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Numero do processo: 17546.001094/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 16/03/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 16/03/2007
PREVIDENCIÁRIO-CUSTEIO-AUTO-DE-INFRAÇÃO-ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAISAÇÕES TRABALHISTAS.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
O pedido de desistência parcial do AI envolvendo períodos da autuação, importa o não conhecimento do recurso referente aquele período.
AUTO DE INFRAÇÃO-OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA-DECADÊNCIA QUINQUENAL-SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no
intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida
decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, “São inconstitucionais os
parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em
GFIP fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado
devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.268
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a)
conhecer parcialmente do recurso; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa , que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS AÇÕES TRABALHISTAS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. O pedido de desistência parcial do AI envolvendo períodos da autuação, importa o não conhecimento do recurso referente aquele período. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VNCULANTE N. 08 DO STF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) conhecer parcialmente do recurso; e b) declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa , que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.052 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar o andamento das NFLD vinculadas aos fatos geradores constantes desse Auto de infração, evitando decisões discordantes. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata o presente auto de infração, lavrado ob o n. 37.037.2590, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, a empresa deixou de informar em GFIP os valores pagos aos diretores (prólabore), período de 01/1999 a 03/2004, (foi informado em GFIP o período de 01/2002 a 03/2004, contribuintes individuais (autônomos e credenciados), período de 01/1999 a 04/2000 e aos médicos cooperados, período de 01/1999 a 04/2000, conforme conta no Livro Diário nº 10 a 181, folhas de pagamentos e recibos apresentados, não incluídos nas GFIP, com seus totais mensais, conforme planilha anexa ao relatório fiscal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/03/2007. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls.144 a 148. A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 185 a 189, relevando parcialmente a multa aplicada. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls. 194 a 200. Alega em síntese: Os fatos geradores que ensejaram a autuação encontramse decadentes. Ao contrário do descrito na DN, não pode existir qualquer limitação de valores ou condição para relevação da multa, a não ser a primariedade do infrator e a correção da falta. O recorrente foi autuado pelo suposto não recolhimento de contribuições previdenciárias, acrescidas de juros e multa, não havendo que se falar em aplicação de nova multa por suposta falta de cumprimento de obrigações acessórias, que só ocorreu como consequência direta do primeiro ato. Requer ainda, seja acolhida toda a matéria trazida no presente recurso para seja reconhecida a insubsistência da multa aplicada. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A Receita Previdenciária apresentou contrarrazões s fls. 215 a 216, tendo encaminhado o processo a este 2º CC. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento, após cumprimento da diligência determinada {as fls. 219 a 221). Foi anexado pedido de desistência parcial, fl. 224 e 225, referente ao período de 01/2002 a 03/2004 O processo foi encaminhado a autoridade fiscal, mesmo após o pedido de desistência, por entender a autoridade da DRFB, ser necessário o cumprimento dos termos da diligência do CARF. Procedeu a autoridade fiscal, novo cálculo da multa a luz da MP 449, convertida na lei 11.941, conforme fl. 239 a 245. Assim, restou cumprida a diligência, nos termos abaixo expostos: iniciarmos o detalhamento da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte cabe esclarecer o despacho de fls. 219 a 222 da 2 a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sobre o andamento dos seguintes DEBCADS: • 37.037.2581 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 227 e 228, o referido processo foi Baixado por D.N. e se encontra no Arquivo Geral da GRASP. • 37.037.2603 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 229 e 230, o referido processo foi Baixado por Acórdão e se encontra no Arquivo Geral da GRASP. • 37.037.2611 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 231 e 232, o referido processo se encontra Aguardando Regularização após Expiração na Agencia da Receita Federal em CruzeiroSP • 37.037.2620 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 233 e 234, o referido processo se encontra Aguardando Regularização após Expiração no Conselho Administrativo Recursos Fiscais Quinta Câmara. • 37.037.2646 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 235 e 236, o referido processo se encontra Suspenso pra Inclusão em Parcelamento na Seção Controle e Acompanhamento Tributário DRF Taubaté SP. • 37.037.2654 conforme tela do Sistema Comprot e Consulta as Informações de Credito, juntada em fls. 237 e 238, o referido processo se encontra Aguardando Regularização após Expiração no Conselho Administrativo Recursos Fiscais Quinta Câmara. 2 Em atendimento ao solicitado pela SACAT, demonstraremos, a seguir, em razão da alteração da legislação no tocante às multas de mora e/ou multa isolada, em decorrência de lançamento de ofício (MP n°. 449, de 03/12/2008, convertida na Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 3 5 Lei n°. 11.941, de 27/05/2009), a multa mais benéfica a ser aplicada, conforme preconiza o art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). 3 Os valores referente a este processo e dos constantes acima foram lavrados em 19/03/2007, tendo em vista a disposição do art. 173 do CTN, referente à decadência, os valores levantados no período de 06/1997 a 02/2002 encontramse dentro do prazo decadencial, devendo ser excluídos dos referidos processos. É o Relatório. Com base nas planilhas anexas em fls. 239 a 244, em especial a "PLANILHA II", podemos concluir que a multa mais benéfica ao contribuinte nos períodos é: • 06/1997 a 12/1998 e 05/200 a 12/2001 multa anterior a vigência da Medida Provisória 449 DECADENTE • 01/199 a 04/200 multa após a Medida Provisória 449 DECADENTE • 01/2002 a 03/2003 não houve levantamento de débito por obrigação principal na empresa e o Auto de Infração 37.037.2590 foi relevado conforme Acórdão 0519.028 de 24/08/2009 da 9a Turma da DRJ/CPS, fls. 185 a 188v., portanto não é passível de multa mais benéfica. • 04/2003 a 10/2006 multa mais benéfica é a anterior a vigência da Medida Provisória 449, ou seja a que consta dos processos. 5 Como conseqüência do acima exposto, sugerimos dar conhecimento ao Sr. Chefe da SAFIS do procedimento a ser adotado e posterior encaminhamento a SACAT Taubaté/SP, para conhecimento e providências, se for o caso. Devidamente cientificado dos termos da diligência o recorrente apresentou impugnação, nos seguinte termos: 3. Acerca das NFLD's indicadas no relatório como prejudiciais ao julgamento deste recurso, temos as seguintes considerações a fazer: (a) NFLD n° 37.037.2603 PA 17546.001093/200718 (contribuição de cooperados de 06/1997 a 02/2000): Foi definitivamente anulada, como se verifica de cópia do acórdão e print atualizado do processo; (b) NFLD n° 37.037.2611 PA 17546.001095/200707 (contribuições não retidas dos cooperados de 04/2003 a 10/2006): Desistimos do recurso em virtude da inclusão do débito exigido neste lançamento no REFIS (Lei n° 11.941/2009); (c) NFLD 37.037.2620 PA n° 17546.001098/200732 (contribuições sobre remuneração dos dirigentes de 07/1997 a 12/2001): Recurso voluntário interposto pelo contribuinte requerendo a anulação do débito, já que operada a sua Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 decadência nos moldes da Súmula vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal. Aguardando julgamento do recurso; (d) NFLD n° 37.037.2646 PA n° 17546.001092/200765 (contribuições não retidas dos médicos credenciados contribuintes individuais de 04/2003 a 10/2006): Desistimos do recurso em virtude da inclusão do débito exigido neste lançamento no REFIS (Lei n° 11.941/2009); (e) NFLD n° 37.037.2654 PA n° 17546.001097/200798 (contribuições sobre contribuintes individuais de 06/1997 a 02/2000): Recurso voluntário interposto pelo contribuinte requerendo a anulação do débito, já que operada a sua decadência nos moldes da Súmula vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal. Aguardando julgamento do recurso. 4. Do acima exposto denotase que a NFLD n° 37.037.260 3 foi anulada; as NFLD's ns. 37.037.2620 e 37.037.2654 certamente serão anulada/ já que referemse a período decadente nos termos da Súmula vinculante n° 8 do STF 5. Dessa forma, de plano devem ser anuladas as multas exigidas nestes autos referentes às NFLD's 37.037.2603; 37.037.2620 e 37.037.265 4. 6. A multa referente ao período que abrange as NFLD's 37.037.2611 e 37.037.2646 foi incluída no REFIS, conforme petição de desistência que anexamos. 7. Finalmente, no que se refere a LDC n° 37.037.2638 referese a débito lançado de ofício, confessado no mesmo ato e parcelado conforme documentação ora juntada. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 4 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Tendo a diligência sido cumprida, tenho que o primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a preliminar de decadência, considerando que o lançamento envolve o período de 01/1999 a 03/2004. DA DECADÊNCIA Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponho a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está Fl. 297DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 5 9 adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da Fl. 299DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 6 11 verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 16/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/03/2007, os fatos geradores Fl. 301DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 7 13 ocorreram no período de 01/1999 a 03/2004, dessa forma devem ser excluídos os fatos geradores até 11/2001. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO A decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento, contudo a informação trazida às fls. 224 a 225 de pedido de desistência parcial, referente ao período de 01/2002 a 03/2004. Dessa forma, entendo que o pedido de desistência, importa no não conhecimento do recurso em relação a todas as matérias ali elencadas, contudo entendo deva ser observado na execução do julgado o cálculo da nova multa aplicada conforme a MP 449 , convertida na lei 11.941 destacada pelo auditor. Observase, por fim, que remanesce a competência 12/2001, considerando a aplicação do art. 173, I do CTN. O Auto de infração de GFIP – Cód. 68, (Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme relatório fiscal a empresa deixou de informar os pagamentos feitos aos contribuintes individuais, bem como pagamentos a dirigentes.). Contudo, toda a argumentação do recorrente diz respeito a aplicação da multa, considerando terem sido notificado pela ausência de recolhimentos. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, e considerando ter remanescido a competência 11/2001, após a desistência parcial, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91, conforme descrito pela autoridade fiscal, quando da conversão do julgamento em diligência. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 303DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.001094/200754 Acórdão n.º 240102.268 S2C4T1 Fl. 8 15 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas e da informação trazida às fls. 239 a 246, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso, para excluir do AI os fatos geradores até 11/2001 e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL,para para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10660.003470/2002-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 31/07/1997 a 31/12/1999, 31/01/2001 a 31/12/2001
MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. MERA AUSÊNCIA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANCETES NO LIVRO DIÁRIO. ACESSO PELA FISCALIZAÇÃO.
Não enseja, por si só, a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, a mera ausência de transcrição dos balancetes no livro diário, sobretudo tendo em vista que a fiscalização teve efetivo acesso a eles.
