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Numero do processo: 10480.720461/2010-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, nos termos da Súmula CARF n° 1.
ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA.
1. A não observância no recolhimento de estimativa mensal enseja a aplicação da penalidade prevista na redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96 (reduzida a 50% pela Lei 11.488/2007), dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ tenha apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL no final do período.
2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente.
Numero da decisão: 1802-001.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso na parte que trata da matéria objeto de discussão judicial, e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (Relator), Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho, que cancelavam a multa isolada por falta de estimativas. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, nos termos da Súmula CARF n° 1. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. 1. A não observância no recolhimento de estimativa mensal enseja a aplicação da penalidade prevista na redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96 (reduzida a 50% pela Lei 11.488/2007), dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ “tenha apurado” prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL no final do período. 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 04 61 /2 01 0- 81 Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.346 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso na parte que trata da matéria objeto de discussão judicial, e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (Relator), Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho, que cancelavam a multa isolada por falta de estimativas. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.347 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de IRPJ, relativo aos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, por suposta utilização indevida de benefício fiscal concedido pela ADENE/SUDENE, que refletiu na redução do referido imposto devido e também por recolhimentos a menor do tributo apurado por estimativa. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/REC, através do Acórdão n° 11 32.014, constante às fls. 1.244/1.245: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 16/03/2010, o auto de infração de fls. 02/16, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 712.333,37, incluídos juros de mora e multa proporcional de 75%, e referente a multa isolada no valor de R$ 27.762,34. O crédito tributário é alusivo aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007. 2. De acordo com o auto de infração e com o Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 17/25, o lançamento decorreu das seguintes irregularidades: a) utilização indevida do benefício de redução do imposto em 25%, haja vista que o pleito foi denegado pela Delegacia da Receita Federal no Recife – DRF/Recife, em decisão mantida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife – DRJ/Recife. A empresa recorreu ao Judiciário, buscando anular as decisões, encontrandose o processo em situação desfavorável ao sujeito passivo; b) deduções indevidas de imposto a título de estimativa não efetivamente paga e c) falta de recolhimento do imposto sobre base de cálculo estimada. 3. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração, encontramse no auto de infração e em seus anexos. 4. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 313/355), alegando, em síntese: a) que, em 14/05/2008, ajuizou mandado de segurança objetivando o reconhecimento de seu direito, tendo o MM. Juízo da 9ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco excluído do polo passivo o presidente da 5ª Turma da DRJ/Recife e extinto o processo por entender inadequada a via eleita pela impetrante e em face do decurso do prazo de 120 dias. Não concordando com Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.348 4 a decisão, interpôs recurso de apelação, pendente de julgamento; b) que o direito de usufruir o benefício lhe foi concedido pela Sudene, não podendo a Receita Federal desconsiderar o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. Discorre longamente sobre as razões que julga sustentar sua tese; c) que o auto de infração deve ser anulado por afrontar a constituição e o direito adquirido; d) que, estando seu direito amparado, é também descabida a exigência de multas e de juros; e) que a aplicação da multa isolada ofende o princípio da razoabilidade, vez que a empresa deixou de antecipar imposto que não era devido, além de estar amparada em dispositivos expressamente revogados. Aduz ser inadmissível a concomitância das multas isolada e proporcional, conforme já se manifestou o Conselho de Contribuintes e f) que as sanções impostas no auto de infração afrontam os princípios da capacidade contributiva e da vedação do confisco (cita doutrina). 5. Ao final, requereu se julgue improcedente o lançamento. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora não conheceu da impugnação no tocante à matéria concomitante com a esfera judicial e no demais, manteve o lançamento, conforme sintetiza a seguinte ementa (fls 1.243/1.244): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista na Lei nº 9.430/96. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa exigida em face do não recolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente ao IRPJ devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.349 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do procedimento fiscal. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É a parte dispositiva (fls 1.249/1.250): 26. Ante o exposto, voto por considerar procedente em parte a impugnação, para: a) NÃO CONHECER DA IMPUGNAÇÃO no que se refere ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, por concomitância de matéria na esfera judicial, declarando a definitividade, na esfera administrativa, da exigência tributária formalizada no auto de infração impugnado, ressalvando que a cobrança do débito fica subordinada ao disposto no ADN Cosit nº 3/96, de 14 de fevereiro de 1996; b) CONHECER DA IMPUGNAÇÃO no que concerne às demais matérias, para, quanto a tais aspectos, CONSIDERAR PROCEDENTE o lançamento. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.350 6 Intimada do Acórdão em 26/11/2011 (conforme comprovante de AR juntado às fls. 1.255), interpôs Recurso Voluntário em 27/12/2011, alegando em apertada síntese: a) que possui decisão judicial favorável, nos autos do processo n° 2008.83.00.0105647, reconhecendo seu direito de usufruto ao benefício fiscal concedido pela SUDENE, o que deve sobrestar o julgamento do feito na esfera administrativa, sob pena deste incorrer em decisão conflitante; b) que houve falha na prestação da jurisdição administrativa, na medida em que a turma julgadora a quo não analisou a questão sob argumento equivocado de que não lhe compete analisar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei, deixando de considerar a regularidade no procedimento adotado pelo contribuinte, que ampliou seus investimentos na região e obedeceu a todos os requisitos que regulamentam a questão; c) que houve desrespeito ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito, quando a ADENE desconsiderou retroativamente o benefício concedido através de LAUDO CONSTITUTIVO n° 0050/2005, situação que já estava consolidada e foi objeto de prorrogações sucessivas, através de Leis, sendo imprópria a retirada discricionária de suas condições antes do final de seu termo, citando doutrina e jurisprudência; d) que a multa de ofício é infundada, na medida em que não se pode atestar (I) ausência do recolhimento do tributo, (II) conduta passível de penalidade e (III) mora do contribuinte, penalidade que afronta ao princípio da razoabilidade sobretudo quando é concomitante com a imposição da multa isolada. Ao final, pede pela nulidade da decisão recorrida ou alternativa e sucessivamente pela reforma integral da mesma, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário objeto do lançamento. É o relato do essencial. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.351 7 Voto Vencido Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Inicialmente, em face da admissibilidade e tempestividade recursal, fica constatada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 e do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 – até a definição nesta esfera. Devido à interposição pelo contribuinte de medida judicial que se relaciona à presente exigência, sagaz que primeiramente seja identificada a limitação deste Acórdão tendo em vista o já sumulado por este Conselho: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Neste sentido, a recorrente juntou aos autos desse processo a inicial do Mandado de Segurança impetrado, conforme consta às fls. 386/436, de n° 2008.83.00.010584 7, onde buscou o mérito de validade do “Laudo Constitutivo n° 0050/2005”, expedido pela ADENE, como mesmo se determina (efls. 397 e 407): 14. Esclareçase, neste passo, e aí adentrando ao objeto especifico do presente “Mandamus”, que o novo pleito apresentado no fim de 2004, a fim de que, nos moldes da legislação posterior então vigente, fosse expedido, pela então ADENE, Laudo Constitutivo que concedesse o direito de a empresa pleitear perante a Secretaria da Receita Federal redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, de forma escalonada, devidos sobre o lucro resultante da manutenção, na região, da referida capacidade de produção ampliada entendida como aquela que ultrapasse as 51.811.000 peças/ano, objeto do benefício concedido pela Declaração DAI ITE n° 03061997 vigente até o ano de 2010, e até o limite de 156.295.000 peças/ano obedeceu a todos os requisitos trazidos pelas diversas normas que regulamentavam e regulamentam o tema, a saber, Lei 4239/63, Lei 9532/1997, Medida Provisória n° 2199 – 14, Decreto n° 4.213/2002, Instrução Normativa SRF 267/2002 e portarias da ADENE (Docs. 15 a 20), tendo a empresa, ato contínuo, submetido a Laudo Constitutivo Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.352 8 elaborado pelo Órgão do Ministério da Integração Nacional – o de n° 0050/2005 – à apreciação da primeira nomeada Autoridade coatora – ILMO. SR. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM RECIFE/PE, responsável, nos termos dos artigos 60 e seguintes, da Instrução Normativa SRF n° 267/2002, para deferir o novo benefício. [...] 19. É dizer, como se pode observar, os atos coatores que se combate nestes autos decorrem, principal e diretamente, do ilegal entendimento consignado no Laudo Constitutivo n° 0050/2005, por meio do qual, como já afirmado, em flagrante desrespeito ao direito adquirido e ato jurídico perfeito, com base na Lei 9.532/1997, editada posteriormente aos pleitos iniciais formulados pela Supte., a ADENE entendeu por bem desconsiderar os benefícios por ela deferidos para vigorar até os anos de 2004 e 2010 (respectivamente, incidentes sobre ampliação da capacidade de produção 104.484.000 peças/ano e manutenção do empreendimento na região 51.811.000 peças/ano), determinando a aplicação retroativa da gradação estabelecida na referida legislação, que deveria incidir, segundo considerou, sobre a totalidade da atividade produtiva mantida na região pela Supte. (156.295.000 peças/ano). (Grifouse) Como se observa, a medida judicial versa sobre a validade do Laudo Constitutivo n° 0050/2005, que determinou, com escopo na Lei n° 9.532 de 1997 o seguinte (e fls. 715): Prazo de vigência e percentuais de redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, de acordo com as alterações introduzidas pelo §2°, Incisos I, II e III, do art. 3° da Lei m° 9.532. de 10 de dezembro de 1997: I) 37,5%, a partir de 1° de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II) 25,0%, a partir de 1° de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III) 12,5%, a partir de 1° de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; O referido Laudo Constitutivo reduziu o percentual de redução de 50% que havia conquistado o contribuinte pelo prazo de 10 (dez) anos contados a partir de ano calendário de 1995, através da Portaria DAIITE 02781997. Portanto, a Medida Judicial impetrada afasta do conhecimento desta esfera administrativa, nos termos da Súmula supra colacionada, da validade do Laudo Constitutivo n° Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.353 9 0050/2005, bem como, daquilo que ele estabelece, a saber, a redução gradativa do percentual de redução do tributo (benefício fiscal) nos anoscalendário que estabelece. Neste ponto, o lançamento atingiu o excedente redutor nos anoscalendário seguintes (2005, 2006 e 2007), no percentual de 25% (vinte e cinco por cento), conforme destacase do Termo de Encerramento de Ação Fiscal lavrado às efls. 21: 19. Vale esclarecer que, também com relação a essa dedução, o contribuinte não se conformando com as decisões administrativas contrárias aos seus interesses, veio impetrar o Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0105647, distribuído para a 9a Vara Federal, pedindo a concessão de decisão liminar “inaldita altera pars” para que as autoridades impetradas abstenhamse de promover quaisquer atos tendentes à cobrança das diferenças retroativas do tributo, e a sentença em definitivo, para anular as decisões administrativas que não lhe reconheceram o direito à redução do Imposto de Renda sobre o lucro da exploração incidente sobre a sua capacidade de produção ampliada, assim entendida aquela que ultrapassar as 51.811.000 peças/ano. 20. Esse Mandado de Segurança não teve decisão liminar concedida e a sua sentença foi desfavorável ao contribuinte. Atualmente, o processo encontrasse (sic) em fase de julgamento da sua Apelação, pelo TRF – 5a Região. Parte do lançamento foi feito com exigibilidade suspensa, por ter o contribuinte medida liminar que lhe assegurara o direito da aplicação do índice redutor primeiramente determinado, de 50% (cinquenta por cento) efls 20: 15. Outrossim, o contribuinte, também, impetrou a Ação Judicial em Mandado de Segurança n° 2006.83.00.0136751, distribuído para a 21a Vara Federal, pleiteando prosseguir usufruindo da redução de 50% do IRPJ devido sobre o lucro da atividade incentivada, como concedido pela Portaria DAÍ/ITE (sic) 0306/1997; sobre a qual conseguiu decisão favorável (Liminar e Segurança). Processo esse que, atualmente se encontra em faze (sic) de julgamento da apelação da Fazenda Pública no TRF da 5a Região. 16. Por isso, o lançamento de ofício referente a essas glosas será efetuado com exigibilidade suspensa, em atendimento ao preconizado no parágrafo IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN; e sem a cobrança da multa de ofício, como previsto no artigo 63 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 70 da Medida Provisória 2.15835/2001. Ambas as disposições não podem ser analisadas nesta esfera, evitando assim que hajam decisões dissonantes quanto ao mesmo escopo. Feitas essas considerações, não se conhece do Recurso Voluntário interposto quanto às questões de validade, abrangência e redução do tributo objeto desse lançamento, dada a existência de medida judicial em discussão sobre a matéria, conforme os tópicos a seguir: Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.354 10 Da existência de Decisão Judicial Reconhecendo o Direito da Recorrente ( a decisão não está transitada em julgado) e; Da Correta Utilização do Benefício Fiscal Concedido à Recorrente Assim, passase à análise do tópico “Da Inexistência de Fundamento para a Aplicação de Multa de Ofício, Dos Juros de Mora e da Multa Isolada”. Neste ponto, a autoridade fiscal dandose conta do não adimplemento do tributo devido pelas estimativas, exigiu a multa de ofício de que trata o art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Adicionalmente, entendeu a autoridade fiscal ainda pela incidência da multa isolada de que trata a segunda parte do artigo supracitado: [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [...] Ora, já está consolidado o entendimento de que é incabível a exigência concomitante da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas e de ofício pela falta de pagamento. Isto ocorre do fato de que o lucro da Pessoa Jurídica é apurado em 31 de dezembro de cada ano, tendo o recolhimento das estimativas, cunho antecipatório, conforme destacado no julgado que colaciono a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.355 11 diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O TRIBUTO DEVIDO PELO CONTRIBUINTE SURGE QUANDO É O LUCRO APURADO EM 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF/0105.875, PA 10384.000638/200479, Marcos Vinícius Neder de Lima, da Sessão: 23/06/2008) Assim sendo, incabível a aplicação da multa isolada in casu, eis que as estimativas tem cunho de antecipação e não de tributo devido, devendo ser provido o recurso nesta parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer das matérias concomitantes ao discutido na esfera judicial e no demais, dar PARCIAL provimento ao recurso voluntário para afastar a multa isolada. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.356 12 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. Cabe inicialmente registrar que a previsão dessa penalidade estava contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, conforme o inciso IV do §1º deste artigo, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... III .......... