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Numero do processo: 11251.000051/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE.
É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. ENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa como um todo, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, sendo irrelevante para tal enquadramento se tais segurados ocupam cargos na atividade meio ou na atividade fim da empresa.
CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.
A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN.
SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE.
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF.
FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96
O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I, da Lei nº 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. ENQUADRAMENO EM GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa como um todo, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, sendo irrelevante para tal enquadramento se tais segurados ocupam cargos na atividade meio ou na atividade fim da empresa. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 51 /2 00 9- 42 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei 9.424/96. Súmula 732 do STF. FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96 O SalárioEducação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I, da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 233 3 Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003 Data da lavratura da NFLD: 25/02/2004. Data da Ciência da NFLD: 01/03/2004. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Seção de Análise de Defesas e Recursos do INSS em Guarulhos/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.545.0070, consistentes em Contribuições Sociais a cargo dos segurados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, bem como as contribuições patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, a título de PLR, porém pagos em desconformidade com a Lei nº 10.101/2000, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 37/38. De acordo com o Relatório Fiscal, os valores pagos correspondentes a 1,67% do salário base de cada trabalhador, ficando assim, expressamente vinculado ao salário do empregado, não se configurando importâncias prevista no parágrafo 9°, inciso “e”, item 7, do artigo 28 da Lei nº 8.212/91. A empresa apresentou prova de existência de resultado operacional NEGATIVO no período de 01/2002 a 12/2002, assim sendo foram valores pagos em desacordo com os dispositivos da Lei nº 10.101/2000, que trata de participação nos Lucros. A Fiscalização apurou que a empresa pagou a rubrica referente a PLR, correspondente a 1,67% do salário base de cada trabalhador, em todos os meses do período de lançamento, qual seja, nas 16 competências de janeiro/2002 a abril/2003. O pagamento de tal parcela a título de PLR, nessas condições, estava previsto na convenção coletiva ano 2002. Tais rubricas e seus respectivos valores foram apurados nas Folhas de Pagamento da empresa, e não foram declaradas em suas GFIP correspondentes. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo apresentou contestação administrativa em face do lançamento, nos termos da Impugnação a fls. 41/90. A Seção de Análise de Defesas e Recursos do INSS em Guarulhos/SP lavrou Decisão Administrativa aviada na DecisãoNotificação nº 21.4254/074/2004, a fls. 121/125, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/05/2004, conforme Aviso de Recebimento a fl. 127. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 234 5 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 129/177, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Inconstitucionalidade da contribuição para o SAT, uma vez que a lei não definiu quais são as atividades que oferecem risco leve, médio e grave, nem tampouco estabeleceu o que se venha a entender por atividade preponderante, o que foi instituído por decreto; · Que os Decretos nº 612/92 e 2.173/97 são inconstitucionais, por violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária; · Que é vedada a edição de regulamentos autônomos; · Inconstitucionalidade da contribuição para o FNDE; · Inconstitucionalidade das contribuições para o INCRA, SEBRAE e SEST. Aduz que a empresa não apurou lucros no período do lançamento, sendo inconcebível se tributar a Recorrente quanto a tais contribuições, que exigem a efetiva ocorrência de lucros; · Que os juros e a multa foram aplicados acima do permissivo legal; Ao fim, requer a declaração de improcedência da NFLD. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/05/2004. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14/06/2004, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto, conforme Resolução 154/INSS/DCPRES, de 08/06/2004, que suspendeu o prazo para interposição de recursos no período de paralização dos servidores. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS GERADORES Conforme destacado no Relatório Fiscal, a empresa Autuada pagou a rubrica referente a PLR, correspondente a 1,67% do salário base de cada trabalhador, em todos os meses do período de lançamento, qual seja, nas 16 competências de janeiro/2002 a abril/2003. Merece ser citado que o conceito jurídico de Salário de Contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho, ressalvadas, tão somente, as Fl. 237DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 235 7 hipóteses de não incidência tributária arroladas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, cuja alínea ‘j’ estatui, expressamente, que não integra o Salário de Contribuição a “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica”. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) (...) j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) (...) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Dessarte, o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000: · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. · O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; Ø O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; · A PLR não pode substituir, tampouco complementar, a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; Com efeito, extraise do conjunto probatório carreado no presente Processo Administrativo Fiscal que o pagamento da rubrica denominada “Participação no Lucros/Abono”, feito pela Autuada em favor de seus empregados, houvese por realizado em total desacordo com a lei de regência, Lei nº 10.101/2000, conforme se vos segue: · A rubrica foi paga em todas as 16 competências do período de apuração, enquanto que a lei estatui ser vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 236 9 · A lei determina que a participação nos lucros ou resultados tem que ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou convenção/acordo coletivo, e que dessa negociação tem que resultar um instrumento representativo do acordo, o qual deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Todavia a empresa não demonstrou a existência de tais instrumentos da negociação, tampouco o seu arquivamento na entidade sindical dos trabalhadores. · A lei determina que nos instrumentos decorrentes da negociação devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente, dentre outros. Contudo, a empresa não comprovou a existência de tal instrumento de acordo, muito menos que tal instrumento atendia aos requisitos fixados na lei; · Os valores pagos correspondem a 1,67% do salário base de cada trabalhador, o que viola a regra constitucional que veda a vinculação da PLR legal ao salário; · O pagamento de um percentual fixo do salário a todos os trabalhadores, indistintamente, não incentiva a produtividade nem promove a integração do capital com o trabalho, o que viola o art. 1º da Lei nº 10.101/2000. Com efeito, se o trabalhador produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo ou desleixo, é indiferente. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a título de “PLR”. A única coisa que importa, no caso, é estar trabalhando na empresa. · O pagamento de Participação nos Lucros pressupõe, obviamente, e existência de lucros. No entanto, a Fiscalização apurou, e a própria Autuada admitiu, que no período de apuração a empresa não registrou lucro, mas prejuízo. Dessa forma, concluise que a empresa não distribuiu LUCROS aos seus empregados, mas, sim, salário; Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de Participação nos Lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. 2.2. DA ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE DO SAT. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 O Recorrente alega a inconstitucionalidade da contribuição para o SAT, uma vez que a lei não definiu quais são as atividades que oferecem risco leve, médio e grave, nem tampouco estabeleceu o que se venha a entender por atividade preponderante, o que foi instituído por decreto. Aduz que os Decretos nº 612/92 e 2.173/97 são inconstitucionais, por violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária. NÃO !!! Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. O art. 195, I da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 237 11 Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Registrese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Devese atentar igualmente para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 238 13 Ao revés, o Pretorio Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (grifos nossos) IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A inteligência do dispositivo constitucional ora invocado conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar taxativamente previstas, com todos os seus elementos, na Lei stricto sensu, mas sim, serem estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei. Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a lei formal a outorgar competência legislativa a outros instrumentos normativos de menor Fl. 244DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 escalão para dispor sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social inerentes à hipótese de incidência da obrigação. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II, da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos primários conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Na sequência, o parágrafo 3º do mesmo dispositivo legal autorizou o Ministério do Trabalho e da Previdência Social a alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento de empresas nos respectivos graus de risco para efeito da contribuição destinada ao SAT. No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ Fl. 245DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 239 15 PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos) 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (grifos nossos) 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da Fl. 246DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 16 alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 10. Agravo regimental desprovido. Conforme se observa, o Regulamento da Previdência Social não se configura como um Regulamento Autônomo, como assim alega o Recorrente. Ele foi editado atendendo ao comando legal aviado no art. 103 da Lei nº 8.212/91, e apenas dispõe sobre as matérias aviadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, conferindolhe as condições de contorno indispensáveis para a sua execução. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 103. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de sua publicação. E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 240 17 (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo §3º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, cujo Anexo V, combinado com o §4º do seu art. 202, estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às Fl. 248DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 18 condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Assentado que o Regulamento Suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. 2.3. DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SALÁRIO EDUCAÇÃO FNDE O Recorrente alega a Inconstitucionalidade da contribuição para o FNDE desde o seu nascedouro. Aduz que a legislação referente ao SalárioEducação não foi recepcionada pela CF/88. Está frio ! Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 241 19 reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Instituído em 1964 pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, o salárioeducação é uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde que vinculada àquela. A contribuição social do salárioeducação está prevista no artigo 212, §5º, da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/96 e 9.766/98 e pelo Decreto nº 6003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo, nos dias atuais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF). Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53/2006) Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Art. 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifos nossos) São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tal qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social, nos termos do §3º do art. 1º da Lei nº 9.766/98, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei. Lei nº 9.766, de 18 de dezembro de 1998 Art. 1o A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá às mesmas sanções Fl. 250DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 20 administrativas ou penais e outras normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. §1o Estão isentas do recolhimento da contribuição social do SalárioEducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. §2o Integram a receita do SalárioEducação os acréscimos legais a que estão sujeitos os contribuintes em atraso. §3o Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do SalárioEducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. Decreto nº 3.142, de 16 de agosto de 1999. Art.1o A contribuição social do salárioeducação obedecerá aos mesmos prazos, condições e outras normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE sobre a matéria. Parágrafo único. O contribuinte do salárioeducação sujeitar seá às mesmas sanções administrativas e penais previstas na legislação previdenciária, nos moldes do caput deste artigo. Art.2o A contribuição social do salárioeducação, prevista no art. 212, §5o, da Constituição e devida pelas empresas, será calculada com base na alíquota de dois inteiros e cinco décimos por cento, incidente sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, ressalvadas as exceções legais. §1o Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do salárioeducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. §2o Considerase entidade pública, para os efeitos deste Decreto, a sociedade de economia mista, a empresa pública, bem assim as demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2o, da Constituição. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 242 21 §3o Para fins da contribuição social do salárioeducação, são considerados como empregados os seguintes segurados obrigatórios da Seguridade Social: I Aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; II Aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; III O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; IV Aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o nãobrasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; V O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. §4o A alíquota reduzida da contribuição social do salário educação, incidente sobre a remuneração dos empregados contratados por prazo determinado, nos termos do inciso I do art. 2o da Lei no 9.601, de 21 de janeiro de 1998, é de um inteiro e vinte e cinco centésimos por cento. Art.3o Estão isentas do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, inclusive no que se refere à remuneração paga aos servidores públicos ocupantes de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, autarquias, inclusive em regime especial, e fundações públicas federais; II As instituições públicas de ensino de qualquer grau, conforme norma regulamentar expedida pelo Ministério da Educação; III As escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, que sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IV As organizações de fins culturais, que tenham sido reconhecidas nos termos dos Decretos no76.923, de 26 de dezembro de 1975, e no 87.043, de 22 de março de 1982; V As organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 22 a) sejam reconhecidas como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; c) promovam, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) apliquem integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, ao órgão do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Parágrafo único. A pessoa jurídica optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES está isenta do pagamento da contribuição social do salário educação, nos termos do art. 3o, §4o, da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. Art. 2º São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2º, da Constituição. Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; É de bom alvitre esclarecer, de modo a repelir qualquer dúvida, que o inciso II do art. 5º da CF/88 estatuiu que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. A inteligência do dispositivo constitucional ora invocado conduz à conclusão de que as obrigações de fazer, não fazer ou de permitir não precisam estar Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 243 23 taxativamente previstas, com todos os seus elementos, na Lei stricto sensu, mas sim, serem estatuídas em razão da lei, em decorrência da lei. Autores de nomeada reconhecem que tal disposição constitucional autoriza a lei formal a outorgar competência legislativa a outros instrumentos normativos de menor escalão para dispor sobre as condições de contorno secundárias ou de maior dinâmica social inerentes à hipótese de incidência da obrigação. No caso dos autos, a definição dos contribuintes da contribuição destinada ao Salário Educação encontrase expressamente estabelecida no art. 15 da Lei 9.424/96 c.c. §3º do art. 1º da 9.766/98, e apenas reproduzida no §1º do art. 2º do Decreto nº 3.142, de 16 de agosto de 1999, assim como no art. 2º do Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. E não se desdenhe do poder normativo dos Decretos nº 3.142/99 e 6.003/2006. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese do exposto que os Decretos nº 3.142/99 e 6.003/2006 decorrem da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Reiteradas alegações de inconstitucionalidade impeliram o Procurador Geral da Republica a ajuizar, perante o Supremo Tribunal Federal, a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 3, cuja decisão, de relatoria do Min. Nelson Jobim, publicada no Diário da Justiça de 10/12/1999, pautou pela constitucionalidade do art. 15 da Lei nº 9.424/96, atribuindolhe efeitos ex tunc. ADC 3 / UF UNIÃO FEDERAL AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 24 Relator(a): Min. NELSON JOBIM Julgamento: 01/12/1999 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação : DJ 09052003 PP EMENTA: CONSTITUCIONAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15, LEI 9.424/96. SALÁRIOEDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E DE VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO. DECISÕES JUDICIAIS CONTROVERTIDAS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL E MATERIAL. FORMAL: LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. NATUREZA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. § 5º, DO ART. 212 DA CF QUE REMETE SÓ À LEI. PROCESSO LEGISLATIVO. EMENDA DE REDAÇÃO PELO SENADO. EMENDA QUE NÃO ALTEROU A PROPOSIÇÃO JURÍDICA. FOLHA DE SALÁRIOS REMUNERAÇÃO. CONCEITOS. PRECEDENTES. QUESTÃO INTERNA CORPORIS DO PODER LEGISLATIVO. CABIMENTO DA ANÁLISE PELO TRIBUNAL EM FACE DA NATUREZA CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL: BASE DE CÁLCULO. VEDAÇÃO DO ART. 154, I DA CF QUE NÃO ATINGE ESTA CONTRIBUIÇÃO, SOMENTE IMPOSTOS. NÃO SE TRATA DE OUTRA FONTE PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMPRECISÃO QUANTO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A CF QUANTO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO DEFINE A FINALIDADE: FINANCIAMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL E O SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIIÇÃO: AS EMPRESAS. NÃO RESTA DÚVIDA. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI AMPLAMENTE DEMONSTRADA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE QUE SE JULGA PROCEDENTE, COM EFEITOS EXTUNC. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação revelase, pois, perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, nocauteando de uma vez por todas qualquer dúvida que ainda pudesse ser suscitada a respeito, fez publicar a Súmula nº 732, a qual transcrevemos adiante. SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. O Verbete da Sumula nº 732 do STF atira a última pá de cal sobre qualquer ainda possível alegação de inconstitucionalidade da contribuição social do Salário Educação, fechando definitivamente o esquife. Nesse contexto, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social, consubstanciamse Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 244 25 contribuintes do Salário Educação, e nessa condição devem verter suas contribuições para o FNDE. 2.4. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO INCRA, SEBRAE e SEST. Para não se alongar demasiadamente, o Recorrente reitera as mesmas vedações constitucionais também para o INCRA, SEBRAE e SEST, “que é reconhecido pelo INSS”. (sic) O Recorrente alega que a empresa “não apresentou lucros no período apurado, assim é inconcebível querer tributar a recorrente quanto a tais contribuições, que exigem a efetiva ocorrência de Lucro”. Para também não nos alongarmos demasiadamente, devemos destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não teve, ainda, a sua constitucionalidade abatida pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 26 §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 245 27 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade pleiteadas pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. Por derradeiro, também não procede a alegação de que a tributação das contribuições em tela dependem da efetiva ocorrência de lucro. De acordo com o §1º do art. 113 do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, inexistindo qualquer relação de pertinência com a apuração de lucro ou de prejuízo pelo Sujeito Passivo. Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 28 De acordo com o art. 116 do CTN, tratandose o fato gerador da Contribuição Previdenciária de uma situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que se procedeu ao pagamento de rubricas de natureza remuneratória a segurados obrigatórios do RGPS, independentemente de a empresa empregadora ter registrado lucros ou prejuízos no período de apuração do débito. 2.5. DOS JUROS E MULTA O Recorrente alega que os juros e a multa foram aplicados acima do permissivo legal. “Enquanto houver bambu tem flecha” (ditado popular) Se o Recorrente se der ao trabalho de analisar o lançamento em apreço verá que os juros de mora houveramse por aplicados de acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, vigente à data dos fatos geradores, conforme indicado no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fl. 24, tópico “Acréscimos legais – juros”. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. De outro eito, a multa moratória se houve por aplicada em conformidade com os incisos II e III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, vigente à data dos fatos geradores, conforme indicado no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fl. 23, tópico “Acréscimos legais – Multa”, e quantificados na página 01/02 do relatório “IPC – Instruções Para o Contribuinte”, a fl. 05. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) (...) II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000051/200942 Acórdão n.º 2401004.013 S2C4T1 Fl. 246 29 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Como se vê, tanto a multa quanto os juros de mora houveramse por aplicados em estreita consonância com os ditames legais. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 30 É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 12267.000344/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
LANÇAMENTO.
