Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10855.906254/2012-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação.
Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado.
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação. Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.906254/2012-88
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894843
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.259
nome_arquivo_s : Decisao_10855906254201288.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10855906254201288_5894843.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7403860
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589422682112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.906254/201288 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.259 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PAGAMENTO TOTALMENTE UTILIZADO. FUNDAMENTAÇÃO. Considerase fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 62 54 /2 01 2- 88 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10855.906254/201288 Acórdão n.º 1301003.259 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho decisório da DRF Sorocaba. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o despacho decisório carecia de fundamentação, já que não expunha os motivos que levaram ao indeferimento do direito creditório. Por conseguinte, teriam sido violados os princípios da legalidade e da ampla defesa. Aduziu ainda que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento, e não intimou a interessada a apresentar as razões pelas quais o pagamento seria indevido. Concluiu, portanto, ser nulo o despacho decisório. A contribuinte se manifestou acerca da origem de seu direito nos seguintes termos: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. A DRJ, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. interpôs recurso, afirmando ter feito recolhimento a maior, "considerando as discussões jurídicas de legalidade e conceituação das disposições que regulam os tributos". Aduziu que "em Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10855.906254/201288 Acórdão n.º 1301003.259 S1C3T1 Fl. 4 3 decorrência das diversas legislações, da complexidade do ordenamento jurídico e, ainda, notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis aos tributos, a Recorrente postulou a restituição de tributos, utilizando o crédito em compensação.". Diversas seriam as "teses jurídicas" aplicáveis ao caso, que ensejariam a restituição ou compensação do valor recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofíns. Aduziu que o direito de repetir o indébito decorre diretamente da Constituição Federal e também do Código Tributário Nacional CTN, que asseguram ao contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação ao direito imposta por norma regulamentar. No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da DCTF do período a que se refere o indébito. Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não subsistem, e que foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de provas, as quais devem ser produzidas por iniciativa da autoridade administrativa, antes do despacho decisório. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10855.906254/201288 Acórdão n.º 1301003.259 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.245, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900721/2012 66, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado no 2º trimestre/2008. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao 4º trimestre/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.245): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na decisão recorrida. O despacho decisório está devidamente fundamentado. O fundamento consiste no fato de que o valor que a recorrente queria ver restituído estava integralmente utilizado para quitar débito que a própria recorrente havia declarado. Essa circunstância é suficiente para respaldar a decisão denegatória. Não há violação ao direito de defesa, nem ao contraditório. A recorrente poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na mesma oportunidade, deveriam ser expostas as razões de fato e de direito da pretensão ao crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova. A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento. A autoridade administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque alocado a um débito que a recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria ter sido confessado, isso competia à recorrente explicar. Não cabe, ademais, falar em violação do princípio da eficiência, que nunca foi requisito de validade de ato Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.906254/201288 Acórdão n.º 1301003.259 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração Pública não implica a invalidade do ato praticado. Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida para o exercício desse direito. A dcomp, ademais, produzindo efeito extinto da obrigação compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração. Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito. Com essas razões, afastase a preliminar de nulidade. Foi requerida a realização de diligência, a qual deve ser indeferida, pois a recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto. No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações, o ônus da prova do fato constitutivo do direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. No caso em exame, a recorrente falou que o direito estaria ancorado em "teses jurídicas", "discussões" e "teses já decididas pelo STF como inconstitucionais", sem, entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ. Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto. É importante notar que a recorrente pleiteou a integralidade do pagamento, dando a entender que, no período, ela não devia IRPJ, sem explicar a razão, sem demonstrar qual a tese jurídica que prevaleceu no Supremo Tribunal Federal e afastou, no todo, a obrigação de pagar IRPJ. Frisese, por último, que a questão envolvendo a base de cálculo de PIS e Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido. Em suma, por todas essas razões, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Conclusão Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.906254/201288 Acórdão n.º 1301003.259 S1C3T1 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.680949/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros.
Numero da decisão: 1201-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.680949/2011-36
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5883978
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.228
nome_arquivo_s : Decisao_10880680949201136.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880680949201136_5883978.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7370654
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589461479424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.680949/201136 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.228 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2018 Matéria Compensação Recorrente CARCENTRAL DE AUTOPECAS E ROLAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 09 49 /2 01 1- 36 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.680949/201136 Acórdão n.º 1201002.228 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido de multa moratória. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Conseqüentemente, a multa moratória não pode ser excluída.". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado, de forma resumida: "a) Originalmente os tributos foram informados em DCTF como compensados, e não como tributos em aberto; b) Realizada a compensação de um tributo e informado tal procedimento em DCTF, sua exigibilidade demandaria a realização de lançamento; c) Enquanto pendente de análise essa compensação não pode o Contribuinte ser considerado em mora, porque sequer tem o mesmo tributo exigível; d) O posterior pagamento do tributo, enquanto pendente a análise de compensação anteriormente declarada em DCTF, não implica a ocorrência de mora por parte do Contribuinte; e) O pagamento antes de qualquer ato formal de lançamento é caracterizado como denúncia espontânea, afastando não apenas a multa punitiva, mas também a multa moratória." É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.680949/201136 Acórdão n.º 1201002.228 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.222, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.680945/2011 58, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.222): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere à multa moratória que ela entende indevida em função da denúncia espontânea. Efetivamente, este e.CARF já tem farta jurisprudência no sentido de que, em se tratando de denúncia espontânea, é suficiente o pagamento do principal e dos juros de mora, estando a Contribuinte dispensada do pagamento de multas, seja ela de ofício seja moratória. Senão: Acórdão CSRF nº 9101001.815, de 20/11/2013: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Acontece que, como já ficou definido pelo STJ, a denúncia espontânea só se configura quando o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração constitutiva do crédito, tal como a DCTF no presente caso PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.680949/201136 Acórdão n.º 1201002.228 S1C2T1 Fl. 5 4 POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN (...) 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.680949/201136 Acórdão n.º 1201002.228 S1C2T1 Fl. 6 5 ... TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. COBRANÇA DE DIFERENÇAS DE ICMS DECLARADO EM GIA E RECOLHIDO FORA DE PRAZO. CTN, ART. 166. INCIDÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO DA MULTA. SÚMULA 98/STJ. VERBA HONORÁRIA. ART. 21 DO CPC. SÚMULA 07/STJ. (...) 2. Apreciando a matéria em recurso sob o regime do art. 543C do CPC (REsp 886462/RS, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 28/10/2008), a 1ª Seção do STJ reafirmou o entendimento segundo o qual (a) a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS ? GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ? DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco, e (b) se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, nos termos da Súmula 360/STJ. (...) (REsp 1110550/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 04/05/2009) ... TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ? DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS ? GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.680949/201136 Acórdão n.º 1201002.228 S1C2T1 Fl. 7 6 (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Nesse sentido, inclusive, o STJ já consolidou a Súmula nº 360: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Esse entendimento também deve ser repetido neste e.CARF, com base no mesmo art. 62, §2º, do Anexo II ao RICARF, como já se reconheceu nos seguintes precedentes: Acórdão CARF nº 3802001.587, de 27/02/2013: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) ou declaração equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. O ônus da prova de sua caraterização concreta cabe ao sujeito passivo. Portanto, se este não apresenta elementos suficientes para demonstrar a sua configuração, deve ser mantida a decisão recorrida. ... Acórdão CARF nº 2101001.957, de 20/11/2012: TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, circunstância não comprovada no presente feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Verificase, no caso concreto, que quando o recolhimento em atraso foi feito, o débito estava declarado na DCTF original. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.680949/201136 Acórdão n.º 1201002.228 S1C2T1 Fl. 8 7 como está registrado no seguinte trecho do voto condutor da decisão de piso que trago a colação: Não tem proveito o argumento de que o pagamento do débito indevidamente compensado foi feito antes da retificação da DCTF. O débito pago já estava confessado na DCTF original. Lá já constava o mesmo valor de débito informado na retificadora. (...) O que mudou na DCTF retificadora foi o crédito vinculado ao débito confessado. A DCTF original continha informação inexata, pois aqui não se confirma a existência da compensação nela vinculada. Ainda que a versão da manifestação de inconformidade fosse verdadeira, os efeitos da compensação não homologada ou cancelada se desfazem desde sempre, como se viu anteriormente neste voto. Portanto, no caso, quando o recolhimento foi feito, o débito estava declarado e encontravase em aberto desde seu vencimento. A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Conseqüentemente, a multa moratória não pode ser excluída. Nesse caminho, nos casos em que o pagamento foi efetuado após a transmissão da DCTF, em consonância com a jurisprudência do STJ e deste e.CARF, cabível a cobrança da multa moratória. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o indeferimento do pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000187/2003-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 06/05/2003
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
Numero da decisão: 9303-007.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 06/05/2003 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13963.000187/2003-66
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891901
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.159
nome_arquivo_s : Decisao_13963000187200366.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 13963000187200366_5891901.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7391052
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589488742400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13963.000187/200366 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.159 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria compensação Recorrente ELIANE ARGAMASSAS E REJUNTES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/05/2003 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 01 87 /2 00 3- 66 Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 380301.920, de 01 de setembro de 2011 (efolhas 336 e segs), integrado pelo acórdão de embargos nº 380302.704, de 24 de abril de 2012 (efolhas 462 e segs) que receberam as seguintes ementas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. COMPETÊNCIA. A homologação de DComp será promovida pelo titular da DRF que, à data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo que a apresentou. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO. OFENSA À COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA. Despacho decisório que não homologa compensação de débito com crédito de terceiro, oriundo de decisão judicial transitada em julgado, não ofende a coisa julgada material quando ela é formulada com base em uma determinada ordem jurídica que perde vigência ante o advento de nova lei que passa a regulamentar as situações jurídicas ainda não formadas, modificando o status quo anterior . ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inocorre homologação tácita de compensação, quando o declarante é intimado da nãohomologação antes de findo o prazo qüinqüenal. (...) Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 4 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de ato regularmente proferido. Embargos de Declaração Rejeitados Direito Creditório Não Reconhecido A divergência suscitada no recurso especial (e folhas 1.098 e segs) diz respeito à prevalência de decisão judicial que garantia direito à compensação de débitos próprios com créditos de terceiros depois de modificada a legislação que admitia tal possibilidade. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 472 e segs) diz respeito (i) à nulidade do processo, pelo fato de a compensação ter sido apreciada por autoridade incompetente; (ii) à anulação do processo, a partir da decisão de primeira instância, pelo fato de as decisões terem desrespeitado ordem judicial que afastou a IN SRF nº 41/00 e 210/00 e determinou a aplicação da IN SRF nº 21/97; e (iii) à homologação das compensações pelas decisões proferidas nos autos dos processos administrativos nºs 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970. O Recurso especial foi parcialmente admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 717 e segs, integrado pelo despacho de admissibilidade de efolhas 738 e segs, apenas em relação (i) à nulidade do processo pelo fato de a compensação ter sido apreciada por autoridade incompetente e (ii) à homologação da compensação. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 721 e segs e 750 e segs. Pede a manutenção da decisão tomada pelo Colegiado recorrido. É o Relatório. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito O contribuinte almeja a reforma da decisão recorrida. Requer que seja reconhecida a nulidade do processo em razão da incompetência da autoridade prolatora da decisão de primeiro grau. Requer, também, o reconhecimento de que as compensações foram homologadas quando das decisões proferidas nos autos dos processos administrativos nºs 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970. Noticiam os autos que a Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, pessoa jurídica que cedeu à litigante os créditos ora controvertidos, impetrou dois mandados de segurança, nº 98.00166580 e nº 2001.51.10.0010250, o primeiro com vistas ao reconhecimento do direito de creditarse do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI na aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento do Imposto e o segundo para que fosse afastada a restrição imposta pela Secretaria da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação de débitos próprios. Obteve êxito em ambas ações. Ao amparo da decisão judicial, a recorrente apresentou a declaração de compensação de efolhas 02 e segs, com a qual pretendia a extinção de débitos próprios com os créditos cedidos pela Nitriflex. O pedido, à efolha 3 do processo, foi protocolado no dia 06 de maio do ano de 2003. O Despacho Decisório data de 02 de agosto de 2004. O objeto da ação e a causa de pedir do mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250 fora a ilegalidade da Instrução Normativa SRF na 41/2000, que, em seu art. 10, vedava expressamente a utilização de créditos próprios em benefício de terceiros para fins de compensação. Ou seja, a interessada obteve tutela judicial reconhecendo a ilegalidade do ato normativo editado pelo Secretário da Receita Federal, pois, conforme entendimento que Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 6 5 prevaleceu em âmbito judicial, na data de sua entrada em vigor, não havia respaldo legal para que a Secretaria impusesse tal restrição. Contudo, na data do protocolo do pedido de compensação, momento em que, conforme entendimento sacramentado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça1, define a legislação aplicável aos pleitos dessa natureza e, por conseguinte, os critérios aos quais subsumese a compensação, já havia amparo legal à vedação de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, ex vi disposição expressa pela Medida Provisória nº 66, que entrou em vigor na data de 29/08/2002. Ou seja, a (supostamente) ilegal IN 41/2000, afastada pela decisão judicial, já não era mais fundamento para a recusa do pleito. Com base nisso, segundo me parece, a questão nuclear do decisum que deu amparo à pretensão do contribuinte perdeu objeto com a entrada em vigor da MP nº 66/2002, já que a inexistência de amparo legal foi suprida pela superveniência de lei que, tratando especificamente do assunto, vetou, ela própria, a possibilidade que, antes, a IN 41, ilegalmente, havia vetado. Com efeito, no entender desse relator, o arcabouço normativo à luz do qual a decisão judicial foi tomada viuse complemente modificado com a edição da Medida Provisória nº 66, em 29/08/2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/962. Em decorrência disso, a decisão tomada no mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250 perdeu a eficácia. A relação jurídica subsequente foi substancialmente alterada. O efeito vinculante que a tutela judicial impunha à Administração Pública recaia sobre a relação jurídica deduzida em juízo e nela apreciada. Uma vez alterada, a nova relação jurídica de direito material deixa de ser alcançada pelos efeitos vinculantes da decisão original. 1 Min. Teori Albino Zavascki EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, (...) 85. Noutro dizer, a E. Corte Superior, legítima interprete da legislação infraconstitucional, fixou o entendimento que o regime jurídico da compensação, em razão das sucessivas mudanças implementadas, fixase pela data do ajuizamento da ação. 2 Redação antes e depois da MP. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos ou contribuições sob sua administração. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 7 6 Contudo, há outros eventos que precisam ser levados em consideração no caso em apreço. Como é de conhecimento geral, foi deferido pedido de antecipação da tutela recursal em sede do Agravo de Instrumento n.º 500654146.2017.4.03.0000. Reproduzo a seguir o teor da decisão judicial supracitada. AGRAVO DE INSTRUMENTO (202) Nº 5006541 46.2017.4.03.0000 RELATOR: DES. FED. NERY JÚNIOR AGRAVANTE: NITRIFLEX S A INDUSTRIA E COMERCIO Advogado do(a) AGRAVANTE: EDUARDO FERRARI LUCENA SP243202 AGRAVADO: UNIAO FEDERAL FAZENDA NACIONAL D E C I S Ã O Cuidase de agravo de instrumento interposto por Nitriflex S/A Indústria e Comércio (em Recuperação Judicial) contra decisão que, nos autos de ação de obrigação de fazer e indenização por danos materiais e morais, indeferiu pedido de tutela de urgência com objetivo de suspender a exigibilidade dos débitos compensados com crédito de IPI homologado pela Receita Federal do Brasil nos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918, além da realização do encontro de contas entre o crédito e os débitos compensados segundo determinados critérios. Alega a agravante que, através dos despachos decisórios proferidos em 1999 e 2000 nos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918, a agravada reconheceu o direito da agravante à compensação do crédito de IPI com débitos próprios e de terceiros, com base na norma jurídica então em vigor (IN/SRF nº 21/97). Sustenta que tais decisões administrativas se tornaram definitivas, constituindo ato jurídico perfeito e direito adquirido. Aduz que nas compensações tributárias de débitos com créditos reconhecidos judicialmente aplicase a legislação vigente à época da propositura da ação judicial na qual os créditos foram reconhecidos, nos termos do RESp nº 1.164.452, decidido pelo C. STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos. Sustenta que o crédito de IPI foi reconhecido no MS nº 98.00166580, impetrado em 21/07/1998, quando ainda estava em vigor a IN/SRF nº 21/97, que autorizava a compensação dos débitos de terceiros. Portanto, as inovações legislativas posteriores (tais como a MP 66/02 e subsequentes leis nºs 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04) não se aplicariam ao caso. