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Numero do processo: 11080.720713/2016-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88.
Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Súmula CARF nº 63.
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE.
O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. (Acórdão nº 2201-003.016 - 10/03/2016)
Numero da decisão: 2002-000.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Súmula CARF nº 63. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. (Acórdão nº 2201-003.016 - 10/03/2016)
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Súmula CARF nº 63. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. (Acórdão nº 2201 003.016 10/03/2016) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 07 13 /2 01 6- 32 Fl. 82DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.720713/201632 Acórdão n.º 2002000.106 S2C0T2 Fl. 83 3 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 13 a 17), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de valores supostamente devidos de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 2.726,89, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 29/02/2016, à e fl. 02 a 49 dos autos. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 28/07/2017, no acórdão 0659.901, às efls. 51 e 58, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 01/09/2017 às efls. 64 a 77, no qual alega, em resumo, que: § no ano de 2008 foi diagnosticada com cegueira do olho direito decorrente do deslocamento de retina e glaucoma terminal, CID H54.4; § em 2014 entrega o laudo ao Departamento Municipal de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Porto Alegre PREVIMPA para fins de isenção do IRPF; § posteriormente, em 26/06/2014 a instituição reconheceu a condição da contribuinte de portadora de moléstia grave e, deste modo, pleiteia pela isenção de seus rendimentos e o cancelamento do auto de infração lavrado. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 11/08/2017, efls. 61, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 01/09/2017, às efls. 64, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na autuação de valores supostamente devidos de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave. Irresignado, a contribuinte pleiteia que o lançamento fiscal subsistente seja afastado, pois os rendimentos auferidos gozam de isenção, já que portador de moléstia grave devidamente comprovada pelo laudo constante na efls. 7, diagnosticada em 2008. Ainda, informa que é pensionista da Departamento Municipal de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Porto Alegre PREVIMPA desde 2001, de acordo com parecer do Ministério Público, que entendeu pela concessão da isenção, às efls. 9 a 12. Ainda, a contribuinte, às efls. 43 a 48, juntou aos autos sentença judicial transitada em julgado em face da Departamento Municipal de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Porto Alegre PREVIMPA A decisão da DRJ não reconheceu a isenção da contribuinte sob o fundamento de que não foram atendidos os requisitos legais. Ainda, a decisão proferida no processo nº 001/1.15.00068072, reconhecendo a moléstia grave, não vincula a Receita Federal do Brasil (RFB) vez que proferida pela Justiça Estadual do Rio Grande do Sul. Segue: 16. A Impugnante carreou aos autos cópia da sentença judicial proferida no Processo nº 001/1.15.00068072, tendo como autora a Impugnante e como ré a pessoa jurídica PREVIMPA. Nesse decisão, datada de 14/04/2016, a Juíza de Direito Carmen Carolina Cabral Caminha sentenciou nos seguintes termos: "Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE a ação ajuizada por Gloria Teresinha Fontoura Geremia em face da PREVIMPA, para o fim de declarar a existência de doença grave a ensejar a isenção do imposto de renda a partir do ano de 2008" 17. Ocorre, porém, que a citada ação não foi impetrada contra a Fazenda Pública Nacional – União, fato este essencial para a não observância das regras contidas no Ato Declaratório Normativo da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, ou, até mesmo, do princípio da unidade de jurisdição em que se estabelec que a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa. (...) 18. Para que uma ação judicial produza efeitos em relação à União, pessoa jurídica competente para instituir o Imposto de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.720713/201632 Acórdão n.º 2002000.106 S2C0T2 Fl. 84 5 Renda, nos moldes do art. 153, III, da Constituição Federal, há de ser proposta, necessariamente, perante à Justiça Federal, em observância ao art. 109, I, da Constituição, e nunca apenas contra terceiros, no caso concreto uma pessoa jurídica denominada "Previmpa", empresa ligada à Prefeitura Municipal de Porto Alegre/RS. Por oportuno, serão reproduzidos, a seguir, o inciso I, do art. 109 e o art. 153 da Constituição Federal (...) Da exegese da Lei nº 7.713/88 e do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), comase em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifos nossos) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: Fl. 86DF CARF MF 6 REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) IRPF – ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE A Lei prescreve especificamente que prova de moléstia grave somente pode ser feita com laudo de órgão oficial. (Acórdão nº. : 10244.418 14/09/2000) De fato, em uma análise literal dos dispositivos, a recorrente não carreou aos autos laudo médico oficial comprovando a moléstia grave. Também é fato que as decisões da justiça estadual não possuem o condão de vincular a RFB. Porém, de posse deste atestado médico, a contribuinte ajuizou ação para que fosse reconhecida sua moléstia grave para fins de isenção de IRPF. O processo judicial é revestido de formalidades e passa por uma extensa fase de cognição. Por mais que a sentença proferida pela justiça estadual, como dito, não vincule a RFB, a douta juíza entendeu que está devidamente comprovada a moléstia grave que acomete a recorrente. A sentença judicial enquanto título executivo judicial formado decorrente de processo judicial, presente a ampla defesa e o contraditório, é perfeitamente capaz de suprir a ausência dos requisitos legais elencados na legislação, por se tratar de norma individual e concreta proferida por agente competente. Quanto a cegueira monocular, temos: RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.720713/201632 Acórdão n.º 2002000.106 S2C0T2 Fl. 85 7 Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. (Acórdão nº 2201003.016 10/03/2016) Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para, no mérito, darlhe provimento, pois atendidos os requisitos para a concessão da isenção, devendo ser exonerado crédito tributário. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 88DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do Conselheiro Relator quanto à possibilidade de reconhecimento da isenção com base na decisão judicial proferida em ação ajuizada pela recorrente em face de sua fonte pagadora. De acordo com a legislação de regência, indicada na autuação e reproduzida pelo relator, há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. A legislação do imposto de renda elegeu o laudo médico oficial (ou laudo pericial) como instrumento hábil para comprovação do estado clínico do paciente que irá trazer reflexos junto à administração tributária. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 63, de observação obrigatória por este Colegiado, conforme art. 72, RICARF, dispõe que: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaques acrescidos) No caso, a recorrente não juntou aos autos o laudo médico oficial exigido, atestando a moléstia a partir de 2008, conforme alegado. A decisão judicial apresentada não pode ser acatada em substituição ao documento exigido pela legislação aplicável. Como consignado pela decisão de piso, a Fazenda Nacional (União) sequer figurou como parte naquela ação, não teve a oportunidade de falar nos autos e muito menos de contraditar as questões nele debatidas. Além da ausência de contraditório com a Fazenda, tal sentença também não pode ser oposta a União por força do disposto no art. 506 do CPC a seguir transcrito: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Assim, entendo que não merece reparos a decisão de piso, a qual adoto: 18. Para que uma ação judicial produza efeitos em relação à União, pessoa jurídica competente para instituir o Imposto de Renda, nos moldes do art. 153, III, da Constituição Federal, há de ser proposta, necessariamente, perante à Justiça Federal, em Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.720713/201632 Acórdão n.º 2002000.106 S2C0T2 Fl. 86 9 observância ao art. 109, I, da Constituição, e nunca apenas contra terceiros, no caso concreto uma pessoa jurídica denominada "Previmpa", empresa ligada à Prefeitura Municipal de Porto Alegre/RS. Por oportuno, serão reproduzidos, a seguir, o inciso I, do art. 109 e o art. 153 da Constituição Federal: .... 19. Nesse contexto, é importante registrar que pertence aos Estados e aos Municípios, o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos pagos, a qualquer título, a seus servidores e empregados, sob a fiel reprodução do art. 157, I, da Constituição, porém, compete à União cobrar o mencionado tributo. ... 20. A mencionada norma – art. 157, I, aliás, não retira a legitimidade da União para figurar no polo passivo acerca da ação declaratória de reconhecimento do direito da autora à isenção do Imposto de Renda, principalmente, no caso desses autos, no qual a Impugnante pleitea a restituição do Imposto de Renda pela Fazenda Nacional. Somente a pessoa jurídica de direito público que tem competência para instituir o tributo detém, também, o poder de isentálo. ... 22. Por conseguinte, entendese que a sentença proferida contra a "PREVIMPA", empresa ligada à Prefeitura do Município de Porto Alegre/RS, não alcança a Fazenda Nacional, razão pela qual não há óbice a que se considere os rendimentos de aposentadoria auferidos pela contribuinte como tributáveis. 23. Assim, diante de todos esses fatos, constatase que não foi cumprido o requisito legal que determina a apresentação de Laudo MédicoPericial emitido pelo Serviço Médico Oficial, devendo ser mantida a autuação fiscal contida na Notificação de Lançamento. (destaques acrescidos) Pelo exposto, não tendo sido atendido um dos requisitos legais para reconhecimento da isenção, nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908412/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 12 /2 00 9- 62 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Acórdão n.º 1301003.101 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Acórdão n.º 1301003.101 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Acórdão n.º 1301003.101 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.908412/200962 Acórdão n.º 1301003.101 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.017601/2010-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 76 01 /2 01 0- 12 Fl. 643DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301002.938 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 11 de julho de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 961: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESPESAS DE VIAGEM. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DIFERENÇA DE DISSÍDIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. A autuação, na parte subsistente, não apresenta vícios em sua motivação jurídica, pois a legislação, que serviu de fundamento do ato administrativo, foi devidamente explicitada. Não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa. Integram o saláriodecontribuição, com fundamento na Lei 8.212/91, as diárias de viagem que excedam a 50% da remuneração mensal. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 7 a 16, o auto de infração trata das contribuições devidas pelo sujeito passivo, acima identificado, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil RFB, destinadas a Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), do período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10830.017601/201012 Acórdão n.º 9202006.672 CSRFT2 Fl. 3 3 Ainda consoante o relato da fiscalização, o crédito previdenciário lançado referese às contribuições sociais, a cargo do empregador, incidentes sobre parcelas pagas, devidas ou creditadas, a seus segurados empregados, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP), a título de remunerações especificadas em folhas de pagamento de salários e/ou lançamentos contábeis. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 223 a 382. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Previdenciária em Campinas/SP julgou procedente em parte o lançamento fiscal, com a seguinte conclusão, fls. 400 a 435: Ante o exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, excluindo da autuação: as contribuições relativas às competências 01/2005 a 11/2005 por decurso do prazo decadencial; os levantamentos A4, A41, B11, D1, D11, G11, G2 e G21, relacionados a parcelas pagas em período não decadente consideradas isentas pela empresa, mas cuja natureza remuneratória não foi demonstrada pela Fiscalização; o levantamento E1, atinente às “despesas de viagem” pagas pela empresa como “diárias de viagem”, mantendo os segurados que perceberam a parcela em percentual superior a 50% de sua remuneração; as contribuições recolhidas relacionadas à rubrica “diferença de dissídio”, consoante GPS de fls. 245 e 247 (processo principal em meio papel). Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi dado provimento parcial ao recurso, nos termos abaixo transcritos, 151 a 164: 50. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: a) decotar do lançamento os valores referentes às contribuições destinadas à participação nos lucros ou resultados; b) reduzir a multa aplicada conforme determina o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 165 a 181, por entender a recorrente que o aresto merece reforma, visto que o acórdão recorrido diverge do paradigma, em síntese, no que diz respeito ao critério de comparação para fins de aferição da multa mais benéfica, em virtude das alterações dos dispositivos da Lei 8.212/91, que tratam dessa matéria, pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Fl. 645DF CARF MF 4 Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 217 a 222, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária; b) impende considerar que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; c) verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, cumpre à fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96; d) a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; e) cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB nº 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP nº 449/2008; f) NFLD em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Por meio de contrarrazões, fls. 593 a 505, a Contribuinte se insurgiu relativamente ao conhecimento e ao mérito do recurso, sustentando, em síntese, : a) que os paradigmas não divergem do entendimento adotado no acórdão recorrido ou não tratam da mesma matéria, razão pela qual não dão à lei tributária em comento interpretação divergente; b) o acerto da decisão recorrida ao determinar a observância da nova redação conferida ao art. 35 da Lei n.º 8.212/91 pela Lei Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10830.017601/201012 Acórdão n.º 9202006.672 CSRFT2 Fl. 4 5 n.º 11.941/09 e limitar a multa de mora no patamar estabelecido pelo art. 61 da Lei n.º 9.430/96, qual seja, em, no máximo 20%. Ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte foi negado seguimento, de acordo com o Despacho de Admissibilidade de fls. 1.189 a 1.190. Houve reexame de admissibilidade do Recurso, contudo foi mantida a negativa de seguimento, fls. 636 a 637. É o relatório Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento Alega a Recorrida que os paradigmas colacionados pela Recorrente não divergem do entendimento adotado no acórdão recorrido ou não tratam da mesma matéria, razão pela qual não dão à lei tributária em comento interpretação divergente. Extraise do Acórdão paradigma n.º 240100.120 que não foi aplicada a retroatividade, nos termos abaixo: Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, alem de alterar o art. .35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: (...). Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância. E o Acórdão paradigma n.º 2301.00.283 assim dispõe: Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008, entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada Fl. 647DF CARF MF 6 por meio da Medida Provisória n ° 449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n ° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação. O Despacho de Admissibilidade deixa evidente a divergência, conforme abaixo transcrito: A recorrente afirma que o acórdão recorrido diverge do paradigma, em síntese, no que diz respeito ao critério de comparação para fins de aferição da multa mais benéfica, em virtude das alterações dos dispositivos da Lei 8.212/91, que tratam dessa matéria, pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Sustenta que o acórdão recorrido entendeu que a multa mais benéfica para o sujeito passivo deve ser aferida comparandose a multa prevista na redação antiga do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (vigente à época dos fatos) em confronto com a multa prevista no art. 35, caput, da mesma lei, alterado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, o qual, por fazer remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, limita a multa ao percentual de 20%. Acrescenta que os acórdãos paradigmas, por sua vez, afastam expressamente a aplicação retroativa do art. 61 § 2º da Lei nº 9.430/1996, sob o fundamento de que a antiga redação do art. 35 da Lei 8.212/91 deve ser comparada com o art. 35A da mesma lei, acrescentado pela Lei 11.941/2009, que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. Pelo exposto, razão não assiste à recorrida quanto ao conhecimento, pois identificada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Fazenda Nacional e o devido prequestionamneto do tema. 2. Da retroatividade benigna Conforme narrado, a controvérsia reside na aplicação das penalidades relativas às contribuições previdenciárias previstas na Lei n.º 8.212/91, com alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Sobre o tema, utilizome do voto de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos abaixo transcrito. Cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10830.017601/201012 Acórdão n.º 9202006.672 CSRFT2 Fl. 5 7 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei Fl. 649DF CARF MF 8 nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10830.017601/201012 Acórdão n.º 9202006.672 CSRFT2 Fl. 6 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. Fl. 651DF CARF MF 10 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10830.017601/201012 Acórdão n.º 9202006.672 CSRFT2 Fl. 7 11 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 653DF CARF MF 12 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº14, de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 654DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.005636/2007-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão.