Numero da decisão: 9101-001.325
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso especial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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NÃO INCIDÊNCIA. MERA AUSÊNCIA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANCETES NO LIVRO DIÁRIO. ACESSO PELA FISCALIZAÇÃO. Não enseja, por si só, a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, a mera ausência de transcrição dos balancetes no livro diário, sobretudo tendo em vista que a fiscalização teve efetivo acesso a eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso especial, e, na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Henrique Pinheiro Torres. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Fl. 717DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial por maioria interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, com base em duas irregularidades: a) descumprimento de obrigação tributária acessória (registro de balancetes e balanços no livro diário para fins de suspensão dos recolhimentos mensais do IRPJ por estimativa); b) minoração indevida da base de cálculo do imposto devido no exercício de 1998 pelo abatimento de despesas com depreciação de imóvel não relacionado à sua atividade. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 361/366 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 373/379) julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 31/07/1997 a 31/12/1999, 31/01/2001 a 31/12/2001 Ementa: MULTA ISOLADA. É cabível a aplicação de multa isolada quando os "balanços/balancetes de suspensão ou redução não se encontram transcritos no Diário” Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: DEPRECIAÇÃO. Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços Lançamento Procedente Fl. 718DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 3 3 O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 397/403 dos autos. A antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 626/631) deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: IRPJ. MULTA ISOLADA. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Nos termos da legislação de regência, é obrigatório ao contribuinte que opta pelo recolhimento mensal do IRPJ por estimativa, a transcrição dos balanços e balancetes no Livro Diário, mormente quando utiliza a prerrogativa suspender o pagamento do imposto (IN SRF n°. 93/1997, art. 10, I). Tendo a fiscalização acesso aos balanços e balancetes do contribuinte nos anos de 1997, 1998, 1999 e 2001, a ausência de registros destes no Livro Diário não tem o condão de ensejar a aplicação de multa isolada. No exercício de 2000, não tendo o contribuinte apresentado o balanço, mantémse a multa isolada, limitada, nos termos do entendimento da C. CSRF, a 75% da contribuição apurada no ajuste anual. IRPJ. EXCLUSÕES INDEVIDAS NO LUCRO LÍQUIDO. DEPRECIAÇÃO DE IMÓVEL EM DESACORDO COM AS NORMAS PERTINENTES. Recurso parcialmente provido. Quanto à multa isolada, entendeuse que, no que tange aos anos de 1997, 1998, 1999 e 2001, o fiscal teve acesso aos balanços e balancetes de modo que “a ausência de registro destes no Livro Diário não constitui fundamento suficiente à aplicação da multa isolada”. No que tange ao ano de 2000, estabeleceuse que “não tendo a Recorrente apresentado o balanço respectivo, justificase a aplicação da Multa isolada, limitado seu valor a 75% da contribuição apurada no ajuste anual, consoante entendimento consolidado na Câmara Superior de Recursos”. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento violação à legislação tributária (fls. 633/640). Segundo a recorrente, houve violação ao artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Alegou que: “O IRPJ apurado pelo lucro real pode ser pago mensalmente, por estimativa. De acordo com o art. 29 da lei n° 9.430, tratase de uma opção do contribuinte. Portanto, a obrigação de pagamento mensal do tributo não é imposta ao contribuinte e, sim, previamente acatada por ele. Desta forma, fica mais evidenciada, ainda, a ilogicidade do descumprimento dessa obrigação por parte do contribuinte. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 4 4 Analisando os dispositivos acima destacados percebemos que este regime prevê a imposição de multa pelo não pagamento daquele valor estimado, em cada mês. Isso é o que se depreende da análise do art. 44, §1° , IV da lei n° 9.430. CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA DE OFÍCIO Desproporcionalidade entre a penalidade imposta e o proveito obtido pelo Contribuinte. Outra multa que pode ser aplicada é a multa de ofício do art.44, I. Todavia, alegase que essa concomitância da multa isolada com multa de ofício importaria em uma penalidade desproporcional ao proveito obtido. Esse argumento não convence, pois imaginemos que, por uma decisão de política fiscal, a multa isolada fosse de 150%. Alguém defenderia sua inaplicabilidade? Creio que não, já que a multa qualificada tem sido acatada e os argumentos de efeito confiscatório, não. Então quanto à desproporcionalidade penalidadeproveito obtido não há muito o que se acrescentar, face à debilidade do argumento. As multas são aplicadas sobre a mesma base, portanto, há uma dupla punição sobre o mesmo fato Quanto à duplicidade de sanções sobre a mesma base tributável devemos admitir que, a primeira vista, o argumento impressiona. Entretanto, não se justifica. A multa de ofício é imposta sobre a diferença de imposto não paga. Aquela que se define apenas após o ajuste ao final do anocalendário. Já a multa isolada é aplicada sobre a estimativa não paga, durante o anocalendário. Tratamse de bases diferentes. A analogia que se faz com institutos de Direito Penal tem erros em sua condução. O art. 70 do Código Penal, que trata do concurso formal de crimes, aparentemente demonstra a impossibilidade de imposição de duas multas. Entretanto, essa analogia traz uma contradição. O preceito sancionador impõe uma pena privativa de liberdade e uma pena de multa. Não há espaço para concessões pelo juiz. Ele apenas tem de fixar o tempo de restrição de liberdade e o quantum da multa. Tudo dentro dos limites fixados em lei (circunstâncias judiciais, agravantes, atenuantes e causas de aumento e diminuição de pena, gerais ou especiais). Como se vê, a multa é uma pena e no art. 171, como em muitos outros, é aplicada concomitantemente com outras penas. Ora privativa de liberdade, ora restritiva de direitos. Tudo isso demonstra que a analogia com o Direito Penal não tem como se sustentar. O fato é que a decisão não pode ser mantida nesses termos. A obrigação de recolher imposto de renda mensalmente com base nas estimativas deixará de ser obrigação para se tornar Fl. 720DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 5 5 faculdade. Afinal, que obrigação é essa que não tem sanção pelo seu descumprimento?! O fato é que o contribuinte faz uma opção pelo regime de estimativas. Ninguém lhe obriga a fazêlo. Agora, já que fez esta opção, assuma suas obrigações. E se as descumprir, que lhe seja imputada a multa determinada legalmente. A obrigatoriedade deste recolhimento antecipado é reforçada pela disposição do art. 35 da lei n° 8.981, que transcrevemos a seguir: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso Como se percebe, o contribuinte só ficará dispensado do pagamento de IRPJ em um mês se apresentar balancete de suspensão. Esse não foi o caso, portanto, o contribuinte deveria ter efetuado o pagamento. Como não o fez tempestivamente, está em mora e, consequentemente, deve serlhe imposta a multa isolada.” Desta forma, postulou pela reforma do acórdão recorrido, a fim de se manter a cobrança da multa isolada. O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 645/649). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. O recurso foi interposto com base na violação à legislação tributária: artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Sucede que, verificando o resultado da decisão recorrida, no que tange ao objeto recursal em questão, somente foi tomada por maioria em relação ao anocalendário de 2000. Relativamente aos demais anoscalendários, a decisão foi por unanimidade, de sorte que conheço apenas em parte do presente recurso especial, tãosomente em relação ao ano calendário de 2000. A recorrente argumentou, em síntese, que o contribuinte optou pelo pagamento do IRPJ mensalmente por estimativa. A dispensa do pagamento do IRPJ em um determinado mês, na hipótese, somente pode ocorrer em face da apresentação e registro no livro diário do balancete de suspensão. Não tendo ocorrido isso, “o contribuinte deveria ter Fl. 721DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 6 6 efetuado o pagamento. Como não o fez tempestivamente, está em mora e, consequentemente, deve serlhe imposta a multa isolada.” O dispositivo legal que se reputa violado dispõe no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; O artigo 35 da Lei n° 8.981/95 preceitua que: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. No caso, o contribuinte apresentou DIPJ, assinalando, na apuração do lucro real, que sua opção de tributação se daria por meio de recolhimentos mensais por estimativa com balanço/balancete de suspensão/redução. No entanto, tais balanços e balancetes não foram escriturados no Livro Diário. A autuação recaiu, desta forma, sobre a falta de recolhimento mensal por estimativa, em face da ausência de cumprimento da obrigação acessória de escrituração, no Livro Diário, do balanço/balancete de suspensão/redução. A questão, destarte, consiste em definir se o mero descumprimento da obrigação acessória relativa ao registro e escrituração no livro diário dos balanços/balancetes, com vistas à suspensão do pagamento devido em cada mês, por estimativa, implica, ou não, por si só, a imposição da multa isolada prevista no artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. No caso dos autos, temse que, não obstante, de fato, não tenha havido a transcrição dos balancetes mensais para efeito de suspensão ou redução do IRPJ devido por estimativa, a fiscalização teve efetivamente acesso aos referidos balancetes. E mais, relativamente a cada balancete levantado, foi apurado o lucro real do respectivo período, Fl. 722DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 7 7 “sendo que as adições, exclusões e compensações computadas na apuração do lucro real, correspondentes a cada balancete, constam discriminadamente na parte A do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, para fins de demonstração do lucro real do período em curso, conforme determina a legislação”, conforme asseverado pelo contribuinte nos autos. No acórdão recorrido, reconheceuse que, uma vez que a autoridade fiscal teve acesso aos balanços e balancetes, não haveria motivação idônea para a aplicação da multa. De fato, não há. Para elucidar a questão, trago à baila diversos julgados proferidos no âmbito do antigo Conselho de Contribuinte e do CARF: Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/0105.175 em 14.03.2005 IRPJ IRPJ MULTA ISOLADA LEI 9.430/96 FALTA DE TRANSCRIÇÃO DE BALANÇOS E BALANCETES PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A falta de transcrição de balanços ou balancetes não autoriza a exigência da multa quando a empresa recolhe durante o ano valor igual ou superior ao devido na apuração anual. Recurso especial negado. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente Publicado no DOU em: 26.12.2006 Relator: José Clóvis Alves Recorrente: FAZENDA NACIONAL Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO MULTA ISOLADA. Ainda que o art. 35, parágrafo 1º, alínea "a", da Lei nº 8.981/95, tenha subordinado a validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução à transcrição no Livro Diário, esse fato isoladamente não é condição suficiente para exigência da multa isolada, pois não afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária e não há acusação de que as informações contidas nos balancetes de suspensão estejam em desacordo com os registros constantes no Livro Diário, ou que tenham sido levantados com desobediência às leis comerciais e fiscais. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 8 8 A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica quanto à improcedência da aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativas quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício Recurso Voluntário Provido. Processo nº 10580001111/200615; Recurso nº 502112 Voluntário; Acórdão nº 140200.371 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 25 de janeiro de 2011; Matéria CSLL; Recorrente S&M DISTRIBUIDORA LTDA; Recorrida 1ª TURMA/DRJSDR Transcrevo, do conteúdo do acórdão acima, o seguinte trecho: “Mas, além da impossibilidade de aplicação da multa isolada neste caso, um segundo ponto deve ser abordado. Com efeito, o contribuinte apresentou, juntamente com a impugnação, os balancetes de redução/suspensão dos tributos devidos por estimativa nos meses de janeiro a dezembro do anocalendário. Não os transcreveu, é verdade, no Livro Diário, mas o mero descumprimento de uma formalidade não pode acarretar na exigência de multa pela falta de recolhimento de antecipações materialmente indevidas.” Sobre este aspecto, também já se manifestou o extinto Conselho de Contribuintes em mais de uma oportunidade, cabendo trazer à colação os seguintes julgados: 1º Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDÃO 10709.523 em 15.10.2008 IRPJ E OUTROS Ex(s): 1999 a 2001 e 2003 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO MULTA ISOLADA. Ainda que o art. 35, parágrafo 1º, alínea "a", da Lei nº 8.981/95, tenha subordinado a validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução à transcrição no Livro Diário, esse fato isoladamente não é condição suficiente para exigência da multa isolada, pois, não afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária e, não há acusação de que as informações contidas nos balancetes de suspensão estejam em desacordo com os registros constantes no Livro Diário, ou que tenham sido levantados com desobediência às leis comerciais e fiscais. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica, quanto à improcedência da aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativas quando o valor do cálculo Fl. 724DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 9 9 estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10195.183 em 12/09/2005 IRPJ E OUTRO Ex( s): 1999 a 2002 MULTA ISOLADA MERA FALTA DE TRANSCRIÇÃO E BALANCETES NO LIVRO DIÁRIO No contexto do caráter provisório das estimativas, e tendo em vista a essência da penalidade pela falta de recolhimento das mesmas, ou seja, preservação do regime de antecipações e proteção ao fluxo de caixa do Estado, revelase ancilar e meramente formal, podendo ser ultrapassada, a obrigação acessória de transcrição dos balancetes, quando isoladamente considerada. Recurso Voluntário provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente Publicado no DOU em: 20.04.2006 Relator: Mário Junqueira Franco Junior Na mesma linha destes julgados, há vários outros adotados pelo Extinto Conselho de Contribuintes. Assim, considerando esses precedentes e adotando suas fundamentações, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário. Neste sentido, é de se ter que, sobretudo em face da apresentação, pelo contribuinte, dos balancetes em questão, tendo acesso a eles, a autoridade fiscal, não se deve considerar mesmo a incidência da multa em questão. Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso especial da Fazenda Nacional, e, na parte conhecida (anocalendário 2000) nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 25 de abril de 201225 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 725DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10660.003470/200285 Acórdão n.º 9101001.325 CSRFT1 Fl. 10 10 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 19740.720240/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de
determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004, 2005
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional.
