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Numero do processo: 10920.000441/2001-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO.
Restando comprovada a existência de omissão, na forma suscitada pelo embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos para rerratificar a decisão.
Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 9101-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão n° 9101-00.138, de 12/05/2009.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO. Restando comprovada a existência de omissão, na forma suscitada pelo embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos para rerratificar a decisão. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994, 1995, 1996, 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO. Restando comprovada a existência de omissão, na forma suscitada pelo embargante, impõese o acolhimento dos embargos para rerratificar a decisão. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão n° 910100.138, de 12/05/2009. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 04 41 /2 00 1- 72 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo Sujeito Passivo, em face do Acórdão n° 910100.138, de 12/05/2009, em cuja ementa consta: "Ementa: IRPJ DECADÊNCIA A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para o IRPJ aplicase a regra decadencial prevista no § 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo na ocorrência de dolo fraude ou simulação, quando o dies a quo do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN). ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONHECER do recurso da Fazenda Nacional e negarlhe provimento ao recurso pelo acolhimento da preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte, nos termos do relatório e vota que passam a integrar o presente julgado." Notificado da referida decisão em 20/04/2012, o Sujeito Passivo opôs embargos de declaração em 27/04/2012, suscitando que: "Rememorandose o caso, o presente processo é composto da reunião de dois outros feitos administrativos: 10920.000369/9925 (correspondente ao IRPJ dos anos de 1995 e 1997 com ciência em 30/03/1999) e do processo 10920.000420/0096 (correspondente ao IRPJ dos anos calendário de 1994, reflexos em 1995 e 1996 com ciência em 17/04/2000 pág 389 dos autos. Ambos os processos iniciaramse isoladamente, com suas próprias impugnações. Porém, ambos os processos foram anexados e receberam o número em epígrafe. Em que pese a brilhante decisão, ao final do seu voto a Conselheira Relatora não faz alusão a qual data foi tomada a ciência do auto de infração 10920.000420/0096 (fls. 389) cujo conteúdo, por mais que anexado ao presente processo e tenha recebido outra numeração pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, deuse em 17/04/2000 relativamente ao IRPJ do ano de 1994 (único período em discussão). Por tratarse de mera omissão formal quanto à data, a contribuinte ora Embargante entende que tal retificação, apenas para constar tal informação, é de suma importância para fins de evitar má interpretação da decisão proferida pela Sra. Conselheira Relatora, bem como para consignar efetivamente que operouse a decadência quanto àquela parcela exigida no presente processo administrativo. Por essa razão, pugnase pela alteração do julgado apenas para constar a informação acima descrita, como meio de salvaguardar a efetividade da decisão proferida." O presente processo foi a mim distribuído por sorteio, em sessão de julgamento realizada em 08/12/2105, nos termos do art. 49, § 5° do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista que o relator original não pertence mais ao colegiado. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 10920.000441/200172 Acórdão n.º 9101002.163 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Os Embargos se mostram tempestivos e atendem aos pressupostos legais para seu seguimento, pelo que deles conheço. Preliminarmente, reconheço que restou caracterizada a omissão objetivamente apontada pela recorrente, no que concerne à data da notificação do Sujeito Passivo do Auto de Infração formalizado no processo n° 10920.000420/0096, para efeito de configuração da decadência. Vale esclarecer que os presentes autos, formalizados em 09/04/2001, resultam da juntada dos processos de n°s 10920.000369/9925 e 10920.000420/0096, fls. 236237, 407414 e 474, todas do Volume 1. Quanto ao primeiro processo, o relatório do acórdão embargado assim versou: "O processo trata de Auto de Infração para a exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, referente aos anoscalendário de 1995 a 1997 (fls. 218/220). A ciência foi dada ao contribuinte em 30/03/1999 (fls. 217)." No entanto, quanto ao segundo, cuja ciência do auto de infração (fl. 389) deuse em 17/04/2000, relativamente ao IRPJ do ano de 1994, configurouse a omissão, o que pode comprometer a interpretação da extensão dos efeitos da decisão, haja vista ter sido discutida a decadência do respectivo lançamento. Portanto, devese complementar o acórdão embargado, fazendo nele constar que os efeitos da decisão de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, estendemse ao auto de infração relativo ao processo nº 10920.000420/0096, cuja ciência deuse em 17/04/2000. Ante o exposto, voto por ACOLHER os embargos, para rerratificar o acórdão embargado nos termos acima apresentados. Ressaltese que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou recurso extraordinário, que teve seguimento (fl. 795 do Volume 2), em face do qual o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões (fls. 826831 do eprocesso). Assim, o processo deverá ser encaminhado para inclusão em lote de sorteio a membro do Pleno da CSRF, para prosseguimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 839DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO 4 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000225/2006-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO.
O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-003.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 25 /2 00 6- 69 Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 9303003.331 CSRFT3 Fl. 2.632 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão de nº 330200.790, o qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte para confirmar a glosa efetuada de créditos da contribuição sobre as aquisições de bovino, conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Negado O sujeito passivo, em seu recurso especial de divergência, com base nos acórdãos paradigmas nºs 330100.980 e 3301001.635, sustenta que a alíquota aplicável sobre o crédito presumido de PIS/Pasep e Cofins de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, prevista no § 3º do referido artigo, deve ser determinada em função do produto fabricado, não do produto adquirido como decidido na decisão a quo. Reconhecendo a divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, a Ilustre Presidência da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, em despacho exarado às fls. 2.619/2.621, admitiu o Recurso Especial interposto. Regularmente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Conheço do recurso especial de divergência do sujeito passivo por verificar que estão atendidos os requisitos necessários para sua admissibilidade. A questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o Fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 9303003.331 CSRFT3 Fl. 2.633 3 determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado, a Recorrente entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria deu saída, e não da origem do insumo que aplicou para obtêlo. No caso, a empresa deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM. Neste caso, assiste razão à recorrente, tendo em vista uma recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O art. 33 da Lei nº 12.865/2013 acresceu enunciado interpretativo ao art. 8° da Lei nº 10.925/2004, verbis: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ............................................................................................ § 1º ................................................................................................. I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ......................................................................................................... § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O referido parágrafo terceiro do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 possui a seguinte redação: § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 9303003.331 CSRFT3 Fl. 2.634 4 in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9ºA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, incluído pela Lei nº 12.865/2013. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, § 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. É como voto. Henrique Pinheiro Torres Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10865.002430/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
IRPJ - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RECEITAS - PRESUNÇÃO LEGAL - Caracterizam-se como receitas omitidas os valores creditados em conta corrente, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIMPLES FEDERAL. OPTANTE EXCLUÍDO. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. VEDAÇÃO.
É vedada a opção de apuração com base no lucro presumido para o optante excluído do Simples Federal no ano-calendário afetado pelos efeitos da exclusão se já tiver efetuado pagamentos sob outra modalidade de apuração.
Numero da decisão: 1302-001.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Daniele Souto Rodrigues Amadio; 2) por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade do lançamento; e 3) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Apresentou declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Julgamento realizado em 03/02/2016, integrando o Colegiado a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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SIMPLES FEDERAL. OPTANTE EXCLUÍDO. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. VEDAÇÃO. É vedada a opção de apuração com base no lucro presumido para o optante excluído do Simples Federal no anocalendário afetado pelos efeitos da exclusão se já tiver efetuado pagamentos sob outra modalidade de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Daniele Souto Rodrigues Amadio; 2) por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade do lançamento; e 3) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Apresentou declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 24 30 /2 01 0- 20 Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Julgamento realizado em 03/02/2016, integrando o Colegiado a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.002430/201020 Acórdão n.º 1302001.771 S1C3T2 Fl. 1.119 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontrase perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa. SIGILO BANCÁRIO. As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. EXCLUSÃO DO SIMPLES. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive quanto à forma de apuração do lucro se que se dará segundo as regras do lucro real, caso mantenha a escrituração Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 com observância das leis comerciais e fiscais, ou segundo as regras do lucro arbitrado no caso de impossibilidade de apuração do lucro real. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 377.206,75 (fl. 644), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 123.189,82 (fl. 655), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 480.625,61 (fl. 668), Contribuição para o PIS no valor de R$ 106.111,66 (fl. 682), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.373.360,37 (fl. 01). A exigência tributária decorreu de omissão de receita caracterizada por depósitos/créditos bancários não escriturados e de origem não comprovada efetuados na conta bancária n.º 13 0015881, da Agência 0670 do Banespa/Santander (créditos/depósitos relacionados individualmente às fls. 565/572 e por totais trimestrais às fls. 571/572) tendo em vista que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou satisfatoriamente a origem dos recursos depositados/creditados. Consta do Termo de Verificação (fls. 562/584) que dos depósitos foram excluídos os valores referentes aos cheques devolvidos e a diferença apurada foi levada à tributação como omissão de receita com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, entre outros dispositivos legais. Consta do mesmo Termo de Verificação que a fiscalização constatou que no anocalendário de 2004 os sócios da empresa fiscalizada, Alcides Bucchi e José Luiz Buchi, também participaram como sócios (participação superior a 10%) das pessoas jurídicas Paramount Faucets Metais (CNPJ 04.216.707/000190) e Buckfer Materiais de Construção (CNPJ 05.319.776/000192) e cuja receita global acumulada das 03 (três) empresas até o mês de agosto de 2004 superou o limite de R$ 1.200.000,00 para permanência no Simples Federal, razão pela qual foi a empresa fiscalizada excluída do Simples com efeito a partir de agosto de 2004 por meio do Ato Declaratório Executivo n.º 024/2009, publicado no Diário Oficial da União em 26/11/2004. Além disso, verificouse que a receita bruta declarada pela empresa fiscalizada no ano de 2004, somada à receita omitida apurada nos autos desse processo, superou o limite de 1.200.000,00 para permanência no simples no ano calendário de 2005. Diante da exclusão do Simples, a fiscalização adotou o regime de lucro real trimestral tendo em vista que a contabilidade da Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.002430/201020 Acórdão n.º 1302001.771 S1C3T2 Fl. 1.120 5 empresa, após alguns ajustes fiscais feitos de ofício, apresentou condições de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Foram atribuídas responsabilidades solidárias pelos créditos tributários apurados contra a empresa Forusi Metais Sanitários Ltda à FUNDIÇÃO BUNI LTDA (CNPJ 47.300.629/000110) e a JOSÉ LUIZ BUCCHI (CPF 783.048.22849), tendo em vista os fatos relatados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 265/285. Cientificada dos lançamentos em 15/07/2010, a empresa apresentou, em 13/08/2010, a impugnação de fls. 697/714, instruída com os elementos de fls. 715/724, alegando, PRELIMINARMENTE, nulidade dos autos de infração tendo em vista que: 1 – a empresa não foi definitivamente excluída do Simples uma vez que o processo de exclusão se encontra em fase de recurso administrativo e, em razão disso, eventual crédito tributário decorrente da exclusão deve permanecer suspenso, nos termos do art. 151, III, do CTN, bem assim o presente processo até decisão final do processo nº 10865.003623/200964 que tratou da exclusão; 2 – a autoridade fiscal não verificou a ocorrência do fato gerador; não determinou a matéria tributável; não demonstrou de forma correta o montante do tributo devido; não individualizou os créditos bancários e não observou que diversos lançamentos são decorrentes de empréstimos, vendas, transferências entre contas de mesmo titular e desconto de títulos e cheques, etc; 3 – a documentação que originou o auto de infração foi obtida através de meios ilegais uma vez que não houve o esgotamento de outras vias antes da quebra do sigilo bancário; Quanto ao MÉRITO alegou, em síntese, que os depósitos bancários, por si só, não constituem renda passível de tributação, pois eles não constituem fato de gerador do IRPJ, nem da CSLL, e que cabe ao Fisco a comprovação do nexo causal entre cada depósito e o fato que representa a omissão de rendimentos, conforme entendimento que vem sendo adotado pelos julgadores administrativos. Além disso, deveria a autoridade fiscal individualizar créditos bancários, um a um, e intimar a contribuinte a dar explicações, para só depois concluir que os numerários representariam ou não renda tributável. Contestando a forma de tributação alegou que uma eventual tributação deve se dar pelo lucro presumido e não pelo lucro real, pois se tratando de empresa optante pelo Simples que industrializa por encomenda, a tributação pelo lucro presumido é menos onerosa. Em seguida alegou que a sua exclusão do Simples não se deu de forma definitiva, pois o recurso contra a exclusão ainda se encontra pendente de decisão e, por conseguinte, eventual crédito tributário deveria ser apurado com base no Simples. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 Contestou a multa aplicada de 75% alegando ser ela abusiva e ter caráter confiscatório. Por último solicitou que as intimações sejam remetidas tanto para o endereço da impugnante como para o endereço de seus procuradores. Não houve qualquer manifestação por quem de direito quanto às responsabilidades solidárias atribuídas à FUNDIÇÃO BUNI LTDA e a JOSÉ LUIZ BUCCHI. Ciência do acórdão proferido pela DRJ em 09/06/2011 (fl.758). Recurso voluntário interposto em 11/07/2011 (fl.759). A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) preliminarmente, por estar suspenso o crédito tributário, uma vez que o julgamento da exclusão do Simples não está esgotado, também deve permanecer suspenso este processo até decisão final no PA nº 10865.003623/200964; b) ao não excluir as transferências entre contas de mesma titularidade, a fiscalização feriu o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e os art. 287 e 288 do RIR/99, bem como o art. 42 da Lei nº 9.430/96; c) o auto de infração é nulo pela quebra de sigilo bancário sem autorização judicial e sem o esgotamento de outras vias, anteriormente à quebra; d) no mérito, ultrapassadas as preliminares, alega que a mera existência de depósitos em conta corrente não caracteriza por si só a disponibilidade econômica de renda e proventos, devendo haver a comprovação do nexo causal entre cada depósito e o fato que representa a omissão de rendimentos. Além disto, há depósitos que não correspondem a receita da pessoa jurídica no lançamento e os créditos não foram individualizados, um a um, com a intimação para explicações; e) o cálculo deveria ter sido feito com base no Simples e não no lucro real, base de cálculo que, por ser muito onerosa, fere a capacidade contributiva do contribuinte (art. 145, §1º da Constituição Federal). A recorrente prefere o critério de apuração pelo lucro presumido; f) a apuração dos tributos desde 01/08/2004 fere a irretroatividade, pois há duplicidade de interpretação e o ato declaratório de exclusão data de 23/11/2009. A data da situação excludente somente pode ser a data da ciência do ADE (art. 112, CTN). Violação, também, dos princípios da não surpresa, segurança jurídica e legalidade tributária; O julgamento foi sobrestado, nos termos do §2º do art. 62 do velho Regimento Interno, através da Resolução nº 1302000.146, de 01/02/2012, porque a matéria posta em discussão (constitucionalidade da requisição de informações financeiras pelas autoridades tributárias sem autorização judicial, com base na LC 105/2001) havia sido objeto de reconhecimento de repercussão geral pelo STF no julgamento do RE 601.314. Revogados os §§1º e 2º do art. 62A do RICARF pela Portaria MF nº 545/2013 e não tendo sido ainda apreciado o RE nº 601.314 pelo STF, o julgamento foi retomado. Retomado, o julgamento foi novamente sobrestado, através da Resolução nº 1302000.334, de 28/08/2014, acolhendose parcialmente preliminar argüida pela recorrente, para que se aguardasse a distribuição independentemente de sorteio, do processo nº 10865.003623/200964, que contém matéria prejudicial à aqui debatida. Naquele feito é feita a Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.002430/201020 Acórdão n.º 1302001.771 S1C3T2 Fl. 1.121 7 discussão da exclusão da recorrente do regime do Simples, a partir de 08/2004. Distribuído aquele feito, é possível passarse ao exame das matérias aqui argüidas. É o relatório. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A apreciação mantém a ordem erigida no recurso. Aprecio as preliminares. a) Embora acolhida a pretensão quanto ao julgamento conjunto deste e do PA nº 10865.003623/200964, não é possível suspender o presente julgamento até o esgotamento na via administrativa daquela outra discussão. Nos termos do art. 6º, §1º, II, do RICARF, nos casos de decorrência, devem os processos ser reunidos e julgados pelo mesmo colegiado. b) A autoridade fiscal promoveu a exclusão dos cheques devolvidos dos valores tributáveis (fl.585/597). Foram ainda excluídas as transferências e os resgates de aplicações financeiras comprovados (fl. 565). Na tabela de fls. 565/571 a autoridade fiscal indica o critério de apuração do valor tributável, mencionando, depósitoadepósito, os elementos apresentados, para comprovar a insuficiência da prova prestada. A alegação da recorrente, por sua vez, é vazia, e não indica quais seriam as transferências que não teriam sido consideradas. Não pode, assim, ser acolhida a argüição de ofensa ao art. 142 do CTN. c) Quanto à violação à intimidade, pela quebra administrativa do sigilo bancário, e aos princípios da não surpresa, legalidade tributária, e segurança jurídica, cumpre dizer que tais matérias não estão sujeitas à apreciação do julgador administrativo vinculado ao Poder Executivo. A matéria é pacífica e já está sumulada (Súmula CARF nº 02), verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Passo ao mérito. d) A alegação não procede quanto à individualização dos créditos, a qual foi realizada (fls. 519/523 Termo de Constatação Fiscal). A prova colhida nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não implica violação do conceito de renda. A presunção é meramente um modo do legislador distribuir o ônus da prova a quem tem maior facilidade de produzila, obrigando a parte a colaborar na produção da prova. A presunção legal feita no art. 42 da Lei nº 9430/96, acaso não atacada, implica serem considerados os depósitos sem justificação de origem como receita omitida. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.002430/201020 Acórdão n.º 1302001.771 S1C3T2 Fl. 1.122 9 Observese, por oportuno, que a tributação dos valores depositados em conta corrente, cuja origem não foi demonstrada pelo titular, como receita omitida, é pacificamente aceita por este órgão de julgamento, conforme julgados abaixo. Acórdão: 10197116 – 1ªTO/1ªC/1ªSJ Relator: Valmir Sandri IRPJ – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acórdão: 10323588 – 1ªTO/2ªC/1ªSJ Relator: Antônio Bezerra Neto OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acórdão: 10517370 – 5ªC/1ªSJ Relator: Waldir Veiga Rocha OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – PROCEDÊNCIA Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A recorrente não questiona o fato de não ter sido arbitrado o lucro. Todavia, como indiretamente questiona a ofensa ao conceito de renda, analisamos a materialidade do lançamento. De fato, a autoridade fiscal tomou o cuidado de abater os prejuízos fiscais detidos, mas não efetuou o arbitramento, por não vislumbrar motivos para tanto. Contudo, analisando a base de cálculo lançada, verificase que não houve exagero na sua composição. Não há mera tributação das diferenças entre a movimentação financeira do contribuinte e sua receita declarada, indicando percuciente trabalho investigativo da autoridade fiscal. Vejamos. Ano calendário Movimentação Financeira (A) Receita Declarada (B) Diferença ( C ) Base de Cálculo somada (D) * 2004 4.975.441,48 638.542,08 4.336.899,40 2005 5.499.274,42 1.000.331,68 4.498.942,74 1.138.169,20 2006 5.294.467,44 835.226,32 4.459.241,12 1.340.863,37 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 2007 8.001.527,88 1.703.311,49 6.298.216,39 369.817,17 TOTAL 19.593.299,65 2.848.849,74 * Soma direta das bases de cálculo trimestrais lançadas Desta forma, não se vislumbra ofensa que enseje tributação do patrimônio da recorrente. e) Não procede a alegação de que o cálculo deveria ter sido feito com base no Simples e não no lucro real, no que tange aos anoscalendário 2005, 2006, e primeiro semestre de 2007. A recorrente foi excluída do Simples, devendose sujeitar ao regime geral, que, embora mais oneroso não fere a capacidade contributiva, sendo obrigatório em muitas situações. Além disso, a base de cálculo do IRPJ permanece sendo o lucro. Por outro lado, também não procede sua alegação de que prefere ao regime do lucro presumido. A possibilidade de adoção do regime do lucro presumido para optante excluído do Simples somente foi positivada pela Lei Complementar nº 123/2006 (Simples Nacional). Até então a matéria era regida pelo art. 16 da Lei nº 9.317/96, verbis: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A norma geral de tributação aplicável às demais pessoas jurídicas a que alude o art. 16 encontrase na Lei nº 9430/96, que prescreve ser o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário aquele que define as opções pelo lucro real anual (art. 3º, parágrafo único) ou pelo lucro presumido (art. 26, §1º). Na ausência deste pagamento, o regime geral aplicável é o do lucro real trimestral, verbis: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. ... Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. O contribuinte excluído do Simples Federal estava, assim, logicamente impossibilitado de adotar os regimes do lucro real anual ou lucro presumido, obrigado que está a prestar a Declaração Simplificada e a recolher sob o regime do Simples. Restavalhe, tão somente, a adoção do lucro real trimestral ou a sujeição ao arbitramento. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.002430/201020 Acórdão n.º 1302001.771 S1C3T2 Fl. 1.123 11 Todavia, a partir de 01/07/2007, passa a ter plena vigência o §2º do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006, que garante expressamente o direito do excluído optar pelo lucro real anual ou lucro presumido, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. O dispositivo é aplicável à recorrente, que não se manifestou na fase não contenciosa. A mudança de critério de apuração no ano de 2007 (sendo lucro real trimestral no 1º e 2º trimestres e lucro presumido nos 3º e 4º semestres) não viola o art.26 da Lei nº 9.430/96, pois o §2º do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006 é lex posterior e também lex especialis neste particular (situação específica de exclusão do Simples Nacional), derrogando, portanto, o art. 26 da Lei nº 9.430/96. Sendo que a tributação por regime diverso implica inovação de critério vedada à instância administrativa, e sendo que já se operou a decadência com relação ao período lançado, devem ser excluídos da tributação os valores relativos ao IRPJ e CSLL apurados no terceiro e quarto trimestre de 2007. A decisão relativa ao IRPJ e CSLL devese estender ao PIS e à Cofins, pois a adoção do regime do lucro presumido impõe aplicação do regime estabelecido na Lei nº 9.718/98 para a Cofins (art. 10, II, Lei nº 10.833/2003) e na Lei nº 9.715/98 para o PIS (art. 8º, II, Lei nº 10.633/2002), inviabilizando a permanência no regime de não cumulatividade. f) Não há dubiedade no art. 15 da Lei nº 9.317/96. A alegada dubiedade decorre de premissa incorreta da recorrente, ao entender que lhe parece mais correto a produção de efeitos a partir da ciência do ato declaratório executivo. Todavia, não é este o teor do dispositivo legal, verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; A lógica implícita no dispositivo é que o ato de exclusão é declaratório (Ato Declaratório Executivo) e não constitutivo, quanto ao não preenchimento das condições que o contribuinte deveria ostentar para candidatarse ao gozo do regime mais benéfico de tributação estabelecido pelo Simples. Ao verificar a falta de condições para o benefício, este é cassado desde o momento em que passou a ser gozado indevidamente, privilegiandose a igualdade tributária e o princípio da capacidade contributiva. No caso, a partir do mês subsequente (art. 15, II, Lei nº 9.317/96). De fato, os efeitos da exclusão são retroativos, mas isto decorre da própria redação legal. Não há, assim, espaço para aplicação do art. 112 do CTN (interpretação mais benéfica). Assim, também não é cabível a comparação feita com o art. 149, parágrafo único, do CTN (lançamento de ofício), pois não há lançamento. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 Já quanto à violação aos princípios da não surpresa, legalidade tributária, e segurança jurídica, cumpre dizer que tais matérias não estão sujeitas à apreciação do julgador administrativo vinculado ao Poder Executivo. A matéria é pacífica e já está sumulada (Súmula CARF nº 02), verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da tributação os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos ao terceiro e quarto trimestres de 2007. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.002430/201020 Acórdão n.º 1302001.771 S1C3T2 Fl. 1.124 13 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Acompanho o I. Relator em seu entendimento contrário ao sobrestamento do julgamento deste processo até a decisão final do processo administrativo nº 10865.003623/200964. O Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em seu Anexo II, estabelece que: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. [...] § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. [...] Nestes termos, o RICARF autoriza a distribuição do processo decorrente ao Conselheiro que recebeu o processo principal, e caso os litígios sejam apreciados em diferentes Seções, cogita do sobrestamento do decorrente apenas até a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Assim, nada nas disposições regimentais autoriza a conclusão de que o processo decorrente poderia ficar sobrestado até a decisão final do processo principal. É certo que a distribuição do processo decorrente ao mesmo relator do processo principal traz implícito o objetivo de que o processo decorrente tenha sua solução Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 alinhada à do processo principal. De outro lado, como os processos não estão juntados, é possível que eles se sujeitem a sortes diferentes conforme a postura das partes no seguimento do contencioso administrativo. Contudo, não se pode admitir que em razão desta separação física, apenas o processo principal siga para discussão, em sede de recurso especial, perante a CSRF. Isto porque os fundamentos de decidir adotados do processo principal integram, como prejudicial, a decisão do processo decorrente, de modo que eventual divergência ali verificada, suficiente para admissibilidade de recurso especial ali interposto, deve ser reconhecida como integrante da presente decisão, e também autorizar a admissibilidade de recurso especial aqui interposto. Ressaltese, ainda, que a Portaria RFB nº 666/2008 determina que os litígios formados no processo principal e neste decorrente integrassem o mesmo processo administrativo: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 2324, de 02 de dezembro de 2010) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 2324, de 02 de dezembro de 2010) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. § 1º O disposto no inciso I aplicase inclusive na hipótese de inexistência de crédito tributário relativo a um ou mais tributos. § 2º Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os incisos I, II e III as exigências relativas à aplicação de penalidade isolada em decorrência de mesma ação fiscal. § 3º Sendo apresentadas pelo sujeito passivo manifestação de inconformidade e impugnação, as peças serão juntadas aos processos de que tratam os incisos II e III. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10865.002430/201020 Acórdão n.º 1302001.771 S1C3T2 Fl. 1.125 15 § 4º As DComp baseadas em crédito constante de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido ou em compensação não homologada pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), apresentadas após o indeferimento ou não homologação, serão objeto de processos distintos daquele em que foi prolatada a decisão. § 5º Para efeito do disposto nos incisos II e III, havendo lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou da Contribuição Previdenciária, estes deverão constituir processos distintos. (negrejouse) Assim, se eventual dificuldade operacional não permitiu a reunião dos litígios principal e decorrente nos mesmos autos, esta ocorrência não pode, no futuro, ensejar a definitividade da decisão administrativa no processo decorrente enquanto o processo principal ainda se submete a discussão administrativa. Por tais razões, voto por REJEITAR o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 16327.000033/2008-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente que esse crédito esteja formalizado, antes ou depois do evento sucessório, por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa.
