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Numero do processo: 15586.001275/2010-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS, de IPI e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 12 75 /2 01 0- 84 Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.410 2 mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS, de IPI e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 939948, com a exigência do crédito tributário no valor de R$52.709,97, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.411 3 das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao período de janeiro a junho do anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrei o presente Auto de Infração motivado pela falta de recolhimento e/ou recolhimento a menor dos Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n ° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as receitas omitidas (faturamento), apuradas com base nos depósitos bancários de origens não comprovadas, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996. [...] Art. 24 da Lei n ° 9.249/95; arts. 2°, § 2° , 3° , § 1º , alínea "a", 5º, 7° , § 1º, 18, da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96.; Art. 3° da Lei n ° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. [...] 002 DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Como diferença de base de cálculo, estão expressos os Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as diferenças entre as receitas escrituradas e as declaradas a Receita Federal do Brasil através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples. [...] Arts. 2°, § 2°, 3º , .§ 1º , alínea "a", 5º e 7º , § 1º , da Lei n° 9.317/96.; Art. 3º da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188 , do RIR/99.[...] 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Como insuficiência de recolhimento, estão expressos os impostos e as contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta informada pelo contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, referente ao período 01/2007 a 06/2007, nos termos do art. 5 0 da Lei n ° 9.317, de 1996, e art. 188, do Decreto n ° 3.000, de 1999. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes as faixas relativas ao correto enquadramento do contribuinte em decorrência do total de sua receita bruta acumulada (considerada a movimentação bancária), deduzindo deste resultado os valores já recolhidos ou declarados pela Empresa. [...] Art. 5° da Lei n ° 9.317/96 c/c art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 949958 com a exigência do crédito tributário no valor de R$38.674,54 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.412 4 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrei o presente Auto de Infração motivado pela falta de recolhimento e/ou recolhimento a menor dos Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei no 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as receitas omitidas (faturamento), apuradas com base nos depósitos bancários de origens não comprovadas, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996. [...] Art. 3º , alínea "b" da Lei Complementar n°7/70 c/c art. 1º , parágrafo único, da Lei Complementar n°17/73 e arts. 2°, inciso I, 3° e 9º , da Medida Provisória n°1.249/95 e suas reedições; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "b", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n°9.317/96. Art. 3° da Lei no 9.732/98. [...] 002 DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Como diferença de base de cálculo, estão expressos os Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n° 9.317, de 1996),relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as diferenças entre as receitas escrituradas e as declaradas a Receita Federal do Brasil através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples. [...] Art. 3º , alínea "b" da Lei Complementar n° 7/70 c/c art. 1°, parágrafo único da Lei Complementar n°17/73 e arts. 2°, inciso I, 3° e 9º , da Medida Provisória n°1.249/95 e suas reedições; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "b", 5°, 7°, § 1°, da Lei n° 9.317/96. Art. 3º da Lei n° 9.732/98. [...] 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Como insuficiência de recolhimento, estão expressos os impostos e as contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta informada pelo contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, referente ao período 01/2007 a 06/2007, nos termos do art. 5 0 da Lei n ° 9.317, de 1996, e art. 188, Decreto n ° 3.000, de 1999. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes ás faixas relativas ao correto enquadramento do contribuinte em decorrência do total de sua receita bruta acumulada (considerada a movimentação bancária), deduzindo deste resultado os valores já recolhidos ou declarados pela Empresa. [...] Art. 3 ° , alínea "b" da Lei Complementar n ° 7/70 c/c art.1 ° , parágrafo único da Lei Complementar n ° 17/73 e arts. 2 ° , inciso I, 3º e 9° , da Medida Provisória n ° 1.249/95 e suas reedições; art. 5 ° da Lei n ° 9.317/96.Art. 3 ° da Lei n o 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 959969 com a exigência do crédito tributário no valor de R$52.709,97 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrei o presente Auto de Infração motivado pela falta de recolhimento e/ou Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.413 5 recolhimento a menor dos Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei no 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as receitas omitidas (faturamento), apuradas com base nos depósitos bancários de origens não comprovadas, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996. [...] Art. 10 da Lei n° 7.689/88; arts. 2°, § 2º , 3°, § 1°, alínea "c", 5°, 7°, § 1º , 18, da Lei n°9 .317/96. Art. 3° da Lei n° 9.732/98. [...] 002 DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Como diferença de base de cálculo, estão expressos os Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as diferenças entre as receitas escrituradas e as declaradas a Receita Federal do Brasil através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples. [...] Art. 1 ° da Lei n° 7.689/88; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "c", 5°, 7°, § 1 ° , da Lei n° 9.317/96. [...] 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Como insuficiência de recolhimento, estão expressos os impostos e as contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta informada pelo contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, referente ao período 01/2007 a 06/2007, nos termos do art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996, e art. 188, do Decreto n ° 3.000, de 1999. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes As faixas relativas ao correto enquadramento do contribuinte em decorrência do total de sua receita bruta acumulada (considerada a movimentação bancária), deduzindo deste resultado os valores já recolhidos ou declarados pela Empresa. [...] Art. 1º da Lei n ° 7.689/88; art. 5 0 da Lei n ° 9.317/96. Art. 3° da Lei n° 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 969978 com a exigência do crédito tributário no valor de R$155.671,05 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrei o presente Auto de Infração motivado pela falta de recolhimento e/ou recolhimento a menor dos Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as receitas omitidas (faturamento), apuradas com base nos depósitos bancários de origens não comprovadas, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996. [...] Arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°,§ 2°, 3°, § 1º , alínea "d", 5°, 7°, §1°, e 18 da Lei n° 9.317/96. Art. 3° da Lei n° 9.732/98. [...] 002 DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.414 6 Como diferença de base de cálculo, estão expressos os Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as diferenças entre as receitas escrituradas e as declaradas a Receita Federal do Brasil através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples. [...] Art. 1 ° da Lei Complementar n ° 70/91; arts. 2 ° , § 2 ° , 3 ° , § 1° , alínea "d", 5 ° e 7º , §1° , da Lei n ° 9.317/96. Art. 3 ° da Lei n ° 9.732/98. [...] 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Como insuficiência de recolhimento, estão expressos os impostos e as contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta informada pelo contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, referente ao período 01/2007 a 06/2007, nos termos do art. 5 ° da Lei n ° 9.317, de 1996, e art. 188, do Decreto n ° 3.000, de 1999. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes As faixas relativas ao correto enquadramento do contribuinte em decorrência do total de sua receita bruta acumulada (considerada a movimentação bancária), deduzindo deste resultado os valores já recolhidos ou declarados pela Empresa. [...] Art, 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei n° 9.317/96. Art. 3° da Lei nº 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 979988 com a exigência do crédito tributário no valor de R$35.338,23 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrei o presente Auto de Infração motivado pela falta de recolhimento e/ou recolhimento a menor dos Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n ° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as receitas omitidas (faturamento), apuradas com base nos depósitos bancários de origens não comprovadas, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996. [...] Arts. 2°, § 2 ° , 3°, § 1º , alínea "e", 5 ° ,§ 2°, 7°, § 1º , e 18, da Lei n ° 9.317/96.; Art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 2°, 3° , 34, 35, 122 e 127 do RIPI/02. [...] 002 DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Como diferença de base de cálculo, estão expressos os Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as diferenças entre as receitas escrituradas e as declaradas a Receita Federal do Brasil através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples. [...] Arts. 2 ° , § 2 ° , 3 ° , § 1 ° , alínea "e", 5 ° ,§2 ° , 7 ° , § 1 ° , da Lei n ° 9.317/96.; Art. 3 ° da Lei n ° 9.732/98.; Arts. 2 ° , 3 ° , 34, 35, 122 e 127 do RIPI/02. [...] Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.415 7 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Como insuficiência de recolhimento, estão expressos os impostos e as contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta informada pelo contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, referente ao período 01/2007 a 06/2007, nos termos do art. 5 0 da Lei n ° 9.317, de 1996, e art. 188, do Decreto n ° 3.000, de 1999. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes As faixas relativas ao correto enquadramento do contribuinte em decorrência do total de sua receita bruta acumulada (considerada a movimentação bancária), deduzindo deste resultado os valores já recolhidos ou declarados pela Empresa. [...] Arts. 3 ° , § 1 ° , alínea "e", 5 ° , § 2 ° , da Lei n ° 9.317/96.; Art. 3 ° da Lei n ° 9.732/98.; Art. 2 ° , 3º , 34, 35, 122 e 127 do RIPI/02. VI O Auto de Infração às fls. 989998 com a exigência do crédito tributário no valor de R$449.648,37 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrei o presente Auto de Infração motivado pela falta de recolhimento e/ou recolhimento a menor dos Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n ° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as receitas omitidas (faturamento), apuradas com base nos depósitos bancários de origens não comprovadas, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996. [...] Arts. 2 ° , § 2 ° , 3 ° , § 1º , alínea "f", 5 ° , 7 ° , § 1º , e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei n° 9.732/98. [...] 002 DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Como diferença de base de calculo, estão expressos os Impostos e Contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples (Lei n ° 9.317, de 1996), relativo ao período 01/2007 a 06/2007, incidentes sobre as diferenças entre as receitas escrituradas e as declaradas a Receita Federal do Brasil através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples. [...] Arts. 2º, § 2º, 3°, § 1°, alínea "f", 5° e 7°, § 1°, da Lei n° 9.317/96. Art. 3° da Lei n° 9.732/98. [...] 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Como insuficiência de recolhimento, estão expressos os impostos e as contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta informada pelo contribuinte na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, referente ao período 01/2007 a 06/2007, nos termos do art. 5º da Lei n ° 9.317, de 1996, e art. 188, do Decreto n o 3.000, de 1999. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes As faixas relativas ao correto enquadramento do contribuinte em decorrência do total de sua receita bruta Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.416 8 acumulada (considerada a movimentação bancária), deduzindo deste resultado os valores já recolhidos ou declarados pela Empresa. [...] Art. 5° da Lei n ° 9.317/96. Art. 3º da Lei n ° 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 10031059, com as alegações abaixo sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e suscita que: Requer ainda, a cientificação oportuna de todos os procedimentos administrativos auferidos, por meio de AR Aviso de Recebimento, a ser destinado para o endereço da empresa, bem como a autorização (ad cautelam), para o exame e acompanhamento do processo em todas as suas fases e o fornecimento de certidão de todas as decisões proferidas. [...] A apreciação minuciosa dos elementos auferidos em procedimento fiscal, é requisito à preservação dos princípios da ordem tributária. No caso em debate, despiciendo exames mais acurados, em face dos documentos que ratificam os montantes das operações efetivadas pela Impugnante, os lançamentos fiscais merecem ser revistos. A Impugnação tem o propósito de evidenciar a efetividade das operações, compondoas sob os parâmetros do mercado e, por certo, depurar os montantes efetivamente devidos. Não obstante os levantamentos efetivados pelo Fisco há que prevalecer o entendimento de que as operações da Impugnante, jamais poderiam conduzir os valores arbitrados, posto que superam os limites de sua capacidade, enesimamente superiores ao patrimônio global. Em decorrência do Mandado de procedimento Fiscal (MPF) n° 07.2.01.00 2010004394, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em VitóriaES, conclui que parte da movimentação financeira consignada nas contas bancárias, teriam sido utilizadas na movimentação de recursos financeiros oriundos da atividade de venda de mercadoria, desenvolvida pela empresa —citando as seguintes contas: Banco Agência Conta Corrente Banco Real 0427 1.7116725 Sicoob Credirochas 32603 2950 Banco Bradesco 0553 00302848 Banco do Brasil 00833 32.3217 Em tais circunstâncias, promove a lavratura do Auto de Infração — Processo n° 15586.001275/201084, cuja cientificação se efetiva no dia 15/10/2010, conferindose o prazo de 30 (trinta) dias para fins de recolhimento dos tributos apurados e penalidades ou apresentação de impugnação. [...] Inicialmente, impende o registro de que os fiscalizados atenderam todas as solicitações formalizadas, inclusive apresentando relatórios contábeis pelos se poderia aferir a exata concepção e apuração das receitas, conciliados, notadamente, pelos extratos bancários requisitados. Lamentavelmente, tais documentos são desconsiderados, sob a proposição de que não se teria promovido a entrega de alguns documentos hábeis e do Livro Caixa, Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.417 9 mas consta a entrega do Livro Razão que uma das contas referese a Conta Caixa, pois a empresa optou em entregar o Livro Diário. Ora, como restou apurado, a Impugnante, apresentou documentário suficiente para fins de apuração regular das receitas auferidas, jamais se podendo conceber como relares os lançamentos ora impugnados, inclusive copias de cheques e de extrato de conta bancária, prestando esclarecimento de todas as movimentações a que tinham registros. A despeito da documentação apresentada pela Impugnante, relatando o histórico das operações, o fato é que não se poderia admitir como receitas os montantes integrais de depósito, considerandose as peculiaridades das operações como sendo todas como receita de venda. Não restam dúvidas de que um mesmo recurso é depositado e resgatado várias vezes ao longo do período base, não havendo que seja reputado como receita em todos os momentos. A mercadoria objeto da atividade é vendida a prazo o que automaticamente projeta que operações de 2006, foram encerradas em 2007, conforme demonstrado nos esclarecimentos prestados e não reconhecido pelo fisco. Ainda em análise aos esclarecimentos prestados a de se verificar que foram desconsiderados lançamentos que tiveram origem no caixa da empresa e outras que foram retiradas de um banco e depositado em outro, ou seja, houve de fato movimentação de recursos em espécie. Contrapondose aos lançamentos formalizados pela AutoridadeFiscal, a despeito da apresentação do documentário solicitado, a Impugnante apresenta o resgate dos lançamentos contábeis, para fins de elucidação dos valores efetivamente devidos, observadas as operações in concreto e sob todas as normas aplicáveis. O que se pretende é aferição justa e regular dos valores eventualmente devidos, merecendose a complacência das Autoridades Fiscais. Não é justo, que por meio de simples arbitramento, imponhase o recolhimento de tributos além dos valores que seriam efetivamente devidos, posto que não são contempladas as hipóteses de apropriação imotivada até mesmo pela Fazenda Nacional. Impende ainda o registro de que em momento algum das diligências fiscais foram solicitados os livros contábeis da ora Impugnante — BEIRAL SERRARIA E MARMORARIA LTDA. Frisese que os procedimentos fiscais foram instaurados em face da movimentação bancária na saída de recursos da conta bancária que geraram CPMF. Conclusivamente, a simples argüição de que não teriam sido apresentados "documentação hábil e idônea," considerando que não foram solicitados, não autoriza o arbitramento do valor tributável. Os extratos bancários permitem o resgate de todos os lançamentos contábeis, sem contar que permitem a apuração regular do faturamento — incidência eventual de algumas poucas receitas sem origem. Aditase que os extratos bancários das contas sob análise foram acostados aos autos, permitindose, juntamente com os relatórios contábeis apresentados, a apuração regular dos valores tributáveis. Lamentavelmente, o documentário é ignorado, procedendose a arbitramento de forma equivocada, posto que dissociado das características das operações de "vendas", o que não pode ser corroborado. Como a Impugnante apresentou os documentos que foram solicitados em relação As movimentações, culminando o procedimento fiscal com acionamento de Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.418 10 pessoa jurídica, imperiosa a necessidade de acolhimento do documentário contábil ora apresentado ou o implemento de diligências e a oportunidade de oferecimento de documentário correspondente A pessoa jurídica, sob pena de CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. [...] O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 07.2.01.002010004394 fora expedido em 26/03/2010 (fls. 01), abrangendo a fiscalização da regularidade da apuração e recolhimento do Imposto apurada na forma simplificada (SIMPLES), no período de 01/01/2007 a 30/06/2007. A ciência do MPF em relação a Impugnante se opera em 30/06/2010, sendo o Auto de Infração relativo ao SIMPLES, cientificado em 15/10/2010. Há que ser reconhecida, portanto, os esclarecimentos prestados relativos aos fatos gerados entre 01/01/2007 a 30/06/2007. Relaciona individualizadamente os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras. RESUMO MÊS DE JANEIRO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 102.910,05 TOTAL — Bradesco 33.851,28 TOTAL — Sicoob 339.369,12 TOTAL GERAL 01/2007 476.130,45 [...] RESUMO MÊS DE FEVEREIRO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 66.780,35 TOTAL — Bradesco 100.991,83 TOTAL — Sicoob 455.864,42 TOTAL GERAL 02/2007 623.636,60 [...] RESUMO MÊS DE MARÇO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 96.779,17 TOTAL Real 10.981,84 TOTAL — Bradesco 110.572,00 TOTAL — Sicoob 188.552,57 TOTAL GERAL 03/2007 406.885,58 [...] RESUMO MÊS DE ABRIL DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 82.849,88 TOTAL — Bradesco 129.310,59 TOTAL — Sicoob 332.393,65 TOTAL GERAL 04/2007 544.554,12 Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.419 11 [...] RESUMO MÊS DE MAIO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 167.213,39 TOTAL — Bradesco 154.461,02 TOTAL — Real 6.300,00 TOTAL — Sicoob 432.627,90 TOTAL GERAL 05/2007 760.602,31 [...] RESUMO MÊS DE JULHO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 141.974,71 TOTAL — Bradesco 156.701,65 TOTAL — Real 13.000,00 TOTAL — Sicoob 254.368,90 TOTAL GERAL 06/2007 476.130,45 Aditase que os extratos bancários das contas sob análise foram acostados aos autos, permitindose, juntamente com os relatórios contábeis apresentados, os esclarecimentos prestados, o Livro Diário e o Razão a apuração regular dos valores tributáveis. Lamentavelmente, o documentário no mês de Janeiro foi ignorado, procedendose a arbitramento de forma equivocada, posto que dissociado das características das operações de "vendas", o que não pode ser corroborado. Vale ressaltar que a empresa por sua característica, realiza suas vendas a prazo e como toda empresa, tem recursos em caixa e também débito de clientes com vencimento em dia e em atraso de exercícios anteriores. Desta forma não é possível o fisco considerar os valores aqui descrito como omissão de receita, uma vez que a conta bancária de titularidade do sujeito passivo é para ser usado segundo suas necessidades. Se o objetivou do autuado ora impugnante fosse de omitir receita, o mesmo não teria feito isso por via bancária, equivocandose conseqüentemente o fisco ao analisar o presente fato com distorcida de alguns princípios básicos. Jamais se poderia considerar os valores acima descrito e devidamente comprovado como omissão de receita [...]. Elucida a Autoridade fiscal que "para apuração do valor tributável de IRPJ a ser constituído pelo lançamento, foram inicialmente digitados em planilhas (fls. 2 a 8 do Anexo I, todos os créditos efetuados nas contas correntes (...), no período de 01 de janeiro a 30/06/ de 2010”. Asseverase ainda que "foram apenas mantidos diversos créditos que se foram devidamente comprovados, hora por se tratarem de deposito em espécie de mesma titularidade feita em espécie, ou mesmo referente a cliente, ou mesmo operação iniciada no exercício anterior, conforme determinado na demonstração acima extraída do Anexo I, para fins de determinar a receita presumida (...)." Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.420 12 Resta flagrante, portanto, que foram considerados "todos os créditos efetuados nas contas correntes", do que infere a irregularidade na determinação dos valores tributáveis. [...] Ora, em momento algum a caracterização de omissão de receita ou de rendimento, estabelece que "todos os créditos em conta corrente", sejam reputados como valor tributável. A revisão dos lançamentos se perfaz indispensável, posto que os comandos do § 3º, do art. 42, da Lei n° 9.430/96, exigem que "para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente", o que não se verifica no caso sob impugnação. A questão é que o arbitramento que toma por base "todos os créditos em conta corrente", sem uma análise individualizada, não se encontra respaldo no ordenamento tributário. As operações industrial na área de granito é público e notório que chegam em certas circunstâncias a serem recebidos com 30/60/90 e 120 dias. 0 principio das operações pode ser evidenciado na exemplificação da compra um determinado produto, sendo este, ao longo do exercício, emprestado e resgatado várias vezes. Assim, para todas as vezes que for resgatado, não significa que houve o desembolso equivalente ao valor de aquisição 100% (cem por cento). Nessa operação, o valor tributável seria a diferença entre o valor pelo qual fora adquirido originariamente e o valor auferido pelo mesmo valor passando em várias contas, principalmente aqueles relacionados em espécie, como no Banco do Brasil (Depósito On Line), ou seja, depósito realizado em dinheiro. Jamais se poderia considerar, que tais créditos, pudessem ser considerados como valores tributáveis. Nesse particular, a revisão dos lançamentos deve ser implementada, sob pena de se configurar a apropriação indevida ou mesmo o enriquecimento ilícito por parte do Erário Público. Em observância do Principio da Razoabilidade, seria coerente que a Autoridade Fiscal apurasse para "todos os créditos em conta corrente, considerado aqueles que o próprio extrato de conta indica". Tal propósito seria mais coerente que os lançamentos pela integralidade dos créditos, justamente porque estes não correspondem ao valor tributável. O arbitramento processado somente seria coerente se nas contas bancárias fossem depositados apenas receitas — os ganhos efetivos de uma determinação operação, o que não se observa. A Autoridade Fiscal depura que as contas bancárias sob análise, não tendo sido efetivados abatimento com deposito em mesmo valores entre contas de mesma titularidade, ora quando se fala em documento hábil, ao descartar o Extrato de Conta como tal a favor do impugnante, não deveria também ser utilizado pelo Erário para apuração dos créditos, ou seja, ele é hábil somente pra produzir provas a favor do fisco? Lamentavelmente não, tampouco o reconhecimento de que o mesmo objeto da operação — dinheiro foi utilizado em diversos momentos. Existe verdadeira sucessão de transferência e resgates. O simples comparativo das operações declaradas pela Impugnante em relação aos exercícios que sucedem ao período de levantamento fiscal é suficiente a determinar que o arbitramento em muito destoa da razoabilidade, merecendo revisão. Os depósitos bancários, em uma operação de "deposito", não podem ser reputados, simplesmente, como rendas omitidas como sendo vendas, mas a concreta realização de transferências e recuperação de créditos diversos, com base legal de períodos diferentes, sendo eles de mesma titularidade. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.421 13 Não prospera, portanto, o arbitramento processado pela Autoridade Fiscal, posto que foram ignorados diversas transferências de mesma titularidades entre as diversas contas movimentadas em favor da Impugnante. Categoricamente, não resta producente o arbitramento que tem por fundamento considerar como receitas "todos os créditos em conta corrente", mesmo sob a constatação de que o faturamento das empresas da empresa foi bem inferior a sua movimentação, até mesmo porque existe nela uma capacidade de produção e venda. Frisese que no propósito de oferecer ao Fisco os valores efetivamente auferidos nas operações, são anexados os informes contábeis necessários. A rigor, as Autoridades Fiscais insistem na concepção do arbitramento, diante da ausência dos documentos contábeis correspondentes, o que resta suprido. Os elementos ofertados são concretos e materialmente depurados das operações. Outro aspecto que também aufere relevância concerne à constatação de que os depósitos bancários não podem ser reputados, simplesmente, como disponibilidade jurídica ou econômica de renda ou proventos. 0 depósito bancário não é fato gerador de quaisquer tributos, posto que não enseja a concepção de renda. A rigor, acaso fossem considerados os percentuais do simples federal, o arbitramento não extrapolaria os liames da razoabilidade. [...] É constatação material que a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem decidindo que em procedimento de oficio, o lançamento efetuado com base em depósitos bancários, não se apresenta adequado. Sobretudo nas operações em questão, os depósitos bancários não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Os depósitos devem ser utilizados para fins de apuração das operações em diversos momentos e desconsiderações, utilizandose dos percentuais ditados pelo mercado, para então compor o arbitramento. [...] Pacífico o entendimento de que a tributação, baseada em extratos bancários, necessita de outros elementos, visando estabelecer a correlação segura, liquida e certa. O arbitramento, na pior das hipóteses, deveria ter computado, no mínimo, a margem percentual dos deságios incidentes em cada operação. Não restam dúvidas de que a base de cálculo considerada nos lançamentos fiscais sob análise está equivocada. A receita bruta operacional da Impugnante, acumulada ao longo de sua existência, não corresponde sequer aos montantes arbitrados, reputandose totalmente incoerente com a atividade. Acrescentase que o lançamento fiscal de oficio, por constituirse em atividade vinculada, impõe o ônus da Autoridade Fiscal provar a exatidão dos lançamentos. O arbitramento jamais poderia restar dissociado das peculiaridades da atividade sob lançamento. Nesse particular, a revisão dos lançamentos ora impugnados se torna imperativa. [...] Indubitável, portanto, que os depósitos bancários, por si só, não representam disponibilidade econômica ou jurídica de renda, não consistindo em fato gerador de impostos ou contribuições. Impõese o reconhecimento da nulidade dos lançamentos perpetrados, na modalidade em que foram concebidos, uma vez que se encontram dissociados da atividade da empresa Impugnante. Os montantes considerados são absurdos, por não adotar a sistemática de deságios como regra de apuração do faturamento bruto. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.422 14 Os levantamentos fiscais merecem revisão, pois os depósitos bancários, em face das peculiaridades das operações realizadas, jamais poderiam ser considerados como receita bruta, sem quaisquer ajustes. Não existe o menor fundamento para que fossem considerados com disponibilidade econômica em sua integralidade. [...] Muito embora a questão já tenha abordada, imperioso destacar que movimentação financeira, jamais poderia ser confundida com receita bruta. Simples depósitos bancários, externando movimentação de operações de realizada em diversos momentos de mesma natureza, não poderiam ser confundidos com receita bruta. Por outro lado, é de se ressaltar igualmente que as informações em que o fisco se baseia são oriundas dos números de arrecadação da CPMF (tributo que deveras incide sobre a movimentação financeira). Entretanto, esses números são registrados na saída dos numerários nas contas bancárias, o que, por si só, já compromete o raciocínio de que serviria de indicio de ingressos de valores atinentes a renda auferida. A movimentação financeira considerada em si mesma, não implica em quaisquer receitas. Não se perfaz adequada a tentativa de tributar os montantes relativos ao movimento financeiro, posto que nunca constituiu receita. A apuração dos valores tributáveis pelo Fisco se apresenta equivocada. A análise da movimentação financeira não consiste em meio idôneo para a verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto sobre a Renda, inscrito no art. 43, do Código Tributário Nacional. A movimentação do numerário sob a guarda da instituição financeira não reflete, efetivamente, qualquer acréscimo no patrimônio do contribuinte. A movimentação do dinheiro e renda são expressões de diferentes acepções lingüísticas que as hipóteses de incidência dos tributos ventilados no termo (CPMF e IRPF) trazem cada uma a sua peculiar expressão. Os saldos e, sobretudo, as saídas de numerário das contas bancárias ressaltese que os números são alusivos As saídas, já que são esses os fatos imponíveis do CPMF são retratos circunstanciais, sem, absolutamente, possuir o condão de indicar renda auferida. Existe um fato de que deve ser considerado até por uma questão de razoabilidade e coerência: o mesmo dinheiro do correntista pode ingressar e ser egresso da contacorrente inúmeras vezes operação que pode se repetir em mais de uma contacorrente, em aplicações financeiras, as mais diversas, notadamente quando tais contas se prestam A "MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA" de operações, mesmo porque não foi considerado os empréstimo realizado a titulo de crédito imediato para capital de giro, uma vez que a conta bancária, encontravamse constantemente negativa. É constatação fáticomaterial que a movimentação bancária pode ser continente de empréstimos, valores liberados por cheques especiais, créditos pessoais e muitas outras circulações nãoafetas à renda do contribuinte. [...] Não obstante ser sedutora a tese da possibilidade de controlar os rendimentos das pessoas físicas e das pessoas jurídicas, por meio da movimentação em contas da rede bancária, esse proceder não se afigura seguro e tampouco aceitável. Movimentação financeira não significa, sob quaisquer aferições exaurientes, o mesmo de receita bruta. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.423 15 A elucidação dos valores depositados demanda aferições mais profundas que a simples e sumária transmutação em receitas. Por certo, o lançamento tributário atividade vinculada, atinente à constatação da materialidade do fato gerador, identificação do sujeito passivo e da exata aferição dos montantes devidos, não pode ser concebido apenas em razão de "depósitos em conta corrente". Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que Diante do exposto e demais suprimentos que acudirem ao douto pronunciamento de Vossa Excelência como medida de inteira Justiça, requer: I — seja ratificado que os procedimentos fiscais foram instaurados em face do impugnante; II —seja decretada a reforma/nulidade do Auto de Infração — 15586.001275/201084, atinentes aos lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o Programa de Integração Social, Contribuição para a Seguridade Social, Contribuição Social sobre Lucro Líquido com base no SIMPLES FEDERAL, relativos ao período de 01/01/20070 a 30/06/2007, como medidas de ordenamento tributário, considerandose os equívocos materiais cometidos na apuração do valor tributável, a saber: a) os "créditos em conta corrente", sem a apropriação dos recurso movimentado de mesma titularidade, e em espécie, bem como crédito de empréstimos realizado através de desconto utilizando cheques da mesma empresa, não podem ser reputados como disponibilidades financeiras — receitas; b) os depósitos bancários não evidenciam o faturamento, posto que não foram deduzidos sequer diversos valores que são representativos e encontramse demonstrado no anexo II; c) as peculiaridades das operações de industrial na área de serraria e beneficiamento de granito, estabelecem que o mesmo valor componha diversas operações, não implicando em ingresso efetivo de recursos a cada operação, auferindose apenas como receitas os valores de deságio computados; d) os depósitos bancários não têm por descontado o custo de aquisição dos títulos, muito menos os custos operacionais e ainda, os riscos incorridos com as operações não liquidadas; e) os depósitos bancários não podem ser reputados como receita conhecida para fins de adoção da sistemática de cálculo do lucro arbitrado 19, posto que se dissociam do faturamento das operações industriais, notadamente em razão dos documentos que foram apresentados no curso dos procedimentos fiscais; f) os lançamentos fiscais perpetrados pelo sc considerados sob uma aferição lógicomatemática, destoam do volume de operações patrocinadas pela Impugnante, posto que o Capital Social não extrapola o aporte de R$ 10.000,00 (dez mil reais), Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.424 16 não dispondo de acervo patrimonial ou exteriorização de riquezas, tratandose uma microempresa simples, sem grandes ou quaisquer aparatos. IV nas hipóteses em que for determinado o recolhimento: a) seja autorizada a redução do valor das multas, sem vinculação aos prazos ora concedidos, tendo em vista o caráter de confisco, nos termos do artigo 6°, da Lei n° 8.218/91 e artigo 6º da Lei n° 8.383/91; b) seja descaracterizada a imputação de multa de forma qualificada, posto que a eventual omissão de receitas caracteriza infração simples, admitindo se a multa de aporte de 20% (vinte por cento), nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso I; c) seja excluída a incidência da Taxa SELIC — Sistema Especial de Liquidação e Custódia, pela composição de correção monetária e de juros médios, destinados A apuração da liquidez dos recursos que transitam pelo mercado financeiro, além de não ter sido instituída por norma legal; d) seja admitido o parcelamento, auferindose para o cômputo do principal atualizado e os juros, o maior número possível de parcelas, uma vez que durante o período de fiscalização a empresa poderia incluir dividas no âmbito da Lei 11.941/09. V — seja processada a cientificação de todos os procedimentos administrativos, por meio de AR Aviso de Recebimento, bem como o fornecimento de certidão de todas as decisões proferidas, devidamente fundamentadas nos termos do inciso IX, do art. 93, da CF/88 com a redação conferida pela Emenda Constitucional n° 45/04; Está registrado como ementa do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I nº 12 56.965, de 14.06.2013, fls. 12951318: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples Programa de Integração Social Simples Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples Contribuição para Seguridade Social INSS Simples Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Simples IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE Não é possível a declaração de nulidade de Auto de Infração lavrado com observância dos quesitos estabelecidos na legislação que o ampara. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Autoridade julgadora Administrativa. OMISSÃO DE RECEITAS DIFERENÇA ENTRE RECEITAS ESCRITURADAS E RECEITAS DECLARADAS Cabe a apuração de omissão de receitas quando se constata diferença entre o valor das receitas escrituradas e das receitas declaradas. Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.425 17 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A existência de depósitos bancários de origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea pelo titular da conta, após regular intimação, autoriza a presunção de omissão de receitas. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. OMISSÃO DE RECEITAS DIFERENÇA ENTRE RECEITA BRUTA DECLARADA E VENDAS Havendo diferença entre os valores de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e a receita bruta declarada, resta comprovada a omissão de receita INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS Cabe lançamento por insuficiência de recolhimentos quando comprovada omissão de receita e por conseqüência, a utilização de alíquotas inferiores a que deveriam ser utilizadas para o calculo dos tributos. MULTA DE OFÍCIO Nos lançamento de ofício cabe a multa de ofício prevista na legislação. JUROS DE MORA É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. PEDIDO DE PARCELAMENTO Não é atribuição da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ pronunciarse sobre pedido de parcelamento de débitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 08.07.2013, fl. 1323, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.07.2013, fls. 13241378, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: Requer ainda, a cientificação oportuna de todos os procedimentos administrativos auferidos, por meio de AR Aviso de Recebimento, a ser destinado para o endereço da empresa, bem como a autorização (ad cautelam), para o exame e acompanhamento do processo em todas as suas fases e o fornecimento de certidão de todas as decisões proferidas. [...] A apreciação minuciosa dos elementos auferidos em procedimento fiscal, é requisito à preservação dos princípios da ordem tributária. No caso em debate, despiciendo exames mais acurados, em face dos documentos que ratificam os montantes das operações efetivadas pela Impugnante, os lançamentos fiscais merecem ser revistos. A Impugnação tem o propósito de evidenciar a efetividade das operações, compondoas sob os parâmetros do mercado e, por certo, depurar os montantes efetivamente devidos. Não obstante os levantamentos efetivados pelo Fisco há que prevalecer o entendimento de que as operações da Impugnante, jamais poderiam conduzir os valores arbitrados, posto que superam os limites de sua capacidade, enesimamente superiores ao patrimônio global. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.426 18 Em decorrência do Mandado de procedimento Fiscal (MPF) n° 07.2.01.00 2010004394, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em VitóriaES, conclui que parte da movimentação financeira consignada nas contas bancárias, teriam sido utilizadas na movimentação de recursos financeiros oriundos da atividade de venda de mercadoria, desenvolvida pela empresa —citando as seguintes contas: Banco Agência Conta Corrente Banco Real 0427 1.7116725 Sicoob Credirochas 32603 2950 Banco Bradesco 0553 00302848 Banco do Brasil 00833 32.3217 Em tais circunstâncias, promove a lavratura do Auto de Infração — Processo n° 15586.001275/201084, cuja cientificação se efetiva no dia 15/10/2010, conferindose o prazo de 30 (trinta) dias para fins de recolhimento dos tributos apurados e penalidades ou apresentação de impugnação. [...] Inicialmente, impende o registro de que os fiscalizados atenderam todas as solicitações formalizadas, inclusive apresentando relatórios contábeis pelos se poderia aferir a exata concepção e apuração das receitas, conciliados, notadamente, pelos extratos bancários requisitados. Lamentavelmente, tais documentos são desconsiderados, sob a proposição de que não se teria promovido a entrega de alguns documentos hábeis e do Livro Caixa, mas consta a entrega do Livro Razão que uma das contas referese a Conta Caixa, pois a empresa optou em entregar o Livro Diário. Ora, como restou apurado, a Impugnante, apresentou documentário suficiente para fins de apuração regular das receitas auferidas, jamais se podendo conceber como relares os lançamentos ora impugnados, inclusive copias de cheques e de extrato de conta bancária, prestando esclarecimento de todas as movimentações a que tinham registros. A despeito da documentação apresentada pela Impugnante, relatando o histórico das operações, o fato é que não se poderia admitir como receitas os montantes integrais de depósito, considerandose as peculiaridades das operações como sendo todas como receita de venda. Não restam dúvidas de que um mesmo recurso é depositado e resgatado várias vezes ao longo do período base, não havendo que seja reputado como receita em todos os momentos. A mercadoria objeto da atividade é vendida a prazo o que automaticamente projeta que operações de 2006, foram encerradas em 2007, conforme demonstrado nos esclarecimentos prestados e não reconhecido pelo fisco. Ainda em análise aos esclarecimentos prestados a de se verificar que foram desconsiderados lançamentos que tiveram origem no caixa da empresa e outras que foram retiradas de um banco e depositado em outro, ou seja, houve de fato movimentação de recursos em espécie. Contrapondose aos lançamentos formalizados pela AutoridadeFiscal, a despeito da apresentação do documentário solicitado, a Impugnante apresenta o resgate dos lançamentos contábeis, para fins de elucidação dos valores efetivamente devidos, observadas as operações in concreto e sob todas as normas aplicáveis. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.427 19 O que se pretende é aferição justa e regular dos valores eventualmente devidos, merecendose a complacência das Autoridades Fiscais. Não é justo, que por meio de simples arbitramento, imponhase o recolhimento de tributos além dos valores que seriam efetivamente devidos, posto que não são contempladas as hipóteses de apropriação imotivada até mesmo pela Fazenda Nacional. Impende ainda o registro de que em momento algum das diligências fiscais foram solicitados os livros contábeis da ora Impugnante — BEIRAL SERRARIA E MARMORARIA LTDA. Frisese que os procedimentos fiscais foram instaurados em face da movimentação bancária na saída de recursos da conta bancária que geraram CPMF. Conclusivamente, a simples argüição de que não teriam sido apresentados "documentação hábil e idônea," considerando que não foram solicitados, não autoriza o arbitramento do valor tributável. Os extratos bancários permitem o resgate de todos os lançamentos contábeis, sem contar que permitem a apuração regular do faturamento — incidência eventual de algumas poucas receitas sem origem. Aditase que os extratos bancários das contas sob análise foram acostados aos autos, permitindose, juntamente com os relatórios contábeis apresentados, a apuração regular dos valores tributáveis. Lamentavelmente, o documentário é ignorado, procedendose a arbitramento de forma equivocada', posto que dissociado das características das operações de "vendas", o que não pode ser corroborado. Como a Impugnante apresentou os documentos que foram solicitados em relação As movimentações, culminando o procedimento fiscal com acionamento de pessoa jurídica, imperiosa a necessidade de acolhimento do documentário contábil ora apresentado ou o implemento de diligências e a oportunidade de oferecimento de documentário correspondente A pessoa jurídica, sob pena de CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. [...] O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 07.2.01.002010004394 fora expedido em 26/03/2010 (fls. 01), abrangendo a fiscalização da regularidade da apuração e recolhimento do Imposto apurada na forma simplificada (SIMPLES), no período de 01/01/2007 a 30/06/2007. A ciência do MPF em relação a Impugnante se opera em 30/06/2010, sendo o Auto de Infração relativo ao SIMPLES, cientificado em 15/10/2010. Há que ser reconhecida, portanto, os esclarecimentos prestados relativos aos fatos gerados entre 01/01/2007 a 30/06/2007. Relaciona individualizadamente os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras. RESUMO MÊS DE JANEIRO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 102.910,05 TOTAL — Bradesco 33.851,28 TOTAL — Sicoob 339.369,12 TOTAL GERAL 01/2007 476.130,45 [...] RESUMO MÊS DE FEVEREIRO DE 2007 Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.428 20 TOTAL — Banco do Brasil 66.780,35 TOTAL — Bradesco 100.991,83 TOTAL — Sicoob 455.864,42 TOTAL GERAL 02/2007 623.636,60 [...] RESUMO MÊS DE MARÇO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 96.779,17 TOTAL Real 10.981,84 TOTAL — Bradesco 110.572,00 TOTAL — Sicoob 188.552,57 TOTAL GERAL 03/2007 406.885,58 [...] RESUMO MÊS DE ABRIL DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 82.849,88 TOTAL — Bradesco 129.310,59 TOTAL — Sicoob 332.393,65 TOTAL GERAL 04/2007 544.554,12 [...] RESUMO MÊS DE MAIO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 167.213,39 TOTAL — Bradesco 154.461,02 TOTAL — Real 6.300,00 TOTAL — Sicoob 432.627,90 TOTAL GERAL 05/2007 760.602,31 [...] RESUMO MÊS DE JULHO DE 2007 TOTAL — Banco do Brasil 141.974,71 TOTAL — Bradesco 156.701,65 TOTAL — Real 13.000,00 TOTAL — Sicoob 254.368,90 TOTAL GERAL 06/2007 476.130,45 Aditase que os extratos bancários das contas sob análise foram acostados aos autos, permitindose, juntamente com os relatórios contábeis apresentados, os esclarecimentos prestados, o Livro Diário e o Razão a apuração regular dos valores tributáveis. Lamentavelmente, o documentário no mês de Janeiro foi ignorado, Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.429 21 procedendose a arbitramento de forma equivocada, posto que dissociado das características das operações de "vendas", o que não pode ser corroborado. Vale ressaltar que a empresa por sua característica, realiza suas vendas a prazo e como toda empresa, tem recursos em caixa e também débito de clientes com vencimento em dia e em atraso de exercícios anteriores. Desta forma não é possível o fisco considerar os valores aqui descrito como omissão de receita, uma vez que a conta bancária de titularidade do sujeito passivo é para ser usado segundo suas necessidades. Se o objetivou do autuado ora impugnante fosse de omitir receita, o mesmo não teria feito isso por via bancária, equivocandose conseqüentemente o fisco ao analisar o presente fato com distorcida de alguns princípios básicos. Jamais se poderia considerar os valores acima descrito e devidamente comprovado como omissão de receita [...]. Elucida a Autoridade fiscal que "para apuração do valor tributável de IRPJ a ser constituído pelo lançamento, foram inicialmente digitados em planilhas (fls. 2 a 8 do Anexo I, todos os créditos efetuados nas contas correntes (...), no período de 01 de janeiro a 30/06/ de 2010”. Asseverase ainda que "foram apenas mantidos diversos créditos que se foram devidamente comprovados, hora por se tratarem de deposito em espécie de mesma titularidade feita em espécie, ou mesmo referente a cliente, ou mesmo operação iniciada no exercício anterior, conforme determinado na demonstração acima extraída do Anexo I, para fins de determinar a receita presumida (...)." Resta flagrante, portanto, que foram considerados "todos os créditos efetuados nas contas correntes", do que infere a irregularidade na determinação dos valores tributáveis. [...] Ora, em momento algum a caracterização de omissão de receita ou de rendimento, estabelece que "todos os créditos em conta corrente", sejam reputados como valor tributável. A revisão dos lançamentos se perfaz indispensável, posto que os comandos do § 3º, do art. 42, da Lei n° 9.430/96, exigem que "para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente", o que não se verifica no caso sob impugnação. A questão é que o arbitramento que toma por base "todos os créditos em conta corrente", sem uma análise individualizada, não se encontra respaldo no ordenamento tributário. As operações industrial na área de granito é público e notório que chegam em certas circunstâncias a serem recebidos com 30/60/90 e 120 dias. 0 principio das operações pode ser evidenciado na exemplificação da compra um determinado produto, sendo este, ao longo do exercício, emprestado e resgatado várias vezes. Assim, para todas as vezes que for resgatado, não significa que houve o desembolso equivalente ao valor de aquisição 100% (cem por cento). Nessa operação, o valor tributável seria a diferença entre o valor pelo qual fora adquirido originariamente e o valor auferido pelo mesmo valor passando em várias contas, principalmente aqueles relacionados em espécie, como no Banco do Brasil (Depósito On Line), ou seja, depósito realizado em dinheiro. Jamais se poderia considerar, que tais créditos, pudessem ser considerados como valores tributáveis. Nesse particular, a revisão dos lançamentos deve ser implementada, sob pena de se configurar a apropriação indevida ou mesmo o enriquecimento ilícito por parte do Erário Público. Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.430 22 Em observância do Principio da Razoabilidade, seria coerente que a Autoridade Fiscal apurasse para "todos os créditos em conta corrente, considerado aqueles que o próprio extrato de conta indica". Tal propósito seria mais coerente que os lançamentos pela integralidade dos créditos, justamente porque estes não correspondem ao valor tributável. O arbitramento processado somente seria coerente se nas contas bancárias fossem depositados apenas receitas — os ganhos efetivos de uma determinação operação, o que não se observa. A Autoridade Fiscal depura que as contas bancárias sob análise, não tendo sido efetivados abatimento com deposito em mesmo valores entre contas de mesma titularidade, ora quando se fala em documento hábil, ao descartar o Extrato de Conta como tal a favor do impugnante, não deveria também ser utilizado pelo Erário para apuração dos créditos, ou seja, ele é hábil somente pra produzir provas a favor do fisco? Lamentavelmente não, tampouco o reconhecimento de que o mesmo objeto da operação — dinheiro foi utilizado em diversos momentos. Existe verdadeira sucessão de transferência e resgates. O simples comparativo das operações declaradas pela Impugnante em relação aos exercícios que sucedem ao período de levantamento fiscal é suficiente a determinar que o arbitramento em muito destoa da razoabilidade, merecendo revisão. Os depósitos bancários, em uma operação de "deposito", não podem ser reputados, simplesmente, como rendas omitidas como sendo vendas, mas a concreta realização de transferências e recuperação de créditos diversos, com base legal de períodos diferentes, sendo eles de mesma titularidade. Não prospera, portanto, o arbitramento processado pela Autoridade Fiscal, posto que foram ignorados diversas transferências de mesma titularidades entre as diversas contas movimentadas em favor da Impugnante. Categoricamente, não resta producente o arbitramento que tem por fundamento considerar como receitas "todos os créditos em conta corrente", mesmo sob a constatação de que o faturamento das empresas da empresa foi bem inferior a sua movimentação, até mesmo porque existe nela uma capacidade de produção e venda. Frisese que no propósito de oferecer ao Fisco os valores efetivamente auferidos nas operações, são anexados os informes contábeis necessários. A rigor, as Autoridades Fiscais insistem na concepção do arbitramento, diante da ausência dos documentos contábeis correspondentes, o que resta suprido. Os elementos ofertados são concretos e materialmente depurados das operações. Outro aspecto que também aufere relevância concerne à constatação de que os depósitos bancários não podem ser reputados, simplesmente, como disponibilidade jurídica ou econômica de renda ou proventos. 0 depósito bancário não é fato gerador de quaisquer tributos, posto que não enseja a concepção de renda. A rigor, acaso fossem considerados os percentuais do simples federal, o arbitramento não extrapolaria os liames da razoabilidade. [...] É constatação material que a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem decidindo que em procedimento de oficio, o lançamento efetuado com base em depósitos bancários, não se apresenta adequado. Sobretudo nas operações em questão, os depósitos bancários não caracterizam disponibilidade econômica de Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.431 23 renda e proventos. Os depósitos devem ser utilizados para fins de apuração das operações em diversos momentos e desconsiderações, utilizandose dos percentuais ditados pelo mercado, para então compor o arbitramento. [...] Pacifico o entendimento de que a tributação, baseada em extratos bancários, necessita de outros elementos, visando estabelecer a correlação segura, liquida e certa. 0 arbitramento, na pior das hipóteses, deveria ter computado, no mínimo, a margem percentual dos deságios incidentes em cada operação. Não restam dúvidas de que a base de cálculo considerada nos lançamentos fiscais sob análise está equivocada. A receita bruta operacional da Impugnante, acumulada ao longo de sua existência, não corresponde sequer aos montantes arbitrados, reputandose totalmente incoerente com a atividade. Acrescentase que o lançamento fiscal de oficio, por constituirse em atividade vinculada, impõe o ônus da Autoridade Fiscal provar a exatidão dos lançamentos 13 . 0 arbitramento jamais poderia restar dissociado das peculiaridades da atividade sob lançamento. Nesse particular, a revisão dos lançamentos ora impugnados se torna imperativa. [...] Indubitável, portanto, que os depósitos bancários, por si só, não representam disponibilidade econômica ou jurídica de renda, não consistindo em fato gerador de impostos ou contribuições. Impõese o reconhecimento da nulidade dos lançamentos perpetrados, na modalidade em que foram concebidos, uma vez que se encontram dissociados da atividade da empresa Impugnante. Os montantes considerados são absurdos, por não adotar a sistemática de deságios como regra de apuração do faturamento bruto. Os levantamentos fiscais merecem revisão, pois os depósitos bancários, em face das peculiaridades das operações realizadas, jamais poderiam ser considerados como receita bruta, sem quaisquer ajustes. Não existe o menor fundamento para que fossem considerados com disponibilidade econômica em sua integralidade. [...] Muito embora a questão já tenha abordada, imperioso destacar que movimentação financeira, jamais poderia ser confundida com receita bruta. Simples depósitos bancários, externando movimentação de operações de realizada em diversos momentos de mesma natureza, não poderiam ser confundidos com receita bruta. Por outro lado, é de se ressaltar igualmente que as informações em que o fisco se baseia são oriundas dos números de arrecadação da CPMF (tributo que deveras incide sobre a movimentação financeira). Entretanto, esses números são registrados na saída dos numerários nas contas bancárias, o que, por si só, já compromete o raciocínio de que serviria de indicio de ingressos de valores atinentes a renda auferida. A movimentação financeira considerada em si mesma, não implica em quaisquer receitas. Não se perfaz adequada a tentativa de tributar os montantes relativos ao movimento financeiro, posto que nunca constituiu receita. A apuração dos valores tributáveis pelo Fisco se apresenta equivocada. A análise da movimentação financeira não consiste em meio idôneo para a verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto sobre a Renda, inscrito no art. 43, do Código Tributário Nacional. A movimentação do numerário sob a guarda da instituição financeira não reflete, efetivamente, qualquer acréscimo no patrimônio do contribuinte. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.432 24 A movimentação do dinheiro e renda são expressões de diferentes acepções lingüísticas que as hipóteses de incidência dos tributos ventilados no termo (CPMF e IRPF) trazem cada uma a sua peculiar expressão. Os saldos e, sobretudo, as saídas de numerário das contas bancárias ressaltese que os números são alusivos As saídas, já que são esses os fatos imponíveis do CPMF são retratos circunstanciais, sem, absolutamente, possuir o condão de indicar renda auferida. Existe um fato de que deve ser considerado até por uma questão de razoabilidade e coerência: o mesmo dinheiro do correntista pode ingressar e ser egresso da contacorrente inúmeras vezes operação que pode se repetir em mais de uma contacorrente, em aplicações financeiras, as mais diversas, notadamente quando tais contas se prestam A "MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA" de operações, mesmo porque não foi considerado os empréstimo realizado a titulo de crédito imediato para capital de giro, uma vez que a conta bancária, encontravamse constantemente negativa. É constatação fáticomaterial que a movimentação bancária pode ser continente de empréstimos, valores liberados por cheques especiais, créditos pessoais e muitas outras circulações nãoafetas à renda do contribuinte. [...] Não obstante ser sedutora a tese da possibilidade de controlar os rendimentos das pessoas físicas e das pessoas jurídicas, por meio da movimentação em contas da rede bancária, esse proceder não se afigura seguro e tampouco aceitável. Movimentação financeira não significa, sob quaisquer aferições exaurientes, o mesmo de receita bruta. A elucidação dos valores depositados demanda aferições mais profundas que a simples e sumária transmutação em receitas. Por certo, o lançamento tributário atividade vinculada, atinente à constatação da materialidade do fato gerador, identificação do sujeito passivo e da exata aferição dos montantes devidos, não pode ser concebido apenas em razão de "depósitos em conta corrente". Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que Diante do exposto e demais suprimentos que acudirem ao douto pronunciamento de Vossa Excelência como medida de inteira Justiça, requer: I — seja ratificado que os procedimentos fiscais foram instaurados em face do impugnante; II —seja decretada a reforma/nulidade do Auto de Infração — 15586.001275/201084, atinentes aos lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o Programa de Integração Social, Contribuição para a Seguridade Social, Contribuição Social sobre Lucro Líquido com base no SIMPLES FEDERAL, relativos ao período de 01/01/20070 a 30/06/2007, como medidas de ordenamento tributário, considerandose os equívocos materiais cometidos na apuração do valor tributável, a saber: Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.433 25 a) os "créditos em conta corrente", sem a apropriação dos recurso movimentado de mesma titularidade, e em espécie, bem como crédito de empréstimos realizado através de desconto utilizando cheques da mesma empresa, não podem ser reputados como disponibilidades financeiras — receitas; b) os depósitos bancários não evidenciam o faturamento, posto que não foram deduzidos sequer diversos valores que são representativos e encontramse demonstrado no anexo II; c) as peculiaridades das operações de industrial na área de serraria e beneficiamento de granito, estabelecem que o mesmo valor componha diversas operações, não implicando em ingresso efetivo de recursos a cada operação, auferindose apenas como receitas os valores de deságio computados; d) os depósitos bancários não têm por descontado o custo de aquisição dos títulos, muito menos os custos operacionais e ainda, os riscos incorridos com as operações não liquidadas; e) os depósitos bancários não podem ser reputados como receita conhecida para fins de adoção da sistemática de cálculo do lucro arbitrado 19, posto que se dissociam do faturamento das operações industriais, notadamente em razão dos documentos que foram apresentados no curso dos procedimentos fiscais; f) os lançamentos fiscais perpetrados pelo sc considerados sob uma aferição lógicomatemática, destoam do volume de operações patrocinadas pela Impugnante, posto que o Capital Social não extrapola o aporte de R$ 10.000,00 (dez mil reais), não dispondo de acervo patrimonial ou exteriorização de riquezas, tratandose uma microempresa simples, sem grandes ou quaisquer aparatos. IV nas hipóteses em que for determinado o recolhimento: a) seja autorizada a redução do valor das multas, sem vinculação aos prazos ora concedidos, tendo em vista o caráter de confisco, nos termos do artigo 6°, da Lei n° 8.218/91 e artigo 6º da Lei n° 8.383/91; b) seja descaracterizada a imputação de multa de forma qualificada, posto que a eventual omissão de receitas caracteriza infração simples, admitindo se a multa de aporte de 20% (vinte por cento), nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso I; c) seja excluída a incidência da Taxa SELIC — Sistema Especial de Liquidação e Custódia, pela composição de correção monetária e de juros médios, destinados A apuração da liquidez dos recursos que transitam pelo mercado financeiro, além de não ter sido instituída por norma legal; d) seja admitido o parcelamento, auferindose para o cômputo do principal atualizado e os juros, o maior número possível de parcelas, uma vez que durante o período de fiscalização a empresa poderia incluir dividas no âmbito da Lei 11.941/09. V — seja processada a cientificação de todos os procedimentos administrativos, por meio de AR Aviso de Recebimento, bem como o fornecimento de certidão de todas as decisões proferidas, devidamente fundamentadas nos termos do inciso IX, do art. 93, da CF/88 com a redação conferida pela Emenda Constitucional n° 45/04; Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.434 26 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Requerente solicita que seja intimada em seu domicílio fiscal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB1. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente tem possibilidade jurídica por estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente suscita que o procedimento foi instaurado por o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.2.01.002010004394. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Esses procedimentos são instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por cento e vinte dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 sessenta dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente 1 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.435 27 formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio2. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, determina: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Ademais, o enunciado da Súmula CARF nº 9 prevê: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O Decreto nº 3724, de 10 de janeiro de 2001, prevê: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB serão executados por ocupante do cargo efetivo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e terão início mediante expedição prévia de Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF, conforme procedimento a ser estabelecido em ato do Secretário da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) Atualmente os procedimentos fiscais relativos a tributos e ao controle aduaneiro do comércio exterior administrados pela RFB serão instaurados e executados pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na forma do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, observada a emissão de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDF). Os procedimentos fiscais serão instaurados após sua distribuição por meio de instrumento administrativo específico denominado Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), previsto no art. 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 (Portaria RFB nº 1.87, de 17 de setembro de 2014). 2 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.436 28 O procedimento fiscal teve início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, validamente cientificado a Recorrente da obrigação tributária no seu domicílio fiscal, formalizado pelo Termo de Início de Fiscalização, Ciência e Intimação, notificado em 18.03.2010, fls. 0408, ocasião em que a espontaneidade foi excluída. A Recorrente requer o parcelamento dos débitos. A Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 que aprova o Regimento Interno da RFB, determina: Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] IX desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; Nesse sentido, o pedido de parcelamento de débitos deve ser requerido junto à unidade da RFB de origem que jurisdiciona a Recorrente, que tem competência regimental para processálo, nos termos legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.437 29 deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos5. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 6 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional7. Assim, os Autos de Infração, fls. 939998 e o Está registrado como ementa do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I nº 1256.965, de 14.06.2013, fls. 12951318, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 6 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 7 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.438 30 As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos8. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, 8 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.439 31 desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração9. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram 9 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.440 32 evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada10. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo11. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade12, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. A matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) é objeto de recuso extraordinário com repercussão geral em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), tema de nº 225, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 13 e por essa razão não se pode aplicar o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 903915, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 10 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 11 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 12 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. 13 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 16 ago. 2014. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.441 33 No exercício das atribuições do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e dos artigos 904, 905, 911, 926 e 927, do Decreto no 3.000, de 1999, encerro nesta data, os trabalhos de fiscalização referente ao contribuinte acima identificado, os quais tiveram como finalidade a verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias relativas ao SIMPLES referente ao período 01/2007 a 06/2007. 1. DOS DADOS INICIAIS No anocalendário 2007, objeto deste procedimento fiscal, a empresa, no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, esteve sujeita à tributação com base no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. O contribuinte informou a Receita Federal do Brasil RFB, através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples 2008, que no período 01/2007 a 06/2007, auferiu receita bruta de R$332.127,49 (trezentos e trinta e dois mil, cento e vinte e sete reais e quarenta e nove centavos), enquadrandose na condição de Empresa de Pequeno Porte EPP. 2. INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO Através do Termo de Inicio de Fiscalização, Ciência e Intimação, emitido em 18/03/2010, o contribuinte foi intimado a apresentar, entre outros documentos, contrato social e alterações, extratos bancários de todas as contas correntes e cadernetas de poupança de sua titularidade, livro diário, razão ou livro caixa, referentes ao ano calendário 2007. No decorrer do procedimento fiscal foram emitidos: no dia 26/03/2010 o Termo de Intimação Fiscal TIF_01; no dia 28/05/2010 o Termo de Constatação e Intimação Fiscal; no dia 30/06/2010 o Termo de Ciência, Constatação e Intimação Fiscal; e no dia 09/08/2010 o Termo de Ciência, Constatação e Intimação Fiscal. 3. DOCUMENTOS RECEBIDOS 3.1. DOCUMENTOS RECEBIDOS DA FISCALIZADA Em atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização, a empresa apresentou Contrato Social e última alteração contratual, Livro Diário no 014, Livro Razão, Livro Registro de Entradas, Saídas e Apuração de ICMS no 11 e Extratos Bancários das contas abaixo relacionadas, referentes ao ano calendário 2007: Banco Agência Conta Corrente Banco Real 0427 1.7116725 Sicoob Credirochas 32603 2950 Banco Bradesco 0553 00302848 Banco do Brasil 00833 32.3217 Embora formalmente intimada, a empresa não apresentou o LivroCaixa como serlheia facultado. Apresentou apenas o Livro Diário no 14, no qual encontrase escriturada a conta Caixa. Em atendimento a intimação, o contribuinte também informou que: Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.442 34 Não foi apresentado DCTF referente ao segundo semestre de 2007; Não houve nenhuma compensação via DCOMP entre 01/01/07 e 31/12/07 e também não houve nenhuma apresentação; Não há nenhum processo judicial, com fatos geradores entre 01/01/07 a 31/12/2007 e; Não há nenhum processo de consulta feita na Receita Federal do Brasil, referente a tributos e constituições federais. 4. CONSTATAÇÕES 4.1. ANÁLISE DOS DOCUMENTOS RECEBIDOS 4.1.1. CONTRATO SOCIAL E ALTEFtAÇÕES De acordo com o contrato social registrado na JUCEES sob o n° 3220062102 1, a fiscalizada foi constituída em 24/11/1993, por Juvenil Beira! de Moraes (80%), Luciano Gonçalves de Moraes, (10%) e Lucinei Gonçalves de Moraes (10%), cuja administração era exercida por todos os sócios em conjunto ou isoladamente. A sociedade tem por objetivo: Aproveitamento de substancias minerais não metálicas em todo território nacional, bem como o desdobramento, beneficiamento, aparelhamento e comercialização no mercado interno e externo. A empresa encontrase localizada na rua João Bosco Fiório, S/N, Monte Cristo, Cachoeiro de Itapemirim/ES. Conforme alteração contratual registrada na JUCEES em 09/03/2004 sob o no 040060845, o senhor Lucinei Gonçalves de Moraes desligouse da sociedade, transferindo suas quotas para os sócios remanescentes, cuja administração passou a ser exercida pelos sócios Juvenil Beiral DE Moraes Luciano Gonçalves de Moraes em conjunto ou isoladamente. 4.1.2. EXTRATOS BANCÁRIOS Analisando os extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, constatamos que no período de 01/2007 a 06/2007, foram creditados nas contascorrentes de sua titularidade recursos no montante de R$3.829.873,32. 5. CONSTATAÇÕES FEITAS — EXTRATOS BANCÁRIOS Analisados os extratos bancários, consolidados os registros de depósitos e créditos, expurgados, quando identificados de forma inequívoca, estornos de débitos, devolução de cheques, transferências de contas de mesma titularidade, empréstimos, bem como os valores creditados e posteriormente estornados, foi o contribuinte, por intermédio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, emitido em 28/05/2010, intimado a: a) Analisar os valores tabulados e comprovar a origem dos recursos depositados/creditados • nas contas correntes de sua titularidade, sob pena de lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita, dos valores apurados, nos termos do art. 849, do Decreto n° 3.000, de 1999. b) Informar se os recursos depositados/creditados nas contas correntes de sua titularidade foram escriturados no livro diário no 14 e oferecidos .1 tributação. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.443 35 Respondendo ao Termo, em 25/06/2010, o contribuinte apresentou oficio contendo alguns esclarecimentos, mas não acostou nenhuma documentação hábil e idônea comprobatória das justificativas apresentadas. Em 30/06/2010, o contribuinte através do Termo de Ciência, Constatação e Intimação Fiscal foi novamente intimado a apresentar os documentos comprobatórios dos esclarecimentos constantes no ofício entregue a esta fiscalização no dia 25/06/2010. Em resposta ao Termo, o contribuinte encaminhou novo oficio solicitando retificação dos esclarecimentos apresentados anteriormente em função das alterações promovidas pelas cópias dos cheques obtidas junto às instituições financeiras. Junto aos esclarecimentos acostou cópias de alguns cheques, as quais encontramse anexo a este Auto de Infração. Como o contribuinte não apresentou documentos comprobatórios das demais justificativas apresentadas, intimamos mais uma vez a empresa, através do Termo de Ciência, Constatação e Intimação Fiscal, emitido em 09/08/2010, a apresentar os referidos documentos. Em resposta o contribuinte limitouse novamente a prestar esclarecimentos, sem acostar nenhum documento comprobatório. Diante da não apresentação dos documentos comprobatórios, passamos a analisar os esclarecimentos apresentados, dentre eles, destacamos os seguintes: a) Informou que o valor de R$ 408.448,70 referese a operações com origem em 2006. Comentário: A empresa não apresentou nenhum documento comprobatório de que essas receitas tiveram origem em 2006, sendo assim, as mesmas estão sendo consideradas como omissão de receitas. b) Informou que os lançamentos constantes nos extratos bancários com o histórico Crédito Liberação TD, referese a empréstimos bancários, não devendo ser considerado como omissão de receita. Comentário: Em consulta ao SICOOB Credirochas, constatamos que o histórico lançado no extrato bancário com o titulo Crédito Liberação TD, não é empréstimo bancário e sim crédito em virtude de Títulos Descontados, ou seja, os referidos recursos são derivados de vendas de produtos e mercadorias. Os valores lançados nos extratos bancários a titulo de crédito liberação TD foram considerados como omissão de receitas. Promovidos os ajustes com os documentos apresentados, concluiuse, com base na movimentação bancária, que a receita bruta auferida pelo contribuinte no período de 01/2007 a 06/2007 atingiu o montante de R$3.376.479,32 (três milhões, trezentos e setenta e seis mil, quatrocentos e setenta e nove reais e trinta e dois centavos), conforme discriminado abaixo, cujo demonstrativo diário por banco e por conta encontramse relacionados no anexo I. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.444 36 Instituições Bancárias Comp Banco Brasil Banco Bradesco Banco Real Sicoob Total 01/2007 102.910,05 33.851,28 339.369,12 476.130,45 02/2007 66.780,35 100.991,83 455.864,42 623.636,60 03/2007 105.367,17 90.583,00 10.981,84 188.552,57 395.484,58 04/2007 82.875,88 129.310,59 332.393,65 544.580,12 05/2007 167.213,39 154.461,02 6.300,00 442.627,90 770.602,31 06/2007 141.974,71 156.701,65 13.000,00 254.368,90 566.045,26 Total 667.121,55 665.899,37 30.281,84 2.013.176,56 3.376.479,32 No livro diário no 14 e livro registro de saídas no 11, cópias anexas, foram registrados no período 01/2007 a 06/2007, receita bruta auferida de R$1.005.289,64 (Um milhão, cinco mil, duzentos e oitenta e nove reais e sessenta e quatro centavos), conforme detalhado abaixo: Competência Receita de Vendas de Produtos e Mercadorias Apuradas com Base no Livro de Registro de Saída nº 11 01/2007 161.491,34 02/2007 143.913,79 03/2007 173.195,54 04/2007 188.172,75 05/2007 152.052,10 06/2007 186.464,12 Total 1.005.289,64 Na Declaração apresentada pelo contribuinte à Receita Federal do Brasil RFB (Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES), cópia anexa, no período de 01/2007 a 06/2007, foi informado receita bruta de R$332.127,49 (trezentos e trinta e dois mil, cento e vinte e sete reais e quarenta e nove centavos), conforme expresso na tabela abaixo: Receita Declarada a RFB Competência Venda de Produtos e Mercadorias 01/2007 64.596,61 02/2007 57.565,52 03/2007 51.958,66 04/2007 56.451,83 05/2007 45.615,63 06/2007 55.939,24 Total 332.127,49 6. DA OMISSÃO DE RECEITA Constatamos que o faturamento do contribuinte, expresso na movimentação bancária, no período de 01/2007 a 06/2007, foi muito superior ao valor escriturado e declarado a RFB através da DASN. Desse modo, concluise que houve, no período, Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.445 37 omissão de receita no montante de R$2.371.189,68 (dois milhões, trezentos e setenta e um reais, cento e oitenta e nove reais e sessenta e oito centavos), como demonstrado no quadro abaixo: (A) (B) (C) (D) Competência Movimentação Bancária Receita de Vendas de Produtos Escrituradas no Livro de Registro de Saída nº 11 Contabilizado Omissão de Receitas (B) – (C) 01/2007 476.130,45 161.491,34 314.639,11 02/2007 623.636,60 143.913,79 479.722,81 03/2007 395.484,58 173.195,54 222.289,04 04/2007 544.580,12 188.172,75 356.407,37 05/2007 770.602,31 152.052,10 618.550,21 06/2007 566.045,26 186.464,12 379.581,14 Total 3.376.479,32 1.005.289,64 2.371.189,68 Cumpre registrar que foi dado ao contribuinte a oportunidade para comprovar a origem dos recursos, formalizada através dos Termos de Constatação e Intimação Fiscal emitidos nos dias 28/05/2010, 30/06/2010, 09/08/2010; e não houve comprovação, mediante documentação hábil e idônea, de que a movimentação bancária, como demonstrado na tabela acima, não se originasse das atividades normais da empresa. 7. DA DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Das receitas oriundas da atividade, registradas na contabilidade e nos livros fiscais, apenas parte foi declarada a RFB. As receitas escrituradas no Livro Registro de Saídas no. 11 não declaradas a RFB atingiram, no período, o montante de R$673.162,15 (seiscentos e setenta e três mil, canto e sessenta e dois reais e quinze centavos), como demonstrado abaixo: (A) (B) (C) (D) Competência Receita de Vendas de Produtos e Mercadorias (Livro de Registro de Saída nº 11) Receita de Vendas de Produtos e Mercadorias Declarada a RFB Omissão de Receitas (B) – (C) 01/2007 161.491,34 64.596,61 96.894,73 02/2007 143.913,79 57.565,52 86.348,27 03/2007 173.195,54 51.958,66 121.236,88 04/2007 188.172,75 56.451,83 131.720,92 05/2007 152.052,10 45.615,63 106.436,47 06/2007 186.464,12 55.939,24 130.524,88 Total 1.005.289,64 332.127,49 673.162,15 Nos Autos de Infração estão contempladas como omissão de receitas os valores identificados na movimentação bancária do contribuinte, cujos valores não foram escriturados, nem declarados a RFB através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.446 38 E como diferenças de base de cálculo, àquelas receitas de vendas de produtos e mercadorias que, apesar de não declaradas a RFB através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, foram escrituradas no livro diário no 14 e no livro de registro de saída no 11. 8. DOS LANÇAMENTOS No período de 01/2007 a 06/2007 o contribuinte esteve enquadrado no Simples. Desse modo, identificadas irregularidades no cumprimento obrigações tributárias, está sendo providenciado o lançamento de oficio, expresso no presente Auto de Infração, nos termos dos artigos 845, III, e 849, do Decreto n° 3.000, de 1999, dos tributos previstos na sistemática do SIMPLES, de acordo com o art. 3°, §1°, alíneas "a", "b", "c", "d", "e" e "f", da Lei n° 9.317, de 1996: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Simples; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Simples; Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Simples; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS Simples; Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Simples e Contribuições para a Seguridade Social Simples. No lançamento de oficio estão contempladas as seguintes infrações: omissão de receitas depósitos bancários não escriturados; diferença de base de cálculo; e insuficiência de recolhimento. Classificada como omissão de receitas depósitos bancários não escriturados estão calculados os impostos e as contribuições incidentes sobre a parte da receita (expressa na movimentação bancária) não declarada a RFB e não escriturada, demonstradas no item "6" deste Relatório, nos termos do art. 24, da Lei n° 9.249, de 1995, artigos 5° e 180, da Lei 9.317, de 1996, e art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. Classificada como diferença de base de cálculo estão calculados os impostos e as contribuições incidentes sobre a parte da receita não declarada a RFB, mas escriturada, demonstradas no item "7" deste Relatório, nos termos do art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996, e art. 188, do Decreto n° 3.000, de 1999. E, classificada como insuficiência de recolhimento, estão expressos os impostos e as contribuições resultantes do acréscimo da alíquota aplicada sobre a receita bruta informada pelo contribuinte na Declaração Anual Simplificada Simples 2008, nos termos do art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996, e art. 188, do Decreto n° 3.000, de 1999. Para o cálculo foram consideradas as alíquotas correspondentes às faixas relativas ao correto enquadramento do contribuinte em decorrência do total de sua receita bruta acumulada (considerada a movimentação bancária), deduzindo deste resultado os valores já recolhidos ou declarados pela Empresa. As alíquotas aplicadas sobre a Receita Bruta encontramse fundamentadas no art. 50 § 20, art. 23, inciso II, alínea "c", itens 1, 2, 3, 4 e 5, inciso II, alínea "i", itens 1, 2, 3, 4 e 5, inciso II , alínea "m", itens 1, 2, 3, 4 e 5, inciso II, alínea "q", itens 1, 2, 3, 4 e 5, inciso H, alínea "t", itens 1, 2, 3, 4 e 5, da Lei n° 9.317, de 1996, conforme discriminado no "Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta", constante do Auto de Infração. Ressaltamos, no entanto, que em relação aos valores excedentes ao limite de R$2.400.000,00, previsto no inciso II do caput do art. 20 da Lei no 9.317, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, foram aplicados os percentuais previstos na alínea "t" do inciso II do caput, do art. 50 da Lei nº 9.317, de 1996 na Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.447 39 redação da Lei nº 11.307, de 2006, acrescidos de 20%, conforme disciplinado no art. 23, § 3º, da Lei n° 9.317, de 1996. 9. DAS MULTAS E DOS JUROS DE MORA NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Sobre as contribuições e os impostos lançados neste Auto de Infração foi aplicada multa de 750/e (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, e juros de mora no percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, acumulada mensalmente, de acordo com o art. 61, §3°, da Lei n° 9.430, de 1996. 10. DO TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS TAB Considerando que o crédito tributário constituído neste lançamento é superior R$500.000,00 (quinhentos mil reais) e excede a 30% do patrimônio conhecido do sujeito passivo, formalizouse o arrolamento dos bens identificados em nome do contribuinte, nos termos do art. 64, da Lei n° 9.532, de 1997 (processo administrativo n° 15586.001278/201018). 11. de todo o exposto e considerando que a fiscalizada: a) Deixou de informar expressivas receitas em sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, período 01/2007 a 06/2007; b) Não comprovou através de documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados e depositados nas contas correntes de sua titularidade, no período de 01/2007 a 06/2007, no montante de R$2.371.189,68. Lavramos os Autos de Infração na sistemática do SIMPLES, nos termos da Lei nº 9.317, de 1996, para exigir da fiscalizada os créditos tributários neles apurados. Atinente à apresentação de documentos, foram examinados todos os comprovantes que instruem os autos, e desse maneira é possível constatar que nas várias oportunidades em que a Recorrente teve de explicar os valores constantes na planilha detalhada dos créditos bancários, a serem comprovados, não apresentou, entretanto, os esclarecimento com vistas a justificar de forma clara, explícita e congruente mediante documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores os depósitos em contacorrente mantidos junto às instituições financeiras. Ademais, todos os elementos foram analisados de forma minuciosa, mas não tiveram o condão da afastar a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por essa razão, como a planilha que detalha os créditos que precisavam ser comprovados e não o foram, resta configurada a pertinência da presunção legal, estando presente o suporte legal para que se considerem os valores creditados nas contas de depósito da Recorrente, cujas origens não foram comprovadas, como receitas omitidas presumidas. Ressaltese que a Recorrente não atendeu a todas as solicitações formalizadas. Deste modo, não afastou a presunção de omissão de receitas, pois não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.448 40 titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por essa razão não há que falar que os depósitos não constituem renda ou que a movimentação financeira não é receita bruta, dada a presunção legal. Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando a Recorrente, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Recorrente apresentou Livro Diário nº 14, só que o mesmo somente constitui prova a seu favor se acompanhado de documentos que lhe dão suporte. Assim, as peculiaridades da atividade econômica por ela exercida, por si só, não constituem elementos hábeis a demonstrar a origem dos recursos. O levantamento apurado nos lançamentos constantes do Anexo I, comparado com os esclarecimentos prestados anteriormente a Recorrente elabora planilhas dos créditos não comprovados, acrescentando uma coluna com justificativas, no período objeto da ação fiscal, mas, sem apresentar documentos hábeis a comprovar os históricos. Deste modo, os elementos apresentados não são suficientes para alterar o lançamento, visto que desacompanhados de documentos comprobatórios. Assim, constatase que do valor inicialmente verificado nos extratos bancários, cujas origens necessitavam ser comprovadas, alguns valores foram expurgados, visto que há diferença entre aqueles valores e os que foram considerados para a apuração do auto de infração, planilha que acompanha Termo de Verificação Fiscal, fls. 903915. Verificase pela avaliação do Termo de Verificação Fiscal, fls. 903915, que no período de janeiro a junho do anocalendário de 2007 foram creditados nas contas correntes de sua titularidade, recursos no montante de R$3.829.873,32 e que, após serem promovidos os ajustes com os documentos apresentados, concluiuse que, com base na movimentação bancárias, a receita bruta auferida foi no montante de R$3.376.479,32. Deste valor foram deduzidas as receitas escrituradas na quantia de R$1.005.289,64, de modo que a presunção de receita ficou no patamar do valor de R$2.371.189,68. Ademais, da receita bruta escriturado no valor de R$1.005.289,64, a Recorrente só recolheu tributos sobre o valor de R$332.127,49. Em relação à diferença de base de cálculo o valor total de R$673.162,15 a Recorrente apenas justificou mediante relatos as origens dos recursos creditados na sua conta corrente no período, não apresentando qualquer documento outro comprobatório das justificativas já apresentadas, embora intimada para tanto. Os autos estão instruídas com provas, ou seja, com as cópias de cheques e extratos bancários, fls. 297761, e, no Termo de Verificação Fiscal, fls. 903915, foram indicados os mesmos como documentos comprobatórios das justificativas que serviram de amparo legal para deduzir alguns valores dos créditos bancários inicialmente considerados e que foram ajustados. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.449 41 intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês14. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200915 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF16. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal 14 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 15 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 16 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.450 42 em relação à matéria e ao período tratados nos autos17. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância18. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Nesse sentido não cabem reparos à aplicação da multa de ofício proporcional. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso19. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade20. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 17 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 18 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 19 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 20 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.001275/201084 Acórdão n.º 1803002.476 S1TE03 Fl. 1.451 43 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 21. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS, de IPI e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 21 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10283.004094/2002-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.039