O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 1301-000.793
Decisão: Os membros da Turma acordam, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Diniz Raposo no ponto relativo à dedutibilidade de tributos com
exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2004, 2005 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
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Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Diniz Raposo no ponto relativo à dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Diniz Raposo e Silva. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720240/200935 Acórdão n.º 1301000.793 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o processo do auto de infração, com ciência em 26/11/2009 (AR fls. 130), referente aos anoscalendário de 2004 e 2005, através do qual é exigida da interessada Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no valor de R$ 1.074.216,09, acrescida da multa de ofício de 75 % e juros de mora. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 122/129, a exação teve como motivo as seguintes constatações: • Durante a ação fiscal, o autuado foi intimado a esclarecer o motivo pelo qual o montante de R$ 5.725.489,13, referente a “Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa – DIPJ/2005 – ficha 09 A – Linha 21”, não foi adicionado à base de cálculo da CSLL do ano calendário de 2004, assim como o valor de R$ 6.210.245,27, relativo ao anocalendário de 2005. • Em resposta, o autuado alegou que “o montante referido a tributos com exigibilidade suspensa não foi adicionado à base de cálculo da CSLL dos anoscalendário de 2004 e 2005 porque a Lei que determina a base de cálculo da CSLL não dispõe acerca da indedutibilidade dos valores correspondentes aos tributos com exigibilidade suspensa.” • Assim, foi lavrado o presente auto de infração em razão da ausência de adição à base de cálculo na determinação da CSLL dos tributos e contribuições cuja exigibilidade encontrase suspensa nos termos dos incisos II a VI do artigo 151 do CTN, no montante de R$ 5.725.489,13 para o anocalendário de 2004, e de R$ 6.210.245,27, para 2005. Enquadramento legal: artigo 13 da Lei nº 9.249/95; art. 37 da Lei nº 10.637/02. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 28/12/2009, fls. 133/157, apresentando os seguintes argumentos: • Impetrou Mandados de Segurança nº 1999.61.00.0196470 e nº 97.00316025, questionando a exigibilidade da COFINS e da Contribuição Previdenciária, realizando depósitos judiciais. • Em 14/02/2008, o Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0196470 foi julgado parcialmente desfavorável, com o montante depositado a título de COFINS convertido em renda para a União, o que ratifica sua natureza de débito dedutível, não devendo, em hipótese alguma, ser utilizado como base de cálculo para apuração da CSLL. • Resta a discussão quanto aos débitos de Contribuição Previdenciária, objeto do Mandado de Segurança nº 97.00316025, os quais permanecem com exigibilidade suspensa, garantidos por depósitos judiciais. • Alega a tempestividade da impugnação. • A indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa é tão somente para fins de apuração do Lucro Real, com base no artigo 344, §1º do RIR/99. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 • As normas editadas para fins de apuração de IRPJ só poderão ser aplicadas na apuração da CSLL nos termos do art. 6º da Lei nº 7.689/88, não se observando qualquer possibilidade na formação da base de cálculoLucro Líquido, obtido antes do Lucro Real. • As leis utilizadas como fundamento da autuação não prevê a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa no caso da CSLL. • A ausência de regra específica prevendo a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa sobre o lucro líquido já comprova a falta de intenção do legislador ordinário em prever esse incremento na base de cálculo da CSLL, pois, do contrário, já teria editado lei prevendo esta adição, ao Lucro Líquido, desde 1993. • Considerar que os lançamentos contábeis, concernentes aos tributos com exigibilidade suspensa, são provisões, é distorcer tanto a natureza dos tributos com exigibilidade suspensa, quanto o próprio conceito de provisão. • O vínculo obrigacional já se instaurou desde a ocorrência do fato gerador, sendo um passível exigível do Fisco. Se a exigibilidade estiver suspensa, estará o contribuinte diante de uma obrigação fiscal incorrida e não adimplida, podendo ocorrer o lançamento para evitar a decadência. • Não cabe conceituar como provisão, já que a mesma compreende uma parcela extraída dos resultados da empresa para suportar despesas que serão incorridas e que não têm valores determinados, por ser impossível sua mensuração. • O vínculo obrigacional ocorreu, não cabendo classificar como provisão o montante apurado devido, cuja exigibilidade esteja suspensa, tanto que necessitou de proteção judicial contra atos de cobrança. • Traz acórdãos do CARF. • O único fundamento para a autuação é o artigo 50 da IN SRF nº 390/2004. No entanto, é imprescindível a existência de Lei para que determinado tributo possa ser cobrado. Assim, a IN SRF nº 390/2004 carece de competência, atribuída às leis, de prever ajustes na base de cálculo. • A pretensão da fiscalização de estender a indedutibilidade da apuração do lucro real, para apuração da base de cálculo da CSLL, é totalmente carecedora de fundamento de validade, o que leva à conclusão de que os tributos com exigibilidade suspensa são dedutíveis na determinação da base de cálculo da CSLL. • O tributos e contribuições incorridos e devidos, ainda que com a exigibilidade suspensa, não perdem a característica de despesa, sendo, do ponto de vista contábil, considerados obrigações exigíveis. • Com o fato gerador, ocorreu a obrigação tributária, sendo a suspensão da exigibilidade uma proteção temporária do sujeito passivo contra atos de cobrança da autoridade administrativa. • A cobrança viola o artigo 2 da Lei nº 7.689/88, que determina o regime de competência para dedução dos tributos, independentemente de terem sido pagos ou depositados, gerando um acréscimo indevido e ilegal ao lucro líquido, compelindo ao pagamento de CSLL maior que o devido. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720240/200935 Acórdão n.º 1301000.793 S1C3T1 Fl. 3 5 • A autuação implica ofensa ao Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição, artigo 5º, XXXV da CF/88, por considerar indedutíveis da base de cálculo os tributos que são objeto de contestação judicial, e tiveram sua exigibilidade suspensa. • Traz doutrina e jurisprudência acerca de dedutibilidade de tributo com exigibilidade suspensa como despesa. • Como não há previsão legal para indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, não restou caracterizada qualquer infração para aplicação da multa de ofício de 75%, e sequer para cobrança de mora. • No caso de manter a autuação, requer a compensação com a base de cálculo negativa da CSLL dos anos anteriores em 30%, nos termos do artigo 42 da Lei nº 8.981/95. A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do Acórdão 1233.335, de 22/09/2010, da DRJ/RJI, (fls.338), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – INDEDUTIBILIDADE. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Uma vez constatada a dedução indevida de tributos com exigibilidade suspensa, é necessária a verificação da situação da demanda judicial para determinar qual procedimento a ser adotado durante a ação fiscal. Caso ação com sentença transitada em julgado, devese verificar se ocorreu a inobservância do regime de competência, que impõe a formalização do lançamento sob o critério da chamada postergação, dentro dos limites do Parecer Normativo COSIT N° 2/96. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30%. A partir do ano calendário de 1995, a base de cálculo negativa da CSLL, acumulada de períodos anteriores, podem ser compensadas com a base de cálculo ajustada até o limite de 30%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o relatório. Passo ao voto. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório que tratase no presente processo de exigências de CSLL cumulados de multa de ofício de 75% e juros de mora, decorrentes de autos de infração, lavrados em vista da constatação pela autoridade fiscal que a contribuinte excluiu indevidamente da base de calculo da CSLL tributos com a exigibilidade suspensa nos anos calendários de 2004 e 2005. Em sua defesa, a recorrente alega que o art. 41, §1º, da Lei 8.981/1995 não se aplica ao cálculo da CSLL. Afirma que o artigo 50, §único da IN SRF nº 390/2004 carece de embasamento legal. Também aduz que a natureza dos tributos com exigibilidade suspensa é de obrigação, e não de provisão. Logo, o presente lançamento não teria base legal. Aduz, ainda, que referente ao Mandado de Segurança nº 1999.61.00.019647 0, que discute a COFINS, já transitou em julgado, com a conversão dos depósitos judiciais em renda da União, confirmando sua dedutibilidade. Neste caso, devese ressaltar, que a decisão de primeira instância, em perfeita harmonia com a aplicação do Parecer Normativo Cosit 2/96, concluiu pela exoneração da base de calculo dos valores convertidos em renda da União decorrente da ação transitada em julgado da Cofins, refazendo, inclusive, as compensações com a base de calculo negativa, nos termos do art. 58 da Lei 8.981/1995. Ressaltese, ainda, em que pese a contestação por parte da recorrente com relação ao art. 50 da IN/SRF 390/2004, resta claro que tal dispositivo não fundamentou a autuação, foi usado apenas como reforço ao disposto no art. 13, inc. I, da Lei 9.249/1995. Resta a discussão quanto aos débitos de Contribuição Previdenciária, objeto do Mandado de Segurança nº 97.00316025, os quais permanecem com exigibilidade suspensa, garantidos por depósitos judiciais. Por pertinente e esclarecedor transcrevo trechos do voto recorrido: “O presente lançamento se baseia no disposto do art. 13 da Lei n.º 9.249, de 1995, tratou da matéria nos seguintes termos: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; Ante o exposto, nos cabe analisar se o tributo com exigibilidade suspensa deve ser considerado como despesa propriamente dita, ou como uma provisão. A Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720240/200935 Acórdão n.º 1301000.793 S1C3T1 Fl. 4 7 autuada afirma que a natureza seria de uma obrigação, ou seja, despesa, já que com a ocorrência do fato gerador surge o vínculo obrigacional, cabendo a sua dedução da base de cálculo da CSLL. No entanto, devo discordar de sua defesa, posto que os tributos com exigibilidade suspensa não possuem caráter de certeza e liquidez, necessário à sua configuração como obrigações e despesas. Muito pelo contrário, já que o objeto da ação judicial é o próprio vínculo obrigacional, estando em discussão o fato gerador, sua base de cálculo e alíquota, podendo, no caso de favorável ao autor, a sentença declarar a inexistência de uma relação jurídica tributária. Nessas circunstâncias, os valores correspondentes aos tributos, depositados ou não, constituem mera provisão, caracterizando medida preventiva e acautelatória, no sentido de evitar uma surpresa indesejável, caso o julgamento final da ação seja adverso ao contribuinte. Ademais, a provisão representa uma estimativa de valor a desembolsar derivada de fato gerador contábil já ocorrido. Apenas quando a obrigação tornase definida, ou seja, líquida e certa, deixa de ser provisão e passa a ser conta a pagar. Conseqüentemente, tais valores, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem ser adicionados para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n.º 9.249, de 1995, acima transcrito. Afasto, portanto, a alegação de ausência de regra específica prevendo a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa na determinação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Neste sentido, constatase que o parágrafo único do artigo 50 da IN SRF nº 390/2004, diferente do alega a autuada, tem fundamento legal no artigo 13, inciso I da Lei nº 9.429, de 1995, dispondo quanto à apuração da CSLL. Pois bem, antes de adentrar na matéria de mérito de fato discutida nos presentes autos, fazse necessário algumas considerações acerca das normas que tratam do regime de competência, da dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa, e por fim do conceito de provisão e despesas (contas a pagar) que trará subsídios para definir a presente lide. De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404/76), a escrituração da companhia deve observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Por este regime, as receitas devem ser contabilizadas no períodobase em que constituído o direito ao seu recebimento, os custos e as despesas, naquele em que constituído o dever jurídico de efetuar o pagamento. Sendo assim, as receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, independentemente do seu recebimento ou pagamento. Portanto, por estar condicionada a um evento futuro, que poderá resultar em efeitos favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, evidenciase que o valor do tributo/contribuição com exigibilidade suspensa é uma provisão e não despesas incorridas (contas a pagar) conforme entende a recorrente. Com o advento da Lei n° 8.981/95, seu artigo 41 reintroduziu o regime de competência para a dedutibilidade dos tributos e contribuições na determinação do lucro real, com exceção para os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172/66, havendo ou não depósito judicial, conforme disposto no § 1°. do referido dispositivo legal, a seguir transcrito: "Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n°5.172. de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial." Assim, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95 de início transcrito, e tendo em vista a necessidade da formação da provisão para o registro dos tributos com exigibilidade suspensa, em função de sua contingência passiva em exercício futuro, os valores apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho, vejamos alguns exemplos: CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUT1VEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Ac. 10194.491, de 29/01/2004. Rec. 136.214. Rel. Cons. Valmir Sandri) (No mesmo sentido, Ac. 10323.053, de 13/06/2007, Rec. 156.141. Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto) (No mesmo sentido, Ac. 10517.358, de 17/12/2008. Rec. 164.752. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello). PROVISÕES — provisões somente podem ser deduzidas das bases de cálculo da CSSL se assim a lei expressamente autorizar. Classificamse como tais, os elementos do passivo, cuja exigibilidade, montante ou data de liquidação, isolada ou conjuntamente, não são certos e determináveis no período de apuração. Assim, valores registrados como tributos, contribuições e demais acréscimos, não passíveis de serem exigidos por força de medida judicial, quadramse nesta classificação e devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, se seu registro contábil reduziu o resultado do exercício. (Ac. 10323.037, de 24/05/2007. Rec. 156.322. Rel. Cons. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) O fato é que, a razão para que a lei determine a indedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa é a simples inexistência da despesa efetiva, na medida em que os tributos podem ou não serem devidos/pagos, dependendo do resultado final do processo judicial. Com relação a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, matéria há muita debatida, inclusive sob o aspecto da competência para este colegiado apreciar, tendo em vista que sua incidência sobre a multa não integra efetivamente o lançamento aqui discutido, é de se ressaltar, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9.430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Aí entendendose como crédito, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Em consonância com vasta jurisprudência deste Conselho, entendo que uma vez mantido parcialmente o lançamento, cabe a cobrança de multa de ofício nos termos do artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 e, conseqüentemente com base no art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, que prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. A titulo de exemplo transcrevo a ementa: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19740.720240/200935 Acórdão n.º 1301000.793 S1C3T1 Fl. 5 9 JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/0400.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho Em conclusão, por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, acompanhando a decisão de primeiro instancia para manter a cobrança da CSLL no valor total de R$ 519.701,18, com multa de ofício e juros de mora. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10073.001354/2001-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993
ILL SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO DE VALORES PAGOS MATÉRIA
LEVADA À APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO CONCOMITÂNCIA.
