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Numero do processo: 37216.000953/2007-37
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002
PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. REVISÃO. ARTIGO 149, CTN.
A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação.
NULIDADE
Na forma do art 61 do Decreto 70.235/72,: A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Cumpre subsidiariamente observar o preceituado no artigo 53 da Lei 9.784/99 quando prevê que ; A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para em preliminar determinar a nulidade por vicio formal. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Declarou se impedido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio De Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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NORMAS PROCEDIMENTAIS. REVISÃO. ARTIGO 149, CTN. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. NULIDADE Na forma do art 61 do Decreto 70.235/72,: “A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Cumpre subsidiariamente observar o preceituado no artigo 53 da Lei 9.784/99 quando prevê que ; “ A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para em preliminar determinar a nulidade por vicio formal. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Declarou se impedido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 6. 00 09 53 /2 00 7- 37 Fl. 6745DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio De Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 6746DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Compondo o Acórdão da decisão de primeira instância, o i. Julgador “ ad quod” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado , com grifos de minha autoria , o transcrevo na íntegra : “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.007.3134, consolidado em 19/05/2006), no valor de R$ 1.450.756,20, acrescidos de juros e multa, referente às competências 04/1999 a 12/2002, inclusive décimo terceiro salário, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 72/92), referese às contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento das aposentarias especiais, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que exercem funções as quais, conforme Laudos Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho, sujeitamse à cobrança da contribuição adicional, em virtude da exposição a agentes nocivos no meio ambiente de trabalho com níveis de concentração acima dos limites de tolerância estabelecidos. DA IMPUGNAÇÃO 2. A empresa, inconformada com o lançamento, do qual foi cientificada pessoalmente em 22/05/2006, apresentou impugnação, tempestivamente, protocolada sob nº 37216.000962/200647 em 06/06/2006 (fls. 166/185), alegando em síntese: 2.1. A tempestividade da impugnação; 2.2. A decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos de abril de 1999 a abril de 2001; 2.3. A ilegitimidade do arbitramento. Somente depois de esgotado o exame de todos os elementos de prova dos quais o contribuinte disponha é que a autoridade fiscalizadora pode lançar mão do arbitramento; 2.4. A impugnante dispõe de elementos capazes de comprovar a sua correção no pagamento da contribuição previdenciária, que serão oportunamente apresentados em perícia desde já requerida; 2.5. A exigência da especificação dos EPC e dos EPI no LTCAT somente surgiu na IN 70 de 10/05/2002, determinando que o LTCAT deveria ser elaborado de acordo com a IN 57 de 11/10/2001; Fl. 6747DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 2.6. À época da elaboração dos referidos LTCAT estavam em vigor a OS INSS/DSS 600 e a OI INSS/DSS 010, que não exigiam tal formalidade; 2.7. A obrigatoriedade para que o PPP fosse feito para todos os trabalhadores no momento da sua demissão somente surgiu com a IN 99 de 05/12/2003. No período abrangido pelo lançamento foram feitos o SB 40 ou DIRBEN 8030 somente para os empregados que os solicitaram, de acordo com a legislação da época; 2.8. Apresenta documentos discriminados nas alíneas (i), (ii), (iii), (iv) e (v) do item 54; 2.9. Que a perícia se faz indispensável à elucidação da matéria, tendo em vista que o lançamento foi feito mediante arbitramento, pelo que requer demonstrar que no período lançado não expunha seus funcionários a agentes nocivos à saúde e à integridade física, de acordo com os quesitos anexos (fls. 186). DA DILIGÊNCIA 3. Em face das razões e da documentação apresentada pela impugnante, foi determinada a realização de diligência fiscal, a fim de se apurar a necessidade de se alterar o lançamento. Em resposta, às fls. 1890/1961, a auditorafiscal, após análise de toda a documentação juntada pela impugnante, conclui pela necessidade de retificação da presente NFLD. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO, DO RECURSO E DO ACÓRDÃO DO CRPS 4. Às fls. 1994/2004, consta a DecisãoNotificação nº 17.401.4/0309/2007, que considerou o lançamento procedente em parte, com base no resultado da diligência. 5. Às fls. 2009/2029, a interessada interpôs recurso voluntário tempestivo direcionado ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. 6. Em 03/12/2008, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que absorveu a competência do CRPS, em matéria de custeio, nos termos da Lei nº 11.457/2007, exara o acórdão de fls. 2103/2108, no sentido de anular a DecisãoNotificação, por violação ao contraditório, determinando o reinício do contencioso administrativo para ciência do Resultado de Diligência anterior à decisão de primeira instância. DA NOVA IMPUGNAÇÃO 7. Devidamente cientificada do Acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes e do Resultado da Diligência de 16/01/2007, consoante Intimação e AR de fls.2116/2117, a interessada, interpõe, tempestivamente nova impugnação, às fls. 2118/2129, reiterando os argumentos da impugnação originária e alegando ainda: Fl. 6748DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 4 5 7.1. Que apresentou, em sua impugnação, diversos documentos comprobatórios de suas alegações e que visavam afastar o arbitramento realizado; 7.2. Que o arbitramento não é uma modalidade de lançamento, mas sim uma ferramenta para a efetivação do lançamento de ofício, devendo submeterse ao principio da verdade material; 7.3. Que a autoridade lançadora não deveria simplesmente ter desqualificado a documentação apresentada pela requerente e sim ter lhe dado tempo de buscar as provas de que, no período lançado, providenciou a devida proteção contra o risco de acidente de trabalho para os seus empregados; 7.4. Que no curto período para apresentação da impugnação, não conseguiu localizar toda a documentação comprobatória do seu efetivo gerenciamento do ambiente de trabalho, contudo, em nenhum momento se negou a fazêlo, tendo, inclusive, apresentado, ainda que, por amostragem, diversos documentos que demonstravam as medidas por ela adotadas, visando eliminar e controlar os agentes nocivos; 7.5. Que muitos documentos apresentados sequer foram analisados pela fiscalização que se limitou à verificação da documentação relativa à entrega de EPI’s, desconsiderando os demais documentos; 7.6. Que ante a ausência de análise de parte da documentação apresentada e da necessidade de realização de perícia, é evidente que deve ser julgado nulo o lançamento que não observou o principio da verdade material; 7.7. Que reitera a alegação contida na impugnação apresentada, de que os débitos relativos às competências de abril de 1999 a abril de 2001 já se encontravam extintos pela decadência quando da realização do lançamento, com base no art. 150, § 4º, do CTN, aplicável aos débitos previdenciários, conforme Súmula Vinculante nº 08, do STF. 8. É o relatório. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.6662, a 10ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJO I, em 19 de dezembro de 2011, exarou o Acórdão n° 1243.121 concedendo provimento parcial à impugnação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 6.677, onde reiterou as razões de impugnação. Fl. 6749DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento DAS PREJUDICIAIS DE NULIDADE De plano, é necessário destacar que em 19 de janeiro de 2005, na forma do registro de fls.126 a 146 procederamse a 15ª ALTERAÇÃO BC CONTRATO SOCIAL para o CNPJ n°. 02.773.629/000108. Na cláusula segunda, do referido documento aduz que a empresa estabelecida no município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo teria este como seu foro: “ CLÁUSULA SEGUNDA A sociedade tem sede na Av. Doutor Olívio Lira, 353, salas 1201 a 1216/1301 a 1316, Praia da Costa, município de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, CEP 29.101950,que é seu foro.” Muito embora tal registro, a ação e autuação fiscal , sem justificativas no Relatório Fiscal, elegeu o CNPJ 02.773.629/003387 da filial com endereço à AV.RODRIGUES ALVES 261 275 PARTE CAI5 DO PORTO – RJ. Assim a justificativa para que o lançamento tenha sido feito no CNPJ da filial precisaria ficar esclarecida. DO LANÇAMENTO NO CNPJ DA FILIAL Pesquisa no sitio da Receita federal do Brasil, revela que a abertura desta filial ocorreu em 01/02/2002, considerando que o período da constituição do crédito ocorreu nas competências 01/02/1999 a 31/12/2002, é Nula, por impossível, impossível a imputação de créditos constituídos para fatos anteriores a abertura da filial. Neste sentido não se faz legítimo seu assento no pólo passivo da autuação em razão de eventuais contratos anteriores a sua existência. Ademais, muito embora os créditos discutidos tenham sido lançados em 07/07/2005 consta, também, no documento que a filial em comento fora BAIXADA do Cadastro da Receita Federal em 14/08/2008 extinta por liquidação voluntária. Assim, as eventuais pendências fiscais seriam de se exigidas do respectivo estabelecimento matriz. Fl. 6750DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 5 7 REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 02.773.629/003387 FILIAL COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 01/02/2002 NOME EMPRESARIAL XEROX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 14/08/2008 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL EXTINCAO P/ ENC LIQ VOLUNTARIA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Por ocasião da baixa da filial, vigiam os termos capitulados no inciso I do § 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB, n° 748, de 28 de junho de 2007, verbis: “ Art. 28. A baixa de inscrição no CNPJ, de matriz ou de filial, deverá ser solicitada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente à ocorrência dos seguintes eventos de extinção: I encerramento da liquidação, judicial ou extrajudicial, ou conclusão do processo de falência; II incorporação; Fl. 6751DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 III fusão; IV cisão total; V elevação de filial à condição de matriz, inclusive: a) transformação em matriz de órgãos regionais de Serviço Social Autônomo; e b) transformação em matriz de unidades regionais ou locais de órgãos públicos; VI transformação de órgãos locais de Serviço Social Autônomo em filial de órgão regional; e VII transformação de filial de um órgão em filial de outro órgão. § 1º O pedido de baixa de entidade deverá observar o disposto no art. 8º. § 2º Para efeito de baixa de inscrição no CNPJ de filial, a verificação restringirseá à análise formal do ato registrado e as pendências fiscais serão exigidas do respectivo estabelecimento matriz. § 3º Será indeferido o pedido de baixa de inscrição no CNPJ de entidade para a qual constarem as seguintes situações: I débito tributário em aberto, parcelado ou com exigibilidade suspensa; No inciso I supra a exigibilidade suspensa, como no caso em comento, apesar do registro do § 2º do citado artigo, era motivo de indeferimento. Cumpre ressaltar que tradicionalmente, anterior a unificação das receitas, a baixa de empresa junto ao INSS sempre fora precedida do pedido de Certidão Negativa de Débito. Na época não se concedia a baixa de filial em relação à qual constasse pendência quanto à obrigação tributária principal ou acessória. Há questão pode não estar sendo trazida à colação pela Recorrente motivada por alguma estratégia processual que posterior ao trânsito em julgado nas instância administrativas sem que lhe tenha sido atribuído êxito, argüida em juízo é grande a possibilidade dos argumentos prosperarem tendo em vista que confirmandose a ocorrência de ato nulo este não terá convalescido. DA NULIDADE DO MPF. A matéria já fora enfrentada em sede de impugnação com arrazoado o qual tem minha anuência. Entretanto, referindome sobre outros aspectos dos MPFs, providenciei a planilha abaixo para elucidar questões relevantes na emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF. PROCESSO CNPJ MPF CIÊNCIA FLS EMISSÃO Fl. 6752DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 6 9 1 37216.000668/20063502.773.629/0033870919438513/10/2004 