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Numero do processo: 18088.720466/2011-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 04 66 /2 01 1- 39 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Do Processo, até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de 03 autos de infração, às efls. 03 a 18, cientificados ao contribuinte em 20/12/2011 (efls. 39/40), com relatórios fiscais às efls. 19 a 25. O objeto do presente processo são as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e para financiamentos concedidos em razão do grau de incidência da capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e aquelas destinadas aos Terceiros (Outras Entidades e Fundos): SESI _Serviço Social da Indústria, SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa. Os autos de infração relacionados às obrigações principais englobam créditos previdenciários relativos a remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados constantes das folhas de pagamentos e declaradas em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social e são: DEBCAD Nº DESCRIÇÃO VALOR CORRIGIDO 37.365.5908 EMPRESA + SAT/RAT Contribuições não declaradas em GFIP 337.347,66 37.365.5916 Terceiros Contribuições devidas a outras entidades 72.437,59 37.365.5894 AIOA CFL 68 Descumprimento de obrigação assessória. 22.866,45 TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 432.651,70 Em sua impugnação, às efls. 41 a 51, a empresa, que atua no ramo de indústria e comércio de móveis, máquinas, equipamentos e papelaria em geral, contestou o auto de infração. A 7ª Turma da DRJ/RPO considerou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 1437.984 de 14/06/2012, às efls. 70 a 76. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 81 a 106, no qual os argumentos se dirigem ao combate de sua exclusão do Simples. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 4 3 O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 17/09/2013, resultando no acórdão 2402003.728, às efls. 162 a 180, que tem a seguinte ementa: DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESFederal/ SIMPLESNacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito (diligências). A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 5 4 INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75% e, em relação a autuação por omissão de fatos geradores em GFIP, para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Recurso Especial da Fazenda A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 182 a 193, em 22/10/2013, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Tal entendimento seria suportado pelos acórdãos paradigmas: 2401002.740, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção do CARF, e 920202.086, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A divergência foi assim exposta: "De fato, para o acórdão recorrido, tratandose de auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória, a comparação para fins de aplicação da retroatividade benigna deve ser feita entre as penalidades previstas no revogado art. 32, IV, § 5º, e no novo art. 32A, ambos da Lei nº 8.212/91. Diversamente, os paradigmas defendem que, para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte, o procedimento correto consiste em somar a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista na sistemática antiga (art. 32, IV, § 5º) conjuntamente com a multa por descumprimento de obrigação principal (art. 35, II), e comparar com a multa única atualmente prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008." Fl. 216DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 6 5 Pelas razões expostas, o Procurador pleiteou o provimento do RE para que se reforme o acórdão recorrido, e se determine que a análise da norma mais benéfica aplicável ao caso seja verificada em cotejo com a incidência do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O Presidente da 4ª Câmara da Segunda seção de Julgamento do CARF através do despacho nº 2400071/2014, às efls. 196 a 198, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 22/01/2013. A contribuinte recebeu a intimação DRF/AQA/SACAT Nº 060/2014 (efl. 206) para ciência do acórdão do recurso voluntário e do RE da Fazenda em 14/03/2014 (efl. 207), sem que se manifestasse sobre ambos nos prazos regimentais É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Julgo, inicialmente, não haver como se afastar a aplicabilidade, ao caso, da retroatividade benéfica prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Para tanto, trago à colação os dispositivos de interesse ao caso sob análise, bem como excertos do brilhante voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão no 9.202003.070, proferido por esta mesma 2a Turma, em 13 de fevereiro de 2014, por concordar integralmente com os seus fundamentos, na forma a seguir transcrita: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Lei 8.212/1991 (Redação anterior): Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (g.n.): Fl. 217DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 7 6 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (...) Lei 8.212/1991 (nova redação): Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora (g.n.), nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício (g.n.) relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 8 7 Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as Fl. 219DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 9 8 prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora propriamente ditas e b) as multas lançadas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI Fl. 220DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 10 9 pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada, uma vez caracterizada a ocorrência de lançamento de ofício da obrigação principal através de NFLD(s) ou AI(s) correspondente(s), não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da estabelecida pela anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o. ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991 (aplicável para os casos de descumprimento de obrigação acessória relativa a prestação de informações em GFIP mesmo nos casos como o sob análise em que havia concomitante constituição de ofício da obrigação principal através de NFLD ou AI) com a do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, uma vez que a aplicação desta última, em meu entendimento, deve se cingir a casos em que há o efetivo recolhimento da contribuição previdenciária lançada, com somente a obrigação acessória tendo sido descumprida, sem lançamento de ofício. Fundamental notar ter decorrido a constituição da multa, originada pelo descumprimento de obrigação acessória em questão nos presentes autos, de procedimento de ofício. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou §5o da Lei nº 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s) (regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Outrossim, analisandose o relatório fiscal nas efls. 23 e 24, podese observar que, no tocante às contribuições previdenciárias, houve a aplicação da comparação acima descrita. Conclusão Dessarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência do Procurador da Fazenda Nacional para darlhe provimento e para que seja mantida a multa conforme calculada no lançamento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 221DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 18088.720466/201139 Acórdão n.º 9202003.997 CSRFT2 Fl. 11 10 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 10580.724905/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
I) LEVANTAMENTOS: AE1 e AE2 - ALIMENTAÇÃO SALÁRIO EDUCAÇÃO
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
II) LEVANTAMENTOS: TE, TE1 e TE2 - TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA.
São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral.
Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543-C do CPC, conforme determina o art. 62-A do RI-CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para: I) exclusão dos valores apurados nos levantamentos: AE1 e AE2 - ALIMENTAÇÃO SALÁRIO EDUCAÇÃO. Vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson que negavam provimento; e II) exclusão dos valores apurados nos LEVANTAMENTOS: TE, TE1 e TE2 - TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO. Vencidos os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Relator (Ronaldo de Lima Macedo) e Marcelo Oliveira. Designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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E LANÇAMENTO COM DEPÓSITO JUDICIAL Recorrente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL SENAC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). I) LEVANTAMENTOS: AE1 e AE2 ALIMENTAÇÃO SALÁRIO EDUCAÇÃO SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). II) LEVANTAMENTOS: TE, TE1 e TE2 TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral. Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543C do CPC, conforme determina o art. 62A do RICARF. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 49 05 /2 01 1- 18 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para: I) exclusão dos valores apurados nos levantamentos: AE1 e AE2 ALIMENTAÇÃO SALÁRIO EDUCAÇÃO. Vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Ronnie Soares Anderson que negavam provimento; e II) exclusão dos valores apurados nos LEVANTAMENTOS: TE, TE1 e TE2 TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO. Vencidos os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Relator (Ronaldo de Lima Macedo) e Marcelo Oliveira. Designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.724905/201118 Acórdão n.º 2402004.868 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2008 a 13/2008. O Relatório Fiscal (fls. 56/58) informa que as contribuições relativas ao SalárioEducação/FNDE, incluídos neste processo de débito, são oriundas das remunerações declaradas em folhas de pagamentos e não declaradas em GFIP, e foram depositadas judicialmente, conforme autorização do Processo 2003.33.00.0251800 (14ª Vara Federal). Este processo teve nova numeração (2519693.2003.4.01.3300) como Processo Ordinário cuja decisão foi prolatada em 15/09/2004 com a sentença "EXAME DO MÉRITO PEDIDO IMPROCEDENTE". O Processo encontrase no TRF desde 25/11/04 em grau de recurso. Os valores foram lançados por meio dos seguintes levantamentos: 1. TE TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO, 03/2008, levantado em separado em virtude de contribuinte estar efetuando depósito judicial ref. ao FNDE, processo 2003.33.00.0251800. Multa de mora de 24%; 2. TE1 TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO, 01/2008 a 11/2008, levantado em separado em virtude de contribuinte estar efetuando depósito judicial ref. ao FNDE, processo 2003.33.00.0251800. Multa de mora de 24%; 3. TE2 TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO, 12/2008 e 13/2008, levantado em separado em virtude de contribuinte estar efetuando depósito judicial ref. ao FNDE, processo 2003.33.00.0251800. Multa de ofício de 75%. 4. AE1 ALIMENTAÇÃO SALÁRIO EDUCAÇÃO, 01/2008 a 11/2008, alimentação sem PAT. Multa de mora de 24%; 5. AE2 ALIMENTAÇÃO SALÁRIO EDUCAÇÃO, 12/2008, alimentação sem PAT. Multa de ofício de 75%. Informa que. para os levantamentos AE1 e AE2, o contribuinte, no período auditado, não estava inscrito no PAT, formalidade essencial para que a rubrica alimentação/refeição seja excluída do salário de contribuição previdenciário. Em virtude de a empresa ter efetuado sua inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador somente em 22/12/09, conforme fotocópia anexa, todos valores pagos desta rubrica foram considerados salário de contribuição previdenciária. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 12/05/2011 (fl.01). Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 223/246), alegando, em síntese, que: 1. o beneficio alimentício não tem natureza remuneratória e o fato de a empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador não é suficiente para a modificação da natureza do instituto, consoante precedentes jurisprudenciais; 2. não procede o entendimento do auditor fiscal de que o presente lançamento tem o intuito de prevenir a ocorrência da prescrição, isto porque, o procedimento do depósito em juízo equivale ao procedimento de constituição do tributo/contribuição, estando por isso mesmo suspensa sua exigibilidade nos termos do art. 151, II, do CTN, e, assim, estando com o prazo de prescrição suspenso, não é possível que a autoridade fiscal proceda ao lançamento de ofício do mesmo crédito, sendo este o posicionamento jurisprudencial pátrio, conforme decisões colacionadas na defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 1532.654 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 355/370) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, já que exonerou a multa de mora e a multa de ofício para os fatos geradores lançados para prevenir a decadência (levantamentos: TE, TE1 e TE2). A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que os valores apurados em decorrência do salário in natura possuem natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.724905/201118 Acórdão n.º 2402004.868 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a outras Entidades/Terceiros. É importante esclarecer que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, a empresa havia ingressado com ação judicial e depositou judicialmente os valores destinados ao SalárioEducação, conforme Processo 2003.33.00.0251800 (14ª Vara Federal). Este processo teve nova numeração (2519693.2003.4.01.3300). Assim, considerando a discussão judicial acerca dos valores depositados judicialmente – especificamente no tocante à matéria submetida a apreciação judicial que se relaciona com a inexistência de relação jurídica da contribuição social destinada ao Salário Educação –, deve a presente análise e decisão restringirse às questões não discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário, que se referem, essencialmente, aos seguintes pontos enumerados abaixo. I) LEVANTAMENTOS: AE1 e AE2 ALIMENTAÇÃO SALÁRIO EDUCAÇÃO A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que o fato gerador decorrente da presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal, informando que “a empresa não possui o PAT para o período do presente lançamento”. Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Fl. 393DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.724905/201118 Acórdão n.º 2402004.868 S2C4T2 Fl. 5 7 Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação ou de ticketrefeição, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentação convênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 394DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Fl. 395DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.724905/201118 Acórdão n.