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Numero do processo: 16832.000163/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005, 2006
Ementa:
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DECADÊNCIA.
A contagem do prazo decadencial para lançamento de multa por compensação considerada não declarada é regida pelo disposto no art. 173, I do CTN, vez que não se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação a que se refere o art. 150 do CTN.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. ARTIGO 18, §4º DA LEI Nº 10.833/03. REDAÇÃO DA LEI Nº 11.051/2004.
Não se exige a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, para a caracterização da multa prevista no §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03 com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, para a compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. SUSPENSÃO POR MEDIDA CAUTELAR. MULTA ISOLADA. NÃO SUBSUNÇÃO. AFASTAMENTO.
Não se trata de hipótese punível com a multa isolada em face da compensação não declarada, nos termos do art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003 c/c o inciso II, alínea "d", do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96, quando a decisão judicial transitada em julgado sobre a qual se baseia o crédito da contribuinte objeto de compensação teve seus efeitos suspensos provisoriamente pela medida cautelar preparatória da ação rescisória.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3402-003.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial para lançamento de multa por compensação considerada não declarada é regida pelo disposto no art. 173, I do CTN, vez que não se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação a que se refere o art. 150 do CTN. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. ARTIGO 18, §4º DA LEI Nº 10.833/03. REDAÇÃO DA LEI Nº 11.051/2004. Não se exige a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, para a caracterização da multa prevista no §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03 com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, para a compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. SUSPENSÃO POR MEDIDA CAUTELAR. MULTA ISOLADA. NÃO SUBSUNÇÃO. AFASTAMENTO. Não se trata de hipótese punível com a multa isolada em face da compensação não declarada, nos termos do art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003 c/c o inciso II, alínea "d", do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96, quando a decisão judicial transitada em julgado sobre a qual se baseia o crédito da contribuinte objeto de compensação teve seus efeitos suspensos provisoriamente pela medida cautelar preparatória da ação rescisória. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 63 /2 01 0- 10 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração para a exigência de multa isolada por compensação tida como não declarada em despacho decisório, tendo em vista que o suposto crédito tem origem em decisão judicial não transitada em julgado e no "créditoprêmio", com fundamento no art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003, transcrito abaixo com as várias alterações, nas redações dadas pelas Leis nºs 11.051/2004 e 11.488/2007, incidente sobre a totalidade dos débitos indevidamente compensados, no montante de R$ 5.267.691,67: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da Fl. 821DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16832.000163/201010 Acórdão n.º 3402003.312 S3C4T2 Fl. 821 3 compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009) Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do débito indevidamente compensado, no percentual: (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009) I previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 472, de 2009) II previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Medida Provisória nº 472, de 2009) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A interessada impetrou o Mandado de Segurança nº 99.00166582/RJ para que lhe fosse assegurado o direito ao crédito com base no artigo 1° do Decreto 491/69. No agravo de instrumento foi dado provimento para conceder a liminar substitutiva para "não sofrer a agravante qualquer coação por parte da autoridade coatora que venha a exigirlhe o estorno e, via de consequência, cobrála do valor do IPI". Mediante sentença, de 7 de maio de 2001, o pedido da impetrante foi julgado procedente. Tal decisão foi confirmada pelo Tribunal na Apelação em MS n° 2001.02.01.0470300/RJ, de 7 de setembro de 2002, que negou provimento à apelação da União e à remessa necessária. Essa decisão transitou em julgado em 03/10/2005 (fls. 328). A Fazenda Nacional propôs a Medida Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0144723, preparatória de Ação Rescisória, cuja liminar foi concedida em 19/12/2005, "determinando a suspensão dos efeitos e da consequente execução do v. Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0470300, pela egrégia Segunda Turma (antiga) deste Tribunal Regional Federal da 2ª Região, até a decisão definitiva da lide na ação rescisória. A medida cautelar foi julgada procedente em parte para suspender a execução do julgado no mandado de segurança, tendo sido consignado na decisão de 12/04/2007 que: Fl. 823DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16832.000163/201010 Acórdão n.º 3402003.312 S3C4T2 Fl. 822 5 A ação rescisória nº 2006.02.01.0004164 foi ajuizada em 18/01/2006, tendo sido julgada procedente em 12/04/2007, nesses termos: "(...) Decide a Egrégia Segunda Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por unanimidade, julgar procedente a ação rescisória e, em juízo rescisório, dar provimento à apelação e à remessa necessária, para julgar improcedente o pedido formulado na inicial da ação de mandado de segurança, nos termos do relatório e voto constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado." Não consta que tenha havido ainda a decisão definitiva dessa ação rescisória. No processo nº 10768.004784/200469, formalizado em 20/07/2004, para pedido de ressarcimento de IPI, em despacho decisório de 30/06/2009, o ressarcimento foi considerado não formulado e as compensações nele pretendidas foram consideradas não declaradas, tendo em vista que: O ressarcimento e as DCOMP's foram apresentados mediante formulário em papel, entre 20/07/2004 e 30/10/2006, sem a utilização do programa PER/DCOMP, que passou a ser obrigatório a partir de 29/09/2003, com a publicação da IN SRF nº 360/2003, resultando na "NÃO DECLARAÇÃO das compensações e na NÃO FORMULAÇÃO do RESSARCIMENTO (art. 42 da IN SRF nº 432/2004 e art. 31 das IN SRF nºs 460/2004 e 600/2005)". O contribuinte não poderia ter apresentado, como fez no presente processo, compensação lastreada no "créditoprêmio" instituído pelo art. 12 do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969 e nem tampouco em decisão judicial que ainda não tenha transitado em julgado, devendo, em casos dessa natureza, a autoridade competente não admitir a compensação. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) deficiência do enquadramento legal; b) decadência parcial; c) direito ao amplo aproveitamento do créditoprêmio por decisão judicial; d) redução da multa isolada prevista no § 1º do art. 3º da MP 470/09. Mediante o Acórdão nº 0941.977 3 ª Turma da DRJ/JFA, de 14 de dezembro de 2012, a impugnação foi julgada procedente em parte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2005, 2006 DCOMP NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. ARTIGO 18 DA. LEI 10.833/03. A presença de Dcomps tomadas por não declaradas nos termos do art. 74, inciso II, §12 da Lei nº. 9430/96 faz surgir o fato típico da infração apontada no art. 18 da Lei nº 10.833/03, devendo haver vínculo entre os percentuais escolhidos para Fl. 824DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 determinação da penalidade e as respectivas datas dos fatos geradores. A redução nos percentuais por legislação posterior traz a reboque a obrigação de subsunção ao disposto no art. 106 do CTN. NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGUMENTAÇÃO ESTRANHA À LIDE POSTA EM JULGAMENTO. Ao contribuinte lhe é facultado o direito de insurgência contra as razões que levaram à lavratura do auto de infração. Isso significa, no caso posto em julgamento, questionar se há ou não despacho decisório que tomou as Dcomps por não declaradas; se a legislação aplicada é ou não pertinente à data de ocorrência dos fatos geradores da infração; se a base de cálculo foi corretamente identificada ou ainda se o percentual da multa foi corretamente escolhido. Esse é o escopo de ataque, e não outro. Questionar a análise de mérito dos despachos decisórios é totalmente impertinente por ser matéria estranha ao processo de lançamento da penalidade isolada. DECADÊNCIA.MULTA ISOLADA.CONTAGEM DE PRAZO. O prazo para caducidade do direito de lançar penalidades deve ser buscado no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. As incorreções de enquadramento e de motivação que não prejudiquem a compreensão do contribuinte em relação aos eventos infracionais a ele atribuídos e, por via de conseqüência, o pleno exercício do direito de defesa, não ensejam nulidade do lançamento como já decidido em caudalosa jurisprudência tanto administrativa quanto judicial. PARCELAMENTO ESPECIAL. DATA DE ADESÃO. FATO GERADOR DA MULTA. Os débitos beneficiados com o referido parcelamento são aqueles, e somente aqueles, constituídos até 30 de novembro de 2009, data final para protocolização do parcelamento especial.O procedimento de anistia parcial (redução da multa) constituía, e ainda constitui, procedimento atrelado à liquidação do débito, não guardando nenhuma relação com o julgamento da procedência do lançamento, ou seja, a redução não se dá por improcedência, mas sim por aplicação de anistia. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, por via postal, em 26/06/2013, tendo apresentado recurso voluntário em 22/07/2013, alegando, em síntese: DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: Embora essa questão tenha sido verificada pela DRJ, que reduziu o percentual da multa para 75% sobre todos os valores (fl. 589), o Auto de Infração não indicou a penalidade aplicável (nem o percentual da multa nem o dispositivo legal em que se enquadraria a suposta infração), infringindo o artigo 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, regra que deve ser observada no momento da confecção do Auto de Infração; DECADÊNCIA: O Auto de Infração sob exame foi lavrado em 05/03/10 e pretendeu apenar compensações realizadas há mais de cinco anos (v.g. compensações Fl. 825DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16832.000163/201010 Acórdão n.º 3402003.312 S3C4T2 Fl. 823 7 realizadas em janeiro a março de 2005), em relação às quais se operou a decadência do direito de autuar, pois os valores dos tributos compensados sujeitamse ao lançamento por homologação e, no caso, houve a quitação do tributo, por meio de compensação (artigo 156, inciso II, CTN), sendo aplicável ao caso o artigo 150, § 4º do CTN – como já decidiu o E. STJ, no julgamento do REsp nº 973.733SC, sob o regime jurídico dos recursos repetitivos (art. 543 C do CPC) o que deve ser seguido pelo CARF (artigo 62, inciso II, alínea “b” do Regimento Interno) , posicionamento esse também referendado pela jurisprudência desse E. Conselho (vide, por exemplo, Processo Administrativo nº 10680.015459/200319 Acórdão 10808.438, entre outros); AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA O PERÍODO ANTERIOR À LEI Nº 11.196/2005 E AUSÊNCIA DE FRAUDE: Até a edição da Lei 11.196/05, inexistia fundamento legal que especificasse o percentual da multa de que se cuida (critério quantitativo do consequente normativo), o que, à luz do princípio da estrita legalidade, impede a própria imposição da penalidade, uma vez que essa multa somente se aplicaria em caso de sonegação, fraude ou conluio, como tem reiteradamente decidido esse E. Conselho. QUITAÇÃO REALIZADA SOB A ÉGIDE DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 470/09: Na remota hipótese de manutenção da autuação, o que se admite apenas a título de argumentação, a multa isolada deve ser reduzida em 90% (noventa por cento), nos termos do § 1º do artigo 3º, da Medida Provisória nº 470/091, em relação aos valores compensados que foram quitados em 30/11/09, com base na referida MP (antes, portanto, da lavratura do Auto de Infração), conforme comprovam os documentos de fls. 507/519 e 568/572; DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PAGAMENTO REALIZADO ANOS ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO: A Recorrente requer, também, o cancelamento integral da multa isolada no que se refere aos valores pagos em 07.03.2006, por meio de guias DARFs (fls. 387/397), quase três anos antes do despacho decisório que considerou não declaradas as respectivas compensações (proferido em junho de 2009), nos termos do artigo 138 do CTN, conforme precedentes desse E. CARF; AUSÊNCIA DA INFRAÇÃO APONTADA – COMPENSAÇÕES AMPARADAS EM DECISÕES JUDICIAIS TRANSITADAS EM JULGADO E SOLUÇÃO DE CONSULTA: A autoridade administrativa não pode tratar as Declarações de Compensação DCs apresentadas pela Recorrente como se fossem meros pedidos administrativos, desamparados de decisão judicial, sujeitos às restrições normativas contidas no artigo 74, § 12, inciso II, da Lei nº 9.430/96 e, portanto, à multa prevista no § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, pois não se trata de compensações formalizadas à margem da lei, para aproveitamento do extinto créditoprêmio de IPI, na medida em que a Recorrente comprovou que suas compensações estavam amparadas por decisão judicial proferidas no Mandado de Segurança nº 99.00166582/RJ (AMS nº 2001.02.01.0470300), impetrado perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro e transitado em julgado desde 03.10.2005 (fls. 235/329), atualmente objeto da Ação Rescisória nº 2006.02.01.0004164 e da já transitada em julgado Medida Cautelar nº 2005.02.01.0144723, ambas ajuizadas pela Fazenda Nacional. Assim, à luz do artigo 112, incisos II e III do CTN, suas razões merecem ser conhecidas, uma vez que comprovam a ausência da infração imputada e as compensações realizadas pela Recorrente não podem ser consideradas inválidas ou não declaradas, fundamento fático para a imposição da multa isolada, se, à época de sua realização, existia decisão judicial autorizando tal procedimento. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. "DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL": Alega a recorrente que teria havido lesão ao artigo 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, vez que o auto de infração não teria indicado o percentual da multa nem o enquadramento legal. Verificase, de fato, que no auto de infração não foi perfeita a definição do enquadramento legal, pois se omitiu o §4º do dispositivo, citandose apenas o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, entretanto, considerase tal imprecisão suprida pelo conteúdo do Termo de Constatação Fiscal, do qual a autuada foi também cientificada, que identifica adequadamente dispositivo legal, conforme se vê abaixo: Auto de Infração (...) 001 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, a qual foi considerada Não Formulada e NãoDeclarada a Compensação, conforme Termo de Constatação (fls ). (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 18 da Lei n ° 10.833/03, com redação dada pela Lei n° 11.051/04; Art. 18 da Lei n ° 10.833/03, com redação dada pelas Leis es 11.051/04 e 11.196/05. (...) TERMO DE CONSTATAÇÃO: Fl. 827DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16832.000163/201010 Acórdão n.º 3402003.312 S3C4T2 Fl. 824 9 Relativamente à quantificação da multa, foi definido no auto de infração, o valor da multa para cada fato gerador. Embora o percentual da multa não tenha sido mencionado expressamente na autuação, ele poderia ser facilmente apurado pela recorrente por uma conta simples para cada fato gerador (Percentagem da multa = valor da multa/valor indevidamente compensado). Ademais, conforme se verifica do conteúdo do recurso voluntário e da impugnação, a autuada teve perfeita compreensão da infração que lhe foi imputada e da sua quantificação, podendo muito bem se defender, não tendo se caracterizado o cerceamento do seu direito de defesa que ensejaria a nulidade da autuação. "DECADÊNCIA": Ao contrário do alegado pela recorrente, tratandose da exigência de multa e não de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo geral de decadência previsto no art. 173, I do CTN de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como bem assentado no Voto Vencedor do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201001.043 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção deste CARF, de 03 de junho de 2014, "conforme jurisprudência pacífica deste Conselho a contagem do prazo decadencial, no que se refere às multas isoladas, é regido pelo disposto no art. 173, I, do CTN, não se lhes aplicando o art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que essa norma restringese a tributos sujeito a lançamento por homologação, sendo certo que multa isolada não está contida neste conceito". Assim, considerandose que as declarações de compensação foram apresentadas nos anos de 2005 e 2006 e o lançamento da multa isolada foi efetivado e cientificado em 2010, não há que se falar em decadência de nenhuma parcela da autuação. "AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA O PERÍODO ANTERIOR À LEI Nº 11.196/2005 E AUSÊNCIA DE FRAUDE": A presente autuação envolve fatos ocorridos entre janeiro/2005 e outubro/2006, de forma que vigorava, para o art. 18, caput e §4º da Lei nº 10.833/2003, a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, vigente de 30.12.2004 a 21.01.2007, vez que a partir Fl. 828DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 de 22.01.2007 começou a viger a redação dada pela Medida Provisória 351/2007, depois convertida na Lei nº 11.488/2007: Lei nº 11.051, de 2004 DOU de 30.12.2004: Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) [grifos desta Relatora] Conforme se vê acima, o percentual da multa do §4º (compensação não declarada) deveria ser o mesmo da multa do caput (compensação não homologada), o qual foi definido no §2° desse mesmo dispositivo. Em face da retroatividade benigna da Lei nº 11.488/2007 esse percentual foi reduzido a 75%. Assim, não é verdade que inexistia fundamento legal que especificasse o percentual da multa. Também não procede a alegação da recorrente de que a multa por compensação não declarada, na redação dada pela Lei nº 11.051/2004 seria aplicável somente na hipótese de fraude. Como se depreende da leitura do dispositivo acima, o caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, na redação dada pela Lei nº 11.051/2004, define uma infração compensação não homologada com fraude, sonegação ou conluio e o seu §4º define outra compensação não declarada, todavia sob o mesmo percentual à época dos fatos. A exigência de que ocorresse fraude, sonegação ou conluio era cabível somente para a caracterização da multa do caput, por compensação não homologada, não sendo requisito para a caracterização da multa do §4º, por compensação não declarada, o qual remete às hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, que assim dispunha à época: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Fl. 829DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16832.000163/201010 Acórdão n.º 3402003.312 S3C4T2 Fl. 825 11 § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) As hipóteses acima dizem respeito a um juízo negativo de admissibilidade para as declarações de compensação, vez que ocorrida alguma delas a compensação será considerada não declarada e, consequentemente, não terá o seu mérito analisado. Assim, parece bastante razoável a distinção feita pelo legislador ordinário entre as duas multas, exigindo a atuação dolosa do contribuinte somente na compensação não homologada, na qual a fiscalização analisou o mérito da declaração de compensação, o que pode envolver a análise de várias condutas do sujeito passivo que resultaram na não aceitação Fl. 830DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 dos créditos declarados como líquidos e certos. De outra parte, embora possa eventualmente existir o dolo nas hipóteses em que se considera a compensação não declarada, é de se supor que seja bem menos frequente, vez que se tratam de situações bem objetivas, como, por exemplo, créditos de terceiros, créditoprêmio, título público, decisão judicial não transitada em julgado, e o mérito da compensação não é analisado pela fiscalização. Nessa linha, a questão não sofreu solução de continuidade na norma vigente atualmente, vez que o legislador ordinário manteve essa ideia, de não se exigir a conduta dolosa do contribuinte para a caracterização da multa por compensação considerada não declarada, mas duplicando seu percentual se ocorridas as hipóteses de fraude, sonegação ou conluio. Assim, pelo exposto nesse item, a multa isolada aplicada à recorrente, prevista no art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003 com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, não carece de fundamentação legal. "QUITAÇÃO REALIZADA SOB A ÉGIDE DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 470/09": Alega a recorrente que a multa isolada deveria ser reduzida em 90% (noventa por cento), nos termos do § 1º do artigo 3º, da Medida Provisória nº 470/09, em relação aos valores compensados que foram quitados em 30/11/09, com base na referida MP (antes, portanto, da lavratura do Auto de Infração), conforme comprovam os documentos de fls. 507/519 e 568/572. O julgador de primeira instância bem argumentou que: "O pedido não encontra amparo legal por dois motivos básicos: 1. os débitos beneficiados com o referido parcelamento são aqueles, e somente aqueles, constituídos até 30 de novembro de 2009, data final para protocolização do parcelamento especial, o que não é o caso, pois a multa foi lançada em 05 de março de 2010; 2. o procedimento de anistia parcial (redução da multa) constituía, e ainda constitui, procedimento atrelado à liquidação do débito, não guardando nenhuma relação com o julgamento da procedência do lançamento, ou seja, a redução não se dá por improcedência, mas sim por aplicação de anistia". A recorrente refuta a tese da DRJ sob o fundamento de que, embora a multa isolada não pudesse ser incluída no parcelamento, grande parte dos débitos que serviram de base para a multa isolada foram quitados sob a sistemática da Medida Provisória 470/2009, cabendo, a seu ver, também a redução da multa nessa proporção. No entanto, o posterior parcelamento dos débitos que constaram nas declarações de compensação não são hábeis a afastar a multa por ter sido a compensação considerada não declarada, nem tampouco há qualquer previsão legal para redução de multa que não constou no programa de parcelamento. "DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PAGAMENTO REALIZADO ANOS ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO": Da mesma forma, não cabe qualquer exoneração da multa no que se refere aos valores dos débitos pagos em 07.03.2006, antes do despacho decisório que considerou não declaradas as respectivas compensações, vez que o que se pune com a multa é a conduta anterior da contribuinte de apresentar declaração de compensação inadmissível para quitar tais débitos, os quais, diante da não aceitação da compensação, devem mesmo ser quitados, com efetuado pela recorrente. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16832.000163/201010 Acórdão n.º 3402003.312 S3C4T2 Fl. 826 13 "AUSÊNCIA DA INFRAÇÃO APONTADA – COMPENSAÇÕES AMPARADAS EM DECISÕES JUDICIAIS TRANSITADAS EM JULGADO E SOLUÇÃO DE CONSULTA": Nesse ponto, insurgese a recorrente contra o teor dos despachos decisórios, acerca da tutela jurídica obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 99.0016658, da ocorrência do seu trânsito em julgado, bem como dos efeitos jurídicos da ação rescisória impetrada pela União Federal. Essa questão não foi conhecida pelo julgador de primeira instância, que sustentou que não seria cabível tal discussão no processo de aplicação da multa isolada, no qual é facultado ao contribuinte "o direito de insurgência contra as razões que levaram à lavratura do auto de infração", o que significa "questionar se há ou não despacho decisório que tomou as Dcomps por não declaradas; se a legislação aplicada é ou não pertinente à data de ocorrência dos fatos geradores da infração (dia da transmissão das Dcomps); se a base de cálculo foi corretamente identificada ou ainda se o percentual da multa foi corretamente escolhido". É verdade que a questão acerca da análise de dos despachos decisórios é matéria alheia ao presente processo, que foge, inclusive, à competência deste CARF, a qual se limita à insurgência contra a não homologação da compensação, nos termos do art. 74, §9° da Lei nº 9.430/96. Não obstante isso, a aplicação da multa isolada no presente processo está condicionada a que a compensação seja considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96, dentre as quais, interessa a alínea "d)": "seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado". Ocorre que no presente caso não se trata propriamente de "decisão judicial não transitada em julgado", mas de decisão judicial transitada em julgado em face da qual foi proposta ação rescisória ainda pendente de decisão definitiva, mas cuja medida cautelar preparatória foi julgada procedente em parte para suspender a execução do julgado no mandado de segurança até o julgamento definitivo da ação principal, seguintes termos: (...) Finalmente, cumpre ressaltar que, embora esta decisão confirme a liminar proferida, nestes autos, não se pode olvidar que esta medida cautelar tem por objetivo o resultado final da ação rescisória. Com efeito, não tem a referida decisão o condão de desconstituir, desde logo, os efeitos da coisa julgada, Ou seja, até o trânsito em julgado da decisão que resolver a ação principal, a União Federal deverá continuar, no que se refere ao pedidos de aproveitamento de créditos apresentados pela requerida, a observar o que já foi, por diversas vezes, esclarecido neste processo. Vejamos: 1 Quanto aos pedidos de ressarcimento e compensação já homologados anteriormente à decisão liminar proferida nesta ação cautelar, em razão da existência de coisa julgada assegurando o aproveitamento desses créditos, e considerando que a decisão proferida nestes autos não tem o condão de atingir o acórdão transitado em julgado; o alcance desta decisão restringese à suspensão dos efeitos da homologação, permitindo Fl. 832DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 que se proceda ao lançamento dos créditos tributários já aproveitados, porem, com a sua exigibilidade suspensa, ate o julgamento definitivo da ação principal (rescisória); 2 Com respeito aos pedidos de ressarcimento e compensação em andamento até a decisão liminar proferida nesta ação cautelar, com vistas a assegurar o resultado final da ação principal (rescisória), da qual esta ação cautelar é instrumento; impõe a decisão proferida nestes autos a suspensão dos processos administrativos, permitindo o lançamento dos créditos tributários objeto dos pedidos, porém, com a exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da ação principal; (...) Observase que a hipótese sob estudo é decorrente da situação tratada no item 2. acima, tendo sido permitido, para os pedidos de ressarcimento e compensação em andamento até a data dessa decisão 12/04/2007, o lançamento dos créditos tributários objeto dos pedidos, porém com a exigibilidade suspensa até o julgamento definitivo da ação rescisória. Cabe a ressalva que o presente processo trata do lançamento da multa isolada em face de a compensação ter sido considerada não declarada, não sendo o caso de lançamento com suspensão da exigibilidade. Com efeito, embora a ação rescisória (ação principal) tenha sido, na mesma data, julgada pelo TRF 2ª Região em sentido favorável à União, como essa decisão não é definitiva, prossegue vigente a referida Medida Cautelar, a qual, conforme nela própria esclarecido, também não tem o condão de rescindir em caráter definitivo a decisão do mandado de segurança. Assim, até o presente momento, o que se tem é que a decisão judicial transitada em julgado sobre a qual se baseia o crédito da contribuinte teve seus efeitos suspensos pela medida cautelar até o julgamento definitivo da ação rescisória, a qual, por sua vez, poderá ao final rescindir a referida decisão ou mantêla intacta. Pelo que entendo que a situação in concreto não se subsume à hipótese de compensação considerada não declarada decorrente de decisão não transitada em julgado, conforme exige o art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003 c/c o inciso II, alínea "d", do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96, devendo a multa isolada exigida no presente processo ser afastada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 833DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16832.000163/201010 Acórdão n.º 3402003.312 S3C4T2 Fl. 827 15 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 03/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10880.722427/2014-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA COM AUMENTO DE CAPITAL DA SOCIEDADE INCORPORADORA. ALIENAÇÃO.A incorporação de participação societária com aumento de capital da sociedade incorporadora não se resume a uma mera substituição das quotas de uma sociedade por quotas de outra sociedade, mas uma verdadeira alienação de participação societária que, embora não caracterizada pelo pagamento em dinheiro, caracteriza-se pela entrega de quotas da sociedade incorporada em subscrição de capital e, como contrapartida, há o recebimento de quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado.
MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CLÁUSULA DE "LOCK UP".
Na data em que se aprovou a referida operação, o ganho de capital esteve configurado, passando o patrimônio do contribuinte a um valor maior. Ele possui a disponibilidade sobre esse patrimônio, inclusive para assinar contrato particular com a outra parte, comprometendo-se a não aliená-lo. O fato de assim comprometer-se só demonstra a disponibilidade, do contrário, não poderia dispor daquilo que não é seu.
APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO
A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN).
Numero da decisão: 2202-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deram provimento integral. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ALIENAÇÃO.A incorporação de participação societária com aumento de capital da sociedade incorporadora não se resume a uma mera substituição das quotas de uma sociedade por quotas de outra sociedade, mas uma verdadeira alienação de participação societária que, embora não caracterizada pelo pagamento em dinheiro, caracterizase pela entrega de quotas da sociedade incorporada em subscrição de capital e, como contrapartida, há o recebimento de quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CLÁUSULA DE "LOCK UP". Na data em que se aprovou a referida operação, o ganho de capital esteve configurado, passando o patrimônio do contribuinte a um valor maior. Ele possui a disponibilidade sobre esse patrimônio, inclusive para assinar contrato particular com a outra parte, comprometendose a não alienálo. O fato de assim comprometerse só demonstra a disponibilidade, do contrário, não poderia dispor daquilo que não é seu. APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 24 27 /2 01 4- 61 Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deram provimento integral. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem sintetizar os fatos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG): Em decorrência da ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foi lavrado auto de infração (fls. 02/09), relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, do exercício de 2012, anocalendário de 2011, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário no valor total de R$ 234.568.344,67, estando assim constituído, em Reais: (...) O relatório fiscal com a descrição dos fatos e enquadramento legal encontrase às folhas 10/34. O lançamento originouse na constatação da omissão de ganho de capital auferido na transmissão de participação societária a título de integralização em operação de incorporação de ações. O Termo de Verificação Fiscal – TVF de folhas 10/34, em seu item III, descreve a síntese dos fatos relevantes: Em 05/01/2011 realizouse Assembléia Geral Extraordinária – AGE da empresa Diagnósticos da América S.A. DASA que aprovou a incorporação das ações da empresa MD1 Diagnósticos MD1 que já havia sido aprovada por esta na AGE realizada em 23/12/2010. O capital social da MD1 era dividido em 77.370.392 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, distribuídas conforme quadro de folha 13. O Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações da MD1 Diagnósticos informou os dados da operação, de acordo com o Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.098 3 quadro no item 12 do TVF. Conseqüentemente, a partir de 05/01/2011 os exacionistas da MD1 tornaramse acionistas da DASA, com as participações indicadas no item 13 do TVF. A contribuinte informou o valor de R$ 36.571.662,60 para o custo de aquisição das ações da MD1 até então detidas e comprovou ter arcado com o valor de R$ 8.798.828,53, pago ao Banco de Investimentos Credit Suisse Brasil S/A a título de intermediação do negócio e despesas incorridas. Assim sendo, o ganho de capital demonstrado no item 15 do TVF, no valor de R$ 757.833.275,72, é tributável e foi levado ao auto de infração constante desse processo. Cientificada do lançamento, a contribuinte o impugna, alegando, resumidamente, que se segue: PRELIMINARMENTE Ausência de Subsunção do Fato à Norma Como será relatado adiante a incorporação de ações não representa integralização de capital com bens. Assim, verificase a evidente ausência de subsunção dos fatos narrados no TVF e o art. 23, §2º, da Lei 9.249/95, utilizado pelo Agente Fiscal para a autuação. Para que o fato jurídico ocorrido no mundo real dê ensejo ao nascimento da obrigação tributária, necessário se faz que ele esteja em total conformidade com o descrito na norma, o que não se verificou no presente caso. Não se verificando o fato gerador da obrigação, o lançamento deve ser declarado nulo. MÉRITO Da Não Tributação da Incorporação de Ações A incorporação de ações da MD1 pela DASA não se tratou de integralização de capital com bens em valor superior àquele declarado na DIRPF do impugnante capaz de ensejar a conseqüência prevista no art. 23, §2º, da Lei 9.249/95. A incorporação de ações encontrase disciplinada no art. 252 da Lei 6.404/76. É um instituto jurídico que tem como finalidade converter uma companhia em subsidiária integral. Após a aprovação do laudo de avaliação das ações pela incorporadora, os titulares das ações incorporadas receberão as novas ações de emissão da incorporadora, em substituição às ações incorporadas em quantidade convencionada no protocolo. O instituto jurídico da incorporação de ações é uma das modalidades de concentração empresarial permitidas pela legislação vigente a qual possui natureza jurídica própria, distinta de uma incorporação de sociedades e de uma integralização de capital com bens. Tratase de operações com conseqüências essencialmente distintas. Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Discorre sobre as diferenças e semelhanças observadas entre a incorporação de ações e a incorporação de sociedade. Enquanto que na incorporação de sociedade a incorporada deixa de existir e é sucedida universalmente pela incorporadora, na incorporação de ações ocorre, em geral, um aumento do capital da sociedade incorporadora para emissão de ações a serem entregues aos exacionistas da sociedade cujas ações foram incorporadas, passando aquela a ter a incorporada como subsidiária integral. Cita doutrina. Por outro lado, sob o ponto de vista dos acionistas, as operações são semelhantes. Em ambos os casos a incorporadora realiza aumento de capital. Assim, os sócios da incorporada recebem ações da incorporadora em substituição às suas antigas ações. Incorporação de Ações e Integralização de Capital Social com Bens O Agente Fiscal fundamentou o lançamento no art. 23, §2º da Lei 9.249/95. Entretanto, a natureza jurídica da incorporação de ações não pode ser confundida com uma integralização de capital social com bens. Na incorporação de ações a vontade manifestada é da sociedade, mediante a deliberação das AGE das companhias, não havendo que se falar na manifestação da vontade individual dos acionistas. Os acionistas não praticam nenhum ato na incorporação de ações que é negocio jurídico realizado no âmbito das pessoas societárias. Na integralização de ações por bens a manifestação da vontade individual e unitária do acionista é pressuposto. Em 05/01/2011 as ações da incorporada possuíam o mesmo valor das ações da sociedade incorporadora. Por esse motivo foi atribuído o mesmo custo de aquisição na DIRPF, sendo incorreta a interpretação do Agente Fiscal. Ainda que se tratasse de integralização de capital na DASA, a situação enquadrarse ia na hipótese de não tributação prevista no §1º do art 23 da Lei 9.249/95. Relata extensamente acerca dos efeitos decorrentes da incorporação de ações para a sociedade incorporada, incorporadora e acionistas daquela. O efeito verificado para o acionista é o de verdadeira sub rogação real ou substituição das ações da companhia incorporada. Falase da ocorrência de subrogação real na incorporação de ações, fenômeno que consiste na substituição de um bem por outro, mantendose as mesmas relações jurídicas previamente existentes com relação ao substituído, permanecendo o acionista na mesma posição patrimonial e econômica, não se tratando de alienação como afirmado pelo Agente Fiscal. Não houve pagamento de qualquer contraprestação adicional. O próprio fisco admitiu a ocorrência de subrogação real, de acordo com o que dispõe o Parecer Normativo Cosit nº 39/81. Tais entendimentos também são respaldados por Parecer da CVM. Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.099 5 A cláusula 6.2 do Contrato de Associação faz parte do item 6 (Restrição à Alienação de Ações) que tem como finalidade conferir maior segurança ao período de lookup, equiparandose a incorporação de ações à alienação apenas para definir relações contratuais entre as partes. Tratamento Tributário da Incorporação de Ações No presente caso, não há que se falar em alienação e disponibilidade econômica ou jurídica, de acréscimo patrimonial de qualquer natureza nem de ganho de capital tributável. Para os acionistas ocorre uma substituição de ações que não envolve transferência ou disponibilização de recursos financeiros. Ocorre um verdadeiro efeito econômico permutativo, sem disponibilidade econômica de renda. Ainda que se pudesse falar em alienação esta não seria tributável pela ausência de ganho jurídico ou econômico disponível. Assim, podese dizer que a subrogação ocorrida assemelhase a uma operação de permuta sem torna, na medida em que nela há a mera troca de bens. É pacífico o entendimento de não haver aumento patrimonial tributável na permuta sem torna. Em caso de recebimento de um bem em valor maior ao bem oferecido na permuta, o que o ocorre é um ganho meramente potencial, que somente se efetivará quando o bem for alienado. Os Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (nº 970/91 e 454/92) concluem que a permuta de ativos não dá ensejo à tributação dos potenciais ganhos de capital. Não havendo pagamento em dinheiro, qualquer exigência fiscal sobre o ativo recebido acabaria por tributar o patrimônio do contribuinte, violando princípios constitucionais tributários. Cita acórdãos do CARF Regime de Caixa Aplicável às Pessoas Físicas As ações substituídas com um verdadeiro efeito econômico permutativo não implicaram disponibilidade de renda passível de ser tributada pelo IRPF. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou deproventos de qualquer natureza. Somente se pode impor o imposto de renda no momento em que há efetiva disponibilidade de recursos financeiros. Se não houve a realização da renda de modo que o numerário tenha sido efetivamente recebido pelo seu titular, não houve ganho de capital e não poderá haver incidência do imposto de renda. Qualquer tentativa de exação nesse sentido consistirá afronta ao principio da capacidade contributiva. Mesmo que se entenda pela aplicação do art. 23, §2º da Lei 9.249/95, o eventual ganho de capital auferido na incorporação de ações estará diferido para o momento em que, de fato, ocorrer a efetiva alienação das ações recebidas. Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Erro de Critério Jurídico O Agente Fiscal considerou que o fato gerador ocorreu em 05/01/2011 quando da aprovação da incorporação das ações da MD1 pela DASA em AGE realizada por esta última. De forma contraditória, o Agente Fiscal (fl. 28) cita o item 6.4 do Contrato de Associação o qual prevê a restrição da negociação das ações da DASA recebidas pelos antigos sócios acionistas da MD1 por um período de 48 meses contados da data da aprovação da incorporação das ações. Ainda que se entenda que houve alienação das ações em 05/01/2011, pela análise da cláusula de restrição de alienação a suposta renda realizada nesta data seria apenas correspondente às ações de emissão da DASA emitidas em substituição às 500.000 ações de emissão da MD1 de titularidade da impugnante e do Sr. Edson de Godoy Bueno. Até o encerramento do período de 48 meses não poderia haver fato gerador, pois o contribuinte, apesar de possuir a propriedade das ações, delas não poderia dispor. Também se verifica que a data eleita pelo Agente Fiscal como fato gerador está em desacordo com o art. 116 do CTN tendo em vista a pendência de condição suspensiva (encerramento do período de restrição) para que se pudesse mensurar o efetivo acréscimo patrimonial. Conseqüentemente, houve evidente erro de critério jurídico quanto ao suposto fato gerador. Juros sobre Multa Os juros calculados mediante utilização da Taxa Selic não podem ser exigidos sobre a multa de ofício lançada por absoluta ausência de previsão legal. A legislação prevê a incidência apenas sobre tributos, sendo que multa não é tributo A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ julgou improcedente a impugnação conforme se constata pela ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 05/01/2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÃO. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.100 7 custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Os juros incidentes sobre a multa de ofício não são objeto do lançamento. De todo modo, temse que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, e, nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1932/1989, no qual reitera os argumentos utilizados quando da Impugnação. Ressalta, em particular, o equívoco cometido pela decisão recorrida ao afirmar que " o contribuinte não constesta os cálculos e valores do ganho de capital tributável e do imposto apurados em decorrência da operação de incorporação de ações da empresa MDI pela DASA, restringindo se à questões de direito. Isso porque, em razão da cláusula de lock up constante do item 6.2 do Contrato de Associação, a aquisição das ações estava sujeita à cláusula suspensiva por um período de 48 meses. Sendo assim, a base de cálculo a ser utilizada no lançamento deveria ser apurada tomando como base o valor das ações em 05/01/2015 e não em 05/01/2011, como constante do lançamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao Recurso Voluntário, na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Que existem três correntes doutrinárias sobre a natureza jurídica da incorporação de ações: a primeira corrente que defende que a incorporação de ações caracterizase como uma espécie de incorporação e alienação ficta. A segunda corrente que entende que tratase de negócio jurídico específico do direito societário e a terceira corrente que entende que se trata de permuta ou sub rogação real. b) que avaliação realizada quando da incorporação de ações é fundamental para o deslinde da questão, uma vez que, no contrato de permuta, o valor dos bens permutados é irrelevante e não afeta o negócio jurídico. Sendo assim, não seria possível a equiparação pretendida pela Recorrente, pois o preço atribuído as ações por ocasião da avaliação aproximaria a incorporação ao contrato de compra e venda. c) que a integralização de capital na incorporadora com ações da incorporada importa em transferência de propriedade, o que nada mais é do que uma alienação em sentido amplo; d) que o art. 3º, §3º da Lei nº 7.713/88 determina que serão consideras ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão e contratos afins. Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 f) que a contribuinte errou na sua declaração, pois a entrega das ações não se deu pelo valor da declaração de bens, mas pelo seu valor de mercado, violando assim os arts. 3º, §2º e 19 da Lei nº 7.713/88. g) que a alegação da recorrente no sentido de que somente se poderia apurar ganho de capital por ocasião da venda das ações recebidas pelos acionistas se funda em concepção de regime de caixa que confunde disponibilidade econômica com disponibilidade financeira. h) que a incorporação de ações reúne todos os requisitos para se considerar a renda realizada, independente de sua conversão em pecúnia, uma vez que houve acréscimo patrimonial, mensurável, em decorrência de cumprimento de obrigação, ente partes independentes. i) que a restrição ao direito de propriedade, constante da claúsula de lock up, não descaracteriza o direito de propriedade, pois inúmeras são as restrições ao direito de propriedade que decorrem do adequado exercício da sua função social. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A discussão central do presente processo é complexa e gira em torno da operação denominada incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei nº 6.404/76, nos seguintes termos: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º. A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2º. A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.101 9 § 3º. Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem.(grifamos) Foram citados como enquadramentos legais da infração o artigo 3º, §3º, da Lei nº 7.713/88 e o artigo 23, §2º, da Lei nº 9.249/95, abaixo transcritos: Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. (...) § 3°. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º. Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. (grifamos) Para solução da controvérsia posta nos autos, entendo fundamental a análise das seguintes questões: a) A incorporação de ações pode ser definida como espécie de alienação prevista no artigo 3º, §3º da Lei 7.713/88? O recebimento das ações da empresa incorporadora pelos sócios da incorporada caracteriza integralização de capital com bens? c) a tributação do ganho apurado na incorporação das ações pode ser tributada pelo Imposto de Renda Pessoa Física, mesmo não tendo havido qualquer recebimento ou fluxo de recursos ? d) é possível apurar a base de cálculo levandose em conta a data da incorporação mesmo quando a operação está sujeita à condição suspensiva? 1) PRELIMINAR Em relação a nulidade apontada pela Impugnante, ora Recorrente, a Delegacia de Julgamento se limitou a afirmar, com fundamento no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que não haveria que se falar em nulidade, uma vez que, sob o aspecto formal, os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 decisões foram igualmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Entendo que ausência de subsunção do fato a norma que suporta o presente lançamento, se confunde com o mérito e, por isso, será com ele analisada. 2) DA NATUREZA JURÍDICA DA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. Conforme ressaltado pela Procuradoria da Fazenda, existe grande controvérsia quanto a natureza jurídica do instituto da Incorporação de Ações. Os pontos comuns em todas as manifestações (fiscalização, recorrente, procuradoria da fazenda) é o de que a incorporação de ações é uma modalidade de concentração empresarial em que se mantém a personalidade jurídica da companhia cujas ações são incorporadas, passando, assim, a ter um só acionista (subsidiária integral). Ao buscar subsídio da jurisprudência deste Conselho, verificase que Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao analisar a questão no Acórdão 9202003.579, na sessão de 03 de março de 2015, adotou o posicionamento da corrente que entende que a Incorporação de Ações se caracteriza como permuta não havendo, portanto, ganho de capital a ser tributado pelo Imposto de Renda Pessoa Física. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, o contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.102 11 exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço.Recurso especial negado. (grifamos) Ao elaborar o voto vencedor, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, após mencionar a divergência nas decisões do CARF sobre o tema, assim expões suas razões: Sob minha ótica, “incorporação de ações” não se confunde com “incorporação de sociedades” nem tampouco com “subscrição de capital em bens” e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. Na incorporação de empresas, ocorre a transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, com a extinção daquela. Já a integralização de capital consiste na subscrição de capital, quando uma sociedade comercial é constituída, ou seja, os sócios assinam um termo prometendo injetar valores na empresa, quer sob a forma de dinheiro ou de bens e direitos A integralização do capital é o cumprimento da promessa, quando do sócio efetivamente entrega os valores ou bens para a empresa. O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de ajuste anual. (...) No mesmo sentido, leciona NELSON EIZIRIK [Incorporação de ações: aspectos polêmicos. São Paulo: Editora Quartier Latin do Brasil, 2009, p. 7899]: A incorporação de ações constitui a operação pela qual uma sociedade anônima é convertida em subsidiária integral de outra Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 companhia brasileira, estando expressamente prevista no artigo 252 da Lei n. 6.404/1976. A incorporação de ações para o fim de constituição de subsidiária integral constitui manifestamente um instituto jurídico decorrente do processo crescente de concentração empresarial. O moderno capitalismo caracterizase, conforme pode ser observado na prática de negócios, por um alto grau de concentração econômica , o qual decorre de três fatores essenciais: a) da existência de economias de escala que a concentração possibilita, quer ao nível da unidade técnica de produção, quer ao nível da gestão empresarial, dado que os empresários buscam sempre minimizar seus custos de produção e de distribuição dos produtos; b) o impacto dos avanços tecnológicos na produção econômica; como a inovação tecnológica constitui uma das principais fontes de lucros das empresas e dada a maior dificuldade de seu desenvolvimento em unidade isoladas de produção, há uma tendência crescente para a concentração; c) da necessidade de diversificação na produção e distribuição dos produtos, com a consequente diminuição dos riscos inerentes a uma atividade monoprodutora. É inegável que uma das funções básicas do moderno direito societário é a de prover os instrumentos jurídicos adequados à instrumentalização e disciplina legal do processo de concentração empresarial. Nesse sentido, podemos verificar, conceitualmente, a existência de dois grandes grupos de instrumentos jurídicos societários aptos a instrumentalizarem a concentração empresarial: a dois institutos que permitem a conjugação de atividades, porém mantida a personalidade jurídica das empresas, como ocorre com os grupos de sociedades; e a dois institutos que instrumentalizam a concentração por integração ou interpretação societária, como ocorre nas fusões e incorporações , em que desaparece a personalidade jurídica de uma das empresas envolvidas. Além dos institutos clássicos acima referidos, a disciplina jurídicosocietária prevê determinados institutos híbridos, como é o caso da incorporação de ações para constituição de subsidiária integral, na qual procedese a uma modalidade de concentração empresarial em que se mantém a personalidade jurídica da companhia cujas ações são incorporadas, passando ela, porém a ter apenas um acionista. [...] Tratase, portanto, de típica operação de integração empresarial, que não se confunde com a operação de aumento de capital, embora traga, como uma de suas consequências, por força da incorporação das ações da incorporada ao capital da incorporadora, o aumento de capital desta última. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.103 13 [...]A subscrição constitui o ato pelo qual alguém transfere a título de propriedade bens ou direitos de seu patrimônio para o patrimônio da sociedade, passando tais bens ou direitos a integrar o fundo comum ou social. Em contrapartida à conferência dos bens para a integralização do capital social, são atribuídas ao subscritor, que passará a gozar, a partir de então, do ‘status socii’. A subscrição de capital em bens, está prevista nos artigos 7º a 10 da Lei das S.A, encerra um contrato entre a sociedade e o novo acionista. Na incorporação de ações, por outro lado, é estabelecida uma relação entre duas sociedades – a incorporadora e aquela cujas ações serão incorporadas. Verificase, assim, a convergência de vontades entre as duas companhias, cujas assembleias aprovam a operação de incorporação de ações pode ser deliberada por maioria, não exigindo a unanimidade. [...] Uma outra diferença entre a subscrição e a incorporação de ações centrase no elemento vontade. Com efeito, na subscrição, o subscritor manifesta sua vontade de se tornar sócio da companhia. Tratase de ato unilateral e voluntário, pelo qual a pessoa que deseja se tornar acionista da sociedade manifesta a sua vontade de contribuir para o capital social, obrigandose por determinado número de ações. Na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendolhe, apenas no caso de dissidência, o exercício do direito de recesso. Na incorporação de ações, assim, haverá subscrição, independentemente da vontade do acionista minoritário, de ações da sociedade incorporadora com a totalidade das ações do capital social da companhia cujas ações serão incorporadas. [...] Na incorporação de ações, assim como ocorre na incorporação de sociedades, os acionistas da companhia incorporada perdem a titularidade das ações de sua propriedade e, em contrapartida, recebem ações de emissão da incorporadora. Contudo, a operação de incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei Societária, não se confunde com a incorporação de sociedades. Nos termos do artigo 227 da Lei Societária, a incorporação de sociedade constitui operação mediante a qual uma das sociedades é absorvida por outra, que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. Assim, em decorrência da incorporação, a sociedade incorporada desaparece e o seu patrimônio é incorporado à Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 sociedade incorporadora, que realiza um aumento de capital a ser subscrito com a versão do patrimônio da incorporadora. Os acionistas da incorporadora perdem os direitos que tinham em relação ao patrimônio da sociedade extinta e passam a ser acionistas da sociedade incorporadora, recebendo, em substituição às suas antigas ações, ações de emissão da sociedade incorporadora. A Lei n. 6.404/76 especificou, nos três parágrafos do artigo 227, o procedimento a ser observado tanto pela companhia incorporadora quanto pela incorporada. Por sua vez, a incorporação de ações, como antes referido, constitui operação pela qual uma sociedade anônima é convertida em subsidiária integral de outra companhia brasileira, estando expressamente prevista no artigo 252 da Lei n. 6.404/76. Não há, na hipótese prevista no artigo 252 da Lei das SA, embora a norma mencione “incorporação” de ações, incorporação de uma sociedade por outra. (...) [...]A incorporação de ações disciplinada no artigo 252 da Lei das S.A constitui negócio plurilateral, cujo objeto é a integração de participação societária, mediante a agregação de todas as ações da incorporadora ao patrimônio da incorporadora, mantida a personalidade jurídica da incorporada. Ou seja, não há, na incorporação de ações, a extinção da sociedade, cujas ações foram “incorporadas”, muito menos a sucessão em seus direitos e obrigações. (... ) Uma das principais características da operação de incorporação de ações é a compulsoriedade da transferência das ações dos acionistas, independentemente de seu consentimento. Isto é, verificase a total ausência do elemento volitivo para a efetivação e concretização deste tipo de operação. (grifos no original) (...) A partir dessa conclusão, surgem algumas indagações: a) o contribuinte que consta da autuação pessoa fisica percebeu/recebeu algo em operação? Entendo que não, pois não houve a venda de ações. Não houve realização monetária neste momento; b) Ocorreu integralização de capital por pessoa física, sujeita a tributação pela Lei 9.249? Entendo que não, pois houve incorporação de ações, entre pessoas jurídicas, instituto jurídico definido em lei, diverso da integralização de ações Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.104 15 c) Há hipótese de incidência do IRPF nessa operação, sobre a pessoa física? Entendo que haverá quando a pessoa física vender suas ações. Aliás, é bom destacar que a Declaração de Rendimentos da Pessoa Física do contribuinte, sujeito passivo da relação jurídicotributária, não foi alterada, persistindo com o mesmo valor, mesmo após a incorporação de ações, haja vista que não houve alteração do patrimônio. Não se deve esquecer as lições do Professor Alberto Xavier que leciona: "A tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho a diferença entre o preço de alienação e o custo originário constante da declaração de bens"; d) Por derradeiro, questionase: sendo o contribuinte acionista com poder de decisão na assembleia geral e, por conseguinte, definido a incorporação, não seria a hipótese de se tributar pela existência de elemento de vontade? Entendo que não, pois, conforme lições do Professor NELSON EIZIRIK, na incorporação de ações é estabelecida uma relação entre duas sociedades – a incorporadora e aquela cujas ações serão incorporadas. Verificase, assim, a convergência de vontades entre as duas companhias, cujas assembléias aprovam a operação de incorporação de ações pode ser deliberada por maioria, não exigindo a unanimidade. Ademais, na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendolhe, apenas no caso de dissidência, o exercício do direito de recesso. Assim como exposto no precedente supra transcrito, entendo que este é o posicionamento que melhor se amolda ao conceito de renda, tal como previsto no artigo 43 do Código Tributário Nacional, bem como à sistemática adotada para a tributação da renda das pessoas físicas. Com efeito, o artigo 43 do Código Tributário Nacional ao tratar do conceito de renda, assim dispõe: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre renda e proventos de qualquer Natureza tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Por meio do conceito acima transcrito o CTN deu conta dos diversos regimes jurídicos utilizados para tributação, respectivamente, da renda das pessoas jurídicas e físicas. Conforme esclarece Misabel Derzi: Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 "É preciso registrar ainda que a lei brasileira, seguindo a tendência universal nos países ocidentais, separa os contribuintes em pessoas físicas e jurídicas e submeteos a tratamento jurídico distintos. Podemos falar em dois conceitos de renda diferenciados: o primeiro é utilizado pela lei para apurar a renda da pessoa física e o outro é empregado na determinação da renda da pessoa jurídica. Deriva daí o conceito ambíguo e complexo do Código Tributário Nacional, que procurou abranger, de forma mais ampla possível, ambos os tratamentos jurídicos. (grifamos) ( "Princípio de Cautela ou Não Paridade de tratamento entre Lucro e Prejuízo" CARVALHO, Maria Augusta Machado de (org.) Estudos de Direito Tributário em Homenagem à Memória de Gilberto de Ulhôa Canto. Rio de Janeiro, 1988, p. 256/257) Conforme se constata pela leitura do artigo 38 do Regulamento do Imposto de Renda, ao disciplinar o imposto de renda das pessoas físicas, o legislador determinou que somente ocorrerá o fato gerador no momento da efetiva disponibilidade de recursos financeiros, nestes termos: "Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira a favor do beneficiário. Sendo assim, a realização da renda recebida pela Recorrente só ocorrerá no momento em que está dispuser das ações da DASA, por meio de alienação na Bolsa. Antes disso, podese falar apenas em ganhos potenciais. 3) DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR NOS NEGÓCIOS JURÍDICOS SUJEITOS À CONDIÇÃO SUSPENSIVA Independente da posição adotada quanto a natureza jurídica da incorporação de ações, entendo que o lançamento, tal como efetuado, não pode prevalecer. Em outras palavras, ainda que se entenda que houve alienação na operação de incorporação de ações e que esta configura acréscimo patrimonial dos sócios da sociedade incorporada, é importante atentar para especificidades da operação objeto do lançamento discutido nesses autos. Isso porque, conforme exposto no relatório, a fiscalização considerou como momento da ocorrência do fato gerador do ganho de capital auferido pela Recorrente a data da aprovação da incorporação das ações da MDI pela DASA em AGE realizada pela última. Para fiscalização, em 05/01/2011, a Recorrente teria alienado 33.920695 ações da DASA multiplicadas pelo valor de troca no montante de R$22,29. Esse valor (R$ 22,29) foi definido no item 4 do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações, com base em cotação de mercado e "correspondente à média ponderada por volume dos preços médios diários dos 20 pregões anteriores a 7 de dezembro de 2010, data de assinatura do Contrato de Associação e do Protocolo de Incorporação". (fls. 207) Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.105 17 Todavia, conforme se verifica do contrato de Associação e Outras Avenças (fls. 247/309) os novos acionistas da DASA não poderiam alienar suas ações pelo prazo de 2 anos. É o que se constata pela leitura da cláusula 6.1 (fls 263) abaixo transcrita: 6. RESTRIÇÕES A ALIENAÇÃO DE AÇÕES 6.1 . Restrições a Alienações de Ações de emissão da DASA. Observadas as exceções previstas na Cláusula 6.4, pelo prazo de 48 (quarenta e oito) meses contado da data de aprovação da Incorporação de Ações (Período de Lockup), os Acionistas MDI deverão absterse de Alienar (conforme definido abaixo) ações de emissão da DASA de sua titularidade, adquiridas como resultado da Incorporação de Ações. Dessa forma, antes decorrido esse período, não há que se falar em ocorrência do fato gerador, conforme se conclui pela leitura dos artigos 116 e 117 do Código Tributário Nacional: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (...) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. (grifamos) Dessa forma, ainda que se considere que a incorporação de ações é espécie de alienação, o fato gerador, no caso em questão, só ocorreria após o implemento da condição suspensiva. Vale dizer, para correta apuração da base de cálculo deveria ser considerada o valor da ação na data de 05/01/2015 e não 05/01/2011 como efetuado pela fiscalização. Como bem ressalta a Recorrente, considerandose que as ações da DASA são ativos negociados com liquidez diária na bolsa, em relação as ações sujeitas ao lock up, só seria possível mensurar o impacto efetivo no patrimônio da Recorrente na data em que essa pudesse dispor de suas ações. Nesse sentido, conforme informação pública disponível no site da Bolsa, o valor de fechamento das ações da DASA em 01/01/2015 foi de R$10,45. Sendo assim, na data em que as ações da DASA se tornaram negociáveis pela Recorrente, houve uma variação negativa de 46,88% entre o valor utilizado para estabelecer a relação de troca de ações (R$ 22,29) e o valor das ações da DASA em 05/01/2015 (R$ 10,45) Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 Diante da referida variação, o eventual acréscimo patrimonial da Recorrente seria equivalente a R$ 331.187.578,12 e não R$ 757.833.275,72 constate do lançamento. Além disso, a alegação da Procuradoria da Fazenda no sentido de que "as partes acordaram uma restrição temporária à faculdade de disposição do direito de propriedade. Restrição essa que não afasta o uso e gozo do bem, no caso, as ações, em nada interfere na conclusão acima mencionada. Conforme disposto no artigo 1228 do Código Civil, o direito de propriedade se compõe de três faculdades, uso, gozo e disposição, além do direito de reavêla de terceiros. Ocorre que, no caso em questão, o direito de propriedade foi restringido exatamente na faculdade essencial à ocorrência do fato gerador do imposto de renda que é a disposição. Se estivéssemos tratando de um imposto sobre a propriedade, tal restrição, por certo, não teria qualquer influência na ocorrência do fato gerador. No entanto, conforme disposto no artigo 43 do CTN, a renda se caracteriza, precisamente, pela disponibilidade econômica ou jurídica atributo inexistente até a implementação da condição suspensiva prevista na cláusula de lock up. 3) CONCLUSÃO Em face de todo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado. A par das muito bem efetuadas considerações na ilustre Conselheira relatora, Junia Roberta Sampaio Gouveia, peço vênia para divergir especificamente em relação a dois pontos, quais sejam, a incidência do imposto de renda sobre a operação que aqui se debate e o momento da ocorrência do fato gerador. Transcrevo do voto da relatora: Conforme ressaltado pela Procuradoria da Fazenda, existe grande controvérsia quanto a natureza jurídica do instituto da Incorporação de Ações. Os pontos comuns em todas as manifestações (fiscalização, recorrente, procuradoria da fazenda) é o de que a incorporação de ações é uma modalidade de concentração empresarial em que se mantém a personalidade jurídica da companhia cujas ações são incorporadas, passando, assim, a ter um só acionista (subsidiária integral). Ao buscar subsídio da jurisprudência deste Conselho, verificase que Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao analisar a questão no Acórdão 9202003.579, na sessão de 03 de março de 2015, adotou o posicionamento da corrente que entende que a Incorporação de Ações se caracteriza como permuta não havendo, portanto, ganho de capital a ser tributado pelo Imposto de Renda Pessoa Física. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.106 19 (...) Bem, em relação à questão do ganho de capital tributável, entendo que a vontade da Lei n.º 7.713, de 1988, artigo 3º, foi de atribuir acepção ampla, alcançando "todo tipo" de alienação, inclusive a incorporação societária. Vejase: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Cito o precedente Acórdão 2201003.254 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2016, ao qual me filio, para embasar meu entendimento: INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. OCORRÊNCIA DE ALIENAÇÃO. EXISTÊNCIA DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS. A operação de incorporação é uma subrogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas ações de outra empresa. Tal operação, ao gerar benefício para o contribuinte por qualquer forma, atrai a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, nos termos dos parágrafos 3º e 4º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88. (...) Naquele Voto vencedor, bem esclareceu o conselheiro redator Carlos Henrique de Oliveira que: A leitura atenta do parágrafo 3º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88, nos permite a imediata constatação da aplicabilidade do mesmo ao caso em apreço, uma vez que versa justamente sobre a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física no caso de ganho de capital. Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 Nesse dispositivo de lei encontramos a equiparação à alienação das operações que importem em transferência de titularidade de qualquer bem ou direito, seja qual for o negócio jurídico. Tal afirmação encontra amparo na constatação de um rol exemplificativo existente no texto legal precedido de comando de larga abrangência representado pela expressão "operações que importem alienação, a qualquer título de bens ou direitos ou cessão ou...tais como...". Nítido que o legislador quis que o ganho de capital sofresse a incidência qualquer que fosse a forma de transmissão do bem ou do direito do contribuinte para outrem. Somente tal interpretação da norma pode lhe emprestar concretude, pois é cediço que há no texto legal equiparação entre negócios jurídicos reconhecidamente distintos como a alienação, cessão, compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda e contratos afins. (...) Como bem dito pela Conselheira Relatora, fls 1236, na operação que nos interessa temos: "O que se verifica, na operação narrada, é uma subrogação, no patrimônio da acionista, das ações de uma empresa pelas ações de outra empresa (ações da HFF pelas ações da BRT), não havendo que se falar em ganho de capital, pois não há disponibilidade efetiva da renda, que pode acontecer, caso a contribuinte efetue a alienação da participação societária" (destaquei) Dois pontos merecem destaque da arguta observação: em primeiro lugar e corroborando nosso entendimento, há efetiva substituição de bens no patrimônio do acionista, no caso o sujeito passivo. Em segundo lugar, por expressa disposição do § 4º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88, tal substituição de bem, que cause 'benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título' atrai a incidência do imposto sobre a renda. Não pode ser outra a inteligência da leitura conjunta dos parágrafos 3º e 4º do mencionado artigo 3º da lei do imposto sobre a renda incidente sobre os ganhos de capital. Nem se diga que não se observa a incidência por ausência de ganho de capital, uma vez que não houve disponibilidade efetiva de renda. O texto legal é claro em asseverar que há incidência independentemente da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando que exista o benefício do contribuinte por qualquer forma, o que se observou no caso concreto pela variação patrimonial positiva constatada pelo Fisco. (...) DO REGIME DE CAIXA Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.107 21 Alega a recorrente que, caso se entenda pela tributação, esta só poderia ocorrer quando do efetivo ingresso no patrimônio da contribuinte em face da aplicação do regime de caixa à apuração do imposto sobre a renda da pessoa física. Apóia seu argumento no artigo 2º da Lei nº 7.713/88. Não cabe razão ao Recorrente. Como acima exposto, quando da análise da incidência tributária, o parágrafo 4º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88 é claríssimo ao determinar que a incidência independe da forma de percepção dos proventos, bastando mero benefício do contribuinte. E isso foi constatado pela Fiscalização, consoante se observa no quadro constante do item 81 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 466). Importante ressaltar que a motivação constante do mencionado Termo de Verificação se coaduna com todo o entendimento acima esposado, não restando, no entender deste Conselheiro, nenhum reparo a ser realizado. Assim, não cabe razão ao recorrente nesse ponto. Em outro precedente, o Acórdão n.