Numero da decisão: 9101-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(Assinado digitalmente)
EDITADO EM: 19/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente que esse crédito esteja formalizado, antes ou depois do evento sucessório, por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente que esse crédito esteja formalizado, antes ou depois do evento sucessório, por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 33 /2 00 8- 72 Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 9101002.212 CSRFT1 Fl. 1.406 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 19/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, repito o trecho do relatório da decisão recorrida, que interessa a este julgamento: (...) Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: 1. ausência de oferecimento à tributação de lucros auferidos por filial domiciliada no exterior (BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO – GRAND CAYMAN), nos anos de 1996 e de 1997; 2. tributação parcial dos lucros auferidos por filial domiciliada no exterior (BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO – LONDON), nos anoscalendário de 1996 e de 1997, em razão da utilização das taxas cambiais da data em que foram auferidos os citados lucros (31 de dezembro de 1996 e 31 de dezembro de 1997), e não a da data da disponibilização (31 de dezembro de 2002); 3. tributação parcial dos lucros auferidos por filial domiciliada no exterior (BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO – NEW YORK), nos anoscalendário de 1996 e de 1997, em razão da utilização das taxas cambiais da data em que foram auferidos os citados lucros (31 de dezembro de 1996 e 31 de dezembro de 1997), e não a da data da disponibilização (31 de dezembro de 2002); Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 9101002.212 CSRFT1 Fl. 1.407 3 4. tributação parcial, para fins de CSLL, de lucros auferidos por controlada domiciliada no exterior (BANK FINASA – ILHAS CAYMAN), nos anoscalendário de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000, haja vista as disposições da MP nº 1.8586/ 99; 5. ausência de tributação dos lucros auferidos por coligada domiciliada no exterior (BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO INTERNACIONAL S/A LUXEMBURGO), nos anoscalendário de 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 (30 de setembro e 31 de dezembro), em razão da utilização da participação societária para fins de subscrição e integralização de capital na constituição da sociedade FINASA HOLDING S/A (LUXEMBURGO) em 28 de dezembro de 2001 (afirma a Fiscalização que tal fato não está comprovado, mas restou constatado que a empresa incorporada pela autuada detinha, em 2002, 100% do BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO INTERNACIONAL – LUXEMBURGO, sendo, assim, os lucros tributáveis, por força das disposições do art. 74 da MP nº 2.158 35, de 2001); 6. tributação parcial do lucro auferido por coligada domiciliada no exterior (FINASA HOLDING S/A), no anocalendário de 2002, em razão da utilização da taxa cambial da data em que foi auferido o citado lucro (31 de dezembro de 2001), e não a da data da disponibilização (31 de dezembro de 2002); 7. tributação parcial do lucro auferido por coligada domiciliada no exterior (FINASA HOLDING S/A) no anocalendário de 2001, haja vista as disposições do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. Registrou a autoridade autuante (Termo de Verificação Fiscal – fls. 686) que as verificações empreendidas dizem respeito às operações do BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO, incorporado pela ora Recorrente. Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por meio do acórdão nº 1617.526, de 19 de junho de 2008, julgou parcialmente procedentes os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: (...) RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. Não é aplicável o art. 132 do CTN antes do arquivamento dos atos de incorporação na Junta Comercial. (...) (...) Irresignada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 939/1000, argumentando, em apertada síntese: (...) Relativamente à responsabilidade do sucessor: Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 9101002.212 CSRFT1 Fl. 1.408 4 que o artigo 132 do CTN determina, clara e expressamente, que a pessoa Jurídica sucessora/incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica incorporada, deixando patente que essa responsabilidade limitarseia aos tributos, e não às multas; (...) O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo, na parte que interessa ao presente litígio: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SUCESSORES. A expressão “crédito tributário” contida no art. 129 do Código Tributário Nacional (CTN) alcança tanto o valor do tributo porventura devido, como os demais acréscimos incidentes sobre estes, incluídas aí as multas de ofício regularmente aplicadas. Inconformada, a contribuinte apresenta Recurso Especial por divergência, argumentando, em síntese, que os autos de infração foram lavrados contra si na qualidade de sucessora do Banco Mercantil de São Paulo S/A., razão pela qual pleiteou a exoneração da multa de ofício, por entender ser tal penalidade inaplicável à sucessora, o que foi negado pela Turma Julgadora. Entende que a multa de ofício somente lhe poderia ser aplicada, na qualidade de sucessora, se a exigência da multa já se encontrasse formalizada no momento da incorporação da sucedida, ou se as empresas sucedida e sucessora fizessem parte de um mesmo grupo econômico, o que, absolutamente, não é o caso dos autos. Fundamentase em julgado do Supremo Tribunal Federal (STF) de 1978, no Recurso Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de nº 923.012MG, de 2010, sujeito ao procedimento do art. 543C do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973) (recursos repetitivos) e na Súmula CARF nº 47. O recurso foi admitido pela presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais, preliminarmente, argúi a inadmissibilidade do recurso especial interposto, em face da aplicação do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Resp nº 923.012MG. No mérito, defende que se revela irrelevante o fato de as empresas sucessora e sucedida se encontrarem sujeitas ou não a controle comum ou integrarem ou não o mesmo grupo econômico, sendo desnecessário, do mesmo modo, a identificação do momento em que o lançamento da multa de ofício foi realizado em confronto com a data em que ocorreu o evento sucessório. É o Relatório. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 9101002.212 CSRFT1 Fl. 1.409 5 Voto Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. A matéria posta à apreciação da Câmara Superior referese à aplicabilidade da multa de ofício à sucessora, no caso de o lançamento dessa multa ser posterior à sucessão [art. 132 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966)]. Dispõe o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (grifei): Art. 62. (...). (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, tanto o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, quanto as contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional fazem expressa referência ao Recurso Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de nº 923.012MG, julgado em 9 de junho de 2010, fundamentandose, ambos, na disposição acima. Está assim ementado o referido Recurso Especial: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. [...]. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. “(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 9101002.212 CSRFT1 Fl. 1.410 6 comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra “roupagem institucional”. Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...]. 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Realmente, mencionado Recurso Especial não é claro em suas disposições, citando, como precedentes, acórdãos do STJ que decidiram ora em relação à multa imposta anteriormente à sucessão [REsp nº 592.007/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ de 22/3/2004; REsp 745.007/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/05/2005, DJ 27/06/2005 p. 299; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990 p. 13245], ora posteriormente àquela [REsp nº 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009]. Tendo em vista esse fato, foram interpostos Embargos de Declaração àquele julgado, sob o seguinte fundamento: 2. Afirma a companhia embargante que há contradições, obscuridades e omissão no acórdão recorrido; isso porque, ao contrário do que afirmou o aresto embargado, os julgados citados pelo ilustre Relator para amparar a sua tese, em verdade, são no sentido de que, na incorporação, o sucessor somente pode ser responsabilizado pelas multas caso elas tenham sido constituídas através do respectivo lançamento de ofício (art. 142 do CTN) efetuado antes da incorporação, pois, neste caso, e somente neste caso, o passivo relativo às multas já integraria o patrimônio líquido a ser incorporado. Nos referidos Embargos de Declaração, assim foi decidido, em 10 de abril de 2013, pondo fim à controvérsia: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). [...]. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. [...]. 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.000033/200872 Acórdão n.º 9101002.212 CSRFT1 Fl. 1.411 7 a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. De todo modo, como aquele Recurso Especial possui, entre os seus precedentes, o REsp nº 959.389/RS, o qual é expresso em se referir a obrigação anterior e lançamento posterior à sucessão empresarial, outro não poderia ser o entendimento senão o de que aquele Resp (de nº 923.012MG) também alcança essa situação. Noticiase, por fim, a recentíssima aprovação (DJE do STJ de 15/12/2015) de Súmula do STJ, de nº 554, de seguinte teor: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Referência: CPC, art. 543C. CTN, arts. 113, § 1º; 129; 132; 133 e 139. Ainda que a Súmula do STJ nº 554 não seja expressa relativamente à sua incidência nos casos de lançamento efetuado após o evento sucessório, entendo, pelos precedentes, i.e., o entendimento jurisprudencial, e pela lógica aplicável a esses casos (de que um mero acordo ou ato privado não pode fazer desaparecer a incidência de multas), que esta Súmula se aplica a lançamentos efetuados antes ou depois do evento sucessório, indistintamente. Isto posto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10845.001108/2002-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PARA EXAME DA MATÉRIA QUE A CONSTITUIÇÃO RESERVOU AO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO PODER EXECUTIVO INVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 2 DO CARF.
O Poder Judiciário, no exercício de sua competência, pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Todavia, tal prerrogativa, com exceção do disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se estende aos órgãos da Administração.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA PARA EXAME DA MATÉRIA QUE A CONSTITUIÇÃO RESERVOU AO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO PODER EXECUTIVO INVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 2 DO CARF. O Poder Judiciário, no exercício de sua competência, pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Todavia, tal prerrogativa, com exceção do disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se estende aos órgãos da Administração. Recurso Especial do Contribuinte Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Maria Teresa Martínez López - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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COMPETÊNCIA PARA EXAME DA MATÉRIA QUE A CONSTITUIÇÃO RESERVOU AO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO PODER EXECUTIVO INVOCAR TAL ATRIBUIÇÃO PARA SI. APLICAÇÃO DA SÚMULA 2 DO CARF. O Poder Judiciário, no exercício de sua competência, pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Todavia, tal prerrogativa, com exceção do disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se estende aos órgãos da Administração. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 11 08 /2 00 2- 10 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.001108/200210 Acórdão n.º 9303003.369 CSRFT3 Fl. 344 2 Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, interposto pela contribuinte ao amparo do art. 52, II, e 72 do antigo Regimento Interno da CSRF (Portaria MF n° 55/98), em face do Acórdão nº 20401.189, por meio do qual se negou provimento ao recurso. A ementa dessa decisão está assim redigida: COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. O artigo 56 da Lei n° 9.430/96 determinou que as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passassem a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta de prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar n° 70/91. Esta norma encontrase em plena vigência e dotada de toda eficácia Recurso improvido. Por meio do Despacho nº 34001408 4ª Câmara, foi dado seguimento parcial ao recurso interposto. Consta do Despacho de admissibilidade: Relativamente à argüição de inconstitucionalidade na via administrativa, verificase que enquanto o Acórdão recorrido considerou que não é possível aos órgãos administrativos de julgamento se manifestarem sobre a inconstitucionalidade da lei; o paradigma 10801.192; em situação fática semelhante, considerou possível que o Conselho de Contribuintes deixe de aplicar norma de hierarquia inferior que colida com á Constituição. Quanto a Esta matéria, esclareço que, embora o Acórdão recorrido esteja em conformidade com a Súmula CARF nº 2, o recurso foi interposto em 1996 sob á égide da Portaria MF nº 55/98, que não continha previsão no sentido de que deveria ser negado seguimento aos recursos que contrariassem a súmula de jurisprudência administrativa. Em face do exposto, DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL quanto à questão da apreciação de argüições de inconstitucionalidade na via administrativa. Por meio do Reexame de Admissibilidade foi mantido totalmente o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso especial apenas quanto à Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.001108/200210 Acórdão n.º 9303003.369 CSRFT3 Fl. 345 3 questão da possibilidade dos órgãos administrativos de julgamento apreciarem arguições de inconstitucionalidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Presentes os pressupostos legais para admissibilidade do recurso, dele tomo conhecimento. Tratase de recurso especial de divergência, interposto pela contribuinte ao amparo do art. 52, II e 72 do antigo Regimento Interno da CSRF (Portaria MF n° 55/98), em face do Acórdão nº. 20401.189, por meio do qual se negou provimento ao recurso. As controvérsias suscitadas foram quanto à possibilidade dos órgãos administrativos de julgamento apreciarem arguições de inconstitucionalidade e quanto à revogação do art. 62 , II, da LC n° 70/91 pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96 (isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais à incidência da Cofins). A tese central da recorrente, baseandose em que o art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91, o qual isentava as sociedades profissionais do pagamento da COFINS, não poderia ter sido alterado por mera lei ordinária, como fez o art. 56 da Lei nº. 9.430/96, por ostentar aquela isenção, tanto ao ângulo material, quanto formal, a natureza de lei complementar. Sustenta, a violação ao art. 150, § 6º, da Constituição, o qual exigiria “lei específica” tanto para a concessão, quanto para a revogação de isenções, requisito que não foi observado pela Lei nº 9.430/96. A questão (mérito) já foi decidida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 17/9/2008, no julgamento dos recursos extraordinários de nºs 377.457 e 381.964, ambos da relatoria do Ministro Gilmar Mendes. Naquela oportunidade, firmouse o entendimento de que o conflito aparente entre lei ordinária e lei complementar não deveria ser resolvido pelo critério hierárquico, mas pela natureza da matéria regrada, de acordo com o que dispõe a Constituição Federal. Nesta linha, entendeu a Corte que a isenção prevista na Lei Complementar nº. 70/91 configurava norma de natureza materialmente ordinária, razão pela qual, muito embora aprovada sob a forma de lei complementar, com quorum qualificado de votação no Congresso Nacional, considerou válida a sua revogação por lei ordinária, determinada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96. Mesmo assim, o tema, objeto do recurso, “possibilidade dos órgãos administrativos de julgamento apreciarem argüições de inconstitucionalidade”, já foi pacificado no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, não se pode olvidar que as súmulas do CARF são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.001108/200210 Acórdão n.º 9303003.369 CSRFT3 Fl. 346 4 CONCLUSÃO: Em face do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. Maria Teresa Martínez López Fl. 346DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000201/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DOS AUTOS. CONTRADIÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão hostilizado contiver contradição entre os seus próprios fundamentos.
