segundo o agente fiscal, mesmo após o aumento do capital social, o valor unitário das ações permaneceu em R$ 1,00. Dado este quadro, o fiscal partiu, então, para a apuração do custo de aquisição das ações do Paraná Banco que foram entregues para integralização do capital social da J. Malucelli S/A, chegando ao montante de R$ 6.257.897,00. Feito isto, tendo em vista o valor da alienação de R$ 7.813.221,00 e o custo de aquisição de R$ 6.257.897,00, apurou se um ganho de capital de R$ 1.555.324,00. Fl. 152DF CARF MF 4 Cientificado do Auto de Infração AI, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0737.397 6ª Turma da DRJ/FNS (fls. 113/120) com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. TRANSFERÊNCIA DE BENS E DIREITOS PARA INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES EM VALOR MAIOR DO QUE O CONSTANTE DA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. As pessoas físicas que transferirem a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos por valor superior àqueles registrados na Declaração de Ajuste Anual, estão sujeitas à incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor atribuído à integralização e o valor constante declaração para os respectivos bens e direitos. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL COM INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS REALIZADO APÓS A ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. O aumento de capital social com incorporação de reserva de lucros realizado após a efetivação da alienação das ações não pode ser considerado no custo de aquisição das ações vendidas, pelo evidente fato de o acréscimo do capital social ter ocorrido após a operação que ensejou o ganho de capital. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. As Delegacias Regionais de Julgamento são incompetentes para apreciar arguições relativas à inconstitucionalidade e ilegalidade de leis ou atos normativos federais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 6/7/15 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 124), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/7/15, fls. 126/146 (no qual repisa argumentos apresentados na impugnação), que contém, em síntese: Aduz que a incidência do imposto de renda pressupõe a ocorrência de fato tributário que importe em riqueza nova para o contribuinte, não bastando mera transformação da expressão de riqueza que já lhe pertença. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10980.726113/201167 Acórdão n.º 2401005.025 S2C4T1 Fl. 152 5 Explica que a recorrente promoveu a transferência das 5.646.438 ações ordinárias que possuía do Paraná Banco e em contrapartida recebeu 7.813.221 ações ordinárias da J. Malucelli Holding S/A, sendo uma relação de equivalência patrimonial. Essa operação implicou somente em uma transformação no patrimônio já detido pela recorrente. Houve na verdade a mera substituição de um bem por outro. Acrescenta que essa operação em nenhum momento se traduziu em dinheiro, mas apenas em substituição de ações, em patamar de equivalência. Entende que a operação de integralização em capital social de pessoa jurídica não está sujeita à incidência de imposto sobre a renda, porquanto constituiu um ato típico, que não se confunde com a hipótese abstrata prevista na Lei 8.981/95, art. 23, §§ 1º e 2º, no qual foi enquadrada pela fiscalização. Cita jurisprudência. Afirma que a integralização de determinado bem (inclusive ações) no capital social não representa aquisição econômica por parte de seu titular. Tratase de um ato típico que não se equipara ou se assemelha a atos de comércio ou de cessão de direitos, afastando a ideia de lucro, ainda que haja oscilação de valor em razão, puramente, da avaliação do bem (ações). Cita doutrina. Conclui que na transferência das ações realizada pelo recorrente não houve sinal de riqueza nova, muito menos geração de disponibilidade econômica ou jurídica. Assim, não há como identificar em tal evento a existência de capacidade contributiva por parte da recorrente, uma vez que não resultou em possibilidade econômica de contribuir para o Erário com o pagamento de tributo. Assevera que o lançamento de ofício do imposto de renda promovido afronta o princípio da capacidade contributiva, disposto na CR/88, art. 145, § 1º. Destaca que a transferência de ações pelo recorrente não teve o condão de alterar a proporção da sua participação societária. Expõe que ficou claro que, na descrição dos fatos, a avaliação recaiu sobre todas as ações do Paraná Banco, sem repercutir na sua distribuição entre os acionistas. Essa constatação confirma que não se consumou incremento no patrimônio do recorrente no momento da entrega de suas ações do Paraná Banco mediante integralização no capital social da J. Malucelli Holding S/A. Diz que deve prevalecer a substância sobre a forma, sendo aplicável a norma isentiva estabelecida na Lei 8.849/94, art. 3ª, § 2º, com redação dada pela Lei 9.064/95, que dispõe sobre o aumento de capital mediante incorporação de lucros ou reservas. Explica que não fosse a questão formal da data de realização da 64ª Assembleia Geral Extraordinária que incorporou lucros que já haviam sido apurados, tributados e reservados para o aumento do capital social do Paraná Banco, por certo não teria sido sequer lavrado o auto de infração contra a recorrente. Expõe que o aumento do valor das ações do recorrente vinculouse à incorporação de lucros para aumento do capital social do Paraná Banco. Frisa que o fato de não terem sido emitidas novas ações, mas alterado o valor nominal das ações existentes, em nada interfere sob o aspecto tributário. Afinal, tratase de critérios matematicamente equivalentes, que não repercutem na situação patrimonial propriamente dita. Fl. 154DF CARF MF 6 Portanto, a seu ver, considerando que na integralização de ações no capital social da J. Malucelli Holding S/A foi computada a parcela dos lucros que cabia à impugnante lucros esses que já haviam sido apurados, tributados e constituídos em reserva pelo Paraná Banco , concluise que a diferença apontada pela fiscalização entre o "custo aquisição" e o "valor da alienação" de tais ações é isenta de imposto de renda, por força da Lei 8.849/94, art. 3º, § 2º. Considera que se trata, na essência, de montante relacionado à utilização da reserva de lucros pelo Paraná Banco para o aumento de seu capital social, acompanhado da integralização de 67,757525% de suas ações (dentre as quais de titularidade do recorrente) no capital social da J. Malucelli Holding S/A. Sustenta que o aspecto substancial da operação deve ser considerado e reconhecido no julgamento deste feito, buscandose o seu real e legítimo propósito com base nas circunstâncias materiais apresentadas. Afirma que no contexto dessa operação situase o ato de transferência para a holding das ações que o recorrente detinha na empresa cujo capital social foi aumentado através da incorporação da reserva de lucros. Frisa ainda que se mantido o auto de infração, restará caracterizada o fenômeno do bis in idem, pela exigência do imposto de renda duas vezes sobre a mesma parcela de lucro (uma vez na pessoa jurídica do Paraná Banco e outra vez na pessoa física do recorrente), o que é vedado em nosso ordenamento jurídico. Requer seja julgado improcedente o auto de infração. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.726113/201167 Acórdão n.º 2401005.025 S2C4T1 Fl. 153 7 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO GANHO DE CAPITAL Inicialmente, destacase que a atividade vinculada do agente administrativo não o permite interpretar a lei de forma diversa, devendo observar o disposto no CTN, art. 142: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No presente caso o contribuinte integralizou sua participação no capital social da empresa J. Malucelli Holding S/A, mediante a entrega de 5.646.438 ações ordinárias do Paraná Banco pelo valor de R$ 7.813.221,00, sendo emitidas na oportunidade 7.813.221 ações ordinárias nominativas. O valor da participação societária adquirida corresponde ao que foi definido pela avaliação aprovada em assembleia. No patrimônio do acionista ocorreu a saída das ações entregues do Paraná Banco e o ingresso das novas ações, da J. Malucelli Holding S/A. A transferência não se deu mediante a entrega em dinheiro, mas sim em bens (ações). Assim, a transmissão da propriedade dos ativos é onerosa e mensurada em dinheiro, a partir de prévia avaliação de profissionais peritos. A hipótese de integralização de capital por pessoa física, mediante entrega de bens, foi estabelecida no art. 23 da Lei 9.249/95: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. Fl. 156DF CARF MF 8 § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. (grifo nosso) Sendo assim, a transferência de ações é uma forma de alienação em sentido amplo, sendo que a diferença a maior a favor do valor econômico em contraposição ao custo de aquisição da participação na empresa cujas ações estão sendo entregues, constituise em ganho de capital. As operações que importem alienação de bens estão sujeitas à apuração de ganho de capital, de acordo com a Lei 7.713/88, art. 3º: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. (grifo nosso) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (grifo nosso) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. O imposto em questão incidirá sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, neste último incluído o ganho de capital aqui abordado, o qual é perfeitamente mensurável monetariamente. A lei ao definir o fato gerador do imposto não se reporta à disponibilidade financeira, mas à disponibilidade econômica ou jurídica, CTN, art. 43: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.726113/201167 Acórdão n.º 2401005.025 S2C4T1 Fl. 154 9 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Para o CTN, o fato gerador do imposto se configura possível com o simples acréscimo patrimonial, não se exigindo a disponibilidade financeira ou circulação de numerário correspondente. Vêse, portanto, que a disponibilidade da nova riqueza em pecúnia não é requisito absoluto para a tributação da renda da pessoa física, especialmente diante da hipótese de patrimônio economicamente acrescido pela aquisição de um bem ou direito, como no caso integralização de ações mediante a entrega de ações de outra empresa. Neste caso, independentemente da conversão em pecúnia, estará configurada a realização de renda para a pessoa física a partir do instante em que o bem ou direito esteja incorporado ao seu patrimônio, ou seja, basta para a aquisição da disponibilidade da renda a possibilidade de mensuração econômica do bem ou direito e que, efetivamente, acresça riqueza ao patrimônio do contribuinte. Frisese que o artigo 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seus incisos IV e XIII, traz exemplificativamente hipóteses de incidência em que não há recebimento de valores em dinheiro. Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): [...] IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; (grifo nosso) [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Assim, diante da legislação aplicável, especialmente a Lei 7.713/88, art. 3º, § 3º, a conclusão não pode ser outra: o fato gerador do IRPF ocorreu no momento da operação ora tratada, e tendo sido apurado o ganho de capital, correto o lançamento fiscal que apurou o imposto devido. Fl. 158DF CARF MF 10 Logo, não há como se acolher as alegações de que não houve disponibilidade econômica ou jurídica, de que não houve incremento patrimonial e de que não houve alteração na proporção da participação societária. INCONSTITUCIONALIDADE Acrescentese que a validade ou não da lei, em face de suposta ofensa a princípio de ordem constitucional escapa ao exame da administração, pois se a lei é demasiadamente severa, cabe ao Poder Legislativo, revêla, ou ao Poder Judiciário, declarar sua ilegitimidade em face da Constituição. Assim, a inconstitucionalidade ou ilegalidade de uma norma não se discute na esfera administrativa, pois não cabe à autoridade fiscal questioná la, mas tão somente zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada. Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E a Súmula CARF nº 2 determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, irrelevantes os argumentos sobre ofensa ao princípio constitucional da capacidade contributiva. INCORPORAÇÃO DE LUCROS Não há como se acatar o argumento de que o aumento do valor das ações do recorrente vinculouse à incorporação de lucros para aumento do capital social do Paraná Banco. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, a integralização das ações da empresa J. Malucelli Holding S/A aconteceu em 2/2/07, enquanto o aumento de capital do Paraná Banco S/A, com a utilização de reservas de lucros, ocorreu em 28/2/07, logo, em data posterior à alienação. Sendo assim, não há como atribuir ao custo das ações alienadas referido aumento de capital. Cabe aqui citar trecho do acórdão de impugnação que muito bem tratou da matéria: Com efeito, não é possível atribuir ao custo de alienações alienadas o aumento de capital social com a utilização de reservas ocorrido posteriormente. Não se trata apenas de questão formal, como aduz o impugnante, mas de efetiva data em que cada operação foi efetivada. Prova disso é que, conforme Ata da Trigésima Assembléia Geral Ordinária e Sexagésima Quarta Assembleia Geral Extraordinária (fls 76 e 77), de 28/02/2007, na qual foi decidido pelo aumento de capital com reserva de lucros, o Srº. Alexandre Malucelli não participou da reunião, pois não figurava como sócio, de acordo com discriminação dos subscritores contida na própria ata. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.726113/201167 Acórdão n.º 2401005.025 S2C4T1 Fl. 155 11 Posto isto, não há que se falar em consideração do aumento de capital social com reserva de lucros no custo de aquisição das ações vendidas, visto que na data de sua efetivação, as ações do Srº. Alexandre já haviam sido alienadas à J. Malucelli Holding S/A. Tampouco podese falar em ocorrência "de bis in idem", porquanto o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital levantado ocorreu em momento anterior ao aumento do capital social utilizandose a incorporação de reserva de lucros, de modo que não constituiu motivo para a valorização da participação societária do autuado. Logo, não havendo razão também para ser considerado no cômputo do custo de aquisição. CONCLUSÃO Sendo assim, correto o procedimento fiscal que apurou o IRPF ora lançado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 160DF CARF MF 12 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Do ganho de capital na operação de incorporação de ações Divirjo da i. relatora quanto a existência do ganho de capital passível de tributação na operação de incorporação de ações detalhadamente descrita no voto acima. Tratase de discussão bastante conhecida neste Conselho e com jurisprudência e doutrina na defesa de ambas as teses. Como destacado nos debates deste julgamento, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 03/03/2015, julgou caso muito semelhante ao presente e entendeu pela não incidência do IRPF na operação, proferindo o Acórdão nº. 9202003.579, cuja ementa restou assim redigida: IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, o contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço.Recurso especial negado. Na ocasião, o i. relator designado para redigir o voto vencedor, Manoel Coelho Arruda Junior, de maneira brilhante e minuciosa abrangeu o tema por diversas perspectivas, todavia, uma delas em especial me chama a atenção, razão pela qual apresento Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10980.726113/201167 Acórdão n.º 2401005.025 S2C4T1 Fl. 156 13 esta declaração de voto, por entender que a matéria, quando discutida, está passando ao largo de crucial fundamento. Destaco alguns trechos do mencionado acórdão: Por outro lado, não obstante as delimitações negativas que buscamos realizar, é importante salientar que o Texto Constitucional consagra o direito de propriedade (artigo 5º, XXII, da Constituição da República de 1988), a capacidade contributiva (artigo 145, §1º, do mesmo Diploma) e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III). A tributação consiste em invasão no patrimônio do contribuinte, relativizando o seu direito de propriedade, que destaca parte de sua riqueza (a ser calculada de acordo com o referencial adotado – renda, patrimônio, faturamento, receita, dentre outros) e a entrega ao Estado, como forma de abastecimento dos cofres públicos e concretização dos valores constitucionais perseguidos pela sociedade. Esta invasão, no entanto, não pode aniquilar direitos fundamentais. A capacidade contributiva, a seu turno, impõe que o legislador capte as manifestações de riqueza, previamente estipuladas pelas regras de competência tributária. Com essas palavras, queremos pontuar que só há renda– acréscimo patrimonial – após o confronto entre as receitas e as despesas, de modo a se tributar, efetivamente, riqueza disponível, e não um ônus, uma perda ou, enfim, qualquer decréscimo patrimonial. Nesse diapasão, parecenos que o vocábulo renda só pode significar o acréscimo de riqueza definitivo ao patrimônio do contribuinte, obtido após a dedução das despesas indispensáveis à manutenção da fonte produtora, verificada em determinado período de tempo. O conceito em tela distinguese principalmente da noção de “patrimônio” (que é o conjunto estático de bens) e de “receita” (ingresso patrimonial), vez que sua configuração depende da dedução de determinadas saídas. Do contrário, terseia renda como sinônimo de receita. Posto isso, cabe analisar se a definição do conceito de “renda e proventos de qualquer natureza” realizada pelo legislador nacional complementar, é compatível com a regra de competência do artigo 153, III, da Carta Magna de 1988. [...] A tributação da renda só é possível quando configurada a disponibilidade –econômica ou jurídica – que denote manifestação de capacidade contributiva por parte do contribuinte. A disponibilidade econômica referese à efetiva disponibilidade dos recursos financeiros em caixa, enquanto a disponibilidade jurídica consiste em título jurídico, líquido e certo, que lhe permite obter, incontestavelmente, a realização em dinheiro. O importante, para que se viabilize a incidência do tributo, é que o contribuinte adquira esta disponibilidade e Fl. 162DF CARF MF 14 manifeste capacidade econômica para arcar com a carga tributária que lhe será imposta em razão deste acréscimo. Definir se a incorporação de ações enseja ganho de capital aos acionistas, pessoas físicas da empresa incorporada, exige domínio do conceito constitucional de renda, da sua definição à luz do Código Tributário Nacional e se há subsunção deste evento, ou não, ao critério material da hipótese de incidência da norma tributário. Ademais, é decisivo saber se esta operação societária equiparase à alienação de bens ou direitos por meio de subscrição de ações, conforme disposto no §3º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88. De nossa parte, afirmo sem qualquer receio que a incorporação de ações não se equipara à alienação de bens. Alienar tem como acepção de base a transferência de algo a outrem. O Código Civil de 2002, trata a alienação como forma de perda da propriedade, consoante o artigo 1.275, I, e se concretiza quando há um negócio jurídico bilateral, pelo qual o alienante transfere, a título gratuito ou oneroso, determinado bem ou direito ao alienatário. Na incorporação de ações ocorre troca, permuta ou, como enuncia a Lei das Sociedades Anônimas, substituição de ações. Esta transação, frisese, não se dá entre os acionistas da incorporada e a sociedade incorporadora, mas sim entre as duas companhias. Os acionistas da incorporada deliberam sobre a formalização da operação, mas não se exige votação unânime. O sócio que tenha recusado a incorporação, caso não exerça o seu direito de retirada, sofrerá os efeitos da operação societária, passando a ser considerado acionista da incorporadora, de quem receberá novas ações, em substituição àquelas que possuía, cabendolhe efetuar as alterações necessárias em sua declaração de bens. Como se vê, no trecho acima temos as razões do redator do voto vencedor sob o prisma constitucional, ou seja, a análise da incidência ou não do ganho de capital da pessoa física sob o prisma dos conceitos constitucionais de renda que autorizam a tributação. Não se trata de declarar inconstitucional os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, mas sim de analisar a operação concreta (incorporações de ações) e os seus resultados de acordo com a previsão constitucional e decidir pela incidência ou não da tributação. Neste ponto, fazendo jus ao brilhantismo das razões dispostas no Acórdão nº. 9202003.579 e sendo desnecessário ser repetitivo quanto àquelas, destaco a importância desta discussão tão corrente neste Conselho passar a considerar, mais concretamente, a redação do art. 153, III, da Constituição Federal, além dos mencionados direito de propriedade (artigo 5º, XXII, da Constituição da República de 1988), a capacidade contributiva (artigo 145, §1º, do mesmo Diploma) e a dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III). Analisando a questão também sob esse prisma constitucional, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento da Apelação/Remessa Necessária nº 505279342.2011.4.04.7000, em acórdão proferido em 01/09/2015, também entendeu pela não incidência do IRPF em operação idêntica a do presente caso, utilizandose, inclusive, do acórdão nº. 9202003.579 da 2ª Turma da CSRF acima mencionado. Na ocasião, o Des. Otávio Roberto Pamplona, que redigiu o voto vencedor, assim ponderou: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10980.726113/201167 Acórdão n.º 2401005.025 S2C4T1 Fl. 157 15 Pondero, ademais, que, mesmo que se considerasse a incorporação de ações como ato de alienação, não estaria a situação dos autos enquadrada no âmbito da regra matriz de incidência do IRPF. Pela simples e óbvia razão de que nem toda alienação implica em ganho de capital. Em outras palavras, a realização de uma alienação, por si só, não gera ganho de capital, cujo exemplo típico é a permuta sem torna, ainda que não coincidentes os valores dos bens permutados. Não se aplica, portanto, na espécie, a regra constante no artigo 3º, § 3º, da Lei n. 7.713/88, nem tampouco a inserta no artigo 23 da Lei nº 9.249/95, esta última um dos fundamentos básicos do ato fiscal, assim expressa: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do Decreto Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Isso porque, como exaustivamente posto na fundamentação, a incorporação de ações para a criação da subsidiária integral não se confunde com a integralização de capital. Ademais, o artigo 23, acima transcrito, prevê uma faculdade à pessoa física para optar em fazer ou não a reavaliação mercadológica das ações e, caso queira, altere os valores na sua declaração enquanto pessoa física. Já, na hipótese de criação de subsidiária integral, o caso é de avaliação obrigatória, por força da Lei das Sociedades Anônimas, o que justifica o mesmo tratamento dado à permuta sem torna, visto que, conquanto diversos os valores de aquisição e os valores de mercado, não há, aqui também, recebimento de valores, isto é, de renda tributável. [...] Na verdade, admitirse a tributação como consta do ato fiscal implicaria em tributação sobre o patrimônio e não tributação sobre a renda. Mutatis mutandis, em um exemplo simples, seria o mesmo que o legislador determinasse que fossem lançadao, nas declarações de ajuste dos contribuintes pessoas físicas, os valores de seus bens imóveis de acordo com o valor do mercado no final do exercício declarado (desde 31 de dezembro 1995 congelados, portanto, sem correção dos valores; que a posterior legislação Fl. 164DF CARF MF 16 que introduziu tardiamente a redução do ganho de capital não solveu bem a distorção Lei nº 11.196/2005,), e, ao mesmo tempo, determinasse, em razão da mais valia, que fosse ela tributada como renda, a título de ganho de capital. Ou seja, tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda. [...] A tudo, ainda, podese acrescentar que a tributação ofenderia o princípio da capacidade contributiva, visto que, como bem posto por Ricardo Mariz de Oliveira, 'a intributabilidade nessas operações decorre do princípio constitucional da capacidade contributiva, o qual, em se tratando do imposto de renda (e também da CSL), está refletido na definição dos respectivo fato gerador, contido no art. 43 do CTN, no sentido de que ele corresponde à aquisição da disponibilização econômica ou jurídica de renda, ou seja, de renda realizada', sendo certo, ainda segundo o aludido autor, que 'qualquer eventual mais valia da ação ou bem recebido, em relação ao custo de aquisição, não passa de valor econômico que a ação ou bem dado já carregava antes do ato, mas que somente seria tributável quando alienado, e agora quando vier ser alienado o bem recebido na troca' (op. cit., p. 202 e 203, respectivamente, vide também, p. 106). Por fim, ofenderia a regra geral de tributação da pessoa física pelo regime de caixa, a qual, só como exceção, é afastada, como, por exemplo, na hipótese do art. 23 da Lei nº 9.249/95, a qual só pode incidir por opção do próprio contribuinte, conforme regra inserta no § 2º do referido artigo, e não por imposição legal ou por discrição da administração tributária. Assim, com base nas razões expostas, dando o devido destaque para os acórdãos proferidos pela 2ª Turma da CSRF deste Conselho (9202003.579) e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 505279342.2011.4.04.7000/PR), que com brilhantismo tratam exaustivamente da questão de mérito aqui discutida e analisaram a incidência ou não do IRPF sob o prisma da autorização constitucional para sua exigência, entendo que não há que se admitir a existência de ganho de capital passível de tributação na operação de incorporação de ações levada a efeito pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720746/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR.
Os diretores de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatutos. Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário.
