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Numero do processo: 10680.720096/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGITIMIDADE QUANDO INFORMADO PELAS SECRETARIAS ESTADUAIS OU MUNICIPAIS.
É válido o VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados pelas Secretarias Estaduais ou Municipais da localidade do imóvel e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
INDISPONIBILIDADE. POSSE.
A indisponibilidade de bem imóvel não retira a posse, mas tão somente a posibilidade de alienação. O fato gerador do ITR é a propriedade, posse ou domínio útil de bem imóvel rural, o que não ficou descaracterizado nos autos.
Numero da decisão: 2201-001.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Eduardo Tadeu Farah, Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, Justificadamente, A Conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGITIMIDADE QUANDO INFORMADO PELAS SECRETARIAS ESTADUAIS OU MUNICIPAIS. É válido o VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados pelas Secretarias Estaduais ou Municipais da localidade do imóvel e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. INDISPONIBILIDADE. POSSE. A indisponibilidade de bem imóvel não retira a posse, mas tão somente a posibilidade de alienação. O fato gerador do ITR é a propriedade, posse ou domínio útil de bem imóvel rural, o que não ficou descaracterizado nos autos.
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E IMÓVEIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGITIMIDADE QUANDO INFORMADO PELAS SECRETARIAS ESTADUAIS OU MUNICIPAIS. É válido o VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados pelas Secretarias Estaduais ou Municipais da localidade do imóvel e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. INDISPONIBILIDADE. POSSE. A indisponibilidade de bem imóvel não retira a posse, mas tão somente a posibilidade de alienação. O fato gerador do ITR é a propriedade, posse ou domínio útil de bem imóvel rural, o que não ficou descaracterizado nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Eduardo Tadeu Farah, Eivanice AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 00 96 /2 00 9- 14 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Canário da Silva (Suplente Convocada), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, Justificadamente, A Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0333.398 la Turma da DRJ/BSB que julgou improcedente a impugnação proposta em face do lançamento de crédito tributário de RS 24.492,69, correspondente ao ITR2005, multa proporcional (75%) e dos juros de mora, incidentes sobre o imóvel denominado "Fazenda Corvilha" (NIRF 4.909.8551), com área total de 768,8 ha, localizado no Município de Ouro Branco MG. Por não ter sido apresentado o laudo de avaliação então exigido, a autoridade fiscal alterou o VTN declarado de R$ 61.880,00, arbitrandoo em R$ 461.280,00, com base no SIPT, com aumento do correspondente VTN tributado, tendo sido apurado imposto suplementar de RS 11.263,08, conforme demonstrado às fls. 03. Cientificada do lançamento em 02/02/2009 (fls.81), a contribuinte protocolou em 20/02/2009, por meio de representante legal, alegando, em síntese: discorda veementemente do procedimento fiscal e informa que seus bens se encontram indisponíveis desde 07/03/1996, conforme Despacho Judicial transitado em julgado, impedindo a requerente de utilizar ou vender o referido imóvel rural; assim, dada a situação da propriedade, seu valor foi reduzido ao Mínimo na região, sendo que o valor por hectare declarado de R$ 100,00 representava a realidade da terra à época, muito distante do SIPT; além disso, o imóvel está protegido por várias legislações ambientais restritivas de uso, afetando de forma brusca seu valor; se for necessário laudo de avaliação, esse deverá ser autorizado pelo Juízo de Itabirito MG, que determinou a indisponibilidade dos bens da impugnante. A DRJ ao analisar a impugnação julgoua improcedente em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DO VALOR DA TERRA NUA VIN. Caracterizada a subavaliação do valor da terra nua informado na DITR/2005, deverá ser mantido o VTN arbitrado com base no SIPT pela autoridade fiscal, por falta de laudo técnico de avaliação, com ART/CREA e em consonância com as normas da ABNT, para comprovar o valor declarado e as características particulares desfavoráveis do imóvel, que o justificassem. Impugnação Improcedente Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10680.720096/200914 Acórdão n.º 2201001.647 S2C2T1 Fl. 159 3 A contribuinte em seu recurso reafirma os argumentos da impugnação. É o relatório do necessário Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente deve ser rejeitado o argumento de que por força da indisponibilidade decretada pelo Poder Judiciário a recorrente estaria impedida de usufruir o bem imóvel sobre o qual recai a incidência do ITR. Com efeito a decisão judicial apenas obsta a transferência da propriedade, sem lhe retirar a posse, como se vê na transcrição abaixo: determino que sejam oficiados os cartórios do Registro Civil nos quais foram registrados os imóveis objeto do contrato cuja cópia foi acostada de fls.13 a 87 destes autos, para que, até decisão final se abstenham de transferir a terceiros os tais imóveis, e averbando esta decisão às margens das matriculas ou transcrições dos referidos im6veis. Superada essa questão da posse e da disponibilidade passo ao arbitramento. O art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: “Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10680.720096/200914 Acórdão n.º 2201001.647 S2C2T1 Fl. 160 5 A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Assim, no presente caso verificase que todos os critérios legitimadores do arbitramento forma satisfeitos, uma vez que há aptidão agrícola informada pela Secretaria Estadual de Agricultura. Sendo legítimo o arbitramento, não há razão pela qual o VTN arbitrado deva ser alterado. Diante do exposto e de tudo que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002188/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2201-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(assinatura digital)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinatura digital) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 54 1 53 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.002188/200746 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.136 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de janeiro de 2013 Assunto Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente VINICIUS CESAR DE BERREDO MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinatura digital) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada contra a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 07/09, relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, para formalização da exigência do imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$ 1.650,00, com multa de ofício de 75% e juros de mora, e, imposto de renda pessoa física no valor de R$ 1.548,97, com multa de mora e juros de mora, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 5.773,76. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 02 18 8/ 20 07 -4 6 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10320.002188/200746 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.136 S2C2T1 Fl. 55 2 As infrações apontadas na mencionada Notificação de Lançamento e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foram: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Em decorrência do contribuinte regularmente intimado não ter atendido a intimação até a presente data procedeu se ao lançamento de ofício, conforme a seguir descrito. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 6.000,00, conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.151,03. Fonte pagadora — Moraes Pitombo Advogados CNPJ n° 04.359.325/000116 Rendimento informado em Dirf — R$ 6.000,00 Rendimento declarado — R$ 0,00 Rendimento omitido — R$ 6.000,00 IRRF informado em Dirf—R$ 1.151,03 Compensação Indevida de imposto de Renda Retido na Fonte. Regularmente intimado a comprovar os valores compensados a título de Imposto de renda Retido na Fonte, o contribuinte não atendeu a intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o valor de R$ 2.700,00, indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, conforme discriminado abaixo: Fonte pagadora — Centro Educacional Montessoriano Infantil CNPJ n'06.350.896/000115 IRRF Declarado — R$ 2.700,00 IRRF Glosado R$ 2.700,00 Em decorrência das alterações efetuadas o valor do imposto a pagar de R$3. 125,06, declarado pelo contribuinte foi modificado para imposto a pagar no valor de R$ 6.324,23. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável estão discriminados às fls. 08, 08 verso e 09 verso. Inconformado com a exigência da qual tomou conhecimento em 25/06/2007, fls. 24, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento argumentando em síntese: 1. Relativamente à infração de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, apresenta o Darf do recolhimento efetuado pela fonte pagadora Centro Educacional Montessoriano Ltda, que recolheu a quantia conforme informada em sua Declaração. 2. Quanto à omissão de rendimentos apontada, confessa surpresa e considera absolutamente falsa a informação prestada pela empresa em sua Dirf. Aduz que solicitou explicações à empre'sa, explicação esta que até a data da impugnação não lhe foi dada. A DRJ proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.COMPROVAÇÃO. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10320.002188/200746 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.136 S2C2T1 Fl. 56 3 Mantémse o lançamento quando não restar comprovado nos autos que os rendimentos considerados como omitidos foram oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. É de se restabelecer o montante de imposto de renda retido na fonte quando comprovada nos autos a retenção e recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado o contribuinte recorre sustentando que não recebeu o valor informado pela fonte e que caberia ao fisco solicitar da fonte o comprovante de pagamento. É o relatório do necessário. VOTO admissibilidade O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Inicialmente devemos esclarecer que o objeto do presente recurso é exclusivamente a questão da omissão de rendimentos uma vez que a DRJ deu provimento à impugnação no que se refere à compensação do IRRF. Desta forma, transcrevo o trecho do voto condutor proferido na DRJ sobre o tema: Em pesquisa aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, verificase que a empresa Moraes Pitombo Advogados, CNPJ n° 04.359.325/000116, fez constar em sua Dirf, que pagou ao contribuinte a quantia de R$ 6.000,00, valor sobre o qual procedeu a retenção de imposto de renda de R$ 1.151,03, com o código de receita 0588 Rendimento do trabalho sem vínculo empregatício. No presente caso, a autoridade fiscal efetuou o lançamento considerando a existência da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf, fls. 16, apresentada pela fonte pagadora mencionada na Notificação de Lançamento, contendo informações de pagamentos efetuados ao contribuinte, no anocalendário de 2004, dados estes não informados na Declaração de Ajuste Anual correspondente. No Processo Administrativo Fiscal, o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que trata da impugnação, determina que o contribuinte ao contestar o lançamento deve apresentar as provas que dispõe para elidir o feito fiscal. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: “Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. O artigo 43 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que o imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição de Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10320.002188/200746 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.136 S2C2T1 Fl. 57 4 disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. No presente caso, a autoridade autuante, com base' nas informações constantes na Dirf apresentada pela fonte pagadora demonstrou que houve uma disponibilidade de renda para o impugnante (CTN, art. 43), caracterizando uma situação definida em lei como necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda (CTN, art. 114). Conforme se depreende dos dispositivos acima citados, cabe ao contribuinte provar com documentação hábil que as informações constantes da Dirf apresentada pela fonte pagadora contém vícios ou erros. Dessa forma, a autoridade fiscal atuou em plena conformidade com os ditames legais, ao considerar como renda omitida o valor constante da Dirf, constituindo o crédito tributário para exigência do imposto de renda pessoa física formalizado na presente Notificação de Lançamento, estabelecendo a relação jurídica tributária, na qual o sujeito ativo tem o direito de exigir o pagamento do imposto de renda no caso específico, e o sujeito passivo de cumpriIa, não merecendo reparo o feito fiscal. Pareceme que o Ilustre Relator a quo equivocouse ao interpretar o artigo 333 do CPC. Inicialmente porque o fato discutido é constitutivo do direito creditório da Fazenda Nacional, segundo porque a defesa apresentada se baseia na inexistência do fato e não em fato extintivo, modificativo ou suspensivo do direito. O lançamento é ato privativo da autoridade administrativa que tem por função verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária vertendoo em linguagem competente e determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e propor a aplicação da penalidade cabível. A Abstraindo a velha discussão da natureza constitutiva ou declaratória do lançamento, fato é que sem ele não há exigibilidade, seja lançamento de ofício, por declaração ou por homologação, é por este ato que se dá concretude ao direito tributário Sendo certo que o lançamento tributário é ato constitutivo do direito da Fazenda de exigir a prestação pecuniária cabe a ela o ônus de provar a ocorrência do Fato Gerador. O que ao meu ver não o vez a contento. Ademais, a DIRF por si só não tem o condão de provar contra terceiros, faz a meu ver prova contra o declarante, mas não contra terceiro contido na declaração. No máximo serve de indício para o início de uma ação fiscal, mas jamais pode ser considerada prova cabal a ensejar o lançamento tributário contra terceiro por si só. Neste sentido é a jurisprudência Administrativa: Número do Processo 10730.009783/200861 Relator(a) NUBIA MATOS MOURA Nº Acórdão 2102002.293 Decisão Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Temse como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA. DIRF. Na infração de omissão de rendimentos o ônus da prova recai sobre a autoridade fiscal e para prevalecer o lançamento deve estar plenamente caracterizada. A Dirf, Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10320.002188/200746 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.136 S2C2T1 Fl. 58 5 por si só, seguida da negativa de recebimento dos rendimentos por parte do contribuinte, enfraquece sobremaneira a prova trazida pela autoridade fiscal, mormente quando o contribuinte consegue provar que a fonte pagadora incorreu em erro de preenchimento da Dirf em anocalendário anterior àquele que se refere o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Ante o exposto, usando dos poderes instrutórios conferidos a todos os julgadores, proponho que o presente feito seja baixado em diligência para que a fonte pagadora seja intimada a apresentar o comprovante do pagamento feito ao contribuinte. É como voto. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 14041.000348/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
Nos contratos lastreados por garantia real, o reconhecimento da perda do crédito é condicionada ao inadimplemento superior a dois anos e comprovação de que foram iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento.
DAÇÃO EM PAGAMENTO.
Inaceitável a alegação de que a baixa de operação de crédito foi compensada com a contrapartida de receita correspondente a bem imóvel recebido pela instituição financeira em dação em pagamento, se a contabilização desta última não é comprovada.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA.
A parte dispositiva da sentença em ação declaratória restringiu a sua aplicabilidade apenas ao exercício de 1988 e, como se sabe, somente a parte dispositiva da sentença é atingida pela coisa julgada material (art. 469, inciso I, do CPC).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A exclusão da responsabilidade por infração é condicionada à observância dos ditames estabelecidos pelo art. 138 do CTN, sem o que se torna cabível a exigência de juros de mora e penalidades.
RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço.
Numero da decisão: 1401-000.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, para cancelar a multa isolada, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos; II) por unanimidade de votos, negaram provimento às demais matérias
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto Da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. Ausente, justificadamente, a conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Nos contratos lastreados por garantia real, o reconhecimento da perda do crédito é condicionada ao inadimplemento superior a dois anos e comprovação de que foram iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento. DAÇÃO EM PAGAMENTO. Inaceitável a alegação de que a baixa de operação de crédito foi compensada com a contrapartida de receita correspondente a bem imóvel recebido pela instituição financeira em dação em pagamento, se a contabilização desta última não é comprovada. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. A parte dispositiva da sentença em ação declaratória restringiu a sua aplicabilidade apenas ao exercício de 1988 e, como se sabe, somente a parte dispositiva da sentença é atingida pela coisa julgada material (art. 469, inciso I, do CPC). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão da responsabilidade por infração é condicionada à observância dos ditames estabelecidos pelo art. 138 do CTN, sem o que se torna cabível a exigência de juros de mora e penalidades. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço.
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IRPJ e CSLL Recorrente BRB BANCO DE BRASÍLIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Nos contratos lastreados por garantia real, o reconhecimento da perda do crédito é condicionada ao inadimplemento superior a dois anos e comprovação de que foram iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento. DAÇÃO EM PAGAMENTO. Inaceitável a alegação de que a baixa de operação de crédito foi compensada com a contrapartida de receita correspondente a bem imóvel recebido pela instituição financeira em dação em pagamento, se a contabilização desta última não é comprovada. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. A parte dispositiva da sentença em ação declaratória restringiu a sua aplicabilidade apenas ao exercício de 1988 e, como se sabe, somente a parte dispositiva da sentença é atingida pela coisa julgada material (art. 469, inciso I, do CPC). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão da responsabilidade por infração é condicionada à observância dos ditames estabelecidos pelo art. 138 do CTN, sem o que se torna cabível a exigência de juros de mora e penalidades. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 03 48 /2 00 9- 71 Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, para cancelar a multa isolada, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos; II) por unanimidade de votos, negaram provimento às demais matérias (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto Da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. Ausente, justificadamente, a conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.911 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0340.941, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que, por unanimidade de votos, decidiu julgar procedente em parte a impugnação pela Contribuinte. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Contra o contribuinte identificado no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 03/11 e 13/22, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo ao anocalendário de 2004, inclusive juros de mora calculados até 30/04/2009, multa exigida isoladamente e multa proporcional, totalizando R$ 22.224 350,06: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ 10.108.294,48 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 9.968.580,29 Multa exigida isoladamente (CSLL estimativa não paga) 2.147.475,29 De acordo com a descrição dos fatos das peças acusatórias, que remete ao Termo de Verificação Fiscal (TVF) anexado às fls. 23/41, integrante dos autos, o autor do feito constatou o cometimento das infrações detalhadas em seguida. INFRAÇÕES DETECTADAS NA APURAÇÂO DO IRPJ 1) EXCLUSÕES INDEVIDAS DO LUCRO REAL — RS 12.335.338,38 a) exclusão indevida de R$ 11.004.570,91 referentes ao montante das perdas atribuídas pelo Banco aos créditos abaixo, listados na Tabela I do Anexo I do TVF (fl.40), tendo em vista que não foram cumpridos os requisitos exigidos pelo art. 9º, § 1º, inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996, para a dedução dessas quantias, conforme descrito no item IV, letra “a”, do TVF: Cliente Venc.1ª parc: Valor Globsteel Engenharia Ltda. 17/0212003 373.205,91 Poligono Engenharia Ltda. 30/03/2003 7.187.527,93 José Cesar Gondim Melo 05/0912003 124.636,76 Norberto Manica 19/11/2003 236.293,97 Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Robson Jose Cunha 23/11/2003 158.725,76 McMica Bechepeche F.G.Castanheira 05/12/2003 168.576,60 Maria Matos de Queiroz 05/12/2003 104.842,79 Rápido Brasilia Transp. Tur. Ltda. 24/12/2003 2.645.398,45 Editora Semper Ltda. 28/12/2003 3.379,84 Editora Semper Ltda. 28/01/2004 1.982,90 b) exclusão indevida de RS 1.330.767,47, referentes a ajustes efetuados na escrituração, para os quais não foram apresentadas as informações e a respectiva documentação hábil comprobatória, conforme descrito no item IV, letra "c", do TVF (fls. 34/36). 2) REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL R$ 5.085.246,70 Redução indevida do Lucro Real apurado no anocalendário de 2004, ao serem reconhecidas, neste período, as perdas incorridas no recebimento dos créditos abaixo relacionados, constantes da tabela 2 do anexo I do TVF (f1.40), uma vez a dedução somente poderia ser efetuada no anocalendário subseqüente, em 2005, quando estariam cumpridos todos os requisitos exigidos no art. 9 0, § 1 0, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996: SAC Empreendimentos e Partic. S/A 15/01/2003 3.414.909,57 Iratan da Silva Rodrigues 05/01/2003 168.905,98 Lumi Distribuidora Ltda. 17/02/2003 145.093,43 Eletroenge Mat. de Constr. Ltda. 15/08/2003 1.070.898,52 Qualidade Alimentos Ltda. 06/02/2003 143.036.51 Qualidade Alimentos Ltda. 20/02/2003 142.402,69 É ressaltado que, conforme consta do item IV, letra "b", do TVF, a situação não implicou postergação do pagamento de tributo decorrente da inobservância do regime de competência, pois no anocalendário de 2005 o contribuinte não apurou imposto devido, em virtude da ocorrência de prejuízo fiscal, nem efetuou qualquer recolhimento espontâneo para regularizar a situação. INFRAÇÕES DETECTADAS NA APURAÇÃO DA CSLL 1) FALTA DE DECLARAÇÃO E DE RECOLHIMENTO DA CSLL Em procedimentos fiscais anteriores, o BRB informou à RFB que não é contribuinte da CSLL, de acordo com decisão judicial transitada em julgado em 18/02/1992. Para melhor compreensão, é relatado que, inicialmente, em 1989, o BRB impetrou Ação Declaratória contra a cobrança da CSLL (Processo n° 89.00047450). Na sentença, o juízo da 6ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal assim se manifestou: Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.912 5 Isto posto, julgo procedente a presente ação e a medida cautelar, em apenso, e declaro a inexistência da relação jurídica tributária entre as autoras e a União Federal, no que tange ao recolhimento da contribuição social instituída pela Lei n° 7689/88, à alíquota de 8% (oito por cento) sobre o lucro das pessoas jurídicas, apurado no balanço encerrado em 31.12.88, por se tratar de exigência manifestamente inconstitucional, "(grifo não consta no original) No julgamento em segunda instância (remessa exoficio n° 89.01.161516), essa decisão foi confirmada pelo TRF da 1ª Região e tornouse imutável em 18/02/1992. Com base nela é que o Banco alega não ser contribuinte da CSLL, por entender que não há relação jurídicotributária entre ele e a União Federal no tocante a essa contribuição. No entanto, o próprio TRF da 1ª Regiã reconheceu, no julgamento dos mandados de segurança nºs 1999.34.00.038317 1 e 2000.34.00.0231534, impetrados pelo BRB contra a lavratura de Autos de Infração para a cobrança da CSLL dos períodos de 1992 a 1996, que a decisão transitada em julgado na Ação Declaratória interposta pelo citado Banco era adstrita apenas ao exercício de 1988. Esse entendimento permanece em vigor até o momento, já que as sentenças proferidas nas referidas ações fundamentais não foram reformadas por qualquer outra decisão, apesar do Banco ter interposto agravos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ainda pendentes de julgamento. Desse modo, os débitos de CSLL dos períodos de 1992 a 1996 encontramse em cobrança executiva (execuções fiscais n° 2005.34.00.0176835 e 2005.34.00.0299369), mas com a exigibilidade suspensa, em função de garantias apresentadas pelo contribuinte na Ação Cautelar n° 2005.34.00.0003700. Além disso, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n° 1382848CE, em Sessão Plenária de 01/07/1992, declarou inconstitucional apenas o art. 8° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Os art. 1 0, 2° e 3° da mesma norma jurídica foram expressamente declarados constitucionais. Diante do exposto, apesar de toda a argumentação formulada pelo BRB no sentido de não se considerar contribuinte da CSLL, não existe, no momento, impedimento jurídico para o lançamento de ofício da contribuição mediante a lavratura de auto de infração. A base de cálculo (RS 47.721.673,08) está demonstrada na Tabela 4 do Anexo II do TVF (fl. 41) e contempla os ajustes realizados na rubrica "Baixa de Provisão para Devedores Duvidosos", evidenciados na Tabela 3 do mesmo Anexo. A forma de apuração considerada foi a anual, devido à mesma opção feita em relação ao IRPJ, resultando no lançamento de CSLL no valor principal de R$ 4.294.950,58. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 É ressaltado que nas consultas aos sistemas informatizados da RFB não foram identificadas bases negativas de CSLL passíveis de compensação, nos termos do art. 31 da Lei n° 9.249, de 1995. Além disso, os registros efetuados a esse titulo pelo contribuinte, na base de calculo apresentada A Fiscalização, são decorrentes de valores que ainda se encontram em litígio, sem decisão definitiva quanto ao mérito, razão pela qual não foram considerados. 2) FALTA DE RECOLHIMENTO SOBRE A BASE ESTIMADA Tendo em vista que não foram efetuados quaisquer pagamentos em relação à CSLL do anocalendário de 2004, o contribuinte está sujeito à multa isolada de 50% prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n°. 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Para cálculo da penalidade, foi considerado que, de acordo com a jurisprudência administrativa, depois de encerrado o período de apuração o limite para a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o tributo anual devido e a estimativa obrigatória, se menor (Ac. CSRF/0104.930, de 12/04/2004). No caso, a base de cálculo da multa é o valor da própria contribuição anual devida, devido à ausência de recolhimentos, conforme demonstrado na Tabela 5 do Anexo II do 'FVF (fl. 41), dai resultando o lançamento da multa isolada no valor de R$ 2.147.475.29. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente das exigências em 05/05/2009 (fls. 06 e 17), o sujeito passivo apresentou em 04/06/2009 a petição impugnativa acostada às fls. 1.100 a 1.139, contrapondose ao procedimento fiscal com os argumentos a seguir expostos. CSLL DA PRELIMINAR DA INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA Ao ser promulgada em 1988, a Constituição Federal vigente deu à União o direito de instituir a.Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido das Pessoas Jurídicas, como fonte de financiamento da Seguridade Social no País, tudo conforme se depreende das disposições do art. 195 da Carta Magna. Com arrimo na Constituição Federal vigente, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da Pessoa Jurídica CSLL foi instituída pela Lei n° 7.689, de 16/12/1988, que trouxe em seu interior elementos de inconstitucionalidade, conforme se depreende do art. 8º, cuja execução fora suspensa pelo Senado Federal por meio da Resolução n° 11, de 04/04/1995, por afronta ao Principio Constitucional da Irretroatividade e ao Principio Nonagesimal, após decisão do STF, proferida nos autos dos Recursos Extraordinários nºs. RE 146.284/SP e RE 138.284/CE. Inconformado com a inconstitucionalidade mencionada e com a obrigação de recolher Contribuição Social instituída por meio de lei inconstitucional, em junho de 1989, o BRB, ora impugnante, ajuizou contra a União Federal Ação Declaratória Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.913 7 de Inexistência de Relação JurídicoTributária, autuada sob o número 89.00.047450 e distribuída para a 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. A ação teve como pedido principal a declaração de inconstitucionalidade da lei e, em conseqüência, a declaração de inexistência de relação jurídico tributária com a União, para o fim de que o Banco não fosse compelido a recolher a CSLL. O autor formulou objetivamente, à época, os seguintes pedidos, pela ordem original, fundamentados nos arts. 145, parágrafo 1º, 146, III, letras "a" e "b", 149, 150, III, letra "a" e IV, 154, 167, I, 194, parágrafo V, 195, parágrafos II e VI, da Constituição Federal; artigo 34, parágrafo 4° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e, ainda, na melhor doutrina e jurisprudência sobre a matéria: "a) Declarar a inexistência de relação jurídicotributária com a suplicada para o efeito, de não serem as suplicantes compelidas a recolherem a neva contribuição já que sua instituição violou os arts. 145, § 1º; 146, III, alíneas "a" e "b"; 149; 150, III, alínea "a" e IV; 154; 167,1; 194, inciso V; 195, §§ 2o e 6o da CF e art. 34, § 4o do Ato das Disposições Constitucionais transitórias. b) Declarar a inexistência de relação jurídicotributária, caso não entenda pela extensão do pedido "a" supra para o efeito das suplicantes não serem compelidas a pagarem a nova contribuição no período base de 1988, nos termos do art. 150, III, alínea "a", CF, combinado com o artigo 34 do Ato das disposições Constitucionais transitórias. c) Declarar o direito dos suplicantes de pagarem apenas, corrigido monetariamente sem multa ou juros de mora, o valor do imposto de renda que vier a ser apurado com a declaração da ilegalidade da contribuição social que até então é abatida para a apuração do lucro liquido. d) Declarar o direito liquido e certo caso não se entenda pelo pedido "a" supra, das suplicantes excluírem da base de cálculo da nova contribuição o lucro inflacionado não realizado. e) Condenar a suplicada ao pagamento de custas judiciais e honorários advocatícios." Os pedidos formulados pelo Banco em primeira instância foram acolhidos pela Justiça, nos termos transcritos a seguir, extraídos da sentença: "Isto posto, julgo procedente a presente ação e a medida cautelar, em apenso, e declaro a inexistência da relação jurídicotributária entre as autoras e a União Federal, no que tange ao recolhimento da contribuição social, instituída pela Lei 7.689/88, à alíquota de 8% (oito por cento) sobre o Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 lucro das pessoas jurídicas, apurado no Balanço encerrado em 31.12.88, por se tratar de exigência manifestamente inconstitucional. Condeno a promovida em 10% (dez por cento) de honorários advocatícios sobre o valor atribuído à causa, já levando em conta o disposto nos parágrafos 3° e 4° do artigo 20 do CPC e no reembolso das custas processuais, com a correção devida. Trasladese para os autos do processo cautelar, em apenso, fotocópia autenticada deste decisum. Com vistas no valor atribuído à causa (fls. 31) e no que dispõe o artigo 475, inciso II, do CPC, submeto esta sentença ao duplo grau de jurisdição. P. R. I. Brasília, 13 de setembro de 1989." Após ser protocolada a Petição Inicial, o autor protocolou requerimento solicitando que lhe fosse permitido efetuar mensalmente os depósitos referentes â estimativa da CSSL durante a tramitação do processo, com o propósito especifico de, em sendo julgada improcedente a ação, não ser obrigado a recolher juros e multa de mora, multas de oficio, correção monetária do débito, bem como os demais acréscimos ilegais mormente acrescidos abusivamente pela Receita Federal. Imediatamente após o protocolo do requerimento, o Juiz da 6ª Vara Federal deferiu o pedido para depósito da estimativa mensal da CSLL, sem embargos da parte contrária, sendo que o Banco impugnante depositou os valores referentes à estimativa mensal da Contribuição Social Sobre o Lucro, desde o deferimento do pedido até o trânsito em julgado da ação. Já em segunda instância, o Tribunal Regional Federal da 1ª Regido negou provimento ao apelo da União, em acórdão publicado no Diário da Justiça no dia 05/12/1991. A União não manejou nenhum recurso aos Tribunais Superiores contra a decisão proferida pelo TRF da 1ª Região, cujo Acórdão transitou em julgado para fins recursais no dia 18/02/1992, conforme certidão passada pela Secretaria da Terceira Turma do TRF da 1ª Região, e, para fins de Ação Rescisória, transitou definitivamente em julgado em 18/02/1994. Considerando o trânsito em julgado para fins de Ação Rescisória do Acórdão do TRF, o qual declarou a inexistência de relação jurídicotributária entre o Banco e a União, o Banco autor requereu, em 24 de maio de 1996, o levantamento dos valores depositados durante o período de tramitação do processo, período que decorreu desde o ajuizamento da ação (06/1989) até o trânsito em julgado para fins recursais (18/02/1992), cabendo ressaltar que o alvará foi expedido e os valores levantados pelo BRB sem nenhuma oposição da União. Indiferente a todo o exposto, em 05/05/2009 a RFB procedeu à autuação do BRB por suposta falta de recolhimento da CSLL, no exercício de 2004, cuja lei de regência fora declarada inconstitucional em processo entre o impugnante e o Fisco, adotando procedimento que afronta totalmente o principio da coisa julgada. Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.914 9 Dispõe o CTN, em seu art. 156, que a coisa julgada extingue o credito tributário. No presente caso, o BRB ajuizou Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária objetivando não ser compelido ao pagamento da CSLL, em razão da declaração de inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88. A decisão plenária do TRF 1ª Região, fundamento do Acórdão transitado em julgado, favorável ao impugnante, tem o seguinte acórdão: "Constitucional. Contribuições Sociais. Lei 7689 de 15.12.88 Inconstitucionalidade. 1 Ante o disposto no art. 149, da Constituição Federal de 1988, que manda observar o art. 146, inc. III, só a Lei Complementar pode instituir contribuição social. 2 As contribuições sociais, que em face dos arts. 149 e 146, inc. III, da CF/88, são tributos, não se aplica o disposto no art. 150, inc. III, tendo em vista o estabelecido no §6º do art. 195 da CF/88. 3 As contribuições sociais novas não podem ter fato gerador ou base de cálculo existentes (CF/88, art. 195 § 4 c/co art. 154 inc. I). A lei 7689/88, no entanto, elege como base de cálculo da contribuição a do imposto de renda (arts. 44 do CTN e 153, do RIR/80), além de assemelhar o seu fato gerador ao deste imposto aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 CTN). 4A lei 7689 de 15 de dezembro de 1988, por outro lado, não poderia instituir a contribuição social, pois o novo sistema tributário ainda não estava em vigor, ex vi, do art. 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que estabeleceu que o sistema tributário entraria em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguintes ao da promulgação da Constituição 10 de março de 1989. Infringência, por conseeuinte, ao princípio da irretroatividade. 5 Violou, outrossim, a lei 7.689/88 o art. 165 §5, inc. II. da CF/88, ao determinar, em seu art. 6, que a contribuição social será administrada e fiscalizada pela Secretaria da Receita Federal, quando diante do preceito constitucional (art. 165 §5, inc. III), a sua arrecadação deveria integrar o orçamento da seguridade social. 6 A lei 7689/88 é inconstitucional , em razão, pois de ter infringido os arts. 146, inc. III, 154, inc. I; 165, §5, inc. III, e 195 §§ 4 e 6, da Constituição Federal de 1988. 7 Incidente de Inconstitucionalidade procedente.” (grifos da impugnante) Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Confirmada a inconstitucionalidade in totum da contribuição e inexistindo recurso contra o acórdão que declarou a inexistência de relação obrigacional tributária, no tocante à exigibilidade da CSLL, tal decisão tornouse imutável, valendo, assim. como lei entre as partes (art. 468, CPC). Portanto, no presente caso, deve ser ressaltado que o dispositivo o acórdão atacou a constitucionalidade do fato gerador e da base de cálculo , ou seja, elementos essenciais da obrigação tributária. Por esse motivo que se diz que a coisa julgada se projeta no futuro, quando a relação é continuada. Nesse sentido, é o entendimento do STJ, manifestado em acórdão cujo relator foi Imar Galvão, in verbis: Resp n.° 4.838/MG "Tributário. ICM. Operações entre cooperativa e seus associados. Não incidência do tributo, reconhecida por meio de sentença declaratória transita em julgado. Hipótese em que somente novo tratamento legal da matéria poderá ter o efeito de subtrair da eficácia da res judicata as operações da espécie, realizadas pelo contribuinte. Decidindo em sentido contrário, violou o acórdão a norma do art. 468 do CPC. Recurso provido." Voto "A questão da coisa julgada não foi colocada com a propriedade devida, no respeitável acórdão impugnado. Com efeito, obtida pelo contribuinte decisão judicial declaratórias de que são intributáveis as operações por ela realizadas com seus associados, o que se tem de examinar, para verificação da persistência, ou não, dos efeitos da referida declaração, é se está diante da mesma legislação e de fatos da mesma natureza. Porque, se tal ocorre, não pode haver dúvida quanto á extensão da eficácia da coisa julgada. Nesse sentido é de ser interpretado o precedente jurisprudencial trazido à colocação no voto condutor do acórdão impugnado, sob pena de absoluto desprestigio do valioso instituto, que tem foro de garantia constitucional entre nós. Aliás, a Súmula n.° 239 do STF não leva a outra conclusão ao dispor que: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". A hipótese versada no verbete transcrito é de decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não coincidindo, pois, com a escrita nos presentes autos." Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.915 11 Assim, é inaplicável a súmula mencionada para demonstrar que a ação declaratória não faz coisa julgada para exercícios futuros. Isso porque o que impede a coisa julgada futura é exatamente os casos em que transita em julgado um elemento circunstancial da obrigação tributária e não um elemento essencial. Julgada a inconstitucionalidade do fato gerador e da base de cálculo, evidentemente, só uma nova lei modificando esses elementos essenciais poderá fazer cessar a eficácia da decisão transcorrida. Por esse motivo, é evidente que a decisão retromencionada não pode ser modificada, visto que transitou em julgado e, como tal, a inconstitucionalidade apontada referiuse a elementos essenciais da obrigação tributária (base de cálculo e fato gerador) não estando sujeita, por conseguinte, à restrição da Súmula n° 239, quanto ao alcance da coisa julgada na ação declaratória favorável ao impugnante. Quanto aos limites da coisa julgada, temse que, da mesma forma, não é possível cobrar a CSLL do BRB com base na ulterior Lei Complementar n.° 70, de 1991, visto que ela alterou a alíquota da contribuição , mas manteve o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo, e, como anteriormente dito, o que transitou em julgado foi a inconstitucionalidade do fato gerador, da base de cálculo e da reserva de Lei Complementar. Mesmo sanada a questão da reserva, com o advento da nova legislação, permaneceram o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo tidos como inconstitucionais. Destarte, para impedir os efeitos da coisa julgada, é necessário que um novo tratamento normativo venha modificar o verdadeiro estado da coisa. A edição de uma nova lei, corroborando o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo, apenas aumentando a alíquota não tem o condão de fazer desaparecer a eficácia da sentença. Portanto. a Lei Complementar n.° 70, de 1991 em nenhum momento atingiu a coisa julgada favorável ao impugnante, pois simplesmente se reporta ao mesmo fato gerador e à mesma base de cálculo, já tidos pelo acórdão como inconstitucionais. Desta forma, resta incontroversa a desobrigação do BRB em recolher a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, seja em qualquer exercício financeiro, porquanto operouse, em definitivo, o transito em julgado de acórdão favorável ao impugnante, inclusive para fins de ação rescisória. Nessa linha, o impugnante finaliza trazendo à colação (Doc. 01) decisões que demonstram o entendimento jurisdicional no sentido de que as autuações procedidas pelo Fisco Federal, em relação à CSLL, encontramse desamparadas de adequado fundamento legal. DO MÉRITO Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Segundo o impugnante, caso ultrapassadas as preliminares arguidas, em que resta óbvia e comprovada sua desobrigação de recolher a CSLL, fazse necessário contestar os valores e glosas apresentados nos autos de infração, relativamente às bases de calculo do IRPJ e CSLL, visto que na autuação não foi observado o que determina a lei, no tocante às adições e exclusões, o que demonstra, claramente, que há erro nos critérios legais de apuração dessas bases de cálculo. a) DA COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL No decorrer do processo de fiscalização, o impugnante entregou ao Auditor a base de cálculo da CSLL supostamente devida (Doc. 2), relativa ao exercício de 2004, não obstante, como amplamente discutido, ele não ser contribuinte. Na base de cálculo fornecida, consta corretamente a compensação de prejuízo fiscal no valor de RS 9.090.326.40, que, sem maiores justificativas, não foi acatada na apuração da base de cálculo da CSLL do período em questão. Em face do previsto no art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995, o contribuinte poderá compensar as bases de cálculo negativas apuradas em períodos anteriores, respeitado o limite de 30%. Portanto, o impugnante faz jus A dedução do prejuízo fiscal (saldo negativo) em sua base de cálculo apurada da CSLL e o fez dentro dos limites legais, como segue: Feitas essas considerações de direito, o impugnante possui em sua escrita fiscal bases de cálculo negativas, conforme demonstrativo anexo (Doc. 03), as quais deverão ser utilizadas para a compensação nas bases de cálculo da CSLL apuradas na autuação. Observando o demonstrativo, verificase que a compensação de prejuízo fiscal, procedida em 2004, é relativa a parte das bases negativas de CSLL apuradas em dezembro/1996 – R$ 8.539.427,10 e dezembro/1997 R$ 550.899,30, totalizando, por fim, R$ 9.090.326,40. Ressalta que já apresentou no Processo Administrativo 10166.004104/200739 as bases de cálculo corretas da CSLL dos anoscalendários de 2000 a 2003 (Doc. 4), bem como planilha demonstrativa da compensação de bases negativas, nas quais constam os valores das compensações devidas à titulo de bases negativas da CSLL anteriores. A lentidão na análise dos processos, por parte da RFB, não pode prejudicar o contribuinte, muito menos impedilo de exercer direito previsto em lei, qual seja a compensação de bases negativas, com a devida limitação. Desta forma, a importância de R$ 9.090.326,40, relativa à compensação de prejuízo fiscal de exercícios anteriores, deverá (1) Suposta Base de Cálculo da CSLL 2004 (2) Compensação de Prejuízo Fiscal limitada a 30% de (1) (3) Base de Cálculo após a Compensação do Prejuízo Fiscal: Lucro Real (1) (2) 30.301.088,00 9.090.326,40 21.210.761,60 Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.916 13 ser considerada com vistas à reduzir a base de cálculo da CSLL demonstrada no Anexo II do auto de infração impugnado. b) DA GLOSA DO LANÇAMENTO FISCAL SEM COMPROVAÇÃO – CSLL E IRPJ Conforme consta nos autos de infração, ao impugnante não foi possível apresentar à fiscalização o relatório de exclusão da Provisão para Devedores Duvidosos – PDD (PCRRG8), relativo ao mês de janeiro/2004, porque várias tentativas de busca das fitas magnéticas de salvaguarda resultaram em insucesso. No entanto, posteriormente, a partir da recarga da base de dados da época no sistema gerador da informação e não da busca do arquivo gerado à época foi possível reconstituir o relatório não entregue à fiscalização (Doc. 5). Portanto, segue o relatório PCRRG8, referente ao mês de janeiro de 2004, no valor de R$ 1.330.767,47, utilizado na composição do montante registrado na escrita fiscal do impugnante em 2004. Resta assim comprovado, por meio de documentação hábil e idônea; o registro do ajuste fiscal (exclusão) procedido pelo impugnante, que se coloca à disposição para comprovar as informações que o Fisco julgar necessárias e estejam constando do aludido relatório. Isto posto, a glosa no importe de RS 1.330.767,47, efetuada no valor escriturado pelo contribuinte como perdas dedutíveis em Operações de Crédito, não deve prosperar, haja vista a comprovação anexa a peça impugnatória. c) DAS GLOSAS DAS PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO POR SUPOSTA INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO BASE DE CÁLCULO DA CSLL E DO IRPJ Execuções Extrajudiciais Os contratos abaixo, constantes da Tabela 1 do Anexo I dos autos de infração, registrados como perda sem ajuizamento da ação judicial, segundo o autuante, foram, no entanto, devidamente encaminhadas para cobrança extrajudicial, conforme anexos (Doc. 6), consoante prerrogativas previstas na Lei n° 9.514, de 1997 e o DecretoLei n°. 70, de 1966, nas datas seguintes. Cliente Total da Provisão Data Cobrança Extrajudicial José César Gondim Melo 124.636,76 04/2004 Norberto Manica 236.293,97 05/2004 Robson José Cunha 158.725,76 06/2003 Monica BechepecheF G Castanheira 168.576,60 08/2003 TOTAL 688.233,09 Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 A Lei n° 9.514, de 1997, em seus arts 22 e 26, com redação dada pela Lei 10.931, de 2004, assim dispõe: "Art. 22. A alienação fiduciária regulada por esta Lei é o negócio jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. § 1° A alienação fiduciária poderá ser contratada por pessoa física ou jurídica, não sendo privativa das entidades que operam no SFI, podendo ter como objeto, além da propriedade plena: (Renumerado do parágrafo único pela Lei n° 11.481, de 2007) (...) "Art. 26. Vencida e não paga, no todo ou em parte, a divida e constituído em mora o fiduciante, consolidarseá, nos termos deste artigo, a propriedade do imóvel em nome do fiduciário. § 1º Para os fins do disposto neste artigo, o fiduciante, ou seu representante legal ou procurador regularmente constituído, será intimado, a requerimento do fiduciário, pelo oficial do competente Registro de Imóveis, a satisfazer, no prazo de quinze dias, a prestação vencida e as que se vencerem até a data do pagamento, os juros convencionais, as penalidades e os demais encargos contratuais, os encargos legais, inclusive tributos, as contribuições condominiais imputáveis ao imóvel, além das despesas de cobrança e de intimação. (...) § 7º Decorrido o prazo de que trata o §1° sem a purgação da mora, o oficial do competente Registro de Imóveis, certificando esse fato, promoverá a averbação, na matricula do imóvel, da consolidação da propriedade em nome do fiduciário, à vista da prova do pagamento por este, do imposto de transmissão inter vivos e, se for o caso, do laudêmio." A intenção do legislador, por certo, ao estabelecer, na Lei no 9.430 de 1996, que uma operação de crédito somente poderia ser registrada como perda "desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento e arresto das garantias", era justamente garantir que o contribuinte não reduzisse deliberadamente o seu resultado tributável sem esforço para o recebimento dessas operações. Assim, as condições para dedutibilidade dos valores de perdas no recebimento de créditos visam garantir que todas as medidas possíveis sejam tomadas pelas empresas para que aquela importância não seja perdida ou, ainda, que seja recuperada, antes que o contribuinte tenha o direito de reduzir seu Lucro Real. Pois bem, tomou o BRB, ora impugnante, uma medida, digase, inclusive, eficaz, para que não se incorresse na perda. É óbvio que o impugnante adotou os procedimentos necessários para o recebimento ou o arresto das garantias. utilizandose da prerrogativa prevista em lei, da execução extrajudicial, com vistas à consolidação da propriedade dos bens recebidos como garantia. O Auditor menciona "liberdade de escolha quanto a melhor maneira de exercer os seus direitos". No entanto, parece Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.917 15 ao impugnante não haver liberdade de escolha nos casos de alienação fiduciária, pois não haveria como o impugnante acionar o judiciário para requerer a propriedade de um bem que já lhe pertence, ou seja, não há causa de pedir. Consoante Caio Mario da Silva Pereira "podese definir a alienação fiduciária como transferência, ao credor, do domínio e posse indireta de uma coisa, independentemente de sua tradição efetiva, em garantia do pagamento de um obrigação a que acede, resolvendose o direito do adquirente com a solução da divida garantida." Assim, concluise, a partir do art. 26 da lei já mencionada, que a propriedade do bem alienado já é do credor fiduciário, bastando somente procedimentos predeterminados para que se consolide a propriedade do bem em seu nome, cabendo dizer que o procedimento de consolidação da propriedade é mais rápido, menos oneroso e plenamente eficaz para o fim que se propõe. Ademais, não haveria porque o contribuinte instaurar procedimento judicial para obter resultado igual ao que obteve em via extrajudicial. Entendimento análogo aplicase aos contratos garantidos por hipoteca em financiamento habitacional, casos em que o bem pode ser retomado pela via extrajudicial, com base no Decreto Lei n'. 70 de 1966. Desse modo, entende o impugnante que o disposto no art. 9 0 da Lei n° 9.430, de 1996, foi plenamente cumprido e atendido, visto que os procedimentos visando o recebimento da divida ou arresto das garantias não s6 foram instaurados e mantidos, como também resultaram em êxito para o contribuinte, de forma mais racional e econômica e em conformidade com a Lei n°. 9.514 de 1 997 e o DecretoLei n°. 70, de 1966. Além disso, há que se evocar o principio da legalidade que, no plano do Direito Constitucional, é o principio pelo qual ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sendo em virtude de lei. E quando se trata de hipoteca e alienação fiduciária não há lei que obrigue o credor a executar o devedor judicialmente, pelo contrário, há a previsão da execução extrajudicial que, por vezes, é a única alternativa, haja vista o procedimento da consolidação da propriedade. Nessa linha, cabe ainda mencionar que se ha conflito entre lei geral e lei especial, aplicase o disposto na lei especial nas situações nela previstas , mediante utilização do critério da especialidade. Portanto, diante do principio de que a lei especial prevalece em relação a lei geral, a Lei n°. 9.514, de 1997 vale para a situação especifica de consolidação de propriedade caso em que é escusável o processo judicial enquanto para as demais situações, de fato, a cobrança judicial fazse necessária para enquadramento como perda, conforme dispõe a Lei n° 9.430, de 1996, art. 8°. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 Ressaltese que a consolidação da propriedade gera a quitação da operação anteriormente tida como perda, sendo esse recebimento contabilizado como receita o que, por fim, resulta em aumento do Lucro Real e, por conseguinte, em maior tributação, beneficiando o Fisco. Ademais, sem a devida exclusão ocorrerá a tributação tanto pelo valor adicionado de Provisão para Devedores Duvidosos PDD, quanto pela entrada em receita do recebimento/quitação da operação, o que, claramente, não é aceitável. Por todo o exposto, é devida a exclusão procedida pelo impugnante, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do período de 2004, das perdas relativas aos contratos de José Gondim de Melo, Noberto Manica, Robson José Cunha e Monica Bechepeche F. G. Castanheira, devendo a glosa indicada nos Anexos I e II dos autos de infração ser prontamente afastada. Contrato com Rápido Brasilia Transporte Turismo Ltda Equivocadamente o atraso deste contrato consta de 24/12/2003; contudo, verificase nos documentos anexos (Doc. 7) que a partir de 2001 a operação já estava em atraso. Ademais, conforme já explanado anteriormente em outro tópico, o contrato com a Rápido Girassol teve como garantia a alienação fiduciária de veículos (ônibus), hipótese em que não há obrigatoriedade de ajuizamento de ação de execução. Temse, portanto, atendidos Os pressupostos para enquadramento em perda do valor provisionado para o contrato sob análise, visto que atingiu o prazo de atraso previsto na legislação, qual seja 2 anos, e que foram instaurados os procedimentos cabíveis para o caso, visando o recebimento da divida. Contrato com SAC Empreendimentos e Particip SA Novamente constatase, mediante análise documental (Doc. 8), que o atraso do contrato com a SAC Empreendimentos e Particip SA data de 2002. Portanto, na ocasião da baixa, havia, de fato, mais de 2 anos de atraso. Também neste caso a garantia contratual foi hipoteca, não havendo obrigatoriedade de ajuizamento de ação de execução, como já tratado, estando atendidos os requisitos para que a provisão do contrato em comento seja excluída da base de cálculo do Lucro Real, pois estava com atraso superior a dois anos e os procedimentos objetivando o recebimento da divida foram prontamente adotados pelo impugnante. Contrato com o Polígono Engenharia Acerca do contrato n°. 21000020000083348, da cliente Polígono Engenharia Ltda, constante do Anexo I da Autuação Fiscal, realmente não houve ajuizamento de ação. Tratase de contrato de financiamento, cuja garantia da operação foi alienação fiduciária do imóvel. Destarte, como tratado em tópico anterior, a ação não foi instaurada por simples falta de objeto, uma vez que o bem dado em garantia já era de propriedade do BRB. Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.918 17 Quando constatado inadimplemento do cliente , as devidas providências para consolidação da propriedade foram tomadas pelo impugnante. Todavia, a provisão da operação sob análise não foi excluída do lucro real pelo enquadramento como perda. O contrato foi quitado em 30/06/2004, conforme anexo (Doc. 9), por meio de dação (de imóvel) em pagamento. Desta forma, a baixa da provisão correspondente, qual seja R$ 7.187.527,93, ocorreu pelo recebimento da divida/contrato e não pela ocorrência de perda prevista no artigo 8 da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, o IRPJ devido e a CSLL supostamente devida já foram imputados quando da contabilização, em faixa de receita, do recebimento/quitação da operação, e, caso não se proceda à exclusão da provisão relativa à operação, haverá bitributação: primeiro pela entrada em receita e segundo pela manutenção da adição da Provisão para Devedores Duvidosos PDD. Assim, é devida a exclusão procedida pelo impugnante, na base de cálculo do Lucro Real de 2004, da provisão relativa ao contrato com a Polígono Engenharia Ltda, no valor de R$ 7.187.527,93, devendo a glosa constante dos Anexos I e II do Auto de Infração ser cancelada. d) DENÚNCIA ESPONTÂNEA E EXCLUSÃO DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS TRIBUTÁRIAS Introdução e características A legislação vigente define como infração â legislação tributária a simples falta de recolhimento do imposto no tempo e modo definido pela disciplina especifica de cada tributo. Como conseqüência desse não recolhimento do imposto no tempo e modo previstos na legislação, sobre .o débito passa a incidir as chamadas sanções administrativas tributárias, dentre as quais destacamse as chamadas multa isolada e/ou multa de oficio, que na hipótese em discussão é de 100% (cem por cento) do valor do suposto débito. Ainda como conseqüência do inadimplemento, além da multa de oficio de 100% (cem por cento), incide sobre o débito multa de mora de 20% (vinte por cento), também por descumprimento da legislação. No primeiro dia seguinte ao vencimento do tributo, automaticamente, o contribuinte passa a responder por essas sanções administrativas tributárias, exceto quando realiza tempestivamente a chamada denúncia espontânea da infração. Destarte, quanto a estas Sanções administrativas tributárias, estatui o art. 138 do CTN: "A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante depender de apuração. Parágrafo Não se considera espontânea a denúncia apresentada Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 após o inicio de qualquer procedi mento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". Alexandre Macedo Tavares, no texto introdutório de sua consagrada obra Denúncia Espontânea no Direito Tributário, assim se pronuncia: "A denuncia espontânea representa um meio altamente eficaz de exclusão da 'responsabilidade pelo cometimento de infração tributária. Habitando o patrimônio jurídico dos contribuintes pátrios, este notável instituto encontrase plasmado no art. 138 do Código Tributário Nacional. E ela, segundo expressão consagrada por Franz von Liszt, uma "ponte de outro", ou seja, um canal de passagem que, transcorrido sponte própria pelo contribuinte faltoso, tem o condão de fazer desaparecer o direito subjetivo estatal a qualquer pretensão punitiva, quer pelo cometimento de infração tributária formal ou material, quer pelo cometimento do respectivo delito de fundo tributário." Pressupostos de admissibilidade Do texto introdutório e do artigo 138 acima inscrito se vê,claramente, os pressupostos indispensáveis à configuração da denuncia espontânea. São eles: a) tempestividade; b) especificidade do procedimento; c) pagamento ou depósito do tributo. Pela tempestividade, a espontaneidade da denuncia está diretamente vinculada à inexistência de prévio procedimento de fiscalização referente ao tributo objeto da denúncia. Ou seja, a denúncia (comunicação do ato, administrativa ou judicialmente) deve ser feita anterior a qualquer inicio de fiscalização. A especificidade do procedimento administrativo fazendário é condição sine qua non à pretensa desconfiguração da espontaneidade, ou seja, não é qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização que causa gravame à figura da espontaneidade; a contrario sensu, como cristalinamente estabelecido na parte final do parágrafo único do art. 138 do CTN, tãosomente àqueles "relacionados com a infração". Assim, não é qualquer fiscalização indiscriminada e imprecisa, sem objetivo individualizado que terá força suficiente para fulminar o direito potestativo à confissão espontânea prevista no art. 138 do CTN. Sem o pagamento ou depósito judicial do valor do tributo, se for o caso (somente se for o caso) , não será possível configurar a denúncia espontânea. Presentes estes pressupostos, está devidamente configurada a denúncia espontânea e afastada a incidência de quaisquer das sanções administrativas tributárias, inclusive e especialmente as multas de mora, de oficio e isolada, juros e correção pela Taxa Selic etc. Denúncia espontânea e ação declaratória De ordinário não há uma forma rígida previamente estabelecida para que o contribuinte possa realizar a denúncia espontânea. Tanto verdade que a doutrina e a jurisprudência admitem o pagamento do tributo feito diretamente no caixa do banco mediante o documento especifico de arrecadação, como meio indutor da denúncia espontânea e de exclusão das sanções administrativas. Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.919 19 Por seu turno, a doutrina (Alexandre Macedo Tavares, Denúncia Espontânea no Direito Tributário, Ed. Dialética, p. 113) e a jurisprudência (Resp 121459/MG, la Turma, Rel. Humberto Gomes de Barros, j. 10/02/98, DRJ 1 de 13/10/98, pp. 1617) alargaram ainda mais os caminhos colocados à disposição do contribuinte para realização da denúncia espontânea, quando admitiram a possibilidade de a ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária traduzirse em denúncia espontânea, desde que observados os mesmos pressupostos de admissibilidade acima citados. Dentro dessa perspectiva, a ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, espécie de ação declaratória negativa, é uma ação de cunho preventivo, ou seja, uma ação que pressupõe crédito fiscal ainda não definitivamente constituído, uma vez que, se já o estiver, a hipótese será de ação anulatória. A ação declaratória negativa, assim como a denúncia espontânea, encontra na tempestividade a via impeditiva de sua admissibilidade: a) termo de inicio de fiscalização para a denúncia espontânea; b) lançamento fiscal para a ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária. Assim, para caracterização da denúncia espontânea em procedimento administrativo, não pode haver prévio inicio de fiscalização referente ao mesmo tributo; para caracterização da denúncia espontânea mediante ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, necessário que não haja lançamento do respectivo tributo. Colocados todos esses pressupostos em seus respectivos lugares, não há nenhuma dúvida que a ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, face as particularidades que lhes são inerentes, traduzse em denúncia espontânea capaz de elidir a incidência das chamadas sanções administrativas tributárias (multa de mora, multa isolada e multa de oficio e juros e correção pela Taxa Selic, etc.) Neste sentido, abalizada e consolidada jurisprudência do STJ: “O exercício, anterior a qualquer procedimento administrativo, de ação declaratória negativa de obrigação tributária traduz denúncia espontânea, capaz de elidir o pagamento da multa moratória (RESP 121.459/MG)". Como visto, o Requerente não só manifestou judicialmente seu inconformismo, mas também, a rigor, tornouse vitorioso neste procedimento, inclusive com a apropriação dos depósitos por determinação judicial, após o transito em julgado de decisão proferida em seu favor exarada em decreto de inconstitucionalidade. É da letra do acórdão já citado a lição indiscutível e contundente do eminente relator Ministro Humberto Gomes de Barros: "Quem vai a juízo efetiva a mais espontânea das denúncias. Através da citação. o contribuinte está a dizer: Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 20 encontrome em situação de aparente infração; não pagarei, contudo , o suposto débito, porque não o considero existente. Em tal situação, há denúncia, mas não se opera a confissão. O art. 138 não exige que a denúncia se faça acompanhar de confissão, nem de pagamento. Este, como diz o próprio texto, somente ocorrerá, se for o caso. A teor do art. 138, do CTN, a denúncia espontânea afasta a responsabilidade para sanção resultante do ilícito. A multa moratória não traduz compensação pelo atraso no pagamento, ela tem como objetivo punir o contribuinte desleal, que se esconde, para revelarse apenas depois de flagrado em delito." (RESP 121.459/MG). Pois bem, o Requerente, ainda no ano de 1989, ajuizou contra a Fazenda Nacional (Receita Federal), ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária que ao final foi julgada procedente e declarada a inconstitucionalidade da Lei Federal n.° 7.689/88. Dita ação foi ajuizada: a) tempestivamente, ou seja , antes de qualquer procedimento administrativo por parte da Receita Federal; c) mediante depósitos mensais das estimativas da CSLL, embora indevidos porque ao .final sobreveio o decreto de inconstitucionalidade da Lei n.° 7.689, de 1988. Por tudo quanto exposto, não resta a menor dúvida que o Requerente está em estado de denúncia espontânea desde o ajuizamento da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídicotributária ocorrida no ano de 1989, ocorrido tempestivamente. Mas não é só o simples ajuizamento da ação em referência que caracteriza a denúncia espontânea. O instituto achase triplamente caracterizado pelas situações jurídicas bem definidas, a saber: a) ajuizamento da Ação Declaratória de Inexistência de relação Jurídicotributária ocorrido em junho de 1989, anterior a qualquer procedimento fiscal visando o lançamento da CSLL; b) depósito judicial das estimativas mensais da CSLL durante a fase de tramitação da já citada Ação Declaratória, também anterior a eventual procedimento de fiscalização c) Declaração espontânea por intermédio do preenchimento da DIPJ Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, dando conta dos depósitos judiciais efetuados, também anterior a qualquer procedimento de fiscalização por Caracterizada a situação de denúncia espontânea, como de fato e de direito está, é consabida a inviabilidade da cobrança da multa de mora, multa de oficio, multa isolada, correção monetária e juros calculados pela Taxa SELIC, como pretende o fisco. Tal cobrança representaria inaceitável negativa de vigência ao art. 138 do Código Tributário Nacional, desde já prequestionado. As autuações impugnadas por esta ação anulatória, não obstante o valor global citado na súmula dos fatos, estão irremediavelmente contaminadas com os acréscimos indevidos das citadas multas (mora, isolada e de ofício, juros e correção pela Selic), em percentual equivalente a aproximadamente 140% (cento e quarenta por cento) do valor do suposto débito em cada período, isto é: para cada R$1.000,00 (mil reais) apurado de CSLL, outros R$1.400,00 (mil e quatrocentos reais) são lançados a titulo de sanções administrativas tributárias por Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.920 21 suposto descumprimento da legislação fiscal. Um verdadeiro absurdo fiscal. Destarte, por força dessa discrepância entre a cobrança do Fisco e uma eventual dívida que existiria apenas na improvável hipótese de superação da coisa julgada material e formal, o que repitase constituiria inegável heresia jurídica, ainda assim, naturalmente apetece ao Requerente o inegável direito de não ser compelido a responder por sanções administrativas decorrentes de uma situação de ilicitude fiscal inexistente à toda prova. Exclusão das sanções administrativas tributárias Consoante abalizada doutrina e jurisprudência acima aludidas, o Requerente efetivou a mais espontânea e veemente das denúncias quando ajuizou, tempestivamente, ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária acompanhada dos respectivos depósitos. Por isso mesmo, não pode ser obrigado ao pagamento de nenhuma sanção administrativa tributária (multa de mora, multa de oficio, multa isolada, juros e correção Monetária pela taxa Selic, etc), sob pena de negativa de vigência do artigo 138 do Código Tributário Nacional e por afronta a diversos princípios gerais de direito. Por esta razão, na remota hipótese da sucumbência da tese da coisa julgada formal e material, aqui admitida apenas para argumentar, ainda assim, estas sanções tributárias não seriam devidas em nenhuma hipótese. Não bastasse a cobrança ilegal e indevida das sanções administrativas fiscais em período acobertado pelo instituto da denúncia espontânea, as autuações ora impugnadas estão, ainda, irremediavelmente infectadas com tais sanções em períodos que sequer seria devido o próprio tributo. Ocorre que o fato gerador da CSLL decorre, como a própria lei está a indicar, da realização de lucro tributável, e tais sanções tributárias estão sendo cobradas em exercícios sem a ocorrência de fato gerador(lucro tributável). Inaceitável, também, que nas autuações impugnadas nesta Ação Anulatória de Débito Fiscal, a Receita Federal houve por bem lançar ditas sanções administrativas tributárias (multa de mora, multa isolada, multa de oficio, juros e correção calculados pela taxa Selic, etc), em períodos caracterizados por prejuízo fiscal. Como exemplo citase os seguintes exercícios fiscais de 1995, 1996, 1997, 1999, 2000, 2001 e 2002, além dos meses de maio/1992, setembro/1992, outubro/1992, dezembro/1992, setembro/1993, março/1994, maio/1994, agosto/1994, setembro/1994, tudo conforme demonstrado nas razões específicas deste fundamento. Não é novidade que as sanções administrativas fiscais (os juros de mora, as multas de mora, de oficio e isolada juros e correção monetária pela Selic, etc), são acessórios de uma obrigação Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 22 tributária da qual o tributo é a obrigação propriamente dita (obrigação principal). Na hipótese submetida à apreciação judicial nesta oportunidade, temse a inusitada situação de cobrança de obrigação acessória em hipótese cuja obrigação principal sequer é devida, numa inaceitável inversão de valores fiscais. Exclusão das sanções administrativas por disposição legal Neste ponto, temse que a autuação não pode prosperar porque o Banco impugnante não é devedor da CSLL. Todavia, só para argumentar, ainda que o Banco fosse devedor da alguma importância a ser apurada, certamente as multas de mora e de oficio, multas isoladas, juros de mora e os encargos legais não seriam devidos nos valores e percentuais lançados na autuação, tendo em conta o que dispõe a Lei Federal n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Por tudo quanto exposto neste fundamento, quer seja pela realização de denúncia espontânea, quer seja pela inexistência da obrigação principal em determinados exercícios (prejuízo fiscal), ou ainda, por disposição de novel lei tributária, a cobrança das sanções administrativas antes elencadas, como quer o fisco, representa inaceitável afronta a diversos princípios gerais de direito, a saber: a) Princípio da Proteção à Boafé; b) Princípio da razoabilidade; c) Princípio da Proporcionalidade; d) Princípio da proteção à propriedade; e) Princípio da proibição do enriquecimento ilícito, entre outros. A indigitada multa isolada foi instituída pelo enunciando normativo previsto no art. 44 da Lei Federal n° 9.430, .de 1996, alterado pela MP n°. 351, de 2007. Com base numa interpretação exclusivamente textual e apressada, podese concluir que a referida multa poderá incidir a qualquer momento. Contudo, esse não é o melhor entendimento. Em reiteradas decisões, o E. Conselho de Contribuintes têm rechaçado a cobrança da multa isolada sobre os valores devidos mensalmente. Citese, à guisa de exemplo, os seguintes arestos: "PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 8a CÂMARA DOU 18/04/2007. Acórdão n°. 10809.166 IRPJ E CSLL DESPESAS DEDUTÍVEIS ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRÉSTIMOS A COLIGADAS RESTITUIÇÃO DE EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS DA ELETROBRÁS REPRESENTADO EM TÍTULOS CORREÇÃO MONETÁRIA EXPECTATIVA DE DIREITO EFEITO NA APURAÇÃO DO IRPJ E BASE DE CÁLCULO DA CSLL MULTAS ISOLADAS (...) Uma vez caracterizada a infração fiscal, nos lindes legais, é de se aplicar as multa de oficio prevista, mas afastase a multa isolada pela falta de estimativa mensal por duplicidade de penalidade perante mesmo fato infracional após o encerramento do exercício fiscalizado e, assim como, os juros com base na taxa ''selic", uma vez ainda válidas as prescrições da Lei n° Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.921 23 9.430'96, não cabendo a este E. Conselho de Contribuintes invadir competência privativa do Poder Judiciário para apreciar matéria constitucional suscitada." (en) "PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3a CÂMARA DOU 13/04/2007. Acórdão n°: 10322869 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração da contribuição social sobre o lucro, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência da CSLL efetivamente devida apurada, com base no lucro liquido, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, relevandose improcedente e cominação de multa sobre parcelas não recolhidas." (gn) "PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3a CÂMARA DOU 13/0412007. Acórdão n°: 10322931 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO 2001. Conforme precedentes desta E. Câmara (v.g. Recurso 124.946), a exigência de multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidas mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio anocalendário" (gn) "PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3a CÂMARA DOU 13/04/2007. Acórdão n°. 103.22772 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício previsão 44, I, da Lei 9.430/96 sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal." Como visto, o E. Conselho de Contribuintes vem entendendo que a multa isolada, prevista no art. 44 da Lei Federal n° 9.430, de 1996, não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de oficio, pois haveria duplicidade de penalização; não seria devida também após o encerramento do período de apuração, pois nesse caso não há mais o que se falar em pagamento estimado, porquanto o imposto/contribuição devido é aquele apurado ao final de cada anocalendário; e por fim, não seria aplicável, quando o contribuinte apurar imposto/contribuição final menor do que o devido em bases estimadas. Notese, ainda, que o Auditor fez incidir a multa isolada sobre o total da CSLL supostamente devida no ano de apuração de 2004. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 24 Para tanto, alegou jurisprudência administrativa. Mas vejase o que diz o art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei 9.430, de 1996: "Art. 44. Nos casos qte lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.'' Não resta dúvida que mesmo que fosse possível a aplicação cumulativa da multa de oficio e da multa isolada a base de cálculo utilizada vai expressamente contra o disposto na legislação. A multa isolada deveria incidir sobre o valor dos pagamentos mensais (estimativas) e não sobre a contribuição anual. A alegação utilizada pelo. Auditor não se sustenta, visto que não há qualquer dúvida quanto à interpretação do dispositivo acima citado, visto que é patente quanto a base de cálculo adequada para a incidência da multa isolada. Diante do exposto, e considerando o enunciado normativo previsto no art. 44 da Lei Federal n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela MP 351, de 2007, não é devida a multa isolada, no valor de 1Z$ 2.147.475,29, lavrada no auto de infração, ora impugnado, pois (i) não está incidindo sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, mas sim sobre a CSLL apurada e supostamente devida no exercício de 2004; (ii) está sendo aplicada cumulativamente com a multa de oficio incidente sobre o valor final da CSLL apurada em cada anocalendário, o que representa duplicidade de penalização sobre um mesmo fato e sobre uma mesma base de cálculo, conduta essa que não se admite em nosso ordenamento jurídico; e, (iii) está sendo lavrada após o encerramento do período de apuração da CSLL, qual seja 2004, em contradição, portanto, com o enunciado normativo constante no art. 44 já citado. e) DENÚNCIA ESPONTÂNEA E EXCLUSÃO DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS TRIBUTÁRIAS No primeiro dia seguinte ao vencimento do tributo, automaticamente, o contribuinte passa a responder por sanções administrativas tributárias, exceto quando realiza, tempestivamente, a chamada denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. São pressupostos indispensáveis à configuração denúncia espontânea: a) tempestividade; b) especificidade do procedimento; e, c) pagamento ou deposito do tributo. Cabe dizer que, conforme consolidada jurisprudência do STJ, "o exercício anterior a qualquer procedimento administrativo, de ação declaratória negativa de obrigação tributária traduz Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.922 25 denúncia espontânea, capaz de elidir o pagamento da multa moratoria" (RESP 121.459/MG). Desse modo, como já ampla e minuciosamente explanado, o impugnante, em 1989, ajuizou conta a Fazenda Nacional Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídicotributária, que, ao final, foi julgada procedente. Assim, além de manifestar judicialmente seu inconformismo, obteve decisão proferida em seu favor, não restando dúvida que o BRB, ora impugnante, está em estado de denúncia espontânea desde o ajuizamento da ação supracitada, ocorrido em 1989, pois o ajuizamento foi anterior a qualquer procedimento fiscal (tempestivo) e, como já mencionado, foram efetuados depósitos das estimativas mensais da CSLL, no decorrer do processo. Cumpriramse, assim, todos os pressupostos necessários para admissibilidade da Denúncia Espontânea do contribuinte. Caracterizada a situação da Denúncia Espontânea, tornase inviável a cobrança de multa, de oficio ,e de mora„ multa isolada e juros (SELIC) pretendida pelo fisco, que o impugnante requer o pronto afastamento. f) DO PEDIDO Diante de todo o exposto, pelo qual restou demonstrada a improcedência dos auto de infração e conseqüente lançamento dos débitos de CSLL e IRPJ, requer o impugnante: a) que a RFB cesse de desrespeitar sentença judicial e que, portanto, seja anulada a autuação efetivada contra o impugnante, relativamente à CSLL, considerando a existência de coisa julgada material e formal instituída a favor do BRB, que afasta a existência de relação jurídico tributária; b) que seja reconhecida a existência de prejuízo fiscal e base negativa de contribuição em exercícios anteriores, conforme demonstrado (Doc. 2 e 3) e, assim, seja deduzido da base apurada da CSLL o valor de R$ 9.090.326,40, na forma do art. 16 da Lei n° 9.065/1995; c) que o relatório PCRRG8, relativo à janeiro12004, seja reconhecido como prova hábil e idônea, justificando, por conseguinte, o registro (exclusão) procedido pelo impugnante em sua escrita fiscal (Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito), reduzindo, por fim, a base de cálculo do Lucro Real em R$ 1.330.767,47; d) que as execuções extrajudiciais (Lei n°. 