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Atualmente, esta penalidade está prevista no art. 44, II, “b”, da mesma lei, conforme as alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007, e fixada em 50%, percentual que já foi aplicado no presente caso. Ao determinar que a multa isolada será aplicada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido no anocalendário correspondente, a norma legal evidencia aspectos importantes. Primeiramente, a clareza do texto não admite outra leitura, senão a de que a referida multa será aplicada “ainda que (a pessoa jurídica) tenha apurado prejuízo fiscal ou Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.357 13 base de cálculo negativa (...)”. Não há espaço para outra interpretação, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, um entendimento contrário (de que essa multa não incidira em caso de prejuízo ...) implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido na alínea “b” acima transcrita (ainda que tenha apurado prejuízo ...). Vêse também que o texto diz “ainda que tenha apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha apurar prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tais aspectos não deixam nenhuma dúvida de que as estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual, em 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu recolhimento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação subsiste mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido no ajuste. Com mais razão, portanto, ela deve existir quando há tributo devido ao final do ano, e é esse o nosso caso. Realmente não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido no ajuste), e, sendo assim, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. É preciso ressaltar que não há um regime de tributação de IRPJ/CSLL em que o contribuinte apure o tributo anualmente e o recolha somente no ajuste, com vencimento no último dia útil do mês de março do ano subseqüente. O que há é um regime de apuração anual (opcional) no qual o contribuinte fica obrigado a realizar recolhimentos mensais no decorrer do ano, por meio de estimativas, ressalvada a possibilidade de suspender ou reduzir estes recolhimentos mensais mediante a elaboração de balancetes cumulativos de suspensão ou redução desta obrigação. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.720461/201081 Acórdão n.º 1802001.876 S1TE02 Fl. 1.358 14 Fosse o caso de um tributo com fato gerador instantâneo, ocorrido em 31 de dezembro, e com vencimento no mês de março subseqüente, todo o problema relativo ao descumprimento da obrigação estaria resolvido (compensado) pela multa normal de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, com as suas devidas majorações, quando cabíveis. Mas tratandose de tributo com fato gerador complexivo, como é o caso do IRPJ e da CSLL, em que a opção pela apuração anual impõe também a obrigação de recolhimentos mensais (as chamadas “antecipações”), a multa de 75% no ajuste, embora puna o descumprimento da obrigação vencida em março do ano seguinte (ajuste anual), não resolve todos os problemas, porque ela não compensa o atraso no ingresso dos recursos, que deveriam ter sido recolhidos ao longo do próprio ano. O prejuízo sofrido pelos cofres públicos em relação ao atraso nas “antecipações” ficaria a descoberto, não fosse a multa isolada em questão, que está prevista justamente para preencher esta lacuna, dando eficácia ao regime de apuração anual com estimativas mensais. Se não houvesse essa multa isolada, nenhum contribuinte faria recolhimento de estimativas mensais, deixando para recolher todo o tributo de uma só vez, e somente no ajuste, em março do ano seguinte. Vejo com bastante clareza que a multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Com efeito, estamos diante de penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. Nestes termos, havendo falta ou insuficiência no recolhimento de estimativas, é perfeitamente cabível a aplicação da multa isolada em pauta. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a essa matéria. (ASSINADO DIGITALMENTE) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16045.000565/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005
PESSOA FÍSICA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA MÃO-DE-OBRA PELA SISTEMÁTICA DO CUB. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EFETUADO SEM A PRÉVIA EMISSÃO DE ARO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Nos termos das disposições da IN 971/09, antes do lançamento das contribuições devidas pela regularização de obra de construção civil com matrícula CEI é necessária a prévia expedição do competente Aviso de Regularização de Obra - ARO. A ausência da emissão de ARO, deixa o julgador a mercê dos limites do lançamento efetuado, não podendo aferir, à míngua da existência de outras informações no relatório fiscal da infração, qual o período de início e finalização da obra de construção civil, sequer detendo elementos para efetuar a contagem do prazo decadencial.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 PESSOA FÍSICA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA MÃO-DE-OBRA PELA SISTEMÁTICA DO CUB. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EFETUADO SEM A PRÉVIA EMISSÃO DE ARO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Nos termos das disposições da IN 971/09, antes do lançamento das contribuições devidas pela regularização de obra de construção civil com matrícula CEI é necessária a prévia expedição do competente Aviso de Regularização de Obra - ARO. A ausência da emissão de ARO, deixa o julgador a mercê dos limites do lançamento efetuado, não podendo aferir, à míngua da existência de outras informações no relatório fiscal da infração, qual o período de início e finalização da obra de construção civil, sequer detendo elementos para efetuar a contagem do prazo decadencial. Recurso voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA MÃODEOBRA PELA SISTEMÁTICA DO CUB. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EFETUADO SEM A PRÉVIA EMISSÃO DE ARO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Nos termos das disposições da IN 971/09, antes do lançamento das contribuições devidas pela regularização de obra de construção civil com matrícula CEI é necessária a prévia expedição do competente Aviso de Regularização de Obra ARO. A ausência da emissão de ARO, deixa o julgador a mercê dos limites do lançamento efetuado, não podendo aferir, à míngua da existência de outras informações no relatório fiscal da infração, qual o período de início e finalização da obra de construção civil, sequer detendo elementos para efetuar a contagem do prazo decadencial. Recurso voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 05 65 /2 01 0- 91 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16045.000565/201091 Acórdão n.º 2401002.626 S2C4T1 Fl. 74 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo ADELINA MUNHOZ GAGO, irresignada com o acórdão de fls. 52/54, que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.317.1994, por meio do qual foram lançadas contribuições sociais parte empregador destinadas ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Depreendese do relatório fiscal que o fato gerador foi a execução da obra de construção civil do tipo alvenaria residencial, localizada na Avenida Bernardino de Campos 141, executada sob a responsabilidade da recorrente, tendo em vista que o proprietário apresentou projeto, o qual foi matriculado no Cadastro de Obras da Receita Federal do Brasil, e não comprovou a regularização da situação do imóvel após convocação, sendo em conseqüência lavrado o presente auto. Os valores de mãodeobra lançados foram obtidos pela aplicação do CUB vigente em agosto de 2010 e o relatório fiscal apresentou os discriminativos de recolhimentos efetuados e considerados na obra nos períodos de 04/2005 a 07/2005. O lançamento compreende as competências de 04/2005 a 07/2005, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 17/12/2010 (fls. 22). Impugnado o lançamento a autuada asseverou haver equívoco no lançamento pois o endereço Avenida Bernardino de Campos 141, referese a prédio assombrado de propriedade da mesma desde 1974, nos termos da escritura de compra e venda juntada aos autos, imóvel este no qual inclusive reside a recorrente. Acresceu que tal fato originouse de ação da própria recorrente em ter requerido e obtido a aprovação do projeto para reforma e ampliação de seu imóvel de uso comercial sito à Rua Major Oliveira Borges, n" 176/178 Centro Lorena SP, conforme projeto n° 6.600/2004, aprovado em 19/04/2005; matriculada no CEI n" 50.01839641/66 com o endereço errado, fazendo constar o endereço de sua residência, ou seja, Avenida Bernardino de Campos, n° 141 Centro Lorena SP, quando o correto seria Rua Major Oliveira Borges, no 176/178 Centro Lorena SP. À fls. 93, diante das alegações da impugnante no sentido de que a fiscalização utilizouse de endereço e metragem não condizente com a obra da matrícula CEI n. 50.01839641/66, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para que a recorrente apresentasse a documentação que demonstrasse a efetiva vinculação de referida matrícula com o imóvel situado à Raua Major Oliveira. Apresentada resposta, o v.acórdão de primeira instância achou por bem acatar em parte os argumentos da recorrente. Na oportunidade constatou a ocorrência de erro material quanto ao endereço da obra e retificou o lançamento via ARO (expedido após prolatado julgamento de primeira instância), alterando a natureza da obra de residencial para comercial, além de alterar a metragem da obra a ser regularizada, fundamentandose nos seguintes argumentos: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Todavia, a Certidão de Lançamento de IPTU nº 592/2008 de fl. 132, referindose ao imóvel da rua Major Oliveira Borges, nº 174, 176 e 178, indica a existência já desde 1958, e, portanto, em período abrangido pela decadência, de uma área de 216,00 m2,, e, a partir de vistoria feita em 2008, uma ampliação de 283,95 m2, totalizando 499,95 m2. Dessa maneira, cotejandose esta informação com as áreas informadas no projeto de fl. 150, bem assim , à ART de fl. 123, temos que há que se considerar como decadente os 216,00 m2, mas, considerar como passível de cobrança a ampliação de 283,95 m2 (conforme Certidão de Lançamento do IPTU), a ampliação de 78,73 m2 (constante do projeto aprovado), além da reforma dos 189,40 m2 e da demolição de 9,40 m2. Em relação à área de 644,48 m2 constante do projeto de fl. 150, como já existente, isto não indica que tal área já esteja regularizada, até porque nos documentos cartoriais imobiliários apresentados não há referência a metragem construída de prédio neste imóvel. Assim, se por um lado há que se aceitar a afirmação pública de edificação dos 216,00 m2 já desde o ano de 1958, por outro lado, não se pode automaticamente pressupor que a ampliação constatada pela Edilidade esteja imune de regularização, porquanto, pelos elementos constantes dos autos, nenhuma área é mencionada como averbada ao imóvel. Dessa maneira, do total de 713,81 m2, originariamente objeto de cobrança, como área residencial, há que se retificar o lançamento para (todas áreas comerciais): a) área nova de 362,68 m2 (283,95 m2 + 78,73 m2); b) demolição de 9,40 m2; e, c) reforma de 189,40 m2. Além do mais, considerou como decadentes a área de 216,00m2, por entendêla construída desde 1958. Em seu recurso sustenta que a certidão de lançamento do IPTU n. 0592/2008 considerou que a área total construída é de 499,95m2 e que a ampliação levada a efeito em 2005 de 78,73m2, já estava incluída na área total construída (499,95m2 – 78,72m2 = 421,22m2), de modo que, a área que deveria ter sido regularizada é somente de 205,22m2 (421,22m2 – 216m2 = 205,22m2). Completa argumentando que de acordo com a escritura do imóvel data de 25 de abril de 1984, não existe qualquer descrição em seu bojo de área construída, sendo que a única reforma e ampliação do imóvel ocorreram com a aprovação da planta na prefeitura em 19 de abril de 2005, protocolo 6.600/04, de modo que a área que sustenta a fiscalização deveria ter sido regularizada é a relativa a modificações no imóvel feitas antes de 2005, pelo falecido pai da recorrente, estando abarcada pela decadência. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16045.000565/201091 Acórdão n.º 2401002.626 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. PRELIMINARMENTE Dantes mesmo de adentrar aos fundamentos constantes no Recurso voluntário, verifico a ocorrência de situação que me causou fundada dúvida quando da análise dos fundamentos do lançamento. Da leitura do relatório fiscal verifiquei que o mesmo não se refere a prévia emissão de ARO – Aviso de Regularização de Obra, para que se procedesse ao lançamento das contribuições devidas pela obra de construção civil inscrita na matrícula CEI n. 50.01839641/66. Ao folhear os autos, também percebi que em momento algum constou a indicação do ARO de modo a demonstrar quais as competências da mão de obra empregada na obra de construção civil, bem como a data considerada pela fiscalização como de início e de finalização da obra de construção civil. Percebi, no entanto, que a recorrente foi intimada a comparecer às dependências da SRFB, munida de documentação da obra, sendo que, “o não comparecimento no prazo de 10 dias ensejará a emissão do aviso de regularização de obra ARO de oficio e o encaminhamento A Seção de Fiscalização para adoção das providências cabíveis.” Mesmo assim, da análise detida dos autos, verifiquei deles não constar a prévia emissão do documento antes do lançamento, de acordo com o que dispõe a IN 971/09, a seguir: Subseção II Do Aviso para Regularização de Obra (ARO) Art. 340. Para as pessoas jurídicas sem contabilidade regular e para as pessoas físicas, a partir das informações prestadas na DISO, após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, será expedido pela RFB o ARO, em 2 (duas) vias, destinado a informar ao responsável pela obra a situação quanto à regularidade das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração aferida, sendo que: I uma via do ARO deverá ser assinada pelo responsável pela obra ou por seu representante legal e anexada à DISO; II uma via será entregue ao responsável pela obra ou ao seu representante legal. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 § 1º Havendo contribuições a recolher, e caso o responsável pela obra ou o seu representante legal se recuse a assinar o ARO, o servidor anotará no mesmo o comparecimento e a recusa em assinar, indicando o dia e a hora em que o sujeito passivo tomou ciência do ARO. § 2º No cálculo da remuneração despendida na execução da obra e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da sua emissão, antecipando se o prazo de recolhimento para o dia útil imediatamente anterior, se no dia 20 (vinte) não houver expediente bancário. § 3º O ARO deverá ser emitido até o último dia útil da competência seguinte ao da protocolização da DISO, caso em que serão usadas as tabelas do CUB da competência de emissão do ARO referentes ao CUB apurado para o mês anterior. § 4º Caso as contribuições não sejam recolhidas no prazo previsto no § 2º, o valor devido sofrerá acréscimos legais, na forma da legislação vigente. § 5º O contribuinte poderá requerer o parcelamento das contribuições apuradas indiretamente no ARO. § 6º Não tendo sido efetuado o recolhimento nem solicitado o parcelamento espontâneo, o ARO será encaminhado à Delegacia ou Inspetoria da Receita Federal do Brasil para a constituição do crédito, no prazo de 60 (sessenta) dias após a data de sua emissão. Ora, as disposições sobre o tema são claras, no sentido de que em casos como o presente, deveria haver a prévia expedição do ARO, para que, somente então viessem a ser lançadas as contribuições previdenciárias tidas por devidas em relação a obra de construção civil. A ausência do ARO traz fundada dúvida ao lançamento, pois da forma como está fundamentado o relatório fiscal do lançamento, sequer é possível aferirse com certeza, qual é o período de execução da obra de construção civil em questão, ou mesmo a data de seu início ou mesmo aquela considerada pela fiscalização como de seu término. A meu ver, o lançamento efetuado da forma como o foi, sequer tem força suficiente a demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, em clara ofensa ao que determina o art. 142 do CTN, a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O relatório fiscal, a meu ver, não possui qualquer descrição precisa acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições e que permita a recorrente exercer a contento sua defesa. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16045.000565/201091 Acórdão n.º 2401002.626 S2C4T1 Fl. 76 7 Vejamos o que dele consta: “Constitui Fato gerador deste levantamento a execução da obra de construção civil identificada na inicial, executada sob a responsabilidade do contribuinte, tendo em vista que o proprietário apresentou projeto, o qual foi matriculado no Cadastro de Obras da Receita Federal do Brasil, e não comprovou a regularização da situação do imóvel após convocação, sendo em conseqüência lavrado o presente auto. 4. Em análise ao Cadastro de Obra de Construção Civil constante dos arquivos informatizados da Receita Federal do Brasil, considerando o projeto de construção aprovado pela Prefeitura, e à luz da legislação aplicável à matéria, utilizandose a tabela de Custo Unitário Básico — CUB, vigente em agosto de 2010, competência constante do relatório de lançamentos, parte integrante deste Auto, apurouse o custo da mãode obra, e conseqüentemente a contribuição originária devida, conforme levantamento identificado como CC — Construção Civil. 4.1. Abaixo descritivo da apuração de mão de obra da obra em questão, cálculo das contribuições devidas e discriminativo dos valores recolhidos com Atualização: CUB (SP 01): R$ 1.326,03/m 2 : E nada mais explicitou sobre o lançamento, a não ser mencionando que houve recolhimento parcial das competências de 04/2005 a 07/2005. A falta de elementos constantes do relatório fiscal, de fato, não me deixa tomar outra conclusão senão pela sua nulidade, já que percebo que sequer tenho condições de identificar a efetiva ocorrência do fato gerador, seja pela ausência do ARO, seja pelo fato do arbitramento pelo CUB não trazer elementos que demonstrem os fundamentos adotados no lançamento. O lançamento, portanto, carece de substância, de conteúdo, já que a mera indicação dos cálculos pelo CUB, por si só, não demonstra a ocorrência do fato gerador, qual seja mão de obra empregada na obra de forma irregular ou mesmo a menor, diante da metragem dela constante. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 13771.000395/2002-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. OMISSÃO RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