61 08/10/04 2 37216.000672/20060102.773.629/0033870919438513/10/2004 80 08/10/04 3 37216.000677/20062602.773.629/0033870919438513/10/2004 55 08/10/04 4 37216.000705/20061302.773.629/0033870919438513/10/2004 70 08/10/04 5 35301.006194/20056002.773.629/0033870919438513/10/2004 256 08/10/04 635301.007038/20060502.773.629/00338709194385 13/10/2004 80 04/10/04 737216.000671/20065902.773.629/00338709194385 13/10/2004 50 04/10/04 837216.000674/20069202.773.629/00338709194385 13/10/2004 110 04/10/04 937216.000953/20073702.773.629/00338709254533 05/08/2005 61 02/08/05 (1) Período 08/98 a 12/2002. Ressaltese que os processos numerados de 1 a 8 tiveram o período ago/98 a out. 2004 para proceder a ação fiscal.Todos foram 5 vezes prorrogados. É relevante notar que muito embora todos tivessem o mesmo número de identificação de – 09194385 – não foram emitidos nas mesmas datas. Registramse coincidentes os de número 1 a 5, em 08/10/04 e os numerados de 6 a 8, em 04/10/04. Nos termos de encerramento da Ação fiscal – TEAF consta que os procedimentos tiveram termo em 06/07/2005. Entretanto, para o processo número 9 acima descrito, emitiramse, em 02/08/2005 novo MPF – 09254533 para a mesma Autoridade Autuante proceder a verificação das mesmas rubricas dos mandados anteriores para o período 08/98 a 10/2004, desta vez contidas no período 08/98 a 12/2002 cujo encerramento ocorreu em 22/05/2006 conforme TEAF de fls.69. No sobredito MPF se registra que sua emissão obedecera os art. 1 ° e 3 ° , da Lei 11.098 de 13 de Janeiro de 2005 e não faz menção de que este estaria sendo emitido nos Moldes do previsto no art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN. DAS REVISÕES FISCAIS. Os Mandados de Procedimento Fiscal – MPFs emitidos conforme planilha acima, definidos para analisar o período ago/98 a out. 2004 tiveram termo de encerramento realizado em 06/07/2005. Entretanto, como visto alhures, concluída as referidas ações fiscais, novo MPF fora emitido para ser executado pela mesma Auditora Fiscal para verificação dos mesmos fatos geradores de período contido nos MPFs anteriores. A nova ação desenvolvida nestes moldes caracterizou uma espécie de refiscalização para as competências já fiscalizadas no procedimento anterior . DO ART. 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. Analisando os autos, aduz que, na forma do que se determina no , inciso IX do artigo 149 do CTN a revisão ocorre : “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 6753DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Na Instrução Normativa INSS/DC Nº 100, de 18 de dezembro de 2003, se observa nos § §1º e 2º do art. 588 que a revisão de lançamento de crédito previdenciário ocorrem nas hipóteses previstas no art. 149 da Lei nº 5.172, de 1966 CTN : Art. 588 (...) .1º A AFP poderá, a critério da autoridade competente, ser determinada com vistas a abranger períodos e fatos já objeto de ações fiscais anteriores § 2º Do procedimento fiscal realizado na forma do § 1º deste artigo, poderá resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito previdenciário nas hipóteses previstas no art. 149 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN).” A instrução normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 DOU de 15/07/2005, que revogou a IN 100 acima citada, que mais tarde , também, seria revogada pela Instrução Normativa n 971, de 13 de novembro de 2009, não mencionou o § 2º do artigo 588 da instrução IN 100 revogada. Tal fato não impede o dever de se observar o artigo 149 omitido na instrução. DA JURISPRUDÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIO DE RECURSOS FISCAIS – CARF A jurisprudência deste Egrégio Conselho registra mansa comunhão de meu entendimento com as decisões então tomadas: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20600367 do Processo 36216001947200734 12/02/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2004 NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149, CTN. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida demonstração e comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte. REVISÃO DE LANÇAMENTO. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÃ.ES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de Fl. 6754DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 7 11 forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. ( grifos de minha autoria) Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma Acórdão nº 40202922 do Processo 10680014973200329 28/01/2008 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1999 a 30/11/2002 Ementa: NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149, CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA AUTUAÇÃO. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. REVISÃO DE LANÇAMENTO. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL OMISSO. O Termo de Verificação Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149, do CTN. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. DESISTÊNCIA VIA ADMINISTRATIVA. A existência de discussão judicial de matéria idêntica a objeto de exame na esfera administrativa implica na desistência tácita deste último contencioso a propósito de referido tema, conforme preceitos contidos no artigo 47, § 2º, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. REP negado e REC não conhecido ( grifos de minha autoria) Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Quinta Câmara Processo 36624.009988/200503 Acórdão 20500.815 Data 03 de julho de 2008 Período de apuração: 01/19995 q 01/1999. Fl. 6755DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 Ementa: DECADÊNCIA. REFISCALIZAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. O lançamento somente pode ser efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos previstos na Legislação. Processo Anulado. ACORDAM os Membros da, Por maioria de votos, anular o auto de infração/lançamento na forma do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira que votou pela anulação da decisão de primeira instância. JULIO CESAR VIEIRA GOMESPresidente MARCELO OLIVEIRARelator ( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Processo 35301.000008/200741 Acórdão 240100.534 Data 19 de agosto de 2009 REVISÃO DE ACÓRDÃO. ACÓRDÃO NULO. A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. Nulidade do acórdão nº 2825/2005 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS. REVISÃO LANÇAMENTO ART. 149 CTN AUSÊNCIA DE MOTIVO A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. Constatase uma efetiva ausência dos motivos que poderiam justificar a revisão do lançamento, o que acarreta a improcedência do lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. ACORDAM os membros da, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão para anular o Acórdão nº 2825/2005 Fl. 6756DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 8 13 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, e em substituição, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausentes os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Kleber Ferreira de Araújo. ” ( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Processo 36204.000153/200792 Acórdão 240200.009 Data 9 de julho de 2009 Período de apuração: 01/09/2003 a 30/04/2005 REVISÃO LANÇAMENTO ART. 149 CTN MOTIVAÇÃO AUSÊNCIA A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. PROCESSO ANULADO. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o lançamento. II) por maioria de votos, em declarar a nulidade por vício formal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa que decidiram votar pela anulação por vício material. MARCELO OLIVEIRA Presidente ANA MARIA BANDEIRA – Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente).” ( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Fl. 6757DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 Processo 36204.000152/200748 Acórdão 240100.049 Data 4 de março de 2009 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. MPF. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. REVISÃO DE LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA PARCIAL. INCENTIVO DE VENDAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. I Rejeita a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência do MPF. II O lançamento pode ser revisto exofficio, condicionandose a necessidade da administração fiscal comprovar a ocorrência de uma das situações do art. 149 do CTN; III Fora dessas hipóteses, à segurança jurídica prestigiada pelo Códex Tributário não permite que o Fisco modifique de ofício, crédito já devidamente constituído, ou imponha uma exigência fiscal referente a período já fiscalizado e onde teria se constatado naquela oportunidade anterior não haver; IV Representa vício material à ausência de motivação quanto aos elementos de fato e de direito que autorizam o procedimento revisional; V É pacífico o entendimento de que os valores pagos a empregados ou contribuintes individuais a titulo de incentivo, encontrase abrangido pelo conceito de saláriodecontribuição, portanto, deve haver a incidência do tributo previdenciário ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para declarar a nulidade dos levantamentos correspondentes ao período compreendido entre as competências 04/2003 a 04/2005. II) Por maioria de votos, em declarar a nulidade dos levantamentos correspondentes ao período compreendido entre as competências 04/2003 a 04/2005 por vício material. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a nulidade por vício formal. III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar as demais preliminares suscitadas; b) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ROGÉRIO DE LELLIS PINTO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.” ( grifos de minha autoria) “ Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Segunda Sessão de Julgamento Processo 14485.000266/200746 Acórdão 240100.204 Fl. 6758DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 9 15 Data 7 de maio de 2009 REVISÃO LANÇAMENTO ART. 149 CTN AUSÊNCIA DE MOTIVO A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. Não houve uma mera ausência de motivação, que acarretaria a ocorrência de nulidade de lançamento. Ao contrário, constatase uma efetiva ausência dos motivos que poderiam justificar a revisão do lançamento, o que acarreta a improcedência do lançamento ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher o pedido de revisão para anular o Acórdão n.º 367/2007 proferido pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS; e em substituição: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 08/2000. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; II) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a nulidade por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Conselheiro Elias Sampaio Freire, Redator Designado O CTN estipula os casos em que o lançamento pode ser efetuado e revisto de ofício, posto que consagrado é o princípio da inalterabilidade do lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo. Portanto, em princípio, ele se torna definitivo com a notificação regular, não podendo mais ser alterado pela autoridade administrativa, exceto nas hipóteses arroladas no Código Tributário. Leandro Pausen, (in Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Livraria do Advogado Editora, 5ª Edição, pág. 868/869), mencionando Francisco José Soares Feitosa leciona que: “Já o art. 149/CTN estipula os casos em que o lançamento será revisto, e somente nesses é que poderá um mesmo fato ser refiscalizado. A fiscalização, no demais casos, não poderá ser alterada, sob pena de violar o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Ressalta que a imutabilidade do ato contém dupla proteção. Uma, ao contribuinte que tem a garantia de não ser perseguido pelo fisco, e, duas, ao funcionário que terá a validade de seu trabalho respeitada”. Fl. 6759DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 Por certo o conceito de refiscalização, que consiste fiscalização que abrange períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, não se confunde com o de revisão do lançamento. A própria legislação infralegal, no caso, a Instrução Normativa SRP n.