Para conhecimento do Recurso Voluntário faz-se necessário os pressupostos de admissibilidades.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinadodigitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
Numero da decisão: 2001-000.301
Decisão: (assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão. Para conhecimento do Recurso Voluntário faz-se necessário os pressupostos de admissibilidades. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinadodigitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente.
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Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão. Para conhecimento do Recurso Voluntário fazse necessário os pressupostos de admissibilidades. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinadodigitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 56 36 /2 00 7- 61 Fl. 98DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 15.899,83, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2004. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, porque aqueles acostados não estariam a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: Em procedimento de revisão interna da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF do contribuinte supra citado, referente ao Exercício de 2005, Ano Calendário 2004, a Auditoria Fiscal efetuou o presente lançamento de oficio, nos termos do Decreto 3.000/99 — Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a apuração de deduções indevidas a título de despesas médicas, por falta de comprovação. O enquadramento legal, descrição, demonstrativo do fato gerador e valor tributável foram registrados no lançamento, às fls. 02/04. (...) O contribuinte apresenta os documentos de fls. 10/62, que passamos a analisar. Fls. 10 — Atestado Médico para a Sra. Beatriz Helena Pereira de Souza Lion, em tratamento nos anos de 2003 e 2004; Fls. 11/13 — Comprovante de transferência e extrato bancário em favor da empresa AMT — Assistência Médica total S/C Ltda e nota fiscal no valor de R$ 16.250,00 — é de se restabelecer a dedução no valor de R$ 16.250,00; Fls. 14/20 — Notas Fiscais da empresa CARDIOCENTER — Centro de Ecodopllercardiografia, que totalizam R$ 11.210,20 — é de se restabelecer parte da dedução no valor de R$ 11.210,20; Fls. 21 — Nota Fiscal da empresa CARDIOCENTER — Centro de Ecodopllercardiografia, no valor de R$ 3.376,90, emitida em 15/02/2005, anocalendário não objeto deste lançamento — mantida a glosa; Fls. 22/33 e 36 — Extrato de despesas médicas e declaração do Hospital Nbert Einstein referentes ao anocalendário 2003 não objeto deste lançamento — mantida a glosa; Fls. 34/35 — Extrato de despesas médicas do Hospital Albert Einstein, no valor de R$ 3.500,00, que não demonstram posição Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11610.005636/200761 Acórdão n.º 2001000.301 S2C0T1 Fl. 99 3 definitiva de débito, conforme informação constante no próprio extrato — antida a glosa no valor declarado de R$ 27.894,08; Fls. 37/40 — Títulos de Gino Cia Ltda, que totalizam R$ 735,00 — mantida a glosa em face da não identificação da prestação de serviço e títulos sem comprovação de pagamento; Fls. 41 — Recibo emitido por Gino Cia Ltda referente à locação de cama e colchão, sem comprovação de pagamento e Cupom Fiscal sem identificação dos serviços prestados — mantida a glosa; Fls. 42 — Titulo do Hospital Sírio Libanês no valor de R$ 71,70 — mantida a glosa por falta de autenticação comprovando o pagamento, bem como dos serviços prestados; Fls. 43 — Informe para Declaração de Imposto de Renda da empresa Bradesco Saúde no valor de R$ 2.997,48 referente ao contribuinte e sua dependente é de se restabelecer a dedução; Fls. 44 — Recibo do Hospital Santa Catarina no valor de R$ 34,00 — mantida a glosa por falta de indicação do serviço prestado; Fls. 45/46 — Notas Fiscais da empresa MEDICARD — Métodos Diagnósticos em Cardiologia S/C Ltda, que totalizam R$ 1.880,00 — é de se restabelecer a dedução; Fls. 47 — Recibo emitido por COF — Clínica de Ortopedia e Fraturas S/C Ltda, no valor de R$ 90,00 é de se restabelecer a dedução; Fls. 48/49 — Recibos emitidos por José Antonio O Turri por tratamento fisioterápico que totalizam R$ 1.500,00 — mantida a glosa por não conter o endereço do profissional, identificação do beneficiário ou da forma de pagamento que, se pago em espécie não há comprovação nos autos; Fls. 50 — Recibo emitido por CDEL — Coleta Domiciliar de Exames Laboratoriais no valor de R$ 40,00 é de se restabelecer a dedução; Fls. 51/52 — Recibos emitidos por Francisca Célia da Silva que totalizam R$ 800,00 — mantida a glosa em face de o recibo não conter a identificação do profissional, o registro no Conselho Profissional e o beneficiário; Fls. 53 — Recibo emitido por Pro Gastro — Clínica do Aparelho Digestivo e Coloproctologia, no valor de R$ 500,00 — é de se restabelecer a dedução; Fls. 54— Título e comprovante de pagamento a Sul América Companhia de Seguro Saúde, no valor de R$ 220,52 — é de se restabelecer parte da dedução no valor de R$ 220,52; Fls. 55/56 — Nota Fiscal e comprovante de pagamento a EFICENTRO — Ortopedia e Conveniência Ltda, no valor total de R$ 360,00 — é de se restabelecer a dedução; Fls. 57/58 — Recibos emitidos pelo He, .ital Alemão Oswaldo Cruz no valor total de R$ 3.158,38 é de se restabelecer a dedução. Fls. 59/60 Recibos emitidos por URP Unidade Radiológica Paulista, que totalizam R$ 311,10 é de se restabelecer a dedução; Fls. 61/62 Recibos emitidos pelo Hospital Santa Paula S/A, no valor total de R$ 7.425,00 – é de se restabelecer a dedução. À vista dos documentos apresentados é de se restabelecer parte das deduções, ficando o demonstrativo de apuração do imposto devido da seguinte forma: Fl. 100DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto pela procedência em parte do presente lançamento pelas razões de fato e de direito analisadas, a fim de exonerar do crédito tributário constituído os valores deduzidos da Declaração de Ajuste que foram devidamente comprovados como legítimos mantendo por sua vez os demais valores glosados que não foram comprovados, o que resulta na manutenção parcial do crédito tributário, como a seguir se demonstra: Assim, conclui a decisão de piso pela procedência parcial da impugnação, mantendo a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 2.820,22, referente à glosa do valor de despesas médicas. Por sua vez, ao tomar conhecimento da decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta um documento de encaminhamento de comprovantes, em que anexa cópias de despesas médicas. Pelos autos se observa que a entrega de documentos não se fez acompanhar de recurso que oferecesse argumentação em defesa do Recorrente, razão pela qual se constata ausência de argumentos motivacionais que possa fazer prosperar o Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator A inexistência de Recurso Voluntário não permite que se avance no julgamento da lide por um pressuposto básico de admissibilidade que é a identificação da motivação objeto da contestação à decisão do acórdão da DRJ. O recurso deve preencher todos os pressupostos processuais para ser conhecido. Quando não os preenche, não será conhecido, em obediência ao sistema recursal do processo, regramento importante no exercício do direito na lide. Reformar decisão para afastar possível engano no julgamento que reflita injustiça corresponde a uma ação muito delicada e, especialmente por isso, o trâmite processual deve ser devidamente observado. A motivação é pressuposto fundamental para a admissão do recurso. A parte que recorre deve sempre motivar, ou seja, dar suas razões para interpor o recurso, seja pelo seu inconformismo, seja por discordar de algum ponto técnico na decisão. Nesse sentido não basta o Recorrente anexar provas sem dizer do contraditório ao que foi decidido no julgamento anterior. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11610.005636/200761 Acórdão n.º 2001000.301 S2C0T1 Fl. 100 5 Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário pela falta de cumprimento de pressuposto básico de admissibilidade que justifique inclusive a divergência de valores entre o lançado e o valor total da documentação agora acostada ao processo. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720655/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO.
Caracterizada omissão no acórdão embargado relativamente a ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado o Colegiado, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração.
MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo (art. 106, II, "b" do CTN).
Mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016, publicado em 14/12/2016, foram dispensadas da obrigatoriedade de utilização do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, de forma que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação ou omissão. Não havendo também menção nos autos à existência de fraude ou à falta de pagamento de tributo, a multa correspondente deve ser afastada.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 3402-005.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada omissão no acórdão embargado relativamente a ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado o Colegiado, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração. MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo (art. 106, II, "b" do CTN). Mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016, publicado em 14/12/2016, foram dispensadas da obrigatoriedade de utilização do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, de forma que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação ou omissão. Não havendo também menção nos autos à existência de fraude ou à falta de pagamento de tributo, a multa correspondente deve ser afastada. Embargos acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 672 1 671 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.720655/201481 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402005.281 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria Embargos de Declaração Embargante DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM MARÍLIA Interessado CERVEJARIA MALTA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada omissão no acórdão embargado relativamente a ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado o Colegiado, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração. MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo (art. 106, II, "b" do CTN). Mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016, publicado em 14/12/2016, foram dispensadas da obrigatoriedade de utilização do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, de forma que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação ou omissão. Não havendo também menção nos autos à existência de fraude ou à falta de pagamento de tributo, a multa correspondente deve ser afastada. Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 06 55 /2 01 4- 81 Fl. 672DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo Delegado da Receita Federal em Marília em 29/07/2016, em face do Acórdão nº 3402003.033, de 27 de abril de 2016, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2013 a 31/12/2013 Ementa: MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada. Recurso voluntário provido Sustenta o embargante que teria ocorrido erro de direito no Acórdão embargado, ao deixar de considerar a vigência do art. 35 da Lei nº 13.097/2015, que determina a obrigatoriedade de instalação do Sicobe. Os embargos foram admitidos pelo Presidente do Colegiado, tendo em vista que, de fato, "o acórdão embargado omitiuse sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma, conforme prescreve o art. 65 do RICARF, mas especificamente na aplicação do artigo 35 da Lei nº 13.097, de 2015, que mantinha a obrigatoriedade de instalação do SICOBE". Intimada a se manifestar em face dos embargos, a contribuinte sustentou, em síntese: a) impossibilidade do Delegado da Receita Federal de Marília alegar questão relativa ao mérito do processo administrativo em embargos de declaração; b) não há erro de direito no acórdão recorrido, que fundamentou a exoneração da multa no fato de o dispositivo que fundamentou a autuação ter sido revogado; c) noutro passo, devese observar a impossibilidade de utilização do art. 35 da Lei n.º 13.097/2015 para manutenção de multa aplicada com base no art. 58T, da Lei n.º 10.833/2003; e d) a embargada, bem como todas as demais empresas industrializadoras de bebidas frias, foram dispensadas da obrigação de utilização do SICOBE por meio do Ato Declaratório Executivo ADE n.º 75/2016 e do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 3402005.281 S3C4T2 Fl. 673 3 Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. O titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão detém legitimidade para a oposição dos embargos de declaração, nos termos do art. 65,§1º, V do anexo II do Regimento Interno do Carf, para todas as hipóteses de cabimento dos aclaratórios, dentre as quais não se inclui o erro de direito. No entanto, levando se em conta a interpretação dada pelo despacho de admissibilidade, no sentido de que foi omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, qual seja, a vigência do artigo 35 da Lei nº 13.097/2015, tomase conhecimento dos embargos. Posteriormente à autuação, a Lei nº 13.097/2015 realmente revogou o art. 58 T da Lei nº 10.833/2003, o qual dispunha sobre as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam as bebidas especificadas, bem como determinava, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória, a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n°11.488/2007, cabível originalmente no âmbito do controle de cigarros; no entanto, manteve a mesma determinação nos arts. 14 e 35, nos seguintes termos: LEI Nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 DOU de 20.1.2015 Art. 14. Observado o disposto nesta Lei, serão exigidos na forma da legislação aplicável à generalidade das pessoas jurídicas a Contribuição para o PIS/PASEP, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, a Contribuição para o PIS/PASEPImportação, a COFINSImportação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização e comercialização dos produtos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011: (Vigência) Regulamento (Vigência) I 2106.90.10 Ex 02; II 22.01, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 2201.10.00; III 22.02, exceto os Ex 01, Ex 02 e Ex 03 do código 2202.90.00; e IV 22.02.90.00 Ex 03 e 22.03. Parágrafo único. O disposto neste artigo, em relação às posições 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água e refrigerantes, chás, refrescos, cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos, bebidas energéticas e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína. (...) Art. 35. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 14 ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. (Vigência) Regulamento (Vigência) Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 674DF CARF MF 4 Art. 168. Esta Lei entra em vigor: (...) III no 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao de sua publicação, em relação aos arts. 14 a 39; (...) Art. 169. Ficam revogados: (...) III a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) Não obstante isso, ocorreu que, mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 75, de 17 de outubro de 2016, publicado no DOU de 18/10/2016 (seção 1, pág. 12), a recorrente foi expressamente dispensada da obrigação de utilização do SICOBE, nos seguintes termos: Dispõe sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). O COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO da atribuição que lhe confere o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, declara: Art. 1º Ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único deste ato, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. ANEXO ÚNICO (...) (...) A seguir, a não obrigatoriedade de utilização do SICOBE foi estendida para todas pessoas jurídicas que antes eram obrigadas, em conformidade com o Ato Declaratório abaixo transcrito: Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94, de 12 de dezembro de 2016, publicado no DOU de 14/12/2016 (seção 1, pág. 15) Dispõe sobre a não obrigatoriedade de utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe). O COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO no uso da atribuição que lhe confere o art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, declara: Art. 1º Em complemento ao ADE Cofis nº 75, de 17 de outubro de 2016, ficam os estabelecimentos industriais envasadores de bebidas, relacionados no anexo único, desobrigados – a partir de 13 de dezembro de 2016 – da utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Art. 2º As pessoas jurídicas obrigadas ao Sicobe e que, porventura, não estiverem relacionadas neste ato, ou naquele supramencionado, estão igualmente desobrigadas a partir da data constante no art. 1º. [destaquei] Art. 3º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. FLÁVIO VILELA CAMPOS Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 3402005.281 S3C4T2 Fl. 674 5 Anexo único (...) Observe que é prerrogativa da Receita Federal regulamentar a aplicação da obrigatoriedade de utilização dos equipamentos contadores de produção, inclusive para dispensála, nos termos do parágrafo único do art. 35 da Lei nº 13.097/2015 e do art. 36, caput, §1º, II da Medida Provisória nº 2.15835/2001: LEI Nº 13.097, DE 19 DE JANEIRO DE 2015 Art. 35. (...) Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. Art. 36. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivimetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. (Vide Lei nº 11.051, de 2004) §1o A Secretaria da Receita Federal poderá: (...) II dispensar a instalação dos equipamentos previstos neste artigo, em função de limites de produção ou faturamento que fixar. Assim, diante da dispensa de obrigatoriedade de utilização do SICOBE Sistema de Controle de Produção de Bebidas para todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, temse que a anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação ou omissão. Conforme decidido TRF 3ª Região (Relatora: Eliana Marcelo) na Apelação Cível cuja ementa segue abaixo, o custeio dos serviços de instalação e manutenção dos equipamentos do SICOBE não tem natureza de tributo: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS SICOBE. ATRIBUIÇÃO DA CASA DA MOEDA. MANUTENÇÃO E UTILIZAÇÃO. NATUREZA DE RESSARCIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA DO ARTIGO 13 DA IN RFB Nº 869/08. POSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, pelos serviços prestados de integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos do SICOBE, não se enquadra no conceito de tributo. Precedente desta Corte Regional. 2. O art. 58 T da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dada pela Lei n.º 11.827/2008, fruto da conversão da Medida Provisória n.º 436/2008, criou para as empresas que industrializam alguns tipos de bebidas, a obrigação tributária acessória de permitir a instalação de contadores de produção, a cargo da Casa da Moeda do Brasil, assim como custear os serviços por esta prestados de "integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos", na forma de ressarcimento. 2. O ressarcimento não se confunde com a obrigação acessória de permitir a instalação dos equipamentos, mas lhe é decorrente, possuindo, portanto, natureza de custeio dos serviços de instalação e manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos do SICOBE, realizados pela Casa da Moeda do Brasil, como prevê o artigo 28, § 2º da Fl. 676DF CARF MF 6 Lei n.º 11.488/2007. 3. A primeira relação jurídica, obrigação acessória de permissão de instalação dos equipamentos, tem como sujeitos a União e a empresa produtora, decorrendo de exigência da arrecadação e fiscalização. Já, no tocante à relação ensejadora do ressarcimento, temse como sujeitos a Casa da Moeda do Brasil e a empresa fabricante, não havendo que se falar, destarte, em tributo, porque a Casa da Moeda não é ente tributante e porque se trata de relação jurídica de cunho privado. Destarte, não se trata de imposto, pois este não se confunde com o custeio, em sentido amplo, do selo e equipamentos necessários, embora estes sejam destinados a garantir sua cobrança, configurando mera obrigação acessória e não principal (tributo). 4. Não há falar, ainda, em taxa porquanto a hipótese de ressarcimento do custo do equipamento não se confunde com o exercício do poder de polícia administrativa ou com o uso de serviço público, já que não se trata de utilização de serviço público específico e divisível, tampouco de preço público, porquanto não decorre de obrigação assumida voluntariamente. 5. Não se tratando de tributo, mas de cobrança de obrigação decorrente de relação de direito privado, não tem pertinência a Súmula 70 ("É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo") ou a Súmula 323 ("É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos"), ambas do Supremo Tribunal Federal. (...) 14. Não há no agravo elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática. 15. Agravo não provido. (TRF3 AMS: 00033996420134036110 SP 000339964.2013.4.03.6110, Relator: JUÍZA CONVOCADA ELIANA MARCELO, Data de Julgamento: 28/01/2016, TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: eDJF3 Judicial 1 DATA:05/02/2016) [negritos desta Relatora] Dessa forma, tendo em vista que também não constam nos autos qualquer informação acerca de eventual ato fraudulento, entendo aplicável a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "b" do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse mesmo sentido foi decidido por este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão nº 3402004.133, em sessão de 23 de maio de 2017. Assim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, com a integração da fundamentação acima no Acórdão embargado, e com a alteração da sua ementa para a seguinte redação: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2013 a 31/12/2013 MULTA. SICOBE. ANORMALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a norma nova aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo (art. 106, II, "b" do CTN). Mediante o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 94/2016, publicado em 14/12/2016, foram dispensadas da obrigatoriedade de utilização do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) todas as pessoas jurídicas antes obrigadas, de forma que a Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 3402005.281 S3C4T2 Fl. 675 7 anormalidade de funcionamento desse sistema deixou de ser tratada como contrária a qualquer exigência de ação ou omissão. Não havendo também menção nos autos à existência de fraude ou à falta de pagamento de tributo, a multa correspondente deve ser afastada. Recurso Voluntário provido" É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 678DF CARF MF 8 Fl. 679DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.722127/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/12/2012
DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. As solicitações de diligência ou perícia que sejam consideradas prescindíveis pela autoridade julgadora devem ser justificadamente indeferidas.
PIS-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO EXIGIDA NA LEI. A redução a zero das alíquotas das contribuições para o PIS-Importação e Cofins-Importação de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004 aplica-se às luvas de látex da Posição 4015 da Nomenclatura Comum do Mercosul, desde que sejam destinadas para uso nas instituições exigidas na Lei, tais como, laboratórios, clínicas, hospitais, consultórios, entre outros.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
PROVA. INSUFICIÊNCIA.
Necessário provar o alegado. No caso em que a destinação do produto é condição para usufruto da redução é necessário conferir a destinação final do produto. AAssunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Numero da decisão: 3401-004.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento ao recurso voluntário apresentado. No que se refere ao recurso voluntário, o Conselheiro Robson José Bayerl acompanhou a relatora pelas conclusões, em virtude da superveniência da Solução de Divergência COSIT nº 4/2017, e de seu conteúdo. O Conselheiro Rosaldo Trevisan reiterou, a título de declaração de voto, o externado na declaração prestada no Acórdão 3401-004.387. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acresceu às razões de provimento ao recurso voluntário as por ele externadas no mesmo Acórdão 3401-004.387.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2009 a 30/12/2012 DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. As solicitações de diligência ou perícia que sejam consideradas prescindíveis pela autoridade julgadora devem ser justificadamente indeferidas. PIS-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO EXIGIDA NA LEI. A redução a zero das alíquotas das contribuições para o PIS-Importação e Cofins-Importação de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004 aplica-se às luvas de látex da Posição 4015 da Nomenclatura Comum do Mercosul, desde que sejam destinadas para uso nas instituições exigidas na Lei, tais como, laboratórios, clínicas, hospitais, consultórios, entre outros. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PROVA. INSUFICIÊNCIA. Necessário provar o alegado. No caso em que a destinação do produto é condição para usufruto da redução é necessário conferir a destinação final do produto. AAssunto: Contribuição para o PIS/Pasep
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PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. As solicitações de diligência ou perícia que sejam consideradas prescindíveis pela autoridade julgadora devem ser justificadamente indeferidas. PISIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO EXIGIDA NA LEI. A redução a zero das alíquotas das contribuições para o PISImportação e CofinsImportação de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004 aplicase às luvas de látex da Posição 4015 da Nomenclatura Comum do Mercosul, desde que sejam destinadas para uso nas instituições exigidas na Lei, tais como, laboratórios, clínicas, hospitais, consultórios, entre outros. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PROVA. INSUFICIÊNCIA. Necessário provar o alegado. No caso em que a destinação do produto é condição para usufruto da redução é necessário conferir a destinação final do produto. AAssunto: Contribuição para o PIS/Pasep Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento ao recurso voluntário apresentado. No que se refere ao recurso voluntário, o Conselheiro Robson José Bayerl acompanhou a relatora pelas conclusões, em virtude da superveniência da Solução de Divergência COSIT nº 4/2017, e de seu conteúdo. O Conselheiro Rosaldo Trevisan reiterou, a título de declaração de voto, o externado na declaração prestada no Acórdão 3401004.387. O Conselheiro Leonardo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 21 27 /2 01 4- 51 Fl. 3603DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.603 2 Ogassawara de Araújo Branco acresceu às razões de provimento ao recurso voluntário as por ele externadas no mesmo Acórdão 3401004.387. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase da exigência de Imposto de Importação (II) e do PISImportação e CofinsImportação no valor total de R$ 31.302.882,88, incluídos multa de ofício e juros (fls. 2.684/3.256), pela não destinação das mercadorias importadas conforme exigido em lei para fazer jus ao benefício fiscal da redução a zero das alíquotas do PISImportação e Cofins Importação, ao amparo do art. 8º, § 11, inciso II da Lei nº 10.865/2004, alterado pela Lei nº 11.196/2005 e do recolhimento do II com base em alíquota menor do que a vigente à época do fato gerador do tributo. A empresa importou luvas para procedimentos hospitalares (NCM 4015) com o benefício fiscal de redução a zero das alíquotas de PISImportação e CofinsImportação e não fez a destinação determinada em lei, qual seja para o uso em laboratórios de anatomia patológica, citológica ou análises clinicas ou ao uso em hospitais, clinicas e consultórios médicos e odontológicos ou campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público. Na planilha preenchida pela contribuinte, que lista as importações registradas pelo estabelecimento 0003 e as correspondentes notas fiscais de saída foram identificados 08 (oito) destinatários das mercadorias importadas, excetuada por sua natureza transitória a empresa de armazéns gerais, Q Log Armazéns Gerais ltda, CNPJ 05.777.155. E em consulta aos respectivos CNAE primário e secundários, constatouse que essas empresas destinatárias são comerciais atacadistas e fabricantes: · 48.791.685 – CBS Medico Cientifica Comercio e Representação ltda (comercial atacadista); · 61.418.042 – Cirúrgica Fernandes – Comercio de Materiais Cirúrgicos e Hospitalares (comercial atacadista); · 82.641.325 – Cremer S.A. (comercial atacadista); · 00.085.822 – Especifarma Com de Medicamentos e Pro Hospitalares ltda (comercial atacadista); · 32.407.538 – Industria Frontinense de Látex S.A. (fabricante); Fl. 3604DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.604 3 · 63.246.997 – Macromed Comercio de Material Medico e Hospitalar (comercial atacadista); · 28.862.209 – Polibor ltda (fabricante); · 02.479.987 – Comercial Pro Luvas ltda (comercial atacadista). A verificação das destinações das luvas para hospitais, clínicas, laboratórios, etc., foi também feita nos registros digitalizados da escrituração contábil, nas Notas Fiscais de Saída “papel” digitalizadas, de 07/2009 a 03/2010 e Notas Fiscais de Saída Eletrônicas (NFe), emitidas pela filial 0003 para o período de 03/2010 a 01/2013 ( Planilha II). As 957 caixas registradas no estoque em 31/12/2012 (v. Resposta 1334 II) foram todas destinadas no início do exercício seguinte (jan/2013), em muito maior quantidade, para a empresa Cremer (v. Planilha II), também identificada como comercial atacadista. Do exame das 37 notas fiscais de saída de natureza transitória, isto é, destinadas à matriz (0005), a outras filiais (0001 e 0002), ou a empresas de armazéns gerais, foram detectadas duas situações (Intimação SC_Resposta). • 1ª situação: notas fiscais destinadas aos depósitos de armazéns “Q Log” e “Vat Log”, retornaram devidamente à filial de origem 000316. • 2ª situação: Das demais notas fiscais, apenas as de nº 1575 e 1583 foram para destinatário que “se enquadra nos critérios da legislação que ora se cuida: Hospital Geral de Jacarepaguá, CNPJ 00.394.544/020372, de CNAE 86.10101(atividades de atendimento hospitalar, exceto pronto socorro e unidades para atendimento a urgências)” – v. CNPJ Destinatários Remanescentes, sendo que a nota nº 1583 foi cancelada pelo emitente. Portanto, de todas as importações registradas, 1.829.113.000 luvas com beneficio fiscal de redução de alíquotas do PISImportação e CofinsImportação restou comprovada a destinação exigida por lei apenas para as 30.000 unidades vendidas mediante a nota fiscal nº 1575, originada das notas fiscais nº 898 e 916 e DI nº 09/16321058 (22.506 unidades), e DI nº 09/163211981 (7.494 unidades) (v. Plan Aprop). A fiscalização constatou também que nas Adições nº 11/03325070.001; 11/03325134.001; 11/03325177.001; 11/03325363.001; 11/03403232.001; 11/0340335 6.001; 11/03403453.001; 11/0340349 6.001; 11/04392056.001; 11/04392145.001; 11/04392170.001; 11/06005890.001; 11/06006030.001; 11/06006323.001; 11/0600636 6.001 e 11/06006404.001 foram registradas depois de 18/02/2011, quando a alíquota de II já era de 35% (v. Doc Alíquotas_II – fls.982/987), portanto efetuado o lançamento do II e acréscimos legais referente à diferença entre as alíquotas. Em face de à época da lavratura do auto de infração existirem pendentes de decisão embargos declaratórios da PFN referentes a pedido de modulação dos efeitos da decisão pelo STF (v. Doc. RE 559937) do RE 559.937/RS em que o STF decidiu pela inconstitucionalidade da inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PISImportação e CofinsImportação do valor do ICMS Importação e do valor das próprias contribuições, por afronta ao art. 149, § 2º, III, “a”, da CF, introduzido pela EC 33/2001, reconhecendo a inconstitucionalidade do inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004, a fiscalização autuou essas contribuições segregando as bases de cálculo incontroversa (valor aduaneiro) e julgada inconstitucional pelo STF (ICMS e as próprias contribuições). Fl. 3605DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.605 4 Da planilha “Plan_Imp” constam: os valores devidos de PIS/Cofins Importação cujas bases de cálculo contém valor aduaneiro, ICMS e as próprias contribuições 2 colunas COFINS (CFE ANEXO) e