Numero da decisão: 3301-003.962
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Os diretores de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatutos. Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 07 46 /2 01 4- 81 Fl. 9303DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.304 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório elaborado no Acórdão nº 0834.981 4ª Turma da DRJ/FOR (fls. 9219/9233): O presente processo tratou sobre impugnação contra os lançamentos tributários referentes a períodos de apuração dos anoscalendários 2009 e 2010, consubstanciados nos seguintes autos de infração: 2. A descrição dos fatos do lançamento de Cofins conteve a seguinte infração: 0001 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Valor apurado com base nos fatos descritos no Termo de Verificação da Infração (TVI), que é parte integrante deste Auto de Infração nos autos do PAF nº 15586.720.746/201481. Fato Gerador Contribuição (R$) Multa (%) 31/01/2009 1.784,74 150,00 28/02/2009 417,23 150,00 31/05/2009 6.395,57 150,00 30/06/2009 6.395,54 150,00 31/08/2009 99.686,23 150,00 30/09/2009 101.375,69 150,00 31/10/2009 187.541,23 150,00 30/11/2009 159.235,08 150,00 31/01/2010 82.465,96 150,00 28/02/2010 115.924,39 150,00 31/03/2010 132.698,85 150,00 30/04/2010 4.549,18 150,00 31/07/2010 84.498,49 150,00 31/08/2010 1.487,04 150,00 30/09/2010 815,38 150,00 3. A fundamentação para os referidos lançamentos fiscais encontrase no Termo de Verificação da Infração (TVI), consoante efls. 8901/9038, a seguir resumida: TRIBUTO VALOR EM REAIS (PRINCIPAL, MULTA E JUROS) LOCALIZAÇÃO NOS AUTOS Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS 1.356.341,76 efls. 9064/9087 Contribuição para o PIS/Pasep 298.837,54 efls. 9039/9063 TOTAL 1.655.179,30 efl. 8900 Fl. 9304DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.305 3 Em análise dos PER/DCOMPs de efl. 8904, constatouse a necessidade de glosa de grande parte das aquisições de carvão vegetal, tendo em vista que: a) Os supostos fornecedores de carvão e o próprio impugnante estão envolvidos em esquema ardiloso de fabricação de créditos de Cofins e PIS/Pasep, consoante Inquéritos Policiais anexados; b) Os alegados negócios entre os fornecedores de carvão e o impugnante contemplam pelo menos uma entre as seguintes hipóteses: impugnante não comprovou a efetividade dos pagamentos correspondentes à compra deste insumo; fornecedor não possui patrimônio nem capacidade operacional para produzir e vender carvão; fornecedor não recolheu Cofins e PIS/Pasep na fase anterior da cadeia de produção ou de comercialização; fornecedor encontrase com a situação cadastral irregular (CNPJ); fornecedor é pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas (“laranjas”); os pagamentos correspondentes à compra de carvão foram efetuados a pessoa física e não à pessoa jurídica fornecedora. Também foram glosadas as aquisições de sucata de ferro, sucata de ferro gusa, sucata de aço e os serviços de transporte desses materiais, nos termos do artigo 47 da Lei n° 11.196, de 2005, e as aquisições de pessoas físicas, conforme previsto no artigo 3º, § 2º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. “De posse dos créditos de PIS/COFINS vinculados à receita de exportação, a Fiscalização chegou a novos valores de créditos passíveis de aproveitamento mediante ressarcimento ou compensação, os quais serão informados no Sistema de Controle de Créditos Tributários (SCC), e o resultado destas ações será cientificado ao contribuinte. Já quanto aos novos valores de créditos vinculados ao mercado interno e utilizados pela pessoa jurídica no desconto das contribuições apuradas mensalmente, a Fiscalização constatou em alguns meses que eles foram insuficientes para desconto integral das contribuições devidas e relacionadas nos DACONs do período. Neste ponto, cabe ressaltar que o contribuinte possuía saldo credor de PIS/COFINS nos meses de novembro e dezembro de 2008, apurado em procedimentos fiscais anteriores sob o MPF nº 0720100.2011.006162. Este saldo credor permitiu à Fiscalização proceder ao seu aproveitamento de ofício nos meses devedores, porém, conforme se observa nas PLANILHAS DE RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO DE PIS/COFINS, este saldo credor não foi suficiente, restando ao final saldos devedores do PIS e da COFINS.” [efls. 8946/8947] “Após a conferência dos créditos relacionados pela pessoa jurídica nos DACONs de 2009 e 2010, e considerando os fatos até aqui expostos, a Fiscalização com base na leis que regem o PIS e COFINS não cumulativos, apurou contribuições devidas e não recolhidas ou declaradas em DCTF. Os saldos ao final de cada mês são os indicados na PLANILHA DE VERIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO VINCULADOS À RECEITA TRIBUTADA NO MERCADO INTERNO (Anexo III), e os débitos apurados destas contribuições e seus acréscimos legais são objeto de cobrança neste Auto de Infração.” [efl. 8948] Fl. 9305DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.306 4 Outrossim, entendeuse pela qualificação da multa de ofício, devido à habitualidade e gravidade das infrações cometidas. 4. A autoridade fiscal também lavrou os Termos de Sujeição Passiva Solidária contra Antonio Carlos Correa Leite Buchaul (e fls. 9208/9210) e Udo Castilho Schlemm (efls. 9212/9214), diretores da Siderúrgica Ibiraçu S/A na época das infrações à lei, em conformidade com o artigo 135, inciso III, do CTN. 5. Cientificado dos autos de infração em 20/11/2014 (efl. 9206), o contribuinte apresentou impugnações, em 15/12/2014, quanto à Cofins (efls. 9127/9132) e ao PIS/Pasep (efls. 9164/9169), ambas com o mesmo conteúdo, a seguir resumidas: CONSIDERAÇÕES SOBRE O RECORRENTE a) O impugnante é Empresa Siderúrgica, estabelecida no Município de IbiraçuES há 15 anos; produz ferro gusa destinado aos mercados interno e externo, gerando grande número de emprego na região. b) Como fonte de energia, utiliza carvão vegetal, adquirido de diversos fornecedores, sendo certo que todo carvão adquirido vem acompanhado das respectivas Notas Fiscais. c) Todas as Notas Fiscais estão escrituradas em livros próprios e acompanhadas dos respectivos DAE's Documento de Arrecadação Estadual. As Notas Fiscais que acobertaram a comercialização do carvão preenchem todos os requisitos extrínsecos e intrínsecos do RICMS/ES, conforme comprovam as cópias inclusas, inobstante não terem sido autorizada a confecção dos respectivos blocos. d) Aduziu Acórdão n° 121/2009, da 1ª Câmara de Julgamento, referente ao Processo n° 18005136, CERF 155/2009, Inscrição Estadual n° 081.925.484. e) Registrase que os pagamentos feitos pelo impugnante, referentes a aquisição de carvão vegetal, são feitos diretamente as Empresas Vendedoras ou a terceiros indicados por aquelas, mediante declaração expressa. f) Nesse sentido, o impugnante sempre apresentou Declarações de Compensação (DCOMPs) objetivando o aproveitamento de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS nãocumulativo. g) O impugnante somente efetua compra de insumo com pessoas jurídicas fornecedoras, após consulta ao SINTEGRA/SEFAZES. Assim, inobstante o desconhecimento das supostas irregularidades constatadas pela fiscalização, fica desde logo evidenciada a boafé do recorrente. h) Não é razoável repassar para o adquirente, na condição de administrado, o pesado, senão insuportável, ônus de verificar, em cada operação, a origem e regularidade fiscal de cada contribuinte que travar relações contratuais. i) O fisco não pode transferir para outra a responsabilidade tributária, a menos que comprove fraude que não se presume. j) Registrase ainda que o impugnante detém o direito ao aproveitamento dos créditos das contribuições oriundos da compra de insumos. Isso porque a pessoa jurídica que adquire mercadoria de outra Fl. 9306DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.307 5 pessoa jurídica regularmente inscrita, mediante nota fiscal e comprovante do recolhimento dos tributos, não pode ser responsabilizada pela omissão dos vendedores, em recolher o tributo e muito menos ser impedida de obter o benefício fiscal de crédito, por ter agido de boafé. k) Imputar responsabilidade ao comprador em tal situação seria atribuir a terceiro, sem previsão legal, responsabilidade tributária, em flagrante ofensa ao artigo 128 do CTN. l) Tem entendido o STJ caber ao Fisco e não ao contribuinte adquirente da mercadoria, o dever de verificar a idoneidade das notas fiscais, e, desse modo, não há plausibilidade jurídica em obstar o adquirente de boafé ao aproveitamento de créditos, quando verificado, a posteriori, que a documentação fiscal que originou o crédito não era idônea. m) No que se refere ao contribuinte, a operação está revestida de todas as formalidades necessárias para garantir sua legalidade, e sendo assim deve ser reconhecido o direito de aproveitamento total do crédito de COFINS nãocumulativa, até porque recebeu todos os documentos fiscais dos fornecedores e agiu de boafé. DO EXCESSO DA MULTA APLICADA n) A situação em concreto não se enquadra nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, razão pela qual não incide a dobra de 75% de multa, pois inexiste subsunção dos fatos à norma tida por violada. o) No máximo, aplicarseia ao presente caso o artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430, de 1996, sob o percentual de 50%. DA DECADÊNCIA p) Considerando as normas decadenciais (artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do CTN), operouse a caducidade parcial do crédito tributário. 6. Já os responsáveis solidários contestaram os termos de sujeição passiva solidária mediante impugnações de efls. 9092/9099 e 9109/9116, que contêm, além do teor das impugnações citadas no parágrafo anterior, os seguintes argumentos: ESPECIFICAMENTE QUANTO A SUPOSTA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO RECORRENTE, REGISTRESE O SEGUINTE: a) Não consta dos Autos nenhuma motivação a ensejar a responsabilização solidária do ora Recorrente. b) É certo que a Decisão Administrativa que atribui responsabilidade solidária ao sócio da Empresa autuada deve ser adequadamente motivada e fundamentada, sem depender de presunções e ficções inadmissíveis no âmbito do direito público e do direito administrativo. Tais requisitos legais não estão presentes no caso em concreto. c) Os Tribunais Pátrios têm considerado presunção inadmissível aquela que impõe ao sujeito passivo deveres probatórios ontologicamente impossíveis, arrazoáveis e desproporcionais, bem como aquelas desprovidas de motivação idônea, assim considerada como sendo aquelas que não demonstrem ter o agente fiscal se empenhado em Fl. 9307DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.308 6 identificar as circunstâncias legais que permitam a extensão da relação jurídica tributária até a pessoa do respectivo sócio/gestor. d) Há que se ressaltar ainda a nulidade da pretensa responsabilização solidária do Recorrente, diante da falta de competência da fiscalização para praticar tal ato. e) Segundo entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional, imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva. A imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização é nula por sua incompetência para praticar tal ato. f) O CARF tem entendido que, se a responsabilidade se transfere pela ocorrência de algum evento, o lançamento deve ser realizado apenas em nome do contribuinte, pois o responsável não integra o sujeito passivo eleito na norma que descreve a obrigação tributária. Somente após, na fase de cobrança, é que o responsável por transferência poderá vir a ser chamado a fazer parte do polo passivo, em razão da ocorrência de fato autorizador da transferência. g) Temse assim que a finalidade do art. 135 do CTN é garantir o adimplemento do crédito tributário, através da transferência da responsabilidade a terceira pessoa, que passa a responder pela dívida, o que, contudo, só deverá ocorrer depois de esgotadas as possibilidades de recebimento do crédito tributário do sujeito passivo direto, o que se dará na fase de cobrança judicial do crédito, atividade de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) considerou a manifestação de inconformidade improcedente e manteve o crédito tri butário com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 COFINS. PIS/PASEP. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPRA DE CARVÃO VEGETAL. ORÍGEM ILÍCITA. BOAFÉ. NOTA FISCAL. REINCIDÊNCIA. Para fins de demonstração dos créditos de Cofins e de PIS/Pasep, a simples apresentação de nota fiscal não se presta para comprovar a boafé na compra de carvão vegetal. Para tanto, deve o contribuinte apresentar a licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, bem como da documentação da origem do produto vegetal, mormente quando a mesma glosa de crédito já ocorrera em processo administrativo prévio. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. SIMULAÇÃO. FRAUDE. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, constituem dano ao erário mediante simulação e fraude contra a Fazenda Pública. Fl. 9308DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.309 7 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. REGRA GERAL. Em caso de ocorrência de dolo ou fraude, aplicase a ressalva final do artigo 150, § 4º, do CTN, calculandose a decadência pela regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Os diretores de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatutos. Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foram apresentados Recursos Voluntários por Antônio Carlos Correa Buchaul (indicado como responsável solidário), às fls. 9259 a 9279, e por Udo Castilho Schlemm ( também indicado como responsável solidário), às fls 9.282 a 9300. No Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. Antônio Carlos Correa Buchaul foi alegado, em síntese: · como preliminar, que não haveria nenhum fundamento fático ou jurídico para a responsabilização pessoal e solidária do Recorrente, porque o lançamento tributário não teria decorrido de nenhum ato de sua autoria e que seria imperativo comprovar o fato, o ato, a autoria e o nexo de causalidade com o crédito tributário; · a decisão que impôs a responsabilidade pessoal solidária ao Recorrente é nula por falta de fundamentação fática e jurídica o simples fato de ser diretor não autorizaria a imputação; · que estaria apontada a responsabilidade pessoal do funcionário responsável pelas compras MATEUS TONON, não se tendo concluído pela participação do Recorrente; · o termo de verificação fiscal não teria apontado nenhum ato ilegal praticado pelo Recorrente. Concluiu o Recorrente que "À vista de todo o exposto, demonstrado que a imposição de responsabilidade pessoal ao recorrente, com fundamento no art. 135, III, do CTN, é absolutamente infundada, vez que não se apurou nos procedimentos administrativos nem nos policiais nenhum ato de sua responsabilidade, de forma que foi incurso no feito tão somente porque à época era diretor da empresa" Requereu "O PROVIMENTO do presente recurso para, REFORMANDO a decisão recorrida, ANULAR o TERMO DE RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA, lavrado contra sua pessoa, por falta absoluta de amparo legal e fático, assim, excluindo sua responsabilidade pelo crédito tributário e pela suposta infração, bem como a da pessoa jurídica, para atribuíla àquele que realmente for o responsável pelo ilícito tributário". Fl. 9309DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.310 8 No Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. por Udo Castilho Schlemm foram apresentadas as mesmas alegações do Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. Antônio Carlos Correa Buchaul. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Os Recursos Voluntários são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre consignar inicialmente que os recursos voluntários apresentados questionam a imputação de responsabilidade aos diretores Antônio Carlos Correa Buchaul e Udo Castilho Schlemm e também à pessoa jurídica, defendendo que deveria ser responsabilizado o empregado da empresa, Mateus Tonon. Não foi apresentado Recurso Voluntário em nome da pessoa jurídica. Não foram impugnados os demais pontos da decisão recorrida. Quanto à participação e intenção dos diretores da empresa, cabe consignar as observações constantes da decisão recorrida, especialmente no que concerne à reincidência nas infrações, ou seja, a pessoa jurídica, na figura dos seus administradores, já tinha plena consciência da ilicitude das práticas perpetradas, pois em relação aos fatos geradores de 2005 houve decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, não contestada, reconhecendo fraude, dissimulação e negócio ilícito, transcrevemos: (a) O impugnante reincidiu nas mesmas práticas perpetradas no ano de 2005, que foi objeto dos Processos n° 13770.000705/200571 e 13770.000445/200533 (vide pareceres fiscais nestes autos nas efls. 275/296 e 297/311, respectivamente), sendo que, no primeiro processo, a decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil não foi sequer contestada pelo contribuinte (formou coisa julgada administrativa), com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Fl. 9310DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.311 9 Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. (b) O impugnante pertence ao ramo da siderurgia, que tem como insumo relevante o carvão vegetal a ser utilizado na fabricação de ferro gusa. É fato notório para uma indústria siderúrgica a grande incidência de comércio ilegal de eucalipto, madeira muito utilizada para a produção de carvão vegetal. Por isso, nada mais normal que a siderúrgica se protegesse da compra de produtos vegetais com origem ilícita, mediante obtenção da licença do fornecedor, bem como da documentação de origem do carvão vegetal, especialmente quando a autoridade fiscal constatou a aquisição, pelo impugnante, de milhões de reais nesse insumo (e fl. 8493). (c) Demais disso, o contribuinte adquiriu carvão vegetal em razão desproporcional à capacidade de produção de seus fornecedores, por meio de interpostas pessoas (“laranjas”), sem exigir a licença do fornecedor, em franca violação do artigo 46 da Lei n° 9.605, de 1998. (d) Os alegados negócios entre os fornecedores de carvão e o impugnante contemplam pelo menos uma das seguintes características: o impugnante não comprovou a efetividade dos pagamentos correspondentes à compra desse insumo; os pagamentos correspondentes à compra de carvão foram efetuados a pessoa física estranha à pessoa jurídica fornecedora; o fornecedor não possui patrimônio e é titularizado por pessoa humilde que apenas “emprestou” seu nome para a abertura da pessoa jurídica; o fornecedor encontrase com a situação cadastral irregular no CNPJ. 11. Portanto, na espécie, reconheço a incidência de máfé e dolo de fraude do contribuinte para inflar seus créditos nas compras de carvão vegetal, consoante provas convergentes aduzidas nos autos. Nesse passo, a ação comissiva e reincidente do sujeito passivo no sentido de obter créditos falsos denota a intenção de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido, precisamente o delito de fraude descrito no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Dessa forma, mantémse o entendimento de que havia plena consciência da infração pela empresa e seus diretores, caracterizandose, portanto, de máfé e dolo de fraude do contribuinte para inflar seus créditos nas compras de carvão vegetal. É dever dos diretores e administradores conhecer e acompanhar a contabilidade da empresa e decidir sua atuação, especialmente em relação a operações de grande vulto econômico. Dessa forma, mantémse a responsabilidade dos diretores, pois esses têm o dever de conhecer, acompanhar e tomar as decisões em nome da empresa. Essa responsabilidade não pode ser afastada mediante tentativa de transferir a funcionários os deveres de administração, zelo e correição e as responsabilidades, deveres inerentes aos administradores da pessoa jurídica. Fl. 9311DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.312 10 Também não cabe questionar a responsabilidade da pessoa jurídica, que obteve consideráveis ganhos em razão da conduta delitiva de seus administradores. Dessa forma, voto pela manutenção da decisão recorrida nos pontos questionados nos Recursos Voluntários, pelas razões acima, e ,por falta de impugnação, também nos demais pontos. Diante do exposto, voto por negar provimento aos recurso voluntários. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 9312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720689/2015-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO No caso concreto, as reavaliações foram utilizadas para integralizar o aumento de capital da contribuinte, inobservando a exigência do art. 437, I do RIR;99 à medida que não houve quaisquer distinções entre o custo de aquisição e o valor da reavaliação, de forma a não evidenciar o ganho de capital diferido nas operações praticadas.
REAVALIAÇÃO DE MARCA. A reavaliação prevista no art. 436 do RIR/99 diz respeito a marca, e não patente. A redução no capital social da contribuinte em razão do ativo reavaliado, sem contrapartida em investimento configura alienação para fins fiscais.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não havendo argumentos buscando afastar a responsabilidades imputada aos sócios administradores, esta deve ser mantida, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 44, II, DA LEI Nº 9.430/96. Não estando devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, o percentual de multa deve ser reduzido.
