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Numero do processo: 13836.000196/2006-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESA E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES — ANO CALENDÁRIO: 1997.
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. A inclusão retroativa no SIMPLES
opera-se a partir do ano de reinicio da atividade do Contribuinte, sem produção de efeitos durante o período de inatividade.
Numero da decisão: 1302-000.648
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. A inclusão retroativa no SIMPLES opera-se a partir do ano de reinicio da atividade do Contribuinte, sem produção de efeitos durante o período de inatividade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 2' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. C Marcos Rodrigues de Mello — Relator AD HOC e Presidente EDITADO EM: O 6 13,0 33 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. DF CARI: MF Processo n° 13836.000196/2006-55 SI C3T2 Acórdão n.° 1302-00.648 Relatório Trata-se de pedido de enquadramento no Simples com efeitos retroativos A 01/01/1997, justificando o contribuinte: não possuir atividade impeditiva; que esteve inativo desde 1995, somente retomando suas atividades em 2006; que seu comportamento "como simples" pode ser comprovado pela sua Declaração de Enquadramento de Microempresa, e pela declaração do ano-calendário 1993, demonstrando seu faturamento. A Delegacia da Receita Federal em Jundiai indeferiu a solicitação (fl. 20), fundamentando que, não foram observados os requisitos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16 de 2002 para o deferimento, pois: seu comportamento não comprova opção pelo Simples, pois não houve entrega das declarações simplificadas para os anos-calendário 1997 a 1999; não se pode verificar a admissibilidade quanto à natureza da atividade, porquanto somente se anexou cópia de alteração contratual datada de 07/04/2006; constatou-se a existência de débitos junto à PGFN, inscrição n°80696140980-00, de 27/12/1996. Cientificado do indeferimento de seu pedido em 22/08/2006 (fl. 23), o interessado apresentou manifestação de inconformidade 19/09/2006 (fls. 24/32), alegando que: não consta entrega de declarações porque estava inativo; no que tange à sua atividade, anexa cópias de Registro de Firma Individual de vários períodos, demonstrando que sua atividade nunca foi impeditiva à opção pelo Simples; não tinha ciência do débito inscrito junto A PGFN, mas prontamente o liquidou. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 DEBITO INSCRITO EM DiVIDA ATHA. As pessoas jurídicas com débitos inscritos em Divida Ativa da União, em nome próprio ou de seus sócios, cuja exigibilidade não esteja suspensa, estão vedadas de optar pelo Simples. Destaca-se na decisão recorrida: "Em razão da inatividade do contribuinte desde o ano-calendário 1995, conforme afirma, e em parte corroborada pelas declarações de inatividade entregues para os anos-calendário 2000 a 2005 16), não tern efeito seu pedido de inclusão retroativa no Simples a partir de 1997, mas apenas a partir do ano em que diz ter retomado suas atividades, qual seja, 2006. Ainda que pudesse ser considerada urna inclusão retroativa a partir de 1997, face à constatação da existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União sem exigibilidade suspensa desde 27/12/1996, impedida a opção pelo Simples a partir desse ano Por outro lado, ao considerar o pedido retroativatnente ao ano- calendário 2006, em razão de o contribuinte ter regularizado o débito inscrito em 15/09/2006 (lis. 34/37), permaneceu ele • Di' CARY N,11' Processo n° 13836.000196/2006-55 SI C3T2 Acórdão n.° 1302-00.648 incidindo na hipótese de vedação à opção pelo Simples, nos termos do artigo 9`; inciso XV; da Lei n°9.317/96. Contudo, a regularização dos débitos opera efeitos para uma nova opção pela sistemática a partir de 01/01/2007, já efetuada pelo contribuinte conforme pesquisa de fl. 39. Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade, por tempestiva, para, no mérito, indeferir a solicitação do contribuinte, relativamente ao ano- calendário 2006." Ciente da decisão recorrida em 17/07/2007, a recorrente apresentou recurso, não sendo possível verificar a data de apresentação do mesmo, sendo que consta a Ils. 46 afirmação da autoridade preparadora de que o recurso é tempestivo. Em seu recurso afirma: A) Com respeito ao comportamento do contribuinte pela não entrega das declarações simplificadas e sim as declarações de inatividades referentes aos anos calendários de 2000 a 2005, conforme motivos já definidos no item B do requerimento original do processo acima, e referente a sua natureza jurídica e atividade exercida que é a mesma atual, que alias não fo i nem contestada pelo voto da relatora, dizendo a mesma que não tem efeito por causa da inatividade, o pedido retroativo a partir de 1997, entendemos que não houve nenhum Onus para a Receita, nem mesmo pela não entrega das DCTFs, pois como a empresa estava inativa não tinha esta obrigação. B) Com respeito a uma possível opção retroativa para ao ano calendário de 2006, pois reativamos a empresa em agosto deste ano, diz a relatara ter ciência da regularização do debito inscrito em 15/09/2006, inclusive antes do protocolo da manifestação de inconformidade que foi em 19/09/2006, alegando a mesma que o contribuinte permaneceu incidindo na hipótese de vedação ã Opção pelo Simples, o que não concordamos, pois se ao tomarmos ciência do debito e prontamente o liquidamos, não mais estamos incidindo em hipóteses de vedação ao sistema do Simples. Sendo assim como fizemos Opção automática pelo sistema em 01/01/2007 que já foi comprovado, e que também já fizemos Opção pelo "Simples Nacional", conforme comprovante anexo, solicitamos reconsideração ao solicitado pelo o que agradecemos. o ReIatório DF CAR]: MF Processo n° 13836.000196/2006-55 SI C3T2 Acórdão n.° 1302-00.648 Voto Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello - Relator ad hoc 0 recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Entendo assistir razão a recorrente. Em relação ao ano-calendário de 2006, o único óbice apresentado à opção foi o débito quitado antes da apresentação da manifestação de inconformidade. Tendo sido liquidado o débito, não vejo motivo para manter o contribuinte impedido de adesão ao sistema Simples, e esta opção deve valer também para o ano de 2006, ano de reinicio de sua atividade. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito do contribuinte de adesão ao simples a partir de 2006. Sala das Sessões, 29 de junho de 2011 (-• Marcos Rodrigues de Mello
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720422/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.817
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 30/12/2010, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de PIS nãocumulativo vinculados à receita de exportação relativos ao 3º trimestre de 2010. Não constou apresentação de DCOMPs (ver relação de fls. 03 e 04). A repartição fiscalizadora efetuou a necessária verificação, apontou, pormenorizadamente, os problemas encontrados e emitiu Despacho Decisório por meio RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .7 20 42 2/ 20 11 -1 1 Fl. 6625DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.626 2 do qual indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as DCOMPs vinculadas (sic). Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 25/05/2012 (Termo de fl. 6.076) e, não se conformando, apresentou, através de procuradores, longa manifestação de inconformidade onde, inicialmente, referiu à tempestividade e aos fatos, aduzindo a seguir (de forma sintética): 1) Índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno: a Fiscalização alterou o índice de rateio proporcional dos créditos do PIS calculados sobre custos e despesas comuns à receita do mercado interno e de exportação. Seu entendimento era de que o momento do embarque da mercadoria é o paramento a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, conforme o artigo 1° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 5 de novembro de 2002. Considerou como receita de exportação os valores constantes no SISCOMEX conforme a data de embarque das mercadorias, extraindo os dados do sistema DW Aduaneiro. Contudo, resta totalmente equivocado o entendimento fiscal, quer em razão de que o ADI SRF n° 22/2002 não é aplicável na apuração de créditos de PIS não cumulativo, quer por este entendimento não possuir base legal, bem como violar as normas de apuração da contribuição. Ademais, a interpretação fiscal colidiria com o § 3º do art. 6º, c/c § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (repetidos pela Lei nº 10.637/2002), que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas de exportação. 2) Momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos: no DD foram glosados créditos de PIS ao fundamento de que a empresa teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração. A Fiscalização sustenta que a data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (...) referentes a bens e serviços utilizados como insumo. No entanto, no momento da emissão de uma NF não há como sustentar que o bem foi adquirido pela empresa, pois esta aquisição somente se dará no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários. O procedimento da empresa está correto ao reconhecer o crédito de PIS no regime da nãocumulatividade no momento da entrada em seu estabelecimento do insumo adquirido, quando efetivamente recebe a NF emitida pelo vendedor. É nesse momento que há a efetiva tradição da coisa, podendo ser considerado o bem adquirido. No que tange aos serviços, somente após a efetiva conclusão dos serviços é que o prestador passa a ter o direito à retribuição que é imanente a este tipo de contrato. Apenas com a prestação encerrada é que se pode considerar como adquiridos os serviços. No caso concreto, a empresa reconheceu o crédito de eventuais serviços no momento em que recebeu do prestador a NF demonstrando a conclusão do trabalho. É neste momento que o serviço é adquirido pelo contratante e surge para o prestador o direito de receber a retribuição. Antes do trabalho finalizado somente existe uma expectativa de direito sobre a prestação de serviços, até porque em caso de inadimplência o contratante não poderá exigir do contratado a obrigação de fazer, mas tão somente uma indenização. Desta forma, o procedimento da empresa atendeu de forma precisa a legislação em comento, razão pela qual deve ser acolhida sua manifestação de inconformidade. 3) Aproveitamento do crédito em meses subseqüentes. Desnecessidade de retificação de DACON e DCTF: o Fisco nega a possibilidade de aproveitamento do crédito em período subsequente, denominando aproveitamento de Fl. 6626DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.627 3 créditos extemporâneos. Depois diz ser possível esse aproveitamento, condicionandoo, entretanto, à retificação de DACON/DCTF pela empresa. Neste particular o equívoco da autuação é manifesto. As leis da nãocumulatividade em momento algum fixaram período para o contribuinte exercer o direito potestativo de descontar o crédito. Não há obrigação de realização do desconto/aproveitamento no mesmo mês de referência de determinação do crédito. A referência a determinado mês (§ 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) delimita apenas o valor do crédito apurado naquele mês, mas não limita o aproveitamento do crédito mediante o desconto com o débito àquele mês. A norma legal é expressa ao dizer que o aproveitamento do crédito pode se dar em determinado mês, sendo este o mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo quando efetivamente surge o direito ao crédito– ou, se não utilizado naquele mês, poderá sêlo nos meses subsequentes. Não há nenhuma regra determinando a escrituração e, consequentemente, o aproveitamento do crédito em determinado mês. Simplesmente não existe norma jurídica neste sentido. Na nãocumulatividade não se pode dizer que há aproveitamento extemporâneo de créditos, visto que inexiste um período definido para o aproveitamento, podendo este se dar no mês em que surgiu o direito ao crédito, no mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo, ou em meses subseqüentes, dependendo dos contribuintes. Além disso, o DACON, por ser de natureza declaratória e não constitutiva, não pode restringir o direito da empresa ao crédito, razão pela qual deve ser acolhida a manifestação da empresa. 4) Glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos: a) inaplicabilidade das INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004: por não considerar vários bens e serviços abarcados pelo conceito de insumo previsto nas INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, inclusive os dispêndios necessários à produção florestal, isto é, custos para a formação e manutenção de florestas destinadas à fabricação de celulose, deve ser acolhida a manifestação da empresa. Essas INs trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa. Deve ser reformado o DD. b) créditos sobre bens/serviços insumos: considerando que a madeira é o principal insumo para a fabricação da pasta da celulose, todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, razão pela qual o ato praticado pelo Fisco está ao arrepio da lei. O termo custo ou custo de produção abarca todos os gastos despendidos pela empresa, necessários e indispensáveis à produção de bens e serviços destinados à venda. Os custos de produção são todos os gastos com os insumos, com fatores de produção que agregam valor ao produto a ser vendido, diferente de despesas. Insumo e custo possuem o mesmo sentido e refletem a mesma realidade, razão pela qual, todos os itens que compõem o custo de produção ensejam o direito ao crédito de PIS, a menos que sejam vedados expressamente pela Lei n° 10.833/2003, como é o caso, por exemplo, de custos incorridos com a aquisição de bens e serviços de pessoa física ou de pessoas jurídicas estrangeiras (§ 3º do art. 3º). Mesmo sendo custo de produção, os créditos sobre tais dispêndios são vedados, pois não implicariam na cumulatividade dos contribuintes. No caso dos autos, todos os créditos que foram glosados decorrem de bens e serviços adquiridos que representam efetivamente um custo de produção, pois são eles utilizados como insumo e indispensáveis à produção dos produtos destinados à venda pela empresa, sendo legítimo o crédito apropriado, razão pela qual deve ser dado provimento à presente manifestação. c) insumos glosados indevidamente: refere ao DD, reclamando do entendimento exposto acerca de glosas de diversos insumos, dentre outros: ferramentas de trabalho Fl. 6627DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.628 4 para manutenção, calços para alinhamento da altera de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos, locação de guindastes, correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallets (palete), caixas de papelão, despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de NFs, copos para água mineral, almofada para carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, óculos de segurança Bandido, tijolo comum, tinta para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral e pedra brita. Contudo, os bens e serviços glosados pelo Fisco são parte essencial no processo produtivo, tendo sido desconsiderados esses insumos sem qualquer critério legal, sem qualquer embasamento jurídico. Deve ser reformado o DD para deferir os pedidos de restituição e homologar as compensações pleiteadas, relativamente aos bens e serviços utilizados como insumo. Estes bens e serviços são utilizados no processo de produção e são, sem dúvida, o custo de produção do bem – celulose – bem como de outros que tenha a mesma natureza de custo de produção, descritos nas planilhas Auditoria DACON (ano) (trimestre) elaboradas pela Fiscalização. Requer, em razão do grande número de insumos e o exíguo prazo para a manifestação de inconformidade, a realização de diligência para a comprovação de que os bens e serviços adquiridos pela empresa são efetivamente custos ligados à sua produção ou fabricação. d) crédito sobre a formação de florestas ativo imobilizado exaustão: o Fisco glosou créditos referentes a gastos com insumos florestais, isto é, valores dispendidos necessários à formação e desenvolvimento de florestas. Disse que todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS não cumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo um ativo Imobilizado da empresa. Mas o art. 1º da Lei n° 10.833/2003, preceitua que o PIS/COFINS na incidência nãocumulativa tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. No caso das empresas de celulose, os custos de produção se iniciam com o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensificam na formação das florestas e, se encerram após a transformação da madeira em celulose. Todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de insumo, visto que são indispensáveis à elaboração da pasta de celulose, que é o produto final da empresa destinado à venda, razão pela qual a glosa dos créditos se encontra ao arrepio da lei. Assim, todos os gastos listados nas planilhas elaboradas pela fiscalização (Auditoria DACON (ano) (trimestre) que tiverem ligação à formação de florestas ou silvicultura, por constituírem insumo na produção da celulose, devem gerar direito a crédito de PIS/COFINS. Portanto, o DD deve ser reformado de modo a restabelecer os créditos da empresa. e) crédito decorrente de produtos adquiridos de terceiros: a Fiscalização afirma que não dá direito a crédito itens tais como clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio e colheita. Mas a empresa só apropria créditos decorrentes de bens/serviços adquiridos de terceiros, não se apropriando de créditos sob sua própria mão de obra. Todos os Fl. 6628DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.629 5 serviços citados só compuseram a base de cálculo dos créditos porque foram adquiridos de terceiros. As próprias planilhas elaboradas pela Fiscalização comprovam a assertiva, ao indicarem o prestador de serviço e número da respectiva NF cujos créditos foram glosados. Desta forma, resta patente a improcedência da glosa sob essa rubrica, devendo ser reformado o DD. f) crédito sobre fretes: disse o Fisco que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadorias diretamente aos clientes não podem ser considerados como sendo insumo. Seguindo esta orientação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumo: armazenagem/transporte de papel e logística. Tal argumento é improcedente. Neste item não há diferença entre o frete pago na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração ou para colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor. Todos estes gastos são tidos como custo de produção (art. 187, II, da Lei n° 6.404/1976), constituindo insumos, cujo crédito é assegurado pelo inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O inciso IX do art. 3º dessas leis assegura apenas o frete que constitui uma despesa de venda, que é o frete pago pelo vendedor para entregar o produto ao comprador. Os gastos de frete da empresa, portanto, até o momento em que o produto está colocado à venda, mesmo se este frete for despendido após o produto estar acabado, irão integrar o custo da mercadoria ou produto vendido (art. 187, II, da Lei nº 6.404/1976). Em todos os casos, o frete é tido como custo de produção ou fator de produção, enquadrandose no conceito de insumo. Deve ser reparado o DD de modo a restabelecer na integralidade os créditos da empresa que foram glosados referentes a fretes, sem qualquer exceção. 5) Créditos vinculados à receita de exportação: é inequívoco o direito ao crédito de PIS em relação à parcela de insumos que se encontram vinculados à receita de exportação. O creditamento de PIS sobre os custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação é assegurado de forma ampla pelo art. 6º, § 3° e art. 15, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, que não impõem qualquer condição adicional para o gozo do direito. Tratase de empresa exportadora de pasta de celulose, sendo que todos os custos que estejam vinculados à receita de exportação, o que sem dúvida incluem os insumos florestais e os fretes, conferem crédito de PIS nos moldes dos dispositivos aludidos. 6) Conclusões: a) é inaplicável ao caso o ADI SRF nº 22/2002 para apuração do índice de rateio proporcional no que tange às receitas de exportação e mercado interno, haja vista que referida norma trata de norma isentiva; b) a empresa reconheceu créditos de bens e serviços utilizados como insumo no seu processo produtivo no momento oportuno, ou seja, no momento da entrada em seu estabelecimento, do insumo adquirido, pois operouse a tradição da coisa; c) ainda que assim não fosse, a legislação faculta ao contribuinte a possibilidade de aproveitar os créditos de bens e serviços em meses subsequentes (§ 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), o que foi desconsiderado pelo Fisco; d) é inaplicável ao caso as INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, pois trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa; Fl. 6629DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.630 6 e) a empresa tem direito a créditos de PIS/COFINS, seja em razão dos bens e serviços serem parte indispensável do processo produtivo (insumos), seja em razão das reservas florestais, mesmo estando classificadas contabilmente como ativo imobilizado, sujeitos à exaustão, pois quando da sua utilização, serão também insumos; f) também ensejam créditos aqueles bens ou serviços adquiridos de terceiros, inclusive no caso vertente; g) os fretes suportados durante todo o processo de produção ensejam direito ao crédito, inclusive aqueles destinados à aquisição de matériaprima, destinados à transporte dos produtos em fase de produção entre os estabelecimentos da própria empresa, bem como aqueles que foram realizados durante o processo de formação das reservas florestais que compõe o ativo imobilizado, pois esse constituemse custos de produção; h) todos os custos vinculados à receita de exportação, considerando que se trata de empresa exportadora de pasta de celulosa, conferem crédito de PIS/COFINS. 7) Pedidos: a) requer a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Tal diligência/perícia é necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos; b) diante da robusta comprovação de que os gastos realizados pela empresa são efetivamente indispensáveis, necessários à produção de seus bens destinados à venda, requer, em preliminar, a nulidade do DD e, por conseguinte, o acolhimento de sua manifestação. Devem ser reconhecidos na integralidade os créditos que foram glosados, seja com fundamento no valor de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumos para a produção da celulosa, seja baseado nos encargos de exaustão. A Delegacia de Julgamento manteve a integralidade das glosas, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 6630DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.631 7 Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde Fl. 6631DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.632 8 ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera seus argumentos da manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Na origem, houve a análise dos créditos pleiteados de PIS/COFINS não cumulativos, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003). A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e combustíveis. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada: Para tal, foram confrontadas: as apurações e declarações transmitidas pela empresa (DACON, DCTF, PER/DCOMP, DIPJ); os livros, documentos e arquivos eletrônicos fiscais e contábeis; e as notas fiscais eletrônicas e originais apresentadas em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001, por meio da utilização do ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício das atividades de fiscalização. Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na industrialização, com a respectiva classificação fiscal; os laudos de utilização dos diversos tipos de combustíveis, objeto do pedido de creditamento e documentos de constituição de participação em Consórcios. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, que podem ser separadas em quatro grandes grupos: i. Método de Apropriação de Custos Rateio proporcional ii. Momento de apuração dos insumos e serviços como créditos iii. Aproveitamento de créditos extemporâneos iv. Insumos da nãocumulatividade Fl. 6632DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.633 9 Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é amplo, implicando na assertiva de que insumo equivale a “custo de produção”. Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. As atividades desenvolvidas pela Recorrente são: a) a indústria e o comércio, no atacado e no varejo de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais, próprios ou de terceiros; b) comércio, no atacado e no varejo, de produtos destinados ao uso gráfico em geral; c) a exploração de todas as atividades industriais e comerciais que se relacionarem direta ou indiretamente com seu objetivo social; d) a importação de bens e mercadorias relativos aos seus fins sociais; e) a exportação dos produtos de sua fabricação e de terceiros; f) a representação por conta própria ou de terceiros; g) a participação em outras sociedades, no país ou no exterior, qualquer que seja a sua forma e objeto, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; h) a prestação de serviços de controle administrativo, organizacional e financeiro às sociedades ligadas ou a terceiros; i) a administração e implementação de projetos de florestamento e reflorestamento, por conta própria ou de terceiros, incluindo o gerenciamento de todas as atividades agrícolas que viabilizem a produção, fornecimento e abastecimento de matéria prima para indústria de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais; e j) a prestação de serviços técnicos, mediante consultoria e assessoria às suas controladas ou a terceiros. Ressaltese que há fato novo nos autos: a juntada de laudo técnico produzido pela Escola Superior de Agricultura da USP, em sede de recurso voluntário. Fl. 6633DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.634 10 Tal documento teve a finalidade de descrever o processo produtivo da Recorrente, desde a operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, bem como as etapas industriais da celulose e do papel: De antemão já se configura a necessidade de conversão do julgamento em diligência, em razão de o laudo ser um fato novo, o que demanda a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Todavia, há outros pontos que demandam esclarecimento. A seguir, analisase uma a uma as glosas para delimitar o objeto da diligência proposta. MÉTODO DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS RATEIO PROPORCIONAL (Lei nº 10.637/2002, art. 3º e art. 3°, 6º e 15 da Lei nº 10.833/2003) Ao longo de todo o período fiscalizado, a empresa utilizou o método do rateio proporcional para todos os custos. Ao final, a fiscalização: Através do levantamento dos valores referentes às Receitas do Mercado Interno e do Mercado Externo levantados anteriormente, chegouse a novos índices de rateio detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria. Para a autoridade fiscal, o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, nos termos do art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de novembro de 2002: Art. 1º Para fins de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, considerase exportado para o exterior o bem que tenha saído do território nacional. Diante disso, os valores constantes no SISCOMEX (data do embarque) foram utilizados para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. Os dados foram extraídos pelo sistema DWAduaneiro. Por conseguinte, parte do crédito pretendido pela empresa não foi integralmente admitido, por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. Fl. 6634DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.635 11 Por outro lado, para a Recorrente, o reconhecimento da receita deve ser na emissão da Nota Fiscal. Ademais, há ponto de extrema importância levantado pelo contribuinte em sua defesa: A lide e o que tem quer ser decidido nos presentes autos é: A receita decorrente de exportação indireta (venda no mercado interno para trading, com fim específico de exportação) deve ser contabilizada como receita de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, ou apenas devem ser considerados os valores constantes do SISCOMEX? Todo o arcabouço legal que regula a exportação indireta vigente leva a única conclusão possível de que os valores relativos a tais operações compõem a receita de exportação e, portanto, o índice do rateio. As empresas comerciais têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão trading company não é utilizada na legislação brasileira e na doutrina, há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. As empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo Decretolei nº 1.248/1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, essa norma assegura os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE. Pelo Decretolei nº 1.248/1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação, entretanto, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial e 2) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012: A não incidência do PIS/Pasep e Cofins e a suspensão do IPI aplicam se a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior. Como dito, atualmente, há duas categorias de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE), sem diferenciação com relação aos incentivos fiscais. Essencialmente, as comerciais exportadoras são classificadas em dois grandes grupos: 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial, denominadas “trading companies”, regulamentadas pelo De Fl. 6635DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.636 12 cretolei nº 1.428/1972, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei ordinária; e 2) as comerciais exportadoras que não possuem o Certificado de Registro Especial e são constituídas de acordo com Código Civil Brasileiro. As ECE devem atender certos requisitos: de acordo com o art.5º, caput, do DecretoLei nº 1.248/1972, e o art. 231 do Decreto nº 6.759/2009 ( Regulamento Aduaneiro Brasileiro), os impostos que forem devidos, bem como os benefícios fiscais de qualquer natureza, auferidos pelo produtorvendedor, com os acréscimos legais cabíveis, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora no caso de: a) não se efetivar a exportação dentro do prazo de cento e oitenta dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, na hipótese de mercadoria submetida ao regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação; b) revenda das mercadorias no mercado interno; ou c) destruição das mercadorias. para obter o Certificado de Registro Especial, a Empresa Comercial Exportadora (ECE) deve atender alguns requisitos, como ser constituída na forma de sociedade por ações (S.A.) e possuir capital social mínimo, já a ECE que não se enquadra nas exigências do DecretoLei nº 1.248/1972, pode ser constituída sob qualquer forma e não precisa ter capital mínimo. Regese, pois, pelo Código Civil Brasileiro. Porém, para ser caracterizada como ECE, dever ter o fim comercial em seu objeto social, realizar operações de comércio exterior, estar habilitada na Receita Federal (RFB) para operar no SISCOMEX (Instrução Normativa RFB nº 1.288/2012) e estar inscrita no Registro de Importadores e Exportadores da SECEX/MDIC (Portaria SECEX nº 23/2011, art. 8º). atualmente, as empresas que desejam atuar como empresas comerciais exportadoras devem estar habilitadas no registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Fazenda (MF), respectivamente, além de outros requisitos. Tratase de exigência contida no art. 229 do Regulamento Aduaneiro Brasileiro (Decreto nº 6.759/2009), que reproduz exigência prevista no DecretoLei nº 1.248/1972, que possui status de lei ordinária. De acordo com os arts. 228 e 229 do Regulamento Aduaneiro as operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o seguinte tratamento : serão consideradas destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito sob o regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação. Tal tratamento aplicase às empresas comerciais exportadoras que estiverem registradas no registro especial da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda; estar constituída sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto e possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. O inciso VII do artigo 20 do Anexo I do Decreto nº 7.096/2010, dispõe sobre as prerrogativas de exame e análise de solicitações de inscrição, atualização e cancelamento de registro de “trading companies”. Registrada a sistemática da exportação indireta, é de se concluir que as alegações da Recorrente são pertinentes. Fl. 6636DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.637 13 Logo, quanto aos índices de rateio, é necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno. Dito de outra forma, a autoridade fiscal deve investigar o valor da receita de exportação, decorrente também de exportação indireta (via trading), para que sejam computadas no rateio. Ressaltese que toda a documentação foi disponibilizada à fiscalização, como já mencionado. E, em sede de manifestação de inconformidade, a empresa juntou suas demonstrações contábeis, acompanhadas de parecer de auditores independentes. MOMENTO DE APURAÇÃO DOS INSUMOS E SERVIÇOS COMO CRÉDITOS (art. 3°, II, §1, I das Leis de regência) Transcrevese o relato da fiscalização: 40. A metodologia de apuração das entradas de mercadorias e serviços feita pela empresa baseiase no momento de lançamento da Nota Fiscal, em afronta à legislação citada acima: “dos itens (...) adquiridos no mês”. 