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Numero do processo: 13839.005735/2007-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/04/2005
COMPENSAÇÃO. PRAZO. PROVIMENTO PARCIAL
Aos procedimentos administrativos de compensação havidos antes da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, o prazo decadencial para a restituição do indébito é de 10 (dez) anos (tese dos 5 + 5), já em relação aos pedidos administrativos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, aplica-se o prazo decadencial disposto na LC 118, ou seja, 5 (anos) da data do pagamento.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.848
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do lançamento das glosas das compensações referentes aos recolhimentos indevidos das competências 01/1993 em diante e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/04/2005 COMPENSAÇÃO. PRAZO. PROVIMENTO PARCIAL Aos procedimentos administrativos de compensação havidos antes da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, o prazo decadencial para a restituição do indébito é de 10 (dez) anos (tese dos 5 + 5), já em relação aos pedidos administrativos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, aplica-se o prazo decadencial disposto na LC 118, ou seja, 5 (anos) da data do pagamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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PRAZO. PROVIMENTO PARCIAL Aos procedimentos administrativos de compensação havidos antes da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, o prazo decadencial para a restituição do indébito é de 10 (dez) anos (tese dos “5 + 5”), já em relação aos pedidos administrativos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, aplicase o prazo decadencial disposto na LC 118, ou seja, 5 (anos) da data do pagamento. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 57 35 /2 00 7- 01 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do lançamento das glosas das compensações referentes aos recolhimentos indevidos das competências 01/1993 em diante e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13839.005735/200701 Acórdão n.º 2403002.848 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1619.824 da 14ª Turma, que julgou o lançamento procedente, conforme ementa abaixo: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 PRÓ LABORE .AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES ART. 3°, I, DA LEI N° 7.787/89. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E 0 DIREITO DE COMPENSAR. 0 prazo para realizar a compensação da Contribuição Social sobre o prólabore, cobrado com base no art. 3°, I da Lei n° 7.787/89, declarada inconstitucional pelo STF, iniciouse em 28/04/1995, data em que foi publicada a Resolução n° 14/95 do Senado Federal, findando em 28/04/2000, nos termos do art.168, I do CTN. MULTA. É licita a cobrança de multa de mora sobre as contribuições sociais previdenciárias, tendo o contribuinte direito a redução de cinqüenta por cento apenas nos casos em que os fatos geradores tenham sido declarados em GFIP (Art. 35, §4° da Lei n° 8.212/91). JUROS. É licita a utilização da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Fisco. Art. 34 da Lei 8.212/91. INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. E descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: 1. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (Débcad n° 37.033.1591) contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls.32/34, referese Glosa de valores indevidamente compensados pela empresa, para o período 01/2003 a 04/2005, exceto 03/2004 (matriz 000113) e 01/2004 a 04/2005, exceto 03/2004 (filial 00385), Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 correspondente as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a folha de pagamento. 1.1.Esclarece o auditor que a empresa protocolou em 17/12/2003, sob n° 35.399.000362/200318, pedido de compensação dos recolhimentos que efetuou no período de 01/95 a 10/95, a titulo de contribuição sobre remunerações de Autônomos e Prólabore. Tal requerimento foi indeferido em última instância administrativa em 24/05/2006, pela Quarta Camara de Julgamento do CRPS, conforme acórdão n° 786/2006, anexado ao relatório fiscal, fls.36/70. 1.2. Informa, ainda, que antes do referido acórdão à empresa já havia procedido compensação dos valores nas competências constantes no item 1 deste relatório, deixando de fazêla a partir de 05/2005. Diante dos fatos e em cumprimento aos MPF's n° 09416375F00 e n°09416375C01 de 16/08/2007 e 06/09/2007, respectivamente, o Fiscal Notificante, procedeu a ação de fiscalização efetuando as glosas de compensação, com elaboração de planilha demonstrativa das compensações realizadas, fls. 35 do relatório fiscal. 1.3. Foram lavrados dois autos de infração com CFL n° 68 ( 06/2003 a 04/2005 Debcad n°37.096.2478) e n° 69 (01/2003 a 05/2003Debcad n° 37.096.2486), pois a empresa informou em GFIP os valores dessas compensações indevidas, acarretando omissão de valores a recolher. 1.2. 0 presente crédito previdenciário é no montante de R$231.449,05( duzentos e trinta e um mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e cinco centavos), consolidado em 30/11/2007. DA IMPUGNAÇÃO 2. A Notificada foi cientificada pessoalmente (04/12/2007), apresentando defesa tempestiva, as fis.72/99, alegando em síntese: Inconstitucionalidade da Contribuição: Prólabore e Autônomo: 2.1. a fiscalização equivocouse ao lançar valores compensados pela impugnante (PróLabore e Autônomos), tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade de tais contribuições pelo STF no RE n° 166.7229/RS, julgado em 12/05/94, confirmada pela Resolução do Senado n° 14 de 28/04/95, além do que o próprio INSS na OS n° 51/96 e da OS no 08/97, manifestouse favorável à compensação. Assim, não há que se falar em compensação indevida; Direito de Compensar: 2.2. diante da inconstitucionalidade a Impugnante procedeu a compensação dos valores recolhidos indevidamente, pois entendeu formado um indébito tributário. 0 direito de compensar vem previsto no art.170 do CTN (qualquer crédito), bem como na Lei n° 8.383/91, art. 66 e na Lei n° 8.212/91 (compensação de um crédito liquido e certo com um crédito futuro); Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13839.005735/200701 Acórdão n.º 2403002.848 S2C4T3 Fl. 4 5 2.3. a compensação realizada no caso concreto é a do art. 89, §3° da Lei n° 8.212/91. Portanto, não há que se falar em ausência de previsão legal para o procedimento realizado, pois a pretensão formulada administrativamente pela Impugnante era para compensar créditos tributários, mediante reclamação administrativa com base na Lei no 8.212/91; Da Capitulação da Multa: 2.4. a multa aplicada não é devida e na pior das hipóteses deve ser diminuída, observando os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, do nãoconfisco, da capacidade contributiva, irretroatividade, anterioridade e da legalidade, este o mais importante de todos, uma vez que a possibilidade de modificação de alíquota mediante decreto é exclusão prevista na Constituição Federal; Da Multa aplicada pelo Fisco e sua Caracterização: 2.5. a cobrança de multa moratória junto com correção monetária e juros são inadmissíveis, pois a primeira atenta contra o principio da capacidade contributiva (art. 145, §1° da CF) e conseqüentemente o contribuinte acaba sendo confiscado, o que não pode ocorrer, conforme dispõe os arts. 5º e 150, IV, ambos da CF. 2.6. na verdade a multa aplicada não é moratória, mas penal, pois somente este caráter punitivo pode justificar a coexistência da multa de mora e dos juros de mora, sem que se configure bis in idem. Assim, conclui que a multa a ser aplicada é a constante no art. 85,§7° da Lei Paulista n° 6.374/89, caso assim, não entendam deve ser utilizada a multa de 2% em analogia ao Código de Defesa do Consumidor; Da Taxa Selic: 2.7. a taxa selic não pode incidir sobre tributos, pois nada mais é que uma correção monetária, calculada através de títulos registrados no sistema especial de liquidação e de custodia, ferindo frontalmente o principio da isonomia e diversos outros, como o art. 192, §3° da CF, que estabelece o percentual de 12% aa. Além do que a cobrança de juros acima do previsto da Lei caracteriza o crime de usura, ferindo, também o principio da legalidade ( art. 150, da CF). Por fim, a taxa selic cobrada fere o principio da capacidade contributiva (§l° do art. 145 da CF). 2.8. Assim, conclui que a Taxa Selic é correção monetária que favorece somente a Unido, ferindo o principio da isonomia. DO PEDIDO 3. Requer a Nulidade da NFLD pelos motivos expostos na Impugnação. Caso assim, não entenda solicita a retirada dos valores que não procedem, diante da inconstitucionalidade da contribuição do PróLabore. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 3.1. Requer, por fim, que todas as intimações sejam enviadas aos advogados da Impugnante no endereço de fls. 99 da impugnação. 4. Conforme despacho de fls. 151, o presente processo teve a competência transferida com a edição da Portaria RFB n° 564/2008 para DRJ/São Paulo! /SP, com distribuição a 14ª Turma de Julgamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · ao contrário do que a Colenda 14 8 Turma de Julgamento menciona, a Recorrente apresentou seu pedido de restituição/compensação sob o n.° 35399.000362/200318em 17/12/2003 relativo aos valores recolhidos no período de janeiro/1995 a outubro/1995, e, portanto o seu direito de ressarcimento não pereceu, pois corno regra geral concernente ao prazo prescricional do direito de restituição de tributos pagos indevidamente, assim reza o Código Tributário Nacional: o "Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: o I nas hipóteses dos incs. I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário"; · Operandose a extinção do crédito apenas com a ulterior homologação, expressa ou tácita, por parte da autoridade fiscalizadora competente, chegase à conclusão que, o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para fins de restituição de pagamentos feitos de forma indevida, começa a fluir para o contribuinte, no caso de inexistência de homologação expressa, após decorrido o prazo de cinco anos (homologação tácita) A contar da ocorrência do respectivo fato gerador. · Assim, no caso concreto, a Recorrente possui o direito de restituição dos valores pagos nos últimos 10 (dez) anos. · Multa. · SELIC. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13839.005735/200701 Acórdão n.º 2403002.848 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. COMPENSAÇÃO – PRESCRIÇÃO A recorrente apresenta, para fim de prescrição do direito de efetuar a compensação, a tese dos 5 + 5 anos. Acato a tese pelas razões abaixo apresentadas, o que me leva a considerar que a glosa efetuada está parcialmente correta. A tese dos 5 + 5 somente se aplica às ações ajuizadas antes de 08/06/2005, quando se completou a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005. Não obstante o STJ ter pacificado o tema em 2009, nos termos do art. 543C do CPC, também o STF, em sede de Recurso Repetitivo, nos termos do art. 543B, § 3o do CPC, que também tem o condão de uniformizar a jurisprudência, pacificou a tese dos “cinco mais cinco”, antes da vigência da LC n. 118/05, verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Para melhor ilustrar o entendimento firmado no acórdão prolatado em sede de repercussão geral, transcrevo o voto no seguinte trecho: 8. (...) Reconheço, pois, a inconstitucionalidade da aplicação retroativa da redução de prazo que alcance prazos já interrompidos, bem como da aplicação, imediatamente após a publicação da lei, às novas ações ajuizadas, sem assegurar aos contribuintes nenhum prazo para que, deduzindo suas pretensões em Juízo, pudessem evitar o perecimento do seu direito, considerando violado pelo art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o princípio da segurança jurídica nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, que repousam implícita e expressamente nos arts. 1º e 5º, inciso XXXV, da Constituição. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13839.005735/200701 Acórdão n.º 2403002.848 S2C4T3 Fl. 6 9 9. Diante da inconstitucionalidade reconhecida, cabe, ainda, verificar a partir de quando e com que efeito o novo prazo pode ser validamente aplicado. Importa que haja manifestação expressa desta Corte sobre a transição entre o prazo anterior de 10 anos para o prazo novo de 5 anos, porquanto significa definir o limite da inconstitucionalidade que se afasta. Sem uma definição clara quanto a tal ponto, a análise restaria incompleta e não cumpriria a função pacificadora que se espera do mecanismo da repercussão geral. ... Tenho que o art. 4º da LC 118/05, na parte em que estabeleceu vacatio legis alargada de 120 dias, cumpriu tal função, concedendo prazo suficiente para que os contribuintes não apenas tomassem conhecimento do novo prazo, como para que pudessem agir, ajuizando as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Notese que foi significativa a avalanche de ações ajuizadas perante a primeira instância em tal prazo, até 8 de junho de 2005, sinal, aliás, de que tal prazo cumpriu sua finalidade, não havendo fundamento constitucional para proteger o contribuinte da sua própria inércia, cabendo dar aplicação ao velho brocardo latino: Dormientibus non sucurrit jus. Assim, vencida a vacatio legis de 120 dias, é válida a aplicação do prazo de cinco anos às ações ajuizadas a partir de então, restando inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a esta data. A partir do exposto, sigo o entendimento que, em relação aos procedimentos administrativos de compensação havidos antes da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, o prazo decadencial para a restituição do indébito é de 10 (dez) anos (tese dos “5 + 5”), já em relação aos pedidos administrativos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, aplicase o prazo decadencial disposto na LC 118, ou seja, 5 (anos) da data do pagamento. No caso presente, registra o Relatório Fiscal que a compensação efetuada referiase a créditos do período 01/91 a 10/95 e que a compensação acorreu no período 01/2003 a 04/2005. 