PIS (CFE ANEXO) que quantificam o montante a ser lançado, o total da autuação, por Adição; os valores devidos de PIS/CofinsImportação cujas bases de cálculo contém apenas o valor aduaneiro que servirá de base de cálculo para o primeiro lançamento: coluna “COFINS CFE. O V.A. (LÇTO 1)” e “PIS CFE. O V.A. (LÇTO 1), que corresponde ao valor incontroverso; o valor correspondente às parcelas julgadas inconstitucionais pelo STF, que serviu de base ao segundo lançamento, discriminado na coluna “DIF A LANÇAR COFINS (LÇTO 2)”, que é a diferença entre o montante “COFINS CFE ANEXO” e o primeiro lançamento “COFINS CFE. O V.A. (LÇTO 1)”, a mesma sistemática aplicada ao PISImportação. A empresa apresentou impugnação que foi julgada pela DRJ Fortaleza procedente em parte, por meio do acórdão nº 0835.604, de 29 de abril de 2016. A DRJ recorreu de ofício em virtude da exoneração de parte do crédito tributário: [...]sendo que as exclusões totalizam: PISImportação (R$ 693.185,85 e R$ 519.890,67, contribuição e multa de ofício, respectivamente) e CofinsImportação (R$ 3.299.934,41 e R$ 2.474.951,79, contribuição e multa de ofício, respectivamente), acompanhadas dos respectivos juros. [...] RECORRESE DE OFÍCIO do presente Acórdão, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite previsto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, c/c art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 3 de janeiro de 2008. Regularmente intimada a empresa teve a ciência eletrônica realizada em 07/06/2016, apresentando recurso voluntário em 01/07/2016, nos seguintes termos: a) desnecessidade de que as luvas de procedimento hospitalares sejam imediatamente destinadas a instituições de saúde; b) inequívoca vocação finalística das luvas e a efetiva comprovação da destinação desses produtos; c) prevalecendo o entendimento que a destinação final da cadeia comercial é que deve prevalecer para a fruição do benefício, deveria o julgamento ser convertido em diligência para se apurar qual foi a destinação final dos produtos; d) a responsabilidade pelo recolhimento do Pisimportação e Cofinsimportação em caso de desvio de finalidade deve ser imputada a empresa que promover o desvio de finalidade e não à recorrente, vendedora de boa fé; e) que as importações ocorridas entre fevereiro e abril de 2011 não estavam sujeitas a alíquota de 35% porque a Resolução Camex nº 22 apenas foi editada em 07/04/2011; f) prevalecendo o entendimento que cabe a autuação sobre o PIS e Cofins, que ao menos estas contribuições e o ICMS fossem excluídos da base de cálculo dos débitos lançados; g) Se prevalecer o entendimento que as luvas não foram destinadas a instituições de saúde requerse a restituição do II recolhido a maior, já que a alíquota aplicável para luvas comuns é de 16% e para luvas cirúrgicas é de 35%. É o relatório. Fl. 3606DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.606 5 Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, relatora. O Recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A DRJ recorreu de ofício por ter exonerado parte do crédito tributário conforme Portaria MF nº 3, de 3/01/2008, que estipulava a remessa necessária quando o total exonerado excedesse R$1.000.000,00 (tributo e multa), conforme consta do voto condutor: ... II NO MÉRITO, JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada, para excluir dos valores lançados a título de PISImportação e Cofins Importação as parcelas correspondentes ao ICMS e as próprias contribuições das bases de cálculos, que foram declaradas inconstitucionais pelo STF, sendo que as exclusões totalizam: PISImportação (R$ 693.185,85 e R$ 519.890,67, contribuição e multa de ofício, respectivamente) e CofinsImportação (R$ 3.299.934,41 e R$ 2.474.951,79, contribuição e multa de ofício, respectivamente), acompanhadas dos respectivos juros. ... RECORRESE DE OFÍCIO do presente Acórdão, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite previsto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, c/c art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 3 de janeiro de 2008. Em juízo de admissibilidade da remessa necessária verifico, pelos elementos disponíveis nos autos, nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e do art. 70, caput, do Decreto 7.574/2011, que o valor exonerado supera o limite de alçada estabelecido pela superveniente Portaria MF 63/2017, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme Súmula CARF nº 103 deve ser aplicado o valor de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo assim conheço do recurso de ofício interposto e passo a analisálo. O cerne da demanda está em se definir se se aplica a exoneração prevista no art. 8º, § 11, inciso II da Lei nº 10.865/2004, alterado pela Lei nº 11.196/2005: Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas: I na hipótese do inciso I do caput do art. 3º, de: a) 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento), para a Contribuição para o PIS/PasepImportação; e b) 9,65% (nove inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), para a Cofins Importação; e II na hipótese do inciso II do caput do art. 3º, de: Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.607 6 a) 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para a Contribuição para o PIS/PasepImportação; e b) 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a CofinsImportação. ... § 11. Fica o Poder Executivo autorizado a reduzir a 0 (zero) e a restabelecer as alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, incidentes sobre: ... II produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM. (Redação da Lei nº 11.196/2005) Da leitura do dispositivo acima podemos concluir que o requisito básico para a concessão da redução é que os produtos sejam destinados a estabelecimentos específicos. Ou seja, é uma redução condicionada à destinação do produto. Devemos então perquirir se a autuada cumpriu o requisito legal da destinação dos produtos importados e/ou se essa obrigação poderia ser de outrem, como alega a recorrente que diz ter vendido os produtos importados para empresas que destinaram as mercadorias conforme previsto em lei. E nesse caso se é possível a transferência da incumbência da efetiva destinação legal dos produtos importados ao longo da cadeia comercial. A Planilha_Anexo I (fls. 94/135) preenchida pela própria importadora identifica os oito destinatários de cada nota fiscal de venda por DI, conforme sintetizado pela autoridade fiscal no auto de infração (fls. 2.700) e a Planilha_Anexo II (fls. 875/895) discrimina a quantidade de luvas vendidas por nota fiscal de saída. A lei determina que a redução seja aplicável se os produtos forem destinados, mas destinados por quem e em que momento não resta claro no dispositivo legal, por isso deve ser esclarecido qual é o alcance da exoneração legal. É certo que as contribuições em comento são devidas no momento da importação dos produtos, mais especificamente no momento do registro da declaração de importação, que é o marco temporal eleito pelo legislador para a cobrança dos tributos. Nesse momento é que poderia se aplicar a redução. Ou seja, importase a mercadoria e pagase o tributo com redução com a justificativa que a destinação dos produtos será efetuada conforme estipulado em lei. Entretanto, temos duas situações possíveis: a importação é efetuada por hospitais, clínicas ou consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público ou laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, o que nesse caso configuraria o cumprimento do requisito legal de pronto. Outra situação seria a importação realizada por uma empresa que revendesse seus produtos aos destinatários previstos na norma legal, nesse caso no momento da importação não é possível saber qual será a destinação dada aos produtos, estamos diante de uma redução condicionada a evento futuro e incerto. Resta à fiscalização conferir a posteriori se foi efetuada a destinação correta e caso não tenha sido efetuada deverá cobrar os tributos que não foram recolhidos, com os acréscimos legais. Essa segunda possibilidade é o que ocorreu no caso em exame. Já esclareço que meu entendimento é que quando o art. 8º, § 11, inciso II da Lei nº 10.865/2004 estipula como requisito “produtos destinados ao uso em” a lei não obriga que somente possa usufruir da redução as importações efetuadas por hospitais, clínicas ou Fl. 3608DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.608 7 consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público ou laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Entendo que é possível que a importação seja efetuada por uma empresa que destine os produtos conforme determinação legal. Entretanto nesse caso determinados critérios deverão ser seguidos para garantir o cumprimento dos requisitos impostos pela norma legal. Esse é o entendimento esposado pela Solução de Divergência nº 04/2017, segundo as quais a fruição do benefício "(...) não está condicionada à imediata e direta interveniências dos agentes de saúde responsáveis por sua utilização". A fiscalização não adotou esse entendimento, para ela a destinação deveria ter sido efetuada pela importadora ao vender para empresas que atendessem os requisitos legais, é o que se depreende da leitura do TVF. Na presente autuação a fiscalização se deparou com várias notas fiscais de saída sendo que nenhuma delas tinha como destino final hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Para a fiscalização restou então comprovado o descumprimento dos requisitos legais. A recorrente então contesta a autuação alegando que ela não destinou, mas que as empresas para quem revendeu os produtos, os seguintes na cadeia comercial, deram a destinação legal. Restando, pois a fiscalização dois pontos a serem comprovados, primeiro estender a fiscalização para as empresas compradoras para comprovar a destinação ou solicitar que a adquirente buscasse junto aos seus compradores a comprovação da destinação. Segundo, a fiscalização deveria avaliar a vinculação física dos produtos adquiridos com a destinação. Sendo a redução objetiva, ela foi concedida para um produto específico, e somente àquele produto poderá ser aplicada, não sendo possível a apresentação de documentos do mesmo período com a destinação legal. A título de exemplificação, a empresa compradora realizou várias vendas das mercadorias algumas vinculadas aos produtos importados com redução e outras vendas de produtos semelhantes, mas que não foram adquiridos com redução. Será necessário então vincular com segurança e certeza as mercadorias adquiridas com redução às saídas conforme disposição legal. Esse é um raciocínio lógico que se deve aplicar ao caso. Entretanto como nem sempre a lei segue uma lógica devemos buscar um embasamento legal mais robusto. A recorrente alega em seu Recurso Voluntário que solicitou as distribuidoras e atacadistas que adquiriram seus produtos informassem para quais empresas foram revendidas as mercadorias e que a maioria das destinatárias declarou que foram destinadas conforme dispositivo legal. (fls. 3371 a 3378). Entretanto é apenas uma declaração das empresas que não se reveste de formalidades legais aptas a comprovar de fato a destinação da mercadoria. Entendo que nesse caso a declaração deveria vir acompanhada de documentação fiscal apropriada, o que não foi feito, o que nos leva a não considerar esse elemento de prova juntado pela recorrente. Para mim não resta dúvida que não existem palavras inúteis na legislação, ainda mais quando estamos tratando de uma redução de tributos. É claro que a redução de um tributo é uma opção política que vai de encontro a uma politica econômica do governo, e ao fazer essa opção por desonerar determinados produtos em detrimento de outros o legislador delimita o escopo da sua desoneração. No caso em exame a opção do executivo foi por desonerar determinados produtos, vide lista de NCM´s possíveis, e que tivessem destinação para determinados usos, vide lista de destinações possíveis. Fl. 3609DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.609 8 Por isso não coaduno com a posição externada em acórdãos juntados pela recorrente e também nas alegações da recorrente de que a destinação está implícita no fato se serem mercadorias registradas na Anvisa, com selo do Inmetro. Se fosse para ser assim o legislador teria disposto “produtos registrados na Anvisa” ao invés de “produtos destinados ao uso “. Se ele optou por desonerar os produtos que tivessem um uso especifico é claro que quis mostrar que sua finalidade era atingir determinados objetivos sociais, buscando cumprir suas metas em saúde pública, como se depreende da análise dos usos possíveis. Não estou a dizer que não é importante o registro na Anvisa ou em outros órgãos públicos, apenas me atenho ao que esta explicitado no dispositivo legal: o objetivo, repiso, é a destinação do produto. Concluindo, externo meu posicionamento que: a destinação final do produto é requisito obrigatório para a fruição do benefício; não é necessário que as importações seja realizadas somente pelas destinatárias elencadas no dispositivo legal, podendo empresas revendedoras usufruir o benefício desde que comprovem a destinação final conforme dispõe a lei; a destinação final do produto deve ser comprovada por quem usufruiu do benefício, no caso o importador da mercadoria, que pôde usufruir da redução da alíquota, que deve diligenciar para que os seus compradores deem a destinação conforme consta na lei, caso contrário estará sujeito ao pagamento do tributo com os acréscimos legais e penalidades. Entretanto, entendo que cabe a fiscalização verificar o cumprimento legal do benefício concedido. No caso em exame a fiscalização partiu de um entendimento diferente do externado na Solução de Divergência nº 04/2017, com o qual já expliquei que é o posicionamento que adoto. Por consequência a fiscalização não aprofundou na busca das provas necessárias à comprovação da destinação das mercadorias. Sei que a tarefa não é fácil de ser realizada mas foi essa a determinação legal, e que deve ser cumprida pela fiscalização. Concluo pela improcedência da autuação por carência probatória, mas por meu posicionamento acima externado deixo de acatar as alegações de: 1) inequívoca vocação finalística das luvas e a efetiva comprovação da destinação desses produtos, já que a lei não dispõe sobre “vocação finalística” mas sim sobre “destinação final para uso”; 2) conversão do julgamento em diligência para se apurar qual foi a destinação final dos produtos é desnecessária já que caberia a recorrente demonstrar que cumpriu com o requisito legal, e os documentos juntados aos autos, declaração das compradoras, não tiveram o condão de comprovar o alegado. Também a necessidade de diligência foi rechaçada pelo acordão recorrido nos seguintes termos que entendo terem sido concludentes para o pleito da recorrente: Requer a impugnante que seja realizada diligência, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/19723, para verificação de que se ao final da cadeia comercial as luvas importadas foram destinadas a instituições de saúde, e apresenta os quesitos a seguir listados: a) Para quais empresas intermediárias (distribuidoras e atacadistas) cada luva importada pela impugnante no período a que se refere o lançamento foi vendida? b) Quais foram os destinatários finais desses produtos? c) Fl. 3610DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.610 9 As instituições identificadas na resposta ao quesito anterior são da área de saúde? Em relação ao quesito “a”, tais informações já foram trazidas aos autos pela Fiscalização, uma vez que a Planilha_Anexo I (fls. 94/135) preenchida pela própria importadora identifica os oito destinatários de cada nota fiscal de venda por DI, conforme sintetizado pela autoridade fiscal no auto de infração (fls. 2.700) e que a Planilha_Anexo II (fls. 875/895) discrimina a quantidade de luvas vendidas por nota fiscal de saída. No tocante aos quesitos “b” e “c”, entendo que tais respostas fogem ao escopo do presente julgamento, uma vez que as questões a serem decididas neste julgamento, se a autuada cumpriu o requisito legal da destinação dos produtos importados e/ou se essa obrigação seria de outrem, não dependem da identificação do destinatário final do produto importado. Ademais, a aceitação ou não de transferência da incumbência da efetiva destinação legal dos produtos importados ao longo da cadeia comercial é questão de direito que não demanda a determinação desse destinatário final para seu deslinde e será tratada no tópico seguinte. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim sendo, por considerar desnecessária a realização de diligência, tendo em vista que as questões fáticas levantadas pela impugnante já tem resposta nos autos ou são prescindíveis para resolução das questões a serem decididas no julgamento, indefiro o pedido para realização de diligência feito pela impugnante, em consonância com o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972. 3) a responsabilidade pelo recolhimento do Pisimportação e Cofins importação em caso de desvio de finalidade deve ser imputada a empresa que promover o desvio de finalidade e não à recorrente, vendedora de boa fé, pois não cabe a alegação de ser vendedora de boa fé. O benefício fiscal é objetivo e quem usufruiu do benefício que deve comprovar que manteve as condições de usufruto. Também acrescento o que consta no acórdão recorrido sobre a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos conforme art. 22 da Lei nº11945/2009: Alega a impugnante que a responsabilidade pelo recolhimento dos supostos débitos de PISImportação e CofinsImportação lançados deve ser imputada à empresa que promoveu o hipotético desvio de finalidade dos produtos importados com redução a zero das alíquotas e não à importadora. E, que de acordo com o disposto no art. 22 da Lei nº 11.945/2009, in verbis, a culpa por posterior destinação desses produtos em desacordo com a Lei deve ser imputada a quem lhe deu causa e não à impugnante. Art. 22 Salvo disposição expressa em contrário, caso a não incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse. Primeiramente cabe destacar que não resta dúvida que o dispositivo normativo acima copiado é suficientemente claro ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do PIS/Importação e da Cofins/Importação não recolhidos em decorrência de benefício fiscal de redução de alíquotas condicionados à destinação do produto por desvio de finalidade. Entretanto, isso não significa que tenha que se percorrer toda a cadeia comercial para que se determine a responsabilidade por eventual desvio de finalidade, ou seja, a primeira destinação efetuada em desacordo com a lei já enseja a imputação pelo Fl. 3611DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.611 10 pagamento dos impostos. Relembro que os dispositivos legais (art. 8º, §11, inciso II, da Lei nº 10.865/2004, com redação alterada pela Lei nº 11.196/2005 e art. 1º do Decreto nº 6.426/2008), que ampararam a redução das alíquotas das contribuições para o PIS e a Cofins nas importações de luvas de látex para procedimentos hospitalares classificadas na posição tarifária 4015 da NCM, expressamente determinam que tais reduções se condicionam às destinações para hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Art. 8o. As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: [...] § 11. Fica o Poder Executivo autorizado a reduzir a 0 (zero) e a restabelecer as alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, incidentes sobre:[...] II produtos destinados ao uso em laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM. II produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos:[...] III destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM, relacionados no Anexo III deste Decreto. Convém explicitar que o cumprimento obrigatório da finalidade ou destinação taxativa especificada na lei autorizativa para o estabelecimento da redução de alíquotas para que se consolide esse benefício fiscal é também corroborada pelo fato da redação original do inciso II do art. 8º, §11, da Lei nº 10.865/2004, ter sido alterado pela Lei nº 11.196/2005, para inclusão de destinações. Entendo ainda que para que a responsabilidade pela destinação pudesse ser transferida ao longo da cadeia comercial e somente no consumidor final pudesse se averiguar que a destinação foi ou não descumprida, seria necessário que o Poder Público tivesse estabelecido mecanismos de controle para permitir não somente a identificação de cada comprador no mercado interno do produto importado com benefício fiscal em todas as etapas da cadeia, mas também a ciência ao comprador de que estava assumindo a responsabilidade pela destinação do produto, e, conseqüente, pelo pagamento das contribuições não recolhidas na importação, na hipótese de destinação diversa a exigida pela Lei, a exemplo do controle instituído para operar com papel imune4. Vale aqui destacar que das notas fiscais de venda das luvas importadas objeto da autuação (fls. 333/873) não consta qualquer menção ao fato dos produtos terem sido importados com benefício fiscal cuja responsabilidade pelo cumprimento da condição estaria sendo repassada ao comprador, nem mesmo ao de terem sido importados. Portanto, tenho por correta à imputação feita a impugnante da exigência das contribuições para o PIS e Cofins incidentes na importação de luvas para procedimentos hospitalares e de saúde efetuadas com o benefício de redução a zero de suas alíquotas, em razão de não ter sido dada a destinação a que foi condicionada, instituições de saúde ou hospitalares designadas no art. art. 8º, §11, inciso II, da Lei nº 10.865/2004, com redação alterada pela Lei nº 11.196/2005. Quanto ao acórdão CSRF nº 9303004.551, de 7 de dezembro de 2016, trazido a conhecimento da tribuna e assim ementado: Fl. 3612DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.612 11 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA À ZERO. BENS A SEREM USADOS NA ÁREA DE SAÚDE. DECRETO Nº 6.426/2008. IMPOSSIBILIDADE ÀS PESSOAS JURÍDICAS QUE OBSERVAM A SISTEMÁTICA CUMULATIVA Para fins de fruição da alíquota zero da contribuição à Cofins prevista no art. 1º, inciso III, do Decreto 6.426/08, devese considerar a característica intrínseca do bem a ser usado na área de saúde, sendo desnecessária a comprovação do destino pelo sujeito passivo a venda direta para hospitais e clinicas. No caso vertente, a venda de luvas da posição NCM 4015, pelas suas características intrínsecas, foram concebidas para terem essencialmente a destinação pretendida pelo legislador – uso na área de saúde. Não obstante, não cabe aplicar o disposto no Decreto, que traz a fruição da alíquota zero dessas contribuições, às pessoas jurídicas que observam a sistemática cumulativa das contribuições – o que é o caso do sujeito passivo, em respeito à aplicabilidade das disposições das normas. Discordo do seu posicionamento, pelo já acima exposto e por não entender que as características intrínsecas do produto sejam fundamentais para o cumprimento do requisito legal. A lei dispõe sobre a destinação final do produto para determinados usos e não dispõe sobre características intrínsecas do produto em nenhum momento, para mim essa é uma interpretação muito alargada do dispositivo legal, e como é do conhecimento geral, as isenções devem ser interpretadas literalmente, não cabendo ao julgador extrapolar o que está disposto no diploma legal. Se a característica intrínseca do produto suplantasse a destinação poderíamos estar diante da situação de importação de “luvas cirúrgicas” para uso na verificação de bagagem efetuada pela RFB. O fato de serem luvas cirúrgicas não dá garantias que as mesmas serão utilizadas em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Quanto às importações ocorridas entre fevereiro e abril de 2011 e que segundo a recorrente não estavam sujeitas a alíquota de 35% porque a Resolução Camex nº 22 apenas foi editada em 07/04/2011: As importações de luvas de látex para procedimentos hospitalares ou de saúde classificadas no código tarifário 4015.19.00 da NCM5 registradas no período de fevereiro a abri/2011 assinaladas na planilha “Doc Alíquotas_II” (fls. 982/987), durante a vigência da Resolução Camex nº 07/2011, foram tributadas à alíquota de 16% do Imposto de Importação (II), pela aplicação do Extarifário 001, estabelecido pela referida Resolução. Art. 1º Incluir, na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum, de que trata o Anexo II da Resolução CAMEX nº 43, de 22 de dezembro de 2006, os códigos da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM a seguir discriminados, com as respectivas alíquotas do imposto de importação indicadas: A recorrente alegou que as luvas por ela importadas não se enquadravam na exceção do ExTarifário 001 da Resolução Camex nº 07/2011 para os produtos classificados no código 4015.19.00 da NCM. Esse Extarifário estabeleceu a alíquota de 16% para o II para todos os produtos classificados no código 4015.19.00 da NCM, excluindo apenas as luvas de látex, com espessura inferior 0,10mm, do tipo utilizado em procedimentos hospitalares e Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.613 12 demais estabelecimentos de saúde, para as quais incidiria alíquota normal de 35%. E que as luvas por ela importadas não tinham espessura inferior a 0,10 mm. No período de fevereiro a abril de 2011 vigorava o seguinte texto para o ex tarifário: Ex 001 – Qualquer produto classificado no código 4015.19.00, exceto luvas de látex, com espessura não superior a 0,10mm, do tipo utilizado em procedimentos hospitalares e demais estabelecimentos de saúde. A fiscalização aplicou a alíquota de 35% para as importações realizadas no período de 22/02/2011 a 04/04/2011, fls. 981 e 982, ou seja, durante a vigência do Extarifário citado. Entendo que dois são os requisitos impostos pelo Extarifário para excepcionar sua aplicação: 1) espessura inferior ou igual a 0,10mm e 2) ser utilizado em procedimentos hospitalares e demais estabelecimentos de saúde. As tabelas 6 e 2 do Anexo B da Portaria INMETRO nº 332/2012 trazem os requisitos para que as luvas de látex possam ser reconhecidas e aceitas como próprias para utilização em procedimentos hospitalares e demais estabelecimentos de saúde. A recorrente informa, e consta na descrição detalhada das mercadorias nas DIs, que as luvas importadas possuem registro de autorização perante o Ministério da Saúde, e licença para uso do selo de identificação de conformidade, concedidas pelo INT. A certificação é realizada pela Anvisa, conforme RDC Anvisa nº 55/2011. Conclui que as luvas importadas possuem o selo de identificação de conformidade e são presumidamente destinadas a instituições do setor de saúde, exatamente como exigem os arts. 8º, § 11, II da Lei nº 10865/04 e art. 1º,III do Decreto nº 6426/08. E também todas as luvas possuem o selo do Inmetro. Conforme tabela 2 do Anexo B da Portaria INMETRO nº 332/2012, as luvas de látex para serem utilizadas em procedimentos hospitalares e demais estabelecimentos de saúde devem obedecer a dimensões estabelecidas. A espessura mínima da luva tem especial relevância na diferenciação entre a luva cirúrgica e a luva para procedimentos de saúde não cirúrgicos, uma vez que as espessuras estabelecidas na citada do Anexo B da Portaria INMETRO nº 332/2012 (fls. 3.409 – Doc. 19), determina que todos os padrões de espessura mínima para a luva cirúrgica são superiores a 0,10 mm. O que verifico pelos documentos acostados aos autos é que as luvas importadas enquadramse na exceção prevista no Extarifário 001 da Resolução Camex nº 07/2011. A alteração do texto do ExTarifário promovida pela Resolução Camex nº 22/2011, de 07/04/2011, para suprimir a exigência de espessura mínima, não pode ser utilizada como argumento para justificar a utilização do novo extarifário. Para aplicação de benefício fiscal devese utilizar o extarifário que estava vigente à época das importações. E o que estava vigente, Resolução Camex nº 07/2011, estipulava a necessidade de espessura superior a 0,10mm. Quanto ao segundo critério para se excepcionar a aplicação do Extarifário, ou seja, ser utilizado em procedimentos hospitalares e demais estabelecimentos de saúde, essa Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.614 13 é justamente a alegação da empresa para poder usufruir do beneficio da redução estipulada pela Lei. Assim sendo, tenho por correta a exigência da diferença de alíquotas do II, de 16% para 35%, acompanhadas dos devidos acréscimos legais, uma vez que as luvas para procedimentos hospitalares e de saúde, foram expressamente excluídas do ExTarifário 001 do NCM 4015.19.00, estabelecido pela Resolução Camex nº 07/2011. A DRJ excluiu as parcelas das contribuições para o PISImportação e Cofins Importação conforme relatado abaixo, e por isso recorreu de ofício. Acato a decisão da DRJ pelos mesmos motivos explicitados: A RFB foi cientificada pela PGFN mediante a Notas PGFN/CASTF n.º 1.254, de 17/10/2014 e 547, de 18/01/2015, sobre a inclusão na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013, em relação à exclusão da base de cálculo do PISImportação e CofinsImportação do valor do ICMS e das próprias contribuições, tendo em vista a decretação de inconstitucionalidade do art. 7º, I, Lei 10.865/2004 pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, tem se por estabelecida a vinculação das atividades da RFB a esses entendimentos, devendo a autoridade julgadora adotar o entendimento expresso nestes atos, conforme consta do rol de decisões vinculantes do STF e do STJ (repercussão geral e recursos repetitivos) no sítio da RFB na internet16. Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004). [...] IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) [...] § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, inclusive em embargos à execução fiscal e exceções de préexecutividade, hipóteses em que não haverá condenação em honorários; ou (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrando se o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) [..] § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, Fl. 3615DF CARF MF Processo nº 13971.722127/201451 Acórdão n.º 3401004.468 S3C4T1 Fl. 3.615 14 conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Dessa forma, tendo sido decidido pelo STF, que as contribuições sociais para o PIS e Cofins incidentes nas operações de importação de mercadorias como base de cálculo o valor aduaneiro das mercadorias, fazse necessário excluir dos valores lançados as parcelas inconstitucionais, segregadas pela autoridades fiscais nos próprios autos de infração e demonstradas na planilha às fls. 966/972 e 973/983 , conforme sintetizado no quadro abaixo. Fonte: Planilhas (fls. 966/972 e 973/983). Convém mencionar que os valores excluídos das contribuições sociais acima mencionados são acompanhados dos juros correspondentes. Ademais, por imposição do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, as decisões definitivas de mérito, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas nos julgamentos realizados no âmbito do CARF, sendo o caso do recurso extraordinário que reputou inconstitucional a inclusão, no valor aduaneiro, do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/Pasep e Cofins sobre as operações de importação (Lei nº 10.865/04), Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Quanto ao argumento final da recorrente de que se prevalecer o entendimento que as luvas não foram destinadas a instituições de saúde requerse a restituição do II recolhido a maior, já que a alíquota aplicável para luvas comuns é de 16% e para luvas cirúrgicas é de 35%, deixo de analisar já que não chegouse a conclusão sobre a destinação da mercadoria, e a conclusão foi por carência probatória. Pelo exposto, voto por conhecer dos recursos interpostos, voluntário e de ofício, dar provimento ao recurso voluntário, e negar provimento ao recurso de ofício. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 3616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901888/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.949
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 18 88 /2 00 8- 17 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901888/200817 Acórdão n.º 3401004.949 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.620, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901888/200817 Acórdão n.º 3401004.949 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901888/200817 Acórdão n.º 3401004.949 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901888/200817 Acórdão n.º 3401004.949 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13884.901888/200817 Acórdão n.º 3401004.949 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001910/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de arrecadar a contribuição previdenciária dos segurados a seu serviço.