41. Foram levantados casos, como por exemplo, a Nota Fiscal 000651 000 com emissão em 02/01/2006 cujo lançamento e crédito se deu apenas em 10/2006 (documento 4300104789). 42. Em estrito cumprimento às leis citadas acima, as notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS cujas emissões se deram fora do período da sua apuração foram glosadas. 43. A data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (critério este idêntico ao adotado pelo sistema ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente homologado pelos órgãos centrais da RFB para o auxílio do exercício das atividades de fiscalização). 44. Não cabe à Autoridade Fiscal flexibilizar o critério temporal de apropriação dos insumos, alargandoo em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro da empresa. Desta forma, mesmo as notas fiscais emitidas ao final de um determinado mês devem ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês seguinte. O prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa efetue tais ajustes. 45. Vale ressaltar ainda que não cabe à Autoridade Fiscal realocar as notas fiscais nos meses corretos da sua emissão, e sim tão somente verificar a sua correta apropriação no DACON analisado, cabendo a sua simples glosa em caso contrário. Por sua vez, a Recorrente entende ser irrelevante a data (momento) de emissão da nota fiscal para fins de apuração dos créditos de PIS, por não ser aquele o momento da Fl. 6637DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.638 14 produção dos efeitos patrimoniais decorrentes da aquisição dos insumos (ou dos serviços). Entende que os efeitos somente se produzem no momento da entrega do bem/serviço, momento em que se dá a contabilização. Percebese falha na conduta da fiscalização ao glosar a integralidade das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS emitidas fora do período de sua apuração. É lícito ao contribuinte ter seu direito creditório analisado, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Aplicase aqui o CPC 30, que trata do preço justo para efeitos contábeis, hoje substituído pelo CPC 47. O CPC 30 era claro em seus itens 14 e seguintes, que diziam em síntese que a receita de venda de bens deve ser reconhecida quando forem satisfeitas as condições: a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e benefícios inerentes à propriedade dos bens, a entidade não tenha envolvimento na gestão dos bens vendidos, o valor da receita possa ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade e as despesas incorridas referentes à transação possam ser mensuradas com confiabilidade. Na maioria dos casos, a transferência dos riscos e dos benefícios inerentes à propriedade coincide com a transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo para o comprador. Se a entidade retiver riscos significativos da propriedade, a transação não é uma venda e a receita não pode ser reconhecida. Já na prestação de serviços a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte. O desfecho de uma transação pode ser estimado com confiabilidade quando o valor da receita puder ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade, o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte puder ser mensurado com confiabilidade e as despesas incorridas com a transação puderem ser mensuradas com confiabilidade. O reconhecimento da receita com referência ao estágio de execução de uma transação é usualmente denominado como o método da percentagem completada. Por esse método, a receita é reconhecida nos períodos contábeis em que os serviços são prestados. Para fins práticos, quando os serviços prestados correspondam a um número indeterminado de etapas, durante um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida pelo método linear durante tal período, a menos que haja evidências de que outro método represente melhor o estágio de execução da transação. Quando determinada etapa for muito mais significativa de outras, o reconhecimento da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada. Inclusive, a Solução de Consulta COSIT nº 111, de 22/04/2014 reconheceu a aplicação do CPC 30: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Cofins no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando Fl. 6638DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.639 15 as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Não integram a base de cálculo da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, as receitas referentes a vendas canceladas. No que diz respeito à prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados, sem a sua anuência, não foram contratados, ou seja porque o valor cobrado não tem previsão contratual. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º e 4º, caput, e § 1º; Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, § 1º, “a” e “b”; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. Diante do acima exposto, deve ser afastada a glosa integral das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS, sob a justificativa de que as “emissões se deram fora do período da sua apuração”. Como os créditos não foram sequer objeto de devida análise, deve ser esclarecida em diligência fiscal a natureza desses créditos, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Fl. 6639DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.640 16 Observese a manifestação da fiscalização: 100. Identificado pelo contribuinte que um determinado crédito não foi utilizado no passado, existe a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea, ou seja, realizado fora de seu tempo normal. 101. Todavia, não há como acolher a pretensão de utilizar eventuais créditos apurados extemporaneamente sem retificar os Dacon e DCTF correspondentes, ou seja, retificar as declarações do mesmo período dos créditos, em face do disposto na Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005: “Art.11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) §4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora.” (grifos nossos) 102. Em suma, caso o contribuinte identifique em dez/2006 um crédito não utilizado em jan/2005, deve proceder a retificação do DACON jan/2005. 103. Devese salientar que, no caso de ter havido recolhimento das aludidas contribuições pela Consulente, a retificação dos Dacon e DCTF correspondentes é o único procedimento que permite a restituição de eventuais valores recolhidos indevidamente ou a maior devidamente corrigidos pela Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para Títulos Federais, haja vista que os créditos extemporâneos não admitem a incidência de atualização monetária ou juros de mora, consoante dispõe o art. 13 c/c art. 3o, § 4o, da Lei nº 10.833, de 2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art. 3, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e § 5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Fl. 6640DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.641 17 105. Finalmente, devese salientar que a apuração de créditos, bem como a retificação de declarações, relativos a períodos de apuração anteriores, deve respeitar o prazo decadencial de cinco anos. 106. Todavia, o critério temporal explicitado anteriormente (retificar as declarações do mesmo período dos créditos) não foi obedecido, de forma que as rubricas contendo créditos extemporâneos de períodos diferentes das da apuração de cada DACON foram glosadas. Como exemplo, podemos citar a auditoria realizada pela Ernst & Young em 03/2010 apropriando créditos de PIS e COFINS cuja base de cálculo foi de R$ 167.052.349,09 (referente aos períodos de apuração de 2005 e 2006), valor este devidamente glosado por esta fiscalização. 107. Acerca dos Créditos Extemporâneos VCP – Jacareí apropriados no 4º Trimestre de 2006, a empresa foi intimada a informar o período dos referidos créditos, todavia, não apresentou documentação comprobatória dos mesmos, nem de que período os mesmos foram apurados. Desta forma, os valores foram devidamente glosados. Assiste razão à Recorrente, quando afirma que a utilização de créditos extemporâneos não está vinculada à retificação de DCTF/DACON. Há claro equívoco na conclusão da fiscalização de que a apuração extemporânea de créditos somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, diante da ausência de previsão legal para tal exigência. A 3ª Turma da Câmara Superior, acórdão n° 9303006.248, já se manifestou quanto à utilização de créditos extemporâneos independentemente de retificação da DCTF e do DACON: CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4°, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. ambém a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Com isso, é imperiosa a análise pela fiscalização da pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente. Fl. 6641DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.642 18 Mais uma vez, é necessário apontar que a empresa apresentou o suporte documental à fiscalização, como já mencionado no início deste voto. Com isso, a unidade de origem deve analisar a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificálos. INSUMOS DA NÃOCUMULATIVIDADE (Arts. 3º das Leis de regência) Segundo a fiscalização, para que um bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Logo, entre outros, não foram considerados como insumos: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes. Prosseguindo, para a fiscalização, as despesas com a constituição da floresta compõem o ativo imobilizado da empresa. Por isso, na análise dos insumos, foi aplicado o seguinte critério na auditoria: “Todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS nãocumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo ativo imobilizado da empresa.” Por isso, apontou: 58. Resta claro que os empreendimentos florestais destinados ao corte para comercialização, consumo ou industrialização devem ser classificados no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. O bem (floresta) sofrerá então exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Evidentemente que o valor da terra nua não deve aparecer na mesma conta do ativo imobilizado em que estiverem os recursos florestais, uma vez que a terra nua não pode ser objeto de exaustão. 59. Com isso, é fácil concluir que as despesas com a constituição da floresta não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado. 60. Entre outros, não foram considerados como insumos: corrente de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos , serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços Fl. 6642DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.643 19 de inventário florestal, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem, sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere). Em seguida, aduz a impossibilidade de desconto de créditos de exaustão, por não haver previsão legal para a apuração de créditos sobre encargos de exaustão incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado do contribuinte. Quanto à necessidade da aquisição dos insumos de terceiros, a fiscalização glosou as despesas relacionadas com a obtenção de madeira dos terrenos da empresa, a chamada Operação Florestal (clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita). Na mesma esteira, uma vez entendido que todos os esforços despendidos na Operação Florestal compõem o ativo imobilizado, glosou os fretes pagos na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado. Por outro lado, a Recorrente aduz que é devida a tomada de crédito sobre a formação de florestas: plantio, silvicultura, corte, colheita, logística e transporte de toras de madeira e etc. por indispensáveis à elaboração da celulose. Aponta as efls. 19, 78, 90, 131 e 132 do laudo técnico da USP. Acrescenta que os serviços glosados estão elencados no laudo como indispensáveis ao processo produtivo da celulose, conforme itens 4 e 5 do documento, também ligados à formação das florestas. E ainda, que os dispêndios com clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndios e colheita são prestados por terceiros, pessoas jurídicas. a) Embalagem de apresentação e de transporte A fiscalização aceitou como insumo a embalagem de apresentação, entendendo que sua colocação determina a fase final da produção. Por outro lado, não considerou a embalagem para transporte como insumo. Assim, entre outros, não foram considerados como insumos: correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallet (palete) e caixas de papelão. O contribuinte defende o creditamento por entender que essas embalagens de transporte acondicionam as folhas de celulose produzidas, conforme descrição no laudo técnico. b) Insumos Caracterização SD 200815 Foram considerados como insumos: toras de madeira, produtos químicos utilizados no processo produtivo, tintas, feltros e telas (formação e desaguação da folha de papel) e telas de lavagem de polpa de celulose. E ainda, foram considerados como insumos os Fl. 6643DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.644 20 “bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”, ocorrendo o contato direto com o produto final e/ou desgaste na sua utilização, como por exemplo: lâminas para remoção de resíduos em rolos da máquina de papel, esferas de vidro utilizadas no processo de pigmentação, pastilhas de frenagem de máquinas de papel, facas para corte de folha de celulose e de bobinas e correias de acionamento de equipamentos rotativos. Todavia, foram glosados os seguintes: despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de notas fiscais, copos para água mineral, almofada de carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras e óculos de segurança Bandido. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais: os equipamentos de proteção individual (efls. 19/20, 35 do laudo); a utilização de rádios comunicadores (efls. 27 do laudo) e insumos utilizados para análises químicas em laboratório (efls. 128 e 131 do laudo). c) Insumos Passagens, hospedagens e despesas de veículos SD 200815 Não foram considerados insumos: serviço com pagamento de estadia e translado, locação de veículos e despesas de transporte de supervisores. Aponta a empresa que tais dispêndios são essenciais, por se referirem à locomoção, ida e volta, até a floresta. d) Insumos Partes e Peças de Reposição SD 200835 Apontou a fiscalização que as partes e peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica para manutenção de máquinas e equipamentos componentes do ativo imobilizado, utilizados diretamente na fabricação dos produtos destinados à venda (papel e celulose), são consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes de ação diretamente exercida sobre o bem fabricado e, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Foram considerados insumos: chapas de aço para reparos em caldeiras, cabos, barras e tubos metálicos utilizados em reparos de equipamentos, eletrodos de solda, bicos de chuveiro de lavagem de tela de máquina de secagem, peças hidráulicas de reposição (luvas, cotovelos e válvulas), graxas, óleos lubrificantes e óleos refrigerantes. Entretanto, foram glosadas despesas com: as partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas no corte, no Fl. 6644DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.645 21 tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma 2ª etapa, transformada em celulose, papel e papelão. Da mesma forma, as partes e peças de reposição, bem como os serviços aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas na área logística da empresa, seja antes ou depois da obtenção do produto final, foram glosados. Dentre outros, não foram considerados como insumos uma vez que não são relativos aos maquinários utilizados diretamente na obtenção do produto final: reparos em veículos de carga e peças de reposição de transpaleteiras. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais as partes e reposição de peças (efls. 87 e 130 do laudo). e) Materiais de Construção Civil utilizados como insumos Não foram considerados como insumos, uma vez que seriam incorporados ao ativo imobilizado edificações: tijolo comum, tintas para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral, pedra brita, etc. Segundo a empresa, tratamse de reparos realizados na unidade fabril, essenciais. f) Fretes Hipóteses de Crédito – SD 200711 e g) Frete Transporte Intercompany Vedação de Crédito SD 200812 Neste tópico, entendeu a fiscalização que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadoria diretamente aos clientes não podem ser considerados como insumo. Então, não foram considerados: armazenagem/transporte de papel e logística. Mas foram considerados como insumo os referentes às despesas de exportação. E não os fretes relacionados a transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição ou de um centro de distribuição para outro. Já a Recorrente sustenta que todos os fretes de aquisição de matériaprima, os intercompany e o de aquisição de bens do ativo imobilizado integram o custo do produto, o que permite o creditamento. g) Combustíveis utilizados como Insumos SD 200837 A fiscalização acatou como insumo, o combustível utilizado no processo de fabricação do produto destinado à venda pela empresa; ou, em outras palavras, o empregado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção da celulose industrializada e vendida pela contribuinte. Descartou como insumo os combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos: GLP utilizado em empilhadeiras, gasolina utilizado no transporte de pessoal, Óleo diesel, Óleo biodiesel e GLP granel. Fl. 6645DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.646 22 Quanto aos combustíveis, a alegação da empresa é de que são fornecidos por ela e, são utilizados nas máquinas e em veículos de transporte aplicados ao processo produtivo da Operação Florestal (conforme itens 5.65 e 6.6 do laudo). Síntese do tópico “Insumos da nãocumulatividade” O laudo apresentado pela Recorrente em seu recurso voluntário teve o objetivo de demonstrar a essencialidade dos custos incorridos na formação, manutenção e exploração das florestas, afastando, por conseguinte, as glosas. Descreveu também as etapas industriais até o consumidor. Confirase a síntese do processo produtivo descrito no laudo técnico da USP: Fl. 6646DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.647 23 Fl. 6647DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.648 24 Na apuração de PIS/COFINS nãocumulativos, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte. Consequentemente, confrontando o motivo das glosas, os elementos trazidos aos autos e o laudo técnico, vislumbrase como desnecessários novos esclarecimentos em sede de diligência fiscal, restando para julgamento a matéria referente à extensão do conceito de insumo e os reflexos da classificação das florestas como ativo imobilizado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) Por ser o laudo da Escola Superior da Agricultura da USP fato novo, manifestese sobre ele; b) Verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno; c) Analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação; d) Analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos; e) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; f) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; g) Após, que retorne o processo ao CARF para julgamento. Fl. 6648DF CARF MF Processo nº 12585.720422/201111 Resolução nº 3301000.817 S3C3T1 Fl. 6.649 25 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 6649DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000831/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – DÉBITOS PERANTE A FAZENDA NACIONAL – Verificou-se a existência de débitos perante a fazenda
nacional, sem exigibilidade suspensa, não quitados em 30 dias da ciência do despacho de exclusão do SIMPLES e, nessa medida, o despacho é válido e está correto nos termos da Lei Complementar 123/06.
REGULARIDADE FISCAL – ÔNUS DA PROVA – A contribuinte alega
mas não prova que os débitos, à época do despacho de exclusão do
SIMPLES, estariam com exigibilidade suspensa. Os documentos do processo comprovam essa suspensão da exigibilidade apenas a partir de dezembro de 2009.
Numero da decisão: 1302-000.677
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL EXCLUSÃO DO SIMPLES – DÉBITOS PERANTE A FAZENDA NACIONAL – Verificouse a existência de débitos perante a fazenda nacional, sem exigibilidade suspensa, não quitados em 30 dias da ciência do despacho de exclusão do SIMPLES e, nessa medida, o despacho é válido e está correto nos termos da Lei Complementar 123/06. REGULARIDADE FISCAL – ÔNUS DA PROVA – A contribuinte alega mas não prova que os débitos, à época do despacho de exclusão do SIMPLES, estariam com exigibilidade suspensa. Os documentos do processo comprovam essa suspensão da exigibilidade apenas a partir de dezembro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Fl. 56DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 2 A Recorrente foi excluída do SIMPLES por meio de Ato Declaratório Executivo DRF/SAN no. 277641, de 22 de agosto de 2008 (ADE), em função de possuir débitos junto à Fazenda Nacional, quais sejam: Inscrição Valor do Saldo 00002020000132840 R$ 52.860,50 00002020000132921 R$ 53.059,60 Em 19042010 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém – Pará (DRJ) proferiu sua decisão indeferindo o pedido da contribuinte por entender que ela não comprovou o quanto alega. Os documentos de fls.04/12 trazem apenas o histórico de movimentação dos processos judiciais sem em qualquer momento citar ou comprovar a suspensão da exigibilidade dos dois créditos tributários que resultaram na exclusão da interessada do regime SIMPLES. Ciente da decisão, a empresa recorreu a este Conselho alegando que a autoridade fiscal não cumpriu o prazo obrigatório para julgamento de recursos fiscais administrativos de 360 dias, consoante Lei 11.457/2007, artigo 24, tendo julgado a impugnação no prazo de 392 dias. À época do julgamento, um dos débitos que ocasionara a exclusão do SIMPLES já havia sido pago e o outro fora parcelado, fatos que resultaram na nova admissão da interessada no SIMPLES e foram ignorados pela autoridade julgadora de primeira instância. A decisão feriu o direito à ampla defesa e os normativos da própria Receita que preveem a reinclusão no SIMPLES em 30 dias do recebimento do ADE caso o débito seja pago ou parcelado. A decisão recorrida é ilegal e por isso a empresa pede o recebimento do recurso e seu provimento. Em anexo ao Recurso, a recorrente apresenta, às fls. 47 e seguinte extrato que comprova estar enquadrada no SIMPLES no mês de abril de 2010. Às fls. 50 e seguintes consta extrato do sistema da Receita Federal que demonstra a situação do débito que à ocasião do recurso ainda estava pendente perante a empresa porém com exigibilidade suspensa. O débito teve origem em parcelamento de valores do SIMPLES relacionados ao ano de 2007. Tal parcelamento foi rescindido em maio de 2008, tendo a empresa sido excluída do SIMPLES em agosto de 2008. A empresa voltou a parcelar seus débitos em dezembro de 2009 e por isso em 2010 foi readmitida no regime do Simples. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A autoridade fiscal motivou adequadamente seu despacho de exclusão do SIMPLES demonstrando a existência de débitos perante a Fazenda Nacional sem a exigibilidade suspensa, nos termos da Lei Complementar 123/06. O despacho decisório atendeu a todos os demais requisitos previstos no artigo 10 do Decreto 70.235/72. A empresa foi devidamente citada do conteúdo do ADE e teve sua plena chance de defesa, demonstrando pleno conhecimento da matéria em litígio. Por essa razão, reputo o ADE plenamente válido e eficaz. Em sua defesa, a empresa alega, porém não comprova, que os débitos estavam suspensos à época do despacho de exclusão do SIMPLES. A empresa não se desincumbiu do ônus que Fl. 57DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 10215.000831/200885 Acórdão n.º 1302000.677 S1C3T2 Fl. 54 3 lhe cabia de provar o alegado, consoante o artigo 333 do Código de Processo Civil. Como disse a DRJ, efetivamente os documentos de fls. 4 e seguintes são mero relatos dos processos judiciais em que se discutem dívida ativa porém sem em nenhum momento citar ou comprovar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário à época do ADE. Muito menos os documentos acostados ao Recurso Voluntário se prestam a esse fim: extrato comprovando a inclusão no SIMPLES e tributos devidos no mês de abril de 2010, enquanto o ADE é de agosto de 2008; comprovante de evolução de um dos débitos que resultaram na exclusão do SIMPLES em 2008, demonstrando que ele só voltou a ser parcelado em dezembro de 2009 (fls. 50). Na ausência de qualquer outra prova, os documentos do processo indicam que em agosto de 2008 os dois débitos informados pela autoridade fiscal estavam sem suspensão de exigibilidade e que pelo menos um deles assim ficou até dezembro de 2009 quando voltou a ser parcelado! Efetivamente, tendo quitado ou parcelado seus débitos até dezembro de 2009, a contribuinte merece gozar do regime do SIMPLES a partir de 2010, direito que foi reconhecido pela autoridade fiscal tanto que a interessada comprovou ter exercido sua opção pelo SIMPLES em 2010 regularmente. Ocorre que esses eventos futuros não são capazes de mudar os fatos em 2008, época em que a empresa ficou com débitos em dívida ativa sem suspensão da exigibilidade. A empresa não comprovou ter quitado ou parcelado esses débitos em até 30 dias da data em que tomou ciência do despacho de exclusão do SIMPLES. Por essa razão, não vejo qualquer razão de fato ou de direito capaz de afastar a vigência e validade desse ADE. Nesse sentido, nego provimento ao recurso voluntário. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 58DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903817/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 38 17 /2 01 4- 31 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.903817/201431 Acórdão n.º 1401002.753 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...], referente ao PER/DCOMP nº 01483.51514.170913.1.3.048101. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/04/2011, no valor de R$ 85.970,58. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.903817/201431 Acórdão n.º 1401002.753 S1C4T1 Fl. 4 3 que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entgre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam os autos remetidos à DRF de origem, para que sejam produzidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada, que seja deferido o direito de produzir provas em momento posterior. A decisão restou assim ementada: Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.903817/201431 Acórdão n.º 1401002.753 S1C4T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.903817/201431 Acórdão n.º 1401002.753 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.752, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.959034/2013 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.752): O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.903817/201431 Acórdão n.º 1401002.753 S1C4T1 Fl. 7 6 Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.903817/201431 Acórdão n.º 1401002.753 S1C4T1 Fl. 8 7 fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401 002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.723001/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CONCEITO DE INSUMOS COM BASE NO CRITÉRIO DE ESSENCIALIDADE.
Os gastos com fretes no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, e na transferência de insumos e de produtos em elaboração da filial para a matriz, geram direito ao crédito de COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente.
Os gastos com fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz não geram direito ao crédito de COFINS, pois são gastos incorridos após o encerramento do processo produtivo da Recorrente e não são fretes em operações de venda.
COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. FRETE.
As pessoas jurídicas que produzam as mercadorias de origem animal ou vegetal especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir de COFINS crédito presumido calculado sobre bens e serviços utilizados como insumo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os gastos com frete na compra destes bens devem ser adicionados ao seu custo de aquisição e seguir a mesma metodologia de apuração.
COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR.
O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte.