O agente fiscal deve, ao verificar o descumprimento de obrigação tributária principal, efetuar o lançamento.
Numero da decisão: 2302-003.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer da preliminar argüida em plenário, frente à preclusão, na forma do inciso III, do artigo 16, do Decreto n.º 70.235/72. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento relativo a desconsideração dos serviços prestados por interpostas pessoas jurídicas, para considerá-los como prestados por segurados empregados. Fez sustentação oral: Diogo Pedro de Farias Ourique OAB/RJ 139.059.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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O agente fiscal deve, ao verificar o descumprimento de obrigação tributária principal, efetuar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer da preliminar argüida em plenário, frente à preclusão, na forma do inciso III, do artigo 16, do Decreto n.º 70.235/72. Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento relativo a desconsideração dos serviços prestados por interpostas pessoas jurídicas, para considerálos como prestados por segurados empregados. Fez sustentação oral: Diogo Pedro de Farias Ourique OAB/RJ 139.059. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 44 /2 00 8- 32 Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12267.000344/200832 Acórdão n.º 2302003.643 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator AD HOC, para formalização do acórdão proferido. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização do acórdão, não possuindo mais competência para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, seu voto, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi, por não conhecer da preliminar argüida em plenário, frente à preclusão, na forma do inciso III, do artigo 16, do Decreto n.º 70.235/72 e em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento relativo a desconsideração dos serviços prestados por interpostas pessoas jurídicas, para considerálos como prestados por segurados empregados. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.725706/2010-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, cabível a aplicação retroativa do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que se trata, neste dispositivo, de penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 19/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, cabível a aplicação retroativa do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que se trata, neste dispositivo, de penalidade única combinando as duas condutas. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 06 /2 01 0- 25 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 9202003.787 CSRFT2 Fl. 1.062 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 19/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, às efls. 02 a 76, com relatório fiscal às efls. 418 a 426, relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos, denominados terceiros, quais sejam: Serviço Social do Transporte – SEST e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT. Diferentemente de outros processos objeto da mesma ação fiscal, no relatório fiscal deste processo, não há referência ao auto de infração relativo a preenchimento de GFIP sem declaração de todos os valores pagos em razão da não informação das remunerações pagas a transportadores rodoviários autônomos contribuintes individuais , sob DEBCAD n° 37.221.7621, formando o processo n° 10980.725707/201070. Isso ocorre porque as contribuições devidas a terceiros não se enquadram na categoria dos débitos a serem informados em GFIP. Em sua impugnação, às efls. 429 a 437, a empresa, que atua no ramo de transporte rodoviário de cargas secas e granel, contestou o auto de infração. A 5ª Turma da DRJ/CTA considerou improcedente a impugnação, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0634.721 de 02/12/2011, às efls. 457 a 465, mantendo a integralidade do crédito lançado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 467 a 477, no qual argumenta, em síntese: falta de clareza na fundamentação da infração que não permitiria plena defesa; e ainda que mantida a multa aplicada sobre as contribuições, não caberia a incidência de juros de mora sobre esta exação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 18/09/2012, pelo acórdão 2301003.044, às efls. 497 a 511, que tem a seguinte ementa: Fl. 537DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 9202003.787 CSRFT2 Fl. 1.063 3 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendose o ônus da prova para o contribuinte. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Relativamente às matérias recorridas, houve manutenção unânime do entendimento da DRJ. Contudo, foi modificada de ofício, pela maioria, a multa aplicada no auto de infração. Tal modificação se daria em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, em face de alteração que, a partir das mudanças trazida pela Lei n° 11.941/2009 ao art. 35 da Lei n° 8.212/1991, tornou mais benéfica a aplicação da penalidade por mora disposta no § 2° do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 (limitado a 20%), do que a anteriormente aplicável (podendo chegar até 100%). O entendimento exarado é de que fosse aplicada a multa do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 até novembro de 2008, caso essa seja mais benéfica à contribuinte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 512 a 523, em 26/11/2013, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Tal entendimento seria suportado pelos acórdãos paradigmas: 230100283 e 240100120. Em suma, afirma que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, com a redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, seria aplicável em casos nos quais os contribuintes realizassem pagamento do tributo devido de forma espontânea, mas extemporânea. Em casos onde inexistisse o recolhimento espontâneo, como no caso em questão, caberia o lançamento de ofício do tributo, com a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.460/1996, conforme prevista no art. 35A da Lei n° 8.121/1991. Por fim, salienta ainda que, com base na IN RFB n° 971 de 13/11/2009, relativamente aos fatos ocorridos até 30/11/2008, há que se comparar: Fl. 538DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 9202003.787 CSRFT2 Fl. 1.064 4 a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941/2009, com as aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da mesma lei, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; com b) a multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n° 8.212/1991, acrescido pela Lei n° 11.941/2009. A partir dessa comparação, por aplicação do art. 106, inc. II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade mais benéfica à contribuinte. Pelas razões expostas, o Procurador pleiteou o provimento do RE para que se reforme o acórdão recorrido o acórdão recorrido. O Presidende da 3ª Câmara da Segunda seção de Julgamento do CARF através do Despacho n° 2300877/2013, às efls. 524 a 528, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 16/12/2013. Cientificada do resultado do julgamento de seu recurso voluntário e do prosseguimento do RE da Fazenda em 06/04/2015 (efl. 533), a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo previsto no art. 69 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, contudo, as contribuições exigidas são devidas a outras entidades e fundos: SEST E SENAT. Diferentemente de outros Autos de Infração, do mesmo procedimento fiscal e período de autuação, nos quais estão lançadas contribuições previdenciárias, este Auto de Infração não se vincularia a nenhum por descumprimento de obrigação acessória. Feitos os esclarecimentos acima, podemos analisar a lide propriamente dita. Pois bem, na decisão recorrida, foi determinada a aplicação da multa do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, comparandoa com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, aplicandose a mais benéfica à contribuinte. Ou seja, na prática, estabelecendo um teto de 20% àquela penalidade. Entretanto, discordo desse posicionamento. Cumpre observar que o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação supra dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, uma vez que Fl. 539DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 9202003.787 CSRFT2 Fl. 1.065 5 tais penalidades fossem exigidas, respectivamente, por meio de Auto de Infração e de NFLD, não haveria dúvidas acerca de sua natureza material de multas de ofício. Por isso, a comparação cabível não é do art. 35 (multa “de mora” de 24%) na antiga redação, com o artigo 35 (multa de mora de 20%) em sua atual redação, dada pela MP n° 449/2008 (remetendo ao art. 61 da Lei n° 9.430/1996), mas daquele com o novo art. 35A (multa de ofício de 75%, por vínculo ao art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996), inserido pelo mesmo dispositivo. Assim, no lançamento desse processo se está a exigir as contribuições a terceiros, não pagas, com multa de ofício. Nesse sentido, sem dúvida que a norma sancionadora aplicada no lançamento foi correta, a exigência do menor valor entre: (1) a multa do art. 35, inc. II, a), com a redação dada pela Lei n° 9.876/99, que tinha natureza de multa de ofício e (2) a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/1996 referida no art. 35A da Lei n° 8.212/1991, já vigente à época da autuação. Esclareçase que o procedimento levado a cabo pela autoridade preparadora, no lançamento, e requisitado pela Fazenda Nacional neste Recurso Especial, de aplicação da Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009, comparando somatório das multas anteriormente exigidas com a multa atualmente prevista, tem exatamente o mesmo resultado da aplicação do critério jurídico explicitado no parágrafo acima. Pelas razões expostas, voto no sentido de prover o recurso, e reformar o acórdão recorrido para manter o crédito tributário integralmente, conforme originalmente lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 540DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 9202003.787 CSRFT2 Fl. 1.066 6 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 12269.001163/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 10/12/2006
I - DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO.
Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício (remessa necessária) será negado.
Quando da baixa do processo em diligência, a decisão de primeira instância acatou a revisão proposta pela autoridade fiscal, sendo que o auditor fundamentou a revisão em documentos que constatam o lançamento equivocado. Com isso, está correta a decisão que propôs a retificação do lançamento concernente aos fatos geradores dos segurados empregados, diretores e executivos, que receberam participação nos Lucros e Resultados (PLR) nos termos da cláusula décima primeira do acordo.
II - DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NEGADO.
REMUNERAÇÃO DIRETOR NÃO EMPREGADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Não havendo comprovação tanto da subordinação jurídica como da natureza pessoal da relação empregatícia, o segurado empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso e, para fins da legislação previdenciária, será qualificado como segurado contribuinte individual, a teor do art. 12, V, alínea f, da Lei 8.212/1991. Inteligência do enunciado da Súmula 269 do TST.
Além disso, como a verba paga ou creditada ao diretor vice-presidente não empregado (contribuinte individual) foi concedida em desacordo com a Lei 10.101/2000, possui natureza remuneratória e, por conseqüência, tal valor deve integrar o conceito de salário de contribuição (base de cálculo), por caracterizar contraprestação aos serviços prestados e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de exclusão prevista em lei.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada ao segurado contribuinte individual, não há que se falar em nulidade.
APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. QUESTÃO DE FATO. INDEFERIMENTO. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o Recorrente fazê-lo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a ocorrência de força maior ou fato superveniente.
Os documentos que comprovariam a alegação postulada de subordinação jurídica do segurado devem ser apresentados na fase inicial de impugnação, salvo as exceções das hipóteses contempladas no art. 16, § 4º do Decreto 70.235/1972 e das matérias de Ordem Pública.
Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria fática não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4º c/c o art. 17, ambos do Decreto 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da duplo grau de jurisdição (duplo juízo sobre o mérito, dupla revisão da matéria).
Recursos de Ofício e Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento tanto ao recurso de ofício como ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício (remessa necessária) será negado. Quando da baixa do processo em diligência, a decisão de primeira instância acatou a revisão proposta pela autoridade fiscal, sendo que o auditor fundamentou a revisão em documentos que constatam o lançamento equivocado. Com isso, está correta a decisão que propôs a retificação do lançamento concernente aos fatos geradores dos segurados empregados, diretores e executivos, que receberam participação nos Lucros e Resultados (PLR) nos termos da cláusula décima primeira do acordo. II DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NEGADO. REMUNERAÇÃO DIRETOR NÃO EMPREGADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Não havendo comprovação tanto da subordinação jurídica como da natureza pessoal da relação empregatícia, o segurado empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso e, para fins da legislação previdenciária, será qualificado como segurado contribuinte individual, a teor do art. 12, V, alínea “f”, da Lei 8.212/1991. Inteligência do enunciado da Súmula 269 do TST. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 11 63 /2 01 0- 28 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Além disso, como a verba paga ou creditada ao diretor vicepresidente não empregado (contribuinte individual) foi concedida em desacordo com a Lei 10.101/2000, possui natureza remuneratória e, por conseqüência, tal valor deve integrar o conceito de salário de contribuição (base de cálculo), por caracterizar contraprestação aos serviços prestados e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de exclusão prevista em lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada ao segurado contribuinte individual, não há que se falar em nulidade. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. QUESTÃO DE FATO. INDEFERIMENTO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o Recorrente fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a ocorrência de força maior ou fato superveniente. Os documentos que comprovariam a alegação postulada de subordinação jurídica do segurado devem ser apresentados na fase inicial de impugnação, salvo as exceções das hipóteses contempladas no art. 16, § 4º do Decreto 70.235/1972 e das matérias de Ordem Pública. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria fática não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4º c/c o art. 17, ambos do Decreto 70.235/72, respeitandose o princípio processual da duplo grau de jurisdição (duplo juízo sobre o mérito, dupla revisão da matéria). Recursos de Ofício e Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento tanto ao recurso de ofício como ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001163/201028 Acórdão n.º 2402004.914 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, compreendendo as contribuições da empresa (artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91), incidentes sobre pagamentos a contribuinte individual, na competência 01/2006. O Relatório Fiscal (fls. 07/08) informa que o contribuinte realizou efetuou pagamento de Participação nos lucros e resultados em desacordo com o fixado no acordo coletivo aos seus empregados e o pagamento a título de participação nos Lucros a Pedro Pullen Parente indevidamente considerado como segurado empregado, os fatos geradores não foram declarados nas Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/05/2010 (fls. 01 e 02). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 72/76), alegando, em síntese, que: 1. as contribuições sociais incidem nos casos especificados pela Constituição Federal de 1988, assim, a incidência daquelas somente sobre a folha de salários e não sobre a PPR, que esta se refere a PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS e não incidem as contribuições previdenciárias; 2. a Autoridade Lançadora não atentou para as regras contidas nas cláusulas nona e décima primeira, que nesta prevê a parcela adicional a prevista naquela. Que as cláusulas décima a décima segunda estabelece os critérios para o pagamento da parcela adicional além da prevista na cláusula nona e que essa parcela mantém a sua natureza jurídica de participação nos lucros e resultados; 3. requer a insubsistência do lançamento. DA DILIGÊNCIA. Em razão das argumentações do impugnante, solicitou se a Autoridade Lançadora esclarecimentos dos procedimentos para as constatações dos fatos geradores, por meio do despacho de fls. 223/224, ao qual esclareceu na Informação Fiscal de fls. 227. Da informação fiscal de fls. 227, o contribuinte foi cientificado e manifestou as fls. 230/232, ao qual discorda, alegando que o recebedor da participação dos lucros é empregado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande/MS – por meio do Acórdão 0432.769 da 4a Turma da DRJ/CGE (fls. 235/241) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que excluiu parte da base de cálculo – referente aos segurados empregados, diretores e executivos, que receberam participação nos Lucros e Resultados nos termos da cláusula décima primeira do acordo, corroborada nos documentos apresentados na impugnação –, e interpôs o reexame necessário (recurso de ofício). Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001163/201028 Acórdão n.º 2402004.914 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recursos tempestivos. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos recursos interpostos (Remessa necessária e Recurso Voluntário). I DO RECURSO DE OFÍCIO (remessa necessária): O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em questão, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que a decisão recorrida não merece reparo. O presente crédito previdenciário referese à suposta incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos segurados empregados, diretores e executivos, que receberam participação nos Lucros e Resultados (PLR) nos termos da cláusula décima primeira do acordo. Conforme descrito na decisão de primeira instância, houve a baixa do processo em diligência, e solicitouse a Autoridade Lançadora esclarecimentos dos procedimentos para as constatações dos fatos geradores, por meio do despacho de fls. 223/224, ao qual esclareceu na Informação Fiscal de fls. 227 o seguinte: “[...] Cumprindo o determinado no Despacho exarado pela 4ª Turma da DRJ/CGE, a fim de instruir o Julgamento do Auto de Infração acima identificado confrontado com a impugnação apresentada pelo contribuinte, temos a informar o que se segue: Fl. 335DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 1 O Crédito Tributário lançado no Auto de Infração em pauta é decorrente dos valores que ultrapassaram os limites determinados na cláusula nona do Acordo firmado entre as partes, não considerada a distribuição prevista na cláusula décima primeira, salientandose que os documentos de fls. 174/184, referendados pela declaração do Sindicato dos Jornalistas, não foi apresentado à Fiscalização; 2 Em relação ao segurado Pedro Pullen Parente, contratado para administrar a empresa ocupando o cargo de Vice presidente executivo da RBS, não se pode falar em subordinação às normas trabalhistas, motivo pelo qual o enquadramento como segurado empregado tem a finalidade de participação nos lucros e resultados distribuídos. Obs: a) Mantido o Lançamento relativo ao segurado Pedro Puellen Parente, o Auto de Infração de Obrigações Acessórias Processo 12269.001167/201014 permanece inalterado em função do limite da multa do art. 32, parágrafo 4º da Lei 8.212/91. b) A exclusão dos segurados empregados, diretores e executivos, que receberam participação nos Lucros e Resultados nos termos da cláusula décima primeira do acordo, corroborada nos documentos apresentados na impugnação, extingue o crédito do Processo 12269.001164/201072, exclusivo das Outras Entidades e Fundos. [...]” Em relação a este ponto, simplesmente acatou o julgador a proposta de retificação feita pela própria autoridade fiscal. Na espécie, diante da alegação de que o lançamento estaria equivocado, já que os fatos geradores dos segurados empregados, diretores e executivos, que receberam participação nos Lucros e Resultados (PLR) nos termos da cláusula décima primeira do acordo, não deveriam compor a base de cálculo do lançamento fiscal, os autos foram baixados em diligência para manifestação do Fisco sobre a possível necessidade de retificação do lançamento. Em Informação Fiscal de fls. 227, consta que as alegações da Recorrente são pertinentes para a exclusão somente dos fatos geradores dos segurados empregados, diretores e executivos, que receberam participação nos Lucros e Resultados (PLR) nos termos da cláusula décima primeira do acordo, e sinaliza para a manutenção do lançamento referente ao segurado Pedro Pullen Parente, contratado para administrar a empresa, ocupando o cargo de Vice presidente executivo da RBS. Diante do exposto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, eis que ela está em conformidade com a legislação jurídicotributária de regência, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. II DO RECURSO VOLUNTÁRIO: A Recorrente alega ilegalidade na constituição do Auto de Infração, já que o Fisco teria fundamentado o lançamento por meio exclusivamente da Informação Fiscal (diligência), em fase posterior ao Relatório Fiscal. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001163/201028 Acórdão n.º 2402004.914 S2C4T2 Fl. 5 7 Tal alegação não será acatada, já que o item 5 do Relatório Fiscal já estabelecia que o segurado Sr. Pedro Pullen Parente foi indevidamente considerado pelo sujeito passivo (Recorrente) com segurado empregado. “[...] 5) Os fatos geradores da contribuição previdenciária originaramse no pagamento de Participação nos Resultados em desacordo com o fixado, como limite, no Plano de Participação e Resultados, e o pagamento a título de participação nos Lucros a Pedro Pullen Parente indevidamente considerado pelo sujeito passivo com segurado empregado. [...]” (Relatório Fiscal, item 5) Acrescentase que o lançamento fiscal não se deu unicamente com base nos dados fornecidos pela Recorrente, tendo havido outros elementos informativos e probatórios, como a análise documental e os dados existentes nos sistemas informatizados do Fisco, dentre outras provas, capaz de comprovar a materialidade do lançamento fiscal, conforme se extrai do próprio Relatório de Vínculos de fls. 06/07 que registra a condição de Diretor do Sr. Pedro Pullen Parente a partir de 01/02/2003. Também não se pode esquecer que a nulidade do lançamento fiscal está diretamente ligada à ocorrência de prejuízo à defesa da Recorrente, observandose o princípio do pás de nullité sans grief, o que não foi demonstrado nos autos. Da análise dos autos, constatase que inexistem quaisquer nulidades no lançamento fiscal, já que, durante todo o seu trâmite, foram devidamente observados os princípios da legalidade, da ampla defesa e do contraditório, tendo sido a Recorrente regularmente notificada da instauração do processo administrativo e do seu encerramento, sendo certo que apresentou defesa, regular e oportunamente (peça de impugnação e peça recursal). Esse entendimento decorre do fato de que não houve qualquer prejuízo para Recorrente, pois os fundamentos do levantamento dizem respeito exclusivamente à verba paga a título de PLR em desacordo com o artigo 28, § 9o, alínea “j”, da Lei 8.212/1991. Ademais, tal entendimento atende aos princípios do formalismo moderado e da celeridade que orientam a condução do procedimento administrativo fiscal, conforme os ensinamentos de James Marins, manifestado no processo 35564.004495/200568 (Relator: Nereu Miguel Ribeiro Domingues): “O formalismo moderado tem duas vertentes de funcionalidade: a primeira revestida sob a forma de informalismo a favor do administrado, que tem por escopo facilitar a atuação do particular de modo a que excessos formais não prejudiquem sua colaboração no procedimento ou defesa no processo; a segunda vertente relacionase com a celeridade e economia que se espera do atuar administrativo fiscal. Nesse último sentido a eliminação de formalidades desnecessárias concorre positivamente para a celeridade e a economia administrativa e contribui para o primado da eficiência, consagrado constitucionalmente no art. 37 da Constituição Federal de 1988. (...) Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Além disso, a celeridade procedimental reduz o desgaste decorrente do inevitável atrito na relação Administração fiscal e contribuinte. A morosidade é cara e lesiva, é social e economicamente indesejável: procedimento administrativo bom é aquele que evita o desgaste entre fisco e contribuinte. Procedimento de baixo atrito é procedimento rápido; procedimento rápido é procedimento barato; e procedimento rápido e barato é procedimento eficaz.” (Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial. São Paulo: Dialética, 2001, p. 182184). Como não ocorreu qualquer prejuízo para a Recorrente, não será acatada a alegação de nulidade. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição previdenciária sobre os rendimentos pagos ao segurado empregado Pedro Pullen Parente a título de participação nos lucros, visto que essa verba configuraria uma participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados (PLR) da empresa, fora do campo de incidência dessa contribuição, e, além disso, esse segurado estaria submetido à subordinação jurídica da empresa. Tal alegação da Recorrente não será acatada, pois o procedimento de auditoria fiscal demonstrou que tal verba fora paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. O Fisco, em seu Relatório Fiscal, considerou que tais valores deveriam ser tributados, sob o argumento de que o art. 28, §9º, alínea “j”, da Lei 8.212/1991, ao prever que seja excluída do salário de contribuição (base de cálculo) a participação nos lucros ou resultados da empresa concedida exclusivamente aos segurados empregados. Quando paga ou creditada a Diretores não empregados (Diretores estatutários), inseridos como segurados obrigatórios do RGPS na categoria de contribuintes individuais, tal verba seria remuneração e, por consequência, sujeita à incidência da contribuição previdenciária. Vejamos o Relatório Fiscal: “[...] 5) Os fatos geradores da contribuição previdenciária originaramse no pagamento de Participação nos Resultados em desacordo com o fixado, como limite, no Plano de Participação e Resultados, e o pagamento a título de participação nos Lucros a Pedro Pullen Parente indevidamente considerado pelo sujeito passivo com segurado empregado. [...]” (Relatório Fiscal, item 5) Isso foi também confirmado pela Autoridade Lançadora por intermédio da Informação Fiscal de fls. 227, pois, ao esclarecer que os valores pagos ao Sr. Pedro Pullen Parente deveriam ser mantidos no lançamento, concluiu que este segurado não estaria submetido à subordinação jurídica e certifica que o Sr. Pedro Pullen Parente foi eleito diretor vicepresidente, com mandato entre 1º de dezembro de 2005 a 30 de novembro de 2006, segundo a ata da reunião do conselho de administração de fls. 16/19. De acordo com o art. 9º, inciso V, alínea “f”, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, é considerado contribuinte individual o diretor não empregado eleito, por assembleia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001163/201028 Acórdão n.º 2402004.914 S2C4T2 Fl. 6 9 Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) f) o diretor não empregado e o membro de conselho de administração na sociedade anônima; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) § 2º Considerase diretor empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego. § 3º Considerase diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. (g.n.) Na espécie, constatase que o Sr. Pedro Pullen Parente foi eleito diretor vice presidente, com mandato entre 1º de dezembro de 2005 a 30 de novembro de 2006, conforme ata da reunião do conselho de administração (fls. 16/19). Por sua vez, o Relatório Fiscal e a Informação Fiscal de fls. 227 afirmam que esse segurado, conforme os documentos analisados, foi indevidamente inserido como segurado empregado, já que ele não teria subordinação jurídica. Percebese, então, que o segurado foi eleito por meio de assembleia geral. Isso configura que o Sr. Pedro Pullen Parente deverá ser enquadrado na categoria de contribuinte individual, a teor do art. 12, inciso V, da Lei 8.212/1991 c/c o art. 9º, inciso V, alínea “f”, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem Fl. 339DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (g.n.) A teor do enunciado de Súmula 269 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o diretor vicepresidente eleito como administrador de sociedade anônima passa a ser o representante legal da pessoa jurídica e, nessa condição, tem seu contrato de trabalho suspenso. As relações entre a Diretoria e o Conselho de Administração nas sociedades anônimas regemse pelas diretrizes constantes da Lei 6.404/1976 e do estatuto da empresa, não caracterizando a subordinação jurídica nos moldes trabalhista empregatício. O segurado eleito vicediretor da empresa tem suspenso o seu contrato de trabalho durante o exercício do cargo, em face da incompatibilidade da ocupação simultânea das posições de empregado e de empregador. SÚMULA269/TST DIRETOR ELEITO. CÔMPUTO DO PERÍODO COMO TEMPO DE SERVIÇO (mantida) Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço desse período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. Esse Enunciado 269 do TST não socorre a Recorrente. Pelo contrário. Com efeito, segundo o próprio enunciado, a suspensão do contrato de trabalho de diretor eleito não se concretiza somente na hipótese de permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego, fato este não evidenciado nos autos. Assim, quanto à interpretação do Enunciado, o segurado foi guindado ao cargo de diretor vicepresidente da companhia, conforme ata da reunião do conselho de administração de fls. 16/19, e isso, em regra, ocasiona a suspensão do contrato de trabalho e estabelece uma relação de subordinação estatutária autônoma do vínculo trabalhista empregatício (subordinação pessoal). Na fase recursal, a Recorrente junta aos autos cópias das anotações da CTPS, demonstrativos de pagamento, ficha de registro e termo de rescisão contratual do segurado Sr. Pedro Pullen Parente, e afirma que estes documentos demonstrariam que o segurado seria empregado, sujeito à subordinação jurídica da Recorrente. Contudo, ao teor das regras dos arts. 16, §§ 4º e 5º, e 17, ambos do Decreto 70.235/19721, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente na peça de impugnação inaugural, o que, por consectário lógico, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. Adoto esse entendimento porque se trata de questões de fato postuladas somente na fase recursal pela Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) 1 Decreto 70.235/1972. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 340DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001163/201028 Acórdão n.º 2402004.914 S2C4T2 Fl. 7 11 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ainda que seja possível transpor o óbice da preclusão, melhor sorte não agasalharia a pretensão da Recorrente, porquanto o diretor vicepresidente apenas executaria as deliberações do Conselho de Administração, que tem o poder de o destituir. O fato de o diretor vicepresidente estar sujeito a determinações do Conselho de Administração ou da Assembleia Geral não o torna submetido à subordinação jurídica, pois a sujeição ocorreria em relação a órgãos da sociedade e não a pessoas. A relação do diretor vicepresidente quanto à Assembleia Geral é, porém, estatutária. Nesse passo, ressaltase que as cópias das anotações da CTPS, demonstrativos de pagamento, ficha de registro e termo de rescisão contratual do segurado Sr. Pedro Pullen Parente possuem conteúdo formal da relação trabalhista, entretanto tais documentos não permitem sinalizar ou apontar para um conteúdo material da relação empregatícia, já que esses documentos não viabilizam a concretude da subordinação jurídica prevista no art. 12, inciso, alínea “a”, da Lei 8.212/19912 e no art. 3o da Consolidação da Leis Trabalho (CLT) e, além disso, houve a suspensão do contrato de trabalho no momento em que ele (Sr. Pedro Pullen Parente) foi inserido como diretor vicepresidente da companhia. Para que o diretor vicepresidente seja considerado empregado, sujeito à subordinação jurídica e pessoal, dentre outros elementos fáticos, não deve ter autonomia para tomar deliberações, ser subordinado a outra pessoa e ser submetido ao controle de horário, fatos estes não evidenciados nos autos, dentre outros elementos. Impõese afirma que a subordinação existe entre o Sr. Pedro Pullen Parente e a Recorrente, mas não se configura nos mesmos moldes da subordinação jurídica da relação de emprego prevista no art. 12, inciso, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, esta materializada pela subordinação pessoal, pois o contrato de trabalho estava suspenso e os documentos acostados aos autos não apontam para uma relação trabalhista empregatícia. Pelo contrário, tais documentos direcionam para a relação trabalhista estatutária estabelecida entre a Recorrente e o segurado Sr. Pedro Pullen Parente, visto que, após o segurado ser inserido como diretor vice presidente da companhia, conforme ata da reunião do Conselho de Administração de fls. 16/19, estabeleceuse uma subordinação estatutária, de órgão (Diretoria da companhia) para órgão 2 Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 (Conselho de Administração) e não uma subordinação pessoal, esta necessária para a configuração de emprego. Esse entendimento acima está consubstanciado pela concepção organicista em que os administradores (membros da Diretoria e do Conselho de Administração) são órgãos da companhia, na medida em que o ato praticado por eles, dentro de seus poderes, é um ato da própria sociedade empresária (Recorrente), linha adotada por Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 1999, v. 2, p. 239241). Em outras palavras, o membro da Diretoria, que é o caso dos autos, possui poder decorrente da lei e do estatuto, sendo que isso viabiliza todo o poder para a condução das atividades diárias da companhia e distanciase da subordinação pessoal da relação empregatícia3. No tocante aos rendimentos pagos ao vicediretor não empregado (Sr. Pedro Pullen Parente) a título de participação nos lucros da companhia, a única lei a regular essa matéria seria a Lei 10.101/2000, a qual, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, não exoneraria da tributação as verbas pagas a título de PLR aos contribuintes individuais (Diretores e ViceDiretores não empregados), que foi o caso dos autos. Nesse caminhar, entendese que a própria Corte Constitucional reconheceu que a participação nos lucros ou resultados (PLR) passou a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias somente a partir da edição da MP 794/1994, reeditada várias vezes e finalmente convertida na Lei 10.101/2000. Esse entendimento é extraído do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 398284/RJRio de Janeiro. EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. (g.n.) 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF, RE 398284/RJ) Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator do RE 398284/RJ): “Há três precedentes monocráticos na Corte. Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para 3 CARVALHOSA, Modesto. Comentários à lei de sociedades anônimas. São Paulo: Saraiva, 1997, v. 3, p. 19. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001163/201028 Acórdão n.º 2402004.914 S2C4T2 Fl. 8 13 sustentar esse raciocínio. É que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. É uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim, e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora.” Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991 também se refere a outras leis extravagantes. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97). (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (g.n.) Assim, concluise que a Lei 8.212/1991, ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 A Lei 10.101/2000 em nenhum momento trata do pagamento da verba a trabalhadores não empregados, por outro lado, em seu art. 2º é expressa em se reportar às pessoas físicas que mantém com o empregador o vínculo de emprego. Lei 10.101/2000: Art. 2o. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. A Lei 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento da PLR e a Lei 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PLR deve seguir o que determina a Lei 10.101/2000. Vêse, assim, que a Lei 10.101/2000 não contempla o pagamento de participação nos lucros aos contribuintes individuais. Toda a instituição e regulamentação do pagamento da PLR visam ao segurado empregado. Outra evidência que vem reforçar essa tese é que o art. 7o da Constituição Federal é dirigido aos trabalhadores que se vinculam ao empregador por vínculo de emprego. Ao lado da participação nos lucros estão outros direitos, tais como: seguro desemprego, FGTS, férias, horas extraordinárias, aviso prévio, dentre outros. Por esse motivo uma interpretação sistemática do texto constitucional leva à conclusão de que o inciso XI daquele dispositivo não alcança os administradores não empregados, mas apenas os trabalhadores que laboram sob a proteção da CLT. Constituição Federal de 1988: Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (g.n) Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001163/201028 Acórdão n.º 2402004.914 S2C4T2 Fl. 9 15 O Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou o entendimento de que o inciso XI do art. 7º da CF/88 constitui norma de eficácia limitada, devendo ser regulamentado, e, com isso, o pagamento feito aos empregados antes de sua regulamentação, ainda que recebesse a denominação de “participação nos lucros”, era considerado como verba salarial e permitia a incidência da contribuição previdenciária, conforme RE 569441/RS, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, de 30/10/2014 (Info 765), submetido a sistemática de repercussão geral. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.441 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI REDATOR DO ACÓRDÃO : MIN. TEORI ZAVASCKI EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento.” O STJ comunga do mesmo entendimento: “(...) A contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros é devida no período anterior à MP n. 794/94, uma vez que o benefício fiscal concedido sobre essa verba somente passou a existir no ordenamento jurídico com a entrada em vigor do referido normativo. (...)” (STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 95.339/PA, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/11/2012). Cumpre esclarecer que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei 10.101/2000. No presente processo, a remuneração, cognominada de participação nos lucros e resultados, paga ao segurado contribuinte individual (vice presidente da companhia), fora realizada em desacordo com o mencionado diploma legal e, com isso, deverá integrar o salário de contribuição (base de cálculo) da contribuição previdenciária. Em outras palavras, para desvincular da remuneração, o dispositivo constitucional exigiu que o pagamento da verba intitulada de PLR fosse disciplinado por meio de lei, configurandose em uma norma de eficácia limitada, sendo que a única lei Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 regulamentadora do inciso XI do art. 7º da CF/88 é a Lei 10.101/2000, conforme precedentes jurisprudências citados anteriormente. Diante disso, entendese que a verba em discussão está no campo do conceito de remuneração, pois não há dispensa legal da incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba paga ao vicediretor não empregado, não estando inserida na excludente do § 9o, alínea “j”, do art. 28 da Lei 8.212/1991. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos de ofício e do voluntário, para: (i) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO; e (ii) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15563.720033/2012-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - MULTAS - LANÇAMENTO DECORRENTE DA EXCLUSÃO DO SIMPLES - SOBRESTAMENTO.
