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Numero do processo: 18088.000187/2009-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
LUCRO DISTRIBUÍDO. NÃO INCIDÊNCIA.
O lucro regularmente distribuído não se sujeita à tributação par a previdência social.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.829
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) determinar a exclusão dos valores referentes ao Levantamento "CLD - Crédito Lucro Distribuído"; (ii) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO INCIDÊNCIA. O lucro regularmente distribuído não se sujeita à tributação par a previdência social. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) determinar a exclusão dos valores referentes ao Levantamento "CLD Crédito Lucro Distribuído"; (ii) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 87 /2 00 9- 31 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000187/200931 Acórdão n.º 2403002.829 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1427.227 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, com a seguinte ementa: CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode, a Receita Federal do Brasil, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. TAXA DE JUROS. APLICAÇÃO DA SELIC. E válida a taxa de juros cobrada pela SELIC por ser amparada pelo artigo 34 da lei n° 8.212/91. MULTA APLICADA DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É válida a multa de mora aplicada em consonância com a legislação previdenciária vigente no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de. auto de. infração de obrigação principal lavrado pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado, no montante de R$l5.721,77 incluindo a contribuição devida pela empresa à Seguridade Social, descontada dos segurados Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período. Constitui fato gerador do crédito ora lançado, a remuneração paga, devida ou creditada pela empresa aos segurados empregados e contribuintes individuais, sendo a base de cálculo obtida por critérios de aferição indireta, com o permissivo legal do artigo 33, §§3° e 6° da Lei n° 8.212/91 já que, como demonstrado no relatório fiscal de fls. 15/37, a escrituração contábil da empresa não registrava a real movimentação da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, a empresa foi intimada, mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal, a apresentar à fiscalização sua escrituração contábil. Por se tratar de empresa optante pelo lucro presumido, a autuada fez jus à opção estabelecida no §l6 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, apresentando o livro Caixa. Entretanto, relata a autoridade fiscal que da análise do livro Caixa, foram identificadas diversas inconsistências, tais como: · Foi identificada uma Guia da Previdência Social GPS no montante de R$408,26, de 12/2005 e recolhida em 02/01/2006, a qual não consta nos registros contábeis; · Outra GPS identificada, no montante de R$835,12, de 01/2006 e recolhida em 02/02/2006, foi escriturada somente a quantia de R$301,81, referente ao campo “terceiros”; · Foram identificadas várias GPS registradas a crédito no livro Caixa, com código de recolhimento 2631, cuja obrigatoriedade de recolhimento compete à empresa contratante; · Duas GPS no valor de R$59,90 constam no livro Caixa em 03/11/2006 e não constam no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil; · Inexistência, na competência 02/2006, de gasto com folha de pagamento no livro Caixa, sendo apresentada a folha de pagamento com movimentação; · Foram identificados 42 DARF recolhidos e que não constam no Caixa da empresa; · Observouse que o documento contábil apresentava saldo credor de 02/03/2006 a 20/07/2006 e de 07/08/2006 a 29/10/2006. Tendo em vista as inconsistências mencionadas acima, a autoridade fiscal solicitou à autuada a apresentação de comprovante de movimentação financeira, sendo, então, disponibilizados extratos bancários, os quais demonstraram a existência de diversos lançamentos nas contas do Banco do Brasil e Itaú não apropriados no livro Caixa, bem como a Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000187/200931 Acórdão n.º 2403002.829 S2C4T3 Fl. 4 5 existência de lançamentos no Caixa, que não constam nos extratos bancários. Assim, foi aferida a. contribuição devida pela empresa, considerando como base de cálculo 40% do valor constante nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa, conforme planilha anexada às fls. 27/28. Foram, ainda, considerados fatos geradores de contribuição previdenciária os repasses identificados nos extratos bancários fornecidos pela autuada a pessoas físicas, inclusive aos sócios da empresa. IMPUGNAÇÃO Por não concordar com os termos da autuação a empresa, por seu representante legal, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, a nulidade da autuação, argumentando que o fisco não poderia utilizar o livro caixa para justificar a autuação e em seguida o desconsiderar com base na ilação de que não foi apresentado o livro diário. Entende que a autuação levada a efeito por mera presunção não atende os critérios jurídicos que autorizam a utilização da técnica da aferição indireta. Aduz ausência de coerência e lógica da autoridade fiscal ao admitir a escrituração do livro Caixa para em seguida, desconsiderá la e promover a autuação com base nesse mesmo livro. Em relação às inconsistências verificadas pela fiscalização junto ao livro Caixa, aduz: Não haver qualquer inconsistência nos lançamentos a crédito na conta caixa, em relação às guias de recolhimento (GPS) com código 2631. Que em relação à retenção, a relação obrigacional se instalou entre o fisco federal e o responsável tributário. Em relação às 42 DARF recolhidas e que não constam no livro Caixa, afirma que incumbiria à fiscalização requerer maiores esclarecimentos, pois poderia concluir que os recursos para recolhimento das guias teriam sido obtidos por meio de mútuo feneratício. Que os demais fatos narrados constituem simples inconsistências e erros materiais perfeitamente ajustáveis. Que a fiscalização deveria observar que o objeto social da empresa revela que a mesma tem oscilação de faturamento, não podendo esse fato ser considerado incongruência. Insurgese, ainda, contra o enquadramento dos senhores Wilson Roberto Ribeiro, Odair José P. Santos e Renato Augusto de Oliveira como empregados da empresa. Aduz que às contribuições sociais aplicase o regime tributário, devendo, portanto, observar a disposição contida no artigo 110 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, afirma que o conceito de empregado e empregador está inserido no direito do Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 trabalho, não cabendo à Lei n° 8.212/91 redefinir esses conceitos. Além disso, afirma que o INSS não possui respaldo legal para decidir sobre relações de emprego, quanto mais para enquadrar determinado trabalhador como empregado ou não, atribuição, essa que é constitucionalmente atribuída à Justiça do Trabalho. Afirma que o fisco apenas iniciou sua investigação como forma de contraposição ao pedido administrativo de restituição apresentado pelo contribuinte. Que essa situação impacta diretamente a garantia constitucional prevista no princípio da moralidade. Que, existindo crédito, deveria ser efetuadas as compensações e somente sobre a diferença incidiria juros e multa. Alega que a forma como a autoridade administrativa realizou o lançamento, não demonstrou de forma cabal a ocorrência do fato Jurídico tributário fato gerador. Argumenta que os motivos expostos pela autoridade fiscal para afastar as justificações apresentadas pela autuada, em relação aos equívocos identificados nos lançamentos 286, 279 e 215 do livro Caixa não são Plausíveis, que não é possível aferir pelo livro Caixa eventual situação superavitária ou deficitária. E que não se oportunizou ao contribuinte o direito de apresentar demais documentos e livros contábeis. Menciona que a autoridade fiscal deveria demonstrar a ocorrência de cada fato jurídico tributário que no seu entender tivesse ocorrido. Contudo, em nenhum momento o auditor fiscal procurou demonstrar a subsunção do conceito do fato ao da norma, deixando de apresentar todos os elementos que integram o suposto fato jurídico tributário. Pugna pela nulidade do lançamento. Insurgese, a impugnante, contra o fato do agente fiscal ter inicialmente admitido o livro Caixa para em seguida desconsiderálo, mesmo se valido do mesmo para pretensamente apresentar comparativos entre o livro e as contas bancárias. 4 Insurgese, ainda, contra a multa aplicada no presente auto de infração. Argumenta, inicialmente, que a multa foi aplicada por entender, a fiscalização, que o contribuinte teria deixado de recolher corretamente o tributo, relativamente às verbas de sucumbência. Porém, que o repasse de verbas aos advogados constitui fato irrelevante para o direito e por essa razão, não constitui fato gerador do tributo pretendido. Que não sendo devida a contribuição, não há porque subsistir a multa. Além disso, afirma que o percentual da multa aplicada é elevado. Menciona a Lei n° 9.298/96, a qual, em seu artigo 52, limita a aplicação da multa a 2%, requerendo a sua aplicação por analogia, em respeito ao princípio da isonomia. Argumenta, ainda, ser ilegal a utilização da taxa Selic para o débito. Entende que a Lei n° 9.065/95, que recepcionou a Medida Provisória n° 947/95, não pode ser aplicada por afrontar diversos princípios constitucionais, entre eles o da Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000187/200931 Acórdão n.º 2403002.829 S2C4T3 Fl. 5 7 legalidade tributária, da anterioridade e da indelegabilidade de competência tributária. Que o princípio da legalidade inserto no artigo 150, I da Constituição Federal não admite a majoração de tributos por meio de medida provisória. Que não há previsão legal do que seja a taxa Selic, já que a lei apenas manda que ela seja aplicada, sem indicar percentual, delegando, indevidamente, seu cálculo a ato governamental, seguindo as oscilações do mercado financeiro. Aduz, assim, que o vício se dá devido à inexistência de lei instituindo, definindo e dizendo como deve ser calculada a taxa Selic. Além disso, menciona que em interpretação dada ao artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional, concluise que é permitido à lei ordinária somente fixar percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no Código Tributário, que é de 1% ao mês. Menciona, ainda, o artigo 193, §3° da Constituição Federal, a ditar que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano. Requer, finalmente, seja recebida e integralmente provida e acolhida a impugnação apresentada, acatando as razões expostas, reconhecendo a nulidade da autuação guerreada, como forma de justiça. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · valores indicados pela fiscalização como recebidos por Ricardo Merussi Neiva, sócio da recorrente, sob a titulação de “retirada de lucro” não são passíveis de inclusão na base de cálculo de que se valeu o Senhor Auditor para a lavratura da autuação; · a Egrégia 8ª Turma, ao analisar as questões postas sob sua análise, deixou de reconhecer, de forma surpreendente, que a inclusão dos valores pagos, comprovadamente, sob a titulação de “retirada de lucro” não ensejam a incidência do encargo previdenciário pretendido pelo Fisco; · a indevida inclusão na base de cálculo apurada, defeituosamente, pela fiscalização, do quantum considerado não recolhido impõe a invalidação total do procedimento e, em conseqüência, a total nulidade do procedimento fiscal administrativo. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Em fase de recurso, questionase que valores recebidos por Ricardo Merussi Neiva, sócio da recorrente, sob a titulação de “retirada de lucro” não são passíveis de inclusão na base de cálculo e que tal inclusão macula a totalidade do crédito lançado. Concordo em parte com a recorrente. O financiamento da previdência se baseia na tributação da remuneração do trabalho e não do lucro. Entendo que o Levantamento “CLD – CRÉDITO LUCRO DISTRIBUÍDO” deve ser excluído do lançamento. Entendo também que o crédito lançado não continha vício insanável que resultaria na nulidade da totalidade do lançamento. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000187/200931 Acórdão n.º 2403002.829 S2C4T3 Fl. 6 9 multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Voto por, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para: I) determinar a exclusão dos valores referentes ao Levantamento “CLD – CRÉDITO LUCRO DISTRIBUÍDO”; II) determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10314.013932/2010-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/11/2010, 19/11/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/11/2010, 19/11/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/11/2010, 19/11/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 39 32 /2 01 0- 12 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.013932/201012 Acórdão n.º 3803006.635 S3TE03 Fl. 390 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/11/2010, 19/11/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 10/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 23/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.013932/201012 Acórdão n.º 3803006.635 S3TE03 Fl. 391 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.013932/201012 Acórdão n.º 3803006.635 S3TE03 Fl. 392 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.013932/201012 Acórdão n.º 3803006.635 S3TE03 Fl. 393 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10980.011281/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. ERRO QUANTO AO PERÍODO DE OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO.
Segundo jurisprudência pacífica deste Conselho, se o passivo não comprovado consta da contabilidade do contribuinte por mais de um ano-calendário consecutivo, o lançamento do IRPJ fundado em presunção legal de omissão de receita deverá ser realizado somente em relação ao primeiro ano-calendário em que o passivo fictício houver sido escriturado.
Numero da decisão: 1201-001.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. ERRO QUANTO AO PERÍODO DE OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO. Segundo jurisprudência pacífica deste Conselho, se o passivo não comprovado consta da contabilidade do contribuinte por mais de um ano calendário consecutivo, o lançamento do IRPJ fundado em presunção legal de omissão de receita deverá ser realizado somente em relação ao primeiro ano calendário em que o passivo fictício houver sido escriturado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Henrique Heiji Erbano (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso de ofício interposto nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 12 81 /2 00 6- 97 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 1201001.062 S1C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau: Este processo trata dos autos de infração de IRPJ (fls. 207210), de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 211214), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 215218) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 219 223), por meio dos quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 2.247.109,32, incluindo juros moratórios calculados até 29/09/2006, conforme Demonstrativo Consolidado dos Débitos do Processo de fls. 02. As ocorrências determinantes da lavratura do auto de infração se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 202206. Em síntese, são as seguintes: 1 a autuada foi intimada a apresentar documento relativo ao lançamento ocorrido no dia 02/01/2001, no valor de R$ 1.830.000,08, na conta FINANCIAMENTOS A LONGO PRAZO, tendo se limitado a informar que se trata de mera reclassificação contábil de saldo originado em anos anteriores, da conta 353 (redutora do ativo), para a conta 2721 e, em seguida, para a conta 2739 (PASSIVO DE LONGO PRAZO). Posteriormente, além de explicações também apresentou as planilhas de fls. 132 a 134, em respaldo às suas alegações, e também informou que os documentos respectivos foram inutilizados, por se referirem a períodos anteriores ao ano 2000. Contudo, a fiscalização considerou inaceitável a alegação, pelo fato de a transferência ter sido escriturada em 2001, e nenhum documento ter sido apresentado para comprovar tal divida contraída em anos anteriores, e também por não ter apresentado os livros referentes ao anocalendário de 2000; e ainda, pelo fato de não constar tal empréstimo nas declarações de imposto de renda das pessoas físicas dos sócios; 2 a autuada também foi intimada a comprovar a efetiva entrega e a origem dos recursos repassados pelos sócios, no valor de R$ 501.231,11, tendo respondido que tal valor é originado por duplicatas e cheques a receber negociados no ano 2000, para recebimento no ano seguinte e, por isso, constante do balanço encerrado em 31/12/2000. Também afirmou que a contrapartida contábil — ajuste de exercícios anteriores — teve inapropriada classificação contábil (conta corrente dos sócios — redutora do ativo), mas foi corrigida e reclassificada em 02/01/2001. Contudo, a fiscalização considerou inaceitável a alegação pelo fato de o valor ter sido contabilizado a crédito em 02/01/2001, indicando ser empréstimo do sócio para a empresa. Também pesou no convencimento da fiscalização o fato de tal valor não constar nas declarações de rendimentos pessoais dos sócios. Ambas as ocorrências foram lançadas a titulo de omissão de receitas passivo fictício, estando o embasamento legal descrito nos campos próprios de cada auto de infração. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 1201001.062 S1C2T1 Fl. 4 3 A contribuinte foi cientificada do lançamento cm 05/10/2006 (fls. 209) e apresentou, em 03/11/2006, a impugnação de fls. 232 271, veiculando as alegações a seguir sintetizadas: argumenta que o lançamento se embasa exclusivamente em dois lançamentos contábeis efetuados em 02/01/2001 nas contas "Financiamentos a longo prazo" e "C/c dos sócios". Enfatiza que os lançamentos foram efetuados nessa data e correspondem a meros ajustes de lançamentos igualmente equivocados existentes na contabilidade ao final do anobase de 2000, e que tais equívocos foram definitivamente regularizados em 2003. Também aduz que a fiscalização não apresentou qualquer documento que comprovasse a existência de passivo fictício; presta esclarecimentos alusivos ao lançamento na conta Financiamentos a longo Prazo, no importe de R$ 1.830.000,08. Argumenta que, no dia 31 de dezembro de 2000, contava com um saldo de R$ 1.873.461,55, em títulos custodiados no Banco Bradesco, conforme declaração da instituição financeira acostada às fls. 135, e que esse saldo é composto justamente pelo valor de R$ 1.830.000,08, cuja contrapartida contábil (lançamento a crédito) já existente no anocalendário 2000, equivocadamente estava na conta contábil 2739 Financiamentos Longo Prazo (fls. 119). Acrescenta, verbis: "Como se constata do razão contábil juntado às fls. 114 dos autos (reproduzido abaixo), o saldo contábil credor existente no ano de 2000 na conta redutora do ativo é exatamente o saldo inicial (ou saldo de abertura) da conta reduzida 353— Sócios/Financiamento a longo prazo: Ocorre que este registro contábil a crédito constava inadequadamente ao final do ano de 2000 no mesmo grupo de contas do ativo (conto conta redutora) no exato montante do valor registrado a débito na conta dos saldos de títulos custodiados àquela época junto ao Banco Bradesco (conta 1.1.2.01.0004), quando tal lançamento deveria ter sido feito como ajuste de exercícios anteriores. Em .função desse lançamento a crédito no mesmo grupo da conta de ativo, e no seu exato valor, não é possível observar claramente na DIPJ os registros contábeis que foram efetivamente realizados, pois a D1PJ conta com linhas resumidas para a apresentação do balanço patrimonial das empresas, conforme será explicitado oportunamente." argumenta que, no ano de 2003, ajustou o lançamento anterior e lançou o valor de R$ 1.830.000,08 a crédito na conta de reserva para futuro aumento de capital, levando esse valor ao patrimônio liquido, onde deveria ter sido lançado inicialmente. Enfatiza que não cabe falar em préstimos e que a fiscalização prendese estritamente à nomenclatura da conta contábil. Adiciona que os empréstimos não existem, e que se existissem, a autuante teria logrado comproválos mediante movimentação financeira, pois teve acesso a todos os seus extratos bancários; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 1201001.062 S1C2T1 Fl. 5 4 pondera que, mesmo que fosse possível sua penalização com base em omissão de receitas, as supostas omissões, se tivessem ocorrido, se refeririam a períodos anteriores a 01/01/2001, que não foram objeto de fiscalização e que já estão atingidos pela decadência; também presta esclarecimentos acerca do lançamento de R$ 501.231,1 I , na conta "C/c Sócios". Argumenta que a autuante não atentou para seus esclarecimentos e enfatiza que não se trata de empréstimos concedidos pelo Sr. José Góes, e sim de simples equivoco no lançamento contábil. Assevera que as afirmações da autuante contradizem sua alegação, e que ela própria admite que não se tratava de créditos dos sócios, mas sim de cheques e duplicatas da impugnante. Afirma que a autuante admite a existência de erro contábil, destacando, contudo, que não poderia ter sido o ajuste efetuado para a "conta corrente dos sócios". Enfatiza que simples lançamentos contábeis não constituem relações jurídicas; argumenta, verbis: "Como visto acima, a autoridade fIscal expressamente reconhece que o valor de R$ 501.231,11 originouse de duplicatas e cheques a receber, os quais, negociados em 2000 tinham seu vencimento no ano seguinte — fls. 139184. Estas duplicatas e cheques foram lançados a débito na contabilidade da empresa e constavam do balanço encerrado em 31/12/00. À época do lançamento a débito foi procedido a um correspondente lançamento a crédito no valor de R$ 501.231,11 na conta 329, redutora do ativo, denominada () sócios/Financiamento a Longo Prazo, conforme se verifica do razão contábil de fls. 124, que indica o saldo da referida conta em 31/12/00 (saldo inicial de 2001). Constatase, portanto, que em 31/12/00 já existia registro do valor de R$ 501.231,11, tanto a débito, quanto a crédito, no balanço da ora Impugnante, sendo o crédito registrado na conta 329, indicada acima. Ocorre que a contrapartida contábil a crédito foi efetuada de forma equivocada como redutora do ativo, razão pela qual foi estornado o lançamento efetuado (registrandose um débito em 02/01/01 na conta 329), creditandose a conta 2721 (fls. 115)." aduz que, também com relação a esse valor, decidiu ajustar, no ano de 2003, o lançamento anterior, registrandoo a crédito na conta de reserva para futuro aumento de capital, do patrimônio liquido. Reitera a alegação de que as omissões, se tivessem ocorrido, o teriam sido em períodos anteriores a 01/01/2001, já atingidos pela decadência; alega que os dois valores lançados não apareceram em sua DIPJ pelo fato de terem sido contabilizados como contas Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 1201001.062 S1C2T1 Fl. 6 5 redutoras do ativo. Apresenta demonstrativo dos títulos a receber, em 31/12/2000; suscita a decadência da totalidade do lançamento, argumentando que os valores utilizados como base para a presente autuação como passivo fictício remontam a períodos anteriores a 01/01/2001, e que são créditos contábeis registrados em contrapartida a débitos (ativos) já existentes em 31/12/00, e que por essa razão, eventual omissão de receitas que lhe pudesse ser imputada se referiria necessariamente aos ativos existentes em 31/12/2000. Acrescenta que, tendo em vista que a reclassificação ocorreu em 02/01/2001, a decadência teria ocorrido em janeiro de 2006, sendo que somente veio a ter ciência do lançamento em 05/10/2006. tece considerações sobre a inaplicabilidade da omissão de receitas pelo registro de passivo fictício, em face das disposições vertidas no Parecer Normativo CST 556, de 1971; argumenta que, após a edição do Novo Código Civil, em obediência ao seu artigo 406, também em relação aos tributos, os juros não podem ultrapassar o percentual de 12% ao ano. Por meio do despacho de fls. 304, foi determinada a realização de diligência tendente a confirmar a consistência de saldos que a impugnante afirma serem os verdadeiros de seu ativo em 31/12/2000. Como resultado, foram trazidos aos autos os comprovantes de fls. 311361. Apreciadas as razões de defesa, a DRJ de origem decidiu pela procedência da impugnação, conforme argumentação abaixo transcrita (fl. 366): Considero evidente, portanto, que a impugnante não teve, no dia 02 de janeiro de 2001, crescimento em seu ativo correspondente aos dois valores lançados. É verdade que, naquela data, ocorreram os dois lançamentos contábeis questionados. Também é verdadeiro que os passivos por eles representados são fictícios e apenas justificam o reconhecimento contábil de ativos, sejam estes provenientes de receitas omitidas, sejam provenientes de injeção de recursos pelos sócios. Contudo, o ponto crucial é que essa injeção de recursos na impugnante não aconteceu naquele dia (02/01/2000), e sim em períodos anteriores. Logo, não pode ser mantido o lançamento relativo a fato gerador que teria ocorrido nessa data. Havendo exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em montante superior ao limite de alçada, o órgão julgador de primeiro grau recorreu de ofício de sua decisão. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 1201001.062 S1C2T1 Fl. 7 6 Em sessão realizada no dia 04/07/2012 esta Turma promoveu o reexame necessário declarando a nulidade da decisão a quo, pelas razões contidas nos seguintes trechos do Acórdão nº 120100.728: Portanto, ao contrário do afirmado pela Turma julgadora de primeiro grau, a tributação da omissão de receita presumida decorrente de passivo fictício ocorre, tal como apontado pela fiscalização, no período em que ocorrido o passivo fictício, e não no período em que ocorrida a efetiva omissão de receita. (...) Pelo exame da impugnação e do acórdão recorrido é possível verificar que o órgão de primeiro grau não apreciou integralmente os argumentos aduzidos pela defesa. Em assim sendo, dar aqui provimento ao recurso de ofício, como a consequente exigência dos valores lançados, significaria cercear o direito da contribuinte em ver apreciados os seus argumentos de defesa. (...) Tendo em vista todo o exposto, voto por declarar a nulidade da decisão a quo, devendo outra ser proferida em seu lugar, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa expostos na impugnação ao lançamento. A DRJ de origem, então, exarou novo acórdão julgando procedente a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o CARF anulado a decisão anterior de primeira instância para que outra seja proferida, apreciando os argumentos contidos na impugnação e não analisados por esta DRJ, procedese ao novo julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PASSIVO CUJA EXIGIBILIDADE NÃO FOI COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. OMISSÃO DE RECEITAS. A manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas; tratandose de presunção legal relativa, é a lei que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato pela dedução tirada de outro fato ou de um direito por outro direito; existe uma correlação lógica entre o fato conhecido a existência de uma Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 1201001.062 S1C2T1 Fl. 8 7 obrigação não comprovada e o fato desconhecido auferir rendimentos; essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que os recursos correspondentes à obrigação com exigibilidade não comprovada provêm de rendimentos não declarados. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. MOMENTO DE MATERIALIZAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. CONTABILIZAÇÃO INICIAL DA OBRIGAÇÃO NÃO COMPROVADA. Considerando que deve haver nexo evidente entre o fato conhecido e a consequente infração imputada, a materialização da hipótese de incidência do imposto, prevista na presunção legal relativa de omissão de receitas, ocorre no exato momento em que a obrigação não comprovada foi inicialmente contabilizada, ou seja, quando restou evidenciada a utilização de recursos mantidos à margem da escrituração; como o fato gerador do imposto ocorreu em período de apuração anterior ao período objeto de lançamento fiscal, cancelase a exigência correspondente. Por haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em montante superior ao limite de alçada, o órgão julgador de primeiro grau novamente recorreu de ofício de sua decisão. Após, a interessada apresentou contrarrazões ao recurso de ofício onde repisa as alegações trazidas na impugnação ao lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso de Ofício O recurso de ofício atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Passivo Fictício Pelo exame dos documentos acostados aos autos é possível verificar que o auditor fiscal pretendia que a contribuinte comprovasse a efetiva existência dos seguintes valores constantes do passivo por ela levantado em 31/12/2001, conforme DIPJ/2002 (fl. 35): a) Financiamentos a Longo Prazo, saldo final de R$ 1.830.000,08; b) Empréstimos de Sócios/Acionistas Não Administradores, saldo inicial de R$ 175.334,92 e saldo final de R$ 475.255,00. Em seu termo de verificação fiscal (fl. 202 e ss.) a autoridade afirma que, relativamente à conta Financiamentos a Longo Prazo, a fiscalizada não apresentou nenhum documento hábil a comprovar sua alegação de que “o citado valor é constituído de ativos de Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10980.011281/200697 Acórdão n.º 1201001.062 S1C2T1 Fl. 9 8 propriedade dos sócios da empresa, cuja origem retroage a ajustes contábeis de exercícios anteriores”. Diz ainda o auditor que o referido valor não consta das declarações das pessoas físicas dos sócios referentes ao ano de 2000, o que também enfraquece o argumento da empresa. Quanto à conta Empréstimos de Sócios/Acionistas Não Administradores, entendeu o auditor (item 2.2 do TVF) que a interessada não logrou êxito em comprovar a origem e a efetiva entrega, pelos sócios, do valor de R$ 501.231,11, registrado no livro Razão. A novo acórdão da DRJ de origem, apesar de haver reiterado a decisão anterior no sentido de dar provimento à impugnação, argumentou que o passivo fictício questionado pela fiscalização já estava registrado na contabilidade da empresa em períodos anteriores a 2001, daí porque a exigência não deveria prevalecer. Pois bem, pelo exame dos documentos acostados aos autos, em especial do livro Razão, é possível confirmar que realmente os valores de R$ 1.830.000,08 e de R$ 501.231,11 já estavam registrados na contabilidade da empresa pelo menos desde 31/12/2000. Conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, o passivo fictício registrado na contabilidade da empresa por mais de um período somente autoriza a presunção legal de omissão de receitas relativamente ao primeiro. Isso posto, como no caso do presente processo o passivo fictício questionado pela fiscalização já estava registrado na contabilidade da empresa pelo menos desde 31/12/2000, a omissão de receita não poderia ter sido imputada ao ano de 2001. Em outras palavras, houve erro no lançamento de ofício relativamente ao período de ocorrência da infração. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 30/12/2014 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10480.722085/2010-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DO ART. 149, § 2º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NÃO ALCANCE DE OPERAÇÕES REALIZADAS COM TRADING.
