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Numero do processo: 11060.002802/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS.
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), José Valdemir da Silva e Flavio Araujo Rodrigues Torres que davam provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), José Valdemir da Silva e Flavio Araujo Rodrigues Torres que davam provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 28 02 /2 00 9- 11 Fl. 3807DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.808 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 3726), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 119 a 133) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.924,36, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente na D1RPF, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 136 a 172. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. I. Lançamento, contra o contribuinte, de juros de mora já lançados contra a FATEC, bis in idem tributário. a) A Auditoria lançou, a debito do Contribuinte, juros de mora calculados pela taxa Selic incidentes sobre o Imposto de Renda lançado com base nas bolsas recebidas. b) Ocorre que, recentemente, juros de mora incidentes sobre a mesma base de cálculo, qual seja, imposto de Renda da Pessoa Física, foram lançados contra a Fundação de Apoio á Tecnologia e Ciência. c) Os juros foram lançados contra a FATEC, juntamente com multa, em razão da falta de recolhimento do IR na fonte. Apesar de se tratar de um título de recolhimento diferente, eventualmente sob uma alíquota diferente, é óbvio que tratase do mesmo imposto que está sendo cobrado da contribuinte, sobre o mesmo falo gerador; logo, sendo idêntica a natureza do principal, idêntica é a natureza do acessório. Transcreve o disposto no art. 4o do CTN: d) Pelo exposto, requer a decretação da nulidade do Auto de Infração. II. Boafé. Uso arraigado da isenção nas fundações. Fiscalização dentro do período que não apontou irregularidade. Basicamente, o AFRFB encarregado do cumprimento do MPF apresentou, como motivo para o Lançamento de Ofício, a acusação de que o Contribuinte teria apresentado, nos anos base afetados, "declaração inexata", fundamentando a opção no art. 841, III do RIR/99. Fl. 3808DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.809 3 No caso, a "inexatidão" consistiria em "classificação indevida de rendimentos na DIRPF", consubstanciada pela declaração, na qualidade de rendimento isento, de bolsas recebidas pelo Contribuinte no período afetado. Ocorre que o Contribuinte, ao classificar suas Bolsas como rendimento nãotributável, não errou nem agiu de máfé. Ao revés, seguiu orientação da Lei e de seus regulamentos, bem como das práticas reiteradamente adotadas pela DRF de Santa Maria na interpretação do alcance e da incidência da isenção concedida pelas leis 8.958/94 e 9.250/95 e seus regulamentos, notadamente o Dec. 5.205/04. Ou seja, não se trata de inexatidão; mas sim, da aplicação de uma interpretação juridicamente válida e até então pacificamente aceita, c compartilhada pelos próprios AFRFB lotados em Santa Maria. Vale dizer que o entendimento do contribuinte, que era também o da Receita, é no sentido de que suas bolsas são NÃO TRIBUTÁVEIS, embora a Declaração não lhe permita fazer diferença entre essa natureza e a de "receita isenta". Em 31 de maio de 2001, o Auditor Fiscal da Receita Federal Jorge Wagner Berguenmaier Corrêa intimou a Fundação, pelo MPF 1010300 2001 000714, referente às bolsas pagas, onde então verificou o cumprimento das obrigações fiscais. Logo, houve fiscalização sobre os mesmos fatos analisados pela presente autuação, sem que fosse apontada a suposta irregularidade agora lançada. Como houve fiscalização específica sobre o cumprimento das obrigações fiscais relativamente às bolsas de estudo e pesquisa, com análise de toda a documentação pertinente, restou consolidado o entendimento de que as bolsas em questão não sofrem a incidência do IRRF. Por conseguinte, este critério jurídico deve ser respeitado, até o momento em que a administração muda de entendimento. Como no caso cm tela tratamos de modificação de interpretação jurídica, e não erro de fato, deve vigorar o entendimento que até então era aceito. Nesse sentido, o contribuinte cita a doutrina. Transcreve ementas da jurisprudência judicial. Pelo exposto, requer que, em face de ter o Contribuinte agido: A) com base em prática arraigada em situações de fato e de direito análogas ou idênticas; B) de ser tal prática aceita pelas autoridades competentes; C) de ter sido o sistema de bolsas da FATEC, no qual se origina a matéria de fato, ter sido sucessivamente fiscalizado cm 1996, 2001 e 2005, com ênfase especial em 2001, e de não ter sido constatada nenhuma infração em tais ocasiões, corroborando a prática em vigor; D) de ter agido o Contribuinte de boafé, ao declarar suas bolsas Fl. 3809DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.810 4 como nãotributáveis, de acordo com o informe assim rotulado, que lhe foi entregue pela FATEC; E) de acreditar a contribuinte, assim como já interpretou a SRF, que as bolsas que recebeu são, de fato e de direito, nãotributáveis, como abaixo se comprovará. Seja o Auto de Infração Anulado, por conter multa e juros de mora indevidos, a teor do disposto no art. 100, § único do CTN. III . Efeito confiscatório art. 150, IV da CF Princípio dos motivos determinantes. O Auto de Infração deve ser anulado, por representar o uso indevido da legislação tributária com intenção confiscatória proibida pela Constituição Federal. IV. Configuração dos requisitos para isenção Está ao abrigo da isenção preconizada pelas leis 8.958/94, 9.250/95 e pelo Decreto 5.205/04. Suas atividades preenchem plenamente os requisitos estabelecidos pela legislação; ou seja, sua declaração, nesse sentido e contexto, foi perfeitamente exata, afastando o fundamento principal do Lançamento de Ofício. A legislação invocada no AI como delimitadora da outorga de isenção: Lei 9250/95, Lei 8958/94 e Decreto 5.205/04 estabelece o seguinte conjunto de requisitos: 1. Que a bolsa seja caracterizada como doação (sendo, portanto, inadmitida a contraprestação de serviços, exceto no caso de extensão); 2.Que a bolsa seja de estudo, pesquisa ou EXTENSÃO; 3. Que os resultados do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão não revertam ECONOMICAMENTE para o doador da bolsa. A bolsa é uma doação em dinheiro, titulada, no caso em tela, pela FATEC como doadora e pelo contribuinte como donatário. De acordo com a legislação civil em vigor, o proprietário do dinheiro é seu possuidor, se o detiver em nome próprio. Destarte, sempre que houver faturamento, o legítimo proprietário do dinheiro é o faturante, e, portanto, se pagar bolsa a alguém, é o donatário legítimo. Em relação a esse donatário, portanto, é que todas as normas de relacionamento bilateral da doação serão aplicadas. A definição do que vem a ser bolsa de ENSINO, ou ESTUDO, ou EXTENSÃO, no caso em tela, deixa pouca margem para a hermenêutica. O Dec. 5.205/04 há que discutir: bolsa de ensino constituise em instrumento de apoio e incentivo a projetos deformação e capacitação de recursos humanos. Fl. 3810DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.811 5 Ou seja. tratase de incentivo ao ensinador. Salvo melhor juízo em contrário, ensinar é prestar serviço, e, novamente, da essência do instituto. Ou seja: tratase de uma prestação de serviços permitida, normalmente porque o discente não é a mesma pessoa que doa a bolsa. A bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica c tecnológica apoiada. Pelo último requisito, o doador da bolsa não pode obter benefício econômico com o resultado do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão; ou, em bom português, não pode obter LUCRO. Benefício econômico é aquele que permite sua apreciação em unidades monetárias, ou em vantagem competitiva que igualmente se traduz em vantagem financeira ou na sua potencialidade. No caso de pesquisas, é comum a "encomenda". Um interessado no esclarecimento de dado fenômeno pede a pesquisa, paga por ela, e recebe seus resultados. A partir daí, dois podem ser os caminhos: ou o encomendante tornase monopolista do resultado, seja por cláusula de sigilo, seja por patente, ou o encomendante recebe um resultado que também será encaminhado ao domínio público através de lese, dissertação ou ensaio. No primeiro caso, ainda é de se lembrar que normalmente a encomenda é objeto de faturamento, ou seja, a Fundação torna se proprietária do meio de pagamento e, portanto, é a legítima doadora da Bolsa. No segundo caso, embora o encomendante receba uma contraprestação, um Resultado, a falta da exclusividade ou monopólio retira dessa contraprestação o caráter de benefício econômico, pois coisa que é de iodos não concede vantagem especial a ninguém. E importante lembrar que o sistema de relacionamento Universidade Fundação Docente foi idealizado de modo que os institutos comuns da legislação civil permitissem o efeito isenção. A intermediação da Fundação destinase exatamente a evitar que o Docente estabeleça relacionamento direto com o Mercado, bem como a vincular os fins de sua atividade aos pilares da educação superior Ensino, Pesquisa e Extensão. Fl. 3811DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.812 6 Quando a Fundação emprega Laboratórios c Recursos Humanos da Universidade para desenvolver atividades abrangidas pela Lei 8.958, é comum a inclusão de algum serviço no relacionamento com o Mercado; um serviço que nunca é a finalidade do projeto, mas normalmente serve corno fonte de arrecadação para o desenvolvimento de estudos, pesquisas e extensão. Destarte, a Fundação aparecerá, na maioria dos casos, como doadora das bolsas, sem obter com isso nenhum proveito econômico nem contraprestação de serviços do docente. Sua interposição não é fraude, mas decorrência legítima de um sistema legal; e os seus contratantes não possuem relação alguma com o docente, eis porque podem receber seus serviços sem que se configure uma CONTRAPRESTAÇÃO. Concluindo, pelo disposto no art. 110 do CTN, as definições jurídicas empregadas na legislação civil não poderão ter sentido diferenciado no campo tributário. Ou seja, todas as definições atinentes ao direito dos contratos, em especial aos contratos de doação e prestação de serviços e às definições de prestação e contraprestação; ao direito das coisas, em especial à propriedade do dinheiro; à natureza das atividades universitárias, em especial à definição de ensino, pesquisa e extensão; não podem receber diferente sentido para definir obrigação tributária. Pelo exposto, IMPUGNA o sentido dado pelo AFRFB responsável pela autuação à legislação pertinente, por ser ofensivo à real aplicabilidade da isenção às bolsas em geral. V. Fundamento econômico da isenção favorecimento do PIB e do patrimônio público por via diversa da tributária A isenção e incentivo econômico e não meramente Financeiro As isenções sempre são fundamentadas em um interesse do Estado que seja maior ou mais importante que a receita renunciada. Dessa forma, a isenção serve para estimular o desenvolvimento de atividades econômicas incipientes; para estimular o desenvolvimento de certa região geográfica; para incrementar a capacidade competitiva de certo setor econômico em face da concorrência internacional; para combater crises; para privilegiar cidadão em situação fática especial, como certos doentes; e muitas outras razões da mais alta importância. No caso em tela, a isenção se presta a privilegiar o Docente que, por sua iniciativa, busca desenvolver as atividades não obrigatórias de ensino, pesquisa e extensão. Mais recentemente, o processo de inovação tecnológica foi oficialmente estatizado pela Lei 10.973. que igualmente trouxe importantes incentivos para os docentes universitários, além da bolsa. Fl. 3812DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.813 7 E perfeitamente claro que a incorporação de desenvolvimento e de capital intelectual à nação Brasileira é muito mais valiosa e importante que a renúncia fiscal consistente na isenção c é a sua razão de ser. Tratase de uma forma de arrecadação extrafiscal, acrescida de arrecadação reflexa decorrente de novos negócios e atividades baseados em tecnologia e conhecimento nacionais. Destarte, uma interpretação que anule a possibilidade de isenção vai de encontro ao sistema idealizado pelas leis 8.958 e 10.973, frustrando os objetivos estratégicos do Estado assim envolvidos, e, portanto, ofendendo a baliza teleológica da interpretação. VI. Relação de trabalho Art. 43 do RIR x Doação com encargos nãoincidência do IR Incompetência material da SRF O RIR/99 dá dois tratamentos possíveis a bolsas de estudo: ou a isenção, pelo art. 39, ou a tributação, pelo art. 43,1. O caso de isenção e seus requisitos já foram exaustivamente analisados. O caso de tributação, ao contrário do que possa parecer, não é de mera aplicação alternativa dos dispositivos supracitados; mas cumulativa. Ou seja, não só a bolsa deve deixar de preencher os requisitos de isenção, mas também deve preencher os requisitos de tributação do art. 43, I. Ou seja: a bolsa de estudo e pesquisa deve ser resultado de contrato de trabalho assalariado ou resultar do exercício de cargo, emprego ou função. Ocorre que a FATEC nunca toma a iniciativa de um projeto. Os projetos sempre são de iniciativa dos Professores, que possuem as equipes e a previsão dos recursos necessários para sua execução. Logo, tratase da primeira desconfiguração de incidência do IR. A segunda desconfiguração vem do fato que os Professores bolsistas não detém cargo, nem emprego nem função na FATEC. Não são contratados, nem formal nem informalmente, para prestar serviços. A relação entre as partes é totalmente voluntária, sem subordinação, dependência econômica ou obrigação de assiduidade. A terceira vem do fato de que normalmente as ações que possam ser identificadas como contraprestação de serviços ficam ao encargo dos alunos, na qualidade de prática profissional, ou, a cargo dos empregados da FATEC. Ainda há o caso especial da Bolsa de Extensão, que não foi prevista no dispositivo supracitado, mas está prevista como isenta no dec. 5.205/04.Logo, ou a bolsa de extensão é isenta, ou, é caso absoluto de nãoincidência,por falta de previsão expressa (como fato gerador). Fl. 3813DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.814 8 Logo, observase que, uma vez que, no caso em tela, não estão preenchidos os requisitos para tributação, mesmo que eventualmente não se configure a isenção, a situação é de não tributação pelo IR. Ademais, ao escapar, ao menos em tese, da hipótese de isenção, parece haver sério conflito de competência tributária entre o Estado do RS e a União. Isso porque as bolsas de pesquisa, salvo que sejam fraude ao contraio de trabalho (e este não é o caso), sempre são doação mesmo que com encargos. Como se pode observar do art. 43, I (supracitado), o mesmo é aplicável à bolsa não cm função da mera contraprestação voluntária de serviço; mas da existência de vínculo jurídico de prestação de serviço entre o "doador" c o "donatário". Vejamos: O Contribuinte Donatário nunca teve vínculo jurídico nenhum para com a FATEC. Não mantém contrato de tipo nenhum com a mesma, não lhe deve subordinação, nem dependência econômica, nem assiduidade. Suas obrigações decorrentes do Projeto são apenas morais, para com a UFSM e ninguém mais. Vale dizer, se o Contribuinte deixar de executar as tarefas do Projeto, a Fatec nada pode fazer, exceto deixar de doar a bolsa no próximo mês. Mas não poderá exigir do Contribuinte que faça ou deixe de fazer qualquer tarefa. Igualmente, a UFSM também não o pode exigir. No mesmo compasso, se a FATEC deixar de lhe pagar as bolsas, a legislação não dá ao Contribuinte título jurídico para exigi las. Logo, estamos diante de doação, mesmo que, eventualmente, com encargo a favor de terceiro. Logo, se trata de uma hipótese de NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA, mas pela razão suprema de não haver a incidência da legislação pertinente, conforme a lição da Teoria do Falo Jurídico de Pontes de Miranda. Em tese, pode incidir o ITCMD, instituído no RS pela Lei 8.821/89. Mas isso não diz respeito à Receita Federal. Pelo exposto, requer que o Auto de Infração seja integralmente anulado, por ter sido lavrado em ofensa às normas constitucionais e infraconstitucionais sobre competência tributária, e por ter aplicado Imposto de Renda sobre eventos, que, em tese, são fatos geradores de ITCMD do Estado do Rio Grande do Sul. VII. Amoldamento dos fatos à legislação em vigor Segundo a Fiscalização, os projetos que originaram