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Numero do processo: 10920.002085/2006-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Ementa: RESSARCIMENTO. HABILITAÇÃO NO TRIMESTRE DE
ESCRITURAÇÃO.
Os créditos de IPI remanescentes da compensação da escrita fiscal são
suscetíveis de ressarcimento relativo às entradas de insumos quando
escriturados no respectivo trimestrecalendário,
conforme previsão
normativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-00.923
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: RESSARCIMENTO. HABILITAÇÃO NO TRIMESTRE DE ESCRITURAÇÃO. Os créditos de IPI remanescentes da compensação da escrita fiscal são suscetíveis de ressarcimento relativo às entradas de insumos quando escriturados no respectivo trimestrecalendário, conforme previsão normativa. Recurso Voluntário Negado
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HABILITAÇÃO NO TRIMESTRE DE ESCRITURAÇÃO. Os créditos de IPI remanescentes da compensação da escrita fiscal são suscetíveis de ressarcimento relativo às entradas de insumos quando escriturados no respectivo trimestrecalendário, conforme previsão normativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002085/200636 Acórdão n.º 330100.923 S3C3T1 Fl. 3.42 2 Relatório MÓVEIS RUDNICK S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 119/124, contra o acórdão nº 1427.088, de 16/12/2009, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, fls. 114/117, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade relativa à solicitação de ressarcimento do crédito presumido de IPI, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, referente ao 1º trimestre de 2005, e homologação das compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos (fl. 115): A interessada transmitiu, em 16/08/2006, a PER/DCOMP principal (fls. 01/04), tendo sido informado como créditos passíveis de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) o montante de R$ 225.098,21, respeitante ao 1° trimestrecalendário de 2005. Os débitos compensados somam o mesmo montante nas declarações de compensação de fls. 01/16. O processo em exame tem protocolo de 07/08/2006. Conforme informações nos autos, tratase de excedente de crédito de IPI no trimestre previsto na Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e na Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, referente a insumos empregados na industrialização. À luz do demonstrativo de fl. 53, o valor correto de excedente de crédito para o trimestre seria de R$ 202.206,24, e não de R$ 225.098,21, sendo cabível, daí, a glosa de R$ 22.891,97. Segundo o Despacho Decisório de fls. 56/58, de 03/11/2008, exarado no âmbito da Delegacia da Receita Federal em Joinville, SC, são passíveis de ressarcimento apenas os créditos relativos a entradas de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário concernente ao pedido, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 16, II, § 4°. Insatisfeita com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 09/12/2008, conforme aviso de recebimento nos autos (fl. 69), a interessada ofereceu, em 08/01/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 70/73 subscrita pelos administradores procuradores da pessoa jurídica, conforme documentação de fls. 89/112, em que aduz, em síntese, que, concorda com a homologação resultante do reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 202.206,24 mas discorda do estorno de créditos no valor de R$ 22.891,97, parcela relativa ao 3° trimestre de 2005 (sic), porque não teria sido observado o disposto na IN SRF n° 600/05; a conduta da requerente não representou prejuízo ao erário público e as circunstâncias de fato devem ser reapreciadas em face dos elementos juntados aos autos e das informações pertinentes ao pedido formulado, sendo que o total dos créditos realmente existe; por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002085/200636 Acórdão n.º 330100.923 S3C3T1 Fl. 4.42 3 decisório para que seja reconhecida a compensação do crédito tributário no montante de R$ 22.891,97, assim como protesta pelo direito de provar o alegados por todos os meios em direito admitidos. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. HABILITAÇÃO NO TRIMESTRE DE ESCRITURAÇÃO. Os créditos do imposto remanescentes da compensação da escrita fiscal não são suscetíveis de ressarcimento em trimestres posteriores, por expressa vedação normativa aplicável às ocorrências fáticas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 119/124, alegando que o direito aos créditos tributários objeto dos pedidos administrativos são legítimos, legais e constitucionalmente assegurados à recorrente. Assim, consoante a teoria da moralidade administrativa, seu direito deve ser reconhecido, independentemente de eventual divergência em relação ao trimestre a que se refere o pedido. Por fim, requer “seja reformada a decisão recorrida, homologandose em favor da Recorrente o respectivo valor do crédito tributário.” É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado anteriormente, a contribuinte pleiteou o ressarcimento/compensação no valor de R$225.098,21, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, referente ao 1º trimestre de 2005, tendo sido glosada a quantia de R$22.891,97, vez que não se refere ao ingresso de insumos escriturados no trimestre objeto do pedido, contrariando a IN SRF nº 600/05, art. 16, § 4º, II. O precitado art. 11, da Lei nº 9.779/99, assim dispõe: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002085/200636 Acórdão n.º 330100.923 S3C3T1 Fl. 5.42 4 Art.11.O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.(grifei) Nesse passo, à época da apresentação da Per/Dcomp encontravase vigente a IN SRF nº 600/05, a qual tratava da matéria em seu art. 16, § 4º, inciso II, nos seguintes termos: Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...] § 4º Somente são passíveis de ressarcimento: [...] II – os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário; e [...] Portanto, somente são passíveis de ressarcimento os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário, ou seja, 1º trimestre de 2005. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002085/200636 Acórdão n.º 330100.923 S3C3T1 Fl. 6.42 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/07/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001799/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. NEGAÇÃO DE AUTORIA.
INSUFICIÊNCIA DE PROVAS.
Não ficaram comprovadas nos autos as alegações do contribuinte de não ser ele o autor da declaração de ajuste apresentada no modelo simplificado.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ALTERAÇÃO DE FORMULÁRIO. IMPOSSÍVEL, SE A ENTREGA FOR EXTEMPORÂNEA.
A declaração retificadora pode ser apresentada em modelo de formulário diverso do utilizado na declaração original, desde que a retificação seja feita dentro do prazo legal para a entrega da declaração de ajuste. Findo esse prazo, a troca de modelo de formulário não é mais possível.
Numero da decisão: 2101-001.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. NEGAÇÃO DE AUTORIA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Não ficaram comprovadas nos autos as alegações do contribuinte de não ser ele o autor da declaração de ajuste apresentada no modelo simplificado. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ALTERAÇÃO DE FORMULÁRIO. IMPOSSÍVEL, SE A ENTREGA FOR EXTEMPORÂNEA. A declaração retificadora pode ser apresentada em modelo de formulário diverso do utilizado na declaração original, desde que a retificação seja feita dentro do prazo legal para a entrega da declaração de ajuste. Findo esse prazo, a troca de modelo de formulário não é mais possível.
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NEGAÇÃO DE AUTORIA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Não ficaram comprovadas nos autos as alegações do contribuinte de não ser ele o autor da declaração de ajuste apresentada no modelo simplificado. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ALTERAÇÃO DE FORMULÁRIO. IMPOSSÍVEL, SE A ENTREGA FOR EXTEMPORÂNEA. A declaração retificadora pode ser apresentada em modelo de formulário diverso do utilizado na declaração original, desde que a retificação seja feita dentro do prazo legal para a entrega da declaração de ajuste. Findo esse prazo, a troca de modelo de formulário não é mais possível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ____________________________________________ Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de GILBERTO PERES MACIEL foi emitido o Auto de Infração às fls. 7 a 11, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2002 (exercício 2003), no valor total de R$ 365,82 (trezentos e sessenta e cinco reais e oitenta e dois centavos) que, acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados até março de 2005, perfaz um valor total de R$ 754,42 (setecentos e cinqüenta e quatro reais e quarenta e dois centavos). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 8. A Fiscalização alega ter havido omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, conforme declarado em DIRF (Declaração de Imposto de Renda na Fonte) por Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A, CNPJ 61.413:428/0001 28, no valor de R$ 60.769,93. Em 25 de abril de 2005 foi apresentada Impugnação (fls. 1), cujas razões e pedido foram assim sintetizadas pelo órgão a quo: “• A declaração de ajuste anual que deu origem o lançamento não foi entregue pelo impugnante e que este após várias tentativas e com a ajuda da receita conseguiu entregar uma declaração retificadora. A qual esta é a correta, pois há vários anos vêm entregando declarações com imposto a restituir; • Requer a insubsistência e improcedência do auto de infração.” Ao examinar o pleito do contribuinte, a 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande decidiu pela procedência parcial da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 0415.179, de 3 de setembro de 2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS NEGAÇÃO DE AUTORIA. Existindo indícios de que o interessado é o autor da declaração de ajuste anual que deu origem ao lançamento e não havendo, por parte do contribuinte, comprovação que este não entregou aquela, o lançamento deve ser mantido. O ônus da prova de que não é o autor da DIRPF original é do interessado se este Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001799/200583 Acórdão n.º 210101.489 S2C1T1 Fl. 67 3 entregou DIRPF retificadora e não formalizou processo de não reconhecimento de DIRPF à época. Lançamento Procedente em Parte A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande não aceitou os argumentos do contribuinte de que não teria sido ele o autor da primeira declaração de ajuste apresentada, no modelo simplificado. Aceitou o pedido de retificação da declaração do contribuinte, mas sem acatar a troca de modelo de formulário pleiteada. Em 16 de fevereiro de 2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual reitera as razões de impugnação. Em síntese, insiste que sempre apresenta suas declarações de ajuste no Modelo Completo, mas, por razões que desconhece, sua declaração de ajuste correspondente ao exercício de 2003 foi apresentada no Modelo Simplificado, à sua revelia. Quando tentou enviar sua declaração correspondente ao exercício 2003, o site da Receita Federal informou que já existia uma declaração entregue no seu CPF, o que o fez deduzir tratarse de algum erro desconhecido no sistema. Após idas e vindas à Receita Federal, um funcionário informoulhe o número do recibo da declaração anteriormente enviada e orientouo a apresentar uma declaração retificadora, o que, finalmente fez, no modelo de formulário completo. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O contribuinte alega que a declaração de ajuste anual que deu origem ao lançamento constante do presente processo não foi entregue por ele. Afirma que, somente após comparecer inúmeras vezes à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil conseguiu, com a ajuda de um servidor, obter o número do recibo da declaração anterior e entregar uma declaração retificadora. A fim de sustentar sua tese, alega que sempre apresenta suas declarações de ajuste no Modelo Completo, mas sua declaração de ajuste correspondente ao exercício de 2003 foi apresentada no Modelo Simplificado. O contribuinte não esclarece, contudo, em que datas tentou apresentar sua declaração de ajuste do exercício 2003 e foi impossibilitado pelo sistema de controle da Secretaria da Receita Federal nem apresenta provas dessas tentativas frustradas. Não traz aos autos qualquer comprovação do seu comparecimento a uma unidade da Secretaria da Receita Federal para resolver o problema. Em momento algum apresentou qualquer documento que demonstrasse ter feito reclamação junto ao órgão Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 competente quanto a uma falsa autoria de sua declaração de ajuste correspondente ao exercício 2003, a fim de que se pudesse iniciar um procedimento interno de investigação. As informações constantes da declaração original (que o contribuinte alega ser de autoria desconhecida) sobre sua atividade empresarial, se não são exatas (a declaração original informa ser o contribuinte titular de 50% das quotas da empresa Pilloto Variedades LTDA. ME, CNPJ 04.664.589/000183, enquanto a declaração retificadora informa que esse percentual é de 1%) são parcialmente corretas. Sendo assim, o conjunto probatório constante dos autos indica que não procedem as alegações do contribuinte, de que não seria ele o autor da declaração de ajuste simplificada correspondente ao exercício 2003. Ressaltese, porém, que o contribuinte obteve sucesso em retificar sua declaração de ajuste antes do início do procedimento fiscal constante deste processo. Nesta hipótese, não há que se falar em multa de ofício, tal como já decidido pela DRJ em Campo Grande. Tendo em vista não terem sido comprovadas as suas alegações (de não ser o autor da declaração de ajuste apresentada no modelo simplificado e de ter comparecido inúmeras vezes à unidade da Secretaria da Receita Federal na tentativa sem sucesso de apresentar sua declaração no modelo completo dentro do prazo legal), entendo que não deve ser acatada a alteração do modelo do formulário, do simplificado para o completo, pois o que se tem comprovado nos autos é a entrega da declaração retificadora do exercício 2003 fora do prazo legal. A declaração retificadora pode ser apresentada em modelo de formulário diverso do utilizado na declaração original, desde que feita dentro do prazo estipulado para a entrega da declaração de ajuste. Findo esse prazo, a troca de modelo de formulário não é mais possível, tal como prevê a Instrução Normativa SRF n.° 15, de 2001: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. [...] No presente caso, portanto, não é permitida a alteração de formulário, do modelo simplificado para o modelo completo, tal como pretende o recorrente. Daí podese concluir não merecer reparos a decisão de primeira instância administrativa, que acatou as informações sobre a renda auferida e desconto do imposto sobre a renda na fonte prestadas pelo contribuinte em sua declaração retificadora (desconsiderando aquelas constantes da declaração original), mas manteve a forma de tributação do imposto sobre a renda do contribuinte segundo as regras do modelo simplificado, ou seja, utilizando o descontopadrão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001799/200583 Acórdão n.º 210101.489 S2C1T1 Fl. 68 5 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000351/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.102
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL • O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos tennOS dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 1 ' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. to• ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELA • - A MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. • • • 2 Processo n°12267000351/2008-34 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-01.102 Fl. 171 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 81212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n o 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadéncia sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4"ou 173, do CT7V). É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E -SILVA VIEIRA — Relatora 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA St, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS a.,,!_ezà;,;" QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 12267.000351/2008-34 Recurso n°: 164.276 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.102 BrasiI - de março de 2010 ELIA • - AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: I Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001686/2004-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/01/2000, 31/03/2001, 31/10/2001
EXTINÇÃO PARCIAL DE DÉBITO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado a extinção parcial de débito lançado, há que se excluir do lançamento o valor extinto.
ALÍQUOTA. LEI 9718.
Inexistindo decisão judicial vigente à época do lançamento do crédito tributário, garantindo a aplicação da alíquota de 2%, correta a aplicação da alíquota prevista na Lei nº 9718/98.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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COMPROVAÇÃO. Comprovado a extinção parcial de débito lançado, há que se excluir do lançamento o valor extinto. ALÍQUOTA. LEI 9718. Inexistindo decisão judicial vigente à época do lançamento do crédito tributário, garantindo a aplicação da alíquota de 2%, correta a aplicação da alíquota prevista na Lei nº 9718/98. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/05/2012 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa ORGANIZAÇÃO IKESAKI MÓVEIS E COSMÉTICOS LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins, relativa aos períodos de apuração de janeiro a abril de 2000 e de março e outubro de 2001, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada pagou ou declarou à RFB valores menores do que os apurados com base na sua escrita fiscal e contábil. Não se conformando, a empresa interessada insurgese contra a exigência fiscal, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRJ no Rio de Janeiro RJ manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 1319.089, de 27/02/2008 fls. 81/90. Ciente da decisão de primeira instância em 22/09/2008, fl. 96v, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/10/2008, alegando o seguinte: 1 para o período de apuração de 01/2000 existe decisão judicial garantido a aplicação da alíquota de 2% até o dia 27/01/2000; 2 para o período de apuração de 03/2001 existia depósito judicial já convertido em renda da União; 3 o débito do período de apuração de 10/2001 foi pago em novembro de 2001 por meio de dois Darfs; 4 reconhece os débitos dos períodos de apuração de 02/2000, 03/2000 e 04/2000. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. Na sessão do dia 10/12/2010 (Resolução nº 330200.100), esta 2ª Turma de Julgamento resolver converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem paras as seguintes providências: 1 informar se os débitos dos PA 03/01 e 10/01 estão extintos por conversão em renda da União e por pagamento, respectivamente; 2 transferir para outro processo os débitos dos PA 02/00, 03/00 e 04/00 e prosseguir em sua cobrança. 3 dar ciência à recorrente desta Resolução e do Relatório de Diligência, abrindolhe prazo para querendo, manifestarse. Realizado a diligência, os débitos não contestados foram transferidos para outros processo e para os débitos dos PA 03/01 e 10/01 foi informado o seguinte: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.001686/200416 Acórdão n.º 330201.625 S3C3T2 Fl. 2 3 Com relação ao período de apuração março de 2001, constata se a existência de saldo devedor no montante de R$ 38,03, após a alocação do pagamento efetuado em 12/04/2001 no valor de R$ 11.603,92 e da conversão do depósito judicial efetuado em 16/04/2001 no valor de R$ 5.801,96, conforme demonstrativo de fls. 167/169. Cabe ressaltar que o depósito judicial foi efetuado intempestivamente sem os respectivos acréscimos legais. Com relação à alegação de recolhimento integral da Cofins relativa a outubro de 2001, constatase a existência de saldo devedor no montante de R$ 47,07 após a alocação dos pagamentos efetuados em 14/11/2001 e 30/11/2001, conforme demonstrativo de fls. 159/161. Ciente do resultado da diligência, a empresa recorrente não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. Como relatado, o julgamento da recurso voluntário teve inicio na sessão do dia 10/12/2010, tendo o processo retornado à origem para confirmar a alegação da recorrente de que os débitos dos PA 03/01 e 10/01 estavam extintos por pagamento ou por conversão em renda da União de depósito judicial. Na diligência ficou constatado que os pagamentos e as conversões em renda da união não foram suficientes para extinguir os débitos lançados, sendo o saldo devedor do PA 03/01 superior ao lançado (apurado R$ 38,03 e lançado R$ 22,95) e o saldo devedor do PA 10/01 igual a R$ 47,07, inferior, portanto, ao valor lançado que foi de R$ 116,71. O resultado da diligência não deixa dúvida da procedência do lançamento do PA 03/01 e da procedência, em parte, do lançamento do PA 10/01, cujo valor deve ser reduzido de R$ 116,71 para R$ 47,07, com os devidos acréscimos legais de juros de mora e multa de ofício. Com relação ao débito de PA 01/00 não merece prosperar a alegação da recorrente de que a exação foi calculada com alíquota de 2% ao amparo de decisão judicial. Como bem disse a decisão recorrida, na data da lavratura do auto de infração não havia decisão judicial que autorizasse a recorrente a efetuar o recolhimento da Cofins com alíquota de 2% ao invés de 3%. Até mesmo a decisão a que se refere a recorrente, além de ter sido reformada pela TRF3, garantia a aplicação da alíquota para os fatos geradores ocorridos até o dia Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 27/01/2000 e o fato gerador do débito em tela ocorreu no dia 31/01/2000, portanto, posteriormente. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o valor da Cofins do PA 10/01 de R$ 116,71 para R$ 47,07, acrescido de juros de mora e multa de ofício. Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10803.000161/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2007
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE
É lícito ao fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores
considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicado esta última regra.
PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA.
INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE O TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não
integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade,
salvo quando existir depósito no montante integral.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA
LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de
mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic
para títulos federais. Acrescente-se
que, para os tributos regidos pela Lei
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em não acatar o argumento sobre a decadência, devido a aplicação do I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, pela aplicação do § 4º, Art. 150 do CTN; II ) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Ana Paula Medeiros Costa - OAB: 24873 / DF. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ADMISSIBILIDADE É lícito ao fisco federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicado esta última regra. PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE O TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por voto de qualidade: a) em não acatar o argumento sobre a decadência, devido a aplicação do I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, pela aplicação do § 4º, Art. 150 do CTN; II ) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Ana Paula Medeiros Costa OAB: 24873 / DF. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 460DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 438 3 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) nº 37.211.3109, lavrado em 09/12/2008, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa, incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais por meio de cartões de premiação “Incentive House”, no período de 04/2003 a 09/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 241.416,19, fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 09/12/2008, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 211/242, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 12ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 343/363, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/11/2010, fls. 366. O recurso voluntário, apresentado em 23/12/2010, fls. 287/325, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta que as provas que sustentam a autuação foram obtidas em ação policial e que não há nos autos a autorização judicial para o fisco utilizar tais provas, o que tornaria as provas obtidas por meio ilícito. Insiste na indevida utilização de provas penais e na natureza ilícita de tais provas no âmbito do processo administrativo fiscal. Entende que o lançamento é nulo por falta de fundamentação fática. A fiscalização teria presumido os fatos geradores sem autorização legal para tanto. Aponta que não foram demonstrados os requisitos para considerar a premiação uma remuneração, uma vez que ausentes a habitualidade, contraprestação, dependência econômica e controle das atividades dos empregados de seus revendedores. Faltaria ao lançamento certeza e segurança jurídica, bem como não teria havido obediência ao art. 142 do CTN. Insiste na impossibilidade de utilização de prova emprestada. Argumenta que a premiação paga a empregados de revendedores não pode sofrer a incidência da contribuição por faltar, especialmente, a habitualidade. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Entende ser ilegal a incidência de juros sobre a multa de ofício. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 439 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Legalidade das provas. A recorrente alega que as provas utilizadas no lançamento foram obtidas em ação policial, fazendo parte de processo criminal no qual não houve autorização para o fisco utilizarse de tais elementos probantes. Diante disso, concluiu que as provas foram obtidas por meio ilícito. No entanto, os documentos dos autos nos mostram que a fiscalização obteve diretamente da recorrente as provas que embasaram o lançamento. Com efeito, o TIAD de fls. 123 e a resposta da recorrente de fls. 124 mostram que as notas fiscais que serviram para demonstrar a contratação da premiação Incentive House foram obtidas pela fiscalização diretamente da recorrente. Quaisquer outras considerações feitas no Acórdão a quo não mudam os fatos constantes dos autos que apontam para a presença de provas obtidas licitamente. Não procede, portanto, a alegação de que foram utilizadas provas obtidas pó meio ilícito. Acrescentamos que mesmo que tenham sido utilizadas provas emprestadas, isso em nada afeta a validade destas. Sobre o tema da prova emprestada, esclarecemos que não existe vedação na legislação reguladora do processo administrativo à utilização de provas colhidas em outro processo ou por outra autoridade administrativa, fiscal ou judicial, desde que sejam legais e moralmente legítimas, conforme preceitua o Código de Processo Civil no seu artigo 332 . No mesmo sentido a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE É lícito ao Fisco federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento de Imposto de Renda, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. (Acórdão 10615779) NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA EMPRESTADA A jurisprudência administrativa reconhece a validade da chamada prova emprestada, observadas as naturais cautelas na sua utilização. No caso, a autoridade administrativa bem as observou. Deve, portanto, ser considerada válida. (Acórdão 10243475) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 440 7 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, Fl. 466DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 441 9 em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não Fl. 468DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 442 11 considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 470DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 443 13 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Não contam dos autos quaisquer pagamentos feitos pela recorrente em relação aos fatos geradores considerados pela fiscalização, logo é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 30/11/2002. No caso, nenhum fato gerador incluído no lançamento foi atingido pela decadência. Incidência da contribuição previdenciária sobre prêmios de produtividade Para elucidar a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre os prêmios de produtividade, temos que considerar que tais verbas são consideradas parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades ao serem atingidas determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um adicional em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Tomemos algumas lições doutrinárias e jurisprudenciais. Segundo o professor Amauri Mascaro Nascimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras: "Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência.” Nessa mesma linha, o ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro "Curso de Direito do Trabalho", 3° edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: "C.). Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(.). O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (.). Não é diverso o posicionamento do STF acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula 209, nestes termos: "Súmula 209 — SalárioPrêmio, salário —produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade." Fixada a natureza salarial dos prêmios de produtividade, passemos a examinar o regime jurídico das incidência tributária sobre os referidos pagamentos. A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados Fl. 472DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 444 15 empregados e contribuintes individuais faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, devendo constar da contabilidade da empresa, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. A matéria já foi objeto de análise deste Colegiado, resultando em diversos acórdãos no sentido de validar a cobrança do tributo sobre os valores pagos a título de incentivo (hiring bônus e incentive house). Nessa linha os seguintes precedentes: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 “EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INFORMAÇÃO EM GFIP. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO INCENTIVO. MULTA. A falta de informação em GFIP do total da remuneração dos segurados empregados acarreta a lavratura de Auto de Infração, com multa punitiva nos termos do art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social. Verbas pagas através de cartões de premiações integram o salário de contribuição, art. 28 da Lei n. 8.212/91 e devem constar de GFIP. Recurso Voluntário Negado.” (Recurso 149.730, de minha relatoria) [grifo nosso] “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIOAUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO INCENTIVO MULTA – CORESPONSÁVEIS A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. [...] Verbas pagas através de cartões de premiações "Incentive House" integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n. 8.212/91 e devem se prestar ao desconto da contribuição previdenciária devida, relativa a parte do segurado. [...] Recurso negado.” (Recurso 141267 de relatoria da Conselheira Liege Lacroix Thomasi) [grifo nosso] É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade, o que autoriza a sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual Fl. 474DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 445 17 temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% Fl. 475DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença Fl. 476DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 446 19 das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a Fl. 478DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 447 21 GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Juros de mora. Incidência sobre o total do crédito tributário lançado. A recorrente insurgese contra a aplicação dos juros de mora sobre as multas de ofício ou de mora lançadas. O assunto é disciplinado pelo art. 161 do CTN e já foi objeto de Súmula neste Colegiado: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, os juros de mora incidem sobre o total de crédito tributário, seja ele originário de obrigação principal ou de penalidade pecuniária, posto que ambas fazem parte do crédito tributário. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 22 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. A respeito da multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 2. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 3. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 4. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia Fl. 480DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10803.000161/200877 Acórdão n.º 230102.495 S2C3T1 Fl. 448 23 que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 5. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 6. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 481DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 16327.001599/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008
Ementa:
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL.
Depreende-se do disposto na súmula CARF nº 5 que, existindo depósito do montante integral do crédito tributário, o juros de mora não é devido.
PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Constatado que o pagamento foi efetuado antes de iniciado o procedimento e que o lançamento de ofício se deu sem a exigência da multa correspondente, a determinação para que a unidade administrativa competente promova a alocação do referido pagamento ao crédito constituído, não traduz prejuízo de
qualquer natureza para o contribuinte, mas, por outro lado, oportuniza meios para que a Administração possa aferir a efetiva extinção da obrigação.
Numero da decisão: 1302-000.831