É dever de o contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Os rendimentos provenientes de proventos de aposentadoria são tributáveis por expressa determinação legal, independentemente de o sujeito passivo ser
maior de 65 anos. Assim, constatado a sua ausência, na Declaração de Ajuste Anual, é dever da autoridade fiscal responsável pela revisão adicioná-los à base de cálculo eventualmente declarada, para fim de apuração do total do
imposto devido.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista
em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-000.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Nelson Mallmann
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. OMISSÃO RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. É dever de o contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Os rendimentos provenientes de proventos de aposentadoria são tributáveis por expressa determinação legal, independentemente de o sujeito passivo ser maior de 65 anos. Assim, constatado a sua ausência, na Declaração de Ajuste Anual, é dever da autoridade fiscal responsável pela revisão adicioná-los à base de cálculo eventualmente declarada, para fim de apuração do total do imposto devido. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-01T19:16:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2133439_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-01T19:16:30Z; Last-Modified: 2010-12-01T19:16:30Z; dcterms:modified: 2010-12-01T19:16:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2133439_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:0172f622-69cb-45c0-8302-74668b4f924f; Last-Save-Date: 2010-12-01T19:16:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-01T19:16:30Z; meta:save-date: 2010-12-01T19:16:30Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2133439_0.doc; modified: 2010-12-01T19:16:30Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-01T19:16:30Z; created: 2010-12-01T19:16:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-12-01T19:16:30Z; pdf:charsPerPage: 2353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-01T19:16:30Z | Conteúdo => S2-C2T2 Fl. 1 1 S2-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13771.000395/2002-31 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202-00.911 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de novembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente NÍLSON FÁVARO BERMUDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. OMISSÃO RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. É dever de o contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Os rendimentos provenientes de proventos de aposentadoria são tributáveis por expressa determinação legal, independentemente de o sujeito passivo ser maior de 65 anos. Assim, constatado a sua ausência, na Declaração de Ajuste Anual, é dever da autoridade fiscal responsável pela revisão adicioná-los à base de cálculo eventualmente declarada, para fim de apuração do total do imposto devido. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN 2 ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antônio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN Processo nº 13771.000395/2002-31 Acórdão n.º 2202-00.911 S2-C2T2 Fl. 2 3 NÍLSON FÁVARO BERMUDES, contribuinte inscrito no CPF/MF 035.910.187-91, com domicílio fiscal na cidade de Vila Velha – Estado do Espírito Santo, na Rua Vinícius Torres, nº 25 – Apto 401 - Bairro Praia da Costa, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória - ES, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 39/42, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro – RJ II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 47/48. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 15/02/2002, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 17), com ciência através de AR, em 27/03/2002 (fls. 24), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 48.051,16 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2000, correspondente ao ano-calendário de 1999. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de proventos de aposentadoria no valor de R$ 117.906,97, cujos ajustes de deduções resultou na base de cálculo de R$ 100.782,15, resultando um imposto a pagar de R$ 23.395,09, acrescidos dos acréscimos legais. Infração capitulada artigos 1º ao 3º, da Lei nº 7.713, 1988; artigos 1º ao 3º da Lei nº 8.134, de 1990; artigos 3º, 11 e 32 da Lei nº 9.250, de 1995 e artigo 21 da Lei nº 9.532, de 1997. Irresignado com o lançamento, o autuado, apresenta, tempestivamente, em 24/04/2002, a sua peça impugnatória de fls. 01/02, instruído pelos documentos de fls. 03/21, solicitando que seja acolhida à impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que o requerente, em 26 de outubro do ano próximo passado, atendendo solicitação da Receita Federal prestou esclarecimentos acerca do imposto que lhe está sendo cobrado e juntou documentos comprovando que não houve de sua parte má fé, dolo ou qualquer tipo de sonegação do aludido imposto; - que como se vê dos esclarecimentos prestados àquela ocasião o requerente foi vítima de um entendimento errôneo da Procuradoria Geral da Justiça — Ministério Público Estadual — Órgão ao qual está vinculado, eis que tão logo tomou conhecimento da decisão desfavorável à sua pretensão, pretendeu por várias vezes restabelecer o desconto em seu contracheque, mas não logrou êxito sobre o fundamento de que não havia sido comunicada sobre qualquer outra decisão revogando a liminar. No seu entendimento — diz-se da Procuradoria — se fosse atendido o pedido do requerente estaria descumprindo a decisão judicial — liminar — o que acabou prejudicando o requerente; - que depois da insistência do requerente, a Procuraria culminou por deferir o pedido, restabeleceu o desconto na fonte e passou a efetuar mensalmente, a reposição como permite a legislação; - que como o requerente está fazendo a reposição requer a V. S. seja julgado insubsistente ou sobrestado o mencionado auto de infração, até que seja concluído o pagamento. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN 4 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ II concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que o recorrente alega que suas inúmeras tentativas junto à fonte pagadora com intuito de retomar a retenção de imposto de renda na fonte são hábeis a demonstrar sua boa intenção e afastar assim o procedimento de oficio originário do Auto de Infração aqui analisado; - que, primeiramente, deve-se destacar que a atividade administrativa de lançamento caracteriza-se por ser vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, tal como adverte o parágrafo único do art. 142 da Lei n 2 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); - que é dever da autoridade administrativa ao recepcionar as declarações, quer sejam originais, quer sejam retificadoras, verificar a correção das informações nelas prestadas. Se da revisão da declaração de rendimentos apresentada for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de oficio, mediante a lavratura de auto de infração; - que feitas tais considerações, importa-nos dizer que não se observam máculas no ato administrativo do lançamento, pois este atende aos requisitos formais exigidos pelo art. 10 do Decreto n2 70.235, de 1972, além de não resultar de agente incompetente ou implicar em cerceamento do direito de defesa. Assim sendo, impossível cogitar em nulidade do ato administrativo ora analisado; - que, por fim, cumpre esclarecer que, em se tratando de matéria tributária, não importa se a pessoa física deixou de atender às exigências da lei por má-fé, ou por intuito de sonegação ou, ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido ou desconhecimento. A infração é do tipo objetiva, na forma do art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato."; - que a existência ou não de intenção só se presta a mensurar a intensidade da sanção, senão vejamos: a multa de oficio de 75%, prevista no inciso I, é devida nos casos de declaração inexata, ou seja, de equívoco do contribuinte, independentemente da intenção do agente de fraudar o fisco, por oposição ao disposto no inciso II do mesmo dispositivo. Com efeito, se restasse comprovado nos autos a intenção dolosa do contribuinte de fraude, o percentual aplicável seria o da multa qualificada de 150% estabelecida no inciso II. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável, derivando- se de disposição expressa de lei. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN Processo nº 13771.000395/2002-31 Acórdão n.º 2202-00.911 S2-C2T2 Fl. 3 5 Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 29/08/2007, conforme Termo constante às fls. 43/46, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (19/09/2007), o recurso voluntário de fls. 47/48, instruído pelo documento de fls. 49, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelo argumento de que sofrendo o desconto na fonte, conta então a seu favor um valor já reembolsado aos cofres públicos da União da ordem de R$ 55.812,75, conforme comprova a declaração em anexo expedida pelo órgão competente da Procuradoria Geral de Justiça deste Estado, ao qual está vinculado o recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN 6 O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. No presente litígio está em discussão, como se pode verificar no Auto de Infração, especificamente na descrição dos fatos e enquadramento legal, omissão de rendimentos decorrentes dos proventos de aposentadoria recebidos pelo suplicante e não declarados em sua Declaração de ajuste Anual, de acordo com documentação apresentada pelo próprio contribuinte. Quanto à matéria de mérito, em si, o próprio suplicante em sua peça recursal concorda de que o valor do imposto de renda não pago, questionado na justiça, é devido. Não tenho dúvidas de que é dever da autoridade administrativa ao recepcionar as declarações, quer sejam originais, quer sejam retificadoras, verificar a correção das informações nelas prestadas. Se da revisão da declaração de rendimentos apresentada for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de oficio, mediante a lavratura de auto de infração. Assim, vê-se o quão acertado foi o procedimento do Fisco, ao submeter os rendimentos omitidos à tributação. Não haveria outra forma de se proceder senão essa, já que o contribuinte discutia judicialmente a tributação dos rendimentos recebidos (proventos de aposentadoria). Enfim, é dever de o contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Os rendimentos provenientes de proventos de aposentadoria são tributáveis por expressa determinação legal, independentemente de o sujeito passivo ser maior de 65 anos. Assim, constatado a sua ausência, na Declaração de Ajuste Anual, é dever da autoridade fiscal responsável pela revisão adicioná-los à base de cálculo eventualmente declarada, para fim de apuração do total do imposto devido. Quanto à alegação de que não é devedor da importância apontada no Demonstrativo de Débito anexo à referida intimação, tendo em vista que o imposto reclamado já foi descontado do recorrente pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo, conforme consta do documento juntado às fls. 49. Ora, com a devida vênia, não é de competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise de recolhimentos de tributos após a instauração do processo administrativo fiscal. A análise do recolhimento, por ventura, efetuados após a lavratura do Auto de Infração, compete a autoridade executora do acórdão. É nesta fase que o contribuinte deve se preocupar em apresentar a documentação hábil e idônea para comprovar a liquidação do Auto de Infração. Por fim, cabe tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade e dos acréscimos legais. No que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva e não confisco), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN Processo nº 13771.000395/2002-31 Acórdão n.º 2202-00.911 S2-C2T2 Fl. 4 7 autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontram-se elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitando-os às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressalte-se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituir-se em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2 , do art. 7 , do Dec. n 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídico-tributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 - autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindo-se ele contra lançamento efetuado. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN 8 (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídico-processual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Note-se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando-se em conta a ausência de má-fé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendê-lo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN Processo nº 13771.000395/2002-31 Acórdão n.º 2202-00.911 S2-C2T2 Fl. 5 9 lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5 , XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o ITR é um tributo de natureza patrimonial, pois é calculado levando-se em consideração a dimensão do imóvel, o Valor da Terra Nua da propriedade e o percentual de utilização da sua área aproveitável, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ainda, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta - sob o ponto de vista formal - a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no Fl. 76DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN 10 seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá-la-ia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulgue-a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta-se-lhe, tão-somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imagine-se se assim não fosse, facultando-se ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negar-lhe executoriedade por entendê-la, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticar-se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 77DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN Processo nº 13771.000395/2002-31 Acórdão n.º 2202-00.911 S2-C2T2 Fl. 6 11 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 11060.002335/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/POA (Fls. 635), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 01 a 14) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física dos anos calendário 2004, 2005 e 2006, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 15.851,23, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora. em decorrência da apuração de rendimentos classificados RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 02 33 5/ 20 09 -1 1 Fl. 711DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 712 2 indevidamente na DIRPF, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 155 a 182. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. I. Lançamento, contra o contribuinte, de juros de mora já lançados contra a FATEC, bis in idem tributário. a) A Auditoria lançou, a débito do Contribuinte, juros de mora calculados pela taxa Selic incidentes sobre o Imposto de Renda lançado com base nas bolsas recebidas. b) Ocorre que, recentemente, juros de mora incidentes sobre a mesma base de cálculo, qual seja, Imposto de Renda da Pessoa Física, foram lançados contra a Fundação de Apoio á Tecnologia e Ciência. c) Os juros foram lançados contra a FATEC, juntamente com multa, em razão da falta de recolhimento do IR na fonte. Apesar de se tratar de um título de recolhimento diferente, eventualmente sob uma alíquota diferente, é óbvio que tratase do mesmo imposto que está sendo cobrado da contribuinte, sobre o mesmo fato gerador; logo, sendo idêntica a natureza do principal, idêntica é a natureza do acessório. Transcreve o disposto no art. 4º do CTN. d) Pelo exposto, requer a decretação da nulidade do Auto dc Infração. II. Boafé. Uso arraigado da isenção nas fundações. Fiscalização dentro do período que não apontou irregularidade. Basicamente, o AFRFB encarregado do cumprimento do MPF apresentou, como motivo para o Lançamento de Ofício, a acusação de que o Contribuinte teria apresentado, nos anosbase afetados, "declaração inexata", fundamentando a opção no art. 841, III do RIR/99. No caso, a "inexatidão" consistiria em "classificação indevida de rendimentos na DIRPF", consubstanciada pela declaração, na qualidade de rendimento isento, de bolsas recebidas pelo Contribuinte no período afetado. Ocorre que o Contribuinte, ao classificar suas Bolsas como rendimento nãotributável, não errou nem agiu de máfé. Ao revés, seguiu orientação da Lei e de seus regulamentos, bem como das práticas reiteradamente adotadas pela DRF de Santa Maria na interpretação do alcance e da incidência da isenção concedida pelas leis 8.958/94 e 9.250/95 e seus regulamentos, notadamente o Dec. 5.205/04. Ou seja, não se trata de inexatidão; mas sim. da aplicação de uma interpretação juridicamente válida e até então pacificamente aceita, e compartilhada pelos próprios AFRFB lotados em Santa Maria. Vale dizer que o entendimento do contribuinte, que era também o da Receita, é no sentido de que suas bolsas são NÃOTRIBUTÁVE1S, embora a Declaração não lhe permita fazer diferença entre essa natureza e a de "receita isenta". Fl. 712DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 713 3 Em 31 de maio de 2001, o Auditor Fiscal da Receita Federal Jorge Wagner Berguenmaier Corrêa intimou a Fundação, pelo MPF 1010300 2001 000714, referente às bolsas pagas, onde então verificou o cumprimento das obrigações fiscais. Logo. Houve fiscalização sobre os mesmos fatos analisados pela presente autuação, sem que fosse apontada a suposta irregularidade agora lançada. Como houve fiscalização específica sobre o cumprimento das obrigações fiscais relativamente às bolsas de estudo e pesquisa, com análise de toda a documentação pertinente, restou consolidado o entendimento de que as bolsas em questão não sofrem a incidência do IRRF. Por conseguinte, este critério jurídico deve ser respeitado, até o momento em que a administração muda de entendimento. Como no caso em tela tratamos de modificação de interpretação jurídica, e não erro de fato, deve vigorar o entendimento que até então era aceito. Nesse sentido, o contribuinte cita a doutrina. Transcreve ementas da jurisprudência judicial. Pelo exposto, requer que, cm face de ter o Contribuinte agido: A) com base em prática arraigada em situações de fato e de direito análogas ou idênticas; B) de ser tal prática aceita pelas autoridades competentes; C) de ler sido o sistema de bolsas da FATEC. No qual se origina a matéria de fato, ter sido sucessivamente fiscalizado em 1996, 2001 e 2005, com ênfase especial em 2001, e de não ter sido constatada nenhuma infração em tais ocasiões, corroborando a prática em vigor; D) de ter agido o Contribuinte de boafé, ao declarar suas bolsas como nãotributáveis, de acordo com o informe assim rotulado, que lhe foi entregue pela FATEC; E) de acreditar a contribuinte, assim como já interpretou a SRF, que as bolsas que recebeu são, de fato e de direito, nãotributáveis, como abaixo se comprovará. Seja o Auto de Infração Anulado, por conter multa e juros de mora indevidos, a teor do disposto no art. 100, § único do CTN. III. Efeito confiscatório art. 150, IV da CF Princípio dos motivos determinantes. O Auto de Infração deve ser anulado, por representar o uso indevido da legislação tributária com intenção confiscatória proibida pela Constituição Federal. IV. Configuração dos requisitos para isenção Está ao abrigo da isenção preconizada pelas leis 8.958/94, 9.250/95 e pelo Decreto 5.205/04. Suas atividades preenchem plenamente os requisitos estabelecidos pela legislação; ou seja, sua declaração, nesse sentido e contexto, foi perfeitamente exata, afastando o fundamento principal do Lançamento de Ofício. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 714 4 A legislação invocada no AI como delimitadora da outorga de isenção: Lei 9250/95, Lei 8958/94 e Decreto 5.205/04 estabelece o seguinte conjunto de requisitos: 1. Que a bolsa seja caracterizada como doação (sendo, portanto, inadmitida a contraprestação de serviços, exceto no caso de extensão); 2.Que a bolsa seja de estudo, pesquisa ou EXTENSÃO; 3. Que os resultados do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão não revertam ECONOMICAMENTE para o doador da bolsa. A bolsa é uma doação em dinheiro, titulada, no caso em tela, pela FATEC como doadora e pelo contribuinte como donatário. De acordo com a legislação civil em vigor, o proprietário do dinheiro é seu possuidor, se o detiver em nome próprio. Destarte, sempre que houver faturamento, o legítimo proprietário do dinheiro é o faturante, e, portanto, se pagar bolsa a alguém, é o donatário legítimo. Em relação a esse donatário, portanto, é que todas as normas de relacionamento bilateral da doação serão aplicadas. A definição do que vem a ser bolsa de ENSINO, ou ESTUDO, ou EXTENSÃO, no caso cm tela, deixa pouca margem para a hermenêutica. O Dec. 5.205/04 encarregouse de tal conceituação, adotando o sendo científico apropriado, de modo que pouco há que discutir: bolsa de ensino constituise em instrumento de apoio e incentivo a projetos deformação e capacitação de recursos humanos. Ou seja, tratase de incentivo ao ensinador. Salvo melhor juízo em contrário, ensinar e prestar serviço, e, novamente, da essência do instituto. Ou seja: tratase de uma prestação de serviços permitida, normalmente porque o discente não é a mesma pessoa que doa a bolsa. A bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. Pelo último requisito, o doador da bolsa não pode obter benefício econômico com o resultado do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão; ou, em bom português, não pode obter LUCRO. Benefício econômico é aquele que permite sua apreciação em unidades monetárias, ou em vantagem competitiva que igualmente se traduz em vantagem financeira ou na sua potencialidade. No caso de pesquisas, e comum a "encomenda". Um interessado no esclarecimento de dado fenômeno pede a pesquisa, paga por ela, e recebe seus resultados. A partir daí. dois podem ser os caminhos: ou o encomendante tornase monopolista do resultado, seja por cláusula de Fl. 714DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 715 5 sigilo, seja por patente, ou o encomendante recebe um resultado que também será encaminhado ao domínio público através de tese, dissertação ou ensaio. No primeiro caso, ainda é de se lembrar que normalmente a encomenda é objeto de faturamento, ou seja, a Fundação tornase proprietária do meio de pagamento e, portanto, é a legítima doadora da Bolsa. No segundo caso, embora o encomendante receba uma contraprestação, um Resultado, a falta da exclusividade ou monopólio retira dessa contraprestação o caráter de benefício econômico, pois coisa que é de todos não concede vantagem especial a ninguém. É importante lembrar que o sistema de relacionamento Universidade Fundação Docente foi idealizado de modo que os institutos comuns da legislação civil permitissem o efeito isenção. A intermediação da Fundação destinase exatamente a evitar que o Docente estabeleça relacionamento direto com o Mercado, bem como a vincular os fins de sua atividade aos pilares da educação superior Ensino, Pesquisa e Extensão. Quando a Fundação emprega Laboratórios e Recursos Humanos da Universidade para desenvolver atividades abrangidas pela Lei 8.958. é comum a inclusão de algum serviço no relacionamento com o Mercado; um serviço que nunca é a finalidade do projeto, mas normalmente serve como fonte de arrecadação para o desenvolvimento de estudos, pesquisas e extensão. Destarte, a Fundação aparecerá, na maioria dos casos, como doadora das bolsas, sem obter com isso nenhum proveito econômico nem contraprestação de serviços do docente. Sua interposição não é fraude, mas decorrência legítima de um sistema legal; e os seus contratantes não possuem relação alguma com o docente, eis porque podem receber seus serviços sem que se configure uma CONTRAPRESTAÇÃO. Concluindo, pelo disposto no art. 110 do CTN, as definições jurídicas empregadas na legislação civil não poderão ter sentido diferenciado no campo tributário. Ou seja, todas as definições atinentes ao direito dos contratos, em especial aos contratos de doação e prestação de serviços e às definições de prestação e contraprestação; ao direito das coisas, em especial à propriedade do dinheiro; à natureza das atividades universitárias, em especial à definição de ensino, pesquisa e extensão; não podem receber diferente sentido para definir obrigação tributária. Pelo exposto, IMPUGNA o sentido dado pelo AFRFB responsável pela autuação à legislação pertinente, por ser ofensivo à real aplicabilidade da isenção às bolsas em geral. , . V. Fundamento econômico da isenção favorecimento do PIB e do patrimônio público por via diversa da tributária A isenção é incentivo econômico e não meramente financeiro Fl. 715DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 716 6 As isenções sempre são fundamentadas cm um interesse do Estado que seja maior ou mais importante que a receita renunciada. Dessa forma, a isenção serve para estimular o desenvolvimento de atividades econômicas incipientes; para estimular o desenvolvimento de certa região geográfica; para incrementar a capacidade competitiva de certo setor econômico em face da concorrência internacional; para combater crises; para privilegiar cidadão em situação fática especial, como certos doentes; e muitas outras razões da mais alta importância. No caso em tela, a isenção se presta a privilegiar o Docente que, por sua iniciativa, busca desenvolver as atividades nãoobrigatórias de ensino, pesquisa e extensão. Mais recentemente, o processo de inovação tecnológica foi oficialmente estatizado pela Lei 10.973, que igualmente trouxe importantes incentivos para os docentes universitários, além da bolsa. É perfeitamente claro que a incorporação de desenvolvimento e de capital intelectual à nação Brasileira é muito mais valiosa e importante que a renúncia fiscal consistente na isenção e é a sua razão de ser. Tratase de uma forma de arrecadação extrafiscal, acrescida de arrecadação reflexa decorrente de novos negócios e atividades baseados em tecnologia e conhecimento nacionais. Destarte, uma interpretação que anule a possibilidade de isenção vai de encontro ao sistema idealizado pelas leis 8.958 c 10.973, frustrando os objetivos estratégicos do Estado assim envolvidos, c, portanto, ofendendo a baliza tecnológica da interpretação. VI. Relação de trabalho Art. 43 do RIR x Doação com encargos nãoincidência do IR Incompetência material da SRF O RIR/99 dá dois tratamentos possíveis a bolsas de estudo: ou a isenção, pelo art. 39. ou a tributação, pelo art. 43, I. O caso de isenção e seus requisitos já foram exaustivamente analisados. O caso de tributação, ao contrário do que possa parecer, não é de mera aplicação alternativa dos dispositivos supracitados; mas cumulativa. Ou seja, não só a bolsa deve deixar de preencher os requisitos de isenção, mas também deve preencher os requisitos de tributação do art. 43, I. Ou seja: a bolsa de estudo e pesquisa deve ser resultado de contrato de trabalho assalariado ou resultar do exercício de cargo, emprego ou função. Ocorre que a FATEC nunca toma a iniciativa de um projeto. Os projetos sempre são de iniciativa dos Professores, que possuem as equipes e a previsão dos recursos necessários para sua execução. Logo, tratase da primeira desconfiguração de incidência do IR. A segunda desconfiguração vem do fato que os Professores bolsistas não detém cargo, nem emprego nem função na FATEC. Não são Fl. 716DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 717 7 contratados, nem formal nem informalmente, para prestar serviços. A relação entre as partes é totalmente voluntária, sem subordinação, dependência econômica ou obrigação de assiduidade. A terceira vem do fato de que normalmente as ações que possam ser identificadas como contraprestação de serviços ficam ao encargo dos alunos, na qualidade de prática profissional, ou, a cargo dos empregados da FATEC. Ainda há o caso especial da Bolsa de Extensão, que não foi prevista no dispositivo supracitado, mas está prevista como isenta no dec. 5.205/04.Logo, ou a bolsa de extensão é isenta, ou, é caso absoluto de nãoincidência.por falta de previsão expressa (como fato gerador). Logo, observase que, uma vez que, no caso em tela, não estão preenchidos os requisitos para tributação, mesmo que eventualmente não se configure a isenção, a situação é de nãotributação pelo IR. Ademais, ao escapar, ao menos em lese, da hipótese de isenção, parece haver sério conflito de competência tributária entre o Estado do RS e a União. Isso porque as bolsas de pesquisa, salvo que sejam fraude ao contrato de trabalho (e este não é o caso), sempre são doação mesmo que com encargos. Como se pode observar do art. 43, I (supracitado), o mesmo é aplicável à bolsa não em função da mera contraprestação voluntária de serviço: mas da existência de vínculo jurídico de prestação de serviço entre o "doador" e o "donatário". Vejamos: O Contribuinte Donatário nunca teve vínculo jurídico nenhum para com a FATEC. Não mantém contrato de tipo nenhum com a mesma, não lhe deve subordinação, nem dependência econômica, nem assiduidade. Suas obrigações decorrentes do Projeto são apenas morais, para com a UFSM e ninguém mais. Vale dizer, se o Contribuinte deixar de executar as tarefas do Projeto, a Fatec nada pode fazer, exceto deixar de doar a bolsa no próximo mês. Mas não poderá exigir do Contribuinte que faça ou deixe de fazer qualquer tarefa. Igualmente, a UFSM também não o pode exigir. No mesmo compasso, se a FATEC deixar de lhe pagar as bolsas, a legislação não dá ao Contribuinte título jurídico para exigilas. Logo, estamos diante de doação, mesmo que, eventualmente, com encargo a favor de terceiro. Logo, se trata de uma hipótese de NÃOINCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA, mas pela razão suprema de não haver a incidência da legislação pertinente, conforme a lição da Teoria do Fato Jurídico de Pontes de Miranda. Em tese, pode incidir o ITCMD, instituído no RS pela Lei 8.821/89. Mas isso não diz respeito à Receita Federal. Pelo exposto, requer que o Auto de Infração seja integralmente anulado, por ter sido lavrado cm ofensa às normas constitucionais e Fl. 717DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 718 8 infraconstitucionais sobre competência tributária, e por ter aplicado Imposto de Renda sobre eventos, que, em tese, são fatos geradores de ITCMD do Estado do Rio Grande do Sul. VII. Amoldamento dos fatos à legislação em vigor Segundo a Fiscalização, os projetos que originaram a autuação, contém contraprestação de serviços, apresentam vantagem para o doador das bolsas e não são de pesquisa, motivo pelo qual as bolsas oriundas dos mesmos foram erroneamente classificadas como isentas; fato esse que consistiria cm "DECLARAÇÃO INEXATA", fazendo incidir, entre outros dispositivos, os arts. 43 c 841, II, do RIR/99 c o art. 44,1, da lei 9.430. O contribuinte passa a descrever os projetos pelos quais ele recebeu bolsa, com o intuito de demonstrar que não ocorreu contraprestação de serviços, posto que o doador (FATEC) nada ganhou com as doações que fez ao impugnante. Pelo exposto, o contribuinte requer: A A juntada dos documentos comprobatórios em anexo aos autos do processo fiscal, para que seja encaminhado ao órgão competente para julgamento e surta seus efeitos legais; B A decretação da nulidade do Auto de Infração, de pleno direito, por: 1. Conter bis in idem tributário; 2. Ser resultante do uso indevido do sistema tributário federal com o fim de provocar efeito de confisco; 3. Resultar da aplicação indevida de multas e juros, contra contribuinte que seguiu orientação jurídica pacificamente aceita e emanada da SRF; 4. Resultar de conduta, em tese, penalmente típica, por ser presumivelmente de conhecimento da SRF e de seus prepostos o lançamento, contra outro Contribuinte, de parcelas que foram lançadas contra o impugnante; 5. Ter sido lavrado por autoridade incompetente para fiscalizar c tributar fatos geradores relativos à doação; C O reconhecimento de ser o Imposto de Renda nãoincidente sobre fatos geradores caracterizados como doação; D Alternativamente, que sejam as bolsas recebidas pelo Impugnante consideradas isentas do Imposto de Renda, em vista do entendimento da SRF que estava em vigor à época dos fatos geradores; E Sendo as bolsas consideradas nãoisentas, que sejam excluídos do auto os juros já cobrados da FATEC, como acima descrito; Fl. 718DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 719 9 F Em vista da boafé do contribuinte, e da alteração de entendimento da SRF, que sejam excluídas as parcelas referentes a multa e juros de mora, na forma da legislação aplicável. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a Impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: Ementa: NUL1DADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A eficácia dos acórdãos dos tribunais limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte do processo de que decorreu o acórdão. INCONSTITUCIONALIDADE. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação de serviços. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Os valores apurados em procedimento fiscal deverão ser submetidos à devida tributação com a aplicação da multa de ofício c dos juros de mora. Embora Cientificada em 19/03/2011 (Fls. 650), no presente processo não se vislumbra Recurso Voluntário, já que o Recurso anexo, datado de 24/02/2011 (fls. 651 a 704) referese a processo e pessoa distintos da mesma. É o Relatório. Voto. Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Antes de tudo, é dever analisar as condições de admissibilidade do recurso. É que, conforme se verifica nos autos, o recurso que foi anexado se refere ao processo 11060.002104/200915, tendo como recorrente o Sr. Jânio Morais Santurio. (pág. 651 dos autos) Contudo, este não é o número do presente processo, e não é esta a contribuinte autuada. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11060.002335/200911 Resolução nº 2801000.220 S2TE01 Fl. 720 10 Também não se sabe se a contribuinte protocolizou o recurso errado, ou se a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem anexou recurso diverso do apresentado pela contribuinte. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora verifique se foi anexado recurso diverso do protocolizado pela contribuinte, solicitando, se for o caso, que a contribuinte apresente a segunda via do seu recurso, na qual conste o carimbo de recepção da DRFB. Em caso de constatação de erro de anexação do recurso, que se anexe o recurso pertencente a contribuinte dos autos. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 720DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10384.720190/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE CARTÕES TELEFÔNICOS. ALEGAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO. Ausente prova da relação contratual mantida com seu fornecedor no período fiscalizado, os valores indicados em notas fiscais de venda caracterizam-se como receita bruta para fins de incidência dos tributos sobre o lucro e sobre o faturamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. Subsiste a imputação de omissão de receitas se o sujeito passivo não demonstra a origem dos depósitos bancários questionados durante o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1101-000.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE CARTÕES TELEFÔNICOS. ALEGAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO. Ausente prova da relação contratual mantida com seu fornecedor no período fiscalizado, os valores indicados em notas fiscais de venda caracterizamse como receita bruta para fins de incidência dos tributos sobre o lucro e sobre o faturamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. Subsiste a imputação de omissão de receitas se o sujeito passivo não demonstra a origem dos depósitos bancários questionados durante o procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 01 90 /2 01 1- 32 Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório SHOPCELL COMÉRCIO LTDA ME, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE que, por maioria de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/03/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.350.939,01. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 42/49, a autoridade lançadora inicialmente registrou que a fiscalizada promove a compra e venda de créditos telefônicos para aparelhos celular, os quais são materializados em cartões telefônicos para “recarga” de aparelhos celulares pré pagos ou créditos online a serem ativados pelo usuário através dos terminais de venda em varejo. Observou que tal mercadoria tem um valor de face representativo do crédito, ao qual nada pode ser acrescido, de modo que o fornecedor concede descontos sobre tal valor de face, e esta diferença representa a margem de lucro do vendedor. Acrescentou, ainda, que esta sistemática de preços impõe ao fiscalizado a necessidade de vender o mais rápido que lhe for possível, toda a mercadoria comprada, não havendo nenhum sentido em retêla, visto que ela não se valorizará mais do que o seu valor de face. Diante deste contexto, registrou que a constatação de compras (R$ 11.406.790,62) em valor superior às vendas (R$ 8.765.009,09), na maior parte dos meses do período fiscalizado, contraria toda lógica econômica da atividade comercial em que o contribuinte está inserido. Cogitando que tal diferença poderia decorrer de vendas com prejuízo, por valor inferior ao da compra, ou por interesse em estocar uma mercadoria que não se valoriza, entendeu a Fiscalização mais razoável supor que as vendas ocorreram em volume compatível com as compras, mas sem a emissão de notas fiscais, mormente tendo em conta o volume anual de depósitos bancários nas contas correntes movimentas pela contribuinte (R$ 13.062.584,95), passando a investigar o montante omitido e apurando as seguintes infrações: · Receita escriturada e não declarada, correspondente à diferença entre os valores de receitas escriturados no livro Caixa e os montantes informados em DIPJ (R$ 3.958.090,20); · Notas fiscais não escrituradas no livro Caixa, em razão de erro de transcrição (a menor parte) e do comportamento ambíguo do fiscalizado (a maior parte) que ora contabiliza como receita as saídas de mercadorias na modalidade “a vender” e ora, inexplicavelmente, desconsidera estas notas emitidas e não contabiliza as receitas decorrentes das vendas externas efetuadas, sendo certo que não houve registro de entrada das eventuais mercadorias não vendidas nessas citadas operações de vendas externas (R$ 1.466.521,51). Ainda, tendo em conta que a fiscalizada não apresentara todos os talonários de notas fiscais, e à vista da discrepância entre a movimentação financeira do anocalendário 2008 (R$ 13.062.584,95) e a receita total indicada nas notas e cupons fiscais emitidos (R$ 6.173.658,20), a autoridade fiscal intimou a contribuinte a justificar a origem dos créditos de valor acima de R$ 1.000,00 verificados em suas contas bancárias, a partir dos extratos Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 5 4 bancários por ela fornecidos. Na medida em que a contribuinte não respondeu a esta intimação, e supondo que os créditos efetuados nas contas correntes bancárias do fiscalizado se dão em sua quase totalidade em razão das atividades de vendas efetuadas, presumiu o fiscal autuante que houve omissão de receita equivalente à diferença entre a movimentação financeira da contribuinte e as demais receitas apuradas pela fiscalizada (R$ 6.824.226,71). A autoridade lançadora registrou que os fatos apontados acima: declaração a menor das receitas contabilizadas e a omissão de escrituração de notas fiscais demonstram a vontade consciente do fiscalizado de omitir do conhecimento do fisco o auferimento de receitas tributáveis e, com isso, obter a redução indevida dos tributos a pagar. Entendendo tipificado crime contra a Ordem Tributária, afirmou que formalizaria representação fiscal para fins penais, mas exigiu o crédito tributário devido com acréscimo de multa de 75%. Impugnando a exigência, a interessada argüiu a nulidade do lançamento, que deveria ter se limitado à sua efetiva remuneração, qual seja, o comissionamento auferido na prestação do serviço de distribuição de crédito telefônico, apontando também a utilização de prova obtida por meio ilícito (seus dados bancários), restando desatendidos os requisitos da Lei Complementar nº 105/2001 e a decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo sem ordem judicial. No mérito, abordou as características de sua atividade para defender que não realiza venda de crédito telefônico, mas sim distribui produtos mediante comissão, e também defendeu que os depósitos bancários não representam renda. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · A partir da edição da Lei nº 9.430/96, sempre que o Titular de conta bancária, Pessoa Física ou Pessoa Jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o Fisco autorizado a proceder ao Lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita; · A decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 389.808PR ainda não transitou em julgado e não tem efeito erga omnes. Quanto aos demais argumentos acerca da inconstitucionalidade do acesso do Fisco às informações bancárias, a autoridade julgadora de 1a instância é incompetente para apreciálos; · Os argumentos da impugnante acerca de sua remuneração mediante comissão não se prestam a desconstituir as constatações de receitas escrituradas e não declaradas e de notas fiscais de venda não escrituradas. Firmou que o valor de face dos cartões é a importância final da comercialização; · As decisões do Superior Tribunal de Justiça e do CARF não vinculam as autoridades administrativas, pois têm efeitos apenas inter partes; · Não há nulidade, na medida em que o lançamento observou as disposições do art. 142 do CTN e dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Houve divergência na Turma Julgadora, restando vencido o relator que entendia aplicável a multa de 75%, porque não caracterizada a conduta dolosa do agente, e Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 6 5 prevalecendo o entendimento de que tal matéria não integra o litígio, na medida em que desconhecidas as razões pelas quais a autoridade lançadora não qualificou a penalidade, além de não ser possível identificar qual das três condutas apuradas foi tida como dolosa, e também porque controvérsias acerca da Representação Fiscal para Fins Penais não são apreciadas no contencioso administrativo, como reconhecido na Súmula CARF nº 28, declarada vinculante a Administração Tributária Federal pela Portaria MF nº 383/2010. Cientificada da decisão de primeira instância em 04/11/2011 (fl. 1880), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 05/12/2011 (fls. 1881/1907), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação acerca do não atendimento dos requisitos previstos na Lei Complementar nº 105/2001, da decisão do STF declarando a inconstitucionalidade da quebra do sigilo sem ordem judicial, da indevida majoração da base de incidência e da ausência de requisitos para imposição da multa qualificada. Ao final conclui: 24. Posto isto, caracterizada à saciedade a fragilidade do auto de infração guerreado, quer seja em face da ausência dos pressupostos prescritos pelo art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 para possibilitar o lançamento tributário com fulcro nas informações financeiras da Recorrente, quer seja em razão da declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, depreca para que seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para declarar nulo o lançamento de ofício. Ultrapassadas as questões preliminares, no mérito, requer seja julgado improcedente a autuação, uma vez comprovada a erronia praticada pela auditoria fiscal, que deveria ter limitado o lançamento à efetiva remuneração do contribuinte, caracterizada pelo comissionamento auferido na prestação do serviço de distribuição do crédito telefônico, excluindo, em todo o caso, a imposição da multa qualificada. Em sessão de julgamento de 03 de outubro de 2012, esta Turma de Julgamento, em antiga composição, rejeitou a argüição de nulidade do lançamento, na medida em que os extratos bancários foram fornecidos pela própria fiscalizada, e acolheu a proposta de conversão do julgamento em diligência apresentada por esta Conselheira, com base nos seguintes argumentos: No mérito, a recorrente opõese à conclusão fiscal que reputou como receita tributável a integralidade dos valores identificados em sua escrita e em sua movimentação financeira. Opõe os contratos firmados com a operadora Claro, nos quais figura como intermediador na distribuição dos cartões de telefonia celular, cadastrando pontos de venda (PDVs) para comercialização do crédito eletrônico no aparelho celular, como postos de gasolina, bancas de jornais, padarias, etc.. Afirma que não pratica a mercancia propriamente dita, mesmo porque não há margem para precificar o crédito telefônico a seu critério, já que os mesmos são tarifados e vendidos por preços iguais em todo território nacional. Ressalta que este aspecto foi reconhecido pela própria autoridade lançadora, e conclui que resta descaracterizada juridicamente a operação de compra e venda, até porque não é concessionário de serviço público de telefonia. Acrescenta que notas fiscais da Claro, juntadas por amostragem à defesa, evidenciam que os cartões lhe são enviados em operação enquadrada no CFOP 5.949, de remessa para distribuição. E aponta cláusula contratual que evidenciaria sua remuneração equivalente a um percentual sobre a respectiva venda, e não mediante concessão de descontos sobre o seu valor de face, como disse a Fiscalização. Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 7 6 Conclui que, frente a provas da existência da atividade de corretagem ou intermediação da venda do produto, não há efetiva identificação da hipótese de incidência dos tributos em testilha, à semelhança do que já decidido neste Conselho (Acórdão nº 10515.407). Menciona, ainda, ofensa ao princípio da capacidade contributiva, e aponta a existência de depósitos bancários de terceiros, que transitaram em sua conta bancária, mas não lhe pertencem. A jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que na revenda de cartões telefônicos, considerase receita tributável a totalidade dos valores percebidos pelo vendedor. Neste sentido são as ementas dos seguintes julgados administrativos: LUCRO PRESUMIDO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. Integra a receita tributável, para fins de apuração do IRPJ, a totalidade dos valores percebidos nas operações de revenda de cartões telefônicos aos consumidores finais. A contribuinte não firmou contrato de prestação de serviços com a empresa concessionária de telefonia, mas sim contrato de credenciamento para que pudesse comprar os cartões telefônicos e, depois, revendêlos. O campo de incidência do tributo federal é mais amplo que o do ICMS, abarcando operações com uma série de bens e direitos que não são tributados pelo imposto estadual. Embora o cartão telefônico não tenha a característica de uma mercadoria, como as que são normalmente tributadas pelo ICMS, ele representa um direito à utilização de um serviço, direito que é efetivamente comercializado pela recorrente. (Acórdão nº 180500.057, sessão de 27 de maio de 2009) PIS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda da empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas. (Acórdãos nº 20179.266, sessão de 23 de maio de 2006; e 20181.083, sessão de 10 de abril de 2008 ) ATIVIDADE DA EMPRESA. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. A base de cálculo para fins de apuração dos tributos pelo LUCRO PRESUMIDO é a receita bruta auferida nas operações de venda de cartões telefônicos aos consumidores finais, não admitida qualquer dedução além daquelas previstas na norma. (Acórdão nº 1302000.826, sessão de 1o de fevereiro de 2012) Contudo, especialmente no primeiro julgado acima referido, resta patente que o contrato firmado entre a contribuinte autuada e a empresa de telefonia revelava operações de compra e venda, nas quais eram concedidos descontos sobre o preço oficial do cartão telefônico. Já no presente caso, embora a autoridade fiscal também tenha constatado que a margem de lucro da fiscalizada seria representada pelos descontos concedidos pelo fornecedor dos cartões, a partir de seu valor de face, a recorrente faz referência a documento juntado a sua impugnação, do qual transcreve a seguinte cláusula contratual: 4 – Do Comissionamento: 4.1. Pela prestação de serviços a BSE concederá à CONTRATADA desconto de 13% (treze por cento) sobre o valor do cartão prépago, desde que os pague a vista, para fazer face a distribuição dos sobreditos cartões nos pontos de venda da CONTRATADA, servindo esse desconto como comissionamento pelos serviços prestados. Referido acordo foi intitulado Contrato de Prestação de Serviços de Distribuição de Cartões de Telefonia Móvel Celular na Modalidade PréPaga e expressa o seguinte objeto: 1.1 O objeto do presente contrato é a distribuição de cartões prépagos pela CONTRATADA em pontos de venda devidamente indicados pela BSE, por tempo determinado e em caráter não exclusivo, na área do estado do Piauí, parte Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 8 7 da área de concessão de SMC da BSE, observandose os pontos de venda em que já não exista outro distribuidor de cartões da BSE. Outras referências contratuais denotam que a fiscalizada não poderia comercializar livremente os cartões telefônicos. Vejase: 3. Responsabilidades da CONTRATADA: 3.1 Realizar a distribuição de cartões prépagos em pontos de vendas devidamente indicados pela BSE, por tempo determinado e em caráter não exclusivo, na área de concessão de SMC da BSE. 3.2 Prestar sempre que solicitado pela BSE relatório indicando a quantidade de cartões prépagos distribuídos por pontos de venda, e na ausência desses relatórios a CONTRATADA será multada em 0,5% (meio por cento) sobre o percentual de 13% (treze por cento) referente a comissão da cláusula 4.1. 3.3. A CONTRATADA será responsável pela armazenagem e transporte dos cartões prépagos nas condições estipuladas pela BSE, sendo de responsabilidade da CONTRATADA qualquer defeito nos cartões prépagos em decorrência de problemas de armazenagem e transporte, inclusive, os mesmos problemas relacionados ao ponto de venda. [...] 