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Numero do processo: 11060.905502/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 197 1 196 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.905502/200987 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.154 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de setembro de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente USINA HIDROELÉTRICA NOVA PALMA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios (PER/DCOMP), de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com origem em pagamento indevido ou a maior de tributo ocorrido no período de junho de 2007. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 7, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação a ele vinculada, ao fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 05 50 2/ 20 09 -8 7 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905502/200987 Resolução nº 3202000.154 S3C2T2 Fl. 198 2 Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente a contribuinte antes identificada teve nãohomologada a compensação declarada por meio de DCOMP, em virtude de que o crédito apontado foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos da empresa, não restando saldo de crédito para compensação dos débitos informados naquela declaração. Do mesmo Despacho constou Intimação para pagamento dos débitos indevidamente compensados. Cientificada da decisão administrativa, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde registra que: • não utilizava adequadamente os créditos a que teria direito. Em 2007 foi realizada auditoria tributária na empresa por firma especializada, com a finalidade de recalcular todos os tributos devidos dos 5 anos anteriores e ano corrente. Foram feitas as devidas alterações em DACON, sendo contabilizados os resultados do trabalho; • o valor pago de COFINS pela empresa em 20/07/2007 foi de R$ 89.187,22 (código 5856). Após o recálculo, verificouse que deveria ter sido pago R$ 78.558,76, restando um pagamento a maior de R$ 10.628,46. Esse pagamento foi utilizado para efetuar a compensação de IRPJ (código 5993 – PA dezembro de 2007 vencimento em 31/01/2008) conforme a DCOMP nº 24120.48024.200208.1.3.048749; • quanto à inexistência do crédito e a não homologação da compensação, o despacho decisório surgiu por conta de um lapso da empresa, que não efetuou as devidas retificações na DCTF do 1º semestre de 2007. No entanto, o DACON foi retificado quando da apuração dos créditos, onde ficou demonstrada a sua existência; • discorda da posição da RFB e apresenta mapa de apuração dos tributos, antes a após o levantamento, além do resumo dos créditos levantados. Houve entrega de DCTF retificadora em 31/08/2011, que corrigiu o problema; • devido à grande quantidade de páginas, a empresa se coloca à disposição para apresentar relatórios e dados do recálculo dos tributos; • pede a reconsideração da decisão administrativa quanto à análise do crédito e seu aproveitamento. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POR n.º 1039.150, de 21/06/2012 (fls. 37/40), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2007 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905502/200987 Resolução nº 3202000.154 S3C2T2 Fl. 199 3 DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO DE NÃOHOMOLOGAÇÃO. INEFICÁCIA. DCTF retificada após ciência da decisão que não homologa compensação declarada, não é causa para sua reforma, pois a comprovação da disponibilidade de crédito é aferida no momento da decisão exarada pela autoridade competente. DCTF. PREENCHIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 51/56, embora assim não identificado, por meio do qual aduz: É uma concessionária de energia elétrica junto a governo federal, de forma que segue normas regidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Para manutenção de suas atividades, precisa repor peças, combustível, entre outros, necessários a sua realização de sua atividade. Após apresentação à ANEEL, tais gastos podem ser incluídos no preço da energia elétrica, quando anualmente efetuada a revisão tarifária. Assim, quanto mais créditos de PIS/Cofins puderem utilizar as concessionárias, menor o preço da energia elétrica. A ANEEL definiu as contas contábeis, e a sua forma de contabilização, a serem utilizadas para os lançamentos contábeis referentes à manutenção das atividades da usina e dos caminhos utilizados na distribuição e comercialização da energia elétrica. Diferentemente do que dizem as Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a Recorrente utilizava créditos advindos somente da compra de energia elétrica de outras concessionárias, não se creditando dos custos para produção de energia nem da manutenção da rede de distribuição e comercialização. Assim, houve a tributação total de sua receita sem o cômputo do custo para a sua produção, causando ônus financeiro á empresa e aos consumidores (passa a relacionar os créditos que entende sejam cabíveis). Além dos documentos anexados, outros serão entregues até 10/08/2012. Em 10/08/2012, a Recorrente apresentou a petição de fls. 76/78, através da qual requer a retificação de itens do recurso e acosta cópias de documentos (Razão Contábil, notas fiscais, Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário, Demonstrativos da Energia Elétrica Consumida e recibos de aluguel). O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905502/200987 Resolução nº 3202000.154 S3C2T2 Fl. 200 4 O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio resumese à possibilidade ou não de repetir, e posteriormente compensar por meio de PER/DCOMP, crédito de contribuição originário de pagamento a maior, quando a retificação da DCTF se deu em momento posterior à decisão que indeferiu o pleito. A instância julgadora a quo entendeu impossível a restituição/compensação, ao fundamento de que, além de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a decisão impugnada, a Recorrente não teria trazido aos autos documentos que atestassem o direito vindicado. A meu ver, a decisão está equivocada. É que, antes de proferido o Despacho Decisório, deveria a Recorrente ter sido intimada a apresentar alegações e documentos que respaldassem a pretensão, a fim de que fossem dirimidas dúvidas sobre a existência do crédito pretendido. Afinal, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei n.º 9.784, de 1999 (aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal por força de seu art. 69), o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão prolator. Ademais, conforme preconiza o art. 39 do mesmo diploma legal, quando necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, devem ser expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem certifiquese do direito vindicado, mediante a análise dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente, que deve ser intimada para promover a entrega de outros que se considerem necessários ao deslinde do litígio, bem como para prestar esclarecimentos adicionais sobre os fatos relatados no recurso, caso também se faça necessário. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.006285/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
As instâncias administrativas têm competência para o exame de todas as questões atinentes à relação jurídico-tributária inserta no lançamento, sendo inquestionável que questões relacionadas à responsabilidade tributária - e, portanto, à sujeição passiva tributária - inserem-se nas suas atribuições. Nulidade da decisão de primeira instância administrativa, que imprópria e intencionalmente furtou-se ao exame de questões que lhe foram submetidas ao argumento de que seriam inerentes a eventual executivo fiscal.
Numero da decisão: 1101-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ANULAR a decisão recorrida. Votou pelas conclusões Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As instâncias administrativas têm competência para o exame de todas as questões atinentes à relação jurídico-tributária inserta no lançamento, sendo inquestionável que questões relacionadas à responsabilidade tributária - e, portanto, à sujeição passiva tributária - inserem-se nas suas atribuições. Nulidade da decisão de primeira instância administrativa, que imprópria e intencionalmente furtou-se ao exame de questões que lhe foram submetidas ao argumento de que seriam inerentes a eventual executivo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ANULAR a decisão recorrida. Votou pelas conclusões Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As instâncias administrativas têm competência para o exame de todas as questões atinentes à relação jurídicotributária inserta no lançamento, sendo inquestionável que questões relacionadas à responsabilidade tributária e, portanto, à sujeição passiva tributária inseremse nas suas atribuições. Nulidade da decisão de primeira instância administrativa, que imprópria e intencionalmente furtouse ao exame de questões que lhe foram submetidas ao argumento de que seriam inerentes a eventual executivo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ANULAR a decisão recorrida. Votou pelas conclusões Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 62 85 /2 01 0- 81 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor do ora Recorrente com vistas à cobrança de multa isolada cujo esteio legal é o §4º da Lei n. 10.833/2003, preceito esse que tem a seguinte redação, litteris: Art. 18. (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (sem grifos no original) As seguintes passagens, extraídas do Auto de Infração em vergaste (fl. 195), são bastante esclarecedoras para a compreensão da discussão encerrada nesses autos, verbis: O presente lançamento de ofício decorre da aplicação do disposto no art. 18, §4º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pelo art. 18 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007, e no art. 39, §6º, II, da Instrução Normativa RFB n. 900, de 30 de dezembro de 2008. O processo administrativo de no 10768.008668/200923 foi formalizado em 27/11/2009 em decorrência da protocolização, pelo sujeito passivo acima identificado, de declaração de compensação em formulário (fl. 02). Em 15/12/2009, foi transmitida a declaração de compensação eletrônica (DCOMP) no 27762.45000.151209.1.3.04 9060 (fls. 11/38), na qual foi formalizada a compensação de diversos débitos de IRPJ, CSLL, CSRF, IRRF, PIS/PASEP e COFINS. Na mencionada DCOMP foi informado que o crédito utilizado referese a pagamento indevido ou a maior, o qual estaria em análise nos autos do mencionado processo administrativo. Foi transmitida, em 13/01/2010, a declaração de compensação eletrônica (DCOMP) n o 22011.21532.130110.1.3.047432 (fls. 45/48), na qual foi formalizada a compensação de débitos de CSLL e IRRF, sendo informado que o crédito utilizado referese a pagamento indevido ou a maior em apreciação nos autos do supracitado processo. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10730.006285/201081 Acórdão n.º 1101000.911 S1C1T1 Fl. 3 3 Durante a apreciação das referidas compensações, com base nos elementos de prova acostados aos autos do processo acima mencionado, constatouse que o sujeito passivo utilizou em suas declarações de compensação supostos créditos adquiridos de terceiros. Constatouse, ainda, que tais créditos não se referem a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Como visto, o contribuinte apresentou inicialmente uma Declaração de Compensação em formulário, o que ensejou a formação do Processo Administrativo n. 10786.008668/200923. De rigor salientar que não há qualquer indicação de crédito em dito formulário, que repousa à fl. 02. Posteriormente, o sujeito passivo apresentou duas Declarações de Compensação, nas quais apontava crédito que alegadamente decorreria de Pagamento Indevido ou a maior e que já teria sido informado no Processo Administrativo n. 10786.008668/200923. Apurouse que os créditos que o contribuinte pretendia utilizar para a quitação de obrigações tributárias diversas teriam sido por ele adquiridos do Sr. EDILSON FIGUEIREDO DE SOUZA, na esteira de Contrato de Cessão de Créditos que junta, que seria o pretenso detentor de créditos que extrapolam a cifra de R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais). Esses supostos créditos contra a União do Sr. EDILSON FIGUEIREDO DE SOUZA são oriundos de Ação Judicial que, em verdade, consubstancia Ação de Atentado movida em desfavor do Estado do Paraná, mas que, segundo seu entendimento e em síntese, poderiam ser empregados para a quitação de tributos federais. Uma vez que, inquestionavelmente, os créditos que o ora Recorrente pretendia compensar eram de terceiros e não eram de natureza tributária, as DCOMPs formalizadas foram tidas por não declaradas, na esteira do Parecer SEORT/DRF/NITEROI n. 3.141/2010 (fls. 157173), que restou assim ementado, litteris: CRÉDITOS DE TERCEIROS E/OU NÃO DECORRENTES DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA RFB. COMPENSAÇÕES CONSIDERADAS NÃO DECLARADAS. Por expressa disposição legal, as compensações, efetuadas mediante a utilização de créditos de terceiros e/ou de créditos que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser consideradas não declaradas. DECLARAÇOES DE COMPENSAÇÃO. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÕES CONSIDERADAS NÃO DECLARADAS. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. REI PIRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Comprovada a falsidade das informações prestadas pelo sujeito passivo em suas declarações, cujas compensações foram consideradas não declaradas, deverão ser efetuados o lançamento de ofício de multa isolada e a respectiva representação fiscal para fins penais. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. Deve ser declarada a responsabilidade solidária dos sócios, diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. Proposta de considerar não declaradas as compensações formalizadas, lançamento de ofício de multa isolada, elaboração de representação fiscal para fins penais e declaração de responsabilidade solidária. A partir de tal parecer, foi lavrado o presente Auto de Infração, em que se exige multa isolada pela utilização de créditos de terceiros e/ou créditos de natureza não tributária em Declaração de Compensação, sendo que – ante a pretensa constatação de fraude – a exação equivale a 150% (cento e cinquenta por cento) do total dos débitos cuja compensação se pretendia. Foi lavrado, ainda, Termo de Sujeição Passiva em desfavor do sóciogerente da ora Recorrente, o Sr. ANTÔNIO DE SANTANA, que foi tido como responsável tributário nos termos do art. 135, III do Código Tributário Nacional (fólio n. 205). Regularmente intimados, a pessoa jurídica ora Recorrente apresentou tempestiva impugnação. Nessa irresignação (fls. 215/266), a empresa alega, sinteticamente, (i) que foi vítima de uma fraude perpetrada pelo Sr. Edilson Figueiredo de Souza – que o teria ludibriado com a venda de créditos que supostamente serviriam para a quitação de tributos federais; (ii) que, após ter constatado a fraude supracitada, inclusive já parcelou os débitos confessados por ocasião da apresentação das Declarações de Compensação; (iii) que a multa aqui discutida seria confiscatória. Além disso, discorre longamente sobre o descabimento da atribuição de responsabilidade ao Sr. Antônio de Santana com base no art. 135, III do Código Tributário Nacional. A egrégia DRJ/RJ1 manteve a integralidade do lançamento fiscal, fazendoo em acórdão que restou assim ementado, litteris: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009, 2010 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FRAUDE. É cabível a aplicação da multa isolada, com o percentual duplicado para 150%, quando o contribuinte, tenta usar, intencionalmente e com máfé, créditos inexistentes, de terceiros e que não se referem a tributos administrados pela RFB, para compensação de seus débitos. É importantíssimo asseverar que a Colenda instância a qua não analisou os argumentos que o contribuinte deduziu em relação à atribuição de responsabilidade ao seu sócio, o que se depreende da leitura do seguinte excerto constante do voto condutor do aresto, verbis: Fl. 659DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10730.006285/201081 Acórdão n.º 1101000.911 S1C1T1 Fl. 4 5 Quanto ao questionamento acerca da responsabilidade fiscal da pessoa física do Sr. Antônio de Santana, a quem foi imputada a condição de responsável solidário pelo crédito tributário constituído, na forma do inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional, entendo que a identificação de responsáveis solidários pelo crédito tributário é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão da administração pública encarregado da execução fiscal. Neste sentido, reproduzo o voto condutor de lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, nos autos do recurso voluntário n° 101 — 95.692, que não conheceu do recurso em que se discutia exclusivamente tal matéria. (...) Levando em conta que às Delegacias de Julgamento, falece competência para decidir se cabe ou não a responsabilização dos indicados pela fiscalização, porque esse juízo cabe à PFN, a matéria não faria coisa julgada perante a Fazenda Nacional, sendo a apreciação por esta Turma meramente opinativa, pelo quê deixo de conhecer desta matéria. (fls. 515516) Os sujeitos passivos – a sociedade empresária e o Sr. Antônio de Santana – tiveram ciência do acórdão da primeira instância administrativa em 23 e 24 de dezembro de 2010, respectivamente (fls. 525 e 526) A empresa, em 14 de janeiro de 2011, apresentou o Recurso Voluntário ora sob apreciação, em que deduziu os mesmos argumentos trazidos a lume quando da Impugnação – inclusive no que tange ao descabimento da atribuição de responsabilidade ao sóciogerente. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Penso que o Recurso Voluntário deve ser acolhido para fins de anular a decisão da Colenda instância a qua, que imprópria e intencionalmente deixou de analisar questão submetida ao seu crivo. Deveras, o lançamento em vergaste contemplou, no seu aspecto subjetivo, dois sujeitos passivos diversos, quais sejam, a sociedade empresária – que alegadamente materializou a hipótese de incidência da penalidade aqui controvertida – e o seu sóciogerente, tido como responsável pelo crédito tributário aqui encerrado com fulcro no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 A competência desse Colendo Tribunal Administrativo envolve todos os aspectos inerentes à obrigação tributária – sendo inquestionável que o aspecto subjetivo é um dos seus elementos essenciais –, de modo que não podem as instâncias administrativas se furtar ao exame de questões que lhe são submetidas que versem sobre a responsabilidade tributária, eis que essas questões têm que ver justamente com a definição dos sujeitos a quem incumbe o cumprimento das obrigações tributárias. Nesse sentido, já se pronunciou a Colenda 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999 Ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO PESSOA FÍSICA. LEGITIMIDADE. A competência desta Corte para exame da legalidade do crédito tributário lançado não se restringe à verificação da ocorrência do fato gerador ou da correção da base de incidência ou alíquotas aplicadas. Esta Corte possui competência para exame de todas as questões que envolvam a relação jurídicotributária consubstanciada no lançamento, inclusive, mas sem se limitar, a regularidade do pólo passivo da obrigação tributária. Ora, se é atribuída a determinada pessoa o dever de pagar tributo, nada mais justo que a ela seja concedido o direito de defenderse administrativamente da acusação fiscal, sob pena de afronta aos princípios da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. (Processo n. 10930.005851/200352; Ac. 910100.786; Cons. Rel. Antonio Carlos Guidoni Filho; j. 14.12.2010) Salientese que se pode dizer que a própria Receita Federal já reconheceu que as instâncias administrativas têm competência para a análise de questões atinentes à responsabilidade de terceiros, eis que fez editar, em 29 de novembro de 2010 – após, portanto, a lavratura do auto de infração em testilha –, a Portaria SRF n. 2.248/2010, cujos arts. 2º e 3º têm a seguinte redação, verbis: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Ora, é impensável que, nos termos dessa Portaria, os Auditores fiscais, ao se depararem com situações como a vertente, tenham que abrir prazo para os sujeitos indicados como responsáveis por créditos tributários – que poderão apresentar as competentes Fl. 661DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10730.006285/201081 Acórdão n.º 1101000.911 S1C1T1 Fl. 5 7 Impugnações – na ausência de competência das instâncias administrativas para versarem sobre matérias atinentes à responsabilidade. De rigor, pois, o cancelamento in totum da Colenda decisão a qua, de modo que devem os autos retornar à Egrégia DRJ/RJ1 para a análise completa da Impugnação apresentada pela ora Recorrente, sendolhe absolutamente defeso esquivarse da apreciação dos deduzidos argumentos atinentes à responsabilidade do sóciogerente. E aqui voto pela anulação integral da decisão de primeira instância administrativa pela simples circunstância de não entender possível o cancelamento parcial de um ato que inquestionavelmente é uno, como o decisum objurgado. Voto, portanto, por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para anular a decisão da DRJ/RJ1, de modo que retornem os autos a esse Delegacia de Julgamento para a apreciação de todos os argumentos deduzidos pelo sujeito passivo – mormente aqueles concernentes à responsabilidade com fulcro no art. 135, III do CTN, que indevida e intencionalmente não foram analisados. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Declaração de Voto EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como bem relatado, além do lançamento formalizado nestes autos, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva contra Antônio de Santana, na qualidade de sóciogerente da autuada, com fundamento no art. 135, III do Código Tributário Nacional. Contudo, apenas a pessoa jurídica autuada apresentou impugnação, nela discorrendo sobre o descabimento da atribuição de responsabilidade a Antônio de Santana. Por sua vez, a autoridade julgadora de 1a instância, manteve a integralidade do lançamento, mas não analisou os argumentos deduzidos contra a atribuição de responsabilidade ao seu sócio, por entender que a identificação de responsáveis solidários pelo crédito tributário cabe apenas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em sede de execução fiscal, falecendo competência às DRJ para decidir se cabe ou não a responsabilização dos indicados pela Fiscalização. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Embora cientificados a pessoa jurídica autuada e o responsável Antonio de Santana, novamente apenas a autuada interpôs recurso voluntário, reiterando sua defesa anterior. Como bem expõe o I. Relator, a jurisprudência administrativa está pacificada em favor da competência dos órgãos administrativos de julgamento para apreciação do vínculo de responsabilidade imputado pelos agentes fiscais. Apenas acrescento a recente aprovação da Súmula CARF nº 71, declarando que todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Por esta razão, concordo com a anulação da decisão recorrida, que se escorou em argumento contrário à referida Súmula para deixar de apreciar os argumentos deduzidos pela pessoa jurídica autuada. Apenas observo que esta anulação permite a completa apreciação da defesa produzida pela impugnante, inclusive quanto à sua preliminar admissibilidade, e não impõe à autoridade julgadora de 1a instância a apreciação de todos os argumentos de mérito, caso entenda que a impugnante não era parte legítima para deduzilos no contencioso administrativo. É como voto. EDELI PEREIRA BESSA Fl. 663DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 12448.725018/2011-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre o cerceamento de defesa quando devidamente presente a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação, apresentada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e, aplicada a penalidade cabível.