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. Depreendese do disposto na súmula CARF nº 5 que, existindo depósito do montante integral do crédito tributário, o juros de mora não é devido. PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado que o pagamento foi efetuado antes de iniciado o procedimento e que o lançamento de ofício se deu sem a exigência da multa correspondente, a determinação para que a unidade administrativa competente promova a alocação do referido pagamento ao crédito constituído, não traduz prejuízo de qualquer natureza para o contribuinte, mas, por outro lado, oportuniza meios para que a Administração possa aferir a efetiva extinção da obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 378DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16327.001599/201036 Acórdão n.º 130200.831 S1C3T2 Fl. 379 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16327.001599/201036 Acórdão n.º 130200.831 S1C3T2 Fl. 380 3 Relatório PORTO SEGURO SEGURO SAÚDE S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas aos anoscalendário de 2005 a 2007, formalizadas a partir da constatação de que a contribuinte, ao determinar a base de cálculo do imposto e da Contribuição, deduziu, indevidamente, os valores referentes à CSLL. Consta dos autos a informação de que a dedução em questão foi feita com base no Mandado de Segurança nº 2001.61.0000213657 e que a contribuinte promoveu os depósitos judiciais decorrentes de tal procedimento. Transcrevo, abaixo, considerações trazidas no Termo de Verificação Fiscal, reproduzidas em primeira instância. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 195/197) 1, constatase, em síntese, o seguinte: Para fins de determinação das bases tributáveis de IRPJ e de CSLL, relativas aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, o interessado procedeu a dedução de valores relacionados a despesas com CSLL, o que resultou na redução do lucro líquido. O interessado esclareceu que a dedutibilidade da CSLL das bases de cálculo do IRPJ e da própria CSLL encontrarseia em discussão judicial nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.61.0000213657. Com este, se pretendia ver afastada a aplicação do art. 1º da Lei nº 9.316/1996, objetivando assegurar o direito de proceder à dedução nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores referentes a despesas com a citada contribuição. Foi deferida medida liminar, a qual foi confirmada por sentença. Ao recurso de apelação interposto pela União Federal foi dado provimento pela Egrégia Quarta Turma do TRF da 3ª Região, reformando a decisão de 1ª instância, conforme decisão publicada em 08/02/2010, permanecendo a vedação expressa à dedução do valor pago a título de CSLL da base de cálculo do IRPJ e da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 9.316/1996. Em decorrência da decisão desfavorável, o fiscalizado efetuou, em 05/03/2010, depósitos judiciais dos valores referentes aos efeitos tributários da dedução da CSLL das bases tributáveis do IRPJ e da própria CSLL, acrescidos dos juros, na forma do § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430/1996. 1 A numeração referese ao registro digital. Na numeração das folhas do processo feita manualmente, o Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 177/179. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16327.001599/201036 Acórdão n.º 130200.831 S1C3T2 Fl. 381 4 Consoante previsto no inciso II do art. 151 da Lei nº LC nº 104/20012, os efeitos tributários relativos às despesas de CSLL, deduzidas nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 das bases tributáveis de IRPJ e da CSLL, permanecerão com suas exigibilidades suspensas, por força dos depósitos judiciais efetuados nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.61.0000213657. Posto isso, procederseá a lavratura dos auto de infração de IRPJ e da CSLL com exigibilidade suspensa e sem cobrança de multa de ofício, a teor do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 221/228), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que, de fato, nos termos do Decretolei nº 1.737/79 e do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80, a propositura de ação judicial implica na renúncia à discussão no âmbito administrativo, quando a matéria questionada em ambas as esferas for idêntica; que, nos casos em que a matéria discutida no âmbito administrativo não foi abordada na esfera judicial, conquanto seja decorrente dela, não há que se falar em renúncia à esfera administrativa; que impetrou o Mandado de Segurança nº 2001.61.0000213657 pleiteando seu direito líquido e certo de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a despesa relativa ao pagamento da CSLL; que a impugnação versava somente sobre o pagamento da CSLL constituída no auto de infração e a não incidência de juros de mora sobre o crédito supostamente devido; que a matéria, por não se identificar com aquela argüida em ação judicial, deveria ser conhecida; que, relativamente ao pagamento dos débitos da CSLL, teria procedido ao recolhimento dos valores relativos à dedução da CSLL sobre a própria base de cálculo, conforme comprovantes de arrecadação que disse anexar; que, não obstante ter ocorrido o correto recolhimento da CSLL, eles foram completamente ignorados e o tributo foi exigido na integralidade, por meio de lançamento de ofício; que, relativamente aos juros de mora, a própria Autoridade Fiscal, no momento da lavratura do auto de infração, já havia reconhecido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário afirmando que: “(...) o fiscalizado efetuou em 05.03.2010 depósitos judiciais dos valores referentes aos efeitos tributários da dedução da CSLL das bases tributáveis do IRPJ e da própria CSLL acrescidos de juros (...)”, razão pela qual já era, à época da autuação, totalmente indevido o cômputo de juros de mora. que, em razão do acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que reformou a sentença, procedeu ao depósito judicial referente ao IRPJ, mantendo a suspensão da exigibilidade deste tributo, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN; 2 Houve equívoco na referência. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade autuante assinalou: "consoante previsto no inciso II do artigo 151 da Lei nº 5.172 (CTN), com as alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 104 de 10.01.2001...". Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16327.001599/201036 Acórdão n.º 130200.831 S1C3T2 Fl. 382 5 que o depósito judicial do montante integral do débito suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, o que afastaria a incidência de juros de mora; que, ainda que no final da ação judicial tivesse seu pleito denegado, os valores depositados, já corrigidos pela taxa Selic, seriam convertidos em renda da União com o devido acréscimo dos juros moratórios utilizados para a correção do depósito; que a impossibilidade da exigência de juros de mora no presente caso seria evidente, tendo em vista, não apenas a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, como também a ausência de infração ou inadimplemento estar cabalmente comprovada. A 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 37.624, de 1º de junho de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DEDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL DOS VALORES APURADOS DE CSLL. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. MESMO OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual, versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente, relativamente à matéria que foi levada a juízo. A discussão prossegue apenas quanto às matérias não discutidas em ações judiciais. DEDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DOS VALORES APURADOS DA PRÓPRIA CSLL. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS EFETUADOS ANTERIORMENTE AO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. Cabe a lavratura de auto de infração para constituir o crédito tributário, apesar de comprovado que, antes do Termo de Início do Procedimento Fiscal, o contribuinte efetuou espontaneamente o pagamento dos tributos de CSLL devidos, por falta de declaração dos débitos em DCTF. JUROS DE MORA JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos sempre, seja qual for o motivo determinante de sua falta, tendo em vista o disposto no caput do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN). Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 337/348, por meio do qual, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, argumenta: que deve ser aplicado o entendimento consolidado na súmula CARF nº 5, eis que, apesar de não possuir efeito vinculante, nos termos do art. 75 do Regimento Interno do CARF, é de observância obrigatória pelos membros do Colegiado de segunda instância; Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16327.001599/201036 Acórdão n.º 130200.831 S1C3T2 Fl. 383 6 que olvidouse a autoridade julgadora de primeira instância que, por incidir remuneração própria sobre o valor depositado judicialmente, não há necessidade de lançamento do juros de mora porque o acréscimo destes, conforme disposto no art. 161 do CTN, é realizado automaticamente pela instituição financeira administradora da conta em que foi efetuado o depósito; que, se houve a extinção do crédito tributário pelo pagamento, nos termos do art. 156, I, do CTN, bem como considerando que a referida extinção ocorreu em momento anterior ao lançamento de ofício, deveria a autoridade julgadora de primeira instância ter julgado improcedente o lançamento em relação à CSLL e cancelado o auto de infração em relação a este tributo. É o Relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16327.001599/201036 Acórdão n.º 130200.831 S1C3T2 Fl. 384 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. O presente processo versa sobre exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos anos calendário de 2005 a 2007, formalizadas a partir da constatação de que a contribuinte, ao determinar a base de cálculo do imposto e da Contribuição, deduziu, indevidamente, os valores referentes à CSLL. A questão da dedutibilidade da CSLL encontrase sendo apreciada no âmbito do Poder Judiciário. A lide, pois, na seara administrativa, limitase aos questionamentos feitos pela contribuinte relativamente à incidência de juros de mora (segundo alega, estes seriam indevidos vez que promoveu o depósito do montante integral do crédito tributário que ainda se encontra em discussão no judiciário) e à exclusão de parcela do crédito tributário lançado (argumenta que, antes de iniciado o procedimento de ofício, efetuou o pagamento da CSLL decorrente da dedução da referida contribuição da sua própria base de cálculo). No que diz respeito à incidência dos juros de mora, acredito que não existe dúvida acerca da integralidade dos depósitos promovidos pela Recorrente, pois, na decisão de primeira instância, resta assinalado: Analisando o relatado pela fiscalização no Auto de Infração de IRPJ (fl. 202) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 195/197), parece não haver dúvidas de que os depósitos judiciais de IRPJ foram efetuados em seu montante integral, suspendendo, assim, a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN. Tanto é assim, que o auto de infração de IRPJ foi lavrado sem multa de ofício e com a exigibilidade suspensa, nos termos do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996, a seguir transcrito: ... Diante de tais circunstâncias, penso, em convergência com o alegado pela autuada, que, ao caso, aplicase o disposto na súmula CARF nº 5, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Relativamente à questão dos pagamentos efetuados, a decisão recorrida consigna: Não obstante a constatação da existência dos pagamentos efetuados a título de CSLL pela contribuinte antes do início do procedimento fiscal e devidamente comprovados pelos documentos de arrecadação, estes não se encontram alocados a Fl. 384DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16327.001599/201036 Acórdão n.º 130200.831 S1C3T2 Fl. 385 8 nenhum débito confessado, uma vez que a contribuinte não os declarou em DCTF e não apresentou retificadora da DIPJ dos referidos anoscalendário. Tal fato resultou na impossibilidade de homologação por parte do Fisco do pagamento efetuado pela contribuinte, pela inexistência de elementos declarados e confessados por ela, para a constituição do crédito tributário, justificandose o lançamento de ofício exarado pela autoridade fiscal, com a finalidade precípua de constituir o crédito tributário, na forma do art. 142 do CTN, formalizandoo e conferindolhe eficácia. Por outro lado, como a interessada apresentou os DARF comprovando os recolhimentos, estes deverão ser alocados ao respectivo crédito tributário constituído no presente lançamento, para efeito de extinção pelo pagamento, na forma do art. 156, inciso I, do CTN. Ainda que algum questionamento possa ser feito ao fundamento utilizado pela Turma Julgadora de primeiro grau para manter o lançamento (ausência de DCTF), creio que, na situação retratada nos autos, a manutenção ou não da exigência conduz ao mesmo resultado, qual seja, a extinção da obrigação. Assim, considerando que: a) não obstante a afirmação de que a contribuinte aportou aos autos documentos (DARF) que confirmam os recolhimentos, é conveniente que a unidade administrativa competente promova as verificações que possibilitem aferir que o crédito tributário constituído, relativo à CSLL e decorrente da dedução da sua própria base de cálculo, foi efetivamente extinto; b) a confirmação referenciada no item anterior não traduz prejuízo de qualquer natureza para a Recorrente, representando, por outro lado, possibilidade de alocação dos pagamentos efetuados; Sou pelo provimento parcial do recurso para excluir de tributação os juros de mora incidentes sobre as parcelas lançadas e que foram objeto de depósito do montante integral, e, na linha do decidido em primeira instância, para determinar que a unidade administrativa competente promova a alocação dos pagamentos efetuados a título de CSLL ao crédito tributário correspondente. Sala das Sessões, em 01 de fevereiro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 385DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16327.001599/201036 Acórdão n.º 130200.831 S1C3T2 Fl. 386 9 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 11020.001955/2006-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO AO PIS
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO.
INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES.
Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o
julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem Como para sanar possível erro material existente no acórdão.
Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão
embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado.
Embargos de declaração conhecidos e rejeitados.