º 2402004.868 S2C4T2 Fl. 6 9 Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária nem sujeita à incidência da contribuição destinada a Outras Entidades/Terceiros. II) LEVANTAMENTOS: TE, TE1 e TE2 – TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO A Recorrente alega que não seria necessária à realização do presente lançamento, já que este ocorreu por meio do depósito do montante integral em juízo. Entendese que não assiste razão à Recorrente, pois, no momento em que o sujeito passivo preferiu realizar o depósito do montante integral judicialmente, que também suspende a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, II, do CTN), o Fisco poderá realizar o lançamento fiscal – na hipótese em que a espécie tributária comporta lançamento fiscal, que é o caso dos autos –, pois é medida assegurada ao Fisco nos termos do art. 142 do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O lançamento fiscal, que constituiu o crédito tributário, somente não poderá ser lavrado quando o sujeito passivo encontrarse protegido por medida judicial impedindo especificamente o início do procedimento fiscal, com a aplicação das multas cabíveis, ou o próprio lançamento do crédito previdenciário. Neste caso, caberá ao Fisco buscar, por meio do órgão jurídico próprio, reverter judicialmente o obstáculo, abstendose, contudo, de iniciar a ação fiscal ou mesmo de lançar eventual crédito, enquanto durar a determinação judicial, que não é o caso do presente processo. Na espécie, no momento em que a Recorrente realizou o depósito judicial, isso suspende a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, II, do CTN1) e protege o devedor contra atos de cobrança do Fisco, mas não impede o seu lançamento para prevenir a decadência (art. 63 da Lei 9.430/19962), que foi o caso dos autos. Em outros termos, o lançamento 1 Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. 2 Lei 9.430/1996: Fl. 396DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 efetuado pelo Fisco encontrase amparado pelo art. 63 da Lei 9.430/1996, que prevê expressamente a figura do lançamento com a finalidade específica de prevenir a decadência da obrigação tributária, constituída por meio dos levantamentos: TE, TE1 e TE2 TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO. Portanto, o Fisco agiu no estrito cumprimento de seu dever legal, pois o lançamento é ato vinculado e obrigatório (art. 142 do CTN), procedendo corretamente ao lançar o crédito previdenciário, o qual ficará com sua exigibilidade suspensa até o final da demanda judicial ou até decisão judicial que lhe possibilite a cobrança. A Recorrente aduz pela aplicação do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF3, já que as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF, em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956/SP: “Processo: REsp 1140956 SP, Relator(a): Ministro LUIZ FUX Julgamento: 24/11/2010 Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidadeexecução. Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. 3 Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF), de 09/06/2015: Art. 62. (...). § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.724905/201118 Acórdão n.º 2402004.868 S2C4T2 Fl. 7 11 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." Fl. 398DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Extraise que os fundamentos definitivos dessa decisão (Recurso Especial nº 1.140.956/SP) são balizados na discussão da execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Nesse caminhar do conteúdo desse recurso especial, percebese ainda que a tese jurídica acolhida pelo STJ foi que de que a ocorrência do depósito do montante integral do débito exeqüendo, no bojo de ação instaurada pelo sujeito passivo (ação antiexacional4) e proposta em momento anterior ao ajuizamento da ação de cobrança, acarreta a extinção do executivo fiscal, bem como asseverou que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. Isso permite afirma que a ratio decidendi, que são os fundamentos jurídicos sustentáveis e imutáveis da decisão, manifestada no Recurso Especial nº 1.140.956/SP não é a impossibilidade de lançamento fiscal, constituído com a suspensão da exigibilidade e sem aplicação de penalidade, em decorrência do depósito judicial. Dentro desse contexto da tese jurídica do Recurso Especial nº 1.140.956/SP, impõese afirma que a manifestação desse recurso foi de que “os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, (...), têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta (item 4)” referese aos argumentos expendidos para completar o raciocínio, mas que não desempenham papel fundamental na formação do julgado e não vinculam outras decisões, tratandose de um conteúdo de fundamentação obter dictum e, portanto, distinto da fundamentação ratio decidend capaz de vincular as decisões proferidas pelas Turmas do CARF nos termos do artigo 62, §2o do RICARF. Em outras palavras, os argumentos de que “os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, (...), têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração”, registrados no Recurso Especial nº 1.140.956/SP, são expostos apenas de passagem na motivação da decisão, consubstanciando juízos acessórios/secundários, impressões ou qualquer outro elemento que não tenha influência 4 Classificação das ações tributárias quanto ao sujeito para a iniciativa da ação: a) Ação antiexacional: ação exercida ou inaugurada pelo contribuinte; instaurada pelo contribuinte que tende obstar o desenvolvimento do ciclo de positivação tributária; b) Ação exacional: ação exercida diretamente pelo Fisco: inaugurada pelo Fisco. (Referências bibliográficas: 1) CAIS, Cleide Previtalli. O processo tributário. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011; 2) MARINS, James. Direito Processual Tributário brasileiro. 4 ed. São Paulo: Dialética, 2005) Fl. 399DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.724905/201118 Acórdão n.º 2402004.868 S2C4T2 Fl. 8 13 relevante e substancial para a decisão, sendo apenas algo que se fez constar “de passagem”, não podendo ser utilizado com força vinculativa por não ter sido determinante para a decisão. Além disso, nos autos ora analisados, o lançamento foi formalizado com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial realizado pela Recorrente e, após decisão de primeira instância, ocorreu a exclusão da penalidade. Isso caracteriza uma situação distinta da manifestada no Recurso Especial nº 1.140.956/SP. Logo, os fundamento jurídicos que sustentam a decisão (ratio decidendi) proferida nos autos do Recurso Especial nº 1.140.956/SP (STJ), no rito do art. 543C do Código Processo Civil, não se referem à impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente, que é caso dos autos, e, com isso, não acato o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62, §2o do RICARF (Portaria MF no 343, de 09/06/2015). CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso, para, na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO para exclusão dos valores decorrentes da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator designado Para os Levantamentos TE, TE1 e TE2 TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO, ouso discordar do voto do Ilustre Relator quanto à questão da vedação ao fisco de efetuar o lançamento em razão da existência dos depósitos integrais do tributo no bojo de ação judicial. Valho da jurisprudência do STJ para solução desse ponto da contenda. O entendimento firmado no Tribunal, adotado em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, não admite a lavratura de lançamento fiscal quando o tributo encontrase com a exigibilidade suspensa em face de seu depósito integral. É o que se pode ver da ementa do Julgamento do REsp n.º 1140956, Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1.O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de Fl. 401DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.724905/201118 Acórdão n.º 2402004.868 S2C4T2 Fl. 9 15 inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: (...) 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: (...) 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: (...) 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Esta decisão deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF, por força do que dispõe o § 2.º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, verbis: "Art. 62(...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e Fl. 402DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Diante dessas considerações, para os Levantamentos: TE, TE1 e TE2 TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO, dou provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.725242/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUERES. DECLARAÇÃO DOS RENDIMENTOS EM NOME DO ESPÓLIO DO CÔNJUGE.
Os rendimentos considerados omissos pela fiscalização foram declarados pela contribuinte, como representante do espólio de seu cônjuge falecido, de modo que o valor declarado, oriundo de alugueres, deve ser excluído da autuação.
Numero da decisão: 2201-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão de rendimentos o valor de R$ 10.082,17.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 05/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão de rendimentos o valor de R$ 10.082,17. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 05/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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ALUGUERES. DECLARAÇÃO DOS RENDIMENTOS EM NOME DO ESPÓLIO DO CÔNJUGE. Os rendimentos considerados omissos pela fiscalização foram declarados pela contribuinte, como representante do espólio de seu cônjuge falecido, de modo que o valor declarado, oriundo de alugueres, deve ser excluído da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão de rendimentos o valor de R$ 10.082,17. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 05/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 52 42 /2 00 8- 02 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 25/09/2008, foi lavrada outra notificação referente ao exercício 2006, anocalendário 2005, em razão da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 10.082,17 recebidos pela fonte pagadora FININVEST Negócios de Varejo LTDA. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2, alegando que o rendimento é oriundo de bem declarado na DIRPF de Ítalo Del Cima Filho (fl. 33/34) e que a pequena diferença verificada se deveu a uma lapso de informação. Solicitou também a inclusão dos rendimentos do INSS em sua declaração. Considerando o disposto no art. 6ºA da IN RFB nº 958/09, os documentos apresentados e as questões de fato alegadas foram analisados pela autoridade lançadora, sendo lavrados Termo Circunstanciado (fls. 45/47) e Despacho Decisório (fl. 48), que consignaram a manutenção da omissão apurada, tendo em vista que a Impugnante não apresentou documentos que comprovassem que o beneficiário do rendimento de fato fosse Ítalo Del Cima Filho, como, por exemplo, a comprovação da propriedade do bem locado, o contrato de aluguel ou os recibos de pagamento dos aluguéis ou das comissões, observandose, ainda, que o valor declarado por Ítalo em sua DIRPF é divergente daquela constante na DIRF da locatária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tendo sido apurado que a Contribuinte recebeu e não declarou rendimentos tributáveis, caracterizado está o ilícito tributário e justificado o lançamento de ofício sobre os valores subtraídos ao crivo da tributação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que a cobrança é indevida, pois o rendimento foi declarado pela fonte pagadora do aluguel, FININVEST NEGÓCIOS DE VAREJO LTDA, no CPF da contribuinte e informado na declaração de rendimentos do espólio de Ítalo Del Cima Filho (falecido marido da senhora Zélia) feita pela contribuinte, que é a representante do espólio. Narrou a recorrente que o primeiro contrato de locação foi realizado com CRITERIUMBANK ADVISER DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15374.725242/200802 Acórdão n.º 2201003.249 S2C2T1 Fl. 112 3 MOBILIÁRIOS LTDA, no ano de 2002, utilizandose o CPF do falecido marido e todos os rendimentos dos alugueres eram declarados em nome dele, conforme constava no contrato. No ano de 2004, a locatária, com a anuência da locadora, cedeu seu contrato de locação à FINNIVEST S/A NEGÓCIOS DE VAREJO atual FINNINVEST NEGÓCIOS DE VAREJO LTDA, e, no instrumento de cessão de direitos, foi mencionado o CPF da recorrente. Assim, o espólio de Ítalo, por intermédio de sua inventariante (a contribuinte), em 2007, declarou os rendimentos de aluguéis no seu CPF e a fonte pagadora dos aluguéis declarou o imposto no novo CPF. Em razão do exposto, a fiscalização apurou a divergência e considerou a omissão. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, foi lavrada a presente notificação de lançamento em razão da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 10.082,17 recebidos pela fonte pagadora FININVEST Negócios de Varejo. Sustentou a contribuinte que os rendimentos considerados omissos foram declarados por ela, como inventariante, e, portanto, representante, na declaração do espólio de Ítalo Del Cima Filho (falecido marido da senhora Zélia). Tal situação ocorreu porque o primeiro contrato de locação foi realizado com CRITERIUMBANK ADVISER DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA, no ano de 2002, com a utilização do CPF do falecido marido e todos os rendimentos dos alugueres eram declarados em nome dele, conforme constava no contrato. No ano de 2004, a locatária, com a anuência da locadora, cedeu seu contrato de locação à FINNIVEST S/A NEGÓCIOS DE VAREJO atual FINNINVEST NEGÓCIOS DE VAREJO LTDA, e, no instrumento de cessão de direitos, foi mencionado o CPF da recorrente. Assim, o espólio de Ítalo, por intermédio de sua inventariante (a contribuinte), em 2007, declarou os rendimentos de aluguéis no CPF do espólio de Ítalo Del Cima Filho e a fonte pagadora dos aluguéis declarou o imposto no nome da recorrente. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, considerando a ausência de provas e mencionando que a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 contribuinte poderia ter apresentado o documento de propriedade do imóvel, o contrato de locação ou o contrato com a administradora para fazer prova do alegado. Em sede recursal, a contribuinte apresentou todos os documentos comprobatórios das suas alegações, fls. 50 a 87: a) Procuração constituindo como procurador ARY ABRAHÃO ELLIS para a administração dos bens imóveis, fls. 71/73; b) substabelecimento de ARY para MARILENA DA COSTA CHIANCA, fl. 74/75; c) Contrato de locação entre os proprietários (dentre eles a senhora Zélia) e a CRITERIUMBANK, fls. 56/59; d) Aditamento ao contrato de locação CRITERIUMBANK cedeu para a FININVEST, fls. 77/80; e) Aditamento ao contrato de locação, fls. 81/83; f) Cessão de direitos entre a FININVEST e a BANCRED, fl. 85/89; g) Contrato de honorário com a administradora de imóveis Mont'Clair Ltda, fls. 91/93; h) Certidão emitida pelo Juiz de Direito da Quinta Vara de Órfãos e Sucessões da Cidade e Estado do Rio de Janeiro dispondo sobre a condição de inventariante da contribuinte, fl. 94; i) Declaração da Administradora Mont'Clair Ltda discriminando todos os imóveis de propriedade da contribuinte, fl. 74; j) Matrícula do imóvel, fl. 95/98; k) DIRPF de Ítalo Del Cima Filho, na qual consta o valor recebido da FININVEST de R$ 11.129,35 e foram declarados os imóveis, fls. 99/106. Notase que, de fato, os valores considerados omissos na autuação foram declarados pela representante do Espólio de Ítalo Del Cima. Contudo, há uma diferença entre o valor declarado e o valor autuado, pois, segundo a recorrente, houve um lapso nas informações. Nesse contexto, CONHEÇO do recurso e DOU PARCIAL PROVIMENTO para excluir da autuação o valor de R$ R$ 10.082,17 (dez mil oitenta e dois reais e dezessete centavos) referente aos rendimentos recebidos FININVEST Negócios de Varejo LTDA. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15374.725242/200802 Acórdão n.º 2201003.249 S2C2T1 Fl. 113 5 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10880.035399/99-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
EXECUÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL NO BOJO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se insere na competência do CARF a execução de decisão judicial não levada à apreciação da Autoridade administrativa que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte.
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1).