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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I 999 • -- MINISTÉRIO DA FAZENDA -` CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1.-tí‘L'S,Nr 2.5 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10283.004094/2002-91 Recurso n° 136059 Resolução ir' 3201-00039 - 28 Câmara / 1" Turma Ordinária Data 21 de maio de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LG ELETRONICS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida DRJ-FORTALEZA/CE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2" Câmara/1". Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. CELO GUERRA DE CASTRO Presidente jwy,v,WIN-u-D IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Nieto, Nikon Luiz Bartoli, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Balir Neto. Processo nó 10283.004094/2002-91 53-C2T1 Resoluçào n.° 3201-00039 Fl. 2.000 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: "I. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Importação-II (f7s.08/35), para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 23.975.285,58, incluindo multas de oficio e juros de mora. 2. De acordo com a descrição dos fatos (fls.09), demonstrativos e o processo n°10283.004134/2002-02 (em anexo), a multa imposta foi de 150 por cento (multa agravada) por entender a fiscalização que a infração cometida caracterizou crime fiscal em consonância com a Lei n° 9.430/96, gerando ainda a lavratura de Representação Fiscal para fins penais, em cumprimento ao que estabelece a Portaria SRF n° 2.752/2001. 3. A infração apurada pela fiscalização foi o "DESCUMPRIME1VTO DE OBRIGAÇÕES NECESSÁRIAS À PERMANÊNCIA DO REGIME", caracterizada pelas seguintes razões: - Na ação procedida, a fiscalização encontrou os DCR's — Demonstrativos do Coeficiente de Redução do Imposto de Importação de n's 2397, de 30/03700, 8236, de 22/08/00, 2378, de 30/03/00, 8237, de 22/08/00, 3261, de 31/03/(10 e 8238, de 22/08/00, com documentos anexados aos mesmos, dirigidos aos responsáveis pela confecção dos respectivos DCR's, para que incluíssem mercadorias adquiridas no comércio local, precisamente, Placas de Circuitos Impressos da empresa TDK da Amazônia Importação e Comércio LTDA; - Entende a fiscalização ser evidente o intuito de burlar o pagamento dos tributos, já que a LG Eletronics, em PPB — Processo Produtivo Básico aprovado pela SUFRAMÁ, deveria industrializar placas a partir dos insumos ou se valer do que determina o Decreto n° 783/83, o que, segundo a mesma, não houve. - Prossegue afirmando que em assim procedendo, a empresa não só contaminou o seu PPB para os processos industriais referidos nos DCR, abdicando dos beneficias fiscais destinados às indústrias instaladas na ZFM — Zona Franca de Manaus, como também cometeu crime fiscal quando, com determinado intuito de burlar a fiscalização, subtraiu a base de cálculo dos impostos incidentes nas saídas das mercadorias do seu estabelecimento. Assim, foram penalizadas todas as saídas de mercadorias da ZFM, amparadas pelos citados DOR 's, tendo em vista a infração reportada. 4. Inconformada com a autuação, da qual tomou ciência em 23/05/2002 07s. 08), a litigante apresentou a impugnação de j7s.382/403, onde, após breve exposição dos fatos e comentários sobre a atividade desenvolvida pela impugnante na Zona Franca de Manaus, expõe as razões de sua contestação, nos seguintes termos: 4.1 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — VIOLAÇÃO AO ART. 142 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (fls.385/386) 2 Processo n° 10283.00409412002-91 93-C2T1 Resolução n.° 3201-00039 Fl, 2.001 Á ação fiscal desenvolveu-se de forma apressada, não tendo se preocupado com a investigação dos fatos realmente ocorridos, conforme o artigo142 do CTN, sendo irremediavelmente nula. (fls.401) 4.1.1 Dos documentos mencionados pela D.Fiscalização. (/1.5.386/388) A premissa de que partiu a fiscalização não está correta, tendo em vista que as folhas de papel anexadas aos DCR's não constituem prova da caracterização de qualquer infração à legislação tributária, nem muito menos impediriam o gozo da impugnante ao beneficio fiscal previsto no Decreto-Lei 288/6741s.401) 4.1.2 Ausência de identificação da infração cometida. (4388) O trabalho fiscal não aponta com clareza qual a infração teria sido imputada à Impugnante, nem tampouco o dispositivo legal infringido afrontando assim os mais basilares princípios de direito previstos na Constituição Federal de 1988, como os princípios da Ampla Defesa, do Contraditório e do Devido Processo Legal.(f7s.401) 4.1.3 Da ausência de prova quanto ao descumprimento do processo produtivo básico da Impugnante. (fls.388/392) Não logrou comprovar a D.Fiscalização que a Impugnante não teria obedecido às normas referentes ao seu processo produtivo básico, de modo a acarretar a perda dos beneficias fiscais previstos no Decreto Lei288/67. (119.402) 4.1.4 Da competência para verificação do cumprimento do PPB (fls.392/393) É a SUFRAM4 o órgão administrativo competente para verificar o fiel cumprimento, pelas empresas situadas na Zona Franca de Manaus, às normas do processo produtivo básico. (fls.402) 4.2 DOS ERROS MATERMIS COMETIDOS NA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO (fts.393) Ocorreram graves erros na lavratura do auto de infração, o que ocasionou excesso na constituição do crédito tributário. (fls.402) Necessidade de cancelamento do crédito tributário fora do período de validade dos DCR's e em relação aos modelos não abrangidos por tais DCR's. (119.393/395) Houve erro de cálculo ao serem considerados, períodos e modelos não abrangidos pela suposta infração, mais precisamente todos os períodos compreendidos desde 1999 a agosto de 2000 e, ainda, modelos de televisão que não os DFD 2240N, CP29Q12P e CP25Q20. (fls.402) Impossibilidade de atribuir a todas as internações realizadas pela Impugnante como não abrangidas pelo beneficio fiscal previsto no Decreto-Lei 288/67 (fls. 395/396) O Sr. Agente Fiscal, ao invés de considerar, se infração houvesse sido cometida, a perda da redução do II apenas para aqueles produtos que (f3 Processo n° 10283.004094/2002-91 S3-C2T1 Resolução n/ 3201-00039 Fl. 2.002 tivessem descumprido o PPB, houve por bem considerar todas as internações realizadas pela Impugnante de determinados modelos nos anos de 1999 e 2000. (fls.402) 4.3 DA ILEGITIMIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA (fls. 396/400) Seria imperiosa a retificação do auto de infração para excluir a multa de 150% aplicada pela D. Fiscalização, tendo em vista a ausência de fraude no caso concreto, sendo certo, ainda, que, como se trata de beneficio concedido por ato individual, nos termos dos artigos 155 e 179 do CTN, mesmo se violação houvesse às condições para fruição do beneficio, nenhuma penalidade poderia ser aplicada. (tls.402) 4.4 DA INAPLICABTI IDADE DA TAXA SELIC PARA CÔMPUTO DOS JUROS MORATORIOS (fls.400/401) Inaplicável a taxa Selic para cômputo dos juros moratórias, em razão de afronta a diversos preceitos constitucionais. (115.402) 5. Ao final, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, cancelando-se, assim, integralmente o crédito tributário constituído. 6 Caracterizado o litígio, a lide foi objeto de análise nesta instância julgadora, sendo que, na sessão de julgamento realizada em 29 de agosto de 2002, o Relatar expôs seu voto apresentando diversas constatações, as quais, para um melhor entendimento, abaixo reproduzo: 6.1 Quanto à alegação relativa ao item 4.1.1 .- 6.1.1.0bserva-se inicialmente, que no processo constam as cópias xero gráficas de 09(nove) DCR's e seus anexos, ou seja, 03 (três) às fis.114/125 e 06(seis) ás fls.215/246. Dessas, as únicas que ensejam a uma parcial identificação são às de fis.118/121, identificada, via filigranação, com o que parece ser "002387", de "30.03.00" e de f7s.215/218, identificada, via registro manual, com o número "3661", sem identificação de data, sendo que, os prováveis "documentos anexados aos mesmos" os quais a fiscalização se refere, sejam os de fls.223, 235 e 245, anexos nas cópias de 03(três) DCR's cujas identificações apresentam-se ilegíveis; 6.1.2.Diferentemente do que descreve a autoridade lançadora, os prováveis "documentos" encontram-se anexados em apenas 03(três) DCR's, e não em todos os DCR's enumerados por esta; 62. Quanto às alegações relativas ao item 4.2: 6.2.1 Verifica-se que, de acordo com a descrição dos fatos (fls.09) as datas de registro dos DCR's em questão são 30/03/00, 31/03/00, e 22/08/00, enquanto que o período considerado para fins de apuração do crédito tributário abrange todos os fatos geradores ocorridos entre 10/02/1999 a 28/12/2000. 62.2 Da mesma forma, considerando o demonstrativo de fis.36/41, observa-se que constam no mesmo, modelos de produtos internados diferentes dos modelos "DVD-2240N", "CP-29Q12P" e "CP- /1:". Processo n° 10283.004094/2002-91 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00039 Fl. 1003 25Q20", de que tratam os DCR's em questão, inobstante ao fato de que parte daquele demonstrativo encontra-se parcialmente ilegível (cortado), dificultando assim, seu perfeito entendimento. 7. Diante de tais constatações o Relatar votou no sentido de que o julgamento fosse convertido em diligência para adoção das seguintes medidas: 7.] Anexar cópias dos DCR's em questão ou informar nas cópias já anexadas ao processo, de forma a possibilitar a perfeita identificação dos mesmos, a sua numeração e data de registro (item 6.1.1), além do demonstrativo integral, citado no item 6.2.2, bem como, demais documentos que entender necessários de forma a respaldar e consubstanciar as ações solicitadas; 7.2.Esclarecer quais são os "documentos anexos" os quais o autuante se refere e a que DCR's os mesmos encontram-se anexos (item 6.1.2); 7.3.Explicitar as questões suscitadas nos itens 6.2.1 e 6.2.2; 7.4.Apresentar informações e/ou demonstrativos adicionais, se achar cabível; 7.5.Elaborar relatório circunstanciando os fatos apurados na diligência. 8. Submetido à apreciação, a 2° turma de julgamento desta DRJ/Fortaleza acordou no sentido de que o julgamento fosse convertido em diligência nos tertnos do voto do Relatar, culminando com a Resolução DRJ/FOR n°193, de 29/08/2002 (fis.439/443). 9. Em atendimento à referida Resolução, a autoridade preparadora procedeu à diligência suscitada, resultando na elaboração do Relatório de Diligência Fiscal de fls.450/457, com a anexação ao processo dos documentos de fis.458/1065, e ainda, com a apensação do processo MF n° 10283.004134/2002-02 inerente à representação fiscal para fins penais. Em suma, a diligência deu um novo enfoque ao lançamento, cuias principais divergências a seguir se expõe: a) Enquanto o aura de infração destaca os "bilhetes", os quais teriam como objeto, a inclusão no cálculo dos DCR's, das PCI's adquiridas de empresa comercial e introduzidas como se manufaturadas fossem pela empresa LG (ver fls.09 e 44), a diligência tratou de demonstrar a vincula ção existente entre as empresas TDK e LG, cujas importações de PCI's e controles remotos efetuadas pela primeira teriam sido, de fato, efetuadas pela segunda, tendo sido, inclusive, suscitada a ocorrência de fraude cambial e interposição fraudulenta de terceiros; b) O auto de infração argumentou no sentido da existência de contaminação do Processo Produtivo Básico e abdicação dos beneficios fiscais. A diligência em momento algum utiliza tal argumentação; c) Conforme destacado na Resolução DRJ/FOR n° 193, de 29/0872002 (fts.439/443), com fins de apuração do crédito tributário, 6;? Processo e 10281004094/2002-91 S3 -C2T1 Resolução n.° 3201-00039 Fl. 2004 foi considerado no auto de infração o período que abrange todos os fatos geradores ocorridos entre 10/02/1999 a 28/12/2000, bem como o lançamento se reportou a outros modelos de produtos, além dos modelos CP-25Q20, CP-29Q12P e DVD-2240N Por sua vez, a diligência se ateve ao período de 31/05/2000 a 14/03/2001 e somente aos modelos CP-25Q20, CP-29Q12P e DVD-2240N; d) O crédito tributário apurado no auto de infração foi no total de R$ 23.975.285,58, enquanto que no relatório de diligência fiscal consta um demonstrativo de valores, cujo total soma a quantia de R$ 3.391.872,37; 10. Após a realização da diligência, à interessada foi dada ciência de seu resultado, bem como foi concedido prazo de 30 dias para sua manifestação. 11. Nos termos do documento de fls.1074-1076, a interessada, após breve relato dos fatos, transcreveu parte do Relatório de Diligência Fiscal de fls.450-457, para, em seguida, manifestar-se conforme abaixo, ipsis literis, reproduzimos: 4 — Ao término do Relatório consta ainda que a Requerente fica cientificada da reabertura do prazo de 30 dias para aditar a impugnação do auto de infração em questão. 5 - Em face da mencionada reabertura de prazo, e diante de o Relatório de Diligência ter apresentado novos valores constitutivos do crédito tributário, para que a Requerente tenha condições de se posicionar dentro do presente processo administrativo, conhecendo a exata extensão dos efeitos dos atos que nele têm curso, indaga-se se o Relatório de Diligência Fiscal representa um novo lançamento com desconto de 50%, ou se tem outro efeito qualquer, o qual requer seja esclarecido, reservando-se o direito de manifestar-se após serem prestados os esclarecimentos ora requeridos (sie) 12. Desta forma, diante da diligência realizada e da demanda da interessada, tratou a unidade preparadora de encaminhar em 13/09/2004 o presente processo para esta DRJ/Fortaleza. 13. Considerando a argumentação da interessada, o teor do Relatório de fis.450-457 (fruto da diligência fiscal realizada), toda a documentação anexada, e verificando a modificação dos argumentos do lançamento, conforme já exposto no item 9, este Relator entendeu razoável se admitir a possibilidade de geração de dúvidas por parte da interessada, o que significa que a mesma não teve plena ciência do teor da diligência. Assim, em atenção aos direitos constitucionais de petição e do amplo direito de defesa na sessão de julgamento de 12 de novembro de 2004 votou novamente pela conversão do julgamento em diligência para devolução do processo à unidade lançadora de modo a dar ciência à interessada do resultado da diligência e a concessão do prazo de 30 dias para sua manifestação. 14. Por maioria de votos, a 2° Turma de Julgamento da DRJ/Fortaleza acordou em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, culminando assim, com a expedição da Resolução DR1/FOR n°249, de 12/11/2004 (JIs.1078-1082). 6 Processo na 10283.004094/2002-91 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00039 Fl. 2005. 15. Finalmente, em 01/03/2005, a interessada foi cientificada (11.1088), pelo que, em 31/03/2005, apresentou sua manifestação, conforme documento anexo às 113.1103-1106, o qual, em síntese, têm o seguinte teor: o interessado reitera os termos da impugnação apresentada, pois o Relatório de Diligência não logrou identificar a suposta infração atribuída à requerente em relação às operações ali apontadas; o Relatório de Diligência alterou os critérios de lançamento; ainda que fosse válido o argumento adotado pelo Relatório de Diligência, esse incorreu no vício suplementar de deixar de desconsiderar as vendas de produtos realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e as exportações realizadas pela Requerente fora do âmbito do PAXPÁM, as quais não deveriam ter sido computadas para as finalidades visadas pelo auto de infração, uma vez que o não pagamento do II nessas operações prescinde do cumprimento do PPB; quanto às exportações realizadas fora do âmbito do FEIRAM a requerente esclarece que essas resultaram em 65 unidades para o DVD 2240N; a título demonstrativo, a requerente anexa os documentos comprobatórios das vendas mencionadas às fls.1111-1756 por fim, requer seja julgado improcedente o auto de infração, cancelando-se o crédito tributário e afastando as penalidades impostas. 16. Em 01/04/2005, o processo retornou a esta DRJ/Fortaleza para prosseguimento da ação julgadora." A DRJ-Fortaleza/CE julgou o lançamento parcialmente procedente (fls.1758/1780), nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração • 31/05/2000 a 15/12/2000 Ementa: ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. ELEMENTOS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REQUISITOS DE VALIDADE. As dúvidas porventura suscitadas quanto aos elementos do lançamento, desde que, passíveis de serem sanadas, preservando assim, todos os requisitos de validade do lançamento, não implicarão em sua nulidade. MATÉRIA TRIBUTÁVEL Deverão compor a base de cálculo do lançamento somente os itens que integram a matéria tributável. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 31/05/2000 a 15/12/2000 7 Processo n° 10283.00409412002-91 53-C2T1 Resolução n.° 3201-00039 Fl. 2.006 Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO DOS TRIBUTOS. Compete à Receita Federal do Brasil, à época. Secretaria da Receita Federal, a fiscalização dos tributos federais incidentes na importação de insumos destinados à industrialização, cuja condição é o cumprimento de processo produtivo básico para fins de internação, inerente ao regime Zona Franca de Manaus. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 31/05/2000 a 15/12/2000 Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMEIVTO. PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO MONTADA. IMPORTAÇÃO DE TERCEIROS. A utilização de placa de circuito impresso, importada já montada por terceiros, implica em descumprimento do processo produtivo básico estabelecido na industrialização de aparelhos de audio e de vídeo, na Zona Franca de Manaus, quando de sua internação para o restante do território nacional. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/05/2000 a 15/12/2000 Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. FALTA DE TIPIFICA ÇÃO. Em não sendo tipificado pelo autuante o evidente intuito de fraude na infração cometida pelo autuado, é incabível a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA.TAXA SELICALEGAÇÃO DE II EGITIMIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar alegação de inconstitucionalidade e de ilegitimidade da legislação tributária. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Colegiado (fls.1821/1845), argüindo, - da impossibilidade de manutenção parcial do crédito tributário com base em critério jurídico distinto daquele adotado na lavratura do Auto de Infração. Entende que seria necessário efetuar novo lançamento. - que a recorrente sempre cumpriu o Processo Produtivo Básico e a fiscalização não logrou comprovar o contrário - que é da competência da SUFRAMA a verificação do cumprimento do PPB; - que a Fiscalização deixou de considerar que as placas supostamente adquiridas da empresa TDK poderiam ser utilizadas em produtos não sujeitos ao cumprimento do PPB, a Processo tf 10283.004094/2002-91 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00039 Fl. 2007. tais como aqueles remetidos à ZFM, Amazônia Ocidental e exportação, assumindo a presunção de que as intemações a outros pontos do território nacional escolhidas pelo Auto de Infração é que teriam descumprido o PPB; - que a fiscalização não logrou demonstrar que a recorrente tenha descumprido o limite de utilização de placas importadas determinado pela Lei - que, de acordo com as normas constantes do CTN, as hipóteses de incentivo concedido por ato individual, como é a redução do II gozado pela recorrente ainda que ocorresse violação das condições para fruição do beneficio, a aplicação da multa estaria terminantemente vedada, pois esta só seria admissivel se houvesse dolo ou simulação. Ao final, requer a contribuinte a reforma da decisão recorrida na parte em que manteve o Auto de Infração, para que este seja cancelado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE recorre, ainda, de oficio, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada. É o relatório. 61.g • Processo ti° 10281004094/2002-91 S3-C2 T1 Resolução n.° 3201-00039 A. 2008 Voto Conselheira IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Relatora Os recursos voluntário e de oficio preenchem as condições de admissibilidade, razão pelas quais deles conheço. O crédito tributário ora sob litígio deve-se à conclusão da autoridade fiscal de que a autuada descumpriu as condições para a fruição dos beneficios do regime da Zona Franca de Manaus, concedidos em razão de projeto industrial de implantação na ZFM aprovado pela SUFRAMA, no que se refere aos DCA- Demonstrativos do Coeficiente de Redução de Imposto de Importação de números 2397, 2378, 3261, 8236, 8237 e 8238. Tal conclusão decorreu dos seguintes fatos, conforme consta do Auto de Infração, verbis: "1- Na ação fiscal procedida, encontramos os DCR-Demonstrativos do Coeficiente de Redução do Imposto de Importação de es. 2397, de 30/03/00, 8236, de 22/08/00, 2378, de 30/03/00, 8237, de 22/08/00, 3261, de 31/3/00, e 8238, de 22/08/00, com documentos anexados aos • mesmos, dirigidos aos responsáveis pela confecção dos respectivos DCR, para que incluíssem mercadorias adquiridas no comércio local, precisamente placas de circuitos impressos da empresa IDK DA AMAZÓNIA LLIPRTAÇÃO E COMÉRCIO LIDA. 2-É evidente o intuito de burlar o pagamento dos tributos, já que a LG ELETRONICS, em PPB -Processo Produtivo Básico, aprovado pela SUFRAMA, deveria industrializar placas a partir dos insumos ou se utilizar do que determina o Decreto 783, de 25 de março de 1983, em seu anexo VII e XI, observação n° 2: ' Fica permitida a importação de PCI montadas, com seus componentes, até o limite anual de 18%, incluindo a Portaria Intenninisterial n° 2, de 03/08/95, que altera os percentuais, sendo que este limite será calculado tomando-se como 100% (cem por cento) a quantidade de circuitos impressos, de montagem nacional, utilizados pela empresa no ato imediatamente anterior", o que não houve. 3- Assim procedendo, a empresa não só contaminou o seu PPR para os processos inclusa...Uns referidos nos DCR citados acima, abdicando dos benefícios fiscais destinados as indústrias instaladas na ZFM - Zona Franca de Manaus, como também cometeu crime fiscal quando, com determinado intuito de burlar a fiscalização, subtraiu a base de cálculo dos Impostos incidentes nas saídas das mercadorias do seu estabelecimento. 4-Perde o contribuinte, com este procedimento, a isenção do IPI, sem o direito a compensação, a redução do II na saída e passa a ser penalizado com multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), agravada em virtude da infração relacionada no item 3 acima e em virtude do que determina a Lei n°. 9.430/96 5-São penalizadas todas as saídas de mercadorias da ZFM, amparadas pelos DCR citados, tendo em vista a infração reportada. (..)" Processo n°10283.00409412002-91 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00039 Fl. 2009 (grifos não constantes do original) Na apreciação da impugnação apresentada pela interessada, a DRJ- Fortaleza/CE, em 05/08/2002, decidiu converter o julgamento em diligência, para que fossem esclarecidas questões que suscitavam dúvidas àquela turma julgadora (fis.439/443). O Relatório de Diligência Fiscal (fis.450/457) trouxe novos dados/fatos em relação àqueles descritos no Auto de Infração, de forma tão relevante que levaram à DRJ- Fortaleza à seguinte comparação entre os dois documentos (fl. 1081): "a) Enquanto o auto de infração destaca !bilhetes", os quais teriam como objeto, a inclusão no cálculo dos DCR das PCI adquiridas de empresa comercial e introduzi-las como se manufaturadas fossem pela empresa LG (ver fls. 09 e 44), a diligência tratou de demonstrar a vincula ção existente entre as empresas TDK e LG, cujas importações de PCI e controles remotos efetuadas pela primeira teriam sido, de fato, efetuadas pela segunda, tendo sido, inclusive, suscitada a ocorrência de fraude cambial e interposição fraudulenta de terceiros; b) O auto de infração argumentou no sentido de existência de contaminação do Processo Produtivo Básico e abdicação dos benefícios fiscais. A diligência em momento algum utiliza tal argumentação; c) Conforme destacado na Resolução DRJ/FOR n°193, de 29/08/2002 (fis. 439/443), com fins de apuração do crédito tributário, foi considerado no auto de infração, o período que abrange todos os fatos geradores ocorridos entre 10/02/1999 e 28/12/2000, bem como o lançamento de reportou a outros modelos de produtos, além, dos modelos CP-25Q20, CP-29Q 12? e DVD-2240N. Por sua vez, a diligência se ateve ao período de 31/05/2000 a 14/03/2001 e somente aos modelos CP-25Q20, CP-29Q12P e DVD-2240N d) O crédito tributário apurado no auto de infração foi no total de R$23.975.285,58, enquanto que no relatório de diligência fiscal consta um demonstrativo de valores cujo total soma a quantia de R$ 3.391.872,37; e) Consta no relatório de diligência fiscal a descrição (ver fl. 4567) "Fica o contribuinte cientificado da reabertura de prazo de 30 dias para aditar a impugnação do Auto de Infração em questão". Nota-se que o termo utilizado difere do sentido do termo "apresentar manifestação quanto ao resultado da diligência". Verifica-se, do exposto acima, que a Fiscalização foi além e aquém do requerido na Resolução que determinou a diligência, senão vejamos: a) Ene uanto o auto de in ra ão destaca "bilhetes" os quais teriam como objeto, a inclusão no cálculo dos DCR das PC1 adquiridas de empresa comercial e introduzi-las como se manufaturadas fossem pela empresa LG (ver fls. 09 e 44), a diligência tratou de demonstrar a vinculação existente entre as emeresas TDK e LG cujas importações de PCI e controles remotos efetuadas pela primeira teriam sido, de fato, efetuadas pela segunda, tendo sido, inclusive, suscitada a ocorrência de fraude cambial e interposição fraudulenta de terceiros Processo n4 10283.004094/2002-91 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00039 Fl. 2.010 b) (...) foi considerado no auto de infração, o período que abrange todos os fatos geradores ocorridos entre 10/02/1999 e 28/12/2000, bem como o lançamento se reportou a outros modelos de produtos, além, dos modelos CP-25Q20, CP-29Q12P e DVD-2240N. Por sua vez, a diligência se ateve ao período de 31/05/2000 a 14/03/2001 e somente aos modelos CP-25Q20, CP-29QI2P e DVD-2240N c) O crédito tributário apurado no auto de infração foi no total de R$ 23.975.285,58, enquanto que no relatório de diligência fiscal consta um demonstrativo de valores cujo total soma a quantia de R$ 3.391.872,37; Na parte em que foi além, em que inovou a fundamentação do auto de infração, bem como estendeu o período apurado após 28/12/2000, não formalizou a lavratura de auto de infração complementar exigido pelo § 3° do artigo 18 do Decreto n°. 70.235/1972; na parte em que foi aquém, não trouxe aos autos os esclarecimentos acerca dos tais bilhetes, os quais teriam como objeto, a inclusão no cálculo dos DCRs das PCI adquiridas de empresa comercial e introduzi-las como se manufaturadas fossem pela empresa LG (ver fls. 09 e 44). Tal como foi realizada, a diligência trouxe mais dúvida do que certeza para o lançamento, apesar do zelo pela coisa pública e da boa vontade demonstrada pelo Fiscal autuante, e da resistência demonstrada pela recorrente em atender os termos de Fiscalização, o que lhe valeu a lavratura de auto de infração por embaraço à fiscalização. Diante disso, entendo de bom alvitre baixar os autos ao órgão de origem para que a autoridade preparadora cumpra, integralmente, o determinado na diligência requerida pela DRJ — Fortaleza, atentando, principalmente, para os DCRs objeto do lançamento de oficio, bem como para os determinados "bilhetes" que os acompanhavam. As providências devem ater-se aos períodos fiscalizados e aos produtos a que o auto de infração faz referência. Os exames devem ser realizados, principalmente, na escrita fiscal da autuada, sem prejuízo de circularização nos demais contribuintes que tenham transacionado com a Fiscalizada. A diligência deve ser concluída com relatório circunstanciado de tudo o que for apurado, bem como com o que os agentes fazendários entenderem oportuno para o deslinde do presente litígio. Que se inclua ainda, esclarecimentos relativos às importações realizadas pela TDK, informando se foram beneficiadas pelo regime de importação da Zona Franca de Manaus. Cumprida a diligência, dê-se vista do resultado à autuada e faculte-lhe manifestar-se no prazo de 30 dias. Em seguida, retornem os autos a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. Isto posto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos acima postos. É como voto. Sala de Sessões, em 21 de maio de 2009. 91/144à4Vti-v IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES- Relatora 12,
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900844/2008-00
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA.
Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
Numero da decisão: 1802-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 08 44 /2 00 8- 00 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.151, às fls. 114 a 122: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2372, alocado em débito código 2484), concernente ao período de apuração 04/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não Fl. 404DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 4 3 correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 5 4 Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.292 (fls. 348 a 356), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 365 a 366. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.378 (fls. 368 a 379), solicitando novamente a realização de diligência à DRF Limeira/SP. O Processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 387 a 388, e também com nova manifestação da Contribuinte, às fls. 391 a 401. Este é o Relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.292 (fls. 348 a 356), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 15/07/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de CSLL do mês de abril/2003, no valor de R$ 21.662,03. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 7 6 Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.292, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003 (Ficha 17), às fls. 83, a Contribuinte apurou CSLL anual no valor de R$ 36.839,63 e realizou deduções a título de CSLL mensal paga por estimativa no montante de R$ 255.200,46, o que resultou em saldo negativo de CSLL no valor de R$ 218.360,83. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ (Ficha 16) e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de CSLL em 2003 DIPJ DARF jan/03 36.032,06 36.012,82 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 8 7 fev/03 28.466,83 25.613,77 mar/03 25.369,49 25.208,27 abr/03 21.814,26 21.662,03 mai/03 26.174,28 26.141,76 jun/03 16.482,89 16.469,48 jul/03 27.325,85 27.327,01 ago/03 23.516,59 23.517,42 set/03 25.499,72 23.977,77 out/03 26.825,37 28.945,73 Total 257.507,34 254.876,06 Como mencionado, para a apuração do saldo negativo, foram deduzidos R$ 255.200,46 a título de estimativas mensais na Ficha 17 da DIPJ. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor, porque há divergências entre as estimativas constantes da Ficha 16 da DIPJ, os DARF´s correspondentes e o montante deduzido a esse título na Ficha 17 da DIPJ. Estas questões não foram dirimidas porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva CSLL no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de CSLL a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 365/366, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 16779.28852.150704.1.3.04 8659 em que o contribuinte utilizou o pagamento da estimativa de CSLL do mês de abril de 2003, no valor de R$ 21.662,03 para compensação de débito próprio. A compensação não foi homologada, porque o pagamento encontrase totalmente vinculada ao débito correspondente e esta decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocada e que seu crédito era saldo negativo de CSLL e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco de se multiplicar indevidamente o crédito reconhecido para o contribuinte, ressaltando que há mais processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º 31344.03323.230609.1.3.036500 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da estimativa de CSLL do mês de abril de 2003, no valor de R$ 21.662,03 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de CSLL desse mesmo período, o que só vem confirmar que o pagamento não era não é e nunca foi indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 10 9 Em síntese, a DRF/Limeira/SP registrou: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, juntado aos autos); que a decisão do CARF implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo era temerária; e que o pagamento de estimativa não poderia ser convertido em saldo negativo. Com estas considerações, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifestasse sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF se manifestou sobre a necessidade da diligência que havia demandado, proferindo outra Resolução, de nº 1802000.378 (fls. 368 a 379), nos seguintes termos: A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumpri las”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.292, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 11 10 Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 07372.76811.221208.1.2.030666, retificado pelo PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 12 11 Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 13 12 dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.292, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de CSLL em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de CSLL em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Dando encaminhamento a essa segunda resolução, a DRF/Limeira/SP levantou novas informações, às fls. 387/388, que subsidiaram o despacho de devolução do processo ao CARF: [...] Verificado que a Resolução n.° 1802000.292 requeria a apuração da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2003 bem como o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais, o processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização para cumprimento da diligência. Porém, tivemos conhecimento de que o SCC processou o pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do contribuinte e Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 14 13 depositou em sua conta corrente o valor de R$474.901,37, no dia 20/05/2014. Diante deste fato e verificado que a diligência ainda não havia sido iniciada por motivo de férias do auditor fiscal designado, foi solicitado o retorno deste processo ao Seort. Respondendo à parte dos quesitos, o crédito foi examinado e a restituição foi paga. O pedido de restituição n.° 31344.03323.230609.1.6.036500 bem como a declaração de compensação n.° 16779.28852.170704.1.3.048659 em que o contribuinte utilizou como crédito para compensação o pagamento da estimativa da CSLL do mês de abril de 2003, no valor de R$ 21.662,03, objeto deste processo, tiveram sua análise automática pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que não houve sobrestamento do pedido de restituição, pois a regra geral é que todos os documentos sejam processados automaticamente e não há funcionalidade no sistema que permita à DRF/Limeira interromper o ciclo automático para depois retomálo. Quanto aos itens requeridos pela Resolução n.° 1802000.292, o sistema que analisa automaticamente o saldo negativo de CSLL não gera um relatório das verificações feitas por ele para que se possa atendêla, sendo necessária a repetição manual do quanto já realizado por ele, para atender completamente as resoluções do CARF. Considerando a relevância do fato de o contribuinte já ter recebido a restituição e o entendimento do CARF de que “ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF”, proponho o encaminhamento deste processo ao Gabinete da DRF/Limeira para que autorize o envio deste processo àquele órgão de julgamento para ciência dos fatos, retornando o processo, caso entendam imprescindível o cumprimento da Resolução n.° 1802000.292. Na seqüência, a Contribuinte ingressou com a petição de fls. 391 a 401, informando: que enquanto aguardava a realização da diligência requerida, em 20/05/2014 teve creditado em sua conta corrente o valor de R$ 474.901,37; que dado o fato de que o aludido saldo negativo já fora utilizado em diversas compensações anteriormente ao pedido de restituição, conforme já constante em suas razões de defesa, a Recorrente no dia seguinte ao crédito realizado em sua conta corrente, diligenciou à Receita Federal para verificar o ocorrido, bem como o procedimento para devolução do valor, tendo sido orientada a requerer a expedição de guia para tal; que tal providência foi adotada já no dia seguinte (22/05/2014), conforme se comprova com a petição anexa; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 15 14 que desde o início pode ser constatada a boafé da empresa em adotar todas as providências que se encontravam ao seu alcance para devolver o dinheiro indevidamente creditado em sua conta; que em 17/06/2014, recebeu Despacho Decisório (doc. anexo) no sentido de que a guia para devolução do dinheiro não seria expedida, sendo o processo suspenso até a decisão final dos processos administrativos de compensação; que a presente petição serve para cientificar e esclarecer os fatos ocorridos neste e em todos os outros processos em que se discute o legítimo direito do contribuinte em ter seu crédito processado como “Saldo Negativo”, afastando qualquer dúvida acerca de sua boafé, consignando expressamente que em nenhum momento pretendeu se aproveitar do crédito em duplicidade, tendo os pedidos de restituição sido efetuados posteriormente às compensações e apenas para resguardar seu direito; que ratifica seu pedido de homologação das compensações efetuadas, e que o valor indevidamente creditado em sua conta corrente será devolvido imediatamente quando da expedição da guia competente por parte da DRF/Limeira. Ao proferir a segunda resolução que reiterou a diligência demandada à Delegacia de origem, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF não compartilhou do entendimento de que a apresentação do pedido de restituição do saldo negativo, posteriormente às declarações de compensação, poderia configurar máfé da Contribuinte, com tentativa de aproveitamento em duplicidade do mesmo crédito, ou algo semelhante. Mas também é importante registrar que o referido pedido de restituição, embora servindo para evitar uma eventual prescrição do crédito, não tinha seus efeitos limitados a essa finalidade. Desde a sua apresentação, o pedido de restituição poderia produzir seus normais efeitos, especialmente porque indicava corretamente a espécie do crédito reivindicado (saldo negativo), sem incorrer no mesmo erro de preenchimento das declarações de compensação. Nesse passo, cabe destacar que as informações prestadas tanto pela Delegacia de origem, quanto pela própria Contribuinte, noticiam que o pedido de restituição foi processado e que o crédito relativo ao saldo negativo de CSLL de 2003 já foi restituído/ depositado na conta corrente bancária da interessada. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900844/200800 Acórdão n.º 1802002.431 S1TE02 Fl. 16 15 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000528/2002-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 08/01/2002
INTEMPESTIVIDADE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão da instância inaugural. Ultrapassado o prazo, o recurso não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 3201-001.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 08/01/2002 INTEMPESTIVIDADE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão da instância inaugural. Ultrapassado o prazo, o recurso não pode ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/01/2002 INTEMPESTIVIDADE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da intimação da decisão da instância inaugural. Ultrapassado o prazo, o recurso não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 05 28 /2 00 2- 07 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 a 05, por meio do qual foi formalizada a exigência de crédito tributário no valor de R$ 16.369 ,01, a titulo de Imposto de Importação, acrescido de juros de mora. O presente lançamento foi efetuado em razão de a interessada não haver recolhido integralmente os tributos referentes A importação das mercadorias de que trata a DI relacionadas às fls. 02, tendo em vista medida liminar concedida nos autos do processo n.° 2001.70.08.0020283, conforme relato de fls. 02. Cientificada dessa exigência, a interessada apresentou a impugnação de fls. 16 a 25, argumentando em síntese que: a) a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por decisão judicial proferida em mandado de segurança, restando claro a improcedência da presente autuação; b) diante da inexistência da obrigação tributária principal, não ha que se falar a existência de seus consectários, tais como a multa de ofício; c) é incabível a imposição de juros de mora, tendo em vista a ausência dos requisitos da antijuridicidade e da culpabilidade, conforme entendimento extraído de jurisprudência do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 24); Nestes termos, requereu a declaração da improcedência do presente lançamento. A contribuinte juntou aos autos cópia da petição inicial e da decisão judicial de primeira instância que lhe concedeu a segurança (fls. 42 a 50). O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A Recorrente foi intimada da decisão da instância a quo em 13/10/2009 (terçafeira) e interpôs seu recurso em 13/11/2009 (sextafeira), conforme efls. 141 e 143. O prazo para a interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da data da intimação, excluindose da contagem o dia da intimação, nos termos dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Confirase: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10907.000528/200207 Acórdão n.º 3201001.733 S3C2T1 Fl. 164 3 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Cotejando a situação fática e o comando legal, verificase que a Recorrente excedeu o prazo para a interposição do recurso voluntário, uma vez que o fez no 31º (trigésimo primeiro) dia após o recebimento da intimação. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário, mantendo o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723039/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. INOPONIBILIDADE AO FISCO.