9.514/1997) sejam consideradas suficientes para atendimento ao disposto no art. 8° da Lei n° 9.430/1996, quando se tratar de contratos que tenham como garantia alienação fiduciária e hipoteca, conforme disposto nos itens 47 a 64 da presente impugnação; Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 26 e) que os prazos de atraso dos contratos das empresas SAC Empreendimentos e Rápido Brasília, constantes do Auto de Infração, sejam alterados para 2 anos, conforme documentado e comprovado pelo impugnante, confirmando a correção da exclusão procedida pelo BRB na base de cálculo do IRPJ e da f) seja afastada a multa isolada lançada, no valor de R$ 2.147.475,29, pois contraria o disposto no art. 44 da Lei Federal n° 9.430/96 e a melhor exegese a ser atribuída ao dispositivo legal; g) seja declarada, em favor do impugnante, a ocorrência de denúncia espontânea, e, em conseqüência, sejam excluídos da autuação os juros e multa de mora, multa isolada e multa de oficio, ou seja. todos os encargos e sanções administrativas tributárias dela decorrentes; h) que, se ultrapassadas as teses acima sustentadas, sejam aplicados os benefícios previstos da Lei n° 11.941/2009, relativamente quanto à redução das multas de mora, de oficio e isolada, dos juros de mora e demais encargos decorrentes dos débitos lançados; i) que seja procedida diligência, com a finalidade de comprovar o afirmado nesta impugnação; e j) por fim, que seja acolhida a presente impugnação e julgados insubsistentes os lançamentos. DA DILIGÊNCIA FISCAL Tendo em vista os esclarecimentos trazidos e os elementos colacionados pelo impugnante no Doc. 05 (fls. 1.167 em diante), com os quais pugna pela desconstituição da infração no valor de R$ 1.330.767,47 (exclusão não comprovada), o julgamento foi convertido em diligência em 07/07/2009, conforme despacho A fl. 1.315, a fim de que o relatório apresentado na impugnação fosse examinado A luz da documentação que lhe deve dar respaldo. O resultado do trabalho foi objeto do Relatório de Diligência Fiscal lavrado às fls. 1.316/1.316, no qual o executor da diligência, após proceder aos exames necessários, concluiu pela procedência do valor de R$ 70.235.66, ficando a infração reduzida para R$ 1.260.531,81. O impugnante foi cientificado do resultado da diligência em 01/03/2010 (fl. 1.319), quando lhe foi reaberto o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre a matéria, não tendo se manifestado no precitado interregno. DAS PARCELAS NÃO IMPUGNADAS DE IRPJ Em requerimento protocolado em 26/02/2010 (fls. 1.321/1.326), o sujeito passivo solicitou a inclusão no parcelamento instituído pela Lei /I'. 11.941, de 2009, de IRPJ no valor principal de R$ 710.495,42, que corresponde ao tributo incidente sobre as bases de cálculo provenientes das seguintes exclusões/deduções indevidas: Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.923 27 Cliente Valor Globsteel Engenharia Ltda 373 .205,91 Maria Matos de Queiroz 104.842,79 Editora Semper Ltda. 3.379,84 Editora Semper Ltda. 1.982,90 Iratan da Silva Rodrigues 168.905.98 Lumi Distribuidora Ltda 145 .093,43 Eletroenee Mat. de Constr. Ltda 1.070.898,52 Qualidade Alimentos Ltda 143.036.51 Qualidade Alimentos Ltda 142.402,69 José Cesar Gondim Melo 124.636,76 Norberto Manica 236.293,97 Robson Jose Cunha 158.725,76 Mônica Bechepeche F G Castanheira 168.576,60 Total 2.841.981.66 Imposto devido 710.495,42 Expurgadas as parcelas confessadas, do auto de infração respectivo restam impugnados os valores tributáveis abaixo: a) da infração de RS 11.004.570,91 (exclusões indevidas): Contrato Valor tributável Polígono Engenharia Ltda. 7.187.527,93 Rápido Brasília Transporte Turismo Ltda. 2.645.398,45 b) da infração de R$ 1.330.767,47 (exclusão não comprovada): total. c) da infração de RS 5.085.246,70: Contrato Valor tributável Sac Empreendimentos e Participação Ltda. 3.414.909,57 O valor do IRPJ objeto do pedido de parcelamento foi transferido para os autos do processo identificado sob o n°. 11.853.000446/201008 (fls. 1.332/1.334), restando portanto sob litígio os seguintes valores de principal, afora acréscimos correspondentes (juros de mora e multa): Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ 3.644.650,85 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL 4.294.950,58 Multa exigida isoladamente (CSLL estimativa não paga) 2.147.475,29 Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 28 Submetido feito à apreciação da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, esta houve por bem julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, cujo acórdão de fls. 1.671/1.702 restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Nos contratos lastreados por garantia real, o reconhecimento da perda do crédito é condicionada ao inadimplemento superior a dois anos e comprovação de que foram adotadas as medidas legais cabíveis, visando a recuperação do crédito. DAÇÃO EM PAGAMENTO. Inaceitável a alegação de que a baixa de operação de crédito foi compensada com a contrapartida de receita correspondente a bem imóvel recebido pela instituição financeira em dação em pagamento, se a contabilização desta última não é comprovada. EXCLUSÕES INDEVIDAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Diante do resultado de diligencia que aceita parcialmente o valor das exclusões inicialmente reputadas indevidas, subtraise da base de cálculo o valor da parcela aceita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocal enddrio : 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Argüição de que decisão proferida pelo TRF, transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da Lei n°. 7.689. de 1988. Alcançaria dispositivo da Lei n°. 70, de 1992, que, sob a ótica do sujeito passivo, estaria mantendo vicio de inconstitucionalidade, constitui matéria cuja apreciação compete ao Poder Judiciário, sendo defeso aos órgãos julgadores administrativos se imiscuir na questão. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão da responsabilidade por infração é condicionada à observância dos ditames estabelecidos pelo art. 138 do CTN, sem o que se torna cabível a exigência de juros de mora e penalidades. MULTA DE OFICIO. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o ano calendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.924 29 oficio sobre o tributo devido apurado no encerramento do período. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fl. 1.715 e seguintes, por meio do qual contesta os termos da decisão proferida pela DRJ na parte em que manteve o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Começarei a analisar os seus fundamentos na mesma ordem em que as alegações foram formuladas, a fim de enfrentar todas as questões postas a debate. 1. Preliminar: da inexistência de relação jurídicotributária. Sustenta o Recorrente não estar obrigado ao recolhimento da CSLL, em virtude de estar amparado por decisão judicial transitada em julgado (em 18/02/1992) que o libertou dessa obrigação. Isso porque, em 1989 o Recorrente ajuizou Ação Declaratória n° 89.00047450, por meio da qual requereu a declaração de inexistência de relação jurídico tributária que o obrigue ao recolhimento da CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88. Assim, o Recorrente, autor da referida ação, formulou, à época, os seguintes pedidos: "a) Declarar a inexistência de relação jurídicotributária com a suplicada para o efeito, de não serem as suplicantes compelidas a recolherem a neva contribuição já que sua instituição violou os arts. 145, § 1º; 146, III, alíneas "a" e "b"; 149; 150, III, alínea "a" e IV; 154; 167,1; 194, inciso V; 195, §§ 2o e 6o da CF e art. 34, § 4o do Ato das Disposições Constitucionais transitórias. b) Declarar a inexistência de relação jurídicotributária, caso não entenda pela extensão do pedido "a" supra para o efeito das suplicantes não serem compelidas a pagarem a nova contribuição no período base de 1988, nos termos do art. 150, III, alínea "a", CF, combinado com o artigo 34 do Ato das disposições Constitucionais transitórias. c) Declarar o direito dos suplicantes de pagarem apenas, corrigido monetariamente sem multa ou juros de mora, o Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 30 valor do imposto de renda que vier a ser apurado com a declaração da ilegalidade da contribuição social que até então é abatida para a apuração do lucro liquido. d) Declarar o direito liquido e certo caso não se entenda pelo pedido "a" supra, das suplicantes excluírem da base de cálculo da nova contribuição o lucro inflacionado não realizado. e) Condenar a suplicada ao pagamento de custas judiciais e honorários advocatícios." Afirmou, ainda, que os seus pedidos foram acolhidos pela sentença proferida em 1ª instância pelo d. juízo da 6ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, cuja parte dispositiva segue abaixo transcrita: Os pedidos formulados pelo Banco em primeira instância foram acolhidos pela Justiça, nos termos transcritos a seguir, extraídos da sentença: "Isto posto, julgo procedente a presente ação e a medida cautelar, em apenso, e declaro a inexistência da relação jurídicotributária entre as autoras e a União Federal, no que tange ao recolhimento da contribuição social, instituída pela Lei 7.689/88, à alíquota de 8% (oito por cento) sobre o lucro das pessoas jurídicas, apurado no Balanço encerrado em 31.12.88, por se tratar de exigência manifestamente inconstitucional. Condeno a promovida em 10% (dez por cento) de honorários advocatícios sobre o valor atribuído à causa, já levando em conta o disposto nos parágrafos 3° e 4° do artigo 20 do CPC e no reembolso das custas processuais, com a correção devida. Trasladese para os autos do processo cautelar, em apenso, fotocópia autenticada deste decisum. Com vistas no valor atribuído à causa (fls. 31) e no que dispõe o artigo 475, inciso II, do CPC, submeto esta sentença ao duplo grau de jurisdição. P. R. I. Brasília, 13 de setembro de 1989." Em segunda instância, com a remessa exofício dos autos (n° 89.01.161516), essa decisão foi confirmada pelo TRF da 1ª Região e tornouse imutável em 18/02/1992, com a certificação do trânsito em julgado da ação. É com base nessas duas decisões que o Recorrente considera não ser contribuinte da CSLL, por entender que foi judicialmente reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária entre ele e a União Federal no tocante a tal contribuição. É bem verdade que a ação em exame apresentava pedidos genéricos em relação à inconstitucionalidade da CSLL. Contudo, depreendese da parte dispositiva da sentença acima transcrita, confirmada pelo TRF da 1ª Região, que os seus efeitos estão limitados apenas ao exercício de 1988, não tendo o condão de produzir efeitos em outros períodos. Em outras palavras: a parte dispositiva da sentença restringiu a sua aplicabilidade apenas ao exercício de 1988 e, como se sabe, somente a parte dispositiva da Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.925 31 sentença é atingida pela coisa julgada material (art. 469, inciso I, do CPC), que, no caso, não foi reformada pelo TRF da 1ª Região, já que, como consignado pelo próprio Recorrente, houve apenas a remessa ex officio àquele Tribunal, que manteve o posicionamento firmado em 1ª instância. O entendimento aqui consignado foi também confirmado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista que o Recorrente impetrou, há mais tempo, Mandados de Segurança visando obter a declaração do seu direito à expedição de certidão negativa de débito relativa à CSLL. Como bem mencionado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nas contrarrazões ao recurso voluntário, apesar de toda a discussão nos autos da ação declaratória acima noticiada, o Recorrente foi submetido à fiscalização no período de 1992 a 1996, resultando na lavratura de auto de infração para cobrança de CSLL. Inconformado, o Recorrente impetrou dois mandados de segurança (1999.34.00.0383171 e 2000.34.00.0231534), fundamentando o seu pedido no fato de existir decisão transitada em julgado que o exonera de recolher tal tributo (acórdão proferido na Ação Declaratória n. 89.00047450, que substituiu a sentença a ele favorável). Todavia, a pretensão do Recorrente não foi acolhida, tendo em vista que o Tribunal Regional Federal confirmou que a coisa julgada do processo n° 89.00.047450 está adstrita apenas ao exercício de 1988, consoante se extrai do voto condutor do acórdão, elaborado pelo Desembargador Relator, Juiz Olindo Menezes: Na ação declaratória ajuizada na 6ª Vara Federal – DF, contra o recolhimento da contribuição social sobre o lucro, então instituída pela Lei nº 7.689, de 15/12/1988, por fundamentos de inconstitucionalidade, a empresa apelada pediu a declaração de inexistência de relação jurídicotributária com a União, para não fazer o recolhimento da contribuição; e, em caráter sucessivo, para que não fosse obrigada ao recolhimento quanto ao resultado do períodobase de 1988, por ofensa ao princípio da anterioridade. (Cf. pedidos constantes da peça de fl. 87.) A sentença, louvandose basicamente em parecer do jurista Ives Gandra Martins, deixou a entender claramente que a empresas – eram duas as autoras – tinham razão na totalidade da sua irresignação, mas, na sua conclusão, acolheu apenas o pedido sucessivo, para desobrigálas do recolhimento sobre o lucro apurado no balanço encerrado em 31 de dezembro de 1988. Para que não haja dúvida, transcrevo o seu dispositivo: “Isto posto, julgo procedente a presente ação e a cautelar, em apenso, e declaro a inexistência de relação jurídicotributária entre as autoras e a União Federal, no que tange ao recolhimento da contribuição social, instituída pela Lei nº 7689/88, à alíquota de 8% (oito por cento) sobre o lucro das pessoas jurídicas, apurado no balanço encerrado em 31.12.88, por se tratar de exigência manifestamente inconstitucional.” (Cf. peça de fls. 89 – 101.) Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 32 Como está claro, a empresa ganhou a questão apenas quanto ao resultado do lucro apurado no exercício de 1988, na linha do que posteriormente veio a reconhecer o STF, que deu pela constitucionalidade da contribuição nos exercício posteriores. Poderia, na realidade, ter obtido a exoneração de forma universal, para o passado e para o futuro, pois assim pedira em caráter principal e a fundamentação da sentença assim autorizava, mas nada fez, deixando de embargar de declaração para pedir um pronunciamento do juiz sobre o pedido principal. Pois bem. Essa sentença, subindo a este Tribunal em remessa – a União não manifestou apelação –, foi confirmada nesta Turma, por acórdão da relatoria do Juiz Fernando Gonçalves, hoje ministro do STJ, que invocou precedente do Plenário da Corte, em Argüição de Inconstitucionalidade na AMS nº 89.01.13614 – 7/MG, e a confirmou em ementa dando pela inconstitucionalidade total. Mas, como é natural, a sentença, mesmo confirmada com a invocação de um precedente que dera pela total inconstitucionalidade da lei, somente tem eficácia nos seus exatos termos, pelo que nela se contém – isto é, em relação ao resultado do lucro apurado em 31/12/1988 –, pois se cuidou apenas de uma remessa, cujo provimento foi negado. Raiaria pelo absurdo – admitase para argumentar – que o Tribunal, negando provimento à remessa, desse pela ampliação da inconstitucionalidade, em franco agravamento da situação jurídica da União, que não pode ser apenada em remessa oficial. Por via de conseqüência, também não tem nenhum sentido uma exegese ampliativa do alcance da coisa julgada expressa na sentença, para estendêla aos exercícios posteriores, pela visão conjunta dos dois julgamentos: a sentença, que limitou o provimento; e o acórdão desta Turma, que a confirmou com uma ementa nominalmente não limitativa. Se a sentença tivesse acolhido o pedido principal, para dar pela inconstitucionalidade total, estaria a apelado com toda a razão, pois as modificações posteriores na legislação da contribuição social sobre o lucro foram apenas de alíquotas, não mudando os elementos permanentes e imutáveis da relação jurídico tributária. Não houve, portanto, o alegado novo tratamento normativo do tributo, com entendeu a autoridade administrativa – deixando de enxergar na questão o ponto que realmente tinha substância –, tanto mais que a Lei nº 7.689/88 não foi revogada. Mas, como a apelado não detém sentença com alforria total do recolhimento da contribuição, mas somente, repitase, quanto ao resultado do balanço apurado em 31/12/1988, não deve subsistir a sentença recorrida, que não percebeu o exato alcance da coisa julgada na sentença anterior, proferida em 13/09/1989 e confirmada neste Tribunal em 11/11/1991. (Cf. peças de fls. 102 – 106.) Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.926 33 No mesmo sentido, também se posicionou o Superior Tribunal de Justiça, ao se manifestar nos autos do Recurso Especial nº 841.818/DF, interposto pelo próprio Recorrente nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.34.00.0383171. Naquela oportunidade, a d. Ministra Relatora Eliana Calmon reiterou todo o posicionamento adotado pelo TRF da 1ª Região. Confirase o trecho extraído do relato dos fatos do acórdão proferido em sede de agravo regimental interposto nos autos do referido recurso especial: “o REsp 8841.818 versou sobre o direito à expedição de certidão negativa de débito da CSLL, oriundo da Ação Declaratória 89.00047450, a empresa apelada pediu a declaração de inexistência de relação jurídicotributária com a União, para não fazer o recolhimento da contribuição; e, em caráter sucessivo, para que não fosse obrigada ao recolhimento quanto ao resultado do períodobase de 1988, por ofensa ao princípio da anterioridade. A sentença acolheu apenas a segunda parte do pedido proclamando: "Isto posto, julgo procedente a presente ação e a cautelar, em apenso, e declaro a inexistência de relação jurídicotributária entre as autoras e a União Federal, no que tange ao recolhimento da contribuição social, instituída pela Lei nº 7689/88, à alíquota de 8% (oito por cento) sobre o lucro das pessoas jurídicas, apurado no balanço encerrado em 31.12.88, por se tratar de exigência manifestamente inconstitucional.” Conformouse a empresa com o julgado, ou seja ganhou apenas parte do que fora pedido. Poderia, na realidade, ter obtido a exoneração de forma universal, para o passado e para o futuro, pois assim pedira em caráter principal e a fundamentação da sentença assim autorizava, mas nada fez, deixando de embargar de declaração para pedir um pronunciamento do juiz sobre o pedido principal. E nos termos da sentença houve confirmação no TRF da 1ª Região (AMS 89.01.136147/MG, Rel. Juiz Fernando Gonçalves, hoje ministro desta Corte). Dos precedentes acima vêse que, diferentemente do que alega o Recorrente, a sentença proferida nos autos da Ação Declaratória nº 89.00047450 limitou os seus efeitos ao anocalendário de 1988, eis que a sua parte dispositiva assim os restringiu. Ou seja, embora o Recorrente tenha pedido em caráter principal – e a fundamentação da sentença assim autorizava – a sua exoneração de forma universal, para o passado e para o futuro, da obrigação de recolher a CSLL, o Recorrente nada fez contra a restrição constante da parte dispositiva da sentença, deixando de embargar de declaração para pedir um pronunciamento do juiz sobre o pedido principal. Desse modo, como o Recorrente se conformou com o julgado, não interpondo os recursos cabíveis, não obteve a exoneração de forma universal, para o passado e para o futuro, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, mas tãosomente para o exercício de 1988. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 34 Não deve prosperar, portanto, a preliminar suscitada pelo Recorrente no sentido de não estar obrigado ao recolhimento da CSLL, ao fundamento de que estaria amparado em decisão transitada em julgado que o libertava dessa obrigação, por supostamente reconhecer a inexistência de relação jurídicotributária que o compeliria ao recolhimento da CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88. 2. Mérito: 2.1. Compensação de prejuízos fiscais – base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Alega o Recorrente que não foi observada, pela fiscalização, a existência de bases negativas de CSLL relativas a períodos anteriores e, por essa razão, a cobrança da referida contribuição deveria ser recalculada a fim de compensar a citada base, limitada a 30% do resultado positivo do período fiscalizado (art. 16 da lei n° 9.065, de 1995). No item 39 do seu recurso voluntário, o Recorrente afirma que “na base , de cálculo fornecida, consta corretamente a compensação de prejuízo fiscal no valor de R$9.090.326,40. No entanto, sem maiores justificativas, essa compensação não foi acatada na apuração da base de cálculo da CSLL do período em questão.” A fim de comprovar as suas alegações, o Recorrente juntou os demonstrativos de apuração da CSLL relativos aos anos de 1992 a 2002, que ratificam os dados das planilhas de fls. 1159 e 1161 (atuais fls. 1472 e 1474). Além disso, acrescentou que os documentos acostados ao autos são mais que suficientes para demonstrar que o direito do Recorrente é legítimo e calcado na lei de regência. Ao apreciar esse ponto, também suscitado na impugnação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento concluiu que “não há como aceitar como prova inconteste da existência da alegada base de cálculo negativa o simples demonstrativo acostado pelo interessado à fl. 1.161, de formação sintética, sem detalhamento de sua apuração.” Isso porque, o Recorrente limitouse a apresentar planilha de fl. 1159 (atual fl. 1472), na qual consta um lucro antes da compensação de prejuízo fiscal no valor de R$30.301.088,00 (anocalendário de 2004) e, após a compensação de R$ 9.090.326,40 (limite de 30%), restaria um valor a tributar de R$ 21.210.761,60. Como tentativa de recompor o saldo de base negativa, o Recorrente apresentou a planilha de fl. 1161 (atual fl. 1474) na qual ele alega que o prejuízo fiscal apurado é oriundo dos anos de 1996 e 1997 (R$8.539.427,10 e R$550.899,30, respectivamente). Todavia, apenas essas planilhas elaboradas pelo próprio Recorrente não são suficientes para comprovar a existência da suposta base negativa alegada. Inclusive, vale ressaltar que tais informações não são confirmadas pelas telas do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, acostada às fls. 1402/1406, denominadas “demonstrativo da base de cálculo negativa da CSLL (SAPLI)”, impressas em 15/04/2009. Da leitura das referidas telas, verificase que realmente foi apurada a base negativa de CSLL nos anos de 1996 e 1997, entretanto, tais valores foram integralmente compensados em 1998. O mesmo ocorreu em relação às bases negativas de 2000, 2001 e 2002, integralmente compensadas em 2003. Também consta do termo de verificação fiscal (fl. 26) que, além dos anos calendários de 2004 e 2005, o Recorrente também não confessou débitos e nem realizou Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.927 35 pagamentos a título de CSLL no período de 1992 a 2003, cujos créditos tributários foram constituídos de ofício por meio dos processos administrativos n° 14052.001900/9110, 10166.011588/9794, 14041.000389/200453 e 14041.000078/200737. Esse fato é importante para evidenciar que, se existe discussão quanto à exigência da CSLL do período, as dúvidas se tornam ainda mais relevantes quanto à verdadeira existência da base negativa da CSLL no período assinalado. Por essa razão, deveria o Recorrente ter se empenhado para comprovar as suas alegações por meio de declarações oficiais (DIPJ e DCTF), bem como por meio dos seus livros fiscais e contábeis, devidamente registrados. Não basta o Recorrente simplesmente apresentar planilhas genéricas e, ainda, tentar transferir para as Autoridades Fiscal e Julgadoras o ônus probatório que, nesse caso, é seu. 2.2. Glosas do valor escriturado no Lalur como perdas dedutíveis em operações de crédito – base de cálculo da CSLL e do IRPJ. Nos termos do caput do art. 9º da Lei nº 9.430/96, “as perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo”. Os critérios para a dedutibilidade dessa perda são tratados nos incisos do §1º do citado dispositivo e, no caso aqui versado, é de maior relevância a análise do inciso III, segundo o qual poderão ser registrados como perda os créditos com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias. A regra é muito clara: existem dois requisitos cumulativos para que os créditos com garantia sejam considerados como perda: 1) estarem vencidos há mais de dois anos; 2) desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. Cabe ressaltar ainda que, para efeito da dedutibilidade acima noticiada, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais, nos termos do §3º do citado dispositivo. Assim, como bem alertou o Recorrente (item 58 do recurso voluntário), “por certo, a intenção do legislador ao estabelecer na Lei nº 9.430/96 que uma operação de crédito somente poderia ser registrada como perda ‘desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento e arresto das garantias’ era justamente garantir que o resultado tributável, sem sequer dispor de esforço para o recebimento dessas operações”. Sendo exatamente esse o raciocínio do legislador, exigese o cumprimento desses dois requisitos para a dedutibilidade do crédito como perda. Isso porque o credor amparado por garantias geralmente recebe mais facilmente seu crédito e, normalmente, a sua recuperação se resolve na via extrajudicial, não sendo preciso, muitas vezes, acionar o Judiciário. Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 36 Justamente pela facilidade de negociação das dívidas com garantia, é que as condições para a sua dedutibilidade como perda são mais rigorosas. Até porque, se o recebimento é praticamente certo, não é plausível admitir a sua redução no resultado tributável como perda. É dizer: para fins de dedutibilidade dos créditos oriundos de contratos com garantia é imprescindível o ajuizamento da ação de cobrança ou execução, exatamente porque esta é a última medida adotada para satisfação do crédito. Isso porque, se o débito está garantido, as chances de perda são bem menores do que dos créditos sem garantia e, se ainda não foi necessário ajuizar a ação para cobrança dos valores, é porque as expectativas de recebimento extrajudicialmente são realmente altas. Por essa razão, admitir o raciocínio contrário é aceitar que o contribuinte possa reduzir deliberadamente o seu resultado, enquadrando como perda os créditos que ele poderia reaver em simples negociação extrajudicial, sem necessidade de acionar o Poder Judiciário. Os dois requisitos para a dedutibilidade das perdas são, portanto, cumulativos, pois somente quando a dívida já estiver vencida há mais de dois anos e quando iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento é que se admite a dedutibilidade do referido crédito como perda. 2.2.1. Contrato com Rápido Brasília Transporte Turismo Ltda Em relação à indevida exclusão dos valores desses contratos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, deduzindoos como perda, sustenta o Recorrente que (i) as dívidas em atraso estão vencidas desde 2001 e (ii) após as tratativas com a empresa devedora, ocorreu a negociação para pagamento da dívida, evitando a busca e apreensão dos bens financiados, sendo que hoje os débitos estão regularmente quitados. Diante dessas considerações, sem precisar sequer confrontar as informações sobre a data de vencimento da dívida, é de se concluir que não foram atendidos os requisitos impostos para fins de dedutibilidade desses créditos como perda, pois não foi realizado o ajuizamento da ação cabível para recebimento dos créditos, até porque estes foram devidamente regularizados pela empresa. Ainda nos termos do recurso voluntário, o Recorrente fez questão de frisar que “os débitos relativos aos contratos foram quitados posteriormente pela devedora, após rigorosas providência de cobrança que evitaram o ajuizamento de ação de busca e apreensão dos bens alienados fiduciariamente”. Desse modo, além de não ter atendido o segundo requisito para dedutibilidade dos créditos como perda (ajuizamento da ação competente), o próprio Recorrente informa que a perda não ocorreu efetivamente. 