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Sendo julgada indevida a obrigação principal que determinou a lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, também indevida a multa aplicada.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I.
Numero da decisão: 2401-005.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a decadência e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente BANCO SANTANDER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de arrecadar a contribuição previdenciária dos segurados a seu serviço. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Sendo julgada indevida a obrigação principal que determinou a lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, também indevida a multa aplicada. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 10 /2 00 8- 22 Fl. 242DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a decadência e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16327.001910/200822 Acórdão n.º 2401005.404 S2C4T1 Fl. 243 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI (Debcad 37.174.8887) lavrado contra a empresa em epígrafe, por descumprimento de obrigação acessória, por infração à Lei 8.212/91, artigo 30, I, “a”, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 283, I, “g”, no período de 12/02 a 12/06 (código de fundamentação legal CFL 59). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 13/14), a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações as contribuições dos segurados empregados, considerados pela empresa como estagiários. A multa foi aplicada em dobro, pois foi considerada uma reincidência genérica. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação, alegando decadência e que inexiste a obrigação principal, logo inexiste a obrigação acessória. Foi proferido o Acórdão 1622.005 11ª turma da DRJ/SPI, fls. 113/123, que julgou procedente a autuação, no qual verificouse que a multa foi apurada a menor, pois identificouse a ocorrência de seis reincidências genéricas e que a multa deveria ter seu valor básico multiplicado por 64 e não por dois. A DRJ encaminhou representação fiscal para a DEINF para que fosse lavrado auto de infração complementar. Cientificado do Acórdão em 30/7/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 125), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/8/091, fls. 126/140, que contém, em síntese: Argumenta que a multa deve ser excluída, pois o fato gerador da presente autuação é obrigação acessória derivada de uma obrigação principal, lançada em um NFLD relacionada. Afirma que a obrigação acessória não pode subsistir sem a obrigação principal. Cita jurisprudência e decisões do CARF. Conclui que como a obrigação acessória segue a principal, deve o presente auto de infração ser cancelado, pois o crédito tributário discutido nos autos da NFLD que discute a obrigação principal ainda não foi definitivamente constituído. Alega a decadência parcial, pois houve pagamento antecipado das contribuições, devendo se aplicado o CTN, art. 154, § 4º. Diz que sendo extinta a obrigação principal, pois inexiste a obrigação principal referente ao pagamento de salários a estagiários, não há que se falar em multa por descumprimento de obrigação acessória, relativa ao mesmo período fiscalizado. Cita jurisprudência. Aduz que o auto de infração deve ser cancelado, pois a autoridade julgadora identificou que a multa aplicada não está de acordo com os dispositivos legais de gradação da multa. Cita decisão da DRJ que ao identificar erro na lavratura do auto de infração, declarou sua nulidade. Acrescenta que não pode a autoridade julgadora reformar in pejus. Fl. 244DF CARF MF 4 Requer seja desconstituído o crédito tributário ou, ao menos, seja reconhecida a decadência. Em pesquisa realizada no sistema informatizado eprocesso, verificase que o processo correlato ao presente processo, que contém o fato gerador relativo ao pagamento feito a estagiários, considerados empregados, é o processo 16327.001895/200812, no qual foi proferido o Acórdão 2403002.152 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, em 17/7/13, que deu provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16327.001910/200822 Acórdão n.º 2401005.404 S2C4T1 Fl. 244 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. DECADÊNCIA Quanto à decadência, a obrigação tributária acessória é aquela que por expressa disposição do Código Tributário Nacional decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (§ 2º do artigo 113 do CTN). Inadequada, na hipótese, a aplicação do CTN, art. 150, § 4º, para fins de cálculo do prazo de decadência, porquanto o caput da referida norma de regência remete o intérprete à antecipação do pagamento. O descumprimento de obrigação tributária acessória não é instância procedimental que se equipare à antecipação do pagamento. Assim, necessária a subsunção da hipótese à disposição do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, que determina: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, como a autuação ocorreu em 12/08, ela poderia retroagir à competência 12/02, pois para esta competência o vencimento da obrigação ocorreu em 7/1/03, logo, a infração poderia ter sido conhecida a partir de 8/1/03, com início do prazo decadencial em 1/1/04 e término em 31/12/08. A infração se refere ao período de 12/02 a 12/06. Logo, não ocorreu a decadência. Contudo, a multa por descumprimento da obrigação acessória aplicada no presente auto de infração possui valor único, independentemente do número de competências em que ocorreu a falta. Logo, uma única competência em que a empresa deixe de arrecadar a contribuição dos segurados a seu serviço, relativa a um único fato gerador, é suficiente para a lavratura do auto de infração em questão. Portanto, mesmo que parte do período autuado fosse decadente, o valor da multa seria o mesmo, pois subsistiria um período não decadente. Fl. 246DF CARF MF 6 CONEXÃO Por se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o julgamento do presente processo fica condicionado ao resultado do julgamento nos processos relacionados, lavrados na mesma ação fiscal. Assim, diante da evidente conexão com os demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, será considerado aqui o resultado do julgamento proferido no processo correlato ao presente processo, que contém o fato gerador relativo ao pagamento feito a estagiários, considerados empregados. Tal lançamento foi efetuado no processo 16327.001895/200812, no qual foi proferido o Acórdão 2403002.152 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, em 17/7/13, que deu provimento ao recurso voluntário. Assim, uma vez considerada indevida a obrigação principal, inexiste a obrigação do cumprimento pelo contribuinte da obrigação acessória. MULTA APLICADA Quanto à multa aplicada, em que pese a DRJ ter verificado que o valor lançado foi menor que o devido, no presente auto de infração não houve qualquer agravamento do valor lançado, não havendo que se falar em reforma in pejus. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a decadência e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.730937/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 30 93 7/ 20 14 -1 2 Fl. 27872DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.873 2 Relatório Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes aos anoscalendário de 2010 e 2011, em razão das seguintes supostas infrações: “1) Exclusão elevada referente a ajustes do Regime Tributário de Transição RTT no anocalendário de 2011 informada na linha 02, ficha 09A "Demonstração do Lucro Real PJ em Geral" da DIPJ2012; 2) Valores expressivos referentes a Outras Despesas Financeiras no anocalendário de 2011 informados na linha 51 da ficha 06A "Demonstração do Resultado PJ em Geral" da DIPJ 2012; 3) Exclusão a título de doações e subvenções para investimento na apuração do lucro real do anocalendário de 2011, conforme linha 57 da ficha 09A "Demonstração do Lucro Real PJ em Geral"da DIPJ/2012; 4) "Outras Despesas Operacionais" em montante elevado referente ao anocalendário de 2010 informado na linha 32 da ficha 05A "Despesas Operacionais – PJ em Geral" da DIPJ/2011; 5) "Outras Despesas Operacionais" em montante elevado referente ao ano calendário de 2011 informado na linha 34 da ficha 05A "Despesas Operacionais –PJ em Geral" da DIPJ/2012; 6) Valores elevados de compra de insumos referentes aos anos calendário de 2010 e 2011 informados na linha 4 das fichas 04A "Custo dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos PJ em Geral" da DIPJ2011 e DIPJ2012;” O relatório da decisão recorrida assim descreve os argumentos da impugnação, bem como transcreve conclusões do laudo da KPMG juntado posteriormente: Preliminarmente, a Impugnante alegou cerceamento do seu direito de defesa, em razão de não ter obtido de imediato cópia do processo administrativo fiscal. Disse ter suportado 5 dias a menos para a sua defesa, o que, em razão da alta complexidade da autuação, requer lhe seja restituído o prazo de defesa, sob pena de ilegalidade e afronta ao direito à ampla defesa e contraditório, previstos na Constituição Federal do Brasil. Quanto ao mérito, a Impugnante iniciou a sua defesa relativamente às despesas financeiras indicadas como não comprovadas. A Fiscalização glosou tais despesas devido ao seu entendimento de que o Contribuinte não havia comprovado, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem e o efetivo ingresso das quantias supridas ao Contribuinte, ainda que indiretamente por meio de pagamento de fornecedores. As despesas com juros e foram contabilizadas como juros passivos no exercício de 2010, no montante de R$ 18.863.834,74, e Juros sobre Mútuo no exercício de 2011, no montante de R$ 26.749.925,64. Fl. 27873DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.874 3 No presente caso, a empresa defende que atendeu a todos os requisitos exigidos para realização regular da operação, conforme art. 586 do Código Civil. A Impugnante, em decorrência de investimentos em sua estrutura e temendo não obter crédito para realizálos, optou por realizar os mútuos, os quais ocorreram quando o empreendimento necessitava de recursos para o giro normal das operações, circunstância em que os sócios optaram por disponibilizar temporariamente recursos sob a forma de empréstimos de valores destinados à construção de unidade industrial e a sua manutenção no período em que necessitasse de aporte financeiro por estar no início de suas atividades. A Impugnante apresenta os mútuos do período de 2004 a 2009, que compõe o Anexo A, em ordem cronológica e separados por Mutuante, sendo eles Adonis Jesus Garcia Amoroso, José Roberto Garcia Amoroso e Edilza Terezinha Garcia Amoroso. Os comprovantes das transações dos aportes são em grande parte apresentados, comprovantes de pagamento de duplicatas, na maioria dos casos, compondo borderôs, como meio de comprovar a origem dos recursos recebidos, apresenta também os extratos bancários dos sócios, na ocasião, mutuantes. Comprovada a existência das operações de Mútuo contraído pela empresa com seus sócios, não há o que se falar em despesa financeira não comprovada, sendo, portanto, despesas plenamente conhecidas e dedutíveis na apuração do Lucro Real da empresa. Ainda com relação às operações de Mútuos, a Impugnante argumenta que as operações foram devidamente documentadas por meio de Notas Fiscais, sendo naquela ocasião devedora dos sócios da Impugnante e encontrou, ao oferecer materiais por ela produzidos, um meio de sanar sua dívida contraída, visto que, em seguida, houve pagamento dos valores, como será demonstrado. Muito embora a empresa tenha contraído empréstimos nos anos de 2010 e 2011, diante da existência de disponibilidade de caixa, optou por pagar os mútuos contraídos no mesmo período, pagamentos estes realizados conforme demonstrativo anexado, cujos valores podem ser confrontados com os registros contábeis devidamente escriturados no Livro Razão. Dessa forma, ao ser realizado o pagamento dos empréstimos contraídos em 2010 e 2011, diante da disponibilidade de caixa da empresa, não há o que se falar em despesas desnecessárias de empréstimos destes períodos, tendo em vista que os mesmos foram devidamente quitados em seguida. Argumenta ainda que as taxas de juros praticadas à época dos mútuos foram inferiores às taxas de juros praticadas pelo mercado no período, exercício de 2010 e 2011, o que torna iníquo afirmar que a Impugnante praticou taxas superiores às usuais naquela época. Em seguida, a Impugnante trata das despesas operacionais consideradas não comprovadas pela Autoridade Fiscal. Disse que fez busca minuciosa em seus arquivos em busca dos registros, documentação que ora apresenta por amostragem, comprovando a existência destas operações que, de fato, aconteceram e estão sendo anexados a esta peça acompanhada de planilha demonstrativa em anexo, razão pela qual entende restar comprovadas as Despesas Operacionais classificadas anteriormente como Não Comprovadas. Com relação as Subvenções e Recuperação de Custos, discorre a Impugnante que a subvenção governamental concedida com base no ICMS, seja para investimento Fl. 27874DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.875 4 ou para custeio, tem natureza de redução de custos no ICMS a pagar. Ou seja, a subvenção para investimento é um incentivo governamental que não resulta em nova receita para a empresa. Não havendo nova receita, não há que se falar em incidência de PIS e COFINS. Para a Impugnante, a necessidade de analisar a incidência de PIS e COFINS sobre a incidência governamental concedida pelo PRODUZIR somente seria necessária caso esta subvenção tivesse a característica de subvenção para custeio. Todavia, para a Impugnante o PRODUZIR é uma subvenção governamental concedida para investimento. O PRODUZIR, conforme dispõem as normas que lhe regem o funcionamento, é concedido sob a forma de empréstimo, com prazo de até 15 (quinze) anos. Na determinação do montante a ser concedido de empréstimo, são consideradas especialmente as seguintes variáveis: segmento do estabelecimento industrial e os valores de investimento previstos em Projeto de Viabilidade Econômica aprovado, o qual deve ser submetido à apreciação do Conselho Deliberativo do Produzir. Uma vez aprovado o projeto, fica concedido o financiamento, o qual se condiciona à execução do Projeto da forma aprovada. Portanto, eventual discussão sobre a eventual natureza de subvenção do Produzir não se encontra em sua concessão, mas sim na possibilidade de pagamento antecipado do mesmo, com obtenção de desconto. Conforme previsto na mesma norma, os valores devidos resultantes de financiamento utilizado pelo Programa PRODUZIR podem ser pagos antecipadamente, com redução (desconto) no montante. Uma vez concedida, pelo Estado, a redução no montante do valor financiado, deve esta (redução) ser aplicada na ampliação e/ou na modernização do parque industrial incentivado, no prazo máximo de 15 (quinze) anos, podendo este valor ser incorporado ao capital social da pessoa jurídica titular ou mantido em conta de reserva para futuros aumentos de capital, sendo todavia vedada sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. De acordo com a legislação, havendo uma subvenção, será caracterizada como subvenção para investimento quando for concedida para investimento no estabelecimento beneficiado, desde que tais valores não sejam destinados para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. Em não sendo atendidas estes requisitos, terseá uma subvenção corrente, também denominada de subvenção para custeio. A subvenção para investimento não é tributada por PIS e COFINS e não compõe a base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, devendo ser levada diretamente a crédito de conta de Reserva de Capital. Por outro lado, a subvenção corrente é tributada normalmente. No caso em tela, conforme comprovam documentos bem como a contabilidade da empresa, juntados aos autos, a subvenção foi concedida em função de investimentos realizados pela empresa beneficiária. Tal subvenção foi utilizada apenas para abatimento de prejuízos acumulados, atendendose aos requisitos legais, e a empresa ainda efetuou, em cada um dos exercícios, investimentos em valores superiores aos que obteve de subvenção. Portanto, atendidos os requisitos legais, resta que a subvenção deve ser caracterizada como subvenção para investimento, visto ter sido concedida para investimento no estabelecimento beneficiado, e ainda tendo em vista que tais valores Fl. 