5. Obrigações Adicionais da CREDENCIADA: 5.1 A CONTRATADA concorda em observar os critérios e instruções para comercialização estabelecidos pela BSE neste instrumento e em seus Anexos, sob pena de, não o fazendo, ficar sujeita às penalidades contratuais, inclusive com a rescisão do presente contrato. A interessada também juntou, na impugnação, cópia de notas fiscais emitidas pela BCP S/A (Claro) em seu favor, durante o anocalendário de 2008, as quais indicam como a operação REM P/ DIST CARTAO TEL, CFOP 5.949. Nelas os cartões fornecidos estão indicados pelo seu valor de face, reduzidos por desconto equivalente a 12% em operação a prazo e 13% em operação a vista (fls. 1803/1807). Tais elementos indicam que a relação comercial existente entre a fornecedora dos cartões e a autuada poderia ser distinta daquelas verificadas em outros litígios apreciados neste Conselho. Todavia, o contrato antes referido, embora aponte a autuada como contratada, está datado de 15 de novembro de 2000 e não está assinado (fls. 1788/1794). Ainda, às fls. 1770/1787 consta contrato de distribuição de créditos prépagos online Projeto Claro PDV, no qual a autuada está indicada como distribuidor, é remunerada também percentual de comissionamento sobre o valor final de cada crédito, e submetese a diversas exigências para distribuição dos créditos. Referido contrato também não está assinado, e está datado de 11 de dezembro de 2008. Assim, para melhor solução da lide, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a interessada seja intimada a: 1) apresentar o(s) contrato(s) original(is) que orientaram as operações no período fiscalizado, devendo a autoridade administrativa anexar sua imagem aos autos do presente processo; 2) apresentar as notas fiscais emitidas pela Claro S/A em seu favor, durante o anocalendário 2008, devendo a autoridade administrativa confirmar se todos os fornecimentos foram realizados sob o código CFOP 5.949, prestando tal informação por escrito nos autos deste processo. Reunidas estas informações, a autoridade lançadora deverá emitir relatório circunstanciado, cientificando a contribuinte deve ser cientificada do resultado do trabalho fiscal para que esta, Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 9 8 querendo, complemente suas razões de defesa em 30 (trinta) dias, antes do retorno dos autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A autoridade diligenciante intimou a contribuinte a apresentar os documentos requeridos, os quais foram entregues conforme fls. 1928/2398. Analisandoos, o auditor responsável elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 2399/2407, no qual observou que: · No curso da diligência somente foi apresentado à Fiscalização o aditamento ao contrato juntado à impugnação, firmado em 12/12/2007 e devidamente assinado; · Embora a contribuinte afirme que a receita auditada seria proveniente apenas das operações de remessas para distribuição, há várias notas fiscais de aquisição de produtos para revenda com CFOP diversos (5.102, 5.403 e 6.102), conforme Relação em anexo, cuja natureza da operação registrada nas respectivas notas é de “Venda de Mercadorias Adquiridas de Terceiros”. No Livro Registro de entrada as notas fiscais com CFOP 5.949 foram escrituradas sob código 1.949, e as com CFOP 5.102 e 5.403 com o código 1.403; · [...] nem todos os fornecimentos de produtos foram efetuados sob o código CFOP 5.949. Constam aquisições com CFOP diversos, conforme demonstrado; · [...] em decorrência de impossibilidade de leitura quando da etapa de digitalização, a imagem de algumas notas fiscais apresentadas pelo contribuinte não puderam compor o processo. Cientificada em 24/05/2013, a interessada manifestouse em 25/06/2013, ratificando que a receita auditada pelo fisco não tem origem em operação de compra e venda, mas em remessas para distribuição de cartão telefônico (CFOP 5.949), de modo que a remuneração do Recorrente constitui mero percentual sobre a venda do crédito telefônico. Esclareceu, também, que o único contrato firmado com operadora de telefonia móvel no ano calendário de 2008 é o que já se encontra juntado aos autos, o qual prescreve que o Recorrente é remunerado por comissionamento, conforme explícito no item 1.2 do Anexo II do Contrato celebrado em 12/12/2007 com a Claro S/A (fls. 2463/2464). Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente no que diz respeito às alegações de irregular quebra de sigilo bancário, cabe reiterar os argumentos já expostos na Resolução nº 1101000.060, esclarecendo que os extratos bancários foram fornecidos pela própria contribuinte, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, juntamente com os demais documentos e livros de sua escrituração (fls. 177/178). Logo, a autoridade fiscal não fez uso da faculdade que lhe foi conferida por meio da Lei Complementar nº 105/2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (negrejouse) Não há qualquer requisito especial para exame, pela Fiscalização, de documentos, livros e registros do próprio sujeito passivo. O rito especial ao qual a recorrente se reporta destinase a alcançar registros de instituições financeiras, as quais têm o dever de conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, na forma do art. 1o daquela mesma lei. Na medida em que a contribuinte forneceu à Fiscalização seus extratos bancários, impróprias são as argüições de nulidade do lançamento em razão da inobservância do art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, ou da declaração de inconstitucionalidade deste dispositivo legal em decisão do Supremo Tribunal Federal. O presente voto, portanto, é no sentido de REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento. No mérito, constatase que a autoridade lançadora, apurando que as compras (R$ 11.406.790,62) superavam as vendas (R$ 8.765.009,09) do período fiscalizado (ano calendário 2008), analisou as notas fiscais e os registros fiscais e contábeis da interessada, bem como sua movimentação financeira, confrontando as grandezas ali apuradas com as receitas declaradas à Receita Federal. Apurou, em linhas gerais, que: · As receitas declaradas (R$ 739.080,56) eram inferiores às receitas escrituradas no Livro Caixa (R$ 4.697.186,69), evidenciando omissão de receitas de R$ 3.958.106,14; · As receitas escrituradas no Livro Caixa (R$ 4.697.186,69) eram inferiores aos valores das notas fiscais e cupons fiscais emitidos no Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 11 10 período (R$ 6.163.658,20), evidenciando omissão de receitas de R$ 1.466.521,51. · As notas e cupons fiscais emitidos (R$ 6.163.658,20) apresentavam valor inferior à movimentação financeira do período (R$ 13.062.584,95), evidenciando omissão de receitas de R$ 6.824.226,71. A recorrente alega que sua receita não corresponderia ao valor dos cartões telefônicos vendidos, mas sim à comissão percebida em razão da intermediação que promove entre a empresa de telefonia (BCP/Claro) e os pontos de venda dos cartões. E, como relatado na Resolução nº 1101000.060, o caso em questão aparentava ser distinto em relação aos demais já apreciados neste Conselho, porque a interessada não promoveria a venda de cartões telefônicas, mas sim atuaria como distribuidor, remunerado mediante comissão. De fato, a contribuinte juntou à impugnação contratos datados de dezembro/2000 e de dezembro/2008, muito embora sem assinaturas. Contudo, no curso da diligência, somente apresentou aditamento ao instrumento particular de contrato de distribuição de cartões prépagos, assinado em 12/12/2007, reportandose a contrato primitivo, firmado em 10/01/2007, e alterando seu Anexo II, para estabelecer a remuneração da contratada mediante margens iniciais de 12% e 11%, e margem variável de 1%, bem como fixar critérios para avaliação periódica do desempenho da contratada e metais mensais de faturamento, capilaridade e dias de estoque. É certo que o contrato datado de dezembro/2008, apresentado na impugnação, também contém um Anexo II, no qual estão estabelecidos remuneração e critérios de avaliação para remuneração variável. Todavia, não é possível compreender porque, intimada, a interessada não juntou o mencionado contrato primitivo firmado em 10/01/2007, que regularia suas operações com a BCP/Claro ao longo do anocalendário 2008. O confronto dos registros do Livro Caixa (fls. 311/366) com as notas fiscais emitidas no período (fls. 130/148), para além de algumas divergências no registro específico de algumas notas fiscais, evidencia que a contribuinte escriturou sob o histórico Rec. Receita conf. NF o valor total de cada nota emitida. Este, por sua vez, corresponde ao valor dos produtos, possivelmente determinado pelo valor de face do cartão telefônico – dada a coincidência entre a descrição “Cartão Claro NE 10” e o valor unitário de R$ 10,00, por exemplo –, em regra reduzido por descontos, e já integrados pelo ICMS à alíquota de 25%, calculado sobre o valor bruto dos produtos, mas com a ressalva de que a nota não gera crédito de ICMS (fls. 842/937). Significa dizer que a contribuinte recebeu dos destinatários dos cartões o valor de face neles expresso, com descontos oscilando entre 5% e 6%. A quase totalidade das notas fiscais de venda aponta como natureza da operação a atividade de venda serv. telec., a qual é traduzida no Livro de Registro de Saídas sob o código CFOP 5949/6949 (outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), sem registro de débito de ICMS (fls. 414/467). Por sua vez, no Livro Registro de Entradas, quase todas as operações estão escrituradas sob o CFOP 1949/2949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), sem creditamento de ICMS, verificando se em pequena monta o registro de operações sob os CFOP 1403/2403 (compra para comercialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária) e 2102 (compra para comercialização), conforme fls. 392/413. Em consequência, no Livro de Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 12 11 Apuração do ICMS, somente há débito de imposto em razão de pequenas parcelas destacadas dos cupons fiscais (fls. 367/391), vez que mesmo nos poucos registros de operações sob código 5403/5405 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária) não se verificaria a incidência no momento da saída da mercadoria. As notas fiscais emitidas por BCP/Claro, juntadas na diligência às fls. 1937/2004, em regra apontam como natureza da operação rem. p/ dist cartão tel., CFOP 5949. Os produtos correspondem a lotes de 20 cartões remetidos pelo valor de face, mas com desconto de 12% ou 13%, para fins de determinação do valor total da nota fiscal. Não há destaque de ICMS, o qual será recolhido pela NFST na ativação conf. conv. 55/05, ou seja, possivelmente quando o adquirente do cartão telefônico dele fizer uso. Há também notas fiscais de venda de mercadorias adquiridas de terceiros (CFOP 5.102), descritas como SC BLISTER RED com variadas especificações, de cujo valor é destacado desconto de 50% para fins de determinação do valor total da nota. Estas notas fiscais apresentam destaque de ICMS. Consulta à Internet permite identificar que esta denominação é utilizada para designar chip de memória em aparelhos celulares. Estes registros e notas fiscais demonstram que a interessada tratou as aquisições e vendas de cartões telefônicos como remessas e não vendas de mercadorias, exceto com referência a uma pequena parcela, eventualmente correspondente aos chips de memória para aparelhos celulares. De outro lado, porém, ao apresentar sua DIPJ, informou ter auferido, apenas, receita bruta sujeita ao percentual de 8%, nos valores pouco expressivos demonstrados pela Fiscalização, sem apontar qualquer rendimento a título de comissão, que deveria ser alocado como receita bruta sujeita ao percentual de 32%, a teor do art. 519, §1o, inciso III do RIR/99. Os registros do Livro Caixa evidenciam que a interessada recebeu dos destinatários das notas fiscais o valor total da operação, bem como há registros neste mesmo livro de pagamentos em favor de BCP/Claro em montante equivalente ao valor total de notas fiscais escrituradas no Livro Registro de Entradas. A autoridade fiscal teve acesso a todos estes registros fiscais e contábeis e concluiu que a atividade empresarial do fiscalizado constituise da compra e venda de créditos telefônicos para aparelhos celulares. Tendo em conta o valor de face estampado no produto, e a concessão de descontos ao longo da cadeia de vendas, asseverou que a diferença entre os descontos – o recebido na compra e o concedido na venda , em cada fase da cadeia, constitui a margem de lucro de cada um, e anotou a necessidade de rápida venda de produto cujo preço não pode ser reajustado. A partir daí, estranhou o fato de as compras serem superiores às vendas registradas na maior parte dos meses fiscalizados, disse mais razoável cogitar da existência de omissão de receitas, mormente tendo em conta a movimentação financeira da interessada, e então determinou os valores omitidos em razão da comparação antes descrita, entre declaração, Livro Caixa, notas e cupons fiscais emitidos, e movimentação bancária. Como se vê, a conduta da contribuinte é ambígua. Embora as notas fiscais de entrada e saída, em sua maioria, estivessem escrituradas nos registros fiscais sob os códigos CFOP 5949/6949 (saídas) e 1949/2949 (entradas), a natureza da operação nelas estampada era de venda, e as receitas declaradas em DIPJ foram alocadas sob o coeficiente de 8%, e não 32%. Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 13 12 Reportandose às notas emitidas na modalidade “a vender”, a autoridade fiscal observou que elas eram, às vezes, contabilizadas como receitas e em outros momentos desconsideradas, muito embora sem registro da entrada das mercadorias não vendidas nas operações de vendas externas. Relativamente a estas operações, foram colhidos dois depoimentos de vendedores externos da fiscalizada, os quais afirmaram que esta emitia notas fiscais em nome de seus vendedores externos apenas para acompanhar a mercadoria a ser vendida fora do estabelecimento e que não havia a correspondente emissão de notas fiscais relativas às mercadorias vendidas por estes fora do estabelecimento. Frente a tais circunstâncias, a efetiva natureza das operações realizadas pela interessada seria demonstrada pelo contrato firmado entre ela e seu fornecedor (BCP/Claro). Todavia, como visto, a interessada não logrou juntar esta prova aos autos. Acrescentese que a interessada sequer demonstrou como determinou as receitas que reputou tributáveis, providência esperada como suporte à sua alegação de que seria apenas um distribuidor comissionado de cartões telefônicos. E recordese que além da distribuição destes produtos, também foram adquiridos da BCP/Claro os produtos sob a designação inicial SC BLISTER RED, estes em indiscutíveis operações de compra para revenda. Quanto ao fato de que, não sendo concessionário do serviço público de telefonia, não seria possível atribuirlhe a operação de venda de crédito telefônico, vêse nas notas fiscais antes referidas que os cartões telefônicos são negociados pelo seu valor de face, com descontos que vão diminuindo ao longo da cadeia, revelandose verdadeira mercadoria à qual se agrega valor até ser disponibilizada ao consumidor final. À míngua de demonstração em outro sentido, a interpretação fiscal acerca da incidência sobre o valor total da nota fiscal, já líquido dos descontos concedidos ao adquirente da mercadoria, deve prevalecer. Isto porque o art. 518 do RIR/99 determina que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na sistemática do lucro presumido, equivalerá a 8% da receita bruta auferida no período de apuração. Para pretender a aplicação de outro coeficiente, o sujeito passivo deve demonstrar não só que a receita bruta decorreria de uma das outras atividades demonstradas no art. 519, §1o do RIR/99, como também qual o rendimento auferido sob esta ótica. Considerando que mesmo com a conversão do julgamento em diligência a interessada não logrou trazer aos autos a prova da relação contratual que alega ter com seu fornecedor BCP/Claro, subsiste a conclusão fiscal de que os valores expressos nas notas fiscais de vendas de serv. telef. correspondem a receita bruta sujeita ao coeficiente de 8% para apuração do IRPJ, e de 12% para apuração da CSLL, bem como integralmente submetidas à incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS, em sistemática cumulativa. Por fim, quanto à alegada inobservância da capacidade contributiva, importa ter em conta que, no âmbito do IRPJ e da CSLL, está em discussão qual seria o lucro presumido da interessada: 8% do valor total de suas notas fiscais de venda ou 32% da alegada comissão, que teria variado entre 11 e 13% daquele montante. Indispensável, assim, a demonstração do alegado, para infirmar o que expresso em suas notas fiscais. Estas, por sua vez, também subsistem como indicativo de faturamento para fins de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS, salvo se demonstrado que outra natureza teriam as operações realizadas. E, quanto às alegações de que os depósitos bancários não revelam renda, cumpre acrescentar especificamente em relação às omissões de receitas presumidas a partir de Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10384.720190/201132 Acórdão n.º 1101000.990 S1C1T1 Fl. 14 13 depósitos bancários de origem não comprovada, que intimada (fls. 198/306 e 308), a contribuinte não apresentou esclarecimentos acerca da origem dos depósitos verificados em suas contas bancárias. Por sua vez, os valores aportados em razão de depósitos em dinheiro, cheques depositados, transferências de outras pessoas jurídicas e cobrança, dentre outros, eram significativamente superiores até mesmo às notas fiscais emitidas pela autuada, as quais já superavam em muito a receita por ela declarada. Em tais condições, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas e impõe ao sujeito passivo o ônus de provar que os depósitos teriam origem em valores não tributáveis, isentos ou já submetidos a regular tributação. Ausente qualquer demonstração neste sentido, subsiste a exigência, que no âmbito do IRPJ e da CSLL tem por referência apenas o lucro presumido em, respectivamente, 8% e 12% dos valores das receitas presumidamente omitidas. Por fim, quanto aos argumentos tecidos pela recorrente acerca da multa qualificada, desnecessária é sua apreciação, na medida em que não houve tal imputação, limitandose a penalidade ao percentual de 75%. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13832.000082/2002-11