Numero da decisão: 3401-005.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas - Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CREDITAMENTO. FRETE. CONCEITO DE INSUMOS COM BASE NO CRITÉRIO DE ESSENCIALIDADE. Os gastos com fretes no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, e na transferência de insumos e de produtos em elaboração da filial para a matriz, geram direito ao crédito de COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente. Os gastos com fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz não geram direito ao crédito de COFINS, pois são gastos incorridos após o encerramento do processo produtivo da Recorrente e não são fretes em operações de venda. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. FRETE. As pessoas jurídicas que produzam as mercadorias de origem animal ou vegetal especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir de COFINS crédito presumido calculado sobre bens e serviços utilizados como insumo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os gastos com frete na compra destes bens devem ser adicionados ao seu custo de aquisição e seguir a mesma metodologia de apuração. COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR. O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 01 /2 01 1- 27 Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. Relatório Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte CODIL ALIMENTOS LTDA para análise de Pedido de Ressarcimento, referente a créditos de PIS e Cofins NãoCumulativa. Conforme Despacho Decisório, o crédito pleiteado foi parcialmente reconhecido, tendo a fiscalização glosado créditos referentes a fretes de diferentes classificações/modalidades. O contribuinte apresentou Impugnação, alegando, em síntese: (...) 2.2 MÉRITO (...) 1.1) Fretes nas compras de pessoa física (arroz em casca). (...) A Fiscalização procede a referida "glosa", sob o entendimento de que, embora o Contribuinte tenha direito ao crédito presumido sobre as aquisições de arroz em casca efetuadas de Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 4 3 pessoas físicas, nos termos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, corroborado pela Solução de Consulta n° 90 SRRF/6ªRF/Disit, este não se valeu deste direito, deixando de efetuar o creditamento das contribuições. O I. Auditor Fiscal, inovando, de forma contrária à legislação pertinente, insiste na teoria de que, se o Contribuinte não se utilizou do crédito presumido que tem direto, sobre a matéria prima (arroz em casca) adquirida de pessoas físicas, não pode se utilizar do crédito referente ao serviço de transporte (frete) contratado para realizar o transporte dessa matéria prima para a unidade industrial. Ora, uma coisa é o crédito sobre a aquisição, benefício atribuído pelo Legislador, apurado de forma "presumida", devido à operação de venda do produtor pessoa física não ter incidência tributária. Outra coisa é o valor das contribuições incidentes sobre frete contratado, que integram o custo do serviço de transporte e cujo ônus foi suportado pelo Contribuinteadquirente. O fato do Contribuinte não se utilizar de crédito a que tem direito, não lhe impede de aproveitar os demais créditos. Assim, o custo de aquisição é composto do valor da matéria prima adquirida, somado a este o valor do serviço de transporte (frete) contratado para transporte até o estabelecimento industrial do Contribuinteadquirente, cujo ônus assumiu. Ora, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.2) Fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. O Douto AuditorFiscal, em seu Termo de Verificação, glosa o creditamento das contribuições PIS e COFINS sobre fretes de retornos de mercadoria remetida para industrialização por encomenda, sob o argumento que este não se caracteriza como "insumo". Insta discordar do entendimento do I. Auditor. O processo de industrialização realizado fora do estabelecimento do Contribuinteadquirente não descaracteriza os "insumos" Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 5 4 inerentes ao referido processo, cujo conceito inclui todos os dispêndios necessários ao processo produtivo. Para realizar a industrialização (beneficiamento) em estabelecimento terceirizado, necessário se faz a remessa da matéria prima à unidade industrial, bem como o retorno do produto decorrente do beneficiamento. Somente após a entrada deste produto no estabelecimento do Contribuinte é que se caracteriza a finalização do processo produtivo. (...) 1.3) Fretes no retorno de mercadoria de depósito fechado ou armazém geral. Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. 1.4) Fretes na aquisição de insumo importado. (...) As aquisições de matéria prima (arroz beneficiado a granel) efetuadas de fornecedor internacional, está sujeita à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar a referida matéria prima do porto até o estabelecimento do Contribuinteimportador, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação normal das referidas contribuições. Este insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, como é sempre adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.5) Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz. (...) Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 6 5 O Arroz em Casca é matéria básica de nossa industrialização, e é adquirida praticamente em sua totalidade no Estado do Rio Grande do Sul. A logística de transporte desta matéria prima obedece a dois procedimentos alternativos: a) vem diretamente dos produtores rurais estabelecidos no Estado do Rio Grande do Sul para a unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG; b) é armazenado na filial estabelecida no Rio Grande do Sul, para posterior remessa à unidade Matriz do Contribuinte. Em ambos os procedimentos o destino final é o mesmo, ou seja, a entrega da matéria prima na unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG, para industrialização. O insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, critério adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.6) Fretes na transferência de produto em elaboração, produto acabado e subproduto da filial para a matriz. (...) Para melhor entendimento, fazse necessário individualizar cada transferência da filial para a matriz, por natureza: (...) 1.6.a) Fretes na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz: No tocante à transferência de arroz semielaborado, ou na expressão do I. Auditor "produto inacabado", da filial de Capivari do Sul para a matriz em Minas Gerais, o I. Auditor Fiscal procedeu a glosa do crédito fiscal sob o argumento de Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 7 6 não tratarse de frete contratado para entrega de produto acabado diretamente aos clientes adquirentes. Não pode prevalecer o posicionamento adotado pelo I. Auditor, pois na realidade tratase da transferência de "arroz a granel", ou seja, produto semielaborado, portanto, ainda "insumo", que passará por processos industriais de seleção e empacotamento. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) I.6.b) Fretes na transferência de produto acabado da filial para a matriz: (...) Neste caso, corresponde ao frete de transferência da unidade produtora (filial) para matriz, objetivando disponibilizar os produtos mais próximos do mercado consumidor (clientes). Tratase de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Essas despesas constituem meros dispêndios parciais do frete cobrado entre a unidade fabril de Capivari do Sul até seus clientes e, portanto, são gastos com vendas, por referiremse à fase de comercialização venda para clientes, devido à logística adotada pela empresa. Portanto, são efetivas despesas inerentes diretamente às operações de venda, cujo ônus foi suportado pelo Contribuinte. (...) I.6.c) Fretes na transferência de subprodutos da filial para a matriz: Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 8 7 1.7) Fretes em transferências não identificadas (Transferências de Embalagens). (...) Embora o I. Auditor Fiscal tenha rotulado as operações como "Fretes em transferências não identificadas", os CTRCs incluídos neste item referemse ao serviço de transporte (frete) contratado nas operações de "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, ou seja "insumo". (...) Ora, se o custo total do "insumo embalagem" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: matéria prima, materiais intermediários e a própria embalagem. (...) 1.8) Fretes na compra de insumos de PJ com alíquota zero. (...) As aquisições dos insumos (arroz beneficiado e feijão a granel) efetuadas junto à pessoas jurídicas domiciliadas no país, estão sujeitas à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar as referidas matérias primas até o estabelecimento industrial do Contribuinte, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação normal das referidas contribuições. Este insumo (frete) compõe o custo da mercadoria e/ou matéria prima, como é sempre adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total da mercadoria e/ou matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (mercadoria e/ou matériaprima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 9 8 Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.9) Fretes nas compras de insumos de PJ com suspensão da contribuição. Nas aquisições de matéria prima (arroz em casca) de Pessoa Jurídica a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS, na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º, §1°, III da Lei 10.925/2004, combinado com os artigos 5º e seguintes da IN SRF n° 660/2006. A Fiscalização procede a referida "glosa", sob o entendimento de que, considerando que os insumos não foram tributados pelas contribuições (suspensão), também os fretes na aquisição dos mesmos não geram direito ao crédito. Equivocase o I. Auditor Fiscal, em não considerar que a aquisição da referida matéria prima (arroz em casca) gera direito ao crédito presumido, conforme já citado. Portanto, sendo a aquisição passível de creditamento das contribuições, o correspondente serviço de transporte (frete) também gera direito ao crédito, por integrar o custo de aquisição. (...) 1.10) Fretes contabilizados na conta 21814 "Fretes e Carretos", mas considerados em DACON como fretes sobre compras. Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. 1.11) Fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas. Tratamse de serviços de transporte (fretes) referentes as seguintes operações: a) Compras de material de uso e consumo Vr. R$ 506,46; b) Compras de ativo imobilizado Vr. R$ 5.040,00 + R$ 40,00 (incluso item 1.12) c) Outras entradas de mercadorias não especificadas Vr. R$ 199,20; (...) Equivocase o I. Auditor Fiscal, em não considerar que os referidos serviços de transporte (fretes) encontramse elencados dentre os dispêndios necessários à atividade do Contribuinte, Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 10 9 portanto passíveis de gerar crédito das contribuições de PIS e COFINS. (...) 1.12) Despesas com reajustes de fretes (20%). Referemse a complementos de fretes de diversas operações já analisadas e fundamentadas nos tópicos próprios, cuja respectiva base de cálculo está demonstrada na fl. 737, conforme Anexo I Parte B, pag. 1/4, do Termo de Verificação Fiscal item "glosa obs 16" no valor de R$ 129.684,04. II) Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre aquisição de Matéria Prima de PJ: Referemse às operações de compra de "arroz em casca" efetuadas junto à pessoas jurídicas. O I. Auditor Fiscal procedeu a glosa dos referidos créditos, sob o argumento de que, estando a operação com tributação suspensa, não gera direito ao crédito de PIS e COFINS. Nas aquisições de matéria prima (arroz em casca) de Pessoa Jurídica a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS, na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º, §1°, III da Lei 10.925/2004, combinado com os artigos 5º e seguintes da IN SRF n° 660/2006. Assim, nas referidas aquisições o Contribuinte pode apropriar se do credito presumido equivalente a 35% das alíquotas aplicáveis ao PIS e a COFINS, ou seja: 0,5775% > (35% de 1,65%) aplicável ao PIS 2,6600% > (35% de 7,60%) aplicável à COFINS (...) III) Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre vendas: Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. A DRJ/BHE julgou a Manifestação de Inconformidade, por unanimidade de votos, procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 02045.065. Em síntese, o provimento foi parcial em relação aos seguintes itens: a) Fretes nas compras de Pessoa Física (arroz em casca); b) Fretes na compra de insumos de Pessoa Jurídica com suspensão da contribuição (produtos agropecuários); c) Despesas com reajustes de fretes (20%); e d) Itens classificados pelo contribuinte como “Fretes” sobre aquisição de Matéria Prima de PJ. Todos estes valores se referem a dispêndios passíveis de gerar crédito presumido de PIS e COFINS, no entender da Turma julgadora, motivo pela qual o cálculo desses créditos se deu da mesma forma como seria o cálculo do crédito presumido do próprio Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 11 10 insumo, ou seja, apenas no percentual de 35% das alíquotas de 1,65% (Pis/Pasep) e 7,6% (Cofins). Em relação aos demais itens objeto da Manifestação, as glosas foram mantidas. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pugnando pela improcedência de praticamente todas as glosas mantidas pela DRJ/BHE, inclusive aquelas relacionadas aos itens em que obteve decisão procedente em parte, excetuando apenas os tópicos referentes a "Itens classificados pelo contribuinte como Fretes sobre aquisição de Matéria Prima de PJ" e "Itens classificados pelo contribuinte como Fretes sobre Vendas". Nesta peça processual, limitouse a repisar exatamente os mesmos argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.234, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10665.722999/201142, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.234): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre Compras: I.1 Fretes nas compras de pessoa física (arroz em casca), reconhecido parcialmente o crédito na proporção de 35% da alíquota e mantida glosa de 65% da alíquota aplicável. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados para envio das matérias primas (arroz em casca) adquiridas de pessoas físicas à unidade industrial para beneficiamento. Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 12 11 Alega que o custo de aquisição é composto do valor da matéria prima adquirida, somado ao valor do serviço de transporte (frete) contratado. Em seu entendimento, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), seria "óbvio" que a parte que foi tributada (frete) deveria compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do frete referente ao transporte de suas aquisições de bens para revenda ou de insumos produtivos teria creditamento de forma autonôma em relação a tais bens, pois também seria um "insumo" do processo produtivo: Portanto, definição do termo "insumos" necessita levar em consideração as realidades operacionais de cada atividade, seja comercial, industrial ou de serviços. A não aplicação do termo "insumos" significa desconsiderar todo um universo de custos e despesas, sem os quais não é possível gerar a receita alcançada pela exigência de PIS/COFINS e, consequentemente, proceder à comercialização de mercadorias. Entretanto, o entendimento do Recorrente não procede. Não há previsão legal para o crédito sobre os fretes nas aquisições, apenas sobre o frete nas operações de venda, como se depreende da legislação de regência: Lei nº 10.833, de 29 de Dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 13 12 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Todavia, de acordo com os arts. 289, § 1º, e 290, inciso I, ambos do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR99), os custos com o transporte (frete) também devem estar compreendidos no custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda e no custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção. Assim, de forma indireta, não autônoma, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, em decorrência da permissão legal contida nos incisos I e II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c os arts. 289, § 1º, e 290, inciso I, ambos do Decreto nº 3000/1999. Ocorre que o valor desse crédito do frete tem que ser calculado juntamente com o cálculo do crédito referente ao bem que foi transportado, acrescendose ao valor pago pelo bem o valor do frete e, assim, obtendose o custo de aquisição. Sobre esta valor devem incidir as alíquotas do PIS e da Cofins. Consequentemente, se a incidência das contribuições sobre o bem adquirido está suspensa, ou se incidem à alíquota Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 14 13 zero, ou se o crédito é concedido sob a forma presumida, o mesmo ocorrerá com o crédito referente ao valor do frete, porque não se trata de dois créditos distintos, mas de um único crédito, referente ao custo de aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo, como bem destacou a Autoridade Fiscal autuante: 15) Para gerar direito ao crédito das contribuições no regime nãocumulativo, é necessário que o valor do frete na compra esteja vinculado a um insumo cuja aquisição gerou crédito, quer seja básico ou presumido. Por conseqüência, o valor do crédito gerado pela despesa com frete na compra tem a mesma natureza e segue a mesma sistemática de cálculo do crédito gerado pelo bem cujo custo ele compôs, quanto a se tratar de crédito básico ou presumido. O recorrente, no entanto, tem entendimento distinto, como se pode extrair dos seguintes excertos do seu Recurso Voluntário: Ora, uma coisa é o crédito sobre a aquisição, benefício atribuído pelo Legislador, apurado de forma "presumida", devido à operação de venda do produtor pessoa física não ter incidência tributária. Outra coisa é o valor das contribuições incidentes sobre frete contratado, que integram o custo do serviço de transporte e cujo ônus foi suportado pelo Contribuinteadquirente. (...) Ora, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Como se depreende de suas afirmações aqui colacionadas, o Recorrente entende que os cálculos do crédito são distintos: um referente à aquisição do bem, que se dá de forma presumida; e outro para o crédito sobre o frete referente a esse mesmo bem, que deve se dar "pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes". Portanto, o Recorrente não pretende adicionar o valor do frete ao custo de aquisição, mas sim descontar integralmente as contribuições incidentes sobre o frete, como se fosse crédito básico. O valor das contribuições incidentes sobre o frete nas operações de venda pode ser descontado dessa forma porque existe previsão legal para tanto, porém o mesmo não ocorre com o frete nas aquisições. Este não tem crédito autônomo, ao passo que aquele sim. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 15 14 Concluise, portanto, que, se para as aquisições da matéria prima "arroz em casca", de Produtor Rural pessoa física, a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º da Lei 10.925/2004, o crédito referente ao frete desse insumo deve ser calculado da mesma forma. Logo, correta a decisão de piso que considerou devido o crédito relativo ao frete, porém apenas no percentual de 35%, aplicado às respectivas aquisições na apuração do crédito presumido. I.2 Fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. Alega o Recorrente que o processo de industrialização realizado fora do estabelecimento do Contribuinteadquirente não descaracteriza os "insumos" inerentes ao referido processo, cujo conceito inclui todos os dispêndios necessários ao processo produtivo, pois para realizar a industrialização (beneficiamento) em estabelecimento terceirizado, necessário se faz a remessa da matéria prima à unidade industrial, bem como o retorno do produto decorrente do beneficiamento. A Autoridade Fiscal, em seu Termo de Verificação Fiscal, descreve a natureza do serviço de transporte: 20) Tratase de fretes contratados pelo contribuinte para retorno ao seu estabelecimento de arroz de sua propriedade que fora remetido em casca ao estabelecimento de outra empresa, onde passou por processo de perboilização. Como se verifica, tratase de operação diretamente vinculada ao processo produtivo do Recorrente. Considerando que tais remessas para industrialização por encomenda são essenciais para a produção do produto final, o frete na remessa dos produtos para essa industrialização integra o custo da produção. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos aos custos com industrialização por encomenda, nesse caso, o frete. Assim, voto por restabelecer o crédito glosado. I.3 Fretes no retorno de mercadoria de depósito fechado ou armazém geral. O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 16 15 Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. 1 (...) I.5 Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados na transferência de insumo da filial para a matriz. Alega que o Arroz em Casca é matéria básica para industrialização, e é adquirida praticamente em sua totalidade no Estado do Rio Grande do Sul. Sua logística de transporte segue dois procedimentos alternativos, sendo que em ambos o destino final é o mesmo, a entrega da matériaprima na unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG, para industrialização. A Autoridade Fiscal sustenta que são se trata de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e tampouco de frete na operação de venda do produto acabado. Logo, não haveria previsão legal que autorizasse o creditamento, tese com a qual a DRJ/BHE concordou. Entretanto, do quanto exposto, verifico tratarse de serviço de transporte essencial ao processo produtivo da empresa, devendo ser concedido o direito ao crédito. Com efeito, os produtores de arroz que fornecem a matériaprima para o Recorrente encontramse em diversas localidades espalhadas pelo Estado do Rio Grande do Sul. Estando esse material armazenado inicialmente em unidades (filiais) da Recorrente, e sendo o frete em questão utilizado para transportar esse material até sua matriz, para fins de industrialização, não há mais que se falar em frete na aquisição de insumos, muito menos de frete em operações de venda, mas sim de serviço essencial ao seu processo produtivo, a caracterizarse como insumo, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Se o modelo produtivo do Recorrente, a tornála viável economicamente, se baseia na existência de uma unidade industrial central, a qual recebe sua matériaprima estocada em diversas unidades da empresa, o frete entre estes estabelecimentos da Recorrente é essencial à produção, sendo insumo desta. Assim, divirjo da decisão de piso e voto pelo restabelecimento do crédito, concedendo ao Recorrente o direito ao crédito. 1 Transcritos no presente voto apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra do voto paradigma pode ser obtida em consulta ao processo nº 10665.722999/201142. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 17 16 I.6 Fretes na transferência de produto em elaboração, produto acabado e subproduto da filial para a matriz. I.6.a Fretes na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz. Alega que não pode prevalecer o posicionamento adotado pela Fiscalização, pois na realidade tratase da transferência de "arroz a granel", ou seja, produto semielaborado, portanto, ainda "insumo", que passará por processos industriais de seleção e empacotamento. Sustenta a Autoridade Fiscal que as operações se referem a fretes empregados no transporte interno de produtos inacabados, produtos acabados e subprodutos que são levados de um estabelecimento ao outro da mesma empresa. Logo, não se tratando de despesas com fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos para fabricação de bens destinados à venda e nem de fretes nas operações de vendas desses bens diretamente ao adquirente (comprador), referidas despesas não poderiam gerar direito a créditos das contribuições, tese com a qual a DRJ/BHE concordou. Entretanto, do quanto exposto, verifico, à semelhança do item anterior, tratarse de serviço essencial ao processo produtivo da empresa, devido à necessidade do produto ainda em elaboração ser transportado até outra unidade da empresa para as etapas finais de sua industrialização, devendo ser concedido o direito ao crédito. Assim, divirjo da decisão de piso e voto pelo restabelecimento do crédito, concedendo ao Recorrente o direito ao crédito em relação ao frete na transferência de produto em elaboração. I.6.b Fretes na transferência de produto acabado da filial para a matriz Questão semelhante à tratada no item precedente, com a diferença de que aqui tratase de produto acabado, e não de produto em elaboração. Sendo frete relativo ao transporte de produto já acabado, não há como tratar este serviço como insumo do processo produtivo, tendo em vista que este já se encontra encerrado. Alega o Recorrente tratarse de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 18 17 por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Afirma ainda que essas despesas constituem meros dispêndios parciais do frete cobrado entre a unidade fabril de Capivari do Sul até seus clientes e, portanto, são gastos com vendas, por referiremse à fase de comercialização venda para clientes, devido à logística adotada pela empresa. O argumento do Interessado, no entanto, é improcedente. Não há como entender que este frete estaria caracterizado como "frete na operação de venda", pois a venda ainda nem sequer ocorreu. Conforme afirmação do próprio Recorrente, tratase apenas de uma movimentação de produtos por questões logísticas, de praticidade e de tempo, a fim de deixálos mais próximos do mercado consumidor (clientes): Neste caso, corresponde ao frete de transferência da unidade produtora (filial) para matriz, objetivando disponibilizar os produtos mais próximos do mercado consumidor (clientes). Tratase de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Portanto, não se trata de uma movimentação por conta de uma venda realizada, mas apenas para deixar os produtos mais próximos do mercado consumidor, até mesmo para facilitar uma venda futura. Além disso, apesar de afirmar que se trata de uma etapa da operação de venda, o Recorrente não apresenta qualquer prova de que a venda dos produtos transportados já tenha ocorrido; pelo contrário, afirma que se trata de "ciclo mediato de comercialização superveniente à produção". Não foram trazidas aos autos notas fiscais de venda nem conhecimentos de transporte que pudessem comprovar que os bens movimentados já estavam vendidos anteriormente. Nesse contexto, voto por manter a glosa dos referidos créditos. I.6.c Fretes na transferência de subprodutos da filial para a matriz O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 19 18 1.7 Fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial. Alega o Recorrente que, embora a Fiscalização tenha rotulado as operações como "Fretes em transferências não identificadas", os "CTRC's" incluídos neste item referemse ao serviço de transporte (frete) contratado nas operações de "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, ou seja "insumo". Conforme análise anterior, no item sobre "Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz", caso os fretes aqui discutidos se referissem realmente a "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, o Recorrente teria direito ao crédito, por se configurar como um serviço essencial a uma etapa do processo produtivo, no caso, o empacotamento do produto acabado. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova referente à natureza do frete utilizado. Observese que, desde a realização do procedimento fiscal a Autoridade Tributária já se ressentia da ausência de documentos capazes de permitir a identificação das operações, deixando tal fato consignado no Termo de Verificação Fiscal. Tratandose de pedido de ressarcimento, incumbe ao Recorrente fazer prova das suas alegações, o que não ocorreu. Assim, diante da ausência de elementos probatórios, mantenho a glosa dos créditos. 2 (...) 1.10 Fretes contabilizados na conta 21814 "Fretes e Carretos", mas considerados em DACON como fretes sobre compras. O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. 1.11 Fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas. Afirma o Recorrente que tratamse de fretes referentes às seguintes operações: a) compras de material de uso e consumo Vr. R$506,46; b) Compras de ativo imobilizado Vr. R$5.040,00 2 Transcritos no presente voto apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra do voto paradigma pode ser obtida em consulta ao processo nº 10665.722999/201142. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 20 19 + R$ 40,00 (incluso item 1.12) c) Outras entradas de mercadorias não especificadas Vr. R$ 199,20. Alega que a Fiscalização equivocouse em não considerar que os referidos fretes encontramse elencados dentre os dispêndios necessários à atividade do Contribuinte, portanto passíveis de gerar crédito das contribuições de PIS e COFINS. Material de uso e consumo, de maneira geral, não são essenciais à área de produção, estando mais relacionados com setores administrativos; ativo imobilizado não gera crédito das contribuições de forma direta, devendo ser ativado e posteriormente ocorrer o creditamento sobre os encargos de depreciação, e ainda assim caso o bem imobilizado esteja sendo utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; e mercadorias não especificadas não geram direito ao crédito das contribuições pela impossibilidade de identificar sua natureza. Nesse contexto, voto pela manutenção da glosa efetuada. 1.12 Despesas com reajustes de fretes (20%), reconhecido parcialmente o crédito na proporção de 35% da alíquota e mantida glosa de 65% da alíquota aplicável A Autoridade Fiscal identificou que no mês de março/2007 a transportadora TRANSCODIL emitiu os CTRC nº 770 e 47911 a título de reajuste de 20% sobre os valores de alguns fretes, totalizando R$ 129.684,04 (conforme Anexo I Parte B do TVF). Esses valores de reajuste foram considerados pelo contribuinte como base para créditos de PIS/Cofins em DACON. A Fiscalização analisou a natureza das operações relativas aos CTRC originais que serviram de base para os reajustes e efetuou as glosas em cada caso, pelas razões aqui expostas nos itens aos quais correspondem. Alega o Recorrente, na Manifestação de Inconformidade, que estas despesas referemse a complementos de fretes de diversas operações já analisadas e fundamentadas nos tópicos próprios. No Recurso Voluntário, limitouse a repisar exatamente o mesmo argumento, nada acrescentando. A DRJ/BHE decidiu que a parte do crédito relativa aos itens cuja glosa foi mantida, também deve ser glosada; por outro lado, os créditos relativos aos itens I.1 e I.9, cujos créditos foram parcialmente reconhecidos, devem ser mantidos, no percentual de 35% das contribuições, conforme foi mantido o crédito sobre os respectivos fretes. A Fiscalização analisou a natureza das operações relativas aos CTRC originais que serviram de base para os reajustes e efetuou as glosas em cada caso. O Recorrente não apresentou os CTRC nº 770 e 47911, ou qualquer outro documento que possibilitasse identificar a natureza do frete que Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 21 20 estava sendo reajustado. Dessa forma, não é possível sequer confirmar se o frete parcialmente aceito pela DRJ/BHE foi objeto deste reajuste. Não havendo qualquer prova adicional, não há elementos para alterar o quanto decidido pela instância de piso. Assim, voto por manter as glosas no mesmo percentual de 65%. (...) Serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão) 3Em primeiro lugar, há se de considerar que o custo de aquisição é composto pelo valor da matéria prima (MP) adquirida e pelo valor do serviço de transporte (frete) contratado para transporte até o estabelecimento industrial da contribuinte (adquirente). Assim, uma vez que o custo total é composto por uma parte não tributada (MP) e outra parte integralmente tributada (frete), a parcela tributada (frete) compõe o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições. Logo, há de se assentir que o frete enseja direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como embalagens e materiais intermediários. Os fretes na aquisição de insumo importado, por seu turno, consistentes nas aquisições de matéria prima (arroz beneficiado a granel) efetuadas de fornecedor internacional, estão sujeitos à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém, o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar a referida matéria prima do porto até o estabelecimento da contribuinte (importadora), onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação regular das prefaladas contribuições. Tal insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, como é sempre adotado na técnica do custo por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições em apreço. Assim, é possível se afirmar que, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi oferecida à tributação (frete), a parcela do frete compõe o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS e, logo, enseja direito ao crédito, bem como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como embalagens e materiais intermediários. Por fim, igual vetor argumentativo move as aquisições dos insumos (arroz beneficiado e feijão a granel) efetuadas junto à pessoas jurídicas domiciliadas no país, que estão sujeitas à 3 Entendimento vencedor nas questões nele abordadas. Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 22 21 tributação das contribuições com alíquota zero, não controvertendo as partes a este respeito. Ocorre que, da mesma forma, o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar as referidas matérias primas até o estabelecimento industrial da contribuinte, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação regular das referidas contribuições e, logo, compõe o custo da mercadoria e/ou matéria prima, ensejando idêntico direito ao crédito. Logo, uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Neste sentido, ademais, o Acórdão CARF nº 3401005.170, proferido em sessão de 24/07/2018, de minha relatoria, que decidiu, por unanimidade de votos, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. EXPORTAÇÃO. COOPERATIVAS. CREDITAMENTO DE LEITE IN NATURA ADQUIRIDO DE SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 era legítima a Cooperativa apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite in natura dos seus associados da Cooperativa, desde que não se vislumbre suspensão da incidência das contribuições na venda. COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR. O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte. Assim, voto por dar provimento também para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão)." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10665.723001/201127 Acórdão n.º 3401005.236 S3C4T1 Fl. 23 22 transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros.. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1017DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721734/2012-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual.
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
DESPESAS MÉDICAS
Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO
Reconhecimento da comprovação com pagamento de despesas com instrução realizada através da utilização de créditos junto à administradora de imóveis do Contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia integralmente de Yasmin Lara Claramunt, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o ano-calendário de 2009, incluído despesas de instrução e despesas médicas, conforme consta dos termos da pensão alimentícia, despesa com instrução de dependentes na Escola Morumbi e excluir a glosa referente às despesas médicas.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DESPESAS MÉDICAS Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas. DESPESAS COM INSTRUÇÃO Reconhecimento da comprovação com pagamento de despesas com instrução realizada através da utilização de créditos junto à administradora de imóveis do Contribuinte.
