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Numero do processo: 10283.720639/2011-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008, 2009
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. JIPES.
A partir do advento do Decreto nº 783/93 inexiste óbice à concessão da isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67 aos jipes classificados na posição 8703 da TIPI.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente a Dra. Mary Elbe Queiroz, OAB/PE nº 25.620.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ISENÇÃO. JIPES. A partir do advento do Decreto nº 783/93 inexiste óbice à concessão da isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67 aos jipes classificados na posição 8703 da TIPI. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente a Dra. Mary Elbe Queiroz, OAB/PE nº 25.620. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 39 /2 01 1- 09 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 04/07/2011, lavrado para exigir o IPI, multa de ofício e juros de mora em relação à falta de lançamento do imposto nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009. A empresa autuada está localizada na Zona Franca de Manaus e é fabricante dos veículos da marca comercial MAHINDRA SUV 4X4. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, a fiscalização constatou o seguinte: 1) a empresa monta veículos no Polo Industrial de Manaus; 2) a empresa deu saída da Zona Franca de Manaus a produtos classificados na posição 8703.3310 da NCM, conforme a planilha CÁLCULO DO IPI POR DECÊNDIO ANO 2008 E 2009; 3) essa classificação se refere a automóveis de passageiros, para os quais não se aplica a isenção do IPI prevista no DecretoLei nº 288/67. Regularmente notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, sem síntese, o seguinte: 1) Nulidade do auto de infração, pois a fiscalização indicou uma classificação fiscal (8703.3310) que corresponde a produto não fabricado pela recorrente. O projeto industrial e os documentos de venda do produto (doc. 11), indicam que se trata de veículo utilitário “Jipe”, com capacidade para até 7 pessoas, classificado no código 8703.3390 da NCM; 2) Ao contrário do afirmado no auto de infração, o produto fabricado pela recorrente desde 2007 é um “Jipe” enquadrado no código 8703.3390 e atende aos requisitos estabelecidos no Ato Declaratório Normativo nº 32, de 28 de setembro de 1993, da Cosit, que estabelece quais as características que um veículo deve conter para ser classificado como jipe na NCM; 3) Em razão do enquadramento como jipe, a SUFRAMA expediu o Laudo de Operação 363/2007 e o Laudo de Produção 55/2007, com prazo de validade indeterminado, atestando o direito da impugnante à produção do VEÍCULO UTILITÁRIO JIPE, de acordo com o Processo Produtivo Básico estabelecido no Anexo XIII do Decreto nº 783/93, bem como a fruição dos incentivos fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do DecretoLei nº 288/67; 4) Ao expedir o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito – CAT nº 2.834/08 (Doc. 13), o Denatran, levando em consideração o disposto no ADN 32/93, deixou claro que se trata de um veículo de uso misto, tipo utilitário, carroçaria jipe; 5) Em períodos anteriores ao ano de 2007 houve discussão sobre o enquadramento dos veículos na posição indicada pela fiscalização no auto de infração, mas a SUFRAMA emitiu o Parecer 611/2005COJUR/PROJU (Doc. 17), que ratificou a validade da Resolução SUFRAMA nº 281/2002, confirmando que se trata de um veículo utilitário, apto a gozar de todos os benefícios fiscais do Decretolei nº 288/67; 6) Invocou a seu favor o Parecer Normativo nº 02, de 24/03/1994 (Doc. 18), que determina que se um veículo de passageiros puder ser enquadrado como “jipe” e como “veículo de uso misto”, deverá ser classificado como veículo de uso misto, em razão dos códigos de veículos de uso misto estarem em ordem numérica superior aos dos jipes (RGI3C), o que confirma a correção da classificação adotada pela recorrente no código 8703.3390; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.720639/201109 Acórdão n.º 3403002.192 S3C4T3 Fl. 3 3 7) Com a Resolução 166/2009 a SUFRAMA aprovou o Projeto Industrial de Atualização da recorrente, na forma do Parecer Técnico de Projeto 128/2009, tendo sido ratificado o direito à fruição dos benefícios fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do Decretolei nº 288/67; 8) A competência para a concessão do incentivo é da SUFRAMA. Todos os atos emitidos pela SUFRAMA integram a legislação tributária. O contribuinte realizou as operações com os Jipes amparado nos atos específicos da SUFRAMA, devendo ser excluído o crédito tributário e as penalidades impostas; 9) Sustentou a possibilidade de discutir a inconstitucionalidade das leis na esfera administrativa, impugnou a multa e os juros de mora com base na taxa Selic e requereu perícia técnica. Posteriormente à impugnação, o contribuinte juntou aos autos parecer jurídico elaborado pelo Prof. Ives Gandra da Silva Martins, Relatório Técnico nº 39/2011 e o Ofício 6808/SPR/CGAPI/COPIN da SUFRAMA. Por meio do Acórdão nº 24.583, de 29 de março de 2012, a 3ª Turma da DRJ – Belém, julgou a impugnação improcedente. Foi rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração, pois a recorrente entendera o alcance da imputação que lhe foi feita. Não foram conhecidas as alegações de inconstitucionalidade, em razão da incompetência da autoridade administrativa. Foi rejeitado o pedido de perícia, em face da providência ter sido considerada desnecessária. No mérito, entendeu a DRJ que o Decretolei nº 340/67, posteriormente alterado pelo Decretolei nº 355/68, esclareceram que os automóveis de passageiros excluídos do beneficio previsto no Decretolei nº 288/67 seriam os compreendidos na posição 87.02, incisos 1 e 2 da tabela anexa à Lei nº 4.502/64, com as alterações introduzidas pelo Decretolei nº 34/66. Na referida posição estariam enquadrados os automóveis de uso misto. Posteriormente, quando da criação da NBM pelo Decretolei nº 1.154, de 1º de janeiro de 1971, a Receita Federal, por meio da IN 40/72, atualizou a relação de veículos que estariam compreendidos na expressão “automóveis de passageiros”, na qual constava expressamente o código NBM 8702.0100 (veículos tipo ‘jipe”, com trações nas 4 rodas, com ou sem polia para transmissão de força). Nessa linha, considerando a classificação fiscal das mercadorias na TEC, segundo a Resolução nº 43, de 22 de dezembro de 2006, da Câmara de Comércio Exterior, e na TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, concluiu a DRJ que as exceções previstas na legislação da ZFM, quando se referem a “automóveis de passageiros”, abrangem os veículos classificados na posição 8703. Assim, ainda que haja projeto aprovado pela SUFRAMA, o Decretolei expressamente veda a concessão de tal benefício para os veículos de uso misto. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 20/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/05/2012, no qual além de atacar os fundamentos do acórdão de primeira instância, reprisou e reforçou os argumentos oferecidos na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com base no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 deixo de apreciar as nulidades alegadas e passo direto ao exame do mérito. Versa o caso concreto sobre o direito à isenção do IPI em relação aos veículos fabricados e saídos da Zona Franca de Manaus nos anos de 2008 e 2009. Verificase nos autos que a SUFRAMA reconheceu em 2006 o direito à isenção do IPI à MOTOREX –INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA por meio da Portaria nº 439/2006 (fl. 165), e que, posteriormente, a autarquia expediu a Portaria nº 45/2007 por meio da qual concordou com a incorporação da MOTOREX pela ora recorrente e também com a transferência de todos os direitos e obrigações referentes aos projetos aprovados pela SUFRAMA (fl. 164). Assim a BRAMONT MONTADORA INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A passou a produzir os veículos MAHINDRA SUV 4X4, sendo beneficiária dos incentivos fiscais previstos no Decretolei nº 288/67 por sucessão da MOTOREX – INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS. Na parte em que interessa ao deslinde deste processo, os fatos geradores ocorreram sob a égide do art. 9º, §§ 1º e 2º, combinado com art. 3º, § 1º do DecretoLei nº 288/67, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 8.387/91. O referido dispositivo legal isentou do IPI todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do território nacional, excetuadas as mercadorias referidas no art. 3º, § 1º. Entre as exceções expressamente relacionadas encontramse os automóveis de passageiros. A questão que se apresenta é determinar se os jipes estão ou não estão incluídos na vedação contida no art. 3º, § 1º do DecretoLei nº 288/67. Tratandose de isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados, a investigação a respeito do que se considera “automóvel de passageiros” necessariamente deve passar pelo exame da respectiva Tabela de Incidência, a teor do disposto no art. 130 do RIPI/2002. Nesse passo, o cotejo entre o Laudo Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 443 a 457), que efetuou a análise do veículo MAHINDRA SUV 4X4, e as características estabelecidas pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 32/93 revela que se trata de um veículo de passageiros que preenche os requisitos para ser enquadrado na TIPI como jipe. Tanto isso é verdade, que o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito – CAT nº 2.834/2008 expedido pelo Denatran enquadrou o veículo como sendo da espécie misto, do tipo utilitário e com carroçaria jipe (fl. 223). Portanto, tratase de um veículo de uso misto, ou seja, que segundo a acepção das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (NESH), se presta tanto ao transporte de Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.720639/201109 Acórdão n.º 3403002.192 S3C4T3 Fl. 4 5 pessoas, quanto ao transporte de mercadorias e que possui características tais como altura do solo, ângulos de ataque e de saída, tração nas quatro rodas e câmbio com marchas normais e reduzidas, que lhe permitem operar em terrenos “fora de estrada”, inacessíveis aos veículos denominados “de passeio”. É cediço que os veículos automotores são classificados no Capítulo 87 da Tabela de Incidência do IPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28/12/2006 (TIPI/2006). A Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado estabelece que a classificação deve ser feita com base nos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Pois bem, o exame dos textos das posições do Capítulo 87 não oferece outra alternativa de classificação para o veículo em questão que não seja a posição 8703, uma vez que se trata de um veículo preponderantemente utilizado para o transporte de passageiros. O critério determinante para a classificação dos veículos no Capítulo 87 não é ser jipe ou veículo de passeio, mas sim ser veículo destinado ao transporte de pessoas ou ao transporte de mercadorias. Se for destinado ao transporte de dez ou mais pessoas a classificação ocorre na posição 8702. Se for destinado ao transporte de até 9 pessoas a classificação ocorre na posição 8703. E se for destinado ao transporte de mercadorias a classificação se dá na posição 8704. Partindo da premissa de que o veículo está classificado na posição “8703 – Veículos de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para o transporte de pessoas (exceto os da posição 8702), incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida”, entenderam a autoridade administrativa e a DRJ Belém que o veículo MAHINDRA SUV 4x4 estaria excluído da isenção prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67, por força do disposto no art. 3º, § 1º do mesmo decreto, em razão de o veículo estar enquadrado em uma posição da TIPI destinada a veículos de passageiros. Realmente, como bem apontou a DRJ – Belém, o DecretoLei nº 340/67, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 355/68, estabeleceu expressamente que a isenção prevista nos arts. 3º e 9º do DecretoLei nº 288/67 não se aplicava aos produtos da posição 87.02, incisos 1 e 2 da Tabela de Incidência do IPI anexa à Lei nº 4.502/64, com as alterações introduzidas pelo DecretoLei nº 34/66. A referida posição englobava os veículos passageiros e os veículos de uso misto. Entretanto, a interpretação vertida no acórdão de primeira instância não pode ser aplicada ao caso concreto, que versa sobre fatos geradores ocorridos durante os anos de 2008 e 2009. Isto porque o art. 3º, § 2º do DecretoLei nº 288/67 estabelece que o rol de exceções à isenção do § 1º pode ser alterado por decreto. E com base nessa autorização legal, o Decreto nº 783, de 25 de março de 1993, estabeleceu o processo produtivo básico para os produtos industrializados na Zona Franca, constantes dos seus anexos I a XV. No anexo XIII do Decreto nº 783/93 se pode verificar que existe a previsão do processo produtivo básico para jipes. Na observação nº 4 do Anexo XIII consta expressamente que “(...) Para os efeitos deste decreto, os veículos automóveis para transporte de mercadorias são exclusivamente os compreendidos na Posição 8704 e os jipes são exclusivamente os compreendidos na Posição 8703 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH); (...)”. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O Decreto nº 783/93 revogou as disposições em contrário e teve vigência e eficácia a partir da data de sua publicação (DOU de 26/03/1993, Seção I, pág. 3791/3796). Concluise que a partir de 26/03/1993, o Decreto nº 783 tornou juridicamente possível a concessão da isenção do IPI prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67 aos veículos de passageiros, desde que possam ser classificados como jipes na posição 8703 da TIPI. Considerando que o veículo MAHINDRA SUV 4X4 atende aos requisitos do ADN Cosit nº 32/93 para ser enquadrado como jipe da posição 8703 e tendo em vista as Portarias de fls. 165 e 164 expedidas nos anos de 2006 e 2007 pela SUFRAMA, concluise que a ora recorrente é beneficiária de ato administrativo de efeito concreto que regularmente reconheceu a isenção do IPI prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/67 para os jipes MAHINDRA SUV 4X4. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reformar o acórdão de primeira instância e determinar o cancelamento do auto de infração. Antonio Carlos Atulim Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000173/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Kanamaru e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Kanamaru e José Fernandes do Nascimento. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 01 73 /2 00 9- 71 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente s Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no anocalendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária. A ora Recorrente solicitou o ressarcimento de crédito básico e presumido do IPI, referente ao 2º trimestre de 2009, no valor total de R$ 409.302,02, por meio do PER/DCOMP nº 15740.58500.170709.1.1.015530, transmitido em 17 de julho de 2009. Na mesma data, transmitiu o PER/DCOMP nº 27049.98737. 170709.1.3.01.9101, pleiteando o aproveitamento, mediante compensação, da parcela de R$ 17.006,58. Foi realizada auditoria para analisar a legitimidade desse crédito, bem como do crédito objeto do PER/DCOMP nº 88864.57289.201009.1.1.011600, relativo ao 3º trimestre de 2009 (processo administrativo nº 13056.000286/200976), no qual a autoridade fiscal concluiu o seguinte (relatório de fls. 329 a 337): foram detectados indícios de inclusão indevida de gastos com prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido, o que motivou a realização de fiscalização previdenciária que resultou em lavratura de auto de infração, objeto do processo 11065.001584/201082 e formalização de duas representações fiscais para fins penais, a primeira, pela constatação da prática de fato considerado crime, em tese, de sonegação fiscal previdenciária art. 337A, I, do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940, com alterações da Lei 9.983, de 14/07/2000; e a segunda, por crime, em tese, contra a ordem tributária, Lei nº 8.137, de 1990, art. 1°, I. o relatório da ação fiscal relativa às Contribuições Previdenciárias está reproduzido às fls. 277 a 325, onde consta em resumo, o entendimento da fiscalização no sentido de que as empresas do mesmo grupo Calçados Laesa Ltda., Calçados Joice Ltda. e Calçados Siberia Ltda., optantes do Simples, foram criadas com o objetivo de reduzir os tributos incidentes sobre a folha de pagamentos da requerente, sendo os empregados destas empresas, de fato, funcionários de Calçados Status Ltda.; tendo em vista que o art. 59 da Lei nº 9.069, 29 de junho de 1995 determina a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária aos contribuintes que praticarem atos que configurem crimes contra a ordem tributária, a Fiscalização da DRF em Novo Hamburgo propôs o deferimento parcial do pedido, com o indeferimento do ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de R$ 407.726,93 e o reconhecimento do direito ressarcimento de créditos básicos do mesmo imposto, com fundamento no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, no valor de R$ 1.575,09: em decorrência, foram emitidos os Despachos Decisórios de fls. 341 e 353, que deferiram parcialmente o pedido de ressarcimento formalizada no PER/DCOMP nº 15740.58500.170709.1.1.015530 e homologaram até o limite do Fl. 893DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13056.000173/200971 Acórdão n.º 3102001.948 S3C1T2 Fl. 12 3 deferimento a compensação declarada no PER/DCOMP nº 27049.98737.170709.1.3.019101. Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos, alegando, preliminarmente, a nulidade do ato administrativo, por não trazer as informações suficientes à formulação da sua defesa, uma vez que o Despacho Decisório da DRF em Novo Hamburgo e a Intimação não teriam mencionado os motivos que levaram ao indeferimento parcial do pedido de ressarcimento, sendo necessário dirigirse à repartição para solicitar cópia de todo o processo para entender o ocorrido. Quanto ao mérito, alega inicialmente que, em virtude do princípio da “presunção de inocência” a que se refere o art. 5º, inc. LVII, da Constituição Federal, a Administração não poderia ter aplicado o art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995, deixando de reconhecer o direito creditório, antes que o Poder Judiciário houvesse proferido sentença penal condenatória sobre o fato apontado como crime pela Fiscalização. Por outro lado, entende que não cabe à Administração Tributária, integrante do Poder Executivo Federal, julgar se houve, ou não, prática de ato criminoso contra a ordem tributária, a teor do disposto no inc. XXXVII do mencionado dispositivo constitucional. No seu entendimento, a configuração da prática de crime, de qualquer tipo, só se daria o trânsito em julgado de decisão criminal na esfera judicial, tendo a autoridade administrativa usurpado a competência do Poder Judiciário, ao aplicar sanções sem o devido processo legal. Sustenta também que, de acordo com o princípio da tipicidade cerrada, que norteia o Direito Tributário Nacional, a pena aplicada aos que forem condenados pela prática de crimes contra a ordem tributária seria a perda dos incentivos fiscais de redução ou isenção, hipótese em que não se enquadraria o crédito presumido, o qual seria o ressarcimento econômico do custo dos tributos como forma de viabilizar as exportações. Prossegue afirmando que o art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995 seria aplicável apenas ao Imposto de Renda, pois está inserida no art. 618 do Regulamento do referido Imposto (Decreto nº 3.000, de 1999). Tal determinação não se aplicaria ao IPI, pois não há qualquer menção no Regulamento do mesmo imposto, devendose considerar que sua aplicação a hipóteses que nela não estão previstas teria decorrido do uso da analogia, o que é inaceitável por violar o princípio da tipicidade cerrada e da legalidade estabelecidos pela ordem jurídica vigente. Anexa cópia da impugnação interposta nos processos administrativos nº 11065001.582/201093, 11065001.583/201038, 11065001.584/201082, 11065001.585/ 2010 27 e 11065001.586/201071, informando que deseja considerar seus argumentos como transcritos na presente impugnação. A DRJ em Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentadas, nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. Incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no ano calendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o cerne da presente controvérsia gira em torno da definição se o caso concreto preenche os requisitos necessários para a aplicação da penalidade prescrita no art. 59 da Lei n° 9.069/95. Para tanto, colocase uma questão prejudicial, que é justamente definir se o crédito pleiteado pela Recorrente se qualifica como “incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária”. Afinal, sendo negativa a resposta a esta indagação, fica prejudicada a análise acerca da necessidade ou não de sentença penal transitada em julgado reconhecendo a prática de crime contra a ordem tributária ou mesmo de decisão administrativa definitiva também nesse sentido. Pois bem. A ora Recorrente teve seu pedido de ressarcimento indeferido, sob o argumento de que seria incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no anocalendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 59 da Lei 9.069/95, o qual preserve o seguinte: Art. 59 A prática de atos que configurem crime contra a ordem tributária (Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão a pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Como é possível perceber da simples leitura do texto acima transcrito a hipótese de incidência prevista é a prática, pelo contribuinte de "atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Já a consequência corresponde à “perda de incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação”. Ocorre que o crédito presumido de IPI regulado pela Lei nº 9.363/96 não tem natureza jurídica de incentivo ou benefício de redução ou isenção previsto na legislação. De fato, não se verifica nesses casos o desconto, via redução ou isenção, do imposto devido. Pelo contrário, o mecanismo estabelecido pelo legislador corresponde à outorga de um crédito, figura esta, por óbvio, totalmente oposta à isenção ou redução do imposto. Por conseguinte, tendo o legislador determinado a perda apenas dos incentivos e benefícios relacionados à redução ou isenção dos tributos e verificandose que o caso concreto envolve incentivo de outra natureza (creditícia), não se sustenta a decisão recorrida. Ao enfrentar o presente tema no Recurso Especial nº 222.242, o Conselheiro Henrique Torres chegou à idêntica conclusão. Nas suas palavras: Fl. 895DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13056.000173/200971 Acórdão n.º 3102001.948 S3C1T2 Fl. 13 5 Desta feita, nos casos de incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária, a restrição trazida no art. 59 transcrito linhas acima aplicase, independentemente, de haver ou não condenação penal daquele beneficiário que tenha praticado atos que configurem crime contra a ordem tributária. Todavia, no caso dos autos, a natureza jurídica do crédito presumido de IPI não se enquadra corno incentivo e beneficio de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Vejase que o legislador restringiu a aplicação da norma aos casos de incentivos e benefícios ligados à redução ou isenção tributária. O crédito presumido, não se enquadra nem como redução, nem como isenção, é incentivo creditício. Por conseguinte, a norma inserta no art. 59 da Lei 9.069/1995 não o alcança. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito da ora Recorrente ao ressarcimento de eventuais créditos presumidos do IPI, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC a partir da data da transmissão do pedido de ressarcimento/compensação, homologando a compensação até o limite dos valores dos créditos apurados. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 896DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720844/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 44 /2 01 0- 01 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 02/2006, 05/2006, 07/2006, 08/2006 e 10/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 18/19), a empresa deixou de incluir em folha de pagamentos remunerações pagas a segurados empregados que lhe prestaram serviço, constante do Anexo I. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 19) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$1.410,79, atualizada por meio da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/09, publicada DOU de 31/12/2009. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/04/2010 (fl.01). A Autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 26/55) – acompanhada de anexos de fls. 56/129 –, alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, afirma que é nulo o Auto de Infração lavrado por agente do Fisco que executa trabalho de auditoria ou revisão contábil sem ser contador habilitado junto ao Conselho Regional de Contabilidade; 2. No mérito, argumenta não incidir contribuição previdenciária sobre os fatos geradores que deram origem ao presente lançamento. Cita a Constituição Federal (CF), artigos 149 e 195, a Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I, e aduz que somente há incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas remuneratórias pagas ao empregado em razão da contraprestação de trabalho desempenhado por este. Cita a CLT, artigos 457 e 458, e entende que a remuneração comporta o salário e as gorjetas; 3. o abono assiduidade é gratificação e não integra o salário de contribuição por se tratar de um prêmio. Cita jurisprudência. Acrescenta que era pago de modo eventual, fato que impede a incidência de contribuição previdenciária. Cita doutrina; 4. o abono assiduidade foi feito uma única vez para alguns funcionários. Diz que o mesmo raciocínio deve ser aplicado ao pagamento de premiação trimestral. Quanto ao pagamento do abono de férias CCT, afirma também não haver incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. Cita a Lei 8.212/91, artigo 28, §9o, alínea “e”, item 6, Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 3 3 e a CLT, artigos 143 e 144. Diz ter pago o abono de férias conforme previsto em Convenções Coletivas de Trabalho e que jamais ultrapassou o limite de vinte dias do salário de cada empregado. Cita jurisprudência; 5. a ajuda de custo paga a empregados e contribuintes individuais, cita doutrina e afirma que tem o objetivo de proporcionar condições para execução do serviço, não se tratando de valores pagos pela contraprestação dos serviços; 6. quanto as diárias de viagem, diz serem pagamentos ligados à viagem feita pelo empregado para prestação de serviços ao empregador. Cita a CLT, artigo 457, jurisprudência e doutrina. Conclui que agiu corretamente; 7. a autoridade fiscal se enganou quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a titulo de abono CCT e indenização CCT, pois são desvinculadas do salário e foram pagas de forma eventual. Cita a Lei 8.212/91, artigo 28, §9° , alínea “e”, item 7, e jurisprudência; 8. com relação à multa aplicada de 75%, diz ser improcedente, e afirma que deveria ser de 20% com base na Lei 9.430/96, artigo 61, §2°. Cita a CF, artigo 150, e diz que a multa aplicada é confiscatória. Cita jurisprudência. Diz ser improcedente a aplicação de juros pela SELIC. Disserta sobre a matéria; 9. requer o reconhecimento da insubsistência do Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0233.843 da 8a Turma da DRJ/BHE (fls. 133/134) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, com a manutenção total do crédito tributário exigido, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que as verbas pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais teriam natureza indenizatórias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de preparar as folhas de pagamento sem a discriminação individualizada: (i) dos segurados empregados, seu cargo, função ou serviço prestado; e (ii) as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. Tais segurados foram devidamente delineados no Anexo I, com a discriminação da competência, base de cálculo, nome do segurado, código e a descrição da conta que não foi oferecida à incidência da contribuição previdenciária. Assim, a Recorrente deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados dos empregados que lhe prestaram serviços, constantes do Anexo I (fls. 18/20). Nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos/Termos de Intimação Fiscal (TIAD/TIF), constatase a intimação para a apresentação das folhas e recibos de pagamentos do período de 01/2006 a 12/2006. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), atestando o encerramento do procedimento fiscal. A sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 4 5 I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço (empregados), de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 02/2006, 05/2006, 07/2006, 08/2006 e 10/2006 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados –, a Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/09, publicada DOU de 31/12/2009, reajustou os valores da multa aplicada. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 5 7 § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Assim, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos Autos dos processos: 10680.720842/201011 (AIOP 37.262.8460) e 10680.720843/201058 (AIOP 37.270.9435). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação às verbas pagas a título de abonos, ajuda de custo e premiação trimestral –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise dos processos da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão dos processos da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Esses processos de constituição da obrigação principal assentaram em sua ementa os seguintes termos: “[...] VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONOS ASSIDUIDADE, FÉRIAS E CCT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As parcelas pagas aos empregados a título de Abono Assiduidade, Abono Férias CCT e Abono CCT, em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 As importâncias recebidas à titulo de ganhos eventuais e abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. AJUDA DE CUSTO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo concedida de forma fixa e contínua aos segurados empregados e contribuintes individuais. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO TRIMESTRAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo (premiação trimestral) aos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Por depender do desempenho individual do trabalhador, a verba paga a título de premiação trimestral tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. VERBA PAGA A TÍTULO DE DIÁRIAS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente não incidência da contribuição social. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.720844/201001 Acórdão n.º 2402003.623 S2C4T2 Fl. 6 9 Recurso Voluntário Provido em Parte. [...]”. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11065.001697/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE.
É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal.
Numero da decisão: 3401-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente).
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente). JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 97 /2 00 9- 44 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativa do segundo trimestre de 2009 (fls.1/4), com fundamento no §1o, do art. 5o, da Lei nº 10.637/02, recebida pela RFB em 23/07/2009. Na análise, a autoridade fiscal glosou o crédito relativo à mãodeobra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte. A autoridade fiscal relatou que o fornecimento desse serviço de mãoobra poderia ter sido utilizado como insumo, contudo, entendeu que essas empresas, apesar de serem formalmente empresas independentes, na verdade são do mesmo grupo econômico da Lótus Calçados Ltda (pleiteante do crédito) e que a separação dessas empresa é simulada (fls.68/76). A Contribuição apresentou manifestação de inconformidade (fls. 95/107), mas a DRJ em Porto Alegra/RS manteve as glosas, ao prolatar acórdão (fls.135/145) com a seguinte ementa: “PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INEXISTÊNCIA MATERIAL E FACTUAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS – SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS À CONTRIBUINTE. A realização de prestação de serviços quando a empresa encomendante e as empresas prestadoras de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da prestação de serviços por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 06/07/2011 (fl.147) e interpôs Recurso Voluntário 04/08/2011 (fls.148/166), com as alegações resumidas abaixo: 1 O despacho decisório é nulo em razão do cerceamento de defesa, vez que a autoridade fiscal não apontou os fundamentos legais que levaram à desconsideração do negócio realizado entre a Recorrente e as terceirizadas. Além disso, a DRJ, para manter o indeferimento, utilizouse de normas não apontadas no despacho decisório; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11065.001697/200944 Acórdão n.º 3401002.261 S3C4T1 Fl. 170 3 2 As três empresas foram constituídas regulamente e recolhem todos os seus tributos; 3 Foram vários ateliers de calçados terceirizados que prestaram serviço à empresa Recorrente, bem como a empresa Adão Acker prestou serviços a outras empresas, conforme demonstrados nos documentos anexos à manifestação de inconformidade, o que descaracteriza a alegação do fisco de que as terceirizadas prestavam serviços com exclusividade à Recorrente; 4 O fato de Solange Matte, dona da empresa de mesmo nome, ser esposa de Lauro Henrique Matte, sócio administrador da Recorrente, como relatado pela autoridade fiscal, não descaracteriza a independência e autonomia das duas empresas; 5 O desmembramento da empresa para que uma cuide de parte específica da produção, além de necessária para o aprimoramento da produção, é utilizada como planejamento tributário, elisão fiscal, não havendo proibição legal; 6 Para se seja aplicada a desconsideração dos atos jurídicos praticados, prevista no art. 116, Parágrafo Único, do CTN, deve ser provada a ocorrência da simulação ou da dissimulação; Ao fim, a Recorrente pediu que seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa por falta de fundamento legal e, caso assim não se entenda, sejam as glosas efetuadas declaradas ilegais e se reconheça o direito creditório. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pediu o ressarcimento do PIS do segundo trimestre de 2009, mas parte do crédito foi glosada em razão de a autoridade fiscal entender que as empresas que prestavam serviço de fornecimento de mãodeobra eram, na verdade, do mesmo grupo empresarial. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 O cerne da questão é saber se as operações da Recorrente com as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte consiste na prestação de serviço de fornecimento de mãodeobra ou se, na realidade, tratase de grupo econômico, cuja separação é uma simulação. Mas, antes da análise dessa questão, deve ser analisada a questão de nulidade arguida pela Recorrente. 1. Da nulidade do despacho decisório A Recorrente alega que o despacho decisório é nulo, pois não utilizou qualquer fundamento legal para glosar os créditos. Nesse ponto, tem razão a Recorrente. Realmente, tanto no relatório fiscal, denominado nesses autos como “auto de infração”, quanto no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei nº 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente. Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico. Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, para declarar nulo o relatório fiscal, nestes autos denominado de “auto de infração”, o despacho decisório e o acórdão da DRJ, devendo os autos retornarem à delegacia de origem para elaboração de um novo relatório fiscal e despacho decisório, apontandose a norma legal na qual se apóia a desconsideração do negócio praticado entre a Recorrente e as empresas terceirizadas. É como voto. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11065.001697/200944 Acórdão n.º 3401002.261 S3C4T1 Fl. 171 5 Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10435.721899/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A EMPRESAS. DESCONTO E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.
