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Numero do processo: 10530.725260/2017-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 13811.000779/99-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DCOMP.
Os pedidos de compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS não foram convertidos em declaração de compensação e, portanto, a eles não se aplicam as regras de homologação tácita previstas na Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-007.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DCOMP. Os pedidos de compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS não foram convertidos em declaração de compensação e, portanto, a eles não se aplicam as regras de homologação tácita previstas na Lei n° 10.833/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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CRÉDITOS DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DCOMP. Os pedidos de compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS não foram convertidos em declaração de compensação e, portanto, a eles não se aplicam as regras de homologação tácita previstas na Lei n° 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 07 79 /9 9- 29 Fl. 2852DF CARF MF 2 Trata o presente processo de pedido de restituição, protocolizado em 09/04/1999, à efl. 02, pelo qual a contribuinte pretende reaver valores depositados de contribuições para o PIS, no período de 03/1990 a 03/1995, apurados com base nos Decretos lei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, declarados inconstitucionais, e seguido de vários pedidos de compensação com débitos próprios e de terceiros (estes últimos cadastrados e juntados a dos processos de números 10880.010117/0089, 10880.010118/0041 e 10880.010119/0012). A Divisão de Orientação e Análise Tributária da DRF em São Paulo, nos documentos de efls. 171 a 191, em 19/05/2004, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações de débitos próprios declaradas no processo, afirmando, sem resumo, que (i) o direito da requerente a eventual restituição foi atingido pela prescrição; e (ii) o procedimento da requerente apresenta vícios formais e materiais, que impedem o seu prosseguimento. Irresignada, em 30/06/2004, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 248 a 272, no qual além de apresentar razões para aproveitamento dos créditos rebatendo as razões da denegação dos pedidos, afirma que teria havido ainda extinção dos débitos cuja homologação fora solicitada até 10/05/1999, por transcurso do prazo para homologação tácita, pois a intimação da decisão de não homologação só ocorrera em 04/06/2004. A 9ª Turma da DRJ/SPI, apreciou a manifestação em 04/07/2007, e no acórdão nº 1613.969, às efls. 1936 a 1957, deferiu em parte a solicitação de restituição. Como resultado da análise, tivemos: foi denegado o pedido de restituição por não tratarse de pagamentos, mas de depósitos em juízo à disposição da Justiça Federal; foi homologado tacitamente o pedido de compensação dos débitos correspondentes aos períodos de apuração de 04/1999, efetuado em 10/05/1999; foram indeferidos os pedidos de compensação com CRÉDITOS DE TERCEIROS; e não foram homologadas todas as demais compensações declaradas. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 1972 a 2007, em 28/08/2007. Os argumentos da contribuinte são, em resumo, os seguintes: a) não houve decadência de seu direito pois os tributos pleiteados foram declarados inconstitucionais e assim o prazo prescricional seria contado a partir da Resolução nº 49 do Senado Federal, publicada em 10/10/1995, termo inicial da sua contagem, independentemente da data de recolhimento da contribuição, expirando em 10/10/2000, tendo o pedido sido realizado em 09/04/1999; b) não fosse prestigiado o entendimento supra, o fato de o tributo ser sujeito ao lançamento por homologação implicava que a extinção definitiva dos créditos correspondentes só se dá após a homologação que, não sendo expressa (caso em questão), ocorre cinco anos após a data do fato gerador e somente após cinco anos desta extinção extinguirseia o direito de a contribuinte pleitear a restituição; c) houve correto cálculo dos valores a restituir, considerando a base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, conforme determinação da Lei Complementar nº 7/70; d) houve induvidosa desistência da contribuinte em relação ao levantamento dos depósitos por ela, com o objetivo de proceder às compensações administrativas e com o que concordara a Fazenda Nacional; Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 13811.000779/9929 Acórdão n.º 9303007.444 CSRFT3 Fl. 2.853 3 e) há que se considerar ainda a ocorrência de homologação tácita também para aquelas compensações de CRÉDITOS DE TERCEIROS das efls. 81 e 92, conforme instrução normativa vigente à época das fatos, haja vista que a legislação que converteu os "pedidos de compensação" em "declarações de compensação" não faziam reservas quanto a CRÉDITOS DE TERCEIROS . A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 26/06/2012, resultando no acórdão de nº 3302001.645, às e fls. 2067 a 2080, o qual teve as seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação não analisados originalmente até setembro de 2002 converteramse em declarações de compensação e passaram a sujeitarse ao prazo de homologação tácita de cinco anos do pedido, exceto os com CRÉDITOS DE TERCEIROS, por não ser tal espécie de compensação permitida pela nova legislação, não se submetendo, assim, a prazo de homologação tácita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995 SEMESTRALIDADE DO PIS. APLICAÇÃO. SÚMULA 15 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. Devem ser respeitadas as decisões do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal que declararam a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445 e 2449, ambos de 1988, bem como e, por consequência lógica, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a manutenção da Lei Complementar 7/70 em sua plenitude, inclusive com a aplicação da semestralidade para cômputo da base de cálculo do tributo... O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, rejeitar a preliminar de inexistência de pagamento na data do pedido da restituição, vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó; pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS, vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto; por unanimidade de voto, para reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS e a não ocorrência da extinção do direito de a recorrente pleitear a Fl. 2854DF CARF MF 4 restituição, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Walber José da Silva acompanhou a relatora pelas conclusões. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor quanto à preliminar de homologação tácita da compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS. O Conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. Embargos da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 3302 001.645 em 22/11/2012 (efl. 2082), e manejou embargos de declaração em 07/12/2012, às e fls. 2083 a 2086. A Procuradora indica existência de omissão relativamente à fundamentação para considerar que houve pagamentos a serem restituídos na data da realização do pedido, tanto no voto vencido da relatora, quanto no vencedor, sendo tal matéria apenas ventilada em declaração de voto desfavorável à pretensão da contribuinte. O Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF afirmando que tal matéria havia sido ventilada em sede de julgamento da DRJ, conclui pela omissão do acórdão embargado e por isso acolheu os embargos, no despacho às efls. 2089 e 2090, em 05/03/2012. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara apreciou os embargos em sessão de 25/08/2016, resultando na prolação do acórdão nº 3302003.358, às efls. 2777 a 2781, com a seguinte ementa: OMISSÃO. FUNDAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. MONTANTE INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA OMISSÃO. O fundamento do julgado atribui ao depósito judicial no montante do crédito tributário efeitos de pagamento, convertidos em renda, podem ser objeto de ressarcimento e compensação, a matéria restou enfrentada, motivo pelo qual inexiste a omissão apontada. O resultado acordado foi: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi rejeitado os Embargos de Declaração, tendo em vista não existir a omissão alegada. Logo, não houve alteração no mérito do acórdão nº 3302001.645. Recurso especial da contribuinte A contribuinte havia tomado ciência do processo em 22/08/2016 (efl. 2794), anteriormente ao acórdão dos embargos, de nº 3302003.358, e interpôs recurso especial de divergência, em 05/09/2016 (efl. 2719), às efls. 2720 a 2742. Em 12/01/2017, representante da contribuinte recebeu cópia do processo (efl. 2826), porém, somente foi intimada (efl. 2786) do acórdão de embargos de declaração em 20/02/2017 (AR à efl. 2804). Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 13811.000779/9929 Acórdão n.º 9303007.444 CSRFT3 Fl. 2.854 5 Contudo, já em 27/01/2017, apresentou o documento de efls. 2798 e 2799, pelo qual registrou ter tomado ciência do acórdão 3302003.358 , reiterando e ratificando o recurso especial anteriormente interposto. Aponta divergência entre o acórdão a quo e o paradigma de nº 9101001.338, pois neste, para pedidos de compensação envolvendo créditos próprio e CRÉDITOS DE TERCEIROS protocolizados em meados de 1999, entendeuse que na época do encontro de contas não havia vedação à utilização de créditos de terceiros ou distinção de natureza quanto a compensação desses débitos; ausente as distinções, possível a homologação tácita prevista pela legislação em 2002. No acórdão recorrido, o entendimento foi de que as declarações de compensação previstas no art. 74, caput, somente se referia a débitos próprios, por isso, se não analisadas até setembro de 2002, não se submeteriam ao prazo de cinco anos para homologação. Além desse paradigma, a contribuinte informa que o acórdão nº 3403 002.544, também traria orientação distinta para mesma matéria, porém à luz do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 11051/2004, e que também entendeu por ser possível a homologação tácita de pedido de compensação com créditos de terceiros. O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARFc apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 20/04/2017, no despacho de e fls. 2834 a 2837, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento, baseando a análise apenas no paradigma 9101001.388. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência do despacho de efls. 2384 a 2387 em 22/05/2017 (efl. 2838), tendo oferecido suas contrarrazões na mesma data, às efls. 2839 a 2849. Em seu contrarrazoado, resumidamente se argumenta que os pedidos de compensação que estivessem pendentes de apreciação quando do advento das modificações da nova legislação (Lei nº 10.637/2002 e Lein nº 10.833/2003) somente seriam convertidos em declaração de compensação Dcomp, sujeitas à homologação tácita, caso atendidos os requisitos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 por ela alterada. Não haveria como considerar a questão de impossibilidade de conversão em Dcomp e aceitação de homologação tácita a ela aplicável; tudo decorrendo de análise com base no princípio da legalidade. Conclui com as assertivas: Diante do contexto normativo delineado sobre a matéria, sob o enfoque da legalidade, conforme já registrado anteriormente, o § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de CRÉDITOS DE TERCEIROS, impedindo, assim, que os Fl. 2856DF CARF MF 6 pedidos relativos a débitos de terceiro sejam convertidos em declarações de compensação. Consequentemente, nas hipóteses dos pedidos de compensação de créditos com CRÉDITOS DE TERCEIROS, como é o caso ora em discussão nos autos, não há que se falar em homologação tácita da compensação, uma vez que aqueles não foram convertidos em Declaração de Compensação, não se submetendo ao prazo de cinco anos para exame do pedido a partir da data do protocolo. (Destaques do original) É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. A divergência que aqui se aprecia, limitase a dizer se os pedidos de compensação de CRÉDITOS DE TERCEIROS, havidos em 1999, enquanto não apreciados pela então SRF e alcançados pelas alterações legislativas sofridas pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996, havidas a partir de setembro de 2002, se tornam declarações de compensação (§ 4º) e assim suscetíveis à homologação tácita (§ 5º). Entendo que o voto do i. conselheiro José Antonio Francisco, redator do voto vencedor no acórdão a quo, abordou de forma correta e concisa a matéria sob divergência. Observemos o texto legal: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Negritei.) Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 13811.000779/9929 Acórdão n.º 9303007.444 CSRFT3 Fl. 2.855 7 A conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação, a partir de outubro de 2002, com a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que incluiu o § 4º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não pode ser tomada isoladamente do seu caput, alterado pela mesma norma, que determinou que o contribuinte só poderia utilizar créditos por ele apurados para compensação de "débitos próprios". Ora, o parágrafo pode explicar, restringir ou modificar o caput, mas não pode ser interpretado sem qualquer referência aos débitos que se podem compensar, eles só podem ser compensados por declaração sendo débitos próprios, não de terceiros. Assim, não sendo os pedidos da contribuinte passíveis de conversão em declaração de compensação, por consequência, não há se falar em prazo de homologação para compensações declaradas, referido no § 5º. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2858DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.900828/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI E SUA UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS
Para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matéria-prima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerar-se líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
O pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-004.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerarse líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 08 28 /2 01 0- 77 Fl. 1046DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, e Declarações de Compensação vinculadas. Assim a DRJ/RIBEIRÃO PRETO, em seu Acórdão nº 1463.950 – 8ª Turma, combatido no Recurso Voluntário apresentado, descreveu o litígio. Por bem descrito, adoto seu texto: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente ante Despacho Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu totalmente o ressarcimento, no montante de R$ 184.716,40 e nãohomologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP 12207.45392.190208.1.3.016052, fato que constou da cobrança do valor de R$ 147.317,58 mais acréscimos legais. Consta dos autos que o crédito que se pretendeu compensar diz respeito ao saldo credor do IPI apurado no 4º trimestre de 2006. A nãohomologação das compensações se deu em conseqüência de glosas de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Conforme informação fiscal, inclusa no despacho decisório anexo na internet, do procedimento de verificação dos Pedidos de Ressarcimento de Créditos Incentivados do IPI relativos aos Pedidos de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP apresentados em decorrência de intimação fiscal, constatouse diversas inconsistências nos arquivos digitais entregues pela empresa. As principais sendo: a falta da entrega dos arquivos de todos os estabelecimentos; os arquivos entregues contemplam apenas os dados contábeis; não apresentam os saldos iniciais e não foram incluídos os dados fiscais ou uma alternativa (SINTEGRA). A análise dos arquivos digitais mostrou uma contabilidade desconexa e inconsistente. A lógica de algumas contas e sua contrapartida não coaduna com os princípios contábeis vigentes e alguns lançamentos não são concretamente esclarecidos. Da verificação das notas fiscais NF, após a analise do fornecedor, do material adquirido e dos valores, procurouse verificar a aquisição propriamente dita e a entrada da mercadoria (insumos) no estabelecimento. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 13819.900828/201077 Acórdão n.º 3301004.891 S3C3T1 Fl. 1.047 3 Neste exame se verificou os meios de pagamento e o seu fluxo, representados pelo registro nas contas Fornecedores, Caixa, Bancos e outras eventuais utilizadas pelo contribuinte. Desta verificação foram constatadas as seguintes irregularidades: Manutenção de Saldo Devedor na conta fornecedores; manutenção de Saldo Credor na conta Caixa; utilização de contas com título de Adiantamentos Diversos/Cheques a Receber com o propósito de efetuar ajustes contábeis; Saldos Iniciais e Finais das contas apresentadas nos arquivos digitais divergentes daqueles registrados na DIPJ. Também foi solicitado à contribuinte a entrega do livro Registro de Produção e Estoque (Mod. 3), para que se pudesse analisar a sua produção e assim comprovar suas compras de insumos, sua produção e vendas. A contribuinte alegou não escriturar este livro e quando instada a apresentar uma alternativa do controle de sua produção disse não efetuar qualquer registro geral, controlando a sua produção apenas por Ordens de Serviço OS individuais. Face a complexidade dos produtos e especialmente sua grande diversidade, a análise destas OS mostrou ser inviável para a montagem de um quadro geral da produção da contribuinte sem contarmos, adicionalmente com as NF de entradas e saídas correlacionadas, com o livro Registro de Inventário e com um registro geral da mesma. Desta forma, concluiuse pela impossibilidade de julgar legítimos os créditos cujo ressarcimento foi pedido através dos PER/DCOMP indicados e em decorrência, em acordo com a IN SRF n° 600/2005 e a OS DRF/SBC n°01/99, o Fisco opinou pelo eu indeferimento total, no montante de R$ 1.454.969,22 (Um milhão quatrocentos e ciquenta e quatro reais e vinte e dois centavos). Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em suma, o que segue: Da nulidade Inicialmente, o Auditor da Receita Federal confirma em suas informações se tratar de créditos de IPI passíveis de ressarcimento, inclusive, de entrada de insumos relativos aos produtos da empresa, com atendimento as obrigações acessórias. Portanto, com base nas informações prestadas pelo Auditor, estamos autorizados em afirmar se tratar de crédito passível de ressarcimento e compensação. No entanto, em virtude da contribuinte não escriturar no livro Registro de Produção e Estoque (Modelo 3) nem apresentar SUPOSTAMENTE alternativa ao controle, além das Ordens de Produção, e diante da complexidade dos produtos e especialmente a sua grande diversidade, o Auditor deixou de analisar e montar quadro geral da produção com base nas Ordens de Serviços. O Auditor não agiu com legalidade, ou seja, mesmo sujeito aos mandamentos da lei se afastou e se desviou dos mesmos, praticando um ato ilegal, devendo ser responsabilizado disciplinarmente, pois na Administração Pública não se admite liberdade com a lei ou vontade pessoal. Diferentemente da contribuinte a qual é lícito fazer o que a lei não proíbe, na Administração só é permitido fazer o que a lei autoriza e no presente caso, não há lei que autorize o Auditor a glosar créditos quando se deparar com situações complexas. Por conseguinte, o Auditor Fiscal desrespeitou a Carta Magna e os princípios que regem a Administração Pública. Por estas razões, é inaceitável a atitude do Auditor Fiscal que, por conseguinte, violou os princípios fundamentais e os norteadores da Administração Pública. E vou mais além, agiu dolosamente e Fl. 1048DF CARF MF 4 sem amparo legal, pois inexiste previsão que autorize a glosa de crédito de ressarcimento de IPI diante de situações complexas. Com esta atitude impensada o Auditor Fiscal se sobrepôs a própria Constituição. Ao ponto de desrespeitar os princípios já mencionados. Ou seja, colocou a própria vontade acima da lei. Fato inadmissível em virtude das violações mencionadas, que por si só, garante a contribuinte o cancelamento da decisão que NÃO HOMOLOGOU os créditos de ressarcimento de IPI, cuja base teve as informações prestadas pelo Auditor da Receita Federal. A "dito documentação complexa" que levou o Auditor da Receita Federal a deixar de montar quadro da produção, é fruto dos próprios documentos fiscais que foram apresentados no longo da fiscalização, ou seja, notas fiscais de aquisição; Livro de Entrada, Livro de Saída; Inventário; Livro de Apuração; Livro Razão, Livro Diário e Arquivo Magnético Sintegra,cujas informações são correlatas as do Livro Modelo 3.Por outro lado, é certo que o Auditor tem o direitodever de prestar informações corretas ao órgão julgador, sem qualquer vício ou erros. Assim, é inadmissível que por falta de vontade em analisar os ditos documentos complexos seja a contribuinte penalizada com a glosa dos créditos. É incontestável que a atitude impensada do Auditor resultou na violação direta a Constituição Federal com o desrespeito aos princípios que regem a Administração Pública (art. 37), em especial o Princípio da Eficiência, onde ficou caracterizado que o Auditor deixou de analisar e montar o quadro da produção em virtude da complexidade da documentação apresentada em substituição ao Livro de Registro de Produção (Modelo 3). Da legitimação dos créditos. Insta salientar, que o Auditor da Receita Federal, em suas Informações Fiscais, reconhece que os créditos apurados pela Contribuinte são efetivamente de insumos relativos aos produtos da empresa, cuja entrada foi devidamente registrada nos livros. Conforme se denota, não há controvérsia a respeito da origem dos créditos. O Auditor é bem claro ao afirmar que as NF's de entrada demonstram que o crédito apurado pela Contribuinte é passível de ressarcimento/compensação. Essa afirmativa, por si só, torna desnecessária qualquer discussão a respeito. Assim sendo, nos reservamos o direito apenas de demonstrar os valores apurados a título de crédito e os débitos que foram objeto de compensação. Conforme se denota, em atendimento ao artigo 11 da Lei 9.779/99, os créditos foram apurados em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, e compensados com débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto, restou comprovado se tratar de crédito decorrente da entrada de insumos, com registro no Livro de Entrada, e passível de ressarcimento/compensação. Do Registro de Controle de Produção e do Estoque Uma vez que a Contribuinte não mantém sistema de contabilidade de custo integrado, seu estoque de material em processamento e dos produtos acabados é arbitrado com base no artigo 296 do Regulamento do Imposto de Renda. O arbitramento é ferramenta válida para as empresas que não possuem contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escritura. Assim, quando a empresa não puder determinar os valores originais da escrituração contábil que permita, ao final de cada mês, determinar o valor dos estoques de matériasprimas e outros materiais, produtos em elaboração, Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 13819.900828/201077 Acórdão n.º 3301004.891 S3C3T1 Fl. 1.048 5 bem como de se apoiar em livros auxiliares, fichas, folhas contínuas ou mapas de apropriação ou rateio, que permita avaliar o estoque existente na data do encerramento do período de apropriação de resultados segundo os custos efetivos, deverá arbitrar seu estoque nos moldes do artigo 296 do RIR. Ao contrário do exposto, quando a empresa mantém contabilidade de custo integrado e coordenada com o restante da escritura, pressupõe que tenha o controle das entradas de insumos no estoque e a sua utilização no processo de industrialização. Por isso, estão obrigadas a manterem o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque. No presente caso, a contribuinte não mantém sistema de contabilidade de custo integrada. Assim sendo, seu estoque é arbitrado nos termos do artigo 296 do RIR. Por conta dessa sistemática de apuração e valorização dos estoques, tornasse desrazoável que a Contribuinte mantenha o livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque (Modelo 3). Por outro lado, não é demais ressaltar, que as mesmas informações lançadas no dito Livro Modelo 3 são facilmente encontradas nas Notas Fiscais de aquisição; Livro de Entrada; Livro de Saída; Inventário; Livro de Apuração do IPI; Livro Razão, Livro Diário e Arquivo Magnético Sintegra. Todos esses documentos foram tempestivamente apresentados ao Auditor Fiscal, inclusive Ordens de Produção, mas, sob alegação de complexidade, não houve montagem de um quadro geral da produção: Veja Julgador, o Auditor estava de posse de toda documentação necessária e suficiente para apurar as mesmas informações contidas no Livro Modelo 3, mas, "por falta de vontade" preferiu julgar ilegítimos os créditos de ressarcimento de IPI. Reapresentar tais documentos nesta Manifestação de Inconformidade é tarefa árdua, por se tratar de documentos volumosos e, ao invés de ajudar no julgamento, poderá atrapalhar em virtude da quantidade de folhas a serem analisadas. Por isso, a contribuinte se reserva o direito de apresentar o mínimo possível, mas suficiente, para o respeitável Julgador reconhecer o crédito pleiteado. Não obstante as dificuldades de se juntar inúmeros documentos, com objetivo de demonstrar que os insumos foram efetivamente consumidos/utilizados no processo de industrialização, a contribuinte junta amostras das Fichas de Emergência e das Estruturas dos Produtos, cujo teor demonstra que os insumos foram utilizados na composição daquele produto. Sendo certo que, se conciliado com as Notas Fiscais de entrada, facilmente se comprova que os insumos de aquisição foram efetivamente consumidos/utilizados no processo de industrialização. Desse modo, não restará qualquer dúvida a respeito do direito da Contribuinte de ver seu crédito compensado com os débitos indicados nas compensações. Por fim, requereu o recebimento, processamento e apreciação da presente manifestação de inconformidade, e ao final, julguea totalmente procedente, com a legitimação dos créditos cujo ressarcimento foi pedido através dos PER/DCOMP's. Requereu, também: a) a declaração de nulidade do despacho decisório que não homologou os Fl. 1050DF CARF MF 6 créditos, haja vista que os vícios apresentados nas Informações Fiscais, invalidam todo o processo por desrespeito aos princípios constitucionais, os quais a Administração está subordinada art. 37 da CF. b) deferimento de diligências no sentido de se apurar e se validar as compensações informadas nas DCOMP's. c) deferimento de perícia contábil, a ser realizada em prazo razoável, e juntada a posteriore; d) reconhecer a contribuinte o direito à compensação dos créditos de ressarcimento de IPI e conseqüente homologação das DCOMP's, com a conseqüente extinção dos débitos compensados, em atenção aos art. 156, VII, do CTN e) por derradeiro, que as intimações deste processo sejam encaminhadas no endereço comercial da Contribuinte, qual seja, Av. Luigi Papaiz, 783/843 – Campanário CEP: 09.931610 Diadema/SP. 2. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/RPO : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela manifestante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. PEDIDO DE PERÍCIA. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. A perícia solicitada não foi acompanhada com os quesitos referentes aos exames necessários, nem indicado o perito, pelo que o pedido deve ser considerado não formulado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, no caso de exigência tributária, e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. NULIDADE. No caso concreto, não se verifica a imposição de restrições à apresentação da manifestação, nem a existência de obscuridades no despacho decisório. ÔNUS DA PROVA. A parte que invoca direito deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. No caso em concreto, o administrado deve fazer as provas que dão lastro ao direito creditório reclamado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 10/02/2017 conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, ás fls. 989 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 14/03/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 990 dos autos digitais, alegando : Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 13819.900828/201077 Acórdão n.º 3301004.891 S3C3T1 Fl. 1.049 7 para que tivesse direito ao ressarcimento de créditos do IPI deveria atender a dois requisitos, quais sejam /; devem os créditos ser decorrentes de entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e devem ser escriturados no trimestre calendário; houve o reconhecimento da existência de tais créditos pela Fiscalização, inclusive que se tratavam de créditos oriundos das aquisições de insumos realizadas pela recorrente, tendo estas sido registradas no seu Livro de Entradas, portanto, reconh3cida a aquisição de insumos utilizados no processo industrial de bens para revenda, não pode a Fiscalização glosar a integralidade de seus créditos foram disponibilizados ao Fisco diversos livros fiscais que comprovam a aquisição de todos os insumos, anexa planilha entrada x consumo para que seja verificado o consumo dos insumos no processo produtivo, adotando a linha de que a verdade material estabelece, para a Administração, o dever de buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada, é forçoso concluir que a recorrente tem direito á homologação das compensações efetuadas, demonstrada a legitimidade dos créditos, se não se entender a comprovação suscitada, por meio dos documentos acostados aos autos, a recorrente se vê obrigada a requerer a realização de diligência e/ou perícia, apresentando os seguintes quesitos : houve aquisição por parte da recorrente de materiais utilizados na produção de bens para a revenda ?, esses materiais são considerados insumos para fins de creditamento do imposto ? ainda, caso positivo, a Recorrente poderia ter lançado como crédito os valores decorrentes da aquisição de tais materiais adquiridos ? o montante glosado a titulo de crédito do imposto representa a totalidade dos créditos lançados no período (a título do referido imposto) pela Recorrente ? é possível identificar ? requer, por fim, seja, após realizada diligência requerida, seja conhecido e provido o Recurso, para homologar as compensações realizadas e cancelar integralmente a exigência a título de principal, multa, juros e demais encargos. 4. O processo veio a mim distribuído para relatar. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 6. O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 7. Passemos a analisar as razões recursais. 8. Tratase de matéria fática, qual seja a comprovação do direito pleiteado pela recorrente em Pedido Eletrônico de Ressarcimento, consubstanciado em créditos de IPI, refrentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo. Fl. 1052DF CARF MF 8 9. De basilar lógica admitirse que, ao formular o seu pedido, a recorrente já tivesse, de forma clara e identificável, os documentos que dariam suporte ao seu direito. 10. No caso em exame, por tratarse de créditos de IPI, que a recorrente utilizou para compensação de tributos administrados pela RFB, o direito se materializa na comprovação de que os créditos são líquidos e certos, para tal, a pleiteante, ao efetivar seu pedido, e discriminar seus créditos no próprio Pedido de Ressarcimento , por certo já teria, á disposição, a comprovação de sue direito. 11. Socorremonos do Regulamento do IPI ( Decreto nª 7.212/2010 ) que determina, em dispositivo próprio, como se realiza a escrituração dos créditos do tributo, a esse respeito vejase o disposto no artigo 251 do RIPI : Requisitos para a Escrituração Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 3o; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. § 2o O disposto no § 1o não se aplica aos produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. § 3o No caso de produto adquirido mediante venda à ordem ou para entrega futura, o crédito somente poderá ser escriturado na sua efetiva entrada no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, à vista da nota fiscal que o acompanhar. Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 13819.900828/201077 Acórdão n.º 3301004.891 S3C3T1 Fl. 1.050 9 12. Como determina o dispositivo, os créditos devem ser escriturados a vista de documentos que lhes confiram legitimidade, o que já pressupõe a vinculação estrita entre os créditos escriturados e os documentos que os lastream. 13. O mesmo Regulamento determina como serão utilizados os créditos : Da Utilização dos Créditos Normas Gerais Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei no 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11). § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 257. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 256 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração neste Regulamento. 14. Como se vê, o artigo 257 do RIPI determina que o direito á utilização dos créditos está subordinado ao cumprimento das exigências previstas para a sua escrituração. 15. Para o ressarcimento e compensação de tais créditos, o RIPI estabelece : DA COMPENSAÇÃO, DA RESTITUIÇÃO E DO RESSARCIMENTO DO IMPOSTO Normas Gerais Art. 268. O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais (Lei nº 5.172, de 1966, art. 170, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, Lei no 10.637, de 2002, art. 49, Lei no 10.833, de 2003, art. 17, e Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). Fl. 1054DF CARF MF 10 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). Art. 269. A restituição ou o ressarcimento do imposto ficam condicionados à verificação da quitação de impostos e contribuições federais do interessado (DecretoLei nº 2.287, de 1986, art. 7º, e Lei no 11.196, de 2005, art. 114). Parágrafo único. Verificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a existência de débitos em nome do contribuinte, será realizada a compensação, total ou parcial, do valor da restituição ou do ressarcimento com o valor do débito (DecretoLei nº 2.287, de 1986, art. 7º, § 1º, e Lei nº 11.196, de 2005, art. 114). 16. Assim, os créditos, por terem utilização regulada, e por se prestarem a serem devolvidos em espécie e, ainda, para serem compensados com débitos titularizados pelo deterntor de tais créditos, estes, os créditos, se transformam como que em moedas de troca, de valor inestimável, e, por tal característica, devem ter seu reconhecimento cercado de cuidados e verificações rigorosas, para que não tenham sua utilização desvirtuada. 17. Desta forma, sua escrituração deve ser a mais clara possível, sendo registrada em livros de controle que merecem todo o cuidado e preservação. 18. Para esse mister, a escrituração dos livros de controle, o Regulamento tratou de estabelecer regras claras para sua guarda e conservação : DO DOCUMENTÁRIO FISCAL Seção I Das Disposições Gerais Modelos Art. 382. O documentário fiscal obedecerá aos modelos anexos a este Regulamento, bem como àqueles aprovados ou que vierem a ser aprovados pelo Ministro de Estado da Fazenda, em atos administrativos ou em convênio com as unidades federadas (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 48 e 56, § 1º, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 17). Normas de Escrituração Art. 383. Os livros, os documentos que servirem de base à sua escrituração e demais elementos compreendidos no documentário fiscal serão escriturados ou emitidos em ordem cronológica, sem rasuras ou emendas, e conservados no próprio estabelecimento para exibição aos agentes do Fisco, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, e Lei nº 4.502, de 1964, arts. 57, § 1º, e 58). Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 13819.900828/201077 Acórdão n.º 3301004.891 S3C3T1 Fl. 1.051 11 19. Diante deste norte, verificase que a escrituração dos créditos e os doscumentos que os lastream, em conjunto com os livros de controle de al escrituração, somados aos demais registros contábeis que formam um sistema coordenado de informações, é de fundamental importância para a sua apuração e verificação. 20. Por serem de tamanha importância para o controle dos créditos e de toda a sistemática que forma a lógica do IPI, inclusive para aferição da não cumulatividade a que o tributo está submetido, os livros de registro receberam tratamento regulatório nos artigos 444 a 478, sendo de destaque o disposto no artigo 461, que trata do Registro de Produção e Controle do Estoque, modelo 3 : Do Registro de Controle da Produção e do Estoque Art. 461. O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, destinase ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias e, também, ao fornecimento de dados para preenchimento do documento de prestação de informações à repartição fiscal. § 1o Serão escriturados no livro os documentos fiscais relativos às entradas e saídas de mercadorias, bem como os documentos de uso interno, referentes à sua movimentação no estabelecimento. § 2o Não serão objeto de escrituração as entradas de produtos destinados ao ativo fixo ou ao uso do próprio estabelecimento. § 3o Os registros serão feitos operação a operação, devendo ser utilizada uma folha para cada espécie, marca, tipo e modelo de produtos. § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando se tratar de produtos com a mesma classificação fiscal na TIPI, poderá autorizar o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a agrupálos numa mesma folha. 21. Portanto, de suma importância a escrituração dos créditos e a manutenção dos livros de registro e controle dos mesmos, em conjunto com os documentos Notas Fiscais que lhes dão lastro e legitimidade. 22. Ainda, por princípio basilar, também, há que se presumir que tais registros serão mantidos em boa ordem, como determinam as regras de registro contábil, que devem nortear todo o sistema de registro do fatos contábeis que fundamentam a vida empresarial. 23. Diante desta preocupação, o legislador cuidou de editar um diploma legal que regulasse tal procedimento, o Decretolei nº 486/1969, que dispõe sobre a escrituração dos livros mercantis e sua organização. Fl. 1056DF CARF MF 12 24. Por todo o exposto, o Termo de Verificação Fiscal, que veio quase que em sua totalidade delimitado no relatório do Acórdão de piso, é claro ao demonstrar que a recorrente, apesar de ser intimada várias vezes, não logrou demonstrar, de forma clara e organizada, a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, inclusive afirmando que não possui o Livro Registro de Produção e Estoque, modelo 3, utilizando para o controle de sua produção, apenas Ordens de Serviço e adotando o arbitramento de estoques, previsto no artigo 296 do Regulamento do Imposto de Renda. 25. Tal arbitramento, alegado como adotado pelo recorrente, torna a apuração dos créditos mais complexa ainda, pois com a recorrente poderia comprovar a utilização dos créditos ou seu cálculo, diante de fatos arbitrados. 26. Outro importante a ser destacado é que, se a recorrente se utiliza de tal arbitramento, deveria, por força do estabelecido no § 2ª do artigo 296 do RIR, ter reconhecido tal prática na sua escrituração comercial, que, como atesta a Fiscalização, é totalmente desconexa e com registros confusos. 27. Por todo este arcabouço regulatório demonstrado, confrontado aos registros apresentados e o ateste da Fiscalização, de que não teve condições, diante da dificuldade em analisar tais registros, é que não se pode aferir a liquidez e certeza dos créditos pleiteados. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA / PERÍCIA 28. Solicita a recorrente a realização de diligências ou perícia, para aferir a existência e liquidez dos seus créditos, pleiteados em resasrcimento e utilizados em compensação. 29. Há eu se esclarecer que o pedido de diligência ou perícia deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento Conclusão 30. Concluise, portanto, que, para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 13819.900828/201077 Acórdão n.º 3301004.891 S3C3T1 Fl. 1.052 13 tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matériasprimas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matériaprima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerarse líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário. 31. Quanto ao pedido de diligência ou perícia, o indefiro, por considerar que o pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento 32. Diante destas de convencimento, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO para manter a decisão da DRJ/RPO em sua integralidade e indeferir o pedido de diligência ou perícia, por considerálos desnecessários no caso presente.. 33. É o meu voto. . assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1058DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.903753/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10840.902858/2010-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, tendo por base as constatações seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 03 75 3/ 20 10 -1 1 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10840.903753/201011 Resolução nº 3301000.946 S3C3T1 Fl. 3 2 a) a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta, a empresa esclarece a redução de seu Faturamento/Receita Bruta como sendo decorrente da exclusão de receitas financeiras, as quais teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição; b) para o anocalendário a que se refere o presente processo não há previsão legal para exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas financeiras informadas na resposta à intimação, sendo certo, portanto, que elas devem compor a base de cálculo da COFINS. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade postulando, em suma, para julgála integralmente procedente, com vistas à reforma do despacho decisório exarado nos autos, reconhecendose a existência do aludido crédito da empresa ora manifestante e, ato contínuo, homologandose a compensação outrora requerida, tendo em vista que é inadmissível a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS, haja vista que, por força da Interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça á Lei Federal n° 9.718, de 1998, apenas o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação. excluídas, assim, as receitas financeiras, que não se encaixam nesse conceito: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adiciona os seguintes: a) deve ser aplicada o entendimento pacificado nos tribunais superiores de que é inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pelo §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98; e b) as cópias autenticadas dos livros contábeis carreadas aos autos devem ser aceitas como prova, pois foram consideradas idôneas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária). É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10840.903753/201011 Resolução nº 3301000.946 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.941, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.902858/201052, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.941): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reproduzo trecho do Despacho Decisório (fls. 37) que sumaria a demanda: "O presente processo trata do PerDcomp nº 13426.84222.120107.1.3.040093, de fls. 02/06, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins – código 2172, do período de apuração – PA de dezembro de 2001, recolhido em 15/01/2002, cujo valor do crédito original na data da transmissão é R$ 3.845,02, com o qual se pretende compensar débito do IRPJ – código 2362, vencido em 28/02/2005. É o relatório. Da análise das suas DIPJ – do exercício 2002 – anocalendário 2001, original (004369110) e retificadora (126303512), juntadas às fls. 11/16, verificamos que a contribuinte retificou os valores consignados a título de “Faturamento/Receita Bruta”, no mês de dezembro de 2001, que foram alterados de R$ 3.063.856,82, para R$ 2.935.689,13, reduzindo a Cofins a pagar de R$ 87.536,02, para R$ 83.690,99. Visando verificar a regularidade do crédito ora pleiteado, através da intimação fiscal nº 481/2011/DRF/RPO/Seort, de fls.22/23, a empresa foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que os valores dessas rubricas foram sistematicamente reduzidos nas suas DIPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta apresentada em 24/05/2011, juntada às fls. 28/32, a empresa informa que a redução de seu Faturamento/Receita Bruta, no PA de dezembro de 2001, é decorrente da exclusão das receitas abaixo discriminadas e valoradas, as quais, segundo ela, teriam sido indevidamente incluídas na base de cálculo da Cofins. Rubrica R$ Comissões CDCI 11.370,29 Descontos obtidos 15.649,57 Juros recebidos 70.968,11 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10840.903753/201011 Resolução nº 3301000.946 S3C3T1 Fl. 5 4 Receita Aplicação Financeira 5,62 Variação monetária ativa 1.169,35 Comissões de intermediação de financiamentos 29.004,44 Total 128.167,69 No entanto, para o anocalendário de 2001, não há previsão legal para exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas acima relacionadas, sendo certo, portanto, que elas devem compor sua base de cálculo. (. . .)" Nas peças de defesa, a recorrente sustenta que são receitas financeiras, não componentes da base de cálculo da COFINS, nos termos do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98. A tributação de tais receitas pela COFINS foi afastada pelos tribunais superiores, notadamente pelo STF, em sede do RE 390.840/MG. E carreou cópias autenticadas do livro razão, em que figuram as contas contábeis apresentadas no quadro acima. A DRJ ratificou o posicionamento da unidade de origem, sob o argumento de que, de acordo com o art. 21 da Lei nº 12.844/13, as decisões do STF, em sede de repercussão geral, e do STJ, de recursos repetitivos, somente vinculam aquele órgão, após pronunciamento formal da PGFN. Examino a contenda. Conforme entendimento assentado, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário nº 585.235), o conflagrado alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 foi considerado inconstitucional. À luz do entendimento manifesto pela Suprema Corte, apenas o faturamento decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica estão sujeitos à incidência da Cofins no sistema cumulativo de apuração da Contribuição. E o §2º do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas nos julgamentos dos recursos. Isto posto, resta apenas examinar a natureza das contas contábeis indicadas pelo contribuinte. O faturamento do mês foi declarado na DIPJ do anocalendário de 2002 entregue à RFB. Da leitura das cópias autenticadas dos razões contábeis, verifica se que os históricos dos lançamentos se coadunam com os títulos das contas. E alguns valores selecionados aleatoriamente para averiguação conferem com os indicados na tabela acima. Contudo, isto é não suficiente para reconhecermos o direito creditório. De acordo com o § 1° do art. 9° do Decretolei n° 1.598/77 "§ 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10840.903753/201011 Resolução nº 3301000.946 S3C3T1 Fl. 6 5 Em sua defesa, a recorrente alegou que as cópias dos razões das contas seriam suficientes para comprovar a natureza das contas contábeis, pois o SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) teria "considerado idôneas as receitas financeiras alocadas ao livro razão". Entretanto, não há evidência alguma desta afirmação. Ademais, apesar de não ter negado provimento à manifestação de inconformidade por este motivo, a insuficiência das provas apresentadas também foi destacada pela DRJ. A meu ver, há indícios fortes de que a recorrente é detentora de créditos da COFINS paga a maior, mas ainda há carência de informação. Assim sendo, em respeito ao Princípio da Verdade Material, e com o objetivo de assegurar o possível direito do contribuinte à compensação de tributos pagos a maior, porém salvaguardando os interesses da Fazenda Pública, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar à unidade de origem para validação: i) as vias originais de sua escrituração contábil; ii) a documentação suporte dos lançamentos contábeis das receitas financeiras indevidamente incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS; iii) conciliação dos lançamentos contábeis com as bases de cálculo do PIS e da COFINS, original e ajustada pela exclusão das receitas financeiras; e Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10840.903753/201011 Resolução nº 3301000.946 S3C3T1 Fl. 7 6 iv) demonstração do cálculo dos valor pago a maior, a partir da comparação entre o valor devido inicialmente apurado e o calculado após a exclusão das receitas financeiras. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000213/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MI CROEM PRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 2005
SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. SUBCONTRATAÇÃO. BASE DE CALCULI:).
A receita bruta da empresa prestadora de serviços de transporte rodoviário de cargas é o total do valor contratado. Irrelevante se a empresa opta pela subcontratação de terceiros para a prestação dos serviços pelos quais foi contratada. Na hipótese, a subcontratação constitui custo dos serviços prestados, para o qual inexiste a previsão legal de dedução da receita bruta,
na sistemática do SIMPLES.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula n° 4 do CARF.
SIMPLES. EXCLUSÃO. LEI 11.196/2005. ALTERAÇÃO DOS LIMITES
DE RECEITA BRUTA. APLICAÇÃO RETROATIVA. DESCABIMENTO.
A alteração dos limites de receita bruta para fins de opção e permanência no SIMPLES, promovida pelo art. 33 da Lei n° 11.196/2005, somente produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006, por expressa disposição do art. 133, inciso IV, do mencionado diploma legal. Aos fatos geradores ocorridos no
ano-calendário 2004 aplicam-se os limites então vigentes.
Numero da decisão: 1302-000.934
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MI CROEM PRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2005 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. SUBCONTRATAÇÃO. BASE DE CALCULI:). A receita bruta da empresa prestadora de serviços de transporte rodoviário de cargas é o total do valor contratado. Irrelevante se a empresa opta pela subcontratação de terceiros para a prestação dos serviços pelos quais foi contratada. Na hipótese, a subcontratação constitui custo dos serviços prestados, para o qual inexiste a previsão legal de dedução da receita bruta, na sistemática do SIMPLES. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula n° 4 do CARF. SIMPLES. EXCLUSÃO. LEI 11.196/2005. ALTERAÇÃO DOS LIMITES DE RECEITA BRUTA. APLICAÇÃO RETROATIVA. DESCABIMENTO. A alteração dos limites de receita bruta para fins de opção e permanência no SIMPLES, promovida pelo art. 33 da Lei n° 11.196/2005, somente produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006, por expressa disposição do art. 133, : )7dr. "2. '03'200 k L - ; DI CAR Mr H. 2 Processo n° 16641.000213/2008-91 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.934 Fl. 430 inciso IV, do mencionado diploma legal. Aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2004 aplicam-se os limites então vigentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Marcos Rodrigues de Mello — Presidente aldir Vrg-'a--aRelator e-D -T- Fr DO e CY :IC6 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório TRANSPORTES CHALON LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão no 10-23.974, de 04/02/2010, da 6a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instancia, a seguir transcrito: A matéria em litígio teve origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 1010200.2008.00418-1 que culminou com a exclusão do contribuinte do Simples a partir de 01/01/2005 e o lançamento de oficio pertinente a fatos geradores ocorridos em 2004. Conforme descrito no relatório fiscal de fls. 57 a 61, foi constatada a omissão de receitas no ano de 2004, apurada pela confrontação entre os valores de receita constantes dos livros de registro fiscal apresentados ( Livro Registro de Saídas e do Livro de Registro de Apuração do ICMS ) e os valores consignados pelo contribuinte na Declaração Simplificada PJS1/2005. A partir desta ação fiscal, constatou-se que a empresa auferiu, no ano- calendário de 2004, receita bruta total de R$ 1.547.344,87 (urn milhão, quinhentos e quarenta e sete mil, trezentos e quarenta e quatro reais e oitenta e sete centavos ), ultrapassando o limite previsto na Lei n° 9.317/1996 para o enquadramento como empresa de pequeno porte. cnIcrfne tdP n'' 2.200-2 t!c: 24/061200 - 1 t 4,f 'WI 21y:y: Wig. DR W.7:1(21-, ' CRRES V0 EM 13R.ANCX) Dl (*ARV Ml• H. 3 Processo n° 16641.000213/2008-91 Acórdão n.