a autuação, contém contraprestação de serviços, apresentam vantagem para o doador das bolsas e não são de pesquisa, motivo pelo qual as bolsas oriundas dos mesmos foram erroneamente classificadas Fl. 3814DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.815 9 como isentas; fato esse que consistiria em "DECLARAÇÃO INEXATA", fazendo incidir, entre outros dispositivos, os arts. 43 c 841, II, do RIR/99 e o art. 44, I, da lei 9.430. O contribuinte passa a descrever os projetos pelos quais ele recebeu bolsa, com o intuito de demonstrar que não ocorreu contraprestação de serviços, posto que o doador (FATEC) nada ganhou com as doações que fez ao impugnante. VIII Da decadência dos créditos anteriores a 22/10/2004 O contribuinte transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, alegando que segundo o entendimento reiterado daquele Conselho, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário declarado é de 5 anos contados do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4 o do CTN. Pelo exposto, o contribuinte requer: A A juntada dos documentos comprobatórios em anexo aos autos do processo fiscal, para que seja encaminhado ao órgão competente para julgamento e surta seus efeitos legais; B A decretação da nulidade do Auto de Infração, de pleno direito, por: 1. Conter bis in idem tributário; 2. Ser resultante do uso indevido do sistema tributário federal com o fim de provocar efeito de confisco; 3. Resultar da aplicação indevida de multas e juros, contra contribuinte que seguiu orientação jurídica pacificamente aceita e emanada da SRF; 4. Resultar de conduta, cm tese, penalmente típica, por ser presumivelmente de conhecimento da SRF e de seus prepostos o lançamento, contra outro Contribuinte, de parcelas que foram lançadas contra o impugnante; 5. Ter sido lavrado por autoridade incompetente para fiscalizar e tributar fatos geradores relativos à doação; C O reconhecimento de ser o Imposto de Renda nãoincidente sobre fatos geradores caracterizados como doação; D Alternativamente, que sejam as bolsas recebidas pelo Impugnante consideradas isentas do Imposto de Renda, em vista do entendimento da SRF que estava em vigor à época dos fatos geradores; E Sendo as bolsas consideradas nãoisentas, que sejam excluídos do auto os juros já cobrados da FATEC, como acima descrito; Fl. 3815DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.816 10 F Em vista da boafé do contribuinte, e da alteração de entendimento da SRF, que sejam excluídas as parcelas referentes a multa e juros de mora, na forma da legislação aplicável. G O reconhecimento da decadência dos créditos tributários correspondentes a fatos geradores ocorridos antes da data da intimação do impugnante. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: Ementa: NUL1DADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DF.C1SÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucional idade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. DECADÊNCIA. Em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no anocalendário e tendo havido antecipação do pagamento do imposto pelo recolhimento a título de carnêleão ou mensalão, ou mediante retenção do imposto pela fonte pagadora, a contagem do prazo decadencial tem início em 1º de janeiro do anocalendário seguinte. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação de serviços. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Os valores apurados em procedimento fiscal deverão ser submetidos à devida tributação com a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Cientificado em 15/03/2011 (Fls. 3746), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 24/03/2011 (fls. 3747 a 3758), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 3816DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.817 11 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. O auto de infração combatido foi lavrado em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente na D1RPF, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007. Seguindo, verifico que a DRJ julgou improcedente a impugnação por entender não tratarse de doação a bolsa de estudos recebida da FATEC. Em análise aos argumentos trazidos pelo contribuinte quando da ocasião da interposição de seu recurso o mesmo alega que os rendimentos recebidos a título de bolsa preenchem todos os requisitos para a isenção. Argumenta que os valores auferidos são isentos do imposto de renda, pois não representaram proveito econômico nem contraprestação de serviços para a Fundação. Alega que seu vínculo obrigacional é apenas com a UFSM, e que não ocupa cargo, emprego ou função na FATEC. Argumenta que a bolsa é resultado de uma doação, imune ou isenta do IRPF nos termos da lei. A UFSM firmou Contratos de serviços com a FATEC para execução de projetos diversos – pesquisas, produção de material didático etc, nos termos da Lei n° 8.958/94. A FATEC, por sua vez, mediante o fornecimento de bolsas, utilizouse dos serviços do recorrente, docente da UFSM, para executar/desenvolver aqueles projetos. Discutese neste feito a natureza dos valores pagos à título de bolsa pela FATEC ao recorrente se caracterizam eles doação nos termos do art. 26 da Lei n° 9.250/95 e, por conseguinte, verbas isentas do imposto de renda. Eis o que prevê a legislação pertinente: Lei nº 9.250/95 Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde, que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Decreto n° 3.000/99 — Regulamento do Imposto de Renda Art. 39. Não entrarão no computo do rendimento bruto: (...) VII as bolsas de. estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei n 9.250, de 1995, art. 26); Fl. 3817DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.818 12 Lei 8. 958/94 Dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio e dá outras providencias. Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa cientifica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XI11 do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. (...) Art. 4o As instituições federais contratantes poderão autorizar,de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1° desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § Iº A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. Iº desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Decreto n° 5.205/04 Regulamenta a Lei n°8.958/94 Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão celebrar com as fundações de apoio contratos ou convênios, mediante os quais essas últimas prestarão às primeiras apoio a projetos de ensino, pesquisa e. extensão, e de desenvolvimento institucional, cientifico e tecnológico, por prazo determinado. § 1º Para os fins deste Decreto, consideramse instituições federais de ensino superior as universidades federais, faculdades, faculdades integradas, escolas superiores e centros federais de educação tecnológica, vinculados ao Ministério da Educação. § 2o Dentre as atividades de apoio a que se refere o caput, incluise o gerenciamento de projetos de ensino, pesquisa e extensão, e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico. § 3o Para os fins deste Decreto, entendese por desenvolvimento institucional os programas, ações, projetos e atividades, inclusive aqueles de natureza infraestrutural, que devem à melhoria das condições das instituições federais de ensino superior e de pesquisa cientifica e tecnológica para o cumprimento da sua missão institucional, devidamente consignados em plano institucional aprovado pelo órgão superior da instituição. Fl. 3818DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.819 13 (...) Art. 5o A participação de servidores das instituições federais apoiadas nas atividades previstas neste Decreto é admitida como colaboração esporádica em projetos de sua especialidade, desde que não implique prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1o A participação de servidor público federal nas atividades de que trata este artigo está sujeita a autorização prévia da instituição apoiada, de acordo com as normas aprovadas por seu órgão de direção superior. § 2o A participação de servidor público federal nas atividades de que. trata este artigo não cria vínculo empregando de qualquer natureza, podendo a fundação de apoio conceder bolsas nos termos do disposto neste Decreto. Art. 6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o , § 1o , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e. sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. § 1o A bolsa de ensino constituise em instrumento de apoio e incentivo a projetos de formação e capacitação de recursos humanos. § 2o A bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. § 3o A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, cientifico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. (...) Art. 7o As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Da legislação em análise resulta claro que os valores pagos a titulo de bolsa apenas se caracterizam como isentos do imposto de renda caso os resultados das atividades dos estudos ou das pesquisas não representem vantagens para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Além disso, devem estar vinculados a um projeto de pesquisa, ensino ou extensão, ou ainda para o desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições contratantes, elaborado previamente conforme a metodologia científica aplicável à espécie. Fl. 3819DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.820 14 No presente caso, foram objeto de lançamento fiscal os valores relativos às bolsas de extensão pagas pela FATEC ao recorrente referentes a projetos contratados nos anos de 2004 a 2007. Na explicitação dos motivos que embasaram a autuação constou que, na hipótese, não se faziam presentes os requisitos legais para o reconhecimento da isenção, pois os recursos para os pagamentos das bolsas foram provenientes de projetos de interesse da própria Universidade que contratou a Fundação de Apoio para executálos, significando os resultados das atividades desenvolvidas pelo bolsista vantagens para o doador ou contraprestação de serviços, ainda que de forma indireta. Inquestionavelmente, todas as bolsas foram recebidas pelo contribuinte em contrapartida ao desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão, conforme análise dos respectivos contratos pelo Fisco. Tratase de atividades destinadas à execução de projetos de extensão e desenvolvimento institucional, científico e tecnológico das instituições federais de ensino superior, a teor da Lei nº 8.958/94. Todavia, a fiscalização afastou a aplicabilidade da norma de isenção prevista no art. 26 da lei n 9.250/95 porque o resultado das atividades desenvolvidas teriam implicado vantagens para o doador ou contraprestação de serviços, ainda que deforma indireta. Ocorre que, para afastar o caráter de doação no pagamento de bolsa para desenvolvimento de projeto de pesquisa, ensino ou extensão e, assim, excluir o benefício fiscal, é o doador no caso, a FATEC quem deveria ter sido beneficiado com o resultado das atividades do bolsista, e não a UFSM, que se beneficia do resultado das atividades de pesquisa apenas para fins de desenvolvimento institucional. A bolsa concedida pela FATEC ao contribuinte é específica e exclusiva para o desenvolvimento de um determinado projeto; finda a atividade, encerrase o precário vínculo estabelecido entre as partes. Os trabalhos desenvolvidos para a FATEC ocorreram sem prejuízo do exercício das atribuições funcionais decorrentes do vínculo estatutário do contribuinte com a UFSM. Portanto, não há confusão entre o serviço que é prestado pelo recorrente à FATEC e aquele que é exercido junto à UFSM, ou entre a retribuição financeira prestada por ambas, já que há distinção entre bolsa de incentivo e remuneração em decorrência do vínculo estatutário. Em outras palavras, a verba recebida a título de bolsa não possui natureza salarial, e sim caráter de incentivo à execução de projeto determinado; por isso, não representa qualquer vantagem pecuniária para o doador. Enfim, a natureza da relação estabelecida entre o recorrente, docente universitário, e a FATEC, para viabilizar a realização dos projetos de extensão de caráter pedagógico, sem vínculo empregatício, e a ausência de benefício pecuniário para a Fundação justificam o caráter de isenção das bolsas alcançadas. Diante disso, não resta dúvida de que as importâncias recebidas pelo recorrente constituíram doação nos termos das Leis n°s 8.958/94, 9.250/95 e Decreto 5.205/04, e, por conseguinte, não se sujeitam à incidência de IRPF. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 3820DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.821 15 Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida , Redator Designado Permitome discordar do Ilustre Relator, Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, pelos motivos que passo a expor. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA O Recorrente entende que a decisão de piso não analisou a vasta documentação acostada aos autos, nada mencionando sobre a especificidade dos projetos em que atuou ou sobre a forma como se deu sua atuação nos referidos projetos. Segundo o Interessado, os julgadores simplesmente optaram por não analisar nenhuma das provas carreadas aos autos, julgando todas as impugnações opostas por bolsistas da FATEC como se fossem uma só. Ocorre que o órgão julgador não é obrigado a rebater cada um dos argumentos declinados pelo contribuinte, aqui compreendida a documentação colacionada aos autos, desde que tenha adotado argumento suficiente para fundamentar a sua decisão. O acórdão recorrido baseouse na existência cumulativa de três requisitos necessários para a fruição da isenção sobre valores pagos a título de bolsas de estudo, pesquisa e extensão: a) serem caracterizadas como doação; b) serem recebidas exclusivamente para proceder a estudos e/ou pesquisas; e c) os resultados destas atividades não podem representar vantagens para o doador nem importar em contraprestação de serviços. O voto condutor assentou que não foram cumpridos os requisitos necessários para que os valores recebidos não se sujeitassem à tributação, sobretudo pela natureza contraprestativa dos serviços executados, a ver: Conforme consta do Relatório da Fiscalização contido no auto de infração às fls. 124 a 127, os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo e pesquisa da Fundação de Apoio à Tecnologia c Ciência FATEC, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, considerados pelo contribuinte como isentos e não tributáveis, foram objetos de lançamento, por entender que tais bolsas não satisfazem os critérios previstos para usufruir o benefício dc isenção previsto em lei. (...) No caso, verificase que há prestação de serviço da FATEC para a UFSM, sendo que a fundação contrata servidores pertencentes aos quadros da própria universidade para comporem a equipe técnica que atuará na execução do projeto, mediante o pagamento de bolsas. Assim, a FATEC efetua os pagamentos aos servidores participantes como remuneração pelos serviços prestados nos diversos projetos. Fl. 3821DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.822 16 Destarte, as atividades desenvolvidas pelos bolsistas representam uma vantagem para o doador ou contraprestação de serviços, ainda que de forma indireta, descaracterizando a isenção nos termos do inciso VII do art. 39 do RIR/99, pretendida pelo impugnante. Assim, embora não tenha havido uma análise particularizada do contrato/plano de trabalho/projeto na decisão de piso, penso que deve ser afastada a preliminar suscitada pelo Recorrente, porquanto as razões que levaram os julgadores de 1ª instância a concluir pela improcedência da impugnação estão evidenciadas no acórdão recorrido. DECISÕES JUDICIAIS SOBRE O MESMO TEMA OBJETO DESTE PROCESSO Aduz o Recorrente que foram proferidas decisões judiciais anulando Autos de Infração cujos objetos guardam uniformidade com o objeto deste processo administrativo. Ocorre que tais decisões não vinculam os julgadores administrativos, porquanto proferidas em sede de controle difuso por juízes de primeiro grau e tribunais regionais federais. Observo, ademais, ad argumentandum tantum, que a jurisprudência do TRF da 4ª Região não é uniforme sobre a matéria. A título ilustrativo, os seguintes precedentes em desfavor da tese do Recorrente, em processos nos quais foi apreciada a natureza jurídica de bolsas ofertadas pela FATEC: APELAÇÃO CÍVEL Nº 500160847.2011.404.7102/RS EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ARTIGO 39 DO DECRETO 3.000/99. BOLSA DE ESTUDOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. Abolsade estudos recebida exclusivamente em decorrência de