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Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DESPESAS MÉDICAS Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas. DESPESAS COM INSTRUÇÃO Reconhecimento da comprovação com pagamento de despesas com instrução realizada através da utilização de créditos junto à administradora de imóveis do Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 17 34 /2 01 2- 82 Fl. 245DF CARF MF 2 excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia integralmente de Yasmin Lara Claramunt, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o ano calendário de 2009, incluído despesas de instrução e despesas médicas, conforme consta dos termos da pensão alimentícia, despesa com instrução de dependentes na Escola Morumbi e excluir a glosa referente às despesas médicas. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial e omissão de rendimentos. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 32.124,16, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. No Despacho Decisório nº 087/2012 o Fisco aceitou parte da comprovação apresentada pelo Recorrente e reduziu o valor do Lançamento para R$ 12.840,78. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não teria comprovado integralmente o pagamento da pensão alimentícia aos beneficiários, embora tivesse apresentado o termo de acordo de separação consensual homologado judicialmente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à falta de comprovação nos moldes que entende legalmente apropriado, nos termos que segue: O contribuinte supracitado foi intimado impugnar o valor do Imposto de Renda Pessoa Física suplementar do anocalendário de 2009 de R$ 32.124,15, com multa de ofício e juros de mora. Tal fato decorreu da dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 6.921,60; da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 20.874,60; da dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 31.800,00; da dedução indevida com instrução, no valor de R$ 8.126,82 e da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, conforme DIMOB e DIRPF, no valor de R$ 62.221,23. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13896.721734/201282 Acórdão n.º 2001000.581 S2C0T1 Fl. 246 3 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física Os rendimentos de aluguéis foram declarados equivocadamente, conforme documentação juntada aos autos, devendo ser mantido o entendimento do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls. 185 a 190. Dedução de Dependentes A glosa da despesa com dependente é parcialmente procedente, pois o contribuinte é pai do menor Enrico Sommerfeld Claramunt, nascido em 27/03/2003, e casado com Patrícia Sommerfeld Claramunt, além do que Yasmin Lara Claramunt deve ser dependente, haja vista que foram glosadas as despesas com alimentos, devendo ser cancelada a glosa de R$ 5.191,20. Outrossim, a glosa deve ser mantida para Victoria Pacheco Claramunt, já que esta e sua mãe constam como dependentes de Diego Pacheco Batista, não havendo contestação do contribuinte. Tal glosa de dedução já foi objeto de cancelamento parcial pela DRF de origem através do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls. 185 a 190. Dedução com Instrução Na despesa com instrução, fica comprovada a despesa com a dependente Patrícia Sommerfeld Claramunt, no limite individual de R$ 2.708,94. Deve ser indeferida a despesa para a entidade Cultura Inglesa (curso de inglês), no valor de R$ 4.041,00, para a filha Yasmin Lara Claramunt; para a instituição Red Balloon (curso de inglês) o valor de R$ 3.032,00, para o filho Enrico Sommerfeld Claramunt, que corresponderiam ao valor equivocamente atribuído à escola Morumbi de Alphaville Ltda, no valor de R$ 10.236,00, pois não há previsão legal para aceitar dedução de instrução com curso de inglês e similares. Igualmente, deve ser indeferido o valor de R$ 13.572,00 da Escola Morumbi de Alphaville Ltda, pois a sacada seria Patrícia Sommerfeld Claramunt, que já teve concedida despesa com instrução, e não consta nenhum contrato em nome do dependente Enrico Sommerfeld Claramunt, bem como a grande maioria desta despesa foi paga por GK Administradora de Bens S/S Ltda e não há prova de ônus do contribuinte. Embora o contribuinte alegue que os valores pagos pela GK Administradora de Bens S/S Ltda são seus recursos, pois esta pessoa jurídica é intermediadora de aluguéis recebidos pelo contribuinte, cuja informação consta de DIMOB e da declaração do contribuinte, e fez os pagamentos por pedido deste, não consta nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para o dependente, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Fl. 247DF CARF MF 4 Meras alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. A aceitação parcial da dedução já foi objeto do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls. 185 a 190. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia A dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 31.800,00, é composta pela falta de comprovação do pagamento pelo contribuinte da alimentanda Yasmin Lara Claramunt e Calipsia Pacheco da Silva . Em ambas, o valor foi pago por GK Administradora de Bens S/S Ltda., não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para as alimentandas, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Meras argumentações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. Ademais, a pensionista Calipsia Pacheco da Silva somente teve decisão judicial para receber alimentos em 16/08/2010 ( efls.212 a 214), não constando dos autos nenhuma outra decisão para pagar pensão antes desta data, sendo que o contribuinte, embora alegue existir decisão antecipando o pagamento da pensão, não trouxe a documentação comprobatória até a presente data. Tal entendimento também consta do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls. 185 a 190. Dedução de Despesas Médicas O contribuinte teve glosada a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 20.874,60, pois os pagamentos foram realizada pela empresa GK Administradora de Bens Ltda, sem demonstração de ônus para o contribuinte. Em que pese o contribuinte alegar que os valores pagos pela GK Administradora de Bens S/S Ltda são seus recursos, pois esta pessoa jurídica é intermediadora de aluguéis recebidos pelo contribuinte, cuja informação consta de DIMOB e da declaração do contribuinte, e fez os pagamentos por pedido deste, não consta nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para o dependente, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. Tal entendimento também consta do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls. 185 a 190. Destarte, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, na parte litigiosa mantida pela revisão da DRF de origem, mantendo o imposto suplementar no valor de R$ 12.840,78, com multa e juros de mora, nos termos da legislação. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13896.721734/201282 Acórdão n.º 2001000.581 S2C0T1 Fl. 247 5 Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento, com a redução determinada no despacho decisório da autoridade competente para R$ 12.840,78, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) O Recorrente apresentou sua impugnação ao Despacho Decisório, discordando dos lançamentos descritos, para tanto colecionou documentação hábil e idônea a fim de corroborar com a referida impugnação. Agora, aos 15 de maio de 2017, decorridos 8 anos da Declaração, e outros 5 da Impugnação, sobreveio a decisão colegiada – Acórdão 1058.359, dissonando com as provas táticas e materiais colecionadas ao bojo do procedimento fiscalizatório. Portanto, a presente preliminar trata da prescrição intercorrente no curso do procedimento fiscal, pois patente a insegurança jurídica praticada pelo ente fiscal, ofendendo frontalmente o art. 1º em seu parágrafo 1º da Lei 9.873/99. (...) Assim sendo, poderia o Fisco apreciar a Impugnação e os documentos que a instruem dentro de prazo exíguo, obedecendo os limites previsto na legislação, ou pelo menos se curvando ao Princípio da razoabilidade e moralidade, mas não permanecer em desarrazoada e indeterminado tempo para aferição. De tal sorte, que deverá ser acolhida a preliminar arguida para declarar a prescrição intercorrente do presente. DO MÉRITO No tocante as despesas com as alimentadas Yasmin Lara Claramunt, foi glosada, sob o argumento de terem sido pagas pela empresa GK Administradora de Bens S/S, e não há nos autos nenhuma procuração ou documento que demonstrem ter sido ônus do contribuinte, meras alegações sem prova. Ainda na glosa, o ente fiscal, apesar de reconhecer a imposição judicial ao contribuinte de prestar a título de alimentos assistência médica hospitalar e pagar escolas, considera que devam ser respeitados os limites a serem deduzidos na espécie de dedução com instrução. Tal entendimento não prospera, pois melhor sorte teria o contribuinte caso tivesse realizado depósitos na conta da alimentada, de todos os valores correspondentes, para que essa ou sua tutora, realizassem o pagamento das obrigações alimentares. Fl. 249DF CARF MF 6 (...) Assim o ente fiscal em sua glosa, errou, pois a rigor os valores declinados pelo contribuinte devem ser mantidos, pois não há que se confundir alimentado com dependente. Mais ainda, como se observa nos documentos apresentados, DIMOBs, o contribuinte possui uma relação comercial com a empresa GK Administradora de Bens S/S, a referida empresa, cuja qual é uma administradora, que durante o referido exercício administrou o recebimento de valores oriundos de locações do Contribuinte, como se observa dos DIMOBs acostados. Assim, após a realização dos recebimentos, a GK informava o saldo disponível ao contribuinte, e este por sua vez, solicitava e direcionava seus créditos aos pagamentos de suas obrigações, dentre elas com as pensões alimentícias. A relação entre o contribuinte e a empresa GK está demonstrada através dos DIMOBs juntados tanto pelo contribuinte como pela referida empresa, pois esta é obrada a fazêlo por força de legislação. O contribuinte demonstrou através de documentação hábil e idônea, decisão judicial a que lhe obriga prestar alimentos às suas filhas, foi considerado imposto por aquela decisão judicial, também como alimentos, o custeio pelo contribuinte de assistência médica e escolar à alimentada Yasmin Lara Claramunt. Para com a outra alimentada Victoria Pacheco Claramunt, apenas foi determinado judicialmente em 2010 o pagamento mensal de valores, sem imposição de assistência médica e escolar, contudo o contribuinte já realizava espontaneamente o pagamento referido, pois a alimentada, é sua filha, e apesar de não viver com a genitora desta, nem tampouco estar obrigado a pagar alimento, o faz por consciência moral e ética. Quanto as despesas médicas pagas pela empresa GK Administradora de Bens S/S, é de fácil dedução de ter estas realizado por haver créditos do contribuinte, caso contrário porque o fariam? Portanto é de rigor que as despesas médicas devem ser reconsideradas, e acolhidas como dedutíveis. Diante de todo o exposto, requer seja acolhida as preliminares, para ver declarada a prescrição intercorrente fiscal, ou não sendo este o entendimento, requerse seja acolhido o presente Recurso, e uma vez verificada sua insubsistência seja proclamada sua improcedência da glosa mantida em face dos alimentados devidamente declarados em consonância com o título judicial que impõe ao pagamento na espécie, bem como acolhidos como dedutíveis o pagamento com despesas médicas, e em decorrência haja o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13896.721734/201282 Acórdão n.º 2001000.581 S2C0T1 Fl. 248 7 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINAR – PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE O Recorrente alega que apresentou sua impugnação ao Despacho Decisório, discordando do lançamento e que para tanto colecionou documentação hábil e idônea para respaldar a referida impugnação. Diz que em 15/03/2017, decorridos 5 anos da impugnação, sobreveio a decisão colegiada no Acórdão, em dissonância com as provas fáticas apresentadas no procedimento fiscalizatório. Conclui afirmando que a preliminar trata da prescrição intercorrente no curso do procedimento fiscal, ofendendo frontalmente o art. 1º, da Lei nº 9.873/99. DECIDO A prescrição intercorrente ocorre quando há inércia do autor que deixa de praticar os atos necessários para o prosseguimento da ação, no curso do processo, em tempo superior ao máximo previsto em lei para a prescrição do direito discutido. A Lei nº 9.873/99, citada no Recurso, define as condições e prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, em relação ao indevidamente requerido pelo Contribuinte neste processo, nos seguintes termos: Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (...) Art. 2o Interrompese a prescrição da ação punitiva: I – pela notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de edital; II por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato; No exame dos autos verificase que a impugnação consta na fl. 02 e foi protocolada em 10/07/2012, tendo o Despacho Decisório da autoridade competente nº 087/2012, fls. 185/190, ocorrido em 27/08/2012 e ciência do DD em 07/01/2013 fl. 193. Em sequência ocorreu a decisão do Acórdão 1058.359, fl. 221 em 23/03/2017, seguido da ciência deste, fl. 229, em 13/04/2017. Fl. 251DF CARF MF 8 Constatase pela cronologia das ações administrativas não ter havido prescrição intercorrente, como alegado, estando preservada a razoável duração do processo e a celeridade de sua tramitação. Assim sendo, razão não há para a alegação de prescrição intercorrente, motivo suficiente para a rejeição da preliminar. DO MÉRITO O Despacho Decisório nº 087/2012 aceitou parte da comprovação apresentada pelo Recorrente e reduziu o valor do Lançamento para R$ 12.840,78. O Acórdão da DRJ destaca a aceitação da comprovação da despesa com o dependente Enrico Sommerfeld Claramunt, o que já havia sido reconhecido no despacho decisório. Além disso, considera não ter havido omissão de rendimentos e sim uma informação incorreta conforme constou no Termo Circunstanciado que respaldou o Despacho Decisório. O Acórdão da DRJ também considera comprovadas as despesas de instrução da dependente Patrícia Sommerfeld Claramunt, no limite individual de R$ 2.708,94 e indefere a despesa do dependente Enrico Sommerfeld Claramunt referente Cultura Inglesa, no valor de R$ 3.032,00 e de R$ 4.041,00, para a filha Yasmin Lara Claramunt referente à Red Balloon, por se tratar de curso de inglês. Assinala que a aceitação parcial da dedução já foi objeto do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de 2fls 204 a 209. A decisão do Acórdão mantém a glosa referente à Escola Morumbi de Alphaville Ltda por ter sido paga através de recursos depositados junto a GK Administradora de Bens S/S, no valor de R$ 10.236,00 e R$ 13.572,00 de Yasmin Lara Claramunt e Patrícia Sommerfeld Clramunt. DESPESAS MÉDICAS O total das despesas médicas de R$ 20.874,60, foram realizados através da empresa GK Administradora de Bens S/S onde o Recorrente mantém saldo de créditos a receber por conta de locações de seus imóveis administrados por aquela empresa. Portanto válida a comprovação porque justificada a assunção do ônus por diminuição de seus créditos a receber junto aquela empresa administradora de seus bens. Como a única alegação do agente fiscal é de que os pagamentos das despesas médicas foram feitos desta forma triangular, uma vez considerada legal, pelo exposto anteriormente, fica assim, excluída a glosa no que se refere às despesas médicas. PENSÃO ALIMENTÍCIA A divergência estabelecida na lide em relação à pensão alimentícia diz respeito aos valores constantes nas decisões judiciais que definiram a pensão alimentícia de Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Claramunt e naqueles termos devem ser considerada para efeito de aceitação de dedução, nos pagamentos comprovados documentalmente, seja como depósito em conta corrente ou pagamentos a título de despesas com instrução ou saúde, nos termos e no quantitativo que a decisão judicial determina. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13896.721734/201282 Acórdão n.º 2001000.581 S2C0T1 Fl. 249 9 A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que entende plenamente comprovado mediante documentação apresentada, inclusive declaração da empresa intermediadora dos pagamentos para as alimentadas. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Fl. 253DF CARF MF 10 § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor das pensões das filhas do Recorrente em razão de que não reconhecia suficiente os documentos de pagamentos feito através de terceiros, sob ordem do Contribuinte. Tratase de pensão alimentícia de paga a Yasmin Lara Claramunt, em que o contribuinte apresentou decisão judicial e comprovantes de pagamentos mensais através de comprovantes de transferência da empresa GK Administradora de Bens S/S onde mantinha crédito por locação de seus imóveis. Deve ser considerado também para a alimentada Yasmin despesas com instrução e as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome da alimentanda, em razão de decisão judicial que abrange estes itens, além da soma em dinheiro, não se confundido com despesas com dependentes que tem outra classificação para fins de declaração de ajuste anual. Em relação à Pensão Alimentícia paga a Calípsia Pacheco da Silva, de outra formar, só poderiam ser considerada, a partir de 16/08/2010, anobase seguinte ao objeto deste processo, quando efetivamente ocorreu a decisão judicial da pensão alimentícia de Victoria Pacheco Claramunt. Irrelevante o fato de ter sido pago através da GK Administradora de Bens S/S, em vista de constar com suporte de saldo em favor do Recorrente naquela empresa. Tratase neste caso do direito à dedução do imposto de renda por pagamentos de pensão alimentícia em que a exigência fica condicionada a ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99, e prova do efetivo pagamento do valor declarado como pago aos pensionistas. Com efeito, constatase que foram realmente acostadas ao processo cópia dos acordos judiciais homologados, certidões de nascimentos, comprovações de despesas e declarações e outros comprovantes da empresa GK Administradora de Bens S/S, informando os valores pagos diretamente pela empresa às alimentadas e a respectiva compensação no encontro de contas com os créditos a receber que o Recorrente possuía junto a ela, identificando uma praxe na realização dos pagamentos das pensões alimentícias que cumpria a decisão judicial em paralelo aos depósitos em conta corrente das beneficiárias. A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Cabe destacar que o dispositivo que mais se aproxima de uma definição dos condicionantes para obtenção do benefício da dedução diz que o segundo elemento se fará presente “quando comprovado o seu efetivo pagamento”, sem lhe especificar a forma. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13896.721734/201282 Acórdão n.º 2001000.581 S2C0T1 Fl. 250 11 O fato de ter sido pago através de uma forma que não aquela de crédito em conta das beneficiárias cujo valor não tenha saído diretamente da conta do Recorrente não é motivo suficiente para a glosa da dedução, pois o que realmente importa é a efetividade do pagamento do compromisso assumido. A quitação do compromisso independe da rigorosa observância do crédito em conta corrente e de ter o Contribuinte utilizado um terceiro com o qual tinha créditos, para satisfazer sua obrigação de pagar a pensão alimentícia. Por isso, neste caso, satisfeitos os requisitos legais que regem a matéria. Ademais, não há que se confundir abatimentos de despesas com dependentes e beneficiários de pensões alimentícias e suas diferentes formalidades de informação na declaração do Imposto de Renda. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória do acordo judicial e a comprovação do pagamento da pensão a que se comprometeu judicialmente, podendo assim se beneficiar da utilização da dedução do imposto a esse título, fazendose imperioso que se conceda o direito pleiteado pelo Recorrente, dando provimento ao recurso para o restabelecimento das deduções, até o valor definido nos acordos judiciais, reajustados para o anocalendário de 2009, pelos índices definidos na homologação judicial. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia integralmente de Yasmin Lara Claramunt, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o anocalendário de 2009, incluído despesas de instrução e despesas médicas, conforme consta dos termos da pensão alimentícia, despesa com instrução de dependentes na Escola Morumbi e excluir a glosa referente às despesas médicas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.720404/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA
A descrição dos fatos em anexos do auto de infração, cuja ciência foi dada à contribuinte, em nada prejudica seu direito de defesa, mormente quando no quadro Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) há expressa ressalva afirmando que esses anexos fazem parte do auto de infração.
FALTA DE INTERESSE RECURSAL.
Não existe interesse recursal, quando a decisão recorrida já reconheceu o direito do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de julho de 2018.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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INOCORRÊNCIA A descrição dos fatos em anexos do auto de infração, cuja ciência foi dada à contribuinte, em nada prejudica seu direito de defesa, mormente quando no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” há expressa ressalva afirmando que esses anexos fazem parte do auto de infração. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Não existe interesse recursal, quando a decisão recorrida já reconheceu o direito do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de julho de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulede Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 04 04 /2 01 1- 11 Fl. 975DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 976 2 convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 939950: Tratase de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, referente aos períodos de apuração janeiro/2007 a dezembro/2008, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 75/85), no montante total de R$ 312.077,62. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 72/74), o auditor fiscal fundamenta o valor apurado e lançado de ofício no fato de a autuada ter recolhido e informado em DCTF o PIS/Pasep em valor inferior em relação à receita que consta no Balanço Financeiro do Município, que foi encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Cientificada do auto de infração em 09/06/2011 (fl. 89), a contribuinte apresentou impugnação em 11/07/2011 (fls. 91/107), na qual alega que: • o quadro específico “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” tem consignado apenas o seguinte: a descrição dos fatos que originaram o presente Auto e os respectivos enquadramentos legais encontramse em folhas de continuação anexas. Ocorre que isso não supre a obrigatoriedade contida nos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, até porque esse decreto não autoriza que tais preceitos sejam informados de forma suplementar, em anexos do auto de infração. O trabalho fiscal, bem como o próprio auto de infração, é dirigido ao contribuinte, ou seja, ao leigo. Não ao profissional do direito tributário. Assim, o leigo tem que ser correta e suficientemente esclarecido – de plano – das imputações que lhe são feitas e dos preceitos legais em que elas se fundamentam. Tem que ser expressas as imputações no auto de infração e não em seus anexos, tornando, mais complexa e até impossível a defesa; • não obstante as informações prestadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal sejam fidedignas, ocorre que, quando do exame do auto de infração se constatou que o autuante tomou aquelas informações para estabelecer “por amostragem” a base de cálculo do tributo, sem atentar para as disposições da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e regulamentos pertinentes. Aquelas informações não caracterizam confissão de débitos e tampouco podem ser tomadas como elementos absolutos para lançamento do crédito tributário. O crédito tributário tem por origem nos fatos geradores do tributo, tomando como referência os lançamentos e Fl. 976DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 977 3 registros contábeis, com a correta aplicação da lei instituidora do tributo, ainda que, no final deste processo, julgado procedente, subsista saldo credor favorável ao notificante; • a Secretaria da Receita Federal do Brasil não disponibiliza nenhuma informação de como apurar corretamente a base de cálculo do Pasep, tampouco editou instruções normativas para interpretação e cumprimento dos preceitos da Lei nº 9.715, de 1998 específicas para essa contribuição. Qualquer que seja o ente público titular da exigência tributária, não pode ele se esquivar do dever de – antes de fiscalizar – agir como educador, de instruir o contribuinte de como melhor proceder para o cumprimento de suas obrigações, disponibilizando, para isso, meios claros e objetivos de como apurar os fatos geradores do tributo, das sistemáticas da base de cálculo e do recolhimento. Apesar da inexistência de norma específica para isso, esse direito está expresso na Constituição Federal, ao assegurar o direito de ampla defesa com todos os meios de prova a ela inerentes. Se a RFB houvesse se incumbido da obrigação de informar, com eficiência, clareza e objetividade, com certeza a impugnante não teria o auto de infração lavrado contra ela; • a omissão de informar à contribuinte de suas obrigações caracteriza violação ao princípio de se defender, porque sequer lhe é permitido conhecer e compreender as imputações que lhe são feitas. Inegável que, se não foi esclarecido de suas obrigações, muito menos se pode alegar que está suficientemente esclarecido apenas pela publicidade do texto da lei, mormente em se tratando de legislação tributária. Se não conhece a correta aplicação da lei, inegavelmente seu direito de defesa está constrito. É nesse sentido que em alguns estados e municípios brasileiros foram editados Códigos de Defesa do Contribuinte. Jamais o município de Guaranésia recebeu a visita da autoridade com o propósito de orientar e esclarecer o cumprimento de suas obrigações tributárias para com a União. Contrapondo a este nosso raciocínio, argumentarseá que o direito de consulta está prescrito no regulamento do processo administrativo fiscal. Mas isso não se justifica, porque não se pode exigir do contribuinte um comportamento anormal. É dever moral da Administração Fazendária ir até o contribuinte, informálo com clareza e objetividade. Portanto, ainda que subsista legalidade a multa administrativa informada no AI por estar amparada em lei. Não é o dispositivo que o legitima. Lei legítima tem que atentar aos preceitos constitucionais da publicidade, da legitimidade e da moralidade. Moralidade em direito tributário consiste no dever da Administração de informar ao contribuinte de suas obrigações tributárias, proporcionando lhe os meios adequados de satisfazêlas; • a Administração Municipal deixou de informar os valores relativos às transferências de capital, conforme demonstrado em planilhas anexas, e que devem ser tomados como os dados corretos, em substituição aos anteriormente encaminhados à autoridade fiscal; Fl. 977DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 978 4 • os Demonstrativos de Distribuição de Arrecadação que ora instruem a presente impugnação comprovam as deduções do PIS/Pasep, aplicadas sobre as diversas receitas tributárias (repasses de: CFM, CID/Cide, FEP, FEX, FPM, Fundeb, Fundef, ICMS, ITR e SNA). Por isso, em relação a tais retenções, nos termos do § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, reclama se que as respectivas receitas sejam deduzidas da base de cálculo para fins de apurar corretamente o crédito tributário exigido; • as contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para formação do Fundef/Fundeb são todas convertidas para um fundo e, posteriormente, distribuídas aos Estados e Municípios para manutenção do ensino e remuneração dos profissionais da educação. Portanto, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, tais contribuições não constituem base de cálculo do PIS/Pasep. Ressaltese que, por outro lado, o PIS/Pasep incide na quotaparte revertida ao Município de Guaranésia e, aí sim, contabilizada como transferência; • o município de Guaranésia é signatário de convênio com o governo de Minas Gerais para manter um escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais – Emater, para atuar no desenvolvimento da agricultura, pecuária e na produção de hortifrutigranjeiros. Por conta desse convênio, o município contribui diretamente para a manutenção da Emater. Assim, as contribuições do município de Guaranésia para a Emater devem ser deduzidas do montante das receitas tributárias, conforme determina o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, pois, caso contrário, restaria configurado o bis in idem; • por força da Lei Municipal nº 1.249, de 28 de dezembro de 1992, e do Decreto nº 842, de 23 de julho de 1997, foi instituída a Fundação Municipal de Saúde. Por força da legislação orçamentária o município repassa mensalmente as contribuições para a manutenção da Fundação e, consequentemente, tais verbas são dedutíveis da base de cálculo do PIS/Pasep, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998; • os Demonstrativos da Distribuição da Arrecadação extraídos do site do Banco do Brasil, como também disponível no site da Secretaria do Tesouro Nacional, comprovam que no período de jan/2007 a dez/2008, o Município de Guaranésia sofreu outras diversas deduções e estornos de receitas, sob diversas rubricas, tais como: débitos para composição dos fundos das próprias receitas que discrimina; estorno FPM/Palmas, LC 91/97 Pal, LEI 87/96, ICMS Estado, IPI – Exportação, FPE, IPVA, ITR, ITCMD, dentre outros. Todos ser considerados como verbas dedutíveis da base de cálculo do PASEP; O impugnante ainda protesta pelo direito de ampla defesa e, para tanto, de produzir as provas a ela inerentes, consistentes nos documentos que anexa à impugnação, bem como pelo direito Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 979 5 de produzir prova pela perícia contábil, para a correta apuração da base de cálculo do PIS/Pasep. Segundo ele, o crédito tributário foi lançado com base nas informações prestadas, mas isso não pode prevalecer sobre os fatos reais geradores do tributos, suas deduções e verbas retidas, pois o ente público não pode dispor de suas receitas, assim como não pode delas desfazer sem a certeza absoluta da exigibilidade da despesa (art. 63 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964). Por essa razão, conclui, se impõe decretar a nulidade do auto de infração, uma vez que não é permitida a exigência de pressuposto crédito tributário apurado “por amostragem”, ainda que consubstanciado em declaração prestada por servidor do Município. Por fim encerra nestes termos: Assim, por todo o exposto, tem por impugnado o Auto de Infração. Protesta a Vossa Senhoria que, no âmbito da vossa competência, acolha as presentes razões, extinguindo de plano o processo, sem conhecimento de mérito. Entretanto, se assim não entender, que sejam os autos remetidos a C. Turma Julgadora, em grau de recurso em primeira instancia administraria. Reitera por produzir novas provas indispensáveis a demonstrar o direito e, especialmente, pela prova pericial contábil, como já justificada. Em 25 de novembro de 2014, houve por bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/SPO), por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DESCRIÇÃO DOS FATOS. ANEXOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A descrição dos fatos em anexos do auto de infração, cuja ciência foi dada à contribuinte, em nada prejudica seu direito de defesa, mormente quando no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” há expressa ressalva afirmando que esses anexos fazem parte do auto de infração. AMOSTRAGEM. O expediente da amostragem para a verificação do cumprimento de obrigações tributárias está adstrito ao campo da Estatística Descritiva, não implicando nulidade do lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. RETENÇÃO. DEDUÇÃO. Para a apuração das diferenças a serem lançadas de ofício, devem ser deduzidos da contribuição apurada os valores anteriormente retidos. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS A OUTRAS ENTIDADES PÚBLICAS. DEDUÇÃO. Para apuração da base de cálculo do PIS/Pasep devido pelos municípios, as Fl. 979DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 980 6 transferências efetuadas a outras entidades públicas devem ser deduzidas das receitas correntes. Intimada da decisão de piso em 08.01.2015 (fls.955), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 04.02.2015 (fls.956969), reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 08.01.2015 (fls.905) e protocolou Recurso Voluntário em 04.02.2015 (fls.956969) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade do Auto de Infração II.1.a Inobservância ao artigo 10, do Decreto 70.235/72 A Recorrente aponta inobservância por parte da fiscalização acerca do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72, alegando, pura e simplesmente que a norma deve ser observada. Contudo, não apresenta argumento para demonstrar qual irregularidade deixou a fiscalização de cumprir. Com efeito, o incisos do artigo 10 supra citado, apontam os requisitos que devem ser observados pela fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração. Por outro lado, caberia a Recorrente, já que suscitou irregularidade no Auto de Infração, demonstrar qual requisito deixou de ser cumprido pela autoridade fiscal. Neste cenário, por total ausência de argumento por parte de Recorrente, afasto o pedido de nulidade do lançamento. II.1.b Informações prestadas pela Recorrente Neste ponto a Recorrente suscitada nulidade por vício de legalidade vez que o trabalho fiscal foi pautado em informações equivocadas pela Diretora de Contabilidade, agravado pelo fato de que a autoridade fiscal utilizou o método de amostragem para calcular a base de cálculo do tributo. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 981 7 Por concordar com os argumentos utilizados pela julgadora "a quo", adoto como fundamento as razões de decidir da decisão de piso, para afastar as alegações de nulidade por vício de legalidade: A segunda alegação diz respeito ao fato de o auditor fiscal ter se baseado, para a lavratura do auto de infração, nas informações prestadas durante a fiscalização. É certo que o crédito tributário tem origem nos fatos geradores do tributo, mas as informações prestadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal sobre esses fatos geradores, ainda que não constituindo confissão de dívidas, podem, sim, ser tomadas como fundamento para a lavratura do auto de infração. É claro que à autuada resta o direito de, na impugnação, trazer documentos que comprovem erros nos dados informados. Vale aqui observar que a referência que o autuante faz a “amostragem” no Termo de Encerramento (fl. 86) se refere apenas à parte da estatística denominada descritiva, a qual tem por objeto o estudo de determinadas características de um grupo, sem a preocupação de tirar conclusões sobre um grupo maior – população – que o contenha. Portanto, o procedimento fiscal se restringiu a formalizar a relação jurídicotributária via auto de infração dos períodos amostrados. No caso concreto, a utilização do conceito de amostragem tãosomente indica que o procedimento fiscal se restringiu aos períodos de apuração a que se refere o auto de infração e aos documentos que para sua lavratura foram analisados. Desse modo, essa alegação igualmente se revela sem fundamento, não havendo que se falar em nulidade do auto de infração. II.1.c Dever de informar A Recorrente alega que o Auto de Infração é nulo pelo fato da autoridade tributária ter deixado de informar e esclarecer ao contribuinte de como apurar, lançar e recolher os tributos. Com todo respeito as alegações da Recorrente, sua pretensão não encontra respaldo jurídico, posto que a legislação que trata da exigência dos tributos sob análise demonstra claramente sua forma de apuração e demais requisitos para cumprimento da obrigação tributária. Caso houvesse dúvida sobre a aplicação da lei, deveria a Recorrente formular consulta junto ao órgão competente e, não alegar desconhecimento da legislação. Neste cenário, fica afastado o pedido de nulidade arguido pela Recorrente. III Questões de mérito III.1 Base de Cálculo do PIS/PASEP A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos Fl. 981DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 982 8 termos desse diploma, são contribuintes do Pasep a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I – União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, 2007 e 2008, a incidência de tal contribuição se efetivou em consonância com as inovações introduzidas pela Lei nº 9.715/98, com alterações promovidas pela MP nº 2.15835/01, que assim dispõe: Lei nº 9.715/98 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III – pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7º Para efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: Fl. 982DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 983 9 (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (Grifouse) Decreto nº 4.524/2002 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. (...) No caso da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, portanto, a base de cálculo do Pasep é composta pelas receitas correntes arrecadadas, transferências correntes destinadas à manutenção e funcionamento de serviços e transferências de capital destinadas a investimentos, recebidas de outras entidades da Administração Pública. Além disso, poderão ser deduzidas da base de cálculo as transferências que tais contribuintes destinarem a outras entidades da Administração Pública, evitandose, com isso, a dupla tributação. Considerando o texto dos dispositivos legais acima transcritos, concluise que a base de cálculo do Pasep, no caso da autuada, corresponde à soma das receitas correntes, das transferências correntes e das transferências de capital, conforme apurado pela autoridade fiscal. Assim, o presente lançamento diz respeito ao Pasep apurado com base na Lei nº 9.715/98, conforme visto, decorrendo as diferenças exigidas pela Fiscalização da constatação de insuficiência de recolhimento desta contribuição pela autuada, relativamente ao valor devido. Analisandose os valores considerados no lançamento, vêse que a autoridade fiscal tomou por base aqueles informados pelo contribuinte nos demonstrativos e os declarados no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Quanto à inclusão ou não dos valores destinados ao Fundeb na base de cálculo do Pasep, no presente caso, verificase que a pretensão da Recorrente se amolda ao que foi feito no lançamento fiscal, sendo que tal fato foi devidamente observado na decisão de piso, senão vejamos: Quanto aos valores repassados ao Fundef/Fundeb, a impugnante alega que eles não constituiriam base de cálculo do PIS/Pasep e que essa contribuição, por outro lado, incidiria na quotaparte a ela revertida. Essa alegação, porém, é inócua, pois esse foi Fl. 983DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 984 10 justamente o procedimento adotado pelo auditor fiscal, ou seja, considerar os valores recebidos do Fundeb como base de cálculo, excluindo o valor repassado a esse fundo. Para deixar claro que o valor repassado ao Fundeb foi excluído, tomese, como exemplo, o período de apuração janeiro/2007: o valor considerado pelo autuante como o total das receitas correntes é R$ 1.666.387,53 (fl. 72), exatamente o mesmo valor informado na planilha fornecida pela contribuinte (fl. 68), em cujo cálculo foi deduzido o valor repassado ao Fundeb, isto é, R$ 145.412,32, valor este que está de acordo com o constante no Balancete desse período de apuração (fl. 132 – conta 9.7.2.0.00.00). Assim, como dito, essa alegação não subsiste, porque o que a autuada alega é exatamente o que foi feito pelo auditor fiscal. Portanto, deve ser afastada as pretensões da Recorrente. III.2 Deduções da base de cálculo Aqui a Recorrente requer seja reconhecido o direito de deduzir da base de cálculo diversas deduções e estornos de receitas, tais como: débitos para composição dos fundos das próprias receitas que discrimina; estorno FPM/Palmas, LC 91/97 Pal, Lei 87/96, ICMS Estado, IPI Exportação, FPE, IPVA, ITR, ITCMD, dentre outros. Entretanto, com exceção do FPM, as demais receitas foram excluídas da base de cálculo do tributo, inexistindo, interesse recursal em relação as referidas receitas, a saber: No mérito, a impugnante alega que, nos termos do § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, foram efetuadas retenções do PIS/Pasep sobre diversas receitas tributárias (repasses de: CFM, CID/Cide, FEP, FEX, FPM, Fundeb, Fundef, ICMS, ITR e SNA) que deveriam ter sido deduzidas da base de cálculo para apuração do crédito tributário devido. De fato, pela análise dos Demonstrativos de Distribuição da Arrecadação, juntados aos autos às fls. 221/268 e 627/673, verificase que foram efetuadas diversas retenções do PIS/Pasep quando da distribuição de recursos à contribuinte. No demonstrativo de apuração do PIS/Pasep fornecido pela autuada durante a fiscalização, e utilizado pelo auditor fiscal na apuração das diferenças, essas retenções realmente não foram consideradas. (...) Com isso devem ser excluídos da presente exigência os seguintes valores que foram retidos e não deduzidos na apuração da contribuição lançada de ofício: Quanto a receita vinculada ao FPM, adoto como fundamento a razão de decidir da decisão de piso: Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13656.720404/201111 Acórdão n.º 3302005.825 S3C3T2 Fl. 985 11 Ressalvese, entretanto, que a retenção referente ao FPM não deve mesmo ser deduzida, uma vez que o valor total do repasse a esse título foi excluído da base de cálculo (cf. a quinta coluna do demonstrativo de fl. 39). IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 985DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15215.000001/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RELATÓRIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DIREITO DE DEFESA
A anexação do Relatório de Procedimento Fiscal ao Auto de Infração, com a indicação clara e congruente de sua correlação, mormente com a ciência simultânea de ambos por parte da Recorrente, não impõe qualquer resvala ou prejuízo ao direito de defesa.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM INFORMAÇÕES DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Em caso de auto de infração, os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos praticados nesta fase. A legislação estabelece, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibi-los às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). O momento oportuno para o contribuinte se manifestar contra a validade das provas obtidas pela fiscalização é a impugnação da exigência, com o que se inicia o processo administrativo. Somente então é que se pode falar em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. FIXAÇÃO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DE AÇÃO FISCAL.