° 1302-00.934 SI -C3T2 I. 431 Análise do Faturamento declarado Ano-calendário Livros Fiscais ( ICMS ) PJSI Diferença de Base de Cálculo 2004 R$ 1.547.344,87 R$214.987,87 R$ 1.332.357,00 A empresa foi intimada a esclarecer a respeito dos valores divergentes apresentados nos Livros Fiscais ( Apuração ICMS = Registro de Saídas ) e na PJS1 ( fls. 212 ). Ela alega que as divergências de faturamento apuradas decorrem do fato de que a empresa lança no Livro de Apuração do ICMS o valor correspondente a prestação do serviço, sem quaisquer deduções, enquanto na Declaração da PJS1 declarado o valor da receita bruta, já descontado o valor referente ao pagamento da contratação do serviço de terceiros (fls. 213/214). Anexa, a titulo exemplificativo, a copia de urn Demonstrativo de Receita Bruta com o respectivo contrato de transporte de carga e o conhecimento de transporte, onde flea demonstrado: o total da prestação, o valor contratado e o Total da Receita Bruta. Não aceitando os argumentos da empresa, foram exarados os Autos de Infração — Simples: Imposto de Renda Pessoa Jurídica ( fls. 02 a 09), Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 10 a 17 ), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 18 a 25 ), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ( fls. 26 a 33 ) e Contribuição para Seguridade Social — INSS ( fls. 34 a 41), com base nos registros constantes dos Livros de Saídas e de Apuração do ICMS, cujo resumo se encontra na tabela de fls. 211, subtraida a receita bruta declarada na Declaração Anual Simplificada ( PJSI ) do exercício de 2005 (fls. 63 a 80). Em face de as receitas registradas nos Livros Fiscais serem muito superiores As declaradas, os percentuais progressivos aplicáveis As receitas declaradas foram inferiores aos devidos. Sendo assim, também foram cobrados os tributos resultantes das diferenças de aliquotas aplicáveis. Conforme fls. 01, foi formalizado o crédito tributário no valor total de R$ 378.040,16 ( trezentos e setenta e oito mil, quarenta reais e dezesseis centavos ), ai incluído o principal, multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008. O contribuinte tomou ciência do encerramento da ação fiscal que resultou nos Autos de Infração já citados, em 13/11/2008, conforme fls. 219 e apresentou, em 15/12/2008, impugnação de ffs. 223 a 229, alegando: 1- Seu ramo de negócios é o transporte rodoviário de cargas, intermunicipal e interestadual, de acordo com a cláusula quarta de seu contrato social (fls. 232); 2- Como forma de tributação é optante pelo Simples; 3- Quando é contratado, acerta com o tomador de serviço que os valores despendidos com o custo do transporte ( caminhões, motoristas, combustive!, pedágios e etc. ) são engastados diretamente A. empresa contratante, passando tais valores a fazer parte da nota fiscal emitida pela empresa contratante, juntamente com o valor da mercadoria, objeto do transporte. Desta forma, tais valores são tributados quando da emissão da nota fiscal pela empresa contratante, na origem; ,tt•v , ti"' 2 1( 2 2 1 i202001 4 " tot Vi.f.LEtiP it;,;A CCCHA O TORRES SFLVFBTRE- - VERSO EM BRANCO 3 DI CA171= N'IF lj 4 Processo n° 16641.000213/2008-91 S I -C3T2 Acórdão n.° 13( 2-00.934 Fl. 432 4- Neste caminho, considerou como receita bruta, compondo sua base de cálculo, somente o valor referente à prestação de serviço; 5- 0 que efetivamente integra o caixa da empresa impugnante é somente o valor referente a. prestação de serviço; 6- A pretensão do Fisco de tributar esses valores corn a efetiva receita bruta auferida configura-se bitributação, vedado pelo nosso ordenamento juridico; 7- A representação encaminhada ao Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT da DRF/Pelotas, solicitando os procedimentos corn vistas a exclusão do contribuinte do Simples, por ter ultrapassado, no ano-calendário de 2004 o limite da receita bruta para opção por esta sistemática de tributação, de acordo com os artigos 9 0, inciso II, 12, 14, inciso 1, e 15 inciso IV da citada Lei n°9.317/1996, culminou corn o Ato Declaratório Executivo n° 022, de 29/12/2008, que o contribuinte tomou ciência em 09/01/2009 (fls. 366), excluindo-o do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2005, obedecendo ao disposto no art. 15 da Lei n°9.317/1996. Cita a Lei n° 11.196/2005 que alterou este limite em relação às EPP, de R$ 1.200.000,00 para R$ 2.400.000,00. Excluído do Simples a partir do ano-calendário 2005, ele ficou sujeito as normas de tributação aplicáveis As demais pessoas jurídicas, de acordo corn o art. 16 da Lei n° 9.317/199. O impugnante, ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado bem como sua reinclusdo no sistema de tributação Simples. A 6' Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão no 10-23.974, de 04/02/2010 (fls. 393/401), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Sistema integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUB CONTRATAÇÃO. OPERAÇÃO DISTINTA DE AGENCIAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO , AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. BITRIBUTAÇÃO. Não poderá permanecer no Simples a pessoa jurídica que tenha ultrapassado, no ano-calendário imediatamente anterior, o limite da receita bruta determinado pela legislação. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-6, à partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte e as ,dt !ado u contonr.e 2.200-2 d , 24110.512C:Y , 1 „-- 31 0 ,Tgoal tnente em14!OP,(2912 por li\iísLOR VL,GA Rr',C1 ., 1% rnyl Ir;r0P Í7C1? f.'m SUFI_ i TORRES SILVESTRE - ;')RANCO DI, CAR! XII H. 5 Processo n° 16641.000213/2008-91 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.934 Fl. 433 aperfeiçoa o fato gerador dos tributos calculados com base no faturam ento. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub comratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub contratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o prep dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Não se caracteriza como bitributação o lançamento efetuado para exigência de diferença de tributo que deixou de ser recolhida por ocasião de seu vencimento. Ciente da decisão de primeira instância em 11/02/2010, conforme Aviso de Recebimento A fl. 408v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/03/2011 conforme carimbo de recepção A folha 409. No recurso interposto (fls. 409/421), alega preliminarmente os pontos que se seguem: • A multa aplicada de 75%, excedente a 10%, seria forma de con fisco e de expropriação patrimonial, ferindo o inciso IV do art. 150 da CF, fazendo com que haja desvio de finalidade da penalidade. Colaciona jurisprudência que entende aplicável. • Também haveria irregularidade quanto aos juros. A taxa de juros aplicada na constituição do crédito tributário não estaria especificada nos autos de infração. Afirma a reserva absoluta de lei para tal finalidade, e pede a aplicação da taxa contida no § 10 do art. 161 do CTN. No mérito, a recorrente insiste nos argumentos sintetizados anteriormente (tópicos 3 a 6), no sentido de que sua receita bruta seria tão somente o valor referente A prestação de serviço e que outros valores (caminhões, motoristas, combustível, pedágios, ...) já teriam sido tributados na origem, na nota fiscal emitida pela empresa contratante juntamente com o valor da mercadoria, objeto do transporte. A exigência fiscal, por sua ótica, consistiria em bitributação. Quanto ao Ato Declaratório Executivo que a excluiu do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2005, a interessada, mais_uma vez, se reporta A Lei n° 11.196/2005, a 2 dv • !, "2 t.• , ;: ";:iAl_1)!;"? ROCRA BRANCO ‘z! 1 )1 ('/\ R.l' FL 6 Processo n° 16641.000213/2008-91 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.934 Fl. 434 qual alterou o limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 2° da Lei no 9.317/1996. Desta forma, mesmo acaso se considere correto o entendimento do Fisco quanto A omissão de receitas, ainda assim a contribuinte não teria excedido o limite de receita bruta para fins de permanência no sistema simplificado. É o Relatório. to Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator 0 recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno de autos de infração para constituição de créditos tributários dos tributos integrantes do SIMPLES, no ano-calendário 2004. Adicionalmente, discute-se o Ato Declaratório Executivo que excluiu a contribuinte do sistema simplificado de pagamentos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte. A irresignação da recorrente é quanto ao entendimento do Fisco, mantido em primeira instância, de que constituem sua receita bruta a totalidade dos valores dos Conhecimentos de Transporte Rodoviários por ela emitidos, não sendo possíveis quaisquer deduções, em especial aquelas correspondentes A subcontratação dos serviços de transporte de cargas. Pela ótica da recorrente, sua receita bruta seria tão somente o valor referente A prestação de serviço, sendo certo que outros valores (caminhões, motoristas, combustível, pedágios, ...) já teriam sido tributados na origem, na nota fiscal emitida pela empresa contratante juntamente com o valor da mercadoria, objeto do transporte. A exigência fiscal, por sua ótica, consistiria em bitributação. A matéria foi decidida em primeira instância como segue: 0 objeto social da interessada é o transporte de cargas, e corno tal, foi admitida no Simples, contribui para o 1CMS e não recolhe ISS. Uma vez caracterizada a atividade como prestadora de transporte, ainda que se utilize de terceiros sub contratados, a empresa tributada pelo Simples não pode abater da receita bruta, que é base de cálculo dos tributos recolhidos pelo Simples, os valores pagos Aqueles que sub contratou. A empresa registrou integralmente os valores dos Conhecimentos de Transporte emitidos, nos livros fiscais Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS; contudo, na DIPJ Simples, os valores lançados das receitas são marcadamente inferiores; o resumo à fls. 226, evidencia isto. Como já comentado, a empresa optou pelo Simples, sistemática de recolhimento em que os impostos e contribuições são calculados mediante a aplicação de urn percentual sobre a receita bruta, de forma semelhante à apuração pelo Lucro Presumido; não há previsão de dedução de custos e despesas e de apuração do lucro para fins de apuração de tributos como o IRPJ, CSLL, como na sistemática do Lucro Real. t, rzl 1410=3i2O'i 2 or V‘,/ALITRP. :A - v,;1 L-',0( Li TC)1. 1-t17::.; SR VESiT:r. - EM BI-:F. Di, CAIZI \:11 H. 7 Processo n° 16641.000213/2008-91 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.934 Fl. 435 Se, em vez de optar pelo Simples, tivesse escolhido apurar pelo Lucro Real, então poderia deduzir os custos e despesas e o IRPJ e CSLL seriam calculados sobre o lucro liquido. Tendo optado pelo Simples, a apuração do lucro é substituida pela aplicação de percentual sobre a totalidade da receita bruta, sendo assim desprezadas todas as suas despesas. Não faço reparos ao quanto decidido. Tenho por comprovado, nos autos, que a atividade a que se dedica a interessada é a de transporte rodoviário de cargas. Diante disso, inexiste previsão legal para a dedução de quaisquer despesas da receita bruta. A subcontratação de terceiros para a execução do serviço é opção da interessada e constitui custo do serviço prestado, da mesma forma que o seria caso o transporte fosse executado, por exemplo, com caminhões e funcionários próprios. Em qualquer caso, a receita bruta seria o total do serviço contratado e recebido, descabendo, na sistemática do SIMPLES, a dedução dos custos e despesas incorridos. Ressalte-se, por oportuno, que a própria escrituração da interessada nos livros de Registro de Saídas e de Apuração do ICMS reflete e confirma o entendimento do Fisco. Também não procede a alegação de que haveria, no caso, bitributação. O fato de que o ônus financeiro do frete seja repassado do remetente para o destinatário, como alega a interessada, não ilide o fato de que o valor do frete constitui receita da empresa contratada para esse fim, sujeito aos tributos previstos em lei. Vale lembrar que, para a empresa contratante, o valor do frete é despesa a ser considerada na apuração de seus resultados fiscais, a depender da forma de tributação por ela adotada. A recorrente reclama que a multa aplicada de 75%, excedente a 10%, seria forma de confisco e de expropriação patrimonial, ferindo o inciso IV do art. 150 da CF, fazendo com que haja desvio de finalidade da penalidade. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pela recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado ã Unido, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV - utilizar tributo com efeito de confisco; Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3 0 da Lei n° 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 3° Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que 100 constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação „ .,rcr rik-; 2 2i ,, W:2',.:■ 1 2 pul ,E r U-<-; P:t• RF :3RANC/) DI' CAW MI' H. 8 Processo n° 16641.000213/2008-91 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.934 11. 436 constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto A multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida colação a súmula n° 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais i , pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Alega também a recorrente que haveria irregularidade quanto aos juros. A taxa de juros aplicada na constituição do crédito tributário não estaria especificada nos autos de infração. Afirma a reserva absoluta de lei para tal finalidade, e pede a aplicação da taxa contida no § 1° do art. 161 do CTN. Mais uma vez, não lhe assiste razão. 0 dispositivo legal aplicável ao cálculo dos juros de mora está claramente especificado em cada um dos autos de infração, As fls. 07, 15, 23, 31 e 39, conforme abaixo transcrito: JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/96. De igual forma, os percentuais e valores dos juros, para cada tributo e período de apuração, estão perfeitamente discriminados nos Demonstrativos de Multa e Juros de Mora que acompanham cada um dos autos de infração. Quanto A aplicabilidade da taxa SELIC, a matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula n° 4, a seguir reproduzida 2 : Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Por amor A clareza, trago A colação As disposições do art. 161, § 1 0, do GIN (grifos não constam do original): Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. I Conforme consolidação na Portaria CARF no 49, de 01/12/2010, publicada no DOU de 07/12/2010. 2 Conforme consolidação na Portaria CARF n°49, de 01/12/2010, publicada no DOU de 07/12/2010. .- zd(iEjrzattool6L conforme 'MP o" 2.2C6-2 co 24?0:",/200:1 ■ 1gitilniente em 14/03'2012 por WALDIR \JEGA RCC elri 16/07, t) por SUFI I TORRES SIVESITRE - EN: BRANCC) (', 5 121 11 9 Processo no 16641.000213/2008-91 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.934 Fl. 437 § I' Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. Ocorre que a Lei no 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3°, conjugado com o art. 5°, § 3°, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os cl6bitos para com a Unido decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art. 5° 0 imposto de renda devido, apurado na fOrtna do art. 1°, sera pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. 3°As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. f Art. 61. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 10 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 1. .1 § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados a taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não se há de reconhecer, pois, qualquer irregularidade decorrente da aplicação da taxa SELIC para determinação e exigência dos juros de mora. Finalmente, quanto ao Ato Declaratório Executivo que excluiu a conrribuinte do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2005, a interessada, mais uma vez, se reporta it Lei no 11.196/2005, a qual alterou o limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 2° da Lei n° 9.317/1996. Desta forma, mesmo acaso se considere correto o entendimento do Fisco quanto omissão de receitas, ainda assim a contribuinte não teria excedido o limite de receita bruta para fins de permanência no sistema simplificado. A decisão de primeira instância, também aqui, foi clara e objetiva, não merecendo reparos. Muito embora o limite de receita bruta, para fins do SIMPLES, tenha de fato sido alterado pelo art. 33 da Lei n° 11.196/2005, o art. 132, inciso IV, do mesmo diploma legal estabelece com clareza que os efeitos de tal alteração somente se processariam a partir de 10 de janeiro de 2006. Desde que os fatos geradores aqui discutidos se reportam ao ano- IC ;3'1, r: • 2. - 2410a12001 'CVAL Ci!R VE- Iç ROC ,1-. VE RT - RS01‘,1 BRANC:0 9 1)1 L'All 2 MF 1 -'1. 10 Processo n° 16641.000213/2008-91 S 1 -C3T2 Acórdrdo n.° 1302-00.934 1'1. 438 calendário 2004, os valores a serem considerados devem ser, como de fato o foram, aqueles que constam da redação original do art. 2° da Lei no 9.317/2004, vigente à época. 0 Ato Declaratório Executivo contestado mantém-se higido, portanto. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. W al d r Veig och a dig.tainlef rski. contalme MP n' 2.200-2 de 24/00V2 001 qi0001 t', In 14 • 0312012 J L[RV2.GA ROCA If\ „ 1rfu w.„-2017 SUE U. TORRES Sa..VESTRE - VERSO EM BRANCO 10
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000275/2004-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 30/08/2000
IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA IMPORTADA. PRODUTO COMPOSTO POR CARBOFURAN COM ADIÇÃO DE LIGNOSSULFONATO.
As preparações não podem ser enquadradas em nenhuma das posições do Capítulo 29. Tão somente os produtos de constituição química definida, suas soluções aquosas ou outras soluções decorrentes da adição de substâncias por razões de acondicionamento, segurança, transporte, conservação ou identificação são passíveis de serem nele classificados.
O Lignossulfato, adicionado ao Carbofuran com a finalidade específica de facilitar a sua dispersão ou suspensão nas preparações destinadas às formulações de Inseticidas pronto para uso na agricultura, tornou o produto particularmente apto para uso específico de preferência à sua aplicação geral, não podendo ser enquadrado na classificação do Capítulo 29.