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-002.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 EXECUÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL NO BOJO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se insere na competência do CARF a execução de decisão judicial não levada à apreciação da Autoridade administrativa que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido
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IMPOSSIBILIDADE. Não se insere na competência do CARF a execução de decisão judicial não levada à apreciação da Autoridade administrativa que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 53 99 /9 9- 67 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.035399/9967 Acórdão n.º 2201002.992 S2C2T1 Fl. 358 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Requerimento de Retificação de Declaração de IRPF (fl. 02 deste processo digital) do exercício de 1996, anocalendário 1995, com base nas disposições contidas na IN SRF nº 165/1998 e no Ato Declaratório SRF nº 006/1999. Por meio do DespachoDecisório nº 43/2000 (fl. 43) o requerimento foi indeferido sob o fundamento de que o documentado apresentado pelo Interessado evidenciava que a causa de seu afastamento do trabalho foi a aposentadoria e não a demissão em programa voluntário, de modo que não se tratava de uma indenização recebida a título de PDV. O Requerente apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 48/74, que não foi conhecida pela 3ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 105/109), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 PDV. RESTITUIÇÃO. CONCOMITÂNCIA. Estando o pedido objeto deste processo, quanto ao mérito, em discussão na via judicial, incabível qualquer manifestação nesta instância administrativa. Despacho decisório da DRF de origem que se reforma, de oficio, por não ter sido observado esta circunstância. Cientificado da decisão de primeira instância em 17/04/2008 (fl. 114), o Interessado interpôs, em 07/05/2008, o recurso de fls. 115/145, acompanhado dos documentos de fls. 147/173. Na peça recursal aduz, em determinado momento, o que se segue: A presente discussão foi travada em via judicial, tendo sido a mesma julgada procedente, declarandose a inexistência jurídicotributária entre o ora Recorrente e a União Federal referente ao desconto na fonte do imposto de renda incidente sobre as verbas pagas a título de adesão de incentivo à aposentadoria. A União Federal inconformada com a sentença apresentou recurso de apelação, tendo sido os autos encaminhados ao Tribunal Regional Federal TRF da 3ª Região. A Quarta Turma, por unanimidade, negou provimento à apelação da União Federal. Com o trânsito em julgado do Acórdão, o ora Recorrente ingressou com o pedido administrativo para que fosse restituído o imposto retido na fonte à época da rescisão contratual de emprego. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.035399/9967 Acórdão n.º 2201002.992 S2C2T1 Fl. 359 3 Importante frisar que o Recorrente não ingressou com pedido administrativo perante esta Delegacia da Receita Federal para que este órgão julgasse se seria devido ou não o imposto de renda sobre as verbas recebidas na ocasião de sua adesão ao Programa de Incentivo à Aposentadoria. Conforme anteriormente mencionado, houve sentença julgando procedente a ação ordinária, bem como acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, confirmando tal decisão. Portanto, o que o Recorrente busca neste processo administrativo é tão somente o cumprimento de uma decisão judicial, inclusive com trânsito em julgado da decisão. É o essencial relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Alega o Interessado que a mesma controvérsia aqui discutida foi travada na via judicial e julgada procedente; que a União Federal apresentou recurso de apelação e que a Quarta Turma do TRF da 3ª Região, por unanimidade, negou provimento à apelação da União; e que com o trânsito em julgado do acórdão ingressou com o pedido administrativo para que lhe fosse restituído o imposto retido na fonte à época da rescisão contratual de emprego. O Interessado, em verdade, já havia entrado com o “Requerimento Administrativo de Retificação de Declaração de IRPF” após o ajuizamento e antes do trânsito em julgado da ação ordinária judicial, mais precisamente em 23/12/1999, com fundamento nas disposições contidas na IN SRF nº 165/1998 e no Ato Declaratório SRF nº 006/1999. A decisão do TRF3 ocorreu em 26/10/2005, conforme consulta ao site do tribunal. Acrescento, por oportuno, que a decisão proferida no Acórdão do TRF3 direcionouse no sentido de negar provimento à apelação e à remessa necessária, de modo que prevaleceu a sentença de 1ª instância. Os seguintes excertos do “Relatório” do Acórdão do TRF3 nos informam o que foi decidido na sentença judicial de 1º grau: Exmo. Sr. Juiz Federal Conv. Manoel Álvares (Relator). Tratase de apelação e remessa oficial em face de r. sentença proferida nos autos de ação ordinária, em que o autor objetiva a compensação do valor que lhe foi descontado a título de imposto de renda na fonte sobre as verbas indenizatórias especiais por adesão ao Plano de Demissão Voluntária PDV da empregadora Eletropaulo S.A., com o próprio imposto de renda devido. Foi atribuído à causa o valor de R$ 19.288,26 (dezenove mil, duzentos e vinte e oito reais e vinte e seis centavos). Data do afastamento: 04/07/95. Ação ajuizada em 11/10/95. A MMª. Juíza sentenciante, apreciando o feito, julgou procedente em parte o pedido formulado, autorizando a compensação do que foi recolhido indevidamente, a título de imposto de renda incidente na verba discriminada como férias vencidas, férias Fl. 359DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10880.035399/9967 Acórdão n.º 2201002.992 S2C2T1 Fl. 360 4 proporcionais, terço constitucional sobre férias e incentivo à aposentadoria, devendo ficar sujeitos ao IR fonte as demais verbas. Deferiu a compensação com parcelas vincendas do próprio imposto de renda, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91, sujeitandose à ampla conferência pelo Fisco, observada a prescrição qüinqüenal. Determinou a correção monetária pelos índices oficiais adotados pela SRF para a correção de seus créditos. Como se vê, a decisão judicial deferiu ao Recorrente a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre determinadas verbas pagas por ocasião de sua adesão ao Plano de Demissão Voluntária. Fato é que o Interessado tinha duas opções após o trânsito em julgado: ou a execução da decisão na via judicial ou a compensação do imposto retido na via administrativa, nos termos disciplinados pela Receita Federal do Brasil – RFB, perante a Autoridade administrativa que jurisdiciona o seu domicílio fiscal e desde que atendidos os requisitos previstos normativamente. Nenhuma das duas opções foi utilizada pelo Recorrente, que agora se vale de um processo administrativo fiscal protocolizado após o ajuizamento da ação judicial e antes do trânsito em julgado da mesma para tentar executála. Ocorre que o objeto do presente processo administrativo é o mesmo da ação judicial ajuizada pelo Interessado, vale dizer, a recuperação do imposto de renda retido na fonte por ocasião de sua adesão ao plano de demissão voluntária. Nesse contexto, entendo que o recurso voluntário não merece ser conhecido, por dois motivos: a um, porque escapa à competência desta Turma de julgamento executar decisão judicial não levada à apreciação da Autoridade administrativa que jurisdiciona o domicílio fiscal do Interessado; a dois, porque importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 360DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 12269.001420/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Incidem contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pelas cooperativas aos contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2402-004.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência até a competência 11/2002, inclusive, a teor do § 4.º do art. 150 do CTN.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Incidem contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pelas cooperativas aos contribuintes individuais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência até a competência 11/2002, inclusive, a teor do § 4.º do art. 150 do CTN. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RECEBIMENTO DE REMUNERAÇÃO. VINCULAÇÃO AO RGPS NA CATEGORIA DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Os integrantes dos Conselhos Administrativo e Fiscal das cooperativas, quando recebem remuneração, filiamse ao Regime Geral de Previdência Social RGPS na categoria de contribuinte individual. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE AS REMUNERAÇÕES PAGAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pelas cooperativas aos contribuintes individuais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 14 20 /2 01 0- 21 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência até a competência 11/2002, inclusive, a teor do § 4.º do art. 150 do CTN. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12269.001420/201021 Acórdão n.º 2402004.976 S2C4T2 Fl. 566 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 19.209 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.083.9285. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, das contribuições dos segurados e das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros). A apuração fiscal foi levada a efeito com o agrupamento dos fatos geradores nos seguintes itens (levantamentos): a) DIG 15% (02/1999 a 02/2000): pagamentos de remunerações a membros da Diretoria, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal da Cooperativa; b) CIG 22,5% (03/2000 a 11/2006): pagamentos mencionados no item anterior; c) Levantamento FPG (01/1999 a 01/2007): diferenças entre as contribuições declaradas na GFIP e as efetivamente recolhidas, decorrentes de remunerações pagas a segurados empregados; d) DAL (10/2001; 11/2001 e 05/2005): diferenças de juros e multa em pagamentos efetuados fora do prazo legal. Cientificado do lançamento em 27/12/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação, cujas razões foram acatadas em parte pelo órgão de primeira instância. Foi afastada a suscitada nulidade, por entender a DRJ que o relato do fisco e os anexos colacionados apresentaram todos os elementos necessários ao perfeito entendimento da exigência fiscal, além de que a fundamentação legal mencionada abarca perfeitamente a situação fática narrada. Foi indeferido o pedido para a produção de prova pericial, por entender o órgão de julgamento da RFB que essa seria prescindível para a solução da contenda. A falta de indicação dos segurados envolvidos na apuração não mereceu acolhida. Na decisão de primeira instância mencionouse que o levantamento fiscal se deu com esteio na declaração do sujeito passivo mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Foram excluídas do crédito em razão da decadência as competências de 01/1999 a 12/2001, ressaltando a DRJ que houvera aplicado a regra do § 4.º do art. 150 do CTN para aferição do prazo decadencial. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Os membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal da cooperativa foram considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, uma vez que receberam remuneração pelo exercício do cargo, assim se justificou a procedência do lançamento. Os supostos depósitos judiciais dos valores exigidos foram desconsiderados, haja vista se tratarem de pagamentos efetuados no período decadente. A arguição do sujeito passivo em relação ao levantamento DAL também não foi acatada. Para a DRJ, o demonstrativo especifica de forma minuciosa os valores relativos a juros e multa, recolhidos a menor ou não recolhidos, não tendo sido apresentadas guias de valores de acréscimos legais recolhidos. Afirmase que todas as guias de recolhimento relativas ao CNPJ da autuada foram devidamente apropriadas na apuração, conforme demonstra o relatório de apropriação de documentos. Depois, acrescentase que a única compensação declarada em GFIP pelo sujeito passivo no período do lançamento foi em 05/2006 e esta não consta do lançamento, portanto, não tem razão o sujeito passivo quando afirma que as compensações quitariam diferenças apuradas. Quanto aos recolhimentos de contribuições sobre as remunerações dos segurados empregados, a DRJ enfatiza que estes foram insuficientes para quitar os valores devidos, o que deu ensejo ao lançamento das diferenças. Inconformada com a decisão, a empresa interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, trouxe à discussão os pontos abaixo. Afirma que renuncia a discussão acerca de diversas competências, cujos comprovante de recolhimento foram acostados. Insiste na ocorrência de cerceamento ao seu direito de defesa, haja vista que o relatório fiscal não apresenta a clareza necessária ao bom entendimento da exigência que lhe é dirigida. Devese reconhecer a decadência para as competências que vão até 12/2002. Alega que a remuneração paga aos membros do Conselho de Administração e Conselho Fiscal encontramse fora do campo de tributação das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal. Somente poderiam ser enquadrados como segurados da Previdência Social o presidente e os diretores administrativo e financeiro. Afirma que as contribuições relativas a esses diretores está quitada, conforme guias anexadas. Advoga que da forma como foi feito o lançamento não há como se saber quais as pessoas foram consideradas na apuração. Não há lei em sentido estrito que preveja a filiação dos membros do Conselho Fiscal como segurados obrigatórios da Previdência Social, tal previsão consta apenas em atos do Executivo. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12269.001420/201021 Acórdão n.º 2402004.976 S2C4T2 Fl. 567 5 Embora tenha declarado pagamentos feitos a membros de Conselho Fiscal e Administrativo, quando se deu conta de que tais contribuições eram indevidas, procedeu a retificação da GFIP. Sustenta que pedirá restituição dos valores indevidamente recolhidos. Apresenta decisão judicial que abonaria a sua tese de não incidência de contribuição sobre a remuneração paga aos membros dos conselhos citados. Afirma não reconhecer as diferenças de acréscimos legais apuradas. Assevera que juntou novos documentos, merecendo o acolhimento de suas razões. Tendo em vista a renúncia parcial da contestação administrativa, o crédito foi desmembrado, originando o Auto de Infração n.º 37.290.8330, onde segue a discussão sobre os pontos ainda controversos. É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12269.001420/201021 Acórdão n.