contraprestação de serviços prestados pelo bolsista ostenta natureza remuneratória e, portanto, se submete à incidência do imposto de renda, a teor do art. 39 do Decreto n° 3.000/99. APELAÇÃO CÍVEL Nº 500370435.2011.404.7102/RS EMENTA IMPOSTO DE RENDA. BOLSA DE PESQUISA. Incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsapara pesquisa realizada no interesse de empresas privadas, às quais aproveitam os resultados correspondentes. Nesse contexto de jurisprudência discrepante, penso que o adequado deslinde da controvérsia passa pela análise particularizada de cada contrato/plano de trabalho apresentado, de forma a evidenciar a ausência/presença dos requisitos que autorizaria, ou não, a tributação dos valores recebidos a título de bolsa de ensino, pesquisa ou extensão. MÉRITO Fl. 3822DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.823 17 Os requisitos necessários à fruição da isenção em análise estão previstos no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação é a seguinte: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudoe de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. A leitura do dispositivo legal transcrito evidencia que para que não haja a incidência do imposto de renda na forma pretendida é necessário o cumprimento dos seguintes requisitos: que o pagamento da bolsa objetive o ensino, a pesquisa ou a extensão e que o resultado da atividade não represente vantagens ao doador e nem importe em contraprestação de serviços, de forma a poder caracterizar os pagamentos como doação. No caso concreto, as verbas recebidas pelo Interessado decorrem dos seguintes contratos/Planos de trabalho: Contrato de Prestação de Serviços Nº NAPO 001/94 (fls. 103/108) e respectivo Plano de Trabalho (fls. 110/118); Contrato 103/2003 (fls. 119/123) e respectivo Plano de Trabalho (fls. 124/131); e Contrato 029/2005 (fls. 132/136) e respectivo Plano de Trabalho (fls. 137/146). Passo a uma análise casuística de cada um dos contratos/planos de trabalho apresentados de forma a evidenciar a ausência/presença dos requisitos que autorizaria, ou não, a tributação dos valores recebidos a título de bolsa de ensino, pesquisa ou extensão. Contrato de Prestação de Serviços nº NAPO 001/94 (fls. 103/108) e respectivo Plano de Trabalho (fls. 110/118) A Cláusula Quarta prevê que a Contratada (FATEC) receberá da Contratante (Meridional Tabacos Ltda.), pela realização dos serviços objeto do contrato, a importância total estabelecida por cada Projeto de Trabalho, de acordo com as seguintes condições: a) 50% na assinatura do Projeto de Trabalho; e b) 50% após a aprovação do Relatório Técnico. No item 5 do Plano de Trabalho (Plano de Aplicação) existe previsão de pagamento de taxa à FATEC no percentual de 5% (cinco por cento) sobre custo total do projeto, o que significa dizer que há retorno econômico para a contratada. Concluise, assim, que as atividades desenvolvidas pelos participantes do projeto não são exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visam, também, à consecução de resultados econômicos em favor da contratada. Assim, os valores pagos ao Interessado não podem ser caracterizados como sendo doação para fins de isenção do imposto sobre a renda da pessoa física. Contrato 103/2003 (fls. 119/123) e respectivo Plano de Trabalho (fls. 124/131) No item 4 do Plano de Trabalho (Plano de Aplicação) existe previsão de pagamento de taxa à FATEC no percentual de 5% (cinco por cento) sobre custo total do projeto. Significa dizer que há retorno econômico para a contratada. Fl. 3823DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 2801003.850 S2TE01 Fl. 3.824 18 Concluise, assim, que as atividades desenvolvidas pelos participantes do projeto não são exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visam, também, à consecução de resultados econômicos em favor da contratada. Assim, os valores pagos ao Interessado não podem ser caracterizados como sendo doação para fins de isenção do imposto sobre a renda da pessoa física. Contrato 029/2005 (fls. 132/136) e respectivo Plano de Trabalho (fls. 137/146) No item 4 do Plano de Trabalho (Plano de Aplicação) existe previsão de pagamento de taxa à FATEC no percentual de 5% (cinco por cento) sobre custo total do projeto. Significa dizer que há retorno econômico para a contratada. Concluise, assim, que as atividades desenvolvidas pelos participantes do projeto não são exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visam, também, à consecução de resultados econômicos em favor da contratada. Assim, os valores pagos ao Interessado não podem ser caracterizados como sendo doação para fins de isenção do imposto sobre a renda da pessoa física. CONCLUSÃO Em todos os projetos realizados a Contratada (FATEC) recebeu vantagem econômica, de modo que não se mostra presente um dos requisitos necessários à fruição da isenção fiscal pelo destinatário da bolsa, qual seja, que o resultado da atividade não represente qualquer vantagem para o doador (FATEC). Nesse contexto, peço vênia ao Insigne Relator e voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 3824DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13052.000144/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco Relator
Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: Não se aplica
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Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco – Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto RELATÓRIO Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 386 a 441) apresentado em 24 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 0938.462, de 22 de dezembro de 2011, da 1ª Turma da DRJ/JFA (fls. 373 a 380), cientificado em 06 de fevereiro de 2012, que, relativamente a pedido de ressarcimento de Cofins dos períodos de janeiro de 2003 a outubro de 2008, considerou a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 52 .0 00 14 4/ 20 09 -4 9 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13052.000144/200949 Resolução nº 3302000.256 S3C3T2 Fl. 447 2 manifestação de inconformidade improcecente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Com o julgamento do ADC n.º 18 pelo STF ficaram suspensos no Poder Judiciário todos os julgamentos sobre a inclusão do ICMS de obrigação própria na base de cálculo das contribuições, até que a Suprema Corte defina o seu mérito em sede de recurso extraordinário ainda pendente. Os órgãos julgadores administrativos não são competentes para apreciar a inconstitucionalidade de normas legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003, 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NATUREZA. Somente podem ser restituídas as quantias recolhidas a título de tributo administrado pela União e desde que devidamente arrecadadas mediante DARF ou GPS. Como no período em questão não houve sequer um recolhimento a título de contribuição para o Programa de Integração Social PIS, correto está o entendimento da autoridade administrativa ao definir a natureza do pedido formulado pela manifestante como de pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. As dívidas passivas da União, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O pedido foi apresentado em 08 de abril de 2009 e a Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de pedido de restituição de valores a título de Cofins, formulado em meio papel (fl. 3), que, em face da natureza do crédito pleiteado, foi acolhido como pedido de ressarcimento de créditos. De acordo com os demonstrativos juntados às fls. 17/18, o suposto crédito monta a R$ 2.834.108,47 (valor atualizado com a aplicação de juros equivalentes à taxa Selic), abrangendo o período de apuração de janeiro de 2003 a outubro de 2008. No pedido formulado, a contribuinte alega que a incidência da Cofins sobre a parcela de ICMS embutida no preço da mercadoria afronta o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Assim, entende que o ICMS deveria ter sido excluído da base de cálculo da contribuição, o que provocaria o aumento de seu "Saldo Credor de Cofins". Cita e transcreve trechos do voto do Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 240.7852 pelo STF que confortariam sua tese, no sentido de determinar a exclusão do ICMS da Fl. 448DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13052.000144/200949 Resolução nº 3302000.256 S3C3T2 Fl. 448 3 base de cálculo da Cofins, por entender que o ICMS não está abrangido pelo conceito de faturamento. Em 26 de novembro de 2009, a DRF/Santa Cruz do Sul emitiu o Parecer DRF/SCS/SAORT nº 169/2009, no qual considerou não formulada a petição em meio papel, no tocante ao período compreendido entre abril/2004 e outubro/2008, e, no tocante ao período compreendido entre janeiro/2003 e março/2004, indeferiu o pedido e não reconheceu o direito creditório, em razão de prescrição da pretensão. Em razão disso foi lavrado o Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT n.º 460/2009. A contribuinte apresentou Recurso Administrativo contra o citado Despacho Decisório, o qual considerou não formulado o Pedido de Restituição apresentado pela recorrente. Contudo, a decisão foi mantida pela autoridade administrativa competente para tanto, conforme rito previsto no art. 56 e seguintes da Lei nº 9.784/99 (recurso administrativo hierárquico), pelos fundamentos já expostos no Parecer DRF/SCS/SAORT nº 169/2009. Apresentou também manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o direito creditório com base na ocorrência de prescrição, período de janeiro/03 a abril/04, a qual, pelos motivos a seguir expostos, não cabe aqui reproduzir. Posteriormente, em 14 de dezembro de 2010, foi exarado o Parecer n° 105– SRRF10/Disit (ementa a seguir transcrita), que declarou nulo o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n° 460/2009, que aprovou o Parecer DRF/SCS/Saort n° 169/2009, restando prejudicados os atos praticados posteriormente e decorrentes da decisão anulada. A competência para decidir sobre pedido de restituição ou ressarcimento relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é do titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária ou da Delegacia Especial de Instituições Financeiras que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. É nula a decisão proferida por autoridade diversa da acima especificada, estando prejudicados os atos praticados posteriormente e decorrentes da decisão anulada. Dispositivos Legais: Lei n° 9.784, de 1999, art. 53; Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, arts. 57 e 64. Em razão disso, foi emitido pela Delegacia de nova jurisdição da contribuinte o Despacho Decisório da SAORT/DRF/JFA n° 481/2011, no qual decidiuse pelo indeferimento do pedido da interessada tendo em vista a ocorrência da prescrição com fulcro no art. 1º da Decreto nº 20.910/32, isto em relação ao crédito apurado até o 1º trimestre de 2004, e pela inexistência de crédito apurado entre o 2º trimestre de 2004 e outubro de 2008, haja vista a legislação tributária regente não Fl. 449DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13052.000144/200949 Resolução nº 3302000.256 S3C3T2 Fl. 449 4 contemplar a exclusão de valores correspondentes ao ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Contra tal ato, a contribuinte se manifestou, alegando, em suma, que: a decisão relativa à prescrição partiu de uma premissa equivocada: a de que os pedidos formulados pela ora manifestante seriam pedidos de ressarcimento e não pedidos de restituição, como originalmente apresentados. Entende que os valores pleiteados são efetivos pagamentos indevidos ou a maior, quitados não por meio de DARF, é verdade, mas através de compensações administrativas. Em outras palavras, acaso não tivesse sido indevidamente incluído o ICMS na base de cálculo da COFINS no período em questão, teria a requerente apurado valores de contribuição inferiores, e, com isso, utilizado menos créditos para quitálas. Partindose da premissa que a compensação em excesso é nítido caso de pagamento indevido ou a maior, a forma que dispõe o contribuinte para reaver o valor na esfera administrativa é o Pedido de Restituição e não o Pedido de Ressarcimento, como entendeu a autoridade administrativa. E, por força desta equívoca interpretação, a autoridade administrativa acabou por declarar a ocorrência da prescrição indevidamente, utilizandose como base dispositivos legais aplicáveis aos ressarcimentos de créditos escriturais e não o prazo prescricional aplicável à restituição de tributos recolhidos de forma indevida ou a maior; Assim, passa a explanar sobre a sistemática da prescrição dos créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior. Cita jurisprudência do STJ e entende que os contribuintes poderão contar com o prazo de até 10 anos para entrar com o pedido de restituição de pagamento de tributos considerados indevidos até 2010; o ICMS não se inclui na base de cálculo da Cofins. Para tanto, cita jurisprudências do STF e do STJ e arrazoase nestas, na Constituição Federal e na legislação infraconstitucional. por fim pede seja reformada a decisão proferida e assim sejam os valores de crédito solicitados declarados não prescritos. No recurso, defendeu tratarse de pedido de restituição e não de ressarcimento de créditos, tendo início o prazo para pedido após os cinco anos da homologação tácita. No mérito, defendeu a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13052.000144/200949 Resolução nº 3302000.256 S3C3T2 Fl. 450 5 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose toar conhecimento. Preliminarmente, analisese a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Carf. É que parte das alegações da Interessada diz respeito à inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins/PIS, matéria de repercussão geral reconhecida no âmbito do Recurso Extraordinário n. 574.706 pelo Supremo Tribunal Federal. No âmbito do referido RE, foi determinado o sobrestamento dos processos “nos quais o recurso foi interposto antes da regulamentação da repercussão”, hipótese que demonstra a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012. No referido RE, mencionase o fato de que a matéria teve sua discussão iniciada no RE 240.785. Mas o recurso foi retirado de pauta e o julgamento será reiniciado, desconsiderandose o voto do relator original. Nesses processos, conforme esclarecido no Informativo STF n. 437 (http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=240785&numero=437&pagin a=1&base=INFO), discutese a autorização contida no art. 2º, parágrafo único, da Lei Complementar n. 70, de 1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Embora os autos tratem da contribuição nãocumulativa criada pela Lei n. 10.833, de 2003, cujo art. 1º é que define a base de cálculo e suas exclusões (§ 3º), a repercussão geral trata da base de cálculo da contribuição de forma geral. À vista do exposto, voto por sobrestar o julgamento do recurso, até que o STF tenha julgado o RE mencionado. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 451DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/11/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000188/2008-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-002.728