Numero da decisão: 3202-000.425
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO AO PIS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 11020.001955/200666 Acórdão n.º 3202000.425 S3C2T2 Fl. 174 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos contra o Acórdão n.º 3202 00.234, que por unanimidade de votos deu provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, em face de contradições e obscuridades a seguir apontadas: a) a doutrina de Marco Aurélio Greco seria contraditória à decisão, na medida em que afirma não existir dispositivo que, categoricamente, determine que insumo deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação do IPI, enquanto que, por outro lado, nenhum dispositivo legal determina a equiparação de insumo à legislação do IRPJ; b) afirmase, no acórdão embargado, que não se pode equiparar conceitos e situações relacionados a tributos de materialidade distintas, como receita e industrialização, quando, posteriormente, equipara tais conceitos e situações em relação a dois tributos de materialidade igualmente distintas (receita e lucro líquido); e c) a legislação do IRPJ insere entre os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica os gastos com pessoal, enquanto a legislação do PIS e da COFINS veda expressamente o aproveitamento de créditos relativos à mão deobra paga a pessoas físicas (art. 3º, § 2º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03); d) há obscuridade quanto ao“ efetivo alcance da transposição dos conceitos de custos e para o âmbito do PIS e da COFINS”. . Transcrevo, a seguir, o trecho da ementa do Acórdão n.º 320200.234 objeto dos presentes embargos: “REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço...” É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 11020.001955/200666 Acórdão n.º 3202000.425 S3C2T2 Fl. 175 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Os Embargos foram apresentados tempestivamente, motivo pelo qual dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões apontadas pela Embargante. Por primeiro, cabe destacar que os insumos que foram glosados pela fiscalização são materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos, sendo que, atualmente já existem diversas soluções de consulta que permitem o aproveitamento desse tipo de dispêndio, inclusive os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos. Cito apenas algumas mais recentes para confirmar o entendimento da RFB: n°s 96/2011 e 13/2011 da SRRF da 8ª Região Fiscal; n°s 4/11 e 147/10 da SRRF da 10ª Região Fiscal; e 36/11 da SRRF da 9ª Região Fiscal. Por fim cito também a Solução de Divergência nº 14/2007. Passo, a seguir, a analisar as questões apresentadas pela Embargante. Supostas Contradições A primeira contradição apontada pela Embargante é no que diz respeito ao fato de que a doutrina do Marco Aurélio Grego, citada no acórdão embargado, seria contraditória à decisão ora analisada, na medida em que dita doutrina afirma não existir dispositivo que, categoricamente, determine que insumo deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação do IPI, enquanto que, por outro lado, nenhum dispositivo legal determina a equiparação de insumo à legislação do IRPJ. Ora, não há qualquer contradição entre a doutrina de Marco Aurélio Greco e a decisão embargada, muito pelo contrário, este serve apenas como suporte à impossibilidade de utilização dos conceitos trazidos na legislação do IPI para a sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS. Portanto, não existe qualquer contradição no acórdão guerreado, na medida em que a doutrina ora analisada serviu para suportar o afastamento da aplicação do conceito de IPI para o caso concreto, de sorte a abrir espaço para se demonstrar a aplicabilidade do conceito de insumo existente na legislação de IRPJ. Superada a primeira contradição apontada pela Embargante, cumpre agora enfrentar a segunda, qual seja, a afirmação, no acórdão embargado, que não se pode equiparar conceitos e situações relacionados a tributos de materialidade distintas, como receita e industrialização, quando, posteriormente, equipara tais conceitos e situações em relação a dois tributos de materialidade igualmente distintas (receita e lucro líquido). Em nosso sistema jurídico, vêse que não se pode equiparar conceitos e situações relacionados a tributos de materialidade absolutamente distinta, no caso, receita (PIS/COFINS) e industrialização de produto (IPI). A Embargante não se ateve que, embora a materialidade de receita e lucro sejam distintas, apresentam maiores similitudes do que a materialidade de receita e industrialização. Na verdade, a discussão em tela deveria ter sido objeto de recurso voluntário, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 11020.001955/200666 Acórdão n.º 3202000.425 S3C2T2 Fl. 176 já que a Embargante busca, na realidade, reformar a decisão através de embargos de declaração. Supostas Obscuridades Em relação à vedação ao aproveitamento de créditos relativos à mãodeobra paga a pessoas físicas, prevista no artigo 3º, § 2º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, entendo inexistir qualquer obscuridade, pois se analisarmos as técnicas legislativas constantes da Lei Complementar nº 95/98, que dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, conforme determina o parágrafo único, do artigo 59 da Constituição Federal, veremos que a função dos parágrafos é justamente expressar os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida, verbis: “ Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: ... III para a obtenção de ordem lógica: ... c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida...” (grifamos). Cabe aqui, inclusive, trazer a lição do Ministro Gilmar Ferreira Mendes e de Nestor José Foster Junior a respeito das questões fundamentais de técnica legislativa: “Os parágrafos constituem, na técnica legislativa, a imediata divisão de um artigo, ou, como anotado por Arthur Marinho, ‘(...) parágrafo sempre foi, numa lei, disposição secundária de um artigo em que se explica ou modifica a disposição principal.’” (Manual de redação da Presidência da República, 2. ed. rev. e atual. – Brasília : Presidência da República, 2002, p. 81 grifamos). Vêse, portanto, que o § 2º, do artigo 3º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, ao dizer que “não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física”, excetuou o caput do referido artigo, cuja redação é a que segue: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a...”. Não há qualquer obscuridade a ser sanada, pois se forem obedecidas as disposições contidas na Lei Complementar nº 95/98, veremos que não existe a necessidade de se reafirmar aquilo que é inerente à técnica legislativa, ou seja, de que o referido § 2º, do artigo 3º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03 excepcionou o direito de crédito dos contribuintes em relação ao valor da mãodeobra paga a pessoa física. O mesmo ocorre em relação ao § 3º, do artigo 3º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, que também limita o direito de crédito dos contribuintes, senão vejamos: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 11020.001955/200666 Acórdão n.º 3202000.425 S3C2T2 Fl. 177 “§ 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.” Ora, tais limitações também devem ser respeitadas no momento do aproveitamento dos créditos para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos. Se houve, por exemplo, pagamento de custos e despesas a pessoa jurídica domiciliada no exterior, não haveria a possibilidade de creditamento desses montantes, ainda que para fins de IRPJ, possam ser considerados dedutíveis. No que diz respeito à decisão da CSRF citada no acórdão ora embargado que admite o conceito de insumo como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada, é de se destacar que os insumos acatados como passíveis de creditamento foram os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados pela frota de veículos para transporte de insumos entre estabelecimentos do contribuinte e com a remoção de resíduos industriais de empresa produtora de peles e artefatos de couro, o que reforça o entendimento no sentido de que os insumos a serem considerados na sistemática não cumulativa do PIS e COFINS não são somente aqueles ligados à produção ou à prestação de serviços. Efeitos Infringentes Por fim, cabe frisar que as matérias expostas nas razões recursais como supostas contradições e/ou obscuridades encontramse devidamente enfrentadas no acórdão embargando, demonstrando que o fato o qual se busca é a reforma da decisão ora analisada, ou seja, a Embargante, ao trazer à baila assuntos devidamente abordados no acórdão embargado, tentar imprimir efeitos infringentes ao seu recurso, o que é amplamente rechaçado pelos tribunais pátrios quando não existe omissão, contradição ou obscuridade nas decisões, podendo se apontar diversas decisões do STF e STJ acerca do tema, destacandose as seguintes: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA. ISENÇÃO DE ICMS NA IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS ADVINDOS DE PAÍSES SIGNATÁRIOS DO GATT. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRETENSÃO DE REFORMA DO JULGADO: IMPOSSIBILIDADE. 1. Os embargos de declaração não constituem meio processual cabível para reforma do julgado, não sendo possível atribuirlhes efeitos infringentes, salvo em situações excepcionais. 2. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade a sanar. A parte embargante repisa argumentos já devidamente apreciados por esta Turma. 3. Os dispositivos constitucionais tidos como violados não foram abordados pelo acórdão recorrido, nem foram opostos embargos de declaração para satisfazer o requisito do prequestionamento. Incidência das Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 11020.001955/200666 Acórdão n.º 3202000.425 S3C2T2 Fl. 178 Súmulas STF 282 e 356. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 603012, STF, rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, Julgamento: 07/06/2011). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. EMBARGOS REJEITADOS. I Os Embargos de Declaração são recurso de natureza particular, cujo objetivo é esclarecer o real sentido de decisão eivada de obscuridade, contradição ou omissão. II A alteração do resultado do julgamento em razão do acolhimento dos Embargos de Declaração é situação excepcional, que se dá quando o efeito infringente decorre necessariamente do suprimento do vício, mas não quando se entende que a solução proposta nos Embargos é mais justa do que aquela constante da decisão embargada. III Embargos de Declaração rejeitados.(EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 897271, STJ, rel. Min. Sidnei Beneti, Terceira Turma, Julgamento: 24/02/2011). Em face do exposto, conheço dos embargos e os rejeito pelas razões acima aduzidas. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009337/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciátios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.041
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciátios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ; - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.009337/2007-24 Recurso n° 163.472 Voluntário Acórdão n° 2401-01.041 - 4' Câmara / P Turma Ordinária • Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL DO PARANÁ Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciátios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante rt° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das • contribuições apuradas. • ELIAS SAM AIO FREIRE - Presidente Shata Iii, •-t _,...~- -tnnarr RYCAKDO rI NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator K x,Participaram, do presente \'nig. ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kieber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de a, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. I 2 Processo n°10980009337/2007-24 S2-C4T1 • Acórdão n.° 2401-01.041 Fl, 124 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n°35301.004061/2007-li, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos • previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Finculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). É o relatório. 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.00406112007-11, Recorrente: KOBE FUJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. . Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. i 11 Sala das Sess 1 s, em 24 de fevereiro de 2010 .1 I Milha A I _ RYCARDO riltrUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator / 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10980.009337/2007-24 Recurso n°: 163472 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) ' Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.041 Braãi de março de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência : [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração 'Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720227/2007-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2003, 2004, 2005
NULIDADE DO PROCESSO NÃO CARACTERIZAÇÃO
Os constrangimentos e prejuízos alegados pela Contribuinte, e suas eventuais conseqüências, em razão da inscrição dos débitos em Dívida Ativa e principalmente da instauração de ação penal antes que fosse proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito
tributário correspondente, contrariando o disposto no art. 83 da Lei 9.430/1996, não são matérias a serem examinadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, sem prejuízo de que tais alegações sejam examinadas nas esferas competentes, visando a apuração das causas da falha administrativa, a reparação de eventuais danos, etc. Tais fatos, contudo, não implicam na nulidade do processo administrativo, que
trata especificamente da constituição de crédito tributário, e que retomou seu curso normal após a verificação do problema.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Ano calendário:2003, 2004, 2005
AUTUAÇÃO COM BASE EM INFORMAÇÕES COLHIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL
Não havendo apropriação de conclusões ou inferências desenvolvidas em processos fiscais da Fazenda Estadual, nem autuação por omissão de receitas verificadas por aquele outro Fisco, e tampouco autuação de SIMPLES fundada em lançamento de ICMS, mostra-se improcedente a alegação de uso de prova emprestada. Os registros efetuados nos livros de ICMS são
perfeitamente válidos para a caracterização de operações de vendas de mercadorias, que, nessa condição, dão ensejo ao auferimento de receitas.