O fato de ser um negócio jurídico indireto não traz a consequência direta de tornar eficaz o procedimento da interessada, pois essa figura não é oponível ao fisco quando visar apenas a mera economia de tributos. No caso concreto, houve fraude à lei do imposto de renda que comanda a tributação do ganho de capital na alienação de ações através da utilização de norma de cobertura. O negócio jurídico indireto se deu através de compra e venda de ações mascarada a partir de um aumento de capital não vivenciado.
NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. MULTA.
No negócio jurídico indireto, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
JUROS SOBRE MULTA.
A multa de ofício, segundo o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo refere-se à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estende-se ao lançamentos decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-001.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DERAM provimento PARCIAL ao recurso de ofício, nos seguintes termos:
pelo voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer os autos de infração do IRPJ/CSLL, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que negavam provimento ao recurso de ofício;
por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento);
pelo voto de qualidade, NEGAR o pedido de baixar o processo em diligência para averiguação de postergação no pagamento de tributos, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que acolhiam o pedido; e
por maioria de votos, mantiveram os juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. O pedido de vistas da Conselheira Karem Jureidini Dias foi negado pelo Presidente. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta substitui o Conselheiro Maurício Pereira Faro que declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA - Relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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INOPONIBILIDADE AO FISCO. O fato de ser um negócio jurídico indireto não traz a consequência direta de tornar eficaz o procedimento da interessada, pois essa figura não é oponível ao fisco quando visar apenas a mera economia de tributos. No caso concreto, houve fraude à lei do imposto de renda que comanda a tributação do ganho de capital na alienação de ações através da utilização de norma de cobertura. O negócio jurídico indireto se deu através de compra e venda de ações mascarada a partir de um aumento de capital não vivenciado. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. MULTA. No negócio jurídico indireto, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS SOBRE MULTA. A multa de ofício, segundo o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 39 /2 01 2- 79 Fl. 5735DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estendese ao lançamentos decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DERAM provimento PARCIAL ao recurso de ofício, nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer os autos de infração do IRPJ/CSLL, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que negavam provimento ao recurso de ofício; II) por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); III) pelo voto de qualidade, NEGAR o pedido de baixar o processo em diligência para averiguação de postergação no pagamento de tributos, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que acolhiam o pedido; e IV) por maioria de votos, mantiveram os juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. O pedido de vistas da Conselheira Karem Jureidini Dias foi negado pelo Presidente. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta substitui o Conselheiro Maurício Pereira Faro que declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Relator. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 5736DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.735 3 Relatório Tratase de autos de infração lavrados para exigência de IRPJ e CSLL, relativos ao ano calendário de 2008 em virtude de a Recorrida, na ótica da Fiscalização, ter deixado de oferecer à tributação o ganho de capital auferido com a alienação de 40% da participação acionária da sociedade Nacional Minérios S.A. (Namisa). Em função da suposta prática de negócios simulados, a multa de ofício relativa aos autos de infração foi majorada para o patamar de 150%. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: 0. Intróito. A história que na sequência se apresenta, sobre servir de peça de Relatório, interconecta dois Contribuintes: Companhia Siderúrgica Nacional – CSN (d’ora em diante, apenas CSN), controladora; e Nacional Minérios S/A. – NAMISA (d’ora em diante, apenas NAMISA), controlada. E assim se faz por uma singela razão: para contar a sua versão, a Fiscalização, nos respectivos autos de infração lavrados contra uma e outra (autos sob nº 19515.723039/201279, em face de CSN, e autos sob nº 19515.723053/201272, em face de NAMISA), assenta suas razões na interrelação havida entre ambas; de seu turno, para efeito de completude, num e n’outro caso, as impugnações colacionadas autorreferenciamse e defendem pontos coincidentes. Seguirseá na mesma linha. É dizer: um só Relatório, um só Voto. Garantese uniformidade, privilegiase o entendimento do conjunto, facilitase a construção do próximo discurso que, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na cadeia própria de construção de linguagem competencial decisória, sobreporseá ao presente. Quando necessário, a referência às folhas de que autos se cuidem será devidamente explicitada por caso CSN ou por caso NAMISA. AUTUAÇÃO CONTRA A CSN (AUTOS Nº 19515.723039/201279). 1. Tratase, aqui, de exigências relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), respeitante ao anocalendário de 2008. Na espécie, apurouse crédito tributário no importe total de R$ 6.079.358.973,81 (fl. 5.107 do caso CSN), então computados juros de mora até novembro/2012 (lavratura havia em 27/12/2012), bem que multa de ofício ao patamar de 150% (fls. 5.095/5.106 do caso CSN). Ao feito em referência, correm apensados os autos sob nº 19515.723040/201201, que guardam Representação Fiscal para Fins Penais. 2. Recuperemse, a propósito, as razões da Fiscalização assim desfiadas no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL” de fls. 5.067/5.093 do caso CSN: Fl. 5737DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Fl. 5738DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.736 5 Fl. 5739DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Fl. 5740DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.737 7 Fl. 5741DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Fl. 5742DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.738 9 Fl. 5743DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Fl. 5744DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.739 11 Fl. 5745DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Fl. 5746DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.740 13 Fl. 5747DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 Fl. 5748DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.741 15 Fl. 5749DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 Fl. 5750DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.742 17 [...] Fl. 5751DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 [...] [...] Fl. 5752DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.743 19 3. O Contribuinte (CSN) tomou ciência da corrente autuação em 28/12/2012, sextafeira (fls. 5098, 5103, 5106, do caso CSN), e trouxe sua insurgência em 30/01/2013 (fls. 5115/5.217 do caso CSN). Alega: 3.1. Tempestividade da peça. 3.2. Explica ter sido conduzido e concluído o presente procedimento fiscal junto a si, digase, Companhia Siderúrgica Nacional (controladora) e frente a Nacional Minérios S.A. (controlada), disso resultando autuações distintas: a) Na primeira (CSN) – autos sob nº 19515.723039/201279 –, sob o pálio de omissão de ganho de capital, esse supostamente experimentado quando investidores estrangeiros, por meio de Big Jump Energy Participações S.A. (d’ora em diante, apenas Big Jump), adquirem, com sobrepreço e sob a modalidade jurídicocontratual de compra e venda, participação societária da CSN na NAMISA; e b) Na segunda (NAMISA) – autos sob nº 19515.723053/201272 –, sob a escusa de possível aproveitamento indevido de amortização de ágio, assim iniciado – dito aproveitamento – a partir do momento em que NAMISA incorpora Big Jump. 3.3. Dizia o Contribuinte (CSN): [...] (destaques do original) 3.4. Pondera sobre o depósito do importe de R$ 7,28 bilhões “em conta corrente da Namisa em integralização de capital, e por ela transferidos à Impugnante [leiase CSN] como antecipações de pagamento por conta dos contratos firmados para prestação de serviços de porto e fornecimento de minério” (destaques do original), recursos esses vindos de Big Jump. Observa que ditos contratos de prestação de serviços e fornecimento de minério seriam dignos de fé, a tanto que “regularmente cumpridos pela CSN”. No particular e para efeito de controle/execução da avenca, em última linha diz que se o preço d’um dado serviço/fornecimento, a cargo da CSN, fosse X, a NAMISA pagaria por isso àquela o importe de XY, e, ao mesmo tempo, a própria CSN abateria Y do total que antes lhe fora antecipado pela NAMISA. Ainda, registra que a CSN remuneraria com juros a NAMISA pelo total que essa última lhe antecipara a título de contraprestação por serviço/fornecimento futuro – parte em espécie, parte com acréscimo do crédito originalmente formado junto à CSN e à conta da multicitada antecipação de pagamento. Fl. 5753DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 20 3.5. Para o deslinde dos autos contra a CSN, de importância nenhuma seria cogitar/julgar o papel de Big Jump em todo o ocorrido, certo que a questão giraria em torno de saber sob que manto jurídico se teria dado o ingresso de numerário estrangeiro (via Big Jump) no país. Por outra, caberia apenas distinguir se dito numerário veio para adquirir participação societária na NAMISA: (1) via subscrição/integralização de capital nessa última (versão defendida pela CSN), ou (2) via compra e venda de porção do investimento (posição societária) detido pela CSN naquela (versão da Fiscalização). 3.6. Que a circunstância de fatos relevantes serem noticiados e, nessa oportunidade, anunciarem a alienação de participação societária detida pela CSN na NAMISA deveria ser interpretada com restrição, certo que o destinatário de tais publicações seria, de ordinário, o público leigo, não especialista na matéria (menciona, a propósito, que o art. 3º, § 5º, bem que a ementa do art. 12, todos da Instrução CVM nº 358, de 3 de janeiro de 2002, assim ditariam). Em verdade, o negócio enfim vingado – e desde o início guardarseia tal perspectiva – teria sido a integralização de capital, via Big Jump, na NAMISA, e não a compra direta e junto à CSN de posição societária na NAMISA. Aliás, outra não seria a conclusão extraível das próprias letras do Termo de Verificação Fiscal de fls. 5.067/5.093 (caso CSN), especialmente dos parágrafos insertos no seu tópico “3.1 – DO ANÚNCIO DA VENDA DE 40% DO CAPITAL VOTANTE E TOTAL DA NAMISA”. Dizia o Contribuinte (CSN): [...] 3.7. Que não se prestaria à descaracterização da ocorrente alienação/aquisição de participação societária na NAMISA, via subscrição/integralização de capital, a circunstância de, num só dia (30/12/2008, na espécie), o capital ali aportado pela Big Jump ser, ato contínuo, transferido para a CSN. De uma, que tal seria o resultado culminante d’um processo de negociação já espraiado no tempo. A duas porque, ao contrário do que infere a Fiscalização, tal não significaria, em linha última, algum tipo de capitalização da CSN, certo que, com base nos contratos firmados entre essa última e a NAMISA (com a primeira a prestar serviços e fornecer de minério de ferro, tudo a tempo futuro, para a segunda), abrirseiam, respectivamente, uma conta de ativo na NAMISA (pela antecipação de numerário) e uma de Fl. 5754DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.744 21 passivo na CSN (pelo recebimento antecipado de numerário), sendo certo que intacto ficaria o capital da NAMISA (pelo lado consequente, o capital da CSN também não teria sido modificado). Dizia o Contribuinte: 3.8. Que os contratos de prestação de serviço e fornecimento de minério de ferro firmados entre CSN e NAMISA se justificariam sob uma perspectiva de integração vertical, certo que de nada adiantaria aos investidores estrangeiros (atores, eles também, no mercado internacional de minério) adquirir posição acionária nessa última sem que garantido fosse o escoamento do próprio bem objeto das avenças (minério de ferro) até os possíveis portos de exportação. Agora, sobre o preciso ponto em que a Fiscalização questiona a verossimilhança do tanto pactuado (a dizer, dúvida posta quanto à formatação do negócio, tais, o adiantamento do preço do serviço/fornecimento, sua remuneração via juros), instaria lembrar que CSN e NAMISA não foram os únicos intervenientes no dito ajuste, em que presentes, também, a vontade de outros sete atores (seis pessoas jurídicas japonesas e uma coreana), todos independentes quer em relação à CSN, quer face à NAMISA. Ainda, ao contrário do que afirma a Fiscalização, os contratos de que se cuidam, pelos seus próprios termos, não criariam situação desfavorável a quaisquer das partes. Disso tudo, no espaço dos contratos ora discutidos, haveria de se reconhecer que na sua gênese rendeuse respeito ao princípio do arm’s length price. Tudo isso, ainda, sem deixar de criticar (pelo viés da nulidade) a atuação da Fiscalização que, sobre autuar a CSN e no preciso tema dos referidos contratos, levantou informações em face da NAMISA (com essa dialogou), e não junto à própria CSN. 3.9. Ainda no terreno da natureza jurídica da aquisição de participação societária na NAMISA, isso por parte de Big Jump, admitida fosse a versão da Fiscalização (compra e venda de posição acionária da CSN, e diretamente em face dessa última, assim detida junto à NAMISA), mesmo assim a autuação (caso CSN) seria impertinente. Nesse cenário, certo que o Contribuinte (CSN), sob a perspectiva de realização no tempo do tanto pactuado, vem de reconhecer porção do que lhe fora adiantado como receita (conforme dito passar do tempo), e oferta isso à tributação, recolhidos IRPJ e CSLL incidentes, o caso seria de postergação de pagamento. Nessa linha, a autuação (caso CSN), no que atina à sua quantificação, estaria comprometida. Nula, pois. Dizia o Contribuinte (fl. 5.196, caso CSN): Fl. 5755DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 22 3.10. Sobre Big Jump constituir, de per si, um simulacro, nega, até com fundamento no que já antes ponderado, a hipótese de que consciência e vontade foram postas a produzir o engodo. Não teria ocorrido falseamento algum; quer absoluto, quer relativo. Especificamente, ainda que “não existisse a referida sala 85A no 3º andar do edifício situado no número 247 da Rua Consolação no período em que a Big Jump existiu e funcionou”, certo que dita pessoa jurídica se constituiu numa “holding pura”, desnecessário qualquer instalação física para a execução de seu objeto social, a dizer, “a gestão e a comercialização de bens próprios e a participação em outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, na qualidade de sócia, acionista ou quotista”, para o que suficiente seria, e é, uma pessoa natural com poder de presentação, tais “funcionários da Itochu BR, subsidiária de uma das seis consorciadas da BRASIL JAPAN IRON ORE CORPORATION, sócia controladora da Big Jump)”. De toda forma, ainda assim mais assevera o Contribuinte (CSN): 3.10.a) A Fiscalização não teria produzido prova de inexistência da referida “sala nº 85A” à data em que Big Jump era operacional, certo que diligência feita a tal propósito (do que resultaram fotos onde não se vislumbram numeração/divisão em alas) se deu em período posterior à incorporação de Big Jump pela NAMISA (lembra que Big Jump, segundo seus documentos de constituição, existiu no período de 10/03/2008 a 30/07/2009). D’outra, a informação prestada por H. Lara Representação e Administração Ltda., proprietário/locador do locus em questão, sobre apontar como locatários do dito espaço e no período investigado, d’um lado, Machado Meyer, Sendacz e Opice Advogados e, d’outro, Esferatur Passagens e Turismo Ltda., e, ainda, sobre se afirmar inexistir a sala 85A, pondera, primeiro, que tal informação é consentânea com o fato de o escritório de advocacia em referência ter levado a cabo a constituição da pessoa jurídica Big Jump e a ela (bem como a seus sócios) prestar serviços, e, segundo, que seria natural ao locador desconhecer a instalação de divisórias (tal a hipótese de disposição de salas/alas pelo andar), certo que não previsto em contrato quer a sua notificação, quer a vedação de sua postura. A dizer, portanto, que afastada ficaria a hipótese do art. 41, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007. Quando muito, poderseia argumentar apenas no sentido d’uma mera irregularidade cadastral. 3.10.b) Tivera vida, sim, Big Jump. A demonstrálo estariam, desde o ato primeiro de integralização de seu capital (com respeito ao art. 80, inciso II, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), atas de assembleias, contratos de câmbio, transferências de ações, pagamento de impostos, movimentações em conta corrente bancária, aplicações financeiras, contratação de serviços, pagamento de dividendos, aporte de numerário expressivo vindo de investidores estrangeiros. Tudo, enfim, a revelar capacidade operacional e patrimonial de Big Jump. A dizer, portanto, que afastada ficaria a hipótese do art. 41, incisos I e III, da IN RFB nº 748, de 2007. 3.11. Ainda na questão retro, acresce o Contribuinte (CSN) que a finalidade da Big Jump era viabilizar, no país e próximo ao negócio portanto, a articulação/coordenação de sete vontades/interesses de pessoas jurídicas estrangeiras distintas (seis de nacionalidade Fl. 5756DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.745 23 japonesa e uma coreana) junto à própria CSN e à NAMISA, tudo com vistas ao objeto participação societária e contratos correlatos e subsequentes. Uma holding nacional, de certo, bem se prestaria a um tal desiderato. Enfim, Big Jump tivera um só e específico propósito: “adquirir e gerir o investimento na Namisa”. Não fosse assim, no limite, terseiam não um, mas sete distintas negociações e respectivas réplicas documentalcartorárioadministrativas. Isso tudo sem dizer dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, verdadeiros indutores de negócios que tais, na exata medida do benefício/incentivo fiscal consistente na dedutibilidade de eventual ágio aí pago, ou, por outra, normativos “cuja função foi e é estimular o investimento externo em empresas brasileiras”. 3.12. Descabida seria a imputação de multa qualificada (ao patamar de 150%), certo que não caracterizada quaisquer de suas hipóteses de incidência, seja pelo viés da simulação, seja pelo da fraude. Do que já ponderado, a Impugnante não teria atuado na produção do falso ou na ocultação do efetivamente ocorrido, pois de tudo dado à ciência ao mais lato público (privado ou governamental), e de tudo quanto solicitado fora entregue à Fiscalização. 3.13. Apenas para argumentar, ainda seria equivocada a redução operada contra prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, pois o fundamento de que se louvara a Fiscalização para assim proceder ainda seria questão não definitivamente decidida em senda administrativa, assim objeto do “procedimento fiscal realizado pela DEFIS/RJ, determinado pelo MPF nº 07190002010025884, [...] concluídos com autos de infração que reduziram o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL da CSN, para o quarto trimestre de 2008, ambos em R$ 227.131.540,81” (fl. 5.207 do caso CSN, em cita feita pelo Contribuinte ao termo de verificação fiscal), a partir do que formalizados os autos sob nº 16682.720452/2011 81, devidamente impugnados (fls. 5.524/5.545). Isso sem dizer que, naqueles autos (nº 16682.720452/201181), a multa de ofício estipulada foi de 75%, sendo certo que, por simetria, mesmo que valente o raciocínio da Fiscalização, alguma porção presentemente lançada e em função da redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, deveria ter a correspectiva multa de ofício também reduzida de 150% para 75%. 3.14. Por fim, em juízo prospectivo e para afastar o argumento da preclusão, já antecipa discussão sobre o que acredita ser inaplicável a incidência de juros de mora sobre multa de ofício não vinculada. Assim porque, vencido o Contribuinte em tudo o mais, “o Fisco certamente exigirá da Impugnante juros de mora sobre o valor da multa de ofício, com vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido.” (fl. 5.210 do caso CSN; destaques do original). AUTUAÇÃO CONTRA A NAMISA (AUTOS Nº 19515.723053/201272). 4. Já aqui, têmse exigências relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), respeitante aos 3º, 4º trimestres de 2009, anocalendário de 2010, todos os trimestres de 2011. Na espécie, apurouse crédito tributário no importe total de R$ 1.746.583.331,87 (fl. 5.127 do caso NAMISA), então computados juros de mora até novembro/2012 (lavratura havia em 27/12/2012), bem que multa de ofício ao patamar de 150% (fls. 5.104/5.128 do caso NAMISA). Ao feito em referência, correm apensados os autos sob nº 19515.723054/201217, que guardam Representação Fiscal para Fins Penais. 5. Recuperemse, a propósito, as razões da Fiscalização assim desfiadas no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL” de fls. 5.076/5.103 do caso NAMISA: Fl. 5757DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 24 [para efeito de se evitar repetição, digase que até o item 4.1 do mencionado Termo de Verificação Fiscal, tudo antes dele segue os mesmos dizeres já antes reproduzidos, isso por ocasião do relato do caso CSN] [para efeito de se evitar repetição, digase que o item 4.2 (acerca da afirmada simulação) teor do mencionado Termo de Verificação Fiscal é de idêntico teor àquele alhures reproduzido, isso por ocasião do relato do caso CSN] [...] Fl. 5758DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.746 25 [...] [para efeito de se evitar repetição, digase que o intem 7 (sobre enquadramento legal de multa, juros de mora, especificação do afirmado dolo) do mencionado Termo de Verificação Fiscal é de idêntico teor àquele alhures reproduzido, isso por ocasião do relato do caso CSN] 6. O Contribuinte (NAMISA) tomou ciência da corrente autuação em 28/12/2012, sextafeira (fls. 5.114, 5.124, 5.128 do caso NAMISA), e trouxe sua insurgência em 30/01/2013 (fls. 5.228/5.287 do caso NAMISA). Alega, na voz do mesmo patrono (Leo Krakoviak – Advogado) que teceu a impugnação aos autos do caso CSN: 6.1. Tempestividade da peça. 6.2. Para o deslinde dos autos contra a NAMISA, de importância nenhuma seria cogitar/julgar a natureza jurídica pela qual se teria dado o ingresso de numerário estrangeiro (via Big Jump) no país, assim que adquirida participação em seu capital social. Seria de nenhum interesse, aqui, distinguir se dita aquisição se dera por compra e venda direta junto à CSN, ou por subscrição/integralização de capital junto à NAMISA. D’outra linha, Fl. 5759DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 26 decisivo mesmo para o caso NAMISA restringirseia “à suposta inexistência de fato da Big Jump, que no entendimento do ilustre fiscal autuante por si só justificaria o presente lançamento com imposição de multa qualificada de 150% em razão da suposta simulação” (fl. 5.239 do caso NAMISA). 6.3. Adiante, mais ponto, menos vírgula, repisamse os argumentos antes trazidos para o caso CSN. Particularmente e de diferente, registrase a discussão ao derredor de Big Jump e seu papel nos atos consequentes. Digno de nota, assim, ainda pondera o Contribuinte (NAMISA): (i) disputa mais fortemente o ponto de vista de se terem nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, elementos indutores de rearranjos societários, mas, de então e em diante, devidamente regulamentados (aproveitamento do ágio sim, mas desde que na ambiência d’uma incorporação, fusão, cisão); (ii) marca, d’outra linha, que acusações de “abuso de forma, falta de propósito negocial ou intenção do contribuinte de economizar tributo”, “QUE ALIÁS NÃO FORAM FEITAS NO CASO CONCRETO PELA ILUSTRE FISCAL ATUANTE” (fl. 5.262 do caso NAMISA; destaques do original), nem seriam índices servíveis de eventual contraposição à incidência dos normativos referidos, sendo suficiente e necessário tãosó o cumprimento das condições objetivas ali postas, a dizer, (ii.1) efetivo pagamento do custo de aquisição e do ágio, (ii.2) negociação de raiz entre partes não ligadas e (ii.3) lisura na avaliação do investimento adquirido e de sua rentabilidade futura (faz cita ao Acórdão 140200802, proferido no “Caso Santander”), requisitos esses presentes/comprovados na espécie. A conferir, assinala o Contribuinte (NAMISA; fl. 5.269): Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP, esta proferiu o acórdão nº 1646.924 (fls. 5.548/5.594), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A FORMA JURÍDICA DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. CARACTERIZAÇÃO. RECHAÇO DA IMPUTAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. ÁGIO. “EMPRESA VEÍCULO”. NÃO COMPROVAÇÃO DE ELEMENTO CONDUCENTE À SIMULAÇÃO, FRAUDE, OU ABUSO DE DIREITO. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO ÁGIO. Se (i) aquisição de participação societária na pessoa jurídica A (impugnante nos autos sob nº 19515.723053/201272)houve, mas Fl. 5760DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.747 27 sob as vestes de subscrição/aumento de capital por parte de pessoa jurídica B; se (ii) dita pessoa jurídica (B), observada a densidade de sua concretude negocial/operativa, à testa de muitos (desde entes privados a até entes governamentais, que dela receberam influxos de sua própria vida), não pode ser tomada como peça engendrada a produzir o falso, a escamotear o real; se (iii), enfim, sob tais balizas, a pessoa jurídica A (controlada) e a pessoa jurídica C (impugnante nos autos sob nº 19515.723039/201279; controladora de A), e mais sete atores estrangeiros, partes independentes entre si, no espaço do princípio da autonomia de vontades, firmam contratos (de fornecimento de minério de ferro e prestação de serviços de porto) que, de per si considerados, e até então executados, merecem fé; se tudo assim consta dos autos sob atenção, não há espaço para a caracterização da simulação, da fraude, do abuso de direito, ou qualquer outra figura de estraneidade ao direito que possa vingar sobre os Contribuintes A ou C aqui considerados. Afastadas, pois, a imputação de ganho de capital contra a pessoa jurídica C, bem que a glosa de amortização de despesa de ágio contra a pessoa jurídica A, tudo ao limite do que presentemente investigado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excedeu R$1.000.000,00, a autoridade de primeira instância interpôs recurso de ofício que passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 5761DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 28 O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. MÉRITO – VOTO VENCIDO Antes de analisar os argumentos em que se escoram a alegação de simulação pela Autoridade Fiscal, é importante tecer um breve resume sobre os fatos ora discutidos: 1. As empresas investidoras estrangeiras (seis empresas japonesas e uma sulcoreana) constituem uma sociedade no Brasil com o objeto de adquirir a participação societária no montante de 40% da Namisa. Nesse contexto, é criada a Big Jump; 2. As investidoras estrangeiras remetem ao Brasil R$7,40 bilhões e capitalizam a Big Jump; 3. Com aquele montante, a Big Jump paga à CSN R$87,56 milhões pela aquisição de 0,7907% das ações da Namisa, e ainda, integraliza ao capital social da Namisa o montante de R$7,28 bilhões por meio de emissão de novas ações; 4. Somandose o percentual de 0,7907% às novas ações emitidas pela Namisa, as investidoras estrangeiras, por meio da Big Jump, passam a deter 40% da Namisa; 5. O valor integralizado ao capital social da Namisa (R$7,28 bilhões) é utilizado para antecipar à CSN pagamento por conta dos contratos firmados para prestação de serviços portuários e de fornecimento de minério; 6. Os referidos contratos vêm sendo regularmente cumpridos pela Recorrida, que emite a fatura de venda dos produtos (minério de ferro) ou prestação de serviços portuários. Por esses fornecimentos de serviços e de produtos, a Recorrida recebe metade das faturas emitidas e a outra metade é abatida do montante de antecipação dos pagamentos que recebeu; 7. Quando da venda dos produtos ou das prestações de serviços, as faturas emitidas pelo seu valor cheio tal valor compõe o resultado tributável da Recorrida; 8. Em função do adiantamento recebido, a Recorrida deve pagar à Namisa 12,5% de juros ao ano, sendo que 34% desse valor são pagos em dinheiro e 66% são incorporados à dívida. Inicialmente, ante o foco dado à constituição de forma simulada da sociedade Big Jump, é importante assentar sua irrelevância para o deslinde do presente auto de infração. Isso porque a Autoridade Fiscal despende muito tempo para detalhar que a Big Jump nunca existiu de fato, tendo em vista que seu endereço era um escritório de advocacia e, portanto, não tendo sequer uma sede real, a empresa não tinha capacidade operacional para realizar seu objeto social, o que faz com que ela pudesse ser considerada ‘pessoa jurídica inexistente de fato’, de acordo com o, a seguir transcrito, artigo 41 da IN RFB Fl. 5762DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.748 29 nº 748/2007, que esteve em vigor nos anos 2008 e 2009 durante o período em que a BIG JUMP, de acordo com seus documentos, teria existido (...)” (fl. 5.076) Ocorre que, para o presente Auto de Infração, pouco importa se as investidoras estrangeiras agiram diretamente ou por meio de uma pessoa jurídica existente ou inexistente de fato. Portanto, a suposta constituição de forma simulada da sociedade Big Jump é irrelevante para o deslinde da controvérsia ora analisada. Como resumido pelo Procurador da Fazenda Nacional em contrarrazões apresentadas (recebidas por este relator como memorial, tendo em vista tratarse de Recurso de Ofício), “a análise da natureza da verdadeira operação realizada entre a CSN, a NAMISA e a BIG JUMP passa necessariamente pelo estudo do passivo registrado pela CSN em decorrência dos “adiantamentos contratuais” que recebeu da NAMISA. A principal controvérsia dos presentes autos envolve saber, justamente, se tal passivo existe”. (fl. 5.606) Determinado o foco da discussão, passase a análise da realidade dos adiantamentos feitos pela Namisa à Recorrida que, na ótica da Fiscalização, tratase de preço da venda das ações da Namisa. Entende o Procurador da Fazenda Nacional que o passivo registrado pela Recorrida em razão dos adiantamentos que recebeu não existe, já que, a dívida da CSN perante a NAMISA não será paga ao longo da vigência dos contratos, assim como a CSN não tem a obrigação de pagar o saldo final dessa dívida quando do encerramento dos contratos. Portanto, não havendo obrigação de devolver os valores que recebeu, desde o momento do seu recebimento, não há que se falar em passivo; e, não havendo passivo, não há adiantamentos, e o resultado final das operações é a titularidade definitiva dos recursos pela CSN em decorrência da alienação dos 40% das ações da NAMISA a BIG JUMP, com a obtenção de ganho de capital. Em relação à impossibilidade de pagamento ao longo da vigência dos contratos, o Procurador elenca os seguintes argumentos: Em primeiro lugar, dizse que a dívida da CSN perante a NAMISA não será paga ao longo da vigência dos contratos porque, da leitura dos referidos instrumentos, vêse claramente que a troca de riquezas estipulada entre as empresas não permite a redução da dívida com o decorrer do tempo, mas, pelo contrário, possibilita o seu contínuo e significante aumento. Por certo, tal como fora acima explicado e desenhado, em razão do desenrolar dos contratos firmados entre a CSN e a NAMISA, e cujos valores foram adiantados, a NAMISA, na qualidade de adquirente dos minérios e cliente dos serviços portuários, deve pagar metade da fatura em dinheiro, sendo que a outra metade é saldada por meio do abatimento da dívida que a CSN tinha com a NAMISA em face dos valores que recebeu de forma adiantada. Até aqui tudo certo. Nos termos do artigo 368 do Código Civil, em razão dos contratos assinados, a NAMISA esta extinguindo parte de suas obrigações perante a CSN por meio de compensação, e, com o passar do tempo, SERIA NORMAL o Fl. 5763DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 30 exaurimento do saldo devedor da CSN por meio do abatimento do valor a receber da NAMISA. Todavia, quando se junta a essa forma de extinção das obrigações contratuais da NAMISA o pagamento dos juros devidos pela CSN incidentes sobre o saldo de adiantamento, notase algo estranho. Isso porque sendo tais juros, de 12,5% ao ano, incidentes sobre o saldo do valor total adiantado (que corresponde à metade do valor total dos contratos), e sendo que 66% desses juros não são pagos a NAMISA, mas sim acrescidos ao saldo do valor total adiantado, chegase facilmente à conclusão de que, em razão da diferença entre o valor que é abatido e aquele que é acrescido ao saldo de adiantamento, a dívida registrada pela CSN em face da NAMISA nunca será extinta ao longo da vigência dos contratos, mas, pelo contrário, só aumentará. Com efeito, não há como fechar os olhos a brutal diferença, estabelecida em contrato, entre o valor que é mensalmente abatido do saldo de adiantamento em razão do pagamento devido pela NAMISA, e o valor que é acrescido todo mês a esse mesmo saldo em decorrência da postergação de pagamento dos 66% dos juros devidos. Enquanto o valor abatido corresponde à metade do pagamento devido em um mês de duração do contrato, o valor acrescido é igual à 8,25% (66% de 12,5%) de metade do valor total dos contratos, os quais tinham prazos de vigência de 30 a 34 anos. Dividindo um mês de pagamento devido pela NAMISA pelos 12 meses dos 34 anos de vigência de dois contratos, vêse que a amortização mensal dos contratos corresponde a aproximadamente 0,2% do valor total do contrato. Destarte, a grosso modo, com suporte apenas no período de vigência dos contratos, notase que, enquanto o acréscimo do saldo se pauta em determinado valor, o abatimento ocorre com base em 0,2% desse mesmo montante. A diferença é absurda. Por essa razão que, voltando ao esquema gráfico apresentado no tópico anterior, vêse que, durante os anos de 2009 e 2010, enquanto a CSN abateu do saldo da dívida com a NAMISA R$ 598 milhões, adicionou R$ 1,2 bilhão. Ou seja, ao longo dos dois primeiros anos de vigência dos contratos de fornecimento de minério de ferro e de prestação de serviços portuários, cujos pagamentos foram adiantados na monta de R$ 7,28 bilhões, o saldo de adiantamento da CSN aumentou R$ 600 milhões. Se de um lado houve cumprimento de 6% do contrato (2 anos em 34 anos), o saldo do valor inicialmente adiantado aumentou 8%. Ora, diante da regra contratual estabelecida entre as partes, e do exemplo da materialização dessa regra no caso concreto, indagase: há como a dívida registrada pela CSN em razão dos adiantamentos que recebeu da NAMISA ser paga? É claro que não. A brutal diferença a maior da quantia que é adicionada mensalmente ao saldo de adiantamento nunca permitirá a sua amortização ao longo da vigência dos instrumentos, mas sim o seu contínuo crescimento. E, voltase a ressaltar, essa diferença é assegurada contratualmente por meio Fl. 5764DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.749 31 dos diferentes valores que servem de base de cálculo para a adição e para a redução do saldo. Enquanto a redução é pautada na metade de uma prestação mensal, a adição é calculada com base na metade do valor total dos contratos, os quais tem prazo de até 34 anos. Neste momento, é importante frisar que os contratos foram firmados entre partes independentes, inclusive constando os sócios estrangeiros como intervenientes, o que dificulta concluir pela ocorrência de um ato simulado visando apenas o benefício da CSN. Neste sentido, muito bem colocou a decisão de piso: 17. Ora, se na raiz de tudo vicejam partes independentes, com maior força se reifica o princípio da autonomia da vontade nos negócios privados. E, se autônomas e independentes as vontades, o que do encontro delas pode exsurgir, com muito mais plausibilidade e no terreno contratual, é a fixação de preços compatíveis com o mercado e racionalmente econômicos (arm’s length price). De ordem que, do ponto que se parte (negociação havida entre partes independentes), de saída, não cabe questionar valores e índices contratuais, tanto mais quando neles (preços e índices) não se identifica o absurdo ao senso comum. Salientase que a suposta desproporcionalidade das antecipações de pagamento foram bem refutadas pela Recorrida em sua Impugnação, onde demonstrou que os preços contratados são o resultado da soma de dois componentes: i) P1 (parcela variável reajustada inicialmente anualmente e depois trimestralmente pela variação do preço do “Minério de Referência”) e ii) P2 (parcela fixa, reajustável apenas a cada 5 anos e se necessário para manter o equilíbrio contratual e que foi paga antecipadamente). Significa, portanto, que a Namisa teria a garantia de fornecimento de produtos e serviços ao longo de 34 anos e, ainda, a vantagem da parcial estabilidade do preço do serviço e do minério (ao menos a cada cinco anos), diminuindo seu risco atrelado às variações no preço do Minério de Referência, já que essa se daria apenas à parcela variável (P1). Acerca do benefício desse contrato para a Namisa e a plausibilidade dos valores envolvidos, verificase que os documentos acostados à Impugnação (fls. 5.341 a 5.434) evidenciam que o valor cobrado pela Recorrida da Namisa para prestação de serviços portuários estavam aquém dos valores praticados pela Recorrida para mesma prestação de serviços a terceiros, conforme se depreende da planilha anexada: Fl. 5765DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 32 É de se verificar que o pagamento antecipado beneficiou a Namisa e não pode ser simplesmente entendido como um ato simulatório que simplesmente serviria para pagar o preço da aquisição de ações da Namisa. Além dos benefícios à Namisa ponderados acima, a Recorrida transcreve as notas fiscais emitidas para Namisa na venda de serviços e produtos que de 2009 a 2012 totaliza o montante de R$2.786.104.745,70. Portanto, a metade desse valor (R$1.391.062.297,20) já foi abatida do saldo devedor. Assim, mesmo se forem desconsiderados os benefícios indiretos dessas antecipações (redução à exposição da variação do minério e garantia de fornecimento do produto e de serviços portuários), a conclusão pela impossibilidade de pagamento do passivo mediante a análise do montante que foi faturado no início do contrato é, no mínimo, temerária. De qualquer forma, admitindose que o raciocínio desenvolvido pelo Procurador mereça prosperar e que, portanto, o passivo seria impagável e não representaria qualquer benefício que justificasse aquela antecipações pelas condições impostas nos contratos, darseia o seguinte cenário: A Recorrida, em cumprimento ao contrato, emite as faturas de venda de minério de ferro e prestação de serviços e tributa pelo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (e ISSQN quando for o caso). Entretanto, se os valores recebidos pela Recorrida fossem apenas pela venda das ações da Namisa, eles seriam contabilizados como receita de alienação de investimento, e a Recorrida somente teria o ônus relativo ao IRPJ e à CSLL. Portanto, a operação simulada visando a economia de tributos não faria sentido sob essa ótica. Em relação aos valores de juros cobrados pela Namisa que acrescem o saldo devedor (2/3) ou devem ser pagos (1/3), a credora, em cumprimento ao contrato, deve tributar Fl. 5766DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.750 33 os juros reconhecidos pelo princípio da competência pelo IRPJ e pela CSLL. Portanto, caso seja reconhecida que a parcela recebida pela Recorrida foi oriunda do preço de venda das ações da Namisa e que, dessa forma, estaria sujeita ao IRPJ e à CSLL, deve ser reconhecida a inexistência da receita financeira que deve estar sendo apurada pela Namisa e base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Logo, a operação simulada visando a economia de tributos também não faria sentido sob essa ótica. Se a operação foi simulada e os valores recebidos a título de adiantamento foram o preço pela aquisição das ações da Namisa, a Recorrida estaria entregando os minérios de ferro e prestando os serviços portuários de graça, beneficiando os sócios estrangeiros? Parece não fazer sentido o raciocínio sob essa ótica. Pareceme que a suposta simulação ora analisada não trouxe a alegada redução da carga tributária. Em relação à suposta garantia de não pagamento ao final do contrato, o Procurador tece as seguintes considerações (fl 5.609): Em segundo lugar, além da impossibilidade contratual de extinção da dívida com decorrer do tempo, os contratos de fornecimento de minério e de prestação de serviços portuários também garantem o seu não pagamento ao final dos seus prazos de vigência, independentemente do valor do saldo. Ou seja, além de impedir o seu exaurimento, os contratos garantem que, por maior que seja o valor final da dívida, ela não será paga pela CSN ao final. Tal aspecto contratual pode ser claramente visto da leitura da cláusula 10.7 dos contratos de fornecimento de minério e da cláusula 14.6 