º 2201002.960, de 08/03/2016, ao qual também me filio, temos que: INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA COM AUMENTO DE CAPITAL DA SOCIEDADE INCORPORADORA. ALIENAÇÃO. A incorporação de participação societária com aumento de capital da sociedade incorporadora não se resume a uma mera substituição das quotas de uma sociedade por quotas de outra sociedade, senão em uma verdadeira alienação de participação societária que, embora não caracterizada pelo pagamento em dinheiro, caracterizase pela entrega de quotas da sociedade incorporada em subscrição de capital e como contrapartida o recebimento de quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado. VOTO (...) Como se vê, a incorporação das quotas da sociedade Pastifício Basilar Ltda. pertencentes aos quotistas pessoas físicas reveste a natureza jurídica de verdadeira alienação de participação societária que, embora não caracterizada pelo pagamento em dinheiro, evidenciase pela entrega de quotas da sociedade incorporada em subscrição de capital e como contrapartida o recebimento de quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado. Diferentemente, a incorporação das quotas da sociedade Pastifício Basilar Ltda. pertencentes à quotista pessoa jurídica se resumiu a uma mera substituição das quotas de uma sociedade por quotas de outra sociedade, que ocorreu sem Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 aumento de capital e mediante mera substituição de expressões contábeis. Assim, diferentemente da nobre relatora, entendo que houve alienação de participação societária, com vantagem aferida, ensejando a aplicação da tributação sobre o ganho. Prosseguindo, transcrevo ainda do Voto vencido: Independente da posição adotada quanto a natureza jurídica da incorporação de ações, entendo que o lançamento, tal como efetuado, não pode prevalecer. Em outras palavras, ainda que se entenda que houve alienação na operação de incorporação de ações e que esta configura acréscimo patrimonial dos sócios da sociedade incorporada, é importante atentar para especificidades da operação objeto do lançamento discutido nesses autos. Isso porque, conforme exposto no relatório, a fiscalização considerou como momento da ocorrência do fato gerador do ganho de capital auferido pela Recorrente a data da aprovação da incorporação das ações da MDI pela DASA em AGE realizada pela última.... Todavia, conforme se verifica do contrato de Associação e Outras Avenças (fls. 247/309) os novos acionistas da DASA não poderiam alienar suas ações pelo prazo de 2 anos. Na data em que se aprovou a referida operação, o ganho de capital esteve configurado, passando o patrimônio do contribuinte a um valor maior. Isso independe do que ele fará com seu patrimônio, agora aumentado, a partir daí. Ele possui a disponibilidade sobre esse patrimônio, inclusive para assinar contrato particular com a outra parte, comprometendo se a não alienálo. O fato de assim comprometerse só demonstra a disponibilidade, do contrário, não poderia dispor daquilo que não é seu. Vejamos um exemplo. O contribuinte recebe seu salário no dia 05 de setembro, e sobre ele incide o imposto de renda na fonte. Mas assina contrato particular com sua esposa, comprometendose a gastar somente metade desse salário naquele mês, e guardar o restante para gastar somente em dezembro. O fato de ter assinado um instrumento particular que o impede de gastar o salário em nada afeta o fato gerador do imposto, que ocorrerá sobre a totalidade do salário, já em setembro. E ele só pode se comprometer a "não gastar" aquele salário sobre o qual já adquiriu a disponibilidade. E se no período houver uma significativa inflação que corroa o valor do salário e em dezembro ele não possa mais comprar as mesmas mercadorias que poderia ter comprado em setembro? Nada se altera. Aqui, o contribuinte alega que após o período chamado de lock up (48 meses) quando finalmente poderia vender as ações, elas estavam em valor menor que no momento da AGE, considerado pela fiscalização. Ao assinar o contrato particular, aceitou esse risco negocial, que não pode ser oponível à tributação. Enfim, entendo que esteve correta a fiscalização ao fixar o momento da ocorrência do fato gerador, à luz do conceito de "disponibilidade econômica ou jurídica", que norteia o imposto sobre a renda e que cláusulas contratuais que impeçam ou limitem a alienação das ações, obrigando o contribuinte a retêlas por determinado período, não são Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.108 23 oponíveis ao fisco, para modificar a definição e o momento de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, entendido, no caso, como aquele em que se verificou o acréscimo patrimonial. Pelo que se encontra relatado, o valor das ações decresceu no período do lock up. E se tivesse subido? Ao alienar a terceiros por um valor superior, haveria a ocorrência de um outro fato gerador, pela diferença entre o valor de incorporação e esse valor de alienação. E se decidisse "nunca" vender as ações? O fato gerador ocorreria independentemente dessa inexistente venda, por ocasião da incorporação das ações, com caráter de "alienação", como aqui já se discutiu, quando foi verificado um aumento no patrimônio do sujeito passivo. Enfim, transcrevo ainda do voto da Relatora: 6.1 . Restrições a Alienações de Ações de emissão da DASA. Observadas as exceções previstas na Cláusula 6.4, pelo prazo de 48 (quarenta e oito) meses contado da data de aprovação da Incorporação de Ações (Período de Lockup), os Acionistas MDI deverão absterse de Alienar (conforme definido abaixo) ações de emissão da DASA de sua titularidade, adquiridas como resultado da Incorporação de Ações. (destaquei) Ora, o fato de poderem assinar um contrato com essa cláusula só reforça a idéia de que as ações eram deles, pertenciamlhes, pois não se poderia dizer que vaise abster de vender algo que não lhe pertence. Estavam exatamente dispondo sobre o que fazer com as ações. Observei que na impugnação o contribuinte questionara a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Disse a DRJ, em 1ª instância, conforme aqui relatado: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Os juros incidentes sobre a multa de ofício não são objeto do lançamento. De todo modo, temse que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, e, nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Copio ainda deste relatório que: Irresignado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1938/2002, no qual reitera os argumentos utilizados quando da Impugnação.... Bem, mantido o lançamento, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, meu entendimento é pelo cabimento. Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 De acordo com o artigo 113, § 1º do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Entendo que obrigação e crédito tributário são duas faces da mesma moeda, sendo que o crédito nada mais é que a própria obrigação, tornada líquida, certa e exigível, pelo lançamento. Nesse sentido, o artigo 139 do Códex estatui que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Mais adiante, o artigo 161 traz que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Enquanto as obrigações acessórias tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer), a obrigação principal constituise sempre em "dar" uma importância em moeda. Mesmo sabendo que "multa" não é tributo, conforme conceito disposto em seu artigo 3º, o legislador quis que a obrigação de dar, ou seja, aquela dita principal, tivesse como objeto tanto o tributo quanto a multa, dita "penalidade pecuniária". Está escrito no § 1º do artigo 113. Assim, "crédito tributário", que tem a mesma natureza da obrigação que o precede, também conforme o CTN, no artigo 139, engloba tanto o tributo quanto a multa, que a ele se vincula. E esse "crédito tributário", ou seja, tanto o tributo quanto a multa, será acrescido de juros de mora, quando não pago no vencimento, como também está expresso no artigo 161. A única diferença reside no termo a quo para aplicação dos juros. Sobre o tributo, desde o seu vencimento, na forma da lei; sobre a multa, desde a constituição do crédito, pelo lançamento, com a lavratura do auto de infração. Não é possível que o valor da multa fique congelado no tempo. Assim, concluise que a multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). Conforme Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.487 S2C2T2 Fl. 2.109 25 Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por JUNIA ROBERTA GOU VEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16537.001267/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INFORMAÇÃO FISCAL. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual a Informação Fiscal é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre Interessado o ônus de se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque.
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS DO ATO DECLARAÓRIO EXECUTIVO.
A exclusão do SIMPLES, nas condições de que tratam os artigos 13 e 14 da Lei nº 9.317/96, surtirá efeito a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido nos incisos I e II do art. 9° do suso citado Diploma Legal..
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55.
A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ.
MULTA DE MORA. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e RAYD SANTANA FERREIRA, que votaram pela conversão do julgamento em diligência por entenderem que não se encontram comprovadas nos autos a intimação da recorrente quanto ao Ato Declaratório Executivo e a definitividade do referido ato no âmbito administrativo. Vencido o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que dava provimento ao Recurso Voluntário para anular o lançamento, tendo em vista que não verificou nos autos prova da ciência do Ato Declaratório Executivo.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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INFORMAÇÃO FISCAL. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual a Informação Fiscal é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre Interessado o ônus de se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS DO ATO DECLARAÓRIO EXECUTIVO. A exclusão do SIMPLES, nas condições de que tratam os artigos 13 e 14 da Lei nº 9.317/96, surtirá efeito a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido nos incisos I e II do art. 9° do suso citado Diploma Legal.. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 12 67 /2 01 1- 67 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 MULTA DE MORA. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO e RAYD SANTANA FERREIRA, que votaram pela conversão do julgamento em diligência por entenderem que não se encontram comprovadas nos autos a intimação da recorrente quanto ao Ato Declaratório Executivo e a definitividade do referido ato no âmbito administrativo. Vencido o Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que dava provimento ao Recurso Voluntário para anular o lançamento, tendo em vista que não verificou nos autos prova da ciência do Ato Declaratório Executivo. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16537.001267/201167 Acórdão n.º 2401004.195 S2‐C4T1 Fl. 234 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 Data da lavratura da NFLD: 10/10/2005. Data da Ciência da NFLD: 13/10/2005. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 35.764.1612, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e aos sócios (segurados contribuintes individuais), a título de pro labore, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 44/47. De acordo com a resenha fiscal as contribuições sociais que compõem a presente NFLD decorrem de fatos geradores declarados pelo Notificado em suas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, porém não recolhidas nos prazos e na forma previstos na legislação previdenciária, estando apurados de acordo com os seguintes levantamentos: · ADM — REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES (DECLARADOS EM GFIP) Referese aos valores pagos, a titulo de pro labore, aos sócios Milton Ernst de Mello e José Antonio Barcellos de Mello Junior, durante o período de janeiro/2002 a junho/2005, valores estes declarados em GFIP. · RSE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS (DECLARADOS EM GFIP) Referese aos valores pagos a segurados empregados, no período de janeiro/2002 a junho/2005, declarados em GFIP. Informa a Autoridade Lançadora que a notificada era optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, do qual foi excluída, através de Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07/08/2003, da Delegacia da Receita Federal/Joinville—SC, a fl. 79, com efeitos a partir de 01/01/2002. No entanto, mesmo após a exclusão, continuou recolhendo Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 suas contribuições sociais e prestando informações através de suas GFIP, como se ainda estivesse enquadrada no referido sistema. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 57/72. A Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 20.421.4/0406/2005, a fls. 96/101, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/01/2006, conforme Aviso de Recebimento a fl. 102. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 105/122, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade da exclusão do SIMPLES. Aduz nunca ter sido intimada do Ato Declaratório Executivo DRE/JOI n° 463.344, de 07 de agosto de 2003, que é o ato pelo qual teria sido excluída do SIMPLES; · Irretroatividade da Notificação de Exclusão do SIMPLES; · Ilegitimidade da cobrança de contribuição para o INCRA das empresas urbanas; · Que a multa moratória tem natureza confiscatória; Ao fim, requer a desconstituição do lançamento. O Julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência Fiscal para que o órgão tributário competente informasse, de maneira conclusiva, se de fato houve a devida ciência da empresa INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE BORRACHA KP LTDA – ME a respeito do Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07 de agosto de 2003, a fl. 79, esclarecendo, se possível, a data e o endereço da intimação, domicílio tributário do Interessado à época da intimação, identificação da pessoa que recebeu a intimação, dentre outras que julgasse pertinentes. Em atendimento à diligência requestada, a DRF em Joinville/SC emitiu Informação Fiscal a fl. 217, onde consta que a empresa Recorrente houvese por intimada do ADE DRF/JOI nº 463.344/2003, em 27 de agosto de 2003, como assim revela a Consulta Postagem referente ao NI 79515342000102, a fl. 213, bem como o registro de data de ciência do ADE no SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões do Simples. Devidamente intimada a respeito do resultado da Diligência Fiscal em apreço, o Recorrente se manifestou a fl. 224/225 e 228/229. Relatados, sumariamente, os fatos relevantes. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16537.001267/201167 Acórdão n.º 2401004.195 S2‐C4T1 Fl. 235 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/01/2006. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 13/02/2006, há que se reconhecer a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, deste conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO O Recorrente advoga a nulidade do ato de exclusão do SIMPLES. Alega nunca ter sido intimado do Ato Declaratório Executivo DRE/JOI n° 463.344, de 07 de agosto de 2003, que é o ato pelo qual teria sido excluído do SIMPLES. Antes de adentrarmos a questão meritória, mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose a Informação Fiscal como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do seu conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este que deve ser adimplido pelo Interessado, de molde a se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque. No caso em debate, a Informação Fiscal dimanada da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC dá conta de que o Recorrente houvese por intimado do ADE DRF/JOI nº 463.344, de 7 de agosto de 2003, em 27 de agosto de 2003, como assim revela a Consulta Postagem referente ao NI 79515342000102, a fl. 213, bem como o registro de data de ciência do ADE no SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões do Simples. “Consta no Sistema de Vedações e Exclusões do SIMPLES – SIVEX o registro de ciência do ADE em pauta como ocorrida por via postal em 27 de agosto de 2003, tal fato pode ser confirmado no Sistema Único de Controle de Postagem – SUCOP onde temos o registro da emissão de correspondência em 17 de agosto de 2003, tendo sido aquela postada em 25 de agosto de 2003 e entregue ao destinatário em 27 de agosto de 2003”. Nessa perspectiva, confirmada a ciência do Recorrente a respeito do Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, de 07 de agosto de 2003, os efeitos do Ato Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16537.001267/201167 Acórdão n.º 2401004.195 S2‐C4T1 Fl. 236 7 Administrativo em questão ganham eficácia perante o Sujeito Passivo a contar da Data da Ciência, in casu, 27 de agosto de 2003. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de nulidade do Auto de Infração. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS EFEITOS DO ATO DE EXCLUSÃO O Recorrente advoga a irretroatividade da Notificação de Exclusão do SIMPLES. Mas sem razão. De acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 463.344, a fl. 212, o Contribuinte ora Recorrente houvese por excluído do SIMPLES em razão de a sua Receita Bruta no ano calendário de 2001 (R$ 1.262.119,69) ter ultrapassado o limite legal de R$ 1.200.000,00 , previsto no inciso II do art. 9º da Lei nº 9.317/96. Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18949/2001) (...) Tal situação fática já era suficiente e determinante para que o Recorrente tivesse comunicado, obrigatoriamente, a sua exclusão da sistemática do SIMPLES, como assim determina a alínea ‘a’ do inciso II do art. 13 da Lei nº 9.317/96. Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar seá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (grifos nossos) (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Mas o Contribuinte em tela assim não procedeu, circunstância que deu ensejo à sua exclusão de ofício, conforme previsto no inciso I do art. 14 do mesmo Diploma Legal. Nessa vertente, tendo ocorrido a exclusão de ofício do SIMPLES nas condições assentadas no inciso I do art. 14, em razão de haver sido ultrapassado o limite estabelecido no inciso II do art. 9º todos da Lei nº 9.317/96, a exclusão do SIMPLES produz efeitos a contar do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido na Lei, como assim dispõe o inciso IV do art. 15 da Lei nº 9.317/96. Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) IV a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Não procede, portanto, o inconformismo do Recorrente uma vez que retroatividade dos efeitos da exclusão encontrase expressamente prevista na Lei Ordinária que instituiu o Regime Jurídico do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. 3.2. DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16537.001267/201167 Acórdão n.º 2401004.195 S2‐C4T1 Fl. 237 9 O Recorrente defende a ilegitimidade da cobrança de contribuição para o INCRA das empresas urbanas. Também sem razão. Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível. A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e interventivas. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Ag. Regimental no Agravo de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª Região , ementado como se segue : TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO INCRA E AO FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE. A exação de que trata o artigo 15, II da Lei Complementar nº 11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55, em benefício do então criado Serviço Social Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte. Apelação Improvida. pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que obste a cobrança das contribuições para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da decisão exarada: EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não haver óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a referida contribuição, destinada a cobrir os riscos a que se sujeita toda a coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AIAgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005) O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou sua jurisprudência, sedimentou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.787/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16537.001267/201167 Acórdão n.º 2401004.195 S2‐C4T1 Fl. 238 11 4. Nos termos do art. 66, §1º, da Lei nº 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. STJ; EREsp 770.451/SC; R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. Mostramse improcedentes, portanto, os argumentos expendidos pela Autuada: A uma, porque, consoante entendimento consolidado nos Tribunais Superiores, a contribuição para o INCRA não se houve por extinta com a promulgação da Lei nº 7.787/79. A Duas, porque inexiste óbice para que tal exação seja exigida tanto das empresas urbanas quanto das rurais. Cumpre neste comenos destacar que escapa à competência deste Colegiado a sindicância relativa à adequação da norma legal aos princípios norteadores do ordenamento jurídicos que permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et alli, ao Poder Judiciário, exclusivamente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Muito embora o STF tenha reconhecido a existência de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 630.898/RS a respeito da Constitucionalidade da contribuição destinada ao INCRA, até o presente momento não houve decisão definitiva da Suprema Corte sobre a matéria, havendo que prevalecer a presunção de constitucionalidade da Norma Jurídica. 3.3. DA MULTA MORATÓRIA O Recorrente alega que a multa moratória tem efeito de confisco. Sem razão ainda. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16537.001267/201167 Acórdão n.º 2401004.195 S2‐C4T1 Fl. 239 13 Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Citese, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o efeito confiscatório aos tributos, não a seus acessórios legais, os quais possuem natureza jurídica totalmente distinta. Tributo configurase como a própria obrigação principal devida pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei. A multa de ofício, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. Justificase a vedação constitucional à instituição de tributos com efeito de confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente. Caso o tributo fosse criado com alíquota por demais elevada, a própria ocorrência inevitável do fato gerador resultaria na extinção da matéria tributável correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 O mesmo não ocorre com as multas de natureza punitiva, as quais não possuem natureza jurídica de tributo, mas, meramente, de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, na forma e nos prazos estabelecidos na legislação tributária. Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa punitiva é evitável. Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso a inflição de penalidade de tamanha onerosidade, visando a brindar a máxima efetividade às normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo. o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização,Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16537.001267/201167 Acórdão n.º 2401004.195 S2‐C4T1 Fl. 240 15 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa tendo o Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 Recorrente como parte, seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo perante o Autuado, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Aditese que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16537.001267/201167 Acórdão n.º 2401004.195 S2‐C4T1 Fl. 241 17 Perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, devese ainda salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos exatos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002987/2006-02
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
NULIDADE DO LANÇAMENTO
Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular as autuações pelo vicio da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa.
PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA
O lançamento consolida-se administrativamente no que se refere a matérias não impugnadas na primeira instância.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE -
SIMPLES
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RECEITAS.
A verificação de diferença positiva entre valores de notas fiscais de venda de produtos e de prestação de serviços e valores declarados na Declaração Anual Simplificada motiva o lançamento de oficio por omissão de receitas. Excluem-se da base de cálculo os valores consignados em notas fiscais canceladas.