Configurado o vício de contradição, na instrução dos autos, acolhem-se os embargos de declaração interpostos, com efeitos infringentes, para supri-la.
Embargos com efeitos Infringentes Acolhidos. Acórdão Retificado.
Numero da decisão: 2301-004.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Júlio Cesar Vieira Gomes.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DOS AUTOS. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão hostilizado contiver contradição entre os seus próprios fundamentos. Configurado o vício de contradição, na instrução dos autos, acolhem-se os embargos de declaração interpostos, com efeitos infringentes, para supri-la. Embargos com efeitos Infringentes Acolhidos. Acórdão Retificado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Júlio Cesar Vieira Gomes.
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INSTRUÇÃO DOS AUTOS. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão hostilizado contiver contradição entre os seus próprios fundamentos. Configurado o vício de contradição, na instrução dos autos, acolhemse os embargos de declaração interpostos, com efeitos infringentes, para suprila. Embargos com efeitos Infringentes Acolhidos. Acórdão Retificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Júlio Cesar Vieira Gomes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 02 01 /2 00 6- 07 Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de embargos de declaração tempestivamente opostos pelo contribuinte (fls. 2.939/2.948 pdf)), em face do Acórdão nº 2102003.081, da 2ª Turma da Primeira Câmara da 2ª Seção do CARF, de 14/08/2014, constante às fls. 2.922/2.931 pdf), com fulcro no art. 65, § 1º, II do RICARF, Portaria 256, de 22 de julho de 2009 e alterações posteriores: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: [...] II pelo contribuinte, responsável ou preposto; [...] Os presentes autos referemse a glosa de despesas da atividade rural, relativa ao anocalendário 2001. Após a apresentação de impugnação por parte do contribuinte, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ2, excluiu do lançamento parcialmente a glosa das despesas provenientes de pagamentos a autônomos, através de RPAs, e manteve o lançamento na íntegra quanto aos pagamentos efetuados a fornecedores, nos quais, sustentou o contribuinte que os empregados do condomínio efetuavam despesas junto a farmácias, armazéns e supermercados e que tais gastos eram suportados pelo condomínio e depois descontados dos empregados no pagamento da folha de salários. Entretanto, entendeu a DRJ/RJ2 que pelos documentos apresentados na impugnação, não restou comprovado o efetivo dispêndio do contribuinte das aludidas despesas com fornecedores, conforme alegou. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, submetido à apreciação da 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Em sessão de julgamento realizada em 14 de agosto de 2014, entendeu esta turma por ratificar os fundamentos da decisão da DRJ/RJ2, a qual refez o cálculo das infrações mantidas (fls. 2.517 e 5.517/v). Cientificado da decisão proferida no Acórdão nº 2102003.081 e, inconformado com a mesma, interpôs o contribuinte os presentes embargos, alegando que o referido Acórdão incorreu em erro ao ratificar o cálculo das infrações mantidas elaborado pela DRJ/RJ2, conforme segue: [...] 11. quando do julgamento do recurso voluntário apresentado, a ilustre relatora fundamentou não assistir razão ao embargante, devendo ser mantida a integralidade quanto a esses rendimentos, tendo em vista que conforme Termo de Verificação Fiscal, em fl. 640, a autoridade lançadora já teria realizado o cálculo das despesas relativas aos fornecedores na proporção de 50%, em decorrência do condomínio agrícola. Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15521.000201/200607 Acórdão n.º 2301004.463 S2C3T1 Fl. 2.955 3 12. sem embargo, e eis aqui a contradição apresentada, de fato a autoridade julgadora, em fl. 640, realizou o cálculo na proporção de 50%, entretanto, quando do julgamento da impugnação, ratificado no julgamento do recurso voluntário, ocorreu um erro de cálculo, sendo utilizado o valor total das despesas glosadas a título de pagamentos a fornecedores e, não apenas 50% (cinquenta por cento) como exige o art. 13 da Lei nº 8.023/90, em razão de se tratar de condomínio agrícola. 13. a ilustre relatora se utiliza do cálculo e das razões no termo de verificação fiscal em fl. 640 para justificar a manutenção da integralidade dos rendimentos, quando em verdade a fl. 640 diz justamente ao contrário, que deverá ser obedecido a proporção de 50%. O que se verifica foi uma falha no julgamento, pois a ilustre relatora pensou que os valores postos na decisão da impugnação (fl. 2.517) refletiam a proporção de 50%, quando em verdade estava refletindo a integralidade das despesas glosadas, e não apenas os 50% em razão do condomínio agrícola. 14. ora, o quadro demonstrativo acima revela esta contradição, merecendo ser reformada a decisão para que se mantenha o cálculo das despesas relativas a fornecedores na proporção de 50%, em decorrência do condomínio agrícola. [...] É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi Os Embargos preenchem os requisitos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, portanto devem ser apreciados. Os presentes embargos apostos pelo contribuinte sustentam que a decisão proferida por esta relatora no acórdão nº 2102003.081, julgado em 14/08/2014, incorreu em contradição, posto que sustenta ter havido erro no cálculo do imposto mantido no lançamento, uma vez que a mesma ratificou os fundamentos da decisão da DRJ/RJ2, e esta por sua vez, incorreu em erro quando manteve as despesas da atividade rural relativas a pagamentos a fornecedores, na integralidade, sem observar o rateio de 50%, face ao condomínio agrícola. Compulsando os autos, verificase que de fato, houve erro no cálculo elaborado pela DRJ/RJ2 (fls. 2.517 e 2.517/v), o qual restou ratificado por esta conselheira no Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 julgamento do Acórdão nº 2102003.081, relativamente aos valores mantidos no lançamento quanto às despesas da atividade rural provenientes de pagamento à fornecedores. Constatase a partir das tabelas constante em fls. 638 e 644/645, que o Fisco apurou o valor total dos custos/despesas pendentes de comprovação em R$ 1.093.460,41, e tributou este valor na proporção de 50% (R$ 546.730,21). Contudo, ao ser mantida a glosa das despesas relativas a pagamentos efetuados a fornecedores, a DRJ/RJ2 acabou por fazer incidir tributação sobre o valor integral das mesmas, sem observar o rateio de 50%, em decorrência do condomínio agrícola, conforme se verifica do cálculo constante do voto em fls. 2.517 e 2.517/v. Assim, considerando que o valor total das despesas com fornecedores, constante do cálculo de fls. 2.517 e 2.517/v, totaliza R$ 224.227,55, este valor deve ser rateado, o qual resulta em R$ 112.113,77, devendo ser reformada a decisão para que se mantenha o cálculo das despesas relativas a fornecedores na proporção de 50%, em decorrência do condomínio agrícola. Logo, deve ser provido os presentes embargos, com efeitos infringentes, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento, relativamente às despesas com pagamento de fornecedores, o valor de R$ 112.113,77, referente à parcela de 50% do condomínio, a qual destinase ao outro condômino. Por fim, cabe esclarecer que os presentes embargos recaem, exclusivamente, quanto ao erro no cálculo elaborado pela decisão da DRJ/RJ2, o qual restou ratificado por esta relatora no julgamento do recurso voluntário, realizado na sessão do dia 14/08/2014, e sanado no presente julgamento dos embargos. Ante o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS COM EFEITOS INFRINGENTES, para rerratificar o Acórdão nº 2102003.081 da 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, sanando a contradição apontada, e excluir do lançamento relativo ao pagamento com fornecedores o valor de R$ 112.113,77, concernente à parcela de 50% do condomínio, a qual destinase ao outro condômino. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000668/2002-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP).
APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE.