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 8 7 Alega que impetrou anteriormente o Mandado de Segurança Preventivo nº 2001.51.10.0010250 visando afastar a aplicação da IN/SRF nº 41/00 (primeira norma administrativa a impedir a compensação dos débitos de terceiros) e que, não obstante o acórdão favorável tenha sido cassado pelo TRF da 2ª Região na Ação Rescisória nº 2005.02.01.0071872, esse decisum em nada afetaria o direito da ora agravante. Isso porque aquele Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250 era preventivo, visando impedir a prática de possível ato da ré de aplicar a IN/SRF nº 41/00 ao caso concreto, e que tal ato não se consumou diante do expresso reconhecimento pela própria ré do direito à compensação do crédito com débitos de terceiros nos PAs nºs 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, o que teria inclusive esvaziado o objeto do MS nº 2001.51.10.0010250 e, consequentemente, da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. A agravante defende ainda o direito ao encontro de contas do crédito de IPI segundo os critérios fixados judicialmente, a saber: (I) aplicação dos expurgos inflacionários sobre os créditos, conforme sentença transitada em julgado no MS nº 99.0605420; (II) a incidência, sobre os créditos, de juros de mora de 1% a.m. até dezembro/1995 e, após, a SELIC, até a data do pedido de compensação, nos termos do decidido no REsp nº 1.245.347; (III) a definição da data do encontro de contas como a data de cada pedido de compensação, conforme decidido no REsp nº 1.245.347. Pede ainda que as compensações de débitos “homologadas tacitamente” pela ré não consumam o crédito de IPI. Pretende também a condenação da União em indenização por danos materiais e morais em razão das perdas decorrentes da indisponibilidade do crédito de IPI e pelas rejeições das compensações, oportunidades de negócios perdidos por falta de CND, além do abalo sistêmico à imagem e credibilidade da empresa perante fornecedores, clientes e bancos. Em sede de antecipação da tutela, pleiteou: (I) a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados com o crédito de IPI até a prolação de decisão final neste processo, ou até decisão definitiva da ré sobre o encontro de contas; (II) seja determinado à agravada que, no prazo de 90 dias, sob pena de multa diária, efetive o encontro de contas segundo os critérios pleiteados no mérito da demanda, com relação a todas as compensações realizadas com o crédito de IPI (exceto as compensações já homologadas tacitamente), devendo a agravada proceder ao apensamento de todos os processos administrativos de compensações aos PAs nº 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, nos quais se apurou os créditos; (III) ao final dos encontros de contas, seja restituído administrativamente à agravante eventual saldo credor. Alternativamente, caso não seja acolhido o pedido referente aos critérios de compensabilidade, seja determinado à ré que Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 9 8 devolva administrativamente todo o crédito de IPI devidamente atualizado. Indeferida a tutela de urgência, interpôs o agravo de instrumento em epígrafe. Na sequência, atravessou petição informando ter emendado a inicial para oferecer em garantia o próprio crédito de IPI homologado nos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918. Alega que o crédito de IPI, ainda que calculado sem os critérios determinados por decisões judiciais e administrativas (expurgos inflacionários e juros de mora de 1% ao mês até dez/1995) e sem adequado encontro de contas, é de aproximadamente R$ 224.666.769,24, ou seja, muito próximo do valor compensado até os dias atuais (R$ 258.894.238,09), o que demonstra ser suficiente para garantia do montante compensado. Reitera o pedido de antecipação da tutela recursal, mediante o oferecimento da garantia. É o relatório. Passo à apreciação do pedido de antecipação da tutela recursal. O Código de Processo Civil de 2015 conferiu nova roupagem às tutelas provisórias, determinando sua instrumentalidade, sempre acessórias a uma tutela cognitiva ou executiva, podendo ser antecedente ou incidente (artigo 295) ao processo principal. No caso das tutelas provisórias de urgência, requeremse, para sua concessão, elementos que evidenciem a probabilidade do direito, perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo e a ausência de perigo de irreversibilidade da decisão. No caso em análise, a agravante possui crédito de IPI reconhecido judicial e administrativamente, o que é incontroverso. Reclama, contudo, que a autoridade administrativa não efetivou o devido encontro de contas dos créditos com os débitos próprios que compensou, tampouco homologou as compensações com débitos de terceiros. A esse respeito, aliás, sustenta a agravante que as decisões administrativas proferidas em 1999 e 2000 nos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918, na vigência da IN/SRF nº 21/97, autorizaram a compensação do crédito de IPI em testilha com débitos próprios e de terceiros, constituindo ato jurídico perfeito e direito adquirido. É compreensível a irresignação da agravante, visto ter sido obrigada a demandar em juízo, em diversas ações e desdobramentos, até ter seu crédito reconhecido, assim como o direito à correta atualização, sem as perdas inflacionárias. Quando finamente pôde iniciar as compensações do crédito com débitos próprios e de terceiros, viuse diante da alteração legislativa que passaria a impedir a compensação com débitos de terceiros. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 10 9 Identifico, na hipótese, necessidade de suspender a exigibilidade dos créditos tributários compensados, até manifestação definitiva do Juízo acerca da pretensão. Por primeiro, para que se possa saber, de forma conclusiva, se os créditos de IPI já foram ou não consumidos, a autoridade administrativa necessita apresentar as planilhas concernentes aos encontros de contas das compensações efetivadas. Nesse aspecto, contradizse a União quando, ora afirma que os créditos foram consumidos, ora afirma que as compensações não foram homologadas. É direito do contribuinte o acesso aos cálculos fazendários referentes à utilização dos créditos, até mesmo para que possa verificar se foram efetivamente elaborados com os critérios determinados pelas decisões judiciais e administrativas definitivas que obteve. Logo, de rigor que se determine à União Federal que realize os encontros de contas dos pedidos de compensação no prazo de 90 (noventa) dias, apresentando os cálculos que demonstrem a utilização dos critérios já determinados nas demandas judiciais e administrativas definitivamente decididas. No que concerne ao suposto direito à compensação com créditos de terceiros, não me parece que a procedência da Ação Rescisória nº 2005.02.01.0071872, que culminou na denegação da ordem no Mandado de Segurança Preventivo nº 2001.51.10.0010250, tenha qualquer interferência sobre as decisões administrativas proferidas nos PAs nºs 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, ainda vigentes, porquanto não foram proferidas em razão de decisão judicial, mas de apreciação efetiva do mérito. Ora, o mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250 era preventivo, visando impedir a prática de possível ato da ré de aplicar a IN/SRF nº 41/00 ao caso concreto. Ao que se infere em análise perfunctória, o receio do impetrante não se consumou, vez que, no curso da demanda, houve julgamento no CARF reconhecendo o direito à compensação daqueles créditos com débitos de terceiro, esvaziando o objeto do mandamus. Nessas condições, a denegação da segurança no writ preventivo não tem efeitos sobre a decisão administrativa de mérito posterior à impetração. Esses elementos, somados à inexistência de risco de irreversibilidade da medida, orientam ao deferimento parcial do pedido de antecipação da tutela recursal, para suspender a exigibilidade dos créditos tributários objeto das compensações em testilha, bem como determinar a realização do encontro de contas e apresentação dos respectivos cálculos. Ante o exposto, nos termos dos art. 294 e seguintes do novel Código de Processo Civil. defiro parcialmente a antecipação da tutela recursal, para suspender a exigibilidade dos débitos Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 11 10 fiscais objeto das compensações com os créditos oriundos dos PAs nºs 10735.000202/9970 e 10735.000001/9918, bem como determinar à Fazenda Nacional que realize os encontros de contas dos pedidos de compensação no prazo de 90 (noventa) dias, apresentando os cálculos que demonstrem a utilização dos critérios já estabelecidos nas demandas judiciais e administrativas definitivamente decididas. Sem sombra de dúvidas, toda a matéria que vinha sendo controvertida nos autos, acerca dos efeitos derivados da modificação do ordenamento jurídico com a entrada em vigor da MP 66/2002 que, à inicial, não era, como se disse, objeto nem do mandado de segurança nº 98.00166580, nem do mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250, estão, agora, submetidas ao Poder Judiciário. Aplicase ao caso o disposto na súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Também sobre os efeitos da renúncia, disciplina o Parecer Normativo Cosit nº 7/2014 que Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL.lRENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.lDESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. (grifos acrescidos) Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 12 11 A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. eprocesso nº 10166.721006/201316 Significa dizer que a subsunção ao Poder Judiciário da matéria controvertida administrativamente importa em renúncia irretratável à lide no âmbito da administração federal, independentemente de eventual decisão tomada no processo administrativo fiscal que tivesse sido mais favorável ao administrado. Aplicase, no caso, o §5º do artigo 78 do Anexo II do RICARF: §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Nestas circunstâncias, revelase absolutamente inócua qualquer decisão acerca da legalidade dos atos praticados nos autos do presente processo, em particular da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Florianópolis, ou mesmo acerca dos efeitos das decisões proferidas nos autos dos processos administrativos nºs 10735.000001/99 18 e 10735.000202/9970. Toda a matéria neste controvertida foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13963.000187/200366 Acórdão n.º 9303007.159 CSRFT3 Fl. 13 12 Ante o exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial. Os autos devem retornar à Unidade de Preparação com vistas à adoção das medidas determinadas em juízo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000282/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO DE MULTAS ISOLADAS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
DESCONSIDERAÇÃO DA PROVA E AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem das despesas em questão, é que o direito a dedutibilidade não merece ser reconhecido. Aplicável o teor dos artigos 2º e 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/99 c/c os artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Os dispêndios com depreciação somente são admitidos se comprovados através de mapas e documentação de suporte.
DESPESAS COM CESTAS DE NATAL. DEDUTIBILIDADE.
Tais despesas devem ser consideradas operacionais, pois são de fato usuais e normais às atividades das empresas, em consonância com o artigo 299, do RIR. A concessão de cestas de natal não é mera liberalidade, mas figura como mecanismo de zelo e respeito ao capital humano (artigo 5º, inciso XXIII, da CF/88 e artigo 421, da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro)).
DESPESAS COM EMPLACAMENTO. DEDUTIBILIDADE.
É prática de mercado a existência destas despesas com emplacamento e/ou pagamento do IPVA, especialmente por questões concorrenciais. Por vezes, para igualar a oferta dos concorrentes ou quando necessitam aumentar o seu fluxo de entrada de recursos, as empresas do segmento buscam estes elementos de barganha para alcançar seus objetivos sociais. Logo, tais dispêndios são lícitos, necessários, usuais ou normais ao exercício desta atividade empresarial. Aplicável o artigo 299, do RIR. As autoridades fiscal e julgadora não lograram êxito em afastar a idoneidade das provas apresentadas.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO.
O princípio da consunção ou absorção determina que não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar quando, sobre os mesmos fatos, houver sido aplicada sanção sobre o dever de recolher em definitivo, de forma que esta penalidade absorve aquela até o limite em que suas bases se Identificarem. Aplicação da Súmula CARF nº 105 para os períodos até 2006.
Numero da decisão: 1201-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do seguinte modo:
1) por unanimidade de votos em: a) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores lançados a título de omissão de receitas (receitas não contabilizadas) como também os valores lançados de PIS e Cofins no processo administrativo fiscal nº 16832.000281/2010-28; e, b) afastar as multas isoladas lançadas no ano de 2006, por força de Súmula nº 105 deste Conselho. 2) por voto de qualidade, manter a glosa de despesas com depreciação. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes, e, 3) por maioria de votos, afastar as demais glosas, vencidos os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães que mantinham todas as glosas. Designada a conselheira Gisele Barra Bossa para redigir o voto vencedor em relação a este item 3.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO DE MULTAS ISOLADAS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. DESCONSIDERAÇÃO DA PROVA E AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem das despesas em questão, é que o direito a dedutibilidade não merece ser reconhecido. Aplicável o teor dos artigos 2º e 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/99 c/c os artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Os dispêndios com depreciação somente são admitidos se comprovados através de mapas e documentação de suporte. DESPESAS COM CESTAS DE NATAL. DEDUTIBILIDADE. Tais despesas devem ser consideradas operacionais, pois são de fato usuais e normais às atividades das empresas, em consonância com o artigo 299, do RIR. A concessão de cestas de natal não é mera liberalidade, mas figura como mecanismo de zelo e respeito ao capital humano (artigo 5º, inciso XXIII, da CF/88 e artigo 421, da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro)). DESPESAS COM EMPLACAMENTO. DEDUTIBILIDADE. É prática de mercado a existência destas despesas com emplacamento e/ou pagamento do IPVA, especialmente por questões concorrenciais. Por vezes, para igualar a oferta dos concorrentes ou quando necessitam aumentar o seu fluxo de entrada de recursos, as empresas do segmento buscam estes elementos de barganha para alcançar seus objetivos sociais. Logo, tais dispêndios são lícitos, necessários, usuais ou normais ao exercício desta atividade empresarial. Aplicável o artigo 299, do RIR. As autoridades fiscal e julgadora não lograram êxito em afastar a idoneidade das provas apresentadas. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO. O princípio da consunção ou absorção determina que não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar quando, sobre os mesmos fatos, houver sido aplicada sanção sobre o dever de recolher em definitivo, de forma que esta penalidade absorve aquela até o limite em que suas bases se Identificarem. Aplicação da Súmula CARF nº 105 para os períodos até 2006.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16832.000282/2010-72
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888839
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.248
nome_arquivo_s : Decisao_16832000282201072.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 16832000282201072_5888839.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do seguinte modo: 1) por unanimidade de votos em: a) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores lançados a título de omissão de receitas (receitas não contabilizadas) como também os valores lançados de PIS e Cofins no processo administrativo fiscal nº 16832.000281/2010-28; e, b) afastar as multas isoladas lançadas no ano de 2006, por força de Súmula nº 105 deste Conselho. 2) por voto de qualidade, manter a glosa de despesas com depreciação. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes, e, 3) por maioria de votos, afastar as demais glosas, vencidos os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães que mantinham todas as glosas. Designada a conselheira Gisele Barra Bossa para redigir o voto vencedor em relação a este item 3. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7384040
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589492936704
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-11T18:19:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-07-11T18:19:21Z; dcterms:modified: 2018-07-11T18:19:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-07-11T18:19:21Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-11T18:19:21Z; meta:save-date: 2018-07-11T18:19:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-11T18:19:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000282/201072 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.248 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria IRPJ Recorrente BESOURO VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DE MULTAS ISOLADAS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. DESCONSIDERAÇÃO DA PROVA E AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem das despesas em questão, é que o direito a dedutibilidade não merece ser reconhecido. Aplicável o teor dos artigos 2º e 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/99 c/c os artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Os dispêndios com depreciação somente são admitidos se comprovados através de mapas e documentação de suporte. DESPESAS COM CESTAS DE NATAL. DEDUTIBILIDADE. Tais despesas devem ser consideradas operacionais, pois são de fato usuais e normais às atividades das empresas, em consonância com o artigo 299, do RIR. A concessão de cestas de natal não é mera liberalidade, mas figura como mecanismo de zelo e respeito ao capital humano (artigo 5º, inciso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 02 82 /2 01 0- 72 Fl. 3411DF CARF MF 2 XXIII, da CF/88 e artigo 421, da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro)). DESPESAS COM EMPLACAMENTO. DEDUTIBILIDADE. É prática de mercado a existência destas despesas com emplacamento e/ou pagamento do IPVA, especialmente por questões concorrenciais. Por vezes, para igualar a oferta dos concorrentes ou quando necessitam aumentar o seu fluxo de entrada de recursos, as empresas do segmento buscam estes elementos de barganha para alcançar seus objetivos sociais. Logo, tais dispêndios são lícitos, necessários, usuais ou normais ao exercício desta atividade empresarial. Aplicável o artigo 299, do RIR. As autoridades fiscal e julgadora não lograram êxito em afastar a idoneidade das provas apresentadas. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO. O princípio da consunção ou absorção determina que não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar quando, sobre os mesmos fatos, houver sido aplicada sanção sobre o dever de recolher em definitivo, de forma que esta penalidade absorve aquela até o limite em que suas bases se Identificarem. Aplicação da Súmula CARF nº 105 para os períodos até 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do seguinte modo: 1) por unanimidade de votos em: a) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores lançados a título de omissão de receitas (receitas não contabilizadas) como também os valores lançados de PIS e Cofins no processo administrativo fiscal nº 16832.000281/201028; e, b) afastar as multas isoladas lançadas no ano de 2006, por força de Súmula nº 105 deste Conselho. 2) por voto de qualidade, manter a glosa de despesas com depreciação. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes, e, 3) por maioria de votos, afastar as demais glosas, vencidos os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los e José Carlos de Assis Guimarães que mantinham todas as glosas. Designada a conselheira Gisele Barra Bossa para redigir o voto vencedor em relação a este item 3. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 3 3 convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório BESOURO VEÍCULOS LTDA, na condição de contribuinte, recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1238.888, lavrado pela 8ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que julgou procedente em parte o lançamento, de modo a cancelar as seguintes glosas: "DESPESA PREPARAÇÃO DE ENTREGAVR REF ESTORNO DE REVISÃO R$ 39.006,82; DESPESA PREPARAÇÃO DE ENTREGA VR REFTE,12058 TREC AUTO — R$ 128.803,26; DESPESA MANUTENÇÃO E GARANTIA R$ 128.803,26 ; LOBO E TEIXEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS R$ 7.000,00) e CLÁUDIO LUIZ LOBO R$ 24.657,85. Total: R$ 328.271,19." Na sessão de 05 de março de 2015, por meio da Resolução nº 1103 000.176, da extinta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF (fls. 3.183/3.190), resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB, quanto ao anocalendário de 2006: a) intime o sujeito passivo a proceder à necessária correlação dos documentos de fls.88/199 do Anexo VIII e de fls.2/35 do Anexo IX (cópias do Sistema de Ativo Fixo) com as despesas de depreciação glosadas (“Edifícios e Instalações”, “Móveis e Equipamentos”, “Móveis e Utensílios”, “Veículos” e “Identificação”); e a apresentar a documentação relativa à aquisição dos bens, ao cálculo individualizado da depreciação e a outros elementos que permitiram apurála nos termos da legislação de regência; b) intime o sujeito passivo a demonstrar o oferecimento à tributação dos valores das comissões que afirma ter recebido da Ford Motor Company Brasil Ltda; c) elabore relatório circunstanciado em que reste evidenciado, se for o caso, o quantum da depreciação passível de dedução e o valor da receita oferecida à tributação, relativa a comissões recebidas da Ford Motor Company Brasil Ltda; d) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às considerações constantes do respectivo relatório, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da Resolução ao norte mencionada, complementandoo ao final: Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Multa Isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL (anocalendário 2006), no valor Fl. 3413DF CARF MF 4 total original de R$ 3.831.166,84, com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.737/777). A ciência do contribuinte ocorreu em 30/4/10 (fl.777). Nos “Termos de Verificação Fiscal” (fls.725/736 e 770/771), consignouse, em resumo: acerca dos valores escriturados a débito nas contas “Despesa Preparação de Entrega” (R$167.810,08) e “Despesa Manutenção e Garantia” (R$128.803,26), o contribuinte, após intimado, não apresentou qualquer documentação comprobatória; quanto aos valores escriturados a débito na conta “Despesa Serviços Terceiros/Serviços Profissionais”, as notas fiscais descrevem genericamente serviços de assessoria em intermediação de venda, sem discriminação dos veículos vendidos (Riogov Serviços S/C Ltda – R$ 87.040,40; Rio Oeste Veículos Ltda – R$ 5.000,00); e serviços de assessoria junto a varas de execução e perante a Receita Federal (A&CFT Assessoria & Consultoria Fiscal Tributária Ltda – R$ 210.536,84). Também foram apresentados, juntamente com as respectivas notas fiscais, recibos de pagamento, com histórico “honorários” (Cláudio Luiz Lobo – R$24.657,85), e notas fiscais com a descrição genérica de serviços de advocacia (Lobo e Teixeira Advogados Associados – R$ 7.000,00 “ Para dedução de serviços prestados por terceiros como despesa operacional, as faturas, notas fiscais e demais documentos fornecidos como elementos de prova devem identificar a natureza e o prestador do serviço e obedecer às demais disposições comerciais e fiscais sobre emissão de documentos, bem como estarem seus serviços compreendidos nos objetivos sociais da empresa prestadora. Somente são admitidas como operacionais as despesas com prestação de serviços quando efetivamente provada a sua realização, não bastando como elemento probante a apresentação de notas fiscais que nada especificam ou que apenas designam serviços de assessoria em intermediação de vendas, sem discriminar ou relacionar os veículos, e de honorários ou serviços de advocacia, com descrição vaga e insuficiente”; sobre os valores escriturados nas contas “Despesas de Amortização de Prédio Alugado” (R$208.387,90) e “Despesas de Amortização PréOperacionais” (R$500.083,82), não foi possível identificar, de forma individualizada, os bens, datas e valores de aquisição, e datas de entrada em operação; o contribuinte, conforme reconhecido no curso do procedimento fiscal, escriturou em duplicidade as seguintes despesas relativas a serviços prestados por A&CFT Assessoria & Consultoria Fiscal Tributária Ltda: R$ 25.000,00 (NF 513, de 10/4/06), R$ 28.137,31 (NF 524, de 26/6/06), R$ 41.924,59 (NF 525, de 10/7/06) e R$ 3.779,70 (NF 529, de 27/7/06); as despesas relativas à aquisição de cestas de Natal para distribuição aos funcionários (Casas Saara Comestíveis – R$ 6.277,64; Nutrimix Comestíveis Ltda – R$ 6.698,39) e a Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 4 5 serviços de emplacamento de veículos (Carlos Augusto Raunhetti R$ 21.026,36; Lage Legalizações Ltda – R$ 122.428,72), ambos como cortesia, não podem ser deduzidas por caracterizarem mera liberalidade; a respeito dos valores escriturados nas contas “Despesas de Depreciação” (edifícios e instalações, móveis e equipamentos, móveis e utensílios, veículos e identificação – R$291.286,73), não foi possível identificar, de forma individualizada, os bens, datas e valores de aquisição, método adotado, datas de entrada em operação, baixas, acréscimos, reavaliações etc.; restou caracterizada a omissão de receitas, no montante de R$ 3.802.823,10, em razão da ausência de escrituração de parte dos valores recebidos a título de comissão da Ford Motor Company Brasil Ltda, conforme DIRF e circularização perante esta pessoa jurídica; sujeita se o contribuinte ao pagamento da multa isolada calculada sobre os valores das estimativas apuradas e não recolhidas no curso do anocalendário. Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.826/834): DILIGÊNCIA. Rejeitase o pedido de diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Somente são admissíveis como dedutíveis as despesas que, além de comprovadas com documentação hábil e idônea, correspondam a bens ou serviços efetivamente recebidos e que esses bens ou serviços sejam necessários, normais e usuais na atividade da empresa. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. CESTAS DE NATAL. Os gastos com cestas de natal distribuídos em festas natalinas são indedutíveis do lucro liquido devido a falta dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. EMPLACAMENTO DE VEÍCULOS. Incabível a dedução, como despesa operacional, dos valores pagos a titulo de emplacamento pela revendedora de veículos, mormente quando não restar devidamente comprovado que tais dispêndios foram suportados pelo comerciante. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Os dispêndios com depreciação somente são admitidos se comprovados através de mapas e documentação de suporte. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que Fl. 3415DF CARF MF 6 o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Deve ser feito o lançamento de oficio das receitas que não foram incluídas o lucro liquido do período. CSLL, PIS, COFINS. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos. Devidamente cientificado em 22/4/13 (fl.3.106), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 22/5/13 (fls.3.110/3.127), em que alegou, em síntese: preliminarmente, nulidade do acórdão recorrido por cerceamento a direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de diligência; e nulidade dos autos de infração relativos às multas isoladas, vez que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram em 31/12/06, não sendo aplicável a alteração do art.44 da Lei nº 9.430/96, promovida pelo art.14 da Lei nº 11.488, de 15/6/07, resultante da conversão da Medida Provisória nº 351, de 22/1/07; a comprovação das despesas com amortização e depreciação darseia com os documentos já acostados à impugnação (fls.35 e 121); as despesas com a aquisição de cestas de Natal para distribuição aos funcionários não poderiam ser glosadas, pois: (a) seu valor seria reduzido; (b) conteria alimentos; e (c) “...o intérprete não pode restringir onde o legislador não o fez, não se pode excluir do conceito ‘alimentação’ os alimentos natalinos, apenas porque estes últimos, por sua embalagem de apresentação, são popularmente conhecidos como ‘Cesta de Natal’”; as despesas com emplacamento de veículos, por estratégia de vendas, seriam assumidas pelos vendedores, sendo, portanto, dedutíveis; as multas isoladas seriam indevidas, seja pela impossibilidade de retroatividade da legislação de regência, ou mesmo por ter apurado saldo negativo de IRPJ (R$ 424.744,02) e CSLL a pagar de R$ 74.372,70 ao final do ano calendário 2006; no tocante à omissão de receitas, “...a Sra. Auditora Fiscal utilizouse, única e exclusivamente, dos valores constantes da DIRF entregue pela FORD à Secretaria da Receita Federal, sem a mínima precaução de cotejálos com os lançamentos contábeis da recorrente, e, depois, com os saldos finais das contas utilizados na elaboração de sua DIRPJ”. É o que importa relatar. Fl. 3416DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 5 7 Retornando os autos á unidade de Origem, foi produzido Relatório Fiscal de fls. 3.400/3.404, em cumprimento à diligência solicitada pelo CARF, cujo teor será analisado no voto deste Acórdão. Cientificado do Relatório Fiscal ao norte mencionado, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 3.406/3.407, que reproduzo abaixo: Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Vencido Fl. 3417DF CARF MF 8 Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Como a matéria discutida nos autos é bastante extensa, analisaremos as autuações e os argumentos de defesa por tópicos, conforme segue: PRELIMINARES DE NULIDADE Requer a recorrente a nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de diligência e a nulidade dos autos de infração em razão da aplicação das multas isoladas. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10 e 59, in verbis: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Adiante o mesmo diploma legal confirma essa restrição por meio da recomendação de que as demais irregularidades, incorreções e omissões sejam sanadas pelo servidor responsável pelo ato processual. Confirase: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos, ocasionada pela inobservância do disposto no artigo 10. Também não se faz presente, a meu ver, nenhuma das hipóteses de nulidade prevista no artigo 59 acima transcrito. Fl. 3418DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 6 9 Resta, portanto, verificar se os Autos de Infração ora em debate foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Tal como determinado em tal dispositivo, os lançamentos de IRPJ e reflexos têm como motivação o Termo de Verificação Fiscal (fls. 725/736), o qual, em conjunto com os próprios Autos de Infração (fls. 737/776), contêm a descrição dos fatos, a infração imputada, a base legal e demonstrativo dos valores utilizados como parâmetro. A autoridade fiscal motivou as razões que a levaram a caracterizar a conduta da Recorrente como infração à legislação tributária, não gerando quaisquer dúvidas acerca do conteúdo e forma da exigência constituída. Não vislumbro nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu o fundamento da imputação que lhe foi imposta, demonstrou total conhecimento dos detalhes da infração e conseguiu exercer seu direito ao contraditório de forma plena. A negativa da autoridade "a quo" em deferir a diligência requerida pela interessada e os lançamentos da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas não enseja a nulidade da decisão proferida e nem do auto de infração, segundo os dispositivos legais acima transcritos. GLOSA DE DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO Essa infração foi novamente investigada pela autoridade fiscal por meio da diligência solicitada pelo CARF e foi constatado, verbis: Fl. 3419DF CARF MF 10 Fl. 3420DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 7 11 A recorrente em sua manifestação de fls. 3.406, como consta do relatório deste Acórdão, afirma que não tem como apresentar documentos referentes á aquisição de bens ou o cálculo individualizado da depreciação, adicionais àqueles que já são parte do processo. Assim, ante o exposto, mantenho a glosa da depreciação por absoluta falta de comprovação. GLOSA DE DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE CESTAS DE NATAL AOS FUNCIONÁRIOS Por sua vez, no que se refere às cestas de natal, consta do voto condutor do Acórdão de 1ª instância que : "Nas fl. 88 e 89 do Anexo IA, consta Nota Fiscal relativo a compra de algumas cestas de natal, contudo, não foi anexada ao processo documentação que comprovem que tais cestas foram distribuídas a todos os funcionários." Nada obstante, cumpre verificar se as cestas de natal são, ou não, dedutíveis. A legislação acerca dessa matéria está fundamentada no artigo 13, § 1º, da Lei nº 9.249/95 e no artigo 369 do RIR/99, que admitem a dedução das despesas de alimentação, desde que seja fornecida pela pessoa jurídica indistintamente a todos os seus empregados, em conjunto com o artigo 27, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 11/96, que estende a dedução das despesas de alimentação às cestas básicas. Vejamos: Lei nº 9.249/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) Fl. 3421DF CARF MF 12 § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. RIR/99 Art. 369. Admitirseão como dedutíveis as despesas de alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados, observado o disposto no inciso V do parágrafo único do art. 249 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, § 1º). Instrução Normativa SRF nº 11/96 Art. 27. As despesas com alimentação somente poderão ser dedutíveis quando fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. Parágrafo único. A dedutibilidade a que se refere este artigo independe da existência de Programa de Alimentação do Trabalhador e aplicase, inclusive, às cestas básicas de alimentos fornecidas pela empresa, desde que indistintamente a todos os empregados. Entendo, dessa forma, que as cestas de natal são dedutíveis, mas que a sua dedutibilidade está condicionada ao oferecimento de forma indistinta a todos os empregados, por força dos próprios dispositivos supratranscritos. No presente caso, consultando as provas colacionadas, a Contribuinte não demonstrou que as cestas de natal foram entregues a todos os empregados indistintamente, o que, contudo, deveria ter sido feito. Desse modo, acompanho as conclusões da decisão de piso no sentido de que não há como se considerar como dedutiveis os gastos relativos a cestas de natal. GLOSA DE DESPESAS COM EMPLACAMENTO DE VEÍCULOS Entendo que os gastos com emplacamentos de veículos novos não são encargos do revendedor do automóvel, mas sim do adquirente do veículo, sendo que, via de regra, as revendedoras de automóveis funcionam como intermediárias na operação de emplacamento de veículos, recebendo o dinheiro de seus clientes e repassando para despachantes. A DRJ acrescenta: Algumas vezes, algumas concessionárias assumem esse ônus, como uma estratégia de venda, visando atrair mais clientes, conforme alega o contribuinte. Nesse caso, há alguma razoabilidade em se entender que as despesas com o emplacamento possam ser consideradas como dedutiveis, por servirem como instrumento para a promoção das vendas de veículos. Contudo, ha que ser comprovado que o contribuinte não cobrou tais despesas dos compradores de veículos. A interessada apresenta notas fiscais, recibos, extratos do Detran, porém tais documentos não comprovam que tais despesas foram assumidas pela interessada, posto que, é comum que as concessionárias de veículos paguem aos despachantes por tais despesas e Fl. 3422DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 8 13 posteriormente cobrem do comprador do veiculo. Quando a concessionária vende um veiculo e assume tal despesa há uma cláusula no contrato de venda sobre o assunto. Tal documento é que serviria para a comprovação em comento. Contudo, esta documentação não foi anexada pela interessada. Face o exposto, acompanho a decisão da DRJ e mantenho a glosa relativa a despesa com emplacamento de veículos novos. OMISSÃO DE RECEITAS A TÍTULO DE COMISSÃO DA FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA Essa infração também foi novamente investigada pela autoridade fiscal por meio da diligência solicitada pelo CARF e foi constatado, verbis: Fl. 3423DF CARF MF 14 Fl. 3424DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 9 15 Fl. 3425DF CARF MF 16 A recorrente em sua manifestação de fls. 3.406/3.407, como consta do relatório deste Acórdão, concorda com as conclusões da diligência efetuada e, em consequência requer a exclusão da totalidade dos valores lançados referentes ao IRPJ e CSLL sobre as comissões da Ford Company, por já ter sido tributada na DIPJ do anocalendário de 2006 e a exclusão da parcela dos valores lançados referentes ao PIS e à COFINS referente aos valores contabilizados a crédito de custo, por já ter sido tributada de ofício em Auto de Infração específico de PIS e COFINS, apartado deste, onde a empresa apresenta suas razões de impugnação. Assim, acato a diligência efetuada pela Fiscalização no sentido de excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores lançados a título de omissão de receitas (receitas não contabilizadas) como também os valores lançados de PIS e COFINS no processo administrativo fiscal nº 16832.000281/201028, cujos demonstrativos de apuração trago a colação: Fl. 3426DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 10 17 Fl. 3427DF CARF MF 18 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IR POR ESTIMATIVA Esta Turma tem decidido, a exemplo de outros colegiados do CARF, no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Como se sabe, o princípio da consunção (também denominado princípio da absorção) aplicase quando há uma sucessão de condutas tipificadas que, em razão de um nexo de dependência intrínseco, permite que a infração mais grave absorva aquelas de menor intensidade. Essa foi a inteligência da Súmula 105 deste Conselho: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 3428DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 11 19 Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo vigente e aplicável ao tempo dos fatos. Assim, convém destacar que houve alteração no comando original do artigo 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória n. 351/2007. Penso que a alteração buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Súmula 105 deste Conselho, que conferiu, à luz do artigo 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do artigo 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica Como no caso dos autos as multas isoladas abrangem somente o ano calendário de 2006, voto por afastar as respectivas infrações, por força da Súmula deste Conselho. CONCLUSÃO Em síntese e diante de todo o exposto, voto no sentido de, afastar as preliminares suscitadas e no mérito: a) excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores lançados a título de omissão de receitas (receitas não contabilizadas) como também os valores lançados de PIS e COFINS no processo administrativo fiscal nº 16832.000281/201028; b) afastar as multas isoladas lançadas no ano de 2006, por força de Súmula nº 105 deste Conselho; c) manter as demais glosas de despesas que não foram afastadas pela DRJ. (assinado digitalmente) Fl. 3429DF CARF MF 20 José Carlos de Assis Guimarães Voto Vencedor Em que pesem os argumentos apresentados pelo Ilustre Colega Relator, peço vênia, para, respeitosamente, divergir de seu voto com relação às glosas de despesas de emplacamento e cestas de natal por considerálas dedutíveis. A autoridade fiscal considerou que "as despesas relativas à aquisição de cestas de Natal para distribuição aos funcionários (Casa Saara Comestíveis e Nutrimix) e a de serviços de emplacamento de veículos (Carlos Augusto Raunhetti e Lage Legalizações), ambos como cortesia, não podem ser deduzidas por caracterizarem mera liberalidade" (TVF, fls. 3.258). Já a r. decisão da DRJ consignou que "os gastos com cestas de natal distribuídos em festas natalinas são indedutíveis do lucro líquido devido a falta dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade" e ser "incabível a dedução, como despesa operacional, dos valores pagos a título de emplacamento pela revendedora de veículos, mormente quando não restar devidamente comprovado que tais dispêndios foram suportados pelo comerciante". Contudo, tais posicionamentos não devem prevalecer, pelas seguintes razões de fato e de direito. 1. Da Existência de Documentação Hábil e Idônea Inicialmente, cumpre consignar que a ora Recorrente cuidou de apresentar documentos probatórios hábeis e idôneos capazes de demonstrar ter arcado de fato com estes custos, dentre eles: (i) o razão contábil e notas fiscais relativas às compras de cestas de natal (fls. 246/249 e docs. 72/73); e (ii) as notas fiscais dos serviços de emplacamento emitidas, recibos e extratos do DETRAN (fls. 250/258, Anexo 6, fl. 196/199, Anexo 7, fl. 02/199 e Anexo 8, fl. 02/87) , todas emitidas em nome da contribuinte (devida discriminação das partes), com o detalhamento da compra/serviço e os valores pagos. De acordo com o artigo 923 e 924 do RIR (Decreto nº 3.000/99), a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte e, portanto, cabe a autoridade fiscal comprovar a inveracidade dos fatos registrados, o que não ocorreu in casu. Confirase o teor dos dispositivos: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais "Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior" Ademais, somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para esclarecer a origem das despesas em questão, é que o direito a dedutibilidade não merece ser reconhecido. Fl. 3430DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 12 21 Nos termos do artigo, art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente, sob pena de afronta aos valores constantes dos artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas1, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Por outro lado, a qualidade da prova apresentada deve ser reconhecida, em linha, inclusive, com a recente Acórdão nº 1301003.006, de Relatoria da Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2010 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. Para serem considerados hábeis e idôneos a comprovar custos e despesas, as notas fiscais e demais documentos devem identificar as partes, as operações realizadas, a discriminação dos serviços, os respectivos valores e obedecer às demais disposições comerciais e fiscais sobre a emissão de documentos." (Processo Administrativo nº 16682.722534/201593, Acórdão nº 1301003.006, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/ 1ª Seção, Sessão de 16 de maio de 2018). Do exposto, devem ser considerados hábeis e idôneos os meios de provas apresentados pela contribuinte. 2. Dedutibilidade das despesas com Cesta de Natal Relativamente ao valor originário de R$ 12.976,03 despendido pela ora Recorrente com a aquisição de cento e cinquenta e uma Cestas de Natal para distribuição aos funcionários, vale consignar que tal prática é usual às companhias, serve de estímulo e melhora a integração dos mesmos aos valores da empresa. No mais, as companhias devem atuar em consonância com o princípio da função social da empresa (artigo 5º, inciso XXIII, da CF/88 e artigo 421, da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro)). A concessão de cestas de natal não é mera liberalidade, mas figura como mecanismo de zelo e respeito ao capital humano. Tanto é que o artigo 39, inciso IV, do RIR (pessoa física) considera os valores de alimentação rendimentos isentos e não tributáveis, verbis: 1 Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. Fl. 3431DF CARF MF 22 "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) IV a alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado;" Se a legislação lato sensu permite a dedução das despesas com a alimentação dos seus funcionários, cujo custo diário, per capita, foi da mesma ordem e se a legislação não especifica o que está incluso no conceito "alimentação", considero, à luz do princípio da razoabilidade e da função social da empresa, que não pode ser mantida a glosa desta despesa. Não cabe ao intérprete restringir onde o legislador não o fez ("ubi lex non distinguir nec nos distinguere debemus"). Logo, não se pode excluir do conceito "alimentação" os alimentos natalinos, apenas por sua embalagem de apresentação. Assim sendo, tais despesas devem ser consideradas operacionais, pois são de fato usuais e normais às atividades das empresas, em consonância com o artigo 299, do RIR: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem." (grifos nossos) O dispositivo em questão assume nítido caráter ampliativo e não restritivo e cuida do valor humano, na medida que este garante a manutenção da fonte produtora. Portanto, as despesas com cesta de natal devem ser deduzidas do lucro líquido. 3. Dedutibilidade das despesas com Emplacamento Da mesma forma, não pode prosperar a glosa de R$ 21.026,36 e R$ 122.428,72, referentes às despesas com o emplacamento de alguns veículos vendidos, ou revendidos, sob o argumento de terem ocorrido por mera liberalidade da vendedora, ora Recorrente. A par das provas apresentadas e considerações constantes do item 1, é prática de mercado a existência destas despesas com emplacamento e/ou pagamento do IPVA, especialmente por questões concorrenciais. Por vezes, para igualar a oferta dos concorrentes ou quando necessitam aumentar o seu fluxo de entrada de recursos, as empresas do segmento buscam estes elementos de barganha para alcançar seus objetivos sociais. Neste sentido, não há dúvidas de que tais dispêndios são lícitos, necessários, usuais ou normais ao exercício desta atividade empresarial. Comprovadamente tais despesas se realizaram em beneficio da empresa (manutenção da fonte produtora), o que por si só se coaduna com os preceitos do artigo 299, do RIR. Fl. 3432DF CARF MF Processo nº 16832.000282/201072 Acórdão n.º 1201002.248 S1C2T1 Fl. 13 23 Vejam que, a própria autoridade julgadora consignou que "algumas concessionárias assumem esse ônus, como uma estratégia de venda, visando atrair mais clientes, conforme alega o contribuinte. Nesse caso, há alguma razoabilidade em se entender que as despesas com o emplacamento possam ser consideradas como dedutíveis, por servirem como instrumento para a promoção das vendas de veículos". Contudo, considerou que a ora Recorrente não teria arcado com tais despesas. Data máxima vênia, a já citada documentação foi juntada aos autos e as autoridades fiscal e julgadora não lograram êxito em afastar a idoneidade de tais provas. Logo, descabida a glosa destas despesas. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO e doulhe PROVIMENTO para afastar a glosa de despesas com cestas de natal e emplacamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 3433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004604/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. EMENTA. VOTO CONDUTOR.
Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a contradição existente entre a ementa e a fundamentação do voto condutor do julgado, na parte referente ao número de animais declarados e à área de pastagens para o rebanho.
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. LAUDO TÉCNICO. JUNTADA APÓS A IMPUGNAÇÃO.
Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a omissão existente na decisão embargada, mediante o acréscimo da fundamentação quanto à aceitação do laudo técnico juntado pelo contribuinte após a apresentação da impugnação.
Numero da decisão: 2401-005.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente dos embargos e, na parte conhecida, acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a contradição e omissão apontadas, alterar o texto da ementa e esclarecer os fundamentos do voto do acórdão embargado, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1995 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. EMENTA. VOTO CONDUTOR. Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a contradição existente entre a ementa e a fundamentação do voto condutor do julgado, na parte referente ao número de animais declarados e à área de pastagens para o rebanho. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. LAUDO TÉCNICO. JUNTADA APÓS A IMPUGNAÇÃO. Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a omissão existente na decisão embargada, mediante o acréscimo da fundamentação quanto à aceitação do laudo técnico juntado pelo contribuinte após a apresentação da impugnação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10183.004604/2006-81
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894232
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.654
nome_arquivo_s : Decisao_10183004604200681.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 10183004604200681_5894232.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente dos embargos e, na parte conhecida, acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a contradição e omissão apontadas, alterar o texto da ementa e esclarecer os fundamentos do voto do acórdão embargado, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7402463
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589499228160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 136 1 135 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.004604/200681 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.654 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de julho de 2018 Matéria ITR CONTRADIÇÃO OMISSÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ANTÔNIO FANCELLI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. EMENTA. VOTO CONDUTOR. Acolhemse os embargos de declaração para sanar a contradição existente entre a ementa e a fundamentação do voto condutor do julgado, na parte referente ao número de animais declarados e à área de pastagens para o rebanho. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. LAUDO TÉCNICO. JUNTADA APÓS A IMPUGNAÇÃO. Acolhemse os embargos de declaração para sanar a omissão existente na decisão embargada, mediante o acréscimo da fundamentação quanto à aceitação do laudo técnico juntado pelo contribuinte após a apresentação da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 46 04 /2 00 6- 81 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10183.004604/200681 Acórdão n.º 2401005.654 S2C4T1 Fl. 137 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente dos embargos e, na parte conhecida, acolhêlos, sem efeitos infringentes, para, sanando a contradição e omissão apontadas, alterar o texto da ementa e esclarecer os fundamentos do voto do acórdão embargado, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, conforme fls. 122/128, contra o Acórdão nº 210200.614, de 13/05/2010, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 114/118. 2. Alega a embargante, em primeiro lugar, que o acórdão apresenta contradição entre a ementa e os fundamentos do voto exarado quanto à análise da relação entre o número de cabeças de animais do rebanho e a extensão da área de pastagens, e suas implicações para o cálculo do imposto. 3. Aduz, ainda, que o acórdão é omisso, nos seguintes pontos: (i) falta de motivação do reconhecimento da área de preservação permanente além do que pleiteado pelo recorrente; (ii) ausência de pronunciamento sobre a preclusão para a juntada de provas documentais em sede recursal; e Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10183.004604/200681 Acórdão n.º 2401005.654 S2C4T1 Fl. 138 3 (iii) falta de análise dos defeitos do laudo técnico apresentado, em face dos requisitos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 4. Os autos foram recepcionados pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 13/01/2011, que interpôs os embargos de declaração em 21/01/2011 (fls. 119/121). 5. Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o redator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. 6. Os aclaratórios foram parcialmente admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, tão somente quanto à contradição e à omissão de ausência de fundamentação para a analise de provas documentais juntadas extemporaneamente, determinandose a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas ao saneamento desses vícios apontados pela Fazenda Nacional (fls. 130/134). É o relatório Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 7. Cingese a análise dos embargos opostos pela Fazenda Nacional à alegação de contradição no julgado, assim como de omissão ao não se pronunciar sobre a preclusão para a juntada de provas documentais, na medida em que os demais vícios apontados no recurso pela embargante foram rejeitados, em caráter definitivo, pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento (fls. 130/134). 8. Na parte devolvida a exame do colegiado, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos declaratórios, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, e art. 66, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Contradição 9. Alega a Fazenda Nacional que o aresto incorre em contradição entre a ementa e o voto condutor, especificamente na parte referente ao número de animais de grande porte declarados e à área de pastagens para o rebanho. 9.1 Enquanto a redação da ementa sugere a alteração do lançamento efetuado, a fundamentação do voto se expressa pela manutenção da decisão de primeira instância, desfavorável ao pleito do contribuinte. Confirase o texto do acórdão embargado (fls. 114 e 117): Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10183.004604/200681 Acórdão n.º 2401005.654 S2C4T1 Fl. 139 4 Ementa (...) ITR. REBANHO. ÁREA DE PASTAGENS. No que concerne à relação entre o rebanho e a extensão da área de pastagens e suas implicações, o reconhecimento da eficácia das provas materiais apresentadas pela contribuinte merecem integral confirmação e com capacidade de alterar o lançamento efetuado. (...) Voto (...) RETIFICAÇÃO DO REBANHO. ÁREA DE PASTAGEM. Insiste o recorrente na retificação do seu rebanho. Ocorre que já foi demonstrado minuciosamente pela DRF que embora não esteja cabalmente comprovadas as quantidades de rebanho declaradas, a retificação pretendida e inócua diante do fato que ela não tem o condão de alterar o GUT de tal forma que altere a alíquota de calculo do tributo, conforme se vê às fls. 29 a 31. Por isso, foi indeferido o pedido. Da mesma forma confirmou a DRJ. Ora, em sede de recurso o contribuinte apenas repetiu o pedido sem impugnar as razões da DRF e DRJ e que na minha análise estão corretas. Somente faria sentido nesse foro, se o contribuinte apresentasse documentos que provassem suas alegações e demonstrando que a retificação pretendida, tem capacidade de alterar o valor lançado, sob pena de se proceder uma retificação inócua trazendo um custo processual sem qualquer benefício ao interessado. Ressaltase que tampouco o laudo apresentado de fls. 86 a 90, entregue após a apresentação do recurso, não trouxe elementos para socorrer o contribuinte nesse contexto. Destarte, sem provas, argumentos ou razão que pudesse trazer benefício ao recorrente, não vejo condições para prover o recurso nesse ponto. (...) 10. Como se observa dos parágrafos reproduzidos, é manifesta a contradição interna do julgado, através de proposições inconciliáveis entre si. O equívoco reside exclusivamente na ementa, haja vista que o colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso tão somente para reconhecer a área de preservação permanente, conforme laudo técnico (fls. 115). 11. A fim de extirpar a contradição, devese substituir a parte da ementa que apresenta equívoco, mantida a congruência com a fundamentação do voto, conforme redação abaixo: Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10183.004604/200681 Acórdão n.º 2401005.654 S2C4T1 Fl. 140 5 Onde se lê: (...) ITR. REBANHO. ÁREA DE PASTAGENS. No que concerne à relação entre o rebanho e a extensão da área de pastagens e suas implicações, o reconhecimento da eficácia das provas materiais apresentadas pela contribuinte merecem integral confirmação e com capacidade de alterar o lançamento efetuado. (...) Leiase: (...) ITR. REBANHO. ÁREA DE PASTAGENS. No que concerne à relação entre o rebanho e a extensão da área de pastagens e suas implicações, as provas materiais apresentadas pelo contribuinte são despedidas da capacidade de alterar o lançamento efetuado pela fiscalização. (...) Omissão 12. No que tange à omissão no julgado, reclama a Fazenda Nacional que o acórdão embargado não se pronunciou sobre a preclusão para a juntada de provas documentais nos termos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, ao aceitar como prova o laudo técnico juntado de forma extemporânea. 13. Com efeito, revela a leitura do acórdão embargado a falta de fundamentação explícita para a análise do laudo técnico juntado pelo autuado somente em sede recursal. Portanto, cabe a integração da decisão recorrida, mediante as razões de fato e direito a seguir detalhadas. 14. Por intermédio do recurso voluntário, o recorrente solicitou o reconhecimento da existência de uma área de preservação permanente no seu imóvel, equivalente a um pouco menos de 3.000,0 hectares (fls. 93/99). 14.1 Segundo a petição, tratavase de uma área que, inequivocadamente, sempre existiu no imóvel rural, que o contribuinte, por lapso, havia deixado de consignar na declaração do imposto. Para fazer provar a existência da área, colacionou o mapa de localização do imóvel, resultante de levantamento topográfico por meio de coordenadas geográficas. Posteriormente, o recorrente juntou um laudo técnico, em complemento ao recurso voluntário (fls. 108/112). Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10183.004604/200681 Acórdão n.º 2401005.654 S2C4T1 Fl. 141 6 15. A alegação da existência da área de preservação permanente é feita desde a impugnação, consistindo o laudo técnico apresentado tão somente em um elemento adicional para a comprovação dos fatos que o recorrente pretendia fazer prevalecer no processo administrativo. 15.1 Tanto é assim que o acórdão vergastado levou em consideração não só o laudo técnico para decidir sobre a existência da área de preservação permanente, mas um conjunto de provas documentais carreadas aos autos pela parte interessada. Confirase os fundamentos do acórdão recorrido (fls. 117): (...) Alega o recorrente que sempre existiu no imóvel rural em questão uma Área de Preservação Permanente e, dessa forma, requer que essa área seja considerada isenta no valor de 2.895,70 ha nos cálculos do ITR, conforme Laudo Técnico juntado aos autos. De acordo com a documentação acostada aos autos, especialmente a DIAT/1999, fls 38 do processo apenso, nº 10183.003505/200178, Levantamento Topográfico de GPS, fls 78, Laudo Técnico de fls. 86 a 90, inclusa competente ART, concluímos que procede o pedido do contribuinte, pois, esses documentos atestam a sua alegação da existência dessa área. (...) 16. É sabida a permanente tensão que vigora entre princípios informativos do processo administrativo fiscal, tais como ampla defesa, verdade material, duplo grau de jurisdição, informalismo moderado, oficialidade, preclusão e eficiência, cujo aplicador do direito deparase com a existência de conflitos entre eles, muitas vezes, o que lhe exige adotar uma solução que melhor atenda ao caso concreto. 17. Uma das tarefas do julgador é assegurar o equilíbrio na aplicação dos princípios no desenvolvimento do contencioso administrativo tributário à luz do caso sob exame. Se, de um lado, devese respeitar as formalidades inerentes ao rito procedimental do processo administrativo, tal como o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, de outra parte não é conveniente ao interesse público a chancela de circunstâncias potencialmente aptas à instauração de litígio judicial inoportuno e dispensável, com óbvia violação ao princípio da eficiência. 18. Levada a questão para apreciação do Poder Judiciário, inevitavelmente será avaliada sobre o aspecto material. Por isso, a demonstração da existência de área de preservação permanente no imóvel rural, a qual está alheia à incidência do imposto, não pode ser ignorada nos autos, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária e verdade material no tocante à manutenção do crédito tributário. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10183.004604/200681 Acórdão n.º 2401005.654 S2C4T1 Fl. 142 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO parcialmente dos embargos, nos limites admitidos pelo despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição e a omissão no Acórdão nº 210200.614, de 13/05/2010, nos termos acima detalhados. É o voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008908/2006-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
LOCAÇÃO/CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. PESSOA JURÍDICA RESULTANTE DE DESMEMBRAMENTO DE OUTRA. HIPÓTESES DE VEDAÇÃO À OPÇÃO PELO SIMPLES.
Caracterizada a atividade de locação de mão-de-obra e/ou confirmado o desmembramento da pessoa jurídica na forma vedada pelo art. 9.º da Lei n.º 9.317/96, justifica-se a exclusão do SIMPLES.
INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO.
O ato da exclusão do SIMPLES contestado é declaratório da materialização de hipóteses impeditivas preexistentes fundadas em atividade vedada e desmembramento de outra pessoa jurídica, permitindo o reconhecimento de seus efeitos a partir de 17/10/2002, conforme previsão expressa em lei.