O fato de o contribuinte estar questionando, perante o Poder Judiciário, matéria que também é objeto de pedido de restituição/compensação protocolado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil importa em renúncia à esfera administrativa. Aplicável ao caso o Enunciado de Súmula
CARF n° 01, que deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por opção pela via judicial.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993 ILL SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE VALORES PAGOS MATÉRIA LEVADA À APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO CONCOMITÂNCIA. O fato de o contribuinte estar questionando, perante o Poder Judiciário, matéria que também é objeto de pedido de restituição/compensação protocolado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil importa em renúncia à esfera administrativa. Aplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n° 01, que deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10073.001354/200161 Acórdão n.º 920201.993 CSRFT2 Fl. 351 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Flumidiesel – Fluminense Diesel Ltda., CNPJ n° 29.053.675/000180, apresentou em 27/11/2001 pedido de “Restituição de valores pagos de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido nos anos de 1990, 1991, 1992 e 1993 para futura compensação com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal.” (fls. 01). A Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda (RJ) e a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) I indeferiram a solicitação do contribuinte em razão da decadência (fls. 4143 e 6167, respectivamente). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes afastou a decadência e determinou a remessa dos autos à origem para apreciação das demais razões de mérito (fls. 8094). Tal posicionamento restou ratificado pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do acórdão n° CSRF/0400.085 (fls. 124141). Na seqüência, por intermédio do despacho decisório de fls. 159163, proferido em 29/11/2006, a Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda (RJ) reconheceu parcialmente o crédito pleiteado, no valor de R$ 227.846,06, atualizado até 13/11/2001, asseverando que não havia compensação a ser efetivada. Em sua manifestação de inconformidade o contribuinte se insurgiu apenas com relação à questão da compensação, mas teve seu pleito rejeitado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) I, nos termos da decisão de fls. 240247. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10073.001354/200161 Acórdão n.º 920201.993 CSRFT2 Fl. 352 3 Com o recurso voluntário do interessado os autos retornaram para a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que proferiu o acórdão n° 10249.176 (fls. 277284), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 01/04/2004 PEDIDO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCTF. A compensação a requerimento do contribuinte entre créditos e débitos de tributos de diferentes espécies deveria ser formalizada até 01/10/2002 em Pedido de Compensação e, após esta data, mediante a entrega de Declaração de Compensação. A informação prestada em DCTF não exime o sujeito passivo da apresentação do Pedido/Declaração de Compensação. Recurso negado. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 27/01/2009 (fls. 287), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso especial às fls. 289302, acompanhado dos documentos de fls. 303308, onde defendeu, fundamentalmente, que o crédito reconhecido, no valor de R$ 227.846,06, foi compensado em DCTF, através do mecanismo de “compensação sem DARF”, relativamente às competências 11/2001 e 05/2004, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 21/97, sendo que tal procedimento não causou nenhum prejuízo para a Administração Tributária. Indicou como paradigmas os acórdãos nos 20218.358 e 20309.392. Admitido o recurso por meio do despacho n° 920200.370 (fls. 310311), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 314319, pleiteando, em síntese, a manutenção do acórdão recorrido. Na seqüência, a Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda (RJ) trouxe aos autos cópia de acórdão proferido em 11/11/2009 pelo Egrégio Tribunal Regional Federal – TRF da 2ª Região, nos autos da Apelação Cível n° 1995.51.01.027658, na qual figura como parte, entre diversas outras, a empresa Flumidiesel – Fluminense Diesel S.A. (a alteração de sociedade anônima para sociedade por cotas de responsabilidade limitada da recorrente se deu em 25/10/1999, nos termos do documento de fls. 0709), cujo objeto envolve exatamente a restituição/compensação do ILL relativo aos lucros distribuídos dos períodos compreendidos entre 1989 e 1992. É o Relatório. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10073.001354/200161 Acórdão n.º 920201.993 CSRFT2 Fl. 353 4 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Na visão deste julgador, o recurso especial da contribuinte não pode ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. A alegação da recorrente é no sentido de que compensou o indébito tributário reconhecido neste feito (ILL dos períodos compreendidos entre 1989 e 1992) através de DCTF, pelo mecanismo de “compensação sem DARF”, relativamente às competências 11/2001 e 05/2004, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 21/97. Esta deveria ser a matéria em litígio. Contudo, o acórdão trazido aos autos pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda (fls. 323348) indica que há coincidência entre o objeto da ação judicial n° 1995.51.01.0247658 (movida pela contribuinte Flumidiesel – Fluminense Diesel Ltda., entre outras, em face da União Federal, perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro) e a pretensão externada neste processo administrativo fiscal. Extraio da referido julgado as seguintes passagens (fls. 323, 324, 325, 346, 347 e 348): POSTO FLUMIDIESEL LTDA. ingressou em juízo, com o fito de se declarar a nulidade da exigência do imposto de renda na fonte sobre os lucros líquidos por si auferidos nos anosbase de 1989 a 1992, na forma do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE n° 172.0581, bem como condenar a União a restituir o montante do indébito, mediante compensação com quaisquer outras parcelas devidas a título de imposto de renda, como estabelecido pelo artigo 66, da Lei n° 8.383/91, além de suportar com as custas e honorários advocatícios. Pugnou, outrossim, pela antecipação dos efeitos da tutela pretendida (fls. 2/13). A inicial veio instruída pelos documentos de fls. 15/42. Postulado o ingresso de 35 sociedades empresárias no pólo ativo da demanda (fls. 46/49), o que foi deferido na forma da decisão de fls. 298/299. (...) Quanto às autoras (...) FLUMIDIESEL FLUMINENSE DIESEL S/A, (...), foi o pedido julgado procedente para declarar a nulidade da exigência do pagamento de imposto de renda na Fl. 368DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10073.001354/200161 Acórdão n.º 920201.993 CSRFT2 Fl. 354 5 fonte sobre o lucro líquido, instituído pelo artigo 35, da Lei n° 7.731/88, no período de 1989 a 1992, sendo autorizado às autoras a compensar, a partir do trânsito em julgado desta sentença, consoante artigo 170A do Código Tributário Nacional, com a redação dada pela Lei Complementar n° 104/01, dos valores pagos a maior, com débitos relativos ao imposto de renda, observada a prescrição decenal, de com as guias de DARF juntadas aos autos. Condenou a União, no tocante a essas empresas, ao pagamento de custas e honorários advocatícios, na ordem de 10% (dez por cento) do valor atualizado da causa. (...) Quanto às sociedades anônimas, o juiz sentenciante sustentou que "a aquisição da disponibilidade não é automática ao término do exercício, pois compete, ex vi da Lei n° 6.404/86, a sua assembléia geral ordinária deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos, podendo optar pela retenção de parcela daquele para investimentos. Antes daquela deliberação, os lucros integram o patrimônio da pessoa jurídica" (fl. 941). Em decorrência, julgou procedente o pedido em relação às autoras (...), FLUMIDIESEL — FLUMINENSE DIESEL S/A, (...). Contudo, como se colhe nos autos, as autoras não fizeram qualquer prova da não distribuição dos lucros aos acionistas, para assim se legitimarem a postular em juízo a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda na fonte, incidente sobre o lucro líquido, na forma do artigo 35 da Lei n° 7.713/88. Essa prova é requisito essencial para que a pessoa jurídica se habilite a pleitear a devolução, consoante firmado pelo Superior Tribunal de Justiça. Isto posto, Dou parcial provimento à remessa e à apelação da União, nos termos do artigo 557, § 1°A, do Código de Processo Civil, para reconhecer a ilegitimidade das sociedades empresárias (...) FLUMIDIESEL — FLUMINENSE DIESEL S/A (...), e assim julgar extinto o processo sem o exame do mérito, na forma do artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, com a condenação das autoras em honorários advocatícios, fixados em 10% (dez por cento) do valor da causa, atualizado. Nego seguimento ao recurso de apelação das autoras, na forma do artigo 557, caput, do mesmo diploma legal. Consultando pela internet o andamento processual da referida ação judicial, no endereço www.trf2.jus.br, pude constatar que a demanda ainda não se encerrou, sendo que as empresas interpuseram recurso especial e recurso extraordinário em face de decisões que lhe foram contrárias. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10073.001354/200161 Acórdão n.º 920201.993 CSRFT2 Fl. 355 6 Sob minha ótica, há flagrante coincidência entre os objetos das demandas, motivo pelo qual tenho como aplicável ao caso o artigo 38, § único, da Lei n° 6.830/80, que assim determina: Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (Grifei) Portanto, a matéria questionada perante o Poder Judiciário não pode ser discutida, de forma concomitante, na esfera administrativa. Nesse sentido, ressalto que no mês de dezembro de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 1 tem o seguinte conteúdo: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Assim, no âmbito deste Colegiado não se pode apreciar matéria também questionada perante o Poder Judiciário. Nessa ordem de juízos, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 370DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10073.001354/200161 Acórdão n.º 920201.993 CSRFT2 Fl. 356 7 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.003832/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIRETOR NÃO EMPREGADO.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito legal de Salário de Contribuição a parcela auferida pelos diretores não empregados segurados contribuintes individuais a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, eis que ostentam natureza remuneratória do trabalho e não se encontram abraçadas pela regra de não incidência legal prevista taxativamente no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASES DE CÁLCULO DISTINTAS. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA.