A partir do advento da Lei n° 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Art. 4° da Lei n° 10.666/03 e artigo 30, I, a, da Lei n° 8.212/91.
Nos termos do artigo 33, § 5º, da Lei n° 8.212/91, o desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
MULTAS. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE.
A partir do advento do Decreto n° 6.042/2007, que alterou a redação do art. 239, § 9º, do RPS/99, as pessoas jurídicas de direito público passam a estar sujeitas às multas previstas na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Fatos Geradores Recorrente MUNICÍPIO DE PESQUEIRA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A EMPRESAS. DESCONTO E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. A partir do advento da Lei n° 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Art. 4° da Lei n° 10.666/03 e artigo 30, I, a, da Lei n° 8.212/91. Nos termos do artigo 33, § 5º, da Lei n° 8.212/91, o desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. MULTAS. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSIBILIDADE. A partir do advento do Decreto n° 6.042/2007, que alterou a redação do art. 239, § 9º, do RPS/99, as pessoas jurídicas de direito público passam a estar sujeitas às multas previstas na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 18 99 /2 00 9- 98 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 95 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 16/11/2009 para constituição de crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Conforme Relatório Fiscal de fls.15/16, foi lavrado Auto de Infração em razão de a recorrente ter deixado de informar em GFIP, no período de 02/2007 a 11/2008, os pagamentos efetuados aos segurados empregados (comissionados, com contrato de trabalho e mandato eletivo) e contribuintes individuais. Também relata a autoridade fiscal que considerou, na aplicação das multas, o contido no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN, quanto à penalidade mais benéfica ao contribuinte. Após ciência pessoal da autuação em 19/11/2009, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 28/39. A DRJ Recife, conforme acórdão de fls. 51//55, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão em 25/03/2011 (fls. 57), interpôs, em 25/04/2011, o recurso de fls. 59/88, no qual alega, em apertada síntese, que: * ausência de individualização dos segurados; * não obrigatoriedade de retenção e recolhimento pela empresa da contribuição de segurado contribuinte individual, diante da literalidade do artigo 30, II, da Lei n° 8.212/91. Afirma ainda que a regra trazida pela Lei n° 10.666/2003 aplicariase somente à hipótese de prestador de serviço vinculado a cooperativas; * impossibilidade de aplicação de multa às pessoas jurídicas de direito público, mesmo após o advento do Decreto n° 6.042/2007; * caso seja mantida a aplicação da multa, requer a incidência retroativa das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário, com a finalidade de ver reformada a decisão guerreada e, como conseqüência, anular o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Contribuição do Segurado Contribuinte Individual. Responsabilidade pelo Recolhimento. Aduz a recorrente que não estaria obrigada à retenção e respectivo recolhimento da contribuição de segurado contribuinte individual, diante da literalidade do artigo 30, II, da Lei n° 8.212/91. Afirma ainda que a regra trazida pela Lei n° 10.666/2003 aplicariase somente à hipótese de prestador de serviço vinculado a cooperativas. Apesar do presente Auto de Infração referirse simplesmente à obrigação acessória consistente na apresentação da GFIP com os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, para que não pairem dúvidas quanto à legitimidade da exigência da referida contribuição, que foi lançada em outro Auto de Infração (processo 10435.721902/200973), face à ausência de recolhimentos pela recorrente, e também porque o cálculo da multa baseouse no valor da contribuição devida e não declarada, cumpre destacar o quadro normativo que embasa a exigência. A alegação é desprovida de qualquer viso de lógica ou juridicidade. Com efeito, estipula o artigo 21 da Lei n° 8.212/91 que, regra geral, a alíquota de contribuição dos segurados contribuintes individuais será de 20% sobre o respectivo saláriodecontribuição. Assim, se o contribuinte individual prestar serviço a pessoa física (um taxista, por exemplo), não haverá a denominada cota patronal, pois o contratante não se enquadra no conceito de empresa ou equiparado (artigo 15 da Lei n° 8.212/91). Destarte, incide somente a referida contribuição, na alíquota de 20%. Esta é a regra geral, como afirmado. No entanto, se a prestação de serviço ocorrer a empresa ou equiparado empresa ou equiparado (artigo 15 da Lei n° 8.212/91), como incidirá a contribuição destes entes (artigo 22, III, da Lei n° 8.212/91), a legislação permite uma redução de alíquota da contribuição do contribuinte individual, para não encarecer tanto o custo da mão de obra. Vejamos o que dispõe o artigo Com efeito, dispõe o artigo 30, § 4º, da Lei nº 8.212/91: Lei n° 8.212/91 Art. 30. (...) § 4o Na hipótese de o contribuinte individual prestar serviço a uma ou mais empresas, poderá deduzir, da sua contribuição mensal, quarenta e cinco por cento da contribuição da empresa, efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado, limitada a dedução a nove por cento do respectivo saláriode contribuição.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 96 5 Como a contribuição patronal é de 20%, a dedução de 45% equivale a 9%, redundado numa alíquota de 11%, ao invés da regra anteriormente referida (contribuição do segurado contribuinte individual de 20% sobre o respectivo saláriodecontribuição). Ou seja, prestando serviços a empresas ou equiparados, na prática, haverá uma cota patronal de 20% e um cota do segurado contribuinte individual de 11%. Até o advento da Lei n° 10.666/03, cada parte, empresa ou equiparado e contribuinte individual, era responsável pelo recolhimento de sua contribuição. Todavia, com o advento da Lei nº 10.666/03, a contribuição do contribuinte individual, regra geral, passou a ser retida e recolhida diretamente pela empresa: Lei n° 10.666/03 Art.4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). Tal obrigação foi transposta para a Lei n° 8.212/91 pela Medida Provisória n° 351/2007, mas hoje encontrase com a seguinte redação, decorrente da Lei n° 11.933/2009: Lei n° 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: (...) b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência;(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). Quanto à responsabilidade da recorrente, que deixou de efetuar os respectivos descontos e recolhimentos, cumpre transcrever o parágrafo 5° do artigo 33, também da Lei n° 8.212/91: Lei n° 8.212/91 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Art. 33. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Assim, depreendese facilmente que há inequívoco embasamento legal para a exigência da contribuição devida pelo contribuinte individual. Ressaltamos que a argumentação supra justificase apenas como supedâneo da legitimidade do procedimento fiscal como um todo e também porque o cálculo da multa baseouse no valor da contribuição devida e não declarada . De toda sorte, é de bom alvitre repisar que a referida contribuição encontrase lançada em outro Auto de Infração (processo 10435.721902/200973). Sendo assim, nenhum razão assiste à recorrente. Ausência de Individualização dos Segurados. Alega ainda a recorrente vício no lançamento pela ausência de individualização dos segurados, o que implicaria em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. O inconformismo da recorrente foi devidamente rechaçado pela decisão a quo: Em relação aos prestadores de serviços pessoas físicas, através da planilha de fls. 479/625 do AI 37.249.5940, o autuante informou a data do empenho, o número do empenho, o valor do serviço prestado, o nome do prestador de serviço (segurados contribuintes individuais envolvidos no lançamento) e o histórico do serviço prestado. Sendo assim, desnecessária a juntada dos empenhos ou recibos de pagamento, haja vista que bastaria ao autuado, legítimo possuidor dos mesmos, verificando qualquer irregularidade nos valores lançados, juntálos a fim de fazer prova a seu favor. Já às fls. 63/389 do A I 37.249.5940, o autuante juntou, mês a mês, cópia do resumo das folhas de pagamento, também possibilitando ao autuado o contraditório e a ampla defesa, haja vista que é ele, também, o legitimo possuidor dos documentos fotocopiados, bem como saber quais segurados estão envolvidos no lançamento. Ora, se está de posse das folhas de pagamento relativas aos resumos juntados pelo autuante, basta ao autuado consultálas para saber quem são os segurados empregados envolvidos. Também, por meio dos discriminativos de fls. 4/28 do AI 37.249.5940, é possível se enxergar as bases de cálculo apuradas e as alíquotas aplicadas pela auditoria fiscal. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 97 7 Já o sujeito passivo da obrigação tributária, Município de Pesqueira, está amplamente identificado nos cabeçalhos das folhas que compõem a autuação. Outrossim, não há qualquer prejuízo em se fazer referência neste AI a elementos de prova juntados a outros autos constituído na mesma ação fiscal e, da mesma forma, cientificado ao sujeito passivo. Tal situação, ademais, privilegia o princípio constitucional da eficiência, aqui tomado no sentido do gasto com material, bem como o princípio da informalidade que rege o Processo Administrativo Fiscal. Concluise, assim, que não houve qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo sido o quantum devido extraído de documentos que guardam relação direta (aferição direta) com os fatos geradores de contribuições previdenciárias, restando claro todos os elementos das hipóteses de incidência das contribuições lançadas. Portanto, forte nos argumentos do acórdão a quo, concluise que não merece guarida o pleito da recorrente de reconhecimento de vício no lançamento pela ausência de individualização dos segurados. Multa. Entes Públicos. A recorrente alega ainda a impossibilidade de aplicação de multa às pessoas jurídicas de direito público, mesmo após o advento do Decreto n° 6.042/2007. A redação original do § 9° do artigo 239 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, dispensava as pessoas jurídicas de direito público do pagamento de multas calculadas como percentual do crédito. Todavia, a partir de fevereiro de 2007, com o advento do Decreto 6.042/2007, a redação do referido dispositivo foi alterada, revogandose tacitamente a vedação à imposição de multa às pessoas jurídicas de direito público. E vejase que, no caso dos autos, não foi aplicada penalidade referente ao período anterior a fevereiro de 2007, quando ainda não estava em vigor a nova redação do art. 239, § 9º, do Regulamento da Previdência Social. Diante do exposto, fazse apropriada a atribuição da penalidade à pessoa jurídica, nas competências posteriores a janeiro de 2007, tal como lavrado o Auto de Infração. Cumpre ainda destacar que a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre o custeio da Seguridade Social, equipara os órgãos e entidades da administração pública a empresas em geral, in verbis: Lei n° 8.212/91 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 100DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Assim, a lei atribui, às pessoas jurídicas de direito público, o mesmo tratamento, no que toca as obrigações e ônus decorrentes das contribuições previdenciárias. Inclusive, a Advocacia Geral da União, já emitiu o Parecer, datado de 18/02/2004, aprovado nos termos do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no sentido da legitimidade da aplicação de multas aos entes públicos e, conseqüentemente, da ilegalidade da previsão antes contida no art. 239, § 9º: Parecer nº AC – 16 Adoto nos termos do Despacho do ConsultorGeral da União, para os fins do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, o anexo PARECER Nº AGU/GV01/04, de 18 de fevereiro de 2004, da lavra do Consultor da União, Dr. GALBA MAGALHÃES VELLOSO, e submetoo ao EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art. 40 da referida Lei Complementar.Brasília, 12 de julho de 2004. ALVARO AUGUSTO RIBEIRO COSTA AdvogadoGeral da União (*) A respeito deste Parecer o Excelentíssimo Senhor Presidente da República exarou o seguinte despacho: Aprovo. Em 12 de julho de 2004. PARECER Nº AGU/GV 01/2004 PROCESSO Nº 46010.001869/200223 ASSUNTO: PARECERES H31366, H71768, H78269, L 038, L102 E SR12 DA EXTINTA CONSULTORIA GERAL DA REPÚBLICA. INAPLICABILIDADE DE MULTAS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. ART. 295 DO DECRETO Nº 72.77173. REEXAME.EMENTA: AS MULTAS PREVISTAS EM LEI SÃO APLICÁVEIS ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. O FAVORECIMENTO, PELA EXCLUSÃO, CARACTERIZA DESVIO DE PODER. (...) XIV. O Decreto e a Lei referidos no Parecer L038 não mais subsistem, o que torna o parecer superado como pronunciamento acerca do direito positivo, por n ão ser ele calcado em princípio geral que sobrevivesse a mutações legislativas, mas apenas naquelas disposições específicas a respeito da questão previdenciária, hoje regida pelas Leis nºs 8.212 e 8.213/91, bem como pelo Decreto nº 3.048/99, o qual, assinalese, traz em seu artigo 239, § 9º, dispositivo que isenta de multa por atraso de recolhimento as pessoas jurídicas de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 98 9 direito público, as massas falidas e missões diplomáticas, o que não encontra amparo na lei regulamentada, que disso não trata. XV. Este Decreto é o único e indevido impedimento para a Previdência cobrar multas de pessoas jurídicas de direito público. Ilegal em face da Lei que regulamenta, é inconstitucional por estabelecer o que não pode, além de ferir o princípio da isonomia, bem como da moralidade, eficiência, legalidade e impessoalidade previstos no Art. 37 da Constituição. (...) (destaques nossos) Portanto, correta a interpretação dada à aplicação das multas às pessoas jurídicas de direito público pela autoridade fiscal e pelo órgão de julgamento a quo, não merecendo prosperar o inconformismo da recorrente. Multas. Direito Intertemporal. A recorrente invoca, por fim, quanto à aplicação da multa, a incidência retroativa das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009. De largada, é preciso ressaltar que estamos tratando apenas das competências posteriores a janeiro de 2007, pois, como visto no tópico acima, para o período anterior, nenhuma multa foi lançada no Auto de Infração em comento. Ademais, também é necessário consignar que tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, consistente na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. Por se tratar de período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, a recorrente foi autuada com base no artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Relata a autoridade fiscal que considerou, na aplicação das multas, o contido no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional CTN, quanto à penalidade mais benéfica ao contribuinte. Todavia, discordamos do critério utilizado pela autoridade fiscal para a apuração da multa mais benéfica. Senão vejamos. A multa aplicada no presente Auto de Infração foi aquela prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Lei n° 8.212/91 Art. 32. (...) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei n° 11.941/09, o dispositivo acima transcrito foi revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, I, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3° deste artigo. (...) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10435.721899/200998 Acórdão n.º 2302002.773 S2C3T2 Fl. 99 11 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado à GFIP, pois para este já teria sido introduzida, pela mesma Lei nº 11.941/2009, a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionadas ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, na medida em que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10980.726397/2011-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 97 /2 01 1- 91 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 36) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.029, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726397/201191 Acórdão n.º 1803001.871 S1TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10530.900739/2008-44
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços À Saúde. Coeficiente De Apuração.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%.
Normas Processuais. Matéria Nova em Fase Recursal. Preclusão.
Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
Numero da decisão: 1801-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços À Saúde. Coeficiente De Apuração. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%. Normas Processuais. Matéria Nova em Fase Recursal. Preclusão. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. DCTF. RETIFICAÇÃO. A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade completa do contribuinte, escriturada à época dos fatos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Constatado nos autos que o Despacho Decisório descreveu fartamente a situação fática da contribuinte e as razões de indeferimento do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, e dele constou a fundamentação legal, não se caracteriza o cerceamento de defesa. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NOVA EM FASE RECURSAL. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitandose o princípio processual da dupla jurisdição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 07 39 /2 00 8- 44 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. COEFICIENTE DE APURAÇÃO. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1523.087/10 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, fls. 37 e 38, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 19 a 23. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Trata o presente de pedido de restituição do valor de RS 10.523,64 referente ao pagamento indevido ou a maior do IRPJ lucro presumido, código 2089 do período de apuração 01/2004, requerido através do PER/DCOMP 02879.92978.191104.1.3.041738, para compensação com o débito do IRPJ lucro presumido, código 2089, do 2° trimestre de 2004, no valor de R$ 7.720,69 (fl. 22). Através do Despacho Decisório Eletrônico n° 759919132 (fl . ll ) , o pedido foi negado pela DRF de Feira de Santana sob a seguinte justificativa: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 10.523,64. À partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp". Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900739/200844 Acórdão n.