Numero da decisão: 1802-000.376
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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I ift1/ MINISTÉRIO DA FAZENDA • it CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10510.002987/2006-02 Recurso u° 158.228 Voluntário Acórdão n° 1802-00.376 — 2' Turma Especial Sessão de 11 de março de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente SERGIPE QUÍMICA E SERVIÇOS LTDA.- ME Recorrida 4TURMA/DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular as autuações pelo vicio da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA O lançamento consolida-se administrativamente no que se refere a matérias não impugnadas na primeira instância. Assuhrro: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. A verificação de diferença positiva entre valores de notas fiscais de venda de produtos e de prestação de serviços e valores declarados na Declaração Anual Simplificada motiva o lançamento de oficio por omissão de receitas. Excluem-se da base de cálculo os valores consignados em notas fiscais canceladas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ESTER MARQUES LINS DE SOUSA — Presiden "76 C,7 JO E OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA — R t r. EDITADO EM: ti ABR ?P 1J I BR 2n101 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Femandes Junior, Nelso ICichel e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado). 2 Processo n°10510002987/2006-02 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00376 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IR_PJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, ao Imposto sobre Produtos Industrializados - 1H e à Contribuição para Seguridade Social - INSS, conforme os autos de infração de fls. 03 a 64, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada— SIMPLES, nos valores de R$ 37.072,21, 37.072,21, R$ 58.099,32, R$ 116.382,77, R$ 29.100,75 e R$ 236.137,65, respectivamente, incluindo-se nestes montantes os juros moratórios e a multa de 75%. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão n° 15-12.123, as fls. 323 a 326: A contribuinte foi autuada por omissão de receitas não escrituradas, apurada em notas fiscais de vendas e de prestação de serviços não escrituradas, e por insuficiência de recolhimento, pela alteração de aliquotas incidentes sobre os valores declarados em face da inclusão das receitas omitidas, relativamente aos fatos geradores de 28/02/2002 a 31/12/2002. De acordo com o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário Cl. 02), a Fiscalização lançou o crédito tributário no valor de R$ 513.137,92, constituído de tributos, multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. A demonstração da receita omitida, em comparação com a DSPJ/2003 (fl. 73), se encontra no "Demonstrativo de Apuração da Receita não Declarada" (ff 72), elaborado com base nas notas fiscais relacionadas às fls. 67/71, emitidas pela autuada no ano-calendário de 2002, cujas cópias instruem o processo (fls. 92/240). A exigência foi formalizada mediante Auto de Infração (AI), pela sistemática do Simples, cujas peças estão anexas às fls. 02/64 do processo. A contribuinte tomou ciência em 27/10/2006, conforme assinatura firmada às /is. 17, 24, 32, 40, 48 e 56 dos respectivos autos de infração dos tributos do Simples. Á impugnação foi protocolada em 24/11/2006, conforme petição anexa às fls. 248/249, contestando em parte o lançamento, alegando que o autuante teria considerado como receita de vendas os valores de notas fiscais canceladas e de notas fiscais relativas a operações de simples remessa, que seriam as seguintes: (1, 3 aJIVF de remessa: n" 417, 418, 419, 420e 421, emitidas no me s' de julho de 2002. b) NF cancelnbn: e 521 e 522, ambas emitidas no mês de novembro de 2002. Conforme já mencionado, a DRJ Salvador/BA considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 _ OMISSÃObE RECEITAS. A venficação de diferença positiva entre valores de notas fiscais de vendas não escrituradas e valores declarados na Declaração Anual Simplificada motiva o lançamento de oficio por omissão de receitas. Excluem-se da base de cálculo impugnada os valores consignados em notas fiscais de remessa. Lançamento Procedente em Pane Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento ressaltou que dos períodos autuados a contribuinte se insurgiu apenas quanto aos fatos geradores ocorridos nos meses de julho e novembro de 2002. As notas relativas às operações de simples remessa, todas elas emitidas no mês de julho, foram excluídas da base de cálculo. Já as alegações referentes as duas notas canceladas no mês de novembro não foram aceitas. De acordo com a DRJ, nas cópias extraídas do talonario apresentado à Fiscalização não havia notação de cancelamento. A notação "CANCELADA" só teria surgido nas cópias anexas à impugnação (vide fls. 262/263). Assim, na falta de documentação hábil e idônea que pudesse comprovar o efetivo cancelamento das duas Notas Fiscais em questão, elas foram mantidas na base de cálculo dos tributos. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/02/2007, a Contribuinte apresentou em 09/03/2007 o recurso voluntário de fls. 335 a 365. Inicialmente, a Recorrente faz uma série de considerações para registrar que o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento na base de cálculo das contribuições PIS e COF1NS, que foi implementado pelo art. 3 0, § I°, da Lei 9.718/98. Sustenta, assim, que os pagamentos por ela efetuados com base na receita bruta seriam indevidos, e que deveriam, portanto, ser devolvidos com juros e correção monetária. Esclarece que pretende repetir o indébito, e solicita que, alternativamente, seja deferido o direito a compensar o seu crédito com débitos vencidos e vincendos. Segundo ela, o período abrangido para a restituição/compensação em relação à COFINS seria de 01/02/1999 a 30/01/2004, e para o PIS, de 01/02/1999 a 30/11/2002. 5# 4 Processo n° 10510.002987/2006-02 S1-TE02 AcOrdlo n.° 1802-00.376 Fl. 3 Na seqüência, a Contribuinte desenvolve uma série de comentários sobre o IPI, relativos à seletividade e à essencialidade do imposto, à natureza e à extensão de sua não- cumulatividade, ao seu fato gerador, à natureza de seu pagamento antecipado, e à moratória. Depois, passa a transcrever vários julgados que concluíram pela inconstitucionalidade da exigência da contribuição previdenciaria (INSS) sobre remunerações pagas a autônomos, avulsos e administradores. Transcreve também alguns julgados que tratam de omissão de receitas no lucro presumido, e arbitramento. Quanto ao procedimento fiscal, sustenta que: - a lavratura do auto de infração deve ser feita no local do estabelecimento autuado ou no local onde for verificada a falta; - o Autuante não procedeu a nenhum exame na contabilidade da Autuada, não examinou nenhuma conta, nenhum livro, nenhum lançamento feito nos diários ou nos livros fiscais; - o Autuante não lavrou Termo de Verificação Fiscal, como determina o art. 8° do Dec. 11070.235/72, nem submeteu-os à assinatura dos representantes legais da Autuada; - o Autuante não pediu nenhum esclarecimento à Autuada, por via dos representantes legais desta, nomeadamente em relação às diferenças irreais que encontrou em seu açodado arbitramento fiscal; - o procedimento atenta contra a mensagem inserta no art. 5 0, inciso LV, da Constituição de 1988, que assegura o contraditório pleno e amplo, em qualquer processo administrativo ou procedimento, seja ele fiscal ou de qualquer espécie, o que não foi observado, porque o Autuante se limitou a arbitrar omissão de receita, criando um faturamento fictício e inexistente, através de emprego de meio inidôneo. Ao final do recurso, abrindo um tópico intitulado "Preliminares", afirma ter cancelado de maneira legal as notas fiscais n° 521 e 522, e que isso estaria patente com a apresentação de todas as vias do talonário em anexo. Faz ainda algumas observações acerca do procedimento para o cancelamento de nota fiscal, e solicita que o auto de infração seja julgado improcedente. Este é o Relatório. 91 5 Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme o relatório, a Contribuinte foi autuada por omissão de receitas, apurada a partir de notas fiscais de vendas e de prestação de serviços. O lançamento abrangeu os meses do ano-calendário de 2002, e os tributos foram apurados no regime de tributação simplificada— SIMPLES. Na primeira instância, a impugnação se resumiu ás questões sobre a inclusão de operações de simples remessa na base de cálculo, em julho de 2002, e também de duas notas fiscais canceladas no mês de novembro de 2002. A Delegacia de Julgamento acolheu o primeiro item, e rejeitou o outro, relativo ao cancelamento das notas. De acordo com o art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 — PAF: Art. 17. Considerar-se-á Mio impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnaste. (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) Por meio do Despacho de fls. 478, a Delegacia de origem informou que os créditos tributários não impugnados foram transferidos para outro processo, de n° 10510.001038/2007-88, restando nesse processo apenas as exigências relativas aos meses de julho e novembro de 2002. Nessa segunda instância administrativa, a Contribuinte, além de tratar da questão relativa ao cancelamento das duas notas fiscais, lança uma série de outros argumentos que não mais podem ser apreciados, em razão de pneclusão de matéria. Tal regra processual somente comporta exceção quando as questões são de ordem pública, passíveis de serem apreciadas de oficio. Mas mesmo nessa ótica, a apreciação dos argumentos fica bastante comprometida, porque a Contribuinte não esclarece qual a relação que a maioria deles possui com o lançamento sob exame. Mais uma vez, vale registrar que a exigência em pauta diz respeito ao regime de tributação simplificada — SIMPLES, no ano-calendário de 2002, cuja base de cálculo foi apurada a partir de receita de vendas de produtos e de prestação de serviços. Nesse sentido, as questões sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, e também sobre a inconstitucionalidade da exigência da contribuição previdenciária sobre remunerações pagas a autônomos, avulsos e administradores, em nada afetam o lançamento de oficio. Do mesmo modo, as considerações sobre o IPI, e também sobre o IRPJ calculado com base no lucro presumido ou arbitrado, não guardam qualquer relação com os presentes autos. 9.16 Processo n° 10510.002987/2006-02 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00376 Fl. 4 Ao tratar do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, a Contribuinte explicita um pouco melhor as razões de sua defesa, manifestando a intenção de que recolhimentos indevidos fossem compensados com débitos vencidos ou vincendos. Todavia, novamente esclareço que a base de cálculo apurada pela Fiscalização decorreu de operações de vendas de produtos e de prestação de serviços, e nada tem a ver com o alargamento promovido pela Lei 9.718/98. Além disso, na eventualidade de existirem indébitos em outros períodos, a compensação deve seguir um rito legal próprio, conforme indicado no art. 74 da Lei n°9.430/96, com suas posteriores alterações. Quanto ao procedimento fiscal, nenhum dos aspectos suscitados é suficiente para impingir-lhe qualquer vício. Não vislumbro aqui nenhuma das hipóteses que poderiam macular as autuações por nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 — PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. Primeiramente, o local da verificação da falta, conforme mencionado no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não deve ser interpretado como o estabelecimento fisico do Contribuinte. Essa designação de local está relacionada ao conceito de domicilio tributário do Contribuinte, ou seja à circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizá-lo, e, nesse sentido, não há problema algum no fato de a ciência pessoal do lançamento ter sido dada nas dependências da Delegacia da Receita Federal. Além disso, os fatos motivadores do lançamento estão devidamente descritos no corpo dos autos de infração, e não há qualquer exigência legal para que constem em Termo apartado. Registro ainda que todos os autos de infração foram assinados pelo Sr. Edivaldo Couto Lucas, sócio-gerente da empresa autuada. A alegação de faturamento fictício e inexistente também não encontra qualquer base de sustentação, porque os valores foram extraídos diretamente das notas fiscais emitidas pela própria Autuada. Da mesma forma, houve total observância ao princípio do contraditório, que, inclusive, está sendo plenamente exercitado nesta segunda instância administrativa. Portanto, não vejo configurado nenhum dos problemas apontados em relação ao procedimento fiscal. Quanto ao cancelamento das notas fiscais de números 521 e 522, em novembro de 2002, as quais somam R$ 2.600,00, a Contribuinte anexou, às fls. 388 a 395, cópias autenticadas das quatro vias de cada uma destas notas, evidenciando estar de posse da primeira via, que pertence ao Destinatário dos bens ou serviços. Por força do princípio da verdade material, que vem manifestado no art. 149, VIII, do Código Tributário Nacional, dentre outros dispositivos, entendo que devo apreciar tais documentos. Embora a observação "Cancelada" conste apenas da r via (fixa), considero o fato de a Contribuinte estar de posse de todas as vias dessas notas fiscais como um elemento suficiente para caracterizar a não concretização das operações. 9.» Registro que a Fiscalização, no caso destas duas notas, juntou aos autos somente a 1* via, onde realmente não consta a observação de cancelamento, como asseverou a Delegacia de Julgamento. Contudo, uma vez apresentadas as quatro vias, ainda que por cópia autenticada, e não havendo nos autos indicação de que os valores correspondentes estejam, por exemplo, abrangidos na movimentação financeira da empresa, ou nos lançamentos contábeis, etc., entendo que merece ser acolhida a alegação da Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do mês de novembro de 2002 o valor de R$2.600,00, relativo às notas fiscais de números 521 e 522. /22n.ri É DE OLIVEIRA FERRAZ OnaccA 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 10510.002987/2006-02 Recurso : 158228 Acórdão : 1802-00.376 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.376. Brasília - DF, em 14 de abril de 2010 Osê Roberto França Secretái7 da r Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
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Numero do processo: 19515.720845/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. CONTRATO DE MÚTUO. AQUISIÇÃO DE IMÓVEL. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Diante dos elementos de prova constantes dos autos, é de se excluir os rendimentos tributáveis contemplados no lançamento, uma vez comprovada sua origem não tributável.
In casu, restou comprovado pelo contribuinte que os valores recebidos são rendimentos não tributáveis, uma vez decorrentes de empréstimo para aquisição de um imóvel.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. (APD). CONTRATO DE MÚTUO. SÓCIO DA MUTUARIA. CONTA CORRENTE. COMPROVAÇÃO. CONTABILIDADE DA PESSOA JURÍDICA. TRANSFERÊNCIA DE VALORES. POSSIBILIDADE.
De conformidade com a legislação de regência, são tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
Na hipótese dos autos, tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justificam as aplicações/dispêndios computados na análise de evolução patrimonial, impõe-se exonerar o imposto apurado a título de acréscimo patrimonial a descoberto.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-004.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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CONTRATO DE MÚTUO. AQUISIÇÃO DE IMÓVEL. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Diante dos elementos de prova constantes dos autos, é de se excluir os rendimentos tributáveis contemplados no lançamento, uma vez comprovada sua origem não tributável. In casu, restou comprovado pelo contribuinte que os valores recebidos são rendimentos não tributáveis, uma vez decorrentes de empréstimo para aquisição de um imóvel. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. (APD). CONTRATO DE MÚTUO. SÓCIO DA MUTUARIA. CONTA CORRENTE. COMPROVAÇÃO. CONTABILIDADE DA PESSOA JURÍDICA. TRANSFERÊNCIA DE VALORES. POSSIBILIDADE. De conformidade com a legislação de regência, são tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Na hipótese dos autos, tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justificam as aplicações/dispêndios computados na análise de evolução patrimonial, impõese exonerar o imposto apurado a título de acréscimo patrimonial a descoberto. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 45 /2 01 2- 95 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer o recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.720845/201295 Acórdão n.º 2401004.498 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório JOSE ROBERTO MENEZES GARCIA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado o Auto de Infração abaixo declinado, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e acréscimo patrimonial a descoberto, em relação ao anocalendário 2008, conforme Termo de Verificação Fiscal, às efls. 545/556, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, de efls. 557/563, lavrado em 23/04/2012 (AR. efl. 565), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, no decorrer da ação fiscal constatouse as seguintes infrações: 1) Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. Omissão de parte dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a título de remuneração de Pro Labore, decorrente de trabalho sem vínculo empregatício, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do Auto de Infração; 2) Acréscimo patrimonial a descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a realização de gastos não respaldados por rendimentos declarados/comprovados, conforme o demonstrativo de evolução patrimonial/fluxo financeiro mensal e o Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do Auto de Infração; Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 17a Turma da DRJ em São Paulo/SP, achou por bem julgar improcedente o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 1650.531/2013, de efls. 784/788, sintetizados na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, é de se excluir os rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, uma vez comprovada sua origem não tributável. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, Fl. 797DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 4 tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Comprovada, pelo contribuinte, a origem de recursos que justificam as aplicações/dispêndios computados na análise de evolução patrimonial, é de se exonerar o imposto apurado a título de acréscimo patrimonial a descoberto. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" Em observância ao disposto no 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Encaminhados ao CARF, os autos foram distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o relatório. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.720845/201295 Acórdão n.º 2401004.498 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise matéria posta nos autos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte foi lavrado Auto de Infração em virtude da constatação da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com e/ou sem vínculo empregatício, além de acréscimo patrimonial a descoberto, em relação ao anocalendário 2008, conforme Termo de Verificação Fiscal, às efls. 545/556, consubstanciados no Auto de Infração, às efls. 557/563. Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado improcedente, nos termos do Acórdão nº 1650.531/2013, de efls. 784/788, da 17a Turma da DRJ em São Paulo/SP, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. Com mais especificidade, a DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, afastando a tributação incidente sobre a suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e o acréscimo patrimonial a descoberto, adotando os seguintes fundamentos, in verbis: "(..) No primeiro caso, a fiscalização desconsiderou a alegação de mútuo por considerar não haver provas (tais como cheques ou transferências bancárias) de parte das transferências de valores da Kalunga diretamente para o interessado. Na impugnação, porém, o contribuinte interessado comprovou que se não houve transferência direta dos valores contestados pela fiscalização, esses valores foram destinados integralmente à aquisição do bem imóvel por ele adquirido, de forma análoga à que ocorre em um contrato de financiamento imobiliário entre uma instituição financeira e o adquirente de imóvel por ela financiado. Vale dizer, a Kalunga pagou pelo imóvel e registrou os pagamentos como aumento do valor devido pelo contribuinte a ela. Assim, os valores foram contabilizados pela Kalunga na conta que controla o mútuo entre aquelas partes (114070002 –EMPRÉSTIMO – JOSÉ ROBERTO M. GARCIA; fls. 663 a 674, 766 a 768). Vale dizer, os documentos acostados aos autos confirmam o pagamento do imóvel adquirido pelo contribuinte por meio de cheques e transferências bancárias emitidas pela Kalunga. Os primeiros cheques emitidos pela Kalunga (fls. 705 e 708) foram nominais ao interessado e por ele endossados para pagamento Fl. 799DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 6 do imóvel. Os outros foram nominais aos vendedores ou à construtora (fls. 717, 720, 726, 728, 730, 733, 735, 742, 744, 746, 748, 750, 752 e 754) e as transferências bancárias também foram feitas diretamente ao destinatário final, instituição bancária (fls. 704 e 707, 759 a 764) e o registro desses valores como empréstimo da Kalunga ao interessado. No segundo caso a infração caracterizada como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício apurada pela fiscalização – ficou caracterizado ao considerar que os saldos em favor do contribuinte na conta contábil 214020002 – PRÓLABORE DIRETORIA (fls. 617 a 635) representariam rendimentos omitidos pelo contribuinte, recebidos da Kalunga. Porém, na peça impugnatória, o interessado comprovou que a prática da empresa era usar a conta contábil PRÓLABORE DIRETORIA da forma descrita acima, ou seja, quase como uma contacorrente, com os saldos, positivos ou negativos, transferidos para a conta que controlava o mútuo entre a Kalunga e o contribuinte (114070002 – EMPRÉSTIMO –JOSÉ ROBERTO M. GARCIA; fls. 663 a 674, 766 a 768). Não se tratavam, portanto, de rendimentos tributáveis omitidos, mas de empréstimos recebidos pelo interessado, respaldados pelo contrato de mútuo. Dessa forma, fica descaracterizada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício." Conforme se extrai dos autos, o contribuinte exerce atividade de diretor na empresa Kalunga Comércio e Industria Gráfica LTDA. e, em 02/10/2006, firmou com esta contrato de mútuo, às fls. 660/661, estabelecendo um relacionamento semelhante a uma conta corrente com cheque especial, com cobrança de juros de mercado e, inclusive, recolhimento de IOF, como se verifica dos diversos documentos acostados, tais como: contabilidade da empresa Kalunga, em especial as contas 214020002 – PRÓLABORE DIRETORIA (fls. 617 a 635) e 114070002 – EMPRÉSTIMO – JOSÉ ROBERTO M. GARCIA (fls. 663 a 674, 766 a 768), além de cópias de cheques, extratos e vários demonstrativos. Assim, o recorrente sempre incorria em despesas que eram pagas pela Kalunga, razão do aumento no valor devido por ele, ou seja, aumento no valor do mútuo. Dessa forma, o saldo da conta 214020002 – PRÓLABORE DIRETORIA era transferido para a conta 114070002 –EMPRÉSTIMO – JOSÉ ROBERTO M. GARCIA, incrementando o valor do mútuo, e, no caso oposto, uma diminuição no valor devido. Verificase que o acréscimo patrimonial a descoberto decorreu basicamente dos valores usados para aquisição de um imóvel, onde a autoridade fiscal desconsiderou a alegação do mútuo entre o autuado e a Kalunga, entendendo não haver provas de parte das transferências entre os interessados. Neste ponto, conforme dispõe a decisão guerreada, o contribuinte rechaçou a pretensão fiscal, senão vejamos: " [...] Na impugnação, porém, o contribuinte interessado comprovou que se não houve transferência direta dos valores Fl. 800DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.720845/201295 Acórdão n.º 2401004.498 S2C4T1 Fl. 5 7 contestados pela fiscalização, esses valores foram destinados integralmente à aquisição do bem imóvel por ele adquirido, de forma análoga à que ocorre em um contrato de financiamento imobiliário entre uma instituição financeira e o adquirente de imóvel por ela financiado. Vale dizer, a Kalunga pagou pelo imóvel e registrou os pagamentos como aumento do valor devido pelo contribuinte a ela. Assim, os valores foram contabilizados pela Kalunga na conta que controla o mútuo entre aquelas partes (114070002 –EMPRÉSTIMO – JOSÉ ROBERTO M. GARCIA; fls. 663 a 674, 766 a 768). Vale dizer, os documentos acostados aos autos confirmam o pagamento do imóvel adquirido pelo contribuinte por meio de cheques e transferências bancárias emitidas pela Kalunga. Os primeiros cheques emitidos pela Kalunga (fls. 705 e 708) foram nominais ao interessado e por ele endossados para pagamento do imóvel. Os outros foram nominais aos vendedores ou à construtora (fls. 717, 720, 726, 728, 730, 733, 735, 742, 744, 746, 748, 750, 752 e 754) e as transferências bancárias também foram feitas diretamente ao destinatário final, instituição bancária (fls. 704 e 707, 759 a 764) e o registro desses valores como empréstimo da Kalunga ao interessado. [...]" Partindo dessas premissas, constatase que o contribuinte rechaçou a pretensão fiscal, comprovando não haver transferência direta de valores, sendo a totalidade dos valores destinados ao pagamento da aquisição do imóvel referido, seja através de cheques nominais à construtora, transferência bancária à instituição financeira financiadora, entre outras formas. Registrase, ainda, que os valores foram registrados na contabilidade da Kalunga, havendo a comprovação da transferência do numerário, razão pela qual concluise que andou bem a decisão de primeira instância, não merecendo ser reformulada. Por sua vez, relativamente a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício apurada pela fiscalização, no entendimento da fiscalização, aludida infração restou caracterizada a partir da consideração dos saldos em favor do contribuinte na conta contábil 214020002 – PRÓLABORE DIRETORIA (fls. 617 a 635) como rendimentos omitidos pelo autuado, recebidos da Kalunga. No entanto, mais uma vez o contribuinte afastou a conclusão fiscal ao comprovar que os valores não se tratavam de rendimentos omitidos, mas, sim, de empréstimos recebidos da Kalunga, respaldados por contrato de mútuo, sendo a conta PRÓLABORE DIRETORIA admitida como se fosse uma conta corrente, consoante se positiva do bem fundamentado excerto da decisão de piso, ao contemplar a matéria, senão vejamos: "[...] Porém, na peça impugnatória, o interessado comprovou que a prática da empresa era usar a conta contábil PRÓLABORE DIRETORIA da forma descrita acima, ou seja, quase como uma contacorrente, com os saldos, positivos ou negativos, transferidos para a conta que controlava o mútuo entre a Kalunga e o contribuinte (114070002 – EMPRÉSTIMO –JOSÉ ROBERTO M. GARCIA; fls. 663 a 674, 766 a 768). Não se tratavam, portanto, de rendimentos tributáveis omitidos, mas de Fl. 801DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 8 empréstimos recebidos pelo interessado, respaldados pelo contrato de mútuo. Dessa forma, fica descaracterizada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício." Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, porquanto agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, reconhecendo a improcedência do crédito tributário nos termos encimados. Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Numero do processo: 10882.900930/2008-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 30 /2 00 8- 04 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900930/200804 Acórdão n.º 9303004.012 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.978, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900930/200804 Acórdão n.º 9303004.012 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900930/200804 Acórdão n.º 9303004.012 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900930/200804 Acórdão n.º 9303004.012 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900930/200804 Acórdão n.º 9303004.012 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900930/200804 Acórdão n.º 9303004.012 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900930/200804 Acórdão n.º 9303004.012 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000324/2005-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2002
RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEI. NÃO CONHECIDO. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE.
