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Numero do processo: 10850.003262/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 26 2/ 20 07 -5 3 Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.179 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 079/080, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 31.223,24. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 008/012) entregue em 15/08/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000951/200164, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 061/067), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 068), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 069/078 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000951/200164, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi anulado pelo CARF, resultando em novo Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido, decisão que atualmente encontrase pendente de julgamento de manifestação de inconformidade apresentada. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.180 3 do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de julho de 2003, no valor de R$ 36.147,37, conforme cópia da DCTF do 3ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 31.223,24, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.181 4 à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.182 5 sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de julho/03 no valor de R$ 38.870,41, fls. 2049. Por fim, concluiu que não houve compensação a maior, fls.2.053 e 2.054, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, no Pedido de Restituição em análise, não havendo nada a restituir ao contribuinte. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2.049), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.183 6 Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2050 a 2051, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2183DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.900050/2006-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa: PRESCRIÇÃO
O STF decidiu que a LC 118/05, embora tenha se autoproclamado
interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido.Assim, esta só tem validade após sua vacatio legis, ou seja, 9 de junho de 2005.
Vistos, relatados e discutidos
Numero da decisão: 1103-000.582
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRF de origem para apuração do valor do crédito da contribuinte.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: PRESCRIÇÃO O STF decidiu que a LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido.Assim, esta só tem validade após sua vacatio legis, ou seja, 9 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRF de origem para apuração do valor do crédito da contribuinte. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ de Salvador/BA que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Tratase de Declaração Eletrônica de Compensação, fls. 01 a 05, indicando como crédito o saldo negativo do IRPJ, período de apuração de 31/03/1998, no valor de R$3.582,58, para compensar débito do IRPJ do 4º trimestre /2001, no valor de R$22.770,50. A autoridade tributária, por meio do Despacho Decisório à fl. 08, não homologou a compensação, sob o fundamento de que na data da transmissão do PER/DCOMP, com o demonstrativo do crédito, já estaria extinto o direito de utilização do saldo negativo, em virtude do decurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a data de transmissão do PERDCOMP e a data de apuração do saldo negativo (31/03/1998). Cientificado do despacho decisório, o sujeito passivo, por meio da petição às fls. 11 a 14, apresentou as seguintes razões de defesa: procedeu por meio de vários PERDCOMP, a compensação do débito referente ao IRPJ, do 4º trimestre de 2001, no valor de R$22.770,50, cópias dos recibos anexas, utilizando para tanto os saldos negativos dos quatro trimestres constantes da declaração de rendimentos com base no lucro presumido, relativa ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, e ainda parte do valor pago a maior do IRPJ, relativo ao primeiro trimestre de 1999; em 20/05/2008, a DRF em Aracaju, por intermédio de despacho decisório nº 763956560, não homologou a compensação, e ainda está cobrando todo o débito, em duplicidade ao despacho decisório nº 763956573, alegando que decaiu o direito de uso do crédito proveniente do saldo negativo do primeiro trimestre do ano de 1998; ressaltese que foram utilizados cinco PER/DCOMP para a compensação do débito, portanto, a não homologação da compensação de apenas um PER/DCOMP não exclui o direito de uso do crédito indicado nos demais pedidos; por sua vez, nas compensações foram efetuados, à parte, os acréscimos legais pertinentes, até a data da transmissão, porquanto a primeira versão do PERDCOMP não permitia tal procedimento. Assim, os valores utilizados seguem abaixo: Débito do IRPJ/4º trimestre de 2001, valor original de R$22.770,50 VALOR ORIGINAL MULTA 20% SELIC 28,41 TOTAL IRPJ/4ºTRIM/2001 22.770,50 4.554,10 6.469,10 33.793,70 Créditos utilizados para a compensação do debito acima, atualizados até a data da transmissão: Valor original SELIC TOTAL Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10510.900050/200696 Acórdão n.º 110300.582 S1C1T3 Fl. 2 3 Saldo negativo /1º/trim/1998 3.582,58 3.657,81 (102,10%) 7.240,39 Saldo negativo /2º/trim/1998 3.420,98 3.324,16 (97,17%) 6.745,14 Saldo negativo /3º/trim/1998 5.745,07 5.185,50 (90,26%) 10.930,57 Saldo negativo /4º/trim/1998 4.204,82 3.492,10 (83,05%) 7.696,92 Pagamento a maior IRPJ/1º trim/1999* 2.528,39 2.010,57 (79,52%) 4.538,96 Pagamento a maior IRPJ/1º trim/1999** 3.288,66 2.615,14 (79,52%) 5.903,80 Total dos créditos 22.770,50 20.285,28 43.055,78 o pagamento do IRPJ referente ao primeiro trimestre de 1999 foi realizado com base no faturamento de cada mês, nos seguintes valores: mês de janeiro, R$1.612,45; mês de fevereiro, R$3.239,62 e mês de março, R$4.082,64, perfazendo o total de R$8.934,71. Para este período, o valor do IRPJ a pagar foi de R$2.323,68, ensejando uma diferença a maior de R$6.611,03, assim constituído a soma dos pagamentos de janeiro a fevereiro de R$4.852,07 (R$1.612,45 + R$3.239,62), menos o IRPJ a pagar no primeiro trimestre de 1999 (R$2.323,68), proporcionando a sobra de R$2.528,39 (*), que foi utilizada no PER/DCOMP nº 33365.61219.250703.1.3.040678; restou ainda o pagamento a maior, relativo ao primeiro trimestre de 1999, mês de março, no valor de R$4.082,64, usado na compensação a parcela de R$3.288,66 (**), conforme PER/DCOMP nº 06241.24927.250703.1.3.045659, existindo o saldo de R$793,98, utilizada na compensação do débito da CSLL/4º trimestre de 2001. como se denota, a soma dos créditos é superior ao total do débito, podendo a Receita Federal aproveitar o saldo na compensação de outros débitos; quanto ao crédito relativo ao saldo negativo do 1º trimestre de 1998, entende o manifestante que o prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é de cinco anos. No entanto, se o indébito surge em razão de situação fática não litigiosa, este prazo tem início, no caso de imposto de renda pessoa jurídica, por se tratar de declaração prestada anualmente, a partir da entrega da referida declaração de rendimentos. Como sua entrega ocorreu no ano de 1999, os cinco anos se completaram em 2004, portanto, em data posterior à transmissão dos respectivos PER/DCOMP. Dessa forma, o direito à utilização do crédito relativo ao saldo negativo do IRPJ do 1º trimestre de 1998, encontrase perfeitamente enquadrado dentro das normas legais; por fim, afirma mais uma vez que o fisco, além de não aceitar a compensação objeto deste processo, também não aceitou a compensação realizada nos demais PER/DCOMP, o que caracteriza verdadeiro equivoco, isso porque a análise isolada do PER/DCOMP relativo ao presente processo não conduz a esse entendimento. Para proceder à exigência de todo o débito, haveria a necessidade da glosa dos créditos constantes dos seis pedidos de compensação, fato inexistente neste processo, o qual compensou apenas uma parte da dívida. Por isso, não há razão para cobrança da dívida aqui mencionada, pela não homologação da compensação de parte do débito nele especificado. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 A DRJ decidiu (ementa): “PRESCRIÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário no caso de pagamento a maior que o devido, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, conforme determinação contida no artigo 168 do Código Tributário Nacional.” A contribuinte recorre (resumo): Como se verifica acima, o contribuinte solicitou compensação do débito concernente ao IRPJ 4° trimestre de 2001, utilizando para tanto os saldos negativos apurados na Declaração de Rendimentos apresentada A Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1999, completando ainda com o pagamento a maior do IRPJ apurado no 1° trimestre de 1999. No entanto o Despacho Decisório DRFB/Aracaju, indicado através do Rastreamento n° 763956560 de 20/05/2008, Processo 10510900.050/200696, como também o ACÓRDÃO DRJ/SDR 1519.116 DE 06.05.2009, não homologaram a compensação efetuada por meio do PER/DCOMP n° 00341.53218.250703.1.3.022556, em conseqüência pretende haver do Recorrente o débito no valor original de R$ 3.582,58. No entanto se o indébito surge calcado em situação Mica não litigiosa, este prazo tem inicio, no caso do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, por se tratar de declaração prestada anualmente, a partir da entrega da referida Declaração de Rendimentos. Como sua entrega ocorreu no ano de 1999, os cinco anos se completaram em 2004, portanto, em data posterior a transmissão dos respectivos PER/DCOMP. Por conta dos argumentos acima, não há razão para cobrança da divida aqui questionada, a qual decorre do engano pela não homologação da compensação realizada. 0 Recorrente fez o correto, assim, tanto o Despacho Decisório da DRFB em Aracaju, como a decisão no julgamento de primeira instancia, entendese serem ineficazes. Portanto o Pedido de Compensação pleiteada pela empresa contempla todos os requisitos legais, como amplamente demonstrado ao longo deste Recurso. Desta forma, não resta nenhuma dúvida, que é pacifico o direito do contribuinte no deferimento do crédito em tela, como também da homologação sem restrição da Compensação na forma que foi requerida. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10510.900050/200696 Acórdão n.º 110300.582 S1C1T3 Fl. 3 5 A questão se resume ao prazo de prescrição. A prescrição é matéria que se deve reconhecer de ofício. O STF julgou no RE 566.621/RS, com a relatora a Min. Ellen Gracie, em repercussão geral, a questão da inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei complementar 118. A ementa foi: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO 0 VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA A REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados de seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts.150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. (...)” O decisun dispôs: “Isto posto, conheço do recurso extraordinário da União, mas reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005 por violação do princípio da segurança jurídica, nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à justiça, com suporte implícito e expresso nos art. 1 e 5º, inciso XXXV, e considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão – somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, negolhe provimento aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, §3ºdo CPC.” Em face da decisão do STF, não ouso discutir mais este assunto, dando razão a recorrente afastando a prescrição, pois, o pagamento tornouse a maior quando da apuração do balanço da empresa em 31/03/1998. Assim, a contagem do prazo se inicia na data da extinção do crédito tributário, ou seja, 31/03/1998. O pedido formalizado em 25/07/2003 estaria dentro do prazo concedido pelo Código Tributário Nacional, na interpretação do STF, Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 pois, foi realizado antes da vacatio legis de 120 dias, da entrada em vigor da LC 118/2005 ou seja, antes de 9 de junho de 2005. Resta a DRF de origem apurar os créditos. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso para devolver à DRF de origem para a apuração dos créditos. Sala das Sessões, em 23 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 15504.002762/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. 173, I, CTN.
O crédito decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é constituído pelo lançamento de ofício, motivo pelo qual se submete à regra geral de decadência constante do art. 173, I, CTN.
Tratando-se, contudo, de multa fixa, cujo valor independe do número de infrações cometidas, tem-se que o reconhecimento da decadência parcial não influencia no valor da penalidade aplicada.
DECADÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Não tendo sido a obrigação principal completamente desconstituída, não há que se afastar a multa fixa cominada.
Numero da decisão: 2202-004.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. 173, I, CTN. O crédito decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é constituído pelo lançamento de ofício, motivo pelo qual se submete à regra geral de decadência constante do art. 173, I, CTN. Tratandose, contudo, de multa fixa, cujo valor independe do número de infrações cometidas, temse que o reconhecimento da decadência parcial não influencia no valor da penalidade aplicada. DECADÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo sido a obrigação principal completamente desconstituída, não há que se afastar a multa fixa cominada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 62 /2 00 8- 11 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 15504.002762/200811 Acórdão n.º 2202004.901 S2C2T2 Fl. 79 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por APIS ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que rejeitou a impugnação e manteve a multa exigida no auto de infração nº 37.085.3202. Transcrevo, no que importa, trechos do mencionado acórdão (fls. 50/52), por bem sintetizarem a querela ora sob escrutínio: Conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 20, tratase de infração ao inciso I do artigo 32 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 c/c 0 § 9°, inciso 1 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, por ter o contribuinte deixado de incluir os contribuintes individuais nas folhas de pagamento do período de 05/2000 a 12/2002, e elaborado as folhas de pagamento fora dos padrões e normas estabelecidos na legislação, conforme fls. 22. De acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, fls. 21, foi aplicada multa no valor de R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos) em conformidade com o disposto no artigo 7283, inciso 1, alínea “a” , observando se o artigo 102 da Lei 8.212/91 c/c a Portaria MPS/GM n° 1,42 de 11 de abril de 2007. De acordo com o mesmo relatório, não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290, do Regulamento da Previdência Social e nem a atenuante prevista no artigo 291, do mesmo Regulamento. (...) A Súmula n ° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, publicada em 20/06/2008, dispõe a respeito da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91. Entretanto seus efeitos não alteram o valor da multa aplicada no presente Auto de Infração, visto tratarse de multa única, independente do número de faltas cometidas. No presente caso, a autuação abrange o período de 05/2000 a 12/2002. Portanto, permanece válido o levantamento do crédito relativo a este período, objeto da notificações lavradas na mesma ação fiscal, bem como a aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias. (sublinhas deste voto) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 30/09/2008, recurso voluntário (fls. 56/61), sustentando, em apertada síntese, que os créditos cobrados não são mais Fl. 79DF CARF MF Processo nº 15504.002762/200811 Acórdão n.º 2202004.901 S2C2T2 Fl. 80 3 exigíveis, uma vez que foram completamente atingidos pela decadência – seja por aplicação do art. 150, § 4º, CTN, seja pela aplicação do art. 173, I, CTN. Argumenta que não seria possível conceber a procedência de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando se tem a improcedência da exigência relativa à obrigação principal. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Conforme entendimento majoritário deste Conselho, a multa por descumprimento de obrigação acessória submetese ao lançamento de ofício. Justamente por isso, lhe é aplicável a regra do art. 173, I, do CTN, segundo a qual o prazo quinquenal de decadência é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A título de exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO. CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, inciso I do CTN. (...). (CARF. Acórdão nº 2402006.097 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 04 de abril de 2018; sublinhas deste voto). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...). (CARF. Acórdão nº 2202004.304, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 3 de outubro de 2017; sublinhas deste voto). Fl. 80DF CARF MF Processo nº 15504.002762/200811 Acórdão n.º 2202004.901 S2C2T2 Fl. 81 4 Desta feita, considerando que a autuação abrangeu o período de 05/2000 a 12/2002 e que a cientificação do lançamento ocorreu em 22/08/2007, temse que as competências de 05/2000 a 11/2001 foram atingidas pela decadência. Entretanto, tal circunstância não é suficiente para provocar uma redução do valor da multa cominada, uma vez que tem valor fixo e independe do número de infrações cometidas. Isso significa que, ainda que a infração seja apurada em uma única competência, já é cabível a aplicação da penalidade, cujo valor só é majorado ou reduzido na existência de atenuantes/agravantes. Esse entendimento, que fundamenta a decisão da DRJ, é majoritário no neste Conselho, conforme possível depreender dos seguintes excertos: (...) Rejeitase a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, por ser fixa, como constatada no caso vertente. (CARF. Acórdão nº 2301004.222 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 06 de novembro de 2014). (...) A multabase não varia em função da quantidade de objetos da infração, ou seja, não importa se o objeto da infração foi um documento ou dez documentos, a multabase será a mesma, de modo que o reconhecimento quanto à insubsistência parcial da infração, pela verificação da decadência, não influencia no valor da multa aplicada. (CARF. Acórdão nº 2402004.351, – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de outubro de 2014). Anoto ainda que o argumento da recorrente no sentido de que a decadência da obrigação principal resultaria no afastamento da exigência da multa não merece prosperar, uma vez que a obrigação principal, no caso, não foi completamente atingida pela decadência. É que (...) não ocorrendo a desconstituição total do lançamento da obrigação principal, não se pode acolher o argumento da recorrente de que o acessório não poderia prevalecer em face da extinção do principal pela decadência (Acórdão n. 2402003.478 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 13 de março de 2013). Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 81DF CARF MF Processo nº 15504.002762/200811 Acórdão n.º 2202004.901 S2C2T2 Fl. 82 5 Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000933/2009-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.801
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMOS DIVERSOS. Recorrentes INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 33 /2 00 9- 50 Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 3 2 bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.882, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Após ser integrado por acórdão que acolheu, em parte, os embargos de declaração interpostos por Conselheiro, restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2007 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao conceito de insumo aplicável para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Dentre outros argumentos, defende que, para dos créditos em foco, a legislação estabelece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração alegando contradição e obscuridade quanto ao pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Todavia, seus embargos foram rejeitados. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda foram apresentados pelo sujeito passivo. Em síntese, o contribuinte defende que não se deve considerar, para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, os conceitos de insumos aplicáveis à apuração de créditos do IPI e do ICMS. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial ao qual foi dado seguimento. Foi admitida a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo aplicável para o reconhecimento do direito de créditos das contribuições não cumulativas. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo. Alega, essencialmente, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar insumo para fins de constituição de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.785, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 11516.000925/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.785): "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 5 4 Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 6 5 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 8 7 Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 9 8 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 10 9 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 575DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 11 10 IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 576DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 12 11 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 – trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 13 12 “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Fl. 578DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 15 14 parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 16 15 “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 17 16 · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...) Transcrevese, a seguir, o voto vencedor do acórdão paradigma, que tratou do direito de crédito quanto ao fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina: "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pós industriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 18 17 mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 19 18 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens." Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11516.000933/200950 Acórdão n.º 9303007.801 CSRFT3 Fl. 20 19 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Recurso Especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão. O colegiado também conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 585DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16539.720016/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Descabe a arguição de nulidade por modificação do critério jurídico do lançamento quando comprovado que as modificações do valor da autuação apontadas em diligência determinada pela DRJ decorreram dos ajustes promovidos por esta Fiscalização nos valores originais dos ajustes de preços de transferência que foram lançados nas autuações devem ser reduzidos para refletir as correções dos valores dos preços parâmetros calculados nos métodos PRL 60% e da conjugação dos métodos PRL 60%- 20%,
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE.
A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.
As despesas com frete e seguro e o imposto de importação não constituem custos decorrentes das funções desempenhadas pelo revendedor, mas são custos da importação, que não entram na apuração da margem de revenda.
Como não entram no cálculo do hipotético preço parâmetro, mas representam custos efetivos, os valores relativos a frete, seguro e ao imposto de importação, desde que seu ônus tenha sido do importador/revendedor (ou seja, na modalidade FOB), podem ser integralmente deduzidos para os efeitos de imposto de renda. Na modalidade CIF, o valor de frete e seguro já está embutido no preço parâmetro, de modo que não pode ser considerado, novamente, como despesa dedutível.
SÚMULA CARF Nº 115
A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
MÉTODO PIC. DIREITO DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. MÉTODO NÃO OBRIGATÓRIO PARA FISCALIZAÇÃO. A escolha pelo método mais favorável deve ser exercida pelo contribuinte com a entrega da DIPJ e não pela fiscalização nos lançamentos de ofício. Nos casos em que não for indicado o método, nem apresentado os documentos para comprovação do preço parâmetro, a fiscalização poderá determiná-lo com base nos documentos disponíveis, aplicando um dos métodos previstos no art. 18 da Lei nº 9.430/96.
MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. GLOSA DE DESPESAS.Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo no procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício".
Numero da decisão: 1401-003.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial para (i) ajustar a base de cálculo do lançamento, conforme o apurado no resultado da diligência determinada por esta Turma; (ii) afastar o agravamento da multa de ofício. Acordam ainda, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no que tange à utilização do valor FOB na formação do preço de aquisição, o que demandará novo ajuste da base de cálculo por parte da Autoridade Executora do Acórdão, vencidos dos conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado para eventuais substituições).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade por modificação do critério jurídico do lançamento quando comprovado que as modificações do valor da autuação apontadas em diligência determinada pela DRJ decorreram dos ajustes promovidos por esta Fiscalização nos valores originais dos ajustes de preços de transferência que foram lançados nas autuações devem ser reduzidos para refletir as correções dos valores dos preços parâmetros calculados nos métodos PRL 60% e da conjugação dos métodos PRL 60%- 20%, PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. As despesas com frete e seguro e o imposto de importação não constituem custos decorrentes das funções desempenhadas pelo revendedor, mas são custos da importação, que não entram na apuração da margem de revenda. Como não entram no cálculo do hipotético preço parâmetro, mas representam custos efetivos, os valores relativos a frete, seguro e ao imposto de importação, desde que seu ônus tenha sido do importador/revendedor (ou seja, na modalidade FOB), podem ser integralmente deduzidos para os efeitos de imposto de renda. Na modalidade CIF, o valor de frete e seguro já está embutido no preço parâmetro, de modo que não pode ser considerado, novamente, como despesa dedutível. SÚMULA CARF Nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. MÉTODO PIC. DIREITO DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. MÉTODO NÃO OBRIGATÓRIO PARA FISCALIZAÇÃO. A escolha pelo método mais favorável deve ser exercida pelo contribuinte com a entrega da DIPJ e não pela fiscalização nos lançamentos de ofício. Nos casos em que não for indicado o método, nem apresentado os documentos para comprovação do preço parâmetro, a fiscalização poderá determiná-lo com base nos documentos disponíveis, aplicando um dos métodos previstos no art. 18 da Lei nº 9.430/96. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. GLOSA DE DESPESAS.Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo no procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício".