Numero da decisão: 1002-000.301
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 LOCAÇÃO/CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. PESSOA JURÍDICA RESULTANTE DE DESMEMBRAMENTO DE OUTRA. HIPÓTESES DE VEDAÇÃO À OPÇÃO PELO SIMPLES. Caracterizada a atividade de locação de mão-de-obra e/ou confirmado o desmembramento da pessoa jurídica na forma vedada pelo art. 9.º da Lei n.º 9.317/96, justifica-se a exclusão do SIMPLES. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO. O ato da exclusão do SIMPLES contestado é declaratório da materialização de hipóteses impeditivas preexistentes fundadas em atividade vedada e desmembramento de outra pessoa jurídica, permitindo o reconhecimento de seus efeitos a partir de 17/10/2002, conforme previsão expressa em lei.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.008908/2006-15
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894743
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.301
nome_arquivo_s : Decisao_10680008908200615.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANGELO ABRANTES NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 10680008908200615_5894743.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7403760
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589513908224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 216 1 215 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.008908/200615 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.301 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 5 de julho de 2018 Matéria SIMPLES Exclusão. Recorrente DIGTRANSLABOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 LOCAÇÃO/CESSÃO DE MÃODEOBRA. PESSOA JURÍDICA RESULTANTE DE DESMEMBRAMENTO DE OUTRA. HIPÓTESES DE VEDAÇÃO À OPÇÃO PELO SIMPLES. Caracterizada a atividade de locação de mãodeobra e/ou confirmado o desmembramento da pessoa jurídica na forma vedada pelo art. 9.º da Lei n.º 9.317/96, justificase a exclusão do SIMPLES. INÍCIO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DE OFÍCIO. O ato da exclusão do SIMPLES contestado é declaratório da materialização de hipóteses impeditivas preexistentes fundadas em atividade vedada e desmembramento de outra pessoa jurídica, permitindo o reconhecimento de seus efeitos a partir de 17/10/2002, conforme previsão expressa em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 89 08 /2 00 6- 15 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 217 2 (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) mediante o Acórdão n.º 0221.814, de 02/04/2009 (efls. 189 a 192). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] A empresa acima qualificada, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES — foi excluída deste Sistema por força do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/BHE n° 26, de 17 de junho de 2008 (fls. 138), como segue: O Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte [...] declara: Art. 1° Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir de 17/10/2002 pela ocorrência de situação excludente indicada abaixo. [...] • Exercício de Atividades com locação de mão de obra; • Empresa resultante de desmembramento de pessoa jurídica. Fundamentação Legal: Lei 9.317, de 05/12/1996, Art. 9°, Inciso XII, "f" e Inciso XVII; Art. 13, Inciso II, alínea a; Art. 14, Inciso I; Art. 15, Inciso II e § 3°, incluído pelo Art. 3° da Lei N° 9.722, de 11 de dezembro de 1998. Tal exclusão teve origem na Representação Fiscal de fls. 3 a 5, oferecida por Auditor Fiscal da Previdência Social, que assim finalizava: Concluise, mediante os fatos apresentados, que a empresa DIGTRANSLABOR LTDA está impedida de optar pelo SIMPLES por ser vedada a opção nas circunstâncias abaixo descritas. A) a empresa DIGTRANSLABOR LTDA é resultante do desmembramento de parte do INSTITUTO DE PATOLOGIA CLINICA HERMES PARDINI LTDA — CNPJ 19.378.769/000176, pois houve Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 218 3 transferência dos funcionários que trabalham no setor de informática do Instituto para a referida empresa; B) a empresa DIGTRANSLABOR LTDA foi constituída com o objetivo único e exclusivo de fornecer mãodeobra na área de digitação e transporte ao INSTITUTO DE PATOLOGIA CLINICA HERMES PARDINI LTDA, pois todos seus funcionários desenvolvem atividades nas dependências do Instituto; Integram os autos cópias dos seguintes instrumentos: (a) do contrato social da interessada (fls. 6 a 11) e de sua alteração (fls. 12 a 17); (b) do contrato de prestação de serviços firmado pela interessada e pelo INSTITUTO DE PATOLOGIA CLÍNICA HERMES PARDINI (fls. 18 a 21); (c) do termo aditivo ao mesmo (fls. 22 a 24); e (d) de contrato de cessão de espaço (fls. 89 e 90). O referido contrato social tem o seguinte preâmbulo: VICTOR CAVALCANTI PARDINI [...] CPF.525.560.69600, [...]; JOSÉ RIBAMAR SILVA VILELA [...] CPF.176.213.8069I [...]; e CARLOS OLNEY SOARES, [...] CPF. 099.197.24653,[...] constituem uma sociedade comercial por quotas de responsabilidade limitada, que se regerá pelo disposto na legislação comercial e pelas cláusulas e condições seguintes [...]. A seu turno, o contrato de prestação de serviços tem o seguinte teor: Pelo presente instrumento particular de Prestação de Serviços, de um lado, DIGTRANSLABOR LTDA. [...], doravante denominada CONTRATADA, e, de outro lado, Instituto de Patologia Clinica Hermes Pardini Ltda.[...], neste ato representada por seu Sócio Diretor, Sr. CARLOS OLNEY SOARES, [...] CPF [...] no. 099.197.246 53, doravante denominada de CONTRATANTE, tern entre si, como justo e contratado o seguinte: Cláusula Primeira. Do Objeto do Presente Contrato Este presente instrumento particular de contrato, tem por objeto a prestação de serviços por parte da CONTRATADA, com concurso de seus empregados, no tocante a operação na área de transporte de materiais, digitação de dados, inclusive serviços congêneres. [...] Cláusula Segunda. Da Prestação de Serviços Todos os serviços enumerados serão executados e prestados coin concurso do pessoal devidamente habilitado da CONTRATADA, a qual tem a exclusiva responsabilidade pelo pagamento do trabalho desempenhado, bem como pelo cumprimento de todas as obrigações legais de qualquer natureza para com os mesmos,notadamente os encargos trabalhistas e previdenciários, ficando dessa forma, expressamente, excluída a responsabilidade da CONTRATANTE sobre tal matéria, não existindo desta maneira nenhum tipo de vinculo empregatício sob qualquer hipótese. Parágrafo único. As despesas com valetransporte, valerefeição, atestados médicos admissionais, demissionais, periódicas, bem como as despesas decorrentes com a manutenção de Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA e outras despesas, serão de responsabilidade e correrão ás expensas da CONTRATANTE.'' Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 219 4 [...] Cláusula Quarta. Do Valor Pago A remuneração. do presente contrato será paga pela CONTRATANTE CONTRATADA no prazo máximo de 05 (cinco) dias úteis subseqüentes ao mês do serviço prestado, o valor de 100% (cem por cento) da folha de pagamento liquida efetivamente paga aos funcionários, mais os encargos sociais (INSS e FGTS) e mais 10% (dez por cento) do valor da folha de pagamento liquida referente a taxa de administração mediante apresentação de fatura, acompanhada das cópias das guias de recolhimento do INSS e FGTS dos prestadores de serviços da CONTRATADA que prestem serviços a CONTRATANTE. Por fim, examinando se o Contrato de Cessão de Espaço, lêse: Pelo presente contrato particular de cessão de espaço, de um lado, EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS VISTA ALEGRE LTDA.,[...], neste ato representado por seu diretor Dr. Hermes Pardini, brasileiro, casado, médico, [...] e, de outro lado, DIGTRANSLABOR LTDA., [...] têm entre si como justo e contratado o seguinte: [...] Diligência realizada pela DRF de origem ratificou as informações constantes da Representação já mencionada, juntandose cópias do livro Diário da interessada, com a seguinte observação (fls. 135): Os livros fiscais [...] somente possuem lançamentos relativos a folha de pagamento. Não há qualquer registro contábil. Ciente em 25 de julho de 2008, sextafeira (fls. 138v) e inconformada, a excluída externou seu inconformismo por meio da solicitação de fls. 139 a 145, apresentada em 26 de agosto de 2008 e a seguir resumida. Principia por negar o exercício da locação de mãodeobra, com base no teor de seu pacto constitutivo, afirmando: Assim resta claro que se trata de prestadora de serviço, pois a Digtranslabor disponibilizava seus empregados a contratante sob a subordinação de seus prepostos, e ainda mais, em número que entendia restar suficiente a realização do objeto do contrato, com total autonomia, de forma a restar totalmente equivocado o relatório da equipe de auditoria externa. Afirma também não resultar de desmembramento, acentuando que [...] o Instituto Hermes Pardini e a Digtranslabor são pessoas jurídicas totalmente distintas com atividades diferenciadas nos moldes dos ditames legais. Nessa esteira, é mister elucidar que inexiste no direito pátrio a figura de desmembramento de pessoa jurídica, já que as transformações societárias devidamente reconhecidas pelo direito comercial, se redundam em cisão, fusão e incorporação, sendo que não houve in casu em qualquer de tais hipóteses. Nega que sua escrita contábil se restrinja a lançamentos relativos à sua folha de pagamento. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 220 5 Manifestase em contrário com aquilo que considera a retroatividade dos efeitos de sua exclusão, ao argumento de que [...] a própria Secretaria da Receita Federal ANUIU a opção feita pelo contribuinte ao receber por todos esses anos as contribuições devidas em tal formato, certeza e segurança do tratamento diferenciado para pagamento dos impostos e contribuições federais. Ora, a Receita Federal não pode agora, por força de hipóteses de incidência de exclusão em tese aplicáveis a Contribuinte, penalizar a Digtranslabor através da cobrança retroativa de tributos, ferindo o Principio da Irretroatividade das Leis, cuja exceção, no âmbito do direito tributário, é apenas para aplicação da lei nova mais benéfica ao contribuinte. Diz ter agido de boafé e entende que o ADE em comento teria a natureza de "ato normativo expedido por Autoridade Administrativa", nos termos do artigo 100 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN) e, como tal, só entraria em vigor na data de sua publicação, como determina o inciso I, do art. 103, do mesmo Código. Requer que todas as intimações referentes ao presente julgamento sejam feitas em nome de seu advogado. Menciona e transcreve doutrina e jurisprudência. [...] A 4.ª Turma da DRJ/BHE decidiu pelo indeferimento do pedido do impugnante. Inconformado com a decisão de primeira instância, o recorrente apresenta o recurso voluntário de efls. 194 a 203, basicamente reforçando a mesma argumentação usada na impugnação, na forma dos itens abaixo: a) Efetivamente ocorreu prestação de serviços e não locação de mãodeobra. b) Não existe a figura do desmembramento, que possa sustentar um dos motivos contidos no ADE para sua exclusão do SIMPLES. c) Há ofensa ao art. 150, III, "a", da CF/88, em razão do "desenquadramento retroativo". É o relatório. Voto Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 221 6 Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O recorrente discorda da natureza de locação de mãodeobra que foi associada a sua atividade econômica pela Turma recorrida, e do efeito retroativo da exclusão. Aponta também que desmembramento não é figura legalmente prevista para definir transformação societária, e que por isso não poderia justificar exclusão do SIMPLES. Seguem as análises dos pontos ponderados no recurso voluntário. Da efetiva prestação dos serviços. O recorrente alega que efetivamente presta serviços disponibilizando seus empregados para a contratada sob a supervisão de seus (do recorrente) prepostos, conforme corrobora o teor do contrato firmado para prestação de serviços, e que dita prestação de serviços é o que consta de seu objeto social. Acrescenta que não há impedimento legal para remuneração pelo transcurso de tempo em lugar de remuneração por tarefa, quanto a prestação de serviços, e que, relativamente à hipótese de desmembramento prevista em lei para exclusão do SIMPLES, não existe na legislação vigente dentre as figuras de transformação societária, as quais se limitam a cisão, fusão e incorporação, não tendo ocorrido nenhuma destas três hipóteses. Observo que, embora não haja impedimento legal, essa particularidade de remuneração por periodicidade associada às demais considerações feitas adiante é mais um elemento de desconstrução da tese da prestação de serviços que o recurso voluntário pretende que seja admitida como teor do contrato sob exame. Colaciona doutrina correspondente ao tema obrigação de dar/fazer, e acórdãos de TRF e do extinto Conselho de Contribuintes (CC). Com relação à efetividade da prestação dos serviços que alega o recorrente, é importante reexaminar com atenção o contrato firmado com e empresa INSTITUTO DE PATOLOGIA CLÍNICA HERMES PARDINI LTDA, de fls. 41 a 44, do qual destaco os trechos a seguir, verbis: (...) Parágrafo único. As despesa com valetransporte, valerefeição, atestados médicos admissionais, demisssionais, periódicos, bem como as despesas decorrentes com a manutenção de Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA e outras despesas, senão de responsabilidade e correrão as expensas de CONTRATANTE. (...) A remuneração do presente contrato será paga pela CONTRATANTE à CONTRATADA, no prazo máximo de 05 ( cinco ) dias úteis subseqüentes ao mês Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 222 7 do serviço prestado, o valor de 100% ( cem por cento ) da folha de pagamento liquida efetivamente paga aos funcionários, mais os encargos sociais ( INSS e FGTS ) e mais 10% ( dez por cento ) do valor da folha de pagamento liquida referente à taxa de administração mediante apresentação de fatura, acompanhada das cópias das guias de recolhimento do INSS e FGTS dos prestadores de serviços da CO RATADA que prestem serviços à CONTRATANTE. Parágrafo primeiro. Fica assegurado desde já, o direito da CONTRATANTE pedir a substituição do prestador de serviço disponibilizado pela CONTRATADA, que não atenda ás necessidades ,ou que não se enquadre nas condições do trabalho oferecido. (...) (grifos no contrato). No mesmo interesse é preciso que se atente para o que dispõe o art. 219, § 1.º do Decreto n.º 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social – RPS), com a redação vigente ao tempo da assinatura do contrato: (...) Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. (...) Embora publicada em momento posterior aos fatos contestados, não é de se afastar a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, que ao definir cessão de mão de obra, praticamente adota o mesmo texto do § 1º do art. 219 do RPS, de 1999. Entretanto, conceitua as expressões “dependências de terceiros”, “serviços contínuos” e “colocação à disposição” (art. 115, §§ 1º, 2º e 3º), da seguinte forma: (...) Art. 115. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. (...) § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 223 8 sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante, entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. (...) (grifei). Para que se entenda ter havido locação de mãodeobra, é preciso associar a cessão de mãodeobra a uma transferência de supervisão, orientação, gerência, coordenação ou comando dos empregados da empresa contratada, prestadora dos serviços, para a empresa contratante, de forma que se possa dizer, a grosso modo, que os empregados são postos à disposição da contratante. É da essência da cessão de mãodeobra a subordinação dos empregados (cedidos) ao tomador dos serviços, e não ao cedente. Investigando os termos contratuais da alegada prestação de serviços é possível constatar que não há qualquer referência a gestão laboral, administrativa, coordenativa ou gerencial a ser capitaneada pela contratada, que possa revelar autonomia no comando das ações dos empregados prestadores dos serviços, em tese. A única disposição que revela algum aspecto sobre a subordinação dos referidos empregados estabelece, ao contrário, cenário de disponibilização do pessoal para utilização a critério da contratante/tomadora dos serviços: Parágrafo primeiro. Fica assegurado desde já, o direito da CONTRATANTE pedir a substituição do prestador de serviço disponibilizado pela CONTRATADA, que não atenda às necessidades ,ou que não se enquadre nas condições do trabalho oferecido. Este parágrafo demonstra que o tomador é quem fará a medição e avaliação gerencial própria do acompanhamento contínuo do desempenho e adequação do pessoal disponibilizado. E não é demais este raciocínio, já que, verificando os dados das fichas dos empregados trazidas aos autos se pode perceber que se tratam somente de digitadores, motoristas, manobristas e auxiliares administrativos, não havendo sequer um cargo de supervisor, gerente, coordenador ou função assemelhada, o que seria necessário caso se tratasse realmente de prestação de serviços, mas dispensável quando o que se pretende na verdade é a cessão/locação de mãodeobra. Quem então exerceria essa atividade de administração/coordenação/gerência relativamente ao contrato de prestação de serviços, que materializaria a relação de subordinação dos empregados prestadores dos serviços à empresa contratada? O recorrente alega no recurso que os empregados disponibilizados estariam sob subordinação de seus prepostos, porém não diz como, nem quem seriam estes prepostos. Não traz aos autos nenhum indício ou prova que possa suscitar convencimento a este respeito. O recorrente também não nega o fato descrito na diligência fiscal (fl. 128) de que os funcionários da recorrente eram vários dos mesmos da empresa da qual se desmembrou, permanecendo com suas atividades nas mesmas dependências desta última. É dizer, somente trocaram o nome do empregador, sem modificar as tarefas que continuamente faziam e o local onde faziam. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 224 9 O que a relação contratual permite concluir é que, bem ao contrário das alegações do recorrente, a supervisão ou controle técnico ou quantitativo, a condução das tarefas, a aplicação dos meios para a execução dos trabalhos, incluindo a substituição de mão deobra julgada inadequada, tudo isso fica sob a regência e critérios do contratante. Ao revés da dinâmica da prestação dos serviços sob as ordens da contratada, o que o contrato denota e as circunstâncias listadas na decisão recorrida confirmam é que o tomador dos serviços é quem determina as diretrizes de trabalho e comanda a realização do serviço. Aliemse ao já descrito as anotações especificadas no acórdão recorrido — e com as quais manifesto adesão ao caráter probante —, que apontam para a locação de mãode obra, especialmente: a) a circunstância de o contrato não estabelecer remuneração por tarefa, mas por transcurso de tempo e o valor a ser pago corresponder a 110 % do valor líquido da folha de pagamento, caracterizando não haver risco empresarial algum; b) a contratante é a única cliente do recorrente; c) há na contabilidade da contratada despesas com sindicatos e entidades ligadas somente à atividade da empresa contratante; d) o sócio da contratada é sócio da empresa única cliente, CARLOS OLNEY SOARES; e) os serviços são prestados nas instalações da contratante; f) não há delimitação específica acerca de qual a obrigação de fazer cabe à contratada; e g) a recorrente tinha sede em imóvel cedido gratuitamente pela pessoa que dá nome ao Laboratório contratante dos serviços. Antes que se possa indagar sobre qual o poder determinante de cada um dos itens elencados no parágrafo anterior, impõese observar que é toda a conjuntura, a soma dos elementos que denota com suficiência o contexto real. Essa congregação de fatores converge, sem dúvidas, para a conclusão de que o que houve deveras foi mesmo uma cessão/locação de mãodeobra, com o previsível propósito de proporcionar menor carga tributária correspondente à Contribuição para a Previdência Social, sob a aparência de terceirização de atividadesmeio. Quanto aos acórdãos colacionados pelo recorrente, vale registrar que se tratam de um julgado do TRF voltado exclusivamente para empresa de telefonia, e um julgado do extinto Conselho de Contribuinte (CC), que não se opõe ao que concluiu o acórdão recorrido, uma vez que também entende que não há vedação à opção pelo SIMPLES para as empresas prestadores de serviços. A respeito da matéria o entendimento do STJ é conforme se verifica no julgado abaixo: (...) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS (LEI 9.711/88). EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. NATUREZA DAS ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃO DEOBRA NÃO CARACTERIZADA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, dos dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considerase cessão de mãodeobra a colocação de empregados à disposição do Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 225 10 contratante (submetidos ao poder de comando desse), para execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros.(grifei aqui). 3. Não há, assim, cessão de mãodeobra ao Município na atividade de limpeza e coleta de lixo em via pública, realizada pela própria empresa contratada, que, inclusive, fornece os equipamentos para tanto necessários. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (REsp 488027 / SC, Primeira Turma, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJ 14/06/2004 p. 163) (...) Outra alegação no recurso voluntário é que na legislação pátria não há a figura do desmembramento da pessoa jurídica, pois somente são reconhecidas no direito comercial as transformações ditas cisão, fusão e incorporação, e não ocorreu nenhuma destas no caso do nascimento da empresa recorrente. Não cabe razão à recorrente. A expressão desmembramento não precisa necessariamente constar da legislação comercial, bastando haver sua aplicação jurídica prevista em qualquer expediente normativo dirigido à situação fática sob tratamento tributário. E isso há. É a previsão do art. 9.