3.1.FPG —FOLHA DE PAGAMENTO COM APRESENTAÇÃO DE GFIP: 3.1.1As contribuições devidas, relativas ao período de 01/2003 a 04/2005, exceto 03/2004 (matriz 000113) e 01/2004 a 04/2005, exceto 03/2004 (filial 00385), foram apuradas com base nas glosas de valores indevidamente compensados pela Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 empresa, uma vez que não comprovou suporte legal para esse procedimento. 3.1.2De fato, a empresa protocolou em 17 de dezembro de 2003, sob n°35.399.000362/200318, pedido de compensação dos recolhimentos que efetuou no período de 01/91 a 10/95, a titulo de contribuição sobre remunerações de Autônomos e Pro Labore. Esse requerimento foi indeferido em última instancia administrativa em 24/05/2006 pela Quarta Camara de Julgamento do CRPS — Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme Acórdão 786/2006. Anexamos a este Relatório cópias de folhas desse processo. 3.1.3 Ocorre que mesmo antes dessa decisão ser proferida, a empresa procedeu compensação desses valores nas competências que indicamos no item 3.1.1, deixando de fazêlo a partir da competência 05/2005. Quando a empresa iniciou a compensação (competência 01/2003, GPS paga em 02/2003 e GFIP entregue em 02/2003), o direito de compensar os recolhimentos indevidos efetuados referentes aos fatos geradores até 12/92 havia prescrevido. Considero correta a glosa da compensação correspondente aos recolhimentos indevidos referentes às competências até 12/92. SELIC – SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13839.005735/200701 Acórdão n.º 2403002.848 S2C4T3 Fl. 7 11 artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão do lançamento das glosas das compensações referentes aos recolhimentos indevidos das competências 01/1993 em diante e determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720195/2011-05
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2011
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2011 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
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score : 1.0
Numero do processo: 10768.720149/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO PROLATADA NOUTROS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS VERSANDO SOBRE PLEITO SEMELHANTE. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não exclui a espontaneidade o fato de a interessada ter sido intimada de decisões que indeferiram pleitos semelhantes proferidas noutros processos administrativos.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Processo anulado.
Numero da decisão: 3202-001.379
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o despacho decisório, a fim de que a unidade de origem profira novo despacho. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Dr. João Marcos Colussi, OAB/SP 109.143.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO PROLATADA NOUTROS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS VERSANDO SOBRE PLEITO SEMELHANTE. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não exclui a espontaneidade o fato de a interessada ter sido intimada de decisões que indeferiram pleitos semelhantes proferidas noutros processos administrativos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Processo anulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o despacho decisório, a fim de que a unidade de origem profira novo despacho. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Dr. João Marcos Colussi, OAB/SP 109.143. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto. Charles Mayer de Castro Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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RESTITUIÇÃO Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO PROLATADA NOUTROS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS VERSANDO SOBRE PLEITO SEMELHANTE. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não exclui a espontaneidade o fato de a interessada ter sido intimada de decisões que indeferiram pleitos semelhantes proferidas noutros processos administrativos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o despacho decisório, a fim de que a unidade de origem profira novo despacho. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Dr. João Marcos Colussi, OAB/SP 109.143. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 49 /2 00 7- 75 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito oriundo de pagamento a maior da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, apurado em fevereiro de 2003, cumulado com compensação de débito de responsabilidade própria. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O presente processo foi formalizado para tratamento manual da Dcomp n° 26036.28904.150104.1.3.040196, através da qual a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Nacional, referente a pagamento a maior de PIS, código 8109, do período de apuração de 28/02/2003, no valor de R$ 2.105.962,73, com o qual pleiteia compensar débito também de PIS, código 6912, do período de apuração de dezembro de 2003. Por se tratar do mesmo crédito, juntouse ao presente a Dcomp n° 33506.52144.150304.1.3.043111, bem como os processos n° 10768.720352/200741 e n° 10768.720354/200731, formalizados para tratamento manual das Dcomp eletrônicas n° 12488.50579.1.3.045817 e 35754.63311.150604.1.3.046911 respectivamente, através das quais o contribuinte compensa débitos de PIS, código 6912, dos p.a. de janeiro, fevereiro e maio de 2004. Segundo o parecer conclusivo 362/08DIORT/DERAT/RIO (fls. 26/27), pesquisa aos sistemas informatizados da RFB revelam que: a) consta declarado em DCTF débito de PIS do p.a. de fevereiro de 2003 no valor de R$ 4.587.171,77, quitado mediante DARF do mesmo valor (fls.12/13); b) tal DARF (R$ 4.587.171,77), encontrase confirmado no sistema SINAL 07 (fl. 14); c) consta declarado na DIPJ (fl.15), a título de contribuição PIS a pagar neste mesmo período, fevereiro de 2003, ficha 21, linha 44, o valor de R$ 4.587.171,77, sendo que R$ 4.377.330,07 sob o código 8109 e R$ 209.841,70 sob o código 6912 (PIS não cumulativo); d) não há, entretanto, qualquer valor recolhido sob o código 6912 durante o anocalendário de 2003, conforme pesquisa de fl. 16; e) tampouco na DCTF consta qualquer valor declarado sob o código 6912; Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10768.720149/200775 Acórdão n.º 3202001.379 S3C2T2 Fl. 742 3 f) ainda que por hipótese argumentativa fosse afastada a confissão de dívida efetivada pelo contribuinte através de DCTF, e fosse tomada como referência a DIPJ, cujo caráter é meramente informativo, não chegaríamos ao valor pleiteado pelo interessada, posto que tão somente o valor de R$ 209.841,70 (que seria o valor devido de PIS 6912) restaria ali subtraído do total informado como devido a título de PIS, R$ 4.587.171,77. Entretanto, como não há qualquer pagamento de PIS 6912, como já mencionado acima, não há que ser considerada esta hipótese. O parecer afirma, ainda, que no caso em tela, não havendo liquidez e certeza do alegado crédito referente a pagamento a maior de PIS, código 8109, do período de apuração de 28/02/2003, posto que o declarado em DCTF coincide com o recolhido mediante DARF, não há como homologar a compensação declarada. Com base no parecer citado, o Delegado da DERAT/RIO (fl. 28), decidiu: a) NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado, decorrente de suposto pagamento a maior de PIS código 8109, do período de apuração de 28/02/2003, no valor de R$ 2.105.962,73; b) NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO constante das Dcomp de fls. 03/07 e 18/22, bem como das Dcomp eletrônicas acostadas às fls. 04/08 dos processos apensos de n° 10768.720352/200741 e n° 10768.720354/200731. Inconformado o contribuinte interpôs, em 03 de outubro de 2008, manifestação (fls. 7994), na qual alega, em síntese, que: Quando uma ligação telefônica originada no exterior tem destino ao território nacional, tal ligação iniciase na rede telefônica da operadora estrangeira, e esta rede conectase com redes telefônicas da REQUERENTE. A partir dessa conexão, a ^ REQUERENTE presta serviços a operadora internacional de finalização de ligação telefônica W iniciada no exterior. Por estes serviços, a operadora internacional remunera a REQUERENTE, contabilizando a respectiva receita, denominada receita de tráfego entrante. A apuração dos valores a serem recebidos pela REQUERENTE em decorrência da prestação das atividades denominadas tráfego entrante se revestem de determinadas características a ela inerentes e resultam dos acordos fumados entre as operadoras estrangeiras e a REQUERENTE, nos moldes da Regulamentação da Organização Internacional de Telecomunicações e podem ser resumidas nas seguintes etapas: Statements Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 4 Para chegar ao valor a receber (credor) ou a pagar (devedor) decorrente da prestação de serviços de telecomunicações as operadoras trocam entre si um documento denominado Statements, onde ficam registrados os tráfegos cursados entre as operadoras e os créditos não liquidados. Liquidação da dívida Após processados os statements cada operadora dá o aceite final para fins de liquidação da dívida, efetuandose, então, o pagamento do numerário para a operadora cujo saldo final no período previamente acordado (mensal ou trimestral) lhe foi favorável (credor) Documentação interna da operação Como controle interno e suporte contábil da operação, a REQUERENTE emite dois tipos documentos, "AP" (Autorização de Pagamentos Doe. 08) ou a "AR" (Autorização de Recebimentos Doe. 09). Estes dois documentos, em resumo, documentam os statements relativos a as operações financeiras trocadas entre as operadoras. Com efeito, referidas receitas decorrentes da prestação dos serviços de ''interconexão, tráfego entrante, consubstanciam prestação de serviços de telecomunicação internacional prestados a operadoras domiciliadas no exterior, portanto exportação de serviços, nos termos reconhecidamente expressos pelo Poder Legislativo e por diversos órgãos da Administração, por exemplo: • Atos do Poder Legislativo que reconhecem como prestação de serviços de comunicação a atividade de interconexão prestada às operadoras internacionais artigo 60 da Lei n.° 9.472/97, Lei Geral de Telecomunicações; Convênio Internacional de Nairobi; e o artigo I o do Dec. n.O 2.534/98, Plano Geral de Outorgas; • O próprio órgão regulatório das atividades de telecomunicações, por meio de Parecer n.° 002/98 da ANATEL, expressamente declara que a receita auferida pela Recorrente por conta das atividades denominadas "tráfego entrante" caracterizase como receita decorrente da prestação de serviços de telecomunicação internacional. • A Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou, por meio do Parecer PFGN/CAT n.° 381/99, no sentido de que "É extreme de dúvidas que no caso em pauta ocorre a prestação do serviço de comunicação". • Em resposta à consulta formulada pela própria Recorrente relativa à incidência do IRPJ, a Secretaria da Receita Federal também entendeu que as receitas auferidas em decorrência do "tráfego entrante" são típicas receitas de prestação de serviços. • O próprio artigo 689 do Decreto n.° 3.000 RIR reconhece que atividade prestada pela Recorrente constitui modalidade de prestação de serviços de comunicação internacional. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10768.720149/200775 Acórdão n.º 3202001.379 S3C2T2 Fl. 743 5 Por sua vez, o artigo 4o da Medida Provisória n.° 1.249/95 isenta da incidência da contribuição ao PIS as receitas decorrentes da prestação de serviços a residentes e domiciliados no exterior, verbis: Art. 4o Observado o disposto na Lei n.° 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de cálculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizadas a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas." Posteriormente, referido artigo 4o da Medida Provisória n.° 1.249/95 foi ratificada pela Lei n 0 9.718/98 e pela Medida Provisória n.° 1.8586/99 e por fim pela Medida Provisória n.° 2.15835, mantendo a isenção nos seguintes termos, verbis: " MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.15835. DE 24 DE A GOSTO DE 2001. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de Io de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (...) § 1º. São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput." A REQUERENTE prestou efetivamente serviços de interconexão a operadoras estrangeiras, o denominado trafego entrante, nos períodos compreendidos entre Janeiro de 1998 a Dezembro de 2001, e foi efetivamente remunerada por conta da prestação de tais serviços, nos termos comprovados pela juntada de cópias, por amostragem, das respectivas autorizações de pagamentos emitidas pelas operadoras domiciliadas no exterior e das autorizações de recebimento emitidas pela requerente. (A REQUERENTE junta à presente um DVD contendo as acima referidas AP's e NY's relativas a todo o período de 1998 a 2001, de forma a comprovar a efetiva exportação de serviços de telefonia). I Por cautela, considerando que a Administração entende que o efetivo ingresso de divisas somente se aperfeiçoaria mediante a contratação de contrato de câmbio, a REQUERENTE efetivamente considerou na base de cálculo do PIS por ela devida as receitas decorrentes do trafego entrante serviços de interconexão prestados a operadoras domiciliadas no exterior , em que pese a isenção prevista no já citado artigo 14 da Medida Provisória n.