2.2.2. Contrato com SAC Empreendimentos e Participações S/A Em seu recurso voluntário, alega o Recorrente que comprovou documentalmente nos autos que o atraso do instrumento de crédito da empresa datava de 2002, de modo que, na ocasião da baixa, já teriam transcorrido mais de dois anos de atraso. Além disso, junta aos autos o comprovante de ajuizamento da ação de execução e, por entender que os dois requisitos acima foram atendidos na íntegra, pediu que fosse admitida a dedutibilidade dessa perda. Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.928 37 Contudo, analisandose o documento de fl. 126, verificase que o atraso do débito ocorreu a partir de 15/01/2003 (antes disso não havia outro registro de atraso desse débito). Desse modo, a dedução da perda foi realizada de modo precipitado, eis que o atraso no pagamento da dívida não havia atingido o prazo de dois anos, deixando, portanto, de preencher os requisitos acima expostos. 2.2.3. Contrato com Polígono Engenharia No mesmo sentido do que foi dito no item 2.2.1, também não houve o ajuizamento da ação competente, deixando de preencher os requisitos de dedutibilidade previstos em lei, sendo desnecessário analisar as questões envolvendo o vencimento da dívida. Além disso, sustenta o Recorrente que “a provisão da operação sob análise não foi excluída do lucro real pelo enquadramento como perda. O contrato de financiamento foi quitado em 3062004, mediante dação (de imóvel) em pagamento. Desta forma, a baixa da provisão correspondente, qual seja R$ 7.187.527,93, ocorreu pelo recebimento da dívida/contrato e não pela ocorrência de perda prevista no artigo 8º da Lei nº 9.430/1996.” Como prova de suas alegações, o Recorrente apresenta “a ficha contábil de registro do imóvel, a escritura pública de dação em pagamento e o parecer aprovado para tal fim (Doc. nº 04). ” Entretanto, apesar de ter sido devidamente alertado pela DRJ de que a escritura pública de dação em pagamento não constitui prova de que tenha ocorrido a contabilização das receitas oriundas da operação, o Recorrente quedouse inerte e não trouxe em seu recurso voluntário nenhum outro documento que pudesse comprovar a efetiva contabilização e o efetivo oferecimento de tais receitas à tributação, a fim de estornar os efeitos da baixa da provisão para perdas, na apuração do resultado do exercício. Ou seja, a contabilização dessas receitas não foi comprovada em sede de impugnação e, embora tal fato tenha sido alertado pela DRJ, continuou o Recorrente sem produzir as provas necessárias para evidenciar a contabilização e o oferecimento dessas receitas à tributação. Assim, não tendo o Recorrente comprovado documentalmente a contabilização da receita que teria anulado o efeito da baixa da provisão, julgo pela manutenção do posicionamento da DRJ e da glosa efetuada pela fiscalização. 3. Denúncia espontânea e exclusão das sanções administrativas tributárias Pretende o Recorrente utilizarse dos benefícios da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, ao fundamento de que a ação declaratória n° 89.00.047450, proposta antes de qualquer procedimento fiscal, equivaleria a uma confissão de dívida, bem como o pagamento estaria caracterizado pela realização de depósitos mensais da CSLL. Com essas alegações, pretende obter o afastamento das multas de mora, de ofício, isolada, além da correção monetária e juros calculados pela Selic. Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 38 A esse respeito, compartilho o entendimento da DRJ no sentido de que a “denúncia espontânea significa que o sujeito passivo, antecipandose a qualquer medida de fiscalização, formaliza confissão do crédito tributário devido, acompanhada, se for o caso, do pagamento do quantum respectivo ou do depósito de seu valor integral. A exclusão da responsabilidade por infração é condicionada, assim, a essa conduta. No caso concreto, o impugnante nunca confessou nenhum débito; ao contrário, sempre pretendeu proclamar sua condição de não contribuinte da CSLL, não efetuando nenhum pagamento, e, quanto aos noticiados depósitos, estes não se referiram ao anocalendário de 2004.” Isso porque, nos termos do art. 138 do CTN, alguns requisitos devem ser observados para a configuração da denúncia espontânea. Confirase: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. São requisitos, portanto, para o gozo dos benefícios da denúncia espontânea que o contribuinte confesse ao Fisco a prática da infração e se coloque em situação de regularidade, com o pagamento integral do tributo, com juros de mora e atualização monetária. Entretanto, no caso analisado o Recorrente não preencheu nenhum dos requisitos acima, pois a ação declaratória n° 89.00.047450 não equivale a uma confissão de dívida. Pelo contrário, visa afastar a relação jurídica que relaciona o contribuinte ao débito. Além disso, o Recorrente foi desonerado apenas do pagamento da CSLL do anocalendário de 1988, como acima mencionado, e, por fim, o próprio Recorrente confirmou que procedeu ao levantamento dos valores depositados judicialmente, tendo em vista que ele foi vitorioso na ação declaratória, não havendo que se falar em pagamento integral do débito do anocalendário de 2004. Desse modo, não merecem acolhida os argumentos defendidos pelo Recorrente no que diz respeito à denúncia espontânea. 4. Exclusão das sanções administrativas por disposição legal. Esse é o único ponto que julgo assistir razão ao Recorrente. Isso porque, quanto à cobrança cumulativa da multa isolada (por insuficiência no recolhimento das estimativas) com a referida multa de ofício, também entendo que o lançamento da primeira também não merece prosperar. A exigência da multa isolada decorre da obrigação legal imposta às pessoas jurídicas optantes pelo lucro real anual, que, ao realizarem essa opção, assumem o compromisso de antecipar, mensalmente, o IRPJ e a CSLL calculados pela forma estimada, nos moldes estabelecidos pelo art. 2º da Lei nº 9.430/96. Embora os fatos geradores do IRPJ e da CSLL somente ocorram no dia 31 de dezembro de cada ano, momento em que será apurada a efetiva base de cálculo desses tributos Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.929 39 e a compensação dos valores pagos antecipadamente, ao instituir para os contribuintes a obrigação de realizar as antecipações mensais das estimativas do IRPJ e da CSLL, pretendeu o legislador antecipar os valores que provavelmente seriam devidos ao final do anocalendário, adiantando a sua arrecadação e evitando o acúmulo para os contribuintes no final do ano. Caso o contribuinte deixe de antecipar mensalmente as estimativas, suportará a multa isolada lançada de ofício pela falta de pagamento mensal dos tributos devidos, nos termos do artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96. Contudo, encerrado o anocalendário objeto das antecipações, entendo que a base imponível para fins de aplicação da multa é aquela que suportará o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário. Via de conseqüência, somente é possível a aplicação da multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Assim, como o lançamento em análise (relativo às estimativas de 2004) somente foi realizado em 2009, ainda que o contribuinte não tenha supostamente efetuado as antecipações de modo satisfatório, a exigência da multa isolada foi formalizada somente quando já conhecida a respectiva base de cálculo e a contribuição devida naquele ano calendário. Desse modo, seria cabível apenas a aplicação da multa de ofício, haja vista que não é possível coexistir, no mesmo lançamento, duas exações para uma mesma base de cálculo, que representaria imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. Desse modo, entendo pela impossibilidade de prosperar o lançamento da multa isolada por insuficiência no recolhimento de antecipações de CSLL (prevista no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96) concomitantemente ao lançamento de multa de oficio (prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96). Esse também é o entendimento que prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, que não admite a aplicação simultânea da multa isolada por insuficiência no recolhimento das estimativas com a multa de ofício pelo descumprimento do dever de pagar o tributo em definitivo, conforme se depreende dos acórdãos abaixo: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. (Acórdão nº 9101 00.281 em 24/08/2009) Assunto: MULTA ISOLADA Exercício: 2001, 2002, 2003 e 2004 CSLL. MULTA ISOLADA. Encerrado o período de Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 40 apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da ao repetição da sanção tributária. CSLL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de oficio. RETROATIVIDADE BENIGNA. O CTN consagra o princípio da aplicação retroativa da lei posterior mais benéfica às penalidades art. 106, inciso II, "a", do CTN. Recurso Especial da Contribuinte Provido. (Acórdão nº 910100.526 em 26/01/2010) RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº 910100.500 de 25/01/2010) A interessante fundamentação dos Conselheiros é no sentido de que, em virtude dos princípios da consunção da condutameio pela condutafim e da não repetição da sanção tributária, não deve prosperar a exigência, pois, “encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual, e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada” (Acórdão nº 910100.526 em 26/01/2010). Diante do exposto, voto pela procedência parcial do recurso voluntário, a fim de afastar o lançamento da multa isolada por insuficiência no recolhimento das estimativas da CSLL, eis que indevidamente cumulada com a multa de ofício. Quanto aos demais fundamentos, mantenho irretocável a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14041.000348/200971 Acórdão n.º 1401000.960 S1‐C4T1 Fl. 1.930 41 Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 11080.722707/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 22 70 7/ 20 09 -9 1 Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/01/2008 a 30/09/2008 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno e exportação. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil descreve em sua Informação fiscal as irregularidades fiscais por ele constatadas, as quais são a seguir indicadas resumidamente: 1. inclusão indevida na base de cálculo dos créditos da COFINS não cumulativo de despesas sem amparo legal: 1.1. Controle de pragas; 1.2. Despesas com movimentação de cargas e fretes de transferência entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica; 1.3. Despesas com fretes incorridos na operação de compra de bens não sujeito a tributação do PIS/PASEP e da COFINS (arroz beneficiado, alíquota zero); 1.4. Apuração de créditos calculados sobre aquisições de insumos com suspensão para a contribuição para a COFINS (arroz em casca e cana de açúcar) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno, referente ao período do 1º ao 3º trimestres de 2008. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando,em síntese: “ Sustenta seu direito a apurar créditos sobre as despesas incorridas com o controle de pragas, o qual se trataria de serviço indispensável, consumido de forma direta em sua atividade. Esclarece que durante seu processo produtivo seria obrigada a cumprir normas sanitárias com a finalidade de manter seu produto final (arroz) dentro da classificação adequada, como apto ao consumo e livre de pragas. Para amparar seus argumentos, cita etranscreve legislação e atos normativos tributários, jurisprudência administrativa, bem como trechos de normas e regulamentos expedidos pela ANVISA. Da mesma forma, considera as despesas com serviços de armazenagem de cargas, relativas ao comodato do armazém cedido e ao aluguel de pallets para o acondicionamento dos produtos, como intrínsecas à sua atividade e portanto seriam legítimos os créditos calculados sobre as mesmas. Junta exemplos de notas fiscais e informa Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 4 3 que embora algumas notas emitidas pela empresa ALL declarem equivocadamente o serviço prestado como sendo de “movimentação de cargas”, todas as notas sobre as quais apurou créditos se refeririam a “armazenagem de cargas”. Anexa também o respectivo contrato de serviço para comprovar o equívoco na denominação existente nas notas. Acrescenta que também tomou serviços de transporte e armazenagem de outras empresas, por exemplo da empresa ASTRA, que além da prestação de serviços de transporte, também lhe presta o serviço de armazenagem, o que lhe possibilitou o creditamento das despesas de armazenagem. Informa que os pallets seriam equipamentos alugados para o acondicionamento do arroz, objetivando o armazenamento seguro das mercadorias, portanto se tratariam de despesas obrigatórias e intrinsecamente vinculadas às despesas de armazenagem, o que igualmente legitimaria o respectivo creditamento. Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações devenda. Discorre sobre sua necessidade de possuir diversos centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Conclui, então, que pelas razões logísticas expostas, as operações de fretes entre seus estabelecimentos seriam apenas um desdobramento das operações de venda. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Defende a apuração de créditos sobre os fretes incorridos nas operações de compra de bens não sujeitos a tributação do Pis/Pasep e da Cofins. No caso, aponta que a autoridade administrativa teria deixado de perceber que o creditamento realizado foi tão somente sobre os valores referentes às despesas de fretes dos produtos e não sobre os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero destas contribuições. Entende que a vedação do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, só seria aplicável ao caso, se na aquisição dos insumos sujeitos à alíquota zero das contribuições, o frete fosse arcado pelo vendedor. Explica que na situação em apreço, a aquisição dos insumos tributados à alíquota zero contempla apenas o preço de aquisição das mercadorias, sendo o frete das mercadorias de responsabilidade do comprador. Cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento e conclui pela legitimidade do creditamento destes valores referentes às despesas de frete, visto que esses serviços foram tributados pelas contribuições. Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que, no caso do arroz em casca, a manifestante não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei 10.925/04 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela IN SRF nº 660/2006, portanto não estaria sujeita à obrigatoriedade de observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Novamente cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que o advento da IN SRF nº 977, de 14 de Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 5 4 dezembro de 2009, com eficácia normativa a partir de 1º de novembro de 2009, alterou o anteriormente disposto na IN SRF nº 660/2006, para tornar obrigatória a aplicação da suspensão em todos os casos elencados no Art. 2º da IN 660/66. Desta forma, sustenta que a nova Instrução Normativa modificou o sentido que até então era vigente para o caso, ou seja, trouxe uma inovação no ordenamento, tornando obrigatório o que antes era facultativo. Conclui, assim, que anteriormente à inovação trazida pela IN 977/09, a utilização da sistemática da suspensão/crédito presumido não era obrigatória, sendo ela, portanto, uma opção do contribuinte. Acrescenta, ainda, que nas Notas Fiscais de aquisição do arroz em casca emitidas no período de janeiro a setembro de 2008 não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art. 2º, § 2º da IN 660/06. Cita e transcreve jurisprudência do STJ para amparar seu entendimento. Em relação às aquisições de cana de açúcar, reitera os mesmos argumentos acima expostos (para as aquisições de arroz em casca) e reforça que sequer existiria possibilidade de enquadramento na IN 660/06 pois, no caso da canadeaçúcar não há que se falar em industrialização por parte da Manifestante, considerando que apenas efetuaria a compra da canadeaçúcar, com posterior remessa para industrialização por encomenda e receberia o açúcar, o qual seria posteriormente comercializado, conforme Notas Fiscais de remessa para industrialização juntadas ao processo. Assim sendo, não estaria a Manifestante, relativamente à cana de açúcar, adequada ao requisito do artigo 4º, inciso III da IN 660/06, sendo que, para o caso, não haveria qualquer regramento específico que incida sobre esta operação e se aplicaria, assim, a regra geral. Mais uma vez cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento no sentido de que deveria ser afastada a glosa de créditos relativos às aquisições de cana de açúcar. Alternativamente, requer a garantia de que nas operações aqui guerreadas seja mantida a possibilidade de registro do crédito presumido nos termos da Lei 10.925/04. Considera que na hipótese de desprovimento da presente Manifestação de Inconformidade, não poderia restar sem qualquer possibilidade de registro de crédito nestas operações, sendo que se revestiria de caráter lógico a concessão do crédito presumido no caso de desacolhimento dos pedidos aqui trazidos. Ao final, pede que sua Manifestação de Inconformidade seja acolhida, para a imediata reforma do Despacho Decisório ora combatido, com o deferimento total do crédito pleiteado. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca e cana de açúcar) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido. Requer, ainda, a possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar com a comprovação da legitimidade dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 6 5 processo administrativo, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal”. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 Ementa: DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. MOVIMENTAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DE MERCADORIAS. As despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesas de armazenamento. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. FRETES NAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e serviços que se agregam à matériaprima. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DO DIREITO Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 7 6 II. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS II. II – DAS DESPESAS COM CONTROLE DE PRAGAS II. III DAS DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE CARGAS E FRETES DE TRANSFERÊNCIA II. III. 1 DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE CARGAS II. III. 2 DESPESAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIA II. IV DESPESAS DE FRETES NA OPERAÇÃO DE BENS “NÃO SUJEITOS” A TRIBUTAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS II. V – DA APURAÇÃO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS SEM SUSPENSÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS II.V.1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II. V. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 II V. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 II. V. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA II.V.5 EQUÍVOCO REFERENTES À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇUCAR II.V.6 – PEDIDO SUCESSIVO –ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO II. VI. DA PERÍCIA III DO PEDIDO Formula seu pedido nos seguintes termos: “...requer seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legalidade. Sucessivamente, caso não seja deferido o direito creditório integral em relação às aquisições de insumos (arroz em casca e cana de açúcar) sem suspensão da Contribuição para a COFINS, requer seja deferido o direito ao registro do crédito presumido.” Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 8 7 Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: Em que pese alguns fornecedores terem respondido ao item 1.15 do Termo de Início de Fiscalização informando não terem realizado a operação de venda com suspensão das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins, é fato inquestionável de que as condições para a ocorrência da suspensão das contribuições ocorreram, tendo portanto o adquirente direito a crédito presumido na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e não crédito integral na forma do art. 6º da Lei 10.833/2003 para a Cofins e art. 5º da Lei 10.637/2002 para o Pis?Pasep, ou seja tal atitude por parte de alguns fornecedores não tem o condão de afastar o disposto no art. 9º da Lei 10.925/2004, tornando portanto ilegítima a pretensão da empresa SLC Alimentos de obter o crédito integral, nos termos da Lei 10.833/2003 e 11.116/2004 referente a estas aquisições. Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais emitidas no período em questão não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições. Diz a Recorrente: Como pode ser observado nas notas fiscais emitidas no período em questão relativas à aquisição de arroz, estas não contém a expressão “Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, requisito formal exigido pelo art. 2º, § 2º da IN nº 660/06. Diante da inexistência de ressalva quanto às informações constantes na nota fiscal de seus fornecedores, a Recorrente entendeu que as Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 9 8 operações de compra de arroz em casca de cooperativas e demais pessoas jurídicas ocorridas no período, não deveriam ensejar o registro de crédito presumido de Cofins. Pelo contrário, às aquisições aplicamse as regras gerais da nãocumulatividade, tal qual exposto alhures, restando à Recorrente o direito de registrar crédito integral sobre estas operações (com alíquota de 7,6% para a COFINS e 1,65% para o PIS), tendo em vista que as operações realizadas pelos fornecedores devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins (não estando sujeito à suspensão de sua exigibilidade pelo Fisco, por não cumprimento de requisitos necessários). Como prova de sua alegação, a empresa Recorrente juntou cópia de notas fiscais de 03 (três) fornecedores: SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, EFEGÊ ARMAZENAMENTO E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA e ENGENHO A. M. LTDA, onde não consta a referida expressão. No entanto, na relação de fls. 474/495 estão relacionados diversos fornecedores para os quais a Recorrente não trouxe cópia das notas fiscais. De outra banda, confirmase a afirmação da Autoridade Fiscal da DRF de que no corpo de algumas notas fiscais consta que a venda foi efetuada com a suspensão das contribuições para o PIS e Cofins. No entanto, a Fiscalização não identificou para quais compras está provado que Recorrente efetuou a aquisição de arroz em casca e canadeaçúcar com e sem suspensão do PIS e da Cofins. Outro fato relevante é que, no período de apuração objeto deste processo, a Recorrente adquiriu arroz em casca e cana de açúcar de outros fornecedores, além daqueles que ela trouxe cópia de nota fiscal, conforme “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” e “Relação das notas fiscais de aquisição de canadeaçúcar com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização (fls. 474/495). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca e canadeaçúcar com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06, posto que há indícios de que alguns fornecedores não cumpriram as referidas obrigações. Para o julgamento da lide, há necessidade de se comprovar que a mercadoria efetivamente saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário esta comprovação, conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 10 9 Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 (possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins). Outro ponto que precisa ser esclarecido é sobre os produtos e serviços utilizados no controle de pragas. Há necessidade de saber em que momento estes produtos são empregados e com qual objetivo. Deve, portanto, a Fiscalização solicitar à Recorrente informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente relacionar cada despesa realizada, identificando a data da apuração do crédito, o número da nota fiscal, o nome e o CNPJ do fornecedor, o produto/serviço adquirido, o valor pago e a descrição do emprego do produto/serviço, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca e canadeaçúcar realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca e canadeaçúcar realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca e canadeaçúcar realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11080.722707/200991 Resolução nº 3302000.314 S3C3T2 Fl. 11 10 4 Listar as compras de arroz em casca e canadeaçúcar realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter os mesmos elementos da “Relação das notas fiscais de aquisição de arroz com suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS” elaborada pela Fiscalização. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Intimar a Recorrente para prestar informações sobre cada produto ou serviço utilizado no controle de pragas. Para isto, deve a Recorrente informar: 7.1 data da apuração do crédito (separar por período de apuração); 7.2 número da nota fiscal de aquisição; 7.3 nome e CNPJ do fornecedor; 7.4 descrição do produto/serviço adquirido; 7.5 valor do produto/serviço adquirido 7.6 descrição do emprego do produto/serviço adquirido, identificado em que é empregado, em que momento e com que objetivo. 8 Manifestarse sobre a veracidade das informações prestadas pela Recorrente, a que se refere o item anterior; 9 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 10 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 12898.000162/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - INDENIZAÇÕES TRABALHISTA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS - DESENQUADRAMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA - ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - ASPECTO TEMPORAL - CERCEAMENTO DE DEFESA.
Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadrava-se nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção.
A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência.
A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal.
ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 - ENTIDADE ISENTA - ASPECTO TEMPORAL - VÍCIO FORMAL.
A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento.
RECURSO DE OFÍCIO - VALOR DE ALÇADA
O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais).
Recurso de Ofício Não Conhecido em Parte e Processo Anulado.