º 1801001.738 S1TE01 Fl. 3 3 Tempestivamente o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, trazendo ao PAF a informação de que " existem pagamentos em duplicidade para o tributo IRPJ (2089), referente ao período de apuração 31/01/2004, conforme descrição abaixo e documento em anexo". Cita 02 recolhimentos efetuados em 31/01/2004 no valor de R$ 10.523,64 nas datas de 31/03/2004 e 30/04/2004. [...] Como visto, o contribuinte pretende obter a restituição do pagamento do valor de R$ 10.523,64 referente ao pagamento em duplicidade do IRPJ lucro presumido, código 2089 do período de apuração 01/2004. Alega que efetuou 02 pagamentos no citado valor, em 31/03/2004 e 30/04/2004, respectivamente. [...] A análise das DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais do período, indica que o contribuinte apresentou a 1a DCTF em 14/05/2004, confessando um débito de IRPJ lucro presumido para o 1o trimestre de 2004, no valor de RS 37.470,85, alocando para a quitação deste débito 03 DARF nos seguintes valores: O primeiro no valor de R$ 6.177,87. o segundo no valor de R$ 20.769,34 e o por último, um DARF no valor de R$ 10.523,64 (fls. 28 a 34). Se os efeitos da primeira DCTF permanecessem, se confirmaria alegação do contribuinte, do pagamento em duplicidade do valor de R$ 10.523,64, já que o sistema SINAL comprovou 02 recolhimentos neste valor, em 31/03/2004 e 30/04/2004, e apenas um recolhimento estava alocado ao débito declarado na 1a DCTF. Ocorre, entretanto, que em 22/11/2004, o contribuinte apresentou DCTF retificadora, alterando a confissão dos seus débitos relativos ao IRPJ do Io trimestre de 2004, código 2089, de R$ 37.470,85 para R$ 48.137,93, alocando como pagamento destes débitos os seguintes DARF: O primeiro no valor de R$ 6.177,87, o segundo no valor de R$ 20.769,34, o terceiro no valor de R$ 10.523,64, o quarto também no valor de R$ R$ 10.523,64 e por último um DARF no valor de R$143,44, perfazendo um total de R$ 48.137,93, mesmo valor do Débito confessado para o período, o que confirma a inexistência de valor disponível para restituição. Estranhamente, em 09/05/2009, o contribuinte retifica a 2a DCTF e exclui todos os débitos antes confessados. Em 19/11/2009, procede a 4ª retificação da DCTF, desta vez restabelecendo a confissão de todos os débitos, com exceção do débito do IRPJ do 1o trimestre de 2004, que inicialmente foi confessado como sendo de R$ 37.470,85, depois retificado para R$ 48.137,93 e inexplicavelmente desapareceu na DCTF retificadora de 19/11/2009, atualmente ativa. [...] No caso específico, o fato gerador do IRPJ do 1o trimestre de 2004, ocorreu no último dia 31/03/2004, e o Despacho Decisório foi emitido em 09/05/2008, tendo como lastro, as informações prestadas pelo próprio contribuinte, na sua 2a DCTF retificadora enviada em 22/11/2004 cujas informações espelhavam a inexistência de qualquer saldo disponível para restituição, já que todos os DARF recolhidos, inclusive o que é objeto do presente processo, estavam alocados ao débito do 1o trimestre de 2004 confessado em DCTF. As alterações da DCTF efetuadas em 09/05/2009 e 19/11/2009, por terem ocorrido após 05 anos da ocorrência do falo gerador, não podem produzir nenhum efeito jurídico, uma vez que o lançamento já estava homologado, não mais podendo ser objeto de retificação.” Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 40 a 46, inovando os termos da defesa exordial, em síntese: a) exerce a atividade de laboratório de análises clínicas ligada à assistência à saúde, praticando serviços hospitalares. b) entende ser o despacho decisório nulo por ausência de motivação; o indeferimento do pleito deuse por mero cruzamento de informações sem uma análise da liquidez e certeza do indébito tributário; cita doutrina sobre os atos administrativos vinculados e a necessária motivação; em um processamento eletrônico podem ocorrer falhas ocasionadas por erro de preenchimento dos contribuintes, não contemplando a verdade material, pelo que as informações veiculadas nestas declarações são inaptas para desconstituir o direito pleiteado; isto tudo causa o cerceamento de defesa e, portanto, o despacho é nulo; c) quanto ao mérito, a recorrente defende que no anocalendário em questão apurou o lucro na forma presumida utilizando o coeficiente indevido de 32% sobre a receita bruta total, quando deveria ter aplicado o percentual de 8%; d) argúi que formulou consulta à Administração Tributária e obteve parecer favorável ao seu propósito, no sentido de ser declarado que as atividades laboratoriais de análises clínicas são considerados serviços hospitalares, inclusive com caráter retroativo; cita a ementa da Solução de Consulta SRRF/5ª RF, de 16 de fevereiro de 2007, processo administrativo nº 10530.002386/200653; e) com fulcro no entendimento da Solução de Consulta, refez os cálculos de apuração do IRPJ e CSLL, utilizando o percentual de 8%, tornandose credor do indébito formado pela diferença de percentuais; f) desta forma, as DIPJ e DCTF ativas no momento do Despacho Decisório não espelhavam a verdade material dos fatos, espelhada na contabilidade; estes erros podem ser saneados de ofício, consoante dispõe o art. 147, §2º, do Código Tributário Nacional (CTN); Por fim, requer que a retificadora da DCTF relativa ao 1º trimestre de 2004 seja admitida para o reconhecimento do crédito e as compensações pleiteadas sejam homologadas. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 28/07/10, fls. 39; Recurso – 24/08/10, fls. 40 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, cumpre esclarecer que o fato de o Despacho Decisório ser emitido eletronicamente não lhe abstrai os atributos do ato administrativo. Nem tampouco a simplicidade do procedimento fiscal que faz o cotejo entre os valores declarados pelo próprio contribuinte e aqueles veiculados nos Per/Dcomp. A análise é sumária, porém plena de eficácia. Como todo ato administrativo goza dos atributos de presunção de legitimidade, legalidade e autoexecutoriedade. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900739/200844 Acórdão n.º 1801001.738 S1TE01 Fl. 4 5 A motivação do ato em questão está bem explícita em seu bojo e tanto assim que a recorrente entendeu perfeitamente que o crédito solicitado, pago por Darf, foi integralmente utilizado para quitar débito de tributo acusado nos sistemas. Os quadros demonstrativos analíticos expõem inclusive os períodos de apuração, código de receita, valor total do Darf, data da arrecadação, número do pagamento, valor original e para qual período e tributo foi alocado para quitálo. Não procede, portanto, a alegação de cerceamento de defesa, salientandose que a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade argumentando que o pagamento havia sido realizado em duplicidade, o que constatouse, nos autos, não ser a verdade material dos fatos e agora, em sede recursal, vem expor a verdadeira razão de o porquê estar pleiteando a devolução dos pagamentos efetuados para quitação de débitos então espontaneamente apurados. No mérito, a pretensão da recorrente tampouco merece acolhida. A argumentação apresentada pela recorrente em esfera recursal está ferida pela preclusão processual. O requerimento da recorrente em obter a devolução do crédito tributário porque entende praticar serviços hospitalares e haver recolhido os tributos federais pela apuração indevida do Lucro Presumido são matérias não apresentadas na manifestação de inconformidade, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, mutatis mutandis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A apreciação de matéria nova ofende o princípio do duplo grau de jurisdição. Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nº CSRF / 0103.351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA – O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo “extra petita” a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (grifos não pertencem ao original) Todavia, pelo amor ao embate jurídico, esclareçase à recorrente que a Solução de Consulta avocada não lhe favorece, haja vista a sua ementa ser genérica para todos os casos em que há a dúvida de poder ou não enquadrarse como prestadora de serviço Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 hospitalar. Verifiquese a ementa (única parte apresentada pela recorrente da referida consulta formulada): “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ / Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. SERVIÇOS HOSPITALARES. A pessoa jurídica que exerça a atividade de laboratório de análises clinicas ligada à atenção e assistência à saúde, 9atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n°. 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n°. 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n°. 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 da Lei n°. 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrarse nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 966 do Código Civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n°. 480, de 2004. Esse entendimento aplicase retroativamente. (grifos não pertencem ao original) À época da apuração do tributo em tela, a Instrução Normativa (IN) SRF nº 480/04, em seu artigo 27, §§ 1º e 2º, estabelecia: Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares somente aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. § 1º Para os efeitos deste artigo, consideramse estabelecimentos hospitalares, aqueles estabelecimentos com pelo menos 5 (cinco) leitos para internação de pacientes, que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. § 2º Para efeito de enquadramento do estabelecimento como hospitalar levarseá, ainda, em conta se o mesmo está compreendido na classificação fiscal do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), na classe 85111 – Atividades de Atendimento Hospitalar. A norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico – que também atua em área ligada à atenção e assistência à saúde – se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir ao termo “prestação de serviço hospitalar”. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900739/200844 Acórdão n.º 1801001.738 S1TE01 Fl. 5 7 Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. (grifos não pertencem ao original) A recorrente, pois, não faz qualquer prova de que enquadrase no conceito de prestação de serviço hospitalar. E, nos casos de repetição de indébito tributário, o ônus da prova é da parte que requer. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Destarte, afastada a alegação de que a Solução de Consulta invocada favorece a requerente, por seu caráter genérico e não individualizado, acompanhase no todo as razões de decidir esposadas pela Turma Julgadora de Primeira Instância, a saber, que as retificações a destempo da DCTF atribuindo o valor 0,00 (zero) para o IRPJ do 1º trimestre de 2004 não pode/deve ser admitida, pelo que corretos os pagamentos efetuados pela recorrente, cujos valores foram calculados em acordo com o percentual de 32% para a apuração do lucro na forma presumida, consoante determinação legal. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900739/200844 Acórdão n.º 1801001.738 S1TE01 Fl. 6 9 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13896.912178/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. REFORMA.