º 2402004.976 S2C4T2 Fl. 568 7 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No caso sob apreciação, os autos demonstram claramente que se trata de diferenças de contribuições, o que inclusive consta no voto do relator da primeira instância, o qual encaminhou corretamente pela aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN. Todavia, ao efetuar a contagem do prazo, o relator nitidamente equivocouse ao afastar pela decadência apenas o período de 01/1999 a 12/2001. Vejamos. A data da ciência da lavratura foi 27/12/2007 (fls.08), assim, contandose cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, a decadência já teria se operado para as competências até 11/2002. Cerceamento ao direito de defesa Passo agora ao enfrentamento da preliminar de nulidade decorrente da falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do fisco. Asseverase que o fisco não desvencilhouse do ônus de provar a ocorrência do fato gerador, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas a membros dos Conselhos Administrativo e Fiscal (contribuintes individuais) e a segurados empregados. Na seqüência, indica expressamente que os valores foram obtidos das declarações em GFIP prestadas pelo próprio sujeito passivo. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento de remuneração por serviços prestados à cooperativa pelos cooperados eleitos para cargo de conselheiros, que é o fato gerador dos tributos lançados, foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Nesse sentido, vejo que a NFLD e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário. Por outro lado, o defeito material apontado pelo sujeito passivo, o qual consistiria na falta de indicação dos segurados incluídos na apuração, não merece ser acatado. É que, conforme já apontei, as bases de cálculo foram obtidas do sistema informatizado da Administração, o qual foi alimentado pelas informações prestadas pela própria empresa. Tanto isso é verdade, que o recorrente mencionou no seu recurso que teria retificado as GFIP no intuito de excluir justamente as remunerações sobre as quais incidiram as contribuições lançadas. Quanto à juntada de provas ao autos, tenho a afirmar que é certo que a auditoria tem o dever de juntar as provas das suas afirmações, todavia essa assertiva não é aplicável quando esses os elementos probatórios consistem na própria documentação exibida pelo sujeito passivo. Na espécie, o trabalho teve como lastro papéis apresentados pela própria empresa, não havendo de se querer que o fisco devesse juntar aos autos cópia de toda a documentação analisada. Posto que a empresa, sendo possuidora da documentação mencionada, teria ao seu dispor todos os elementos para se contrapor a peça de acusação. Observo ainda que não foi apontado qualquer divergência entre o levantamento fiscal e a documentação apresentada. Na verdade, o grande dissenso é de cunho jurídico, o qual se refere à incidência de contribuição sobre a remuneração paga aos membros dos Conselhos Fiscal e Administrativo. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa, encaminho por afastar a preliminar de nulidade do lançamento. Enquadramento previdenciário dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal Sobre a questão principal da lide, que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores repassados pelas cooperativas aos membros de seus Conselhos Administrativo e Fiscal, iniciamos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Fl. 572DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12269.001420/201021 Acórdão n.º 2402004.976 S2C4T2 Fl. 569 9 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao beneficiário. Não há dúvida que os valores pagos aos conselheiros é uma forma de remunerálos pelos serviços prestados às cooperativas, por esse motivo a Lei n.º 8.212/1991 trata essas pessoas como segurados obrigatórios da Previdência Social, como se pode ver dos dispositivos abaixo: Art.12.São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99): (...) g) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio corista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99). (...) O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, trata da questão nos seguintes termos: Art. 9° São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (Inciso e alíneas com redação dada pelo Decreto n°3.265, de 29/11/99) (...) i)o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem Fl. 573DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (...) Verificase que a vinculação à Previdência Social na categoria de segurado contribuinte individual decorre do recebimento de remuneração em razão da prestação de serviço, que indubitavelmente ocorre tanto com os membros da Diretoria, quanto aqueles que integram os Conselhos de Administração e Fiscal. Acerca dessa matéria há recentes decisões do Egrégio STJ que manifestam o entendimento quanto à incidência de contribuições sobre os valores pagos pelas cooperativas a essas pessoas. Vou transcrever dois precedentes: Ementa:TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVAS. CÉDULA DE PRESENÇA. MEMBROS DO CONSELHO FISCAL E DE ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. Sobre os valores pagos a membros de Conselhos de Administração e de Conselhos Fiscais de sociedades cooperativas, ainda que apenas a título de comparecimento às respectivas reuniões, incide contribuição previdenciária. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 330.711 RJ, publicado em 09/10/2103) Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO.ENTIDADES COOPERATIVAS. MEMBROS DOS CONSELHOS DE ADMINISTRAÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 12, v, "f", E 22 DA LEI 8.212/1991. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO DEMONSTRADA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou que "as cédulas de presença que são pagas pelas cooperativas aos membros de conselho de administração ou conselho fiscal representam retribuição pelo trabalho prestado. Válida a incidência de contribuições sobre esses valores (art. 12, V, eg, Lei 8.212/1991. (...) 4. Sobre a remuneração paga aos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal, inclusive de entidades cooperativas, incide contribuição previdenciária. Precedente do STJ: AgRg no REsp 1.117.023/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 19/08/2010. 5. Com efeito, tal categoria de pessoa física que recebe remuneração pelos serviços prestados à cooperativa ou sociedade anônima incluise no conceito de contribuinte individual (art. 12, V, "f", da Lei 8.212/1991), cuja interpretação não pode ser feita apenas literalmente, sob pena de ofensa ao princípio da solidariedade da Seguridade Social. 6. Agravo Regimental não provido... (AgRg no AREsp 566.132 MG, publicado em 09/12/2014) Fl. 574DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12269.001420/201021 Acórdão n.º 2402004.976 S2C4T2 Fl. 570 11 Verificase, portanto, que o entendimento do fisco, corroborado pela DRJ, está em perfeita sintonia com os ditames legais e com a jurisprudência dominante no STJ, não havendo razões para alteração na decisão recorrida quanto a esse ponto. Diferenças de Acréscimos Legais Excluídas as competências afastadas pela decadência, o levantamento DAL incluiu apenas a competência 01/2005, para a qual foram efetuados dois recolhimentos em 02/05/2005. Um deles há recolhimento de juros e multa, todavia em valor inferior ao efetivamente devido, no outro sequer houve a inclusão dos acréscimos legais. Portanto, é carente de razão o argumento da empresa de que não seria devedora de acréscimos legais, haja vista que não foi colacionado qualquer documento que indicasse a quitação das diferenças corretamente apontada pelo fisco. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência até a competência 11/2002, inclusive. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10880.903074/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Ausente os motivos expostos na peça recursal, descabe falar em nulidade do ato decisório de primeiro grau, mormente na circunstância em que não se vislumbra que o ato tenha sido praticado com cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. AUSÊNCIA
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.
IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES
Para fins de aproveitamento do imposto de renda retido na fonte na determinação do resultado fiscal, a lei impõe que: a) o contribuinte possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora do rendimento (art. 55, Lei nº 7.450, de 1985); e b) as receitas sobre as quais tenham incidido o imposto por antecipação tenham sido computadas na determinação do lucro real (inciso III, parágrafo 4º, art. 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). Ausente o atendimento a tais condições, descabe a dedução do imposto pago por antecipação na determinação do saldo do imposto a ser compensado.
Numero da decisão: 1301-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Ausente os motivos expostos na peça recursal, descabe falar em nulidade do ato decisório de primeiro grau, mormente na circunstância em que não se vislumbra que o ato tenha sido praticado com cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. AUSÊNCIA À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES Para fins de aproveitamento do imposto de renda retido na fonte na determinação do resultado fiscal, a lei impõe que: a) o contribuinte possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora do rendimento (art. 55, Lei nº 7.450, de 1985); e b) as receitas sobre as quais tenham incidido o imposto por antecipação tenham sido computadas na determinação do lucro real (inciso III, parágrafo 4º, art. 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). Ausente o atendimento a tais condições, descabe a dedução do imposto pago por antecipação na determinação do saldo do imposto a ser compensado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Ausente os motivos expostos na peça recursal, descabe falar em nulidade do ato decisório de primeiro grau, mormente na circunstância em que não se vislumbra que o ato tenha sido praticado com cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. AUSÊNCIA À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES Para fins de aproveitamento do imposto de renda retido na fonte na determinação do resultado fiscal, a lei impõe que: a) o contribuinte possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora do rendimento (art. 55, Lei nº 7.450, de 1985); e b) as receitas sobre as quais tenham incidido o imposto por antecipação tenham sido computadas na determinação do lucro real (inciso III, parágrafo 4º, art. 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). Ausente o atendimento a tais condições, descabe a dedução do imposto pago por antecipação na determinação do saldo do imposto a ser compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 74 /2 01 1- 56 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 178 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 179 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende compensar SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, relativo ao ano calendário de 2003, com débito de sua titularidade. Sirvome de fragmentos do Relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos e as razões trazidas pela requerente em sede de Manifestação de Inconformidade. [...] Por intermédio do despacho decisório de fl. 02, foi parcialmente reconhecido direito creditório a favor da contribuinte, no valor de R$ 433.808,96 e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada na PER/Dcomp sob exame até o limite do valor reconhecido, em razão dos seguintes fundamentos: a) a receita correspondente ao valor retido (Cód. 5273 IRRF OPERAÇÕES DE SWAP (ART. 74 L 8981/95) não foi oferecida à tributação; e b) retenção na fonte comprovada parcialmente em relação ao códigos de receita 1708 (IRRF REMUNERAÇÃO SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA) e código 3426 (IRRF APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA PESSOA JURÍDICA), tudo conforme demonstrativo anexo ao DD (fl. 04). Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 193/240, na qual alega, em síntese: a) o enunciado do art. 722 do RIR/99 não deixa dúvida de que, no que concerne ao efetivo direito ao crédito a que faz jus aquele que recebeu seu "acréscimo patrimonial" submetido à sistemática de retenção na fonte, já houve descontado do imposto sobre a renda, uma vez que este imposto foi (ou deveria ter sido art. 722 citado) retido e recolhido pela fonte pagadora; em sendo assim, não há como se admitir a glosa dos créditos tomados pela Manifestante na hipótese destes autos. Isto porque, em conformidade aos documentos fiscais (informes de rendimento) por ora trazidos a estes autos (documentos 05 a 11), comprovase de forma hialina que o IRRF foi efetivamente retido pelas fontes pagadoras, motivo pelo qual possui a Manifestante o direito certo de valerse destes créditos; A comprovação dáse conforme demonstra no quadro de fl. 20. Em sendo assim, certo é que não se pode admitir a postura adotada por esta Receita Federal em não reconhecer o direito ao crédito IRRF declarado pela Manifestante vez que tais créditos, conforme comprovadamente restou acima identificado, foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras (documentos 05 a 11) e, ato contínuo, devidamente informados na Ficha 53 da DIPJ (documento 12), de acordo com o que se comprova documentalmente. Protestou pela juntada dos informes de rendimentos relacionados aos CNPJ 15.124.563/000169; 18.135.624/000181 e 33.062.464/000181, vez que, em razão do tempo (informes de rendimentos relacionados ao ano de 2003) está encontrando dificuldades em localizálos. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 180 4 b) a respeito da glosa pela não comprovação do oferecimento das receitas à tributação, que conforme visto no tópico anterior, o IRFonte restou efetivamente retido pelas fontes pagadoras ali listadas e, ato contínuo, devidamente informado na Ficha 53 da DIPJ apresentada pela Manifestante, não havendo como se falar em restrições ou limitações ao aproveitamento deste crédito, haja vista estar este comprovado e regulamente documentado. Isto porque não se pode conceber a idéia de que uma suposta omissão do recolhimento do IRPJ invalide os créditos tomados a título de imposto de renda retido na fonte, justamente porquanto não se perfaz condição de existência do crédito de IRFonte o pagamento do IRPJ. Se (...) atentarem para a Ficha 09a da DIPJ da Manifestante (documento 13), irão verificar que naquele anocalendário a pessoa jurídica incorreu em prejuízo fiscal da ordem de R$ 11 milhões. Portanto, uma suposta omissão de rendimentos teria o condão de reduzir este prejuízo fiscal, mantendo intacto o volume de saldo negativo de IRPJ verificado naquele momento. Ora, é certo que, caso efetivamente aquela receita submetida ao IRRF não tivesse sido oferecido à tributação do IRPJ, estarseia diante de uma hipótese de sonegação deste tributo (IRPJ) o qual deveria ter sido apurado pelo Receita Federal dentro do prazo regulamentar. Contudo, fato é que esta situação hipotética não ocorreu. Isto porque, a receita referente às operações de swap (por sua vez objeto de retenções na fonte não homologadas por esta Fiscalização) foram sim levadas à tributação do IRPJ pela Manifestante em sua integralidade. Em outros termos: não há que se falar em não pagamento do IRPJ declarado em 2004 e relacionado ao anocalendário de 2003, em especial nas operações envolvendo swap. Cumpre registrar que a Manifestante é tributada na modalidade do "lucro real”, sendo certo que os montantes listados em seu livro diário na coluna "crédito", subtraídas as exclusões, restam necessariamente ofertadas à tributação do IRPJ. Em sendo assim, da análise do Livro Diário (fl. 23) 9...) observase que, os itens de números (1) e (2) correspondem às operações swap praticadas pela Manifestante neste período. Logo, subtraído do montante que foi pago nestas operações (débito) do total efetivamente recebido pela empresa a este título de contratos swap, temos a seguinte equação: (2) 14.699.250,13 + (2) 18.676.631,79 (1) 22.813.218,21 = 10.562.663,17 Por sua vez, do montante acima apurado, há que se reconhecer que foi efetivamente calculado o IRRF devido sobre a alíquota de 20%, conforme regulamentado pelo art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 25/01, combinado com o art. 36 da Lei n° 9.532/97 e art. 74 da Lei n° 8.981/95, sendo certo ter sido apurado sobre este montante o total de R$ 2.112.532,74 pago à título de IRRF, valor este indicado como item (3) do resumo do Livro Diário acima transcrito, sendo este, pois, que o valor efetivamente retido nesta operação (de swap). Ora, tratase exatamente do montante indicado pelo informe de rendimentos do Banco Itaú (documento 10) com relação ao mês de dezembro de 2003. Assim, fato é que mais uma vez se comprova a efetivação retenção na fonte de parte das receitas advindas das operações de swap praticadas pela Manifestante. Por sua vez, não se pode negar que este valor foi oferecido à tributação do IRPJ. Isto porque, bem observada a Linha 24 (Outras Receitas Financeiras) da Ficha Fl. 180DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 181 5 06A (Demonstração do Resultado PJ em Geral LR) da DIPJ entregue pela Manifestante no ano de 2004 (fl. 25). Ou seja, na composição do total de Receitas Financeiras oferecidas à tributação foram incluídos na tributação do montante de R$ 10.562.663,71 apurados como rendimento de operação de swap no mês de dezembro de 2003 no Banco Itaú (documento 10). A este montante de "Juros Incidentes sobre Operações de Hedge Coligadas Externas" (R$.15.791.067,05), somase, ainda, os rendimentos das demais operações de swap firmadas pela Manifestante e não reconhecidas pelo presente despacho decisório, conforme demonstrativo de fl. 25. Em sendo assim, comprovado está que todo o valor obtido a título de rendimento apurado no período de agosto a dezembro de 2003 foi oferecido à tributação conforme se infere da discriminação da Linha 24 da Ficha 06A da DIPJ apresentada pela Manifestante no ano de 2004 (anocalendário 2003). Logo, não há que se falar em glosa do IRRF especialmente com relação aos rendimentos obtidos nas operações de swap praticadas pela Manifestante vez que, demonstradamente restaram retidos tais valores pelas fontes pagadoras e, por sua vez, foram oferecidos à tributação, conforme comprovase da recomposição dos cálculos acima ofertada; c) Pede a conversão do julgamento em diligência para realização de perícia técnica em atendimento ao quanto expressamente disciplina o art. 16, inc. IV, do Decreto n° 70.235/72 vem a Manifestante formular os seguintes quesitos para resposta pelo Fisco: 1. Os informes de rendimentos (documentos 05 a 11) apresentados pelas fontes pagadoras da Manifestante estão de acordo com os critérios fiscais aceitáveis? Podese extrair dos mesmos o montante exato retido em nome da Manifestante em 2003? Qual seria este valor? 2. Pode este Fisco informar se o valor do IRRF foi diligentemente informado pela Manifestante nos documentos apresentados? Qual seria este valor para o ano de 2003? Verificase nos documentos arrolados pela Manifestante a utilização desse imposto retido, exceto no PER/DCOMP n° 06854.42651.210906.1.7.028529, que, de qualquer forma, impossibilite a sua disponibilidade para a compensação com outros débitos? 3. Está correta a composição de valores informada na Linha 24 da Ficha 6A da DIPJ 2004? 4. Podese verificar na DIPJ a alocação dos rendimentos referentes às operações de swap? Quais seriam as corretas Linha e Ficha para essa informação? 5. O item "71112 Juros sobre Operações de Hedge Coligadas Externos" foi utilizado pela Manifestante para a informação dos juros recebidos pelas operações de swap e seu conseqüente oferecimento à tributação. Este Fisco poderia informar se é possível atestar a inclusão desses rendimentos neste campo? Não o sendo, quais seriam os possíveis montantes incluídos neste campo? Existem nas declarações analisadas outras receitas passíveis de mesmo tratamento que poderiam ser informadas neste item da Linha 24 da Ficha 6A? 6. As receitas supostamente omitidas pela Manifestante, conforme despacho decisório exarado por essa Receita Federal, se incluídas na base de incidência do IRPJ do anocalendário de 2003, resultariam um lucro real ou prejuízo fiscal? Caso Fl. 181DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 182 6 resultem em lucro real, qual o montante de IRPJ seria devido sobre este lucro, e qual a nova composição do saldo negativo de IRPJ do período? Ao final, pede seja conhecida a manifestação de inconformidade apresentada, ofertandolhe integral provimento no sentido de reconhecer: (i) converter seu julgamento em diligência, conforme expressamente requerido nos termos do art. 16, inc. VI do Decreto n° 70.235/72, a fim de que sejam respondidas expressamente os quesitos acima elencados; bem como, (ii) seja definitivamente reconhecido o direito ao crédito de IRRF apurado no anocalendário de 2003 a que faz jus a Manifestante. Por conseqüência, reconhecidos os itens acima listados, requerse seja reconhecida a compensação objeto da presente manifestação de inconformidade, bem como se determine o cancelamento integral da suposta dívida atribuída à Manifestante quando da prolação do despacho decisório por ora combatido. ... A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 1447.148, de 28 de novembro de 2013, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. DIREITO CREDITÓRIO. RENDIMENTOS FINANCEIROS. TRIBUTAÇÃO. OFERECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. A restituição do saldo negativo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, apurado na declaração de ajuste de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, em razão de compensação de IRRF sobre rendimentos financeiros, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação de que as receitas financeiras correspondentes foram oferecidas à tributação. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e Fl. 182DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 183 7 alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. SUFICIÊNCIA DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS PARA A APRECIAÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. É desnecessária a realização de diligência ou perícia nos casos em que os documentos acostados aos autos são suficientes para a formação de convicção da Autoridade Julgadora. Às fls. 101/116, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 14 de fevereiro de 2014, por meio do qual a contribuinte: aponta contradições e vícios que, para ela, maculam de nulidade a decisão de primeira instância; traz argumentos e documentos que, a seu ver, comprovam a retenção do imposto e, por consequência, o direito ao crédito; sustenta não ser possível a glosa de créditos referentes a imposto de renda retido na fonte com base na alegação de "não oferecimento à tributação do IRPJ"; apresenta alegações e documentos que, para ela, comprovam a tributação de operações de SWAP; e argumenta ser necessária a realização de diligência fiscal. Em 17/03/2014, a contribuinte apresentou aditivo ao recurso voluntário, por meio da qual requereu a juntada de documentação complementar (fls. 122/140). É o Relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 184 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende compensar SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, relativo ao ano calendário de 2003, com débito de sua titularidade. Extraio do Despacho Decisório de fls. 02/06 as seguintes informações: i) o montante do SALDO NEGATIVO DE IRPJ indicado para compensação foi de R$ 2.831.358,89; ii) o referido saldo negativo teve como única parcela integrante o imposto de renda retido na fonte, por antecipação; iii) do citado imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 2.831.358,89, só foi confirmado o montante de R$ 433.808,96. Em conformidade com o item ANÁLISE DAS PARCELAS DE CRÉDITO, fls. 03/04 do Despacho Decisório, o não reconhecimento da integralidade do crédito pleiteado se deu em virtude das seguintes constatações: i) ausência de comprovação da retenção; e ii) ausência de comprovação da tributação da receita correspondente. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, como já visto, foi considerada IMPROCEDENTE. Aprecio, pois, as razões trazidas em sede de recurso voluntário. Esclareço de antemão que, em homenagem ao princípio da verdade material, conheço do aditivo de fls. 122/140. CONTRADIÇÕES E VÍCIOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO Relativamente ao argumento contido no ato decisório de primeiro grau no sentido de que não foi apresentado documento contábil ou fiscal, alega a ora Recorrente que, diante dos documentos de fls. 15/85 dos autos não poderiam subsistir dúvidas de que ela apresentou documentos fiscais e contábeis (informes de rendimentos, DIPJ e Livro Razão). Diz que não há na legislação atualmente vigente qualquer dispositivo que enumere todos os documentos necessários à comprovação do oferecimento à tributação das receitas vinculadas aos créditos de imposto retido na fonte. Alega que não há norma legal que obrigue os julgadores administrativos a converter o julgamento em diligência, mas, por outro lado, também não existe norma que dispense ou afaste o procedimento quando a matéria versar sobre compensação de tributos. Ao final, requer a anulação do ato decisório de primeira instância para que sejam apreciados os documentos que acompanharam a Manifestação de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 185 9 Inconformidade anteriormente apresentada, e se for o caso, para determinação de realização de diligência fiscal. Penso que as alegações da Recorrente não sejam merecedoras de acolhimento. Os documentos de fls. 15/85, que, a juízo da autoridade julgadora de primeira instância, são imprestáveis para elidir os fundamentos da glosa estampados no Despacho Decisório de fls. 02/06, são basicamente os seguintes: Manifestação de Inconformidade; documentos de identificação; procuração; ata; contrato social e alterações; PER/DCOMP; cópia do Despacho Decisório; informes de rendimentos; Demonstrativo e Resumo do imposto retido na fonte; cópia da Ficha 09 A da DIPJ/2004 (Demonstração do Lucro Real); e extrato, pelo que se pode supor, relativo à liquidação de uma operação de swap. Os únicos documentos que poderiam concorrer para a decretação da insubsistência da glosa em questão, seriam os informes de rendimentos. Contudo, como já dito, os valores glosados e os fundamentos para tal encontramse descritos no item ANÁLISE DAS PARCELAS DE CRÉDITO, fls. 03/04 do Despacho Decisório, quais sejam: i) ausência de comprovação da retenção; e ii) ausência de comprovação da tributação da receita correspondente. Os informes de rendimentos juntados pela Recorrente, porém, não dizem respeito a valores glosados, seja porque sequer constam da especificação constante do item acima referenciado, seja porque não foi a ausência da apresentação do INFORME que motivou a glosa. É certo que a legislação não especifica os documentos necessários à comprovação do oferecimento à tributação de determinados rendimentos, e, a meu ver, não seria apropriado fazêlo, eis que múltiplas e distintas são as formas de comprovação, a depender do caso concreto. Não obstante, é fora de dúvida de que, tratandose de receitas financeiras, bastava que a Recorrente indicasse em que item da declaração apresentada ao Fisco os valores correspondentes foram registrados, decompusesse, se fosse o caso, o montante ali computado e aportasse aos autos os documentos contábeis que serviram de suporte para tais registros. Não custa destacar que a eventual arguição de impossibilidade prática de anexação de volumosa documentação, não constitui motivo para que ao menos um indício de prova fosse trazido ao processo. O aporte aos autos desse "indício de prova" poderia, inclusive, servir de elemento justificador para a conversão do julgamento em diligência. A sua ausência, por outro lado, avaliza o decidido em primeira instância, até porque não se vislumbra entre os argumentos expendidos nas peças de defesa de que as provas não foram produzidas no processo em virtude de uma suposta inviabilidade prática. Tenho, pois, por improcedente a arguição de nulidade do ato decisório recorrido, e por prescindível a realização de diligência fiscal. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 186 10 COMPROVAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE Sustenta a Recorrente que é certo que o imposto retido na fonte representa uma modalidade de antecipação do imposto de renda da pessoa jurídica, cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento não é de quem recebeu a renda, mas, sim, de quem promoveu o pagamento. Diz que, assim, não há como se admitir a glosa dos créditos correspondentes, visto que, em conformidade com os documentos fiscais trazidos aos autos (informes de rendimentos), fica comprovada a retenção dos valores correspondentes por parte das fontes pagadoras. Como já dito, os informes de rendimentos aportados ao processo não guardam correspondência com as glosas discriminadas no Despacho Decisório de fls. 02/06. Com efeito, foram anexados ao processo os Informes de Rendimentos de fls. 74, 75, 77 e 78, correspondentes, respectivamente, ao HSBC (CNPJ nº 01.701.201/000189), ABN AMRO REAL (CNPJ nº 33.066.408/000115), ITAÚ (CNPJ nº 60.701.190/000104) e DEUTSHE BANK (CNPJ nº 62.331.228/000111), cujas glosas não se relacionam com a ausência de comprovação da retenção, mas, sim, com a ausência de comprovação do oferecimento à tributação da receita correspondente. A Recorrente, portanto, não traz aos autos os comprovantes de retenção reclamados pela Receita Federal, razão pela qual as glosas devem ser mantidas. IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DE CRÉDITOS DE IRRF SOB A ALEGAÇÃO DE NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES Alega a Recorrente que a glosa em questão não pode subsistir, seja por que é equivocada, visto que os rendimentos foram oferecidos à tributação, seja porque, ainda que assim não fosse, não seria o caso de não reconhecimento do crédito, mas, sim, de cobrança apartada do montante do IRPJ tido como não recolhido. Sustenta que, caso efetivamente ficasse demonstrado a omissão de tributação dos rendimentos, já teria decaído o direito da Fazenda de exigir o imposto correspondente, vez que já passados oito anos da entrega da DIPJ/2004. Argumenta que no ano calendário de 2003 incorreu em prejuízo fiscal, de modo que uma eventual omissão teria o condão de reduzir este prejuízo fiscal, mantendo intacto o volume de saldo negativo de IRPJ apurado. Como já visto, não foram aportados ao processo elementos capazes de comprovar que os valores glosados foram efetivamente oferecidos à tributação. Importante observar que ao recurso voluntário nada foi juntado nesse sentido. No que diz respeito ao aditivo apresentado em 17 de março de 2014, fls. 122/140, foram anexadas cópia de demonstrações financeiras (Balanço Patrimonial; Demonstração do Resultado do Exercício, Mutações do Patrimônio Líquido e Balancetes) que, de igual forma, não se prestam para comprovar a tributação dos valores questionados. O procedimento sob apreciação diz respeito à aferição da liquidez e certeza do crédito indicado para compensação tributária, e, nesse sentido, cabe apenas verificar, relativamente aos montantes que integraram o referido crédito, se foram observadas condições estampadas em lei para que tais valores possam ser admitidos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 187 11 No que diz respeito ao imposto de renda retido na fonte, único item submetido a verificação por parte da autoridade competente para apreciar o pedido de compensação formalizado pela Recorrente, para fins de aproveitamento na determinação do resultado fiscal, a lei impõe que: a) o contribuinte possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora do rendimento (art. 55, Lei nº 7.450, de 1985); e b) as receitas sobre as quais tenham incidido o imposto por antecipação tenham sido computadas na determinação do lucro real (inciso III, parágrafo 4º, art. 