O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Súmula CARF nº 35.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP). APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Súmula CARF nº 35. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 06 68 /2 00 2- 70 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10508.000668/200270 Acórdão n.º 2202003.060 S2C2T2 Fl. 152 2 Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 1999, ano calendário de 1998, onde lhe foram exigidos R$ 26.125,54 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. No corpo da autuação, descreve a Autoridade Fiscal responsável pelo feito que após regular procedimento fiscal instaurado, apurou a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprovara com documentação hábil e idônea, citando a base legal empregada. O contribuinte fora intimado a apresentar os extratos bancários de sua conta corrente no Banco do Brasil, fazendoo conforme Termo de folha 17, e, posteriormente, listados os depósitos auditados, intimado a comprovar a origem dos recursos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10508.000668/200270 Acórdão n.º 2202003.060 S2C2T2 Fl. 153 3 Inconformado com o lançamento tributário, apresentou Impugnação, conforme fl. 74 e seguintes, onde alegou em suma que recebera, no final de 1997, numerário decorrente de plano de demissão voluntária junto ao Banco do Brasil, onde fora funcionário. Esquecerase de declarar tais valores na DIRPF/1998. Esse numerário, que circulou pela sua conta, em virtude de "pequenos mútuos" e "retornos" de dinheiro repassado a amigos e parentes, era a origem dos depósitos questionados pela Fiscalização. Diz que decorrido certo lapso temporal não poderia mais lembrarse ou comprovar cada um dos depósitos, que enfim não se caracterizariam, por si só, renda tributável. Anexou documentos. Sua manifestação foi tratada pela DRJ em Salvador/BA. Expôs o Julgador a quo, em síntese, que o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e alterações, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Esclareceu que rendimentos recebidos em 1997 não poderiam, por si sós, justificar os depósitos recebidos em 1998 e que o lapso de tempo decorrido, inferior ao prazo decadencial, não poderia afastar a presunção legal. Assim, deuse a decisão de 1ª instância, para considerar procedente o lançamento. Cientificado em 08/04/2004, conforme Aviso de Recebimento na folha 94, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/05/2004, com protocolo na folha 96. Em sede de recurso, assim, em suma, repisa os argumentos da Impugnação, para manifestar sua inconformidade: a) preliminarmente, alega que não possuía, na época, suporte financeiro nem bens para efetuar depósito recursal; b) identifica a infração que lhe é imputada e diz novamente que esquecerase de declarar a importância recebida, no final de 1997, em decorrência de adesão a plano de demissão voluntária junto ao Banco do Brasil, onde fora funcionário; c) juntou cópias de documentos que demonstram os valores recebidos, única fonte de recursos que justificou a movimentação financeira no ano de 1998. Foram "pequenos mútuos, pagamentos diversos, transações de pequeno mote, e outros..." d) não houve variação patrimonial e o montante que teria sido recebido, R$ 200.000,00, e compatível com a movimentação financeira detectada. e) diz que a presunção legal empregada no lançamento é relativa, que demonstrou a origem dos recursos e que movimentação financeira, por si só, não constitui fonte "irrefutável" de lançamento fiscal. PEDE o provimento de seu recurso para julgar improcedente a autuação fiscal. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10508.000668/200270 Acórdão n.º 2202003.060 S2C2T2 Fl. 154 4 Por não ter apresentado depósito recursal nem arrolamento de bens, após consultas e análise, a Unidade de origem, em despacho, negou seguimento ao recurso voluntário e encaminhou o crédito tributário para inscrição em Dívida Ativa da União. A Procuradoria da Fazenda Nacional, após Parecer que tratou da eficácia da Súmula Vinculante nº 21, do Supremo Tribunal Federal, entendeu pelo retorno dos autos à Unidade de origem, para encaminhamento do recurso voluntário a este Conselho, o que foi feito em 2013, após ser cientificado o Contribuinte interessado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, uma vez que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. Esclareço que a ciência foi dada no dia 08 de abril de 2004 mas o início da contagem do prazo para a interposição do recurso só se deu em 12 de abril, porque o dia 09 de abril daquele ano foi sextafeira da Paixão (Paixão de Cristo, feriado nacional). A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético. (formato .pdf) Bem, em face da Súmula Vinculante nº 21 do STF, já profundamente tratada no Parecer da PGFN que integra estes autos (fl. 134), desnecessário tratar da exigência de depósito recursal para seguimento de recurso administrativo. De início, como o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada, esclareço que o contribuinte, regularmente intimado, apresentou à fiscalização os extratos que serviram de base à apuração fiscal. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10508.000668/200270 Acórdão n.º 2202003.060 S2C2T2 Fl. 155 5 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 1134665 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Outrossim, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas Fl. 155DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10508.000668/200270 Acórdão n.º 2202003.060 S2C2T2 Fl. 156 6 pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF nº 35: O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. MÉRITO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quanto aos argumentos do Recorrente no sentido de que não é possível a autuação com base apenas nos depósitos bancários, sem que o Fisco demonstre a existência de renda, no conceito dado pelo artigo 43 do CTN, diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando Fl. 156DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10508.000668/200270 Acórdão n.º 2202003.060 S2C2T2 Fl. 157 7 interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Ainda tocante a essa matéria, relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Assim, os extratos bancários constantes dos autos (fls. 18 ss.) são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. O contribuinte diz que recebeu verba por adesão a programa de demissão voluntária e que se tivesse declarado essa disponibilidade, no final de 1997, não haveria incompatibilidade entre o montante dos depósitos bancários e tal suporte financeiro. Mas, veja que não se julga nestes autos os critérios do Fisco para seleção de contribuintes e abertura de procedimento fiscal. A fase litigiosa do procedimento, conforme preceitua o Decreto nº 70.235, de 1972, iniciase com a apresentação da Impugnação, que questiona o Auto de Infração. Ou seja, feito o lançamento fiscal, onde se demonstra a existência de depósitos em conta corrente de titularidade do contribuinte, no auto de infração lavrado com observância da legislação tributária, cabe a esse, conforme dispositivo legal acima transcrito, identificar, individualizadamente, a origem de cada depósito. Se foi retorno de numerário, corresponde a qual saída? Em que data? Se emprestou dinheiro, que depois recebeu de volta, emprestou quando, para quem? Identifique o depositante. Demonstre a entrada dos alegados R$ Fl. 157DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10508.000668/200270 Acórdão n.º 2202003.060 S2C2T2 Fl. 158 8 200.000,00 na conta e sua circulação, mas de forma onde haja uma correspondência ao menos razoável entre datas e valores. Isso é o que estabelece a lei, não sendo possível ilidir o lançamento fiscal, que apontou um a um os créditos a serem justificados, com uma alegação genérica de "pequenos mútuos, empréstimos de pequena monta, transações de pequeno porte". O contribuinte diz que devese analisar sua variação patrimonial, mas a Súmula CARF nº 26, acima transcrita, que consolida o entendimento jurisprudencial deste CARF, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda. Ou seja, a jurisprudência antiga que só aceitava a autuação com base em depósitos bancários se houvesse a demonstração de consumo da renda ou acréscimo patrimonial está superada, prevalecendo a presunção legal e a inversão do ônus da prova. De fato, a presunção legal aqui discutida é relativa, mas o ônus de provar a origem dos depósitos é do Contribuinte, no caso. Ainda, diz o contribuinte "como pode haver presunção desse Fisco, que os depósitos ocorridos no ano de 1998, ..., poderiam ter origem diversa da argüida na defesa?" A resposta está expressa no dispositivo legal, artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. E também questiona a existência de obrigação para guardar recibos de depósitos ou cópias dos cheques ou avisos referentes a suas contas correntes. Vejamos em destaque a parte do caput do artigo 42: "... regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Ora, se não fosse obrigado a manter qualquer documentação que desse suporte à sua movimentação bancária, que sentido teria essa parte sublinhada do dispositivo legal? E esses documentos "hábeis e idôneos" referemse, no caso, especificamente aos depósitos e sua origem, não a um rendimento que o contribuinte recebeu e não consegue vincular "individualizadamente" às entradas de dinheiro em sua conta corrente. CONCLUSÃO Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, VOTO rejeitar a preliminar tratada e por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10508.000668/200270 Acórdão n.º 2202003.060 S2C2T2 Fl. 159 9 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16327.901090/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE
Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma.
COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. ÔNUS DA PROVA DO DECLARANTE.
Na compensação sem processo, declarada em DCTF, cabe ao declarante a prova, por meio de documentação hábil e idônea de que o crédito utilizado é de fato o alegado. Não havendo a comprovação, mantém-se o atribuído pela autoridade administrativa quando da análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1401-001.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. ÔNUS DA PROVA DO DECLARANTE. Na compensação sem processo, declarada em DCTF, cabe ao declarante a prova, por meio de documentação hábil e idônea de que o crédito utilizado é de fato o alegado. Não havendo a comprovação, mantémse o atribuído pela autoridade administrativa quando da análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 10 90 /2 00 8- 71 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.901090/200871 Acórdão n.º 1401001.483 S1C4T1 Fl. 68 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini e Antonio Bezerra Neto. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.901090/200871 Acórdão n.º 1401001.483 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1632.767, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 38) e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (fls. 914), do anocalendário 2007, com os enquadramentos e valores a seguir discriminados: Parc. Crédito IR Exterior Retenção Fonte Pagament os Estim. Comp. SNPÀ Est, Parceladas Dcm. Estim. Comp Soma Pare. Créd. DCOMP 0,00 36.524,46 21.330.66 0,07 0,00 0,00 0,00 21.367.184,5 3 Confirma das 0,00 10.313,92 21.330.66 0,07 0,00 0,00 0,00 21.340.973,9 9 2.1 IRPJ devido: R$ 20.115.639,92; valor utilizado em compensações anteriores à transmissão com demonstrativo de crédito: R$ 1.225.334,07 3. Em razão do acima descrito, não foi apurado saldo negativo disponível para restituição, conforme o seguinte cálculo: parcelas confirmadas (R$ 21.340.973,99) IRPJ devido (R$ 20.115.639,92) Utilizações em compensações anteriores (R$ 1.225.334,07) = R$ 0,00. 4. Irresignado, o contribuinte apresentou, em 28/08/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 a 07, informando e argumentando, em apertada síntese sobre o seguinte: I) Que em síntese o despacho decisório havia apurado saldo indisponível por conta da não confirmação de R$ 26.210,54 a título de IRRF e por conta da utilização de parte do crédito em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP ora em análise, conforme a seguinte planilha: Período de 1Apuração Código de Receita Valor Original do Débito . . . Compensado Valor Utilizado do Saldo Negativo para a Compensação DEZ/19 99 2319 275.092,39 221.812,93 JUN/20 00 2319 1.330.267,62 1.003.521,14 Total 1.605.360,01 1.225.334,07 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.901090/200871 Acórdão n.º 1401001.483 S1C4T1 Fl. 70 4 II) Que concordava com a redução de RS 26.210,54 a título de IRRF não confirmados na composição do saldo negativo e também com a utilização de R$ 221.812,93 do crédito original na compensação de débito de IRPJ do período de apuração Dez/99. III) Que a discussão então se ateria à compensação do débito de IRPJ apurado em junho/2000 no montante de R$ 1.330.267,62 (principal R$ 1.003.521,14), o qual, segundo o recorrente, teria sido compensado com saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário 1996 e 1997 e também com pagamento a maior de março/98 conforme planilha abaixo: Descritivo Valor Observações irpj devido compensado em junho de 2000 1.536.705,07 Doe. 06 (DCTF de fls. 33e 34) IRPJ recolhido a maior Mar/98 140.328,55 PlanilhasDoe 07 (fls.36) Saldo Negativo de IRPJ AC 1996 578.328,17 PlanilhasDoe 07 (fls.37) Saldo Negativo de IRPJ AC 1997 818.048,35 PlanilhasDoe 07 (fls.38) Total compensado irpj junho 2000 1.536.705,07 somatório IV) Que, assim sendo, não teria sido utilizado, em junho de 2000, a parcela original de R$ 1.003.521,14 do saldo negativo de IRPJ de 1998, conforme consta no despacho decisório, fazendo constar em sua peça recursal uma declaração, sob as penas da lei, de que o débito de junho não foi compensado com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998. V) Que após os devidos ajustes se restaria evidente a existência do crédito de R$ 1.003.521,14 a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao AC 1998, razão pela qual o requerente possuiria o direito de reaver tais valores por meio da restituição. VI) Por fim solicita que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, deferindo o pedido de restituição relacionado ao PER/DCOMP n° 02262.51394.201006.1.6.025005, no montante original de R$ 1.003.521,14, bem como que o referido montante seja acrescido de juros SELIC conforme dispõe o artigo 39, parágrafo 4o da Lei 9.250/95. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. ÔNUS DA PROVA DO DECLARANTE. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.901090/200871 Acórdão n.º 1401001.483 S1C4T1 Fl. 71 5 Na compensação sem processo, declarada em DCTF, cabe ao declarante a prova, por meio de documentação hábil e idônea de que o crédito utilizado é de fato o alegado. Não havendo a comprovação, mantémse o atribuído pela autoridade administrativa quando da análise do direito creditório. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 53 às 60) a este CARF, repetindo literalmente as mesmas razões já aduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.901090/200871 Acórdão n.º 1401001.483 S1C4T1 Fl. 72 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. Considerando que o dia 07 de setembro de 2011 é um feriado nacional, tempestivo está o recurso e, portanto, tomo conhecimento dele por ter atendido também às demais condições de admissibilidade. Conforme relatado, o contribuinte apresentou um pedido de restituição no valor nominal de R$ 1.251.544,61, reconheceu não ter direito ao crédito de R$ 248.023,47, remanescendo assim um valor de R$ 1.003.521,14 a lhe ser restituído. Entretanto, na análise do crédito (fls. 15 a 17), a DRF em despacho decisório fundamentou sua negativa no fato de que esta parcela já teria sido utilizada para a compensação de outro débito de IRPJ (apurado em junho de 2000). Na manifestação de inconformidade a Recorrente fundamenta toda sua defesa alegando que houve engano da autoridade administrativa, quando da análise do crédito, uma vez que em junho de 2000, a parte compensada do referido débito de IRPJ teria se procedido com crédito de pagamento a maior e saldos negativos dos anoscalendários 1996 e 1997. A DRJ desconstitui essa fundamentação trazendo novos fatos que precisariam ser infirmados pela Recorrente, tais como a DIPJ do anocalendário de 1997 ter saldo a pagar e não saldo negativo, mas que passou a largo do recurso, pois a Recorrente faz ouvido de mercador às razões da DRJ e repete literalmente as mesmas razões da manifestação de inconformidade já combatidas pela DRJ. Os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento ou o indeferimento de solicitação, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.901090/200871 Acórdão n.º 1401001.483 S1C4T1 Fl. 73 7 Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso, em que não tenho nada a reparar e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como minhas razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: 6.1 Uma vez que a autoridade administrativa, responsável pela análise do direito creditório, afirmou ter havido utilização de parcela do crédito com débito de IRPJ apurado em junho de 2000, ficaria a encargo do ora manifestante a comprovação do erro nesta atribuição, sob pena de manutenção do anteriormente decidido. Conforme mencionado no item anterior, o requerente afirma ter direito ao crédito pelo fato de não poder haver a atribuição de parcela do saldo negativo do anocalendário 1998 na compensação de junho/2000 pois o mesmo já teria sido compensado com outros créditos e para essa comprovação o mesmo apresenta planilhas que supostamente conteriam o demonstrativo de utilização destes créditos da forma alegada. 6.2 O entendimento que firmo é no sentido de não reconhecer razão às alegações trazidas pelo contribuinte, pelos motivos que passarei a expor: 6.2.1 Na DCTF de junho de 2000 (cópia em fls. 33 e 34) consta como tipo de crédito, de forma genérica, a rubrica "IRPJ saldo negativo", não podendo, portanto conter o pagamento a maior realizado em março/98 por se tratar de outro tipo de crédito, porém este fato não é o de maior relevância, pois para comprovação da suposta utilização de outros créditos para a efetivação desta compensação o recorrente se limita a trazer planilhas, por ele mesmo elaboradas, sem amparo sequer de registros contábeis que pudessem melhor caracterizálas. Desta maneira, uma vez que não estariam as alegações apresentadas arrimadas em documentação hábil e idônea para a sua comprovação, de pronto já caberia a manutenção do decidido quando da emissão do despacho decisório. Aliás, seria necessário, além dos registros contábeis demonstrando o controle dos supostos créditos, o acompanhamento de documentos que pudessem comprovar tanto a origem do crédito como a sua utilização. Neste sentido dispõe o artigo 923 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), in verbis: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais "(grifo nosso) 6.2.2 Com relação ao suposto recolhimento a maior de março de 1998, o recorrente não o caracteriza (data do pagamento, código do tributo, período de apuração,etc) de forma que se pudesse aferir se teria havido de fato o efetivo recolhimento a maior, simplesmente declara que assim o foi feito. 6.2.3 Em que pese o fato do recorrente declarar, sob as penas da lei, de que suas afirmativas são verdadeiras, essas declarações perdem força quando se constata que não poderia, parte do débito apurado em junho de 2000, ser compensada com o saldo negativo do ano calendário 1997, uma vez que nesse período, segundo a única DIPJ entregue (declaração 3220897, fls. 40 a 42), o requerente teve imposto a pagar ao final do ano e não saldo negativo conforme alegado. 7. Por oportuno cumpre destacar que, assim como na impugnação, o aporte das provas, na manifestação de inconformidade, também se dá no momento de sua apresentação, sob pena de preclusão. Neste sentido, dispõem o § 11, artigo 74, da Lei n° 9.430/96 e o artigo 16, III; § 4o e 5o do Decreto n° 70.235/1972, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.901090/200871 Acórdão n.º 1401001.483 S1C4T1 Fl. 74 8 restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ...omissis... § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n" 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação." "Art. 16. A impugnação mencionará: ...omissis... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.0 da Lei n.° 8.748/1993 (omissis) § 4.°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5.°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior" (grifos nossos) 8. Ante todo o exposto, dada a falta de comprovação da utilização de outros créditos para a compensação efetuada com débito de IRPJ apurado em junho de 2000, entendo ser pela manutenção do decidido pela autoridade fiscal quando da análise do direito creditório, ou seja, considerar que não há saldo negativo a restituir, referente ao anocalendário 1998, pelo fato da parcela reconhecida ter sido totalmente utilizada em compensações anteriores ao da transmissão do PER/DCOMP. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10280.001488/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Custos, Despesas Operacionais e Encargos.Dedutibilidade.