Numero da decisão: 1301-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para o percentual de 112,5%, vencidos Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo que negavam provimento integral ao recurso
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO No caso concreto, as reavaliações foram utilizadas para integralizar o aumento de capital da contribuinte, inobservando a exigência do art. 437, I do RIR;99 à medida que não houve quaisquer distinções entre o custo de aquisição e o valor da reavaliação, de forma a não evidenciar o ganho de capital diferido nas operações praticadas. REAVALIAÇÃO DE MARCA. A reavaliação prevista no art. 436 do RIR/99 diz respeito a marca, e não patente. A redução no capital social da contribuinte em razão do ativo reavaliado, sem contrapartida em investimento configura alienação para fins fiscais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não havendo argumentos buscando afastar a responsabilidades imputada aos sócios administradores, esta deve ser mantida, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 44, II, DA LEI Nº 9.430/96. Não estando devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, o percentual de multa deve ser reduzido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 06 89 /2 01 5- 74 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 846 2 para reduzir a multa para o percentual de 112,5%, vencidos Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo que negavam provimento integral ao recurso (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Por bem resumir a lide, adoto o relatório contido no Acórdão n° 1672.897 proferido pela 4ª Turma da DRJ/SPO (fls. 708/719): 1. Trata o presente processo de lançamentos de ofício de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ (R$193.513.696,79), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (R$72.130.499,88), no valor total de R$265.644.196,67, considerados tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até fevereiro de 2015. Houve compensação do valor tributável com saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. (fls. 03/040) 2. Salientese que foi apontada a responsabilidade tributária solidária dos senhores Marinho Pereira Braga e Sônia Pereira Braga, sobre os fatos geradores apontados nos autos. 3. Do auto de infração de IRPJ, constam três infrações (fls. 07/08): 3.1. Alienação das quotas da Marba para a Chemo España S.L. (Infração 3 do Termo de Verificação Fiscal) 0001 GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO INTANGÍVEL Falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação/baixa de bem do ativo Intangível gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 03/01/2011 84.000.000,00 225,00 Enquadramento Legal Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 847 3 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 149, inciso VII, do CTN. art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 251 e 418, do RIR/99 3.2. Incorporação de reavaliação de marcas (Infração 1 do Termo de Verificação Fiscal) 0002 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 25/04/2010 156.987.814,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/05/2010: Artigo 149, inciso VII, do CTN. art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247 e 249 do RIR/99 Arts. 436 e 437, inciso I, do RIR/99 3.3. Incorporação de reavaliação de marcas com Alienação de marcas e/ou participação societária da Mabra para a GRB (Infração 2 do Termo de Verificação Fiscal) 0003 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL ALIENAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL INTEGRALIZADO COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 01/06/2010 30.300.000,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 31/12/2010: Artigo 149, inciso VII, do CTN art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 4º da Lei nº 9.959/2000 Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 848 4 Artigo 435, inciso II, alinea "a", do RIR/99. Artigos 247, 249, inciso II, 436 e 437, inciso I, do RIR/99 4. Do auto de infração de CSLL, constaram as mesmas três infrações (fls. 28/29), na seguinte forma: 4.1. Alienação das quotas da Marba para a Chemo España S.L. (Infração 3 do Termo de Verificação Fiscal) 0001 CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO INTANGÍVEL Falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação/baixa de bem do ativo Intangível gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 03/01/2011 84.000.000,00 225,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Artigo 149, inciso VII, do CTN Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 4.2. Incorporação de reavaliação de marcas com Alienação de marcas e/ou participação societária da Mabra para a GRB (Infração 2 do Termo de Verificação Fiscal) 0002 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL ALIENAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL INTEGRALIZADO COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 01/06/2010 30.300.000,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 31/12/2010: Art. 149, inciso VII, do CTN. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 849 5 Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Arts. 2º da Lei nº 9.249/95 Arts. 435, inciso II, alinea a, 436, 437, inciso I, do RIR/99 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 4.3. Incorporação de reavaliação de marcas (Infração 1 do Termo de Verificação Fiscal) 0003 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 25/04/2010 156.987.814,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/05/2010: Artigo 149, inciso VII, do CTN. Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Arts. 2º da Lei nº 9.249/95 Artigos 436 e 437, inciso I, do RIR/99 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 5. E, de ambos os Autos de Infração, constam, ainda, fls. 05/06 e 26/27, respectivamente, "Demonstrativo de Responsáveis Tributáveis", de igual teor, imputando responsabilidade solidária aos sóciosadministradores Marinho Pereira Braga e Sonia Silveira Braga, nos seguintes termos: Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto Motivação 1. O art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional estabelece que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (original sem o grifo) (...) Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 850 6 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” (lei 5.172/64 – CTN) (…) 2. Com efeito, o casal MARINHO PEREIRA BRAGA e SÔNIA PEREIRA BRAGA, sóciosadministradores da CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA, criaram outras duas empresas, Mabra Farmacêutica Ltda e GRB Participações SS Ltda, passando a fazer reavaliação de marcas de medicamentos produzidos pela CIFARMA, seguida de cisões e alterações nas participações societárias com estas empresas. 3. Utilizaram a CIFARMA para capitalizar a empresa GRB Participações SS Ltda, e a empresa MABRA para efetuar a alienação das marcas de medicamentos da CIFARMA para empresa espanhola CHEMO SPANÃ S.L, operações realizadas com o intuito de reduzir indevidamente o pagamento do IRPJ e da CSLL ao longo dos anoscalendários de 2010 e 2011. 4. Estas operações não possuem substância econômica, tendo como finalidade possibilitar, unicamente, a redução do montante de tributos, como amplamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, anexado nos autos de infração e parte integrante dos mesmos. 5. A conduta de referidos sócios subsumese ao que dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502/64, verbis: Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 6. Desta forma, considerando que os senhores MARINHO PEREIRA BRAGA e SÔNIA PEREIRA BRAGA, possuem poder de gerência e, nessa qualidade, cometeram o ilícito descrito no referido art. 72, fica caracterizada a responsabilidade solidária prevista no art. 135, III, do CTN, transcrito no início deste termo, em decorrência de infração de lei. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 135 da Lei n° 5.172/66. 6. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 41/69, foram trazidas, primeiramente, as informações referentes à reorganização da Cifarma (CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA– CNPJ: 17.562.075/000169 itens 03 a 14) e Mabra (MABRA FARMACÊUTICA LTDA– CNPJ: 09.545.589/000188 itens 15 a 26), cujos objetos sociais são a fabricação de produtos farmacêuticos, cosméticos, produtos de higiene e perfume, compreendendo a industrialização, distribuição, embalagem, armazenamento e distribuição de produtos veterinários; importação de matériasprimas e embalagens, exportação e transporte de seus produtos; podendo ainda participar no capital de outras empresas. Há, ainda, duas empresas envolvidas nas operações: GRB (GRB PARTICIPAÇÕES LTDA, Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 851 7 CNPJ 09.606.662/000184 itens 27 e 28), e uma de origem espanhola Chemo (CHEMO ESPAÑA S.L, CNPJ 08.437.482/000153). 7. Informouse que ocorreu reavaliação de marcas e patentes, sendo que a Fiscalização aponta para o fato de que a contabilização de tal evento deveria ter se dado de forma desdobrada, em custo de aquisição e reavaliação/ajuste. 8. Em segundo lugar (itens 29 a 44), foram narrados os "Procedimentos da Fiscalização" onde são resumidos os termos lavrados pela Fiscalização e as respostas dadas a estes pela Impugnante, buscando esclarecimentos sobre os aumentos de Capital ocorridos na empresa em 2010, as Cisões da empresa em 2010, e a relação comercial entre a CIFARMA e as empresas MABRA FARMACEUTICA LTDA e CHEMO ESPAÑA S.L. 9. A seguir, em terceiro lugar (itens 45 a 51), a Fiscalização adentrou brevemente a legislação das Sociedades em Conta de Participação (SCP), IN SRF nº 31/2001, arts. 991 a 993 do Código Civil, citando doutrina de André Luiz Santa Cruz, que destaca as seguintes peculiaridades sobre o assunto: “Normalmente, a sociedade em conta de participação é constituída para a realização de empreendimentos temporários ou até mesmo para realização de determinado negócio específico, extinguindose posteriormente.” pag. 319, André Luiz Santa Cruz Ramos, Curso de Direito Empresarial, 3ª edição. Trouxe detalhes da relação desta natureza existente entre a CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA, CNPJ: 17.562.075/000169 (Sócia Ostensiva), e a empresa CHEMO DO BRASIL COMERCIO DE FARMOQUIMICOS LTDA, CNPJ: 08.623.553/000102 (Sócia Participante), e relata a resposta da Fiscalizada justificando a necessidade da constituição dessa SCP: 9.1. 51. Atendendo Intimação da fiscalização, a CIFARMA apresenta resposta Justificando a necessidade de criação da SCP, através da qual esclarece que os produtos pertencentes a empresa MABRA, no ano de 2010, são todos fabricados e comercializados na empresa Cifarma. Já no ano de 2011, a empresa Mabra consegue a licença para fabricar e comercializar os medicamentos da linha hormonal, fica na SCP a operação dos medicamentos não hormonais e produtos qualificados como alimentos. Com a constituição da SCP foram criadas contas específicas para abrigar as receitas da mesma. Os valores apurados foram lançados na mesma contabilização da fiscalizada e encontramse registrados nas contas iniciadas com o número 5, sendo separados tais lançamentos na escrituração do Livro LALUR. 10. Em quarto lugar (itens 52 a 58), demonstrase que o sócios nas empresa Cifarma, Mabra e na SCP são sempre os mesmos, alterando o quadro social quando um sócio sede parte ou toda sua participação em favor de outro e questionase o fato da Mabra ter sido vendida a Chemo Spaña S.L. através de contrato de compras e vendas de quotas, assinado em 01/06/2010, se, até esta data, a empresa possuía um Capital Social de R$100.000,00 e não tinha qualquer faturamento? O contrato referido foi assinado entre a Chemo e a Cifarma, apesar desta ter entrado na sociedade apenas em 08/07/2010, em decorrência da CISÃO PARCIAL da Cifarma. Ou seja, efetivamente foram vendidas partes das quotas da CIFARMA, transferidas para MABRA. Afirma a Fiscalização que para ser compatível com os valores de venda envolvidos, tiveram que efetuar a REAVALIAÇÃO DE MARCAS E PATENTES DA CIFARMA, aumentar o Capital Social com esta reavaliação e, então, executar a CISÃO PARCIAL DA CIFARMA. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 852 8 11. Abordouse, em seguida (itens 59 a 60 e 62), a questão da reavaliação de marcas e patentes na legislação societária e tributária. A Lei nº 11.638/07 revogou os dispositivos que permitiam a reavaliação. Transcreveuse trechos do CT 03, aprovado pela Resolução CFC nº 1.157/09, nesse sentido (item 59), bem como a decisão da 6ª Região Fiscal no Processo de Consulta nº 19/09 Órgão: SRRF / 6ª Região Fiscal. Publicação no D.O.U. de 20.03.2009. No RIR/99, a matéria é regulada pelos artigos 434 a 437. Alertou a Fiscalização que, embora vedada a reavaliação pela legislação comercial, a conduta proibida não configura infração ao Regulamento do Imposto de Renda (RIR), em face do princípio da neutralidade tributária adotado pelas Leis nºs 11.638/07 e 11.941/09. 12. Passouse a analisar o caso particular da Impugnante, que realizou reavaliação de marcas e patentes, tendo em vista os lançamentos contábeis e operações societárias relevantes (itens 62 a 76). Frisouse a necessidade de subdividir o valor do bem reavaliado em 2 contas – aquisição e reavaliação – matéria regulada pelo Parecer Normativo CST nº 69, de 24 de setembro de 1986, publicado no DOU de 25/09/86, o que não foi feito pela Impugnante. Esse requisito é previsto no art. 437, do RIR/99 e seu descumprimento, segundo vem decidindo o CARF, gera a obrigação de tributar a reavaliação (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – 1ª. Seção – 1ª. Turma da 3ª. Câmara / ACÓRDÃO 130100.260 em 28.01.2010). 13. A venda da participação da Cifarma na Mabra para a empresa espanhola Chemo Spaña S.L. foi tratada nos itens 76 a 79. 14. As "Constatações Relativas à Reorganização Societária da Cifarma" constam dos itens 80 a 87: 80. Mediante análise dos Contratos Sociais das empresas, laudos de reavaliação, contrato de criação da SCP, contrato de venda de quotas da CIFARMA para CHEMO SPAÑA S.L e dos dados contábeis da fiscalizada, tiramos as constatações dos itens seguintes. 81. Quanto as empresas do grupo CIFARMA 1ª empresa criada pelo grupo CIFARMA – CIFARMA CIENTIFICA FARMACÊUTICA LTDA, em 26/01/2007. É a empresa que possui a propriedade das marcas e patentes de medicamentos e possui Capital Social de R$ 30.300.000,00 até a Reavaliação das marcas e patentes. 2ª empresa criada pelo grupo CIFARMA – MABRA FARMACÊUTICA LTDA, constituída em 25/08/2008, com capital integralizado em moeda corrente no valor de R$ 100.000,00, tendo como sócios os filhos dos sócios da CIFARMA. Permanece com o mesmo Capital Social e sem movimentação comercial até a CISÃO com a CIFARMA em 08/07/2010. 3ª empresa criada pelo grupo CIFARMA – EMPRESA GRB PARTICIPAÇÕES LTDA, constituída em 19/05/2008, tendo como sócio com mais de 99% das quotas, Marinho Pereira Braga, sócio da CIFARMA, e seus dois filhos, sócios de criação da MABRA. 82. Quanto a Reavaliação de Marcas e Patentes • Reavaliação do ATIVO INTANGÍVEL (Marcas e Patentes de vários medicamentos), no valor de R$ 187.287.814,00. Na contabilização foi creditada a conta de Reserva de Reavaliação Reavaliação de Patentes (conta 2.620.30100001) e debitada a conta de Marcas e Patentes (conta 1.620.10101036). Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 853 9 • A conta Reserva de Reavaliação Reavaliação de Patentes (conta 2.620.30100001) foi baixada em 25/04/2010 no valor integral de R$ 187.287.814,00, em contrapartida a conta CAPITAL SOCIAL INTEGRALIZADO –contas de Capital Social integralizado pelos sócios (contas 2.610.1010 final 0001, 0002 e 0006). 83. Quanto à CISÃO parcial da CIFARMA com a empresa MABRA 1ª CISÃO da CIFARMA com a MABRA em 08/07/2010 – Conforme verificado no item anterior, o Capital Social da CIFARMA foi aumentado com a Reavaliação de Marcas e Patentes, sendo posteriormente utilizado para realização da primeira Cisão com a MABRA no valor de R$ 84.000.000,00. 2ª CISÃO da CIFARMA com a MABRA em 17/08/2010. Utilizando novos medicamentos como Marcas e Patentes, a CIFARMA aumenta seu Capital Social em 10/08/2010 no valor de R$ 83.900.000,00. Posteriormente, em 17/08/2010, utiliza este aumento de Capital para fazer a 2ª CISÃO da CIFARMA com a MABRA. 84. Na 1ª CISÃO, temos como resultado as seguintes modificações na situação patrimonial da CIFARMA: Investimento de R$ 53.700.000,00 na MABRA Devolução de Capital para GRB Participações no valor de R$ 30.300.000,00. 85. Na 2ª CISÃO, temos inicialmente um investimento de R$ 83.900.000,00 a CIFARMA na empresa MABRA, seguida da venda desta participação para empresa espanhola CHEMO SPAÑA S.L. 86. Através do contrato de compra e venda de quotas, datado de 1º de junho de 2010, e seus aditivos posteriores, a CIFARMA vendeu à CHEMO SPAÑA S.L, sociedade com sede em Madri, Espanha, R$ 84.000.000,00 das quotas pertencentes à Cifarma, representativas do capital da sociedade denominada MABRA Farmacêutica Ltda, CNPJ 09.545.589/000188. 87. Quanto a Criação da Sociedade em Conta de Participação (SCP) • Após o recebimento da 1ª parcela das quotas vendidas para a empresa espanhola CHEMO, as empresas envolvidas na transação comercial resolveram criar uma SCP para venda dos medicamentos e demais produtos que passaram a ser propriedade da CHEMO SPAÑA S.L. • Mediante Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta Participação (SCP), assinado em 11/11/2010, é constituída uma SCP, entre o contribuinte ora fiscalizado, CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA, CNPJ: 17.562.075/000169 (Sócia Ostensiva), e a empresa CHEMO DO BRASIL COMERCIO DE FARMOQUÍMICOS LTDA, CNPJ: 08.623.553/000102 (Sócia Participante), constando que a CHEMO SPAÑA S.L, foi quem indicou a Chemo do Brasil Comércio de Farmoquímicos Ltda, para ser a sócia participante da presente sociedade. • Em 02/12/2010, é feito um ADITIVO ao contrato original da Sociedade em Conta de Participação (SCP), transferindo a participação como Sócio Oculto, da empresa CHEMO DO BRASIL COMERCIO DE FARMOQUÍMICOS LTDA para a empresa MABRA FARMACÊUTICA LTDA, CNPJ: 09.545.589/000188. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 854 10 • No Contrato de criação da SCP é relatado que a CHEMO SPAÑA S.L irá perceber os resultados oriundos da comercialização dos produtos comercializados pela mesma, sendo este o objetivo desta SCP, que funcionaria até que tais produtos pudessem ser comercializados pela própria MABRA, com a liberação pela ANVISA. • Desta forma, verificamos que a SCP foi criada com um propósito comercial: a CIFARMA tinha acabado de realizar uma operação de venda de quotas da sua empresa, que representavam a fabricação e comercialização de certos medicamentos. Para tornar viável à CIFARMA – detentora das licenças da Anvisa – continuar a fabricação e comercialização dos medicamentos, bem como preservar a venda à empresa espanhola, a saída inicial do negócio foi a criação da SCP. 15. Dos itens 80 a 87 supra, seguiuse a constatação de três infrações tributárias (item 88): EFEITOS TRIBUTÁRIOS DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DA CIFARMA 88. Das constatações dos itens 80 a 87, verificamos as seguintes infrações tributárias: INFRAÇÃO 1 – Em 25/04/2010, mediante 26ª alteração do contrato social, foi incorporada a reserva de reavaliação ao capital mediante lançamento nº 20100430585, no valor de R$187.287.814,00. O diferimento da tributação previsto no art. 436 do RIR limitase a ser aplicado a patentes e imóveis. Por se tratar apenas de marcas – conforme informações do laudo de reavaliação, contrato social e resposta do INPI – não ocorre o diferimento da tributação da reavaliação. Outra infração em relação ao mesmo fato: o contribuinte deixou de cumprir a determinação do inciso I do art. 437 do RIR/99 e manteve na mesma conta nº 1.620.10101036 – Marcas e Patentes – tanto o custo de aquisição como o valor da reavaliação. INFRAÇÃO 2 – Mediante 28ª alteração do contrato social da Cifarma, e 2ª alteração do contrato social da Mabra, o valor de R$84.000.000,00 de Marcas a Cifarma foi vertido para a Mabra. O lançamento contábil correspondente foi efetuado em 01/06/2010, arquivado sob nº 20100630027, tendo por contrapartida a redução de capital dos sócios Marinho, Sônia e pessoa jurídica RB. Tais sócios – que retiraram parcial ou totalmente a participação na Cifarma – passaram a compor o quadro societário da Mabra, na exata medida as Marcas vertidas. A participação da GRB na Mabra foi substituída pelo sócio a GRB: Gustavo. Mediante 3ª alteração do contrato social da Mabra, os sócios pessoas naturais arinho e Sônia substituíram sua participação societária pela Cifarma, conforme lançamento contábil extemporâneo nº 201101300120 em 03/01/2011. O ócio Gustavo substituiu sua participação na Mabra por GRB. Como contrapartida no aumento do capital dos sócios na Cifarma, foi implementada a onta de investimento nº 161010200003 – Mabra, retratando a participação da Cifarma na Mabra. Ao final das operações, R$53.700.000,00 em marcas da Cifarma foi substituída ela participação societária na Mabra; R$30.300.000,00 das marcas da Cifarma oram alienadas para GRB. Em 01/06/2010, na devolução de Capital Social da CIFARMA para GRB articipações, no valor de R$30.300.000,00, este valor significa uma diminuição no Capital Social da CIFARMA, sem contrapartida em investimento, o que significa Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 855 11 uma alienação de participação societária, e que portanto deveria ser oferecida à tributação como Receita na venda de quotas de capital Social. Ainda que a GRB Participações componha o mesmo grupo econômico, a CIFARMA não substituiu, na época, os bens reavaliados por participação societária na GRB Participações: o capital e o ativo foi reduzido com a saída daquele sócio no momento da cisão para a MABRA. O Parecer Normativo CST nº 6/85 prorroga a neutralidade da tributação da reavaliação nas operações de sucessão; porém sua aplicação se restringe ao patrimônio vertido na empresa destinatária, no caso a Mabra. No caso concreto, a Cifarma alienou R$30.300.000,00 em marcas para a GRB, nas sucessivas operações relatadas. Em face da cisão com alienação, não se aplica o Parecer Normativo CST nº 6/85 na empresa de origem do patrimônio vertido. A tributação imediata encontrase prevista no RIR, art. 435, inciso II, alínea “a”. Caso se entenda pela inaplicabilidade da tributação pela alienação, ainda assim persistem, em relação ao valor de R$30.300.000,00, as infrações mencionadas na infração nº 1. INFRAÇÃO 3 – Conforme proposta justificativa e protocolo de cisão parcial da cifarma protocolizado em 08/07/2010, 29ª e 30ª alteração do contrato social da Cifarma, e proposta justificativa e protocolo de segunda cisão parcial da Cifarma firmado em 15/08/2010, os sócios Marinho e Sônia integralizaram capital de R$83.900.000,00 com as marcas Ciclofemme, Ferane 35, Fertnon, Folifeme, Klimater, Klimavit, Menoprin, Noregyna, Poslov, e Enantato de Norestirona + Valerato de Estradiol Genérico. Também houve o ajuste das marcas a valor presente. Na segunda cisão para a Mabra, tais marcas foram vertidas para o patrimônio da Mabra, vindo a Cifarma a aumentar participação na Mabra para R$137.600.000,00. Mediante 5ª alteração do contrato social da Mabra, a Cifarma alienou à Chemo España S.L. sua participação societária de R$84.000.000,00 na Mabra, remanescendo ainda a participação no valor de R$53.600.000,00. Em 03/01/2011, o contribuinte efetuou o lançamento contábil nº 201101300122, lançando a débito da conta de recebíveis nº 112060100010 CHEMO ESPANA S.L, e a crédito da conta de investimento (participação societária) na Mabra nº 161010200003. Em síntese, as marcas sempre foram de propriedade da Cifarma, conforme resposta do INPI, de maneira que os sócios não poderiam integralizar capital. Tais marcas foram vertidas para o patrimônio da Mabra, em troca de participação societária naquela empresa. As quotas foram alienadas para a Chemo, e em seu lugar a compradora passou à condição de devedora à Cifarma, no valor de R$84.000.000,00. Adquiridas as marcas pelo custo zero, o valor da venda deve ser adicionado ao lucro real. Como o contribuinte abstevese de responder à intimação nº 8 de 17/09/2014 ara entrega do contrato de venda à Chemo e demais esclarecimentos, restringimo nos a efetuar o lançamento com os elementos disponíveis. A Cifarma prometeu vender à Chemo a participação societária na Mabra, e a compradora prometeu pagar o preço, desde que satisfeitas as condições pactuadas. Uma vez alienada a participação societária na Mabra e adquirido o direito disponibilidade econômica) de receber os R$84.000.000,00 em 03/01/2011, configurase o fato gerador da obrigação tributária no ato reconhecimento contábil do direito. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 856 12 (destaques da transcrição) 16. No tocante à apuração da base de cálculo, fezse constar o seguinte (item 89 e 90): DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 89. Os valores da infração 2 – alienação de marcas e/ou participação societária da Mabra para a GRB – estão contidos no valor da infração 1 – incorporação de reavaliação de marcas. Portanto do valor de R$187.287.814,00, correspondente à infração 1, devese subtrair o lançamento constante da infração 2 –R$30.300.000,00. 90. Passamos a demonstrar as infrações por período: (destaques da transcrição) 17. A multa de ofício foi qualificada (150%), com a formalização de PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (nº 10120.721123/2015 60), por ter sido verificada a ocorrência de fraude (art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96 c/c, arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64), o que foi justificado nos itens 91 a 101: 94. Restou provado, conforme descrito neste termo, que a fiscalizada vendeu suas marcas e patentes mediante reavaliação acompanhada de reorganização societária, única e exclusivamente, com o intuito de evitar tributação mais onerosa. 95. A fraude, que é a conduta dolosa do contribuinte de impedir a ocorrência do fato gerador, de forma a reduzir o montante de tributos devidos, está mais do que comprovada ante os inúmeros fatos neste termo demonstrados. Em apertada síntese, em abril de 2010, a fiscalizada prometeu vender marcas e patentes à empresa espanhola, a preço muito superior ao custo. Com a finalidade de reduzir e postergar a tributação, reavaliou seus ativos, executando procedimentos contábeis vedados pela legislação societária, e aproveitandose do congelamento da legislação fiscal em 31/12/2007. Posteriormente, pretendeu valerse de permissivos legais previstos no RIR/99, para adiar a tributação para 2012 e, então, confundir não só a origem da operação vantajosa mas também o sujeito passivo da obrigação tributária. Tais operações foram feitas de forma artificial, utilizandose de empresas interligadas. 96. Ao celebrar o contrato promessa de venda das patentes em abril de 2010, o vendedor experimentou ganho substancial econômico, posto que seu ativo valorado pelo custo de aquisição e/ou produção no montante de R$ 5.500.934,25 foi alienado por valor superior, conforme demonstrado na planilha, anexado no processo do Auto de Infração, intitulada de planilha do custo de aquisição e das Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 857 13 reavaliações. Na celebração do contrato de promessa de venda, a obrigação de entregar as patentes por um valor menor teve por contrapartida jurídica o direito a receber o preço pactuado em valores bem superiores. O ganho econômico ocorreu em abril de 2010, no ato de celebração do contrato de promessa de venda. 97. A posterior reavaliação e reorganização societária constituíram meios empregados pelo sujeito passivo para dar roupagem de operações não geradoras de tributos federais, bem como confundir a visão da administração tributária e transferir a obrigação tributária para outra empresa do mesmo grupo econômico. 98. A fraude fiscal está presente nas condutas do sujeito passivo, visto que a redução da base de cálculo dos tributos, por meio de referidas operações, feitas artificialmente, tiveram o objetivo de excluir a tributação, de modo a evitar o seu pagamento. 99. Ora, a adoção de procedimentos contábeis vedados tem a finalidade de possibilitar, unicamente, a exclusão da obrigação tributária. E o dolo da conduta está na vontade do agente de alcançar o resultado, a exclusão indevida dos tributos federais. 