Numero da decisão: 1802-001.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2003, 2004, 2005 NULIDADE DO PROCESSO NÃO CARACTERIZAÇÃO Os constrangimentos e prejuízos alegados pela Contribuinte, e suas eventuais conseqüências, em razão da inscrição dos débitos em Dívida Ativa e principalmente da instauração de ação penal antes que fosse proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente, contrariando o disposto no art. 83 da Lei 9.430/1996, não são matérias a serem examinadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, sem prejuízo de que tais alegações sejam examinadas nas esferas competentes, visando a apuração das causas da falha administrativa, a reparação de eventuais danos, etc. Tais fatos, contudo, não implicam na nulidade do processo administrativo, que trata especificamente da constituição de crédito tributário, e que retomou seu curso normal após a verificação do problema. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2003, 2004, 2005 AUTUAÇÃO COM BASE EM INFORMAÇÕES COLHIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL Não havendo apropriação de conclusões ou inferências desenvolvidas em processos fiscais da Fazenda Estadual, nem autuação por omissão de receitas verificadas por aquele outro Fisco, e tampouco autuação de SIMPLES fundada em lançamento de ICMS, mostra-se improcedente a alegação de uso de prova emprestada. Os registros efetuados nos livros de ICMS são perfeitamente válidos para a caracterização de operações de vendas de mercadorias, que, nessa condição, dão ensejo ao auferimento de receitas.
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005 AUTUAÇÃO COM BASE EM INFORMAÇÕES COLHIDAS JUNTO AO FISCO ESTADUAL Não havendo apropriação de conclusões ou inferências desenvolvidas em processos fiscais da Fazenda Estadual, nem autuação por omissão de receitas verificadas por aquele outro Fisco, e tampouco autuação de SIMPLES fundada em lançamento de ICMS, mostrase improcedente a alegação de uso de prova emprestada. Os registros efetuados nos livros de ICMS são perfeitamente válidos para a caracterização de operações de vendas de mercadorias, que, nessa condição, dão ensejo ao auferimento de receitas. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 504 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 505 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 2 a 75, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 60.193,69, R$ 60.193,69, R$ 109.697,90, R$ 219.395,97 e R$ 360.397,50, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e as multas de 75% e 150%, que variaram conforme o tipo de infração apurada. O lançamento abrangeu o período de abril/2003 a dezembro/2005. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1125.265, fls. 448 a 454: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuado junto à contribuinte, no qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, consta que, apesar de a contribuinte não ter apresentado as Declarações Anuais Simplificadas relativas aos anos calendários de 2003, 2004 e 2005, e nem ter efetuado pagamento do SIMPLES, exceto relativo aos períodos de apuração de janeiro a junho de 2003, foi constatada a existência de entrada e saídas de mercadorias, detectadas nos Livros de Apuração do ICMS e nas documentações fornecidas pela Secretaria de Fazenda do Rio Grande do Norte. Foram considerados como receita bruta conhecida, os valores constantes dos Livros de Apuração do ICMS, às fls. 88/164, e nos DARFs (fl.81). As diferenças entre os valores constantes dos Livros Fiscais, e os valores informados nos DARF's foram considerados como omissão de receita e consolidados nos demonstrativos às fls 79 e 03 (Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta). Assim, a fiscalização procedeu à autuação apontando as seguintes irregularidades: I Da autuação. 1) DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Nos meses de abril, julho e agosto a dezembro de 2003; janeiro a dezembro de 2004; e janeiro a dezembro de 2005, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), decorrente da diferença entre as bases de cálculo informados nos DARF's (fl.81) e as bases de cálculo apuradas através do Livro de Apuração de ICMS, fls. 88/164, aplicandose a alíquota apropriada a cada período de apuração. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 506 4 2) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, dos meses de janeiro e fevereiro de 2003, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), decorrente da diferença apurada relativa à utilização de percentual inferior ao efetivamente aplicável sobre a receita bruta declarada nos DARF's. Consoante a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos autos de infração em lide, tendo em vista a conduta reiterada da contribuinte, por anos consecutivos, de não declarar e não pagar ao fisco federal os tributos e contribuições sobre as receitas auferidas, a contribuinte demonstrou o evidente intuito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ensejando na aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores. Tendo em vista a ocorrência, em tese, de crimes contra a ordem tributária, foi efetuado a Representação Fiscal para Fins Penais. II. Da impugnação. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, a sua peça impugnatória, às fls. 398/416 na qual questiona integralmente os autos de infração, apresentando seus argumentos de defesa, abaixo descritos sucintamente. Preliminarmente a impugnante se insurge contra a sua exclusão do SIMPLES, alegando que não poderia ser autuada, bem como tributada, fora da sistemática simplificada tendo em vista não ter sido concluído o contraditório acerca de sua exclusão. Relativamente ao mérito do lançamento em lide a impugnante alega que a fiscalização, para apuração da receita auferida pela empresa, se utilizou apenas do documento do Fisco Estadual do Rio Grande do Norte (MOVECO) onde se encontra demonstrado o montante de saída de mercadorias caracterizando, desta forma, a utilização de prova emprestada representa apenas indício, não podendo ser considerada prova da omissão de receita, visto que não foram confrontados com qualquer elemento ou análise contábil. Assevera ainda que pode existir saída de mercadorias sem receita, como por exemplo, mercadoria devolvida, bem como pode existir receita sem saída de mercadoria (Ex. Receitas não operacionais). Sobre a prova emprestada a impugnante cita em sua petição entendimentos doutrinários e julgados administrativos e judiciais. A impugnante alega ter havido tributação com duas bases de cálculo, uma com o valor omitido nas PJSI e outra com o valor encontrado no MOVECO e Livro de Apuração de ICMS, “pois aqueles valores já estão contidos nestes, havendo deste modo um bis em idem”(sic). Fl. 506DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 507 5 Diante deste entendimento a impugnante requer a exclusão dos valores cobrados do IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS, nos anos calendários de 2003, 2004 e 2005, relativamente aos valores omitidos na DIPJ SIMPLES, devendo permanecer os valores cobrados com base nos valores encontrados no MOVECO e no Livro de Apuração do ICMS. A impugnante se insurge contra as multas lançadas de 150% e 75% alegando terem caráter confiscatório, e contra a utilização da taxa SELIC na cobrança dos juros moratórios alegando inconstitucionalidade da mesma. Concluindo a impugnante requer: a) sejam sobrestados os autos de infração em lide por existir questão prejudicial ao julgamento, em atendimento aos princípios constitucionais de direito de petição, devido processo legal, ampla defesa e contraditório; b) a improcedência dos lançamentos haja vista não poder ser considerada omissão de receita os valores referentes a saída de mercadorias com base em prova emprestada do Fisco Estadual; c) caso não seja acolhido o pleito no item “b”, requer: c.1) a retirada da base de cálculo do IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS; c.2) a redução das multas lançadas, reconhecendo a inconstitucionalidade pleiteada; c.3) retirada a taxa SELIC da cobrança dos juros moratórios, reduzindoo para um percentual de 1% ao mês. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve integralmente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO. Cabe o lançamento dos valores constantes na escrituração da contribuinte quando superiores aos declarados. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos, ou valores declarados a menor, em face de utilização de alíquota inferior à efetivamente aplicável. PROVA EMPRESTADA. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 508 6 Não constitui prova emprestada a receita bruta apurada de acordo com as escrituradas nos Livros de Apuração do ICMS da contribuinte. JUROS DE MORA (TAXA SELIC) MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A cobrança em auto de infração da multa de ofício e dos juros de mora (calculados pela TAXA SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/03/2009, a Contribuinte apresentou em 16/04/2009 o recurso voluntário de fls. 468 a 483, desenvolvendo argumentos sobre os tópicos descritos a seguir: DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO em de 22 de maio de 2007, a Contribuinte foi autuada por este ente tributante federal, nascendo, desse modo, em respeito aos consagrados princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório, o seu prazo de 30 dias, conforme prescreve o Decreto 70.235/72, para apresentar “Impugnação” ao Auto de Infração; no dia 21 de junho de 2007, portanto, “tempestivamente”, a própria Contribuinte dirigiuse à Receita Federal do Brasil, onde, tempestivamente, protocolizou a sua Impugnação; a partir daí, passou a Contribuinte a aguardar o julgamento do “então” pedido de impugnação no bojo do processo administrativo fiscal, que deveria ter instaurado, uma vez que houve a apresentação tempestiva da impugnação; enquanto isso, o Ente Tributante instaurou o Processo n° 10469.720229/200703, o qual tratava de uma “Representação Fiscal para fins penais”, com fundamentação expressa de que não teria sido apresentada “impugnação à exigência fiscal” (fl. 190 doc. em anexo), o que não representava a realidade; por um equívoco do órgão fiscal, a Contribuinte viu desrespeitado flagrantemente o Princípio Constitucional do Devido Processo Legal Administrativo Tributário, tendo suportado, dado esse erro, o ônus de um “Processo Criminal”, causandolhe prejuízo incomensurável; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 509 7 a Receita Federal não deu guarida ao direito de petição a partir do momento em que deixou de registrar em seus sistemas de informação o protocolo da impugnação; a supressão e inversão de fases do processo administrativo além de ter gerado repercussões de órbita formal, dada a ineficácia da petição regular e tempestivamente notificada, como dito alhures, se tornou fonte do mais absurdo constrangimento à representante legal da empresa contribuinte; esta, mesmo tendo protocolizado em tempo hábil impugnação administrativa, teve que assistir ao constrangedor rito processual penal inaugurado em seu desfavor, culminando em citação; intimação para audiência de interrogatório judicial, etc; não é conveniente a ninguém, sobretudo quando se trata de processo penal, ser constrangido a responder por infrações penais as quais ainda