O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes.
Numero da decisão: 9303-004.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2002 RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEI. NÃO CONHECIDO. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE. O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2002 RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEI. NÃO CONHECIDO. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE. O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 03 24 /2 00 5- 14 Fl. 12292DF CARF MF Processo nº 13558.000324/200514 Acórdão n.º 9303004.252 CSRFT3 Fl. 12.293 2 Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei ou à observância da prova interposto pela Fazenda Nacional (fls. 11.955 a 11.961) com fulcro no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época da apresentação do recurso, buscando a reforma do Acórdão nº 20402.672 (fls. 11.935 a 11.951) proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 14 de agosto de 2007, no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: COFINS/PIS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A isenção concedida para vendas às empresas comerciais exportadoras, assim registradas no órgão competente, contempla apenas as vendas efetuadas com fins específicos de exportação para o exterior, quando as mercadorias são diretamente embarcadas para a exportação ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação. Recurso de oficio negado. COFINS. DECADÊNCIA. O artigo 45 da Lei n° 8.212 estatuiu que a decadência das contribuições que custeiam o orçamento da seguridade social é de dez anos. Precedentes da CSRF. Ressalva de minha posição pessoal. PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regido pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. O prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Porém, a incidência da regra supõe hipótese típica de lançamento por homologação; aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Na apuração da base de cálculo das contribuições foram considerados os faturamentos declarados pela contribuinte no curso da ação fiscal, pelo que não há de se falar em seu arbitramento ou de falta de prova do mesmo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pelas BAHIA COMÉRCIO DE CACAU LTDA. E DRJ EM SALVADOR — BA. Acordam os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: 1) por unanimidade de votos, em Fl. 12293DF CARF MF Processo nº 13558.000324/200514 Acórdão n.º 9303004.252 CSRFT3 Fl. 12.294 3 negar provimento ao recurso de oficio; e II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do PIS no tocante a fatos geradores ocorridos entre nov/1999 e abril/2000, inclusive. Vencido o Conselheiro Airton Adelar Hack quanto à decadência da Cofins. [...](grifouse) A Fazenda Nacional, em sede de recurso especial, alega ter o acórdão recorrido violado o artigo 45 da Lei nº 8.212/91 e o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN, ao prover em parte o recurso voluntário para reconhecer a decadência do PIS no tocante a fatos geradores ocorridos entre novembro de 1999 e abril de 2000, inclusive. Defende, em síntese, a aplicação do prazo decadencial de dez anos estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/91 também ao PIS e não somente à COFINS, por também se tratar de espécie de contribuição destinada à Seguridade Social. Requer seja provido o recurso especial e reformado o acórdão no que tange ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário de PIS. O recurso especial por contrariedade à lei da Fazenda Nacional foi admitido por meio do despacho nº 204.00.271, de 21 de dezembro de 2007 (fl. 11.963 a 11.964), por estarem preenchidos os requisitos constantes no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época de sua interposição. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 11.966 a 11.971) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade, o Sujeito Passivo interpôs embargos de declaração (fls. 11.972 a 11.979), por supostos vícios de omissão e obscuridade no acórdão recorrido. Aos embargos de declaração foi negado seguimento, nos termos do despacho s/nº, de 04 de setembro de 2015 (fls. 12.281 a 12.283), retornando os autos a esta CSRF para julgamento do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial por contrariedade à lei apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época de sua interposição. Fl. 12294DF CARF MF Processo nº 13558.000324/200514 Acórdão n.º 9303004.252 CSRFT3 Fl. 12.295 4 Centrase a controvérsia na suposta violação ao art. 45 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 150, §4º do CTN ao ser reconhecido, pelo acórdão recorrido, como aplicável ao PIS o prazo decadencial de 5 (cinco) anos constante no CTN. A divergência a ser apreciada referese à correta aplicação do prazo decadencial, se do art. 45 da Lei 8.212/91 (dez anos) ou do §4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional (5 anos). Em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, não se conhece do recurso especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, uma vez que não há mais artigo de lei sujeito à violação. Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Na hipótese de ser o recurso especial fundado em contrariedade à dispositivo de lei que foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e cuja decisão foi convertida em Súmula Vinculante, o mesmo não deve ser conhecido. No mesmo sentido, é o acórdão nº 9303003.294 proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 24 de março de 2015, de relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujos fundamentos passam a integrar a presente decisão, in verbis: [...] Como visto no relatório, o apelo fazendário arrimouse em suposta contrariedade à lei do acórdão recorrido, mais precisamente, ao art. 45 da Lei 8.212/1991. Acontece, porém, que esse dispositivo legal foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal federal, em controle difuso, é verdade, mas a decisão foi sumulada, com efeito vinculante STF Súmula Vinculante nº 8. Com isso, a decisão proferida interpartes, passou a ter efeitos erga omnis, vinculando a todos. De outro lado, a declaração de inconstitucionalidade tem efeitos ex tunc, retroagindo à data da edição do dispositivo legal eivado de vício, anulando em sua origem, como se a lei nunca tivesse existido. Essa retroatividade persiste mesmo no caso de haver sido modulados os efeitos da decisão, pois, uma vez declarada a inconstitucionalidade, a nódoa macula o dispositivo permanentemente desde a origem, o que a modulação faz é estender no tempo certos efeitos decorrentes da vigência da lei inconstitucional. A norma inconstitucional, salvo nas hipóteses de inconstitucionalidade superveniente, é natimorta, apenas sua certidão de óbito é que é emitida posteriormente. [...] Fl. 12295DF CARF MF Processo nº 13558.000324/200514 Acórdão n.º 9303004.252 CSRFT3 Fl. 12.296 5 Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 12296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000517/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não cabe conhecer do recurso voluntário intempestivo.
Numero da decisão: 1301-002.114
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não cabe conhecer do recurso voluntário intempestivo.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha- Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-08-18T18:37:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-08-18T18:36:58Z; Last-Modified: 2016-08-18T18:37:42Z; dcterms:modified: 2016-08-18T18:37:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:79c6fc25-833b-421b-a735-14aae531b64e; Last-Save-Date: 2016-08-18T18:37:42Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-08-18T18:37:42Z; meta:save-date: 2016-08-18T18:37:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-08-18T18:37:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-08-18T18:36:58Z; created: 2016-08-18T18:36:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2016-08-18T18:36:58Z; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-08-18T18:36:58Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 897 1 896 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.000517/200895 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.114 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria IRPJ/DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente ELETROTEL ELETRICIDADES E TELECOMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não cabe conhecer do recurso voluntário intempestivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém, que julgou procedente em parte a impugnação contra exigências de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e Cofins, constituídas por meio de lançamentos de ofício às fls. 14/50. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 17 /2 00 8- 95 Fl. 897DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 898 2 Pela clareza do Termo de Verificação de Infração, às fls. 51/52, reproduzoo para, em seguida, adotálo: "No cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal 02.5.01.002006 000731, o contribuinte foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização em 16/03/2006 (sic) através do qual lhe foi solicitado (sic) a apresentação de sua escrituração comercial e fiscal e dos extratos bancários das contas correntes por ele mantidas nos seguintes bancos: Banco do Brasil S/A, Caixa Econômica Federal, Cooperativa de Crédito Rural de Porto Velho Ltda, Banco Rural S/A, Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A, Banco Itaú S/A, Banco Bradesco S/A, Banco Sudameris Brasil S/A, Banco Mercantil de São Paulo S/A, Banco ABN AMRO Real S/A, Banco do Estado de São Paulo Banespa S/A e Banco da Amazônia S/A. Após diversos pedidos de prorrogação, o contribuinte apresentou sua escrituração, porém não apresentou os extratos bancários solicitados, sendo assim expedidas aos bancos as respectivas Requisições de Informações Financeira, com base no artigo 39, inciso VII, do Decreto 3.724/01. Ao analisar os extratos entregues pelos bancos, em atendimento às citadas requisições, os lançamentos deles constantes foram cotejados com aqueles constantes dos Livros Diário e Razão. Os lançamentos nas contas bancárias estão escriturados no Livro Razão, da seguinte forma: Banco da Amazônia páginas 111 a 118 em 2003 e páginas 144 a 158 em 2004; Banco do Brasil páginas 118 a 145 em 2003 e páginas 158 a 175 em 2004; Banco Mercantil de São Paulo página 145 em 2003; Banco Sudameris Brasil páginas 146 a 159 em 2003 e páginas 175 a 181 em 2004; Caixa Econômica Federal páginas 159 a 166 em 2003 e páginas 181 a 189 em 2004. Constam do processo administrativo relativo ao presente auto de infração cópias das páginas discriminadas anteriormente. Foram também realizadas verificações nos extratos bancários e conciliações entre eles de forma a identificar lançamentos relativos a transferências entre contas do mesmo titular, empréstimos, estornos e demais valores de origem identificada. Constatouse (sic), então, no período de 01/01/2003 a 31/12/2004, as seguintes irregularidades abaixo enumeradas: 1) Foi verificada movimentação financeira nas seguintes instituições, não contabilizadas: Banco da Amazônia S/A, Banco Santander Banespa S/A, Caixa Econômica Federal, Banco Bradesco S/A, Banco ABN AMRO Real S/A, Banco Mercantil de São Paulo S/A, Banco Rural S/A e Cooperativa de Crédito Rural de Porto Velho Ltda. Em relação ao Banco da Amazônia S/A e à Caixa Econômica Federal, o contribuinte manteve escrituração dessas conta, porém deixou de contabilizar alguns lançamentos, como pode ser verificado nos extratos bancários das referidas instituições e nos lançamentos contábeis da página 114 do Livro Razão de 2003 e das páginas 152, 153 e 186 do Livro Razão de 2004. Em relação ao Banco Mercantil de São Paulo S/A, somente a conta bancária 6.095.771/9, agência 0319, estava contabilizada. 2) No período de janeiro a maio de 2003, os lançamentos contábeis relativos as (sic) contas bancárias no Banco do Brasil S/A, Banco Mercantil de São Paulo S/A, Banco Sudameris Brasil S/A e na Caixa Econômica Federal não foram realizados diariamente, ao contrário dos demais meses analisados, e ainda, os lançamentos mensais consolidados não refletem a realidade dos extratos bancários. Dessa forma, foi verificado que, em alguns meses nesse período, a soma dos valores creditados em algumas contas bancárias é superior aos lançamentos a débito na escrituração contábil, da seguinte forma: Banco Mercantil de São Paulo nos meses Fl. 898DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 899 3 de fevereiro, março e abril; Banco Sudameris Brasil nos meses de março e abril; e Caixa Econômica Federal nos meses de janeiro, março e abril. 3) Foi verificado que na conta corrente de número 36.930, da agência 1294 do Banco Bradesco S/A, constavam diversos lançamentos, com histórico indicando serem transferências da mesma titularidade, porém não foi encontrada a origem desses valores em nenhuma outra conta de titularidade do contribuinte apresentada pelas instituições financeiras citadas anteriormente. O contribuinte foi intimado, em 31/08/2007, a informar, no prazo de vinte dias, a (sic) quais operações se referiram os lançamentos a crédito verificados nos extratos dos citados bancos na irregularidade número 1 anteriormente descrita, no período de 01/0l/2003 a 31/12/2004 e demais períodos relativos a lançamento anterior, de acordo com as respectivas planilhas que lhe foram entregues anexas ao Termo de Intimação Fiscal. Também foi intimado mediante mesmo instrumento a esclarecer as irregularidades 2 e 3 descritas anteriormente, sendo que, para a irregularidades número 3, também foi intimado a informar a (sic) quais operações se referiram os lançamentos a crédito Ainda em relação a irregularidade número 2 anteriormente descrita, o contribuinte foi intimado, em 27/09/2007, a informar, no prazo de vinte dias, a (sic) quais operações se referiram os lançamentos a crédito verificados nos extratos dos citados bancos, de acordo com as respectivas planilhas que lhe foram entregues anexas ao Termo de Intimação Fiscal, tendo em vista a impossibilidade de se identificar (sic) a quais deles se relacionavam os lançamentos da escrituração. Em atendimento às intimações anteriormente citadas, o contribuinte informou estar impossibilitado de esclarecer as divergências apontadas nos relatórios, bem como apresentar documentos comprobatórios dos valores creditados. Dessa forma, o contribuinte não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos em suas contas correntes, infringindo assim a legislação tributária, conforme enquadramentos legais constantes nos autos de infração. No levantamento da base de cálculo, foram considerados os lançamentos a crédito de origem não comprovada apontados nas irregularidades 1 e 3, listados nos anexos I e III respectivamente, bem como as diferenças verificadas na irregularidade 2 da seguinte forma: a soma dos lançamentos à (sic) crédito nos extratos bancários, listados no anexo II, diminuída dos lançamentos a débito nas respectivas contas da escrituração contábil. Do levantamento descrito, resultou a tabela a seguir: Fl. 899DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 900 4 VALOR 1 Soma dos valores identificados relacionados à irregularidade número 1 anteriormente descrita. VALOR 2 Soma dos valores identificados relacionados à irregularidade número 2 anteriormente descrita. VALOR 3 Soma dos valores identificados relacionados à irregularidade número 3 anteriormente descrita. . Em consequência, foi lavrado Auto de Infração para lançamento do crédito tributário resultante da referida omissão de receitas. O presente termo e os anexos I, II e III seguem em anexo aos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, detalhando a descrição dos fatos, sendo parte integrante e indissociável dos mesmos. Cabe ainda informar que os Termos de Intimação Fiscal, datados de 01/03/2007 e 14/06/2007, referemse exclusivamente a créditos em contas bancárias Fl. 900DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 901 5 no período de 2002, listados em seus anexos, que foram objeto de autuação parcial anterior nesse procedimento fiscal. Por essa razão, compõem o processo administrativo relativo ao presente auto de infração, mas seguem sem os mencionados anexos." Ciência dos autos de infração no dia 17/03/2008, à fl. 40verso. Impugnação das exigências fiscais às fls. 754/763, com entrada na repartição de origem no dia 16/03/2008. Decisão da DRJ às fls. 767/781, assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO. Tratandose de matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada de ofício, em qualquer fase processual, ainda que não alegada pelas partes envolvidas no litígio. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/ 1972. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente “intra corporis”, não há porque se acatar os argumentos de nulidade. INFORMAÇÕES DO FISCO ESTADUAL. ICMS. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 902 6 Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele." Ciência da decisão recorrida no dia 19/05/2010, à fl. 785. Recurso a este Colegiado às fls. 786/808, com entrada na repartição de origem no dia o dia 29/06/2010. Nesta oportunidade, traça as alegações abaixo: 1) houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que o Termo de Início de Fiscalização não menciona o objeto da ação fiscal e sua abrangência, nem faz menção à auditoria de qualquer tributo, deixando em aberto algumas indagações, a exemplo das seguintes: qual seria o objetivo da ação fiscal? Quais seriam os impostos e contribuições a serem efetivamente fiscalizados? A Recorrente teria sido selecionada no bojo de uma grande operação? Ou teria sido sorteada mediante critérios aleatórios, ou “escolhida” de forma proposital, não isenta e pouco técnica? 