100. Presente o dolo, a exclusão da obrigação tributária e a tentativa de transferência para outro sujeito passivo, vemos como plenamente configurada a fraude descrita no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 101. Presente a fraude, por dever de ofício aplicamos a multa de 150% sobre o tributo que deixou de ser recolhido aos cofres da União. (destaques da transcrição) 18. Por fim, observese que agravouse em 50% a multa de ofício qualificada de 150%, correspondente aos tributos lançados em decorrência da venda à Chemo (primeira infração do auto de infração, infração 3 do Termo de Verificação Fiscal TFV 225%), com fundamento no art. 959, inciso I, do RIR/99, Lei nº 9.430/96, §2º, e Lei nº 9.532/97 e art 70, inciso I, considerando que o contribuinte se absteve de entregar o contrato de venda da Chemo e de prestar demais esclarecimentos, exigidos mediante Intimação nº 8 de 17/09/2014. 19. A empresa e os responsáveis solidários apresentaram impugnação conjunta às fls. 651/689, encaminhada para julgamento, conforme despachos de fls. 702/704. Alegouse em síntese que: I PRELIMINARMENTE 19.1. A lavratura do auto de infração AI ocorreu com vícios e nulidades, com ofensa ao princípio da legalidade, além de insegurança em sua determinação (art. 37 da Constituição Federal CF). 19.2. Isso porque, como se observa da descrição dos fatos e enquadramento legal do AI a Impugnante teria incorrido na infração mediante a FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE GANHOS E PERDAS DA SUPOSTA ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO INTANGÍVEL, POR DEIXAR DE ADICIONAR À BASE DE CALCULO DO IRPJ E DA CSLL, RELATIVO AOS VALORES CONTABILIZADOS Á TÍTULO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS, ASSIM COMO, DE ALIENAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL INTEGRALIZADO COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 858 14 19.3. Entretanto, os arts. 41 e 436 do RIR/99 (e respectivas bases legais referenciadas) dispõem que não estão sujeitos à incidência do imposto os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas, evidenciando violação à legalidade na autuação. 19.4. Quanto à suposta alienação das reservas de reavaliação, como sendo no momento em que houve a incorporação do capital social, a resposta dada à pergunta sobre incorporação, fusão e cisão, disponibilizada no site da Receita Federal do Brasil, cujo serviço foi criado para dirimir dúvidas dos contribuintes e orientálos à cerca de legislação tributária, NÃO DEIXA QUALQUER DÚVIDA DE QUE NAS HIPÓTESES DE TRANSFERÊNCIA DE PATRIMÔNIO OCORRIDA EM VIRTUDE DE INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO não se caracteriza como ALIENAÇÃO e nem está sujeito à incidência do Imposto de renda, vejamos: A hipótese de transferência de patrimônio à sucessora, ocorrida em virtude de incorporação, fusão ou cisão, quando a substituição de ações ou de quotas se der na mesma proporção e valor das anteriormente possuídas, não se caracteriza como alienação nem está sujeito à incidência do imposto de renda (grifo nosso) 19.5. Ademais, a NPC24 determina o momento em que a Reserva de Reavaliação é considerada REALIZADA, para fins de contabilização, deixando claro no item 52 que a utilização pela investida da reserva de reavaliação, para aumento de capital não representa REALIZAÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO NA INVESTIDORA. Vejamos: 52 A utilização pela investida da reserva de reavaliação, para aumento de capital ou absorção de prejuízos acumulados, não representa uma realização da reserva de reavaliação na investidora. 19.6. Portanto, de acordo com o inciso II do artigo 112 do Código Tributário Nacional, interpretase de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou as circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Vejamos: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I (...); II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III (...); IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 19.7. Além dos vícios acima demonstrados, o Auto de Infração foi lavrado com insegurança em sua determinação, que levam à sua nulidade, pois, ao afirmar que os sócios Marinho e Sônia nunca foram proprietários de marcas e patentes (fls. 11, item 44 do Termo de Verificação Fiscal), esqueceuse das lições de direito empresarial que o sócio titular de uma quota de determinada sociedade limitada possui direitos e obrigações perante a sociedade. Neste sentido, dentre as espécies de direitos conferidos aos sócios, temse os direitos patrimoniais. 19.8. CASO A FISCALIZAÇÃO TENHA A CONVICÇÃO DE QUE OS SÓCIOS NÃO PODERIAM TER INTEGRALIZADO O CAPITAL SOCIAL COM A REAVALIAÇÃO DE MARCAS E PATENTES, O CONTRATO ARQUIVADO Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 859 15 NA JUNTA COMERCIAL É INVALIDO, O QUE TORNA NULO O PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, NÃO HAVENDO EM QUE SE FALAR EM REALIZAÇÃO, DAS RESERVAS, LUCRO NA ALIENAÇÃO E MUITO MENOS EM IMPOSTO A PAGAR. 19.9. Em um segundo momento, conforme verificado pelo nobre auditor, as cotas do capital social em nome dos sócios Marinho e Sônia são "devolvidas" para a empresa Cifarma, ou seja, A TITULARIDADE DAS MARCAS E PATENTES NUNCA DEIXOU DE SER DA AUTUADA, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM ALIENAÇÃO DAS MESMAS, O QUE HOUVE FOI A SUBSTITUIÇÃO DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE "MARCAS E PATENTES" NO ATIVO PELO LANÇAMENTO CONTÁBIL DE "INVESTIMENTOS" TAMBÉM NO ATIVO. 19.10. E, também, de acordo com a NBCT 2.1 Norma Contábil que regulamenta a obrigatoriedade da escrituração comercial e contábil das empresas, dispõe que o LIVRO DIÁRIO registrado em órgão competente é condição legal e fiscal de elemento de prova a favor do contribuinte. Vejamos: 1) O Livro Diário é um livro de exigência obrigatória para a escrituração comercial e contábil das Empresas e, seu registro em órgão competente, é condição legal e fiscal como elemento de prova; 2) A exigência legal do Livro Diário data desde a edição do Código Comercial (25/06/1850), atualmente recepcionado pela Lei nº 10.406/02, tanto para1 a sua escrituração quanto para sua autenticação e registro em órgão competente 19.11. Todavia, mesmo com toda a importância dada ao referido livro, NÃO CONSTA NOS PRESENTES AUTOS, QUALQUER REFERÊNCIA AO MESMO. PARA QUE A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA POSSA COMPROVAR A OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO QUE LEVOU À LAVRATURA DO PRESENTE AUTO, CONFORME CONSTA NO DEMONSTRATIVO DE RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. 19.12. DA MESMA FORMA, PARA JUSTIFICAR A APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA EM DOBRO, O AUTUANTE DISCORRE NO ITEM 39 DO RELATÓRIO QUE A AUTUADA FOI INTIMADA A APRESENTAR O CONTRATO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA CELEBRADO ENTRE A CIFARMA E A CHEMO ESPANA S.L. EM 24.09.2014, CUJO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO ERA DE 20 DIAS OU SEJA, A AUTUADA TERIA ATÉ O DIA 14.10.2014 PARA SUA APRESENTAÇÃO. 19.13. EM 29.09.2014, ANTES DO TERMINO DO PRAZO DA INTIMAÇÃO ACIMA REFERIDA, A AUTUADA REQUEREU A PRORROGAÇÃO DO MESMO, POR MAIS 20 DIAS, O QUAL FOI DEFERIDO, OU SEJA, DO DIA DO VENCIMENTO (14.10.2014) MAIS VINTE DIAS, A AUTUADA TINHA ATÉ O DIA 04.11.2014 PARA APRESENTAR O CONTRATO. 19.14. ENTRETANTO, NO ITEM 41 TRAZ QUE "VENCIDO O PRAZO DE VINTE DIAS DA PRORROGAÇÃO DE PRAZO, e NADA SENDO APRESENTADO PELAS EMPRESAS, FOI ENCAMINHADO O TERMO DE INTIMAÇÃONº 09 PARA CIFARMA, DATADO DE 21.10.2014", sendo que a mesma teve o prazo prorrogado pela fiscalização até o dia 04.11.2014, então esta nova intimação foi encaminhada ANTES DO PRAZO PREVISTO PARA QUE A AUTUADA PUDESSE CUMPRIR A OBRIGAÇÃO, o que culminou na aplicação Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 860 16 da penalidade do artigo 44 da lei 9430/96, § 2º e seus incisos, embora a norma se refira à apresentação de documentação digital e não de um documento particular de negócio realizado entre as partes. Frisase que o documento solicitado é de amplo conhecimento da autoridade fiscalizadora, porque além de ter sido refletido em instrumentos públicos (contrato social), foi objeto de outras diligências fiscais, como se verifica no item 56 do relatório fiscal. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se refere o inciso I do caput e o § lº deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação ipara: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 19.15. Como se pode observar, os incisos II e III referemse à documentação digital. In verbis: Art. 38. O sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) II MÉRITO 19.16. A Impugnante não incorreu em nenhuma infração à legislação tributária, de acordo com a NPC24 NORMAS E PROCEDIMENTOS DE CONTABILIDADE e resposta às perguntas sobre fusão e cisão, disponibilizados no site da Receita Federal do Brasil RFB. Segundo o item 52 da primeira, a utilização pela investida da reserva de reavaliação, para aumento de capital ou absorção de prejuízos acumulados, não representa uma realização da reserva na investidora. E, segundo informação do site da RFB, quando ocorreu a incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, na hipótese de haver transferência de patrimônio à sucessora, por meio de cisão, esse evento não esta sujeito ao Imposto de Renda, por não caracterizar alienação. 19.17. Constou erroneamente no livro Razão o histórico "reavaliação". Na verdade tratase de "AJUSTE AO VALOR PRESENTE" do ativo intangível da empresa, feito em decorrência da obrigatoriedade da Lei nº 11.941/09 para as empresa optantes do RTT Regime Tributário Transitório, com efeitos a partir de 01/01/2010, conforme Laudo feito pela Comissão de Valores Mobiliários, que Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 861 17 compõe o presente Auto de Infração. (cita e transcreve decisão do CARF, apontando como número 16994862, de 24 de Agosto de 2010 vide fl. 661) 19.18. Uma das condições é a aplicação apenas das alterações introduzidas pela Lei 11.638/07 e, que instituiu novos critérios de escrituração contábil (LIVRO DIARIO), e artigos 37 e 38 da Lei 11941/09 e suas regulamentações de órgãos (CFC, CVM, BACEN, SUSEP, ANS, ANATEL e demais órgãos reguladores) com vigência a partir de 01.01.2008. 19.19. Assim, por força da nova legislação, o Ajuste ao Valor Presente AVP feito pela empresa, encontra respaldo legal no Resolução CFC nº 1.159/2009, itens 64 a 66, cujas regras estão determinadas na NBC TG 12.Vejamos: 64. O art. 15 da MP nº. 449/08 instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT), que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n°. 11.638/07 e pelos arts. 36 e 37 da MP nº. 449/08. 65. O Regime Tributário de Transição (RTT) vigerá até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis buscando a neutralidade tributária. 66. O RTT será opcional nos anoscalendário de 2008 e 2009, cuja opção deve ser feita quando da entrega da DIPJ do anobase 2008, exercício financeiro 2009. 19.20. Conforme se extrai da norma acima, o Regime RTT foi criado para vigorar até a entrada de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos contábeis, buscando a neutralidade tributária, haja vista sua transitoriedade, conforme o próprio nome diz. 19.21. A nova legislação que passou a disciplinar o Imposto de renda das pessoas Jurídicas passou a vigorar em 01.01.2015 com a criação da Lei nº 12.753/14. 19.22. Assim, os critérios contábeis disciplinados pelas leis 11638/07 e o Regime Tributário Transitório disciplinado pela Lei nº 11941/09, foi o utilizado pela Autuada, conforme será demonstrado. 19.23. Para a contabilização do Ajuste ao valor Presente, que quer dizer, trazer para o valor presente, o valor real dos ativos das empresas, a Lei nº 6.404/76 determinou em seu art. 182, §3° que "seriam classificadas na reserva de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudos nos termos do artigo 8o, aprovado pela assembléia geral". 19.24. A partida da reavaliação será debitada no próprio ativo reavaliado, ou seja, a diferença entre o valor do laudo e o constante na contabilidade será acrescida a este último. O ativo, com novo valor contábil, não precisa estar subdividido, mostrando o valor anterior e o acréscimo pela reavaliação. Deverá ter um único total, já que o controle do valor reavaliado será efetuado na conta de reserva, do patrimônio líquido. 19.25. Observase que não há a obrigatoriedade da subdivisão da conta no ativo, mas, nada impede que, para fins de controle contábil, que haja desdobramento do valor na contabilidade, constando de valor original + valor reavaliado, principalmente em relação aos BENS MOVEIS, Já que o artigo 437 do Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 862 18 Regulamento do Imposto de Renda exige esta segregação contábil em subconta distinta de que registra o valor do bem imóvel, no caso de incorporação da reserva de reavaliação ao capital social. 19.26. O que não é o caso da autuada. Assim, após discorridos os conceitos de Realização de Reserva de Reavaliação, conceito de alienação no caso de cisão com incorporação de bens e a cerca do Ajuste RTT introduzido no ordenamento jurídico através da Lei 11941/09, passemos à analise dos mérito. 19.27. Conforme extraise da legislação do IRPJ e da CSLL constante do AI, a reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País, não será computada na determinação do lucro real em virtude da incorporação da reserva de reavaliação ao capital social. 19.28. E a contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (art. 440 do RIR/99). 19.29. DO SUPOSTO GANHO DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE NA ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO INTANGÍVEL NO VALOR DE R$84.000.000.00: 19.29.1. Não existe, entre as normas legais trazidas na autuação de IRPJ e de CSLL, não há nenhuma que determine que os valores integralizados por meio de cisão seriam relativos à alienação. Ao contrário, a resposta dada pelos auditores fiscais da receita federal do Brasil, às perguntas sobre incorporação, fusão e cisão, disponibilizados no site da Receita Federal do Brasil, não deixa nenhuma dúvida DE QUE NÃO HOUVE ALIENAÇÃO NA transferência de patrimônio à sucessora, no caso de cisão, POR ESTA RAZÃO NÃO HÁ incidência do Imposto de Renda. 19.30. DAS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL REFERENTE A INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS NO VALOR DE R$56.987.814.00: 19.30.1. O art. 249 do RIR/99 determina que serão adicionados na apuração do lucro real, os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real, e o artigo 436 preceitua que a integralização de capital social (incorporação ao capital) com reserva de reavaliação NÃO SERÁ COMPUTADA NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. PORTANTO. NÃO PODE SER APLICADO AO PRESENTE CASO. 19.30.2. Quanto ao enquadramento legal do item 0002 da Contribuição Social temse que os artigos mencionados já foram amplamente discorridos anteriormente com exceção do artigo 435 do RIR que preceitua: Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 35, § lº, e Decreto lei nº1.730, de 1979, art. lº, inciso VI): Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 863 19 II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; 19.30.3. Por sua vez o artigo 434 determina que: Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decretolei nº 1.730, de 1979, art. lº , inciso VI). § 1º o laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. 19.30.4. Observase que para que o caput do artigo 435 tenha aplicabilidade, o valor da reavaliação deva permitir o valor da realização em cada período de apuração, podendo ser constatado que a ficha razão analisado pelo auditor fiscal está discriminado de forma a permitir a determinação do valor realizado, mas como o valor incorporado ao capital social foi transferido através de cisão, NÃO HOUVE A ALIENAÇÃO DE QUE TRATA O AUTO DE INFRAÇÃO, ALÉM DA INTEGRALIZAÇÃO NÃO CONSTITUIR A REALIZAÇÃO DO BEM REAVALIADO. 19.31. DAS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL RELATIVO À ALIENAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL INTEGRADO COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS NO VALOR DE R$30.300.000.00: 19.31.1. Conforme já amplamente discorrido, o enquadramento legal que serviu de base para a lavratura do presente Auto de infração não se aplica à nenhuma das irregularidades supostamente encontradas pela fiscalização, FORA O FATO DE QUE A AUTUADA CONTINUA SENDO A PROPRIETÁRIA DAS MARCAS E PATENTES ATRAVÉS DE SUA PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA MABRA. 19.31.2. Ademais, em análise do artigo 436 do mesmo RIR item Avaliação de bens imóveis e patentes, nos informa que a incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento do valor de bens imóveis (ativo fixo representado por terrenos, benfeitorias e construção civil) integrantes do ativo permanente, nos termos do artigo 434, não será computada na determinação do lucro real (Decreto Lei 1978/82, artigo 3º). 19.31.3. A legislação atual no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) consagrou a marca como um dos bens do ativo da empresa passível de negociação. Fica esclarecido, portanto, que a avaliação da marca e a sua contabilização não sofrerá qualquer incidência de imposto enquanto for mantida na conta de ajuste patrimonial e não for realizada. 19.31.4. "A resposta dada pela fiscalização no site da Receita Federal do Brasil à pergunta nº 264, sobre a contrapartida da reavaliação de quaisquer ens da pessoa jurídica, somente pode ser computada em conta de resultado u na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, quando correr a efetiva realização do bem reavaliado, disposta no artigo 4º da Lei .959/00, é Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 864 20 clara que somente na REALIZAÇÃO do bem reavaliado que os alores poderão ser computados em conta de resultado" (sic). Vejamos: A possibilidade de constituição de reservas de reavaliação sobre outras espécies e bens sempre existiu, uma vez que a fonte legal de introdução da reavaliação, como hoje é conhecida, é a Lei nº 6.404, de 1976, de acordo com os arts. 8º e 82, em seu § 3º. Ocorre que, antes do advento das disposições do art. 4º, da Lei n° 9.959, de 000, a reavaliação de quaisquer bens que não fossem classificados no ativo mobilizado da entidade deveria ser oferecida à tributação, porque, quando de ua constituição, não havia previsão legal amparando o diferimento da contrapartida da reavaliação registrada no patrimônio líquido ou no resultado. Também era oferecida à tributação, por se considerar realizada, a reserva de reavaliação de bens classificados no imobilizado quando de sua capitalização exceto as reservas de reavaliação de bens imóveis e direitos de exploração de atentes, nos termos do RIR/1999, art. 436, caput e § 3º). Com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.959, de 2000, art. 4º, a contrapartida da reavaliação efetuada somente pode ser oferecida à tributação, quer pelo reconhecimento em conta de resultado, quer pela adição ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, quando por ocasião de sua efetiva realização. 19.32. É importante ressaltar que não foi indicado nem descrito, objetivamente qual tipo constante dos dispositivos legais apontados seria o aplicável à conduta da empresa, cujas penalidades tiveram previsão nos base no artigo 44, incisos I e §§ 1º e 2º da lei 9430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da lei 11.488/07. 19.33. Os incisos II e III do § 2º do inciso I do artigo 44 referemse à documentação digital, e o § 1º determina que a multa será aplicada, SOMENTE NOS CASOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI 4.502/64. 19.34. Ocorre que Lei 4.502/64, dispõe sobre o Imposto de Consumo e reorganiza a Diretoria de Rendas Internas, cujos artigos que tratam da responsabilidade tributária foram suprimidos pelo DecretoLei nº 34 de 1966, que alterou a referida Lei mas, continua sendo a LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA O IMPOSTO SOBRE O CONSUMO. PORTANTO, NÃO PODE SER APLICADO AO PRESENTE CASO, UMA VEZ QUE O IMPOSTO OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO (IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL) DIFERE DO IMPOSTO REGULAMENTADO PELA REFERIDA NORMA LEGAL (IMPOSTO DE CONSUMO). Mas, como o Auto de Infração foi lavrado a partir da aplicação do artigo 149 do Código Tributário Nacional, por ter havido o entendimento de que a conduta dos sócios subsumese ao disposto no artigo 72 da Lei 4.502/64. Vejamos o que determina o referido artigo. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 19.35. Não obstante a Lei 4.502/64 ter sido criada para regular o IMPOSTO DE CONSUMO, cabe ao fisco PROVAR A OCORRÊNCIA DE FRAUDE. É o que preceitua o inciso VII do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Vejamos. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 865 21 Art. 149.(...): VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 19.36. De acordo com o entendimento da Terceira Câmara do primeiro Conselho de Contribuintes, no julgamento do processo administrativo nº 10120.002077/2003 62, proferiu acórdão para a aplicação da norma acima especificada, bem como das multas qualificadas é necessário que o fisco COMPROVE A EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO (Acórdão CSRF/0105.435. Voto e Ementa transcritos às fls. 671/681). 19.37. Da mesma forma, o CARF proferiu acórdão no sentido de aplicação da retroatividade benigna para a aplicação da multa isolada. Vejamos: Em razão das alterações introduzidas pela Lei n° 11488/2007, o percentual da multa isolada deve ser reduzido para 50%." III CONCLUSÃO E PEDIDO 19.38. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 727/746, julgou improcedente o lançamento fiscal, bem como manteve a atribuição de responsabilidade tributária dos sócios. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 763/792), juntamente com os responsáveis solidários, no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Em sede de contrarrazões às fls. 804/843, a PGFN defende a validade integral do lançamento, inclusive da multa de qualificada. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Primeiramente, impende registrar que o Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente aponta que a incorporação de reservas no capital social não caracteriza alienação e, portanto, não se sujeita à tributação quando da transferência de patrimônio em caso de reorganização, o que caracteriza ofensa ao princípio da legalidade. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 866 22 Aduz adiante que houve uma reavaliação de bens intangíveis, devendo ser interpretado como um ajuste ao valor presente do ativo intangível, nos termos do art. 112 do CTN. No entanto, como bem observa a decisão da DRJ, tais argumentos não acarretam nulidade na autuação, pois são alegações de ordem de mérito que visam desqualificar a infração cometida. Ademais, não foi vislumbrada as hipóteses de nulidade dos atos e termos lavrados, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração por ausência das formalidades em questão, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela Recorrente. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. MÉRITO Conforme se infere do auto de infração são três as irregularidades que serviram como base para a autuação fiscal. Antes de adentrar a cada uma delas, pontuarei a composição societária antes e após a reorganização societária. Em 2009 a CIFARMA LTDA contava com um capital social de R$ 30.300.000,00, sendo distribuídos aos seus sócios da seguinte maneira: 50% para o Sr. Marinho Braga e 50% para a Sra. Sonia Silveira Braga. A partir dai se sucederam fatos societários que balizaram as infrações cometidas, a saber: Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 867 23 Momento 1 Fatos relacionados às infrações 2 e 3 do Auto de Infração Transferência de 3.030.000 cotas da Cifarma Ltda., que pertenciam à sócia Sonia Silveira Braga, para a Mabra Farmacêutica Ltda, passando a deter 10% da sociedade. Integralização no valor de R$ 187.287.814,01 no ato e R$ 66.412.186,00 a integralizar dentro de um ano, provenientes da reavaliação das patentes e dos direitos de exploradas das mesmas. Tal justificativa foi retificada para "Ajuste de Valoração Patrimonial da Contribuição dos subscritores em prol da sociedade na forma de marcas e patentes e dos direitos de exploração das mesmas (...)". Nesse ponto, cumpre ressaltar que o INPI informou que existem apenas marcas registradas em nome da Cifarma Ltda, conforme Ofício no 013/2015 PR/INPI (fls. 201254) e Ofício OF/PGE/INPI/Nº 156/2014 (fls. 173199). Tal assertiva implica no enquadramento legal aplicável. O §3 do art. 436 do RIR/99 trata apenas de patentes, e não de marcas, ponto de controvérsia a ser enfrentado. Outrossim, discutese o fundamento do valor da capitalização. O montante de R$ 187.287.814,01 (valor integralizado) foi refletido na participação societária dos acionistas, Sr. Marinho Braga e Sra. Sonia Silveira Braga, conforme fls. 268 e 269. Vejamos como ficou a composição da participação societária: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 868 24 Após a integralização referida acima, a participação detida pela Mabra Farmacêutica Ltda na Cifarma Ltda é transferida para a GRB Participações SS Ltda. Registra se que a GRB Participações era controlada integralmente pelos filhos dos acionistas Sr. Marinho Braga e Sra. Sonia Silveira Braga. (fls. 275/279) Cisão parcial da Cirfarma Ltda, aprovado nos termos do protocolo de cisão, assinado em 2010, quando foi definido que 84 milhões seria cindido do patrimônio da empresa. (fls. 280/286). Veja abaixo os registros realizado: 28ª Alteração Contratual da Cifarma Ltda 1) do sócio GRB PARTICIPAÇÕES SS LTDA., já acima qualificado com a retirada da totalidade de suas cotas no valor de R$ 30.300.000,00 (trinta milhões e trezentos mil reais), representando 30.300.000 (trinta milhões e trezentas mil) cotas, no valor nominal de R$ 1,00 (um real); Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 869 25 2) da sócia SÔNIA SILVEIRA BRAGA, retirandose proporcionalmente da sociedade a quantia de R$ 26.850.000,00 (vinte e seis milhões oitocentos e cinquenta e mil reais) o que corresponde parte de suas cotas 26.850.000 (vinte e seis milhões e oitocentos cinquenta mil) cotas no valor nominal de R$ 1,00; 3) do sócio MARINHO PEREIRA BRAGA, retirandose proporcionalmente da sociedade a quantia de R$ 26.850.000,00 (vinte e seis milhões oitocentos e cinquenta e mil reais) o que corresponde parte de suas cotas 26.850.000 (vinte e seis milhões e oitocentos cinquenta mil) cotas no valor nominal de R$ 1,00 Parágrafo único – As alterações acima têm a finalidade de verter as quotas correspondentes aos ativos objeto da CISÃO PARCIAL, ora prolatada, para integralização na empresa MABRA FARMACÊUTICA LTDA. – EPP inscrita no CNPJ sob o no 09.545.589/000188 e NIRE 52.2.02512404 [destaques conforme o original] Termo de Verificação Fiscal (fls. 43/44) CISÃO PARCIAL DA CIFARMA com versão da parcela cindida para a Mabra Farmacêutica Ltda, no valor de R$ 84.000.000,00 com a retirada da totalidade das quotas da empresa GRB PARTICIPAÇÕES LTDA. Nesta redução de capital datada de 01/06/10, houve lançamento a crédito de marcas e patentes e a débito das contas de capital dos sócios Marinho, Sônia e GRB. Marinho e Sônia integralizaram marcas e patentes na Mabra e apareceu a conta de investimento no ativo da Cifarma: a Cifarma é sócia da Mabra com participação no capital de R$ 53.700.000,00. As Marcas e Patentes no valor de R$ 53.700.000,00 foram substituídas pelo investimento na Mabra. Já a GRB reduziu seu capital na Cifarma, foramlhe entregues Marcas e Patentes e reduzido o capital da Cifarma com a saída da GRB; e a GRB tornouse sócia da Mabra. Não há contabilização de investimento da CIFARMA na GRB; nem CIFARMA é sócia da GRB. Os R$ 30.300.000,00 simplesmente foram alienados da CIFARMA, com a redução do capital e nada o substituiu. Verificase que o patrimônio cindida da Cifarma Ltda foi direcionado para a Mabra Ltda, por meio de aumento de capital. Notese também que, o patrimônio cindido correspondia apenas a marcas oriunda da primeira capitalização