Numero da decisão: 2401-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício; e II) Por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - INDENIZAÇÕES TRABALHISTA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS - DESENQUADRAMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA - ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - ASPECTO TEMPORAL - CERCEAMENTO DE DEFESA. Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadrava-se nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção. A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal. ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 - ENTIDADE ISENTA - ASPECTO TEMPORAL - VÍCIO FORMAL. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento. RECURSO DE OFÍCIO - VALOR DE ALÇADA O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Recurso de Ofício Não Conhecido em Parte e Processo Anulado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.000162/200835 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401002.975 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, PATRONAL Recorrentes SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTÁCIO DE SÁ LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES INDENIZAÇÕES TRABALHISTA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DESENQUADRAMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO ASPECTO TEMPORAL CERCEAMENTO DE DEFESA. Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadravase nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção. A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal. ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 ENTIDADE ISENTA ASPECTO TEMPORAL VÍCIO FORMAL. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 62 /2 00 8- 35 Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento. RECURSO DE OFÍCIO VALOR DE ALÇADA O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Recurso de Ofício Não Conhecido em Parte e Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício; e II) Por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.205.9147, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, ,incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre os valores lançados sob o titulo da Conta Isrs: 411.01.07 e 421.01.07 "Indenizações Trabalhistas", nos exercícios de 2003 e 2004, Conta N° 410.10.10008 — "Acordo Judicial Trabalhista — Docente" e Conta N° 420.10.10008 — "Acordos Judiciais Trabalhistas —Administrativos", aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período de 01/2003 a 12/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 86 o Contribuinte, no inicio dos trabalhos de Fiscalização, foi intimado em 13/05/2008, com a emissão do Termo de Inicio da Ação Fiscal — TIAF, a apresentar a documentação que ensejou, os lançamentos contábeis efetuados na contas acima mencionadas tais como: processos trabalhistas, inicial, sentença/acordo, GPS Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFlP's.DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE. Antecedendo A emissão do segundo Termo de Intimado Fiscal fiscal com referência ao tema especifico, que ocorreu em 23/09/2008, no sentido de não retardar ainda mais a análise de toda documentação a ser compulsada, logo após fazer os primeiros exames na contabilidade do Contribuinte, entreguei, por duas vezes, planilha no formato Excel contendo dos os lançamentos a serem analisados, ao Dr. Gustavo Valente Bittencourt, pessoa até então, segundo o próprio, designada a atender As solicitações desse Auditor Fiscal no que concerne aos trabalhos da fiscalização em curso. Com a finalidade de serem prestadas as informações necessárias e indispensáveis à conclusão dos • procedimentos fiscais e tendo em vista que nenhum documento fora apresentado com relação ao solicitado, emiti os Termos de Intimação de Isrs: 03, de 09/10/2008; 04, de 11/11/2008; 05, de 27/11/2008 e 06, de 09/12/2008; sem, no entanto, obter qualquer êxito quanto ao atendimento das intimações. Tendo em vista a tentativa do Contribuinte, face a sua omissão, em não permitir a Fiscalização de chegar aos valores das bases de cálculos das contribuições devidas pela Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., ao FPAS — Fundo de Previdência e Assistência Social e ao Financiamento dos Benefícios Concedidos em Rua() do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho, em razão, como mais adiante ilustrado, de não preencher os requisitos legais de entidade beneficente de fins filantrópicos. Para chegar ao valor da contribuição devida utilizouse a prerrogativa legal de proceder a constituição do crédito fiscal pelo método da aferição indireta, com fulcro do disposto pela Lei n° 8.212/91, Artigo 33, §§ , com nova redação dada pela Medida Provisória N° 449, de 03 de dezembro de 2008, in verbis: Quanto ao enquadramento na condição de entidade beneficente, descreveu a autoridade fiscal, diversos fundamentos para o lançamento realizado. Senão vejamos: Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 A Sociedade de Ensino_ Superior Estacio de Sá Ltda., enquanto entidade dita beneficente, não satisfaz os requisitos ao Decreto n° 2.536/98;por não realizar os objetivos tragados pela Lei Orgânica da Assistência Social ,n° 8.742/93, em seu artigo 2°, incisos de I a V e parágrafo único, bem como na Constituição Federal em seu artigo 203, incisos de I a V. Tratase de empresa comercial, prestadora de serviço na área da educação superior, onerosa, que não comprova realizar atendimento de caráter social, dirigido à comunidade, especialmente a pessoas carentes. A Autuada travestida de uma roupagem ilusória, nua de conteúdo e fora da realidade fiscal, no que concerne às suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, não comprova a aplicação de pelo menos 20% da receita bruta proveniente da venda de serviços e de bens não integrante do ativo imobilizado, em gratuidade; pois nos percentuais apresentados para satisfazer a sua pretensa condição de entidade filantrópica, estão contabilizados valores de bolsas de estudos parciais, concedidos a titulo de descontos, em verdadeira concorrência de mercado, e que juntamente com os valores das bolsas de estudo, prestadas compulsoriamente em razão de Convenção Coletiva de Trabalho, aos seus funcionários e dependentes desses, não satisfaz o percentual mínimo exigido por lei, tudo conforme mais adiante demonstrado. Ainda, quanto ao seu não enquadramento como entidade beneficente de fins filantrópicos, importante enfatizar que a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., sob o manto da filantropia e usufruindo das benesses da imunidade tributária fiscal, buscou o acúmulo de capital constituindo patrimônio de sociedades com fins lucrativos, notadamente valorizando seu Ativo Permanente Imobilizado, com a aquisição de diversos imóveis, conforme amplamente demonstrado no capitulo "DO PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, notadamente no item "Relação de Imóveis de Propriedade da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda.", deste relatório, e que ao término de suas atividades como entidade beneficente, vertendo esse patrimônio, veio a compor a pessoa jurídica Estácio Participações S/A, empresa de capital aberto com ações na Bolsa de Valores, atrelado estando com a criação dessa nova pessoa jurídica, não atendendo, dessa forma, aos pressupostos dos Incisos IX e X, do Artigo 3°, do Decreto n° 2.536/98, a seguir transcritos, contrariando também o artigo 26 do seu estatuto, tudo a vista dos elementos trazidos a colação neste Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento fiscal na lavratura do presente Auto de Infração: "Art. 32 Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente: IX destinar, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidades congêneres registradas no CNAS ou a entidade pública; X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social. (grifei) Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 4 5 "Estatuto da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá. Artigo 26— No caso da Assembleia Geral decidir pela extinção ou dissolução, o patrimônio da Sociedade será destinado a uma entidade congênere de idênticas finalidades. (grifei) 6) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos. Fazse mister citar a criação da pessoa jurídica denominada Estácio de Sá Participações S/A, já mencionada, constituída na mesma época, ou seja, em 31/03/2007, cujo estatuto está arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.3.00282050. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Para evidenciar a coresponsabilidade das pessoas: física e jurídica, arroladas ao procedimento fiscal, demonstrado está, por via de seus atos constitutivos, que a composição dos quadros societários das citadas pessoas jurídicas, ou seja, da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá • Ltda. e da Estácio de Sá Participações S/A, são empresas que integram o grupo econômico e de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: (8.1) CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACO DE SA LTDA. Do Capital Social — Cláusula IV. "0 capital social é de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), dividido em 5.000 (cinco mil) quotas no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, totalmente integralizada em moeda corrente nacional, estando ditas quotas distribuídas entre os sócios: JOAO UCH6A CAVALCANTI NETTO, 4.850 (quatro mil, oitocentos e cinqüenta) quotas no valor de R$ 4.850,00 (quarto mil, oitocentos e cinqüenta reais); MARCEL CLEÓFAS UCH6A CAVALCANTI, 50 (cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais), ANDRÉ CLE6FAS UCH6A CAVALCANTI, 50 (cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais) e MONIQUE UCHÕA CAVALCANTI DE VASCONCELOS, 50%(cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais). (8.2) DO ESTATUTO SOCIAL DA ESTACIO DE SA PARTICIPAÇÕES S/A — Deliberações: "0 presidente da mesa deu inicio aos trabalhos e, seguindo a ordem do dia, os presentes deliberam, por unanimidade: I) Constituir a Estácio Participações S/A., fixando o capital social da companhia em R$ 1.000,00 (um mil reais), dividido em 1000 (um mil) ações ordinárias, todas nominativas, escriturais Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 em valor nominal, as quais foram integralmente subscritas e integralizadas em moeda nacional. Após o preenchimento do Boletim de Subscrição, verificouse que (A) João Uch6a Cavalcanti Netto, acima qualificado, subscreveu 997 (novecentos e noventa e sete) ações ordinárias, por um preço total de R$ 997,00 (novecentos e noventa e sete reais), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; (B) Marcel Cleófas Uchôa Cavalcanti, acima qualificado, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por 'um preço de R$ 1,00 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; (C) André Cleófas Uch6a Cavalcanti, acima qualificado, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por um prego de R$ 1,00 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; e (D) Monique Uchôa Cavalcanti de Vasconcelos, acima qualificada, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por um preço de R$ 1,00 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total. II) Aprovar, sem qualquer ressalva, o Estatuto da Companhia, 9) Como restou provado o quadro societário das duas pessoas jurídicas, quando de sua criação, é composto pelos mesmos sócios e na mesma proporcionalidade de participação no capital social em ambas as empresas. 10) Quanto A abrangência da conceituação de solidariedade, à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art. 30 da Lei n° 8.212/91 e artigo 124 do CTN Lei n°5.172/66, abaixo transcritos, visa dar segurança jurídica para o cumprimento de seu mister nos casos de distorções da realidade econômica, tendo o Estado adotado mecanismos para coibir as hipóteses de simulação ou dissimulação dos negócios econômicos e/ou jurídicos, entre os quais, destacamos o instituto da solidariedade no grupo econômico, "in verbis". • Lei N° 8.212/91. "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas A Seguridade Social obedecem às normas, observado o disposto em regulamento: IX — as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre, si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;" Lei n° 5.172, de 25/10/66. "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; — as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem." Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 5 7 QUANTO A GRATUIDADE Preliminarmente, quanto ao tema não gratuidade, necessário fazse observar os demonstrativos reproduzidos nos subitens: 11.1 a 11.3, elaborados a partir da análise dos Relatórios Anual de • Bolsistas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., que em confronto com os valores apurados na Ação Fiscal, fica cabalmente comprovado que os indices, erradamente apresentados pela Autuada, quanto As suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, são irreais e desprovidos de qualquer embasamento legal pertinente ao tema em questão. Importante ressaltar que em virtude do não atendimento em tempo hábil, apesar das solicitações verbais e do Termo de Intimgdo Fiscal especifico emitido, em fornecer os Relatórios Anuais de Bolsistas, inviabilizou inserir nos demonstrativos abaixo os valores correspondentes As bolsas de estudos, integrais e parciais, fornecidas aos dependentes dos funcionários o due, seguramente, seria mais um fator desfavorável à Autuada. Elaborou a autoridade fiscal planilhas, demonstrando para os respectivos anos, quais os percentuais de gratuidade que realmente se enquadram dentro dos ditames legais, constatando, que a empresa emprega percentual de gratuidade abaixo do estabelecido em lei, conforme descrito no próprio relatório e a seguir transcrito: No que concerne As bolsas de estudos concedidas aos seus funcionários a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. o faz compulsoriamente em atenção ao estabelecido pelas convenções coletivas de trabalho firmadas com os respectivos sindicatos das categorias profissionais, ou seja: • Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região e Sindicato das Mantenedoras de Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro em sua cláusula CI.26 — Gratuidade de Ensino: "Nos cursos de graduação continuará a ser assegurado aos professores gratuidade de ensino, total o parcial, para ele próprio e seus dependentes. A partir de 01/01/2000, sem prejuízo para os beneficiários que já gozavam da gratuidade total ou parcial, na forma da Convenção Coletiva de 1/4/1998, serão observadas as seguintes regras:" • Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro e Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Estado do Rio de Janeiro em sua cláusula 6a: "Manutenção ao direito de gratuidade de matricula e ensino ao empregado, a partir do fimi do período de experiência, ou um dependente para cada dois anos de serviços efetivos ao empregador, durante a manutenção do contrato de trabalho e na hipótese de ocorrer demissão sell preservado o direito até o final do semestre." Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 13) A Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., como é notório, enquanto se denominava "entidade beneficente de caráter filantrópico", adotou uma política — agressiva de mercado concedendo expressiva redução em suas mensalidades a servidores de diversos órgãos públicos e empregados de empresas estatais; conferia também redução de 50% (cinqüenta por cento) nas mensalidades daqueles alunos que ao ingressarem na faculdade, já possuíssem curso superior, ou seja, que estavam concluindo seu segundo ou mais curso de nível superior. 14) Quanto As bolsas concedidas por força de Convenção Coletiva de Trabalho, é evidente, que não podem figurar como gratuidade por não estarem contemplando o público alvo da assistência social, cujo objetivo é atender aos grupos mais fragilizados da população como a crianças, adolescentes, velhos e deficientes. Ainda, com relação à concessão de bolsas parciais a lógica é a mesma, não se pode considerar pessoas que almejam uma graduação em nível superior e muito menos uma segunda graduação em cursos universitários, por mais meritório que seja, como carentes até porque, cairíamos no ridículo de considerar todos aqueles contemplados com alguma forma de bolsa de estudo como carentes. 15) Necessário se faz atentarmos para o fato de que o comando legal considera como aplicação em gratuidade os serviços, prestações ou benefícios de assistência sociais beneficentes concedidos "a quem dela necessitar" (artigo. 203, CF/88) para o atendimento de suas "necessidades básicas" (artigo. 1 0, Lei 8.742/93); bem como não se enquadram nesse conceito os serviços, prestações ou benefícios conferidos a todos indistintamente, os que não se destinam a suprir uma necessidade básica do cidadão e os que têm por finalidade qualificar funcionários ou concederlhes benefícios trabalhistas em razão de Convenções Coletivas de Trabalho. Cobra relevo, que os percentuais estabelecidos para o fim de se verificar o cumprimento da exigência estabelecida nos artigos 2°, inciso IV, do Decreto n° 752, de 1993, e 3°, inciso VI, do Decreto n° 2.536, de 1998, não podem ser conjugados, não sendo lícito compor os limites do percentual de 20% de aplicação em gratuidade com parcelas de descontos e reduções das mais diversas formas sob o rótulo de "gratuidade" estando, tais parcelas longe de se amoldarem ao conceito de aplicação em gratuidade para fins beneficentes, conforme— e disciplinam os pressupostos reguladores. Isto posto, restou provado que Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá não comprovou a aplicação do percentual de 20% (vinte por cento) da receita bruta proveniente da venda de serviços e de bens não integrantes do ativo imobilizado. • 17) Por fim, quanto ao tema não gratuidade, se uma instituição se reveste de tal qualidade, mas na verdade busca a acumulação de riquezas em beneficio de um ou de alguns, cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, através do devido processo legal, in Casu, onde é assegurado o direito constitucional da ampla defesa, rever o enquadramento da imunidade/isenção, Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 6 9 analisando como no caso presente, se os requisitos constantes da Lei estão sendo ou não observados. DESTAQUE PARA OS IMÓVEIS ALIENADOS APÓS A TRANSFORMAÇÃO DA ENTIDADE EM EMPRESA COM FINS LUCRATIVOS. 21) Conforme já assinalado nos itens: III, V e XIII, a alienação por parte da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., dos imóveis remanescentes do seu patrimônio, a seguir elencados, mais uma vez demonstrase de forma cabal ao não atendimento ao dispositivo legal atinente matéria, consoante arrazoado exarado no item 5 (cinco) deste Relatório Fiscal. Por derradeiro, antecipando A demonstração do crédito fiscal constituído, cabe relatar que a contabilidade do Contribuinte, nas contas n: 411.03.10 e 421.03.10 — Aluguéis e Condomínios revelam expressivo valor pago a João Uchiia Cavalcanti Netto, presidente da entidade, que uma vez comprovado a origem de tais pagamentos na forma lançada, em nada altera o procedimento fiscal em curso. Ocorre que, depois de reiteradas solicitações verbais, culminando com a emissão do Termo de Intimgdo Fiscal, solicitando a exibição dos elementos que deram origem a tais lançamentos contábeis, nenhum documento foi apresentado para tal comprovação, dando origem ao lançamento do crédito fiscal a titulo de prólabore, lançado A cota do Auto de Infração de N° 37.205.9236 e n° 37.205.9244, com fulcro no disposto no artigo 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/91, e que uma vez não sendo apresentada nenhuma prova em contrário, estará mais uma vez, além das provas já trazidas à colação nos itens e subitens anteriores, descaracteriza a condição de entidade filantrópica da ora Autuada por transgressão, dessa vez, ao disposto pelo artigo 3°, inciso VIII, do Decreto n° 2.536/98. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Para evidenciar a coresponsabilidade das pessoas: física e jurídica, arroladas ao procedimento fiscal, demonstrado está, por via de seus atos constitutivos, que a composição dos quadros societários das citadas pessoas jurídicas, ou seja, da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá • Ltda. e da Estácio de Sá Participações S/A, são empresas que integram o grupo econômico e de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/12/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 23/12/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 136 a 212. O processo foi baixado em diligência, fl. 1141 a 1143 (Volume 06), considerando as alegações do recorrente, em especial destacou a autoridade julgadora: “por força do principio do contraditório e da ampla defesa (art.5°, LV da CF/88), proponho, com Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 fundamento no artigo 11 da Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, o retomo dos autos à DEFIS — Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro a fim de que a autoridade lançadora elabore relatório fiscal complementar indicando, com base na situação fática colhida durante a ação fiscal, quais os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do art. 28 da Medida Provisória n° 446, ensejaram o lançamento direto das contribuições patronais, utilizando a regra do art. 31 da mesma MP.” 6. De acordo com o disposto no § 7° do art. 195 da Constituição Federal, "são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam As exigências estabelecidas em lei". 7. As exigências is quais o dispositivo constitucional acima citado faz referência eram as previstas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. 8. Conforme destaca o contribuinte em sua peça impugnatória, o § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, traz a regra de elaboração prévia de informação fiscal para os casos de descumprimento do art. 55 da citada Lei, com vistas ao cancelamento da isenção, para que se apure créditos contemplando a cota patronal prevista no art. 22 da mesma lei. 9. Contudo, esta sistemática formada pelos ditames da lei 8.212/91 conjugada com o Regulamento, foi revogada pela Medida Provisória n° 446, de 7 de novembro de 2008. A recente Medida Provisória dispôs sobre os novos requisitos para a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regulando também a nova sistemática de isenção de contribuições para a Seguridade Social. 10. Em 10/02/2009, a Camara dos Deputados rejeitou a MP n° 446/08. Com a rejeição do ato, o art. 55 da Lei n° 8.212/91 teve sua eficácia restabelecida. Um decreto legislativo deveria regular as relações jurídicas decorrentes da MP rejeitada, conforme prevê a Constituição Federal, art. 62, § 3°. Não editado o decreto legislativo até sessenta dias após a rejeição da medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas, ainda de acordo com a Carta Magna, art. 62, § 11. 11. Da ordem cronológica descrita acima, podemos situar o auto de infração em tela no período de vigência da Medida Provisória n° 446 e, por conseguinte, admitirseá a validade do lançamento realizado sem o p évio procedimento descrito no § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, por força do então vigente art. 31 da Medida Provisória n° 446. Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 7 11 12. Ocorre que, mesmo que se possa depreender do lançamento a utilização da regra processual descrita no art. 31 da referida MP, tal dispositivo não foi invocado no relatório fiscal. Ademais, a análise &flea contemplada pelo autuante em seu relatório visa claramente a desconsideração da autuada como entidade beneficente de fins filantrópicos com base nos requisitos da Lei 8.742/93, em seu artigo 2° incisos I a IV e do Decreto 2.536/98. 13. Desta forma, por força do principio do contraditório e da ampla defesa (art.5°, LV da CF/88), proponho, com fundamento no artigo 11 da Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, o retomo dos autos à DEFIS — Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro a fim de que a autoridade lançadora elabore relatório fiscal complementar indicando, com base na situação fitica colhida durante a ação fiscal, quais os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do art. 28 da Medida Provisória n° 446, ensejaram o lançamento direto das contribuições patronais, utilizando a regra do art. 31 da mesma MP. 14. Importa ainda ressaltar que deve ser promovida a intimação do interessado do inteiro teor do relatório, das provas ou fatos que, em decorrência da diligência ora determinada venham a ser trazidos aos autos, conforme previsto no art. 23 e parágrafos do Decreto 70.235/72, concedendolhe, expressamente, reabertura de prazo para defesa, salientando que o procedimento de envio da Informação Fiscal ao contribuinte suprirá a falta de fundamentação legal do lançamento que porventura tenha sido embasado na referida medida provisória. 15. A comprovação de recebimento no endereço da empresa ou de qualquer de seus sócios, ou, frustrados esses meios, através de edital, deverá ser acostada aos autos do presente processo administrativo, antes de sua devolução a esta Delegacia de Julgamento. A autoridade fiscal elaborou informação fiscal, reforçando que as situações descritas no relatório fiscal são suficientes para fundamentar o lançamento fiscal, fls. 1144 a 1148. Preliminarmente, cabe ressaltar que a Empresa SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, conforme fiz constar do Relatório Fiscal Inicial, item a seguir reproduzido, é pessoa jurídica com fins lucrativos desde a data de 09/02/2007. Portanto, descabida é qualquer alusão à fatídica Medida Provisória n° 446, de 7 de novembro de 2008, rejeitada em 10 de fevereiro de 2009, que durante a sua curta vigência dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regulando os procedimentos de isenção de contribuições para a Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 seguridade social. Tema não acolhe as pretensões da Autuada por ser a mesma A época de vigência da medida provisória uma empresa de responsabilidade limita com fins lucrativos. "10) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fms lucrativos." 2) 0 relatado acima, que por si s6, sepulta qualquer questionamento quanto A matéria trata na citada medida provisória, visto que A época da autuação a SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, empresa com fins lucrativos desde 09/02/2007, já estava fora do alcance da tutela do mencionado dispositivo legal, em seu curtíssimo período de existência jurídica. 3) Além do mais, o Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento da autuação fiscal, é rico em detalhes quanto ao não enquadramento da citada empresa como entidade de fins filantrópico nos moldes da legislação vigente A época do fato, fartamente fundamentado no teor do mencionado relatório. 4) Porém, em que pese A inaplicabilidade da Medida Provisória n° 446, por tudo que dos autos fiz constar, notadamente no item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial, como forma de prestigiar a Respeitável Resolução atendendo sua solicitação, transcreverei a seguir os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do artigo 28 da citada medida provisória, não observada pela Autuada na infrutífera tentativa de obter As benesses filantrópicas. I seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1 0; Resposta => Item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial. "10) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA —Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos." II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuidas pelos respectivos atos constitutivos; Resposta => Não foi constatada nenhuma remuneração direta paga h diretoria. No entanto cabe a ressalva do item 24 (vinte e quatro) do relatório fiscal na lavratura dos Autos de Infração 37.205.9236 e 37.205.9244, arrolando contribuição a titulo de prólabore: Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 8 13 "24) Por derradeiro, antecipando a demonstração do crédito fiscal constituído, cabe relatar que a contabilidade do Contribuinte, nas contas n's: 411.03.10 e 421.03.10 – Aluguéis e Condomínios revelam expressivo valor pago a João Uchija Cavalcanti Netto, presidente da entidade, que uma vez comprovado a origem de tais pagamentos na forma lançada, em nada altera o procedimento fiscal em curso. Ocorre que, depois de reiteradas solicitações verbais, culminando com a emissão do Termo de Intimação Fiscal, solicitando a exibição dos elementos que deram origem a tais lançamentos contábeis, nenhum documento foi apresentado para tal comprovação, dando origem ao lançamento • do crédito fiscal a titulo de prólabore, lançado à cota do Auto de Infração de N° 37.205.9236 e n° 37.205.924 4, com fulcro no disposto no artigo 33, §§ 2° e 30, da Lei 8.212/91, e que uma vez sendo apresentada nenhuma prova em contrário, estará mais uma vez, além das provas já trazidas h colação nos itens e subitens anteriores, descaracteriza a condição de entidade filantrópica da ora Autuada por transgressão, dessa vez, ao disposto pelo artigo 3 0, inciso VIII, do Decreto n° 2.536/98." III aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; Resposta => Item 15 e subitens do Relatório Fiscal Inicial. "15) Preliminarmente, quanto ao tema não gratuidade, necessário fazse observar os demonstrativos reproduzidos nos subitens: 15.1 a 15.3, elaborados a partir da análise dos Relatórios Anual de Bolsistas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., que em confronto com os valores apurados na Ação Fiscal, fica cabalmente comprovado que os indices, erradamente apresentados pela Autuada, quanto às suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, são irreais e desprovidos de qualquer embasamento legal pertinente ao tema em questão. Importante ressaltar que em virtude do não atendimento em tempo hábil, apesar das solicitações verbais e do Termo de Intimação Fiscal especifico emitido, em fornecer os Relatórios Anuais de Bolsistas, inviabilizou inserir nos demonstrativos abaixo os valores correspondentes Is bolsas de estudos, integrais e parciais, fornecidas aos aos dependentes dos funcionários o que, seguramente, seria mais um fator desfavorável h Autuada." (...) IV preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; Resposta => Item 9 (nove) do Relatório Fiscal Inicial. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 "9) Ainda, quanto ao seu não enquadramento como entidade beneficente de fins filantrópicos, importante enfatizar que a Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda., sob o manto da filantropia e usufruindo as benesses da imunidade tributária fiscal, buscou o acúmulo de capital constituindo patrimônio de sociedades com fins lucrativos, notadamente valorizando seu Ativo Permanente Imobilizado, com a aquisição de diversos imóveis, conforme amplamente demonstrado no capitulo "DO PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, notadamente no item "Relação de Imóveis de Propriedade da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda.", deste relatório, e que ao término de suas atividades como entidade beneficente, vertendo esse patrimônio, veio a compor a pessoa jurídica Estácio Participações S/A, empresa de capital aberto com ações na Bolsa de Valores, atrelado estando com a criação dessa nova pessoa jurídica, não atendendo, dessa forma, aos pressupostos dos Incisos IX e X, do Artigo 3°, do Decreto n° 2.536/98, a seguir transcritos, contrariando também o artigo 26 do seu estatuto, tudo a vista dos elementos trazidos a coin do neste Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento fiscal na lavratura do presente Auto de Infração: "Art. 32 Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente: IX destinar, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidades congêneres registradas no CNAS ou a entidade pública; X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social. (grifei) "Estatuto da Sociedade de Ensino Superior Estficio de Sá. Artigo 26 — No caso da Assembléia Geral decidir pela extinção ou dissolução, o patrimônio da Sociedade será destinado a uma entidade congênere de idênticas finalidades." (grifei) V não seja constituída com patrimônio individual ou de sociedade sem caráter beneficente; Resposta => Item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial. "10) A Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA —Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos." VIII não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; Resposta => Conforme já relatado a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. a partir de 09/02/2007, conforme Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 9 15 contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, transformou se em pessoa jurídica limitada, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos." logo, a distribuição de resultados é inerente a sua natureza jurídica. X conserve em boa ordem, pelo prazo de dez anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como os atos ou operações realizados que venham a modificar sua situação patrimonial; Resposta => Os anos calendários fiscalizados foram: 2003, 2004 e 2005 sendo lavrado o Auto de Infração DEBCAD N° 37.205.9287 por infração ao disposto pelo Inciso III, Artigo 32, da Lei N° 8.212/91; ou seja, não prestou a esta Fiscalização todos os esclarecimentos e as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, uma vez que, embora devidamente intimada. XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e Resposta => No curso da ação fiscal foi lavrado os Autos de Infrações: DEBCAD N° 37.205.9287 e DEBCAD N° 37.205.9295 por descumprimento de obrigações acessórias. XIII zele pelo cumprimento de outros requisitos, estabelecidos em lei, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Resposta => Os itens: 8 (oito), 9 (nove), 10 (dez), 15 (quinze) e 20 (vinte), dentre outros, inseridos no Relatório Fiscal Inicial demonstram o não cumprimento dos requisitos atinentes as entidades beneficentes de caráter filantrópico. 