Tendo o lançamento sido motivado pela exclusão da empresa do Simples Nacional, deve a discussão acerca dos créditos tributários ser sobrestada até a decisão definitiva do processo administrativo por meio do qual o contribuinte questiona a legalidade da exclusão.
Numero da decisão: 9202-003.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o acórdão recorrido e sobrestar o julgamento do recurso na Câmara a quo, até a decisão definitiva no processo nº 13727.000112/2004-59, que trata da exclusão da empresa do Simples.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
EDITADO EM: 24/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA MULTAS LANÇAMENTO DECORRENTE DA EXCLUSÃO DO SIMPLES SOBRESTAMENTO. Tendo o lançamento sido motivado pela exclusão da empresa do Simples Nacional, deve a discussão acerca dos créditos tributários ser sobrestada até a decisão definitiva do processo administrativo por meio do qual o contribuinte questiona a legalidade da exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o acórdão recorrido e sobrestar o julgamento do recurso na Câmara a quo, até a decisão definitiva no processo nº 13727.000112/200459, que trata da exclusão da empresa do Simples. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. EDITADO EM: 24/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 33 /2 01 2- 13 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de processo fundado em lançamentos fiscais por meio dos quais é exigida contribuição previdenciária relativa à parte da empresa (DEBCAD 37.306.4373) e aquela destinada a terceiros (DEBCAD 37.306.4381) e ainda cobrase multa por descumprimento de obrigação acessória (DEBCAD 37.306.4365). A autuação é decorrente de a empresa erroneamente ter informado em GFIP ser optante pelo Simples Nacional, fato descaracterizado ao longo do procedimento de fiscalização, seja por não ter havido a migração automática (haja vista sua exclusão do Simples Federal Processo nº 13727.000112/200459, ainda pendente de julgamento neste Conselho), seja pelo impedimento legal, uma vez tratase de empresa cujo objeto social é a industrialização, comercialização e distribuição de refrigerantes, bebidas energéticas e bebidas em geral e de engarrafamento de águas minerais. Em sede de impugnação o contribuinte argumenta que o fato de o processo de exclusão do Simples Federal ainda não ter sido julgado, implica na automática suspensão dos efeitos dessa exclusão permitindo o recolhimento dos tributos na forma como foi feito de forma unificada até o ano de 2009, data em que a empresa optou pelo regime do Lucro Real. A Delegacia Fiscal negou provimento à impugnação e manteve os lançamentos na integralidade, destacando que o processo que trata da exclusão do Simples Federal não traz reflexos ao caso, pois o período de apuração ano de 2008 já era regido pela Lei Complementar nº 123/03 que expressamente impedia, pela atividade exercida, a opção do Contribuinte ao regime. O Recurso Voluntário limitouse a reproduzir os argumentos da impugnação. Pelo Acórdão nº 2403002.307, o Colegiado a quo deu parcial provimento ao recuso, apenas para determinar o recálculo das multas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL E VEDAÇÃO À MIGRAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo na qual se discute a exclusão da empresa do SIMPLES FEDERAL não possui relação com os processos em que tratam de tributos cujos fatos geradores são de data posterior à vigência da LC nº. 123/2006, que instituiu o SIMPLES NACIONAL, quando para o ingresso no novo regime simplificado, a empresa apresenta vedação que impossibilita a sua migração automática. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.720033/201213 Acórdão n.º 9202003.792 CSRFT2 Fl. 3 3 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN. A Fazenda Nacional, citando como paradigmas o Acórdão nº 2401002.453 e Acórdão nº 920202.086, em Recurso Especial requer a reforma do julgado argumento que para determinar qual a multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos, em que houve lançamento da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Em contrarrazões o contribuinte pugna pela manutenção do acórdão a quo e ainda apresenta argumentos de mérito que extrapolam a matéria do recurso do procurador. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Conforme despacho de admissibilidade, o recurso preenche todos os requisitos legais razão pela qual dele conheço. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com base nos artigos 67 e 68 do então vigente Regimento Interno deste órgão, haja vista comprovada divergência jurisprudencial no que tange a aplicação de multa por lançamento de ofício e pelo descumprimento de obrigação acessória vinculado ao recolhimento de contribuições previdenciárias. A Fazenda Nacional ao demonstrar a divergência entre os acórdãos, acabou por resumir seu entendimento no sentido de que para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte devese somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. Em que pese a propriedade do debate, é importante mencionar conforme descrito no relatório que o lançamento do crédito tributário decorreu do fato de o fiscal ter entendido que a empresa não era optante pelo Simples Nacional e como tal não tinha o direito de recolher a Contribuição Previdenciária moldes em efetuado. Ocorre que, ainda está pendente de decisão definitiva o processo onde se discute exatamente a propriedade da exclusão do contribuinte do regime do Simples Federal, o que teoricamente teria impedido a migração automática ao Regime do Simples Nacional. Ora, o crédito tributário discutido no presente processo tem ligação direta de causa e efeito com o processo de exclusão citado. Importante considerar a determinação do §5º do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. (...) Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional, para anular o acórdão recorrido e determino o sobrestamento do julgamento do recurso na Câmara a quo, até a decisão definitiva no processo nº 13727.000112/200459, que trata da exclusão da empresa do Simples Federal. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.720033/201213 Acórdão n.º 9202003.792 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008407/00-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1995 a 28/02/1996
NORMAS PROCESSUAIS - REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Para que seja admitido o recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, além da tempestividade, faz-se necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto..
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1995 a 28/02/1996 NORMAS PROCESSUAIS - REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Para que seja admitido o recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, além da tempestividade, faz-se necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto..
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1995 a 28/02/1996 NORMAS PROCESSUAIS REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Para que seja admitido o recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, além da tempestividade, fazse necessário que a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas seja específica. Tratando o dissídio sobre matérias diferenciadas, não deve ser aberta a via especial. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.. Relatório Os fatos foram bem descritos no relatório do acórdão recorrido, o qual transcrevo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 84 07 /0 0- 33 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência tributária relativa à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período de junho de 1995 a fevereiro de 1996, com a multa aplicável nos lançamentos de ofício e os juros moratórios correspondentes. Ensejou a constituição de ofício do crédito tributário a constatação de diferenças entre os valores declarados e recolhidos e os valores devidos dessa contribuição apurados pela fiscalização, com base nos registros contábeis da contribuinte. As diferenças decorreram do fato de a contribuinte ter apurado os valores do tributo devidos com observância dos DecretosLeis n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1998, para os fatos geradores ocorridos até setembro de 1995, e da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, para os fatos geradores ocorridos de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, visto que, em face de inconstitucionalidades declaradas dessa legislação, foi revigorada a Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, conforme Termo de Verificação às fls. 23 e 24. Ciente do lançamento em 28 de setembro de 2000, a contribuinte impugnou a peça fiscal e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP (DRJ/SPOI), após resultado da diligência determinada conforme fls. 79 e 80, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 94 a 107. Contra essa decisão foi interposto o recurso voluntário das fls. 112 a 134 para alegar, em preliminar, a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos períodos de apuração anteriores a setembro de 1995, por força do art. 150, § 4o , da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, argüiuse, em síntese, que: I ao formalizar a exigência tributária, o Fisco aplicou a alíquota de 0,65%, mas utilizou como base de cálculo a receita operacional bruta e não o faturamento, por isso o auto de infração deve ser anulado e não remendado; II se um fato da vida real previsto na hipótese legal realizase na vigência da lei, esta incide, o fato adquire juridicidade e a relação jurídica se consuma. Assim, nenhum conflito surgirá com o aparecimento da lei nova, revogadora desta, pois a lei nova encontrará o fato com sua configuração jurídica perfeita; III a autuação fere o princípio dos princípios, que é o princípio da segurança jurídica; IV a lei, ao ser revigorada, só pode produzir efeitos para o futuro e só retroagirá em benefício do cidadão; V a recorrente cumpriu todas as suas obrigações e não pode arcar com ônus pela desídia do Poder Legislativo, que criou norma jurídica inconstitucional; Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13807.008407/0033 Acórdão n.º 9303003.396 CSRFT3 Fl. 372 3 VI devem ser cancelados os juros de mora que, se devidos, o são à alíquota de 1% ao mês, conforme preceitua o CTN; VII não há como impor multa quando a obrigação foi cumprida na hora certa e sua aplicação à recorrente é amoral, visto que foi cumprida a legislação em vigor; e VIII deve ser afastada a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) no cálculo dos juros moratórios, pois ela possui natureza remuneratória, é ilegal e inconstitucional. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso para cancelar a autuação. Julgando o feito, o Colegiado recorrido deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1995 a 28/02/1996 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. PIS. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo à contribuição para o PIS decai em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3. E cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. PIS. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS N° 2.445/88 E 2.449/88. FATOS GERADORES ANTERIORES À RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL. DIFERENÇA DE ALÍQUOTA. EXIGÊNCIA.INCABÍVEL. É incabível a exigência de crédito tributário relativo ao PIS oriundo da diferença de alíquota aplicável de acordo com a LC n 7, de 1970 e com os DecretosLeis nº 2.445, de 1988, e n° 2.449, de 1988, cuja obrigação tributária correspondente tenha sido extinta em conformidade com esses DecretosLeis. PIS. FATOS GERADORES POSTERIORES 10/10/1995 ATÉ FEVEREIRO DE 1996. DIFERENÇA. INEGIBILIDADE. Para os fatos geradores ocorridos a partir da publicação da Resolução n° 49, de 1995, do Senado Federal, até fevereiro de 1996, é incabível a exigência de crédito tributário relativo ao PIS oriundo da diferença entre o devido em conformidade com a Lei complementar n° 7, de 1970, e a MP n° 1.212, de 1995, na Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 hipótese de extinção da obrigação tributária com observância dessa MP. Recurso Provido. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 334 a 340, onde pugna pelo restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que, com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº. 2.45/88 e 2.449/88, até a vigência da Medida Provisória nº 1.212/1995 e de suas reedições 01/03/1/1196 voltou a viger a Lei Complementar nº 7/1970, devendo essa contribuição ser calculada de acordo com as regras fixadas nessa lei (alíquota de 0,75% e base de cálculo o faturamento do 6º mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária). O apelo fazendário logrou seguimento, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 345/346. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, fls. 355/365 onde requer, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, e caso conhecido, o seu improvimento, para a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo, mas não deve ser admitido por lhe faltar um dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o da divergência jurisprudencial, conforme demonstrarseá linhas abaixo. Analisando as razões que levaram o Colegiado recorrido a cancelar o lançamento fiscal, vêse que os julgadores a quo entenderam ser incabível a exigência de crédito tributário relativo ao PIS oriundo da diferença de alíquota aplicável de acordo com a LC n 7, de 1970 e com os DecretosLeis n° 2.445, de 1988, e n° 2.449, de 1988, cuja obrigação tributária correspondente tenha sido extinta em conformidade com esses Decretos Leis. Para melhor esclarecimento das razões adotadas pela Câmara recorrida, transcrevese excerto do voto condutor do acórdão vergastado: Destarte, restando ainda o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos de setembro de 1995 a fevereiro de 1996, passase à apreciação do mérito, salientando que, as razões de decidir concernentes ao exame da questão concernente à declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, são aplicáveis também aos fatos geradores ocorridos de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, visto que, nesse período, também revigorouse a Lei complementar n° 7, de 1970, em virtude da inconstitucionalidade da aplicação retroativa da MP nº 1.212/95 e suas reedições, convalidada na Lei nº 9.715, de 1995 (art. 18, in fine). Fl. 374DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13807.008407/0033 Acórdão n.º 9303003.396 CSRFT3 Fl. 373 5 O lançamento objeto deste processo deriva do fato de terem sido afastados do mundo jurídico, com efeitos ex tunc, no plano temporal, os instrumentos legais que, entre outras coisas, fixavam em 0,65% a alíquota incidente sobre a base imponível receita operacional bruta para cálculo da contribuição para o PIS e, para os fatos geradores posteriores a setembro de 1995, a autuação decorre da inconstitucionalidade da aplicação da MP nº 1.212, de 1995, sem observância da anterioridade nonagesimal. ....................................................................................................... Assim, com o lançamento, pretendeu a fiscalização recuperar a diferença da contribuição apurada pela aplicação da alíquota de 0,75%, que é a prevista na nº 17, de 1973. Destarte, dado que não se indicaram irregularidades nos pagamentos efetuados sob a égide dos DecretosLeis em tela, o exame das razões de recurso reclama que se focalize a questão da decretação de inconstitucionalidade de leis à luz do princípio da segurança jurídica de que deriva a garantia constitucional ao ato jurídico perfeito. Antes, porém, notese que estáse tratando aqui de restabelecimento de uma alíquota, em virtude da subtração do ordenamento jurídico dos atos legais que a haviam alterado. Essa subtração, por inconstitucionalidade decretada, sem dúvida, possui efeito ex tunc e as relações jurídicas se estabelecem como se esses atos legais nunca tivessem composto o arcabouço legal que as rege. Contudo, não se pode ignorar que as leis nascem com presunção de constitucionalidade e, como tal, devem ser cumpridas por seus destinatários, produzindose efeitos que, a meu ver, com maior razão que no caso das medidas provisórias que perdem a eficácia, por ocasião da suspensão da execução dessas leis, deveriam ser disciplinados por ato legal. Todavia, a ausência dessa disciplina legal não autoriza a atuação estatal, com vista a anular esses efeitos; ao contrário, observado o princípio da legalidade, essa ausência apenas sinaliza para o contribuinte que os pagamentos efetuados em conformidade com os atos legais inconstitucionais estariam válidos e aptos a produzir o efeito que deles decorrem, qual seja, a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória. ..................................................................................................... Assim, se quisesse o estado proceder à cobrança da diferença de contribuição para o PIS, em decorrência do afastamento dos DecretosLeis n° 2.445, de 1988, e n° 2.449, de 1988, e conseqüente restabelecimento da alíquota anteriormente prevista, teria ele legislado com esse fim, concedendo ao sujeito passivo razoável prazo para se adequar a essa exigência. A essa linha de entendimento costumase opor o fato de que, em situação inversa, ou seja, quando se constata que, em virtude de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 lei posteriormente declarada inconstitucional, o sujeito passivo pagou tributo em valor maior que o devido, garanteselhe a repetição do indébito e, portanto, tratamento similar deveria ser dispensado à Fazenda Pública, com respeito ao princípio da isonomia, conquanto não sobejem exemplos de que a relação Fisco/contribuinte venhase pautando por esse princípio. ....................................................................................................... No caso concreto em questão, conquanto verdadeira a assertiva de que a LC n° 7, de 1970, é anterior aos fatos geradores objeto do lançamento e fora editada com perfeita observância dos mencionados princípios, não se pode afastar de forma alguma o fato de que o DecretoLei n° 2.445, de 1988, e, posteriormente, a MP n° 1.212, de 1995, vigeram durante todo o período de ocorrência dos fatos geradores autuados e sobre eles produziram efeitos, com consolidação de relações jurídicas que, a meu ver, somente poderiam ser alteradas nas hipóteses previstas no art. 149 do CTN. De outro lado, os paradigmas trazidos para comprovar a divergência não tratam da mesma situação fática destes autos, senão vejamos: O Acórdão nº 20401,665, fls. 342/343, trata de pedido de repetição de indébito referente ao PIS/Pasep, que se fundou na suposta inexistência de fatos geradores de PIS nos períodos compreendidos entre novembro de 1995 e fevereiro de 1996, posto que o Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADIN n° 1.4170/DF, de 02.08.99, declarou inconstitucional parte do artigo 15 da MP nº 1.212/1995 (convertido no 18 da Lei n°9.715/1998) qual seja, a expressão: "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995 ". Segundo foi consignado no acórdão paradigma, a decisão do Eg. STF na ADIN n° 1.4170, restringiuse, tãosomente a declarar a inconstitucionalidade da parte final do art. 18 da sobredita lei, no tocante à retroatividade do fato gerador do PIS a 1ºo de outubro de 1995, sendo que os demais dispositivos da Lei foram mantidos integralmente. Portanto, em homenagem aos princípios da irretroatividade e anterioridade mitigada, insertos no art. 195,2º da CF/88, o STF declarou que os efeitos da Lei Complementar n° 7/70 deveriam ser prorrogados até 02/96, sendo, posteriormente, tal entendimento consagrado pela IN SRF n° 06/2000. Assim, com a perda de vigência da LC n° 7/70 apenas em fevereiro de 1996, a Lei n° 9.715/98 teve seu início em março de 1996. No paradigma, o pagamento fora efetuado com base nessa MP 1.212/1995, que reproduziu a alíquota e a base de cálculo dos indigitados DecretosLeis. sendo que o sujeito passivo entendeu que não deveria ter pago nada nesse período, já que em seu entender não haveria legislação regendo a matéria. Cotejandose o acórdão recorrido com o paradigma, verificase, primeiramente, que as situações fática não são semelhantes, naquele, entendeuse não ser possível a exigência de tributo referente a diferença de alíquotas dos DecretosLeis e da Lei complementar represtinada. No outro, decidiuse que não há direito à restituição dos valores Fl. 376DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 13807.008407/0033 Acórdão n.º 9303003.396 CSRFT3 Fl. 374 7 pagos com base na medida provisória, no período da vacatio legis, pois, nesse período permanecia em vigor as disposições da Lei Complementar nº 7/1970. Notese que em ambos os casos, os colegiados entenderam que a Lei Complementar voltou a viger, com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis. Também, em ambos os casos, houve pagamento com base nesses decretos (no paradigma os pagamentos foram efetuados com base na MP nº 1.212/1995 e reedições, que trouxeram a base de cálculo e a alíquota prevista nos indigitados decretos). A dissemelhança é que no recorrido, a fiscalização exigiu a diferença entre a contribuição devida com base nos DecretosLeis e a da lei complementar, enquanto no segundo, não havia essa questão a decidir, pois a única controvérsia a ser decidida era se a contribuição paga com base nas medidas provisórias (mesmas base dos DecretosLeis) era devida, ou seja, que não havia crédito a repetir. Com essas considerações, não conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 11516.002936/2007-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CSLL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. ART. 63 DA LEI 9.430/96.