° 2158/01, tendo recolhido PIS relativos aos períodos de apuração de Janeiro de 1998 a Dezembro de 2001 inclusive sobre as citadas receitas de exportação trafego Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 6 entrante – nos termos demonstrados em planilha constante de fls. 85/86. Posteriormente, somente quando do fechamento dos competentes O Contratos de Câmbio (Does. 02 e 03) em fevereiro de 2003 e, considerando que teria passado a cumprir a exigência que, no entender da Administração, lhe daria direito ao gozo da isenção relativamente às receitas de exportação decorrentes do trafego entrante, a REQUERENTE reconheceu em sua contabilidade (Doe. 07) créditos decorrentes dos recolhimentos da PIS relativos as receitas do denominado tráfego entrante, nos períodos compreendidos entre janeiro de 1998 a dezembro de 2001, utilizando referidos créditos para quitação do próprio PIS devido em períodos de apuração vincendos, dentre estes o período de apuração de dezembro de 2003 e fevereiro de 2004 (Processo n° 200775); janeiro de 2004 (Processo n° 2007/41) e maio de 2004 (Processo n° 2007/31). Com efeito, do simples exame dos registros contábeis da REQUERENTE (Doc.07) constatase que os créditos do PIS, decorrentes da repatriação das receitas cuja origem foi a exportação dos serviços de interconexão à operadoras domiciliadas no exterior, denominado trafego entrante, foram exatamente os mesmos valores utilizados na compensação R$ 2.105.962,73 que totaliza exatamente o valor objeto da compensação em questão, nos termos demonstrados em planilha de fl. 87. De fato, a autoridade fiscal autora do Parecer que opinou pela não homologação da compensação levada a efeito pela REQUERENTE, relativa ao período de apuração de dezembro de 2003, janeiro, fevereiro e maio de 2004 não detinha informações suficientes para, partindo exclusivamente do exame isolado da DCTF relativa ao período base de fevereiro de 2003, entender a origem do crédito e atestar sua liquidez e certeza. Sequer o exame conjunto da referida DCTF relativa ao período base de fevereiro de 2003 e da respectiva Dcomp n.° 35754.63311.150604.1.3.046911; 12488.50579.130204.1.304 5817; 26036.28904.150101.1.3.040196; 33506.52144.150304.1.3.043111 permitiria à Autoridade Fiscal atestar a liquidez e certeza dos créditos utilizados pela REQUERENTE uma vez que a REQUERENTE se equivocou ao Informar na referida Dcomp que o crédito seria oriundo de recolhimento indevido havido em fevereiro de 2003. De fato, a REQUERENTE informou na competente Dcomp que os créditos eram originários do período de apuração de fevereiro de 2003, dado que somente nesta data, com o fechamento dos respectivos contratos de câmbio, é que foi cumprida, no entendimento da própria Administração Tributária, a condição necessária para a fruição da isenção, relativamente as receitas de exportação decorrentes do tráfego entrante, momento em que os recolhimentos havidos entre janeiro de 1998 a dezembro de 2001, tomaramse efetivamente recolhimentos indevidos, portanto créditos líquidos e certos passíveis de utilização para compensação com débitos vincendos da REQUERENTE. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10768.720149/200775 Acórdão n.º 3202001.379 S3C2T2 Fl. 744 7 Verificase que, somente em fevereiro de 2003, após o cumprimento das condições, que no entendimento da própria Administração Tributária, são necessárias à fruição da isenção, é que os recolhimento efetuados pela REQUERENTE, em decorrência da prestação de serviços de interconexão às operadoras internacionais trafego entrante , nos períodos compreendidos entre Janeiro de 1998 a Dezembro de 2001, tornaramse efetivamente recolhimentos indevidos, portanto créditos líquidos é certos passíveis de utilização para compensação com débitos vincendos da REQUERENTE. Pois bem, dos fatos acima concluise que o crédito utilizado pela ora REQUERENTE para quitação do débito de PIS relativo ao período base de dezembro de 2003, janeiro, fevereiro e maio de 2004 não decorre de um pagamento feito a maior no período base de fevereiro de 2003, mas sim, de recolhimentos feitos no período de janeiro de 1998 a Dezembro de 2001 que, com o fechamento dos contratos de câmbio havidos em fevereiro de 2003, tornaramse, em março de 2003 recolhimentos indevidos, portanto, passíveis de utilização para quitação de débitos via compensação. Isto posto, verificase que os créditos utilizados pela REQUERENTE para quitação do débito da PIS relativo ao período de apuração de dezembro de 2003, janeiro, fevereiro e maio de 2004 são líquidos e certos, motivo pelo qual deve a compensação ser homologada, desconsiderandose, por insubsistente, o r. Parecer Conclusivo n.° 362/2008. Requer o contribuinte perícia, nos termos do disposto no artigo 16, Inciso IV do Decreto n.° 70.235/72, a fim de que sejam respondidos os quesitos: i) Que o Sr. Perito esclareça se nos períodos de apuração de Janeiro 1998 a Dezembro de 2001 a requerente computou na base de cálculo do PIS por ela recolhido através dos DARFs cujas copias foram acostadas aos autos (Doe 04) as receitas de exportação decorrentes da prestação dos serviços de interconexão a operadoras domiciliadas no exterior, denominado tráfego entrante. ii) Que o Sr. Perito esclareça, caso seja positiva a resposta ao quesito anterior, qual a parcela do valor recolhido pela REQUERENTE a título de PIS, através dos DARFs cujas cópias foram acostadas aos autos (Doe 04), é decorrente da incidência do PIS sobre as receitas de exportação originadas na prestação dos serviços de interconexão à operadoras domiciliadas no exterior, denominado tráfego entrante. iii) Que o Sr. Perito esclareça se os valores que foram objeto dos Contratos de Câmbio (Does 02 e 03), fechados em fevereiro de 2003, são relativos exclusivamente às receitas de exportação decorrentes da prestação dos serviços de interconexão a operadoras domiciliadas no exterior, denominado tráfego entrante, nos períodos de janeiro de 1998 a Dezembro de 2001. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 8 Ressalta o contribuinte que quando da apresentação das Dcomp n.° 35754.63311.150604.1.3.046911; 12488.50579.130204.1.3045817; 26036.28904.150101.1.3.04 0196; 33506.52144.150304.1.3.043111; cometeu mero erro formal ao informar que os créditos que seriam compensados tratavamse de pagamentos indevidos ou a maior relativos ao período de apuração de fevereiro de 2003, quando na verdade cuidavase de créditos decorrentes de recolhimentos havidos ente Janeiro de 1998 e Dezembro de 2001, que se tornaram indevidos, em face do fechamento dos respectivos Contratos de Câmbio (Doe. 02 e 03), ocorridos em fevereiro de 2003. considerando que a Decomp não permite a correção no campo relacionado à origem dos créditos, não restou alternativa à Requerente para, diante do erro formal cometido, retificar as informações prestadas às Autoridades Fiscais de modo a comprovar a liquidez e certeza dos créditos do PIS que seriam utilizados na compensação da PIS relativo ao período de apuração de dezembro de 2003, janeiro de 2004, fevereiro de 2004 e maio de 2004. Desta forma, a partir da análise dos documentos acostados à presente manifestação de inconformidade, dúvidas não pairam sobre a liquidez e certeza dos créditos de PIS que foram utilizados na compensação realizada com o débito relativo ao período de apuração de dezembro de 2003, janeiro de 2004, fevereiro de 2004 e maior de 2004. Traz o contribuinte decisões do CARF corroborando tal raciocínio, em que se dá ênfase ao princípio da verdade material, em oposição ao da verdade formal no direito administrativo. Em 16/12/2009, foram anexadas aos autos as peças de fls. 237/243, que tratam, segundo a interessada, de subsídio à manifestação de inconformidade apresentada, onde se requer o cancelamento dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de mora exigida. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro não conheceu da manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJII n.º 13 40.609, de 14/03/2012 (fls. 364 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não se inclui dentre as atribuições das turmas das DRJ a apreciação de pedido de retificação de DCOMP. Não é de ser conhecida a manifestação de inconformidade, cuja matéria a ser apreciada se restrinja ao referido pedido. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10768.720149/200775 Acórdão n.º 3202001.379 S3C2T2 Fl. 745 9 Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a interessada apresentou, fora prazo legal, recurso voluntário de fls. 425/448, que, no entanto, deve ser apreciado por esta Colegiado Administrativo por força de decisão judicial (vide fl. 714). As suas razões de defesa, no entanto, não serão aqui relatadas em vista do que se passa a consignar no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende, por força de decisão judicial, a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Conforme consta do Relatório, a Recorrente apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito do PIS, cumulado com pedido de compensação de débito próprios. A unidade de origem indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações. Em essência, fundamentouse nos seguintes fatos: a) consta declarado em DCTF débito de PIS de fevereiro de 2003 no valor de R$ 4.587.171,77, quitado mediante DARF do mesmo valor (fls. 12/13); b) o valor pago encontrase confirmado no sistema SINAL 07 (fl. 14); c) consta declarado na DIPJ (fl. 15), a título contribuição para o PIS a pagar neste mesmo período, fevereiro de 2003, ficha 21, linha 44, o valor de R$ 4.587.171,77, sendo que R$ 4.377.330,07 sob o código 8109 e R$ 209.841,70 sob o código 6912 (PIS não cumulativo); d) não havia, entretanto, qualquer valor recolhido sob o código 6912 durante o anocalendário de 2003, conforme pesquisa de fl. 16. Portanto, a denegação do pleito assentouse na não constatação da origem do crédito pleiteado. Não houve, todavia, intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos, de molde a dirimir a dúvida necessária à solução, ao menos inicial, do litígio. A meu ver, a decisão está equivocada. É que, antes de proferido o Despacho Decisório, deveria a Recorrente ter sido intimada a apresentar alegações e documentos que respaldassem a pretensão, a fim de que fossem dirimidas dúvidas sobre a existência do crédito pretendido. Afinal, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei n.º 9.784, de 1999 (aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal por força de seu art. 69), o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão prolator. Ademais, conforme preconiza o art. 39 do mesmo diploma legal, quando necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, devem ser expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 10 Portanto, ainda que erro tenha havido, a Recorrente deveria ter sido intimada a sanálo. Ante o exposto, por considerar cerceado o direito de defesa da Recorrente, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para anular o despacho decisório, a fim de que a unidade de origem profira novo despacho. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.011035/2002-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/1997 a 31/12/1997
LANÇAMENTO. DUPLICIDADE