Nem o art. 196 do CTN, nem o Dec. 70.235/72 fixam prazo para conclusão de diligência ou ação fiscal, de modo que o tempo de duração do procedimento de fiscalização e do próprio contencioso é compatível com a complexidade da investigação fiscal e dos temas tratados no processo, não acarretando nulidade, portanto, o Termo de Início de Fiscalização que dele não cogita.
IRPJ E CSLL DO ANO DE 2005. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastasse qualquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF.
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OPERAÇÕES INEXISTENTES.
Somente os custos ou despesas não comprovados, em face da atestada inidoneidade da documentação que lhes daria suporte, ante a inexistência no plano fático das operações com intuito de fraude na redução do lucro líquido e na produção de créditos das contribuições não-cumulativas, podem ser glosados para fins de afastar a dedutibilidade na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como o direito ao crédito das ditas contribuições.
PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
Depois de instaurado o procedimento de fiscalização a contribuinte não mais dispõe de espontaneidade para regularizar suas obrigações tributárias visando afastar a formalização da exigência e imposição da multa de ofício estabelecidas na legislação pertinente.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Em face de previsão legal expressa, se sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105.
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente e não restringe o momento para sua exigência. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105, pois o enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007, e não se subsumir ao fundamento legal da presente autuação.
MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS MAGNÉTICOS APRESENTADOS COM INCORREÇÕES/OMISSÕES. ART. 12, II, DA LEI Nº 8.218/91. Constatada a incorreção/omissões nas informações constantes nos arquivos magnéticos disponibilizados à fiscalização, é dever da autoridade fiscal aplicar a multa capitulada no art.12, II, da Lei nº 8.218/91.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Somente em relação às condutas que caracterizam sonegação fiscal e fraude (arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, respectivamente), deve ser aplicada à multa de oficio de 150%.
MULTAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E CONFISCO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. IRRF. PIS. COFINS. CSLL. INFRAÇÕES APURADAS.
A solução dada ao litígio principal, relativo à exigência do IRPJ, aplica-se aos daí decorrentes, no caso IRRF, PIS/Pasep, CSLL e Cofins, quanto à mesma matéria fática.
Numero da decisão: 1201-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as exigências relativas à glosa indevida referente às despesas de frete da empresa EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA, no valor de R$ 51.357,61, do período de 12/2004, bem como a multa isolada objeto de autuação, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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A legislação estabelece, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibi-los às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). O momento oportuno para o contribuinte se manifestar contra a validade das provas obtidas pela fiscalização é a impugnação da exigência, com o que se inicia o processo administrativo. Somente então é que se pode falar em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. FIXAÇÃO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DE AÇÃO FISCAL. Nem o art. 196 do CTN, nem o Dec. 70.235/72 fixam prazo para conclusão de diligência ou ação fiscal, de modo que o tempo de duração do procedimento de fiscalização e do próprio contencioso é compatível com a complexidade da investigação fiscal e dos temas tratados no processo, não acarretando nulidade, portanto, o Termo de Início de Fiscalização que dele não cogita. IRPJ E CSLL DO ANO DE 2005. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastasse qualquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OPERAÇÕES INEXISTENTES. Somente os custos ou despesas não comprovados, em face da atestada inidoneidade da documentação que lhes daria suporte, ante a inexistência no plano fático das operações com intuito de fraude na redução do lucro líquido e na produção de créditos das contribuições não-cumulativas, podem ser glosados para fins de afastar a dedutibilidade na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como o direito ao crédito das ditas contribuições. PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Depois de instaurado o procedimento de fiscalização a contribuinte não mais dispõe de espontaneidade para regularizar suas obrigações tributárias visando afastar a formalização da exigência e imposição da multa de ofício estabelecidas na legislação pertinente. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Em face de previsão legal expressa, se sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente e não restringe o momento para sua exigência. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105, pois o enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007, e não se subsumir ao fundamento legal da presente autuação. MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS MAGNÉTICOS APRESENTADOS COM INCORREÇÕES/OMISSÕES. ART. 12, II, DA LEI Nº 8.218/91. Constatada a incorreção/omissões nas informações constantes nos arquivos magnéticos disponibilizados à fiscalização, é dever da autoridade fiscal aplicar a multa capitulada no art.12, II, da Lei nº 8.218/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Somente em relação às condutas que caracterizam sonegação fiscal e fraude (arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, respectivamente), deve ser aplicada à multa de oficio de 150%. MULTAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E CONFISCO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2. LANÇAMENTOS REFLEXOS. IRRF. PIS. COFINS. CSLL. INFRAÇÕES APURADAS. A solução dada ao litígio principal, relativo à exigência do IRPJ, aplica-se aos daí decorrentes, no caso IRRF, PIS/Pasep, CSLL e Cofins, quanto à mesma matéria fática.
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DIREITO DE DEFESA A anexação do Relatório de Procedimento Fiscal ao Auto de Infração, com a indicação clara e congruente de sua correlação, mormente com a ciência simultânea de ambos por parte da Recorrente, não impõe qualquer resvala ou prejuízo ao direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM INFORMAÇÕES DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Em caso de auto de infração, os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos praticados nesta fase. A legislação estabelece, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibilos às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). O momento oportuno para o contribuinte se manifestar contra a validade das provas obtidas pela fiscalização é a impugnação da exigência, com o que se inicia o processo administrativo. Somente então é que se pode falar em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. FIXAÇÃO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DE AÇÃO FISCAL. Nem o art. 196 do CTN, nem o Dec. 70.235/72 fixam prazo para conclusão de diligência ou ação fiscal, de modo que o tempo de duração do procedimento de fiscalização e do próprio contencioso é compatível com a complexidade da investigação fiscal e dos temas tratados no processo, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 00 00 01 /2 00 9- 52 Fl. 8907DF CARF MF 2 acarretando nulidade, portanto, o Termo de Início de Fiscalização que dele não cogita. IRPJ E CSLL DO ANO DE 2005. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastasse qualquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OPERAÇÕES INEXISTENTES. Somente os custos ou despesas não comprovados, em face da atestada inidoneidade da documentação que lhes daria suporte, ante a inexistência no plano fático das operações com intuito de fraude na redução do lucro líquido e na produção de créditos das contribuições nãocumulativas, podem ser glosados para fins de afastar a dedutibilidade na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como o direito ao crédito das ditas contribuições. PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Depois de instaurado o procedimento de fiscalização a contribuinte não mais dispõe de espontaneidade para regularizar suas obrigações tributárias visando afastar a formalização da exigência e imposição da multa de ofício estabelecidas na legislação pertinente. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Em face de previsão legal expressa, se sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente e não restringe o momento para sua exigência. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105, pois o enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007, e não se subsumir ao fundamento legal da presente autuação. Fl. 8908DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 3 3 MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS MAGNÉTICOS APRESENTADOS COM INCORREÇÕES/OMISSÕES. ART. 12, II, DA LEI Nº 8.218/91. Constatada a incorreção/omissões nas informações constantes nos arquivos magnéticos disponibilizados à fiscalização, é dever da autoridade fiscal aplicar a multa capitulada no art.12, II, da Lei nº 8.218/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Somente em relação às condutas que caracterizam sonegação fiscal e fraude (arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, respectivamente), deve ser aplicada à multa de oficio de 150%. MULTAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E CONFISCO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2. LANÇAMENTOS REFLEXOS. IRRF. PIS. COFINS. CSLL. INFRAÇÕES APURADAS. A solução dada ao litígio principal, relativo à exigência do IRPJ, aplicase aos daí decorrentes, no caso IRRF, PIS/Pasep, CSLL e Cofins, quanto à mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as exigências relativas à glosa indevida referente às despesas de frete da empresa EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA, no valor de R$ 51.357,61, do período de 12/2004, bem como a multa isolada objeto de autuação, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Fl. 8909DF CARF MF 4 Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Tratamse dos autos de infração de fls. 04/05, 23/24, 34/35, 45/46, 55/56 e 61/62, apurandose crédito tributário decorrente de IRPJ, IRRF, Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social s/ Lucro Liquido (CSLL), Contribuição Social p/ Finac. da Seguridade Social (COFINS), cuja a cobrança reportase aos anoscalendário de 2004 a 2006, com crédito total apurado no valor de R$18.910.333,89, incluindo o principal, a multa e os juros de mora atualizados até a data de 31/12/2008 decorrente da constatação das seguintes infrações: I – IRP, CSLL, PIS e Cofins decorrentes: Custos ou despesas não comprovadas – glosa de custos de compra de polietileno (anocalendário 2004, meses de setembro a dezembro) – fundamento legal: arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 300, do RIR/99; Custos ou despesas não comprovadas – glosa de despesas de frete (anos calendário 2004 e 2005) – fundamento legal: arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99; Adições não computadas na apuração do lucro real – perdas na alienação de bens tomados em arrendamento mercantil pelo vendedor (anocalendário 2006) – fundamento legal: arts. 249, I e 424 do RIR/99; Multas proporcionais por omissão / erro nos dados fornecidos em meio magnético – fundamento legal: arts. 11 e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela medida Provisória nº 2.15834/ 2001 e reedições; Multas isoladas por falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada (anos calendário 2004 e 2005) – fundamento legal: arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art.44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 c/c art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172/66; II – IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamentos sem causa, em decorrência da autuação relativa ao IRPJ (anos calendário 2004 e 2005) fundamento legal: art. 674, § 1º, do RIR/99. Sobre os impostos e as contribuições exigidos foram aplicadas as multas nos percentuais 150%, quando decorrentes das glosas de custos e despesas sem comprovação (IRPJ e reflexos) e dos pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa (IRRF), com fundamento legal no art. 44, inciso II, da Lei n.º 9.430/96, em razão da caracterização de fraude, e de 75% nas demais infrações, com fundamento no inciso I do mesmo artigo. De acordo com a descrição dos fatos dos Autos de Infração, o contribuinte, incorreu em glosas de custos e despesas e custos e despesas sem comprovação (IRPJ e reflexos) e dos pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa (IRRF), com Fl. 8910DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 4 5 fundamento legal no art. 44, inciso II, da Lei n.º 9.430/96, em razão da caracterização de fraude, e de 75% nas demais infrações, com fundamento no inciso I do mesmo artigo. Impugnação A empresa fiscalizada apontou várias nulidades ao lançamento e no mérito pediu o cancelamento dos autos de infração ou, pelo menos a redução das multas aplicadas e por fim pugnou pela desconsideração das glosas dos créditos decorrentes das aquisições de mercadorias, bem como decorrentes das operações de frete sobre as vendas que geraram créditos de PIS e Cofins. Acórdão nº 0924.502 – 1ª Turma da DRJ/JFA A DRJ julgou procedente o lançamento fiscal. Recurso Voluntário A Recorrente repisa a maioria dos pontos trazidos em sede de impugnação, a seguir reproduzidas: Sobre a nulidade do lançamento, inicialmente, contesta o fundamento contido na decisão recorrida de que no relatório fiscal "estão narrados com clareza os fatos ocorridos, as folhas em que se encontram as provas trazidas aos autos, inclusive no que tange aos procedimentos junto a terceiros, as infrações apuradas e os motivos que levaram à autuação", por entender que Relatório de Procedimento Fiscal não guarda nenhuma simetria com o Auto de Infração, apenas cita qual a fundamentação legal utilizada, mas não os motivos objetivos da autuação, faltandolhe os requisitos essenciais de validade, tais como a motivação, objeto, os meios utilizados pelo Fisco, as circunstâncias, dentre outros, em desrespeito ao disposto no Capítulo XII da Lei n° 9.784/99, intitulado, face à relevância, de "DA MOTIVAÇÃO”. Aduz que, no mínimo, o Termo de Verificação Fiscal, deveria ser parte integrante do Auto de Infração combatido, o que, porém, não se vislumbra, sendo, pois, cabal a nulidade do Auto de Infração em referência. Cita o disposto no art. 9º, caput, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, para sustentar a segunda alegação preliminar de nulidade do auto de infração por infringência ao princípio do devido processo legal. Reclama que as diligências efetuadas pela fiscalização junto a terceiros se deram em outros Estados da Federação sem consentimento da Impugnante ferindo inclusive o princípio do contraditório, não havendo que se falar que o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública, pois a investigação utilizada pelo Fisco para autuar o contribuinte Fl. 8911DF CARF MF 6 foi realizada dois anos antes da lavratura do auto de infração, donde se conclui que a partir dessa é que iniciouse o litígio. Faz alusão à vedação da tramitação de um inquérito policial sem a presença do advogado, ex vi súmula vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal. Acredita que o procedimento fiscalizatório deve ser acompanhado pelo contribuinte, sob pena de padecer de vícios, pois, a contrario sensu, não haveria necessidade de se informar ao contribuinte que o mesmo está sendo fiscalizado através do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aponta, ainda, uma terceira preliminar de nulidade do auto de infração por excesso de renovações nos MPF, criticando a decisão recorrida que afirma que não há prazo determinado para que a ação fiscal se encerre, o que, segundo ela, caracteriza abuso de poder. Questiona, especificamente, a nulidade do mandado de procedimento fiscal nº 061300.2008.007157, através do qual foi incluído o ano de 2005, relativamente ao IRPJ e à CSLL, com fulcro na Portaria n° 11.371/2007. Quanto ao mérito, inicia com um resumo dos fatos, a partir da transcrição do se objeto social. Alega que firmou contrato verbal junto às empresas Conquista Comércio e Representações Ltda., e Distribuidora de Alimentos Compasso Ltda. para fornecimento da referida matéria prima polietileno baixa intensidade e celebrou Contrato de Prestação de Serviços de Industrialização com a empresa Aspem Rio Indústria e Comércio de Embalagens Ltda. Afirma que toda a produção de bobinas plásticas seria posteriormente vendida para empresas comerciais exportadoras préacordadas com a recorrente com a finalidade específica de exportação e que as matérias primas adquiridas pela recorrente eram entregues diretamente no estabelecimento da industrializadora, sem que as mesmas transitassem no estabelecimento da recorrente. Aduz que, durante os meses de setembro a dezembro de 2004, efetuou, via boleto bancário ou via TED, os pagamentos dos valores referentes às aquisições das matérias adquiridas, bem como da industrialização realizada conforme comprovação em anexo (sic, anexada à impugnação). Aduz que se apropriou dos créditos de PIS e COFINS a que tinha direito, decorrente das exportações que estava convicta de que haviam sido realizadas, eis que a empresa comercial exportadora Santana e Nonato Ltda. lhe remetia mensalmente as cópias dos comprovantes de exportação, conhecimentos de transporte de carga internacional, telas do Siscomex, etc., conforme documentos constantes dos autos. No mês de fevereiro de 2005, foi alertada pela fiscalização estadual de que a documentação apresentada pela empresa exportadora era falsa e que as exportações não haviam sido realizadas. Antes disso, no mês de janeiro de 2005, havia efetuado a venda com finalidade específica de exportação das bobinas plásticas para a empresa Exportadora Samello Ltda., mas, dado o alerta pela fiscalização estadual, suspendeu todos os pagamentos aos fornecedores e à indústria. As mercadorias constantes das 30 notas fiscais emitidas para a empresa Santana e Nonato foram devolvidas simbolicamente para a Recorrente e remetidas para uma Fl. 8912DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 5 7 nova empresa comercial exportadora, denominada Rovilson Teodoro de Souza Sobrinho. Os produtos constantes de 10 (dez) das 30 (trinta) notas remetidas foram efetivamente exportadas, consoante comprovam os documentos anexados à impugnação. Da mesma forma, os produtos constantes das NF's emitidas pela Exportadora Samello Ltda., foram devolvidos simbolicamente para a recorrente e remetidos para a empresa comercial exportadora Alessandra Lucyen Padilha da Fonseca. Considerando que os produtos remetidos para exportação não foram exportados dentro do prazo previsto de 180 dias, efetuou a recomposição da sua contra gráfica, a retificação dos DACON outrora transmitidos à SRF, e efetuou o pagamento dos tributos devidos (PIS e COFINS, acrescidos de juros). Rechaça a afirmativa do relator a quo de que inexistiu propósito econômico financeiro nas operações. Afirma que a exportação não ocorreu por razões alheias à vontade da recorrente, que agiu de boa fé, confirmada pelo recolhimento do PIS e Cofins devidos, assim que constatou que as mercadorias não haviam sido exportadas, sendo apenas corolário lógico desse procedimento a retificação dos DACON. Rechaça a assertiva fiscal de que a retificação dos DACON seria uma espécie de confissão da empresa de que os negócios jurídicos realizados (aquisição, de matéria prima e remessa para industrialização) teriam sido simulados, assim como o estorno do ICMS, por parte da recorrente teria comprovado a não realização das operações. Quanto ao auto de infração (PTA/AI 01.00015119881) lavrado pela fiscalização estadual e citado como fonte de prova pela fiscalização federal, ao contrário do que afirma o Relator, ocorreu o julgamento perante o C. Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais, onde o lançamento foi cancelado, mas em momento algum a recorrente reconheceu a não existência da operação de polietileno, pois o período que se discutia era mínimo. Em relação aos fornecedores, esclarece quanto às empresas: CONQUISTA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA: à época, a empresa estava habilitada no SINTEGRA e também junto ao CNPJ, nada tendo a desabonar a empresa quanto à operação realizada; ASPEM RIO IND. COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA: realizou para a recorrente a operação de industrialização do polietileno e possuía seu cadastro ativo e habilitado junto ao SINTEGRA e ao CNPJ, além de encontrar se atualmente sob a fiscalização da Fazenda Pública do Estado do Rio de Janeiro, conforme se fez provar pela juntada aos autos de cópia do Auto de Infração 03.1774847. Apesar disso, o relator considerou a total inexistência de referida empresa, com fundamento em simples depoimento, segundo ela “direcionados pela fiscalização”, junto a pessoas totalmente estranhas à recorrente, que com o propósito de intimidar pessoas menos esclarecidas, tendo abusado do poder inerente ao cargo. Sobre a acusação de que se utilizou de créditos de PIS e COFINS que foram descontados na apuração do valor devido de tais contribuições, esclarece que, da mesma forma como ocorreu com o ICMS, também reconheceu os valores de PIS e COFINS creditados e, em procedimento espontâneo autorizado pelo art. 138 do CTN, realizou o pagamento de referidas Fl. 8913DF CARF MF 8 contribuições. Considera que readquiriu a espontaneidade com o encerramento do prazo do MPF nº 00610300.2006.003677, tendo efetuado os recolhimentos antes da reabertura da fiscalização com a emissão de novo MPF de n°.061300.2008.007157 para o ano de 2005. Assim, a cobrança nos autos equivale a "bis in idem". Insurge se contra o imposto de renda na fonte à alíquota de 35%, sobre todos os pagamentos efetuados às empresas Conquista Comércio e Representações Ltda. e Aspem Rio Indústria e Comercio de Embalagens Ltda., alegando que não procede a afirmação do relator de que, “apesar dos pagamentos restarem comprovados conforme documentos anexos aos autos, as operações que as justificaram não existiram de fato”, uma vez que os pagamentos realizados estão devidamente comprovados nos autos através dos comprovantes de depósito efetuados por meio de TED e depósitos bancários, onde consta o nome do beneficiário do depósito, conta corrente e CNPJ ativos. Assim, entende que a autuação realizada se baseou em simples presunção. Sobre a glosa de custos das receitas de exportação decorrente da não comprovação das compras de polietileno, alega que a fiscalização partiu novamente de presunções fáticas, totalmente desprovidas de qualquer embasamento legal, tendo efetuado a glosa sob a simplória declaração de que as operações não existiram. Afirma que a maior prova de que as operações existiram se encontra na improcedência do auto de infração lavrado pela Fiscalização do Estado de Minas Gerais. Consta de documentos juntados aos autos pela fiscalizada, que ambos os fornecedores – Conquista e Aspem Rio, se encontram ativos e habilitados perante a Receita Federal do Brasil. Todas as operações que geraram créditos do PIS e da COFINS para a Recorrente (aquisições de matérias primas e industrialização) efetivamente ocorreram, quer pelas notas fiscais de aquisição corretamente contabilizadas, quer pelos comprovantes de pagamentos das mercadorias e que pelo serviço de industrialização. Conclui que os dispositivos legais e regulamentares citados no Auto de infração como violados pela recorrente não se aplicam ao caso em tela, ou seja, os fatos narrados no auto não se enquadram nas normas por ele invocadas como supostamente violadas. Afirma que os negócios jurídicos de aquisição de matéria prima polietileno baixa densidade linear – da empresa Conquista Comércio e Representações Ltda, bem como a transformação do mesmo em bobinas plásticas efetivamente ocorreu, razão pela qual inexiste subsunção dos fatos narrados pela fiscalização às normas jurídicas indicadas como violadas. Se inexiste o fato gerador da obrigação tributária, não incide o comando da norma e, por conseguinte, não nasce a obrigação tributária, sendo absolutamente nulo o lançamento ora atacado. Sobre a glosa das despesas de frete em operações de venda, refuta a afirmativa do relator de que a ora recorrente não apresentou planilha elucidativa e não comprovou a efetividade da prestação de serviço, o que entende ser trabalho da fiscalização. Aduz que a Lei n°. 10.833/03 permitiu a tomada do crédito fiscal na base de cálculo do PIS e COFINS da empresa que estiver realizando a receita sobre as despesas com transporte (frete) cujo ônus recaia sobre ela própria, sendo que essa permissão ao crédito fiscal é somente sobre as despesas de frete nas operações de venda e/ou revenda. Afirma que os documentos acostados à impugnação, os conhecimentos de transportes, romaneios, manifestos de cargas e notas fiscais, apresentados, foram suficientes para contradizer a alegação frágil e presunçosa do relator de que as operações de frete não Fl. 8914DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 6 9 possuem respaldo, de maneira a comprovar que a tomada dos créditos se deu de forma legítima. Por ocasião das respostas aos termos de intimação fiscal, os serviços de fretes eram remunerados de duas formas: através do pagamento à vista ou em duas vezes, sendo que a primeira parcela, considerada adiantamento, era realizada por ocasião da saída da mercadoria e a segunda parcelada era efetivada quando finalizada a operação de transporte com desconto dos adiantamentos de frete, se realizados, tais modalidades de pagamento eram acordadas com as transportadoras. Assim, inexiste a divergência apontada pela fiscalização, pois se depreende que o pagamento das duas parcelas encontradas resulta no valor final da operação de frete, sendo o ônus da fiscalização a obrigação de refazer a planilha de acordo com os documentos apresentados na impugnação. Quanto à alegação do relator de que grande parte da movimentação da Conta 51102 (Frete s/ venda) e 11702 (Adiantamento de frete), nos anos de 2004 e 2005, tiveram contrapartida em bancos, aduz que foi liberalidade da recorrente escolher a melhor forma de remunerar seus operadores e a forma de operacionalizar seu caixa. Sustenta que os documentos apresentados (romaneios, conhecimentos de transportes e notas fiscais) permitem identificar a natureza da operação realizada, o valor despendido, o beneficiário e a forma de pagamento, não havendo motivo para que sejam mantidas as alegações da fiscalização. Também não encontra suporte jurídico a presunção fiscal de inidoneidade ao tentar descaracterizar a natureza das operações de frete ocorridas, detalhando sociedades, sócios e parentescos. Afirma, ainda, que a fiscalização se pautou em provas críticas e representativas, espécie de presunção simples, de que a recorrente teria corroborado com o entendimento fiscal de simulação dos negócios jurídicos, dada a divergência entre as declarações fornecidas pela Recorrente e as informações contidas nas notas fiscais de frete. Considera que a presunção de que todas as operações de frete sobre vendas realizadas pela recorrente são inidôneas é absurdo e fere o principio da verdade material. Questiona, ainda, a multa por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL, alegando que estaria sendo imposta à recorrente a mesma penalidade (multa) cuja incidência se da pelo mesmo fato, o que configura o chamado "bis in idem". Cita precedentes do Conselho de Contribuintes e da CSRF. Questiona a multa regulamentar por omissão/erro nos dados fornecidos no meio magnético, apontando que a penalidade aplicada é exorbitante e merece ser minorada, sob pena de ofensa aos princípios do não confisco, da razoabilidade e proporcionalidade, consagrados na CR/88. Foi imputada multa no valor total de R$1.223.959,62, pelo simples fato de deixar em branco alguns dos campos exigidos no arquivo digital, especificamente no item 4.3.1 do referido arquivo. Afirma que o valor da penalidade fixado pela Administração Tributária deixa de ter caráter socioeducativo e passar a ter finalidade estritamente arrecadatória, na medida em que é fixado com base no valor das operações realizadas nos respectivos anos 2004/2005, limitado a 1% da receita bruta da Fiscalizada. Cita doutrina e precedentes do STF favoráveis à sua tese. Fl. 8915DF CARF MF 10 Em outro tópico, aponta a exorbitância da exigência e inadequação e ilegalidade da multa qualificada, afirmando que não consta nos autos qualquer prova capaz de demonstrar que a requerente praticou as condutas descritas nos tipos penais referidos, porquanto, compete à Administração Pública o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Sustenta que deveriam estar presentes nos autos elementos que evidenciassem a conduta dolosa (intencional) da recorrente de não recolher o tributo com vistas a atingir determinado resultado, de praticar fraude, ou conluio. Insiste que as multas aplicadas têm natureza nitidamente confiscatória e violam o princípio do não confisco, citando doutrina e jurisprudência judicial. Pede, ao final, em preliminar, a reforma da decisão recorrida ou, caso ultrapassadas, no mérito, que seja anulado o lançamento determinando se o cancelamento do Auto de Infração, ou, quando muito, seja reduzido o valor absurdo das multas aplicadas. Iniciado o julgamento e superadas as preliminares, passouse ao exame do mérito, tendo sido vencida a então relatora Conselheira Viviane Vidal Wagner quanto à glosa das despesas de frete em operações de venda, vez que entendeu a maioria do colegiado pela conversão em diligência para verificação dos documentos apresentados na fase recursal. A conversão em diligência objetivou que a autoridade administrativa de origem intimasse a Recorrente a compor, de forma planilhada, detalhada, de maneira discriminativa, indicando os respectivos comprovantes documentais, toda a documentação juntada, relativamente aos gastos com fretes, conciliando conhecimentos de transportes, romaneios, manifestos de cargas e notais fiscais, e correspondentes valores em contas pertinentes dos livros contábeis (Razão e Diário) posto que, ainda que apresentadas, devem ser conferidas e correspondidas para efeitos de demonstrar a efetividade das despesas com fretes. Também, restou determinada que a autoridade administrativa elaborasse, ao final, seu relatório conclusivo. Devidamente intimada a Recorrente, apresentou os elementos solicitados, na forma escrita e digital, sendo que após a diligência foi realizada, conforme relatório de fls. 4.427 a 4.445, registrando o reconhecimento da efetiva prestação de serviços de frete da empresa EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA (anteriormente PAIS E FILHOS), porém em consonância com o exame e cotejo minudente de todo os elementos apresentados, concluiuse pela convergência da contabilização dos cheques nominais e os respectivos documentos de frete, especificamente como justificados apenas os dispêndios de 12/2004 do fornecedor PAIS E FILHOS, no valor de R$51.357,61. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Após a realização da diligência anteriormente deliberada, com a vinda da conclusão do trabalho, em cotejo com os demais elementos já congregados nestes autos, Fl. 8916DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 7 11 inobstante a extensa e volumosa quantidade, possibilitam a análise do recurso voluntário neste momento. Preliminares A união das preliminares suscitadas em um mesmo tópico facilita a didática de explanação do entendimento aqui adotado, pois a análise destas, conforme se verá, convergirá para conclusões idênticas. A Recorrente reitera identicamente as mesmas alegações preliminares já rechaçadas pelo acórdão proferido pela DRJ, a qual foi contundente em atestar que na ausência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 e observados os requisitos do art. 10, ambos do Decreto nº 70.235/72, de maneira que falecem as arguições aventadas de suposta nulidade do lançamento tributário. Em primeira fresta argumentativa, alega a Recorrente a nulidade do lançamento, inicialmente, contestando o fundamento contido na decisão recorrida de que no relatório fiscal "estão narrados com clareza os fatos ocorridos, as folhas em que se encontram as provas trazidas aos autos, inclusive no que tange aos procedimentos junto a terceiros, as infrações apuradas e os motivos que levaram à autuação", por entender que Relatório de Procedimento Fiscal não guarda nenhuma simetria com o Auto de Infração, apenas cita qual a fundamentação legal utilizada, mas não os motivos objetivos da autuação, faltandolhe os requisitos essenciais de validade, tais como a motivação, objeto, os meios utilizados pelo Fisco, as circunstâncias, dentre outros, em desrespeito ao disposto no Capítulo XII da Lei n° 9.784/99, intitulado, face à relevância, de "DA MOTIVAÇÃO”. Aduz que, no mínimo, o Termo de Verificação Fiscal, deveria ser parte integrante do Auto de Infração combatido, o que, porém, não se vislumbra, sendo, pois, cabal a nulidade do Auto de Infração em referência. Ora, não se desconhece que o lançamento fiscal é ato administrativo, o qual tem como um de seus elementos: a motivação (fundamentação), conforme dispõe o artigo 50 da Lei 9.784/1999, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; […] § 1º. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 8917DF CARF MF 12 Como já se evidenciou nestes autos, a fiscalização correlacionou o Relatório de Procedimento Fiscal e os Autos de Infração, com a devida indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos e legais, de forma explícita, clara e congruente, anexando os Demonstrativos de Apuração dos impostos, contribuições e acréscimos legais. A despeito de a “Descrição dos Fatos” constar de maneira sucinta nos Autos de Infração, é incontroversa a remissão ao Relatório de Procedimento Fiscal como parte integrante e inseparável dos Autos de Infração, dos quais a Recorrente não alega não ter sido integralmente cientificada. O Relatório Fiscal é robusto e esquadrinha com riqueza de detalhes os fatos apurados, com indicação das páginas da anexação das provas, inclusive quanto aos procedimentos de investigação quanto a terceiros, fundamentando os motivos ensejadores da autuação e das infrações aplicadas propriamente ditas. E mais, todos os termos de intimação, verificação fiscal e de declarações foram devidamente anexados ao processo administrativo, de maneira que a Recorrente teve acesso aos respectivos conteúdos integrais contidos nos autos, conforme o Termo de Entrega de Cópia de Processo a fls. 786. Neste sentido, a anexação do Relatório de Procedimento Fiscal aos Autos de Infração, com a indicação clara e congruente de sua correlação, mormente com a ciência de ambos por parte da Recorrente, não impõe qualquer resvala ou prejuízo ao direito de defesa. Tal procedimento fiscalizatório encontra respaldo ancestral nos órgãos julgadores, no âmbito do processo administrativo fiscal. Portanto, mesmo que em renovação nesta fase recursal, a alegação da Recorrente neste particular é vaga, genérica e contraditória, não tendo o condão de demonstrar a suposta ausência de simetria entre o Relatório de Procedimento Fiscal com o Auto de Infração, tampouco demonstrando qualquer prejuízo ao seu direito de defesa que foi amplamente exercido nos autos (princípio pas de nullité sans grief). Em segundo momento, como já relatado, a Recorrente alega preliminar de nulidade do auto de infração por suposta infringência ao princípio do devido processo legal, eis que as diligências junto a terceiros se deram em outros Estados da Federação sem o seu consentimento, bem como que não haveria o que se falar em procedimento preparatório/investigatório, o que teria ocorrido dois anos antes da lavratura do auto de infração, sendo que de tal marco que teria se iniciado o litígio, fazendo ainda alusão à súmula vinculante nº 14, do STF, no sentido à vedação da tramitação de um inquérito policial sem a presença do advogado. Acredita que o procedimento fiscalizatório deve ser acompanhado pelo contribuinte, sob pena de padecer de vícios, pois, a contrario sensu, não haveria necessidade de se informar ao contribuinte que o mesmo está sendo fiscalizado através do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. A Recorrente alega que as provas utilizadas pela autoridade fiscal para a lavratura do auto de infração deveriam ter sido produzidas em contraditório, o que nulificaria a autuação fiscal. Tal pretensão não prospera. O procedimento fiscal é, inicialmente, inquisitório, havendo, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e Fl. 8918DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 8 13 os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibilos às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). Assim, no caso de autuação fiscal, o dito processo administrativo procedimento em contraditório apenas tem início com a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Tanto é que o artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972 apenas menciona haver cerceamento ao direito de defesa quanto a despachos e decisões proferidos, não quanto a autos de infração. Por óbvio, os autos de infração não podem ser lavrados ao bel prazer das autoridades fiscais e há um regramento a ser seguido, conforme garante os artigos 194 e seguintes do CTN (e que atualmente consta do Decreto 70.235/1972), mas não há que se falar propriamente em garantia de contraditório e ampla defesa nesta fase essencialmente inquisitória. Sobre o assunto cabe esclarecer que, conforme lição de James Marins, em Direito Processual Tributário Brasileiro, Editora Dialética, 2001, p.252, “ocorrem no âmbito administrativofiscal três momentos ontologicamente distintos: 1. procedimento preparatório do ato de lançamento tributário; 2. ato de lançamento; e 3. processo de julgamento da lide fiscal”. E continua: “A primeira etapa, sempre que não implique pretensão ou sanção tributária, não tem caráter propriamente processual, senão que regula o procedimento administrativo enquanto iter preparatório para a prática do ato de lançamento. A expressão comumente utilizada — ‘procedimento de lançamento’ — é a contração imperfeita da dicção ‘procedimento fiscal preparatório do ato de lançamento’ e tem origem na defeituosa redação do art. 142 do CTN, que não distingue entre o ato de lançamento e o procedimento administrativo que frequentemente lhe precede”. Neste aspecto a decisão da DRJ é irretocável, razão pela qual me permito reproduzir os pertinentes trechos: “Ocorre que o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. Daí porque nessa etapa não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há, ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. Fl. 8919DF CARF MF 14 Somente quanto questionada tempestivamente a exigência pelo sujeito passivo configurase o litígio na esfera administrativa (art. 14 do Decreto n.º 70.235/72). Iniciase, assim, o processo administrativa fiscal propriamente dito. Nessa faze, a Administração decide sobre a pertinência do ato impugnado”. A jurisprudência desse Conselho é pacífica, a ilustrar: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO EM INFORMAÇÕES DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Em caso de auto de infração, os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos praticados nesta fase. A legislação estabelece, de um lado, o dever do contribuinte de guardar os livros obrigatórios de sua escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos efetuados para exibilos às autoridades quando requerido (art. 195 do CTN), e, de outro, o ônus do fiscal de reunir todas as provas para consubstanciar as alegações feitas no lançamento, este entendido como atividade administrativa vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN). O momento oportuno para o contribuinte se manifestar contra a validade das provas obtidas pela fiscalização é a impugnação da exigência, com o que se inicia o processo administrativo. Somente então é que se pode falar em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa”. (Acórdão nº 1401002.189 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – Sessão de 20/02/2018 – Relatora Livia De Carli Germano). Portanto, considerando que as alegações da Recorrente se referem à suposta falta de intimação durante a fase procedimental, e não na fase processual, não há como acolher a tese de nulidade por transgressão aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, e do due process of law. Aponta, ainda, uma terceira preliminar de nulidade do auto de infração por excesso de renovações nos MPF, criticando a decisão recorrida que afirma que não há prazo determinado para que a ação fiscal se encerre, o que, segundo ela, caracteriza abuso de poder. Questiona, especificamente, a nulidade do mandado de procedimento fiscal nº 061300.2008.007157, através do qual foi incluído o ano de 2005, relativamente ao IRPJ e à CSLL, com fulcro na Portaria n° 11.371/2007. Igualmente às preliminares anteriores, tal também merece o mesmo desfecho de rejeição. A Administração Tributária, motivada pelas diretrizes da política administrativa, desenvolve a atividade de seleção dos contribuintes a serem fiscalizados, com a definição do escopo da ação fiscal, deliberando, inclusive, os prazos para execução do procedimento. E o MPF visa a materializar a decisão da Administração, trazendo implícita a Fl. 8920DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 9 15 fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, cientificando ao contribuinte a decisão de indicálo para ser fiscalizado, além de nominar os agentes fiscais encarregados da ação fiscal. Pelas suas características, o MPF, primordialmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Ocorre que, o disposto no artigo 196, do CTN é dirigida ao legislador, não havendo prazo determinado para que a ação fiscal se encerre, conforme jurisprudência do então Conselho de Contribuintes: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE – FIXAÇÃO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DE AÇÃO FISCAL Nem o art. 196 do CTN, nem o Dec. 70.235/72 fixam prazo para conclusão de diligência ou ação fiscal, não acarretando nulidade, portanto, o Termo de Início de Fiscalização que dele não cogita”. (Acórdão nº 10194.251 – 1ª Câmara – Sessão de 13/06/2003 – Relator Paulo Roberto Cortez). Por outro ângulo, mesmo que existisse alguma irregularidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, insta observar que tal documento é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de interferir na legitimidade do lançamento, que decorre de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, CTN). É o posicionamento deste Conselho: “CSLL, PIS E COFINS. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastasse quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF”. (Acórdão nº 1302001.960– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 11/08/2016 – Relator Luiz Tadeu Matosinho Machado). Fl. 8921DF CARF MF 16 De mais a mais, as renovações do MPF, como bem destacado pelo v. acórdão da DRJ, respeitaram as disposições regulamentares à época, bem como restou bem esclarecido que a emissão de novo MPF (061300.2008.007157), já sob a égide da Portaria RFB nº 11.371/2007, ocorreu em virtude da necessidade de incluir na ação fiscal o ano de 2005, relativamente ao IRPJ e à CSLL, obedecendo estritamente o artigo 20, inciso I, daquele diploma regulamentar, pois, como houve alteração diversa da prorrogação de prazo (inclusão de novo período de apuração), foi emitido necessariamente novo MPF. Ainda quanto à duração da ação fiscal, é lapidar o v. acórdão regional que rogo vênia transcrever: “[...] no caso, é preciso considerar que a fiscalização abrangeu procedimentos junto a terceiros, tidos como fornecedores da autuada, como as empresas Conquista Comércio e Representações Ltda, Distribuidora de Alimentos Compasso e Aspem Rio Indústria e Comércio de Embalagens Ltda. Conforme circunstanciado no Relatório do Procedimento Fiscal (fls. 84/88), isso implicou visitas a cidades distantes do domicilio tributário da contribuinte – Governador Valadares/MG , como São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Araruama, no Estado do Rio de Janeiro, e Belo Horizonte”. Nesse tocante, mácula não há capaz de invalidar o lançamento efetuado, pelo que não se pode acatar as considerações preliminares sobre a sua nulidade. Do mérito Das operações com polietileno Como já relatado, a Recorrente traz alegações idênticas e muito similares às apresentadas na impugnação, referindose, no fundo, a argumentação central que teria havido propósito econômico financeiro nas operações de polietileno, porém não teriam ocorrido por questões alheias a sua vontade. A fiscalização apurou que a Recorrente teria simulado negócios relativos ao polietileno com intuito de obter créditos inexistentes de ICMS, PIS e Cofins nãocumulativos, dada a “completa inexistência de propósito econômicofinanceiro” dessas operações e da constatação in loco de que as empresas envolvidas nessas operações – Conquista Comércio e Representações Ltda, Aspem Rio Indústria e Comércio de Embalagens Ltda e Distribuidora de Alimentos Compasso – eram inexistentes de fato. Neste particular, a fiscalização realizou lançamentos de PIS e Cofins em virtude de desconto indevido de créditos e de reclassificação de receitas escrituradas como de exportação, de IRRF em virtude de pagamentos sem causa e de IRPJ e CSLL em virtude de glosas de despesas e de custos. Cumpre ter em conta, inicialmente, o procedimento fiscal que bem descreveu as operações: Fl. 8922DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 10 17 Fl. 8923DF CARF MF 18 A Recorrente repisa as alegações já discorridas na oportunidade da impugnação administrativa, porém sem qualquer êxito em afastar a conclusão que sobressai do exame dos autos de que as operações com o polietileno nunca existiram, embora tenham sido emitidos documentos fiscais e realizados pagamentos. O nobre julgador que exarou o acórdão ora recorrido bem destacou que a própria Recorrente admitiu que essas operações não foram concretizadas (fls. 321), conforme destacou: Assim, uma vez que incontestável o fato de que não foram realizadas as operações, é medida acertada a conclusão de que inexistem os respectivos créditos de PIS/Cofins nãocumulativo descontados pela Recorrente, dos respectivos custos e despesas e das respectivas exportações. E para corroborar, a Recorrente também admitiu a inexistência dessas operações ao estornar em sua contabilidade os créditos de ICMS a elas vinculados e ao oferecer denúncia espontânea ao Fisco Estadual de Minas Gerais em 28/09/2005, por meio da Notificação de Lançamento nº 05.00012968260. Fl. 8924DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 11 19 Neste particular, o julgado objeto do recurso voluntário foi minudente em elucidar que, conquanto o lançamento de ICMS (PTA/AI 01.00015119881) relativo às operações de polietileno tenha sido considerado nulo pelo Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais, o que se atestou foi somente a nulidade do lançamento em face da denúncia espontânea da Recorrente que tinha inaugurado o procedimento que reconheceu o inexistência dos créditos de ICMS a tais operações, sendo que o estorno dos créditos de ICMS na escrituração da Recorrente somente buscou refletir esse fato na contabilidade. E mais, o lapidar decisum destacou que foram recolhidas as exigências referentes às glosas dos créditos de PIS/Cofins nãocumulativo nas operações de polietileno e retificadas as respectivas declarações (Relatório do Procedimento Fiscal – parágrafos 52 a 59), porém os recolhimentos só se deram em 2007, após o início da fiscalização federal, o que se torna inafastável a conclusão acertada de que o procedimento da Recorrente não decorreu simplesmente da alegada não exportação de mercadorias por razões alheias a sua vontade, conforme insiste no recurso voluntário. A Recorrente não se desincumbiu de comprovar o quanto alegado de que as operações de polietileno não foram realizadas, especificamente a exportação das mercadorias, por razões alheias a sua vontade. De outro lado, a autoridade fiscal reuniu todas as evidências antes citadas acerca da anormalidade das operações, escrituração e a documentação apresentada pela Recorrente. Concluise, assim, que a fiscalização se desincumbiu do ônus probatório que a lei lhe impõe, ao passo que a contribuinte não logrou dar sustentação probatória a suas alegações e a seus registros contábeis. Com efeito, o trabalho fiscal foi exemplar e robusto, e ao aprofundar as investigações junto às outras empresas envolvidas na produção do polietileno que evidenciou a simulação dessas operações, conforme fartamente documentado nos autos e resumido no Relatório de Procedimento Fiscal, cujo resultado fiscal foi elogiado pela própria Recorrente. Neste sentir, imperioso e imprescindível trazer à colação excertos do acórdão recorrido que trata da questão de forma escorreita e detalhada, in verbis: Fl. 8925DF CARF MF 20 Fl. 8926DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 12 21 Diante disso, irrepreensível a decisão emanada do DRJ, a qual deixou nítida que a realidade desvendada no campo fático infirma a escrituração e a documentação apresentada pela Recorrente, porquanto não houve operações de compra de polietileno, tampouco industrialização para a fabricação de bobinas picotadas, as quais seriam objeto de exportação, isto é, cuidouse de engendramento simulado dessas operações, a evidenciar “completa inexistência de propósito econômicofinanceiro”. Noutra tomada, malogra a alegação da Recorrente de que da mesma forma como ocorreu com o ICMS, também reconheceu os valores de PIS e COFINS creditados e, em procedimento espontâneo autorizado pelo art. 138 do CTN, realizou o pagamento de referidas contribuições, o que caracterizaria exigência “bis in idem” nestes autos, pois teria readquirido a espontaneidade com o encerramento do prazo do MPF nº 00610300.2006.003677, tendo efetuado os recolhimentos antes da reabertura da fiscalização com a emissão de novo MPF de n°.061300.2008.007157 para o ano de 2005. Com efeito, do que se depreende no relato fiscal (fls. 90/92), realmente, a Recorrente recolheu exatamente os valores glosados dos créditos indevidamente descontados a título de PIS (R$54.796,50) e Cofins (R$252.396,00) nãocumulativos, ao período de setembro a novembro/2004, fazendo as respectivas retificações na DCTF. Os valores recolhidos a mais para o período de outubro/2004 e que deixaram de ser recolhidos em novembro/2004 foram objetos das Dcomp nºs. 6014 e 7994, entregues em 12/07/2007. Ocorre que, diversamente do que se deu com o ICMS, o recolhimento das contribuições não se deu de forma espontânea. Embora em ambos os casos os recolhimentos Fl. 8927DF CARF MF 22 tenham ocorrido após o início do procedimento fiscal, o qual exclui a espontaneidade do sujeito passivo em virtude do disposto no parágrafo único do art. 138 do CTN, na fiscalização federal não houve a requisição da espontaneidade durante a fase procedimental. Ora, independentemente do encerramento do prazo do MPF nº 00610300.2006.003677, tendo efetuado os recolhimentos antes da reabertura da fiscalização com a emissão de novo MPF de n°.061300.2008.007157 para o ano de 2005, a espontaneidade da Recorrente foi excluída em 16/01/2007, com a ciência do termo de Início de Ação Fiscal (fls. 234/235), a teor do art. 7º, inciso I, §1º, do Decreto nº 70.235/72. E, o procedimento fiscal findou com a ciência dos autos de infração em 29/01/2009 (fls. 776), não tendo havido nesse interregno reaquisição de espontaneidade em nenhum momento, uma vez que entre as intimações realizadas pela fiscalização não transcorreu o prazo de sessenta dias a que alude o §2º do art. 7º acima referido. Desta feita, os recolhimentos realizados pela Recorrente não afastam o lançamento, o qual inclusive contempla multa ainda não recolhida. Entretanto, como bem acenou o julgamento, a fim de se evitar duplicidade de cobrança, deve ser mantido o entendimento de que tais recolhimentos devem ser aproveitados para fins de cobrança dos valores lançados de ofício. Ainda o acórdão de piso analisou bem a questão do IRF, nos termos do §1º do artigo 61, da Lei nº 8.981/95, registrando que se não se sabe a causa dos pagamentos vinculados na contabilidade a operações de polietileno inexistentes, os valores levados ao resultado reduzindo o lucro líquido devem ser adicionados para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, uma vez que não podem ser considerados necessários, normais ou usuais às atividades da empresa, tampouco encontram respaldo na legislação específica para a sua dedução a titulo de custos ou despesas. E, em sede das receitas, trilhou bem a apuração fiscal em reclassificar as receitas escrituradas a título de exportação das bobinas picotadas, ante a inexistência da compra de polietileno e da fabricação sob encomenda de tais bobinas, por meio da empresa Santana & Nonato Ltda (conta 61115 – EXPORTAÇÃO MATRIZ). Desse modo, deve ser mantido neste particular a decisão de que sobre o valor assim escriturado (R$2.438.100,00) forma apurados o PIS e Cofins devidos. Por fim, cumpre observar que a Recorrente insiste que alguns produtos foram efetivamente exportados, alegando que as mercadorias constantes das 30 notas fiscais emitidas para a empresa Santana e Nonato foram devolvidas simbolicamente para a Recorrente e remetidas para uma nova empresa comercial exportadora, denominada Rovilson Teodoro de Souza Sobrinho, e posteriormente, os produtos constantes de 10 (dez) das 30 (trinta) notas remetidas teriam sido efetivamente exportadas. Como bem observado pela decisão regional, a própria Recorrente reconhece que não existiu a receita da exportação feita pela Santana & Nonato Ltda, no valor de R$2.438.100,00. Desse montante, somente dez das trinta notas fiscais (fls. 1.035/1.064) teriam sido exportados pela empresa Rovilson Teodoro. Ocorre que na documentação chamada de “Comprovante das Exportações Realizadas” juntados nos autos pela Recorrente (fls. 1.148 em diante), são vários os documentos referentes a exportações realizadas pela Santana & Nonato Ltda., o que mais uma vez demonstra que a documentação relativa às operações de polietileno não merece credibilidade, pois não encontram suporte na realidade dos fatos. E, colocando pá de cal na questão, urge observar que a Recorrente recolheu o PIS, a Cofins e o ICMS relativos aos Fl. 8928DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 13 23 créditos que seriam gerados pelos custos da fabricação das bobinas a serem exportadas, o que evidencia obviamente que não havia produtos a serem exportados. Assim, voto por manter o lançamento intacto, com as exigências ali consubstanciadas, mormente o destaque da parte dispositiva do acórdão regional que ressaltou que os recolhimentos de PIS e Cofins efetuados pela contribuinte durante o procedimento fiscal, conforme Relatório do Procedimento Fiscal/PIS/COFINS/Créditos Indevidamente Descontados, às fls. 90/92, devem ser aproveitados para fins de cobrança dos valores lançados de ofício, bem como deve ser observada ainda a transmissão das Dcomp nºs. 6014 e 7994. Leaseback e despesas de frete em operações de venda Ante a ausência de impugnação específica na peça recursal, de rigor a manutenção da autuação fiscal que constatou que a Recorrente realizou prejuízo de R$907.041,37 em operações de alienação de bens para Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil no ano de 2006, porém que tal perda não é dedutível na apuração do lucro real, conforme art. 424, do RIR/99. Ocorre que a Recorrente não realizou a respectiva adição ao lucro líquido, devendo ser mantida as consequências tributárias apuradas daí defluentes. A autuação fiscal também apurou crédito tributário em razão da glosa de despesas com frete em operações de venda, escrituradas na conta contábil 51102 e informadas em DACON, nos anos de 2004 e 2005. O acórdão regional entendeu correta a glosa e o crédito tributário daí decorrente, fundamentando com requinte de detalhes e tomando como base o trabalho fiscal investigativo coligido e apurado, que atestam a inidoneidade dos documentos apresentados pela Recorrente, ao passo que a Recorrente não logrou comprovar a efetividade das despesas de frete glosadas na autuação, não trazendo qualquer explicação específica sobre as divergências apuradas entre os valores nos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas – CTRC, notas fiscais e valores contabilizados na conta contábil já enumerada, não se desincumbindo a Recorrente de ônus que é seu de provar de que as despesas escrituradas são dedutíveis para fins de apuração do imposto e das contribuições. Já foi informado que iniciado o julgamento na sessão de 31 de janeiro de 2012, foram superadas as preliminares, passandose ao exame do mérito, tendo sido vencida a então relatora Conselheira Viviane Vidal Wagner, vez que entendeu a maioria do colegiado pela conversão em diligência para verificação dos documentos apresentados na fase recursal quanto às despesas de frete em operações de venda. Na ocasião, a então conselheira relatora proferiu voto de mérito no sentido de negar provimento ao recurso voluntário nessa parte, em decorrência do fato de não restarem comprovadas as despesas de frete lançadas pela recorrente em sua escrituração contábil, também deve ser mantida a exigência dos valores dos créditos de PIS/COFINS – não cumulativos tomados sobre os valores de fretes informados na DACON de 2004 e 2005, na forma do lançamento fiscal. Aproveito os fundamentos expostos naquele voto proferido na Resolução nº 1202000110 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, que merece ser aqui prestigiado, in verbis: Fl. 8929DF CARF MF 24 Fl. 8930DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 14 25 Fl. 8931DF CARF MF 26 Fl. 8932DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 15 27 Obtemperese pela análise pontual e detalhada no voto, que a documentação até então apresentada pela Recorrente antes do recurso voluntário ressentia de idoneidade apta a atestar que teria ocorrido a efetiva realização dos serviços de transporte correspondentes aos valores lançados em sua contabilidade, convergindo necessariamente a conclusão de que a Recorrente não faria jus à dedutibilidade de despesas de frete, considerandose todos os valores glosados tais como lançados no pórtico fiscal. Ocorre que, como já sabido, o feito foi convertido em diligência, objetivando a demonstração da efetividade das despesas com fretes, o que foi elaborado relatório Fl. 8933DF CARF MF 28 conclusivo a fls. 4.427/4.445, de modo que cumpre trazer emoldurado os trechos principais da conclusão, ad litteram: Em suma, após minucioso trabalho de análise documentalcontábil, inferiuse pelo reconhecimento da efetiva prestação de serviços de frete tãosó da empresa EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA (anteriormente PAIS E FILHOS), sendo mantida a conclusão Fl. 8934DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 16 29 anterior em relação as demais empresas de que não houve a efetiva realização dos serviços de transporte, porém em consonância com o exame e cotejo minudente de todo os elementos apresentados, concluiuse pela convergência da contabilização dos cheques nominais e os respectivos documentos de frete, especificamente como justificados apenas os dispêndios de 12/2004 do fornecedor EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA (anteriormente PAIS E FILHOS), no valor de R$51.357,61. Diante disso, restou somente comprovadas as despesas de frete da empresa EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA (anteriormente PAIS E FILHOS), no valor de R$51.357,61, do período de 12/2004, devendo tal valor ser considerado dedutível na escrituração fiscal, bem como que seja considerado crédito fiscal na base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativos, devendo ser mantida a glosa das demais despesas de frete, bem como o respectivo crédito tributário dessa diferença decorrente. Assim, neste particular, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. Da multa isolada – falta de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL A Recorrente questiona o entendimento do acórdão pela manutenção da imposição da multa isolada de 50% sobre os valores não recolhidos a título das estimativas mensais de IRPJ/CSLL, alegando que estaria sendo imposta à recorrente a mesma penalidade (multa) cuja incidência se daria pelo mesmo fato, o que configura o chamado "bis in idem". Assiste razão à Recorrente. Primeiramente, no tangente à questão da aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada, é importante trazer a Súmula CARF nº 105 que assim dispõe: Súmula CARF n. 