º 03, de 14 de julho de 2005, vigente à época do lançamento, condicionava a constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrentes de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores, a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN (art. 570 e parágrafos), in verbis: “Art. 570. A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. § 1º A AFP poderá, a critério da autoridade competente, ser determinada com vistas a abranger períodos e fatos já objeto de ações fiscais anteriores. § 2º Do procedimento fiscal realizado na forma do § 1º deste artigo, poderá resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito previdenciário nas hipóteses previstas no art. 149 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN).” Portanto, apesar de uma refiscalização poder ser determinada independente da efetiva constatação da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Em procedimento de refiscalização, a realização tanto de um novo lançamento como a revisão de lançamento necessitam de suporte fático e de direito em uma das hipóteses previstas no já aludido dispositivo legal. Há de se esclarecer que o motivo consiste na situação que levou a Administração Pública a praticar o ato. Já a motivação trata se da justificativa do pronunciamento ou da decisão adotada, onde se exprime de modo expresso as situações de fato de direito que levaram à Administração Pública a manifestar sua vontade. Nas palavras de Cláudio Brandão de Oliveira, in Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Impetus, 2002, p. 68.: “A motivação pode ser conceituada como sendo a exteriorização, por parte da Administração Pública das razões de fato e do fundamento de direito que foram levados em consideração para a materialização do ato. Através dela os particulares terão ciência do conteúdo do ato, deflagrando se for o caso, mecanismos de controle”. Ao meu ver não houve uma mera ausência de motivação, que acarretaria a ocorrência de nulidade de lançamento. Ao contrário, constatase uma efetiva ausência dos motivos que poderiam justificar a revisão do lançamento, conforme previstos no art. 149 do CTN, o que acarreta a improcedência do lançamento. Fl. 6760DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37216.000953/200737 Acórdão n.º 2403002.131 S2C4T3 Fl. 10 17 Ademais, o art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72 prevê expressamente que: “Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Diante de todo o exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de ANULAR O ACÓRDÃO Nº 367/2007, e em substituição declarar a decadência até a competência 08/2000 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em ELIAS SAMPAIO FREIRE Redator Designado” ( grifos de minha autoria) DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O artigo 41, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, define que : “Art. 41. São deveres dos conselheiros, dentre outros previstos neste Regimento: (...) III observar o devido processo legal, assegurando às partes igualdade de tratamento e zelando pela rápida solução do litígio.” ( grifei) O princípio do devido processo legal assegura a todos o direito a um processo com todas as etapas previstas em lei e todas as garantias constitucionais. Se no processo não forem observadas as regras básicas, ele se tornará nulo. O devido processo legal é considerado o mais importante dos princípios constitucionais, pois dele derivam todos os demais. Ele reflete em uma dupla proteção ao sujeito, no âmbito material e formal, de forma que o indivíduo receba instrumentos para atuar com paridade de condições com o Estadopersecutor. É um conceito de direito que busca uma adequação do processo à ritualística prevista, praticamente confundindose ao princípio da legalidade . DA NULIDADE Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Ademais o artigo 53 da Lei 9.784/99 preceitua que ; “ A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. Assim, pelo que foi demonstrado, a ação fiscal ocorreu maculada de vício material. DA ECONOMIA PROCESSUAL Fl. 6761DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 Diante da análise posta, por economia processual, deixo de enfrentar demais alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para EM PRELIMINAR determinar a NULIDADE em razão de a ação fiscal ter sido realizada maculada de VÍCIO FORMAL. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 6762DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904051/2010-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 51 /2 01 0- 57 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A lide versa sobre a não homologação de compensação transmitida por meio de Per/Dcomp em 20/04/2007, pela via de despacho decisório eletrônico nº 880562976, exarado em 06/09/2010, cuja autoridade administrativa emitente analisando o limite de crédito originalmente informado (DARF), constatou não restar saldo credor disponível à satisfação da compensação intentada, posto que utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do próprio contribuinte. Manifestando a sua inconformidade em face do referido despacho a contribuinte argüiu sucintamente, que do referido crédito informado através de DARF foi detectado um pagamento indevido ou a maior, sendo tais valores compensados com débito de Cofins, apurado em março/2007. Conclusos foram os autos para apreciação pela 9a Turma de Julgamento da DRJ/CPS, que em sessão realizada em 07/12/2011, por meio do Acórdão nº 0536.228, proferiu decisão cuja síntese do entendimento vazado na ementa, adiante transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito credit6rio aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Resumiu a decisão acima ementada que tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas, destarte faltando aos autos a comprovação da Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.904051/201057 Acórdão n.º 3803004.463 S3TE03 Fl. 6 3 existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. A interessada faz o registro em peça apartada a título de pedido de correção de erro material, esclarecendo que foi notificada por documento de nº 125/2012, que destoa do conteúdo do acórdão ora recorrido, ocasião em que requer o refazimento da mesma, com a devida reabertura de prazo para a interposição do recurso voluntário (protocolada em 07/03/2012). Cientificada da decisão de primeira instância por meio de AR em 13/02/2012, em face da mesma interpôs recurso voluntário em 14/03/2012, conforme registro em protocolo do órgão preparador estampado nos autos, para aduzir sucintamente: A recorrente identificou recolhimentos a maior ou indevidos de tributos federais e quantificou no DAR o seu respectivos valor, sendo que, a fundamentação jurídica desse indébito fiscal é: 1) o alargamento indevido da base de cálculo do PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento (art. 154, I e art. 195, I, § 4o; CF/88; art. 110, CTN; art. 2o, LC 70/91; e declaração de inconstitucionalidade pelo STF do disposto no § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98); 2) exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis (art. 4o, LC 70/91; art. 6o, Lei 9.715/98; art. 4o e parág. Único, Lei 9.718/98; MP 1.99115/00, extinguiu a substituição tributária e instituiu o regime de incidência monofásica, posteriormente convertida na Lei 9.990/00; Lei 10.865/04, deu nova redação ao art. 4o da Lei 9.718/98, alterando as alíquotas antes previstas); e 3) exclusão da incidência do PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas, para ao final requerer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo apresentado perante esta Corte busca reformar a decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade, que não reconheceu o direito creditório alegado pela contribuinte e não homologou a compensação por ela declarada, ante a constatação de inexistência de saldo credor à satisfação dos débitos nela informados. Compulsando os autos verificouse que a recorrente no momento de protocolização de sua manifestação de inconformidade não aduziu acerca das razões de direito que consubstanciaram à formação do crédito decorrente de pagamento indevido, nem Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 tampouco juntou elementos de prova material com a finalidade de demonstrar a existência de saldo credor no montante correspondente aos débitos já informados à Receita Federal do Brasil, sendo esta a razão da não homologação da compensação declarada. Portanto as questões atinentes ao alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins, da exclusão de valores da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, bem assim da exclusão da incidência do PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, que se constituíram nas razões de defesa, somente vieram a lume por ocasião do apelo apresentado e, certamente, não foram objeto de apreciação pelo juízo da instância a quo. Por conseguinte não obstante tenha a recorrente trazido ao debate nesta Corte matérias de direito a título de composição do indébito utilizado na compensação não homologada, a meu ver tais temas não podem ser objeto de pronunciamento por este colegiado, sob risco de dar azo a supressão de instância, eis que tais matérias são estranhas à decisão de piso, uma vez que não foram objeto de apreciação pelo juízo da instância a quo. Por tal razão deixo de conhecer o recurso nesta parte. Assim o debate a ser realizado no âmbito deste colegiado não comporta discussão sobre matéria de direito, circunscrevendose o deslinde da querela à demonstração pela contribuinte de que faz jus à homologação da compensação intentada, portanto a matéria de prova. A recorrente em nenhum momento carreou aos autos elementos materiais de prova, com robustez o suficiente a sustentar às suas razões de defesa, como também não logrou apontar em que tipo de irregularidade incorreu o despacho decisório eletrônico, portanto presumese, desde logo que o mesmo não merece reparo, nem mesmo conseguiu demonstrar a liquidez, a certeza e a disponibilidade de saldo credor o bastante para ensejar a homologação da compensação declarada, cuja forma poderia ser em consonância com o disposto no artigo 333 do CPC. Ante todo o exposto, em sede de preliminar, deixo de conhecer o recurso por inovação dos argumentos de defesa. É como voto. Sala de sessões, em 21 de Agosto de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.904051/201057 Acórdão n.º 3803004.463 S3TE03 Fl. 7 5 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.907842/2008-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 182 1 181 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.907842/200889 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.724 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de março de 2013 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente INSTITUTO BRASILEIRO DE PETROLEO, GAS E BIOCOMBUSTIVEIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação é condicionada à prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 78 42 /2 00 8- 89 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro II/RJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório do acórdão da DRJ: “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica nº 24672.12427.270904.1.7.040604 (fls. 03/07), transmitida em 27/09/2004, de débito de COFINS (cód. 5856), relativo ao período de apuração de fevereiro de 2004, com crédito oriundo de pagamento a maior, a título de COFINS (cód. 2172), recolhido em 12/04/2000, atinente ao Período de Apuração 31/12/1999, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 08) emitido eletronicamente, a DERATRio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30/07/2008 (fl. 121), a interessada ingressou, em 28/08/2008, com manifestação de inconformidade (fls. 09/18), na qual alega, em síntese, que: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907842/200889 Acórdão n.º 3802001.724 S3TE02 Fl. 183 3 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto social; 5. Em 2006 tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos; Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e homologar a compensação efetuada por intermédio da declaração de compensação objeto do presente processo. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluído em setembro de 1999 na base de cálculo da COFINS.” A Recorrente, nas razões de fls. 133 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo, por fim, o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/04/2012 (fls. 131), interpondo recurso tempestivo em 22/05/2012 (fls. 133). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte: (i) retifique a Dctf antes da ciência do despacho decisório; ou (ii) ainda que a posteriormente, o faça antes da inscrição do débito em dívida ativa e comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos, de nossa relatoria, acompanhados pela unanimidade do colegiado: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.907842/200889 Acórdão n.º 3802001.724 S3TE02 Fl. 184 5 apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Contudo, no presente caso, verificase que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitouse a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação. Assim, devido à ausência de prova da liquidez e da certeza do direito creditório, votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10980.923576/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2001
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PREVISTA NO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº. 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 2.346/1997.