Ante a constatação de que os débitos lançados já foram objeto de cobrança em outro processo, cancela-se o lançamento.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3403-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO. DUPLICIDADE Ante a constatação de que os débitos lançados já foram objeto de cobrança em outro processo, cancelase o lançamento. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 10 35 /2 00 2- 26 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 16 a 25, lavrado em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondentes à Contribuição para o PIS, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.977.043,44, correspondente à Contribuição não recolhida referente aos meses 07/1997 a 12/1997, acrescida da multa de oficio e dos juros de mora correspondentes, calculados até 31/05/2002. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, do “Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confinnados” e do “Anexo III Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar” que: 1) O presente auto de infração originouse da realização de Auditoria Intema na DCTF referente aos 3° e 4° Trimestres do anocalendário 1997, conforme INSRFn°s 045/98 e 077/98; e 2) A irregularidade constatada nos créditos vinculados aos débitos de Cofins informados nessas DCTF, conforme “Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados” referemse, conforme descrito no campo “ocorrência”, ao fato de que o processo judicial n° 9800211853, informado na declaração como origem dos créditos vinculados por compensação, seria de “outro CNPJ”. Os dispositivos legais infringidos constam do Quadro 10 “Descrição dos fatos e enquadramento legal” (fl. 19). Na impugnação, anexada às folhas l e 2, a Interessada alega, em síntese: O crédito lançado encontrase com exigibilidade suspensa, em vista do processo judicial n° 98.002.l 1853, o que foi corretamente informado na DCTF auditada; Presumese que o erro no lançamento decorra da alteração da denominação social da autuada que à época do ajuizamento da ação denominavase “Banco Bozano, Simonsen S/A". É certo que o CNPJ, no entanto, permaneceu inalterado, por tratarse rigorosamente da mesma sociedade. Anexa cópia da inicial da ação judicial 11° 98.0021 1853 (fl. 3) e das atas das assembléias que alteraram a denominação social da entidade (fls. 12 e 13). Em 22 de dezembro de 2010 a interessada protocolizou aditamento à impugnação, fls. 34 a 36, acompanhada dos anexos de folhas 37 a 71 na qual alega que os valores lançados já foram objeto de cobrança por meio do processo administrativo n° 10768.008745/200198, existindo portanto dois processos para cobrança dos mesmos débitos. Informa que o citado processo deu origem à execução fiscal n° 2007.6l.82.027701, extinta em decorrência de pagamento efetuado em 27 de maio de 2009. Assim, solicita o cancelamento do auto de infração n° 0000975. A DRJ juglou improcedente o Auto de Infração e, por essa razão, o presente Recurso de Ofício a ser analisado por essa Turma. De acordo com a DRJ, tendo em vista que posteriormente, a interessada trouxe aos autos a informação de que os débitos já foram Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10768.011035/200226 Acórdão n.º 3403003.453 S3C4T3 Fl. 5 3 cobrados por meio do processo administrativo 10768008745/200198. Anexou extrato do processo na Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 53 e 54), certidões de inscrição na divida ativa (fls. 57 a 65) e DARF relativo à quitação dos débitos (fl. 68).¬ As consultas anexadas às folhas 74 a 77 confirmam que o processo n° l0768.008745/200198 trata de cobrança de débitos de PIS e que os débitos relativos aos meses 07 a 12/1997, nos mesmos valores lançados neste, foram cobrados naquele processo. Consta ainda a informação do envio dos débitos para inscrição em dívida ativa e a comprovação da extinção da inscrição dos débitos. É evidente a cobrança em duplicidade. Ainda que o lançamento tenha sido efetuado de pleno acordo com a legislação vigente à época, o que ensejaria a anulação por duplicidade não dos débitos deste processo, mas daqueles cobrados no processo n° 10768008745/200198, se considerar que os débitos do processo de cobrança encontramse pagos, devese cancelar o lançamento levado a efeito. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Tratase de Recurso de Ofício, elevando para julgamento por conta do valor do Auto de Infração que foi julgado improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro. Com efeito, há que se manter inalterado o julgado, visto que resta claro que se trata não apenas de cobrança em duplicidade da Contribuição ao PIS, mas que, principalmente, o débito em questão foi devidamente pago para Recorrida. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.912652/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/01/2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/01/2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/01/2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 26 52 /2 00 9- 13 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 60 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912652/200913 Acórdão n.º 3802003.759 S3TE02 Fl. 81 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912652/200913 Acórdão n.º 3802003.759 S3TE02 Fl. 82 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912652/200913 Acórdão n.º 3802003.759 S3TE02 Fl. 83 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 35301.004060/2007-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO, PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.324
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/2001. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendem ser irrelevante a antecipação de pagamento.
Nome do relator: kLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/2001. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendem ser irreile-Nite a antecipação de pagamento. \-0-- ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente KLEBER FERREIRA DE ARA 4 JO - Relator \\YUÀ h L Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Ausente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 2 Processo n° 35301,004060/2007-76 S2 -C4T1 Acórdão n ° 2401-01324 Fl .357 Relatório Trata-se da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n,' .37A05.899-2, lavrada contra a contribuinte acima identificada, a qual foi cadastrada com número de processo constante no cabeçalho. O valor consolidado em 29/07/2003 assumiu o montante de R$ 65.370,.30 (sessenta e cinco mil, trezentos e setenta reais e trinta centavos). De acordo com o relatório fiscal, fis, 30/35, os fatos geradores integrantes da NFLD foram as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços no período fiscalizado. Informa-se ainda que, além da presente NFLD foram lavradas na mesma ação fiscal outras duas notificações, que correspondem às contribuições sobre o salário utilidade alimentação e sobre a remuneração dos administradores. A notificada apresentou impugnação, fls. 257/276, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que declarou, por unanimidade, procedente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 338/345, no qual alega que as contribuições lançadas foram alcançadas pela decadência, É o relatório. 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O único argumento do recurso é a decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do decreto- lei a" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei a" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art 103-A O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre inatéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vincidante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. ( Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art 173, 1, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL n 9 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, ai de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART 543-C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS). OMISSÃO, NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA, 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do Processo n" 35301 004060/2007-76 S2-C4T1 Acórdão n " 2401-01„324 El 358 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento . foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 1.50, § 4 0, do CTN)". 2. Devem ser repelidas os embargos declaratórias manejadas com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 30/03/2007 e o período do crédito é de 02/1999 a 12/2001, O relato fiscal afirma que na fiscalização foram apuradas as contribuições sobre a remuneração dos segurados empregados pagas a titulo de alimentação, sobre a remuneração dos administradores (pró-labore) e sobre a remuneração dos autônomos, levando-me a concluir que houve recolhimento sobre a remuneração direta dos empregados, posto que sobre esses pagamentos não houve lançamento. Entendo, por isso, que o prazo decadencial deva ser aferido pela regra do art. 150, § 4,', do CTN. Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência a totalidade das contribuições lançadas. Voto, assim, pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência de todas as contribuições integrantes da NHÃ). Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2010 \, KLEBER FERREIRA' DE A É .10 - Relator 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA rif CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS nr QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35301,004060/2007-76 Recurso ri°: 165,482 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão tf 2401-01_324 Brasília, 22,4e setembro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933178/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.228
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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(assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG. Depreendese pela análise do presente processo administrativo que a recorrente apresentou Declaração de Compensação (DCOMP), indicando como direito creditório um “Pagamento Indevido/a Maior” no valor de R$ 1.611.324,00. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 33 17 8/ 20 09 -2 7 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.933178/200927 Resolução nº 1301000.228 S1C3T1 Fl. 3 2 A análise primitiva da declaração apresentada, foi realizada pela DRF nos termos do Despacho Decisório anexado à folha 34, no qual se entendeu, em resumo, que analisadas as informações prestadas foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período. Como enquadramento legal foram citados os artigos 165 e 170 do CTN, artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF não homologou a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP. O contribuinte foi cientificado (fl. 59) e, irresignado, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 09), argumentando em síntese, a tempestividade do seu inconformismo e informando que apurou a CSLLEstimativa Mensal no mês de fevereiro/2005 no montante de R$ 1.611.324,00, e que informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente, acrescentando que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor da CSLL (estimativa mensal) para o período, e “acabou por encontrar prejuízo”, “gerando o recolhimento indevido de todo o montante anteriormente recolhido no valor de R$ 1.611.324,00”. Aduziu ainda, que a DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as infamações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. Seguiu argumentando que a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada, todavia, tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n° 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes e argumenta que “efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. Ressaltou que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB. Em outra linha argumentativa, requereu fosse preservado o direito à restituição do indébito tributário tendo em vista que a Declaração de Compensação e a Manifestação de Inconformidade, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no artigo 168 do CTN, destacando que na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.933178/200927 Resolução nº 1301000.228 S1C3T1 Fl. 4 3 Por fim, requereu o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 61 em diante, indeferiu a solicitação, ao fundamento de que na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização e que as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação e que a opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 81 em diante), reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10680.933178/200927 Resolução nº 1301000.228 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a suposto pagamento indevido ou a maior, efetuado sob o código 2484 (ESTIMATIVA MENSAL – CSLL), referente ao mês de fevereiro/2005 no montante de R$ 1.611.324,00. Penso que, em virtude do fato de o indeferimento da compensação pleiteada pela contribuinte estar amparado basicamente no entendimento de que não é possível reconhecer pagamento indevido de antecipações obrigatórias (estimativas) que não seja por meio do correspondente saldo negativo apurado após o encerramento do período de apuração, não encontramse reunidos ao processo elementos capazes de efetivamente demonstrar que, no presente caso, estamos diante de tal circunstância (pagamento indevido). Note se que para efeito de apreciação da pretensão da Recorrente é necessário, antes mesmo de qualquer análise acerca da legislação de regência, que fique devidamente aclarado que estamos diante de pagamento indevido, isto é, que a contribuinte, tomando por base a legislação aplicável, promoveu o cálculo da antecipação obrigatória segundo uma das modalidades previstas (receita bruta ou balanços de suspensão/redução), e, posteriormente, considerando essa mesma modalidade, constatou ter incorrido em erro na apuração do valor devido e, por conseqüência, no recolhimento efetuado. Diante das considerações antes expostas, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem, tomando por base documentos colhidos junto à contribuinte, informe se efetivamente estamos diante de erro na apuração da antecipação obrigatória recolhida e, em caso positivo, qual o montante que deve ser considerado como PAGAMENTO INDEVIDO. Solicitase que o resultadoda diligência que ora se requer seja refletido em relatório e que a documentação que lhe serviu de suporte seja carreada ao processo. A contribuinte deve ser cientificada das conclusões da diligência para, se assim desejar, aditar razões. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 04/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904803/2009-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 03 /2 00 9- 79 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 9303002.571 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 9303002.571 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 12448.720386/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - SUSPENSÃO DE IMUNIDADE
PAF. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. O pagamento regular de salários direto e indireto em retribuição de serviços prestados, não caracteriza, por si só, desobediência ao comando legal, exceto quando a fiscalização provar que a situação apresentada configura distribuição simulada de resultados.