Numero da decisão: 9303-007.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 30/08/2000 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA IMPORTADA. PRODUTO COMPOSTO POR CARBOFURAN COM ADIÇÃO DE LIGNOSSULFONATO. As preparações não podem ser enquadradas em nenhuma das posições do Capítulo 29. Tão somente os produtos de constituição química definida, suas soluções aquosas ou outras soluções decorrentes da adição de substâncias por razões de acondicionamento, segurança, transporte, conservação ou identificação são passíveis de serem nele classificados. O Lignossulfato, adicionado ao Carbofuran com a finalidade específica de facilitar a sua dispersão ou suspensão nas preparações destinadas às formulações de Inseticidas pronto para uso na agricultura, tornou o produto particularmente apto para uso específico de preferência à sua aplicação geral, não podendo ser enquadrado na classificação do Capítulo 29.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 374 1 373 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.000275/200465 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.034 – 3ª Turma Sessão de 10 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Recorrente FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 30/08/2000 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA IMPORTADA. PRODUTO COMPOSTO POR CARBOFURAN COM ADIÇÃO DE LIGNOSSULFONATO. As preparações não podem ser enquadradas em nenhuma das posições do Capítulo 29. Tão somente os produtos de constituição química definida, suas soluções aquosas ou outras soluções decorrentes da adição de substâncias por razões de acondicionamento, segurança, transporte, conservação ou identificação são passíveis de serem nele classificados. O Lignossulfato, adicionado ao Carbofuran com a finalidade específica de facilitar a sua dispersão ou suspensão nas preparações destinadas às formulações de Inseticidas pronto para uso na agricultura, tornou o produto particularmente apto para uso específico de preferência à sua aplicação geral, não podendo ser enquadrado na classificação do Capítulo 29. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 75 /2 00 4- 65 Fl. 861DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 375 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte FMC DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A. (fls. 23 a 65, e reproduzido às fls. 431 a 452), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 30200.069 (fls. 01 a 13, e reproduzido nas fls. 412 a 424) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 16/11/2009, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato Gerador: 30/08/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Mercadoria identificada pelo LABANA como Preparação Inseticida Intermediária constituída de Carbofuran e Lignossulfonato, destinada a formulação de inseticida para uso na agricultura, deve ser classificada no código NCM 3808.10.29, conforme adotado pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 376 3 O processo tem origem em auto de infração (fls. 131 a 139) lavrado para cobrança da diferença do imposto sobre a importação apurado em razão da reclassificação fiscal da mercadoria importada pela empresa FMC do Brasil. A Contribuinte desembaraçou, através da DI nr. 00/08217836, o Produto CARBUFORAN/FURADAN DB, classificandoa no código NCM 2932.9914, com alíquota do imposto sobre a importação (II) de 5% (cinco por cento). No entanto, a Autoridade Fiscal entendeu tratarse de preparação inseticida intermediária, sendo correta a sua classificação no código NCM 3808.10.29, com alíquota de II de 11% (onze por cento). A impugnação (fls. 165 a 181) apresentada foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ/SPO II nº 17.20.212, de 12/09/2007 (fls. 344 a 352), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 357 a 377), ao qual também foi negado provimento. Não resignada com o acórdão que negou provimento ao recurso voluntário, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 23 a 65, e reproduzido às fls. 431 a 452) alegando divergência jurisprudencial quanto à classificação fiscal do produto importado composto por carbofuran com adição de lignossulfonato e, por conseguinte, à interpretação dada aos Capítulos 29 e 38 do Decreto nº 2.376/97, vigente à época da ocorrência do fato gerador. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 930300.243 e 30133.354 (os dois primeiros acórdãos citados na peça recursal). Nas razões recursais, sustenta, em síntese, que: (a) no acórdão recorrido, entendeuse que o CARBOFURAN E LIGNOSSULFONATO são uma preparação intermediária, a ser classificada no código NCM 3808.10.29. Nos acórdãos paradigmas, por sua vez, prevaleceu o entendimento de referidos produtos não são uma preparação intermediária, mas sim que a adição do lignossulfonato dispersante tenso ativo inerte com função estabilizante, atende os requisitos técnicos para remeter a classificação fiscal no Capítulo 29, na posição 2932.99.14; (b) em razão da inexistência do produto no mercado, a Recorrente importa o carbofuran, designado de "Carbofuran Técnico", destinado à fabricação de inseticida agrícola. A mercadoria é classificada no código TAB/SH 2932.99.14, com amparo em Laudo do Instituto Nacional de Tecnologia INT de 25/08/1992, sendo impróprio para o consumo direto, precisando de processo de industrialização, com a adição de outros ingredientes, para torná lo apto ao uso agrícola; (c) no desembaraço aduaneiro da mercadoria, apoiandose em laudo elaborado pelo LABANA, a Fiscalização deu nova classificação fiscal à mesma no subitem tarifário TAB/SH 3308.10.29, gerando uma diferença de recolhimento do Imposto de Importação, objeto da cobrança deste processo; (d) o carbofuran em questão é produto destinado à formulação de inseticida, sendo, portanto, fundamental adicionar outros produtos e manipulálo para se obter um inseticida ou uma preparação final para venda a vareja, sendo correta a classificação fiscal atribuída pelo importado. O lignossulfonato é um mero agregado ao carbofuran (ingrediente ativo) com a finalidade de facilitar suas disposição ou suspensão nas preparações; Fl. 863DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 377 4 (e) ainda, cita julgados proferidos nas esferas administrativa e judicial para embasar o seu pedido de provimento do recurso especial. Por meio do despacho nº 3200092, de 10 de abril de 2012 (fls. 496 a 498), foi dado seguimento ao recurso especial da Contribuinte pois comprovada a divergência jurisprudencial. Conforme consignado no exame de admissibilidade, aprovado pelo Ilustre Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em exercício à época, "no acórdão recorrido a câmara entendeu que o produto importado tratavase de uma preparação inseticida intermediária, classificandoa no código NCM 3808.10.29. Por sua vez, no acórdão paradigma foi aplicado o entendimento de que os Lignossulfonatos adicionados representavam, apenas, adição de um dispersante tenso ativo inerte com função estabilizante, mantendo a classificação do produto importado no código 2932.99.14." A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 491 a 494) requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do apelo especial e, no mérito, a sua improcedência. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte FMC DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Fl. 864DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 378 5 No mérito, cingese a controvérsia à classificação fiscal do produto composto por Carbofuran com adição de Lignossulfonato. No julgamento do recurso voluntário, o Colegiado a quo entendeu ser o produto importado uma preparação inseticida intermediária, classificandoa no código NCM 3808.10.29. Por outro lado, como defende a Recorrente, a posição externada nos julgados paradigmáticos é no sentido de que os Lignossulfonatos adicionados representavam tão somente a adição de um dispersante tenso ativo inerte com função estabilizante, mantendo a classificação do produto importado no código NCM 2932.99.14. A mesma matéria e envolvendo a empresa FMC e a importação do produto Carbofuran foi objeto de análise no julgamento que resultou no acórdão nº 30133.014, do qual extraemse os seguintes trechos da fundamentação: [...] O ponto controvertido da lide é a divergência na classificação tarifária de produto químico denominado comercialmente e descrito como: CARBOFURAN — 95% nome químico: 2,3 DIHYDRO 2,2 DIMETHYL — 7 — BENZOFURANYL — CARBAMATE importado e registrado sob D.I n° 97/9139509. A fiscalização sob o argumento da mercadoria tratarse a de uma preparação intermediaria,tendo em vista a presença do principio ativo inseticida, adicionado de dispersante (Lignossulfonatos — surfactante aniônico — tensoativo) e reclassificou a mercadoria importada na posição 3808.10.29. A Recorrente afirma que a mercadoria é um produto técnico que servirá como matériaprima de natureza ativa (insumoingrediente ativo), destinada ao desenvolvimento de formulações (ingrediente ativo + ingrediente inerte) na produção de agrotóxicos). E não pode ser utilizado isoladamente, pois, não atende aos fins aos quais é destinado, como formulação, quais sejam: tratar sementes antes do plantio, ser aplicada diretamente no solo ou utilizado na pulverização de plantas. Tratase de insumo na produção de formulação e não de preparação intermediária, desta forma classificase na posição 29.32.90.01.00 equivalente a posição 2932.99.14. A aplicação das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado exige do hermeneuta a compreensão das características intrínsecas e extrínsecas das mercadorias objeto da análise, com o fim de corretamente classificálas nas respectivas posições. Desta forma devemos buscar na legislação especifica, quais são as definições e terminologias empregadas com intuito de, por este caminho, traçar as premissas para balizar a averiguação das características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria e assim classificála. No caso em tela são aplicáveis definições enunciadas no Decreto 98.916190 que regulamenta a lei 7.802/89, vejamos: "Art. 1º Para os efeitos deste Decreto, entendese por: Fl. 865DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 379 6 I aditivo substância ou produto adicionado a agrotóxicos, componentes e afins, para melhorar sua ação, função, durabilidade, estabilidade e detecção ou para facilitar o processo de produção; (...) IV agrotóxicos e afins produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preserválas da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como as substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento; (...) VII componentes princípios ativos, produtos técnicos, suas matérias primas, ingredientes inertes e aditivos usados na fabricação de agrotóxicos e afins; (. ..) XVIII ingrediente inerte ou outro ingrediente substância ou produto não ativo em relação à eficácia dos agrotóxicos e afins, usado apenas como veiculo, diluente ou para conferir características próprias de formulações; XXIV matériaprima substância, produto ou organismo utilizado na obtenção de um ingrediente ativo, ou de um produto que o contenha, por processo químico, fisico ou biológico; (...) XXXVII produto técnico produto obtido diretamente de matérias primas por processo químico, físico ou biológico, destinado i obtenção de produtos formulados ou de prémisturas e cuja composição contenha teor definido de ingrediente ativo e impurezas, podendo conter estabilizantes e produtos relacionados, tais como isômeros." (grifo nosso) Diante das definições legais apresentadas podemos concluir que o produto CARBOFURAN é um produto técnico destinado a obtenção de formulados. A mercadoria importada é composta em maior percentual de produto de alta concentração de ingrediente agrotóxico,portanto,necessita ser diluído, ou seja, que seja adicionado de ingrediente inerte que, por definição legal é considerado inerte por não agir na formulação com o intuito de aumentar ou diminuir a eficácia do agrótoxico, tornandoo apropriado ao uso. A mercadoria em questão é adicionada de um dispersante, tratase de espécie de tensoativo, que segundo definição da Enciclopédia Tecnológica Planetarium' "6 uma substancia que, em solução abaixa a tensão superficial do solvente" , que altera as características físicas de uma possível solução mas não exerce influencia sobre a função agrotóxica do CARBOFURAN, é ingrediente inerte em relação a função agrotóxica desejada, exerce, em particular, a função dispersante o lignossulfonato é um dispersante (que adicionado a agroquímicos, geram dispersões estiveis a qualquer tipo de Fl. 866DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 380 7 inseticida, herbicida, fungicida, incluído na fórmula comopó molhavel ou concentrado). A adição do dispersante não torna a mercadoxia apta para uso especifico de preferência a sua aplicação geral, bem como confere vantagem, somente no momento da preparação da formulação. O capitulo 29 compreende as soluções não aquosas bem como os compostos, mesmo que adicionados de um estabilizante. De outro lado, o laudo apresentado, elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 120/126), é categórico ao afirmar que as demais "impurezas provenientes do processo de fabricação". Desta forma, concluise que o produto CARBOFURAN atende as características pertinentes ao Capítulo 29. Diante do exposto DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [...] Portanto, o produto Carbofuran com adição de Lignossulfonato não é uma preparação inseticida intermediária, razão pela qual deve ser classificada na posição NCM 3808.10.29. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com o devido respeito ao bem fundamentado voto da i. Relatora do processo, exponho, a seguir, as razões pelas quais considero que a mercadoria tenha, de fato, sido incorretamente classificada pelo importador. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 381 8 A classificação fiscal de mercadorias operase à luz das (i) Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado1, (ii) das Regras Gerais Complementares do Mercosul e (iii) das Regras Gerais Complementares da TIPI. Na decisão que se toma em relação ao correto enquadramento tarifário, também serão levados em consideração os pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA), os Ditames do Mercosul, e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh). As Nesh foram internadas no Brasil por meio do Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992 e, portanto, não têm força legal. Ainda assim, tratamse de orientações e esclarecimentos de caráter complementar de grande importância, constituindose em um indispensável instrumento de apoio na escolha da classificação tarifária correta. Conforme reza a RGI nº 1, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não contrariem a própria RGI nº 1, pelas RGI subsequentes. No caso em apreço, a controvérsia gira em torno da classificação tarifária do produto especificado pelo importador na declaração de importação como (nome comercial) Carbofuran ou Furadan DB Nome Químico: 2,3 Dihydro 2,2 Dimethyl 7 Benzofuranyl Carbamate Concentração Média: 100% Estado Físico: Pó com odor característico. "Mercadorias destinadas a preparação de inseticidas para uso exclusivo na agricultura"."Registro na Diprof do Ministério da Agricultura sob nº. 01118489 de 05/10/89". Validade Indeterminada. O importador classificou o produto na NCM 2932.99.14. Além de algumas outras poucas mercadorias que não são de interesse da lide, o Capítulo 29, como se sabe, compreende apenas os compostos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo que contendo impurezas, e as soluções desses compostos, quando trataremse, apenas, de (i) uma solução aquosa ou (ii) de uma solução que constitua um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente 1 Anexo à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 382 9 não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. São também passíveis de ser enquadradas no Capítulo os compostos orgânicos de constituição química definida (iii) quando esses produtos sejam adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; ou (iv) de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, mas, de novo, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral2. De destaque nos critérios especificados na Nota 1 do Capítulo 29, acima enumerados, que a adição de substâncias aos compostos de constituição química definida, dê se ela por razões de acondicionamento, segurança, transporte, conservação ou identificação, somente será admitida se não tornarem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Pois bem. À efolha 153 do processo encontrase o Pedido de Exame s/n da mercadoria importada. Foram apresentados os seguintes quesitos: 1 Identificação da mercadoria, comparandoa com o descrito na DI. 2 Tratase de uma preparação ou é um produto de constituição química definida e isolada? 2 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) Os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo que contenham impurezas; b) As misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo que contenham impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); c) Os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; d) As soluções aquosas dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima; e) As outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; f) Os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (ou mesmo de um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) Os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; h) Os produtos seguintes, de concentraçãotipo, destinados à produção de corantes azóicos: sais de diazônio, copulantes utilizados para estes sais e aminas diazotáveis e respectivos sais. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 383 10 3 Outras informações julgadas necessárias. Na folha seguinte, o Laudo Técnico, no qual encontramse as seguintes respostas aos quesitos elaborado pela Fiscalização Federal. RESULTADOS DAS ANÁLISES: . Aspecto: pó bege claro Embalagem: container MAEU 808.2609 tambor de fibra tendo inscrições do nome CARBOFURAN TEC, fabricante FMC, peso 60 Kg, e números de lote M40396 e M40402 Identificação por Infravermelho: positiva para Carbofuran, Silica e Lignossulfonato Identificação Química: positiva para Enxofre e Caráter Aniõnico Faixa de Fusão: 144,5146 1 5 °C Solubilidade: parcialmente solúvel em Clorofórmio forma dispersão em agua CONCLUSÃO: Tratase de Preparação Inseticida Intermediária constituída de Metil Carbamato de 2,3DiHidro2,2 Dimetil7Benzofuranila (Carbofuran), Silica e Lignossulfonato (um agente dispersante). RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata somente de Carbofuran. . Tratase de Preparação Inseticida Intermediária constituída de Metil Carbamato de 2,3DiHidro 2,2Dimetil7Benzofuranila (Carbofuran), Silica e Lighossulfonat (um agente dispersante) destinada a formulação de Inseticida pronto para uso, na agricultura. 2. Tratase de Preparação Inseticida Intermediária. 3. Prejudicada. Ainda que os quesitos e o próprio conteúdo técnico da perícia solicitada pela Fiscalização Federal sejam bastante econômicos, eles já contém todos os esclarecimentos necessários à exclusão do produto do Capítulo 29. A resposta ao segundo quesito foi taxativa: a mercadoria não se trata de um produto de constituição química definida, mas de uma preparação. Reproduzo a seguir, mais uma vez, agora sucessivamente, o quesito e a resposta correspondente. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 384 11 2 Tratase de uma preparação ou é um produto de constituição química definida e isolada? 2. Tratase de Preparação Inseticida Intermediária. Como foi criteriosamente demonstrado acima, no que interessa ao caso concreto, apenas os produtos de constituição química definida, admitida apenas a adição das substâncias expressamente listadas na Nota 1 e pelas razões ali especificadas, podem ser enquadrados no Capítulo 29. Com base apenas na resposta ao quesito número 2 já é possível determinar, em definitivo, a exclusão da mercadoria deste Capítulo. Mas há outras informações que remetem à mesma decisão. Na resposta ao mesmo quesito número 2, o perito informa que o produto se trata de uma Preparação Inseticida Intermediária. Observese a referência das NESH do Capítulo 38 sobre as preparações intermediárias. Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso. Outrossim, ao tratar das exclusões da Posição 3808, as NESH dispõe que Esta posição não compreende: b) As preparações incluídas em posições mais específicas da Nomenclatura ou que só acessoriamente tenham propriedades desinfetantes, inseticidas, etc., como por exemplo: 1º) As tintas navais que contenham matérias tóxicas (posições 32.08, 32.09 ou 32.10). 2º) Os sabões desinfetantes (posição 34.01). 3º) As encáusticas com DDT (ISO) (clofenotano (DCI), 1,1,1 tricloro2,2bis(pclorofenil)etano) (posição 34.05). c) Os inseticidas, desinfetantes, etc., que tenham característica essencial de medicamentos para a medicina humana ou veterinária (posições 30.03 ou 30.04). d) Os desodorantes (desodorizantes) de ambientes, mesmo com propriedades desinfetantes (posição 33.07). Salta aos olhos que não se cogita de nenhuma preparação passível de ser classificada no Capítulo 29. A razão é simples, preparações não podem ser enquadradas em nenhuma das posições do Capítulo 29. Como já se disse, apenas os produtos de constituição Fl. 871DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 385 12 química definida, suas soluções aquosas ou outras soluções decorrentes da adição de substâncias por razões de acondicionamento, segurança, transporte, conservação ou identificação são passíveis de serem nele classificados. No voto condutor da decisão administrativa de primeira instância, a Relatora do processo, subsidiariamente, toma de empréstimo informações técnicas contidas nos autos dos processos nºs 11128.003060/9950; 11128.003099/9995 e 11128.004817/99223, todos autuados em nome da empresa FMC do Brasil. Transcrevo a seguir as considerações feitas na decisão de primeiro grau. "Em decorrência, o LABANA emitiu a Informação Técnica n° 090/2000 (de fls.226 a 228), tecendo considerações sobre a mercadoria em tela e respondendo os quesitos elaborados pela autoridade julgadora, da qual transcrevo apenas as informações mais relevantes para o deslinde do presente litígio: B) RESPOSTAS AOS QUESITOS: (..) Pergunta b) Esse ingrediente ativo do produto tem constituição química definida e é apresentado isoladamente? Resposta: O Ingrediente Ativo Metil Carbamato de 2,3Di Hidro 2,2Dimetil —7 Benzofuranila; (Carbofuran), sem a presença de um agente dispersante, é um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Pergunta c) O produto pode ser considerado, na forma em que se encontra, uma preparação inseticida, intermediária ou final, ou apenas um principio ativo que deverá ser ainda adicionado de outros produtos e manipulado para a obtenção de uma preparação? Resposta ) Tratase de Preparação Inseticida Intermediária constituída de Metil Carbamato de 2,3DiHidro 2,2Dimetil — 7 Benzofuranila (Carbofuran) e um agente dispersante, o Lignossulfato, de uso exclusivo na indústria, destinada a formulação de Inseticida pronto para uso na agricultura. 3 Art. 64. Os laudos e os pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres (Decreto no 70.235, de 1972, art. 30, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). (...) § 3o Atribuise eficácia aos laudos e aos pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, quando tratarem: I de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; e II de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 386 13 Pergunta d) O lignossulfato, na forma de pó, indicado pelo LABANA, constitui um modo de acondicionamento usual e indispensável por razões de segurança para armazenamento ou transporte? Resposta: Não. O Lignossulfato é um aditivo, adicionado em preparações de produtos agro químicos com a finalidade de facilitar a dispersão ou suspensão de ingrediente ativo como o Carbofuran em formulações dos tipos: pó molhável, concentrado emulsionável, etc. Pergunta e) O lignossulfato, na forma de pó, pode ser considerado como impurezas decorrentes do processo de fabricação? Se afirmativo, esclarecer se foram deixadas deliberadamente no produto para tornálo apto para fins específicos de preferência à sua aplicação geral? Resposta: De acordo com Referências Bibliográficas (ANEXO Ill), não é citado a necessidade da presença de dispersantes, como o Lignossulfato, na fabricação do ingrediente ativo Carbofuran. Dessa maneira, o Lignossulfatto não se trata de uma impureza decorrente do processo de fabricação. O Lignossulfato é um aditivo, que foi adicionado (agregado) ao ingrediente ativo CARBOFURAN, com a finalidade de facilitar a sua dispersão ou suspensão nas preparações, destinadas às formulações dos tipos: pó molhável, concentrado emulsionável, entre outros, de Inseticidas pronto para uso, na agricultura. Ainda que as informações técnicas inicialmente colacionadas aos autos já trouxessem elementos suficientes para que se afastasse qualquer possibilidade de classificação do Carbofuran no Capítulo 29, os esclarecimentos técnicos transcritos acima não deixam dúvidas de que o Lignossulfato foi adicionado ao Carbofuran com a finalidade específica de facilitar a sua dispersão ou suspensão nas preparações destinadas às formulações de Inseticidas pronto para uso na agricultura. Ou seja, sem sombra de dúvidas, tornou o produto particularmente apto para uso específico de preferência à sua aplicação geral, em ofensa a uma condição elementar para classificação de qualquer mercadoria no Capítulo 29. Quanto a isso, releva destacar o próprio Parecer Técnico carreado aos autos pela recorrente, efolhas 378 e segs, confirma as conclusões periciais acima reproduzidas. Observese. É importante notar primeiro que não há obrigatoriedade do produto técnico conter exclusivamente ingrediente ativo. 