Deve ser reformada a decisão da repartição de origem, para que uma outra seja proferida, observando-se as informações prestadas na DCTF retificadora, no Dacon retificador e na DIPJ retificadora, apresentados anteriormente à emissão do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-004.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para anular os atos processuais a partir do despacho decisório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. REFORMA. Deve ser reformada a decisão da repartição de origem, para que uma outra seja proferida, observandose as informações prestadas na DCTF retificadora, no Dacon retificador e na DIPJ retificadora, apresentados anteriormente à emissão do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para anular os atos processuais a partir do despacho decisório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 21 78 /2 00 9- 56 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.912178/200956 Acórdão n.º 3803004.271 S3TE03 Fl. 54 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 21 de julho de 2009, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins não cumulativa, período de apuração setembro de 2004, no valor de R$ 23.942,35, destinado a quitar débitos de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação, alegando que, ao revisar a apuração da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, constatara que, em diversos meses, haviam sido recolhidos valores a maior dos referidos tributos, em razão do que exsurgiram créditos a seu favor, passíveis de utilização por meio de compensação. Informou o então Manifestante que, para fins de comprovação do direito creditório pleiteado, retificara as DCTFs, Dacon e DIPJ do período, observandose os novos valores apurados, declarações essas transmitidas anteriormente à emissão do despacho decisório sob comento. Ao final de sua peça recursal, o contribuinte reproduziu ementa de decisão da 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas/SP, acórdão n° 0524644, de 21 de janeiro de 2009, em que se decidira que “[a] DCTF é confissão de dívida, mas não de forma irretratável, comportando retificação para alterar os valores nela constantes, mormente quando constatado, de forma inequívoca, erro no preenchimento, que deve ser demonstrado e comprovado por documentos” e que “[se] a autoridade competente admite como passível de compensação os indébitos alegados pelo contribuinte, e estes (...) se mostram suficientes quer na data de encerramento do período de apuração do débito, quer na data de seu vencimento, deve ser homologada a compensação declarada.” (fl. 9) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e do Dacon, da DCTF e da DIPJ 2005 retificadores, todos transmitidos em 22 de julho de 2009 (fls. 10 a 22). A DRJ Campinas/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/05/2004 DIPJ/DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da declaração pela contribuinte, que exclui o valor devido do tributo originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência Fl. 54DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.912178/200956 Acórdão n.º 3803004.271 S3TE03 Fl. 55 3 do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, em conformidade com os termos do art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN), “a simples retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, não pode ser acolhida como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na análise do direito creditório do contribuinte em relação aos dados registrados nos Sistemas da Receita Federal do Brasil, que são alimentados pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais.” (fl. 27) Argumentou, ainda, o julgador de piso que o art. 170 do CTN fixa como pressuposto ao encontro de contas com a Fazenda Nacional que os créditos se encontrem revestidos de liquidez e certeza e que, uma vez instaurado o contencioso administrativo, qualquer alteração nas declarações prestadas deveria estar “comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e suficiente, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário.” (fls. 27 a 28) Em seguida, destacou o relator do acórdão condutor da decisão recorrida o seguinte: Assim, resta inconteste que a retificação da DCTF promovida pelo contribuinte, posterior ao envio da declaração de compensação, e anterior a emissão e recepção do Despacho Decisório deve estar fundamentada em erro ou direito devidamente comprovado. A mera apresentação de declarações retificadoras, no caso Dacon e DIPJ não são suficientes para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontram desacompanhadas de documentos que lhe dêem suporte jurídico válido. Neste caso, tal como se encontra, as declarações expõem apenas números cujos resultados coincidiriam ou poderiam ajustarse com a argumentação construída na Manifestação de Inconformidade. Quanto a transcrição de ementa de Acórdão prolatado pela 5ª Turma da DRJ Campinas, a mesma não se aplica ao caso em exame posto que tratam de fatos diversos não permitindo o mesmo entendimento.(fl. 28) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.912178/200956 Acórdão n.º 3803004.271 S3TE03 Fl. 56 4 Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ Campinas/SP, com a homologação da compensação pleiteada ou, subsidiariamente, a concessão do prazo de trinta dias para a apresentação de todos os documentos contábeis que comprovam a origem do crédito, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a Administração Pública tem o dever de buscar todos os documentos e confrontálos com as informações correlatas disponíveis, sem se prender aos aspectos formais ou parciais do processo, mediante a condução ex officio da instrução, em conformidade com o princípio da verdade material, este fundado no interesse público, devendo ser perseguida de forma harmoniosa e persistente, respeitandose o conjunto dos princípios do direito positivo; b) no presente caso, a Administração tributária limitouse a analisar as declarações, não cogitando acerca de possível realização de diligência destinada à verificação da escrituração contábilfiscal, com o intuito de apurar a verdade material dos fatos, não tendo nem mesmo o intimado para apresentar os documentos comprobatórios do seu direito; c) o volume de documentos que comprovam o erro cometido é imenso, o que inviabiliza a sua apresentação nos autos do processo, o que não impede que tais documentos sejam apresentados ao agente fiscal para a análise do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Campinas/SP, em razão da ausência de elementos fáticos que pudessem comprovar as alegações do então Manifestante. Quando de sua primeira manifestação nos autos, o contribuinte trouxera aos autos cópias do Dacon, da DCTF e da DIPJ 2005, todos retificadores, transmitidos em 22 de julho de 2009, anteriormente, portanto, à data da emissão do despacho decisório, esta ocorrida em 7 de outubro de 2009, que foram desconsiderados pela autoridade administrativa de origem, cuja decisão se pautou no conteúdo da DCTF original. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, a Administração tributária desconsiderara, no momento da prolação do despacho decisório, as informações adicionais fornecidas por meio de declarações retificadoras (DCTF, DIPJ e Dacon), informações essas que já se encontravam presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da decisão. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.912178/200956 Acórdão n.º 3803004.271 S3TE03 Fl. 57 5 Se dúvidas havia, naquele momento, quanto ao teor dos dados informados, deveria ter sido o contribuinte intimado a prestar os esclarecimentos adicionais e comprovar os valores declarados, e não decidirse com base em declarações que já haviam sido retificadas e que, por conseguinte, não mais refletiam a realidade contábilfiscal da pessoa jurídica. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 2008, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. Nesse sentido, não havendo a estipulação, na legislação de regência, da exigência de apresentação de documentos prévia ou conjuntamente à transmissão da declaração retificadora, tornase imperioso concluir que a desconsideração da declaração retificadora somente se aplicaria nos casos de ausência de comprovação, mediante intimação, dos dados então retificados. Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à ciência de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração da retificação procedida nos termos ora sob análise. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, precipuamente no que tange a uma possível manipulação dos prazos extintivos do crédito tributário, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. No presente caso, o contribuinte transmitiu a DCTF retificadora em data muito próxima do termo final do prazo para a homologação tácita do lançamento, nos termos previstos no art. 150, § 4º, do CTN, o que, conjugado à ausência nos autos de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e dos documentos que a lastreiam, poderia indicar uma 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.912178/200956 Acórdão n.º 3803004.271 S3TE03 Fl. 58 6 possível manipulação do prazo decadencial, com vistas a dificultar, ou mesmo inviabilizar, a atividade de homologação expressa por parte da Fazenda Nacional. Essa possibilidade, contudo, dado o seu caráter meramente especulativo, não exime a Administração tributária de se pronunciar quanto aos documentos e aos argumentos de defesa trazidos aos autos pelo interessado, desde o primeiro momento de sua manifestação no processo, elementos esses apresentados em conformidade com o disciplinamento da matéria no âmbito da legislação tributária. Esse encaminhamento, contudo, não dispensa o Recorrente de comprovar o direito creditório declarado no PER/DCOMP e na DCTF retificadora, pois o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reformar a decisão da repartição de origem, externada por meio do despacho decisório sob comento, no sentido de determinar que a autoridade administrativa reaprecie o pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, no Dacon retificador e na DIPJ retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.912178/200956 Acórdão n.º 3803004.271 S3TE03 Fl. 59 7 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10803.720069/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14).
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. - Sujeita-se à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF o valor correspondente a pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado.
Numero da decisão: 2202-002.490
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Fabio Brum Goldschmidt e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF o valor correspondente a pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 69 /2 01 2- 11 Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Fabio Brum Goldschmidt e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado). Relatório Contra GM DOS REIS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. foi lavrado o auto de infração de fls. 03/32 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 33/45 para formalização da exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF no valor de R$ 7.169.551,88, acrescido de multa de ofício (qualificada, de 150%) e juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 22.056.002,16. A infração que ensejou o lançamento foi o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Segundo o relato fiscal, tratase de valores pagos à Expertise Comunicação Total S/C Ltda., apurados com base em notas fiscais e registros contábeis, conforme Termo de Verificação e Anexo I, contratualmente destinados à aquisição de cartões que deveriam ser utilizados para pagamentos de prêmios a beneficiários que deveriam ser indicados pelo contribuinte, sem comprovação da causa dos pagamentos e sem a identificação dos beneficiários. Ainda segundo o relatório fiscal, estes valores foram contabilizados como despesas com serviços prestados por pessoa jurídica. Concluiu a autoridade lançadora que com o procedimento adotado pela autuada não ficaram demonstrados a causa e os beneficiários dos pagamentos, o que configuraria crime contra a ordem tributária. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que não restou configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação a ensejar a qualificação da multa de ofício; afirma que ocorreu cerceamento do direito de defesa, vez que não foi explicitada a conduta tipificada e não foi demonstrado o dolo. Arguiu a decadência relativamente ao ano calendário de 2006. No mérito, sustenta que, não tendo havido a retenção do imposto pela fonte pagadora, a responsabilidade passa a ser do beneficiário dos rendimentos. Requer, por fim, seja declarada a nulidade do auto de infração. A DRJSÃO PAULO/SP I julgou procedente em parte o lançamento para reconhecer a decadência em relação a período de apuração de 1º/01/2006 a 31/12/2006, com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJSÃO PAULO/SP I rejeitou a arguição de nulidade com base, em síntese, na consideração de que o procedimento fiscal e a autuação dele decorrente se processaram segundo as normas que regem o processo administrativo fiscal; que não ocorreu o alegado cerceamento do direito de defesa uma vez que a autuação descreve as iputações feitas o que oportunizou ao autuado defenderse, como fez, de tais imputações. Sobre a decadência, a DRJ observou que o prazo decadencial regese, no caso, pelo artigo 173, I do CTN, uma vez que teria ocorrido dolo, fraude ou simulação, de Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10803.720069/201211 Acórdão n.