PAF. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. O dispêndio de recursos por instituição de goza imunidade tributária para pagamento de salários direto e indireto a diretor escolar, diretores executivos (administrativo, financeiro etc.) e para realização de festas e eventos relacionados com o objeto da entidade, exceto se a fiscalização conseguir provar que se trata de distribuição simulada de resultado, está relacionado à finalidade essencial de uma entidade de ensino.
IRPJ. CSL. PIS. COFINS. Considerada improcede a suspensão da imunidade, não se mantém o auto de infração lavrado para exigência de tributo.
Numero da decisão: 1102-001.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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IRPJ. CSL. PIS. COFINS Recorrente ESCOLA AMERICANA DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SUSPENSÃO DE IMUNIDADE PAF. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. O pagamento regular de salários direto e indireto em retribuição de serviços prestados, não caracteriza, por si só, desobediência ao comando legal, exceto quando a fiscalização provar que a situação apresentada configura distribuição simulada de resultados. PAF. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. O dispêndio de recursos por instituição de goza imunidade tributária para pagamento de salários direto e indireto a diretor escolar, diretores executivos (administrativo, financeiro etc.) e para realização de festas e eventos relacionados com o objeto da entidade, exceto se a fiscalização conseguir provar que se trata de distribuição simulada de resultado, está relacionado à finalidade essencial de uma entidade de ensino. IRPJ. CSL. PIS. COFINS. Considerada improcede a suspensão da imunidade, não se mantém o auto de infração lavrado para exigência de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que negava provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 03 86 /2 01 1- 61 Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1311/1332, anexo fl. 1333) interposto contra Acórdão nº 1241.304 (fls. 1235/1269) proferido pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro 1 (DRJ/RJ1), na sessão de 07 de outubro de 2011, que, por unanimidade, julgou improcedente: i) a impugnação ao Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade nº 25/2011 (ADE 25/2011) protocolada em 20/04/2011(fl. 629); e ii) a impugnação ao auto de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, levada ao conhecimento da Contribuinte em 29/03/2011 (fl. 586). Em suma, em 22/11/2010 (fl. 09), a Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro/RJ notificou a Escola Americana do Rio de Janeiro (EARJ) a apresentar alegações e provas suficientes a afastar possível suspensão da imunidade tributária fruída pela instituição de ensino. A Recorrente possui em seus quadros dois tipos de dirigentes: estatutários (conselheiros ou diretores), os quais não recebem qualquer remuneração ou valor; esses, eleitos sob forma preconizada no Estatuto Social da Entidade. Sob esse aspecto, nada questionado pelo agente fiscal. Também, o fiscal cita a existência de três diretores empregados, a saber: Diretor Escolar, uma Diretora AdministrativoFinanceiro e uma Professora. Os três possuem poderes limitados conforme Estatuto da Entidade. Ainda, o Sr. Fiscal analisou pagamentos realizados pela Recorrente sob diversas rubricas, entendendo como possíveis (corretos). Afirmou o fiscal que, justificaria a suspensão da imunidade o pagamento sob as seguintes rubricas: Conta Despesa AC 2007 3.1.5.06.01 Seleção e Recrutamento de Expatriados R$ 28.744,00 Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 4 3 3.4.2.06.01 Consumo de Combustíveis R$ 14.325,88 3.4.8.01.01 Despesas de Ocupação e Manutenção (residências de diretores) R$ 42.330,52 3.6.1.12.01 3.5.1.01.01 Representações R$ 55.088,40 3.4.2.04.01 Despesas com Conservação de Veículos R$ 13.977,24 3.1.3.02.01 Despesas Assistência Médica R$ 22.058,39 3.1.3.02.01 Despesas Assistência Médica R$ 21.542,27 3.1.3.02.01 Despesas Assistência Médica R$ 13.108,52 3.1.3.02.02 Despesas Assistência Médica R$ 9.106,14 3.1.3.02.01 Despesas Assistência Médica R$ 30.343,33 Total R$ 250.624,69 Aparentemente, referidos gastos ocorrem em favor dos referidos três “diretores empregados”, muito embora não haja nos autos qualquer menção que outros empregados tenham sido beneficiados com esses valores. Assim, os fundamentos apresentados pelo Sr. Fiscal que, em tese, justificariam a suspensão da imunidade, seriam: gastos não essenciais para manutenção da finalidade de educação, que é o ensino; e a atribuição de recursos, “benefícios indiretos” (sem pagamento de IRRF – fls. 08) ou vantagens a dirigente da instituição, a qualquer título. O ato administrativo acima foi fundamentado nos art. 14, incisos I e II e art. 9º, §1º, do CTN e no art. 32, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Intimada em 22/11/2010 (fl. 09), a Contribuinte impugnou a Notificação Fiscal em 16/12/2010 (fl. 12) fls. 12/21 com anexos de fls. 22/508 , alegando, em síntese, que: i) o Conselho Diretor da EARJ, em 2007, era composto por quinze membros; ii) nenhum membro do Conselho foi remunerado; e iii) os pagamentos foram efetuados aos professores e ao diretor da escola (ou “headmaster”), todos empregados da EARJ. Às fls. 509/518, o Parecer Conclusivo foi pela suspensão da imunidade da entidade. Na fundamentação, o Sr. Fiscal: i) afirma que a Contribuinte não refutou os pagamentos efetuados; ii) cita os arts. 27 e 28 do Estatuto da EARJ; Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 5 4 iii) aduz que há autorização de pagamentos pelos Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira; iv) chega à conclusão que tais pessoas, a despeito de não integrarem o Conselho Diretor, são “administradores de fato”, logo não poderiam ser remuneradas; v) registra que veículos da EARJ são utilizados pelos Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria, Julie Hunt e Peter Kennedy; e v) que os contratos de trabalho firmados não preveem o pagamento de benefícios indiretos, exceto as relativas à viagem de vinda ao Brasil e do repatriamento. O Parecer citado foi remetido à Sra. Delegada da Receita Federal no Rio de Janeiro para análise e decisão, a qual decidiu pela suspensão da imunidade da EARJ, relativamente ao ano calendário de 2007 (fl. 522). O Ato Declaratório Executivo nº 25, de 18/02/2011, foi publicado no Diário Oficial da União de 25/02/2011 (fl. 528). A contribuinte foi intimada da suspensão da imunidade em 23/03/2011 (fl. 531) e da lavratura de auto de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em 29/03/2011 (fl. 586), para a cobrança dos seguintes valores: Auto de Infração fls. 586/613 IRPJ CSLL PIS COFINS TOTAL Tributo R$ 465.513,41 R$ 167.584,83 R$ 233.711,10 R$ 1.078.666,81 R$ 1.945.476,15 Multa R$ 349.135,06 R$ 125.688,62 R$ 175.283,33 R$ 809.000,11 R$ 1.459.107,11 TOTAL R$ 3.404.583,26 A Recorrente apresentou Impugnação ao ADE nº 25/2011 (fls. 629 a 644) em 20/04/2011 (fl. 629) e defesa contra o auto de infração lavrado para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 1044/1059 e anexos fls. 1060/1232) em 28/04/2011 (fl. 1044). A ora Recorrente apresentou argumentos semelhantes aos constantes na Impugnação à Notificação Fiscal, inovando apenas quando afirmou que i) a EARJ teve imunidade reconhecida pelo e. STF em processo cujo objeto era a cobrança de ISSQN pelo antigo Estado da Guanabara; e ii) os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira não são “administradores de fato”, mas mandatários, nos termos dos arts. 5º, 27 e 28, do Estatuto Social da EARJ; iii) requereu perícia contábil para atestar que os pagamentos foram feitos apenas para empregados e nunca para administradores. A 15ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade, negou provimento às impugnações apresentadas pela ora Recorrente. O acórdão de n° 1241.304, proferido na sessão de 07 de outubro de 2011, assim foi ementado à fl. 1235: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2011 Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 6 5 PEDIDO DE PERÍCIA – INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando prescindível à solução do litígio ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. PAGAMENTOS DE DESPESAS PARTICULARES DE DIRETORES (REMUNERAÇÕES INDIRETAS). Uma vez comprovado que a instituição de educação custeou gastos particulares de seus diretores, destinando os recursos da entidade para pagamento de despesas estranhas à atividade de ensino, reputase correta a suspensão de sua imunidade tributária, em razão do descumprimento dos requisitos impostos pelo art. 14, incisos I e II, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. EFEITOS DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Confirmada a suspensão da imunidade, a entidade fiscalizadora fica sujeita a tributação de renda da mesma forma que as demais pessoas jurídicas. APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DESPESAS DESNECESSÁRIAS Para fins de apuração do lucro real, devem ser adicionadas ao lucro líquido as despesas que não guardam pertinência com o objeto social da entidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 CSLL. PIS.COFINS. ENTIDADE QUE TEVE SUSPENSA A SUA IMUNIDADE EM RELAÇÃO AO IMPOSTO DE RENDA. A entidade que teve suspensa sua imunidade tributária com relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ fica sujeita, também, ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP, calculada sobre o faturamento, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Os fundamentos do Acórdão nº 1241.304, da 15ª Turma da DRJ/RJ1, podem ser assim resumidos: DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 7 6 Das causas suspensivas da imunidade apontadas pelo Fisco “Depreendese da Notificação Fiscal e demais elementos contidos nos autos que o Fisco suspendeu a imunidade da Escola Americana do Rio de Janeiro por duas razões. Primeiro, pela a apropriação de "gratificações", além de pagamentos de gastos particulares de seus Diretores, contrariando assim o artigo 170, § 3°, incisos I e II do Decreto n° 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda, e ainda o artigo 14, incisos I e II do Código Tributário Nacional. Exemplificando estas despesas, são referidos pagamentos de água, luz, gás, telefone, custo de materiais e serviços utilizados na manutenção das residências de diretores e ainda despesas com veículos à disposição dos diretores (IPVA, consertos, combustível, etc.). Tais despesas, inclusive, são as mesmas que ajustaram o lucro líquido da entidade para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. Em segundo lugar, foi apontada como causa impeditiva à fruição da imunidade a falta da aplicação integral dos recursos da Escola Americana do Rio de Janeiro na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, em descumprimento ao preceituado no 170, § 3°, incisos I e II, do Decreto n° 