º, inciso XVII, da Lei n.º 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei;(grifei). Houvesse essa hermética interpretação, haveria que ser revisto o art. 132 do CTN, que não cita cisão: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. (grifei). Mas é certo que, assim como no dispositivo citado da Lei n.º 9.317/96 a expressão desmembramento contempla diversas situações possíveis, o termo transformação posto no art. 132 do CTN também permite maior amplitude de cenários regidos pelo dispositivo. Portanto, rejeito as argumentações no sentido de que efetivamente teria havido prestação de serviços em lugar de cessão de mãodeobra. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 226 11 Do desenquadramento retroativo do SIMPLES. Ao discorrer sobre essa matéria o recorrente acusa ofensa ao art. 150, III, ""a", da CRFB/88, pontuando que o mês da situação excludente é o mês do ADE. Reforça sua posição assinalando que à Secretaria da Receita Federal cabe a fiscalização referente à opção pelo SIMPLES, e que esta teria assentido com a opção do recorrente durante o período anterior à emissão do ADE de exclusão do SIMPLES. Invoca a condição de hipossuficiência do contribuinte na sua relação com o fisco, e que as situações de impedimento de opção pelo SIMPLES devem ser verificadas pelo fisco, que seria quem dispõe do aparato tecnológico e humano para verificar tais situações. Entende então o recorrente que a exclusão de ofício em caráter supletivo à falta de comunicação pelo contribuinte sobre incorrer em hipótese vedada não deve retroagir. Alega irretroatividade das leis e pede que a exclusão se dê a partir da data deste julgamento ou, quando muito, após 25/07/2008, que foi a data da notificação da exclusão pelo ADE. Inicio a abordagem pela leitura dos trechos que tratam da vedação e dos efeitos da exclusão do SIMPLES, com a redação da época dos fatos, contidos na Lei n.º 9.317/96, para melhor compreensão do alcance e propósito legais: (...) Art. 9.° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (...) XVII que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei; (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 227 12 Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (...) De interesse também reproduzir o texto do art. 150, III, "a", da CRFB/88: (...) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; (...) De imediato, cabe apartar adequadamente o contexto contestado neste processo do quadro alvo do comando constitucional a cujo teor o recurso afirma ter havido lesão quando o ADE declarou os efeitos da exclusão a partir de data anterior. O dispositivo constitucional citado relacionase à proibição de o ente federativo anteciparse à vigência da lei que institui ou aumenta tributo. O legislador constitucional preceitua que a lei deve entrar em vigor, e só a partir daí serão os fatos geradores aptos para a cobrança dos respectivos tributos. É o princípio da anterioridade tributária. Em nada se assemelha à indicação da data a partir da qual se produzirão os efeitos da exclusão do SIMPLES, que é o que consta da Lei n.º 9.317/96. Aqui não se aplica o princípio da anterioridade tributária, pois não se está tratando de instituição ou majoração de tributo, tampouco da indevida cobrança destes antes da vigência da lei que os instituiu, mas, noutra medida, se está tratando de lei que rege o regime de tributação simplificada, que, entre outros aspectos, regula os efeitos da exclusão daqueles que não atendem aos requisitos legais para fruição do referido regime. Não é demais lembrar que a atuação da autoridade administrativa vinculase à lei, portanto, o ADE DRF/BHE n° 26/2008 decorreu de obrigação legal do poder público em Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 228 13 obediência aos arts. 14, I, e 15, II, da Lei n.º 9.317/96. Descabe falar em qualquer outra data para início dos efeitos da exclusão quando a Lei determina específica e objetivamente o momento de início dos efeitos, restando ao agente público somente o cumprimento do dever legal. Não é dado à autoridade administrativa reconhecer ou não, ou graduar, a justiça contida nos dispositivos legais que deve observar. Quanto à intenção do recorrente de atribuir anuência da Secretaria da Receita Federal com relação a sua opção indevida, pelo fato de haver razoável transcurso de tempo até a edição do ADE de exclusão do SIMPLES, é importante ressaltar — embora tratandose de tema um pouco diferente — que seria equivalente a dizer que a administração tributária convalida toda a sonegação que tenha ocorrido antes da lavratura do auto de infração, porque só foi apurar as irregularidades em momento posterior a sua ocorrência (!). O caso dos autos não é uma questão de perda do direito de lançar ou de impedimento legal relativo à obrigação legal da administração tributária de sanar irregularidades, isso já seria objeto da decadência e da preclusão, que não ocorreram no caso concreto. Nessa linha, também pouco importa definir qualquer das partes como hipossuficiente, como sugere o recorrente, uma vez que a Lei assim não o fez, nem estabeleceu tratamento diferenciado, como ocorre, diferentemente, no Código de Defesa do Consumidor, por exemplo. Discutir sobre quem teria mais aparelhamento e expertise para identificar a irregularidade da opção não afasta a obrigação legal do contribuinte em informar a respeito, como determina o art. 13, II, "a", não impede a verificação supletiva pelo Fisco Federal, e não afeta quaisquer consequências legais advindas dessa verificação. As normas da Lei n.º 9.317/96 tratam o ato da exclusão do SIMPLES como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente fundada na ultrapassagem de limite de receita bruta, permitindo consagrar seus efeitos a partir dos momentos ali definidos, independendo se o impedimento foi originado de comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. No caso da pessoa jurídica que era optante pelo SIMPLES em 2002, constatada a hipótese de exclusão com base na aferição de exercício de atividade vedada e desmembramento de outra pessoa jurídica, os efeitos da exclusão iniciamse a partir de 17/10/2002, em respeito aos art.s 14 e 15 da Lei n.º 9.317/96. A partir da data dos efeitos do ato, a pessoa jurídica fica sujeita às demais normas de tributação. Este é o entendimento harmônico com a decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo n.º 1124507/MG1 — trechos transcritos abaixo — cujo trânsito em julgado ocorreu em 16/06/2010, e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF2. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇAO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSAO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS 1 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator: Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&sReg=20090029627 7&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 2 Fundamentação legal: art. 12, art. 13, art. 14, art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 56. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 229 14 RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 2 . Não merece conhecimento o apelo especial quanto às alegações de contrariedade aos artigos 458 e 535 do CPC, porquanto a recorrente apresentou argumentação de cunho genérico, sem apontar quais seriam os vícios do acórdão recorrido, que justificariam sua anulação. Incidência da Súmula 284/STF. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 230 15 jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 9 . Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido. É preciso que se diga que, na esteira do teor do trecho do julgado do STJ, acima transcrito, não há "retroação dos efeitos" da exclusão, mas o ADE, com efeito, declara que num momento anterior o contribuinte deixou de se enquadrar sob as condições necessárias para pagar tributos pelo regime simplificado SIMPLES. É dizer, o ADE não estabelece que os requisitos para permanência no SIMPLES foram desatendidos no momento da sua publicação e devem ser considerados ocorridos no passado, retroativamente, mas, de forma muito diferente, reconhece e declara que a circunstância de descumprimento das exigências para permanência no SIMPLES ocorreu no passado, e a partir dali ou de momento posterior, modulado pela lei, devem ser conferidos os efeitos da exclusão. Tudo isso em convergência com a conjuntura legal reguladora da exclusão do SIMPLES contida na Lei n.º 9.317/96. Por fim, cabe comentar sobre a jurisprudência trazida aos autos no recurso voluntário: dois acórdãos de TRFs e outro do antigo Conselho de Contribuintes (CC), dos anos 2005, 2008 e 2006: Estes manifestam posição que colide frontalmente com a decisão em Recurso Especial Repetitivo do STJ n.º 1124507/MG, de 2010, posterior e cuja reprodução pelo colegiado do CARF é obrigatória, de acordo com o art. 62, § 2.º, do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), trecho abaixo. (...) Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Logo, além de os julgados colacionados no recurso voluntário não representarem jurisprudência dominante, não é possível a este órgão de julgamento posicionamento contrário à decisão do STJ mencionada. Por tudo analisado, nego provimento ao recurso voluntário, posicionandome pela manutenção integral da decisão de 1.ª instância. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10680.008908/200615 Acórdão n.º 1002000.301 S1C0T2 Fl. 231 16 É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000649/2010-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/12/2008, 18/01/2010
SISCOMEX- CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Encontra-se precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário.
IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna.
RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07.
A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações.
Numero da decisão: 3001-000.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir da apreciação o argumento de defesa concernente ao erro de fundamento, pois que trazido apenas nesta fase processual; no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que negou-lhe provimento. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/12/2008, 18/01/2010 SISCOMEX- CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Encontra-se precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário. IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna. RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07. A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10907.000649/2010-51
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878856
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.400
nome_arquivo_s : Decisao_10907000649201051.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RENATO VIEIRA DE AVILA
nome_arquivo_pdf_s : 10907000649201051_5878856.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir da apreciação o argumento de defesa concernente ao erro de fundamento, pois que trazido apenas nesta fase processual; no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que negou-lhe provimento. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7360267
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589522296832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 115 1 114 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.000649/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.400 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ASIA SHIPPING TRANSPORTES INTERNACIONAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/12/2008, 18/01/2010 SISCOMEX CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Encontrase precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário. IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna. RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07. A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir da apreciação o argumento de defesa concernente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 49 /2 01 0- 51 Fl. 116DF CARF MF 2 ao erro de fundamento, pois que trazido apenas nesta fase processual; no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que negoulhe provimento. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Consta no relatório fiscal, tratarse os presentes autos de verificação procedida sobre pedido de retificação dos Conhecimentos Eletrônicos de Embarque. O teor dos pedidos de retificação referemse a inclusão de NCM e alteração de razão social de embarcador. Segundo consta no auto de infração, em consulta ao SISCOMEX, tais retificações ocorreram após a vinculação do referido CE à Declaração de Importação. IN 800/07 Aponta, como regra sobre o prazo ao qual encontrase submetido, o artigo 22, II, d, determinando a obrigatoriedade de prestar informações até 48 horas antes da chegada da embarcação. Consta do auto que, até 31/03/2009, a prestação de informações sobre alterações, poderá ser feita até antes da atracação, não isentando da penalidade quando houver descumprimento de prazo. Para tanto, cita o artigo 50, parágrafo único, destacando o conteúdo disposto no caput, qual seja, não eximir o transportador da responsabilidade prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação Em seqüência, cita o artigo 23, 24 e 25 da mesma IN, a respeito da solicitação de retificação após o registro da atracaçao Cita, também, o artigo 27, o qual prevê a possibilidade de solicitar a alteração à RFB por escrito, sendo que, destaca o seu parágrafo terceiro, por conter a previsão de que tal conduta não a exime de multas. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10907.000649/201051 Acórdão n.º 3001000.400 S3C0T1 Fl. 116 3 Menciona, também, o artigo 45, da IN 800/07, o qual prevê a aplicação do artigo 107, IV, e, do DL 37/66, com redação alterada pela Lei 10.833/03. A fim de embasar o procedimento realizado, cita o Ato Declaratório Corep n.ºº 03/2008, que preve, em seu artigo 64, a aplicação de penalidades. E o artigo 2.º da IN 800, a fim de legitimar a eleição do sujeito passivo. Finaliza por lavrar o auto de infração para aplicar multa pela prestação de informações fora do prazo estipulado. Empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada, CEs 160805207833246 e 161005000781013, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, no art. 22 e 50 da IN 800/2007. Impugnação Em sua peça de defesa a recorrente faz breve relato fático, no qual aponta a lavratura do auto de infração por ter deixado de prestar informações sobre carga, utilizando como fundamento legal o artigo 107,IV, e do DL 37/66. Iresignase perante o ato oficial expondo seus argumentos. Início da validade da multa 01 de abril de 2009 Inicialmente, aponta os efeitos da aplicação da multa, que somente teria ocorrido a partir de 01.º de abril de 2009. Inexistência de infração Inocorrência de ausência de informação prestada Afirma que a recorrente não deixou de prestar informações referentes aos CE. Ao contrário, prestou informações suficientes como tipo, quantidade, importador, et.c CE 160.805.207.833.246 Os dados teriam sido incluídos no sistema em 05/11/2008 (efls 34), sendo que a atracação ocorreu em 10/11/2008 CE 161.005.000.781.013 Os dados teriam sido incluídos no sistema em 05/01/2010, sendo a atracação em 09/01/2010. Ausência de Prejuízos Teor das retificações As retificações foram relativas à alteração de razão social e inclusão de NCM, restando assim, evidenciada a inexistência de prejuizo Denúncia Espontânea Alega a ocorrência de denuncia espontânea, uma vez que as informações foram inseridas no sistema antes de qualquer ato fiscalizatório. Fl. 118DF CARF MF 4 DRJ/FLN O Acórdão 0730.241 1 ª Turma, foi dispensado de ementa, sendo que, por bem retratar a realidade fática, transcrevese a seguir: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos do auto de infração e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados corretos, no Siscomex CARGA, na forma e no prazo estabelecido pela Instrução Normativa RFB n° 800/07. Conforme relatado pela fiscalização, a interessada protocolou pedido de retificação das informações descritas nos Conhecimentos Eletrônicos n° 160.805.207.833.246 e 161.005.000.781.013 após o prazo estipulado na norma de regência e, ainda, quando já havia vinculação de tais conhecimentos eletrônicos com a declaração de importação. Tal fato caracteriza a omissão do dever de prestar informação (correta) sobre a carga transportada na forma (Siscomex Carga) e no prazo (antes da atracação do veículo no porto – fatos geradores até 31/03/2009; ou 48 horas antes da atracação do veículo no porto fatos geradores a partir de 01/04/2009) conforme estabelecido na norma de regência. Cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, a redação do artigo 50 da Instrução Normativa RFB n° 800/07 foi alterada pela Instrução Normativa RFB n° 899/08, prorrogando a aplicação da multa, que somente será efetivada a partir de 1º de abril de 2009; Que, não deixou de prestar as informações do conhecimento de embarque, e prestou antes de qualquer início de fiscalização; Que, não houve prejuízo ou intenção de lesar o fisco com a vinculação após a atracação do navio; Que, a denúncia espontânea exclui a aplicação da penalidade; Requer seja julgada insubsistente a autuação. No voto, merece destaque os seguintes trechos, a seguir transcritos, que elucidam o raciocínio e fundamentação da negativa de provimento da Impugnação. Importa destacar, que a linha mestra do voto condutor menciona o parágrafo terceiro do artigo 27 da IN 800/07, no sentido de legitimar o auto de infração, já que, no referenciado dispositivo, há previsão de manutenção da penalidade pecuniária em face da retificação de informação pelo contribuinte. O § 3º, do artigo 27, acima transcrito é claro ao definir que nem mesmo na hipótese de a alteração e a retificação serem autorizadas a penalidade será excluída, logo correta a autuação. No mérito, é de destacar o entendimento do voto condutor no sentido de a infração descrita no fundamento legal do auto de infração ter sido cometida em sua plenitude, haja vista o teor correto das informações ter sido incluído após o encerramento do prazo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10907.000649/201051 Acórdão n.º 3001000.400 S3C0T1 Fl. 117 5 A infração está plenamente caracterizada na conduta realizada pela interessada, havia prazo certo para apor no sistema as informações. A interessada deixou de prestar informação sobre a carga transportada no veículo na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente, preliminarmente, não alcançar os fatos pretéritos a abril de 2009. Termo inicial da multa Alegou ser a multa nao aplicavel em razão da data de ocorrência do fato gerador, qual seja, 22 dezembro de 2008, buscando dar cumprimento ao disposto no artigo 50 da IN 800, a qual menciona o início de validade da norma impositiva da multa, a partir de 1.º de abril de 2009. Pugna pela aplicação do artigo 112 do CTN. Não caracterização da Infração Envio de informações, com posterior retificação No mérito, argumentou que não houve falta de prestação de informação, mas sim, autuaçção em decorrência de retificação de informação, anteriormente prestada. Neste sentido, sustenta a recorrente haver informado as cargas no sistema da RFB. e que, a contrario senso da multa efetivamente aplicada neste caso concreto, a previsão legal atinge apenas aquele que deixar de prestar informações. Desta forma, não implicaria em sanção para o contribuinte que informou, e, após retificou. Aponta, também, o raciocínio no qual o conteúdo constante nas retificações, não se enquadram no conceito legal de descrição de carga. E que, ainda, as cargas estariam, todas, descritas na informações enviadas tempestivamente, tais como, pneus, câmaras e partes de impressoras, contendo peso, destino, exportador, importador, navio, etc. Erro na fundamentação Ainda, indica ocorrência de erro na fundamentação, vez que indica artigo prevendo a omissão de informações. Retificação Isto porque, a retificação seria permitida pelo artigo 46 do RA, e, também, argumentou no sentido de não haver na previsão legal a implicacao de multa para retificação. Desta forma, não estaria enquadrado no artigo 107, IV, e, do DL 37/66, com a redação alterada pela Lei 10.833/03. Poe em destaque, os verbetes: deixar de prestar informações sobre (...) carga nele transportado ou sobre as operações de execute (...) A requerente prestou informações do CE Mercante 160.805.207.833.246 em 05 de novembro de 2008, sendo que o navio atracou em 10 / 11 / 2008. Em 22 de dezembro, houve retificação buscando incluir NCM. Fl. 120DF CARF MF 6 Sobre o CE 161.005.000.781.013, prestou informações em 05 / 01 /2010 com o navio tendo atracado em 09/01/2010.Em 18 de janeiro de 2010 houve a retificação para alterar a razão social Denúncia Espontânea A recorrente traz, a seu favor, também o argumento da denuncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN. Demonstra que ao tempo da inserção dos dados no sistema não havia sido iniciada nenhuma fiscalização, tampouco qualquer ato administrativo relativo à prestação de informação Inexistência de prejuízo pugna pela comprovação, por parte da RFB, a prova do prejuízo ou dificuldade causada à fiscalização. É o relatório Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso insurgese contra a imposição de multa nos conhecimentos eletrônicos mercante de n.ºº 161005000781013 e 160805207833246 em razão das solicitações pedidos de retificação apresentados em 22 12 2008 e 18 01 2010. A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Com multa de R$ 10.000,00 aplicada a agente de cargas NVOCC, representante de transportador marítimo Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Com multa de R$ 10.000,00 aplicada a agente de cargas NVOCC, representante de transportador marítimo, Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Preliminar. tempestividade, início de validade do termo inicial da multa Destaco, a presença de item argumentativo de cunho inovador, qual seja, a alegação de Erro na Fundamentação. Mérito, alega a inexistência de infração, ausência de prejuízo e a ocorrência da denúncia espontânea. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10907.000649/201051 Acórdão n.