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INOCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade por modificação do critério jurídico do lançamento quando comprovado que as modificações do valor da autuação apontadas em diligência determinada pela DRJ decorreram dos ajustes promovidos por esta Fiscalização nos valores originais dos ajustes de preços de transferência que foram lançados nas autuações devem ser reduzidos para refletir as correções dos valores dos preços parâmetros calculados nos métodos PRL 60% e da conjugação dos métodos PRL 60% 20%, PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 9. 72 00 16 /2 01 4- 16 Fl. 20583DF CARF MF 2 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. As despesas com frete e seguro e o imposto de importação não constituem custos decorrentes das funções desempenhadas pelo revendedor, mas são custos da importação, que não entram na apuração da margem de revenda. Como não entram no cálculo do hipotético ‘preço parâmetro’, mas representam custos efetivos, os valores relativos a frete, seguro e ao imposto de importação, desde que seu ônus tenha sido do importador/revendedor (ou seja, na modalidade ‘FOB’), podem ser integralmente deduzidos para os efeitos de imposto de renda. Na modalidade CIF, o valor de frete e seguro já está embutido no ‘preço parâmetro’, de modo que não pode ser considerado, novamente, como despesa dedutível. SÚMULA CARF Nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. MÉTODO PIC. DIREITO DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. MÉTODO NÃO OBRIGATÓRIO PARA FISCALIZAÇÃO. A escolha pelo método mais favorável deve ser exercida pelo contribuinte com a entrega da DIPJ e não pela fiscalização nos lançamentos de ofício. Nos casos em que não for indicado o método, nem apresentado os documentos para comprovação do preço parâmetro, a fiscalização poderá determinálo com base nos documentos disponíveis, aplicando um dos métodos previstos no art. 18 da Lei nº 9.430/96. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. GLOSA DE DESPESAS.Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo no procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 20584DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.584 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial para (i) ajustar a base de cálculo do lançamento, conforme o apurado no resultado da diligência determinada por esta Turma; (ii) afastar o agravamento da multa de ofício. Acordam ainda, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no que tange à utilização do valor FOB na formação do preço de aquisição, o que demandará novo ajuste da base de cálculo por parte da Autoridade Executora do Acórdão, vencidos dos conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado para eventuais substituições). Fl. 20585DF CARF MF 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 0958.069 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou integralmente procedente o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL. O relatório do acórdão da DRJ bem descreve todo o ocorrido até aquele momento: Em nome da interessada foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 16.133.884,97, com juros de mora calculados até dezembro de 2014. Os tributos exigidos correspondem aos valores discriminados, sobre os quais ainda incidem multa de ofício no percentual de 112,50% e juros de mora: Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do Auto de Infração de IRPJ, a fiscal autuante relatou o seguinte: 001 – ADIÇÕES – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA CUSTOS/ DESPESAS/ ENCARGOS – BENS/ SERVIÇOS/ DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR DE PF/PJ – PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA Valor de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferências, relativamente a seus custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de PF/PJ residente ou domiciliada em país com tributação favorecida, não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009 art. 3º da Lei nº 9.249/95 Arts. 241, 242, 247 e 249, inciso I, do RIR/99 O lançamento de CSLL é reflexo do realizado para o IRPJ. No Termo de Verificação Fiscal TVF, parte integrante dos autos de infração, às fls. 5.017/5.086, o auditor fiscal, em resumo, assim se pronunciou: 4 DAS SOLICITAÇÕES DE ESCLARECIMENTOS, DOCUMENTOS E ARQUIVOS DIGITAIS 4.1 Termo de Início de Ação Fiscal A ação fiscal iniciouse em 19/08/2013 (Anexo Termo de Início de Ação Fiscal), data em que o Contribuinte tomou ciência, do Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF), pelo qual foi intimado a apresentar os seguintes esclarecimentos, documentos e arquivos digitais acerca da correta aplicação da metodologia de Preço de Transferência, adotada no Brasil, para controle de preços nas operações de importação de bens efetuadas pelo Contribuinte com empresas relacionadas ou com empresas sediadas em países com tributação favorecida, ocorridas no anocalendário de 2009. Fl. 20586DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.585 5 [...] 4.2 Intimações 01 a 09 – Sucessivas prorrogações de prazo Da leitura do parágrafo 3º do parecer dos auditores independente (Demonstrações Auditadas, entregue como anexo à Resposta à Intimação de 04/04/2014) constatouse que o Contribuinte “não preparou cálculos e estudos internos adequados para evidenciar a conformidade com a legislação fiscal com relação às regras de preços de transferência” (original não grifado). A ausência deste controle de preços de transferência foi confirmada por esta Fiscalização em função dos sucessivos pedidos de prorrogação atendidos no período de 19/08/2013 a 04/04/2014, totalizando 225 dias até a entregue dos primeiros documentos e esclarecimentos para análise. [...] 4.3 Intimação 10 Após análise dos documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal (TIF) 10 (Anexo Termo de Intimação nº 10 em 04042014), constatou que, transcorridos mais de 200 (duzentos) dias da lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 19/08/2013, o Contribuinte ainda não prestou os esclarecimentos nem apresentou os documentos e arquivos digitais solicitados relativos ao controle de Preços de Transferência aplicados pela empresa nas importações realizadas no ano base de 2009 e que foram objeto de sua DIPJ 2010 anocalendário 2009. Neste mesmo TIF 10, a Fiscalização prorrogou o prazo para atendimento às pendências de atendimento ao TIF 09 e acrescentou as seguintes solicitações: [...] 4.5 Intimação 13 – As constatações relatadas acima foram passadas a termo e o Contribuinte foi novamente intimado (Anexo Termo de Intimação Fiscal nº 13 em 030602014) a prestar os esclarecimentos e a fornecer os documentos e arquivos digitais a seguir. [...] 4.5.2 Análise da Fiscalização Analisados os esclarecimentos prestados e os documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização constatou o que segue. a) Confronto entre versões das memórias de cálculo – sem alteração de método de PT Efetuouse um confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados em 24/04/2014 (versão 1) com as memórias de cálculo dos produtos apresentados em 29/07/2014 (versão 2) e verificouse que para 34 produtos não houve alteração no método de controle de PT adotado. [...] b) Confronto entre versões das memórias de cálculo – com alteração de método de PT Do confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados (versão 1 x versão 2) verificouse que para 3 produtos houve alteração no método de controle de PT adotado. [...] c) Confronto entre versões das memórias de cálculo – inclusão de produtos identificados pela Fiscalização Do confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados (versão 1 x versão 2) verificouse que 11 produtos foram incluídos nas memórias de cálculo de controle de PT, após a Fiscalização identificá los em análise de documentação entregue. Fl. 20587DF CARF MF 6 [...] d) Confronto entre versões das memórias de cálculo – inclusão de produtos importados em 2008 identificados pelo Contribuinte Do confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados (versão 1 x versão 2) verificouse que 19 produtos foram incluídos nas memórias de cálculo de controle de PT pelo Contribuinte uma vez que estes produtos foram importados no ano calendário de 2008, não sofreram importações no anocalendário de 2009 mas foram levados a custo neste mesmo anocalendário de 2009. [...] e) Confronto entre versões das memórias de cálculo – exclusão de produtos pelo Contribuinte Do confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados (versão 1 x versão 2) verificouse que 06 produtos foram excluídos pelo Contribuinte sob a alegação de que os mesmos, apesar de importados no ano calendário de 2009, não foram consumidos em 2009. Contudo, esta Fiscalização, após analisar as memórias de cálculo destes produtos, fornecidas pelo Contribuinte em 24/04/2014 (versão 1), sobretudo as informações de Consumo, Composição do Consumo e Vendas, constatou que houve sim consumo destes produtos importados em 2009. [...] 4.6 Intimações 18 e 19 – Em atenção ao pedido de prorrogação para entrega dos Documentos Fiscais conforme ADE COFIS nº 25/2010 (IN 86/2001) foram emitidos os Termos de Intimação Fiscal nos 18 e 19 (Anexos Termo de Intimação Fiscal nº 18 em 21072014 e Termo de Intimação Fiscal nº 19 em 11082014). 4.7 Intimações 20 e 21 – Considerando a inclusão nas memórias de cálculo de 19 produtos importados em 2008, sem importações em 2009 e levados a custo em 2009 e a necessidade de calcular os preços praticados destes produtos a partir das Declarações de Importações ocorridas em 2008, bem como a conduzir a verificação da agregação de valores nos produtos importados submetidos o método PRL20% mediante às operações de acondicionamento em embalagens e rotulagens, o Contribuinte foi intimado (Anexos Termo de Intimação Fiscal nº 20 em 22082014 e Termo de Intimação Fiscal nº 21 em 15092014) a prestar os esclarecimentos e a fornecer os documentos e arquivos digitais a seguir. [...] 4.8 Intimação 22 Após análise dos esclarecimentos, documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 22, (Anexo Termo de Intimação nº 22 em 29092014), solicitou novamente os mesmos elementos anteriormente solicitados no TIF 21. [...] 4.8.2 Análise da Fiscalização Analisados os esclarecimentos prestados e os documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização constatou o que segue. a) O Contribuinte efetuou importações de produtos de empresas consideradas vinculadas no anocalendário de 2008 que foram trazidos a custos no anocalendário de 2009, influenciando assim o resultado deste ano base. Estes produtos não sofreram importações no ano base de 2009. Para que esta Fiscalização efetue o cálculo correto do preço praticado destes produtos fazse necessário identificar todas as Declarações de Importações (DI´s) que suportaram as importações destes produtos realizadas em 2008 de empresas vinculadas, uma vez que no ano base de 2009 não houve importações destes produtos. Fl. 20588DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.586 7 b) No cálculo dos preços praticados dos produtos, efetuados pelo Contribuinte, somente são considerados os produtos importados de vinculadas que foram consumidos (levados a custo) no anocalendário de 2009, o que se constituiu num entendimento equivocado, por parte do Contribuinte, da legislação que rege o tema. A legislação de preços de transferência preceitua que sejam considerados, no cálculo dos preços praticados, a totalidade das importações ocorridas no ano calendário de 2009, além dos valores e quantidades existentes nos estoques iniciais destes produtos no referido anocalendário de 2009. c) Da leitura do parágrafo 3º do parecer dos auditores independente (Demonstrações Auditadas, entregue como anexo à Resposta à Intimação de 04/04/2014) constatase que o Contribuinte não “não preparou cálculos e estudos internos adequados para evidenciar a conformidade com a legislação fiscal com relação às regras de preços de transferência” (original não grifado). A ausência deste controle de preços de transferência foi confirmada em função dos sucessivos pedidos de prorrogação atendidos por esta Fiscalização no período de 19/08/2013 a 04/04/2014, totalizando 225 dias até a entregue dos primeiros documentos e esclarecimentos sobre o assunto. Foi confirmada pela Contribuinte a contratação de uma consultoria para execução dos cálculos de controle de preço de transferência no anocalendário de 2009. d) Intimada a identificar nas Declarações de Importações de 2008 (arquivo SYSCOMEX fornecido pela Fiscalização) todos os produtos importados de empresas vinculadas, o Contribuinte se recusou a fazêlo, alegando que não dispõe das informações detalhadas relativas às operações de 2008 especificamente no formato solicitado (Resposta à Intimação em 07/10/2014). O Contribuinte também se recusou a fornecer as informações das quantidades e valores contidos nos estoques inicial e final dos produtos importados de empresas vinculadas em 2008. Limitouse a apresentar os seus cálculos dos preços praticadas considerando apenas as quantidades dos produtos importados de vinculadas em 2008 que efetivamente foram consumidos em 2009, desprezando a metodologia preconizada na legislação de preço de transferência vigente no período em questão. Tal metodologia exige, no cálculo do preço praticado, que se considere a totalidade dos produtos importados de vinculada no ano de 2008 e as quantidades e valores dos respectivos estoques iniciais de 2008, mesmo que os mesmos tenham sido levados a custos em 2009. Desta forma, é obrigação legal do Contribuinte a guarda das informações e documentos de 2008 (Declarações de Importações e estoques) uma vez que estes repercutiram em lançamentos contábeis que influenciaram o lucro do exercício de 2009. [...] f) O Contribuinte não apresentou os demonstrativos da composição dos custos dos produtos submetidos ao método PRL 20% do controle de preços de transferência no formato exigido pela Fiscalização, alegando que submeteu ao PRL20% estritamente os produtos que foram revendidos em suas apresentações originais de importação. 4.9 Intimações 24 e 25 – Efetuadas as constatações listadas acima, esta Fiscalização, por meio dos Termos de Intimação Fiscal (TIF´s) 24 e 25 (Anexos Termo de Intimação Fiscal nr 24 em 23102014 e Termo de Intimação Fiscal nr 25 em 03112014), intimou novamente o Contribuinte a apresentar os mesmos elementos dos TIF´s 20, 21, 22 e 23. [...] Fl. 20589DF CARF MF 8 4.9.2 Considerações da Fiscalização Analisados os esclarecimentos prestados e os documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização constatou o que segue. a) Planilha SISCOMEX 2008 – identificação dos produtos O Contribuinte informa que a planilha do Anexo COMPRAS 2008 CASTROL entregue contém as informações detalhadas de todas as importações realizadas no anocalendário de 2008. Contudo, esta planilha representa um pequeno extrato de informações que não se prestam ao cálculo dos preços praticados segundo a metodologia preconizada na legislação de controle de preços de transferência. b) Estoques inicial e final de 2008 – quantidades e valores O Contribuinte informa que a planilha do Anexo Estoque Castrol entregue contém as informações de estoque relativas ao anocalendário de 2008. Contudo, esta planilha não contém as informações das quantidades e valores dos estoques inicial e final dos produtos do ano base de 2008 conforme se pode verificar no extrato desta planilha reproduzido abaixo pela Fiscalização. [...] c) Controles de custos nas operações de acondicionamento em embalagens e rotulagens O Contribuinte novamente deixa de apresentar as planilhas de custos relativas aos produtos importados de vinculadas submetidos ao controle de preços de transferência pelo método PRL 20%. Informa que o prazo estipulado na intimação não foi suficiente para elaborar um levantamento de custo com o nível de detalhamento solicitado. Contudo, o Contribuinte não solicitou prorrogação do referido prazo nem apresentou as informações existentes em seus sistemas de custeio, para comprovar a inexistência de controle de custos nas operações de acondicionamento em embalagens e rotulagens dos produtos. d) Retirada de 06 produtos das memórias de cálculo do controle de preços de transferência – O Contribuinte informa apenas que após uma nova análise do cálculo foram identificadas algumas inconsistências reparadas através do envio de novas memórias de cálculo, onde os 6 produtos ("3333929", "3337483", "3358934", "3362932", "3366893" e "3834960") foram retirados sob a alegação de ausência de consumo. Contudo, o Contribuinte não identifica as inconsistências encontradas nem explica as informações de consumo contidas nas pastas de Consumo, Composição do Consumo e Vendas destes 06 produtos entregues pelo próprio Contribuinte nas memórias de cálculo originárias. Tais informações de consumo destes 06 produtos foram confirmadas pela Fiscalização através das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) – Anexo NFe de consumo dos 6 produtos retirados do cálculo extraídas do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), uma vez que o Contribuinte até o encerramento da presente Ação Fiscal não apresentou suas notas fiscais de saída/entrada, emitidas no ano de 2009, solicitadas na forma de documentos fiscais desde 04/04/2014 (item 13 do TIF 10). 5 INFORMAÇÕES NA DIPJ E LALUR – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA –OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES AJUSTES 5.1 Preço de Transferência – Ausência de adição na Parte A do LALUR [...] 6 IDENTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÕES CONTIDAS NO SISCOMEX 6.1 Identificação do produto importado e revisão da vinculação na planilha SISCOMEX – [...] Fl. 20590DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.587 9 7 DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES EFETUADAS COM PESSOAS JURÍDICAS CONSIDERADAS VINCULADAS – MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO COM MARGEM DE 20% PRL 20% [...] 8 DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES EFETUADAS COM PESSOAS JURÍDICAS CONSIDERADAS VINCULADAS – MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO COM MARGEM DE 60% PRL 60% [...] 8.2 PRL 60% Preço Médio Ponderado Praticado Cálculo da Fiscalização [...] 8.3 PRL60% Preço Médio Ponderado Parâmetro de cada Insumo em relação ao respectivo produto acabado Cálculo da Fiscalização 8.3.1 Para o cálculo dos preços parâmetros dos insumos importados é utilizada a margem de lucro de 60% porque os bens importados de pessoas vinculadas foram utilizados na produção de outros produtos da linha de produção do Contribuinte. Há na metodologia determinada pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no parágrafo 11, do art. 12, uma relação intrínseca entre o custo de importação do insumo importado e o custo de produção do bem produzido. 8.3.2 PRL60% Vendas dos produtos acabados – O Contribuinte em sua resposta à intimação de 29/07/2014 apresentou suas planilhas de vendas dos produtos acabados em cuja linha de produção foram utilizados produtos importados de vinculadas (insumos) no anocalendário de 2009 (pasta Vendas no Anexo Item 12 Memórias de Cálculo PRL60). 8.3.3 PRL60% Preço parâmetro conforme IN SRF no 243/02 – As planilhas que relacionam as vendas de produtos acabados que utilizaram insumos importados de vinculadas, apresentadas em atendimento aos Termos de Intimação, foram analisadas e trabalhadas objetivando a separação por produto e a totalização das quantidades vendidas; do valor das vendas; do valor dos descontos concedidos; dos valores do ICMS, do PIS e da Cofins; e do valor das comissões e corretagens. O preço médio ponderado parâmetro, por insumo, para o PRL 60% é calculado também seguindo as determinações da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, a saber: • O preço líquido de venda unitário é obtido subtraindose do valor total das vendas do produto acabado o valor total dos: descontos concedidos; do ICMS; do PIS; da Cofins; e, das comissões e corretagens. O preço de venda líquido total assim obtido é dividido pela quantidade total vendida; • O percentual de participação do insumo importado no custo total do produto final é a relação percentual entre o custo do insumo importado da pessoa vinculada e o custo total do bem produzido; • A participação do insumo importado no preço líquido de venda do produto final é obtida aplicandose o percentual de participação apurado conforme o item anterior, sobre o preço líquido de venda unitário; Fl. 20591DF CARF MF 10 • A margem de lucro é obtida aplicandose a margem de lucro de 60%, determinada pela IN SRF nº 243/2002, sobre a participação do insumo importado no preço líquido de venda do produto final, conforme apurado no item anterior; • O preço parâmetro é obtido subtraindose da participação do insumo importado no preço líquido de venda do produto final o valor da margem de lucro calculado. 8.3.4 PRL60% Preço parâmetro – A apuração dos preços parâmetros de cada insumo importado (matéria prima) em relação ao respectivo produto acabado comercializado está demonstrada nas memórias de cálculo contidas nos seguintes anexos: • Anexo PRL60 Produto usado exclusivamente como insumo –Relação de insumos importados de vinculadas e respectivos produtos acabados em que são utilizados como matéria prima; • Anexo PRL60 Preço Parâmetro Vendas Detalhes – Relação das vendas segregadas por produto acabado onde os insumos foram utilizados; • Anexo PRL60 Preço Parâmetro Vendas Totais – Consolidação das vendas demonstrando, para cada produto acabado, a quantidade total vendida, o preço líquido de venda, o preço líquido de venda unitário e o custo total de produção do produto vendido; • Anexo PRL60 Perc Part MP Importada no Custo do PA –Cálculo do percentual de participação do custo do insumo importado no custo total do produto acabado vendido; Anexo PRL60 Partic MP Imp no Prç Líq Vda Unitário – Cálculo da participação do insumo importado no preço líquido de venda unitário do produto acabado, da margem de lucro de 60% e do preço parâmetro do insumo importado em relação ao produto acabado vendido. 8.3.5 PRL60% Preço parâmetro – ponderação – Como pode ser verificado nas memórias de cálculo contidas nos anexos listados acima, um mesmo insumo importado foi utilizado na produção de produtos acabados diferentes. Deste modo, foram apurados tantos preços parâmetros quantos foram os produtos acabados produzidos. Conforme podemos depreender das normas de controle de preços de transferência, para cada insumo importado corresponde um único preço parâmetro. Deste modo, fizemos a ponderação de cada um dos preços parâmetros obtidos pela quantidade consumida do insumo importado na produção do respectivo produto acabado (Anexos PRL60 Ponderação Prçs Parâmetros MP Detalhes e PRL60 Ponderação Prçs Parâmetros MP Totais). [...] 8.3.6 PRL60% Dos insumos que demonstram preços praticados superiores aos preços parâmetros – [...] 8.3.7 PRL60% Da apuração das quantidades consumidas para efeitos de ajustes – [...] 8.3.8 PRL60% Da apuração dos ajustes a serem efetuados – [...] 9 DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES EFETUADAS COM PESSOAS JURÍDICAS CONSIDERADAS VINCULADAS – CONJUGAÇÃO DOS MÉTODOS DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO COM MARGENS DE 20% E 60% PRL 20% E PRL 60% [...] Fl. 20592DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.588 11 10 Do lançamento do Crédito Tributário 10.1 Os valores dos ajustes a serem adicionados ao lucro real (LR) e à base de cálculo da CSLL correspondem às diferenças entre os ajustes totais individuais apurados pela Fiscalização para os produtos submetidos ao controle de preços de transferência avaliados pelos métodos Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 20% (PRL 20%), Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 60% (PRL 60%) e à conjugação destes 02 (dois) métodos, conforme descrito acima. Tais diferenças individualizadas por produto estão relacionadas nos demonstrativos de apuração de ajustes para os métodos PRL 20%, PRL 60% e a conjugação dos 02 (dois) métodos (PPRL 60% e PRL 20%), cujos valores finais estão reproduzidos na tabela abaixo. Valor total do ajuste PRL 20% 148.612,96 Valor total do ajuste PRL 60% 19.333.911,03 Valor total do ajuste conjugação dos métodos PRL 60% e PRL 20% 6.713.253,37 ______________________________________________________________ ___ Valor total do ajuste apurado pela Fiscalização 26.195.777,36 Valor total do ajuste apurado pelo Contribuinte (DIPJ 2010 AC 2009) 0,00 ================================================ VALOR TOTAL DO AJUSTES A SER EFETUADO 26.195.777,36 [...] 11 Da não entrega de arquivos digitais – inobservância de obrigação acessória – agravamento da penalidade legal – multa de ofício de 75% aumentada pela metade 11.1 Arquivos digitais dos Documentos Fiscais O Contribuinte declarou em sua DIPJ 2010 AC 2009 (ND nº 1063416) que faz sua escrituração através de processamento eletrônico de dados. Desta forma, o mesmo foi intimado sucessivas e diversas vezes a apresentar os arquivos digitais dos Documentos Fiscais (capítulo 4.3 do ADE nº 25/2010) e alguns Arquivos Auxiliares (capítulo 4.9 do ADE nº 25/2010) relativos às competências de janeiro/2009 a dezembro/2009, conforme descrito no Ato Declaratório Executivo nº 25, de 07/06/2010 (DOU de 09/06/2010), relacionados abaixo. [...] 11.2 Arquivos digitais dos Documentos Fiscais – A formalização desta solicitação ocorreu tanto em Termos de Intimação Fiscal específicos para os arquivos digitais quanto em outros TIF´s que solicitavam outros esclarecimentos e documentos do Contribuinte. A tabela abaixo relaciona as intimações efetuadas em que os arquivos digitais foram solicitados. [...] 11.3 Não entrega de arquivos digitais dos Documentos Fiscais – Contudo, o Contribuinte até a data do encerramento desta Ação Fiscal não entregou os arquivos digitais solicitados nem prestou esclarecimentos acerca desta omissão. Da Fl. 20593DF CARF MF 12 cronologia intimações efetuadas, constatase que deste 04/abril/2014 esta Fiscalização aguarda a entrega dos arquivos digitais dos Documentos Fiscais, adotando o Contribuinte uma postura de solicitar prorrogação de prazo para atendimento à solicitação, informando de forma vaga e geral que “a empresa vem enfrentado algumas dificuldades técnicas para extrair e compilar as informações solicitadas”. 11.4 Sem as informações contidas nos arquivos digitais dos documentos fiscais não foi possível a esta Fiscalização verificar tanto a totalidade quanto a correção das notas fiscais emitidas pelo Contribuinte (entrada/saída) em conformidade com as informações das notas fiscais relacionadas nas planilhas de memórias de cálculo apresentadas dos produtos submetidos aos métodos de controle de preços de transferência: notas fiscais de entrada que acobertaram as importações dos produtos, e as notas fiscais de saída que acobertaram as revendas de produtos importados e as vendas de produtos fabricados que utilizaram produtos importados como insumos de suas linhas de produção. [...] 11.6 Lançamento de tributo não entrega de arquivos digitais dos documentos fiscais – penalidade legal Contudo, havendo lançamento de tributo no procedimento de auditoria, a Fiscalização aumentará a multa de ofício de que trata o artigo 44 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 pela metade, em conformidade com o disposto no inciso I do caput e § 1º,cuja redação é a seguinte: [...] Cientificada do lançamento em 12/12/2014 (sextafeira), a contribuinte apresentou impugnação em 13/01/2015, às fls. 19.986/20.075, na qual, em resumo, assim se manifestou: [...] (i) Sejam julgados inteiramente improcedentes, de modo a cancelar os créditos tributários de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa de lançamento de ofício, juros de mora, bem como quaisquer outras exigências que destes decorram, por ser medida da mais lídima e exemplar justiça fiscal, ante o reconhecimento da ilegalidade dos ajustes de preço de transferência feitos pela SRFB, posto que tomaram como base as disposições da Instrução Normativa n° 243/2002, que contrariam frontalmente o comando da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 9,959/2000 (Item IV.l e seus subitens); além de se encontrar integralmente revogada pela IN RFB 1.312/2012, ao tempo da autuação (Item IV.3); (ii) Em não se acolhendo as alegações de cancelamento integral das autuações em questão, seja julgado procedente em parte o lançamento ora impugnado, de modo a recalcular o valor do ajuste considerando o método PIC para os produtos cujos códigos correspondem a R00016D; R06006A e 1107125A, mediante o reconhecimento do direito de a Impugnante utilizar o método mais vantajoso para o cálculo do preço de transferência (item IV,2); (iii) Ainda que seja mantido o lançamento principal a título de IRPJ, seja reconhecida a improcedência do lançamento dos créditos tributários da CSLL, uma vez que a base de cálculo da contribuição é o lucro líquido, para cujo cômputo as despesas efetivamente incorridas c comprovadamente pagas devem ser consideradas (item IV.4); Fl. 20594DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.589 13 (iv) Seja determinado o cancelamento do agravante da multa de ofício,previsto no § 2° c/c o inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/1996 (item IV.5); e (v)Seja o valor do crédito tributário reduzido, para que os juros incidam apenas sobre o valor do principal (tributos), excluindose a multa de ofício do campo da sua incidência, com base no princípio da estrita legalidade (item IV.6). Sobre a Impugnação sobreveio o Acórdão 0132.128 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Constatada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício em conformidade com as determinações expressas em normas legais e administrativas, não sendo passível na esfera administrativa a discussão de eventuais imperfeições porventura contidas nessas normas. LANÇAMENTO. APURAÇÃO DE TRIBUTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. No que tange a aspectos materiais, como a base de cálculo, a alíquota, ou outros critérios de determinação do tributo, deve ser aplicada a legislação tributária vigente à época dos fatos geradores, ainda que posteriormente modificada ou revogada. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa que lhe cabe, mas não uma imposição à fiscalização ou aos órgãos julgadores. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. O não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para entregar arquivos digitais implica o agravamento da multa de ofício, consoante disposição legal expressa nesse sentido. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE O PRINCIPAL E MULTA DE OFICIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, nos casos de lançamento de ofício, os juros de mora incidem tanto sobre o tributo quanto sobre o valor dessa penalidade, em ambos casos a partir do vencimento. CSLL. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. O decidido quanto ao lançamento principal, no caso de imposto sobre a renda, aplicase aos lançamentos decorrentes dos mesmos fatos e elementos de prova. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da Fl. 20595DF CARF MF 14 contribuição social sobre o lucro líquido a legislação tributária sobre preços de transferência. INTIMAÇÃO NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a intimação deve obedecer a disposições estabelecidas em normas processuais específicas, devendo, quando por via postal, ser endereçada ao domicílio fiscal do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual sustenta em preliminar: i) existência de erro de premissa quanto à proporcionalização que implicaria na nulidade da autuação; ii)erro material cometido pela fiscalização sobre o percentual de participação; iii)decretação da nulidade do auto de infração pelo erro material ausência de limitação das hipóteses do art. 59 do Dec. 70.235/75; no mérito: i)ilegalidade da exigência dos créditos tributários de IRPJ; ii) direito da Recorrente utilizar o método PIC, quando mais vantajoso; iii) impossibilidade da autuação com base nas disposições da IN SRF 243/2002; iv) improcedência dos créditos tributários de CSLL; v) improcedência da cobrança da multa de 112,5%.; vi) improcedência da exigência de juros cobrados sobre multa de ofício. Vindo os autos a julgamento, votou o colegiado por converter o julgamento em diligência através da Resolução n. 1401000.449, para melhor apuração da ocorrencia do erro consistente na ausência de proporcionalização da participação da Matéria Prima Importada (MP) no Preço Líquido de Venda Unitário, de modo que o erro consistiu na aplicação errada do percentual de participação. Levantou a Recorrente que a Fiscalização se utilizou dos mesmos valores de vendas e fórmula de cálculo que ela, partindo dessa forma, das mesmas bases numéricas, que deixaria clara o equívoco em razão da metodologia de cálculo aplicada. Considerando que foi identificado que houve um erro de premissa na fórmula do insumo bolt 930 granel, insumo utilizado na produção do magnatec (produto acabado) foi solicitado ao fiscal informar se o mesmo erro de premissa, qual seja, a consideração do valor liquido de vendas unitária em vez do valor líquido de vendas, se esse mesmo erro de premissa ocorreu nos demais casos sujeitos ao PRL 60. E se esse erro ocasionaria a ausência de proporcionalização da matéria prima no produto acabado. Isto porque, tudo aponta que o valor total indica o preço da fração da matéria prima no preço do produto final, a dúvida está em relação à premissa adotada em relação ao preço parâmetro considerado pela fiscalização e o cálculo promovido pelo contribuinte. Nesse contexto pediuse que uma vez identificado o possível erro de premissa em relação ao produto exemplificado o mesmo erro se replica em relação aos demais produtos e providenciassese realização de diligência para que seja feita a adequada ponderação de quando de matéria prima foi vendida no produto acabado, o que levou a um preço parâmetro de valor muito baixo por parte da fiscalização. Em reposta a diligência, a DEMAC/RJ, concluiu pela necessidade da realização de ajustes nos valores originais dos preços de transferência que foram lançados nas autuações, de maneira a reduzilos para refletir as correções dos valores dos preços parâmetros calculados nos métodos PRL 60% e da conjugação dos métodos PRL 60% 20%. Fl. 20596DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.590 15 Instada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a recorrente insistiu na nulidade do lançamento por reconhecimento de erro material face às constatadas incorreções dos valores dos preços parâmetros calculados nos métodos PRL 60% e da conjugação dos métodos PRL 60% 20% e reiterou os demais argumentos do recurso voluntário. É o breve relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto passo a analisálo. Preliminar de nulidade por vício material no lançamento. A princípio os autos foram encaminhados para diligência, afim que de se melhor apurasse a existência do alegado erro de premissa arguido pela Recorrente em relação aos critérios que pudessem ter gerado o erro de premissa na fórmula do insumo bolt 930 granel, insumo utilizado na produção do magnatec (produto acabado) foi solicitado ao fiscal informar se o mesmo erro de premissa, qual seja, a consideração do valor líquido de vendas unitária em vez do valor líquido de vendas, se esse mesmo erro de premissa ocorreu nos demais casos sujeitos ao PRL 60. Ao debruçarse sobre a análise da correção da metodologia aplicada no cálculo do preço parâmetro para as matérias primas importadas submetidas ao método PRL 60%, a diligência concluiu não assistir razão à Recorrente quando afirma que a metodologia aplicada nos cálculos dos preços parâmetros das matérias primas importadas aplicadas aos produtos acabados, submetidas exclusivamente ao método PRL 60%, está em desconformidade com a legislação que rege o tema. Fundamentou sua análise nos seguintes critérios: 5. No que pese esta metodologia de cálculo dos preços parâmetros estar detalhadamente descrita e demonstrada no Termo de Verificação Fiscal, o que pode ser depreendido de uma releitura atenta dos seus parágrafos 8.3 e 9.6 (PRL60% Preço Médio Ponderado Parâmetro de cada Insumo em relação ao respectivo produto acabado Cálculo da Fiscalização), esta Fiscalização demonstrará, de uma forma mais didática e sucinta, os passos da metodologia aplicada usando como exemplo o cálculo do preço parâmetro da matéria prima importada (310021 – BOT 930 GRANEL) aplicada sobre o produto acabado (3353107 – MAGNATEC 24X1LT) que ilustrou as 02 (duas) planilhas apresentadas pela Recorrente e que motivaram o presente pedido de realização desta diligência. 6. Para demonstrar que a metodologia aplicada pela Fiscalização está correta, reproduziremos a seguir um extrato das vendas do produto acabado 3353107 – MAGNATEC 24X1LT, ocorridas no anocalendário de 2009, obtido a partir do Anexo PRL60 Preço Parâmetro Vendas Detalhes (fls. 3792 a 4513). Fl. 20597DF CARF MF 16 7. O preço médio ponderado parâmetro para o PRL 60%, da matéria prima importada 310021 – BOT 930 GRANEL, aplicada no produto final 3353107 – MAGNATEC 24X1LT, é calculado seguindo as determinações da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, a saber: a) O preço líquido de venda unitário do produto final (3353107), que recebeu a matéria prima importada (310021) cujo preço parâmetro se deseja calcular, é obtido subtraindose do valor total das vendas do produto final no ano de 2009 o valor total dos: descontos concedidos; do ICMS; do PIS; da Cofins; e, das comissões e corretagens; e do ajuste financeiro informado pelo Contribuinte. O valor assim obtido é dividido pela quantidade total vendida do produto final; b) O Custo Unitário da matéria prima importada (310021) é obtido dividindo se o custo total da importação da matéria prima ajustado (parcela de ajuste financeiro informado pelo Contribuinte), pela quantidade total da matéria prima importada no anocalendário de 2009. Declarações de Importação da matéria prima 310021 ocorridas em 2009 extraída do Anexo Preço Praticado Detalhes Importações (fls.3745 a 3752); Fl. 20598DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.591 17 c) O Custo da Matéria Prima Importada que foi aplicada na quantidade do Produto Final vendido é obtido multiplicandose a quantidade da matéria prima importada (C3) que foi aplicada na quantidade do produto final vendido, pelo custo unitário da matéria prima importada, calculado acima (B4). Para obter a quantidade da matéria prima importada aplicada na quantidade do produto final vendido multiplicase a relação de produção, informada pelo Contribuinte (C2), pela quantidade de produto final vendida (C1=A1); d) O percentual de participação do custo da matéria prima importada no custo total do produto final vendido é a relação percentual entre o custo da matéria prima importada (e aplicada no produto final vendido) e o custo total do produto final vendido [(D1 / D2) x 100]%; e) A participação da matéria prima importada no preço líquido de venda unitário do produto final vendido é obtida aplicandose o percentual de participação Fl. 20599DF CARF MF 18 da matéria prima importada no custo total do produto final vendido (D3=E1) sobre o preço líquido de venda unitário do produto final (E2=A10); f) A margem de lucro é obtida aplicandose a margem de lucro de 60%, determinada pela IN SRF nº 243/2002, sobre a participação da matéria prima importada no preço líquido de venda unitário do produto final vendido (E3=F2); g) O preço médio ponderado parâmetro (PRL 60%) é obtido subtraindose da participação da matéria prima importada no preço líquido de venda unitário do produto final (F2=G1) o valor da margem de lucro calculado (F3=G2). 8. Os itens (c), (d) e (e) acima rebatem e derrubam a argumentação contraditória da Recorrente de que a metodologia aplicada por esta Fiscalização não considerou a proporcionalização da participação da matéria prima importada no preço líquido de venda unitário ou que o percentual de participação estava errado, conforme transcrição abaixo. “Em preliminar a Recorrente aponta erro consistente na ausência de proporcionalização da participação da Matéria Prima Importada (MP) no Preço Líquido de Venda Unitário, de modo que o erro consistiu na aplicação errada do percentual de participação.” Original não grifado. 9. Os itens acima ainda demonstram que a metodologia utilizada pela Fiscalização, ao contrário do que afirma a Recorrente, considerou o custo da matéria prima importada que foi utilizada na composição do produto final vendido em total conformidade com a legislação. 10. Em relação à planilha apresentada pela Recorrente e que fundamentou o pedido de diligência formulado pela Relatora, esta Fiscalização tece as seguintes considerações. Fl. 20600DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.592 19 • OBS (*1): A Recorrente não apresentou a memória de cálculo relativa a este valor de preço médio de aquisição da matéria prima importada; • OBS (*2): O total de matéria prima importada 3100021 (BOT 930 GRANEL) importada no anocalendário de 2009 corresponde a 916.540,57 (QUILOGRAMA LÍQUIDO) que, após aplicado o fator de conversão para unidade de estoque (/0,8518), informado pela Recorrente, foi convertida para 1.076.004,42; • OBS (*3): O custo total da matéria importada corresponde a R$ 3.608.183,03, conforme Declarações de Importações relativas ao anocalendário de 2009, que após sofrer ajustes financeiros informados pela Recorrente, no montante de R$ 9.459,45, totalizaram R$ 3.598.723,58; • OBS (*4): A Recorrente não poderia aplicar o percentual "(L) Proporção MP Importada" sobre o "(G) Valor Líquido das Vendas" para obter a “(M) Base de Cálculo", uma vez que este valor líquido das vendas se refere a venda de 23.763 produtos acabados, ignorando totalmente o aspecto da média aritmética ponderada. A base de cálculo correta deveria considerar a média aritmética ponderada, ou seja, o valor unitário das vendas líquidas do produto, dividindo o "(G) Valor Líquido das Vendas" pela “(D) Quantidade Vendida”, resultando no valor de R$ 326,87 (que foi o valor apurado pela Fiscalização na aplicação da metodologia correta). Aplicando a base de cálculo errada, a Recorrente chegou a um valor errado para o preço parâmetro da matéria prima importada 3100021 (BOT 930 GRANEL) aplicada no produto final vendido 3353107 (MAGNATEC 24X1LT). Desta forma, a Recorrente deixou de observar o artigo 12 da Instrução Normativa SRF no 243, de 11/11/2002 (DOU de 13/11/2002), com destaque especial para o seu parágrafo 11 que descreve a metodologia. [...] 11. O comparativo entre as 02 (duas) planilhas, reproduzido abaixo, evidencia o passo errado da metodologia adotado pela Recorrente no cálculo do preço parâmetro. 12. Conclui esta Fiscalização que a metodologia de cálculo do preço parâmetro no PRL 60%, aplicada nas presentes autuações, está em perfeita Fl. 20601DF CARF MF 20 adequação com a legislação sobre preço de transferência, conforme se demonstrou didaticamente acima, encontrandose perfeitamente descrita e detalhada no Termo de Verificação Fiscal que compõe o presente processo. Assim, diante dos esclarecimentos obtidos através do resultado da diligência fiscal, verificase a não ocorrência do erro apontado pela recorrente como vício material, sobre o qual ela debruçou suas razões para sustentar a nulidade do lançamento. Dessa maneira, afasto a preliminar arguida, vez que constatada a inexistência do vício material reclamado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. Preliminar de nulidade por alteração da base de cálculo pós diligência. Considerando que o objeto da diligência não se restringiu a análise tão somente do equivoco de premissa alegado pela Recorrente, mas para que também fosse aberta a oportunidade de revisão dos cálculos efetuados por esta Fiscalização, por ocasião da diligência restou verificado que a Participação MP Importada no Preço Líquido Venda Unitário (coluna C) foi calculada de forma errada como demonstrado abaixo. O Percentual de Participação do Custo da MP Import no Custo PA % (coluna (B) está expresso já na sua forma percentual, ou seja, 0,00007258 = 0,007258%. Dessa forma, na fórmula (C )=(A)*(B)/100 a divisão por 100 do resultado do produto entre (A) e (B) não era necessária. E como consequência deste erro, os preços parâmetro, calculados no método PRL 60%, para as matérias prima importadas foram demonstrados nos valores corretos, contudo, divididos por 100. Para corrigilos basta multiplicalos por 100. No exemplo acima, o preço parâmetro (método PRL 60%) encontrado na autuação para a matéria prima 310021 – BOT 930 GRANEL foi de 0,00023723, quando o valor correto seria 0,023723 (0,00023723 x 100). Anotou a autoridade fiscal: 16. Como resultado deste erro, os preços parâmetros apurados no método PRL 60% das matérias primas importadas, tanto aquelas utilizadas exclusivamente na fabricação do produto final (método PRL 60%) quanto aquelas que além de utilizadas na fabricação do produto final também foram revendidas (conjugação dos métodos PRL 20% e 60%) foram demonstrados em seu valor original dividido por 100. 17. Dessa forma, o preço parâmetro (PRL 60%) da matéria prima usada no exemplo acima 310021 – BOT 930 GRANEL foi calculado erradamente como sendo 0,00009489, quando o valor correto é 0,009490. 18. Esta Fiscalização promoveu os ajustes de correção dos preços parâmetros calculados no método PRL 60% e os demonstrou nas planilhas de cálculo afetadas, reproduzindoas em planilhas corrigidas que contém os valores corretos. As tabelas abaixo relacionam as planilhas originais que foram corrigidas e as novas planilhas com os valores corretos dos preços parâmetros. Fl. 20602DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.593 21 [...] 19. Importante ressaltar que a metodologia aplicada no cálculo dos preços parâmetros das matérias primas importadas, tanto nas planilhas substituídas quanto nas novas planilhas apresentadas nesta diligência é a mesma e está correta e em conformidade com a legislação de preços de transferência vigentes à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. O que ocorreu foi apenas a aplicação de um fator percentual no cálculo do Percentual de Participação do Custo da MP Import no Custo PA %,, o que gerou a distorção final do preço parâmetro correto apurado, ou seja, seu valor dividido por 100. 20. Em decorrência dos ajustes promovidos por esta Fiscalização nesta diligência, os valores originais dos ajustes de preços de transferência que foram lançados nas autuações devem ser reduzidos para refletir as correções dos valores dos preços parâmetros calculados nos métodos PRL 60% e da conjugação dos métodos PRL 60% 20%, conforme tabela abaixo. Assim, temos que a diligência atuou em benefício da Recorrente, identificando tão somente que o que ocorreu foi apenas a aplicação de um fator percentual no cálculo do Percentual de Participação do Custo da MP Import no Custo PA %, o que gerou a distorção final do preço parâmetro correto apurado, ou seja, seu valor dividido por 100 e procedeu a regular retificação do erro. Por isso, a diligência realizada e o recálculo da autuação decorreram não de uma modificação do critério jurídico do lançamento, que permaneceu o mesmo, mas apenas uma correção do cálculo que havia sido distorcido em razão da aplicação do percentual em duplicidade quando da lavratura do auto. De forma que, ao contrário do que o recorrente alega não há modificação do critério jurídico da autuação, a caracterizar erro material no lançamento apto à anulálo. A modificação da autuação deveuse, unicamente à modificação dos valores de base de cálculo do incentivo e não, como pretende o recorrente, à alteração de fundamento jurídico da autuação, no sentido de corrigir fator percentual no cálculo do Percentual de Participação do Custo da MP Import no Custo PA %, o que gerou a distorção final do preço parâmetro correto apurado, que sequer havia sido objeto de recurso por parte da contribuinte. Assim, não se pode considerar que o simples ajuste da base de cálculo do benefício se converta em modificação do critério jurídico da autuação passível de nulidade do lançamento. Por estas razões, neste ponto, entendo não assistir razão ao recorrente, razão pela qual voto por rejeitar também esta preliminar suscitada e no mérito acatar o resultado da diligência para promover os ajustes necessários a correção do lançamento em discussão nos Fl. 20603DF CARF MF 22 exatos valores ajustados após a correção do desajuste do percentual calculado na participação do Custo da da MP Import no Custo PA %. Da ilegalidade da IN 243/02 No mérito, discutese basicamente a legalidade da IN SRF 243/2002 ao estabelecer os cálculos do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL para fins de cumprimento da legislação sobre preços de transferência. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. A legalidade da IN SRF 243/2002, foi durante anos objeto de acirradas discussões neste conselho, que culminaram com a edição da recente Súm. 115, segundo a qual: "A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000". Discussões que concluiram que a referida Instrução Normativa em nada inovou em relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, ao contrário, elucidou a referida norma a correta maneira de se apurar eventuais distorções praticadas em operações comerciais entre pessoas vinculadas localizadas pelo mundo afora. Neste seguir, diante da edição da Súm. Carf 115, embora já tenha me manifestado em sentido diverso em outras oportunidades (Acórdão 1401002.122) , curvome ao entendimento majoritário, que corresponde à inexistência da alegada ilegalidade da referida Instrução Normativa, editada que foi para dar contornos mais efetivos ao disposto na Lei nº 9.430/96, que introduziu na legislação brasileira as ferramentas necessárias ao correto tratamento tributário a ser dado às transações entre empresas vinculadas, realizadas entre diversos países no atual cenário econômico globalizado. Por fim, quanto ao argumento da recorrente ao alegar que o posterior advento da Medida Provisória nº 478, de 2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715, de 2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, demonstrariam a ilegalidade anterior desse ato normativo. Coerentemente ao acima exposto, entendo que o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478, de 2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715, de 2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional, até porque, conforme explicitado pela Súm. CARF 115, seu caráter seria apenas interpretativo. Neste sentido temse os esclarecimentos feitos pela D. Conselheira Adriana Gomes Rego, quando abordou a questão ao redigir o voto vencedor no Acórdão 9101002.951: Fl. 20604DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.594 23 Ou seja, a Lei nº 12.715/2012 ratifica os cálculos da IN 243, com um pequeno ajuste na margem de lucro, ao mesmo tempo em que comprova uma enorme distorção em relação aos valores calculados pela contribuinte. A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ao contrário do que afirma a Recorrente, vem comprovar a incompatibilidade dos cálculos por ela efetivados e ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. Além do que, encerra qualquer discussão futura acerca da matéria. A Recorrente cita ainda a edição da MP 478 como a primeira tentativa de se criar fundamento de validade para a IN 243, mas a referida MP não foi convertida em lei. Acrescenta que posteriormente foi editada a MP 563, convertida na Lei 12.715. Porém, os dispositivos da Lei n° 12.715/2012 que tratam das regras de preços de transferência entraram em vigor somente a partir de 1º de janeiro de 2013, e o estabelecimento desta vacatio legis confirma o fato de que as alterações promovidas na Lei n° 9.430 são inovações em nosso sistema jurídico, não se podendo alegar que a IN 243 traz apenas uma forma de interpretação da Lei n° 9.430, passível de ser invocada antes das alterações promovidas pela Lei 12.715. Na Exposição de Motivos da MP nº 478/2009, trazida pela Recorrente em seu recurso, porém interpretada por ela, equivocadamente, como um reconhecimento da ilegalidade da IN, o então Advogado Geral da União, justifica as alterações trazida pela medida provisória como sendo com o intuito de reduzir a litigiosidade que a lei, e não a IN, causava. Assim, a tentativa de colocar em lei o texto da IN, não é um reconhecimento de ilegalidade na IN, massim uma forma de deixar a interpretação da lei menos susceptível a discussões judiciais ou mesmo no contencioso administrativo. No sentido da legalidade da IN, esta CSRF já decidiu conforme diversos acórdãos que, a título de exemplo, citase o de nº 9101002.321, de 3 de maio de 2016, da lavra do Cons. André Mendes de Moura, o acórdão 9101002.175, de 27 de fevereiro de 2016, da lavra do Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão. No âmbito das turmas ordinárias, merece destaque o acórdão nº 1302001.164, de 10 de setembro de 2013, da lavra do ex conselheiro Eduardo de Andrade, que, de uma forma bastante exaustiva, fazendo uso inclusive de gráficos, demonstra a legalidade da IN ora guerreada. [...] Portanto, tanto a proporcionalização quanto a exclusão do valor agregado para cálculo do preço parâmetro nos termos preceituados pela IN foram necessários para se atingir a finalidade da norma que é “evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação de preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas”, descabendose falar, inclusive, que a IN obrigou que a lucratividade total do processo fosse de 60%, pois, o que ela fez foi excluir os efeitos dos valores agregados no Brasil, vez que o que estava sob análise eram os preços dos produtos praticados com as pessoas vinculadas no Exterior. É preciso também deixar claro que não é a IN que fixou a margem de lucro de 60%, mas sim, a lei. Em face de todos esses argumentos, concluise que a IN não majorou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mas apenas lhe conferiu uma interpretação conforme a lei de ajustes de preço de transferência, sendo, portanto, legal. Fl. 20605DF CARF MF 24 Ante todo o exposto, quanto a este tema, considero improcedentes os argumentos da recorrente e reconheço a legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, bem como que a alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ao contrário do que ela afirma, vem comprovar a incompatibilidade dos cálculos por ela efetivados e ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. Frete, seguro soma ao preço praticado FOB Ilegalidade. No que concerne à aplicação do CIF em detrimento ao FOB, para fins de delimitação da dedutibilidade das despesas na apuração do lucro real, a Recorrente reclama que o cálculo do preço praticado, para fins de cotejo com o preço parâmetro, tratase de questão extremamente controversa, já que a utilização do preço CIF foge a essência das normas afetas à questão do preço de transferência, isto porque, o preço praticado deve corresponder ao preço efetivamente realizado na operação. O §6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/1996 determina que os valores dos fretes e seguros sejam acrescidos ao preço praticado para efeito dedutibilidade, o que significa que eles podem não estar inclusos no preço praticado. Como bem considera o Conselheiro Luiz Flavio Neto no Acórdão 9101002.524 de sua relatoria, o legislador prescreveu expressamente que frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação e suportados pelo importador brasileiro, ainda que os produtos importados tenham sido adquiridos de partes dependentes, devem ser consideradas custos dedutíveis pelo importador. Significa dizer que os dispêndios com frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, pagos a pessoas não vinculadas, não integram o preço parâmetro para fins de preços de transferência, devendo ser considerados dedutíveis independentemente de ajustes. Ao justificar o argumento discorre: " 4.2.2. A incompatibilidade da inclusão de fretes, seguro e tributos no cálculo do preço parâmetro para fins de preços de transferência. É conhecida a máxima jurídica de que os textos jurídicos não devem ser interpretados de tal forma que conduzam ao absurdo. Compreendo que ser ela aplicável ao caso ora sob julgamento. O art. 18 inaugura a “Seção V” da Lei n. 9.430/96, que tem como Título “Preços de Transferência” e subtítulo “Bens, Serviços e Direitos Adquiridos no Exterior”. O referido dispositivo tutela de forma geral todos os métodos para a apuração do preço parâmetro, os quais, como já exposto, determinam se ajustes devem ou não ser realizados na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Por conseguinte, a conclusão alcançada no julgamento do presente caso – no se discute se frete, seguro e tributos devem ser incluídos na composição do preço parâmetro do método PRL – devem ser igualmente coerente com os métodos PIC e CPL, igualmente tutelados pela regra geral do art. 18 da Lei n. 9.430/96. A máxima de que os textos jurídicos não devem ser interpretados de tal forma que conduzam ao absurdo emerge quando se analisa os efeitos da inclusão de frete, seguro e tributos incidentes na importação na composição do preço parâmetro do método CPL, que apura o preçoparâmetro a partir do custo do exportador, acrescido de uma margem de 20%. Fl. 20606DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.595 25 Como se ressaltou acima (tópico “1”), o objetivo da legislação de preços de transferência é “converter” os valores expressos em “reais de grupo” para valores “reais de mercado”, de tal forma que haja uma efetiva comparação entre contribuintes com capacidade contributiva equivalente. Nesse seguir, a legislação prevê que, para a composição do preçoparâmetro pelo método CPL, deverá ser considerado o custo do exportador, acrescido da margem de 20%. Em outras palavras, a margem de lucro bruta adotada no método CPL, limitada ao máximo de 20%, deveria incluir, além do lucro líquido e de todas as despesas do exportador que não estejam incluídas em seu custo, também o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação. Permissa vênia, a incongruência dessa interpretação salta aos olhos diante do fato de que os tributos brasileiros incidentes na importação facilmente podem, sozinhos, ultrapassar a margem de lucro bruto de 20% estabelecida pelo método CPL". Dadas essas considerações evidente que ao impor à Recorrente o acréscimo do frete ao preço praticado, não estava realizando uma equalização necessária, mas ferindo diretamente a lei, de modo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário quanto a este item, tendo em vista que os preços a serem controlados são apenas aqueles contratados com pessoas vinculadas, o que não é o caso do frete, só seguro e dos tributos devido na importação. Da escolha do método mais favorável. A recorrente alega que na impugnação apresentou método diferente de apuração que seria a ela mais benéfico. Neste ponto entendo não ser possível a apresentação de novo método. A empresa tem oportunidade de apurar os diversos métodos antes de elaborar sua DIPJ. Se não o fez, não pode fazêlo depois. Em relação a estes dois itens o contribuinte protesta pela existência de método de apuração de ajustes mais benéfico e que a alteração do método poderia ser realizada em benefício do contribuinte, mesmo após o encerramento do procedimento de fiscalização. Para isso apresenta os métodos que entende serem mais benéficos para a empresa em relação aos cálculos dos ajustes de preços de transferência. Alega o contribuinte que solicitou a aplicação do método PIC em sede re recurso, no entanto a autoridade fiscal e a DRJ não aceitaram a solicitação sob a argumentação de que a apresentação de novo método mais favorável somente poderia ter sido realizada durante o procedimento fiscalizatório e não durante a fase recursal. Da análise das normas que tratam da apuração e realização de ajustes de preços de transferência, verificamos que o art. 18, § 4º, da Lei nº 9.430/96, estabelece a possibilidade de utilização de mais de um método para a realização de cálculo dos ajustes. “Artigo 18 Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 20607DF CARF MF 26 [...] § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subsequente.” Ora o permissivo legal restringese ao direito de o contribuinte realizar a apuração por mais de um método a fim de, ao final, verificando o método que lhe é mais favorável, aplicálo para fins de realização dos ajustes. Tal possibilidade não obriga a fiscalização a realizar os cálculos dos ajustes por todos os métodos a fim de verificar o mais favorável ao contribuinte. Mais ainda, no presente caso, sequer o método PIC, que o contribuinte agora entende lhe ser mais favorável foi apresentado à fiscalização para fins de comparação. Ou seja, após o encerramento da ação fiscal e já na fase recursal o recorrente apresenta um método que entende ser o mais favorável querendo, assim, que seja refeito todo o procedimento fiscalizatório. Neste ponto, entendo correta a decisão de primeira instância que negou a pretensão recursal. A possibilidade de cálculo por qualquer dos métodos é plenamente facultada ao contribuinte e este poderia, durante o período de fiscalização ter realizado os cálculos e apresentadoos à fiscalização como possibilidade de utilização. Se não o fez deixou de colocar sua pretensão em análise e, assim, encerrada a ação fiscal não pode pleitear a inovação do método como possibilidade de defesa. Apresentamos abaixo acórdãos deste CARF que negam a possibilidade de apuração dos ajustes por todos os métodos para aplicação do método mais favorável ao contribuinte. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE.Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar o método que lhe fosse mais favorável. (Acórdão nº 1402002.502, de 16 de maio de 2017). PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A utilização do método mais favorável é uma faculdade do contribuinte, e não uma imposição à fiscalização. (Acórdão nº 1201001.651, de 12 de abril de 2017). MÉTODO PIC. DIREITO DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. MÉTODO NÃO OBRIGATÓRIO PARA FISCALIZAÇÃO.A escolha pelo método mais favorável deve ser exercida pelo contribuinte com a entrega da DIPJ e não pela fiscalização nos lançamentos de ofício.Nos casos em que não for indicado o método, nem apresentado os documentos para comprovação do preço parâmetro, a fiscalização poderá determinálo com base nos documentos disponíveis, aplicando um dos métodos previstos no art. 18 da Lei nº 9.430/96. (Acórdão nº 1301002.185, de 25 de janeiro de 2017) Fl. 20608DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.596 27 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DE CÁLCULO MAIS FAVORÁVEL. Não cabe ao fisco assumir o ônus de sempre aplicar o método de apuração de preços de transferência mais favorável ao contribuinte. Não há prevalência de aplicação dos três métodos de preços de transferência que servem de parâmetro para o estabelecimento de custos de importação. O Fisco pode apurar o valor base do arbitramento do custo parâmetro por apenas um dos métodos existentes e, nessa hipótese, não há falar na adoção do método mais favorável ao contribuinte. (Acórdão nº 9101002.315, de 03 de maio de 2016) Assim, diante do acima apresentado, entendo por negar provimento ao recurso também neste item. Lançamento de CSLL A Recorrente pediu a improcedência do lançamento de CSLL, uma vez que a base de cálculo dessa contribuição é o lucro líquido e as despesas efetivamente pagas devem ser consideradas na determinação do respectivo lucro. À luz da legislação tributária vigente à época dos fatos geradores, a DRJ entendeu que não haveria como acatar o argumento da a impugnante. Veja: Lei nº 9.430/96 Art.18.Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] §7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. [...] Art.28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. IN SRF nº 243/2002 Art. 1º Para efeito da legislação do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a dedutibilidade de custos de bens, serviços e direitos importados e o reconhecimento de receitas e rendimentos derivados da exportação, em operações praticadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com pessoa física ou Fl. 20609DF CARF MF 28 jurídica residente ou domiciliada no exterior, consideradas vinculadas, será efetuada de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. [...] Art. 3º Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13. Dessarte, dada a vinculação dos julgadores à legislação tributária, o entendimento à época foi de se manter a cobrança da CSLL. Sigo de acordo com este entendimento. Improcedência da cobrança da multa de 112,5%.; A Recorrente pediu a improcedência do agravamento da multa de ofício para o percentual de 112,5%, sob a alegação de que não houve dolo, tampouco prejuízo à fiscalização. Segundo a impugnante, sua boa fé e compromisso com o bom andamento da auditoria fiscal podem ser comprovados pela entrega de quase todos os documentos demandados no período da fiscalização. Acrescentou ainda que a multa é desproporcional e confiscatória, conforme jurisprudência colacionada. Anota o Acórdão recorrido que no caso, embora a contribuinte tenha atendido a várias intimações fiscais, deixou de atender às intimações para entrega de arquivos digitais dos documentos fiscais, conforme resumido no item 11.2 do TVF: O agravamento da multa em 50% encontra amparo nos incisos I a III do parágrafo 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (i) prestar esclarecimentos, (ii) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; e (iii) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. No caso, a autoridade autuante sequer indicou em qual das hipóteses no seu entender o caso e questão se encaixaria. No caso de intimação para prestar esclarecimentos (inciso I), a hipótese de incidência da multa é tão ampla que, na prática, todo procedimento fiscal que redundasse em lançamento poderia, em certa medida, autorizar a incidência da norma tributária sancionatória. Diante disso, devese encontrar uma interpretação que seja capaz de restringir a aplicação da multa e, ao mesmo tempo, garantir a proteção ao bem jurídico que ela visa tutelar. Fl. 20610DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.597 29 A princípio, o fato da Recorrente de não ter atendido precisamente à todas as intimações realizadas pela autoridade fiscal, seria suficiente á aplicação e manutenção da penalidade, contudo, para se sustentar, a multa agravada tem que se basear em fatos que configurem embaraço à atividade de verificação da regularidade fiscal do sujeito fiscalizado, mas em relação aos quais não haja na legislação preceitos próprios para tratamento da falta de colaboração na apuração dos tributos devidos. Especificamente quanto a deduções não comprovadas, o ordenamento autoriza a glosa dos valores, configurando claro excesso cumular tal medida com a imposição de multa de ofício aumentada de metade. Ante o exposto, oriento meu voto por negar provimento ao recurso de ofício, neste item, mantendo afastado o agravamento da multa em 50%. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. Quanto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, entendo também que há omissão há ser sanada, posto que tal análise restou prejudicada no meu voto vencido que dava ao recurso voluntário, para no mérito reconhecer a ilegalidade da Instrução Normativa (IN) nº 243/2002 e excluir o frete e o seguro do computo do preço praticado e afastar a obrigatoriedade por parte da autoridade fiscal no que diz respeito a escolha do método mais benéfico ao contribuinte. Enquanto que o voto vencedor, embora houvesse mantido o lançamento sob o principal argumento de reconhecer a legalidade da IN SRF 243/2002 e entender que não houve inconsistência por parte da Fiscalização ao incluir as despesas com fretes, seguros e impostos devidos na importação no cálculo do preço parâmetro, não analisou a alegação da impossibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. No que diz respeito a esse questionamento anoto a solução proposta pela Súmula CARF 108, no sentido de que: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". Razão pela qual , conforme apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, complemento o voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. Do percentual confiscatório da multa de ofício. Argui a recorrente que o percentual de multa qualificada, seria exagerado, na medida em que resta por arrancar uma parcela considerável do patrimônio do contribuinte. Este é o caráter confiscatório da multa exigida. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de Fl. 20611DF CARF MF 30 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deste modo, não conheço das questões que sustentam a insubsistência do crédito tributário com base em alegações relacionadas à inconstitucionalidade das normas apontadas pela recorrente. Conclusões. Ante o exposto, concluo por afastar a preliminar de nulidade e acatar o resultado da diligência para em decorrência dos ajustes promovidos por esta Fiscalização quanto aos valores originais dos ajustes de preços de transferência que foram lançados nas autuações devem ser reduzidos para refletir as correções dos valores dos preços parâmetros calculados nos métodos PRL 60% e da conjugação dos métodos PRL 60% 20%, no sentido de corrigir fator percentual no cálculo do Percentual de Participação do Custo da MP Import no Custo PA %, o que gerou a distorção final do preço parâmetro correto apurado nos termos da diligência realizada. E quanto a formação do preço de aquisição, seja promovido novo ajuste para que seja reconhecido o direito de a Recorrente utilizar, na formação do preço de aquisição, para fins de comparação com o preço parâmetro, o valor FOB das importações, assim entendido como o preço da mercadoria entregue no porto de origem, ao invés do preço FOB acrescido do frete e seguro internacionais que corresponde ao preço CIF. Nestes termos, voto por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial para (i) ajustar a base de cálculo do lançamento, conforme o apurado no resultado da diligência determinada por esta Turma; (ii) afastar o agravamento da multa de ofício e iii) dar provimento ao recurso no que tange à utilização do valor FOB na formação do preço de aquisição, o que demandará novo ajuste da base de cálculo por parte da Autoridade Executora do Acórdão. É como voto. Fl. 20612DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Acórdão n.º 1401003.079 S1C4T1 Fl. 20.598 31 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 20613DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.901036/2008-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1001-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
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INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 12137.99786.161106.1.7.043703, retificadora da declaração n° 14133.30050.140704.1.3.043720, transmitida em 16/11/2006, (e fls. 02/08), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 10 36 /2 00 8- 99 Fl. 56DF CARF MF 2 com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido efetuado por meio de DARF, data de arrecadação 15/05/2003, no valor de R$ 1.467,15, código de receita 2484, período de apuração 31/03/2003. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 759936515, de 09/05/2008 (efl. 07), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito de estimativa mensal 03/2003 do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim dispôs em relatório o Acórdão Recorrido (efls. 40/44): Inconformada com a não homologação da declaração de compensação, a requerente apresentou, em 13/06/2008, a manifestação de fl. 10, na qual alega erro na identificação do crédito compensado, informado como pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria saldo negativo de CSLL. Assim requer seja desconsiderada a presente cobrança. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 09 33.167 1ª Turma da DRJ/JFA, efls. 43/46), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta é que cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um DARF que não correspondia ao crédito que pleiteava e requer indevido direito de retificar a PERDCOMP via processo administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Cientificada em 04/02/2011 (efl. 48), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/02/2011 (efl. 49), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente a DARF, data de arrecadação 15/05/2003, no valor de R$ 1.467,15, código de receita 2484, período de apuração 31/03/2003. Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, prudente considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Porém concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na essência entendeu ser incabível compensar os débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integraram originalmente seu conteúdo. No caso presente o que se pretendeu foi modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Tratase de outro pedido, e a Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10675.901036/200899 Acórdão n.º 1001001.023 S1C0T1 Fl. 57 3 retificação nesta condição é vedada pela legislação. Se há algum outro recolhimento indevido, cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.001359/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 05/08/2005 a 09/08/2006
IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO ADQUIRENTE.
É punível com a pena de perdimento da mercadoria, na importação, a ocultação de seu real adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, pena essa conversível em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que, nessas circunstâncias, não seja localizada ou tenha sido consumida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 05/08/2005 a 09/08/2006
IMPUGNAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO OBJETO DO LITÍGIO. SUBFATURAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE.
Não tendo sido o subfaturamento objeto da exigência de ofício, descabe conhecer de qualquer alegação, trazida em sede de impugnação, no sentido de discutir essa matéria.
Numero da decisão: 3401-005.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 05/08/2005 a 09/08/2006 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO ADQUIRENTE. É punível com a pena de perdimento da mercadoria, na importação, a ocultação de seu real adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, pena essa conversível em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que, nessas circunstâncias, não seja localizada ou tenha sido consumida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 05/08/2005 a 09/08/2006 IMPUGNAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO OBJETO DO LITÍGIO. SUBFATURAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Não tendo sido o subfaturamento objeto da exigência de ofício, descabe conhecer de qualquer alegação, trazida em sede de impugnação, no sentido de discutir essa matéria.
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IND. E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/08/2005 a 09/08/2006 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO ADQUIRENTE. É punível com a pena de perdimento da mercadoria, na importação, a ocultação de seu real adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, pena essa conversível em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que, nessas circunstâncias, não seja localizada ou tenha sido consumida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/08/2005 a 09/08/2006 IMPUGNAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO OBJETO DO LITÍGIO. SUBFATURAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Não tendo sido o subfaturamento objeto da exigência de ofício, descabe conhecer de qualquer alegação, trazida em sede de impugnação, no sentido de discutir essa matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 13 59 /2 00 9- 31 Fl. 4978DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.978 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Tratase de auto de infração no valor de R$11.462.217,78 pela conversão da pena de perdimento em multa, por suposta prática de ocultação dos reais vendedor e comprador das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros. A ação fiscal originou de Representação Fiscal com cópia de denúncia na qual o Ministério Público Federal, com base em documentos da Operação Dilúvio, acusa a empresa Mobilitá Comércio Indústria e Representações Ltda., nome fantasia Casa & Vídeo, de realizar diversas importações por meio de empresas do Grupo MAM, nomeadamente a Rio Lagos Trading S/A, Support Importação e Exportação Ltda., Mercotex do Brasil Ltda., Control Comércio Exterior Ltda. e Ghats Comércio Exterior Ltda., mediante interposição fraudulenta, dissimulando a condição de real adquirente das mercadorias importadas, de modo a evitar a sua equiparação a estabelecimento industrial, para efeito de recolhimento do IPI, e para se esquivar dos controles referentes à importação por conta e ordem de terceiros. Nas oito primeiras importações, a Mobilitá se utilizou de mais uma empresa intermediária no intrincado esquema de importação: a Delphis Comercial Ltda., CNPJ n° 02.960.388/000106, situada em Vitória/ES, que serviu de ponte na transferência dos recursos para os pagamentos dos câmbios e tributos pela Support. Nessas importações a Support emitiu notas fiscais de saída para a Delphis que, por sua vez, emitiu novas notas de saída para a Mobilitá. A empresa Rio Lagos (importadora) desembaraçava as mercadorias, no Rio de Janeiro, e as encaminhava à Support (suposta adquirente por conta e ordem, de acordo com o registrado na Declaração de Importação), também no Rio de Janeiro, que as enviava à Delphis (distribuidora interposta), em Vitória, de onde retornavam ao Rio de Janeiro com destino a Mobilitá (real adquirente), tudo no mesmo dia, quando, na realidade nesse suposto esquema, os produtos sairiam diretamente do recinto aduaneiro para a Mobilitá. Fl. 4979DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.979 3 A fiscalização constatou que para cada fechamento de câmbio da Empresa Support havia um adiantamento de recursos pela Mobilitá, para prover o pagamento do câmbio e dos tributos aduaneiros. A Mobilitá arcava com todos os custos por meio de transferências bancárias, configurando uma cessão de nome nas operações de importação. A empresa Support era mera prestadora de serviços. A partir dos demonstrativos a fiscalização concluiu que os produtos foram adquiridos por conta e ordem da empresa Mobilitá: 1) as datas das notas fiscais, de todas as empresas envolvidas, são as mesmas ou em raros casos muito próximas. Todo o percurso da mercadoria entre as diversas empresas era realizado no mesmo dia; 2) os produtos que constam nas Declarações de Importação, notas fiscais de entrada e saída são os mesmos, em quantidade e especificações, indicando que as importações já tinham comprador certo. Com a intenção de confundir a fiscalização os equipamentos eram destinados à Mobilitá e as partes e peças eram destinadas a outra empresa que se beneficiava do esquema, Hyats Comércio Ltda. O mesmo modus operandi era utilizado tanto pela Support quanto pela Delphis para atender a Mobilitá; 3) os valores das vendas são incompatíveis com as práticas de comércio, apresentando percentuais irrisórios de acréscimo em relação ao valor importado, o que é indicativo que a Support não era remunerada pela venda mas sim recebia comissão pela prestação de serviços; 4) todos os produtos adquiridos são da marca "Aistar" e foram exportados de Hong Kong por uma única empresa Forewise Enterprise Ltd. O INPI informou que a Mobilitá obteve o certificado de Registro da marca "Aistar" e é a detentora exclusiva da marca; O MPF comprovou que a Mobilitá figura como real adquirente das importações processadas pelas empresas Control Comércio Exterior Ltda e Ghats Comércio Exterior Ltda, ambas situadas em Nova Iguaçu. Essas duas empresas aparecem nas Declarações de Importação como adquirentes cuja importadora foi a Mercotex do Brasil Ltda. Entre os documentos apreendidos pelo MPF contam os controles das contas bancárias da empresa Delphis, que é uma empresa distribuidora de Vitória/ES, e foi utilizada pela Mobilitá para repassar recursos para as interpostas Support, Ghats e Control. Fl. 4980DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.980 4 A fiscalização solicitou diligência fiscal aos estabelecimentos das empresas Control e Ghats para obter as notas fiscais de venda e foi respondido que as empresas não estão mais funcionando nos endereços que constam no cadastro do CNPJ, sendo que a Control encontrase na condição de Inapta e a Ghats está com a habilitação suspensa por conta da inatividade. Cientificada a empresa apresentou impugnação que foi julgada pela DRJ Fortaleza, Acórdão nº 0825.908, em 10/07/2013, julgando improcedente e mantendo o crédito tributário exigido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/08/2005 a 09/08/2006 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO ADQUIRENTE. É punível com a pena de perdimento da mercadoria, na importação, a ocultação de seu real adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, pena essa conversível em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que, nessas circunstâncias, não seja localizada ou tenha sido consumida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/08/2005 a 09/08/2006 IMPUGNAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO OBJETO DO LITÍGIO. SUBFATURAMENTO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Não tendo sido o subfaturamento objeto da exigência de ofício, descabe conhecer de qualquer alegação, trazida em sede de impugnação, no sentido de discutir essa matéria. A empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual pediu a reforma da decisão de primeira instância e a exoneração da totalidade do crédito tributário, pelos seguintes argumentos: (i) só haveria interposição fraudulenta se os recursos utilizados na importação fossem de terceiro e este permanecer oculto na importação; (ii) o adquirente de boafé não pode sofrer prejuízo, de modo que, quando se trata de infrações que envolvam dolo ou simulação, estes devem estar inequivocamente comprovados; (iii) quanto à marca, a DRJ teria deturpado a argumentação deduzida pela Recorrente em sua Impugnação e, em nenhum momento, a Recorrente teria reconhecido ser a real adquirente ou encomendante das importações; o simples fato de uma terceira empresa importar produtos de marca registrada não está tipificado automaticamente como hipótese de interposição fraudulenta, que deve ser provada, desse modo, segundo a Recorrente, não haveria provas de que o real adquirente tenha sido a Recorrente, que a Recorrente tenha arcado com os custos financeiros da operação, de transferência financeira da Recorrente para a Support realizar a importação, da relação negocial entre a Recorrente e o exportador estrangeiro; (iv) quanto à margem de lucro, não caberia à Recorrente definir a margem de lucro escolhida pelo seu fornecedor como necessária e suficiente à consecução de seus objetivos empresariais; que o preço da venda para a Recorrente não teria qualquer relevância para a discussão, pois o importante seria a existência ou não de antecipação de recursos ou financiamento das importações por terceiros ocultos; além disso, a Recorrente defendeu que trabalhar sem ou com reduzida margem de lucro era comum para empresas beneficiárias de benefícios fiscais regionais, pois sua lucratividade estaria ancorada em vantagens relativas ao ICMS; (v) por último, não existiria nenhuma irregularidade na transmissão simbólica de mercadorias. Fl. 4981DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.981 5 A PGFN apresentou contrarrazões pela qual defendeu a manutenção da decisão recorrida e, ainda, a validade das provas utilizadas para fundamentar a autuação. Quanto a esse último ponto, a Fazenda Nacional noticiou a existência do Habeas Corpus nº 142.045/PR, em que o Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) considerou inválida determinada interceptação telefônica produzida pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, no curso da denominada “Operação Dilúvio”. Diante disso, a Fazenda Nacional informa que alguns contribuintes alegam a nulidade das provas utilizadas para embasar a autuação, ao argumento de que foram produzidas durante a “Operação Dilúvio”, pela aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada, porém, defende a Fazenda Nacional, a decisão proferida nos autos do Habeas Corpus nº 142.045/PR não beneficiaria a Recorrente, pois as provas decorreriam de ação fiscal, uma fonte independente que não teria qualquer relação com o inquérito policial que deu origem à parte das provas que foram anuladas pelo STJ. Em 17/05/2016 o julgamento foi convertido em diligência, Resolução nº 3401000.931 para: (i) identifique, dentre as provas utilizadas para o lançamento, aquelas que foram consideradas ilícitas/nulas pelo STJ (interceptação telefônica considerada ilícita/nula, assim como as provas resultantes dessa interceptação telefônica), separandoas das outras que não foram contaminadas; (ii) identifique e separe nos autos as provas que derivaram do período de interceptação telefônica considerado válido pelo STJ, inclusive cópias das decisões que ensejaram eventuais mandados de busca e apreensão; (iii) identifique as provas produzidas por fonte independente, como por exemplo, as apresentadas durante a ação fiscal, manifestandose sobre as mesmas; (iv) identifique, nos autos, as provas que a RFB poderia ter acesso independentemente de autorização judicial; (v) anexe o inteiro teor da petição inicial e das decisões proferidas no HC nº 142.045/PR, (vi) anexe as transcrições das escutas telefônicas referentes ao período de interceptação validado pelo STJ, e (vii) anexe cópia da Ação Criminal promovida pelo MPF. A unidade da RFB respondeu à solicitação da diligência apresentando índice com as páginas do processo e os documentos respectivos e informou que: Em atendimento ao que foi solicitado pelo CARF, informo: (i) a única interceptação telefônica constante do auto e que foi considerada nula se encontra às fls. 1.098 do eprocesso; (ii) não houve provas derivadas da interceptação telefônica considerada nula. Todas as demais provas utilizadas para fins de lançamento foram obtidas no curso das ações fiscais realizadas em face de Mobilitá e de Support (extratos das Declarações de Importação, cópias de Notas Fiscais e dos contratos de câmbio) Fl. 4982DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.982 6 (fl. 18) e Mobilitá. Também decorreram de consulta aos sistemas internos informatizados e ao INPI (cópias de registros constantes no INPI); (iii) na elaboração do auto de infração, os AuditoresFiscais autuantes não se basearam na informação obtida com a citada interceptação telefônica de fls. 1.098. A lavratura do auto foi baseada nas informações constantes das Declarações de Importação, dos contratos de câmbio e das Notas Fiscais de Entrada e de Saída envolvendo a fiscalizada. Todos esses documentos foram obtidos no curso da ação fiscal amparada pelo MPF no 0715400.2009.001687 e na ação fiscal realizada em face de Mobilitá. Em breve resumo, a análise de tais documentos levou às seguintes constatações (fls. 1925): houve adiantamentos de recursos pela empresa Mobilitá para a empresa Support, para fins de fechamento de câmbio e pagamento dos tributos aduaneiros; as datas de emissão das notas fiscais entre as empresas envolvidas no esquema eram as mesmas ou, em pouquíssimas exceções, muito próximas. Além disso, as datas eram idênticas às do desembaraço aduaneiro respectivo, denotando que os bens saíam diretamente do recinto de desembaraço aduaneiro para as instalações da empresa Mobilitá; os produtos listados nas declarações de importação, nas notas fiscais de entrada e de saída eram exatamente os mesmos, indicando que as importações já tinham destino certo; praticamente não havia diferença de preços entre