O aforamento de ação judicial destinada a discutir a existência da relação tributária, com depósito do montante devido, não afasta a obrigatoriedade de formalização de lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência, consoante os termos do art. 63 da Lei n°. 9.430/96.
EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORATÓRIOS.
Nos lançamentos destinados a prevenir a decadência não é possível a exigência de multa de ofício, face da suspensão da exigibilidade do crédito por força de depósito judicial da exação, sendo inexigível a cobrança de juros moratórios diante da constatação de ter sido integral o depósito judicial. Precedentes deste Conselho.
Numero da decisão: 1103-000.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio Da Silva - Presidente.
Hugo Correia Sotero - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão..
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 24/09/2015.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. ART. 63 DA LEI 9.430/96. O aforamento de ação judicial destinada a discutir a existência da relação tributária, com depósito do montante devido, não afasta a obrigatoriedade de formalização de lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência, consoante os termos do art. 63 da Lei n°. 9.430/96. EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORATÓRIOS. Nos lançamentos destinados a prevenir a decadência não é possível a exigência de multa de ofício, face da suspensão da exigibilidade do crédito por força de depósito judicial da exação, sendo inexigível a cobrança de juros moratórios diante da constatação de ter sido integral o depósito judicial. Precedentes deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio Da Silva Presidente. Hugo Correia Sotero Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 29 36 /2 00 7- 66 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 11516.002936/200766 Acórdão n.º 1103000.860 S1C1T3 Fl. 170 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 24/09/2015. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 11516.002936/200766 Acórdão n.º 1103000.860 S1C1T3 Fl. 171 3 Relatório A Recorrente teve contra si formalizado lançamento de ofício para fins de exigência de crédito tributário pertinente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em virtude de fatos geradores ocorridos em 31/12/2002, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004 e 31/12/2005. Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 67/69) se extrai: "Foram apurados os fatos e adotados os procedimentos seguintes: 1) A empresa impetrou Mandado de Segurança Preventivo 2004.72.00.0088250 perante a 4° Vara da Justiça Federal em Florianópolis, pleiteando a imunidade constitucional sobre a CSLL e CPMF incidentes sobre as receitas de exportação, com base na Emenda Constitucional 33/2001. A medida liminar foi indeferida, sobrevindo sentença que denegou a segurança. Em anexo, às fls. 31 a 35, extratos das fases do processo judicial, onde se verifica que, após tramitar pelo TRF da 4° Regido e STJ, os autos subiram para o STF, onde foram recebidos em 08/02/2006 e, no momento da lavratura deste Auto de Infração, aguardam julgamento (Recurso Extraordinário n°. 473170); 2) Face à demanda judicial, a fiscalizada efetuou depósitos judiciais da CSLL, conforme demonstrativos apresentados e anexados eis fls. 24 a 26. Cópias dos referidos depósitos encontramse às fls. 18 a 23. 3) Da análise da documentação apresentada, constatamos a ocorrência da seguinte infração: 3.1) Exclusões Indevidas da Base de Cálculo da CSLL. 4) Efetuamos o lançamento de oficio das diferenças encontradas através de Auto de Infração — processo 11516.002936/200766, num total de R$ 3.579.611,53, apurado através dos seguintes demonstrativos: ... 5) Nos termos do Art. 151, II, da Lei n°5.172/66 — Código Tributário Nacional , fica suspensa a cobrança do crédito tributário ora lançado, até o trânsito em julgado do processo 2004.72.00.0088250." Notificada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 71/76), arguindo: (a) o depósito efetivado com o intuito de suspender a exigibilidade do crédito tributário equivale a confissão de divida relativamente ao montante depositado e, consequentemente, dispensa o Fisco de lançar. Apenas eventual diferença além daquela depositada deve ser objeto de lançamento; (b) a Lei n° 9.703/98, que "dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais", no art. 1°, § 3°, incisos I e II, fixa que os depósitos judiciais, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 11516.002936/200766 Acórdão n.º 1103000.860 S1C1T3 Fl. 172 4 vencido o contribuinte, devem ser transformados em pagamentos definitivos, sem qualquer alusão à prévia constituição do crédito; (c) o art. 63 da Lei n° 9.430/96, que alude ao lançamento para prevenir decadência não se refere à hipótese de depósito, prevista no inciso II do art. 151 do CTN; e, (d) de acordo com o enunciado da Súmula n°. 9 do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda descabe a aplicação de multa de oficio e, por consequência lógica, a incidência de juros moratórios. O lançamento foi julgado parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC) por acórdão assim ementado: "SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa pelo depósito do montante integral, não caberá lançamento de multa de oficio, nem de juros de mora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." A decisão restou assim fundamentada: "Acerca do argüido, é de se esclarecer que dentre as hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário contidas no artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN constam aquelas nas quais é vedada à Fazenda Nacional a possibilidade de proceder a respectiva cobrança e execução judicial do crédito tributário, por se encontrar o tributo sob apreciação do Poder Judiciário. A existência de depósito do montante integral figura no rol dessas hipóteses. Entretanto, a suspensão da exigibilidade como prevista no CTN referese ao crédito e não à possibilidade de a autoridade administrativa efetuar o lançamento, não devendo, as disposições do CTN, serem interpretadas como um impedimento para que a autoridade fiscal proceda a fiscalização e o respectivo lançamento do crédito tributário, porquanto essa é uma atividade obrigatória e vinculada sob pena de responsabilidade funcional, no sentido de garantir o direito da Fazenda Nacional, tendo em vista a indisponibilidade do crédito tributário e a obrigatoriedade de se efetuar o lançamento tributário com vistas prevenção à da decadência. Cumpre esclarecer que a realização do lançamento, quando o sujeito passivo encontrese protegido por medida judicial, não implica violação de direito individual. Apenas visa resguardar o crédito tributário, pois, do contrário, caso não se efetue o lançamento no curso do prazo de decadência e a ação judicial não seja decidida em definitivo nesse prazo, a Fazenda Nacional, mesmo que obtenha decisão Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 11516.002936/200766 Acórdão n.º 1103000.860 S1C1T3 Fl. 173 5 favorável, não mais poderá lançar qualquer valor por já haver ocorrido a decadência do seu direito. Portanto, a fim de prevenir a decadência, deverá ser procedido o lançamento do crédito tributário objeto do depósito judicial em montante integral. No entanto, o crédito lançado deve ficar com a exigibilidade suspensa até o final do litígio; ocorrendo, portanto, a impossibilidade de se promover a inscrição do débito em Divida Ativa e a execução judicial. Destaquese que o principal efeito do depósito judicial em montante integral é suspender a exigibilidade do crédito tributário, bem como evitar a cobrança de juros de mora e multa, a partir da data em que é efetuado, ou seja, impedir que fique caracterizada a inadimplência. Inferese, portanto, que tendo havido o depósito no montante integral da contribuição lançada, conforme revelado pela fiscalização, tomase incabível a exigência formalizada no auto de infração, no que conceme aos juros de mora e à multa de oficio, sendo cabível apenas o lançamento dos valores devidos a titulo de CSLL, que, no caso, ficarão com a exigibilidade suspensa até o final da demanda judicial." Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 137/142, reproduzindo as razões de impugnação e postulando o cancelamento do lançamento de ofício, diante de sua desnecessidade. É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 11516.002936/200766 Acórdão n.º 1103000.860 S1C1T3 Fl. 174 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Formalizo este Acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, ocorrida em 14/09/2015, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Hugo Correia Sotero, por ocasião do julgamento realizado em 08/05/2013, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. O Relatório e a manifestação de voto abaixo foram apresentados pelo Conselheiro relator durante a sessão e consta dos respectivos arquivos do CARF, tendo sido meramente reproduzidos por mim, redator ad hoc para efeitos de formalização do presente Acórdão. Voto do Conselheiro Hugo Correia Sotero Relator: " Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Tratandose de lançamento destinado exclusivamente a prevenir a decadência (fato incontroverso), o âmbito de cognição deste processo administrativo se restringe à admissibilidade do procedimento (impugnação feita pela Recorrente, que entende desnecessário o lançamento) e a exigências de acréscimos legais (multa de ofício e juros). Inicialmente entendo indiscutível a validade do lançamento e sua necessidade, tendo em vista a existência de disposição legal expressa a determinar a formalização de lançamento de ofício destinado exclusivamente a prevenir a materialização da decadência. Nesse sentido a regra do art. 63 da Lei n°. 9.430/96, que tem a seguinte redação: "Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1°. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a Fl. 174DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 11516.002936/200766 Acórdão n.º 1103000.860 S1C1T3 Fl. 175 7 concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." Diante da regra, não há que se discutir a validade do lançamento. Analisando os termos em que foi vertido o lançamento, verificase que não houve imposição, à Recorrente, de multa de ofício, tendo a autoridade lançadora formalizado exigência exclusivamente em relação ao crédito tributário e aos juros moratórios, tendo a Delegacia de Julgamento, reconhecendo integral o depósito realizado na justiça, excluído do lançamento os valores pertinentes a juros moratórios. É entendimento consolidado no âmbito deste Conselho que o pagamento a destempo dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal gera ao contribuinte o ônus pertinentes aos juros moratórios, que devem ser exigidos mesmo na hipótese de lançamento destinado a prevenir a decadência, passível de elisão a exigência apenas na hipótese de o contribuinte comprovar o depósito integral. Nesse sentido: "OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR À DECADÊNCIA. A opção pela via judicial não impede a constituição do crédito tributário. O lançamento para prevenir a decadência é matéria pacífica na esfera administrativa e foi consagrado pelo art. 63 da Lei n° 9.430/1996, sendo cabível para o caso em que estiver suspensa a exigibilidade do crédito tributário em decorrência de uma das hipóteses previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. JUROS DE MORA. DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo se existir depósito no montante integral, devidamente comprovado. Não havendo comprovação do depósito judicial, não há como afastar a incidência dos juros de mora." (Acórdão n°. 1201000.364, 1a. Turma, 2a. Câmara, 1a. Seção, rel. Rafael Correia Fuso) "LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. JUROS DE MORA SELIC — A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). JUROS DE MORA FLUÊNCIA AÇÃO JUDICIAL. A teor da Súmula n° 5, do então Primeiro Conselho de Contribuintes, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 11516.002936/200766 Acórdão n.º 1103000.860 S1C1T3 Fl. 176 8 (Acórdão n°. 1401000158, 1a. Turma, 4a. Câmara, 1a. Seção, rel. Antônio Bezerra Neto) Comprovado o depósito integral, incensurável a decisão da Delegacia de Julgamento quanto à exclusão dos juros moratórios. Diante do exposto, sendo necessário o lançamento e incensurável a decisão impugnada, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Hugo Correia Sotero Relator" Acórdão formalizado em 24/09/2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
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Numero do processo: 10830.727567/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Restando comprovado, mediante laudo médico oficial, ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos, consoante regram os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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MOLÉSTIA GRAVE. Restando comprovado, mediante laudo médico oficial, ser o contribuinte portador de moléstia grave, são isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos, consoante regram os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 75 67 /2 01 2- 50 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2009 de R$ 3.556,44 para o montante de R$ 832,42 de imposto suplementar a pagar (fls. 14/19). O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil – Cassi, no valor de R$ 55.551,47. O contribuinte contestou o lançamento através do instrumento de fls. 02, alegando que os rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Acrescenta que o laudo anterior estava com o CID errado, pois sofreu AVC e por conseqüência Alienação Mental constatado através de perícia médica da Secretaria de Saúde do Município. A DRJ/SP1 manteve a exigência (fls. 65/69), havendo o contribuinte interposto recurso voluntário em 10/4/2013 (fls. 76/77), repisando as razões da impugnação e juntando novo laudo médico. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.727567/201250 Acórdão n.º 2402004.938 S2C4T2 Fl. 108 3 (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. A controvérsia cingese à comprovação de que o contribuinte possui a condição de portador de moléstia grave, sendo incontroverso serem os rendimentos tidos por omitidos oriundos de aposentadoria, consoante documentos de fls. 7/9. O aresto contestado, ao denegar a reforma do lançamento, alude inicialmente ao fato de que o próprio contribuinte foi signatário da impugnação, o que revelaria não ser ele portador de alienação mental, enquanto que o recurso voluntário defende ter o referido meramente assinado dita postulação. Não prospera o argumento da DRJ/SP1, pois, ainda que esteja imbuído de certa lógica, traz requisito não estabelecido em lei para fins de aceitação da isenção pretendida. De sua parte, o laudo datado de 28/11/2012 (fls. 10/11) foi refutado sob a alegação de que não continha carimbo de identificação do serviço médico oficial, não trazia a descrição da doença, e, ainda, "a identificação nominal da moléstia não guarda relação com a indicação do CID F41.0 que corresponde a Outros Transtornos Ansiosos – Transtorno do Pânico – Ansiedade Paroxística Episódica". Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Todavia, o laudo juntado com o recurso voluntário (fl. 80) apresenta o carimbo e a descrição da doença demandados pela instância a quo, sendo frisado naquele documento que a isquemia evoluiu para "demência e perda de força muscular". Nessa linha, a apontada incompatibilidade entre o CID apontado no laudo e a identificação da moléstia como "alienação mental" tem caráter preponderantemente subjetivo, sendo deveras factível que a descrição contida no CID F41.0, supra mencionado, leve a um quadro de demência/alienação mental, conforme consignado no laudo. Incompatibilidades do gênero só podem servir de respaldo, por si sós, à rejeição de laudos médicos oficiais para fins de obter isenção do imposto de renda, no caso serem evidentes, considerandose não ser o julgador administrativo, a priori, especialista na área médica. Portanto, entendo que o laudo de fl. 80 supriu as deficiências apontadas pela instância recorrida, e, restando esclarecido ser o contribuinte portador de moléstia grave no decorrer do período no qual foram percebidos os rendimentos tidos por omitidos, não mais subsiste razão para a manutenção do gravame tributário, face ao disposto no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10314.012378/2010-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/10/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE.
Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/10/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado.