º 3001000.400 S3C0T1 Fl. 118 7 Admissibilidade do Recurso Tempestividade O recurso é tempestivo e, portanto, dele, quanto a este aspecto, tomo conhecimento. Início da validade da multa CONHEÇO TOTALMENTE da parte do recurso voluntário que rebate trechos da decisão referente a ilegalidade da multa, relativa ao CE 160805207833246, anterior a 01 de abril de 2009,considerandoa regular. Da Preclusão Erro na fundamentação NEGO CONHECIMENTO ao argumento de erro de fundamentação, pois foi trazido apenas em sede de recurso voluntário, não podendo ser conhecido, por ter se efetivado a preclusão. DOS FATOS Destacase a seguir, pontos fáticos fundamentais para compreensão do caso posto em julgamento, devendose mencionar as essenciais datas de atraque do navio e as datas de inclusão das informações nos sistema da RFB. CE 161005000781013 A Data de inclusão no sistema do CE 161005000781013 é 05/01/2010 as 14hrs 57min 41s, sendo que a Atracação ocorreu dia 09/01/2010 às 12hrs e 02min. Dentro, portanto, do prazo previsto, vez que, o momento do envio das informações respeitou o prazo limite de até 48 horas da chegada da embarcação. CE 160805207833246 A Data inclusão no sistema foi 05 11 2008. E a data de atracação 10 11 2008, Dentro, portanto, do prazo previsto, vez que, o momento do envio das informações respeitou o prazo limite de até 48 horas da chegada da embarcação. das Retificações Em data de 18 / 01 / 2010, houve retificação do CE cujo motivo da retificação foi a alteração de Shipper/embarcador De Glory Chemicals para Beijing Meikeyi Co., ltd. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. CE 161005000781013. E em 22/12/2008 houve retificação para inclusão de NCM. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. Estas datas ocorreram após o esgotamento do prazo previsto no artigo 22, II, 'd', da IN 800/07. No entanto, as informações já haviam sido enviadas ao sistema da RFB, conforme item anterior. Não pode o lançamento, atribuir a multa pelo descumprimento de obrigação acessória, pelo fato de ter ocorrido a retificação de uma das informações em cada CE (Razão social e NCM). Fl. 122DF CARF MF 8 A Seção IX da IN 800/07, em seus artigos 27 A, B e C, tratam das retificações das informações, que no entender deste conselheiro, não tem o condão de atribuir, à conduta da requerente, qualquer responsabilidade por ato infracional. Ao contrário, a retificação busca aperfeiçoar a prestação de informações anteriormente fornecida. Fundamento Legal da Multa A fim de tratar do delineamento do tema, se faz necessário, no presente caso, delimitar os fundamentos legais que lastreiam a imposição da multa discutida nestes autos. Bem se verá, que o artigo 107, IV, letra e, tipifica como conduta infracional a omissão caracterizada por deixar de prestar informação. A cobrança de multa prevista no artigo 107, IV, e, do DL 37/66. Seção V Multas Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;: A multa, em específico, foi ensejada em decorrência de descumprir o dever de prestar informações ao sistema da RFB SISCOMEX Cargas, dentro do prazo mínimo de 48h (quarenta e oito horas) antes da chegada da embarcação, em consonância ao artigo 22 da IN 800/07.. O dever, portanto, que foi considerado desrespeitado, foi o previsto: Seção VIII Dos Prazos para a Prestação das Informações Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Portanto, a prestação de informações deveria respeitar o prazo de 48 horas antes da chegada da embarção. As datas são verificadas nas Escalas e Extratos de CE. PRELIMINAR Foi mencionado, em favor da recorrente, preliminar objetivando o reconhecimento de ausência de norma dando fundamento para a cobrança de multa, uma vez que o artigo 50 da IN 800/07 postergou para 01 de abril de 2009. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10907.000649/201051 Acórdão n.º 3001000.400 S3C0T1 Fl. 119 9 Aspecto temporal CE 160805207833246 Termo inicial da multa dos arts 107, IV, 'e' do DL 37/66 c/c 22, II, 'd' e 50 da IN 800/07' A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. A importância do artigo transcrito acima se faz pelo fato de, em seu texto, estar postergada, a incidência da multa prevista nos artigos 107, IV, e do DL 37/66 c/c artigo 22, II , d. Conforme se percebe, os prazos de antecedência previstos no artigo 22 da IN 800/07, ao se tornarem obrigatórios, a partir de 01 de abril de 2009, significa dizer, que apenas terão seus efeitos sancionatórios válidos a partir desta data. Ou seja, o contribuinte não se encontrava eximido da prestação de informações. Mas até do transcurso do prazo acima mencionado, o ordenamento jurídico estaria impedido, pelo teor da inovação trazida na IN 899/08, de desencadear os efeitos da norma punitiva. Merece atenção o argumento de estar contido no parágrafo único, do artigo 22, o fundamento legal para a imposição da multa em momento anterior ao 01 de abril de 2009. Isto porque, seu texto menciona que o disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações. A leitura desta regra, não deve ultrapassar seu real sentido, qual seja, impelir a prestação de informação, mas sem o caráter sancionatório, em virtude de expressa redação regulamentar que posterga os efeitos para data posterior. Neste aspecto, no CE 160805207833246, cuja data da inclusão no sistema foi 05 11 2008; anterior, portanto, ao prazo estipulado no artigo 50 da IN 800/07, qual seja, 01 de abril de 2009, considero inválida a cobrança da multa prevista no artigo 22, II da IN 800/07 c/c artigo 107, IV, e do DL 37/66, em razão, justamente, da redação dada pela IN 899/08, a qual difere para 01 de abril de 2009 a obrigatoriedade dos prazos ali previstos. Já o CE 161005000781013, cuja data de inclusão no sistema do é 05/01/2010, considero não aplicável o argumento relativo ao termo inicial da validade da norma impositiva da multa, em razão de sua ocorrência terse dado posteriormente ao prazo fixado no já mencionado artigo 50 da IN 800/07. Fl. 124DF CARF MF 10 Retroatividade Benigna O comando do artigo 50 da IN 800/07, foi alterado pela IN 899, publicada em 29 de dezembro de 2008. Portanto, o comando que postergou a validade da cobrança da multa prevista no artigo 107, IV, 'e', do DL 37/66, pelo envio tardio de informações, previsto no artigo 22 da IN 800/07, emite seus atos a partir de 29 de dezembro. No entanto, por tratar de norma que beneficia o contribuinte, impendindo que a recorrente seja atingida por norma impositiva de multa, deve ser aplicado o artigo 106 do CTN. Isto porque, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo 50 neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme a decisão abaixo mencionada. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10907.000649/201051 Acórdão n.º 3001000.400 S3C0T1 Fl. 120 11 para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SECÃO DE JULGAMENTO / 2ª CAMARA / 2ª TURMA ORDINARIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. Decido Desta forma, ACATO A PRELIMINAR, apenas em relação ao CE 160805207833246, o argumento do início da vigência da multa prevista no artigo 107, IV, e do Fl. 126DF CARF MF 12 DL 327/66 c;c artigos 22, II, d e 50 da IN 800/07, excluindo a multa aplicada, pois o início da cobrança é possível apenas após 01 abril de 2009. MÉRITO Desta feita, a partir de então, analiso apenas o CE 161005000781013 cuja data de inclusão no sistema do foi 05/01/2010, portanto, após o prazo previsto no artigo 50 da IN 800/07. Envio tempestivo das informações Inexistência de Infração A recorrente preencheu os requisitos para envio das informações previstas no artigo 22 da IN 800/07, em relação ao CE 161005000781013. Isto porque, na data de inclusão das informações no sistema da RFB, ocorrido, como visto, em 05/01/2010, às 14hrs 57min 41s, quatro dias portanto, antes da atracação, que, conforme verificação da Escala e Extrato de CE acostadas a estes autos, ocorreu quatro dias após o envio das informações, mais especificamente dia 09/01/2010 às 12hrs e 02. Dentro do prazo limite, portanto, que é de até 48 horas da chegada da embarcação. Em data de 18 / 01 / 2010, esta posterior à data de atracação do navio, houve apenas a retificação do CE cujo motivo da retificação foi a alteração de Shipper/embarcador De Glory Chemicals para Beijing Meikeyi Co., ltd. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. Tal procedimento de retificação respeitou o artigo 27 A da IN 800/07, e não pode ser confundido com a determinação regulamentar, de ter deixado de prestar informações; esta sim, ensejadora da multa. Art. 27A. Entendese por retificação II de CE, a alteração, exclusão ou desassociação de CE, bem como a inclusão, alteração ou exclusão de seus itens após Decido Desta forma, considerando que, para aplicação da multa, é necessário deixar de prestar informações. E que, se prestadas, as informações sejam enviadas no prazo de 48 horas anteriores à chegada do navio, DEFIRO, DANDO TOTAL PROVIMENTO neste tópico, para reconhecer o envio das informações em tempo hábil, não podendo a retificação de um item tornar a conduta de caráter infracional, a ponto de lhe imputar a multa prevista no artigo 107, IV, e. Assim, excluo a multa incidente sobre a retificação CE 161005000781013, haja vista o prazo previsto no artigo 22 da IN 800/07, para enviar as informações exigidas, foram respeitadas, uma vez que o envio se deu em 05/01/2010, às 14hrs 57min 41s, enquanto que o navio atracou 09/01/2010 às 12hrs e 02. Prejudiciais de mérito Considero as Matérias trazidas no recurso voluntário, Denúncia Espontânea e a Inexistência de prejuízo, prejudicadas em razão do enfrentamento do mérito com o deferimento em favor da recorrente. CONCLUSÃO Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10907.000649/201051 Acórdão n.º 3001000.400 S3C0T1 Fl. 121 13 Diante do exposto, seguiuse da seguinte forma o julgamento. O recurso voluntário, considerado tempestivo foi CONHECIDO PARCIALMENTE, excluindose da análise, o tópico relativo ao Erro de Fundamento. Quanto ao Mérito, foi DADO PROVIMENTO ao tópico do termo inicial da multa em discussão, destacando que se aplica apenas ao CE 160805207833246, e, ao argumento de inexistência de infração, no que tange ao CE 161005000781013. Considero, por fim, prejudicadas, pelo enfrentamento do mérito, as matérias de inexistência de prejuízo e denúncia espontânea. Desta forma, excluo a multa do CE 160805207833246, acatando o argumento de haver tido postergação do início do termo inicial da multa, e, do CE 161005000781013, excluo a multa, reconhecendo como tempestivo os envios das informações, independentemente da data da retificação. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri. No caso em análise, meu entendimento diverge do D. Relator quanto ao acatamento da argumentação do Recorrente acerca do termo inicial de vigência prazo de estipulado no artigo 50 da IN 800 de 2007, qual seja, 01.04.2009, para fins de considerar inválida a cobrança da multa prevista em seu artigo 22, inciso II c/c artigo 107, inciso IV Decretolei 37 de 1966, em face da redação dada pela IN 899 de 2008, na medida em que considerada que referido prazo foi diferido para referida data 01.04.2009. Inicio afirmando que a autoridade lançadora agiu com lucidez e correção ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que o autuado, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, tem o dever de prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela Administração Aduaneira, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a Fl. 128DF CARF MF 14 chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Neste contexto, pareceme irrazoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Então, demonstrado um eventual descumprimento da obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese a aplicação da correspondente multa, posto que decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Melhor explicando, em atenção ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 (IN RFB 800/2007), que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações referido órgão RFB, por meio da IN RFB 800/2007 estabeleceu, em seu artigo 22, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10907.000649/201051 Acórdão n.º 3001000.400 S3C0T1 Fl. 122 15 a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Todavia, o seu artigo 50 IN RFB 800/2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Fl. 130DF CARF MF 16 Como a norma regulamentar, retro transcrita, esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, eventual intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade, inclusive, antes de 1º de abril de 2009. Pelas razões que expus, no que respeita o prazo de vigência da multa sobre apreço, entendo que a decisão recorrida agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão, não devendo, neste aspecto ser reformada. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912309/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.912309/2012-53
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879943
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.837
nome_arquivo_s : Decisao_10980912309201253.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980912309201253_5879943.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363133
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589552705536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.912309/201253 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.837 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 23 09 /2 01 2- 53 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912309/201253 Acórdão n.º 3201003.837 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.682, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.912309/201253 Acórdão n.º 3201003.837 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.912309/201253 Acórdão n.º 3201003.837 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.912309/201253 Acórdão n.º 3201003.837 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000885/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC.
Se o sujeito passivo, restringindo-se a alegar que se enquadra na situação descrita na lei, não traz aos autos elementos capazes de comprovar o atendimento das condições estabelecidas para usufruir do beneficio fiscal, há que se indeferir o pedido de revisão, passando os valores recolhidos a titulo de incentivo fiscal a ser reconhecido como imposto de renda pago, não cabendo, neste caso, lançamento tributário.
Numero da decisão: 1301-000.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC. Se o sujeito passivo, restringindo-se a alegar que se enquadra na situação descrita na lei, não traz aos autos elementos capazes de comprovar o atendimento das condições estabelecidas para usufruir do beneficio fiscal, há que se indeferir o pedido de revisão, passando os valores recolhidos a titulo de incentivo fiscal a ser reconhecido como imposto de renda pago, não cabendo, neste caso, lançamento tributário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.000885/2006-06
conteudo_id_s : 5886325
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.630
nome_arquivo_s : Decisao_16327000885200606.pdf
nome_relator_s : Paulo Jakson da Silva Lucas
nome_arquivo_pdf_s : 16327000885200606_5886325.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
id : 7374625
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589570531328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1688; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000885/200606 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.630 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria IRPJ/INCENTIVOS FISCAIS Recorrente BANCO TRICURY S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC. Se o sujeito passivo, restringindose a alegar que se enquadra na situação descrita na lei, não traz aos autos elementos capazes de comprovar o atendimento das condições estabelecidas para usufruir do beneficio fiscal, há que se indeferir o pedido de revisão, passando os valores recolhidos a titulo de incentivo fiscal a ser reconhecido como imposto de renda pago, não cabendo, neste caso, lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Relatório Fl. 215DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Por bem relatar os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: A contribuinte acima identificada ingressou, em 28/06/2006, com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 01/05, tendo em vista não ter sido emitida a ordem pertinente a sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao anocalendário 2002, exercício 2003, no FINOR. 0 "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" aponta três ocorrências para a não expedição da ordem de emissão: "04 REDUÇÃO DE VALOR POR RECOLHIMENTO INCOMPLETO DO IMPOSTO"; "11 CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (ART. 60 DA LEI 9069/95)" e "15 SEM EFEITO A OPÇÃO EM DIPJ/DARF ONDE NÃO SE ENQUADRAM NO ART. 9 DA LEI 8167/91, CONFORME MP 219914, DE 24/08/2001". 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 63 a 66, proferido em outubro/2007, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consultas ao CADIN e aos registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal — SRF, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGFN, pelo Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS e pela Caixa Econômica Federal (CEF)/FGTS, apontando a existência de débitos tributários e com base no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995. 2.1. 0 auditor fiscal designado para apreciar o pedido, assim informou: A situação cadastral atual da interessada junto ao CNPJ é "Ativa", pertencendo à jurisdição desta unidade administrativa, conforme extrato de fls. 31. A interessada apresentou uma única DIPJ/2003, tendo sido processada e liberada sem o registro de eventos, fls. 33. Manifestou sua opção para aplicação de parcela do Imposto de Renda em incentivos fiscais, no caso, no FINOR, no percentual de 18% da base de cálculo. 0 percentual apurado de pagamento do imposto quando do processamento da declaração foi de 91,78% sendo a base de cálculo o montante de R$ 377.300,49 e o valor declarado do incentivo fiscal, R$ 67.914,09, que conforme opção em DIPJ, é dirigido ao FINOR (fls. 36 a 39). A consulta ao sistema IRPJ, no período referente ao exercício 2003, confirma os valores acima, tendo o Valor Normalizado do incentivo fiscal coincidente com o valor Declarado, fls. 45. Não foram detectados DARF pagos que representassem aplicação dirigida ao Fundo de Investimento (DARF especifico). Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria, nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN, INSS, CEF/FGTS. A aludida consulta indica que a interessada está, também nesta data, em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil e PGFN, como se verifica a fls. 48 a 57 desse processo, indicando que constam débitos da interessada inscritos em Divida Ativa da Unido em cobrança, débitos em cobrança no PROFISC e, está inscrita no CADIN Fl. 216DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000885/200606 Acórdão n.º 1301000.630 S1C3T1 Fl. 2 3 como passível inadimplências, fls 48, impedindoa de comprovar quitação de tributos e contribuições federais, com o que ficam materializadas as vedações abaixo transcritas: Com relação a ocorrência 15, citada no item 4, efetuamos consulta ao Ministério da Integração Social, Departamento de Gestão de Fundos de Investimentos, que em Oficio n° 1.283/2007, de 13 de setembro de 2007, fls. 61, informa que não foram encontrados registros de projetos incentivados pelos Fundos de Investimentos FINAM/FINOR, da interessada, conforme fls. 61, sendo portanto vedada a aplicação em questão, após 02/05/2001, para contribuintes do Imposto de Renda não enquadrados como art. 9 da Lei 8.167/1991, nos termos da MP 2145, de 02.05.2001, e MP 2156, de 24.08.2001. 2.2. 0 referido despacho decisório encontrase assim ementado: Assunto: Pedido de revisão de ordem de emissão de incentivo (PERC), relativo ao IRPJ/2003, ano base 2002. Ementa: Incentivos Fiscais. PERC. A legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que o pleiteante não estiver regular junto Fazenda Pública, e perante ao fundo de Garantia, e quando não detenham projetos próprios nas áreas de aplicação dos recursos. 3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 22/10/2007 (A.R. à fl. 68), a interessada, por intermédio de seus representantes , (fls. 102 a 109), apresentou, em 21/11/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 74 a 101, acompanhada da documentação de fls. 102 a 134. 3.1. Na peça de defesa a interessada argúi, preliminarmente, que o despacho decisório não identificou de forma pormenorizada os débitos supostamente impeditivos para a fruição do incentivo fiscal, o que implicaria na falta de motivação para o ato administrativo que indeferiu o PERC. 3.2. Defende ainda a interessada encontrarse regular perante o FGTS, conforme atesta o Certificado de Regularidade Fiscal do FGTS — CRF apresentado as fls. 59. Entende estar equivocado o despacho decisório ao aventar que a requerente estaria irregular perante a Receita Federal e a PGFN. Nesse sentido argumenta que: a Certidão Conjunta emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com efeitos de negativa, data de 06 de agosto de 2007 (doc. de fls. 110) comprovaria a inexistência de tributos e contribuições sociais pendentes de pagamento, que não se encontram com a exigibilidade suspensa; durante o ano calendário de 2002, ao qual se refere o objeto do PERC, MANTINHA SUA ABSOLUTA REGULARIDADE FISCAL, em relação a todos os tributos e contribuições federais, como provam as certidões com emitidas em 11/12/2001 e 13/12/2002 (fls. 111 e 112); o Auto de Infração referente ao tributo 2973 — saldo consolidado de R$ 1.064.527,01 — foi lavrado apenas para prevenir decadência, nele havendo constado, expressamente, que "em razão da segurança judicial obtida, o crédito tributário constituído no presente auto de infração está com a exigibilidade suspensa". Como prova da alegada suspensão da exigibilidade apresenta os documentos de fls. 113 a 133; Fl. 217DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 a Inscrição de débito na divida ativa da Unido sob o no 80.6.96.02647526 FOI SUSPENSA POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL PROFERIDA no Mandado de Segurança distribuído em 10.07.2006, junto à 25a Vara Federal Cível, em São Paulo, como comprova a certidão objeto e pé expedida em 06 de agosto de 2007, segundo a qual o processo foi "EXTINTO COM RESOLUÇÃO DO MERITO PARA CONCEDER A SEGURANÇA, confirmar a liminar, e DETERMINAR A SUSPENSÃO DOS DÉBITOS INSCRITOS EM DIVIDA ATIVA SOB N'S 80.6.96.02647526, DEVENDO A AUTORIDADE IMPETRADA PROCEDER A RETIRADA DO NOME DA IMPETRANTE DO CADIN" (doc. de fls. 134); inexistem restrições em nome da requerente junto ao CADIN, conforme comprovam os documentos as fls. 113/118 e, em especial, a certidão de fls. 134; não se pode esquecer que nenhuma dessas imaginárias e apócrifas restrições se refere ao anocalendário de 2002 (período do incentivo e da ocorrência do fato gerador do IRPJ), de modo que, nem mesmo por absurda hipótese, poderiam obstar a fruição do incentivo, provado exaustivamente, que, a época própria, possuía a requerente CERTIDÃO COM EFEITOS DE NEGATIVA DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS, que atestava sua regularidade, situação essa que persiste, em 2007, como provado pela certidão (doc. de fls. 110). Discorda também do motivo de indeferimento do PERC relativo ao fato de a interessada não se enquadrar no artigo 9 da Lei n° 8.167/91, nos termos da Medidas Provisórias n's 2.145/2001 e 2.1565/2001. 