da Cifarma. Confirase abaixo a 2ª Alteração Contratual da Mabra Ltda (fls. 313315), Pelo processo de cisão protocolado na JUCEG referente à empresa CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA., inscrita no CNPJ sob o no 17.562.075/000169, e NIRE 52.2.02365711 foi integralizado no capital social da empresa o valor de R$ 84.000.000,00 (oitenta quatro milhões de reais) a integralização ocorre com a incorporação das seguintes Marcas e Patentes: Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 870 26 Depreendese que a cisão parcial que o patrimônio cindido à Mabra Ltda foi a devolução do patrimônio referente às marcas reavaliadas que haviam sido incorporadas ao capital social da Cifarma Ltda. Dessa forma, passaram a ser sócios da Mabra Ltda, a GRB Participações, com 36,02% de quotas, equivalentes a R$ 30.300.000,00; (b) o Sr. Marinho Braga, com 31,93% de participação, equivalente a R$ 26.850.000,00; e a Sra. Sônia Silveira Braga, também com 31,93% de participação, equivalente a R$ 26.850.000,00. No entanto no dia seguinte, o Sr. Marinho Braga e a Sra. Sônia Silveira Braga transferiram as suas participações na Mabra Ltda para a Cifarma Ltda, de modo que voltou a deter nesta última passou a deter a Mabra Ltda, que por sua vez, detém as marcas reavaliadas. Assim, a autoridade entendeu que a Cifarma trocou o patrimônio relacionado às marcas reavaliadas (oriunda da incorporação no seu capital social) pelo investimento na Mabra Ltda, equivalente a R$ 53.700.000,00. Como apontado acima pela fiscalização, a GRB Participações deu baixa no seu ativo no valor de R$ 30.300.000,00 e não houve qualquer outro registro na Cifarma, o que implica na disponibilizada do patrimônio da Cifarma para GRB Participações, sendo considerado como alienação pela fiscalização. Momento 2 Fatos relacionados à infração 1 do Auto de Infração Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 871 27 Versa sobre a alienação das quotas da Mabras Ltda (antes pertencentes à Cifarma Ltda) para a Chemo España Antes Depois Importante frisar que a fiscalização intimou a Recorrente para apresentar o Contrato de compra e venda das ações da Mabras Ltda, o qual não foi apresentado e ensejou o agravamento da multa. Constatase ainda uma Sociedade em Conta de Participação (SCP) firmado entre a Chemo do Brasil e a Cifarma ltda e neste contrato consta a alienação das quotas da Mabras pela Cifarma para a Chemo España. Confirase: CONSIDERANDO QUE, a SÓCIA OSTENSIVA celebrou “Contrato de Compra e Venda de Quotas – Quota Purchase Agreement – (o’Contrato’) datado de 1o de junho de 2010, e seus aditivos posteriores, por meio do qual a CHEMO ESPAÑA, S.L., (...) concordou em comprar e de fato comprou 50% (cinquenta por cento) das quotas representativas do capital social da sociedade denominada MABRA FARMACÊUTICA LTDA., (...) até então detidas pela SÓCIA OSTENSIVA; CONSIDERANDO QUE, como condição para o fechamento da transação descrita acima, a SÓCIA OSTENSIVA se comprometeu, dentre outras coisas, a transferir, como de fato transferiu, para a MABRA, via cisão, os ativos listados no anexo do Contrato e seus respectivos aditivos, incluindo a titularidade dos produtos de sua linha de propaganda médica; Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 872 28 Da leitura supra, infere que: (i) a Chemo España adquiriu 50% das quotas Mabras Ltda pertencentes à Cifarma; e (ii) o fechamento da transação estava condicionada a transferência a titularidade dos ativos via cisão. Ocorreu um aumento de capital no valor de R$ 83.900.000, integralizado "mediante a doação em partes iguais pelos subscritores das Marcas e Patentes decorrentes de Pesquisa e/ou Tecnologias desenvolvidas na empresa em território nacional e seus ajuste de valor presente”. Nesse ponto, observase, mais uma vez, que a ANVISA informou só haver marcas registradas em nome da Cifarma Ltda. Ainda consta que Marinho Braga e Sonia Braga não eram os titulares das marcas vertidas para o capital social da Cifarma, concluindo que todas as marcas pertenciam a Cifarma. Portanto, o nome sugerido para a integralização estaria equivocado. Feita esta integralização, por meio de incorporação ao capital de marcas avaliadas com ajuste de valor presente, foi aprovada a Cisão parcial, vertendo a quantia de R$ 83.900.000,00 para a Mabra Ltda. (originária das marcas utilizar para integralizar o aumento de capital na Cifarma Ltda na mesma proporção). Temse, portanto, na ótica da Cifarma Ltda a realização de uma capitalização para na seqüência descapitalizar, o que estritamente pela ótica societária não faria sentido. No entanto, após a leitura do contrato da SCP, tal operação faz sentido à medida que era uma condição para executar a venda de 50% das ações da Mabra Ltda. para a Chemo España. Dai resta claro que o intuito entre a Cifarma Ltda e a Chemo España era a alienação das marcas e o seu direito de exploração, externalizado por meio da compra de 50% das ações da Mabra Ltda. Destacase o aumento de capital 83.900.000,00 na Mabra Ltda fruto do recebimento do patrimônio cindido da Cifarma Ltda relativo marcas, o que representou, nesta oportunidade, os ingressos do Sr. Marinho Braga e Sra. Sônia Braga como sócios da Mabra, detendo cada 25% das quotas. No entanto, como já mencionado, a integralização foi dada à doação de marcas que pertenceriam aos sócios (pessoas físicas), só que em verdade, estas eram pertencentes a Cifarma Ltda, conforme documentos fornecidos pelo INPI. Sendo a Cifarma Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 873 29 Ltda a titular por perceber o ganho de capital quando da alienação das quotas da Mabra ltda à Chemo España, até porque o contrato de SCP foi firmado entre ambas as partes. Adiante, a efetividade da compra das ações da Mabra Ltda encontrase registrada na 5ª Alteração Contratual desta. O documento revela que os sócios Marinho Braga e Sra. Sônia Braga transferiram suas ações detidas na referida empresa no valor de R$ 83.900.000,00 para a Cifarma Ltda. Ainda na mesma alteração societária, a agora sócia Cifarma Ltda transfere as respectivas quotas, no valor de 84 milhões para a Chemo España equivalente a 50% da quotas da Mabra Ltda (objeto do contrato da SCP). Após a sucessão dos eventos societários resulta na alienação de quotas da Mabra Ltda para a Chemo España no importe de 84 milhões, tendo como origem a integralização da parcela cindida da Ciframa Ltda, cujo tem como objeto as marcas reavaliadas/ajustadas a valor presente. Desta transação surge ganho de capital relativo a reavaliação das marcas por conta da alienação realizada. Superada a questão fática, passemos as questões de direito. INFRAÇÃO 1 Ganho de capital decorrente da incorporação de reavalição de marcas Conforme exposto, a incorporação de reavaliação de marcas ao capital social da Reocrrente foi considerada como um ganho de capital e, por conseguinte, oferecida à tributação. Isso porque, quando da reavalição, a lei comercial em vigor já não mais permitia a reavaliação de ativos Lei nº 11.638/07. Notese que para fins fiscais, tal reavaliação não configuraria, a princípio, violação à legislação tributária, por força do princípio da neutralidade tributária trazida pela Lei nº 11.941/09 (Regime Tributário de Transição). Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 874 30 A Recorrente rebate o entendimento da fiscalização alegando ter ocorrido o diferimento da tributação, conforme os arts. 434, 436 e 440 do RIR/99, pois enquanto mantida a reserva de reavaliação o ganho obtido na operação estaria diferido. Ainda, o efeito do diferimento seria mantido em caso de cisão à medida que o art. 440 prevê o tratamento tributário das reservas de reavalição para os casos de cisão, fusão e incorporação. Confirase: "RIR/99 Reavaliação de Bens do Permanente Diferimento da Tributação Art.434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). §1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. §2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §2º). §3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, §1º, alínea "h", e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). (...) Reavaliação de Bens Imóveis e de Patentes Art.436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º). §1º Na companhia aberta, a aplicação do disposto neste artigo fica condicionada a que a capitalização seja feita sem modificação do número de ações emitidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o caso (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §2º). Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 875 31 §2º Aos aumentos de capital efetuados com a utilização da reserva de que trata este artigo, constituída até 31 de dezembro de 1988, aplicamse as normas do art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 1977,e às reservas constituídas nos anos de 1994 e 1995 aplicamse as normas do art. 658(DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §3º). §3º O disposto neste artigo aplicase à reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País (DecretoLei nº2.323, de 26 de fevereiro de 1987, art. 20). Art.437. O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §1º): I registrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; II computado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I,III e IV do parágrafo único do art. 439. (...) Reavaliação na Fusão, Incorporação ou Cisão Art 440. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 37). Parágrafo único. O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real de acordo com o disposto no § 2º do art. 434 e no art. 435 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 37, parágrafo único). Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida. Nesse ponto, por sua vez, cumpre observar que o RTT possibilitou o tratamento aos contribuintes do antigo regime, isto é, a possibilidade de diferir a tributação de ganhos provenientes de reavaliação espontânea de bens, mesmo sendo vedado com o advento da Lei 11.638/2007. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 876 32 Porém, faz jus a esta neutralidade fiscal, o contribuinte que deveria cumprir as normas trazidas pelo RTT, especialmente quanto ao registro e controle dos valores relativos a esta reserva de reavalição, por meio do FCONT (Controle Fiscal Contábil de Transição). Ocorre que, tal neutralidade não se estendeu ao caso da Recorrente, uma vez que as reavaliações das marcas, objeto da fiscalização, se deu em 2010, quando já estava em vigor a Lei nº 11.638/07, de forma que tal prática já se encontrava vedada. Tal entendimento foi exposado pelo art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, in verbis: Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: (...) § 2º Para fins da escrituração contábil, inclusive da aplicação do disposto no § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – livros ou registros contábeis auxiliares; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – livros fiscais, inclusive no livro de que trata o inciso I do caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [destaques não constam do original] Inferese que para que haja a neutralidade do efeito fiscal nas reavaliações de ativo, trazida pelo RTT, é imprescindível o seu registro no FCONT, o que não foi cumprido no caso concreto. Ademais, ao analisar a matéria, a Receita Federal publicou o Parecer Normativo CST n°69, de 1986, cuja ementa transcrevo abaixo: "A incorporação ao capital, da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bem imóvel integrante do ativo permanente, em virtude de nova avaliação, com base em laudo nos termos do art. 8° da Lei n° 6404/76, não será computada na determinação do lucro real da pessoa jurídica que a tenha efetuado para subscrição de aumento de capital, nos termos dos arts. 328 do RIR/80 (art. 387 do RIR/94) e art. 3° do Decretolei n° 1.978/82. A subscritora deverá, na subconta de investimento que registrar a parcela da participação societária, manter o destaque do montante correspondente à reavaliação ainda não oferecida à tributação." Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 877 33 Depreendese que a lei ao permitir que a reserva seja incorporada ao capital sem que seja computada na determinação do lucro real (art. 436), esta determina uma outra forma de controle, qual seja, o registro do valor da reavaliação em subconta distinta daquela que registra o valor do bem. Foi nesse sentido que este colegiado já se manifestou, senão vejamos: RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO. Na situação em que a reserva de reavaliação é incorporada ao capital pela sociedade que procedeu à reavaliação de imóvel, e esse imóvel reavaliado é entregue a terceiros a titulo de integralização de aumento de capital, a subscritora deverá, na subconta de investimento que registrar a parcela da participação societária, manter o destaque do montante correspondente à reavaliação ainda não oferecida à tributação. Ao não fazêlo, a empresa deixou de cumprir a obrigação legal que lhe daria o direito de continuar a diferir a tributação do acréscimo de valor de seu imóvel (terreno), decorrente da reavaliação. (130100.260 ) No caso concreto, isto não foi observado, uma vez que as reavaliações foram utilizadas para integralizar o aumento de capital da Cifarma, não cumprindo com a exigência do art. 437, I do RIR/99, não havendo distinção entre o custo de aquisição e valor da reavaliação. Dessa forma, os registros contábeis não demonstraram o ganho de capital diferido nas operações subseqüente, em especial quando da alienação para Chemo España. Ainda, conforme já mencionado, o caso tratou de reavaliação de marcas, conforme informações do laudo de reavaliação, alterações do contrato social e resposta do INPI, e não a patentes. Nesse ponto, observase que o § 3º do art. 436 do RIR/99 só abrangeu o diferimento para reavaliações de patente ou direito de exploração de patente incorporadas no capital social, não sendo possível, portanto, a aplicação do referido artigo para o caso concreto. Diante do exposto, entendo que a atuação fiscal deve ser mantida nesse ponto. INFRAÇÃO 2 Alienação de capital social integralizado com reavaliçoes de marcas para GRB Participações. A infração em questão diz respeito a alienação de capital social integralizado com reserva de reavalição de marcas para GRB Participações em decorrência da cisão parcial da Cifarma Ltda. Segundo consta do TVF, a contrapartida do lançamento contábil desta operação foi a redução de capital dos sócios, Sr. Marinho Braga, Sra. Sonia Braga e GRB Participações. Como visto, findada a cisão parcial, a GRB Participações integralizou o capital social cindido na Mabra Ltda. A Fiscalização constatou que o valor entregue à GRB Participação significou “uma diminuição no Capital Social da CIFARMA, sem contrapartida em investimento, o que significa uma alienação de participação societária. Dessa forma, a Recorrente estaria sujeita à tributação do ganho de capital (que estava diferido) quando da alienação da participação societária, nos termos 435, II, "a" do RIR/99. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 878 34 A Recorrente sustenta que o valor cindido incorporado ao capital social foi transferido por meio de cisão, não deflagrando uma alienação na operação, nos termos do art. 435, II, "a" do RIR/99, in verbis: Art.435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: A) alienação, sob qualquer forma; B) depreciação, amortização ou exaustão; C) baixa por perecimento. Ademais, a Recorrente alega que houve uma cisão parcial e que os arts. 440 e 441 do RIR/99 acima transcritos asseguram o diferimento da tributação nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação. Afirma ainda que INPI consagrou a marca como um dos bens do ativo da empresa, de modo que sua avalição, bem como sua contabilização não sofrerá nenhuma tributação enquanto for mantida na conta de ajuste patrimnial e não for realizada. Entendo que tais argumentos não devem prosperar. Primeiro porque o art. 436 do RIR/99 não versa sobre a operação da empresa, pois envolve a reavaliação de marcas e não patentes, bem como a inobservância do art. 437, I do RIR/99 no tocante ao desdobramento contábil do ativo reavaliado e incorporado ao capital social, e por ter caracterizada a alienação à medida que houve uma redução no capital social da Cifarma Ltda, sem contrapartida em investimento. Dessa forma, entendo que deve ser mantida a autuação fiscal quanto a infração 2. Infração 3 Alienação de capital social integralizado com reserva de reavaliação de marcas para Chemo España A autução em referência se refere a efetiva alienação de marcas para a Chemo España, no valor de 84 milhões. Constatase que o não fornecimento do contrato de compra e venda dessa transação foi o fator da multa agravada. Conforme se extrai do contrato de SCP a Cifarma Ltda alienou 50% das quotas da Mabra Ltda para a Chemo España. Ainda, a fiscalização verificou que a Recorrente efetuou o lançamento contábil, de modo a lançar a débito da conta de recebíveis (Chemo España) e a crédito da conta de investimento (participação societária) na Mabra. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 879 35 A fiscalização ainda verificou que a titularidade das marcas reavaliadas eram pertencentes a Cifarma Ltda, uma vez adquiridos por meio de integralização de capital, Sr. Marinho Braga e da Sra. Sonia Braga. Segue excerto da Fiscalizando sobre a verificação do custo de aquisição das marcas: 42. Objetivando aferir a consistência do custo de aquisição das marcas e patentes utilizadas para integralizar capital mediante 29ª alteração do contrato social, foi expedida intimação em 14/11/2014, bem como o Ofício nº 760/2014/Sefis/DRF/GOI dirigido ao INPI, solicitando informar o histórico das marcas e patentes e respectivos proprietários ao longo do tempo. 43. O contribuinte abstevese de apresentar documentação comprobatória do custo de aquisição, restringindose a apresentar a declaração de bens e direitos constantes da DIRPF das pessoas naturais dos sócios, em que consta a propriedade das quotas da Cifarma. 44. A Diretoria de Patentes do INPI informou não lhe competir responder ao Ofício, por não se tratar de patentes. Através do Oficio OF/PGE/INPI Nº 156/2014, a Procuradoria Federal do INPI informou que os sócios Marinho e Sônia nunca foram proprietários de marcas de medicamentos registrados. Através do Ofício nº 013/2015 PR/INPI, a diretoria de Marcas (DIRMA), do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, remeteu os resultados das pesquisas feitas em sua base de dados, correspondentes aos números dos processos informados na 29ª alteração contratual da CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA, relacionando os registros de marca em vigor e pedidos de registro de marcas em andamento, sendo anexada cópia integral destes Ofícios neste processo. (destaques da transcrição) Destacase ainda que, em 2010, a alienação das quotas da Mabra foi pactuada pela Cifarma Ltda e pela Chemo España, conforme o contrato de SCP citado. Entretanto, nessa época a Mabra ainda não era titular das marcas, objeto do negócio. Assim, conforme já mencionado, as disposições contratuais determinava que a Cifarma Ltda entregasse à Mabra Ltda às marcas reavaliadas, por meio de cisão. Assim, a intenção precípua do contrato não era adquirir 50% das quotas da Mabra, mas sim adquirir as marcas reavaliadas, cuja titularidade eram pertencentes à Cifarma Ltda. A Recorrente alude que não há base legal determinando que os valores integralizados por meio de cisão se tratam de alienação, fora o fato da Recorrente ser a proprietária das marcas reavaliadas. Com efeito, entendo que a cisão parcial da Cifarma Ltda, como requisito para a concretização do negócio se insere no contexto da capitalização de marcas reavaliadas com a subseqüente cisão. A seqüência dos atos societários foi determinante para a autuação fiscal, sendo estas norteadas pelo acordo comercial disposto no contrato de SCP, firmado entre a Cifarma e a Chemo España, sendo que esta última tinha como objetivo precípuo a aquisição e exploração das marcas, concluise, portanto, que a cisão tinha um condão de evitar a tributação quando da alienação destas. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 880 36 Logo, deve ser mantida a autuação fiscal nessse ponto. DA MULTA QUALIFICADA DE 150% Em função das infrações cometidas, a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430/96., in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou conribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação anterior à alteração legislativa, vigente à época dos fatos) Todavia, a Recorrente entende que não faz jus à multa de 150% sobre o crédito tributário, uma vez que não restou comprovado a ação dolosa e o intuito de fraude em sua conduta. Entendo, contudo, que não restou caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação pelo contribuinte à medida que não há prova ou elementos contundentes trazidos pelo agente fiscal que evidenciasse a prática dolosa em seus atos praticados De plano, pois, afasto a possibilidade de sonegação fraude ou conluio, pois tais práticas pressupõe dolo, nos termos dos arts. 70 a 73 da Lei nº 4.502/64. Ora, inobstante a intenção da contribuinte em obter ganhos e economia com a reserva de reavaliação das marcas, não se pode presumir dolo nos atos praticados do Contribuinte quando da série de operações societárias, pois as interpretou como válidas e amparadas na lei. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado uma conduta que "demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária", conforme o artigo 68 da Lei nº 4.502/64. Em face do exposto, entendo que a qualificação da multa de ofício não restou justificada, devendo ser reduzida para 75%. DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A fiscalização agravou em 50% a multa de ofício, correspondente aos tributos lançados em decorrência da venda à Chemo España, inc. I do art. 959 do RIR/99, § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e inc. I do art. 70 da Lei nº 9.532, de 1997. RIR/99 Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 881 37 Art. 959. As multas a que se referem os incisos I e II do art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70, I): I prestar esclarecimentos; IIapresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 265 e 266; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 267. Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se refere o inciso I do caput e o § lº deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação ipara: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A razão para tanto foi que a Recorrente deixou de entregar o contrato de venda da Chemo e de prestar demais esclarecimentos, mediante Intimação nº 8. Confirase: 39. A fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 8 datado de 17/09/2014, sendo que a fiscalizada tomou ciência, via AR, em 24/09/2014. Nesta mesma data, e solicitando os mesmos esclarecimentos e documentos, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal – Diligência para MABRA. Nestas Intimações são solicitados esclarecimentos e cópia do Contrato de Compra e Venda celebrado entre a CIFARMA e a CHEMO ESPAÑA S.L, através do qual a CIFARMA vende 84.000.000,00 de suas quotas na MABRA, conforme informação constante no Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta Participação (SCP). Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 882 38 40. Em 29/09/2014 e 30/09/2014, respectivamente a CIFARMA e a MABRA solicitam prorrogação de prazo para atendimento das Intimações relatadas no tópico anterior, haja vista os documentos solicitados estarem no idioma inglês, havendo assim a necessidade de tradução juramentada 41. Vencido o prazo de vinte dias da prorrogação de prazo, e nada sendo apresentado pelas empresas, foi encaminhado o Termo de Intimação nº 9 para CIFARMA, datado de 21/10/2014 e Termo de Reintimação Fiscal – Diligência para a MABRA, solicitando novamente a cópia do Contrato de Compra e Venda celebrado entre a CIFARMA e a CHEMO ESPAÑA S.L, através do qual a CIFARMA vende 84.000.000,00 de suas quotas na MABRA. O contribuinte abstevese de responder à reintimação. A Recorrente se defende alegando que recebeu a intimação nº 08 no dia 24.09.2014, com prazo de 20 dias para apresentação dos documentos exigidos, ou seja, o prazo para cumprir a intimação se findaria em 14.10.2014 e que foi requerido pedido de prorrogação de prazo por mais 20 dias em 29.09.2014, o qual foi deferido e estendido até o dia 04.11.2014 o qual foi apresentado, conforme item 56 do relatório. Adiante, diz que o item 41 no TVF traz que "vencido o prazo de 20 dias da prorrogação de prazo, e nada sendo apresentado pelas empresas, foi encaminhado o Termo de Intimação nº 9 resposta da empresa, datado em 21.10.2014, sendo que a mesma teve o prazo prorrogado pela fiscalização até o dia 04.11.2014, então esta nova intimação foi encaminhada antes do prazo previsto para que a autuada pudesse cumprir a obrigação, o que culminou na aplicação da penalidade do artigo 44 da lei 9.430/96, § 2º e seus incisos, sendo ilegal. Os argumentos trazidos pela Recorrente não devem prosperar. Vejamos o item 56, em que supostamente comprovaria a apresentação do documento solicitado na Intimação nº 8: 56. Uma quarta empresa, a CHEMO SPAÑA S.L, CNPJ 08.437.482/0001 53, empresa espanhola, com sede em Madri, passa a ser sócia da empresa MABRA. Vamos relacionar os fatos registrados em contratos ou contas contábeis, que relaciona a CHEMO SPAÑA S.L com as empresas do grupo CIFARMA: Contrato de compras e vendas de quotas, datado de 01/06/2010, celebrado entre as empresas CHEMO SPAÑA S.L e CIFARMA CIENTIFICA LTDA, com aditivos posteriores, por meio do qual a CHEMO SPAÑA S.L, sociedade com sede em Madri, Espanha, concordou comprar e de fato comprou, 50% das quotas representativas do capital da sociedade denominada MABRA Farmacêutica Ltda, CNPJ 09.545.589/0001 88. Esta informação consta no Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta Participação (SCP). Da Leitura do item 56 acima, fica claro que a informação foi retirada no contrato de SCP, não restando comprovado a apresentação do contrato de compra e venda, bem como o cumprimento da Intimação nº 8. Dessa maneira, entendo que não restou comprovada a apresentação dos documentos solicitados na Intimação nª 8, devendo ser mantida a multa agravada em 50%, a qual passa a ser 112,5% no tocante a infração 3 do TVF. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 883 39 CSLL. LANÇAMENTO. DECORRÊNCIA. IRPJ. No que tange à CSLL, entendo que se aplicam as conclusões relativas ao julgamento do IRPJ, em razão da relação de causa e efeito existente entre os fatos que geraram esses lançamentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Conforme consta às fls. 753/756 dos autos, os sóciosadministradores, Sr Marinho Pereira Braga e Sra. Sonia Silveira Braga foram regularmente intimados da decisão da DRJ. Contudo, em sede recursal, não foi apresentado nenhum argumento visando afastar a responsabilidade a eles imputada. Desse modo, a responsabilidade deve ser mantida, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de darlhe PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa qualificada de 150% para 75%, somandose a multa agravada, resultando a multa final de 112,5%, mantendose os demais pontos da autuação fiscal. É como voto (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900259/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T17:40:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T17:40:14Z; Last-Modified: 2017-08-11T17:40:14Z; dcterms:modified: 2017-08-11T17:40:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T17:40:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T17:40:14Z; meta:save-date: 2017-08-11T17:40:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T17:40:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T17:40:14Z; created: 2017-08-11T17:40:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T17:40:14Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T17:40:14Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900259/201366 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.684 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 59 /2 01 3- 66 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.718, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720203/2011-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL.