0 mesmo pode conter quantidade definida de impurezas e outras substâncias tais como estabilizantes e produtos relacionados. Também é possível perceber que está previsto que um produto técnico pode ser obtido tanto por processos químicos, físicos ou biológicos. Estas duas premissas são importantes para o Fl. 873DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 387 14 presente caso, pois o Carbofuran Técnico FMC é um produto técnico resultante de um processo químico de síntese seguido de um processo físico de moagem que transforma o ingrediente ativo (Carbofuran) em um produto apto as aplicações indústrias (Carbofuran Técnico FMC). Segundo informe da FMC Química do Brasil, o produto Carbofuran, na etapa intermediária de sua produção, encontrase na forma de grânulos. O aspecto do produto nesta fase é de um pó úmido, com baixa fluidez. A moagem deste ativo por si só é impraticável, pois com o cisalhamento, a característica úmida deste produto se acentua e ele fica com aspecto grudento, acarretando perdas e um processo pouco eficiente de moagem. Entretanto, essa etapa se faz necessária uma vez que a granulometria adequada do ingrediente ativo (i.a.) é fundamental para que as formulações de defensivos agrícolas sejam elas suspensões, pósmolháveis, grânulos etc, não apresentarem problemas de fabricação e manuseio do produto. É declarado que cerca de no máximo 1,6% de lignossulfonato de sódio está presente no Carbofuran Técnico FMC. A necessidade da moagem pode ser facilmente percebida através da observação da diferença granulométrica entre o ingrediente ativo Carbofuran póssíntese (etapa intermediária) e o produto técnico Carbofu ran Técnico FMC apresentadas na Tabela 1. (...) Assim, a função do lignossulfonato de sódio é auxiliar a moagem do ingrediente ativo e viabilizar o cumprimento das especificações técnicas do produto técnico. (grifo acrescidos) Ou seja, a toda evidência, o lignossulfonato não foi acrescido ao Carbofuran nem por razões de acondicionamento, segurança, transporte, conservação ou identificação e tornaram o produto particularmente apto a uso específico de preferência à sua aplicação geral, qual seja, a aplicação industrial na formulação de inseticidas. Em sede de recurso especial, a recorrente reitera que sua insurgência está respaldada, dentre outros, no Parecer CST 2878 de 16.10.78, e no Parecer CST 70/88, que decidiram pela classificação do Carbofuran no Capítulo 29. O presente processo, por iniciativa do Colegiado recorrido, observou uma tramitação pouco usual. Foi determinada a conversão do julgamento em diligência para que a Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro Coana se manifestasse a respeito da controvérsia versada nos autos. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 388 15 Por meio da Informação Coana/Cotac/Dinom nº 2008/0051, a Coordenação esclarece que (juntada às efolhas 261 e segs do processo n.º 11128.006217/200283, da mesma Contribuinte) 24. No que tange ao Parecer CST (SNM) no 2878, de 1978, que classificou no código 2935.99.00 da TAB o produto "carbofuran técnico" com 85% de grau de pureza, As fls. 91 a 94, esclarecemos que, conforme o referido parecer, a mercadoria por ele analisada, embora possuísse o mesmo nome comercial da mercadoria atualmente em análise, não indicava a presença de outros constituintes intencionalmente adicionados ao produto, citando: "Nota: Não encontramos na literatura consultada qual o maior grau de pureza conseguido para este produto. Entretanto, a presença de 13 a 15% de impurezas é perfeitamente normal em produtos desta natureza; resultando de seu processo de obtenção e não lhes dão a características especiais para qualquer outro uso." 25. Diante do exposto, concluise que a mercadoria classificada pelo Parecer CST (SNM) n° 2878, de 1978, não é idêntica à mercadoria em questão, pois aquela não possuía a adição de lignossulfonato, não estando exluida do Capitulo 29. A Nota não faz referência ao Parecer CST 70/88, mas, tal como se depreende de seus fundamentos, por certo o produto naquele analisado também não havia sido acrescido da substância identificada como lignossulfonato, se não vejamos. Os laudos técnicos emitidos pela Universidade Estadual Paulista e pela Bioensaios Análise e Consultoria Ambiental S/C Ltda., As fls. 227 a 245, informam que o lignossulfonato de sódio é empregado com a função de auxiliar a moagem na produção do produto técnico. Ou seja, o lignossulfonato é um composto químico intencionalmente adicionado como facilitador da moagem e não um dos compostos permitidos pelas alíneas f) ou g) da Nota 1 do Capitulo 29. E também não têm qualquer relevância os argumentos veiculados no recurso, no sentido de que o produto é impróprio para o consumo no estado em que se encontra, pois necessita de regular processo de industrialização, através de adição de outros ingredientes, ou de o grau de pureza da amostra colhida não foi aferido pelo laudo no qual baseouse a autuação, o que seria, segundo a recorrente, fator determinante para classificação do produtos. De tudo o que foi até aqui esclarecido, é de se perguntar em que momento as regras de classificação de mercadorias fazem referência ao grau de pureza do produto ou à condição de apresentarse próprio para consumo? Fl. 875DF CARF MF Processo nº 11128.000275/200465 Acórdão n.º 9303007.034 CSRFT3 Fl. 389 16 Não há absolutamente nenhum critério que faça referência a essas condições. Como sobejamente demonstrado, a classificação de produto no Capítulo 29 depende de que ele seja definido como composto de constituição química definida e que não tenha sido adicionado qualquer substâncias que não por razões de acondicionamento, segurança, transporte, conservação ou identificação, e, mesmo assim, quando não o tornarem particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Como se viu, o produto importado não observou nenhuma das condições definidas nas regras de classificação. Finalmente, entendo que esteja correta a classificação escolhida pelo Fiscalização Federal, nos termos dos fundamentos expendidos na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que adoto no presente voto, como se meus fossem. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 876DF CARF MF
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Numero do processo: 13866.000150/2003-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2002
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
Numero da decisão: 3302-005.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9º-A e 9º-B ao art. 3º da Lei nº 9.718/98.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2002 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9ºA e 9ºB ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 01 50 /2 00 3- 36 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 198 2 Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 148150: Trata o presente de Declaração de Compensação — DCOMP na qual o interessado compensa débito da Cofins dos períodos de apuração jan./ 2003 e fev./2003 com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido da Cofins, referente ao período de apuração fev././2002, crédito esse de valor declarado de R$ 5.817,10— fls. 1 e 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório de fls. 116/118, não homologou a compensação, pela não comprovação do direito creditório do interessado, ressaltando que o contribuinte excluiu da base de cálculo da COFINS o valor de R$ 460.426,28 a título de Outras Exclusões e, intimado, informou que tal exclusão referese aos valores pagos aos prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Ressaltouse, na decisão, que o § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, permitiu deduções da base de cálculo às operadoras de planos de saúde, caso do interessado, apenas nas rubricas descritas no referido dispositivo (transcrito no Despacho Decisório, fl. 117) e que a exclusão feita pelo interessado não se enquadra nas previstas legalmente. Cientificado em 10/04/2008, fl. 121, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 09/05/2008, fls. 123/130, alegando, em síntese: Que a base de cálculo da Cofias é o faturamento nos temos previstos no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, uma vez que foi julgado inconstitucional o conceito definido no art. 3° da Lei n° 9.718, de 1988, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 357.950; Que é operadora de planos de assistência à saúde., atividade que se rege por regras próprias e não se confunde com outra qualquer; Que o conceito de faturamento advém do Direito Comercial e é decorrente do ato de emitir faturas, ato autorizado somente ao comerciante pela Lei n° 5.474/68, e que nos termos do disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o conceito utilizados no Direito Privado; Que é ilegal a cobrança do Cofins nos termos do art. 2° e 3° d Lei n° 9.718/98, pois afronta a determinação do art. 110 do CTN, no sentido de que receba como um tipo fechado o conceito de faturamento, termo utilizado no art. 195 da CF/88 para definir a competência da União para cobrar a Cofins. Em 24 de novembro de 2008, a DRJ/RPO, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação feita na manifestação de inconformidade e, manteve o despacho decisório que não homologou a compensação objeto dos autos, com base nos seguintes fundamentos: A manifestação é tempestiva e revestida das formalidades legais, pelo que deve ser conhecida. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 199 3 O § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, inserido pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, permitiu deduções da base de cálculo do PIS e da Cofins às operadoras de plano de assistência à saúde, caso do interessado, somente das rubricas relacionadas no referido dispositivo legal, a saber: Art. 2°. O art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Verificase que no dispositivo transcrito não há previsão para a exclusão, da base de cálculo, dos valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Tais pagamentos são custos e despesas próprios e inerentes à atividade exercida pelo interessado. Do exposto, voto pelo indeferimento da solicitação, mantendo a decisão proferida pela DRF em são José do Rio Preto. Intimada da decisão em 10.03.2009 (fls.156), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 23.03.2009 (fls.157166), reproduzindo as alegações apresentadas em sua defesa. Em 26 de junho de 2012, o processo foi convertido em diligência nos termos da decisão de fls. 175187, a saber: Isso posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização: i) verifique se o valor a ser glosado efetivamente é de R$ 460 mil ou de R$ 456 mil, com base na Declaração do contribuinte, o que seria adequado; por outro lado, ii) intime o contribuinte a compor tais valores detalhadamente, de acordo com a sua natureza, para que demonstre ou não que os valores excluídos possuem a mesma natureza daqueles que poderiam ser contabilizados no grupo de contas 3.1.1.7 ou 4.1.2.3, o que pela sua natureza poderá determinar o adequado enquadramento dessas despesas na base de cálculo do tributo. Intimada à fornecer documentos e prestar informações para cumprimento da diligência anteriormente citada, a Recorrente permaneceu silente, retornando os autos à este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 200 4 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 10.03.2009 (fls.156) e protocolou Recurso Voluntário em em 23.03.2009 (fls.157166) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Mérito A discussão sob análise já foi inúmeras vezes analisada por este Conselho, inclusive contra a própria Recorrente. Assim, por se tratar de matéria fartamente debatida neste Tribunal, adoto como razão de decidir o voto proferido no acórdão 3302002.012 (PA 10850.900093/200611) que, envolve a ora Recorrente e matéria idêntica a discutida nos presentes autos, a saber: Conforme se depreende do relatório acima transcrito, os pedidos de restituição e as compensações dele decorrentes foram considerados indevidos uma vez que a fiscalização entendeu como indevidas as deduções da base de calculo efetuadas pela recorrente. As divergências foram assim resumidas: Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a titulo de "Outras Exclusões" valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. A recorrente entende que faz jus a exclusão do que ela denomina como sendo atos cooperativos auxiliares (hospitais, clinicas, etc) e os médicos não cooperados, mas que na verdade são valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. É bom destacar que tal benefício não está relacionado a atividade cooperativista, pois está direcionado as operadoras de plano de assistência à saúde. Sobre este tema são esclarecedores os argumentos externados pela ilustre Conselheira Fabiola C. Keramidas, nos autos do processo nº 13971.002373/200411, que com o brilhantismo de praxe assim pontuou: “Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 201 5 Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a rubrica contábil, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite, ao contribuinte, qualquer exclusão referente a este inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de não permitir aos contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS do valor pago aos credenciados. A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, pareceme que para decifrar a intenção do legislador é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “... poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor? Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tomem as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 202 6 ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, minha questão quanto ao posicionamento adotado pela fiscalização é: se os agentes administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos, o que consiste? De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais1, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 203 7 É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1)O credenciado presta o serviço para o beneficiário;Janeiro /X1 (2)após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação.Fevereiro/X1 (3)apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento.Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 204 8 setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 205 9 beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para pode atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos Custos e Despesas, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE E ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora. Assim, entendo que devam ser excluídos da base de calculo das contribuições os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, valores estes relacionados ao item III do dispositivo legal ora analisado. Neste contexto são indevidas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal relacionadas a pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, ente outros, devendo o processo retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito. Nestes termos, entendo que é direito da Recorrente excluir, da base de cálculo da contribuição aqui tratada, os valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc..., outrora registrados na conta "Outras Exclusões", devendo, assim, o processo Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13866.000150/200336 Acórdão n.º 3302005.779 S3C3T2 Fl. 206 10 retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. III. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 206DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.727912/2013-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2008, relativamente a diferenças de pensão, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2002-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, determinando o recálculo do imposto de renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente e omitidos pela contribuinte, no montante de R$56.707,91, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pela contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2008, relativamente a diferenças de pensão, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
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RENDIMENTOS. ISENÇÃO. Recorrente EDYMEA STOPATTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apurase o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2008, relativamente a diferenças de pensão, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 79 12 /2 01 3- 85 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 12448.727912/201385 Acórdão n.º 2002000.335 S2C0T2 Fl. 66 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, determinando o recálculo do imposto de renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente e omitidos pela contribuinte, no montante de R$56.707,91, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pela contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 29/32), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2009. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$19.721,88 para R$4.421,93. A notificação noticia a omissão de rendimentos, no valor de R$56.707,91. Impugnação Cientificada à contribuinte em 30/7/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 21/8/2013, à fl. 2/26 dos autos, na qual a contribuinte defendeu que seria indevida a tributação dos rendimentos, uma vez que se trata de herança recebida por meio de precatório. Indicou a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 44/45): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DIREITOS RECEBIDOS EM SUCESSÃO. RENDIMENTOS. O sucessor é o sujeito passivo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos gerados, após a partilha, pelos bens e direitos recebidos em sucessão. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.727912/201385 Acórdão n.º 2002000.335 S2C0T2 Fl. 67 3 Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 13/2/2015 (fl. 51), o contribuinte, em 18/3/2015 (fl. 54), apresentou recurso voluntário, às fls. 54/55, no qual alega, em apertado resumo, que: os rendimentos decorreriam de ação em nome de Laura Torres Alves, beneficiária de pensão por morte do marido. Acrescenta que a beneficiária seria isenta do imposto de renda. não haveria como se entender que "restava anulado o tributo sobre a renda obtida", quando legada a ela, por sucessão, pois que inexistia antes. ainda que o recebimento da pensão pudesse supostamente acarretar tributação, esta seria aplicada em percentuais muito inferiores aos aplicados no recebimento do precatório por seus herdeiros. não teria havido espólio. entende indevida a tributação em função do recebimento cumulativo de todas as quantias devidas a ela, acrescidas de juros e correção monetária, ao término da ação judiciária de mais de sete anos. defende seu direito à isenção, citando o inciso XVI, do artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 1988, que reconhece a isenção para heranças. três outros herdeiros, seus irmãos, teriam recebido suas restituições e um quarto teria tido a isenção reconhecida já no recebimento do precatório. O tributo só estaria sendo exigido dela. Requer a reavaliação da decisão. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.58). Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.727912/201385 Acórdão n.º 2002000.335 S2C0T2 Fl. 68 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre os rendimentos recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, no montante de R$56.707,91 (fl.30). A contribuinte alega que o valor teria sido recebidos a título de herança e, por decorrência, seria isento de IR. Nesse tocante, a decisão de piso consigna: O fato gerador do imposto de renda ocorre com a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. É certo que o direito foi transmitido por sucessão, mas os rendimentos dele decorrentes foram obtidos diretamente pela contribuinte. Trata se, portanto, de institutos diversos, que a impugnante impropriamente confunde. Um é o direito, no seu aspecto sucessório, sujeito ao imposto de transmissão; outro, a percepção dos seus frutos e suas consequências tributárias. Se os rendimentos fossem pagos em vida ao titular do direito discutido na ação judicial, seriam tributáveis na sua declaração; se antes da partilha, na declaração do espólio; se pagos depois, o sucessor beneficiário da renda é o sujeito passivo da obrigação tributária. Inconcebível seria que em virtude da sucessão restasse anulado o tributo sobre a renda obtida. Ainda que se entendesse que o sujeito passivo seria o espólio, o pedido de restituição seria improcedente, porque neste caso o imposto retido não poderia ser incluído pela impugnante em sua declaração, implicando que até mesmo já teria recebido restituição indevida. (destaques acrescidos) Do exame dos autos, não há reparos a se fazer à decisão do colegiado de primeira instância quanto a esse aspecto. Os documentos juntados, em especial fls. 12 e 20/21, demonstram que a interessada e os demais herdeiros receberam em seus nomes e por meio de precatório os valores decorrentes da ação judicial em tela. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.727912/201385 Acórdão n.º 2002000.335 S2C0T2 Fl. 69 5 A recorrente afirma em seu recurso que não houve espólio, o que me leva a concluir que não houve inventário. Para reconhecer que o valor teria sido recebido a título de herança e, por decorrência isento de IR, eles teriam que ter constado de inventário ou de sobrepartilha, quando os rendimentos seriam tributados, em sendo o caso, para, no momento seguinte, serem transferidos aos herdeiros como isentos. Repisese que não é essa a situação que se vislumbra nos autos. Os herdeiros receberam os valores diretamente, caracterizando a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Outra alegação da recorrente diz respeito à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. Aponta que se tivessem sido pagos à época própria não estariam sujeitos à tributação. O documento de fl. 23 indica que os valores recebidos decorrem de ação judicial com a finalidade de obter o reajuste do valor da pensão paga a senhora Laura Torres Alves. Nesse tocante, o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, estabelecia que para os rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anoscalendário anteriores ao do seu recebimento, a incidência do Imposto sobre a Renda ocorria no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, subtraído o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento. Acontece que em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte concluiu pela invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, previstos na Carta Política de 1988. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Transcrevese a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. O §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.727912/201385 Acórdão n.º 2002000.335 S2C0T2 Fl. 70 6 âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Logo, cabe aos membros deste Colegiado reproduzir o entendimento da Corte Suprema de que o imposto incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos (regime de competência). Por fim, quanto à alegação de que os demais herdeiros não teriam tido os valores recebidos tributados, ainda que restasse confirmada, não vincularia a presente decisão, visto que, a teor do artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, na apreciação da prova, o julgador formará livremente sua convicção. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, determinando o recálculo do imposto de renda devido quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente e omitidos pela contribuinte, no montante de R$56.707,91, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pela contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721148/2015-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
PRELIMINARES. SUPERAÇÃO EM RAZÃO DE APRECIAÇÃO DE MÉRITO.