A teor dos artigos 249 e 299, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de custos ou despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, não verificadas nos autos.
Compensação de prejuízos. Limite de 30%.
Na forma da legislação em vigor e a teor da Súmula CARF nº 3, para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.
Lançamento Tributário. Auditor Fiscal. Competência.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Entendimento pacificado pela Súmula CARF nº 8.
Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
Considerando: i) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, ii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, o relator, José Ricardo da Silva, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 21 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Junior, Edeli Pereira Bessa, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Jose Ricardo da Silva. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
Numero da decisão: 1101-000.924
Decisão:
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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C. C. S. CADASTRO, CRÉDITO, COBRANÇA E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 Diligência/Perícia.Prescindibilidade. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Multa de Ofício. Incidência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 14 88 /2 00 6- 41 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 3 2 A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Juros de Mora.Aplicação da taxa SELIC.Validade. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. Matéria objeto da Súmula Vinculante nº 4, do CARF. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Custos, Despesas Operacionais e Encargos.Dedutibilidade. A teor dos artigos 249 e 299, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de custos ou despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, não verificadas nos autos. Compensação de prejuízos. Limite de 30%. Na forma da legislação em vigor e a teor da Súmula CARF nº 3, para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Lançamento Tributário. Auditor Fiscal. Competência. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Entendimento pacificado pela Súmula CARF nº 8. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Considerando: i) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, ii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 4 3 Da mesma maneira, tendo em vista que na data da formalização da decisão, o relator, José Ricardo da Silva, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 21 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Junior, Edeli Pereira Bessa, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Jose Ricardo da Silva. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório Recorre a interessada contra a decisão exarada pela DRJ/Belém, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRPJ. LUCRO TRIBUTÁVEL. É passível de lançamento de oficio o lucro tributável apurado no Livro Razão e não informado na declaração de imposto de renda da pessoa jurídica. DESPESA LANÇADA EM DUPLICIDADE. Mister a glosa de despesas computadas em duplicidade na apuração do lucro tributável e que reduziram indevidamente o lucro tributável. DESPESA COM JUROS. Rejeitamse os argumentos referentes à inclusão de juros controlados à margem da contabilidade e que seriam suficientes para obliterar o lucro tributável apurado no Livro Razão quando o sujeito passivo não comprova as despesas e nem indica com precisão se essas despesas foram ou não computadas no período de apuração de que trata o lançamento de oficio. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL APURADO NO PERÍODO. Para determinação do lucro real, nos períodos de apuração do anocalendário de 1995 e seguintes, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em até trinta por cento em razão da compensação de prejuízos. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de inconstitucionalidade. ALEGAÇÃO DE CONFISCO E DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Principio e Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente Fl. 536DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 6 5 Irresignada, a recorrente apresentou recurso voluntário vazado nos seguintes termos, no que é relevante: DO DIREITO “A exigência fiscal, por efetivada com violação da ordem jurídica, não pode ser mantida, sendo imprescindível, pois, que este Egrégio Conselho, em conseqüência, declare a nulidade do auto de infração, a inexigibilidade da exação respectiva, desconstituindoa, por via de consequência. O pedido tem amparo no principio insculpido na Constituição Federal de 1988 (art. 5 0, LV) que assegura o contraditório amplo e pleno, resultando que todas as matérias prejudiciais sejam apreciadas e decididas antes do mérito, com fundamentação própria e especifica (art. 93, IX, e inteligência dos arts. 5º, II e 37, caput, da Constituição Federal Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, 17a ed. Malheiros Editores, SP, 1992, págs. 82/83). Antes de efetivamente entrar no mérito, cumpre lembrar que em qualquer procedimento fazendário tendente a constituir crédito tributário existe a inafastável necessidade de que sejam observadas as disposições do Código Tributário Nacional, as do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972 e na legislação especifica. A não observância pelo órgão fiscalizador dos preceitos insculpidos no CTN, no Decreto 70.235, de 06.03.72 e nas disposições da legislação especifica, levam 6 nulidade do ato administrativo e, em conseqüência, a exigência pretendida. Assim, se passa ao exame preliminar das nulidades que viciam a exigência do tributo lançando na Notificação Fiscal combatida, para em seguida adentrar ao mérito especificamente, mesmo entendendo a Requerente serem as preliminares declinadas suficientes para desconstituir plenamente o lançamento pela eiva da nulidade. PRELIMINARMENTE Nos termos já referidos anteriormente, cumpre lembrar que, mesmo na exigência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL existe a necessidade de que sejam observadas as disposições do Código Tributário Nacional, as do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972 e da legislação especifica. A não observância pelo órgão fiscalizador dos preceitos insculpidos no CTN, no Decreto 70.235, de 06.03.72 e nas disposições da legislação especifica, levam à nulidade do ato administrativo e, em conseqüência, a exigência pretendida. O Auto de Infração ora combatido, deixou de observar vários aspectos daquela regulamentação de modo que deve ser considerado de nulo, senão vejamos: INEXISTÊNCIA DO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO VÁLIDO Para o exercício da fiscalização, os agentes fiscalizadores devem seguir os ditames legais que regulamentam o procedimento fiscal, sob pena de nulidade de seus atos. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 7 6 Uma das exigências para iniciar o procedimento fiscal é a cientificação do contribuinte que será fiscalizado mediante Termo de Inicio de Fiscalização válido e, portanto, que atenda as determinações legais de regência para sua elaboração e cientificação ao contribuinte. No entanto, inexiste o aludido Termo que possa ser considerado válido, como inexiste qualquer outro ato escrito, como também não houve apreensão de mercadorias ou documentos fiscais que pudesse ser considerado o marco inicial do procedimento fiscalizatório que deu origem ao Auto de Infração ora Combatido. A lavratura desse Termo de forma válida e formalidade essencial e obrigatória, posto que prevista como norma cogente de ordem pública, dirigida aos agentes da fiscalização e, sua omissão, vicia o procedimento fiscal desde o inicio. O conjunto de formalidades necessárias ao procedimento fiscal foi matéria tratada primeiramente no Código Tributário Nacional, estendidas, nem poderia ser de outra forma, às legislações de hierarquia inferior. Tais delineamentos de fiscalização estão esculpidos no art. 196, parágrafo único do CTN. (...) Não obstante àquelas inafastáveis exigências, o inicio do procedimento fiscalizatório em tela não foi marcado pela lavratura do termo de inicio em qualquer dos livros da Recorrente, tampouco lhe foi entregue cópia autenticada de termo de inicio de fiscalização como determinado pelo CTN. Assim sendo, qualquer outro documento que tenha sido entregue ao contribuinte e que pretenda o agente fiscalizador fazer valer como Termo de Inicio de Fiscalização não pode ser considerado válido como tal. O Termo em questão possui forma e esta deve ser observada pelas autoridades fazendárias em homenagem ao principio da vinculação. Não foi o caso no procedimento fiscal que deu origem ao lançamento tributário ora Impugnado, tornandoo, portanto, NULO. Ademais, ao contrário do que afirma a nobre autoridade julgadora em seu relatório que fundamenta o Acórdão ora recorrido a Recorrente não recebeu Termo de Inicio de Fiscalização que possa ser considerado Válido.Recebeu sim, como argumenta o julgador, notificações relativas à fiscalização, mas nenhuma delas com as formalidades essenciais estabelecidas pela legislação de regência, especialmente o CTN acima reproduzido. Eis que, o inicio do procedimento fiscalizatório em tela não foi marcado pela lavratura do termo de inicio em qualquer dos livros da Recorrente, tampouco lhe foi entregue cópia autenticada de termo de inicio de fiscalização como determinado pelo CTN. Portanto, é claro, nítido e induvidoso que o não cumprimento das formalidades legais à constituição do crédito tributário vicia o procedimento administrativofiscal que culminou com a lavratura do auto de infração, tornandoo nulo de pleno direito desde seu gênese, motivo pelo qual merece ser julgado improcedente e extinto seus efeitos. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 8 7 HABILITAÇÃO PROFISSIONAL E O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O art. 37, caput da atual Constituição Federal exige como pressuposto de todo e qualquer ato administrativo: a moralidade, a impessoalidade e a LEGALIDADE, isto é, a prática do ato sempre de acordo com a expressa previsão de uma lei em vigor, legalidade essa que no Direito Tributário é sempre inafastável e inarredável (CTN, parágrafo único do art. 142; CF/88, arts. 5 0, II e 150, I). E no art. 5º, XIII a Constituição Federal dispõe que é: “livre o exercício das profissões, observados os requisitos da lei”. Logo, quando uma lei federal (CF/88, art. 22, XVI) regulamenta uma profissão somente as pessoas que preencherem os requisitos da lei junto ao órgão fiscalizador dessa profissão, podem, válida e legalmente exercêla; o corolário do seu exercício pelos não habilitados é a ineficácia de seus atos, na vida privada ou pública, posto que o exercício ilegal de profissão (art. 47 do LPC), não distingue onde o infrator praticou atos privativos dos profissionais habilitados, ocorrendo no caso, a usurpação de condições legais e prerrogativas exclusivas dos profissionais legalmente habilitados em face da norma federal. E os atos do usurpador são considerados inexistentes, porque faltalhes a condição essencial ou o "sopro da vida" jurídica, que lhe daria "alento". As notificações fiscais decorrem seguramente de Exames de Escrituração (revisão de contas, de lançamentos, de números, de verificação de lançamentos contábeisfiscais em livrosdiário, em livros fiscais, em registros e assentos que compõem o conjunto da Contabilidade da Autuada; extração de valores, números e datas, desses registros, assentos e lançamentos, bem como do exame dos documentos que lhes deram origem válida), atividades estas privativas de CONTADOR habilitado no Conselho Regional de Contabilidade CRC. No presente caso, a notificação fiscal afirma implicitamente, que foi o resultado de um dos trabalhos acima exemplificados. Isto é, tem como fundamento técnico um desses atos profissionais. Logo, o Autuante que subscreveu a Notificação Fiscal e demais peças do processo fiscal, devia ser CONTADOR habilitado junto ao órgão federal fiscalizador da profissão: o Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Pará,CRC PA; e se não o era, as atividades privativas do Contador, por ele executadas, sem a assistência de um Fiscal que fosse Contador habilitado e também firmasse a notificação e demais peças, são nulas por afrontarem o direito federal positivo que regula a profissão de Contador no Brasil. (...) Assim, a falta da habilitação profissional do agente fiscalizador (inscrição no CRCPA) torna ineficazes seus atos, sendo, portanto, a pega fiscal (notificação fiscal) NULA. Se nulo é o ato que lhe deu origem, nula será qualquer exigência eventualmente feita. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DO ENQUADRAMENTO LEGAL O Decreto no 70.235, de 06/03/72, estabelece todos os critérios e procedimentos para realização de fiscalização e lavratura de autuações fiscais. Um deles é justamente o de que necessário se faz a indicação, no Auto de Infração, de todos os dispositivos legais infringidos. Isso quer dizer que a não Fl. 539DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 9 8 observância desse preceito legal acarreta a nulidade do ato fiscal, por não conter todos os elementos indispensáveis à sua permanência e validade.