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em Exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 03/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, e, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em Exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 03/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, e, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 82 /2 00 2- 11 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em Exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 03/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, e, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann Relatório A sociedade empresária acima qualificada interpõe recurso contra a decisão proferida pela Terceira Turma Especial do então Segundo Conselho de Contribuintes que negou provimento a seu recurso voluntário ao reconhecer a prescrição do seu direito à restituição de quantias recolhidas entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, a título de PIS e consoante as disposições da MP 1.212/95. A decisão aplicou o entendimento de que o termo inicial do prazo prescricional de cinco anos é a data de cada recolhimento efetuado. Assim sendo, e tendo o pedido administrativo sido protocolado em 2002, seis anos após os recolhimentos mais recentes, manteve o indeferimento decidido pela instância inaugural. Em seu socorro, brande a recorrente a tese de que nos casos de reconhecimento de inconstitucionalidade de ato legal o prazo prescricional somente começa a fluir a partir da publicação do ato que a reconhece. No caso dos recolhimentos em questão, entende ser ele o dia da publicação da decisão do STF na ADIN nº 1.417/0DF, ocorrida em agosto de 1999, de modo que teria direito de postular a restituição até agosto de 2004. Para comprovação da divergência de entendimentos, junta acórdãos que aplicaram o entendimento por ela defendido. Em contrarazões, postula a Fazenda Nacional a manutenção do decisum, visto o caráter interpretativo do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 que expressamente encampa o entendimento esposado na decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 283DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13832.000082/200211 Acórdão n.º 9303002.282 CSRFT3 Fl. 5 3 O recurso foi bem admitido porquanto comprovada a divergência interpretativa argüida. Dele conheço. A matéria discutida já motivou acalorados debates no antigo Conselho de Contribuintes, havendo inúmeras decisões que encampam a tese pretendida no recurso. No entanto, tais discussões cessaram após o julgamento do recurso extraordinário nº 566.621, no qual o e. Supremo Tribunal Federal enfrentou a questão da retroatividade da Lei Complementar 118/2005. Naquele julgamento foi expressamente rejeitada tal retroatividade determinandose sua aplicação apenas às ações impetradas após sua entrada em vigor – 08 de junho de 2005. Nesses termos, por força do art. 62A do Regimento Interno, vejome obrigado a afastar o argumento fazendário, com o qual particularmente concordo. Esse afastamento, todavia, não implica aceitar, na íntegra, o quanto postulado pela recorrente. De fato, naquele mesmo julgamento, pontuou a Ministra Ellen Gracie, relatora, ao analisar a jurisprudência predominante no STJ: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Destarte, no mesmo julgamento em que se afastou a tese ora defendida pela Fazenda Nacional, também se rejeitou aquela esposada no recurso. Nem uma, nem outra, correta é a tese construída no Superior Tribunal de Justiça segundo a qual o prazo de cinco anos previsto no art. 168 do CTN somente começa a fluir após aquele previsto no art. 150 do mesmo Código e que ficou conhecida como “cinco mais cinco”. Aplicada ao caso concreto, é forçoso dar provimento ao recurso do contribuinte, embora por fundamento diverso do nele defendido, já que entre o ingresso do pedido administrativo e o período de apuração mais antigo (outubro de 1995) medeiam menos de dez anos, sendo certo que não houve homologação expressa com respeito a nenhum deles. Em vista da obrigatoriedade imposta pelo art. 62A do Regimento, e com ressalva de meu ponto de vista pessoal coincidente com o argumento fazendário, voto por dar provimento ao recurso do contribuinte para afastar a prescrição apontada, devendo o processo retornar ao Colegiado de origem para pronunciamento quanto ao mérito não enfrentado quanto ao período aqui questionado. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912680/2009-33
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 26 80 /2 00 9- 33 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9a Turma da DRJ Campinas (fls. 44/50 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O crédito reclamado no presente litígio diz respeito a suposto pagamento indevido da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no montante de R$ 404,09. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica diante da não confirmação do crédito informado, “[...] tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação do débito do contribuinte”. Em sua manifestação de inconformidade, alegou a interessada que deixou de retificar a DCTF do período em que havia realizado o pagamento indevido, ato que caracteriza como mero erro de forma, o qual, segundo entende, seria incapaz de invalidar ou inutilizar o crédito da empresa. Alicerçase em doutrina e jurisprudência e proclama não ter sido evidenciado nenhum prejuízo para o Erário. Requer, finalmente, o cancelamento da exigência e a dilação de prazo (em até dez dias) para a juntada de documentos (cópia da DIPJ, da DCTF original e das memórias de apuração dos créditos aduzidos pela empresa). A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/05/2012 (fls. 54). Inconformada, a mesma apresentou, em 11/06/2012, o recurso voluntário de fls. 57/68, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, e que, ao Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.912680/200933 Acórdão n.º 3802001.928 S3TE02 Fl. 72 3 contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, juntara aos autos “documentação que demonstra de forma patente a existência e a suficiência do crédito utilizado pela empresa na DCOMP indevidamente nãohomologada”. Protesta pela juntada posterior de documentos e requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 11/05/2012 (fls. 54). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 11/06/2012, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Aduz, ainda, que incorrera em mero erro de forma, o qual seria incapaz de invalidar o crédito da empresa. Informa haver juntado aos autos documentação comprobatória do direito e que, mesmo diante da ausência de retificação da DCTF, não houve qualquer prejuízo para o Erário, não podendo, pois, a pessoa jurídica ser compelida a responder por créditos tributários já devidamente adimplidos junto ao fisco federal. Não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação como o presente a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado na primeira instância. De fato, muito embora o sujeito passivo tenha requerido dilação de prazo para a juntada de documentos, nenhuma comprovação do reclamado direito creditório foi acostada aos autos. É do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. E é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Finalmente, quanto à citada inexistência de prejuízo para o Erário, tal argumento, para ser considerado correto, exigiria fosse demonstrado o pagamento indevido, este, sim, o foco central em que se examinam pedidos como o presente, cujo indébito não foi minimamente demonstrado, como já ressaltado. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 20 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11070.901377/2010-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Relatorio
Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito:
O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010- 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009.
No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 382.120,65, referente ao primeiro trimestre de 2008, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 27185.03994.180408.1.1.01-4086, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 277 a 289 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933596, das fls. 274.
O Despacho Decisório referido no item precedente não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações vinculadas.
A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 293.
O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 472), conforme arrazoado das fls. 294 a 318, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 319 a 341, e instruído com os documentos de fls. 342 a 470, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de Processo 11070.901377/2010-51 Acórdão n.º 10-38.340 DRJ/POA Fls. 559 3 créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN).
Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO.
É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.
CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA.
Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos.
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora.
É o relatório.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010- 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 382.120,65, referente ao primeiro trimestre de 2008, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 27185.03994.180408.1.1.01-4086, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 277 a 289 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933596, das fls. 274. O Despacho Decisório referido no item precedente não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações vinculadas. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 293. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 472), conforme arrazoado das fls. 294 a 318, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 319 a 341, e instruído com os documentos de fls. 342 a 470, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de Processo 11070.901377/2010-51 Acórdão n.º 10-38.340 DRJ/POA Fls. 559 3 créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .9 01 37 7/ 20 10 -5 1 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901377/201051 Resolução nº 3801000.541 S3TE01 Fl. 12 2 11070.001396/201085, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 382.120,65, referente ao primeiro trimestre de 2008, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 27185.03994.180408.1.1.014086, tendo sido emitida a Informação Fiscal das fls. 277 a 289 e, na sequência, o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933596, das fls. 274. O Despacho Decisório referido no item precedente não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações vinculadas. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 293. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 472), conforme arrazoado das fls. 294 a 318, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 319 a 341, e instruído com os documentos de fls. 342 a 470, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de Processo 11070.901377/201051 Acórdão n.º 1038.340 DRJ/POA Fls. 559 3 créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art. 151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901377/201051 Resolução nº 3801000.541 S3TE01 Fl. 13 3 É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório. VOTO O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como relatado acima, o Recorrente apresentou pedido de compensação, no qual pretendia quitar débitos administrados pela Receita Federal com créditos de IPI, oriundos da não cumulatividade do referido tributo. Ocorre que, ao analisar a autenticidade dos referidos créditos, a fiscalização acabou por identificar irregularidades na classificação de alguns bens de produção da Recorrente e, por isso, entendeu por bem lavrar dois autos de infração (Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011). E mais: a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do estabelecimento e, assim, absorveu parcialmente créditos de IPI indicados no pedido de compensação ora analisado, realizando a compensação de ofício com os créditos tributários constituídos. Com relação aos Autos de Infração, a Recorrente propôs ação anulatória de débito fiscal, que tramita perante a SubSeção Judiciária de Cruz Alta (RS), cujos autos, em Fl. 591DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901377/201051 Resolução nº 3801000.541 S3TE01 Fl. 14 4 consulta realizada no site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, encontramse conclusos para sentença. A Recorrente noticia que realizou o depósito judicial dos valores discutidos naquela medida judicial. Neste passo, entendo que não assiste razão à Recorrente. É que, como se verifica da análise dos autos, o pedido de compensação foi realizado no ano de 2006 e, até a lavratura dos autos de infração e, em especial, a reconstituição da escritura fiscal da Recorrente, os créditos indicados por ela no pedido de compensação eram suficientes para quitar os débitos ali apontados. Sabese que, no caso do IPI, a prioridade de quitação é, de fato, é referente aos débitos relativos à saída dos produtos, nos termos do disposto no art. 195 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época [art. 256 do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010]. Ou seja, em regra, créditos de IPI devem quitar débitos de IPI. No presente caso, contudo, após acumular crédito de IPI e apurar débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, a Recorrente transmitiu pedido de compensação, nos termos autorizados pela legislação em vigor. Os débitos de IPI só foram apurados posteriormente e em decorrência de autuação fiscal. Ou seja, à época da transmissão do pedido de compensação, o procedimento adotado pela Recorrente estava plenamente correto. Porém, o § 6º do art. 8o da Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997, dispõe o seguinte: § 6º Não será admitido pedido de ressarcimento em espécie, de pessoa jurídica com processo judicial ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Tal disposição foi mantida, pelo art. 19 da Instrução Normativa SRF no 210, de 30 de setembro de 2002, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, e pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 1.224, de 23 de dezembro de 2011. In verbis: Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ) Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que o crédito pleiteado não se encontra na situação mencionada no caput. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ). E, como se depreende dos autos, a Recorrente, por ter sido autuada nos Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, se encontrava na situação Fl. 592DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901377/201051 Resolução nº 3801000.541 S3TE01 Fl. 15 5 descrita no dispositivo supra citado, nos quais foi reconstituída a escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos do IPI objeto dos pedidos de ressarcimento/compensação. O requerente também impetrou a Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) no 2008.71.16.0004989, para discutir a classificação fiscal e a correspondente alíquota do IPI das plataformas para colheita de milho objeto das autuações sofridas nos citados Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011. De se destacar que tratase aqui de compensação de créditos de IPI, que possui regramento próprio, não se confundindo com o processo de compensação usualmente utilizado para outra espécie tributária. Vejase, inclusive, que os julgados trazidos pela Recorrente com precedentes que lhe seriam supostamente favoráveis, tratam da compensação de créditos de IRPJ e de CSLL, que possuem regramentos distintos daquele aplicável à compensação de créditos de IPI. Assim, seria inadequado promover o julgamento sem que antes houvesse decisão nos autos dos Autos de Infração mencionados, gerados pela desconstituição da escrita fiscal e erro de classificação. Uma vez analisado aqueles casos, e decidido pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência dos autos de infração, deve ser refeita novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haveria crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. Deste modo, converto o presente processo em diligência, e determino o retorno do presente processo à DRF de origem, para que aguarde o julgamento definitivo dos Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, de modo que caso as decisões proferidas sejam pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência total dos autos de infração, esta refaça novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haverá crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 593DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 37166.001276/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/05/2006
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESSUPÕE A EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS A MAIOR OU INDEVIDOS.
