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Numero do processo: 10120.001439/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO Confirmada a falta apontada nos embargos, outro acórdão deve ser proferido na devida forma para sanar o defeito.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.441
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão nº 210100.616,
sem alteração do resultado do julgamento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 103 1 102 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.001439/200641 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2101001.441 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria ITR Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Recorrida 1ª TO da 1ª CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO Confirmada a falta apontada nos embargos, outro acórdão deve ser proferido na devida forma para sanar o defeito. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão nº 210100.616, sem alteração do resultado do julgamento. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 A Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 100/101, com fulcro no artigo 65 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, interpôs embargos de declaração contra o acórdão de nº 210100.616 (fls. 93/96), de 29/07/2010, que deu provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do ITR a área declarada de preservação permanente de 98,00 ha e a área de reserva legal de 2.121,10 ha. A embargante argumenta ser evidente o erro no teor do acórdão, pois excluiu da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente com base em ADA intempestivo (fl. 16), datado de 29/09/2003, e não como transcrito no acórdão (29/09/2002). É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. Os Embargos atendem os requisitos de admissibilidade. É evidente o equívoco apontado nos embargos interpostos pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo em vista que o Ato Declaratório Ambiental – ADA, à fl. 16, foi protocolizado em 29/09/2003 e não em 29/09/2002, como constou no acórdão embargado. De fato, o ADA tempestivo relativo ao ITR do exercício de 2002 deveria ter sido apresentado até 31/03/2003. Contudo, entendo que os elementos de prova nos autos comprovam uma área de preservação permanente em quantidade superior à pleiteada na DITR em exame. Com efeito, a Certidão de Matrícula do Imóvel denominado Fazenda Moderninha (fls. 08/14), inscrita na Receita Federal sob n° 0.744.155 – 0, com área total de 9.142,7 há, contém a seguinte anotação (fl.09): AV.261, POR FICHA LIVRO 2 REGISTRO GERAL. Procedese esta averbação para constar o seguinte: Area de Preservação Permanente, averbada sob AV.3206 por ficha no CRI de Apore GO, Procedese a esta averbação por força do requerimento de 15 de Dezembro de 1.997, de autoria do proprietário ALBERTO RODRIGUES DA CUNHA, em cumprimento ao Termo de Compromisso e Ajustamento de Conduta para Cumprimento da Legislação Ambiental (Termo de Ajustamento) n ° 183, firmado pelo mesmo com Ministério Público, conforme certidão expedida em 08 de Novembro de 1996, pelo Exmo Promotor de Justiça desta Comarca Paulo Caputo, e às exigências constantes das Portarias n°s 04/95 MP e 01/96 PJ e MP e ainda em consonância com o Oficio n° 034/93 SJ, de 18 de Fevereiro de 1.997, da Exma.Juíza de Direito Diretora do Foro desta Comarca, doutora Ana Maria de Oliveira, para constar que a(s), Area(s) de PP= 169,71.00 hectares integrantes(s) do imóvel objeto da presente matricula, compreendida dentro dos (ou com) os seguintes limites e confrontações: (...) Ora, se apenas o protocolo do ADA, documento que é preenchido pelo interessado e que somente indica o quantitativo de hectares, sem qualquer manifestação ou anuência do Órgão ambiental quanto à sua veracidade, é documento suficiente para a não incidência do ITR da área de preservação permanente, com muito mais razão devese excluir Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10120.001439/200641 Acórdão n.º 2101001.441 S2C1T1 Fl. 104 3 da tributação a área indicada no Termo de Compromisso e Ajustamento de Conduta para Cumprimento da Legislação Ambiental n ° 183, firmado com Ministério Público e em consonância com o Oficio n° 034/93 da Juíza de Direito Diretora do Foro da Comarca de Jataí/GO, que indica precisamente os limites e confrontações das áreas de preservação permanente da Fazenda Moderninha, com mapas e memoriais descritivos elaborados em 05/09/1997, conforme descrito na Certidão à fl. 09. Por oportuno, cabe ressaltar que o acórdão embargado trata desta questão, consoante excerto a seguir transcrito, havendo se equivocado ao nomeála de área de reserva legal, em contradição com a Certidão expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Judiciário de Chapadão do Céu/GO, Comarca de Jataí/GO, bem assim em relação à data do requerimento de averbação da área de reserva legal e de preservação permanente, que é de 15/12/1997, antes, portanto, da ocorrência do fato gerador do ITR do exercício de 2002: Conforme consta de fl. 08, o sujeito passivo procedeu, aos 06/12/2002, a averbação AV.161, A Matricula n° 61, do Registro de Imóveis, da Comarca de Chapadão do Céu (RS), onde consta que o imóvel rural foi gravado com Area de Reserva Legal de 2.051,4475 ha, como também, de fl. 09, a averbação AV.261, com o gravame de 169,7100 ha a titulo de Área de Reserva Legal, e, ainda, a averbação AV.361, com o gravame de 263,0962 ha de Area de Reserva Legal, o que perfaz uma extensão de 2.484,2537 ha. Com efeito, na espécie, como se trata de lançamento referente ao exercício 2002, e a averbação A. margem do registro do imóvel da área de Reserva Legal se fez em data posterior a ocorrência do fato gerador, deve ser mantido o lançamento nesta parte. Entretanto, na espécie, consta no Registro Imobiliário acima referido a informação de que a delimitação da Area de Reserva Legal se fez sob Termo de Ajustamento de Conduta para Cumprimento de Legislação Ambiental n° 183, firmado com o Ministério Público da Comarca de Jataí (GO), aos 08/11/1997. Há o entendimento neste colegiado de que o Termo de Ajustamento de Conduta firmado antes da data de ocorrência do fato gerador é capaz de suprir o registro da área de Reserva Legal a destempo, o que implica em que dê por cumprida a da averbação. Ora, se referido Termo de Ajustamento de Conduta é documento hábil para comprovar a área de reserva legal, deve também ser idôneo para aferir e quantificar a área de preservação permanente, conforme já explicitado neste voto. Em face ao exposto, acolho os embargos, para rerratificar o Acórdão nº 2101 00.616, sem alteração do resultado do julgamento. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 35564.003334/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/08/2004
PREVIDENCIÁRIO.FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO.
INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA
AMPLA DEFESA. NULIDADE.
A omissão em dar ciência ao contribuinte de relatório fiscal emitido após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vicio enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal.
DECISÃO RECORRIDA NULA
Numero da decisão: 2401-001.003
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1999 a 31/08/2004 PREVIDENCIÁRIO.FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de relatório fiscal emitido após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vicio enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. DECISÃO RECORRIDA NULA
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INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de relatório fiscal emitido após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vicio enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. DECISÃO RECORRIDA NULA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACRD A os membros da 4a Camara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgament nimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instancia. ELIAS S TO FREIRE - Presidente KLEB R FERREIRA DE Ai ÚJO — Relator ‘ L 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 35564.003334/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.003 Fl. 280 Relatório Nos temios do Relatório Fiscal, fls. 56/58, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD diz respeito as contribuições dos segurados empregados e de contribuinte individual arrecadadas pela empresa notificada e não repassadas a Previdência Social. Afirma-se ainda que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, posto que a situação verificada, em tese, configura ilícito penal. Os fatos geradores presentes na NFLD foram os pagamentos ou crédito de salários aos segurados empregados e de pro-labore a administrador. Todas as contribuições devidas, afirma o fisco, foram declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social — GFIP. A empresa apresentou impugnação, fls. 62/94, acompanhada dos documentos de fls. 94/163, na qual alega a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991 e que credora do INSS, visto que adquiriu o direito aos créditos constantes no precatório judicial federal n° 95.03.052480-6 — Classe 12310, vencido e não pago. Tal credito deveria ter sido utilizado em compensação com as contribuições devidas, confoime autoriza a Emenda Constitucional n° 30/2000. Tendo detectado falha no Relatório Fiscal, o órgão de julgador de primeira instância determinou, fl. 169 a emissão de relatório complementar para que se informasse ao contribuinte que da NFLD não constava a contribuição descontada de contribuinte individual, mas apenas a contribuição dos empregados. A citada determinação previu ainda a remessa do novo relatório ao contribuinte de modo que se evitasse prejuízo ao seu direito de defesa. Consta das fls. 171/173 o novo relatório emitido, todavia, sem comprovação de remessa ao sujeito passivo. A DRJ - Sao Paulo II declarou procedente o lançamento, fls. 175/180. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 183/191, acompanhado dos documentos de fls. 192/276, no qual, em apertada síntese alega; a) a decadência das contribuições relativas ao período de 12/1999 a 11/2000; b) que efetuou o recolhimento do crédito, conforme guias colacionadas; c) a multa deve ser reduzida a 15%, haja vista que as contribuições lançadas foram declaradas na GFIP, além de que efetuou o recolhimento antes da decisão de primeira instância. o relatório. 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator 0 recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Na espécie, há um incidente processual que não pode ser negligenciado. Explico. Após a apresentação da defesa o processo foi baixado em diligência para que a auditoria emitisse relatório fiscal de retificação e, ato continuo, desse ciência do mesmo ao sujeito passivo. Emitido o relatório, fls. 171/173, o julgador de primeira instância resolveu declarar procedente o lançamento, sem que, no entanto, fosse dada ciência do novo relatório fiscal à empresa. Na decisão monocrática, por sinal, sequer se menciona a ocorrência desse fato processual. Tal fato evidencia a ocorrência de falha que, embora sanável, não pode ser desconsiderada por esse colegiado. Tenho que reconhecer que a irregularidade apontada contraria norma de observância obrigatória contida no art. S.°, LV, da Carta Magna, a qual garante aos litigantes, em processo administrativo ou judicial, o direito ao contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido, o acórdão da DRJ não pode subsistir, posto que negligenciou a oportunidade da recorrente de tomar conhecimento do relatório fiscal de saneamento, prejudicando o seu direito de defesa. Não há dúvida de que o decisum em comento atropelou garantia processual de ordem pública, pelo que deve ser declarada nulo. esse o entendimento expresso no Decreto n.° 70.235, de 06/03/1972, que, ao tratar das nulidades no processo administrativo fiscal, prescreve: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2' Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (...)(grifos não originais) Portanto, a nulidade da DN merece ser decretada para que se possa oferecer oportunidade à recorrente de se manifestar a respeito do relatório fi scal emitido após a apresentação da defesa, antes de qualquer decisão da Receita Federal do Brasil a respeito da NFLD sob enfoque. 4 Processo n° 35564.003334/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.003 Fl. 281 Voto, assim, por declarar nula a decisão de primeira instância e os atos processuais subsequentes, para que a contribuinte seja intimada a se manifestar em relação ao novo relatório fiscal, retomando o processo o curso normal a partir de então. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 \NOTAN, - KLEBER FERREIRA DE ARAI. JO - Relator 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 35564.003334/2006-38 Recurso n°: 162.610 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto â. Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.003 Brasili e abril de 2010 ELIAS S 4TAIO FRE RE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Corn Recurso Especial [ ] Corn Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 19515.001576/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 2006, 2007
FALTA DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO PROCESSO.
Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se
de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
RECONHECER a incompetência desta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento., Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em RECONHECER a incompetência desta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 210201.944 S2C1T2 Fl. 550 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, no montante de 18.268.647,3 1, aí incluídos principal, multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 30/05/2008. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, fl. 311, o presente processo trata de infrações de IRRF – Pagamentos sem causa / Operação não comprovada, decorrentes de processo reflexo do IRPJ. Este relato é o bastante para o Voto que segue. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O presente processo trata de infrações de IRRF – Pagamentos sem causa / Operação não comprovada, decorrentes de processo reflexo do IRPJ, senão vejamos: Termo de Verificação Fiscal fl. 311: Optante pelo Lucro . Presumido, iniciou suas atividades em 14/04/1992 e, a partir do Termo de Início de Fiscalização, Intimações e Reintimações posteriores, constatamos, relativamente aos Exercícios de 2007e2006 Anos calendário de 2006 e 2005 irregularidades relativas ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ devidamente consignados no Processo no. 19515.001577/200822, bem como ao Imposto de Renda Retido do na Fonte IRRF, cujos apontamentos descrevemos a seguir relativamente a SERVIÇOS MADOS DE SOCIEDADE CIVIL VINCULADA E/OU LIGADA. (Grifei). Acórdão DRJ/SPO I, fl. 461: Os fatos acima relatados e capitulados nos autos de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) processo nº 19515.001577/200822, julgado nesta mesma data, e ao Auto de Infração do Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF), apontam para o indício de fraude tributária. De outro lado o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), determina: ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Fl. 567DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001576/200888 Acórdão n.º 210201.944 S2C1T2 Fl. 551 3 (...) Das Seções de Julgamento Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Posto isso, voto para RECONHECER a incompetência desta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para as providências cabíveis de devolução deste processo para que seja redistribuído à Seção de Julgamento competente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000355/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.039
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª a Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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E OUTRA Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ; ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS • Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÃRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 3 Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das • contribuições apuradas. • ELIA(1;S PAIO FREIRE - Presidente 21,„_,;11 _ RYCARDS NRIQUE MAGALHÃES DE CL VEIRA — Relator Participaram, do prese te julg ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira Sou a, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 17546.000355/2007-19 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.039 Fl, 396 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. • No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE FLUA VElCULOS LTDA, a Turma • decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: • Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. • DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos • previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos • legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei e 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's • es 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fündamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40j 173, do CTN). • É o relatório. ;l47\ 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELUA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas Sala das Sessões, e 24 de fevereiro de 2010 , APPatiã...,.;,,_,......5,4._,À.... RYCARDO EN • 41 E MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS VÊ.:-7,) QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO_- Processo n°: 17546.00035512007-19 Recurso n°: 162252 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial ri° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.039 Brasi 9 de março de 2010 • PLIAS S • AIO FREIRE • Presidente da Quarta Câmara • Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial (1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 12571.000127/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA REEXAME. NÃO OCORRÊNCIA.
Ausência de intimação quanto à autorização para segundo exame, referente ao mesmo período, quando lavrada e assinada por autoridade competente não gera nulidade, conforme disposto no art. 906 do RIR/99. A Recorrente não foi prejudicada, já que tinha pleno conhecimento das infrações imputadas em processo administrativo anterior. Não houve afronta às hipóteses contidas no rol do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Preliminar de nulidade afastada.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004 e 2005
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS.
A comprovação dos custos e despesas contabilizados com seguros,
alimentação e combustíveis deve estar consubstanciada em documentação hábil e idônea, contendo elementos factíveis para demonstração dos gastos relacionados à atividade explorada. Glosa dos custos e despesas operacionais procedentes por falta de comprovação nos termos do art. 923 do RIR/99.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004 e 2005
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS.
Não havendo a comprovação dos custos e despesas incorridos pela
Recorrente, imperiosa também a manutenção do lançamento referente à CSLL.
Numero da decisão: 1202-000.712
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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FALTA DE INTIMAÇÃO PARA REEXAME. NÃO OCORRÊNCIA. Ausência de intimação quanto à autorização para segundo exame, referente ao mesmo período, quando lavrada e assinada por autoridade competente não gera nulidade, conforme disposto no art. 906 do RIR/99. A Recorrente não foi prejudicada, já que tinha pleno conhecimento das infrações imputadas em processo administrativo anterior. Não houve afronta às hipóteses contidas no rol do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Preliminar de nulidade afastada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 e 2005 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS. A comprovação dos custos e despesas contabilizados com seguros, alimentação e combustíveis deve estar consubstanciada em documentação hábil e idônea, contendo elementos factíveis para demonstração dos gastos relacionados à atividade explorada. Glosa dos custos e despesas operacionais procedentes por falta de comprovação nos termos do art. 923 do RIR/99. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 e 2005 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 150 2 Não havendo a comprovação dos custos e despesas incorridos pela Recorrente, imperiosa também a manutenção do lançamento referente à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Goncalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 140 a 145) interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (“DRJ/CTB”) (fls. 129 a 134), que julgou improcedente a Impugnação (fls.72 a 78) da ora Recorrente, mantendo o crédito tributário em questão. A fiscalização teve início com a autorização para reexame efetuada pelo Delegado Adjunto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa, no Estado do Paraná, datada de 30/07/2009 (fls. 2), permitindo a reabertura de procedimento fiscal (reexame de períodos já fiscalizados) nos termos do artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3000/99 (“RIR/99”). A autorização para reexame (fls. 2) teve por base um processo administrativo anterior, de nº. 16408.000129/200750 (relatório de ação fiscal às fls. 101 a 127), em que a Recorrente foi fiscalizada e autuada por omissão de receitas e glosa de custos e despesas consideradas indedutíveis para determinação do Lucro Real (período referente aos anos calendário 2002 a 2005). O Auditor Final relatou na autorização para reexame que a DRJ/CTB, ao julgar o processo originário (16408.000129/200750) (fls. 25 a 36), deixou de baixálo em diligência, impossibilitando o lançamento de Auto de Infração complementar. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 151 3 Constatouse que as glosas de custos e despesas (referentes aos anos calendário 2004 e 2005) evidenciadas na Decisão da DRJ/CTB que julgou o processo administrativo nº. 16408.000129/200750 (fls. 25 a 36), apesar de terem sido aplicadas no lançamento das multas isoladas discutidas naquele processo administrativo não foram adicionadas no ajuste anual dos exercícios respectivos (2004 e 2005). Assim, em decorrência da autorização de reexame (fls. 2), foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal nº. 09.1.04.002009003601 (“MPFF”), conforme relatado pelo Auditor Fiscal (fls. 20). Por consequência, foram lavrados, em 11/08/2009, os Autos de Infração (fls. 3 a 18) com a exigência complementar de IRPJ e de CSLL adicionando aos ajustes anuais as deduções indevidas (despesas glosadas e não lançadas) que haviam sido constatadas, descontandose ao final o montante já exigido pelo acórdão (nº 0616.155) pronunciado pela DRJ/CTB, conforme abaixo: IRPJ, de fls. 3 a 10, exigindo a adição de R$ 91.410,30 (noventa e um mil, quatrocentos e dez reais e trinta centavos) a título de custos/ despesas indedutíveis e multa de ofício qualificada de 150%, além de acréscimos legais. CSLL, de fls. 11 a 18, exigindo a adição de R$ 22.205,89 (vinte e dois mil, duzentos e cinco reais e oitenta e nove centavos) a título de custos/ despesas indedutíveis e multa de ofício qualificada de 150%, além de acréscimos legais. Os lançamentos fiscais baseiamse na glosa de custos e despesas da Recorrente com seguros (identificadas nos meses de abril a agosto do anocalendário de 2004), alimentação e combustíveis (referentes ao anocalendário de 2005, nos meses de janeiro a dezembro), conforme relatado pelo Auditor Fiscal (fls. 19 a 24) e justificado no Relatório Fiscal anterior do processo administrativo nº 16408.000129/200750 (fls. 106), por serem consideradas desnecessárias à atividade fim da Recorrente. Assim, trata o presente processo de exigências de IRPJ e CSLI decorrentes de glosa de custos e despesas não comprovados com seguros, alimentação e combustíveis, infração esta detectada em procedimento fiscal anterior, nos autos do processo nº 16408.000129/200750, conforme Relatório de Ação Fiscal de fls. 101127, cuja exigência deixou de ser formalizada no lançamento fiscal à época efetuado. A multa de ofício foi aplicada com base no art. 44, I, parágrafo 1º da Lei nº. 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, com base na omissão de receitas decorrente do processo administrativo nº 16408000.129/200750 (relatório de ação fiscal às fls. 101 a 127), por ter a fiscalização entendido que ficou tipificado o conceito de sonegação consciente e deliberada por parte da Recorrente. Com relação ao lançamento dos tributos houve infração ao art. 249, I do RIR/99, art. 13 da Lei 9.249/95 e art. 37 da Lei nº. 10.637/02, conforme Relatório Fiscal finalizado em 12/08/2009 (fls.19 a 24). Cabe ressaltar que por terem sido identificadas situações que poderiam configurar, em tese, crime contra a ordem tributária (conforme se abstrai da leitura do relatório de ação fiscal de fls. 101 a 127), foi formalizado no presente processo administrativo representação fiscal para fins penais (fls. 23), conforme exposto na Lei nº. 8.137/90. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 152 4 Lavrados os Autos de Infração (fls. 3 a 18) e finalizado o Relatório Fiscal (fls. 19 a 24), foram emitidos em 13/08/2009 os respectivos Autos de Infração para ciência da Recorrente. Em 20/08/2009, foi lavrado o Termo de Ciência do Auto de Infração IRPJ/CSLL (fls. 67), dando ciência a Recorrente dos Autos de Infração lavrados e da descrição das infrações contidas no relatório fiscal (fls. 19 a 24), registrado o recebimento por meio do Aviso de Recebimento às fls. 69 em 24/08/2009. Inconformada com a autuação, a Requerente protocolou em 01/09/2009 Impugnação (fls. 72 a 78), arguindo em sede de preliminar o que segue: (i) Ilegalidade do reexame referente aos anoscalendário 2004 e 2005, pela não observância ao disposto no art. 906 do RIR/99, em que o reexame deverá ser autorizado por ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal; e (ii) Nulidade do lançamento por não ter sido cientificada dessa ordem escrita, conforme art. 59, II, do Decreto nº. 70.235/72. No mérito, alegou em sua defesa, resumidamente, o seguinte: (i) As despesas com seguros, alimentação e combustível, glosadas pela autoridade fiscal, constituem despesas necessárias à manutenção da atividade desenvolvida pela sociedade, na forma do disposto no art. 299, parágrafo 1º do RIR/99; (ii) A autoridade fiscal indicou os valores dos custos e despesas glosadas, mas que em nenhum momento apontou a causa de tais glosas, carecendo de motivação legal e que apenas a menção do art. 249, I, do RIR/99 e art. 13 da Lei nº. 9.249/95 não são suficientes para tanto; (iii) Insurgiuse contra a exigência de multa qualificada, colacionando jurisprudência do Conselho de Contribuintes no entendimento de não ser cabível multa qualificada sem prova do dolo efetivo e sem prova do evidente intuito de sonegação fiscal; (iv) Não houve ação ou omissão dolosa no sentido de impedir, retardar total ou parcialmente o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade fazendária; e por fim (v) Requereu o acolhimento da Impugnação com a declaração de improcedência dos Autos de Infração (fls. 3 a 18) contestados. Da análise da documentação acostada junto à Impugnação apresentada (fls. 72 a 78), a Recorrente foi intimada em 09/09/2009 (fls. 79) para apresentar os contratos e alterações societárias, bem como o documento de identificação para comprovação da assinatura do signatário da Impugnação (fls. 72 a 78). Em 17/09/2009 (fls. 81) a Recorrente atendeu por completo a Intimação supracitada, juntando os respectivos documentos às fls. 82 a 97. No mérito, com relação ao Item (ii) supramencionado, houve despacho da DRJ/CTB (fls. 99) solicitando à Sefis da DRJ/Ponta Grossa a juntada ao presente processo da cópia do Relatório Fiscal do processo administrativo nº. 16408.000129/200750. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 153 5 O Relatório Fiscal mencionado foi juntado às fls. 101 a 127, com a devida cientificação da ora Recorrente. Ao realizar o exame da Impugnação (fls. 72 a 78), a DRJ/CTB (fls. 129 a 134) afastou a preliminar de nulidade arguida, julgandoa, no mérito, parcialmente procedente apenas para o fim de desqualificar a multa agravada, afastando a aplicação do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 e mantendose o restante da autuação. A decisão da DRJ/CTB (fls. 129 a 134) teve a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando o reexame de período já fiscalização [sic] em ação fiscal anterior foi devidamente autorizado pelo Delegado da DRF de jurisdição da contribuinte. Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS. Como a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, procedente é a glosa dos custos e despesas operacionais não comprovados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. A falta de comprovação da prática da fraude ou sonegação desautoriza a aplicação da multa de ofício qualificada. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada 16/11/2009 por meio do AR e inconformada com a Decisão da DRJ/CTB (fls. 129 a 134), a Recorrente interpôs, em 06/12/2009, a este E. Conselho Recurso Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 154 6 Voluntário de fls.140 a 145, reinterando os mesmos argumentos e pedidos aludidos na Impugnação (72 a 78) e em suma requer: Nulidade dos Autos (fls. 3 a 18) por vício de forma e ausência de ciência da autorização de reexame; e Impossibilidade de glosa de custos e despesas por falta de motivação/ fundamentação da fiscalização e por considerar tais despesas/custos como essenciais à atividade desenvolvida pela Sociedade. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicio pela análise das preliminares suscitadas pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE Requer a Recorrente, em sede preliminar, a nulidade dos Autos de Infração (fls. 3 a 18) com base na regra contida no artigo 59, II do Decreto nº. 70.235/72, alegando em sua defesa que: O reexame não se baseou em autorização por escrito de autoridade competente, o que anularia os Autos de Infração (fls. 3 a 18); e Não recebeu intimação da autorização de reexame dos anoscalendários 2004 e 2005 para tomar conhecimento do conteúdo e da autoridade emissora. Entendo não caber razão à Recorrente no que tange à argumentação de que a fiscalização não se baseou em autorização por escrito de autoridade competente. Consta às fls. 2 dos autos “Autorização para Reexame” ordem escrita pelo Delegado Adjunto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa autorizando o segundo exame relativo ao período já fiscalizado, com fulcro no art. 906 do RIR/99, que determina o seguinte: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 155 7 Há contradição nas alegações preliminares, de modo que a Recorrente aduz, ao mesmo tempo, que não só faltou a autorização para o reexame em tela como também faltou ser intimada de tal autorização. A contradição se percebe pelo fato de que, se realmente faltou autorização, por óbvio que a Recorrente não poderia ter sido intimada. Somente pode haver intimação de fato que existiu, sendo exatamente este o caso dos autos, não podendo se falar em nulidade dos Autos de Infração. No mais, entendo que houve a devida autorização dentro dos ditames legais. Com efeito, é de conhecimento notório que o crédito tributário é constituído pelo lançamento, procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142, caput, do Código Tributário Nacional). Por tal razão, a reabertura de ação fiscal com base em autorização do competente Delegado é procedimento correto, não havendo que se falar em nulidade do ato, a exemplo do que já decidiu em diversas ocasiões este E. CARF. Vejamos: IRPF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INTIMAÇÕES NULIDADE NÃO OCORRIDA Ainda que se admita que as intimações não tenham sido entregues no endereço diverso do eleito pelo Recorrente, somente se justificaria a declaração de nulidade se tal erro houvesse comprometido seu direito de defesa (art. 59, II, do Decreto 70.235/72). LANÇAMENTO DISCREPÂNCIA ENTRE DESCRIÇÃO DO FATO E FUNDAMENTOS LEGAIS NULIDADE NÃO OCORRIDA Faltou ao Recorrente demonstrar onde está a discrepância apontada. De qualquer sorte, a suposta falha não se configura como nulidade, pois não há de se cogitar de incompetência e de preterição de direito de defesa, o que a remete para o art. 60 da lei processual administrativa. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO REVESTIDA DAS FORMALIDADES LEGAIS Assentado e pacificamente aceito que a delegação de competência é um dos princípios fundamentais da Administração Federal, válida é a autorização para reexame de período já fiscalizado emitida por autoridade cuja competência é fixada desta forma. (...) Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10245546 do Processo 108200010619925, Data: 19/06/2002) (não grifado no original) REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO REABERTURA DA AÇÃO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Somente é nulo o lançamento decorrente de segundo exame em relação ao mesmo exercício se ausente a autorização prevista no artigo 906, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, firmada por autoridade competente. A reabertura da ação fiscal, mediante autorização do Delegado da Receita Federal da respectiva jurisdição, não acarreta a nulidade do procedimento. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 156 8 10419974 do Processo 10580008624200134, Data:13/05/2004) (não grifado no original) Assim, após a lavratura do Auto de Infração a Recorrente pode pagar ou impugnar o lançamento tributário, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Ao impugnálo como no presente caso , compõese, a partir daí, o litígio, momento oportuno para a Recorrente exercer o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Ressaltese, ainda, que o presente processo administrativo é decorrente, embora autônomo, do processo administrativo nº 16408.000129/200750, do qual a Recorrente tinha pleno conhecimento de todos os atos, inclusive da glosa dos custos e despesas considerados indedutíveis pela autoridade fiscalizadora naquele processo administrativo. Dessa maneira, temos que o objetivo do reexame dos anoscalendário 2004 e 2005 é fazer cumprir a adição ao cálculo do IRPJ/CSLL, na sistemática do lucro real, de custos e despesas glosados no processo administrativo nº 16408.000129/200750. Logo, observandose que a Recorrente recebeu o devido Termo de Ciência em 24/08/2009, por meio de AR (fls. 69), sendo devidamente intimada da lavratura dos Autos de Infração (fls. 3 a 18), concluo que a ausência de intimação quanto à autorização de reexame para início da fiscalização não causou prejuízo algum à Recorrente, já que essa tinha plena ciência dos fatos e pôde se defender, como o fez. Dessa forma, não houve nenhuma hipótese da tipificação do artigo 59, II do Decreto 70.235/72, motivo pelo qual afasto a preliminar de Nulidade. Analisadas e julgadas as questões preliminares, passo a analisar o mérito. II – GLOSA DE DESPESAS Alega a Recorrente acerca da impossibilidade de glosa de custos e despesas por falta de motivação/fundamentação da fiscalização, bem como por considerar tais despesas/custos como essenciais à atividade desenvolvida pela empresa. Conforme visto anteriormente, constatouse no reexame que apesar de as glosas de custos e despesas (referentes aos anoscalendário 2004 e 2005) evidenciadas na Decisão da DRJ/CTB terem sido aplicadas no lançamento das multas isoladas discutidas no processo administrativo nº 16408.000129/200750 (fls. 25 a 36), as mesmas não foram adicionadas no ajuste anual dos exercícios respectivos. Assim, a exigência complementar de IRPJ e CSLL com a adição aos ajustes anuais (2004 e 2005) das despesas indevidas (glosadas e não comprovadas com seguros, alimentação e combustíveis) decorrem da infração detectada e comprovada no procedimento fiscal anterior (autos do processo nº 16408.000129/200750, conforme Relatório de Ação Fiscal de fls. 101127), cuja exigência deixou de ser formalizada no lançamento fiscal à época efetuado. Cumpre ressaltar, a esse respeito, que o relatório fiscal (fls. 101 a 127) de referido processo administrativo nº. 16408.000129/200750 traz a descrição da infração citada Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 157 9 pela autoridade fiscal no subitem 3.2.1 e que a Recorrente teve pleno conhecimento deste relatório fiscal (fls. 101 a 127) em 15/03/2007. Além disso, consta ainda daquele relatório fiscal que a Recorrente deixou de atender plenamente à intimação fiscal e deixou de apresentar documentos que comprovassem os custos e despesas contabilizados com seguros, alimentação e combustíveis. Portanto, e conforme já esclarecido na decisão da DRJ/CTB (fls. 133), a escrituração contábil desacompanhada de documentação hábil e idônea, constitui, por si só, prova contrária ao contribuinte, conforme redação do artigo 923 do RIR/99, in verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (Grifos nossos) Verificase, portanto, que a apresentação de documentação hábil é exigência legal, não se podendo falar em prova inequívoca do alegado na sua falta. Este também é o entendimento deste E. Conselho: IRPJ GLOSA DE DESPESAS As despesas não comprovadas com documentação hábil devem ser adicionadas ao resultado para apuração da base de cálculo do IRPJ. PIS COFINS IR FONTE CSLL DECORRÊNCIA O decidido no lançamento do IRPJ alcançam os lançamentos decorrentes face a íntima relação de causa e efeito entre ambos. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10706040 do Processo 108350004759761, Data:15/08/2000). (não grifado no original) Oportuno se faz transcrever trechos da decisão proferida pela DRJ/CTB, a qual demonstra de maneira elucidativa a legalidade das glosas efetuadas: “a) Despesas com Seguros O demonstrativo abaixo apresenta os valores informados pela fiscalizada (através dos livros fiscais/contábeis) quanto às despesas referentes a seguros: Quadro A1 Ano Calendário Despesas com Seguros (R$) 2002 2.055,31 2003 2.864,47 2004 120.642,14 2005 7.782,04 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 158 10 No anocalendário de 2004, em especial quanto aos meses de abril a agosto, as despesas de seguro atingiram patamares desproporcionais com os demais meses do período averiguado. Intimada a justificar tais despesas a Recorrente atestou somente valores referentes aos meses de abril, julho e agosto com valores irrisórios R$ 131,14 e R$ 154,90, perto do que foi informado em seus livros b) Despesas com Alimentação Do exame aos livros contábeis/fiscais apresentados pelo contribuinte destacouse grande disparidade dos valores relativos a despesas quanto à alimentação no anocalendário de 2005 comparativamente com os demais anos fiscalizados: Quadro B1 Ano Calendário Despesas com Alimentação(R$) 2002 5.472,33 2003 8.523,78 2004 11.237,69 2005 89.345,76 Intimado a comprovar as despesas com alimentação do ano calendário de 2005, o contribuinte apresentou vários cupons de máquina registradora de supermercados (sem discriminação de consumidor) com compras extensas e não condizentes com o quadro funcional da empresa (incluindo itens de uso doméstico e não usual da atividade, bem como produtos de limpeza e higiene); isto posto, efetuouse a glosa desses cupons fiscais simplificados. Concomitantemente, foram glosadas ainda notas fiscais de alimentação sem a constatação devida do consumidor do bem/serviço contraprestado, não constituindo, portanto, documentação hábil para a comprovação. Ressaltese que não foi objeto de discussão se as despesas de alimentação foram fornecidas pela fiscalizada a todos os seus empregados indistintamente (como preconiza a IN SRF nº 11/96, art. 26) face às várias notas fiscais de refeições vultosas, inclusive em locais fora da cidade do contribuinte e até de Estado (Lei n° 9.249/95,art. 13, inciso IV). c) Despesas com combustível Análise quanto às despesas com combustível indicou um aumento incoerente e descabido com a estrutura da empresa fiscalizada no anocalendário de 2005. O Quadro C1 abaixo faz uma correlação entre as 'despesas com combustível' com o ‘número de veículos' (vide Plano de Contas/Ativo Permanente/Ativo Imobilizado/Veículos — constante nos Livros Diário entregues) do contribuinte dentro dos respectivos anoscalendário. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 12571.000127/200980 Acórdão n.º 1202000.712 S1C2T2 Fl. 159 11 Ano calendário Despesas c/ combustíveis Quantidade de Veículos 2002 9.653,54 06 2003 11.537,67 08 2004 11.037,82 09 2005 129.384,82 09 Notese que o número de veículos da empresa fiscalizada entre os anoscalendário de 2004 e 2005 permaneceu o mesmo, apesar do acréscimo desarrazoado de consumo de combustível no ano calendário de 2005. (...) Mesmo assim, foram glosadas apenas as despesas correspondentes a cupons/notas fiscais sem a discriminação do consumidor (no caso, da fiscalizada), bem como os relativos a gastos com diesel, uma vez que a frota da empresa não comporta veículo consumidor desse combustível. Vale destacar ainda que não entrou no mérito a necessidade de indicação das placas dos veículos nas notas fiscais de consumo de combustível (1º Conselho Contribuintes — Ac. 105 1.941/86), caso contrario, efetuarseia a glosa completa das despesas consideradas.” Portanto, em razão do acima exposto, e como a Recorrente não trouxe fatos ou documentos novos, nem fez prova com base em documentação hábil e idônea de que os custos e despesas classificados como indedutíveis para apuração do lucro real são necessários para as suas atividades, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (fls. 140 a 145), mantendo a decisão da DRJ/CTB (fls. 129 a 134) por seus próprios fundamentos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10580.006688/2001-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COFINS – IMUNIDADE – MANUTENÇÃO INSUBSISTÊNCIA DOS LANÇAMENTOS – Mantida a imunidade da instituição, consequentemente, os lançamentos de ofício decorrentes de ato que anteriormente decretara a sua suspensão, devem ser cancelados.