5) Por derradeiro, no que concerne ao subitem 5.4 (cinco ponto quatro) e item 8 (oito) da presente Resolução, mesmo que se admitindo a aberração jurídica de considerar a Empresa SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA., pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, e por tudo que consta dos Autos, uma entidade beneficente de caráter filantrópico, mister se faz atentar para o teor do Acórdão do EResp N° 572.603, do Superior Tribunal de Justiça, Relator Ministro Carlos Meira, publicado no DJ de 05/09/2005. E ainda, principalmente, quando se tem noticias da Ação Popular N° 2007.71.07.0066400 (RS), cujo objeto é a Anulação da Isenção/Imunidade de Contribuições da Seguridade Social, retroativo ao ano de 1995, da qual a ora Autuada integra seu pólo passivo. • 6) A Consideração Superior com solicitação do retorno dos autos â 13 TURMA DA DRJ/RJ1, com trânsito pela EQCDP/DERAT/RJO. Devidamente cientificado dos termos da diligência, manifestouse o recorrente, fls. 1152 a 1256, alegando persistir a nulidade de fundamentação, posto não ter sido Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 indicado o art. 31 da MP 446, destacando que a jurisprudência é pacífica no sentido que a falta da indicação de dispositivo legal acarreta nulidade, pois implica cerceamento do direito de defesa. Foi exarada a Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 1634 a 1663, excluindo do polo passivo o devedor solidário e declarando a decadência parcial do crédito em relação ao período de 01/2003 a 11/2003, pela aplicação da regra do art. 150, § 4 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 MEDIDA PROVISÓRIA 446/2008. PROCEDIMENTO DE CANCELAMENTO DE IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRÉREQUISITOS. Aplicase a MP 446/2008 aos lançamentos efetuados sob a sua vigência, no caso de regra que institua um novo procedimento de fiscalização, in casu, previsto no artigo 31 da referida norma. Descumpridos os requisitos previstos em lei para a manutenção do beneficio, a autoridade fiscal está autorizada a lançar o crédito tributário devido. TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo decadencial das contribuições previdencidrias passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE Não é o foro administrativo o apropriado para as discussões relativas inconstitucionalidade ou ilegalidade dos dispositivos legais utilizados nos lançamentos de crédito tributário. Usurpação de função. Art. 109 da Constituição Federal. INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS ONUS DA PROVA do contribuinte sob ação fiscal ou em sede de defesa o ônus de comprovar, através de documentação idônea, a natureza indenizatôria de verbas rescisórias lançadas em sua escrita contábil. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1752 a 1866, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: 1. Nulidade por não observância do devido processo legal; Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 10 17 2. Os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social referentes ao período autuado continuam em pleno vigor, e a impugnante não foi desqualificada como entidade isenta; 3. A fim de demonstrar a continuidade da isenção originalmente concedida, ressalta que a suspensão da aplicabilidade do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91 prevaleceu até a revogação daquele dispositivo pela Medida Provisória 446/2008. 4. As condições para deferimento do CEBAS, que por sua vez é prérequisito para a isenção das contribuições patronais, estão listados no Decreto 2.536/98, competindo ao CNAS, de acordo com aquele diploma legal, julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social; 5. Por essa razão, a Fiscalização da Receita Federal poderia, no máximo, representar ao CNAS o alegado descumprimento daquelas condições, não estando legitimada para proceder à presente autuação; 6. Os processos administrativos n° 44000.00807/200531 e 71010.001807/200330, instaurados com a interposição de recurso ao Ministro da Previdência Social pela Secretaria da Receita Previdenciária, não haviam sido julgados na data da autuação, tendo sido extintos pelo art. 38 da MP 446, de 07/11/2008. 7. De qualquer modo, o CEBAS concedido à impugnante em novembro de 2000, com validade para o triênio 2001/2003, nem mesmo poderia ser cancelado, ainda que instaurado procedimento próprio para essa finalidade, eis que vencido em novembro de 2005 o prazo decadencial estabelecido no art. 54 da Lei 9.784/99. Cita aresto da Primeira Seção do E. STJ em abono de sua tese; 8. Ainda que cancelados os CEBAS, farseia necessário formalizar a desqualificação da isenção, mediante a instauração de procedimento especifico, nos moldes previstos no § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, a partir da emissão de informação fiscal. Somente após a apresentação de defesa ou decorrido o prazo para sua interposição, poderia a Receita Federal do Brasil, emitir, se fosse o caso, um Ato Cancelatório, e posteriormente, vir a lançar os valores considerados devidos; 9. Tal levantamento só poderia se reportar a fatos geradores com data posterior ao cancelamento da isenção, eis que, conforme excertos doutrinários e jurisprudenciais que aduna, os efeitos da revogação de ato administrativo se operam apenas para o futuro, restando intangíveis os praticados durante a sua vigência; 10. A MP 446/2008 pretendeu preservar as entidades As quais já se havia reconhecido o direito à isenção ou que haviam pleiteado esse reconhecimento, conforme se infere dos termos dos arts. 37 e 38 do referido diploma legal; 11. A fiscalização teria utilizado apenas juizo de valor para proceder ao cancelamento, sem embasamento objetivo. A autuação ocorreu antes do decurso de prazo para apresentação de documentos pela impugnante, assim, por estes motivos seria nulo o lançamento; 12. Argui a decadência de parte do período lançado suscitando a aplicação do artigo 150, § 4 do CTN para a contagem do prazo decadencial; Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 13. Quanto A questão da gratuidade, a Fiscalização lançou mão de mera convicção subjetiva, para equiparar simplesmente todas as bolsas parciais concedidas a seus alunos a descontos comerciais; 14. A Autoridade Fazendária desconsiderou, para fins de aferição do percentual da receita bruta aplicado em gratuidade, as bolsas de estudo parciais e as concedidas a empregados e seus familiares; 15. As bolsas de estudo parciais são expressamente admitidas pela legislação previdenciária, mais precisamente o art. 3°, VI da Resolução CNAS n° 177, de 10/08/2000, entendimento corroborado no art. 10 da Lei 11.096, de 2005, que institui o Programa Universidade para Todos —PROUNI. Transcreve os dispositivos citados; 16. A concessão de bolsas parciais pela impugnante sempre observou um critério de exame prévio da situação financeira do beneficiário. Relata os procedimentos adotados pela empresa no particular; 17. A partir da adesão da impugnante ao PROUNI, em dezembro de 2004, a comprovação da gratuidade desvinculouse do Decreto 2.536/98, passando a ser regida pela Lei 11.096/2005. Esta, repetindo o estatuído na MP 213,de 10/09/2004, determinou a concessão, pelos Conselheiros do CNAS, dos certificados As entidades que não houvessem cumprido nos dois triênios anteriores o requisito relativo A aplicação de gratuidade e, como conseqiiência lógica, a manutenção dos certificados já concedidos, mesmo constatandose a não observância do requisito em questão pelas eventuais interessadas; 18. Não existe óbice legal A aquisição de imóveis por parte das entidades beneficentes, bem como A. sua alienação. No caso em tela, os imóveis adquiridos o foram para a consecução dos objetivos institucionais, e as vendas posteriores observaram critérios operacionais; 19. A legislação prevê a destinação especifica do patrimônio das entidades imunes apenas nos casos de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento das atividades, hipótese distinta da ocorrida, eis que, ao transformarse a entidade em sociedade empresária, não ocorreu dissolução ou liquidação, conforme a regra insculpida no art. 1.113 do Código Civil. A Lei do Prouni, em seu art. 13, acolheu esse conceito; 20. Destaca, ainda, que o patrimônio da impugnante não foi vertido p a a sociedade empresária denominada Estácio Participações S/A. Esta, na realidade, foi criada por seus sócios após a transformação da entidade, integralizando parte do seu capital com quotas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Si Ltda, com o cuidado de registrar os supenivits acumulados até a data da transformação, em conta de reserva de capital não distribuivel aos sócios; 21. Quanto à presunção de que os valores pagos ao sócio da impugnante Sr. João Uchoa Cavalcanti Netto corresponderiam a remuneração paga ao mesmo, junta contratos de locação e respectivos aluguéis, demonstrando que a impugnante é locatária dos imóveis de sua propriedade; afirma ainda que os pagamentos de condomínio são de responsabilidade da impugnante, conforme estipulado nos referidos contratos, que anexa. 22. Ainda em relação a qualidade de entidade beneficente com direito isenção no período da autuação, traça uma linha do tempo, afirmando que tinha direito adquirido desde a concessão original, em 1970, assegurado pela Lei 3.577/59; Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 11 19 23. Prossegue destacando que foi registrada como entidade de fins filantrópicos junto ao CNAS em novembro de 1974, obtendo, em abril de 1975, o Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos, sucessivamente renovado, até ser transformado no CEBAS, que também continuou a ser regularmente renovado, conforme documentos que acosta; 24. Quando da publicação do .DecretoLei 1572/77, que revogou a Lei 3.577/59, sendo, como visto, portadora do Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos, e tendo requerido o reconhecimento de entidade de utilidade pública federal, deferido em 1981, enquadrouse na hipótese do § 2° do art. 10 do referido Decretolei, permanecendo no gozo do beneficio previsto na lei revogada; 25. Aduna arestos em abono da tese do direito adquirido, expressando, outrossim, sua convicção de que a hipótese é de imunidade e não de isenção; 26. Argumenta que as indenizações trabalhistas não se destinam a rtribuir o trabalho e nem revestemse do requisito habitualidade, não há como considerar o pagamento das indenizações fato gerador de contribuição, impondose a decretação da improcedência do lançamento. 27. Investe contra o arrolamento de bens efetuado pela fiscalização, que inquina de inconstitucional, e contra a corresponsabilidade dos sócios, que considera descabida eis que a Fiscalização não comprovou a hipótese da aplicação do artigo 30, IX da Lei 8.212/91 à Esticio Participações; alega ainda ser tal dispositivo inconstitucional. 28. Afirma faltar a fundamentação legal da qualificação dos corresponsáveis, ofendendo a lei 9.784/99 e requer a nulidade em função da ausência de fundamentação. Afirma que a responsabilidade dos sócios por débitos de pessoas jurídicas foi revogada com o artigo 13 da Lei 8.620/93, sendo que as hipóteses de responsabilização de pessoas fisicas atribuida pelo CTN é extremamente restrita. 29. Por fim, requer a nulidade do auto de infração por ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa, ou, alternativamente, que sejam excluídas as pessoas fisicas e jurídicas indicadas como corresponsáveis tributários, dando provimento à impugnação; em relação ao mérito, e cancelando o lançamento. 30. Defende a nulidade e improcedência da autuação por ausência de fundamentação legal, uma vez que, apesar das determinações expressas contidas na Resolução, a autoridade lançadora em momento algum indicou o art. 31 da MP n°446/08. 31. Ressalta a importância do disposto no art. 31 da MP n° 446/08 para as pretensões da Fiscalização, pois é esse o artigo que trata, justamente, das conseqüências advindas pelo não cumprimento dos requisitos constantes no art. 28 da referida Medida Provisória. 32. Exclama que a diligência proposta representa uma alteração da fundamentação legal do auto, revelando, assim, um novo lançamento, realizado pela 13° Turma, autoridade incompetente para constituir crédito tributário. 33. Entende que a MP n° 446/08 não poderia ser aplicada ao lançamento sob pena de ofender os artigos 106,144 e 146 do Código Tributário. Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 34. Registra que o § 1 0 do art. 144 do CTN não é aplicável ao presente caso, pois ele se refere apenas ao procedimento e às prerrogativas instrumentais e não à ocorrência ou não do fato gerador em si, como no caso em tela, quando se trata de requisitos necessários para usufruir isenção, ou seja, fenômeno intrinsecamente relacionado com o aspecto substancial desta última. Cita conceituada doutrina. 35. Alega ter cumprido todos os requisitos do artigo 28 da MP 446/2008, em que pese discordar da aplicação da referida MP ao seu caso. 36. Afirma que cumpriu o inciso I do citado dispositivo pois não há nenhum óbice a que a entidade de assistência social exerça atividade educacional; 37. Cumpriu o inciso II pois alega que a autoridade lançadora não constatou nenhuma remuneração direta paga à diretoria, tendo apenas presumido o pagamento de remuneração ao sócio João Uchoa Cavalcanti Nett° pela suposta falta de apresentação de documentos. A juntada de documentos relativos aos contratos de aluguel é o suficiente para infirmar a presunção da Fiscalização, acrescentando, em relação aos pagamentos efetuados a titulo de pro labore, que os acórdãos proferidos pela DRJ/RJ1 em 27/05/2009 decidiram que não se enquadrava como salário de contribuição a verba paga como aluguel; 38. Afirma que o requisito de aplicar integralmente suas rendas e recursos na manutenção de atividade institucionais (inciso III do artigo 28 da MP) também foi plenamente cumprido; 39. Defende que o inciso IV do mesmo artigo também foi cumprido. Admite que adquiriu muitos imóveis ao longo de seus anos de atividade, mas todos foram usados na consecução de seus objetivos, não existindo na legislação nada que vede a aquisição destes bens pelas entidades assistenciais, em especial porque os imóveis foram usados como campi ou unidades administrativas da autuada; A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 12 21 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Tratase de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c art. 1º da portaria nº 3 de 3/1/2008 do Ministro da Fazenda, bem como recurso voluntário interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 2372. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Primeiramente cumprenos apreciar o Recurso de Ofício. Quanto a esse entendo passível de conhecimento uma vez que valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor de um milhão de reais, o que se coaduna com o processo em questão, já que só restaram do total de R$ 1.035.564,88, mantidas duas competência, no montante atualizado de R$ 23.180,64. Portaria MF 3/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Contudo, embora inicialmente ao apreciar o valor exonerado, tenhase a impressão de que o julgado cumpre os requisitos para cabimento do recurso de ofício, devese avaliar de forma mais detida a norma. O art. 1 da referida portaria acima transcrito, descreve que é cabível recurso de ofício, sempre que a decisão exonerar do pagamento tributo( +) encargos de multa em valor superior a R$ 1.000.000,00. Notese, que as fls. 13, identificamos que o total do valor do tributo originário é de R$ 1.727.630,40 e multa R$ 518.289,14, perfazendo um total de R$ 2.245.919,54 . Ressaltese que R$ 868.237,19 referese a juros e segundo o próprio art. 1 da Portaria n. 03 não entre no cálculo. O valor remanescente após a exoneração pela decisão de primeira instância foi R$ 1501.534,83 e multa R$ 360.368,37. Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 Face o exposto, entendo que não restaram preenchidos os requisitos para a analise do recurso de Ofício, face o valor exonerado (valor original mais multa), ser inferior ao valor de alçada. DA APRECIAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO DAS QUESTÕES PRELIMINARES: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA O LANÇAMENTO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegando nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se desconsiderasse a condição de isenta da entidade no período objeto do lançamento. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente, quanto a norma procedimental adotada pela autoridade fiscal. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 116, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, fl. 117 a 122, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento, bem como reiterando o pedido de alguns documentos. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 106, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Da mesma forma, quando da baixa do processo em diligência pelo órgão julgador, providenciou a autoridade fiscal a devida cientificação do recorrente dos termos da informação fiscal Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria e consequente desenquadramento da condição de isenta, destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito na IN 03/2005 esclarece seu objetivo. Art. 570. A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 13 23 em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. DA FALTA DA INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL DO PROCEDIMENTO. Alegou recorrente que a ausência do art. 31 da MP 446/2008, acarreta a nulidade do procedimento, o que venho a discordar. O próprio recorrente ao apreciar os termos do relatório fiscal complementar, indicou que o fundamento para o lançamento era o art. 31, sendo que o auditor apenas fez menção ao art. 28 da referida MP. Ora, como alegar nulidade por cerceamento de defesa, se o próprio contribuinte sabe o dispositivo legal que autoriza o procedimento fiscal. Observamos que em seu relatório, bem como na informação fiscal, trouxe o auditor fiscal de forma detalhada todos os fatos que entendeu pertinentes a lavratura do auto de infração, descrevendo que a empresa não mais se enquadrava na condição de isenta e explorando os aspectos inerentes ao descumprimento dos requisitos que a qualificariam na condição de entidade beneficente em gozo de isenção de contribuições previdenciárias. Entendo que ao descrever os fatos e fundamentos que entendeu relevantes para constituição do crédito, bem como ao destacar em sua informação, os fundamentos da MP 446 não haveria a necessidade de informar o dispositivo legal, desde que se deixe claro o embasamento legal que fundamenta o lançamento, o que entendo restou demonstrado. Assim, afasto a nulidade pela ausência da indicação do dispositivo legal. Quanto ao mérito de o fundamento encontrarse equivocado será apreciado mais a frente. QUANTO A INCOMPETÊNCIA DO LANÇADOR Da mesma forma, não acato o argumento de que a realização de diligência seria inviável para correção na fundamentação jurídica do lançamento, nem tampouco acato o argumento que o lançamento tenha sido realizado e fundamentado pela DRJ. Conforme traz o próprio recorrente em sua manifestação, após a lavratura do auto de infração, o julgador retornou o processo a autoridade autuante, no intuito que a mesma o adequasse ao dispositivo legal aplicável, porém na própria informação, repetiu a autoridade lançadora os mesmos argumentos descritos no relatório fiscal, apenas correlacionandoos com os requisitos do art. 28 da referida MP 446. Em que pese o argumento do recorrente de que a autoridade fiscal não entende aplicável, ao caso concreto os termos da MP 446/2008, pelas palavras descritas na própria informação fiscal, fato é que o auditor, mesmo que a contragosto, adequou o lançamento aos requisitos da MP 446, suprindo, a falta que poderia ensejar todo a nulidade do mesmo. A DRJ compete realmente julgar o lançamento, mas entendo, encontrarse dentro de sua competência a requisição de diligências no intuito de aperfeiçoar o lançamento, possibilitando ao contribuinte um lançamento que lhe permita exercer o amplo direito de defesa. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 Nesse ponto, também não entendo qualquer afronta ao princípio da legalidade, posto, conforme apreciado acima, ter sido cumprido o rito necessário ao lançamento e julgamento do feito. O fato de ter descrito o auditor, que o mesmo entendia desnecessária a menção aos termos da MP, posto que já seria suficiente a condição de entidade com fins lucrativos também não vicia o procedimento. Tampouco o vícia, o fato de ter cumprindo a orientação da DRJ, a qual, conforme descrito acima, compete julgar o lançamento e caso necessário buscar sua adequação, possibilitando tornálo perfeito e permitindo a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, rejeito também a preliminar de que o lançamento teria sido realizado por pessoa incompetente. O julgador não emendou ou mesmo inovou nos fundamentos jurídicos, mas, submeteu a autoridade fiscal questionamentos quanto a descaracterização da condição de isenta por ele realizada. Dessa forma, quem procedeu ao lançamento e realizou a diligência com a emissão da informação fiscal, foi a autoridade fiscal designada no instrumento próprio, qual seja o MPF, não havendo nulidade a ser declarada também quanto a esse ponto. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou descumprimento dos requisitos para o gozo de isenção, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito ou auto de infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. QUANTO AOS EFEITOS DA MP 446/08 AO PRESENTE LANÇAMENTO Quanto a este ponto, trouxe o recorrente os seguintes argumentos: “ Ocorre que o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada,(...). No caso em exame, o lançamento é relativo a fatos geradores ocorridos no período de 01/2003 a 12/2005, ou seja, anteriores à edição da MP n° 446, de 07.11.2008, e, por conseguinte, não poderiam ter sido por ela regidos, sob pena de ofensa ao art. 144 do CTN. Correto encontrase o argumento do recorrente, de que a legislação a ser aplicada é a da ocorrência do fato gerador, contudo, esse fato serve para verificar, se à época do ocorrência dos referidos fatos, os mesmos eram ou não fato gerador de contribuição previdenciária. Já quanto a norma procedimental para realização do lançamento, entendo que deva ser aplicada a em vigor no momento da lavratura do AI ou NFLD, conforme o caso, sendo correto o entendimento que a referida MP 446 respalda o lançamento durante a sua vigência. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 14 25 Conforme bem citado pela autoridade julgadora e pela autoridade fiscal, o procedimento deuse sob a égide da MP 446/2008, que assim descrevia o procedimento a ser adotado. Da Concessão e do Cancelamento Art. 30. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da sua certificação pela autoridade competente, desde que atendidas as disposições da Seção I deste Capítulo. Art. 31. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o O lançamento terá como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Contudo, dois fatos devem ser apreciados com maior detalhamento. Uma coisa é a norma processual (procedimental) a ser adotado quando da lavratura, que autoriza o lançamento sem a emissão da Informação Fiscal descrevendo os fatos para perda do direito a isenção. Quanto a este ponto, entendo que realmente, sob o manto na referida MP 446, desnecessário a emissão da informação fiscal para cancelamento da isenção, ou mesmo ter sido primeiramente cassado o certificado da entidade. Já quanto ao cumprimento dos requisitos para considerar se a entidade matinha ou não a qualidade de filantrópica, entendo que deva ser observada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, no caso o art. 55 da lei 8212/91. Ao apreciarmos os termos do relatório fiscal, da solicitação em diligência e da informação fiscal emitida verificamos que não há convergência de fundamentos para o lançamento, o que ensejou uma forçação de barra por parte do órgão julgador, senão vejamos: Em seu relatório traz o auditor como fundamentação para o lançamento: “não satisfaz os requisitos ao Decreto n° 2.536/98;por não realizar os objetivos traçados pela Lei Orgânica da Assistência Social ,n° 8.742/93, em seu artigo 2°, incisos de I a V e parágrafo único, bem como na Constituição Federal em seu artigo 203, incisos de I a V. Tratase de empresa comercial, prestadora de serviço na área da educação superior, onerosa, que não comprova realizar atendimento de caráter social, dirigido à comunidade, especialmente a pessoas carentes.” Ou seja, ao apreciarmos os termos do relatório, podemos constatar, que o auditor entende que perdeu a entidade em 2007 a condição de isenta, pois sua condição de empresa com fins lucrativos, descrevendo a legislação a lei orgânica da previdência, o decreto 2536 e a própria constituição, como normas a serem observadas para condição de filantrópica no período da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 Já o julgador, ao baixar o processo em diligência, justifica a reapreciação do feito pelo auditor com fundamento nos requisitos do art. 28 da própria MP 446/08. O auditor por sua vez, destaca nos 3 primeiros parágrafos da informação fiscal, que entende que os argumentos para manutenção do lançamento não devem ser embasados na MP 446, mas para fazer cumprir a diligência requerida, pontualmente, em relação aos argumentos trazidos em seu relatório. Já quanto a decisão de primeira instância, o julgador faz valer seu entendimento de que a MP 446 é a norma adequada a fundamentar o lançamento, sendo que os fatos descritos pelo auditor são suficientes para manutenção da autuação. Oras, confesso, que enquanto auditora, tive dificuldades para entender qual norma, ao fim, serviu para dar sustentáculo ao lançamento. Acredito ter sido essa confusão, que gerou dúvidas ao recorrente, o que justificaria a série de nulidades apontadas pelo mesmo, seja quanto a inovação jurídica do lançamento, incompetência da autoridade autuante, ou mesmo que o relatório fiscal complementar na verdade fez novo lançamento. Apreciei pontualmente cada uma das nulidades, de forma a deixar claro, em que ponto entendo estar o lançamento comprometido. Conforme visto, no meu entender houve uma confusão entre o auditor autuante e o julgador, donde cada um apresentou uma versão para o lançamento, contudo, entendo que isso implicou nulidade do mesmo, pela ausência de definição clara e precisa da legislação que abarca a questão. Fato é que a entidade era detentora dos Certificado de entidade Filantrópica durante o período da ocorrência dos fatos geradores. A legislação que regia a matéria era o art. 55 da lei 8212/91. Em seu recurso, bem argumentou o recorrente: Como exaustivamente demonstrado pela lmpugnante na Seção Ill, Capitulo 3, retro, a MP n° 446/08 não é aplicável ao presente caso, como quer fazer entender a 13a Turma da DRJ/RJ1, pois a mesma não vigia à época da ocorrência dos fatos geradores. No período de ocorrência dos fatos geradores (período de 01/2003 a 12/2005), os requisitos que asseguravam á lmpugnante a fruição da isenção da contribuição previdenciária patronal estavam previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Nunca 6 demais ressaltar que a própria autoridade lançadora, quando instada a elaborar um "relatório fiscal complementar" pela Resolução n° 126, foi categórica ao afirmar que a MP n° 446/08 não era aplicável a esta autuação, porque, à época da vigência da mesma. a lmpugnante já era empresa de responsabilidade limitada com fins lucrativos, como se pode notar do seguinte excerto: Assim, entendo que os requisitos legais a serem cumpridos para o gozo da isenção eram os descritos no art. 55, servindo a MP 446 apenas para fundamentar a lavratura do AI ou NFLD sem a necessidade de informação fiscal. Todavia, a demonstração dos requisitos descumpridos, que desenquadrariam a condição de isenta deveriam aterse ao cumprimento dos requisitos ali elencados e não aos requisitos descritos em MP, que vigora a partir da sua vigência. Vejamos os requisitos legais: Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 15 27 Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Isto posto, entendo que existe conflito entre os fundamentos trazidos pelo auditor em seu relatório, na informação fiscal e na decisão de primeira instância, tornando obscuro o lançamento e principalmente neste ponto causando prejuízo ao recorrente. Tal fato, enseja a nulidade do lançamento, pela ausência de clara fundamentação jurídica do lançamento, ou mesmo pela indicação incorreta do fundamento do lançamento, quando entendeu a autoridade julgadora e fiscal, que os requisitos do art. 28 da MP 446 é que embasariam o desenquadramento da condição de isenta. Destaco, por fim, que embora alguns dos fatos descritos pelo auditor, possuam identidade com os requisitos do citado art. 55 da lei 8212/91, fato é que a autoridade fiscal e julgadora utilizaram fundamentos diversos para o desenquadramento, razão pela qual nulo o procedimento realizado. Ao contrário do apreciado nos tópicos anteriores, não se trata de mera não indicação do dispositivo legal (art. 55 da lei 8212), mas fundamenta a autoridade fiscal, o lançamento em legislação diversa (seja no relatório fiscal, seja no relatório fiscal complementar. Destaco, também, que não afasta essa falta, ter a autoridade julgadora feito menção no acordão de primeira instância, quanto as requisitos do art. 55. QUANTO AO VÍCIO COMETIDO É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado devidamente o lançamento em relação a fundamentação legal que consubstanciou o lançamento. Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal aplicado a norma jurídica pertinente aos requisitos a serem observados em relação à época da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, entendo que a falta da descrição precisa da norma aplicável provoca a anulação do AI de obrigação principal e acessórias correlatos por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000162/200835 Acórdão n.º 2401002.975 S2C4T1 Fl. 16 29 acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212.. Assim, a indicação indevida da fundamentação legal enseja a nulidade da autuação por vício formal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO, face o valor de alçada. Em relação ao RECURSO VOLUNTÁRIO, voto pelo seu CONHECIMENTO, para ANULAR O LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL, face a incorreta fundamentação legal do lançamento nos termos descritos no voto. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.906622/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Numero da decisão: 3402-001.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 66 22 /2 00 9- 19 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.906622/200919 Acórdão n.º 3402001.859 S3C4T2 Fl. 223 3 Relatório Tratam de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, ora Embargante, contra v. Acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte, de minha relatoria, proferido em Sessão de julgamento de 20 de março de 2012, cuja ementa restara vazada nos seguintes termos: “Assunto: CONTRIBUIÇÕES AO PIS E A COFINS Período de Apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 02. ´O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária´ (Súmula nº 02). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEIS E AFINS. SÚMULA CARF Nº 19. Apenas são passíveis de integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagens, não se enquadrando como tais as aquisições de óleo BPF, lenha e óleo térmico, utilizados nas caldeiras como combustíveis e fontes de energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. Aplicação da Súmula nº 19, do CARF.” Aduz a Embargante que o v. Acórdão se omitiu ao deixar de aprofundar os fatos que circundam o caso em concreto, especialmente no que diz respeito ao fato de os insumos por ela adquiridos (óleo BPF, lenha e óleo térmico, utilizados nas caldeiras e secadores, como fonte de energia elétrica), se consumirem no processo produtivo, e, portanto, caracterizarseia como produtos intermediários, concessivos de créditos segundo dispositivos que cita (art. 393, II, do RIPI/82 e parágrafo único do art. 3º, da Lei nº 9.363/96), os quais igualmente teriam sido omitidos de menção pela decisão embargada. Em razão disso afirma que o Acórdão embargado foi superficial, tendo omitidose inclusive de apreciar os fatos concretos e de citar os dispositivos legais invocados no Recurso Voluntário, limitandose apenas em aplicar a Súmula nº 19, do CARF. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Os Embargos de Declaração foram protocolizados em 08 de maio de 2012, após ciência relativa ao Acórdão recorrido, dada ao contribuinte em 03 de maio, de modo que tempestivos, devendo ser conhecido do recurso. Entendo que as omissões apontadas pela Embargante não se materializaram no caso concreto, pois que restou claro pela decisão embargada, que se estava tratando de insumos do tipo óleo combustível BPF, de lenha e de óleo térmico, utilizados nas caldeiras no processo de secagem de seus produtos. Vejamos trecho a decisão: “E, assim, já adentrando na questão central, temse que o cerne da contenda reside na pretensão do contribuinte em computar na base de cálculo do crédito presumido de IPI em questão, os dispêndios por ela incorridos na aquisição de óleo combustível BPF, de lenha e óleo térmico, utilizados para alimentar caldeiras no seu processo produtivo, sendo que a decisão recorrida posicionouse no sentido de não considerar tais insumos como sendo concessivos do crédito presumido, por entender que os mesmos não revestem esta qualidade porque não são consumidos diretamente no contato com o produto em fabricação, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79.” No tocante a pretensa falta de abordagem do fato de se tratarem, tais insumos, de produtos intermediários e de serem eles consumidos no processo produtivo, igualmente a decisão embargada foi textual: “Tais produtos certamente são insumos indispensáveis ao processo produtivo, e nele se desgastam. Então, não se questiona que os mesmos tenham relação de essencialidade e até mesmo de imprescindibilidade ao processo produtivo da recorrente. No entanto, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, prevaleceu o entendimento de que, para o caso de crédito presumido de IPI como ressarcimento de Pis e de Cofins, instituído pela Lei nº 9.363/96, por se tratar de incentivo fiscal que deve ser restritiva e literalmente interpretado (art. 111, do CTN), apenas dará direito ao crédito os insumos que se enquadrarem no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. E os óleos combustíveis, a lenha e o óleo térmico, no caso, sofrem desgaste no processo produtivo, e, como tal, há entendimentos que sustentam que enquadrarseiam no conceito de produto intermediário, sendo, aliás, este o entendimento particular deste Relator.” No que diz respeito a citação de dispositivos legais invocados pela Embargante em seu Recurso Voluntário, entendo que parte deles foram considerados, bastando verificar o que constou da transcrição acima e também do Relatório da decisão embargada, mas especialmente, deve restar claro que em sede de processo administrativo tributário não se faz Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.906622/200919 Acórdão n.º 3402001.859 S3C4T2 Fl. 224 5 necessário que se enfrente todos os fundamentos legais que levaram o colegiado a formar sua convicção e proferir seu julgamento. Está assente que não existe o prequestionamento de dispositivos legais para fins de PAF, em caso de pretender a Embargante manejar outros recursos ainda nesta esfera administrativa de julgamento, e que, se pretender ir ao Judiciário, desnecessário que a decisão ora embargada tenha se manifestado sobre todos os dispositivos legais invocados pela parte, bastando que fundamente a decisão, o que entendese ter sido atendido plenamente. O que se vê, portanto, é que a Embargante está buscando rediscutir o mérito em sede de Embargos de Declaração, o que em regra não é possível, apenas em caso em que tenha havido erro material, o que não se mostra ter ocorrido no caso em concreto. Assim, não havendo omissão, tampouco obscuridade, contradição ou erro material, não há como acolher os Embargos de Declaração, ainda mais com efeitos modificativos, como sugeriria a Embargante pelas falhas que aponta ter havido no julgamento, as quais, repitase, não restaram materializadas. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003172/2001-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de Apuração: 10/06/1986 a 28/03/1990