O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 9202-005.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 03 /2 01 1- 69 Fl. 482DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 13 de março de 2013, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgou Recurso Voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2403001,970 (fls. 417 do processo digitalizado), assim ementado: "Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COOPERATIVAS DE TRABALHO.CONTRATANTE.CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/1991. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser cancelada nos períodos anteriores à sua criação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício aplicada até a competência de novembro de 2008 e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61 da Lei n. 9430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Carlos Alberto Mees Stringari." Em 23 de setembro de 2013, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial (folhas 428), que restaram admitidos por meio de despacho do Sr. Presidente da 4ª Câmara, em 08 de novembro do mesmo ano. Em 13 de maio de 2014, a DRF em São José Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13864.720203/201169 Acórdão n.º 9202005.558 CSRFT2 Fl. 483 3 dos Campos, SP, encaminhou cópias das decisões, via correio, ao contribuinte, tendo sido este cientificado no dia 15 de maio de 2014. (AR fls 449). Em 30 de maio de 2014, foram apresentadas contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção da multa de 20% e, tempestivamente, foi interposto Recurso Especial (fls 451), com fundamento no artigo 67, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343. Na mesma data foram apresentadas contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional, acostadas às folhas 462, admitidos para "que seja reapreciada a questão da incidência da contribuição de 15% sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho." Na origem tratase de Auto de Infração sobre a contribuição da Empresa sobre pagamentos realizados à Cooperativas de trabalho, consubstanciado no DEBCAD 37.356.4333. Não logrou êxito a Contribuinte em sua Impugnação e, neste CARF, teve a seu favor cancelada a multa de Ofício de 75%, conforme o acórdão supra. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Recurso do Contribuinte O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Compulsando os autos, é de se ver que o levantamento referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, tal dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida., não havendo base jurídica para a manutenção da autuação. Fl. 484DF CARF MF 4 De acordo com o artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, esse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999 foi declarado inconstitucional pelo STF e, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, no sentido de declarar inconstitucional a exação em questão, nos seguintes termos: “[...] Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015. (...) EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838 EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. [...]” Com isso, percebese que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – proferida no sentido de que o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991), é inconstitucional –, tornouse definitiva em 25/02/2015 e, além disso, foi adotada a sistemática da repercussão geral (artigo 543B da Lei 5.869/1973, Código de Processo Civil), restando a esta Turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso interposto pelo sujeito passivo, para cancelar a exigência contida no Auto de Infração DEBCAD 37.356.433 3, relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13864.720203/201169 Acórdão n.º 9202005.558 CSRFT2 Fl. 484 5 Diante do presente encaminhamento, logicamente prejudicado o recurso da fazenda nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.933482/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.558
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 34 82 /2 00 9- 90 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.441. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904859/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.974
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 85 9/ 20 11 -1 6 Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10530.904859/201116 Resolução nº 3201000.974 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10530.904859/201116 Resolução nº 3201000.974 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10530.904859/201116 Resolução nº 3201000.974 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10530.904859/201116 Resolução nº 3201000.974 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1120DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720059/2013-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF.
Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819.
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO.
Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decreto-lei nº 1.435, de 1975.
CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS DE ISENÇÃO DO IPI DE QUE TRATA O DECRETO-LEI Nº 1.435/1975. LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção do IPI, previsto no artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/1975, compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente para o reconhecimento do benefício.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus que davam provimento parcial para permitir o creditamento na entrada de produtos sujeitos à incidência monofásica de acordo com o relatório produzido pela recorrente.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado se declarou impedida.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decretolei nº 1.435, de 1975. CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS DE ISENÇÃO DO IPI DE QUE TRATA O DECRETOLEI Nº 1.435/1975. LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 59 /2 01 3- 65 Fl. 4109DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.110 2 O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção do IPI, previsto no artigo 6º do Decretolei nº 1.435/1975, compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente para o reconhecimento do benefício. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus que davam provimento parcial para permitir o creditamento na entrada de produtos sujeitos à incidência monofásica de acordo com o relatório produzido pela recorrente. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado se declarou impedida. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório da Resolução nº 3403000.600: "Tratase de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que constitui créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/04/2008 a 31/12/2009 (fls. 1497/1534). A notificação aconteceu em 29/03/2014 (fl. 1569). O lançamento decorre da glosa de créditos nas seguintes situações, detalhadas pelo Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 1535/1568): 1) glosa de crédito básico em operações de transferência de produtos acabados enviadas de outra filial para o estabelecimento autuado, no período de abril de 2008 a julho de 2008, e em operações de aquisição de produtos acabados de diversas filiais, no período de agosto de 2008 a dezembro de 2009, pelas seguintes razões (fl. 1553): Fl. 4110DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.111 3 Como mencionado, a fiscalizada, durante o ano de 2008, sujeitouse ao Regime de Tributação da Lei 7.798/89 e dessa forma, o IPI destacado nas notas fiscais de transferência de Bebidas acabadas, não pode ser apropriado como crédito, pelos seguintes motivos: 1o) Os produtos citados acima, não se referem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem destinados à industrialização, são produtos acabados e destinados a comercialização; 2o) O IPI incide nos produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial, ou do estabelecimento equiparado a industrial, o que significa dizer que uma vez pago não será mais devido na operação seguinte; (....) A fiscalizada se equivoca, que por pertencer ao Regime Especial de Bebidas, o que ocorreu somente a partir de 2009, o estabelecimento pode se creditar do IPI das entradas de produtos acabados e fazer o respectivo débito do IPI nas saídas. Tanto o art. 4o da Lei 7.798/89, que disciplinou a tributação de bebidas referente ao ano de 2008, bem com o art. 58N da Lei 10.833/2003 (que disciplina a incidência do IPI no Regime Especial de Bebidas, de 2009 em diante), determinam que o IPI incidirá uma única vez sobre os produtos finais, na saída do estabelecimento industrial. O procedimento da fiscalizada não tem amparo legal e qualquer alegação, não dá validade a utilização indevida de crédito. Tanto é, que o § 1o, inciso IV, do art. 488, do RIPI/2002, caracteriza como infração tributária, quando os contribuintes destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal. (...) Como explicado anteriormente, a fiscalizada, equivocadamente, continuou a apropriar como crédito de IPI pago nas compras de produtos acabados. Tal creditamento, também é indevido. 2) glosa de crédito incentivado em relação às aquisições de insumos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM) ou da Amazônia Ocidental, os quais consistiriam resumidamente em concentrados e embalagens, para os quais a contribuinte havia entendido que se aplicaria a isenção prevista ou no art. 69, II, ou no art. 82, III, do RIPI/2002, cuja aplicação não foi admitida pela Fiscalização, pelas seguintes razões (fl. 1560): Esclarece que a PEPSI, utiliza como insumo o corante caramelo industrializado pela D.D. Williamson do Brasil Ltda, localizada na ZFM, que por sua vez, utiliza em seu processo produtivo, matéria prima agrícola (açúcar), proveniente do Estado de Mato Grosso, compreendido pela região amazônica, segando art. 2o da Lei 5.173/66 e art. 45 da LC n° 31/77. Fl. 4111DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.112 4 A D.D. Willianson do Brasil Ltda, informa que, o açúcar utilizado como matéria prima na fabricação de corante caramelo, tem os seguintes fornecedores: Usinas Itamarati S/A, desde o início da atividade até a corrente data, e a cooperativa Agroextrativista da Vila União, fornecedor de açúcar mascavo desde março de 2011 até a corrente data. A fiscalizada informa, com relação aos concentrados da PepsiCola, além da regra geral (art. 163, § 2o do RIPI/2002), que a matéria prima vegetal originária é o corante caramelo, e que detém os incentivos fiscais previstos no art. 9o do DecLei n° 288/67 e art. 6o do DecLei n° 1.435/75, concedidos pela Resolução Suframa n° 356/2002. O DecretoLei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 1o, § 4o, define a abrangência da Amazônia Ocidental, como sendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Art 1o ........................................................ § 4o Para os fins deste decretolei a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima. O art. 6o do Decreto n° 1.435/75 é claro ao dispor, que para que haja a isenção do IPI, sobre os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas de produção regional, essas matérias primas devem ser oriundas da Amazônia Ocidental. O açúcar utilizado na produção do corante caramelo, produzido pela D. D. Willianson do Brasil Ltda, é adquirido da Usina Itamarati S/A, CNPJ: 15.009.178/000170, localizada no Estado do Mato Grosso, conforme nota fiscal apresentada, anexada no e processo e consulta ao cadastro CNPJ. Dessa forma, inexiste para os concentrados sabor cola, matéria prima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional (Amazônia Ocidental), motivo pelo qual, a fiscalizada, não tem o direito de se creditar, como devido fosse, nos termos art. 175 do RIPI /2002, na aquisição desses concentrados. Para corroborar, e confirmando as informações acima, as notas fiscais, emitidas pela Pepsi, com referência aos concentrados, em favor da fiscalizada, anexadas no eprocesso, mencionam apenas o inciso II, do art. 69 do Dec. 4.544/02. Diante do exposto, tais créditos foram glosados pela fiscalização. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 1582/1717) sustentando em síntese o seguinte: 1) quanto à glosa de créditos básicos nas operações de transferência ou aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico, alega que recolheu o imposto na saída destas mesmas mercadorias, de maneira que em relação às transferências, quando muito, teria havido apenas a postergação no pagamento do imposto e, quanto às aquisições, não se Fl. 4112DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.113 5 poderia glosar apenas o crédito sem realizar, também, a retirada da saída do mesmo produto da incidência, visto que já tributado em operação anterior; 2) quanto à glosa de créditos ́incentivados, que deverias ser revertida porque a Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA aprovou o projeto apresentado por PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda. e reconheceu expressamente que ela faz jus ao incentivo previsto no artigo 6° do Decretolei nº 1.435, de 1975, fundamento legal dos artigos 82, III, e 175 do RIPI/2002, sendo vedado à Fiscalização desqualificar o certificado emitido pela SUFRAMA, além de que, devese reconhecer que existem dois conceitos a serem considerados: que a Amazônia Legal é uma região, enquanto a Amazônia Legal seria uma área, de maneira que, quando o texto legal trata de estabelecimento industrial exige expressamente que seja situado na área da Amazônia Legal, mas depois se refere de forma mais abrangentes a insumos da região, com o que sinalizaria a existência de dois conceitos diferentes, de duas abrangências. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1442.321, de 29 de maio de 2013 (fl. 1728/1753), julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento pelos seguintes fundamentos sintetizados em sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA e, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, há descumprimento dos requisitos do processo produtivo básico fixados em atos normativos. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS DESONERADOS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. Fl. 4113DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.114 6 GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1766/1791), insistindo no reconhecimento do direito ao crédito em relação aos insumos que o fornecedor e a SUFRAMA atestam serem produzidos a partir de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais da região amazônica. Afirma que a PepsiCola Indústria da Amazônia Ltda. teria atestado que as mercadorias fornecidas à Recorrente fazem jus ao benefício previsto no art. 82, inc. III, do RIPI/2002, o qual admite que o adquirente registre crédito do IPI em relação aos insumos isentos por ela produzidos. Tal afirmação é corroborada pela SUFRAMA, órgão ao qual foi atribuída a competência legal para conceder, fiscalizar e avaliar os incentivos dos estabelecimentos instalados na ZFM, na medida em que o projeto da PepsiCola tem fundamento no art. 6° do Decretolei no 1.435, de 1975, no qual se fundamentam os arts. 82, III, e 175 do RIPI/2002. Além disso, a própria SUFRAMA esclareceu, em resposta a consulta formulada pela PespsiCola, que o estabelecimento industrial incentivado deve estar localizado na Amazônia Ocidental, porém, os insumos agrícolas ou vegetais por ele utilizados podem ser provenientes de qualquer parte da Amazônia Legal, que é mais ampla do que a Amazônial Ocidental. Ainda, por força do art. 40 do ADCT, as mercadorias originárias da ZFM devem obrigatoriamente se sujeitar a regime fiscal mais vantajoso que os produtos produzidos nas demais regiões do País, o que exige a consideração de crédito correspondente ao IPI desonerado na operação com mercadoria isenta. A vedação ao direito de crédito sobre os insumos isentos originários da ZFM faz com que tais produtos sejam submetidos ao mesmo tratamento a que estão submetidas as mercadorias industrializadas nas demais localidades do Brasil, o que torna improcedente a exação fiscal. Por fim, rechaça a imputação de falta de recolhimento de IPI em decorrência da apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias. Quando muito, a Fiscalização poderia ter exigido juros de mora e multa de ofício isolados por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem). Fl. 4114DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.115 7 Na sessão de 16/11/2014, o colegiado converteu o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 3403000.600, para as seguintes providências: "a) em diligência à autoridade lançadora, para que lá se tomem as intimese o autuado a fazer prova cabal de sua alegação de lançamento indevido de débitos nas saídas de mercadorias recebidas para revenda, alertandose o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos;; sem a necessária conciliação entre os registros contábeisfiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindose os débitos indevidamente lançados; c) repercutase a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; d) dêse ciência desse parecer ao autuado, abrindoselhe o prazo regulamentar para manifestação, e; e) devolvase o processo para esta 3a TO/3a C/3a S/CARF, para prosseguimento do julgamento. Em 27/02/2015, a recorrente recebeu intimação para fazer a prova cabal da alegação de lançamento indevido, no prazo de vinte dias. Em 1º/04/2015, a autoridade fiscal emitiu despacho propondo retorno ao Carf par julgamento, em razão de a recorrente não ter se manifestado até a ocasião. Em 02/04/2015, a recorrente solicitou cópia de parte do processo e apenas em 19/04/2016, solicitou juntada de diversos documentos que comprovariam a tributação indevida de produtos adquiridos em regime monofásico de que tratam a da Lei n° 7.798, de 1989 e o regime especial da Lei n° 10.833/2003. Dentre tais documentos, encontrase o Termo de Constatação elaborado pela KPMG, cujo objetivo era verificar se o estabelecimento autuado debita o imposto creditado na saída dos produtos autuados, no momento de sua alienação a terceiros (efls. 1855). A análise foi efetuada em relação às operações de entradas sob os CFOP 1.102/2102 e 2.152, a partir dos Livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração de IPI, quadros de controles internos, correspondentes aos períodos de 1º/04/2008 a 31/12/2009. A KPMG afirmou que a documentação é capaz de permitir o controle efetivo da movimentação das operações realizadas no período acima, envolvendo a aquisição e as saídas tributadas. Informou o termo que a quantidade de produtos glosados (adquiridos por compra ou transferência) seria de 1.578.882. O giro do estoque dos produtos autuados foi considerado de dois dias. As saídas foram rastreadas com base nos CFOPs de revenda, transferência de terceiro e devolução de transferência, além de saídas como depósito, bonificação, demonstração e consignação (CFOPs 5102, 5152, 5403, 5910, 6102, 6152, 6403, 6910). Foram desconsideradas saídas com vendas de produção, transferência de produção, e Fl. 4115DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.116 8 outros conforme tabela efls. 1863/1864, que não guardavam relação com os produtos glosados. Afirmouse que as saídas dos produtos glosados estavam contidas nas saídas de 4.660.617 unidades, sendo 428.139 relativo a saídas por transferência, as quais foram tributadas. Do restante de 4.232.478, relativas aos CFOPs 5102/6102, 5403/6403, 5910/6910, apenas 144 não teriam sido tributadas. Em razão de a quantidade de 144 ser irrelevante em relação ao total glosado de 1.578.882, concluiu que todas as glosas estão contidas nas saídas tributadas de revenda, transferência ou bonificação. Na forma regimental, o processo foi a este relator distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O primeiro ponto do litígio diz respeito à glosa dos créditos apropriados sobre produtos sujeitos à incidência monofásica do IPI, seja com base no artigo 4º da Lei nº 7.798/89, seja com base no artigo 58N da Lei nº 10.833/2003, vigente à época, abaixo transcritos: Lei nº 7.798/11989: Art. 4o Os produtos sujeitos aos regimes de que trata esta Lei pagarão o imposto uma única vez, ressalvado o disposto no § 1o: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Lei nº 13.241, de 2015) a) os nacionais, na saída do estabelecimento industrial ou do estabelecimento equiparado a industrial; b) os estrangeiros, por ocasião do desembaraço aduaneiro. Lei nº 10.833/2003: Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (Regulamento) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) (Vigência) I – uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento Fl. 4116DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.117 9 importador equiparado a industrial. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) Parágrafo único. Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do estabelecimento que industrializar os produtos, observado o disposto no parágrafo único do art. 58A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) Segundo o Termo de Verificação Fiscal, de abril/2008 a julho/2008, a recorrente se apropriou de créditos decorrentes de transferências de produtos acabados (CFOP 2152) e a partir de agosto/2008 sobre aquisições de produtos acabados das diversas filiais da AMBEV (CNPJ base 02.808.708 e CFOP 2102). As razões da glosa foram que os produtos não são matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem e que para tais produtos o IPI incide apenas uma única vez na saída de estabelecimento industrial ou equiparado, com exceção da operação por encomenda, a qual não foi verificada nas situações analisadas. A recorrente, por sua vez, alegou que não deveria ocorrer o lançamento, pois as mercadorias recebidas e revendidas foram tributadas pelo IPI, bastando haver uma diligência para comprovar tal alegação. Ademais, como houve débito nas saídas de revenda, teria ocorrido postergação do pagamento de IPI, implicando o possibilidade de lançamento de juros de mora e multa isolados. Salientase, de início, que o procedimento adotado pela recorrente não se amolda ao instituto da postergação de tributo, em decorrência da inobservância do regime de competência, pois que não houve antecipação de um creditamento de IPI, nem postergação da escrituração de um débito de IPI. No caso, tratase de escrituração indevida tanto de crédito quanto de débito, em razão da legislação já mencionada que prevê a incidência uma única vez. Porém, a recorrente possui razão quanto ao equívoco no lançamento, pois deveria ter sido expurgada da conta gráfica do IPI os débitos escriturados relativos às revendas de tais produtos. A diligência requerida na Resolução nº 3403000.600 tinha por escopo justamente a reconstituição da escrita fiscal do IPI após a exclusão dos débitos indevidamente escriturados, conforme item "b" da resolução: "b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindose os débitos indevidamente lançados;" Porém, cientificada da diligência em 27/02/2015, a recorrente nada apresentou à fiscalização, que devolveu o processo ao CARF em 1º/04/2015, em razão da falta de resposta da recorrente. No dia 2/04/2015, a recorrente solicitou cópia do processo e doze meses depois, em abril/2016, juntou 2.259 folhas de documentação, para comprovação dos valores indevidamente debitados, deduzindo que a autoridade fiscal não poderia ter simplesmente presumido a falta de resposta intencional, violando a ampla de defesa e a verdade material, e que nova intimação deveria ter sido produzida para certificarse do ocorrido. Fl. 4117DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.118 10 Em primeira lugar há que se rechaçar a imputação à fiscalização da não desincumbência do ônus que lhe cabia de provar os supostos valores indevidamente escriturados. Frisese que foi deferida à recorrente a oportunidade na realização de diligência, a qual somente foi respondida doze meses após a devolução do processo ao CARF. Pontuese que o processo foi devolvido 32 dias após a ciência da intimação da diligência, prazo superior aos de apresentação de impugnação e recurso voluntário, portanto, em princípio, razoável. Caberia à recorrente solicitar prorrogação de tal prazo, diante de situações comprobatórias da impossibilidade de se atender ao solicitado, o que, convenhamos, não se configuraria razoável, diante dos 24 meses já transcorridos entre a impugnação e a diligência. Ressaltase, ademais, que não basta a recorrente anexar 2259 folhas para demonstrar suas alegações e o parecer de efls. 1852 e seguintes. A realização da diligência tinha por objetivo justamente a certificação das informações pela autoridade fiscal, que possui sistema informatizado de auditoria capaz de trabalhar os dados informados em arquivos digitais e certificar todas as informações prestadas quanto às descrições dos produtos, NCM, quantidades etc. Ao não responder à diligência,a recorrente subtraiu da administração tributária a possibilidade de averiguação dos dados apresentados, sendo imprescindível a análise mediante a apresentação de arquivos digitais. Como a própria recorrente afirmou em sua petição (efls. 1846), a comprovação envolveu análises complexas de uma infinidade de documentos. Ora, esta análise somente poderia ter sido feita com a manipulação de arquivos digitais. Não é por outra razão que diversas instruções normativas da RFB facultam o deferimento de ressarcimento de IPI à apresentação de arquivos digitais, como por exemplo o artigo 191 da IN SRF 600/2005 e o artigo 652 da IN RFB nº 900/2008. Neste sentido, poderia ser o caso de retorno de diligência para apreciação dos documentos. Ocorre que tal providência restaria inócua, pois a recorrente deixa transparecer que não cumprirá a diligência nos moldes em que determinada (assim como fez no processo nº 10384.720215/201360), ou seja, não identificará as saídas vinculdas às entradas glosadas, expurgando os débitos de IPI indevidamente escriturados e reconstituindose a escrita fiscal, para então ajustar o lançamento, o que se afigura a este relator como incompreensível, pois a própria KPMG atestou em seu parecer que "a Ambev mantém em boa ordem e guarda documentação contábil e fiscal regular e consistente capaz de permitir o controle efetivo da movimentação das operações realizadas no período de 1º de abril de 2008 a 31 de dezembro de 2009, o qual envolve a aquisição e as saídas tributadas dos produtos listados no AIIM (Anexo Geral I – pág. 3)." (efls. 1859). 