Numero da decisão: 9101-001.374
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006688/200109 Acórdão n.º 910101.374 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 448/459), com fundamento no artigo 7°, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra o Acórdão n° 10708.785, proferido pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de COFINS relativo aos meses de janeiro de 1998 a dezembro de 1999 (fls. 14/18), decorrente de suposta suspensão de imunidade. Conforme esclarece o Termo de Verificação Fiscal (fls. 18), “demonstrado no Termo de Suspensão de Imunidade para o anocalendário 1995 e, também, no Termo de Suspensão de Imunidade para os anoscalendários de 1996 e 1997, a entidade não cumpriu as exigências legais para o efetivo gozo do benefício fiscal em questão, deixando de atender ao disposto nos incisos I e II do artigo acima mencionado, tendo o Delegado da Receita Federal expedido Ato Declaratório suspensivo do benefício, nos termos da Lei 9.430/96, consubstanciado no Parecer n/° 533/2000PJ, referente o anocalendário 1995 e no Parecer 55012001PJ, referente aos anoscalendários 1996 e 1997, razão pela qual procedemos à lavratura dos respectivos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, em consonância com o artigo 32, parágrafo 6° da lei mencionada, por se tratar de imposto abarcado pela imunidade constitucional definida no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da nora Carta Magna.” Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o qual julgou o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão n° 10708.785 (fls. 437/445), o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, nos termos da seguinte ementa: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO — IMUNIDADE — ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 14 DO CTN SUSPENSÃO — IMPROCEDÊNCIA DO ATO — A suspensão de imunidade de instituição de educação, medida excepcional, somente subsiste para efeitos de permissão de tributação se provado se e enquanto vigente as suas causas determinantes , ofensa ao art. 14 do CTN. COFINS — IMUNIDADE — MANUTENÇÃO INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO — Mantida a imunidade da instituição, consequentemente, o lançamento de oficio decorrente de ato que anteriormente decretara a sua suspensão, deve ser declarado insubsistente. Entendeu o acórdão ora recorrido que, uma vez que o Acórdão n° 10708.773 (Processo Administrativo n° 10580.019491/9919), restabeleceu a imunidade anteriormente Fl. 838DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006688/200109 Acórdão n.º 910101.374 CSRFT1 Fl. 3 3 suspensa, o julgamento do Recurso no presente processo restou prejudicado, razão pela qual decretouse a insubsistência do lançamento. A Fazenda Nacional interpôs, então, Recurso Especial (fls. 448/459), requerendo seja restabelecida a suspensão da imunidade, por inobservância do artigo 14, III do Código Tributário Nacional. Em Despacho de fls. 461/462 foi dado seguimento ao Recurso Especial. O contribuinte apresentou suas ContraRazões ao Recurso Especial. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006688/200109 Acórdão n.º 910101.374 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi objeto de despacho de admissibilidade e a ele foi dado seguimento. Primeiramente, cumpre consignar que no Processo Administrativo 10580.019491/9919, discutiuse a suspensão da imunidade da Recorrente para os anos calendário de 1996 e 1997. No referido processo, em sessão 31/08/2010, foi julgado o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, em face de acórdão que manteve a imunidade da recorrente. O acórdão nº 910100.687, desta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, entendeu por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo, portanto, a imunidade. A decisão restou assim ementada: Ementa: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 14 DO CTN. A suspensão de imunidade de instituição de educação, medida excepcional, somente subsiste para efeitos de permissão de tributação se provada ofensa à norma prescrita no artigo 14 do Código Tributário Nacional. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. IMPROCEDÊNCIA. A suspensão de imunidade de instituição de educação, para que seja eficaz, deve estar calcada em sólidas provas do desvio de finalidade de que trata o artigo. 14 do Código Tributário Nacional, não se prestando como tais, a acusação de despesas contabilizadas que poderiam ser tomadas como indedutíveis, mas que não representam distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou de rendas da entidade. Desta forma, a imunidade da contribuinte restou mantida para os anos calendário de 1996 e 1997. A despeito da autoridade fiscal ter se fundamentado na suspensão da imunidade discutida naquele processo (Processo Administrativo 10580.019491/9919), importa esclarecer que o lançamento de COFINS ora em discussão se refere a período distinto, qual seja, 1998 e 1999. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional repisa os argumentos já apreciados no processo de suspensão da imunidade (10580.019491/9919) e aduz na fundamentação a acusação de que a contribuinte não seria instituição beneficente de assistência social, bem como de que remunera seus dirigentes com salários da ordem de R$ 25.000,00, violando o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, bem como o artigo 14, III do Código Tributário Nacional, o que seria impedimento ao gozo da imunidade. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10580.006688/200109 Acórdão n.º 910101.374 CSRFT1 Fl. 5 5 Quanto aos argumentos já apreciados no processo de suspensão de imunidade, adoto as mesmas razões de decidir daquele processo, no qual restou mantida a imunidade do contribuinte. De fato, tanto a d. Procuradoria, em seu Recurso, quanto o Termo de Verificação Fiscal, apesar de argumentar que determinadas exigências legais não estariam sendo atendidas para o gozo da imunidade, fundamentam o lançamento no processo nº 10580.019491/9919, de suspensão de imunidade, e nos mesmos Pareceres. Assim, a decisão proferida naquele processo de suspensão de imunidade é causa prejudicial desse. Decretada a insubsistência daquele processo de suspensão da imunidade, deve ser negado provimento ao Recurso Especial da d. Procuradoria. Quanto às demais alegações, o Recurso Especial foi além das acusações do processo de suspensão de imunidade, o que torna tais acusações sem efeito neste processo. Por se tratar de processo decorrente, tais alegações não devem ser, portanto, apreciadas nos presentes autos. Ainda que assim não fosse, não merece reparos o acórdão recorrido na parte em que afastou a acusação do pagamento aos diretores, porquanto nada impede que haja pagamento de salário em remuneração de serviços prestados por executivos. Também não prospera o Recurso Especial da d. Procuradoria quando repisa as alegações do TVF, sem evidenciar a contrariedade à prova analisada no acórdão recorrido, no sentido de que a entidade apresentou uma série de relatórios de atividades de assistência social, inscrição regular no CNAS, além de certificados de fins filantrópicos federal e estadual. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de cancelar o auto de infração objeto do presente processo É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Sala das Sessões, em 4 de junho de 2012. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13308.000333/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006
Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. NÃO INCIDÊNCIA.
Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória a partir do implemento do depósito.
Numero da decisão: 2302-001.609
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para na parte conhecida conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os juros e a multa moratória.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Recorrente PELÁGIO OLIVEIRA SA Recorrida DRJ FORTALEZA CE Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006 Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória a partir do implemento do depósito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conhecer parcialmente do recurso, para na parte conhecida conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os juros e a multa moratória. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Os presentes autos tratam de contribuições sociais destinadas à Previdência Social incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de décimo terceiro salário. Conforme relatório fiscal às fls. 50 e 51, o contribuinte mantém questionamento judicial a respeito da legalidade das contribuições patronais incidentes sobre essa parcela remuneratória por meio do Processo n. 97.258955 (6ª Vara da Justiça Federal/CE), sendo que estas contribuições foram integralmente depositadas em juízo. Foi apresentada impugnação conforme fls. 57 a 73. Por meio da decisão às fls. 87 a 93, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza manteve integralmente o lançamento. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, a autuada interpôs recurso na forma das fls. 98 a 109. Alega em síntese que: a) não poderia ser instaurada ação fiscal tendo em vista o disposto no art. 62 do Decreto n ° 70.235; b) o objeto da impugnação administrativa é distinto da demanda judicial; c) não é possível imputar multa e juros; d) requer anulação do lançamento; ou que se afaste a incidência de juros de mora e multa sobre os valores depositados em juízo. Por meio da Resolução n 230200053, esta Turma converteu o julgamento em diligência, fls. 132 a 134, para que a fiscalização informasse se os valores foram depositados à disposição da Previdência Social, e em quais datas teriam sido realizados os depósitos. A fiscalização prestou informações às fls. 142. Cientificado do resultado da diligência, a autuada manifestouse às fls. 145. É o relato suficiente. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13308.000333/200719 Acórdão n.º 230201.609 S2C3T2 Fl. 149 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Pressuposto de admissibilidade já superado por ocasião da deliberação anterior, fls. 132 a 134. Passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que não poderia ser instaurada ação fiscal tendo em vista o disposto no art. 62 do Decreto n ° 70.235, não assiste razão à recorrente. A exigência do crédito tributário foi suspensa em função dos depósitos judicias, e não em virtude de medida judicial. Dessa forma não houve subsunção ao previsto no art. 62 do Decreto n 70.235, não havendo impedimento à realização da ação fiscal. O prazo para lançamento das contribuições previdenciárias não está sujeito à suspensão ou à interrupção. Desse modo, apesar de o crédito encontrarse com exigibilidade suspensa não há óbice para que o Fisco exerça o direito de efetuar o lançamento tributário. Não se pode esquecer que caso o Fisco não realize o lançamento, há o risco do perecimento do direito em virtude da fluência do prazo decadencial. O impedimento para o Fisco diz respeito à movimentação da ação de execução fiscal para os créditos com exigibilidade suspensa, não impedindo a constituição do mesmo. A recorrente afirma que o objeto da impugnação administrativa é distinto da demanda judicial. Essa afirmação é falsa, pois há argumentos colacionados no processo administrativo que coincidem com os apresentados em juízo. O mérito de serem devidas ou não as contribuições não serão conhecidos por este Colegiado, pois coincide com a demanda judicial. Todavia o argumento quanto à imputação de juros e multa pode ser conhecido por este Conselho. De acordo com o disposto nos arts. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991 e 38 da Lei de Execução Fiscal (LEF), a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. O ponto controverso reside na cobrança de juros e de multa moratória sobre os valores depositados judicialmente. Entendo que a partir do depósito judicial não são devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância. Além do que, não se pode falar em inadimplemento do contribuinte, desde que os valores tenham ficado à disposição do órgão previdenciário. No presente caso os valores ficaram à disposição da Previdência Social e foram realizados a tempo, conforme informação fiscal à fl. 142. Dessarte não podem ser cobrados os consectários. O art. 239 do RPS dispõe, nestas palavras: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Art.239. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a: I atualização monetária, quando exigida pela legislação de regência; II juros de mora, de caráter irrelevável, incidentes sobre o valor atualizado, equivalentes a: a) um por cento no mês do vencimento; b) taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia nos meses intermediários; e c) um por cento no mês do pagamento; e III multa variável, de caráter irrelevável, nos seguintes percentuais, para fatos geradores ocorridos a partir de 28 de novembro de 1999: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) a) para pagamento após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: 1. oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 2. quatorze por cento, no mês seguinte; ou (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 3. vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) b) para pagamento de obrigação incluída em notificação fiscal de lançamento: 1. vinte e quatro por cento, até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 2. trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 3. quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social; ou (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 4. cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social, enquanto não inscrita em Dívida Ativa; e (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) c) para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: 1. sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13308.000333/200719 Acórdão n.º 230201.609 S2C3T2 Fl. 150 5 2. setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 3. oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; ou (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) 4. cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) §1º Os juros de mora previstos no inciso II não serão inferiores a um por cento ao mês, excetuado o disposto no §8º. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 2º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o inciso III. § 3º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 4º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 2º. § 5º É facultada a realização de depósito à disposição da seguridade social, sujeito ao mesmo percentual do item 1 da alínea “b” do inciso III, desde que dentro do prazo legal para apresentação de defesa. § 6º À correção monetária e aos acréscimos legais de que trata este artigo aplicarseá a legislação vigente em cada competência a que se referirem. § 7º Às contribuições de que trata o art. 204, devidas e não recolhidas até as datas dos respectivos vencimentos, aplicamse multas e juros moratórios na forma da legislação pertinente. §8ºSobre as contribuições devidas e apuradas com base no §1º do art. 348 incidirão juros moratórios de zero vírgula cinco por cento ao mês, capitalizados anualmente, e multa de dez por cento. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 9º As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 §10. O disposto no §8º não se aplica aos casos de contribuições em atraso a partir da competência abril de 1995, obedecendose, a partir de então, às disposições aplicadas às empresas em geral. (Parágrafo acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) §11. Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 225, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) Conforme previsto no parágrafo 5º acima transcrito, caso o recorrente efetue o depósito durante o prazo para impugnação, a partir de então não flui a multa moratória, uma vez que o crédito já está garantido. Sendo assim, após o depósito judicial ter sido realizado não há que se cobrar multa moratória, desde que o valor depositado fique à disposição do credor. Na mesma linha de não incidência dos acréscimos moratórios a partir de depósito em dinheiro é o disposto no art. 9º, § 4º da LEF (Lei n ° 6.830/1980). Também há que ser observado, que a multa moratória é devida até que ocorra o implemento da obrigação. Dessa forma, somente poderia ser cobrada multa caso o depósito tivesse sido realizado em momento posterior ao vencimento da obrigação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO, em relação à parte conhecida. Devem ser excluídas os juros e a multa moratória a partir da efetivação do depósito. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007022/2001-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-Calendário: 1996
AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da
constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 1803-001.298
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade NÃO CONHECER o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-Calendário: 1996 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1.376 1 1.375 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.007022/200187 Recurso nº 146.920 Voluntário Acórdão nº 1803001.298 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de maio de 2012 Matéria IRPJ Recorrente INFRACON CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AnoCalendário: 1996 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NÃO CONHECER o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.377 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, passo a adotar parte do relato do contido no Acórdão nº 13.511 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF, constante das fls. 152 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Ex vi do art. 835 do RIR/99 (revisão da declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa jurídica do anocalendário 1996, exercício 1997), constatouse as seguintes infrações: a) lucro inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório (RIR/94 Decreto n°1.041/94, arts. 195, 419 e 420; Lei nº 9.065/95, arts. 5°e 7º); b) compensação a maior do imposto devido com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes de suspensão (Lei n° 8.981/95, art. 37, § 3°, d, e § 45); c) omissão de receitas financeiras na declaração do 1RPJ, tendo em vista que a contribuinte declarou nas linhas 04, 06 e 07, da Ficha 06, como receitas financeiras, o valor de R$ 15.303,92, e as fontes pagadoras informaram através de D1RF a importância de R$ 78.343,08 (Lei n° 9.249/95, arts. 11 e 24; Lei n° 8.981/95, art. 76, § 20). Durante o procedimento de fiscalização (fase anterior à lavratura do Auto de Infração), não consta dos autos que a contribuinte tivesse sido intimada para prestar esclarecimentos acerca das infrações mencionadas acima. Em face dessas infrações, em 04/12/2001 foi lavrado o Auto de Infração do IRPJ para exigir o crédito tributário suplementar de R$ 68.372,68, assim discriminado (fls. 01/12): a) IRPJ, no valor de R$ 25.360,79; b) Multa de Ofício (75%), no valor de R$ 19.020,59; c) Juros de Mora (calculados até 31/12/2001), no valor de R$ 23.991,30. O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração em 07/12/2001, por via postal, conforme cópia do AR (fl. 24). Na sequencia, a autoridade preparadora, em 20/12/2001, juntou aos autos cópia da D1RPJ 1997 e outros documentos, que serviram de base para o lançamento fiscal (fls. 13/26). Em 08/06/2002, o sujeito passivo apresentou impugnação ao lançamento fiscal aduzindo, em apertada síntese (fls. 27/80): I — Quanto ao lucro inflacionário realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório, lembra que o valor autuado é oriundo do reflexo do recálculo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/89 — Diferença IPC/BTNF conforme Lei n°8.200/91; que realmente não ofereceu à tributação a diferença IPC/BTNF, pelo seguinte: a) a Impugnante, desde 02.05.91, é associada do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás — SINDUSCON; Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.378 3 b) que em 07/05/92 o SINDUSCON impetrou mandado de segurança coletivo em face do Delegado da Receita Federal em Goiás, rebelandose contra a aplicação do Inciso II do art. 3° da Lei n° 8.200/91, que estabeleceu novos critérios de apuração do lucro real, relativamente ao períodobase já encerrado em 31/12/1990, pois implicava em majoração do “quantum” do IRPJ e da CSLL já pagos no exercício 1991, relativos ao anobase 1990 (petição inicial do MS consta das fls.99/111); c) da citada petição inicial do MS Coletivo constam os seguintes argumentos, em síntese (Processo Judicial nº 92.00029256): • que da simples leitura daquele dispositivo (Lei n° 8.200/91, art. 3°,II), verificase que está sendo alterado o critério utilizado em 1990, para a apuração do lucro real, uma vez que estaria afastando a aplicação do art. 10 da Lei n° 7.799/89 que determinava a correção monetária das demonstrações financeiras (art. 40, I) com base na variação diária do valor do BTN Fiscal; • quando o inciso II do art. 3° da Lei n° 8.200/91 fala em "saldo Credor" é porque, sendo aplicado o novo índice proposto (IPC), aumentará o lucro real a ser tributado; • ora, se em 1990 o índice de atualização era o BTNF e a Impetrante utilizando esse índice — previsto em lei — corrigiu monetariamente suas demonstrações financeiras, o fez corretamente e dentro da estrita legalidade. E como pagou os tributos naqueles termos, extinto está o crédito tributário pelo pagamento; • se aplicado o disposto no art. 3 0, II, da Lei n° 8.200/91, e sua regulamentação que se deu pelo Decreto n° 332/91, estarseá violando as normas contidas na Constituição Federal e no CTN (princípios violados: da irretroatividade da lei tributária, do direito adquirido e do ato jurídico perfeito); d) em função dos argumentos expendidos na petição inicial, houve a concessão de medida liminar. Além disso, foi prolatada sentença de mérito pela 6ª Vara Federal, Seção Judiciária do Estado de Goiás, dando ganho de causa à Impetrante, em 27/04/1994, cujo teor da decisão, em apertada síntese, é o seguinte: • Alega o Impetrante, em síntese, que até a data de 31 de janeiro de 1991, os bens patrimoniais eram atualizados ou corrigidos monetariamente tomandose por base de cálculo o BTNF, conforme dispunha a Lei n°7.799/99; • Em 28 de junho de 1991, foi editada a Lei n° 8.200, que, regulamentada pelo Decreto n° 332, de 04 de novembro de 1991, estabeleceu novos critérios de atualização patrimonial, relativamente ao anobase de 1990, utilizandose o IPC como indexador; • Aponta a inconstitucionalidade do art. 3°, inciso II, da referida lei, uma vez que importa em majoração do quantum de impostos e contribuição social já pagos em 1991, ferindo frontalmente os princípios da irretroatividade, do direito adquirido e do ato jurídico perfeito; • Requer liminar, por estar caracterizado tanto o "periculum in mora" quanto a relevância do fundamento; • Concedido o provimento liminar; • No mérito, a Autoridade Impetrada requereu a denegação da segurança, por inexistência de violação dos princípios constitucionais; Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.379 4 • Já, o Ministério Público Federal defendeu o cabimento do "writ", inclusive informando que tal dispositivo é objeto de ADIn no STF (ADIn 5430), cuja ação foi proposta pelo ProcuradorGeral da República. No caso, o Relator Ministro Celso de Mello, proferiu despacho, sem suspensão cautelar da vigência do dispositivo, para que fossem primeiro prestadas informações. Nas informações prestadas pelo ConsultorGeral da República, manifestouse a CGR pela procedência do pedido. Eis uni pequeno trecho de suas informações: (...) Induvidoso que as normas impugnadas afrontam o ato jurídico perfeito. E ai não se resuma tão — só o fato gerador, mas, também, ao reconhecimento do tributo nos moldes da legislação própria e pretérita. Em resumo: para a pessoa jurídica, o imposto de renda devido no períodobase de 1990 foi recolhido no exercício seguinte e esses acontecimentos — o fato gerador e seus efeitos pecuniários — alcançaram intangibilidade por força da garantia do ato jurídico perfeito. Impossível cogitar desses mesmos acontecimentos, já consumados, para projetar novos efeitos tributários para o ano de 1993, pois a imutabilidade do fato gerador está, para o contribuinte, na mesma proporção da receita auferida à conta do reconhecimento do tributo devido para o Fiscal. • Suspensa a liminar pelo egrégio T.R.F. • É o relatório. Decido. • "...Realmente é, a meu ver, induvidosa a afronta ao ato jurídico perfeito perfeito perpetrada pela lei em apreço. Foram feridos os princípios da irretroatividade, anterioridade, segurança jurídica e o direito adquirido erigidos pela Constituição Federal de 1988. Por tudo que consta dos autos, CONCEDO A SEGURANÇA..., tudo conforme a inicial." e) que a citada liminar, inicialmente, e a concessão do "writ" (posteriormente) em 27/04/1994, tudo no Processo Judicial do Mandado de Segurança Coletivo n° 92.00029256, asseguram aos filiados o direito de manter processado o balanço patrimonial de seus bens do anobase 1990, pelo indexador vigorante naquela época, ou seja, o BTNF, tudo conforme a inicial. Além disso, contra a decisão do TRF que decidiu pela aplicação do IPC no período citado, foi interposto no STJ, em 16/04/1998, Recurso Especial n° 167.973 — GO pela Fazenda Pública Nacional (Processo n° 1998/00198857). No STJ, em 05/03/2001, o Relatar Ministro Garcia Vieira da 1ª Turma, nos termos do art. 557, § 1°A do CPC, deu provimento ao recurso, afastando a aplicação do IPC, para estabelecer o índice de correção monetária BTNF, decisão favorável aos interesses do SINDUSCON. Não houve agravo da decisão. Os autos foram baixados definitivamente ao TRF/1ª Região, em 23/03/2001 (fls. 61/63); f) em face do exposto, a Impugnante, quanto ao Lucro Inflacionário a Realizar — Diferença de IPC/BTNF do anobase 1989, entende que o credito tributário, quando da lavratura do Auto de Infração em 04/12/2001, já estava com sua exigibilidade suspensa e, então, não caberia, nessa parte, a cobrança da multa de oficio, ex vi do Inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 2 — Em relação à compensação a maior do imposto devido com base na receita bruta e acréscimos (apuração anual do IRPJ com base no lucro real, com Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.380 5 pagamentos mensais por estimativa), pede o cancelamento do lançamento fiscal, pelo seguinte: a) na declaração do IRPJ 1997 (anobase 1996), por lapso, foi lançado indevidamente na Ficha 08, Linha 16, o montante de R$ 33.710,06, quando o valor correto seria R$ 24.653,61. A diferença de R$ 8.336,07 deveria ter sido lançada na Linha 18 (demais compensações do IR), que corresponde ao 1RRF incidente sobre as Notas Fiscais 390 e 393, recolhido em duplicidade, pois na data de emissão dessas NE foi calculado e reconhecido o IRPJ e, quando do recebimento do valor faturado em 04/02/1997 a fonte pagadora — DAMF/RJ — CNPJ: 00.394.460/0011 13 reteve também os tributos federais inclusive 4,8% de 1RRF, quando o valor correto seria 1,2% (fls. 64/71); b) que procedeu a compensação com base na IN SRF nº 67, de 26.05.92, ADN nº 15, de 30.03.94 e art. 165 do CTN; c) que os valores pagos por estimativa foram atualizados com base no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, ou seja, pela aplicação da taxa SELIC (fls. 72/80). 3 — No que concerne à omissão de receitas financeiras na declaração do IRPJ 1997 (anobase 1996) que o contribuinte declarou R$ 15.303,92 na Ficha 06, Linhas 04,06 e 07 e, no entanto, as fontes pagadoras informaram através de DIRF pagamentos de receitas financeiras no valor de R$ 78.343,08, entende a Impugnante que, apesar da omissão da receita financeira autuada, não houve falta de pagamento do IRPJ, tendo em vista que as instituições financeiras efetuaram as retenções devidas do IRRF e informaram a SRF via DIRF. Em face das alegações do sujeito passivo, os autos foram baixados para a realização das diligências pertinentes (fls. 83/84). Foram cumpridas as diligências (fis.86/148), conforme Termo de Encerramento de Diligência (fi.149). Quanto ao encerramento das diligências, foi dado ciência ao sujeito passivo em 11/10/2004, por via postal, conforme AR (fl. 150)”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF, na sessão de 11/04/2005, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 13.511 entendendo “por unanimidade de votos, conhecer da impugnação e, no mérito, JULGAR procedente, em parte, o lançamento fiscal para acolher o IRRF de R$ 13.884,43 (fls. 22/23) e, por conseguinte, reduzir o valor do IRPJ de R$ 25.360,79 para R$ 11.476,36, bem assim a multa de ofício e os juros de mora respectivos, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. JULGAR PROCEDENTES EM PARTE as exigências fiscais”, em decisão assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: APURAÇÃO ANUAL DO LUCRO REAL — IRPJ PAGO POR ESTIMATIVA MENSAL. LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR EM 31/12/1989 DIFERENÇA IPC/BTNf — NÃO OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A MAIOR DO IMPOSTO DEVIDO COM BASE NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.381 6 I — Procede o lançamento do multa de oficio com base no artigo 63 da Lei no 9.430/96, uma vez que não restou provado nos autos que o crédito tributário atinente ao lucro inflacionário não realizado estivesse com a exigibilidade suspensa; II — Mantémse a glosa dos valores compensados a maior do 1RPJ devido com base na receita bruta e acréscimos — IRPJ pago por estimativa mensal, pois não restaram provados pagamentos em duplicidade, e, além disso, quando da entrega da declaração de ajuste anual, é incabível a correção monetária com base na taxa SELIC dos pagamentos do IRPJ — estimativa mensal, para efeito de dedução do imposto devido; III — Procede a exigência fiscal quanto à omissão das receitas financeiras na apuração do lucro real, porém deve ser considerado o crédito do IRRF correspondente, para efeito de redução do imposto, da multa e dos juros de mora respectivos. Lançamento Procedente em Parte”. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/05/2005 (AR fls. 170), a INFRACON CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 13.511, recorre em 16/06/2005 (176 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. O presente processo foi distribuído para a 5ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, que na sessão de 26/04/2006, através da Resolução nº. 1051.251 (fls. 283 e segs) converteu o julgamento em diligência “para que a DRF do domicílio fiscal da Interessada apure adequadamente a questão, demonstrando a efetiva existência de compensação a maior do imposto devido com base na receita bruta, conforme Auto de Infração que originou o presente processo”. Em 23/06/2006 os autos foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal em Brasília – DF (fls. 211); e, no dia 12/07/2006 houve um despacho da Delegacia da Receita Federal em Brasília – DF (fls. 212) devolvendo o processo ao antigo 1º Conselho de Contribuintes, sob o argumento que “a empresa não pertencer à Jurisdição desta DRF/DF”; Em 18/07/2006 os autos foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal em Goiânia – GO (fls. 212v); em 18/02/2009 foi lavrado o termo de diligencia (fls. 215 e segs), sendo que a Recorrente foi intimada da lavratura do termo de diligencia em 20/02/2009, (AR fls. 225) . E, a diligencia foi encerrada em 16/03/2009 (fls. 260 e segs), sendo a Recorrente intimada do encerramento da Diligencia no dia 18/03/2009 (AR fls. 261). Em síntese, é o relatório. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.382 7 Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Depois de uma longa análise nas idas e vindas do presente processo, entendo ser necessário, antes de qualquer coisa, transcrever parte dos argumentos apresentados pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF, constantes do Acórdão nº 13.511, “verbis”: “(...)Em 08/06/2002, o sujeito passivo apresentou impugnação ao lançamento fiscal aduzindo, em apertada síntese (fls. 27/80): I — (...) a) a Impugnante, desde 02.05.91, é associada do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás — SINDUSCON; b) que em 07/05/92 o SINDUSCON impetrou mandado de segurança coletivo em face do Delegado da Receita Federal em Goiás, rebelandose contra a aplicação do Inciso II do art. 3° da Lei n° 8.200/91, que estabeleceu novos critérios de apuração do lucro real, relativamente ao períodobase já encerrado em 31/12/1990, pois implicava em majoração do “quantum” do IRPJ e da CSLL já pagos no exercício 1991, relativos ao anobase 1990 (petição inicial do MS consta das fls.99/111); c) da citada petição inicial do MS Coletivo constam os seguintes argumentos, em síntese (Processo Judicial nº 9200029256)(...)”. Fazendo uma pesquisa encontramos o Mandado de Segurança, proc. nº. 92.00.029256, que possui os seguintes dados: Tendo como últimos andamentos: Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10120.007022/200187 Acórdão n.º 1803001.298 S1TE03 Fl. 1.383 8 Diante da notícia acima, trazida pela própria Recorrente, vejo que no caso em tela houve a ocorrência da renúncia à instância administrativa, quando a Recorrente, através da sua entidade de classe, em 07/05/1992, fez parte do pool de empresas que se beneficiaram das decisões do Mandado de Segurança, processo n° 92.00.029256. Diante dessa realidade não resta dúvida que temos no presente caso a situação de concomitância entre as esferas administrativa e judicial. E, este tema já se encontra sumulado no âmbito desta Corte Administrativa: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Assim, em decorrência de ter a Recorrente, como associada do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de GoiásSINDUSCONGO, foi beneficiada das decisões proferidas no Mandado de Segurança, processo n° 92.00.029256, fica configurada a ocorrência de renúncia à instância administrativa. Assim, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário, em decorrência da existência de processo judicial anterior a data da autuação. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 10280.901970/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1202-000.675
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso
voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Afastado o motivo jurídico do indeferimento da homologação da compensação, cabe à unidade de origem analisar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência formulada pelo conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, vencido o proponente. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, retornando o processo à repartição de origem para confirmação do crédito compensado. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 146 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 147 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório denegatório da homologação da compensação declarada em PER/DCOMP. A homologação da compensação foi denegada na unidade de origem sob o fundamento de que, em se tratando o crédito de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, este somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte descreveu, inicialmente, os seguintes fatos, in verbis: 0 valor apurado de IRPJ base ago/2004, com base no balancete acumulado do período, foi declarado à SRF , o valor de R$ 465.575,62, através de DCTF retificadora n° 35.30.05.76.7920, transmitida em 03.01.2005, devidamente registrado na contabilidade A época devida, e com alterações posteriores efetuadas até 22.12.2006, em decorrência do Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17.03.2005, a sua apuração passou a ser R$ 357.740,77, declarado em DCTF retificadora n° 41.10.33.26.33 03, transmitida em 22.12.2006, passando a existir crédito de pagamento a maior do referido período (darf, no valor total de R$34.813,39, pago em 30.06.2006), utilizado para compensar o IRPJ base jan/05, conforme PER/DCOMP' n° 18357.350120.291206.1.3.04 9453, totalizando R$8.551,67. Pediu a homologação da compensação realizada, invocando o art. 165 do CTN como fundamento principal do direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Especificou que, no caso em análise, tratase de pagamento a maior de IRPJ devidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução, havendo a possibilidade de compensação imediata e inexistência de vedação legal, hipótese essa, segundo ele, distinta do simples pagamento a maior de estimativa. Citou o art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, para amparar o seu direito à compensação pleiteada, assim como o art. 35 da Lei nº 8.981/95, o qual orientou seu procedimento na apuração do crédito. Aduziu que inexiste vedação legal para a compensação imediata de pagamento a maior de tributo indevidamente apurado por meio de balancete de suspensão ou redução. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 148 4 Criticou a interpretação literal do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005 dada pela decisão recorrida, aduzindo, em reforço, que a IN RFB nº 900/2008, em seu art. 34, §3º, inciso IX, não proíbe a compensação pretendida. Requereu, subsidiariamente, o afastamento da multa de mora respectiva, em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, e com base no Parecer PGFN/CDA n° 777/2008, de 30/04/2008. Juntou cópia do balancete respectivo, dos extratos das DCTF originária e retificadora e da cópia do acórdão referido, a fim de comprovar seu direito. A DRJ/Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, considerando a impossibilidade de compensar os recolhimentos, calculados segundo os critérios da Lei nº 9.430/1996, efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real durante o anocalendário, por se caracterizarem, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, não podendo ser considerados, a priori, como pagamentos indevidos ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Referiuse a decisão ao art. 10 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e ao art. 10 da IN SRF nº 600, de 28/12/2005, os quais, enquanto vigentes, determinaram que o pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manteve também a multa de mora, por se tratar de multa de natureza compensatória, devida em razão do prejuízo causado em virtude de atraso do cumprimento de uma obrigação que lhe é devida. A decisão recorrida teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da DCOMP em data em que o débito já estava vencido. Inconformado com o resultado do acórdão do qual foi cientificado em 09/12/10 (fl.126,v.), o contribuinte apresenta o recurso voluntário ora em julgamento, protocolizado em 06/01/11 (fls.127 e ss), nos mesmos moldes da manifestação de Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 149 5 inconformidade, acrescentando a distinção entre os casos de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento a maior de estimativa (IRPJ e CSLL), sujeita a apuração de saldo negativo passível de compensação somente no final do exercício, dos casos de emissão de balanço acumulado em que o contribuinte apura devidamente o crédito, por meio de balanço acumulado, podendo efetuar a compensação já no mês seguinte, como é o caso. Nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, considerando que se trata de mesma questão jurídica, tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos abaixo relacionados, os quais se referem às respectivas PER/DCOMP: PROCESSO NR.PER/DCOMP 10280901700/200914 29934.96823.291206.1.3.048020 10280900603/200912 25638.24072.211206.1.3.049206 10280901694/200903 25153.57480.211206.1.3.043050 10280901701/200969 18844.26431.291206.1.3.047718 10280901702/200911 42507.08057.291206.1.3.044079 10280901970/200925 18357.35012.291206.1.3.049453 10280901703/200958 26578.95543.291206.1.3.041912 10280901696/200994 32909.17212.291206.1.3.043236 10280901697/200939 16526.67481.291206.1.3.047035 10280901704/200901 00260.91646.291206.1.3.040552 10280901679/201091 08777.71029.310107.1.3.045580 10280901695/200940 20506.00720.291206.1.3.041899 10280901698/200983 28712.11429.291206.1.3.043728 10280901699/200928 11550.04167.230107.1.7.044845 10280901705/200947 09068.21813.291206.1.3.043592 É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 150 6 Voto Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A questão posta em análise resumese à possibilidade ou não de apuração de pagamento indevido ou a maior de tributo recolhido de forma antecipada, consoante a modalidade de tributação pelo lucro real anual, para fins de compensação com outros débitos. Sabese que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 exige que o tributo a ser compensado seja passível de restituição. Resta definir se esse valor pago a maior, como alega a recorrente, pode ser incluído no conceito de indébito passível de restituição. Inicialmente, deve ser bem compreendida a modalidade de tributação pela sistemática das bases estimadas. A pessoa jurídica sujeita à apuração pelo lucro real tem, como alternativa à regra geral de apuração trimestral, a opção pela apuração de IRPJ e CSLL em período anual, ficando obrigada a fazer os recolhimentos de IRPJ e CSLL por antecipação mensal sobre base de cálculo estimada (art. 222, RIR/99). Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo estimada resulta de percentual aplicado sobre a receita bruta mensal, acrescido das demais receitas (art.223, RIR/99), porém, o contribuinte, a cada mês, pode suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido sobre aquela base, desde que demonstre, através de balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado sobre o lucro real do período (art. 230, RIR/99). Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). .............. Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 151 7 O contribuinte pode permanecer recolhendo sobre as bases estimadas em função da receita mensal, durante todo o anocalendário e, ao final, apurar o lucro real, ou, visualizando um cenário real de prejuízo ou lucro reduzido, pode elaborar balancete acumulado (o qual deverá refletir a situação contábilfiscal desde o início do ano até o último dia do mês a que se refere), e apurar a base de cálculo real do tributo devido no período. Após comparar os valores recolhidos por estimativa com o que seria efetivamente devido à vista do balancete, o contribuinte tem o direito de suspender o recolhimento do mês, se houver diferença a maior já recolhida, ou reduzir o valor calculado com base na receita bruta até o limite da diferença a menor apurada. No mês seguinte, assim como nos posteriores, caso queira proceder a uma nova suspensão ou redução do tributo devido, a cada mês, com base na receita mensal, o contribuinte deverá efetuar o mesmo procedimento. Nesse sentido dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ainda em vigor, em seu art. 10: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. Esta é, em suma, a sistemática da tributação pelo lucro real mensal, prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96, cuja opção tem caráter irretratável durante todo o anocalendário, conforme o art. 3º da mesma lei: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ...................................... Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 152 8 Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Por sua vez, a Lei nº 8.981, de 20/01/95, é mais específica quanto ao papel dos balancetes como auxiliares para a determinação, não da base de cálculo para fins de recolhimento no mês, mas do limite do recolhimento com fulcro na base de cálculo estimada: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. [...] § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (destaquei) Notase que, dentro da sistemática da tributação do lucro real anual, o levantamento de balancete de suspensão/redução acumulado de 1º de janeiro até o último dia de determinado mês serve unicamente para determinar qual o limite do recolhimento do tributo a ser realizado no mês, quando comparado com o tributo devido com base na receita bruta daquele mês. Caso, por exemplo, tenham sido efetuados recolhimentos durante os três primeiros meses do ano e se apure prejuízo fiscal, demonstrado através de levantamento mensal de balancetes acumulados, em todos os meses subsequentes, esses balancetes não servirão de comprovação de indébito em relação aos recolhimentos efetuados anteriormente, já que indébito não há. Por se tratar de fato gerador de natureza complexa, na tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real anual apenas a geração de saldo credor em função de prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário dará ensejo à caracterização do indébito, na forma determinada pela legislação acima referida. Quanto ao reconhecimento da possibilidade de restituição/compensação de indébito gerado a partir de recolhimentos indevidos a título de estimativas, cabe citar a evolução da legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que, inicialmente, buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, como se vê: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 153 9 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005) Assim, a Administração apenas admitia a caracterização de indébito, em qualquer hipótese, após a verificação de saldo negativo na apuração anual do tributo, o qual seria atualizado, com juros à taxa SELIC, a partir do mês subsequente ao do encerramento do anocalendário, consoante o disposto no Ato Declatatório Normativo SRF nº 03/2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Desde 30/12/2008, contudo, com a edição da IN RFB nº 900, a restrição à restituição dos recolhimentos a título de estimativa deixou de existir na esfera administrativa: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Mas, mesmo no período anterior à vigência dessa norma, podese entender pela inexistência de restrição no tocante ao aproveitamento de recolhimentos por estimativa efetuados a maior, caracterizados como indébito, tendo em vista que não caberia ao legislador infralegal criar distinção onde a lei não criou. A interpretação a contrario sensu a norma legal que determina que o valor do imposto pago antecipadamente – na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96 – deve ser considerado na apuração anual, permite concluir que os excessos de recolhimento, considerando uma receita bruta indevidamente majorada ou um balancete retificado, por exemplo, caracterizamse como indébitos desde o seu nascedouro. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 154 10 Nesse sentido, cabe citar jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (Acórdão nº 910100406, de 02/10/2009) A especificidade do caso ora analisado traduzse no fato de que, através de PER/DCOMP, a recorrente pleiteia a compensação de valor pago a maior apurado após levantamento de balancete de suspensão/redução, considerando os valores retificados, sendo que o valor originalmente recolhido também havia sido definido após o levantamento de balancete. Embora a recorrente aponte que a simples apuração através de balanço de suspensão/redução lhe daria o direito de compensar o montante recolhido a maior a partir do mês seguinte, a situação verificada nos autos é bem distinta, haja vista que houve retificação da própria base de cálculo do lucro real levantada no período. A recorrente alega que o Acórdão DRJ/BEL n° 3.795, de 17/03/2005, formalizado nos autos do processo nº 10280.005581/200209, juntado por cópia na fase de manifestação de inconformidade, conferiulhe o direito de reduzir a base de cálculo do tributo no período de apuração em questão. À vista de tal decisão, providenciou a retificação da DCTF, reduzindo o montante do tributo devido e, com ele, o aproveitamento do pagamento via DARF, o que resultou, segundo ela, num indébito tributário. Verificase que o acórdão referido pela recorrente como ensejador da alteração do montante apurado tratou de analisar um lançamento destinado à redução de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no ano de 1998. A parcela da autuação julgada improcedente, referente à possibilidade de dedução de determinadas despesas na apuração do lucro real, transitou em julgado na data da ciência (10/06/2005), porque o crédito tributário exonerado estava abaixo do limite de alçada fixado na legislação de regência, não se sujeitando ao recurso de ofício à instância superior. Disso se depreende, em tese, a justificativa de ter havido redução da base de cálculo do tributo devido por antecipação, ensejadora da retificação da DCTF respectiva, caracterizandose o indébito em função da retificação da base de cálculo do lucro real apurado no período. Como se trata de retificadora entregue em data posterior ao encerramento do exercício, quando já era possível verificar a existência de saldo negativo porventura existente, em que pese a pretensão de compensar crédito de estimativa, teria deixado de existir fundamento para a negativa da restituição/compensação do crédito. Todavia, na verdade, o que está em jogo é a data do início da atualização monetária, a depender do momento de caracterização do indébito: se na data do recolhimento da estimativa mensal ou na data da apuração do saldo negativo (31 de dezembro). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 155 11 A situação ora analisada, teoricamente, enquadrase na hipótese de caracterização de indébito gerado por recolhimento a maior a título de estimativa, considerando que a recorrente faz expressa referência a DCTF retificadora, onde passou a declarar um débito menor e, proporcionalmente, utilizouse de uma parcela menor do valor recolhido via DARF, gerando um crédito pela parcela recolhida a maior. Ao apresentar a DCTF retificadora, a recorrente desfez uma parte do crédito das estimativas incluído na apuração do saldo final do exercício, pretendendo compensar a parcela excedente com outro débito de estimativa. Conforme consta da impugnação e do recurso voluntário, a recorrente, inicialmente, informou em DCTF a obrigação de antecipar um valor de IRPJ (ou CSLL) no mês, recolheu esse valor e, posteriormente, o recalculou em razão do trânsito em julgado de decisão administrativa parcialmente favorável e informou o valor recalculado em DCTF retificadora. Em que pese não ter juntado a tela da DCTF retificadora em todos os processos analisados em conjunto, a juntada em alguns deles e a expressa referência em todos os recursos indica que foi realizado o mesmo procedimento. Diante disso, deve ser afastado o entendimento restritivo quanto à possibilidade de aproveitamento das estimativas recolhidas a maior, dado pela DRF e confirmado pela DRJ, o que não implica na automática homologação da compensação pretendida. O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza, cumprindo ao contribuinte fazer prova inequívoca da base de cálculo correta do tributo que teria gerado o crédito. Todavia, no presente caso, em razão da negativa de homologação da compensação por motivo de direito, deixou de ser analisado o aspecto fático do crédito, como a sua existência, suficiência e disponibilidade para fins de homologação da compensação pretendida. A unidade de origem, responsável pela análise da compensação e, a priori, pela sua homologação, após verificar que se tratava de crédito decorrente de recolhimento efetuado a título de estimativa, estancou a análise nesse ponto. Concluindo não haver fundamentação jurídica para o pleito, consequentemente, deixouse de verificar a fundamentação fática no caso. Assim, resta verificar, no caso concreto, a existência de elementos de prova do crédito alegado para fins de homologação da compensação pretendida. Considerando a inexistência de prévia manifestação da autoridade competente sobre a liquidez e certeza do crédito, é de rigor que seja observada a competência original para a análise do crédito, não competindo a este órgão de julgamento em segunda instância manifestarse pela primeira vez sobre os elementos fáticos do processo. Assim, é possível concluir que, embora o direito seja bom, a homologação da compensação pretendida depende da comprovação da liquidez e certeza do crédito. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 120200.675 S1C2T2 Fl. 156 12 Com tais fundamentos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP, bem assim a sua suficiência para quitar os débitos compensados, homologando ou não a compensação pretendida. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 15374.004418/2001-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa: ARBITRAMENTO — LIVRO DIÁRIO — o arbitramento é medida
extrema. Não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Não registrar dia a dia os fatos contábeis, mas apenas no último dia de cada mês, contamina toda a escrituração e inviabiliza a sua auditoria, o que legitima o arbitramento.
Numero da decisão: 1201-000.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso de oficio para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau para apreciar as demais alegações da recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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I / MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1 .fra\-- PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15374.004418/2001-12 Recurso n° 167.326 De Oficio Acórdão n° 1201-00-214 — r Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente 2" Turma/DRJ-Rio de Janeiro/RJ-I Interessado LTM Consultores Associados LTDA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: ARBITRAMENTO — LIVRO DIÁRIO — o arbitramento é medida extrema. Não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Não registrar dia a dia os fatos contábeis, mas apenas no último dia de cada mês, contamina toda a escrituração e inviabiliza a sua auditoria, o que legitima o arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de oficio para determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau para apreciar as demais alegações da recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. CLAUDEMIR ROL) IGUES M./\. LAGUIAS - Presidente. GUILH E ADOLFO D S SANTOS MENDES - Relator. EDITADO EM: 30U p.BR 2071 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 2 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, relativamente ao ano-calendário de 1998, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com multa agravada de 112,5%. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 100 a 108. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Trata o presente processo dos autos de infrações lavrados pela DRF/Rio de Janeiro/RI; referentes ao ano-calendário de 1998, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica - 1RPJ, no valor de R$ 927.617,00 (fls. 77/81 e termo de verificação à fl. 76), e a contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL, no valor de R$ 95.161,80 (fls. 82/85), todos acrescidos da multa de 112,50 % e encargos moratórios. 2- Fundamentou, materialmente, a exação de 1RPJ: arbitramento do lucro visto que os livros razão e diário não estavam escriturados na ordem cronológica e não apresentavam registros individualizados das operações, conforme determinado pelo art. 205, §§1 0 e 2' do R1R/1994. A multa foi majorada para 112,50 %por falta de atendimento às intimações (art. 44, §2", da lei 9.430/1996). O lucro foi arbitrado com base nas receitas Informadas na declaração de imposto sobre a renda. 2.1- Enquadramento legal: arts. 15, §1°, e 16 da Lei 9.249/1995; art. 41, 1 e §§6" a 10°, da EY 93/1997; art. 47, 111, da Lei 8.981/1995; art. 27, 1, da Lei 9.430/1996. 3- CSLL. 3.1- Em decorrência da autuação de IRPJ, lançou-se esta contribuição. 3.2- Enquadramento legal: art. 2' e §§ da Lei 7.689/1988; arts. 19 e 20 da Lei 9.249/1995; art. 29, 1, da Lei 9.430/1996. 4- Ao impugnar as exigências, fls. 100/108, e documentos às fls. 109/4.193, o interessado alega, em síntese, que: - em 1/2001 alterou seu endereço do Rio de Janeiro para São Paulo, fato este informado à SRF; 3 - o autuante procedeu seus trabalhos não no novo endereço, mas no anterior, onde se situa aflua!; - não conseguiu atender, dentro dos prazos exíguos, as intimações, até mesmo parque foram entregues a pessoa que não possuía procuração para assinar em nome do interessado; - a primeira ilegalidade havida reside no fato da autuação ter sido realizada em estabelecimento filial, com débito apurado na matriz,' - junta, por amostragem, documentos que demonstram a regularidade dos lançamentos contábeis e do lucro apurado bem como cópia das folhas de pagamento que demonstram o comprometimento de grande parte da receita bruta com salários, demonstrando a total impropriedade do arbitramento do lucro; - como as intimações foram entregues a pessoas não dotadas de poderes, quer no contrato social, quer por intermédio de procuração, o interessado não foi devidamente cientificado das exigências fiscais; - os exíguos prazos fornecidos pelo autuante não foram suficientes para deslocar a documentação de São Paulo para o Rio de Janeiro; - o art. 151 c/c o art. 161 do Código Tributário Nacional — CTN, nos leva a entender que enquanto se está discutindo a legitimidade e a legalidade da cobrança efetuada, não são devidos juros de mora, uma vez que o crédito tributário está suspenso, não podendo ser exigível; - o crédito tributário só está definitivamente constituído após o encerramento do processo administrativo. Isto nos leva à conclusão de que não se pode fazer incidir juros de mora sobre algo que ainda não existe; - a aplicação da taxa Selic é inconstitucional, à medida que possui natureza remuneratória, incondizente com o caráter (:jA moratória que deve ter a taxa de juros; - requer provar o alegado por todos os meios de prova, inclusive juntando documentos e da realização de diligências. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU E DO APELO OFICIAL A decisão recorrida de oficio (fls. 4.206 a 4.210) deu provimento integral à impugnação nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ORDEM CRONOLÓGICA. INDIVIDUALIZAÇÃO DOS REGISTROS. ARBITRAMEATO DO LUCRO. 4 • Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 3 Descabe o arbitramento do lucro se verificado que os registros contábeis foram realizados ao fim de cada mês, de sorte a não prejudicar a apuração do lucro real. Da mesma forma, se somente alguns registros foram feitos sem individualização das operações. A desclassificação da escrituração contábil se dá nas situações em que ficar demonstrado cabalmente a impossibilidade de apuração do lucro real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1998 Ementa . LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Por ser relativamente sintético, aproveito para transcrever também o voto condutor da decisão: 6- A impugnação é tempestiva, visto ter sido apresentada em 27/12/2001 Ifl. 100) e as ciências dos autos de infração ocorreram em 27/11/2001 07. 99). Além disto, estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. 7- Diligência. 8- Nego o pedido de realização de diligência por desatender o disposto no art. 16, IV (formulação de quesitos), do Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF), além de constar nos autos os elementos necessários a minha convicção. 9- Nulidade do auto de infração. 10- Descabe a alegação de nulidade, pois todos os requisitos do auto de infração, dispostos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, bem como no art.10 do Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAI), foram atendidos. Também não ocorreram as situações previstas no art. 59 do PAF. No que se refere ao local da verificação, apesar do interessado ter comunicado a mudança de endereço de sua matriz, antes do inicio dos trabalhos, conforme documento de fl. 4.205, não há impedimento que os trabalhos se realizem na filial, muito menos que o atendimento se dê por prepostos sem poder de representação. Cabe ao interessado designar pessoa apta a atender a fiscalização. Portanto, não procedem aos argumentos de nulidade do auto de infração. 11-Arbitramento do lucro. 12- O lucro foi arbitrado por falta de obediência à cronologia nos lançamentos e falta de individualização das operações. O 5 autuante não juntou aos autos qualquer prova do alegado. O interessado junta cópias dos livros diário e razão CL 252/643), onde se venfica que os lançamentos são feitos no último dia de cada més e que, de um modo geral, as operações estão individualizadas. 13- O fato de os lançamentos estarem no último dia do mês não fere de morte os registros, nem os livros, de forma a impedir a apuração do lucro real. Aliás, esta prática é comum nas escriturações das empresas, sendo tolerável. O que poderia ocorrer seria o disfarce de saldo credor de caixa, que configura uma infração na legislação do 1RPJ. Mas isto é facilmente detectável, com uma auditoria na conta e nos documentos. 14- Observa-se que de um modo geral os registros são individuais, com exceção de emissão de cheques e recebimentos. Entretanto, caberia ao autuante demonstrar cabalmente que a falta de individualização destas operações prejudicou a apuração do lucro real, de modo a desclassificar a escrituração contábit Neste sentido, a Súmula 76 do TER: "ESCRITURAÇÃO RREGULAR — A desclassificação da escrita só se justifica na ausência de elementos que permitam a apuração do lucro real da empresa". 15- O arbitramento é medida extrema que só deve ser adotado se demonstrado a impossibilidade de se apurar o lucro real, diante da imprestabilidade dos registros contábeis. Portanto, diante da falta de comprovação de que os livros diário e razão não se prestavam para apurar o lucro real, não procede a autuação. 16- CSLL. 17- Em face da vinculação entre o lançamento principal e o reflexo, não havendo nos autos em relação a este argüições de matérias especificas ou adição de quaisquer outros elementos de prova novos, as conclusões extraídas do lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica deve prevalecer na apreciação do mesmo. É o meu VOTO. É o relatório do essencial. 6 Processo n° 15374.00441812001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Fl. 4 VOTO Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes As razões apresentadas pela fiscalização para desqualificar a escrituração da auditada foram assim sintetizadas: "os livros Razão e Diário apresentados não estavam escriturados de acordo com a legislação de regência (...), ou seja, não obedeciam a ordem cronológica e não apresentam registros individualizados das operações". De fato, em razão dos inúmeros registros contábeis ao final de cada mês, podemos inferir que houve individualização dos lançamentos. Ademais, pela leitura de seus termos de intimação, aparenta-me que a própria autoridade fiscal se equivocou na redação do termo de verificação ao afirmar que os registros não estavam individualizados. Abaixo, reproduzo trecho do termo de fl. 64: ...tendo em vista que os livros fiscais apresentados, e acima citados, não obedecem à ordem cronológica das operações [c) Solicito apresentação dos livros auxiliares nos quais estejam os registros individualizados como determina a legislação de regência 11.7 Dessarte, a desqualificação da escrita decorreu da não individualização conforme a legislação, ou seja, com o seu registro preciso no dia a que se refere o fato contábil. Apesar de minha interpretação acerca da acusação fiscal ser diferente da promovida pela autoridade julgadora de primeiro grau, o ponto a ser analisado é o mesmo, qual seja, se a ausência de registro cronológico diário é causa jurídica suficiente para a desqualificação da escrituração e o conseqüente lançamento por meio do lucro arbitrado, uma vez que concordo com a conclusão de que os registros contábeis estão, nos demais aspectos, individualizados. De início, destaco que o atual Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto n° 3.000/99) reserva um dos seus artigos com vários sub-dispositivos exclusivamente para disciplinar no âmbito tributário as formalidades que devem ser atendidas para a confecção do Livro Diário. Abaixo, reproduzo-o: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obStório o uso de Livro Diário encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (Decreto-Lei n 2 486, de 1969, art. 52,). § Admite-se a escrituração resumida no Diário, poriis que não excedam ao período de um mês relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento desde que utilizados livros auxiliares para registro e conservados os documentos que permitam 7 • sua perfeita verificação (Decreto-Lei 122 486, de 1969, art. 52, § § 22 Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 32 Á pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (Decreto-Lei n2 486, de 1969, art. 52, § 12). § 42 Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no 12, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei n 2 3.470, de 1958, art. 71, e Decreto-Lei n 2 486, de 1969, art. 52, § § 52 Os livros auxiliares, tais como Caixa e Contas-Correntes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 62 No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. (nossos destaques) Na parte destacada da legislação acima citada, a qual é reprodução de textos com hierarquia de lei, impõe-se o registro dia a dia. Essa obrigação só e afastada quando houver livros auxiliares devidamente registrados. No presente feito, contudo, o sujeito passivo, apesar de especificamente intimado para tal, não apresentou ao agente fiscal os referidos livros. Ainda à luz do Regulamento do Imposto sobre a Renda, merece destaque o seu art. 530: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): 1- o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Podemos já concluir qUe os fatos descritos se enquadram perfeitamente na hipótese acima transcrita de arbitramento, uma vez que o contribuinte não manteve a escrituração na forma das leis fiscais. Processo n° 15374.004418/2001-12 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00-214 Ft 5 Contudo, achamos relevante destacar ainda que não houve respeito também às leis comerciais, o que enseja, de igual sorte, o arbitramento do lucro. Ao menos desde 1850 com a edição do Código Comercial há, em nosso ordenamento, a obrigação para o registro cronológico diário das operações. Vejamos: Código Comercial de 1850 Capitulo II Das Obrigações Comuns a Todos os Comerciantes Art. I - Os livros sue os comerciantes são abri . ados a ter indispensavelmen te, na conformidade do artigo antecedente, são o Diário e o Copiador de cartas. Art. 12 - No Diário é o comerciante obrigado a lançar com individuação e clareza toda as suas operações de comércio, letras e outros quaisquer papéis de crédito que passar, aceitar, afiançar ou endossar, e em geral tudo quanto receber e despender de sua ou alheia conta, seja por que titulo1hr, sendo suficiente que as parcelas de despesas domésticas se lancem englobadas na data em que forem extraídas da caixa. Os comerciantes de retalho deverão lançar diariamente no Diário a soma total das suas vendas a dinheiro, e, em assento separado, a soma total das vendas fiadas no mesmo dia. (nossos destaques). Esses artigos, juntamente com todos os demais que compunham a primeira parte do Código Comercial, foram revogados pelo atual Código Civil (Lei n° 10.406/02), mas notadamente em grande parte apenas com o fito de reunir numa única codificação as obrigações das pessoas jurídicas de direito privado, pois a imposição de escrituração do Diário permanece e com a mesma característica cronológica, conforme podemos constatar por meio da leitura dos dispositivos abaixo reproduzidos: CAPÍTULO IV Da Escrituração Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. (.) Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. 9 (.) Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem crono~ de dia, mês e ano sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.189. No Diário serão lançadas com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo dia a dia por escrita direta ou reprodução todas as operações relativas ao exercício da empresa. sç V Admite-se a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. Poder-se-ia, contudo, afirmar que as referidas disposições não alcançam o autuado. Primeiro, o Código Comercial disciplina apenas a atividade do comerciante, categoria na qual a "LTM Consultores Associados LTDA" não se enquadra; segundo, apesar de o atual Código Civil impor o dever de escrituração não só aos comerciantes mas às atividades empresárias em geral, sua vigência é posterior aos fatos. Não podemos, porém, deixar de mencionar que o Código Civil de 1916, em seu art. 1.364, já determinava que as sociedades civis que se revestissem das formas das leis comerciais — é o caso das sociedades de responsabilidade limitada — deveriam atender às prescrições comerciais que não comflitassern com suas demais disposições, o que seguramente abarca a disciplina relativa à escrituração. Todavia, mesmo se concluíssemos que a autuada não estava, à luz do direito comercial, obrigada ao registro do livro diário, há a imposição da legislação fiscal, que é suficiente para o enquadramento dos fatos narrados em uma das hipóteses de arbitramento, conforme já sustentamos no inicio desde voto. Apesar de julgarmos que o autuado descumpriu também as imposições de direito empresarial (acepção mais adequada aos dias atuais), nosso principal propósito de investigar com minúcias a legislação não estritamente fiscal foi demonstrar que o registro cronológico dia a dia é um aspecto essencial do Livro Diário, pois presente em todos os diplomas legais de referência. Aliás, não é mera coincidência que essa característica serviu de epíteto do próprio Livro: Livro Diário. Numa certa medida, concordo com a decisão recorrida ao expressar que o arbitramento é medida extrema. Nesse caso, não é todo vicio de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. Nada obstante, a falta de registro cronológico diário não pode ser conceituada como um vicio qualquer. Ademais, por dois motivos, não é ónus do agente fiscal demonstrar que o referido vicio impossibilita a apuração do lucro real. io Processo n° 15374.004418/2001-12 51-C2T11 Acórdão n.° 1201-00-214 FIL Primeiro, no limite, o lucro real poderia ser determinado ainda que nenhummo escrituração houvesse; bastaria que o fiscalizado disponibilizasse à autoridade fazendária toda. a documentação de seus fatos contábeis e esta, no lugar do contribuinte, confeccionasse os livros, o que — convenhamos — é um absurdo. A autoridade fiscal não tem o dever de promover a escrita contábil. Esse ânus é do sujeito passivo, o qual, não atendido, legitima o arbitramento. O agente público não tom, pois, que demonstrar a impossibilidade de apurar o lucro real. Deve apenas comprovar que o sujeito passivo deixou de cumprir o ônus que a lei lhe impõe. A escrituração realizada segundo as formalidades legais é o que possibilita à autoridade o exercício da atividade contábil que lhe é imposta por lei, qual seja, a de auditoria e não a de registro, e, assim, apontar as incorreções e lançar as eventuais diferenças na apuração do lucro real promovida pelo próprio suje:Sm) passivo. Segundo, o vicio de não se escriturar dia a dia os fatos contábeis contaminei toda a escrituração e inviabilize a sua auditoria. Isso não precisa ser demonstrado peei. autoridade. Na é por mera casualidade que essa exigência consta de todos os diplomas legais; que disciplinam o dever de escrituração. Ademais, é de conhecimento notório, pelo menos paro aqueles que possuem conhecimentos básicos de auditoria, que o registro diário é essencial. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao apelo oficial e parta determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeiro grau com o fito de apreciar- as demais alegações da recorrente. Ademais, recomenda-se que a autoridade julgadora de primeiro grau, no case de provimento passível de novo apelo oficial enfrente todas as questões suscitadas pela defesa, ainda que uma das remanescentes seja suficiente. (;) Guilhet-k4-; dolfo dos Santos endes iI ,;
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