do contrato de prestação de serviços de operação portuária, os quais apresentam a seguinte redação: Se, quando do total fornecimento da Quantidade Contratual pela VENDEDORA à COMPRADORA, houver saldo da Antecipação de Pagamento feita pela COMPRADORA à VENDEDORA nos termos da Cláusula 5.1 (“Saldo”), a COMPRADORA deverá pagar à VENDEDORA um montante equivalente a tal Saldo (“Pagamento”), em contrapartida (i) dos investimentos feitos pela VENDEDORA para produzir e fornecer o Produto à COMPRADORA (comprando equipamentos, contratando pessoal, implementando sistemas, etc.), e (ii) do compromisso assumido pela VENDEDORA de disponibilizar a Quantidade Contratual à COMPRADORA, incluindo pela VENDEDORA de disponibilizar a Quantidade Contratual à COMPRADORA, incluindo em prejuízo de quaisquer outras oportunidades de negócios que envolvam o minério de ferro da Mina de Casa de Pedra. Fica neste ato acordado pelas Partes de maneira irrevogável que a [Antecipação de Pagamento] deverá ser imediatamente compensada com o Pagamento. (grifo nosso) Nobres Conselheiros, o texto acima não admite dúvidas. A cláusula citada garante que “se houver saldo da Antecipação”, Fl. 5767DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 34 a NAMISA deverá pagar a CSN um montante EQUIVALENTE a tal saldo. Adicionalmente, o item ainda garante que, em face da superveniência de direitos e deveres contrapostos e no mesmo valor, o saldo de adiantamento devido pela CSN será extinto pela imediata e irrevogável compensação com a nova obrigação que surgiu em nome da NAMISA. Sem sombra de dúvidas, a curiosa redação dessa cláusula reclama maiores comentários. Em relação à cláusula citada acima, se ao final do fornecimento de quantidade contratada pela Recorrida à Namisa e dos serviços prestados houver saldo da Antecipação de Pagamento, tais valores deverão ser convertidos em pagamento definitivo e, dessa forma, haverá ganho pela Recorrida (baixa do passivo em contrapartida de crédito no resultado). No presente momento, não há como supor se haverá saldo que deverá ser transformado em pagamento definitivo e qual seria seu montante, com o risco de efetuar lançamento sobre um eventual renda, que ainda não ingressou de forma definitiva ao patrimônio do contribuinte, ainda não disponível, ilíquida e incerta. Não há nem mesmo provas ou conjunto de indícios que permitam a conclusão de que os negócios jurídicos sob análise foram produzidos para escamotear algum outro fato que não esteja sendo alcançado pela tributação. Nesse ponto, necessário ressaltar que os contratos de fornecimento de minério e prestação de serviços portuários referemse ao direito de ter prestada referidas contraprestações, e não necessariamente ao valor do minério de alta sílica, de baixa sílica ou do preço do embarque no momento em que o mesmo ocorrer. Tratase do “direito” ás referidas contraprestações, sujeita a ajuste futuro levando em consideração (i) variação do dólar e (ii) variação do preço de mercado dos bens e serviço contratados. Não há que se falar, assim, em verificação projetada do valor do minério ou do serviço objeto dos contratos, para se saber se, ao final do prazo, o valor do crédito terá sido integralmente absorvido ou não. Isso porque, não se negociou, em referidos contratos uma quantidade de minério ou de prestação de serviço portuário pelo preço futuro, mas sim o direito de ter referidas contraprestações com valores ajustáveis no curso do tempo. E, ainda assim, num momento futuro, se houver saldo residual e o passivo for extinto em função do estabelecido contratualmente, haverá o reconhecimento do ganho sujeito, eventualmente (pois não se pode prever a norma que estará vigente), à tributação. Ao final e ao cabo, apesar de operação não ser normal de mercado, não é crível supor que a Contribuinte tenha vendido 40% da NAMISA, assumindo, por 34 anos, a venda de minério e prestação de serviços portuários por valores muito abaixo daqueles praticados pelo mercado. Isso porque, assumido o compromisso de fornecimento de minério de serviços portuários, referidos fornecimento vem sendo, de fato, praticados, com dedução dos valores antecipados, conforme laudo apresentado em sede de memoriais. Nesse contexto, como muito bem ponderou a decisão da DRJ, sob as perspectivas até então colocadas: se (i) aquisição de participação societária na NAMISA houve, mas sob as vestes de subscrição/aumento de capital por parte de Big Jump; se (ii) dita pessoa jurídica, observada a densidade de sua concretude negocial/operativa, à testa de muitos (de entes privados a entes governamentais, que dela receberam influxos de sua própria Fl. 5768DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.751 35 vida), não pode ser tomada como peça engendrada a produzir o falso, a escamotear o real; se (iii), enfim, sob tais balizas, NAMISA e CSN, e mais sete atores estrangeiros, partes independentes entre si, no espaço do princípio da autonomia de vontades, firmam contratos (de fornecimento de minério de ferro e prestação de serviços de porto) que, de per si considerados, e até então executados, merecem fé; se tudo assim consta, firme na argumentação até aqui desfiada, não há espaço para a caracterização da simulação, da fraude, do abuso de direito, e qualquer outra figura de estraneidade ao direito que possa vingar sobre os Contribuintes aqui considerados (NAMISA e CSN), ao limite do que presentemente investigado. Não é indício é fato: o preço que está sendo realizado é inferior ao de mercado, ou próximo dele, de forma que P2 não pode ser desconto porque P1 não e suficiente para custear o valor do bem ou serviço Pelo exposto, não merece prosperar o recurso de ofício. MULTA QUALIFICADA – VOTO VENCEDOR Segundo se extrai do auto de infração, a multa qualificada decorreu da seguinte verificação: Fl. 5769DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 36 Assim, aplicouse a multa qualificada pela “intenção livre e consciente da contribuinte de evitar a ocorrência do fato gerador do IRPJ mediante simulação, conduta caracterizada no art. 72 da lei nº 4.502/64”. Pois bem. Dispõe, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõem o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da “falta de declaração ou declaração inexata” constante do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente”, o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da Lei nº Fl. 5770DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.752 37 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante “ação ou omissão dolosa”, que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da Lei n 9.430/96. Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). A dúvida é saber se, num caso como o presente, em que todos os atos praticados pela Recorrente, apesar de a Turma Julgadora, pelo voto de qualidade, terem sido considerados como simulação, mas mediante ampla publicidade de todo o processado, permitiria a identificação do chamado evidente intuito de fraude ou a prática de sonegação fiscal. Isso por que a simulação importaria necessariamente em práticas de encobrir o fato realizado, de forma a que a conduta do Contribuinte tenha necessariamente de vir acobertada por um doloso véu de ocultação. No caso dos autos, vejo que, apesar do julgamento de mérito, ainda assim não houve a presença do dolo relacionado à conduta que levou à pretendida redução de tributo. Nos casos de planejamento tributário, é necessário que seja identificado o dolo relacionado à ilicitude da conduta praticada, e não com relação ao objetivo de redução de tributo. Mesmo porque está no cerne do conceito de elisão fiscal a existência do direito do contribuinte de planejar seus negócios com o objetivo de redução ou não pagamento de tributos. No entanto, frustrado o planejamento tributário e ausente a evidência de que o contribuinte sabia e queria praticar o ilícito, deve ser afastada a multa qualificada. Temse, assim que, apesar de o negócio ter sido considerado simulado, afastandose os seus efeitos para fins de tributação, identificandose ser o tributo devido, resta evidente que a Recorrente agiu certa de que estaria praticando o chamado negócio jurídico lícito, afastando o dolo apontado. Entendo, pois, que não existiu, assim, o dolo específico pedido pelo caput dos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 1964, elemento essencial para se promover a qualificação da multa de ofício, ainda que tenha havido alteração das chamadas circunstâncias materiais ou a modificação das características essenciais do fato gerador. Importante ressaltar que o fundamento legal para afastar a simulação (art. 167 do Código Civil) é diverso daquele que respalda a qualificação da multa (arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502). Neste sentido, apresento precedentes do Conselho de Contribuintes, in verbis: Fl. 5771DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 38 IRPJ – ATO NEGOCIAL – ABUSO DE FORMA – A ação do contribuinte de procurar reduzir a carga tributária, por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário. Porém, tendo o Fisco demonstrado à evidência o abuso de forma, bem como a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabível a desqualificação do negócio jurídico original, exclusivamente para efeitos fiscais, requalificandoo segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos.(acórdão 10195.552). SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES COM ÁGIO E SUBSEQUENTE CISÃO – ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA – SIMULAÇÃO. Os negócios jurídicos envolvendo as reorganizações societárias de que tratam os fatos, com subscrição de ações com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao aumento de capital, precedida de pacto simulatório, e sem vivência dos riscos do negócio jurídico, revelam uma verdadeira alienação de participação societária e caracterizam a simulação, nos termos do art. 102, e seu inciso II, do Código Civil de 1916, uma vez que os atos formais são apenas aparentes e diferem do negócio efetivamente praticado. Tais atos não são oponíveis ao fisco, e nessa situação é devido o tributo incidente sobre o ganho de capital obtido com a alienação do investimento . MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – INEXISTÊNCIA – IMPROCEDÊNCIA – As operações societárias praticadas pela recorrente, desqualificadas pelo FISCO porque imputadas de dissimuladas (simulação relativa) porém tidas como possíveis em face de parcela da doutrina e de decisões ainda recentes deste Tribunal, que sustentam tratarse de negócio jurídico indireto , pelas suas próprias características, não pode ser considerada como praticadas com evidente intuito de fraude, inclusive porque realizadas com toda publicidade que os atos exigiram.(acórdão 10708.837) INCORPORAÇÃO ATÍPICA NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO SIMULAÇÃO RELATIVA A incorporação de empresa superavitária por outra deficitária, embora atípica, não é vedada por lei, representando um negócio jurídico indireto, na medida em que, subjacente a uma realidade jurídica, há uma realidade econômica não revelada. Para que os atos jurídicos produzam efeitos elisivos, além da anterioridade à ocorrência do Fl. 5772DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.753 39 fato gerador, necessário se faz que revistam forma lícita, aí não compreendida hipótese de simulação relativa, configurada em face dos dados e fatos que instruíram o processo. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos (acórdão 103 21.047). PENALIDADE QUALIFICADA – INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE – ERRO DE PROIBIÇÃO – ARTIGO 112 DO CTN – SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI – Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudências contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. (acórdão 10195.537). Diante do exposto, por não entender estar presente o dolo necessário para a caracterização da sonegação, da fraude e do conluio, voto por dar provimento ao recurso, nesse particular, e retirar a qualificação da multa de ofício, reduzindo a mesma para o percentual de 75%. DILIGÊNCIA. PEDIDO DE ANÁLISE DE POSTERGAÇÃO. (VOTO VENCIDO) No presente feito, temse, em suma, o seguinte: Fl. 5773DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 40 a) A CSN celebrou com a NAMISA contratos de adiantamento de minérios e serviços portuários, cujo pagamento foi antecipado pela NAMISA à CSN; b) A cada mês, a CSN promovia a venda de minério e prestava serviços portuários à NAMISA, deduzindo parcialmente os créditos detidos pela NAMISA. Com relação a essas deduções, a CSN emitia notas fiscais de venda e prestação de serviço, oferecendo a receita à tributação; c) Com a desconsideração promovida pela Autoridade Fiscal e mantida por esta Turma Julgadora, imputouse os valores adiantados à CSN como lucro tributável. d) No entanto, parte desses valores já haviam sido oferecidos à tributação pela CSN, quando da venda do minério e prestação de serviços portuários, o que caracteriza, em tese, postergação, passível de redução do crédito tributário devido. Nesse cenário, considerado que toda a documentação necessária para a verificação da ocorrência de postergação encontrase nos autos, é pacífico o entendimento desta Turma Julgadora em baixar o feito em diligência para verificar a postergação. Isso porque, se os valores tidos por omitidos quando do recebimento do adiantamento (momento 01) foram oferecidos à tributação quando da emissão das notas fiscais de venda de minério e prestação de serviços (momento 02), a tributação ocorrida no “momento 02” é passível de redução daquilo que se entende por devido no “momento 01”, sob pena de se tributar duas vezes o mesmo rendimento. Não desconsidero que, no presente caso, a requalificação jurídica pretendeu a alteração da natureza jurídica dos valores recebidos, de receita de venda de produtos e prestação de serviço para ganho de capital decorrente de alienação de participação societária. No entanto, em se tratando de mesma pessoa jurídica e tributação dos mesmos valores, não é possível desconsiderarse aquilo que já foi tributado a título de IRPJ e CSLL, para fazer incidir uma nova tributação da renda, repitase, sobre exatamente os mesmos valores. É o que entende o Parecer COSIT nº 02/96, que merece aplicação ao caso concreto. Diante do exposto, voto por baixar o feito em diligência para, a partir da requalificação do negócio realizado pela Autoridade Fiscal: a) Apurar os valores das receitas apuradas pela CSN na venda de minério e prestação de serviços, nos termos dos contratos firmados entre as partes e objeto de requalificação neste processo; b) Confirmar os valores de tributação da renda oferecidos e pagos pela CSN a partir das vendas descritas no item anterior; c) Apresentar tabela de composição dos valores entre receitas tributadas com a partir das vendas de mercadorias e serviços e valores considerados como ganho de capital, na requalificação do negócio jurídico em análise. Fl. 5774DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.754 41 d) Elaborar parecer conclusivo acerca da postergação da tributação da renda incidentes sobre os mesmos valores requalificados e oferecidos à tributação. JUROS SOBRE MULTA – VOTO VENCEDOR Por fim, questiona a Recorrente a incidência da SEL1C sobre as multas aplicadas, entendendo que, por ausência de previsão no Código Tributário Nacional, os juros não podem incidir sobre a multa aplicada. Argumenta a Recorrente que a única hipótese de incidência de juros sobre multa está consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei IV 9.430/96, devendo, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1° do art. 161 do CTN. Sem razão a Recorrente. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei if 9,430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; No entanto, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Vejamos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. De outra feita, não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma corno base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa, Vejamos: Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o 3" do art 5", a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de UM por cento no mês de pagamento. Fl. 5775DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 42 Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão — de incidência de juros sobre multa , poderseia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, urna sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, voto no sentido de afastar os argumentos expendidos no recurso, neste particular. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 5776DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.755 43 Voto Vencedor Conselheiro, Antonio Bezerra Neto Fui designado para redigir o voto vencedor em relação ao restabelecimento dos lançamentos do IRPJ e da CSLL, bem assim da desqualificação da multa e do indeferimento de diligência para averiguar possível postergação de tributos. É tema árido o que envolve o planejamento tributário seja no Brasil, seja no mundo. Isso porque as formas de se fazer um negócio são várias e a liberdade contratual e econômica é também ampla, mas não irrestrita. É que o interesse público em um verdadeiro Estado Democrático de Direito também deve ser considerado, impondo limites a uma liberdade irrestrita, impondo limites a um abuso de formas e ao direito que visaria tão somente a uma economia tributária. O problema é que essas distorções nas formas não levam necessariamente a uma ilicitude, mas também não conduz a uma passividade do Estado perante a esses abusos, aceitando toda e qualquer arranjo contratual e negocial no que diz respeito as conseqüências tributárias. Nesses casos, a requalificação dos fatos deve ser perseguida em nome da justiça fiscal. O problema é que, conforme bem colocado pelo festejado jurista Marco Aurélio Greco, “Aquilo que era anormal em determinado momento, tanto pode ser mero produto da criatividade da necessidade de buscar uma solução nova como pode ser uma distorção nociva. Por isso nessa vertente, do exame do tema, a anormalidade da forma ou desemboca numa das três outras figuras (abuso de direito, fraude à lei e simulação”). Tais distinções devem ser perseguidas em cada caso concreto. É o que passamos a fazer a partir de agora. A fiscalização acusa que houve na verdade uma verdadeira compra e venda de ações da Namisa à CSN, simulado através de um aumento de capital seguido de pagamento antecipado de parte do preço pelo fornecimento de minérios e prestação de serviços portuários de modo a mascarar o verdadeiro negócio jurídico entabulado (simples venda de participação acionária). A PFN chama a atenção em uma primeira versão, que a dívida da CSN (recorrida) para com a Namisa decorrente da antecipação de pagamento relativa a parte do preço P2 é impagável. (A Recorrente em memorial e tabelas simulatórias tenta demonstrar que, pelo menos teoricamente, a dívida era pagável, sim.) Em sede de sustentação oral e em memoriais acostados aos autos, a PFN aprofunda a distorção existente no negócio jurídico entabulado entre a Namisa e a CSN na forma de um contrato de compra e venda de ações e outras avenças em que se justificaria o imediato trânsito financeiro do valor aportado como aumento de capital da Namisa (investida) para a CSN (investidora). Segundo ela, a forma como foi efetuado o abatimento mensal da dívida decorrente do pagamento antecipado não seria a forma correta segundo o seu entendimento e traria desproporção entre o abatido e o antecipado, evidenciando assim no caso verdadeira antecipação do IRPJ. Fl. 5777DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 44 A Recorrente, por sua vez, se defende afirmando que em se tratando de negócio celebrado entre partes independentes e com interesses antagônicos, a única forma verdadeiramente correta de abatimento é aquela estabelecida nos contratos firmados. E que o procedimento adotado pela CSN está efetivamente prevista no contrato e é absolutamente coerente e consistente, tudo como retratado nos gráficos elaborados pela CSN com base nos elementos constantes dos autos e que foram validados pela Ernest Young. Alega ainda que o pagamento antecipado realizado não corresponde a uma quantidade específica de minério embarcado, mas sim a parte do preço devido (P2) por todo o volume de serviços a serem prestados pelos 34 anos do contrato, trazido a valor presente, considerada uma taxa de desconto de 8,25% (considerada a previsão mensal de embarque conforme anexo III do contrato). Explica ainda que “inexiste no contrato a figura de um adiantamento de X toneladas. O que se pagou antecipadamente foi parte do preço devido pela totalidade de toneladas de minério a serem embarcadas ao longo de todo o contrato). Nessa mesma linha de entendimento, tenta justificar as cláusulas contratuais que tanto a fiscalização quanto a PFN apontam como determinantes para demonstrar que o passivo entabulado nessa negociação seria fictício, uma vez que ao fim do contrato aquele que seria credor, não mais seria. Nessa linha de raciocínio, a previsão de cômputo de juros sobre o saldo antecipado seria uma forma de perpetuar os pagamentos com desconto desproporcional até o fim do contrato, gerando a operação sempre um grande prejuízo. Em primeiro lugar, vamos analisar se aqui adotarmos a tese da fiscalização complementada pelas outras razões aduzidas pela PFN seria isso algo passível de anulação, em função de inovação do auto de infração. Tenho pautado os meus votos em relação a esse aspecto em algumas premissas de forma a dar coerência nas situações que enfrento no sentido de saber se uma determinada situação somente identificada pela DRJ ou pelo CARF conduziria ou não à inovação do lançamento. A primeira situação é aquela em que a decisão se utiliza de argumento subsidiário a fim de corroborar ainda mais o fundamento de determinado auto de infração , ou seja, quando se trata de um argumento que não é independente, que por si só não sustentaria o auto de infração. Nessa situação, se a DRJ estiver correta, esse argumento subsidiário ao principal apenas dota este último de maior robustez, caso contrário, a manutenção do lançamento dependerá apenas da validez do argumento original que fundamentou o auto de infração. Vale salientar que esse não é o caso concreto. Outra situação é quando as condições para se provar uma determinada situação de fato ou de direito são independentes uma da outra, mas não cumulativas, mas tanto uma quanto a outra condição se apresenta factível de investigação ao mesmo tempo, sem necessariamente uma condição servir de prejudicial ao aparecimento da outra condição. Tal caso, é mais complexo e irá depender do contexto. Pois o autuante, pela lógica, poderia apenas dar por satisfeito para autuação quando qualquer uma das duas condições se mostrar não satisfeita. Isso não quer dizer que o contribuinte para provar a veracidade de uma situação jurídica bastasse comprovar a condição não satisfeita. Mas, também era razoável se esperar que o fiscal já demarcasse de plano essas duas condições no auto de infração e facilitasse assim o direito de defesa. A última situação é um pouco diferente e mais clara quanto ao seu desfecho. É aquela situação em que também existem várias condições para o aproveitamento de uma Fl. 5778DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.756 45 determinada prerrogativa ou para que uma situação jurídica se apresente como provada. Essas condições se mostram também cumulativas, mas diferente da situação anterior, uma determinada condição só se abre, ou seja, só tem razão de ser ou de se investigar quando satisfeita a condição anterior. É a típica situação de a primeira situação ser chamada por isso de “prejudicial”. Nessa situação específica quando o contribuinte consegue provar a prejudicial (primeira condição), por óbvio que isso por si só não pode ser suficiente. Se essa prova for fácil, o que se espera que o contribuinte já em fase impugnatória ou recursal já logre êxito em tomar a iniciativa e fazer essa prova. A situação do caso concreto a meu ver se enquadra justamente nessa última hipótese. O autuante ao não dar por satisfeito com os argumentos trazidos pelo contribuinte para justificar que se estaria diante de um aumento de capital seguido do repasse total desse aumento como prépagamento de um contrato de fornecimento de minério e prestação de serviços portuário, alega que houve nesse caso uma simulação desse prépagamento como forma de justificar a transferência imediata dos recursos para a empresa investidora (CSN) Nesse momento, ontologicamente, não se abria a hipótese levantada pela PFN de verificação da comprovação da vinculação da fórmula de pagamento composta do P1 e P2 àquele prépagamento. É que tal se situação só se apresentou após o detalhamento feito pelo contribuinte em sede impugnatória e recursal com o desenrolar da defesa, pois como se verá mais adiante no mérito, o contribuinte dificultou o fornecimento de certas variáveis relacionadas à formação de preço que gerou óbices para um maior aprofundamento do feito. Normalmente, tal situação conduziria a uma indeterminação e a se baixar o processo em diligência para maiores averiguações. Essa tem sido a minha linha de conduta normalmente. Porém, no caso particular, como se vê, a troca de memoriais tanto da PFN quanto do contribuinte saindo em defesa de cada um dos argumentos trazidos pela PFN já esclarecem para mim os fatos, bem assim também sana o perigo do cerceamento do direito de defesa,uma vez que o contribuinte está tendo ampla oportunidade de demonstrar suas razões ou infirmar razões que considera novas no processo. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade levantada da tribuna por inovação. MÉRITO Como tenho afirmado nos meus votos que envolvem a análise de planejamentos tributários, costumo dizer que abuso de formas pode até ser o meio utilizado e que termina por descambar em um abuso de direito, simulação ou fraude à lei. Porém, a descrição dos fatos não precisa chegar a uma conclusão perfeita sobre o instituto aqui utilizado (fraude à lei, simulação, abuso de direito, abuso de formas ou mesmo uma combinação deles), uma vez que não há uniformidade de entendimento a respeito desses metaconceitos por demais abstratos, e uma mínima diferença de concepção em um instituto afeta o entendimento do outro, acarretando conclusões díspares no caso concreto. Como se verá mais adiante tais conceitos servem muito mais para a análise da qualificação da multa. O que importa é que os fatos estejam narrados de uma forma tal que o julgador possa inferir deles patologias, inadequações, discrepâncias entre a forma jurídica adotada e a essência do negócio jurídico; e não que o fiscal diga precisamente que instituto é esse que está sendo aplicado, pois o que Fl. 5779DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 46 importa é que qualquer que sejam eles, os efeitos dos negócios jurídicos contornados ou simulados não serão oponíveis ao fisco. Entretanto, o fiscal deve atribuir as conseqüências tributárias pertinentes de forma a e dar a melhor conformação possível a esse negócio jurídico situandoo diante das leis e do ordenamento jurídico. E a meu juízo, foi o que o fiscal fez perfeitamente, no caso concreto. E essa distorção só se verifica com a análise dos fatos e documentos encontrados no processo, sendo uma questão de prova. É o que se passa a fazer a partir de agora. No caso, se um dos interessados faz um lance de comprar uma pequena participação societária, e concomitantemente faz um grande aumento de capital através da subscrição de novas ações emitidas, onde o outro abre mão de subscrevêlas, até esse ponto, não há nada que conduza à ilação de que tal subscrição de capital guarda idênticas características da venda direta de ações, pois as antigas investidoras (CSN) continuam como titulares das ações que detinha. Cabe salientar, nesse ponto, que na venda de participações acionárias, temse a tradição de recursos e de títulos entre comprador e vendedor, sem alteração no capital da empresa investida. Nesse último caso, a operação está sujeita à tributação pelo ganho de capital quando o valor da venda for superior ao valor patrimonial das ações vendidas. E isso aconteceu em um primeiro momento com a aquisição de 0,7% das ações onde a Big Jump ofereceu à tributação o ganho de capital correspondente. O problema é que esse oferecimento é figura coadjuvante diante da outra parcela sobremaneira maior, onde o mesmo não aconteceu. Não há problema em se enveredar por um negócio jurídico (aumento de capital por terceiros) e não a venda de direitos de subscrição, quando o interessado deseja efetivamente vivenciar em sua plenitude aquele negócio jurídico, ou seja, deseja quedarse às suas conseqüências jurídicas e econômicas, quais seja, o acionista que abriu mão da subscrição para equalizar sua participação majoritária deixa de ser recompensado de forma direta com o ingresso financeiro correspondente à aquela subscrição. Porém, não foi o que aconteceu. No mesmo dia, um investimento de grande monta, no valor superior a 7,28 Bilhões foi transferido diretamente para a CSN, como se venda direta daquelas ações tivesse ocorrido e não meramente um aumento de capital, cuja real intenção do negócio seria capitalizar a empresa alvo, como é a forma e a função corretas desse instituto ser utilizado. Outro ponto, estranho é a cobrança de juros sobre esses adiantamentos, sendo que parte deles não é pago: 2/3 não eram pagos e 1/3 eram pagos! Evidentemente, a partir de todo esse contexto e dessa nova configuração o ônus da prova se inverteu em favor do fisco. É que essa nova roupagem aponta certamente para uma venda direta de participações, afinal todas as características desse negócio são postas à tona. A carga de prova passa a ser toda da Recorrente no sentido de infirmar tal presunção. Cabe salientar, que não foi parte do aumento de capital que foi repassado para a CSN, nem muito menos grande parte do capital, mas sim TODO O CAPITAL investido naquela subscrição. O fim maior do aumento de capital que seria capitalizar a empresa alvo desse instituto, terminou por não ficar capitalizada, pois nem um único real permaneceu nela! É claro que o fiscal ou o órgão julgador tem sempre em mente que os dois caminhos tem conseqüências tributárias diametralmente opostas. O aumento de capital pura e simples com variação de participação acionária não é tributado e a venda direta de Fl. 5780DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.757 47 participações acionárias é tributada integralmente, em havendo ganho de capital, como seria o caso concreto. Outro ponto importante, muito bem sublinhado pelo fiscal que também corrobora essa inversão do ônus da prova, bem assim que a carga de prova esperada por parte da contribuinte passa a ser muito grande, é o fato que não é prática usual de mercado antecipar em muito tempo pagamentos referentes a embarques futuros de minério de ferro. O Fiscal conclui o seu arrazoado a respeito da investigação que fez a esse respeito, nos seguintes termos: (...)13. O contrato assinado pela CFM e as convocações realizada pela CPBS demonstram que não é prática usual de mercado antecipar em muito tempo pagamentos referentes a embarques futuros de minério de ferro. Nas operações de mercado, as antecipações de pagamento, quando ocorrem, limitamse apenas a alguns dias antes dos correspondentes embarques. Na transação que a NAMISA praticou com sua controlada, os "adiantamentos" por serviços a ser prestados alcançaram um período de 34 anos, prazo que afronta as práticas usuais de mercado. Isso posto, ressalto novamente que não somente o ônus da prova ficou invertido, mas a carga de prova que a Recorrente tem que se desincumbir deve ser muito grande, sem dá margem de dúvidas quanto a existência de qualquer mácula ou distorção nessas operações. É nesse contexto que começo aqui a refutar alguns argumentos que a DRJ utilizouse para infirmar o fato de que foi divulgado tanto interna quanto externamente uma “venda de participação acionária” e não um “aumento de capital”. Os argumentos da DRJ se vistos de forma isolada, sem o contexto acima delineado, são sedutores. De fato, o revestimento verbal da enunciação de certos institutos não obedece uma forma padrão e depende muito da intenção dos enunciadores. Porém, não estamos tratando de qualquer tipo de enunciação, mas de enunciações técnicas e jurídicas que como já foi visto revelam conseqüências jurídicas e econômicas bastante díspares. E não foi um ou dois momentos de enunciação, foram muitas os momentos dessa enunciação. Nesse ponto, a fiscalização fez um trabalho bastante diligente e bem apurado, coligindo aos autos trechos de todos esses inúmeros documentos que demonstram que a própria CSN torna pública sua intenção de alienar 40% do Capital Social da NAMISA e divulga que conseguiu concluir tal venda ou alienação no fim de 2008. Até se entende que se possa em determinados momentos se utilizar de uma terminologia mais simplificada ao público externo, porque não dizer, mais próxima do senso comum, que foi a linha traçada pela DRJ, contudo o que se espera é que tal comportamento se direcione apenas para um público externo leigo que se dá através de veículo de comunicação, mas não que se estenda também para o seu público interno e até para órgãos importantes de controle externo da Administração Pública Federal, como é o CADE. Vejase aqui esse exemplo nas palavras do fiscal transcritas do TVF: Fl. 5781DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 48 (...) 5. Em documento datado de 21 de novembro de 2008, protocolado pela Secretaria de Direito Econômico SDE/MJ com o número 08012.011002/200862, os representantes legais da BIG JUMP e da CSN relataram, para apreciação do caso pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica — CADE , que a "Big Jump é uma empresa veículo que foi constituída somente para implementação da presente operação" e que "por meio de um Contrato de Compra de Ações e Outras Avenças, a Big Jump adquiriu, da CSN, 40% das ações emitidas pela Nacional Minérios S.A. ("Namisa")" (Anexo 19).” (Destaquei) Outrossim, também não posso aceitar o argumento da DRJ quando coloca as duas situações (alienação de participação acionária estrito senso e aumento de capital seguido de renúncia do direito de subscrição da outra parte) como pertencendo ao gênero alienação (de forma ampla), para daí extrair a conclusão de que essa unificação na forma de um gênero deixaria tais institutos tão próximos um do outro a ponto de justificar a terminologia atécnica usada pelas interessadas em suas enunciações públicas a respeito desse fato relevante. Penso que tal argumento já quedouse refutado quando esclareci alhures que as conseqüências jurídicas entre essas duas espécies são enormes, não sendo a criação de um artificialismo conceitual que irá mudar a natureza das coisas. Porém, não foram apenas esses os motivos que me conduziram à conclusão que irei chegar. Faço agora um retrospecto da minha formação de convicção, o que tecnicamente se chama justificação interna, mas que pelo princípio da transparência ora se externaliza : Inicialmente algumas dúvidas sobrevieram com o início do julgamento. Essas dúvidas aqui sublinho como forma de servir de roteiro da formação da minha convicção e bem direcionar o ônus da prova e a carga de prova. 1) A fórmula de cálculo não demonstrava a devolução dos valores adiantados.(Isso foi devidamente esclarecido pelos memoriais e laudos produzidos pela Recorrente). 2) Fórmula Complexa – Fórmula de pagamento envolvendo duas variáveis (P1 e P2), em que somente o P1 acompanha necessariamente o aumento de preço no mercado internacional. P2 fixo, reajustado esporadicamente a depender de um acordo das partes. 3) Não se explicou porque a Big Jump paga à CSN R$87,56 milhões pela aquisição exatamente de 0,7907% das ações da Namisa. Por que esse percentual tão baixo? E se o percentual é irrelevante, qual foi o motivo da alteração por aditivo contratual de um novo percentual tão baixo quanto? 3) Os juros que deixaram de ser pagos são muito altos. Dois terço dos juros não são pagos, mas acumulados no passivo e dedutíveis do IRPJ/CSLL. Durante a fiscalização não foi dado qualquer explicação dessa matemática, embora a Recorrente tenha sido inquirida. Aliás, foi dado sim, mas de forma genérica e reducionista. Alegouse que se tratou de acordo efetuado entre parte independentes e que somente isso já seria suficiente para justificar qualquer acordo. 5) Elaborei planilha emulando as baixas por 34 anos e ainda aumentando o P2 a cada cinco anos em 10%, mas o saldo ao final ainda ficava excessivamente alto. Porém, em laudo trazido aos autos foi explicado o porquê dessa distorção e fiquei satisfeito com as explicações. Fl. 5782DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.758 49 6) Nessa mesma linha de resposta, também não foi dado transparência à formação dos adiantamentos dos preços dos minérios como ponto de partida do P1 e P2, além da taxa de retorno, não se tendo a real dimensão do quanto os tais adiantamentos foram estipulados em condições reais. Somente em memoriais abriuse parte de tais informações. A Recorrente foi intimada a esclarecer a formação das taxa de juros, taxa interna de retorno e a os valores bases para P1 e P2. As respostas foram evasivas, na linha de o valor ou taxa X é o valor acordado entre as partes para a remuneração do serviço, conforme contrato firmado entre as partes. A partir disso o Fiscal consignou em seu TVF: (...) 7. A NAMISA, portanto, não soube esclarecer como foram apurados os valores que serviram como referência para os "adiantamentos" vultosos que efetuou para a CSN. Tampouco apresentou laudos, planilhas, relatórios e demonstrativos de cálculo que teriam resultado na apuração da taxa de juros de 12,5% ao ano adotada para corrigir o valor das "antecipações", da taxa de desconto de 8,25% ao ano para trazer os "adiantamentos" a valor presente e dos valores de referência de US$ 1.60 e US$ 3.10, para transações envolvendo minério de ferro, e de US$ 6.00 para operações portuárias de embarque de minério de ferro. Limitouse a dizer apenas que foram esses os valores acordados entre as partes. Ou seja, entregou recursos que totalizaram mais de US$ 3 bilhões a sua controladora sem ao menos ter tido o cuidado de saber como foram estimados os valores utilizados como referência para se chegar nessa enorme soma de dinheiro. 6) Levantei dúvidas também no início dos debates, quanto ao fato de a planilha constante do anexo III apresentar ao final de um período de três anos o total pago de PI praticamente igual ao de P2. A Recorrente em memorial alega que seria mera coincidência uma vez que lá consta juntos notas fiscais tanto da prestação de serviço quanto minério ROM de baixo teor de sílica. Refez uma nova planilha, submetendoo à auditoria da Ernest Young e que ainda encontrou alguns erros que foram corrigidos e fez com que aqueles valores coincidentes não mais o fossem de forma tão idêntica. Não esclareceu totalmente a minha dúvida, uma vez que gostaria de ver esse comparativo ano a ano e não de forma consolidada. Se coincidência de fato foi, a separação dos totais ano a ano esclareceria melhor essa “coincidência”. 7) Cláusulas de destinação do saldo adiantado no final do período são incoerentes e irrazoáveis na medida em que desobriga a CSN de saldálo invertendo a obrigação para Namisa. Em outras, palavras, o Devedor deixa de ser devedor, uma vez prestado o serviço do indigitado contrato. Essa questão crucial será melhor explanada mais adiante no voto. 8) A tese trazida pela procuradoria, mas extraída dos dados do processo e dentro ainda do contexto traçado pela fiscalização de que os adiantamentos seriam fictícios.Outrossim, essa linha de entendimento vem ao encontro de dar uma razão de ser ao item anterior (item 7). Fl. 5783DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 50 Teses sustentadas pela fiscalização e PFN: A fiscalização acusa de forma genérica, sem um aprofundamento adequado (embora a causa do não aprofundamento se deve em parte a omissão do contribuinte em abrir certas informações relativas à formação de preço inicial e taxas internas de retornos, como foi referido no tópico anterior) que houve na verdade uma verdadeira compra e venda de ações da Namisa à CSN, simulado através de um aumento de capital seguido de pagamento antecipado de parte do preço pelo fornecimento de minérios e prestação de serviços portuários de modo a mascarar o verdadeiro negócio jurídico entabulado (simples venda de participação acionária). 