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 caput da Lei 8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 caput da Lei 8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 88 /2 00 8- 80 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 caput da Lei 8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000188/200880 Acórdão n.º 2403002.728 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0329.673 da 5ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento. Foi reconhecida a decadência para as contribuições lançadas no que diz respeito às competências de 08/1999 a 05/2002, com base na regra do § 4º do artigo 150 do CTN. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito previdenciário (NFLD DEBCAD N°37.107.5335) lançado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, contra a empresa em epígrafe, cujo montante consolidado cm 26/06/2007 é de R$687.688,29 (Seiscentos c oitenta e sete mil, seiscentos e oitenta e oito reais e vinte e nove, centavos), apurado no período compreendido entre as competências: 08/1999 a 12/2006, inclusive, o décimo terceiro salário. De acordo com o relatório fiscal, fls. nºs 04/12, os valores lançados na presente notificação correspondem às contribuições de responsabilidade dos segurados empregados a serviço da notificada, descontadas, declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço c Informações a Previdência Social GFIP e não repassadas à Seguridade Social. A caracterização dos fatos geradores do presente crédito surgiu a partir da análise das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP) e constam do levantamento SNI) — SALÁRIO NORMAL DECLARADO. Para o período do presente lançamento, foram considerados a favor do contribuinte todos os recolhimentos realizados cm GRPS/GPS, bem como os créditos anteriormente constituídos pertencentes ao mesmo período ora fiscalizado. ... Foi caracterizada a formação de GRUPO ECONÔMICO entre a notificada e o Hospital Geral e Ortopédico S/A, conforme descrito no relatório fiscal. ... DA DILIGÊNCIA Fl. 405DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Tendo em vista que foi caracterizada a formação de GRUPO ECONÔMICO entre a notificada e o Hospital Geral e Ortopédico S/A e dos autos não constar ter sido este Ultimo cientificado do fato; Propusemos o encaminhamento dos autos à DRF de origem, a fim de que o AFRFB notificante procedesse à cientificação do solidário, com prazo para manifestação nos moldes do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Como resultado da diligência, obtémse a informação fiscal lis. 146, de que foi enviado por AR (recebido cm 14/11/2008), ao devedor solidário, Hospital Geral e Ortopédico S/A o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (fls.148), contendo cópia integral da Notificação que deu origem ao processo. Cientificado, o devedor solidário não se manifestou. Inconformada com a decisão, o Pronto Socorro São Camilo apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Notificação ao deixar de indicar os dispositivos legais que embasaram a exação e apresentar inconsistências na constituição de seus relatórios, limitou o direito da defesa do recorrente. · A fiscalização não elencou de maneira clara os fatos geradores dos arbitramentos impostos, limitandose, em todos os casos, a elaborar descrição superficial das razões de penalizar. Nova Diligência Esta Turma de julgamento determinou nova diligência visto que, também do resultado do julgamento efetuado pela DRJ não se deu ciência ao Hospital Geral e Ortopédico S/A. O devedor solidário não se manifestou. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000188/200880 Acórdão n.º 2403002.728 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE. VÍCIOS A recorrente aponta que teve cerceado seu direito de defesa em razão dos vícios da autuação, especialmente a indicação dos dispositivos legais que embasaram a exação e falha na descrição dos fatos geradores. Não concordo com a recorrente. O Relatório Fiscal, folhas 4 a 12, deixa claro que a autuação referese à contribuição dos segurados empregados descontadas e não recolhidas. 2. Este relatório é parte integrante da NOTIFICAÇÃO FISCAL LANÇAMENTO DE DEBITO —NFLD DEBCAD n° 37.107.533 5 lavrada após ser verificada a existência de contribuições previdenciárias de responsabilidade dos segurados empregados a serviço da notificada devidas, descontadas, declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações a Previdência Social — GFIP, e não repassadas à Seguridade Social, na forma aqui relatada. ... DA CONSTITUIÇÃO E COMPOSIÇÃO DO CREDITO PREVIDENCIÁRIO Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 41. As contribuições sociais objeto desta NFLD foram apuradas por meio do Sistema de Auditoria Fiscal da Previdência Social — SAFIS. 42. Nesta NFLD foram consolidados os valores devidos, descontados da remuneração dos segurados empregados, declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP e não repassados de Contribuições Previdenciárias de responsabilidade dos segurados empregados referentes ao total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês aos segurados empregados a serviço da notificada. 43. As contribuições destinadas a Seguridade Social a cargo dos segurados empregados que tiveram suas remunerações efetivamente descontadas e não repassadas a Previdência Social pela notificada foram consolidadas utilizando os valores constantes das folhas de pagamento e das declarações apresentadas pela notificada. O relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, folhas 13 a 17, detalha os dispositivos legais que fundamentam o lançamento. O lançamento seguiu acompanhado de diversos relatórios complementares. 44. Integram a NFLD, além deste relatório e seus anexos, os seguintes relatórios gerados pelo Sistema de Auditoria Fiscal — SAFIS e demais documentos: a) Instruções para o Contribuinte — Fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; b) Discriminativo Analítico do Débito — DAD, Discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriormente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; c) Discriminativo Sintético do Debito DSD, Discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; d) Relatório de Lançamentos — RL. Relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000188/200880 Acórdão n.º 2403002.728 S2C4T3 Fl. 5 7 e) Relatório de Documentos Apresentados RDA, que relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificações anteriores; f) Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, que demonstra, por estabelecimento, competência, levantamento e tipo de documento, os valores recolhidos pelo sujeito passivo, arrolados no relatório do inciso VI, e a correspondente apropriação e abatimento das contribuições devidas; g) Diferenças de Acréscimos Legais DAL, que discrimina, por levantamento e por estabelecimento, as diferenças decorrentes de recolhimento a menor de atualização monetária, juros ou multa de mora, com indicação dos valores que seriam devidos e dos valores recolhidos, considerandose como competência para lançamento do acréscimo legal aquela em que foi efetuado o recolhimento a menor; h) Fundamentos Legais do Débito — FLD. Informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à epoca de ocorrência dos fatos geradores; i) Relação de Representantes Legais — REPLEG. Lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; j) Mandado de Procedimento Fiscal MPF,. k) Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; l) Termo de Encerramento da AuditoriaFiscal — TEAF, m) Relatório Fiscal REFISC, que se destina á narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal. Neste processo não vislumbro qualquer cerceamento de defesa, uma vez que: (i) os procedimentos fiscais, realizados junto à Impugnante, seguiram rigorosamente a legislação em vigor; (ii) a empresa teve ciência da autuação, a qual foi efetuada de modo que o Contribuinte tivesse pleno conhecimento dos fundamentos de fato e de direito que o motivaram, cabendo observar que lhe é facultado, ainda, ter vista dos autos relativos aos AI's lavrados contra ela durante a ação fiscal; (iii) a Autuada manifestouse com a apresentação de impugnação, (iiii) a Autuada manifestouse com apresentação de recurso voluntário. MULTA DE MORA Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15504.726685/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL.
O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL. O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 66 85 /2 01 2- 66 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.726685/201266 Acórdão n.º 2302003.458 S2C3T2 Fl. 358 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Consta dos autos que o lançamento referese, exclusivamente, às contribuições previdenciárias patronais, destinadas ao custeio da Seguridade Social, no percentual de 15% (quinze por cento) incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativo a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 – AI 37.362.1884), bem como à obrigação acessória de declarar estes mesmos fatos geradores em GFIP (art. 32, IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91 CFL 68 AI 37.362.1876). A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. A recorrente foi intimada do Acórdão, tendo apresentado o Recurso Voluntário de fls. 327 e seguintes. É o relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Contribuição Previdenciária. Cooperativas de Trabalho. Inconstitucionalidade Declarada pelo STF. Analisando os autos, verifico que a única exação em discussão referese à contribuição prevista no art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. É objeto dos autos o descumprimento da obrigação principal de recolhimento do referido tributo e da correspondente obrigação acessória de declarar estes mesmos fatos geradores em GFIP (art. 32, IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91 CFL 68 AI 37.362.1876). Ocorre que o aludido dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Sendo assim, não mais existe base jurídica para a manutenção do lançamento. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 15374.963898/2009-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS.
Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofinsimportação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 38 98 /2 00 9- 02 Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado na sessão de 3 de abril de 2013, pela 16ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a compensação pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 24524.95321.210708.1.7.047650 (fls.58 a 63), transmitido em 21/07/2008 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação da Cofins relativa ao período de apuração 06/2007. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao PIS, relativo ao período 07/2006, no valor total de R$ 86.130,99, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 54.395,56 À fl. 64 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 26/10/2009 (fl.259), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/11/2009 (fls. 02 a 17), alegando, em resumo, que: Foi intimada acerca da decisão atacada por correspondência com aviso de recebimento, recebida em 19/10/2009, sendo a presente manifestação tempestiva; A impugnante somente teve acesso a tal despacho quando checou eventuais pendências para obtenção de certidão negativa; Em observância ao princípio da economia processual, uma vez instaurado o processo, não deve ele ser considerado nulo diante da nulidade da citação, devendo ser aceita a presente manifestação, sanando o vício apontado; A impugnante, na apuração do valor recolhido por meio do DARF incluído na DCOMP em análise, observou que não havia se aproveitado dos créditos decorrentes de despesas, procedendo à revisão de sua escrita fiscal; Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 17 4 A empresa apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; A decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; Desde já requer a produção de prova documental e pericial para que a defesa da impugnante não seja prejudicada; As despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; Sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; A prova pericial pretendida tem por finalidade evidenciar a existência do crédito, apresentandose os correspondentes quesitos; A impugnante está apresentando 83 manifestações de inconformidade, o que evidencia hipótese excepcional constante do art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72; Com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa, requer o deferimento de posterior juntada de documentação. É o relatório.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/RJ1 conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 DESPACHO DECISÓRIO CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE COMPROVAÇÃO Não restando comprovada documentalmente nos autos a ciência ao contribuinte na data informada pela ECT, deve ser considerada tempestiva a manifestação de inconformidade. PERÍCIA CONTÁBIL/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Deve ser indeferido o pedido de perícia contábil/diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. DCOMP DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE ÔNUS DA PROVA É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 18 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde em suas razões, requer “seja reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, homologada a totalidade da compensação declarada nos autos”. Em pedido subsidiário, requer a contribuinte “a conversão do julgamento em diligência para que a unidade competente da Secretaria da Receita Federal analise a documentação acostada ao presente recurso, em conjunto com os demonstrativos que instruíram a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, para que corrobore a liquidez e certeza dos créditos”. Anexa a contribuinte ao recurso voluntário 972 páginas com documentos para provar o seu direito. É o relatório. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 19 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente apresenta no recurso voluntário as suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, contudo apresenta desta vez documentos necessários para comprovar seu direito, quais sejam, 972 páginas com documento, incluindo livro razão, comprovantes de pagamento e outros. Analisandose os documentos juntados, verificase que com os documentos juntados em recurso voluntário se analisados em conjunto com os já apresentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade são ao meu entender suficientes para averiguar a existência de crédito, sem prejuízo é claro de que outros documentos possam vir a ser necessários no decorrer do cálculo. Deste modo, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito, sob pena de ser indeferido o seu pedido. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Diante disto, perante a extensa documentação juntada pela contribuinte, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, devendo, contudo, ser convertido o julgamento em Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 20 7 diligência para que seja apurada pela unidade de origem a certeza e liquidez dos créditos, sem prejuízo à unidade de origem que esta venha intimar a contribuinte para apresentar outros documentos que se fizerem necessários para realizar a apuração devida. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 21 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A recorrente afirma que os créditos que pleiteia decorrem de: i) pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais; ii) custos de gravação. Direitos autorais Quanto aos direitos autorais, amparome na Solução de Divergência nº 14 da Cosit, de 28/04/2010, para assentar que os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas não dão direito a crédito na determinação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Apesar de esta solução de divergência tratar de direitos autorais relativos a produção de livros, as partes que abaixo transcrevo, com grifos no original, aplicamse ao presente caso: “14. Como se constata, o legislador adotou para fins de utilização de crédito na modalidade não cumulativa, o critério de listar de forma exaustiva os bens, serviços e despesas capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção no que respeita à questão do insumo. (...) 15.8. Ressaltese, ademais, que outro ponto que confirma a descaracterização de plano dos direitos autorais como insumo para efeitos de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, encontrase no disposto no §6º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que determina que a configuração como insumo dos direitos autorais alcança tão somente àqueles pagos pela indústria fonográfica e desde que referidos direitos tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. 15.9. Ora, se os direitos autorais já estivessem contidos no conceito de insumo não haveria necessidade de citação expressa no §6º do art. 15 da Lei supracitada e nem mesmo restringirseia tal conceito apenas aos direitos autorais da indústria fonográfica. Resta evidente, portanto, que o referido dispositivo legal visou conceder um benefício tão somente para a indústria fonográfica, possibilitando o cálculo de créditos sobre o pagamento de direitos autorais que sofreram a tributação das citadas contribuições, na importação e não no mercado interno.” Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 22 9 A Cosit concluiu que não há amparo legal para apuração de créditos sobre valores pagos pela cessão de direitos autorais para a edição e produção de livros; que tais direitos não se enquadram no conceito restrito de insumo previsto no art. 66, §5º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 247, de 2002, com suas alterações posteriores, e no art. 8º, §4º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 404, de 2004, que, respectivamente, regulamentam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, nem em qualquer outra hipótese de crédito prevista na legislação tributária. Assim também no caso presente. Apenas os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica em relação a importações sujeitas ao pagamento destas contribuições são alcançados pela permissão legal de aproveitamento de crédito tal como disposto no parágrafo 6º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Este parágrafo 6º, ao contrário do que afirma a recorrente, não diz que os direitos autorais constituem insumo da indústria fonográfica, e, porque o caput do art. 15 trata de importações, não se aplica a operações de mercado interno. Acrescentemse que os direitos autorais não se consomem no processo de fabricação dos produtos fonográficos. Também por este motivo não podem ser considerados bens ou serviços utilizados como insumos. Por estas razões, devese negar provimento ao recurso voluntário em relação ao pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais. Custos de gravação Quanto aos custos de gravação, a recorrente não discorre sobre cada gasto efetuado, limitandose a afirmar ter apresentado: lançamentos no livro Razão; demonstrativo em forma de planilha com os pagamentos relativos a estes custos; cópias dos recibos e notas fiscais de pagamentos; exemplo da correlação de documentos para demonstração dos créditos de PIS e Cofins. De fato, muitos documentos foram juntados aos autos. Mas, nenhum argumento ou esclarecimento foi apresentado a favor da possibilidade de estes chamados custos de gravação serem aproveitados como créditos. Segundo o AFRFB Gilson Wessler Michels, julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisDRJ/FNS, documentos comprobatórios são aqueles que atestam, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 0713.480, de 15/8/2008 no processo nº 13986.000025/200611, da 4ª Turma da DRJ/FNS, proferido por aquele julgador. “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 23 10 contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. (...) (...), em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio (...) A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício (...) Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador (...) De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 24 11 princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação específica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito).” Estas palavras se aplicam ao caso em discussão. A relatora do acórdão recorrido, AFRFB Magda Cotta Cardozo, ao apreciar pedido de perícia formulado na manifestação de inconformidade, assentou que “No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez”. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 25 12 Ciente disto, a recorrente juntou muitos documentos, por exemplo, ordens de compra; requisições, faturas, recibos, notas fiscais de serviços, porém não associou registros e documentos de forma individualizada e não contextualizou os elementos de prova. Demonstrar documentalmente não é apenas juntar documentos. Para os direitos autorais, que no presente caso não dá direito crédito, conforme seção específica acima, foi apresentado demonstrativo com informações sobre o registro contábil (data, valor, conta contábil), descrição do pagamento, CNPJ do favorecido, número do recibo, totalizado valores a recuperar de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep. Porém, para os custos de gravação, demonstração semelhante não foi apresentada. Analisando os documentos contidos nos autos, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e tendo em vista interpretação restrita do conceito de insumo, que é a que prevalece nesta Turma Especial, por voto de qualidade, podese afirmar que os seguintes gastos não poderiam dar direito ao crédito pleiteado: Agência Brasileira de Comércio e Turismo; empresas de remessa expressa; reembolso de despesas com hotel, transporte e refeição de pessoas; locação de carros; pessoas físicas (músicos); pagamentos de INSS de autônomos; afinação de instrumentos. Outros gastos, em princípio, poderiam ensejar o direito ao crédito, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e utilizados na produção de obras fonográficas destinadas à venda. São eles: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Quanto aos seguintes gastos, não se pode afirmar com certeza que se enquadram entre aqueles que possibilitam o direito ao crédito: serviços de supervisor, auxiliar técnico e produção executiva; serviços de arregimentação de coro e assistência de produção; tradução de áudio. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito referente apenas aos gastos com: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, desde que as aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Desinado. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.963898/200902 Acórdão n.º 3801003.605 S3TE01 Fl. 26 13 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13888.908793/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 87 93 /2 01 2- 62 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908793/201262 Acórdão n.º 3301002.440 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela Recorrente que foi não homologado diante da inexistência de crédito. A Recorrente apresentou em face do indeferimento, Manifestação de Inconformidade alegando que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário a Recorrente aponta que possui os créditos pleiteados, que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado e que somente não retificou as declarações de modo que os mesmos devem ser homologados. É o que importa relatar. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908793/201262 Acórdão n.º 3301002.440 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No presente caso, apesar da contribuinte reiteradamente se manifestar acerca do seu direito creditório e ter sido avisada pela DRJ de que deveria comproválo, conforme consta reiteradamente no acórdão da Manifestação de Inconformidade, a mesma não apresentou nenhuma prova. Prova conforme o velho e conhecido Aurélio Buarque de Holanda é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer da Contribuinte com relação aos fatos apresentados. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte administrado apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, e que essas provas se revestissem de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908793/201262 Acórdão n.º 3301002.440 S3C3T1 Fl. 5 4 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 14041.000160/2009-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO.INTIMAÇÃO. PRAZO PARA INTIMAÇÃO. DECADÊNCIA LANÇAMENTO. FATO GERADOR. ERRO REGRA-MATRIZ. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Na forma do inciso II do art. 3o da Lei n° 9.784, de janeiro de 1999, o administrado tem direito a ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas. No art. 28 do mesmo diploma legal, o Legislador assegurou ainda, que devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.
A entrega eficaz da intimação ao contribuinte também se submete ao Instituto da Decadência.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Quando a descrição do fato gerador não se amolda à regra-matriz, sendo insuficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente de elemento necessário para gerar obrigação tributária e a constituição do crédito, o lançamento se encontra maculado por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da totalidade do crédito tributário com base na regra do artigo 173, II, do CTN.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PRAZO PARA INTIMAÇÃO. DECADÊNCIA LANÇAMENTO. FATO GERADOR. ERRO REGRA MATRIZ. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Na forma do inciso II do art. 3o da Lei n° 9.784, de janeiro de 1999, o administrado tem direito a ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas. No art. 28 do mesmo diploma legal, o Legislador assegurou ainda, que devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. A entrega eficaz da intimação ao contribuinte também se submete ao Instituto da Decadência. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando a descrição do fato gerador não se amolda à regramatriz, sendo insuficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente de elemento necessário para gerar obrigação tributária e a constituição do crédito, o lançamento se encontra maculado por vício material. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 60 /2 00 9- 23 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da totalidade do crédito tributário com base na regra do artigo 173, II, do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000160/200923 Acórdão n.º 2403002.673 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Li o Relatório produzido pela instância a quo, compulsei com os autos , inseri o registro de que o solidário não foi intimado e não apresentou impugnação, com grifos de minha autoria , abaixo o reproduzo: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, sob DEBCAD n° 37.210.0155, em 03/02/2009, no qual foram incluídas as contribuições incidentes sobre a remuneração paga a segurados (cota patronal e cota destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), além dos juros e multa correspondentes, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 27.866,36. 0 período fiscalizado é de 03/1996 a 03/2001, sendo que o lançamento abrange a(s) competência(s) 03/1996 a 02/1999. O Relatório Fiscal de fls. 28/36 informa que o presente lançamento é realizado em substituição as Notificações de Lançamento de Débito NFLD, n° 35.019.6095 e 35.019.6087, lavradas em nome do contribuinte Via Engenharia S/A. Referidas notificações foram anuladas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS por erro de fundamentação legal. A anulação das NFLD´S mencionadas foi cientificada à Via Engenharia S/A a partir de 18/02/2004, de forma, que, considerando o disposto no artigo 173, II, do CTN, a Fazenda Pública pode constituir o crédito em epígrafe em até 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Nas notificações julgadas nulas considerouse a existência da responsabilidade solidária entre os prestadores (e sub empreiteiros) e o tomador de serviços por cessão de mãode obra (Via Engenharia S/A), diante da ausência de recolhimentos pelos prestadores e em razão de o tomador não ter apresentado os documentos de elisão da responsabilidade solidária (folha de pagamento, GFIP, GRPS/GPS, etc). As NFLD foram julgadas nulas por erro de fundamentação legal, já que estavam amparadas somente no artigo 30, VI da Lei 8.212/91, e deveriam, no caso de solidariedade de sub empreitada, estar fundamentadas também no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional CTN. Isto porque o artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, à época do período lançado, não tratava de subempreitada, tratando apenas de cessão de mãodeobra. Assim, para aquela parcela do debito, a fundamentação legal seria a aplicação da solidariedade em razão da existência de Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 interesse em comum na situação que constitui o fato gerador, prevista no artigo 124, I, do CTN. O Relatório Fiscal informa ainda que os fatos geradores foram verificados mediante análise dos seguintes elementos: Livros Diário e Razão, Notas Fiscais de serviço/faturas, Contratos de prestação de serviços, Folhas de Pagamentos e Guias de recolhimento de prestadores de serviço/subempreiteiros, contas correntes de prestadores de serviço/subempreiteiros, Declarações de existência de contabilidade formalizada dos prestadores de serviço/subempreiteiros, apresentados pela empresa Via Engenharia S/A na ocasião da lavratura das NFLD substituídas. Nas NFLD substituídas também consta planilha, na qual foram relacionados os pagamentos de faturas/notas fiscais de prestadores de serviço de mãodeobra e subempreiteiras, contendo informações referentes à data do pagamento, conta em que foi efetuado o lançamento, centro de custo, valor da nota fiscal/fatura, observações sobre o serviço prestado, número da nota fiscal/fatura, prestador de serviço/CNPJ, percentual aplicado sobre o valor da nota fiscal, salário de contribuição apurado, abatimento de eventuais salários de contribuição contidos em guias apresentadas e salário de contribuição do débito apurado. A empresa Via Engenharia S/A foi intimada a apresentar as Guias de Recolhimento e folhas de pagamento ou GFIP referentes aos pagamentos constantes da planilha, com fins de elidir a responsabilidade solidária. Também foi oportunizada a referida empresa a apresentação de outros elementos, caso discordasse dos percentuais aplicados para efeitos de aferição do salário de contribuição. Em análise dos contascorrentes dos prestadores de serviços, verificouse que a maior parte não apresentava recolhimentos compatíveis com os serviços prestados e outros sequer apresentavam recolhimento. Não foram incluídos para efeito de aferição indireta os prestadores de serviços que apresentaram recolhimento compatível com os valores das notas fiscais/faturas, desde que a natureza dos mesmos permitia a apresentação de uma guia de recolhimentos genérica com recolhimento englobado no CGC/CNPJ, e os prestadores de serviços que, mesmo tendo apresentado guia de recolhimento com valor inferior ao previsto, apresentaram declaração de contabilidade firmada pelo responsável pela empresa e pelo contador. Por fim, foram abatidos do débito os recolhimentos efetuados por aqueles prestadores que apresentaram recolhimentos inferiores e não houve apresentação de declaração de contabilidade. Na substituição dos débitos anulados, foram excluídos os períodos em que as prestadoras de serviço eram optantes pelo SIMPLES e os levantamentos atinentes a prestadores de serviço que, no período, tiveram seus débitos incluídos no REFIS. Portanto, diante da não elisão da responsabilidade solidária, o presente débito foi apurado por aferição indireta, sendo que o Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000160/200923 Acórdão n.º 2403002.673 S2C4T3 Fl. 4 5 salário de contribuição foi calculado aplicando percentuais sobre os valores das notas fiscais/faturas, conforme detalhado as fls. 24/25 dos autos. No que concerne a responsabilidade solidária, o Relatório Fiscal acrescenta que, conforme artigo 896 do Código Civil, a mesma não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. No caso, o arbitramento pelo faturamento para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, na hipótese de fiscalização de prestadores de serviços mediante cessão de mão deobra, está previsto no artigo 33 da Lei 8.212/91. 0 procedimento previsto no diploma legal foi detalhado, na época do lançamento, na OS/INSS/DAF n° 176/1997 e, antes, pela OS/INSS/DAF n° 83/1993. Para o período anterior a vigência da Lei 9.528/97, a solidariedade de débitos de subempreiteiros está fundamentada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. A partir da Lei 9.528/97, o fundamento legal da solidariedade de débitos de subempreiteiros passa a ser o artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. Em relação a. solidariedade de débitos de empresas contratantes de serviços por cessão de mãodeobra, seu fundamento legal, para os fatos geradores ocorridos até 01/1999, é o artigo 31 da Lei 8.212/91. Consta, às fls. 37/38, Termo de Sujeição Passiva Solidária, cientificado em 12/02/2009 ao sujeito passivo solidário Nicodemos Bezerra de Lima ME, 01.030.830/000124, conforme documento de fls. 39, juntamente com o Auto de Infração sob comento. DA IMPUGNAÇÃO Não consta nos autos confirmação de recebimento de intimação do devedor solidário NICODEMOS BEZERRA DE LIMAME CPF 01.030.830/000124 e tampouco impugnação. A empresa Via Engenharia S/A apresentou defesa na qual alega, em síntese: que, no presente caso, aplicase a Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal STF, segundo a qual são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que conferiam o prazo decadencial e prescricional de 10 anos. que as decisões que anularam as NFLD´s anteriores por vicio formal se tornaram definitivas em 31 de outubro de 2003, uma vez que da decisão não cabiam mais recursos; que as decisões de nulidade se tornaram definitivas nas datas em que foram prolatadas, visto serem irrecorríveis, conforme informa a carta de ciência enviada ao impugnante em fevereiro de 2004; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 que como não cabiam mais recursos dos acórdãos, eles se tornaram definitivos na data em que foram proferidos, 31/10/2003, de forma que o prazo para substituição das NFLD esgotouse em 30 de outubro de 2008; que os fatos geradores ocorreram no período de 1996 a 1999 e que as NFLD anuladas foram lançadas apenas contra o devedor solidário e não contra o contribuinte. Dessa forma, não pode haver lançamento contra o contribuinte relativo a período superior ao período de 5 anos. que, se o crédito não pode ser constituído contra o contribuinte, não há solidariedade a ser exigida no presente caso; que não é possível a aferição indireta contra a impugnante, uma vez que sua contabilidade é regular e não há, no caso, pela legislação em vigor ao tempo dos fatos geradores, solidariedade em obrigação acessória; que não pode haver cobrança de multa contra devedor solidário; que as NFLDs foram anuladas por vicio formal, e que, portanto, deveriam ser substituídas em 5 anos contados da data em que se tornaram definitivas as decisões de nulidade; que as decisões de nulidade se tornaram definitivas na data em que foram prolatadas, e não na data da ciência ao contribuinte, pois que, das mesmas, não cabiam mais recursos, conforme exposto na carta de intimação enviada ao contribuinte; que, como as decisões foram proferidas em 31 de outubro de 2003, a contagem do prazo previsto no inciso II do artigo 173 do CTN deve ser iniciada nesta data; que, como o presente auto de infração foi lançado em 3 de fevereiro de 2009, neste momento o crédito já havia decaído; que os créditos encontramse decaídos, também, em razão da ausência de lançamento, até a data de 3 de fevereiro de 2009, em relação ao contribuinte do tributo; que os créditos anteriormente discutidos foram lançados somente em nome da ora impugnante, mera responsável tributária, e que somente em 2009 houve o lançamento contra o contribuinte; que, assim, o crédito tributário só foi constituído contra o contribuinte em 2009, estando decaído pelo decurso de mais de 10 anos desde a data dos fatos geradores (1996 a 1999); que, estando decaído o crédito em relação ao contribuinte, inexiste obrigação tributária, estando o crédito decaído também em relação ao sujeito passivo solidário, ora impugnante. que não possui o credor solidário a obrigação de manter em sua contabilidade as folhas de pagamento ou registro de documentos relativos a funcionários das empresas que contrata; que o artigo 148 do CTN limita o cálculo do tributo por Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000160/200923 Acórdão n.