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). Ausente o atendimento a tais condições, descabe a dedução do imposto pago por antecipação na determinação do saldo do imposto a ser compensado. Diante da natureza da averiguação empreendida pela autoridade competente na aferição do crédito indicado para compensação, restrita, como dito, à verificação do atendimento às condições para que o imposto pago por antecipação possa ser aproveitado na determinação do resultado fiscal final, descabe falar em cobrança apartada dos rendimentos eventualmente não oferecidos à tributação, e muito menos em retificação do prejuízo fiscal declarado. Imprópria, também, a alegação de caducidade, eis que, não custa repisar, a averiguação promovida no âmbito da Delegacia da Receita Federal ficou circunscrita às condições de dedutibilidade do imposto de renda retido na fonte na apuração do saldo do imposto. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS OPERAÇÕES DE SWAP PERÍCIA TÉCNICA Afirma a Recorrente que os rendimentos referentes às operações de swap foram oferecidos à tributação, em sua integralidade. Diz que, na composição do total de receitas financeiras oferecidas à tributação, foi incluído o montante de R$ 10.562.663,71 correspondente a rendimentos de operação de swap do mês de dezembro de 2003 no Banco Itaú, e que, ao montante de JUROS INCIDENTES SOBRE OPERAÇÕES DE HEDGE (R$ 15.791.067,05), somase ainda os rendimentos das demais operações de swap. Argumenta que o julgamento deve ser convertido em diligência, visto que a compensação sob análise é merecedora de uma apuração mais detalhada (formula quesitos). A questão da comprovação do oferecimento à tributação dos valores questionados pela Delegacia da Receita Federal, a meu ver, já foi suficientemente apreciada, cabendo reiterar que, como bem assinalou o ato decisório recorrido, a Recorrente não aportou ao processo documentos hábeis e idôneos que, ainda que não comprovassem por inteiro citada tributação, ao menos sugerissem que tal fato efetivamente ocorreu. Em tal circunstância, também como já assinalei, o procedimento de diligência revelase impróprio, eis que ele não se presta para produzir provas para qualquer das partes envolvidas na controvérsia. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10880.903074/201156 Acórdão n.º 1301002.040 S1C3T1 Fl. 188 12 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000098/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento. Ausente justificadamente e momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento. Ausente justificadamente e momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento. Ausente justificadamente e momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 09 8/ 20 10 -1 1 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000098/201011 Resolução nº 1401000.267 S1C4T1 Fl. 3 2 Dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente. A constitucionalidade de referido instrumento está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601.314. Ainda, no RE 410.054 AgRg, foi determinado o sobrestamento do feito até o julgamento do processo em repercussão geral. Segundo o art. 62, § 1º Código de Processo Civil, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543b, do CPC”. Ainda, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543B do CPC. Senão, veja se: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (sem grifos no original). Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal, impõe que todo processo onde tiver havido repercussão geral deverá ser sobrestado, independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leiase o dispositivo, in verbis: PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 543B, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 11.418/06, e no art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno, com redação da Emenda Regimental nº 21/07, RESOLVE: Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais os processos múltiplos ainda não distribuídos relativos a matérias submetidas à análise de repercussão geral pelo STF, os encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543B, do Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000098/201011 Resolução nº 1401000.267 S1C4T1 Fl. 4 3 Código de Processo Civil,bem como aqueles em que os Ministros tenham determinado sobrestamento ou devolução. Por fim, a Portaria nº 01/2012 deste Conselho determina o sobrestamento do feito, sempre que, cumulativamente, a matéria encontrase em repercussão geral e tiver havido ordem de sobrestamento de processos por força de referida situação. No caso, essa cumulação de requisitos se apresenta pelos RE 601.314 e RE 410.054 AgRg, ambos do Supremo Tribunal Federal. Pelo exposto, nos termos da Portaria nº 1 do CARF, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente feito até ulterior análise da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Transitada em julgada a decisão do Excelso Pretório, retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000695/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 01/09/2002
O PEDIDO DE RESITUIÇÃO DEVE SER FEITO DENTRO DO LUSTRO LEGAL. CASO, ULTRAPASSADO ESSE MARCO, IMPÕE-SE O RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 01/09/2002 O PEDIDO DE RESITUIÇÃO DEVE SER FEITO DENTRO DO LUSTRO LEGAL. CASO, ULTRAPASSADO ESSE MARCO, IMPÕE-SE O RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente COMAU DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 01/09/2002 O PEDIDO DE RESITUIÇÃO DEVE SER FEITO DENTRO DO LUSTRO LEGAL. CASO, ULTRAPASSADO ESSE MARCO, IMPÕESE O RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 06 95 /2 00 7- 87 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000695/200787 Acórdão n.º 2202003.166 S2C2T2 Fl. 768 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o requerimento de Restituição de Retenção, referentes a competência 08/2002, fls. 04 a 10, apresentado, em 28/09/2007, COMPROT, fls. 03, acompanhado dos documentos, de fls. 11 a 250; 255 a 630. O órgão fiscal emitiu o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 636 e 637, recebido pelo contribuinte, em 12/08/2009, inaugurando o procedimento fiscal no requerente da restituição. Consta, as fls. 639, Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF, recebido pelo contribuinte, supostamente, em 30/09/2009. O órgão fiscal, anexou, aos autos, as fls. 640 a 718. Feito a análise do pleito da empresa pelo agente fiscal designado este emitiu o Despacho Decisório Nº 1.396/2009, de fls. 719 a 723, onde o pedido de restituição foi indeferido. A requerente foi cientificada do indeferimento, conforme Ofício nº 1.232/2009 /SAORT/DRF CON, de fls. 725, em 09/10/2009. A empresa apresentou petição de manifestação de inconformidade, as fls. 729, recebida, em 06/11/2009, com suas razões de inconformismo, as fls. 729 a 733, acompanhada dos documentos, de fls. 614 a 618. A manifestação de inconformidade foi considerada tempestiva, fls. 739. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0225.598 7ª, Turma DRJ/BHE, em 18/02/2010, fls. 740 a 746. No qual a manifestação de inconformidade foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 04/03/2010, conforme AR, de fls. 749. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 750, recebida, em 05/04/2010, com razões recursais, as fls. 751 a 754, acompanhado do documento, de fls. 754. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Preliminar. · que não ocorreu a prescrição, pois a contribuição é sujeita ao lançamento por homologação e assim o prazo prescricional contase a partir da dita homologação seja a tácita ou a expressa, aliás, é isso que diz o artigo 219, da IN MPS/SRP 03/2005, sendo que com a LC Fl. 768DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000695/200787 Acórdão n.º 2202003.166 S2C2T2 Fl. 769 3 118/2005 a norma administrativa foi revogada em 2007, mas doutrina e jurisprudência são uníssonas em dizer que a LC 118/2005 só pode regular fato após sua entrada em vigor, cita decisão do STJ, demonstrada a inexistência da prescrição a decisão deve ser reformada; · Requerimentos: a) que o recurso seja provido, deferindose a restituição pleiteada. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 762. O processo foi remetido ao CARF, fls. 762. Consta, as fls. 764, Termo de Apensação (1), o qual informa que foi juntado por apensação a esse processo, o processo 13601.000151/200804. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 22/01/2015, Lote 01, fls. 765. É o Relatório. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000695/200787 Acórdão n.º 2202003.166 S2C2T2 Fl. 770 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetarão o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Preliminar. O contribuinte recorrente não tem razão em suas alegações o artigo 219, da IN/ MPS/SRP Nº 03/2005 já estava revogado quando do requerimento da restituição. Ademais, a lei que rege a matéria é clara ao dizer que o prazo para pleitear a restituição é de cinco anos, artigo 168, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 258, do Decreto 3.048/99. A cizânia inaugurada com a entrada em vigor da LC 118/2005 foi definitivamente debelada pela decisão do STF, como abaixo transcrito. É inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 [“Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional”; CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados”]. Esse o consenso do Plenário que, em conclusão de julgamento, desproveu, por maioria, recurso extraordinário interposto de decisão que reputara inconstitucional o citado preceito — v. Informativo 585. Prevaleceu o voto proferido pela Min. Ellen Gracie, relatora, que, em suma, assentara a ofensa ao princípio da segurança jurídica — nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV, da CF — e considerara válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005. Os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC Fl. 770DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13601.000695/200787 Acórdão n.º 2202003.166 S2C2T2 Fl. 771 5 118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos (pagamento indevido) ocorridos após o término do período de vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que davam provimento ao recurso. RE 566621/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 4.8.2011. (RE 566621) (realcei). A decisão do Supremo Tribunal Federal STF não deixa margem a dúvidas aplicase o prazo prescricional de cinco anos para todas as ações ajuizadas, depois do vacatio legis, da LC 118/2005, isto é, para todos os pedidos feitos após 09/06/2005. No presente caso ficou estabelecido que o pedido administrativo se deu, em 28/09/2007, COMPROT, fls. 03. Logo, a prescrição já havia se operado e o direito a restituição sucumbido, pois esse referese a competência 08/2002, fls. 04 a 10, com pedido de restituição apresentado, em 28/09/2007, COMPROT, fls. 03, após o decurso do prazo legal. O presente Acórdão não reconhece ao contribuinte direito creditório de qualquer espécie ou origem, cuidando, única e exclusivamente da questão do indeferimento do pedido de restituição, em razão da ocorrência da prescrição. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720082/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-000.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .7 20 08 2/ 20 11 -4 1 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 15868.720082/201141 Resolução nº 2201000.207 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em ribeirão Preto, Acórdão 1436.658 da 9ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O crédito tributário foi mantido em parte com a exclusão da contribuição incidentes sobre as parcelas paga a título de cestas básicas aos empregados (de ofício). O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização, em relação ao contribuinte acima identificado, abrangendo os seguintes debcads: · 37.340.0675 –incluindo a contribuição devida pela empresa à Previdência Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja remuneração foi identificada na contabilidade da empresa, folhas de pagamento, notas fiscais de prestação de serviços e recibos de pagamento de autônomos. Inclui, ainda, a contribuição devida pela empresa incidente sobre as cestas básicas fornecidas aos empregados sem a devida inscrição no PAT e a contribuição devida por subrogação, incidente sobre a comercialização de produção rural. · 37.340.0683 – incluindo a contribuição devida pelos segurados empregados incidente sobre a remuneração paga a título de cestas básicas, posto que a empresa não é optante pelo PAT. · 37.340.0691 – incluindo a contribuição devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, cabendo à empresa contratante a responsabilidade pelo desconto da remuneração e posterior recolhimento. · 37.340.0705 – incluindo a contribuição devida pela empresa às outras entidades e fundos, incidente sobre a remuneração paga aos empregados, inclusive a título de cestas básicas e sobre a comercialização da produção rural, devida por subrogação. · 37.340.0667 – incluindo a multa devida em decorrência do descumprimento da obrigação acessória estabelecida no artigo 32, IV e §5o da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Fl. 901DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 15868.720082/201141 Resolução nº 2201000.207 S2C2T1 Fl. 4 3 contribuições previdenciárias. Os valores que deixaram de constar em GFIP encontramse relacionados no item 9.3 do Relatório Fiscal. IMPUGNAÇÃO Por não concordar com os termos da autuação a empresa, por seu procurador constituído, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, a insubsistência de todo o auto de infração. Argumenta ter optado pelo parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, incluindo todos