A restituição é condicionada à existência de recolhimentos a maior ou indevidos em favor da Seguridade Social.
INOVAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO
A parte não pode inovar a lide em sede recursal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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PRESSUPÕE A EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS A MAIOR OU INDEVIDOS. A restituição é condicionada à existência de recolhimentos a maior ou indevidos em favor da Seguridade Social. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE RECURSO A parte não pode inovar a lide em sede recursal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 16 6. 00 12 76 /2 00 6- 26 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37166.001276/200626 Acórdão n.º 2302002.636 S2C3T2 Fl. 117 3 Relatório Trata o presente de pedido de restituição protocolado através do Requerimento de Restituição de Valores Indevidos, onde o contribuinte sustenta que com as alterações promovidas pela Lei n.º 9.876/99, apenas oitenta por cento dos maiores salários de contribuição, a partir da competência julho de 1994, serão considerados para o cálculo do seu benefício, então teria garantida a aposentadoria pelo teto, contribuindo pelo mínimo legal desde 11/2004. Desta forma requer a restituição dos valores recolhidos a maior a partir de 12/2004. Despacho Decisório de fls. 52/56 indeferiu o pleito do contribuinte sob o argumento de que a novel legislação não tornou indevidas as contribuições previdenciárias sobre os menores salários de contribuição, correspondentes a vinte por cento do período contributivo, assim como não tornou indevidas as contribuições recolhidas anteriormente a julho de 1994. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade primando por novos argumentos a fim de sustentar o pedido de restituição Acórdão de fls. 61/67, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde junta documentos a saber: Portaria 46 de nomeação no Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior MDIC, publicada em 01/02/2005; Portaria 133 de exoneração do MDIC, publicada em 03/11/2005; Portaria 42 do Ministério da Fazenda, publicada no DOU de 16/01/2006; guias de contribuição como autônomo. Alega ainda que: a) tais documentos já estavam anexados ao processo, não se justificando o que constou da decisão recorrida; b) no período de janeiro de 2005 a 08/2008 foram feitas contribuições pelo MDIC e pelo Ministério da Fazenda ao INSS e por erro fez contribuições como autônomo e que isso é o objeto da restituição; c) que em outro processo 37166.000931/200629, parte destes valores já foram admitidos como devidos, mas ainda não foram devolvidos; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 d) autoriza a compensação de débitos que por ventura tenha com a Fazenda, dos valores devidos e informa seus dados bancários atualizados. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37166.001276/200626 Acórdão n.º 2302002.636 S2C3T2 Fl. 118 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. O contribuinte pleiteia a restituição de valores que diz terem sido recolhidos a maior em função da nova sistemática trazida pela Lei n.º 9.876/99, a qual determina que no cálculo da aposentadoria sejam considerados 80% dos maiores salários de contribuição a partir da competência julho de 1994. Como o requerente diz que iria adquirir o direito a aposentadoria em fevereiro de 2008, entende que tem garantida a aposentadoria pelo teto, mesmo contribuindo pelo mínimo legal a partir de 12/2004. Desta forma, solicitou a restituição do valor excedente ao mínimo legal a partir de 12/2004 até 05/2006. Ocorre que após ter seu pleito indeferido pelo DespachoDecisório de fls. 52, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alterando as razões de seu pedido, afirmando que por manter vínculos com os Ministérios do Desenvolvimento Indústria e Comércio e da Fazenda, no período de 02/2005 a 05/2006, não havia necessidade de recolher como autônomo, o que havia feito. Alega que não exercia nenhuma atividade como autônomo e contribuía única e exclusivamente para manter o vínculo previdenciário e não alterar os cálculos da aposentadoria. Analisando os autos e em que pesem as razões expostas pelo recorrente , é de se ver que, como muito bem fundamentado pela decisão recorrida, durante o trâmite administrativo o contribuinte inovou nos seus argumentos para ver deferida a restituição, acrescentando razões ao objeto de pedir que sustentou o primitivo requerimento, inclusive dizendo serem aquelas razões subsidiárias. Ora tal atitude não pode ser acolhida por este colegiado, assim como já não o foi acertadamente pela decisão recorrida. O contribuinte protocolou pedido de restituição fundamentando seu pedido na sistemática contida na Lei n.º 9.876/99 e sobre tais argumentos a decisão administrativa emitida pelo setor competente da Receita Federal do Brasil se manifestou e indeferiu o pleito, concedendo ao contribuinte o direito de manifestar sua inconformidade. Entretanto, é de se ver que este instituto processual permite ao contribuinte manifestar sua inconformidade em relação à decisão proferida que lhe tenha sido desfavorável, mas não lhe permite inovar no pedido protocolado que originou a decisão exarada. O litígio instaurado no presente processo de restituição se atém ao que foi solicitado pelo requerente no Requerimento de Restituição, e analisado pelas decisões administrativas a quo. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Assim, não há que se falar em reforma do julgado em relação a questão das contribuições recolhidas como autônomo, eis que a respeito dela nada consta na decisão original. De acordo com o artigo 247 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, somente poderá ser restituída contribuição para a seguridade social, arrecadada pelo INSS/Receita Federal do Brasil, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido: Art.247. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social, arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. No caso em tela, não há demonstração de que os valores recolhidos sejam indevidos ou foram efetuados a maior. A Lei n.º 9.876/99, trouxe modificações na Lei n.º 8.213/91, em especial quanto a aposentadoria, já que o cálculo do valor do benefício da aposentadoria por tempo de contribuição passou a ser feito com base na média aritmética simples dos maiores salários de contribuição, correspondentes a 80% do período contributivo, multiplicada pelo fator previdenciário. De acordo com a Lei n.º 9.876/99, o INSS deve aplicar o fator previdenciário considerando a idade, a expectativa de sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar. Os cálculos a serem efetuados quando da requisição do benefício de aposentadoria ainda vai levar em conta regras atuariais tendo o percentual de 80% como uma base, um valor de referência. Ademais, a metodologia introduzida pela novel legislação não tornou indevidas as contribuições previdenciárias recolhidas sobre os menores salários de contribuição correspondentes a vinte por cento no período contributivo, tampouco tornou indevidas as contribuições recolhidas anteriormente a julho de 1994. De forma, que não há como deferir o pleito do contribuinte porque não esta se tratando de contribuições indevidas e porque as razões expostas na peça recursal inovaram no processo administrativo, não podendo ser apreciadas. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003811/2005-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2004
MULTA REGULAMENTAR. DIF. PAPEL IMUNE.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF.- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator, se optante pelo SIMPLES, à multa regulamentar prevista na primeira parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é o inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009.
O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode agravar a situação do recorrente, sob pena de vulnerar o princípio da proibição do reformatio in pejus.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF. PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF.- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator, se optante pelo SIMPLES, à multa regulamentar prevista na primeira parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é o inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode agravar a situação do recorrente, sob pena de vulnerar o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF. PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF. Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator, se optante pelo SIMPLES, à multa regulamentar prevista na primeira parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é o inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode agravar a situação do recorrente, sob pena de vulnerar o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 38 11 /2 00 5- 27 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Em 22.3.2005, após o devido procedimento de fiscalização, foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte Editora Gráfica de Minas Gerais Ltda. (CNPJ 03.896.074/000146), relativo A falta de entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF — Papel Imune). A infração em questão refere aos períodos de jul/ jul/2002, out/2002, jan12003, abr/2003, jul/2003, out/2003, jan/2004, abr/2004 e jul/2004. O crédito tributário cobrado totalizava R$ 318.000,00 na data de lavratura do auto. Em 27.4.2005, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 41 a 45, na qual pede a desconstituição da autuação e alega, em síntese, que: a) a empresa contribuinte está inativa desde o ano de 2003 (fato regularmente informado A SRF), não tendo jamais utilizado papel imune e, consequentemente, nunca veio a utilizar o beneficio fiscal em questão. b) o inc. I do art. 57 da Medida Provisória n°2.15835/2001 estabelece a pena pecuniária de R$ 5.000,00 por mês calendário para as pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, informações ou esclarecimentos solicitados. A contribuinte entende que não é o seu caso, visto que ela teria deixado de prestar informações previstas em normativos e não "solicitadas". A solicitação de informações da DRF, quando feita, foi prontamente atendida. c) é inconstitucional o art. 57 da MP 215835, por violar os princípios da igualdade, da vedação ao confisco e da imunidade tributária. Em sessão de 21.11.2006, a 3a Turma da Delegacia da Receita de Julgamento de Juiz de Fora — MG decidiu, por maioria de votos, pela procedência do lançamento, por entender que a penalidade aplicada está em perfeita consonância com a legislação de regência, não cabendo a autoridade julgadora administrativa apreciar a eventual inconstitucionalidade das normas de nosso sistema jurídico. A julgadora Mônica Monteiro Garcia de los Rios fez declaração de voto no sentido de que se deveria confirmar a declaração da empresa de que nunca efetuou qualquer operação com o papel imune ao longo do período relativos As multas ora discutidas, pois entendeu que a obrigatoriedade da apresentação das informações em questão è apenas para empresas que chegaram a realizar operações com papel imune. Após tomar ciência da decisão da DRJ em 2.7.2007, a contribuinte apresentou, em 27.7.2008, o Recurso Voluntário de Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.003811/200527 Acórdão n.º 9303002.396 CSRFT3 Fl. 260 3 fls. 97 a 103, na qual reforça as alegações de sua impugnação e alega, em síntese, que: em relação ao ano calendário de 2002, questiona o enquadramento legal da infração. Isso porque é citado o art. 505 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, norma que não poderia, portanto, ser aplicada ao período anterior A sua publicação. o montante da multa possui caráter confiscatório. o art. 57 da MP n°2.15835/2001 é inconstitucional A contribuinte conclui o seu recurso requerendo a desconstituição do Auto Infração ou, alternativamente, alteração da penalidade para uma nos mesmos padrões daquela prevista para a entrega em atraso da DCTF. Julgando o feito, a turma recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/10/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/04/2004 a 20/04/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004. Ementa: A multa pela falta da entrega da DIFPapel imune incide uma única vez, sendo a autuação de R$ 15.000,00 por DIF não entregue. Recurso provido em parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência, fls. 158 a 166, onde postula o provimento do recurso, para reformar o acórdão exarado nos presentes autos e restabelecer a decisão de primeira instância em sua integralidade. O especial fazendário foi admitido, nos termos do despacho de fl. 174. O sujeito passivo vem aos autos para apresentar contrarrazões ao apelo fazendário, e, também, interpor recurso especial para pedir o cancelamento integral da multa que lhe foi exigida. O especial do sujeito passivo foi inadmitido, conforme despacho nº 340000.416 – 4ª Câmara, de 18 de maio de 2011. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciá lo. A questão posta em debate cingese à da multa regulamentar pertinente à DIFPAPEL IMUNE. De um lado, a Douta PGFN defende em seu especial o restabelecimento da multa, nos termos do auto de infração, de outro, o sujeito passivo, em contrarrazões, requer o improvimento do recurso especial fazendário. Também apresentou recurso especial para pleitear o cancelamento total da multa que lhe foi imposta. Todavia esse apelo não logrou seguimento. Por conseguinte, o contorno da lide está delimitado ao pleito da Fazenda Nacional, que requer o restabelecimento da exigência fiscal em seu todo. O fundamento jurídico apresentado pela Fazenda Pública em sua peça recursal diz respeito à possível contrariedade ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001 c/c artigo 16 da Lei n° 9.779/98, bem como artigo 112 do Código Tributário Nacional, que previa multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, às pessoas jurídicas que deixassem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. Acontece que, com a edição da MP nº 451, de 15/12/2008, convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, essa conduta ganhou tratamento diferenciado, migrando da tipificação geral, prevista na MP nº 2.15832 de 2001, para tipificação específica para a conduta. A meu sentir, o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, não mais é aplicável aos casos de falta ou atraso na entrega de DIF – Papel Imune. A regra a ser aplicada é a prevista no inciso II do art. 588 do RIPI 2010, cuja matriz legal é o inciso II do § do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, assim redigida: Art. 588. O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 2º do art. 328 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º): I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune, omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso I); e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso II). Ressaltese, por oportuno, que norma versando sobre sanção, quando lhe comine penalidade menos severa do que a da lei vigente ao tempo de sua prática, pelo princípio Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.003811/200527 Acórdão n.º 9303002.396 CSRFT3 Fl. 261 5 da retroatividade benigna, consagrado no art. 1061 do CTN, aplicase a fatos pretéritos, ainda não definitivamente julgados, o que é o caso dos autos. De outro lado, a aplicação deste princípio da retroatividade benigna, em determinadas situações, pode gerar aparência de colisão com o princípio do ne reformatio in pejus, que veda ao julgador agravar a situação do recorrente, em relação à matéria por este devolvida ao Colegiado. Na verdade, a colisão é apenas aparente, posto que esses princípios convivem, harmonicamente, cada um disciplinando realidades distintas. No primeiro caso, aplicase a retroatividade benigna a julgamentos pendentes onde a insurgência da parte recorrente ainda não foi analisada, de forma definitiva. No segundo, assegura à parte recorrente que seu inconformismo não lhe prejudicará, ou seja, no mínimo ele sairá com o que entrou. Anotese que este princípio é dos corolários do princípio da ampla defesa, ao assegurar aos litigantes que não serão penalizados em razão do exercício regular de seu direito recursal. Assim, sendo o recurso apenas de uma das partes, o resultado do julgamento não lhe pode ser pior do que o fora a decisão recorrida. No caso sob exame, retroagindo a novel legislação, entendo que a multa deveria ser, no máximo, de R$ 5.000,00 reais por infração. Todavia, não foi esse o entendimento adotado no acórdão recorrido, no qual consignouse que o valor por infração seria de R$ 15.000.00. Valor esse, bem abaixo do lançado de ofício, mas, ainda assim, superior ao que seria devido, no entender deste relator, com a aplicação correta da nova legislação. De outro lado, o recurso sob exame é da PGFN que defende o restabelecimento da exigência fiscal em seu todo. Com isso, o acórdão vergastado não pode ser reformado para piorar a situação da recorrente. A solução possível para resolver o imbróglio, é Harmonizar os dois princípios, de modo a darlhes efetividade a ambos, sem prevalência de um em detrimento do outro. Assim, a nova legislação deve retroagir para reduzir a penalidade; de 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 outro, a redução não pode ser maior do que a concedida pela turma recorrida, para não ferir o princípio do ne reformatio in pejus, visto que o recurso sob exame é da PGFN. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exigência fiscal, nos termos definidos no acórdão a quo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 281DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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