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Após a edição da súmula acima mencionada, ainda existe controvérsia quanto à sua aplicação, visto ser possível a interpretação de que somente seria aplicada aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2006, vez que a alteração trazida pela Lei n. 11.488/07 ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, válida à partir de 2007, teria ultrapassado os termos da Súmula, in verbis: Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 8935DF CARF MF 30 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Resta claro que a multa prevista no inciso I deve ser aplicada sempre que houver insuficiência de recolhimento do tributo, ausência de declaração ou declaração inexata, o que é perfeitamente aplicável ao caso em tela, vez que a dedução do ágio foi considerada indevida e a Recorrente apurou Lucro Real, temos que resta imposto a pagar com incidência de multa e juros. No presente caso, a multa isolada prevista no inciso II somente poderia ser aplicada se a Recorrente embora tenha deixado de recolher as estimativas, tenha apurado Prejuízo Fiscal, não restando IRPJ ou CSLL a pagar. Tenho tal posição em razão da aplicação do Princípio da Consunção segundo o qual a multa isolada prevista no inciso II é absorvida quando o caso concreto estiver sujeito à aplicação da multa prevista no inciso I. Destaco aqui trecho do voto do conselheiro Marcos Vinicius Neder no Acórdão CSRF/0105.838, de 15/4/2008: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de Fl. 8936DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 17 31 normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “principio da consunção”. No mesmo sentido é o entendimento do Ministro Humberto Martins exteriorizado no julgamento do Resp 1.496.354/PR.: “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais , ainda que configurem obrigações a pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, “a” e “b”, em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos casos ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas “multas isoladas”, portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta.” Em alinho a todo o acima exposto, entendo deva ser cancelada o crédito referente à multa isolada. Da multa qualificada A Recorrente reproduz as mesmas alegações genéricas anteriormente agitadas acerca de que seria exorbitante a exigência, bem como seria inadequada e ilegal a multa qualificada, afirmando que não constaria nos autos qualquer prova capaz de demonstrar que a conduta dolosa da Recorrente. Insiste novamente em alegar que a referida multa teria natureza nitidamente confiscatória e que violaria o princípio do nãoconfisco. Fl. 8937DF CARF MF 32 Com relação a multa qualificada, é de se observar que, uma vez configurada atitude dolosa da contribuinte (sonegação, fraude ou conluio), prevista nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964, a aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%, nos termos do §1º, art. 44 da Lei 9.430/96, abaixo reproduzido, pela autoridade tributária, em razão do caráter vinculado de sua atividade, é obrigatória, sob, sob pena de responsabilidade funcional (art. 3º e parágrafo único do art. 142 do CTN), in litteris: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” No caso concreto, o acórdão regional manteve a aplicação de multa qualificada no percentual de 150%, em relação às infrações referentes às operações de polietileno e às despesas de frete. É de se observar que a manutenção da glosa por falta de comprovação da dedutibilidade dos custos e despesas não implica, de per si, a existência de dolo, sendo necessário, para tanto, a comprovação da falsidade material ou ideológica da documentação apresentada pelo contribuinte. Todavia, do arcabouço fáticoprobatório produzido com riqueza de detalhes no caso concreto avultam elementos que demonstram a intenção dolosa de suprimir o pagamento de impostos e contribuições. Em relação às operações de polietileno, está fartamente comprovado nos autos que, embora tenha havido pagamentos sob pretexto de pagar o fornecimento desse insumo e a fabricação de bobinas plásticas para exportação, as empresas envolvidas nessas operações são inexistentes de fato. Além disso, mesmo que existissem de fato à época da ocorrência dos fatos geradores, jamais teriam capacidade operacional de atender às encomendas escrituradas pela Recorrente. Isso sem contar que a Recorrente reconheceu, mesmo de forma tácita, que os créditos apropriados eram inexistentes, quando realizou o pagamento dos valores que deixaram de ser recolhidos a título de ICMS, PIS/Pasep e Cofins, a evidenciar de forma indubitável que não existiram os custos de fabricação das bobinas plásticas e, em consequência, a exportação desse produto. Portanto, inafastável a capitulação da multa qualificada no que se refere aos impostos e contribuições apurados em decorrência da simulação das operações de polietileno. Em referência às despesas com frete escrituradas na conta contábil 51102, o acórdão regional consignou que os documentos apresentados nos autos não estão citados em seus livros comerciais, não logrando êxito em conciliar aos seus registros contábeis de modo a Fl. 8938DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 18 33 afastar as divergências apontadas na fase procedimental, em que pesem as várias intimações nesse sentido. Ademais, com base em profundas investigações junto aos prestadores de serviço, além de não terem sido confirmadas as supostas despesas com frete, revelaram elementos contundentes que convergiram à inidoneidade da documentação apresentada pela Recorrente, tais como: empresas sem capacidade operacional (sem motorista e veículos); que possuem aspectos comuns que ligam a sócios, exfuncionários, ou ao contador da Recorrente; que afirmam não prestar serviços de transportes para a Recorrente; que não preenchiam os CTRC’s, o que, segundo depoimento colhido, era feito por exfuncionário da Recorrente. Cumpre trazer a título exemplificativo, trechos de votos proferidos neste Conselho, acerca de glosa de supostos custos do produto ante a comprovação de inexistência das operações, a evidenciar a ocorrência de fraude e dolo e autorizar a aplicação da multa qualificada: “GLOSA DE DESPESAS. NOTA FISCAL INIDÔNEA. COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO VENDIDO. OPERAÇÃO INEXISTENTE. IMPROCEDÊNCIA. A alegação de que as despesas glosadas pela constatação de inidoneidade de Notas Fiscais, na verdade, comporiam o custo do produto, perde qualquer pertinência diante da comprovação da inexistência das operações que aqueles documentos expressam. Comprovada a utilização de Notas Fiscais frias para a redução das bases tributáveis, a glosa é devida na mesma monta da diminuição fraudulenta dos tributos devidos, independentemente da classificação contábil do dispêndio que estas representariam. [...] PENALIDADES. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. CABIMENTO. O conhecimento de alegações referentes a violação de princípios, constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o afastamento ou redução de multas, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2. Comprovada a ocorrência de fraude e dolo, resta configurada a hipótese contemplada no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo correta a aplicação de multa qualificada”. (Acórdão nº 1402002.515 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 18/10/2017 – Relator CAIO CESAR NADER QUINTELLA). Fl. 8939DF CARF MF 34 “GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Tratandose de custos ou despesas não comprovados, em face da comprovada inidoneidade da documentação que lhes daria suporte, cabível a sua glosa para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Tratandose de condutas que caracterizam sonegação fiscal e fraude (arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964, respectivamente), deve ser aplicada à multa de oficio de 150%”. (Acórdão nº 1102001.303 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 03/03/2015 – Relator João Otávio Oppermann Thomé). Neste particular, o julgado ora recorrido manteve a multa qualificada para todas as pretensas operações de polietileno e as supostas despesas de frete glosadas. Ocorre que, como já visto, com a insurgência recursal da Recorrente e a juntada de outros documentos, o feito foi convertido em diligência, objetivando a demonstração da efetividade das despesas com fretes, o que foi elaborado relatório conclusivo a fls. 4.427/4.445, de modo que cumpre trazer novamente os trechos principais da conclusão, ad litteram: Em suma, após minucioso trabalho de análise documentalcontábil, inferiuse pelo reconhecimento da efetiva prestação de serviços de frete tãosó da empresa EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA (anteriormente PAIS E FILHOS), sendo mantida a conclusão anterior em relação as demais empresas de que não houve a efetiva realização dos serviços de transporte, porém em consonância com o exame e cotejo minudente de todo os elementos apresentados, concluiuse pela convergência da contabilização dos cheques nominais e os respectivos documentos de frete, especificamente como justificados apenas os dispêndios de 12/2004 do fornecedor EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA (anteriormente PAIS E FILHOS), no valor de R$51.357,61. Fl. 8940DF CARF MF Processo nº 15215.000001/200952 Acórdão n.º 1201002.349 S1C2T1 Fl. 19 35 Assim, o acórdão regional merece pequeno reparo, eis que restou afastada a qualificação apta da multa em decorrência do reconhecimento da efetiva prestação de serviços de frete pela empresa EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA (anteriormente PAIS E FILHOS), de modo que sobre o afastamento da glosa no valor de R$51.357,61, do período de 12/2004, deve ser obstada a aplicação da multa de ofício, ante ausência de subsunção de hipótese ao artigo 44, da Lei 9.430/96 e, em relação aos demais períodos não justificados das supostas despesas de frete glosadas da referida empresa, deve ser reduzida a respectiva multa sobre tais períodos ao percentual de 75%, porquanto não configurada as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. No mais, é medida de rigor a manutenção da multa qualificada sobre as supostas despesas com frete das demais empresas e de todas as operações de polietileno, posto que se mantem hígida a conclusão acerca das condutas que caracterizam sonegação fiscal e simulação, ante a inidoneidade da documentação analisada. Por fim, as alegações de confiscatoriedade da multa aplicada, portanto, esbarram na validade das leis instituidoras. Vergastálas e superálas significaria desafiar sua juridicidade perante o ordenamento e, essencialmente, sua legitimidade perante as diretrizes da Constituição Federal de 1988. É cediço, no entanto, que, conforme já demonstrado neste voto, não compete a este conselho se pronunciar acerca da inconstitucionalidade da lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para afastar a glosa das despesas de frete da empresa EXPRESSO SOMA TRANSPORTES LTDA (anteriormente PAIS E FILHOS), no valor de R$51.357,61, do período de 12/2004, bem como afastar a aplicação de multa de isolada objeto da autuação. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 8941DF CARF MF 36 Fl. 8942DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000259/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.808
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro e Ari Vendramini (Relator).
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ari Vendramini - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro e Ari Vendramini (Relator).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-10-01T20:57:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-10-01T20:57:12Z; Last-Modified: 2018-10-01T20:57:12Z; dcterms:modified: 2018-10-01T20:57:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4a96b771-73c0-47c4-ac30-bd65b5eafaed; Last-Save-Date: 2018-10-01T20:57:12Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-10-01T20:57:12Z; meta:save-date: 2018-10-01T20:57:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-10-01T20:57:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-10-01T20:57:12Z; created: 2018-10-01T20:57:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2018-10-01T20:57:12Z; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-10-01T20:57:12Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 6.732 1 6.731 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000259/201096 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.808 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de agosto de 2018 Assunto PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS Recorrente FIBRIA CELULOSE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ari Vendramini Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro e Ari Vendramini (Relator). Relatório 1. Tratam os presentes autos de análise e acompanhamento de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de créditos de COFINS NÃO CUMULATIVA, vinculados á receitas de exportação relativas ao 4º trimestre de 2006 (01/10/2006 a 31/12/2006), no valor total de R$ 4.247.641,93, e de Declarações de Compensação (DCOMPs) onde se pretendem compensar vários débitos com o crédito oriundo do ressarcimento. 2. Conforme Despacho Decisório de fls. 6.093/6123 dos autos digitais, exarado pela DERAT/SP, estes autos tratam da análise dos seguintes documentos eletrônicos : RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .0 00 25 9/ 20 10 -9 6 Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.733 2 PER/DCOMP Nº TIPO DE DOCUMENTO ELETRÔNICO 40185.71061.271107.1.1.098663 Pedido de Ressarcimento 00258.19943.281107.1.3.099561 27376.91473.180609.1.7.093040 14791.61232.180609.1.7.092250 09865.45455.010709.1.3.099014 02997.83802.070709.1.3.090854 23791.80180.080709.1.3.099392 Declarações de Compensação 3. Após realizar as devidas análises e verificações, a DERAT/SP exarou Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações declaradas, vinculadas ao pretenso crédito. 4. Houve, por parte da contribuinte, apresentação de manifestação de inconformidade contra tal despacho decisório. 5. O relatório do Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE nº 1050.010, da sua 2ª Turma, assim resumiu os argumentos de defesa da contribuinte : Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 25/05/2012 (Termo de fl. 6.131) e, não se conformando, apresentou, através de procuradores, longa manifestação de inconformidade onde, inicialmente, referiu à tempestividade e aos fatos, aduzindo a seguir (de forma sintética): 1) Índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno 2) Momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos 3) Aproveitamento do crédito em meses subseqüentes Desnecessidade de retificação de DACON e DCTF 4) Glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos: a) inaplicabilidade das INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004 b) créditos sobre bens/serviços insumos c) insumos glosados indevidamente: d) crédito sobre a formação de florestas – ativo imobilizado exaustão: e) crédito decorrente de produtos adquiridos de terceiros f) crédito sobre fretes: 5) Créditos vinculados à receita de exportação 6) Conclusões: a) é inaplicável ao caso o ADI SRF nº 22/2002 para apuração do índice de rateio proporcional no que tange às receitas de exportação e mercado interno, haja vista que referida norma trata de norma isentiva; b) a empresa reconheceu créditos de bens e serviços utilizados como insumo no seu processo produtivo no momento oportuno, ou seja, no momento da entrada em seu estabelecimento, do insumo adquirido, pois operouse a tradição da coisa; c) ainda que assim não fosse, a legislação faculta ao contribuinte a possibilidade de aproveitar os créditos de bens e serviços em meses subsequentes (§ 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), o que foi desconsiderado pelo Fisco; d) é inaplicável ao caso as INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, pois trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente Fl. 6734DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.734 3 o conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa; e) a empresa tem direito a créditos de PIS/COFINS, seja em razão dos bens e serviços serem parte indispensável do processo produtivo (insumos), seja em razão das reservas florestais, mesmo estando classificadas contabilmente como ativo imobilizado, sujeitos à exaustão, pois quando da sua utilização, serão também insumos; f) também ensejam créditos aqueles bens ou serviços adquiridos de terceiros, inclusive no caso vertente; g) os fretes suportados durante todo o processo de produção ensejam direito ao crédito, inclusive aqueles destinados à aquisição de matéria prima, destinados à transporte dos produtos em fase de produção entre os estabelecimentos da própria empresa, bem como aqueles que foram realizados durante o processo de formação das reservas florestais que compõe o ativo imobilizado, pois esse constituemse custos de produção; h) todos os custos vinculados à receita de exportação, considerando que se trata de empresa exportadora de pasta de celulosa, conferem crédito de PIS/COFINS. 7) Pedidos: a) requer a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Tal diligência/perícia é necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos; b) diante da robusta comprovação de que os gastos realizados pela empresa são efetivamente indispensáveis, necessários à produção de seus bens destinados à venda, requer, em preliminar, a nulidade do DD e, por conseguinte, o acolhimento de sua manifestação. Devem ser reconhecidos na integralidade os créditos que foram glosados, seja com fundamento no valor de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumos para a produção da celulosa, seja baseado nos encargos de exaustão. 6. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/PORTO ALEGRE : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.735 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 28/05/2015 conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, ás fls. 6400 dos autos digitais, apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 30/06/2015, conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 6412 dos autos digitais, onde reitera seus argumentos da Fl. 6736DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.736 5 manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Na origem, a controvérsia originouse da análise dos créditos pleiteados de PIS/COFINS nãocumulativos, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003). A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e combustíveis. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada: Para tal, foram confrontadas: as apurações e declarações transmitidas pela empresa (DACON, DCTF, PER/DCOMP, DIPJ); os livros, documentos e arquivos eletrônicos fiscais e contábeis; e as notas fiscais eletrônicas e originais apresentadas em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001, por meio da utilização do ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício das atividades de fiscalização. Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na industrialização, com a respectiva classificação fiscal; os laudos de utilização dos diversos tipos de combustíveis, objeto do pedido de creditamento e documentos de constituição de participação em Consórcios. Conforme relatado, foram diversos os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, que podem ser separadas em quatro grandes grupos: i. Método de Apropriação de Custos – Rateio proporcional ii. Momento de apuração dos insumos e serviços como créditos iii. Aproveitamento de créditos extemporâneos iv. Insumos da nãocumulatividade Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. A Recorrente pleiteia todos créditos por entendêlos como essenciais para sua atividade. Fl. 6737DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.737 6 Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é amplo, implicando na assertiva de que insumo equivale a “custo de produção”. Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. As atividades desenvolvidas pela Recorrente são: a) a indústria e o comércio, no atacado e no varejo de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais, próprios ou de terceiros; b) comércio, no atacado e no varejo, de produtos destinados ao uso gráfico em geral; c) a exploração de todas as atividades industriais e comerciais que se relacionarem direta ou indiretamente com seu objetivo social; d) a importação de bens e mercadorias relativos aos seus fins sociais; e) a exportação dos produtos de sua fabricação e de terceiros; f) a representação por conta própria ou de terceiros; g) a participação em outras sociedades, no país ou no exterior, qualquer que seja a sua forma e objeto, na qualidade de sócia, quotista ou acionista; h) a prestação de serviços de controle administrativo, organizacional e financeiro às sociedades ligadas ou a terceiros; i) a administração e implementação de projetos de florestamento e reflorestamento, por conta própria ou de terceiros, incluindo o gerenciamento de todas as atividades agrícolas que viabilizem a produção, fornecimento e abastecimento de matéria prima para indústria de celulose, papel, papelão e quaisquer outros produtos derivados desses materiais; e j) a prestação de serviços técnicos, mediante consultoria e assessoria às suas controladas ou a terceiros. Ressaltese que há fato novo nos autos: a juntada de laudo técnico produzido pela Escola Superior de Agricultura da USP, em sede de recurso voluntário. Tal documento teve a finalidade de descrever o processo produtivo da Recorrente, desde a operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, bem como as etapas industriais da celulose e do papel: Fl. 6738DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.738 7 De antemão já se configura a necessidade de conversão do julgamento em diligência, em razão de o laudo ser um fato novo, o que demanda a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Todavia, há outros pontos que demandam esclarecimento. A seguir, analisa se uma a uma as glosas para delimitar o objeto da diligência proposta. MÉTODO DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS – RATEIO PROPORCIONAL (Lei nº 10.637/2002, art. 3º e art. 3°, 6º e 15 da Lei nº 10.833/2003) Ao longo de todo o período fiscalizado, a empresa utilizou o método do rateio proporcional para todos os custos. Ao final, a fiscalização: Através do levantamento dos valores referentes às Receitas do Mercado Interno e do Mercado Externo levantados anteriormente, chegouse a novos índices de rateio detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria. Para a autoridade fiscal, o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, nos termos do art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de Novembro de 2002: Art. 1º Para fins de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, considerase exportado para o exterior o bem que tenha saído do território nacional. Diante disso, os valores constantes no SISCOMEX (data do embarque) foram utilizados para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. Os dados foram extraídos pelo sistema DWAduaneiro. Por conseguinte, parte do crédito pretendido pela empresa não foi integralmente admitido, por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno. Por outro lado, para a Recorrente, o reconhecimento da receita deve ser na emissão da Nota Fiscal. Fl. 6739DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.739 8 Ademais, há ponto de extrema importância levantado pelo contribuinte em sua defesa: A lide e o que tem quer ser decidido nos presentes autos é: A receita decorrente de exportação indireta (venda no mercado interno para trading, com fim específico de exportação) deve ser contabilizada como receita de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, ou apenas devem ser considerados os valores constantes do SISCOMEX? Todo o arcabouço legal que regula a exportação indireta vigente leva a única conclusão possível de que os valores relativos a tais operações compõem a receita de exportação e, portanto, o índice do rateio. As empresas comerciais têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão trading company não é utilizada na legislação brasileira e na doutrina há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. As empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo Decretolei nº 1.248/1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, essa norma assegura os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE. Pelo Decretolei nº 1.248/1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação, entretanto, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial e 2) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012: A não incidência do PIS/Pasep e Cofins e a suspensão do IPI aplicam se a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior. Portanto, atualmente, há duas categorias de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE), sem diferenciação com relação aos incentivos fiscais. Essencialmente, as comerciais exportadoras são classificadas em dois grandes grupos: 1) as que possuem o Certificado de Registro Especial, denominadas “trading companies”, regulamentadas pelo De cretolei nº 1.428/1972, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.740 9 ordinária; e 2) as comerciais exportadoras que não possuem o Certificado de Registro Especial e são constituídas de acordo com Código Civil Brasileiro. As ECE devem atender certos requisitos: de acordo com o art.5º, caput, do DecretoLei nº 1.248/1972, e o art. 231 do Decreto nº 6.759/2009 ( Regulamento Aduaneiro Brasileiro), os impostos que forem devidos, bem como os benefícios fiscais de qualquer natureza, auferidos pelo produtorvendedor, com os acréscimos legais cabíveis, passarão a ser de responsabilidade da empresa comercial exportadora no caso de: a) não se efetivar a exportação dentro do prazo de cento e oitenta dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, na hipótese de mercadoria submetida ao regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação; b) revenda das mercadorias no mercado interno; ou c) destruição das mercadorias. para obter o Certificado de Registro Especial, a Empresa Comercial Exportadora (ECE) deve atender alguns requisitos, como ser constituída na forma de sociedade por ações (S.A.) e possuir capital social mínimo, já a ECE que não se enquadra nas exigências do DecretoLei nº 1.248/1972, pode ser constituída sob qualquer forma e não precisa ter capital mínimo. Regese, pois, pelo Código Civil Brasileiro. Porém, para ser caracterizada como ECE, dever ter o fim comercial em seu objeto social, realizar operações de comércio exterior, estar habilitada na Receita Federal (RFB) para operar no SISCOMEX (Instrução Normativa RFB nº 1.288/2012) e estar inscrita no Registro de Importadores e Exportadores da SECEX/MDIC (Portaria SECEX nº 23/2011, art. 8º). atualmente, as empresas que desejam atuar como empresas comerciais exportadoras devem estar habilitadas no registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Fazenda (MF), respectivamente, além de outros requisitos. Tratase de exigência contida no art. 229 do Regulamento Aduaneiro Brasileiro (Decreto nº 6.759/2009), que reproduz exigência prevista no DecretoLei nº 1.248/1972, que possui status de lei ordinária. De acordo com os arts. 228 e 229 do Regulamento Aduaneiro as operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o seguinte tratamento : serão consideradas destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou para depósito sob o regime extraordinário de entreposto aduaneiro na exportação. Tal tratamento aplicase às empresas comerciais exportadoras que estiverem registradas no registro especial da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de acordo com as normas aprovadas pelos Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda; estar constituída sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto e possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. O inciso VII do artigo 20 do Anexo I do Decreto nº 7.096/2010, dispõe sobre as prerrogativas de exame e análise de solicitações de inscrição, atualização e cancelamento de registro de “trading companies”. Registrada a sistemática da exportação indireta, é de se concluir que as alegações da Recorrente são pertinentes. Fl. 6741DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.741 10 Logo, quanto aos índices de rateio, é necessária a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno. Dito de outra forma, a autoridade fiscal deve investigar o valor da receita de exportação, decorrente também de exportação indireta (via trading), para que sejam computadas no rateio. Ressaltese que toda a documentação foi disponibilizada à fiscalização, como já mencionado. E, em sede de manifestação de inconformidade, a empresa juntou suas demonstrações contábeis, acompanhadas de parecer de auditores independentes. MOMENTO DE APURAÇÃO DOS INSUMOS E SERVIÇOS COMO CRÉDITOS (art. 3°, II, §1, I das Leis de regência) Transcrevese o relato da fiscalização: 40. A metodologia de apuração das entradas de mercadorias e serviços feita pela empresa baseiase no momento de lançamento da Nota Fiscal, em afronta à legislação citada acima: “dos itens (...) adquiridos no mês”. 