27875DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.876 5 não foram direta ou indiretamente destinados para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. Ainda sobre o mérito, a Impugnante questionou a infração apurada pela Autoridade Fiscal, relativa às Exclusões Indevidas na Apuração do Lucro Real. O investimento de R$ 3.834.941,15 foi inicialmente classificado no ativo imobilizado como imóveis em construção e foi posteriormente reclassificado para melhoria de máquina de papel. Esse investimento teve por objeto a ampliação da principal máquina da empresa, que é a fábrica de papel, a qual, a partir de aparas (sucata) de papel e papelão, ao final produz rolos de papel pardo. De acordo com as notas fiscais juntadas em anexo, que representam a grande parte do valor em questão, tal investimento não se deu em edificações ou construções, mas sim na ampliação do parque fabril. Portanto, houve de fato equívoco, que, em 31/10/2010, foi contabilizado erroneamente como edificações, mas tal equívoco foi retificado no exercício seguinte, quando os valores foram corretamente classificados como investimentos em ampliação de parque fabril. Portanto, sendo investimentos em máquinas e equipamentos, adequada a depreciação contábil à ordem de 20% (vinte por cento) ao ano. Ressalvese que a própria fiscalização comprovou o funcionamento constante da empresa em regime de turnos ininterruptos. Portanto, não há dúvida quanto à taxa de depreciação a ser aplicada sobre as máquinas e equipamentos. Mas apenas sobre a classificação correta do investimento. Sobre a diferença apontada pela Fiscalização na depreciação societária em 2011, de R$ 112.575,07, a empresa, a partir de 2009, realizou o “impairment” do ativo imobilizado. O valor de R$ 112.575,07 se refere ao imposto diferido do período de 2011, que provém da reavaliação dos bens do ativo imobilizado, que foi apropriado mensalmente em 2011, reduzindo assim o valor da depreciação mensalmente. Por último, diante da comprovação da efetiva realização de despesas, sendo todas necessárias e, portanto, dedutíveis do Lucro Real apurado, defende a Impugnante que não há o que se falar em cobrança de multa por ausência de pagamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tampouco, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidentes sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme exigido no Auto de Infração em comento. Em resumo, requereu a Impugnante: Preliminarmente, a restituição do prazo que lhe foi tolhido, resultante do cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, conforme exposto; No mérito, pelos motivos apresentados na impugnação, requer que seja declarado totalmente improcedente o presente Auto de Infração. Alternativamente, caso se entenda necessário, requerse a realização de diligência/perícia fiscal, nos termos do Inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72, de acordo com os quesitos apresentados na impugnação. DA PERÍCIA SOLICITADA PELA IMPUGNANTE – “TERMO DE CONSTATAÇÃO” DA KPMG Fl. 27876DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.877 6 Às fls. 797 a 826, a Impugnante requereu a juntada de perícia produzida pela empresa KPMG relativa ao Auto de Infração objeto do presente processo administrativo fiscal. A seguir, reproduzimos o item “V Conclusão” dos resultados apresentados no “Termo de Constatação”. “V Conclusão Os nossos trabalhos foram executados mediante a verificação dos documentos contábeis, fiscais entre outros de controle interno da "JAEPEL" disponibilizados pelos seus representantes, os quais, em conjunto com os quadros demonstrativos pertinentes, foram identificados, numerados e anexados. Como conclusão final alcançada no presente Termo de Constatação, acerca dos pontos suscitados no tópico "Considerações Preliminares", temos o que segue: a. Item 1.1 Processo Administrativo n° 10120730.937/201412 ANO CALENDÁRIO 2011 FICHAS 05A e 05d – DESPESAS OPERACIONAIS. Constatamos por meio dos documentos disponibilizados que a JAEPEL possui registrado o valor de R$ 10.879.094,80 em sua Planilha de Depreciação Fiscal, enquanto na linha na linha 22, ficha 5 D da DIPJ 2012 (Encargos de Depreciação" anocalendário 2011 (ANEXO III) foi declarado o valor de R$ 10.888.098,63, perfazendo uma diferença de R$ 9.003,83. Verificamos também a depreciação contábil (societária) registrada pela JAEPEL e confrontamos os valores declarados na DIPJ 2012 anocalendário 2011 (R$ 4.970.854,56) versus ECD anocalendário 2011 (R$ 5.817.431,22) e também Memória de Cálculo de Depreciação de Bens anocalendário 2011 (R$ 5.130.316,29), onde constatamos uma diferença no montante de R$ 846.576,66 e de R$ 687.114,93, respectivamente, sendo que para ambas situações (fiscal e contábil, tanto ECD como planilha Memória de Cálculo) a administração da JAEPEL não nos apresentou documentos que comprovassem tais diferenças. b. Item 1.2 ANOCALENDÁRIO 2011 E 2012 ECD DESPESAS COM JUROS s/ MÚTUO c/ SÓCIOS Evidenciamos que as operações de mútuo da JAEPEL se convalidam pelas transações financeiras, tais como as transferências bancárias e de pagamento de títulos realizados pelos sócios para com a JAEPEL, verificamos também por meio dos documentos disponibilizados que todas as transações ocorridas, entre 2004 e2011, encontramse lastreadas por Contratos de Mútuo, e seus respectivos Aditivos a medida que novas transações ocorreram, assim como foi comprovada a existência de cláusula contratual (Cláusula Terceira) que prevê a compensação financeira. Contudo, verificamos que há diferenças nos componentes dos saldos contábeis versus DIRPF das pessoas físicas do Sr. Adonis Jesus Garcia Amoroso, José Roberto Garcia Amoroso e Sra. Edilza Terezinha Garcia Amoroso nos montantes de R$ 555.256,43, R$887.946,68, R$ 430.936,80, respectivamente, sendo que a administração da empresa não nos apresentou documentos que justificasse tais diferenças. c. Item 1.3 ANO CALENDÁRIO 2011 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO (PRODUZIR/FOMENTAR) Verificamos que o valor da subvenção para investimento de R$ 3.794.556,70 declarado na linha 57 (Doações e Subvenções para Investimento) da ficha 09A Fl. 27877DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.878 7 Demonstração do Lucro Real PJ em Geral está de acordo com os valores descritos nos extratos de quitação do programa denominado Agência de Fomento de Goiás S/A Fomentar, assim como com os valores registrados contabilmente na ECD. d. Item 1.4 Anoscalendário 2010 e 2011 Outras Despesas Operacionais Confrontamos os valores declarados na DIPJ 2011 (data base 2011) com os valores informados na ECD/2010 e identificamos uma diferença de R$ 512.330,70 (DIPJ R$ 32.300.670,38 ECD R$ 32.813.001,08J. Com relação as depesas operacionais declaradas na DIPJ 2012 (data base 2011), também confrontamos os valores declarados na DIPJ 2012 (database 2011) com os valores informados na ECD/2011 e identificamos uma diferença de R$ 191.103,33 (DIPJ R$ 16.104.424,65 ECD/2011 R$ 16.295.527,98), sendo que para ambos casos a administração da empresa não nos forneceu documentos que justificassem tais diferenças e. Item 1.5 Anoscalendário 2010 e 2011 Composição dos valores informados na linha 04 da ficha 04A (CPV) DIPJ/2011 e 2012 "compra de insumos" De acordo com documentos apresentados, constatamos que na Ficha 4A (linha 04 CPV "compras de insumos" da DIPJ 2011 (anobase 2010) foi declarado pela JAEPEL o valor de R$ 55.414.486,04, enquanto que na contabilidade (ECD) foi identificado o valor de R$ 55.789.486,91, perfazendo uma diferença de R$ 34.999,13. Com relação aos custos com compras de insumos declarados na DIPJ 2012 (anocalendário 2011), também confrontamos os valores declarados na DIPJ 2012 (database 2011) com os valores informados na ECD/2011 e identificamos uma diferença de R$ 459.725,22 (DIPJ R$ 67.451.562,31 ECD/2011 R$ 66.991.837,09), sendo que para ambos casos a administração da empresa não nos forneceu documentos que justificassem tais diferenças. f. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NÃO COMPROVAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DISPONIBILIZADOS PELOS SÓCIO ATRAVÉS DOS CONTRATOS DE MÚTUOS De acordo com o demonstrado nos comentários do item 1.2, atestamos que a JAEPEL possui documentos que suportam as operações de mútuo da JAEPEL entre as pessoas físicas e pessoa jurídica (JAEPEL), tais como as transferências bancárias, movimentação das contas contábeis, pagamentos de títulos realizados pelos sócios para com a JAEPEL, assim como Contratos de Mútuo e seus respectivos Aditivos. Efetuamos os confrontos dos valores constantes nos extratos bancários dos mútuos com os valores dos mútuos registrados na contabilidade da empresa e não foram identificadas diferenças. Por fim, com relação a comprovação da necessidade das operações de mútuo, verificamos os balancetes disponibilizados dos anoscalendário de 2004 a 2007, e 2010 e 2011 (Anexo XXIV), sendo evidenciado que a empresa não dispunha de recursos financeiros para efetuar investimentos na JAEPEL, tais como na construção do parque fabril, aquisição de máquinas e equipamentos, entre outros, dessa forma, tais recursos tiveram que ser obtidos perantes terceiros (ex. pessoas físicas). V.I Encerramento Fl. 27878DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.879 8 Nada mais havendo a acrescentar, encerrase o presente Termo de Constatação, emitido por processamento eletrônico, somente no verso do papel, em 28 folhas e XXIV ANEXOs, parte integrante e inseparável deste Termo, conforme mencionado no tópico III Metodologia de execução dos trabalhos.” Em 15 e fevereiro de 2017 a DRJ em São Paulo julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a defesa baseada no cerceamento do direito de defesa se os Autos de Infração e os Termos que o acompanham, lavrados com observância das formalidades legais, foram regularmente cientificados e entregues ao contribuinte, o qual teve o prazo regulamentar de 30 dias para apresentação de sua defesa. GLOSA DE DESPESAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO PROBATÓRIA DE FORMA OBJETIVA E CONEXA COM AS CAUSAS DA AUTUAÇÃO. A simples juntada de documentos pelo contribuinte, sem demonstrar de forma clara e objetiva o equívoco do lançamento praticado, não constitui conjunto probatório válido de forma a comprovar o alegado. SUBVENÇÃO CONTABILIZADA COMO DE INVESTIMENTO. NATUREZA NÃO COMPROVADA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTAÇÃO. Verificado no caso concreto que o desconto obtido sobre o saldo devedor de contrato de financiamento, concedido como benefício fiscal ao contribuinte, não se revestiu das características de subvenção de investimento, mas sim de subvenção de custeio, o valor da operação deve ser tributado como receita operacional. TESTE DE IMPAIRMENT. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA SUA DEDUÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Não existe previsão legal que autorize o reconhecimento das perdas apuradas através de “Teste de Impairment” como dedução da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do período. Além disso, por determinação do art. 15 da Lei nº 11.941/2009, essa despesa não terá reflexo fiscal para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. JUNTADA DE PERÍCIA AOS AUTOS. PERDA DO OBJETO. Fl. 27879DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.880 9 Perde o objeto o requerimento de diligência/perícia feito pelo contribuinte quando ele mesmo, antes do julgamento administrativo, anexa aos autos do processo documento com o fim pretendido. TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL. COFINS. PIS. Aplicase aos lançamentos conexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 22 de fevereiro de 2017 (fl. 911), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24 de março de 2017 (fl. 929). Recebi o processo em distribuição realizada em Em 5 de abril de 2018 a Recorrente apresentou memoriais (fls 27.84127.871), bem como petição para "informar que o Estado de Goiás cumpriu corretamente com o cronograma estabelecido pelo Convênio ICMS nº 190/2017, que previa a data de 28.03.2017 para a publicação no Diário Oficial do Estado da relação com a identificação de todos os atos normativos relativos aos benefícios fiscais instituídos por legislação estadual (doc. 01), sendo evidente que também será cumprida a data de 29.06.2018 para o registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais, não havendo dúvidas de que o benefício fiscal referente ao PROGRAMA PRODUZIR será convalidado." (fls. 27.80827.838). Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente traz alegações de nulidade que no entender desta Relatora não merecem acolhida. Primeiramente, alega cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento de seu pedido de perícia. Referido pedido cumpriu os requisitos do artigo 16 do Decreto 70.235/1972, tendo sido formulado por ocasião da impugnação com a devida indicação de perito (KPMG) e dos seguintes quesitos: Quesitos: I. Relativamente ao ativo classificado como imóvel em 31/12/10 e transferido para melhoria de máquina de papel no valor de R$ 3.834.941,15, as notas fiscais que Fl. 27880DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.881 10 compuseram este valor tratam de compra de máquinas e equipamentos ou de edificações? II. Quanto à despesa financeira desnecessária, qual a diferença entre os juros ativos nas aplicações financeiras e os juros passivos pagos aos sócios? Se não houvesse contraído o mútuo e pago a Jaepel, quão reduziria a aplicação financeira e quanto seria a diminuição dos juros recebidos no período, considerando que os pagamentos de devolução de mútuos realizados em 2010 e 2011 foram amortização desta dívida? III. Quanto ao saldo de valor de mútuo aportado pelos sócios mediante pagamento de despesas e aquisições da Jaepel, dizer se há documentação comprobatória da efetividade das operações e se a origem dos recursos se deu nas contas dos sócios. IV. Existem documentos comprobatórios das outras despesas operacionais e custos não comprovados? V. Das despesas relacionadas como não necessárias, os beneficiários eram terceirizados ou funcionários de empresas terceirizadas da Jaepel? VI. Uma vez reconstituída a base com as despesas efetivamente ocorridas, qual seria a base de IRPJ e CSLL? VII. No período fiscalizado houve investimentos em expansão ou modernização do parque industrial em valores superiores a subvenção recebida pela empresa? Meses depois (dezembro de 2016), a Recorrente juntou aos autos o "Termo de Constatação" de fls. 799826 emitido pela KPMG cujas conclusões estão descritas no relatório infra. Destaco que tal laudo assim descreve seu objetivo (fl. 802): Assim, é fato que o laudo da KPMG não se prestou a responder diretamente os quesitos elaborados pela contribuinte em seu pedido de perícia, mas sim analisar se a empresa possuía todos os documentos solicitados pelas autoridades fiscais nos termos de intimação. Nesse ponto, é importante notar que o processo administrativo tributário é informado pelo princípio do livre convencimento motivado, o qual permite ao julgador que analise o caso concreto à luz da legislação pertinente e firme seu convencimento a partir da prova constante dos autos, devendo relatar os fundamentos de sua decisão e os motivos que o levaram a determinada conclusão. Em caso de eventual necessidade de aprofundamento da análise dos fatos apresentados, o julgador pode solicitar a realização de diligência, a ser efetuada pela autoridade autuante ou outra de mesma competência, ou de exame pericial, quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. Em qualquer caso, é certo que as diligências e perícias não têm por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica. Caso não demonstrada a Fl. 27881DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.882 11 necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável. Nesse passo, o indeferimento de pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora. No caso, a decisão recorrida observou textualmente que, "percorrendo os autos do processo, verificase que o procedimento fiscal foi exaustivo e o processo contém, a nosso ver, elementos suficientes para o seu julgamento, sendo que a realização de diligência e/ou perícia não seria necessária." (fl. 886). Vêse portanto, que a autoridade julgadora entendeu que as informações e documentos juntados aos autos eram suficientes para a formação de seu convencimento, de modo que reputou desnecessário o exame pericial, se pronunciando sobre todos os pontos alegados pela contribuinte em sua defesa. Se é o caso de concordar ou não com tais argumentos a questão é de mérito e não causa de nulidade. A Recorrente também alega preliminar de nulidade em razão de ausência de fundamentação quanto ao laudo da KPMG. Ocorre que, conforme se depreende do trecho transcrito abaixo, a decisão recorrida traz sim fundamentação neste sentido. Novamente, aqui, concordar ou não com as conclusões ali extraídas não é causa de nulidade mas de mérito. Conforme já expusemos, demonstrar que a empresa “possui todas as documentações solicitadas pelas autoridades fiscais nos termos das intimações” não significa possuir e muito menos apresentar um conjunto probatório apto a demonstrar a improcedência da autuação. E de qualquer forma, já mencionamos que o próprio profissional assentou na conclusão do trabalho que elaborou que a empresa não apresentou todos os documentos, além de ter apurado diferenças entre valores que constam das declarações apresentadas e a contabilidade da Jaepel. De qualquer maneira, o citado termo pericial não afeta a análise da autuação bem como o resultado deste voto, eis que as questões defendidas na impugnação foram devidamente apreciadas e motivadamente decididas. (fl. 887) Embora não veja nulidades quer no lançamento quer na decisão recorrida, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência, por duas razões. Primeiramente, parte da autuação está relacionada à discussão sobre natureza do crédito presumido de ICMS e seu tratamento tributário, matéria que, com a edição da Lei Complementar 160, de 7 de agosto de 2017, este CARF tem decidido temporariamente não analisar. Isso porque a Lei Complementar 160, de 7 de agosto de 2017, pretendeu dar fim à discussão sobre a natureza do crédito presumido de ICMS, ao estabelecer que tais incentivos "são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo". Vejase (grifamos): Fl. 27882DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.883 12 Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: (Parte mantida pelo Congresso Nacional) "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." Art. 10. (VETADO). Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (Parte mantida pelo Congresso Nacional) Com a edição dessa norma, o único requisito a ser verificado para que o valor do crédito presumido de ICMS possa não ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL passou a ser aquele previsto no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014, qual seja, o registro em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para (i) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (ii) aumento do capital social. Neste cenário, é certo que, caso cumprido o requisito previsto no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014 (qual seja, a contabilização dos valores como reserva de lucros), e não questionados aspectos relacionados à eventual destinação posterior de tais valores (o que faz com que a discussão seja estranha aos autos), não prevalecerá o lançamento efetuado. Ocorre que, conforme se depreende da leitura do artigo 10 acima transcrito, a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30 aos benefícios anteriormente concedidos está condicionada ao atendimento das exigências de registro e depósito de documentação perante o Confaz. Em razão disso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF tem resolvido sobrestar os julgamentos envolvendo o tema até que decorra o prazo para que os Estados cumpram tais exigências. Vejase neste sentido o trecho da Resolução nº 9101 000.039, que transcrevo e adoto como razões de decidir neste voto: Ademais, a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, Fl. 27883DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.884 13 desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar.” Art. 3º O convênio de que trata o art. 1º desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como Fl. 27884DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.885 14 normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazos limites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para a remissão, a anistia e a reinstituição regrada pelo convênio: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Fl. 27885DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.886 15 Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Os citados prazos ainda não decorreram com relação ao benefício fiscal ora analisado (Desenvolve). Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. Não obstante isso, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos para publicação das normas (pelo Estado) e registro perante o CONFAZ até 28/12/2018. Nesse contexto, após debates entre os componentes do Colegiado, a maioria ponderou pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018, dia seguinte ao prazo para registro referido. Com efeito, a providência revelase cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar nº 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da Lei Complementar e Convênio ICMS acima citados, A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: Fl. 27886DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.887 16 Art. 313. Suspendese o processo: (...) V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo e remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar o contribuinte em 29/12/2018 para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. No caso, muito embora o Estado de Goiás tenha cumprido com o cronograma estabelecido pelo Convênio ICMS nº 190/2017, que previa a data de 28.03.2017 para a publicação no Diário Oficial do Estado da relação com a identificação de todos os atos normativos relativos aos benefícios fiscais instituídos por legislação estadual (fl. 27.808 27.836), ainda não se tem notícia de que tenha havido o registro e o depósito dos atos na Secretaria Executiva do CONFAZ. Assim, também no presente caso o julgamento merece ser adiado. Há também outra razão para a conversão deste julgamento em diligência. Não obstante o laudo da KPMG tenha sido analisado pela DRJ a qual, inclusive, mencionou a apresentação de tal documento como argumento para refutar o pedido de perícia da contribuinte entendo que a análise, pela unidade de origem, de referido laudo, dos documentos a ele pertinentes e dos demais juntados com o Recurso também se faz necessária para a correta orientação quanto à presente lide, oportunizandose ao fisco se pronunciar sobre os quesitos formulados pela Recorrente por ocasião de sua impugnação. Neste sentido, vale lembrar que, no caso em questão, excepcionalmente a juntada dos documentos em sede recursal merece ser aceita e estes analisados, considerando que a própria perícia em primeira instância foi indeferida sob o argumento de que o laudo traz sim provas e que os documentos apresentados em sede recursal consistem em um diálogo com a decisão de primeira instância. Esta Turma já decidiu pela possibilidade de juntada de documentos em caso semelhante, exatamente em alusão ao princípio da verdade material e à necessidade de formação do convencimento do julgador: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. LEGALIDADE. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem Fl. 27887DF CARF MF Processo nº 10120.730937/201412 Resolução nº 1401000.517 S1C4T1 Fl. 27.888 17 pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. (Acórdão n° 1401001.856; 1ª Turma/4ª Câmara/1ª Seção; Relatora Livia de Carli Germano; Julgado em 12.4.2017) Trechos do voto: Além das exceções expressas, existem as implícitas. Assim, outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. (...) em razão da necessidade de formação do livre convencimento do julgador, mas sempre deve ter por norte a busca pela verdade material, de modo que se, durante os trabalhos, se verificam outros aspectos que não os que se pretendeu averiguar, mas que são estritamente relacionados a estes, aqueles também devem ser apreciados.” “Tratase de aceitar a produção de provas após a apresentação da impugnação e fora das hipóteses de exceção expressamente previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 no contexto da formação do livre convencimento do julgador, em razão da conversão do julgamento em diligência determinada por ele próprio, como concretização da busca pela verdade material.” Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto por converter o julgamento em diligência a fim de que: (i) aguardese o julgamento até 29/12/2018, data após a qual deverá ser intimado o contribuinte para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190/2017; e , enquanto isso, (ii) a unidade de origem (a) confirme, quanto aos valores tratados como subvenção, se foram cumpridos os requisitos previstos no caput do artigo 30 da Lei 12.973/2014, qual seja, o registro em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404/1976, que somente poderá ser utilizada para (a.i) absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou (a.ii) aumento do capital social; e (b) se pronuncie sobre o laudo da KPMG e sobre os documentos acostados aos autos pela contribuinte (inclusive em sede recursal), indicando, em parecer conclusivo, se e em que medida tais informações respondem aos quesitos formulados na impugnação e transcritos no início deste voto. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 27888DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.722154/2012-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal e respeitar o princípio da dialeticidade. Não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 1002-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal e respeitar o princípio da dialeticidade. Não conhecimento do recurso.
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Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF. Simples. Recorrente JMA INDUSTRIA COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal e respeitar o princípio da dialeticidade. Não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 21 54 /2 01 2- 95 Fl. 68DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 59) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 49/52), datada de 27/02/2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0824.958, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente (efl. 02), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. MULTA POR ATRASO. DCTF. SEMESTRAL X MENSAL. A opção pela entrega da DCTF mensal, para contribuintes sujeitos à entrega semestral, é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As notificações de lançamento em espécie (efls. 9, 11, 13, 15, 17, 19, 21, 23, 25, 27, 29, 31), validadas na DRF – Goiania, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariaram o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: Arts. 115 e 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN); Art. 1º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Art. 7º, caput e inciso II e § 3º, inciso II, da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com as alterações do artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Demonstrativo: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10120.722154/201295 Acórdão n.º 1002000.192 S1C0T2 Fl. 69 3 JAN/09, Multa de R$ 500,00; FEV/09, Multa de R$ 500,00; MAR/09, Multa de R$ 500,00, ABR/09, Multa de R$ 500,00; MAI/09, Multa de R$ 500,00; JUN/09, Multa de R$ 500,00, JUL/09, Multa de R$ 500,00; AGO/09, Multa de R$ 500,00; SET/09, Multa de R$ 500,00; OUT/09, Multa de R$ 500,00; NOV/09, Multa de R$ 500,00; e DEZ/09, Multa de R$ 500,00. Na impugnação o sujeito passivo requereu o cancelamento da multa e/ou das DCTFs, sob o fundamento de que incorrera em erro ao apresentar as declarações com periodicidade mensal, quando estaria obrigado a entrega semestral, inclusive justifica o erro por força de utilização equivocada da versão do programa gerador da DCTF. A decisão recorrida ponderou que "não se cogita de erro de fato na apresentação da DCTF mensal, uma vez que as circunstâncias dos autos evidenciam o exercício de uma opção legal". Discorre, ainda, que "a utilização errônea do programa gerador da DCTF não exime o sujeito passivo do 'erro' cometido, já que disponível também à época a versão do programa que facultaria a opção pela entrega semestral da declaração". Complementa, outrossim, considerando que "a escolha feita é irretratável para todo o ano calendário. Dessa forma, se inicialmente o sujeito passivo estava obrigado a entregar a DCTF semestralmente, feita a opção prevista no § 1º do art. 5º supra, a obrigação acessória passou a ser devida por períodos mensais. Portanto, tendo optado pela entrega da DCTF mensal, com a apresentação em atraso da declaração, o impugnante sujeitouse à multa, nos termos do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002". No recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, o contribuinte suscitou que "a empresa estava enquadrada como optante do Simples Nacional desde 16/02/2006 e não teria necessidade de apresentar DCTF, no ano calendário de 2009, a empresa foi excluída do Simples indevidamente, tanto que a Receita Federal optou a empresa novamente, e nesta data já havia um processo em julgamento". Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando o juízo de admissibilidade e, se for o caso, o juízo de mérito para, em seguida, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (efls. 56, 58, 59), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Observo, ainda, a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato Fl. 70DF CARF MF 4 extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada em impugnação e discutida no recurso voluntário, qual seja, o suposto enquadramento no Simples a justificar uma não obrigação de apresentar a DCTF, demais disto o interesse recursal mostrase prejudicado, face a falta de dialeticidade entre o recurso voluntário e a decisão da DRJ, que apreciou tese posta na impugnação, a qual não é reiterada no recurso voluntário. Deveras, o recurso voluntário não ataca os fundamentos da DRJ, não impugna as razões de decidir da Colegiado a quo, deixando de indicar suposto equívoco da decisão da DRJ frente a tese da impugnação. O recurso voluntário limitase a apresentar tese nova, violando o princípio da dialeticidade. Desta forma, o juízo revisional resta totalmente prejudicado. A discussão levantada nos autos gravita em torno da exigência de multa por atraso na entrega de declaração DCTFMensal do AnoCalendário 2009, referente ao período de Janeiro a Dezembro. Em impugnação defendeuse que as declarações foram transmitidas em versões erradas, já que deveria ter sido enviado as declarações pela DCTF Semestral – 1.5, mas se fez pela DCTF Mensal – 2.3. Posteriormente, nas razões recursais, defendese a desnecessidade de sequer têlas apresentado, sob o argumento de que é optante do Simples, desde o AnoCalendário 2009. Analisando os autos, verificase que a recorrente, de fato, apresenta inovação recursal, veiculando matéria estranha à impugnação de fl. 02 e que não foi tratada na decisão a quo de fls. 49/52. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10120.722154/201295 Acórdão n.º 1002000.192 S1C0T2 Fl. 70 5 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. Dito de outra forma, no âmbito do processo administrativo fiscal, a impugnação instaura o litígio, razão pela qual nela deve o contribuinte autuado esgotar a sua matéria de defesa, suscitando todos os fatos e fundamentos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do Fisco de manter a autuação, provandoos com documentos idôneos e adequados, apresentandoos no mesmo momento de suas alegações, sob pena de incorrer nas consequências da preclusão. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. O Egrégio Conselho tem competência revisional. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103, 1002000.084, 1002.000.136 e 1002.000.137. Por consequente, não conheço o recurso no que diz respeito a temática referente ao enquadramento no Simples, por tratarse de inovação recursal trazida no recurso voluntário e não discutida na impugnação. No mais, como esta é a única matéria posta no recurso voluntário, não é possível conhecer a íntegra do próprio recurso, por isso deixo de enfrentar o seu mérito. Considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em não conhecer do Recurso Voluntário, consequentemente mantendo íntegra a decisão a quo e o crédito tributário lançado. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 72DF CARF MF 6 Fl. 73DF CARF MF
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