1) A PFN sustentou da Tribuna que a forma como foi efetuado o abatimento mensal da dívida decorrente do pagamento antecipado não seria a forma lógica de se fazer. Embora tenha usado a terminologia “correta”, entendo expressão mais no sentido de uma lógica do razoável do que propriamente querendo se imiscuir em particularidades de um acordo de vontade entre partes independentes. E em suas razões ao laudo anexado aos autos, deixou isso mais claro. Segundo o seu entendimento,a a forma como foi efetuada traria desproporção entre o abatido e o antecipado, evidenciando assim no caso verdadeiro antecipação do IRPJ. A Recorrente, por sua vez, se defende afirmando que em se tratando de negócio celebrado entre partes independentes e com interesses antagônicos, a única forma verdadeiramente correta de abatimento é aquela estabelecida nos contratos firmados. E que o procedimento adotado pela CSN está efetivamente prevista no contrato e é absolutamente coerente e consistente, tudo como retratado nos gráficos elaborados pela CSN com base nos elementos constantes dos autos e que foram validados pela Ernest Young) Alega ainda que o pagamento antecipado realizado não corresponde a uma quantidade específica de minério embarcado, mas sim a parte do preço devido (P2) por todo o volume de serviços a serem prestados pelos 34 anos do contrato, trazido a valor presente, considerada uma taxa de desconto de 8,25% (considerada a previsão mensal de embarque conforme anexo III do contrato). Explica ainda que “inexiste no contrato a figura de um adiantamento de X toneladas. O que se pagou antecipadamente foi parte do preço devido pela totalidade de toneladas de minério a serem embarcadas ao longo de todo o contrato) 2) A previsão de cômputo de juros sobre o saldo antecipado seria uma forma de perpetuar os pagamentos com desconto desproporcional até o fim do contrato, gerando a operação sempre um grande prejuízo A esse respeito, a Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, expôs de maneira muito objetiva o porquê o passivo reconhecido pela CSN seria inexistente, mascarando apenas um desconto no preço a ser pago ao longo do contrato na forma do P2, e o valor que efetivamente remuneraria a atividade da CSN seria o P1: A análise da veracidade dos adiantamentos contratuais recebidos pela CSN passa necessariamente pelo estudo da seguinte pergunta: tais adiantamentos foram e são aproveitados pela CSN como remuneração dos bens (minério de ferro) e serviços (portuários) que foram e são entregues a NAMISA? Se a resposta for positiva, o passivo reconhecido pela CSN é verdadeiro, assim como está sendo pago. No entanto, se a resposta for negativa, o passivo não existe, e os adiantamentos na verdade traduzem o pagamento do preço que a CSN Fl. 5784DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.759 51 recebeu em face da transferência de 40% das ações da NAMISA ao grupo estrangeiro. Com o escopo de analisar se os adiantamentos servem para remunerar a atividade da CSN, os presentes memoriais destacarão a lógica que envolve os referidos adiantamentos, e em seguida, a comparará com a forma como a CSN e a NAMISA estabeleceram as condições que envolveram o seu surgimento, assim como a forma como eles estão sendo pagos. De acordo com as afirmações do próprio contribuinte, os adiantamentos faziam parte do "pacote" de operações que envolviam a transferência das ações da NAMISA, e tinham por objetivo assegurar à empresa cujas ações estavam sendo alienadas o fornecimento de matéria prima por determinado valor, assim como garantir a possibilidade do escoamento da sua produção. Nesse diapasão, registrase o seguinte trecho da impugnação apresentada (fl. 33 da impugnação): (...) As transcrições acima deixam transparecer claramente que de nada adiantaria para um investidor estrangeiro, particularmente uma siderúrgica, simplesmente adquirir participação acionária em uma mina no Brasil. Diante das incertezas de mercado e perspectiva de reaquecimento da economia, é natural que a maior preocupação para uma siderúrgica seja garantir o fornecimento de sua matéria prima, que é o minério de ferro, mas para tanto precisaria ela não só ter garantida a possibilidade de aquisição do minério mas sobretudo assegurar a possibilidade de que este minério chegue às suas mãos. (grifo nosso) Portanto, os adiantamentos foram realizados com vista a garantir a NAMISA a entrega de determinada quantidade de bens e serviços por um preço específico, o qual seria garantido pelo adiantamento do seu pagamento. Da leitura dos contratos, verificase que, em razão dos adiantamentos recebidos, a CSN se comprometeu a entregar uma parte da sua produção e dos seus serviços pelo valor do adiantamento que recebeu. Em contraposição, a NAMISA assegurou o consumo de tais bens e serviços. Seria, dessa forma, uma espécie de contrato com obrigação de aquisição, sendo que houve a prévia estipulação de parte do preço de pagamento desse consumo mínimo. Dessa forma, pela lógica contratual, seria tal como a NAMISA, por exemplo, adiantasse a CSN US$ 300,00, os quais visam a garantir o m fornecimento de 50 toneladas de minério a US$ 6,00 (P2) cada tonelada (assim como a obrigação da NAMISA de comprar tal quantidade por esse preço). No entanto, quando da entrega do minério, a CSN acaba por fornecer a NAMISA 100 toneladas ao preço de US$ 10,00 a tonelada. Nesse exemplo, pela lógica dos adiantamentos como uma obrigação de aquisição, a NAMISA deveria fazer o seguinte cálculo: 1° como ela garantiu o pagamento de 50 toneladas a US$ 6,00 a tonelada, 50 das 100 toneladas entregues deveriam ser calculadas pelo preço restante, ou seja, US$ 4,00 (P1) a tonelada, e o restante, as demais 50 toneladas, deveriam ser multiplicadas por US$ 10,00, haja vista que sobre essa parcela da produção a NAMISA não adiantou nenhuma parte do pagamento. Portanto, com base no exemplo citado, a NAMISA Fl. 5785DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 52 deveria pagar a CSN US$ 700,00, pois, das 100 toneladas entregues a US$ 1.000,00, ela havia garantido apenas US$ 300,00 (50 toneladas a US$ 6,00 cada). Reproduzo abaixo tabela demonstrativa da análise feita pela PFN: Forma Correta Contribuinte 1. Namisa adianta 50 Toneladas por U$6,00/T = U$300,00 1. Namisa adianta 50 Toneladas por U$ 6,00/T = U$300,00 2. CSN fornece à Namisa 100 Toneladas a U$1.000,00 (U$10,00 por Tonelada) 2. CSN fornece à Namisa 100 Toneladas a U$1.000,00 (U$10,00 por Tonelada) 3. Forma de abatimento Valor da Nota Fiscal 100 T x U$10,00 Valor a ser abatido = 50 T x U$6,00 = U$300,00 3. Forma de abatimento Valor da Nota Fiscal 100 T x U$10,00 Valor a ser abatido = 100 T x U$6,00 = U$600,00 4. Valor a ser pago 50 T x U$10,00 + 50 T x U$4,00 = U$700,00 4. Valor a ser pago U$1.000,00 U$600,00 = U$400,00 Ao agir dessa forma, os adiantamentos realizados cumpririam a sua função contratual, pois, de forma inequívoca estariam servindo para remunerar a CSN pelos bens e serviços que assumiu entregar a NAMISA. A parcela da produção cuja parte do preço foi adiantada tem seu preço final reduzido pelo abatimento do adiantamento. No entanto, a parte da produção cujo preço não foi adiantado é cobrada com base no valor cheio da nota, ou seja, sem qualquer abatimento. No entanto, como será visto a seguir, a forma como a CSN e a NAMISA asseguraram o abatimento dos valores adiantados no cálculo das notas fiscais demonstra de forma clara que os adiantamentos não servem para remunerar a CSN pelos bens e serviços entregues. (...) Da análise da forma de cálculo dos valores que seriam pagos em dinheiro e daqueles que seriam abatidos do saldo de adiantamento, vêse a seguinte incoerência com a lógica contratual acima exposta: o P2 (componente do preço a ser abatido) não incide sobre a quantia de bens e serviços que foram previamente adiantados, mas sim sobre a totalidade deles. Ou seja, ao adquirir uma maior quantidade mensal do que aquela que cujo valor fora adiantado, a NAMISA deixa de pagar uma parte da produção cujo valor não fora adiantado. Repetindo o exemplo acima citado, seria igual à situação caso a NAMISA tivesse adiantado as mesmas 50 toneladas por US$ 300,00 (US$ 6,00 a tonelada P2), e, quando do recebimento das 100 toneladas a US$ 1.000,00 (US$ 10,00 a tonelada P1 + P2), ao invés de abater apenas US$ 300,00, ela abate do pagamento US$ 600,00 (100 toneladas a US$ 6,00 cada). Vêse, portanto, pelo exemplo, que, pela forma de cálculo contratual, a NAMISA acaba aplicando a bens e serviços cujo valor não foi adiantado o mesmo desconto daqueles cujo valor o foi. Nesse diapasão, vale ressaltar, por oportuno, que os contratos preveem que a quantidade máxima de bens e serviços a serem entregues pela CSN a NAMISA Fl. 5786DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.760 53 corresponde a até 110% (cento e dez por cento) da quantidade adiantada, a qual fora estipulada como a quantidade mínima a ser consumida pela NAMISA por mês. De acordo com os contratos, embora a quantidade mínima mensal possa ser postergada para o futuro, não poderá ser adiantada. Ou seja, de acordo com a fórmula de apuração dos preços de pagamento em dinheiro e de abatimento, e a possibilidade de aquisição de até 110%_a mais do que fora adiantado, vêse que, contratualmente, a NAMISA pode estender o desconto a que tem direito a até 110% a mais da quantidade de bens e serv iços cujo valor foi efetivamente adiantado. Nesse diapasão, merece destaque a planilha da NAMISA de controle de pagamentos do contrato de fornecimento de minério de ferro de baixa sílica (fl. 771). Compulsando o referido documento é possível verificar que o receio exposto no presente tópico se materializa, pois, de acordo com esses dados, vêse que a NAMISA, ao longo dos anos de 2009 e 2010, ao adquirir quantidade de minério maior que aquela que fora adiantada de forma mensal, acaba por estender o seu desconto sobre bens cujo valor não adiantou. Com efeito, da dita planilha, vêse que, do ano de 2009 ao ano de 2010, a NAMISA adquiriu da CSN 20.381 mil toneladas de minério de ferro de baixa sílica, tendo amortizado do saldo de adiantamento o valor de R$ 151.355,08 mil e pago em dinheiro a quantia de R$ 151.425,26. No entanto, com base no contrato de fornecimento desse minério, é possível aferir que, do adiantamento feito, a NAMISA antecipou o pagamento de "apenas" 9.960 mil toneladas de minério de ferro de baixa sílica para os anos de 2009 e 2010. Ou seja, ao longo desse período, a NAMISA estendeu o seu desconto a 10.421 mil toneladas de minério de ferro. Dividindo o valor abatido pela quantidade fornecida, é possível também apurar que a NAMISA abateu de forma indevida das suas notas fiscais aproximadamente R$ 77 milhões de reais. Por fim, conclui a PFN: (...) Diante do abatimento de forma flagrantemente desproporcional da quantidade de bens e serviços cujos valores foram adiantados, resta evidente as seguintes conclusões: como o abatimento se estende a bens e serviços cujos valores não foram adiantados, não há que se falar que tal abatimento remunera parte dos bens e serviços que a CSN entrega a NAMISA não sendo utilizados como remuneração de sua atividade, a CSN demonstra que não tem qualquer obrigação de entregar bens e serviços nos valores adiantados; não havendo obrigação, o passivo reconhecido pela CSN também não existe; e; não havendo passivo, o abatimento das notas fiscais autorizado pela CSN ao longo de toda a vigência dos contratos traduz mero desconto no preço a ser pago, onde o desconto corresponde ao índice P2, e o valor que efetivamente remunera a atividade da CSN é representado exclusivamente pelo índice P1 Com efeito, a completa desproporção entre a quantidade de bens e serviços cujo valor foi adiantado e o valor que é abatido demonstra claramente uma única conclusão final: a de que o abatimento não serve para remunerar os bens e serviços Fl. 5787DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 54 entregues pela CSN com o valor adiantado, mas apenas para materializar um desconto concedido a NAMISA. E mais, com a previsão de acréscimo de 66% de juros devidos ao saldo de adiantamentos, os contratos asseguram que tal desconto será concedido durante toda a sua vigência, e não apenas nos valores adiantados. (...) De fato, da forma como os contratos foram elaborados o abatimento não guarda correlação com as quantidades de bens e serviços cujos valores foram adiantados, mormente quando há cláusula no contrato prevendo o fornecimento de bens e serviços até 110% a mais da quantidade de bens e serviços cujo valor foi efetivamente adiantado. E como demonstrado pela PFN em seus memoriais, esse fato ficou bem provado empiricamente levandose em conta o que realmente aconteceu durante os anos de 2009 e 2010, onde a Namisa adquiriu da CSN 20.381 toneladas de minério de ferro de baixa sílica, contra a previsão no contrato do fornecimento de 9.960 mil toneladas. Estendendo o desconto a 10.421 mil toneladas a mais do que o previsto. A Recorrente, por sua vez, como já colocado, defendese alegando que “inexiste no contrato a figura de um adiantamento de “x” toneladas. O que se pagou antecipadamente foi parte do preço devido pela totalidade de minérios a ser embarcada ao longo do contrato. Ora, a sua primeira proposição embora esteja definida no contrato, não se coaduna com a planilha que efetivamente apurou o pagamento antecipado da Namisa para CSN de 7,28 bilhões de Reais. Afinal tal planilha tem em sua formação base duas variáveis indissociáveis, Preço (P2 ajustado a valor presente) e Quantidades a serem fornecidas. Então não se pode dissociar uma coisa de outra (preço de quantidade), como faz a Recorrente na interpretação de sua fórmula de pagamento, quando diz “o que se pagou antecipadamente foi parte do preço devido pela totalidade de minérios a ser embarcaddo”). Ora, nunca se paga parte de preço de nada. Pagase sempre preço x quantidade, ainda que a quantidade seja unitária. Somente nesse último caso (quantidade unitária), que não é o caso concreto, é que se pode reduzir preço a valor final. Poderseia até cogitar nessa lógica de não se associar os valores a serem abatidos da quantidade originalmente acordada na planilha de controle quantitativo de adiantamento, se houve uma garantia de que só pudesse ser fornecido a exata quantidade acordada no adiantamento. Nesse caso, a conta seria fechada no final. Acontece que se viu que esse não é o caso, seja porque o próprio contrato permite um fornecimento de minério e serviços 110% maior do que o previsto originalmente, seja porque empiricamente se constatou que isso já aconteceu nos anos de 2009 e 2010. (A não ser que se demonstre que tais antecipações foram revertidas nos anos subsequentes). O que se percebe é que há uma contradição entre as próprias cláusulas do contrato, mas que se esclarece através de sua execução. É a prática, é a execução do contrato que vai dando a conformação das coisas. Assim, apesar de a Recorrente repetir que foi assim mesmo que foi elaborado o contrato, nos seus termos, em função da autonomia contratual das partes, o que se verifica, como bem colocado pela PFN: “como o abatimento se estende a bens e serviços cujos valores não foram adiantados, não há que se falar que tal abatimento remunera parte dos bens e serviços que a CSN entrega a NAMISA não sendo utilizados como remuneração de sua atividade, a CSN demonstra que não tem qualquer obrigação de entregar Fl. 5788DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.761 55 bens e serviços nos valores adiantados” e se não tem obrigação de entregar bens e serviços na forma que foi feito o adiantamento, de adiantamentos não se trata e, portanto, de passivo também não se trata. E sua conclusão é peremptória, não conseguindo a meu ver o contribuinte infirmála: (...) Para tanto, registrou um passivo inexistente, o qual nunca traduziu uma obrigação da CSN perante a NAMISA, e cujo pagamento, na verdade, estava traduzido como desconto. Ou seja, o desconto concedido pela CSN, contudo, sem destaque nas notas fiscais, foi a forma encontrada de dissimular a entrega do pagamento. A CSN fingia que estava pagando, porque a NAMISA concordava com o abatimento e fingia que estava recebendo os bens e serviços cujo valor adiantou. Mas, como pode ser visto, nada era abatido, a NAMISA não recebia nada do que adiantou. Na realidade foi concedido apenas um desconto sem qualquer relação com os valores, bens e serviços adiantados. Acerca do conluio, vale ressaltar que, de forma inimaginável, o valor a ser adiantado pela NAMISA não foi calculado com base na quantidade de bens e serviços a serem entregues pela CSN, mas, o contrário, a quantidade de bens e serviços que seriam entregues (que seria desconsiderada com o desenrolar do contrato) é que fora pautada no valor. Ou seja, não interessava a NAMISA garantir uma parcela de bens e serviços a determinado valor, mas sim repassar um valor específico a CSN. Assim, partindo do valor de R$ 7,28 bilhões, que, por contrato, deveriam ser disponibilizados a CSN imediatamente quando do fechamento da compra e venda, as partes devem ter apurado um taxa de desconto razoável (P2) e, com base nessa taxa, apuraram as quantidades de bens e serviços que deveriam ser envolvidas. Dessa forma, é por essa razão que o contribuinte não consegue explicar como chegou aos valores de P2. Para explicar tais índices ele teria que assumir a realidade dos fatos. Como isso não é possível, ele apenas defende que os índices foram estabelecidos por partes independentes. A PFN também apresenta um análise econômica do ganho financeiro em toda a operação, de forma a infirmar a alegação da Recorrente de que não haveria lógica econômica em se fazer a simulação apontada pela fiscalização, na medida em que: (...)se a tese da fiscalização fosse verdadeira (ou seja, se o pagamento antecipado realizado na realidade tivesse por objetivo encobrir o verdadeiro pagamento de preço pela aquisição de participação acionária), não teria porque a Recorrida ter realizado a simulação em causa, que lhe seria muito mais onerosa. De fato, como ganho de capital o valor do pagamento antecipado que lhe foi feito está sendo tributado apenas pelo IR e CSL, e portanto a 34%, e isto após a dedução do custo do investimento. Contudo, ao receber tal valor como preço a Recorrida o está tributando integralmente (sem a dedução do custo do investimento) não só pelo IR e CSL, mas também quanto aos serviços de porto (que digase de passagem respondem por 72,3% dos valores recebidos) pelo ISS de 5%. Fl. 5789DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 56 Tenta demonstrar, e a meu ver de forma bastante coerente, que a receita registrada pela CSN em face do valor que aparentemente era abatido não era tributado pelo IRPJ e pela CSLL. Na realidade toda a receita auferida pela CSN com os contratos assinados com a NAMISA, além de outras receitas, foram "isentadas" desses tributos em face da despesa de juros que sequer foram pagos. Apresenta cálculos numéricos para demonstrar a sua tese. A esse respeito a Recorrente em seu memorial, tenta infirmar a análise acima, nos seguintes termos: O argumento da Procuradoria da Fazenda Nacional de que este raciocínio seria infirmado pela dedutibilidade da despesa de juros, como já acima salientado, peca pelo fato de desconsiderar a receita financeira (ou menor despesa financeira) gerada pela disponibilidade dos recursos correspondentes ao pagamento antecipado, bem como que à despesa de juros na CSN corresponde na Namisa uma receita tributável, da qual participarão seus acionistas minoritários. Aduziu também este outro argumento contra a assertiva do contribuinte de que já teria tributado toda a receita que a fiscalização acusa de economizar através da não tributação do ganho de capital: Antes, contudo, de demonstrar a inegável vantagem fiscal auferida pela CSN com a simulação orquestrada, destacase que, o simples fato de essa empresa possivelmente ter postergado o recolhimento do IRPJ e da CSLL em parcelas mensais durante 34 anos, ao invés de um pagamento direto à época do fechamento da compra e venda, já se mostra um benefício fiscal. Porém, não acho que tenha infirmado a análise global feita pela PFN. Primeiro porque silenciouse sobre o ganho apontado na postergação do pagamento dos tributos e, por último, mas quem sabe mais importante, pois nessa análise global ainda caberia uma outra variável olvidada: acrescentaria nessa análise, os ganhos que a Recorrente obteve na operação junto com a Big Jump em termos das vultosas despesas com ágio que estava sendo amortizadas e que foi objeto de glosa no outro processo que ora se julga em conjunto com o presente processo. A Recorrente, no entanto, traz outro ponto importante a ser enfrentado: Com efeito, como é evidente que a CSN não venderia minério ou prestaria serviços com prejuízo para uma empresa que embora sua controlada conta com acionistas minoritários que nela detêm participação de 40%, para que a acusação fiscal fizesse algum sentido, e admitindose para argumentar que o valor do pagamento antecipado feito à CSN seria algo que se acresceria em definitivo ao seu patrimônio independentemente de qualquer contrapartida (o que se demonstrou não ser o caso), terseia que admitir então que a parcela do preço efetivamente desembolsada mensalmente pela Namisa (P1) corresponderia ao real preço de mercado do minério fornecido e dos serviços prestados. Contudo, muito embora o ônus da prova a esse respeito fosse evidentemente da fiscalização, que jamais cogitou dessa possibilidade ou fez qualquer alegação Fl. 5790DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.762 57 nesse sentido, apenas para que não pairassem dúvidas a esse respeito a CSN já em sua impugnação anexou documentação (fls. 5341/5434) comprobatória de que desde 2009, a partir de quando teve início a execução do contrato, até a apresentação da impugnação, o valor por ela cobrado para prestação dos mesmos serviços a terceiros chegou em apenas 3 anos a US$ 31,00 por tonelada métrica em 2012, muito acima do preço fixado no contrato celebrado com a Namisa, somandose as parcelas P1 e P2, tudo a evidenciar que, diversamente do que afirma o ilustre fiscal autuante, a Namisa obteve sim uma grande vantagem em razão do pagamento antecipado feito, que lhe permitiu reduzir sua exposição a essa grande variação de preço relativamente apenas a parte do custo que de outra forma teria (a parcela variável P1). Por outro lado, mesmo em alguns meses de 2010 em que o valor do preço unitário cobrado superou levemente o preços praticado com terceiros, a diferença é muito inferior ao valor de P2, infirmando da mesma forma a tese da fiscalização. Também o laudo constante dos autos elaborado pela empresa Senior Geologia & Mineração indica claramente o absurdo que seria imaginar que a CSN teria se comprometido a prestar os serviços de porto pelo prazo de 34 anos pelo valor correspondente apenas a P1, ou seja, a US$ 4,00: "9. INFORMAÇÕES SOBRE TAXAS PORTUÁRIAS Historicamente, nos editais o valor mínimo da taxa variou de USD11.00/t a USD13.00/t, cobrindo todas as operações envolvidas, tais como recebimento, descarga, estocagem, retomada e carregamento no navio. Em alguns contratos, essa tarifa cobre até mesmo serviços de amostragens." (fls. 1262). Novamente, para que não pairassem dúvidas também a este respeito, a Ernst & Young nos quesitos 5 e 6 do laudo anexo não só validou os dados constantes da planilha resumo de fls. 5341 como também comparou os preços praticados pela CSN em seu contrato com a Namisa com os preços vencedores em processos de concorrência realizados pela Cia Vale do Rio Doce, cujos resultados levam à mesma conclusão. Embora o argumento seja sedutor, em primeiro lugar não acho que a fiscalização ou este julgador tenha o ônus de justificar essa problemática apontada pelo contribuinte, pois o ônus maior do contribuinte seria refutar a premissa aqui adotada de que na realidade foi concedido apenas um desconto sem qualquer relação com os valores, bens e serviços adiantados e, por conta disso, não haveria passivo e, isso não foi feito! Pelo contrário, a Recorrente indiretamente defende que isso tenha acontecido na medida em reafirma que a fórmula de precificação deva ser entendida mesmo tal qual a PFN expôs em suas contrarrazões. A PFN de fato tentou ir mais longe, mas a meu ver de forma desnecessária, tentou demonstrar que a partir da premissa anterior, e da conclusão de que o passivo seria fictício, e que assim se extrairia uma conclusão ainda mais forte, de que o valor que efetivamente remunera a atividade da CSN é representado exclusivamente pelo índice P1. Fl. 5791DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 58 Bem, não necessariamente isso teria que acontecer no mundo fenomênico, as possibilidade quando se inicia um processo de planejamento são bastante amplas e criativas, que eu não ousaria aqui desvendálas in totum. Mas, poderia aqui só, para argumentar, cogitar: E se, por exemplo, no próprio P1 já não se assentaria um outro tipo de desconto, relacionado por exemplo, com o eventual ganho obtido com a produção do ágio na BIG Jump. Cabe salientar que o total de ágio a ser amortizado era da ordem de 4,09 bilhões o que também seria passível de um desconto negociável no preço da participação acionária. Cabe ressaltar que se estamos falando de um planejamento tributário não oponível ao fisco, é razoável que o ganho possa ser visto de forma global envolvendo todos os parceiros da transação. Mas, o ponto que acho muito relevante e que a Recorrente em momento algum conseguiu produzir uma argumentação razoável para explicar é o fato de a CSN não ter a obrigação de pagar o saldo final dessa dívida quando do encerramento dos contratos definido em cláusula contratual. Ora, não havendo obrigação de devolver os valores que recebeu, em um acerto final de contas só corrobora a tese aqui defendida até então de que se traveste um desconto obtido na venda da participação acionária sob a forma de abatimento de uma dívida que na verdade não existe. Portanto, não havendo obrigação de ao final devolver nada, não há mesmo que se falar em passivo; e, não havendo passivo, não há adiantamentos, e o resultado final das operações é a titularidade definitiva dos recursos pela CSN em decorrência da alienação dos 40% das ações da NAMISA a BIG JUMP, e com a obtenção de ganho de capital. Transcrevo abaixo cláusulas dos contratos de fornecimento de minério e de prestação de serviços portuários que garantem o seu não pagamento ao final dos seus prazos de vigência, independentemente do valor do saldo. Tratase da cláusula 10.7 dos contratos de fornecimento de minério e da cláusula 14.6 do contrato de prestação de serviços de operação portuária: Se, quando do total fornecimento da Quantidade Contratual pela VENDEDORA à COMPRADORA, houver saldo da Antecipação de Pagamento feita pela COMPRADORA à VENDEDORA nos termos da Cláusula 5.1 ("Saldo"), a COMPRADORA deverá pagar à VENDEDORA um montante equivalente a tal Saldo ("Pagamento"), em contrapartida (i) dos investimentos feitos pela VENDEDORA para produzir e fornecer o Produto à COMPRADORA (comprando equipamentos, contratando pessoal, implementando sistemas, etc.), e (ii) do compromisso assumido pela VENDEDORA de disponibilizar a Quantidade Contratual à COMPRADORA, incluindo pela VENDEDORA de disponibilizar a Quantidade Contratual à COMPRADORA, incluindo em prejuízo de quaisquer outras oportunidades de negócios que envolvam o minério de ferro da Mina de Casa de Pedra. Fica neste ato acordado pelas Partes de maneira irrevogável que a [Antecipação de Pagamento] deverá ser imediatamente compensada com o Pagamento. (destaquei) A cláusula citada garante que "se houver saldo da Antecipação" a NAMISA deverá pagar a CSN um montante “equivalente” a tal saldo. Adicionalmente, o item ainda garante que, em face da superveniência de direitos e deveres contrapostos e no mesmo valor, o saldo de adiantamento devido pela CSN será extinto pela imediata e irrevogável compensação com a nova obrigação que surgiu em nome da NAMISA. O que aqui está em jogo não é o fato de saber se esse saldo vai ser tributado ou não como, pois para mim isso é secundário no contexto aqui exposto, entrando na questão da análise econômica já tratada, mas o que é relevante são as conseqüências que se extrai desse fato no sentido de macular a higidez do indigitado passivo. Fl. 5792DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.763 59 Postergação Levantouse no debate a possibilidade de ajustar o auto de infração considerando a postergação do recolhimento do IRPJ e da CSLL, em função da tese levantada na defesa de que não faria sentido a autuação por ganho de capital por ter se optado por tributar tais tributos por parcelas mensais durante 34 anos. O Voto vencido assim se posicionou sobre a matéria: No presente feito, temse, em suma, o seguinte: a) A CSN celebrou com a NAMISA contratos de adiantamento de minérios e serviços portuários, cujo pagamento foi antecipado pela NAMISA à CSN; b) A cada mês, a CSN promovia a venda de minério e prestava serviços portuários à NAMISA, deduzindo parcialmente os créditos detidos pela NAMISA. Com relação a essas deduções, a CSN emitia notas fiscais de venda e prestação de serviço, oferecendo a receita à tributação; c) Com a desconsideração promovida pela Autoridade Fiscal e mantida por esta Turma Julgadora, imputouse os valores adiantados à CSN como lucro tributável. d) No entanto, parte desses valores já haviam sido oferecidos à tributação pela CSN, quando da venda do minério e prestação de serviços portuários, o que caracteriza, em tese, postergação, passível de redução do crédito tributário devido. Nesse cenário, considerado que toda a documentação necessária para a verificação da ocorrência de postergação encontrase nos autos, é pacífico o entendimento desta Turma Julgadora em baixar o feito em diligência para verificar a postergação. Isso porque, se os valores tidos por omitidos quando do recebimento do adiantamento (momento 01) foram oferecidos à tributação quando da emissão das notas fiscais de venda de minério e prestação de serviços (momento 02), a tributação ocorrida no “momento 02” é passível de redução daquilo que se entende por devido no “momento 01”, sob pena de se tributar duas vezes o mesmo rendimento. Não desconsidero que, no presente caso, a requalificação jurídica pretendeu a alteração da natureza jurídica dos valores recebidos, de receita de venda de produtos e prestação de serviço para ganho de capital decorrente de alienação de participação societária. No entanto, em se tratando de mesma pessoa jurídica e tributação dos mesmos valores, não é possível desconsiderarse aquilo que já foi tributado a título de IRPJ e CSLL, para fazer incidir uma nova tributação da renda, repitase, sobre exatamente os mesmos valores. É o que entende o Parecer COSIT nº 02/96, que merece aplicação ao caso concreto. (Destaquei) Fl. 5793DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 60 Como se vê o voto vencido fez menção ao ponto fundamental sobre o qual se escora os meus fundamentos para negar a diligência. A Receita de venda de produtos e prestação de serviço é um fato gerador completamente distinto do ganho de capital decorrente da alienação de participação societária. Ora, a aventada “bitributação” passou apenas de argumento de defesa no contexto de se tentar provar a invalidez da tese ostentada pelo fiscal. Portanto, o caso em comento não se trata de aplicação do PN 02/96, que cuida dos efeitos da correção monetária nos casos de inobservância do regime de competência na escrituração de despesas e receitas de mesma natureza. É premissa básica da qual não podemos nos afastar. Quando se fala em avaliar o efeito de uma receita pela inobservância do regime de competência, tratase da mesma receita, nem se precisaria reafirmar, por redundante, que sua natureza não poderia mudar, como foi o caso. Nego portanto, a necessidade de se baixar o feito em diligência. Multa de Ofício – Desqualificação (150% para 75%) Todas as ponderações acima dizem respeito ao mérito da causa, mas também se estendem à qualificação da multa, porque a recorrente não agiu com evidente intuito de fraude, tratandose na verdade de questão probatória envolvendo um negócio jurídico indireto não oponível ao fisco. Na verdade, tratouse de um sucessão de negócios jurídicos típicos produzindo um efeito atípico, de fraudar as leis do Imposto de Renda, usando “norma de cobertura”, que protegeria a conduta realizada, isentandoa do pagamento dos tributos devidos, muito mais próximo de um negócio jurídico indireto não oponível ao fisco do que propriamente de uma simulação. Não há dolo ou evidente intuito de fraude, pois a “fraude a lei” significa a fraude com a acepção totalmente diferente da fraude referida no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Nesse contexto, cabe fazer ainda a distinção entre simulação relativa e negócio jurídico indireto que muito se confundem, gerando problemas na qualificação da multa. Negócio Jurídico Indireto A imensa maioria da doutrina acentua que o negócio jurídico indireto sempre se distinguirá da simulação (relativa), uma vez que nesta as partes efetivamente desejam o negóciomeio deixandose conduzir pelos os efeitos que lhe são próprios, muito embora para conseguirem através dele um resultado prático diverso daquele para o qual efetivamente foi criado o negócio típico (meio). Fl. 5794DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.764 61 Segundo Túlio Ascarelli “o negócio jurídico indireto ocorre quando as partes recorrem no caso concreto a um negócio determinado para atingir através dele, consciente e consensualmente, fins diversos dos fins típico da estrutura do negócio adotado. Não há simulação, pois as partes querem o que declaram através do negócio típico celebrado, não havendo discrepância entre a manifestação da vontade e os efeitos jurídicos daquele negócio, e não de outro ainda que as partes atingem um objetivo indireto visado. Ex. típico dado por Brandão machado, tirado da jurisprudência alemã, cujo ordenamento adota expressamente por lei o abuso de direito, no sentido de ser relevante a forma jurídica adequada aos fenômenos econômicos pretendidos., é o caso do negócio indireto da aquisição de todas as cotas do capital de uma sociedade que tem um imóvel cuja propriedade é objetivada pelo contribuinte” (Apud João Dácio Rolim, in Normas Antielisivas Tributárias, pg. 226). Simulação Relativa Quem bem define Simulação (relativa) é o expresidente do STF Moreira Alves, o qual estabelece três critérios que caracterizariam a simulação: 1) descompasso entre a vontade real e a vontade declarada através de atos formais. Essa divergência tanto pode se referir a uma declaração falsa sobre um elemento objetivo (como a data da efetivação do negócio, ou da prática de algum ato), quanto ser relativa a um elemento subjetivo (por exemplo, entre a vontade manifestada e o que se efetivamente se deseja – vontade real); 2) a existência de uma pacto simulatório envolvendo terceiros, portanto, há necessidade de um acordo; 3) prejuízo causado a terceiros. Alguns doutrinadores, acrescentam ainda um quarto critério, com o qual concordo, que serviria para ratificar o primeiro critério (descompasso entre vontade real e vontade declarada), trazendo um item importante para diferenciação entre simulação e negócio jurídico indireto: 4) realizar atos paralelos ocultos de desfazimento ou neutralização dos efeitos do praticado ostensivamente quando da simulação. De acordo com Ricardo Mariz de Oliveira (trabalho apresentado no 11º Simpósio IOB de Direito Tributário): (...) Em síntese, podese dizer que há negócio indireto quando, para atingir determinado objetivo, a pessoa não se utiliza do ato jurídico (ou da estruturação jurídica) que diretamente se aplicaria à situação e permitiria a realização daquele objetivo desejado, mas, sim, se vale de um outro ato jurídico (ou de uma outra estrutura jurídica) que não é típico e específico àquele objetivo, mas que acarreta resultado igual ou semelhante sob o ponto de vista econômico ou negocial.O negócio jurídico indireto é válido na medida em que não viole disposição de lei, inclusive e se não for adotado para violar proibição legal, sendo absolutamente necessário que seja praticado para atingir algum fim de direito privado que não seria vedado pela lei se tivesse sido praticado o negócio direto. É essencial compreender que o negócio indireto diferenciase da simulação porque nesta há desconformidade entre o desejado e o praticado, o que obriga as partes a realizar atos paralelos ocultos de desfazimento ou neutralização dos efeitos do praticado ostensivamente, ao passo Fl. 5795DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 62 que no negócio indireto as partes desejam e mantêm o ato praticado e se submetem por inteiro ao seu regime jurídico e a todas as suas conseqüências .(grifei). Como se vê, tanto na simulação quanto no negócio jurídico indireto há sempre uma discrepância, o que torna fácil a confusão entre esses institutos. No primeiro a discrepância se dá entre a vontade real e a vontade declarada, no último, a discrepância aparece entre a finalidade prática pela qual foi criada o negócio jurídico e o motivo pelo qual efetivamente se está ele sendo usado, ou seja se pretende um resultado prático discrepante daquele para o qual efetivamente o negócio típico meio foi criado. Porém, o quarto critério, qual seja, “realizar atos paralelos ocultos de desfazimento ou neutralização dos efeitos do praticado ostensivamente quando da simulação.” Para mim é decisivo aqui no caso concreto a sua não ocorrência. No caso concreto, não vislumbro a ocorrência desse ato paralelo de desfazimento ou neutralização dos efeitos praticados na simulação. Tudo está claro e explícito em contratos, documentação e na contabilidade. Ao fim e ao cabo tratouse de questão probatória envolvendo um negócio jurídico indireto não oponível ao fisco, pois visava apenas a mera economia de tributos. Por fim, um argumento empírico, mas não propriamente jurídico, uma vez que a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, perdeu sua eficácia não tendo sido convertida em Lei. Uma pena pois ela é digna de louvores, porquanto os artigos 13 e 14 da citada MP confirmariam que o caso concreto na verdade melhor seria decidido na conjugação de negócio jurídico indireto com fraude à lei, bem assim falta de propósito negocial. Os referidos dispositivos acolhiam a fraude à lei, a simulação, o abuso de direito, o abuso de forma e o negócio jurídico indireto adotando a amplitude captada por Marco Aurélio Greco e Ricardo Lobo Torres. Outrossim, alberga também o entendimento de que casos como tais não deveriam nunca ter a multa qualificada. Vale a penas conferir seus dispositivos: Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002 (não convertida em lei) “Art. 13. Os atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária serão desconsiderados, para fins tributários, pela autoridade administrativa competente, observados os procedimentos estabelecidos nos arts. 14 a 19 subseqüentes. Parágrafo único. O disposto neste artigo não inclui atos e negócios jurídicos em que se verificar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 14. São passíveis de desconsideração os atos ou negócios jurídicos que visem a reduzir o valor de tributo, a evitar ou a postergar o seu pagamento ou a ocultar os verdadeiros aspectos Fl. 5796DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.765 63 do fato gerador ou a real natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. § 1º Para a desconsideração de ato ou negócio jurídico dever seá levar em conta, entre outras, a ocorrência de: I falta de propósito negocial; ou II abuso de forma. § 2º Considerase indicativo de falta de propósito negocial a opção pela forma mais complexa ou mais onerosa, para os envolvidos, entre duas ou mais formas para a prática de determinado ato. § 3º Para o efeito do disposto no inciso II do § 1, considerase abuso de forma jurídica a prática de ato ou negócio jurídico indireto que produza o mesmo resultado econômico do ato ou negócio jurídico dissimulado.” (...) Art.17. A autoridade referida no art. 15 decidirá, em despacho fundamentado, sobre a desconsideração dos atos ou negócios jurídicos praticados. (...) §2o O sujeito passivo terá o prazo de trinta dias, contado da data que for cientificado do despacho, para efetuar o pagamento dos tributos acrescidos de juros e multa de mora. Art.18. A falta de pagamento dos tributos e encargos moratórios no prazo a que se refere o §2o do art. 17 ensejará o lançamento do respectivo crédito tributário, mediante lavratura de auto de infração, com aplicação de multa de ofício.