A imunidade contida no art. 149 da Constituição Federal não alcança receita decorrente de comercialização de produção rural com empresa que funcione no País, eis que não se trata de exportação, sendo irrelevante posterior destinação da mercadoria.
A IMUNIDADE DO ART. 149, § 2º, I DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL ALCANÇA AS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SENAR.
A contribuição social é um gênero do qual são espécies as contribuições sociais para custeio da seguridade social, contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) e contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Assim, o texto constitucional imunizou as contribuições sociais enquanto gênero, portanto abarca todas as suas espécies, não cabendo a norma infraconstitucional e muito menos a infralegal restringir o que a Carta Superior trouxe de forma abrangente.
LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRODUTORURAL PESSOA FÍSICA. SUB ROGAÇÃO.
A empresa adquirente fica sub rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25, da Lei, nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº10.256/2001.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa aplicada até 12/2008, com base no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, à luz do art. 106 do CTN, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº. 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do art. 35 da Lei nº. 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na comercialização via trading, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da subrogação da comercialização rural de pessoa física, nos termos do voto do(a) Redator(a); III) Por unanimidade votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
Redator designado: MARCELO OLIVEIRA
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DO ART. 149, § 2º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NÃO ALCANCE DE OPERAÇÕES REALIZADAS COM TRADING. A imunidade contida no art. 149 da Constituição Federal não alcança receita decorrente de comercialização de produção rural com empresa que funcione no País, eis que não se trata de exportação, sendo irrelevante posterior destinação da mercadoria. A IMUNIDADE DO ART. 149, § 2º, I DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL ALCANÇA AS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SENAR. A contribuição social é um gênero do qual são espécies as contribuições sociais para custeio da seguridade social, contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) e contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Assim, o texto constitucional imunizou as contribuições sociais enquanto gênero, portanto abarca todas as suas espécies, não cabendo a norma infraconstitucional e muito menos a infralegal restringir o que a Carta Superior trouxe de forma abrangente. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRODUTORURAL PESSOA FÍSICA. SUB ROGAÇÃO. A empresa adquirente fica sub rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25, da Lei, nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº10.256/2001. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 20 85 /2 01 0- 69 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 539 2 A multa aplicada até 12/2008, com base no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, à luz do art. 106 do CTN, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº. 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do art. 35 da Lei nº. 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na comercialização via trading, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da subrogação da comercialização rural de pessoa física, nos termos do voto do(a) Redator(a); III) Por unanimidade votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Redator designado: MARCELO OLIVEIRA (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 540 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa NOVA FRONTEIRA AGRÍCOLA S/A., contra acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE). 2. A recorrente tem como objeto social, previsto em seu estatuto, “a exploração de atividade agrícola, a comercialização, o beneficiamento e a industrialização de produtos agrícolas próprios e de terceiros, a exploração e a participação como quotista ou acionista no capital de outras sociedades comerciais” e foi autuada por valores relativos às competências de 01/2007 a 12/2008, pelas diferenças de contribuições destinadas: (i) à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural própria; (ii) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (iii) à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física; (iv) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais de trabalho, incidentes sobre o valor da aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física. 3. Segundo o relatório fiscal, os objetos do Auto de Infração não foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). 4. A recorrente impugnou o Auto de Infração, alegando, em apertada síntese, que: a) A fiscalização impôs recolhimento de valores que não perfazem o real débito da recorrente; b) As ilegalidades do AI devem gerar a anulação do lançamento. c) A IN/SRP 03/2005 faz exigência não contida na Constituição Federal ou sequer em Lei, restringindo o Direito garantido constitucionalmente e indo no sentido contrário ao intuito da imunidade, quando exige que a empresa, para se beneficiar do favor constitucional, deve ser domiciliada no exterior; d) Mera Instrução Normativa jamais teria competência ou eficácia para restringir ou limitar abrangência de norma constitucional. e) A norma imunizante deve ser aplicada as exportações diretas, sendo responsável pela desoneração das receitas dela decorrentes, impende ressaltar que, por força do Decretolei nº. 1.248/72, as operações de venda de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação, devem sofrer o mesmo tratamento tributário conferido as exportações diretas. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 541 4 f) A Lei nº. 8.540/92 inovou, de forma flagrantemente inconstitucional, na medida em que elegeu com base de cálculo fato não previsto no art. 195 da Constituição Federal, que versava apenas sobre faturamento, folha de salário e lucro. g) O Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 363.852, julgou inconstitucional os inciso V e VII do art. 12 e incisos I e II do artigo 25 da Lei nº. 8.212/91; h) Confrontando as penalidades, observase que a legislação antiga, apesar de aplicar o percentual de 24%, permite que a multa atinja o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa em vinte por cento. 5. Nos requerimentos finais, em impugnação, a recorrente requereu: a) “No que concerne às contribuições incidentes sobre a comercialização da produção da impugnante destinada a exportação através de empresas comerciais exportadoras, seja julgado improcedente o auto de infração em questão, eis que busca incidência de contribuição social sobre receitas decorrentes de exportação, pretensão flagrantemente inconstitucional, ou caso assim não entenda, reformule o lançamento em questão expurgando esses ingressos;” b) A anulação do lançamento; c) Que fosse aplicada a multa prevista no art. 35, da Lei nº. 8212/91, limitada a 20%; d) A improcedência da cobrança em relação às contribuições incidentes sobre a aquisição de produtor rural pessoa física. 6. As fls. 415, o processo foi baixado em diligência, para que fosse verificada e esclarecida a suposta duplicidade de cobrança em relação às bases de cálculo declaradas na GFIPs no levantamento G1 e G2 do AI. Ao atender a diligência, a Receita Federal assim despachou: “9. Por todo exposto acerca dos elementos trazidos na impugnação, este auditor sugere a retificação dos créditos previdenciárias, em todas as competências, para a exclusão das contribuições declaradas em GFIP, identificadas nos Levantamentos G1 e G2, no presente Auto de Infração.” (Fl. 418.). 7. Ás folhas 423/437, instada a se pronunciar sobre a diligência, a contribuinte ratificou os termos da manifestação, pugnando por sua procedência. 8. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) prolatou acórdão julgando parcialmente procedente a impugnação, tendo sido ementado da seguinte forma: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 541DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 542 5 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO. SENAR. incidem contribuições ao SENAR sobre as receitas decorrentes de exportação porque, dada a sua natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais, não são abrangidas pela regra de imunidade. Além disso, não se trata de exportação. EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. ALCANCE. A imunidade constitucional sobre receitas decorrentes de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. MULTA. APLICAÇÃO. MAIS BENÉFICA. TERCEIROS. CRITÉRIO. Considerando que não há multa por descumprimento de obrigação acessória em relação à terceiros, a multa mais benéfica a contribuinte será de 24%, para as competências até 11/2008, e, para as demais, a multa de 75%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, devesse limitar a aplicálo, não tendo competência para declarar norma inconstitucional.” 9. A contribuinte foi intimada do acórdão dia 28/03/2014 e, tempestivamente, apresentou recurso voluntário dia 29/04/2014 arguindo, em apertada síntese, o que se segue: a) Que o art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal, é cristalino ao estabelecer que contribuição social, incidente sobre receita decorrente de exportação, se sujeita à imunidade, nos termos do texto constitucional. b) A base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique a atividade rural deve ser a receita bruta proveniente da comercialização da produção, excluídas as receitas decorrentes de exportação. c) A trading pode, perfeitamente, gozar dos benefícios fiscais que buscam diminuir a carga tributária incidente sobre sua atividade. d) Tanto a pessoa que vende sua produção rural para pessoa situada no exterior, quanto a que vende por meio de trading está enquadrada na finalidade da norma, que é de exonerar as receitas decorrentes de exportação, portanto, haveria lesão ao princípio constitucional da isonomia. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 543 6 e) Que o STF julgou inconstitucional a incidência do tributo por meio do RE 363.852. Logo, o CARF deve observar o entendimento da Suprema Corte, nos termos do art. 62, de seu Regimento Interno. f) A legislação anterior previa apenas a multa de mora, que punia o atraso do pagamento, sendo mais gravosa de acordo com o momento em que fosse feito o recolhimento. g) Passou a ser punida com multa de 0,33% por dia, limitado a 20%, nos termos do art. 61 da Lei nº. 9.430/96, porém no caso de lançamento de ofício, a multa será de 75%, nos termos do art. 44 da Lei nº. 9.430/1996. h) As multas devem ser cotejadas, afim de que seja fixada a mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106 do CTN. i) Que deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, limitada a 20%. 10. Em seu requerimento final, a recorrente pugnou pela: a) Improcedência do lançamento da contribuição SENAR, eis que busca incidência de contribuição social sobre receitas decorrentes de exportação, pretensão flagrantemente inconstitucional. b) Ilegalidade da cobrança em relação às contribuições incidentes sobre a aquisição de produtor rural pessoa física, conforme decisão do STF; c) No que concerne à multa sobre o suposto débito, seja aplicada aquela prevista no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, limitada a 20%. 11. A Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões e os autos subiram a esta Corte Administrativa para apreciação do pleito recursal. É o relatório. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 544 7 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA CONFERIDA A EXPORTAÇÃO E A CONTRIBUIÇÃO SENAR 2. A controvérsia trazida a baila gravita na órbita da imunidade tributária conferida pelo art. 149, I, da Constituição Federal, relativamente às receitas decorrentes de exportação e a incidência da contribuição destinada ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). A recorrente sustenta que o referido limite ao poder de tributar abarca a contribuição destinada ao SENAR, por esta ter natureza jurídica de contribuição social. Ressalta ainda que, em honra ao princípio da isonomia, não há diferença entre a exportação direta e a realizada por intermédio das tradings companies, portanto ela seria detentora do benefício constitucional. 3. Por outro vértice, o entendimento defendido pelo FISCO e que foi albergado pelo acórdão guerreado é o de que a imunidade constitucional sobre receitas decorrentes da exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. O acórdão atacado fundase, também, no entendimento que a contribuição destinada ao SENAR possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais, portanto, não abrangidas pela regra imunizadora do art. 149, § 2º, I da Constituição Federal. 4. Notese que, quanto à natureza jurídica das contribuições destinadas aos Serviços Sociais, entidades não integrantes da administração pública que realizam atividades de interesse público são diversas as correntes doutrinárias e jurisprudenciais. Alguns entendem que são contribuições sociais, outros que são coorporativas, outros que são de interesse profissional, não existindo uma posição firme. 5. A discussão ora trabalhada possui contornos muito relevantes, haja vista que ao definir a natureza jurídica da Contribuição destinada ao SENAR consagrase o alcance da imunidade tributária contida no art. 149, §, I da CF, que assim dispõe: “Art. 149. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I – Não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação.” 6. Com o fito de por fim as dúvidas, o Ministério da Fazenda, por meio da Nota Cosit nº 312, de 17 de setembro de 2007, externalizou o seu entendimento da seguinte forma: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 545 8 “A par dessa distinção, devese concluir que as contribuições destinadas ao SENAR, tanto a incidente sobre a comercialização da produção quanto a incidente sobre a folha de salários classificamse como contribuições de interesse de categoria profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a isenção a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes alcança, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico.” 7. Estou convencido que contribuição social é um gênero do qual são espécies as contribuições sociais para custeio da intervenção no domínio econômico (CIDE) e contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Dessa forma, observo que o texto constitucional imunizou as contribuições sociais enquanto gênero, portanto abarca todas as suas espécies, não cabendo a norma infraconstitucional e muito menos a infralegal restringir o que a Carta Superior trouxe de forma abrangente. 8. Dessa forma, com a devida vênia, e com todas as homenagens que são devidas a Nota Cosit nº 312, ouso discordar do entendimento lá posto, para entender que o art. 149, § 2º, I da Constituição Federal alcança as contribuições destinadas ao SENAR. 9. Apesar do meu entendimento favorável a imunidade, no caso em tela, razão não assiste à recorrente por outro fundamento, como pode ser visto na seqüência. 10. Vejase que, a recorrente ao realizar operações com trading, verificase uma mera comercialização de produção rural com empresa sediada e em funcionamento no Brasil. Certamente, essa transação não cabe no termo exportação, uma vez que esta pressupõe a saída imediata da mercadoria no Brasil. Observase que, ao vender a mercadoria para uma empresa trading intermediadora, há apenas uma expectativa que referida mercadoria venha sair do País, vez que a mesma é adquirida no mercado interno para posterior exportação. 11. Esse foi o entendimento do Ministério da Previdência Social quando editou a Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005, que assim dispôs: “Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. §1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. §2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto.” Fl. 545DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 546 9 12. É inquestionável que as Instruções Normativas possuem alta relevância em Direito Tributário, sendo norma complementar, nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, devendo ser observada, quando mostrarse de acordo com a lei. 13. Dessa forma, entendo que a imunidade contida no art. 149, § 2º, I da Constituição Federal não alcança receita decorrente de comercialização de produção rural com empresa que funcione no País, eis que não se trata de exportação, sendo irrelevante posterior destinação da mercadoria. 14. Esse vem sendo o entendimento adotado pelo CARF, conforme resta demonstrado no julgado abaixo colacionado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. A contribuição da agroindústria destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 22A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pela agroindústria, as vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras, constituídas e em funcionamento no país, são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis. A imunidade tributária prevista no inciso I do §1º do art. 149 da CF/88 alcança, tão somente, as receitas decorrentes de exportação, ou seja, decorrente da própria operação de exportação realizada com adquirente domiciliado no exterior. SENAR. AGROINDÚSTRIA. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA. Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o SENAR tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas com empresas constituídas e em funcionamento no país, mesmo as trading companies, como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E Fl. 546DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 547 10 EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS. IMUNIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra diretamente com adquirente domiciliado no exterior. A imunidade não alcança a receita decorrente de comercialização de produção rural com empresa constituída e em funcionamento no País, a qual é considerada como receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Recurso Voluntário Negado” (CARF, Processo 13855.721166/201387, 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08/10/2014). 15. Por outro lado, deixo de conhecer da alegada lesão ao princípio da isonomia consagrada no Texto Superior, uma vez que não cabe a esta Corte Administrativa o controle de constitucionalidade, seja em sua forma difusa ou concentrada, por força do art. 62 de seu Regimento Interno, bem como entendimento cristalizado na Súmula nº 2, editada por esta Corte Administrativa. Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NO ART. 30, IV DA LEI 8.212/91 16. Ao compulsar os autos, vislumbro que a recorrente foi autuada por lançamento que se refere às contribuições previstas no art. 30, IV da Lei nº. 8.212/91, como demonstrado no relatório fiscal. 17. Com relação à matéria, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, por meio de seu Órgão Pleno, no sentido de entender que são inconstitucionais o artigo 1º da Lei nº 8.504/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, cuja ementa restou posta da seguinte forma: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Fl. 547DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 548 11 PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações.” (STF RE: 363852 MG , Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 03/02/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701). 18. Em honra ao art. 62 do Regimento Interno do CARF, que reza que autoriza que este Conselho afaste a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, em parte, reconheço o direito da contribuinte, para excluir do lançamento a contribuição previdenciária, relativamente às aquisições de produtos rurais de pessoa física, o que acertadamente, assim também já decidiu o julgador a quo (fls. 477). DA MULTA APLICADA 19. A recorrente entabula argumento que a multa foi aplicada de forma equivocada, uma vez que, segundo ela, deveria ter sido aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, limitada a 20%. 20. Por seu turno, o acórdão da DRJ do Recife entendeu da seguinte forma: “Desse modo, estando correta a multa, aplicada em conformidade com o previsto na legislação, não há como prosperar o pedido entabulado pela impugnante para que se aplique a redação atual do art. 35, da Lei 8.212/91, porque o referido artigo trata dos acréscimos legais incidentes sobre os débitos com a União pagos, espontaneamente pelo sujeito passivo, fora dos prazos previstos na legislação, que não é o caso em pauta, pois o AI em vergasta se refere ao lançamento de ofício da contribuição previdenciária, previsto no art. 35A da mesma Lei.” 21. Ao analisar os autos, entendo que razão assiste a recorrente. 22. A matéria já foi debatida por diversas vezes nesta Corte Administrativa, sendo pacífico o seu entendimento no sentido que a multa aplicada até 12/2008, com base no art. 35 da Lei nº. 8.212/91, à luz do art. 106 do CTN, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do art. 35 da Lei nº. 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 549 12 23. Para fundamentar o meu entendimento, me reporto a trecho do voto proferido pelo Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, no Processo nº 10580.727349/2009 17, no qual o tema foi abordado da seguinte forma: “A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova red ação aos art. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. (...). Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a um a decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previde nciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Viera Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: ‘De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.’ Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/1 2/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/ 09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Le i nº 8.212/91... Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme dest acado alhure. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, tem se que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a mula de ofício.” Fl. 549DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 550 13 24. Assim, é imperioso que o acórdão recorrido seja reformado no que diz respeito à multa aplicada. CONCLUSÃO 25. Por todo exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito, darlhe parcial provimento, para: a) excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre a aquisição de produtor rural pessoa física, uma vez que essa exigibilidade foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; b) determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei nº. 11.941/09, se mais benéfica a recorrente. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 551 14 Voto Vencedor Com todo respeito ao nobre relator, divirjo sobre sua conclusão quanto à contribuição sobre a produção rural adquirida de pessoa física. A excelsa conselheira Bernadete de Oliveira Barros enfrentou a questão, no processo 19515.722003/201197, conforme abaixo, que utilizamos como razões de decidir: “Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega que tenha deixado de recolher a contribuição lançada, e nem insurgese contra a base de cálculo apurada pela fiscalização. Ela apenas alega que o lançamento em questão encontrase em confronto com a decisão preferida pelo STF, no que tange a exigência da contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, e que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25, da Lei 8.212/91, se manteve mesmo diante das alterações promovidas pelas legislações supervenientes, em especial a Lei 10.256/01, o que torna necessária a anulação do lançamento em tela, com base na previsão do art. 26A, do Decreto 70.235/72. Contudo, cumpre observar que, no recurso especial 363856, citado pela recorrente, o Relator Ministro Marco Aurélio deixa claro que é inconstitucional o art. 1o, da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualização até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Ocorre que, conforme verificase do relatório FLD, o presente débito está fundamentado na Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91, e não apenas nos dispositivos declarados inconstitucionais no referido Recurso Extraordinário. Observase que o Ministro Marco Aurélio deixa claro, em seu voto, que a desobrigação da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, é somente até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, a Lei 10.256/2001, que fundamenta o débito lançado por meio dos AIs ora discutidos, encontra amparo na EC 20/98, e está, sim, em Fl. 551DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 552 15 pleno vigor no ordenamento jurídico, não havendo que se falar em ilegalidade da exação em tela ou em nulidade do Auto. É oportuno informar que tal matéria já foi objeto de apreciação pela 3a Turma, da 4a Câmara, da 2a Seção, deste CARF, que decidiu, por unanimidade, que as aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas após o advento da Lei 10.256/2001 são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto ao entendimento de que este Conselho não pode eximir se de analisar os aspectos jurídicos vinculado a constitucionalidade da contribuição instituída pelos arts. 25 e 30, da Lei 8.212/91, é oportuno esclarecer que a Portaria RFB 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei 11.457/2007, determina: Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional,lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal ('STF), em ação direta, após a publicaçãoda decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução doSenado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando aaplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cujaextensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente daRepública ou, nos termos do art, 40 do Decreto n° 2.346. de 10 deoutubro de 1997. pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelorocuradorGeral da Fazenda Nacional. Por esse motivo, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Portanto, é devida a contribuição de que trata o art. 25, da Lei 8.212/91, uma vez que a Lei 10.256/01, que fundamenta o débito, não foi declarado inconstitucional pelo STF.” CONCLUSÃO: Pelos motivos expostos, voto em negar provimento ao recurso, nesta questão, mantendo no lançamento as contribuições incidentes sobre a aquisição de produtor rural com pessoa física, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 552DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10480.722085/201069 Acórdão n.º 2301004.194 S2C3T1 Fl. 553 16 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003881/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. ERRO DE FATO.
O erro de fato deve ser corrido em sede de embargos quando do demonstrado contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e o que de fato se decidiu, conforme constou no voto, ementa e na Ata.
Numero da decisão: 1401-001.125
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, CONHECERAM e ACOLHERAM os embargos para RERRATIFICAR o Acórdão nº 1401-000.953, dando-lhes efeitos infringentes apenas para mudar o resultado do julgamento (recurso provido) , nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérigo Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. ERRO DE FATO. O erro de fato deve ser corrido em sede de embargos quando do demonstrado contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e o que de fato se decidiu, conforme constou no voto, ementa e na Ata. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, CONHECERAM e ACOLHERAM os embargos para RERRATIFICAR o Acórdão nº 1401 000.953, dandolhes efeitos infringentes apenas para mudar o resultado do julgamento (recurso provido) , nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérigo Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 38 81 /2 00 3- 18 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401001.125 S1C4T1 Fl. 600 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO proposto por este Relator em que se alega erro de fato no Acórdão nº 1401000.953, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Uma vez demonstrado pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos que oferecera à tributação os rendimentos que deram origem às retenções consideradas na formação do saldo negativo é de se dar provimento ao recurso. De plano se verifica uma contradição no Acórdão entre o teor da ementa, do voto e o dispositivo que se fez constar em Ata, conforme acima e a parte dispositiva da resultado de julgamento que constou no Acórdão. O Voto do Relator, as Ementas, a parte dispositiva final do voto e a Ata foram no sentido de acolher o reconhecimento do direito creditório por parte da Recorrente, porém constou equivocadamente do Acórdão que o recurso foi NEGADO. Portanto, apontada tal contradição, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. Foi encaminhado despacho ao Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção para apreciação, nos termos do art.65, §3º, do Anexo II do RICARF, que foi deferido e submetido os presentes embargos à Turma para apreciação . Fl. 601DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401001.125 S1C4T1 Fl. 601 3 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Para melhor contextualizar os presentes embargos, segue relato sucinto da lide: A interessada apresentou Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação pretendendo compensar os débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001.. O pleito foi deferido apenas em parte, deixandose de homologar as compensações referentes aos valores de R$ 158.775,25 (R$ 99.793,94 e R$ 58.981,94), em face do ano calendário 2000 e R$ 15.112,57 com relação ao anocalendário 2001. Baixouse o feito em diligência para averiguação APENAS de questões de fato ligadas a diferenças dos regimes de apropriação de receitas entre quem paga os rendimentos e de quem os recebe (regimes de caixa e competência) , ou seja R$ 58.981,94 para o anocalendário de 2000 e R$ 15.112,83 para o anocalendário de 2001. Seguiuse no Acórdão embargado nº 1401000.953, o desenvolvimento do voto onde se deu provimento aos valores acima, dentro dos limites da lide, restando configurado nas ementas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Uma vez demonstrado pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos que oferecera à tributação os rendimentos que deram origem às retenções consideradas na formação do saldo negativo é de se dar provimento ao recurso. A parte dispositiva final do voto também foi pelo acolhimento: “Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso” Fl. 602DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401001.125 S1C4T1 Fl. 602 4 Assim constou na Ata de 09 de abril de 2013: Relator(a): ANTONIO BEZERRA NETO Processo: 11610.003881/200318 Recorrente: METRO TECNOLOGIA INFORMATICA LTDA. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1401000.953 Decisão: Por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido De plano se verifica uma contradição no Acórdão entre o teor da ementa, do voto e o dispositivo que se fez constar em Ata, conforme acima e a parte dispositiva da resultado de julgamento que constou no Acórdão. O Voto do Relator, as Ementas, a parte dispositiva final do voto e a Ata foram no sentido de acolher o reconhecimento do direito creditório por parte da Recorrente, porém constou equivocadamente do Acórdão que o recurso foi NEGADO a unanimidade, quando na verdade, foi dado provimento ao recurso a unanimidade. Com essas considerações finais, ACOLHO os embargos sem efeitos infringentes apenas para retificar a parte dispositiva do Acórdão embargado, nos seguintes termos: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.” (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 603DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001718/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Válido o lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e alterações, e do art. 142 do CTN.