cada nota fiscal de entrada e a respectiva nota fiscal de saída, sendo que, em algumas situações, o preço na NF de Saída era inferior ao preço do mesmo bem na NF de Entrada. Foram citados exemplos às fls. 2324; e muitos bens importados pela empresa Support eram da marca AISTAR. Obtevese a informação junto ao INPI de que a empresa Mobilitá era a única titular da referida marca. Logo, as importações só poderiam ter ocorrido com a sua participação. (iv) a única prova utilizada na lavratura do auto de infração, dependente de autorização judicial, foi a interceptação telefônica constante da fl. 1.098 do eprocesso. Contudo, dessa prova não derivaram outras. Além disso, ela não foi utilizada como prova determinante. Antes, foi mencionada apenas como confirmação de todas as constatações surgidas da análise dos documentos obtidos nas ações fiscais já mencionadas. Com efeito, somente houve menção à interceptação telefônica em dois trechos do relatório anexo ao auto de infração, às fls. 1920 e 23 do eprocesso: “Apesar de a Support ter tentado vincular os recursos aportados pela Mobilitá com notas fiscais de venda, na realidade, os Fl. 4983DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.983 7 valores depositados serviram ao pagamento dos câmbios ou dos tributos aduaneiros das declarações de importação em curso, conforme pode ser observado no Demonstrativo III, às fls. 37/38, para cada fechamento de câmbio existia um adiantamento realizado pela Mobilitá. Atestando o acima mencionado de que a Mobilitá, por meio de transferências bancárias, pagava todos os custos de importação, e que a Support era mera prestadora de serviços de importação, não se tratando de uma relação de compra e venda, mas sim uma cessão do nome nas operações de importação, o documento, de fls. 1085, obtido no curso da 'Operação Dilúvio” processo no 10980.012819/200761, expõe de maneira contundente o caráter delituoso de interposta pessoa da Support. Nele, a administração da Interlogistic determina ao sócio Lucio da Support que 'o custo Support para clientes é de 1%, sendo que nos casos HYA (codificação interna dos processos), onde se inclui a Mobilitá, o percentual é de 0,5%'” (fls. 1920) (grifos no original) No trecho acima, verificase que a menção à interceptação telefônica serviu apenas para reforçar algo que foi constatado por meio da análise das transferências de recursos (“Atestando o acima mencionado ...”). Foi por meio do Demonstrativo III que se comprovou que a empresa Support era mera prestadora de serviços, haja vista que recebia de Mobilitá todos os recursos necessários à cobertura dos custos das importações. “Enfatizando os fins para os quais a irregularidade de ocultação do real adquirente foi engendrada, podese observar, ainda, nos Demonstrativos I e II, às fls. 34 a 36, que as diferenças de preço entre as notas fiscais de entrada Support e as de saída para Delphis/Mobilitá são incompatíveis com as práticas normais de comércio, revelando a interposição fraudulenta. A coluna relativa à variação entre os valores das notas fiscais de entrada e de saída apresenta percentuais irrisórios, por vezes negativos, indicando, nestes casos, custo de venda inferior ao de aquisição, o que demonstra que a Support não era remunerada pelo lucro obtido na suposta transação comercial, mas através de uma comissão pela prestação de serviços de importação, conforme pode ser observado na mensagem eletrônica obtida na Operação Dilúvio, às fls. 1.085.” No trecho acima, a interceptação telefônica foi mencionada para reforçar a constatação de que a empresa Support não obtinha lucro nas supostas revendas para Mobilitá. Notase, porém, que essa constatação não dependeu em nada da interceptação telefônica. Bastou a comparação entre os preços constantes das NF de Entrada e de Saída para que se concluísse que a empresa Support não obtinha nenhum lucro em suas operações. Logo, não eram operações normais de compra e venda, mas operações de prestação de serviços. A informação obtida da interceptação telefônica serviu apenas para comprovar o percentual da comissão que a Support ganhava. A interposição fraudulenta já se configurara com os vários indícios apresentados Fl. 4984DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.984 8 anteriormente, inclusive com a inexistência de lucro para a Support nas operações com a Mobilitá. (v) foi anexada cópia do inteiro teor do HC 142.045/PR; (vi) e (vii) foi anexada cópia do inteiro teor da ação criminal promovida pelo MPF, incluídas as transcrições das interceptações telefônicas. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Inicialmente devemos analisar o resultado da diligência e verificar se a decisão judicial afeta o auto de infração lavrado. Analisando os acórdãos e resoluções expedidos pelo CARF envolvendo a operação Dilúvio podemos perceber que majoritariamente foi questionada a abrangência das provas consideradas ilícitas pelo STJ, em virtude basicamente do HC 142.045/PR, e na grande maioria das vezes o julgamento administrativo foi convertido em diligência para que pudessem ser apartadas as provas ilícitas das que foram obtidas de forma independente pela RFB. Nesses julgamentos no CARF podemos perceber que não foi possível formar uma unanimidade nos colegiados, sendo que pude identificar as seguintes correntes quanto as provas descartadas pelo STJ: 1) aplicação da Teoria dos frutos da árvore envenenada, e por isso todo o procedimento fiscalizatório encontrase contaminado e deve ser anulado. Para as pessoas que acompanham esse posicionamento não só as interceptações telefônicas que ultrapassaram os 60 dias iniciais, autorizados judicialmente, devem ser descartadas mas todas as provas obtidas durante todo o período da interceptação telefônica, e todos os documentos derivados dos mandados de busca e apreensão; 2) devem ser descartadas as interceptações telefônicas para o período além dos 60 dias iniciais, porém devem ser consideradas as provas obtidas durante o período dos 60 dias autorizados judicialmente, e também as provas obtidas de forma independente pela fiscalização; 3) aplicação da Teoria da descoberta inevitável, para aqueles que acompanham esse posicionamento todas as provas estariam ao alcance da fiscalização, que de uma forma ou outra acabaria chegando a elas em seu procedimento normal de fiscalização. Podemos conferir na informação fiscal que respondeu a diligência que apenas a interceptação telefônica após os 60 dias iniciais foi considerada nula, o que está em acordo com a decisão judicial: Fl. 4985DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.985 9 "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito" HC 142.045/PR E o juízo originário se manifesta entendendo pela ilicitude apenas das interceptações realizadas a partir da quarta prorrogação: De outra parte, segundo os termos do julgado, as interceptações telefônicas realizadas a partir da quarta prorrogação autorizada encontramse maculadas pelo vício insanável da ilicitude. São, portanto, imprestáveis para fins de utilização de prova no processo penal. Correlatamente, os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também encontramse eivado de ilicitude pela aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada" agora expressamente adotado pelo CPP (art. 157, §1º, do CPP) E complementa explicando que todas as demais provas utilizadas para fins de lançamento foram obtidas no curso das ações fiscais realizadas em face de Mobilitá e de Support (extratos das Declarações de Importação, cópias de Notas Fiscais e dos contratos de câmbio) (fl. 18). Também decorreram de consulta aos sistemas internos informatizados da RFB e ao INPI (cópias de registros constantes no INPI). A informação explica as duas ocasiões em que a interceptação telefônica foi citada no relatório, e demonstra que nas duas ocasiões elas foram apenas informações subsidiárias pois a fiscalização já detinha em seu poder documentos e provas sobre o que foi apurado nas interceptações. Os documentos constantes do processo são os seguintes: a) Termo de Início de Ação Fiscal: intimação da recorrente para apresentar documentos. Resposta às fls. 43130 (volume I); b) Denúncia apresentada pelo MPF nos autos da ação penal 2007.70.00.0259739 (fls. 131149) ; c) Dossiê CNPJ e CPF: informações que constam na base de dados da própria Receita Federal (fls. 150163) ; d) Controle de Contas; e) Informação Fiscal prestada pela Receita Federal no curso da Operação Dilúvio (volume II). As informações foram todas extraídas de bancos de dados do próprio órgão (DW Aduaneiro e Siscomex); f) Declarações de Importação. Existe carimbo informando que a cópia foi extraída do IPL da “Operação Dilúvio”. No entanto, tais documentos constam do controle aduaneiro da própria SRF; g) Decisão Judicial autorizando o compartilhamento de informações entre o Ministério Público Federal e a Receita Federal (vol. II); Fl. 4986DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.986 10 h) Ofício da Receita Federal dirigido ao Presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial e respectivas respostas (vol. II); i) Resultados de diligências realizadas pela Receita Federal nas empresas Control e Ghats; j) Extratos de declaração de importação e notas fiscais (volumes II/V); l) Contratos de câmbio. Por meio do rol apresentado acima, verificase que não existe causalidade entre as provas trazidas para o processo e as escutas telefônicas anuladas pelo STJ. Os documentos decorrem quase que totalmente de ação fiscal autônoma ou, então, de informações que constam da base de dados da própria Receita Federal. Estou convencida da validade da autuação efetuada, baseada em provas obtidas no curso da ação fiscal. O que está de acordo com aqueles que advogam pela separação das provas derivadas das interceptações telefônicas e das obtidas no curso do procedimento fiscal, já que ficou demonstrado pela fiscalização que as provas utilizadas na autuação foram obtidas por meio de procedimentos fiscais. Também esta de acordo com aqueles que advogam pela Teoria da descoberta inevitável, já que foi possível à fiscalização obter todas as informações para a apuração dos fatos delituosos, independente da participação dos meios judiciais. 1. Da reforma da decisão da DRJ que concluiu pela não comprovação da finalidade das transferências de recursos A recorrente informa que não merece reforma a decisão da DRJ que já reconheceu a improcedência das alegações da fiscalização no tocante à antecipação de recurso pela ora Recorrente. Porém na visão da DRJ a antecipação de recursos não é condição para a configuração da infração e para a recorrente é requisito essencial. Como afirmou a recorrente no seu recurso voluntário a interposição fraudulenta poderá ser presumida quando não se comprove a origem, disponibilidade e transferências dos recursos empregados, a teor do art. 59 da Lei nº 10.637/2002. E será importação por conta e ordem de terceiro presumida quando utilize recursos deste, conforme art. 27. A DRJ concluiu que a fiscalização não logrou comprovar que a finalidade das transferências de recursos era para fechamento de câmbio e pagamento de tributos aduaneiros, já que o demonstrativo apresentado pela fiscalização mostra que as transferências foram efetuadas em datas posteriores ao fechamento de câmbio. Entretanto conclui a DRJ que só isso não é suficiente para se falar em nulidade do lançamento pois restam a ser examinados outros elementos de prova trazidos ao lançamento: A impugnante alega que a fiscalização não logrou comprovar que a finalidade das transferências de recursos por ela realizadas era a de adiantamento para fechamento de câmbio e pagamento de tributos aduaneiros, mas, que, contrariamente, as provas carreadas aos autos demonstrariam que as transferências à Support foram Fl. 4987DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.987 11 realizadas a título de pagamento das mercadorias, já por operações realizadas no mercado interno. Embora se concorde com a impugnante quanto a essa alegação, porquanto o próprio demonstrativo de que se valeu a fiscalização para apontar os ditos adiantamentos mostra que as transferências de recursos foram efetuadas na quase totalidade das vezes em datas posteriores às de fechamentos dos câmbios, não se vislumbra nessa incorreção motivo para se falar, neste momento, em nulidade do lançamento pelo alegado motivo, pois restam a examinar os demais elementos de prova aduzidos aos autos, tanto pela fiscalização, quanto pelo sujeito passivo, que podem, isolada ou conjuntamente, sustentar o lançamento (...). Quanto a valoração efetuada pela DRJ, sem entrar no mérito se a fiscalização logrou comprovar ou não que a finalidade das transferências de recursos era para fechamento de câmbio e pagamento de tributos aduaneiros, temos que está claro que a DRJ apenas sopesa as várias provas carreadas aos autos para se chegar a conclusão sobre a prática da interposição fraudulenta ou não. Não concordo com a recorrente que a antecipação de recursos é condição essencial para se capitular a interposição fraudulenta. A interposição deve ser demonstrada pelos vários elementos, que juntos compõe um todo, e permitem formar o quadro delitivo. Também é importante frisar que o art. 59 do citado diploma legal estatui o caso de presunção da interposição fraudulenta, mas a interposição fraudulenta não é só presumida, ela pode ser verificada e provada, o que afastaria a aplicação do art. 59. Entretanto, deve comprovar a fiscalização, no caso, que a "HYATS" era, de fato, a real adquirente, seja mediante a evidenciação do "modelo de negócio", v.g., pelo fluxo financeiro ou pela existência de simples troca de notas fiscais. Ou, por outro lado, verificar que as adquirentes indicadas nas declarações de importação não detinham capacidade financeira para a realização das operações, restando não comprovada a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, operandose a presunção de interposição fraudulenta estabelecida no § 2o do artigo 23 do DecretoLei no 1455/76. Acórdão nº 3401003.171, de 17/05/2016, Conselheiro Rosaldo Trevisan A PGFN apresentou contrarrazões afirmando que a DRJ concluiu que a fiscalização não logrou comprovar a finalidade das transferências de recursos, se efetivamente foram realizadas para permitir o fechamento do câmbio. O órgão julgador entendeu, também, que essa prova não era essencial para caracterização da interposição fraudulenta de terceiros. Importante juntar a demonstração que a PGFN faz para provar que os recursos transferidos pela empresa, de fato, foram utilizados para fechamento do câmbio das importações, contrário a análise efetuada pela DRJ: Fl. 4988DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.988 12 O Demonstrativo de Transferência de Recursos III apresenta o fluxo financeiro para as intermediárias Delphis e Support. Segundo alegou a recorrente, as transferências foram realizadas em data posterior ao contrato de câmbio com a finalidade de pagar as mercadorias adquiridas no mercado interno. Importante, então, conferir tal argumento. Pelo termo de intimação de 21/07/09 (fl. 114 do PDF), a recorrente foi instada a esclarecer as transferências realizadas para Support, de forma direta ou indiretamente, pela Delphis. As transferências realizadas por intermédio da Delphis se concentraram no mês de março/06. A Delphis recebia os recursos e repassava para a Support, conforme as seguintes datas e valores (termo de intimação de 21/07/09): 4.1) Por intermédio da Delphis: R$ 709.664,20 em 03/03/06 (p/Support R$ 704.323,77 em 07/03/06), R$ 1.015.167,60 em 09/03/06 (p/ Support R$ 1.011.309,96 em 10/03/06), R$ 1.383.091,20 em 10/03/06 (p/ Support R$ 665.600,00 em 13/03/06 e R$ 665.500,00 em 13/03/06); R$ 945.030,40 em 16/03/06 (p/ Support R$ 941.439,29 em 17/03/06). A partir de abril/2006, os recursos passaram a ser transferidos diretamente para Support, não se valendo mais da Delphis. No que diz respeito ao demonstrativo III, que consolida todo o fluxo financeiro, a data de transferência relativa ao mês de março de 2006 indica a data em que a Delphis transferiu para Support recursos recebidos da Mobilitá. No entanto, a transferência da Mobilitá para a Delphis ocorreu em data anterior àquelas do demonstrativo. Exemplo: no termo de intimação de 21/07/09 consta que a Mobilitá transferiu para Delphis o valor de R$ 709.664,20, em 03/03/06. A Delphis, por sua vez, transferiu para Support o valor de R$ 704.323,77 apenas em 07/03/06. Somente essa última data constou no demonstrativo III. no termo de intimação de 21/07/09 consta que a Mobilitá transferiu para Delphis o valor de 1.015.167,60 em 09/03/06. A Delphis, por sua vez, transferiu para Support o valor de R$ 1.011.309,96 em 10/03/06. Somente essa última data constou no demonstrativo III. Essa informação é importante para confirmar a acusação fiscal de que a transferência de recursos ocorreu para fechamento de câmbio. Explico. contrato de câmbio n. 06/002230, no valor de R$ 545.569,26 tem a data de 07/03/06. O demonstrativo indica uma Fl. 4989DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.989 13 transferência em 07/03/06. No entanto, como explicado acima, no dia 03/03/06 a Mobilitá já tinha transferido para Delphis (distribuidora interposta) o valor de R$ 709.664,20. Posteriormente, a Delphis transferiu tal valor para Support. contrato de câmbio n. 06/002383, no valor de 554.698,53 tem a data de 09/03/06. O demonstrativo identifica uma transferência em 10/03/06. No entanto, como explicado acima, a Mobilitá já tinha transferido para Delphis o valor de 1.015.167,60 em 09/03/06. Posteriormente, a Delphis transferiu tal valor para Support. contrato de câmbio n. 06/002440, no valor de 775.321,92 tem a data de 10/03/06. O demonstrativo identifica uma transferência em 13/03/06. No entanto, como explicado acima, a Mobilitá já tinha transferido para Delphis o valor de 1.383.091,20 em 10/03/06. Posteriormente, a Delphis transferiu tal valor para Support. A partir de então, as data de transferência e do contrato de câmbio não são mais coincidentes. Contudo, podese perceber que existem transferências frequentes da Mobilitá para a Delphis (até março/06) ou direito para Support (a partir de abril/06), sempre mantendo um crédito para custear as importações. Como se pode verificar pelas primeiras transferências, o valor repassado é maior do que o contrato de câmbio, restando um saldo de adiantamento. Pelas razões expostas, confirmase a acusação fiscal de que a recorrente custeou as operações de importação, não se tratando de pagamento de compra no mercado interno. Aliás, como demonstrou a DRJ, ainda que não houvesse o fluxo financeiro entre a real adquirente e empresas interpostas, as demais provas trazidas pelo TVF mostram que a recorrente era a verdadeira destinatária das mercadorias importadas. Ora, se estamos diante de uma cadeia de interpostas precisamos verificar se a real adquirente, no caso a MOBILITÁ, transferiu os recursos para suportar os pagamentos do câmbio e despesas aduaneiras. A análise efetuada pela PGFN foi além do que fez a DRJ que restringiuse a analisar um dos demonstrativos que constavam no relatório fiscal, concluindo pela não comprovação da transferência de recursos anterior ao fechamento do contrato de câmbio. A PGFN analisa os outros documentos constantes dos autos, inclusive os termos de intimação e respostas do contribuinte, concluindo pelo adiantamento dos recursos anterior ao fechamento de câmbio, e mostrando que essa era uma prática reiterada da empresa, que apesar de não ser possível ser verificar em todas as importações, existe uma gama de importações em que ocorreu o adiantamento de recursos anterior, e nos outros casos foi posterior ao fechamento de câmbio. Ora é claro que devido ao volume transacionado por essas empresas interpostas que era possível ocorrer pagamentos por parte delas para depois ser reembolsada, estamos falando de um giro muito alto de transações comerciais e financeiro, o que se justifica perfeitamente no mercado. Ao contrário da DRJ confirmo que a fiscalização comprovou o adiantamento de recursos, comprovou a configuração de interposição fraudulenta de terceiros e que de fato a MOBILITÀ foi a real adquirente das mercadorias. Fl. 4990DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.990 14 2. Do dolo específico A recorrente alega que é assente na jurisprudência o entendimento de que a boa fé é presumida quando o adquirente no mercado interno de mercadoria importada o faz de empresa regularmente constituída e mediante nota fiscal, sendo certo que a fraude deve ser comprovada pela Fazenda, de forma a justificar a aplicação de pena tão danosa ao Contribuinte. Cabendo ser afastado, desta maneira, o argumento da DRJ que considerou irrelevante a falta de comprovação do dolo de fraudar, para a caracterização do ilícito da interposição fraudulenta. Em resumo, quando se trata de infrações que tenham como elementares do tipo o dolo ou a simulação, estes devem estar inequivocadamente comprovados, não bastando meras suposições ou julgamentos de cunho subjetivo. Discordo do entendimento da recorrente, não há como se eximir da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, já que foi comprovado pela fiscalização que a MOBILITÀ foi a real adquirente das mercadorias, e que todo o procedimento adotado para a importação as mercadorias, com a utilização de uma ou várias interpostas resultou na sonegação do pagamento dos tributos que incidiriam nas importações. Ao contrário do afirmado falaciosamente pela recorrente a boafé não serve para justificar todos os atos praticados. Conforme já se pronunciou o STJ, em caso relativo ao ICMS, deve haver como condição para a aplicação da Boafé a demonstração da veracidade da compra e venda da mercadorias: Súmula 509 do STJ: "É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda." No caso presente estamos diante de transações comerciais simuladas, onde se criou uma cadeia de interpostas empresas para se ludibriar a fiscalização e assim diminuir o montante a ser pago de tributos. Veja que a empresa CONTROL, uma das interpostas, já inclusive teve declarada a inaptidão do seu CNPJ, assim também outras empresas que estavam envolvidas nas práticas identificadas pela operação Dilúvio, sendo que em alguns casos a empresa não foi localizada quando intimada para apresentar defesa ou informações à fiscalização. 3) A questão da marca Em sua defesa a recorrente alega que não seria lógico ou razoável entender que ela estivesse ocultandose, já que os produtos importados tinham sua própria marca. Se a intenção de ocultar existisse, certamente seriam usados estratagemas para tentar esconder qualquer possível interesse comercial em que as mercadorias fossem vendidas no mercado interno à Mobilitá. O simples fato de uma terceira empresa importar produtos de marca registrada não está tipificado automaticamente como hipótese de interposição fraudulenta. A interposição deve ser provada. Compulsando os autos em relação às DIs objeto da autuação, não há qualquer elemento de prova que comprove a infração imputada. Não há provas de que o real adquirente na importação tenha sido a Mobilitá. Não há provas de que a Mobilitá tenha arcado com os custos financeiros da operação. Não há provas da transferência financeira da Mobilitá para a Support realizar a importação. Não há provas da relação negocial direta entre a Mobilitá e o exportador estrangeiro. Enfim, não há nada que comprove ser a Mobilitá a real Fl. 4991DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.991 15 adquirente. Também não há provas de que a Support operou como importadora de fachada. Portanto, não há sustentação para a multa imposta. Já restou provado nos itens anteriores, com apresentação de exemplos, que houve adiantamento de recursos relativos ao fechamento dos contratos de câmbio e pagamento de despesas aduaneiras, e ao final restou comprovado que a MOBILITÀ foi a real adquirente das mercadorias. A questão da marca foi incluída pela fiscalização para demonstrar que a MOBILITÀ sendo a detentora da marca, registrada no INPI, era a principal interessada na importação das mercadorias. O que enfatiza a configuração da importação ter sido efetuada por conta e ordem de terceiros, mas sem identificação do real adquirente, vide relatório fiscal fls. 22 e 23: 4) Outro fato que expõe o esquema que objetivou ocultar a Mobilita, foi a constatação de que todos os produtos adquiridos através das declarações de importação, objeto da presente autuação, possuem a mesma marca "AISTAR", e foram exportados de Hong Kong por uma única empresa Forewise Enterprise Ltd. Com relação A. referida marca, e em atendimento a solicitação dos auditoresfiscais signatários da presente ação fiscal, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial — INPI —, através dos Oficios n° 268/2009 PR/INPI e t OF/INPI/PROC n° 581/09, As fls. 234 a 284, informou que a MOBILITA COM. IND. E REPRESENTAÇÕES LTDA obteve o Certificado de Registro n° 820361941 da marca "AISTAR" em 19/08/2003, As fls. 269, não havendo cessão de titularidade ou licenciamento de uso, sendo, portanto, detentora exclusivo da referida marca. Assim sendo, fica demonstrado que as importações de mercadorias da marca "AISTAR", constantes dos Demonstrativos I e II, As fls. 34 a 36, foram realizadas por conta e ordem da Mobilita, única titular da marca, não se tratando de uma relação de compra e venda. 4) Sobre a questão da margem de lucro da Support: A recorrente acrescenta em suas alegações que a margem de lucro era escolha do importador, e a Mobilitá não tem absolutamente nada a ver com isto, trabalhar com este ou aquele Exportador. Tampouco cabe à Mobilitá definir a margem de lucro escolhida por seu fornecedor como necessária e suficiente à consecução de seus objetivos empresariais. Esse tipo de conclusão de que vendia por preço próximo ou inferior ao que comprava não tem qualquer relevância ou relação com a discussão travada, qual seja, a existência ou não de antecipação de recursos ou financiamento de importações por terceiros ocultos. Como se ressaltou na peça impugnatória, diversas eram e continuam sendo as empresas brasileiras que retiram seus lucros da negociação de créditos de ICMS decorrentes dos benefícios fiscais concedidos pelos Estados com vocação importadora. Não cabe à recorrente trazer “documentos ou dados concretos” da contabilidade do importador para justificar seus lucros, prejuízos ou gestão empresarial. Fl. 4992DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.992 16 Cabe destacar, também, que foram apresentadas na impugnação explicações referentes ao deslocamento das mercadorias. No ponto, temse a estratégia denominada “crossdocking”, termo utilizado para descrever diferentes tipos de operações, todos envolvendo consolidação rápida de cargas e expedição de produtos. É uma forma de minimizar as operações de movimentação e eliminar as de estocagem. Uma das características de empresas que operam este sistema é envolver múltiplos fornecedores que atendem a clientes comuns. Dessa forma, não há que se falar em fraude demonstrada pela transferência de mercadorias na mesma data do desembaraço aduaneiro, haja vista ser uma condição proposital e logisticamente pensada para otimizar as operações. Isso não pode caracterizar indício de fraude. A emissão de notas fiscais sem o efetivo trânsito pelos estabelecimentos transmitentes da propriedade das mercadorias é previsto no convênio SINIEF s/n de 1970 e nas legislações estaduais. Demonstrado que não existe nenhuma irregularidade na transmissão simbólica da propriedade de mercadorias, inclusive as importadas do exterior, sendo absolutamente risível a conclusão de simulação baseada nesse procedimento. Confirmo o que foi apresentado nas contrarazões da PGFN: A recorrente ainda traz outros argumentos tais como: a) não seria lógico ou razoável entender que estivesse ocultandose, já que os produtos importados tinham sua própria marca; b) não cabe à Mobilitá definir a margem de lucro escolhida por seu fornecedor como necessária e suficiente à consecução de seus objetivos empresariais; e c) explicações referentes ao deslocamento das mercadorias (estratégia denominada “crossdocking”). Tais alegações da parte não são suficientes para desconstituir o acervo probatório trazido pela fiscalização para fundamentar o lançamento. E mais, os argumentos são expostos ‘em tese’, sem qualquer demonstração concreta. Por exemplo, apenas descrever o funcionamento da estratégia denominada “crossdocking” não é prova de que ela tenha sido aplicada ao caso dos autos. Pelo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por negar lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 4993DF CARF MF Processo nº 10074.001359/200931 Acórdão n.º 3401005.795 S3C4T1 Fl. 4.993 17 Fl. 4994DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907566/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.357
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 07 56 6/ 20 12 -6 3 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16327.907566/201263 Resolução nº 3201001.357 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.907566/201263 Resolução nº 3201001.357 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.907566/201263 Resolução nº 3201001.357 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720214/2017-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
PROCESSO JUDICIAL. ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
É cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01).