Inexiste bis in idem nas hipóteses em que a exação incidir sobre bases de cálculo distintas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.634
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para análise de documentos juntados durante a sustentação oral. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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LIVREIROS EDITORES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIRETOR NÃO EMPREGADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito legal de Salário de Contribuição a parcela auferida pelos diretores não empregados segurados contribuintes individuais a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, eis que ostentam natureza remuneratória do trabalho e não se encontram abraçadas pela regra de não incidência legal prevista taxativamente no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASES DE CÁLCULO DISTINTAS. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Inexiste bis in idem nas hipóteses em que a exação incidir sobre bases de cálculo distintas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido para análise de documentos juntados durante a sustentação oral. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 174 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Data de lavratura do Auto de Infração : 15/09/2009. Data da Ciência do Auto de Infração : 29/09/2009. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições a cargo da empresa destinadas ao financiamento da Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração de Diretores não empregados – segurado contribuinte individual , pagas a título de participação nos lucros e resultados – PLR, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 13/20. Informa a Autoridade Lançadora que a empresa ora autuada está constituída sob a forma de Sociedade Anônima de capital aberto e seus Diretores são nomeados anualmente por meio de Atas de Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária de acionistas, não sendo considerados empregados da empresa e recebendo normalmente remuneração a título de pro labore, conforme folha de pagamentos apresentada. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 49/72, acompanhada dos documentos a fls. 73/117. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa materializada no Acórdão a fls. 120/142, julgando procedente a presente autuação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/10/2010, conforme Termo de Ciência a fl. 144. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 146/169, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que a empresa está constituída sob a forma de Sociedade Anônima de Capital Aberto, regida pela Lei n° 6404/76. Aduz que o lucro distribuído a título de participação de administradores, considerados pela legislação como contribuintes individuais, não pode sofrer a incidência de contribuição previdenciária, visto não se enquadrar no conceito de remuneração por expressa disposição legal (artigo 201, inciso II, parágrafo 1°, do Decreto n° 3048/99); • Que no caso de Sociedades Anônimas, há norma expressa sobre a participação no lucro dos empresários, prevista no art. 152 da Lei nº 6.404/76; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que, de acordo com o art. 28, §9º, ‘j’ da Lei nº 8.212/91, a participação nos lucros não integra o saláriodecontribuição dos empresários, nem a contribuição da empresa, para fins de custeio do sistema previdenciário; • Que o comando inscrito no art. 7°, inciso XI, da CF/88 abrange todos os trabalhadores, não fazendo distinção entre os beneficiários da participação nos lucros da companhia, não cabendo ao intérprete promover a discriminação entre administradores/empresários e empregados da sociedade; • Que não havendo lei para cobrança da contribuição previdenciária que regulamente a participação nos lucros paga aos empresários, o tributo não poderá ser exigido, sob pena de violação expressa ao principio da legalidade previsto no artigo 5º, II e 150, I da Constituição Federal; • Que a Recorrente efetuou pagamentos de gratificações e prêmios, sob as rubricas de folha 04105 e 00245, respectivamente, bem como pagamentos a título de pro labore aos administradores, com o consequente recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes. Aduz que o Fisco pretende tributar mais de uma vez o mesmo fato gerador, incorrendo em bitributação, o que seria vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, já que sobre os pagamentos realizados a titulo de gratificações, prêmios e pro labore, houve o efetivo recolhimento das contribuições devidas a Previdência Social; • Que o comparativo do cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte foi efetuado conforme planilha acostada ao AI 37.198.9566, intitulada "Planilha de Cálculo AI 68", não sendo possível identificar qual foi o critério adotado na apresentação dos valores contidos na coluna "Total devido sem Terceiros" para efeito de aplicação da multa mais benéfica. Aduz que, em razão das disposições previstas na Lei nº 11.941/09, considerando que pelos cálculos demonstrados não ficou evidenciada qual a legislação mais benéfica estaria sendo aplicada à Recorrente, não deverá prosperar a cobrança da penalidade exigida, em razão dos vícios apontados. Ao fim, requer o provimento do recurso, a anulação do lançamento e o arquivamento dos autos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 175 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/10/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18/11/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DOS FATOS GERADORES O Recorrente concentra seu inconformismo na alegação de que os valores pagos aos seus diretores não empregados, a título de participação de administradores, não se configura salário de contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Razão não lhe assiste. O punctum dolens da vertente lide se concentra na subsunção ou não dos valores vertidos aos administradores a título de “Participação de Administradores” ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 176 7 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 177 9 atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 178 11 e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (grifos nossos) u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstancia se numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que Fl. 12DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 179 13 auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboraram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas pré estabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Ao contrário do afirmado pelo Recorrente, a Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Fl. 13DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua Fl. 14DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 180 15 desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Deflui dos termos do julgado suso transcrito que o direito social em debate é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados, eis que entre estes e as respectivas empresas, não se formaliza vínculo de relação de emprego. Atentese, por relevante, que os direitos sociais estampados no art. 7º da CF/88 são dirigidos àquela categoria de trabalhadores que realizam seu labor profissional sob a Fl. 15DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 égide de um vínculo empregatício, e não para aqueles que, por sua própria conta e risco, exercem atividade econômica de natureza urbana. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, honrou estatuir na alínea “j” do §9º do seu art. 28, hipótese de não incidência tributária sempre que verbas rotuladas de PLR forem pagas de acordo com a lei própria de regência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos Fl. 16DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 181 17 substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado erguese como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais, como é o caso dos diretores não empregados. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Serão qualificadas como Salário de Contribuição. No caso vertente, do exame das folhas de pagamento e da contabilidade referente ao período de apuração, a Autoridade Lançadora constatou o pagamento, para os Diretores não empregados da empresa, da rubrica de folha código 4125 Participação de Administradores, na competência de 05/2005. Não procede, portanto, a alegação de que tal verba estaria excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias, ao fundamento da isenção prevista no art. 28, §9º, ‘j’ da Lei nº 8.212/91, uma vez que, conforme exaustivamente demonstrado, tal hipótese de não incidência tributária abraça, tão somente, a PLR auferida pelos segurados empregados da empresa e, mesmo assim, quando concedida em estrita consonância com a legislação específica. Não procede, igualmente, o argumento de que, não havendo lei para cobrança da contribuição previdenciária que regulamente a participação nos lucros paga aos empresários, o tributo não poderá ser exigido, sob pena de violação expressa ao principio da legalidade previsto no artigo 5º, II e 150, I da Constituição Federal. A regra geral da tributação em destaque encontra assento constitucional e legal nos artigos 195, I, ‘a’ e 201 da CF/88 e artigos 22, III e 28, caput da Lei nº 8.212/91, Fl. 18DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 182 19 respectivamente, somente abrigandose da regra de incidência as verbas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei Orgânica da Seguridade Social, na visão oclusiva exigida pelo art. 111, II do CTN. Improcedente se mostra, também, a cantilena de que a autuação fundamentou em presunção de ocorrência do fato gerador. Os fatos geradores em apreço foram apurados pelo auditor fiscal a partir do exame dos arquivos de folha de pagamento e contabilidade, elaborados pela própria empresa e sob sua integral responsabilidade, fornecidos à fiscalização em arquivos digitais padrão MANAD. Restou configurado o pagamento a diretores não empregados de remuneração sob o rótulo de Participação nos Resultados, rubrica essa integrante do conceito legal de Salário de Contribuição par fins de incidência de contribuições previdenciárias. Melhor sorte não se encontra reservada à ponderação erguida pela empresa de que a distribuição de lucro aos dirigentes não pode ser tributada por força da exceção prevista no §1º, in fine, do art. 201 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. A regra exceptiva acima delineada referese unicamente à distribuição de lucros aos sócios ou acionistas da empresa decorrentes do capital, jamais do trabalho. No caso das sociedades por ações, os lucros decorrentes do capital são distribuídos aos acionistas mediante dividendos, título que corresponde à parcela de lucro líquido distribuída aos acionistas, na proporção da quantidade de ações detida, ao fim de cada exercício social, o qual não pode ser inferior a 25% do lucro líquido ajustado da empresa. No caso em apreço, o item. 4.1.2. da Ata das Assembleias Gerais Ordinária e Extraordinária realizadas em 26 de abril de 2005, a fls. 21/22, aprovou a participação dos administradores no lucro do exercício, na importância de R$ 2.022.923,62 a ser distribuída entre eles no dia 31/05/2005, de acordo com as decisões a serem adotadas em reuniões do Conselho de Administração e da Diretoria. Tal verba não se refere a debêntures, de forma alguma. A uma, porque está sendo distribuída somente aos diretores enquanto que as debêntures beneficiam todos os acionistas. A duas, porque o valor distribuído representa, tão somente, 11,11% do Lucro líquido do exercício, enquanto que a lei determina ser de 25% o montante mínimo a ser distribuído aos acionistas na forma de debêntures. Com efeito, o art. 152 da Lei nº 6.404/76 prevê a competência da assembleia geral para fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Assim, fixada a remuneração dos administradores pela assembleia geral e não estando tal verba protegida pelo escudo protetor do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sobre ela incidirão as contribuições previstas na Lei Orgânica da Seguridade Social. 2.2. DO BIS IN IDEM Pondera o Recorrente ter efetuado pagamentos de gratificações e prêmios, sob as rubricas de folha 04105 e 00245, respectivamente, bem como pagamentos a título de pro labore aos administradores, com o consequente recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes. Aduz que o Fisco pretende tributar mais de uma vez o mesmo fato gerador, incorrendo em bitributação, o que seria vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, já que sobre os pagamentos realizados a título de gratificações, prêmios e pro labore, houve o efetivo recolhimento das contribuições devidas a Previdência Social. A rogativa acima exposta não merece o amparo pretendido. Conforme bem salientou o Recorrente, os recolhimentos comandados pela empresa, a título de contribuições previdenciárias, incidiram sobre as verbas auferidas pelos diretores sob o rótulo de gratificações, prêmios e pro labore. O caso vertente trata de hipótese totalmente diversa, eis que a exação ora lançada incide sobre os valores recebidos pelos diretores a título de participação nos lucros da empresa, à qual fazem jus os seus diretores em razão do trabalho expendido na empresa, suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, suas competências e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado, não havendo que se falar em bis in idem, eis que a matéria tributável é distinta. Não se encontrando tal rubrica amparada pela regra de renúncia fiscal inscrita no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, devidas são as contribuições sociais previstas na Lei nº 8.212/91. 2.3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Argumenta a empresa que o comparativo do cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte foi efetuado conforme planilha acostada ao AI 37.198.9566, intitulada "Planilha de Cálculo AI 68", não sendo possível identificar qual foi o critério adotado na apresentação dos valores contidos na coluna "Total devido sem Terceiros" para efeito de aplicação da multa mais benéfica. Aduz que, em razão das disposições previstas na Lei nº 11.941/09, considerando que pelos cálculos demonstrados não ficou evidenciada qual a legislação mais benéfica estaria sendo aplicada à Recorrente, não deverá prosperar a cobrança da penalidade exigida, em razão dos vícios apontados. Tal argumentação, no entanto, não poderá ser apreciada por esta Corte no julgamento da presente demanda eis que ela se refere, unicamente, ao exame da retroatividade da lei tributária mais benéfica ao contribuinte a ser aplicada na apuração do valor da multa por Fl. 20DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003832/200952 Acórdão n.º 230201.634 S2C3T2 Fl. 183 21 infração a obrigação tributária acessória de Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrada mediante o Auto de Infração 37.198.9566. Não possui este Colegiado competência para proferir decisões diretas, sobre matérias de tal natureza que estão sendo discutidas administrativamente nos autos de outro Processo Administrativo Fiscal. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 21DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001304/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente para as despesas médicas próprias é suficiente para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.588
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 10.251,00.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente para as despesas médicas próprias é suficiente para confirmar a prestação e o pagamento dos serviços. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 10.251,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11543.001304/200758 Acórdão n.º 210101.588 S2C1T1 Fl. 223 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, José Evande Carvalho Araujo e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 189/194) interposto em 18 de março de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 176/182), do qual a Recorrente teve ciência em 22 de fevereiro de 2010 (fl. 186, verso), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 14/18, lavrado em 24 de janeiro de 2007, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea. DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. NECESSIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DOS VALORES CORRESPONDENTES A CADA UM DELES A dedutibilidade das despesas com planos de saúde restringese aos pagamentos efetuados em proveito do próprio contribuinte e de seus dependentes. Por essa razão, não são dedutíveis as despesas cujos comprovantes não identifiquem os beneficiários dos planos com a identificação dos valores correspondes a cada um dos beneficiários do plano. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 176). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 189/194, no qual acosta recibos com a discriminação do serviço prestado, por profissional devidamente habilitado e alega (i) que comprovada a forma de recebimento da contraprestação pelo serviço médico, não há que se rejeitar a dedução realizada; (ii) a possibilidade de dedução por parte do contribuinte de despesas médicas com familiares e agregados que, por mais que não sejam declarados como seus dependentes, não efetuaram a dedução nas suas declarações. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11543.001304/200758 Acórdão n.º 210101.588 S2C1T1 Fl. 224 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão sob análise cingese à dedução indevida de despesas médicas e com plano de saúde realizadas pela contribuinte com tratamento próprio e de terceiros. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11543.001304/200758 Acórdão n.º 210101.588 S2C1T1 Fl. 225 4 § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III. limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Para fins de dedução do imposto de renda, ainda de acordo com a Lei n. 9.250/95, são considerados dependentes: “Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11543.001304/200758 Acórdão n.º 210101.588 S2C1T1 Fl. 226 5 § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte.” Cabe mencionar, ainda, que a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11543.001304/200758 Acórdão n.º 210101.588 S2C1T1 Fl. 227 6 OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) No presente caso, é importante destacar que, no que atine à glosa por dedução indevida de despesas médicas próprias, a controvérsia gira em torno do preenchimento de requisitos dos recibos oferecidos, que comprovem serem dedutíveis as despesas realizadas pela contribuinte, bem como da falta de prova da contraprestação dos serviços prestados. A Recorrida não aceitou os recibos apresentados pela contribuinte à fiscalização sob o argumento de que “(...) os documentos coligidos aos autos não informam qual foi o tratamento efetuado. (...)” (fl. 180). Ainda de acordo com a decisão recorrida, a contribuinte não fez prova do pagamento dos serviços médicos, pois, muito embora tenha acostado aos autos extratos bancários demonstrando a compensação de cheques, “(...) não é possível verificar as coincidências das datas dos pagamentos mencionados nos extratos bancários com as dos serviços prestados, visto que não foram apresentados os recibos médicos” (fl. 180). Diante das ponderações feitas na decisão recorrida, a Recorrente trouxe aos autos novos documentos, na tentativa de comprovar as despesas médicas efetuadas, os quais, à luz do princípio da verdade material, passo a analisar, em consonância com os demais documentos já acostados aos autos. Os novos documentos consistem em recibos da prestadora de serviços médicos Iara Soares Borges discriminando o tratamento pelo qual a Recorrente passou (psicoterapia psicanalítica), bem como os valores pagos e a indicação do n.º do cheque pelo qual foi efetuado o pagamento. Tendo em vista que o tratamento médico encontrase no rol dos serviços previstos no art. 80 do Decreto nº 3.000/99 passíveis de dedução e que os valores mencionados nos recibos, bem como a numeração dos cheques, coincidem com as informações dos extratos bancários oportunamente apresentados, entendo que devem ser acolhidos os recibos da profissional, cancelandose em consequencia a glosa no valor de R$ 10.251,00, relativa aos serviços por ela prestados. No que atine às despesas médicas efetuadas com terceiros, necessário se faz esclarecer que a contribuinte em sua Declaração de Imposto de Renda não declara dependentes. Alega a Recorrente que as despesas reembolsadas pelo plano médico decorreram de tratamento de sua filha e cônjuge; no entanto, em momento algum há a comprovação do parentesco necessário, nos termos do art. 35 da Lei n. 9.250/95, para enquadramento nas hipóteses de dedução do art. 8, §2º, II, do mesmo diploma legal. Defende a Recorrente, ainda, que, por mais que os seus familiares não constem da sua declaração como dependentes, eles o são no plano de saúde e, não tendo efetuado as deduções em suas declarações, a Recorrente teria direito à dedução, já que suportou as despesas médicas. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11543.001304/200758 Acórdão n.º 210101.588 S2C1T1 Fl. 228 7 Ocorre que, em momento algum, comprovouse que (a) os terceiros que tiveram tratamento médico são familiares da contribuinte, o que poderia, à luz dos arts. 8º., § 2º, II e 35 da Lei n. 9250/95, ensejar uma possível dedução e (b) houve a prova de que essas deduções não foram pleiteadas pelos próprios pacientes em suas respectivas declarações de imposto de renda. Assim, relativamente às despesas médicas de terceiros, as glosas devem ser mantidas. Por fim, no que atine às despesas com plano de saúde, tendo em vista que, após o exposto, (a) a Recorrente só teria direito à dedução da parcela relativa ao custeio do plano de saúde em relação ao qual ela e/ou um dependente figura como beneficiário e (b) nos comprovantes de pagamento não há o detalhamento dos valores pagos relativamente aos beneficiários, ou seja, quanto dos valores pagos beneficiou a Recorrente e quanto beneficiou terceiros, não há como mensurar quanto da despesa está vinculado à Recorrente, não sendo o demonstrativo anexo ao recurso prova suficiente para a dedução da despesa com plano de saúde. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 10.251,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000097/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU).
ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de
2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de
produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo
caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no
código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar,
beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor
(blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos
determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº
11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-00.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fabio Luiz Nogueira e
Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor
o Conselheiro Mauricio Taveira e Silva.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU). ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de 2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº 11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fabio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Taveira e Silva. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Redator designado. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fabio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls. 96/98), a qual não reconheceu o direito de crédito relativo à contribuição ao PIS nãocumulativa do período de apuração de 01/04/2004 a 30/06/2004 (2º trimestre de 2004), decorrente da aquisição de café em grãos de produtores rurais pessoas físicas, conforme depreendese da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA' (CAFÉ CRU) ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 10.637, de 2002, § 10 do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria);sendo caracterizada como 'produção'. em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº 11.051, de 2004, com vigência a partir de 01/08/2004. 1NCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando incabível qualquer discussão na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Ressalta a decisão recorrida, que consta do Contrato Social da empresa e Alterações, a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebeneficio de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros. Constando ainda a informação no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000097/200753 Acórdão n.º 330100.944 S3C3T1 Fl. 121 3 Dacon que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios" A Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que dispôs sobre a não cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), trazia em seu art. 3º, in verbis: "Art.3º. Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4..8 a 11. e nos códigos 0504. 00. 07.10. 07.12 a 07.14. 15.07 a 15.13, 15.17 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep. devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta. adquiridos. no mesmo período. de pessoas físicas residentes no País." Contudo, referido dispositivo foi vetado quando da conversão da MP nº 66 na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Logo, a contribuinte somente poderia utilizar créditos do PIS inerentes aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País. Em relação à aquisição de pessoas físicas não havia previsão legal à época dos fatos. Ressalta ainda que o dispositivo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que em seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 30 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição do PIS, o qual autoriza o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos Fl. 142DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Consta ainda que, somente com a edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que incluiu o § 6º ao art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 (regulamentada posteriormente pela IN SRF 660, de 17 de julho de 2006), com efeito retroativo a partir de 01/08/2004, ao definir o conceito de produção, acolheu a atividade exercida pela interessada como passível de aproveitamento do crédito presumido, quando da aquisição de pessoas físicas, in verbis: "Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. passam a vigorar com a seguinte redação: 6º Para os eleitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação qficial.'' (Grifouse). Logo, para os períodos de ABRIL a JUNHO de 2004, igualmente não havia previsão legal que pudesse fundamentar o aproveitamento de créditos decorrentes das aquisições de produtos rurais, pessoas físicas. Consta ainda da decisão recorrida que, no caso da interessada, a aquisição de café cru de produtores rurais — pessoas físicas, sua seleção, beneficiamento e posterior comercialização, não se caracteriza como "produção de mercadoria de origem animal ou vegetal", um dos requisitos cumulativos exigidos pelo § 10 do art. 3º da Lei n° 10.637, de 2002, para se beneficiar do crédito presumido, já que o dispositivo legal não abrange as aquisições efetuadas por empresas comerciais. Cientificada em 31/05/2010 (AR, fl. 100), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 101/118, em 08/06/2010, alegando, em síntese, que a não cumulatividade como princípio constitucional tem: por objetivo garantir ao contribuinte o direito de compensar o montante pago a titulo de impostos ou contribuições relativo às operações anteriores e, por fonte, a ciência econômica, sendo vedado à lei ordinária alterálo, sem permissão da própria Constituição Federal. Ressalta que mesmo antes da edição da Lei no. 10.637/02 já havia a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas, diante do disposto no § 5°. do art. 3°. da Medida Provisória nº 66, de 29/08/02, que instituiu a cobrança da contribuição para o PIS não cumulativo. Entretanto, em que pese a Lei 10.637/02 não ter trazido em seu bojo as disposições constantes do art. 3°. § 5° da MP 66/02, a Lei no. 10.684, de 30/05/03, assim o fez, da seguinte forma: "Art. 25. A Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5°A e com as seguintes alterações dos arts. 1°, 3°, 8°, 11 e 29: "Art. 3°. .... Fl. 143DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000097/200753 Acórdão n.º 330100.944 S3C3T1 Fl. 122 5 § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." Portanto, restabelecido o direito, ficou expressa a possibilidade da Recorrente em deduzir da Contribuição para o PIS o crédito presumido, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas, porquanto as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, ou seja, se beneficiar do crédito presumido. Ademais disto, a Lei 11.051/04 no § 6° do art. 8° apenas definiu e frisou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.633/03. Assim, na verdade, houve apenas, uma adequação aos mandamentos constitucionais, vez que, o objetivo constitucional é a desoneração tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O cerne da questão diz respeito em saber se a recorrente, atende às especificações previstas no art. 29, § 6º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que incluiu o § 6º ao art. 8º da Lei º 10.925, de 2004, com efeito retroativo a partir de 01/08/2004, que definiu o conceito de produção, justifica o aproveitamento de crédito de PIS não cumulativo, relativamente às aquisições de produtos rurais, pessoas físicas, no período de apuração de 01/04/2004 a 30/06/2004, in verbis: "Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. passam a vigorar com a seguinte redação: 6º Para os eleitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação qficial.'' (Grifouse). Fl. 144DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 O dispositivo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que em seu art. 25 acrescentou o § 10 ao art. 30 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente à contribuição ao PIS, autorizou o aproveitamento de crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, assim estabelecendo: "Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: (...) §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na . forma deste artigo. as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00. 0701.90.00. 0702.00.00. 0706.10.00, 07.08, 0709.90. 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o P1S/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do capta deste artigo. adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos: II em relação ao art. 25, a partir de 1 de fevereiro de 2003;” Segundo consta do Contrato Social da empresa e Alterações (fls. 07/12 e 18/29), a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebenefício de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros, constando ainda, do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon (fl. 30) que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios". A alteração introduzida através do art. 25, entrou em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2003, nos termos do art. 29, II, da citada Lei, abrange todos os créditos discutidos no presente processo. Logo, as atividades realizadas pela Recorrente, que adquire o café cru de produtores rurais — pessoas físicas, e posteriormente, efetua sua seleção, padroniza e o beneficia, se caracterizam como PRODUÇÃO, para fins de aplicação da lei, podendo se beneficiar do crédito presumido. Logo, faz jus ao pleito solicitado, a partir de 1º de fevereiro de 2003. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 145DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13909.000097/200753 Acórdão n.º 330100.944 S3C3T1 Fl. 123 7 Voto Vencedor Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA – redator designado Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, de quem ouso divergir da tese que sustenta, em relação à questão abaixo relacionada. O art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 alterou a redação do art. 8º da Lei nº 10.925/04, nos seguintes termos: LEI No 10.925, DE 23 DE JULHO DE 2004. [...] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei; Fl. 146DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Portanto, há determinação expressa na lei prevendo que o disposto no art. 8º produza efeitos somente a partir de 01/08/2004. Tendo em vista que o pleito da recorrente referese ao período anterior ao precitado, não há reparos a fazer à decisão recorrida, negando se provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Fl. 147DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SI LVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10650.001301/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, §4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.031
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/04/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, §4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, §4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda , Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das ' contribuições apuradas. C\C)Qç. . . CO-7-N ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente \a RYCA • DOX.111: NRIQUE MAGALHÃES DE •LIVEIRA - Relator Participaram, do presente ju :a -nto, os Conselheiros Lhas Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°10650.001301/2007-34 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.031 El 330 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEICULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RMS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n` 08, disciplinando a matéria. In casa, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, sç 4° ou 173, do C779. É o relatório. 3 • Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. SSala das Sessõe em 24 de fevereiro de 2010 . 1 aí. tatá )-._. RYCARDO HE ksingr"---: • 's • ---ir OLIVEP • -Relator 111,, 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS iÇ QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo 10650.00131012007-34 Recurso 162.870 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento , Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) I, Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.031 Bras de março de 2010 Ata ELIAS 'AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: ] Apenas com Ciência ] Com Recurso Especial [ ,] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003826/2001-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF.
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998
LEI N° 10.174/2001. APLICABILIDADE A FATOS PRETÉRITOS. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Conforme decidido pelo STJ, em julgamento de recurso especial repetitivo, tem-se que a Lei n° 10.174/2001 pode ser aplicada a fatos apurados ocorridos antes da sua entrada em vigor.
DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. RECURSO REPETITIVO DO STJ. ARTIGO 62-A DO RICARF.
Segundo entendimento fixado pelo STJ, em julgamento de recurso especial repetitivo, em face da ausência de pagamento antecipado, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, incide o artigo 173, inciso I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial.
VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR.
Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-002.042
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF. Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998 LEI N° 10.174/2001. APLICABILIDADE A FATOS PRETÉRITOS. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Conforme decidido pelo STJ, em julgamento de recurso especial repetitivo, tem-se que a Lei n° 10.174/2001 pode ser aplicada a fatos apurados ocorridos antes da sua entrada em vigor. DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. RECURSO REPETITIVO DO STJ. ARTIGO 62-A DO RICARF. Segundo entendimento fixado pelo STJ, em julgamento de recurso especial repetitivo, em face da ausência de pagamento antecipado, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, incide o artigo 173, inciso I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte.