sequer haviam sido caracterizadas, haja vista a inexistência de decisão administrativa final que definisse a existência do débito tributário; por um erro no processo administrativo fiscal, sobretudo depois que notificado o Ministério Público Federal, foi ajuizada a ação penal competente, sem haver, contudo, indícios sequer da materialidade, para não falar de outros requisitos como a existência de justa causa; o processo não pode funcionar como cobertor de negligências, nem muito menos pode atuar como escudo das ilegalidades, muito pelo contrário, o processo, quando não trilhar o caminho estabelecido em lei, deverá, por isso, ser aniquilado no todo, pois, somente assim, caminharão as partes sob o pálio do devido processo legal; DO MÉRITO caso este Egrégio Colegiado Administrativo não acate as preliminares argüidas anteriormente, em compasso com o princípio da eventualidade, adentraremos no âmago das razões do mérito, pelos fundamentos e fatos que a impugnante passa a expor; no caso em tela, observamos que os servidores responsáveis lançaram mão de diversos expedientes não autorizados por lei, o que, antes de tudo, se constituiu como ato declaradamente atentatório ao direito do contribuinte; quanto à motivação do próprio ato, em nenhum momento se retratou de forma fidedigna a realidade que desse guarida à autuação; o próprio órgão julgador reconheceu que todas as provas que deram sustentação à autuação decorreram do empréstimo feito ao Fisco Estadual, no que toca à apuração do ICMS; ora, se toda a prova carreada foi emprestada, se tem como certo que a autuação federal só foi possível pela interferência do que já era tido como claro no âmbito da Fazenda Estadual, não poderia ter a Receita Federal tomado como premissa a fundamentar sua autuação as provas única e exclusivamente decorrentes das informações prestadas pelo Fisco Estadual, as quais, nesta perspectiva, só poderiam ser consideradas com indícios a ensejar aprofundamento investigatório pelo Fisco Federal, até porque, as bases de cálculo dos tributos Fl. 509DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 510 8 estaduais e federais em tela são completamente distintas, ensejando em “erro” a autuação federal com base em informações fiscais estaduais; este é o tom dado pelos mais variados precedentes administrativos e jurisprudenciais (ementas transcritas); é pacífico que o empréstimo de prova constitui indício, um caminho a seguir, para que a autoridade tributária, que se obriga ao ônus da prova, busque a verdade material dos fatos; no que tange ao caso concreto, “omissão de receita” é fato imponível dos impostos cuja base de cálculo é a receita bruta, já o ICMS, constante no MOVECO, incide sobre a circulação de mercadorias e não sobre as aludidas omissões de receitas; o ICMS e o IRPJ não podem ser cobrados sobre a mesma base de cálculo, eis que no IRPJ as receitas nãooperacionais integram sua base de cálculo, o que não ocorre no ICMS, que não inclui tais receitas; as provas emprestadas que lastreiam o Auto de Infração em tela, referente à saída de mercadorias dos anoscalendário em questão, tão somente estabelece uma presunção de omissão de receitas tributáveis, o que deve ser subsumido com outras hipóteses e análise de outros elementos contábeis, o que não ocorreu na presente hipótese; devem ser expurgadas do âmbito processual todas as provas ilegais, das quais são espécies as provas ilícitas quando atingem normas de direito material com repercussão na Constituição Federal de 1988, e as provas ilegítimas quando desafiam normas de orbe meramente formal, sem maiores repercussões no texto constitucional; estamos diante de provas desprezíveis, não podendo servir de base à autuação discutida por tudo que já foi exposto. Este é o Relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 511 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período abril/2003 a dezembro/2005. A autuação está fundamentada em omissão de receita, apurada com base nos Livros de Apuração do ICMS e nas documentações fornecidas pela Secretaria de Fazenda do Rio Grande do Norte. Pela alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, a omissão de receita repercutiu em uma outra infração insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. Para a primeira infração, foi aplicada a multa qualificada de 150%, e para a segunda, a multa de 75%. Quanto à preliminar, cabe esclarecer que de fato houve um equívoco da Administração Tributária em relação à apresentação da impugnação. O processo foi encaminhado indevidamente à Procuradoria da Fazenda Nacional, para a inscrição dos débitos em dívida ativa, e a representação fiscal para fins penais foi encaminhada ao Ministério Público Federal, como se a Contribuinte não tivesse impugnado os autos de infração. Contudo, a falha processual foi suscitada e sanada. O presente processo administrativo retomou o seu curso normal, com a apreciação da impugnação, e, agora, com o exame do recurso voluntário. Os constrangimentos e prejuízos alegados pela Contribuinte, e suas eventuais conseqüências, em razão da instauração de ação penal antes que fosse proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente, contrariando o disposto no art. 83 da Lei 9.430/1996, não são matérias a serem examinadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Com efeito, essa matéria não é, e nem poderia ser, objeto do presente “processo administrativo fiscal”, que trata especificamente da constituição de crédito tributário, na modalidade do regime simplificado – Simples, sem prejuízo, contudo, de que as alegações da Contribuinte sejam apresentadas e examinadas nas esferas competentes. Mas nada disso implica em nulidade do presente processo administrativo, que, como já mencionado, retomou o seu curso normal. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 512 10 Em relação ao mérito, toda a argumentação da Recorrente se concentra na questão da prova emprestada. A decisão recorrida enfrentou essa matéria com os seguintes argumentos: Com relação às argüições referentes à “prova emprestada” aduzidas pela defesa, que veementemente contesta a sua utilização nos presentes autos, mister se transcrever o entendimento de doutrinadores sobre essa figura, a fim de concluir que na autuação que ora se analisa não houve a incorporação aos autos da designada “prova emprestada”, conforme abaixo transcrito: “A doutrina processual dá o nome de prova emprestada àquela que, produzida num processo, seja por documento, testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame pericial, possa ser trasladada e aproveitada por outro, por meio de certidão extraída do processo de origem” (Moacyr Amaral dos Santos). “Em princípio, nada impede que se aplique ao processo administrativo tributário o instituto da prova emprestada. As partes podem produzir ou protestar pela produção de provas produzidas em outro processo, desde, é óbvio, que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer... É indispensável, todavia, que a prova emprestada ofereça elementos pertinentes à caracterização do fato gerador do ente tributante que a tomou por empréstimo”. (Paulo Celso Bonilha). Nos autos de infração em lide os valores considerados pela fiscalização como receita bruta auferida se encontram escriturados nos Livros de Registro de Apuração do ICMS nos códigos referentes a saídas de mercadorias oriundas de vendas discriminadas nos seguintes códigos: 5.102 Venda de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros; 5.103 Venda de produção do estabelecimento, efetuada fora do estabelecimento. Classificamse nesse código as vendas efetuadas fora do estabelecimento, inclusive por meio de veículo, de produtos industrializados no próprio estabelecimento; 5.403 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituto; 6.102 Venda de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para outros Estados. Diante do acima exposto, não assiste razão à impugnante ao alegar a existência de prova emprestada nem tampouco se referirem à saída de mercadoria que não represente receita operacional da empresa. Realmente, não há qualquer problema relativo às provas coletadas pela Fiscalização. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 513 11 A meu ver, o debate sobre prova emprestada deve ser travado levando em conta dois aspectos. O primeiro deles diz respeito à própria força probatória dos elementos tomados de empréstimo, eis que eles devem guardar pertinência com os fatos (fatos geradores para o Direito Tributário) que se pretende provar no outro processo. Na ótica do Direito Tributário, vale sempre lembrar que os tributos possuem hipóteses de incidência diferentes, e, portanto, a comprovação da ocorrência de fato gerador de um tributo não implica necessariamente na ocorrência de fato gerador de outro tributo. Nesse sentido, o verdadeiro problema não é tomar de empréstimo os fatos do outro processo, mas as suas conclusões. Contudo, não é esse o caso dos autos. Não se trata aqui de autuação baseada em omissão de receitas verificada em outro processo, e tampouco de autuação de tributos federais fundada em lançamento de ICMS. Não houve qualquer apropriação de conclusões ou inferências desenvolvidas em processos fiscais da Fazenda estadual, de modo a caracterizar o uso de prova emprestada, mas sim a utilização válida de informações constantes de livros fiscais, que também foram prestadas pela própria Contribuinte ao Fisco Estadual, e que, sem margem para dúvidas, retratam operações de venda de mercadorias não oferecidas à tributação pelo Simples. O segundo aspecto da prova emprestada é referente ao exercício da ampla defesa e do contraditório. Há situações em que a parte interessada deixa de contestar fatos em um processo, e, posteriormente, pretende discutilos em outro processo. Problemas dessa espécie são mais comuns na esfera do Processo Civil, regido pelo Princípio Dispositivo, onde determinados fatos, quando não são contestados, passam a ser tomados como verdadeiros. Mas essa situação também não está aqui configurada, porque o processo administrativo fiscal oferece à Contribuinte ampla margem para a contestação de fatos, o exame e reexame dos mesmos, etc. No intuito, então, de desconstituir as informações por ela mesma produzidas, deveria a Contribuinte ter demonstrado a ocorrência de erro, comprovado que de fato não se tratam de operações relativas a vendas de mercadorias, mas sim de outras saídas que não ensejam o auferimento de receitas, etc. Mas nada disso a Contribuinte buscou comprovar. Sua postura consistiu simplesmente em lançar dúvidas genéricas sobre a base de cálculo apurada pela Fiscalização, base essa que está amparada em operações de vendas de mercadorias que a própria Contribuinte escriturou nos Livros Fiscais de ICMS e declarou ao Fisco Estadual. Nestes termos, não merece reparo a decisão recorrida. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.720227/200714 Acórdão n.º 180201.071 S1TE02 Fl. 514 12 Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 514DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002173/2003-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Ano calendário: 1.999
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO.
Sempre que solicitado, o contribuinte deverá comprovar a existência da área de preservação permanente, como condição para o gozo da redução do ITR.