CONSTITUIÇÃO DE EMPRESA. DESCONFORMIDADE COM OS FATOS. CONFUSÃO PATRIMONIAL. SIMULAÇÃO. PROVA. CARACTERIZAÇÃO. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS.
Caracteriza simulação a constituição/operação de empresa, pelos mesmos sócios da autuada, em que ficou evidenciada a existência de desconformidade entre a realidade fática e os negócios celebrados, bem como a sucessão de erros contábeis, a existência de documentação fiscal inidônea e a confusão patrimonial existente entre essa empresa e a autuada.
O fato da constituição da pessoa jurídica ter sido formalmente praticada não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação a existência de atos jurídicos lícitos.
Justifica-se a glosa das despesas pela prestação de serviços originados de empresa que operava de forma contrária à lei.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO.
No lançamento de ofício formalizado em Auto de Infração, em que se comprovou a existência de simulação, o termo inicial do prazo decadencial começa a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. PERCENTUAL DE 150%. APLICABILIDADE.
É cabível a aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, nos casos em que se evidencia a atitude deliberada no exercício de atividades empresariais de forma contrária à lei, caracterizada pela simulação e confusão patrimonial, o que acarretou na redução do valor dos tributos devidos.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-001.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de diligência, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de nulidade do acórdão de primeira instância, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente e em afastar a ocorrência da decadência em relação aos lançamentos do IRPJ e da CSLL. Acordam, pelo voto de qualidade, em afastar a ocorrência da decadência em relação aos lançamentos do PIS e da Cofins e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que consideravam decaídos os lançamentos do PIS e da Cofins e, no mérito, davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto apresentaram declaração de voto quanto ao item confusão patrimonial e simulação.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Válido o lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e alterações, e do art. 142 do CTN. CONSTITUIÇÃO DE EMPRESA. DESCONFORMIDADE COM OS FATOS. CONFUSÃO PATRIMONIAL. SIMULAÇÃO. PROVA. CARACTERIZAÇÃO. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. Caracteriza simulação a constituição/operação de empresa, pelos mesmos sócios da autuada, em que ficou evidenciada a existência de desconformidade entre a realidade fática e os negócios celebrados, bem como a sucessão de erros contábeis, a existência de documentação fiscal inidônea e a confusão patrimonial existente entre essa empresa e a autuada. O fato da constituição da pessoa jurídica ter sido formalmente praticada não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação a existência de atos jurídicos lícitos. Justifica-se a glosa das despesas pela prestação de serviços originados de empresa que operava de forma contrária à lei. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. No lançamento de ofício formalizado em Auto de Infração, em que se comprovou a existência de simulação, o termo inicial do prazo decadencial começa a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. PERCENTUAL DE 150%. APLICABILIDADE. É cabível a aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, nos casos em que se evidencia a atitude deliberada no exercício de atividades empresariais de forma contrária à lei, caracterizada pela simulação e confusão patrimonial, o que acarretou na redução do valor dos tributos devidos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de diligência, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de nulidade do acórdão de primeira instância, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente e em afastar a ocorrência da decadência em relação aos lançamentos do IRPJ e da CSLL. Acordam, pelo voto de qualidade, em afastar a ocorrência da decadência em relação aos lançamentos do PIS e da Cofins e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que consideravam decaídos os lançamentos do PIS e da Cofins e, no mérito, davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto apresentaram declaração de voto quanto ao item confusão patrimonial e simulação. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Válido o lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e alterações, e do art. 142 do CTN. CONSTITUIÇÃO DE EMPRESA. DESCONFORMIDADE COM OS FATOS. CONFUSÃO PATRIMONIAL. SIMULAÇÃO. PROVA. CARACTERIZAÇÃO. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. Caracteriza simulação a constituição/operação de empresa, pelos mesmos sócios da autuada, em que ficou evidenciada a existência de desconformidade entre a realidade fática e os negócios celebrados, bem como a sucessão de erros contábeis, a existência de documentação fiscal inidônea e a confusão patrimonial existente entre essa empresa e a autuada. O fato da constituição da pessoa jurídica ter sido formalmente praticada não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação a existência de atos jurídicos lícitos. Justificase a glosa das despesas pela prestação de serviços originados de empresa que operava de forma contrária à lei. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. No lançamento de ofício formalizado em Auto de Infração, em que se comprovou a existência de simulação, o termo inicial do prazo decadencial começa a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 17 18 /2 01 0- 62 Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.465 2 MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. PERCENTUAL DE 150%. APLICABILIDADE. É cabível a aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, nos casos em que se evidencia a atitude deliberada no exercício de atividades empresariais de forma contrária à lei, caracterizada pela simulação e confusão patrimonial, o que acarretou na redução do valor dos tributos devidos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de diligência, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de nulidade do acórdão de primeira instância, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente e em afastar a ocorrência da decadência em relação aos lançamentos do IRPJ e da CSLL. Acordam, pelo voto de qualidade, em afastar a ocorrência da decadência em relação aos lançamentos do PIS e da Cofins e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, que consideravam decaídos os lançamentos do PIS e da Cofins e, no mérito, davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto apresentaram declaração de voto quanto ao item confusão patrimonial e simulação. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de examinar o lançamento fiscal para exigência do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativo ao 4º trimestre de 2005, com multa de ofício, no percentual de 150% e juros de mora, com base na taxa Selic. Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.466 3 Nos termos do Contrato Social e alterações, fls. 247 a 306, a empresa autuada, Oniz Distribuidora Ltda. foi fundada no ano de 1986, tem como atividade principal a distribuição de produtos alimentícios, cosméticos, de limpeza, medicamentos, atuando também no transporte rodoviário de cargas e apurou, no ano de 2005, o lucro tributável com base no lucro real trimestral. Segundo a fiscalização, uma segunda empresa, CD Sul Logística Ltda., com os mesmos sócios da Oniz Distribuidora Ltda., foi constituída para assumir o desempenho das atividades de transporte rodoviário de cargas, antes desempenhada pela autuada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 23 a 67, os sócios da autuada, José Luiz Turmina e Ieda Maria Bonafé Turmina, criaram em 2004, essa segunda empresa, tributada pelo lucro presumido, que prestou serviços em 2005 quase que exclusivamente à autuada, na proporção de 96,20% de suas receitas, tendo como único objetivo criar despesas fictícias para a interessada e distribuir lucros aos sócios comuns. Após uma detalhada análise dos documentos e livros contábeis e fiscais das duas empresas, a fiscalização concluiu que a empresa CD Sul Logística Ltda faria parte de uma simulação, de modo que a sua constituição seria mera ficção face as seguintes constatações retratadas no relatório do Acórdão nº 1044.300 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 1801 a 1822, que, por bem descrever os fatos ocorridos, passo a transcrever, na parte que mais interessa, e também adotar: “(...) 3 O objeto social da CD Sul Logística Ltda é a prestação de serviços de transporte e logística, tendo como principal cliente a Oniz Distribuidora Ltda (96,20% das receitas no anocalendário de 2005). 4 O entendimento do autuante foi de que a fundação da CD Logística foi uma simulação fraudulenta, não passando de uma ficção, sem propósito negocial algum, cujo real objetivo foi de gerar falsas despesas para reduzir a tributação da Oniz Distribuidora (apuração de prejuízos, conforme DIPJ 2005, fls. 82/91) e aumentar a distribuição de lucros isentos aos sócios por meio da pessoa jurídica gestada, conforme se extrai do expressivo número de evidências a seguir tratadas: 4.1 Mesmo quadro social, Ieda Maria Bonafé Turmina (integralização do capital R$ 80.000,00 em dinheiro) e José Luiz Turmina (integralização em dinheiro R$ 191.000,00 9,95% do capital subscrito), sendo que os registros contábeis apontam que até 31/12/2006 não havia sido integralizado o restante do capital social (R$ 1.729.000,00). No entanto, até essa data os registros contábeis apontam a distribuição de lucros, em dinheiro, no montante de R$ 7.939.200,00 (fls. 379, 452, 460, 629). Na declaração da pessoa física do anocalendário de 2004 o Sr. José Luiz Turmina informa a existência da dívida, no valor de R$ 1.920.000,00, descrita como capital a integralizar de 96% da participação na CD Logística Ltda. e que correspondem aos registros contábeis e contrato social da sociedade (fls357/361, 379 e 629). Em janeiro de 2005 foi integralizado o valor de R$ 191.000,00, restando para a integralizar o valor de R$ 1.729.000,00 (fls. 379). Na declaração da pessoa física do anocalendário de 2005 não é informada tal dívida, entretanto os registros contábeis da CD Logística apontam que o valor foi integralizado (fls. 138). Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.467 4 Consta o registro contábil da distribuição e pagamento, em dinheiro, dos lucros ao sócio no valor total de R$ 4.396.800,00 (R$ 1.248.000,00, pagos em 22/11/05 e R$ 3.148.800,00, pagos em 31/12/05fls. 390/391) e de R$ 3.542,000,00, também em moeda corrente, em 2007 (fls. 452, 456/458). Somente em 2007, após o recebimento, em dinheiro, de R$ 1.296.000,00, em 04/01, é registrada a integralização do restante do capital subscrito em 31/01/2004 (fls. 698/699). 4.2 Mesmo objeto social. Constam em ambos os contratos sociais como ramo de atividade a prestação de serviços de logísticas e transporte rodoviário de cargas (fls. 288, 357/358). 4.3 Mesmo endereço de funcionamento. Em todas as unidades de funcionamento, matriz e filiais, os estabelecimentos funcionam no mesmo endereço, variando apenas em relação aos blocos. A justificativa apresentada pelo contribuinte é que a CD Sul utiliza a estrutura da Oniz Distribuidora em Passo Fundo e Cachoeirinha em comodato e possui, em São José dos Pinhais (PR), depósito próprio, do qual sede parte à Oniz, também em comodato. 4.4 O Ativo Permanente da CD Sul Logística Ltda., no anocalendário de 2005, era composto somente de veículos (20 caminhões) oriundos da Oniz Distribuidora Ltda., conforme informações extraídas dos livros fiscais das sociedades (fls. 147/150 e 379) e Detran/RS (fls. 522/557). A contabilidade da Oniz Distribuidora registra a venda a prazo (fls. 147/149, 158 e 707) enquanto a contabilidade da CD Sul Logística o registro foi de uma transação à vista (fls. 379), não havendo qualquer registro de dívidas a pagar dessa natureza, o que demonstra que não houve compra e venda de veículos, mas sim, a simulação da compra e venda dos mesmos. 4.5 – Imóveis. De acordo com os livros fiscais apresentados pela CD Sul, não há qualquer registro de propriedade de imóveis ou pagamento de locação no ano calendário de 2005 (fls. 612/696), fato justificado pela utilização dos imóveis da Oniz Distribuidora em comodato (fls. 465/466). O contribuinte apresentou um “contrato particular de comodato de bens imóveis” (fls. 467/469), datado de 07/03/2005, o qual, embora não seja exigido, não há menção de registro, tampouco há reconhecimento das firmas signatárias, o que não permite afirmar que as assinaturas foram apostas na referida data ou, então, a posteriori, conforme a conveniência das partes. O referido contrato de comodato estipula a utilização de 50% (cinqüenta por cento) da área de seus depósitos situados em Passo Fundo (...) e Cachoeirinha (Cláusula Primeira) e que as despesas com manutenção, segurança, água, energia elétrica e outras dos DEPÓSITOS serão rateados entre as PARTES (Cláusula Terceira). Entretanto, ao longo do ano de 2005, a CD Sul somente registrou receitas e nada de despesas básicas de água, energia elétrica e segurança, afora R$ 35,50 de despesas com telefone (fls. 612//696). Tais despesas foram pagas pela Oniz Distribuidora (fls. 61/696). 4.6 MãodeObra. Quando foi intimado a apresentar a relação de empregados registrados contratados no anocalendário de 2005, a CD Sul Logística apresentou a relação de folhas 477 a 480, na qual consta a contratação de motoristas nos meses de janeiro e fevereiro de 2005, porém não há qualquer registro contábil de pagamento de salários ou encargos até 14/04/2005. Somente em 15/04/2005 há o registro de pagamento de adiantamento de salários relativo ao mês de abril/05 (fls. 379/382). Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.468 5 Em 20/04/2005 a CD Sul emitiu a nota fiscal de serviços n° 01, na qual, segundo a discriminação de serviços, referese a serviços prestados no mês de março de 2005 em armazenagem e logística (fls. 401). De acordo com a relação de empregados apresentada não há funcionários contratados para a prestação dos serviços descritos. Embora tivesse a sua disposição vinte e três motoristas, somente em agosto/05 a CD Sul emitiu o primeiro conhecimento rodoviário de cargas. Na GFIP/FGTS apresentada pela CD Sul, referente ao mês 04/2005 (fls. 558/561), verificase que havia funcionários admitidos e que não foram informados na relação apresentada. Curiosamente, todos esses funcionários eram empregados da Oniz (GFIP/FGTS 03/2005, fls. 562/572) demitidos em 03/2005, alguns deles, inclusive, mantinham contratos simultâneos com as duas empresas (fls. 573/609). Vários empregados da Oniz tiveram suas verbas trabalhistas pagas pela CD Sul, conforme dados obtidos nos livros contábeis e constantes no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS (fls. 382/389). 4.7 Serviços prestados pela CD Sul Logística Ltda. As receitas declaradas pela CD Sul Logística Ltda no anocalendário de 2005 provieram de três fontes: Ajinomoto Interamericana e Comércio Ltda., Bunge Alimentos S.A. e Oniz Distribuidora Ltda. (fls. 478/499). As receitas decorrentes do contrato com a Ajinomoto totalizaram R$ 153.231,97 e com a Bunge Alimentos R$ 133.095,30, enquanto que as receitas decorrentes do contrato com a Oniz Alimentos totalizaram R$ 7.313.693,91, correspondente a 96,20% do total das receitas declaradas (fls. 401/412, 630/632). Os Conhecimentos de Transporte Rodoviários de Cargas CTRC foram emitidos englobando todos os serviços prestados no mês, outros CTRC foram emitidos englobando os serviços prestados em vários meses, o que os torna inidôneos perante a legislação do ICMS (Convênio SINIEF 06/89 e alterações, e Decreto RS n° 37.699, de 1996). A referida legislação permite a dispensa da emissão do CTRC a cada prestação de serviços, desde que sejam atendidos certos requisitos, como o período de apuração do imposto. Nesse aspecto os CTRC foram emitidos extemporaneamente. Todos os pagamentos foram efetuados em moeda corrente nacional ou cheques de terceiros, conforme afirmação do impugnante (fls. 190), e não foram elaborados recibos de quitação, tendo como justificativa o não pagamento da CPMF. Interpelada a demonstrar quais pagamentos foram efetuados em moeda ou cheques, o contribuinte afirmou não possuir controles paralelos que possibilitassem a discriminação, somente os livros e documentos já entregues (fls. 312/313). Os livros contábeis registram os pagamentos em moeda corrente. Por sua vez, os documentos, que segundo o contribuinte serviriam de comprovantes da quitação, por vezes expressam que os valores foram pagos através de depósito em conta (fls. 151/157). (...) Outro aspecto a ser considerado em relação aos pagamentos em moeda corrente é o volume físico das notas, o que tornaria prudente a contratação de transportadora de valores a um custo maior, é claro, do que a economia da CPMF. Talvez o transporte não se apresentasse tão necessário, uma vez que as pessoas Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.469 6 jurídicas dividem o mesmo espaço físico, porém, um bom sistema de segurança se faria necessário, já que envolve valores dignos de um estabelecimento bancário. Até mesmo o mais ingênuo contribuinte preferiria pagar em cheques, ou transferência bancária, para evitar não somente os problemas de segurança, mas principalmente para fins de prova frente à prestadora de serviços. (...) As duas pessoas jurídicas pertencem aos mesmos sócios e com a mesma gestão, seria lógico que o desejo de economia de CPMF se aplicasse às duas sociedades, mas não é isso que se observa. Por exemplo: No dia 28/04/05 a Oniz Distribuidora contabiliza o pagamento da nota fiscal n° 01 em dinheiro, no valor de R$ 462.046.61 (fls. 151/157), enquanto a CD Sul deposita tal valor no banco. No dia seguinte a CD Sul contabiliza a retirada de R$ 220.000,00 de bancos para o depósito em caixa (fls. 383). (...) 4.8 Pagamento das contas. Mesmo com veículos e funcionários registrados, a CD Sul recorreu a serviços de descarga e fretes efetuados por terceiros. O mesmo expediente foi usado pela Oniz, que utilizou os mesmos prestadores de serviços. De acordo com a contabilidade da CD Sul, todos os valores foram pagos em moeda corrente, totalizando R$ 230.923,58 para serviços e R$ 743.280, 01 para fretes e carretos. Nos meses de abril, maio e junho foram contabilizados expressivos valores a título de despesas de fretes e carretos, combustíveis, manutenção de veículos, salários de motoristas e, no entanto, não há nenhum documento da CD Sul que ateste a realização de serviços de transporte nesse período. Observase que o somatório das despesas de manutenção, tributos e distribuição de lucros da CD Sul (R$ 7.302.681,91) se assemelha ao valor das Receitas auferidas pela Oniz. A explicação para esses fatos é que quem paga as despesas da CD Sul Logística é a Oniz Distribuidora, pois as despesas são efetivamente dela. A CD Sul nada mais é do que a Oniz operando com o nome fantasia de CD Sul Logística Ltda. 5 Planejamento tributário. Segundo o autuante, os fatos acima demonstram que a CD Sul Logística Ltda. (lucro presumido) foi criada para gerar despesas para reduzir o resultado fiscal da Oniz Distribuidora Ltda. (lucro real) e para geração de créditos fraudulentos na apuração do PIS e da Cofins. Afirma o autuante que o planejamento tributário não pode ser efetuado por meios abusivos ou gerarem situações simuladas ou puramente artificiais. Nesse aspecto, o planejamento tributário deve se alinhar à tendência mundial de combate, com vigor, não só a sonegação, mas também os negócios jurídicos artificiosos, fraudulentos, simulados ou desprovidos de quaisquer propósitos econômicos ou negociais, que colaboram com a ausência de sentido ou de justiça no sistema tributário. Com base na doutrina de Marco Aurélio Greco, afirma que o direito ao planejamento tributário elisivo não pode ser absoluto, ou seja, há de se haver uma conformação entre a existência do direito e o modo que se deu seu exercício. No caso do contribuinte, admite a existência do direito de utilizar a dedução das despesas de fretes, porém, entende que o que não se deve admitir é a dedução de Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.470 7 despesas prestadas por pessoa jurídica inexistente de fato, criada com a estrita finalidade de fraudar o fisco e de usufruir benefícios para se submeter a uma carga tributária menor. 6 Conclusão. Conclui o autuante afirmando que a CD Sul Logística Ltda., embora tenha personalidade jurídica, não existe de fato. Que é uma fantasia criada pelos sócios da Oniz Distribuidora Ltda. com o único intuito de evadir tributos, evasão que representou, no anocalendário de 2005, R$ 2.644.920,96. Assim, não pode ser admitida a utilização de despesas criadas para reduzir o resultado fiscal de outrem, pela simples razão da inexistência de tais despesas, corroborada pela não comprovação de seu pagamento. Afirma que não se trata de desconstituir o ato jurídico de criação da pessoa jurídica CD Sul Logística Ltda., mas sim, tratase de desconsideração dos efeitos tributários dos negócios efetuados entre essa empresa e a sua criadora, a Oniz Distribuidora Ltda. 7 Crédito tributário apurado. Como a CD Sul foi considerada inexistente de fato e que os atos praticados foram realizados pela Oniz Distribuidora, foram eliminadas, para fins tributários, as transações entre as partes, acrescentandose as receitas obtidas pela CD Sul com terceiros e os custos e despesas incorridos ao resultado obtido pela Oniz Distribuidora. Nas planilhas de folhas 64 e 65 é apresentada a Demonstração do Resultado do Exercício Recomposto e o cálculo do IRPJ e da CSLL. Na planilha de folhas 66 a Apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e na planilha de folhas 67 a Apuração da Contribuição para a Cofins. 8 Da multa de ofício. O autuante entendeu que os fatos relatados dão conta da existência de simulação na criação da empresa de logística, uma vez que não existe de fato, com a finalidade de reduzir fraudulentamente o montante de tributos devidos, o que se enquadra nos conceitos de fraude e sonegação, definidos pelos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964, e enseja a duplicação da multa de ofício, conforme previsto no § Io do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 715/797, alegando, em síntese, o seguinte: 9 Preliminarmente: A nulidade dos autos de infração em razão da confusão criada em torno dos conceitos e denúncias constantes do Termo de Verificação Fiscal, como fraude, simulação, abuso de direito, o que veio a limitarlhe o direito de defesa, previsto constitucionalmente. A nulidade dos autos de infração em face da violação ao art. 10, inc. III e IV, e art. 59, inc. II, do Decreto n° 70.235, de 1972. A decadência do IRPJ e reflexos em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de outubro e novembro de 2005. A nulidade do lançamento da CSLL em face da ausência de suporte autorizativo no MPFF. 10 Mérito. A criação da CD Sul Logística Ltda. se deu dentro da legalidade. O planejamento tributário, além da proteção constitucional à liberdade de iniciativa, é um dever, pois a própria Lei 6.404, de 1976, arts. 153 e 154, impõe ao administrador a incumbência de empregar todos os recursos (obviamente legais) que estiverem ao seu alcance a fim de lograr os fins econômicos e alcançar os interesses da entidade. Não há no ordenamento jurídico vedação alguma ao procedimento Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.471 8 adotado. Causa estranheza se pensar, tão só por haver desmembramento de atividades de uma empresa em prol de outra administrada pelos mesmos proprietários, que tal prática configure, de pronto evasão fiscal. A própria Petrobrás S/A, como empresa pública, se fragmento em diferentes atividades. A "empresa inexistente" tem sua marca registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI, desde 22.02.2005, não fazendo sentido nenhuma supor que os proprietários/administradores se dessem ao trabalho de criar outra pessoa jurídica de "fachada", ou só para "existir no papel", preocupandose em proteger a marca que conceberam. Ainda, no ano de 2005, faz parte da EXPOAGAS (exposição da Associação de Supermercados do Rio Grande do Sul) realizada na FIERGS, com estande próprio onde já oferecia os serviços de logística e transporte (com sua marca e estrutura própria) aos supermercados de todo o Estado, buscando captar clientes. Para ilustrar, anexa algumas fotografias do evento, onde é possível identificar o estante ocupado pela nominada pessoa jurídica. Também, anexa um CD com vídeo de divulgação comercial, para ser reproduzido a título de prova, para melhor compreensão de suas alegações. Verseá, contrariamente às suposições fiscais, que a Oniz distribuidora e a CD Sul Logística são pessoas jurídicas autônomas, ainda que seus proprietários/administradores sejam os mesmos, com empregados próprios, contabilidades separadas, frotas de caminhões que não se confundem, logomarcas, clientes, exploração independente de objeto social, o que se afasta em absoluto a rasa ilação de trataremse de uma só entidade para efeitos fiscais/tributários. A não configuração de evasão fiscal no caso vertente. O fiscalizador tem duplo ônus probatório, (i) não pode pautarse por conjecturas, subjetivismos, presunções ou ilações superficiais, mesmo porque, faltalhe fundamento legal autorizativo para tanto. Ele tem que apresentar provas contundentes e conclusivas de que o contribuinte agiu de forma contrária ao ordenamento jurídico, que ofendeu alguma disposição legal imperativa, que seus negócios jurídicos foram artificiosos e que não refletem a verdade de seus resultado, e (ii) que o correto é a forma como por ele próprio definida. Nesse aspecto, o autuante não se desincumbiu de nenhum dos ônus probatórios. A integralização do capital social na CD Sul Logística se deu na forma do artigo 6 do Contrato Social, que estipulava que as cotas subscritas poderiam ser integralizadas até 31 de dezembro de 2010. O que houve foi um erro de preenchimento da DIRPF, só corrigido na declaração do exercício de 2008. No tocante à distribuição dos lucros, esta se deu nos termos da legislação aplicável ao lucro presumido, vigente à época. A identidade de objeto social entre a Oniz Distribuidora e a CD Sul Logística, que é alvo da discórdia fazendária, é mais uma das tantas atividades que incluiu em seu estatuto no curso dos mais de vinte anos de sua existência e que, como tantas outras, optou por abandonar, paulatinamente, quando mais depois da constituição da CD Sul. Constar formalmente (e desde há muito tempo) no objeto social da Oniz Distribuidora a possibilidade de, querendo, desenvolver transporte e logística não dignifica que o faça, tampouco que isso tenha o condão de confundir suas atividades com as atividades exploradas pela CD Sul, o que comprova que o entendimento fiscal a respeito do mesmo objeto social não merece guarida. O ativo permanente da CD Sul Logística e a titularidade dos caminhões. Inexistem elementos que configurem prática de simulação, fraude ou sonegação fiscal. A interpretação do autuante é tendenciosa, na medida em que se transferindo a execução de parte do objeto social (transporte e logística) em favor da CD Sul, Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.472 9 precisamente para que pudesse explorar exclusivamente essa atividade, fosse compelida adquirir nova frota de caminhões no mercado, quando tais equipamentos pouca ou nenhuma utilidade teriam na Oniz Distribuidora. A aquisição dos veículos foi devidamente escriturada, embora exista a discrepância entre o registro de venda à prazo, enquanto a CD Sul fez o registro à vista, ela não é justificativa para crer que o negócio não tenha existido, fato que só comprova que a contabilidade de uma e de outra é confeccionada de forma autônoma. (...) A inexistência de propriedade imóvel no ativo imobilizado da CD Sul. Não há impedimento legal algum para que duas empresas compartilhem o mesmo espaço geográfico para promover suas atividades econômicas de forma distinta, a exemplo de prédios comerciais onde inúmeros estabelecimentos situamse sob o endereço da mesma, distinguindose por "salas", "lojas", "blocos", etc. Não há como desqualificar os contratos de comodato estabelecido entre as duas empresas, por inexistência de registro e, tampouco, por falta de reconhecimento das firmas signatárias. Dos contratos trabalhistas da CD Sul Logística. Houve um equívoco na interpretação do Termo de Diligência Fiscal n° 04 (fls. 430), segundo o qual ao invés de se apresentar uma lista com todos os funcionários contratados ao longo do anocalendário de 2005 (como requerido pelo autuante), o atendeu somente com àqueles que ainda mantinham relação trabalhista em 31 de dezembro, excetuados os demitidos ou dispensados, o que ocasionou a diferença tida como omissão planejada. A contratação dos empregados da Oniz não se deu por rescisão/admissão, mas por transferência, como certificam as anotações do Livro de Registro de Funcionários, com registros em 01/04/2005. Daí que não há qualquer registro contábil de pagamento de salários e encargos até o dia 14/04/2005. A data de admissão mencionada não é pela CD Sul, mas sim pela Oniz Distribuidora. Portanto, nos meses de janeiro a março os 31 empregados eram funcionários da Oniz, de forma que foi ela quem honrou seus pagamentos, basta contrastar a RAIS2005 de ambas as empresas (anexos 9 e 10). Do momento da constituição da CD Sul até a sua estruturação definitiva e consolidação de suas operações, houve o aproveitamento mútuo do corpo de funcionários em transferência, a figura do "consórcio de empregados", que nada mais é do que um ajuste de vontade de pessoas jurídicas (ou físicas) empregadoras, objetivando a admissão e utilização em comum de empregados para execução de seus respectivos objetos sociais, sob subordinação individualizada de cada uma, sem configurar aí uma sociedade ou grupo econômico propriamente dito. O próprio Código Civil admite a reunião de empresas, que se conjugam das mais diversas formas para se fortalecerem e alcançar objetivos de mercado, o que resolveu se chamar grupo econômico, fruto das denominadas sociedades coligadas, o que é também admitido pela jurisprudência trabalhista. A alegada discrepância entre a remuneração dos serviços prestados pela CD Sul Logística à Oniz Distribuidora, quando contrastada com àqueles determinados com as demais contratantes (Ajinomoto e Bunge), não procede. Primeiro, as grandezas sobre as quais incidem os percentuais contratados pela Oniz Distribuidora e pela Bunge junto à CD Sul Logística são absolutamente idênticas. Segundo, como é sabido, os custos logísticos dos serviços de transporte são definidos pela distância a ser percorrida, número de entregas e números de movimento na expedição. (...) Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.473 10 Por outro lado, em relação à Oniz existem outras peculiaridades, como o elevado número de entregas com valores baixos, que fazem com que os custos de transporte e entrega (média de 22.976) se elevem consideravelmente. Também, a exigência, por parte da Oniz, de que todos os municípios sejam atendidos remete a custos elevados para a efetivação do trabalho. Como o valor de faturamento do produto é muito baixo, inviabilizaria o contrato de entrega caso o percentual cobrado pelos serviços da CD Sul não fossem rateados em toda a operação. Também, o número de movimentos dos produtos é um agregador de custos. A emissão extemporânea dos CTRC se justifica em razão da demora em ser deferido os pedidos de impressão de documentos fiscais e a impressão pelas gráficas. De qualquer forma, somente o Fisco Estadual tem competência para se pronunciar sobre as irregularidades formais dos documentos fiscais em questão, conforme art. 3o da Lei Estadual n° 8.118, de 1985. Além disso, os CTRC emitidos nas mesmas condições para os outros tomadores de serviço não foram contestados. Em relação aos pagamentos, considerados inexistentes por terem sido efetuados, em sua maioria, via contacaixa, não evidencia qualquer irregularidade fiscal. Os pagamentos muitas vezes transitaram pelas contas bancosmovimento do Banrisul (duas contascorrente, uma da matriz e outra da filial). A escrituração contábil faz prova a seu favor, e deve ser considerada na apuração da renda efetiva a ser tributada. Por questões de praticidade procedimental e economia tributária com CPMF, os pagamentos foram realizados pela Oniz e recebidos pela CD Sul pela via da conta Caixa. (...) Ademais, inexiste no sistema jurídicotributário limites de quaisquer natureza acerca do uso da conta Caixa para recebimentos e pagamentos, desde que os fatos econômicos, financeiros e fiscais depreendam as disponibilidades sacadas e recebidas, tal como ocorre no presente caso. Muito menos, que os pagamentos e recebimentos sejam feitos pela via de entrega de moeda manual. Essa prática não se amolda a nenhuma espécie de indício de prática de anomalia fiscal. (...) As suposições de que os pagamentos não ocorreram são graves e demandam prova robusta por conta de quem o faz, no caso, o Auditor Fiscal responsável pelos autos de infração, que no caso não provou. Os principais motivos para a adoção dessa sistemática de pagamentos foram (i) de ordem prática, uma vez que as empresas pertencem aos mesmos sócios, onde a Oniz realiza os pagamentos para a CD Sul a crédito da conta Caixa, mormente porque ostenta disponibilidades dessa estirpe, tem liberdade para fazêlo e não há nenhum impeditivo legal que a impeça, e (ii) de ordem financeira, vez que ao assim agir, considerados os representativos valores, evitou sobremaneira a tributação pela CPMF. No que se refere aos comprovantes de pagamento, de fato, nas notas fiscais e CTRCs emitidos pela prestadora (CD Sul), efetivamente, corporificam, do ponto de vista legal, a prova das obrigações, e, ipso facto, uma vez pagas, sua extinção. Afinal, não é de se supor que, sendo os mesmos proprietários de ambas, se empregasse formalismos exagerados para a quitação dos compromissos, como se uma fosse exigir da outra a o pagamento da mesma obrigação, já outrora quitada, ao argumento de não existir outro comprovante que não o documento fiscal emitido, os lançamentos contábeis a crédito da conta Caixa na pagadora e os lançamentos contábeis a débito da mesma conta na recebedora. Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.474 11 Quanto ao pagamento de contas, que o autuante alega, em razão da proximidade de valores repassados, que seria para satisfazer compromissos seus, o raciocínio é inconsistente, pois foram desconsiderados diversos valores, o que representou a semelhança entre as despesa/custos suportados pela CD Sul e as receitas derivadas da prestação de serviços à Oniz. Também desconsidera que seria impossível à Oniz saber ao certo o quantum deveria verter à CD Sul, ao longo de todo o anocalendário, para efeito de interferir no resultado de modo a tornar distribuíveis aos sócios o lucro líquido de R$ 4.580.000,00. Além disso, o resultado obtido pela CD Sul foi de R$ 4.800.000,00, dos quais poderia dispor integralmente aos sócios quotistas, optando por não fazêlo. A comparação revelase superficial também porque o autuante não considera que os custos e despesas serviram de suporte para a obtenção das receitas operacionais brutas, também, das contratantes Ajinomoto e Bunge. (...) Multa de ofício. Inexiste suporte factual para a exasperação da multa, pois todas as suas operações foram devidamente contabilizadas, sempre atendeu as intimações, entregando, sempre que possível, todos os elementos solicitados. Todos os recursos advindos da sua atividade social estão contabilizados, pelo que inadmissível se tornaria, só por isso, o agravamento a título de evidente intuito de fraude.Tudo foi feito às claras, sem adulterações, sem utilização de documentos falsos, emprego de ardis ou outros comportamentos capazes de traduzir o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou reduzir o montante do imposto devido. No campo das sanções tributárias, em especial daquelas que dependem da figura criminalizante, vigora o equivalente ao princípio in dúbio pro reo que disciplina as relações na esfera do Direito Penal. Por isso, o Código Tributário Nacional, no seu art. 112, prescreve a interpretação benigna, ou seja, mais favorável ao acusado sempre que houver dúvidas sobre a conduta fraudulenta. Por último, requer o acolhimento da impugnação para sejam declarados nulos os lançamentos ou a improcedência dos mesmos.” Inicialmente, foi emitido o Acórdão nº 1032.539 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 1048 a 1056, mantendo integralmente os lançamentos fiscais. Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. , repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Na seqüência, esta Turma Julgadora do CARF emitiu o Acórdão nº 1202 000.872, sessão de 02 de outubro de 2012, decidindo, por maioria, vencido este Relator, por anular o Acórdão nº 1032.539 da DRJ/Porto Alegre e que fosse emitido outro, por ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e verdade material, fls. 1769 e seguintes. Em seguida, a DRJ/Porto Alegre emitiu um novo Acórdão, de nº 1044.300, julgando improcedente aimpugnação, com o seguinte ementário, fls. 1801 a 1822: IRPJ/CSLL/PIS/COFINS NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.475 12 Nacional e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto. CSLL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO TRIBUTO FISCALIZADO. NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A falta de indicação do tributo ou contribuição em Mandado de Procedimento Fiscal não dá causa à nulidade do lançamento. PIS/COFINS DECADÊNCIA Nos casos de dolo, fraude ou simulação o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário tem seu termo de início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não alcançando os fatos geradores tratados nos autos. IRPJ/CSLL/PIS/COFINS SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. No caso dos autos, as operações do sujeito passivo com pessoa jurídica constituída de modo meramente formal, que lhe geraram custos, despesas e créditos artificiais, devem ser desconsideradas, recompondose as bases de cálculo reduzidas em decorrência de tal prática. MULTA DE OFÍCIO AGRAVAMENTO É cabível o agravamento da multa de ofício nos casos em que ficar provado a existência de fato simulado pela pessoa jurídica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos do acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, o próprio impugnante demonstra à saciedade que não ocorreu, pois sua impugnação apresentase ampla, rica em argumentação e abrangente em todos os aspectos da acusação formalizada no Termo de Verificação Fiscal. Sob os aspectos formais, exigidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional e pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os autos de infração contêm todos os requisitos estipulados em lei. Também não se constata a nulidade do auto de infração da CSLL por falta de autorização no MPFF, pois esse documento é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial, utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativos aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento do crédito tributário administrado pela Receita Federal do Brasil, foi atribuída pelo art. 6o, I, a, da Lei n° 10.593, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007, cuja atividade é vinculada e obrigatória, nos termos dos arts. 3º e 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.476 13 Na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a regra e pela não homologação do pagamento e, consequentemente, o Fisco fica atrelado à regra decadencial prevista no art. 173, I do Código Tributário Nacional, ou seja, o Fisco tem cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para constituir o crédito tributário. Assim, considerandose que o lançamento pode ser efetuado somente depois de vencido o prazo para o pagamento espontâneo, tomandose para o cálculo do transcurso do prazo o PIS e a Cofins, que tem o fato gerador mais antigo, outubro de 2005, e cujo vencimento ocorreu em 20/11/2005, o lançamento poderia ser efetuado a partir de 21/11/2005. Logo, o termo de início de contagem do prazo decadencial foi em 01/01/2006 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) e o termo final de contagem do prazo em 31/12/2010. Os lançamentos foram cientificados em 29/10/2010, portanto, quando não havia transcorrido o alegado prazo decadencial. Esse raciocínio também se aplica para os demais tributos e fatos geradores. É reconhecido que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive a redução dos tributos, sem que isso implique em qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente o de reduzir o pagamento de tributos. O planejamento tributário não é visto como uma ilicitude. O que é repelido é a forma artificiosa desse planejamento, quando visivelmente de cunho tributário, sem efeito econômico ou negocial, como é o caso dos autos em que a nova empresa, constituída pelos mesmos sócios da autuada, passa a realizar, nas mesmas instalações físicas desta, as atividades até então realizadas pela antiga pessoa jurídica, transformandoa em sua maior cliente, com 96,2 % do faturamento total. Teria ficado evidenciado que não existia nenhum fluxo financeiro entre as duas sociedades. Todas as operações de pagamentos são efetuadas mediante lançamentos contábeis na conta Caixa, justificados pelo impugnante como de ordem prática, já que as sociedades pertencem aos mesmos sócios, e de ordem financeira, uma vez que ao assim agir, considerados os representativos valores, evitou sobremaneira a tributação pela CPMF no ano de 2005. Ao analisar os fatos concluiuse que ocorre uma estreita ligação econômica, financeira, administrativa e patrimonial entre as duas pessoas jurídicas. A única separação, a formal, é utilizada para fins de redução da carga tributária. Não se contesta a criação da CD Sul Logística Ltda., mas a forma de sua operacionalização, que se confunde em todos os aspectos com a da Oniz Distribuidora Ltda., quer social, financeira, administrativa, funcional, localização física dos estabelecimentos e atividades, e cuja principal fonte de receitas é justamente a prestação de serviços para a Oniz Distribuidora. A única diferença facilmente identificável entre as duas pessoas jurídicas é a forma de apuração do lucro. A constituição formal da CD Logística Ltda., embora aceitável sob os aspectos legais, na prática, se apresenta de forma artificiosa e simulada, configurandose numa extensão operacional da Oniz Distribuidora, geradora de custos e créditos que reduzem o seu resultado tributável e a base de cálculo das contribuições sociais. As evidências nesse sentido são fartas, conforme demonstrado à saciedade pelo autuante, pois (i) o seu patrimônio foi Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.477 14 vertido da Oniz Distribuidora, (ii) o quadro de funcionários originário da Oniz Distribuidora, (iii) as atividades desmembradas da Oniz Distribuidora, (iv) principal cliente, representando 96,2% de sua receita, é a Oniz Distribuidora, (v) possui o mesmo endereço de funcionamento da Oniz Distribuidora, (vi) possui o mesmo quadro societário, apenas dois sócios, (vii) mesmo quadro de administradores da Oniz Distribuidora, (viii) os pagamentos são efetuados apenas formalmente, mediante o registro contábeis das operações na conta Caixa, dentre outras. As provas apresentadas pelo impugnante não têm a força de afastar a certeza de que a situação exposta pelo agente fiscal é o que na realidade busca o contribuinte. A Oniz, tributada com base no Lucro Real, assume custos e despesas o que, por consequência, resulta numa baixa lucratividade e baixo lucro tributável, enquanto a CD Sul, tributada com base no Lucro Presumido, apresentase com uma alta lucratividade, consequência, basicamente, da prestação de serviços realizadas para a própria Oniz. A seguir, comenta as provas trazidas pelo impugnante em 17 anexos, concluindo que as mesmas não conseguem refutar as conclusões da fiscalização. Correta a aplicação da multa de ofício duplicada, pois os fatos relatados pelo autuante deixaram claro o evidente intuito doloso do sujeito passivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, mediante a criação de nova pessoa jurídica, meramente formal. Irresignado, o contribuinte apresentou novo recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 1828 a 1915, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Junta com seu recurso, documentos que comprovariam a regularidade das operações da CD Sul Logística, dentre eles: Anexo 2: Relatórios de entregas de encomendas e cópias de Notas Fiscais e CRTCs comprovando a efetiva prestação de serviços, fls. 1931 e seguintes; Anexo 3: Comprovação de despesas/custos com salários, manutenção de veículos/imóveis, combustíveis, material de consumo, etc., fls. 2081 e seguintes; É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei, portanto, dele tomo conhecimento. A questão principal a ser examinada no presente processo diz respeito à ocorrência da criação de empresa com aparente legalidade, mas que apresenta aspectos de simulação. De acordo com o que consta dos autos, os (mesmos) sócios da pessoa jurídica autuada, que tem como atividade principal a distribuição de produtos alimentícios, cosméticos, Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.478 15 de limpeza, medicamentos, atuando também como operadora logística no transporte rodoviário de cargas, criaram uma segunda empresa, a CD Sul Logística Ltda., com o objetivo de assumir o desempenho das atividades de operadora logística no transporte rodoviário de cargas, antes desempenhada pela autuada. Essa segunda empresa, tributada pelo lucro presumido, presta serviços quase que exclusivamente para a interessada, gerando despesas e reduzindo o lucro real tributável da autuada. Ao longo do procedimento fiscal, a autoridade lançadora teria identificado que a CD Sul Logística Ltda. confundiase patrimonialmente com a Oniz Distribuidora Ltda (autuada), o que levou a fiscalização a concluir que a criação da primeira empresa era na verdade uma simulação, tendo sido constituída para reduzir os tributos nas operações da recorrente. Por oportuno, registrese, inicialmente, que não há no processo evidência de que tenha havido, mesmo no curso da fiscalização, eventual ato praticado com abuso de poder ou qualquer procedimento adotado que fosse ilegal ou que pudesse causar eventual constrangimento à interessada ou a terceiro. Verificase que o agente fiscal agiu nos estritos limites impostos pela legislação, tendo feito várias intimações à interessada durante a fiscalização, oferecendolhe, assim, oportunidades diversas para apresentar os esclarecimentos e os documentos requisitados. Passo à análise dos pontos questionados pela recorrente. Nulidade dos Autos de Infração Inicialmente cumpre afastar a preliminar de nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa. Alega a recorrente que a descrição dos fatos ocorridos pela fiscalização não teria sido clara, o que veio a limitarlhe o direito de defesa previsto constitucionalmente. Com isso, teriam sido violados os arts. 10, inc. III e IV, e 59, inc. II, do Decreto n° 70.235, de 1972. Creio não assistir razão à defesa. Compulsando os autos, verifico que o auto de infração contém todos os elementos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações. Além disso, a autuada teve a oportunidade de se defender do lançamento efetuado pela fiscalização, ao apresentar as suas razões de defesa na impugnação e no recurso ora examinado, demonstrando estar plenamente ciente dos motivos da autuação. Esclareçase à recorrente que as nulidades dos atos administrativos somente ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, fatos que definitivamente não ocorreram no presente caso: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.479 16 Em relação à nulidade do lançamento da CSLL, por falta de autorização no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização – MPFF, cumpre dizer que a mesma não é razão suficiente para anular a exigência dessa contribuição. O MPFF é mero instrumento de controle administrativo do desempenho das atividades fiscais. Já a atividade de constituição do crédito tributário é privativa da autoridade administrativa, revelandose vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos exatos termos do art. 142 e seu parágrafo único do CTN, descabendose falar em nulidade por falta de preenchimento no MPFF. Além disso, o lançamento da CSLL é reflexo do lançamento do IRPJ, com os mesmos fatos apurados, bem como relativo ao mesmo período de apuração, nada podendo ser reclamado nesse sentido. Assim, uma vez que os autos de infração foram lavrados por autoridade competente e contêm todos os elementos previstos nos arts. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e 142 do CTN, e não provada violação das disposições contidas no art. 59 do mesmo Decreto 70.235, de 1972, é de se rejeitar a preliminar de nulidade levantada. Acórdão recorrido – pretensas omissões Em sua segunda peça recursal a defesa, em extenso arrazoado (85 pgs.), alega que o acórdão recorrido, mais uma vez, teria sido omisso, ao não apreciar as provas trazidas com a impugnação, com violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Requer que este colegiado proceda ao exame das provas trazidas com a impugnação, e com o recurso e/ou, se assim não entender, que o julgamento do recurso seja convertido em diligência, a fim de atestar a licitude das operações. No que concerne à omissão na apreciação das provas, cumpre esclarecer ao recorrente que o julgador não tem a obrigação de apreciar, uma a uma, as provas trazidas. O conjunto dos fatos e provas é que levam à convicção do julgador para decidir. O que efetivamente interessa são os fundamentos e razões utilizados na sua decisão. Se o julgador entender que as provas trazidas aos autos eram suficientes para lhe convencer da decisão a ser tomada, sem a necessidade de diligência, não há nenhuma ilegalidade nessa atitude. O art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações é bastante claro nesse sentido: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Na lição de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopes, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 307, o julgador é soberano na análise das provas, adotando as diligências que entender necessárias: “No momento de prolação da sentença, o julgador poderá, segundo seu convencimento pessoal, formar a sua livre convicção sobre os elementos trazidos aos autos, podendo, se assim o quiser, adotar as diligências que entender necessárias à apuração da verdade material no que concerne tãosomente aos fatos que constituem o processo. Em assim sendo, temse que o julgador é soberano na análise das provas produzidas nos autos, devendo decidir conforme o seu convencimento.” Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.480 17 No presente caso, verifico que o acórdão recorrido apresentou os fundamentos em sua decisão com base, principalmente, na caracterização da ocorrência da simulação. O farto conjunto probatório trazido aos autos levou o julgador a concluir nesse sentido. A decisão de primeira instância expôs com clareza as suas razões de decidir, baseada nos fatos e documentos carreados nos autos. E este voto seguirá o mesmo procedimento, examinando as provas e razões de defesa apresentados e utilizando como razões de decidir os principais pontos que entender necessários para lhe formar a livre convicção na solução do litígio. Esse é o entendimento do STJ proferido no REsp nº 874.793, com o seguinte ementário (transcrito em parte): 1.[...] 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...] (grifos meus) Já a autuada teve a oportunidade de se defender do lançamento fiscal e do que foi decidido no acórdão recorrido, ao apresentar ampla argumentação nas suas razões de defesa, demonstrando estar plenamente ciente dos motivos da autuação, sem que se vislumbre qualquer ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Por fim, o pedido de diligência formulado no recurso não deve ser conhecido, a teor do § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, porque não atendeu os requisitos lá previstos, pois deixou de expor claramente os motivos que a justificasse e deixou de formular quesitos, além do que verificase que a diligência se mostra desnecessária para a solução do litígio. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do pedido de diligência. Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.481 18 Confusão patrimonial e simulação nas operações com a CD Sul Logística A autoridade fiscal aponta que o conjunto de evidências apresentado permite afirmar que a empresa CD Sul Logística Ltda, embora tenha personalidade jurídica, não existe de fato e foi criada com o objetivo de gerar despesas para a autuada, diminuindo seu lucro, além de possibilitar uma maior distribuição dos lucros aos sócios comuns. Sustenta, ainda, que teria ocorrido “simulação” nos negócios jurídicos, assim descrito pela fiscalização, fls. 57 : “É, portanto, uma manifestação enganosa da vontade, objetivando atingir resultado diverso daquele externamente indicado, produzindo uma aparência de direito para enganar terceiros ou fraudar a lei.” O acórdão da DRJ/Porto Alegre manteve o mesmo entendimento, conforme excertos do votocondutor, abaixo transcritos: “É reconhecido que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive a redução dos tributos, sem que isso implique em qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite hoje é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente o de reduzir o pagamento de tributos. [...] Ressaltase, o planejamento tributário não é visto como uma ilicitude. O que é repelido é a forma artificiosa desse planejamento, quando visivelmente de cunho tributário, sem efeito econômico ou negocial, como é o caso dos autos em que a nova empresa, constituída pelos mesmos sócios da autuada, passa a realizar, nas mesmas instalações físicas desta, as atividades até então realizadas pela antiga pessoa jurídica, transformandoa em sua maior cliente, com 96,2 % do faturamento total. [...] A constituição formal da CD Logística Ltda., embora aceitável sob os aspectos legais, na prática, se apresenta de forma artificiosa e simulada, configurandose numa extensão operacional da Oniz Distribuidora, geradora de custos e créditos que reduzem os seus resultado tributável e a base de cálculo das contribuições sociais. As evidências nesse sentido são fartas, conforme demonstrado à saciedade pelo autuante, pois (i) o seu patrimônio foi vertido da Oniz Distribuidora, (ii) o quadro de funcionários originário da Oniz Distribuidora, (iii) as atividades desmembradas da Oniz Distribuidora, (iv) principal cliente, representando 96,2% de sua receita, é a Oniz Distribuidora, (v) possui o mesmo endereço de funcionamento da Oniz Distribuidora, (vi) possui o mesmo quadro societário, apenas dois sócios, (vii) mesmo quadro de administradores da Oniz Distribuidora, (viii) os pagamentos são efetuados apenas formalmente, mediante o registro contábeis das operações na conta Caixa, dentre outras. As provas apresentadas pelo impugnante não têm a força de afastar a certeza de que a situação exposta pelo autuante é o que busca o contribuinte. A Oniz Distribuidora, tributada com base no Lucro Real, assume custos e despesas o que, por consequência, resulta numa baixa lucratividade e lucro tributável, enquanto a Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.482 19 CD Sul Logística, tributada com base no Lucro Presumido, se apresenta com uma alta lucratividade, consequência, basicamente, da prestação de serviços realizadas para a própria Oniz Distribuidora..” Já a recorrente se defende argumentando, em síntese, que a criação da CD Sul Logística Ltda. ocorreu dentro da legalidade. Essa empresa tem sua marca registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI, desde 22/02/2005, não fazendo sentido supor que os proprietários/administradores se dessem ao trabalho de criar outra pessoa jurídica só para "existir no papel". A fiscalização teria deixado de apresentar provas contundentes e conclusivas de que o contribuinte agiu de forma contrária ao ordenamento jurídico refutando, uma a uma, as conclusões da fiscalização. Em relação ao fluxo financeiro entre as duas empresas, alega que a escrituração contábil faz prova a seu favor. Por questões de praticidade procedimental e economia tributária com CPMF, os pagamentos das despesas foram realizados pela Oniz, e recebidos pela CD Sul, por meio da conta Caixa. As suposições de que os pagamentos não ocorreram seriam graves e demandam prova robusta por conta da fiscalização, que no caso não teria ocorrido. Resta definir se o que ocorreu foi um recurso a meio legítimo para pagar menos tributo (planejamento tributário), ou uma simulação, meio fraudulento utilizado para prejudicar terceiros (Fazenda Nacional). No caso, se caracterizada a simulação, ao Fisco somente interessaria provar que ocorreu o negócio encoberto e não demandar a nulidade do negócio simulado. Em que pese os argumentos trazidas pela interessada, creio não assistir razão em sua defesa. Inicialmente, cumpre deixar claro o entendimento deste relator. O direito de organização das atividades empresariais é protegido constitucionalmente, sendo lícito ao empresário buscar a maior