Deve ser anulada a decisão administrativa de primeira instância que deixa de se manifestar sobre o afastamento da aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, por meio de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, em sede de repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente MULTIPETRO COMÉRCIO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2001 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PREVISTA NO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº. 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 2.346/1997. Deve ser anulada a decisão administrativa de primeira instância que deixa de se manifestar sobre o afastamento da aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, por meio de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, em sede de repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 76 /2 00 9- 51 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio da Dcomp nº13896.40205.280406.1.3.048725. Na aludida Dcomp a contribuinte indicou um suposto direito creditório que adviria de um pagamento efetuado em 15/08/2003, sob o código 2172, no valor de R$ 2.938,67, para quitar um débito indicado nessa declaração. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, assim fundamentado: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados noPER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificada em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 21/07/2009, manifestação de inconformidade, na qual diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Consta dos autos despacho do Seort/DRF/Curitiba atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade.” A DRJCuritiba/PR decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e não homologou o direito creditório pleiteado (efls 33/36), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/04/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, alegando, em síntese: Fl. 48DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.923576/200951 Acórdão n.º 3202000.907 S3C2T2 Fl. 48 3 que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade o alargamento da base de cálculo da Cofins, estbelecida no §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, tendo sido reconhecida a repercussão geral da matéria, na sistemática prevista pelo art. 543B do CPC. Com isso, deve ser assegurado à contribuinte recolher a Cofins nos moldes da Lei Complementar nº. 70/91, razão pela qual os valores recolhidos indevidamente devem ser restituídos/compensados; que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, a decisão proferida pelo STF, na sistema da repercussão geral, deve ser reproduzida pelo CARF; e que a Lei nº. 11.941/2009, em seu art. 7º, inciso XII, revogou o §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98. Ao final, requer seja homologada a compensação pleiteada. É o Relatório Voto Conselheira Relator Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de PER/DCOMP eletrônica apresentada pela contribuinte, à alegação de que possui créditos relativos ao recolhimento indevido da Cofins, referente ao período de apuração de 31/07/2001, no valor de R$ 2.938,67. Alega a recorrente que, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, proferida pelo STF em sede de repercussão geral, referente ao chamado alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, teria direito ao recolhimento daquela contribuição na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 70/1991, dispositivo anteriormente vigente à edição da referida lei. A DRJCuritiba/PR indeferiu o pedido da requerente ao argumento de que à autoridade julgadora administrativa seria defeso pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, utilizandose, para tanto, da Súmula CARF nº 02. Equivocase, entretanto, a autoridade julgadora. A questão dos autos não diz respeito a qualquer apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária por parte da autoridade julgadora administrativa. A inconstitucionalidade da lei já foi declarada pelo Poder competente para tanto, ou seja, pelo Poder Judiciário, por meio de seu órgão máximo, o STF. Não pretende, pois, a recorrente, o afastamento de lei tributária em razão de declaração de inconstitucionalidade por parte da autoridade administrativa. A declaração de inconstitucionalidade já existe e foi proferida pelo autoridade competente. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 O que pretende a recorrente é que seja delimitado, pela autoridade julgadora administrativa, o exato alcance da declaração de inconstitucionalidade já proferida pelo STF, em sede de repercussão geral, o que é algo bem diverso do entendimento esposado no voto condutor do acórdão proferido pela DRJ. A própria autoridade de piso cita o dispositivo legal que lhe autoriza para tanto e perfeitamente aplicável ao caso em questão. Vejase: “É verdade que, sob certas condições, o julgador administrativo deve afastar a aplicação de norma inconstitucional. Estas condições, no entanto, são as que se encontram expressas no Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, que dispõe: Art. 1.º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. (...) Art. 4.º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (grifouse). (negrito não constante do original) Equivocase a autoridade julgadora de base quando afirma que as decisões sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins foram proferidas pelo STF apenas em relação a casos específicos envolvendo partes específicas que não a contribuinte. A declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98 foi proferida em sede de repercussão geral reconhecida pelo STF, em sessão realizada em 10/09/2008, nos autos do RE 855235 QORG/MG, abaixo transcrita, tratandose de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, tendo sido, inclusive, estabelecida futura edição de súmula vinculante. Vejase: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.923576/200951 Acórdão n.º 3202000.907 S3C2T2 Fl. 49 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (negrito não constante do original) Assim, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ, a fim de que seja apreciado o pedido formulado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade, à luz da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, proferida pelo STF. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 12259.001670/2009-47
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2000, 2001
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2000, 2001 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
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NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 16 70 /2 00 9- 47 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001670/200947 Acórdão n.º 2803002.678 S2TE03 Fl. 2.979 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.49 e seguintes) foi interposto contra decisão a quo(fls. 60 e seguintes), que manteve o crédito tributário oriundo de incidência das "referese a contribuições da empresa, devidas a Seguridade Social, relativas a parte da empresa, seguro de acidentes de trabalho SAT, as destinadas aos Terceiros, como também, sobre as retiradas prolabore e sobre serviços prestados por cooperativas", obtidos de por cruzamento de dados das folhas de pagamento, livro diário, GPS, e outros no período de 01.2000 a 05.2001, e glosa de compensações realizadas em 12/2000. A ciência do auto de infração inaugural foi em 04.07.2001 (fls. 01). A ciência da decisão recorrida ocorreu em 05.11.2003, conforme demonstra o Aviso de Recebimento Postal (fls. 75). A autoridade preparadora certificou o trânsito em julgado (fls. 79). O recurso voluntário foi protocolizado em 17.03.2004, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: legalidade das compensações, cerceamento de defesa, nulidade do lançamento. Assim, os autos vieram à presente turma especial para apreciação. Este é o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001670/200947 Acórdão n.º 2803002.678 S2TE03 Fl. 2.980 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 05.11.2003 e o prazo para interposição de recurso vigente à época é de 15 (quinze) dias a contar da ciência da decisão (art. 305, §1º, do Dec. 3048/1999, antes do Dec. 6032/2003), considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 05.12.2003. Contudo, nos autos o comprovante protocolo do recurso demonstra a data como 17.03.2004, cinco dias após o final do prazo, logo fora do prazo normativo, precluindose o direito de apresentação do recurso voluntário. Em que pese as alegações, da contribuinte quanto à apreciação de ofício, a intempestividade recursal de certa forma retira a possibilidade de conhecimento da instância de julgamento, pois equivalese à confissão tácita (art. 21, do Dec. 70.235). Isso posto, voto por NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestividade, mantendose o lançamento. (Assinatura Digital) Gustavo Vettorato Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19707.000335/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção refere-se aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA- Relator.
EDITADO EM: 25/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA (Relator), CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, GONCALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção refere-se aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA- Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA (Relator), CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, GONCALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção referese aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA (Relator), CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, GONCALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 7. 00 03 35 /2 00 8- 64 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 8 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, para exigir a importância total de R$32.575,57, acrescidos de cominações legais em razão de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, onde afirmou que solicitou cópia do processo e cópia dos DARF's recolhidos do IRRF e constatou que os DARF's foram recolhidos com o CPF do mesmo e não com o CNPJ da fonte pagadora; que, sendo assim, não existirá mesmo DIRF apresentada pela fonte pagadora Banco Bradesco S/A, mas existe os DARF's recolhido em CPF do mesmo; que sendo assim, o IRRF está recolhido e não há razão para o Lançamento de Oficio. Fez anexar cópia dos DARF's recolhido nos valore de R$ 41.412,50 e R$ 26.068,48, totalizando R$ 67.481,08. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fl.34). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção referese aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 10/09/2010 (fl. 41), o recorrente impugna o lançamento efetuado, tempestivamente, alegando, em síntese, que os DARF, confirmados e admitidos pela autoridade recorrida, indicam o número do processo judicial cujas verbas foram tributadas, o que leva a crer, sem sombra de dúvida, que a origem dos rendimentos situase no processo a que os DARF se referem. Não existe outra alternativa. Inexiste outra fonte. Tratase de únicos rendimentos obtidos pelo Recorrente tendo por origem o aludido processo judicial trabalhista. O impugnante carreia para os autos, cópia da memória dos cálculos das verbas trabalhistas a que foi condenada a empresa reclamada, de modo a satisfazer a exigência de detalhamento feita pelo julgador a quo. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19707.000335/200864 Acórdão n.º 2101001.507 S2C1T1 Fl. 98 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator A decisão de 1ª Instância manteve a glosa de imposto de renda retido na fonte, motivada pela falta de DIRF referente aos rendimentos e respectivo imposto incidente. Contudo, conforme admitido expressamente pelo julgador a quo, o imposto foi recolhido em nome e sob o CPF do Recorrente coincidente com o valor por ele declarado. No voto condutor da decisão recorrida, a manutenção da referida glosa foi justificada sob a alegação de que não foi comprovado nos autos que os valores do IRRF glosados são correspondentes aos rendimentos incluídos na base de cálculo apurada na declaração de ajuste anual. Ressaltese no entanto que restado comprovado o recolhimento do tributo devido, ainda que informado incorretamente a fonte pagadora mas mediante apresentação de prova inequívoca de que se refere ao CPF do recorrente, o lançamento de ofício não pode prosperar. O recorrente colecionou aos autos os DARFs recolhidos, com anexação de declaração emitida pela Receita Federal comprovando a existência de tais DARFs. Mesmo que a legislação tributária estabeleça a obrigatoriedade da fonte pagadora reportar os fatos geradores de IRRF na DIRF, se esta não o faz, não pode penalizar o contribuinte que teve o imposto retido e recolhido em seu próprio nome, ao invés de em nome da fonte pagadora. Isso é possível através do controle administrativo da própria Administração Tributária, que deriva do poderdever de autotutela que a Administração tem sobre seus próprios atos e agentes, e que é normalmente exercido pelas autoridades superiores. Para a Administração Pública é amplo o dever de anular os atos administrativos ilegais. Impõe, nesse sentido, o art. 55 da Lei nº 9.784/99 o dever à Administração de declarar ou reconhecer a nulidade de todos os atos, tanto os atos nulos como os anuláveis, ressalvadas as exceções legais, que podem ser convalidados expressamente. Assim, todo agente público, ao detectar algum vício que torne ilegal o ato administrativo, tem o dever de comunicar o fato à sua chefia imediata, para que o ato seja revisto de ofício pela autoridade competente. De um modo geral, essa revisão pode se dar, por iniciativa da autoridade administrativa, por meio de fiscalização hierárquica, ou ainda por recursos administrativos, caso do PAF. Nos termos do art. 114, da Lei nº 8.112/90, a Administração deve rever seus atos, a qualquer tempo, quando eivados de ilegalidade, não havendo assim prazo para a eliminação dos atos inválidos. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Com fundamento no parágrafo único do art. 149, do CTN, em regra, a Administração fazendária tem prazo para efetuar a revisão, de ofício ou a pedido, do ato de lançamento tributário. Por sua vez, a revisão de ato de lançamento tributário pode resultar tanto a favor do sujeito passivo, quando há uma redução ou anulação do valor do crédito tributário exigido, como desfavorável a ele, ao se agravar a exigência tributária. Podese sustentar que, com base no parágrafo único do art. 149, do CTN, a Administração teria prazo para efetuar qualquer revisão do ato de lançamento tributário, independentemente de o resultado da revisão ser favorável ou não ao sujeito passivo. Assim, se a Administração, ou o contribuinte, permanecer inerte, por determinado prazo legal, o direito de revisar ou pleitear a revisão do ato estaria extinto pela decadência. É cediço que para que o contribuinte possa usufruir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, relevante que sejam cumpridas as regras processuais, em especial o prazo para interposição de recurso, disposto na legislação regente. Desse modo, a Administração Fazendária deve rever, a qualquer tempo, seus atos eivados de ilegalidade, de ofício ou a pedido, quando os seus efeitos forem prejudiciais ou desfavoráveis ao contribuinte ou responsável, ou seja, não há prazo para assim proceder. Ante ao exposto voto por dar provimento ao recurso. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA, Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 12898.000502/2010-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
A omissão e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos restando comprovadas em parte, os embargos de declaração interpostos devem acolhidos em parte para fins de supri-las.