BÔNUS. INCIDÊNCIA.
As parcelas pagas a título de bônus e bônus incentivo integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91.
MULTA. NOVAS REGRAS
Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, deve-se comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA.
É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa.
SESC E SENAC.
A contribuição para ao SESC e SENAC não se atém ao comércio, abrange também outras atividades.
SEBRAE
Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
Numero da decisão: 2403-002.203
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre o cerceamento de defesa quando devidamente presente a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação, apresentada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e, aplicada a penalidade cabível. BÔNUS. INCIDÊNCIA. As parcelas pagas a título de bônus e bônus incentivo integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91. MULTA. NOVAS REGRAS Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, deve-se comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa. SESC E SENAC. A contribuição para ao SESC e SENAC não se atém ao comércio, abrange também outras atividades. SEBRAE Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.725018/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.203 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MPX ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre o cerceamento de defesa quando devidamente presente a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação, apresentada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e, aplicada a penalidade cabível. BÔNUS. INCIDÊNCIA. As parcelas pagas a título de bônus e bônus incentivo integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91. MULTA. NOVAS REGRAS Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, devese comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa. SESC E SENAC. A contribuição para ao SESC e SENAC não se atém ao comércio, abrange também outras atividades. SEBRAE Submetemse à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 50 18 /2 01 1- 17 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Ro de Janeiro I, Acórdão 1243.434 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improceente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 144/170), referese aos autos de infração abaixo relacionados, consolidados em 19/05/2011, referente ao período de 01/2008 e 03/2008, a saber: a) AI DEBCAD Nº 37.246.6486, valor original de R$ 115.735,81: contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT 1%); b) AI DEBCAD Nº 37.246.6494, valor original de R$ 193,22: contribuições do segurado empregado Washington Santos da Silva, não descontadas, na competência 01/2008; c) AI DEBCAD Nº 37.246.7121, valor original de R$ 20.376,58: contribuições devidas às outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SEBRAE, SESC e SENAC); d) AI DEBCAD Nº 37.246.6478, FL 68, valor original de R$ 10.664,99: penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 2. Informa a Auditoria Fiscal que constituem fatos geradores das contribuições lançadas os valores de remunerações efetuadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a título de bônus (competência 01/2008) e “bônus de incentivo” (competência 03/2008) apurados em folha de pagamento e contabilizados nas contas 6.1.50.41.1010105 – “Pessoal – Gratificações e PLR” e 4.1.02.03.0006 – “ADM CENTRAL –PES – GRATIF DE DESEMPENHO”; 2.1. O auto de infração por descumprimento de obrigação acessória foi lavrado por ter o contribuinte deixado de informar, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, as Fl. 690DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 parcelas remuneratórias pagas a título de bônus e bônus de incentivo; 2.2. Pela infração acima mencionada, foi aplicada à multa prevista nos artigos 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação anterior à Medida Provisória 449/2008, c/c artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, com a atualização procedida pela Portaria MPS/MF nº 407, de 14 de Julho de 2011; 2.3. Não foram configuradas circunstâncias agravantes; 2.4. Em observância ao princípio da retroatividade benigna, consubstanciado no artigo 106, II, alínea “c” do CTN, foi procedida a comparação entre as penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, para fatos geradores anteriores à vigência da MP 449, de 04/12/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009. Conforme Anexos VIII e X (fls. 225 e 227), demonstraramse, por competência, as penalidades aplicadas pela legislação vigente à época, anterior à edição da MP 449/2008 e pela legislação após a MP 449/2008, tendo sido aplicada a legislação anterior, mais benéfica ao contribuinte em ambas competências do lançamento. DAS IMPUGNAÇÕES 3. A interessada, cientificada do lançamento em 19/05/2011, apresenta impugnações em 17/06/2011, às fls. 292/299, 300/323, 326/341 e 344/362, trazendo as alegações a seguir reproduzidas em síntese: 3.1. A tempestividade de cada impugnação; Obrigação Principal (AIOP 37.246.6486, 37.246.6494, 37.246.7121) 3.2. a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, posto que o Sr. Autuante deveria ter especificado quais empregados e quais diretores serviram de base para sua autuação e quanto perceberam a título de participação nos lucros, por período; 3.3. que sem que se faça tal detalhamento é impossível à impugnante apresentar qualquer contra prova à acusação fiscal; 3.4. a nulidade por arbitrária desconsideração do CNAE e inclusão da impugnante em FPAS 515 não condizente com as atividades da mesma, tendo sido cobradas indevidamente as contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE, por não se tratar de sociedade de cunho comercial; Fl. 691DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 4 5 3.5. que sendo a impugnante uma holding, não exerce qualquer atividade comercial não estando enquadrada no FPAS 515; 3.6. que não sendo pessoa jurídica beneficiária das atividades desenvolvidas pelo SEBRAE, nem integrante das categorias econômicas diretamente interessadas no recolhimento dessa exação, inexiste o dever jurídico de pagar o tributo bem como o direito subjetivo do Fisco de exigilo; 3.7. que se deve, portanto cancelar a autuação neste particular; 3.8. que a acusação fiscal diz em seu relato que os valores distribuídos aos seus empregados e diretores sob a rubrica participação nos lucros e resultados não poderiam ser enquadrados como tal, justificando tal desconsideração do pagamento efetuado como PLR pelo fato de não existir regra clara e objetiva, com mecanismo de aferição de metas e que o empregado não teria que satisfazer a nenhum critério ou condição para percepção; 3.9. que após transcrever histórico constitucional e legislativo sobre a participação nos lucros, alega que a fiscalização fez exigências para o cumprimento da Lei 10.101/2000 não impostas por ela; 3.10. alega ainda que houve a formação de comissão para definição do pagamento da remuneração e que chegou aos critérios objetivos (quantidade de meses trabalhados e escalonamento por remuneração – vide documento nº 4 – Informe circulado pelo Departamento de Recursos Humanos – fls. 324/325), que as regras criadas foram claras e objetivas, que os mecanismos para se aferir os dados tomados para a definição da participação são facilmente apurados a partir dos controles das folhas de pagamento, que por não ser obrigação (mas faculdade) da lei, não foram fixados critérios de índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, tampouco programas de metas e resultados, que o programa de participação nos lucros ou resultados foi adotado de forma espontânea, não habitual, tal como faculta a Lei 10.101/2000, em seu artigo 3º, § 3º e que as bases foram fixadas por comissão de empregados/empregador, sendo que conforme decisão do STJ que transcreve a participação do sindicato não afeta a natureza dos pagamentos que é de PLR; 3.11. a impossibilidade de cobrança de multa escalonada, sendo de encontro ao ordenamento jurídico, merecendo seu total cancelamento; 3.12. a impossibilidade da incidência de Juros SELIC sobre a Multa de ofício, consoante ainda jurisprudência do CARF; Fl. 692DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 3.13. ao final requer a exclusão do lançamento dos nomes dos Srs. Eike Fuhrken Batista, UTE MPX SUL ENERGIA LTDA., PAULO MONTEIRO BARBOSA FILHO, RUDOLPH IHNS, EDUARDO KARRER, XISTO VIEIRA FILHO, MARCUS, BERND, TEMKE, BRUNO DE ROSSI CHEVALIER, OGX MARANHÃO PETRÓLEO E GÁS LTDA. Obrigação Acessória (AIOA 37.246.6478) 3.14. que a Lei 11.941/2009 revogou expressamente o § 5º, do artigo 32, da Lei 8.212/1991 que serve de supedâneo à autuação, sendo, portanto descabida a imposição da multa ventilado em artigo revogado, por força do artigo 106, do CTN; 3.15. que a penalidade pelo descumprimento da obrigação principal absorve a multa pelo descumprimento da obrigação acessória, nos termos do art. 70, do Código Penal, sendo manifestamente incabível a aplicação de multa de caráter formal juntamente com multa por suposta falta de pagamento do tributo; 3.16. que caso se admita alguma penalidade, apenas seria exigível a multa de ofício imposta nos autos de obrigação principal; 3.17. que repete o pleito de exclusão dos Juros SELIC sobre a multa de ofício bem como o de exclusão do lançamento dos nomes listados no relatório de vínculos. 4. É o Relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Cerceamento de defesa. Não lhe foi dado conhecer todos os elementos que compõem os lançamentos. · Deveria constar os nomes e respectivos montantes no lançamento. Isso não ocorreu, ao menos não em época própria. · Não conheceu os anexos citados na decisão recorrida. · FPAS não condizente com as atividades. · O Bônus deve ser considerado PLR. · Atendeu os requisitos da Lei 10.101/2000. · Questiona tributação para o Sistema S. SESC, SENAC e SEBRAE. · Não é comércio. É holding. · Não se encontra sob a intervenção do SEBRAE. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 5 7 · Multas. · Juros sobre multa. · Requer a exclusão do lançamento dos nomes dos Srs. Eike Fuhrken Batista, UTE MPX SUL ENERGIA LTDA., PAULO MONTEIRO BARBOSA FILHO, RUDOLPH IHNS, EDUARDO KARRER, XISTO VIEIRA FILHO, MARCUS, BERND, TEMKE, BRUNO DE ROSSI CHEVALIER, OGX MARANHÃO PETRÓLEO E GÁS LTDA. É o relatório Fl. 694DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente alega ter havido cerceamento de defesa por não lhe ser dado conhecer todos os elementos que compõem os lançamentos. Alega que deveria constar os nomes e respectivos montantes no lançamento, que isso não ocorreu, ao menos não em época própria e que não conheceu os anexos citados na decisão recorrida. Pleiteia a nulidade. Não concordo com o pleito. Entendo que para a decretação da nulidade, o prejuízo deve ficar comprovado. Consta do Relatório Fiscal que foram anexados ao processo, dentre outros, os anexos V (folha de pagamento) e VII (quadro de rubricas), onde os empregados e dirigentes que receberam parcela da remuneração a título de bônus ou bônus de incentivo foram devidamente identificados 35. Foram anexados ao presente processo, os seguintes documentos: ... • Anexo V – Folhas de pagamento das competências 01/2008 e 03/2008; • Anexo VI – Carta explicativa da empresa; • Anexo VII Quadro “Rubricas Bônus/Bônus de Incentivo Folha de Pagamento”, contendo o nome de cada segurado que recebeu o pagamento descrito anteriormente, com o valor respectivo, por competência À folha 170, junto com o Relatório Fiscal, consta recibo datado de 19/05/2011 de recebimento do Auto de Infração pela recorrente. Presumo que a recorrente recebeu o conjunto completo, inclusive os anexos. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 6 9 Apesar de não crer, ainda assim, considerando a hipótese de a notificação ter sido efetuada sem estes anexos, registro que em 07/06/2011, a recorrente obteve vista do processo, conforme Termo de Vista processual, folha 231, onde copiou a totalidade do processo. Considerando que a impugnação foi impetrada no dia 17/06/2011, fica comprovado que, em todas as hipóteses, que a recorrente tomou ciência de todos os detalhes do lançamento e que não teve cerceado seu direito de defesa. CÓDIGO FPAS A recorrente alega nulidade por ter sido enquadrada num código FPAS não condizente com suas atividades. Não concordo com a recorrente. O Fundo da Previdência e Assistência Social – FPAS é um código que identifica a atividade econômica da empresa. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Conforme estabelecido na Instrução Normativa SRP nº 3/2005, o enquadramento no no FPAS é efetuado pela empresa e define as entidades e fundos para os quais o sujeito passivo deverá contribuir. O FPAS definido pela empresa é declarado nas guias de recolhimento e nas GFIP. Art. 137. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidem sobre a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições destinadas à Previdência Social, sendo devidas:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) I pela empresa ou equiparado em relação a segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestam serviços; II pelo transportador autônomo de veículo rodoviário, em relação à parcela do frete que corresponde à sua remuneração, observado o disposto no § 10 do art. 139; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) III pelo segurado especial, pelo produtor rural, pessoa física e jurídica, em relação à comercialização da sua produção rural e pela agroindústria em relação à comercialização da sua produção. (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) § 1º As entidades e fundos para os quais o sujeito passivo deverá contribuir são definidas em função de sua atividade econômica e as respectivas alíquotas são identificadas mediante o enquadramento desta na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. § 2º O enquadramento na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, é efetuado pelo sujeito passivo de acordo com cada atividade econômica por ele exercida, ainda que desenvolva mais de uma atividade no mesmo estabelecimento, observados os § § 1º e 2º do art. 581 da CLT. § 3º O estabelecimento mantido por empresa industrial para venda direta ou exposição de seus produtos será enquadrado no FPAS referente à atividade industrial, ainda que localizado em endereço distinto do parque industrial, salvo se nesse estabelecimento seja comercializado produto de outras empresas.(Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Nas GFIP presentes no processo, entregues no ano 2008, a empresa se declara como FPAS 515 e código de terceiros 115. A empresa declara no recurso que é uma “holding”. Abaixo é apresentada a tabela relacionando a atividade, alíquota do SAT e FPAS para holding. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 7 11 CNAE SAT(%) FPAS Atividade. 6461 1/00 1,00% 515 Holdings de instituições financeiras 6462 0/00 1,00% 515 Holdings de instituições nãofinanceiras 6463 8/00 1,00% 515 Outras sociedades de participação, exceto holdings Observo que por várias vezes, no recurso, por meio do escritório de advocacia, dizse que a empresa não sabe o que faz (o que declara), que a verdade foi descoberta após a ação fiscal e está no recurso apresentado pelos advogados em nome da empresa. O caso do FPAS é o primeiro. Entendo que essa tese não deve prevalecer. PAGAMENTO DE BÔNUS No recurso a empresa afirma que os bônus pagos devem ser entendidos como PLR e que atendeu os requisitos da Lei 10.101/2000. Mais uma vez no recurso dizse que a empresa mente para o Fisco e que a verdade está no recurso. Após ser intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos, a empresa informou o Fisco “que tais valores referemse a um prêmio ("Bônus de Incentivo") dado a seus funcionários, por mera liberalidade, no mês de janeiro de 2008 (e pagamento de eventuais diferenças de folha no mês de março de 2008), conforme demonstrado nas folhas de pagamentos dos respectivos meses” (folha 222). Com relação aos questionamentos sobre os lançamentos da conta 4102030006 _ ADM CENTRALPESGRATIF DE DESEMPENHO, A MPX informa que tais valores referemse a um prêmio ("Bônus de Incentivo") dado a seus funcionários, por mera liberalidade, no mês de janeiro de 2008 (e pagamento de eventuais diferenças de folha no mês de março de 2008), conforme demonstrado nas folhas de pagamentos dos respectivos meses. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 A empresa formalmente declarou para o Fisco que os valores correspondiam a um prêmio concedido por mera liberalidade da empresa. PLR não é concedido por liberalidade, é negociado e pactuado com os trabalhadores. Se agora esses valores viraram PLR, cumprindo com todos requisitos da Lei 10.101/2000, a empresa, quando fiscalizada, mentiu para o Fisco. Se a verdade é o apresentado durante a fiscalização, a empresa, está mentindo agora. Considero vergonhoso esse procedimento. Segundo a Lei 8.212/91, a tributação incide sobre a totalidade dos rendimentos. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 8 13 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Entendo o bônus pago como tributável. VÍNCULOS A recorrente requer a exclusão do lançamento dos nomes dos Srs. Eike Fuhrken Batista, UTE MPX SUL ENERGIA LTDA., PAULO MONTEIRO BARBOSA FILHO, RUDOLPH IHNS, EDUARDO KARRER, XISTO VIEIRA FILHO, MARCUS, BERND, TEMKE, BRUNO DE ROSSI CHEVALIER, OGX MARANHÃO PETRÓLEO E GÁS LTDA. No lançamento fiscal, esses nomes estão presentes no Relatório de Vínculos, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correpondente. Para a questão desse Relatório, existe súmula do CARF que esclarece que não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 SESC/SENAC Quanto ao argumento de que a recorrente não é contribuinte do SESC nem do SENAC, o mesmo não merece prosperar. As contribuições são previstas em lei e não há norma expressa que fundamente a alegação suscitada. A empresa se auto enquadro como contribuinte do SESC e SENAC e, ,mais uma vez, agora afirma que o que fez no passado está errado. O certo é o que está no recurso. O SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) foi criado pelo Decretolei nº 8.621, de 10/01/46, tendo ainda como norma reguladora o Decretolei nº 1.861, de 25/02/81 e o Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. Já o SESC (Serviço Social do Comércio) foi criado pelo Decretolei nº 9.853, de 13/03/46, tendo ainda a como legislação reguladora a Lei nº 4.863, de 29/11/65, o Decreto nº 60.466, de 14/03/67, o Decretolei nº 1.861, de 25/02/81 e o Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. Os contribuintes do SESC/SENAC não se limitam às empresas comerciais são as empresas tais como: · Comércio Atacadista e Varejista · Agentes Autônomos do Comércio · Comércio Armazenador (exceto Armazém Geral, a partir de 05/88, que contribui para o SENAI/SESI) · Turismo e Hospitalidade (inclusive salões de barbeiro, institutos de beleza, compra, venda, locação e administração de imóveis, engraxates, empresas de asseio e conservação, sociedades beneficentes e religiosas, etc.) · Estabelecimentos de Serviços de Saúde (hospitais, clínicas, casas de saúde, laboratórios de pesquisas e análises clínicas, cooperativas de serviços médicos, bancos de sangue, estabelecimentos de duchas, massagens e fisioterapia, empresas de prótese, etc.) · Comércio Transportador Revendedor, Retalhista de Óleo Diesel, Óleo e Querosene (exceto empregados envolvidos diretamente nas atividades de transporte que, a partir de 01/94, passam a contribuir para o SENAT/SEST) · Empresa e Serviço de Processamento de Dados · Escritório, Consultório ou Laboratório de Profissional Liberal, pessoa jurídica (se pessoa física não contribui para o SENAC, só para o SESC) Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 9 15 · Cooperativa Agrícola até 05/92 (a partir de 06/92 passaram a contribuir para o SENAR e, a partir de 12/99, para o SESCOOP) · Cooperativa Comercial até 11/99 (a partir de 12/99 passaram a contribuir para o SESCOOP) · Empresa de Distribuição de Gás Liqüefeito de Petróleo · Fundação com Atividade Vinculada a Confederação do Comércio · Consórcio · AutoEscola (até 08/96 não contribuíam para o SENAC, só para o SESC) · Curso Livre (prévestibular, idiomas etc.) · Locações Diversas (exceto locação de veículos que, a partir de 01/94, passam a contribuir para o SENAT/SEST) · Partidos Políticos. · Cooperativa – sociedades que exploram as atividades econômicas acima até 11/99 (a partir de 12/99 passaram a contribuir para o SESCOOP) · Tomador de serviço do trabalhador avulso vinculado ao comércio. Também as empresas prestadoras de serviços estão incluídas dentre aquelas que devem recolher, a título obrigatório, contribuição para o SESC e para o SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 557, da CLT.”(RESP n° 431.347). SEBRAE Sobre a alegação de ilegalidade na imputação de contribuição ao SEBRAE, esclarecemos a recorrente que todas as empresas industriais vinculadas ao SESI/SENAI e as comerciais vinculadas ao SESC/SENAC são contribuintes do SEBRAE A contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) foi criada pela Lei nº 8.029, de 12/04/90, que autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública Federal o antigo CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo, consoante disposto no artigo 8º: Art. 8º É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Pequena e Média Empresa – CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. ................................................................................................ § 3º As contribuições relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até 0,3% (três décimos por cento), com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. § 4º O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. O artigo 1º do DecretoLei nº 2.318/86 dispõe sobre a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades das contribuições para o SENAI, SENAC, SESI e SESC. O Poder Executivo, fazendo uso da autorização legal, editou o Decreto nº 99.570, de 09/10/90, transformando o CEBRAE no atual SEBRAE, conforme o artigo 1º: Art. 1º Fica desvinculado da Administração Pública Federal o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE e transformado em serviço social autônomo. Parágrafo único. O Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE, passa a denominarse Serviço Brasileiro de Apoio às Microempresas – SEBRAE. Do mesmo modo que a Lei nº 8.029/90, o Decreto nº 99.570/90 manteve a autorização para o INSS arrecadar o adicional da contribuição, com o repasse ao SEBRAE, nos termos do artigo 6º, que assim dispõe: Art. 6º O adicional de que trata o parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, será arrecadado pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS e repassado ao SEBRAE no prazo de trinta dias após a sua arrecadação. Já em 28/12/1990, foi editada a Lei nº 8.154, que em seu artigo 8º, definiu os percentuais devidos a título do adicional da contribuição, da seguinte forma: Art. 8º (...) § 3º Para atender à execução da política de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do Decreto Lei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: a. 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b. 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 10 17 c. 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. Desta forma, podemos perceber que a questionada contribuição destinada ao custeio do Serviço de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas, foi criada como uma majoração das contribuições devidas ao SESI/SENAI, SESC/SENAC e, posteriormente, ao SEST/SENAT, criado após o acima mencionado decretolei, por meio da Lei nº 8.706, de 14/09/1993. Desta forma, todas as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento da contribuição devida às referidas entidades, por força dos dispositivos legais retro transcritos, passaram a ser obrigadas ao recolhimento do adicional devido ao SEBRAE. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. É irrelevante, o porte da empresa como elemento definidor da sujeição passiva. MULTAS Conforme Relatório Fiscal, quando do lançamento efetuouse a comparação da multa segundo as regras vigentes à época dos fatos geradores com a multa calculada segundo a Lei 11.491/2009, respeitando o princípio da retroatividade benigna. IX DA COMPARAÇÃO DAS MULTAS 28. Tendo em vista que as infrações praticadas pela empresa possuem fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/12/2008, data da entrada em vigor da Lei n° 11.491, de 27/05/2009, a multa aplicada observa o princípio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com a imposta pela legislação superveniente, conforme descrito a seguir. Entendo correto o procedimento fiscal. JUROS SOBRE MULTA A recorrente argumenta pela impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. Diversas são as decisões judiciais e administrativas reconhecendo a legalidade da incidência de juros sobre a multa. No julgamento do processo n.º 16327.002244/9933,, com a relatoria do Conselheiro Elias Sampaio Freire, ocorrido em 16/02/2012, a 2ª Turma da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) negou provimento e manteve a Fl. 705DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 11 19 incidência de juros de mora sobre a aplicação de multa de lançamento exoffício (previsto no artigo 149 do Código Tributário Nacional – CTN). No caso, a recorrente argumentava que o artigo 161 do CTN determina que os juros devem incidir somente sobre o crédito tributário, do qual não faz parte a multa aplicada. A legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício também já foi reconhecida pela 1ª Turma da CSRF, na sessão realizada em outubro de 2011, no processo 10680.007190/200631. No STJ, as duas Turmas já adotaram o posicionamento defendido pela Fazenda. A Primeira Turma julgou o assunto no Resp nº 1.146.859/SC e a Segunda Turma, no Resp nº 1.129.990/PR. Há ainda expressiva jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais sobre o tema: TRF 3ª Região Ap./Reexame Necessário nº 001857343.2003.4.03.6182/ SP e AMS 187426; TRF 4ª Região, AC 2006.71.13.0027875. Pelas razões expostas, deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 706DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10814.006201/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/03/2008
INFRAÇÃO POR ATRASO NO REGISTRO DA CHEGADA DE AERONAVE NO PAÍS. REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA ADMINISTRATIVA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CHEGADA DA AERONAVE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA ADMINISTRATIVA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CHEGADA DA AERONAVE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 62 01 /2 00 8- 65 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/6) em que formalizada a aplicação da multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em decorrência do cometimento da infração caracterizada por prestação de informação com atraso sobre a chegada de aeronave no País, tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. O motivo da autuação, conforme consignado na descrição dos fatos que integra o citado auto de infração, fora o registro extemporâneo, no Sistema Mantra, da chegada do Vôo CRX 0096. Tal fato, segundo a fiscalização, teve como consequência a ausência da formalização do Termo de Entrada da aeronave, o permitia livres alterações na Relação de Cargas Manifestadas, mesmo após a chegada da aeronave, o que poderia propiciar graves distorções ao controle do fluxo aduaneiro de mercadorias e facilitar o desvio de cargas e outros crimes tributários; daí a obrigação instituída em lei para que a formalização da chegada dos veículos procedentes do exterior fosse foi feita no momento da chegada. Em sede de impugnação, a autuada alegou a improcedência da autuação, com base nos argumentos que foram assim resumidos no relatório que integra o acórdão recorrido: (a) o atraso de fato não ocorreu, pois o registro da chegada da aeronave ocorreu exatamente no momento da chegada conforme registro no SIV Infraero, devendose considerar que a impugnante de fato procedeu por ato próprio ao registro das informações, o que implica na necessidade de reconhecimento da espontaneidade e boafé para fins de direito; (b) deve ser reconhecida na hipótese a necessidade de observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como a possibilidade de complementação de informações, questão que, não tendo sido observada pela rigidez do art. 9º da IN SRF 102/94, deve ser verificada na presente oportunidade; (c) ademais, a responsabilidade pela prestação de informações na hipótese é exclusiva dos agentes de carga, na forma do disposto no artigo 30, § 2º, do Decreto nº 4.543/2002, quem deve ser responsabilizado na forma do art. 9º da IN SRF 102/94; (d) foi formalizada consulta junto à COANA com vistas ao debate da responsabilização do agente de cargas na hipótese, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006201/200865 Acórdão n.º 3102001.992 S3C1T2 Fl. 21 3 além da questão da necessidade de razoabilidade na concessão de maior prazo e possibilidade de complementação de informações, nos termos do ordenamento constitucional em vigor; (e) está ausente a tipicidade entre o fato descrito e a imposição legal, sendo necessária a adequação entre meios e fins da penalidade imposta; (f) requer, assim, a nulidade absoluta do auto de infração. Em 15/12/2011, foi proferida a decisão primeira instância (fls. 54/58), em que, por unidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e a multa aplica mantida, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/03/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO. O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada; sob pena de sujeitarse o infrator à multa prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 8/2/2012 (fl. 63), a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 7/3/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 64/71, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na fase impugnatória, em aditamento alegou que: a) a legislação não fixava prazo específico para o registro de informação de chegada da aeronave, pois era vazia a expressão “no momento da sua chegada”, contida no 9º da Instrução Normativa SRF n° 102, de 1994; b) era nula, por incompatibilidade com o ordenamento jurídico pátrio, a norma do citado art. 9º, porque ela exigia o registro imediato de informações, no momento da chegada da aeronave, o que, de fato, consistia na inexistência de prazo, ainda que mínimo, para que o transportador pudesse cumprir tal determinação; e c) era atípica a conduta atribuída a recorrente, pois não existia tipo específico para a infração em questão, posto que deixar de registrar informações de chegada de aeronave não se enquadrava na hipótese típica da infração prevista no artigo 107, IV, “e” do Decretolei nº 37, de 1966. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitase à questão atinente à subsunção do fato imputado à recorrente, descrito no auto de infração, à conduta abstrata descrita na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) Tratase de norma penal em branco, cuja aplicação exige a complementação do conteúdo por outro diploma normativo de natureza administrativa, a ser expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB). No caso de veículo aéreo procedente do exterior, a norma complementar que trata do prazo e da forma da prestação de informação sobre a chegada no País é o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102, de 1994, a seguir reproduzido: Art. 9º O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada, cabendolhe, simultaneamente, a entrega à fiscalização aduaneira dos manifestos e dos respectivos conhecimentos de carga e, quando for o caso, dos documentos de trânsito aduaneiro. § 1º A falta de informações sobre carga procedente do exterior previamente à chegada de veículo ou sobre carga procedente de trânsito, associada à não entrega dos documentos de que trata o “caput” deste artigo, implicará na configuração de declaração negativa de carga, nos moldes do previsto pelo parágrafo único do art. 46 do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985. § 2º Quando não atendido o disposto neste artigo, o AFTN deverá proceder ao respectivo registro da chegada, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006201/200865 Acórdão n.º 3102001.992 S3C1T2 Fl. 22 5 § 3° A chegada do veículo caracterizará, para efeitos fiscais, o fim da espontaneidade prevista no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. (grifos não originais) A norma complementar em destaque estabelece que o registro de chegada de aeronave procedente do exterior deverá ser efetuado pelo transportador no momento de sua chegada no País. No caso em tela, os extratos de consulta, extraídos do Sistema Mantra (fls. 11/12), informam a chegada efetiva do Vôo CRX 0096 às 07:05 (sete horas e cinco minutos) do dia 29/3/2008, enquanto que o registro da chegada da aeronave no citado Sistema somente fora efetivado às 08:18 (oito horas e dezoito minutos) do dia 30/3/2008. No caso, se houve o descumprimento do prazo de registro determinado na referido preceito normativo, indubitavelmente, consumouse a conduta infratora prevista determinada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que era atípico o fato infrator que lhe fora imputado na autuação em apreço. Também não tem fundamento jurídico a alegação da recorrente de que não existia tipo específico na legislação aduaneira para o referido fato infringente, o contraria o disposto do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102, de 1994. É oportuno ainda ressaltar que o registro da chegada da aeronave no Mantra implica abertura do termo de entrada, documento indispensável para controle aduaneiro das cargas transportadas e descarregadas no recinto alfandegado local. Alegou ainda a recorrente que o registro da informação de chegada da aeronave, no Sistema Mantra, fora realizada antes da autuação, o que configurava denúncia espontânea da infração. No caso em tela, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo inexoráve do tempo como elemento essencial da tipificação da infração, pois, sob o ponto de vista jurídico, somente fato desconhecido da fiscalização é passível de denúncia, o que não ocorre nas obrigações acessórias por descumprimento de prazo fixado em preceito normativo, o qual se torna imediatamente conhecido com o mero fluir do tempo, sem que a conduta determinada seja implementada. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex Mantra a informação acerca da chegada efetiva da aeronave no País, hipótese da autuação em apreço. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre veículo no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006201/200865 Acórdão n.º 3102001.992 S3C1T2 Fl. 23 7 simplesmente, deixar de prestar a informação sobre veículo. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é a conduta que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação de chegada da aeronave materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Dessa forma, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Nesse diapasão, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por registro extemporâneo da chegada de aeronave no País, objeto da presente autuação. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10665.720819/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO.
Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I).
PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo.
FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto.
FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL.
Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO.
O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado.
EDITADO EM: 06/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refirase à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 19 /2 01 0- 15 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 351 3 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 31/09/2006 COMPENSAÇÃO A compensação é regular no caso da existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A manifestação de inconformidade referese à pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à vendas efetuadas com alíquota zero, formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. O acórdão da DRJ não reconheceu o crédito relativo ao frete nas aquisições e nos retornos de produtos enviados para industrialização perante terceiros; na “remessa de arroz acabado para entrega a clientes, mas antes passando pela Matriz”; no transporte de subprodutos, de arroz a granel entre estabelecimentos industriais da pessoa jurídica e na aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. O ressarcimento foi admitido apenas no tocante ao frete na aquisição de matériaprima (arroz em casca) de produtor rural pessoal física, de embalagens e na remessa de matériaprima para industrialização, nos anos de 2005 e 2006. A Recorrente, nas razões recursais de fls. 321339, pleiteia a reforma da decisão recorrida, alegando que o frete na remessa e no retorno de matériaprima para industrialização por terceiros estaria vinculado ao processo produtivo, integrando, assim, o custo de industrialização do produto acabado. Sustenta ainda que a Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 não poderia ser invocada como fundamento para a vedação do crédito de frete Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 na transferência de produto acabado entre a filial e a matriz, porquanto, de acordo com o art. 16, § 4º, da Instrução Normativa nº 740/2007, seus efeitos não podem retroagir. Alega ter direito ao crédito nas transferências entre estabelecimentos, uma vez que se trata de operação realizada com o intuito de aperfeiçoar a logística de distribuição, isto é, despesas vinculadas diretamente à operação de venda. Aduz que o frete na remessa de subprodutos e de arroz a granel para ser industrializado, de produto acabado e de subproduto destinado à venda deve ser reconhecido, segundo recente jurisprudência do Carf, que interpreta o conceito de insumo de modo abrangente de todos os custos e despesas necessários para a operação do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 29/08/2011 (fls. 320), interpondo recurso tempestivo em 28/09/2011 (fls. 321). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O pedido de ressarcimento foi formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõem: Lei nº 11.116/2005 “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Lei nº 11.033/2004 “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Os créditos em discussão, por sua vez, referemse às despesas de frete devido no transporte (i) de produtos enviados para industrialização por terceiros (“retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”); (ii) de produto acabado para Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 352 5 venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (iii) de subprodutos; (iv) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (v) de aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. I PRODUTOS ENVIADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Cumpre destacar que, embora a decisão recorrida se refira à “aquisições e retorno de produtos enviados para industrialização junto a terceiros, com alíquota zero (item C)”, notase, a partir do termo de verificação de fls. 10 e seguintes, que, a rigor, a glosa do crédito diz respeito ao frete no “retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”. A legislação aplicável ao regime nãocumulativo do PIS/Pasep e da Cofins disciplina o creditamento decorrente das despesas com frete nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; É preciso ter cautela na interpretação da amplitude do direito ao crédito relativo às despesas com frete. Isso porque, embora o art. 3º, IX, refirase à “frete nas operações de venda”, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos. Este, porém, não decorre do inciso IX, mas dos incisos I e II do art. 3º, porque a base de cálculo do crédito constitui o custo de aquisição do bem, que também é composto pelo frete pago na entrega. O creditamento do frete, assim, ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou bem adquirido para revenda. Com efeito, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, o cálculo do crédito deve considerar o custo de aquisição do bem ou serviço: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de frota própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Na aquisição de insumos e de mercadorias para revenda, portanto, o contribuinte tem direito ao crédito do frete, à medida que este integre o custo de aquisição, consoante amplamente reconhecido em diversas soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo (Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006). FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete Fl. 355DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 353 7 contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática (Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. No mesmo sentido, cf.: Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010; Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006; Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007) Ao promover a glosa do crédito, a autoridade competente não divergiu dessa orientação, consoante se depreende da seguinte passagem do ato que serviu de fundamento para o despacho decisório (fls. 10 e seguintes): “Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens, conforme artigo 289, § 1º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, como é o caso das aquisições de pessoas físicas e com alíquota zero, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito.” De fato, na industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora está sujeita à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 25, I, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 25. A pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, sujeitase, conforme o caso, às alíquotas previstas nas alíneas a ou b do inciso I do art. 1o da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos nelas referidas. Parágrafo único. Na hipótese a que se refere o caput: I as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica executora da encomenda ficam reduzidas a 0 (zero); e” Assim, não há direito ao crédito, porque, nas hipóteses de alíquota zero, o adquirente somente pode se creditar quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep ou pela Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 3º [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Portanto, como o crédito do frete na aquisição de bens não é autônomo em relação ao crédito do insumo adquirido porque se operacionaliza de forma atrelada ao crédito Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 do insumo, compondo a respectiva base de cálculo , não há como reconhecer o direito ao crédito ao Recorrente, uma vez que a operação não está sujeita à incidência da contribuição. II PRODUTO ACABADO PARA VENDA, PORÉM, COM PASSAGEM PRÉVIA PELO ESTABELECIMENTO DA MATRIZ A legislação, consoante destacado acima, estabelece que o contribuinte tem direito ao crédito de frete nas operações de venda, desde que tenha suportado o ônus respectivo (Lei nº 10.8333, art. 3º, IX): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O acórdão da DRJ, por sua vez, entendeu que o Recorrente não teria direito ao crédito, porque a mercadoria, por questões de logística, circulava pelo estabelecimento da matriz: “As remessas dos produtos acabados da unidade de Capivari do Sul para Minas Gerais para entrega aos clientes; por questão de logística, esta mercadoria circula pelo estabelecimento matriz. Esse gasto não pode ser considerado como insumo porque se refere a frete de produto acabado da filial para a matriz. Portanto, não gera crédito, conforme orientação da citada Solução de Divergência.” (fls. 314). A decisão recorrida referese à Solução de Divergência Cosit nº 26/2007, que recebeu a seguinte ementa: EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Essa interpretação, entretanto, carece de sentido. Isso porque “se o crédito é assegurado na hipótese de transporte da indústria diretamente para o consumidor final, não há razões para negar esse mesmo direito quando a mercadoria é remetida previamente a um centro Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 354 9 de distribuição. O que ocorre, na espécie, é apenas um desmembramento das etapas de transporte do bem destinado à venda. Ao invés de manter o estoque na fábrica, remetendo a mercadoria para o destino final após a concretização da venda, o contribuinte promove o deslocamento em duas etapas” 1. No caso em exame, a partir do Anexo IV do termo de verificação fiscal, nota se claramente que se trata de “remessa de arroz acabado para entrega a clientes”. O fato da mercadoria, por questões de logística, circular previamente pelo estabelecimento da matriz em nada afeta o direito ao crédito, porque a legislação autoriza o creditamento desde a unidade produtora até o consumidor final. Desse modo, entendese que deve ser reconhecido o direito ao crédito. III FRETE NO TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS O crédito do frete no transporte de subprodutos destinados à venda não foi reconhecido, porque, de acordo com a decisão recorrida, “o transporte de subproduto está fora do processo produtivo e não pode ser considerado como insumo”. Por outro lado, “seguindo o disposto na Solução de Divergência nº 26, de 30/05/2008, o gasto com o transporte de subprodutos não deve gerar créditos de PIS/Cofins” (fls. 316). Entendese, entretanto, que a SD nº 26/2008 não pode ser invocada fundamento para a vedação do direito ao crédito, porque, de acordo com sua ementa, reproduzida no item anterior, a mesma não trata do transporte de subprodutos. Na verdade, devese ter presente que subproduto nada mais é do que um resíduo ou produto secundário do processo industrial. Muitas empresas, limitamse ao seu descarte no ambiente ou em aterros sanitários, dentro de uma etapa do procedimento industrial conhecida como lançamento ou disposição de resíduos. Outras, por política ambiental ou por razões econômicas, notadamente quando o produto secundário apresenta valor comercial ou quando a sua disposição se apresenta muito onerosa, promovem a sua comercialização. A legislação, ao conceder o direito ao crédito, não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX). Portanto, em se tratando de venda de produto ou subproduto, o que é irrelevante , o sujeito passivo pode se creditar. IV REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO De acordo com a decisão recorrida, “[...] o gasto com transporte de arroz a granel, mesmo que ainda em fase de industrialização, entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica não proporciona o direito ao crédito do PIS e da Cofins”, porque “o arroz a granel equivale a um produto ou a um subproduto para o contribuinte” (fls. 316). Essa interpretação, porém, não pode ser acolhida. Afinal, se o transporte do arroz à granel ocorre para fins de industrialização, não cabe qualificálo como produto nem como subproduto. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004: 1 SEHN, Solon. PISCofins: nãocumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 334. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 “Art. 8º [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Na verdade, arroz a granel em nada difere do arroz em casca remetido para industrialização. Ambos são matériaprima para o produto final. Portanto, se a DRJ reconheceu o direito ao crédito em relação a este, também deveria ter admitido o creditamento em relação ao primeiro, porque, consoante destacado no exame do item I, o frete integra o custo de aquisição. O acórdão, portanto, deve ser reformado nesse particular. V – AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA A DRJ não admitiu o creditamento do frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete, fuso transportador e de pêssego enlatado, com base nos seguintes fundamentos: “Segundo contribuinte, neste caso se trata de frete incidente sobre a aquisição de produto acabado (pêssego enlatado), subprodutos adquiridos e destinados a revenda, produtos estes tributados pelo PIS e a Cofins. Tratase, também, da glosa de créditos relativos a frete sobre transporte na aquisição de roletes, cone de roletes, fuso transportador. Na presente situação, não se vislumbra que esse frete referese a insumos. Esse gasto está fora do processo produtivo. Por isso não gera direito ao crédito de PIS/Cofins.” (fls. 316/317). No que tange aos roletes, cone de roletes, fuso transportador, o Recorrente alega que seriam insumo do processo produtivo, inclusive com contato direto com a matéria prima. Todavia, do exame dos autos, verificase que não há qualquer prova nesse sentido. Tampouco há qualquer elemento que permita aferir a vida útil de tais bens, o que se afigura relevante à medida que tais produtos, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato. O Recorrente, dito de outro modo, deveria ter demonstrado as circunstâncias da utilização de tais bens no processo produtivo e, principalmente, que o mesmos sofrem um desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. Por fim, em relação ao frete na aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) adquirido para revenda, entendese que o crédito deve ser reconhecido, porque, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, reproduzido acima, o cálculo deve considerar o custo de aquisição do bem, no qual se inclui o frete. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, para efeitos de reconhecimento do direito ao crédito relativo às despesas de frete devido no Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 355 11 transporte (a) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (b) venda de subprodutos; (c) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (d) de aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) para revenda. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso presente, filiome ao voto exarado pelo i. Conselheiro Relator no que toca ao reconhecimento de direito creditório da COFINS (regime nãocumulativo) previsto na Lei nº 10.833, de 2003, referente às despesas de frete devido no transporte relativo à: i) venda de subprodutos (art. 3º, IX, da Lei); ii) remessa de arroz à granel para industrialização (art. 3º, II, da Lei); (iii) aquisição de produto acabado – “pêssego enlatado” para revenda (art. 3º I, da Lei). Entendo, em consonância com os fundamentos exposto pelo i. Relator, que, em relação ao itens ii e iii acima, o custo do frete integra o custo de aquisição do insumo ou do produto para revenda refletindo positivamente no direito creditório previsto no art. 3º, I e II da Lei nº 10.833, de 2003. Noutro giro, peço vênia ao i. Relator para, acompanhando a divergência inaugurada pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, pontuar meu entendimento de que as despesas de frete devido no transporte de produto acabado para entrega a clientes, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz, não são hábeis à geração de créditos. Tratase, no caso, de frete de produto acabado da filial para a matriz, custo este não albergado pela legislação de referência. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Destaquei. Com efeito, o mero deslocamento de mercadorias acabadas de uma unidade para outra da mesma pessoa jurídica – operação em que inexiste qualquer contrato subjacente de transferência de propriedade do produto não se confunde com o serviço de frete na operação de venda. A estrutura do artigo 3º da Lei apresenta, a par de um dispositivo aberto que remete ao conceito de insumo (inciso II), um rol taxativo de hipóteses de creditamento que, em que pese não se enquadrarem no conceito de insumo, são, ainda assim, admitidos ao creditamento, de maneira a exigir uma interpretação restritiva nesses demais casos – e.g., aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; edificações e benfeitorias em imóveis; vale Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção; e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Ainda, havendo previsão literal sobre as hipóteses de creditamento não se tratando, portanto, de ausência de disposição expressa (art. 108 da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN) – penso incabível o uso de analogia no presente, ainda mais quando para fins de alargamento das hipóteses de creditamento legalmente elencadas, como sói ocorrer na tentativa de equiparar as despesas de transporte de mercadorias acabadas entre estabelecimentos da empresa ao serviço de frete na operação de venda. Também não há que se falar em crédito por conta do artigo 3º, II da Lei em estudo por também não se tratar aqui de frete na aquisição de insumos – hipótese em que o custo de transporte integraria o custo dos mesmos. Dessa forma, entendo, por ausência de dispositivo legal permissivo, não existir direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Conselheiro Presidente Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10240.001688/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
RECURSO DO CONTRIBUINTE
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
RECURSO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO
SOLIDARIEDADE. CISÃO PARCIAL.