2) Durante todo o decorrer da auditoria, a Recorrente entendeu que estava sofrendo fiscalização exclusivamente em relação às normas do IRPJ, mas, ao fim dos trabalhos, surpreendeuse com os autos de infração relativos ao PIS/PASEP, à COFINS, à CSLL, além da autuação referente ao IRPJ. Ora, tal comportamento peca pela falta de clareza e transparência, pois se a Receita Federal do Brasil informou que fiscalizava somente o que afetava a regularidade do IRPJ, por que a lavratura de Autos de Infração de mais três tributos, que sequer constavam do Mandado de Procedimento Fiscal? Para que serviria o Mandado de Procedimento Fiscal senão para fornecer ao contribuinte a correta informação sobre a ação fiscal que sofrerá? O estado não pode enganar, iludir ou simular. Se estas afirmativas são verdadeiras e se, de fato, os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade, não poderiam os Auditores efetuar lançamento algum, a não ser para o tributo informado inicialmente. 3) No primeiro contato com os Auditores, informouse à Recorrente sobre a existência de um documento denominado “Mandado de Procedimento Fiscal”, assinado pelo Delegado da Receita Federal de Porto Velho. Considerando que o art. 11 da Portaria RFB n° 11.371, de 2007, determina a execução do procedimento fiscal em até 120 dias, a Recorrente passou a considerar como prazo fatal para a conclusão da fiscalização pelo menos 120 dias decorridos do recebimento do Termo de início de Fiscalização. Vencido esse prazo, a Recorrente, que não conhece dos procedimentos da Fiscalização federal, se viu inocentada pelo Fisco, acreditando, com isso, que a auditoria havia se encerrado, já que a própria Fazenda Nacional lhe garantira o prazo de 120 dias. Por outro lado, os AuditoresFiscais também não lhe apresentaram qualquer outro documento que lhe indicasse que o procedimento fiscal ainda estava em curso. Entretanto, o Fisco expediu, por via postal, os autos de infração em questão, contendo o lançamento dos tributos e contribuições ora discutidos. Evidentemente, todos ficaram perplexos, porquanto o Fisco não poderia efetuar o lançamento de tributos e contribuições no bojo de uma fiscalização que se supunha encerrada. Ocorre que a conclusão do procedimento fiscal havia sido prorrogada pelo menos três vezes, jamais cientificadas à Recorrente, que só as conheceu quando obteve vista dos autos para preparar a peça impugnatória. Por que não fora informada de todas as prorrogações, conforme impõe a legislação tributária? Estariam os AuditoresFiscais realizando o trabalho por sua conta e risco, sem o aval da repartição a qual pertencem? Por essas e outras falhas insanáveis, a Recorrente Fl. 902DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 903 7 protesta pela nulidade de todo o procedimento fiscal, tendo em conta o déficit de clareza e da informação de que precisa defenderse de tão injusta autuação. 4) A auditoria foi realizada fora das dependências da empresa. Dela só se teve conhecimento do seu resultado, ou seja, dos autos de infração, o que impediu o acompanhamento próximo, pela Recorrente, de quaisquer das etapas da auditoria em suas contas. Isto trouxe, verdadeiramente, sérios prejuízos à Recorrente, que não pôde verificar o andamento dos trabalhos de fiscalização, em flagrante desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Podese certificar tal desrespeito, a implicar nulidade do feito, no corpo dos autos de infração, onde consta que foram lavrados na “DRF/ Porto Velho”, em inequívoca confissão de uma transgressão ao artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, já que o local de verificação da falta não é a sede da repartição fiscal em que trabalham os AuditoresFiscais e, sim, na sede da Recorrente. 5) Corrobora, ainda, a tese da nulidade, a carência de um requisito essencial aos AuditoresFiscais incumbidos do procedimento fiscal: a formação contábil. O IRPJ e a CSLL, por exemplo, são tributos que têm o lucro por base de cálculo. Para chegar a tal base, é fundamental que se tenha o conhecimento contábil, sem o qual não se analisam lançamentos contábeis, contas gráficas e, principalmente, o “Demonstrativo do Resultado do Exercício", de onde é extraído o Lucro Líquido. Por isso é que se requer a formação acadêmica em Ciências Contábeis do profissional encarregado de realizar lançamento tributário. Na verdade, esse prérequisito é o mínimo a ser exigido de quem trabalha, em seu diaadia, analisando balanços, demonstrativos de resultado e outros documentos pertinentes ao profissional da contabilidade. Tanto assim o é que o Conselho Federal de Contabilidade, após reiteradas decisões, reafirmou que o cargo de AuditorFiscal somente pode ser exercido por profissional da contabilidade, ao editar a súmula n° 004, de 27/06/1980, de acordo com a qual o exercício das atribuições de fiscal de tributos, inclusive da previdência social, constitui prerrogativa de contador, Assim, também diante dessa relevante irregularidade constatada na ação fiscal, a Recorrente acredita que estão reunidos os requisitos previstos em lei para a pronúncia de nulidade dos autos de infração. 6) Mesmo ao fim dos trabalhos, quando se esperava a produção de elementos que correspondessem à verdade dos fatos ocorridos durante o procedimento fiscal, os AuditoresFiscais iludiram a Recorrente, ao inserir elementos inexatos em seu Termo de Encerramento, novamente impossibilitando o pleno exercício de seu direito de defesa. Por esse termo, deuse ciência à Recorrente de que o procedimento fiscal chegara ao final, relatandose, ainda, brevemente, a técnica de trabalho empregada. Porém, descrevem os autuantes que a ação fiscal levada a efeito decorreu de trabalho por amostragem, o que não corresponde aos fatos, pois foram exibidos pela Recorrente, e examinados pelos AuditoresFiscais, todos os documentos que estavam em poder da fiscalizada, assim como todos as notas fiscais relativas às compras do período auditado. Aqui não houve análise documental por amostragem. Portanto, uma sucessão de equívocos no procedimento fiscal fez derramar a mácula de nulidade que se estende a todo o trabalho, atingindo, de plano, o lançamento tributário, pela inexistência de embasamento técnico contábil e pela falta de amparo na legislação que regulamenta a matéria. 7) Ademais, a falta de clareza do Termo de Inicio de Fiscalização; a constituição de créditos tributários do PIS/PASEP, Cofins e CSLL sem a inserção desses tributos no MPF inicial e no Termo de Inicio de Fiscalização; o distanciamento e o desconhecimento dos autuantes em relação ao processo de auditoria; as prorrogações havidas Fl. 903DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 904 8 no MPF sem ciência da Recorrente; os elementos inexatos contidos no Termo de Encerramento, todo esse conjunto deu causa ao completo cerceamento do direito de defesa, ferindo frontalmente o exercício do contraditório e da ampla defesa, por derivação da violação ao direito de entender o procedimento fiscal, bem assim ao direito a não ser iludido. 8) Mas, ainda que ficasse provado que os depósitos bancários fossem, efetivamente, representativos de receitas auferidas pela Recorrente, e que os valores totalizados pudessem ser enquadrados como “omissão de receitas", para efeito de IRPJ e CSLL, tais valores não poderiam compor a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e para a Cofins. Isso porque, ao intento de se distanciar da enxurrada de ações judiciais de contribuintes que buscavam a não inclusão, na base de cálculo da Cofins, de itens como “Receitas Financeiras", por exemplo, editouse a Medida Provisória N° 1.724, de 1998, posteriormente convertida na Lei N° 9.718, de 1998, dispondo sobre o PlS/PASEP e a Cofins. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar questão sobre a constitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.718/1998, definiu o faturamento como "receita bruta derivada da venda de mercadorias e da prestação de serviços". Nesses termos, não sendo os valores alegadamente oriundos de receitas omitidas derivados da venda de mercadorias nem da prestação de, serviços, não há que se falar em lançamento de PlS/PASEP e da Cofins. 9) Os AuditoresFiscais optaram pelo caminho mais fácil a análise exclusiva dos extratos bancários das contas correntes. Mais fácil, mais impróprio, mais injusto. Logo no Termo que deu início à fiscalização, os AuditoresFiscais solicitaram tais extratos, mas essa solicitação não foi atendida, porque a Recorrente entende que essas informações estão protegidas pelo sigilo bancário e, também, por defender que simples lançamentos a crédito em conta bancária não são prova da ocorrência de fato gerador. Mesmo assim, os Auditores Fiscais fizeram referência aos extratos bancários nos autos de infração, como se a eles tivessem tido acesso. No entanto, esses servidores estavam despidos de autorização judicial para proceder à quebra do sigilo bancário da Recorrente. 10) É sabido por todos que o sigilo bancário é garantia constitucional e que sua quebra somente é permitida aos membros do Poder Judiciário. A despeito do exposto, o lançamento foi construído com base nos extratos bancários, e somente com base neles. Reparese que os AuditoresFiscais não examinaram livros contábeis da Recorrente, não procuraram balanços, demonstrações de resultado, balancetes, notasfiscais etc. Os extratos bastaram. Acharam eles que poderiam reconstruir as bases de cálculo do Imposto de Renda e das contribuições apenas com base nos extratos bancários. E os estornos? E as vendas canceladas? Os extratos não representam a verdadeira base de cálculo dos tributos em questão, como reconhece a jurisprudência administrativa. 11) Devese considerar que os procedimentos típicos de uma empresa do comércio dificultam e, às vezes, impossibilitam o “casamento” de cada uma de suas operações com os lançamentos a crédito dispostos nos seus extratos bancários. Alguns clientes compram mercadorias diversas e não raro realizam o pagamento com a dação de uma parte em cheque e outra, em dinheiro, dificultando a conciliação. Das mercadorias que são vendidas no cartão de crédito, a administradora do cartão faz o depósito do valor correspondente, deduzido de sua taxa de comissão, que pode ser de 3,1% a 4,1%. Não é possível conciliar esses valores. Ainda, a administradora do cartão também pode fazer um só lançamento a crédito, em correspondência a várias vendas efetuadas em um dia, às vezes em uma semana, o que torna impossível a conciliação dos valores. A prática dos negócios realizados no comércio oferece um cardápio de dificuldades para a conciliação. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 905 9 12) A DRJ/Belém atevese, exclusivamente à presunção legal prevista na Lei n° 9.430, de 27/12/1996 que, inapropriadamente, inverte o ônus da prova e deixa o contribuinte na impossibilidade de ter suas contas analisadas com justiça. O lançamento, neste ponto, está baseado em presunção simples, segundo a qual temse por não provado o fato alegado. Se a prova de sua ocorrência cabia ao Fisco, então a presunção, por parte do aplicador da lei, revela uma inversão do ônus da prova contraria à lei e, por isso, deve ser afastada, não se sustentando a pretensão fiscal. A razão por que não cabe o emprego de presunções simples é elementar: estando o sistema tributário brasileiro submetido à rigidez do princípio da legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese de incidência tributária é mandatória para o nascimento da obrigação do contribuinte. Admitir que o mero raciocínio de probabilidade, por parte do aplicador, substitua a prova é conceber a possibilidade de que se exija um tributo sem que, necessariamente, tenha ocorrido o fato gerador. 13) Já foi dito que os AuditoresFiscais consideraram os créditos nas contas bancárias como receita extra, além daquela já declarada, quando deveriam ter subtraído a referida receita do total dos créditos bancários. Isso porque a receita que imaginavam estar representada nos créditos em conta corrente é um conjunto e que a receita apresentada na DIPJ e na DCTF é um subconjunto que está contido no primeiro. No mesmo sentido, a receita que imaginavam estar representada nos créditos em conta corrente é gênero do qual a receita apresentada na DlPJ e na DCTF é espécie. Contudo, os autuante optaram pela forma mais fácil de constituir um crédito tributário de valor estratosférico para uma empresa de pequeno porte: somaram os dois valores, quando um, nitidamente, está contido no outro. Se válido fosse, do ponto de vista contábil, tributar, indistintamente, todos os créditos listados nas contas correntes da Recorrente, um eventual lançamento baseado nesses créditos haveria, necessariamente, que ser deduzido das receitas declaradas, pois, sobre essas receitas já foram recolhidos todos os tributos. É necessário que assim se proceda para evitar que se tribute duas vezes uma mesma operação, afinal uma venda recebida via cartão de crédito, que tenha sido declarada, e sobre ela recolhidos todos os tributos, seria representada, no extrato bancário, por um crédito em sua conta corrente, proveniente da administradora do cartão, e seria novamente tributada via auto de infração. Se, e somente se, crédito em conta corrente fosse base imponível do IRPJ e das Contribuições Sociais, os auditoresfiscais, ao se defrontarem com uma situação como a da Recorrente, deveriam subtrair, dos valores encontrados nos extratos bancários, os valores por ela declarados. Mas, ao contrário, os AuditoresFiscais somaram os dois valores e obtiveram a soma estratosférica que se verifica nos autos de Infração. Notese que, para realizar tal soma, os AuditoresFiscais tiveram que tomar por premissa as seguintes teses: 1º Que nenhum dos valores declarados pela Recorrente foi recebido em dinheiro e depositado em suas contas correntes, posto que todos os depósitos em dinheiro foram tributados novamente; 2º Que nenhum dos valores declarados pela Recorrente foi recebido em cheque e esse cheque depositado em suas contas correntes, posto que todos os depósitos em cheque foram tributados novamente; 3º Que nenhum dos valores declarados pela Recorrente foi recebido em cartão de crédito, e creditado, pelas administradoras dos cartões, em sua conta corrente, posto que todos os depósitos efetuados pelas administradoras de cartão de crédito foram tributados novamente. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10240.000517/200895 Acórdão n.º 1301002.114 S1C3T1 Fl. 906 10 14) Todo esse leque de impropriedades foi praticado pelos autuantes, o que chama a atenção para o fato de que não é possível fazer uso somente dos extratos bancários para a eleição da base de cálculo tributável. 15) Ao finalizar, a Recorrente reitera que acredita ter demonstrado, de forma definitiva, que, à exceção dos extratos bancários, não há nos autos prova efetiva da ocorrência de operações mercantis das quais a receita delas resultante tenha sido omitida ou mesmo relacionada a desvios outros que evidenciassem a prática, ainda que esporádica, de quaisquer formas de evasão ou elisão fiscal que pudessem dar causa a lançamento de ofício. 16) Encerrando, a Recorrente pleiteia, em relação à preliminar, que sejam declarados nulos os autos de Infração do IRPJ, PIS/PASEP, Cofins e CSLL, por cerceamento do direito de defesa da Recorrente, ou pela falta de formação contábil, por parte dos autuantes, ou por terem eles escrito que efetuaram verificações por amostragem” quando, na verdade, verificaram todos os documentos de suporte contábil. Caso haja entendimento diverso, que sejam cancelados os autos de infração do IRPJ, PIS/PASEP, Cofins e CSLL, por terem os autuantes abandonado o elemento contábil previsto na legislação tributária para embasar o lançamento, exclusivamente, em extratos bancários, ou por terem utilizado base de cálculo já declarada inconstitucional, abandonando o conceito de “faturamento” definido pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. A ciência da decisão recorrida se deu no dia 19/05/2010, conforme AR à fl. 785. Já o recurso voluntário, às fls. 786/808, foi apresentado na repartição de origem no dia o dia 29/06/2010. Como se pode ver, ultrapassouse o prazo de 30 dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, o presente recurso é intempestivo. Dele não conheço. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 906DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 13161.001378/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 78 /2 00 7- 12 Fl. 336DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 338DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.288. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 340DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 342DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 344DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 346DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 348DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 350DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 352DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 354DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 356DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 358DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 360DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 362DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 364DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 366DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 368DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 370DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 372DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 374DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 376DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 378DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 380DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13161.001378/200712 Acórdão n.º 3302003.288 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 382DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.003190/2004-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO BRAND PAPER NOMEX.
Os produtos descritos como "falsos tecidos de fibras de poliamida aromática (aramida)", denominado "Brand Paper Nomex", identificado por Laudo Técnico como sendo um falso tecido de fibras descontinuas de aramida, com gramaturas de 40 a 850 g/m2, encontram correta classificação tarifária TEC nos códigos 5603.91.00. 5603.92.90, 5603.93.90 e 5603.94.00.
MULTA DE OFÍCIO E POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL
A exoneração das multas de ofício e por erro de classificação fiscal esbarram na Súmula CARF n.2.
MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO
Correta a exoneração da multa quando constatada a descrição correta do produto, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário pleiteado, bem como ausência de intuito doloso ou má-fé do contribuinte
Numero da decisão: 3201-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Schappo.Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Wagner Silva Rodrigues, OAB/SP 208.449.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Schappo.Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Wagner Silva Rodrigues, OAB/SP 208.449. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Os produtos descritos como "falsos tecidos de fibras de poliamida aromática (aramida)", denominado "Brand Paper Nomex", identificado por Laudo Técnico como sendo um falso tecido de fibras descontinuas de aramida, com gramaturas de 40 a 850 g/m2, encontram correta classificação tarifária TEC nos códigos 5603.91.00. 5603.92.90, 5603.93.90 e 5603.94.00. MULTA DE OFÍCIO E POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL A exoneração das multas de ofício e por erro de classificação fiscal esbarram na Súmula CARF n.2. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO Correta a exoneração da multa quando constatada a descrição correta do produto, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário pleiteado, bem como ausência de intuito doloso ou máfé do contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 31 90 /2 00 4- 79 Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Josefovicz Belisario e Cassio Schappo.Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Wagner Silva Rodrigues, OAB/SP 208.449. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo a auto de infração decorrente de desclassificação fiscal de mercadorias. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 01/245), lavrado em 13/05/2004, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação, multas de oficio, multa do controle administrativo, multa proporcional ao valor aduaneiro e juros de mora, devido à apuração dos fatos abaixo relatados: o importador, por meio da Declaração de Importação n. 00943225, registrada em 30/01/2001, bem como através das demais declarações de importações (vide relação às folhas 02 e 36) submeteu à despacho mercadorias descritas como "falsos tecidos de fibras de poliamida aromática (aramidar, denominado "Brand Paper Nomex", adotando a classificação na TEC nos códigos 5603.11.10, 5603.12.20, 5603.13.20 e 5603.14.10 (falsos tecidos, mesmo impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados de filamentos sintéticos ou artificiais, de aramida de diferentes pesos), com aliquota de 2%; entendeu a fiscalização que a mercadoria importada pela forma apresentada e pelo fato da composição ser sintética, e não celulósica, tratase de "falso tecido de fibras descontinuas de aramida", concluindo, assim, que não são "filamentos" e, portanto, são classificadas na TEC nos códigos 5603.91.00, Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10314.003190/200479 Acórdão n.º 3201002.306 S3C2T1 Fl. 94 3 5603.92.90, 5603.93.90 e 5603.94.00, conforme Laudo Técnico elaborado por engenheiro têxtil credenciado na Receita Federal. Com esta nova classificação fiscal a alíquota do Imposto de Importação passa a ser de 18%; foi anexado ao processo o Laudo Técnico (fls. 246/264); É que temos no Auto de Infração relativo à descrição dos fatos. O contribuinte apresentou Impugnação (fls. 268/ss), em 25/06/2004, oportunidade em que expõe suas razões de defesa, as quais podem ser assim sintetizadas: o polímero de poliamida aromático é amplamente utilizado no mercado de isolantes elétricos na forma física aparente de papéis e cartões prensados; foi surpreendida pela fiscalização que entendeu que o produto denominado "Brand Papel Nomex" não deveria classificarse nas posições NCM 5603.11.10, 5603.12.20, 5603.13.20 e 5603.14.10; inicialmente, o Fisco supôs que o produto era papel, constituído de celulose, entretanto, o Laudo Pericial confirmou que o produto era constituí do de material sintético e não celulósico, descartando a classificação para posições específicas de papel (celulose). Entendeu, então a Fiscalização, que o material sintético de aramida, por supostamente encontrarse na forma de fibras, deveria ser reclassificado para as posições 5603.91.00, 5603.92.90, 5603.93.90 e 5603.94.00; a exigência fiscal fundamentouse na suposta alegação da aramida não ser um filamento. Assim, o Fisco atevese à forma (fibra ou filamento), para proceder à reclassificação fiscal de uma posição mais especifica para uma posição tarifária mais genérica; o produto "Brand Paper" possui 100% de aramida em sua composição (filamentos cortados de aramida e aglutinante de aramida); o produto não possui similar nacional, pois o "Brand Paper Nomax" é um produto único, patenteado pela matriz da Impugnante. Sendo assim, considerando que o produto não é fabricado no Brasil, temse corretamente imposta a extrafiscalidade de imposto de importação, com a aplicação da alíquota de 2%; a denominação de fibra ou filamento não faz diferença para fins de classificação da aramida na TEC; tecnicamente confirmouse que o produto se trata de filamento cortado; Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 houve presunção do Fisco em penalizar a Impugnante nas importações desde 1999, pelo suposto erro de classificação; houve falta de graduação ou ilegalidade quanto às imposições das multas pela falta de Licença de Importação e pela reclassificação do Fisco. protesta pela juntada de prova pericial adicional, nomeando co o perita Vanessa Garbin Soares — engenheira de produção têxtil, relacionando os quesitos que pretende ver respondidos (fls. 281); protesta, ainda, pela juntada de Laudos de Laboratórios independentes Através da Resolução 843 de 18/09/2008 (folhas 326 a 329), os membros da 1a Turma desta DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO SÃO PAULO II, a fim de possibilitar a adequada instrução do presente processo, resolveram convertêlo em diligência nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto no. 70.235/72, no intuito de se identificar perfeitamente a mercadoria importada, com o retomo dos autos à repartição de origem, Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo (SP), para: 10) Elaborar e juntar aos autos uma planilha (quadroresumo) contendo a relação das Declarações de Importação objeto do presente Auto de Infração com as respectivas descrições das mercadorias constantes das mesmas. 2°.) Realizar perícia técnica adicional do produto objeto do presente litígio para que: 2.1.) Sejam respondidos os quesitos elaborados pela Impugnante, conforme relação de folha 281 deste processo; 2.2.) Sejam respondidos outros quesitos adicionais elaborados pela Fiscalização. se assim entender necessário; Em atendimento à Resolução no. 843/2008, a IRESão Paulo tomou as seguintes providências: (i) Intimou a Impugnante para elaboração de perícia técnica adicional (folhas 353/355); (ii) Juntou cópias das declarações de importação objeto do presente litígio às folhas 356a 1173; (iii) Solicitou Laudo Técnico Adicional ao engenheiro José Antônio Bauab Filho (folha 1174), sendo que foi apresentado o Laudo Técnico conforme folhas 1175 a 1188; (iv) Intimou a empresa para tomar ciência do resultado da diligência fiscal (folhas 1189/1190); (v) Foi dada ciência ao representante da Impugnante em relação ao novo Laudo Técnico elaborado, sendolhe fornecidas cópias do mesmo (folha 1175). Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10314.003190/200479 Acórdão n.º 3201002.306 S3C2T1 Fl. 95 5 Não houve manifestação por parte do contribuinte (folhas 1191/1192) Os autos retornaram a esta DRJSPOII para prosseguimento. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Classificação fiscal do produto Brand Paper Nomex. Os produtos descritos como "falsos tecidos de fibras de poliamida aromática (aramida)", denominado "Brand Paper Nomex", fabricado pela Du Pont, identificado por Laudo Técnico como sendo um falso tecido de fibras descontinuas de aramida, com gramaturas de 40 a 850 g/m2, encontram correta classificação tarifária TEC nos códigos 5603.91.00. 5603.92.90, 5603.93.90 e 5603.94.00. Lançamento Procedente em Parte Na decisão recorrida, em síntese, quanto ao mérito da classificação fiscal, entendeuse que, com base nas regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, bem como pelas NESH, diferenciamse os termos "filamentos" e "fibras descontinuas", critérios decisivos para identificação do correto código tarifário. Com relação às penalidades aplicadas, verificase que, em decorrência do erro de classificação fiscal, houve pagamento a menor do imposto de importação, portanto, ocorrido o fato gerador da multa de ofício. Quanto à multa por classificação incorreta da mercadoria, a Medida Provisória n § 2.15835, com vigência a partir de 27/08/2001, prevê sua exigência em seu artigo 84, inciso I. Finalmente, quanto à multa por falta de licenciamento na importação, e com base no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97, foi exonerada, considerandose que, ao se analisar cada uma das declarações de importação, objeto da autuação, os produtos estão corretamente descritos, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, não se constatando intuito doloso ou má fé por parte da ora Recorrente. No recurso voluntário apresentado, foram reiterados os argumentos aduzidos na peça de impugnação. É o relatório. Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente auto de infração tem como objeto a desclassificação fiscal das mercadorias importadas, basicamente, sob o critério de identificálas como "falsos tecidos de fibras de poliamida aromática (aramida, denominado "Brand Paper, Nomex", nos códigos tarifários 5603.11.10, 5603.12.20, 5603.13.20 e 5603.14.10 (falsos tecidos, mesmo impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados de filamentos sintáticos ou artificiais, de aramida de diferentes pesos), com alíquota de 2% para o imposto de importação na visão da Recorrente, ao passo que, para o Fisco, tratavamse de "falso tecido de fibras descontinuas de aramida", concluindo, assim, que não são "filamentos" e, portanto, classificadas nos códigos tarifários 5603.91.00, 5603.92.90, 5603.93.90 e 5603.94.00, com alíquota do imposto de importação de 18%. Em outras palavras, a mercadoria importada era composta de "fibras" ou "filamentos"? O Brasil ratificou a Convenção do Sistema Harmonizado pelo Decreto legislativo n. 71/1988 e Decreto n.97.409/1988, vigendo até 31/12/1996 a NBM/SH Nomenclatura Brasileira de Mercadorias. Com o processo de integração na América Latina, passou a viger a NCM ou Nomenclatura Comum do Mercosul, para fazer frente à necessidade de estabelecimento de nomenclatura unificada entre os Estados Membros, para instauração da Zona de Livre Comércio e União Aduaneira, no Mercosul. O Sistema Harmonizado configurase com uma estrutura lógica e legal, composta de 97 capítulos, ordenados em 21 Seções, por sua vez, compostos por subdivisões em três níveis hierárquicos para enquadramento das mercadorias, representados por 6 dígitos: posição de 1º nível (4 dígitos), subposição simples e de 2º nível, respectivamente representados por 1 dígito cada, além da subposição composta, de 3º nível, também representada por um dígito. Além dos seis dígitos do SH (posição, subposição simples e subposição composta), no âmbito do direito interno, são acrescidos dois dígitos de identificação, itens e subitens, na NCM/SH, de maneira que os seis primeiros números, cuja base é o Sistema Harmonizado, serão iguais em todos os países do mundo que ratificaram a convenção internacional, ao passo que o 7º e 8º dígitos, são próprios da codificação tarifária interna. Observese que, por força de seu escopo – contemplar todo o universo de mercadoria existentes no mundo, que existiram, existem e que serão criadas, atribuindo código tarifário para cada uma delas – o Sistema Harmonizado não se configura como simples “tarifa”, arrolando de forma exaustiva todas as possibilidades de codificação. Antes, como se seu próprio nome denuncia, o Sistema Harmonizado tem natureza sistêmica, i.e., é guarnecido de normas jurídicas e estruturação suficiente, que lhe atribuem fechamento operacional e condições para contemplar as possibilidades que se Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10314.003190/200479 Acórdão n.º 3201002.306 S3C2T1 Fl. 96 7 apresentem concretamente, que não se resumem a existência de posições residuais em cada uma das posições e subposições da tarifa (“outros”). Cada Seção e Capítulo possuem Notas interpretativas que deverão ser observadas pelo intérprete, para levar determinada mercadoria para uma ou outra classificação, além de observância das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Por outro lado, há robusto instrumental subsidiário para auxiliar o intérprete, como as NESH Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, produzidas pela Organização Mundial das Alfândegas e que trazem elementos de esclarecimento da significação das posições subposições, das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições, veiculadas no direito interno por meio de instruções normativas da Receita Federal do Brasil. As soluções de consulta proferidas em procedimento administrativo de classificação fiscal e a jurisprudência do antigo 3º Conselho de Contribuintes e da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da mesma forma, trazem importantes parâmetros para nortear a exegese da classificação fiscal. Ainda, podem ser citados os pareceres da OMA Organização Mundial das Alfândegas sobre classificação Fiscal (também veiculados por instruções normativas da Receita Federal), ditames de classificação fiscal do Mercosul, por meio dos quais as administrações nacionais emitem critérios e pareceres sobre classificação de mercadorias na NCM/SH. Por outro lado, não se pode olvidar que ademais do conhecimento do regime jurídico de classificação fiscal incidente sobre determinada mercadoria, o intérprete deverá ter profundo conhecimento merceológico da mesma, ou seja, de suas características técnicas características operacionais e usuais; os insumos e matériasprimas do qual é composta, além de suas informações comerciais. Pois bem, fezse o intróito, para contextualizar as conclusões da presente decisão. Destarte, embora a Recorrente afirme que não há diferenciação na linguagem coloquial ou técnica entre os termos apontados, para efeitos de classificação fiscal de mercadorias, importa identificar quais os critérios foram empregados, em cada mercadoria concreta, para enquadramento tarifário, à luz das disposições do Sistema Harmonizado de Classificação e Codificação, base legal para a Nomenclatura Comum do Mercosul. E nesse sentido, o voto condutor da decisão recorrida, foi irretocável, ao se debruçar sobre as normas do Sistema Harmonizado, vis a vis com o a correta identificação merceológica dos bens importados, estribado em laudos técnicos, pelo que se adota os seus fundamentos. Nesse sentido, temse: Antes de abordar o mérito da questão, vejamos os desdobramentos dos dois códigos em conflito, em níveis de posição, subposição e item, in verbis: Código atribuído pelo contribuinte: Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 5603 FALSOS TECIDOS, MESMO IMPREGNADOS, REVESTIDOS, RECOBERTOS OU ESTRATIFICADOS. • 5603.1 De filamentos sintéticos ou artificiais 5603.11 De peso não superior a 25g1m2 5603.11.10 De aramida 5603.11.90 0utros 5603.12 De peso superior a 25g/m2 mas não superior a 70g/m2 5603.12.20 De aramida 5603.13 De peso superior a 70g/m2 mas não superior a 150g/m2 5603.13.20 De aramida 5603.14 De peso superior a 150g/m2 • 5603.14.10 De aramida Código informado pela fiscalização: 5603 FALSOS TECIDOS, MESMO IMPREGNADOS, REVESTIDOS, RECOBERTOS OU ESTRATIFICADOS 5603.9 Outros 5603.91.00 De peso maior ou superior a 25g1m2 5603.92 De peso superior a 25g/m2 mas não superior a 70g/m2 5603.92.90 — Outros 5603.93 De peso superior a 70g/m2 mas não superior a 150g/m2 5603.93.90 — Outros. 5603.94.00 De peso superior a 150g/m2 O primeiro passo para classificar um produto consiste em identificálo corretamente. Assim, neste sentido, foi elaborado inicialmente o Laudo Técnico FM 2003 00.5968 IRF/SPO (folhas 247/264) pelo engenheiro credenciado junto à Receita Federal Sr. José Antônio Baub Filho, que traz as seguintes informações relevantes: "Quesitos formulados e respostas: 1. Identificar e descrever sobre os produtos contidos nas DIs da relação anexa. Resposta: Os produtos analisados têm o nome comercial de "Brand Paper", composto de 100% metaaramida (poliamida), cujo nome em particular atribuise Nomex marca registrada da Du Pont, dispostos em rolos de largura 914 mm e com mais de 40 kg cada. Brand Paper Tipo 410, espessura 2 mil (0,05 mm), gramatura 41,72 g/m2; Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10314.003190/200479 Acórdão n.º 3201002.306 S3C2T1 Fl. 97 9 Brand Paper Tipo 410, espessura 30 mil (0,76 mm), gramatura 842,98 g/m2; 2. Descrever etapas e o processo produtivo de obtenção do material em referência. Resposta: Conforme fluxograma fornecido pela Du Pont, o polímero de aramida é destinado a produção de fibras descontinuas com 6,7 mm de comprimento e partículas de aglutinantes, onde são reunidos em uma folha de fibras descontinuas e partículas aglutinantes, submetidas a ação de calor por calandragem formando o "falso tecido" onde é cortado e bobinado como apresentam as fotos da vistoria. 3. omissis • 4. Demais considerações técnicas que entender necessárias. Resposta: Entendese por falso tecido os constituídos por um véu ou uma manta composta essencialmente por fibras têxteis orientadas direcionalmente ou ao acaso e ligadas entre si. Estas fibras podem ser naturais ou químicas (artificiais ou sintéticas) descontinuas ou filamentos. Filamentos X Fibras desconíinuas temse a diferença onde um é continuo sem cortes (filamentos) e o outro é cortado em comprimentos prédeterminados usualmente não superiores a 300 mm. CONCLUSÃO: Para a forma apresentada e composição ser sintética e não celulósica, concluímos tratarse de falso tecido de fibras descontinuas de aramida com gramaturas de 40 a 850 g/m2. (grifei) Posteriormente, em atendimento à Resolução No. 843/2008, foi elaborado Laudo Técnico complementar, pelo mesmo engenheiro que elaborou o Laudo inicial, que trouxe as seguintes informações relevantes: 1 O produto é aramida? Resposta. Sim, o produto avaliado na época com amostra anexada ao laudo técnico da referida FM citada, tem nome comercial "Brand Paper", é composto de 100% de metaaramida (poliamida), com fibras descontinuas e aglutinantes do mesmo polímero. 2 a 5 — omissos 6 É razoável qualificar o produto como aramida, contendo filamentos? Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Resposta: Não se trata de razoabilidade para um conceito de identificação química ou física qualificável e mensurável tecnicamente, pois na forma analisada, tratase de falso tecido de fibras descontinuas de aramida, termoligado, não contendo filamentos. 7 O falso tecido denomina "NOMEX PAPER" contém fibras descontinuas ou contém filamentos? Resposta: Contém fibras descontinuas, conforme laudo técnico. Passemos à análise da correta classificação fiscal do produto importado. Sabemos que a classificação fiscal de um produto deve ser efetuada pelas RGISH — Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, e neste sentido, a RGI No. 01 estabelece que "...para efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo, e desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes". Por sua vez, a RGI No. 06 estabelece que "a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário." A reclassificação fiscal baseouse fundamentalmente nas afirmações feitas pelo engenheiro têxtil em seu Laudo Técnico quando afirma que: "Filamentos X Fibras descontinuas temse a diferença onde um é contínuo sem cortes (filamentos) e o outro é cortado em comprimentos prédeterminado usualmente não superiores a 300 mm." (folha 248) Ainda no mesmo Laudo, folha. 249, afirmase: "CONCLUSÃO Para a forma apresentada e composição ser sintética e não celulósica, concluímos tratarse de "falso tecido de fibras descontinuas de aramida" com gramaturas de 40 a 850 g/m 2 " (gri fei) Com base nessa informação, a fiscalização entendeu que os produtos importados não poderiam enquadrarse na subposição 5603.1, que trata especificamente dos falsos tecidos de filamentos sintéticos ou artificiais e não de falsos tecidos de fibras descontinuas. [...] Apesar de todas essas definições e conceitos envolvendo os termos "filamentos" e "fibras", é dentro das NESH que devemos procurar os conceitos ou a diferenciação entre essas expressões. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10314.003190/200479 Acórdão n.º 3201002.306 S3C2T1 Fl. 98 11 As NESH do Capítulo 54 afirmam: "CAPITULO 54 FILAMENTOS SINTÉTICOS OU ARTIFICIAIS; LÂMINAS E FORMAS SEMELHANTES DE MATÉRIAS TÊXTEIS SINTÉTICAS OU ARTIFICIAIS Notas. I. Na Nomenclatura, a expressão fibras sintéticas ou artificiais referese a fibras descontinuas e filamentos, de polímeros orgânicos, obtidos industrialmente:" "CONSIDERAÇÕES GERAIS O estudo deste Capitulo deve fazerse tendo em vista as Considerações Gerais da Seção XL Em conformidade com a Nota 1 do presente Capitulo, entendem se por 'fibras sintéticas ou artificiais", sempre que estes termos sejam utilizados no presente Capítulo, no Capítulo 55 ou em qualquer outra parte da Nomenclatura, os filamentos ou as fibras descontinuas compostas de polímeros orgânicos obtidos industrialmente: 1) Por polimerização de monômeros orgânicos ou por modificação química de polímeros (ver as Considerações Gerais do Capítulo 39) (fibras sintéticas) ou 2) Por dissolução ou tratamento químico de polímeros orgânicos naturais ou por modificação química de polímeros orgânicos naturais (fibras artificiais)." Observase claramente das disposições acima que a expressão "fibras sintéticas ou artificiais" é gênero que comporta duas espécies: os "filamentos" sintéticos e artificiais e as "fibras descontinuas" sintéticas ou artificiais. Essa diferenciação fica mais clara quando observamos os textos das posições dos capítulos 54 e 55, dos quais alguns exemplos são retirados de forma ilustrativa: 5401 Linhas para costurar de filamentos sintéticos ou artificiais mesmo acondicionadas para venda a retalho. 5508 Linhas para costurar, de fibras sintéticas ou artificiais descontinuas mesmo acondicionadas para venda a retalho. 5402 Fios de filamentos sintéticos (exceto linhas para costurar), não acondicionados para venda a retalho, incluídos os monofilamentos sintéticos com menos de 67 decitex. 5509 Fios de fibras sintéticas descontinuas (exceto linhas para costurar), não acondicionados para venda a retalho. 5407 Tecidos de fios de filamentos sintéticos incluídos os tecidos obtidos a partir dos produtos da posição 54.04. Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 5512 Tecidos de fibras sintéticas descontinuas contendo pelo menos 85%, em peso, destas fibras." (grifo meu) Dessa forma, percebese claramente que as NESH diferenciam os termos "filamentos" e "fibras descontinuas", não podendo os mesmos serem considerados como sinônimos para fins de classificação tarifária. Observase que, embora tenha sido dada ciência à Recorrente sobre a elaboração de laudo técnico complementar, essa mantevese silente, a despeito de, em sede de impugnação, protestar pela juntada de laudos técnicos independentes. Por conseguinte, corroborase a decisão recorrida, no sentido de ser correta a reclassificação dos produtos da subposição 5603.1 para a subposição 5603.9, em seus respectivos itens e subitem . Em relação às multas, de ofício e de 1%, sobre erro de classificação fiscal, o mesmo tanto se pode dizer, pois há expressa disposição legal para sua aplicação, de sorte que, a sua exoneração esbarraria na Súmula CARF n. 2, que determina que o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, em relação à multa administrativa relativa à falta de licenciamento à importação, não se contestando a sua tipificação, pois inconteste nos autos a necessidade de licenciamento para as mercadorias em questão, deve se verificar o seu cabimento, em vista da descrição da mercadoria. Com efeito, a referida penalidade tem como núcleo a conduta antijurídica tipificada como “importar mercadoria sem licença de importação”, ato administrativo de competência do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pelo órgão DECEX, pelo qual se realiza o controle administrativo das importações. Nessa hipótese, a análise da boafé do contribuinte fazse necessária, pois conforme prescreve o artigo 48 do Decreto –lei n. 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n. 2472/1988, o controle administrativo das importações, ao lado das competências relativas ao crédito tributário, da Secretaria da Receita Federal, é composto de feixe de normas jurídicas que disciplinam o exercício do poder de polícia estatal relativo às mercadorias que ingressam no território nacional, especialmente no que tange àquelas sensíveis à economia, à segurança e à saúde pública. Assim, se ausente conduta que implique violação a quaisquer dos valores protegidos pelas normas do controle administrativo às importações, por não se relacionar à natureza da mercadoria, à sua composição, ou seu gênero, porém, referirse a aspectos secundários de mercadorias da mesma natureza, não há subsunção da conduta realizada ao tipo infracional. Notese que não se mostra Proporcional, nem mesmo Razoável, a fiscalização reputar que a mercadoria importada corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação, possa infringir o controle administrativo das importações. E nesse contexto, o Ato Declaratório (Normativo) COSIT n. 12/97, estabelece a orientação para aplicação da referida penalidade tinha como excludentes duas hipóteses: (i) descrição correta do produto, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário pleiteado; e (ii) ausência de intuito doloso ou máfé do contribuinte. Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10314.003190/200479 Acórdão n.º 3201002.306 S3C2T1 Fl. 99 13 Portanto, novamente, corroborase a decisão recorrida, quando exonera a referida multa, por se entender adequadamente descritas as mercadorias, na declarações de importação objeto da autuação,como se depreende: DI 99/02859844 (folha 359) Descrição da mercadoria: "Falsos tecidos de fibras de poliam ida aromática (aramida) com resistência térmica isolante (classe H), sendo: NOMEX, BRÁNDEX PAPER 3.0 MIL 36.000 IN WIDE ROLL .076 MM 91 CM WIDE ROLL TIPO 418" DI 99/02917860 (folha 363) Descrição da mercadoria: "Falsos tecidos de fibras de poliamida aromática (aramida) com resistência térmica isolante (classe H), sendo: NOMEX BRANDEX PAPER 3.0 MIL 36.000 IN WIDE ROLL .076 MM 91 CM WIDE ROLL TIPO 410" DI 99/02958974 (folha 367) Descrição da mercadoria: "Falsos tecidos de fibras de poliamida aromática ('tiram ida) com resistência térmica isolante (classe H), sendo: NOMEX BRANDEX PAPER 7.0 MIL 36.000 IN WIDE ROLL .178 MM 91 CA/ WIDE ROLL TIPO 410" Nesse sentido, entendo correta a desoneração da multa ao controle administrativo, o que implica, desde logo, em negar provimento ao recurso de ofício, uma vez que o seu valor supera o de alçada . Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário e nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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