Numero da decisão: 1801-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Recorrente, e re-ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-00.772 proferido por este colegiado em sessão realizada em 22 de novembro de 2011, nos termos do voto da Relatora
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Recorrente, e reratificar o decidido no Acórdão nº 180100.772 proferido por este colegiado em sessão realizada em 22 de novembro de 2011, nos termos do voto da Relatora (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 05 02 /2 01 0- 42 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 259 2 Contra a Embargante, Infoglobo Comunicação e Participações S/A foi lavrado o Auto de Infração às fls. 138140 com a exigência do crédito tributário a título de multa de ofício isolada no valor de R$40.922,07 por falta de recolhimento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada referente ao fato gerador ocorrido no mês de abril do anocalendário de 2005. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 151167, com suas alegações. Está registrado como resultado do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1232.562, de 19.11.2010, fls. 201205: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DIPJ. RETIFICAÇÃO. ERRO DE FATO A retificação de declaração apresentada no decorrer da ação fiscal deverá vir acompanhada de documentos que comprovem a veracidade dos valores ou dos dados retificados, para que se caracterize que ocorreu erro de fato. Notificada a Embargante apresentou o recurso voluntário, fls. 210226, com suas razões de defesa. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801000.772, de 22.11.2011, fls. 231238: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.” Restou ementado Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 NULIDADE No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 260 3 DIPJ. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL A DIPJ apresentada após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências apuradas. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Notificada pelo domicílio fiscal eletrônico em 14.11.2012 e considerado intimado em 29.11.2012, fl. 224, a Embargante interpôs embargos de declaração em 22.11.2012, fls. 248251 e 255, com as alegações a seguir resumidas. Alega que o Acórdão embargado contém contradição e omissão. No que se refere à contradição suscita que Em que pese os argumentos apresentados pela Embargante, no caso em tela foi negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pela mesma, constando ao final do acórdão n° 1801000.772 o seguinte: "(...) Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário, por ter sido interposto fora do prazo legal." Todavia, o Acórdão deve ser objeto de reparo, pois apresenta contradição entre a decisão e seus fundamentos, bem como é omissa ponto sobre qual a Turma deveria se pronunciar. Em relação à omissão defende que O voto recorrido nada menciona sobre os valores já declarados na DCTF do período e limitase a recusar a retificação feita na DIPJ por ela ter sido apresentada após o início de procedimento fiscal. Todavia, a Turma deveria ter se posicionado se os valores do Imposto de Renda retido na fonte corretamente declarados em DCTF seriam suficientes para dirimir a multa aplicada no Auto de Infração, o que não o fez. A 1a Turma [...] também deveria ter exposto em seu voto se a retificação da DIPJ para adequar seus valores à DCTF já apresentada poderia ser apresentada a qualquer tempo, ainda que após o início de procedimento fiscal. Conclui Por todo o exposto, requerse que esta E. Turma, com vistas a sanar a contradição e omissão, conheça e dê provimento aos presentes embargos para reformar o julgado ora embargado, de modo a corrigir a referida contradição e Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 261 4 omissão, pronunciandose acerca dos argumentos/apontamentos acima mencionados objetos da presente demanda para melhor solução do litígio. Nestes Termos, P. deferimento, Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os embargos de declaração apresentados pela Embargante atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. O Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009, determina: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. A Embargante argui que há contradição entre a parte dispositiva e a conclusão. No que diz respeito à contradição, cabe esclarecer que esse instituto justifica opor embargos de declaração é aquela havida no interior da própria decisão, ou seja, a desconformidade interna da decisão jurisdicional; nunca a eventual dissonância entre as provas existentes nos autos, a legislação que se entende aplicável ou a jurisprudência predominante nas cortes superiores e o que se decidiu. Consta expressamente no Acórdão embargado consta: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 262 5 [...] O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. [...] Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário, por ter sido interposto fora do prazo legal. Cabe razão à Embargante alegar a contradição entre a parte dispositiva e a conclusão do Acórdão embargado. Nesse sentido, a conclusão deve ser alterada para “Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário”, para excluir a expressão “por ter sido interposto fora do prazo legal”. A Embargante menciona que não há menção sobre a apresentação da DCTF. Em relação à omissão, vale ressaltar que esse instituto, em termos de embargos de declaração, é a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. Na peça de defesa originalmente apresentada pela Embargante está registrado, fls. 151167: Não resta dúvida de que, examinada a DIPJ 2006 originalmente apresentada e compulsando a DCTF que possui força de confissão de divida, observarse que o valor apurado/declarado pela Impugnante corresponde a R$0,00. Sem dúvida, pois do contrário teríamos caso de cobrança de imposto neste mesmo lançamento ou em outro, o que não aconteceu. Ou seja, há erro do tipo legal imposto. Mesmo que assim não fosse, como no caso em concreto o tributo que deixou de ser recolhido foi R$0,00, o valor da multa seria R$0,00 também. O lançamento se fundamenta nos valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de R$333.643,18, fls. 0343, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de R$0,00, fls. 9294 e nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) de R$251.799,05, fls. 95137. A base de cálculo de R$81.444,13 do crédito tributário decorrente da diferença entre os valores de IRPJ informados na DIPJ e confessados na DIRF (R$333.643,18 R$251.799,05) pela aplicação da multa de ofício isolada de 50% (cinquenta por cento), nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Embargante foi reiterada intimada a prestar esclarecimentos e apresentar os documentos fiscais, fls. 4450, 5253, 5556, 6169, 7273, 79 82 e 8491, ou seja, não lhe faltou oportunidade de comprovar os valores que entendia estavam corretos. No Voto Condutor do Acórdão embargado está registrado: A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 263 6 balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). [...] Os presentes autos não estão instruídos com a comprovação dos pagamentos integrais, tampouco com as transcrições no Livro Diário dos balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução e no Lalur da demonstração do lucro real do respectivo período. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. Os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Assim, o Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A Embargante deve apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com as informações corretas e os dados ali constantes faz prova a seu favor desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 264 7 Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010). No presente caso a Embargante apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com valor igual a R$0,00, fls. 9294, de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada referente ao fato gerador ocorrido no mês de abril do anocalendário de 2005. Contudo pelos demais elementos de prova que instruem os autos esta informação não pode ser corroborada. O Auto de Infração, por essas razões, está correto. Sobre a apresentação da DIPJ temse que o enunciado da Súmula CARF nº 33 dispões que A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. No Voto Condutor do Acórdão embargado está registrado: Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da entrega da DIPJ, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentadas após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Por esta razão, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício4. A DIPJ entregue pela Recorrente depois de cientificada do Termo de Intimação recebido em 25.07.2008, fls. 4748 não tem efeito jurídico sobre a exigência. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. Assim, essa matéria foi expressamente analisada no Acórdão embargado. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Registrese que os embargos de declaração são recursos de saneamento. Pela análise dos autos se infere que na apreciação da prova, a autoridade judicante formou livremente sua convicção fundamentada aplicando o princípio da persuasão racional em relação aos elementos comprobatórios ali produzidos (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, foram observadas as formalidades essenciais processuais próprias do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões, da garantia dos direitos dos administrados foram regularmente cumpridos de acordo com o que está prescrito na legislação de regência (incisos LIV e LV do art. 5º e art. 93 da Constituição Federal e art. 2 º e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Portanto, a omissão e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos estão supridas com os exaustivos fundamentos jurídicos explicitados. Em assim sucedendo, voto por conhecer e acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Recorrente, e reratificar o decidido no Acórdão nº 180100.772 proferido por este colegiado em sessão realizada em 22 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 265 8 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 266DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13702.000641/97-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 02/06/1992 a 21/08/1997
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório reverte-se em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que as entradas financeiras constantes de sua movimentação bancária não se configuram como receita para fins de tributação.
IPI. SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO
Descumpridas as condições para a suspensão do IPI, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível.
MULTA DE OFÍCIO. PRESENÇA DE MAIS DE UMA CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A teor do disposto no art. 45 da Lei 4.502/64, aplicável retroativamente nos termos do art. 106 do CTN, comprovada a presença de fraude e conluio, a multa de ofício deve ser lançada no percentual de 300% do imposto não destacado nem recolhido, descabendo reduzi-la para 225%.
Numero da decisão: 3401-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ângela Sartori e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Maques Cleto Duarte, que davam provimento parcial para reduzir a multa para o percentual de 75%. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 02/06/1992 a 21/08/1997 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório revertese em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que as entradas financeiras constantes de sua movimentação bancária não se configuram como receita para fins de tributação. IPI. SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO Descumpridas as condições para a suspensão do IPI, o imposto tornarseá imediatamente exigível. MULTA DE OFÍCIO. PRESENÇA DE MAIS DE UMA CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A teor do disposto no art. 45 da Lei 4.502/64, aplicável retroativamente nos termos do art. 106 do CTN, comprovada a presença de fraude e conluio, a multa de ofício deve ser lançada no percentual de 300% do imposto não destacado nem recolhido, descabendo reduzila para 225%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ângela Sartori e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Maques Cleto Duarte, que davam provimento parcial para reduzir a multa para o percentual de 75%. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 06 41 /9 7- 69 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 6 3 Relatório Contra a contribuinte identificada acima, foi lavrado Auto de Infração de fls. 01/23, para a exigência da importância de 42.242.292,66 UFIR decorrente do descumprimento de obrigação acessória e acréscimos legais, sendo constatada no procedimento fiscal as seguintes irregularidades: a) Omissão de receita na saída de produtos tributados através de notas fiscais sem o lançamento do IPI ou com utilização indevida do instituto da suspensão do imposto, conforme descrição dos fatos constante no item 2 do AI à fl. 13; b) Infração prevista no art. 365, II, do RIPI/82, pela emissão e pelo recebimento das notas fiscais de venda e de remessa a diversos títulos, com suspensão ou sem o destaque do imposto de produtos tributados pelo IPI, sendo todas sem a data da saída dos produtos; c) Recebimento de nota fiscal em desacordo com o art. 173 do RIPI/82. O AI descreve que o estabelecimento recebeu de sua filial e de sua interdependente Centrinel S.A, os produtos constantes das notas fiscais relacionadas na Planilha CENTRI51.XLS através de notas fiscais consideradas inidôneas para efeitos fiscais, com insuficiência , ou sem destaque do IPI, sem observar as exigências contidas no art. 173 do RIPI; d) Omissão de receita decorrente da presunção de venda sem nota fiscal de produtos tributados recebidos através de notas fiscais de remessas a diversos títulos, que não foram propriamente inventariados nem contabilizados, com apenas registro no Livro de Entrada. A fiscalização entendeu que as referidas notas fiscais são inidôneas, por estarem sem data de saída dos produtos, com inversão do ônus da prova, passando tais documentos a fazerem prova a favor do Fisco e presumiu a omissão de receitas e intuito de fraude. Em razão destas constatações a fiscalização lavrou auto de infração, exigindo o tributo devido, no valor de 478.924,09 UFIR e as seguintes penalidades: a) Juros de mora no total de 105.398,14 UFIR; b) Multa de 600% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, decorrente da multa básica prevista no art. 364, III do RIPI/82, com o percentual de 300% fixado pelo art. 32 da Lei 82.18/91, agravada Fl. 505DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 em 100% em função da constatação de mais uma circunstância qualificativa, de acordo com o estabelecido nos arts. 352,II e 351, §2o, do RIPI/82; c) A mesma multa do item acima cobrada pelo recebimento de nota fiscal em desacordo com o que preceitua o art. 173 do RIPI/82, em decorrência do estabelecido no art. 368 do RIPI/82; d) Multa de 100% do valor comercial das mercadorias das notas fiscais inidôneas que recebeu e emitiu, em razão da emissão e pelo recebimento das notas fiscais de venda e de remessa a diversos títulos, com suspensão ou sem o destaque do imposto de produtos tributados pelo IPI. Em consonância com o art. 365,II do RIPI/82. DA IMPUGNAÇÃO Notificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 243/262), requerendo ao final o julgamento conjunto do presente PAF com os 13702.000701/9527 e 13702.000700/9564, e a anulação dos Autos de Infração lavrados contra si. DO JULGAMENTO NA DRJ A DRJ no Rio de Janeiro, deu provimento parcial à impugnação, mantendo parte do lançamento, para excluir o montante de 37.345.697,94 UFIR a título de multa regulamentar e 2.156.136,24 UFIR, relativos à alteração do percentual da multa de ofício (retroatividade benigna do art. 106, II, “c”, do CTN para aplicação da multa de 300% do art. 45 da Lei 9.430/96). Eis a ementa do julgado: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS OMISSÃO DE RECEITA. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DE SUSPENSÃO. Presumida na data da emissão fiscal de produto tributado com utilização indevida da suspensão (art. 36, II e II do RIPI/82). OMISSÃO DE RECEITA. VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. Presumida na data do registro do Livro de Entrada de nota fiscal de produto tributado que não foi corretamente inventariado nem contabilizado (art. 343 do RIPI/82) MULTA DO ART. 364,III, C/C OS ARTS. 352,II E 351, §2O,TODOS DO RIPI/82. Sujeição em caso de saída de produto tributado sem o lançamento e/ou recolhimento do respectivo imposto mediante mais de uma circunstância qualificativa. MULTA DO ART. 365,CAPUT E INC II DO RIPI/82. Incompatível em caso de se acatar a efetividade da saída do produto, descrito na nota fiscal, do estabelecimento emitente. ART. 368 C/C OS ARTS. 173; 364,III; 352 II E 351, §2, TODOS DO RIPI/82. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 7 5 A essência do conluio é ideologicamente incompatível com a da denúncia da nota fiscal pelo estabelecimento recebedor. MULTA – ABRANDAMENTO – LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE A lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, “c” da Lei 5.172/66CTN) LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Cumpre, ainda, esclarecer que desta decisão houve recurso de ofício para o 2o Conselho de Contribuintes, com decisão unânime no sentido de negarlhe provimento e manter, na íntegra, a decisão proferida pela DRJ/RJ (PAF 13702.000702/9590). O referido recurso foi interposto, conforme cópia acostada nas fls. 442/452, oriundo do processo 13702.000702/9590, no qual houve julgamento de parcial procedência pela DRJ/RJ/Sepin n. 32/97. A partir da parcial procedência e considerando valor do crédito exonerado houve recurso de ofício, que foi julgado pelo Conselho. Porém, importante destacar que apenas o Recurso de Ofício foi julgado, não tendo o então Segundo Conselho de Contribuintes se manifestado acerca daquele recurso apresentado pelo contribuinte. Apesar de constar no processo o acórdão proferido pelo segundo conselho de contribuintes, este julgador buscou no sítio eletrônico do CARF, o acórdão proferido que foi ementado da seguinte forma: IPI – Indevida a imposição da multa prevista no art. 365 do RIPI/82, quando a autuação dá como saídas as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Incabível a multa regulamentar, quando se aplica a multa de que trata o art. 364, III, do RIPI/82. Aplicabilidade da retroação benigna quando a norma posterior fixa pena menos gravosa para a hipótese. Recurso de ofício negado. Estando o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte pendente de análise, passamos a narrar os argumentos apresentados nos autos: DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a autuada apresenta recurso voluntário em fls. 442/452, pleiteando ao final pela reforma do julgado atacado e exoneração do débito. Os argumentos que se utiliza para tanto são, em síntese, os seguintes: a) Toda a presunção de sonegação encontrase baseada na inexistência de data de saída da maioria das notas fiscais emitidas; b) Em resumo, se aceita as notas fiscais para presumirse omissão de receita, porém, determinase que estas mesmas notas são imprestáveis para comprovar a Fl. 507DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 remessa regular de camisas para tratamento térmico da Centrifugal para a Centrinel e o respectivo retorno da Centrinel para a Centrifugal das mesmas camisas. Entende a Recorrente que a solução para o caso seria considerar a data da emissão da nova nota fiscal como data de saída; c) O art. 252, I do RIPI/82 não autoriza reputar como inidônea a nota fiscal que não contiver apenas o requisito exigido no inc. VII do art. 242 do RIPI/82 e sim a que não observar os outros também; d) Nenhuma prova material foi produzida, preferindo a decisão prestigiar o caminho fácil e ilegítimo adotado pela fiscalização da inversão do ônus da prova, violentando expressa disposição legal (art. 223, §2o do RIR/94) aplicável à espécie, em razão do critério técnico que deveria ter presidido o levantamento físico e quantitativo de estoques iniciais e fiscais conciliados com a movimentação de mercadorias em cada ano; e) No direito tributário o ônus da prova recai sobre o Fisco e essa regra somente será excepcionada pela via de presunção quando a lei expressamente autorizar, o que não se observa neste caso; f) Tais operações não são passíveis de registro no Livro Diário, pois possuem natureza puramente fiscal. As operações em comento não deveriam ter sido objeto de lançamentos contábeis pois possuem repercussão meramente fiscal, ou seja, devem ser registradas nos Livros de Entrada e Saída e se fazer acompanhar das respectivas notas fiscais, o que efetivamente ocorreu; g) Nas operações para guarda e retorno a recorrente debitouse do IPI, lançandoos no RAIPI para os devidos efeitos legais; h) O art. 46 da Lei 9.430/96 determina que a multa de que trata o art. 80 da Lei 4.502/64 é de 250% e não de 300% como aplicou os julgadores da DRJ/RJ. É o breve relato do necessário. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira Ângela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Cingese a controvérsia quanto à ocorrência ou não de omissão de receita na saída de produtos tributados, tendo em vista que a ora recorrente teria efetuado vendas através de notas fiscais sem o lançamento do IPI, bem como, se utilizado indevidamente do instituto da suspensão do IPI. Foram juntadas aos autos cópias de notas fiscais emitidas no período em apuração (fls. 122/148), cálculo do estoque (fls. 149/168), assim como as Planilhas de fls. 169/237 que demonstram a emissão e o recebimento de inúmeras notas fiscais irregulares pela ora Recorrente. Para embasar a lavratura do auto, bem como para instruir o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais, foram apreendidas diversas notas fiscais registradas no Livro de Entrada (fls. 90/92, 101/102, 113/118), bem como o próprio Livro de Entrada e de Saída (fl. 100). Dos documentos que o contribuinte anexou, por ocasião do contraditório, é pertinente mencionar a cópia das notas fiscais de fls. 294/301, emitidas pela CENTRINEL S.A. DA VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL E DA OMISSÃO DE RECEITAS É fato gerador do Imposto Sobre Produtos Industrializados –IPI a saída de produto industrializado do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, consoante o art. 29, II do RIPI/82. O IPI é tributo que tanto se sujeita ao lançamento de ofício quanto por homologação, sendo este último o ato por meio do qual o contribuinte procede à verificação da ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e efetua o pagamento no prazo estabelecido em lei, cabendo ao Fisco apenas a conferência da apuração e do pagamento realizados, sendo esta a modalidade mais comum. Pertinente mencionar que o IPI é devido no momento em que o produto sai do estabelecimento industrial ou a ele equiparado, devendo ser lançado pelo contribuinte através da nota fiscal de venda (art. 55, I, “b” e II, “c”, ambos do RIPI/82). Neste contexto, depreendese da leitura dos autos que nos anos de 1992 a 1994, a ora recorrente, emitiu juntamente com seu estabelecimento filial e CENTRINEL S.A inúmeras notas fiscais, informando algumas operações de venda, e nas demais “remessa”, “para industrialização”, “simbólica”, “para guarda”, “de devolução”, “para efeito de transporte”, “de retorno de industrialização”, “de retorno simbólico” e a título de “simples remessa”, conforme se observa das notas fiscais de fls. 122/ 130 e planilha CENTRI41.XLS (fls. 189/225). Fl. 509DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 A fiscalização relata, ainda, que todas as notas fiscais anotadas como sendo de “remessa”, a diversos títulos, não foram objeto de quaisquer lançamentos contábeis, nos anos calendários de 1993 e 1994, e somente foram contabilizadas, em parte, no ano calendário de 1992. Apesar de encontraremse, em sua totalidade, e em todos os períodos apontados, registradas nos Livros de Saída, dos estabelecimentos emitentes; de Entrada, dos estabelecimentos destinatários; e no RAIPI de ambos, embora, em sua maior parte, como operações sem débito do imposto. Preceitua o art. 242 do RIPI/82 que a nota fiscal conterá: Art. 242 A Nota Fiscal conterá: I a denominação "Nota Fiscal"; II o numero de ordem, serie, subserie e numero da via; III a natureza da operação de que decorrer a saída (venda, transferência, conserto, devolução, consignação, remessa para fins de demonstração, de industrialização ou qualquer outro, locação, doação e outras saídas); IV a data da emissão; V o nome, endereço e números de inscrição, do estabelecimento emitente, no Cadastro Geral de Contribuintes e no Fisco estadual, podendo constar o endereço de mais de um estabelecimento, se for indicado, de forma destacada, o do estabelecimento que emitir a Nota; VI o nome, endereço e numero de inscrição, do estabelecimento destinatário, no Cadastro Geral de Contribuintes e no Fisco estadual, alem de outras indicações que venham a ser exigidas em atos normativos; VII a data da efetiva saída dos produtos; VIII a quantidade e discriminação dos produtos por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade, numero, se houver, e demais elementos que permitam sua perfeita identificação; IX a classificação dos produtos por posição, suposição e item da Tabela (oito dígitos); X os valores, unitário e total, dos produtos, e o valor total da operação; XI a alíquota e o valor do imposto, quando for o caso, sendo permitido um único calculo do imposto pelo valor total, se os produtos forem de uma mesma posição, suposição e item; XII o valor tributável, quando diferente do valor da operação, e o preço de venda no varejo ou no atacado, quando a ele estiver subordinado o calculo do imposto; XIII o nome e endereço do transportador, e o numero da placa do veiculo condutor; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 9 9 XIV a forma de acondicionamento dos produtos, bem como a marca, numeração, quantidade, espécie e peso, liquido e bruto, dos volumes; XV o nome, endereço e números de inscrição, do impressor da Nota, no Cadastro Geral de Contribuintes e no fisco estadual, a data da impressão, a quantidade de Notas impressas, o numero de ordem da primeira e da ultima Nota e respectiva serie e subserie, e o numero da autorização para impressão; XVI outros elementos de interesse do emitente, que não prejudiquem a clareza do documento; XVII o Código Fiscal de Operações, anexo a este Regulamento. Sabendo que o fato gerador do IPI ocorre quando da saída do produto do imposto do estabelecimento industrial ou equiparado, a informação da efetiva saída dos produtos na nota fiscal se mostra elemento verdadeiramente essencial do documento para a apuração e lançamento do tributo. No entanto, percebase que a data da saída da mercadoria é o único item que não está de acordo com o disposto no artigo antecedente. O § 4º, do artigo 277 do RIPI/82, dispõe acerca da ausência de data de saída no documento fiscal, ou seja, considerarseá a data da emissão da nota fiscal como data da saída, in verbis: Art. 277 .... §4º Quando se verificar, à vista da via conservada no talonário ou na sanfona, ou da cópia feita no livro Copiador, que a Nota Fiscal não contém a data de saída dos produtos, considerarseá, para efeito de ocorrência do fato gerador , que a saída se realizou no dia da emissão da Nota, sem prejuízo do disposto no artigo 252" (grifos nossos) Portanto, este fato por si só não caracteriza intuito de dolo, fraude, ou qualquer outro ato ilícito de que se possa cogitar, o que seria mero descumprimento de obrigação acessória. Conforme entende o recorrente, no entanto, o descumprimento não se esgota nesse ponto. Caracterizase omissão de receita todo o procedimento realizado pela empresa que importe em venda de mercadorias e prestação de serviços, assim como, operações de pagamentos das obrigações e manutenção da atividade quando o contribuinte não apresente o registro contábil nem documentação hábil e idônea que dê suporte a estas operações. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica, consoante estabelece o art. 41 e seus parágrafos, do RIR/82. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Há de se destacar o fato de que além de emitir centenas de notas fiscais de remessa com sua filial e CENTRINEL S.A sem a efetiva data de saída do produto, a CENTRIFUGAL nunca foram contabilizadas e inventariadas corretamente. Por tal razão tais documentos fiscais fazem prova contra a contribuinte, que em momento algum conseguiu infirmar as alegações fiscais. A presunção de omissão de receitas se deu na data da emissão das notas fiscais, assim como pelo seu valor declarado, nas notas fiscais de "remessa", no estabelecimento fiscalizado ser seu emitente, e na data do seu registro no Livro de Entrada, quando destinatário, do que resulta, consequentemente, a venda, de um para o outro estabelecimento da outra empresa, das mercadorias sem emissão da correspondente Nota Fiscal de Venda e, portanto, sem o destaque do IPI devido. Cumpre, ainda, esclarecer que o contribuinte foi intimado inúmeras vezes para: · Apresentar os documentos que provassem a efetividade das operações anotadas nas referidas notas de “remessa”; · Apresentar o controle permanente de estoque; · Apresentar o Registro de Inventário das mercadorias discriminadas nas referidas notas fiscais; · Comprovar o efetivo reingresso e reincorporação ao estoque dos produtos apontados nas notas fiscais de “remessa”; · Informar em que páginas do Livro Diário encontravamse efetuados os lançamentos contábeis das referidas notas; Contudo, apesar de intimada, em todas as ocasiões a autuada quedouse inerte. Do exame do conjunto probatório percebese que a fiscalização logrou em demonstrar a existência de fortes indícios que apontam para omissão de receitas nos anos de 1992 a 1994. A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório invertese em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que tais operações não foram realizadas ao arrepio da lei.1 É bem verdade que a autuada apresentou por ocasião do contraditório, as notas fiscais de fls. 276, 278, 291 e 293/301, mas que também não comprovam o alegado por estarem despidas das formalidades legais. DO USO INDEVIDO DA SUSPENSÇÃO DO IPI Em que pese o usufruto indevido da suspensão do IPI, eis o que relata o auditor fiscal no auto de infração impugnado: 1 Processo 15504.002550/201121. Acórdão 1401000.861. 1ª SJ/ 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Julgado em 12/09/2012. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 10 11 O estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributado sem lançamento do IPI, através de diversas Notas Fiscais, apontadas na Planilha CENTRI41.XLS em anexo, sem que delas constasse a data da efetiva saída dos produtos e, por isso mesmo, reputadas inidôneas neste Auto de Infração, por força das disposições contidas no inciso I, do art. 252, combinado com o inciso VII do art. 242, ambos do RIPI/82, e utilizandose indevidamente do instituto da suspensão do imposto, ou em alguns casos, qualquer modo, com insuficiência do IPI devido. E assim o é, porque, frente a regra contida no caput do referido art. 252, os documentos fiscais considerados inidôneos prestam se, apensas de prova em favor do Fisco. Por outro lado, o fato gerador do imposto é a saída do produto do estabelecimento industrial ou equiparado (art. 29, II, do RIPI/82), sendo devido o imposto independentemente da finalidade do produto e do título jurídico da operação (art. 32 do RIPI/82) Ainda assim não fosse, em alguns casos, o estabelecimento não poderia mesmo terse utilizado do INSTITUTO DA SUSPENSÃO DO IPI EM OPERAÇÕES COMO AS DE “REMESSA PARA GUARDA EM ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL DE INTERDEPENDENTE”; NEM AS DE VENDA, TAMBÉM PARA INTERDEPENDENTE E PARA O MERCADO INTERNO, DE MATÉRIAS PRIMAS ADQUIRIDAS PARA USO PRÓPRIO; MUITO MENOS AS DE SAÍDA DE MERCADORIAS SEM QUALQUER ESPECIFICAÇÃO DE SUA NATUREZA, eis que tal instituto da SUSPENSÃO do imposto não agasalha operações dessa natureza. As hipóteses de saída do produto com suspensão do IPI estão previstas no art. 36 do RIPI/82. Destaco as situações dos dois incisos iniciais posto que são pertinentes para o deslinde da controvérsia: Art. 36 Poderão sair com suspensão do imposto: I as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados a industrialização, desde que os produtos industrializados devam ser enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos (Lei nº 4502/64, Art. 5º, II, "a"); II os produtos que, industrializados na forma do inciso anterior, forem remetidos ao estabelecimento de origem, desde que por este sejam destinados a comercio, a emprego como matériaprima ou produto intermediário em nova industrialização, ou a emprego no acondicionamento de produto tributado, e o executor da encomenda não tenha utilizado, na respectiva operação, produtos tributados de sua industrialização ou importação (Lei nº 4502/64, Art. 5º, II, "b"); Como já se relatou, a autuada emitiu inúmeras notas fiscais com suspensão de IPI ao amparo do art. 36, I e II do RIPI/82, em alguns casos, com falta ou insuficiência do IPI Fl. 513DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 devido, para a sua interdependente CENTRINEL S.A e sua filial, nos anos de 1992 a 1994, nos quais a natureza da operação informada foi de “simples remessa”, “para industrialização, “simbólica’, “para guarda”, “devolução”, “para efeito de transporte”, “de retorno de industrialização”, “de retorno de guarda”, “de retorno simbólico” e “simples remessa”. Outrossim, a autuada recebeu inúmeras outras notas fiscais com suspensão de IPI da CENTRINEL S.A e sua filial, no mesmo período de apuração, todas “de remessa” a diversos títulos, como “simples remessa p/ guarda”, “simples remessa”, “remessa p/ industrialização”, “para efeito de transporte” e algumas não especificadas, pelo que se observa da planilha CENTRI51.XLS (226/237). Como se não bastasse, a fiscalização não encontrou a escrituração desses produtos no Livro Registro de Inventário da empresa, nem das demais envolvidas nessas operações. Do excerto transcrito acima, percebese que é condição para o usufruto da suspensão que os produtos remetidos retornem ao estabelecimento de origem. O Livro de Registro de Inventário destinase a arrolar, pelos seus valores e com especificações que permitam sua perfeita identificação, as MP, PI, ME, produtos acabados e produtos em fase de fabricação existentes em cada estabelecimento à época do balanço da firma. Deverão ser separadamente arrolados as MP, PI, ME e produtos manufaturados pertencentes ao estabelecimento, em poder de terceiros, assim como, aquelas, os produtos acabados e produtos em fabricação, de terceiros, em poder do estabelecimento. Não merece guarida o argumento do sujeito passivo de que as operações em comento não deveriam ter sido objeto de lançamentos contábeis por possuírem repercussão meramente fiscal, porquanto o Livro de Registro de Inventário é de uso obrigatório inclusive para a contabilidade, sendo imprescindível para o cálculo do lucro da empresa, controle fiscal e aferimento da ocorrência de ilícitos tributários. O art. 111, I, do Código Tributário Nacional preceitua que deverá ser interpretada de forma literal a legislação tributária que disponha sobre suspensão de crédito tributário. Não satisfeitas as condições para a suspensão do IPI, o imposto será imediatamente exigível. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Outro ponto objeto de impugnação pelo sujeito passivo foi a multa reduzida pela DRJ de 600% sobre o imposto não destacado, prevista no art. 368 c/c art. 364,III, 352, II e 351, todas do RIPI/82, para 300% em virtude da alteração do percentual básico estabelecido no art. 45 da Lei 9.430/96, em função do art. 106,II, “c” do CTN que permite a retroatividade benigna da lei quando cominar penalidade mais branda. O contribuinte requereu a redução da multa de ofício para 225%, com fulcro no art. 46 da Lei 9.430/96. Neste ponto, entendo que a decisão recorrida deve ser reparada. O art. 364 do RIPI/68 determina que a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, ou a falta de recolhimento do imposto lançado Fl. 514DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 11 13 nesta, porém não declarado ao órgão arrecadador, no prazo legal e na forma prevista no regulamento do IPI, sujeitará o contribuinte à multa de ofício. Por sua vez, o inciso III daquele mesmo dispositivo, permitia o agravamento da multa, constatada infração qualificada, qual seja, a existência de fraude, conluio ou sonegação. Da leitura da descrição dos fatos e enquadramentos legais do auto de infração, bem como compulsando as provas acostadas pela fiscalização, percebese que o auditor logrou êxito em comprovar de forma clara e cristalina a emissão irregular de notas fiscais e o usufruto indevido da suspensão do IPI por parte da ora Recorrente. Conforme se observa, os demais fatos narrados no auto de infração, apesar de graves, encontramse despidos de lastro probatório aptos a convencer este julgador da realização de operações por parte da autuada com o dolo específico de fraudar ou sonegar à tributação. Não consta nenhum documento fraudulento, notas frias, notas calçadas, mas tão somente notas fiscais que fazem provas contra o contribuinte por não destacar o imposto devido. Importante ressaltar que a presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a incidência da multa de ofício qualificada: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Posto isto, entendo descabida a imposição da multa de ofício agravada e sou pela sua exclusão, impondose a multa do art. 80, caput, da Lei 4502/64 , no percentual de 75%, pela falta de lançamento do valor do IPI na respectiva nota fiscal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, lhe dar provimento parcial, reduzindo a multa de ofício de 300% para 75% com fulcro no art. 80, caput, da Lei 4502/64, pela falta de lançamento do valor do IPI devido na respectiva nota fiscal. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 Dissentiu a Câmara, pelo voto de qualidade, da proposta da i. relatora no sentido de reduzir o percentual da multa aplicada para 75%. Tendo sido minhas as razões que os demais acolheram, designeime para redigir o voto vencedor. Primeiramente, é imperioso repisar que o próprio contribuinte não postulara tal redução, como, aliás, aponta a n. relatora em seu voto. Conforme está ali registrado, o pleito do contribuinte era pela redução para o percentual de 225%, o que, implicitamente, indica o reconhecimento da ocorrência de ao menos uma circunstância qualificativa. E assim de fato o é, porquanto não se pode concordar com a afirmação da dra. Ângela de que não há nos autos qualquer documento fraudado. A essa conclusão só se poderia chegar se houvéssemos afastado –e nem mesmo ela o propôs – a acusação fiscal de que as mercadorias não saíram do estabelecimento como consta nas inúmeras notas fiscais glosadas pela fiscalização. Uma vez, porém, admitido que as notas retratam operações inexistentes, não há outro qualificativo que se lhes possa apor: tratandose de documentos maculados por falsidade ideológica, a eles só se pode chamar mesmo de documentos fraudulentos. E se de fraude se trata, inafastável o comando do art. 72 da Lei 4.502, o que, por si só, já eleva o percentual da multa para 150%. Mesmo assim, ainda caberia analisar a postulação do contribuinte, dado que o percentual de 225% também se destina às infrações qualificadas. Ocorre que a ele somente se chega pela aposição do agravamento previsto inicialmente no art. 80 da Lei 4.502 e convalidado no art. 45 da Lei 9.430/96. Mas tal circunstância não foi cogitada pela fiscalização, valendo aqui relembrar que à época do lançamento a multa na presença de uma única circunstância qualificativa já era de 300%, passando a 600% quando mais de uma qualificativa se fazia presente. A acusação fiscal, com efeito, é de que ocorreram fraude e conluio. A existência do conluio é, pois, o ponto. E o colegiado entendeuo presente especialmente diante do quanto já decidido em primeira instância. Deveras, a DRJ afastou a multa de valor igual ao da mercadoria, previsto para a hipótese de nota fria, sob o argumento de que ela seria incompatível com a figura do conluio. Embora questionável esse posicionamento, parecendonos melhor manter aquela e afastar o conluio, fato é que a decisão da DRJ se tornara definitiva, e afastar a segunda qualificativa implicaria equiparar a situação do contribuinte à daquele que, “meramente” cometeu fraude documental, quando em verdade ele dela se aproveitou em duplicidade. Com essas considerações, o colegiado manteve a multa lançada no percentual já reduzido pela DRJ, isto é, em 300%, sendo esta a parte do acórdão que assumi redigir. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Redator designado. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11080.905516/2008-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator e a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que deram provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente em exercício e Redator designado