No caso, o Recurso Voluntário traz questões de mérito que não foram objeto de apreciação pelo Judiciário, quanto à inadequação do instrumento usado para a constituição do crédito tributário, à necessidade de sobrestamento do processo administrativo e a não incidência de juros de mora sobre os débitos. Trata-se de matérias distintas daquelas veiculadas e debatidas na ação judicial, não cabendo se falar em concomitância do processo administrativo com a ação judicial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
PENDÊNCIA DE JULGAMENTO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL QUANTO AO PIS. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE.
Descabido se falar em definitividade da decisão judicial enquanto o mérito do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com decisão de admissibilidade já proferida no processo, permanece pendente de análise pelo Supremo Tribunal Federal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE INEXISTENTE.
A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de formalização do crédito tributário. A escolha do auto de infração ou da notificação de lançamento é definida nos termos dos art. 10 ou 11 do Decreto n.º 70.235/72. O Auto de Infração não se presta às exigências tributárias somente quando acompanhadas de cominação de penalidades. Higidez do Auto de Infração que afasta sua nulidade à luz dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
JUROS DE MORA. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
No subsistema especial do processo administrativo fiscal só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação de instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito desses processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
VIGÊNCIA. LEI PROCESSUAL. SENTENÇA. TRÂNSITO EM JULGADO. CPC/1973.
A lei processual nova aplica-se aos atos processuais a serem praticados nos processos em curso, mas não atinge os atos processuais já praticados na vigência da lei anterior, nem seus efeitos.
Na vigência do Código de Processo Civil anterior (CPC/1973) a coisa julgada material era tratada somente em relação à sentença ou ao acórdão como um todo, o que afastava a possibilidade de trânsito em julgado de parte dessas decisões (EREsp 404.777/DF).
Recurso de Ofício Provido
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-006.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de concomitância. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela existência de concomitância. Pelo voto de qualidade, por dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer o crédito tributário relativo à COFINS com exigibilidade suspensa. Vencidos os Conselheiros Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz, que negavam provimento ao Recurso de Ofício. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento da discussão remanescente até que haja ulterior e definitiva decisão no tema 372 da repercussão geral (RE 609.096 e RE 880.143). Vencidos os Conselheiros Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo sobrestamento do processo. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido, sendo substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao impedimento do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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AÇÃO JUDICIAL. LEI N.º 9.718/98 Recorrentes BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PROCESSO JUDICIAL. ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. É cabível a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01). No caso, o Recurso Voluntário traz questões de mérito que não foram objeto de apreciação pelo Judiciário, quanto à inadequação do instrumento usado para a constituição do crédito tributário, à necessidade de sobrestamento do processo administrativo e a não incidência de juros de mora sobre os débitos. Tratase de matérias distintas daquelas veiculadas e debatidas na ação judicial, não cabendo se falar em concomitância do processo administrativo com a ação judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PENDÊNCIA DE JULGAMENTO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL QUANTO AO PIS. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. Descabido se falar em definitividade da decisão judicial enquanto o mérito do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, com decisão de admissibilidade já proferida no processo, permanece pendente de análise pelo Supremo Tribunal Federal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE INEXISTENTE. A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de formalização do crédito tributário. A escolha do auto de infração ou da notificação de lançamento é definida nos termos dos art. 10 ou 11 do Decreto n.º 70.235/72. O Auto de Infração não se presta às exigências AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 14 /2 01 7- 18 Fl. 2900DF CARF MF 2 tributárias somente quando acompanhadas de cominação de penalidades. 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A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito desses processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 VIGÊNCIA. LEI PROCESSUAL. SENTENÇA. TRÂNSITO EM JULGADO. CPC/1973. A lei processual nova aplicase aos atos processuais a serem praticados nos processos em curso, mas não atinge os atos processuais já praticados na vigência da lei anterior, nem seus efeitos. Na vigência do Código de Processo Civil anterior (CPC/1973) a coisa julgada material era tratada somente em relação à sentença ou ao acórdão como um todo, o que afastava a possibilidade de trânsito em julgado de parte dessas decisões (EREsp 404.777/DF). Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de concomitância. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela existência de concomitância. Pelo voto de qualidade, por dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer o crédito tributário relativo à COFINS com exigibilidade suspensa. Vencidos os Conselheiros Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.901 3 Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz, que negavam provimento ao Recurso de Ofício. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento da discussão remanescente até que haja ulterior e definitiva decisão no tema 372 da repercussão geral (RE 609.096 e RE 880.143). Vencidos os Conselheiros Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo sobrestamento do processo. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido, sendo substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao impedimento do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro). Relatório Tratase de Auto de Infração para a exigência das Contribuições para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para os Programas de Integração Social (PIS) devidas nos meses de Janeiro/2013 a Dezembro/2013 em razão do pagamento das contribuições, pela instituição financeira, apenas sobre a receita contabilizada na Conta n 7.1.7.00.009 – Rendas de Prestação de Serviços, com fulcro em acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, proferida no Mandado de Segurança nº 2005.71.00.0195070. Os valores foram lançados com a exigibilidade suspensa, sem a exigência de multa de ofício, como indicado no Termo de Verificação Fiscal: "Ante o exposto e considerando que o acórdão prolatado pelo TRF/4ª Região em favor do BANCO SANTANDER não transitou em julgado, lançamos com Fl. 2902DF CARF MF 4 exigibilidade suspensa o PIS e COFINS sobre as receitas operacionais previstas em lei, exceto as rendas de prestação de serviços (conta nº 7.1.7.00.009), porque já tributadas pelo BANCO SANTANDER." (efl.2.559) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada parcialmente procedente pelo Acórdão 12090.925 da 15ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, cancelando a exigência fiscal quanto à COFINS em razão da coisa julgada formada no referido processo judicial, mantendo apenas a exigência do PIS. O acórdão foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2017 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. INADEQUAÇÃO DO INSTRUMENTO UTILIZADO PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O Auto de Infração e a Notificação de Lançamento são, ambos, instrumentos hábeis para a constituição do crédito tributário. A aplicação ou não de penalidades não é fator que imponha a utilização de um ou outro instrumento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 EXTINÇÃO DA PARCELA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DECISÃO JUDICIAL PASSADA EM JULGADO. Considerase extinta a parcela do crédito tributário objeto de decisão judicial transitada em julgado. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (efl. 2727) Quanto à parcela remanescente do PIS, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 06/10/2017 (efls. 2.757/2.787) após sua notificação em 12/09/2017 (efl. 2754), alegando, em síntese: (i) a inadequação do meio utilizado para a constituição do crédito tributário, sendo necessária a notificação de lançamento e não o Auto de Infração, na forma do art. 9º a 11 do Decreto n.º 70.235/72; (ii) a definitividade da decisão judicial, proferida tanto para a COFINS (como reconhecida pela r. decisão recorrida), como para o PIS. Especificamente quanto ao PIS, sustenta que o Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional não aborda as regras de incidência tributária da Lei n.º 9.718/98, trazendo discussão alheia à lide, especificamente quanto ao artigo 72 do ADCT. Nessa toada, sustenta ainda que há ausência de requisitos procedimentais necessários ao seguimento do Recurso Extraordinário, como a ausência de prequestionamento; (iii) subsidiariamente: (iii.1) a impossibilidade de exigência de juros de mora, vez que o crédito se encontra com a exigibilidade suspensa; e (iii.2) a necessidade de sobrestamento do processo administrativo enquanto pendente o julgamento do Recurso Extraordinário n.º 609.096 Quanto à parcela excluída da COFINS, que estaria respaldada pela decisão transitada em julgado em setembro de 2015, foi interposto recurso de ofício na forma da Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.902 5 Portaria n.º 63/2017. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou razões ao Recurso de Ofício e contrarrazões ao Recurso Voluntário (efls. 2.862/2.897), indicando a ausência de trânsito em julgado da decisão da COFINS e a necessidade de se reconhecer a concomitância no presente caso. Enfrenta, ainda, os argumentos trazidos pelo contribuinte no recurso voluntário. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Os Recursos devem ser conhecidos, vez que o Recurso de Ofício ultrapassa o valor de alçada da Portaria n.º 63/2017 e o Recurso Voluntário foi tempestivamente interposto. Fazse a seguir a análise segregada do objeto de cada Recurso. I PRELIMINARMENTE: DA AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA Antes de adentrar nas razões dos Recursos de Ofício e Voluntário, importante analisar o argumento veiculado pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões quanto à existência de concomitância com a discussão travada no Mandado de Segurança nº 2005.71.00.0195070. Atentandose para as peças de defesa apresentadas pela empresa nestes autos, observase que são veiculados argumentos distintos da discussão judicial. A discussão administrativa instaurada envolve debates distintos daqueles que permanecem em discussão no processo judicial, exigindo a análise por esta Corte Administrativa. Com efeito, como bem desenvolvido pela r. decisão recorrida (efls. 2.735/2.736), o processo judicial envolve a discussão em torno da ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n.º 9.718/98 especificamente para a instituição financeira, veiculando em seu pedido (efls. 2.142): Fl. 2904DF CARF MF 6 Por sua vez, o objeto do presente processo administrativo se refere, primeiramente, à análise da produção de efeitos das decisões judiciais na seara administrativa, buscando o reconhecimento de sua definitividade tanto para a COFINS (reconhecida da r. decisão recorrida), como para o PIS. Neste ponto, cumpre frisar, nas palavras do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro exaradas nos Acórdãos n.º 3402005.549 (Sessão 29/08/2018) e 3402004.987 (Sessão 21/03/2018), que "não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia o mesmíssimo débito combatido na instância administrativa." Nesta hipótese, não se trata de concomitância, mas de "aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo." Além disso, o Recurso Voluntário traz questões de mérito que igualmente não foram objeto de apreciação pelo Judiciário, quanto à inadequação do instrumento usado para a constituição do crédito tributário, a necessidade de sobrestamento do processo administrativo e a não incidência de juros de mora sobre os débitos. Tratamse de matérias distintas daquelas veiculadas e debatidas na ação judicial, não cabendo se falar em concomitância na forma do art. 87 do Decreto n° 7.574/2011 e da Súmula CARF n.º 1: Decreto 7.574/2011 "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." (grifei) Súmula CARF nº 1 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.903 7 cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (grifei) Assim, não se vislumbra concomitância quanto às matérias veiculadas no Recurso Voluntário e no Recurso de Ofício aqui sob análise, adentrando em suas razões a seguir. II RECURSO DE OFÍCIO Como relatado, a r. decisão recorrida reconheceu o trânsito em julgado da decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF4 em sentido favorável aos interesses da empresa, especificamente quanto à COFINS, vez que a Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário apenas quanto ao PIS. Vejamos o resumo da ação judicial trazida na r. decisão recorrida, sintetizado em conformidade com os documentos acostados aos autos e os relatos de ambas as partes no presente processo: "Em 09/06/2005, a Interessada impetrou o Mandado de Segurança nº 2005 71.00.0195070, distribuído à 2ª Vara Federal de Porto Alegre RS, pleiteando, em última análise, recolher o PIS e a COFINS sobre o seu faturamento (assim entendido como o produto da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, nos termos da Lei Complementar nº 70/1991), e não sobre a totalidade das suas receitas (conforme previsto no art. 3º, caput e § 1º, da Lei nº 9.718/1998) — DOC. fls. 2127/2143. A segurança requerida pela Interessada foi denegada em primeira instância, o que motivou a interposição de recurso de apelação ao Tribunal Regional Federal da 4º Região — DOCS. fls. 2144/2171. Em 07/08/2007, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4º Região apreciou o recurso de apelação e deulhe provimento — DOC. fls. 2173/2178. Por oportuno, transcrevo a ementa do acórdão: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Apenas durante a vigência temporária do art. 72 do ADCT é que se viabilizou a cobrança de PIS das instituições financeiras sobre a receita operacional bruta. De janeiro de 2000 em diante, não há mais tal suporte constitucional específico a admitir outra tributação que não a comum. O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da L. 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Tomado o faturamento como o produto da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, temse que os bancos, por certo, auferem valores que se enquadram em tal conceito, porquanto são, também, prestadores de serviços. É ilustrativa a referência, feita em apelação, à posição nº 15 da lista anexa à LC 116, em que arrolados diversos serviços bancários, como a administração de fundos, abertura de contas, fornecimento ou emissão de atestados, acesso, movimentação, atendimento e consulta a contas em geral etc. Mas as receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento.” Sob o fundamento de possível omissão, a Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios, alegando que a decisão supracitada teria deixado de considerar que: Fl. 2906DF CARF MF 8 (i) as receitas financeiras constituem faturamento operacional das instituições financeiras; (ii) no caso das instituições financeiras, o art. 72, inciso V, do ADCT previa a incidência do PIS sobre a receita bruta operacional, nos termos da legislação do imposto de renda; (iii) a existência de um conceito normativo de receita bruta operacional implica que instituições financeiras estão sujeitas ao PIS cfr. petição, cópia às fls. 2179/2193. A 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4º Região entendeu, por sua vez, que não houve qualquer omissão no acórdão, tendo acolhido os embargos apenas para fins de prequestionamento DOC. fls. 2194/2196. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial e Recurso Extraordinário, postulando, em ambos os casos, ver reconhecida a legitimidade da cobrança do PIS das instituições financeiras — DOCS. fls. 2197/214. Igualmente inconformado, o Ministério Público Federal também interpôs Recurso Especial e Recurso Extraordinário, esperando ver reconhecida a legitimidade da cobrança dos PIS e da COFINS das instituições financeiras, nos moldes do art. 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998 — DOCS. fls. 2217/2276. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça, os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Ministério Público Federal tiveram seguimento negado, sob o fundamento de que: — (i) não caberia àquela Corte analisar o alcance da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998; e (ii) a matéria referente aos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 não teria sido prequestionada — cfr. Resp nº 1.109.302 RS, cópia às fls. 2278/2280. Em face desta decisão, a Fazenda Nacional interpôs agravo regimental, mas a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso, em sessão de julgamento realizada em 19/11/2009 — cfr. AgRg no Resp nº 1.109.302/RS, cópia às fls. 2282/2292. Eis a ementa do acórdão: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DO CONCEITO DE FATURAMENTO. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE JULGOU COM BASE NA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 PELO STF. ALCANCE DESSE JULGADO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL. §§ 5º E 6º DO ART. 3º DA MESMA LEI. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. 1. Hipótese em que acórdão recorrido, utilizando como razão de decidir a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo STF, deu provimento à apelação da impetrante (instituição financeira) para reconhecer que suas receitas financeiras não se sujeitam à incidência do PIS e da COFINS, porquanto tais valores não se enquadram no conceito de faturamento. 2. A recorrente (Fazenda Nacional) sustenta que a inconstitucionalidade do mencionado dispositivo legal não repercute na tributação das instituições financeiras, ao fundamento de que essas pessoas jurídicas se sujeitam às disposições contidas nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei 9.718/98, tendo por base de cálculo a receita bruta operacional, razão pela qual suas receitas financeiras também devem ser tributadas. 3. Entretanto, o acórdão recorrido não enfrentou, nem sequer implicitamente, a tese suscitada pela recorrente, qual seja, de que as instituições financeiras devem recolher as contribuições do PIS e da Cofins sobre a receita bruta operacional em razão do que dispõem os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei 9.718/98. Incidência da Súmula 282/STF. 4. Ademais, não cabe ao STJ, no exercício de sua jurisdição especial, apreciar a tese de que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, proferida pelo STF, não se aplica às instituições financeiras, competindo à Suprema Corte analisar o alcance desse fundamento constitucional que fora adotado pelo acórdão recorrido. 5. Agravo regimental não provido.” Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.904 9 Noutro bordo, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em 03/03/2011, a repercussão geral da matéria suscitada nos Recursos Extraordinários interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Ministério Público Federal, tendo o Min. RICARDO LEWANDOWSKI destacado, na oportunidade, que “o tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a definição sobre o enquadramento das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS norteará o julgamento de inúmeros procesos similares ...” — cfr. incidente de repercussão geral, às fls. 2303/2307 (RE nº 609.096 RG / RS). Posteriormente, em 16/04/2015, o Min. RICARDO LEWANDOWSKI decidiu, em juízo de admissibilidade: a) negar seguimento ao Recurso Extraordinário interposto pelo Ministério Público Federal, por falta de legitimidade e interesse recursal; b) admitir o Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional — cfr. despacho do relator, às fls. 2316/2319 (RE nº 609.096/RS): “Tratase de recursos extraordinários, interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal objetivando a reforma do acórdão que discute a contribuição para o Programa de Integração Social – PIS sobre valores decorrentes de receitas financeiras de instituição bancária e a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Na origem, o recorrido impetrou mandado de segurança em que discute a incidência do PIS e da COFINS, logrando êxito no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A União, por meio da Procuradoria da Fazenda Nacional, impugnou o acórdão somente em relação ao PIS. Ou seja, em outras palavras, a União não recorreu do acórdão no ponto que discute o COFINS. No primeiro recurso extraordinário, interposto pela União, fundado no art. 102, III, a , da Constituição, alegase, em suma, a legitimidade e constitucionalidade da cobrança da contribuição para o PIS das instituições financeiras (fls. 463469). Já o Ministério Público Federal interpôs um segundo RE no qual sustenta, não apenas a constitucionalidade da contribuição do PIS, como também, a exigibilidade da COFINS, neste aspecto não impugnado pela União (fls. 506 521). Manifesteime pela repercussão geral dos temas aventados. Passo agora a examinar a admissibilidade dos recursos extraordinários interpostos. Em 11/11/2014, o Ministério Público Federal emitiu parecer pelo provimento dos recursos extraordinários (fls. 1.2041.210). É o breve relatório. Decido. Admito o recurso extraordinário interposto pela União, no qual se discute o art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da EC 1/94, porquanto esta regra constitucional teria autorizado a cobrança da contribuição para o PIS das instituições financeiras, sendo que as ECs 10/96 e 17/97 teriam apontado o intérprete a buscar o conceito da receita bruta operacional na Lei 4.595/64. Referida matéria é objeto do Tema 372 da Repercussão Geral, sob minha relatoria. Em relação ao RE interposto pelo MPF, constato a existência de óbice intransponível ao seu conhecimento. Com efeito, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reafirmou a sua pacífica orientação jurisprudencial no sentido de que falece ao Ministério Público legitimidade ativa ad causam para ajuizar pretensão de natureza tributária, questionando, pois, a legalidade ou constitucionalidade da cobrança do Fl. 2908DF CARF MF 10 tributo. Referido acórdão, cujo trânsito em julgado se deu recentemente, em 28/11/2014, recebeu a seguinte ementa: ‘DIREITO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO INTERPOSTA EM FACE DE SENTENÇA PROFERIDA EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA QUE DISCUTE MATÉRIA TRIBUTÁRIA (DIREITO DOS CONTRIBUINTES À RESTITUIÇÃO DE TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA SUPOSTAMENTE INCONSTITUCIONAL). ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA, EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA, DEDUZIR PRETENSÃO RELATIVA A MATÉRIA TRIBUTÁRIA. REAFIRMAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DA CORTE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA’ (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário com Agravo 694.294/MG, Rel. Min. LUIZ FUX – grifei) Na mesma linha, a doutrina assevera que ’não pode, pois, o membro do Ministério Público ser colocado como cobrador de impostos da fazenda em juízo’ (MAZZILLI, Hugo Nigro. A defesa dos interesses difusos em juízo. 16ª ed. São Paulo, Saraiva, 2003, p. 177179). Isso porque, ‘já dissemos que o espírito da época exige, isso sim, que um Ministério Público independente zele pelos interesses comuns da sociedade. A representação da Fazenda deverá resolverse por outra forma, mediante outro corpo de funcionários. A situação cria, inclusive, indesejáveis relações de dependência e subordinação do Ministério Público ao Poder Executivo, a cujas dependências fazendárias deve contas de sua atuação como verdadeiro advogado’ (DINAMARCO, Cândido Rangel. O Ministério Público na sistemática do direito brasileiro. Revista Justitia, v. 61, p.161172). Na espécie, o MPF apresentou dois pareceres favoráveis à tese do impetrante, ora recorrido, pela concessão da segurança, em primeiro e segundo grau de jurisdição. Em seguida, contraditoriamente, o Parquet modificou seus pareceres e interpôs recurso extraordinário que ampliou a matéria impugnada pela União, buscando reforma do julgado também em relação ao COFINS. Não pode, pois, o Ministério Público, alargar o objeto do recurso extraordinário interposto pela União, o qual não impugnou o acórdão no ponto em que a discute a forma de recolhimento do COFINS, pois tal inovação implica usurpação de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão legítimo para advogar em favor da União e, principalmente, delimitar o alcance da controvérsia tributria deduzida em juízo. Isso posto, admito o recurso extraordinário interposto pela União e nego seguimento ao RE interposto pelo MPF. 2. Ante a regra de prevenção e a necessidade de julgamento definitivo do mérito do Tema 372, objeto de Repercussão Geral sob minha relatoria, com base no art. 325A do RISTF, determino a substituição do RE interposto pelo MPF, pelo paradigma do RE 880.143/MG, também sob minha relatoria, que discute a exigibilidade do COFINS nas instituições financeiras. No mesmo sentido, sobre substituições de paradigmas da repercussão geral, cito, entre outros: ARE 653.222/SP, RE 576.464/GO, RE 732.657/SP, RE 719.405/PR, RE 634.855/MA, todos da minha relatoria. Juntese cópia desta decisão ao referido RE 880.143/MG, para julgamento em conjunto com o presente feito. (...)” Irresignado, o Ministério Público Federal interpôs agravo regimental — cfr. petição, às fls. 2320/2334. Sem êxito, todavia, pois, em 28/05/2015, o Plenário do Supremo Tribunal Federal negou provimento ao recurso — cfr. acórdão, cópia às fls. 2335/2340 (RE nº 609.096 AgRSegundo / RS). Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.905 11 Por fim, o Ministério Público opôs embargos de declaração, com pedido de concessão de efeitos modificativos — cfr. petição, às fls. 2342/2356. Mais uma vez, porém, sem colher êxito, já que, em 19/08/2015, os referidos embargos foram rejeitados — cfr. acórdão, cópia às fls. 2431/2438 (RE 609.096 AgRSegundo – ED / RS). Segundo informa o próprio Supremo Tribunal Federal, da referida decisão não foi interposto recurso de qualquer espécie — cfr. Certidão de Decurso de Prazo emitida em 17/09/2015, cópia à fl. 2450. Com base em tal informação, é inevitável concluir que o acórdão proferido pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4º Região transitou em julgado em relação à COFINS, fato este atestado, expressamente, pela Secretaria do Supremo Tribunal Federal, em 12/04/2016, por meio da Certidão de Objeto e Pé de fls. 2452/2454." (efls. 2.739/2.743 grifei) A ausência de interposição de Recurso pela União quanto à COFINS não é matéria controvertida, sendo reconhecida pela própria Procuradoria nas razões do Recurso de Ofício. Para a Fazenda, essa situação ensejaria, apenas, a preclusão da matéria, mas não o trânsito em julgado, que não poderia ocorrer de forma parcial, em capítulos, na vigência do Código de Processo Civil de 1973, antes do Código de Processo Civil de 2015: "O contribuinte está, no caso, confundindo a preclusão, que ocorreu em relação à matéria discutida (COFINS), com o trânsito em julgado, que somente ocorrerá ao final do processo. De fato, dentro da concepção das regras processuais vigentes à época em que proferido o acórdão do TRF da 4ª Região, ocorreu uma preclusão da matéria relacionada à COFINS nos autos do RE nº 609.096/RS, já que não pode mais ser discutida no curso processual, mas não ocorreu o trânsito em julgado. Assim, ainda que se adote o momento da formação da coisa julgada material como marco de direito intertemporal (aplicandose, por analogia, o disposto no art. 1.057 do nCPC), o fato é que a preclusão quanto ao capítulo não impugnado (COFINS) se deu ainda na vigência do CPC/1973, não há que se falar em coisa julgada material. Com efeito, ainda que adotado esse marco, as disposições do nCPC somente seriam aplicáveis em relação aos atos praticados sob a sua vigência (tempus regit actum), não sendo compatível com a Constituição Federal a sua aplicação retroativa, atingindo atos já praticados (decisão judicial se modifica por decisão judicial, não por lei) e cujos efeitos se consolidaram (ao menos aqueles aplicáveis até o “trânsito em julgado da última decisão proferida no processo”) na vigência do CPC/1973." (efls. 2.882/2.883 grifei) Assim, a matéria controvertida no Recurso de Ofício se refere à verificação do trânsito em julgado parcial do acórdão, proferido pelo TRF4, no sentido de que "as receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento" para fins de incidência do PIS e da COFINS das instituições financeiras. Uma vez que a Fazenda Nacional não apresentou recurso quanto à COFINS, e que os recursos que tratavam dessa matéria não foram admitidos, necessário avaliar se essa matéria teria transitado em julgado, ainda que o processo permaneça em curso em relação ao PIS, cujo Recurso Extraordinário interposto permanece pendente de análise pelo Supremo Tribunal Federal STF. A r. decisão recorrida deve ser integralmente mantida. A COFINS não foi objeto de Recurso Extraordinário pela Fazenda Nacional, como expressamente indicado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de admissibilidade dos Recursos Extraordinários (efls. Fl. 2910DF CARF MF 12 2316/2319). A ausência de discussão, pela Fazenda Nacional, quanto à COFINS igualmente é depreendida do pedido do recurso extraordinário da PGFN, à efl. 2.214 destes autos: A discussão quanto à base de cálculo da COFINS das instituições financeiras à luz do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 apenas estava em discussão em recurso interposto pelo Ministério Público Federal, cuja admissibilidade foi negada pelo STF. E, como atestado nos autos do processo judicial na certidão de 17/09/2015 (efl. 2.450), após 15/09/2015 não foram interpostos novos recursos contra a decisão de admissibilidade. Com isso, especificamente quanto à COFINS, não cabem mais recursos contra ao acórdão do TRF4, permanecendo controvertida no processo judicial, apenas, a discussão em torno da base de cálculo do PIS para as instituições financeiras. Desta forma, a lide judicial, quanto à COFINS, foi definitivamente julgada, com a formação da coisa julgada material na exata forma prevista nos artigos 6º, §3º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB, art. 467 do Código de Processo Civil de 1973 e art. 502 do Código de Processo Civil de 2015: Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB, aprovada pelo Decretolei n.º 4.657/1942 "Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) (...) § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957)" (grifei) Código de Processo Civil de 1973, aprovado pela Lei n.º 5.869/1973 "Art. 467.Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário." (grifei) Código de Processo Civil de 2015, aprovado pela Lei n.º 13.105/2015 "Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso." (grifei) Ainda que a ausência de recursos implique em preclusão, como aduzido pela Fazenda Nacional, produzindo efeitos dentro do processo por impedir nova discussão nos mesmos autos, o debate quanto à incidência da COFINS sobre as receitas financeiras, no caso, se tornou matéria imutável e indiscutível, com as qualidades inerentes da coisa julgada material. Com isso, a decisão passa a produzir seus efeitos não apenas na relação jurídica processual, mas na própria relação jurídica material. Com esse raciocínio que é cabível aplicar, na hipótese, a extinção do crédito tributário de COFINS constituído com exigibilidade Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.906 13 suspensa, com fulcro na "decisão judicial passada em julgado" em setembro/2015, na exata forma prevista no art. 156, X do Código Tributário Nacional CTN. Como leciona Humberto Theodoro Júnior, a preclusão se refere à "perda, extinção ou consumação de uma faculdade processual pelo fato de se haverem alcançado os limites assinados por lei ao seu exercício", decorrente do fato de ser "o processo uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas, a fim de que se obtenha a prestação jurisdicional, com precisão e rapidez"1. O trânsito em julgado e a correspondente formação da coisa julgada decorrem da preclusão, exatamente em razão da impossibilidade legal de interposição de recursos, mas com efeitos distintos a depender da análise do mérito quando da resolução da lide (coisa julgada material) ou não (coisa julgada formal). Continuando nas lições do autor: “Na verdade a diferença entre coisa julgada material e formal é apenas de grau de um mesmo fenômeno. Ambas decorrem da impossibilidade de interposição de recurso contra a sentença. A coisa julgada formal decorre simplesmente da imutabilidade da sentença dentro do processo em que foi proferida pela impossibilidade de interposição de recursos, que porque a lei não mais os admite, que porque se esgotou o prazo estipulado pela lei sem interposição pelo vencido, que porque o recorrente tenha desistido do recurso interposto ou ainda tenha renunciado à sua interposição. A coisa julgada formal atual dentro do processo em que a sentença foi proferida, sem impedir que o objeto do julgamento volte a ser discutido em outro processo. Já a coisa julgada material, revelando a lei das partes, produz seus efeitos no mesmo processo ou em qualquer outro, vedando o reexame da res in iudicium deducta, por já definitivamente apreciada e julgada. A coisa julgada formal pode existir sozinha em determinado caso, como ocorre nas sentenças meramente terminativas, que apenas extinguem o processo sem julgar a lide. Mas a coisa julgada material só pode ocorrer de par com a coisa julgada formal, isto é, toda sentença para transitar materialmente em julgado deve, também, passar em julgado formalmente.” 2 (grifei) No presente caso, a lide foi definitivamente resolvida no processo quanto à COFINS, com a análise final do mérito no processo judicial em decisão contra a qual não mais cabe recursos por parte da Fazenda, com a formação da coisa julgada material e a produção dos efeitos a ela inerentes. E aqui é importante frisar que, ao contrário do que aduz a Fazenda em suas razões do Recurso de Ofício, a possibilidade de formação da coisa julgada material em capítulos ou partes já era admitida mesmo à luz do Código de Processo Civil de 1973. É o que se depreende do julgado, pelo Supremo Tribunal Federal, do Recurso Extraordinário n.º 666.589, no qual expressamente afasta o posicionamento em sentido contrário do Superior Tribunal de Justiça. Transcrevese, pela relevância, os principais trechos do voto do Ministro Relator Marco Aurélio: 1 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Coisa julgada. In: THEODORO JÚNIOR, Humberto. OLIVEIRA, Fernanda Alvim Ribeiro de. REZENDE, Ester Camila Gomes Norato (coords.). Primeiras lições sobre o novo direito processual civil brasileiro (de acordo com o Novo Código de Processo Civil Lei 13.105, de 16 de março de 2015). Rio de Janeiro: Forense, 2015, p. 351. 2 Op. Cit., p. 346 Fl. 2912DF CARF MF 14 "Está em jogo definir o momento preciso em que ocorre o fenômeno da coisa julgada para efeito de assentar o início da fluência do prazo decadencial relativo à propositura de ação rescisória, considerado processo revelador de pedidos cumulados, mas materialmente divisíveis, em que as decisões concernentes a cada qual tornaramse definitivas em momentos distintos. A controvérsia envolve saber se é possível cogitar de trânsito em julgado individual das decisões autônomas e a implicação dessa cisão para a contagem do prazo de decadência da rescisória. O Superior Tribunal de Justiça, apontando o caráter unitário e indivisível da causa, consignou a inviabilidade do trânsito em julgado de partes diferentes do acórdão rescindendo, devendo o prazo para propositura de demanda rescisória começar a partir da preclusão maior atinente ao último pronunciamento. Com essas premissas, deu provimento a especial do Banco Central para admitir pedido rescisório, afastada a decadência reconhecida no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O acórdão impugnado está em desarmonia com a melhor doutrina sobre o tema e com a jurisprudência do Supremo, encerrando violação à garantia da coisa julgada, prevista no artigo 5º, inciso XXXVI, da Carta da República. Consoante observa Cândido Rangel Dinamarco, o direito positivo brasileiro permite a configuração de capítulos “do decisório, quer todos de mérito, quer heterogêneos”, cada qual revelando uma “unidade elementar autônoma, no sentido de que cada um deles expressa uma deliberação específica” que “resulta da verificação de pressupostos próprios”. (DINAMARCO, Cândido Rangel. Capítulos de Sentença. 5ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013, p. 35). A divisão deve ter em vista o pronunciamento em si, delimitado pelos pedidos, não pelos fundamentos. Assim, os capítulos constam, seguindo os artigos 458, inciso III, e 469 do Código de Processo Civil, na parte dispositiva da sentença. Ainda que envolvida decisão formalmente unitária, esta pode ser materialmente plural, presentes partes cindíveis do dispositivo, cada um, segundo Humberto Theodoro Júnior, “contendo solução para questão autônoma em face das demais”. Consoante o processualista: É longa e consolidada a tradição de nosso direito processual civil, segundo a qual as partes do julgado que resolvem questões autônomas formam de per si sentenças que ostentam vida própria, podendo cada qual ser mantida ou reformada sem prejuízo para as demais. (JÚNIOR THEODORO, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Volume I. 52ª ed., 2011, p. 744). A possibilidade apontada é reflexo da correlação existente entre o pedido – a demanda – e a sentença. A pleitos cumulados, destacáveis, suscetíveis de diferentes prestações jurisdicionais, correspondem capítulos autônomos da sentença ou acórdão (CARNEIRO, Athos Gusmão. Ação Rescisória, Biênio Decadencial e Recurso Parcial. Revista de Processo nº 88, Ano 22, São Paulo: RT, 1997, p. 233). Daí não ser incomum à unidade instrumental da decisão corresponder uma complexidade substancial. A circunstância de haver capítulos dos pronunciamentos repercute, necessariamente, sobre a determinação do objeto possível dos recursos, seja quanto ao conteúdo, seja no tocante ao legitimado recursal. Unidades autônomas de pedidos implicam capítulos diferentes que condicionam, objetiva ou subjetivamente, e sem prejuízo do princípio da unicidade recursal, as vias de impugnação disponibilizadas pelo sistema normativo processual – recursos parciais ou interpostos por ambos os litigantes em face do mesmo ato judicial formalmente considerado. O caso concreto descreve muito bem o fenômeno – a cláusula do acórdão relativa aos danos emergentes foi desafiada por especial do Banco Central, a alusiva aos lucros cessantes, atacada por recurso da PEBB Corretora de Valores. Pressupostos diversos questionados mediante recursos interpostos por partes adversas em razão de fragmentos autônomos do mesmo acórdão. Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.907 15 Essa distinção provoca reflexos no cumprimento do ato – que pode ser realizado de modo independente –, assim como – e esta é a questão central deste processo – no trânsito em julgado, que se mostra passível de ocorrer em momentos separados presentes os capítulos autônomos da decisão. Conforme Dinamarco, “podem variar, em relação aos diversos capítulos de uma só sentença, os momentos em que cada um deles passa em julgado”. Segundo esclarece: Essa variação tanto pode ocorrer entre capítulos da mesma natureza (todos de mérito, todos contendo a negativa do julgamento do mérito), como em relação a capítulos heterogêneos […]; pode também ocorrer em caso de capítulos favoráveis a uma das partes, em convívio na mesma sentença com capítulos desfavoráveis, ou mesmo quando todos eles são favoráveis a uma só das partes. (DINAMARCO, Cândido Rangel. Capítulos de Sentença. 5ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013, p. 11). Essa possibilidade, consoante Athos Gusmão, é uma “decorrência lógica” de assumirse a teoria dos capítulos autônomos como correta – capítulos diferentes, correspondendo a demandas diversas, podem transitar em julgado em momentos distintos (CARNEIRO, Athos Gusmão. Ação Rescisória, Biênio Decadencial e Recurso Parcial. Revista de Processo nº 88, Ano 22, São Paulo: RT, 1997, p. 233). É nesse sentido o entendimento do Supremo, como ficou decidido na Décima Primeira Questão de Ordem na Ação Penal nº 470/MG, relator ministro Joaquim Barbosa, julgada em 13 de novembro de 2013, Diário da Justiça de 19 de fevereiro de 2014. Na ocasião, o Tribunal, por unanimidade, concluiu pela executoriedade imediata dos capítulos autônomos do acórdão condenatório, declarando o respectivo trânsito em julgado, excluídos aqueles objeto de embargos infringentes. Nessa parte, o acórdão foi assim resumido: […] 2. Sempre que a sentença decide pedidos autônomos, ela gera a formação de capítulos também autônomos, que são juridicamente cindíveis. O julgamento da demanda integrada por mais de uma pretensão exige um ato judicial múltiplo de procedência ou improcedência dos pedidos. Doutrina. 4. (sic) No direito processual penal, o julgamento múltiplo ocorre em razão da diversidade dos fatos típicos imputados e das regras próprias ao concurso material de crimes, em que se exige sentença de estrutura complexa, com condenações múltiplas. 5. É plena a autonomia dos capítulos, a independência da prova e a especificidade das penas impostas aos condenados para cada um dos crimes pelos quais estão sendo processados. 6. O trânsito em julgado referese à condenação e não ao processo. A coisa julgada material é a qualidade conferida pela Constituição Federal e pela Lei à sentença/acórdão que põe fim a determinada lide, o que ocorre com o esgotamento de todas as possibilidades recursais quanto a uma determinada condenação e não quanto ao conjunto de condenações de um processo. No mesmo sentido, o artigo 467 do Código de Processo Civil; e o artigo 105 da Lei de Execuções Penais. Este entendimento já se encontra de longa data sedimentado nesta Corte, nos termos das Súmulas 354 e 514 do Supremo Tribunal Federal. 7. A interposição de embargos infringentes com relação a um dos crimes praticados não relativiza nem aniquila a eficácia da coisa julgada material relativamente às condenações pelos demais crimes praticados em concurso de delitos, que formam capítulos autônomos do acórdão. Descabe transformar a parte irrecorrível da sentença em um simples texto judicial, retirandolhe Fl. 2914DF CARF MF 16 temporariamente a força executiva até que seja finalizado outro julgamento, que, inclusive, em nada lhe afetará. Em voto, fiz ver: Presidente, a rigor, a rigor, o Ministério Público poderia ajuizar tantas ações penais quantos os acusados e os crimes praticados. Então, indago: terseia que aguardar a preclusão maior de cada pronunciamento condenatório nesses diversos processos? Não, não se teria. Optou o Ministério Público pela cumulação subjetiva e objetiva ajuizando, portanto, a ação contra os diversos partícipes dos delitos que teriam sidos cometidos e, consideradas, também, as diversas práticas. Por ficção jurídica, passamos a ter, no mesmo processo, várias ações, levando em conta os réus e os crimes imputados. Não há a menor dúvida de que o acórdão do Supremo possui capítulos, como apontou Vossa Excelência, distintos, autônomos e, evidentemente – trouxe o ministro Teori Zavascki o argumento –, quanto àqueles não impugnados, começou a correr o prazo prescricional da pretensão executória, a teor do disposto no Código Penal. Presidente, não tenho a menor dúvida de que os capítulos não impugnados podem ser acionados em termos – já que a culpa está selada – de execução da pena. Agora, o mesmo não ocorre, presentes situações em que ainda há pendência de embargos infringentes a serem apreciados por Vossa Excelência […] Relativas a processo penal, em que envolvida pretensão estatal em face da liberdade do acusado, as premissas e conclusões acima explicitadas são ainda mais pertinentes em se tratando de lide civil. O Supremo admite, há muitos anos, a coisa julgada progressiva ante a recorribilidade parcial também no processo civil. É o que consta do Verbete nº 354 da Súmula, segundo o qual, “em caso de embargos infringentes parciais, é definitiva a parte da decisão embargada em que não houve divergência na votação”. Assim, conforme a jurisprudência do Tribunal, a coisa julgada, reconhecida na Carta como cláusula pétrea no inciso XXXVI do artigo 5º, constitui aquela, material, que pode ocorrer de forma progressiva quando fragmentada a sentença em partes autônomas." (Trechos do voto do relator Ministro Marco Aurélio. RE 666589, Primeira Turma, julgado em 25/03/2014, DJe106 Publicado 03/06/2014 grifei) Nesse sentido, confirmase a ocorrência, na hipótese, do trânsito em julgado da discussão judicial que originou o presente Auto de Infração quanto a COFINS, razão pela qual entendo correta a r. decisão recorrida que extinguiu o crédito tributário constituído na forma do art. 156, X, do CTN. Quanto à COFINS, o acórdão do TRF4 já pode ser executado, inexistindo qualquer hipótese de suspensão de seu cumprimento. A eventual modificação daquele posicionamento judicial dependerá de ação judicial própria passível de ser interposta pela Fazenda Nacional na forma e no prazo da lei (ação rescisória). Cumpre mencionar que a conclusão aqui veiculada não é afetada pela competência, ou não, da secretaria do Supremo Tribunal Federal de atestar o trânsito em julgado do acórdão do TRF4 quanto à COFINS, na certidão de objeto e pé acostada nos presentes autos (efls. 2.452/2.454). O que se demonstrou acima é que o trânsito em julgado especificamente quanto à COFINS é depreendido dos autos da ação judicial, estando em conformidade com o entendimento do STF veiculado antes mesmo da alteração do Código de Processo Civil em 2015, sendo correta a extinção do crédito tributário constituído. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.908 17 III DO RECURSO VOLUNTÁRIO Como relatado, a empresa alega em seu Recurso Voluntário: (i) a definitividade da decisão judicial para o PIS; (ii) a inadequação do meio utilizado para a constituição do crédito tributário, sendo necessária a notificação de lançamento e não o Auto de Infração, na forma do art. 9º a 11 do Decreto n.º 70.235/72; (iii) subsidiariamente: (iii.1) a impossibilidade de exigência de juros de mora, vez que o crédito se encontra com a exigibilidade suspensa; e (iii.2) a necessidade de sobrestamento do processo administrativo enquanto pendente o julgamento do Recurso Extraordinário n.º 609.096. Tratamse de matérias distintas da ação judicial, como desenvolvido no item I do presente voto. Com isso, passo à análise segregada desses argumentos. III.1. A DEFINITIVIDADE DA DECISÃO JUDICIAL PARA O PIS E O SOBRESTAMENTO DO FEITO Sustenta a Recorrente que, uma vez que o mérito da Lei n.º 9.718/98 não foi enfrentado no Recurso Extraordinário interposto pela União, que sequer caberia ser conhecido por vícios de prequestionamento, o acórdão do TRF4 seria igualmente definitivo quanto ao PIS. Contudo, depreendese dos autos judiciais que o Recurso Extraordinário da União foi devidamente admitido e processado, ainda que versando apenas quanto ao descabimento da incidência do PIS sobre receitas financeiras aferidas por instituições financeiras. Vejamos novamente o exato teor da decisão do STF quanto a esta questão específica: "Admito o recurso extraordinário interposto pela União, no qual se discute o art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da EC 1/94, porquanto esta regra constitucional teria autorizado a cobrança da contribuição para o PIS das instituições financeiras, sendo que as Exs 10/96 e 17/97 teriam apontado o intérprete a buscar o conceito da receita bruta operacional na Lei 4.595/64. Referida matéria é objeto do Tema 372 da Repercussão Geral, sob minha relatoria." (efl. 2.317) "(...) Isto posto, admito o recurso extraordinário interposto pela União e nego seguimento ao Re interposto pelo MPF. 2. Ante a regra de prevenção e a necessidade de julgamento definitivo do mérito do Tema 372, objeto de Repercussão Geral sob minha relatoria, com base no art. 325 A do RISTF, determino a substituição do RE interposto pelo MPF, pelo paradigma do RE 880.143/MG, também sob minha relatoria, que discute a exigibilidade do COFINS nas instituições financeiras. No mesmo sentido, sobre substituições de paradigmas da repercussão geral, cito, entre outros: ARE 653.222/SP, RE 576.464/GO, RE 732.657/SP, RE 719.405/PR, RE 634.855/MA, todos da minha relatoria. Juntese cópia desta decisão ao referido RE 880.143/MG, para julgamento em conjunto com o presente feito." (efl. 2.319) Fl. 2916DF CARF MF 18 Assim, especificamente para o PIS, descabido se falar em definitividade da decisão judicial, vez que o mérito (definição da base de cálculo do PIS das instituições financeiras) permanece pendente de análise pelo STF. Como indicado na decisão do STF acima transcrita, o processo judicial da empresa encontrase sobrestado por estar vinculado à decisão a ser proferida em sede de repercussão geral no tema 372 (Exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras). Os processos paradigmas pendentes de discussão são o processo da empresa ora Recorrente, que passou a se restringir ao PIS (RE 609.096), e o processo de outro contribuinte referente à COFINS (RE 880.143). Uma vez que o processo judicial está sobrestado até o julgamento definitivo do tema 372 da repercussão geral, pela aplicação subsidiária do CPC/2015 ao presente processo, entendo ser pertinente o sobrestamento do presente feito, especificamente dessa questão que permanece em debate (apenas quanto à exigência do PIS, frisese novamente). Trazendo considerações precisas sobre essa questão, adoto como razão de decidir aquela desenvolvida pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro no Acórdão 3402004.434 (Sessão 26/09/2017): "I. Da aplicação subsidiária do CPC/2015 e o sobrestamento do feito 7. A primeira decisão possível para o presente caso é a de sobrestar seu julgamento até que haja decisão definitiva do RE n. 609.096, haja vista o caráter vinculante do precedente que se formará em tal julgamento. 8. Para se chegar a tal conclusão, convém registrar que não é de hoje que o legislador nacional, sob o pretexto de buscar uma pretensa aproximação de um distante modelo de Common Law, tem criado inúmeros dispositivos legislativos no sentido de prestigiar a figura do precedente, em especial quando tal precedente é vinculado por um Tribunal Superior. Daí, e.g., a criação da repercussão geral, por intermédio da Emenda Constitucional n. 45/04. 9. Referida valorização – ainda que aparente – de um modelo de stare decisis é renovada com o advento do CPC/2015, em especial com o disposto no seu art. 926, norma que oferece importantes vetores para a busca de uma verdadeira valorização dos precedentes. Não obstante, o art. 927 do citado Codex densifica tais valores, na medida em que prescreve os tipos formais de decisão aptos a veicular um precedente de caráter vinculante. 10. Logo, o que se observa é que o reconhecimento quanto à repercussão geral do RE nº 609.096 já denota que o advento do precedente a ser formado apresentará um caráter transubjetivo e vinculante, o que obrigará que a ratio decidendi daí extraída seja seguida pelos demais órgãos judiciais e também pela Administração Pública, exatamente como prevê o caput do citado art. 927 do CPC. Buscase, com isso, salvaguardar a unidade material das decisões de caráter judicativo e, consequentemente, o tratamento igualitário entre jurisdicionados que se encontrem em situações análogas e, por fim, uma segurança jurídica de índole substancial. 11. Aliás, é exatamente em razão de tais valores que o CPC/2015 prescreve que, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, todos os demais processos (sem distinção entre processos administrativos e judiciais) deverão ser sobrestados, até que haja decisão no chamado leading case. É o que prevê o art. 1.035, §5° do CPC. 12. A questão, todavia, que deve ser aqui debatida é se tal dispositivo deve ou não ser convocado no âmbito dos processos administrativos tributários. Para tanto, insta analisar o que dispõe o art. 15 do CPC. Segundo referido dispositivo, as disposições do CPC devem ser aplicadas de forma supletiva e subsidiária, ou seja, Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.909 19 atribuemse às normas do CPC, respectivamente, uma função normativosubstitutiva e também uma função normativointegrativa. 13. Para a questão aqui analisada, o que interessa é o caráter subsidiário do CPC/2015 e, consequentemente, sua função normativointegrativa, que pode ser vista por duas perspectivas. 14. A primeira delas com base na embolorada ideia de que o direito se perfaz pelo intermédio exclusivo da lei, calcada, pois, na concepção de um divinal legislador que não deixa comportamentos sociais sem prescrições normativas e que, quando isso eventualmente ocorre, o próprio direito legislado cria mecanismos no sentido suplantar tais buracos, o que se dá por intermédio de institutos como a analogia, os princípios gerais do direito e a equidade. Aí então a função integrativa clássica do CPC/2015 em face de uma lacuna legislativa referente ao processo administrativo tributário. 15. Todavia, uma visão mais moderna deste caráter subsidiário da lei parte do pressuposto de que tal norma integrativa deverá ser convocada de modo a potencializar os valores que lhes são próprios, bem como os valores do próprio Direito enquanto método de resolução, com justiça, de problemas de convivência humana. Nesse sentido, quando se fala no caráter subsidiário do CPC, sua convocação no processo administrativo, inclusive o tributário, deve ser no sentido de potencializar os princípios constitucionais do processo civil, dentre os quais destacamse os seguintes vetores: integridade, unidade e coerência das decisões de caráter judicativo, de modo a também tutelar, reflexamente, igualdade de tratamento a jurisdicionados em situações análogas e, por fim, segurança jurídica, aqui tratada como uma segurança jurídica de índole material. 16. Assim, com base em tais premissas, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, o sobrestamento prescrito no já citado art. 1.035, §5° do CPC, também deve se estender aos processos administrativos de caráter tributário, pois, dessa forma, estarseá prestigiando os sobreditos valores jurídicos, tão importantes para o Direito. 17. Não obstante, mesmo que se empregue a função integrativa de uma norma subsidiária em um sentido clássico, ainda sim a solução aqui proposta (sobrestamento do processo administrativo tributário) seria a resposta mais adequada para o caso em tela. E isso porque, ao se analisar as disposições legais que tratam do processo administrativo tributário (Decreto n. 70.235 e lei n. 9.784/99), é impossível encontrar qualquer prescrição normativa que trate do problema aqui enfrentado, qual seja, o que fazer com processo administrativo que apresente recurso com causa de pedir autônoma e cujo teor está pendente de julgamento no âmbito judicial, em sede de processo com caráter transindividual. Não havendo disposições legais nas leis que tratam o processo administrativo tributário, deve ser aplicado de forma subsidiária o CPC. 18. O RICARF, por sua vez, não apresenta solução para essa questão, uma vez que a hipótese aqui tratada (sobrestamento de casos afetados por repercussão geral no STF) foi suprimida do atual Regimento Interno deste Tribunal, caracterizando a lacuna normativa. Nem se alegue que essa supressão geraria um pretenso "sentido" jurídico, uma vez que denotaria a pseuda intenção deste ato normativo regimental em propositadamente evitar o sobrestamento aqui debatido. Não é crível imaginar que a omissão do veiculador do RICARF seja capaz de, positivamente, criar norma jurídica e, o que é pior, criar uma suposta norma que gritantemente conflita com os valores de igualdade e segurança jurídica que devem conformar toda e qualquer decisão de caráter judicativo. 