3.4.1. Nesse sentido, ao tecer histórico legislativo da aplicação no FINOR desde a edição da Lei n° 4.239, de 27/06/1963, a interessada aponta que o artigo 5° da MP no 2.1462, de 05/06/2001 (sucessivamente reeditada até a edição da MP n° 2.1565, de 24/08/2001, em vigor por força da EC n° 32, de 11/09/2001) não faz nenhuma distinção entre quais pessoas jurídicas poderiam ou não optar pelo incentivo fiscal. 3.4.2. Também argumenta que o artigo 18 da Medida Provisória n° 2.19914, de 24/08/2001, teria revogado o inciso XVIII do artigo 32 da Medida Provisória n° 2.1565, de 24/08/2001 e que tal revogação evidenciaria o intuito de corrigir erro material, emprestando efeito repristinatório derivado da Medida Provisória 2.19914, de 24/08/2001. 3.4.3. Passa então a discorrer sobre o efeito repristinatório no ordenamento jurídico pátrio, para concluir que a Medida Provisória n° 2.19914, de 24 de agosto de 2001, revogou o INCISO XVIII DO ART 32 DA MEDIDA PROVISÓRIA n° 2.1565, de 24 de agosto de 2001, fruto da reedição das MPs 2.1563, de 27/6/2001, e 2.1564, de 27/7/2001.0correu, assim, efeito repristinatório, fazendo vigorar de novo o preceito que se encontrava, erroneamente, revogado. 3.4.4. Alega, ainda, que a requerente não se enquadra em nenhuma das situações previstas no art. 614, inserto na seção VI, capitulo Ill, subtítulo Ill do RIR (Decreto n° 3000/99), as quais impedem a fruição do incentivo fiscal discutido neste feito; 3.5. Pede, por fim, que, na hipótese de a DRJ não acolher a impugnação, entendendo que a requerente não estava autorizada a se beneficiar do incentivo fiscal relativo ao FINOR, seja reconhecido que os pagamentos efetuados pela requerente (fls. 03 e 04 dos autos), no total de R$ 62.306,50 (DARFs juntos As fls. 06 a 18 dos autos), quitaram suas obrigações perante a Secretaria da Receita Federal, em especial no que se refere a quitação do IRPJ, ano calendário 2002, exercício 2003. Fl. 218DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000885/200606 Acórdão n.º 1301000.630 S1C3T1 Fl. 3 5 3.5.1. Neste diapasão, enfatiza que se a requerente, como entendeu a Deinf/SPO, não estava enquadrada no art. 9° da Lei n° 8.167/91 e, assim, ENCONTRAVA SE PROIBIDA DE EFETUAR A OPÇÃO PELA FRUIÇÃO DO INCENTIVO FISCAL derivado da destinação de imposto de renda ao FINOR, então, inequivocamente, não poderia ser essa mesma legislação invocada contra si, a fim de não reconhecer a quitação do IRPJ do período em questão. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão DRJ/SPOI, de 20/02/2009, (fl.141), indeferindo a solicitação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. PERC. INCENTIVOS FISCAIS. CONDIÇÕES PARA RECONHECIMENTO. A legislação tributária veda a concessão de incentivos fiscais (FINOR/FINAM) na situação em que o pleiteante não detenha projetos próprios nas áreas de aplicação de recursos e/ou participação como acionista (51% do capital votante) em projetos incentivados pelos Fundos de Investimento. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucasr Fl. 219DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Tratase, como visto, de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela d. Autoridade Julgadora que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Certificado de Investimento — PERC, sob o fundamento de constar pendências fiscais junto a SRFB, PGFN e FGTS, alem do que o direito ao incentivo fiscal fora revogado. A data limite para as pessoas jurídicas não enquadradas nas condições previstas no art. 9° da Lei n° 8.167/91 usufruir o benefício fiscal teria sido finalizada em 02 de maio de 2001, enquanto sua DIPJ/2003 foi entregue somente em 24 de junho de 2003; e não teria havido recolhimento do incentivo através de DARF específico. Inconformada, a empresa, em sede de recurso voluntário, renova as razões trazidas por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade na qual argumenta: “Pela nulidade do Despacho Decisório uma vez que não procedeu à identificação pormenorizada de quais seriam os débitos que ensejaram a aventada situação; encontrandose regular tanto à época da opção pelo incentivo quanto do despacho proferido.” Diz mais, “Por outro lado, o PERC foi também indeferido, porque, como consta no item 14 do despacho decisório, a recorrente seria contribuinte do Imposto de Renda não enquadrado no art. 9° da Lei n° 8.167/91, nos termos das Medidas Provisórias n°s 2.145/2001 e 2.1565/2001, e, como tal, seria vedado incentivo fiscal decorrente da destinação de recursos ao FINOR, entendimento esse que prevaleceu no Acórdão recorrido.” Alega, ainda, que, “através do art. 18 da Medida Provisória n° 2.19914, de 24 de agosto de 2001, REVOGOU 0 INCISO XVIII DO ART. 32 DA MEDIDA PROVISÓRIA n° 2.1565, de 24 de agosto de 2001. É insofismável, dess'arte, que o Legislador teve o evidente intuito de corrigir erro material, emprestando efeito repristinatório derivado da Medida Provisória n° 2.19914, de 24 de agosto de 2001.” Por fim, argüi que “No mesmo ato, a SRF também comunicou ao contribuinte de que ZERO REAIS (R$ 0,00) HAVIAM SIDO ALOCADOS AO FINOR ATRAVÉS DE "RECURSOS PRÓPRIOS". Esse extrato esclarece que a aplicação no FINOR com recursos próprios consiste no "valor recolhido em DARF específico excedente ao total a que o optante tem direito, apurado na declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica DIPJ". Portanto, nessas condições, é insofismável que, caso não deferido o PERC, os valores recolhidos pela recorrente e referidos neste feito administrativo, DEVEM SER ALOCADOS PARA FINS DE QUITAÇÃO DO IRPJ, de modo que nenhuma exigência a esse respeito poderá ser formulada.” No que tange à argüição de nulidade, tomemos, por empréstimo, as considerações reunidas na decisão recorrida, verbis: Sobre a nulidade dos atos e decisões administrativas, reza o artigo 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972: Art. 59. São Nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisão proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste ponto cabe esclarecer que não houve preterição no direito de defesa, em ao da lavratura do despacho decisório não explicitou em seu corpo os débitos em cobrança por ocasião da análise da regularidade fiscal da contribuinte. Assim, uma Fl. 220DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000885/200606 Acórdão n.º 1301000.630 S1C3T1 Fl. 4 7 vez que o contraditório e a ampla defesa foram assegurados a contribuinte por meio da manifestação interposta neste processo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Ressaltese que é a apresentação da manifestação de inconformidade o momento em que se instaura a fase litigiosa do processo permitindo a apresentação de provas e contrarazões. Dessa forma, tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada, a oportunidade de defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Por oportuno, registre ser improcedente a alegação de que a interessada não poderia avaliar quais seriam os supostos débitos, posto que, conforme assinalado no próprio despacho decisório (parágrafo 13 — fl. 64) a autoridade fiscal apontou as folhas do presente processo em que se encontram explicitados os débitos da interessada em aberto (cobrança) na ocasião em que o PERC foi apreciado. Frisese, o relatório com informações de apoio, o qual serviu a autoridade administrativa para averiguar a existência, ou não, de débitos foi acostado aos autos as fls. 48 a 57. Concordando, pois, com os argumentos trazidos no julgado acima transcrito, indefiro a preliminar de nulidade suscitada. No caso vertente, entretanto, o indeferimento baseouse, também, em uma outra razão, qual seja, o fato da opção pelos incentivos fiscais ter sido supostamente exercida em data posterior à data limite para as pessoas jurídicas não enquadradas nas condições previstas no art. 9° da Lei n° 8.167/91 usufruir o benefício fiscal, considerandose, ainda, não ter havido recolhimento do incentivo através de DARF específicos. Neste particular tomo de empréstimo os argumentos pautados no Acórdão 10515.984, sessão de 21/09/2006, da lavra do eminente Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, do qual transcrevo trechos com as devidas adaptações que o caso em tela requer. “Para uma melhor compreensão dessa segunda razão que serviu de base para o indeferimento, tornase necessária a reprodução cronológica de algumas normas relacionadas com a matéria. Nesse sentido, temos: Lei n° 8.167, de 1991 Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao períodobase de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) (DecretoLei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11. alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo (Funres) (DecretoLei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V);e Lei n° 9.532. de 1997 ... Art. 4° As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do ano calendário, nas datas de pagamento do imposto Fl. 221DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. § 1° A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: I 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; III 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. § 2° No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado. § 3° Os recursos de que trata este artigo serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias. § 4° A liberação, no caso das pessoas jurídicas a que se refere o art. 9° da Lei a° 8.167. de 16 de janeiro de 1991 será feita à vista de DARF específico, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. § 5°A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. § 6° Se os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, excederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na declaração de rendimentos, a parcela excedente será considerada: a) em relação às empresas de que trata o art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991, como recursos próprios aplicados no respectivo projeto; b) pelas demais empresas, como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DARF. § 7° Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. § 8° Fica vedada, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1° de janeiro de 2014, a opção pelos benefícios fiscais de que trata este artigo. Medida Provisória n° 2.19914, de 24 de agosto de 2001 Art. 18. Revogase o art. 4o da Lei no 9.532. de 10 de dezembro de 1997 ressalvado o disposto nos arts. 32, inciso XVIII, da Medida Provisória no 2.1565, e 32, inciso IV, da Medida Provisória no 21575, ambas de 24 de agosto de 2001. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000885/200606 Acórdão n.º 1301000.630 S1C3T1 Fl. 5 9 Medida Provisória n° 2.1565 de 24 de agosto de 20011 Art. 32. Ficam revogados: XVIII — o art 18 da Lei n°4.239, de 27 de junho de 1963, ressalvado o direito previsto no art. 9° da Lei n° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Lei n° 4.239, de 1963 Art 18. A pessoa jurídica poderá descontar do imposto de renda e adicionais não restituíveis que deva pagar: b) até 50 % (cinqüenta por cento) do valor do imposto e adicionais não restituíveis referidos neste artigo, para fins de reinvestimento ou aplicação em projetos agrícolas, industriais e de telecomunicações entre comunidades da área de atuação da SUDENE, que esta Autarquia tenha declarado ou venha a declarar, na forma dêste artigo, de interêsse para o desenvolvimento do Nordeste. Lei 8.167, de 1991 Art. 90 As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1o. , inciso I. Medida Provisória n° 2.157 5, de 1991(Ato original: MP n° 2.145, de 2001): Art. 32. Ficam revogados: IV a alínea "h" do art. 1° do DecretoLei n° 756, de 11 de agosto de 1969 ressalvado o direito previsto no art. 9° da Lei n° 8.167. de 16 de janeiro de 1991 para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados.(Vide Medida Provisória n° 2.19914 de 24.8.2001 DecretoLei n° 756, de 1969. Art 1°. Todas as pessoas jurídicas registradas no País poderão deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis: b) Até 50% (cinqüenta por cento) do valor do Imposto devido para inversão em projetos agrícolas, pecuários, industriais e de Fl. 223DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 serviços básicos que a SUDAM declare, para os fins expressos neste artigo, de interesse para o desenvolvimento da Amazônia.” O despacho decisório de fls.63/66, como se pode observar, concluiu que a data limite para usufruir o benefício seria 02 de maio de 2001, tendo em vista que em 03 de maio de 2001 foi publicada a MP n° 2.145, que revogou expressamente a legislação que dispunha sobre a matéria, ficando ressalvado somente o direito ao incentivo para as pessoas jurídicas ou grupos de empresas de que trata o art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991. Consta ainda do referido Despacho: “Com relação à ocorrência 14, efetuamos consulta ao Ministério de Integração Social, Departamento de Gestão de Fundos de Investimentos, que em Oficio n° 1.283/2007, de 13 de setembro de 2007 ; fls. 51, informa que não foram encontrados registros de projetos incentivados pelo Fundos de Investimentos — FINAM/FINOR, da interessada, sendo portanto vedada a aplicação em questão, após 02.05.2001, para contribuintes do Imposto de Renda não enquadrados como art. 9° da Lei 8.167/1991, nos termos da MP 2.145, de 02.05.2001, e MP 2.1565, de 24.08.2001.” A recorrente entregou sua declaração em 24 de junho de 2003, conforme documento de fls.33, tendo feito a opção para aplicação no FINOR através da própria DIPJ/2003, visto que não houve recolhimento do incentivo através de documento de arrecadação específico. Não se observa nos autos a existência de qualquer elemento que possa confirmar o argumento da empresa de que, no seu caso, os incentivos fiscais requeridos estariam enquadrados na situação descrita no art. 9° da Lei n° 8.167, de 1991. Por fim, com relação a argüição que, “caso não deferido o PERC, os valores recolhidos pela recorrente e referidos neste feito administrativo, devem ser alocados para fins de quitação do IRPJ, de modo que nenhuma exigência a esse respeito poderá ser formulada,”. Evidentemente, neste ponto, ao meu ver, negado a emissão dos certificados passa os valores recolhidos a titulo de incentivos fiscais a serem reconhecidos como imposto de renda pago, não havendo destarte, necessidade de qualquer lançamento tributário. Por todo o exposto, indefiro a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 224DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908976/2012-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.908976/2012-09
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885685
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.376
nome_arquivo_s : Decisao_10380908976201209.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLEBER MAGALHAES
nome_arquivo_pdf_s : 10380908976201209_5885685.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7372906
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589591502848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.908976/201209 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.376 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de maio de 2018 Matéria COFINS PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente BEACH PARK HOTÉIS E TURISMO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 89 76 /2 01 2- 09 Fl. 144DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 4ªTurma da DRJ/BSB: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 23110.83997.220611.1.3.042407, transmitida eletronicamente em 22/06/2011, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 05/11/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 30.248,63. Cientificado dessa decisão em 19/11/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/12/2012, manifestação de inconformidade à fl. 11 a 15, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte esclarece que teria cometido um equívoco no preenchimento da DCTF original referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Acrescenta a DCTF foi retificada após a data da entrega do PER/DCOMP objeto dos autos, de modo que não evidenciou a situação de prejuízo da empresa no período. Conclui que a DCTF, a DIPJ e o PER/DCOMP continham Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10380.908976/201209 Acórdão n.º 3001000.376 S3C0T1 Fl. 3 3 informações divergentes, o que acabou por ocasionar o indeferimento do crédito tributário pleiteado. Enfatiza que possui o crédito e, no intuito de comprovar seus argumento, anexa aos autos cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, bem como documentos contábeis (Balancete de Verificação), que servem de prova do prejuízo fiscal apurado no período. Informa, também, que os dados declarados na a DIPJ do período, transmitida antes do recebimento do Despacho Decisório, estão corretos. Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente processo seja devolvido a fim de que seja realiza diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência do crédito decorrente de CSLL. No voto, a DRJ/Brasília informou que: (...) a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. E, finalmente, votou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. No Recurso Voluntário, a Recorrente, além de repetir as alegações da Manifestação de Inconformidade, atentou para duas questões: 1. A decisão da DRJ/BSB teria se equivocado porque (itens 10 e 11 do RV): A origem do crédito em discussão é COFINS e não CSSL, como consta na decisão recorrida: Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente Fl. 146DF CARF MF 4 processo seja devolvido a fim de que seja realizada diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência de crédito decorrente de CSLL. 2. A decisão da DRJ não teria feito a melhor aplicação do direito ao caso porque (itens 12 e 13 do RV): Conforme se infere da leitura do Acórdão ora guerreado, temos que o indeferimento sob análise fundamentouse na inexistência de provas suficientes que atestem a legitimidade da compensação realizada pela Recorrente por meio do n° 23110.83997.220611.1.3.42407. Todavia, entendemos que a decisão proferida não fez a melhor aplicação do direito à matéria sob análise, tendo em vista que o crédito utilizado pela Recorrente dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal, já que se trata de crédito decorrente de pagamento de DARF realizado em duplicidade, conforme será demonstrado a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, inclusive o limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente cabe a análise da alegação da Recorrrente de que houve equívoco na decisão da DRJ, ao confundir COFINS com CSLL. Verificase que na ementa do acórdão do tribunal a quo está claro o assunto: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS". No mesmo caminho, o relatório da 4ª Turma da DRJ/Brasília também se refere a "créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins". Pode, apenas ter ocorrido, um equívoco no final do relatório, quando da colocação da sigla CSLL em vez de COFINS. Entretanto, casos de contradição entre a decisão Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10380.908976/201209 Acórdão n.º 3001000.376 S3C0T1 Fl. 4 5 e seus fundamentos deveriam ser atacados no próprio tribunal a quo, por intermédio de Embargos de Declaração. O Recurso Voluntário não é o instrumento adequado para trazer à discussão eventual contradição na decisão da DRJ. De qualquer forma, pela leitura integral do acórdão percebese que, no caso, houve mero erro de digitação, incapaz de obscurecer o entendiemnto do leitor de que a decisão foi sobre assunto referente à COFINS. Assim, nessa questão, não cabe razão ao Recorrente. Quanto à "dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal" por parte do contribuinte, também entendo que não lhe cabe razão. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua defesa com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF): Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao Fl. 148DF CARF MF 6 sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9 º, § 3º). No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria havido um equívoco no preenchimento da DCTF entregue originalmente referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. A declaração do contribuinte em DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10380.908976/201209 Acórdão n.º 3001000.376 S3C0T1 Fl. 5 7 Finalmente, quanto ao pedido de diligência, cabe esclarecer que a realização de diligência ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de esclarecimentos considerados obscuros no processo. No caso em análise, tais motivos são inexistentes, haja vista que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Assim, nos termos do art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência, por considerálo prescindível para o julgamento da lide. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