1 Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas. 2 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas Fl. 4118DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.119 11 Portanto, se a documentação contábil e fiscal era regular e consistente, capaz de permitir o controle efetivo das movimentações de aquisição e saídas tributadas, bastaria, então, identificar as notas fiscais de saída relativas às entradas glosadas, expurgar o IPI destacado nestas notas da escrituração fiscal (Livro Registro de Apuração de IPI), reconstituindo a escrita e os saldos devedores em cada período autuado, para então promover a redução dos valores lançados. Porém, incompreensivelmente, nada disso foi feito. Ressaltase que a legislação prevê o controle efetivo da produção e do estoque, pela escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e Estoque, modelo 3, conforme artigo 383 e seguintes do RIPI/2002, o que, aparentemente, possuía a recorrente. Art. 383. O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, destinase ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias e, também, ao fornecimento de dados para preenchimento do documento de prestação de informações à repartição fiscal. § 1º Serão escriturados no livro os documentos fiscais relativos às entradas e saídas de mercadorias, bem como os documentos de uso interno, referentes à sua movimentação no estabelecimento. § 2º Não serão objeto de escrituração as entradas de produtos destinados ao ativo fixo ou ao uso do próprio estabelecimento. § 3º Os registros serão feitos operação a operação, devendo ser utilizada uma folha para cada espécie, marca, tipo e modelo de produtos. § 4º A SRF, quando se tratar de produtos com a mesma classificação fiscal na TIPI, poderá autorizar o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a agrupálos numa mesma folha. Art. 384. Os registros serão feitos da seguinte forma: I no quadro "Produto": identificação do produto; II no quadro "Unidade": especificação da unidade (quilograma, litro etc.); III no quadro "Classificação Fiscal": indicação do código da TIPI e da alíquota do imposto; IV nas colunas sob o título "Documento": espécie e série, se houver, do respectivo documento fiscal ou documento de uso interno do estabelecimento, correspondente a cada operação; V nas colunas sob o título "Lançamento": número e folha do livro Registro de Entradas ou Registro de Saídas, em que o documento fiscal tenha sido registrado, bem como a respectiva codificação contábil e fiscal, quando for o caso; VI nas colunas sob o título "Entradas": Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.120 12 a) coluna "Produção No Próprio Estabelecimento": quantidade do produto industrializado no próprio estabelecimento; b) coluna "Produção Em Outro Estabelecimento": quantidade do produto industrializado em outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, com MP, PI e ME , anteriormente remetidos para esse fim; c) coluna "Diversas": quantidade de MP, PI e ME , produtos em fase de fabricação e produtos acabados, não compreendidos nas alíneas a e b, inclusive os recebidos de outros estabelecimentos da mesma firma ou de terceiros, para industrialização e posterior retorno, consignandose o fato, nesta última hipótese, na coluna "Observações"; d) coluna "Valor": base de cálculo do imposto, quando a entrada dos produtos originar crédito do tributo; se a entrada não gerar crédito ou quando se tratar de isenção, imunidade ou nãoincidência, será registrado o valor total atribuído aos produtos; e e) coluna "IPI": valor do imposto creditado; VII nas colunas sob o título "Saídas": a) coluna "Produção No Próprio Estabelecimento": em se tratando de MP, PI e ME , a quantidade remetida do almoxarifado para o setor de fabricação, para industrialização do próprio estabelecimento; no caso de produto acabado, a quantidade saída, a qualquer título, de produto industrializado do próprio estabelecimento; b) coluna "Produção Em Outro Estabelecimento": em se tratando de MP, PI e ME , a quantidade saída para industrialização em outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, quando o produto industrializado deva ser remetido ao estabelecimento remetente daquelas MP, PI e ME; em se tratando de produto acabado, a quantidade saída, a qualquer título, de produto industrializado em estabelecimentos de terceiros; c) coluna "Diversas": quantidade de produtos saídos, a qualquer título, não compreendidos nas alíneas a e b; d) coluna "Valor": base de cálculo do imposto; se a saída estiver amparada por isenção, imunidade ou nãoincidência, será registrado o valor total atribuído aos produtos; e e) coluna "IPI": valor do imposto, quando devido; VIII na coluna "Estoque": quantidade em estoque após cada registro de entrada ou de saída; e IX na coluna "Observações": anotações diversas. Fl. 4120DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.121 13 § 1º Quando se tratar de industrialização no próprio estabelecimento, será dispensada a indicação dos valores relativos às operações indicadas na alínea a, do inciso VI, e na primeira parte da alínea a, do inciso VII. § 2º No último dia de cada mês serão somados as quantidades e valores constantes das colunas "Entradas" e "Saídas", apurandose o saldo das quantidades em estoque, que será transportado para o mês seguinte. Art. 385. O livro poderá, a critério da autoridade competente do Fisco Estadual, ser substituído por fichas: I impressas com os mesmos elementos do livro substituído; II numeradas tipograficamente, de um a novecentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove; e III prévia e unitariamente autenticadas pelo Fisco Estadual ou pela Junta Comercial. Parágrafo único. Deverá ainda ser visada, pela repartição do Fisco Estadual, ou pela Junta Comercial, fichaíndice, na qual, observada a ordem numérica crescente, será registrada a utilização de cada ficha. Art. 386. A escrituração do livro ou das fichas não poderá atrasarse mais de quinze dias. Escrituração Simplificada Art. 387. A escrituração do livro Registro de Controle de Produção e do Estoque poderá ser feita com as seguintes simplificações: I escrituração do total diário na coluna "Produção No Próprio Estabelecimento", sob o título "Entradas"; II escrituração do total diário na coluna "Produção No Próprio Estabelecimento", sob o título "Saídas", em se tratando de MP, PI e ME , quando remetidos do almoxarifado para industrialização no próprio estabelecimento; III nos casos previstos nos incisos I e II, fica igualmente dispensada a escrituração das colunas sob o título "Documento" e "Lançamento", exceção feita à coluna "Data"; e IV escrituração diária na coluna "Estoque", em vez de ser feita após cada registro de entrada ou saída. Parágrafo único. Os produtos que tenham pequena expressão na composição do produto final, tanto em termos físicos quanto em valor, poderão ser agrupados numa mesma folha, se possível, desde que se enquadrem no mesmo código da TIPI. Controle Alternativo Fl. 4121DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.122 14 Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação. Todavia, como já dito, a recorrente não quis atender ao requerido na diligência, mas sim efetuar sua própria apuração, com o fito de se permitir o creditamento, repitase, proibido pela legislação. Destarte, mantenho a autuação nesta matéria. O segundo litígio diz respeito ao creditamento de insumos adquiridos (concentrados e embalagens) com isenção de IPI de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus. Relativamente aos concentrados, a recorrente defendeu que o extrato de caramelo é insumo industrializado a partir do açúcar de cana plantada em Mato Grosso, que atenderia ao requisito de matériaprima originária da região amazônica, definida como Amazônia Legal, conforme artigo 2º da Lei nº 5.173/1966 e conforme documentos expedidos pela SUFRAMA, atestando que o artigo 6º do Decretolei nº 1.435/1975 abrangeria os insumos fabricados com vegetais produzidos na área da Amazônia legal, como seria o caso do corante caramelo produzido pela D.D.Williamson do Brasil Ltda. Defendeu, ainda, que mesmo não admitindo o benefício previsto no artigo 82, III do RIPI/2002, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal garante tratamento diferenciado às aquisições de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, matéria que está sujeita à apreciação pelo STF do RE nº 592.891/SP, de repercussão geral reconhecida. A recorrente aduziu, ainda, a ilegitimidade da glosa na aquisição de concentrados, base e edulcorantes para bebidas não alcoólicas, a partir do suposto descumprimento do PPB pelos fornecedores, uma vez que a fiscalização da Secretaria da Receita Federal não possui competência para concluir pelo descumprimento do PPB pelos fornecedores, que agiu de boafé e tomou todas as medidas cabíveis a seu alcance para se resguardar quanto à correção do creditamento, além de que o PPB fora cumprido, pois os concentrados, aditivos e aroma cooler foram produzidos localmente tendo havido a mistura de suas composições sólidas e líquidas na ZFM. Fl. 4122DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.123 15 Esta turma já se pronunciou sobre grande parte das matérias acima elencadas, especialmente no que tange às aquisições dos extratos de caramelo junto à PepsiCola, à produção de açúcar em Mato Grosso, o alcance da expressão "produção regional", a competência da SUFRAMA x competência da RFB, a possibilidade de tomada de créditos sobre aquisições isentas oriundas da ZFM por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, conforme Acórdãos nº 3302002.673, de 24/07/2014, proferido pela Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó no processo nº 11080.727828/201143, nº 3302003.741, de 29/03/2017, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no processo nº 13839.002752/200274 e o de nº 3302004.410, proferido pelo Conselheiro Walker Araújo no processo nº 10384.720215/201360. Frisese que em tais julgados, restou decidido que a expressão "produção regional" referida no artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975 não se referia à área da Amazônia Legal definida no artigo 2º3 da Lei nº 5.173/1966, mas sim à área da Amazônia Ocidental, de que trata o §4º do artigo 1º do Decretolei nº 291/1967, referido no artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975, a seguir transcrito, não restando caracterizado, conforme a acusação fiscal, o atendimento ao requisito previsto no caput do artigo 6º: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Concernente à alegação de creditamento sobre as aquisições isentas da ZFM (artigo 69, II do RIPI/2002), por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, pontue se que a matéria está sob julgamento do STF, com repercussão geral reconhecida, no RE nº 592.891/SP e que o decidido no RE nº 212.484/RS não abordou especificamente a aplicação do artigo 40 do ADCT, restando superado por decisões posteriores como as proferidas nos RE nº 370.682, nº 398.365 e nº 566.819. Salientase que o RE nº 398.365 foi submetido à repercussão geral, ainda não definitivamente julgado, mas cuja ementa assim dispôs: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no 3 Art . 2º A Amazônia, para os efeitos desta lei, abrange a região compreendida pelos Estados do Acre, Pará e Amazonas, pelos Territórios Federais do Amapá, Roraima e Rondônia, e ainda pelas áreas do Estado de Mato Grosso a norte do paralelo de 16º, do Estado de Goiás a norte do paralelo de 13º e do Estado do Maranhão a oeste do meridiano de 44º. Fl. 4123DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.124 16 art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Destacase, ainda, que a CSRF possui decisões a respeito, como a proferida pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez no Acórdão nº 930301.274: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 IPI. JURISPRUDÊNCIA. As decisões do Supremo Tribunal Federal STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, nos termas do Decreto n° 2.346, de 10.10.97. CRÉDITOS DE IPI DE PRODUTOS ISENTOS. Conforme decisão do STF RE n° 566.819, há de negar direito ao creditamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Em adição, sobre as referidas matérias, transcrevese parte do voto do Conselheiro Walker Araújo proferido no Acórdão nº 3302004.410, o qual adoto como razão de decidir, complementarmente, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/1999: "A respeito de todas as matérias levantadas pela Recorrente neste tópico, a saber: (i) isenção concedida pelo SUFRAMA; (ii) reconhecimento do direito ao crédito por força do tratamento tributário diferenciado advindo do artigo 40 da ADCT; e (iii) e do direito ao crédito previsto no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, pego emprestado as considerações apresentada pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim ao analisar caso idêntico ao aqui tratado (acórdão 3402002.927), o qual adoto como fundamento de decidir: "Conforme se pode verificar nos autos, as glosas efetuadas pela fiscalização foram motivadas no fato de que os insumos não se enquadravam no disposto no art. 82, III, do RIPI/2002, por não terem sido elaborados com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, bem como no fato de que a isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 não gera direito ao crédito do IPI para o estabelecimento adquirente. Por seu turno, o contribuinte alegou que seu fornecedor está amparado por uma Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA, que reconheceu o direito à isenção prevista no art. 6° do DecretoLei n° 1.435 e que a Receita Federal não poderia Fl. 4124DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.125 17 simplesmente desconsiderar tal Resolução e efetuar o lançamento dos tributos que julga devidos. Se essa isenção não prevalecer, então deve prevalecer a isenção do art. 9° do DecretoLei n° 288/67, a qual também lhe garantiria o direito de crédito, a teor do art. 163, § 2° do RIPI/2002. Analisando o conteúdo da Resolução CAS n° 356/2002 (fls. 2036/2037), verificase que em momento algum a SUFRAMA concedeu o direito de isenção à recorrente. O que a Resolução CAS n° 356/2002 fez foi aprovar o projeto industrial de atualização da PepsiCola Industrial da Amazônia, com base no Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002, para a produção de concentrado para bebidas não alcoólicas, com a finalidade de gozo dos incentivos previstos nos arts. 7° e 9° do DL n° 288/67 e no art. 6° do DL n° 1.435/75. Eis o excerto da fl. 2035 no qual se pode conferir o conteúdo da Resolução:(...) Portanto, o objeto dessa Resolução não foi o reconhecimento do direito subjetivo às isenções mencionadas. O CAS reconheceu apenas que a empresa cumpriu os requisitos que a habilitam a se instalar na região para usufruir daquelas isenções, mas isso de forma alguma significa que existe um despacho administrativo que reconheceu o direito subjetivo à isenção dos produtos. Isso porque nos artigos seguintes dessa mesma resolução, o CAS condicionou o direito à isenção ao cumprimento de outros requisitos, a saber: (...) O texto da Resolução CAS n° 356/2002 desautoriza a alegação da recorrente no sentido de que a SUFRAMA reconheceu o direito à isenção do art. 6° do DL n° 1.435/75. A SUFRAMA não reconheceu a priori o direito subjetivo à isenção, pois esse direito depende de uma conduta futura da requerente, consistente no cumprimento de requisitos legais, os quais não poderiam ser aferidos pelo CAS no momento da emissão da resolução. Por tal motivo, também é improcedente a alegação no sentido de que a redação do art. 3°, inciso III, da Resolução teria legitimado a isenção ao se referir aos termos do Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002, uma vez que esses pareceres apenas analisam a viabilidade técnica do empreendimento e não o cumprimento dos requisitos legais para a isenção. Esta constatação é feita com base na análise de Pareceres Técnicos de Projetos analisados por este relator em outros casos concretos, pois no caso específico o Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002 não está presente nos autos. Sendo assim, salta aos olhos que a Resolução do CAS não reconheceu o direito subjetivo à isenção prevista no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75, pois ninguém em sã consciência Fl. 4125DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.126 18 poderia reconhecer um direito condicionado a um comportamento futuro da empresa. O que a SUFRAMA reconheceu foi que o empreendimento era viável e que estava apto a usufruir do benefício estabelecido no art. 6° da Decreto Lei n° 1.435/75, desde que, entre outros, cumprisse o PPB e que aplicasse matériaprima regional de origem vegetal nos concentrados. Reforça essa conclusão a redação do § 2° do art. 6° do DL n° 1.435/75, que estabelece claramente que a isenção só se aplica a produtos elaborados por estabelecimentos cujos projetos tenham sido aprovados pela Suframa. Ou seja, a aprovação do projeto é apenas um dos requisitos necessários para usufruir da isenção e não o reconhecimento do direito subjetivo à isenção. No que tange ao corante caramelo e ao açúcar produzido no Estado do Mato Grosso, o contribuinte alegou que esses insumos satisfazem o requisito legal de aplicação de matériaprima agrícola e extrativa de vegetal de produção regional, uma vez que no seu entender, o vocábulo "regional", contido no art. 6°, do DecretoLei n° 1.435/75, deve ser entendido como abrangendo a área da Amazônia Legal, interpretação que já teria sido chancelada pela própria SUFRAMA. O referido dispositivo legal estabelece o seguinte, in verbis: "Art. 6° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. (...) A análise da Resolução CAS n° 356/2002 revela que o Conselho de Administração da SUFRAMA em momento algum definiu o alcance do vocábulo regional empregado na referida resolução. Isso foi feito por meio de uma consulta respondida pelo superintendente adjunto de projetos, que unilateralmente se limitou a aceitar a interpretação proposta pela consulente, para considerar que "regional" tem o mesmo significado de "Amazônia Legal". Ao homologar a interpretação defendida pela consulente, o superintendente adjunto de projetos, de modo unilateral e monocrático, acabou por alargar a extensão do termo"regional" estabelecido no art. 6° do DL n° 1.435/75, cujo alcance nem de longe foi analisado pelo órgão colegiado (fl. 2122). A competência para a aprovação dos projetos é do Conselho de Administração da SUFRAMA, a teor do art. 4° de seu Regimento Interno (Portaria MDIC 123/2008) , e não do superintendente adjunto de projetos. A competência da Superintendência Adjunta de Projetos está especificada no art. 58 do Regimento Interno e Fl. 4126DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.127 19 compreende apenas e tãosomente a análise de projetos (inciso I) e não a sua aprovação. Além disso, as atribuições do Conselho de Administração da SUFRAMA são tão relevantes, que sua composição está estabelecida em lei complementar. O art. 1° da Lei Complementar n° 68/1991, estabelecia a composição do Conselho de Administração nos seguintes termos: Art. 1° O Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), autarquia federal instituída pelo DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, passa a ter a seguinte composição: I representantes dos Governos dos Estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, bem como os Prefeitos das respectivas capitais; II um representante de cada um dos seguintes Ministérios: a) da Economia, Fazenda e Planejamento; b) da Agricultura e Reforma Agrária; c) da InfraEstrutura; III o Secretário do Desenvolvimento Regional da Presidência da República; IV um representante da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República; V o Superintendente da Suframa; VI o Presidente do Banco da Amazônia S.A. (Basa); VII um representante das classes produtoras; VIII um representante das classes trabalhadoras (...) A partir de 14/01/2010 a Lei Complementar n° 68/91 foi revogada pela Lei Complementar n° 134/2010, passando o Conselho de Administração da SUFRAMA a ter a seguinte composição: 2o O Conselho terá a seguinte composição: I 10 (dez) Ministros de Estado, definidos em regulamento pelo Poder Executivo; II Governador e Prefeito da capital dos seguintes Estados: a) Amazonas; b) Acre; c) Amapá Fl. 4127DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.128 20 d) Rondônia; e e) Roraima; III Superintendente da Suframa; IV Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES; V Presidente do Banco da Amazônia BASA; VI 1 (um) representante das classes produtoras; e VII 1 (um) representante das classes trabalhadoras. (...) Sendo assim, uma decisão proferida por um órgão colegiado com a relevância do Conselho de Administração da SUFRAMA, não pode ser alterada e nem ter seus termos estendidos por interpretação de quem quer que seja. Somente ao CAS, no âmbito de sua competência, caberia fixar em suas próprias resoluções o significado do vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75, e isso exclusivamente para o fim de aprovação do projeto e habilitação da empresa à fruição dos benefícios fiscais. A competência da SUFRAMA se limita à administração da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental e à aprovação de projetos de empresas que pretendam se instalar nessas regiões, a teor dos arts. 10 e 11 do DL n° 288/67 e do art. 4°, I, "c" do Anexo I ao Decreto n° 7.139/2010. Em momento algum esses dispositivos legais conferiram à SUFRAMA a competência para reconhecer o direito subjetivo às isenções dos DL n° 288/67 e 1.435/75. Por seu turno, compete à Receita Federal a fiscalização do Imposto Sobre Produtos industrializados, a teor do art. 91 da Lei n° 4.502/64 combinado com o art. 2° da lei n° 11.457/2007 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002. Desse modo, ao contrário do alegado, não houve desconsideração dos atos da SUFRAMA por parte da Receita Federal. E também não existe impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem o alcance do vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75. O contribuinte entende que o objetivo do DecretoLei n° 1.435/75 foi o de fomentar a expansão econômica da região com menor desenvolvimento econômico do país e de propiciar a ocupação dessa região. Por tal motivo, o termo "regional" deveria ser entendido como Amazônia Legal. A argumentação do contribuinte é improcedente. Os Decretos Leis n° 288/67 e 1.435/75 estabeleceram um tratamento fiscal privilegiado para industrializar as áreas da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental. A industrialização dessas Fl. 4128DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.129 21 áreas traria o desenvolvimento econômico e como consequência a ocupação populacional daqueles territórios. Exatamente por essa razão é que o vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 abrange apenas e tãosomente as matériasprimas vegetais e extrativas produzidas na Amazônia Ocidental. No DecretoLei n° 1.435/75 o vocábulo "regional" só foi empregado uma única vez no art. 6°. Esse mesmo artigo 6° remete o leitor à área definida no § 4° do art. 1° do DecretoLei n° 291/67. O DecretoLei n° 291/67 estabeleceu incentivos para o desenvolvimento da Amazônia Ocidental da Faixa de Fronteiras abrangida pela Amazônia. E o § 4° do art. 1° do DecretoLei n° 291/67, estabelece que a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Tendo em vista que se trata de isenção, deve incidir o comando do art. 111, II, do CTN, que determina que as normas sobre isenção devem ser interpretadas de forma literal. Se o próprio art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 remete à delimitação de Amazônia Ocidental contida no art. 1°, § 4°, do DecretoLei n° 291/67, não há como sustentar que "regional" se refere à Amazônia Legal. O conceito de Amazônia Legal foi criado apenas para os fins da Lei n° 5.173/66 (que instituiu o plano de valorização econômica da Amazônia) e abrange praticamente a metade do território brasileiro. Tanto que o art. 2° da referida lei já inicia a definição de Amazônia Legal da seguinte forma: "A Amazônia, para OS efeitos desta lei, abrange a região compreendida pelos Estados do Acre, Pará e Amazonas, pelos Territórios Federais do Amapá, Roraima e Rondônia, e ainda pelas áreas do Estado de Mato Grosso a norte do paralelo de 16°, do Estado de Goiás a norte do paralelo de 13° e do Estado do Maranhão a oeste do meridiano de 44°. (...)". Quisesse o legislador do DecretoLei n° 1.435/75 se referir à Amazônia Legal, teria remetido o leitor do art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 à Lei n° 5.173/66 e não ao DecretoLei n° 291/67. A interpretação pretendida pelo contribuinte é inadmissível, não só em face do art. 111, II, do CTN, mas também por não ser crível que ao instituir uma isenção voltada especificamente ao desenvolvimento e à ocupação das áreas mais inóspitas do território nacional, o legislador tenha pretendido incluir no incentivo metade do território nacional, onde se localizam Estados como Mato Grosso e Goiás, verdadeiros celeiros da produção nacional de grãos. Assim, é evidente que o termo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 se refere às matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na Amazônia Ocidental, tal como Fl. 4129DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.130 22 definida no art. 1°, § 4°, do DecretoLei n° 291/67 e não na Amazônia Legal, que é um conceito meramente político criado exclusivamente para os fins da Lei n° 5.173/66. Reforça esta interpretação o texto da exposição de motivos do DecretoLei n° 1.435/75, onde se nota claramente que sua edição teve por objetivo corrigir falhas e distorções constatadas nos benefícios concedidos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental. É evidente que no caso concreto não foi respeitada a condição estabelecida na Resolução CAS n° 356/2002, pois não foram empregados na fabricação do concentrado matériasprimas de produção regional, uma vez que o açúcar que deu origem ao corante caramelo foi produzido no Mato Grosso e não na Amazônia Ocidental, o que justifica a glosa dos créditos no estabelecimento adquirente para o fim de exigência do IPI. Além disso, cabe acrescentar que o açúcar produzido no Estado do Mato Grosso e o próprio corante caramelo não se enquadram no conceito de matériaprima, pois são na verdade produtos intermediários industrializados e não "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional" referidas no art. 6° do DL n° 1.435/75. A exigência legal é clara no sentido de que os produtos beneficiados pela isenção devam ser produzidos com matérias primas vegetais provenientes de cultivo ou de extrativismo na região da Amazônia Ocidental. A lei não se referiu a produtos intermediários, mesmo que sejam produzidos com matériasprimas extraídas ou cultivadas na região, como parece ser o entendimento da recorrente. Reforça essa interpretação a redação do § 1° do mesmo art. 6°, na parte em que estabelece que os produtos mencionados no caput gerarão crédito ficto do IPI quando forem empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização de produtos tributados. No âmbito do IPI, quando o legislador quer abranger os insumos em geral ele menciona as três espécies (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem). Sendo assim, se o caput do art. 6° só mencionou "matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", não há espaço para a interpretação mais alargada pretendida pela recorrente, para o fim de incluir produtos intermediários fabricados na região, ainda que esses produtos intermediários tenham sido produzidos com matériasprimas de origem vegetal. Decorre daí que não têm nenhuma valia para a pretensão da recorrente a declaração emitida pela PepsiCola Industrial do Amazonas (fl. 2114/2115); a informação de que a SUFRAMA validou Laudo Técnico de Auditoria Independente, que teria demonstrado a conformidade da fornecedora com os requisitos Fl. 4130DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.131 23 legais (fls. 372/380), pois a competência para fiscalizar o IPI e as respectivas isenções é da Receita Federal. Também não tem nenhuma valia para o deslinde do caso concreto as disposições da Portaria MDIC/MCT n° 842/2007, pois além desta portaria se referir ao processo produtivo básico estabelecido para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, o açúcar supostamente produzido no Estado do Mato Grosso e o corante caramelo não podem ser enquadrados como "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", mas sim como produtos intermediários industrializados, os quais não atendem ao requisito estabelecido no art. 6° do DL n° 1.435/75. A defesa invocou a isenção prevista no art. 9° do DecretoLei n° 288/67, pois os produtos foram produzidos na Zona Franca de Manaus. O direito ao crédito teria sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 212.484 e o art. 163 do CTN garantiria o direito aos créditos como incentivo. Além disso, o art. 40 do ADCT também garantiria o direito de crédito ao dispensar tratamento diferenciado aos produtos produzidos na Zona Franca, não podendo o fisco aplicar à espécie o regime jurídico normal dos créditos de IPI. No que tange à isenção do art. 9° do DL n° 288/67, o referido diploma legal não estabeleceu de forma expressa o direito dos adquirentes aos créditos fictos do imposto. O art. 9° do DecretoLei n° 288/67 foi regulamentado pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do contribuinte efetuar o crédito, sendo inaplicável o art. 163, § 2° do RIPI/2002. Se o regulamento do IPI não contemplou com o direito de crédito os produtos adquiridos com isenção (exceção feita ao art. 175, do RIPI/2002), então, no âmbito do julgamento administrativo, não há como reconhecer o direito pleiteado pela recorrente, sob pena de ofensa ao art. 26A do Decreto n° 70.235/72, que vincula a atuação deste colegiado à observância e cumprimento de dispositivos com hierarquia igual ou superior a decreto. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também não pode ser aplicada em benefício da recorrente, pois no julgamento do RE n° 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo Fl. 4131DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.132 24 este colegiado de aplicar o art. 62 do RICARF para estender aquela interpretação ao caso concreto. Sendo assim, devem ser mantidas as glosas dos créditos incentivados nos moldes em que foi efetuada pela fiscalização."" Por fim, a recorrente se insurge quanto ao descumprimento do PPB pelos fornecedores da ZFM. Neste tópico, a fiscalização considerou que os Processos Produtivos Básicos para elaboração dos concentrados estabelecem que o produto final do concentrado seja único e não em diversas partes separadas e que todas as etapas de dosagem, mistura e homogeneização fossem realizados na ZFM. Concluiu que a Arosuco e PepsiCola não cumpriam os requisitos previstos no PPB para os produtos "concentrados" e que, portanto, não podiam usufruir do benefício fiscal previsto no inciso III do artigo 15 da Resolução SUFRAMA nº 202/2006. Assim, glosou os créditos tomados em relação ao concentrado de guaraná adquirido da Arosuco, os concentrados de limão, laranja, tônica da Arosuco e os concentrados sabores cola da PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda. À exceção do concentrado de guaraná adquirido da Arosuco, todos os demais foram objeto de glosa em razão de não serem elaborados com matériasprimas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975, o que inviabiliza o creditamento previsto no artigo 175 do RIPI/2002. Destacase que a Arosuco afirmou, à exceção do concentrado de guaraná, os demais saíram com a isenção prevista no artigo 69, II do RIPI/2002 e não utilizaram matériasprimas agrícolas ou extrativas de produção regional. Já o concentrado adquirido da PepsiCola foi analisado anteriormente quanto ao aspecto do corante de caramelo e do açúcar produzido em Mato Grosso, tendo sido decidido pela impossibilidade de creditamento, por não atender ao disposto no artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975. Salientase, inclusive, que as notas fiscais emitidas pela Pespi informavam a saída isenta de acordo com o inciso II do artigo 69 do RIPI/2002. Portanto, a análise deste tópico restringese à aquisição de concentrado de guaraná da Arosuco. Quanto a competência da RFB em verificar os requisitos para fruição da isenção, dentre eles o cumprimento do Processo Produtivo Básico, a matéria já foi delineada no voto transcrito acima do Conselheiro Walker Araújo proferido no Acórdão nº 3302004.410. A respeito, transcrevese também o voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, proferido no recente Acórdão nº 3302003.741: "A fiscalização da RFB detém, induvidosamente, competência para verificar o cumprimento dos requisitos legais da isenção, conforme expressamente lhe assegura os arts. 176 a 179 do CTN. Aliás, nos termos do art. 37, XVIII, da CF, à RFB e aos seus “servidores fiscais” é atribuída, na forma da lei, competência para fiscalizar todos os requisitos atinentes à correta concessão e fruição de benefícios fiscais, inclusive com precedência sobre os demais órgãos administrativos. Enquanto que a SUFRAMA foi atribuída, nos termos dos arts. 69, II, e 175 do RIPI/2002, competência para aprovar os citados benefícios fiscais e administrálos, sem excluir, obviamente, a competência da RFB para exercer suas atribuições legais de Fl. 4132DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.133 25 fiscalização a posteiori do cumprimento dos requisitos estabelecidos nos respectivos atos de aprovação do benefício. Assim, se a SUFRAMA, por meio do CAS, compete à aprovação dos benefícios fiscais referenciados, certamente, essa aprovação não exclui a competência da fiscalização da RFB de verificar se os requisitos da isenção, fixados para cada benefício concedido, foram ou não cumpridos." Destacase, ainda, a respeito da competência da SUFRAMA, a edição da Súmula CARF nº 1004, que embora referindose à distinção entre a competência da SECEX e da RFB sobre a fiscalização dos requisitos exigidos para o cumprimento do regime de Drawback, evidenciou a separação das competências para fiscalizar os aspectos relativos à isenção tributária pela Receita Federal das do órgão responsável por aprovar um plano de exportação necessário à emissão do Ato Concessório, como podese observar no Acórdão nº 930301.248, paradigma da súmula. Assim, cabe à RFB a verificação posterior dos requisitos para fruição do benefício, no caso aqui tratado, o cumprimento do PPB. Neste ponto, a fiscalização afirmou que o PPB para a produção de concentrados para fabricação de refrigerantes é estipulado pela Portaria interministerial MPO/MICT/MCT nº 8/1998, cujo teor transcrevese abaixo: Art. 1o Estabelecer para os produtos EXTRATOS AROMÁTICOS VEGETAIS NATURAIS, CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS E CORANTE CARAMELO, industrializados na Zona Franca de Manaus, os seguintes processos produtivos básicos: I EXTRATOS AROMÁTICOS VEGETAIS NATURAIS a) trituração das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas; c) extração; d) decantação; e) filtração; f) concentração; e g) estabilização do extrato. II CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS a) dosagem das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas sólidas ou líquidas; e 4 O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Fl. 4133DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.134 26 c) homogeneização, quando necessário. III CORANTE CARAMELO a) dissolução do açúcar, formando o "açúcar líquido"; b) floculação; c) filtração; d) troca iônica; e) evaporação; f) filtração; g) mistura do "açúcar líquido" com outras matériasprimas; h) homogeneização; e i) filtração. Parágrafo único. Todas as etapas dos processos produtivos básicos acima descritos deverão ser, obrigatoriamente, realizadas na Zona Franca de Manaus. Art. 2o Para o cumprimento do disposto acima será admitida a realização, por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção estabelecidas no artigo anterior. Art. 3o Além do atendimento das etapas de produção estabelecidas no art. 1o desta Portaria, os fabricantes deverão incorporar a gestão da qualidade e produtividade dos processos e dos produtos finais, envolvendo a inspeção de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, o controle estatístico do processo, os ensaios e medições e a qualidade dos produtos finais, sem prejuízo do disposto no art. 2o do Decreto No 783/93. A fiscalização informou que as notas fiscais de venda da Arosuco para a recorrente descreviam os concentrados vendidos na forma de kits, conforme se observa a partir das notas fiscais de efls. 1201/1218. Em resposta à intimação nº 5, de 15/01/2013, efls. 1389, a recorrente informou que os kits são compostos de partes líquidas e partes sólidas, conforme planilha de efls. 1414, na qual os concentrados são compostos de partes A e B ou A, B ou C e que encaminhava as informações sobre os ingredientes (e matériaprima) dos concentrados elencados na intimação, onde informou os ingredientes da parte sólida e a bombona da parte líquida, conforme transcrito abaixo: "A intimada encaminha, em planilha anexa a esta intimação, as informações a respeito dos ingredientes (e matéria prima) dos concentrados elencados na intimação, para a Arosuco Aromas, bem como as informações relativas a formação dos kits, estado físico dos componentes e embalagens (DOC. 01). Fl. 4134DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.135 27 Encaminha também as fotos do kit de tônica e de seus componentes, de maneira exemplificativa, para auxiliar na compreensão por parte desta R. fiscalização. Considerando que os kits são compostos pela parte Líquida e pela parte Sólida, as fotos se referem a: Foto 1 (DOC. 02): Saquinhos com ingredientes da parte Sólida; Foto 2 (DOC. 03): Saquinhos com ingredientes da parte Sólida, acondicionados em caixa; Foto 3 (DOC. 04): Saquinhos com ingredientes da parte Sólida, acondicionados em caixa + Bombona contendo a parte Líquida." Para a fiscalização, estas partes componentes dos concentrados deveriam ser misturadas na ZFM, a teor do disposto na alínea "b" do inciso II e de seu parágrafo único do artigo 1º da portaria acima mencionada, não podendo serem vendidas separadamente para serem misturadas fora da ZFM: II CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS [...] b) mistura das matériasprimas sólidas ou líquidas; e [...] Parágrafo único. Todas as etapas dos processos produtivos básicos acima descritos deverão ser, obrigatoriamente, realizadas na Zona Franca de Manaus Por sua vez, a recorrente informou que os concentrados, bases e edulcorantes são produtos distintos, podendo ser comercializados isoladamente ou em kits, que após serem misturados com água e outros componentes foram a bebida final. A obrigação imposta pelo PPB diz respeito à industrialização de cada um deles isoladamente e não há necessidade de misturálos entre si. Alegou, ainda, que o LATI (Laudo Técnico de Auditoria Independente) confirmou o cumprimento do PPB. A recorrente possui razão quando menciona que as obrigações impostas na Portaria Interministerial nº 8/1998 dizem respeito aos processos produtivos individualizados dos concentrados, bases e edulcorantes. Ocorre que a fiscalização, em momento algum, afirmou que as concentrados, bases e edulcorantes deveriam ser misturados entre si e sim, que os componentes dos concentrados deveriam ser misturados entre si na ZFM. Como a própria recorrente informou, tratamse de produtos distintos. Todavia, as notas fiscais de venda da Arosuco para a recorrente não informaram tratar de produtos distintos, concentrados, bases e edulcorantes, mas sim de um único produto "concentrado natural" e com uma única classificação fiscal 21069010, composto por kits. Fl. 4135DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.136 28 Caso se tratassem de produtos distintos, deveria haver uma especificação para cada produto com descrição em itens distintos nas notas fiscais, porém apenas foram preenchidos um produto único: concentrado natural. A respeito, transcrevese os requisitos exigidos pelo revogado Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) quanto ao preenchimento das notas fiscais: Requisitos Art. 339. A Nota Fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: IV no quadro "Dados do Produto": a) o código adotado pelo estabelecimento para identificação do produto; b) a descrição dos produtos, compreendendo: nome, marca, tipo, modelo, série, espécie, qualidade e demais elementos que permitam sua perfeita identificação; c) a classificação fiscal dos produtos por posição, subposição, item e subitem da TIPI (oito dígitos); d) o Código de Situação Tributária CST; e) a unidade de medida utilizada para a quantificação dos produtos; f) a quantidade dos produtos; g) o valor unitário dos produtos; h) o valor total dos produtos; i) a alíquota do ICMS; j) a alíquota do IPI; e l) o valor do IPI, sendo permitido um único cálculo do imposto pelo valor total, se os produtos forem de um mesmo código de classificação fiscal; Percebese que, sendo produtos distintos, as informações a serem prestadas deveriam ser distintas também, o que não foi o caso. Destacase, ainda, que os concentrados foram classificados no subitem 2106.90.10. As NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado) aprovadas pela IN RFB nº 807/2008, trazem as seguintes notas relativas à posição 2106: Classificamse especialmente aqui: [...] 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Fl. 4136DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.137 29 Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. [...] 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferirlhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o nº 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinamse a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias Verificase que estas preparações podem ser adicionadas de acidulantes, conservantes e edulcorantes, em consonância com os aditivos informados na planilha apresentada pela recorrente às efls. 1414, ou seja, as partes sólidas e líquidas formam o concentrado natural descrito nas notas fiscais. Fl. 4137DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.138 30 De outro giro, a recorrente alegou que agira de boafé e que tomara todas as providências para se certificar da regularidade da tomada de créditos. Neste ponto, tomase de empréstimo as considerações da DRJ, as quais adoto como razão de decidir, a seguir transcritas: "A glosa de créditos, destarte, é a conseqüência inilidível no que respeita a todas as aquisições de concentrado sabor cola e também de concentrado de guaraná, não obstante a argüição de boafé da impugnante nas aquisições. Ora, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento da legislação tributária, já que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos em que estabelece o art. 136 do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, representada pelos agentes que atuam nos setores de fiscalização externa, tem sim a competência para rejeitar os créditos indevidos registrados na escrita fiscal do sujeito passivo, a despeito dos atos normativos, favoráveis aos interesses deste, promanados da SUFRAMA. As circunstâncias fáticas suficientemente descritas na peça fiscal autorizam a glosa dos créditos, ainda que persista a isenção nas saídas dos concentrados para bebidas não alcoólicas dos estabelecimentos fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus." Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 4138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001396/2007-62
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
SERVIÇO DE GUINDASTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL.
LUCRO PRESUMIDO.
O serviço de guindaste, por falta de previsão legal específica, é considerado prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1801-00.644
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. SERVIÇO DE GUINDASTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. LUCRO PRESUMIDO. O serviço de guindaste, por falta de previsão legal específica, é considerado prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 355DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 331 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 125/132, com a exigência do crédito tributário no valor de R$307.222,84, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido do anocalendário de 2003. O lançamento se fundamenta na aplicação do coeficiente incorreto de 8% em vez de 32% incidente sobre a receita bruta na apuração do lucro presumido, uma vez que a Recorrente se dedica à prestação de serviços de guindastes, tendo em vista as informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 69/103, e nas notas fiscais fatura de serviços, fls. 27/50, no Termo de Depoimento nº 01, fls. 67/68 e no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 105/113. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 518 e art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 05/07/2007, fl. 125, a Recorrente apresentou a impugnação em 06/08/2007, fls. 134/157, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que o lançamento é nulo, uma vez que não restou comprovada a sua motivação, bem como não identificada com exatidão a atividade econômica exercida, caso em que a hipótese de incidência não pôde ser definida. Defende que a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto de carga, e está sujeita ao coeficiente de 16% incidente sobre a receita bruta para o cálculo do lucro presumido (art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995). Solicita Dessa forma, requer desde já, o cancelamento do auto de infração por nulidade nos procedimentos a administrativos adotados pelo agente fiscal, extinguindose a punibilidade, determinando que a base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido para prestação de serviço, no caso em tela seja de 8% (oito por cento). Procura demonstrar que a ação fiscal se baseou em entendimentos internos não normativos da RFB, tais como, soluções de consulta, que consideram como equivalentes as expressões “serviço de transporte” (deslocamento de coisas e pessoas) e “serviço de guindaste” (içamento ou descida de coisas). Fl. 356DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 332 3 Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 59 Diante dos fatos e fundamentos acima expostos, requer o cancelamento do auto de infração por nulidade nos procedimentos administrativos adotados pelo agente fiscal, extinguindose a punibilidade, determinando que a base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido para prestação de serviço, no caso em tela seja de 8% (oito por cento). 60 Requer ainda, seja reconhecido que a alíquota de 8% (oito por cento) aplicada para apuração da base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido pela impugnante, foi correta, uma vez que, havia, na época dos fatos, imprecisão do disposto na norma para devida aplicação nos casos de prestação de serviços de guindaste. 61 Ainda nesse raciocínio, requer seja reconhecido (e/ou equiparado) os serviços prestados pela Contribuinte como de sendo de prestação de serviços de guindastes, com a finalidade de transporte de cargas. 62 Requer a desconsideração das Soluções Consulta SRRF/10a.RF/DISIT n° 257, de 21/12/2003 e SRRF/8a.RF/DISIT n° 206, de 31/08/01, como base de apuração de alíquota para base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, para a Requerente, dando procedência à presente impugnação, extinguindo o Processo Administrativo e cancelando a pena imposta. 63 Caso assim V.Sa. não entender, o que se admite apenas para fim de argumentação, requer seja cancelado o Auto de Infração, pois, não seria o caso de aplicação da alíquota 32% (trinta e dois por cento), mas sim, de 16% (dezesseis por cento), conforme tipifica o artigo 15, § 1º, inciso II, alínea "a", da Lei n.°. 9.249, de 1995. 64 — Mesmo assim, apenas para argumentar, caso também não seja esse o entendimento de V.Sa., requer o reconhecimento da alíquota de 16% (dezesseis por cento), para base de cálculo do Imposto de Renda Sobre Lucro. 65 — Protesta ainda por todas as formas de prova em direito admitido, seja elas, documentais, periciais e/ou com depoimentos e testemunhas. 66 — Por final, requer que as intimações, publicações e demais notificações que se fizerem necessárias, seja na esfera Administrativa ou na esfera judicial, sejam feitas no nome dos patronos da causa no endereço na Calçada Flor de Lis, nº 46, Centro Comercial Alphaville — Alphaville — Barueri/SP. Termos em que. Pede deferimento, Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0529.055, de 10/06/201, fls. 256/263: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 357DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 333 4 Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. PERCENTUAL. A partir do Anocalendário de 1996, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta dos prestadores de serviço em geral para o cálculo do Lucro Presumido é de 32% (trinta e dois por cento). ATIVIDADE REALIZADA. SERVIÇO DE GUINDASTE. ALEGAÇÃO DE CARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. Não comprovado que, concomitantemente ao serviço de guindaste, teria sido prestado serviço de transporte mediante recebimento de remuneração em função da distância percorrida, com previsão de locais de coleta e entrega de mercadoria, mas pelo contrário, constatado, por meio dos contratos firmados com os clientes e por depoimento do próprio contribuinte, que a prestação de serviços restringiuse a propiciar movimentação e/ou deslocamento por meio de guindaste, não restou caracterizado serviço de transporte, mas prestação de serviços em geral. Notificada em 12/07/2010 fl. 266, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05/08/2010, fls. 268/297, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui 60 Diante dos fatos e fundamentos acima expostos, requer o cancelamento do auto de infração por nulidade nos procedimentos administrativos adotados pelo agente fiscal, extinguindose a punibilidade, determinando que a base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido para prestação de serviço, no caso em tela seja de 8% (oito por cento). 61 Requer ainda, seja reconhecido que a alíquota de 8% (oito por cento) aplicada para apuração da base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido pela Impugnante, foi correta, uma vez que, havia, na época dos fatos, imprecisão do disposto na norma para devida aplicação nos casos de prestação de serviços de guindaste. 62 Ainda nesse raciocínio, requer seja reconhecido (e/ou equiparado) os serviços prestados pela Contribuinte, a época dos fatos, como de sendo de prestação de serviços de guindastes, com a finalidade de transporte de cargas. 63 Requer a desconsideração das Soluções Consulta SRRF/10a.RF/DISIT n.o 257, de 21/12/2003 e SRRF/8a.RF/DISIT n.o 206, de 31/08/01, como base de apuração de alíquota para base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, para a Requerente, dando procedência ao presente Recurso Voluntário, extinguindo o Processo Administrativo e cancelando a multa e pena imposta. [...] 64 Caso assim V.Sa. não entender, o que se admite apenas para fim de argumentação, requer seja cancelado o Auto de Infração, pois, não seria o caso de aplicação da alíquota de 32% (trinta e dois por cento), mas sim, de 16 (dezesseis por cento), conforme tipifica o artigo 15, g 1 0 , inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 334 5 65 Mesmo assim, apenas para argumentar, caso também não seja esse o entendimento de V.Sa., requer o reconhecimento da alíquota de 16% (dezesseis por cento), para base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido. 66 Protesta ainda por todas as forma de prova em direito admitido, seja elas, documentais, periciais, diligenciais e/ou com depoimentos e testemunhas. 66 Por final, À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que. Pede deferimento, É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente requer que seja notificada por meio de seu procurador e no endereço daquele. Os elementos essenciais são imprescindíveis à existência, à validade e à eficácia do ato administrativo, de modo que a inobservância das formalidades legais determina seus efeitos. No processo administrativo fiscal, a intimação da Recorrente se sujeita a procedimentos próprios e na sua efetivação via postal não é dispensada a prova de seu recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ou seja, aquele fornecido pela Requerente junto a RFB para fins cadastrais (inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações). Logo, a sua pretensão não pode ser concedida, por falta de amparo legal. A Recorrente alega que o ato administrativo é nulo. O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilo ou impugnálo no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional). No exercício da função pública, a autoridade administrativa lavrou o Auto de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fl. 01, Termo de Início de Fiscalização, fls. 03/04, do Fl. 359DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 335 6 Termo de Intimação Fiscal, fls. 52/53, e finalizou em 05/07/2007 com a ciência válida do Auto de Infração, fl. 125. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente afirma que está sujeita ao coeficiente de 8% incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido, uma vez que se dedica à prestação de serviços de guindastes. Sobre o lucro presumido, o RIR, de 1999, determina: Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). [...] Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Fl. 360DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 336 7 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. [...] Art.516.A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). §1ºA opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §1º ). §2ºRelativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §2º ). §3ºA pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). §5ºO imposto com base no lucro presumido será determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observado o disposto neste Subtítulo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25). [...] Art.518.A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts. 1o e 25, e inciso I). Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Fl. 361DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 337 8 §1ºNas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, §1o): [...] II – dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a)prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] §3oNo caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, §2o). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). A Recorrente fez opção pela tributação com base no lucro presumido e deve determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Este foi o regime de tributação adotado pela Recorrente e que foi regularmente observado pelas autoridades fiscais, não sendo cabível no curso da ação fiscal a sua alteração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante. É uma forma de tributação simplificada em que uma parcela da receita bruta auferida está no campo de incidência tributária, já que a lei presume que a outra parcela foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. No Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0 o vocábulo “guindaste” está conceituado como máquina us. para erguer ou deslocar cargas e volumes muito pesados; grua. Fl. 362DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 338 9 A Tabela de Incidência de Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), no Capítulo 87 trata de veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios nos seguintes termos1: 87.05Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, autosocorros, caminhõesguindastes, veículos de combate a incêndio, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias. Analisando a situação fática temse que: no Contrato Social consta como objeto “serviços de guindastes”, fls. 07/12; nas notas fiscais fatura de serviços está registrado como descrição o serviço efetuado por guindaste articulado ou biarticulado, dentre outros locais, na Rodovia dos Bandeirantes, na Rodovia dos Imigrantes, em Diadema, no Aeroporto de Congonhas, na Rodovia Presidente Dutra, fls. 27/50; nos contratos de prestação de serviços restou consignado como objeto o serviço de guindaste, em cujo preço também está incluído o valor do seguro de carga, descarga, içamento e descida e reembolso de despesa de pedágio, fls. 59/66; no Termo de Depoimento nº 01 evidenciase que, fl. 67: 3) Os serviços de guindastes são prestados utilizandose guindastes instalados sobre caminhões que se deslocam da garagem da EMPRESA até o local onde serão prestados os serviços. Os guindastes são do tipo não articulado, articulado e biarticulado. Alguns podem ser equipados com cestos aéreos e controle remoto; 4) Os serviços de guindaste compreendem, principalmente, o içamento e descida de equipamentos e materiais diversos tais como: máquinas, pegas, pontes rolantes, tanques, painéis, luminosos, postes, vigas, etc; 5) Os guindastes articulados e biarticulados, dotados de cestos aéreos e controle remoto, podem também ser utilizados para manutenção de fachadas, luminosos, painéis, poda de árvores, etc. Nessas atividades os serviços prestados pela EMPRESA compreendem o fornecimento da mão de obra correspondente ao operador do guindaste, cabendo ao contratante dos serviços a execução da manutenção de fachadas, painéis, poda de árvores, etc; 6) Os serviços de guindaste são cobrados por hora trabalhada ou à disposição do contratante. Usualmente a EMPRESA também cobra dos contratantes as horas correspondentes ao deslocamento do guindaste de sua garagem até o local para 1 Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/tipi/TIPI%20%20T%20%20SEÇÃO%20XVII.doc; acesso em 12/07/2011. Fl. 363DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 339 10 prestação dos serviços e retorno mesma. Eventualmente a EMPRESA pode estabelecer um número mínimo de horas para cobrança dos serviços. Todas essas disposições são estabelecidas em contrato; 7) Os serviços de guindaste não compreendem o transporte dos materiais a serem movimentados pelo guindaste de um determinado lugar até o local da prestação dos serviços de guindaste e viceversa. Os serviços de guindaste, que envolvem a movimentação de materiais, compreendem apenas a movimentação dos mesmos no local de prestação dos serviços. Examinando todos estes fatos, inferese que a Recorrente não se dedica à prestação de serviços de transporte de cargas ou transporte de pessoas, cujas atividades estão sujeitas, respectivamente, aos coeficientes de 8% ou 16% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido. O serviço de guindaste, por falta de previsão legal específica, é considerado prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Assim, em conformidade com a legislação transcrita, deve ser utilizado o coeficiente 32% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido para determinação do IRPJ, uma vez que este é o percentual aplicável à prestação de serviços de guindaste. Analisando os demonstrativos do Auto de Infração, fls. 125/132, verificase que foram adotados os coeficientes previstos na norma tributária. Logo, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 364DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 340 11 Fl. 365DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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