Nos termos do que dispõe o §3o. do art. 12 do RPAF, sendo possível o provimento no mérito, devem ser superadas preliminares de nulidade.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE.
Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei.
SUBSIDIARIAMENTE. EXISTÊNCIA DE EFETIVA RAZÃO EXTRA TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO.
No caso concreto as Recorrentes comprovaram existir razões de ordem negocial e restrições impostas pela Resolução CMN 2.325/1996 que justificam as operações realizadas.
Numero da decisão: 1401-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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SUPERAÇÃO EM RAZÃO DE APRECIAÇÃO DE MÉRITO. Nos termos do que dispõe o §3o. do art. 12 do RPAF, sendo possível o provimento no mérito, devem ser superadas preliminares de nulidade. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. SUBSIDIARIAMENTE. EXISTÊNCIA DE EFETIVA RAZÃO EXTRA TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. No caso concreto as Recorrentes comprovaram existir razões de ordem negocial e restrições impostas pela Resolução CMN 2.325/1996 que justificam as operações realizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 48 /2 01 5- 23 Fl. 1172DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife (PE), que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 789 a 795), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 89.805.289,42. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 759 a 778, o lançamento decorreu de falta de contabilização de ganho de capital, na medida em que considerou que "a Sofisa Serviços é a real vendedora e beneficiária dos valores recebidos pela venda das quotas da SOFcred e que omitiu o ganho de capital obtido nessa operação apresentando em seu lugar com vendedores Banco Sofisa e Sofisa CFI, com intuito de reduzir a tributação de IRPJ/CSLL, sendo o real sujeito passivo a própria SOFISA”. Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 797/799 e 801/803. Ciente da autuação o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA (fls. 822/846) em 21/01/2016, na qual alegou em síntese: 1. Preliminar. Insubsistências das autuações fiscais: o crédito tributário foi extinto quando da inclusão do ganho de capital nas bases tributáveis dos responsáveis solidários. Inteligência dos arts. 124, § único e 125, I, do CTN: Afirma que “no caso, BANCO SOFISA e SOFISA CFI são solidários à SOFISA SERVIÇOS, isso equivale a dizer que os três alienaram SOFCRED e auferiram ganho de capital tributável. Por extensão, na medida em que dois deles ofereceram à tributação, em 2010, o dito ganho de capital apurado na alienação da SOFCRED, o crédito tributário de que se cuida já foi liquidado, devendo, portanto, aproveitar a todos os Impugnantes”. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16327.721148/201523 Acórdão n.º 1401002.835 S1C4T1 Fl. 1.173 3 2. Diz que "agente autuante não deteria competência para efetuar o lançamento”. 3. Afirma que “todos os atos foram regularmente formalizados e produziram suas naturais conseqüências jurídicas. Foram registrados, auditados e amplamente divulgados perante os órgãos cabíveis, no que estão compreendidos o Banco Central do Brasil (por tratarse de operação envolvendo banco comercial), a Junta Comercial de São Paulo e a própria Receita Federal. Em segundo lugar, porque a própria autoridade lançadora (até como conseqüência dos negócios praticados), sequer cogitou da existência de simulação (ou qualquer outro instituto no qual pudesse encontrar fundamento que fosse)”. 4. NO MÉRITO: Aduz que “o crédito tributário teria sido extinto "quando da inclusão do ganho de capital nas bases tributáveis dos responsáveis solidários"; 5. Afirma que “não teria existido planejamento fiscal ilícito. Tanto a compra da SOFCRED, pelo BANCO SOFISA e SOFISA CFI, quanto a posterior venda à GVI teriam produzido "os seus regulares efeitos nos planos de fato e jurídico". O contribuinte teria direito à adoção de alternativa fiscalmente menos onerosa, desde que calcada em operação real, o que teria ocorrido no presente caso, "na medida em que a alienação à GVI foi feita por BANCO SOFISA e SOFISA CFI e o produto recebido não foi repassado à SOFISA SERVIÇOS". 6. Diz que “na medida em que a legislação fiscal faculta ao particular a opção pelo regime tributário que melhor lhe aprouver para tributar a maisvalia decorrente de bens que se encontram registrados na sociedade investida, não compete à Fiscalização impor a adoção da forma mais onerosa de tributação. Há aí opção fiscal, conduta que sequer se classifica como passível de ser examinada na temática da elisão. Desse modo, havendo diferentes alternativas postas pela legislação à disposição dos Impugnantes que levavam ao mesmo resultado daquela que foi a adotada, era vedado à Fiscalização objetar o caminho escolhido”. 7. E que “teria havido razões extrafiscais para a venda da SOFCRED ao BANCO SOFISA e à SOFISA CFI”. 8. Afirmando que a “imposição do comprador, dada a natureza do negócio que não se resumia à transmissão de uma participação societária, mas a todos os ativos de financiamento a consumidor que já eram de titularidade do BANCO SOFISA, e por vedação regulatória e legal de que a alienação ocorresse por SOFISA SERVIÇOS, com garantia do seu controlador. Por decorrência, demonstrada a improcedência das alegações fiscais, requerse o cancelamento dos autos de infração”. 9. Requereu o acolhimento da impugnação para cancelar a exigência fiscal na sua totalidade. Fl. 1174DF CARF MF 4 O Acórdão ora Recorrido (1154.564 3ª Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010 COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. É atribuição do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário mediante o lançamento. O conhecimento da infração previne a jurisdição. INDICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A falta de indicação da legislação subsunsora da infração não enseja nulidade do lançamento quando se verifica o que se apurou foi devidamente descrito nos autos de infração, bem assim no correspondente Termo de Verificação Fiscal, e resta evidenciada a sua perfeita compreensão por parte do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010 PLANEJAMENTO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. EFEITOS NÃO OPONÍVEIS À FAZENDA PUBLICA. Os efeitos de operações perpetradas no âmbito de planejamento tributário, em que não existe outra motivação senão a de criação artificial de condições para auferimento de vantagens tributárias, não são oponíveis à Fazenda Pública. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Isto porque, segundo entendimento da Turma “é enganosa a alegação de que só caberia cogitarse da sua inexistência acaso a autuada tivesse recebido o preço pago pela venda ou tivesse tido algum benefício. Ora, a falta de recebimento do preço pela autuada se deu exatamente no bojo do planejamento perpetrado pelo grupo Sofisa, comandado pela família BURMAIAN, que com efeito foi o real beneficiário” Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.721148/201523 Acórdão n.º 1401002.835 S1C4T1 Fl. 1.174 5 Da mesma forma, “não há aderir ao argumento de que por existir "diversos caminhos" legais, que poderiam ter sido trilhados para a venda da SOFCRED à GVI, a fiscalização não poderia ter objetado o que fora optado pelo contribuinte. A uma, porque não existia pluralidade de caminhos; o art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, não configura com efeito outra regulação normativa para o negócio. A venda da SOFCRED para o BANCO SOFISA E SOFISA CFI, se realmente tivesse tido motivos reais, tratarseia de negócio diverso. A duas, porque, nesse contexto, a falta de consideração dos efeitos da referida venda não se trata de obliteração de opção do contribuinte”. Ciente da decisão do Acórdão em 30/03/2017 (fls.1104) e [(ciência eletrônica por decurso de prazo em 13/03/2017, fls. 1.100), o contribuinte e solidário interpõem Recurso Voluntário em 02/05/2017 (juntada fls. 1106) (fls. 1109/1148), trazendo em seu bojo as mesmas razões discorridas em sede de impugnação administrativa às fls. (fls. 822/846) dos autos, trazendo apenas a inclusão do tópico 2: · “Preliminar. Nulidade por erro material do acórdão DRJ. Houve provimento da Impugnação, o que ensejou o cancelamento parcial do crédito tributário. Exoneração que constou da fundamentação, mas, contraditoriamente, não foi reproduzida na parte dispositiva da decisão de 1ª instância” – Ao afirmar que “houve vício material na decisão da DRJ, ante a ausência de menção na parte dispositiva à exoneração parcial”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Os recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A peça recursal foi manejada por BANCO SOFISA (na qualidade de sucessor da SOFISA SERVIÇOS) e a SOFISA CFI. Cumpre asseverar inicialmente que, como relatado, o Recurso do contribuinte em quase sua totalidade consiste em repetições e reafirmações das razões de impugnação, com exceção do item 2 que defende uma suposta nulidade da decisão recorrida. Assim é que, no presente Recurso o contribuinte aduz em sede de preliminares: (i) Nulidade do Lançamento por Incompetência do agente autuante. Inobservância das normas que regulamentam a atividade de Fiscalização; (ii) Nulidade em razão de motivação genérica e inexistência de infração à legislação; (iii) Nulidade por erro Fl. 1176DF CARF MF 6 material do acórdão DRJ (Houve provimento da Impugnação, o que ensejou o cancelamento parcial do crédito tributário. Exoneração que constou da fundamentação, mas, contraditoriamente, não foi reproduzida na parte dispositiva da decisão de 1ª instância). Entretanto, antes de analisar as preliminares argüidas, nos termos do que dispõe o §3o. do art. 12 do RPAF, supero as preliminares para analisar o mérito por entender que é possível prover o recurso das Recorrentes. O cerne da questão está na identificação do propósito negocial para a operação realizada. O agente fiscal, após fiscalização que durou aproximadamente 20 (vinte) dias, em que sequer deferiu pedido de prorrogação de prazo para resposta de intimação formulada à SOFISA SERVIÇOS para justificar a operação realizada, concluiu que a mesma não possuía propósito negocial. Isto porque, a Fiscalização entendeu que SOFCRED foi vendida pelo valor nominal de suas quotas por SOFISA SERVIÇOS a BANCO SOFISA e SOFISA CFI antes destas a alienarem a GVI porque, ao assim proceder, o ganho de capital apurado na última transação seria compensado com resultados negativos dos Recorrentes, redundando assim em recolhimentos de IRPJ e CSLL inferiores ao que seriam verificados caso a transação junto à empresa do Banco Fibra S/A tivesse sido praticada pela SOFISA SERVIÇOS. Para o agente autuante, o procedimento seria vedado porque fundamentado unicamente em vista de opção fiscalmente mais vantajosa. Além disso, aplicou penalidade qualificada e imputou responsabilidade solidária ao BANCO SOFISA e SOFISA CFI. Desta feita, após fiscalização super célere, e sem mesmo ouvir as razões da vendedora autuada, o agente fiscal concluiu não ter havido propósito negocial na operação, a não ser o deslocamento da sujeição ativa tributária, especialmente em razão de se tratarem de empresas controladas pela Família Burmain. Por sua vez as Recorrentes em sua vasta argumentação defendem que: (i) não há vedação legal para adoção de prática lícita menos onerosa; (ii) o resultado obtido seria possível através de redução de capital da SOFISA SERVIÇOS, e; (iii) havia propósito negocial para as operações. Defende que não há impedimento para que o particular utilize a alternativa fiscalmente mais vantajosa dentre as propostas admitidas pela legislação. Aduz ainda que a busca da estrutura mais eficiente, inclusive do ponto de vista tributário, a par de fundamentar se na autonomia privada, é uma necessidade da sociedade empresária – que visa o maior lucro possível – e uma obrigação de seus gestores (Lei 6.404/76 Lei das S/A, arts. 153 e 158, dentre outros). Por esse motivo, a mera opção pela alternativa fiscalmente menos onerosa não é vedada pelo ordenamento. Aduz ainda que: SOFISA SERVIÇOS transferiu SOFCRED para BANCO SOFISA e SOFISA CFI e recebeu deles o preço ajustado. Conseqüentemente, o negócio tornouse perfeito e acabado, nos termos do artigo 482 do Código Civil. Posteriormente, os novos Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16327.721148/201523 Acórdão n.º 1401002.835 S1C4T1 Fl. 1.175 7 proprietários de SOFCRED a venderam a GVI. Foram BANCO SOFISA e SOFISA CFI que negociaram com GVI, custearam a operação e ficaram com o produto da venda para uso nas suas atividades. Isto é, vivenciaram e se submeteram aos efeitos do negócio de compra e venda. Ou seja, eles conduziram e se beneficiaram da operação que resultou em ganho de capital, desde o início até o seu final. Para que se pudesse afirmar que o negócio teria se dado entre SOFISA SERVIÇOS e GVI, como querem fazer crer a Fiscalização e a DRJ, o produto da venda teria que, de algum modo, ter sido recebido por aquela. Ocorre que nenhuma parcela do valor de venda foi repassada a SOFISA SERVIÇOS, quer direta, quer indiretamente. Não houve aumento de seu capital, doação ou empréstimo por BANCO SOFISA e SOFISA CFI com o preço pago por SOFCRED. Enfim, simplesmente inexiste qualquer relação entre os recursos entregues por GVI com o suposto e imaginário aumento patrimonial de SOFISA SERVIÇOS. Essa é a prova cabal de que inexiste vício na causa dos negócios praticados! Na ausência de prova que levasse à conclusão de que a SOFISA SERVIÇOS fora a “real vendedora” da SOFCRED, a DRJ conjecturou que “a falta de recebimento do preço pela autuada se deu exatamente no bojo do planejamento perpetrado pelo grupo Sofisa, comandado pela família BURMAIAN, que com efeito foi o real beneficiário” (fl. 1.084). Nada mais descabido.