os débitos e, conseqüentemente, aqueles apontados pela autoridade fiscal, requerendo o cancelamento da exação fiscal. Além disso, menciona ter apresentado todas as GFIPs no período indicado, contendo todas as suas obrigações tributárias. Que por ter ocorrido a apresentação de novas GFIPs, estas indiretamente substituíram as anteriores, gerando a suposta incompletude das informações prestadas. Entende, porém, que não houve a retificação com a substituição da GFIP anterior, pois conforme o manual da GFIP haveria de ser solicitada a exclusão das informações anteriores, o que não ocorreu. Menciona a disposição contida no artigo 463 da Instrução Normativa RFB nº 971/09, que prescreve que se a GFIP posterior apresentar valores menores que os anteriormente declarados, como no caso, haveria necessidade de ser tal modificação feita por requerimento administrativo, sob pena de não ter efeitos tributários. Assim, por considerar válidas as GFIPs anteriormente apresentadas e considerando a opção da empresa pelo parcelamento da Lei nº 11.941/09, manifestase pela nulidade da autuação. Caso superada a insubsistência de todo o Auto de Infração, como antes alegado, pugna pelo cancelamento da penalidade aplicada pelo suposto descumprimento da obrigação acessória. Menciona o artigo 125A da Lei nº 11.941/09 argumentando que a competência funcional para a prática do ato é exclusiva dos agentes do INSS. Em relação à contribuição decorrente da produção rural, aduz ser indevida devido à inconstitucionalidade declarada pela sessão plenária do STF. Argumenta que a Lei nº 8.540/92 instituiu nova contribuição social destinada ao financiamento da Seguridade Social, sem a existência de previsão constitucional para tanto e, ainda, por meio de lei ordinária. Manifestase, assim, pela inconstitucionalidade da contribuição exigida nos moldes do artigo 1o da Lei nº 8.540/92, conforme decidiu o plenário do STF por ocasião do julgamento do RE nº 363.8521/MG. Requer, assim, seja afastada a obrigação de pagar o tributo considerado inconstitucional e objeto deste auto de infração. Aduz, ainda, que a edição da Lei nº 10.256/2001 não supriu a inconstitucionalidade reconhecida, pois houve a instituição de nova fonte de custeio da seguridade social (receita bruta da comercialização Fl. 902DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 15868.720082/201141 Resolução nº 2201000.207 S2C2T1 Fl. 5 4 da produção dos empregados rurais) sem o competente instrumento normativo para tanto, qual seja, a lei complementar. Argumenta, ainda, que a contribuição social exigida contém a mesma base de cálculo da COFINS, qual seja, o faturamento, entendido como receita bruta, sem a necessária permissão constitucional. Aduz, ainda, desrespeito ao princípio da tipicidade tributária, uma vez que quanto à Lei nº 10.256/01 inexiste qualquer legislação complementar qualificando os elementos essenciais da contribuição social por ela instituída. Nesse sentido, argumenta que, mesmo ao considerar que a instituição da contribuição encontrase em consonância com o texto constitucional, a sua implementação por meio de legislação ordinária somente poderia ocorrer após a subsistência de lei complementar definidora dos elementos identificadores do tributo. Ante o exposto, requer o cancelamento da exigência fiscal com o conseqüente arquivamento do processo administrativo instaurado. Caso superados os argumentos anteriores, requer seja afastada a cobrança das obrigações tributárias referentes à produção rural provenientes dos empregadores pessoas físicas, bem como da penalidade imposta pelo suposto descumprimento de obrigação acessória. Requer a realização de diligência, para que seja colacionada ao presente todas as GFIPs apresentadas no período, bem como para que seja informado se foram realizados os pedidos de exclusão das informações anteriores. Requer, ainda, que sobre esses documentos, seja realizada perícia para verificar se todas as informações supostamente incompletas constam das GFIPs originais e apresentadas. Requer, ainda, que sejam elencados pela repartição fiscal quais daqueles fornecedores mencionados nos anexos VIIA e VIIQ são produtores rurais e empregadores. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Incluiu todos os débitos no parcelamento da Lei 11.941/2009. · Efetiva declaração de todos fatos geradores em GFIP. · Inexibilidade do Funrural. Inconstitucionalidade. É o relatório. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 15868.720082/201141 Resolução nº 2201000.207 S2C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. O recurso é tempestivo porém, entendo haver uma questão que deve ser previamente esclarecida. O recorrente, no início do recurso, folha 874, informa que parcelou o débito em questão, conforme abaixo: A Recorrente é optante pelo parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, incluindo todos os débitos, por conseqüência, aqueles apontados pela D. Autoridade, razão pela qual deve ser cancelada a ação fiscal. Aqui, ao contrário do sustentado pela autoridade julgadora, deve ser destacado que basta dar uma olhada nos débitos parcelados junto à lei 11.941/09, (ex. processo débito 36.399.4246) para verificar que estavam ali os lançamentos cobrados no auto de infração, vez que relacionados aos mesmos períodos de apuração, inclusive a data da apuração da divergência foi anterior a supostas GFIP retificadoras que excluíram as anteriores. Para esclarecer a questão, proponho baixar o processo em diligência para verificar se o débito aqui discutido foi ou não incluído em parcelamento. Após a realização da diligência, devese dar ciência à recorrente, oportunizando manifestação. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para verificar se o débito aqui discutido foi ou não incluído em parcelamento. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 904DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 11131.000844/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Trata o presente de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário de Imposto de Importação – II – e Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, por ocasião de Declaração de Importação registrada em 22/01/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 31 .0 00 84 4/ 20 06 -8 5 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 3 2 Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório da decisão recorrida: “Trata o presente processo de auto de infração lançado para apuração da diferença de Imposto de Importação – II, e Imposto sobre produtos industrializados – IPI não recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação DI, acrescidos de juros de mora e multa de mora, perfazendo o montante de R$ 85.867,72 (oitenta e cinco mil, oitocentos e sessenta e sete reais e setenta e dois centavos). O contribuinte registrou em 22/01/2002 a Declaração de Importação nº 02/00622484 com nove adições, pleiteando em todas elas o benefício de “Extarifário” mencionado na Portaria MF nº 202/98, cuja alíquota do Imposto de Importação para as NCMs correspondentes, era de 4%. Entretanto, conforme informação da fiscalização, a Resolução Camex nº 42/01 fixou em 14% a alíquota do Imposto de Importação para essas mercadorias a partir de 01/01/2002. A declaração da alíquota de 4% ao invés de 14% resultou no recolhimento menor que o devido, tanto de II quanto de IPI além dos encargos legais decorrentes. Informa a fiscalização que “O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo nº 2002.81.00.0016784 da 2ª Vara Federal do Ceará (art. 151, incisos II e IV do CTN).” E adverte que “Afastada a suspensão da exigibilidade, seja por falta ou insuficiência do depósito, caducidade ou cassação desfavorável ao sujeito passivo, este deverá (conforme teor e extensão do julgado) recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da dívida ativa, compensados, se for o caso, eventuais depósitos judiciais efetuados e a serem convertidos em renda da União.” O contribuinte, conforme aviso de recebimento (fls 48 e 49) teve ciência do auto de infração em 08/08/2006 e apresentou impugnação (fls. 56 a 76) com as razões a seguir, resumidamente explanadas. • Que já havia recolhido o s tributos incidentes na operação de importação à alíquota de 4% e que, por entender ser ilegal o ato praticado pela fiscalização, “impetrou mandado de segurança (processo nº 2002.81.00.0016784) para ter os bens liberados, bem como os documentos relativos a operação, ressaltando que não há nenhum prejuízo a Fazenda Pública, posto que em ato continuo (em contracautela) efetuou depósito judicial das diferenças exigidas, qual ainda está pendente de julgamento final.” • Que houve o depósito judicial integral dos valores em discussão (fls. 91 e 92), fato que foi reconhecido pela autoridade coatora e acarretou na liberação das mercadorias apreendidas, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário mencionado. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 4 3 • Que o auto de infração é nulo uma vez que não atendeu os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72, quando deixou de informar a base de cálculo da multa cominada e que tal falha torna nula a autuação, “por não possibilitar ao contribuinte, ora impugnante correta identificação dos valores exigidos, acarretando, inclusive cerceamento do direito de defesa, o qual é garantido pela Constituição Federal.” • Que o auto é nulo porque a fiscalização cometeu grave e frontal ofensa à Constituição Federal, art. 150, incisos IV e V, que vedam a utilização de tributo com efeito de confisco e o estabelecimento de limitações ao tráfego de bens ou pessoas por meio de tributos. Que a atuação da fiscalização foi ilegal ao reter as mercadorias importadas. • Que a Constituição Federal veda, também, em seu art. 150 incisos I e III, exigir tributo sem lei que o estabeleça e cobrar tributo no mesmo exercício financeiro que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou. • Que por ser o auto de infração um ato administrativo vinculado ao principio da reserva legal, a falta de clareza quanto à descrição dos fatos nulifica todo o procedimento, não podendo tal equívoco ser posteriormente suprido por qualquer outra autoridade, porque fora de sua competência legal. • Que a imprecisão contida no Auto de Infração fere, também, o disposto no artigo 37, caput da Constituição Federal de 1988 e o artigo 142 e seu parágrafo único, do CTN, porque afasta o ato vinculado da lei, a qual não pode ser omitida em hipótese alguma na peça inicial do processo administrativo, o que significa a cobrança de tributo ou penalidade tributária sem lei, ferindo, novamente, a Constituição Federal em seu artigo 150, inciso I. • Que as Licenças de Importação já haviam sido providenciadas e as máquinas já estavam a caminho do país quando a alíquota foi majorada de 4% para 14%, ferindo os princípios constitucionais do direito adquirido e do ato jurídico perfeito. • Que tem direito a ter aplicada a alíquota de 4% de Imposto de Importação tendo em vista “que não foram observados os princípios constitucionais da anterioridade e legalidade quando da majoração da alíquota. Portanto, inconstitucional a aplicação da alíquota de 14% (quatorze por cento) sobre a operação que deu origem ao Auto de Infração ora impugnado.” • Que o parágrafo 1º, art. 160 do CTN limita o juros a 1% ao mês e que os juros cobrados pela fiscalização superou essa taxa linear mensal e que existe jurisprudência nas cortes superiores a respeito da inaplicabilidade da taxa SELIC para correção dos valores devidos à Fazenda Pública. Ao fim, requer a procedência da impugnação, com a conseqüente desconstituição do Auto de Infração atacado. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 5 4 Em 02/10/2008 (fls. 138), a autuada pede baixa do processo, suspenso por medida judicial, para que a empresa possa solicitar uma Certidão Negativa de Débitos uma vez que “Conforme Certidão Narrativa do Processo emitida em 15/07/2008(anexo), pelo STF Supremo Tribunal Federal, que o Sr. Ministro Joaquim Barbosa negou seguimento por decisão publicada no DJ de 01/08/2006, contra esta empresa e que foi interposto agravo regimental, pendente de julgamento.” Em 23/10/2008 (fls. 141), a autuada vem “apresentar cópia autenticada das principais peças do processo em que discute o débito contra si imposto, bem como a certidão narrativa dos autos e o extrato atualizado que comprova que os valores depositados em juízo não foram levantados, tudo para fins de obtenção da certidão negativa em nome da mesma.” A Quinta Turma da DRJ em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0825.548, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/01/2002 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/01/2002 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA Os tributos arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos até a data de vencimento, estão sujeitos à incidência de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, seja qual for o motivo determinante da falta. Tratase de expressa determinação legal, em pleno vigor. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento dos impostos voluntariamente, não equivale à denuncia espontânea da infração cometida, caso o recolhimento tenha sido menor que o devido e exista legislação específica que considere tal fato como delituoso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. Que não há débitos remanescentes do lançamento, uma vez que os depósitos foram efetuados no montante integral e convertidos em renda, por aplicação do artigo 156, inciso VI do CTN; 2. Que não houve renúncia à discussão na esfera administrativa, pois não havia auto lavrado que exigisse uma opção ou outra; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Que o lançamento violou o disposto no artigo 63 e parágrafos da Lei nº 9.430/1996; 4. Que os atos praticados pela recorrente estiveram sempre ao abrigo dos artigos 151, inciso II e V do CTN e que o fato de o despacho aduaneiro dar início à ação fiscal em nada prejudicou tais atos e que no momento em que realizados os depósitos, não havia crédito tributário constituído; 5. Não há que se falar em juros remanescentes quando se realiza depósito do montante integral. A recorrente informou, ainda, que o Mandado de Segurança nº 2002.81.00.0016784 transitou em julgado favoravelmente à União em 01/09/2010, com retorno à origem para que os depósitos fossem convertidos em renda. Por fim, pede a desconstituição do lançamento. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, destacase que a recorrente não contesta que o objeto da autuação no que diz respeito à diferença de alíquotas de 4% para 14% em razão da superveniência da Resolução CAMEX nº 42/2001, vigente a partir de 1º/01/2002, está contido no objeto do Mandado de Segurança nº 2002.81.00.0016784, conforme bem delineado na decisão recorrida, cujos argumentos adotamse neste voto. Por outro lado, a recorrente alega a inexistência de renúncia, pelo fato de que na época da propositura da ação judicial não havia ocorrido o lançamento de ofício (ciência em 08/08/2006) e, portanto, não haveria renúncia pois que opção por uma ou outra esfera não havia. Ocorre que o argumento não procede, uma vez que a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa em renúncia à discussão administrativa, seja antes ou após o lançamento de ofício, a teor da Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em relação às alegações sobre a inaplicabilidade de juros de mora e multa de mora no lançamento, todas se resumem na verificação da existência de depósitos judiciais em seu montante integral, o que implicaria a lavratura de Auto de Infração com exigibilidade Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 7 6 suspensa e sem multa de ofício, de acordo com o Parecer Cosit nº 2/19991 e sem juros de mora, a teor da Súmula CARF nº 052. O lançamento de ofício foi efetuado com exigibilidade suspensa e cientificado em 08/08/2006, conforme descrição de efls. 2: “O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por torça de Medida Liminar concedida nos autos do processo n°2002.81.00.0016784 da 2a Vara Federal do Ceará (art. 151, incisos II e IV do CTN).” O lançamento referiuse a Declaração de Importação registrada em 22/01/2002, cujo desembaraço aduaneiro ocorreu em 08/11/2002. O lançamento foi efetuado com multa de 20%, por aplicação do ADN Cosit nº 10/97, com constituição de valores de R$ 41.544,86 relativos a Imposto de Importação e R$ 2.077,23 para Imposto sobre Produtos Industrializados, em valores originais, acrescidos ainda de juros de mora. No dia seguinte após o registro da DI, em 23/01/2002, a recorrente ajuizou o referido mandado de segurança com o objetivo de ver liberadas, imediatamente, as mercadorias retidas, obtendo decisão liminar em 12/03/2002, no sentido de que fosse oficiada a autoridade impetrada para que efetuasse a pronta liberação da mercadoria, caso o depósito efetivado nos autos fosse em seu montante integral, devendo ser o juízo informado do contrário. Conforme efls. 37, a recorrente depositou em juízo R$ 41.544,76 em 07/03/2002, R$ 2.077,24 em 18/03/2002, R$ 934,76 e R$ 6.032,30 em 03/04/2002, juntando estes últimos aos autos em 05/11/2002. Em 22/05/2003, a sentença proferida no Mandado de Segurança decidiu desfavoravelmente à recorrente quanto ao mérito da majoração da alíquota de 4% para 14%, informando ainda que a autoridade impetrada afirmara que os depósitos efetuados haviam sido no montante integral do débito, fato este que, provavelmente, culminou no desembaraço aduaneiro em 08/11/2002. A apelação interposta pela recorrente foi desprovida, conforme acórdão de efls. 174, bem como do recurso extraordinário interposto, resultando ao final em trânsito em julgado desfavorável à recorrente, como por ela própria afirmado. Registrese que não há nos autos a informação judicial ou da Receita Federal sobre a conversão em renda dos depósitos efetuados, embora tenha a recorrente assim afirmado. Depreendese, inicialmente, que os depósitos judiciais foram efetuados durante o despacho aduaneiro, ou seja, após o registro da DI e antes de efetuado o desembaraço aduaneiro, estando, pois, a recorrente sob procedimento fiscal, de acordo com os artigos 411, 413 e 450, §1º do Decreto nº 91.030/85 e artigo 7º, inciso III do Decreto nº 70.235/72. O fato, por si só, afastaria o instituto da denúncia espontânea. Entretanto, verificase que a autuação somente ocorreu em 08/08/2006, portanto, decorridos mais de três anos do encerramento do procedimento fiscal com o desembaraço aduaneiro em 08/11/2002. 1 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICÁVEL MULTA DE OFÍCIO. É incabível o lançamento de multa de ofício na constituição, para prevenir a decadência, de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito do seu montante integral. 2 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 8 7 Não há nos autos indicação que entre 09/11/2002 e 08/08/2006, a recorrente tenha sido intimada da continuidade do procedimento fiscal, como preconizado pelos §§1º e 2º do artigo 7º do Decreto 70.235/723. Assim, a recorrente readquiriu sua espontaneidade, devendo no caso incidir a Súmula CARF nº 75, ou seja, os atos praticados passam a sofrer os efeitos da espontaneidade de forma ex tunc, ou seja, desde o início da ação fiscal. Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Este posicionamento foi reconhecido nos paradigmas que lastrearam a súmula, como se constata a partir dos excertos abaixo: Acórdão nº 910100.020: "No entanto, no curso dos sessenta dias contados do dia 21/11/00, o fisco não praticou qualquer ato escrito que indicasse o prosseguimento dos trabalhos, quando, esgotado o prazo, o contribuinte readquiriu a espontaneidade e, com ela, o seu ingresso no REFIS tornouse legítimo. A adesão tanto poderia ser após os sessenta dias como antes dele, se, ao termo do prazo sexagesimal, o fisco se mostrasse inerte. A fiscalização somente praticou o primeiro ato escrito em 05/02/01." Acórdão nº 201123.983: "Estando a espontaneidade restabelecida, caso não tenha sido praticado nenhum ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, não terá havido prorrogação do prazo inicialmente previsto de sessenta dias e, em conseqüência, fica descaracterizado o início do procedimento fiscal. Uma vez restabelecida a espontaneidade, os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc. O pagamento do tributo porventura devido deverá ser acompanhado apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação (multa ejuros de mora), ficando excluída a aplicação da multa de oficio." Acórdão nº 10249.425: Estando a espontaneidade restabelecida, caso não tenha sido praticado nenhum ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, não terá havido prorrogação do prazo inicialmente previsto de sessenta 3 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) [...] III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 9 8 dias e, em conseqüência, fica descaracterizado o início do procedimento fiscal. Restabelecida a espontaneidade, os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc. O pagamento do tributo porventura devido deverá ser acompanhado apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação (multa e juros de mora), ficando excluída a aplicação da multa de oficio. Embora, os depósitos judiciais possam ser considerados espontâneos, não se lhes aplica o instituto da denúncia espontânea. A matéria foi submetida a julgamento de recurso especial sob a sistemática de recursos repetitivos nos REsp. 1.102.577, 962.379, 886.462 e 1.149.022, decidindo, em síntese, que a denúncia espontânea não resta configurada para os tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, ou dizendo de outro modo, a denúncia resta configurada nos casos de a quitação do tributo ser anterior ou concomitante à sua declaração. No REsp 1.102.577 decidiuse que ao parcelamento não se aplica o instituto da denúncia espontânea, fazendo referência a voto proferido no REsp 284.189, cujo ementa, parcialmente, transcrevese para melhor elucidar: "O instituto da denúncia espontânea da infração constituise num favor legal, uma forma de estímulo ao contribuinte, para que regularize sua situação perante o fisco, procedendo, quando for o caso, ao pagamento do tributo, antes do procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. " Observase que a aplicação da denúncia espontânea representa um estímulo no sentido de o contribuinte regularizar sua situação perante o Fisco, reconhecendo a obrigação tributária e a quitando, antes de iniciado qualquer procedimento tendente à apuração do tributo devido. No caso de depósito judicial, não ocorre a intenção de regularizar a situação tributária, mediante uma confissão da dívida, mas, pelo contrário, o contribuinte pretende se ver desonerado da incidência tributária, com a qual não concorda, e realiza o depósito apenas como uma garantia destinada a impedir a exigibilidade da exação, bem como a fluência da atualização monetária e juros do débito. No dizer de Leandro Paulsen4: Escopo. O objetivo da norma é estimular o contribuinte infrator a colocarse em situação de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do Fisco, com o que este recebe o que lhe deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. A previsão legal é absolutamente consentânea com uma estrutura tributária incapaz de proceder à fiscalização efetiva de todos os contribuintes e que precisa, demais, estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, seja tempestivamente, seja tardiamente. Na medida em que a responsabilidade por infrações resta afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservase a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estimulo à inadimplência. 4 Paulsen, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 14ª ed., 2012, p. 994. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 10 9 Neste sentido citamse acórdãos do STJ e deste Conselho: RECURSO ESPECIAL Nº 1.131.090 RJ (2009/00582710): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA (ART. 138 DO CTN). NÃO CONFIGURAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO INTEGRAL. 1. Recurso especial no qual se discute se a realização do depósito judicial integral do débito tributário eventualmente devido, antes de qualquer procedimento do Fisco tendente à sua exigência, configura denúncia espontânea, em face do que dispõe a Lei 9.703/98, que vincula os valores depositados à Conta Única do Tesouro Nacional. 2. A jurisprudência desta Corte já se pacificou no sentido de que apenas o pagamento integral do débito que segue à sua confissão é apto a dar ensejo à denúncia espontânea. Precedentes: REsp 895.961/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 20/09/2010; AgRg no AREsp 13.884/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 08/09/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1167745/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 24/05/2011. 3. É pressuposto da denúncia espontânea a consolidação definitiva da relação jurídica tributária mediante confissão do contribuinte e imediato pagamento de sua dívida fiscal. Em face disso, não é possível conceder os mesmos benefícios da denúncia espontânea ao débito garantido por depósito judicial, pois, por meio dele subsiste a controvérsia sobre a obrigação tributária, retirando, dessa forma, o efeito desejado pela norma de mitigar as discussões administrativas ou judiciais a esse respeito. 4. Recurso especial não provido. RECURSO ESPECIAL Nº 895.961 MS (2006/02320374) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF, POR ANALOGIA. DEPÓSITO JUDICIAL. DESTINO. COISA JULGADA. VIOLAÇÃO AO ART. 610 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA (ART. 138 DO CTN). AUSÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. 1. Não se depreende do acórdão recorrido o necessário prequestionamento dos dispositivos legais supostamente violados (art. 142 e segs. do CTN), tampouco da tese jurídica aventada nas razões recursais. Apesar disso, a parte também não logrou opor embargos declaratórios a fim de provocar a indispensável manifestação da Corte de origem, deixando de atender ao comando constitucional que exige a presença de causa decidida como requisito para a interposição do apelo nobre (art. 105, inc. III, da CR/88). Nestes casos, é de se aplicar o entendimento consolidado nas Súmulas n. 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal (STF), por analogia. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 11 10 2. Não se depreende dos autos a violação ao art. 610 do CPC, na medida em que, conforme asseverou a Corte de origem, em nenhum momento na decisão transitada em julgado ficou decidido o destino do depósito judicial. Tal definição se deu posteriormente. 3. É necessário o pagamento integral do débito para que o contribuinte possa se valer do benefício da denúncia espontânea. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão nº 1402001.515: DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL APÓS DATA DE VENCIMENTO DO TRIBUTO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE MULTA MORATÓRIA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não resta configurado o depósito do montante integral se o valor recolhido após a data de vencimento do tributo não contempla a multa moratória. Precedente do STJ no REsp nº 1.131.090RJ. Acórdão nº 1402001.515: DEPÓSITOS JUDICIAIS DENÚNCIA ESPONTÂNEA INOCORRÉNCIA. Para caracterização do instituto da denúncia espontânea se exige que o contribuinte reconheça como infracional sua conduta, até então desconhecida do Fisco, e deseje regularizála. Não se trata da hipótese de ingresso em juízo para discussão de tributo, situação em que o contribuinte tem sua conduta por correta. Adicionalmente, deve haver o pagamento do tributo devido, o que não se confunde, em qualquer caso, com o depósito judicial do montante questionado para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Assim, o depósito realizado após o vencimento da obrigação deve ocorrer em seu montante integral, nele incluindo os encargos moratórios, como previsto no artigo 4º do Decretolei nº 1.737/19795, no artigo 1º da Lei nº 9.703/986 e no artigo 1º do Decreto nº 2.850, o qual regulamentou esta última: Art 1º Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade, conforme modelo a ser estabelecido por aquela 5 Art 4º O depósito, nos casos dos incisos I, II, III e IV do artigo 1º, será feito pelo valor monetariamente atualizado do débito, neste incluída a multa de mora, acrescido dos juros de mora cabíveis e, se for o caso, do encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, combinado com o artigo 3º do Decretolei nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. 6 Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11131.000844/200685 Resolução nº 3302000.518 S3C3T2 Fl. 12 11 Secretaria e confeccionado e distribuído pela Caixa Econômica Federal. Ultrapassada a questão da denúncia espontânea, resta analisar o argumento da extinção dos créditos tributários lançados mediante a conversão em renda dos depósitos efetuados. A recorrente noticia que o Mandado de Segurança nº 2002.81.00.0016784 transitou em julgado favoravelmente à Fazenda Nacional em 01/09/2010, com conversão dos depósitos efetuados em renda da União, ocorrendo sua baixa definitiva em 23/10/2012. A conversão em renda dos depósitos judiciais é causa extintiva do crédito tributário nos termos do artigo 156, inciso VI7 do CTN. Embora a recorrente tenha noticiado sua ocorrência, não foi possível identificar a partir dos documentos acostados aos autos a confirmação da conversão. Assim, converto o julgamento em diligência, para que a unidade administrativa de origem certifique a conversão em renda dos depósitos judiciais efetuados no Mandado de Segurança 2002.81.00.0016784, no montante de R$ 41.544,76 em 07/03/2002, R$ 934,76 e R$ 6.032,30 em 03/04/2002 relativos ao débito de Imposto de Importação – II e de R$ 2.077,24 relativo ao IPI, conforme documentos de efls. 216 a 218, ou quaisquer outros porventura efetuados, devendo, ao final, elaborar relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre seu resultado, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 7 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] VI a conversão de depósito em renda; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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