19. Ademais, também não há que se falar que o disposto no art. 62, §§ 1º e 2º do RICARF6 resolveria essa questão. Primeiramente pela falta de subsunção, já que o citado dispositivo fala de vinculação deste Tribunal na hipótese de decisão já proferida pelo STF ou pelo STJ, o que não é o caso dos autos. Não obstante, ainda Fl. 2918DF CARF MF 20 que fosse possível convocar analogamente tais dispositivos, o que se cogita aqui apenas de forma hipotética, ainda sim restaria impossível o afastamento do art. 15 do CPC no caso em concreto. E isso porque um regimento interno, passível de veiculação autocrática ou antimajoritária por parte de um circunstancial Presidente de um Tribunal Administrativo ou Ministro da Fazenda não pode se sobrepor ao que estabelece uma legislação federal fruto de longo e exaustivo debate democrático promovido no âmbito das casas do Congresso Nacional, sob pena de, em última ratio, simplesmente esvaziar o art. 15 do CPC de qualquer conteúdo, ou seja, indevidamente admitir que mero regimento interno, regularmente veado por simples portaria ministerial, tenha a aptidão de revogar lei federal. Até porque, em última análise, disposição regimental não tem aptidão para tratar de norma processual, matéria afeta exclusivamente à lei federal, exatamente como prescreve o art. 22, inciso I da Magna Lex. 20. Em perfeita sintonia com as assertivas até então desenvolvidas, em 23/02/2017, caso em tudo análogo ao presente foi decidido no sentido da suspensão do processo administrativo que tramita neste Conselho: no curso do Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, de relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, oportunidade em que procedeuse à suspensão dos processos que tramitam neste Conselho acerca de matéria idêntica, decidida de maneira favorável ao contribuinte pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em decisão pendente de publicação: (...) 21. Em 07/03/2017 foi expedido o Ofício nº 594/R endereçado ao Presidente deste Conselho com cópia da decisão do Ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu os processos administrativos que tratam da matéria. Logo, não há dúvida quanto à aplicação subsidiária do art. 1.035, §5° do CPC no caso em comento. 22. Diante deste quadro, voto pelo sobrestamento do presente processo administrativo até que haja ulterior e definitiva decisão no RE n. 609.096, a ser julgado pelo STF." (Número do Processo 10980.901854/201567 Data da Sessão 26/09/2017 Relator Diego Diniz Ribeiro Nº Acórdão 3402004.434 grifei) Nesse sentido, após a segregação da parcela relacionada à COFINS, já transitada em julgado, a parcela pendente de discussão judicial relacionada ao PIS deve ser mantida no presente processo para que seja sobrestado até que haja ulterior e definitiva decisão no tema 372 da repercussão geral (RE 609.096 e RE 880.143), a ser julgado pelo STF. Uma vez que esse argumento já não prevaleceu nesse colegiado anteriormente, como no acórdão acima transcrito, saindo vencida quanto ao sobrestamento do feito, adentro nos demais argumentos aventados pela empresa no Recurso Voluntário. III.2 NULIDADE DA AUTUAÇÃO POR INADEQUAÇÃO DO INSTRUMENTO DE CONSTITUIÇÃO Sustenta a Recorrente que a autuação seria nula vez que o instrumento correto para a constituição do crédito tributário sem penalidade seria a notificação de lançamento e não o Auto de Infração, na forma do art. 9º a 11 do Decreto n.º 70.235/72. Descabida a pretensão do Recorrente, como bem delineado na r. decisão recorrida, que não merece qualquer reparo. Referida decisão foi proferida com fulcro em doutrina e ampla jurisprudência administrativa pátrias, sendo suas razões aqui adotadas, à luz do art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99: "Da alegada inadequação do instrumento utilizado para a constituição do crédito tributário Alega a Interessada que o instrumento utilizado para a exigência dos tributos considerados devidos teria sido inadequado, já que, de acordo com o art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, a lavratura do auto de infração só se justifica na Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.910 21 hipótese em que deva ser aplicada alguma penalidade, o que não ocorreu no caso concreto. Assim, a seu juízo, o instrumento válido só poderia ter sido a notificação de lançamento, prevista no art. 11 do Decreto nº 70.235/1972: DECRETO nº 70.235, de 06 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I A qualificação do autuado; II O local, a data e a hora da lavratura; III A descrição do fato; IV A disposição legal infrigida e a penalidade aplicável; V A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI A assinatura do atuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I A qualificação do notificado; II O valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III A disposição legal infrigida, se for o caso; IV A assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. O questionamento da impugnante não tem nenhuma relevância prática. O fato de um auto de infração haver sido lavrado sem aplicação de penalidade não o desnatura como instrumento válido de formalização do lançamento — assim entendido como o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível” (art. 142 do CTN). O que importa, aqui, não é o nomen iuris — “auto de infração” ou “notificação de lançamento” —, mas sim os elementos que o definem como instrumento válido de constituição do crédito tributário. Neste sentido, transcrevo a lição de LEANDRO PAULSEN, RENÉ BERGMANN ÁVILA e INGRID SCHRODER SLIWKA (“Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência”, 4ª ed., Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2007, p. 32): “Irrelevância da denominação. Atenção ao conteúdo. A autoridade fiscal que, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal, verificar a ocorrência de infração à legislação tributária, procederá ao lançamento do tributo devido e da multa de ofício. A denominação do documento que formaliza a constituição do crédito tributário é irrelevente. No âmbito da SRF, temos o Auto de Infração. No âmbito da SRP, temos a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. E outras denominações podem existir por força da legislação tributária. Importa é que o documento contenha os requisitos exigidos por lei.” A propósito do assunto, vejase a jurisprudência: “LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE INEXISTENTE. A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de Fl. 2920DF CARF MF 22 formalização do crédito tributário. A escolha do auto de infração ou da notificação de lançamento é definida nos termos dos art. 10 ou 11 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de Infração não se presta às exigências tributárias somente quando acompanhadas de cominação de penalidades. Higidez do Auto de Infração que afasta sua nulidade à luz dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 3201003.081 – CARF 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 26 de julho de 2017) “LANÇAMENTO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. O Regulamento do Processo Administrativo Fiscal determina que o lançamento será efetuado mediante auto de infração ou notificação de lançamento, não estabelecendo as situações em que deva ser usado um ou outro instrumento.” (Acórdão 10196.329 – 1º CC 1ª Câmara – Sessão de 13 de setembro de 2007) “FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA INSTRUMENTO ADEQUADO De acordo com o diploma que rege o processo administrativo fiscal, a formalização da exigência é feita mediante auto de infração ou notificação de lançamento, não havendo previsão no sentido de ser usado um ou outro instrumento, conforme a situação específica.” (Acórdão 10196.138 – 1º CC 1ª Câmara – Sessão de 23 de maio de 2007) “AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. Nos casos de lançamentos de ofício, as notificações de lançamento têm em vista comunicar ao contribuinte o fundamento da exigência, bem como definir o prazo para recolhimento da obrigação tributária e para sua impugnação, o que em nada difere do auto de infração. Seria de um rigor formal excessivo a valorização da adoção de um desses instrumentos, quando do lançamento de ofício, em detrimento do outro, diante das evidências de que a via adotada não acarretou prejuízo à defesa, motivo pelo qual não há como acolher a tese de nulidade.” (Acórdão 10322.945 – 1º CC 3ª Câmara – Sessão de 29 de março de 2007) “AUTO DE INFRAÇÃO NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO À luz do regramento procedimental vigente, o crédito tributário tanto pode ser formalizado através de Notificação de Lançamento como de Auto de Infração A teor das disposições contidas nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, se Auto de Infração, deve ser lavrado por servidor competente; se Notificação, deve ser expedida pelo órgão que administra o tributo.” (Acórdão 10516.252 – 1º CC 5ª Câmara – Sessão de 24 de janeiro de 2007) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de formalização da cobrança. A utilização de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento é definida em função do agente que pratica o Ato.” (Acórdão 10322.551 – 1º CC 3ª Câmara – Sessão de 27 de julho de 2006) “PRELIMINAR AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO O Auto de Infração ou a Notificação de Lançamento são instrumentos hábeis para a constituição do crédito tributário, conforme dispõe o artigo 9º do Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores, desde que atendidos os requisitos previstos nos artigos 10 e 11 do mesmo diploma legal e instruídos com todos os termos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” (Acórdão 10247.138 – 1º CC 2ª Câmara – Sessão de 19 de outubro de 2005) À vista do exposto, rejeito a argüição preliminar de nulidade." (efls. 2.736/2.738) Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.911 23 Esse entendimento, frisese, foi igualmente adotado nos Acórdãos n.º 3202 001.265, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (Sessão 20/08/2014) e 3201003.081, de relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira (Sessão de 26/07/2017), relacionados ao mesmo contribuinte. O último acórdão foi assim ementado, quanto a esta questão: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE INEXISTENTE A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de formalização do crédito tributário. A escolha do auto de infração ou da notificação de lançamento é definida nos termos dos art. 10 ou 11 do Decreto n.º 70.235/72. O Auto de Infração não se presta às exigências tributárias somente quando acompanhadas de cominação de penalidades. Higidez do Auto de Infração que afasta sua nulidade à luz dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 (...)" (grifei) Nesse sentido, afasto a nulidade suscitada pelo contribuinte. III.3. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DECISÃO JUDICIAL Pleiteia a Recorrente a não incidência de juros de mora sobre os valores exigidos, por estarem com a exigibilidade suspensa em razão de decisão judicial. Esta questão, contudo, encontrase sedimentada no âmbito deste Conselho por meio da Súmula CARF n.º 5, que expressa: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (grifei) Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. IV DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de: (IV.1) negar provimento ao Recurso de Ofício; (IV.2) após segregar a parcela já definitiva na seara judicial da COFINS, permanecendo nos presentes autos somente a exigência do PIS, sobrestar o processo até que haja ulterior e definitiva decisão no tema 372 da repercussão geral (RE 609.096 e RE 880.143), a ser julgado pelo STF. Sendo vencida na proposta de sobrestamento do feito no item IV.2 acima, aprecio os demais argumentos de mérito e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 2922DF CARF MF 24 (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento divergi parcialmente do Voto da Conselheira Relatora, no julgamento do recurso de ofício, quanto à questão da trânsito em julgado da decisão judicial em relação à Cofins, bem como no julgamento do recurso voluntário, quanto à questão do sobrestamento do processo até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. Tendo em vista que o meu posicionamento restou vencedor pelo voto de qualidade nos dois pontos, apresento abaixo minhas razões de decidir. 1. Recurso de Ofício Cofins decisão judicial Em relação à Cofins, a Delegacia de Julgamento decidiu pela extinção do crédito tributário correspondente em face da decisão judicial passada em julgado, nos seguintes termos: Segundo informa o próprio Supremo Tribunal Federal, da referida decisão não foi interposto recurso de qualquer espécie — cfr. Certidão de Decurso de Prazo emitida em 17/09/2015, cópia à fl. 2450. Com base em tal informação, é inevitável concluir que o acórdão proferido pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4º Região transitou em julgado em relação à COFINS, fato este atestado, expressamente, pela Secretaria do Supremo Tribunal Federal, em 12/04/2016, por meio da Certidão de Objeto e Pé de fls. 2452/2454. Ora, sendo certo que o trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu antes mesmo da lavratura do auto de infração da COFINS, é imperioso declarar a extinção do respectivo crédito tributário, por força do disposto no art. 156, inciso X, do CTN: LEI nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...)X a decisão judicial passada em julgado; No entanto, como o Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4º Região no Mandado de Segurança nº 200571.00.0195070 foi publicado ainda sob vigência do Código de Processo Civil anterior (CPC/1973), a ele não se aplica as disposições do novo Código (CPC/2015). A resolução do conflito de normas processuais no tempo, como regra geral, segue a orientação disposta no art. 2º do Código de Processo Penal: “a lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior”, de forma que a lei processual nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a serem praticados. Esse entendimento foi, inclusive, incorporado ao CPC/2015 em seus arts. 14 e 1046, caput: Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando revogada a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973. (...) Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.912 25 Com efeito, no caso, aplicase ao Acórdão do TRF 4ª Região, que substituiu a sentença do mandado de segurança, a lei processual vigente à época da sua publicação, mais especificamente, os arts. 467 e 468 do CPC/1973, que assim dispunham: Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. [negritei] Dessa forma, na vigência do CPC anterior a coisa julgada material era tratada somente em relação à sentença ou ao acórdão como um todo, o que só veio a mudar com a vigência do CPC/2015 (arts. 502 e 503), o qual, como dito, não é aplicável ao presente caso, mas passou a prever a coisa julgada material em relação à "decisão de mérito não mais sujeita a recurso". Nesse sentido, o STJ, na vigência no CPC anterior, vinha adotando a tese da indivisibilidade da coisa julgada, conforme demonstra a ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL AÇÃO RESCISÓRIA PRAZO PARA PROPOSITURA TERMO INICIAL TRÂNSITO EM JULGADO DA ÚLTIMA DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS CPC, ARTS. 162, 163, 267, 269 E 495. A coisa julgada material é a qualidade conferida por lei à sentença /acórdão que resolve todas as questões suscitadas pondo fim ao processo, extinguindo, pois, a lide. Sendo a ação una e indivisível, não há que se falar em fracionamento da sentença/acórdão, o que afasta a possibilidade do seu trânsito em julgado parcial. Consoante o disposto no art. 495 do CPC, o direito de propor a ação rescisória se extingue após o decurso de dois anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida na causa. Embargos de divergência improvidos. (EREsp 404.777/DF, Rel. Ministro FONTES DE ALENCAR, Rel. p/ Acórdão Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, CORTE ESPECIAL, julgado em 03/12/2003, DJ 11/04/2005, p. 169) Com efeito, in casu, não há que se falar em trânsito em julgado da parte do Acórdão proferido pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4º Região que decidiu acerca da Cofins, embora essa parte exclusivamente não mais esteja sujeita a recurso, eis que o processo ainda se encontra em julgamento relativamente a outra parte do Acórdão (PIS). Consequentemente, descabe a conclusão da decisão recorrida no sentido de que teria havido a extinção do crédito tributário da Cofins em face do art. 156, X do CTN. Dessa forma deve ser mantida a exigência de Cofins, com suspensão da exigibilidade do crédito tributário. É de se esclarecer, no entanto, que não há, no Voto desta Redatora designada, nenhuma contradição entre o decidido neste tópico específico e o entendimento pela inexistência de concomitância entre o referido processo judicial e o presente processo administrativo. Explicase. Fl. 2924DF CARF MF 26 No que concerne à inexistência de concomitância dos processos administrativo e judicial, a decisão recorrida3 é irretocável, eis que, em consonância à Súmula CARF nº 01 e ao Parecer Normativo Cosit nº 7/20144, o julgador cotejou o objeto do presente 3 Acórdão da DRJ: "(...) No caso em questão, o que a Interessada pediu, na exordial do Mandado de Segurança nº 2005.71.00.0195070, foi, precisamente: (i) o afastamento do art. 3º, caput, e de seu § 1º, da Lei nº 9.718/98, por vício de constitucionalidade vigente à época de sua edição; (ii) sujeitarse à incidência do PIS e da COFINS tomando como base de cálculo o faturamento (e não a totalidade das receitas), assim entendido o produto, exclusivamente, da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos, conforme definido na Lei Com plementar nº 70/91; e (iii) o afastamento do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, por entender que o referido dispositivo só pode alterar prazos prescricionais ainda não iniciados, não alcançando, portanto, a citada ação mandamental, eis que ajuizada antes de 09/06/2005 (data de início da eficácia do dispositivo) — DOC. fls. 2127/2143. Já na impugnação administrativa, o que se discute, em síntese, é: (i) a existência de decisão judicial transitada em julgado em relação à COFINS; (ii) a definitividade da decisão judicial relativa ao PIS; (iii) a adequação do instrumento utilizado para a constituição do crédito tributário; e (iv) a possibilidade de incidência de juros de mora sobre tributo cuja exigibilidade se encontra suspensa por decisão judicial — DOC. fls. 2585/2611. Fica claro, para mim, que as questões suscitadas na peça de defesa administrativa não estão sendo objeto de discussão judicial. Sendo assim, conheço da impugnação em toda a sua amplitude. (...)" 4 Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014 (...) Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.913 27 processo administrativo com o objeto do processo judicial, concluindo que as questões discutidas na impugnação não estariam sendo discutidas na ação judicial. O ponto é que, para se aferir a concomitância, não se analisa propriamente o conteúdo do auto de infração, mas a identidade entre os objetos da ação judicial e do processo administrativo, os quais constam, respectivamente, nos pedidos e causas de pedir do autor/impetrante e nos pedidos e causas de pedir do impugnante/recorrente. No caso presente, não se discute que as exigências de PIS e Cofins objeto do lançamento estão sob discussão judicial, no entanto, não há identidade entre os pedidos e causas de pedir constantes no mandado de segurança e os pedidos e causas de pedir da impugnação ou do recurso voluntário. A questão de verificar se haveria ou não coisa julgada em relação à Cofins no mandado de segurança e se tal decisão judicial afastaria a exigência tributária de Cofins no presente processo é questão diversa da aferição de concomitância. Isso porque a decisão judicial definitiva acerca da Cofins, se existente, acarretaria a extinção do crédito tributário constituído posteriormente, como havia decidido a DRJ, o que ora se afastou pela inexistência de coisa julgada em relação à Cofins. Com efeito, não há nenhuma contradição nos posicionamentos desta Conselheira Relatora acerca da inexistência de concomitância entre o mandado de segurança e o presente processo e da ausência de coisa julgada em relação à Cofins. 2. Recurso Voluntário Sobrestamento do processo administrativo Divirjo também sobre a proposta da Conselheira Relatora de sobrestar o processo até que ulterior e definitiva decisão no tema 372 da repercussão geral. Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarse á, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. (...) Fl. 2926DF CARF MF 28 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema5, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins6, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de 5 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 6 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.914 29 conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.7 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento8, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 7 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 8 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) Fl. 2928DF CARF MF 30 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa9: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF10 e a própria Receita Federal11, eis que, para o CARF, basta que a decisão pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) 9 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 10 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 11 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 16327.720214/201718 Acórdão n.º 3402006.040 S3C4T2 Fl. 2.915 31 judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 2930DF CARF MF 32 (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. Assim, também pelas razões acima expostas, no que diz respeito à divergência parcial do Voto da Conselheira Relatora, voto no sentido de dar provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer o crédito tributário relativo à COFINS com exigibilidade suspensa; bem como, em relação ao recurso voluntário, rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 2931DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.722901/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO.
O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
Numero da decisão: 3401-005.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 29 01 /2 01 3- 21 Fl. 170DF CARF MF 2 Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMP de COFINS, anocalendário 2010, com Despacho Decisório Eletrônico DDE que, diante da inexistência de crédito, não homologou a compensação declarada, pois de acordo com o DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa presentou Manifestação de Inconformidade na qual defendeu que as diferenças apontadas nos DDE referemse a não retificação das DCTF dos períodos analisados, razão pela qual retificou as Declarações, apresentando diferenças e créditos para cada período. Disse também que apresentou DACON retificadores muito antes das DCTF retificadoras, os quais poderiam ter sido confrontados oportunamente. Sobreveio decisão da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos de votos julgou procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos da ementa abaixo transcrita: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. A Contribuinte tomou ciência da referida decisão por meio AR, em 11/06/2013, vindo a interpor recurso voluntário em 11/07/2013, basicamente defendendo que possui suficiência de créditos não só para satisfazer os eventuais débitos existentes como também para compensálos com os débitos indicados no PER/DCOMP. Posteriormente, houve despacho para que houvesse explicação do porquê da mudança de numeração do processo, sobrevindo Despacho de Encaminhamento com o seguinte teor: Em atendimento ao Despacho de Devolução emitido pela Terceira Câmara da 3ª Seção do CARF, informamos que foi criado novo número de processo para prosseguimento do pleito do contribuinte em razão de o Acórdão da DRJ/BHE ter julgado a Manifestação de Inconformidade Procedente, o que ocasionou o encerramento do processo no SIEFPROCESSO. Porém , o crédito reconhecido pela DRJ não foi suficiente para quitar os débitos informados na DCOMP e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que "os pagamentos existentes eram suficientes para liquidar o débito apurado". Por não ser possível informar o questionamento no SIEF, foi criado o presente processo, vinculado no SIEF ao processo de crédito original. Retornese ao CARF para prosseguimento. Por fim, com o mesmo objeto e partes, pulverizados entre PIS e COFINS, alterandose apenas o anocalendário e número do PER/DCOMP, noticiese que há 18 (dezoito) processos, todos apreciados nesta sessão de julgamento, incluído o presente: (1) 10680.722899/201390, (2) 10680.722898/201345, (3) 10680.722900/201386, (4) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.722901/201321 Acórdão n.º 3401005.441 S3C4T1 Fl. 171 3 10680.722901/201321, (5) 10680.722902/201375, (6) 10680.722908/201342, (7) 10680.722907/201306, (8) 10680.722896/201356, (9) 10680.722905/201317, (10) 10680.722904/201364, (11) 10680.722897/201309, (12) 10680.722892/201378, (13) 10680.722893/201312, (14) 10680.722894/201367, (15) 10680.722903/201310, (16) 10680.722895/201310, (17) 10680.722906/201353 e (18) 10680.722949/201339. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. Na versão inicial, o relator propunha a conversão em diligência, mas, após os debates no colegiado, adotou posicionamento pela negativa de provimento, como aclarado adiante. O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Viuse que a DRJ/BHE, à unanimidade de votos, julgou procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido e que a Contribuinte recorreu quanto à parte do crédito que diz existir, mas que a Administração entende inexistente, como sintetizado na parte final do acórdão da DRJ/BHE: As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: Fl. 172DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por julgar PROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • reconhecer como pagamento indevido ou a maior a importância de R$ 203.631,70; • homologar a compensação em litígio até o limite do crédito reconhecido, observadas as normas legais estabelecidas. A DRF de origem, para fins de operacionalização nos sistemas da RFB, deverá atentar para a existência de DComp relacionadas à utilização do crédito acima apurado. Pelo que se percebe da tabela, antes da ciência do despacho decisório, DCTF e DACON indicavam débitos distintos. Após o despacho decisório, a DCTF foi retificada e ambas as declarações passaram a espelhar um mesmo débito, de R$ 14.678,97, com pagamento, em DARF de R$ 218.310,67, resultando em crédito de R$ 203.631,70, insuficiente para homologar integralmente as compensações. A empresa alega, em recurso voluntário, que os pagamentos efetuados para a competência foram de R$ 609.353,33. Ocorre que a compensação demandada pela empresa invoca o pagamento de R$ 218.310,67 (sendo apenas R$ 203.631,70 disponíveis), não cabendo a análise, neste processo administrativo, de crédito distinto do solicitado pela postulante da compensação. Tal análise, ainda que em procedimento próprio, distinto, obedecidos os prazos para a demanda, acarretaria nova apuração, e comprovação da certeza e da liquidez necessárias à compensação, a cargo do postulante. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, desde que respeitado o limite do crédito disponível invocado. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.722901/201321 Acórdão n.º 3401005.441 S3C4T1 Fl. 172 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 174DF CARF MF
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