º 2403002.673 S2C4T3 Fl. 5 7 arbitramento em caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos que não mereçam fé, o que não é o caso dos autos; que o arbitramento só pode ser utilizado mediante a desclassificação de documentos ou da contabilidade da empresa, o que não foi feito no presente caso; que o devedor solidário não é responsável pelo pagamento de contribuições devidas a terceiros, conforme artigo 22 da Instrução Normativa n° 18, de 11 de maio de 2000; que é incabível a cobrança de multa, que possui caráter punitivo, e não moratório, a qual deve ser imposta ao contribuinte, conforme decisões judiciais citadas; Ao final, requer seja o lançamento julgado nulo, reconhecendo se a decadência do crédito, por ter sido lançado depois de decorridos 5 anos da decisão que anulou o lançamento anterior, por ter decaído o crédito em relação ao contribuinte, inexistindo obrigação tributária; e também seja declarado nulo o lançamento em razão da impossibilidade de utilização da aferição indireta assim como seja declarada nula a cobrança da multa.” Não tendo sido intimado, o contribuinte solidário não apresentou impugnação. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Colacionado ás fls. 75, na forma do Acórdão de n° 0335.291, a 7ª Turma da Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, em 28 de janeiro de 2010, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Não há Recurso do devedor solidário NICODEMOS BEZERRA DE LIMA ME CPF 01.030.830/000124. Às fls. 89, a Autuada interpôs Recurso Voluntário onde em síntese argüiu a decadência alegando que : “no presente caso, o prestador dos serviços (contribuinte) teve sua divida perdoada, uma vez que mesmo vigorando a tese de que as decisões tributárias só se tornam definitivas com a publicação/notificação, este não foi notificado. Como ressalta o acórdão administrativo, a União escolheu cobrar o crédito apenas da recorrente, perdoando os prestadores de serviços, concedendo a estes últimos a remissão do crédito tributário. O CTN, em seu artigo 125, inciso II, é claro em afirmar que a remissão dos créditos tributários exonera todos os coobrigados. É claro o acórdão no sentido de que a não notificação dos demais contribuintes foi escolha da União. Assim, a decadência, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 que nesse caso equivale de fato(materialmente) a remissão, do crédito tributário para os demais coobrigados aproveita ao recorrente, conforme disposição expressa de lei.” É o Relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000160/200923 Acórdão n.º 2403002.673 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls. 101, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Na forma do documento de fls.02, o Auto de Infração tem como sujeito passivo empresa a Via Engenharia e como solidário empresa individual, na pessoa física CPF 01.030.830/000124 , NICODEMOS BEZERRA DE LIMAME. Às fls 04, intimada por Aviso de RecebimentoAR datado de 18/02/2009, se observa que a autuada fora notificada mas, embora alguns procedimentos preparativos, não consta a efetiva intimação do solidário. Assim é que, não obstante às fls 42, no Termo de Ciência aos Sujeitos Passivos Solidários se registre que estes teriam sido notificados mediante Aviso de Recebimento – AR, não constam dos autos o referido documento de confirmação de entrega da notificação. Às fls.30 no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF , emitido em 03.09.2009, com base no registro no campo informações complementares se faz lícito depreender que o solidário , de fato , não fora intimado: “Informações Complementares: Esta fiscalização trata dos créditos previdenciários ainda não decaídos incluídos nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLDs 35.019.6095 e 35.019.6087 (Notificações realizadas ao contribuinte Via Engenharia S/A) julgadas nulas, por erro de fundamentação legal, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS.” Na forma da Lei n° 9.784 , de janeiro de 1999, estabeleceramse normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Assim o art. 1°, § 2°, X da Lei em apreço, entre outros , garante ao contribuinte direitos à comunicação : “§ 2o Para os fins desta Lei, consideramse: X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; ” Cumpre trazer à lume que no Relatório Fiscal exortaramse a condição de solidários aos contribuintes em comento em razão de a Autoridade autuante ter se convencido de que “ restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), verbis: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Se restara entendido que ambos contribuintes tinha interesse comum, no mesmo diapasão encimado, os arts. 3, II e 28 da Lei 9.784/99 que tratam da ciência ao contribuinte deveriam ser compulsoriamente observados , verbis: “Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” O lançamento é um procedimento administrativo que se inicia com a ação fiscal até a notificação do lançamento ao sujeito passivo. Não se tem dúvidas que no caso de solidariedade a notificação da autuação aperfeiçoa com a intimação de todos os coobrigados. Neste sentido, considerando que o encerramento da ação se deu conforme o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, emitido em 03.09.2009 colacionado às fls. 30, determinar retorno dos autos em diligência para intimar o devedor solidário apenas formalizaria a evidente decadência do lançamento dado que distante há mais de cinco anos da data do lançamento, resta precluso até mesmo o direito potestativo da Administração de exigir o crédito tributário. Desse modo, por economia processual não irei requerer diligência para notificação do contribuinte solidário por entender que, nas circunstâncias, formalizar a intimação é inócuo em razão de o lançamento já ter sucumbiu ao INSTITUTO DA DECADÊNCIA. Ressaltese, por relevante, que não constam dos autos peças de Impugnação e Recurso Voluntário do devedor solidário CPF 01.030.830/000124, NICODEMOS BEZERRA DE LIMAME. Assim, em razão de o lançamento não ter sido aperfeiçoado pela notificação, nos prazo definido na forma do inciso II do art. 173 do CTN, este fora alcançado pelo Instituto da DECADÊNCIA,verbis : " Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000160/200923 Acórdão n.º 2403002.673 S2C4T3 Fl. 7 11 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento" CONCLUSÃO II Conheço do Recurso para EM PRELIMINAR DAR PROVIMENTO AO RECURSO em razão do lançamento ter sido alcançado pelo Instituto da DECADÊNCIA por não observar os prazos previstos no inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN É como voto Ivacir Júlio de Souza. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11618.000706/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 25/01/1993 a 31/10/2002
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Nos termos do REsp 1149022/SP, submetido à sistemática do artigo 543-C do CPC, a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as multas moratórias, sendo que a declaração prévia do débito e o pagamento posterior fora do prazo não se constitui denúncia espontânea, mas a retificação da declaração e o pagamento concomitante da diferença se constitui denúncia espontânea.
COMPENSAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. INDÉBITO.
Faz jus o contribuinte ao direito crédito relativo às multas de mora pagas nas hipóteses em que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1149022/SP, decidiu serem indevidas.
Numero da decisão: 1302-001.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 25/01/1993 a 31/10/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos do REsp 1149022/SP, submetido à sistemática do artigo 543-C do CPC, a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as multas moratórias, sendo que a declaração prévia do débito e o pagamento posterior fora do prazo não se constitui denúncia espontânea, mas a retificação da declaração e o pagamento concomitante da diferença se constitui denúncia espontânea. COMPENSAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. INDÉBITO. Faz jus o contribuinte ao direito crédito relativo às multas de mora pagas nas hipóteses em que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1149022/SP, decidiu serem indevidas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/01/1993 a 31/10/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos do REsp 1149022/SP, submetido à sistemática do artigo 543C do CPC, a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as multas moratórias, sendo que a declaração prévia do débito e o pagamento posterior fora do prazo não se constitui denúncia espontânea, mas a retificação da declaração e o pagamento concomitante da diferença se constitui denúncia espontânea. COMPENSAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. INDÉBITO. Faz jus o contribuinte ao direito crédito relativo às multas de mora pagas nas hipóteses em que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1149022/SP, decidiu serem indevidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 07 06 /2 00 3- 91 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário, cujo julgamento fora convertido em diligência, por esta Turma, na Sessão de 11/02/2014, por meio da Resolução 1302000.284, cujo relatório assim foi exarado: Peço vênia aos meus pares para reproduzir o preciso relatório destes autos, feito pela Conselheira Carmen Saraiva, no Despacho nº 1801222 a fls. 123 e segs., no qual foi declinada a competência da 1ª Turma Especial, in verbis: “A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 28.03.2003, fls. 0106, utilizandose do crédito no somatório de R$1.735.067,30 relativo aos pagamentos de tributos a maior efetuados fora do prazo de vencimento legal a título de acréscimos legais no período de 25.01.1993 a 31.10.2002 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre a Renda Retido na Fonte como antecipação de IRPJ (IRRF), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Imposto de Importação (II), Imposto sobre Tributos Industrializados (IPI), Imposto Territorial Rural (ITR) e de Receita Fundiária Estadual, em conformidade com a Tabela 1. Tabela1 – Valores discriminados do direito creditório pleiteado .... Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 4967, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que: Assunto: Declaração de Compensação. Ementa: INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O direito de o sujeito passivo pleitear a restituição de tributos e/ou contribuições, em vista de pagamento indevido ou a maior que o devido, extinguese após transcurso do prazo de cinco anos, contado da extinção do crédito tributário. Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO. NEGATIVA. O exercício da denúncia espontânea pressupõe a comunicação de infração pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco. O instituto da denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa de mora decorrente de mera inadimplência, configurada no pagamento fora de prazo de tributos apurados e declarados pelo sujeito passivo. Assim, as importâncias recolhidas a titulo de multa de mora não constituem pagamentos indevidos, sendo improcedente a utilização pelo contribuinte de crédito que tenha essa origem. Ementa: COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO Deixase de homologar a compensação efetivada pelo contribuinte, em razão do crédito utilizado não ter sido reconhecido pela autoridade administrativa.’ Fl. 837DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11618.000706/200391 Acórdão n.º 1302001.625 S1C3T2 Fl. 837 3 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 16.07.2004, fl. 69, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 12.08.2004, fls. 7079, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido amparada no instituto da denúncia espontânea e no entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre o início de contagem do prazo prescricional do pedido em análise nos autos. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 0810.979, de 12.01.2012, fls. 8289: ‘Solicitação Indeferida’. Restou ementado ‘ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/01/1993 a 31/10/2002 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. AD SRF 96/99. VINCULAÇÃO. Consoante Ato Declaratório SRF 96/99, que vincula este órgão, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeito A. homologação ou de declaração de inconstitucionalidade. RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A norma albergada pelo art. 138 do CTN não alcança o pagamento espontâneo efetuado com atraso pelos contribuintes, devendo neste ser incluída a competente multa de mora, conforme de forma expressa determina a legislação tributária. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA. Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiarse dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes.’. Notificado em 16.07.2007, fl. 94, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.08.2007, fls. 96117, esclarecendo que a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA ORDINÁRIA/1ª CÂMARA/2ª SJ/CARF nº 210200.427, de 03.12.2009, fls. 114118: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade CONHECER do recurso somente no tocante ao pretenso Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 indébito de multa mora sobre os tributos de competência da Segunda Seção do CARF e, no mérito, por unanimidade de votos, em RECONHECER que a decadência extinguiu o direito creditório do o te 28/03/1998 e, ainda no mérito, por voto de qualidade, em NEGAR provimento a parte conhecida, nos termos do voto do Relator. [...] Consta no Voto condutor Pelo exposto, recebo o recurso apenas na parte inserida na competência dessa Turma de Julgamento e não merecendo reparos a decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Ato continuo, este processo administrativo fiscal deve ser encaminhado Seção de Julgamento do Carf competente para julgamento da matéria não apreciada neste acórdão pela falta de competência. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Conforme estabelece o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a Segunda Seção cabe processar e julgar recursos que versem sobre aplicação da legislação IRPF, IRRF, ITR e Contribuições Previdenciárias. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. Extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Entre as penalidades excluídas pela denuncia espontânea não se inclui a multa moratória, não apenas porque inadimplemento não é infração tributária, mas também em razão da interpretação sistemática do Código Tributário Nacional que, a par de prever o instituto da denúncia espontânea em seu artigo 138, determina, em seu artigo 161, a imposição de penalidades cabíveis paras as hipóteses de crédito tributário não integralmente pago no vencimento. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA. Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiarse dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes.” Por meio da retro citada Resolução, esta Turma converteu o julgamento em Diligência nos termos do voto proferidos por este Relator, o qual propunha as seguintes providências: “Em face do exposto, voto por converter o processo em diligência, para que a Unidade Preparadora informe quais os débitos constantes da Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11618.000706/200391 Acórdão n.º 1302001.625 S1C3T2 Fl. 838 5 planilha a fls. 3 a 7 se encontravam declarados em DIRPJ (não em DIPJ) ou DCTF quando foram pagos com multa de mora. Deverá ser dada ciência das conclusões da diligência à recorrente, com a concessão de prazo de trinta dias para que, sobre elas, se manifeste nos autos.” Em resposta, a DRF/João Pessoa lavrou o Despacho de Diligência a fls. 818, do qual vale a transcrição do seguinte excerto: “7. A par dos documentos anexados aos autos, analisouse os pagamentos informados na planilha de fls. 2 a 6, constatandose que dos 157 pagamentos listados pela pessoa jurídica epigrafada, 105 estão alocados à débitos de sua responsabilidade, que já tinham sido informados em Declarações de Rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIRPJ), Declarações de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), em Declarações de Importações (DI) e outros exigidos em Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. 7.1. Alguns pagamentos referemse à parcelas de processos de parcelamento de débitos declarados em DCTF ou exigidos em Auto de Infração; 7.2. As informações estão condensadas no demonstrativo “Planilha 1 – ANÁLISE DOS PAGAMENTOS OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO”, às fls. 694 a 697; 7.3. A Planilha 2 – fls. 698 e 699, relaciona os pagamentos objeto de declaração de compensação, não alocados a quaisquer débitos. CONCLUSÃO 8. Dos pagamentos listados pela pessoa jurídica epigrafada na planilha de fls. 2 a 6, aqueles relacionados no demonstrativo de fls. 698 e 699 (Planilha 2) encontramse sem alocações a débitos, não tendo sido localizadas as respectivas declarações. 9. Por fim, há que se ressaltar que, na data de protocolização do processo (28/03/2003) já havia operado a decadência do direito de o contribuinte pelitear a restituição dos valores tidos como pagamentos indevidos, recolhidos até 27 de março de 1998, nos termos do art. 168, Inciso I, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966).” A recorrente, cientificada do referido despacho de Diligência, apresentou assim se manifestou (doc. a fls. 824 e segs.): a) que cuidase de pedido de ressarcimento com declaração de compensação protocolizados em 28/03/2003 que veio a ser indeferido por despacho decisório da SAORT em Joãao Pessoa, contra o qual foi interposta manifestação de inconformidade, que veio a ser igualmente indeferida, resultando na interposição de recurso em 14/08/2007; b) que a matéria de fundo seria o pagamento de tributos a maior efetuados fora do prazo de vencimento legal a título de acréscimo legais, ou seja, o Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 cerne da questão de direito estaria pautada na exclusão da multa de mora mediante denúncia espontânea. c) que conforme expressamente constatado no art. 1º, § 1º, da Lei 9873/99, incide a prescrição no procedimento administrativo, que poderá ser declarada de ofício ou a requerimento da parte, sempre que o processo permanecer paralisado por mais de 3 anos , pendente de julgamento ou despacho, sendo o caso dos autos, haja vista terem permanecidos paralisados por mais de 3 anos, o que impõe o seu arquivamento, não cabendo ao Fisco proceder com o saneamento pretendido pela Resolução nº 1302000.284 ou qualquer análise de mérito acerca da decadência do direito de ressarcimento; d) que o STF, no julgamento do RE 566621, ratificou a orientação do STJ, no sentido de ser indevida a retroatividade do prazo de prescrição quinquenal, nos termos da LC 118/2005, para o pedido de repetição do indébito tributário, sendo que o prazo de 5 anos válido apenas para as ações ajuizadas a partir de 9/06/2005; e) que, ante o exposto, requer o arquivamento dos autos pela constatação da prescrição intercorrente, com a consequente homologação dos créditos ressarcidos, bem como a consideração do prazo decenal para o ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Quanto à preliminar processual, há que se afastar a prescrição intercorrente, alegada pela recorrente, com base no art. 1º, § 1º, da Lei 9873/99, pois o art. 5º deste mesmo diploma legal deixa claro que: “O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária”. Por sua vez, a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário acerca de pedidos de restituição e compensação seguem o rito do PAF (Decreto 70235/72), ex vi § 11 do art. 74 da Lei 9430/96, razão pela qual não há falar em prescrição intercorrente. Não procede, também, a observação feita pelo autoridade diligenciadora, no sentido de que a pretensão à restituição dos supostos indébitos estaria prescrita, por força do disposto no art. 168, I, do CTN. Ocorre que tem razão a recorrente quando alega que deve ser aplicado o prazo prescricional de 10 anos contado do fato gerador, já que estamos tratando de tributos lançados por homologação (IRPJ, CSLL e IRRF), cujo pedido de repetição do indébito foi protocolizado antes de 9/06/2005. Nesse sentido, dispõe a Súmula CARF nº 91: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11618.000706/200391 Acórdão n.º 1302001.625 S1C3T2 Fl. 839 7 Ora, no momento em que foi apresentada a PerDcomp 28/03/2003, estava prescrita a pretensão da recorrente à restituição de qualquer indébito relativo a tributos cujos fatos gerados ocorreram até 28/03/1993, os quais, conforme PerDcomp a fls. 3 e 4 e Planilhas a fls. 812 a 815, são os seguintes (exceto os que já foram objeto da decisão da competência da 2ª Sejul): Código Origem do Débito Valor Original Pleiteado 3252 Multa IRPJ Auto de Infração – 10467.000717/9247 281.650,17 3252 Multa IRPJ Auto de Infração – 10467.000717/9247 378.708,87 3252 Multa IRPJ Auto de Infração – 10467.000717/9247 463.794,34 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 4,03 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 2,56 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 11,00 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 19,26 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 23,28 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 8,62 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 5,47 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 1,60 3252 Multa IRPJ DIRPJ/92 0064112 0,17 1409 – Multa CSLL DIRPJ/91 0033002 90,23 No mérito, inicialmente, fazse necessário delimitarmos a lide posta em julgamento, tendo em vista que parte do recurso voluntário sub examine já foi objeto do Acórdão nº 210200.427 da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Sejul (cf. relatado na Resolução retro citada), a fls. 129 e segs., cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Conforme estabelece o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a Segunda Seção cabe processar e julgar recursos que versem sobre aplicação da legislação IRPF, IRRF, ITR e Contribuições Previdencidrias. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Entre as penalidades excluídas pela denuncia espontânea não se inclui a multa moratória, não apenas porque inadimplemento não é infração tributária, mas também em razão da interpretação sistemática do Código Tributário Nacional que, a par de prever o instituto da denúncia espontânea em seu artigo 138, detennina, em seu artigo 161, a imposição de penalidades cabíveis paras as hipóteses de crédito tributário não integralmente pago no vencimento. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA. Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiarse dos efeitos das sentenças ali prolatadas uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes. Recurso Voluntário Negado. Tendo em vista o teor do trecho grifado da ementa acima transcrita, conclui se que houve um lapso manifesto da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Sejul quando assim sustentou no referido acórdão: “Pela aplicação do princípio de que o acessório segue o principal, estabeleceuse que cada Conselho aprecia os pedidos de repetição de multa moratória com relação aos tributos de sua competência. (…) Superada essa preliminar de competência, passase a analisar, apenas, a repetição dos pretensos valores pagos indevidamente a título de multa moratória dos tributos da competência da Segunda Seção, conforme os demonstrativos dos pagamentos a maior ou indevidos de fls. 02 a 06 e extratos de fls. 31 a 45: 2266 MULTA ITR Recurso conhecido 2807 JUROS IRPJ Recurso conhecido 3252 MULTA IRPJ Recurso conhecido 3279 MULTA IRPF Recurso conhecido 5815 MULTA IRPJ SUPLEMENTAR Recurso conhecido 1409 MULTA CSLL Recurso não conhecido 3228 MULTA II Recurso não conhecido 6138 MULTA FINSOCIAL Recurso não conhecido 8408 MULTA PIS/PASEP Recurso não conhecido 9806 MULTA IPI VINC IMPORTAÇÃO Recurso não conhecido …………………………………………………………………………” Ora, certamente, por tudo quanto sustentado na referida decisão, o recurso também não fora conhecido com relação às multas incidentes sobre IRPJ, tendo ocorrido apenas um lapso manifesto, já que percebível primo ictu oculi. Por óbvio, chegase a mesma conclusão no que tange ao valor reclamado referente ao código de arrecadação 2807 – Juros IRPJ. Com relação ao valor reclamado referente ao código de arrecadação 2807 – Juros IRPJ (R$ 271,50), afasto de plano a pretensão da recorrente, pois, em seu recurso a recorrente se limitou a sustentar seu direito à restituição da multa de mora recolhida espontaneamente. Possivelmente, houve um um engano ao relacionar tal valor entre aqueles relativos a multa de mora. De qualquer sorte, como multa de mora não se confunde com juros Fl. 843DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11618.000706/200391 Acórdão n.º 1302001.625 S1C3T2 Fl. 840 9 de mora, seja conceitualmente seja com relação a base legal, não justificado o pleito da recorrente neste ponto. Assim, resta examinar o direito creditório da recorrente com relação aos recolhimentos dos seguintes códigos: 3252 MULTA IRPJ Recurso conhecido 5815 MULTA IRPJ SUPLEMENTAR Recurso conhecido 1409 MULTA CSLL Recurso conhecido 3228 MULTA II Recurso conhecido 6138 MULTA FINSOCIAL Recurso conhecido 8408 MULTA PIS/PASEP Recurso conhecido 9806 MULTA IPI VINC IMPORTAÇÃO Recurso conhecido Como já abordado na Resolução nº 1302000.284, ressalto que, com a entrada em vigor da Portaria MF nº 586, de 2010, foi introduzido o § 3º no art. 7º do Anexo II da Portaria MF 256/2009 (RICARF), no qual ficou estabelecida a competência desta 1ª Seção de Julgamento nos casos em que o processo de compensação envolver crédito relacionado a tributos da competência desta Seção e das demais. Ora, o crédito remanescente a ser julgado envolve tributos da competência desta Seção e da Terceira Seção (multa de mora sobre PIS, COFINS, Finsocial, II e IPIvinc.), logo, com base no sistema do isolamento dos atos processuais (adotados pelos arts. 4º e 6º da Portaria MF 256/09), com a nova norma todo a matéria remanescente nestes autos passaram a ser de competência desta 1ª Sejul. Para a melhor compreensão do meu posicionamento sobre a questão posta, peço vênia aos meus pares, para repetir trecho da fundamentação do meu voto na Resolução nº 1302000.284, in verbis: “A questão posta em julgamento reside unicamente em se verificar se a multa de mora também é afastada em caso de pagamento espontâneo antes do início de qualquer procedimento fiscal, ou seja, se o art. 138 do CTN também exclui penalidade de caráter moratório. Em decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática do art. 543C do CPC, nos autos do REsp 1149022/SP, a Primeira Sessão do STJ, tendo por relator o Ministro Luiz Fux, assim decidiu: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento Fl. 844DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Juridica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por força do disposto no art. 62A do Anexo II do RICARF, esta Turma de Julgamento está vinculada ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no acórdão acima Fl. 845DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11618.000706/200391 Acórdão n.º 1302001.625 S1C3T2 Fl. 841 11 referido. A redação analítica da ementa do acórdão do REsp 1149022/SP permite facilmente deduzir o teor do seu julgado, o qual, pode ser resumido em três pontos: a) “a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias” b) que a declaração prévia do débito e o pagamento posterior fora do prazo não se constitui denúncia espontânea; e c) que a retificação da declaração e o pagamento concomitante da diferença se constitui denúncia espontânea. Ora, sempre me perfilei com os que sustentam que afastar a multa de mora em caso de denúncia espontânea é tornar o art. 61 da Lei n˚ 9.430/96 uma norma vã, pois a multa de mora jamais seria aplicada, já que, se o contribuinte recolhesse espontaneamente o tributo, embora a destempo, não estaria sujeito à multa de mora; por outro lado, se o recolhimento não fosse espontâneo, a multa aplicada não seria a de mora (art. 61), mas sim a de ofício (art. 44). Não obstante eu discorde dos fundamentos da decisão retro citada, o STJ criou a possibilidade de se aplicar o art. 61 da Lei n˚ 9.430/96, ainda que a denúncia espontânea afaste a multa de mora. Isso porque, à luz da decisão acima citada, como também da Súmula STJ n˚ 360, a multa de mora continua devida no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Ao analisar a questão posta à luz da jurisprudência acima interpretada, concluo que, in casu, a multa de mora é devida quando a recorrente realizou extemporaneamente o pagamento expontâneo do tributo já confessado em declaração anterior ao recolhimento. Logicamente, apenas declarações que tivessem o condão de formalizar o crédito tributário (DCTF, DIRPJ, DI etc.). Embora me cause espécie a jurisprudência acima, resta claro que, por ela, a multa de mora passa a ser devida apenas na hipótese de o contribuinte pagar fora do prazo o débito tributário que já havia sido declarado anteriormente, pois, pela inteligência de tal jurisprudência, nesta hipótese, o crédito tributário já estava constituído (e era exequível), razão pela qual a conduta do contribuinte (pagamento fora do prazo) era irrelevante para a CONSTITUIÇÃO do crédito tributário. A partir da premissa acima, passo a analisar as tabelas a fls. 812/816, elaboradas pela autoridade diligenciadora. Primeiramente, concluo pela improcedência do pedido no que tange a multa de mora de tributos parcelados, pois, nesta hipótese, não há falar que tenha havido denúncia espontânea, pois a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao decidir o Recurso Especial nº 1.111.175/SP, submetido à sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), pacificou a questão no sentido de que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. Assim, voto por negar o direito créditório da recorrente referente a multa de mora incidente sobre tributos parcelados, os quais estão relacionados na Planilha a fls. 814 (as duas últimas linhas) e 815 (todos nesta página). Segundo, concluo também que não há falar em denúncia espontânea em relação a débitos constituídos originariamente por auto de infração/notificação de lançamento, razão pela qual voto por negar o direito creditório da recorrente referente aos seguintes recolhimentos a título de multa de mora: Fl. 846DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Código Origem do Débito Data pagto Valor Original Pleiteado 5815 Multa IRPJ Suplementar Auto de Infração 11618.003782/9965 24/01/2000 421,39 5815 Multa IRPJ Suplementar Auto de Infração 11618.001503/200150 31/05/2001 220,50 1409 – Multa CSLL Notificação de lançamento PAF 10467221989/9865 08/09/1998 121,03 Terceiro, concluo, com base na jurisprudência do STJ retro citada, que era devida a multa de mora incidente sobre tributos declarados previamente e pagos, posteriormente, fora do prazo legal, razão pela qual voto por negar o direito creditório da recorrente referente aos seguintes recolhimentos a título de multa de mora: Código Origem do Débito Data pagto Vlr. Original Pleiteado 1409 – Multa CSLL DIRPJ/94 – 0008502 Recepção: 29/04/94 (doc. fls. 642) 30/09/1994 248,70 1409 – Multa CSLL DIRPJ/94 – 0008502 Recepção: 29/04/94 (doc. fls. 642) 30/09/1994 319,37 1409 – Multa CSLL DIRPJ/95 – 0113500 Recepção: 30/05/95 (doc. fls. 160) 31/05/1995 4.978,49 3252 Multa IRPJ DIRPJ/95 – 0113500 Recepção: 30/05/95 (doc. fls. 160) 03/08/1995 36,42 3252 Multa IRPJ DIRPJ/98– 3101859 Recepção: 28/04/1998 (doc. fls. 723) 30/04/1998 593,68 1409 – Multa CSLL DIRPJ/997– 8174388 Recepção: 22/04/1997 (doc. fls. 692) 06/08/1998 80,07 1409 – Multa CSLL DIRPJ/997– 8174388 Recepção: 22/04/1997 (doc. fls. 692) 06/08/1998 75,06 1409 – Multa CSLL DIRPJ/97– 8174388 Recepção: 22/04/1997 06/08/1998 2,39 Fl. 847DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11618.000706/200391 Acórdão n.