QUOTAS DE CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO BRASILEIRO DO CAFÉ IBC . RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.PRESCRIÇÃO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.307
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de Apuração: 10/06/1986 a 28/03/1990 QUOTAS DE CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO BRASILEIRO DO CAFÉ IBC . RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.PRESCRIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => 3C2T2 l. 191 1 190 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.003172/200162 Recurso nº 342.896 Voluntário Acórdão nº 3202000.307 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de junho de 2011 Matéria COTACAFÉ. RESTITUIÇÃO Recorrente SANTA LUZIA COMISSÁRIA E EXPORTADORA DE CAFÉ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de Apuração: 10/06/1986 a 28/03/1990 QUOTAS DE CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO BRASILEIRO DO CAFÉ IBC . RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.PRESCRIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. José Luiz Novo RossariPresidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Editado em 22/06/2011. Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Mara Cristina Sifuentes e Antônio Spolador Júnior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 192 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: A empresa acima qualificada requereu, em 10/01/2002, ao Delegado da Receita Federal São Paulo SP, restituição dos pagamentos que fez a título de quota de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café (I BC), alegando, em suma, que: a) tal contribuição de intervenção no domínio econômico foi criada pelo DL 2295/86, deferindo ao Poder Executivo, através do Presidente do IBC, a competência para fixação de seu valor, o que seria contrário à CF/1967, a Emenda n°1,de 1969 e á CF/1988; b) a requerente, confiando que tal exação era constitucional, durante o período de sua vigência recolheu a contribuição sobre as exportações que promoveu; c) o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da referida contribuição no recurso extraordinário 191.0445 São Paulo, calcado no argumento de que o Poder Executivo não podia receber delegação de competência para fixar alíquotas ou bases de cálculo de tributos, mas apenas para alterálas, motivo pelo qual o DL 2295/86 não foi recepcionado pela CF/I 988; d) o voto do ministro limar Galvão alerta que a Emenda Constitucional de 1969 não permitia a cobrança desta contribuição. Ou seja, pelos votos dos Ministros, o Supremo Tribunal Federal julgou que a contribuição ao IBC já nascera indevida; e) o julgamento ocorreu no controle difuso, não havendo Resolução do Senado, em razão do DL 2.295/86 não mais vigir no momento em que o STF declarou sua inconstitucionalidade. f) no entanto, a Administração Pública deve estender o efeito da declaração de inconstitucionalidade à esfera administrativa (Decreto 2.346/97) e restituir os valores indevidamente pagos pela requerente, conforme comprovantes de pagamento anexados ao processo; g) a administração da contribuição do café sempre esteve a cargo da Secretaria da Receita Federal; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 193 3 h) nos termos do artigo 150, combinado com o 156, VII e 168 do CTN, o direito de pleitear a repetição do indébito, pela forma da restituição ou da compensação, somente se extingue com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, ou seja, dez anos após a ocorrência do fato gerador; i) já o STJ adota a posição de que o prazo se extingue após cinco anos da data em que o STF declarou inconstitucional a lei em que se fundamentou a cobrança indevida; j) a melhor jurisprudência, de forma alguma aplica o efeito "ex tunc" inconseqüentemente, respeitando sempre os 10 anos anteriormente mencionados; k) solicita que seja observado o disposto no Parecer COS1T 58/98; 1) solicita a restituição, com correção monetária, dos valores recolhidos a titulo de "quota de contribuição sobre a exportação de café", no período de 1987 a 1990. Às folhas 82 a 86, encontrase o indeferimento do pleito, pelo chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária EQ1TD em São Paulo, calcado nos seguintes fundamentos: 1) o AD 96/99 dispõe que o período para pleitear restituição, onde o pagamento foi feito com fundamento em lei posteriormente declarada inconstitucional, tanto no controle difuso como no concentrado, extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos contados da extinção do crédito tributário; 2) a atividade da Administração é vinculada, não cabendo a alegação da interessada de que o STI já pacificou jurisprudência quanto a prazo decadencial diferente daquele citado anteriormente; 3) em outros julgamentos o STF já excluiu da declaração de inconstitucionalidade os pagamentos já atingidos pela prescrição; 4) como o pleito da contribuinte referese a pagamentos efetuados entre 1987 a 1990 e o protocolo do pedido de restituição foi feito em 17/08/2001, verificase então, o decurso do prazo decadencial para a restituição dos pagamentos; 5) a interessada fundamenta seu pleito nos efeitos de declaração de inconstitucionalidade em controle difuso, a partir de tutela jurídica não por ela requerida. A declaração de inconstitucionalidade, nestes casos, tem efeitos interpartes. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 194 4 Inconformado, o contribuinte interpôs impugnação às folhas 89 a 126, trazendo as mesmas alegações do pleito inicial, e mais: a) a decisão da autoridade local não colocou em dúvida a existência dos questionados pagamentos indevidos, manifestandose, unicamente, quanto ao prazo para o exercício desse direito; b) houve uma radical mudança de entendimento por parte da Secretaria da Receita Federal quando publicou o AD SRF 96/99 em comparação com o que dispunha o Parecer CST 58/98 c) devolver Um tributo indevidamente recebido é uma situação que não agride o principio da segurança jurídica; d) se for o caso de aplicação de analogia, o caso em questão assemelhase muito mais com a disposição do inciso lido artigo 168 do CTN do que com aquela do inciso I; e) a não recepção da lei anterior à constituição resulta no juízo da revogação desta lei. Com base nos julgados do STF, a constituição sobrevinda não toma inconstitucionais leis anteriores com ela conflitantes, e sim, revogaas; f) considera que o STF reconheceu a inconstitucionalidade pretérita do DL 2.295/86, citando o entendimento no voto do Ministro limar Galvão de que a contribuição do !BC já nasceu eivada de vicio, à medida que era contrária à própria Emenda Constitucional de 1969; g) conforme o entendimento do Egrégio 3° Conselho de Contribuintes o prazo para a decadência da restituição nos casos de declaração de inconstitucional idade sô pode ter inicio com a decisão definitiva da controvérsia pelo STF. A DRJSão Paulo indeferiu a solicitação da interessada (fls. 142/151), nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/06/1987 a 28/03/1990 Ementa:Prazo decadencial. Contribuição para o IBC.Decadência: O direito não pode retroagir no tempo por períodos indefinidos e sem limite, pois feriria o próprio principio da segurança das relações jurídicas,que é seu fundamento. A declaração de inconstitucionalidade produz efeito "ex tunc", salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo, inconstitucional, não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial (Decreto 2.346/97). O prazo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 195 5 decadencial contase a partir do pagamento indevido (Parecer PGFN 1.538/99 e ADNSRF 96/99). Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 154/178), repisando os mesmos argumentos expendidos na inicial. Ao final requereu a reformada da decisão de primeira instância, para “reconhecer o direito de restituição das parcelas indevidamente pagas a título de "quota de contribuição sobre exportação de café", nos valores comprovados nos autos, acrescidos de atualização monetária, expurgos consignados na planilha e juros pela taxa SELIC, na forma admitida pela legislação tributária e consagrada pela jurisprudência”. É o relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Cuidam os autos de pedido de restituição, no valor de R$ 1.340.603,89, formulado pela contribuinte SANTA LUZIA COMISSÁRIA E EXPORTADORA DE CAFÉ LTDA, protocolizado em 17.08.2001, relativo a recolhimentos da quota de contribuição sobre exportação de café (“cotacafé”), efetuados em nome do estabelecimento filial, CGC n° 58.161.555/000286, nos anos de 1987 (meses de maio, junho, novembro e dezembro), 1988 (janeiro, fevereiro, março, abril e outubro), 1989 (novembro e dezembro) e 1990 (janeiro, fevereiro e março) , conforme DARF juntados às fls. 62/80. A decisão recorrida negou o pleito da interessada, ao entendimento de que, quando da formulação do pedido de restituição, já se havia passado cinco anos da data da extinção do crédito tributário (data do alegado pagamento indevido). Assim, cingese a controvérsia, na esfera recursal, em se estabelecer se, quando da protocolização do pedido de restituição pela contribuinte, em 17/08/2001, o direito à repetição do indébito já se encontrava ou não prescrito. Esta mesma questão foi julgada nesta Turma, que, em sessão realizada em setembro de 2010, negou provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, nos autos do processo nº 10845.001216/200284, no qual fui relatora do voto condutor do Acórdão. Naquela oportunidade, seguiuse a firme jurisprudência da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acolhendose a tese do voto condutor proferido nos autos do processo nº 13832.000129/9990. Proferi meu voto firmando o entendimento de que o dies a quo para Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 196 6 contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. Feitas estas considerações, temse que essa matéria foi muito bem enfrentada pelo eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, por ocasião do julgamento do processo administrativo nº 10830.005516/2001 pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que, pela similitude da matéria, adoto como razões de decidir deste voto, transcrevendo os excertos seguintes: Nessa questão, a jurisprudência deste Colegiado é no sentido de que o termo inicial da prescrição para repetição de indébito é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, a exemplo do Acórdão 9303.01.115, do qual fui relator do voto condutor, cujo excerto transcrevese abaixo: ................................................................................................. “O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1651do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I .................................................................................................... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) .................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a 1 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 197 7 categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1682 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 198 8 que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal3, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente 3 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 199 9 aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 200 10 outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 4: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 5: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco 4 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; 5 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 201 11 anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 6: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari7, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo8, leciona que a Resolução 6 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 7 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 8 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 202 12 Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Ministro Teori Albino Zavascki9, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça10, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG11: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. 9 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 10 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 11 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 203 13 A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG12, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG13: 12 Publicado no DJ de 05/04/2004. 13 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 204 14 O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 205 15 Tomese, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou.” Esse era o entendimento deste Colegiado. Todavia, com a alteração do Regimento Interno do CARF, mais precisamente com o acréscimo do art. 62A, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivos devem ser observadas pelas turmas julgadoras deste Conselho. De outro lado, a questão do termo inicial para repetição de indébito encontrase apascentada no STJ, em sede de recursos repetitivos, nos termos seguintes: para fatos geradores ocorridos até junho de 2005, permanece a tese dos 5 mais 5, já para fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Acontece porém, que, no caso dos autos, ainda que se considerasse a tese dos 5 mais 5, ainda assim, o direito à repetição do indébito objeto destes autos fora alcançado pela prescrição, posto que o período de apuração mais próximo referese a fatos geradores ocorridos em julho de 1989, e o pedido de restituição foi protocolado em 22 de agosto de 2001, portanto, bem além dos dez anos previstos na tese dos 5 mais 5. Diante do exposto e considerando que, no caso em análise, o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo quinquenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento (ou mesmo da homologação), é de reconhecerse que o direito à repetição de indébito ora em exame foi alcançado pela prescrição. Com essas considerações, dou provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional para declarar a prescrição Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 11610.003172/200162 Acórdão n.º 3202000.307 3C2T2 l. 206 16 do direito de o sujeito passivo pleitear a repetição dos indébitos objeto destes autos. A questão do termo inicial para repetição de indébito encontrase apascentada no STJ, em sede de recursos repetitivos, nos termos seguintes: para fatos geradores ocorridos até junho de 2005, permanece a tese dos 5 mais 5, já para fatos geradores ocorridos a partir de 09 de junho de 2005 (data da vigência da LC nº. 118/2005), o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento (RESP 1002932, Julgamento de 25/11/2009, DJ de 18/12/2009). No caso, ainda que se adotasse a chamada tese do “cinco mais cinco”, mesmo assim o direito à repetição do indébito objeto da presente lide estaria prescrito, posto que o período de apuração mais próximo referese a fatos geradores ocorridos em março de 1990, e o pedido de restituição foi protocolizado em 17 de agosto de 2001, portanto, pouco mais de 1 ano além dos dez anos previstos na tese dos “5 mais 5”. Por último, ressaltese que o termo a quo do prazo prescricional da ação de repetição de indébito relativa a tributos sujeitos a lançamento por homologação e pagos antecipadamente está em discussão no Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso com repercussão geral (RE 561908), em que será dirimida a controvérsia acerca da constitucionalidade do art. 4º da LC nº. 118/05 . Diante do exposto, é de reconhecerse que o direito à repetição de indébito ora em exame foi alcançado pela prescrição, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 16DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 24/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 13839.003675/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INÉPCIA.
São ineptos os embargos de declaração que tratam de matéria não veiculada no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3402-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Embargante PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado ENGEPACK EMBALAGENS SÃO PAULO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INÉPCIA. São ineptos os embargos de declaração que tratam de matéria não veiculada no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 36 75 /2 00 7- 84 Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Tratase de embargos de declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) ao Acórdão 340200.605, de 25 de maio de 2010. Aduziu a embargante que o referido Acórdão proveu embargos para cancelar a exigência tributária relativa aos créditos dos insumos isentos estornados e tal entendimento seria contrário à Súmula n° 18 do CARF e, portanto, haveria violação ao art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). A PGFN alegou ainda que o Acórdão embargado estaria fundado em precedente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) cujo fundamento é a decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 212.4842, a qual está ultrapassada, visto que o STF reconheceu a existência de repercussão geral no RE n° 590.809. Ao final, foi requerido o conhecimento e o provimento destes embargos para sanar “as contradições e as omissões acima indicadas”. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Os embargos declaratórios são tempestivos, foram propostos por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera das competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso devem ser conhecidos. Inicialmente, registrese que, não obstante o pedido final da embargante, não há nos declaratórios apresentados a demonstração de omissão ou contradição no Acórdão embargado. Ademais, com a leitura do Acórdão ora embargado, constatase que ele foi proferido no julgamento dos embargos de declaração apresentados pela mesma embargante de agora ao Acórdão n° 220200.142, de 03 de junho de 2009, sob a alegação de contradição e com vista ao esclarecimento de questão relativa, exclusivamente, ao resultado do julgamento, conforme relatório e voto do Acórdão ora embargado que transcrevese: Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) sob a alegação de contradição no Acórdão n° 220200.142, por meio do qual deu se parcial provimento ao recurso voluntario para cancelar a exigencia da multa de ofício incidente sobre os fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 2006 e excluir a exigência da parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativa aos créditos dos insumos isentos que foram estornados. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 13839.003675/200784 Acórdão n.º 3402002.070 S3C4T2 Fl. 1.156 3 A PGFN alegou que o dispositivo do referido Acórdão, no início, indica que a maioria dos Conselheiros votou pela exclusão da multa a partir de fevereiro de 2006 e pelo cancelamento da exigencia do IPI relativa aos créditos dos insumos isentos estornados, contudo, na parte final, sugerese que, com efeito, houve unanimidade, pois os Conselheiros vencidos também excluíam a parcela relativa aos períodos não submetidos ao Poder Judiciário. Em face disso, a embargante solicitou o provimento dos seus embargos de declaração para se esclarecer se os dois itens votados foram ou não acolhidos por maioria de votos e sanar a contradição apontada. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora Os embargos declaratórios são tempestivos e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), por isso devem ser conhecidos. Assiste razão à embargante quanto à apontada contradição, pois o Acórdão embargado, em sua parte dispositiva, registrou o provimento parcial por maioria e, ao apontar os Conselheiros vencidos, esclarece que o voto deles era para dar provimento também quanto à parcela relativa aos períodos não submetidos ao Judiciário. Portanto, os Conselheiros vencidos, assim como os demais Conselheiros, também deram provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exigência tributário relativa aos créditos dos insumos isentos estornados e a multa de ofício a partir de fevereiro de 2006. De se concluir, então, que, com efeito, quanto aos créditos dos insumos isentos estornados e também quanto à multa de ofício a partir de fevereiro de 2006, houve unanimidade no provimento do recurso. Com esses esclarecimentos, entendo necessário sanar a contradição apontada pela embargante, com a retificação da parte dispositiva do Acórdão n° 220200.142, substituindoa pelos termos seguintes: ACORDAM os Membros da 2a Câmara/2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Carf, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso na parte estranha ao litígio, qual seja, juros sobre multa, e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, para rejeitar a preliminar de nulidade, excluir a multa de oficio aplicada a partir dos fatos geradores de fevereiro de 2006 e cancelar a exigência tributária relativa aos créditos dos insumos isentos estornados. Os Conselheiros Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraick Júnior e Leonardo Siade Manzan excluíam também a parcela relativa aos períodos não submetidos ao Poder Judiciário. Por essas razões, voto pelo provimento dos embargos declaratórios opostos pela PGFN para sanar a contradição apontada e substituir integralmente a parte dispositiva do Acórdão n° 220200.142 pelo texto do parágrafo anterior. Diante disso, é evidente a inépcia dos embargos ora em exame, razão pela qual voto por rejeitálos. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001506/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Ementa:
CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. AUTUAÇÃO INSUBSISTENTE. É insubsistente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração quando o mesmo crédito já tenha sido objeto de compensação regularmente formalizada por meio de DCOMP.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-001.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pela, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silvam Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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AUTUAÇÃO INSUBSISTENTE. É insubsistente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração quando o mesmo crédito já tenha sido objeto de compensação regularmente formalizada por meio de DCOMP. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pela, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silvam Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 06 /2 00 8- 20 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001506/200820 Acórdão n.º 1402001.382 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório Pelo que se extrai do auto de infração cuja cópia consta a partir da fl. 312, notificado à parte recorrente em 15/05/2008 (fl. 322), tratase de autuação decorrente da seguinte infração 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2003 R$ 1.135.699,73 75% Enquadramento Legal: arts. 841, I, III e IV do Regulamento do Imposto de Renda. Conforme registrado no termo de verificação e constatação fiscal n° 02, "na DIPJ 2004, anocalendário 2003, foi declarado o valor relacionado ao Quadro I, mas não foi declarado na DCTF e nem recolhido. Por assim entender, a autoridade fiscal lavrou o auto de infração.” Notificada, a empresa autuada apresentou a impugnação de fls. 124 e seguintes, alegando que o referido valor tinha sido satisfeito mediante compensação. A defesa foi instruída com o pedido de compensação de fls. 173, onde se verifica que a CSLL aqui autuada foi objeto de compensação. O acórdão de fls. 410 e seguintes, por meio do qual a DRJ cancelou o lançamento, contém a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INSUBSISTÊNCIA. É insubsistente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração, quando o mesmo crédito já tenha sido objeto de compensação regularmente formalizada mediante declaração de compensação Dcomp Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Por ter afastado crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00, houve recurso de ofício. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001506/200820 Acórdão n.º 1402001.382 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O acórdão recorrido cancelou lançamento cujo crédito tributário é superior a R$ 1.000.000,00. Assim, necessário recurso de ofício, o qual conheço e passo ao exame da matéria. O documento de fl. 124 demonstra que o crédito contido no auto de infração já tinha sido objeto de compensação. Ao tratar da extinção do crédito tributário, o artigo 156, II, do CTN, prevê que a compensação se constitui em instrumento hábil à extinção do crédito tributário. Assim, se na data do lançamento o crédito já se encontrava extinto, insubsistente a autuação. No mais, ainda que se diga que a compensação só extingue o crédito após homologação, mesmo assim o lançamento não subsistiria, pois declarado o crédito em DCTF e não homologada a compensação, que pretende extinguilo, este já estará devidamente constituído, apto à inscrição em dívida ativa, sem necessidade de lançamento mediante auto de infração. Desta forma, negase provimento ao recurso de ofício, quer pelos fundamentos acima, quer pelas próprias razões de decidir adotadas pela DRJ, das quais extraio os seguintes fundamentos: A solução da controvérsia requer que se verifiquem os seguintes pontos: a)se o crédito tributário objeto do lançamento impugnado foi também objeto de compensação em Dcomp; b) se a Dcomp é anterior ao lançamento; e c) se a Dcomp foi considerada eficaz como forma de confissão de dívida. Quanto ao primeiro ponto, é possível constatar, pelo exame da Dcomp nº 08688.87785.310304.1.3.028127 (fls. 400 e 401), que o débito objeto da compensação ali formalizada tem o mesmo valor do crédito tributário colhido no lançamento, ou seja, R$ 1.135.699,73 (fl. 318). Na Dcomp foi atribuído ao débito o código de receita 677308, que corresponde à CSLL – demais pessoas jurídicas – declaração de ajuste. O período de apuração consignado na Dcomp, 01/01/2003 (fl. 401), poderia suscitar dúvidas acerca do ano base a que se referia o débito. Não obstante, o exame das fichas 17 das DIPJs do anos bases 2002 e 2003 (fls. 404 a 407) deixa claro que o débito compensado correspondia ao ano de 2003, exatamente o mesmo colhido no auto de infração. .... Não há dúvida de que o débito compensado é o mesmo que foi objeto de lançamento. A compensação, por sua vez, foi formalizada antes do procedimento fiscal, cujo início se deu em 16 de novembro de 2007 (fl. 4), deflagrado pela entrega do termo de intimação nº 001 (fls. 02 a 03). Muito antes dessa data, em 31 de março de 2004, foi transmitida a Dcomp nº 08688.87785.310304.1.3.028127, já consignando o débito de CSLL. Assim, constatase que a iniciativa de extinguir o débito é anterior à primeira medida preparatório do lançamento. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001506/200820 Acórdão n.º 1402001.382 S1C4T2 Fl. 0 4 (...) O lançamento recaiu sobre crédito tributário que já havia sido objeto de compensação mediante Dcomp e que, por isso mesmo, já estava extinto sob condição resolutória. Por essas razões, podese concluir que o auto de infração, como ato administrativo que é, deve ser invalidado por vício quanto ao motivo e quanto ao objeto. O motivo declinado (a insuficiência de recolhimento e declaração) é inexistente, porquanto o crédito fora confessado e compensado, na forma da legislação em vigor, não obstante tenha havido omissão no que concerne à DCTF, o que, no caso, caracteriza mero descumprimento de obrigação acessória. Por outro lado, o objeto do ato administrativo era a constituição de crédito tributário que já havia sido compensado, embora sob condição. Em resumo, considerando tudo quanto acima exposto, é imperioso concluir pela invalidade do lançamento e pela insubsistência do crédito. Portanto, voto no sentido de dar provimento à impugnação, para julgar insubsistente o crédito tributário lançado. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 423DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11040.000431/2001-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, rementendo-se os autos para distribuição para a 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva
Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente) Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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