(grifei) Portanto, por outros fundamentos dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estendese ao lançamentos decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer os autos de infração do IRPJ/CSLL, desqualificando a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 5797DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 64 Declaração de Voto Conselheira, KAREM JUREIDINI DIAS Dada a relevância do tema, entendo oportuno apresentar declaração de voto, seja para fins de esclarecer o posicionamento por mim adotado no tocante ao mérito, seja para fins de enaltecer o bem fundamentado acórdão da Delegacia de Julgamento e o voto do ilustre relator original, a despeito de vencido, porquanto dado provimento ao recurso de ofício, restabelecendose o auto de infração de IRPJ e CSLL. Conforme relatado pelo Conselheiro Relator, os lançamentos se referem à exigência de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2008, tendo em vista que a Recorrida não ofereceu à tributação suposto ganho de capital auferido com a alienação de 40% da participação acionária da sociedade Nacional Minérios S.A. (Namisa). Primeiramente, há que se esclarecer que dos debates ocorridos durante o julgamento, houve inovação na acusação fiscal, o que, ao que parece, fundamentou o provimento pelo Recurso de Ofício pelo voto vencedor. Verificase que a acusação fiscal está assim fundamentada: “a auditoriafiscal realizada na NAMISA demonstrou que, para dissimular a venda de 40% de seu capital, foi simulada a criação de uma empresa veículo, a Big Jump Energy Participações S.A, empresa que nunca existiu fisicamente”. Referida empresa foi utilizada, segundo acusação, para: “em dezembro de 2008, receber R$ 7,4 bilhões entregues pelas empresas japonesa e coreana e, no mesmo dia, repassar R$ 86,56 milhões à CSN; e repassar R$ 7,28 bilhões à NAMISA, em razão da capitalização. Informouse que a compra envolvia apenas 0,7907% do capital da NAMISA. Em 2009, a empresa foi incorporada pela NAMISA.” Prossegue a fiscalização: “depois de receber a transferência bancária da Big Jump, a Namisa, no mesmo dia 30/12/2008, transferiu todos os 7,28 bilhões para a CSN, como “antecipações de pagamento referente à aquisição futura de minério de ferro e serviços portuários de embarque de minério de ferro para exportação (...) A NAMISA, ao longo de 2009, 2010 e 2011, reduziu em centena de milhões de reais, seu lucro real e base de cálculo da CSLL, a título de despesas de amortização de ágio irregularmente constituído pela Big Jump”. Ou seja, a acusação reside em uma suposta simulação da compra e venda de ações da NAMISA à CSN, a partir de um aumento de capital seguido de pagamento antecipado parte do preço pelo fornecimento de minérios e pela prestação de serviços portuários de modo a “mascarar” o negócio jurídico que teria sido efetivamente realizado. Entretanto, no que se verificou da discussão, foi elemento fundamental para o provimento do Recurso de Ofício a acusação de que a dívida da CSN com a Namisa, decorrente da mencionada antecipação de pagamento (P2), seria impagável. Ocorre que tal acusação configura inovação no motivo do lançamento, vez que nunca constou do Termo de Verificação Fiscal, tampouco foi objeto de discussão em primeira instância. Esse, ao que parece, foi o elemento essencial de argumentação da d. Procuradoria e elemento fundamental para o provimento ao Recurso de Ofício conforme os debates no curso do julgamento. Ocorre que, ao meu ver, a despeito de não poderem ser apreciados, de qualquer modo, em nada alteram as conclusões a que chegou a d. Delegacia de Julgamento. Fl. 5798DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.766 65 Verifico que o lançamento é fundamentado em presunções de fato quanto ao que efetivamente ocorreu. Durante o procedimento de fiscalização, o contribuinte apresentou diversos elementos que fundamentaram a maneira como foi formatado o negócio. No Termo de Verificação Fiscal consta item intitulado “Dos indícios de irregularidades”, porém, o que se verificou desde a Decisão da DRJ, é que se trata de meras ilações fiscais. Para que tais indícios fossem suficientes a amparar o lançamento, necessário sua convergência e concordância, o que não ocorreu no presente caso, conforme premissas fixadas pelo acórdão da DRJ e não contestadas pela d. Procuradoria. Primeiramente, o negócio foi feito entre partes independentes tendo, inclusive, sócios estrangeiros como intervenientes. Este é um primeiro elemento que afasta as acusações de simulação visando o benefício tão somente da CSN. A DRJ esclarece que “do ponto que se parte (negociação havida entre partes independentes), de saída, não cabe questionar valores e índices contratuais, tanto mais quando neles (preços e índices) não se identifica o absurdo ao senso comum.” Em segundo lugar, todos os demais indícios apontam, em verdade, para uma venda parcial, acompanhada da prestação de serviços e da entrega de mercadorias, conforme contratos do contribuinte, o que justifica, inclusive, os preços acordados. A fiscalização contesta os contratos entre as partes, afirmando que foram feitos para “justificar contabilmente o ingresso de 7,3 bilhões na conta bancária da CSN, disfarçandose a operação real executada”. Sobre este aspecto, o acórdão recorrido bem demonstra que “a partir dos textosprova colacionados aos autos, deles se retira, a título de sua interpretação, que vê lugar o gênero alienação/aquisição de participação societária na NAMISA, então subsidiária integral da CSN, mas de outro turno, um tal gênero especificouse na modalidade (naquele segmento que rendeu ensejo à autuação contra a CSN) de subscrição/integralização de capital, assim aportado por Big Jump (leiamse, os investidores estrangeiros). Dessarte, a guisa de causa para os indigitados contratos, afastada a causa declinada pela Fiscalização, sobra o que naturalmente de seus exatos termos podese inferir, isto é, o interesse nos objetos de prestações de serviço e fornecimento de bens, tudo que relacionado a minério de ferro”. Nada mais natural que na alienação em comento sejam avaliadas as possibilidades de fornecimento de bens e, obviamente, seja assegurada uma prestação de serviços portuária para dar vazão à atividade, alienada pela Recorrente e adquirida pelos investidores estrangeiros (terceiros). Justamente por isso que a alienação da NAMISA é uma coisa, ao passo que a prestação de serviço e entrega de bens pela CSN é outra. Também é óbvio que se a alienação feita a terceiros não relacionados contaria com a prestação de serviços e entrega de bens, com valores ajustáveis conforme critérios determinados, isso implicaria em um conjunto de contratos, cada qual com sua natureza. Pareceme uma questão básica tratada pelo Direito dos Contratos. Sobre tais fatos, não vislumbro qualquer prova objetiva a refutálos na forma como bem descrito pela Recorrida, que transcrevo: O negócio ofertado ao mercado pela Recorrida, que como reconhece a fiscalização e consta expressamente do “Acordo de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças” (fls. 1948/2024) contemplava não apenas a aquisição de participação acionária na Namisa, mas principalmente considerava que em razão do negócio a Namisa seria detentora de: Fl. 5799DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 66 a) 10% do capital social da MRS Logística S.A., que opera a malha ferroviária responsável pelo escoamento da produção da Namisa até o porto (cláusulas 3.1.5 e 5.1.8 do Acordo); b) um “Contrato de Fornecimento de Minério de Ferro com Alto Teor de Sílica ROM”, celebrado originalmente pelo prazo de 30 anos (fls. 1958, cláusula 5.1.7 e fls. 4311/4360); c) um “Contrato de Fornecimento de Minério de Ferro com Baixo Teor de Sílica ROM”, celebrado originalmente pelo prazo de 34 anos (fls. 1960, cláusula 5.1.7 e fls. 4450/4507); d) um “Acordo dos Serviços Operacionais Portuários”, celebrado originalmente pelo prazo de 34 anos (fls. 1962, cláusula 5.1.7 e fls. 4508/4552); e) um “Contrato de Fornecimento de Minério de Ferro e Outras Avenças (Barragens de Rejeitos)” (fls. , cláusula 5.1.7 e fls. 4618/4648); f) “Acordos de Comodato” relativos a área para construção de concentrador magnético para as Barragens de Rejeitos e principalmente a área a ser utilizada pela Namisa para atividades administrativas relativas ao embarque portuário do minério de Ferro (fls. 1957 e cláusula 5.1.7); g) “Acordo de Suporte”, por meio do qual a Recorrida se obriga a prestar suporte à Namisa em relação a alguns dos contratos firmados, e em especial a obter adendo ao Acordo de Transporte vigente entre a Recorrida e a MRS de modo a garantir o aumento de volume de minério transportado (fls. 1964, clausula 5.1.8 e fls. 4677/4707) – tal adendo foi efetivamente firmado; e h) “Acordo de acionistas” que assegura que decisões significativas só podem ser adotadas com o voto afirmativo de 6 (seis) Conselheiros, ou 61% das ações da Namisa, sendo que a Big Jump tinha o direito de nomear quatro dos nove Conselheiros (fls. 1963, cláusula 4.2.3.b, fls. 2301/2360). Conforme contratos, o interesse dos investidores davase justamente a partir da existência dos serviços e da existência de minério de ferro e demais elementos envolvidos na operação. E o que se verifica de forma não contestada pela fiscalização é que houve efetiva prestação de serviço e fornecimento de mercadorias, com pagamento de preço. Os indícios são convergentes, em verdade, para o quanto alegado pelo contribuinte, pois a própria fiscalização toma como necessário e verdadeiro o preço pago pela mercadoria e o preço pago pelo serviço portuário, já que mantém sobre estes a tributação, que foi devidamente adimplida pela Recorrida. Aliás, nos debates, mencionei que se fosse mantido ao final o lançamento, é porque estaria se descaracterizando o fornecimento da mercadoria e a prestação do serviço e, assim, a única prova objetiva que teria a acusação a seu favor é a de negar tais relações jurídicas, negando, portanto, os respectivos vínculos tributários sobre tais rendimentos. Melhor explicando, se tais valores não foram recebidos em razão prestação de serviço e fornecimento de mercadorias, mas em razão de alienação de participação societária, deveria se contar com prova objetiva dessa acusação, vale dizer, prova objetiva de que os serviços não foram prestados ou as mercadorias não foram entregues ou, ao menos, negandose o vínculo tributário, imputandose os pagamentos a esse título efetuados na quantificação dos valores devidos a título de ganho de capital. Esse mínimo que poderia demonstrar o indício na tentativa de validar a presunção fiscal não existe nos autos e nem foi feito no julgamento. Ora, tratase de uma questão de coerência da prova: é dizer, caso os referidos recebimentos decorrem da Fl. 5800DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.767 67 alienação de participação societária e incide IR e CSLL sobre ganho de capital, então, não poderiam ter sido tributados como decorrentes da prestação de serviços e fornecimento de bens. Ocorre que a tributação foi mantida justamente porque nunca foi negada a prestação de serviços e muito menos o fornecimento de mercadorias, tampouco foi provado que os valores praticados não correspondiam ao valor de mercado. Ao contrário. Por fim, retornando à antecipação de pagamento e aos preços contratados, como parece ter sido ponto central da argumentação da d. Fazenda Nacional, abordo o assunto contrapondo as acusações com as justificativas apresentadas pela Recorrida. Neste ponto, argumenta a Recorrente: “Da leitura dos contratos, verificase que, em razão dos adiantamentos recebidos, a CSN se comprometeu a entregar uma parte de sua produção e dos seus serviços pelo valor do adiantamento que recebeu. Em contraposição, a NAMISA assegurou o consumo de tais bens e serviços. Seria, dessa forma, uma espécie de contrato com obrigação de aquisição, sendo que houve a prévia estipulação de parte do preço de pagamento desse consumo mínimo. Dessa forma, pela lógica contratual, seria tal como a NAMISA, por exemplo, adiantasse a CSN US$ 300,00, os quais visam a garantir o fornecimento de 50 toneladas de minério a US$ 6,00 (P2) cada tonelada (assim como a obrigação da NAMISA de comprar tal quantidade por esse preço). No entanto, quando da entrega do minério, a CSN acaba por fornecer a NAMISA 100 toneladas ao preço de U$ 10,00 a tonelada. Nesse exemplo, pela lógica dos adiantamentos como uma obrigação de aquisição, a NAMISA deveria fazer o seguinte cálculo: 1º como ela garantiu o pagamento de 50 toneladas a US$ 6,00 a tonelada, 50 das 100 toneladas entregues deveriam ser calculadas pelo preço restante, ou seja, US$ 4,00 (P1) a tonelada, e o restante, as demais 50 toneladas, deveriam ser multiplicadas por US$ 10,00, haja vista que sobre essa parcela da produção a NAMISA não adiantou nenhuma parte do pagamento. Portanto, com base no exemplo citado, a NAMISA deveria pagar a CSN US$ 700,00, pois, das 100 toneladas entregues a US$ 1.000,00, ela havia garantido apenas US$ 300,00 (50 mil toneladas a US$ 6,00 cada). Ao agir dessa forma, os adiantamentos realizados cumpririam a sua função contratual, pois, de forma inequívoca, estariam servindo para remunerar a CSN pelos bens e serviços que assumiu entregar a NAMISA. A parcela da produção cuja parte do preço foi adiantada tem seu preço final reduzido pelo abatimento do adiantamento. No entanto, a parte da produção cujo preço não foi adiantada é cobradas com base no valor cheio da nota, ou seja, sem qualquer abatimento.” (fls. 5709/5710 – destaques no original) Na sequência, a d. Procuradoria resume em valores o que seria a forma correta de abatimento: Forma Correta Contribuinte 1. Namisa adianta 50 Toneladas por U$6,00/T = U$300,00 1. Namisa adianta 50 Toneladas por U$ 6,00/T = U$300,00 Fl. 5801DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 68 2. CSN fornece à Namisa 100 Toneladas a U$1.000,00 (U$10,00 por Tonelada) 2. CSN fornece à Namisa 100 Toneladas a U$1.000,00 (U$10,00 por Tonelada) 3. Forma de abatimento Valor da Nota Fiscal 100 T x U$10,00 Valor a ser abatido = 50 T x U$6,00 = U$300,00 3. Forma de abatimento Valor da Nota Fiscal 100 T x U$10,00 Valor a ser abatido = 100 T x U$6,00 = U$600,00 4. Valor a ser pago 50 T x U$10,00 + 50 T x U$4,00 = U$700,00 4. Valor a ser pago U$1.000,00 – U$600,00 = U$400,00 Especificamente sobre os preços contratados, bem frisou o voto do Conselheiro Relator original: “os preços contratados são o resultado da soma de dois componentes: i) P1 (parcela variável reajustada inicialmente anualmente e depois trimestralmente pela variação do preço do “Minério de Referência”) e ii) P2 (parcela fixa, reajustável apenas a cada 5 anos e se necessário para manter o equilíbrio contratual e que foi paga antecipadamente). Significa, portanto, que a Namisa teria a garantia de fornecimento de produtos e serviços ao longo de 34 anos e, ainda, a vantagem da parcial estabilidade do preço do serviço e do minério (ao menos a cada cinco anos), diminuindo seu risco atrelado às variações no preço do Minério de Referência, já que essa se daria apenas à parcela variável (P1). Acerca do benefício desse contrato para a Namisa e a plausibilidade dos valores envolvidos, verificase que os documentos acostados à Impugnação (fls. 5.341 a 5.434) evidenciam que o valor cobrado pela Recorrida da Namisa para prestação de serviços portuários estavam aquém dos valores praticados pela Recorrida para mesma prestação de serviços a terceiros,” De fato, a forma de contratação foi suficientemente esclarecida pela contribuinte, assentandose, ainda, nas razões acolhidas pelo acórdão recorrido. Conforme já explicitado, houve contratação entre partes independentes, com participação de empresas estrangeiras intervenientes. Assim, de início é de se afastar a alegação de como deveria ter se dado o abatimento. Em se tratando de partes independentes, o abatimento deve ser feito tal como estabelecido no contrato firmado. A Recorrida bem ilustra como são feitos os abatimentos, mencionando inclusive os contratos. Considerando o mesmo valor adotado pela d. Procuradoria (US$ 6,00), verificase estar tomando como base o contrato de prestação de serviços de porto, o que de fato se justifica tendo em vista que este responde por 72,3% do valor total do pagamento antecipado, conforme informa a Recorrida, partindo do disposto na cláusula oitava: “CLÁUSULA OITO∙ UNIDADE PREÇO 8.1. Preço de Unidade. O preço para os Serviços cumpridos sob este Contrato deverá ser determinado tendo por base as quantidades do Minério de Ferro em relação a cujos Serviços têm sido efetivamente prestados em cada mês, baseado na seguinte fórmula (com o preço por tonelada métrica em uma base natural resultante da aplicação da fórmula citada sendo doravante denominada com (“Preço de Unidade”): UP=P1 +P2 UP= significa Preço de Unidade para um mês determinado para o cumprimento dos Serviços; P1= significa, a partir de 1º de abril de 2008, o equivalente à moeda Fl. 5802DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.768 69 brasileira de US$4.00 (quatro dólares americanos) ("Y"), este sendo certamente de que tal montante deverá ser reajustado no início da cada Ano de Mineração com base na mesma percentagem de reajuste como do minério de ferro finos do tipo conhecido como suprimento de sedimento calcário padrão SSCP (Itabira Fines), sendo produzido pela Sistema Sul (Sistema Sul) da Companhia Vale do Rio Doce (ou sucessor ao mesmo) (doravante denominado com "VALE") e visado para o embarque através do Porto de Tubarão para o Japão (tal minério sendo doravante denominado como "Minério de Referência"), como exposto (por ordem): (i) no Tex Report, como publicado pelo Tex Report Ltda (ou sucessor ao mesmo); (ii) no caso do Tex Report, por qualquer razão, não estiver disponível ou não for mais divulgado o Minério de Referência, o Boletim de Metal, publicado pela Metal Bulletin, plc (ou sucessor ao mesmo); ou (iii) no caso do Boletim de Metal, por qualquer razão, não esteja mais disponível ou não mais expuser o preço do Minério de Referência, então o website da VALE ou qualquer outra publicação da VALE. Com a finalidade de converter o "Y" para a moeda brasileira, a CSN deverão utilizar a média das cotações para a venda do Dólar dos Estados Unidos como publicado pelo Banco Central do Brasil (BACEN) através da transação PTAX 0800, opção 5 (ou tal transação pode ser substituída por semelhante no Sistema BACEN SISBACEN), no mês anterior àquele que por emissão da fatura relacionada ao cumprimento dos Serviços, e deverá tomar "P1" para os 2 (dois) decimais colocados após o arredondamento. (...) P2= significa que o montante nos reais do Brasil equivalentes a US$6.00 (seis dólares norteamericanos), o qual é fixado e não ajustável por um período inteiro que este Contrato permanecer de fato (nenhum montante em dinheiro vivo do preço dos Serviços). Com os fins de converter o P2 na moeda brasileira, a CSN deverá utilizar a PTAX pertinente ao fechamento dos negócios do dia que 2 (dois) Dias Úteis (como definido na Cláusula 9.1.1 abaixo) de antecedência à data do cálculo relevante, cuja data de cálculo relevante com a finalidade de pagamento do Pagamento Antecipado deverá significar que a data na qual tal pagamento efetivamente ocorreu. No caso de, nenhum valor de PTAX estar disponível em tal data, o valor de PT AX na data deverá ser substituída pela taxa de câmbio livremente praticada no mercado financeiro. (...) CLÁUSULA NOVE PAGAMENTO ANTECIPADO 9.1. Pagamento Antecipado. Na data do acordo pelas Partes mas não posterior a 90 (noventa) dias da data de execução deste Contrato, a NAMISA deverá disponibilizar à CSN, com antecedência, devido aos Serviços a serem cumpridos para a NAMISA sob este Contrato, o montante em reais do Brasil equivalente a US$2.212.504.830,86 (dois bilhões, duzentos e doze mil, quinhentos e quatro mil, oitocentos e trinta dólares norteamericanos e Fl. 5803DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 70 oitenta e seis centavos) (doravante denominado como o "Pagamento Antecipado"), montante o qual corresponde à soma de cada um dos resultados da multiplicação (a) de cada Quantidade Mensal apresentada no Anexo III (para cada um dos meses de cada Ano de Mineração) em (b) US$6.00 (seis dólares norteamericanos), ajustado ao valor apresentado pela data da assinatura deste Contrato com base em uma taxa de desconto de 8,25% (oito ponto vinte e cinco por cento) por ano. 9.1.1. A conversão dos montantes em dólares em reais do Brasil, sob este Contrato, deverá usar o PTAX pertinente ao fechamento das negociações do dia que é 2 (dois) Dias Úteis (como definido abaixo) de antecedência à data de cálculo relevante, (...) (...) 9.2. Dedução do Pagamento Antecipado sobre o Cumprimento dos Serviços. Ao final de cada um dos meses de cumprimento dos Serviços, a CSN deverá ser deduzido automaticamente do balanço do débito da CSN para a NAMISA em relação ao Pagamento Antecipado um montante fixo e nãoreajustável o correspondente à porção do Pagamento Antecipado atribuível aos Serviços cumpridos em tal mês, o qual o montante seja equivalente a: (a) P2(como definido na Cláusula 8.1 acima); (b) multiplicado por EQ (o qual deverá significar a quantidade de Minério de Ferro efetivamente embarcado pela NAMISA em determinado mês, como especificado pela verificação do esboço de inspeção). (...) CLÁUSULA DEZ – FATURAMENTO E PAGAMENTO 10.1 Emissão de Faturas. No último dia de cada mês, a CSN deverá emitir uma fatura (“NFF”) para os Serviços cumpridos em tal mês e submeter tal NFF para a NAMISA dentro de não mais que 3 (três) Dias Úteis a partir da data de emissão, com a devida referência a esta Cláusula e Lei Pertinente. 10.1.1. AS NFFs deverão ser emitidas para a NAMISA com base nos certificados fornecidos da forma apresentada no Anexo III relativo a este instrumento em relação a cada embarque de Minério de Ferro. Cada NFF é para refletir (a) o valor dos Serviços cumpridos, tendo em vista o Preço de Unidade e a quantidade de Minério de Ferro efetivamente embarcado naquele mês, (b) a porção do Pagamento Antecipado atribuível aos Serviços cumpridos, calculado da forma fornecida pela Cláusula 9.2 acima e para os fins apresentados em tal Cláusula, e (c) o saldo a pagar.” (fls. 4525/4527, 4528/4539 e 4530). Sobre os referidos contratos, contestou a Recorrida que o valor faturado mensalmente pela CSN corresponde ao resultado da multiplicação da quantidade de minério efetivamente embarcada em cada mês pelo valor de PU (preço de unidade, correspondente em cada mês à soma de P1 + P2); sendo que P1 corresponde a um valor original de US$ 4,00, que será corrigido anualmente com base na variação do preço do minério de referência e convertido em reais, considerando a cotação média do mês anterior à emissão da fatura; e P2 é um valor fixo em reais correspondente em 29/12/2008 a US$ 6,00. Ainda, o pagamento antecipado realizado não corresponde a uma quantidade específica de minério embarcado, mas sim a parte do preço devido (P2) por todo o volume de serviços que deverão ser prestados durante os 34 anos de vigência do contrato, trazida a valor presente considerada uma taxa de desconto de 8,25% ao ano, considerada a previsão mensal de embarque, conforme anexo III do contrato Fl. 5804DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.723039/201279 Acórdão n.º 1401001.239 S1C4T1 Fl. 5.769 71 (posteriormente substituído pelo aditamento de 22/12/2008). E, por fim, o valor a ser mensalmente abatido do valor total faturado corresponde ao resultado da multiplicação de P2 pela quantidade de minério efetivamente embarcado. Foi devidamente explicitado e justificado o conteúdo dos contratos firmados, o que deveria ter sido objetivamente contraditado pela acusação fiscal, mas nem mesmo foi objeto da ação fiscal. Por todo o exposto, verificado que os indícios – provas objetivas – trazidos ao presente processo demonstram convergência em relação ao negócio formatado pela Recorrida (CSN), é que votei por negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto à desqualificação da multa, por razões óbvias, acompanho o posicionamento adotado por unanimidade pela colenda turma. (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 5805DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 04/02/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por AL EXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.908091/2011-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. PROVA.
Embora o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora seja o meio de prova regular do IRRF no âmbito da Administração Tributária, o processo administrativo fiscal comporta outros meios de prova, em homenagem ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1801-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. PROVA. Embora o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora seja o meio de prova regular do IRRF no âmbito da Administração Tributária, o processo administrativo fiscal comporta outros meios de prova, em homenagem ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 80 91 /2 01 1- 59 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908091/201159 Acórdão n.º 1801002.226 S1TE01 Fl. 257 2 Relatório CREMER S.A., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1447.010 (fl. 225), pela DRJ Ribeirão Preto, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 37730.20639.260208.1.3.020020 (fl. 201), que foi homologada parcialmente por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 23: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas PER/DCOP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO IR EXTERIOR RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM. COMP. SNPA ESTIM. PARCELADAS DEM. ESTIM. COMP. SOMA PARC. CRÉD. PER/DCOMP 0,00 197.973,63 173.394,29 0,00 0,00 0,00 371.367,92 CONFIRMADAS 0,00 162.824,47 173.394,29 0,00 0,00 0,00 336.218,76 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 145.700,50. Valor da DIPJ: R$ 145.700,50 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 371.367,92. IRPJ devido R$ 225.667,42 Valor do saldo negativo disponível* (parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 110.551,34 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/08/2011: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908091/201159 Acórdão n.º 1801002.226 S1TE01 Fl. 258 3 PRINCIPAL MULTA JUROS 39.781,83 7.956,36 14.456,71 Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que traz os argumentos a seguir resumidos: i) a diferença entre o crédito declarado e o crédito reconhecido no despacho decisório é de R$ 35.149,16; todavia, o contribuinte foi intimado para pagar R$ 39.781,83, o que não tem fundamento; ii) o contribuinte tem órgãos públicos como clientes e estes fazem retenção na fonte dos tributos incidentes, causando uma discrepância entre o valor faturado e o valor efetivamente pago; iii) muitas vezes, um depósito é realizado para quitar várias compras, ou vezes, a fonte pagadora é diferente do adquirente da mercadoria; iv) muitas vezes, esses órgãos não emitem o devido comprovante de retenção; v) a título de ilustração, junta planilha, fatura e comprovante de depósito; vi) as retenções foram efetivamente realizadas, conforme declarado na DCOMP. Ao final, requer a realização de perícia. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL RETIDA NA FONTE. Para utilização a contribuição retida na fonte como dedução na apuração di IRPJ ao final do período, fazse necessário que, além da tributação dos correspondentes Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908091/201159 Acórdão n.º 1801002.226 S1TE01 Fl. 259 4 rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Cientificado dessa decisão em 21/01/2014 (fl. 238), por meio de comunicação eletrônica, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 240), em 05/02/2014, em que reitera os seus argumentos apresentados na referida manifestação de inconformidade, além de apontar alegada nulidade da decisão recorrida. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O recorrente solicita a realização de perícia para que sejam elididas as dúvidas quanto às retenções. Todavia, verificase que, além da questão contábil, não há questão técnica a ser resolvida na presente lide. Todas as informações necessárias à solução perseguida estão nos autos e tanto as partes quanto a autoridade julgadora possuem habilidade suficiente para utilizar essas informações no seu mister, o que torna desnecessária a perícia requerida. Ademais, cabe ao recorrente trazer aos autos as provas necessárias para a comprovação dos seus argumentos, nos termos do artigo 161, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, não cabendo à Administração Pública a substituição do contribuinte no seu ônus processual. Por tais razões, indefiro o pedido de perícia. O contribuinte alega que o valor que lhe foi exigido é superior ao valor glosado do saldo negativo declarado, o que lhe parece sem fundamento. A decisão a quo esclareceu que a diferença devese ao fato de que a DCOMP foi apresentada após o vencimento do débito declarado, o que deu ensejo a exigência de acréscimos moratórios. Por seu turno, o recorrente afirma que essa fundamentação deveria ter sido explicitada no despacho decisório e, não ocorrendo isso, ele encontrase eivado de nulidade, uma vez que foi cerceado o seu direito de defesa. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908091/201159 Acórdão n.º 1801002.226 S1TE01 Fl. 260 5 Todavia, a incidência de encargos moratórios nas condições relatadas está prevista no artigo 28 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, bem como em todas as instruções normativas que a sucederam: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1 º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Sendo uma regra legal, não é admissível a alegação de seu desconhecimento, nos termos do artigo 3º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Lei nº 4.657, de 1942): Art.3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Por essa razão, afasto a preliminar de nulidade. No mérito, o recorrente afirma que a parcela glosada está associada a retenções que ocorreram efetivamente. A autoridade julgadora de primeira instância realizou uma completa análise do saldo negativo em tela, tomando como base as DIRF apresentadas em favor do recorrente. Como resultado, não foi encontrado crédito passível de reconhecimento. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte afirma que juntou aos autos cópia de nota fiscal, de comprovante de pagamento e de planilha de demonstração, documentos que comprovaria uma retenção não considerada na decisão recorrida. De fato, os referidos documentos foram juntados aos autos, mas não foram incluídos na apuração da DRJ, que considerou apenas os valores declarados em DIRF, conforme o seguinte excerto (fl. 231): Contudo, não houve a apresentação de quaisquer comprovantes de retenção ou informes de rendimentos pela interessada, mas meras notas fiscais produzidas unilateralmente pela manifestante, além de planilhas que, supostamente, comprovariam o depósito dos valores líquidos de parte das vendas efetuadas aos órgãos públicos. ... Assim, ausentes os documentos hábeis a comprovar o saldo credor de IRPJ, não há como se reconhecer, a título de antecipações da contribuição do período, valores que não tenham sido informados em DIRF pela fonte pagadora. Embora o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora seja o meio de prova regular no âmbito da Administração Tributária, o processo administrativo fiscal Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908091/201159 Acórdão n.º 1801002.226 S1TE01 Fl. 261 6 comporta outros meios de prova, em homenagem ao princípio da verdade material. É essa cognição ampla que permitiu à DRJ realizar nova apuração do saldo negativo com base nas DIRF e, no mesmo passo, também autoriza a apreciação dos documentos apresentados pelo contribuinte. Nessa senda, verificase que o contribuinte juntou notas fiscais e extratos bancários que, associados, são evidências suficientes para demonstrar a retenção afirmada pelo recorrente, devendo esta ser incluída na apuração do saldo negativo de 2006. Em se fazendo isso, resulta saldo negativo suficiente para satisfazer a DCOMP sob análise. Desta feita, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito apontado e homologar a DCOMP em tela. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721117/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62A do RICARF. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 21 11 7/ 20 10 -3 7 Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10380.721117/201037 Resolução nº 1302000.221 S1C3T2 Fl. 1.838 2 Relatório RABELO VEÍCULOS LTDA. ME, já qualificada neste processo, inconformada com o Acórdão no 0823.339 de 27/04/2012, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, recorreu voluntariamente a este colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Segundo consta no termo de constatação fiscal, a fiscalização sobre a empresa RABELO VEÍCULOS LTDA ME teve início por provocação do Ministério Público Federal (fls. 1050), que ofereceu indícios de que o Sr. RAIMUNDO RABELO FREIRE teria praticados atos em desacordo com a legislação. Durante o desenrolar das atividades, foram também intimadas e fiscalizadas diversas pessoas ligadas à empresa: FRANCISCO MESSIAS REBOUÇAS: exfuncionário; MARIA EDILEIA DE OLIVEIRA QUEIROZ: então companheira de Raimundo; ROSÂNGELA MARIA CARLOS DE OLIVEIRA: exfuncionária e esposa de Francisco; GILDÉSIO e GILVÊNIO ESTEVAM FREIRE: filhos de Raimundo. Referidas pessoas tiveram seus sigilos bancários afastados administrativamente, com fulcro no art. 6º da Lei Complementar 105/01. Em síntese, encontramse nos autos as seguintes informações obtidas por meio de quebra de sigilo bancário, sendo que algumas foram entregues voluntariamente e outras foram requeridas por meio de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF): Sujeito passivo Banco (fls.) Agência Conta Corrente Objetivo Bradesco (fl. 256) RMF Procurações Banco do Brasil (fl. 261) RMF Procurações Bradesco (fl. 488) RMF ag. 1379 c/c 163988 Movimentações financeiras Rabelo Veículos Ltda ME Bradesco (fl. 675) RMF ag. 1379 c/c 163988 Movimentações financeiras Bradesco (fl. 996) Entregue pelo sujeito passivo ag. 1379 c/c 4.3591 Raimundo Rabelo Freire Bradesco (fl. 996) Entregue pelo sujeito passivo ag. 29254 c/c 10.0005 Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10380.721117/201037 Resolução nº 1302000.221 S1C3T2 Fl. 1.839 3 Francisco Messias Rebouças Bradesco (fl. 1065) RMF ag. 1379 c/c 14540 e 26.666 3 Movimentações financeiras Maria Edileia de Oliveira Queiroz 1 Bradesco (fl. 264) Procuração Rosângela Maria Carlos de Oliveira 2 Em posse de tais informações, o AFRFB verificou grande descompasso entre a quantia que transitou pelas contas correntes dos investigados e o que foi declarado em documentos fiscais (v. quadro de fls. 1361 e 1362). Foi constatado, ainda, que a ocupação profissional das pessoas acima elencadas é incompatível com o valor dos ativos que transitou em suas contas correntes. Assim, foi oferecida a possibilidade de esclarecimentos acerca da origem dos valores detectados. Todavia, não houve respostas. Além disso, o AFRFB detectou que RABELO VEÍCULOS LTDA ME (fl. 256), GILDESIO ESTEVAM FREIRE (fl. 261), GILDENIO ESTEVAM FREIRE (fl. 261) e MARIA EDILEIA DE OLIVEIRA QUEIROZ (fl. 265) outorgaram procurações plenipotenciárias para RAIMUNDO RABELO FREIRE. A recorrente também foi intimada a apresentar sua escrita fiscal, visto que movimentou em sua conta corrente mais valores do que o declarado à Receita Federal do Brasil (v. quadro fls. 1361 e 1362). Contudo, não houve resposta. Frente aos elementos colacionados aos autos, o AFRFB concluiu que a recorrente sonegou informações e deixou de recolher os tributos devidos e que a movimentação financeira na conta dos investigados descritos acima decorria da atividade da empresa, com fundamento na presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/96 e do art. 287 do Dec. 3.000/99. Desta forma, considerando a verificação de omissão de receitas de pessoa jurídica e a opção da recorrente pelo SIMPLES, foi elaborado o ato declaratório executivo DRF n. 24, de 12 de abril de 2010 (fl. 1325) para excluíla do referido regime, cujos efeitos foram aplicados a partir de 2005. Após, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva à fl. 1239 para declarar RAIMUNDO RABELO FREIRE como responsável pelo crédito tributário. A recorrente apresentou impugnação ao auto de infração (fl. 1429 e ss. – uma para cada tributo), argumentando, em síntese, o seguinte: A recorrente não tem patrimônio para arcar com a exigência fiscal; 1 De acordo com o contido no Termo de Constatação Fiscal (fl. 1057), houve expedição de RMF para solicitar as movimentações financeiras de Maria Edileia de Oliveira Queiroz. No entanto, ao menos quanto aos documentos que se encontram digitalizados e disponíveis, não foi encontrado nos autos tal requisição/resposta. 2 De acordo com o contido no Termo de Constatação Fiscal (fl. 1056), houve expedição de RMF para solicitar as movimentações financeiras de Rosângela Maria Carlos de Oliveira. No entanto, ao menos quanto aos documentos que se encontram digitalizados e disponíveis, não foi encontrado nos autos tal requisição/resposta, sobretudo no que tange à ag. 1379 e cc. 100781 e à ag. 2127 e cc. 100781, ambas do Banco Bradesco. Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10380.721117/201037 Resolução nº 1302000.221 S1C3T2 Fl. 1.840 4 A constituição do crédito tributário está equivocada e os cálculos devem ser refeitos, uma vez que os valores considerados como omissão de receitas representam o faturamento total, quando, na verdade, a recorrente apenas percebia comissões sobre o valor das vendas de carros; Junta notas fiscais. Pede que o cálculo do tributo seja feito sobre as comissões (aproximadamente 5%). Não apresenta cálculo ou vincula as notas fiscais ao período ou conta bancária onde ocorreram as movimentações financeiras. A Delegacia Regional de Julgamento julgou totalmente improcedente os argumentos da recorrente, de acordo com os seguintes fundamentos (fls. 1760 e ss.): O lançamento foi realizado com base na presunção legal de omissão de receita contida no art. 42 da Lei 9.430/96. A partir de 1997, a recorrente passou a ter o ônus de provar que as movimentações financeiras não são omissão de receita, quando a RFB requerer informações; Facultouse o oferecimento de explicações, o que não foi feito pela recorrente, que apenas requereu a juntada de notas fiscais, sem correlacionálas com os depósitos em alguma das contas correntes; A situação econômicofinanceira da recorrente não prejudica o lançamento tributário, uma vez que a autoridade administrativa está vinculada ao que determina a legislação. Além disso, somente as situações previstas em lei podem ser consideradas como causa de extinção do crédito tributário (principal e acessório); O termo de sujeição passiva não foi impugnado; Em relação à tributação reflexa, mantémse o lançamento pelas mesmas razões anteriormente expostas, realizadas as devidas adequações. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde requer a reforma da decisão e a anulação do auto de infração, o que faz com base nas seguintes razões: A presunção utilizada para equiparar os depósitos bancários ao faturamento da recorrente é inadmissível e ofende o princípio da estrita legalidade. Além disso, desvirtua os “preceitos normativos contidos na legislação tributária” que conceituam o faturamento (fl. 1809). Tratase de violação à vinculação do agente administrativo à lei; Nos contratos de compra e venda de veículos que intermediava, a recorrente exigia que o comprador depositasse o valor do negócio em sua conta. Após, retia 5% do valor da venda e repassava o restante para o proprietário do veículo (por vezes, a comissão era menor). Por isso, a base de cálculo empregada pelo AFRFB está errada, pois não se considerou as despesas dedutíveis; O AFRFB modificou o conceito de faturamento para sua comodidade, equiparandoo ao conceito de “movimentação bancária” (fl. 1810), o que configura “arbitrariedade”. Desconsiderouse também a possibilidade de ocorrência de prejuízo. A DRJ desconsiderou as notas fiscais apresentadas; Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10380.721117/201037 Resolução nº 1302000.221 S1C3T2 Fl. 1.841 5 O crédito tributário foi constituído de modo confiscatório, visto que supera o “lucro auferido e o patrimônio acumulado pela recorrente em todo o período em que exerceu suas atividades” (fls. 1813). Há ofensa, portanto, ao art. 150, inciso IV, CF. Ofendese, por consequência, o princípio da capacidade contributiva. Apresenta doutrina sobre o tema. Defende que a base de cálculo estatuída pela Lei n. 9.718/98 para o PIS/COFINS é inconstitucional. É o relatório. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10380.721117/201037 Resolução nº 1302000.221 S1C3T2 Fl. 1.842 6 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso é tempestivo e apresenta todas as condições de admissibilidade, então dele conheço. Inicialmente, verificase que o AFRFB solicitou à recorrente e às outras pessoas mencionadas acima que apresentassem informações referentes às movimentações bancárias. Algumas requisições foram atendidas, mas outras não tiveram resposta, o que levou a autoridade competente a requerer diretamente às instituições financeiras, mediante RMF. Tais informações foram concedidas pelos bancos, conforme se verifica às fls. 256, 261, 264, 488, 675, 996, 1065. Após, foram requisitadas explicações sobre a origem dos valores depositados. Em razão da ausência de explicações, foi lavrado auto de infração. Vêse, desse modo, que o AFRFB não teria arrecadado a quantia de informações necessárias para a lavratura do auto de infração caso não tivesse acesso à movimentação financeira das pessoas envolvidas com a empresa fiscalizada. Assim, foi decisiva no desenrolar deste feito a autorização constante nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual o AFRFB teve acesso, administrativamente, às movimentações bancárias. No âmbito administrativo, releva observar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, que transcrevo abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10380.721117/201037 Resolução nº 1302000.221 S1C3T2 Fl. 1.843 7 a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Pois bem. A matéria da qual trata este processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue3: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). 3 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10380.721117/201037 Resolução nº 1302000.221 S1C3T2 Fl. 1.844 8 POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Embora reconhecida pela Suprema Corte a repercussão geral (CPC, art. 543A), não encontro menção, no referido Recurso Extraordinário, ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 7147574: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 3543935: REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). DECISÃO: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua 4 DJe nº 217, divulgado em 14/11/2011. Decisão Monocrática. 5 DJe nº 195, divulgado em 10/10/2011. Relator Min. Luiz Fux. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10380.721117/201037 Resolução nº 1302000.221 S1C3T2 Fl. 1.845 9 vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Tenho por certo, assim: (i) que o presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; (ii) que ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e (iii) que recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Por todo o exposto, julgo pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator. Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 10820.000859/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Responde solidariamente pelo crédito tributário devido pela contribuinte a pessoa física que, embora não conste formalmente dos atos constitutivos da pessoa jurídica, seja sócio de fato da empresa e na administração desta dolosamente infrinja lei tributária.