A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.
RESPONSABILIDADE. CISÃO PARCIAL.
A pessoa jurídica constituída pela fusão de outros, ou em decorrência de cisão de sociedade respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas.
RESPONSABILIDADE POR CISÃO. INÍCIO E FIM DOS EFEITOS.
É responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, cindidas, transformadas ou incorporada.
Recurso do contribuinte não conhecido.
Recurso do responsável solidário negado.
Numero da decisão: 1402-001.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, negar provimento ao recurso apresentado pelo coobrigado e não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo, por perempção. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RECURSO DO CONTRIBUINTE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. RECURSO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO SOLIDARIEDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. RESPONSABILIDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica constituída pela fusão de outros, ou em decorrência de cisão de sociedade respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas. RESPONSABILIDADE POR CISÃO. INÍCIO E FIM DOS EFEITOS. É responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, cindidas, transformadas ou incorporada. Recurso do contribuinte não conhecido. Recurso do responsável solidário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 16 88 /2 00 7- 51 Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 ACORDAM os membros do Colegiado, negar provimento ao recurso apresentado pelo coobrigado e não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo, por perempção. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez. Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório SG – SUPERMERCADOS LTDA., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 34.748.558/000171, com domicílio fiscal na cidade de Porto Velho, Estado de Rondônia, na Rua. Almirante Barroso, nº 2.240 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Velho RO, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 542/550, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 566/570. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Velho RO, em 08/10/2007, Auto de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 240/272 e 294/306), com ciência pessoal, em 09/10/2007 (fls. 240/306), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.844.242,60), a título de tributo e contribuições, acrescido de multa lançamento de ofício normal 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuição referente aos exercícios de 2004 a 2008, correspondente aos anoscalendário de 2003 a 2007, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2004 a 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – Através da metodologia de comparação entre as informações constantes da escrituração; DCTF; IRPJ; PIS e COFINS, verificouse a redução indevida da base de cálculo do PIS/COFINS, referentes aos anos de 2003 a 2007; e insuficiência de declaração de IRPJ e CSLL no ano calendário de 2005. Infração capitulada nos arts. 247 e 841 do RIR/99. 2 – Apurouse, também, Responsabilidade Solidária, por sucessão, uma vez que houve cisão parcial da empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ 34.748.558/000171, resultando na empresa SUPERMERCADO GONÇALVES, CNPJ 06.225.625/000138, tornando esta última “sujeito passivo” das obrigações tributárias da primeira. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo do Termo de Verificação de Infração (fls. 309/312), entre outros, os seguintes aspectos: que, no que diz respeito à Redução Indevida na Base de Cálculo do PIS e COFINS e conseqüente insuficiência de declaração, é de se dizer, que tendo em vista a não localização na escrituração de conta contábil relativa às deduções da base cálculo do PIS e COFINS dos lançamentos a título de vendas de mercadorias tributadas por substituição tributária, em 25/09/2007 intimamos o contribuinte a justificar tais valores; que, em resposta, o contribuinte alegou não ter uma conta específica tanto para escriturar vendas como as compras de mercadorias sujeitas à substituição tributária. No Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 entanto, verbalmente informou que teria controles extra contábeis para o cálculo da exclusão destes valores da base de cálculo da COFINS e do PIS, conforme informado no Dacon. Porém, limitouse a apresentar tais controles somente em relação às compras de mercadorias tributadas por substituição tributária; que verificamos que em vários meses o total de mercadorias compradas superou em muito as vendas informadas na redução da base de cálculo da COFINS e do PIS, nos dezoito meses em que houve dedução da base de cálculo do montante de vendas de mercadorias tributadas por substituição; que tal fato determinou que adotássemos um critério no sentido de considerar tais mercadorias como vendidas até o valor informado no Dacon, pois a comprovação de que tais mercadorias adquiridas não foram vendidas dependeria de uma auditoria específica em estoques, impossível ao escopo verificações obrigatórias; que a guisa de conclusão, foi recalculada a base de cálculo para a incidência de PIS e COFINS, considerando a dedução de “vendas de mercadorias sujeitas à substituição tributária” no montante das compras, limitadas ao total deduzido no Dacon; que, no que diz respeito aos créditos informados no Dacon, utilizando a própria escrituração do contribuinte para chegar à base de calculo e respectivos créditos, verificamos que houve majoração deste e conseqüente redução indevida da COFINS e PIS apurados e declarados, é de se dizer, que as referidas planilhas, anexas a este Termo, mostram que, ao comparar as informações da escrituração com aquelas consignadas no Dacon, houve erro na informação de compras e devoluções de mercadorias para revenda, energia elétrica, despesas financeiras e depreciação. Tais fatos resultaram que os créditos calculados foram Inferior àqueles apurados e informados no Dacon, fato que resultou em uma base de cálculo maior do que àquela informada pelo contribuinte nos anoscalendários de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007; que, no que diz respeito à insuficiência de Declaração de IRPJ e CSLL, é de se dizer, que, em 21/05/2007, intimamos o contribuinte a manifestarse a respeito das divergências entre a as obrigações tributárias provisionadas na escrituração, frente a valores menores declarados em DCTF; que no que se refere ao IRPJ e CSLL, somente houve diferenças entre o valor escriturado e o valor declarado em 2005, conforme explicitado na tabela anexa a este Termo, sendo que tais diferenças não foram justificadas na resposta apresentada em 22/05/2007; que, no diz respeito à RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, é de se dizer, que a empresa SG SUPERMERCADOS LTDA., CNPJ 34.748.558/000171, promoveu uma cisão parcial, em 25/03/2004, constituindo a empresa SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA., CNPJ 06.225.625/000138. Sendo, que tal situação caracteriza a responsabilidade dos sucessores nos termos do art. 121 da Lei nº 5.172, de 1966. SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA., como responsável solidário, apresenta a sua peça impugnatória de fls. 328/334, tempestivamente, em 08/11/2007, instruído pelos documentos de fls. 335/386, onde o mesmo se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 4 5 que foi lavrado um auto de infração contra a empresa SG SUPERMERCADOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrito no CNPJ 34.748.558/000171, sendo colocado a impugnante, como responsável solidário do débito apurado, o que não pode ser aceito; que a impugnante foi incluída com responsável solidários dos débitos nesse feito em razão de ter surgido através do processo de cisão parcial da empresa autuada em março de 2004, o que não pode ser aceito; que cisão é a operação jurídica pela qual uma empresa transfere parcelas do seu patrimônio (ativo e passivo) para uma ou mais sociedades, constituídas para fim ou já existentes, podendo ser total ou parcial; que, assim, após o processo de cisão passaram a existir duas empresas distintas, a impugnante (cisionada), que surgiu nesse processo, e a empresa cindida (SG Supermercados), cada uma com sua personalidade e responsável apenas pelos seus atos; que, pelo fato da cisão ter sido parcial é que é ilegal a responsabilização da impugnante, ainda mais em períodos posteriores à cisão; que, como no caso se trata de cisão parcial, onde a empresa cindida continuou normalmente suas atividades, a responsabilidade da impugnante pelos débitos tributários da empresa que lhe transferiu parte do seu patrimônio, apenas e tão somente os devidos até a data da cisão, é apenas subsidiária; que com referência aos débitos de períodos posteriores à cisão, ou seja, cujo fato gerador ocorreu em data posterior a março de 2004, é mais do que claro a ilegalidade da responsabilização da impugnante. Em relação a estes fatos nenhum vínculo existe entre as duas empresas, vez que pessoas jurídicas diferentes; que, sendo subsidiaria a responsabilidade da impugnação pelos débitos da cindida anteriores à cisão, o fisco deve exigir o pagamento diretamente da empresa SG SUPERMERCADOS, reservando o seu direito de cobrar da impugnante esses débitos anteriores à separação somente se aquela for insolvente, desaparecer ou tomar impraticável a cobrança, o que não é definitivamente o caso, e aliás, não foi provado; que somente se provada a insolvência da empresa cindida é que a Fazenda Nacional poderia exigir algo da impugnante. Como nada foi provado, descabe a responsabilização da impugnante ate mesmo com relação aos débitos anteriores à cisão. SG SUPERMERCADOS LTDA. em sua peça impugnatória de fls. 349/380, apresentada, tempestivamente, em 08/11/2007, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, no que diz respeito ao lançamento de PIS e da COFINS, é de se dizer, que é totalmente improcedente o lançamento do PIS e da COFINS, não existindo as divergências apontadas pela fiscalização; Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que primeiro erro da agente fiscal referese ao valor das compras das mercadorias consideradas em seu levantamento. A referida apuração foi feita através dos valores informados no balancete da empresa; que ocorre que a empresa lança nos balancetes o valor líquido das compras, já excluído o ICMS incidente sobre a operação, não sendo correto, assim, a utilização de tais valores na apuração do crédito; que o crédito do PIS e da COFINS deve ser calculado sobre os valores brutos das compras, incluindo o ICMS. Tais valores estão devidamente informados no livro de apuração de ICMS, o qual deveria ter sido utilizado para a referida apuração; que, a título de amostragem, exemplificamos o mês de outubro de 2003, onde a fiscalização utilizou em sua apuração de crédito o valor líquido das compras lançadas no balancete, no importe de R$ 4.108.721,89. O valor bruto dessas compras, que deveria ter sido utilizado e consta no livro de apuração anexado, é de R$ 4.227.929,08. Tal equivoco resultou na apuração de um valor de crédito inferior ao que o impugnante tem direito. Assim, deve ser retificado tal valor na apuração de crédito realizado pela fiscalização; que esse erro ocorreu em todo o período apurado, o que pode ser verificado por simples análise dos livros de apuração anexados, devendo ser retificados tais valores na apuração do crédito do PIS e da COFINS; que outro equívoco na apuração dos créditos da COFINS e do PIS foi causado por erros de somas da referida planilha. A agente fiscal deve ter cometido algum erro na fórmula criada para fazer os cálculos, o que também deve ser corrigido; que para chegar à base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS, a agente fiscal fez a seguinte operação aritmética em seu demonstrativo: compras à vista + compras a prazo – devolução de compras + energia elétrica = despesas financeiras = depreciação = devolução das vendas sujeitas alíquota 1,65%; que, por algum erro, ao fazer esse cálculo, foi subtraído duas vezes o valor referente à devolução de compras, reduzindo indevidamente a base de cálculo para apurar o crédito; que, no que diz respeito as vendas com substituição tributária, é de se dizer, que o agente fiscal, na apuração do PIS e da COFINS do período de março de 2003 a junho de 2004, considerou como dedução da base de cálculo dos tributos as vendas de mercadorias por substituição tributária, fazendo o levantamento com base nas entradas de mercadorias tributadas por substituição tributária; que acontece que o mesmo deve ocorrer também nos períodos seguintes, ou seja, de julho de 2004 a julho de 2007, vez que a impugnante continuou comprando e vendendo produtos tributados por substituição tributária; que, no que diz respeito a compensação, é de se dizer, que foi constatado pela própria autoridade fiscal, que a recorrente possui créditos decorrentes de pagamentos a maior da COFINS e do PIS em alguns meses no período fiscalizado, o que devem ser usados para saldar os débitos supostamente remanescentes deste auto de infração; que uma grande ilegalidade e inconstitucionalidade constante em todo lançamento impugnado, e que deve ser retificado na remota hipótese de não ser cancelado totalmente o presente lançamento, o que colocamos como suposição, é a utilização da Taxa Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 5 7 Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC a título de juros moratórios. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente se faz necessário verificar se esta correta a apresentação da empresa Gonçalves Companhia, CNPJ 06.225.625/00038, como responsável solidário dos créditos tributáveis devidos pela empresa SG Supermercados, CNPJ 34.748.558/000171; que a impugnante contrasta a tese da fiscalização argüindo que a situação se adéqua ao disposto no art. 133 do CTN; que a tese da impugnante não merece prosperar: 1) o art. 133 se aplica aos casos em que há “aquisição do fundo de comércio”, ao passo que o disposto no art. 207, § único, II do Decreto 3.000, de 1999 se aplica ao caso de cisão, que é o que houve de fato e de direito; que, assim, está correta a apresentação da empresa GONÇALVES COMPANHIA, CNPJ 06.225.625/000138, como responsável solidária dos créditos tributários devidos pela empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ 34.748.558/000171; que o ato da cisão ocorreu, em 07/06/2004, através da vigésima sexta alteração contratual da empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ 34.748.558/000171; logo esta é a data limite para considerarmos “solidárias” as empresas acima citadas; que a partir desta data, após 07/06/2004, para caracterizarse a solidariedade deverseia provar o “interesse comum” entre ambas, e para isto não basta o fato de os sócios serem as mesmas pessoas nas duas empresas! Os sócios até poderiam figurar na condição de sujeitos passivos solidários, mas não a empresa resultante da cisão, em virtude de ser oriunda de cisão parcial; que o ato da cisão ocorreu em 07/06/2004, para caracterizarse a solidariedade deverseiá provar “interesse comum” entre ambas, e para isto não basta o fato de os sócios serem as mesmas pessoas nas duas empresas! Os sócios até poderiam figurar na condição de sujeitos passivos solidários, mas não a empresa resultante da cisão, em virtude de ser oriunda de cisão parcial; que a impugnante descreve como entende correta a apuração dos tributos PIS e COFINS, diz, ainda, que apresenta notas fiscais e contabilidade, em anexo. Mas ocorre, entretanto, que estes elementos não contrapõem às conclusões da fiscalização, que apresentou os valores que apurou como corretos, fez comparação com os valores declarados pela fiscalizada, e apurou o que ainda era devido; que a impugnante deveria ter contraposto só cálculos realizados pela fiscalização, apontando, um a um, item a item, onde estavam certos, onde estavam errados; mas não o fez; apenas, a título de amostragem, afirmou estarem errados os cálculos da fiscalização. Assim, considero não provadas as alegações da impugnante; Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que, no que diz respeito a situação tributaria dos tributos IRPJ e CSLL, é de se dizer, que há da impugnante no cálculo dos tributos, e a fiscalização está correta, em relação à competência março/2005; que para a competência setembro/2005, há erro no preenchimento da declaração, mas a impugnante alega que o tributo devido fora pago, conforme DARF em anexo; ocorre que até o momento esta alegação não fora comprovada; que a discussão acerca da utilização da taxa de juros da SELIC, ou seja, o questionamento acerca da utilização da taxa de juros SELIC encontrase, no âmbito administrativo fiscal, exaurido através das Súmulas n° 04 e 05 do CARF. Sendo assim, a utilização dos juros da SELIC na correção do saldo devedor é correto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 SOLIDARIEDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. RESPONSABILIDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica constituída pela fusão de outros, ou em decorrência de cisão de sociedade respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas. RESPONSABILIDADE POR CISÃO. INÍCIO E FIM DOS EFEITOS. É responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporada. IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova incumbe ao autor, quando ao fato constitutivo do seu direito; no caso a fiscalização, ou ao réu, no caso, impugnante, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar da sujeição passiva a empresa GONÇALVES COMPANHIA, CNPJ 06.225.625/000138, como responsável solidário dos créditos tributários devidos pela empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ 34.748.558/000171, para os fatos geradores ocorridos após o dia 07/06/2004. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 01/06/2011, conforme Termo constante às fls. 562/563, e, com ela não se conformando, o responsável solidário Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 6 9 SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA. interpôs, em tempo hábil (30/06/2011), o recurso voluntário de fls. 566/570, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a recorrente foi mantida como responsável solidária dos débitos até 07/06/2004, em razão de ter surgido através do processo de cisão parcial da empresa autuada nessa data, o que não pode ser aceito; que como fundamento do direito da recorrente ter seu nome retirado do presente processo citamos o artigo 133 do Código tributário Nacional, que regulamenta a responsabilidade tributária nos casos de sucessão por transferência de bens; que que, sendo subsidiaria a responsabilidade da impugnação pelos débitos da cindida anteriores à cisão, o fisco deve exigir o pagamento diretamente da empresa SG SUPERMERCADOS, reservando o seu direito de cobrar da impugnante esses débitos anteriores à separação somente se aquela for insolvente, desaparecer ou tomar impraticável a cobrança, o que não é definitivamente o caso, e aliás, não foi provado. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/05/2011, conforme Termo constante às fls. 556/560, e, com ela não se conformando, o contribuinte autuado SG SUPERMERCADOS LTDA. interpôs, intempestivamente (30/06/2011), o recurso voluntário de fls. 572/581, instruído pelos documentos de fls. 581/611, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, a tempestividade do recurso, podese, observar, que o Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que os prazos serão contínuos, excluindose da contagem o dia de inicio, incluindose o do vencimento. Os prazos iniciam e vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. O recorrente foi intimado da decisão recorrida no dia 01/06/2011. Assim, a contagem do prazo iniciase dia 02/06/2011, com término no dia 01/07/2011; que, do lançamento de IRPJ e CSLL dos meses e março e setembro do ano de 2005, sob alegação de que foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados; que, não pode prevalecer o lançamento em razão apenas da falta de obrigação acessória de declaração, vez que os tributos, obrigação principal, foram devidamente recolhidos em seu tempo correto. Assim, deve ser cancelada essa parte do lançamento, vez que a importância exigida se encontra paga; que, e totalmente improcedente o lançamento do PIS e da COFINS, não existindo as divergências apontadas pela fiscalização; que, da apuração dos créditos, podese, observar, através de planilha de “demonstrativo dos créditos sobre compras”, a fiscalização apurou os créditos de PIS e COFINS que a empresa teria para descontar dos valores devidos dessas contribuições; Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que, existem equívocos nessas apurações, reduzindo os reais créditos da empresa, o que deve ser corrigido, levando, por conseqüência, ao cancelamento de quase todo auto de infração; que, o primeiro erro da agente fiscal referese ao valor das compras das mercadorias consideradas em seu levantamento. Referida apuração foi feita através dos valores informados no balancete da empresa; que, ocorre que a empresa lança nos balancetes o valor líquido das compras, já excluindo o ICMS incidente sobre a operação, não sendo correto, assim, a utilização de tais valores na apuração do crédito; que, o credito do PIS e da COFINS deve ser calculado sobre os valores brutos das compras, incluído o ICMS. Tais valores estão devidamente informados no livro de apuração de ICMS, o qual deveria ter sido utilizado para a referida apuração; que, de ser refeito o demonstrativo dos créditos sobre as empresas, colocando no campo compras de mercadoria o valor bruto, incluindo o ICMS, o qual consta no livro fiscal de apuração; que, cabe dizer que para apurar a COFINS e o PIS devidos foi utilizado o valor bruto de vendas, com a inclusão do ICMS, gerando um tratamento desigual que não pode ser aceito; que, esse erro ocorreu em todo o período de apuração, o que pode ser verificado por simples análise dos livros de apuração anexados, devendo ser retificados tais valores na apuração do crédito do PIS e da COFINS; que, esse equívoco acontece em todos os meses que ocorreu devolução de compras, quais sejam: abril, maio, agosto, outubro e novembro de 2003; janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro de 2004; janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro de 2005; janeiro, fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro de 2006; e janeiro, fevereiro, abril, maio, julho de 2007; que, das vendas com substituição tributária, o agente fiscal, na apuração do PIS do período de março de 2003 a junho de 2004, considerou como dedução da base de cálculo dos tributos as vendas de mercadorias por substituição tributária, fazendo o levantamento com base nas entradas de mercadorias tributadas por substituição tributaria; que, acontece que o mesmo deve ocorrer também nos períodos seguintes, ou seja, de julho de 2004 a julho de 2007, vez que a Recorrente continuou comprando e vendendo produtos tributados por substituição tributaria; que, tais valores devem deduzir a base de cálculo do PIS e da COFINS, sob pena de exigir pagamento em duplicidade; que, o valor que deve ser utilizado como dedução da base de cálculo na apuração do PIS e COFINS, no período mencionado, é o valor constante na soma final de cada mês (total 01 + total 03); que, dos equívocos na apuração de saída, além dos equívocos já comprovados, que devem ser retificados, o agente fiscal também cometeu outro equivoco ao apurar o PIS e COFINS do ano 2006 e 2007, ao incluir na base de cálculo saída de mercadorias que possui alíquota zero ou são isentas de PIS e COFINS, o que é indevido. Incluiu também Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 7 11 saídas cuja tributação é monofásica, as quais também não poderiam constar dessa base de cálculo; que, pelos relatórios anexados, verificamos que foi incluída pela fiscalização, na base de cálculo do PIS e COFINS do ano de 2006, saídas no importe de R$ 4.216.473,80 que não são tributadas dessas contribuições, devendo ser retirado da apuração do fisco; que, no ano de 2007, foi incluída pela fiscalização na base de cálculo do PIS e COFINS, saídas no importe de 2.772.284, 34 que também não são tributadas dessas contribuições, devendo ser retirado da apuração do fisco; que, da compensação, após as correções das folhas da apuração citadas no itens 4.1, 4.2 e 4.3, ainda existir débito de PIS e COFINS a pagar, o que não acreditamos e colocamos como suposição, deve ser ele compensado com os créditos da Recorrente apurados pela própria agente fiscal; que, tal medida deve ser tomada até mesmo em atendimento ao principio da verdade material e da eficiência, que regem o processo administrativo e a atividade do administrador público; que, da diligencia fiscal, para que seja feita a justiça fiscal, que é o objeto desse Conselho de Recursos Fiscais, caso ache necessário, Requer que baixe o processo em diligencia, para que outro auditor fiscal verificando nos livros fiscais da empresa, Confirme as falhas da fiscalização levantadas nesse recuso, tais como não exclusão das vendas de alíquota zero na apuração do PIS e COFINS de 2006 e 2007, assim como cálculo equivocado de crédito, vez que foi utilizado valor líquido e não o bruto como determina a Lei. É o relatório. Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE: Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Impõese, assim, necessário verificar se, em verdade, houve ou não apresentação tempestiva do recurso voluntário, bem como se existe alguma justificativa razoável para se processar o recurso voluntário em outra data, senão aquela original prevista na legislação de regência. Ao tratar da intimação o Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972 e suas alterações posteriores) se manifesta da seguinte forma: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 8 13 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Pela análise preliminar das peças processuais é possível se inferir, a primeira vista, que os fatos ocorreram da forma abaixo discriminada, e por via de conseqüência com o resultado previsível ali exposto. Senão, vejamos. A decisão proferida pela Primeira Instância foi encaminhada via correio, com emissão de AR, com ciência, em 20/05/2011, uma sextafeira, conforme consta às 556/560. O marco inicial para a contagem do prazo se deu em 23/05/2011, uma segundafeira. Portanto, o prazo final para apresentação da defesa encerrarseia no dia 21/06/2011, uma terçafeira, dia expediente normal na repartição de origem. Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 A peça recursal, foi protocolizada, somente, em 30/06/2011, uma quinta feira, conforme consta às fls. 572, portanto, fora do prazo fatal. Ora, não há mais nada para se discutir, o recorrente foi cientificado em 20/05/2011 da decisão. É indiscutível que o prazo para apresentar a peça recursal é de trinta dias, contados na forma do disposto no artigo 5º, parágrafo único, do Decreto n.º 70.235, de 1972, combinado com o art. 33 do mesmo Decreto. Por tal imposição legal o termo final seria 21/06/2011, sendo que o suplicante apresentou a sua peça recursal em 30/06/2011, fora do prazo regulamentar. Desta forma, não se instaurou a fase litigiosa do processo na Segunda Instância, como dispõe o artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e, após isto, qualquer ato de defesa ou decisória é ineficaz. Ou seja, se o sujeito passivo, no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de Primeira Instância, não se apresentar no processo para se manifestar pelo pagamento ou para interpor recurso voluntário para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre a perempção. Daí sua intempestividade. Nestes termos, posicionome no sentido de negar conhecimento ao recurso voluntário, por extemporânea a peça recursal. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 566/570), interposto por SUPERMERCADO GONÇALVES, CNPJ nº 34.748.558/000171, contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA. O presente trata da responsabilidade solidária, em razão da cisão parcial da empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ nº 34.748.558/000171, resultado na empresa SUPERMERCADO GONÇALVES, CNPJ nº 06.225.625/000138. A decisão recorrida decidiu, por unanimidade de votos, afastar da sujeição passiva a empresa GONÇALVES COMPANHIA, CNPJ nº 06.225.625/000138, como responsável solidário dos créditos tributários devidos pela empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ nº 34.748.558/000171, para os fatos geradores ocorridos após o dia 07/06/2004. Inconformado com a decisão o responsável solidário apresente o seu recurso voluntário onde sustenta, basicamente, que sendo subsidiaria a responsabilidade da impugnação pelos débitos da cindida anteriores à cisão, o fisco deve exigir o pagamento diretamente da empresa SG SUPERMERCADOS, reservando o seu direito de cobrar da impugnante esses débitos anteriores à separação somente se aquela for insolvente, desaparecer ou tomar impraticável a cobrança, o que não é definitivamente o caso, e aliás, não foi provado. De início, entendo que a validade (ou não) da indicação de uma terceira pessoa como responsável solidário, em lançamento de ofício, em situações como a deste Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 9 15 processo, comporta discussão no âmbito do Processo Administrativo. É que a identificação do sujeito passivo, e é disso que se trata neste caso, é parte do procedimento administrativo do lançamento, contra o qual é garantido aos apontados sujeitos passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Não há dúvidas de que a autoridade administrativa quanto a esse aspecto da matéria tributária é passível de contestação, da mesma forma que os demais aspectos do lançamento, sendo legítimos para se opor às conclusões da autoridade lançadora os indigitados responsáveis solidários. Quanto ao mérito da questão, cumpre assinalar, de início, que a sujeição passiva tributária, sendo elemento essencial do lançamento, se subordina ao princípio da legalidade estrita. É dizer, as possibilidades de sujeição passiva se submetem aos limites e às condições definidas em lei. Pois bem, o Código Tributário Nacional – CTN, assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, se manifesta da seguinte forma: RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Art. 207. respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º: I – a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 II – a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III – a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; IV – a pessoa física da pessoa jurídica extinta mediante liquidação, ou seu espólio, que continuar a exploração da atividade social, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual; V – os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação; Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º, § 1º): I – as sociedades que receberem parcelas do patrimônio da pessoa jurídica extinta por cisão; II – a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; III – os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V. A doutrina caminha unida no entendimento que essa relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador corresponde à própria realização do fato gerador. Isso é particularmente claro quanto aos fatos geradores definidos em função de estado da pessoa, isto é, ser proprietário de imóvel, importar mercadoria, obter a disponibilidade de renda, etc. Assim, o sujeito passivo emerge da própria definição do fato gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, “é no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência que colhemos elementos informadores para a determinação do sujeito passivo.” A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do Código Tributário Nacional só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, o art. 124 do Código Tributário Nacional, conforme se constata às fls. 316/317. Passo ao exame desse dispositivo. Reza o art. 124, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Cuidase no caso, da hipótese referida no inciso II, e este deve ser interpretado em conformidade com os limites estabelecidos no art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 10 17 àquelas que têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária. Assim, a tese do recorrente não merece prosperar, já que o art. 133 do Código Tributário Nacional, se aplica aos casos em que há “aquisição do fundo de comércio”, ao passo que o disposto no art. 207, § único, II do Decreto 3.000, de 1999 se aplica ao caso de cisão, que é o que houve de fato e de direito nos presentes autos. Desta forma, está correta a apresentação da empresa SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA., CNPJ nº 06.225.625/000138, como responsável solidária dos créditos tributários devidos pela empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ nº 34.748.558/000171, até o ato da cisão que ocorreu, em 07/06/2004, através da vigésima sexta alteração contratual da empresa SG SUPERMERCADOS. Logo esta é a data limite para se considerar como “solidárias” as empresas acima citadas. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pelo coobrigado e não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo, por perempção. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 19515.003401/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/04/2004
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO/COMPENSADO EM DCOMP.