º 2202002.490 S2C2T2 Fl. 3 3 modo que o termo inicial deste prazo seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado o que, no caso, compreende o período de 01/01/2007 a 31/12/2011, e como a ciência do lançamento ocorreu apenas em 23/10/2012, teria ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 2006. Com relação aos fatos geradores ocorrido em 2007, pela regra do artigo 173, I do CTN, o lançamento teria sido formalizado tempestivamente. Quanto ao mérito, a DRJ rejeita a alegação do autuado de que a exigência do imposto deveria recair sobre os beneficiários dos rendimentos, pois se trata de fato tipificado como de tributação exclusiva de fonte, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Observa que se trata de pagamentos feitos como premiações de incentivo profissional, sem que tenham sido identificados os beneficiários dos tais pagamentos, o que configuraria a hipótese definida na norma acima referida. A DRJSÃO PAULO/SP I recorreu de ofício da parte em que deu provimento ao recurso, devido ao valor do crédito tributário exonerado. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 30/04/2013 (fls. 2589) e, em 21/05/2013, interpôs o recurso voluntário de fls. 2592/2610, que ora se examina e no qual reitera a alegação de que o tributo deveria ter sido exigido dos beneficiários dos pagamentos. Sobre este ponto, questiona o Recorrente o fato de a DRJ ter presumido que os pagamentos foram feitos a empregados do recorrente a título de prêmios, sem afirmálo com certeza, o que configuraria, segundo o recorrente, cerceamento do direito de defesa. Também questiona o fato de que, se, conforme afirmado, a empresa Expertise emitia cartões de crédito por meio do qual fazia pagamentos a beneficiários diversos, seria possível identificar tais beneficiários, bastando para tanto intimar a tal empresa a informar os valores pagos a cada beneficiário, o que não se fez. O contribuinte também reitera sua insatisfação contra a qualificação da multa de ofício. Repete os argumentos de que não restou comprovado o evidente intuito de fraude. É o relatório. Voto O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o recurso de ofício diz respeito apenas à parte do crédito tributário exonerado em razão do reconhecimento da decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006. Sustentou a DRJ, para reconhecer a decadência, que a contagem do prazo regese pelo artigo 173, I, sendo o seu termo inicial, Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 portanto, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2006 poderia ser realizado até 31/12/2011, cinco anos a partir de 1º/01/2007. Reza o artigo 173, I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Não tenho reparos a fazer à decisão recorrida neste ponto. De fato, aplicando se a regra do art. 173, I do CTN, é forçoso concluir pela decadência. É mera questão de contagem do prazo, já que não há dúvidas quanto às datas de ocorrências dos fatos geradores e à data da ciência da autuação. Notese que, neste caso, foi adotado o prazo mais favorável à Fazenda Nacional, se considerada a outra possibilidade, não aplicável ao caso, de contagem do prazo a partir da data da ocorrência do fato gerador. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de exigência de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados. Tratase de valores pagos de forma indireta a título de premiações por desempenho, realizada por meio da Empresa Expertise Comunicação Ltda. A imputação é de que a fonte pagadora de tais rendimentos é a ora Recorrente, sendo a empresa expertise mera repassadora, e como não foram registrados os beneficiários de tais pagamentos, restou configurada a hipótese definida no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que reza: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, ressalvado o disposto em normas específicas. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art.74 da Lei nº 8.383, de 1991. Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10803.720069/201211 Acórdão n.º 2202002.490 S2C2T2 Fl. 4 5 § 2º Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. De fato, é inquestionável que a fonte pagadora dos rendimentos era a ora Recorrente, que era quem, efetivamente, pagava os tais prêmios, sendo a empresa Expertise mera repassadora de tais valores na forma já descrita. Por outro lado, conforme relato fiscal, não constam registros na empresa dos beneficiários dos tais pagamentos, configurando, assim, a hipótese referida no artigo 61, acima reproduzido. Sustenta a Recorrente que o imposto deveria ser exigido dos seus beneficiários, e invoca jurisprudência neste sentido. A alegação, todavia, não procede. Nos casos de pagamentos a beneficiários devidamente identificados, de fato, após a data da entrega da declaração por parte destes, o imposto não mais pode ser exigido da fonte pagadora, devendo ser exigido dos beneficiários, conforme jurisprudência mencionada. Mas não é disto que aqui se trata. Neste caso, tratase de hipótese de tributação exclusiva de fonte, até porque, sendo identificados os beneficiários dos pagamentos, não haveria como se exigir destes o imposto. Por outro lado, afirma o Recorrente que o Fisco poderia ter intimado a empresa Expertise a declinar os nomes dos beneficiários dos pagamentos. Todavia, como bem ressaltou a decisão de primeira instância, segundo os termos do contrato firmado entre a ora Recorrente e a empresa Expertise, caberia à primeira indicar os valores e os beneficiários dos pagamentos, cabendo à Expertise apenas fazer os repasses na forma de créditos. Portanto, se era a ora Recorrente que informava os beneficiários dos pagamentos à empresa Expertise, poderia, ela mesma, ter identificado na sua contabilidade os nomes de tais beneficiário, o que deliberadamente não fez, incorrendo, assim, na hipótese definida no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Resta configurado, pois, o pagamento a beneficiário não identificado o que enseja a exigência do imposto, exclusivamente na fonte, nos termos em que apurado e lançado pela autoridade lançadora. Sobre a multa de ofício, sua exigência é decorrência direta da apuração do imposto devido, por expressa previsão legal, mais especificamente do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 – 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual da multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Aplicável, portanto, na espécie, a penalidade. Quanto à qualificação da multa, entretanto, penso que a consequência da conduta do Contribuinte de realizar pagamentos a terceiro sem a indicação dos seus beneficiários é a própria exigência da imposto, à alíquota de 35%, com amparo no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Para que se configurasse conduta passível de caracterização do evidente intuito de fraude a ensejar a qualificação da penalidade, seria necessário, além do próprio pagamento a beneficiário não identificado a identificação de uma conduta específica caracterizada como evidente intuito de fraude, e tal não foi demonstrada na autuação. Vale repetir, a omissão do sujeito passivo em declinar os beneficiários dos pagamentos enseja a incidência do imposto exclusivamente na fonte à alíquota de 35%, não podendo esta mesma conduta justificar a qualificação da penalidade. Seria necessária uma ação distinta, definida com fraude, tendente a evitar ou dificultar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador para que, além da exigência do imposto na fonte, se pudesse imputar o ônus adicional da qualificação da multa. Sem a demonstração de tal conduta, penso que não deve prevalecer a exasperação da penalidade. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício reduzindoa ao percentual de 75%. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10875.908144/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO
É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Simples afirmações, sem que haja qualquer tipo de comprovação, mesmo sendo o processo administrativo regido pelo Princípio da Verdade Material, não tem o condão de referendar o direito creditório invocado.
Processo Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não sobrestar o processo. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira,Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Simples afirmações, sem que haja qualquer tipo de comprovação, mesmo sendo o processo administrativo regido pelo Princípio da Verdade Material, não tem o condão de referendar o direito creditório invocado. Processo Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não sobrestar o processo. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 44 /2 00 9- 17 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira,Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Para descrever os fatos, transcrevo o bem assentado relatório constante no voto proferido pela Delegacia da Receita Federal de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alega: O fundamento, decisão e enquadramento legal são apenas _Pica, sob a alegação de que o darf embora localizado registra um ou mais pagamentos, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não consignando crédito disponível. Do pagamento indevido ou a maior Do Darf localizado.. .foi detectado um pagamento indevido ou a maior... que corrigido pela taxa Selic acumulada ...importou em... O referido crédito, foi compensado com o débitos de IRPJ Desta forma, do DARF identificado pela Inconformada e localizado pela RFB, foi destacado o pagamento indevido ou a maior..., que após corrigido ficou apto a compensar o débito de IRPJ na forma como realizado. O procedimento da Inconformada portanto, foi realizado dentro da mais estrita legalidade. Do pedido Assim, o DARF então identificado tendo registrado pagamento indevido ou a maior de tributo, resta legitimada a compensação realizada pela Inconformada, devendo ser homologada na forma da legislação de regência. Em decisão proferida, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, recebendo a seguinte ementa: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.908144/200917 Acórdão n.º 3801002.164 S3TE01 Fl. 12 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Inconformado com a decisão exarada, o contribuinte, ora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior se consubstancia por três argumentos: “1) alargamento indevido da base de cálculo do PIS/COFINS por extravasamento do conceito de ‘faturamento’; 2) exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS ou crédito em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e 3) exclusão da incidência do PIS/COFINS das parcelas de ICMS e ISS” Assim, após fazer considerações sobre cada uma das teses, formulou pedido para que, reformandose a decisão recorrida, fosse reconhecido o “direito creditório então postulado”. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Transportadora Belmok Ltda., apresentou pedido de compensação, que não foi homologado pela fiscalização, ante o argumento de que o crédito indicado no referido pedido já teria sido alocado no pagamento de outros débitos do contribuinte. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Em Manifestação de Inconformidade apresentada, o Recorrente se ateve a argumentar que teria direito ao crédito, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem dos créditos e, o que é pior, sem indicar o porquê do recolhimento a maior. Neste sentido, não se pode olvidar que, como bem esclarecido na decisão recorrida, “o tratamento da declaração de compensação transmitida pela contribuinte se deu de forma eletrônica. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte”. Desta forma, como, repitase, o próprio contribuinte declarou os débitos que foram quitados com os créditos ora reivindicados, a ele caberia comprovar perante o fisco que suas declarações estavam equivocadas ou feitas em desacordo com a legislação. Assim, assiste total razão à decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Pois bem. Como relatado acima, no Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe argumentações para comprovar que a base de cálculo apurada estaria incorreta e, por isso, os valores pagos com base em suas declarações foram indevidos, lhe gerando um suposto direito creditório. Mesmo que no artigo 16 do Decreto 70.235/72, que regula o procedimento administrativo federal, conste a determinação de que as provas devem ser acostadas aos autos no momento da apresentação da impugnação (in casu, da Manifestação de Inconformidade), sabese que o processo administrativo é regido pelo Princípio da Verdade Material, o que, em tese, autoriza o julgador a buscar elementos que possam comprovar as alegações das partes. Contudo, no presente caso, como se observa da leitura do Recurso Voluntário, o Recorrente, mais uma vez, não trouxe aos autos qualquer elemento capaz de comprovar suas alegações, se ateve, tãosomente, a fazer ilações acerca de teses que supostamente reduziriam a base de cálculo do tributo e que lhe gerariam um direito creditório. Não foi acostado aos autos, todavia, nenhum documento. O Recorrente ainda não se preocupou em quantificar as reais bases de cálculo, de acordo com as teses por ele desenvolvidas. Ressaltese ainda que o Recorrente não comprovou que obteve trânsito em julgado junto ao Poder Judiciário com relação à nenhuma das teses apresentadas. Por outro lado, mesmo com relação àquela tese em que o Supremo Tribunal Federal julgou como inconstitucional o alargamento da base de cálculo da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, não há como se mensurar, pela análise dos autos, se, de fato, o Recorrente indicou a base estendida em suas declarações e, em consequência, teria o direito creditório invocado. Por fim, não há que se falar em suspensão dos autos tendo em vista a discussão da possibilidade de se excluir da base de do PIS e COFINS os valores do ICMS. A UMA porque, como mencionado, não há nos autos nenhum elemento que comprove que o Recorrente declarou e recolheu as referidas contribuições com a inclusão do tributo estadual. A DUAS porque não se tem notícia de nenhuma decisão vigente do STF no sentido de se sobrestar os julgamentos que versem sobre a matéria. A TRÊS porque esse assunto não foi veiculado na Manifestação de Inconformidade, apenas em sede do Recurso. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.908144/200917 Acórdão n.º 3801002.164 S3TE01 Fl. 13 5 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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