Numero da decisão: 1201-001.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente pelo crédito tributário devido pela contribuinte a pessoa física que, embora não conste formalmente dos atos constitutivos da pessoa jurídica, seja sócio de fato da empresa e na administração desta dolosamente infrinja lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.000859/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.050 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria IRPJ E REFLEXOS OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FRIG FRIGORÍFICO INDUSTRIAL GUARARAPES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 BASE DE CÁLCULO. LUCRO ARBITRADO. Provado que a real atividade exercida pela empresa era a industrialização e o comércio, e não a industrialização por encomenda, e diante da impossibilidade de apuração de lucro real, a base de cálculo do imposto deve ser determinada segundo as regras do lucro arbitrado, a partir da receita conhecida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. DOLO. A omissão de receita oriunda de movimentação financeira havida em conta bancária de titularidade de interposta pessoa é suficiente à comprovação do dolo do agente e importa em qualificação da multa de ofício. Súmula nº 34 CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente pelo crédito tributário devido pela contribuinte a pessoa física que, embora não conste formalmente dos atos constitutivos da pessoa jurídica, seja “sócio de fato” da empresa e na administração desta dolosamente infrinja lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 08 59 /2 00 8- 84 Fl. 7165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1425.449, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 793 e ss.): Contra o sujeito passivo supra identificado foram lavrados autos de infração para lançamento e exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em decorrência de omissão de receitas nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Conforme Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 567/603, em decorrência da operação denominada "Grandes Lagos", deflagrada pela Polícia Federal, constatouse a existência de uma grande organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a administração tributária, na qual se incluía a FRIG Frigorífico Industrial Guararapes Ltda. Conhecidas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas com a organização, houve determinação judicial para que as mesmas fossem fiscalizadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Neste contexto foi aberta fiscalização junto à FRIG Frigorifico Industrial Guararapes Ltda., que, segundo conclusões do inquérito da Polícia Federal, adquiria notas “frias” da empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., com o objetivo de ocultar o seu real faturamento e eximir os titulares de fato do pagamento de tributos, ou seja, utilizava documentos fiscais "frios" com a finalidade de acobertar operações próprias com documento fiscal de terceiros e, com isso, transferir a responsabilidade pelos tributos a empresas "noteiras", sem qualquer patrimônio ou condições financeiras para honrar o pagamento dos tributos devidos. Fl. 7166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 4 3 Além deste fato, a autoridade fiscal constatou que a FRIG Frigorífico Industrial Guararapes Ltda. movimentava recursos financeiros de sua titularidade em contacorrente mantida em nome da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., cujas operações eram livremente realizadas mediante procuração outorgada a representante da empresa fiscalizada. Segundo consta no referido relatório fiscal, em diversas oportunidades a empresa fiscalizada tentou justificar que era meramente prestadora de serviços à empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., mas que as provas colhidas pela fiscalização convergem para as mesmas conclusões a que chegaram a Polícia Federal e o Fisco Estadual, na análise das mesmas ocorrências. Transcrevendo detalhes do trabalho realizado pela Polícia Federal na "Operação Grandes Lagos", com destaque para a atuação das empresas "noteiras", como é o caso da empresa Norte Riopretense Distribuidora Ltda., atualmente denominada de FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., as autoridades fiscais citam provas que atestam o fornecimento de notas fiscais frias da empresa FriNorte para a FRIG Frigorífico Industrial Guararapes Ltda., assim como o trabalho do funcionário José Carlos Marquini, que, embora registrado em nome da citada empresa "noteira", trabalhava, na realidade, para a fiscalizada, inclusive assinando cheques, mediante procuração, de contacorrente mantida em nome da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. No mesmo relatório da auditoria é citada conclusão de procedimento fiscal realizado pelo Fisco Estadual, cujo informação repassada pelo Delegado Regional Tributário em São José do Rio Preto ao Delegado da Receita Federal em São José do Rio Preto atesta que a empresa "Norte Riopretense é uma empresa utilizada para emitir notas fiscais frias que embasam operações comerciais de compra de gado e venda de carne e couro de vários frigoríficos, com o fim de ocultar o verdadeiro responsável por estas operações. Além disso, fornece notas fiscais a clientes que geram créditos fictícios de ICMS. A empresa também é utilizada para registrar empregados de terceiros que não desejam arcar com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento." O relatório de conclusão da auditoria fiscal elenca provas adicionais colhidas no curso do procedimento realizado pela Receita Federal. A partir dos arquivos magnéticos apreendidos junto à empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., foram extraídos dados e informações que permitiram identificar as vendas realizadas pela FRIG Frigorífico Industrial Guararapes Ltda., com utilização de notas fiscais "frias" adquiridas da referida empresa "noteira". Intimadas dezenas de empresas adquirentes dos produtos vendidos, praticamente todas confirmaram as transações comerciais apontados nas intimações fiscais. Fl. 7167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 5 4 Segundo o relatório fiscal, visando robustecer as conclusões quanto a atividade de fornecedora de "notas fiscais frias" e de adquirente desses documentos pelas empresas FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. e FRIG Frigorífico Industrial Guararapes Ltda., respectivamente, as autoridades fiscais fizeram uma análise da movimentação financeira nas contas bancárias em nome da FRIG Frigorífico Industrial Ltda., assim como naquelas mantidas em nome da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. e movimentadas mediante procuração e, também, na contacorrente em nome do Sr. Antônio Fernando Orsi. De acordo com os trabalhos desenvolvidos, as autoridades fiscais demonstraram que tanto as contas bancárias mantidas em nome da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., como aquela mantida em nome de Antônio Fernando Orsi eram utilizadas para movimentação de recursos provenientes de operações da empresa fiscalizada, na medida em que essas contas recebiam créditos oriundos de clientes, assim como no pagamento a fornecedores da FRIG Frigorífico Industrial Guararapes Ltda. e, também, para crédito direto em contas correntes da titularidade da empresa fiscalizada. Desta forma, segundo o relatório fiscal, restou comprovada a utilização das contascorrentes n° 8.8145 e 77038880, mantidas em nome da empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. junto ao Banco do Brasil S/A e Banco Real S/A Agências Guararapes , assim como da conta corrente n° 2.2780, mantida em nome de Antônio Fernando Orsi junto ao Bradesco Agência Guararapes , para movimentação de recursos financeiros da titularidade da empresa fiscalizada. Segundo as autoridades fiscais, a escrituração é imprestável para a determinação do lucro da empresa, na medida em que não registra a totalidade da movimentação financeira da empresa e contém vícios de simulação, pois centenas de lançamentos realizados a débito de contas de despesas ou de custos, a crédito da conta Caixa, eram feitos a partir de cheques, na maioria compensados, oriundos das contascorrentes mantidas em nome da empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. Diante da imprestabilidade da escrituração da empresa, as autoridades fiscais, em conformidade com o art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, adotou o regime de lucro arbitrado para o cálculo dos tributos devidos a partir do lucro da empresa, salientando que o arbitramento não configura qualquer tipo de penalidade, mas apenas uma forma legal de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. Para fins do arbitramento, foram tomados, como receita bruta conhecida, os valores das vendas efetuadas pela FRIG Fl. 7168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 6 5 Frigorífico Industrial Guararapes Ltda. que eram acobertadas por notas fiscais “frias” adquiridas da empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., que se encontram demonstradas às fls. 410/556. Como a empresa fiscalizada apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anos calendários de 2002, 2003, 2004 e 2005 com valores ínfimos e com informação simulada que os mesmos decorriam de prestação de serviços, as autoridades fiscais desconsideraram as informações prestadas nas referidas declarações, posto que não mereciam fé, e tomaram como receitas da empresa as vendas acobertadas com documentos fiscais “frios”. Considerando que a empresa havia apresentado Declaração de Créditos e Débitos Tributários — DCTF para os períodos fiscalizados, as autoridades fiscais deduziram dos tributos apurados os valores já declarados em DCTF, constituindo, mediante autos de infração, as diferenças dos tributos devidos, conforme documentos de fls.604/673. Por entender que a conduta da empresa configurava evidente intuito de fraude, na medida em que se utilizou de notas fiscais “frias”, fornecidas pela empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., para acobertar suas operações e ocultar o seu real faturamento, e, além disso, ter declarado à Secretaria da Receita Federal do Brasil valores totalmente incompatíveis com sua receita bruta, as autoridades fiscais aplicaram a multa de oficio de 150% sobre os valores dos tributos decorrentes das receitas omitidas e de 75% sobre a diferença dos tributos calculados com base nas receitas declaradas. Segundo o relatório fiscal, o Sr. Antônio Fernando Orsi era o verdadeiro administrador e gerente da empresa FRIG Frigorífico Industrial Guararapes Ltda., praticando atos simulados em nome dela, que objetivava dar aparência de legalidade e normalidade às operações realizadas, o que demonstrou seu interesse comum na situação que constituíam fatos geradores de tributos, sendo, desta maneira, solidariamente obrigado em face do crédito tributário constituído, conforme previsto nos arts. 121 e 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Para tanto, foi lavrado o competente Termo de Sujeição Passiva Solidária, documento de fls. 565/566, constituindo como sujeito passivo solidário com o crédito tributário apurado o Sr. Antônio Fernando Orsi, CPF 044.586.40879. O resultado do procedimento fiscal foi comunicado à Justiça Federal e ao Ministério Público, em razão de sua execução ter origem em requisição do Poder Judiciário. Dos fatos apurados, foram lavrados os competentes autos de infração para lançamento e exigência do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, totalizando crédito tributário de R$ 9.781.176,53, conforme resumido à fl. 674. Fl. 7169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 7 6 Cientificado das autuações, o sujeito passivo apresentou impugnação aos Autos de Infração, conforme documento de fls. 680/714, questionando tanto as infrações apuradas pela fiscalização, como também a sujeição passiva do Sr. Antônio Fernando Orsi. Esclarecendo que a empresa autuada era constituída dos sócios Fausto Ferreira da Silva, residente na cidade do Rio de Janeiro, e Maria de Fátima Vilhena de Sousa, residente na cidade de GuararapesSP, cuja administração geral era exercida com exclusividade pela sócia de Guararapes, que veio a falecer em 30/04/2005, negou a participação da empresa em qualquer organização para a prática de fraude fiscal. Segundo suas alegações, atuando no ramo de frigorífico há mais de 30 anos, celebrou contrato de prestação de serviços com a empresa Norte Riopretense Distribuidora Ltda., posteriormente denominada de Frinorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., que vigorou de 2002 a 2006, para industrializar/transformar carne verde em charque. Para esta operação, recebia a carne verde adquirida pela contratante, devidamente acompanhada dos respectivos documentos fiscais, e apenas realizava operação de industrialização, produzindo o charque, que era remetido para a empresa contratante. Alegou que, estabelecida a parceira comercial, a contratante solicitou um espaço junto às dependências da autuada para funcionar como um escritório, onde atuaria um funcionário seu, para o controle de entradas de carnes verdes e saída do produto charque. Para esta função, foi nomeado o funcionário da Fri norte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., Sr. José Carlos Marquini, que já havia trabalhado para a impugnante, a quem foi outorgada procuração para assinar cheques para pagamentos de matériaprima da contratante, facilitando o cumprimento de suas obrigações comerciais, já que sua sede era situada na cidade de São José do Rio Preto. Desta maneira, as operações de compra e venda eram realizadas pela Frinorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., que adquiria a carne junto a terceiros e a remetia à impugnante, juntamente com a respectiva nota fiscal e boleto bancário para fins de pagamento ao vendedor da carne. Recebida a carne no estabelecimento da contratada, o Sr. José Carlos Marquini, assinava o canhoto da nota fiscal, entregava referido documento para a impugnante, que por sua vez encaminhava para a sede da Frinorte em São José do Rio Preto que, após contabilização, autorizava, via fax, a efetivação do pagamento do boleto bancário para o fornecedor da carne, quando era, então, preenchidos os valores dos cheques e assinados pelo Sr. José Carlos Marquini. Esclareceu que toda movimentação bancária da empresa Fri norte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., em conta corrente aberta na cidade de Guararapes SP, era controlada pela sede em São José do Rio Preto e que referida empresa encaminhava formulários contínuos de notas fiscais para seu funcionário, que após receber ordem de venda realizada pela sede da empresa, passava as informações para funcionários da Fl. 7170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 8 7 impugnante, que preenchia as notas fiscais para acompanhamento do produto (charque) vendido. Para sustentar sua condição de simples prestadora de serviços à empresa Frinorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. a impugnante invoca detalhes de processo judicial movido pela empresa MARFRIG contra a Frinorte, onde houve determinação judicial para que a credora (Marfrig) retirasse toda carne de propriedade da Frinorte que estivesse acondicionada em depósitos da impugnante, fato que, conforme suas alegações, comprovam que a Frinorte tinha existência legal, operacionalizava com outras empresas e mantinha com a impugnante tão somente vínculo comercial de prestação de serviços de industrialização e transformação de carne verde em charque, resultantes dos contratos de prestação de serviços. Argumentou que as operações mantidas com a empresa Fri norte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. eram regulares, tinham respaldo no Regulamento do ICMS, e que a empresa contratante encontravase regularmente cadastrada junto aos órgãos competentes, possuía talonários de notas fiscais válidos, o que comprova que não transacionou com empresa fantasma. Se havia irregularidades praticadas por essa empresa, a mesma se utilizava de boafé de terceiros e a impugnante não tinha conhecimento de tais fatos. Alegou que fôra citada no relatório da Polícia Federal "Operações Grandes Lagos" apenas pelo fato de o funcionário da empresa Frinorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., Sr. José Carlos Marquini, haver trabalhado nas dependências da impugnante, embora nos interesses de sua empresa empregadora. Esclareceu que este fato confundiu o Fisco, presumindo haver conluio e associação para a prática de atos ilícitos. De outro lado, argumentou que é compreensível que alguns adquirentes de charque pudessem confundir os nomes dos sócios, funcionários, prepostos, procuradores, pois ligavam para falar com o funcionário da Frinorte nas próprias dependências da impugnante, e não tinham conhecimento dos detalhes da parceria comercial mantida entre as duas empresas, levando esses clientes interessados em charque a contatar o Sr. Antônio Fernando Orsi, quando se dirigiam pessoalmente à sede do Frigorífico Guararapes, como se fora o vendedor do produto, mas que sempre eram orientados de que o Frigorífico apenas industrializava a carne verde, mas que a venda do charque deveria ser negociada diretamente com o verdadeiro proprietário da mercadoria, em sua sede na cidade de São José do Rio PretoSP. Diante dos argumentos desenvolvidos, questionou o fato de o Fisco ter atribuído a condição de notas fiscais "frias" aos documentos que acompanhavam a venda de mercadorias (charque), que saiam diretamente da sede da impugnante para o estabelecimento do comprador, posto que se revestiam de Fl. 7171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 9 8 efetivas vendas realizadas pela empresa Frinorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. Questionou: como a impugnante recebia a carne verde, devidamente acompanhada da respectiva nota fiscal, realizava a operação de industrialização e transformação em charque, com posterior saída da mercadoria, devidamente acompanhada da competente nota fiscal de venda da Frinorte, como podem tais operações serem considerados atos simulados, se, além da circulação das mercadorias ser acobertadas pelos competentes documentos fiscais, os serviços de processamento da carne verde em charque eram realizados em cumprimento de contratos de prestação de serviços, cujos pagamentos eram realizados mensalmente, com o pagamento regular dos tributos devidos? Alegou que a Administração Pública não pode se valer de indícios, e ou ficções para determinar a ocorrência de fatos geradores tributários e que tais hipóteses não sustentam, igualmente, a lavratura de auto de infração, por ofensa a dispositivos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional. Negou também a existência de dolo ou conluio. Invocando os mesmos argumentos anteriormente já comentados, a impugnante reforça o fato de ser mera prestadora de serviços à empresa Fri norte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., atividade essa amparada em contratos regulares e as mercadorias sempre circulavam com a competente documentação fiscal, o que revela inexistência de falsidade de declaração na emissão das notas fiscais emitidas pela impugnante. Segundo alegou, se havia irregularidade cometida pela empresa Frinorte, não pode a impugnante ser responsabilizada por atos praticados por terceiros, posto que a legislação tributária não logrou adotar a responsabilidade objetiva. De acordo com seus argumentos, a solidariedade tributária cabe somente àqueles expressamente indicados pela lei e àqueles que "tenham interesse comum na situação que constitua a ocorrência do fato gerador da obrigação principal", o que não é o caso tratado nos autos. Argumentando ter agido sempre de boa fé, alegou que não pode ser responsabilizada pelo recolhimento de tributos, a partir de irregularidades praticadas pela empresa Frinorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., devendo suas operações com aquela empresa ser consideradas regulares. Questionou, de outro lado, a responsabilidade solidária passiva atribuída pelo Fisco ao Sr. Antônio Fernando Orsi, administrador judicial nomeado da impugnante, em face dos tributos devidos nas operações ditas simuladas, praticadas pela empresa Frinorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. Segundo seu entendimento, os sóciosgerentes somente respondem pelos créditos tributários da empresa na hipótese estrita de terem agido com excesso de poderes ou contrariamente à lei, ao contrato social ou aos estatutos. Se a empresa Frinorte praticou atos ilícitos e deixou de pagar tributos, não pode a impugnante, nem seus sócios e Fl. 7172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 10 9 administrador judicial serem responsabilizados pelas ações daquela empresa. De acordo com seus argumentos, mesmo que a lei ordinária atribuísse eventual responsabilidade à impugnante pelos tributos decorrentes dos atos ilícitos praticados pela empresa Frinorte, de forma alguma seus sócios ou procurador poderiam responder pelas dívidas tributárias, ou serem considerados responsáveis solidários, uma vez que não restaria caracterizada infração à lei, conforme referido no art. 135 do Código Tributário Nacional. Ademais, não restou comprovada a participação da impugnante na dita fraude praticada pela Frinorte, tampouco dos sócios ou administradores, o que impede considerar esta ocorrência a partir de simples presunção ou relatos e suposições carentes de amparo fático e legal. Alegou que não se aplica à sociedade por cotas de responsabilidade limitada o disposto no art. 124, do CTN, mas sim o disposto nos incisos I e III do art. 135 do mesmo diploma legal, mas apenas se o crédito tributário resultar de ato emanado de diretor, gerente ou outro sócio praticado com excesso de poder ou infração da lei, do contrato social ou do estatuto. Segundo a peça de contestação, o Sr. Antônio Fernando Orsi atuava na empresa sob o comando exclusivo de sua sogra e sóciaadministradora, Sra. Maria de Fátima Vilhena de Souza, que exercia sobre ele, até por uma questão natural de parentesco e dependência financeira, forte ascendência sobre vários assuntos ligados à empresa, cabendo a ela todas as decisões, pois não aceitava ingerência ou interferência de qualquer outra pessoa. Neste contexto, foilhe solicitado pela sogra que disponibilizasse sua contacorrente mantida junto ao Bradesco, Agência de GuararapesSP, para receber valores de clientes da empresa Frinorte, que detinham contas junto à mesma agência, sem ter que aguardar mais de 48 horas para a compensação bancária, caso recebesse em cheque desses clientes e depositasse em suas contas correntes mantidas em agências na cidade de São José do Rio Preto. Desta forma, garantiase à empresa Frinorte a liquidez imediata dos recursos, já que, com problemas de fluxo de caixa, tinha compromissos inadiáveis a serem cumpridos. Aceitando o pedido da sogra, estabeleceu como condição que todas as despesas que fossem geradas com tais depósitos fossem devidamente ressarcidas pela empresa Frinorte, o que foi aceito de pronto, passando, então, referida conta a receber depósitos de valores da titularidade da empresa Frinorte, os quais eram devidamente repassados à sua sogra, mediante cheques, que eram posteriormente repassados ao representante legal da empresa Frinorte. Argumentou que a tese fiscal baseiase em presunções e indícios, pois todos os documentos e esclarecimentos apresentados ao Fl. 7173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 11 10 Fisco revelam a lisura nas ações fiscalizadas não havendo, tampouco, qualquer vantagem econômica decorrente da sonegação afirmada pelas autoridades fiscais. Alegou que o Sr. Antônio Fernando Orsi apresentou regularmente suas declarações do imposto de renda, recolhendo devidamente os tributos devidos, e que não haveria, por óbvio, razão para movimentar recursos sonegados em sua própria contacorrente. Com o propósito de estabelecer distinção entre os interesses da impugnante, e por conseqüência, da atuação de seu administrador, enfatizouse que o Sr. Antônio Fernando Orsi foi nomeado judicialmente como fiel depositário das mercadorias pertencentes à empresa Frinorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., cujo arresto foi determinado pelo Poder Judiciário, conforme anteriormente descrito. Esclareceu que o cheque de sua emissão, no valor de R$ 4.517,10, originouse de determinação da sua sogra e sócia administradora, Sra. Maria de Fátima Vilhena de Sousa, o qual seria entregue ao funcionário da Frinorte, Sr. José Carlos Marquini, mas que desconhece a motivação de tal pagamento e se houve algum documento para a operação, e que somente no curso da fiscalização veio saber que tal cheque havia sido depositado na conta e daquele funcionário da Frinorte. Por todos os fatos narrados, argumentou que recebia comandos da sua sogra, seja para assinar documentos, praticar atos, etc, cabendolhe apenas acatar as determinações recebidas, razão pela qual concordou com a cessão de sua contacorrente para receber os valores mencionados, não existindo máfé, fraude ou conluio, seja por parte da FRIG, seja por parte do Sr. Antônio Fernando Orsi. Contestou, também, os alegados vícios na escrituração da impugnante, que a torna imprestável para apurações de fatos contábeis e fiscais. Argumentou que eventuais vícios ou erros contábeis não são provas de fraudes ou simulações, posto que estas condutas dependem de prova cabal e de sua autoria e materialidade. Segundo seus argumentos, sem a prova do conluio, o erro fiscal de outrem não pode levar à prova da existência de fraude para o terceiro que tenha agido de boafé. Questionou, por fim, a aplicação da multa qualificada, de 150%, por entendêla ilegal, exorbitante, o que a levaria ao caráter confiscatório. Segundo seu entendimento, caso seja mantida a exação fiscal, a multa deve ser reduzida para, no máximo, 30% do tributo devido, conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial. Ao final, requereu sejam declarados insubsistentes os autos de infração. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou procedente o lançamento. Fl. 7174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 12 11 Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões aduzidas na impugnação ao lançamento (fl. 803 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Atividade Exercida pela Contribuinte O principal argumento da defesa consiste em afirmar que sua atividade era a prestação de serviços de industrialização à empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. (anteriormente denominada Norte Riopretense Distribuidora Ltda.), qual seja, a transformação, em charque, da “carne verde” recebida desta empresa. Procura sustentar seu argumento apresentando cópia dos contratos de prestação de serviço celebrados com aquela empresa, bem como cópia de uma ação cautelar em que foi determinado o arresto do charque de propriedade da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda., estocado no depósito da recorrente. Pois bem, os autos estão repletos de elementos que provam que a real atividade da contribuinte não era a prestação de serviços de industrialização de carne à empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. e, sim, a industrialização e o comércio, por conta própria, de carnes. Vejamos, a título exemplificativo, alguns dos depoimentos prestados por pessoas que mantiveram relações comerciais com a contribuinte e/ou com a FriNorte (fl. 582 e ss.): • ARROZ ESTRELA LTDA CNPJ 52.397.6501000116: Em sua resposta (fls. 85 a 87 do Anexo III) informou que: a) a pessoa que lhe vendeu a carne representava efetivamente o Frig Frigorífico Industrial Guararapes Ltda; b) o Sr. Antônio Fernando Orsi é dono do referido Frigorífico; c) o transporte foi efetuado por conta do vendedor, com veículo próprio; e d) o pagamento foi feito para a empresa Norte Riopretense por meio de boleto bancário. Apresentou, ainda, cópia das notas, fiscais exigidas pela fiscalização e dos comprovantes de pagamentos (fls. 88 a 103 do Anexo III). (...) • F. C. F. CARNES LTDA CNPJ 68.993.369/000186: Em sua resposta (fls. 193 do Anexo III) informou que: a) comprou diretamente do frigorífico, com o Sr. Fernando ou Sr. Moraes, b) tais pessoas representavam efetivamente o Frig Frigorífico Industrial Guararapes Ltda; c) o transporte era por conta do frigorífico, com caminhão apropriado para a Fl. 7175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 13 12 realização de entrega de carnes; d) os pagamentos eram feitos para pessoas credenciadas do frigorífico, em dinheiro, para que as mesmas fizessem a quitação do boleto bancário. Apresentou, ainda, cópia das notas fiscais exigidas pela fiscalização (fls. 194 a 199 do Anexo III). (...) • JOÃO ASSENCO — CNPJ 44.438.315/000190: Em sua resposta (fls. 258 a 260 do Anexo III) informou que: a) a pessoa que lhe vendeu a carne representava efetivamente o Frig Frigorífico Industrial Guararapes Ltda; b) o Sr. Antônio Fernando Orsi é dono do referido Frigorífico; c) o transporte foi efetuado por conta do vendedor, com veículo próprio da empresa Frig Frigorífico Industrial Guararapes Ltda; e d) o pagamento foi feito para Frigorífico Guararapes, por intermédio do Sr. Marini. Apresentou, ainda, cópia das notas fiscais exigidas pela fiscalização (fls. 261 a 265 do Anexo III). (...) Esclarecedor, também, é o depoimento prestado pela Sra. Jaqueline Vilches da Silva (fl. 587): No depoimento prestado em 05/11/2007 na Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (cópia às fls. 80 a 82 do Anexo II), Jaqueline Vilches da Silva, que foi empregada da empresa FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda (antiga Norte Riopretense), confirmou, com maior riqueza de detalhes, que o negócio da FriNorte era vender notas fiscais. Alguns trechos de seu depoimento merecem destaque: • A depoente trabalhou na empresa denominada FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda. (antiga Norte Rio pretense), CNPJ: 01.552.024/000116, de maio de 2005 a outubro de 2006, na qual exercia a função de Auxiliar de Escritório. Interrogada sobre as atividades da FriNorte, informou: QUE a atividade da empresa se resumia em emitir notas fiscais para os seguintes frigoríficos, da seguinte forma: (...) Frig Frigorífico Industrial de Guararapes Ltda.; As notas fiscais em branco eram enviadas em blocos de 100 (cem), por meio da Transportadora Reunidas. Depois da emissão, voltava uma via para arquivo da FriNorte. Nos controles internos da FriNorte, o código utilizado pela Frig era o de n° 14. (...) Ainda com relação aos códigos utilizados pela referida empresa, foi apresentada uma relação à depoente, extraída dos arquivos magnéticos apreendidos na FriNorte, na qual constam os códigos dos "clientes" (compradores de notas) da FriNorte e Fl. 7176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 14 13 dos frigoríficos onde eram realizados os abates. A depoente afirma, com convicção, que a listagem corresponde com a situação de fato, ou seja, os códigos constantes da lista apresentada são os mesmos que ela utilizava na confecção das notas fiscais na FriNorte. (...) • Questionada sobre o código de vendedor número 0 (zero) da relação (não identificado), informou: QUE sabe dizer que até setembro de 2005 se referia a vendas do Frig Frigorífico Industrial de Guararapes Ltda., e do Frigorífico Campo Grande em MS. A partir de outubro de 2005 todos os clientes passaram a ter código próprio em face da aquisição de novo software para controle interno. (...) Indagada sobre a prática de compra e venda de gado e subprodutos do abate pela FriNorte, informou: QUE não tem conhecimento e não presenciou nenhuma transação desta natureza. Relatou também que as câmaras frias da empresa eram utilizadas tãosomente para guardar notas fiscais e demais documentos, ou seja, o único objetivo da FriNorte era vender notas fiscais para os clientes. Indagada sobre o valor cobrado pela FriNorte para emissão de notas fiscais, informou: QUE o valor praticado era de R$ 4,00 (quatro) reais por cabeça de gado bovino. (...) No termo de verificação fiscal encontramse descritas diversas outras evidências de que a atividade da contribuinte era a industrialização e o comercio de carnes, e não a prestação de serviços de industrialização de carnes. Entretanto, os fatos acima relatados já são mais de que suficientes à formação da convicção do julgador. 3) Do Dolo e da Qualificação da Multa de Ofício Alega a interessada não haver agido com dolo ou máfé, inexistindo, portanto, fraude. Diz que, se dolo houve, devese imputálo à FriNorte, empresa que se aproveitou da boafé da contribuinte. Ao contrário do afirmado, o dolo da contribuinte está mais do que comprovado, senão vejamos: a) utilização da FriNorte, empresa de “fachada”, com vistas a ali registrar as receitas decorrentes da venda de charque a seus clientes; b) movimentação financeira realizada no período de 2002 a 2005 em contas correntes bancárias de titularidade da FriNorte, por meio de procuração, que alcançou aproximadamente R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais). Fl. 7177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 15 14 Provado o dolo, impõese a exigência de multa de ofício sobre os tributos e contribuições devidos, a teor do disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Por fim, há ainda que se mencionar a existência de súmula do CARF sobre o assunto: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. 4) Da Responsabilidade do Sr. Antônio Fernando Orsi A fiscalização alega que o Sr. Antônio Fernando Orsi é responsável pelos créditos tributários lançados de ofício. Sustenta sua afirmação nos fatos a seguir narrados, além daqueles já mencionados no item 2 deste voto: O Sr. Antônio Fernando Orsi alega que passou a administrar a empresa ora fiscalizada a partir do falecimento de sua sogra (um dos sócios), que ocorreu em 30/04/2005. No entanto, isso não é o que constatamos no decorrer da fiscalização. Na verdade, em todo o período abrangido pela presente fiscalização, o Sr. Antônio Fernando Orsi sempre foi a pessoa que efetivamente administrou e gerenciou a empresa ora fiscalizada, conforme ficou amplamente demonstrado neste termo. Vamos repetir apenas algumas das constatações desta fiscalização, que já foram descritas anteriormente. Vejamos o que respondeu o Sr. José Carlos Marquini, conforme consta do Auto de Qualificação e Interrogatório lavrado em 06/10/2006 pela Polícia Federal (fls. 23 a 25 do Anexo II): 5) Quem são os verdadeiros donos destas empresas? Que o proprietário da NORTE RIOPRETENSE é o senhor VINICIUS e o proprietário da FRIG é o senhor FERNANDO ORSI. O Sr. Paulo César Azzi, empregado há anos do Frig Frigorífico Industrial Guararapes, também prestou depoimento no mesmo Fl. 7178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 16 15 sentido, que consta do Auto de Qualificação e Interrogatório lavrado em 11/10/2006 pela Polícia Federal (fls. 26 e 27 do Anexo II): (...) Que trabalha no FRIG FRIGORÍFICO INDUSTRIAL GUARARAPES LTDA, há aproximadamente 20 anos; (...) Que o proprietário e administrador do frigorífico é ANTÔNIO FERNANDO ORSI residente em Guararapes; No subtópico "6.1" deste termo já reproduzimos a resposta dada por diversos clientes do contribuinte fiscalizado aos questionamentos desta fiscalização. Nestas respostas vários clientes afirmam que o Sr. Antônio Fernando Orsi é o dono do Frig Frigorífico Industrial Guararapes Ltda. Não podemos esquecer de mencionar que todos os cheques que integram diversos anexos do processo administrativo fiscal, relativos às contas tituladas em nome do Frig Frigorífico Industrial Guararapes Ltda (contas 108 e 10.1605), foram assinados pelo Sr. Antônio Fernando Orsi e Sr. Abel Braga. Por último, há os contratos de prestação de serviços, assinados pelo Sr. Antônio Fernando Orsi como representante legal do Frig Frigorífico Industrial Guararapes Ltda. Tais contratos, que o contribuinte fiscalizado não dispõe nem das vias originais, pois apresentou apenas cópias (juntadas às fls. 58 a 63 do presente processo), não passam de pura simulação para "driblar o fisco", ou seja, objetivaram dar aparência de legalidade e normalidade das operações realizadas pelo contribuinte fiscalizado. No entanto, servem para comprovar que o Sr. Antônio Fernando Orsi sempre foi a pessoa que efetivamente esteve a frente da administração e gestão do Frig Frigorífico Industrial de Guararapes Ltda no período abrangido pela presente fiscalização. Em sua defesa o Sr. Antônio Fernando Orsi explica que não é sócio da empresa, tendo sido nomeado administrador após o falecimento de sua sogra, esta sim, sócia da autuada. Diz ainda que não pode ser responsabilizado pois não agiu com excesso de poderes ou infração de lei. O argumento da defesa não se sustenta diante da multiplicidade das provas presentes nos autos, as quais já fizemos referência neste voto. Não só está provado que o Sr. Antônio Fernando Orsi era “sócio de fato” da contribuinte como também que agiu dolosamente, utilizadose de empresa de fachada e de contas bancárias abertas em nome desta com vistas a iludir o Erário Público. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, e por manter a responsabilidade tributária do Sr. Antônio Fernando Orsi. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 7179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10820.000859/200884 Acórdão n.º 1201001.050 S1C2T1 Fl. 17 16 Fl. 7180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10675.905071/2009-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 07 1/ 20 09 -6 8 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905071/200968 Resolução nº 9303000.031 CSRFT3 Fl. 263 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905071/200968 Resolução nº 9303000.031 CSRFT3 Fl. 264 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905071/200968 Resolução nº 9303000.031 CSRFT3 Fl. 265 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 11030.904216/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 42 16 /2 00 9- 51 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti Relatório Tratase de despacho de nãohomologação de compensação pela autoridade administrativa, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o pagamento consubstanciado no DARF discriminado pelo contribuinte no PER/DCOMP, foi utilizado integralmente para quitar débito anterior. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou, em síntese, que os valores que pretende compensar se originaram de recolhimentos indevidos sobre valores repassados a terceiros (art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98). Disse que não havia necessidade de norma regulamentadora para que o dispositivo em questão tivesse eficácia. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a manifestação de inconformidade, sob o argumento de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, foi revogado sem nunca ter sido regulamentado, sendo descabido o reconhecimento do direito de crédito com base nesse dispositivo porque ele nunca teve eficácia. Regularmente notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte recorreu a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1) a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, em face dos recursos interpostos; 2) inexigibilidade do arrolamento de bens; 3) não concorda com a necessidade de habilitação prévia do crédito, nos termos da IN 517/2005, pois tal exigência não consta da Lei nº 9.430/96; 4) discorreu sobre o histórico das normas que regularam a compensação e afirmou seu direito à compensação do PIS recolhido com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator Conforme se verifica nos autos, o contribuinte foi notificado da decisão de primeira instância em 28/09/2011. O art. 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que o prazo para recurso voluntário é de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Considerando que o recurso foi postado nos Correios apenas em 03/11/2011, ele é manifestamente intempestivo. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11030.904216/200951 Acórdão n.º 3403003.499 S3C4T3 Fl. 3 3 Com esses fundamentos, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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