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Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 LEI N° 10.174/2001. APLICABILIDADE A FATOS PRETÉRITOS. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Conforme decidido pelo STJ, em julgamento de recurso especial repetitivo, temse que a Lei n° 10.174/2001 pode ser aplicada a fatos apurados ocorridos antes da sua entrada em vigor. DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. RECURSO REPETITIVO DO STJ. ARTIGO 62A DO RICARF. Segundo entendimento fixado pelo STJ, em julgamento de recurso especial repetitivo, em face da ausência de pagamento antecipado, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, incide o artigo 173, inciso I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcelo Oliveira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. A fiscalização constatou a ocorrência das seguintes irregularidades: a) acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de abril, setembro e outubro de 1995, e nos meses de janeiro a agosto de 1996, com exceção de abril (demonstrativo de fls. 441); b) depósitos bancários sem demonstração da origem dos recursos, em 1997 e 1998 (planilhas de fls. 39/40). O autuado apresentou a justificação de que os depósitos em questão referemse a numerário que foi sacado nas mesmas contas, o que não foi acatado pela fiscalização. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 453/470). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 3 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: PRODUÇÃO DE PROVAS — DILIGÊNCIA Deve ser indeferido o requerimento de realização de diligência para a juntada de documentos os quais cumpria ao contribuinte trazer com a impugnação. DECADÊNCIA — O prazo decadencial para que a Fazenda constitua o crédito de imposto de renda da pessoa física iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído, retroagindo, entretanto, tal momento, para a data da entrega da declaração de rendimentos, se realizada antes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — ANOSCALENDÁRIO 1997 E 1998 — PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, diante documentação hábil e idônea, a origem do recursos utilizados. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O aumento do patrimônio da Pessoa física, apurado mensalmente a partir do cotejo dos recursos disponíveis e dispêndios realizados, não justificada com rendimentos tributados, não tributáveis, ou com rendimentos tributados exclusivamente na fonte, sujeitase à tributação do IRPF na forma de acréscimo patrimonial a descoberto. SALDO DE RECURSOS TRANSPOSIÇÃO PARA EXERCÍCIOS SEGUINTES COMPROVAÇÃO O saldo positivo de recursos, apurado pela autoridade fiscal em fluxo de caixa de um determinado período mensal, deve ser transposto para mês seguinte, dentro do mesmo anocalendário, independentemente de comprovação por parte do contribuinte. O saldo positivo do último dia do mês de dezembro, contudo, somente é transferível para o primeiro dia do ano seguinte se respaldado em prova da sua existência. SUCESSÃO ESPÓLIO MULTA EXIGÍVEL Quando se apurar que o de cujus não apresentou declaração de rendimentos, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrarseá do espólio o imposto respectivo, atualizado monetariamente, acrescido de juros moratórios e de multa de mora de 10%. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 4 4 O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 543/564). A antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso do contribuinte (fls. 571/587). Eis a ementa: IRPF — DECADÊNCIA O prazo decadencial para que a Fazenda constitua o crédito relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, tem início a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser constituído, quando a declaração não for entregue no prazo estipulado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — ANOS CALENDÁRIOS DE 1997 e 1998 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para fatos geradores ocorridos a partir de primeiro de janeiro de 1997, a Lei n° 9430 de 1996, em seu art. 42, autoriza presunção de omissão de rendimentos com base nos valores apontados em conta bancária, se o titular, regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — TRIBUTAÇÃO O aumento do patrimônio de pessoa física é tributado sob a forma de acréscimo patrimonial a descoberto, se não for justificado com rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte. SALDO DE RECURSOS TRANSPOSIÇÃO PARA EXERCÍCIOS SEGUINTES O saldo positivo de recursos, apurado pela autoridade fiscal em fluxo de caixa, deve ser apurado mensalmente, e transposto para o mês seguinte. Não se admite tal transposição de um exercício para outro, se não respaldado em prova efetiva de sua existência. Preliminar rejeitada. Recurso negado. O contribuinte, então, opôs embargos de declaração (fls. 594/600). Apontou a existência de omissão no julgado, relativamente à ausência de manifestação acerca de Laudo Técnico Contábil, pelo qual se evidenciaria que nas contas bancárias “transitaram inúmeras vezes os mesmos recursos financeiros”. Os embargos foram rejeitados (despacho de fls. 911/915). O contribuinte, então, interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 919/937). Abordou os seguintes pontos: a) nulidade do acórdão recorrido, com base na preterição do seu direito de defesa, pela ausência de valoração do laudo pericial; b) falta de equilíbrio na valoração das provas; c) decadência; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 5 5 d) falta de transporte de recursos para os anos seguintes; e) aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001. Conforme o despacho de fls. 969/982, deuse seguimento apenas aos pontos da decadência e da aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001. Interposto agravo, deuse seguimento também ao item da falta de transporte de recursos para os anos seguintes. Relativamente à decadência, o recorrente alegou que: O Auto de Infração foi lavrado em 28.05.2001; os acréscimos patrimoniais tributados foram apurados nos meses de abril de 1995 a agosto de 1996. Se os acréscimos foram apurados nesses meses, significa que nesses meses ocorreram os respectivos fatos geradores. Portanto, de abril de 1995 a maio de 1996, os créditos levantados estão fulminados pela decadência. Defendeu a tese de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, rege a respectiva decadência o artigo 150, §4°, do CTN. Quanto ao transporte de recursos para os anos seguintes, o recorrente argumentou nos seguintes termos: “ANO DE 1995 No levantamento elaborado pelos dignos fiscais, apurouse um saldo credor de R$ 13.294,79 no final de 1995; esse saldo deve ser transportado para o ano seguinte, tendo em conta que esse valor foi apurado de ofício, não sendo, portanto, relevante se tal saldo está ou não lançado na declaração de rendimentos. Com efeito, tendo o saldo sido apurado pelo Fisco, há uma homologação expressa desse valor, suprindo a falta da inclusão desses dados na declaração de rendimentos. ANO DE 1996 Pelas mesmas razões, não houve o transporte do saldo de recursos apurado no ano anterior, o que precisa ser feito uma vez que esse saldo foi apurado pelo Fisco. O acórdão recorrido não acolheu o pleito para a transferência desses recursos porque, na visão da ilustre Relatora, apenas devem ser transpostos para os anos seguintes os saldos constantes da declaração de rendimentos.” Finalmente, o recorrente discorreu no sentido da impossibilidade de aplicação retroativa da lei n° 10.174/2001. Voto Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 6 6 Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. As divergências jurisprudenciais que devem aqui ser analisadas referemse a três temas: a) falta de transporte de recursos para o ano seguinte; b) decadência do direito do fisco de constituir os créditos tributários concernentes aos períodos de abril de 1995 a maio de 1996; c) aplicabilidade retroativa da lei n° 10.174/2001. No presente caso, temse que a fiscalização apurou a omissão de receitas, conforme o seguinte panorama: “ACRÉSCIMO (VARIAÇÃO) PATRIMONIAL A DESCOBERTO Neste método, onde são elaborados os demonstrativos mensais de evolução patrimonial, procurase verificar se os dispêndios são justificados pelos rendimentos declarados pelo contribuinte. Se os dispêndios superam as origens declaradas (rendimentos tributáveis já oferecidos à tributação, isentos e não tributáveis), fica caracterizada a omissão de receitas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM A partir de 01/01/1997 o art. 42 da Lei 9.430/96 considera como omissão de receita os valores creditados em contascorrentes sem comprovação da origem, como segue: “Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. A questão a ser resolvida consiste em se definir se a lei n° 10.174/2001 pode ser aplicada retroativamente a fatos anteriores à sua entrada em vigor. O regimento interno do CARF prevê, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 7 7 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Neste sentido, temse julgamento de recurso especial (Resp n° 1.134.665 SP), tramitado sob o procedimentos dos recursos repetitivos, em que se decidiu no seguinte sentido: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 8 8 efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 9 9 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 10 10 Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta forma, aplicandose a decisão do Superior Tribunal de Justiça, consolidase o entendimento de que a Lei n° 10.174/2001, no que possibilita à fiscalização a quebra do sigilo bancário, incide a fatos pretéritos, relativamente à sua entrada em vigor. Procede a fiscalização com base em depósitos bancários. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto. Passo à análise da decadência, que, segundo o recorrente, ocorreu em relação aos períodos de abril de 1995 a maio de 1996. A decadência, em verdade, não se configurou. A discussão referese ao dispositivo legal que deve reger o prazo decadencial na hipótese dos autos. Pois bem. Primeiramente, devese verificar se, no caso, efetivamente, houve ou não pagamento antecipado do imposto em questão. Somente a partir daí podese determinar artigo aplicável à hipótese. E é de se ter que, efetivamente, não houve, na hipótese, pagamento parcial, o que se depreende da própria motivação da autuação, consistente na ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, bem como a existência de depósitos sem a demonstração da origem. Neste passo, é de se ter que o entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 11 11 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 12 12 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Neste sentido, é de se ter que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, no caso de não ter havido o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte. No caso, a alegação de decadência recai sobre os períodos apurados de abril de 1995 a maio de 1996. O auto de infração foi lavrado em 20 de maio de 2001. De modo que, aplicandose o artigo 173, inciso I, do CTN, é de se ter que não houve, de fato, a decadência. Diante do exposto, adotando o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno, nego provimento ao recurso do contribuinte também neste ponto. Finalmente, quanto ao tema do transporte de recursos para o ano seguinte, adoto razões de decidir já expostas pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que cito:. Quanto a esta questão, filiome à corrente que entende que somente podem ser considerados como saldo de recursos de um anocalendário para o subseqüente, os valores consignados na declaração de rendimentos em 31 de dezembro do ano calendário respectivo e/ou comprovados pelo contribuinte. Entendo que esta comprovação é essencial para quem alega a existência desses recursos. Sem a apresentação de documentos comprobatórios não há como considerálos como recursos dos anos subseqüentes, sob pena de se “criar” patrimônio não declarado pelo próprio contribuinte. Apenas para não deixar dúvidas, esclareço que tal entendimento, a meu ver, não é contraditório com o fato de que há, de fato, um aproveitamento de “sobras” de origens de um mês para o outro dentro do mesmo anocalendário. A razão para tanto é que não há obrigação por parte do contribuinte de apresentar declaração mensal de rendimentos, pelo que seria irrazoável considerar as “sobras” como tendo sido consumidas, diante da impossibilidade do contribuinte declarálas como não gastas. Não é o que ocorre quando considerados dois anoscalendários distintos. Desta forma, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10830.003826/200109 Acórdão n.º 9202002.042 CSRFT3 Fl. 13 13 Sala das Sessões, em 21 de março de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 13DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 11516.008015/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
APRESENTAÇÃO DE CONTABILIDADE QUE NÃO RETRATA A REALIDADE ECONÔMICO FINANCEIRA DA EMPRESA.
POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE
ARBITRAMENTO.
Comprovando-se que a contabilidade da empresa não demonstra a sua
realidade econômica financeira, abre-se ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do sujeito passivo o ônus de provar o contrário.
ARBITRAMENTO DA REMUNERAÇÃO PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. MÉTODO CUB. TABELA VIGENTE NA DATA DE EMISSÃO DO AVISO PARA REGULARIZAÇÃO DE OBRA.
Nos termos da legislação previdenciária, a tabela do Custo Unitário Básico CUB a ser aplicada para aferição da remuneração da mão de obra utilizada na execução de obra de construção civil é a vigente na data de emissão do Aviso para Regularização de Obra ARO.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
INDEPENDÊNCIA.
Não se confundem a obrigação de pagar o tributo com a obrigação acessória, instituída pela legislação no interesse da arrecadação e fiscalização de tributos, podendo ser exigida a primeira, com seus consectários legais, cumulativamente com a penalidade pelo descumprimento da segunda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.359