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda e ainda no artigo 14, incisos I e II do Código Tributário Nacional. Vale destacar que não foram registradas pelo Fisco deficiências na escrituração contábil que pudessem dar ensejo à suspensão da imunidade com fundamento nos artigos 170, § 3°, inciso III, do Decreto n° 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda, e ainda no artigo 14, inciso III do Código Tributário Nacional” – fls. 1256/7. (...) DO MÉRITO Do pedido de perícia “O impugnante requereu perícia, na forma estabelecida no Decreto n° 70.235/1972, tendo formulado quesitos e indicando perito. Entendo ser a perícia desnecessária e prescindível para solução do presente litígio, já que nos autos estão presentes todos os elementos necessários à formação de minha convicção e ao julgamento imparcial da demanda. Isto posto, indefiro a sua realização, com fulcro no disposto no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações determinadas pela Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993” – fl. 1257. (...) Do reconhecimento judicial da imunidade “Conclusivamente, as decisões judiciais apresentadas não asseguram o direito à imunidade por tempo indeterminado, pois há sempre a possibilidade do benefício ser suspenso, como no caso em exame, quando constatado o descumprimento dos requisitos legais. Ou seja, as decisões do STF e da Prefeitura do Rio de Janeiro, não lhe asseguram o direito de perene fruição da imunidade” – fl. 1259. Das remunerações indiretas dos diretores Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 8 7 “Um dos pontos fulcrais da defesa da interessada é de que não consta qualquer registro de pagamento, remuneração ou benefício pago, em nome de qualquer um daqueles “administradores” por ela listados, pois, segundo entende, somente os administradores devidamente eleitos é que sofreriam tal vedação. Deste modo, como os senhores (as) Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira não são, nem nunca foram, segundo afirma, diretores da interessada, pois nenhum dos três integra a administração da Escola Americana o Rio de Janeiro, nem foram eleitos pela assembléia de associados para ocupar as funções desempenhadas, descaberia a suspensão do benefício” – fl. 1260. (...) “Por todas estas evidências, concluo, em consonância com a fiscalização, que os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira são administradores de fato da Escola Americana do Rio de Janeiro. Nesta condição de administradores, não poderiam ter remuneração, mas, além disso, ainda recebem outros benefícios indiretos, como reembolso de despesa de combustível e IPVA de veículos à sua disposição, gastos em restaurantes, auxílio moradia, água, luz, gás, telefone, custo de materiais e serviços utilizados na manutenção de suas residências de diretores. Todos estes benefícios indiretos estão sobejamente comprovados nos autos” – fl. 1263. Da falta de aplicação integral dos recursos da Escola Americana do Rio de Janeiro na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais “Para que fique claro, vejase o objeto social da Escola Americana do Rio de Janeiro, como consta no artigo 3° de seu Estatuto (fl. 701): Artigo 3° o objetivo da associação é a prestação de serviços de natureza Educacional e cultural, principalmente para o ensino primário e secundário” – fl. 1264. (...) A EARJ também argumenta que para contratar com sucesso professores no exterior deve conceder benefícios indiretos, especialmente relativos a seguros, despesas de assistência médica, locação e manutenção predial, pois sem isso seria praticamente impossível conseguir trazer para o Brasil profissionais gabaritados para o padrão de ensino por ela imposto. Entretanto, em nenhum dos contratos exibidos, a escola assume esta obrigação, como pode se ver na cláusula quinta onde a escola se compromete a pagar somente as despesas relativas à viagem para o Brasil e ao retorno do contratado (fls. 571/573): Cláusula Quinta A Escola comprometese a pagar as despesas relativas à viagem da contratada ao Brasil, bem como as despesas relativas ao repatriamento da mesma. Com base nas provas contidas nos autos, concluo também não ser procedente pagamento de despesas com segurosaúde internacional de dirigentes e de suas famílias, através da contacorrente no Citibank de Nova York, demonstrando assim, salvo melhor juízo ou provas apresentadas posteriormente, a utilização de recursos próprios da escola em desconformidade com o fim contido no seu objeto social” fl. 1265. (...) Das conclusões “Por todo o exposto, não há reparos ao Ato Declaratório Executivo n° 25, de 18 de fevereiro de 2.011, assim sendo, VOTO no sentido de que seja mantida a Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 9 8 suspensão da imunidade da Escola Americana do Rio de Janeiro no ano calendário de 2.007” – fl. 1265. DA AUTUAÇÃO “Como visto, suspensa a imunidade da EARJ, a mesma passou a sujeitarse ao recolhimento do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, sendo lavrados autos de infração para exigir os tributos devidos. A base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorreu do lucro contábil ajustado pelas adições (parcelas não dedutíveis na apuração do Lucro Real) R$ 1.862.053,69 (1.611.429,00 + 250.624,69)” – fl. 1265. (...) “Já a base de cálculo do PIS e da COFINS compreende as Receitas de Ensino contabilizadas na conta n° 4.1.1.01 Mensalidades e na conta n° 4.1.1.07 FD (taxa de matrícula), conforme demonstrado em fls. 531/569” – fl. 1266. DA NULIDADE “Importante observar que a suspensão da imunidade obedeceu estritamente ao procedimento legal estabelecido no artigo 32, da Lei n° 9.430/1996...” – fl. 1267. (...) “Quanto à alegação de falta de indicação da infração e de citação dos dispositivos legais, tal não tem qualquer fundamento Vejase, por exemplo, a descrição da infração do imposto de renda de pessoa jurídica” – fl. 1268. (...) “Por tais razões, VOTO pela rejeição da nulidade arguida” – fl. 1268. DO MÉRITO “Os ajustes efetuados ao lançamento contábil para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorreram da falta de necessidade das despesas glosadas, pois estas nada têm a ver com o objeto para o qual a EARJ foi constituída, como suficientemente elucidado. Já a incidência de IRPJ e CSLL sobre o lucro líquido tem como causa a própria suspensão da imunidade, que veio a permitir a incidência de tais tributos sobre o lucro líquido apurado pela EARJ. Também não há reparos a se fazer quanto aos valores lançados a título de PIS e da COFINS, efetuados em conformidade com a legislação aplicável, e tendo como base de cálculo as receitas de ensino contabilizadas na conta n° 4.1.1.01 Mensalidades e na conta n° 4.1.1.07 FD taxa de matrícula (vide fls. 531/569)” – fl. 1269. DAS CONCLUSÕES “Por todo o exposto, VOTO no sentido de MANTER INTEGRALMENTE a autuação, permanecendo os seguintes valores: o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 465.513,41; a Contribuição Social s/ Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 167.584,83; a Contribuição para o PIS, no valor de R$ 233.711,10 e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 10 9 no valor de R$ 1.078.666,81, todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação pertinente” – fl. 1269. A Recorrente tomou ciência da decisão no dia 03/07/2013 (fl. 1279) e, nesse caminho, interpôs recurso voluntário às fls. 1311/1332 na data de 31/07/2013 (fl. 1311). À fl. 1316 afirma que os julgadores da DRJ, a despeito de terem reconhecido que os administradores da escola agem mediante procuração com poderes específico, o qualificam como diretores eleitos e não como diretores empregados. No que tange aos empregados, afirma que a denominação dada ao cargo não o torna administrador da escola, “mesmo porque simples nome aposto ao cargo exercido nunca poderá superar às disposições legais que regem a matéria” – fl. 1318. Explica através da doutrina de Modesto Carvalhosa, e com base no art. 1.018 da Lei n° 10.406/2002 (CC/02), que é possível uma pessoa jurídica constituir procuradores para atos específicos e limitados, sem que isso torne o mandatário diretor da pessoa jurídica. Aduz que a EARJ é uma associação sem fins lucrativos, nos termos do art. 53, do Código Civil, razão pela qual não remunera de qualquer forma seus diretores ou associados. Afirma que a EARJ teve o direito ao gozo da imunidade tributária relativa ao ISSQN reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão proferida em 21/03/1971. Aduz ainda que recentemente tal direito também foi reconhecido pelo Município do Rio de Janeiro no que tange ao imposto de transmissão de bens imóveis. Afirma que o art. 21 do estatuto da EARJ prevê a existência de treze membros eleitos no Conselho Diretor, os quais, nos termos do art. 23, não podem ser remunerados, o que efetivamente não ocorre. Elenca os nomes dos direitos eleitos que integravam o Conselho Diretor em 2007 – fl. 1326. Aduz que os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira não são “administradores de fato” como entendeu a Sra. ARFF, já que eles receberam poderes nos termos dos art. 5º e 27 do estatuto da instituição, acrescido ao fato que os três são empregados da Recorrente, que exercem, “os dois primeiros, funções técnicoeducacionais, e a última de natureza administrativa” – fl. 1328. Pontifica também que os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira nem poderiam ser diretores, pois o art. 22 do estatuto da EARJ veda a eleição de empregados da associação. Afirma que os valores pagos são parte do salário dos empregados, podendo tal afirmação ser comprovada por meio de perícia contábil. Por fim, pede o provimento do recurso e o cancelamento da decisão da DRJ e do ADE nº 25. À fl. 1333 juntou documento do Registro Civil das Pessoas Jurídicas do Rio de Janeiro, certificando os presidentes eleitos da Recorrente desde 2005. Passo ao voto. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 11 10 É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do art. 7º, §2º1, do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, incisos I, II e IV, desse mesmo diploma, à Primeira Seção cabe processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de IRPJ e CSLL, ainda que decorrente de suspensão de imunidade, bem como do PIS e da COFINS, já que o procedimento é conexo ao da apuração do IRPJ. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado com procuração outorgada pelo presidente da pessoa jurídica recorrente, que, nos termos do estatuto da entidade, possui poderes para tanto (fl. 1332, 645 e 652). Por fim, o recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que a decisão proferida pela DRJ em 07/10/2011 (fl. 1235) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 03/07/2013, uma quartafeira (fl. 1279) e o recurso foi interposto em 31/07/2013, ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33, do Decreto n° 70.235/70. Nesse caminho, recebo o recurso. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, identificamos os seguintes pontos como controvertidos: a) Qual o vínculo dos Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira com a EARJ? 1 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (...) § 2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluise na competência da Segunda Seção. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 12 11 b) Qual a natureza dos pagamentos? c) Sendo salário, a legislação vigente veda a remuneração de dirigentes? d) As despesas são essenciais à atividade (ou, os recursos são aplicados integralmente na manutenção e desenvolvimento das atividades da EARJ)? e) Qual o efeito das decisões proferidas em outros processos administrativos e judiciais? e f) Há necessidade de perícia? III. DO MÉRITO A definição da natureza do vínculo existente entre os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira com a EARJ é questão subordinante de todas as demais deste processo. Isso porque, o status de empregado, ou não, impactará no ponto referente à alegada remuneração de administradores da instituição educacional e a integral utilização dos recursos nas finalidades essenciais da escola, nos termos do art. 150, VI, “c” e § 4º, da CF/88 e do art. 14, do CTN. Entendeu o Sr. AFRF que as pessoas acima citadas, a despeito de não constarem formalmente como diretoras da EARJ, são “administradoras de fato” da ora Recorrente, entendimento que foi ratificado pelos e. julgadores da 15ª Turma da DRJ/RJ1 à fl. 1263 do Acórdão combatido. Todavia, analisado aos documentos acostados aos autos, a respeitável decisão deve ser reformada. O Estatuto da EARJ (fls. 34/42), naquilo que interessa ao caso, preceitua que: Artigo 3º O objetivo da associação é a prestação de serviços de natureza educacional e cultural, principalmente para o ensino primário e secundário. (...) Artigo 5º Para a realização de seus objetivos a Associação poderá contratar serviços de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, mediante remuneração, assim como executar outros serviços para suporte da sua atividade principal, incluindo a exploração de cantinas e restaurantes para o fornecimento de alimentos e bebidas para seus alunos. (...) Artigo 21º A Associação será administrada por um Conselho Diretor composto de 13 (treze) membros, eleitos pela Assembleia Geral, um dos quais será o DiretorPresidente, ao qual caberá representar a associação ativa e passivamente, em Juízo e fora dele. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 13 12 Parágrafo único – A Associação poderá contratar serviços de terceiros, mediante remuneração, para realização de seus objetivos. (...) Artigo 23º O mandato do Conselho Diretor terá a duração de três anos, permitida a reeleição, tomando posse os eleitos na Assembleia Geral que os eleger, mediante termo lavrado no Livro apropriado. Parágrafo Primeiro – Os Diretores não perceberão qualquer remuneração pelo exercício de seus cargos. (...) Artigo 28º Serão necessárias as assinaturas conjuntas de dois Diretores Executivos (Presidente ou VicePresidente, Tesoureiro ou Secretário) e/ou de dois procuradores munidos de poderes específicos, para todos os atos que importem em obrigações para a Associação ou exonerem obrigações de terceiros, assim como para movimentação de contas bancárias, emissão, endosso e aceite de notas promissórias, duplicatas ou letras de câmbio. Parágrafo Primeiro – Os procuradores da Associação serão sempre nomeados por instrumento assinado por dois Diretores, contendo poderes específicos outorgados, com prazo determinado, ressalvadas as procurações para fins jurídicos. Vemos que os dispositivos acima transcritos preceituam que a EARJ tem como objetivo a prestação de serviços de natureza educacional e cultural; para tanto é administrada pelo Conselho Diretor composto de 13 (treze) membros que não podem ser remunerados pelo exercício do cargo. O estatuto possibilita, conforme o art. 28, a nomeação de procuradores por prazo certo, por instrumento assinado por dois Diretores, com poderes específicos, inclusive para prática de atos que importem em obrigações para a Associação ou exonerem obrigações de terceiros. No caso concreto, não há controvérsia quanto ao fato que os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira não foram eleitos para o Conselho Diretor da Recorrente. Contudo, o Sr(a)s. Fiscal e os r. julgadores da 15ª Turma da DRJ/RJ1 qualificaram as pessoas acima citadas como “administradoras de fato”, dirigentes da EARJ, já que: i) Peter Roblin Cooper: ocupa o cargo de superintendente da EARJ; “suas funções extrapolam a dos funcionários comuns”; possui poderes análogos ao da Sra. Emília Dias, outorgados também por procuração; recebia salários nos anos de 2006 e 2007 nos valores de R$ 42.112,37; na ata de reunião do Conselho Diretor de 14/08/2006 consta: “Membros da administração presentes: Peter Roblin Cooper e Emilia de Fátima Brito Dias Ferreira”; e em Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 14 13 declaração da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, de data não informada, consta o nome do Sr(a)s. Peter Roblin como Diretor Geral da EARJ; ii) “Quanto à Sra. Shaysann Kaun Faria, a mesma possui procuração da EARJ com poderes análogos aos conferidos aos Sr(a)s. Sr(a)s. Peter Roblin Cooper e Emilia Dias Ferreira (fls. 739/740)” – fl. 1262. iii) “Ora, a Sra. Emilia Dias Ferreira foi contratada como DIRETORA ADMINISTRATIVO FINANCEIRA, como consta em sua carteira de trabalho, assina cheques nesta condição, possui procuração, para, entre outros poderes, assinar contratos, cheques, admitir e demitir funcionários. Assim sendo, a referida Senhora, ainda que não tenha sido eleita por assembleia de associados, é sem sombra de dúvidas, dirigente da sociedade, como afirma a fiscalização” (grifos do original) – fl. 161; Contudo, com a devida vênia, os fatos acima resumidos não justificam tal qualificação. Isso porque, como os próprios agentes públicos reconhecem, i) os poderes foram outorgados em estrito respeito ao estatuto da Recorrente2 e por seus diretores estatutários; ii) os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira não foram eleitos para o Conselho Diretor; e iii) eles foram contratados como empregados e, efetivamente, prestam serviços à EARJ. Outrossim, é perceptível que a qualificação de tais senhores como “Diretor” é feita tanto no sentido adotado em instituições de ensino – Diretor da escola, quanto no mundo dos negócios – Diretor de Produção, Diretor Financeiro etc. , não em referência ao cargo citado no Estatuto da EARJ. Entendimento semelhante foi esposado pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, por sua Primeira Câmara, no Acórdão nº 10194.610: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES A proibição de remunerar dirigentes não alcança os cargos de Reitor e de ViceReitor de fundação universitária os quais têm funções apenas administrativas e gerenciais. O poder de decisão, inclusive quanto à destinação de recursos e assunção de obrigações, está nas mãos da Assembléia Geral, à qual são submetidas a proposta e a execução orçamentária da entidade. Incabível também, estabelecer limites de remuneração aos ocupantes dos cargos nominados, quando o valor pago não caracteriza a distribuição de patrimônio. Quanto ao montante recebido a título de salário (Peter) e remuneração “indireta”, considerando o superávit da instituição em 2007, a classe social de seus alunos e o 2 Além disso, a Lei n° 6.404/1976, em seu art. 144, parágrafo único revela que: “Nos limites de suas atribuições e poderes, é lícito aos diretores constituir mandatários da companhia, devendo ser especificados no instrumento os atos ou operações que poderão praticar e a duração do mandato, que, no caso de mandato judicial, poderá ser por prazo indeterminado”. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 15 14 padrão de qualidade que a EARJ demonstrou perseguir, parece ser o necessário. A despesa considerada pelo Sr. Fiscal, a título de salários indiretos, dividida pelos três “diretores”, resulta em remuneração mensal de menos de R$ 7 mil para cada um, como será melhor explicado abaixo. Desse modo, vêse que o Sr. Fiscal não possui elementos para qualificar tais pessoas como “administradoras de fato”, ou, em outros termos, os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira são meramente empregados em nível de chefia. Ainda que os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira tivessem sido eleitos para o cargo de Diretor Estatutário, não haveria descumprimento dos requisitos impostos pela legislação para gozo de imunidade. A e. Câmara Superior, bem como diversas turmas deste r. Tribunal, tem entendido que dirigentes estatutários de entidades imunes podem ser remunerados pelos serviços prestados, desde que a remuneração não decorra do exercício exclusivo do cargo de diretor estatutário. Todavia, como não poderia ser diferente, cabe ao Fisco provar que a remuneração decorreu do exercício do cargo de diretor estatutário, o que, como enfrentado acima, não foi feito pelo Sr. AFRF no caso em julgamento, motivo pelo qual deve ser entendido que a contraprestação é proveniente da relação de emprego. Sobre o tema, vejamos a ementa do acórdão nº 9101001.775, publicado em 04/06/2014: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS SUSPENSÃO DA IMUNIDADE REMUNERAÇÃO DE DIRETORES O fato de empregado, funcionário de instituição, assumir o cargo de Diretor e continuar trabalhando na entidade não descaracteriza a situação desta como entidade sem fins lucrativos. Ao Fisco não basta provar que os diretores perceberam remuneração da instituição, mas sim vincular a remuneração ao exercício do cargo, para restar descaracterizada a função de entidade sem fins lucrativos. Recurso Especial Negado”. Considerando que o Fisco não descaracterizou a relação de emprego existente entre os Sr(a)s. Peter Roblin Cooper, Shaysann Kaun Faria e Emilia Dias Ferreira e não provou que os pagamentos recebidos decorrem do cargo de integrante do Conselho Diretor, e não da relação de emprego, mesmo que se entendesse que tais senhores(as) são, de fato, dirigentes da AERJ, não há nos autos provas do descumprimento dos requisitos legais para gozo da imunidade. Ademais, recente alteração à Lei nº 9.532/97, introduzida por intermédio da Lei nº 12.868, de 15/10/2013, vai ao encontro da interpretação dada por este e. CARF à norma prevista na alínea “a”, do §2º, do art. 12, da Lei nº 9.532/97: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 16 15 educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...) § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados”. Interpretação semelhante também é adotada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, no que tange aos requisitos previstos nos arts. 9º e 14, do Código Tributário Nacional. No PN CST nº 71/1973, encontramos: “6. Nada obsta, contudo, que a instituição imune remunere os serviços necessários à sua manutenção, sobrevivência e funcionamento, como os realizados por administradores, professores e funcionários. Esses pagamentos não desfiguram ou prejudicam o gozo da imunidade, visto não serem vedados por lei, mas é de se exigir, rigorosamente, que a remuneração seja paga tãosomente como contraprestação pela realização de serviços ou execução de trabalhos, sem dar margem a se traduzir tal pagamento em distribuição de parcela do patrimônio ou das rendas da instituição”. Como dito acima, a Lei nº 12.868, de 15/10/2013, com natureza interpretativa, introduziu os §§ 4º e 6º ao art. 12, da Lei nº 9.532/97, esclarecendo que a vedação não alcança os diretores não estatutários: § 4º A exigência a que se refere a alínea “a” do § 2º não impede: I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; (...) § 6º O disposto nos §§ 4º e 5º não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. Dessa feita, sendo a norma interpretativa, impõese a retroatividade, nos termos do art. 106, incisos I e II, “b”, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 17 16 (...) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Em situação análoga, o e. STJ, em voto da relatoria do Min. Luiz Fux, chegou à mesma conclusão no julgamento do REsp. 587.429/AL, senão vejamos: “Na hipótese sub examine surge a seguinte indagação: Tratandose de fato gerador ocorrido em 1997 é possível a aplicação retroativa do art. 10, §7º, da Lei 9.393/96, com a redação da pela MP 2.1667, de24 de agosto de 2001? In casu, a recorrente foi autuada pela ausência de Ato Declaratório, expedido pelo IBAMA, nos termos da IN 43/97, vigente à época do fato gerador do ITR. Destarte, considerando a superveniência de lei mais benéfica, que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo IBAMA, impõese aplicação do Princípio insculpido no art. 106, do CTN”. Em suma, qualquer que seja o ângulo que se olhe esta questão, impõese reformar o capítulo do Acórdão combatido no que tange à qualificação de “administradores de fato” das pessoas multicitadas e da natureza da remuneração percebida. Quanto à essencialidade dos gastos, não há dúvida que a remuneração do Diretor Escolar, do Diretor AdministrativoFinanceiro e dos professores são essenciais à manutenção da atividade de ensino e, como dito acima, as despesas elencadas pelo fiscal como fundamento da suspensão do gozo da imunidade, no total de R$ 250.624,69, se dividida pelos três empregados nominados no Acórdão da DRJ, resulta em remuneração mensal de R$ 6.961,80 (seis mil novecentos e sessenta e um reais e oitenta centavos), irrisória se considerarmos que o superávit da EARJ em 2007 foi R$ 1.611.429,00: Despesas consideradas como não necessárias para a manutenção da atividade da EARJ, segundo o Sr. Fiscal Conta Despesa AC 2007 3.1.5.06.01 Seleção e Recrutamento de Expatriados R$ 28.744,00 3.4.2.06.01 Consumo de Combustíveis R$ 14.325,88 3.4.8.01.01 Despesas de Ocupação e Manutenção (residências de diretores) R$ 42.330,52 3.6.1.12.01 3.5.1.01.01 Representações R$ 55.088,40 3.4.2.04.01 Despesas com Conservação de Veículos R$ 13.977,24 Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 18 17 3.1.3.02.01 Despesas Assistência Médica R$ 22.058,39 3.1.3.02.01 Despesas Assistência Médica R$ 21.542,27 3.1.3.02.01 Despesas Assistência Médica R$ 13.108,52 3.1.3.02.02 Despesas Assistência Médica R$ 9.106,14 3.1.3.02.01 Despesas Assistência Médica R$ 30.343,33 Total R$ 250.624,69 Total "diretores" 3 Remuneração por "diretor" R$ 83.541,56 Valor recebido por cada "diretor" ao mês R$ 6.961,80 Analisando a tabela acima, vemos que as despesas ou tratamse de salário indireto ou para a realização de festas e eventos relacionados ao objeto da instituição, logo, em respeito ao Estatuto. No que tange à remuneração, a Escola Americana comprovou pesadamente com documentos anexados (fls. 883/1037) que é uma escola diferenciada no que tange ao ensino oferecido, pois tem por escopo possibilitar aos seus alunos um aprendizado que lhes permita o ingresso em renomadas faculdades brasileiras e americanas. Em outras palavras, tal instituição para atender ao citado objetivo gerará despesas diferentes das escolas nacionais, ou seja, terá de contratar profissionais gabaritados visando atender a grade curricular nacional e americana. Portanto, terá de investir na importação de profissionais que terão exigências diferenciadas para deixar o país de origem. Por sua vez, os valores gastos com eventos não devem ser entendidos como não razoáveis (R$ 28.744,00 + R$ 55.088,40) se considerarmos o superávit do anocalendário de 2007, qual seja R$ 1.611.429,00. Nem foi dito quem esteve presente em tais eventos (autoridades, pais, etc.). Cabe registrar que ao caso não se aplica o parágrafo único do art. 13, da Lei nº 9.532/97. Isso porque: i) as pessoas remuneradas não são dirigentes, e ii) que as despesas enumeradas pelo Sr. Fiscal não foram provadas como não necessárias. Ademais, o parágrafo único do art. 13, da Lei nº 9.532/97, atualmente, deve ser interpretado em consonância com as alterações introduzidas pela Lei nº 12.868, de 15/10/2013, que, como dito acima, possibilita a remuneração de dirigentes. Desse modo, não há como a lei possibilitar a remuneração dos diretores não estatutários e, ao mesmo tempo, apenar a entidade imune por pagar salário indireto que não se constitui distribuição simulada de resultado. Esse, inclusive, é o entendimento deste e. Tribunal, como pode ser visto no Acórdão nº 10708.343, da 7ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes: Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 12448.720386/201161 Acórdão n.º 1102001.200 S1C1T2 Fl. 19 18 RECURSO DE OFÍCIO: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO IMUNIDADE — SUSPENSÃO IMPROCEDÊNCIA — A suspensão de imunidade de Instituição de educação, para que seja eficaz, deve estar calcada em sólidas provas do desvio de finalidade de que trata o art. 14 do CTN, não se prestando como tais: (i) a acusação de insuficiência de recolhimento de IRF que, ao fim e ao cabo, quando dos lançamentos que se seguiram, na constituição do crédito tributário, não foram tomados em consideração, (ii) despesas contabilizadas que, pela sua natureza, ainda que possam ser tomadas como indedutíveis, não representaram distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou de rendas da entidade e (iii) o pagamento de remuneração a dirigentes ocupantes de cargos executivos. Precedentes do Poder Judiciário e dos Conselhos de Contribuintes. Por fim, as questões referentes à perícia e ao efeito de outras decisões administrativas e judicias que, supostamente, reconheceram o direito da EARJ ao gozo da imunidade, não serão enfrentadas, haja vista a perda de objeto, já que o ADE deve ser anulado e a decisão da DRJ reformada. IV. CONCLUSÃO Por fim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, anulando o Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade nº 25/2011 (ADE 25/2011), haja vista que os fundamentos e provas apresentados pelo Sr(a)s. Fiscal não justificam a prática do mesmo e, em consequência, anular também o auto de infração lavrado para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 16004.001136/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 13 6/ 20 08 -0 1 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.427 S2C4T1 Fl. 642 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.494 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.181.7854. A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de declarar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com informações incorretas nos campos “FPAS” e “Código de Pagamento”. Apontase que a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados Sao Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas Joao Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patricia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãodeobra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.427 S2C4T1 Fl. 643 3 Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurandolhes o exercício do direito de defesa. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía relação com o Grupo Mozaquatro foi o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.427 S2C4T1 Fl. 644 4 Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. As exigências relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4. do art. 150 do CTN. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.427 S2C4T1 Fl. 645 5 A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que declarara as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. Esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, mediante a Resolução n.º 2401000.374, de 15/05/2014. Ali requereuse que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem informasse acerca à cientificação da recorrente do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal. Foi apensado ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, que trata da exclusão da empresa do regime tributário do Simples Federal. Conforme despacho à fl. 72 deste processo, a empresa foi cientificada em 01/07/2008 do Ato Declaratório de Exclusão n.º 59/2008 de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), e não se manifestou dentro do prazo regulamentar. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência. É o relatório. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001136/200801 Resolução nº 2401000.427 S2C4T1 Fl. 646 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de conversão em diligência para ciência do sujeito passivo do resultado da diligência fiscal O motivo que levou esta Turma a determinar a realização da diligência comandada pela Resolução n.º 2401000.372 foi o argumento das recorrentes de que a autuada não teria sido regularmente intimada do Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Ao se apensar ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, chegounos ao conhecimento que a empresa de fato fora cientificada do Ato Declaratório, conforme comprovante de AR acostado. Ocorre que outra preocupação demonstrada pela Turma na mencionada Resolução foi que as pessoas arroladas no polo passivo pudessem se contrapor a informação prestada pelo fisco em sede de diligência. Isto porque aquelas poderiam questionar a própria validade do documento de intimação da exclusão do Simples. Assim, determinouse que fosse facultada às recorrentes a possibilidade de se manifestarem, no prazo legal, sobre o resultado da diligência. Sem essa providência, restará claramente ferido o Princípio Constitucional do Contraditório, que representa uma das garantias essenciais do devido processo legal, consagrado pela Carta Constitucional de 1988. Assim, devem os autos retornar à origem, de modo que todas as pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo da lavratura possam se manifestar sobre a existência do documento que comprova a intimação pela autuada do Ato Declaratório de Exclusão do Simples n.º 59/2008. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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