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 23 78 /2 01 0- 56 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 320), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.275, proferido em primeira instância pela 1ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de créditos tributários no valor de R$ 103.064,02 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada registrou a Declaração de Importação nº 10/17880273 em 19/10/2010 para amparar a importação de mercadorias. A Justiça Federal concedeu liminar nos autos de Mandado de Segurança determinando a suspensão da exigibilidade do imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. Todavia se verificou que a imunidade não se aplica ao caso concreto e não houve apresentação de documentos que comprovem a alegada imunidade. Dessa forma, com o fim de prevenir a decadência, foi lavrado o auto de infração em apreço Fl. 322DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.012378/201056 Acórdão n.º 3802004.137 S3TE02 Fl. 322 3 para a constituição do crédito tributário relativo aos impostos e contribuições referidos, incidentes nas importações realizadas pela interessada. Cientificada a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: A exigibilidade do crédito tributário lançado encontrase com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar. O auto de infração deve ser declarado insubsistente, pois é entidade imune, nos termos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional cumprindo com os requisitos por eles determinados. A jurisprudência ampara sua defesa. Contesta o lançamento de juros de mora sob a alegação de que a exigibilidade do crédito está suspensa e, por conseqüência, os juros de mora não podem ser cobrados, não havendo que se falar em mora. Requer seja declarada a insubsistência do auto de infração. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/10/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. JUROS DE MORA. DEPÓSITO. Os juros de mora são devidos quando não foi realizado o depósito integral do montante dos valores suspensos antes do início de qualquer procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) a ausência de fluência de juros por conta de medida liminar deferida em mandado de segurança; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 320), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta de medida liminar deferida em mandado de segurança; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, junto a impugnação, haver sido feita a juntada da petição inicial do writ , bem como cópia da Conclusão da Justiça Federal no Processo nº 001019946.2010.4.03.6100, impetrado perante a 2ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, que se encontram anexados ao processo às fls. 229 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.012378/201056 Acórdão n.º 3802004.137 S3TE02 Fl. 323 5 Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." No mesmo diapasão, no Relatório da Decisão da DRJ às fls. 276/280, fica consignado que (grifouse): "(...) Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada registrou a Declaração de Importação nº 10/17880273 em 19/10/2010 para amparar a importação de mercadorias. A Justiça Federal concedeu liminar nos autos de Mandado de Segurança determinando a suspensão da exigibilidade do imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. Todavia se verificou que a imunidade não se aplica ao caso concreto e não houve apresentação de documentos que comprovem a alegada imunidade. Dessa forma, com o fim de prevenir a decadência, foi lavrado o auto de infração em apreço para a constituição do crédito tributário relativo aos impostos e contribuições referidos, incidentes nas importações realizadas pela interessada.. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Esse entendimento já foi pacificado e foi nesse sentido que foi editada a Súmula nº 5, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), publicada no DOU de 22.12.2009, que assim expressa: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 001019946.2010.4.03.6100, originário da 2ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária Federal em São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Ressaltase que foi proferida sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente, nos autos do Mandado de Segurança acima citado. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.012378/201056 Acórdão n.º 3802004.137 S3TE02 Fl. 324 7 Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10380.725183/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Nos termos do que decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, o fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Se o sujeito passivo informa ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa, na medida em que a lei autoriza a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte, este ato administrativo deve ser promovido antes do decurso do prazo decadencial. SIMULAÇÃO. ACUSAÇÕES PARCIALMENTE NÃO CONTESTADAS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Contestadas apenas parcialmente as acusações de simulação, restam consolidados administrativamente os demais fatos apurados pelo Fisco, autorizando o deslocamento do termo inicial da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
GLOSA DE DESPESAS. JUROS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS FICTÍCIOS. Correta a glosa de despesas decorrentes de empréstimos incomprovados pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-001.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a decadência, divergindo o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que a rejeitava, e votando pelas conclusões os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wipprich; e 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio,
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Nos termos do que decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, o fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Se o sujeito passivo informa ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa, na medida em que a lei autoriza a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte, este ato administrativo deve ser promovido antes do decurso do prazo decadencial. SIMULAÇÃO. ACUSAÇÕES PARCIALMENTE NÃO CONTESTADAS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Contestadas apenas parcialmente as acusações de simulação, restam consolidados administrativamente os demais fatos apurados pelo Fisco, autorizando o deslocamento do termo inicial da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GLOSA DE DESPESAS. JUROS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS FICTÍCIOS. Correta a glosa de despesas decorrentes de empréstimos incomprovados pelo sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a decadência, divergindo o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que a rejeitava, e votando pelas conclusões os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wipprich; e 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio,
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MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Nos termos do que decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeitase à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Se o sujeito passivo informa ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa, na medida em que a lei autoriza a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte, este ato administrativo deve ser promovido antes do decurso do prazo decadencial. SIMULAÇÃO. ACUSAÇÕES PARCIALMENTE NÃO CONTESTADAS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Contestadas apenas parcialmente as acusações de simulação, restam consolidados administrativamente os demais fatos apurados pelo Fisco, autorizando o deslocamento do termo inicial da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 51 83 /2 01 1- 67 Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 3 2 GLOSA DE DESPESAS. JUROS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS FICTÍCIOS. Correta a glosa de despesas decorrentes de empréstimos incomprovados pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a decadência, divergindo o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que a rejeitava, e votando pelas conclusões os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Ana de Barros Fernandes Wipprich; e 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório BEX INTERNACIONAL S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 06/07/2011 que reduziu prejuízo fiscais e bases negativas de CSLL apurados pela contribuinte nos anoscalendário 2004 a 2009. A motivação do lançamento consta do Termo Final de Verificação Fiscal (fls. 44/54) que apenas complementa o Termo de Verificação Fiscal anterior, de 21.12.2010, onde se declarou a ineficácia perante o Fisco Federal dos negócios registrados na escrituração da empresa autuada. O Termo de Verificação Fiscal antes lavrado está juntado às fls. 55/68 e noticia denúncia de terceiro acerca de negócios praticados pelas empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, de um lado, e do Grupo Marquise (Construtora Marquise S/A), de outro. Havia também o relato eventos de sucessão empresarial concentrados de 2004 a 2006, envolvendo transferência de créditos de tributos entre empresas dos dois grupos empresariais, além de oferecer vantagens fiscais ilícitas às empresas do Grupo Marquise. Aprofundada a auditoria junto aos sujeitos passivos envolvidos, apurouse o que assim consignado pelas autoridades lançadoras no Termo de Verificação Fiscal de fls. 44/54: ORIGEM OPERAÇÕES GERAIS COMPREENSIVAS DA GERAÇÃO FICTÍCIA DE CRÉDITOS FISCAIS DE TRIBUTOS. ENVOLVIDOS EMPRESAS VINCULADAS AO GRUPO EMPRESARIAL CAPITANEADO PELA CEC INTERNACIONAL S/A E EMPRESAS VINCULADAS AO GRUPO EMPRESARIAL MARQUISE. DOCUMENTO ANEXO AO TERMO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL DA EMPRESA BEX INTERNACIONAL S/A. LIGADA AO GRUPO CEC, COM EXPLICITAÇÃO DE SUAS CONDUTAS PRÓPRIAS, CARACTERIZADAS PELA FRAUDE, SIMULAÇÃO E CONLUIO ENTRE EMPRESAS, CONFIGURADAS A PARTIR DE EMPRÉSTIMOS FICTÍCIOS REGISTRADOS JUNTO A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL E A PARTIR DOS NEGÓCIOS FICTOS DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS, GERADORES DE CRÉDITOS INEXISTENTES DE TRIBUTOS FEDERAIS E SUBSEQUENTE CELEBRAÇÃO DE CONTRATOS SIMULADOS DIVERSOS ENTRE AS EMPRESAS DOS GRUPOS EMPRESARIAIS CITADOS COM O FIM DE AUFERIMENTO DE VANTAGENS FISCAIS ILÍCITAS EM PREJUÍZO DA FAZENDA NACIONAL, VANTAGENS ESSAS QUE SE PERPETUAM AO LONGO DOS ANOS. I BREVES COMENTÁRIOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE AS EMPRESAS DO GRUPO CEC E AS DO GRUPO MARQUISE QUE FORAM OBJETO DA AUDITORIA CRUZADA IMPLEMENTADA PELA DRF/FORTALEZA E QUE IDENTIFICARAM A BEX INTERNACIONAL S/A COMO SEDE DA CONTINUIDADE DOS EFEITOS DOS NEGÓCIOS SIMULADOS. O presente procedimento fiscal ora findo constituiuse de etapas diversificadas de auditoria realizadas conjuntamente em dois Grupos de Empresas. À vista dos fatos Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 5 4 registrados na escrituração de uma gama de cerca de 14 (quatorze) pessoas jurídicas e peculiarmente na da BEX INTERNACIONAL S/A que literalmente interagiam de forma fraudulenta suas contabilidades entre si, restou comprovada pelo Fisco, a existência de um conjunto préordenado de negócios, pretensamente produtores de efeitos tributários, celebrados no interior das empresas do Grupo CEC e, em ato contínuo, dando conseqüência à produção de outros negócios, agora celebrados entre estas últimas empresas e as que compõem o chamado Grupo Marquise. Implementados os Autos de Infração necessários para a recomposição do prejuízo produzido por aqueles negócios em desfavor da Fazenda Nacional,cumpriu ao Fisco o dever de declarar a ineficácia tributária de todos os contratos principais e acessórios que tivessem como tronco comum os fatos alusivos ao "negócios imobiliários" de compra e venda dos imóveis, bens esses listados no Anexo referente às informações angariadas dos Cartórios de Registro de Imóveis respectivos, bem como dos negócios subsequentes que, tendo aqueloutros como suporte genético, se celebraram de forma simulada tendo como partes, as empresas do Grupo CEC de um lado, e as empresas do Grupo Marquise do outro. Cumpridos pelo Fisco estes passos concernentes à auditoria múltipla e a lançamento de oficio nos beneficiários principais do esquema de fraude contra a Fazenda Pública, cabe agora o breve relato dos negócios que foram objeto de estudo por parte desta DRF. Partindose da constatação de que a BEX INTERNACIONAL S/A informara – em resposta a Termo de Intimação específico – a origem da dívida que mantém assentada em sua escrituração junto ao credor CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (CEF), cujo saldo devedor informado pela própria BEX, em duvidosos extratos entregues ao. Fisco, beiraria, em data de 31.12.2009, a vultosa cifra de R$ 31.000.000.000.00 (TRINTA E UM BILHÕES DE REAIS) gerando como acessórios vultosos valores de encargos financeiros, impensáveis para uma empresa que vem apresentando ausência reiterada de atividade operacional, componente de Grupo Empresarial cuja solvência resta diluída progressivamente no tempo, pôde o Fisco delinear a participação específica da BEX INTERNACIONAL S/A no desenvolvimento e implementação deste inédito esquema de fraude contra a Fazenda Nacional. Com um expressivo montante de valor, decorrente daqueles encargos financeiros escriturados como acessórios das supostas dívidas para com a Caixa Econômica Federal, montante este redutor de seu resultado contábil, houve, a partir daí, a criação de espécie de amortecedores contábeis fictícios, de modo a que se permitisse o reconhecimento na escrituração de cada anocalendário, de toda a ordem de receitas no seio da empresa BEX INTERNACIONAL S/A. Daí o registro de valores a receber, relativos a Provisões de Receitas Financeiras diversas que seriam devidas a BEX INTERNACIONAL S/A, não só pelas demais empresas do Grupo CEC (operações domésticas), como também pelas empresas do Grupo Marquise (operações externas em conluio), além de outras receitas que teriam origem em alienações de participações societárias, que estas últimas empresas se consideravam devedoras junto a BEX, ora por contratação direta, ora mediante evento sucessório forjado, tendo essas avenças, uma característica comum: a fraude, o conluio e a simulação do negócio. Como o Fisco comprovou a inexistência de uma efetiva realização de qualquer negócio, financeiro entre a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e BEX INTERNACIONAL S/A, seguiuse a auditoria integral das receitas e despesas assentadas na escrituração desta empresa, de modo a trazer a realidade dos fatos Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 6 5 para o conhecimento do exato Resultado do Exercício certificado pelo Fisco na BEX INTERNACIONAL S/A, ao longo dos anoscalendário. Dessa forma foram meticulosamente submetidos a procedimento de auditoria, mediante revolvimento da origem remota da qual teriam vindo ao mundo contábil e jurídico/tributário, além da minuciosa análise dos efeitos presentes e futuros respectivos, os fatos contábeis: a) a demonstração das origens primeiras dos Ativos (Tributos a Recuperar) e dos Capitais das empresas "adquiridas" pela CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA junto a SUL DIESEL S/A (MAXIMAR FOMENTO MERCANTIL), em negócios simulados pelos quais a primeira pessoa jurídica adquire o controle das empresas FORTEFACTORING e CEARÁ FACTORING, a partir da Cisão Parcial da RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, na qual foram "criadas", além da pessoa jurídica FORTEFACTORING (incorporada pela CAPITALIZE), duas, outras empresas, denominadas CONCE e FIBRA (ambas incorporadas pela Construtora Marquise); b) o estudo das operações relativas ao negócio "imobiliário" celebrado entre a BEX INTERNACIONAL S/A e a CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, sucedida pela PANAGRA DO BRASIL S/A, envolvendo a sua estrutura e sua repercussão fiscal desejada pelas partes; c) o estudo das operações relativas ao negócio "imobiliário" celebrado entre a CEC INTERNACIONAL S/A e a XINGU EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, sucedida pela XINGU ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A, envolvendo a sua estrutura e sua repercussão fiscal desejada pelas partes, de cujo negócio observouse o surgimento das empresas CEARÁ FACTORING, NORCONSERVICE (incorporada pela ECOFOR) e NOVAX (incorporada pela Construtora Marquise; d) todos os negócios envolvendo as empresas XINGU EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, sucedida pela XINGU ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A, BEX INTERNACIONAL S/A, LOCAMAR LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, PANAGRA DO BRASIL S/A, CONSTRUTORA MARQUISE S/A e ECOFOR AMBIENTAL S/A, envolvendo operações simuladas de compra e venda de caminhões/equipamentos para limpeza urbana do Município de Fortaleza; simulação de aluguéis desses veículos; simulação de Cessões de Faturas de Prestação de Serviços de Limpeza Este Termo Final de Verificação Fiscal ora lavrado, apenas complementa o Termo de Verificação Fiscal anterior, de 21.12.2010, onde se declarou a ineficácia perante o Fisco Federal dos negócios registrados na escrituração da empresa BEX INTERNACIONAL S/A.. Aqui, apenas se promove uma simples enumeração das rubricas contábeis cujos valores e efeitos são dignos de expurgo por parte do Fisco. E o motivo para tal reside na constatação de que a BEX fora (e continua sendo) uma das empresas do Grupo CEC que foi partícipe do planejamento tributário acertado com o Grupo Marquise. Esta providência de expurgos de efeitos tributários na empresa BEX INTERNACIONAL S/A, adquire consistência na inarredável concepção que o Fisco teve de observar a partir da visão panorâmica e minuciosa do presente planejamento tributário: a existência de uma cadeia de atos, envolvendo as mesmas pessoas e todos concatenados a um só fim.” Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 7 6 Na sequência, as autoridades fiscais descrevem as operações consideradas simuladas e os resultados delas decorrentes expurgados das apurações das fiscalizadas com vistas a adequálas às suas reais atividades. Com referência à autuada, os expurgos corresponderam, principalmente, a despesas de variações monetárias e juros decorrentes dos supostos contratos mantidos com a Caixa Econômica Federal, mas houve também ajustes decorrentes de outras operações a seguir sintetizadas: · Operações imobiliárias em razão das quais a autuada era obrigada a pagar multas milionárias à outra parte na negociação, constituindo créditos de IRRF repassados posteriormente à Construtora Marquise. Os créditos fiscais, receitas e encargos financeiros destas operações foram desconsiderados, desfazendose, inclusive, eventual parcelamento antes concedido para o tributo assim constituído; · Em razão de sucessivas vendas de um mesmo imóvel, eram gerados créditos fictícios de Contribuição ao PIS e COFINS também cedidos a empresas do Grupo Marquise. Operações societárias resultaram em cisões para transferências de créditos fictícios de tributos a serem utilizados em compensações. Além da desconsideração destes créditos fiscais, também são anulados os efeitos dos encargos financeiros daí decorrentes; · Simulação de locações de caminhões/equipamentos para prestação de serviços de limpeza pública que geravam excessivas despesas de alugueis em uma das pessoas jurídicas, enquanto aquela figurante do pólo ativo neutralizava as receitas com outras operações simuladas. Não foram reconhecidas as receitas decorrentes destas operações; e · Operações de compra e venda de imóveis destinadas apenas a acomodações contábeis no interior do Grupo Marquise. Foram desconsiderados os direitos de crédito e as aquisições de ações daí decorrentes. Os quadros a seguir resumem os expurgos promovidos pelo Fisco em cada anocalendário, em razão da inexistência fática/existência simulada das obrigações financeiras: Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 8 7 Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 9 8 Como a contribuinte apurara prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em valores superiores às glosas promovidas, houve apenas redução dos resultados fiscais negativos originalmente apurados, conforme a seguir consolidado: Ano Resultado do Exercício Prejuízo Fiscal/BCN Calendário Contribuinte Fisco Diferença Declarado Reduzido 2004 247.842.270,51 5.795.796,12 242.046.474,39 247.842.270,51 5.795.796,12 2005 56.790.363,35 6.211.892,85 50.578.470,50 56.790.363,35 6.211.892,85 2006 15.552.399,74 5.579.477,26 9.972.922,48 15.552.399,74 5.579.477,26 2007 35.691.682,82 84.625,60 35.607.057,22 35.691.682,82 84.625,60 2008 90.022.067,61 10.573,59 90.011.494,02 90.022.067,61 10.573,59 2009 94.053.771,57 301.278,67 93.752.492,90 94.053.771,57 301.278,67 Impugnando o lançamento, a contribuinte arguiu a decadência da revisão de sua apuração nos anoscalendário 2004 e 2005, defendeu que auto de infração sem valor não Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 10 9 instaura contraditório, questionou os efeitos do Termo de Verificação lavrado em 21/12/2010, alegou desconhecer qualquer dossiê com grupos empresariais, afirmou a nulidade do lançamento por desrespeito aos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, arguiu a incompetência da autoridade fiscal para declarar a ineficácia dos atos praticados por particulares, defendeu a validade de sua escrituração contábil e fiscal frente à mera negativa da Caixa Econômica Federal acerca das operações escrituradas, bem como a validade de todos os negócios praticados. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · O Fisco pode promover alterações em prejuízos fiscais desde que não constitua crédito tributário relativamente a períodos já alcançados pela decadência; · O contencioso não se instaurou por ocasião da ciência do Termo de Verificação Fiscal lavrado em 21/12/2010 porque não foi lavrado auto de infração naquela ocasião. As razões opostas pela contribuinte, e não apreciadas naquele momento, são idênticas àquelas agora trazidas, e assim seriam apreciadas; · O dossiê referido pela Fiscalização é composto pelos documentos anexos ao Termo de Verificação Fiscal lavrado em 21/12/2010, todos cientificados à contribuinte; · A lavratura de auto de infração sem exigência de crédito tributário está prevista no art. 9º, §4º do Decreto nº 70.235/72, e as reduções de prejuízos fiscais e bases negativas estão claramente demonstradas nos lançamentos; · Os elementos que instruíam o Termo de Verificação Fiscal de 21/12/2010 foram carreados para estes autos e dão suporte aos autos de infração aqui formalizados, inexistindo ofensa aos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72; · A desconsideração dos atos ou negócios jurídicos em situações que envolvam a prática de dolo, fraude ou simulação encontra amparo, em especial, no art. 149, inciso VII do CTN; · A informação prestada pela Caixa Econômica Federal decorre do que dispõe o art. 197, inciso II do CTN, e a escrituração somente faz prova em favor da contribuinte se suportada por documentação hábil, sendo que nenhum comprovante das despesas glosadas foi juntado à impugnação. Ademais, considerado o ativo escriturado de R$ 889 milhões, mesmo que a empresa vendesse todos os seus ativos para pagar somente a CEF, restaria ainda um passivo a descoberto de quase trinta bilhões de reais; e · Quanto à legalidade de suas operações, além de a Interessada não haver juntado documentos para comprovar a efetividade das despesas, a Fiscalização juntou elementos mais do que suficientes para manter a glosa, por ter caracterizado a fraude, a simulação e conluio entre empresas, configuradas a partir de empréstimos fictícios registrados junto à Caixa Econômica Federal e a partir dos negócios fictos de compra e venda de imóveis, geradores de créditos inexistentes de tributos federais e subsequente celebração de contratos simulados diversos entre as empresas dos grupos empresariais citados com o fim de auferimento de vantagens fiscais ilícitas em prejuízo da Fazenda Nacional. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 11 10 Cientificada da decisão de primeira instância em 12/06/2014 (fl. 1355), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/07/2014 (fls. 1357/1366), no qual limita sua defesa à arguição de decadência e à regularidade das despesas financeiras contabilizadas em razão dos contratos mantidos com a Caixa Econômica Federal. Argumenta que a hipótese consignada no §3º do art. 264 do RIR/99 (art. 37 da Lei nº 9.430/96) não está contemplada no CTN, no qual a decadência é regida pelos arts. 150, §4º e 173, inciso I, como, inclusive, consignado na apreciação do Recurso Especial nº 973.733SC, em sede de recursos repetitivos. Assim, decorridos cinco anos contados da ocorrência dos fatos imponíveis de 2004 e 2005, já teria ocorrido a decadência no momento da formalização do lançamento, em julho/2011. Acrescenta que o Fisco dispôs de cinco longos anos para conferir as DIPJs do contribuinte, e este prazo não pode ser ampliado às calendas, à mercê do Fisco. Reportase à Súmula CARF nº 10, observando que a decadência é contada do período em que o lucro inflacionário veio a ser realizado/em que deveria ter sido realizado, e que a pretensão de auditar, depois dos prazos decadenciais, prejuízos declarados, seria o mesmo que admitir que nada valessem as regras antes mencionadas. Com referência às despesas glosadas, diz: 8. O problema é apenas este: · de um lado, a recorrente a registrar em sua escrituração contábil e fiscal uma transação bancária, no que forneceu ao Fisco o comprovante da posição devedora nos anos de 2004, 2005, 2006 ,2006, 2007, 2008 e 2009 (fls. 7578). · de outro, a CEF, sem mencionar que o documento em referência seria falso ou verdadeiro, a negar a existência de qualquer operação com a impugnante (fl. 93). 8. Frente à divergência "BEX x CEF", cumpria ao Fisco, em vez de acatar de pronto o que a BEX ou a CEF afirmaram, fazer a competente circularização. Isto é, intimar a CEF a manifestarse expressamente sobre os documentos com o timbre da CEF, remetidos pela CEF e que, até prova em contrário, hão de ser acatados como bons e legítimos. Passo seguinte, se fosse o caso, o laudo pericial sobre a falsificação, se fosse o caso. 9. O que não é admissível, frente às normas de auditoria contábil e fiscal, é "acreditar" no primeiro que for falando, sem realizar o devido aprofundamento. Auditar não é apenas "ouvir", mas ouvir de um lado e de outro e, mediante o necessário aprofundamento, extrair a certeza ou, no mínimo, legitimar a presunção legal. [...] Reportase ao art. 9º do Decretolei nº 1.598/77 e destaca que a escrita da impugnante mantém observância das disposições legais, tanto assim que aceita pelo Fisco à margem de qualquer desclassificação ou arbitramento, de modo que lhe cabe a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no §1º daquele dispositivo. Acrescenta que a prova não pode ser tãosó "palavra contra a palavra", invoca o art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, e arremata: 12. No caso em foco, a autoridade fiscal soube muito bem diligenciar perante a escrita da impugnante, mas não diligenciou perante a escrita da CEF, limitandose a enviar a esta (CEF) o pedido de informação financeira. Não diligenciou contábil e Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 12 11 fiscalmente para nada. Inexiste, no campo das provas, esse poder oracular dos bancos: "A CEF disse!". 13. Há uma norma de auditoria fiscal e contábil, o art. 9º do Decretolei nº 1.598/77; donde, conclusão, este processo há de ruir porque assentado em acusação à margem do devido processo legal. Descabe ao contribuinte a prova positiva da correção do seu lançamento, lastreado que está em documentação hábil e idônea do credor, a CEF. Se acaso a CEF desconhece posteriormente o que antes declarar, problema, erro da CEF. Por que o contribuinte é que há de ser chamado (e responsabilizado) às incoerências da CEF? Isto mesmo, a CEF assina contratos de financiamento, envia extratos da dívida; depois declara que não negociou com a recorrente?! Consigna, por fim, que a decisão recorrida não enfrentou a matéria das provas materiais que a recorrente juntou (contratos de financiamento e respectivos extratos), limitandose a acreditar no erro da CEF. Pede, assim, que o recurso voluntário seja admitido e, no mérito, declarada a improcedência do auto de infração. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 13 12 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argúi, em preliminar, a decadência do direito de o Fisco questionar sua apuração relativamente aos anoscalendário 2004 e 2005, dada a formalização do lançamento em 06/07/2011. Disse a autoridade julgadora de 1ª instância: O contribuinte postula a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento relativo aos anos calendário de 2004 e 2005, com amparo no artigo 173 do Código Tributário Nacional. De fato, não há dúvidas em se afirmar que as regras de apuração, tanto do IRPJ como da CSLL, se adequam ao lançamento por homologação, conforme disposição do art. 150 do CTN. As legislações destes tributos atribuem ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade, sob condição da ulterior homologação. Se a lei não fixar prazo para esta homologação, será de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador. Caso a administração não se pronuncie no decorrer deste prazo, considerase tacitamente homologado o lançamento e extinto o crédito tributário, salvo dolo, fraude ou simulação. Ocorre que, nos autos, a Fiscalização logrou caracterizar o dolo, a fraude, a simulação e o conluio entre empresas, sendo assim a contagem do prazo decadencial regida pelo artigo 173, I, do CTN. Ademais, como o procedimento de ofício versa sobre retificação de ofício de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, motivada por glosa de despesas por falta de comprovação de sua existência, não há que se falar em tributos a pagar, nem mesmo em antecipação de pagamento de tributos, como aliás demonstram as informações contidas nas DIPJ/2005 e DIPJ/2006, de fls. 1043/1046, 1048/1051, 1117/1120 e 1122/1125, ratificando, em princípio, a necessidade de contagem do prazo decadencial com base regra contida no artigo 173, I do CTN. E, de fato, afastada a regra do 150 § 4º, do CTN, deveria prevalecer aquela contida no 173, I, para contagem do prazo decadencial, de modo que a autoridade tributária pudesse questionar, por exemplo, o lucro líquido, o resultado do exercício, despesas, custos ou receitas, com o fim de exigir tributos do contribuinte. Sucede que o prazo decadencial previsto no CTN, art. 173, I, diz respeito apenas ao direito de o Fisco efetuar lançamento de tributos, não o impedindo de retificar prejuízos fiscais quando estes forem incomprovados. É bem de se ver que aqui não se trata de constituição de crédito tributário, mas sim de retificação de ofício de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL, por falta de comprovação da existência de despesas que lhes dêem suporte, os quais podem repercutir em mais de um exercício, em virtude da possibilidade de sua compensação futura, respeitada a trava de 30%, como disposto no artigo 510, do RIR/1999. Não é demais lembrar que a compensação de prejuízos é uma faculdade do contribuinte, que vem ao encontro da necessidade de que seja efetuada sua comprovação, na situação analisada, pela via da demonstração da existência das despesas. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 14 13 Em se tratando de fatos contábeis que repercutam em mais de um exercício, como na hipótese de compensação de prejuízos, a pessoa jurídica deve conservar os livros e documentos em que se albergue sua escrituração contábil até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios, nos termos do § 3º do artigo 264 do RIR/1999, a seguir: 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). É sabido que a escrituração faz prova a favor do contribuinte desde que suportada por documentos hábeis, a teor do artigo 923 do RIR/1999, a seguir: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º).” Nos autos, não vieram as provas referentes às despesas que deram causa aos alegados prejuízos e bases negativas de CSLL, não havendo assim como reconhecêlos. Por fim, penso não tratar o caso de aplicação do prazo decadencial previsto no CTN, art. 173, I, mas sim de ausência de demonstração da existência das despesas glosadas, cujo ônus é do contribuinte. Deve ser esclarecido que a autoridade administrativa pode proceder às alterações que julgar cabíveis em prejuízos fiscais apurados pela pessoa jurídica relativamente a período já alcançado pela decadência, sendo vedada tão somente a constituição de crédito tributário concernente a tal período. Neste sentido, vejase as seguinte ementas de acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1992 DECADÊNCIA ALTERAÇÃO NOS PREJUÍZOS FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. A autoridade administrativa procederá às alterações que julgar cabíveis em prejuízos fiscais apurados pela pessoa jurídica relativamente a período já alcançado pela decadência. Nesse caso, é vedada apenas a constituição de crédito tributário concernente a tal período.” (Acórdão nº 10809.625 de 29 de maio de 2008, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, OITAVA CÂMARA) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 15 14 ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA.POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN).” (Acórdão nº 1101000.863 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2013 – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) Conclusivamente, VOTO no sentido de não acolher a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte. A decisão recorrida invoca entendimento adotado por esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 1101000.863, porém naqueles autos estava em discussão a possibilidade de a autoridade lançadora, em 2009, glosar despesas registradas de 2004 a 2006, decorrentes de operações realizadas de 1997 a 2002. E a validade deste procedimento foi defendida com base nas razões expostas pelo Conselheiro Antônio José Praga de Souza no Acórdão nº 140200.993, das quais destacase: A preclusão temporal, em principio, corresponde à perda da possibilidade do exercício de um direito em decorrência do decurso de um determinado prazo. Portanto, para que seja possível falar nesse instituto no caso em concreto, caberia ao contribuinte identificar um dever atribuído por lei à Fazenda Pública, o qual seria passível de extinção pelo decurso de prazo. [...] Efetivamente, não existe essa previsão legal. Tanto o art. 142 do CTN quanto o art. 9° do Decreto n. 70.235/72 prevêem apenas o lançamento como forma de exigência do crédito tributário, retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada. [...] Frisese: o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É o que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 16 15 Esclareçase que esse dispositivo não altera o prazo decadencial para constituir o credito tributário estabelecido no CTN, tampouco cria outro prazo decadencial qualquer, apenas viabiliza a autoria fiscal dos fatos com repercussão futura. Frise se, mais uma vez, que o prazo decadencial é sempre norteado pelo nascimento da obrigação tributária, ou seja, que se dá com a ocorrência do fato gerador. (negrejouse) Aqui, porém, a discussão não recai, apenas, sobre o art. 37 da Lei nº 9.430/96. O procedimento fiscal tem em conta a própria apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2004 e 2005, retificandoas por meio de auto de infração, consoante autoriza o Decreto nº 70.235/72 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ou seja, o sujeito passivo informou ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa nos períodos em referência, e a lei autorizava a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte. Por sua vez, vejase o exato teor do art. 37 da Lei nº 9.430/96: Art.37.Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. A lei, neste caso, fala da repercussão futura de fatos contabilizados no passado. Nada menciona acerca da compensação futura de prejuízos fiscais e, assim, não contradiz a autorização especial contida no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, acerca da retificação de prejuízos fiscais por meio de lançamento. É certo que em circunstâncias específicas, a autoridade fiscal poderia discordar da compensação futura de prejuízos fiscais ou bases negativas, ainda que não promovido lançamento anterior para retificar sua apuração. Isto porque, para além do efeito imediato da apuração de prejuízos fiscais e bases negativas, que é a demonstração da inocorrência do fato jurídico tributário (lucro) no período de sua apuração, aquela apuração tem um efeito mediato, qual seja, a redução de bases tributáveis futuras, momento em que o sujeito passivo deveria fazer a prova da existência do prejuízo fiscal e da base negativa anteriormente apurados, mesmo que já atingido pelo prazo decadencial. Assim, se tais prejuízos não foram informados em DIPJ oportunamente, e não estão demonstrados no LALUR, consoante exige o art. 262, inciso III do RIR/99, a autoridade fiscal poderia glosar sua utilização futura, ainda que ultrapassado o prazo decadencial contado a partir da apuração original. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 17 16 Todavia, se estas informações foram prestadas, ultrapassado o prazo decadencial o Fisco não mais pode promover o lançamento que, desde o encerramento da apuração correspondente, estava autorizado por lei a fazer. Acrescentese, ainda, que embora o CTN estipule prazo decadencial para constituição de crédito tributário, os incisos do seu art. 173 fazem referência à formalização de lançamento, sendo certo que o auto de infração destinado à redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL guarda praticamente todos os contornos do lançamento previsto no art. 142 do CTN, à exceção do cálculo do montante do tributo devido e da aplicação de penalidade cabível, ante o expresso reconhecimento da autoridade fiscal de que a apuração da contribuinte subsistiu negativa. Logo, não há como negar que o auto de infração destinado à redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL se submete aos prazos decadenciais estipulados no CTN para fins de constituição de crédito tributário. Esclareçase, ainda, que este entendimento traz implícita a premissa de que sujeitase a homologação tácita a apuração de prejuízo fiscal regularmente escriturada e declarada pelo sujeito passivo. Por esta razão, a matéria é afetada pelas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isto porque, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 18 17 de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 19 18 Importa assim, ter em conta a peculiaridade das obrigações acessórias impostas aos contribuintes, dentre os quais se insere a recorrente, ao optarem pela apuração do lucro real anual. Cumprelhes: escriturar contabilmente suas operações, apurar mensalmente a necessidade de recolher antecipações (estimativas), apurar o resultado do exercício em seus livros contábeis, promover ajustes previstos em lei (adições, exclusões e compensações) para determinar o lucro real no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR ou a base de cálculo da CSLL em outros demonstrativos, aplicar sobre estes as alíquotas correspondentes e do resultado deduzir as parcelas previstas na legislação, recolher o tributo eventualmente apurado, declarálo em DCTF e, no exercício subsequente, informar esta apuração em DIPJ. No cumprimento destas obrigações acessórias, pode o sujeito passivo não chegar, em sua apuração, a base de cálculo sujeita à incidência tributária, não só porque seu resultado do exercício já foi negativo ou igual a zero, como também porque os ajustes ao lucro líquido contábil geraram resultado igual a zero ou prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL. Em tais condições, é possível que apenas em razão do menor sucesso em suas atividades, o sujeito passivo não recolha tributo, nada tenha a declarar em DCTF, e apenas informe ao Fisco sua apuração no momento da entrega da DIPJ. Em tais condições, o sujeito passivo não se enquadra em uma hipótese na qual a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, nem mesmo naquela onde, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. E isto porque há uma situação intermediária na qual a lei prevê o pagamento antecipado da exação, mas admite que ele não seja feito se a apuração do sujeito passivo disto o dispensar. E, para esta hipótese intermediária, não se pode negar que o prazo previsto no art. 150 do CTN também seja aplicável. Esta, inclusive, é uma das interpretações cogitadas pela Equipe de Trabalho constituída por esta Relatora e por Daniel Monteiro Peixoto, Gleiber Menoni Martins, Maria Inês Dearo Batista, Maria Lúcia Aguilera, Vanessa Rahal Canado e Eurico Marcos Diniz de Santi, sob a coordenação deste último, e que consta do livro Decadência no Imposto sobre a Renda – Investigação e Análise I, Editora Quartier Latin, São Paulo, 2006, p. 50: Corrente 1: A contagem do prazo decadencial do direito de lançar o crédito tributário é a do art. 150, §4º do CTN, porque: 1º) tratase de lançamento por homologação – aquele no qual a Lei atribuiu ao sujeito passivo o dever de antecipar a apuração e o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa (tributos que prescindem de lançamento = ato privativo da autoridade administrativa); 2º) o sujeito passivo adotou a conduta prescrita em Lei de informar o resultado da apuração do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, apenas não tendo efetuado qualquer declaração (DCTF) ou pagamento, relativos ao imposto devido, por falta de apuração de base tributável no período; 3º) a regularidade da conduta adotada (ausência de declaração e pagamento) encontrase confirmada pela entrega da DIPJ, instrumento previsto na legislação para a demonstração da base de cálculo apurada; Nesse contexto, o dever de antecipar o pagamento, requisito previsto em Lei para a aplicação da norma decadencial do art. 150, §4º do CTN, somente se justifica quando apurado imposto devido. Após a edição do livro que orienta o julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi dirigiu os estudos sobre particularidades Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 20 19 do tema “Decadência” que não estavam tratadas em sua tese. E um dos resultados destes trabalhos pode ser visualizado na parte “B” do livro publicado em 2006, da qual constam os fluxogramas com as possíveis soluções para as diversas possibilidades de ocorrência da decadência no percurso da apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, e por conseqüência também da CSLL, sujeita a regras semelhantes de apuração e recolhimento. A “Situação 6”, ali constante à p. 148, destaca hipótese na qual se enquadra o caso em análise nestes autos: No presente caso, a contribuinte não apurou lucro nos períodos fiscalizados, mas apresentou DIPJ informando ao Fisco a apuração de prejuízo fiscal e base negativa nos anoscalendário de 2004 e 2005 (fls. 1036/1137). De outro lado, a autoridade lançadora nada menciona nos autos acerca da imprestabilidade da apuração assim informada em DIPJ, e apenas nega valor a determinadas operações irregulares. Assim, a apuração correspondente, justificando a ausência de recolhimento, foi regularmente informada ao Fisco em cumprimento a obrigação acessória que a legislação impõe aos contribuintes nestas condições, de modo que, em princípio, o prazo para sua revisão seria aquele exposto no art. 150, § 4º do CTN. Todavia, todo o trabalho fiscal foi no sentido de demonstrar a simulação das operações que majoraram significativamente os prejuízos fiscais e bases negativas apurados pela Fiscalizada. A recorrente, por sua vez, optou por não questionar parte das irregularidades das quais foi acusada, permitindo que se consolidasse, no âmbito administrativo, tais acusações. Resta fora de dúvida, portanto, que o prazo decadencial para revisão dos prejuízos fiscais e bases negativas dos anoscalendário 2004 e 2005 não pode ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, mas sim a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, na forma do art. 173, inciso I do CTN. Considerando que a retificação do prejuízo fiscal e da base negativa apurados no anocalendário 2004 somente era possível a partir de seu encerramento, ou seja, em 01/01/2005, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte, 01/01/2006, Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 21 20 de modo que o auto de infração poderia ter sido lavrado até 31/12/2010. Como a ciência se verificou em 06/07/2011, deve ser declarada a decadência desta parte do lançamento. Já com referência ao anocalendário 2005, observando os mesmos critérios, o lançamento poderia ter sido formalizado até 31/12/2011, mostrandose válido o auto de infração, nesta parte. Assim, o presente voto é no sentido de ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência, e afastar a redução do prejuízo fiscal e da base negativa apurados no anocalendário 2004. Passando ao mérito, a recorrente questiona a desqualificação dos fatos escriturados em sua contabilidade, suportados por comprovante da posição devedora nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, e a fundamentação da exigência em declaração da Caixa Econômica Federal sem qualquer aferição da falsidade do documento apresentado ao Fisco. Observase nos autos que, intimada a comprovar despesas financeiras e encargos contabilizados em 2004 (fl. 443), a contribuinte apresentou apenas o seguinte documento (fl. 454), a partir do qual elaborou planilha de correção da dívida ali indicada, sem explicitar qual índice de atualização adotado (fls. 455/457): Lavrada nova intimação para comprovação dos registros de 2004 a 2007, a contribuinte apresentou outros documentos semelhantes, mas agora indicando em algumas planilhas a adoção do IGPM ou do CDI como índice de atualização monetária, com acréscimo de juros 12% ou de juros 3,6% (fls. 462/464): Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 22 21 Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 23 22 Na sequência, a autoridade fiscal requisitou à Caixa Econômica Federal informações acerca de saldos devedores, em cada um dos anos considerados 31/12/2005 a 31/12/2009 , de todos os empréstimos (a qualquer título) contratados pelo contribuinte supra identificado, na qualidade de devedor, junto a esta instituição financeira. O auditor responsável apresentou o seguinte relatório ao Delegado da Receita Federal em Fortaleza para justificar a emissão da Requisição de Movimentação Financeira RMF (fl. 89/90): Durante a apreciação da contabilidade da empresa, especificamente as contas de movimento de Empréstimos junto à Caixa Econômica Federal CEF, foram encontrados valores extremamente elevados, equivalentes a cerca de trinta bilhões de reais de obrigações financeiras por mútuos, portanto absolutamente incompatíveis e distonantes com o porte financeiro da empresa. Intimada a comprovar referidos saldos, foram apresentados documentos em papeis com timbre e logotipos da CEF, informando valores que, a princípio, confirmam os lançamentos contábeis. Por outro lado, durante as verificações desta auditoria fiscal foram constatadas que a empresa BEX BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHA S/A, a despeito de manter se há tempos sem qualquer atividade operacional, vem mantendo operações com as empresas dos Grupos Marquise, todas desprovidas de materialidade negocial, envolvendo compra e venda fictícias e sucessivas de imóveis com o intuito de geração de créditos fictícios de tributos. Outrossim, a necessidade das informações da instituição financeira se faz premente pela geração imediata de prejuízos fiscais decorrentes de obrigações financeiras presumivelmente não quitadas junto aos Bancos. A serem confirmados os valores apresentados pelo contribuinte, os montantes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL chegarão a cifras astronômicas, beirando a casa de HUM BILHÃO DE REAIS. É exatamente sobre esse "estoque" de prejuízos que o Fisco tem de implementar as ações. A ligação da autuada com o Grupo Marquise foi noticiada em denúncia juntada à fl. 71: Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 24 23 Em resposta à RMF, a Caixa Econômica Federal informou (fl. 93): Em atenção à requisição em epígrafe, informamos que, a empresa BEX INTERNACIONAL S/A CNPJ nº 05.719.141/000182 não possuía qualquer tipo de empréstimo junto a esta instituição no período de 12/2005 a 12/2009. Frente a estas evidências as autoridade fiscais concluem, como relatado, que os encargos resultantes das dívidas de R$ 31 bilhões seriam impensáveis para uma empresa que vem apresentando ausência reiterada de atividade operacional, componente de Grupo Empresarial cuja solvência resta diluída progressivamente no tempo, e creditam sua escrituração à necessidade de amortecer os efeitos do reconhecimento na escrituração de cada anocalendário, de toda a ordem de receitas no seio da empresa, devidas não só pelas demais empresas do Grupo CEC (operações domésticas), como também pelas empresas do Grupo Marquise (operações externas em conluio), além de outras receitas que teriam origem em alienações de participações societárias, que estas últimas empresas se consideravam devedoras junto a BEX, ora por contratação direta, ora mediante evento sucessório forjado, tendo essas avenças, uma característica comum: a fraude, o conluio e a simulação do negócio. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 25 24 A acusação fiscal afirma comprovada a inexistência de uma efetiva realização de qualquer negócio, financeiro entre a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e BEX INTERNACIONAL S/A, e prossegue demonstrando a inveracidade das demais despesas e receitas escrituradas em razão das operações vinculadas ao Grupo Marquise. Acerca dos empréstimos junto à CEF mencionou o que segue: Assim, desde o ano de 2004, partindose de uma engenhosa apropriação fraudulenta de encargos financeiros (juros e variação monetária passiva), cuja origem remontaria a 03 (três) Empréstimos que a BEX alega ter celebrado junto à Caixa Econômica Federal ocasião em que ela (BEX) considerou criadas as condições fáticas para que a mesma pudesse suportar a oposição da apropriação de "receitas" de toda e qualquer ordem pôde essa empresa registrar em sua escrituração eventos supostamente característicos de simples auferimento de receitas (sem se cogitar de efetivo recebimento, praxe dos negócios domésticos"), ou mesmo, de recebimento de supostas receitas, mas com a devolução do numerário (como ocorre com os negócios celebrados com as empresas do Grupo Marquise), que primam pela simulação, a vista da inocorrência fática, no mundo real, dos fatos que os teriam constituído. [...] A propósito, descrente esta fiscalização da hipótese de que pudesse a BEX INTERNACIONAL S/A ser real devedora por Empréstimos e Financiamentos alegadamente contraídos junto à instituição financeira CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, num montante que, em 31.12.2009, alcançaria a cifra já citada (R$ 31.000.000.000,00), promovemos, na forma como preconiza a legislação de regência, intimação específica àquela instituição financeira, de modo que pudesse confirmar os contratos de financiamento que eventualmente teria celebrado junto à BEX. Na verdade, esperava o Fisco resposta da Caixa Econômica Federal que fosse, de um lado, confirmatória dos negócios concernentes a Empréstimos concedidos, porém de outro lado adequados quantitativamente a valores concernentes ao histórico empresarial da BEX, tal como esta mesma empresa registra em sua escrituração seus empréstimos legítimos e de magnitude compatíveis, contraídos junto ao Banco do Nordeste do Brasil e ao Banco do Estado do Ceará. Qual não foi a surpresa do Fisco quando a Caixa Econômica Federal informou expressamente não ter celebrado Empréstimos e/ou Financiamentos para a empresa BEX INTERNACIONAL S/A. Essa resposta trouxe mais luz ao papel da BEX no planejamento tributário que as empresas do Grupo CEC arquitetara em conluio com o Grupo Marquise. É que a "fartura" de encargos financeiros evidentemente fictícios que se produziam dos 03 (três) "Empréstimos" registrados pela BEX, contraídos junto à Caixa Econômica Federal, lhe permitia a perpetuação do reconhecimento de toda ordem de receitas, sendo estas advindas do Grupo Marquise. Como se vê, as conclusões da autoridade fiscal resultam não só da informação fornecida pela Caixa Econômica Federal como também da anormalidade dos registros consignados nos extratos fornecidos pela contribuinte, associada à utilidade dos registros contábeis daí decorrentes para anular os efeitos, no resultado da empresa, das receitas contabilizadas em razão de operações fictícias com o Grupo Marquise, das quais resultaram créditos fiscais fictícios em favor de outras empresas integrantes do grupo. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 26 25 Apreciando argumentos semelhantes aos aqui deduzidos pela recorrente, a autoridade julgadora de 1ª instância assim consignou: Para melhor compreensão, vejase o artigo 9º do DecretoLei 1.598/77, que negritei parcialmente: “Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração.” O contribuinte contesta a informação prestada pela CEF, que forneceu os documentos 03 e 04 (fls. 73/93), no entanto a solicitação efetuada à Caixa Econômica Federal encontra amparo não só no artigo antes referido, mas também no artigo 197, II, do CTN, a seguir reproduzido: “Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;” Assim, com base nos fatos narrados nos autos de infração e no Termo Final de Verificação Fiscal (fls. 44/53), e suportados pelos documentos 1 a 22, elencados às fls. 53/54 – entre eles os documentos 03 e 04 obtidos junto à CEF –, foram lavrados os autos de infração. Vale destacar que, para que a escrituração faça prova a favor do contribuinte, há a necessidade de que seja suportada por documentos hábeis e idôneos, cabendo enfatizar que o contribuinte não juntou qualquer documento à sua impugnação. Importante ressaltar que, segundo o documento de fl. 78, as dívidas da empresa junto à Caixa Econômica Federal, em 31 de dezembro de 2.009, perfaziam o montante de R$ 30.884.000.107,80, como a seguir demonstrado. Discriminação Saldo em 31/12/2009 Crédito empresa parc. 10.302.771.641,70 Caixagiro normal 9.032.213.995,90 Crédito empresapre 11.549.014.470,20 Total 30.884.000.107,80 Salta aos olhos a diferença entre o ativo total da empresa informado na linha 66 da Ficha 36A Ativo Balanço Patrimonial, R$ 889.745.380,19, e a dívida somente junto à Caixa Econômica Federal. Melhor dizendo, mesmo que a empresa vendesse todos os seus ativos para pagar somente a CEF, restaria ainda um passivo a descoberto de quase trinta bilhões de reais. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 27 26 A comprovação da dívida, e ainda os seus elevados encargos financeiros, é de responsabilidade da empresa, já que tanto a glosa de prejuízo como da base negativa decorrem da glosa das respectiva despesas, que repercutem na redução do lucro líquido e, portanto, do imposto e da contribuição devidas. Nesta toada, por oportuno, transcrevese lição de Antônio da Silva Cabral, (Processo Administrativo Fiscal, ed. Saraiva, p. 298): “Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Dizse freqüentemente: a quem alega alguma coisa, compete provála. (...) Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. (grifei.)” Com base neste entendimento, o ônus da comprovação das despesas glosadas por falta de comprovação de sua existência o que afinal ocasionou a retificação de ofício do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL é da empresa, nos termos do artigo 333 do Código do Processo Civil. Ou seja, compete à autuada comprovar a existência de suas despesas e, por via de consequência, de seu prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, ambos no valor de R$ 521.968.911,51, descabendo inquinar de nulidade absoluta a autuação. Eventualmente poderseia cogitar da intimação da agência da Caixa Econômica Federal indicada nos demonstrativos apresentadas pela contribuinte, para confirmação do que informado pela sede daquele instituição financeira, ou do que consignado nos extratos apresentados pela contribuinte. Ocorre que, além de não apresentar qualquer prova da contratação destes empréstimos durante o procedimento fiscal, a contribuinte, ao contrário do que afirma em sua defesa, também não juntou qualquer documento, quer em impugnação, quer em recurso voluntário, que sustentasse sua afirmação de que a CEF assina contratos de financiamento. Ou seja, os mencionados extratos são os únicos elementos indicativos da existência de dívidas que alcançariam R$ 31 bilhões, e que sem qualquer pagamento desde 2004, como apontado nos extratos, não teriam sido objeto de qualquer cobrança por parte do credor. Não é crível que uma instituição financeira concederia a uma empresa do porte da fiscalizada créditos daqueles montantes, sem exigir qualquer pagamento ao longo dos 5 (cinco) anos fiscalizados, ou imporlhe as consequências da inadimplência. Concluise, do exposto, que as informações prestadas pela Caixa Econômica Federal, associadas à anormalidade dos registros consignados nos demonstrativos apresentados pela contribuinte à Fiscalização, especialmente tendo em conta a capacidade operacional da pessoa jurídica, são elementos suficientes para sustentar a glosa promovida. Por tais razões, para além do acolhimento parcial da arguição de decadência, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de despesas financeiras vinculadas aos empréstimos supostamente contratados com a Caixa Econômica Federal. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10380.725183/201167 Acórdão n.º 1302001.796 S1C3T2 Fl. 28 27 Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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