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Comprovandose que a contabilidade da empresa não demonstra a sua realidade econômica financeira, abrese ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do sujeito passivo o ônus de provar o contrário. ARBITRAMENTO DA REMUNERAÇÃO PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. MÉTODO CUB. TABELA VIGENTE NA DATA DE EMISSÃO DO AVISO PARA REGULARIZAÇÃO DE OBRA. Nos termos da legislação previdenciária, a tabela do Custo Unitário Básico CUB a ser aplicada para aferição da remuneração da mãodeobra utilizada na execução de obra de construção civil é a vigente na data de emissão do Aviso para Regularização de Obra ARO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA. Não se confundem a obrigação de pagar o tributo com a obrigação acessória, instituída pela legislação no interesse da arrecadação e fiscalização de tributos, podendo ser exigida a primeira, com seus consectários legais, cumulativamente com a penalidade pelo descumprimento da segunda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.008015/200898 Acórdão n.º 240102.359 S2C4T1 Fl. 241 3 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.172.8398, o qual foi lavrado contra o contribuinte acima para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT. Afirma o Relatório Fiscal de fls. 15 e segs. sobre a origem das contribuições: 2 0 fato gerador das contribuições lançadas para as obras de edificação é a remuneração dos empregados utilizados na execução da obra, arbitrada por aferição indireta, sendo aplicada a metodologia de apuração de mãodeobra com base no Custo Unitário Básico CUB, divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil — SINDUSCON/SC, considerando o enquadramento da obra conforme suas características quanto à destinação ou uso, tipo e padrão da construção, quantidade de pavimentos e número de unidades autônomas. Utilizouse este critério de aferição como parâmetro de arbitramento em função da desconsideração do custo de mãode obra contabilizado pelo contribuinte, tendo em vista que a empresa não registrou o movimento real das despesas efetuadas para as obras conforme os fatos relatados nos itens a seguir. Acerca das falhas contábeis verificadas no curso da ação fiscal, a Auditoria apresentou diversas situação que, no seu entender, indicariam de que a contabilidade da empresa não refletiu, no período analisado, a sua realidade econômicofinanceira, constatação que justificaria, nos termos da legislação previdenciária, a desconsideração da escrita, com consequente arbitramento das contribuições. Os cálculos efetuados para determinação das contribuições devidas foram apresentados às fls. 56 e segs. A Cooperativa apresentou defesa, de fls. 81 e segs., na qual afirmou que o procedimento de aferição indireta da base de cálculo presente no AI em destaque é ilegal, uma vez que os supostos erros contábeis apontados pela Auditoria são sanáveis e não se referem aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Assevera que esse entendimento é encontrado na jurisprudência administrativa, bem como nos tribunais pátrios. Cita julgados. Na seqüência, são feitas considerações sobre todos as falhas indicadas no Relatório Fiscal, no sentido de demonstrar que as mesmas inexistiram ou são irrelevantes para apuração das contribuições sociais. Advoga a notificada que, caso se mantenha o arbitramento, utilizese a tabela CUB relativa ao momento da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Alega também que possuía na sua folha de pagamento apenas dois sócios, não se utilizando de mãodeobra própria para executar a edificação, nesse sentido é improcedente a autuação, posto que recolheu as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento e efetuou a retenção das faturas emitidas pelas empresas contratadas para construir a obra sob questão. Protesta contra a imposição da multa prevista no art. 92 da Lei n.º 8.212/1991, alegando que já foi submetido à multa de ofício prevista no art. 35 da mesma Lei. Ao final, requereu: a) o reconhecimento da ilegalidade do arbitramento; b) a declaração de improcedência do lançamento, posto que recolheu as contribuições devidas; c) a aplicação do CUB relativo à competência dos fatos geradores; e d) a exclusão da multa do art. 92 da Lei n.º 8.212/1991. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) declarou improcedente a impugnação, fls. 199 e segs. Nas suas considerações, constantes no voto condutor do acórdão, ponderouse que as incorreções contábeis apontadas pelo fisco justificariam a adoção do arbitramento. Afirmouse ainda que a competência emissão do Aviso para Regularização da Obra – ARO é que determina qual a tabela CUB a ser utilizada. Por fim, afirmouse ser descabida a solicitação de cancelamento da multa isolada do art. 92 da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que a mesma não teria sido aplicada no presente caso. A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 212 e segs., no qual repete os argumentos e pedidos expressos na defesa, os quais serão tratados em pormenores no desenvolvimento do voto. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.008015/200898 Acórdão n.º 240102.359 S2C4T1 Fl. 242 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O arbitramento das contribuições Alega a empresa não ser cabível a adoção do arbitramento no presente lançamento, uma vez que as falhas apontadas pelo fisco são sanáveis, além de que não tiveram influência na apuração das contribuições para a Seguridade Social. Inicio minha apreciação desse argumento trazendo à colação alguns aspectos que considero relevantes acerca da técnica fiscal de apuração de tributos por arbitramento. O arbitramento da base de cálculo de tributos é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º; 4.º e 6.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Interpretandose conjuntamente esses os §§ 4.º e 6.º acima é de se concluir que ao fisco é dada a prerrogativa legal de aferir indiretamente a remuneração quando a escrituração contábil do sujeito passivo comprovadamente não registre a totalidade dos valores pagos aos segurados. Para os casos de execução da obra de construção civil, abresse a possibilidade da Administração Tributária apurar o saláriodecontribuição proporcionalmente à área construída, conforme critérios estabelecidos pela própria Administração. Vejase que as falhas contábeis devem estar relacionadas à base de cálculo que se quer apurar, ou seja, se a contabilidade não reflete a realidade do faturamento, podese aferir indiretamente o valor deste; se a incorreção tornar não confiável os dados de remuneração dos segurados, pode o fisco apurar tais pagamento mediante método indireto, e assim por diante. Todavia, cada situação deve ser analisada com cautela, posto que não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos verificados, os efeitos dos mesmos para a apuração do que se pretende e as conclusões encontradas, de modo a se acautelar, para não recair no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Não é qualquer defeito na documentação apresentada que autoriza o procedimento de aferição, para que esse se justifique é obrigatório para a Auditoria a demonstração de que os elementos fornecidos não se prestam para apurar as remunerações pagas aos segurados. Necessário, então, passar a analisar cada uma das falhas apresentadas no Relatório Fiscal e as alegações trazidas pela empresa recorrente. Nos itens 4 a 8 do relato do fisco são apontadas divergências entre datas de pagamentos a fornecedores de materiais e os correspondentes lançamentos na conta contábil denominada Caixa. Tais fatos demonstrariam que os saldos da referida conta seriam irreais. Por sua vez, a empresa reconheceu os erros apontados, todavia, asseverou que tais equívocos não tiveram qualquer influência na apuração das contribuições previdenciárias. Afirma que os lançamentos, embora contabilizados em datas incorretas, o foram dentro da mesma competência, além de que seriam equívocos sanáveis. Quanto ao item 9 do Relatório do AI, apontase que a empresa feriu o princípio contábil da entidade, por terem sido efetuados dois pagamentos de despesas da empresa mediante débito na conta corrente de sua sócia Caroline Feltrin Daros. No que diz respeito a essa irregularidade, afirma a empresa que o pagamento pela sócia de duas despesas que totalizam R$ 257,71 (duzentos e cinquenta e sete reais e setenta e um centavos) não seria causa a se desconsiderar toda a contabilidade de uma empresa, que, no ano de 2006, obteve um faturamento superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.008015/200898 Acórdão n.º 240102.359 S2C4T1 Fl. 243 7 Assevera ainda que em nenhum momento se comprovou que houve pagamento pela sócia de remuneração dos operários da obra em questão. Aponta o fisco que no dia 10/10/2006 a empresa efetuou diversos pagamentos, o que tornou o saldo da conta Caixa credor, fato que demonstraria a existência de pagamentos indevidos ou saldo insuficiente. Para justificar essa anomalia, a recorrente apresenta duas notas fiscais que teriam sido contabilizadas em data anterior a sua efetiva quitação, gerando assim o mencionado saldo credor para a conta Caixa. Assim, sustenta, na data apontada pelo fisco o saldo real do Caixa era R$ 6.587,15. A contabilização de um pagamento de R$ 14.000,00 no dia 18/01/2007, quando a despesa somente incorreu em 24/01/2007, também seria indicativo de que a autuada não respeitou o Princípio Contábil da Oportunidade. A empresa afirma que este valor foi contabilizado dentro da competência do pagamento, sendo irrelevante para apuração das contribuições devidas. De acordo com a Autoridade Fiscal houve a contabilização como custo da obra Comercial Kosmos (a qual se refere o AI) de nota fiscal emitida pela IDL Empreiteira de MãodeObra Ltda, no valor de R$ 23.282,23, a qual diz respeito a execução de serviços na obra Comercial Daros.Com, que pertence a empresa Construtora Daros Edificações. Nesse sentido o Princípio da Entidade teria sido violado. A autuada admite o equívoco, mas afirma que o mesmo pode ser facilmente saneado, mediante o estorno do lançamento, debitandose a conta “Ajustes de Exercícios Anteriores” e creditandose conta de custo da obra Comercial Kosmos. Sustenta a recorrente que esse procedimento não acarreta em qualquer prejuízo ao Fisco, haja vista que a mesma é tributada pelo lucro presumido. Aponta o fisco diversos cheques contabilizados como “suprimento de caixa”, quando no próprio cheque constava outro tipo de despesa, tais como pagamento a pessoa física “Osvaldo” e a IDL Empreiteira. Quanto a esse último pagamento, afirmase que não há nota fiscal do valor envolvido, nem indicativo de que seja um adiantamento para a empreiteira. Defende a empresa que os cheques se prestaram efetivamente a “suprimento de caixa”, tendo sido sacados no Banco do Brasil, conforme extrato juntado à impugnação. Atribui a divergência a incorreção no preenchimento das cópias dos referidos cheques. Advoga ainda que não há como se provar que os valores foram pagos a Osvaldo e a IDL Empreiteira, uma vez que os mesmos não entraram para o sistema de compensação bancária. Outros erros apontados dizem respeito à contabilização da nota fiscal n.º 1048, emitida pela IDL Empreiteira em duplicidade, além de que a nota fiscal no valor de R$ 14.753,16, emitida pela mesma empresa, não foi registrada no custo da obra Comercial Kosmos e que também não houve o registro contábil da retenção efetuada. A empresa advoga que pode corrigir o equívoco da duplicidade mediante cancelamento do registro contábil, retificando o lançamento. No que diz respeito à falta de Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 contabilização da retenção efetuada sobre a nota fiscal n.º 1279, afirma que irá efetuar a correção do erro com o lançamento de Ajuste de Exercícios Anteriores. Acrescenta o fisco que foram lançadas como custo da obra Comercial Kosmos diversas notas fiscais relativas à obra José Daros. Nesse sentido, conclui a Auditora Fiscal, que a empresa deixou de lançar as contribuições em títulos próprios de sua contabilidade. Apontase ainda uma nota fiscal, n.º 1543, que não foi sequer registrada na contabilidade. Mais uma vez a empresa afirma que a simples retificação de lançamentos contábeis sanearia a falha, sem a necessidade de se desconsiderar todos os lançamentos contábeis. Pois bem, expostos os fatos e alegações apresentadas na lide que é posta, passo às minhas considerações. Não há como negar que os erros apontados pelo fisco efetivamente existiram, tanto que nenhum deles foi negado pela empresa. Tal infração inclusive foi punida com multa administrativa lançada no AI n.º 37.172.8380. Confesso que algumas dessas falhas não seriam motivo para aferição indireta da base de cálculo, como é o caso das divergências nas datas de escrituração de determinados fatos contábeis. Todavia, quando me deparo com o pagamento de contas da empresa com débito em conta da sócia, com o histórico de cheques indicando pagamento a pessoa física, quando a escrituração era alocada em “suprimento de caixa” e, mais grave, a contabilização de custos de outras obras na conta contábil referente aos custos da Comercial Kosmos, sou forçado a concordar com o procedimento adotado pela Auditoria. De fato, ao apontar notas fiscais emitidas pela empresa IDL Empreiteira, fornecedora de mãodeobra da empresa autuada que teriam sido contabilizadas com erro no centro de custo (obra X ao invés de obra Y), a escrita contábil fica comprometida no que diz respeito à confiabilidade dos registros relativos à remuneração paga para execução da obra de que se cuida. Nesse sentido, entendo que a permissão prevista no § 6.º da Lei n.º 8.212/1991 para aferição indireta das contribuições aplicase à espécie, uma vez que a contabilidade da forma como foi confeccionada não permite a individualização da remuneração por obra de construção civil, o que é obrigatório, nos termos do seguinte dispositivo do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.008015/200898 Acórdão n.º 240102.359 S2C4T1 Fl. 244 9 exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (...) Não tenho dúvida de que há fatos narrados pelo fisco e confessados pela empresa que comprovam que sua contabilidade não registrou no período fiscalizado, por obra de construção civil, a real remuneração paga para execução da obra Comercial Kosmos. Assim, como estão presentes os requisitos legais autorizados do arbitramento, não devo dar razão à tese de que esse procedimento teria atropelado o princípio da legalidade. O valor do CUB Contesta a recorrente a utilização do valor do Custo Unitário Básico – CUB utilizado na apuração, asseverando que em respeito ao art. 144 do CTN, os valores deveriam ser tomados pela tabela vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e não daquela referente ao mês de emissão do Aviso para Regularização de Obra – ARO. Não devo dar razão à recorrente. O § 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991 faculta à Administração Tributária os critérios para aferição da mãodeobra, nas hipóteses ali previstas. Não custa repetir o dispositivo: § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. Os critérios adotados foram aqueles previstos na Instrução Normativa – IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, que assim dispunha: Art. 431 (...) § 2º No cálculo da remuneração despendida na execução da obra e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia dez do mês Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 subseqüente ao da sua emissão, prorrogandose o prazo de recolhimento para o primeiro dia útil seguinte, se no dia dez não houver expediente bancário. (...) § 2º No cálculo da remuneração despendida na execução da obra e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia dez do mês subseqüente ao da sua emissão, prorrogandose o prazo de recolhimento para o primeiro dia útil seguinte, se no dia dez não houver expediente bancário. Pois bem, vejo que o fisco agiu em conformidade com a legislação aplicável, além de que os valores dos recolhimentos efetuados durante a realização da obra são atualizados, conforme determinação do art. 445 da mesma IN: Art. 445. Caso haja recolhimento de contribuição relativa à obra, a remuneração correspondente a esse recolhimento será atualizada até o mês anterior ao da emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas no caput e na alínea "b" do inciso II do art. 495, e deduzida da RMT, apurada na forma do art. 443. Nenhum prejuízo, portanto, sofreu a recorrente, uma vez que, se por um lado o valor da tabela CUB foi o vigente na data de emissão do ARO, por outro, os recolhimentos efetuados durante a realização da obra foram também atualizados até a mencionada data. Imposição de multa isolada Verificase do Relatório Sintético do Débito, fl. 05, que no presente lançamento a multa foi aplicada no patamar de 15% (quinze por cento), conforme determinava a redação do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente no período de ocorrência dos fatos geradores. Não há nesse AI o que falar em aplicação de multa isolada, posto que a única multa presente é a moratória. Embora não tenha deixado claro no recurso, é possível que a empresa esteja se referindo a multa aplicada em razão de falhas contábeis, o que no seu entender representaria duplicidade de sanção, uma vez que lhe foi exigida a obrigação de recolher as contribuições não arrecadadas com os acréscimos moratórios, bem como foi aplicada contra si multa pelo fato de haver deixado de arrecadar o tributo dos segurados a seu serviço. Esse raciocínio não se coaduna com as disposições do Código Tributário Nacional. É que no seu texto está bem nítida a distinção entre a obrigação tributária principal, que consiste no adimplemento do dever de pagar o tributo e a obrigação tributária acessória, vinculada às prestações positivas e negativas no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos e cuja desobediência dá ensejo à aplicação de penalidade pecuniária. Eis as disposições do referido Codex sobre o tema: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.008015/200898 Acórdão n.º 240102.359 S2C4T1 Fl. 245 11 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Portanto, não há de se confundir a aplicação da multa no presente AI com aquela decorrente da sanção pelo descumprimento de obrigação acessória Deixo de acolher, assim, o argumento de bis in idem tributário suscitado pela recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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