economia possível dos tributos devidos. Entretanto, esse direito não é absoluto, devendo se conformar com as demais regras do ordenamento jurídico, repudiando se qualquer forma de reorganização societária feita de forma artificial, eivada de vícios. Analisando os elementos dos autos, verificase que existem provas suficientes para o convencimento de que teria ocorrido “simulação” na criação da empresa CD Sul Logística Ltda., além de ficar evidenciada a utilização de documentos fiscais inidôneos e a ocorrência de “confusão patrimonial” entre as empresas (CD Sul e a autuada). Sobre esse último aspecto, convém deixar claro que a possibilidade de constituição da pessoa jurídica advém do fato desse ente possuir personalidade jurídica própria, capaz de adquirir direitos, assumir obrigações, proceder judicialmente e ter patrimônio próprio, tais quais são atribuídos às pessoas físicas, situação positivada no art. 1.022 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 e alterações (Código Civil Brasileiro). Art. 1.022. A sociedade adquire direitos, assume obrigações e procede judicialmente, por meio de administradores com poderes especiais, ou, não os havendo, por intermédio de qualquer administrador. Por seu turno, o princípio contábil da “Entidade” encontrase previsto na Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou os Princípios Fundamentais da Contabilidade. Referido princípio está definido no artigo 4º, a seguir transcrito: Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.483 20 “Art. 4º: O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único: O Patrimônio pertence à Entidade, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou segregação contábil de patrimônio autônomo não resulta em nova Entidade, mas numa unidade de natureza econômicocontábil.” Nos termos dos dispositivos acima transcritos, resta claro que o patrimônio da pessoa jurídica deve ser tratado de forma autônoma, em relação às demais pessoas, físicas ou jurídicas. Por seu turno, a definição de “simulação” encontrase amplamente estudada no campo do Direito Privado e sua hipótese de ocorrência está claramente estabelecida na lei civil. A Lei nº 10.406, e alterações, em seu art. 167, estipula que haverá “simulação” nos negócios jurídicos quando os mesmos aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem, reputandose nulo o negócio jurídico simulado: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (destaquei) Tratando também dos efeitos da simulação, o art. 50 do mesmo diploma legal prevê que, em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizada pela confusão patrimonial, poderá a pessoa jurídica ser dissolvida, in verbis; Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.484 21 Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. (destaquei) A doutrina italiana sobre a matéria, representada por Francisco Ferrara (in “A simulação dos negócios jurídicos”, Red Livros, 1999, p.65), apresenta o conceito de “simulação”, nas seguintes palavras: “(...) a simulação importa a contradição deliberada e consciente entre o querido e o declarado, realisada com o fim de produzir uma aparência que engane as terceiras pessoas. (1) E, portanto, podemos definir a instituição de que nos ocupamos desta maneira: Simulação é a declaração dum conteúdo de vontade não real, emitida conscientemente e por acordo entre as partes, para produzir, com o fim de enganar, a aparência dum negócio jurídico que não existe ou é diferente daquele que se realisou.” O professor Marco Aurélio Greco, in Planejamento Fiscal e Interpretação da Lei Tributária, Dialética, São Paulo, 1998, p. 53, também se manifesta a respeito do”conceito” de simulação: “A simulação é defeito dos atos e negócios jurídicos, encontrando disciplina legal no Código Civil, art. 102 e segs.. Não é o momento de proceder a uma teorização sobre a figura, amplamente estudada no campo do Direito Privado. Para os fins da presente análise, importante é observar que, nela, há um negócio aparente, celebrado entre as partes, ao mesmo tempo em que há um segundo negócio jurídico, este real que é querido pelas partes mas que não resulta visível. Além disso, a duplicidade de negócios existe pois as partes têm a intenção de esconder (dissimular) o negócio real (fiscalmente mais oneroso).” (destaquei) Já acerca da forma de apuração da “simulação”, valhome da passagem do voto condutor do Acórdão nº 10196.724, sessão de 28 de maio de 2008, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, onde a ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni faz menção ao trabalho apresentado pelo tributarista Ricardo Mariz de Oliveira, in “Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda”, ensaio publicado no Livro do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, com valioso comentário a esse respeito: "A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida, está regida pelo art. 102 do Código Civil (novo Código Civil, parágrafo 1o do art. 167), e se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do períodobase de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, com a transferência incabível e inexplicável de lucro de uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos". (destaquei) Da leitura dos dispositivos legais e da doutrina acima mencionados, entende se que a característica principal de “simulação” é o falseamento de uma realidade, com a aparência dum negócio jurídico que não existe de fato ou é diferente daquele que se realizou, Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.485 22 com o fim de enganar terceiros, provandose pelos indícios e circunstâncias do ato tido como simulado. Há, portanto, que aferir se os fatos praticados no presente processo são reais ou foram simulados. E essa análise não há que ser feita olhandose o negócio jurídico de forma isolada, mas sim considerando o conjunto de negócios em si, como um todo. Essa a lição de Marco Aurélio Greco, in Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004, p. 345/346: “Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto. (...) Vale dizer, ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa), é importante interpretar a estória (conjunto). (...) Na medida em que o conjunto de operações corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim, a verificação das alterações relevantes deve ser feita não apenas considerando os momentos anterior e posterior a cada etapa mas, principalmente, os momentos anterior e posterior do conjunto de etapas. Ou seja, é preciso indagar qual a situação existente antes da deflagração da seqüência de etapas, de quem era determinado patrimônio, qual a composição societária, quem era o titular de certos poderes sobre determinado empreendimento etc, e qual a situação final resultante da última das etapas.” (GRECO, Marco Aurélio, Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004, p. 345/346). No caso em exame, é de se render às evidências e provas trazidas pelo trabalho da fiscalização. Verificase que as atividades desenvolvidas no início das operações da empresa CD Sul Logística, no ano de 2005, ocorreram de forma irregular, onde as suas operações, e os seus registros, “confundiamse” com as atividades da empresa autuada. Chegase a essa conclusão de acordo com os fatos ocorridos ao longo do ano de 2005, que se encontram a seguir descritos, dentre outros, considerados os mais importantes, que se mostram incontroversos nos presentes autos e suficientes para a formação da convicção do julgador: 1 Ficou caracterizada a existência de confusão patrimonial entre as duas empresas, seja pela utilização do mesmo espaço físico por ambas as empresas, seja pela falta de rateio das despesas administrativas comuns, tais como despesas com água, luz, telefone, funcionários. A autuada, ao permitir, deliberadamente, que outra pessoa jurídica utilizasse gratuitamente os seus imóveis para prestar os serviços de logística, antes executados por ela mesma, incorreu na apropriação de custos que não eram seus, mas que deveriam ser da CD Sul Logística evidenciando, por conseqüência, a existência de “confusão patrimonial”. Além disso, a fiscalizada passou a pagar pela prestação de serviços executados teoricamente pela CD SUL, mas que em última análise, eram desempenhados por ela mesmo, como se verá na sequência. 2 A forma sistemática de pagamento pela autuada dos serviços prestados pela CD Sul Logística, foi feita utilizandose da conta “Caixa” (e não conta Bancos), que não é o Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.486 23 meio usualmente adotado, face aos valores vultuosos envolvidos nesses pagamentos. A respeito da constatação de que os pagamentos à CD Sul Logística, via conta Caixa, teriam sido simulados, vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 49 e ss.: “A fiscalizada alega que foram pagos "em moeda corrente nacional ou cheques de terceiros". Os livros contábeis registram pagamentos em moeda corrente. Por sua vez, dos documentos, que segundo a fiscalizada "serviram de comprovantes" de quitação, por vezes expressam que os valores foram pagos através de "depósito em conta". Citemos como exemplo a Nota Fiscal de Serviços nr. 01 (fl. 369), emitida em 20/04/2005. O documento registra que o pagamento darseá por "depósito em conta" enquanto o registro contábil reproduz pagamento a crédito de Caixa (fls. 149 a 155). Ora, não possui registros e comprovantes porque efetivamente não foram efetuados os pseudo pagamentos nem foram prestados os fictos serviços. Ocorreu somente uma simulação de pagamentos como ocorreu uma simulação de prestação de serviços uma vez que a CD Sul Logística Ltda é, também, uma ficção. [...] Somente para citar alguns exemplos, enquanto a fiscalizada afirma ter efetuado no dia 28/04/2005 o pagamento à CD Sul, em moeda corrente, de R$ 469.082,85 ("para não haver tributação pela CPMF") emite cheque de R$ 300,00 (fls. 149 a 155). Ou então, enquanto em 22/11/2005 contabiliza o pagamento à CD Sul, em moeda corrente, de R$ 3.192.746,70 referentes aos CTRC 04, 05, 06 e 07 ("para não haver tributação pela CPMF"), emite cheque de R$ 65,33 (fls. 667 a 671). [...] Se nos detivermos, como exemplo, dentre todos os pseudo pagamentos declarados (fl. 184) ao pagamento supra mencionado de R$ 3.192.746,70 verificaremos que o volume físico de moeda não é pequeno. (...) Ademais, R$ 3.192.746,70 representam 319.270 notas de R$ 10,00 (mais de 3.190 pacotes de notas) mais R$ 46,70. Ou então, 63.854 notas de R$ 50,00 (mais de 638 pacotes de notas) mais R$ 46,70. [...] No entanto, embora afirme que efetuou tais pagamentos, efetivamente não os comprova.” 3 Funcionários da autuada tiveram suas verbas trabalhistas pagas pela CD Sul Logística, conforme dados obtidos nos livros contábeis dessa última empresa e constantes no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS. O argumento trazido na peça recursal, de que os funcionários relacionados “já haviam sido admitidos/transferidos para a empresa em 01.04.2005, e, portanto, eram funcionários seus...”, não se sustenta: por primeiro, inexiste justificativa lógica para a CD Sul Logística pagar férias e rescisão, em abril e maio de 2005, de funcionários recém contratados e, por segundo, porque as informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS não atestam a alegação trazida pela defesa. Evidenciase, por conseqüência, a existência de “confusão patrimonial” entre as duas empresas. Vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 38 e ss.: Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.487 24 “Em 12/04/2005 há o registro de pagamento de férias de Edilberto Vieira de Melo (NIT 17020736260). O beneficiário não consta rol de funcionários apresentado pelo contribuinte. No entanto, figura como recebedor de direitos de férias. Na verdade, conforme consulta realizada ao CNIS (fl.568), constatouse que se trata de funcionário da Oniz Distribuidora Ltda, admitido em 01/09/2000 com rescisão em 11/05/2005. Na data da rescisão a CD Sul contabiliza o pagamento das verbas rescisórias do funcionário da Oniz (fls. 350 e 354); Em 02/05/2005, a CD Sul contabiliza o pagamento de verbas rescisórias de Valderes Ribeiro dos Santos (NIT 12512508236) e Luis Felipe Antunes Ramires (NIT 12251651383). Ambos não constam no rol de funcionários apresentado pela empresa. No entanto, conforme informações do CNIS (fls. 569 e 570), eram funcionários da Oniz admitidos em 17/02/04 e 06/07/2004, respectivamente, e com rescisão em 02/05/2005 (fl. 353); Em 12/05/2005 a CD Sul contabiliza o pagamento de verbas rescisórias de Jéferson da Silva (NIT 12607716707) e Teodoro Wolffenbuttel dos Santos (NIT 12521853382). Ambos não constam no rol de funcionários apresentado pela empresa. No entanto, conforme informações do CNIS (fls. 572 e 573), eram funcionários da Oniz admitidos em 15/06/2000 e 11/11/2004, respectivamente, e com rescisão em 12/05/2005 (fl. 354); Em 23/05/2005 a CD Sul contabiliza o pagamento de verbas rescisórias de Fábio Ferreira da Silva (NIT 12491628874), o qual não consta no rol de funcionários apresentado pela empresa. No entanto, conforme informações do CNIS (fl. 574), era funcionário da Oniz admitido em 27/04/2004 e com rescisão em 23/05/2005 (fls. 355 e 357).” 4 Os veículos de transporte (20 caminhões) utilizados nas operações da CD Sul Logística, em 2005, eram todos oriundos da fiscalizada. No entanto, os registros contábeis de ambas as empresas revelam discrepâncias quanto à negociação e a forma de pagamento dessas aquisições, pressupondose fictícias. Não há comprovação nos autos da efetividade do pagamento/aquisição, pela CD Sul Logística, dos caminhões utilizados no transporte das mercadorias, antes de propriedade da autuada. Evidenciase, mais uma vez, a existência de “confusão patrimonial” entre as duas empresas. Vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 33 e ss.: “Em 25 e 26/01/2005 a empresa Oniz Distribuidora Ltda escriturou a venda a prazo dos veículos acima para a CD Sul Logística conforme demonstra lançamentos efetuados no Livro Diário (fls. 145 a 147 e 156), com a correspondente demonstração no Livro Razão Clientes CD Sul Logística (fl. 673). Intimada a esclarecer a origem das transações escrituradas na conta acima mencionada, a empresa Oniz Distribuidora Ltda confirma que os valores representam a transação de venda dos veículos à CD Sul Logística Ltda (fl. 310). Notese que o registro é de uma transação a prazo. O registro da transação é corroborado pela informação contida no Relatório Sintético de Clientes levantado pela Oniz em 31/12/2005 (fl.672). No entanto, na contabilidade da CD Sul Logística Ltda o registro foi de uma transação à vista, conforme Livro Diário (fl. 347), não havendo qualquer registro de dívidas a pagar dessa natureza.” 5 As Notas FiscaisNFs e os Conhecimento de Transporte Rodoviário de CargasCTRC foram considerados inidôneos pela fiscalização, seja por terem sido emitidos Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.488 25 com data fictícia (NFs), seja por serem emitidos em desacordo com a legislação do ICMS (CTRCs). A título exemplificativo, verificase dos autos que a NF 001 da CD Sul Logística, no valor de de R$ 469.082,85, emitida em 20/04/2005, fl. 369, tem o registro no Livro Diário da autuada em 28/04/2005, fl. 149. Todavia, a Autorização para Impressão de Documentos Fiscais somente foi liberada em 02/09/2005, fl. 1016, e a impressão da NF realizada/entregue em 04/10/2005, fl 1017, ou seja, quase 6 meses após a data que consta na respectiva Nota Fiscal. Vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 48 e ss.: “Os serviços teriam sido prestados muito anteriormente e os documentos emitidos extemporaneamente, certamente nas datas que em que a empresa Oniz Distribuidora Ltda necessitava de despesas para anular seu resultado fiscal e evitar a tributação devida. Observemse, por exemplo, a nota fiscal nr. 01 (fl. 369), emitida em 28/04. Na descrição dos serviços prestados temse "serviços prestados no mês de março de 2005". Muito bem. Em março de 2005 somente haviam sido contratados motoristas, não havendo quaisquer funcionários para prestar outros serviços. Ou seja, a Oniz não havia sequer transferido os funcionários para a CD Sul, conforme já anteriormente demonstrado. São documentos fiscais inidôneos. nos termos da legislação citada, fazendo prova apenas a favor do fisco. Não houve prestação dos serviços. Ocorreu tãosomente uma simulação de prestação de serviços através da emissão de documentos fiscais. Transporte e serviços logísticos fictícios.” 6 O capital a integralizar na empresa CD Sul Logística, no valor de R$ 1.920.000,00, consta na declaração Pessoa Física do sócio como pago (em 2005), diferentemente dos registros contábeis dessa empresa. Vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 29 e ss.: “O sócioproprietário José Luis Turmina (CPF 374.457.07034) informa em sua declaração de ajuste anual do exercício 2005 (ac 2004) a existência de dívida perante a CD Sul Logística Ltda no valor de R$ 1.920.000,00, descrita como "capital a integralizar de 96% da participação na CD Sul Logística Ltda". Tais informações são corroboradas pelos registros contábeis da empresa e contrato social de constituição (fls. Contrato social 334 a 336 e livros contábeis fls.347 e 595). [...] Porém, Curiosamente, na declaração do imposto de renda pessoa física apresentada pelo sócio no exercício 2006 (ac 2005),a dívida é tida como paga, haja vista que sua situação em 31/12/2005 é apresentada como ZERO (fl. 136). Nos anos seguintes, não há menção de tal ônus nas declarações de imposto de renda do contribuinte. No entanto, não há qualquer registro de integralização do valor remanescente de R$ 1.729.000,00 nos livros contábeis da empresa tanto em 2005, como em 2006 (fls 420 e 595).” Verificase que os fatos/provas acima expostos são claros em apontar que o exercício das atividades da CD Sul Logística “ocorreu de forma irregular”, uma vez que encontramse contrários ao direito: i) à legislação civil (arts. 50 e 1022 do CCB); e ii) à escrituração com inobservância da legislação comercial e fiscal (art. 251 do RIR/99), face a “autonomia patrimonial” das pessoas jurídicas. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.489 26 As ocorrências apontadas demonstram a convergência para um mesmo fato. No ano autuado, em 2005, as operações que eram aparentemente executadas pela CD Sul Logística eram na realidade conferidos a pessoa diversa (autuadaOniz Distribuidora), o que caracteriza “simulação”, nos exatos termos do art.167, § 1º, inciso I do Código Civil Brasileiro: “haverá simulação nos negócios jurídicos quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem”. Cumpre a este órgão julgador se opor à existência, inconteste, dos vários vícios apurados durante o exercício das atividades das empresas no ano de 2005 (erros contábeis, documentos fiscais inidôneos, confusão patrimonial, simulação). A alegação da defesa de que tudo foi feito dentro da legalidade não tem sustentação, diante dos fatos e provas trazidos pela fiscalização e que foram relacionados nos itens precedentes deste voto. Como já mencionado, o ordenamento jurídico pátrio reconhece que as empresas possuem personalidade jurídica própria, com direitos e deveres distintos das outras pessoas, não se admitindo que as movimentações financeiras, seus patrimônios, suas receitas e despesas se confundam, sob pena de violação à essência da existência desse ente como pessoa jurídica. A principal conseqüência da personalidade jurídica é a concessão da autonomia patrimonial de modo a permitir a limitação da responsabilidade e a criar um patrimônio exclusivo para a execução de uma determinada atividade empresarial. Por isso, Fábio Konder Comparato in O Poder de Controle da Sociedade Anônima, Forense, 4ª Ed., Rio de Janeiro, 2005, p. 450, considera a “confusão patrimonial” como critério fundamental para a desconsideração da personalidade jurídica, verbis: "E compreendese, facilmente, que assim seja, pois a pessoa jurídica nada mais é, afinal, do que uma técnica de separação patrimonial. Se o controlador, que é o maior interessado na manutenção desse princípio, descumpreo na prática, não se vê bem porque os juízes haveriam de respeitálo, transformandoo, destarte, numa regra puramente unilateral." Em outras palavras. Se o sócio, que é o maior interessado em manter a autonomia patrimonial da pessoa jurídica, descumprea na prática, porque haveria de o Estado em respeitála. A fiscalização trouxe provas suficientes para formar a convicção de serem fortes as evidências que caracterizam a empresa CD Sul Logística Ltda. como uma pessoa jurídica que operou irregularmente no ano de 2005. Em primeiro lugar, porque existe uma clara “confusão patrimonial” entre as duas sociedades empresariais, itens 1, 2, 3 e 4 acima descritos. Em segundo lugar, porque ficou evidenciado que os registros contábeis e os documentos fiscais se encontram “dissociados dos fatos” efetivamente ocorridos, itens 4, 5 e 6 acima descritos. A ocorrência de uma série de “sucessão de erros contábeis”, da “existência de documentação fiscal inidônea” e da “confusão patrimonial” revelam que, ao menos em 2005 (ano autuado), as operações da empresa CD Sul Logística mostrouse desastrosa em termos legais, o que acarretou a criação de despesas fictícias para autuada. Difícil o convencimento da regular operação da empresa CD Sul Logística, uma vez que todas as atividades por ela desempenhadas, com as mesmas instalações e veículos da fiscalizada, eram anteriormente executadas pela própria autuada. Carlos Maximiliano, em seu livro “Hermenêutica e Aplicação do Direito”, 16ª ed., Forense, Rio de Janeiro, 1996, pg. 261, traz um brocardo aplicável ao caso: Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.490 27 “313M – Nemo creditur turpitudinem suam allegans (ninguém alcança acolhida alegando a própria torpeza), Nemo de improbitate sua consequitur actionem (ninguém consegue ação vitoriosa graças a improbidade sua).” (grifos meus) Já a alegação da defesa de que em procedimento fiscal distinto (processo 11030.000140/200216), dos anos de 2006 a 2008, a fiscalização não invalidou as operações entre a CD Sul Logística e a autuada, o que descaracterizaria a existência de simulação, nada tem de inconsistência ou de falta de uniformidade. Como se disse, foi no início das operação da CD Sul, em 2005, que ocorreram os vícios apontados e o exercício das atividades de forma irregular, fato que levou a fiscalização a glosar corretamente as despesas de prestação de serviços com a CD Sul. Aspectos relevantes destacados por Ferrara para caracterizar a “simulação” são a existência de motivo causa simulandi (economia tributária), e a “falta de execução material” do contrato (existência de vícios). Essa última característica, segundo Ferrara, é decisiva para caracterizar um negócio como simulado, tratandose da "mais clara confissão" da “simulação”. Vejase o que diz o autor a esse respeito (Ob. citada, p. 437) “O contrato produziu uma mutação nas relações jurídicas, mas esta mutação permaneceu só no campo do direito: de facto os contratantes continuam a comportarse como antes; continuando a efectuar os mesmos atos de disfrute e de disposição, como se o contrato não existisse. Esta é, na verdade a mais clara confissão da sua inexistência.” Por todos os fatos apontados, evidenciase que as operações de logística de transporte do ano autuado de 2005, repassadas para a CD Sul Logística, somente o foram no papel, pois, de fato, a autuada continuou comportandose como antes à frente das operações, com os mesmos veículos, mesmas instalações, com movimentações financeiras praticamente exclusivas por conta Caixa, inclusive fazendo pagamentos de despesas em nome da CD Sul Logística. A jurisprudência do Superior Tribunal de JustiçaSTJ também repudia a constituição de empresa, pelos mesmos sócios e mesmo objeto social, com o intuito simulatório: TRIBUTÁRIO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. EXPEDIÇÃO. DESCABIMENTO. EMPRESA CRIADA PELOS MESMOS SÓCIOS DA EMPRESA DEVEDORA DO FISCO. SIMULAÇÃO. I Verificada pelo Tribunal a quo a irregularidade na constituição de nova pessoa jurídica, com o mesmo objeto social e os mesmos sócios de sociedade devedora do fisco, restando assente o intuito simulatório da medida, temse como legítimo o óbice da Fazenda para a emissão da certidão negativa de débito. II Na hipótese vertente, conforme demonstrado pelo Tribunal a quo, a simples mudança de sociedade, no mesmo ramo de comércio e com os mesmos sócios da sociedade devedora, implica em verdadeira transformação societária, remanescendo clarividente a tentativa de se eximir das dívidas fiscais. Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.491 28 III Conceder certidão negativa na hipótese presente implica em prestigiar a fraude contra o Fisco, em verdadeira quebra da isonomia em detrimento de milhões de contribuintes que com dificuldade operam suas empresas com regularidade. IV Recurso especial improvido. (REsp 650.852/MG, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2005, DJ 05/09/2005, p. 233) A respeito do dever de tributação dos atos simulados, assim decidiu o extinto Primeiro conselho de Contribuintes, conforme ementário do Acórdão nº 10196523, sessão de 23/01/2008, reproduzido em parte: SIMULAÇÃO GANHO DE CAPITAL Se as provas constantes dos autos demonstram que a Contribuinte realizou negócio jurídico de forma diversa daquela formalmente declarada, havendo desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, resta caracterizada a ocorrência de simulação, devendo a obrigação tributária ser apurada sobre o negócio jurídico de fato realizado. Assim, diante das provas trazidas aos autos, em relação às atividades desenvolvidas no ano de 2005, concluise pela ocorrência de “confusão patrimonial” e de “simulação” na operação da CD Sul Logística Ltda., de modo que correta a glosa das despesas de prestação de serviços com origem nessa empresa. Decadência O acórdão recorrido afastou a preliminar de decadência a todos os tributos lançados entendendo que, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, não se homologa o pagamento antecipado pelo sujeito passivo e, consequentemente, o Fisco fica atrelado à regra decadencial prevista no art. 173, I do Código Tributário Nacional para a constituição do crédito tributário. Por se tratar de lançamento por homologação, entende a recorrente que a contagem deva regularse pela regra do art. 150, § 4º, do CTN. Creio não assistir razão à defesa. Conforme já abordado neste voto, ficou evidenciada a prática de “simulação” na criação da empresa CD Sul Logística Ltda, utilizada para criar despesas fictícias na empresa autuada. Esse fato, como corretamente abordou o acórdão recorrido, afasta a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, posto que o final do dispositivo expressamente excetua a incidência da regra na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por se tratar de situação mais gravosa, o próprio Código Tributário Nacional estabelece um prazo de contagem mais elástico ao fisco, que é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, segundo o qual o início da contagem de prazo para constituir o crédito tributário se dá a partir do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme transcrição que segue: Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.492 29 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, as infrações apuradas decorrem de fatos ocorridos no ano de 2005. Assim, a contagem para o fato gerador mais remoto lançado, relativo ao PIS e à Cofins, concernente ao período de outubro de 2005, o lançamento poderia ter sido efetuado em 01/11/2005 e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, a que se refere a regra do art. 173, I, do CTN, se iniciou em 01/01/2006. Portanto, o transcurso do prazo decadencial de 5 (cinco anos) se encerrou em 31/12/2010. Já os lançamentos fiscais foram cientificados ao sujeito passivo em 29/11/2010, fls. 03 e seguintes, portanto, perfeitamente dentro do prazo previsto pela lei para a constituição do crédito tributário. Dessa forma, considerase que os lançamento foram feitos dentro do prazo legal, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência levantada. Valores exigidos nas autuações Conforme mencionado ao longo do voto, a constituição da empresa CD Sul Logística Ltda. foi considerada uma operação simulada. Na planilha da fl. 64, a autoridade fiscal recompôs o lucro real da autuada, fazendo os ajuste necessários, em especial, a glosa das despesas operacionais relativas aos pagamentos efetuados à CD Sul Logística, correspondente aos CTRC emitidos contra a Oniz Distribuidora Ltda., no valor de R$ 4.946.821,17 e das despesas operacionais administrativas relativas também à CD Sul Logística, correspondente às Notas Fiscais emitidas contra a Oniz Distribuidora Ltda., no valor de R$ 232.902,30, ajustes esses que, a meu ver, não merecem reparos. Com relação à recomposição da base de cálculo da CSLL, os fatos são idênticos ao IRPJ, fls. 64/65. Por fim, a fiscalização glosou os créditos do PIS e da Cofins das Notas Fiscais e CTRCs originadas da CD Sul Logística, conforme analíticamente demonstrados nas planilhas das fls. 66/67. A recorrente deixa de contestar expressamente a composição dos valores dos tributos lançados, de modo que os mesmos são considerados definitivos na esfera administrativa, a teor do art. art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Multa majorada por infração qualificada – 150% O recorrente pleiteia a inaplicabilidade da multa majorada, argumentando que não há a ocorrência de dolo ou fraude, onde tudo teria sido feito às claras, com os devidos registros contábeis. Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.493 30 Conforme amplamente noticiado no relatório e voto deste acórdão, a autuada utilizouse de empresa que operava irregularmente, com os mesmos sócios e com idêntico propósito negocial. No caso em questão, podese entender que o procedimento levado a cabo pela contribuinte revela a ocorrência de dolo no intuito de fraudar o fisco, cujo resultado foi a supressão dos tributos devidos. A caracterização da simulação, da confusão patrimonial, da existência de registros contábeis e documentos fiscais inidôneos na operação de empresa irregular, amplamente demonstrada neste voto, é motivo para o agravamento da multa por infração qualificada. Por oportuno, cumpre esclarecer os conceitos de dolo, fraude e simulação previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 e os efeitos que decorrem ao caso em análise: Lei nº 4.502, de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais: II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Os sócios da interessada, ao constituir a empresa CD Sul Logística Ltda, que se mostrou dissociada dos fatos ocorridos e que se confundiu patrimonialmente com a empresa autuada, incidiram na ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, alterando as condições pessoais do contribuinte, o que afetou o valor dos tributos devidos, definido pela lei tributária como sonegação, fraude e conluio, nos termos dos arts. 71 a 73 acima transcritos. Cesar A. Guimarães Pereira, em sua obra “Elisão Tributária e Função Administrativa”, Dialética, 2001, p. 194, aborda com propriedade que a “simulação” é caso de enquadramento nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964: “No caso de certos tributos federais, a simulação é colhida pelo art. 73 da Lei nº 4.502, de 20.11.1964, por se destinar a ajuste doloso destinado a obter o efeito descrito no art. 71 da mesma Lei ( na simulação, as duas partes em um negócio jurídico ou ato jurídico receptício concorrem para criar uma aparência jurídica do negócio ou ato realmente praticado – que pode ser nenhum, no caso da simulação absoluta). O dolo, porém, deve ser específico (dirigido ao efeito da evasão tributária).” Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.494 31 Apesar do contribuinte afirmar que a qualificação da multa somente se impõe em casos de incontestável prova de ter agido dolosamente, entendese como evidenciada a atitude deliberada e consciente em operar de forma irregular, como de fato ocorreu, posto que todas as ações expostas neste voto culminaram na redução dos tributos devidos no ano de 2005, utilizandose do artifício de “simulação” na operação da empresa CD Sul Logística Ltda., face a existência de fatos/registros contábeis dissociados da realidade, de documentos fiscais inidôneos e face a clara existência de “confusão patrimonial” com a autuada. Com efeito, os fatos apurados encontram sintonia com a norma que prevê a imposição de penalidade mais gravosa, no caso, o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996 (constante dos autos de infração), com a nova redação dada pela a Lei nº 11.488, de 2007, a seguir transcrito, para melhor clareza: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifei) De acordo com o acima exposto, por ter ficado evidenciado a atitude dolosa do sujeito passivo em se utilizar da simulação na criação da empresa CD Sul Logística Ltda., acarretando a redução dos tributos devidos e, por existir perfeito enquadramento da sua ação com os dispositivos legais acima mencionados, deve ser mantida a multa agravada, por infração qualificada, no percentual de 150%. Quanto aos lançamentos relativos à CSLL, ao PIS e à Cofins, cabe dizer que subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Em face do que foi exposto, voto por não conhecer do pedido de diligência, de rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e de decadência, de considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.495 32 Declaração de Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Em relação à necessidade de demonstração de dolo na simulação, argumenta a Recorrente (Fls. 76 – Recurso Voluntário): (...) Não por outro motivo são severamente repudiadas presunções, ilações, subjetivismos ou cojecturas no ato fiscal que imputar uma sanção ancorada em preceitos criminalizantes, como bem observam MARCOS VINÍCIUS NEDER e MARIA TERESA MARTINEZ LÓPEZ, membros atuantes dos Conselhos de Contribuintes: ‘As presunções do Fisco só se admitem nas infrações objetivas; nas subjetivos, o dolo e a culpa não se presumem, provamse’. (...) Inicialmente, para se avaliar o dolo em infração tributária, podese partir da premissa de que se trata do mesmo dolo do Direito Penal. Sobre o assunto, transcrevese os ensinamentos do Professor Sérgio Cavalieri Filho (in Programa de Responsabilidade Civil. São Paulo, Atlas, 2010, p. 31): (...) convém, ainda, ressaltar que não vemos nenhum fundamento para se dizer, como querem alguns, que o dolo e a culpa civil são diferentes do dolo e da culpa penal. A rigor, são substancialmente iguais, têm os mesmos elementos: se diferença houver, será apenas de grau. No caso, deparamonos com a necessidade de o Fisco demonstrar o dolo na conduta de simulação de uma pessoa jurídica. Vale dizer, é possível falarse em “consciência”de uma pessoa jurídica na responsabilidade penal? O Professor Daniel Eduardo Carnacchioni responde com proficiência à pergunta anterior com os seguintes ensinamentos , (in Curso de Direito Civil – Parte Geral – Institutos Fundamentais, Rio de Janeiro, Lúmen Júris, 2010, pp. 296 a 297): (...) A pessoa jurídica é uma realidade (teoria da realidade técnica), com vontade própria e, por isso, plenamente capaz de cometer um crime. É óbvio que a pessoa jurídica não se intimida, não tem consciência própria das pessoas naturais, não pode se sujeitar a pena privativa de liberdade, mas, é possível compreender essa responsabilidade penal. (...) Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.496 33 Por essas razões, assiste razão àqueles doutrinadores que defendem a possibilidade de responsabilizar penalmente a pessoa jurídica. Os principais argumentos para aceitar tal realidade são muito bem retratados por CLEBER MASSON, em seu livro “Direito Penal – Parte Geral – esquematizado”, cujos fundamentos peço vênia para reproduzir: “1 – A pessoa jurídica constituise em ente autônomo, dotado de consciência e vontade, razão pela qual pode realizar condutas e assimilar a natureza intimidatória da pena; 2 – A pessoa jurídica deve responder por seus atos, adaptandose o juízo de culpabilidade às suas características; 3 – A pessoa jurídica possui vontade própria, razão pela qual o direito penal a ela reserva tratamento isonômico ao dispensado à pessoa física; 4 – é óbvio que o estatuto social de uma pessoa jurídica não prevê a prática de crimes como uma de suas finalidades. Da mesma forma, não contém em seu bojo a realização de atos ilícitos, o que não os impedem de serem realizados. (...) Sérgio Salomão Shecaira também defende a responsabilidade penal da pessoa jurídica, com os seguintes argumentos: “ A pessoa jurídica tem vontade própria, distinta da de seus membros; a pessoa jurídica pode ser responsável pelos seus atos, devendo o juízo de culpabilidade ser adaptado às suas características. Embora não se possa falar em imputabilidade e consciência do injusto, a reprovabilidade da conduta de uma empresa fundase na exigibilidade de conduta diversa, a qual é perfeitamente possível. (...) Os ensinamentos doutrinários anteriores atingem o ponto crucial para se demonstrar o dolo de uma pessoa jurídica: a reprovabilidade da conduta de uma empresa fundase na exigibilidade de conduta diversa. A relação jurídica da Recorrente com a CD Sul Logística não deixa dúvidas quanto à exigência de conduta diversa para descaracterizar a simulação e a conseqüente qualificação da multa de ofício, conforme os fatos demonstrados pelo Fisco e analisados no voto condutor deste Acórdão, novamente transcritos: 1 Ficou caracterizada a existência de confusão patrimonial entre as duas empresas, seja pela utilização do mesmo espaço físico por ambas as empresas, seja pela falta de rateio das despesas administrativas comuns, tais como despesas com água, luz, telefone, funcionários. A autuada, ao permitir, deliberadamente, que outra pessoa jurídica utilizasse gratuitamente os seus imóveis para prestar os serviços de logística, antes executados por ela mesma, incorreu na apropriação de custos que não eram seus, mas que deveriam ser da CD Sul Logística evidenciando, por conseqüência, a existência de “confusão patrimonial”. Além disso, a fiscalizada passou a pagar pela prestação de serviços executados teoricamente pela CD SUL, mas que em última análise, eram desempenhados por ela mesmo, como se verá na sequência. 2 A forma sistemática de pagamento pela autuada dos serviços prestados pela CD Sul Logística, foi feita utilizandose da conta “Caixa” (e não conta Bancos), que não é o meio usualmente adotado, face aos valores vultuosos envolvidos nesses pagamentos. A respeito da constatação de que os pagamentos à CD Sul Logística, via conta Caixa, teriam sido simulados, vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 49 e ss.: Fl. 2496DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.497 34 “A fiscalizada alega que foram pagos "em moeda corrente nacional ou cheques de terceiros". Os livros contábeis registram pagamentos em moeda corrente. Por sua vez, dos documentos, que segundo a fiscalizada "serviram de comprovantes" de quitação, por vezes expressam que os valores foram pagos através de "depósito em conta". Citemos como exemplo a Nota Fiscal de Serviços nr. 01 (fl. 369), emitida em 20/04/2005. O documento registra que o pagamento darseá por "depósito em conta" enquanto o registro contábil reproduz pagamento a crédito de Caixa (fls. 149 a 155). Ora, não possui registros e comprovantes porque efetivamente não foram efetuados os pseudo pagamentos nem foram prestados os fictos serviços. Ocorreu somente uma simulação de pagamentos como ocorreu uma simulação de prestação de serviços uma vez que a CD Sul Logística Ltda é, também, uma ficção. [...] Somente para citar alguns exemplos, enquanto a fiscalizada afirma ter efetuado no dia 28/04/2005 o pagamento à CD Sul, em moeda corrente, de R$ 469.082,85 ("para não haver tributação pela CPMF") emite cheque de R$ 300,00 (fls. 149 a 155). Ou então, enquanto em 22/11/2005 contabiliza o pagamento à CD Sul, em moeda corrente, de R$ 3.192.746,70 referentes aos CTRC 04, 05, 06 e 07 ("para não haver tributação pela CPMF"), emite cheque de R$ 65,33 (fls. 667 a 671). [...] Se nos detivermos, como exemplo, dentre todos os pseudo pagamentos declarados (fl. 184) ao pagamento supra mencionado de R$ 3.192.746,70 verificaremos que o volume físico de moeda não é pequeno. (...) Ademais, R$ 3.192.746,70 representam 319.270 notas de R$ 10,00 (mais de 3.190 pacotes de notas) mais R$ 46,70. Ou então, 63.854 notas de R$ 50,00 (mais de 638 pacotes de notas) mais R$ 46,70. [...] No entanto, embora afirme que efetuou tais pagamentos, efetivamente não os comprova.” 3 Funcionários da autuada tiveram suas verbas trabalhistas pagas pela CD Sul Logística, conforme dados obtidos nos livros contábeis dessa última empresa e constantes no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS. O argumento trazido na peça recursal, de que os funcionários relacionados “já haviam sido admitidos/transferidos para a empresa em 01.04.2005, e, portanto, eram funcionários seus...”, não se sustenta: por primeiro, inexiste justificativa lógica para a CD Sul Logística pagar férias e rescisão, em abril e maio de 2005, de funcionários recém contratados e, por segundo, porque as informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS não atestam a alegação trazida pela defesa. Evidenciase, por conseqüência, a existência de “confusão patrimonial” entre as duas empresas. Vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 38 e ss.: “Em 12/04/2005 há o registro de pagamento de férias de Edilberto Vieira de Melo (NIT 17020736260). O beneficiário não consta rol de funcionários apresentado pelo contribuinte. No entanto, figura como recebedor de direitos de férias. Na verdade, conforme consulta realizada ao CNIS (fl.568), constatouse que se trata de funcionário da Oniz Distribuidora Ltda, admitido em 01/09/2000 com Fl. 2497DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.498 35 rescisão em 11/05/2005. Na data da rescisão a CD Sul contabiliza o pagamento das verbas rescisórias do funcionário da Oniz (fls. 350 e 354); Em 02/05/2005, a CD Sul contabiliza o pagamento de verbas rescisórias de Valderes Ribeiro dos Santos (NIT 12512508236) e Luis Felipe Antunes Ramires (NIT 12251651383). Ambos não constam no rol de funcionários apresentado pela empresa. No entanto, conforme informações do CNIS (fls. 569 e 570), eram funcionários da Oniz admitidos em 17/02/04 e 06/07/2004, respectivamente, e com rescisão em 02/05/2005 (fl. 353); Em 12/05/2005 a CD Sul contabiliza o pagamento de verbas rescisórias de Jéferson da Silva (NIT 12607716707) e Teodoro Wolffenbuttel dos Santos (NIT 12521853382). Ambos não constam no rol de funcionários apresentado pela empresa. No entanto, conforme informações do CNIS (fls. 572 e 573), eram funcionários da Oniz admitidos em 15/06/2000 e 11/11/2004, respectivamente, e com rescisão em 12/05/2005 (fl. 354); Em 23/05/2005 a CD Sul contabiliza o pagamento de verbas rescisórias de Fábio Ferreira da Silva (NIT 12491628874), o qual não consta no rol de funcionários apresentado pela empresa. No entanto, conforme informações do CNIS (fl. 574), era funcionário da Oniz admitido em 27/04/2004 e com rescisão em 23/05/2005 (fls. 355 e 357).” 4 Os veículos de transporte (20 caminhões) utilizados nas operações da CD Sul Logística, em 2005, eram todos oriundos da fiscalizada. No entanto, os registros contábeis de ambas as empresas revelam discrepâncias quanto à negociação e a forma de pagamento dessas aquisições, pressupondose fictícias. Não há comprovação nos autos da efetividade do pagamento/aquisição, pela CD Sul Logística, dos caminhões utilizados no transporte das mercadorias, antes de propriedade da autuada. Evidenciase, mais uma vez, a existência de “confusão patrimonial” entre as duas empresas. Vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 33 e ss.: “Em 25 e 26/01/2005 a empresa Oniz Distribuidora Ltda escriturou a venda a prazo dos veículos acima para a CD Sul Logística conforme demonstra lançamentos efetuados no Livro Diário (fls. 145 a 147 e 156), com a correspondente demonstração no Livro Razão Clientes CD Sul Logística (fl. 673). Intimada a esclarecer a origem das transações escrituradas na conta acima mencionada, a empresa Oniz Distribuidora Ltda confirma que os valores representam a transação de venda dos veículos à CD Sul Logística Ltda (fl. 310). Notese que o registro é de uma transação a prazo. O registro da transação é corroborado pela informação contida no Relatório Sintético de Clientes levantado pela Oniz em 31/12/2005 (fl.672). No entanto, na contabilidade da CD Sul Logística Ltda o registro foi de uma transação à vista, conforme Livro Diário (fl. 347), não havendo qualquer registro de dívidas a pagar dessa natureza.” 5 As Notas FiscaisNFs e os Conhecimento de Transporte Rodoviário de CargasCTRC foram considerados inidôneos pela fiscalização, seja por terem sido emitidos com data fictícia (NFs), seja por serem emitidos em desacordo com a legislação do ICMS (CTRCs). A título exemplificativo, verificase dos autos que a NF 001 da CD Sul Logística, no valor de de R$ 469.082,85, emitida em 20/04/2005, fl. 369, tem o registro no Livro Diário da autuada em 28/04/2005, fl. 149. Todavia, a Autorização para Impressão de Documentos Fiscais Fl. 2498DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.499 36 somente foi liberada em 02/09/2005, fl. 1016, e a impressão da NF realizada/entregue em 04/10/2005, fl 1017, ou seja, quase 6 meses após a data que consta na respectiva Nota Fiscal. Vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 48 e ss.: “Os serviços teriam sido prestados muito anteriormente e os documentos emitidos extemporaneamente, certamente nas datas que em que a empresa Oniz Distribuidora Ltda necessitava de despesas para anular seu resultado fiscal e evitar a tributação devida. Observemse, por exemplo, a nota fiscal nr. 01 (fl. 369), emitida em 28/04. Na descrição dos serviços prestados temse "serviços prestados no mês de março de 2005". Muito bem. Em março de 2005 somente haviam sido contratados motoristas, não havendo quaisquer funcionários para prestar outros serviços. Ou seja, a Oniz não havia sequer transferido os funcionários para a CD Sul, conforme já anteriormente demonstrado. São documentos fiscais inidôneos. nos termos da legislação citada, fazendo prova apenas a favor do fisco. Não houve prestação dos serviços. Ocorreu tãosomente uma simulação de prestação de serviços através da emissão de documentos fiscais. Transporte e serviços logísticos fictícios.” 6 O capital a integralizar na empresa CD Sul Logística, no valor de R$ 1.920.000,00, consta na declaração Pessoa Física do sócio como pago (em 2005), diferentemente dos registros contábeis dessa empresa. Vejase o que relata a fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal, fls. 29 e ss.: “O sócioproprietário José Luis Turmina (CPF 374.457.07034) informa em sua declaração de ajuste anual do exercício 2005 (ac 2004) a existência de dívida perante a CD Sul Logística Ltda no valor de R$ 1.920.000,00, descrita como "capital a integralizar de 96% da participação na CD Sul Logística Ltda". Tais informações são corroboradas pelos registros contábeis da empresa e contrato social de constituição (fls. Contrato social 334 a 336 e livros contábeis fls.347 e 595). [...] Porém, Curiosamente, na declaração do imposto de renda pessoa física apresentada pelo sócio no exercício 2006 (ac 2005),a dívida é tida como paga, haja vista que sua situação em 31/12/2005 é apresentada como ZERO (fl. 136). Nos anos seguintes, não há menção de tal ônus nas declarações de imposto de renda do contribuinte. No entanto, não há qualquer registro de integralização do valor remanescente de R$ 1.729.000,00 nos livros contábeis da empresa tanto em 2005, como em 2006 (fls 420 e 595).” Destarte, em que pesem os argumentos recursais, o Fisco conseguiu demonstrar o dolo da Recorrente na prática de simulação, razão pela qual não há reparos a fazer na decisão recorrida. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 2499DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.500 37 Declaração de Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Como bem observado pela relatoria do voto condutor do presente processo, a questão principal a ser examinada diz respeito à ocorrência da criação da empresa CD Sul Logística Ltda. – com aparente legalidade, mas que ao final não passaria de uma suposta simulação. No entanto, antes de adentrar a questão fática, entendo relevante tecer alguns comentários sobre planejamento tributário. O planejamento tributário consiste na prática de condutas lícitas, permitidas pelo direito, adotadas pelo contribuinte, e que tem como efeito a redução ou não pagamento do tributo que, caso não tivesse havido o planejamento, seria devido. Tratase de um pensar com antecedência, se organizar, um planejar, tendo em mente que, para alcançar determinado resultado negocial, existe uma alternativa ou um outro negócio jurídico lícito que, se realizado, levará à redução ou não pagamento do tributo. Entrementes, quando se está diante de um planejamento tributário, pressupõe se a existência de um negócio normal (não planejado) que enseja uma determinada carga de tributação, e um negócio alternativo (planejado) que tem por efeito a redução ou não pagamento de tributos pelo contribuinte. Constatada a ilicitude do negócio jurídico planejado, ou a falta de realidade e verdade na sua execução, é necessário recompor qual teria sido o fato jurídico tributário, de forma a se atribuir esses efeitos, do negócio jurídico próprio, ao fato tributário. Na jurisprudência administrativa no extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, é possível verificação que a licitude negocial era feita na análise do negócio jurídico realizado pelo contribuinte (planejado), de forma a identificar se o mesmo se coadunava com o direito, sendo certo que “aquilo que não era proibido, era permitido” segundo o princípio da liberdade negocial que rege o mundo da relações privadas. Nesse prisma, a análise do negócio planejado era suficiente, por si só, para dizer se se estava diante de uma elisão fiscal, cujos efeitos de redução tributária deveriam ser respeitados pela Fazenda Pública, ou se se estava diante de um negócio jurídico ilícito, cujos efeitos tributários deveriam ser afastados pelo Fisco. No entanto, com a evolução da jurisprudência administrativa, principalmente, a partir de 2006, cresceu o entendimento de que não basta o negócio jurídico realizado ser tido por lícito. É necessário verificar a realidade do negócio praticado, pois é dessa realidade (evento) que se extrai o fato jurídico tributário. Neste diapasão, passouse a dar maior atenção ao fato jurídico, que nada mais é que a qualificação jurídica dada ao evento, conforme doutrina de Paulo de Barros Carvalho. Ao contrário do que até então prevalecia, em que o evento determinava como o direito deveria conhecêlo. Fl. 2500DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.501 38 O direito fixa os pressupostos caracterizadores do fato jurídico em uma hipótese geral e abstrata, permitindo a juridicidade do evento e, paralelamente, torna o fato jurídico relevante para o conhecimento da relação jurídica tributária individual e concreta. Em vista disso, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais passou a reconhecer, nas hipóteses de planejamento tributário, a necessidade de conhecer o “fato jurídico tributário”, de forma a saber não apenas se o negócio jurídico realizado pelo contribuinte é lícito. Antes disso, é necessário identificar qual o fasto jurídico praticado pelo Contribuinte, extraindose do mundo dos eventos, o fato jurídico relevante para instaurar a norma individual e concreta de tributação. Logo, devese analisar o fato jurídico da criação da CD Sul Logística LTDA. para ao final concluirse sobre a licitude de tal planejamento tributário. De acordo com as premissas supracitadas, quando se esta diante de um planejamento tributário depreendese a existência de um negócio jurídico não planejado, que no caso concreto seria a existência da própria recorrente (Oniz). E paralelamente, admitese também a coexistência de um negócio jurídico planejado com intuito também de redução ou não pagamento de tributos, ou seja, a já citada criação da CD Sul Logística. Portanto, cabe ao julgador analisar a licitude do negócio jurídico planejado, sua realidade fática e a verdade na sua execução, pois, se um desses três elementos estiver ausente, deverá haver a recomposição para encontrar o verdadeiro fato jurídico tributário, de forma a se atribuir esses efeitos, do negócio jurídico próprio, ao fato tributário. E são estes elementos que se passa a analisar. Primeiramente, a licitude da criação da CD Sul Logística é clarividente, pois em momento algum houve questionamento de sua existência formal por parte do auditor autuante e da própria DRJ POA, ou seja, sua criação foi considerada válida e regular. Quanto a realidade fática e verdade na sua execução, entendese pela sua existência verdadeira. E ambas serão analisadas em conjunto, pois na prática resulta sendo consequência da outra. Não se pode entender pela inexistência de uma pessoa jurídica pelo simples fato de não possuir imóveis próprios para seu funcionamento, aliás, esse entendimento é conforme a jurisprudência do CARF, uma vez que a existência de duas empresas no mesmo endereço não é vedada por lei e se justifica pela logística e estratégia comercial, sendo uma forma lícita de redução de custos, senão vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 2002 SIMULAÇÃO — INEXISTÊNCIA — Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. (Processo n° 11516.002462/200418) Ademais, em 2006 a CD Sul Logística adquiriu imóvel próprio na cidade de Cachoeirinha, Rio Grande do Sul. Fl. 2501DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.502 39 No entanto, na situação fática o fisco erroneamente entendeu ocorrente a simulação e, desqualificando a empresa CD Sul Logística Ltda. (que seria o negócio simulado), para fins fiscais, constituída para assumir o desempenho das atividades de transporte rodoviário de cargas, antes desempenhada pela recorrente, celebrado com o único objetivo de criar despesas fictícias para a interessada e distribuir lucros aos sócios comuns. A intenção da autuada com a criação da CD Sul Logística resta clara a todos, racionalizar as operações e com isso também diminuir a carga tributária, concentrada antigamente somente na recorrente. É claro que uma mudança dessa magnitude não é simples, rápida e ocorre do dia para a noite. Sua concretização leva tempo e por vezes pode gerar embaraços e confusões com a empresa da qual se herdará os futuros trabalhos como, por exemplo, ocorreu com a transferência do ativo imobilizado e dos trabalhadores da autuada à CD Sul Logística, situação que, sob esse ponto de vista, reforça ainda mais a existência fática e regular da empresa criada (CD Sul Logística). Ocorre que no presente caso as circunstâncias fáticas e jurídicas foram analisadas estritamente sobre um único aspecto, ou seja, aquela que interessa ao fisco, desconsiderando outros períodos sucessivos e anteriores da existência e atuação regular da CD Logística, como se pudesse inferir que a empresa simplesmente não existiu num certo tempo e voltou a existir depois, como pretendeu a autoridade fiscal em suas conclusões pela autuação fiscal, ao passo que deveriam ter sido examinadas como um todo, as operações antes e depois das verificações necessárias no interesse fazendário em comento. Entendese que os argumentos apresentados acima já seriam suficientes para afastar a compreensão de que o planejamento tributário delineado pelo recorrente seria ilegal, no entanto, traçase algumas premissas sobre a simulação. Luciano Amaro afirma que não há "ilicitude na escolha de um caminho fiscalmente menos oneroso, desde que a menor onerosidade seja a única razão da escolha desse caminho", sob pena de se ter de admitir "o absurdo de que o contribuinte seria sempre obrigado a escolher o caminho de maior onerosidade fiscal". Ricardo Mariz de Oliveira aduz que da Constituição Federal advém o direito "à utilização de estruturas jurídicas válidas, sem violação da lei, que sejam capazes de evitar incidências tributárias, ou de minorar os seus ônus" Todos os meios e formas lícitas de que se vale o contribuinte, para evitar a ocorrência do fato gerador do tributo, reduzindo ou impedindo o surgimento do dever ou da obrigação tributária são designados pelo nome de elisão fiscal, cuja distinção básica da evasão ilícita reside nos meios empregados, como ensina SAMPAIO DÓRIA em sua obra Elisão e Evasão Fiscal, São Paulo, José Bushataky, Editor, p. 58: "O primeiro aspecto substancial que as extrema é a natureza dos meios eficientes para sua consecução: na fraude, atuam meios ilícitos (falsidade) e, na elisão, a licitude dos meios é condição sine qua non de sua realização efetiva". Fl. 2502DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.503 40 O exame da licitude ou não dos meios empregados conduz necessariamente à apreciação do fato concreto e de sua correspondência com o modelo abstrato (forma) utilizado. Se a forma não reflete o fato concreto, é aparente, e aí se está diante da simulação que, segundo o parágrafo primeiro do art. 167 do Novo Código Civil, se faz presente nos negócios jurídicos quando: "I — aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II — contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III — os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados". No lapidar ensinamento de CLÓVIS BEVILÁQUA, in Código Civil dos Estados Unidos do Brasil, edição histórica, Editora Rio, Volume I, p. 353: "Simulação é uma declaração enganosa de vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado". Explicitando esse conceito de simulação ofertado pelo autor do Projeto que veio a se converter no Código Civil de 1916, WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, in Curso de Direito Civil, Parte Geral, Edição Saraiva, 1975, p. 207, didaticamente leciona que: "Como o erro, simulação traduz urna inverdade. Ela caracterizase pelo intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico, que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido". A simulação pressupõe, em regra, uma declaração bilateral de vontade; resulta, sempre, de um conluio, um concerto entre as partes, de tal sorte que nenhuma das partes é iludida, uma e outra têm conhecimento da busca urdida para prejudicar terceiro e traduz, invariavelmente, uma proposital divergência entre a vontade interna ou real e a vontade declarada no ato, que não corresponde à verdadeira intenção das partes. Na simulação, ocorrem dois negócios: um real, encoberto, dissimulado, destinado a operar e valer entre as partes, e um outro, ostensivo, aparente, simulado, destinado a operar e valer perante terceiros, como bem apreendido por UBALDINO MIRANDA, in Teoria Geral do Negócio Jurídico, São Paulo, Atlas, 1991, p. 115, ensina: "Com efeito, a simulação é um procedimento complexo a que as partes recorrem para a criação de uma aparência enganadora. Nesse procedimento, mediante uma só intenção, as partes emitem duas declarações: uma destinada a permanecer secreta e a outra com o fim de ser perpetrada para o conhecimento de terceiros, isto é, do público em geral. A declaração, destinada a permanecer secreta, consubstanciada numa contra declaração ou ressalva, constata a realidade subsistente entre os simuladores. Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.504 41 O procedimento simulatório é deliberado pelas partes mediante um acordo ou pacto (pactum simulationis) pelo qual celebram um negócio jurídico aparente: umas vezes, por lhes interessar apenas essa aparência, frente a terceiros, os quais, na intenção dessas partes que simulam, devem tomar a aparência como realidade, nenhuma relação jurídica efetiva é estabelecida entre elas (simulação absoluta). Outras vezes, as partes têm em vista a formação de uma determinada relação jurídica, mas pactuam a celebração de uma forma negocial aparente, a fim de ser projetada ao conhecimento de terceiros para, sob essa forma aparente, subsistir, entre elas, aquela relação jurídica que visam (simulação relativa). Assim, na primeira hipótese, quando uma das partes simula com o seu comparsa uma venda fictícia (imaginaria venditio), para fugir ao assédio dos seus parentes sucessíveis; e, na segunda hipótese, quando alguém simula uma venda a outrem, quando na realidade lhe doa". Como os atos simulados são praticados com o objetivo de ludibriar, escondendo os atos dissimulados e efetivos, a prova da simulação é dificil, árdua, às vezes impossível, pois divergência psicológica de intenção das partes que é, escapa a uma prova direta, dificilmente os que simulam deixam evidências, a prova escrita do fingimento é impossível e a contradeclaração, reveladora do negócio dissimulado, raríssima. Por isso, o fisco, a quem incumbe desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos atacados, provando que não passam de mera aparência ou ocultam uma outra relação jurídica de natureza diversa, escamoteando a ocorrência do fato gerador, há de se valer da prova indireta, de indícios, que hão de ser graves, precisos, concordantes entre si, resultantes de uma forte probabilidade e indutores de ligação direta do fato desconhecido como fato conhecido. Nesse sentido, disso não se desincumbiu o fisco. A falta de aprofundamento da ação fiscal faz com que os fatos apontados como indícios de simulação, quais sejam, a transferência de ativo permanente (veículos e caminhões), compartilhamento de empregados, extemporaneidade de emissão de alguns CTRCs ou NFs, possam ser tidos como desdobramento da atividade antes exercida por uma delas, objetivando racionalizar as operações e minorar legitimamente a carga tributária. A conclusão diversa chegaria se a fiscalização comprovasse sempre que a empresa desqualificada não mantinha registros e inscrições fiscais próprias, que não possuía quadro próprio de empregados, que não celebrava negócios, que não emitia documentação, que não mantinha escrituração fiscal relativa a seus negócios. O argumento de que o desmembramento das atividades operacionais teve por único escopo obter economia tributária não é suficiente, por si só, para a desconsideração dos atos e negócios jurídicos realizados com amparo legal. Assim, por todo o exposto acima entendese que não houve simulação e confusão patrimonial, a justificar o tratamento fiscal adotado nos presentes autos. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.505 42 Declaração de Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto. Em que pese o entendimento exposto pelo I. Conselheiro Relator em seu voto em relação à confusão patrimonial e simulação nas operações com a CD Sul Logística, peço vênia para abrir divergência em razão dos motivos abaixo. Como constou do Relatório, a Recorrente alegou que a criação da CD Sul Logística Ltda. ocorreu legalmente, uma vez que o planejamento tributário é prática legal decorrente da liberdade constitucional da iniciativa e de acordo com a legislação vigente, sendo possível ao administrador empregar recursos legais ao seu alcance a fim otimizar as atividades e interesses da entidade, não existindo nenhuma vedação legal para o procedimento ora adotado. Alegou a Recorrente que a CD Sul Logística não consiste em “empresa inexistente”, já que possui marca registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) desde 22/02/2005, o que demonstraria a preocupação na proteção das marcas. Informou, também, que a CD Sul Logística faz parte, desde 2005, da exposição da Associação de Supermercados do Rio Grande do Sul (EXPOAGAS) realizada na FIERGS, com o oferecimento de serviços de logística e transporte aos supermercados do Estado do Rio Grande do Sul, com marca e estrutura próprias. Argumentou, também, que a Oniz Distribuidora e a CD Sul Logística são empresas diversas, com personalidades jurídicas distintas, ainda que seus proprietários/administradores sejam os mesmos, com empregados próprios, contabilidade separada, frotas de caminhões que não se confundem, logomarcas, clientes, exploração independente de objeto social diversos, afastandose o entendimento de que se trataria de uma só entidade. Consignou a Recorrente que a integralização do contrato social foi realizada nos prazos legais, tendo ocorrido mero erro de preenchimento da DIRPF, corrigido em 2008, relacionado à integralização das cotas subscritas. Também teria ocorrido distribuição de lucros nos termos da legislação vigente. Alega, por fim, que a D. Autoridade Fiscal também teria deixado de comprovar a prática de fraude, simulação ou sonegação fiscal, uma vez que: (i) os caminhões foram transferidos da Recorrente para a CD Sul Logística em decorrência da pouca ou nenhuma utilidade dos mesmos na Oniz Distribuidora; (ii) não há impedimento legal para que duas empresas compartilhem o mesmo espaço diante da inexistência de propriedade do imóvel no ativo imobilizado da CD Sul Logística; (iii) não foram corretamente analisados os contratos trabalhistas apresentados; (iv) a contratação dos empregados da Oniz Distribuidora não se deu por rescisão/admissão, mas, sim, por transferência (Livro de Registros de Funcionários), razão da inexistência de registro contábil de pagamentos de salários e encargos até 14/04/2005; (v) do momento da constituição da CD Sul até a consolidação de suas operações houve aproveitamento mútuo do corpo de funcionários em transferência (“consórcio de empregados”), situação admitida pelo Código Civil (reunião de empresas); (vi) inexistência de discrepância entre a remuneração dos funcionários da Oniz Distribuidora e da CD Sul; (vii) a escrituração contábil faz prova a favor da Recorrente e deve ser considerada na apuração da renda efetiva a ser tributada; entre outras alegações. Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.506 43 Pretendeu demonstrar a Recorrente que nem todo caminho que represente menor onerosidade fiscal para o contribuinte configura, necessariamente, simulação. O voto vencedor do I. Conselheiro Relator determinou que, de acordo com as evidências, a empresa CD Sul Logística Ltda., apesar de dotada de personalidade jurídica, não existiria de fato e havia sido criada com o objetivo de gerar despesa para a autuada, diminuindo o seu lucro, além de possibilitar maior distribuição de lucros aos sócios comuns, configurando, assim, “simulação” dos negócios jurídicos. Além disso, no seu entendimento, o voto vencedor determinou que o direito constitucional da organização das atividades empresariais não é absoluto, repudiandose reorganizações societárias eivadas de vícios. Entendeu o I. Relator pela verificação de simulação na criação da empresa CD Sul Logística Ltda., evidenciada também a utilização de documentos fiscais inidôneos e a ocorrência de confusão patrimonial entre as empresas. Entretanto, peço vênia para discordar de referido posicionamento, como alegado em tribuna, pois a meu ver não há provas robustas capazes de determinar a configuração de confusão patrimonial ou mesmo simulação na criação da empresa CD Sul Logística Ltda. Como bem ensina o jurista Washington de Barros Monteiro, “como o erro, simulação traduz uma inverdade. Ela caracterizase pelo intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico, que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido” (Curso de Direito Civil, Parte Geral, Edição Saraiva, 1975, p. 207). Os atos simulados sempre têm o objetivo de esconder os dissimulados e efetivos. Sendo assim, não verifico a intenção da Recorrente na prática de atos com o objetivo de ludibriar a fiscalização. A meu ver, restou manifestamente caracterizada a falta de aprofundamento da ação fiscal, decorrente do princípio administrativo da busca pela verdade material. Isso porque, tal como consignado pela Recorrente, foram apresentados diversos e relevantes documentos que sequer foram analisados pela D. Autoridade Fiscal (o que gerou, inclusive, a declaração de nulidade da decisão anterior proferida em primeira instância). Além disso, apesar das alegações de que as empresas funcionam no mesmo local, em nenhum momento foi realizada qualquer diligência com o objetivo de atestar se, de fato, haveria a confusão patrimonial. Também como ressaltado pela Recorrente, durante procedimento fiscal diverso (Processo Administrativo nº 11030.000140/200216) foram convalidadas as operações realizadas entre a CD Sul Logística e a Recorrente nos anos de 2006 a 2008, práticas idênticas às desconsideradas na presente autuação fiscal, o que descaracterizaria a alegada simulação. Conforme esclarecimentos de Alfredo Augusto Becker, a elisão legal é a faculdade “que o indivíduo poderá, sem violar regra jurídica ou eficácia jurídica, atingir aquele efeito econômico, escolhendo um outro caminho (outros atos, fatos ou estados de fato) que não seja elemento integrante de hipótese de incidência de regra jurídica tributária ou, então, que seja elemento integrante de hipótese de incidência de outra regra jurídica tributária mais favorável (menor tributo)”. Ou seja, para se considerar como configurada a evasão fiscal é necessário que as autoridades fiscais façam prova destes atos. A evasão é a imputação, ao contribuinte, de prática de conduta ilegal e, dessa forma, o ônus da prova é do Fisco. Essa questão também se relaciona Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.507 44 com o princípio da verdade material através do qual a apuração dos fatos é fundamental para que o fenômeno da subsunção ocorra perfeitamente, considerando todos os elementos do tipo tributário. Isto porque, conforme posicionamento doutrinário, “a verdade aproximada ou formal é, portanto, absolutamente incompatível com os princípios da legalidade e da tipicidade fechada, inerentes à obrigação tributária. É por isso também que as presunções e ficções devem ser restritas em matéria tributária (...)”. (“A Verdade Material no Direito Tributário”, Malheiros, 2013, pág. 119). Assim, na busca pela verdade material apurar os fatos é condição primordial para que possa ocorrer de forma correta o fenômeno da subsunção. Nos presentes autos, a imputação de prática de evasão fiscal decorre de presunção, indícios, o que não pode ser admitido pelo princípio da verdade material. De fato, o contribuinte não está obrigado a escolher sempre o caminho com maior onerosidade fiscal, até porque não há vedação legal para a busca legal de redução da carga tributária. A título exemplificativo, considerando o entendimento exarado no voto vencedor, o simples fato de uma das empresas ser tributadas pelo Lucro Real e a outra pelo Lucro Presumido não deve e não pode ser considerado ato simulado, mas, sim, alteração concreta na estrutura econômica de atuação dos contribuintes. Nesse sentido, mantenho o mesmo entendimento do Ilustre Conselheiro Relator proferido nos autos do Processo Administrativo nº 19515.001905/200467, Acórdão nº 3403002.519, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23.10.2013, abaixo transcrito, que muito bem se aplica à presente discussão em relação à alegação de prática simulada, in verbis: “A criação de pessoas jurídicas para cada tipo de atividade é naturalmente embalada pela necessidade de racionalizar e reduzir custos, inclusive os tributários. Em todo grupo econômico, com efeito, identificase com naturalidade a existência de pessoas jurídicas submetidas ao lucro real e ao lucro presumido, pois apenas algumas atividades, cuja margem de lucro é reduzida, é que valem a pena ser submetidas ao lucro real, enquanto outra parte, justamente por envolver lucro em percentual maior que a presunção legal de lucro, acabam segregadas em uma pessoa jurídica sujeita ao lucro presumido. Ou seja, mesmo a segregação de empresas por atividade, em um grupo econômico, é embalada por razões de carga fiscal. A prevalecer o entendimento da Fiscalização e da DRJ neste caso, todo grupo econômico que tenha desdobrado suas atividades, com a criação de uma empresa para sujeitarse a um regime diferente de apuração de tributos, estaria igualmente sujeita à qualificação de sua conduta como simulação absoluta, visto que a nova empresa seria apenas um artifício para reduzir a tributação. Ora, é o peso da tributação que exerce o poder de alterar a estrutura da economia. Toda alteração tributária repercute em novas decisões econômicas, as quais são baseadas, em sua essência, na determinação de modelos de produção que apresentem o menor custo. Entendo, por isso, que no presente caso não existe uma simulação absoluta, mas uma alteração concreta na estrutura econômica de atuação dos contribuintes.” (não grifado no original) Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202001.139 S1C2T2 Fl. 2.508 45 No citado processo administrativo foi proferida decisão unânime, cuja ementa foi lavrada no sentido de que “a alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só (...)”. Este E. CARF já decidiu diversas vezes nesse mesmo sentido. Vejamos, por exemplo, a ementa abaixo transcrita: “SIMULAÇÃO — INEXISTÊNCIA — Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. (Processo n° 11516.002462/200418, Acórdão nº 10323.357, Sessão de 23/01/2008)” (não grifado no original) Entendo que o simples fato de o contribuinte se valer do modo menos oneroso para recolhimento do tributo não deve ser, obrigatoriamente, considerado simulação, aceitando as alegações arguidas pelo Recorrente. Além disso, não há nos autos prova por parte da D. Autoridade Fiscal da prática de simulação, tendo a D. Autoridade Fiscal deixado de analisar documentos contábeis para a verificação ou não de prática ilegal. Sendo assim, se a simulação não pode ser presumida, a determinação de configuração de confusão patrimonial também não pode, não tendo a D. Autoridade Fiscal atuado de forma diligente na busca da verdade material, seja pela falta de análise dos documentos apresentados pela Recorrente, seja pela utilização equivocada de premissas inaplicáveis e que não têm, a meu ver, o condão de determinar a prática de ato simulado ou de confirmar a alegação de confusão patrimonial. Dessa forma, em que pese a prolação do voto vencedor e a exposição de suas razões, entendo que não restou configurada a prática de simulação e/ou de confusão patrimonial. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto. Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 30/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10/02/2 015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 13971.908090/2011-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. PROVA. Embora o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora seja o meio de prova regular do IRRF no âmbito da Administração Tributária, o processo administrativo fiscal comporta outros meios de prova, em homenagem ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1801-002.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. PROVA. Embora o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora seja o meio de prova regular do IRRF no âmbito da Administração Tributária, o processo administrativo fiscal comporta outros meios de prova, em homenagem ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908090/2011-12 Acórdão n.º 1801-002.225 S1-TE01 Fl. 256 2 Relatório CREMER S.A., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 14-47.009 (fl. 225), pela DRJ Ribeirão Preto, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 15751.65341.260208.1.3.03-6744 (fl. 24), que foi homologada parcialmente por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 23: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas PER/DCOP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO IR EXTERIOR RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM. COMP. SNPA ESTIM. PARCELADAS DEM. ESTIM. COMP. SOMA PARC. CRÉD. PER/DCOMP 0,00 75.187,23 91.043,34 0,00 0,00 0,00 166.230,57 CONFIRMADAS 0,00 65.652,42 91.043,34 0,00 0,00 0,00 166.230,57 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 73.771,20. Valor da DIPJ: R$ 73.771,20 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 166.230,54. CSLL devida R$ 92.459,34 Valor do saldo negativo disponível* (parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 64.236,42 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/08/2011: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908090/2011-12 Acórdão n.º 1801-002.225 S1-TE01 Fl. 257 3 PRINCIPAL MULTA JUROS 10.791,46 2.158,29 3.921,61 Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que traz os argumentos a seguir resumidos: i) a diferença entre o crédito declarado e o crédito reconhecido no despacho decisório é de R$ 9.534,78; todavia, o contribuinte foi intimado para pagar R$ 10.791,46, o que não tem fundamento; ii) o contribuinte tem órgãos públicos como clientes e estes fazem retenção na fonte dos tributos incidentes, causando uma discrepância entre o valor faturado e o valor efetivamente pago; iii) muitas vezes, um depósito é realizado para quitar várias compras, ou vezes, a fonte pagadora é diferente do adquirente da mercadoria; iv) muitas vezes, esses órgãos não emitem o devido comprovante de retenção; v) a título de ilustração, junta planilha, fatura e comprovante de depósito; vi) as retenções foram efetivamente realizadas, conforme declarado na DCOMP. Ao final, requer a realização de perícia. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL RETIDA NA FONTE. Para utilização a contribuição retida na fonte como dedução na apuração da CSLL ao final do período, faz-se necessário que, além da tributação dos correspondentes Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908090/2011-12 Acórdão n.º 1801-002.225 S1-TE01 Fl. 258 4 rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Cientificado dessa decisão em 21/01/2014 (fl. 238), por meio de comunicação eletrônica, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 240), em 05/02/2014, em que reitera os seus argumentos apresentados na referida manifestação de inconformidade, além de apontar alegada nulidade da decisão recorrida. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O recorrente solicita a realização de perícia para que sejam elididas as dúvidas quanto às retenções. Todavia, verifica-se que, além da questão contábil, não há questão técnica a ser resolvida na presente lide. Todas as informações necessárias à solução perseguida estão nos autos e tanto as partes quanto a autoridade julgadora possuem habilidade suficiente para utilizar essas informações no seu mister, o que torna desnecessária a perícia requerida. Ademais, cabe ao recorrente trazer aos autos as provas necessárias para a comprovação dos seus argumentos, nos termos do artigo 16 1 , III, do Decreto nº 70.235, de 1972, não cabendo à Administração Pública a substituição do contribuinte no seu ônus processual. Por tais razões, indefiro o pedido de perícia. O contribuinte alega que o valor que lhe foi exigido é superior ao valor glosado do saldo negativo declarado, o que lhe parece sem fundamento. A decisão a quo esclareceu que a diferença deve-se ao fato de que a DCOMP foi apresentada após o vencimento do débito declarado, o que deu ensejo a exigência de acréscimos moratórios. Por seu turno, o recorrente afirma que essa fundamentação deveria ter sido explicitada no despacho decisório e, não ocorrendo isso, ele encontra-se eivado de nulidade, uma vez que foi cerceado o seu direito de defesa. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: ... III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908090/2011-12 Acórdão n.º 1801-002.225 S1-TE01 Fl. 259 5 Todavia, a incidência de encargos moratórios nas condições relatadas está prevista no artigo 28 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, bem como em todas as instruções normativas que a sucederam: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1 º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Sendo uma regra legal, não é admissível a alegação de seu desconhecimento, nos termos do artigo 3º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Lei nº 4.657, de 1942): Art.3 o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Por essa razão, afasto a preliminar de nulidade. No mérito, o recorrente afirma que a parcela glosada está associada a retenções que ocorreram efetivamente. A autoridade julgadora de primeira instância realizou uma completa análise do saldo negativo em tela, tomando como base as DIRF apresentadas em favor do recorrente. Como resultado, não foi encontrado crédito passível de reconhecimento. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte afirma que juntou aos autos cópia de nota fiscal, de comprovante de pagamento e de planilha de demonstração, documentos que comprovaria uma retenção não considerada na decisão recorrida. De fato, os referidos documentos foram juntados aos autos, mas não foram incluídos na apuração da DRJ, que considerou apenas os valores declarados em DIRF, conforme o seguinte excerto (fl. 231): Contudo, não houve a apresentação de quaisquer comprovantes de retenção ou informes de rendimentos pela interessada, mas meras notas fiscais produzidas unilateralmente pela manifestante, além de planilhas que, supostamente, comprovariam o depósito dos valores líquidos de parte das vendas efetuadas aos órgãos públicos. ... Assim, ausentes os documentos hábeis a comprovar o saldo credor de CSLL, não há como se reconhecer, a título de antecipações da contribuição do período, valores que não tenham sido informados em DIRF pela fonte pagadora. Embora o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora seja o meio de prova regular no âmbito da Administração Tributária, o processo administrativo fiscal Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13971.908090/2011-12 Acórdão n.º 1801-002.225 S1-TE01 Fl. 260 6 comporta outros meios de prova, em homenagem ao princípio da verdade material. É essa cognição ampla que permitiu à DRJ realizar nova apuração do saldo negativo com base nas DIRF e, no mesmo passo, também autoriza a apreciação dos documentos apresentados pelo contribuinte. Nessa senda, verifica-se que o contribuinte juntou notas fiscais e extratos bancários que, associados, são evidências suficientes para demonstrar a retenção afirmada pelo recorrente, devendo esta ser incluída na apuração do saldo negativo de 2006. Em se fazendo isso, resulta saldo negativo suficiente para satisfazer a DCOMP sob análise. Desta feita, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito apontado e homologar a DCOMP em tela. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913076/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/05/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/05/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.913076/200932 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.930 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria COFINS DCOMP ELTRONICAPAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente GOMES & FILHOS USINAGEM E CALDERARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/05/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 30 76 /2 00 9- 32 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913076/200932 Acórdão n.º 3801003.930 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Em julgamento recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa. Adoto o relatório do acórdão recorrido “Tratase de Despacho Decisório, que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica , sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. A interessada por sua vez, contesta a decisão alegando preliminarmente a nulidade do ato. Contesta a ausência absoluta do motivo da não homologação da compensação cerceando seu direito a ampla defesa. Aduz que o crédito em que se fundou a compensação decorre de pagamento a maior da Cofins [ou da contribuição para o PIS/Pasep], pois ao calcular o montante devido, incluiu na base de cálculo do tributo não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas como também as demais receitas, ampliandoa indevidamente. Assevera que a pretensão é legitima na medida em que utilizouse de algumas teses tributárias julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Invoca a alínea “a” do artigo 16 do Decreto 70.235/72, para postular a posterior produção de provas uma vez que , como dito de forma exaustiva, se nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, como poderia a manifestante defenderse adequadamente? Ao final, reitera suas alegações quanto à nulidade do despacho decisório, solicita a posterior produção de provas como também a baixa dos autos em diligência e o reconhecimento de seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a seguinte ementa do acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913076/200932 Acórdão n.º 3801003.930 S3TE01 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 30/04/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência será indeferido quando se apresentar prescindível, nos moldes do art.18 do Decreto nº 70.235/72. POSTERIOR JUNTADA DE DOCUMENTOS É legalmente admissível quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação na contestação, por motivo de força maior, fato ou direito superveniente. Da leitura do recurso voluntário, conseguese depreender apenas que, segundo a contribuinte, teria ficado plenamente demonstrado que ocorreu pagamento a maior da contribuição, decorrente da incorreta inclusão de valores no cálculo da contribuição, e que este valores seriam relativos a operações de importação, simples remessas consideradas em duplicidade e outras operações não bem identificadas. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913076/200932 Acórdão n.º 3801003.930 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. À luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito, cabia a contribuinte a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913076/200932 Acórdão n.º 3801003.930 S3TE01 Fl. 6 5 Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Nos autos, não há nenhuma prova da certeza e liquidez do crédito. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913076/200932 Acórdão n.º 3801003.930 S3TE01 Fl. 7 6 Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10865.900344/2008-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA.
Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
Numero da decisão: 1802-002.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
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DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 44 /2 00 8- 60 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.135, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 5993), concernente ao período de apuração 02/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 4 3 correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 5 4 Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.284 (fls. 348 a 357), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 368 a 369. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.370 (fls. 371 a 382), solicitando novamente a realização de diligência à DRF Limeira/SP. O Processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 390 a 391, e também com nova manifestação da Contribuinte, às fls. 394 a 404. Este é o Relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.284 (fls. 348 a 357), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 15/04/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de fevereiro/2003, no valor de R$ 21.268,69. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 7 6 Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.284, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 78, a Contribuinte apurou IRPJ anual no valor de R$ 78.332,30 e realizou deduções a título do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (R$ 1.913,09), dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (R$ 600,00), de IR fonte (R$ 2.452,11) e de IR mensal pago por estimativa (R$ 630.038,98), o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 556.671,88. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de IRPJ em 2003 DIPJ DARF jan/03 93.135,68 88.881,45 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 8 7 fev/03 64.065,05 56.171,72 mar/03 66.840,37 66.352,13 abr/03 50.304,98 49.856,63 mai/03 65.076,12 65.222,70 jun/03 39.088,27 39.055,58 jul/03 82.839,95 82.843,14 ago/03 68.810,45 68.812,77 set/03 49.626,27 53.509,66 out/03 51.423,38 57.313,27 Total 631.210,52 628.019,05 A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Há divergências entre os valores das estimativas constantes da DIPJ e os DARF´s correspondentes. Além disso, a estimativa de julho foi recolhida em atraso, o que enseja imputação proporcional do pagamento para apartação correta da rubrica principal e dos acréscimos legais. Há também deduções a outros títulos que demandam requisitos específicos, ainda não examinados pela Delegacia de origem, porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 9 8 o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 368/369, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 24062.25552.150404.1.3.042032 em que o contribuinte utilizou o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2003, no valor de R$ 21.268,69 para compensação de débitos próprios. A compensação não foi homologada, porque o pagamento encontrase totalmente vinculado ao débito e esta decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocado e que seu crédito era saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros quinze processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco iminente de se reconhecer indevidamente milhões de crédito para o contribuinte, ressaltando que há ainda mais cinco processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 10 9 31383.04781.230609.1.6.021937 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2003, no valor de R$ 21.268,69 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de IRPJ desse mesmo período, o que só vem confirmar que o pagamento não era não é e nunca foi indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Em síntese, a DRF/Limeira/SP registrou: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.02 1937, juntado aos autos); que a decisão do CARF implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo era temerária; e que o pagamento de estimativa não poderia ser convertido em saldo negativo. Com estas considerações, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifestasse sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF se manifestou sobre a necessidade da diligência que havia demandado, proferindo outra Resolução, de nº 1802000.370 (fls. 371 a 382), nos seguintes termos: A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumpri las”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.284, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 11 10 primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 04011.89490.221208.1.2.026498, retificado pelo PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 12 11 prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 13 12 não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.284, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de IRPJ em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de IRPJ em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Dando encaminhamento a essa segunda resolução, a DRF/Limeira/SP levantou novas informações, às fls. 390/391, que subsidiaram o despacho de devolução do processo ao CARF: [...] Verificado que a Resolução n.° 1.802/000.284 requeria a apuração da base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2003 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 14 13 bem como a deduções ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, Fundos dos Diretos da Criança e do Adolescente, o processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização para cumprimento da diligência. Porém, tivemos conhecimento de que o SCC processou o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do contribuinte e depositou em sua conta corrente o valor de R$1.199.103,58, no dia 20/05/2014 (fl.391). Diante deste fato e verificado que a diligência ainda não havia sido iniciada por motivo de férias do auditor fiscal designado, foi solicitado o retorno deste processo ao Seort. Respondendo à parte dos quesitos, o crédito foi examinado e a restituição foi paga. O pedido de restituição n.° 31383.04781.230609.1.6.021937 bem como a declaração de compensação n.° 24062.25552. 150404.1.3.042032 em que o contribuinte utilizou como crédito para compensação o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2003, no valor de R$ 21.268,69, objeto deste processo, tiveram sua análise automática pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que não houve sobrestamento do pedido de restituição, pois a regra geral é que todos os documentos sejam processados automaticamente e não há funcionalidade no sistema que permita à DRF/Limeira interromper o ciclo automático para depois retomálo. Quanto aos itens requeridos pela Resolução n.° 1.802/000.284, o sistema que analisa automaticamente o saldo negativo de IRPJ não gera um relatório das verificações feitas por ele para que se possa atendêla, sendo necessária a repetição manual do quanto já realizado por ele, para atender completamente as resoluções do CARF. Considerando a relevância do fato de o contribuinte já ter recebido a restituição e o entendimento do CARF de que “ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF”, proponho o encaminhamento deste processo ao Gabinete da DRF/Limeira para que autorize o envio deste processo àquele órgão de julgamento para ciência dos fatos, retornando o processo, caso entendam imprescindível o cumprimento da Resolução n.° 1.802/000.284. Na seqüência, a Contribuinte ingressou com a petição de fls. 394 a 404, informando: que enquanto aguardava a realização da diligência requerida, em 20/05/2014 teve creditado em sua conta corrente o valor de R$ 1.199.103,58; que dado o fato de que o aludido saldo negativo já fora utilizado em diversas compensações anteriormente ao pedido de restituição, conforme já constante em suas razões de defesa, a Recorrente no dia seguinte ao crédito realizado em sua conta corrente, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 15 14 diligenciou à Receita Federal para verificar o ocorrido, bem como o procedimento para devolução do valor, tendo sido orientada a requerer a expedição de guia para tal; que tal providência foi adotada já no dia seguinte (22/05/2014), conforme se comprova com a petição anexa; que desde o início pode ser constatada a boafé da empresa em adotar todas as providências que se encontravam ao seu alcance para devolver o dinheiro indevidamente creditado em sua conta; que em 17/06/2014, recebeu Despacho Decisório (doc. anexo) no sentido de que a guia para devolução do dinheiro não seria expedida, sendo o processo suspenso até a decisão final dos processos administrativos de compensação; que a presente petição serve para cientificar e esclarecer os fatos ocorridos neste e em todos os outros processos em que se discute o legítimo direito do contribuinte em ter seu crédito processado como “Saldo Negativo”, afastando qualquer dúvida acerca de sua boafé, consignando expressamente que em nenhum momento pretendeu se aproveitar do crédito em duplicidade, tendo os pedidos de restituição sido efetuados posteriormente às compensações e apenas para resguardar seu direito; que ratifica seu pedido de homologação das compensações efetuadas, e que o valor indevidamente creditado em sua conta corrente será devolvido imediatamente quando da expedição da guia competente por parte da DRF/Limeira. Ao proferir a segunda resolução que reiterou a diligência demandada à Delegacia de origem, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF não compartilhou do entendimento de que a apresentação do pedido de restituição do saldo negativo, posteriormente às declarações de compensação, poderia configurar máfé da Contribuinte, com tentativa de aproveitamento em duplicidade do mesmo crédito, ou algo semelhante. Mas também é importante registrar que o referido pedido de restituição, embora servindo para evitar uma eventual prescrição do crédito, não tinha seus efeitos limitados a essa finalidade. Desde a sua apresentação, o pedido de restituição poderia produzir seus normais efeitos, especialmente porque indicava corretamente a espécie do crédito reivindicado (saldo negativo), sem incorrer no mesmo erro de preenchimento das declarações de compensação. Nesse passo, cabe destacar que as informações prestadas tanto pela Delegacia de origem, quanto pela própria Contribuinte, noticiam que o pedido de restituição foi processado e que o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ de 2003 já foi restituído/ depositado na conta corrente bancária da interessada. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900344/200860 Acórdão n.º 1802002.423 S1TE02 Fl. 16 15 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 16045.000391/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONVÊNIO. REPASSE INTEGRAL. ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL. INTERMEDIAÇÃO.
Não há que se falar na figura do contribuinte individual, e consequentemente nas obrigações previdenciárias decorrentes, quando a associação demonstra que exerceu mera intermediação dos negócios e realizou o repasse integral aos associados, descontada a taxa de administração, dos valores recebidos em razão do convênio por ela firmado com outras empresas.
ERRO NA DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA EXISTENTE ENTRE A ASSOCIAÇÃO E OS DENTISTAS. FALHA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RELATÓRIO FISCAL. VÍCIO MATERIAL.
OCORRÊNCIA.
A autoridade fiscal deixou de comprovar de forma inequívoca a relação jurídica de prestação de serviços existente entre a Associação e os dentistas, bem como de demonstrá-la adequadamente através do relatório fiscal, motivos pelos quais deve ser reconhecida a nulidade do lançamento, por vício material.
Numero da decisão: 2301-003.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 05/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Fábio Pallaretti Calcini, Luciana de Souza Espindola Reis, Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONVÊNIO. REPASSE INTEGRAL. ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL. INTERMEDIAÇÃO. Não há que se falar na figura do contribuinte individual, e consequentemente nas obrigações previdenciárias decorrentes, quando a associação demonstra que exerceu mera intermediação dos negócios e realizou o repasse integral aos associados, descontada a taxa de administração, dos valores recebidos em razão do convênio por ela firmado com outras empresas. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA EXISTENTE ENTRE A ASSOCIAÇÃO E OS DENTISTAS. FALHA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RELATÓRIO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A autoridade fiscal deixou de comprovar de forma inequívoca a relação jurídica de prestação de serviços existente entre a Associação e os dentistas, bem como de demonstrála adequadamente através do relatório fiscal, motivos pelos quais deve ser reconhecida a nulidade do lançamento, por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 91 /2 00 8- 41 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 05/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Fábio Pallaretti Calcini, Luciana de Souza Espindola Reis, Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD no 37.038.1629, no montante de R$ 115.203,73 (cento e quinze mil e duzentos e três reais e setenta e três centavos), consolidado em 26 de agosto de 2008, tendo como sujeito passivo a Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas Regionais de Taubaté. Conforme Relatório Fiscal [fls. 13 e 14], o lançamento decorreu do descumprimento da obrigação acessória de informação na GFIP com dados que não correspondem aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, das competências de 01/2004 a 12/2004, descumprindo o artigo 32, inciso IV, da Lei no 8.212/91. A Associação, cientificada da notificação, apresentou, em 26 de setembro de 2008 [fl. 60], impugnação ao presente lançamento, alegando, em síntese, ausência de fato gerador e, por consequência, impossibilidade de aplicação de multa [fls. 60 a 66]: “Ad cautelam, descabe o enquadramento legal se não há fatos geradores e nem tampouco contribuição a serem declarados, conforme foi amplamente explanado nas impugnações dos processos n° 16045.000390/200805 e 16045.000388/200828, que certamente serão acolhidas pelo Julgador, que anulará os fatos geradores, ou na pior das hipóteses, reduzirá sensivelmente seus valores”. Na defesa apresentada, a Associação argüiu que este auto de infração deve ser vinculado ao procedimento fiscal no 16095.00390/200805 e 16045.0388/200828, uma vez que ficou reconhecido que não há qualquer tipo de prestação de serviços por parte dos profissionais dentistas [fl. 63]. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, em 25 de agosto de 2009, no acórdão no 0526.584 – 6a Turma da DRJ/CPS, manteve o crédito tributário exigido [fls. 87 a 97], concluindo que: “De plano, impende esclarecer que, em 21/07/2009, foram julgados procedentes pela 6a Turma da DRJ/CPS, por meio dos Acórdãos no 26.216 e 26.217, os processos 16095.000390/2008 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16045.000391/200841 Acórdão n.º 2301003.871 S2C3T1 Fl. 291 3 05 e 16095.000388/200828, os quais correlacionamse com a obrigação acessória de que aqui se cuida, uma vez que os valores exigidos naqueles autos deveriam ter sido declarados em GFIP pela impugnante e não o foram”. “[...] cabe considerar que na impugnação o contribuinte não nega que deixou de informar em GFIP os valores relativos aos pagamentos efetuados aos dentistas, apenas se contrapõe a ocorrência do fato gerador, pois não admite qualquer tipo de prestação de serviços por parte destes profissionais à Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas [...]”. O contribuinte recebeu o ofício em 29 de setembro de 2009 [fl. 100] e, em 29 de outubro de 2009 [fl. 101], apresentou recurso voluntário [fls. 101 a 106] repisando os mesmos argumentos constantes na impugnação. Eis uns trechos: “Deve ficar claro que os valores repassados pela recorrente aos profissionais liberais, não era remuneração (salário, ordenados pago pelo empregador), e sim pagamento referente ao tratamento dentário efetuado conforme orçamento aprovado pela empresa conveniada”. “Pela impugnação apresentada e pelo relatório do D. Julgador Primário, ficou claro que a recorrente não prestava serviço, e nunca teve trabalhador avulso ou contribuinte individual a seu serviço, portanto não ocorreu o fato gerador da obrigação imputada pelo fisco, e neste ato, devidamente comprovada através da cópias de cheques e declarações, bem como cópia da relação dos demais valores repassados aos profissionais Cirurgiões Dentistas”. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento [fl. 79, v. 2]. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Peço vênia aos i. pares para reproduzir o voto prolatado pelo Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, quando do julgamento do recurso voluntário interposto no processo n. 16045.000390/200805: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONVÊNIO. REPASSE INTEGRAL. ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL. INTERMEDIAÇÃO. Não há que se falar na figura do contribuinte individual, e consequentemente nas obrigações previdenciárias decorrentes, Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 quando a associação demonstra que exerceu mera intermediação dos negócios e realizou o repasse integral aos associados, descontada a taxa de administração, dos valores recebidos em razão do convênio por ela firmado com outras empresas. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA EXISTENTE ENTRE A ASSOCIAÇÃO E OS DENTISTAS. FALHA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RELATÓRIO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A autoridade fiscal deixou de comprovar de forma inequívoca a relação jurídica de prestação de serviços existente entre a Associação e os dentistas, bem como de demonstrála adequadamente através do relatório fiscal, motivos pelos quais deve ser reconhecida a nulidade do lançamento, por vício material. Recurso Voluntário Provido. [...] A Recorrente sustenta que é uma entidade de classe, sem fins lucrativos, que exerce somente funções administrativas de representação da categoria profissional dos dentistas da região de Taubaté. Devido ao convênio firmado pela Recorrente com a empresa ALSTON, no qual esta última poderia usufruir dos trabalhos realizados pelos dentistas associados da Recorrente, a autoridade tributária entendeu que tais dentistas associados deveriam ser enquadrados como contribuintes individuais que prestam serviços diretamente à Recorrente, a qual por sua vez ficaria responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Ocorre, no entanto, que a relação de prestação de serviços se dá diretamente entre o paciente (empregado da empresa ALSTON) e o dentista. A Recorrente (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas) não tem no seu objeto social a prestação de serviços de odontologia, tampouco tem pacientes no seu quadro de associados. O Relatório Fiscal (fls. 26 a 30) também não traz qualquer registro de prestação de serviços entre a Recorrente e os dentistas. Vale destacar que os valores que são pagos pela ALSTON à Recorrente são integralmente repassados aos dentistas associados, após descontada a taxa de administração de 4%, não havendo que se falar em prestação de serviços pelos dentistas à Recorrente, mas sim diretamente à empresa contratante. Diante disso, analisando os documentos que foram trazidos aos autos por ocasião da conversão em diligência, verifico que assiste razão à Recorrente em seus argumentos, pois fica claro que não exerce a função de uma prestadora de serviços, mas unicamente atua como intermediadora dos negócios realizados pelos seus associados (os dentistas) com as empresas interessadas nos respectivos serviços. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16045.000391/200841 Acórdão n.º 2301003.871 S2C3T1 Fl. 292 5 De fato, ainda que o instrumento do “Convênio de Prestação de Serviços Odontológicos” firmado entre a Recorrente e a ALSTON (fls. 256/260, trazidos aos autos por ocasião da conversão em diligência) mencione que a associação (ora Recorrente) se obriga, através dos dentistas credenciados, a prestar serviços de assistência odontológica à empresa contratante, é possível verificar, nos demonstrativos contábeis trazidos pela Recorrente, que tal não ocorreu e que os valores recebidos pela entidade sequer transitaram em seu resultado, vindo a ser integralmente repassados aos dentistas associados, após descontada a taxa administrativa de 4%, o que comprova não ser a Recorrente a efetiva prestadora dos serviços odontológicos. Destaquese, ainda, que a autoridade fiscal não juntou esse Convênio à época do lançamento, nem mencionou o seu conteúdo no Relatório Fiscal. A título exemplificativo, analisando o demonstrativo do resultado do exercício trazidos aos autos, destaquese, somente por ocasião da diligência (fls. 272/273), é possível constatar que, com exceção da taxa administrativa de 4%, não há receita em razão de serviços odontológicos prestados pela associação Recorrente para a empresa ALSTON. Ainda, analisando as despesas mensais da associação Recorrente, verificase que também não há nenhuma despesa por pagamento de prestação de serviço aos dentistas, o que permite concluir que eram realmente os dentistas os que prestavam serviços de forma independente aos pacientes. Consta inclusive no próprio instrumento do Convênio que são os dentistas os que assistem aos pacientes e seus dependentes, cabendolhes toda a responsabilidade pelo tratamento a ser prestado (Cláusula 4a), e que os preços pelos serviços odontológicos são cobrados pelos mesmos dentistas, com os pagamentos sendo entregues à Recorrente (Cláusula 5a e 5b.), naturalmente para o posterior repasse dos valores aos dentistas, conforme se verifica na prática. Nesse sentido, na análise do balanço patrimonial (fl. 270), verificase que de fato há no passivo uma conta lançada com o título “CONVÊNIO ALSTON – PGTO DENTISTAS”, que todo mês recebe lançamento contábil a débito, referente ao repasse pela Recorrente aos dentistas, e a crédito, em razão do lançamento das novas obrigações de repasse, tudo em conta patrimonial, sem transitar pelo resultado do exercício, o que uma vez confirmado pelos demais subsídios já referidos, também faz prova em favor da Recorrente (inteligência do art. 226 da Lei nº 10.406/02). Assim, é possível concluir que os serviços de assistência odontológica são realizados diretamente pelos dentistas credenciados, e que a Recorrente, apesar de receber os valores diretamente da empresa contratante, repassaos aos associados, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 após descontada a taxa administrativa, não havendo que se falar na figura do contribuinte individual que lhe preste serviço e nem em obrigações previdenciárias decorrentes desta operação. Vale destacar que todas essas questões relativas ao lançamento, principalmente acerca da análise dos demonstrativos contábeis e da demonstração da relação de prestação de serviços existente entre a Associação e os dentistas, deveriam ter sido consideradas pela autoridade fiscal por ocasião da fiscalização e devidamente detalhadas no relatório fiscal. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento relacionados à validade e à incidência da lei (no caso, a caracterização adequada dos fatos geradores, pela demonstração inequívoca da relação de prestação de serviço entre a associação e os dentistas), ela está incorrendo em vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. É importante deixar claro que a irregularidade cometida pela autoridade tributária na presente demanda se trata de um vício material e não formal. Isso porque, muito embora durante o decorrer deste processo tenha sido oportunizada à autoridade fiscal analisar os demonstrativos fiscais, esta deixou de comprovar de forma inequívoca a relação jurídica de prestação de serviços existente entre a Associação e os dentistas, bem como de demonstrála adequadamente através do relatório fiscal. Não se trata, portanto, de fundamentação deficiente, situação em que se tem entendido que o vício do lançamento seria formal, mas sim no total descompasso da análise fática da situação que deu ensejo a presente autuação. Assim, como o equívoco realizado pela autoridade tributária alterou substancialmente a situação fática da Recorrente, ocasionando a exigência de um tributo que no seu caso não é devido, deve ser anulada a presente autuação por vício material. Em se tratando de vício material, o novo lançamento não pode se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN, somente aplicável em caso de lançamento anulado por vício formal. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16045.000391/200841 Acórdão n.º 2301003.871 S2C3T1 Fl. 293 7 nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) – destacouse Por fim, em face da nulidade integral da presente autuação, nos termos da fundamentação acima, deixo de analisar os demais argumentos trazidos pela Recorrente. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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