Correto o cancelamento de lançamento de ofício de crédito tributário declarado e compensado, mediante a apresentação de Declaração de Compensação, em data anterior à do lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/04/2004 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO/COMPENSADO EM DCOMP. Correto o cancelamento de lançamento de ofício de crédito tributário declarado e compensado, mediante a apresentação de Declaração de Compensação, em data anterior à do lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 01 /2 00 7- 24 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recursos de ofício interposto pela DRJ em São Paulo I, capital, contra sua própria decisão que julgou procedente a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com incidência não cumulativa, referente ao fato gerador ocorrido no mês de abril de 2004. O lançamento decorreu do fato de a autoridade competente não ter admitido a compensação do débito declarada na Dcomp nº 35942.56382.140504.1357.5939, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 79 e Termo de Constatação às fls. 72/74. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento (fls. 84/101), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “... que é detentora de crédito apto para fins de compensação, pois na ação judicial 94.00225865 foi reconhecido seu direito de compensar Finsocial recolhido acima da alíquota de 0,5%; de que a autuação fiscal ‘está eivada do vicio da nulidade (...) em manifesta afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa’ (fl. 84), pois ‘os supostos débitos apontados pela d. fiscalização não foram discriminados no Termo de Constatação Fiscal, conforme exigência do artigo 142 do Código Tributário Nacional (...)’ (fl. 84); de que nos autos do processo de execução fiscal 2007.82.01.426081, ajuizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, foi proferida decisão anulando o processo executivo diante da constatação da existência de trânsito em julgado das decisões judiciais que reconheceram o direito da Impugnante efetuar compensação; de que a Fiscalização considerou insuficiente o crédito da Impugnante para fins de compensação de importâncias recolhidas a título de Finsocial, mas que tal entendimento não merece prosperar porquanto os permissivos jurisdicionais disponibilizaram à Impugnante a inclusão de expurgos inflacionários e a atualização do indébito com juros de mora; de que, como alternativa de cálculo em compensação, no aproveitamento do indébito devese amortizar inicialmente os juros e depois o principal; e de que a multa de oficio, com base no principio da retroatividade benigna, foi derrogada pelo art. 18 da Lei 10.833/03, haja vista que esta limitou o lançamento de oficio tratado no art. 90 da Medida Provisória 2.15835 (dispositivo este voltado para a compensação indevida ou não comprovada) a aplicação da multa de caráter isolado em certas hipóteses nas quais não se inclui o caso do Auto de Infração guerreado.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente e cancelou o lançamento, conforme acórdão nº 1627.613, datado de 04/11/2010, às fls. 275/279, sob as seguintes ementas: “NULIDADE. DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. AUTO DE INFRAÇÃO. DISPENSABILIDADE. Reputase dispensável o Lançamento da exação lançada quando esta foi objeto de declaração de compensação apresentada antes do inicio do procedimento fiscal.” Por ter exonerado crédito tributário (contribuição e respectiva multa de ofício), em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu de ofício de sua decisão, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 34, inciso I, c/c a Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, art. 2º. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.003401/200724 Acórdão n.º 3301001.927 S3C3T1 Fl. 319 3 Cientificada dessa decisão, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O cancelamento do lançamento de ofício pela autoridade julgadora de primeira instância teve como fundamento o fato de a contribuição, ora exigida, ter sido declarada e compensada pela recorrente, mediante a transmissão da Dcomp nº 35942.56382.140504.1357.5939, objeto do processo administrativo nº 10880.720840/200681, em trâmite nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). De acordo com a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, a Declaração de Compensação (Dcomp) é instrumento de confissão de divida, instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário confessado, assim dispondo: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...]. §º 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. [...].” Conforme demonstrado e provado na decisão recorrida, a contribuição, objeto do lançamento em discussão, foi declarada e compensada, mediante a apresentação da Dcomp nº 35942.56382.140504.1357.5939, objeto do processo administrativo nº 10880.720840/2006 81, em trâmite nesse (CARF). Caso a decisão definitiva naquele processo seja favorável à recorrente, a contribuição em discussão, compensada mediante àquela Dcomp, será homologada, se desfavorável será exigida por meio daquele processo. Dessa forma, correto o cancelamento do lançamento em discussão pela autoridade julgadora de primeira instância. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13982.001824/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
AUTO-DE-INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IRREGULARIDADES OMISSÕES INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AUTO-DE-INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IRREGULARIDADES OMISSÕES INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 292 1 291 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.001824/200806 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.611 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente LOCADORA DE MÃO DE OBRA IRMÃOS TONIAZZO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AUTODEINFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IRREGULARIDADES OMISSÕES INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 18 24 /2 00 8- 06 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 15/12/2008, com ciência em 17/12/2008, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, no período de 01/2004 a 12/2007. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls. 62/67, a autuada, apresentou os Livros Diário e Razão com omissões de lançamentos acerca de acordos firmados na Justiça do Trabalho, de notas fiscais de prestação de serviço, além de lançar operações fictícias de crédito junto a bancos (Banrisul S/A e Caixa Econômica Federal) que nunca se realizaram e despesas fictícias como combustível e lubrificantes, sendo que não possui veículos. Ainda, no período de 2004 a 2006, omitiu na sua contabilidade a movimentação bancária mantida junto ao Banco o Estado de Santa Catarina S/A, conforme dados de CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, relativa a esses exercícios. Após a impugnação, Acórdão de fls. 89/91, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese: a) que está passando por sérias dificuldades financeiras, que comprou a empresa após a fiscalização ter se realizado, que a atual sócia foi ludibriada pelos antigos proprietários, que não sabia estar em débito com a receita, discorre sobre toda a situação que enfrentou até encerrar as atividades em 2009, para dizer da ilegitimidade da parte; b) que apresentou todos os documentos solicitados, sendo descabida a cobrança dos créditos tributários; c) que os erros e omissões foram realizados pelo profissional de contabilidade contratado pela recorrente; d) que as contribuições previdenciárias foram todas recolhidas. Requer o cancelamento do lançamento, ou a compensação dos créditos fiscais com valores retidos, ou a restituição dos valores existentes como sobra de retenções, a declaração de que nada deve à Receita; que o débito seja cobrado do proprietário da época dos fatos. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 293 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos não vislumbro a tese de ilegitimidade passiva, pois conforme atestam os contratos sociais colacionados, não houve qualquer solução de continuidade da empresa que permanece com a mesma razão social e atividade no período da autuação. Os representantes legais da autuada constam por período, no REPLEG – Relatório de Representantes Legais, às fls. 04 e no Relatório Vínculos Relação de Vínculos às fls. 05. Quanto a alegação de que as contribuições previdenciárias estão todas recolhidas, cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No caso presente, foi descumprida a obrigação acessória, porque os livros contábeis apresentados pela recorrente continham omissões e irregularidades, afrontando a legislação vigente. A atividade fiscal possui caráter vinculatório não existindo a possibilidade da escolha entre o cumprimento de determinada lei ou não, e a Administração Pública, em decorrência do art. 37 da Constituição Federal, deve obediência ao princípio da legalidade. O professor Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais,1991, 16ª ed. atual. pela constituição de 1988, 2ª tiragem, p.78), nos diz: “A legalidade como princípio de administração (Const.Rep., art. 37,caput), significa que o administrador está, em toda sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. “A eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.” “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa ‘pode fazer assim’, para o administrador público significa ‘deve fazer assim.” Portanto, ao se deparar com os Livros contábeis, Diário e Razão, com inúmeras irregularidades, descritas pormenorizadamente no relatório fiscal da autuação, às fls.62/67, não restou outra alternativa ao Fisco que não fosse a lavratura do pertinente Auto de Infração. A seguir transcrevo parte da decisão recorrida, onde constam as irregularidades encontradas: que não consta o registro contábil de valores pagos a segurados empregados que efetuaram acordos na Justiça do Trabalho, referentes as ações trabalhistas 012292005, 002462005, e 006052004, arquivadas na Vara da Justiça do Trabalho de Concórdia/SC. Que na competência 12/2004, não foram contabilizadas notas fiscais de prestação de serviço que totalizaram o valor de R$ 74.029,50 e apresenta documentos em anexo que comprovam este fato. Relata operação fictícia de crédito no valor de R$ 35.000,00, i registrada na contabilidade em 01/08/2005, de R$ 64.587,00 em 03/01/2006 , de 37.274,86 em 31/03/2006, de R$ 51.350,00 em 03/04/2006 e R$ 5.800,00 em 26/12/2006, sendo que os valores não ingressaram na conta corrente bancária relativas aos bancos envolvidos. Cita que as operações se configuram como empréstimo fictício para cobrir omissão de receitas e junta documentos para comprovação dos fatos apurados. Acusa o desaparecimento de saldo bancário da conta "13Banrisul S/A na abertura do exercício de 2006 e anexa comprovante. Consta registro contábil de pagamento de empréstimo junto a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 64.587,00 que não ocorreu, conforme exame no extrato de conta Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 294 5 corrente bancária. Que o exercício contábil de 2006 foi encerrado com empréstimo fictício no valor de R$ 28.815,58 junto a Caixa Econômica Federal e de R$ 73.297,43 relativo ao Banrisul S/A. Que em 2004 e 2006 foi lançado despesas fictícias na contabilidade da empresa sem a devida comprovação, tais como despesa com combustível e lubrificantes sendo que a empresa não possui nenhum veículo em seu imobilizado. Apresenta quadro com valores que foram registrados a este título. que os valores foram contabilizados no final do mês para evitar o aumento exagerado da conta Caixa. Relata diversas operações de empréstimos e pagamentos realizados junto a Caixa Econômica Federal e no Banrisul S/A, sendo que na realidade estas movimentações financeiras não foram realizadas, conforme exame nos extratos de conta corrente. Apresenta quadro demonstrativo dos valores fictícios, durante o exercício de 2007, sendo que os saldos finais dos exercícios registrados na contabilidade não são reais. Informa que nos exercícios sociais de 2004 a 2006 a empresa omitiu em sua contabilidade a movimentação bancária mantida junto ao Banco do Estado de Santa Catarina S/A — BESC, conforme dados de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira — CPMF relativas a estes exercícios. Ao apresentar os livros legais com irregularidades intrínsecas, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 233,parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, que conceitua documento deficiente: Lei n.º 8.212/91 Art.33 (...) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Portanto, aqui não se trata da falta de apresentação de documentos como diz a recorrente, mas sim da sua apresentação deficiente, eis que os livros contábeis apresentados continham omissões e informações diversas da realidade, conforme ampla e comprovadamente apontado pelo Fisco, e que não foram sequer contraditadas pela autuada. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da contabilidade possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, uma vez que a fiscalização atesta que houveram inúmeras irregularidades nos livros apresentados pela recorrente, que não se manifestou sobre o assunto, limitandose a discorrer sobre a situação de penúria da empresa. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 77 de 11/03/2008, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 295 7 As solicitações da recorrente quanto à compensação ou restituição de valores retidos que venham a ser apurados para quitar o presente débito, que a cobrança seja feita dos sócios anteriores e que lhe seja expedida certidão de regularidade pela Receita Federal, são improcedentes porque alheias ao presente auto de infração por descumprimento de obrigação acessória fugindo da competência deste colegiado. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10283.003803/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
IMPOSTO DE RENDA. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇA DE RECOLHIMENTOS. JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA APONTADA COMO DEVIDA TINHA SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DE PERÍODO ANTERIOR. RECURSO PROVIDO.
Diante da diligência que concluiu pela inexistência de imposto a pagar em virtude de que o valor alegadamente devido tinha sido objeto de compensação com saldo de exercício anterior, cabe dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 IMPOSTO DE RENDA. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇA DE RECOLHIMENTOS. JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA APONTADA COMO DEVIDA TINHA SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DE PERÍODO ANTERIOR. RECURSO PROVIDO. Diante da diligência que concluiu pela inexistência de imposto a pagar em virtude de que o valor alegadamente devido tinha sido objeto de compensação com saldo de exercício anterior, cabe dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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ALEGAÇÃO DE DIFERENÇA DE RECOLHIMENTOS. JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA APONTADA COMO DEVIDA TINHA SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DE PERÍODO ANTERIOR. RECURSO PROVIDO. Diante da diligência que concluiu pela inexistência de imposto a pagar em virtude de que o valor alegadamente devido tinha sido objeto de compensação com saldo de exercício anterior, cabe dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 38 03 /2 00 5- 63 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fl. 22), notificado à parte recorrente em 9/8/2005 (fl. 29), indicando as infrações abaixo relacionadas: 001 Falta de recolhimento/declaração do imposto de renda insuficiência de recolhimento ou declaração Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2001 171.693,81 75% A infração imputada à recorrente encontrase assim descrita (fl. 23): Em procedimento de análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa , Jurídica DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF entregues pelo contribuinte, foi verificado que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1 informado na DIPJ estava superior ao declarado na DCTF, ensejando o lançamento da diferença apurada. Na ficha 12 (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) da DIPJ/2002, ano calendário 2001, o contribuinte apurou um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 171.639,81, já deduzidos os valores relativos ao Programa de Alimentação dc Trabalhador (linha 5), isenção ou redução do imposto (linha 10), Imposto de Renda retido na fonte (linha 13) e Imposto de Renda mensal pago por estimativa (linha 16). 0 débito correspondente ao saldo do imposto apurado em 31 de dezembro do ano calendário 2001 (ajuste) deveria ter sido declarado em separado na DCTF do trimestre do anocalendário 2002 e pago em quota única, até o último dia útil do mês de março de 2002. Por meio de consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal SRF examinamos SRF, examinamos as DCTF apresentadas pelo contribuinte, relativas ao ano calendário 2001 e 1º o trimestre do anocalendário 2002, e verificamos que, em relação ao IRPJ, só haviam sido declarados os valores correspondentes ao imposto pago por estimativa (Cód. | Receita: 2362), no valor total de R$ 222.112,66. Este valor foi aproveitado como dedução na ficha 12 da DIPJ/2002. Também fizemos consultas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte e não localizamos nenhum pagamento com o código de receita 2430, a ser utilizado no recolhimento do IRPJ apurado na declaração de ajuste pelas empresas obrigadas a apurar o lucro real. Consultamos ainda outros códigos de receita, como 2456 e 2390, os quais J são destinados a outros tipos de empresas, mas também não encontramos pagamentos. Diante do exposto, com o intuito de regularizar o valor do IRPJ ainda não i declarado em DCTF, efetuamos o lançamento do saldo de imposto a pagar apurado na J linha 18 da ficha 12 da DIPJ/2002. Notificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 32 e seguintes, alegando: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 4 3 a) que ao preencher a linha 13 da FICHA 12A a contribuinte equivocouse. Lançou R$ 227.540,08, quando o valor correto era R$399.180,29, devidamente contabilizado na folha 839 do Livro Diário de nº 75, devidamente registrado na Junta Comercial em 2/4/2002, gerando uma diferença de R$ 171.639,81; b) como no caso se trata de lançamento feito a partir de cruzamento de dados, a contabilidade não foi intimada a prestar esclarecimentos, para apontar o citado equívoco. c) antes de compensar o imposto devido em 31/12/2001, na conta do razão contábil nº 32212 IRRF a recuperar o valor atualizado era de R$532.052,08 e após utilização para amortizar o saldo referente ao ano base de 2001, no valor de R$399.180,29, o saldo da conta acima ficou em R$132.871,79. d) em síntese, a empresa não deve imposto de renda referente ao ano base de 2001, pois utilizou créditos de imposto retido na fonte, para saldar tal débito. Neste sentido apresentou documentos e o demonstrativo de fl. 6, que transcrevo: A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento com acórdão alicerçado nos seguintes fundamentos: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 5 4 Intimada do acórdão em 15/5/2007 (fl. 80), a contribuinte, de forma tempestiva, ingressou com o recurso de fls. 109 e seguintes, alegando que a DRJ firmou entendimento de que houve retenção na fonte de 241.782,99 e não de R$ 399.180,29, como alegado pela recorrente. Contudo, para desfazer tal equívoco a recorrente faz a comprovação de que a diferença de R$ 157.397,30 é fruto de IRRF pelas instituições financeiras, conforme extratos anexos, comprovando o pagamento do imposto devido ao fisco federal. O recurso foi instruído com os seguintes documentos: a) demonstrativo de controle de IRRF utilizado na DIPJ do ano base de 2000 (fl. 123/124) b) estratos bancários do ano de 2000 relativo a aplicações financeiras (fl. 125/129) c) extratos bancários de 2001, relativos às aplicações financeiras e IRRF (132/133 d) DARFs comprobatórios do pagamento do imposto de renda (135); O processo esteve em pauta na sessão de 10/5/2010, sob a relatoria do Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, ocasião em que a turma decidiu converter o julgamento em diligência para que fiscalização verificasse a veracidade das informações e elaborasse relatório conclusivo, com intimação do contribuinte e retorno dos autos a este Conselho. O relatório da autoridade fiscal consta das fls. 227/229 e pode ser sintetizado no quadro de fl. 229, elaborado pela autoridade fiscal: Intimado do conteúdo da diligência, o advogado da contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada e está devidamente fundamentado. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Em sua defesa a contribuinte alegou que ao preencher a linha 13 da FICHA 12A equivocouse. Lançou R$227.540,08, quando o valor correto era R$399.180,29, devidamente contabilizado na folha 839 do Livro Diário de nº 75, registrado na Junta Comercial em 2/4/2002, gerando uma diferença de R$ 171.639,81. No recurso, em face do entendimento da DRJ de que o SIEF da Receita Federal indicava retenções de R$ 241.782,99 e não no montante de R$ 399.180,29, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 113/135 com o objetivo de comprovar os efetivos valores retidos na fonte e os montantes utilizados, demonstrando, com base em tais documentos, que o imposto cobrado não era devido. Colocado o processo em pauta esta Turma decidiu por converter o julgamento em diligência para que fossem conferidas as efetivas retenções e demais alegações feitas pela recorrente. Na origem, por meio da petição de fls. 152, a recorrente apresentou o Livro Razão de fls. 155/166, referente ao anocalendário de 2000. Na diligência a autoridade fiscal intimou a recorrente para que comprovasse a origem do saldo a recuperar no valor de R$ 310.560,91, no anocalendário de 2001, constante da planilha de fl. 117. Em face da diligência foram carreado aos autos os documentos de fls. 169/225. De posse dos documentos acima mencionados, indicando as receitas tributáreis e os impostos retidos, a autoridade fiscal elaborou o parecer conclusivo de fls. 227/229, a seguir transcrito: "Com o fito de solucionar o litígio e responder os questionamentos do ilustre julgador, efetuouse consulta na base de dados desta RFB a todas as retenções de IRRF, a partir de 1996 e aos valores registrados nas declarações de imposto de renda da pessoa jurídica como retenção na fonte, telas em anexo. Ressaltase que foram consideradas todas as retenções relativas a aplicações financeiras e congêneres (mercado de renda variável, operações de day trade, aplicações financeiras de renda fixa e outras). Com base nessas informações, elaborouse o demonstrativo anexo a esse relatório, no qual consta o somatório das retenções dos anos 1996 a 2001, os valores compensados na DIPJ e o saldo restante para o ano seguinte: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 7 6 No tocante ao ano de 2001, objeto do auto de infração, considerouse como retenção na fonte o valor de R$ 241.739,34, retificado pelo julgador de 1 a instância. Além disso, levouse em conta a quantia de R$ 399.180,29, compensada no anocalendário 2001, apenas nos registros contábeis, restando, ainda, um saldo de IRRF no total de R$ 12.957,65. Em síntese, o quadro de fl. 229, que transcrevi no relatório, elaborado em parecer conclusivo da autoridade fiscal, demonstra que no momento em que se considera o saldo do ano anterior, no caso R$ 170.398,60, mais o valor do IRRF de 241.739,39 e se confronta com o valor do imposto devido em 2001, em vez de tributo a pagar resta saldo de R$ 12.957,65 para ser compensado no ano seguinte. ISSO POSTO, dou provimento ao recurso para cancelar o lançamento. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10280.722119/2009-38
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORREÊNCIA.
Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão.
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não se deve conhecer do recurso interposto quanto se trata de discussão de matéria estranha à lide.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Quando o contribuinte conseguir demonstrar a área de reserva legal através de provas inequívocas, como o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, o que deve prevalecer é a verdade material.
No caso em concreto o contribuinte não conseguiu fazer essa prova.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua - VTN declarado, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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NULIDADE. INOCORREÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se deve conhecer do recurso interposto quanto se trata de discussão de matéria estranha à lide. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Quando o contribuinte conseguir demonstrar a área de reserva legal através de provas inequívocas, como o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, o que deve prevalecer é a verdade material. No caso em concreto o contribuinte não conseguiu fazer essa prova. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 19 /2 00 9- 38 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 125 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00212/2009 de fls. 01/04, emitida em 13.07.2009, a contribuinte identificada no preâmbulo foi intimada a recolher o crédito tributário, no montante de R$34.265,26, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2006, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Manacá II”, cadastrado na RFB sob o nº 6.412.8326, com área declarada de 8.712,0 ha, localizado no Município de Moju/PA. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2006 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00026/2009 de fls. 05/07, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Identificação do contribuinte; 2º matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR – do INCRA; 4º documentos que comprovem as áreas ocupadas com benfeitorias declaradas, tal como Laudo elaborado por Engenheiro Agrônomo, acompanhado de ART registrada no Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 126 3 CREA, discriminando as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel em 01.01.2006, nos termos da alínea “a” do inciso IV, do §1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 e art. 17 do Decreto nº 4.382/02 (RITR); 5º Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2006, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2006. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte protocolou correspondência de fls. 14, acompanhada dos documentos de fls. 15/31. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2006, a fiscalização resolveu glosar a área ocupada com benfeitorias de 2.100,0 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$50.000,00 (R$5,74/ha), que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$519.757,00 (R$59,66/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$16.519,75, conforme demonstrado às fls. 01 e 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 16.07.2009, às fls. 32 e 34, ingressou a contribuinte, em 10.08.2009, às fls. 35, com sua impugnação de fls. 35/46, instruída com os documentos de fls. 47/50, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: entende que houve erro na base de cálculo e na alíquota do ITR, posto que declarou a área total do imóvel de 8.712,0 ha e áreas de preservação permanente de 4.356,0 ha; afirma que foi apresentada uma cópia autêntica da certidão de averbação da área constituída exclusivamente como reserva legal, correspondente ao mínimo de 80% da superfície do imóvel, e essa averbação teria ocorrido em 04.05.2006, ocorre que a Lei nº 10.267/2001, regulamentada pelo Decreto nº Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 127 4 4.449/2002, alterado pelo Decreto nº 5.570/2006, criou o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais, tornando obrigatório o georreferenciamento do imóvel, condição essa necessária para que se realize qualquer alteração cartorial da propriedade, informando que não apresentou o georrefenciamento do imóvel, tornando a averbação insubsistente para fins de isenção da área de reserva legal; informa que declarou um VTN de R$25.000,00, e, que intimado a apresentar Laudo de Avaliação, para comprovação do VTN declarado, solicitou prazo, que foi concedido, e, em expediente de 28.11.2008, informa a impossibilidade de proceder à avaliação do imóvel e solicita que a avaliação seja feita pela fiscalização; preliminarmente, há que ser impugnado o lançamento, quando a própria fiscalização reconhece e declara no corpo da Notificação de Lançamento que a averbação a que se refere a área ocorrera em 04.05.2006, sendo certo que os documentos que instruíram o cadastramento em tela indicam uma Escritura Pública de Compra e Venda, datada de 05.04.2006, ocasião em que a impugnante passou a fazer frente a propriedade do imóvel, sendo incontestável que anteriormente a essa nada tinha ela com mencionada área; entende que não há nenhum embasamento que pudesse dar azo a qualquer interpretação, simplesmente por não ter atendido a intimação da Receita, em decorrência de não apresentar Laudo Técnico, em virtude das terras estarem ocupadas por terceiros; ressalta que, as menções de lançamento efetivado pela fiscalização referente ao ano de 2006, não passam de mera elucubração do agente fiscal, sendo nulo de pleno direito; discorre sobre teorias gerais do Direito e considera que o Direito não pode ser aplicado sem a formação do contraditório; entende, quanto ao mérito, o inequívoco erro na capitulação das supostas infrações fiscais, que teriam sido perpetradas, em tese, pela contribuinte; entende, ainda, que não soube o Fisco, diante da inexatidão e da insuficiência do método presuntivo aplicado, conduzir sua crítica a essa operação a partir de pressupostos inválidos, questionando de onde teria sido buscado o lançamento do exercício de 2006, aduzindo que a presunção do Fisco é de pouca validade no âmbito da aplicação do direito tributário; considera, desde logo, que a declaração de invalidade constitucional do auto de infração é um imperativo em guarda das supremas normas do Estado de Direito; salienta que o art. 110 do CTN prescreve que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos e conceitos e formas do direito privado utilizado pela constituição Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 128 5 ou por leis superiores para definir ou limitar competências tributárias; ressalta que a presunção é um meio especial de prova, consistente em um raciocínio que, do exame de um fato conhecido, conclui pela existência de um fato ignorado, e, portanto, seriam consequências que o aplicador da lei extrai de um fato conhecido para determinar um fato ignorado; considera que o Fisco deve motivar analiticamente os lançamentos, isto é, deve provar a investigação procedida sob pena de nulidade, concluindo que é vedado o emprego das presunções em direito tributário, não tendo o Fisco qualquer poder discricionário nessa matéria, porquanto o objetivo do lançamento é exclusivamente declarar o resultado da rigorosa aplicação da lei a determinados fatos; observa que a obrigatoriedade da prova e contraprova, análise de dados e fatos, investigações e levantamentos, minuciosamente dispostos pela lei, tem em mira garantir não a prevalência da opinião dos agentes fiscais ou mesmo do interesse do estado (considerado como parte no processo), mas do interesse público consistente na rigorosa observância da lei; ressalta que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão e isto não ocorreu; considera que o CTN prevê a interpretação mais benéfica ao contribuinte, principalmente nos casos de aplicações de sanções, é o que desde logo se requer; considera, também, que foi intimada a apresentar laudo de avaliação que pudesse comprovar a área de reserva de 80% da área total do imóvel, contudo, conforme documentos comprobatórios de contratação da profissional Ana Raquel Lima de Araújo, com a incumbência de proceder ao levantamento geral da área em questão, se dirigiram ao local e não lograram êxito na empreitada, uma vez que foram impossibilitados de adentrar na área por fazendeiros que ali se instalaram, ocasião registraram Boletim de Ocorrência Policial, relatando os fatos, e requer a juntada de uma cópia de respectiva fatura de contratação dos engenheiros; entende que, se o local se refere as glebas com títulos distribuídos pelo Governo do Estado do Pará, por meio do Instituto de Terras do Pará, não seria possível a superposição de várias fazendas no mesmo espaço útil, sendo certo que não pode a impugnante arcar com ônus tributários e penalizadores de uma área que não detém nem a posse nem a tradição; considera que, como pode ser observado pelos documentos do processo movimentado junto à SECAT (2006/385505), o governo do Estado do Pará informa que a documentação da impugnante está lastreada em títulos outorgados pelo Governo do Estado, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 129 6 porém, na mesma área existem requerimento de outros títulos em favor de comunidade São Domingos Alto Tabocal 2006/133141, Alfredo Hélio Pereira TD.N.23, Edsom Muniz de Queiroz TD nº 21, Luiz Vicente Pereira dos Santos TD.N.20, Almey Lisboa Pereira dos Santos TD.n. 25 e fazenda Alto Cararí; ressalta que o mapa da situação elaborado pelo Estado do Pará demonstra a superposição de áreas, conforme cópia que se requer juntada; salienta que não pode prevalecer a imposição de multa e tampouco o lançamento tributário onde a área, que inicialmente fora considerada boa, pois titulada pelo próprio Governo do Estado do Pará, e agora se apresenta como inexistente, conforme superposições apresentadas pelo Governo do mesmo Estado; observa que, em decorrência das circunstâncias expostas, tem sido julgada pelos tribunais administrativos, insubsistente a penalidade quando o contribuinte, em caso de impossibilidade material e força maior, não fornecem os elementos solicitados na intimação, determinandose o cancelamento do auto de infração, os quais são importantes precedentes para o contribuinte que estiver em idêntica situação; ante a demonstração da insubsistência da autuação e em sendo injustificada e indevida a aplicação da sanção imposta, clama por justiça e sob o manto dos princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados pela Constituição da República, pleiteia que o ato impugnado seja julgado IMPROCEDENTE, com desconstituição tanto da multa aplicada do lançamento do imposto, com o cancelamento da exigência fiscal; por fim, em caso de ser julgado procedente o termo, o que se admite apenas como forma de raciocínio, requerse, igualmente, a aplicação por equidade, relevandose a aplicação de qualquer penalidade. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 60/77, que restou assim ementado: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 130 7 DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto a distribuição das áreas do imóvel, que não é objeto da lide. DAS ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS A aceitação para fins de cálculo do ITR de áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel somente é possível quando apresentada prova documental hábil. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, caracterizada a subavaliação do VTN, com base no SIPT, posto que o Laudo de Avaliação apresentado possui um VTN maior que o arbitrado pela fiscalização, e o seu acatamento implicaria no agravamento da exigência. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA E DOS JUROS DE MORA Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN declarado, cabe exigilo juntamente com os juros e a multa aplicados aos demais tributos Regularmente cientificada daquele acórdão em 22/08/2011 (fl. 80), a interessada, representado por sua advogada (fls. 116/117), interpôs recurso voluntário de fls. 83/115, em 21/09/2011. Em sua defesa, alega, em síntese, que: · Teve ciência de fato novo, superveniente e incontroverso, devidamente comprovado neste recurso e que muda radicalmente a situação dos autos, tendo em vista ordem do CNJ para o cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação o que leva à inexistência de fato gerador e nulidade do lançamento tributário; · A questão agrária no Estado do Pará é caótica em termos de registros e até mesmo de segurança, e chegase ao ponto de existirem registros que superam a área territorial do próprio estado o que levou a Corregedoria Nacional de Justiça a tomar decisão de extrema gravidade visando restabelecer a ordem; · O caso foi levado ao Conselho Nacional de Justiça a pedido do próprio Estado do Pará, da Procuradoria Geral do Estado, do Instituto de Terras do Pará ITERPA, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, do Ministério Público Federal, do Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 131 8 Ministério Público Estadual, da Advocacia Geral da União, da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura FETAGRI, da Comissão Pastoral da Terra CPT, solicitando providências e determinando ao TJPA a baixa de atos normativos necessários ao cancelamento administrativo das matrículas irregulares, tidas como nulas de pleno direito nos cartórios de registro de imóveis nas comarcas do interior; · Alternativamente, caso não se entenda pela nulidade, requer seja suspenso o processo, em face do tumulto processual e da situação pendente de análise pelo STF que poderá repercutir sobre este caso; · Afastadas ambas as hipóteses acima, o que se admite apenas por amor à argumentação, devolve a Recorrente a matéria de fato e de direito apresentada na defesa requerendo sejam novamente analisados os argumentos para afastar o lançamento de ofício em razão de sua inadequação diante das áreas de preservação permanente e de reserva legal e valor da terra nua declarados sobretudo diante da situação de fato apresentada; · A multa de ofício deverá também ser afastada pelo seu caráter confiscatório posto que a contribuinte não cometeu infração ao fazer as declarações sobre a área já que, para tanto, levou em consideração a situação de conflito agrário específica daquela região que afeta consideravelmente o valor da terra e a declaração perante os órgãos da Receita. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente suscita a nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, tendo em vista ordem do CNJ para o cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. Entretanto, não traz aos autos prova alguma deste fato, mas apenas notícias de decisão do Conselho Nacional de Justiça que determinou o cancelamento de títulos irregulares no Estado do Pará, possivelmente fruto de grilagem de terras públicas. Destarte, é de se rejeitar a preliminar de nulidade. Na espécie, também, não se trata de reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e da determinação do sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 132 9 No que tange à pretensa exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da incidência do ITR, verificase que consiste em matéria estranha à lide, não cabendo a esta instância se posicionar sobre tal questão, haja vista que a área de preservação permanente declarada não foi objeto de alteração pelo fisco, ou seja, foi aceita. Já a área de reserva legal sequer foi informada na DITR sob exame. Ademais, a recorrente não logrou demonstrar a existência da área de reserva legal mediante documentação comprobatória para que se reconheça o direito à isenção, qual seja: o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, conforme parágrafo 1º da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, nos termos do art. 44 da Lei nº 4.771, de 15/09/1965, com a redação dada pelo art. 1o da Medida Provisória nº 1.511, de 25/07/1996. Assim, no que diz respeito a área de reserva legal, entendo que deve prevalecer no presente caso a verdade material, e a recorrente não conseguiu trazer elementos suficientes para comprovar a reclamada área, razão pela qual não pode ser considerada para fins de exclusão da área tributável. Registrese que a recorrente não contesta a glosa da área de benfeitorias. Quanto à alteração procedida pela fiscalização do VTN, importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, na época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 133 10 a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. “ (grifos acrescidos) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629, passou a ser a seguinte: “Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 134 11 Ante a legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso, conforme atestado pela decisão de primeira instância, as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, não decorrem de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitam se ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fl. 58. Ora, o VTN médio das declarações de ITR apresentadas referentes ao município de localização do imóvel, não permitem a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto, neste tocante, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. Na mesma linha dos fundamentos expostos, como razões de decidir, cito a ementa correspondente ao seguinte precedente: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. (Ac. nº 280100.571, julgado em 17.06.2010, Rel. Cons. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) No que tange ao caráter confiscatório do crédito tributário exigido, destaque se a súmula nº 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 135 12 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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