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e os Suplentes Paulo Guilherme Deroulede e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator e a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que deram provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício e Redator designado (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e os Suplentes Paulo Guilherme Deroulede e Adriana Oliveira e Ribeiro. RELATÓRIO Trata o presente PER/DCOMP transmitida em 12.11.2004 para realizar a compensação de crédito no valor de R$ 7.645,29, proveniente de IPI recolhido a maior em 10.05.2004. O despacho decisório, emitido em 18.07.2008 e anexo à fl. 01, indeferiu a compensação almejada, sob a justificativa de que o DARF informado em PER/DCOMP foi RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 05 51 6/ 20 08 -8 1 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 11080.905516/200881 Resolução nº 3803000.265 S3TE03 Fl. 481 2 utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pleiteada. Em sua Manifestação de Inconformidade às fls.10/16, o contribuinte afirmou que em 13.08.2004 apresentou DCTF original anexa às fls. 29/100, preenchida com valor de IPI equivocado de R$ 14.297,77, em função de erro material e depois em 22.08.2005, apresentou DCTF retificadora às fls.102/248, referente ao 2º trimestre/2004, informada com valor correto de R$ 6.652,48. Destaca que o valor de R$ 7.645,29, representa a importância recolhida a maior a título de IPI, já que é a diferença entre o valor informado equivocadamente de R$ 14.297,77 e o valor correto do débito do imposto é somente R$ 6.652,48. Citou decisões exaradas pelo CARF com o objetivo de fundamentar o seu direito, alega ser possível corrigir erro de fato, ainda que a retificação da DCTF ocorra após o despacho decisório, consoante dispõe o art. 149, IV do CTN. Já às fls. 252/253 foi anexado Acórdão nº 1034.636 da 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre, denegatório do pedido formulado com fundamento em que a simples alegação de recolhimento a maior de tributo, declarado em DCTF, ainda que posteriormente retificada, não é suficiente para atestar a veracidade dessa afirmação, pois é necessária a apresentação de documentos que comprovem o erro no preenchimento da declaração. Os julgadores “a quo” afirmam que o contribuinte apenas juntou as DCTFs originais e as retificadoras referentes ao 2º trimestre/2004 e falhou na instrução probatória para demonstrar o erro formal alegado. Neste sentido, a DRJ lembra que a DCTF tem caráter de confissão de dívida e por isso a sua retificação somente é admitida com a apresentação de documentos contábeis comprobatórios. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário repisando as alegações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e ainda destacou que no IRPJ informado nas DCTFs originais, referentes ao 2º trimestre/2004, foi apurado no valor de R$ 14.297,77, enquanto que o correto era R$ 6.652,48, conforme informado em DCTF retificadora apresentada em 22.08.2008, cuja diferença no valor de R$ 7.645,29, perfaz o crédito informado em PER/DCOMP. Cumpre informar que o DARF no valor de R$ 14.297,77, recolhido em 10.05.2004, consta anexo no Documento 2. O contribuinte apresentou apenas em seu recurso, Livro Razão relativo a abril/2004 e Livro de Registro de IPI e Notas Fiscais do período, respectivamente no Documento 03, 06 e 07. Afirma que no Livro Razão do período de abril/2004, anexo no Documento 03, está demonstrado o lançamento do débito de IPI no valor de R$ 6.652,29, bem como no Livro de Registro de IPI, juntado no Documento 06. Destaca que também é possível verificar o valor do débito no saldo anterior referente ao IPI escriturado na 1ª quinzena de maio/2004. Esclarece que no Livro Razão anexo no Documento 5, consta o lançamento do valor de R$ 14.297,77, recolhido indevidamente a título de IPI. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 11080.905516/200881 Resolução nº 3803000.265 S3TE03 Fl. 482 3 Explica que às fls. 22/24 do Livro de Registro de Apuração do IPI relativo à 2ª quinzena de abril/2004, anexo no Documento 06, é possível verificar o débito do imposto no valor de R$ 6.652,48, que por sua vez é originário da apuração do crédito no valor de R$ 3.907,98, em contraposição ao débito de R$ 10.560,46. Esclarece ainda que as notas fiscais de entrada do período, juntadas aos autos, originam o crédito de R$ 3.907,98. O contribuinte colaciona aos autos decisões do CARF para demonstrar que é possível a comprovação do erro no preenchimento da DCTF, ainda que posteriormente ao despacho decisório, com fulcro no princípio da verdade material. Ao final, requer a reforma da decisão e a homologação do pedido de compensação informado em DCTF retificadora. É o relatório. VOTO Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani Relator O recurso é tempestivo, atende às demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A lide em análise versa em saber se o contribuinte conseguiu ou não fazer prova a respeito do crédito no valor de R$ 7.645,29, proveniente de IPI recolhido a maior em 10.05.2004 Compulsando os autos, verificase que o recorrente não obteve êxito em eximirse do ônus probatório de seu direito no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, pois juntou somente no Recurso Voluntário a documentação contábil e fiscal necessária para comprovar a origem do crédito que insiste ter. Ao meu juízo, restou demonstrado no Recuso Voluntário o direito ao crédito no valor de R$ 7.645,29, principalmente quando se verifica dos lançamentos contidos no Livro Razão anexo, a apuração do IPI no valor de R$ 14.297,77, bem como no Livro de Apuração do IPI o débito correto do imposto no valor de R$ 6.652,48. Consequentemente, está devidamente demonstrado o recolhimento indevido R$ 14.297,77, realizado em 10.05.2004, por meio do DARF juntado aos autos. Ademais, retirase do princípio da verdade real que uma vez demonstrado o direito creditório, ainda que intempestivamente, por meio da apresentação de documentos contábeis e fiscais do período discutido, a Fazenda Nacional está obrigada a homologar o pedido de compensação formulado. Neste sentido é o posicionamento da jurisprudência do CARF, conforme se verifica do Acórdão nº 20402364 do Processo 10805001679/200212, julgado em 26.04.2007 pelo Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária: “COFINS. EQUIVOCO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. Erro no preenchimento de DCTF, devidamente comprovado por documentação contábil fiscal da contribuinte, não enseja cobrança de tributo indevido. Recurso Provido”. Deste modo, resta tão somente reconhecer o direito do contribuinte para que seja homologado o pedido de compensação informado em DCTF retificadora, tendo em vista ter Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 11080.905516/200881 Resolução nº 3803000.265 S3TE03 Fl. 483 4 sido comprovado o equívoco em seu preenchimento, por meio da juntada de Livro Razão, Livro de Apuração de IPI e Notas Fiscais do período. Diante do exposto,dou provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani VOTO VENCEDOR Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado Conforme acentuou o nobre Relator, a Recorrente trouxe aos autos registros e documentos contábeis e fiscais que acenam fortemente para a verossimilhança da sua alegação de existência de crédito de IPI decorrente de pagamento a maior no mês de abril, a convencer este Colegiado pelo acolhimento desses dados e inclinálo na direção do provimento do recurso. Porém, não antes, como entende a maioria, da manifestação da Delegacia de origem. Dessarte, com fundamento no art. 18, I, do Anexo II, do RI/CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre ateste a autenticidade dos registros contábeis/fiscais (Razão e LRAIPI), no cotejo com os originais, e, à vista destes e respaldado, se necessário, nas notas fiscais presentes, confirme o correto valor do IPI de abril de 2004 apurado pela Contribuinte em R$ 6.652,48. Após a verificação, dêse ciência à Interessada para que se manifeste no prazo 30 dias, conforme dispõe o art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 2011, retornando, em seguida, estes autos para o CARF. É como voto. Sala das sessões, 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 13706.002772/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROVA DE PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A comprovação do pagamento dos tributos confessados em DCTF, efetuados dentro do prazo legal, extingue o crédito tributário.
Numero da decisão: 1302-001.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matozinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A comprovação do pagamento dos tributos confessados em DCTF, efetuados dentro do prazo legal, extingue o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matozinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 27 72 /2 00 3- 31 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 Relatório Versa o presente processo sobre auto de infração de IRPJ no valor de R$ 2.803.832,61, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, juros pagos a menor de R$ 4.424,51, e multa isolada de R$ 331,838,54, relativas aos 2º, 3º e 4º trimestres de 1998. Cientificada do lançamento a autuada apresentou impugnação acompanhada dos documentos de fls. 6 a 57, alegando que o imposto já havia sido recolhido no prazo, conforme cópia dos DARF´s de fls. 46 à 57, e finalmente requer a anulação do auto. Foi feita uma Revisão de Ofício cancelando a multa isolada, em razão da aplicação do regime mais benéfico dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e mantendo os demais créditos. Cientificada a sucessora da interessada apresentou manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos de fls. 109 a 135, reafirmando que recolheu os tributos antes de seu vencimento. Alega ainda cerceamento de direito de defesa, pelo indeferimento da perícia contábil, por não ter tido acesso aos autos antes do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, bem como da inobservância do devido processo legal. A 5ª Turma da DRJ/RJ1, pelo acórdão de nº 1249.713, por maioria de votos julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo a cobrança relativa aos juros de mora no montante de R$ 4.424,51 e recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 NULIDADE. PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia, sem indicação dos quesitos a serem respondidos, bem como do nome, endereço e qualificação profissional do perito. A não apreciação de pedido de perícia, nestes casos, não importa em nulidade, por cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VISTA DOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. Não incorre em nulidade a revisão de lançamento, efetuada após a impugnação, e que manteve em parte os créditos tributários previamente lançados, cujo processo não foi dada vistas ao contribuinte após a ciência da decisão que revisou a autuação, uma vez que não há prejuízo para defesa do autuado, realizada com a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. PROVA DO PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A comprovação do pagamento dos tributos confessados em DCT efetuados dentro do prazo legal, impõe o reconhecimento da extinção dos créditos tributários e a improcedência da autuação por falta de pagamento do imposto. PAGAMENTO COM ATRASO. ESTIMATIVA. LANÇAMENTO APÓS O TERMINO DO ANOCALENDÁRIO. JUROS. CABIMENTO. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 13706.002772/200331 Acórdão n.º 1302001.158 S1C3T2 Fl. 237 3 Cabe o lançamento de juros, efetuado após o término do anocalendário, por eventual pagamento com atraso de imposto incidente sobre base de cálculo estimada, com base no artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Intimada em 22/11/12, a autuada recolheu o saldo mantido pela DRJ e não apresentou recurso voluntário. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da SilvaRelator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese observar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, que obriga aos Presidentes de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) a recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00. No caso em tela, ao somar os valores correspondentes aos tributos e multa exonerados em primeira instância, se verifica que superaram o limite de um milhão de reais estabelecido pela norma referência, portanto, é cabível o recurso de ofício e dele conheço. Em impugnação a interessada alegou que já efetuara o pagamento dos débitos confessados em suas DCTF´s de 1998 e apresentou como prova os Darf´s dos respectivos períodos de apuração, devidamente autenticados. Ressaltase que a autuada, por erro, transmitiu declaração complementar, relativamente aos 2º e 4º trimestres, quando deveria ter transmitido declaração retificadora. A declaração em duplicidade foi considerada nova dívida, e, portanto, a DRJ, corretamente extinguiu os créditos tributários. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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