É, pois, nulo de pleno direito!!! Ademais, não obstante ter o Autuado recebido os demonstrativos dos valores do Auto de Infração, esses nada demonstram com a clareza necessária à sua compreensão. O Autuado sempre cumpriu todas as suas obrigações fiscais, principais e acessórias, dentre as quais a de manter em dia, "religiosamente", seus registros e documentos fiscais pertinentes aos tributos federais cuja competência de arrecadação está declinada à Receita Federal, recolhendo rigorosamente nos prazos previstos em lei o imposto eventualmente devido, tudo conforme sua escrituração fiscal. Acontece, porém, que a exigência era, e é, indevida, pois não consta do Auto de Infração sub examine os motivos de fato e a indicação dos dispositivos legais específicos supostamente infringidos, tornandoo nulo de pleno direito. Como se verifica nos documentos integrantes do Auto de Infração, no lançamento fiscal não restou consignado quais os motivos que ensejaram a metodologia de cálculo empregada, nem mesmo demonstrado, especificamente, qual o dispositivo legal infringido, limitandose a indicar apenas aquela legislação de abrangência geral, já transcrita alhures, bem como a fazer mero relato de fatos imputados à Recorrente tomandoos por verdade absoluta, porém sem qualquer prova física e inequívoca como manda a lei. (...) DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Na mesma linha de raciocínio acima esposada, o procedimento fazendário é totalmente nulo por tolher o inderrogável direito de defesa da Recorrente, garantido nos expressos termos do artigo 50, Inciso LV da Carta Magna. (...) Cerceado ficou o direito de defesa da Recorrente diante da patente inexistência de levantamento fiscocontábil que deveria ser e não foi promovido pelo agente fiscalizador e, diante também, da presunção em que se baseou para constituir o pretendido crédito tributário — tudo isso a impedir amplo e mais contundente questionamento acerca da pretensão fazendária. Como poderia a Recorrente contraporse eficientemente aos créditos tributários lançados se por mera presunção o agente fiscalizador entendeu existir fato gerador ensejador do crédito tributários pretendido sem aprofundarse na analise dos elementos materiais formadores do tributo, inclusive olvidandose e negligenciando direito judicialmente garantido à Recorrente e que por sua natureza é capaz de modificar completamente o lançamento ora combatido?? É patente, pois, o cerceamento do direito de defesa da Recorrente uma vez que para exercêlo de pleno direito seria pressuposto básico que o Auto de Infração Fl. 540DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 10 9 esgrimado discriminasse cada espécie de receita a ser alcançada pelo lançamento fiscal com sua efetiva e incontestável comprovação. (...) ERRO NA CAPITULAÇÃO DA SUPOSTA INFRAÇÃO PRINCÍPIO DA TIPICIDADE VIOLADO As alegações antes declinadas, per si, dão tiro de morte à validade da notificação fiscal ora esgrimada e, conseqüentemente, â exação pretendida, contudo outras ainda fulminam a exigência tributária. O direito do cidadãocontribuinte conhecer claramente o seu dever, ou como no presente caso, saber a qual norma tributária esta sendo acusado de infringir, exsurge dos mais comezinhos princípios de direito. Porém, este direito foi abstraído da Recorrente, pois, no auto de infração a indicação dos motivos de fato e os dispositivos legais específicos, supostamente infringidos, não correspondem à realidade dos acontecimentos. (...) Assim, para tipificar a pretensa infração a digna autoridade tributária deveria buscar no conteúdo da lei o verdadeiro dispositivo aplicável ao fato concreto, o que no aconteceu. Permitiuse em notificar a Recorrente baseandose em presunção de fato através interpretação rasteira e simplória de pseudos eventos fáticos. É de pasmar, como se lhe fosse licito, tipificou a suposta infração em dispositivo legal que no guarda se quer proximidade com os fatos ocorridos. Nada mais absurdo. (...) Ora, se somente lei pode estabelecer a cominação de penalidades paras as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, qual então o dispositivo legal que foi violado??? Certamente no foi aquele apontado pelo nobre agente administrativo, pois, o citado dispositivo apontado como infringido. O agente fiscalizador notificou a Recorrente pela pretensa Omissão de Base de Cálculo o que efetivamente não ocorreu. A Recorrente em momento algum omitiu qualquer parcela de lucro, tanto é que o agente fiscalizador não trouxe aos autos qualquer prova do que alega, limitandose a reproduzir levantamento da pretensa ação do contribuinte, não comprovada e que não guarda qualquer verdade em relação aos eventos fáticos. Logo, a notificação fiscal hostilizada e nula de pleno direito, por subversão ao principio da tipicidade tributária. (...) DA INEXISTÊNCIA DE PROVAS — PROCEDIMENTO CARENTE DE PROFUNDIDADE Fl. 541DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 11 10 Em face do Termo de Encerramento do procedimento fiscal indicar que a verificação do cumprimento das obrigações foi feito por amostragem, impõese a completa nulidade do processo administrativo, eis que, assim atuando o nobre agente fazendário deixa mais do que evidenciado, juridicamente, a ausência dos pressupostos elementares a comprovarem sua validade. Sem dúvida alguma o Auto de Infração Impugnado, ora Recorrido, traduz total ilegalidade e desrespeito 6 lei, em virtude de que o ato administrativo sancionatório, como no caso dos autos, sujeitase a vários princípios, sobretudo os da legalidade e tipicidade, não sendo discricionário, mas vinculado à norma legal, sujeito ao seu controle, devendo ter motivo, forma e finalidade devidamente comprovados, de outra feita inaceitável sob qualquer aspecto. (...) De fato, não poderia ser de outra forma uma vez que o lançamento se deu de forma presumida sobre lucro "identificado" em mera analise superficial de omissão que se imputa, sem qualquer prova, à Recorrente, quando caberia ao agente fiscalizador, através de fiscalização aprofundada e completa buscar os elementos fáticos e jurídicos que comprovassem e corroborassem sua pretensão. Não tendo sido esse o procedimento e, em decorrência não tendo sido trazidas aos autos qualquer prova do tanto quanto alegado no Auto de Infração é ele nulo de pleno direito. (...) INEXATIDÃO DO TERMO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO Como já averbado, para o exercício da fiscalização, os agentes fiscalizadores devem seguir os ditames legais que regulamentam o procedimento fiscal, sob pena de nulidade de seus atos. Neste sentido é induvidoso que desde o gênese do procedimento fiscalizatório até seu termo final devem os preceitos legais de regência ser observados. Não é, no entanto, o que ocorre no presente caso. Isso porque o nobre agente fiscalizador, ao encerrar o procedimento fiscal deixou de lavrar termos de encerramento no formato exigido pela lei. Ao contrário do que requer a legislação regulamentar limitouse a lavrar termo de encerramento no qual encerou, genericamente a procedimento de fiscalização. A lavratura do Termo de Encerramento é formalidade essencial e obrigatória, posto que prevista como norma cogente de ordem pública, dirigida aos agentes da fiscalização e, sua omissão ou inexatidão, vicia o procedimento fiscal de forma plena e irremediável”. No mérito, conforme longo arrazoado de fls. 367/406 (numeração digital) pontua os seguintes tópicos: Ø DA INEXISTÊNCIA DE LUCROS OMITIDOS — JUROS SOBRE FINANCIAMENTOS CONSIDERADOS NA DIPJ PELO PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Fl. 542DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 12 11 “Sendo assim, não pode prosperar a pretensão no nobre agente fiscalizador que ao lançar o crédito tributário ora combatido deixou de observar eventos fáticos e legais de suma importância para a formação do seu convencimento e do credito tributário que inexiste pelo simples fato de não haver qualquer omissão de lucro tributável, havendo tão somente divergência na forma de apuração especialmente ocorrida por não considerar o agente fiscalizador os ajustes procedidos pela Recorrente nos termos da lei. Tampouco pode ser mantido o entendimento do nobre agente julgado de primeira instância que para decidir de forma claramente à favor do interesses fiscais distorceu a alegações da então Impugnante, bem como flagrantemente deixou de observar e legislação de regência. Motivo pelo qual, não pode subsistir o Auto de Infração guerreado e conseqüentemente o crédito tributário lançado, devendo a decisão de Impugnação ser revista e, por via de consequência desconstituído o lançamento e seus efeitos”. fls. 367/373 Ø COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO “Consoante ao todo demonstrado, as limitações de 30% (trinta por cento) do lucro liquido pretendida pelo nobre agente fiscalizador, no podem permanecer por contrariarem frontalmente os conceitos de renda e de lucro, utilizados pela Constituição Federal na delimitação de competência tributária, e também, os princípios da capacidade contributiva, da isonomia tributária, da vedação ao confisco entre outros, uma vez que impõem uma tributação sobre resultados dos contribuintes que nada acrescem ao seu patrimônio, mas tão somente recompõem perdas anteriores. Dessa forma, temos que a dedução integral e no apenas parcial dos prejuízos fiscais na base de cálculo do imposto sobre a renda e das bases negativas na base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido são imprescindíveis para a correta apuração das respectivas bases de cálculo dos referidos tributos, no podendo, dessa forma, sofrer qualquer restrição, seja mediante imposições de limites quantitativos (30% de dedução das bases de cálculos negativas anteriores, impostos neste caso), seja estabelecendo prazos para o seu exercício (limites temporais de decadência do direito à dedução) motivo pelo qual, ainda que não fosse indevido o lançamento combatido pelos motivos já averbados no item anterior, o lançamento ora combatido está eivado de nulidade devendo ser desconstituído já que a compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa sem limitação levariam à inexistência da base de cálculo tributável e conseqüentemente do crédito tributário lançado”. fls. 367/383 Ø DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA COMPENSAÇÃO “Ainda que tudo quanto já aduzido no fosse verdade e, portanto, efetivamente, existisse crédito tributário a favor do fisco, o que se admite apenas em mero juízo hipotético, ainda assim o Auto de Infração combatido no espelha a situação fática no se sustentando o crédito pretendido. Isso porque, ainda que se considere devido o tributo lançado à época, a Recorrente já o teria extinguido através de compensação com créditos de Fl. 543DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 13 12 IRPJ e CSLL apurados a seu favor em exercícios anteriores quando tributou o lucro através do Lucro Real Anual antecipando o valor devido através de Estimativas mensais. De fato, nos anos calendários de 1998 e 1999 a requerente optou pelo pagamento do imposto de renda e adicional, bem como da contribuição social com base no lucro real anual, estimando e antecipando, mensalmente, a valor devido a titulo daquele tributo, conforme lhe facultava o art. 20 da Lei 9.430/96. (...) Tendo antecipado o Imposto de Renda e Adicional, conforme lhe facultava a lei e não tendo a estimativa sido confirmada pela apuração do lucro real anual, sobre o qual deve incidir aquele tributo, apurou a requerente saldo de Imposto de Renda e Contribuição Social a restituir, conforme determina o § 6° do art. 2° da Lei 9.430/96. (...) Não resta dúvida, pois, que a Recorrente, tendo credito de IRPJ e CSLL apurados nos termos acima referidos ao apurar débitos de IRPJ e CSLL em períodos subseqüentes estava autorizada a proceder a sua compensação, o que deve ser considerado efetivado no caso de entender este nobre julgador pela manutenção do crédito lançado, a despeito de tudo quanto averbado em contrário até o presente momento. Isso porque, restado estreme de dúvidas o direito da Recorrente aos créditos referentes aos valores recolhidos indevidamente, ou a maior, a titulo de Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, fica claro o seu direito à respectiva compensação”. fls. 387/393 Ø DA AFRONTA PELA PRETENSÃO FISCAL AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE “Não é razoável admitir que o fisco possa deixar de considerar o regime da competência no lançamento das despesas e custos ainda que tenham eles sido contabilizados pelo regime de caixa, porem devidamente reconhecidos na apuração do lucro real tributável se o contribuinte registrou corretamente no LALUR de sua DIPJ. Não é razoável, pois, admitir que o fisco possa reconhecer o regime de competência quando isto lhe for favorável, mas ignorálo, como no presente caso, quando lhe é desfavorável ou lhe permita lançar tributo inexistente sem a utilização daquele subterfúgio. Tampouco é razoável limitar a compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores uma vez que não há previsão constitucional. Assim como não é razoável se, ainda que não bastem aqueles argumentos para desconstituir totalmente a pretensão fiscal, deixar o fisco de proceder compensação de créditos tributário líquidos e certos que militam a favor do contribuinte com o pretenso crédito tributário. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 14 13 Assim sendo, sob a luz do principio da Razoabilidade não pode prosperar a pretensão do Auto de Infração em penalizar a Recorrente por ação cuja realização nos termos pretendidos não ocorreu e que, em decorrência, não causou nenhum prejuízo às pretensões fiscais, sob pena de afronta direta aos princípios constitucionais que determinam o Estado de Direito em vigor no pais”. fls. 393/396 Ø DO EXCESSO DOS JUROS EXIGIDOS SELIC INEXIGIBILIDADE POR INCONSTITUCIONALIDADE “A Lei 9.065/95, ao dispor sobre o cálculo de juros de mora a serem aplicados nas obrigações tributárias, não estabeleceu nova forma de cálculo para a fixação destes juros, apenas assentou a utilização de uma taxa de juros preexistente e de natureza remuneratória, caracterizandoas como autênticos meios de remuneração do capital, e não de natureza moratória, como reza a Lei. Cristalino, portanto, que citada TAXA jamais foi instituída de modo a possibilitar fosse exigida como substituta de fator de atualização monetária. A SELIC é uma TAXA DE JUROS, um fator de remuneração financeira, visto que pela sua definição legal não mantém qualquer correlação com a perda do poder aouisitivo da moeda nacional. Não é ela calculada com base na variação de uma determinada cesta de produtos, mas sim, com fundamento nos juros praticados no mercado financeiro. (...) Diante de todos os argumentos até aqui expostos e a cristalina decisão do STJ, como medida de justiça e moralidade, em obediência aos princípios da legalidade e da hierarquia das leis, deve ser utilizado, a titulo de juros de mora, o percentual de 1% (um por cento) ao mês, de acordo com o art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional, face a evidente impossibilidade de utilização da SELIC como indexador para corrigir débitos de qualquer natureza ou como juros, devendo ser excluída dos valores discutidos. Assim, ainda que o auto de infração subsistisse, e isso seria dar tiro de morte à legalidade, constitucionalidade e Estado de Direito, a taxa de juros a ser aplicada não poderia ser superior a 12% ao ano como pretende o Auto de Infração combatido, motivo pelo qual deve ser considerado nulo de pleno direito”. fls. 396/402 Ø DA MULTA DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA EXIBILIDADE DE MULTA PELO PRETENSO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL “A multa aplicada a Recorrente na intenção de impor penalidade é exagerada e afronta o principio do nãoconfisco, consagrado implicitamente pela Constituição, em seu artigo 5º, XXII. (...) Fl. 545DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 15 14 A interpretação conforme a Constituição e à luz da razoabilidade, permite que o Estado aplique multas, atingindo assim a sua finalidade, mas em níveis aceitáveis e no como no caso em tela, em valores estratosféricos. Desse modo deve a multa aplicada deve ser afastada ou reduzida a, no máximo a 30% do valor lançado para que não se configure o Confisco rechaçado expressamente pela Constituição Federal”. fls. 403/404 Ø DA MULTA: DA LESÃO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E AOS DA ORDEM ECONÔMICA “Apenas por que a multa não é tributo não significa que é permitido ao Estado ingerir na propriedade privada, inviabilizando que a mesma atinja seus fins sociais (emprego, desenvolvimento e mais tributos). Não significa, enfim, que possa o Estado violar o direito de propriedade, inviabilizar a livre iniciativa e a atividade econômica desenvolvida pela ora Embargante e que tanto significa para a região onde se localizam suas atividades. A interpretação conforme a Constituição e à luz da razoabilidade, permite que o Estado aplique multas, atingindo assim a sua finalidade, mas em níveis aceitáveis e não como no caso em tela, em percentuais altíssimos. Isso é razoável, moral e atende aos objetivos existenciais do Estado, à luz de nossa Constituição Federal? Pensamos que não e a multa aplicada deve ser afastada ou, pelo menos, reduzida”. fls. 404/406 Encerra requerendo o provimento de seu recurso voluntário. É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10280.001488/200641 Acórdão n.º 1101000.925 S1C1T1 Fl. 16 15 Voto PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que o relator, José Ricardo da Silva, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do voto e do presente Acórdão. Tendo em vista não constar dos autos minuta ou quaisquer informações acerca das razões de decidir do Conselheiro originalmente designado e que o levaram a NEGAR provimento ao recurso voluntário, este Redator ad hoc se limitará a traduzir a posição estampada na ata da sessão em que foi realizado o julgamento para consecução do voto, consignando, porém, que o faz meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não está vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão e que levaram a Turma a negar provimento ao recurso voluntário, com as quais posso ou não concordar em situações concretas. Pois bem, como se vê no extrato da ata, o Conselheiro rejeitou os argumentos da recorrente e alinhou sua decisão com a da decisão a quo, mantendo a exigência do crédito tributário em discussão e NEGANDO PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Sala de Sessão, 06 de agosto de 2013. José Ricardo da Silva Relator (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10707.001390/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DECRETO Nº 70.235/72.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2101-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 19/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator. EDITADO EM: 19/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DECRETO Nº 70.235/72. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 19/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 13 90 /2 00 7- 16 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 13 33.860 da 1ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 433/442), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, resultando na manutenção do crédito tributário lançado a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no valor total de R$ 74.053,23. No caso, o Contribuinte/Recorrente teria deixado de comprovar a origem de depósitos bancários existentes em contas correntes de sua propriedade, razão pela qual foram tributados os referidos valores como rendimentos omitidos, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Cientificado do lançamento em 30/11/2007, o interessado apresentou impugnação em 31/12/2007, aduzindo alegações que, em apertada síntese, abaixo reproduzo. O autuante indevidamente omitiu a data de aquisição dos três imóveis objeto da apuração do ganho de capital e ainda considerou que não houve custo na aquisição dos bens, a despeito dos valores terem sido informados na declaração de imposto de renda. Outro equívoco foi a natureza da operação identificada no lançamento em relação aos apartamentos 1803, do edifício Sun Coast e 504, do San Marco. Ambas ocorreram em razão de integralização de capital social de pessoa jurídica por valor inferior ao constante em sua declaração de rendimentos, não gerando, portanto, qualquer ganho de capital, conforme dispõe art. 132 do RIR/99. Quanto ao custo de aquisição, houve flagrante desrespeito ao art. 129, do RIR/99, que deveria ser adotado sempre que o autuante entender pela ausência de valor pago. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10707.001390/200716 Acórdão n.º 2101002.654 S2C1T1 Fl. 3 3 O autuante justificou a presunção de omissão de rendimentos, no simples fato do depósito de R$ 100.000,00 ter ocorrido no mesmo dia da emissão dos cheques números 215 e 216 pela Silper do Brasil Ltda., sem que fossem contabilizados a débito da conta Lucros Acumulados e a crédito do recorrente. Tal presunção carece de fundamentação fática, pois os cheques 215 e 216 não trazem qualquer relação com o recorrente e muito menos em qualquer momento foram por ele apontados como justificativa de origem para o citado depósito de R$ 100.000,00. Os cheques 215 e 216, conforme consta da contabilidade da empresa Silper do Brasil Ltda., foram emitidos para pagamento de empréstimo contraído com terceiros. Assim, a fiscalização desconsiderou os documentos e demonstrativos apresentados pelo recorrente e considerou sem qualquer justificativa os cheques 215 e 216 como vinculados ao pagamento de lucros não contabilizados. A afirmação contida no tópico 16 do Termo de Verificação Fiscal está totalmente equivocada e contrária aos documentos formalmente apresentados no curso da fiscalização, restando clara assim a total falta de nexo causal entre a presunção do autuante e os cheques 215 e 216. Os demonstrativos elaborados e documentos apresentados claramente apontam as origens que inequivocamente justificam toda a sua movimentação financeira. Entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena da presunção resultar indevida por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concreção. No tocante às pessoas físicas, essa inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. As jurisprudências judiciais e administrativas são uníssonas nesse sentido, devendo inclusive ser citada a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos TRF, em que restou registrado o entendimento de que é ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Finalmente, por força do art. 150, §4°, do CTN, na data da ciência do Auto de Infração, já encontravase decaído o direito da Fazenda Pública de lançar tributos sujeitos a lançamento por homologação, com fato gerador em 23/10/2002, não devendo, portanto, prosperar a omissão de rendimentos autuada com base no depósito bancário ocorrido nessa data.” A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro II (RJ), restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 347DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Anocalendário: 2002 FATO GERADOR. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os rendimentos presumidamente omitidos com base no artigo 42, da Lei 9.430/96, estão sujeitos ao ajuste anual e, por isso, o fato gerador é anual e ocorre no dia 31 de dezembro do correspondente ano. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO. VALOR IGUAL A ZERO. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos do art. 16 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No Recurso disposto nas fls. 330/337, o Recorrente reitera os argumentos de impugnação, alegando ter comprovado a origem dos recursos apontados como irregulares no Auto de Infração, assim como teria indicado os custos de aquisição dos imóveis questionados, na sua Declaração de IR. Quanto aos depósitos bancários, acrescenta que a Fazenda Pública não fez relação entre os depósitos não declarados e outros fatos que indicassem acréscimo patrimonial, e afirma que a movimentação bancária por si só não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, porquanto o depósito bancário é estoque e não fluxo. E o fluxo é que teria conotação de acréscimo patrimonial. Além disso, discorre que o Fiscal Autuante, quando apontou valores para fundamentar a omissão de rendimentos, não teria realizado uma apuração conclusiva nem feito o devido confronto entre os valores declarados pelo Recorrente e os apurados, razão pela qual o lançamento fiscal careceria de fundamentação técnica para demonstrar a imprestabilidade dos documentos apresentados. Aproveita ainda para acrescentar que o CARF já consolidou entendimento por meio da Súmula nº 25, no sentido de que a presunção legal de omissão de receita ou de Fl. 348DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10707.001390/200716 Acórdão n.º 2101002.654 S2C1T1 Fl. 4 5 rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, como a Autuação não trouxe fundamentação quanto à existência de dolo ou má fé do Recorrente, não haveria autorização legal para aplicação da multa qualificada. Ao final, requereu o acolhimento do Recurso Voluntário com o fim de ser cancelado o débito fiscal, ou alternativamente, expurgada a multa qualificada aplicada. Distribuído o feito para nossa Relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso não atende o requisito de tempestividade para sua admissão. De fato, uma melhor observação do feito aponta que existe questão prejudicial à análise de mérito do Recurso, tendo em vista a flagrante preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ora, o prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, temse que o Contribuinte foi induvidosamente cientificado da Decisão de primeira instância no dia 30/11/2011, conforme declaração expressa neste sentido, postada no Termo de Vista em Processo de fls. 323, autorizada pelos documentos de fls. 324/328. A referida data está inclusive noticiada no Extrato do Processo de fls. 341, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio de Janeiro I, da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Assim, sendo certo que o prazo para a apresentação do recurso se encerrou no dia 30/12/2011, figura totalmente intempestivo o Recurso de fls. 330/337, protocolado apenas em 11/01/2012. Em consequência, nos termos do art. 42, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, a decisão de primeira instância é definitiva na esfera administrativa, não havendo razões de debate quanto a pretensão do Recorrente/Contribuinte: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Considerando que no presente caso figura incontestável a interposição de Recurso Voluntário apenas depois do prazo previsto na legislação de regência, e inexistindo quaisquer razões ou fundamentos que estimulem alguma dúvida sobre a regularidade das intimações efetivadas no feito, ou da legitimidade dos documentos acostados aos autos, restam preclusas as matérias discutidas em sede recursal. Em face ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, em razão da sua flagrante intempestividade. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 350DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10707.001390/200716 Acórdão n.º 2101002.654 S2C1T1 Fl. 5 7 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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