“ Segue aduzindo que: Alternativamente à compra de SOFCRED, BANCO SOFISA, na condição de controlador integral de SOFISA SERVIÇOS, poderia ter deliberado a redução de seu capital mediante a entrega das quotas da primeira a valor contábil para, em seguida, alienálas à GVI. Nesse caso, igualmente, não caberia cogitar de ganho de capital auferido por SOFISA SERVIÇOS, de modo que o montante seria adicionado às bases de IRPJ e CSLL de BANCO SOFISA, como concretamente ocorreu. Isso porque o art. 22 da Lei 9.249/9534 autoriza tributar no sócio ou na sociedade o ganho de capital na alienação de bem inicialmente integrado ao ativo da pessoa jurídica. Ora, na medida em que a legislação fiscal faculta ao particular a opção pelo regime tributário que melhor lhe aprouver para tributar a maisvalia decorrente de bens que se encontram registrados na sociedade investida, não compete à Fiscalização impor a adoção da forma mais onerosa de tributação. Há aí opção fiscal, conduta que sequer se classifica como passível de ser examinada na temática da elisão. Desse modo, havendo diferentes alternativas postas pela legislação à Fl. 1178DF CARF MF 8 disposição dos Recorrentes que levavam ao mesmo resultado daquela que foi a adotada, era vedado à Fiscalização objetar o caminho escolhido. Por sua vez, quanto ao propósito extrafiscal da operação, aduzem as recorrentes que: Como é fácil depreender dos trechos transcritos, a alienação de SOFCRED não era uma transação isolada, em que simplesmente se vendia sociedade responsável por intermediar operações de crédito. A transação se inseria no bojo de negócio maior e mais complexo, por meio do qual o grupo Sofisa se retirava de parte do mercado de financiamento ao consumidor. Por essa razão, a concretização da venda de SOFCRED estava condicionada, em igual medida, às alienações das carteiras de financiamentos de veículos e ao consumidor, bem como das operações com crédito consignado e cartão de crédito, em transação que movimentou um total de R$ 400 milhões. Ressaltese mais uma vez que não existem dúvidas acerca dos negócios jurídicos realizados entre as partes. O valor de venda da SOFCRED pela SOFISA SERVIÇOS seguiu as normas contábeis aplicáveis, com a efetiva tributação do ganho com o deságio. Caso contrário restariam aplicáveis as regras atinentes à DDL. O negócio foi transparente e explícito. Não obstante o alto grau de subjetividade existente em qualquer discussão relacionada à existência ou inexistência de propósito negocial nas operações, face à mais que concreta objetividade da lei, não deixarei de enfrentar as questões de fato, muito embora entendo que o cerne da questão é avaliar se a escolha de negócio da Recorrente infringe a lei tributária ou não, de forma a descaracterizar a venda da SOFCRED ao BANCO SOFISA e SOFISA CFI. Isto porque, o conceito de propósito negocial carece de fundamento legal, tornandose absolutamente subjetivo e abrangente. Partindo deste conceito adotado pelo Fisco, a presença de um propósito negocial deve ser precedente e, além, originária na operação, de modo a concretizar a o negócio jurídico e a redução da carga tributária como uma conseqüência natural e lógica. Entretanto, a indefinição dos conceitos no ordenamento jurídico impede a formação de entendimento uniforme, tornando qualquer discussão acerca da motivação para operações societárias como ao menos parcialmente subjetivas, afastandose do princípio da tipicidade cerrada que foi base de formação do direito tributário. É freqüente utilização pelo Fisco da teoria da ausência de propósito negocial por meio do qual defende que a simples inexistência sob sua ótica outros motivadores para a operação que não o alcance do benefício fiscal, tem sido usada como elemento suficiente para invalidar os atos do contribuinte ou o benefício fiscal almejado. Tal lógica ao meu ver se afasta da necessária objetividade da lei tributária, fundada no princípio da tipicidade cerrada, além de afetar a segurança jurídica vez que diversas Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 16327.721148/201523 Acórdão n.º 1401002.835 S1C4T1 Fl. 1.176 9 regras e estruturas criadas pelo legislador brasileiro oferecem um benefício fiscal aos contribuintes como parte integrante de uma política econômica. Nesse sentido entendo ser absolutamente claro o exemplo trazido pelo Conselheiro desta Primeira Seção, Luiz Fabiano Alves Penteado em caso semelhante ao aqui tratado: Usualmente menciono em meu votos, de forma exemplificativa, o regime fiscal da Zona Franca de Manaus, que oferece incentivos fiscais para as empresas que lá se estabelecerem e produzirem, gerando empregos, desenvolvimento econômico/social e, mesmo, arrecadação de tributos para a região. Neste caso, não há qualquer exigência de que as empresas lá estabelecidas tenham propósitos negociais além do gozo do incentivo fiscal em si, para lá se estabelecerem. Isso porque, nenhuma empresa busca a Zona Franca de Manaus em razão da maior proximidade com o mercado consumidor, melhor infraestrutura ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo é o gozo do incentivo fiscal, que seja suficiente para compensar os desafios e dificuldades adicionais. Isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisito da legislação, independentemente da existência de outras razões. Este é um exemplo do caráter indutor da norma, no sentido de que quando a legislação cria um determinado benefício, acaba por induzir o contribuinte a agir de determinada forma. Nesse sentido, entendo que a busca da redução de incidência tributária por si só já se constitui em propósito negocial que viabiliza a reorganização societária, desde que cumpridos os demais requisitos. Nesse sentido este Conselho já possui diversos precedentes: GANHO DE CAPITAL. VENDA DE QUOTAS. PLANEJAMENTO FISCAL ILÍCITO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR CONTÁBIL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor contábil,não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por Fl. 1180DF CARF MF 10 expressa determinação legal. (Acórdão nº 1402001.472 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 09 de outubro de 2013) (***) TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. (...) Outra tese do Fisco que merece análise é a de que os atos praticados poderiam ser desconsiderados, porque não teriam conteúdo econômico (ou propósito negocial), já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Porém, tal afirmativa está em descompasso com o ordenamento jurídico. Como se vê, em última análise, a afirmação do Fisco consiste em sustentar que o planejamento tributário é proibido e que a economia tributária só é admissivel se for acidental. Apenas por isso, já se percebe a improcedência do argumento. Mas, a análise da tese do Fisco confirma o equivoco desta interpretação da fiscalização, pois nem esta motivação vicia o negócio e nem existe lei atribuindo tal efeito. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum As partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um Juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Assim, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicada sequer por juizes aos negócios Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 16327.721148/201523 Acórdão n.º 1401002.835 S1C4T1 Fl. 1.177 11 jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. E, muito menos, poderia ser aplicada pela fiscalização, para efetuar lançamento de oficio. De outra banda, não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios. " (Acórdão n. 1101000.835 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 04 de dezembro de 2012) (***) REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. (Acórdão n. 1201001.507 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016) (***) AGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro anocalendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e de o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. Fl. 1182DF CARF MF 12 MULTA ISOLADA ESTIMATIVA Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN). Recurso parcialmente provido. (Acórdão n. 10516.774 Sessão de 08 novembro de 2007) (***) DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (Acórdão n. 1201001.267 Sessão de 19 de janeiro de 2016) Cumpre destacar trecho do voto proferido no último Acórdão citado, com o qual me coaduno: "(...)Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos." Desta feita, entendo que a ausência de propósito negocial, sob a ótica do fisco, não pode ser suficiente para desconsiderar as operações realizadas, até mesmo porque, a economia tributária pode ser considerada um propósito negocial. Por outro lado, as Recorrentes apresentaram, no meu entender, razões extra tributárias mais do que suficientes para justificar as transações realizadas. Ademais, o ponto central da fundamentação do TVF para sustentar a ausência do propósito negocial é baseado no fato de que todas as empresas eram controladas por uma única família, e que a venda poderia ser feita diretamente pela SOFISA SERVIÇOS. Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 16327.721148/201523 Acórdão n.º 1401002.835 S1C4T1 Fl. 1.178 13 Ora, tais fundamentos da forma que foram postos vão de encontro ao princípio da entidade empresarial. Ou bem as empresas são entidades autônomas, inclusive para fins de tributação, ou bem são uma única entidade empresarial. Ao meu ver, em ambas as alternativas a conclusão que se chega é o mesmo resultado obtido pelas Recorrentes. Se entidades empresariais autônomas, as operações societárias são válidas e foram realizadas licitamente. Se desconsideramos a entidade empresarial, o resultado da tributação seria o mesmo através da venda direta pelo BANCO SOFISA. Por outro lado, apesar de entender que no presente caso a utilização de um benefício fiscal, por si só, já pode se constituir em propósito negocial, no presente caso, diante das provas apresentadas, entendo que as operações também tiveram propósito extra tributário. Como restou comprovado, a venda da SOFCRED não foi negócio isolado, mas correspondia a aproximadamente 25% da operação realizada pelo BANCO SOFISA e SOFISA CFI. Tanto assim que tal contexto se apresenta de forma clara com a publicação de fato relevante na data de assinatura dos contratos. Assim, entendo como razoável o argumento das Recorrentes de que era natural que GVI, controlada pelo Banco Fibra, condicionasse a realização do negócio, o que inclui, mas não se limita à venda de SOFCRED, à participação do BANCO SOFISA na qualidade de alienante. Por ser o controlador das empresas do grupo vendedor e titular das carteiras de crédito e demais operações vendidas, somente se houvesse a concentração dos ativos no BANCO SOFISA é que GVI e Banco Fibra teriam certeza que adquiririam aquilo que lhes interessava e havia sido negociado. Isto é: toda a operação de financiamento de veículos, ao consumidor final, crédito consignado e cartão de crédito, do que SOFCRED era apenas um dos elementos. Ademais, foi o BANCO SOFISA garantidor do negócio realizado, o que reforça a lógica da operação realizada. O BANCO SOFISA e a SOFISA CFI, de sua parte, tinham porte para assumir os compromissos citados. Afinal, detinham PLC e receitas para assim proceder. Outrossim, alegam as Recorrentes que não poderia ser diferente vez que o BANCO SOFISA e SOFISA CFI não podiam ser garantidores de transações de sociedade que lhes fosse controlada e ligada, respectivamente (SOFCRED). Isto porque, a Resolução CMN Conselho Monetário Nacional 2.325/1996 estende as vedações impostas às instituições financeiras na concessão de empréstimos, adiantamentos e financiamentos também à prestação de garantias. Vejase: “Art. 1º Facultar a prestação de garantias por parte dos bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, companhias hipotecárias e cooperativas de crédito. (...) Fl. 1184DF CARF MF 14 Art. 2º Aplicamse à prestação de garantias as mesmas vedações legais e regulamentares impostas às instituições referidas no artigo anterior para a concessão de empréstimos, adiantamentos e financiamentos”. Por sua vez, o artigo 17 da Lei 7.492/1986, que trata de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional dispõe que constitui crime: “Art. 17. Tomar ou receber, qualquer das pessoas mencionadas no art. 25 desta lei, direta ou indiretamente, empréstimo ou adiantamento, ou deferilo a controlador, a administrador, a membro de conselho estatutário, aos respectivos cônjuges, aos ascendentes ou descendentes, a parentes na linha colateral até o 2º grau, consangüíneos ou afins, ou a sociedade cujo controle seja por ela exercido, direta ou indiretamente, ou por qualquer dessas pessoas. Pena Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa." Da interpretação sistemática da Resolução CMN 2.325/1996 com o art. 17 da Lei 7.492/86 entendo assistir razão às Recorrentes. A referida resolução aplica à faculdade de prestar garantias pelas instituições financeiras, as mesmas restrições às instituições financeiras para a concessão de empréstimos. E o art. 17 cita uma clara proibição, e da interpretação sistemática dos dois textos apenas posso concluir que é vedada a prestação de garantias diretas ou indiretas, por qualquer das pessoas mencionadas no art. 25 (administrar e controlador), para controlador, administrador, membro de conselho estatutário, aos respectivos cônjuges, aos ascendentes ou descendentes, a parentes na linha colateral até o 2º grau, consangüíneos ou afins, ou a sociedade cujo controle seja por ela exercido, direta ou indiretamente. Essa é a conclusão a que chego. Assim, entendo estar suficientemente demonstrado o propósito negocial. Entretanto, mesmo que por argumentação se entendesse que não houve propósito por si mesmo nas operações, as demais razões fáticas trazem, no mínimo, uma dúvida acerca da sua alegada inexistência. Nesta feita, entendo que seria aplicável o art. 112 do CTN que determina a interpretação da maneira mais favorável ao contribuinte. Ademais, além de tudo o quanto exposto, como bem observado pelo Recorrente, a operação de venda da SOFCRED não era indispensável para obtenção do mesmo resultado. Isto porque, a controladora poderia deliberar a redução de capital da SOFISA SERVIÇOS com a entrega de SOFCRED pelo valor contábil previamente à venda para GVI. Desta forma, havendo outra forma de se obter o mesmo resultado econômico, não há o que se questionar a operação societária, que foi um claro exercício da liberdade negocial assegurada ao contribuinte. Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 16327.721148/201523 Acórdão n.º 1401002.835 S1C4T1 Fl. 1.179 15 Esse também é entendimento firmado no CARF: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) No mesmo sentido foi o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no Acórdão 1302001.186 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária: Por outro lado, a constituição da NAVPAR teve como propósito possibilitar o aproveitamento do ágio, como afirma a autoridade lançadora? A resposta é irrefragavelmente não, pelas seguintes razões. Primeiro, ninguém discute a existência do ágio e o seu efetivo pagamento pela recorrente aos membros da família Schwec. Logo, mesmo que não existisse a NAVPAR, se a recorrente e a Sogil tivessem adquirido diretamente o controle da Auto Viação Navegantes com ágio, poderiam cindila e passar a deduzir a amortização do ágio das suas bases tributáveis. Logo, fica evidente que esse malabarismo societário se deve a razões meramente empresariais, que os obrigavam a preservar a Auto Viação Navegantes, ou seja, preferindo assim criar uma intermediária. Além disso, caso viesse a ser declarado nulo o ato de constituição da NAVPAR, por ser um ato simulado, subsistiria o ato dissimulado, o qual consistiria em uma participação da recorrente na Auto Viação Navegantes com ágio no mesmo valor que fora registrado na aquisição da NAVPAR, sendo que, por óbvio, para que a sua amortização viesse a ser dedutível do IR e da CSLL, bastava que houvesse a mesma operação que foi feita com a NAVPAR. Logo, ainda que se admita a existência de um pacto prévio de constituição da NAVPAR, este não serviu para dissimular ato tributariamente mais oneroso, pois os efeitos tributários seriam os mesmos caso a NAVPAR não viesse a ser constituída, razão pela qual entendo que não houve simulação fiscal. Fl. 1186DF CARF MF 16 Diante do exposto, entendo assistir razão ao Recorrente razão pela qual supero as preliminares e voto pelo provimento integral do seu Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900429/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 42 9/ 20 14 -5 5 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.900429/201455 Resolução nº 1402000.709 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.900429/201455 Resolução nº 1402000.709 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900429/201455 Resolução nº 1402000.709 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900429/201455 Resolução nº 1402000.709 S1C4T2 Fl. 6 5 nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900429/201455 Resolução nº 1402000.709 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10850.900429/201455 Resolução nº 1402000.709 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10850.900429/201455 Resolução nº 1402000.709 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 153DF CARF MF
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