41. Foram levantados casos, como por exemplo, a Nota Fiscal 000651 000 com emissão em 02/01/2006 cujo lançamento e crédito se deu apenas em 10/2006 (documento 4300104789). 42. Em estrito cumprimento às leis citadas acima, as notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS cujas emissões se deram fora do período da sua apuração foram glosadas. 43. A data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (critério este idêntico ao adotado pelo sistema ContÁgil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente homologado pelos órgãos centrais da RFB para o auxílio do exercício das atividades de fiscalização). 44. Não cabe à Autoridade Fiscal flexibilizar o critério temporal de apropriação dos insumos, alargandoo em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro da empresa. Desta forma, mesmo as notas fiscais emitidas ao final de um determinado mês devem ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês seguinte. O prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa efetue tais ajustes. 45. Vale ressaltar ainda que não cabe à Autoridade Fiscal realocar as notas fiscais nos meses corretos da sua emissão, e sim tão somente verificar a sua correta apropriação no DACON analisado, cabendo a sua simples glosa em caso contrário. Por sua vez, a Recorrente entende ser irrelevante a data (momento) de emissão da nota fiscal para fins de apuração dos créditos de PIS, por não ser aquele o momento Fl. 6742DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.742 11 da produção dos efeitos patrimoniais decorrentes da aquisição dos insumos (ou dos serviços). Entende que os efeitos somente se produzem no momento da entrega do bem/serviço, momento em que se dá a contabilização. Percebese falha na conduta da fiscalização ao glosar a integralidade das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS emitidas fora do período de sua apuração. É lícito ao contribuinte ter seu direito creditório analisado, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Aplicase aqui o CPC 30, que trata do preço justo para efeitos contábeis, hoje substituído pelo CPC 47. O CPC 30 era claro em seus itens 14 e seguintes, que diziam em síntese que a receita de venda de bens deve ser reconhecida quando forem satisfeitas as condições: a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e benefícios inerentes à propriedade dos bens, a entidade não tenha envolvimento na gestão dos bens vendidos, o valor da receita possa ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade e as despesas incorridas referentes à transação possam ser mensuradas com confiabilidade. Na maioria dos casos, a transferência dos riscos e dos benefícios inerentes à propriedade coincide com a transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo para o comprador. Se a entidade retiver riscos significativos da propriedade, a transação não é uma venda e a receita não pode ser reconhecida. Já na prestação de serviços a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte. O desfecho de uma transação pode ser estimado com confiabilidade quando o valor da receita puder ser mensurado com confiabilidade, for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade, o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte puder ser mensurado com confiabilidade e as despesas incorridas com a transação puderem ser mensuradas com confiabilidade. O reconhecimento da receita com referência ao estágio de execução de uma transação é usualmente denominado como o método da percentagem completada. Por esse método, a receita é reconhecida nos períodos contábeis em que os serviços são prestados. Para fins práticos, quando os serviços prestados correspondam a um número indeterminado de etapas, durante um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida pelo método linear durante tal período, a menos que haja evidências de que outro método represente melhor o estágio de execução da transação. Quando determinada etapa for muito mais significativa de outras, o reconhecimento da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada. Inclusive, a Solução de Consulta COSIT nº 111, de 22/04/2014 reconheceu a aplicação do CPC 30: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Cofins no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando Fl. 6743DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.743 12 as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Não integram a base de cálculo da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, as receitas referentes a vendas canceladas. No que diz respeito à prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados, sem a sua anuência, não foram contratados, ou seja porque o valor cobrado não tem previsão contratual. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º e 4º, caput, e § 1º; Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, § 1º, “a” e “b”; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. Diante do acima exposto, deve ser afastada a glosa integral das notas fiscais constantes nas memórias de cálculo das apurações do PIS e da COFINS, sob a justificativa de que as “emissões se deram fora do período da sua apuração”. Como os créditos não foram sequer objeto de devida análise, deve ser esclarecido em diligência fiscal a natureza desses créditos, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Fl. 6744DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.744 13 Observese a manifestação da fiscalização: 100. Identificado pelo contribuinte que um determinado crédito não foi utilizado no passado, existe a possibilidade do seu aproveitamento de forma extemporânea, ou seja, realizado fora de seu tempo normal. 101. Todavia, não há como acolher a pretensão de utilizar eventuais créditos apurados extemporaneamente sem retificar os Dacon e DCTF correspondentes, ou seja, retificar as declarações do mesmo período dos créditos, em face do disposto na Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005: “Art.11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) §4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora.” (grifos nossos) 102. Em suma, caso o contribuinte identifique em dez/2006 um crédito não utilizado em jan/2005, deve proceder a retificação do DACON jan/2005. 103. Devese salientar que, no caso de ter havido recolhimento das aludidas contribuições pela Consulente, a retificação dos Dacon e DCTF correspondentes é o único procedimento que permite a restituição de eventuais valores recolhidos indevidamente ou a maior devidamente corrigidos pela Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para Títulos Federais, haja vista que os créditos extemporâneos não admitem a incidência de atualização monetária ou juros de mora, consoante dispõe o art. 13 c/c art. 3o, § 4o, da Lei nº 10.833, de 2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art. 3, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e § 5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Fl. 6745DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.745 14 105. Finalmente, devese salientar que a apuração de créditos, bem como a retificação de declarações, relativos a períodos de apuração anteriores, deve respeitar o prazo decadencial de cinco anos. 106. Todavia, o critério temporal explicitado anteriormente (retificar as declarações do mesmo período dos créditos) não foi obedecido, de forma que as rubricas contendo créditos extemporâneos de períodos diferentes das da apuração de cada DACON foram glosadas. Como exemplo, podemos citar a auditoria realizada pela Ernst & Young em 03/2010 apropriando créditos de PIS e COFINS cuja base de cálculo foi de R$ 167.052.349,09 (referente aos períodos de apuração de 2005 e 2006), valor este devidamente glosado por esta fiscalização. 107. Acerca dos Créditos Extemporâneos VCP – Jacareí apropriados no 4º Trimestre de 2006, a empresa foi intimada a informar o período dos referidos créditos, todavia, não apresentou documentação comprobatória dos mesmos, nem de que período os mesmos foram apurados. Desta forma, os valores foram devidamente glosados. Assiste razão à Recorrente, quando afirma que a utilização de créditos extemporâneos não está vinculada à retificação de DCTF/DACON. Há claro equívoco na conclusão da fiscalização de que a apuração extemporânea de créditos somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, diante da ausência de previsão legal para tal exigência. A 3ª Turma da Câmara Superior, acórdão n° 9303006.248, já se manifestou quanto à utilização de créditos extemporâneos independentemente de retificação da DCTF e do DACON: CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4°, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Com isso, é imperiosa a análise pela fiscalização da pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente. Mais uma vez, é necessário apontar que a empresa apresentou o suporte documental à fiscalização, como já mencionado no início deste voto. Fl. 6746DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.746 15 Com isso, a unidade de origem deve analisar a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos apropriados extemporaneamente, para quantificálos. INSUMOS DA NÃOCUMULATIVIDADE (Arts. 3º das Leis de regência) Segundo a fiscalização, para que um bem seja considerado insumo à fabricação, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Logo, entre outros, não foram considerados como insumos: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes. Prosseguindo, para a fiscalização, as despesas com a constituição da floresta compõem o ativo imobilizado da empresa. Por isso, na análise dos insumos, foi aplicado o seguinte critério na auditoria: “Todo bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS nãocumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo ativo imobilizado da empresa.” Por isso, apontou: 58. Resta claro que os empreendimentos florestais destinados ao corte para comercialização, consumo ou industrialização devem ser classificados no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. O bem (floresta) sofrerá então exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Evidentemente que o valor da terra nua não deve aparecer na mesma conta do ativo imobilizado em que estiverem os recursos florestais, uma vez que a terra nua não pode ser objeto de exaustão. 59. Com isso, é fácil concluir que as despesas com a constituição da floresta não podem ser utilizadas como base para cálculo de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, na qualidade de insumos de seu produto final, já que o custo de constituição da floresta não é considerado custo de insumo à produção, mas custo de bem a ser incorporado ao ativo imobilizado. 60. Entre outros, não foram considerados como insumos: corrente de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos , serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de inventário florestal, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, Fl. 6747DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.747 16 monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem, sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores e outros veículos como a Komatsu, Volvo e John Deere). Em seguida, aduz a impossibilidade de desconto de créditos de exaustão, por não haver previsão legal para a apuração de créditos sobre encargos de exaustão incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado do contribuinte. Quanto à necessidade da aquisição dos insumos de terceiros, a fiscalização glosou as despesas relacionadas com a obtenção de madeira dos terrenos da empresa, a chamada Operação Florestal (clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita). Na mesma esteira, uma vez entendido que todos os esforços despendidos na Operação Florestal compõem o ativo imobilizado, glosou os fretes pagos na aquisição dos bens que compõem o ativo imobilizado. Por outro lado, a Recorrente aduz que é devida a tomada de crédito sobre a formação de florestas: plantio, silvicultura, corte, colheita, logística e transporte de toras de madeira e etc. por indispensáveis à elaboração da celulose. Aponta as efls. 19, 78, 90, 131 e 132 do laudo técnico da USP. Acrescenta que os serviços glosados estão elencados no laudo como indispensáveis ao processo produtivo da celulose, conforme itens 4 e 5 do documento, também ligados à formação das florestas. E ainda, que os dispêndios com clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndios e colheita são prestados por terceiros, pessoas jurídicas. a) Embalagem de apresentação e de transporte A fiscalização aceitou como insumo a embalagem de apresentação, entendendo que sua colocação determina a fase final da produção. Por outro lado, não considerou a embalagem para transporte como insumo. Assim, entre outros, não foram considerados como insumos: correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallet (palete) e caixas de papelão. O contribuinte defende o creditamento por entender que essas embalagens de transporte acondicionam as folhas de celulose produzidas, conforme descrição no laudo técnico. b) Insumos – Caracterização – SD 200815 Foram considerados como insumos: toras de madeira, produtos químicos utilizados no processo produtivo, tintas, feltros e telas (formação e desaguação da folha de papel) e telas de lavagem de polpa de celulose. E anda, foram considerados como insumos os “bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”, ocorrendo o contato direto com o produto final e/ou desgaste na sua utilização, como por exemplo: lâminas para remoção de resíduos em rolos da máquina de papel, esferas de vidro utilizadas no processo de pigmentação, pastilhas de frenagem de máquinas de papel, facas para corte de folha de celulose e de bobinas e correias de acionamento de equipamentos rotativos. Fl. 6748DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.748 17 Todavia, foram glosados os seguintes: despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de no breaks, encadernação de notas fiscais, copos para água mineral, almofada de carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras e óculos de segurança Bandido. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais: os equipamentos de proteção individual (efls. 19/20, 35 do laudo); a utilização de rádios comunicadores (efls. 27 do laudo) e insumos utilizados para análises químicas em laboratório (efls. 128 e 131 do laudo). c) Insumos – Passagens, hospedagens e despesas de veículos – SD 200815 Não foram considerados insumos: serviço com pagamento de estadia e translado, locação de veículos e despesas de transporte de supervisores. Aponta a empresa que tais dispêndios são essenciais, por se referirem à locomoção, ida e volta, até a floresta. d) Insumos Partes e Peças de Reposição – SD 200835 Apontou a fiscalização que as partes e peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica para manutenção de máquinas e equipamentos componentes do ativo imobilizado, utilizados diretamente na fabricação dos produtos destinados à venda (papel e celulose), são consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes de ação diretamente exercida sobre o bem fabricado e, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Foram considerados insumos: chapas de aço para reparos em caldeiras, cabos, barras e tubos metálicos utilizados em reparos de equipamentos, eletrodos de solda, bicos de chuveiro de lavagem de tela de máquina de secagem, peças hidráulicas de reposição (luvas, cotovelos e válvulas), graxas, óleos lubrificantes e óleos refrigerantes. Entretanto, foram glosados despesas com: as partes e peças de reposição, bem como o serviço aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma 2ª etapa, transformada em celulose, papel e papelão. Da mesma forma, as partes e peças de reposição, bem como o serviço aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas na área logística da empresa, seja antes ou depois da obtenção do produto final, foram glosados. Dentre outros, não foram considerados como insumos uma vez que não são relativos aos maquinários utilizados diretamente na obtenção do produto final: reparos em veículos de carga e peças de reposição de transpaleteiras. A Recorrente, com suporte no laudo técnico, aduz que estão descritos no laudo como essenciais as partes e reposição de peças (efls. 87 e 130 do laudo). Fl. 6749DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.749 18 e) Materiais de Construção Civil utilizados como insumos Não foram considerados como insumos, uma vez que seriam incorporados ao ativo imobilizado edificações: tijolo comum, tintas para utilização em pisos em geral, placa de gail para piso, lâmpadas de iluminação em geral, pedra brita, etc. Segundo a empresa, tratamse de reparos realizados na unidade fabril, essenciais. f) Fretes Hipóteses de Crédito – SD 200711 e g) Frete Transporte Intercompany Vedação de Crédito SD 200812 Neste tópico, entendeu a fiscalização que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadoria diretamente aos clientes não podem ser considerados como insumo. Então, não foram considerados: armazenagem/transporte de papel e logística. Mas foi considerado como insumo os referentes às despesas de exportação. E não os fretes relacionados a transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição ou de um centro de distribuição para outro. Já a Recorrente sustenta que todos os fretes de aquisição de matériaprima, os intercompany e o de aquisição de bens do ativo imobilizado integram o custo do produto, o que permite o creditamento. h) Combustíveis utilizados como Insumos SD 200837 A fiscalização acatou como insumo, o combustível utilizado no processo de fabricação do produto destinado à venda pela empresa; ou, em outras palavras, o empregado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção da celulose industrializada e vendida pela contribuinte. Descartou como insumo os combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos: GLP utilizado em empilhadeiras, gasolina utilizado no transporte de pessoal, Óleo diesel, Óleo biodiesel e GLP granel. Quanto aos combustíveis, a alegação da empresa é de que são fornecidos por ela e, são utilizados nas máquinas e em veículos de transporte aplicados ao processo produtivo da Operação Florestal (conforme itens 5.65 e 6.6 do laudo). Síntese do tópico “Insumos da nãocumulatividade” O laudo apresentado pela Recorrente em seu recurso voluntário teve o objetivo de demonstrar a essencialidade dos custos incorridos na formação, manutenção e exploração das florestas, afastando, por conseguinte, as glosas. Descreveu também as etapas industriais até o consumidor. Confirase a síntese do processo produtivo descrito no laudo técnico da USP: Fl. 6750DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.750 19 Fl. 6751DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.751 20 Fl. 6752DF CARF MF Processo nº 12585.000259/201096 Resolução nº 3301000.808 S3C3T1 Fl. 6.752 21 Na apuração de PIS/COFINS nãocumulativos, a prova da existência do direito de crédito indicado incumbe ao contribuinte. Consequentemente, confrontando o motivo das glosas, os elementos trazidos aos autos e o laudo técnico, vislumbrase como desnecessários novos esclarecimentos em sede de diligência fiscal, restando para julgamento a matéria referente à extensão do conceito de insumo e os reflexos da classificação das florestas como ativo imobilizado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) Por ser o laudo da Escola Superior da Agricultura da USP fato novo, manifestese a autoridade fiscal sobre ele; b) Verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação restaram caracterizadas ou se foram apenas realizadas no mercado interno; c) Analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal, para que se possa aferir se são insumos ou não, com a devida quantificação; d) Analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos; e) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; f) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; Após, que retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Ari Vendramini Relator Fl. 6753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.721312/2015-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ADVOGADO. DEDUÇÃO.
Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.
Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2401-005.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que seja deduzido o valor pago ao advogado da base de cálculo do imposto devido sobre os valores recebidos decorrentes da ação trabalhista e que este seja calculado em separado dos demais rendimentos recebidos.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que seja deduzido o valor pago ao advogado da base de cálculo do imposto devido sobre os valores recebidos decorrentes da ação trabalhista e que este seja calculado em separado dos demais rendimentos recebidos. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente SEBASTIAO DOMINGUES DE PAIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ADVOGADO. DEDUÇÃO. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que seja deduzido o valor pago ao advogado da base de cálculo do imposto devido sobre os valores recebidos decorrentes da ação trabalhista e que este seja calculado em separado dos demais rendimentos recebidos. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 13 12 /2 01 5- 30 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 17613.721312/201530 Acórdão n.º 2401005.809 S2C4T1 Fl. 95 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 10/13, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2011, exercício 2012, que apurou imposto suplementar de R$ 12.439,55, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, no valor de R$ 155.024,55, sujeito à tabela progressiva. O contribuinte não comprovou ser o rendimento recebido da fonte pagadora Incaper proveniente de aposentadoria. Em impugnação apresentada às fls. 2/6, o contribuinte informa que os rendimentos considerados omitidos foram recebidos acumuladamente em função de êxito na ação judicial de n°1373.1987.002.17. Defende que o valor tributável do referido processo seria de R$ 110.399,25 e que deste valor deveria ser deduzido o total pago a título de honorários advocatícios (R$ 22.971,76) o que resultaria em R$ 87.427,49, sobre o qual foi retida a contribuição previdenciária no valor de R$ 697,95 e do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 29.532,81. Afirma que este valor foi considerado correto pela RFB, pois foi restituído ao contribuinte o valor de R$ 32.864,28, em 15/7/13. A DRJ/CTA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme Acórdão 0654.717 de fls. 37/42, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. A isenção concedida aos portadores de moléstia grave está condicionada à apresentação de laudo médico oficial atestando a data de início da doença e à comprovação de que os rendimentos são decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma. RENDIMENTOS DO TRABALHO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A isenção concedida aos portadores de moléstia grave especificada na legislação tributária, não contempla os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial. Consta do voto do acórdão recorrido que: Dos rendimentos considerados omitidos, parcela foi recebida em decorrência de ação judicial (R$ 110.399,25) e o restante trata de rendimentos oriundos do trabalho, ambos provenientes da mesma fonte pagadora: Instituto Capixaba de Pesquisa Assistencia Técnica e Extenção Rural INCAPER. Como a legislação isentou apenas os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, não há, pois, como reconhecer o direito à isenção dos rendimentos oriundos do trabalho. Já em relação à omissão de rendimentos recebidos em Fl. 95DF CARF MF Processo nº 17613.721312/201530 Acórdão n.º 2401005.809 S2C4T1 Fl. 96 3 função de ação trabalhista movida pelo contribuinte contra a INCAPER, não foram trazidos aos autos documentos que corroborem suas afirmativas. O único documento que atesta a existência de demanda trabalhista é o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de IRRF, à fl. 14. Tal documento (que não traz nenhum tipo de autenticação) apenas menciona que os rendimentos são decorrentes de decisão da justiça do trabalho, mas não identifica e nem quantifica as parcelas pagas, ou a natureza das verbas, sendo impossível, portanto, estabelecer a existência ou o montante de rendimentos isentos. Tendo em vista que os rendimentos foram recebidos (após o transcurso de toda a ação judicial) no ano calendário de 2011 é seguro admitir a impossibilidade dos mesmos serem decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão, uma vez que a portaria de aposentadoria ocorreu em 06/2011. Os rendimentos que o impugnante percebeu não tem essa natureza jurídica, posto que foram pagos pelo seu antigo empregador. Caso se tratassem de proventos de aposentadoria, seriam exigidos da Previdência Social ou de eventual fundo previdenciário. Assim, não se tratando de proventos de aposentadoria, os rendimentos recebidos na ação trabalhista seguem a tributação comum, cabendo eventual isenção em razão da natureza jurídica da verba percebida. Não há como se afirmar que alguma das verbas recebidas seria isenta, tendo em vista não terem sido trazidas as autos quaisquer provas a respeito da natureza das verbas, do período ao qual se referem ou de sua forma de pagamento. Para corroborar suas alegações deveria o interessado ter trazido aos autos informações capazes de comprovar suas afirmações, tais como: a petição inicial, a sentença ou acordo judicial, os cálculos periciais das parcelas devidas e as guias de retirada. Em relação ao pedido de dedução dos gastos com advogados necessários à obtenção dos rendimentos da ação trabalhista, salientese que o contribuinte já efetuou esta dedução em sua DAA (fl. 28). Cientificado do Acórdão em 28/6/16 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 51), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/7/16, fls. 53/54, que contém, em síntese: Diz impugnar parcialmente o Acórdão 0654.717 que considera como rendimento tributável o valor de R$ 110.399,25 recebidos da Incaper, totalizando 169 meses, pagos em trinta parcelas, conforme acordo entre as partes. Repete o argumento da impugnação de que deste valor deveria ser deduzido o total pago a título de honorários advocatícios (R$ 22.971,76) o que resultaria em R$ 87.427,49, sobre o qual foi retida a contribuição previdenciária no valor de R$ 697,95 e do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 29.532,81, apurandose imposto devido de R$ 629,09 (anexo página 3 da declaração rendimentos recebidos acumuladamente). Requer seja cancelado o débito fiscal e restituído o valor devido. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 17613.721312/201530 Acórdão n.º 2401005.809 S2C4T1 Fl. 97 4 Às fls. 66/85 foram juntados os documentos relativos à referida ação trabalhista. À fl. 86 foi juntada DIRPF (aparentemente a entregue originalmente ou uma simulação) na qual consta a declaração dos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Da análise dos autos, vêse que o contribuinte apresentou uma primeira DIRPF (esta declaração não consta dos autos) e foi restituído do valor declarado de R$ 30.024,01. Em seguida, por entender ser isento (fato não mais arguido em sede de recurso), apresentou declaração retificadora (fls. 25/33) informando todos os rendimentos recebidos como isentos e pleiteando a restituição de R$ 45.663,71. Consta da DIRPF retificadora rendimentos recebidos da Incaper nos valores de R$ 76.960,01 e R$ 110.339,25, este último decorrente da ação trabalhista, conforme comprovante de rendimentos de fl. 14. Na notificação de lançamento, consta o valor de R$ 155.025,55 como rendimentos omitidos recebidos da fonte pagadora Incaper. Foram consideradas as deduções declaradas pelo contribuinte no valor de R$ 23.107,48 (montante que não inclui os honorários advocatícios). O contribuinte diz impugnar apenas os valores relativos à ação trabalhista, alegando que devem ser deduzidos os honorários advocatícios. Logo, reconhece o rendimento omitido no montante de R$ 76.960,01. Quanto ao rendimento decorrente da ação trabalhista, R$ 110.339,25, o contribuinte faz jus à dedução dos honorários advocatícios. Para o rendimento recebido acumuladamente RRA, a partir de 2010, deve se observar o disposto na Lei 7.713/98, art. 12A: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 17613.721312/201530 Acórdão n.º 2401005.809 S2C4T1 Fl. 98 5 Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.(Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifo nosso) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis:(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1oe 3o.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual.(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Ademais, na DIRPF enviada o contribuinte não há opção para que tais valores integrassem a base de cálculo do imposto sobre a renda sujeito ao ajuste anual. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 17613.721312/201530 Acórdão n.º 2401005.809 S2C4T1 Fl. 99 6 Sendo assim, devese aplicar a regra geral, devendo o imposto apurado sobre o valor recebido referente à ação trabalhista ser calculado em separado dos demais rendimentos recebidos, devendo ser deduzido o valor pago a título de honorários advocatícios. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento para que seja deduzido o valor pago ao advogado da base de cálculo do imposto devido sobre os valores recebidos decorrentes da ação trabalhista e que este seja recalculado considerando tributação em separado dos demais rendimentos recebidos. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 99DF CARF MF
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