º 1302001.625 S1C3T2 Fl. 842 13 (doc. fls. 692) 1409 – Multa CSLL DIRPJ/94 – 0008502 Recepção: 29/04/94 (doc. fls. 642) 08/09/1998 3,65 3228 – Multa II DI 97/11963817 19/12/1997 Castro Pinto/PB 22/12/1997 0,83 3252 Multa IRPJ DIRPJ/98– 3101859 Recepção: 28/04/1998 (doc. fls. 729) 13/12/2000 387,37 1409 – Multa CSLL DIRPJ/98– 3101859 Recepção: 28/04/1998 (doc. fls. 729) 13/12/2000 56,14 1409 – Multa DCTF – novembro/2000 11/01/2001 8,84 3228 – Multa II DI 99/11101592 22/12//1999 Porto Suape/PE 18/06/2002 4,85 3228 – Multa II DI 00/00352300 13/01/2000 Porto Suape/PE 18/06/2002 169,38 9806 – Multa IPI vinculado DI 99/11101592 22/12//1999 Porto Suape/PE 18/06/2002 4,00 9806 – Multa IPI vinculado DI 00/00352300 13/01/2000 Porto Suape/PE 18/06/2002 139,89 6138 – Multa Finsocial DCTF 9495190154700 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 571) 03/08/1995 19,96 6138 – Multa Finsocial DCTF 9495190154701 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 574) 03/08/1995 15,26 6138 – Multa Finsocial DCTF 9495190154702 Entrega: 28/04/95 03/08/1995 31,41 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 (doc. a fls. 577) 6138 – Multa Finsocial DCTF 9495190154703 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 576) 03/08/1995 18,85 6138 – Multa Finsocial DCTF 9495190154704 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 573) 03/08/1995 24,09 6138 – Multa Finsocial DCTF 9495190154705 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 575) 03/08/1995 25,50 6138 – Multa Finsocial DCTF 9495190154706 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 568) 03/08/1995 20,95 6138 – Multa Finsocial DCTF 9495190154707 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 569) 03/08/1995 133,16 8408 – Multa PIS DCTF 9495190154700 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 571) 03/08/1995 6,48 8408 – Multa PIS DCTF 9495190154701 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 574) 03/08/1995 4,95 8408 – Multa PIS DCTF 9495190154702 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 577) 03/08/1995 10,20 8408 – Multa PIS DCTF 9495190154703 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 576) 03/08/1995 6,12 8408 – Multa PIS DCTF 9495190154704 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 573) 03/08/1995 7,83 8408 – Multa PIS DCTF 9495190154705 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 575) 03/08/1995 8,38 8408 – Multa PIS DCTF 9495190154706 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 568) 03/08/1995 6,80 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11618.000706/200391 Acórdão n.º 1302001.625 S1C3T2 Fl. 843 15 8408 – Multa PIS DCTF 9495190154707 Entrega: 28/04/95 (doc. a fls. 569) 03/08/1995 43,16 6138 – Multa Finsocial DCTF 9496080240400 Entrega: 28/12/1995 (doc. a fls. 581) 29/07/1996 399,98 Em quarto, concluo que quanto a dois créditos pleiteados, a autoridade diligenciadora não demonstrou que tivesse ocorrido o pagamento (fora do prazo) posteriormente à entrega da DIRPJ ou DCTF, razão pela qual reconheço os seguintes direitos creditórios da recorrente: Código Origem do Débito Data pagto Vlr. Original Pleiteado 1409 – Multa CSLL DIRPJ/95 – 0113500 Recepção: 30/05/95 (doc. fls. 160) 31/08/1994 87,76 1409 – Multa CSLL DCTF 100199800522669 (doc. a fls. 584) 01/10/1998 36,07 Observo que não logrei encontrar, nos autos, qualquer documento que informasse a data de recepção da DCTF 100199800522669, razão pela qual, ao considerar entregue no último dia do prazo (terceiro dia do segundo mês subsequente ao trimestre), concluí que o pagamento realizado em 01/10/1998 fora anterior à entrega da DCTF. Por último, concluo que a multa de mora não é devida sobre os pagamentos para os quais a Receita Federal sequer conseguiu alocálos a seus respectivo débitos, ou seja, não conseguiu por não ter sido constituído o débito nem por lançamento ex officio nem por declaração do contribuinte, sendo que, conforme Planilha a fls. 816 e 817, eles são os seguintes: Código Data Pagto Total DARF Vlr. Original Pleiteado 1409 – Multa CSLL 30/03/2000 10,00 10,00* 6138 – Multa Cofins 30/05/2000 10,50 0,50 8408 – Multa PIS 30/05/2000 10,50 0,50 3252 Multa IRPJ 22/07/1993 3.484.072,64 144.679,59** 8408 – Multa PIS 28/04/1995 192,66 17,36 Fl. 850DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 *Com relação ao direito crédito no valor de R$ 10,00 (cód. 1409) acima informado, voto por deferir o pedido, embora a decisão da DRF/João Pessoa a fls. 69 e 70 informe que tal valor não foi confirmado no Sinal 04, pois a autoridade diligenciante nada abordou sobre a questão. **Valor na moeda da época (julho de 1993). Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para: a) reconhecer o direito creditório referente aos seguintes recolhimentos a título de multa de mora: Código Origem do Débito Data pagto Vlr. Original Pleiteado 1409 – Multa CSLL DIRPJ/95 – 0113500 Recepção: 30/05/95 (doc. fls. 160) 31/08/1994 87,76 1409 – Multa CSLL DCTF 100199800522669 (doc. a fls. 584) 01/10/1998 36,07 1409 – Multa CSLL Pagto não alocado 30/03/2000 10,00 6138 – Multa Cofins Pagto não alocado 30/05/2000 0,50 8408 – Multa PIS Pagto não alocado 30/05/2000 0,50 3252 Multa IRPJ Pagto não alocado 22/07/1993 144.679,59* 8408 – Multa PIS Pagto não alocado 28/04/1995 17,36 * Valor na moeda da época (julho de 1993). b) homologar as compensações declaradas até o valor do direito creditório reconhecido no item “a” acima. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 851DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11618.000706/200391 Acórdão n.º 1302001.625 S1C3T2 Fl. 844 17 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 16045.000676/2010-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2007
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE CONTENHAM AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA.
Constitui infração deixar a empresa de exibir à fiscalização qualquer documento que contenha informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da previdência social, quando regularmente intimada para esse fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA. Constitui infração deixar a empresa de exibir à fiscalização qualquer documento que contenha informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da previdência social, quando regularmente intimada para esse fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 06 76 /2 01 0- 05 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16045.000676/201005 Acórdão n.º 2403002.840 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0534.010 – 8ª Turma da DRJ/CPS, fls. 255/260, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.263.9925, referente ao período de 01/2007 a 12/2008, no valor de R$ 14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos). A presente autuação almeja o pagamento de multa em razão de a empresa não ter apresentado as informações, trabalhistas e fiscais, relativas ao período de 01/2007 a 12/2008, mesmo tendo sido intimado à sua apresentação. A multa foi capitulado segundo o art. 32/ III, §11 da Lei 8.212/91, Art. 225, III do Regulamento da Previdência Social, assim como foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e nos arts 283, inciso II alínea B e ar373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, definido pela Portaria Interministerial MPS/MF Nº 333, de 29 de junho de 2010. As informações estão no Relatório Fiscal, fls. 7/12, in verbis III – CONTEXTO 3. Muito embora, tenha sido regularmente intimada para este fim, através do competente Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF, datado de 04/05/2010, não apresentou, no curso da ação de auditoria, os documentos e arquivos abaixo: Os arquivos digitais das Guias de Recolhimento do FGTS e Declarações à Previdência Social – GFIPs, denominadas “Sefipcr.sfp”, expedidos pelo sistema Sefip, referentes aos dados dos segurados que lhe prestaram serviços durante o período auditado de 01/2007 a 12/2008 (inclusive décimo terceiros salário), enviados pelo contribuinte e constantes do Sistemas GFIPWeb; Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, em meio digital e em meio papel. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 225/228. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 8ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campinas, prolatou o acórdão 0534.010, de fls. 255/260, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/01/2007 a 31/12/2008 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE CONTENHAM AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA. Constitui infração deixar a empresa de exibir à fiscalização qualquer documento que contenha informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da previdência social, quando regularmente intimada para esse fim. ÔNUS PROBANTE. AUSÊNCIA DE PROVAS NA IMPUGNAÇÃO. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, extintivos ou impeditivos da exigência fiscal, pois no caso específico de se sustentar uma pretensão contrária ao que está evidenciado nos autos, o ônus de provar é do contribuinte. Não havendo provas para comprovar a essência daquilo que é afirmado pela defesa, mantémse a exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a recorrente, NEXANS DO BRASIL S/A., interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 264/269, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – A recorrente apresentou todos os documentos requeridos. 2 – O montante da multa não condiz com a capitulação legal utilizada pela fiscalização. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16045.000676/201005 Acórdão n.º 2403002.840 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.278, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA MULTA APLICADA No que se refere à multa aplicada, verificase que o procedimento realizado obedeceu os limites da legislação vigente. Dispõe o art. 32, III, §11 da Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização ... § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivadas na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. A falta acima está classificada também no no artigo 283, inciso II, alínea “b” e artigo 373, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, in verbis: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nº 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos)), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o diposto nos art. 290 e 292, e de acordo com os seguintes valores: ... II – a partir de R$ 6.361,73 (seis mil, trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) ... Fl. 290DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 b) deixa a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288 são reajustados nas mesma épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Apesar de a recorrente argüir que foi disponibilizado à fiscalização todos os documentos e informações que lhe foram solicitados, este não é o fato que se verifica, tendo em vista que a empresa foi regularmente intimada pelo TIPT, datado de 05/05/2010 para a apresentação dos arquivos digitais, denominados “Sefipcr.sfp” e Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, e não os apresentou. Cabe a recorrente a demonstração de que os referidos documentos foram apresentados, todavia, a própria empresa em seu Recurso Voluntário admite que não logrou êxito em registrar a entrega dos referidos arquivos e que não possui prova apta para tanto. Assim sendo, resta verificado que o procedimento fiscal está de acordo com a legislação vigente. Ante o exposto, entendo que deve ser mantido o crédito tributário, haja vista que a recorrente não mostrou de forma inequívoca os argumentos por ela trazidos. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso Voluntário para negarlhe provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 15504.020208/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS.
A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n° 8.212/91, art. 30, I, "a" e dos segurados contribuintes individuais conforme o disposto na Lei n° 10.666/03, art. 4°, caput".
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a autuação relativa a não descontar da remuneração dos segurados empregados a contribuição previdenciária, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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OBRIGATORIEDADE DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n° 8.212/91, art. 30, I, "a" e dos segurados contribuintes individuais conforme o disposto na Lei n° 10.666/03, art. 4°, “caput". Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a autuação relativa a não descontar da remuneração dos segurados empregados a contribuição previdenciária, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 02 08 /2 00 9- 98 Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020208/200998 Acórdão n.º 2302003.384 S2C3T2 Fl. 1.505 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.481 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: De acordo com os elementos constitutivos do presente processo, o MUNICÍPIO DE OURO PRETO PREFEITURA MUNICIPAL foi autuado por não ter arrecadado, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, para o período de 01/2004 a 12/2005. Os créditos tributários, relativos As obrigações principais correspondentes, foram formalizados nos autos de infração AI´s n° 37.234.9897 e 37.234.9919, lavrados na mesma ação fiscal. Nos Relatórios daqueles AI´s, ficou consignado que o Fundo Previdenciário Municipal de Ouro Preto, criado pela Lei Municipal n°58, de 23.12.1997, foi extinto por força do art. 10 da Lei 40, de 22.11.2000, retomando o Município ao Sistema Geral de Previdência. Não há circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Impugnando o auto de infração, às fls. 777/779, o Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal diz ser indevida a autuação, devendo a mesma ser julgada improcedente, como já exposto contra os AI´s n° 37.234.9897, 37.234.9900 e 37.234.9919, porque não há crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias lançadas naquelas autuações. Assim, diz que, ausente o credito tributário, também estaria ausente a multa correspondente à não arrecadação, mediante desconto, das contribuições da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços ao Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal. Em seu pedido, protestando alegar por todos os meios de prova admitidos em direito, requer a improcedência da autuação para excluir a multa aplicada ao Município de Ouro Preto Prefeitura Municipal. (destaques nossos) Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 1.493 e seguintes, no qual renovou os argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.020208/200998 Acórdão n.º 2302003.384 S2C3T2 Fl. 1.506 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi CFL 59. Cabimento da Autuação. A recorrente, em suas alegações, não afastou diretamente a existência do descumprimento da obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, que vem expressa na legislação vigente (Lei n° 8.212/91, art. 30, I, "a"; e Lei n° 10.666/03, art. 4°, “caput"). Todavia, entende que não se sujeitaria a tal multa, pois, conforme já exposto nos recursos relativos às obrigações principais, não há crédito tributário relativamente às contribuições previdenciárias lançadas. Ocorre que, embora se pudesse reconhecer algum equívoco pontual em quaisquer das autuações relativas às obrigações principais (como ocorrido nos processos n°s. 15504.020113/200974 e 15504.020111/200985), a multa aplicada no presente Auto de Infração encontra fundamento nos artigos 92 e 102, da Lei 8.212/91, bem como nos artigos 283, I, "g", e 373, do RPS/99, que estipulam multa por valor único, independentemente do número de infrações. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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