Numero da decisão: 2102-001.784
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR o pedido de diligência feito pelo patrono do contribuinte interessado, inclusive como também constou em petição protocolizada neste CARF em 06/02/2012, que o colegiado
ouviu o relato, pois se trata de matéria estranha ao recurso de ofício e que sequer constava dos autos. Ainda, por maioria de votos, acordam em DAR provimento ao recurso de oficio,
reformando a decisão recorrida. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos
Moura.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Ano calendário: 1.999 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Sempre que solicitado, o contribuinte deverá comprovar a existência da área de preservação permanente, como condição para o gozo da redução do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR o pedido de diligência feito pelo patrono do contribuinte interessado, inclusive como também constou em petição protocolizada neste CARF em 06/02/2012, que o colegiado ouviu o relato, pois se trata de matéria estranha ao recurso de ofício e que sequer constava dos autos. Ainda, por maioria de votos, acordam em DAR provimento ao recurso de oficio, reformando a decisão recorrida. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator) que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Outros eventos ocorridos: Fez sustentação oral o patrono do contribuinte interessado, Dr. Fabio Ayres Bortolassi, OABSP n.o 119.998. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.002173/200389 Acórdão n.º 2102001.784 S2C1T2 Fl. 100 2 ATILIO PITARELLI Relator Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso de Ofício face decisão da 1a Turma da DRJ/REC, de 28 de abril de 2.006 (fls. 46/50), que por unanimidade devotos julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, reduzindo assim o crédito tributário que no valor original era de R$ 3.177.883,95, sendo R$ 1.289.882,68 a título de imposto, R$ 920.589,26 de juros de mora, R$ 967.412,01 de multa, que recaiu sobre imóvel rural denominado Fazenda Nova Jerusalém, localizado no município de Formosa do Rio PretoBA, cadastrado na SRF sob o n.o 2.440.5310, com área total de 68.218,0 hectares. No auto de infração, as infrações estão assim descritas: Em procedimento fiscal de revisão interna da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DIAC/DIAT) do exercício 1999, intimei o contribuinte a apresentar documentos comprobatórios das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada. Tendo em vista a falta de atendimento à intimação, efetuei o Lançamento de Oficio com base nas informações disponíveis, nos termos dos artigos 14 e 15 da Lei n° • 9.393/1996, em que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados, conforme demonstrativo de apuração do ITR e da multa e juros de mora 001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ÁREA TRIBUTÁVEL Redução indevida da base de cálculo do ITR via declaração de Área de Preservação Permanente e de Utilização Limitada. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.002173/200389 Acórdão n.º 2102001.784 S2C1T2 Fl. 101 3 O contribuinte, regularmente intimado, não comprovou a existência das citadas áreas em 01/01/1999 e que as mesmas preenchiam todos os requisitos necessários para isenção do ITR. SUBAVALIAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) Constatada a subavaliação do VTN declarado em relação ao preço de mercado em 01/01/1999, á vista do disposto no art. 3°, parágrafo único, alínea "a" da IN SRF n° 94/1997, efetuouse a apuração do 1TR utilizando o valor de VTN/ha de R$ 94,74 informado pelo Sistema de Preços de Terras, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393/1996 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 01/01/1999 RS 1.289.882,68 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 20, 30 e 16 da Lei n° 4.771/65, alterada pela Lei n° 7.803/1989(Art. 10, §1 0 , incisos I e II, "a", "b" e "c" da Lei n° 9.393/1996; Art. 1°; 6°, §2°; 14 e 15 da Lei n° 9.393/1996; Art. 10, S4°, inc. I, II e III da IN S132 n°43/1997, com a redação da IN SRF n°67/1997. Assim, conforme demonstrativo de fl. 14, a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre da não comprovação da área de preservação permanente de 47.109,0 hectares, considerada pela autoridade fiscal autuante como tributável a área total do imóvel, que é de 68.218,0 hectares, e o VTN, que foi declarado em R$ 13.559,94, quando o apurado foi de R$ 6.462.973,32, que redundou na diferença do imposto suplementar em R$ 1.289.882,68, considerando o valor já apurado pela Recorrente de R$ 2.711,98. A Recorrente impugnou a exigência fiscal (fls. 23/25), alegando que não recebeu a intimação para apresentação dos documentos nela mencionados, e caso tivesse recebido, a ela daria cumprimento, pois em obediência à legislação, no prazo regulamentar, apresentou o ADA ao IBAMA juntamente com a DITR de 1.997 (fl. 26), em 09/09/1998, e quanto ao VTN, que o valor por ela atribuído de R$ 1.213.761,10 corresponde com o valor de mercado, pois o seu imóvel está localizado no sertão da Bahia, não podendo o fisco tomar por base os valores constantes no Sistema de Preços de Terras, para fixálo em R$ 7.632.907,84. Os valores constantes do parágrafo anterior, mencionados na impugnação, referemse ao valor total do imóvel, e não do VTN, conforme comprova o demonstrativo de fl. 14, cabendo ainda consignar que a área declarada no ADA como de preservação permanente, constante à fl. 26, é de 43.109,0 hectares, e não 47.109,0, declarada pelo contribuinte para a exclusão da base de cálculo e glosada pela autoridade fiscal lançadora. Ao apreciar a impugnação, a decisão proferida reduziu o valor do imposto para R$ 473.053,35, e com isto, os valores dos acréscimos, uma vez que aceitou o ADA juntado pelo Recorrente, e com isto, reduziu a área tributável para 25.109,0 (área total: 68.218,0 hectares APP constante no ADA: 43.109,0 hectares) e por considerar insignificante o VTN declarado, de R$ 0,64 o hectare, para qualquer região do país, e não ter assim, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.002173/200389 Acórdão n.º 2102001.784 S2C1T2 Fl. 102 4 evidenciado qualquer erro que infirmasse o trabalho fiscal, manteve a exigência com aplicação do VTN apurado pela fiscalização, de R$ 94,74. Face ao valor reduzido na exigência do imposto ultrapassar R$ 500.000,00, apresentou Recurso de Ofício a este colegiado, conforme determina o art. 34, I do Decreto n.o 70.235/72. A intimação para que o contribuinte, caso quisesse, apresentasse Recurso Voluntário foi objeto de Aviso de Recebimento de fl. 55, sem que nele conste data ou razão da recusa do recebimento, sendo enviado para a Av. Treze de Maio, n.o 47 – Sala 2704 – Centro – RJ – CEP 20.031007, endereço este diferente dos documentos constantes nestes autos, inclusive, das notificações enviadas e do que consta na peça de impugnação e contrato social, figurando apenas no documento de fl. 51, do SINCOR – PROFIC, para em seguida, ser objeto do Edital N.0 18/2006 (fl. 56). Não foi apresentado Recurso Voluntário pelo contribuinte. Distribuído a princípio para a 1 .a Turma Especial, em 12/04/2010, o presente processo foi devolvido à Secretaria da Primeira Câmara da Segunda Seção deste Conselho, pelo fato do valor envolvido extrapolar o limite de alçada daquela Turma. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. Como destacado no Relatório, tratase de Recurso de Ofício, sem que o contribuinte autuado tivesse apresentado Recurso Voluntário da parte que lhe foi desfavorável, mais especificamente, sobre o VTN atribuído à área tributável. Destarte, restrito aos termos do Recurso de Ofício, entendo que a decisão recorrida não merece qualquer reparo. Com efeito, a DRJ excluiu da área tida como tributável pelo autuante, aquela constante em ADA apresentado pelo autuado como isentas, de 43.109,0 hectares, conforme documento de fl. 26, reduzindo assim, para 25.109,0 a área sobre a qual passou a compor a base de cálculo do imposto, como corolário, refletindo na apuração do imposto, reduzido na mesma proporção. Não constatando no processo qualquer outro documento ou informação do fisco que infirmasse a informação do contribuinte, notadamente, do IBAMA, entendo que agiu acertadamente a DRJ ao excluir a área declarada como de Preservação Permanente. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.002173/200389 Acórdão n.º 2102001.784 S2C1T2 Fl. 103 5 Por essas razões, NEGO provimento ao recurso de ofício, para que a decisão proferida seja mantida. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, Redatoradesignada O recurso de ofício cuida da área de preservação permanente de 43.109,0 ha, que foi reconhecida pela decisão de primeira instância em razão da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), fls. 23. De pronto, vale dizer que, considerando a definição de área de preservação permanente, nos moldes em que definido nos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, abaixo transcritos, é bastante improvável que 63% da área total do imóvel (68.218,0 ha) seja área de preservação permanente (43.109,0 ha). Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.002173/200389 Acórdão n.º 2102001.784 S2C1T2 Fl. 104 6 d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) (...) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. É fato também que para o exercício 1999 a não apresentação do ADA não era condição necessária para fins de exclusão das áreas de preservação permanente, quando do cálculo do ITR devido, conforme se pode concluir Súmula CARF nº 41, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CARF nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Verdade é que, conforme Descrição dos Fatos, fls. 26, parte integrante do Auto de Infração, a autoridade fiscal pautou a glosa na falta de comprovação da existência da área de preservação permanente e não na ausência de ADA. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.002173/200389 Acórdão n.º 2102001.784 S2C1T2 Fl. 105 7 Observese que, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 02, o contribuinte no que se refere à área de preservação permanente foi intimado nos seguintes termos: Apresentar laudo técnico emitido por Engenheiro .Agrônomo ou Florestal, Ato do Poder Público que assim a declare, Certidão do IBAMA ou de outro órgão público ligado à preservação florestal. A simples apresentação do ADA, não comprova a existência da área de preservação permanente, tampouco substitui o laudo técnico solicitado pela autoridade fiscal. Vale dizer que em nenhum momento, o contribuinte se desincumbiu de sua obrigação de comprovar a existência da área de preservação permanente. Nenhum laudo foi apresentado. Nestes termos, considerando que não restou comprovada a existência da área de preservação permanente, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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